Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
11283318 #
Numero do processo: 10855.721369/2017-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 31/03/2015 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. ARTIGO 117 RICARF. CORREÇÃO. Nos termos do artigo 117 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao dispositivo do resultado do julgamento.
Numero da decisão: 1001-004.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados, sem efeitos infringentes, apenas para corrigir o erro material constante da parte dispositiva do julgado. Assinado Digitalmente ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ – Relator Assinado Digitalmente CARMEN FERREIRA SARAIVA – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Paulo Elias da Silva Filho, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202602

ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 31/03/2015 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. ARTIGO 117 RICARF. CORREÇÃO. Nos termos do artigo 117 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao dispositivo do resultado do julgamento.

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10855.721369/2017-17

anomes_publicacao_s : 202603

conteudo_id_s : 7353871

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 1001-004.202

nome_arquivo_s : Decisao_10855721369201717.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

nome_arquivo_pdf_s : 10855721369201717_7353871.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados, sem efeitos infringentes, apenas para corrigir o erro material constante da parte dispositiva do julgado. Assinado Digitalmente ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ – Relator Assinado Digitalmente CARMEN FERREIRA SARAIVA – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Paulo Elias da Silva Filho, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2026

id : 11283318

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:01 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862166634095968256

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-03-28T21:12:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-03-28T21:12:01Z; Last-Modified: 2026-03-28T21:12:01Z; dcterms:modified: 2026-03-28T21:12:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-03-28T21:12:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-03-28T21:12:01Z; meta:save-date: 2026-03-28T21:12:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-03-28T21:12:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-03-28T21:12:01Z; created: 2026-03-28T21:12:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2026-03-28T21:12:01Z; pdf:charsPerPage: 1327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-03-28T21:12:01Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10855.721369/2017-17 ACÓRDÃO 1001-004.202 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 4 de fevereiro de 2026 RECURSO EMBARGOS EMBARGANTE CONSELHEIRO INTERESSADO PEDRO DE CAMPOS CAMARGO FILHO EIRELI - ME E FAZENDA NACIONAL Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 31/03/2015 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. ARTIGO 117 RICARF. CORREÇÃO. Nos termos do artigo 117 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao dispositivo do resultado do julgamento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados, sem efeitos infringentes, apenas para corrigir o erro material constante da parte dispositiva do julgado. Assinado Digitalmente ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ – Relator Assinado Digitalmente CARMEN FERREIRA SARAIVA – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Paulo Elias da Silva Filho, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Fl. 1648DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.202 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.721369/2017-17 2 RELATÓRIO Trata-se de Embargos Inominados opostos pela Presidente da Turma em face do texto da parte dispositiva do Acórdão da 1ª TEx/1ª Seção nº 1001-003.824, de 03.04.2025. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 1ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª TEX, em 03 de abril de 2025, por unanimidade de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte para CONVETER o julgamento em diligência, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 1001-003.824, com sua ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Faz-se necessária a conversão do julgamento em diligência, considerando a necessidade de análise dos elementos solicitados, a fim de seja viável a formação da convicção do julgador. Ato contínuo, tendo a Presidente da Turma observado inexatidão material na parte dispositiva do julgado, nos termos do art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, opôs embargos inominados para correção do erro material, nos termos do Despacho às e-fls. 111/112. Retornando os presentes Embargos, a esta Relatora já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante encimado, assim o faço. É o Relatório. VOTO Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora 1. Da Admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos embargos inominados e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. 2. Do Lapso Manifesto Veja-se o teor do artigo 117 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Fl. 1649DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.202 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.721369/2017-17 3 Art. 117. As alegações de inexatidão material devida a lapso manifesto ou de erro de escrita ou de cálculo existentes na decisão, suscitadas pelos legitimados a opor embargos, deverão ser recebidas como embargos, mediante a prolação de um novo acórdão. No mesmo sentido, o art. 32 do Decreto nº 70.235/1972, prevê que “as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo”. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs o acolhimento dos presentes Embargos, recepcionado como Inominados, pois constatou que houve erro material. Nesse sentido, procedem os Embargos, impondo seja acolhida sua pretensão para que aludido equivoco seja devidamente saneado. No presente caso, o procedimento segue àquele adequado à resolução e por essa razão o texto da parte dispositiva da Acórdão da 1ª TEX/1ª Seção nº 1001-003.824, de 03.04.2025, deve ser adequado da seguinte forma: ONDE SE LÊ: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta proceda à expedição de Ofício à Caixa Econômica Federal, a fim de que se obtenha informações sobre as notas de leilões pertencentes a terceiros e que foram quitadas nas contas correntes do Recorrente, bem como para posterior análise da documentação recebida, em resposta ao Ofício, e para que seja proferido relatório circunstanciado e conclusivo acerca dos fatos, do qual deve ser intimada a Recorrente para apresentação de manifestação, se assim desejar, conforme o art. 35 do decreto 7574, de 29 de setembro de 2009, nos termos do voto da Relatora. LEIA-SE: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta proceda à expedição de Ofício à Caixa Econômica Federal, a fim de que se obtenha informações sobre as notas de leilões pertencentes a terceiros e que foram quitadas nas contas correntes do Recorrente, bem como para posterior análise da documentação recebida, em resposta ao Ofício, e para que seja proferido relatório circunstanciado e conclusivo acerca dos fatos, do qual deve ser intimada a Recorrente para apresentação de manifestação, se assim desejar, conforme o art. 35 do Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2009, nos termos do voto da Relatora. Fl. 1650DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.202 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.721369/2017-17 4 3. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de acolher os Embargos Inominados, sem efeitos infringentes, apenas para corrigir o erro material constante da parte dispositiva do julgado. Assinado Digitalmente ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Fl. 1651DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11289866 #
Numero do processo: 16692.720075/2019-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2017, 2018 EMBARGOS. INEXATIDÃO MATERIAL. RECURSOS REPETITIVOS (CARF). PARADIGMA 1201006.344. TEMA 736/STF (RE 796.939/RS; ADI 4.905). DISTINÇÃO (DISTINGUISHING). MULTA ISOLADA DE 225% (ART. 18 DA LEI 10.833/2003 C/C ART. 44, §2º, DA LEI 9.430/1996). Mera não homologação de compensação não configurada. DCOMP com informação falsa (saldo negativo inexistente) e inobservância à intimação. Alcance do tema 736 limitado à penalidade vinculada exclusivamente à não homologação (art. 74, §§15 e 17, da lei 9.430/1996). Embargos providos, com efeitos infringentes. ADMISSIBILIDADE. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A ausência de apresentação de impugnação tempestiva por responsável solidário regularmente intimado impede a instauração do contencioso administrativo em relação a ele. Opera-se a preclusão processual, vedado o conhecimento do recurso voluntário quanto ao sujeito passivo revel. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA O agravamento da penalidade pelo não atendimento a intimações subsiste quando não impugnado especificamente no recurso voluntário, operando-se a preclusão quanto ao ponto. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2017, 2018 DCOMP. MULTA ISOLADA. INFORMAÇÃO FALSA. ART. 18, §2º, DA LEI Nº 10.833/2003 Caracterizada a falsidade objetiva das informações prestadas em declarações de compensação, impõe-se a aplicação da multa isolada prevista no art. 18, §2º, da Lei nº 10.833/2003. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente, nos termos do art. 136 do CTN, sendo irrelevante a alegação de ausência de dolo ou atuação de terceiros contratados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ARTS. 124 E 135 DO CTN. NECESSIDADE DE LIAME SUBJETIVO A responsabilização pessoal do administrador exige demonstração individualizada de participação consciente e nexo causal com o ilícito, não bastando a mera condição societária ou benefício econômico indireto. Ausentes os requisitos do art. 124, I, e do art. 135, III, do CTN, afasta-se a corresponsabilização do sócio.
Numero da decisão: 1201-007.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a inexatidão material apontada, nos termos do voto da relatora. Votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto o Conselheiro Lucas Issa Halah. Assinado Digitalmente Isabelle Resende Alves Rocha – Relatora Assinado Digitalmente Nilton Costa Simões – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes e Nilton Costa Simoes (Presidente).
Nome do relator: ISABELLE RESENDE ALVES ROCHA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202602

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2017, 2018 EMBARGOS. INEXATIDÃO MATERIAL. RECURSOS REPETITIVOS (CARF). PARADIGMA 1201006.344. TEMA 736/STF (RE 796.939/RS; ADI 4.905). DISTINÇÃO (DISTINGUISHING). MULTA ISOLADA DE 225% (ART. 18 DA LEI 10.833/2003 C/C ART. 44, §2º, DA LEI 9.430/1996). Mera não homologação de compensação não configurada. DCOMP com informação falsa (saldo negativo inexistente) e inobservância à intimação. Alcance do tema 736 limitado à penalidade vinculada exclusivamente à não homologação (art. 74, §§15 e 17, da lei 9.430/1996). Embargos providos, com efeitos infringentes. ADMISSIBILIDADE. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A ausência de apresentação de impugnação tempestiva por responsável solidário regularmente intimado impede a instauração do contencioso administrativo em relação a ele. Opera-se a preclusão processual, vedado o conhecimento do recurso voluntário quanto ao sujeito passivo revel. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA O agravamento da penalidade pelo não atendimento a intimações subsiste quando não impugnado especificamente no recurso voluntário, operando-se a preclusão quanto ao ponto. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2017, 2018 DCOMP. MULTA ISOLADA. INFORMAÇÃO FALSA. ART. 18, §2º, DA LEI Nº 10.833/2003 Caracterizada a falsidade objetiva das informações prestadas em declarações de compensação, impõe-se a aplicação da multa isolada prevista no art. 18, §2º, da Lei nº 10.833/2003. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente, nos termos do art. 136 do CTN, sendo irrelevante a alegação de ausência de dolo ou atuação de terceiros contratados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ARTS. 124 E 135 DO CTN. NECESSIDADE DE LIAME SUBJETIVO A responsabilização pessoal do administrador exige demonstração individualizada de participação consciente e nexo causal com o ilícito, não bastando a mera condição societária ou benefício econômico indireto. Ausentes os requisitos do art. 124, I, e do art. 135, III, do CTN, afasta-se a corresponsabilização do sócio.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 16692.720075/2019-18

anomes_publicacao_s : 202604

conteudo_id_s : 7355808

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 1201-007.458

nome_arquivo_s : Decisao_16692720075201918.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : ISABELLE RESENDE ALVES ROCHA

nome_arquivo_pdf_s : 16692720075201918_7355808.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a inexatidão material apontada, nos termos do voto da relatora. Votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto o Conselheiro Lucas Issa Halah. Assinado Digitalmente Isabelle Resende Alves Rocha – Relatora Assinado Digitalmente Nilton Costa Simões – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes e Nilton Costa Simoes (Presidente).

dt_sessao_tdt : Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026

id : 11289866

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:15 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862166634542661632

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-02T13:26:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-02T13:26:28Z; Last-Modified: 2026-04-02T13:26:28Z; dcterms:modified: 2026-04-02T13:26:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-02T13:26:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-02T13:26:28Z; meta:save-date: 2026-04-02T13:26:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-02T13:26:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-02T13:26:28Z; created: 2026-04-02T13:26:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; Creation-Date: 2026-04-02T13:26:28Z; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-02T13:26:28Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 16692.720075/2019-18 ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 27 de fevereiro de 2026 RECURSO EMBARGOS EMBARGANTE DELEGADO ADJUNTO DERAT SPO INTERESSADO M. FRAL - DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE HIGIENE LTDA. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2017, 2018 EMBARGOS. INEXATIDÃO MATERIAL. RECURSOS REPETITIVOS (CARF). PARADIGMA 1201‑ 006.344. TEMA 736/STF (RE 796.939/RS; ADI 4.905). DISTINÇÃO (DISTINGUISHING). MULTA ISOLADA DE 225% (ART. 18 DA LEI 10.833/2003 C/C ART. 44, § 2º, DA LEI 9.430/1996). Mera não homologação de compensação não configurada. DCOMP com informação falsa (saldo negativo inexistente) e inobservância à intimação. Alcance do tema 736 limitado à penalidade vinculada exclusivamente à não homologação (art. 74, §§ 15 e 17, da lei 9.430/1996). Embargos providos, com efeitos infringentes. ADMISSIBILIDADE. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A ausência de apresentação de impugnação tempestiva por responsável solidário regularmente intimado impede a instauração do contencioso administrativo em relação a ele. Opera-se a preclusão processual, vedado o conhecimento do recurso voluntário quanto ao sujeito passivo revel. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA O agravamento da penalidade pelo não atendimento a intimações subsiste quando não impugnado especificamente no recurso voluntário, operando- se a preclusão quanto ao ponto. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2017, 2018 DCOMP. MULTA ISOLADA. INFORMAÇÃO FALSA. ART. 18, §2º, DA LEI Nº 10.833/2003 Fl. 701DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 2 Caracterizada a falsidade objetiva das informações prestadas em declarações de compensação, impõe-se a aplicação da multa isolada prevista no art. 18, §2º, da Lei nº 10.833/2003. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente, nos termos do art. 136 do CTN, sendo irrelevante a alegação de ausência de dolo ou atuação de terceiros contratados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ARTS. 124 E 135 DO CTN. NECESSIDADE DE LIAME SUBJETIVO A responsabilização pessoal do administrador exige demonstração individualizada de participação consciente e nexo causal com o ilícito, não bastando a mera condição societária ou benefício econômico indireto. Ausentes os requisitos do art. 124, I, e do art. 135, III, do CTN, afasta-se a corresponsabilização do sócio. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a inexatidão material apontada, nos termos do voto da relatora. Votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto o Conselheiro Lucas Issa Halah. Assinado Digitalmente Isabelle Resende Alves Rocha – Relatora Assinado Digitalmente Nilton Costa Simões – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes e Nilton Costa Simoes (Presidente). RELATÓRIO Fl. 702DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 3 Cuidam os autos de embargos opostos pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão (DERAT/SP - Unidade Preparadora) contra acórdão proferido por esta Turma (1201-006.680) que, por maioria, deu provimento ao Recurso voluntário do contribuinte para afastar a multa isolada de 225%, aplicando, por adesão, a tese fixada no Tema 736/STF (inconstitucionalidade de multa por mera não homologação de compensação) e o entendimento firmado em paradigma de recursos repetitivos no CARF (Acórdão nº 1201‑006.344). A Unidade Preparadora sustenta inexatidão material do acórdão, visto que o auto de infração destes autos não teria se baseado nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996 (núcleo do Tema 736), mas sim no art. 18 da Lei 10.833/2003, combinado com o art. 44, § 2º, da Lei 9.430/1996, ante inserção de informação falsa na DCOMP (retenções inexistentes), somada ao não atendimento às intimações. Requer a análise do vício apontado por este Conselho. É o relatório. VOTO 1 EMBARGOS Os embargos foram admitidos pela Presidência, com fundamento no art. 117 do RICARF, por apontarem possível inexatidão material no acórdão embargado. Da mesma forma, recebo os embargos e passo a analisá-los, de modo a verificar a inexatidão material apontada. Delimita-se a controvérsia a (i) saber se o acórdão embargado incorreu em inexatidão material ao aplicar automaticamente o paradigma repetitivo (Ac. nº 1201‑006.344) e o Tema 736/STF; e (ii) sendo positiva a resposta, se é caso de distinguir o precedente, porquanto o Auto de infração teria se ancorado em fundamentação diversa (art. 18 da Lei 10.833/2003 c/c art. 44, § 2º, da Lei 9.430/1996), em contexto fático de falsidade (informação falsa em DCOMP e desatendimento a intimações), e não na mera não homologação da compensação. O Tema 736/STF (RE 796.939/RS, à luz também da ADI 4.905) fixou a inconstitucionalidade de multa isolada aplicada pelo simples fato de a compensação não ter sido homologada, entendendo a Corte que esse exercício regular do direito de petição e do procedimento administrativo (PER/DCOMP) não configura infração a ser punida por multa isolada. Em consequência, autos lavrados com base exclusivamente nessa hipótese (tipificada nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996) devem ser afastados. Contudo, a razão de decidir da Suprema Corte não alcança hipóteses em que a Administração demonstra: (a) falsidade ou simulação na declaração; (b) inexistência do crédito Fl. 703DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 4 invocado lastreada em dados objetivos (p. ex., ausência total de DIRF compatível e ECF/DCTF apontando IR a pagar); (c) descumprimento de intimações; e (d) base legal autônoma de penalidade (v. g., art. 18 da Lei 10.833/2003, com qualificação por fraude – art. 44, § 2º, da Lei 9.430/1996). Nesses casos, não se pune o mero envio da declaração de compensação, mas a conduta de inserir informação falsa para extinguir tributos, o que é qualitativamente distinto da situação apreciada pelo STF. Essa afirmação decorre, não apenas da interpretação desta relatora acerca do acórdão de Repercussão Geral, mas do PARECER SEI Nº 2674/2023/MF, que autorizou a dispensa da PGFN de contestar e recorrer nos processos relacionados ao Tema 736: (...) é possível citar as seguintes multas que, além de não terem sido abarcadas pelos precedentes, foram, em obiter dictum dos votos-condutores, consideradas válidas, quando a não homologação for motivada em falsidade, sonegação, conluio ou, se caracterizada, as situações de compensação não declarada, a saber:  multa de 150% (cento e cinquenta por cento), aplicada por lançamento de ofício, quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, com previsão nº art. 18, §2º, da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996; (destaques meus) De fato, trechos do acórdão proferido pelo STF corroboram a interpretação ora encampada: Voto do Ministro relator, Edson Fachin Trata-se de saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. (...) Verifica-se que o cerne do litígio persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. Em síntese, firmo convicção em sentido convergente ao parecer ministerial, ou seja, pela inconstitucionalidade da multa prevista no art. 74, §17, da Lei 9.430/96, tendo em conta que a mera não homologação de compensação tributária não consiste em ato ilícito com aptidão para ensejar sanção tributária. Voto Vogal Ministra Carmen Lúcia: A compensação “será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados” (§1º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996). Fl. 704DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 5 No § 2º do art. 74 dessa lei estabelece-se que “a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.” No §17º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, determina-se a incidência de multa quando declarações de compensação não vierem a ser, posteriormente, homologadas pela Secretaria da Receita Federal. Saliente-se que a multa incide ainda que não haja falsidade no pedido, pois, havendo, a multa a ser aplicada é de 150%, conforme determina o §2º do art. 18 da Lei n. 10.833/2003 c/c o inc. I do art. 44 da Lei n. 9.430/1996. (...) Assim como a exigência de depósito prévio, a multa prevista no § 17º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 tem por objetivo a intimidação do contribuinte de forma a desestimulá-lo a apresentar declarações de compensação, incidindo ainda que não haja falsidade no pedido, pelo que frustra o regular exercício do direito de petição. (...) A multa imposta não distingue entre os contribuintes de boa-fé que, por um erro técnico, tenham suas compensações não homologadas e aqueles que, apesar de cientes da ausência de direito à compensação, apresentam suas declarações de má-fé. Lembro que, na hipótese de falsidade, a multa a ser aplicada é de 150%, conforme determina o §2º do art. 18 da Lei n. 10.833/2003 c/c o inc. I do art. 44 da Lei n. 9.430/1996. (destaques meus) Percebe-se claramente, portanto, que o STF julgou inconstitucional a multa que incidia sobre a mera não homologação de compensações, que não esteja calcada em elementos como falsidade das informações, ou condutas criminosas (sonegação, fraude e conluio). Essas outras penalidades foram constantemente ressalvadas no julgamento, a fim de diferenciar o intuito punitivo a multa declarada inconstitucional. Assim, o paradigma de recursos repetitivos citado no acórdão embargado (Acórdão nº 1201‑006.344) foi desenhado justamente para casos típicos de multa vinculada à mera não homologação de compensação, sem elementos de fraude declaratória autônoma. Se o suporte fático-probatório diverge materialmente, a técnica do distinguishing impõe não transpor mecanicamente a ratio decidendi do precedente. No caso dos autos, a DERAT/SP apurou, documentalmente, que o alegado saldo negativo de IRPJ foi construído exclusivamente com retenções na fonte supostamente promovidas pelo Itaú Unibanco no montante de R$ 230.000,00 e R$ 500.000,00, ao passo que a DIRF da fonte pagadora consigna valores irrisórios de R$ 287,43 e R$ 272,15. Além disso, a ECF e a DCTF do contribuinte informavam IRPJ a pagar nos mesmos períodos — portanto, incompatíveis com a Fl. 705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 6 existência de saldo negativo. Não houve apresentação de comprovantes das retenções após duas intimações. Tais achados levaram a autoridade fiscal a não homologar as DCOMPs (fls. 157/182) e a lavrar Auto de infração (fl. 183/210) para lançar penalidade de 225% com fundamento no art. 18, caput, §§ 2º e 5º, da Lei 10.833/2003, combinado com o art. 44, § 2º, da Lei 9.430/1996 (falsidade da DCOMP e não atendimento a intimações). Também foram imputadas responsabilidades solidárias (CTN, arts. 124 e 135) e mencionadas as repercussões penais (Lei 8.137/1990). Logo, não se está diante de multa por mera não homologação (que é o cerne do Tema 736/STF), mas de sanção pela inserção de informação falsa em DCOMP, o que desborda do âmbito do precedente constitucional que fundamentou a conclusão do acórdão paradigma nº 1201‑006.344. Dessa forma, os embargos merecem acolhimento e, efetuada a correção, impõe-se conferir efeitos infringentes aos embargos, pois a distinção ora reconhecida demanda o julgamento autônomo do Recurso voluntário, enfrentando-se os argumentos dos Recorrentes, destinados a afastar a penalidade imposta com base no art. 18 da Lei 10.833/2003 c/c art. 44, § 2º, da Lei 9.430/1996. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO Tendo em vista a brevidade do relatório exposto apenas para fins de análise dos embargos da Unidade Preparadora, narro agora com mais detalhes o caso concreto, de modo a propiciar um julgamento seguro e específico do recurso voluntário. 2.1 RELATÓRIO Na origem, trata-se de auto de infração lavrado contra a pessoa jurídica M. FRAL – DISTRIBUIDORA, IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., com responsabilização solidária de seus sócios Edson Guissan Maeda e Emerson Yoshinobu Maeda, bem como das empresas Platinum Consultoria Empresarial EIRELI e RML Consultoria Empresarial EIRELI e dos respectivos titulares Fagner dos Santos Araújo e Robson Martins Leitão, para lançamento de multa isolada de 225% sobre débitos indevidamente compensados via Declarações de Compensação – DCOMP (total da multa: R$ 2.710.497,90). Consta a imputação de falsidade de informações nas DCOMPs e não atendimento a intimações, tendo a Fiscalização consignado, ainda, a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais. Segundo a descrição dos fatos no auto de infração (fls. 183/210) e no Despacho Decisório (fls. 157/182) que lhe serve de fundamento, a Fiscalização verificou a apresentação, pela Contribuinte, de sucessivas DCOMPs nas quais se declaravam créditos de saldo negativo de IRPJ apurados no 4º trimestre de 2015 (R$ 687.515,71) e no 1º trimestre de 2016 (R$ 639.715,95). A Fl. 706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 7 DRF apurou que tais “saldos negativos” teriam sido formados exclusivamente por retenções na fonte (IRRF) declaradas como realizadas pelo Itaú Unibanco S.A., mas inexistentes ou irrisórias nas DIRF das supostas fontes pagadoras (R$ 759,41 para 2015 e R$ 0,00 para 2016). Além disso, a própria ECF e DCTF da Contribuinte apontavam IRPJ a pagar naqueles trimestres (R$ 21.815,82 e R$ 20.943,12, respectivamente), o que inviabilizava a existência de saldo negativo para o mesmo período. Diante da ausência de resposta a duas intimações e das inconsistências verificadas, concluiu‑se pela falsidade das informações inseridas nas DCOMPs e pela não homologação das compensações, com lançamento de multa isolada de 225%, composta pela penalidade do art. 18, §2º, da Lei 10.833/2003 (multa de 150% por falsidade) majorada em 50% pelo art. 44, §2º, da Lei 9.430/1996 e art. 74, § 2º, da IN RFB nº 1.717/2017 (não atendimento à intimação), nos seguintes termos: Lei nº 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 5º Aplica-se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei nº 9.430/96: § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IN RFB nº 1.717/2017: Art. 74. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os acréscimos legais previstos na legislação. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: Fl. 707DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 8 I - de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; ou II - de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando ficar comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 2º A multa a que se refere o inciso II do § 1º passará a ser de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) nos casos de não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou para apresentar documentos ou arquivos magnéticos. (destaques meus) Foram apresentadas três impugnações: (i) M. FRAL e Edson Guissan Maeda (conjunta, fls. 233/243), (ii) Fagner dos Santos Araújo (responsável pela empresa Platinum, fls. 246/270) e (iii) Platinum Consultoria Empresarial EIRELI (fls. 273/303). Na impugnação da M. FRAL e de Edson Guissan Maeda requereu-se o efeito suspensivo e suspensão da exigibilidade dos débitos com base no art. 151, III, do CTN, bem como a suspensão/arquivamento a Representação Fiscal para fins penais, invocando a Súmula Vinculante 24 (STF) — ausência de lançamento definitivo. No mérito, alegaram que houve erro formal no PER/DCOMP, sem dolo e sem prejuízo ao Erário. Sustentaram que os créditos teriam sido adquiridos por cessão e que a origem foi informada erroneamente como “saldo negativo”. Quanto às penalidades, subsidiariamente, defenderam a limitação da multa a 20% (art. 61 da Lei 9.430/1996) ou redução a 75% (art. 44, I, da Lei 9.430/1996). Invocaram os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco (art. 150, IV, CF), com precedentes do STF/STJ e ementas do CARF para redução de multas. Por fim, também subsidiariamente, os Impugnantes requereram o “direito de substituir o crédito equivocadamente utilizado por outro autorizado pela legislação vigente.” Já o responsável solidário Fagner dos Santos Araújo apresentou impugnação semelhante à da Contribuinte principal, defendendo a inexistência de fraude e afirmando que “tudo foi lançado”, e por “falta de campo” no PER/DCOMP indicava‑se saldo negativo, mas as DCTFs teriam revelado quais créditos efetivamente se pretendia compensar; requereu diligência para que a Fiscalização juntasse as DCTFs. Quanto à responsabilidade solidária, sustentou que o art. 135 do CTN exige comprovação de dolo e excesso de poderes/infração de lei, o que não se demonstrou, defendendo afastamento da responsabilidade da Platinum e dele próprio. Subsidiariamente, pediu redução da multa de 225% para faixa entre 10% e 75%, invocando os princípios do não confisco e proporcionalidade. Fl. 708DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 9 A impugnação da responsável solidária Platinum Consultoria Empresarial EIRELI trouxe alegações idênticas às de Fagner dos Santos Araújo. A DRJ/RPO proferiu acórdão julgando improcedentes as impugnações. A Turma julgadora rechaçou a tese de “erro formal”, indicando que a conduta reiterada de enviar declarações com créditos inexistentes e, inclusive, vincular em DCTF débitos a crédito controlado em processo administrativo de terceiro (CDM Consultoria e Desenvolvimento de Minas Ltda.), evidencia dolo e se amolda ao art. 72 da Lei 4.502/1964 (fraude). Além disso, o voto condutor da decisão justificou a majoração de 50% da multa prevista no art. 44, §2º, da Lei 9.430/1996, em razão do não atendimento às intimações para explicitar a origem do crédito. A responsabilidade solidária de todos os envolvidos foi mantida com base nos arts. 124 e 135 do CTN. A DRJ salientou que as DCOMPs foram transmitidas com o certificado digital da Platinum, revelando interesse comum e atuação do mandatário na inserção das informações, o que legitima a corresponsabilização. A respeito dos princípios constitucionais, a DRJ consignou que não lhe compete afastar lei por alegada inconstitucionalidade (Súmula CARF 2; art. 26‑A do Decreto 70.235/1972), razão pela qual não apreciou a pretensão de reduzir/afastar a multa por suposto não confisco. Em relação ao pedido de substituição do crédito, o Acórdão indeferiu por configurar inovação e por incompetência da DRJ para reabrir a fase declaratória (necessidade de nova DCOMP perante a DRF competente). Também lembrou a vedação à retificação após intimação (art. 107 da IN RFB 1.717/2017). Após a ciência regular de todos os responsáveis solidários, apenas a Contribuinte principal e os responsáveis Edson Maeda e Emerson Maeda interpuseram recurso voluntário conjunto (fls. 360/671). Em preliminar, os Recorrentes sustentam a nulidade do auto de infração ou, ao menos, a impossibilidade de imposição de solidariedade tributária à empresa e aos sócios administradores, por ausência de interesse comum no fato gerador da penalidade (art. 124, I, do CTN). Afirmam que não participaram da escolha da origem do crédito e que as compensações foram operacionalizadas por terceiros contratados, que, segundo os Recorrentes, ofereceram e executaram “serviços de compensação tributária” com promessa de existência de créditos aptos a saldar débitos federais. Para corroborar suas alegações, anexam comprovantes de pagamentos mensais de honorários na ordem de R$ 20.000,00 entre junho/2017 e dezembro/2018, cópia de contrato de consultoria tributária, além de trocas de mensagens entre o consultor e o sócio Edson, e também mensagens com a esposa do consultor, que também compunha a equipe. A partir desse conjunto, os Recorrentes sustentam que não houve adesão consciente a qualquer esquema fraudulento e que faltam elementos para reconhecer, em relação à empresa e a seus sócios, o alegado interesse Fl. 709DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 10 comum na conduta sancionada, razão pela qual pugna pela exclusão de todos do polo passivo solidário, caso não se reconheça a nulidade total da autuação. No mérito, o recurso assenta‑se na tese de boa‑fé objetiva e ausência de dolo. Afirmam os Recorrentes que sempre atuaram regularmente em suas atividades empresariais, sem histórico de autuações, e que, tão logo desconfiaram da inidoneidade da empresa de consultoria, ao final de 2018, teriam interrompido a prática de compensação e retomado o recolhimento de tributos a partir de janeiro de 2019, juntando aos autos DARFs e comprovantes de pagamento de tributos de 2019 e 2020. Acrescentam que, posteriormente, veio a público a notícia de prisões do consultor indicado e de terceiros a ele vinculados (Grupo Platinum), o que reforçaria a condição da empresa como vítima de golpe, e declara intenção de regularizar integralmente os débitos objetos das DCOMPs por meio de parcelamento. Nessa toada, requerem o afastamento da multa de 225% por entenderem que não houve proveito indevido deliberado, senão indução a erro atribuída aos consultores. Em reforço, os Recorrentes arrolam fundamentos constitucionais: afirmam que a penalidade de 225% viola os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, citando precedentes do STF e do STJ para sustentar que a sanção deve guardar medida com a gravidade da conduta e o elemento subjetivo aferido. Com base nesses parâmetros, pleiteiam a anulação do Auto de infração e juntam os seguintes documentos:  contrato social da pessoa jurídica;  comprovantes bancários dos pagamentos aos consultores;  comunicações eletrônicas entre o consultor e os sócios;  o termo de intimação que teria motivado a ruptura com o serviço;  comprovantes de recolhimentos posteriores e reportagens sobre as investigações criminais, tudo com o propósito de demonstrar boa‑fé, rompimento imediato quando surgiram as suspeitas e disposição de adimplir os tributos devidos pelos meios ordinários. Narrado o histórico do processo, passo a analisar os argumentos do Recurso voluntário. 2.2 ADMISSIBILIDADE Embora a admissibilidade do recurso já tenha sido realizada quando da prolação do acórdão embargado, existem aspectos que precisam ser verificados agora, dada a modificação do escopo de julgamento. Fl. 710DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 11 O recurso voluntário foi interposto em nome da M.Fral, de Edson Guissan Maeda e Émerson Yoshinobu Maeda. Contudo, embora tenha sido regularmente intimado (fl. 216), o sr. Émerson não apresentou Impugnação contra o auto de infração. A peça de defesa de fls. 233/243 arrolou apenas a M.Fral e o sr. Edson Guissan Maeda e, afora isso, não localizei nos autos nenhuma outra Impugnação que pudesse ter sido protocolada pelo sr. Émerson em separado. Desse modo, o recurso não pode ser conhecido em relação ao responsável solidário Émerson Yoshinobu Maeda, visto que se operou a preclusão processual em relação a ele. De fato, a ausência de apresentação de impugnação configura a não instauração do contencioso administrativo, nos termos do art. 14, do Decreto nº 70.235/72. Ainda, o art. 17 do mesmo diploma processual prevê que “Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Soma-se a isso o fato de que os vínculos processuais de cada sujeito passivo são tratados de forma individual e autônoma no regramento do Processo Administrativo Fiscal federal, conforme se observa dos seguintes artigos do Decreto 7.574/2011, que também regulamenta a matéria: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 3º No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. § 4º Na hipótese do § 3º, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento. (destaques meus) Em outras palavras, o sujeito passivo regularmente intimado que deixa de impugnar o auto de infração no prazo de 30 dias perde, em sede administrativa, a oportunidade de discutir o lançamento, ficando consolidada sua responsabilidade tributária tal como exigida pela fiscalização, a não ser que a obrigação principal seja extinta pelas instâncias de julgamento. A jurisprudência deste Conselho é predominante nesse sentido, conforme se observa nas ementas exemplificadas a seguir: IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. REVELIA. EFEITOS. Fl. 711DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 12 A não apresentação tempestiva da impugnação, na dicção do Decreto nº 70.235/72, conhecido como Lei do Processo Administrativo Fiscal Federal, artigos 15, 16, § 4º, e 21, caracteriza a preclusão do direito de se manifestar no processo. (Acórdão nº 1102-001.658 – 26 de junho de 2025, relator Lizandro Rodrigues de Sousa) RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal para o impugnante, ocorrendo a preclusão processual para os demais interessados que não apresentarem impugnação, salvo no caso de matéria de ordem pública. Além da matéria impugnada, a impugnação tem, como um de seus elementos caracterizadores, o próprio impugnante: isso significa que o processo fiscal será instaurado apenas com relação a quem apresentou impugnação e na medida da matéria impugnada. Nessa linha, se apenas o devedor principal apresentar impugnação, o processo administrativo será instaurado com relação apenas a ele, ocorrendo a preclusão processual quanto aos demais responsáveis solidários que não se manifestaram. (Acórdão nº 9303-016.555 – CSRF, 19 de fevereiro de 2025, relatora Tatiana Josefovicz Belisário, redator designado Vinícius Guimarães) Importante registrar apenas que, tendo a empresa e outros responsáveis tributários impugnado o lançamento e recorrido contra a decisão da DRJ, a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa em relação a todos os corresponsáveis, nos termos do art. 5º, da IN RFB nº 1.862/20181. Importante registrar, ainda, que a multa agravada em 50% pelo não atendimento às intimações não foi questionada no recurso voluntário. Muito embora os Recorrentes questionem a multa de 225% como um todo, pedindo seu cancelamento em função da ausência de dolo na falsidade das informações, ou sua redução por ofensa aos princípios da razoabilidade e não- confisco, os Recorrentes não atacam o fundamento da multa agravada em 50%, contida na multa total de 225%. Desse modo, apesar desta relatora entender inaplicável o agravamento em casos como o presente, não há a possibilidade de aplicar esse entendimento ante a ausência de questionamento pelos Recorrentes. Por último, em relação à matéria do recurso voluntário, ressalvo que os Recorrentes aduzem alegações que perpassam a inconstitucionalidade de normas ou condutas fiscais, o que, a meu ver, levaria ao não conhecimento parcial do Recurso, em razão da Súmula CARF nº 2. Porém opto por analisar essas alegações no mérito, respeitados os limites a que este Conselho está submetido. 1 Art. 5º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. Fl. 712DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 13 2.3 MULTA ISOLADA EM RAZÃO DE NÃO-HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO QUANDO SE COMPROVE FALSIDADE DA DECLARAÇÃO – 150% Não obstante a plausibilidade na comprovação de que os Recorrentes foram vítimas de um golpe perpetrado por terceiros, entendo não ser possível afastar a multa isolada aplicada na forma do art. 18, §2º, da Lei nº 10.833/2003. Inicialmente, rechaço os argumentos preliminares no ponto em que os Recorrentes pretendem atribuir à pessoa jurídica autuada a condição de responsável solidária para, a partir daí, sustentar ausência de interesse comum (art. 124, I, do CTN) por “não ter participado do fato gerador da penalidade”. A empresa figura no polo passivo como sujeito passivo principal, pois foi em seu nome que se transmitiram as declarações de compensação reputadas falsas, ainda que operacionalizadas por mandatário ou terceiros contratados. Não se trata, portanto, de hipótese de solidariedade tributária da pessoa jurídica, mas de imputação direta da infração a quem a praticou formalmente. Já quanto aos sócios administradores, o debate é pertinente e a insurgência recursal se firma também na tese de que teriam sido enganados por consultoria contratada, devendo ser excluídos do polo passivo da demanda juntamente com a empresa da qual são sócios, por ausência de dolo e de comprovação de interesse comum nos termos do art. 124, do CTN. A discussão sobre a responsabilidade pessoal dos administradores, porém, será enfrentada em tópico próprio. No mérito, da análise dos elementos fáticos que compõem o processo, percebe-se que a materialidade do lançamento decorre de um conjunto de inconsistências objetivas que, analisadas em bloco, conduzem à conclusão de que as DCOMPs foram transmitidas com informações inverídicas sobre a existência/legitimidade do crédito utilizado para extinguir débitos: 1. Volume e reiteração da conduta: O despacho decisório e o auto de infração arrolam 23 DCOMPs transmitidas entre 16/05/2017 e 24/09/2018, todas ancoradas em crédito de mesma natureza e com a mesma problemática de confirmação (suposto saldo negativo do 4º trimestre de 2015 e 1º trimestre de 2016), o que afasta a hipótese de equívoco pontual e revela um modus operandi reiterado. 2. Inexistência de lastro declaratório do alegado saldo negativo: o crédito informado (saldo negativo decorrente de retenções em aplicações financeiras) não foi confirmado nas escriturações/declarações da própria contribuinte (ECF) e tampouco foi corroborado nas declarações das fontes pagadoras (DIRF). Pelo contrário, a ECF da empresa apurou IRPJ a pagar nos dois períodos que teriam originado o crédito. 3. Ausência de esclarecimento/documentação mínima quando instada a apresentar: a multa de 50% por não atendimento das intimações será objeto de capítulo próprio neste voto, mas, para fins de análise da manutenção da multa do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 é relevante registrar que não houve, nem no curso da Fl. 713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 14 fiscalização, nem nas manifestações processuais, a apresentação de elementos capazes de demonstrar a origem e a titularidade do crédito. Pelo contrário, inicialmente, os Recorrentes afirmavam que se tratava de crédito originado de cessão, erroneamente apontado como saldo negativo e, depois, informaram terem sido vítimas de golpe. Ou seja, reconheceu-se a inexistência de saldo negativo a compensar. 4. Elementos adicionais de inverossimilhança/falsidade apontados pela DRJ e apoiados em documentos dos autos: a DRJ agregou fundamentos importantes, com destaque para situação em que (i) determinado débito consta como pago da DCTF e, em seguida, como compensado, e (ii) o processo administrativo indicado como referência na compensação estava em nome de terceiro alheio à relação jurídico-tributária. Esse quadro satisfaz o núcleo normativo da multa aplicada, o que é essencial para delimitar o ponto jurídico que diferencia esta penalidade de outras figuras sancionatórias. Isso, porque, dada a gravidade da penalidade imposta (150% dos débitos objetos das DCOMPs), poder- se-ia questionar a superficialidade da fundamentação constante do despacho decisório, que, a partir dos elementos objetivos narrados acima, concluiu pela falsidade das declarações e trouxe até mesmo consequências criminais para o ato. Veja-se: Despacho Decisório: Constatadas (1) a inexistência da retenção formadora do suposto direito creditório de saldo negativo de IRPJ pleiteado na DCOMP e (2) a inexistência de apuração de saldo negativo de IRPJ na escrituração contábil-fiscal do contribuinte, resta evidente e comprovada a falsidade das informações inseridas pelo interessado na DCOMP para forjar créditos de saldos negativos aproveitados nas compensações. (...) Cumpre salientar que, nos termos do art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Ao informar em DCOMP crédito que sabia ser inexistente, conforme apuração constante em sua escrituração contábil-fiscal, o contribuinte extinguiu, sob condição resolutória, os débitos compensados. Deste modo, não se vislumbra, no presente caso, a ocorrência de erro escusável, mas intenção dolosa de burlar a Fazenda Pública, com a apresentação de compensações com direito creditório sabidamente inexistente para a extinção de tributos federais. A inserção de informações de que tinha plena consciência de serem falsas em DCOMP com a intenção de abster-se do pagamento de tributos federais configura fraude, conforme previsto no art. 72, da Lei nº 4.502, de 30 de Fl. 714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 15 novembro de 1964, e crime contra a Ordem Tributária, nos termos dos arts. 1º e 2º, ambos da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 (...) Em função da não homologação das compensações, motivada pela inserção de informação falsa na declaração, será realizado lançamento de ofício de multa isolada de 225% sobre o valor dos débitos indevidamente compensados, conforme previsto no art. 18, caput, § 2º e § 5º, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, combinado com o art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 74, § 2º, da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017. A meu ver, o Despacho Decisório falhou ao concluir pela existência do crime de fraude, com base na presunção de que a Contribuinte autuada tinha plena consciência de que as informações inseridas nas DCOMPs eram falsas, o que caracterizaria a “intenção dolosa de burlar a Fazenda Pública.” A Autoridade Fiscal não demonstra esse dolo, não constrói a comprovação do nexo subjetivo entre a conduta da empresa e de seus sócios e a consequência criminal imputada. O que se vê no despacho decisório e no auto de infração é uma inferência no sentido de que, se as informações prestadas em DCOMP não são verídicas, dada a inexistência do saldo negativo pleiteado, logo, a empresa em nome da qual as DCOMPs foram transmitidas cometeu o crime de fraude e de envio de informações falsas ao fisco. Contudo, isso não interfere na integridade da autuação, justamente porque a multa imposta se fundamentou, ao fim e ao cabo, na constatação de falsidade objetiva das DCOMPS (art. 18, caput, § 2º e § 5º, da Lei nº 10.833), não na configuração do crime de fraude ou de envio de informações falsas ao fisco. Essa menção na fundamentação fiscal, apenas teve o intuito de justificar a emissão de Representação Fiscal para fins penais e de responsabilização solidária dos sócios da empresa, o que será analisado em tópico específico. Veja-se, dizer que se contata falsidade em declaração de compensação com base em elementos objetivos para se aplicar a multa isolada não é o mesmo de caracterizar o crime, o tipo penal do envio de informações falsas ao fisco constante dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90, ou de fraude constante do art. 72, da Lei nº 4.502/64. Embora as palavras usadas nas duas normas tenham raízes semelhantes (falsidade), a configuração da infração é totalmente diversa. Pois bem, a jurisprudência deste Conselho tem reconhecido que a multa por envio de DCOMP com informação falsa, prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, não se confunde com a multa de ofício qualificada por fraude, conluio ou sonegação (art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96) e, por isso, não exige a mesma demonstração do elemento subjetivo (dolo específico) que seria indispensável para qualificação da multa em outras hipóteses. Nesse sentido, o Acórdão nº 1202-001.685 (29/08/2025) registrou expressamente que, “diferentemente da multa de ofício qualificada, a multa por transmissão de declaração de Fl. 715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 16 compensação com informações falsas não depende da comprovação do dolo do sujeito passivo”, acrescentando que a contratação de terceiros para realizar revisão/assessoria não exonera o contribuinte da responsabilidade por infrações. Ou seja: para a multa em debate, o núcleo de incidência é a falsidade da informação declarada, aferida objetivamente a partir do conjunto probatório, e não a reconstrução psicológica da intenção do contribuinte nos mesmos moldes de infrações em que o dolo específico é elementar. Tanto é assim que o próprio art. 18 da Lei nº 10.833/2003 tem outra previsão de multa para os casos de fraude, sonegação e conluio, qual seja, o parágrafo 4º: § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (destaques meus) Ao remeter ao inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430/96 (75%), com a expressão “duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso” entendo que o §4º previu punição específica em que, no envio de declarações de compensação consideradas não declaradas, há a necessidade de comprovação do dolo subjetivo para a prática de fraude, conluio, ou sonegação, crimes referenciados no § 1º do art. 44 da Lei no 9.430/96, que justificam a qualificação da multa. É dizer: embora se refira a falsidade, conduta que precisa ser identificada e comprovada de alguma forma, a fundamentação legal em que a penalidade dos autos foi motivada não exige, em sua essência jurídica, a comprovação de existência do dolo subjetivo do sujeito passivo na prática da conduta. Diferentemente do §4º, o §2º do art. 18, da Lei nº 10.833/2003 não remete ao § 1º do art. 44 da Lei no 9.430/96, mas ao “percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro”. A mesma linha de raciocínio já apareceu no âmbito da 3ª Seção: o Acórdão nº 3301- 014.650 reafirmou o enquadramento próprio da penalidade em questão, inclusive afastando a retroatividade benigna da Lei nº 14.689/2023, que limitou a multa qualificada de ofício do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96 a 100%. Veja-se, ainda, que não se está a tratar de mero erro formal ou limitação sistêmica no envio da DCOMP, como tentou fazer crer a Contribuinte em sua impugnação original. A situação em análise decorre da inidoneidade do crédito e das incongruências materiais, justamente o que diferencia o caso concreto do Tema 736 de Repercussão Geral. No recurso voluntário, o Contribuinte altera a narrativa de sua impugnação, que provavelmente foi elaborada pela empresa de consultoria que lhe vendeu o crédito inexistente2, e afirma ter sido vítima de golpe perpetrado pela consultoria em questão, juntando contrato e 2 Em primeira instância, a empresa de consultoria considerada criminosa também impugnou a autuação e seu teor era semelhante ao que foi dito na Impugnação da Contribuinte principal e seu sócio. Fl. 716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 17 mensagens trocadas com os golpistas. Não se ignora que tais elementos indiquem ausência de adesão consciente a um esquema criminoso e, nesse plano humano do litígio, a boa-fé subjetiva é um dado que merece registro. Todavia, no campo específico da responsabilidade por infrações tributárias, vigora a regra do art. 136 do CTN, segundo a qual, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável.” Além disso, os próprios documentos trazidos pelos Recorrentes reforçam o contexto de falsidade das DCOMPs e revelam a vantagem econômica que cercou as compensações: o contrato de assessoria juntado nas fls. 413/420 prevê o pagamento de remuneração à empresa de consultoria em 50% do valor dos débitos quitados com os créditos, o que sugere uma quitação com deságio expressivo e economicamente atípico. É dizer, na prática, a Contribuinte principal demonstra ter obtido um desconto de 50% em seus débitos compensados, visto que não aparece nos autos nenhum outro tipo de desembolso feito pela autuada. Essa estrutura negocial não prova, por si, dolo subjetivo dos Recorrentes em fraudar as DCOMPs, nem autoriza juízos morais ou conclusões pela ocorrência de crime sem que se construa o liame subjetivo necessário, mas é um indicador de que a operação se apresentava como benefício extraordinário para a empresa autuada, incompatível com a normalidade das formas lícitas de liquidação de passivos tributários. Em tal cenário, ainda que se admita que o contribuinte tenha sido induzido por terceiros, permanece verdadeiro que ele foi beneficiário direto da extinção de débitos via DCOMPs contendo as informações falsas, transmitidas em seu nome. Em síntese: a alegação de ter sido enganado pode ser relevante para outras esferas (cível/penal/regressiva), mas não elide, no plano administrativo-fiscal, a incidência da multa isolada em debate quando objetivamente comprovada a falsidade do conteúdo declarado. O fato de ter interrompido a utilização do crédito falso quando da descoberta do procedimento tampouco afasta a incidência da multa para os Recorrentes, por razões semelhantes às que já expus acima. De se notar, inclusive, que as informações apuradas pela DRJ no acórdão recorrido e trazidas pelos próprios Recorrentes no recurso voluntário, permitiriam o enquadramento da multa no §4º do 18 da Lei nº 10.833/2003 citado acima, já que se identificou que o crédito utilizado, em tese, pertencia a terceiros, uma das hipóteses de compensação não declarada prevista no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, referenciado no mencionado §4º do 18 da Lei nº 10.833/2003. Vejam-se os elementos que conduzem a essa conclusão: Trechos do acórdão recorrido: A falsidade da conduta da contribuinte é evidenciada, ainda, pelas informações prestadas em DCTF, onde indicou que os débitos constantes das Dcomps estavam vinculados a processos que sequer estão em nome de M. Fral – Distribuidora de Produtos de Higiene Ltda. Fl. 717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 18 Tomemos como exemplo as informações pertinentes ao débito de PIS do período de apuração agosto/2016, no valor principal de R$ 3.997,96, indicado para compensação na Dcomp nº 22306.82015.160517.1.3.02-1057: (...) O contribuinte transmitiu duas DCTFs para o mês de agosto/2016: (...) Na primeira DCTF, entregue em 18/10/2016, o débito de PIS foi declarado como saldo a pagar, e na DCTF retificadora, entregue em 25/04/2017, foi prestada a informação de o referido débito de PIS teria sido objeto de compensação vinculada ao processo nº (...)2010-47: (...) O processo nº (...) 2010-47, está em nome de outro contribuinte: CDM Consultoria (...), conforme consulta a seguir no sistema de protocolo: Trechos do Contrato de prestação de serviço de consultoria tributária juntado com o Recurso voluntário (fls. 413/420): CLÁUSULA PRIMEIRA - DO OBJETO O objeto do presente instrumento é a CONSULTORIA TRIBUTÁRIA, para redução de débitos tributários federais da CONTRATANTE já vencidos, por meio de créditos pertencentes à CONTRATANTE e oriundos da ação judicial transitada em julgado em 24/10/2003, sob n° 1.059/57, em favor de CDM CONSULTORIA E DESENVOLVIMENTO DE MINAS LTDA, sociedade empresária limitada, (...). A CONTRATADA possui autorização para comercialização desses créditos para fins de direito. (...) Parágrafo Segundo - O crédito está inscrito junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil sob o número do processo administrativo n° (...) 2010-47. (destaques meus) Esses trechos denotam que, além de não existir o saldo negativo indicado nas DCOMPs, o crédito utilizado, ao menos formalmente, pertencia a terceiros. Caso a Fiscalização tivesse identificado esses pontos quando da emissão do Despacho Decisório e do Auto de infração de origem, em vez de não homologadas, as compensações poderiam ser consideradas não declaradas e a multa poderia se dar com base no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (constatação de fraude, conluio e sonegação). A primeira consequência prática dessa formatação legal seria o não cabimento de Manifestação de Inconformidade (§13 do art. 74, da Lei nº 9.430/96), de modo que não se obteria a suspensão da exigibilidade automática dos débitos por nenhuma manifestação eventualmente apresentada. Fl. 718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 19 No entanto, o esquema utilizado pela empresa de consultoria era claramente arquitetado para afastar esse enquadramento, de modo a garantir ao cliente que, caso houvesse algum questionamento do procedimento, ainda seria cabível uma defesa para suspender a cobrança, o que permitiria ao contribuinte continuar emitindo suas certidões de regularidade fiscal, em razão da suspensão da exigibilidade dos débitos. É por esse motivo que se vendia um crédito supostamente pertencente a terceiros, por meio de cessão, tal como demonstrou o contrato juntado pelos Recorrentes, mas, em razão da impossibilidade de se compensarem débitos junto à RFB com créditos de terceiros, as compensações eram sistemicamente viabilizadas pela criação de saldos negativos inexistentes, declarados nas DCOMPs em questão. E essa foi justamente a explicação dada nas Impugnações apresentadas: o crédito tinha origem em operação de cessão, mas apenas foi indicado como saldo negativo na DCOMP por ausência de campo específico para esse tipo de crédito. Ora, neste caso, a ausência de tal campo específico decorre justamente da proibição legal de se realizar esse tipo de compensação. Ou seja, além de fabricar créditos falsos, a empresa de consultoria vendia os créditos na forma de cessão, convencendo as vítimas de que esses créditos de terceiros poderiam compensar seus débitos federais. O organograma a seguir ilustra o esquema perpetrado pelos consultores: A segunda consequência prática de se considerarem as compensações não declaradas seria a necessidade de comprovação, pelo fisco, de dolo subjetivo da autuada na prática de um dos crimes referenciados no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 para qualificação da multa isolada, o que demandaria detalhamento e aprofundamento do trabalho fiscal. De se lembrar que, embora tenha se configurado a falsidade das DCOMPs, a autoridade fiscal não caracterizou a tipificação penal necessária para a configuração de qualquer crime tributário. Vale mencionar que a autuação de origem se deu no contexto da "Operação Saldo Negativo" noticiada pelos próprios Recorrentes (fls. 318/330), em que a polícia Federal prendeu 25 pessoas relacionadas ao esquema de compensações com créditos falsos, articulado pela Fl. 719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 20 Platinum Consultoria, empresa contratada pela Contribuinte ora autuada3, mas a caracterização jurídica do cometimento de crime pela Contribuinte não ocorreu, o que também afasta a multa do §4º do 18 da Lei nº 10.833/2003, aventada apenas para fins didáticos a respeito do esquema de fraude que foi o pano de fundo da autuação. Toda essa fundamentação serve para fixar, portanto, as seguintes premissas:  A multa em exame decorre do art. 18, §2º, da Lei nº 10.833/2003, cujo foco recai sobre a falsidade objetiva do conteúdo declarado na DCOMP, distinguindo-se de outras hipóteses sancionatórias em que o legislador exige configuração de fraude/sonegação/conluio, com demonstração clara de dolo subjetivo do agente.  Ainda que a fundamentação fiscal não explore o dolo subjetivo dos Recorrentes, o acervo processual densifica o conjunto probatório sobre a falsidade objetiva das DCOMPs, atraindo a aplicação do referido art. 18.  A tese de “golpe” e a explicação do modus operandi das consultorias criminosas explicam o contexto fático e devem ser consideradas com intuito de reconhecer a vulnerabilidade de pequenos empresários diante desse tipo de prática que ainda vem sendo aplicada. É notório que muitos contribuintes não detêm conhecimento técnico nem conta com mão de obra qualificada para escrutinar a engenharia fiscal utilizada por consultorias aparentemente especializadas.  Essa boa-fé subjetiva, contudo, não é relevante para excluir a multa pelo envio de DCOMP com informações falsas. A delegação da execução do procedimento a terceiros e o desconhecimento dos mecanismos declaratórios empregados não afastam a responsabilidade do sujeito passivo pelas informações prestadas em seu nome perante a Administração Tributária, ainda mais considerando elevado desconto obtido na quitação dos débitos, caso o esquema não fosse desvelado.  A reconstrução do contexto, dos papéis e da dinâmica da operação fornece as bases fáticas necessárias para, em tópico próprio, avaliar a responsabilização pessoal dos administradores da Contribuinte principal, com critérios distintos dos aplicáveis à pessoa jurídica na manutenção da multa isolada. Por fim, quanto às alegações de confisco, desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa, nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade das normas que serviram de fundamento para o lançamento. Isso se confirma também no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 3 https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2019/11/05/veja-como-funcionava-o-esquema-desarticulado-na- operacao-saldo-negativo.ghtml Fl. 720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 21 Vale relembrar que o Tema 863 de Repercussão Geral, que limitou a multa de 150% se verificada a existência de sonegação, fraude ou conluio a 100%, analisou a constitucionalidade do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, não sendo permitido a este Conselho aplicar o entendimento por analogia, justamente em função da limitação regimental mencionada. Diante disso, portanto, entendo caracterizada, para os fins do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a falsidade das Declarações de Compensação, sendo de rigor a manutenção da multa isolada qualificada (150%). 2.4 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS Relembrando o contexto de responsabilização solidária do auto de infração analisado, a autoridade fiscal incluiu na cobrança, além das empresas de consultoria envolvida e seus responsáveis, os dois sócios da Contribuinte autuada, sob a seguinte fundamentação legal: Por se tratar de obrigações tributárias decorrentes de atos praticados com a infração prevista pela Lei nº 8.137, de 1990, a qual dispõe no inciso I, de seu art. 2º, que a declaração falsa, com o intuito de se eximir, total ou parcialmente, de pagamento de tributo, configura crime contra a ordem tributária, o sócio da empresa, EDSON GUISSAN MAEDA, cadastrado no CPF sob o nº (...), responde pessoalmente pelos créditos tributários nos termos dos arts. 124, I, e 135, III, ambos do Código Tributário Nacional. Por se tratar de obrigações tributárias decorrentes de atos praticados com a infração prevista pela Lei nº 8.137, de 1990, a qual dispõe no inciso I, de seu art. 2º, que a declaração falsa, com o intuito de se eximir, total ou parcialmente, de pagamento de tributo, configura crime contra a ordem tributária, o sócio da empresa, EMERSON YOSHINOBU MAEDA, cadastrado no CPF sob o nº (...), responde pessoalmente pelos créditos tributários nos termos dos arts. 124, I, e 135, III, ambos do Código Tributário Nacional. No Recurso Voluntário, os Recorrentes questionam sua responsabilização por dois motivos: ausência de demonstração de interesse comum no fato gerador da multa (foram vítimas de golpe, logo, não contribuíram para infração realizada) e ausência de dolo na conduta penalizada. Pois bem, primeiramente, é de recordar que o recurso não foi conhecido em relação ao Sr. Emerson, de modo que a análise segue apenas em relação ao Sr. Edson. Dito isso, penso que a fundamentação desenvolvida no tópico anterior é suficiente para dar provimento ao recurso neste ponto. Muito embora não seja possível afastar a responsabilidade da Contribuinte pelo envio de informações falsas em DCOMP, a fiscalização não estabeleceu o liame subjetivo e individual entre a conduta penalizada e a ação do Sr. Emerson, de modo a justificar sua responsabilização pelo crime tributário supostamente cometido. Para corroborar essa conclusão, trago breves considerações jurídicas a respeito dos institutos de responsabilidade solidária que embasaram a autuação (art. 124, I e 135, III, do CTN). Fl. 721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 22 A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN é regra de sujeição passiva que permite, desde que preenchidos requisitos estritos, exigir o crédito tributário de mais de um sujeito, sem benefício de ordem, quando haja interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Assim, o art. 124 do CTN é compreendido como espécie de responsabilidade tributária, apta a incluir terceiro no polo passivo, não por mera conveniência, mas pela constatação, em concreto, de vínculo jurídico-material com o fato gerador (ou com a relação jurídica a ele vinculada) e, sobretudo, de nexo causal entre a conduta e o resultado lesivo ao Fisco, em hipóteses de ilicitudes tributárias. A premissa metodológica que deve orientar a aplicação do art. 124, I, portanto, precisa conciliar dois vetores: (i) efetividade no enfrentamento de estruturas artificiais criadas para ocultar os reais operadores e beneficiários; e (ii) contenção jurídica para evitar a banalização do “interesse comum”, repelindo responsabilizações por simples proximidade societária, profissional ou econômica. Essa ponderação, em termos de técnica de imputação, exige motivação individualizada, coerência entre fatos e norma aplicada, e distribuição adequada do ônus probatório, com recusa a generalidades. O “interesse comum” de que trata o art. 124, I, não se confunde com afinidade de interesses empresariais, com vínculos de mercado, com pertencimento a grupo econômico formal, ou com mera vantagem indireta. O conceito exige que o terceiro tenha interesse na própria situação fática/jurídica que dá nascimento ao tributo, vale dizer, participação direta (isolada ou conjunta) na conformação do fato gerador ou atuação ativa em relação ao ato, fato ou negócio que deu origem ao fato jurídico tributário. Essa linha é compatível com a compreensão de que não há solidariedade tributária objetiva e que a interdependência societária ou o benefício financeiro, por si só, não bastam. A distinção é decisiva: interesse meramente econômico configura vantagem remota, expectativa de lucro, sinergias, repercussões financeiras, conveniência empresarial. Poder ser indício para a responsabilização em alguns casos, mas não é critério suficiente. Já o interesse comum previsto na norma pode ser interpretado como a participação na realização do fato imponível (ou na sua manipulação ilícita), com presença de vínculo causal e materialidade demonstrada. Ou seja, não se restringe à exigência de que todos os responsáveis se encontrem no mesmo polo passivo da relação jurídica de fundo, por exemplo. Nessa linha de interpretação, o “interesse comum” se evidencia, em regra, quando mais de uma pessoa: (i) atua para realizar o fato gerador; (ii) beneficia-se diretamente de sua não realização; ou (iii) em hipóteses de fraude/conluio ou outro crime tributário, ajusta condutas para sonegar, ocultar, simular, interpor pessoas ou desvirtuar negócios, de modo que o fato jurídico tributário se apresente, externamente, deformado ou artificial. Neste ponto, valho-me do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 04/18, que expressa o atual entendimento da Receita Federal, com o qual me alinho. Vejamos: Fl. 722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 23 10. Cabe observar que a responsabilização tributária pelo inciso I do art. 124 do CTN (doravante simplesmente denominada "responsabilidade solidária") não pode se dar de forma indiscriminada, sem uma delimitação clara do seu alcance. Ela não se confunde com a responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN, não obstante em algumas situações poderem estar presentes os elementos de ambas as responsabilidades. Seu signo distintivo é o interesse comum, e é por ele que a presente análise se inicia. (...) 13. Voltando-se à responsabilidade solidária, o interesse comum ocorre no fato ou na relação jurídica vinculada ao fato gerador do tributo. É responsável solidário tanto quem atua de forma direta, realizando individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultam na situação que constitui o fato gerador, como o que esteja em relação ativa com o ato, fato ou negócio que deu origem ao fato jurídico tributário mediante cometimento de atos ilícitos que o manipularam. Mesmo nesta última hipótese está configurada a situação que constitui o fato gerador, ainda que de forma indireta. 14. Para se chegar a essa conclusão, deve-se levar em conta que a interpretação do inciso I do art. 124 do CTN não pode estar dissociada do princípio da capacidade contributiva contida no § 1º do art. 145 da Constituição Federal (CF), o qual deve ser aplicado pelo seu duplo aspecto: (i) substantivo, em que a graduação do caráter pessoal do imposto ocorre "segundo a capacidade econômica"; (ii) adjetivo, na medida em que é facultado à administração tributária "identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte". (...) 15. Apesar de neste parecer concordar-se com a linha da consulente no sentido de ser possível a responsabilização pelo inciso I do art. 124 do CTN para situação de ilícitos, em geral, ele não implica que qualquer pessoa possa ser responsabilizada. Esta deve ter vínculo com o ilícito e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição, comprovando-se o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo. 16. Não é qualquer interesse comum que pode ensejar a aplicação do disposto no inciso I do art. 124 do CTN. O interesse deve ser no fato ou na relação jurídica relacionada ao fato jurídico tributário, como visto acima. Assim, o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário (incluídos os atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária, não obstante ser indício da concorrência do interesse comum daquela pessoa no cometimento do ilícito. Em suma, pessoas físicas ou jurídicas “ligadas” às empresas envolvidas no esquema de fraude podem, em tese, ser responsabilizadas solidariamente na autuação dirigida ao contribuinte, desde que se demonstre que tais agentes: Fl. 723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 24 a) participaram conscientemente do arranjo fraudulento (dolo); b) mantiveram relação ativa com o ato/negócio que originou o fato jurídico tributário manipulado; e c) mantiveram nexo causal com o resultado (redução indevida do tributo), indo além de mera atuação regular. Por isso, não basta “ser ligado” à Contribuinte de transmitiu as declarações falsas – transpondo o raciocínio ao caso concreto; é necessário ser partícipe do acontecimento tributário criminoso. Afasta-se, portanto, a responsabilidade solidária do Sr. Edson firmada com base no art. 124, I, do CTN. Passando ao art. 135, III, do CTN, tem-se que responsabilização de um sócio administrador pela obrigação tributária da empresa exige a existência de prova consistente e detalhada que, além de individualizar sua ação, evidencie o ato ilícito praticado. Somente nessa hipótese se admite atingir o patrimônio pessoal do gestor para satisfazer o crédito tributário. Para reforçar esta fundamentação, recorro à doutrina de Karoline Lins Câmara Marinho, que estudou a Responsabilidade Tributária dos Sócios Administradores da Sociedade Limitada como Decorrência do Jus Puniendi Estatal, título de sua tese de doutorado publicada em 2018. A autora discorre que a reponsabilidade dos sócios nesse tipo de sociedade está limitada à proporção de suas cotas, exceto em caso de prática de ilícitos. Citando José Augusto Delgado, ela expõe que o administrador não se exime de responder por danos produzidos ao patrimônio da sociedade ou a terceiros, quando atuar extrapolando as atribuições outorgadas pelo contrato social. No campo tributário, não basta ser sócio para ter responsabilidade atribuída em relação a créditos da empresa. É preciso que seja comprovada a ilicitude da sua conduta que tenha causado o não cumprimento da obrigação tributária. Mas como essa ilicitude é verificada e comprovada no caso do art. 135, III, do CTN? Para responder essa pergunta, Karoline Marinho identifica quatro elementos hábeis a autorizar a responsabilização do sócio no caso do art. 135, III, quais sejam: a) Elemento pessoal – administradores, diretores, gerentes ou representantes, não necessariamente sócios. Ou seja, quem tem o comando da sociedade, que efetivamente toma decisões de gestão e administração, não bastando, portanto, ser sócio; b) Elemento circunstancial – o mero inadimplemento não configura a responsabilidade pessoal do administrador. É preciso que o fisco demonstre atuação com (i) excesso de poder, quando o agente, detentor dos poderes de direção que decorrem de suas funções, excedeu esses limites e os utilizou para perseguir objetivo diverso daquele estipulado no Fl. 724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 25 objeto do contrato social; ou (ii) infração à lei, que é o descumprimento das normas que regem a atuação do administrador, como ocorre em hipóteses de ocultação de receitas, adulteração de documentos ou criação de despesas fictícias. c) Elemento temporal – o administrador responde apenas por condutas exercidas durante o exercício de sua posição como tal; d) Elemento subjetivo – é necessária a comprovação do dolo na conduta. “Será atribuída responsabilidade pelos créditos tributários mesmo quando, embora a sociedade possua recursos para adimpli-los, tenham agido de má-fé, com excesso de poderes e em infração à lei ou contrato social, não os recolhendo aos cofres públicos.” Assim, por tudo que já se expendeu até aqui, percebe-se não ser possível manter a responsabilidade solidária do Sr. Edson também por não se configurarem os requisitos do art. 135, III, do CTN. 3 DISPOSITIVO Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos da Unidade Preparadora, com efeitos infringentes, para, sanando a inexatidão material constante do Acórdão nº 1201-006.680, dar provimento parcial ao recurso voluntário a fim de excluir a responsabilidade solidária do sr. Edson Guissan Maeda. Assinado Digitalmente Isabelle Resende Alves Rocha DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Lucas Issa Halah Divirjo da eminente Relatora por entender que, comprovada a condição de vítima do Contribuinte, a responsabilidade em questão é exclusiva de quem a vitimou. A responsabilização pessoal do agente por infrações merece considerações teóricas introdutórias que já teci no âmbito acadêmico, e que por isso transcrevo4. 3.2.1 O interesse comum e o escopo do art. 124, I do CTN 4 EVARISTO PINTO, Alexandre. CHAMAS Henrique Nimer. HALAH, Lucas Issa. A responsabilidade cível e tributária dos cooperados e diretores das sociedades cooperativas. In: FORNECETE, Rodrigo. Peixoto, Marcelo Magalhães. Tributação das cooperativas: impactos da reforma tributária. São Paulo: MP Editora, 2025. Fl. 725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 26 A imputação da responsabilidade tributária solidária com fundamento no art. 124, I do CTN, frequentemente debatida em casos de tentativa de responsabilização de sociedades integrantes do mesmo grupo econômico e sócios de fato, vem sendo enfrentada sob três principais vertentes na jurisprudência do CARF: (i) a que entende bastar o interesse econômico, (ii) a que demanda o interesse jurídico, e (iii) a vertente intermediária, pela qual o interesse não pode ser meramente econômico, nem precisa ser jurídico, devendo haver alguma participação direta em ato que visa a adulterar a obrigação tributária. Todas possuem fundamentos factíveis e derivam da interpretação da expressão “interesse comum na situação que caracteriza o fato gerador”, utilizada pelo inciso I do art. 124. A primeira vertente, para a qual o interesse referido pelo art. 124, I do CTN é econômico, é recorrentemente encampada pelas autoridades fiscais para fundamentar a responsabilização de pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico e sócios que, em virtude da economia tributária, auferiram rendimentos distribuídos pelo contribuinte . Trata-se, contudo, de vertente não mais sustentada pela própria Receita Federal, ao menos a partir da edição do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 04/18, que dispõe sobre a responsabilidade tributária prevista no artigo 124, inciso I do CTN. A segunda vertente, construída em oposição à primeira, defende que o interesse comum ser deve ser jurídico, colocando o responsável e o contribuinte no mesmo polo do ato que consubstancia o fato gerador, de maneira tal que seja possível identificar uma consciência de grupo com os demais sujeitos passivos da obrigação tributária, que devem todos atender ao previsto no art. 128 do CTN . Na lição de Luís Eduardo Schoueri, o interesse em comum só é concebido entre pessoas que se encontram no mesmo polo da situação que constitui o fato jurídico tributário , como ocorre com os condôminos relativamente ao IPTU . Distanciando-se neste ponto de Neder, Schoueri vale-se de uma leitura que considera relevante a estrutura do Código Tributário Nacional, notando que o art. 124 encontra-se em sessão concebida para tratar do regime de responsabilidade, e não para eleger os potenciais responsáveis, de maneira que o art. 124, I do CTN se prestaria a fixar o regime de responsabilidade solidária entre aqueles que já se encontram na condição de sujeitos passivos. Partidário desta mesma vertente, Luciano Amaro enfatiza a posição antagônica, e não comum, de vendedor e comprador na situação que constitui o fato gerador de tributos incidentes sobre a respectiva operação. Para o autor, eventual conivência ou interesse do comprador com, por exemplo, a subavaliação da operação que beneficie o vendedor, não caracterizaria interesse comum do comprador no fato jurídico tributário . Fl. 726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 27 Esta vertente tem sido encampada no CARF com alguma recorrência, como ilustra o Acórdão nº 1402-002.459, de 2017, de relatoria do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. O Superior Tributal de Justiça, intérprete Autêntico do art. 124, I do Código Tributário Nacional, também vem confirmando de maneira massiva o caráter jurídico de interesse comum, restringindo o alcance da norma contida no art. 124, I apenas às pessoas que se encontram no mesmo polo do contribuinte , ainda que por vezes o Tribunal trate a solidariedade como forma de responsabilidade , conforme aponta estudo elaborado por Caio Takano . Também no Supremo Tribunal Federal há indícios de que seja esta a visão preponderante. Em raro precedente sobre o tema , a Relatora Ministra Ellen Gracie expressou que a impossibilidade de o legislador ordinário, ao interpretar o art. 124, II do CTN, criar hipóteses de responsabilidade em matéria tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, e reconheceu que as normas gerais de responsabilidade estão previstas nos arts. 134 e 135 do CTN. Reforçando essa posição cerca de uma década depois, ao julgar a constitucionalidade da instituição de obrigação solidária de contadores por créditos tributários instituída por lei estadual , o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu que a lei estadual invadira a competência da lei complementar na matéria, a qual, para o Relator, se encontraria cingida aos artigos 135 e 134 do CTN, contrapondo-se esta visão à que vislumbra no art. 124 hipótese autônoma de atribuição de responsabilidade . Dessa maneira, mesmo sem enfrentar diretamente o conteúdo da expressão interesse comum o Supremo Tribunal Federal parece ter tomado como premissa que, em primeiro lugar, seria preciso verificar se há sujeição passiva, nos termos dos artigos 134 e 135 do CTN, para só então avaliar se o regime de responsabilidade é solidário, por aplicação do art. 124, I do CTN . Já a terceira vertente representa a atual posição oficial da Receita Federal, ao menos a partir da edição do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 04/18. Por meio do parecer, a Cosit trouxe importantes delineamentos acerca desse tema tratado de maneira pouco minudente no Código Tributário Nacional, fixando o entendimento pelo qual a expressão “interesse comum” alcança não somente o ato lícito que gerou a obrigação tributária, mas também o ato ilícito que a desfigurou. O parecer estabelece a incorreção tanto da primeira quanto da segunda vertentes, esclarecendo que, em sua visão ambas estariam erradas e tentariam interpretar um conceito indeterminado a partir de outro . Extrai-se do parecer que, na visão das autoridades fiscais: (i) o responsável deve ter vínculo – de fato ou de direito – com o fato gerador ou com o sujeito passivo que o praticou; (ii) o exigido “interesse comum” deve ser no fato ou na relação jurídica relacionada ao fato jurídico tributário, não bastando o mero proveito econômico; (iii) ensejam a responsabilidade o cometimento de ato ilícito com abuso de personalidade jurídica envolvendo grupo econômico irregular, evasão Fl. 727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 28 fiscal ou planejamento tributário abusivo; e (iv) o ato ilícito tem de ser praticado com dolo. Identifica-se com isso o interesse comum como uma situação fática decorrente de ato comissivo ou omissivo doloso pelo qual a pessoa responsabilizada contribua com a infração à legislação tributária, ainda que não se encontre no mesmo polo jurídico da relação que deu ensejo ao tributo. Por esta visão, o adquirente de bem imóvel que aceita lavrar a escritura por valor inferior ao de mercado contribuiria com a sonegação e por conseguinte responderia solidariamente pela obrigação tributária, nos termos do art. 124, I do CTN, ainda que não seja contribuinte do tributo sonegado. A posição parece em linha com a doutrina de Maria Rita Ferragut , para quem o art. 124, I dispensa que os sujeitos passivos se encontrem no mesmo polo da relação jurídica de direito privado que constitui o fato gerador, independentemente de previsão expressa em lei (art. 124, II). Essa parece ter sido a vertente encampada no Acórdão CARF nº 9303-015.104, de 2024. Embora o voto condutor do Acórdão mencione bastar o interesse econômico, ao expor no que consistiria este interesse no caso concreto, materialmente relata a ocorrência das hipóteses elencadas pelo Parecer Normativo Cosit como representativas do interesse na relação jurídica relacionada ao fato jurídico tributário. 3.2.1.1 A responsabilização de sócios e administradores e o art. 135 do CTN A responsabilização de sócios e administradores, por sua vez, costuma ser atribuída por subsunção às hipóteses do artigo 135, incisos I e III do CTN, respectivamente, o que desafia a nada trivial compreensão da interface entre os artigos 134, 135 e 137 desse diploma. A dicção do art. 134 do CTN permite com objetividade afirmar trata-se de responsabilidade subsidiária, embora o caput use o termo solidária, já que as pessoas lá elencadas respondem apenas “nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte”. Além disso, a responsabilidade do art. 134 é tão somente pelos tributos e pela multa moratória, o que justifica inexigência de dolo. A responsabilidade fundada no art. 135, por sua vez, exige a comprovação do dolo específico no cometimento de um ilícito consistente na prática de sonegação, fraude ou conluio, conforme corrente majoritária na Doutrina e na jurisprudência administrativa, o que é consistente com sua abrangência que inclui as multas punitivas e afasta o benefício de ordem do art. 134. De outra banda, bastaria o inadimplemento da obrigação tributária para a responsabilização do administrador, entendimento contrário ao consolidado na Súmula nº 430 do STJ, editada a partir do julgamento do REsp nº 1.101.728/SP sob a sistemática dos Recursos Repetitivos, veiculada no Tema nº 97 . Fl. 728DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 29 A responsabilidade de administradores costuma vir qualificada no inciso III do art. 135, sendo que a responsabilização de sócios não administradores é usualmente enquadrada no inciso I do art. 135 do CTN, como decorrência da menção feita às “pessoas referidas no artigo anterior” (no art. 134 do CTN, especificamente em seu inciso VII que menciona os sócios). A remissão, contudo, não admite a segmentação dos componentes do referido inciso valorizando somente as pessoas mencionadas no art. 134, independentemente das situações especificadoras que acompanham sua nomeação. Esta segmentação resultaria na esdrúxula hipótese de responsabilização dos pais pelos tributos devidos pelos filhos maiores, não somente pelos filhos menores. Sob esta lógica, o inciso I do art. 135 não permite a responsabilização dos sócios em outros tipos de sociedades que não as sociedades de pessoas. Sobre o dolo específico exigido pelo dispositivo, é necessária a demonstração de que o sócio ou administrador agiu em nome da sociedade e em favor da sociedade, mas contrariando as disposições de lei, bem como as disposições lícitas do contrato social e de estatutos sociais. Neste ponto reside sua distinção em relação ao art. 137, figura mais rara na jurisprudência, talvez devido ao elevado ônus probatório que demanda. O dispositivo trata da situação em que o agente atua “em nome e por conta do terceiro, mas, ardilosamente, fugindo aos deveres de sua função, age no seu próprio interesse . Na esfera administrativa Federal, localizam-se acórdãos reconhecendo sua aplicação em situações nas quais o agente atua contrariamente aos interesses do mandante (e.g. Acórdãos 2402-005.519, de 2016 e 301-31.603 de 2004), posição não consolidada nem majoritária, conforme ilustra o Acórdão nº 1201-006.931, de 2024. Mais raro é o enfrentamento do tema na esfera judicial. Pesquisa no âmbito do STJ, conduzida por Igor Mauler Santiago e Marco Antonio Cintra Gouveia , identificou apenas cinco julgados sobre o art. 137 do CTN, sendo um anulando o acórdão de segundo grau que não o analisara e os demais afastando a sua incidência no caso concreto . A dificuldade em localizar julgados que dão concretude a sua aplicação não parece refletir a profusão de operações policiais que desmascaram empresas de consultoria que, valendo-se de estudo falacioso e de seguro de responsabilidade de nunca renovado, negociam com deságio compatível com o mercado créditos inexistentes ou inaproveitáveis (e.g. a Operação Fake Money). Outra questão de relevo diz respeito a sua abrangência. A Doutrina tradicional referenda que esta hipótese de responsabilização torna o agente responsável por todo o crédito tributário frente ao Estado, na medida em que atuou Fl. 729DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 30 cometendo ilícitos em benefício próprio ou de terceiros, em prejuízo da sociedade. Há, por outro lado, quem entenda tratar-se de responsabilidade pelas multas punitivas, em interpretação da expressão “quanto às infrações”, repetida em todos os seus incisos, visão consistente com a inviabilidade do Fisco desvendar de antemão o agir do mandante contra os interesses sociais e ser onerado por descumprimento de tais avenças particulares na atuação do agente (art. 123 do CTN). Em virtude de todas as controvérsias relacionadas à aplicação dos artigos 134, 135 e 137 do CTN, entendemos que a hipótese dos incisos I e II do artigo 135 são as comumente observadas na jurisprudência administrativa e judicial, exigindo a comprovação do dolo específico no cometimento de um ilícito consistente na prática de sonegação, fraude ou conluio, em atividades praticadas pelas pessoas elencadas no texto legal, abrangendo em regra os mandatários, prepostos e empregados, além dos diretores, gerentes ou representantes das sociedades cooperativas. Sob estas premissas teóricas, entendo que o caso em tela se amolda ao art. 137 do Código Tributário Nacional, na medida em que há elementos de convicção suficientes nos autos a demonstrar que o Contribuinte e seus sócios foram vítimas de engodo praticado contra a sociedade por seus prepostos. Para lançar contra a sociedade e os sócios a multa capitulada no art. 18, caput e § 2°, da Lei n°10.833/03, com redação dada pela Lei n°11.488/07, a autoridade autuante deveria demonstrar cabalmente o dolo específico destes na transmissão de declaração de compensação sabidamente falsa, caso contrário, estaríamos diante da instituição de multa de 150% sobre a mera transmissão de compensação não homologada por ausência do direito creditório, em um momento em que o STF já julgou inconstitucional a multa prevista para esta situação, de 50% e também limitou — ainda que tratando do art. 44 da Lei nº 9.430/96 — as multas tributárias qualificadas em razão de sonegação, fraude ou conluio a 100% do débito tributário correspondente, que no caso da compensação é representada pelo débito que se pretendeu compensar (Tema 863 da Repercussão Geral). A falsidade distingue-se do mero equívoco pela comprovação justamente do intento doloso em obter a extinção de crédito tributário mediante declaração de compensação sabendo-se não ser titular do direito creditório, nisso consiste o elemento distintivo do falso extraído do tipo previsto no art. 299 do Código Penal, que inadmite a modalidade culposa, corroborando a impossibilidade de se responsabilizar o agente por culpa em quaisquer de suas modalidades. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que a responsabilidade, sendo pessoal do agente que, em prática de engodo, vitimou a sociedade e seus sócios, é o único sujeito passivo possível in casu. Fl. 730DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.458 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.720075/2019-18 31 Assinado Digitalmente Conselheiro Lucas Issa Halah Fl. 731DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 EMBARGOS 2 RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 Relatório 2.2 ADMISSIBILIDADE 2.3 Multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração – 150% 2.4 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS 3 DISPOSITIVO Declaração de Voto

score : 1.0
11283755 #
Numero do processo: 10183.725441/2016-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 LIMITES DO LITÍGIO. ALEGAÇÕES NOVAS. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRINCÍPIO DA NÃO SUPRESSÃO DE INSTÂNCIAS. O Recurso Voluntário deve ater-se às matérias mencionadas na impugnação, ou suscitada na decisão recorrida. As alegações que não tenham sido levantadas à apreciação da autoridade julgadora de primeira instância administrativa não podem ser conhecidas por se tratar de matérias novas, de modo que o seu conhecimento violaria o princípio da não supressão de instância. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. RESPONSABILIDADE POR SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. ART. 30, IV, DA LEI N 8.212/91. ADI 4395. Em dezembro de 2022, a Suprema Corte concluiu pela parcial procedência da ADI 4.395 que questionava a constitucionalidade da responsabilidade do adquirente por sub-rogação, veiculada no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Na sequência, decidiu pela suspensão do julgamento para proclamação do resultado em sessão presencial. No âmbito do CARF, vigora a Súmula Vinculante nº 150 dispondo que a inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. VIGÊNCIA SOMENTE A PARTIR DA LEI Nº 13.606, DE 09/01/2018. PARECER PGFN 19.443/2021. Impossibilidade de utilização do art. 30 IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.135, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, somente válida a partir de vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei 9.528, de 1997. Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, (art. 11, § 5º, “a”). Ausência de lastro normativo que autoriza a substituição tributária até que editada a Lei nº 13.606, de 2018 (art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN). Inclusão em lista: art. 2º, VII e § 4º, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, e art. 19, VI, b, c/c art. 19-A, III, da Lei nº 10.522, de 2002. Processo Sei nº 10951.106426/2021-13. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFIGURAÇÃO CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502 DE 1964. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AGRAVAMENTO. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES FISCAIS. É devida a multa de ofício, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430 de 1996. A multa de ofício será agravada em 50%, totalizando 112,5%, quando não atendidas as intimações fiscais, nos termos do §2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 14.689/2023, ARTIGO 14. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA REDUZIDA A 100%. As multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica. Deve ser observado, no caso concreto, a superveniência da Lei nº 14.689/2023, especialmente em seu artigo 14, que alterou o percentual da multa de ofício, reduzindo-a a 100%, nos termos do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O pedido de diligência que não atende aos requisitos insculpidos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 não merece acolhimento.
Numero da decisão: 2201-012.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em relação aos temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento parcial para: (i) excluir do lançamento as contribuições para o SENAR, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas (exigidas por sub rogação); (ii) reduzir a multa de ofício para 100%, em face da retroatividade benigna, conforme artigo 14 da Lei nº 14.689, de 2023. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Cleber Ferreira Nunes Leite, Lilian Claudia de Souza(substituto[a] integral), Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: LUANA ESTEVES FREITAS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202603

camara_s : Segunda Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10183.725441/2016-46

anomes_publicacao_s : 202603

conteudo_id_s : 7353905

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2201-012.654

nome_arquivo_s : Decisao_10183725441201646.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : LUANA ESTEVES FREITAS

nome_arquivo_pdf_s : 10183725441201646_7353905.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em relação aos temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento parcial para: (i) excluir do lançamento as contribuições para o SENAR, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas (exigidas por sub rogação); (ii) reduzir a multa de ofício para 100%, em face da retroatividade benigna, conforme artigo 14 da Lei nº 14.689, de 2023. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Cleber Ferreira Nunes Leite, Lilian Claudia de Souza(substituto[a] integral), Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2026

id : 11283755

ano_sessao_s : 2026

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 LIMITES DO LITÍGIO. ALEGAÇÕES NOVAS. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRINCÍPIO DA NÃO SUPRESSÃO DE INSTÂNCIAS. O Recurso Voluntário deve ater-se às matérias mencionadas na impugnação, ou suscitada na decisão recorrida. As alegações que não tenham sido levantadas à apreciação da autoridade julgadora de primeira instância administrativa não podem ser conhecidas por se tratar de matérias novas, de modo que o seu conhecimento violaria o princípio da não supressão de instância. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. RESPONSABILIDADE POR SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. ART. 30, IV, DA LEI N 8.212/91. ADI 4395. Em dezembro de 2022, a Suprema Corte concluiu pela parcial procedência da ADI 4.395 que questionava a constitucionalidade da responsabilidade do adquirente por sub-rogação, veiculada no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Na sequência, decidiu pela suspensão do julgamento para proclamação do resultado em sessão presencial. No âmbito do CARF, vigora a Súmula Vinculante nº 150 dispondo que a inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. VIGÊNCIA SOMENTE A PARTIR DA LEI Nº 13.606, DE 09/01/2018. PARECER PGFN 19.443/2021. Impossibilidade de utilização do art. 30 IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.135, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, somente válida a partir de vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei 9.528, de 1997. Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, (art. 11, § 5º, “a”). Ausência de lastro normativo que autoriza a substituição tributária até que editada a Lei nº 13.606, de 2018 (art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN). Inclusão em lista: art. 2º, VII e § 4º, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, e art. 19, VI, b, c/c art. 19-A, III, da Lei nº 10.522, de 2002. Processo Sei nº 10951.106426/2021-13. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFIGURAÇÃO CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502 DE 1964. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AGRAVAMENTO. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES FISCAIS. É devida a multa de ofício, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430 de 1996. A multa de ofício será agravada em 50%, totalizando 112,5%, quando não atendidas as intimações fiscais, nos termos do §2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 14.689/2023, ARTIGO 14. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA REDUZIDA A 100%. As multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica. Deve ser observado, no caso concreto, a superveniência da Lei nº 14.689/2023, especialmente em seu artigo 14, que alterou o percentual da multa de ofício, reduzindo-a a 100%, nos termos do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O pedido de diligência que não atende aos requisitos insculpidos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 não merece acolhimento.

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:03 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862166634872963072

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-03-30T13:19:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-03-30T13:19:07Z; Last-Modified: 2026-03-30T13:19:07Z; dcterms:modified: 2026-03-30T13:19:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-03-30T13:19:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-03-30T13:19:07Z; meta:save-date: 2026-03-30T13:19:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-03-30T13:19:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-03-30T13:19:07Z; created: 2026-03-30T13:19:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; Creation-Date: 2026-03-30T13:19:07Z; pdf:charsPerPage: 1957; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-03-30T13:19:07Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10183.725441/2016-46 ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 3 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE FRIGOVARZEA FRIGORIFICO DE VARZEA GRANDE LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 LIMITES DO LITÍGIO. ALEGAÇÕES NOVAS. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRINCÍPIO DA NÃO SUPRESSÃO DE INSTÂNCIAS. O Recurso Voluntário deve ater-se às matérias mencionadas na impugnação, ou suscitada na decisão recorrida. As alegações que não tenham sido levantadas à apreciação da autoridade julgadora de primeira instância administrativa não podem ser conhecidas por se tratar de matérias novas, de modo que o seu conhecimento violaria o princípio da não supressão de instância. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. RESPONSABILIDADE POR SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. ART. 30, IV, DA LEI N 8.212/91. ADI 4395. Em dezembro de 2022, a Suprema Corte concluiu pela parcial procedência da ADI 4.395 que questionava a constitucionalidade da responsabilidade do adquirente por sub-rogação, veiculada no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Na sequência, decidiu pela suspensão do julgamento para proclamação do resultado em sessão presencial. No âmbito do CARF, vigora a Súmula Vinculante nº 150 dispondo que a inconstitucionalidade declarada por meio do RE Fl. 1082DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 2 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. VIGÊNCIA SOMENTE A PARTIR DA LEI Nº 13.606, DE 09/01/2018. PARECER PGFN 19.443/2021. Impossibilidade de utilização do art. 30 IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.135, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, somente válida a partir de vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei 9.528, de 1997. Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, (art. 11, § 5º, “a”). Ausência de lastro normativo que autoriza a substituição tributária até que editada a Lei nº 13.606, de 2018 (art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN). Inclusão em lista: art. 2º, VII e § 4º, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, e art. 19, VI, b, c/c art. 19-A, III, da Lei nº 10.522, de 2002. Processo Sei nº 10951.106426/2021-13. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFIGURAÇÃO CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502 DE 1964. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AGRAVAMENTO. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES FISCAIS. É devida a multa de ofício, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430 de 1996. A multa de ofício será agravada em 50%, totalizando 112,5%, quando não atendidas as intimações fiscais, nos termos do §2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 14.689/2023, ARTIGO 14. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA REDUZIDA A 100%. As multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica. Deve ser observado, no caso concreto, a superveniência da Lei nº 14.689/2023, especialmente em seu artigo 14, que alterou o percentual da multa de ofício, reduzindo-a a 100%, nos termos do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. Fl. 1083DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 3 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O pedido de diligência que não atende aos requisitos insculpidos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 não merece acolhimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em relação aos temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento parcial para: (i) excluir do lançamento as contribuições para o SENAR, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas (exigidas por sub rogação); (ii) reduzir a multa de ofício para 100%, em face da retroatividade benigna, conforme artigo 14 da Lei nº 14.689, de 2023. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Cleber Ferreira Nunes Leite, Lilian Claudia de Souza(substituto[a] integral), Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Do Auto de Infração Por esclarecedor, utilizo para compor o presente relatório o resumo constante no acórdão de piso (fls. 978/985): Fl. 1084DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 4 O contribuinte foi objeto de lançamento de contribuições previdenciárias sobre comercialização rural, por riscos ambientais do trabalho e para o Senar, nos valores originários respectivos de R$ 3.214.280,23, R$ 160.713,90 e R$ 321.428,02, mais multa e juros, no período 6/2012 a 12/2013 (folhas 2 a 27). Conforme se depreende dos formulários de autuação foram considerados responsáveis tributários solidários: a) as pessoas jurídicas: Frical Frigorífico Ltda e Protaxi Pro Oeste Táxi Aéreo Limitada; b) as pessoas físicas: Flávio Alberto de Vargas, Michel Flávio de Vargas. Sueli Neres, Kelly Renata de Vargas, Anísio Ortiz, Gelson Luiz Ramos de Brito, Lauri Lorensetti de Vargas. Relatório fiscal. Acerca do lançamento, consta no relatório fiscal de fls. 29, o seguinte. Os créditos tributários tratados no presente processo foram lançados de ofício como resultado da ação fiscal e se referem às contribuições sociais destinadas à Previdência Social e ao Senar, devidas por sub-rogação, nas aquisições, por venda ou consignação, da produção rural dos segurados especiais ou de produtores rurais pessoas físicas. Durante a realização do procedimento fiscal foram efetuadas pesquisas para identificar processos judiciais ou administrativos nos quais constasse decisão suspendendo a obrigatoriedade da autuada relativamente ao recolhimento da contribuição devida na aquisição da produção rural de pessoas físicas. Não foram encontradas decisões com esse conteúdo. Relatório fiscal. Sujeição Passiva Solidária: Grupo econômico de fato e sócio de fato da pessoa jurídica (interposta pessoa). As sentenças nas ações cautelares fiscais no Tribunal Regional Federal da 1ª Região Processo nº (AI) 0058316-84.2013.4.01.0000 – Processo Original nº 0012702 23.2013.4.01.3600/MT e Processo nº (AI) 0038436-38.2015.4.01.0000 – Processo Original nº 0017691-09.2012.4.01.3600/MT, determinaram, nos termos do CTN, artigo 135, inciso III, combinado com o artigo 50 do Código Civil -CC, e com base no disposto no CTN, artigo 124, inciso I, o reconhecimento do Sr. Flávio Alberto de Vargas, CPF nº 318.394.521-53, como sócio de fato da autuada e da Frical Frigorífico Ltda - EPP, bem como a “desconsideração dessas referidas empresas” e a inclusão de todas as pessoas físicas e jurídicas relacionadas como solidárias/integrantes de grupo econômico, conforme Tabela incluída no item 6 do relatório fiscal (folha 30). Especificamente, no item 7 do relatório fiscal (folha 31) consta conforme segue. 1) no processo 12702-23.2013.4.01.3600 foi reconhecida a formação de grupo econômico e deferida pedido de concessão de medida liminar para decretar a indisponibilidade dos bens, inclusive imóveis já transferidos a terceiros e tornou Fl. 1085DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 5 sem efeito as transferências entre a autuada, a Frical e as pessoas físicas Flávio Alberto de Vargas, Sueli Neres, Michel Flávio de Vargas, Kelly Renata de Vargas, Anísio Ortiz, Gelson Luiz Ramos de Brito e Lauri Lorensetti de Vargas. 2) no processo 17691-09.2012.4.01.3600, na decisão judicial, o Juízo (folha 32): a) informa que, nos autos do processo nº 2010.36.00.004683-9 (execução fiscal), houve reconhecimento de que ocorreu dissolução irregular da Frical Frigorífico Ltda, de que existe um grupo econômico, e de que havia a intenção fraudulenta das pessoas físicas e jurídicas que compõe esse grupo econômico; b) aponta que há a ação cautelar anteriormente mencionada; c) afirma que, no caso, por força do disposto no Código Civil, artigo 50, cabe a desconsideração inversa da personalidade jurídica para incluir no polo passivo da execução fiscal de que trata o processo, a Frical Frigorífico Ltda, a autuada e a Protaxi Pró Oeste Táxi Aéreo Ltda, uma vez que foi comprovado que estas pessoas jurídicas foram utilizadas com intuito de dissipar o patrimônio dos sócios e protegê-los de eventuais dívidas adquiridas por eles; d) destaca que ficou evidenciado o abuso de personalidade dessas pessoas jurídicas que foram utilizadas indevidamente para encobrir o seu patrimônio declarado em nome de terceiros; e) conclui que restou demonstrado, nos autos, “grande confusão patrimonial, maquinada pelo sócio de fato, e executado, Flávio Alberto de Vargas que consiste simplesmente em um organizado esquema de esvaziamento dos seus bens e também da empresa Frical Frigorífico Ltda para a Frigovárzea Frigorífico de Várzea Grande Eireli”; f) afirma que a Frical “foi criada com o escopo de fraudar credores, sobretudo o Fisco”, e que a “criação, organização e manipulação da executada foram orquestradas pelo “Grupo Frical”, com envolvimento das pessoas físicas com evidente intuito de burlar o fisco, envolvendo um histórico de atos fraudulentos praticados com vistas a causar dano ao erário. O reconhecimento do grupo de empresas e consequente desconsideração é medida que se impõe, nos termos do artigo 50 do CC, e artigos 124, 133 e 135 do CTN”; g) consta que Kelli Renata de Vargas, filha de Flávio Alberto Vargas, foi funcionária da Frical Frigorífico Ltda no período 2/2011 a 1/2012 (CBO 4110), com remuneração de até R$ 320,00 e adquiriu duas aeronaves nos anos 2011 e 2012 e cotas sociais na empresa Protaxi Pro Oeste Taxi Aéreo Limitada, pelo qual cabível a desconsideração dessa pessoa jurídica para responder, junto com a Frical e Frigovárzea Frigorífico de Várzea Grande Eireli pelas dívidas do executado. O Procedimento fiscal foi realizado considerando-se as conclusões contidas nos processos judiciais referidos e deu continuidade ao processo administrativo 14098.720056/2012-07 (Contribuições Previdenciárias - Anexo 1 do relatório Fl. 1086DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 6 fiscal). Esse processo, entre outras consequências, deu suporte às cautelares referidas. No procedimento fiscal, cujo resultado foi referido nos autos do processo 14098.720056/2012-07, foram lançadas Contribuições Previdenciárias, do período 2009 a 2011, em 6/2/2013. Não houve apresentação por parte dos sujeitos passivos de recurso administrativo e os valores lançados foram inscritos em Dívida Ativa da União. Durante esse procedimento apurou se que o Sr. Flavio Alberto de Vargas, CPF nº 318.394.521- 53, é o verdadeiro sócio da Frical Frigorífico Ltda, CNPJ nº 03.851.469/0001-22 e que ele deixou de formalizar a atividade empresária nesse CNPJ e passou a formalizá-la na autuada (após ter obtido uma inscrição de CNPJ para a nova pessoa jurídica). Restou constatado, portanto, que a autuada nada mais é que a própria Frical com novo nome e CNPJ. Consta no relatório fiscal, item 10, um trecho do relatório fiscal dos autos do processo nº 14098.720056/2012-07 que teria levado a essa conclusão. Relatório fiscal. Continuação do mesmo modus operandi. O sócio da autuada, Michael Stefano de Oliveira Alcantara, CPF nº 039.770.151 92 (interposta pessoa) saiu da sociedade, em 4/10/2013, e o CPF dele foi cancelado, em 14/1/2016, por determinação judicial (Processo 13153.720023/2016-16 - da 1ª Vara de Sinop MT). O Sr. Dilson Gonçalves Pereira, CPF nº 329.096.671-20, outro sócio da autuada, formalizado em 9/8/2013, faleceu em 7/2/2014. Contudo, até a lavratura dos AI não houve qualquer alteração nos registros cadastrais dessa pessoa jurídica perante a RFB, ou seja, desde 7/2/2014, a Frigovarzea Frigorífico de Várzea Grande não possui sócios formalizados. Com base no exposto, e como até hoje não houve o registro nos cadastros da RFB de nenhum inventário/partilha, concluiu-se, que o Sr. Dilson Gonçalves Pereira, CPF nº 329.096.671-20, falecido em 7/2/2014 era mais uma interposta pessoa. Por meio de pesquisa à Central Notarial de Serviços Eletrônicos Compartilhados CENSEC, constatou-se que existe procuração nº 35721595, emitida no dia 15/7/2013, por meio da qual o Sr. Dilson Gonçalves Pereira, CPF nº 329.096.671- 20, outorgou poderes ao Sr. Ivan Fortes Barros, CPF nº 328.044.231-15. Esse senhor é advogado da Frical Frigorífico Ltda EPP que atua nos processos em tramitação no TRF 1ª Região (por exemplo, os de nº 0017691-09.2012.4.01.3600 e nº 0012702-23.2013.4.01.3600) e no TRT da 3ª Região (por exemplo, o de nº 0078300 31.2008.5.23.0001 e nº 0001098-30.2012.5.23.0003). O Sr. Dilson Gonçalves Pereira contribuiu em favor da Previdência Social como segurado Contribuinte Individual entre 1/8/1999 e 28/2/2003 e apresentou a Declaração de IRPF do ano calendário de 2013 com os valores “zerados”. Ele não apresentou a declaração de IRPF ano-calendário 2012, apresentando a do ano Fl. 1087DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 7 calendário de 2011 com rendimentos de R$ 20.000,00 e a do ano-calendário 2010 com rendimentos de R$ 10.000,00. Na DIPJ – Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica da Frigovarzea Frigorífico de Várzea Grande, CNPJ nº 15.400.836/0001-50, do ano- calendário de 2013, foram informados todos os valores zerados e não constou rendimento do sócio (Anexo 5 do relatório fiscal). Em consulta à Dimof, verificou-se que Dilson Gonçalves Pereira não apresentou nenhuma movimentação financeira nos exercícios anteriores a 2013. No entanto, no ano de 2013, movimentou R$ 1.532.046,86 e, em 2014, R$ 15.390,00. Quanto ao contrato social da autuada e suas alterações, foi enviado o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, por meio de Aviso de Recebimento - AR, ao endereço da autuada, cadastrado no sistema: “Souza Lima 200 Bairro: Souza Lima, Município: Várzea Grande, Cep: 78150-000 UF: MT”. No entanto, esse AR foi devolvido pelos Correios pelo motivo “Não Procurado”. Assim, o TIPF foi enviado ao endereço de Caixa Postal da Frical, “Estrada Souza Lima, SN, Caixa Postal 28, Bairro: Zona Rural, Várzea Grande (MT) Cep: 78.150- 000”, tendo sido recebido em 1/6/2016. Esse mesmo Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF também foi enviado ao sócio de fato da autuada, Sr. Flavio Alberto de Vargas, CPF nº 318.394.521-53, e foi recebido em 17/5/2016. Por meio deste TIPF foi solicitado o contrato social e alterações a partir do dia 18/4/2012. Houve requerimento por parte do sujeito passivo de prorrogação de prazo para atendimento dessa intimação e foi apresentado junto ao ofício que formalizou esse requerimento, em 16/6/2016, o “Contrato Social por Transformação de Empresa Individual de Responsabilidade Limitada EIRELLI” assinado em 22/6/2013 (anexo 6). Todavia, mesmo após o prazo de prorrogação concedido, nem o sócio de fato, nem o contribuinte apresentou outro documento, nem contrato social anteriores ou posteriores a esse, por exemplo, não foi apresentado o contrato social que efetivou a saída do sócio Michael Stefano de Oliveira Alcântara, CPF nº 039.770.151-92 (interposta pessoa). Apurou-se, ainda, que a mesma máquina (E8-11-32-A5-1F-1B) que transmitiu a declarações para a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da Frical e do seu sócio Anísio Ortiz, transmitiu também declarações do Sr. Dilson Gonçalves Pereira. Por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB constatou-se que foram transmitidas GFIP de forma alternada. A Frical transmitiu GFIP até a competência 06/2012. A partir de 07/2012 até 04/2014 só houve transmissão de GFIP pela autuada. De 05/2014 em diante voltou a ser transmitida GFIP pela Frical. Como a partir de 05/2014 a autuada não transmitiu mais GFIP para a RFB e Frical voltou a transmiti-las, configurou-se abandono, por parte do sócio de fato Sr. Fl. 1088DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 8 Flavio Alberto de Vargas, da Frigovarzea e o retorno da formalização das atividades pela Frical. Consta no Anexo 7 do relatório fiscal uma relação de 169 empregados, comuns à Frigovarzea Frigorífico de Várzea Grande e Frical Frigorífico Ltda EPP, informados nas respectivas GFIP em 2013 e 2014. Ao transmitir as GFIP da Frigovarzea Frigorífico de Várzea Grande, das competências de 07/2012 a 04/2014, continuou a ser informado o mesmo nome da pessoa de contato da Frical “Adriana” e, na GFIP da Frigovarzea Frigorífico de Várzea Grande consta como responsável a “Frical Frigorífico Ltda”. As NFe de saída, extraídas do sistema SPED, foram transmitidas de forma alternada (conforme demonstrativo incluído no relatório fiscal de fls. 50/51). A partir de 06/2012 a Frical começou a diminuir o valor de venda até cessar totalmente em 11/2012. De forma inversa, a Frigovarzea (autuada) começou a emitir as NFe a partir de 06/2012 e após 11/2012 somente ela emitia as Nfes. Isso durou até 07/2014, quando a autuada parou definitivamente de emiti-las. Nessa competência, as Nfe voltaram a ser emitidas pela Frical. Da mesma forma, as NFe de entrada, extraídas do sistema SPED, foram transmitidas de forma alternada (conforme demonstrativo incluído no relatório fiscal de fls. 51/52). A partir de 06/2012 a Frical começou a diminuir o valor de aquisição de bovinos dos produtores rurais até cessar totalmente em 11/2012. De forma inversa, a Frigovarzea começou a emitir as NFe de entrada a partir de 06/2012 e após 11/2012 somente ela emite as Nfes. Isso também durou até 07/2014, quando a autuada para definitivamente de emiti-las, passando a Frical a emiti-las. Essas constatações demonstraram o “abandono” por parte do sócio de fato Flavio Alberto de Vargas da Frigovarzea e o retorno ao “uso da empresa Frical”. As pessoas arroladas com o responsáveis nos termos do artigo 135 do CTN c/c art. 50 do Código Civil, (TRF 1ª Região, Processo nº 0012702-23.2013.4.01.3600/MT e nº 0017691 09.2012.4.01.3600/MT e Procedimento Fiscal nº 14098.720056/2012- 07) relacionadas a seguir, constam nas GFIP e DIRF apresentadas pela Frical e/ou Frigovarzea Frigorífico de Várzea Grande, conforme demonstrativo incluído no relatório fiscal às fls. 53/59: - Sueli Neres, CPF nº 420.142.121-04, consta na DIRF emitida pela Frigovarzea Frigorífico de Várzea Grande Ltda como tendo auferido receitas de aluguel; - Michel Flavio de Vargas, CPF nº 004.894.821-71, consta na GFIP/DIRF da Frigorífico de Várzea Grande Ltda e Frical Frigorífico Ltda como empregado; - Kelly Renata de Vargas, CPF nº 025.729.431-74, consta na GFIP/DIRF da Frical Frigorífico Ltda como empregada. Fl. 1089DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 9 - Gelson Luiz Ramos de Brito, CPF nº: 412.283.590-91, consta na GFIP/DIRF da Frigovarzea Frigorífico de Várzea Grande Ltda e Frical Frigorífico Ltda como empregado; - Flávio Alberto de Vargas, CPF nº: 318.394.521-53, consta na GFIP/DIRF da Frigovarzea Frigorífico de Várzea Grande Ltda como empregado. Em função de todas essas constatações, inferiu-se que com o falecimento do sócio Dílson Gonçalves Pereira, o sócio de fato (Flávio Alberto de Vargas) abandona o CNPJ da Frigovárzea e voltou a operar com o CNPJ da Frical Frigorífico Ltda. Considerando as determinações das Ações Cautelares Fiscais do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (número do processo nº (AI) 0058316-84.2013.4.01.0000 - processo originário nº 0012702-23.2013.4.01.3600/MT e nº (AI) 0038436- 38.2015.4.01.0000 - processo originário nº: 0017691-09.2012.4.01.3600/MT), cópias juntadas no Anexo 2 (fls. 141/153) concluiu-se, ainda, ser obrigatória a inclusão das pessoas físicas e jurídicas relacionadas como solidárias/integrantes de grupo econômico, nos termos do disposto no CTN, artigo 124, inciso I e artigo 135, incido III, combinado com o contido no artigo 50 do Código Civil: Frical Frigorífico Ltda, Protaxi Pro Oeste Táxi Aéreo Limitada – EPP, Flávio Alberto de Vargas, Michel Flávio de Vargas. Sueli Neres, Kelly Renata de Vargas, Anísio Ortiz, Gelson Luiz Ramos de Brito e Lauri Lorensetti de Vargas. Conta no item 36 do relatório fiscal quadro identificando as pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas de forma solidária. Relatório fiscal. Aquisição de produção rural com sub-rogação. Não recolhimento das contribuições sociais. Foi enviado o Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), por meio de AR, ao endereço da Frigovarzea Frigorífico de Várzea Grande Ltda, cadastrado no sistema: “Souza Lima 200 Bairro: Souza Lima Município: Várzea Grande Cep: 78150-000 MT”. No entanto como mencionado esse AR foi devolvido pelos Correios, constado como motivo “Não Procurado”. Em razão disso, o TIPF foi enviado ao endereço de Caixa Postal da Frical Frigorífico Ltda, endereço: “Estrada Souza Lima, SN, Caixa Postal 28, Bairro: Zona Rural, Várzea Grande - MT Cep: 78.150-000”, tendo sido recebido, em 1/6/2016 (como consta cópia do AR à fl. 62). O mesmo TIPF foi enviado ao sócio de fato, Sr. Flavio Alberto de Vargas, CPF nº 318.394.521-53, recebido em 17/5/2016, (anexo 6), cópia do AR incluída no relatório fiscal (fl. 62). Por meio desse TIPF foi solicitada a apresentação de documentação (dentre os quais, folhas de pagamento e contabilidade em meio digital, relação discriminada de todas as notas fiscais de entrada emitidas em 2012 e 2013 e seus respectivos dados, pedido de esclarecimento sobre o fato de não haver sido declarada operação de aquisição de produção rural nas GFIP e por não ter sido efetuada a retenção e o recolhimento das contribuições incidentes sobre essa operação). Fl. 1090DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 10 Em 16/6/2016 o contribuinte apresentou requerimento por meio do qual solicitou prorrogação do prazo de entrega dos documentos, o que foi deferido pela fiscalização, sendo que o novo termo fixado para apresentação dos elementos solicitados por meio do TIPF foi 8/7/2016. Contudo, após o encerramento desse prazo o contribuinte nada apresentou e nem se manifestou. Apesar disso, por meio da análise as Notas Fiscais Eletrônicas – NFe de Entrada de mercadorias, da Frigovarzea Frigorífico de Várzea Grande, CNPJ nº 15.400.836/0001-50, disponibilizadas no Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), foram encontradas notas fiscais de aquisições de produção rural de produtor rural pessoa física, pelo sujeito passivo: Código Fiscal de Operações e Prestações –CFOP: 1101-2101 - Compra para industrialização ou produção rural, no valor total de R$ 41.942.797,40, em 2012, e de R$ 118.771.219,01, em 2013 (conforme detalhado na planilha do anexo 8). Por essa razão, nos termos da legislação tributária foi efetuado o lançamento de ofício das contribuições sociais não recolhidas pelo sujeito passivo, considerando- se as bases de cálculo demonstradas no Anexo 8. Foi apresentada, no relatório fiscal, item 48 (fl. 67), um demonstrativo que evidencia, por competência, a base de cálculo total e as contribuições lançadas. Relatório fiscal. Qualificação e agravamento da multa de ofício: 225%. §§1º e 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. A multa foi qualificada (aplicada com base no percentual de 150% ) em razão do evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, em obediência ao disposto no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, combinado com o disposto na Lei nº 4.502/1964, artigo 71, 72 e 73, conforme reputado nas sentenças proferidas nas Ações Cautelares Fiscais no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Processo nº (AI) 0058316-84.2013.4.01.0000 – Processo Original nº 0012702- 23.2013.4.01.3600/MT e Processo nº (AI) 0038436-38.2015.4.01.0000 – Processo Original nº 0017691-09.2012.4.01.3600/MT) e demonstradas nos autos do processo administrativo nº 14098.720056/2012-07, relativo a autuações efetuadas contra a Frical (cópia juntada às fls. 82/106), bem como no relatório fiscal relativo ao presente processo. As atitudes praticadas pelos sujeitos passivos, entre outras, o fato de serem constituídos por interpostas pessoas, evidenciam o intuito de burlar o Fisco, o que torna forçosa a aplicação do §1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. A multa qualificada foi agravada em 50% em razão do não atendimento de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar arquivos ou sistemas digitais (conforme determina o §2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996). Especificamente, o contribuinte e o sócio administrador foram cientificados do TIPF (respectivamente, em 1/6/2016 e 17/5/2016) tendo sido solicitado por meio dele a apresentação de documentos e esclarecimentos. Mesmo depois da Fl. 1091DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 11 fiscalização ter atendido pedido de prorrogação do contribuinte, ele não prestou nenhum esclarecimento, nem apresentou qualquer dos elementos solicitados no TIPF e nem se manifestou a respeito. Da Impugnação A contribuinte e os responsáveis solidários abaixo relacionados, embora cientificados do Auto de Infração, não apresentaram Impugnação ao Lançamento Fiscal: Data Via de Citação Contribuinte FRIGOVARZEA - FRIGORIFICO DE VARZEA GRANDE LTDA 16/11/2016 Edital (fl. 486) Responsáveis FLAVIO ALBERTO VARGAS 26/10/2016 Postal – A.R. (fls. 477/478) MICHEL FLAVIO DE VARGAS 26/10/2016 Postal – A.R. (fls. 479/480) SUELI NERES 26/10/2016 Postal – A.R. (fls. 481/482) KELLY RENATA DE VARGAS 26/10/2016 Postal – A.R. (fls. 483/484) FRICAL FRIGORIFICO LTDA – EPP 16/11/2016 Edital (fl. 485) ANISIO ORTIZ 16/11/2016 Edital (fl. 487) GELSON LUIZ RAMOS DE BRITO 16/11/2016 Edital (fl. 488) LAURI LORENSETTI DE VARGAS 16/11/2016 Edital (fl. 489) A responsável solidária PROTAXI PRO OESTE TAXI AEREO LIMITADA– EPP foi cientificada em 16/11/2016, por meio do Edital Eletrônico (fl. 490) e apresentou impugnação (fls. 534/547) na data de 14/07/2020 (fls. 527/532), juntamente com o pedido de revisão de dívida (fls. 548/558), objeto do processo nº 10265.179360/2020-38 (fls. 526/619). Do Despacho de Encaminhamento Por meio do Despacho nº 1803/2020-EREC/DRF-BRASÍLIA/DF, lavrado em 19/08/2020, foi determinado o encaminhamento do processo à ECOA para análise da admissibilidade da impugnação tendo em vista a alegação de tempestividade apresentada pelo impugnante (fls. 620/621). Fl. 1092DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 12 Em seguida, foi proferido despacho de encaminhamento (fl. 622), para que fosse juntado ao processo os Avisos de Recebimento – A.R. previamente encaminhados às pessoas que foram citadas por meio de edital: Considerando as alegações do contribuinte em sua impugnação "intempestiva" que se inicia nas fls. 533, encaminho para que seja juntado ao presente processo os ARs que comprovam a tentativa de ciência do Auto de Infração via postal para os contribuintes que foram cientificados por Edital, ou que indique em quais folhas do processo se encontram tais ARs. Em resposta, a autoridade fiscal informou que foi realizada diretamente a cientificação da responsável tributário PROTÁXI por meio de edital (fls. 623/625): “A cientificação do contribuinte acerca da AUTUAÇÃO na condição de responsável solidário pelo crédito tributário apurado naquele procedimento de lançamento de ofício conforme fls. 453/455 (sem assinatura do contribuinte), FOI REALIZADA DIRETAMENTE PELA VIA EDITALÍCIA, sem nenhuma tentativa de notificação pessoal ou via postal no seu domicílio tributário, conforme EDITAL ELETRÔNICO N. 001976875, de 01/11/2016 devidamente encartado às fls. 490.” Ocorre, de plano, que a empresa Protaxi Pro Oeste Taxi Aéreo Ltda., foi devidamente cientificada, por meio de sua procuradora/sócia: a Senhora KELLY RENATA DE VARGAS, CPF: 025.729.431-74, e do sócio de fato, sr. FLAVIO ALBERTO DE VARGAS: CPF: 318.394.521-53. Conforme cópias dos ARs abaixo: (...) A responsável tributário PROTAXI OESTE TAXI AEREO LTDA apresentou resposta à intimação fiscal (fls. 628/638) na data de 08/09/2020 (fl. 626), acompanhada de documentos, por meio da qual esclareceu: (...) ESCLARECIMENTO DOS FATOS. A preliminar de tempestividade apresentada pelo contribuinte está escorada no fato da ausência de tentativa de notificação postal de forma antecedente à notificação por edital levada a efeito com prova de envio para o DOMICÍLIO TRIBUÁRIO ELEITO PELA CONTRIBUINTE. Frente a essa argumentação, a informação de fls. 623/625 busca justificar a ausência de tentativa de notificação postal da empresa autuada informando que a sua notificação se deu no endereço da “sócia/procuradora” KELLY RENATA DE VARGAS e através da notificação do “sócio de fato” FLÁVIO ALBERTO DE VARGAS. Ocorre que se referida notificação fosse válida, não haveria a necessidade de expedição do EDITAL ELETRÔNICO N. 001976875, de 01/11/2016 devidamente encartado às fls. 490. A intimação que se quer fazer como eficaz e válida foi realizada previamente à expedição do Edital e, naquela oportunidade, o Edital foi expedido porque se Fl. 1093DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 13 considerou que não havia intimação válida em relação à empresa PROTÁXI Pro Oeste táxi Aéreo Ltda – EPP. A notificação enviada para o endereço da Sra. KELLY RENATA DE VARGAS serviu para notificá-la na sua pessoa física acerca da sua condição de responsável solidária pelos créditos tributários apurados no presente processo. Nada além disso. VALE RESSALTAR QUE KELLY RENATA DE VARGAS não é, e nunca foi sócia administradora cadastrada perante a RECEITA FEDERAL da empresa PROTÁXI Pro Oeste táxi Aéreo Ltda – EPP (...). O responsável pelo CNPJ da empresa PROTÁXI Pro Oeste táxi Aéreo Ltda – EPP na época da autuação a até os dias de hoje é o Sr. ANTÔNIO RIBEIRO JÚNIOR, CPF n. 421.565.562-53 (basta consultar o sistema CNPJ da própria Receita Federal). (...) A notificação na pessoa diversa do sócio administrador só é válida quando enviada para o domicílio tributário da empresa, que no caso em tela sempre esteve sediada no Aeroporto Marechal Rondon, s/n, Várzea Grande/MT, nos termos da Súmula 09 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (...). Não há nos autos nenhuma prova de tentativa de notificação naquele endereço. É ESSA MATÉRIA PRELIMINAR QUE SE PRETENDE VER ANALISADA PELA DELEGACIA DE JULGAMENTO, dado que a ausência de prova de tentativa de notificação encaminhada ao domicílio tributário do contribuinte faz presumir a tempestividade do seu recurso, NOS TERMOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N. 16/2014, itens II e III do “tópico 17” que assim dispõe: Com base no exposto, conclui-se que: (...) (2) eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar; Já a afirmação de que a notificação foi enviada para o endereço do SÓCIO DE FATO, repita-se SÓCIO DE FATO não é capaz de esclarecer e demonstrar a efetiva notificação da empresa PROTÁXI – Pro Oeste Táxi Aéreo Ltda – EPP, já que o Sr. FLÁVIO ALBERTO DE VARGAS não está cadastrado como Sócio – Administrador e nem mesmo a notificação foi enviada para o endereço da empresa cadastrado perante a Receita Federal na condição de domicílio Tributário Eleito. (...) O artigo 23 do Decreto n. 70.235/72 EXIGE que a intimação por via postal tem que ser efetivada com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos seguintes termos: (...) Por tais razões é que reiterando e ratificando as razões lançadas às fls. 527/616 do presente processo administrativo, pugnamos pelo reconhecimento da Fl. 1094DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 14 TEMPESTIVIDADE do presente recurso, pugnando pelo seu RECEBIMENTO e PROCESSAMENTO nos termos do Decreto n. 70.235/72 com o respectivo encaminhamento para apreciação e julgamento pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO competente para tanto. (...) Em seguida, o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para análise da preliminar apresentada, consoante teor do “Despacho de Encaminhamento” exarado em 29/09/2020 (fl. 639). A responsável tributária apresentou novo petitório (fl. 657) na data de 27/10/2020 (fl. 655), por meio da qual requereu “o cumprimento da decisão de fls. 645 no âmbito da PGFN, conferindo a suspensão da exigibilidade do Crédito Tributário para, somente assim, posteriormente, enviar o presente processo para apreciação da impugnação apresentada pelo contribuinte pela DRJ”. Do “Despacho de Encaminhamento” exarado em 20/01/2021 extraem-se as seguintes informações (fl. 676): Trata-se de Auto e Infração - CP – fl. 02 a 476, lavrado pela DRF - Brasília em 21/10/2016 e inscrito em Dívida Ativa em 09/11/2018- fl. 525. No entanto, a PROTAXI Pro Oeste Taxi Aéreo Ltda, enquadrada como solidário impugnou às fls. 533 a 547, impugnou o lançamento expondo preliminares de tempestividade. As inscrições em DAU não foram suspensas e nem canceladas. Encaminho os autos ao SECOJ/DRJ01/DF para análise e manifestação. Da Decisão de Primeira Instância A 8ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 06, em sessão realizada na data de 27/05/2021, por meio do acórdão nº 106-014.204 (fls. 679/698), não conheceu da impugnação apresentada pela responsável solidária PROTAXI Pro Oeste Táxi Aéreo Ltda por intempestividade, cujo acórdão restou assim ementado (fl. 679): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E PARA O SENAR. SUB-ROGAÇÃO. A pessoa jurídica adquirente de produção rural de pessoa física, em razão da sub- rogação, é obrigada a recolher as contribuições devidas à Previdência Social e ao Senar, incidentes sobre a receita bruta de comercialização auferida pelo produtor rural nessas transações. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP omitindo fatos geradores ou contribuições previdenciárias constitui infração à legislação. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. Fl. 1095DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 15 A petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Cientificada do resultado do julgamento em primeira instância na data de 07/07/2021, por via postal, conforme Aviso de Recebimento – A.R. acostado à fl. 700, a responsável tributário PROTAXI Pro Oeste Táxi Aéreo Ltda – EPP apresentou Recurso Voluntário (fls. 703/708), na data de 20/07/2021 (fl. 701), por meio do qual pugnou, em apartada síntese, pela nulidade do acórdão recorrido, em virtude da tempestividade da impugnação apresentada. Do Acórdão de Recurso Voluntário Esta 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento deste CARF, em sessão realizada na data de 05/11/2024, por meio do acórdão nº 2201-011.930 (fls. 728/740), acolheu a preliminar de tempestividade arguida pelo Sujeito Passivo, e determinou o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento, cujo acórdão restou assim ementado (fl. 728): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. A intimação por edital em processo administrativo apenas é possível nas hipóteses em que o interessado for indeterminado, desconhecido ou com domicílio indefinido. Nas demais situações, a administração deve buscar a notificação do interessado por outros meios de comunicação, garantindo-lhe o exercício da ampla defesa. Não tem validade a intimação da empresa arrolada como responsável solidária do lançamento feita diretamente na pessoa do sócio de fato, quando se verifica que a referida empresa tem estabelecimento operativo e endereço certo. A identificação do sócio de fato na ação fiscal tem como objetivo considerá-lo responsável solidário do crédito tributário nos termos do artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. Da Nova Decisão de Primeira Instância Fl. 1096DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 16 A 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ 06, em sessão realizada em 15/05/2025, por meio do acórdão nº 106-048.931 (fls. 977/1008), julgou improcedente a impugnação apresentada pela solidária PROTÁXI Pro Oeste Táxi Aéreo Ltda – EPP, cujo acórdão restou assim ementado (fl. 977): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 COMERCIALIZAÇÃO RURAL. CONTRIBUIÇÃO. MULTA. A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. É devida multa qualificada na ocorrência das hipóteses previstas na Lei 4.502/1964. É devida multa agravada se o contribuinte não presta esclarecimentos ou apresenta arquivos ou sistemas digitais quando intimado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte e os responsáveis solidários abaixo relacionados, foram cientificados do resultado do julgamento de primeira instância, e não apresentaram Recurso Voluntário: Data Via de Citação Contribuinte FRIGOVARZEA - FRIGORIFICO DE VARZEA GRANDE LTDA 08/08/2025 Edital (fl. 1.031), A.R. devolvido (fl. 1.027) Responsáveis FLAVIO ALBERTO VARGAS 13/06/2025 Postal – A.R. (fl. 1.024) MICHEL FLAVIO DE VARGAS 13/06/2025 Postal – A.R. (fl. 1.023) SUELI NERES 13/06/2025 Postal – A.R. (fl. 1.025) KELLY RENATA DE VARGAS 13/06/2025 Postal – A.R. (fl. 1.021) FRICAL FRIGORIFICO LTDA – EPP 08/08/2025 Edital (fl. 1.029), A.R. devolvido (fl. 1.019). ANISIO ORTIZ 12/06/2025 Postal – A.R. (fl. 1.022) GELSON LUIZ RAMOS DE BRITO 08/08/2025 Edital (fl. 1.030), A.R. devolvido (fl. 1.026) Fl. 1097DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 17 LAURI LORENSETTI DE VARGAS 08/08/2025 Edital (fl. 1.038), A.R. devolvido (fl. 1.028) A responsável solidária PROTAXI Pro Oeste Táxi Aéreo Ltda – EPP foi cientificada do resultado do julgamento em primeira instância na data de 11/06/2025, por via postal, conforme Aviso de Recebimento – A.R. acostado à fl. 1.020, e apresentou Recurso Voluntário (fls. 1.040/1.062) na data de 11/07/2025 (fl. 1.038), no qual alegou, em breve síntese, as razões sintetizadas nos tópicos abaixo: I – Da nulidade da cobrança do FUNRURAL/SENAR por sub-rogação; II – Da redução da multa qualificada e da exclusão da agravante; e III – Da incidência indevida do GILRAT – ausência de enquadramento de grau de risco e FAP. Pugnou, ao final, pela conversão do julgamento em diligência, para produção de prova pericial contábil, bem como pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o julgamento definitivo. Sem contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Luana Esteves Freitas, Relatora O recurso voluntário apresentado pela responsável solidária, PROTAXI Pro Oeste Táxi Aéreo Ltda – EPP é tempestivo – a Recorrente foi intimada em 11/06/2025 (fl. 1.020) e apresentou recurso em 11/07/2025 (fl. 1.038) – e atende às demais condições de admissibilidade, mas deve ser conhecido em parte. Ressalto que o contribuinte e os demais responsáveis, embora devidamente intimados acerca do resultado do acórdão proferido pela primeira instância (fls. 1019/1077), não apresentaram Recurso Voluntário, de modo que a decisão se tornou definitiva. Da Delimitação do litígio Em sede de Impugnação (fls. 534/547) a responsável tributária, ora Recorrente, limitou-se a alegação acerca da inconstitucionalidade da cobrança do FUNRURAL e das contribuições ao SENAR, exigidas do contribuinte e demais solidários na modalidade de subrogação, incidentes sobre a comercialização da produção de produtor rural pessoa física, bem como teceu argumentos para afastar as multas de ofício qualificada e agravada que lhes foram aplicadas no percentual total de 225%. Já em Recurso Voluntário (fls. 1040/1062) inovou sua defesa, na medida em que apresentou alegações não trazidas em sede de Impugnação, especificamente no tópico nominado Fl. 1098DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 18 “III.III – DA REFORMA DO V. ACÓRDÃO Nº 106-048.931 – DA INCIDÊNCIA INDEVIDA DO GILRAT – AUSÊNCIA DE ENQUADRAMENTO DE GRAU DE RISCO E FAP”. Deste modo, os contornos da lide foram construídos a partir da linha de defesa formulada pelo sujeito passivo na Impugnação, logo os julgadores de primeiro grau não foram instados a se manifestarem a respeito do tema suscitado apenas e tão somente quando da interposição do recurso voluntário. Consequentemente, não há que se falar em constituição de lide no tocante à matéria de defesa não trazidas na Impugnação, mas que veio aos autos somente no recurso voluntário, em razão da preclusão. A preclusão encontra fundamento no artigo 342 do Código de Processo Civil, bem como nos artigos 17 e 33 do Decreto nº 70.235/1972, de modo que, com base nestes dispositivos, somente é possível apresentar novas alegações para apreciação pela segunda instância de julgamento em casos excepcionais, sob pena da ocorrência da preclusão. Ademais, as questões que não foram debatidas pela autoridade judicante de 1ª instância, não poderiam ter sido suscitadas em sede de Recurso Voluntário, já que apenas as questões previamente debatidas é que são devolvidas à autoridade judicante revisora para que sejam novamente examinadas. Isto é o efeito devolutivo típico dos recursos, que, a propósito, deve ser compreendido como um efeito de transferência, ao órgão ad quem, do conhecimento de matérias que já tenham sido objeto de decisão por parte do juízo a quo. Em virtude dessas considerações, uma vez constatado que a Recorrente alegou matérias de defesa que não constaram em sua Impugnação, o recurso não comporta conhecimento neste ponto, por ofensa ao devido processo legal e ao princípio da devolutividade, principalmente porque ao julgador de piso não foi dada a possibilidade de enfrentar as questões agora trazidas no recurso. Nesse sentido, limitar-se-á a análise das demais alegações tecidas pela Recorrente, com exceção àquelas relativas à nulidade da exigência do GILRAT, em razão da ausência do enquadramento no grau de risco e de aplicação do FAP. Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário A recorrente requer seja reconhecida a suspensão de exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN. A tempestiva apresentação da Impugnação gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. Deste modo, a impugnação e recurso voluntário apresentados pelo responsável tributário nos termos das leis que regulamentam o processo tributário administrativo suspendem Fl. 1099DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 19 a exigibilidade do crédito tributário em litígio, consoante artigo 151, inciso III do CTN combinado com o artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972. Da constitucionalidade do art. 30, IV, da Lei nº. 8.212/91 O lançamento refere-se à obrigação estabelecida na Lei nº 8.212/1991, artigo 25, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, ao produtor rural, que foi sub-rogada à recorrente, enquanto adquirente da produção comercializada, por imposição legal contida na Lei nº 8.212/91, artigo 30, IV: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I - 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II - 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. [...] Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IV - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento. Com relação à contribuição para o SENAR, assim estabelece a Lei nº 9.528 de 10/12/1997, em seu artigo 6º: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (Redação alterada pela Lei nº 10.256, de 09/07/2001). Acerca da constitucionalidade da sub-rogação estabelecida pelo art. 30, IV, da Lei nº. 8.212/91 e da ilegitimidade passiva da recorrente em relação à cobrança, verifica-se que a ADI 4395, que a tem por objeto, ainda não teve o seu mérito julgado pelo STF. O julgamento foi suspenso em dezembro de 2022, para proclamação do resultado em sessão presencial, o que ainda não ocorreu. Deste modo, conquanto se possa concordar com a Recorrente que “a Fl. 1100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 20 jurisprudência do STF caminha para a declaração da inconstitucionalidade da cobrança”, isso ainda não ocorreu. Ressalto que em 24/02/2025, na referida ADI, o Tribunal, por unanimidade, referendou a decisão liminar proferida pelo Ministro Relator Gilmar Mendes, e determinou “a suspensão nacional dos processos judiciais que ainda não transitaram em julgado e que tratam da constitucionalidade da sub-rogação prevista no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, até a proclamação do resultado da presente ação direta.” Ocorre que tal suspensão não obsta o prosseguimento e julgamento deste processo administrativo, conforme preconiza o artigo 100 do Regimento Interno do CARF (RICARF): Art. 100. A decisão pela afetação de tema submetido a julgamento segundo a sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos não permite o sobrestamento de julgamento de processo administrativo fiscal no âmbito do CARF, contudo o sobrestamento do julgamento será obrigatório nos casos em que houver acórdão de mérito ainda não transitado em julgado, proferido pelo Supremo Tribunal Federal e que declare a norma inconstitucional ou, no caso de matéria exclusivamente infraconstitucional, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça e que declare ilegalidade da norma. Parágrafo único. O sobrestamento do julgamento previsto no caput não se aplica na hipótese em que o julgamento do recurso puder ser concluído independentemente de manifestação quanto ao tema afetado. Desse modo, aplica-se aqui a Súmula CARF n.º 02, sendo impossível a este julgador afastar a aplicação de dispositivo legal a pretexto de ser inconstitucional. Veja-se, ainda, que a Súmula CARF n.º 150, veda a aplicação do entendimento proferido no RE 363.852/MG aos lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256/2001, como é o caso dos autos, ao contrário do que argumenta o recorrente: Súmula CARF nº 150 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 03/09/2019 A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de subrogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. Acórdãos Precedentes: 2401-005.593, 9202-006,636, 2201-003.486, 2202-003.846, 2201-003.800, 2301- 005,268, 9202-005.128, 9202-003.706 e 9202-004.017. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Diante disso, uma vez vigente a lei, esta goza presunção de constitucionalidade, não cabendo ao aplicador negar sua aplicação sob argumentos desta natureza, razão pela qual deve ser mantido o lançamento tributário. Fl. 1101DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 21 Contribuição para o SENAR Sobre a contribuição para o SENAR, também objeto deste lançamento fiscal, a PGFN emitiu o Parecer SEI nº 19.443/2021/ME, incluindo na lista de dispensa de contestação e recursos esse tema referente à substituição tributária dessa contribuição prevista no art. 6º, da Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista a pacificação do entendimento no âmbito das turmas de direito público do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido da impossibilidade de utilização do art. 30, IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, a qual somente é válida a partir da vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997. Reproduzo abaixo os trechos pertinentes do referido parecer: A presente manifestação analisa a possibilidade de inclusão, na lista de dispensa de contestação e recursos da PGFN, do tema referente à substituição tributária da contribuição ao SENAR prevista no art. 6º, da Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997: [...] A dispensa se refere à impossibilidade de utilização do art. 30, IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, somente válida a partir da vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997. 3. O tema foi reportado pela Coordenação-Geral de atuação perante o STJ (CASTJ), considerando sua pacificação no âmbito das turmas de direito público do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 4. De fato, a matéria encontra-se pacificada no âmbito do STJ, conforme os precedentes abaixo: [...] 5. Conforme se verifica dos acórdãos acima, o art. 30, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, serve de fundamento para a substituição tributária da contribuição prevista no art. 25 da mesma lei, e não para a contribuição prevista na Lei nº 9.528, de 1997. Em relação a essa última, a previsão legal para a substituição tributária veio somente com a Lei nº 13.606, de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei 9.528, de 1997. 6. Apesar de o art. 11, §5º, “a”, do Decreto nº 566, de 1992, prever a obrigação de retenção pelo adquirente da produção rural, o dispositivo não encontrava amparo legal, violando as disposições do art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN, obstáculo que foi superado a partir da Lei nº 13.606, de 2018. Fl. 1102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 22 7. A propósito do art. 3º, §3º da Lei nº 8.315, de 1991, somente o REsp 1839986/AL analisou o citado dispositivo, considerando que não se refere à contribuição prevista na Lei nº 9.528, de 1997, porque anterior a ela. 8. A ausência de manifestação expressa de ambas as turmas de direito público do STJ a respeito do art. 3º, §3º da Lei nº 8.315, de 1991, contudo, não interfere na conclusão acima reportada, seja porque os acórdãos citam-se uns aos outros, seja porque há consenso quanto ao momento em que o art. 11, §5º, “a”, do Decreto nº 566, de 1992, passa a ter validade, a partir da edição da Lei nº 13.606, de 2018. 9. O tema restou assim pacificado sem possibilidade de reversão do entendimento, situação que se enquadra nas previsões do art. 19, VI, b, c/c art. 19-A, III, da Lei nº 10.522, de 2002, e do art. 2º, VII, e §4º, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, que dispensa a apresentação de contestação, o oferecimento de contrarrazões, a interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, em temas sobre os quais exista jurisprudência consolidada do STF em matéria constitucional ou de Tribunais Superiores em matéria infraconstitucional, em sendo desfavorável à Fazenda Nacional: [...] 10. De se destacar que a matéria não preenche os requisitos necessários à interposição de recurso extraordinário, por envolver matéria infraconstitucional, e que os Temas 202[6] e 669[7] julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) não se confundem e não interferem na presente análise. III 11. Feitas as considerações acima, propõe-se a inclusão do seguinte item na lista de dispensa de contestação e recursos da PGFN: 1.45 – Substituição tributária a) Contribuição ao SENAR. Art. 6º, da Lei nº 9.528, de 1997. Contribuinte pessoa física ou segurado especial. Resumo: Impossibilidade de utilização do art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, e do 3º, §3º da Lei nº 8.315, de 1991, como fundamento para a substituição tributária. A substituição tributária é válida a partir da vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997. Precedentes: REsp 1839986/AL, REsp 1723555/SC, AgInt no REsp 1910506/RS, AgInt no REsp 1923191/RS, REsp 1651654/RS. Referência: Parecer SEI nº 19443/2021/ME Data de inclusão: XX/12/2021 DESPACHO Processo nº 10695.101507/2020-14 Ponho-me de acordo com o Parecer PGFN/CRJ/COJUD SEI nº 19443/2021/ME (SEI nº 20839085), que veicula, forte no art. 19, VI, b, c/c art. 19-A, III, da Lei nº 10.522, de 2002, e do art. 2º, VII, e §4º, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, dispensa de apresentação de contestação, oferecimento de contrarrazões, interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, ante a jurisprudência consolidada do STJ acerca da impossibilidade de utilização do art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, e do art. 3º, Fl. 1103DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 23 §3º, da Lei nº 8.315, de 1991, como fundamento para a substituição tributária, a qual somente é válida a partir da vigência da Lei nº 13.606, de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997. [...] O referido tema foi incluído na lista de dispensa de contestar e recorrer da PGFN em 19/04/2023, conforme abaixo (https://www.gov.br/pgfn/pt- br/assuntos/representacaojudicial/documentos-portaria-502/lista-de-dispensa-de-contestar-e- recorrer-art-2º-v-vii-e-a7a7- 3º-a-8º-da-portaria-pgfn-no-502-2016 - acesso em 16/11/2023): [...] b) Contribuição ao SENAR. Art. 6º, da Lei nº 9.528, de 1997. Contribuinte pessoa física ou segurado especial. Resumo: Impossibilidade de utilização do art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, e do 3º, §3º da Lei nº 8.315, de 1991, como fundamento para a substituição tributária. A substituição tributária é válida a partir da vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997. Precedentes: REsp 1839986/AL, REsp 1723555/SC, AgInt no REsp 1910506/RS, AgInt no REsp 1923191/RS, REsp 1651654/RS. Referência: Parecer SEI nº 19443/2021/ME Data de inclusão: 19/04/2023 Desse modo, seguindo a jurisprudência consolidada do STJ e a orientação da PGFN, não há como utilizar o art. 30 IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e o art. 3º, §3º, da Lei nº 8.135, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, a qual somente se tornou válida a partir da vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei 9.528, de 1997. Portanto, como estamos a tratar de fatos geradores do período de 01/2012 a 12/2013, dou provimento ao recurso nesse ponto, para excluir do lançamento as contribuições para o SENAR, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas (exigidas por sub- rogação). Da Multa de Ofício Qualificada Com relação à multa aplicada, assim dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, vigente à época da ocorrência do fato gerador: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 1104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 24 II - de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I - prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) A multa qualificada de 150% tem por fundamento o parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, acima transcrito, que trata da qualificação das infrações nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964: Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária Fl. 1105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 25 principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito doloso, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. O conceito de dolo encontra-se no inciso I do art. 18 do Decreto-lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940 - Código Penal, que dispõe ser o crime doloso aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. No lançamento objeto deste processo administrativo foi aplicada a multa de ofício no percentual de 150% sobre o valor do imposto devido. No Relatório Fiscal consta a motivação para o lançamento da multa qualificada, conforme transcrição (fls. 68/72): II.III - Da qualificação e agravamento da multa de ofício: 225% - art. 44, §§1º e 2º, da Lei nº 9.430/1996. Qualificada: 150% - evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. 49. A Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, dispõe, nos art. 71, 72 e 73 que: [...] 50. Dessa forma, conforme reputadas nas sentenças proferidas nas ações cautelares fiscais no Tribunal Regional Federal da 1ª Região: nº Processo: (AI) 0058316-84.2013.4.01.0000 – Processo Original nº 0012702- 23.2013.4.01.3600/MT e nº Processo (AI) 0038436-38.2015.4.01.0000 – Processo Original nº 0017691 09.2012.4.01.3600/MT e demonstradas no processo administrativo COMPROT: 14098.720056/2012-07, bem como neste relatório fiscal (vide trecho abaixo reproduzido): 15. No caso, diante das explanações detalhadas e bastante esclarecedoras da Exequente (fls. 17/38) e da farta documentação em envelope lacrado (apenso), além dos documentos que instruem a Execução Fiscal de nº 2010.36.00.004638-9, fica evidente o abuso de personalidade jurídica das empresas supracitadas, sendo utilizada indevidamente para encobrir o seu patrimônio declarado em nome de terceiros, dentro de um grupo familiar. 16. Está demonstrado nos autos a ocorrência de uma grande confusão patrimonial, maquinada pelo sócio de fato, e executado, FLÁVIO ALBERTO DE VARGAS, que consiste simplesmente em um organizado esquema de esvaziamento dos seus bens e também da empresa FRICAL FRIGORÍFICO LTDA Fl. 1106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 26 para a empresa FRIGOVÁRZEA FRIGORÍFICO DE VÁRZEA GRANDE EIRELI. Os fatos se resumem assim: [...] As atitudes praticadas pelos sujeitos passivo, entre outras ser constituída por interpostas pessoas, evidenciam o intuito de burlar o fisco, o que torna forçosa a aplicação do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. A DRJ manteve a qualificação da multa conforme fundamentos que extraio do acórdão recorrido (fls. 999/1002): Do relatório fiscal (folhas 33 em diante) depreende-se existência de grupo econômico de fato, com ocultação de real proprietário, sócios com aquisições incompatíveis, confusão patrimonial e administrativa, entre outros fatos jurídicos e contábeis apontando para a incidência dos tipos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/1964, conforme descrito à folha 68, implicando na aplicação do art. 44, §1º da Lei 9.430/1996. Pelo relatado e demonstrado, não nos parece ter havido simples omissão de receita, mas de um comportamento doloso no sentido de auferir vantagens tributárias indevidas. Observe-se, conforme lembrado no relatório fiscal (folha 35), que há continuidade no proceder do contribuinte, constatado através do processo 14098.720056/2012-07 para o período 2009 a 2011 e lavrado em 2/2013. Ou seja, desde então o contribuinte já tinha conhecimento de que não havia conformidade tributária nos procedimentos que adotava, demonstrando a vontade consciente de os continuar praticando. A propósito do tema, verifica-se que o dispositivo que fundamenta a multa foi alterado pela Lei 14.689/2023, passando a prever o seguinte: [...] Nos termos do art. 106, II, c1 do CTN, essa alteração legislativa pode ser aplicada retroativamente. O relatório fiscal, no entanto, informa haver reincidência através do processo 14098.720056/2012-07, o que deve ser analisado para fins de verificação em qual qualificadora incidem os fatos narrados. O referido processo foi lavrado contra a empresa Frical Frigorífico Ltda: (...) Assim, em tese, seriam sujeitos passivos diversos, o que afastaria a hipótese do art. 44, §1º, VII da Lei 9.430/1996. O relatório do presente processo esclarece (folhas 35 em diante): 9. Cabe ressaltar que, conforme muito bem esclarecido nas cautelares acima e no Procedimento Fiscal 14098.720056/2012-07, lavrado em 06/02/2013, e que lançou de ofício as contribuições previdenciárias do Fl. 1107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 27 período 2009 a 2011. Tendo transitado em julgado pela ocorrência da REVELIA, nenhum dos sujeitos passivos impugnou a autuação. Já foi inscrito em dívida ativa. 10. Apurou-se ser o Sr. Flavio Alberto de Vargas, CPF: 318.394.521-53, o verdadeiro sócio da empresa Frical Frigorífico Ltda, CNPJ: 03.851.469/0001- 22. Tendo abandonado esse CNPJ, e aberto um novo: CNPJ: 15.400.836/0001-50 - FRIGOVARZEA FRIGORIFICO DE VARZEA GRANDE LTDA – EPP. Dessa forma, a empresa FRIGOVARZEA nada mais é que a própria empresa Frical, com novo nome e CNPJ. ... (Infere-se que com o falecimento do sócio Dilson Goncalves Pereira, CPF: 329.096.671-20 – interposta pessoa, em 07/02/2014, o sócio de fato Sr. Flavio Alberto de Vargas, CPF: 318.394.521-53, abandona o CNPJ da empresa FRIGOVARZEA FRIGORIFICO DE VARZEA GRANDE LTDA – EPP e volta a operar com o CNPJ da empresa FRICAL FRIGORÍFICO LTDA.) - Dando continuidade aos fatos acima, a partir de 07/2014 o sócio de fato da empresa FRIGOVARZEA FRIGORIFICO DE VARZEA GRANDE LTDA – EPP, CNPJ 15.400.836/0001-50, Sr. Flavio Alberto de Vargas, CPF: 318.394.521- 53, abandonou essa empresa e voltou a emitir os documentos fiscais (GFIP, NFe) novamente em nome da empresa FRICAL FRIGORÍFICO LTDA, CNPJ: 03.851.469/0001-22. Vejam-se os fatos: Conforme relatado preambularmente ao voto, constatou-se que as empresas se sucedem irregularmente uma a outra. Assim, a auditoria procura demonstrar que são, essencialmente, a mesma empresa. De fato, entendemos que há operação em desconformidade com as normas legais sendo praticadas de forma dolosa, tanto que não restou à fiscalização outra opção senão aplicar a qualificadora considerando se tratar, essencialmente, da mesma pessoa jurídica, ainda que com identificações diversas. Dito isso, entendemos que, pelo princípio da verdade material, tratar-se-ia do mesmo sujeito passivo. Verifica-se também que o lançamento nos autos do processo 14098.720056/2012-07 ocorreu com qualificação da multa, conforme informa seu relatório fiscal à sua folha 51, complementando outro requisito da norma. A outra questão a ser analisada seria do lapso temporal entre os eventos. O lançamento advindo do processo 14098.720056/2012-07 ocorreu em 18/2/2013, conforme Aviso de Recebimento à folha 1181 desse mesmo processo e o período fiscalizado foi de 1/2009 a 12/2011. Por outro lado, o presente lançamento tratou das competências 1/2012 a 13/2013 (folha 29) e foi realizado em 16/11/2016, por edital de folha 486, Fl. 1108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 28 tratadas como continuidade delitiva, conforme citado acima através da transcrição das folhas 35 e seguintes do relatório fiscal. Na intelecção do disposto no novel dispositivo relativo à multa qualificada, o seu §1º-A relaciona o prazo de contagem da reincidência com o “lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964”, e a comprovação de “que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões”. Observe-se que o dispositivo, a nosso entender, não condiciona a multa por reincidência ao lançamento posterior, mas apenas ao lançamento anterior. Para a reincidência, a norma estipula que outras dessas mesmas ações ou omissões sejam cometidas a menos de 2 anos do daquele lançamento, o que foi constatado no presente lançamento. Assim, de acordo com a alteração do art. 44 da Lei 9.430/1996 pela Lei 14.689/2023, concluímos que a multa qualificada se manteria igual à originalmente lançada. Ressalte-se que qualquer conduta dolosa do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que se enquadre em qualquer um dos tipos definidos na citada lei e que no lançamento tenham sido indicadas todas as circunstâncias que possibilitaram a identificação do elemento subjetivo. É preciso reconhecer que as hipóteses em que é facultado ao contribuinte realizar negócios sem ter de contribuir para o fisco são restritas e pressupõem a atuação dentro de limites impostos pela lei, não havendo espaço para hipóteses de simulação, fraude ou dolo. Entretanto, havendo simulação, fraude ou dolo, resta caracterizada a evasão fiscal, forma ilícita de afastar a incidência tributária. Dentro da evasão encontram-se manobras ardilosas que, depois de ocorrido o fato gerador, visam a desviar a regra de incidência tributária, abrangendo as mais diversas formas de formas simulação. Não trata, portanto, o presente lançamento de simples omissão de rendimentos, mas sim um verdadeiro intuito de fraude praticado pelo sujeito passivo, especialmente no que tange à ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas por sub-rogação, além da criação de pessoas jurídicas interpostas e a ocultação do sócio de fato destas, de modo que inaplicável ao caso a Súmula CARF nº 14. Destarte, não há como considerar involuntária a conduta do sujeito passivo nem mera divergência de interpretação fática ou da legislação, o que torna devida a multa qualificada prevista no artigo 44, inciso I, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto à alegação do caráter confiscatório da multa, a despeito da posição jurisprudencial mencionada, é uma apreciação a ser feita previamente pelo legislador ou no Fl. 1109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 29 controle da constitucionalidade pelo judiciário. Uma vez vigente a lei, esta goza presunção de constitucionalidade, não cabendo ao aplicador negar sua aplicação sob argumentos desta natureza. No que diz respeito à invocação da violação aos princípios constitucionais aplica-se o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros: Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. Divirjo, porém, do voto condutor da decisão de primeira instância, quanto à justificativa para a manutenção da multa qualificada no percentual de 150%. Isso porque, apenas e tão somente com a vigência da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, é que houve alteração do parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, e foi criado novo critério jurídico para qualificação da multa de ofício, na hipótese de reincidência praticada pelo Sujeito Passivo, que passou a vigorar com a seguinte redação: § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023) [...] VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) § 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) Desse modo, como no momento da lavratura do Auto de Infração, cuja ciência do contribuinte e solidários ocorreu nos meses de outubro e novembro/2016, inexistia o critério jurídico da “reincidência” para efeitos de majoração da multa de ofício qualificada, por conseguinte ele não se aplica ao presente caso. Fl. 1110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 30 Destarte, deve-se aplicar ao caso a retroatividade benigna, diante da superveniência da Lei nº 14.689/2023, que reduziu o percentual da multa qualificada a 100%, dando nova redação ao art. 44, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, para reduzir o percentual da multa qualificada ao montante de 100%. Da multa de Ofício Agravada Quanto à multa de ofício agravada, a Recorrente limita-se a alegação de que deve ser aplicado ao presente caso a Súmula CARF nº 96, e afirma que todos os documentos indispensáveis foram apresentados à fiscalização, de modo que a ausência de apresentação de livros e documentos, por si só, não é suficiente para o agravamento da multa, a qual deve ser aplicada apenas na hipótese de quando o não atendimento às intimações inviabiliza a fiscalização. Em que pese às razões expostas, não comportam acolhimento. Ao contrário do alega a Recorrente, neste caso não é cabível a aplicação da Súmula CARF nº 96 que assim dispõe: “A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros”. Isso porque, o lançamento refere-se às contribuições (FUNRURAL e SENAR) incidentes sobre a comercialização da produção adquirida de produtor rural pessoa física, cuja base de cálculo foram as Notas Fiscais, de modo que não há que se falar em arbitramento de lucro. A fiscalização justificou o agravamento da multa de ofício, em virtude de (fls. 72/76): Agravada em 50%: - caso de não atendimento de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar arquivos ou sistemas digitais (art. 44, §2º, da Lei nº 9.430/1996). Conforme TIPF - Termo de Início do Procedimento Fiscal recebido pela empresa em 01/06/2016, e pelo sócio de fato sr. Flavio Alberto de Vargas, CPF: 318.394.521-53, em 17/05/2016; foi solicitado a apresentação de: (...) Em 16/06/2016, foi entregue ofício, no qual solicita prorrogação do prazo de entrega dos documentos: (...) Contudo, após o prazo de prorrogação da entrega dos documentos, o contribuinte não entregou nenhum desses documentos solicitados, nem se manifestou. Nesse sentido, incumbe ao contribuinte prestar à administração tributária todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização (art. 32, III, Lei 8.212/1991). A falta de esclarecimentos, documentações, arquivos ou sistemas enseja o agravamento da multa nos termos da Lei 9.430/1996. Fl. 1111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 31 Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme já abordado, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme dispõe o art. 26-A do Decreto 70.235/72. A multa é devida em decorrência de determinação legal, sendo que a vedação ao confisco determinada pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu, cujo percentual obedeceu ao determinado em lei, não havendo previsão legal para alternativamente reduzi-la, quando presente os pressupostos fáticos e legais em sua aplicação. Assim mantenho a multa de ofício agravada. Da Retroatividade Benigna Da redução do percentual da Multa de Ofício (Qualificada e Agravada) para 100% Embora mantida a qualificação e o agravamento da multa de ofício, deve-se aplicar ao caso a retroatividade benigna, diante da superveniência da Lei nº 14.689/2023, que estabeleceu limitações à cobrança das multas previstas no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: [...] VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) [...] § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 32 Muito embora o dispositivo legal que limita a cobrança de multas a 100% integre o § 1º do mencionado art. 44 da Lei nº 9.430/96, entende-se que o teto legal estabelecido também se aplica às multas agravadas de que cuida o § 2º do mesmo artigo, porquanto o artigo 14 da Lei nº 14.689/2023 é claro ao vedar a cobrança de multa em autuação fiscal além de 100% do valor do crédito tributário apurado, não fazendo qualquer distinção entre multa de ofício qualificada ou agravada: Art. 14. Com fundamento no disposto no inciso IV do caput do art. 150 da Constituição Federal, referendado por decisões do Supremo Tribunal Federal, fica cancelado o montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte. Outrossim, o dispositivo deve ser interpretado com observância da regra de hermenêutica segundo a qual onde o legislador não fez distinção não cabe ao intérprete fazê-lo, sobretudo em matéria de multa, cuja interpretação, no caso de dúvida, deve ser sempre aquela que for mais favorável ao acusado: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Assim, com a superveniência da Lei nº 14.689/2023 (artigo 14), deve ser aplicada a retroatividade benigna, nos termos do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, para reduzir o percentual e o correspondente valor da multa de ofício para 100%, permanecendo hígido, entretanto, sua qualificação prevista no §2º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996 e o seu agravamento, ambos aplicados pela fiscalização. Do pedido de dilação probatória Ao final, pugna a Recorrente para que seja convertido o julgamento em diligência, para realização de prova pericial, visando (fl. 1060): 1. Confrontar, mês a mês, os valores de receita bruta declarados nos arquivos SPED Fiscal e EFD‑Contribuições com aqueles utilizados na base de cálculo do Funrural e do GILRAT pelo Auto de Infração; 2. Identificar eventual duplicidade de lançamentos ou inclusão de operações não sujeitas às contribuições em exame; Fl. 1113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 33 3. Informar se existe ato formal do Ministério da Previdência Social ou da Receita Federal do Brasil fixando o grau de risco ou o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) para o contribuinte no período fiscalizado e, se necessário, recalcular o GILRAT. Entretanto, o pedido não comporta deferimento. Acerca dos pedidos de diligência e de juntada posterior de documentos, bem como seus efeitos, assim dispõe o artigo 16 do Decreto nº 70.235 de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 1114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.654 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.725441/2016-46 34 Nesse sentido, o deferimento do pedido de diligência pressupõe o cumprimento dos requisitos do inciso IV do supracitado dispositivo legal, sob pena de ser considerado não formulado o pedido, nos termos do § 1º do artigo 16 do referido Decreto nº 70.235 de 1972. A recorrente deveria ter apresentado toda a documentação comprobatória do seu direito, no momento da Impugnação e Recurso Voluntário, e assim não o fez. O que pretende, com a conversão do feito em diligência, é uma verdadeira transferência do ônus da prova que lhe é inerente (CPC, artigo 373) ao Fisco, o que não pode ser admitido por esta instância julgadora. Ademais, nos termos da Súmula CARF nº 163, abaixo reproduzida, de observância obrigatória por parte de seus membros, nos termos do artigo 123, § 4º do RICARF, não se configura cerceamento de defesa o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência: Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Destarte, tendo em vista que a recorrente não demonstrou a presença dos requisitos insculpidos no artigo 16 do referido Decreto nº 70.235 de 1972, o pedido de dilação probatória, formulado de modo absolutamente genérico – realização de perícia – não comporta deferimento. Conclusão Diante do exposto, voto por CONHECER EM PARTE do Recurso Voluntário, por tratar de temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação, e, na parte conhecida, para dar PARCIAL PROVIMENTO, para (i) excluir do lançamento as contribuições para o SENAR, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas (exigidas por sub- rogação); (ii) reduzir a multa de ofício para 100%, em face da retroatividade benigna, conforme artigo 14 da Lei nº 14.689, de 2023. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas Fl. 1115DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11289723 #
Numero do processo: 13603.722768/2014-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. DATA DA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF 103. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 30, DA LEI 8.212/1991. SÚMULA CARF 2. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para apreciar a alegação de inconstitucionalidade do artigo 30, da Lei 8.212/1991, em razão da vedação prevista no artigo 26-A do PAF e na Súmula nº 2 do CARF. MATÉRIA IMPUGNADA. REVISÃO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR. PARECER NORMATIVO COSIT 8, DE 2014. A matéria impugnada não está sujeita ao controle hierárquico por meio da revisão de ofício, uma vez que a competência plena para sua apreciação pertence ao julgador. PERSONALIDADE JURÍDICA ÚNICA. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. RESPONSÁVEL PELO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. A personalidade pertence à pessoa jurídica como um todo, sendo os estabelecimentos unidades desta mesma pessoa jurídica. A forma de apuração da contribuição por estabelecimento não se confunde com a responsabilização atribuída ao estabelecimento centralizador para o cumprimento da obrigação principal e acessória. MATÉRIA QUE NÃO COMPÕE A LIDE. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. NÃO CONHECIMENTO. Falta interesse processual ao recorrente para trazer à discussão assunto alheio aos pressupostos fáticos e jurídicos adotados na constituição do crédito tributário, ensejando o não conhecimento da matéria. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ​​​​​​DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO INDENIZADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. TEMA 1.170 DO STJ ​A contribuição previdenciária patronal incide sobre os valores pagos ao trabalhador a título de décimo terceiro salário proporcional relacionado ao período do aviso prévio indenizado. ​AJUDA DE CUSTO. SEM COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. PAGAMENTO EM VALOR FIXO. HABITUALIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA ​O pagamento de ajuda de custo, independentemente da comprovação de despesas suportadas e pago em valor fixo, apresenta natureza remuneratória em razão da habitualidade com que é realizado. ​MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECORRÊNCIA. INAFASTABILIDADE. ​Está sujeito à multa prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, o lançamento de ofício para exigir a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento.​​​
Numero da decisão: 2202-011.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e em conhecer parcialmente do recurso voluntário, exceto a alegação de inconstitucionalidade do art. 30, da Lei nº 8.212/1991 e a matéria relativa ao FAP, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelo Valverde Ferreira da Silva – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva (Relator), Rafael de Aguiar Hirano (Substituto[a] Integral), Ronnie Soares Anderson (Presidente), Thiago Buschinelli Sorrentino.
Nome do relator: MARCELO VALVERDE FERREIRA DA SILVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202602

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. DATA DA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF 103. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 30, DA LEI 8.212/1991. SÚMULA CARF 2. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para apreciar a alegação de inconstitucionalidade do artigo 30, da Lei 8.212/1991, em razão da vedação prevista no artigo 26-A do PAF e na Súmula nº 2 do CARF. MATÉRIA IMPUGNADA. REVISÃO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR. PARECER NORMATIVO COSIT 8, DE 2014. A matéria impugnada não está sujeita ao controle hierárquico por meio da revisão de ofício, uma vez que a competência plena para sua apreciação pertence ao julgador. PERSONALIDADE JURÍDICA ÚNICA. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. RESPONSÁVEL PELO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. A personalidade pertence à pessoa jurídica como um todo, sendo os estabelecimentos unidades desta mesma pessoa jurídica. A forma de apuração da contribuição por estabelecimento não se confunde com a responsabilização atribuída ao estabelecimento centralizador para o cumprimento da obrigação principal e acessória. MATÉRIA QUE NÃO COMPÕE A LIDE. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. NÃO CONHECIMENTO. Falta interesse processual ao recorrente para trazer à discussão assunto alheio aos pressupostos fáticos e jurídicos adotados na constituição do crédito tributário, ensejando o não conhecimento da matéria. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ​​​​​​DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO INDENIZADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. TEMA 1.170 DO STJ ​A contribuição previdenciária patronal incide sobre os valores pagos ao trabalhador a título de décimo terceiro salário proporcional relacionado ao período do aviso prévio indenizado. ​AJUDA DE CUSTO. SEM COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. PAGAMENTO EM VALOR FIXO. HABITUALIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA ​O pagamento de ajuda de custo, independentemente da comprovação de despesas suportadas e pago em valor fixo, apresenta natureza remuneratória em razão da habitualidade com que é realizado. ​MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECORRÊNCIA. INAFASTABILIDADE. ​Está sujeito à multa prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, o lançamento de ofício para exigir a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento.​​​

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 13603.722768/2014-02

anomes_publicacao_s : 202604

conteudo_id_s : 7355803

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2202-011.809

nome_arquivo_s : Decisao_13603722768201402.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : MARCELO VALVERDE FERREIRA DA SILVA

nome_arquivo_pdf_s : 13603722768201402_7355803.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e em conhecer parcialmente do recurso voluntário, exceto a alegação de inconstitucionalidade do art. 30, da Lei nº 8.212/1991 e a matéria relativa ao FAP, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelo Valverde Ferreira da Silva – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva (Relator), Rafael de Aguiar Hirano (Substituto[a] Integral), Ronnie Soares Anderson (Presidente), Thiago Buschinelli Sorrentino.

dt_sessao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2026

id : 11289723

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:15 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862166634929586176

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-02T12:03:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-02T12:03:30Z; Last-Modified: 2026-04-02T12:03:30Z; dcterms:modified: 2026-04-02T12:03:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-02T12:03:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-02T12:03:30Z; meta:save-date: 2026-04-02T12:03:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-02T12:03:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-02T12:03:30Z; created: 2026-04-02T12:03:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2026-04-02T12:03:30Z; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-02T12:03:30Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13603.722768/2014-02 ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 3 de fevereiro de 2026 RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO RECORRENTES FAZENDA NACIONAL SUPPLY DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIEMENTICIOS LTDA Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. DATA DA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF 103. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 30, DA LEI 8.212/1991. SÚMULA CARF 2. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para apreciar a alegação de inconstitucionalidade do artigo 30, da Lei 8.212/1991, em razão da vedação prevista no artigo 26-A do PAF e na Súmula nº 2 do CARF. MATÉRIA IMPUGNADA. REVISÃO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR. PARECER NORMATIVO COSIT 8, DE 2014. A matéria impugnada não está sujeita ao controle hierárquico por meio da revisão de ofício, uma vez que a competência plena para sua apreciação pertence ao julgador. PERSONALIDADE JURÍDICA ÚNICA. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. RESPONSÁVEL PELO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. A personalidade pertence à pessoa jurídica como um todo, sendo os estabelecimentos unidades desta mesma pessoa jurídica. A forma de apuração da contribuição por estabelecimento não se confunde com a responsabilização atribuída ao estabelecimento centralizador para o cumprimento da obrigação principal e acessória. Fl. 1962DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 2 MATÉRIA QUE NÃO COMPÕE A LIDE. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. NÃO CONHECIMENTO. Falta interesse processual ao recorrente para trazer à discussão assunto alheio aos pressupostos fáticos e jurídicos adotados na constituição do crédito tributário, ensejando o não conhecimento da matéria. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO INDENIZADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. TEMA 1.170 DO STJ A contribuição previdenciária patronal incide sobre os valores pagos ao trabalhador a título de décimo terceiro salário proporcional relacionado ao período do aviso prévio indenizado. AJUDA DE CUSTO. SEM COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. PAGAMENTO EM VALOR FIXO. HABITUALIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA O pagamento de ajuda de custo, independentemente da comprovação de despesas suportadas e pago em valor fixo, apresenta natureza remuneratória em razão da habitualidade com que é realizado. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECORRÊNCIA. INAFASTABILIDADE. Está sujeito à multa prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, o lançamento de ofício para exigir a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e em conhecer parcialmente do recurso voluntário, exceto a alegação de inconstitucionalidade do art. 30, da Lei nº 8.212/1991 e a matéria relativa ao FAP, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Fl. 1963DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 3 Assinado Digitalmente Marcelo Valverde Ferreira da Silva – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva (Relator), Rafael de Aguiar Hirano (Substituto[a] Integral), Ronnie Soares Anderson (Presidente), Thiago Buschinelli Sorrentino. RELATÓRIO Trata-se de Recurso de Ofício e Voluntário ao Acórdão nº 03-78.062, de 28 de novembro de 2017, em que os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, por unanimidade de votos, julgaram procedente em parte a impugnação, assim decidindo: a) considerar improcedente o DEBCAD nº 51.069.522-1; b) excluir a parcela relativa ao aviso prévio indenizado do DEBCAD nº 51.069.516-7; c) mantendo o crédito tributário remanescente. Por bem retratar os fatos relevantes ao processo, abaixo se reproduz o relatório do acórdão proferido pelo julgador de piso: Trata-se de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, consolidado em 05/12/2014, relativo às contribuições destinadas aos terceiros, nos anos de 2010 a 2012, conforme abaixo discriminadas: DEBCAD DESCRIÇÃO SUMÁRIA VALOR 51.069.516-7 Contribuição de terceiros – base FP (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) R$ 56.592,82 51.069.522-1 Contribuição da empresa – base contabilidade (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) R$ 1.954.910,49 TOTAL TRIBUTO LANÇADO R$ 2.011.503,31 Para facilitar a compreensão, as bases de cálculos incluídas na presente lavratura foram desmembradas em levantamentos específicos, a saber: Fl. 1964DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 4 a) Levantamento "F1 - FOLHA DE PAGAMENTO", agrega as bases de cálculo apuradas com base nas folhas de pagamento dos anos de 2010 e 2011, relativas aos pagamentos de ajuda de custo, aviso prévio indenizado e 13° sobre o aviso prévio indenizado. b) Levantamento "F2 - FOLHA DE PAGAMENTO", apura as bases de cálculo apuradas com base nas folhas de pagamento do ano de 2012, relativas aos pagamentos de ajuda de custo, aviso prévio indenizado e 13° sobre o aviso prévio indenizado. c) Levantamento "C1 - CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO", contém as bases de cálculo dos segurados considerados empregados pela auditoria, nos anos de 2010 a 2011, apuradas por meio da contabilidade. d) Levantamento "C2 - CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO", contém as bases de cálculo dos segurados considerados empregados pela auditoria, no ano de 2012, apuradas por meio da contabilidade. Do Relatório Fiscal Segundo o Relatório Fiscal de fls. 229/284, constitui fato gerador das contribuições apuradas as remunerações pagas devidas ou creditadas aos segurados empregados, apurado com base nas Folhas de Pagamento apresentadas em meio digital e em lançamentos contábeis, não declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Foi constatado que a empresa não considerou na base de cálculo declarada em GFIP, as remunerações efetuadas a título de aviso prévio indenizado como também se verificou diferença nos pagamentos da rubrica ajuda de custo, pois esta foi paga mensalmente aos segurados, em desacordo com o disposto no inciso VII do § 9º do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999. Esclarece o Relatório Fiscal que, no exame da escrituração contábil, a fiscalização constatou pagamentos de remuneração a diversas pessoas físicas, por meio de interpostas pessoas jurídicas, escriturados nas contas COMISSÃO SOBRE VENDAS, SERV. TERCEIROS PESSOA JURÍDICA, DESPESAS C/ PUBLICIDADE e PROPAGANDA, conforme discriminado no ANEXO II. Não foi constatado ainda GFIP para as empresas prestadoras de serviços Fixa, Represa, Represul, Scalla, Versão e Fares, ficando clara a inexistência de colaboradores (empregados) e indicando que os serviços foram prestados pessoalmente pelos sócios. Registra que a prestadora de serviços Fares Representações Ltda. - CNPJ 15.509.211/0001-21 funciona no mesmo endereço das sócias, e algumas outras prestadoras dos serviços funcionam praticamente no mesmo endereço. Fl. 1965DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 5 Registra ainda que não foi constatada movimentação financeira (NÃO CONSTA DIPJ OU DIPJ INATIVA) para as empresas Fixa, Represa, Represul, Scalla e Versão, e não consta receita da prestação de serviços para o sujeito passivo na DIPJ da empresa Fares. Entretanto, houve remuneração mensal para todos os prestadores de serviços, que inclusive foram declarados pelo sujeito passivo na Declaração do Imposto de Renda na Fonte - DIRF. Assim, a fiscalização concluiu que, em que pese referidos pagamentos de remuneração terem sido escriturados e declarados pelo sujeito passivo como pagos a pessoas jurídicas, ficou evidenciado que os serviços foram prestados pelos sócios, de forma não eventual e pessoal, mediante subordinação e remuneração. Da Multa Aplicada Foi aplicada multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o crédito lançado, conforme art. 44, inciso I da Lei 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007. Da Representação Fiscal para Fins Penais - RFFP Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais junto ao Ministério Público Federal, em virtude da prática, em tese, do crime contra a ordem tributária previsto na Lei n° 8.139/90, tendo em vista que as bases de cálculo (fatos geradores) ora lançados não foram contabilizados nem declarados pelo sujeito passivo na GFIP. Da Impugnação da Empresa Dentro do prazo regulamentar, o contribuinte contestou, às fls. 229/284, os lançamentos com as seguintes alegações: Inicialmente requer a exclusão das contribuições incidentes sobre as verbas a título de aviso prévio indenizado, 13º indenizado e ajuda de custo, por não se constituírem em verbas remuneratórias, mas sim indenizatórias, tratando-se de mera recomposição patrimonial. Cita o RES/STJ nº 8/2008 para confirmar que não incide contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre o valor pago a título de aviso prévio indenizado. Com relação à ajuda de custo esclarece que todos os empregados que a receberam o fizeram em sede de reembolso pela realização de serviços de interesse da empresa impugnante. Aponta alguns exemplos de empregados lotados em funções estratégicas que viajam para visitar indústrias, clientes, pagamento de almoço, dentre outros. Resume afirmando que tais parcelas, embora entregues pelo empregador a seu empregado, não o são com a qualidade e objetivo contraprestativos, sendo Fl. 1966DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 6 transferidas efetivamente com distintas natureza e finalidades jurídicas e que por possuírem essência indenizatória, não integram o salário e, ato contínuo, a base de cálculo de quaisquer contribuições previdenciárias. Ressalta que o pagamento de tais parcelas indenizatórias também não restam compreendido no fato gerador das contribuições previdenciárias em razão do disposto no art. 457 e seus parágrafos 1º e 2º, da CLT. Aduz que os fatos geradores imputados à impugnante se referem a estabelecimentos distintos (matriz e filiais) e, se houve infração, o estabelecimento que a cometeu é que deverá ser responsabilizado, não podendo a matriz ser responsabilizada pela integralidade dos créditos. Registra que foram celebrados contratos específicos particulares para cada uma das empresas contratadas (Fixa Propaganda e Comunicação Ltda.; Scalia Empreendimentos Ltda.; Represul Representação Comercial Ltda.; Represa Representações Comerciais Ltda.; Versão Representação Comercial Ltda. e Fares Representações Ltda) e emitidas notas fiscais para cada serviço por elas prestado e que o pagamento realizado para empresas prestadoras de serviços não é fato gerador de contribuições sociais. Em relação à prestadora Fares Empreendimentos e Participações Ltda, o CNPJ identificado pela fiscalização é diverso da sociedade contratada pela impugnante, conforme contrato social e notas fiscais anexos à peça impugnatória. Afirma ainda que o fato de uma sociedade ter sede no mesmo endereço dos sócios não constitui presunção de fraude. Afirma ainda que a autoridade autuante não explicitou quais seriam as evidências de que os serviços foram prestados pelos sócios, de forma não eventual e pessoal, mediante subordinação e remuneração, e nem evidenciou qual seria o elemento para se provar a pessoalidade e a subordinação no caso em apreço. Aduz ainda que não há provas, no presente processo, da presença dos elementos indicados no art. 3º da CLT, sendo que a conclusão exteriorizada no lançamento constitui mera presunção não admissível no ordenamento jurídico tributário. E que competiria ao fisco não apenas alegar, mas demonstrar, o que não fez, a simulação, que é sempre dolosa, jamais podendo ser presumida, suposta ou inventada e, assim, pleitear a desconstituição do contrato para o fim desejado. Assegura que não foram informados, nos autos, os dispositivos que embasaram a desconsideração da personalidade jurídica em razão da simulação e que parte dos serviços prestados pelas pessoas jurídicas contratadas pela impugnante são de natureza intelectual. Que não restou comprovada a simulação na constituição das pessoas jurídicas que prestaram serviços à impugnante, e muito menos o vínculo empregatício de sócios/funcionários, sendo indevida a cobrança de tributos e multas sobre os valores pagos. Fl. 1967DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 7 Da Não Incidência da Multa de Ofício Aplicada Requer que seja revisto o lançamento quanto à multa aplicada nos termos do art. 44, I da Lei n° 9.430/96, de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto apurado, ante a ausência de configuração do fato gerador da obrigação principal e em observância ao princípio da razoabilidade. Do Pedido Por todo o exposto, requer seja declarada a nulidade do lançamento. Caso rejeitada a preliminar, o que se admite ad argumentandum, no mérito, requer a impugnante o cancelamento dos autos de infração ou, sucessivamente, a revisão do mesmo, conforme argumentos expostos nesta peça. Da Primeira Diligência Da análise dos autos, esta DRJ observou que a fiscalização entendeu que houve prestação de serviços de pessoas físicas por meio de empresas interpostas, tendo então desconsiderado as pessoas jurídicas, prestadoras de serviços e enquadrado os sócios daquelas empresas como segurados empregados da autuada, sob o argumento de que as empresas não apresentaram GFIPs, o que demonstra que não possuíam empregados, e que, com exceção da empresa Fares, não houve movimentação financeira no período fiscalizado. Assim, os autos retornaram em diligência para que a fiscalização se pronunciasse solicitando dentre outras providencias que a autoridade autuante promovesse diligência na empresa para explicitar quais seriam as evidências de que os serviços contratados com as empresas prestadoras relacionadas pela fiscalização, foram prestados pelos sócios destas, de forma não eventual e pessoal, mediante subordinação e remuneração, uma vez que não ficou comprovado a presença dos elementos indicados no art. 3° da CLT, caracterizadores da relação de emprego para cada segurado enquadrado como empregado da impugnante, e dizer, de forma clara, se houve, ou não, a simulação no procedimento da autuada, indicando os dispositivos que fundamentam seu entendimento. Entretanto, na Informação Fiscal de fls. 1318/1320, a autoridade que promoveu a diligência, distinta da que efetuou o lançamento, afirmou apenas que não estavam presentes e comprovados os pressupostos acima discriminados na autuação, pois faltou à fiscalização autora comprová-lo e que assim a ficava também impossibilitado de apresentá-los, como também não tinha como afirmar se houve simulação no procedimento da autuada, pois a presente análise não encontrou na argumentação da fiscalização e na documentação anexada ao relatório fiscal, provas irrefutáveis da suposta simulação.” Cientificado do teor da diligência o contribuinte se manifestou inconformado, entendendo que a fiscalização não cumpriu com o inteiro teor da diligência solicitada, apresentou nova manifestação reiterando quase todos os argumentos apresentados na impugnação. Da Segunda Diligência Fl. 1968DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 8 Levado a julgamento, esta 5º Turma de Julgamento, por meio da Resolução nº 610, de 28/04/17, por unanimidade de votos resolveu devolver os autos a DRF de origem para que fosse procedida nova diligência, desta vez à vista dos documentos da autuada e elaborasse relatório complementar conclusivo sobre a existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego para cada sócio de pessoa jurídica enquadrado como empregado da impugnante, como também se manifestasse de forma irrefutável se houve, ou não, a simulação no procedimento da autuada, indicando os dispositivos que fundamentam seu entendimento e que fosse elaborada a devida planilha de retificação - DE/PARA, em caso de se constatar erro/equívoco. Como resultado da diligência, na Informação Fiscal de fls. 1455/1459, o auditor esclareceu as inconsistências verificadas e apresentou as retificações a serem procedidas, elaborando inclusive a planilha DE/PARA, de tudo dando ciência ao contribuinte para manifestação. Da Manifestação do Contribuinte Inconformado, o contribuinte mais uma vez se manifesta, às fls. 1784/1794, alegando que não obstante a reformulação do crédito tributário e anulação parcial do lançamento pela autoridade administrativa, esta entendeu que "pelas condutas da impugnante, que em tese podem constituir crimes, previstos nos artigos 298 e 304 do Código Penal (...) a fiscalização emitiu a Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público. Salienta a boa-fé da impugnante que contratou as empresas através de representantes qualificados quanto à atividade prestada, jamais desconfiando da existência de qualquer irregularidade proveniente da documentação enviada e que pagou devidamente os serviços prestados e não contribuiu na eventual lesão ao Fisco pela não quitação dos tributos devidos pelas sociedades Fixa Propaganda e Comunicação Lida. bem como Scalia Empreendimentos Ltda (ou as pessoas físicas que as representaram). Afirma que se houve eventual ilícito, deve-se investigar os subscritores dos contratos ou apurar quem falsificou as notas fiscais emitidas para acobertar a operação, visando, obviamente, o não pagamento dos tributos sobre a atividade de prestação de serviços. Conclui assim, que considerando a boa-fé da impugnante e especialmente o reconhecimento reiterado pela própria fiscalização, da improcedência do lançamento quanto ao mérito das cobranças de contribuição previdenciária sobre a prestação de serviço das sociedades citadas nesta peça, concorda integralmente a impugnante com a referida reformulação, requerendo se faça constar do sistema da RFB de forma imediata, as alterações procedidas como também inviável a emissão de "Representação Fiscal para Fins Penais" bem como a eventual investigação a ser iniciada contra a impugnante deverá ser imediatamente trancada. Fl. 1969DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 9 Sobreveio o Acórdão nº 03-78.062, que por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, assim decidindo: a) considerar improcedente o DEBCAD nº 51.069.522-1; b) excluir a parcela relativa ao aviso prévio indenizado do DEBCAD nº 51.069.516-7; c) mantendo o crédito tributário remanescente. A decisão foi assim ementada: Fl. 1970DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). TERCEIROS. PARCELA EMPREGADOS. INCIDÊNCIA. REMUNERATÓRIA. SEGURADOS. É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados a serviço da empresa. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias e as destinadas aos Terceiros, no mesmo prazo que a Lei 8.212/91 prescreve para as contribuições previdenciárias a seu cargo, bem como para as que, por imposição legal, devem ser arrecadadas dos segurados a seu serviço. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Entende-se por salário-de-contribuição, para o empregado ou trabalhador avulso, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades, destinados a retribuir o trabalho. AJUDA DE CUSTO. A parcela recebida pelo segurado empregado a título de ajuda de custo integra o salário-de-contribuição, exceto quando paga em decorrência de mudança de local de trabalho e em parcela única. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO INDENIZADO. Por não se encontram no rol das exceções enumeradas pelo § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212, de 1991, combinado com o § 9.º do art. 214 do Decreto nº 3.048, os valores pagos a título de 13º salário indenizado, sofrem incidência da contribuição previdenciária. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. ATO ADMINISTRATIVO VINCULANTE E DECISÃO JUDICIAL. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Recurso Especial nº 1.230.957/RS, no âmbito da sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), afastou a incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado. Em razão do disposto no art. 19 da Lei 10.522/2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e na Nota PGFN/CRJ nº 485, de 2016, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontra-se vinculada ao referido entendimento do STJ. Inteligência da Lei 10.522/2002, art. 19, inciso V; Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, art. 3º; Nota PGFN/CRJ nº 485, de 2016. Fl. 1971DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 11 DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. Restando demonstrado que não houve a prestação de serviços pelas pessoas físicas caracterizadas como segurados empregados, via de consequência, não ocorreu o fato gerador da contribuição previdenciária lançada o que resulta na improcedência dos valores lançados. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) deve acompanhar os tributos exigidos mediante lançamento de ofício, sendo que sua previsão legal encontra-se disciplinada no art. 35-A da Lei 8.212/91 c/c com o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER FUNCIONAL. NÃO ANÁLISE DO CONTEÚDO. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) constitui dever funcional dos Auditores-Fiscais, não cabendo ao julgador administrativo apreciar o conteúdo dessa peça. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte VOTO Conselheiro Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Relator Recurso de Ofício O processo em questão foi encaminhado para apreciação do recurso de ofício, conforme a parte dispositiva da decisão recorrida, uma vez que o crédito exonerado teria sido superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), conforme previsão na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. No entanto, o crédito exonerado mais sua multa de ofício é de R$ 1.675.433,91 que é inferior ao valor contido na Portaria MF nº 63, de 2017. Ocorre que o mencionado ato foi revogado pela Portaria MF nº 2, de 17 de janeiro de 2023, que fixou o novo limite de exoneração do crédito tributário para R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). A Súmula CARF nº 103 esclarece que o valor de alçada a ser considerado para o conhecimento do recurso de ofício é aquele vigente na data do julgamento da instância revisora: Fl. 1972DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 12 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. No caso concreto, considerando que o crédito exonerado referente aos DEBCAD nº 51.069.516-7 e 51.069.522-1 (principal e multa de ofício) é inferior ao limite atual de alçada para o reexame necessário, nos termos do artigo 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, combinado com a Portaria MF nº 2, de 2023, não conheço do Recurso de Ofício. Recurso Voluntário O contribuinte tomou conhecimento do Acórdão de Impugnação em 18.01.2018, por meio de seu Domicílio Tributário Eletrônico, apresentando o Recurso Voluntário de fls. 1.934 a 1.959, mediante Solicitação de Juntada de Documentos datada de 19.02.2018, cujo documento se encontra assinado por Júlio César Baeta Neves e Flávia Renata Vilela Caravelli (Procuração de fls. 268). O dia de início da contagem para a apresentação do recurso se inicia em 19.01.2018 (sexta-feira), findando o prazo de 30 dias em 17.02.2018 (sábado). Considerando que os dias de início e final de contagem dos prazos processuais ocorrem em dias de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, é tempestivo o recurso apresentado em 19.02.2018 (segunda-feira), e estando presentes os demais requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O recorrente dividiu suas alegações entre os seguintes tópicos: (i) Vício Formal do Acórdão – Desconsideração da reformulação do crédito tributário pela Receita Federal do Brasil no curso do processo administrativo; (ii) Da não configuração de hipótese de recurso de ofício, tendo em vista o valor da reformulação do crédito tributário pela Receita Federal do Brasil no curso do processo administrativo; (iii) Lançamentos que não consideram a autonomia dos estabelecimentos – eleição equivocada dos sujeitos passivos; (iv) Ausência de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária no que concerne as verbas 13º indenizado e ajuda de custo; (v) Utilização correta da FAP de 0,5% no exercício de 2012; (vi) Não incidência da Multa de Ofício Aplicada. Pois bem, passemos a análise das preliminares ao mérito, envolvendo a nulidade do acórdão recorrido e nulidade do lançamento. Nulidade da Decisão Recorrida Neste primeiro tópico do voto serão enfrentadas conjuntamente as alegações dos itens (i) e (ii). Em apertada síntese, o recorrente sustenta que uma vez que própria autoridade lançadora se manifestou pela improcedência parcial do lançamento por ocasião de diligência fiscal, não poderia julgador enfrentar esta questão, pretendendo com isso, afastar a eventual possibilidade de alteração do julgado em sede de revisão de ofício, conforme artigo 34, I, do decreto 70.235/1972. Quanto a este ponto, não se visualiza qualquer nulidade da decisão recorrida. O artigo 145, do Código Tributário Nacional determinam as hipóteses de alteração do lançamento, após sua regular ciência ao sujeito passivo: Fl. 1973DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 13 Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício; III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Na realidade, o que invoca o recorrente é que ao responder à diligência requisitada pelo julgador de piso às fls. 1.354 a 1.356, para que a autoridade lançadora se manifestasse conclusivamente sobre a existência de elementos caracterizadores da relação de emprego com os interpostos prestadores de serviço, esclarecendo sobre eventual simulação na contratação destes serviços, além realizar nova planilha com a base de cálculo considerada, teria revisado o próprio lançamento, vez que concluíra pela inexistência dos pressupostos em que se fundava o DEBCAD nº 51.069.522-1. Verifica-se que o recorrente expressamente refutou a acusação fiscal relativa ao DEBCAD nº 51.069.522-1, devolvendo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília a competência para o enfrentamento da matéria impugnada. Logo, ainda que se possa invocar alguma das hipóteses de revisão de ofício do lançamento prevista no artigo 149, do Código Tributário Nacional, não há que se falar do controle hierárquico do lançamento, cuja matéria se encontrava sobre apreciação do julgador originário. Trata-se de questão envolvendo a competência e a definitividade das decisões proferidas pela instância julgadora. A este propósito, o Parecer Normativo COSIT nº 8, de 2014, bem esclarece o tema: 17. Frise-se, todavia, que, a revisão de ofício do lançamento não poderá adentrar em matéria que esteja submetida ou já tenha sido apreciada no contencioso administrativo (por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ ou pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF), uma vez que a competência regimental da autoridade administrativa da unidade local para decidir sobre revisão de ofício (art. 302, I, do RIRFB), além de não estar calcada em competência legal específica do PAF para rever decisão daqueles órgãos, tem sua atuação limitada pela própria definitividade da decisão administrativa de que trata o art. 42 do PAF. Essa restrição não se confunde com a possibilidade de o próprio órgão julgador proceder conforme o art. 32 do PAF. 18. Isso decorre de uma interpretação sistemática que leva em conta inexistir hierarquia normativa entre lei complementar (CTN) e lei ordinária (PAF), e que, a despeito de também não haver hierarquia administrativa entre autoridade lançadora (na DRF) e julgadora (nas DRJs e CARF), mas, sim, distinção de competências, não se pode negar que no campo do julgamento administrativo também há uma hierarquia jurisdicional (prevalência da eficácia das decisões dos Fl. 1974DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 14 órgãos ad quem). A possibilidade contida no art. 149 do CTN não é tão ampla a ponto de contrapor por completo o disposto no art. 42 do PAF. (...) 32. Do exposto, conclui-se que as hipóteses de revisão de ofício do lançamento são aquelas fixadas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do CTN, quais sejam, quando a lei assim o determine (como no caso do §7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; e o art. 53 da Lei nº 9.784, de 1999, neste incluídos o vício de legalidade e ofensa à matéria de ordem pública); erro de fato no lançamento; fraude ou falta funcional; e vício formal especial. São estes, portanto, os limites materiais em que é possível a revisão de ofício do lançamento, desde que estas questões não estejam (ou tenham sido) submetidas aos órgãos de julgamento administrativo. Portanto, estando a matéria submetida ao julgador administrativo, insuscetível a invocação do controle hierárquico para afastar parte ou a totalidade do lançamento, mormente porque a unidade lançadora não pretendeu alterar o próprio ato, e nem poderia, mas apenas prestar as informações requisitadas pelo julgador de piso, que ao fim corroboraram a tese do contribuinte. Assim sendo, não há que se falar em qualquer nulidade da decisão recorrida, na medida em que o julgador apenas exerceu a sua competência plena, decidindo a lide. Nulidade do Lançamento O recorrente também invoca a nulidade do lançamento aduzindo que o crédito tributário deveria ser lançado em desfavor de cada um dos estabelecimentos individualizadamente, e não contra o estabelecimento centralizador. Justifica seu fundamento, na autonomia administrativa e financeira destes. Ora, sem qualquer fundamento a alegação do contribuinte. Cabe ao contribuinte indicar à repartição fiscal qual será o estabelecimento centralizador da empresa, o qual deve responder por eventuais autuações, ou seja, pelo cumprimento das obrigações principal e acessórias, bem como na sua interação com o fisco. Inexistindo eleição, o estabelecimento centralizador é a matriz da empresa. Nada altera a questão, o fato de que alguns tributos ou contribuições apresentarem apuração por estabelecimento, o que não afasta ou divide a responsabilidade da pessoa jurídica pelo seu cumprimento. A personalidade pertence à pessoa jurídica como um todo, sendo os estabelecimentos unidades desta mesma pessoa jurídica. Podem apresentar autonomia administrativa, uma vez que a forma como se organizam está em sua seara de competência, mas, jamais, apresentam autonomia jurídica, uma vez que tal qualidade decorre do direito público, e é única para a empresa. Deixo a apreciar a invocação de inconstitucionalidade do artigo 30, da Lei nº 8.212/1991, por óbice na Súmula CARF nº 2: Fl. 1975DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 15 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, nenhuma ilegalidade o lançamento do crédito tributário realizado em desfavor estabelecimento centralizador da empresa. Contribuição incidente sobre Décimo Terceiro Indenizado e Ajuda de Custo Não se conforma o recorrente quanto à manutenção da contribuição incidente sobre o décimo terceiro salário indenizado, argumentando a estreita correlação entre esta verba e o aviso prévio indenizado, cuja não incidência restou confirmada no repetitivo sob o Tema nº 1.238 do STJ: Não é possível o cômputo do período de aviso prévio indenizado como tempo de serviço para fins previdenciários. A decisão judicial em questão parte da premissa de que o aviso prévio indenizado não produz repercussão alguma no cômputo para fins previdenciários, nos termos do § 11, do artigo 201, da Constituição Federal, uma vez que visa reparar dano causado ao trabalhador, razão pela qual não se presta como retribuição ao trabalho realizado, conforme REsp nº 1.230.957/RS: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. 1. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA. [...] 2. Recurso especial da Fazenda Nacional. [...] 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há Fl. 1976DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 16 como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressalte-se que, “se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba” (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). [...] Nos Embargos e Declaração ao Recurso Especial nº 1.230.957/RS, restou ratificada a não incidência do aviso prévio indenizado, concluindo o acórdão que “a decisão sobre a não incidência da contribuição previdenciária em comento não viola o princípio da reserva legal de plenário, haja vista que ela não pressupõe a declaração de inconstitucionalidade da legislação previdenciária” suscitada pela Fazenda Nacional nos artigos 22 e 28 da Lei 8.212/1991 (AgRg no REsp 1.248.585/MA, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 23.8.2011). A Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário arguindo que a contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias se encontrava na época em apreciação pelo STF sob repercussão geral no Tema 985 (RE nº 1.072.485/PR) que trata da não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias (gozada ou indenizada), cuja constitucionalidade restou ao final confirmada. No entanto, o recurso extraordinário já se encontrava sobrestado, em razão do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, do mérito do RE nº 593.068/SC (Tema 163/STF) que trata da não incidência da contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade. O julgamento deste recurso extraordinário permanece em sobrestado até a presente data. Quanto ao aviso prévio indenizado, o Egrégio Supremo Tribunal Federal entendeu que a incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba é matéria infraconstitucional, declinando de sua competência ao apreciar o Tema 759, apreciado em sede de repercussão geral: A questão da exigibilidade de contribuição previdenciária sobre a parcela do aviso prévio indenizado, recebida pelo empregado, no caso de desligamento imediato do trabalho, tem natureza infraconstitucional, e a ela se atribuem os efeitos da ausência de repercussão geral, nos termos do precedente fixado no RE 584.608, rel. a Ministra Ellen Gracie, DJe 13/03/2009. Assim sendo, considerando a definitividade da questão relativa ao aviso prévio indenizado, por meio da Nota PGFN/CRJ nº 485/2016, a matéria foi incluída na lista de dispensa de contestar e recorrer. No entanto, a referida nota afasta de sua aplicabilidade o reflexo do aviso prévio indenizado no 13º salário. Fl. 1977DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 17 Consultando a jurisprudência administrativa deste CARF sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário indenizado, existem acórdãos nos dois sentidos: que reconhecem a sua incidência considerando a amplitude do conceito de remuneração, excepcionada apenas pelas verbas mencionadas no § 9º do artigo 28, da Lei 8.212/1991; por sua vez, outros acórdãos concluem pelo caráter acessório do 13º salário indenizado ao aviso prévio indenizado, cuja incidência da contribuição previdenciária foi considerada ilegal pelo REsp nº 1.230.957/RS. No entanto, penso que a solução da questão deve se dar na interpretação sistemática dos diversos fundamentos explorados neste voto. Ora, se o décimo terceiro salário está sujeito à contribuição previdenciária e o STF já decidiu que é matéria infraconstitucional a questão envolvendo o aviso prévio indenizado, o órgão que deve dará a última palavra é o STJ, que o fez por meio do Tema 1.170 de recuso repetitivo, no julgamento do REsp nº 1.974.197/AM, fixando a seguinte tese: A contribuição previdenciária patronal incide sobre os valores pagos ao trabalhador a título de décimo terceiro salário proporcional relacionado ao período do aviso prévio indenizado. Assim sendo, desde 06.08.2024, quando houve o trânsito em julgado do REsp nº 1.974.197/AM, a matéria sobre a contribuição incidente sobre o décimo terceiro indenizado relacionado com o período do aviso prévio e sua incidência reflexa para outras entidades ou fundos, não cabe mais discussão, sendo este entendimento de reprodução obrigatória aos membros deste CARF, nos termos do artigo 99, do RICARF. Logo, correta a decisão proferida pelo julgador de piso, sobre a manutenção da contribuição devida para outras entidades ou fundos reflexa ao décimo terceiro salário indenizado. Ainda neste tópico, questiona o recorrente sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre verbas pagas a seus colaboradores sobre a denominação de ajuda de custo. Na realidade, esclarece que tais pagamentos têm caráter indenizatório, uma vez que visam reembolsar seus trabalhadores pela realização de serviços de interesse da empresa por colaboradores em funções estratégicas e em cargos de confiança. Insiste que tais pagamentos não apresentam caráter contraprestacional, não se sujeitando à contribuição previdenciária, desde que não ultrapasse 50% de sua remuneração mensal. No entanto, o julgador de piso refutou as alegações da empresa, argumentando que o recorrente não trouxe ao processo qualquer comprovação das despesas realizadas pelos seus trabalhadores, que teriam sido ressarcidas por meio desta verba: No caso em tela o que se verificou foi que esta verba foi paga mensalmente aos segurados, além do que a autuada não trouxe aos autos quaisquer documentos comprovantes das despesas efetuadas, totalmente, portanto, em desacordo com o disposto na alínea “g”, do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991 e no inciso VII do § 9º do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999. Fl. 1978DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 18 Sem nos apegarmos a denominação dada ao pagamento, alega o recorrente o caráter genérico das despesas que pretendeu ressarcir. No entanto a decisão guerreada não se limita a afirmar que os pagamentos se deram em desconformidade com a legislação a fim de que o suplicante possa gozar da não incidência da contribuição, mas que não há nos autos comprovação de que tais pagamentos ocorrem na forma da lei. Tal obrigação de demonstrar o atendimento à legislação é do recorrente que deve demonstrar que atuou nos seus estritos limites. Na planilha de fls. 38 A 65 é possível verificar que os valores pagos à título de ajuda de custo se repetem mês a mês para cada um dos beneficiários, o que nos leva a crer que não se prestam para ressarcir ou reembolsar despesas incorridas, mas para fazer frente a eventuais custos que podem ou não ocorrer. Essa constatação, desnatura o fundamento da natureza indenizatória destes pagamentos, justificando a incidência da contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. No caso, tais pagamentos são habituais para o empregado, estando sujeito à incidência da contribuição previdenciária, nos termos da Tema 20 do STF, apreciado em sede de repercussão geral, no paradigma RE 565.160: A contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, quer anteriores ou posteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. À propósito, este CARF por diversas vezes já reiterou que o pagamento realizado em valores fixos a título de ajuda de custo, integra o salário de contribuição, estando sujeito à contribuição previdenciária, conforme precedentes abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AJUDA DE CUSTO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo concedida de forma fixa e continua aos segurados empregados. Número da decisão: 2402-003.593 – Processo 10670.721519/2011-57 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 PAGAMENTO A TÍTULO DE INDENIZAÇÃO. AJUDA DE CUSTO FIXA SEM COMPRAVAÇÃO DE DESPESAS. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE VALORES PAGOS POR TRABALHO EM DOMINGOS E FERIADOS. O valor fixo pago a título de ajuda de custo deve ser incorporado na remuneração do empregado, detectado que não possui caráter indenizatório. A mera classificação como indenização, ainda que por convenção coletiva, não serve de prova ante a falta de comprovação da despesa correspondente. Fl. 1979DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 19 Número da decisão: 2201-009.286 – Processo nº 10480.730480/2016-19 Fl. 1980DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 20 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 AJUDA DE CUSTO/LOCOMOÇÃO. REEMBOLSO DE DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há que se falar em reembolso de despesas quando os valores pagos a título de ajuda de custo/locomoção eram pagos aos segurados sob um valor fixo, o que desnatura o caráter indenizatório, posto que não se tratou de efetivo ressarcimento. Número da decisão: 2403-002.587 – Processo nº 10120.006939/2010-55 Assim sendo, não comprovando o recorrente que a verba questionada se prestasse ao efetivo ressarcimento de despesas de seus colaboradores e que tais valores são pagos em montante fixo e de forma habitual, nenhum reparo à decisão recorrida, que manteve a incidência da contribuição reflexa à ajuda de custo. DO FAP UTILIZADO Verifica-se que o recorrente apresentou a mesma peça recursal para se insurgir com o crédito tributário contido neste processo e no 13603.722820/2014-12. Neste último existe lançamento relativo ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no entanto, esta contribuição não consta deste processo, que é exclusivo daquelas devidas para outras entidades ou fundos. Diante da assertiva acima, não há interesse processual na apreciação de matéria que não abrangida pelo crédito tributário controlado neste processo, razão pela qual não conheço das alegações a ela relacionadas. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Neste último capítulo recursal desenvolvido pelo recorrente, deseja o afastamento da multa de ofício aplicada, invocando o artigo 76, da Lei nº 4.502/64, que deveria ser aplicado analogicamente ao caso, uma vez que o contribuinte agiu de boa-fé, argumentando, também, que a autoridade lançadora deve calibrar a multa aplicada, levando em consideração a situação concreto. Cumpre esclarecer ao recorrente, que o uso da analogia é um método de integração normativa que permite aplicar regras criadas pela lei a casos não previstos expressamente, o que evidentemente, não é caso, pois o artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991, define o procedimento a ser aplicado: Lei nº 8.212/1991 Art. 35-A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1981DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 21 Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Neste sentido, a insurgência do recorrente é contra a própria lei que estabelece a multa mínima de 75% no caso de lançamento de ofício, sujeito, ainda, às reduções nas hipóteses de pagamento ou parcelamento, antes da decisão proferida em primeira instância administrativa (art. 6º da Lei nº 8.218/1991). Lembro ao contribuinte que por dever regimental, esta Turma não tem competência para negar vigência a legislação, muito menos questionar sua proporcionalidade ou abusividade, nos termos do artigo 98, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023: Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Ademais, inaplicável o dispositivo o artigo 76, da Lei nº 4.502/1964 invocado, pois requer a correção da infração antes do procedimento fiscal (denúncia espontânea) ou naqueles casos em que a conduta do sujeito passivo se encontrasse fundamentada em interpretação anterior do fisco. Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: I - aos que, antes de qualquer procedimento fiscal, procurarem espontaneamente, a repartição fazendária competente, para denunciar a falta e sanar a irregularidade, ressalvados os casos previstos no art. 81, nos incisos I e II do art. 83 e nos incisos I, Il e III do art. 87; II - enquanto prevalecer o entendimento - aos que tiverem agido ou pago o imposto: a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; b) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão de primeira instância, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, em que o interessado for parte; c) de acordo com interpretação fiscal constante de circulares instruções, portarias, ordens de serviço e outros atos interpretativos baixados pelas autoridades fazendárias competentes. Ora, nenhuma destas situações pode ser invocada, na medida em que não houve qualquer correção antes do procedimento de fiscalização (denúncia espontânea), tanto que foi necessária a movimentação do aparato estatal para a constituição do crédito tributário em desfavor do recorrente, do qual o recorrente oferece resistência, levando a lide às últimas Fl. 1982DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.809 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.722768/2014-02 22 instâncias administrativas. Também não há que se argumentar que a conduta do sujeito passivo estivesse amparada em uma interpretação anterior do fisco que o beneficiaria. Diante de tal quadro, irreparável a decisão do órgão de piso. CONCLUSÃO: Ante todo o exposto, não conheço do recurso de ofício; conheço parcialmente do recurso voluntário, exceto da alegação de inconstitucionalidade do 30, da Lei nº 8.212/1991 e da matéria relativa ao FAP, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelo Valverde Ferreira da Silva Fl. 1983DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11284774 #
Numero do processo: 10930.722748/2017-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Alegação de ausência de juntada das notas fiscais e de falta de demonstração da base de cálculo afastada. Fiscalização apresentou planilhas detalhadas com os dados extraídos de documentos produzidos pela própria Contribuinte, bem como relacionou os PGDAS analisados. Contribuinte devidamente intimada a prestar esclarecimentos, permanecendo inerte. Inexistência de prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Inteligência do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE E SONEGAÇÃO. PGDAS-D. INFORMAÇÕES FALSAS. SEGREGAÇÃO INDEVIDA DE RECEITAS. DOLO COMPROVADO. Caracteriza fraude e sonegação a inserção deliberada de informações falsas em declarações fiscais, a segregação arbitrária de receitas em desacordo com a legislação e a omissão consciente de valores, com o objetivo de reduzir indevidamente a carga tributária. Configurado o dolo, é cabível a multa de ofício qualificada prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Aplicação do princípio da retroatividade benigna para redução do percentual da penalidade para 100%, nos termos do artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional e do artigo 14 da Lei nº 14.689/2023. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRETENSÃO DE REDIRECIONAMENTO DA MULTA A TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. ARTIGO 123 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. A mera contratação de contador ou de terceiro para a execução de rotinas fiscais não tem o condão de afastar ou transferir a responsabilidade tributária da pessoa jurídica perante a Fazenda Pública. Convenções particulares não são oponíveis ao Fisco para modificar a definição legal do sujeito passivo. Ausente comprovação de conduta dolosa do profissional nos termos do artigo 135, II, do Código Tributário Nacional, descabe sua responsabilização. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-007.737
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para reduzir o percentual de qualificação da multa ao patamar de 100% (cem por cento). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.736, de 28 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 11634.720459/2017-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Sérgio Magalhães Lima – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral), Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Sérgio Magalhães Lima (Presidente).
Nome do relator: SERGIO MAGALHAES LIMA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202601

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Alegação de ausência de juntada das notas fiscais e de falta de demonstração da base de cálculo afastada. Fiscalização apresentou planilhas detalhadas com os dados extraídos de documentos produzidos pela própria Contribuinte, bem como relacionou os PGDAS analisados. Contribuinte devidamente intimada a prestar esclarecimentos, permanecendo inerte. Inexistência de prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Inteligência do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE E SONEGAÇÃO. PGDAS-D. INFORMAÇÕES FALSAS. SEGREGAÇÃO INDEVIDA DE RECEITAS. DOLO COMPROVADO. Caracteriza fraude e sonegação a inserção deliberada de informações falsas em declarações fiscais, a segregação arbitrária de receitas em desacordo com a legislação e a omissão consciente de valores, com o objetivo de reduzir indevidamente a carga tributária. Configurado o dolo, é cabível a multa de ofício qualificada prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Aplicação do princípio da retroatividade benigna para redução do percentual da penalidade para 100%, nos termos do artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional e do artigo 14 da Lei nº 14.689/2023. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRETENSÃO DE REDIRECIONAMENTO DA MULTA A TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. ARTIGO 123 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. A mera contratação de contador ou de terceiro para a execução de rotinas fiscais não tem o condão de afastar ou transferir a responsabilidade tributária da pessoa jurídica perante a Fazenda Pública. Convenções particulares não são oponíveis ao Fisco para modificar a definição legal do sujeito passivo. Ausente comprovação de conduta dolosa do profissional nos termos do artigo 135, II, do Código Tributário Nacional, descabe sua responsabilização. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10930.722748/2017-76

anomes_publicacao_s : 202603

conteudo_id_s : 7354449

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 1302-007.737

nome_arquivo_s : Decisao_10930722748201776.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : SERGIO MAGALHAES LIMA

nome_arquivo_pdf_s : 10930722748201776_7354449.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para reduzir o percentual de qualificação da multa ao patamar de 100% (cem por cento). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.736, de 28 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 11634.720459/2017-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Sérgio Magalhães Lima – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral), Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Sérgio Magalhães Lima (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026

id : 11284774

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:08 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862166634944266240

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-03-30T21:31:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-03-30T21:31:31Z; Last-Modified: 2026-03-30T21:31:31Z; dcterms:modified: 2026-03-30T21:31:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-03-30T21:31:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-03-30T21:31:31Z; meta:save-date: 2026-03-30T21:31:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-03-30T21:31:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-03-30T21:31:31Z; created: 2026-03-30T21:31:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2026-03-30T21:31:31Z; pdf:charsPerPage: 1826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-03-30T21:31:31Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10930.722748/2017-76 ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 28 de janeiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE CIRURGICA BIOMEDICA - EIRELI INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Alegação de ausência de juntada das notas fiscais e de falta de demonstração da base de cálculo afastada. Fiscalização apresentou planilhas detalhadas com os dados extraídos de documentos produzidos pela própria Contribuinte, bem como relacionou os PGDAS analisados. Contribuinte devidamente intimada a prestar esclarecimentos, permanecendo inerte. Inexistência de prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Inteligência do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE E SONEGAÇÃO. PGDAS-D. INFORMAÇÕES FALSAS. SEGREGAÇÃO INDEVIDA DE RECEITAS. DOLO COMPROVADO. Caracteriza fraude e sonegação a inserção deliberada de informações falsas em declarações fiscais, a segregação arbitrária de receitas em desacordo com a legislação e a omissão consciente de valores, com o objetivo de reduzir indevidamente a carga tributária. Configurado o dolo, é cabível a multa de ofício qualificada prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Aplicação do princípio da retroatividade benigna para redução do percentual da penalidade para 100%, nos termos do artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional e do artigo 14 da Lei nº 14.689/2023. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRETENSÃO DE REDIRECIONAMENTO DA MULTA A TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. ARTIGO 123 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Fl. 4330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 2 A mera contratação de contador ou de terceiro para a execução de rotinas fiscais não tem o condão de afastar ou transferir a responsabilidade tributária da pessoa jurídica perante a Fazenda Pública. Convenções particulares não são oponíveis ao Fisco para modificar a definição legal do sujeito passivo. Ausente comprovação de conduta dolosa do profissional nos termos do artigo 135, II, do Código Tributário Nacional, descabe sua responsabilização. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para reduzir o percentual de qualificação da multa ao patamar de 100% (cem por cento). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.736, de 28 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 11634.720459/2017-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Sérgio Magalhães Lima – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral), Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Sérgio Magalhães Lima (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou-a procedente em parte, para afastar a responsabilidade tributária daqueles arrolados nesta condição pela fiscalização, Fl. 4331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 3 mantendo o lançamento nos exatos termos em que formulado, inclusive com a exigência de multa de ofício qualificada e juros de mora calculados com emprego da taxa Selic. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 Ementa: PROVA. JUNTADA POSTERIOR. PRECLUSÃO. Em regra, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê -lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente, ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A constatação de conduta dolosa do sujeito passivo autoriza a cominação da multa de ofício em sua forma qualificada. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no país, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos normativos regularmente insertos no ordenamento jurídico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os débitos fiscais recolhidos em atraso estão sujeitos à incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO. Embora a resposabilidade solidária seja matéria a ser resolvida no âmbito e no ato da execução fiscal, pode a autoridade autante relacionar aqueles que julgar responsáveis já no auto de infração, de sorte a dar amplo espectro aos direitos dos a priori responsabilizados ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. ALCANCE. SOLIDARIEDADE. Fl. 4332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 4 O artigo 135, inciso III, do CTN trata de responsabilidade solidária entre a empresa e os administradores que praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. A responsabilidade com base neste dispositivo exige que as pessoas indicadas tenham praticado diretamente ou, ao menos, tolerado a prática de ato abusivo e/ou ilegal quando em posição de influir para a sua não ocorrência. Deve, por conseguinte, ser afastada tal imputação quando não inequivocamente demonstrada. A Contribuinte e as responsáveis foram cientificados do resultado do julgamento consubstanciado no Acórdão nº 12-099255 e, na sequência, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual ratificou integralmente as alegações já deduzidas em sede de Impugnação, reiterando os fundamentos de fato e de direito anteriormente expostos, solicitando ao final: “Diante do exposto, requer sem conhecido e provido o presente recurso voluntário, reformando-se o Acórdão nº 12-099255, da 15ª Turma da DRJ/RJO, para o fim de anular o auto de infração, ou, sucessivamente, afastar a qualificação da multa de ofício e excluir a aplicação da taxa SELIC.” Conforme consta do respectivo Despacho de Encaminhamento, os autos foram remetidos a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Juízo de Admissibilidade do Recurso Voluntário Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do artigo 43 da Portaria MF nº 1.634/20231 - 1 Art. 43. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III - Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), exceto nas hipóteses previstas no inciso II do art. 44; IV - CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova, sem prejuízo do disposto no § 2º do art. 45; V - exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao Fl. 4333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 5 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RICARF”). Dele, portanto, tomo conhecimento. Como se denota dos autos, a Recorrente tomou ciência do Acórdão recorrido em 16.08.2018 (e-fl. 4.317), apresentando o Recurso Voluntário, ora analisado, no dia 13.09.2018 (e-fl. 4.321), ou seja, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/19722. Portanto, é tempestivo o recurso apresentado e, por isso, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Análise da Alegação Preliminar de Nulidade do Auto de Infração Sustenta a Recorrente que não teria tido acesso aos documentos que instruíram o lançamento, em específico as notas fiscais, razão pela qual o Auto de Infração seria nulo. Alega, ainda, que a Autoridade Fiscal não teria demonstrado de forma pormenorizada a base de cálculo dos tributos exigidos, nos seguintes termos: “A autuação fiscal é inteiramente baseada em notas fiscais que teriam sido emitidas pela recorrente. Tais documentos consubstanciam, via de consequência, elemento de prova indispensável à comprovação do ilícito, devendo, obrigatoriamente, instruir o auto de infração, o que não foi observado no presente caso. Sem cópia das notas fiscais, a recorrente fica com a sua defesa prejudicada, além de o dever fazendário de fundamentar e motivar a autuação fiscal não ter sido cumprido. Mais do que isso, e em sentido ainda pior, a fiscalização não pormenorizou a base de cálculo utilizada para constituir os créditos tributários”. Registre-se, contudo, que tais alegações foram expressamente analisadas e afastadas no Acórdão recorrido, que assim consignou: “Em ambos os casos, as alegações de defesa não resistem à mera vista dos autos. A autoridade autuante trouxe planilhas ricas em dados sobre as notas fiscais que considerou para a lavratura do auto de infração. Alíás, foi patente o zelo da fiscalização, ao separar e entitular os quadros conforme fosse o caso de documentos fiscais afetos à tributação monofásica e demais particularidades afetas tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples- Nacional), bem como exigência de crédito tributário decorrente da exclusão desses regimes, independentemente da natureza do tributo exigido; VI - penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII - tributos, penalidades, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. 2 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 4334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 6 ao caso concreto. Não bastasse, a autoridade fiscal também relacionou os PGDAS que considerou em sua análise. E o mais importante: tratam-se, todos os elementos acima, de documentos da lavra da própria fiscalizada, sendo certo, por conseguinte, que a mera menção a eles nos autos já seria o bastante para que a interessada pudesse sobre eles se manifestar. Não obstante, oportunizando máxima voz ao sujeito passivo, às fls. 02/03, o autuante intimou a interessada a prestar informações sobre o que constava dos elementos de prova acima citados. Ela, contudo, deixou tal oportunidade passar em branco, apresentando respostas que não enfrentavam as questões formuladas e, desta feita, impôs à fiscalização o exercício do seu poder-dever de efetuar os levantamentos necessários à correta apuração do tributo. A partir de então, a autoridade autuante compulsou os dados existentes, determinando as bases de cálculo e quantificando os tributos devidos na forma em que, com clareza hialina, expôs no relatório fiscal e nos autos de infração. No mais, as alentadas e robustas impugnações demonstraram a ausência de qualquer prejuízo à defesa, mas, antes, o perfeito entendimento dos fatos imputados à interessada e demais impugnantes. Sendo assim, não há falar em razões para nulidade do lançamento carreado nestes autos, seja pelos alegados, porém inexistentes, vícios de procedimento, seja por quaisquer aspectos da acusação fiscal. Adicione-se que o Decreto nº 70.235/72 somente considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do seu artigo 59, incisos I e II. Assim, tendo o Auditor Fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento e nenhum embaraço à defesa sendo vislumbrado, não se cogita causas de nulidade do auto de infração. Isto posto, em nada merece reproche a condução da ação fiscal, tendo sido possível às impugnantes conhecer todo o racional do lançamento que, importa reafirmar, fora formulado fortemente calcado em documentos gerados pela própria interessada”. (g.n.) Como se observa, a decisão recorrida consignou de forma expressa que a Autoridade Fiscal apresentou planilhas detalhadas contendo os dados das notas fiscais consideradas na lavratura do Auto de Infração, inclusive com a segregação dos documentos sujeitos à tributação monofásica, o que permitia à Recorrente, se assim entendesse, confrontar tais informações e apontar eventual equívoco do lançamento. Ademais, o “Relatório Fiscal” (e-fls. 4.131/4.164) evidencia reiteradas oportunidades concedidas à Recorrente para esclarecimento e comprovação de suas alegações, as quais restaram infrutíferas, conforme demonstram os seguintes excertos: “Sobre a tributação monofásica do PIS e Cofins, o contribuinte não apresentou a relação das mercadorias, listadas individualmente com o respectivo embasamento Fl. 4335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 7 legal, que comprovasse a tributação monofásica, conforme intimado no Termo de Início”. (g.n.) ******************************************************************* “Na justificativa apresentada dizia que seguia em anexo os produtos comercializados pela empresa segregados na forma da apuração do imposto, no entanto, apresentou somente a Solução de Divergência RFB nº 17 de 09/09/2013 e Lei Complementar 123/2006. O contribuinte não apresentou a relação de mercadorias”. (g.n.) ******************************************************************* “O contribuinte não entregou a relação das mercadorias listadas individualmente com o respectivo embasamento legal, conforme intimado no Termo de Início. O contribuinte entregou simplesmente o Relatório de Conferencia dos Detalhamentos do Sintegra – Registro tipo 54”. (g.n.) ******************************************************************* “Analisando a legislação da substituição tributária do ICMS no Paraná, praticamente todos os produtos com tributação monofásica do PIS e da Cofins também são substituição tributária. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou uma relação detalhada dos produtos com ICMS substituição tributária, a fiscalização segregou a receita com base na NCM, da mesma forma da monofásico”. (g.n.) ******************************************************************* “Intimado a apresentar alguma decisão judicial que o eximisse de recolher o INSS, o contribuinte não apresentou”. (g.n.) ******************************************************************* “Tendo em vista que o contribuinte não comprovou possuir qualquer imunidade, os valores da CPP/INSS serão lançados através de auto de infração”. (g.n.) Nesse contexto, não há como acolher a pretensão da Recorrente de ver reconhecida a nulidade do Auto de Infração com fundamento em sua própria inércia. O ônus de comprovar que os valores lançados não constituem receita tributável, ou que já foram oferecidos à tributação, é da Contribuinte, e não da Administração Tributária. Registre-se, ainda, que todas as informações necessárias à plena compreensão das razões fáticas e jurídicas que embasaram as exigências tributárias encontram- se devidamente explicitadas tanto no “Relatório Fiscal” quanto no próprio Auto de Infração, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Assim, não obstante o esforço argumentativo expendido pela Recorrente, não se identifica no Auto de Infração qualquer vício apto a ensejar a nulidade pretendida. Por essas razões, entendo pela rejeição da referida preliminar de nulidade. Fl. 4336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 8 Análise das Alegações Acerca da Multa Qualificada Em relação às alegações relativas à aplicação da multa, a Recorrente limita-se a reiterar os mesmos argumentos já deduzidos em sede de Impugnação, sustentando a inexistência de dolo, fraude ou sonegação, sob o fundamento de que as informações prestadas no PGDAS-D decorreriam de interpretação da legislação tributária, e não de qualquer intenção de reduzir indevidamente a carga tributária. Inicialmente, cumpre registrar que o descumprimento da legislação tributária enseja a aplicação da sanção correspondente independentemente da intenção do agente, nos termos do artigo 136 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. As sanções tributárias exercem dupla função: preventiva, ao inibir condutas que visem à supressão ou redução indevida de tributos (prevenção geral), e repressiva, ao punir o infrator e evitar a reincidência (prevenção especial). Em última análise, cumprem função pedagógica, estimulando o cumprimento voluntário das obrigações tributárias. A doutrina é firme ao assentar que a multa deve ser graduada conforme a gravidade da infração, não podendo ser utilizada como mero instrumento arrecadatório, mas sim como mecanismo de proteção ao interesse público da arrecadação tributária: “No campo das sanções administrativas pecuniárias (multas), é preciso não confundir (como faz, frequentemente, o próprio legislador) a proteção ao interesse da arrecadação (bem jurídico tutelado) com o objetivo de arrecadação por meio da multa. Noutras palavras, a sanção deve ser estabelecida para estimular o cumprimento da obrigação tributária; se o devedor tentar fugir ao seu dever, o gravame adicional representado pela multa que lhe é imposta se justifica, desde que graduado segundo a gravidade da infração. Se se tratar de obrigação acessória, a multa igualmente se justifica (pelo perigo que o descumprimento da obrigação acessória provoca para a arrecadação de tributos), mas a multa não pode ser transformada em instrumento de arrecadação; pelo contrário, deve-se graduá-la em função da gravidade da infração, vale dizer, da gravidade do dano ou da ameaça que a infração representa para a arrecadação de tributos” 3 . (g.n.) No tocante à multa qualificada, o artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 estabelece que o percentual da multa de ofício será duplicado quando configuradas as 3 MARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 20ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2014, não paginado. Fl. 4337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 9 hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, que tratam, respectivamente, da sonegação, da fraude e do conluio. Confira-se: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Como se vê, a imposição da multa qualificada pressupõe a comprovação de dois elementos que, embora estejam relacionados, são distintos. De um lado, deve haver a comprovação de que ocorreu o fato gerador de um determinado tributo sem o seu pagamento – o que, por si só, já enseja a incidência da multa de ofício de 75% -, e, de outro lado, dever haver a comprovação de que o inadimplemento do tributo ocorreu por meio de sonegação, de fraude ou de conluio4. A redação do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 é bastante clara ao dispor que a multa será duplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 os quais, respectivamente, tratam dos institutos da sonegação, da fraude e do conluio. Confira-se: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. 4 HALPERIN, Eduardo Kowarick. Multa Qualificada no Direito Tributário. São Paulo: Instituto Brasileiro de Direito Tributário – IBDT, 202, p. 31. Fl. 4338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 10 O elemento comum às três figuras jurídicas é o dolo, entendido como a atuação consciente e voluntária do agente, com conhecimento da ilicitude da conduta e intenção de produzir o resultado vedado pelo ordenamento jurídico. Conforme explica Gisele Bossa5, a redação do artigo 44 da Lei 9.430/96 não é despropositada, servindo para indicar que a qualificação da multa é medida de caráter excepcional e, logo, cabe à própria Autoridade Fiscal o ônus de provar que o contribuinte praticou quaisquer das condutas dolosas descritas nos citados artigos da Lei 4.502/64. Nesse sentido, a aplicação da multa qualificada exige que o dolo esteja comprovado de maneira robusta, afastando qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, sendo indispensável demonstrar que a conduta do sujeito passivo somente se explica à luz de uma finalidade ilícita. No caso concreto, a Autoridade Fiscal entendeu configuradas as hipóteses de fraude e sonegação, conforme detalhado no “Relatório Fiscal” e nos Autos de Infração, destacando-se: (i) a inserção deliberada de informação falsa de imunidade no PGDAS-D, relativamente à CPP/INSS; (ii) a segregação arbitrária das receitas, com base em percentuais fixos, em desacordo com a NCM das mercadorias; e (iii) a redução artificial das receitas declaradas, mediante a indicação de valores inferiores aos constantes das notas fiscais eletrônicas. Confira-se: “9 – DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA Os tributos e contribuições lançados, regra geral, são passíveis de multa de ofício de 75% (setenta e cinco pontos percentuais), conforme artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007. No entanto, no presente caso houve a qualificação da multa em razão da evidente intenção de fraude e sonegação conforme descrito a seguir. O primeiro meio utilizado pelo contribuinte para reduzir o valor dos tributos a recolher foi ter inserido no PGDAS-D uma informação falsa (imunidade) sobre a CPP/INSS das receitas monofásicas que acarretou o cálculo de R$ 0,00 (zero reais) para tal contribuição. Os dados que o contribuinte informa no PGDAS-D servem para a geração da guia de recolhimento unificado de tributos e contribuições. Neste caso o contribuinte declarou que seria imune do INSS/CPP quando na verdade não era. Ora, o contribuinte deliberadamente, inseriu uma informação falsa com a intenção de “zerar” os valores da CPP/INSS devidas como se fosse imune. Não é um mero erro de preenchimento, é a inserção de uma informação totalmente falsa. 5 BOSSA, Gisele Barra. A Imputação de multa qualificada: dos aspectos técnicos à construção e valoração da prova no âmbito do CARF. In: BOSSA, Gisele Barra. Eficiência Probatória e a Atual Jurisprudência do CARF. São Paulo: Almedina, 2020, p. 185/193. Fl. 4339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 11 Quando do preenchimento do PGDAS-D o contribuinte deliberadamente insere a informação de imunidade. Vide no item seguinte a descrição do preenchimento da PGDAS-D. O segundo meio utilizado pelo contribuinte foi ter segregado a receita com tributação normal e tributação monofásica/substituição tributária (sem pagamento de tributos) com base em um percentual estabelecido por ele (5 ou 10% da receita bruta) e não com base na NCM das notas fiscais conforme determinado pela legislação, conforme demonstrado a seguir. No caso do Simples Nacional, quando há receitas de vendas de produtos monofásicos e/ou substituição tributária, o contribuinte não recolhe o PIS, nem a Cofins, nem o ICMS. Neste caso o contribuinte recolhe somente o IRPJ, CSLL e INSS/CPP. No entanto a legislação determina que para fazer esta segregação de receita, o contribuinte deve utilizar a NCM dos produtos, conforme as notas fiscais emitidas. Ocorre que o contribuinte não informou no PGDAS a segregação da receita com base nas NCM dos produtos comercializados e sim com base em um percentual fixado por ele mesmo. O contribuinte fixou o percentual de 5% ou 10% da Receita Bruta total como se fosse receita não monofásica com tributação normal (pagamento de todos os tributos). O restante das receitas, correspondente a 90 ou 95% da Receita Bruta total, o contribuinte informa que seria monofásico e substituição tributária, recolhendo neste caso somente o IRPJ e CSLL. [...] Ora, claramente é possível verificar que o contribuinte declara e paga os tributos somente sobre 5 ou 10% de suas receitas (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS/CPP e ICMS). O contribuinte não considera a classificação da NCM dos produtos e sim estabelece um percentual de receita que será tributada. E isso ocorre em todos os meses de 2013 e 2014. Em levantamento feito pela fiscalização com base na NCM das notas fiscais eletrônicas, verifica-se que não há uma relação percentual das receitas monofásicas e não monofásicas nos anos de 2013 e 2014. [...] Sendo assim, comprova-se a ação dolosa e intencional do contribuinte, que manipulou a segregação das receitas para recolher tributos em valores inferiores aos devidos. E a terceira maneira utilizada pelo contribuinte para diminuir a base de cálculo foi diminuindo as receitas no momento do preenchimento da PGDAS-D. Em alguns meses o contribuinte informou no PGDAS-D, valores menores que os valores das vendas constantes nas notas fiscais eletrônicas. [...] Fl. 4340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 12 Ora, percebe-se que dolosamente a base de cálculo é manipulada para valores inferiores, valores redondos, que não possuem relação com as notas fiscais emitidas. O contribuinte utilizou de subterfúgios para pagar tributos a menor. Além disso, a diminuição dos valores em 2013 serviu para que o contribuinte se mantivesse no Simples Nacional. Ora, o contribuinte sabia que em 2014 deveria ter se auto excluído do Simples Nacional e não o fez. Diante disso tudo, não restam dúvidas do evidente intuito de sonegação e fraude por ação dolosa que tentou impedir e retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, excluindo e modificando as informações de modo a reduzir o montante do imposto devido ou diferir o seu pagamento. Não podemos falar que o contribuinte simples fez uma PGDAS-D de forma inexata, as atitudes do contribuinte denotam o evidente intuito de fraude. Tais comportamentos permitem a qualificação da multa para 150% (cento e cinquenta por cento), conforme previsto no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996, por se se enquadrar nas situações previstas no artigo 71 e 72 da Lei nº 4.502/64”. (g.n.) Diante desse cenário, não há como acolher a insurgência da defesa quanto à aplicação da multa de ofício qualificada, uma vez que o conjunto probatório dos autos evidencia a adoção consciente, reiterada e sistemática de condutas voltadas à redução indevida da carga tributária, legitimando a aplicação da penalidade prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Com efeito, restou demonstrado que a Recorrente informou indevidamente imunidade à CPP/INSS, o que resultou no cálculo artificial de valores nulos para a contribuição, conduta que extrapola o campo do erro material ou da simples divergência interpretativa e revela o fornecimento consciente de informação sabidamente falsa ao sistema de apuração. Ademais, restou comprovado que a Recorrente segregou suas receitas de forma arbitrária, utilizando percentuais fixos (5% ou 10% da receita bruta) para definir a parcela sujeita à tributação normal, em flagrante desconformidade com a legislação aplicável, que exige a segregação com base na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constante das notas fiscais emitidas. O procedimento adotado permitiu que a maior parte da receita fosse indevidamente enquadrada como sujeita à tributação monofásica ou à substituição tributária, com recolhimento restrito a IRPJ e CSLL, em detrimento dos demais tributos devidos. Soma-se a isso o fato de que, em diversos períodos, a Recorrente reduziu artificialmente os valores das receitas informadas no PGDAS-D, declarando montantes inferiores àqueles efetivamente auferidos e registrados nas notas fiscais eletrônicas, frequentemente em valores “redondos”, destituídos de qualquer lastro documental. Tal prática reforça o caráter intencional e sistemático da conduta, afastando a tese de simples declaração inexata. Fl. 4341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 13 Registre-se, ainda, que a diminuição indevida das receitas declaradas no exercício de 2013 permitiu à Recorrente permanecer irregularmente no regime do Simples Nacional, embora já tivesse ultrapassado o limite legal de receita bruta, circunstância que evidencia, mais uma vez, o pleno conhecimento das consequências jurídicas de seus atos. Nesse contexto, o conjunto das condutas apuradas (inserção de informações falsas, segregação arbitrária de receitas e omissão deliberada de valores) caracteriza, de forma inequívoca, ação dolosa destinada a impedir ou retardar o conhecimento, pela Autoridade Fiscal, da ocorrência dos fatos geradores, com o objetivo de reduzir o montante dos tributos devidos, enquadrando-se perfeitamente nas hipóteses dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964. Assim, não se trata de mera divergência interpretativa ou de erro no cumprimento de obrigação acessória, mas de conduta reiterada, planejada e consciente, apta a justificar a qualificação da multa para 150%, nos termos do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. A aplicação da multa qualificada deve ser, portanto, mantida, sendo que, por força do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional (CTN)6, que dispõe que a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, a multa deve ser fixada no patamar de 100%, nos termos do que preceitua o artigo 14 da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023. Desse modo, entendo por manter a multa qualificada a qual, a rigor, deve ser fixada e/ou reduzida ao patamar de 100% (cem por cento). Análise das Alegações para Responsabilização de Terceiro No ponto, pugna a Recorrente pela desoneração da multa de ofício que lhe foi imposta, sustentando que as infrações decorreriam de atos praticados exclusivamente pelo contador, o qual não teria agido no exercício regular de mandato nem em cumprimento de ordem expressa da gestão da empresa, sem que a administradora tivesse conhecimento das irregularidades. Argumenta, ainda, que tal circunstância teria sido reconhecida com a exclusão da sócia do polo passivo do Auto de Infração, razão pela qual a penalidade deveria ser afastada em relação à pessoa jurídica e redirecionada ao contador indicado na Representação Fiscal para Fins Penais. 6 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: [...] II – quando expressamente interpretativa, excluído o disposto no artigo 107, ou quando: [...] c) deixe de tratá-lo como infração. Fl. 4342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 14 Sem razão, contudo, a Recorrente. Com efeito, o artigo 123 do Código Tributário Nacional é expresso ao vedar a oponibilidade de convenções particulares à Fazenda Pública com o objetivo de modificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária, dispondo que: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que a regra prevista no artigo 123 do Código Tributário Nacional visa impedir que ajustes privados entre particulares alterem a responsabilidade tributária perante o Fisco. Nesse sentido, destacam-se os julgamentos proferidos em sede de repetitivos no REsp nº 1.119.558/SC, REsp nº 947.206/RJ e REsp nº 1.736.428/RS, dos quais se extrai, em síntese, que cláusulas contratuais ou ajustes particulares não possuem eficácia para afastar ou transferir a sujeição passiva tributária legalmente definida, cujo teor transcreve-se parcialmente: “Nem mesmo o contrato de locação, no qual é atribuída ao locatário a responsabilidade pela quitação dos tributos inerentes ao imóvel, tem o condão de alterar o sujeito passivo da obrigação tributária, consoante dispõe o art. 123 do CTN. (...). Assim, a cláusula constante do contrato de locação que imputa ao locatário a responsabilidade pelo pagamento do IPTU não tem o condão de se opor ao Poder Público. 2. O Tribunal a quo está em consonância com o entendimento do STJ no sentido de que por força do art. 123 do CTN, salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes”. Sobre o tema, transcrevo trecho da decisão recorrida, a qual analisou muito bem a questão: “A obrigação tributária vincula a interessada à Fazenda, sendo certo que a mera contratação de terceiro para a sua operacionalização é fato que, por si só, não enseja a responsabilidade deste terceiro. Ademais, esta instância julgadora não se presta ao agravamento da exigência fiscal. De sorte que, se a autoridade autuante não entendeu pela pertinência da conduta do contador diante da infração autuada contra a pessoa jurídica, não cabe a este juízo promover tal ampliação dos limites da relação jurídica no caso concreto. Houvesse, contudo, elementos nos autos que identificassem dolo do contador como agente da infração, estaria autorizada, em tese, a fiscalização, a solidariamente responsabilizá-lo pelo crédito tributário lançado de ofício, dês que a conduta dolosa se manifestasse por atos praticados com excesso de poderes ou Fl. 4343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 15 infração a normas a que estivesse sujeito o profissional. É o que se extrai do artigo 135, inciso II, do CTN, c/c o parágrafo único do artigo 1.177 do CC: [...] Entretanto, não tendo sido apontado na peça acusatória destes autos qualquer evidência de conduta dolosa do contador da interessada, descabe falar em responsabilidade sua enquanto mandatário do sujeito passivo. É preciso atentar, contudo, que a ausência de tal evidência não significa que a pessoa jurídica autuada não possa cometer infração tributária de forma dolosa, mas apenas que não identificado o dolo de determinado agente dos quadros dessa pessoa jurídica, descabe imputar a ele a responsabilidade pelo crédito tributário decorrente do ilícito fiscal”. Assim, não se verificam fundamentos jurídicos para a reforma da decisão recorrida, a qual deve ser mantida integralmente neste ponto. Análise das Alegações acerca da Inaplicabilidade da Taxa SELIC Por fim, a Recorrente sustenta que a aplicação da taxa SELIC como juros tributários é inconstitucional, pois a verificação de sua regularidade depende de dados detidos exclusivamente pelo Banco Central, os quais não são disponibilizados ao público em razão de suposto sigilo bancário. Afirma que a ausência de acesso aos elementos que compõem a SELIC inviabiliza a conferência do cálculo dos juros, violando os princípios da motivação e da publicidade dos atos administrativos (art. 37 da CF/88). Alega, ainda, ofensa aos princípios da inafastabilidade da tutela jurisdicional e do devido processo legal (art. 5º, XXXV e LIV, da CF/88), uma vez que a falta de transparência impediria a Contribuinte de discutir judicialmente a regularidade da cobrança. Pois bem. Como sabido, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade e extingue-se com o crédito dela decorrente, nos termos do artigo 113, § 1º do Código Tributário Nacional 7. Por outro lado, o artigo 139 do Código Tributário Nacional 8 dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e apresenta mesma natureza. Ao tratar do crédito, o artigo 161 do Código Tributário Nacional 9 estabelece que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora seja 7 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. 8 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 9 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 4344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 16 qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Pelo que pode observar, verificado o inadimplemento do tributo será cabível a incidência dos juros de mora sobre o principal, desde a data do vencimento da obrigação até a data da lavratura do Auto de Infração, bem como a aplicação de multa punitiva, que, a propósito, passam a integrar o crédito fiscal consolidado, que é o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Não se pode olvidar que os juros moratórios representam, efetivamente, o preço do direito, isto é, o valor que o detentor da moeda (contribuinte) paga ao seu legítimo proprietário (Fisco) pela posse temporária do numerário que, aliás, desde o vencimento da obrigação já é de sua titularidade. Com efeito, a partir da data de vencimento especificado no Auto de Infração para o pagamento espontâneo, o sujeito passivo passa a figurar como potencial devedor do montante consolidado objeto do lançamento tributário. Os juros, portanto, são devidos para compensar a demora do sujeito em relação ao pagamento do crédito tributário consolidado. E, se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário consolidado. A propósito, a matéria encontra-se sumulada por este Conselho nos termos da Súmula CARF nº 108: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Por essas razões, não há como se afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Os juros de mora incidem sobre a totalidade do crédito tributário e quando incidentes sobre a multa de ofício são calculados com base na Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Não procede, portanto, a alegação de que a taxa SELIC viola os princípios da publicidade e da motivação dos atos administrativos. Trata-se de índice oficial amplamente divulgado, com acesso público e irrestrito, publicado diariamente pelo Banco Central do Brasil (BACEN) e disponibilizado de forma clara e transparente no sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil (RFB), inclusive com a apresentação de séries históricas e orientações práticas para o cálculo de juros incidentes sobre créditos tributários. Ademais, a SELIC constitui a taxa básica da economia nacional, sendo utilizada como parâmetro em diversas relações jurídicas, tanto no âmbito público quanto no privado, o que afasta qualquer § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Fl. 4345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.737 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.722748/2017-76 17 alegação de ausência de publicidade ou de deficiência de motivação administrativa. A publicidade exigida pelo artigo 37 da Constituição não se confunde com a divulgação de todos os dados individualizados das operações financeiras que integram o sistema de liquidação e custódia. O que deve ser público é o resultado da taxa, suficiente para controle, cálculo e impugnação judicial. A motivação do ato administrativo, por sua vez, decorre diretamente da lei que elegeu a SELIC como índice de juros moratórios, não havendo qualquer margem de discricionariedade que exija motivação específica caso a caso. Com efeito, entendo por não acolher as alegações referentes à inaplicabilidade da taxa SELIC. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para nessa extensão, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito em dar-lhe parcial provimento, apenas para reduzir a multa qualificada para o percentual de 100% (cem por cento), mantendo-se a decisão recorrida com relação aos demais itens. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para reduzir o percentual de qualificação da multa ao patamar de 100% (cem por cento). Assinado Digitalmente Sérgio Magalhães Lima – Presidente Redator Fl. 4346DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11289363 #
Numero do processo: 10825.721355/2013-19
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2010 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DE TRIBUTO DISCUTIDO JUDICIALMENTE. NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo, sendo expressamente vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO. GLOSA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. O salário-de-contribuição é o previsto normativamente estando deste excluídos aquelas rubricas expressamente previstas. Em sede administrativa, é vedado o afastamento de lei. A compensação deve ser indeferida quando não demonstrada de forma inquestionável a existência dos fatos constitutivos que lhe dão respaldo, sendo obrigação do contribuinte comprovar a liquidez e certeza do direito creditório. O reconhecimento do direito creditório e consequente compensação prescinde da demonstração de créditos líquidos e certos, não controvertidos.
Numero da decisão: 2004-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202602

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2010 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DE TRIBUTO DISCUTIDO JUDICIALMENTE. NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo, sendo expressamente vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO. GLOSA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. O salário-de-contribuição é o previsto normativamente estando deste excluídos aquelas rubricas expressamente previstas. Em sede administrativa, é vedado o afastamento de lei. A compensação deve ser indeferida quando não demonstrada de forma inquestionável a existência dos fatos constitutivos que lhe dão respaldo, sendo obrigação do contribuinte comprovar a liquidez e certeza do direito creditório. O reconhecimento do direito creditório e consequente compensação prescinde da demonstração de créditos líquidos e certos, não controvertidos.

turma_s : Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10825.721355/2013-19

anomes_publicacao_s : 202604

conteudo_id_s : 7355774

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2004-000.384

nome_arquivo_s : Decisao_10825721355201319.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

nome_arquivo_pdf_s : 10825721355201319_7355774.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2026

id : 11289363

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:14 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862166634980966400

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-01T18:25:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-01T18:25:12Z; Last-Modified: 2026-04-01T18:25:12Z; dcterms:modified: 2026-04-01T18:25:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-01T18:25:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-01T18:25:12Z; meta:save-date: 2026-04-01T18:25:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-01T18:25:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-01T18:25:12Z; created: 2026-04-01T18:25:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; Creation-Date: 2026-04-01T18:25:12Z; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-01T18:25:12Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10825.721355/2013-19 ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 12 de fevereiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MUNICIPIO DE AREIOPOLIS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2010 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DE TRIBUTO DISCUTIDO JUDICIALMENTE. NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo, sendo expressamente vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO. GLOSA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. O salário-de-contribuição é o previsto normativamente estando deste excluídos aquelas rubricas expressamente previstas. Em sede administrativa, é vedado o afastamento de lei. A compensação deve ser indeferida quando não demonstrada de forma inquestionável a existência dos fatos constitutivos que lhe dão respaldo, sendo obrigação do contribuinte comprovar a liquidez e certeza do direito creditório. O reconhecimento do direito creditório e consequente compensação prescinde da demonstração de créditos líquidos e certos, não controvertidos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 1277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 2 Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). RELATÓRIO Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e-fls. 1.234/1.246), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de primeira instância (e-fls. 1.217/1.230), consubstanciada no Acórdão nº 09-64.481 - 5ª Turma da DRJ/JFA, de 06/09/2017, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente o pedido deduzido na impugnação, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2010 a 30/09/2011 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. DECADÊNCIA. O salário-de-contribuição é o previsto normativamente estando deste excluídos aquelas rubricas expressamente previstas. Em sede administrativa, é vedado o afastamento de lei ou ato normativo ao argumento de inconstitucionalidade. O reconhecimento do direito creditório e consequente compensação decorrente de questões discutidas em juízo demanda o respectivo trânsito em julgado. O direto de pleitear restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 anos contados do pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, para fatos geradores ocorridos nas competências destacadas na ementa do acórdão recorrido, com auto de infração juntamente com Fl. 1278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 3 as peças integrativas e Relatório Fiscal (e-fls. 19/31) devidamente colacionados, tendo o contribuinte sido notificado em 28/06/2013 (e-fl. 377), foi bem sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotá-lo com breves adaptações quando necessárias: Compõe o presente processo o auto de infração Debcad 51.031.608-5 (glosa de compensação), lavrado em 24/6/2013, com valor originário (sem multa ou juros) de R$ 1.011.778,79. Como motivação do lançamento, consta, no Relatório Fiscal de folhas 19 a 31, o seguinte: Tendo em vista compensação declarada em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) no período 11/2010 a 9/2011, totalizando R$ 1.052.823,38, o sujeito passivo foi intimado a comprovar o direito creditório. O sujeito passivo, então, apresentou documentos, entre os quais o demonstrativo “Recuperação de Créditos Tributários – Memória de Cálculo” onde indica os seguintes valores utilizados em compensação: férias ⅓, hora extra, abono insalubridade, abono noturno, abono gratificação, abono função gratificação e abono sexta parte. Os três últimos não foram objeto de ação judicial; os demais foram tratados no Poder Judiciário. O município ingressou em 16/3/2011 com mandado de segurança preventivo com pedido de medida liminar (Processo 0002211-13.2011.4.03.6108), encontrando-se em fase recursal, após interposição de recurso extraordinário e de recurso especial, o que descaracterizaria os créditos como líquidos e certos. Não obstante haver impedimento expresso no Código Tributário Nacional (CTN) para tais compensações (art. 170-A), é salientado que a ação não teve objetivo de pleitear compensação, conforme trecho da decisão (letra “c”, do item 10 da sentença): c) em sede de mandado de segurança, o reconhecimento da existência de recolhimentos indevidos pretéritos (indébito tributário) somente pode ocorrer de forma indireta quando atrelado a pedido de reconhecimento do direito à compensação, para delimitar o eventual período não-sujeito à prescrição, pleito este não deduzido na exordial; As compensações foram realizadas a partir da competência 11/2010 e a ação judicial interposta em 3/2011. Foram os seguintes os pedidos dessa última: a) declaração de inexistência de relação jurídica entre o autor e a ré, referente à contribuição previdenciária patronal, incidente sobre horas extras e terço constitucional (período 1/2006 a 1/2011); b) suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária patronal incidente sobre pagamentos a título de horas extras e terço constitucional de férias (período 12/2005 a 12/2010); e c) determinação à Receita Federal que se abstenha de impor sanções administrativas ao município pelo exercício do direito. Fl. 1279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 4 Da decisão de primeiro grau, houve o reconhecimento relativo a “... o direito de não mais recolher a contribuição previdenciária desde a data do ajuizamento desta ação, ...” e sobre as verbas referenciadas na decisão, quais sejam: pagamento nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho em razão de incapacidade ou acidente, aviso prévio indenizado, férias indenizadas, auxílio-educação, auxílio-creche, abono-assiduidade, abono único e auxílio- transporte em pecúnia. As verbas utilizadas na compensação que tem relação com a ação judicial foram ⅓ constitucional sobre férias gozadas, horas extras, abono noturno e abono insalubridade. O acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região deu provimento à apelação da União e ao reexame necessário para julgar improcedente o pedido inicial quanto aos valores pagos a título de abono único anual e à apelação da impetrante para reconhecer a não incidência de contribuições sobre o adicional de férias de ⅓, quanto às férias gozadas e para determinar efeitos a partir de março de 2006. Ou seja, foi mantida a incidência relativamente a abono único, adicionais de hora extra, trabalho noturno, insalubridade e periculosidade e a não incidência relativamente a adicional de férias gozadas e indenizadas, afastamento por doença e acidente nos primeiros quinze dias, aviso prévio indenizado, folgas não gozadas e abono assiduidade convertidos em pecúnia. Dentre essas excluídas, somente a verba adicional de férias gozadas foi utilizada na compensação. Assim, as verbas utilizadas na compensação e que não foram objeto de ação e decisões, isto é, abono gratificação, abono função gratificada e abono sexta parte, bem como as que foram mantidas nas referidas decisões judiciais, adicionais de hora extra, trabalho noturno e insalubridade, foram glosadas para exigibilidade imediata, posto não haver determinação judicial para abstenção de constituição ou de aplicação de sanção administrativa. Já a verba relativa ao terço constitucional de férias gozadas teve tratamento de constituição distinto, para evitar decadência, suspendendo a exigibilidade, no processo 10825.721356/2013-63 [julgado nessa mesma sessão]. Como não houve apresentação de planilha indicando os respectivos valores por rubrica, foram lavrados autos distintos adotando critério de proporcionalidade para a parte referente a ⅓ de férias, no último processo, no valor total de R$ 41.044,59 (3,89% do compensado). A glosa da compensação ocorreu pelos seguintes valores: Fl. 1280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 5 Foi aplicada multa de mora, prevista no art. 89, §9º da Lei 8.212/1991. Da Impugnação ao lançamento A impugnação (e-fls. 384/389), que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo recorrente. Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme consta sumariado no relatório da decisão vergastada, pelo que peço vênia para, igualmente, reproduzir com breves adaptações quando necessárias: A ciência do lançamento se deu em 28/6/2013, conforme folha 377. Em 29/7/2013 (conforme carimbo de postagem de folha 382) foi apresentada extensa impugnação, juntada às folhas 384 e seguintes, por procuração, constando, em síntese apertada, o que segue: Inicialmente, preleciona que verbas indenizatórias ou compensatórias não se subsumiriam ao conceito de remuneração paga ao empregado, contido no art. 22, I, da Lei 8.212/1991. No mesmo sentido, o disposto no seu art. 28, §9º, “e”, 7; no art. 214, §9º, V, “j”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999; e art. 58, V, “i”, da Instrução Normativa RFB 971/2009. Alega que, “...sobre o ‘férias gozadas, adicional de férias’; ‘horas extras’ e ‘adicional noturno, insalubridade, salário-maternidade, terço constitucional de férias e férias indenizadas, adicional de periculosidade, salário-família, aviso prévio, salário-educação, auxílio-doença, auxílio-creche, vale transporte, abono assiduidade, gratificações eventuais, abono único’, o ‘STF’ e o ‘STJ’, através de vários julgados, firmaram entendimento, no sentindo de que somente as parcelas Fl. 1281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 6 incorporáveis ao salário do servidor sobrem a incidência da contribuição previdenciária”. Também não incidiria “...contribuição previdenciária sobre valores, ‘ainda que permanentes’, que não se incorporam aos proventos de aposentadoria, como o ‘terço constitucional de férias’; ‘horas extras’ e demais verbas de natureza compensatória/indenizatória” de acordo como estatuído a partir da Emenda Constitucional 20 de 1998. Sobre horas extras, entende serem pagas “em caráter eventual, podendo ser suprimidas a qualquer tempo e não são consideradas para o cálculo do benefício previdenciário”, o que lhe retiraria o caráter de base de incidência, posicionamento este em linha com julgados do STF, pelo STJ, bem como com a Súmula 291 do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Cita o art. 4º, §1º, da Lei 10.887/2004, com redação da Lei 12.688/2012, para salientar o que definido como de incidência de contribuição social incidente sobre a remuneração do servidor público. Quanto às férias indenizada ou convertidas em pecúnia, alega que o STJ tem entendimento de que “tem natureza semelhante ao pagamento decorrente da conversão da licença-prêmio não gozada (Súmula 136/STJ) e da conversão em dinheiro das férias não gozadas (Súmula 125/STJ)”. No que diz respeito ao terço constitucional de férias, informa que o STF entende possuir natureza jurídica compensatória/indenizatória, por ser ganho eventual e não se incorporar ao salário para efeito de base para cálculo do benefício. No mesmo sentido, sobre férias indenizadas, previstas no art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei 5.542/1943. Em sendo assim, pela Emenda Constitucional 20/1998, seria inconstitucional “a incidência de contribuição previdenciária patronal sobre adicional de um terço de férias do servidor público municipal ou do empregado de empresa privada”. Teria o STJ também se alinhado nesse sentido, a partir do decidido pelo STF. Informa que a interpretação correta da legislação federal é a dada pelo STJ e, “portanto [,] ‘a ‘legislação’ é o que o ‘STJ diz que é’ e não o que pensam os auditores da Receita Federal’. Alega que evitar o entendimento proposto contrariaria a ‘Portaria nº 001/02 emitida pelo ‘Carf’’”. Quanto às férias gozadas, alega que decorrem de interrupção do contrato de trabalho e, portanto, não se subsumiriam ao conceito de salário, não sendo base de cálculo. Informa que há entendimento do STJ no sentido de não incidência da “contribuição previdenciária sobre a verba férias gozadas, por ostentar a natureza jurídica de ‘verba indenizatória/compensatória’, devendo ser incluída no rol das ‘exclusões’ contida no ‘art. 28, §9º, ‘e’, ‘i’, da Lei 8.212/91’”. No que diz respeito ao aviso prévio, alega que “rescindido o contrato antes de findo o prazo do aviso, o empregado tem direito ao pagamento do valor relativo ao salário correspondente aquele período”. Tais parcelas não possuiriam natureza jurídica salarial, “em virtude de constituir indenização pela perda Fl. 1282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 7 repentina do emprego” e não decorreriam da prestação de trabalho, o que o excluiria da incidência da contribuição social previdenciária. Alega que o Decreto 6.727/2009 não poderia revogar a alínea “f” do inciso V do § 9º do art. 214 do RPS, que dispunha que o aviso prévio não integrava o salário de contribuição, já que verbas indenizatórias não o compõem. Ressalta que o STJ e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) tem o posicionamento nesse sentido, de não incidência de contribuição social previdenciária sobre aviso prévio indenizado. Quanto ao salário-educação, alega que não obstante o art. 28, §9º, “t”, dispor expressamente que esta verba não integra o salário-de-contribuição, a Receita Federal do Brasil esposa interpretação restritiva do dispositivo, entendendo que somente o ensino fundamental estaria subsumido à norma excludente. Ressalta que o art. 458, §2º, II da CLT dispõe que “pagamentos efetuados para a educação dos empregados não constitui salário”. Se nem a CLT, nem a Lei 8.212/1991 fariam restrições ao ensino superior, não cabe à Receita Federal do Brasil fazê-la. Os pagamentos a servidores a título de “gratificação por curso superior” destinado ao auxílio no pagamento de mensalidade deles ou de dependentes estariam excluídos do salário-de-contribuição. Cita decisões judiciais que entende estarem em linha com o aposto. Sobre auxílio-creche, informa que o pagamento efetuado a título de auxílio- creche não constitui salário, excluindo o art. 28, §9º, “t”, da Lei 8.212/1991 do salário-de-contribuição. Entende que tem caráter indenizatório pelo fato da empresa não manter creche em seu próprio estabelecimento. Informa da existência da Súmula STJ 310. Quanto ao auxílio-doença, informa ser benefício de natureza previdenciária “que não se sujeita ao pagamento da contribuição, pelo simples fato de que, nos primeiros 15 dias, não há prestação de efetivo serviço”. Cita decisões do STJ nesse sentido. Sobre o abono assiduidade, informa não ser destinado a remuneração do trabalho, visando “premiar aqueles empregados que se empenharam durante todo o ano, não faltando ao trabalho ou chegando atrasado”. Alega que o STJ tem entendimento “no sentido de que se trata de indenização pela não fruição de um período de descanso remunerado ao qual faria jus o empregado pelos serviços prestados”. Informa que referido entendimento alega que a conversão em pecúnia do abono não gozado não constitui remuneração, não compondo salário- de-contribuição. Ao não configurar contraprestação pelo serviço ou remuneração, incidiria o art. 28, §9º, “e”, 7, da Lei 8.212/1991. No que diz respeito ao auxílio-transporte em pecúnia, aduz que o STF se posicionou quanto à matéria declarando a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de auxílio- transporte (RE 478.410). Fl. 1283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 8 Quanto ao abono único e gratificações eventuais, entende que o art. 28, §9º, “e”, “7”, da Lei 8.212/1991 e o art. 457 da CLT amparam o entendimento de que estariam excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Seu pagamento não seria habitual, já que única e não representaria contraprestação de serviços, ou seja, esporádicas e graciosas (eventuais e desmotivadas). Informa que o STJ tem decisões no sentido. O STF deu entendimento similar na análise de gratificação por representação e gratificação quinquenal em sessão administrativa, através de resolução. Alega que se trata de adicionais que não trarão benefícios futuros, mais um motivo para não incidência. Repisa que o entendimento do STF é de que “somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor sofrem a incidência da contribuição previdenciária”. Salienta que tais parcelas não possuem mandamento legal de incorporação ao salário, tratando-se de vantagem transitória, condicionada ao atingimento de metas estipuladas. Cita entendimentos judiciais no sentido. Sobre adicional de insalubridade, alega ser uma compensação financeira ao trabalho em condições que vulneram a saúde do trabalhador. Tem, portanto, natureza indenizatória de modo que não haveria incidência de contribuições sociais previdenciárias. Informa que o STJ se posiciona pela incidência da contribuição, no entanto, o TRF4 possui decisão favorável à tese. Quanto ao adicional de periculosidade, informa que é devido às funções que implicam contato com inflamáveis, explosivos, energia elétrica, radiações ionizantes ou substâncias radioativas, face ao risco de vida. Gozaria, portanto, de natureza indenizatória, também não sofrendo incidência de contribuições previdenciárias, conforme entendimento do TRF1. Sobre o adicional noturno, informa que a Convenção 171 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aprovada pelo Decreto 5.005/2004, reconhece natureza compensatória a esse pagamento. Assim, restaria evidente que tal pagamento seria indenizatório, não constituindo salário-de-contribuição. Cita julgado aduzindo que tal rubrica não se incorpora ao vencimento nem é auferida na aposentadoria. Em seguida, demonstra que o STJ realinhou sua jurisprudência face decisões do STF sobre horas extras e terço constitucional de férias. “A primeira seção do STJ, que até então considerava a incidência da contribuição legítima, acolher o incidente de uniformização suscitado pela Fazenda Nacional e modificou seu entendimento sobre a questão”. Informa do indeferimento de pedido de suspensão de tutela antecipada, postulado pela União no STF, contra decisão que determinava a não incidência de contribuição social previdenciária sobre o terço constitucional de férias (decisão de 4/2010). Repisa que o STF “possui remansosa jurisprudência que não incide a contribuição previdenciária sobre o ‘terço constitucional de férias’, ‘horas-extras’ e Fl. 1284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 9 ‘demais adicionais’ e parcelas que não se incorporam ao salário do servidor para fins do cálculo de aposentadoria”. Cita a existência dos seguintes recursos extraordinários em rito de repercussão geral afetos ao tema: RE 593.068; e RE 576.967-4. Relata, em seguida, a expedição de liminares e sentenças de juízos de primeiro grau adotando o entendimento do STF sobre o terço constitucional de férias e o adicional de horas extras. Mostra também acórdãos dos TRF da 3ª e 5ª Região no mesmo sentido. Lista, em seguida, liminares, agravos de instrumento e sentenças obtidas em vários processos sobre o assunto. Alega que todas tratam das rubricas como “propter laborem”, levando à não incidência da contribuição. Cita decisão transitada em julgado relativa ao município de Araraquara. Aduz que a Receita Federal não pode mais divergir de entendimentos do STF e STJ, de acordo com o previsto na Lei 12.844/2013. Cita também o Parecer PGFN/CDA/CRJ 396/2013 sobre a vinculação administrativa dos órgãos da União e fala sobre a tramitação que os processos judiciais têm obtido. Discorre, em seguida, sobre o direito à compensação administrativa sem anuência do Judiciário ou da RFB. Alega permissão legal para a compensação realizada. Cita o art. 170 do CTN e o art. 66 da Lei 8.383/1991, com alterações posteriores. Entende que tal negativa equivale a confisco. Disserta que seu direito à restituição se encontra albergado no art. 165 do CTN, e faz análise do contido no dispositivo. Cita decisão do STJ confirmando que a iniciativa da compensação é do contribuinte. Entende que a liquidez do crédito é aferida pelas guias de recolhimento do tributo e a certeza “decorre da indevida aplicação do preceito normativo”. Preleciona que o ordenamento civil estabelece os seguintes requisitos para a compensação: reciprocidade das obrigações, liquidez e certeza das dívidas, exigibilidade dos direitos e homogeneidade delas. Cita, então, o art. 89 da Lei 8.212/1991 informando que não há mais restrição à compensação da totalidade do crédito. Demonstra a existência de regulamentação através dos artigos 44 a 47 da Instrução Normativa RFB 900/2008 onde as únicas exigências seriam existência de créditos, situação regular, e informação da compensação em GFIP. Não haveria o impedimento disposto no art. 170-A do CTN nessa Instrução Normativa. Não havendo o impedimento, não poderia a autoridade fiscal dele se utilizar. Entende que qualquer restrição ao disposto na Lei 8.383/1991 feriria o princípio da legalidade e da moralidade administrativa. Alega que entende que o instituto da compensação iguala Fisco e contribuinte, e a proteção à propriedade impede que o aquele coloque empecilho na compensação, por enriquecimento sem causa. Fl. 1285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 10 Assim, “a compensação de tributos não pode ser restringida por nenhum diploma infralegal” e cita que seu direito se ampara no art. 66 da Lei 8.383/1991 c/c o art. 44 da Instrução Normativa RFB 900/2008. Aduz que “exigir que o contribuinte somente possa efetuar compensações de valore pagos a maior indevidamente mediante ‘decisão judicial transitada em julgado’ e ‘após a homologação do crédito pela RFB’, contraria e afronta literalmente as jurisprudências emanadas pelo ‘STF – Supremo Tribunal Federal e STJ – Superior Tribunal de Justiça’, os guardiões e intérpretes da ‘Constituição Federal e CTN’”, além de contrariar a própria legislação de regência citada. Informa que pleiteou no mandado de segurança “única e exclusivamente a concessão do direito líquido e certo já pacificado pelo ‘STF – Supremo Tribunal Federal’, de não incidir a contribuição previdenciária patronal sobre as verbas que não irão integrar os proventos de aposentadoria do servidor”. Não solicitou o direito a compensação porque a legislação já ampara esse direito, conforme já citado. Daí a desnecessidade de requerê-lo judicialmente. Alega que o art. 170-A do CTN apenas tem cabimento com “a existência de ‘ação judicial’, com ‘pedido’ específico requerendo em juízo, que ‘seja concedido o direito à compensação’ dos créditos apurados”. Por este motivo, não se lhe aplicaria a restrição do citado artigo nem a necessidade de manifestação do Judiciário “quando se tratar de compensações efetuadas por conta e risco do contribuinte com base na ‘Lei nº 8.383/91 – art. 66’ e legislações posteriores”. Cita decisões do STF e STJ no sentido de ser prerrogativa do contribuinte a compensação nos termos da Lei 8.383/1991. Alega que as Delegacias de Julgamento e as Câmaras do Conselho de Contribuintes têm decidido no sentido de que a compensação consiste em procedimento facultativo, que não necessita de qualquer autorização administrativa ou judicial. Em seguida aduz que as hipóteses de fraude, sonegação ou conluio pressupõem “elemento objetivo de impedir o fato jurídico tributário a ensejar a cobrança do tributo”. Como a compensação implica confissão de dívida, descaracterizada estão as hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964 e, portanto, indevida a multa de 150%. Pede a homologação das compensações efetuadas. Junta demonstrativos dos cálculos empreendidos nas apurações, cópias de resumos de folhas de pagamento, peças judiciais. Em seguida, sobre prescrição, narra que os indébitos ocorridos após a Lei Complementar 118/2005 tem por prazo cinco anos contados do pagamento indevido. Os anteriores seguiriam o entendimento do STJ, que dava 5 anos após os primeiros 5 anos desde a ocorrência do fato gerador. Fala, então, da inconstitucionalidade constatada na citada Lei Complementar e na solução preconizada pelo STJ, que afastou o caráter de lei interpretativa que lhe era dado. Fl. 1286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 11 Assim, o direito do município “em efetuar a compensações dos valores recolhidos para cargos eletivos, utilizando-se o prazo decenal (10 anos) é pacífico”. Entende que o STF perfilha o mesmo entendimento e que o impugnante goza do direito da compensação no prazo citado. Discorre, então, sobre a repercussão geral no tema relativo à apuração de base de cálculo de contribuições previdenciárias para verbas que não repercutem na aposentadoria do servidor público. Alega que, a partir da inclusão do art. 26-A no Decreto 70.235/1972 pela Lei 11.941/2009, deve a administração tributária internar decisões do STF em decisão plenária final. Cita a Portaria CARF 1/2012, que determina o sobrestamento dos julgamentos administrativos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) nos casos de sobrestamento judicial pelo STF. Demonstra que “as verbas as quais o município utilizou para efeito de compensação, com débitos vincendos previdenciários e glosados pelo auditor fiscal, [...], são as mesmas as quais o ‘STF – Supremo Tribunal Federal’ tem sistematicamente aplicado o ‘art. 543-B do CPC’, sobrestando todos os recursos até a análise de mérito do ‘RE nº 593.068 – Recuperação Geral’”. Transcreve o Parecer PGFN/CDA/CRJ 396/2013, que trata da influência das decisões sobre rito de recurso repetitivo e repercussão geral no âmbito da administração tributária. Pela Portaria CARF 1/2002, Parecer PGFN/CDA/CRJ 396/2013 e Lei 12.844/2013, art. 21, requer o sobrestamento da autuação até o trânsito em julgado das ações em repercussão geral no STF. Pede, ao final da peça inicial, a “anulação e o cancelamento” do lançamento, seja homologada as compensações efetuadas, suspensão da exigibilidade sobre a contribuição incidente sobre as rubricas impugnadas, aplicado o Parecer PGFN/CDA/CRJ 396/2013, os entendimentos em repercussão geral, o direito de obtenção de “CND” e não ter bloqueio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Junta diversas cópias atinentes a julgamentos judiciais e administrativos, normas legais e infralegais. Do Acórdão de Impugnação Na DRJ, primeira instância do contencioso tributário, lavrou-se a decisão a quo cujos fundamentos são pela improcedência dos pedidos deduzidos na impugnação, conforme teses sintetizadas na ementa alhures transcrita. Do Recurso Voluntário e encaminhamento ao CARF No recurso voluntário o sujeito passivo, reiterando termos da impugnação, postula a reforma da decisão de primeira instância, a fim de cancelar o lançamento de ofício lavrado pela autoridade fiscal. Fl. 1287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 12 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio para este relator. É o que importa relatar. Passo para a fundamentação do voto analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, ao final, consignar o encaminhamento com o registro do dispositivo. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 06/10/2017, e-fl. 1.232, protocolo recursal em 07/11/2017, e-fls. 1.265/1.266, e despacho de encaminhamento, e-fl. 1.275), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF nº 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. Como informado em linhas pretéritas, a controvérsia é relativa a vindicado autodeclarado direito creditório glosado (excluído e não reconhecido – “glosa de compensação”) pela autoridade administrativa na origem. O contribuinte sustenta se tratar de créditos líquidos e certos, a partir de compensações declaradas e efetivadas por meio de GFIP. Argumenta que apurou créditos provenientes de pagamentos a maior e indevidos sobre as verbas de natureza jurídica indenizatória/compensatória na ordem de totalizando R$ 1.052.823,38. Alega que os vindicados créditos decorrem das seguintes verbas recolhidas indevidamente no seu entender (algumas com judicialização quanto à natureza jurídica): • Horas extras (tema judicializado); Fl. 1288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 13 • Férias 1/3 (tema judicializado) – férias gozadas [a glosa foi tratada no Processo nº 10825.721356/2013-63, julgado nessa mesma sessão] (tema judicializado); • Adicional noturno (tema judicializado); • Insalubridade (tema judicializado); • Gratificação; • Função Gratificação; • Sexta parte. A glosa de compensação foi lavrada em 24/06/2013. O contribuinte havia ingressado, em 16/03/2011, com mandado de segurança preventivo com pedido de medida liminar (Processo nº 0002211-13.2011.4.03.6108). Na ocasião da compensação não havia o trânsito em julgado da ação judicial. As compensações foram realizadas a partir da competência 11/2010 até 09/2011 e a ação judicial interposta em 03/2011. Foi aplicada multa de mora (Lei nº 8.212, art. 89, §9º) e não houve a aplicação de multa isolada de 150% nestes autos. A glosa de compensação nestes autos se relaciona com as verbas sem discussão judicial (Gratificação; Função Gratificação; Sexta parte) e com aquelas discutidas em juízo nas quais o contribuinte estava perdendo a ação judicial (Horas Extras; Adicional Noturno; Insalubridade). No Processo Administrativo Fiscal nº 10825.721356/2013-63 (julgado nessa mesma sessão) se discute sobre a verba do terço constitucional. O contribuinte alega que as verbas eram tratadas em Mandado de Segurança sem trânsito em julgado, mas isso não seria óbice, pois devem ser reconhecidos e se pode compensar administrativamente. Em suma, trata-se de autos sobre glosa de compensação em GFIP. A glosa dos alegados direitos creditórios ocorreu por ausência de liquidez e de certeza em razão da ausência de trânsito em julgado do processo judicial na época da transmissão e compensação em GFIP ou por ausência de discussão judicial e, neste caso, por ter sido declarado e reconhecido em primeiro momento a verba como remuneratória e não haver base legal para negar a condição originária do recolhimento. Os créditos em si do que foi debatido em juízo, relativo à discussão da natureza das verbas mencionadas, por serem objeto de debate judicial, não serão objeto de deliberação neste voto. Quanto aos créditos não debatidos em juízo (Gratificação; Função Gratificação; Sexta parte), é certo que são de natureza remuneratória e não há qualquer base legal ou judicial Fl. 1289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 14 para rechaçar a sua natureza que, inclusive, em primeiro momento, quando do recolhimento, foi declarado como remuneratório pelo sujeito passivo. Neste momento, quanto as verbas que foram discutidas no Judiciário, devem-se debater exclusivamente se o contribuinte já poderia proceder com a compensação sem ter ocorrido o trânsito em julgado, aliás este é um dos motivos determinantes pelo qual ocorreu a glosa e foi lavrado o lançamento. Muito bem. Não assiste razão ao recorrente, haja vista que o trânsito em julgado é condição necessária ao aproveitamento de qualquer vindicado crédito. Ainda que tenha sentença favorável, se não transitar em julgado, não se pode aproveitar quaisquer créditos. Indiretamente, a Súmula CARF nº 206 já assenta e torna pacífico o posicionamento administrativo, uma vez que o referido enunciado entende correta a aplicação de multa isolada quando se compensa antes do trânsito em julgado. De qualquer sorte, neste específico caderno processual não se tem debate de multa isolada. O comentário é meramente por argumentar neste momento. A aplicação da súmula é exclusivamente para a multa isolada. O lançamento de ofício ocorreu em razão de glosa de compensação e o principal motivo (para os créditos discutidos judicialmente) foi a não ocorrência de trânsito em julgado da decisão judicial. O procedimento de compensação impõe a necessidade do trânsito em julgado quando se tem o debate em juízo e o contribuinte, ainda assim, insistiu com o procedimento compensatório de forma inadvertida. A compensação é procedimento para créditos líquidos e certos. Não é procedimento para créditos em tese ou em discussão, ainda sem certeza e sem liquidez. Este é o ponto nefrálgico da lide para tais verbas. Ademais, o momento da certeza e da liquidez deve ser aferido no momento da transmissão da GFIP e não há qualquer tempo. Apenas um efetivo pagamento a maior ou indevido em termos incontroversos (por exemplo, crédito inequívoco decorrente de erro de recolhimento ou duplo recolhimento) ou um crédito dado a partir de decisão transitada em julgado são passíveis de compensação autodeclarada. Tudo isso deve ser aferível no momento da transmissão da GFIP. O atributo de certeza não decorre somente de o contribuinte entender haver indícios suficientes de sua certeza, mas essa certeza deve ser necessariamente bilateral. Daí que ele tem que ser inequívoco ou ter sua certeza aferida por uma autoridade competente em caráter imutável, como no caso de uma decisão judicial transitada em julgado ou uma decisão administrativa definitiva. Não foi a situação observada e é, por isso, que se justifica a glosa e a consequente exigência do débito confessado que findou por consequência não compensado. Fl. 1290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 15 Em sendo um crédito ainda incerto, há a necessidade de torná-lo certo, o que se faz, no âmbito administrativo, por meio de um procedimento de reconhecimento de direito creditório diverso da compensação. No caso prático em concreto os créditos autodeclarados e aproveitados para compensar não gozam dos atributos necessários que os habilitem à compensação, especialmente em cenário de ação sem trânsito em julgado. Adicionalmente, como bem destacou a decisão recorrida: Inicialmente, necessário se pontuar que o salário-de-contribuição, base de cálculo da contribuição social previdenciária, é definido no art. 28 da Lei 8.212/1991 (art. 214 do RPS) como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. As exceções são expressamente consignadas no dispositivo. (...) Saliente-se, inicialmente, que é vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme art. 59 do Decreto 7.574/2011. Deve, portanto, a presente análise pautar-se integralmente dentro da legalidade determinada pelo art. 3º do CTN c/c art. 2º, caput, da Lei 9.784/1999 e, especialmente, o art. 37 da Constituição da República. (...) (...). No caso presente, ainda que possam ser estatutários os empregados municipais, o seu regime previdenciário é o Regime Geral da Previdência Social (RGPS), regulado pela Lei 8.212/1991 no que diz respeito ao seu custeio. (...) Quanto às horas extras, estão são subsumidas ao conceito básico de salário- de-contribuição, vez que são pagamentos destinados a retribuir o trabalho pelos serviços prestados ou pelo tempo à disposição do segurado. (...) Abonos únicos e gratificações eventuais, de acordo com o contido no RPS e já citado anteriormente, dependem de desvinculação do salário expressa em lei, o que não ocorre para as hipóteses lançadas pela impugnação. Não há conformação também para os adicionais de insalubridade e periculosidade às hipóteses de exclusão da base de cálculo de contribuições prevista no art. 28 Fl. 1291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 16 (...) Não obstante os entendimentos administrativos acima descritos, a existência de ação judicial com mesmo objeto importa, nos termos do art. 87 do Decreto 7.574/2011, em renúncia ao contencioso administrativo. (...) Assim, as verbas que não foram objeto de ação judicial e foram utilizadas em compensação, por serem componentes do salário-de-contribuição, assim como aquelas cuja ação judicial não excluiu da base de cálculo, a saber, hora extra, insalubridade, abono noturno, abono gratificação, abono função gratificada, abono sexta parte, devem ser glosadas, em conformidade com a autuação. Por outro lado, de fato, a compensação do que submetido ao Judiciário encontra óbice incontornável no art. 170-A do CTN. Nesse caso, toda e qualquer compensação realizada antes do trânsito em julgado das rubricas lá discutidas encontram-se em desconformidade com o comando legal. Por hierarquia legal, não há dispositivo constante da Lei 8.383/1991, ou outra que trate de compensação, que tenha o condão de afastar a restrição determinada no CTN. Quanto à insurgência contra a multa, esta não tem cabimento no presente lançamento uma vez que este somente possui multa de mora. No caso da prescrição alegada, tem-se que o STF, através do RE 566.621, sedimentou o entendimento de que a conclusão anterior quanto ao prazo de compensação ou restituição aplicar-se-ia para as ações judiciais ajuizadas até 9/6/2005, ou seja, até o fim da vacatio legis da Lei Complementar 118/2005. Esse entendimento vinculou a RFB nos termos da Nota PGFN/CRJ 1.217/2014. Como a compensação efetuada e a ação postulada não se situam no prazo consignado, não haveria que se verificar a impossibilidade da lavratura efetuada. Por último, quanto ao pedido de sobrestamento com fulcro no Parecer PGFN/CDA/CRJ 396/2013, entre outros, temos que não há, nestes, previsão de sobrestamento do rito do processo administrativo fiscal pelo motivo preconizado. De fato, o Decreto 7.574/2011, em seu art. 86, §2º, apenas prevê, para os casos de lançamento na existência de medida liminar em mandado de segurança ou de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, que não se pratique atos executórios, seguindo o curso normal, no restante. Tendo em vista que o impugnante questiona matéria distinta do presente na ação judicial (direito de compensar fora da restrição do art. 170-A do CTN, sobrestamento da autuação, rubricas como abono gratificação, função gratificada e sexta parte), o curso do processo terá prosseguimento nos termos do art. 87, parágrafo único do Decreto 7.574/2011. Fl. 1292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 17 Demais disto, importante dizer que a Administração Tributária não descumpriu qualquer comando de recursos repetitivos do STJ e de Repercussão Geral do STF, uma vez que o motivo da glosa foi a utilização de créditos discutidos em ação judicial sem trânsito em julgado ou de verbas sem natureza efetivamente indenizatória no momento da compensação em GFIP para aquelas verbas que sequer possuíam discussão judicial. Antes de se averiguar qual a origem do crédito em si mesmo, observou-se que os créditos vindicados foram postulados em mandado de segurança em juízo e que antes do trânsito em julgado se efetivou a compensação, a qual é vedada antes da decisão se tornar definitiva, o que é cogente a partir da normatividade do art. 170-A do CTN. É, por isso, por conta do óbice procedimental, com previsão em lei (CTN, art. 170-A) ou com previsão nas disposições da decisão judicial no sentido de só compensar após o trânsito em julgado, que houve a glosa e de forma correta. Ademais, não é caso de tratar em contencioso administrativo fiscal sobre a natureza do vindicado direito creditório em tais condições, pois há óbice antecedente que impede processar e homologar a compensação com créditos discutidos no Poder Judiciário sem trânsito em julgado, sobremais a natureza jurídica será deliberada em definitivo pelo Poder Judiciário. Outro ponto importante a observar é que nas operações de compensação o sujeito passivo confessa débitos e declara seus vindicados créditos. No caso, a fiscalização não acatou a compensação porque glosou os alegados créditos em razão do óbice intransponível de se relacionarem com discussão judicial sem trânsito em julgado ou porque haviam verbas sem qualquer processo judicial e que por lei ou regulamento são consideradas remuneratórias, logo apenas com ação judicial poderia se desconstituir a sua natureza jurídica. Quanto as partes confessadas (os débitos declarados), e que acabam sendo exigidas, constituídas, inclusive, para prevenir decadência, elas são dívidas de contribuições correntes (presentes) reconhecidas pelo contribuinte. Logo, não se confundem com os vindicados créditos (fatos passados). Adicionalmente, é controvertido o contribuinte confessá-los como débito e pretender por eventualidade discutir que o débito confessado também eventualmente não seria base de cálculo de contribuições. Vale dizer, em regra, o contencioso presente é para tratar sobre a glosa (exclusão, não reconhecimento) do autodeclarado direito creditório em GFIP que o contribuinte diz possuir como sendo líquido e certo. A consequência da glosa (exclusão, não reconhecimento) do autodeclarado direito creditório em GFIP que o contribuinte diz possuir é a exigência dos débitos confessados, os quais seriam quitados pela compensação em GFIP autodeclarada com o uso do vindicado direito creditório que se declarou ser titular em razão de certeza e liquidez. Fl. 1293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 18 No caso dos autos a alegada certeza e liquidez não existem. O crédito é controverso, especialmente no momento do fato da transmissão em GFIP, quando já deveria ser líquido e certo, sendo o ponto de corte a observar. Fato é que o recorrente não demonstra liquidez e certeza necessários. Há deficiência na lógica com a qual efetivou a compensação. No caso, tem-se, ainda, especialmente, a ausência do trânsito em julgado ou ausência de processo para verbas reconhecidamente remuneratórias. Em pedido de compensação é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. A prova da origem dos créditos compete sempre ao contribuinte, em casos de créditos vindicados. Exige-se elementos de prova concretos, substanciais, não apenas circunstanciais; há exigência de dialeticidade entre os meios probatórios e os elementos dos autos, com concretude e substância e confronto comparativo, competindo ao recorrente bem demonstrar por meio de escrita fiscal e contábil e da análise comparativa com as provas dos autos toda a concatenação dos créditos que diz estarem constituídos em seu favor com certeza e liquidez. São necessários o detalhamento, a articulação, o aclaramento e a devida fundamentação e demonstração da composição. A demonstração analítica integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Além disso, não se apresenta eventual diligência ou perícia, por si só, em primeira instância ou em fase recursal no CARF, como meio para substituir o dever probatório da parte, daí a Súmula CARF nº 163: “O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021)”. Se o recorrente não faz a demonstração mínima de suficiência probatória dos alegados créditos, não lhe assiste razão e não é obrigação determinar perícia ou diligência, se o julgador já pode decidir a matéria exclusivamente de direito com a prova dos autos. No caso concreto, não há demonstração de efetivo direito creditório no caderno processual que se apresenta instruído a tempo e modo, com os ônus processuais da distribuição do dever probatório e sob o crivo da preclusão consumativa e temporal. É circunstância de todos conhecida que a compensação não se homologa quando não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributário-previdenciária e no CTN. Para que se tenha a compensação torna-se necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir, que serve ao encontro de contas para compensar) seja líquido e certo. Cuida-se de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer o reconhecimento do direito creditório e, por consequência, não ocorre a compensação com quitação do débito confessado em GFIP. Fl. 1294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 19 O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Ao se alegar a existência de certeza e liquidez, deve ser disponibilizado todo o raciocínio que gerou o direito creditório; e, também, o percurso até atingir o montante vindicado, para reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação da suficiência do crédito; e em caso de processo judicial se impõe o trânsito em julgado. A demonstração criteriosa do suposto direito a crédito é uma exigência para se confirmar o indébito e homologar o que tenha sido compensado. Todavia, não demonstrado pelo contribuinte a certeza e a liquidez resta correto o procedimento da autoridade fiscal em negar o reconhecimento do crédito. Em matéria de compensação de contribuições sociais, há de ser observado o disposto no art. 89, da Lei nº 8.212, que, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, vigente para o período envolvido no presente litígio, expressamente, prevê: somente serão restituídas ou compensadas contribuições sociais, tratadas na citada lei de custeio, “nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Em nenhum momento ficou comprovado no feito tratar-se de direto creditório oriundo de pagamentos/recolhimentos indevidos de contribuições sociais para uma situação incontroversa ou com trânsito em julgado para questões controvertidas. Logo, não há amparo legal à compensação entabulada. Os comandos elencados pela defesa não lhe socorrem. Lado outro, em relação aos débitos confessados, que não foram compensados em razão da glosa do direito creditório não reconhecido, tem-se que lembrar e destacar que, em medida particular e voluntária, na GFIP, o contribuinte confessa os valores como sendo devidos. Além do mais, não se pode pretender cancelar a exigência dos débitos confessados sob o argumento de que a compensação prevista no art. 66 da Lei nº 8.383 autoriza o procedimento que se executou administrativamente, como se houvesse uma faculdade legal concedida por lei para compensar na via exclusivamente administrativa créditos controvertidos sem trânsito em julgado, sem se confundir com o procedimento do art. 170 ou art. 170-A do CTN, que vão em conjunto exigir o trânsito em julgado. Não se pode pretender que o art. 170 ou art. 170-A do CTN somente se justifique se a compensação for executada pela Administração Tributária, quando o contribuinte solicita, limitando-se o sujeito passivo ao impulso oficial nestes casos, sendo ato exclusivo da Administração. Não é essa a correta leitura. O art. 170-A do CTN rege o procedimento dos autos, uma vez que a compensação foi vindicada em sua vigência. O dispositivo é claríssimo ao vedar a compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de discussão judicial, ainda que em mandado de segurança, antes do trânsito em julgado da decisão judicial: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado Fl. 1295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 20 da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lei Complementar nº 104, de 2001) Em virtude dessa norma, quando o interessado opta por judicializar determinados créditos (tributo alegado indevido) perante o Poder Judiciário, a compensação envolvendo os eventuais direitos creditórios provenientes da matéria discutida só pode ser realizada após o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva que seja favorável ao contribuinte. É assente que o condicionamento da compensação ao trânsito em julgado da decisão, previsto no art. 170-A do CTN, aplica-se a toda e qualquer modalidade de compensação e a todo e qualquer tipo de ação judicial. Isto porque, o Código Tributário Nacional dispõe sobre normas gerais – que devem ser respeitadas por toda a legislação tributária ordinária –, e o texto do art. 170-A não faz nenhuma ressalva, seja quanto à modalidade de compensação, seja quanto à modalidade de ação judicial. Além disso, no Recurso Repetitivo do STJ dado pelo REsp nº 1.164.452 (Tema 345) assentou-se que o art. 170-A se aplica aos procedimentos de compensação em geral após sua vigência. Veja-se: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp n. 1.164.452/MG, relator Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 25/8/2010, DJe de 2/9/2010) Fato é que o art. 170-A do CTN, que trata de direito material, não se contrapõe ao art. 66 da Lei nº 8.383, mas condiciona a compensação ao trânsito em julgado, sendo certo que a jurisprudência do STJ não diferencia a compensação no âmbito do lançamento por homologação (art. 66 da Lei nº 8.383) das demais hipóteses de compensação para efeito de incidência do disposto no art. 170-A do CTN. Acrescente-se, inclusive, que no Recurso Repetitivo do STJ (este também aplicável) dado pelo REsp nº 1.167.039 (Tema 346) assentou-se que: Fl. 1296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 21 TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170-A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170-A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp n. 1.167.039/DF, relator Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 25/8/2010, DJe de 2/9/2010) Isto é, a Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp nº 1.167.039, mediante o procedimento descrito dos Recursos Repetitivos, entendeu que o disposto no art. 170-A do CTN também se aplica às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. Portanto, mesmo para os mandados de segurança impetrado com vistas a declarar o direito à compensação tributária tem-se o reconhecimento da necessidade do trânsito em julgado. É o que, inclusive, pode-se extrair em trecho da ementa do Recurso Repetitivo REsp nº 1.365.095 (Tema Repetitivo 118) do qual se extrai: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. TESE FIRMADA SOB O RITO DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. ART. 1.036 E SEGUINTES DO CÓDIGO FUX. DIREITO DO CONTRIBUINTE À DEFINIÇÃO DO ALCANCE DA TESE FIRMADA NO TEMA 118/STJ (RESP. 1.111.164/BA, DA RELATORIA DO EMINENTE MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI). INEXIGIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO, NO WRIT OF MANDAMUS, DO EFETIVO RECOLHIMENTO DO TRIBUTO, PARA O FIM DE OBTER DECLARAÇÃO DO DIREITO À COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA, OBVIAMENTE SEM QUALQUER EMPECILHO À ULTERIOR FISCALIZAÇÃO DA OPERAÇÃO COMPENSATÓRIA PELO FISCO COMPETENTE. A OPERAÇÃO DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA REALIZADA NA CONTABILIDADE DA EMPRESA CONTRIBUINTE FICA SUJEITA AOS PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO DA RECEITA FEDERAL, NO QUE SE REFERE AOS QUANTITATIVOS CONFRONTADOS E À RESPECTIVA CORREÇÃO. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE A QUE SE DÁ PARCIAL PROVIMENTO. 1. Esclareça-se que a questão ora submetida a julgamento encontra-se delimitada ao alcance da aplicação da tese firmada no Tema 118/STJ (REsp. 1.111.164/BA, da relatoria do eminente Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, submetido a sistemática do art. 543-C do CPC/1973), segundo o qual é necessária a efetiva comprovação do recolhimento feito a maior ou indevidamente para fins de declaração do direito à compensação tributária em sede de Mandado de Segurança. 2. A afetação deste processo a julgamento pela sistemática repetitiva foi decidia pela Primeira Seção deste STJ, em 24.4.2018, por votação majoritária; de qualquer Fl. 1297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 22 modo, trata-se de questão vencida, de sorte que o julgamento do feito como repetitivo é assunto precluso. 3. Para se espancar qualquer dúvida sobre a viabilidade de se garantir, em sede de Mandado de Segurança, o direito à utilização de créditos por compensação, esta Corte Superior reafirma orientação unânime, inclusive consagrada na sua Súmula 213, de que o Mandado de Segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária. 4. No entanto, ao sedimentar a Tese 118, por ocasião do julgamento do REsp. 1.111.164/BA, da relatoria do eminente Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, a Primeira Seção desta Corte firmou diretriz de que, tratando-se de Mandado de Segurança que apenas visa à compensação de tributos indevidamente recolhidos, impõe-se delimitar a extensão do pedido constante da inicial, ou seja, a ordem que se pretende alcançar para se determinar quais seriam os documentos indispensáveis à propositura da ação. O próprio voto condutor do referido acórdão, submetido à sistemática do art. 543-C do CPC/1973, é expresso ao distinguir as duas situações, a saber: (...) a primeira, em que a impetração se limita a ver reconhecido o direito de compensar (que tem como pressuposto um ato da autoridade de negar a compensabilidade), mas sem fazer juízo específico sobre os elementos concretos da própria compensação; a outra situação é a da impetração, à declaração de compensabilidade, agrega (a) pedido de juízo específico sobre os elementos da própria compensação (v.g.: reconhecimento do indébito tributário que serve de base para a operação de compensação, acréscimos de juros e correção monetária sobre ele incidente, inexistência de prescrição do direito de compensar), ou (b) pedido de outra medida executiva que tem como pressuposto a efetiva realização da compensação (v.g.: expedição de certidão negativa, suspensão da exigibilidade dos créditos tributários contra os quais se opera a compensação). 5. Logo, postulando o Contribuinte apenas a concessão da ordem para se declarar o direito à compensação tributária, em virtude do reconhecimento judicial transitado em julgado da ilegalidade ou inconstitucionalidade da exigência da exação, independentemente da apuração dos respectivos valores, é suficiente, para esse efeito, a comprovação de que o impetrante ocupa a posição de credor tributário, visto que os comprovantes de recolhimento indevido serão exigidos posteriormente, na esfera administrativa, quando o procedimento de compensação for submetido à verificação pelo Fisco. Ou seja, se a pretensão é apenas a de ver reconhecido o direito de compensar, sem abranger juízo específico dos elementos da compensação ou sem apurar o efetivo quantum dos recolhimentos realizados indevidamente, não cabe exigir do impetrante, credor tributário, a juntada das providência somente será levada a termo no âmbito administrativo, quando será assegurada à autoridade fazendária a fiscalização e controle do procedimento compensatório. Fl. 1298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 23 6. Todavia, a prova dos recolhimentos indevidos será pressuposto indispensável à impetração, quando se postular juízo específico sobre as parcelas a serem compensadas, com a efetiva investigação da liquidez e certeza dos créditos, ou, ainda, na hipótese em que os efeitos da sentença supõem a efetiva homologação da compensação a ser realizada. Somente nessas hipóteses o crédito do contribuinte depende de quantificação, de modo que a inexistência de comprovação cabal dos valores indevidamente recolhidos representa a ausência de prova pré-constituída indispensável à propositura da ação mandamental. 7. Na hipótese em análise, em que se visa a garantir a compensação de valores indevidamente recolhidos a título do PIS e da COFINS, incidentes sobre a receita advinda da variação cambial das exportações, afastando-se as restrições previstas nos arts. 170-A do CTN e art. 26, § 3º, IX da Instrução Normativa/SRF 460/2004, o Tribunal de origem extinguiu o writ nesse ponto, sem resolução de mérito, com arrimo na pretensa insuficiência de documentação acostada, porquanto não demonstrado o efetivo recolhimento do tributo que se pretende compensar. 8. Ao assim decidir, o Tribunal de origem deixou de observar que o objeto da lide limitou-se ao afastamento de quaisquer atos ou restrições impostas pelo Fisco ao exercício do direito de compensar, e, nesse ponto, foi devidamente comprovada a liquidez e certeza do direito, necessária à impetração do Mandado de Segurança, porquanto seria necessário tão somente demonstrar que a impetrante estava sujeita ao recolhimento do PIS e da COFINS incidentes sobre receitas decorrentes de variações cambiais em suas exportações, cuja obrigatoriedade foi afastada pelas instâncias ordinárias. 9. Extrai-se do pedido formulado na exordial que a impetração, no ponto atinente à compensação tributária, tem natureza preventiva e cunho meramente declaratório, e, portanto, a concessão da ordem postulada só depende do reconhecimento do direito de se compensar tributo submetido ao regime de lançamento por homologação, sem as restrições impostas pela legislação tributária. Ou seja, não pretendeu a impetrante a efetiva investigação da liquidez e certeza dos valores indevidamente pagos, apurando-se o valor exato do crédito submetido ao acervo de contas, mas, sim, a declaração de um direito subjetivo à compensação tributária de créditos reconhecidos com tributos vencidos e vincendos, e que estará sujeita a verificação de sua regularidade pelo Fisco, em atividade fiscalizatória ulterior. 10. Portanto, a questão debatida no Mandado de Segurança é meramente jurídica, sendo desnecessária a exigência de provas do efetivo recolhimento do tributo e do seu montante exato, cuja apreciação, repita-se, fica postergada para a esfera administrativa. Portanto, perfeitamente cabível o presente Mandado de Segurança. [11]. No julgamento do Recurso Especial 1.167.039/DF, de relatoria do eminente Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJe 2.9.10, processado sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, assentou-se que a exigência de trânsito em julgado para fins de Fl. 1299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 24 compensação de crédito tributário, segundo a regra do art. 170-A do CTN, aplica- se às demandas ajuizadas após a entrada em vigor da LC 104/2001, ou seja, a partir de 11.1.2001. [12]. Recurso Especial da Contribuinte a que se dá parcial provimento, para reconhecer o seu direito à compensação dos valores de PIS e COFINS indevidamente recolhidos, após o trânsito em julgado, nos termos do art. 170-A do CTN e observada a prescrição quinquenal. [13]. Acórdão submetido ao regime do art. 1.036 do Código Fux, fixando-se a seguinte tese, apenas explicitadora do pensamento zavaskiano consignado no julgamento REsp. 1.111.164/BA: (a) tratando-se de Mandado de Segurança impetrado com vistas a declarar o direito à compensação tributária, em virtude do reconhecimento da ilegalidade ou inconstitucionalidade da anterior exigência da exação, independentemente da apuração dos respectivos valores, é suficiente, para esse efeito, a comprovação cabal de que o impetrante ocupa a posição de credor tributário, visto que os comprovantes de recolhimento indevido serão exigidos posteriormente, na esfera administrativa, quando o procedimento de compensação for submetido à verificação pelo Fisco; e (b) tratando-se de Mandado de Segurança com vistas a obter juízo específico sobre as parcelas a serem compensadas, com efetiva alegação da liquidez e certeza dos créditos, ou, ainda, na hipótese em que os efeitos da sentença supõem a efetiva homologação da compensação a ser realizada, o crédito do Contribuinte depende de quantificação, de modo que a inexistência de comprovação suficiente dos valores indevidamente recolhidos representa a ausência de prova pré-constituída indispensável à propositura da ação mandamental. (REsp n. 1.365.095/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 13/2/2019, DJe de 11/3/2019) Por conseguinte, não há dúvida de que as compensações efetuadas nas GFIPs das competências, transmitidas após a vigência do art. 170-A do CTN, eram indevidas, pois foram executadas antes do trânsito em julgado da decisão judicial relativa às contribuições questionadas judicialmente. O mandado de segurança é posterior a LC 104, de 2001 (vigente a partir de 11/1/2001). Sendo assim, sem razão o recorrente. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário Em apreciação racional com base na legislação tributária e processual, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, considerando o até aqui esposado e não observando desconformidade com a lei, nada há que se reparar no julgamento efetivado pelo juízo de piso. Neste sentido, em resumo, conheço do recurso voluntário e, no Fl. 1300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.384 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.721355/2013-19 25 mérito, nego-lhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como Voto. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros Fl. 1301DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11284795 #
Numero do processo: 10980.727039/2018-72
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014, 2015 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração.. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS. SÚMULA CARF N 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA NATUREZA TRIBUTÁVEL. Comprovado que os valores pagos a profissionais médicos, entre eles o contribuinte, sob a forma de distribuição de lucros pela participação nos quadros de pessoa jurídica, constituíram-se, na verdade, em remuneração por serviços prestados, cuja natureza é tributável, correta é a reclassificação desses rendimentos promovida pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO AO PISO LEGAL. Não demonstrados nos autos que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos art. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502, de 1964, não se justifica-se a imposição da multa qualificada de 150%. A omissão de rendimentos e a contabilização incorreta, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a fraude e a simulação dolosas praticadas, ou mesmo o intento à sonegação, suficientes à qualificadora da multa. Aplicação da Súmula CARF nº 14
Numero da decisão: 2002-010.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário em parte, deixando de conhecer das alegações de inconstitucionalidade e de violação a princípios constitucionais. Na parte conhecida rejeitar as prefaciais e, no mérito, dar parcial provimento no sentido de excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindo a penalidade ao patamar básico de 75%. Assinado Digitalmente André Barros de Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: ANDRE BARROS DE MOURA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202603

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014, 2015 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração.. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS. SÚMULA CARF N 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA NATUREZA TRIBUTÁVEL. Comprovado que os valores pagos a profissionais médicos, entre eles o contribuinte, sob a forma de distribuição de lucros pela participação nos quadros de pessoa jurídica, constituíram-se, na verdade, em remuneração por serviços prestados, cuja natureza é tributável, correta é a reclassificação desses rendimentos promovida pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO AO PISO LEGAL. Não demonstrados nos autos que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos art. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502, de 1964, não se justifica-se a imposição da multa qualificada de 150%. A omissão de rendimentos e a contabilização incorreta, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a fraude e a simulação dolosas praticadas, ou mesmo o intento à sonegação, suficientes à qualificadora da multa. Aplicação da Súmula CARF nº 14

turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10980.727039/2018-72

anomes_publicacao_s : 202603

conteudo_id_s : 7354454

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2002-010.168

nome_arquivo_s : Decisao_10980727039201872.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : ANDRE BARROS DE MOURA

nome_arquivo_pdf_s : 10980727039201872_7354454.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário em parte, deixando de conhecer das alegações de inconstitucionalidade e de violação a princípios constitucionais. Na parte conhecida rejeitar as prefaciais e, no mérito, dar parcial provimento no sentido de excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindo a penalidade ao patamar básico de 75%. Assinado Digitalmente André Barros de Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2026

id : 11284795

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:08 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862166635092115456

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-03-31T07:04:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-03-31T07:04:51Z; Last-Modified: 2026-03-31T07:04:51Z; dcterms:modified: 2026-03-31T07:04:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-03-31T07:04:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-03-31T07:04:51Z; meta:save-date: 2026-03-31T07:04:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-03-31T07:04:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-03-31T07:04:51Z; created: 2026-03-31T07:04:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2026-03-31T07:04:51Z; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-03-31T07:04:51Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10980.727039/2018-72 ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 20 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE FREDERICO URZEDA DE CASTRO ALVES PIRES INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014, 2015 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração.. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS. SÚMULA CARF N 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA NATUREZA TRIBUTÁVEL. Comprovado que os valores pagos a profissionais médicos, entre eles o contribuinte, sob a forma de distribuição de lucros pela participação nos quadros de pessoa jurídica, constituíram-se, na verdade, em remuneração por serviços prestados, cuja natureza é tributável, correta é a reclassificação desses rendimentos promovida pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO AO PISO LEGAL. Não demonstrados nos autos que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos art. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502, de 1964, não se justifica-se a imposição da multa qualificada de 150%. Fl. 390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 2 A omissão de rendimentos e a contabilização incorreta, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a fraude e a simulação dolosas praticadas, ou mesmo o intento à sonegação, suficientes à qualificadora da multa. Aplicação da Súmula CARF nº 14 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário em parte, deixando de conhecer das alegações de inconstitucionalidade e de violação a princípios constitucionais. Na parte conhecida rejeitar as prefaciais e, no mérito, dar parcial provimento no sentido de excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindo a penalidade ao patamar básico de 75%. Assinado Digitalmente André Barros de Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Física - AI com os respectivos Demonstrativos (fls. 258/267) e o Relatório Fiscal (fls. 246/257), partes integrantes e indissociáveis do AI, exigindo o recolhimento do crédito tributário. Da ação fiscal restou a constatação de: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Fatos Geradores: Anos-calendário 214 e 2015 Multa: 150,00 % Fl. 391DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 3 Relatório Fiscal (fls. 246/257). Intimado o Contribuinte apresenta sua Impugnação (fls. 274/293). A 8ª Turma da DRJ/POA por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação em acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2014, 2015 ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É de se rejeitar a alegação de cerceamento de defesa quando os fatos que ensejaram o lançamento se encontram corretamente descritos e tipificados no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal e estão presentes nos autos todos os elementos necessários à elaboração da impugnação, tendo sido oferecida ao litigante, seja durante o curso da ação fiscal, seja na fase de impugnação, ampla oportunidade de se manifestar e de apresentar provas que elidissem a autuação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA NATUREZA TRIBUTÁVEL. Comprovado que os valores pagos a profissionais médicos, entre eles o contribuinte, sob a forma de distribuição de lucros pela participação nos quadros de pessoa jurídica, constituíram-se, na verdade, em remuneração por serviços prestados, cuja natureza é tributável, correta é a reclassificação desses rendimentos promovida pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. No caso em exame, tendo sido comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido, cabível é a aplicação da multa qualificada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 07/05/2019, o sujeito passivo interpôs, em 03/06/2019, Recurso Voluntário, pede a improcedência do lançamento reiterando sua impugnação, assim resumida no relatório da decisão de piso: Primeiramente são relatados os fatos, ressaltando que conforme se infere do Auto de Infração em questão, toda a fundamentação utilizada para constituir o crédito discutido e atribuir ao Impugnante suposto intuito de fraude, baseia-se em procedimento fiscal realizado contra a empresa GLOBO MED Serviços Médicos Ltda, procedimento este do qual o Impugnante jamais fez parte ou teve conhecimento prévio. Fl. 392DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 4 Que já de início houve clara ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa durante a fase investigativa do procedimento fiscal em face do Impugnante. Conforme consta no próprio relatório fiscal o impugnante não teve conhecimento de fatos ou até mesmo do procedimento investigatório em si, uma vez que não recebeu qualquer intimação para prestar esclarecimentos, assim, sequer poderia omitir informações que não lhes foram solicitadas, contudo, fora penalizado com base em argumentos inverídicos e relacionados a outro procedimento fiscal do qual não é parte. Que segundo os fatos narrados no relatório fiscal que acompanha o Auto de Infração, a empresa GLOBO MED teria sido objeto da ação fiscal realizada pela DRF/Curitiba onde se constatou pagamentos a título de distribuição de lucros, os quais eram realizados aos médicos sócios, dentre eles, o impugnante. Que a DRF/Curitiba teria chegado à conclusão de que os médicos apenas teriam sido incluídos no contrato social para que prestassem serviços e os recebessem na forma de divisão de lucros, com a intenção de fraudar a Receita tendo a isenção de tributação. Assim, alega que era ocultada dolosamente a base de cálculo tributável e, em consequência, deixados de recolher tributos que incidiriam sobre ela. Que a fiscalização colacionou ao Auto de Infração de maneira resumida e sucinta suposto plano de contas da empresa GLOBO MED com o intuito de justificar sua conclusão de que ocorrera simulação pela empresa para atribuir aos pagamentos efetuados aos sócios a distribuição de lucros. Que todo o vasto relatório fiscal constante no Auto de Infração em questão, de forma equivocada, é reiterando a conclusão da DRF/Curitiba de que teria ocorrido fraude entre empresa e médicos, e de que os valores recebidos por estes últimos seriam referentes a prestação de serviços e não divisão de lucros. Que a fiscalização de forma absolutamente breve, refere-se ao procedimento fiscal no impugnante afirmando que o mesmo não teria dado atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, sendo que ele jamais o recebeu. Assim, concluiu irregularmente por penalizar o impugnante, contrariando os princípios do contraditório e ampla defesa, justificando-se única e exclusivamente com base no procedimento fiscal realizado na pessoa jurídica GLOBO MED, o qual não fez parte o impugnante e jamais tomou conhecimento prévio de todos os fatos, documentos e pareceres lá constantes. Alega que todos os valores foram declarados nas Declarações de Imposto de Renda dos anos-calendário 2014 e 2015, ou seja, não há qualquer tipo de omissão. Que de forma absurda, no demonstrativo de apuração detalhado consta como descrição das infrações a denominação "omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica". O Impugnante fazia parte do quadro social da empresa, sendo absolutamente permitido pela legislação Fl. 393DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 5 brasileira a forma de distribuição de lucros ocorrida, não havendo qualquer registro em carteira de trabalho, contrato de prestação de serviços ou qualquer comprovação que possa dar guarida ao absurdo enquadramento utilizado para a constituição de um crédito que se demonstra absolutamente ilegal. Em preliminar alega o cerceamento ao direito do contraditório e da ampla defesa e pede a nulidade do Auto de Infração. Primeiramente considera grave desrespeito ao preceito basilar da Constituição Federal, pois jamais foi intimado pessoalmente para ingressar ao feito administrativo e exercer seu direito de apresentar defesa ou tomar conhecimento prévio dos fatos, implicando nulidade de todo o procedimento a partir de sua instauração. Colaciona decisões judiciais. Também alega que praticamente a totalidade do relatório fiscal trata de procedimento fiscal realizado em face da empresa Globo Med Serviços Médicos Ltda, CNPJ 17.713.712/0001-41, o qual aparentemente tratava das obrigações tributárias daquela perante o Fisco, processo n° 10980.721028/2018-89. Que o Impugnante jamais fora intimado a respeito de tal procedimento fiscal, não possuindo conhecimento prévio de qualquer das matérias tratadas naqueles autos. Que sempre cumpriu corretamente com suas obrigações fiscais e previdenciárias, declarando de forma correta os valores recebidos da pessoa jurídica em questão, nunca havendo qualquer dolo ou intenção de fraude junto ao Fisco. Alega que a DRF/Curitiba efetuou o lançamento de crédito tributário por amostragem, e de ofício, sem contudo, sequer levar ao conhecimento do impugnante documentos comprobatórios e argumentos sob os quais ao mesmo deveria ter sido dado o direito de resposta antes de qualquer constituição de crédito. Entende que ocorreu o cerceamento do direito de defesa: a) pela completa negação de seu contraditório no procedimento fiscal n° 10980.721028/2018-89, realizada em face da empresa Globo Med; b) a falta de documentação da empresa em questão para que o autor pudesse se defender nos presentes autos; c) a falta de juntada de documentos obtidos pelo Fisco e que foram fundamentais para a lavratura dos autos de infração tendo em vista que ao Impugnante estão sendo atribuídas omissões de rendimentos que não ocorreram, e consequentemente infrações que não cometeu e com base única e exclusivamente em procedimento fiscal diverso do que àquele a que supostamente seria relativo à pessoa física do impugnante, uma vez que, sequer fora intimado. Requer também a nulidade dos lançamentos por amostragem e colaciona um trecho do relatório fiscal (fl. 282): "O presente procedimento verificou, por amostragem, o cumprimento das obrigações tributárias, resultando na lavratura dos documentos de lançamento abaixo especificados, onde consta o detalhamento do crédito tributário lançado de ofício, a intimação do sujeito Fl. 394DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 6 passivo para cumprir a exigência, a descrição dos fatos e enquadramento legal das irregularidade porventura observadas:(...)." Alega que nenhum arbitramento pode ser feito por amostragem e muito menos fundamentado por amostragem. A fiscalização teria o dever de demonstrar individualmente que todos os depósitos recebidos pelo Impugnante da empresa Globo Med não seriam derivados de divisão de lucros, não podendo utilizar-se de amostragem, e ainda, transferir o ônus da prova para o sócio e a empresa, e por fim, considerar como remuneração por prestação de serviços todos os depósitos recebidos pelo Impugnante em suas contas bancárias. Que o nosso ordenamento jurídico não acata o "arbitramento por amostragem". Ao arbitrar o lucro, a Administração já utiliza a "presunção legal" em seu nível extremo, máximo. Mas, ao "arbitrar por amostragem" estará sem dúvida, extrapolando o grau máximo da "presunção legal" e ingressando no campo da "arbitrariedade", a qual é ilegal e ilegítima. No mérito, alega que na condição de sócio da empresa Globo Med, recebia pagamentos a título de divisão de lucros, os quais eram variáveis conforme os lucros da empresa, pagos, acredita, dentro da disponibilidade de caixa da mesma, tendo em vista que as fontes de recursos, até onde tinha conhecimento, eram Prefeituras que constantemente atrasavam os repasses. Que jamais houve qualquer tipo de conluio do Impugnante com a empresa Globo Med com fins de simular ou fraudar, tampouco de declaração falsa, tendo em vista que o mesmo respondeu todos os questionamentos com base no conhecimento que possuía a respeito dos fatos, não cabendo à DRF simplesmente presumir que houve intenção de fraude (alegação constante na fl. 283). Que ele não fazia parte do departamento contábil e financeiro da empresa para que sequer pudesse ocultar informações da Receita Federal, nem mesmo possuindo documentação a respeito. Que a empresa é uma sociedade limitada e sua sócia, Srª. Rosa Maria Rogonni detém 99,34% das cotas da empresa e exercia a função de administradora da mesma. Que ao entender que houve "simulação utilizada pela empresa para atribuir aos pagamentos que efetuou aos sócios como se distribuição de lucros fossem", o Fisco estendeu ilegalmente tal entendimento e intenção fraudulenta aos sócios, sendo que, no caso do Impugnante o mesmo sempre declarou ao Fisco todos os valores recebidos. Não há qualquer comprovação de simulação realizada pelo Impugnante, Tampouco, não há qualquer ilicitude em pessoas físicas ingressarem no quadro social de uma sociedade limitada e terem, conforme previsto no contrato social, seus lucros distribuídos de forma desproporcional às quotas de capital social, como tenta fazer crer o Fisco. Que não havendo ilegalidade e diante da previsão legal da não tributação dos lucros dos sócios (art. 692 do Decreto 3.000/99), não há que se falar simulação da sociedade ao distribuir, legalmente, o lucro aos seus sócios. Que não houve, Fl. 395DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 7 qualquer fundamento legal que justificasse a alegação de ausência de vínculo societário entre a Globo Med e os médicos sócios participantes. Que ao contrário do que sustentou a Receita Federal do Brasil na autuação lavrada, o objetivo dos médicos ao se associarem à empresa em questão jamais o foi com a intenção de simular negócio jurídico para evitar a incidência de tributação. O próprio contrato social da empresa prevê a possibilidade de distribuição de lucros de forma desproporcional aos percentuais de participação do quadro societário (autorizado pelo art. 1007 do Código Civil). Além disso, nitidamente presente a "affectio societatis" , sendo possível afirmar que os serviços médicos foram prestados pela pessoa jurídica de responsabilidade limitada, que recolheria o IRPJ sobre a receita obtida e, ao final, distribuindo normalmente os lucros aos sócios como rendimentos isentos de tributação, o que, de fato ocorreu. Que não se pode olvidar que o art. 110 do CTN prevê que a norma tributária está impedida de alterar a definição, o conteúdo e o alcance tanto dos institutos como dos conceitos e formas de direito privado. Assim, não pode desconsiderar as peculiaridades das pessoas jurídicas e tratar a questão sob o prisma das relações trabalhistas ou de contratação de serviços autônomos, só porque é condição mais favorável ao Fisco e há arrecadação tributária, em razão da maior dificuldade de lidar com a situação nova, que foge do padrão normal de contrato e da rotina de fiscalização. Que nenhuma remuneração foi paga aos médicos participante na qualidade de prestadores de serviços autônomos, uma vez que os recursos a eles alcançados consistiram em distribuição de lucros da sociedade, e quando efetivamente disponíveis em caixa para distribuição. Se a pessoa jurídica cometeu alguma irregularidade, a mesma não pode ser estendida por simples presunção ao Impugnante. A sociedade constituída entre as partes atende ao requisito exigido pelo art. 987 do Código Civil, pois além da nítida existência de "affectio societatis", há documento escrito comprovando a constituição de uma sociedade entre a Globo Med e os médicos. Havendo permissão pétrea constitucional de livre associação, não havendo qualquer comprovação de irregularidade na atuação do Impugnante quando de sua participação no quadro social da pessoa jurídica Globo Med, tampouco de que os valores por ele recebidos não se tratavam de distribuição de lucros da referida empresa e, ainda, havendo a existência de previsão legal para a não tributação dos lucros; previsão legal da distribuição de lucros de forma desproporcional; ausência de ilegalidade no ingresso e retirada de sócios; impugna, no mérito, a totalidade do Auto de Infração, requerendo sua desconstituição total. Sobre a multa qualificada em 150%, entende que é absolutamente ilegal, pois jamais efetuou declaração falsa, omitiu ou ocultou informações, tampouco Fl. 396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 8 possuiu qualquer intenção dolosa com intuito de fraude e/ou simulação e muito menos conluio com quem quer que seja. Se tivesse quaisquer das intenções citadas, sequer teria declarado os valores recebidos da empresa Globo Med em suas declarações de imposto de renda. Salienta que não há prova de nenhum crime praticado pelo Impugnante, devendo prevalecer, como constitucionalmente previsto, a presunção de boa-fé e de inocência dos contribuintes nos julgamentos dos casos. Que o órgão acusador é que deve provar incontestadamente a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, e não o inverso, e tais comprovações jamais ocorreram no presente caso. Por outro lado, apenas a título de argumentação, pugna pelo caráter confiscatório de um valor tão elevado de multa, afrontando de forma integral o princípio da razoabilidade. Requer, por configurar-se ilegal e arbitrária a multa qualificada de 150%, a retirada por não haver fundamento legal para sua persistência. É o relatório VOTO Conselheiro André Barros de Moura, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo. Entretanto, dele não conheço em relação às arguições de inconstitucionalidade e violação de princípio constitucionais em razão da aplicação da Súmula CARF n. 2, segundo a qual: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O litígio versa sobre a Omissão de Rendimentos de pessoa jurídica e classificados como isentos. Tendo em vista que o recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), reproduzo no presente voto em parte a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto, salvo em relação a qualificação da multa de ofício: Da Arguição de Nulidade do Lançamento É afirmado que a nulidade reside no fato de que o Impugnante não recebeu intimação de início de procedimento fiscal para que pudesse apresentar esclarecimentos e documentos pertinentes ao caso. Além disso, o presente lançamento teve por base o procedimento fiscal levado a efeito Fl. 397DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 9 junto à empresa Globo Med, do qual jamais fez parte e não teve conhecimento prévio, acarretando o cerceamento do direito de defesa. A arguição de nulidade nos remete, inicialmente, às exigências para a validade do auto de infração, preconizadas no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que regula o processo administrativo fiscal, in verbis: “Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O Auto de Infração e o Relatório Fiscal, que é parte integrante e indissociável, atendem a todas as prescrições do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, posto que identifica por nome e CPF o autuado, foi lavrado na DRF Curitiba/PR, às 17 horas e 49 minutos do dia 28 de novembro de 2018 e descreve adequadamente os fatos que deram suporte ao lançamento, mencionando os procedimentos realizados Além disso, verifica-se que no Auto de Infração (fl. 259) foram relacionados mês a mês os valores apurados e apontadas detalhadamente as disposições legais infringidas. Também foi determinada a exigência fiscal com a respectiva intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo legal, contendo também a assinatura e matrícula do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) autuante. Não obstante, ainda que omissões dessa natureza tivessem ocorrido, elas não seriam suficientes para eivar de nulidade o Auto de Infração em comento. O próprio Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos, e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Da leitura dos dispositivos legais Fl. 398DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 10 anteriormente transcritos, depreende-se que somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Outras irregularidades não importariam nulidade. Simplesmente deveriam ser sanadas se capazes de prejudicar o contribuinte ou se influíssem na solução do litígio, circunstância que não se verificou nos autos, conforme se esclarece a seguir. (...) A fiscalização ao citar o processo n° processo n° 10980-721.028/2018-89 (caso Globo Med Serviços Médicos Ltda.) foi justamente para informar onde tinham sido obtidas as provas da análise contábil realizada (procedimento fiscal regular), demonstrando nos presentes autos os lançamentos contábeis específicos para o contribuinte em questão, justamente para não cercear o direito de defesa do mesmo. A correção do procedimento fiscal tanto junto a empresa envolvida, como junto ao contribuinte em questão, foi rigorosamente observada com a emissão do Termo de Início de Fiscalização (no presente caso, anexado às fls. 235/238) que, tendo sido devolvido por mudança no endereço do contribuinte, foi disponibilizado por Edital (fls. 240/244). Ressalte-se que mesmo após o Edital, por diligência efetuada pela fiscalização, o Termo de Início de Fiscalização foi enviado para o novo endereço do contribuinte, sem atendimento. Aliás, é responsabilidade do contribuinte manter atualizados seus dados cadastrais junto ao Fisco, de modo a possibilitar o correto envio de correspondência. Por outro lado cabe informar que o procedimento de ofício da fiscalização é levado a cabo à margem do conhecimento do contribuinte quando prescindir de informações complementares, em conformidade o regulado no art. 844 do Decreto 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda (vigente à época dos fatos): Art.844. O processo de lançamento de ofício, ressalvado o disposto no art. 926, será iniciado por despacho mandando intimar o interessado para, no prazo de vinte dias, prestar esclarecimentos, quando necessários, ou para efetuar o recolhimento do imposto devido, com o acréscimo da multa cabível, no prazo de trinta dias (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19). Assim, o procedimento para a consecução do lançamento de ofício será iniciado por intimação ao interessado – que foi feito – para prestar esclarecimentos, quando estes forem necessários. A contrario sensu, se a autoridade lançadora dispuser de todos os elementos necessários ao lançamento e entender Fl. 399DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 11 dispensável a intimação para prestar esclarecimentos, o processo de lançamento de ofício será iniciado sem a ciência prévia. E muito menos há que se falar em possibilidade de ciência prévia de procedimento fiscal levado a efeito em outra pessoa que não o autuado, no caso, pessoa jurídica da qual o Impugnante não era sócio majoritário e/ou administrador. A primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária, que busca obter elementos visando demonstrar a ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias relativas à exigência, atuando a fiscalização com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. No processo administrativo, o litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972). É a partir desse momento que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa e ao contraditório, com os meios e recursos a eles inerentes, nos termos do art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal. Logo, antes da impugnação, não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito de ofício pelo Fisco, sendo o ato do lançamento privativo da autoridade e não uma atividade compartilhada com o sujeito passivo (CTN, art. 142). O autuado teve conhecimento da existência do citado procedimento fiscal, tendo- lhe sido concedido o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta à intimação que recebeu (Aviso de Recebimento no novo endereço, anexado à fl. 245), argumentos e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Efetivamente, na fase processual, que se inicia com a impugnação tempestiva, pode o sujeito passivo exercer na plenitude o contraditório e o seu sagrado direito de defesa, trazendo as razões de fato e de direito que embasem suas pretensões, o que ocorreu no presente caso, pois está sendo exercido em sua plenitude na impugnação ora analisada, estando perfeito do ponto de vista formal, consoante as disposições legais do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Assim, não há razão para declarar a nulidade, quando, por meio da impugnação apresentada, o contribuinte revela ter conhecimento preciso da autuação que lhe foi imputada, já que contestou cada ponto da imposição fiscal, insurgindo-se não só com relação às questões preliminares, mas com relação ao mérito da autuação em si. Fl. 400DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 12 Quanto à alegação de que ao arbitrar o lucro, a Administração já utiliza a "presunção legal" em seu nível extremo, máximo, mas, ao "arbitrar por amostragem" estará sem dúvida, extrapolando o grau máximo da "presunção legal" e ingressando no campo da "arbitrariedade", a qual é ilegal e ilegítima, também não assiste razão ao Impugnante. A fiscalização trouxe aos autos especificamente a análise das contas contábeis que envolveram o autuado e lançou exatamente os valores a ele pagos/creditados pela Globo Med, não havendo nos autos "presunção legal" e menos ainda arbitramento por amostragem. Quando a fiscalização se refere à amostragem o faz em relação ao cumprimento das obrigações, ou seja, procede à verificação das Declarações de Ajuste Anuais dos sócios da GLOBO MED, resultando na lavratura de lançamentos nas pessoas físicas onde ocorreu omissão de rendimentos recebidos da referida pessoa jurídica. Apesar dos questionamentos do interessado, verifica-se que o lançamento em análise descreveu e demonstrou com clareza e precisão as irregularidades apuradas e o fato gerador do imposto de renda da pessoa física, tendo havido a perfeita adequação dos fatos descritos à hipótese de incidência capitulada pelo Fisco. E, contrariamente ao que afirma o impugnante, restou claramente evidenciado nos autos que os rendimentos por ele recebidos da GLOBO MED SERVIÇOS MÉDICOS LTDA. constituíram-se, na verdade, em remunerações por serviços prestados, ou seja, rendimentos produzidos pelo trabalho, revestindo-se de todas as características formais e legais de fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Na própria peça impugnatória é referido (fl. 283) que: "O ora impugnado, na condição de sócio da empresa Globo Med, recebia pagamentos a título de divisão de lucros, os quais eram variáveis conforme os lucros da empresa, pagos, acredita o contribuinte, dentro da disponibilidade de caixa da mesma, tendo em vista que as fontes de recursos, até onde tinha conhecimento, eram Prefeituras que constantemente atrasavam repasses". (grifei) Ora, o simples atraso no pagamento de valores advindos do cumprimento de contratos entre pessoas jurídicas, não é o que define o lucro apurado pela empresa prestadora dos serviços, nem a simples disponibilidade de caixa da empresa se confunde com a existência de lucros passíveis de serem distribuídos. Mais uma vez se evidencia que o contribuinte tinha conhecimento de que a Globo Med atuava como repassadora dos recursos advindos dos órgãos públicos com quem mantinha os contratos. O fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza é um acréscimo de patrimônio decorrente do capital, do trabalho, enfim, de qualquer ganho ou proveito auferido. A simples percepção pelo contribuinte (pessoa física) Fl. 401DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 13 de rendimentos do trabalho pagos por pessoa jurídica, sejam eles com ou sem vínculo empregatício, é suficiente para cristalizar e quantificar o aspecto material de incidência do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, descrito em sua regra matriz de incidência. Ocorrendo no mundo fático hipótese descrita em norma jurídica esta incide e faz nascer o fato gerador do imposto de renda. Destarte, constatado que o interessado teve ciência da descrição detalhada da infração imputada e da fundamentação legal que baseou a autuação, não se vislumbra prejuízo processual que tenha acarretado embaraço ao seu exercício do direito de defesa. Desta maneira, não há que se cogitar em a nulidade do auto de infração motivada pelo cerceamento de defesa, prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, sendo o lançamento válido e eficaz. Da Omissão de Rendimentos. Rendimentos Classificados Indevidamente O lançamento em apreço teve por escopo a constituição do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física decorrente da classificação indevida dos rendimentos recebidos pelo contribuinte da empresa GLOBO MED Serviços Médicos Ltda. nos anos-calendário de 2014 e 2015, que foram declarados no ajuste anual como isentos e não tributáveis. No que tange à natureza tributária dos rendimentos, as evidências coletadas pela fiscalização mostram que, ao invés de refletirem a apuração e distribuição de lucro pela sociedade, os montantes recebidos pelo autuado correspondiam a mera remuneração por serviços médicos prestados e que a denominação “lucro” não passou de uma farsa montada para burlar o Fisco. O Impugnante tece as afirmações de que sempre houve "affectio societatis", que sempre houve objetivo comum de lucro e que a formatação da pessoa jurídica ocorreu justamente para formalizar tal vínculo jurídico. Todavia, a alta admissão de sócios médicos e enfermeiros em datas próximas às contratações/convênios para prestação de serviços, a concentração da maior parte das cotas da sociedade nas mãos da sócia majoritária e administradora, Srª Rosa Maria Rogonni, e a ínfima participação dos demais sócios no capital social e no rumo da sociedade revelam a fragilidade do elo societário entre a GLOBO MED e os médicos. Tais elementos sugerem que o interesse das partes era atuar de forma isolada, não em sociedade, levando à conclusão de que o ajuste pactuado entre a pessoa jurídica e os sócios assemelhava-se mais a uma prestação laboral em troca de remuneração do que, propriamente, a uma relação societária. Observe-se a distribuição do capital social de R$ 320.000,00 contida na Cláusula 5ª - DO CAPITAL SOCIAL da 5ª Alteração do Contrato Social (fls. 59/60). Esse capital da sociedade permaneceu inalterado, como também já havia constado na Cláusula 5ª - DO CAPITAL SOCIAL da 2ª Alteração do Contrato Social (fls.33/34) no valor de R$ 320.000,00, havendo, como em todas as demais Fl. 402DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 14 ocasiões uma simples redistribuição de quotas no percentual de 0,01% para cada novo sócio, por cedência das quotas da sócia majoritária Rosa Maria Rogonni. Veja-se, por exemplo, que na 2ª Alteração Contratual ela detinha 98,86% do capital social (fl. 34) e na 5ª Alteração Contratual ficou com 98,58% (fl. 59). Já na 6ª Alteração Contratual o capital social continuou a ser R$ 320.000,00, sendo que a sócia majoritária ficou com 98,43% das quotas (fl. 91) Cabe ressaltar o observado pela fiscalização, ou seja, que foi constatada a contabilização de pagamentos a título de lucros distribuídos para diversas pessoas em datas anteriores ao ingresso na sociedade (lucros distribuídos para não sócios, também há médicos, sócios da empresa, que não prestaram serviços no período de 2013 a 2015, e que nada receberam a título de distribuição de lucros ou a qualquer título (veja-se no Anexo 1, fls.17/19). É o caso o Impugnante Sr. Frederico Urzeda de Castro Alves Pires, que ingressou na sociedade por meio da 7ª Alteração Contratual, assinada em 22/09/2014, mas em 01/08/2014 recebeu R$ 11.700,00; em 04/09/2014 recebeu 1.800,00 e em 10/09/2014 recebeu R$ 900,00, ou seja, recebeu "lucros" sem ser sócio, contabilizados sob o histórico "Pago Frederico U. de Castro Alves Pires" e "Pago Frederico Urzeda" (fl. 250). Verifica-se também que os valores recebidos são múltiplos de R$ 900,00, que, segundo já descrito por outros médicos sócios da GLOBO MED, seria o valor pactuado por plantão médico realizado. A partir da contabilidade da GLOBO MED, a fiscalização constatou que “os lucros” eram pagos aos “sócios” sem a demonstração de que a empresa os obteve no período e, algumas vezes, antes mesmo do efetivo ingresso dos sócios no quadro social da empresa, contrariando o disposto no art. 1.001 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), segundo o qual “as obrigações dos sócios começam imediatamente com o contrato, se este não fixar outra data, e terminam quando, liquidada a sociedade, se extinguirem as responsabilidades sociais.”. Verificou-se também que o pagamento se dava com base na carga de trabalho individual dos médicos. Em setembro/2014 o Impugnante assinou a 7ª Alteração do Contrato Social para fazer parte do quadro societário da empresa GLOBO MED, a qual havia formalizado em junho/2014 o contrato de prestação de serviços - Contrato n° 112/2014 (fls.221/227) com o Município de Campo Largo, para realização dos serviços de PLANTÃO MÉDICO clínico, pediátrico e SAMU/SIATE no CENTRO MÉDICO HOSPITALAR. Com o mesmo objeto foi formalizado o Contrato n° 216/2014, datado de 19/08/2014 (fls. 214/220). No dia anterior, em 18/08/2014 nova Alteração Contratual da GLOBO MED (6ª Alteração, fls. 69/102) foi realizada, para admissão (gratuita) de mais sócios médicos, por cedência das quotas da sócia majoritária Fl. 403DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 15 que teve suas quotas diminuídas para 98,43%, mantido o capital social inalterado de R$ 320.000,00. Relembrando que o Impugnante vinha recebendo valores da GLOBO MED, sob o título de "distribuição de lucros", desde 01/08/2014, ou seja, recebia "lucros" sem ser sócio da empresa. Cabe relembrar ainda a análise contábil realizada pela fiscalização e descrita no Relatório Fiscal (fls. 248): "Da análise do plano de contas, constatou-se que a empresa atribuiu uma conta específica para cada sócio, no grupo de despesas, sendo assim estruturado este grupo: (5) - despesas; (51) - despesas operacionais; (52) - resultado não operacional; (53) - provisões para impostos; (54) - participações; (541) - distribuição de lucros; (54101) - distribuição; (5410000) - conta do sócio". Relação das contas dos sócios relacionadas nas fls. 249/250. E mais adiante (fl. 250): "Da análise do plano de contas ficou evidente a simulação utilizada pela empresa para atribuir aos pagamentos que efetuou aos sócios, como se distribuição de lucros fossem. Os valores destinados ao sócio são lançados a débito das suas contas pessoais (conta de resultado), no reconhecimento da despesa, e a crédito da conta caixa, ou bancos, no pagamento. No final do exercício, o saldo existente é baixado integralmente a débito da conta de apuração do resultado ("resultado líquido final" conforme consta no plano de contas), ou seja, a empresa trata contabilmente os pagamentos que efetuou ao sócio como despesas ordinárias, em nada se assemelhando à distribuição ou antecipação de lucros conforme quer fazer crer pelo nome da conta e dos históricos dos lançamentos". (grifei) Os lançamentos relativos ao Sr. Frederico Urzeda de Castro Alves Pires estão demonstrados nas fls. 250/251. Ainda no Relatório Fiscal é relatado que (fl. 252): "No exercício de 2013 a empresa transferiu integralmente o lucro apurado para a conta de lucros acumulados, sendo que esta manteve o mesmo saldo ao longo do exercício seguinte. No exercício de 2014 efetuou a mesma operação, sendo que do saldo apurado nos exercícios de 2013 e 2014, R$ 1.545.018,21 (R$ 163.349,36 em 2013 + R$ 1.381.668,85 em 2014), transferiu R$ 860.000,00 para a conta de capital social, a título de "integralização de lucros acumulados no capital social". Ainda assim não efetuou nenhuma distribuição do lucro remanescente, mantendo o saldo de R$ 685.018,21 até o final do exercício". Veja-se que na 10ª Alteração Contratual (anexada no processo 10980 725.780/2018-07, fl. 104, mas de pleno conhecimento do contribuinte que a assinou) consta no Item 1.76 que: "O capital da sociedade que era de R$ 640.000,00 (seiscentos e quarenta mil reais), dividido em 640.000 (seiscentas e quarenta mil) quotas, no valor unitário de R$ 1,00 (um real), pela incorporação de parte das Reservas de Lucros Acumulados eleva-se para o valor de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos Fl. 404DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 16 mil reais), inteiramente subscrito e integralizado anteriormente, em moeda corrente nacional, dividido em 1.500.000 (um milhão e quinhentas mil) quotas, no valor unitário de R$ 1,00 (um real), aumento esse distribuído de forma desproporcional a atual participação societária, ficando assim distribuído entre os sócios:..." Como referido pela fiscalização (fl. 252), do saldo de R$ 1.545.018,21 de Lucros apurados em 2013 e 2014, R$ 860.000,00 foram transferidos para conta de capital social, a título de "integralização de lucros acumulados no capital social". Portanto, como o capital social era de R$ 640.000,00 com a integralização de parte do lucro apurado em 2013 e 2014, no valor de R$ 860.000,00, resultou no novo capital social de R$ 1.500.000,00 citado acima. Esse capital da sociedade permaneceu inalterado na 11ª Alteração Contratual (fls. 115/217), no valor de R$ 1.500.000,00, quando ingressaram diversos outros sócios, havendo, como em todas as demais ocasiões uma simples redistribuição de quotas no percentual de 0,01% para cada novo sócio, por cedência das quotas da sócia majoritária Rosa Maria Rogonni. De suma importância ainda relembrar que não houve distribuição dos lucros remanescentes (apurados em 2013 e 2014), mantido o saldo de R$ 685.018,21 até o final do exercício de 2014. Em 2015 a empresa apurou um prejuízo igual a R$1.240.176,64. É de se ter em conta que os lucros de uma entidade correspondem ao resultado contábil positivo da sociedade em determinado período e são normalmente apurados ao final do exercício social. Em princípio, a distribuição de lucros deve acontecer de forma a privilegiar a devida proporção das quotas sociais que cada sócio possui. No entanto, o artigo 1.007 do Código Civil traz exceção a esta regra, ao estabelecer a possibilidade de ser estipulada forma diversa de distribuição de lucros. Na situação dos autos, já na Cláusula Décima da 5ª Alteração do Contrato Social da GLOBO MED (fl. 63) foi previsto que a participação nos resultados da empresa poderia ser desproporcional ao percentual de participação do quadro societário: "10.1 - A sociedade deliberará em reunião dos sócios, devidamente convocada, a respeito da distribuição dos resultados e dos prejuízos e perdas apuradas, podendo ser desproporcional aos percentuais de participação do quadro societário, segundo autoriza o artigo 1.007 da Lei n° 10.406/2002. 10.2 - A sociedade poderá levantar demonstrações financeiras intermediárias e distribuir lucros apurados, observados limitações legais, e ainda distribuir lucros com base nos lucros acumulados ou reserva de lucros constantes do último balanço patrimonial, observada a reposição de Lucro quando a distribuição afetar o Capital Social, conforme estabelece o artigo 1.059 da Lei n°10.406/2002". Todavia, não foram apresentados na peça impugnatória registros de que as distribuições de "lucro" ao Impugnante tenham sido suportadas em balanços ou Fl. 405DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 17 balancetes mensais (até por quê não foram distribuídos lucros como visto anteriormente), assim como a empresa não realizou reunião de deliberação dos sócios sobre possível distribuição desproporcional de lucros (obrigatória). A fiscalização assim se manifestou (fl. 254): "Uma vez que a empresa não registrou em atas as deliberações dos sócios, não comprovou que efetuou reuniões de deliberações de distribuição de resultados, e, ainda, que não levantou demonstrações financeiras intermediárias que suportassem tal distribuição, verificou-se a total ilegalidade dos seus procedimentos, desqualificando, portanto, os históricos dos lançamentos contábeis efetuados na conta contábil n° 541- DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, subconta 54101 - DISTRIBUIÇÃO, relativamente aos pagamentos que efetuou a todos os sócios;" Na Cláusula 7ª da 5ª alteração Contratual consta (fl. 62): 7.8 - No prazo legal, a administração da sociedade deverá providenciar o arquivamento, no Registro Público de Empresas Mercantis, de cópia das atas de reuniões de sócios autenticada pela administradora ou pela mesa. E a Fiscalização ainda relatou que diante da negativa da empresa, em atender ao contido nos Termos de Intimação, no âmbito da ação em razão da GLOBO MED, encaminhou ofício à Junta Comercial do Paraná, solicitando cópias de todas as atas registradas pela GLOBO MED naquele órgão estadual. Em resposta ao ofício, a Junta Comercial informou que nenhuma ata foi levada a registro pela empresa no período fiscalizado. Percebe-se, portanto, que o contribuinte era remunerado independentemente da apuração de lucros, o que indica que os valores percebidos não eram verdadeiramente lucros, mas simples contraprestação pelos serviços individuais prestados, tal qual prescreve o art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN, ou seja, remuneração disfarçada de lucro. Ressalte-se novamente o fato de que o Impugnante assinou a 7ª Alteração Contratual, em 22/09/2014, portanto, teria recebido "lucros" antes de ser sócio da empresa, como já descrito anteriormente. Patente, pois, a prestação de serviços pelo sujeito passivo e demais médicos participantes do esquema em favor da GLOBO MED, a qual se interpôs entre o médico e o real contratante dos serviços e assumiu diretamente a incumbência de remunerar os profissionais, exercendo controle sobre os serviços prestados pelos mesmos e a coordenação da atividade laboral. Assim, reputa-se comprovada a natureza tributável dos rendimentos recebidos da GLOBO MED pelo contribuinte e correta a reclassificação promovida pela fiscalização. Não houve, pois, em momento alguma ofensa ao art. 110 do CTN. A GLOBO MED Serviços Médicos Ltda agiu como empresa interposta, contratando profissionais médicos e enfermeiros, dentre eles o contribuinte, para prestar Fl. 406DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 18 serviços a terceiros, tais como órgãos públicos (prefeituras) e outras empresas privadas (hospitais, casas de saúde, planos de saúde). Para tanto, simulou a forma de contratação dos médicos prestadores de serviços como sócios e remunerou-os sob a forma de distribuição de lucros pela participação nos quadros da sociedade. Os profissionais eram, na verdade, mão-de-obra qualificada, essencial ao desempenho das atividades da empresa, que lhes atraía com a benesse da não incidência tributária sobre os valores a eles pagos, remunerando-os pelo seu labor, consoante trabalho nas unidades tomadoras dos serviços da empresa. O recorrente pleiteia a retirada da multa qualificada como pedido subsidiário, sob o argumento de que não houve o preenchimento dos requisitos legais autorizadores. Consta do lançamento a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no §1º, do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, nº caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Em processos administrativos fiscais, a sonegação, fraude ou conluio estão previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 407DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 19 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72". Veja que todos os dispositivos acima transcritos, e utilizados pela fiscalização para qualificar a multa, pressupõem a caracterização de uma conduta dolosa, ou seja, aquela em que o agente age de forma consciente e intencional no sentido de praticar a sonegação ou fraude. Na decisão de piso restou consignado: Não é razoável supor que o autuado, na qualidade de médico, não tivesse o conhecimento e discernimento necessários para compreender o mecanismo e as conseqüências tributárias da prática adotada. Ainda mais, se levarmos em conta as vantagens que a opção pelo pagamento dos serviços por intermédio de pessoa jurídica acarretaria para os sócios, como a possibilidade de uma remuneração mais vantajosa, em face da economia de tributos, contribuições e de outros encargos trabalhistas e previdenciários gerados para os contratantes e também para a GLOBO MED. Assim, não restam dúvidas de que a participação do contribuinte no esquema acima mencionado foi feita de forma consciente, isto é, que o mesmo tinha pleno conhecimento da ilicitude cometida e assumiu o risco de adotá-la, objetivando com tal prática a obtenção de vantagem financeira (aumento da remuneração e redução da carga tributária). Da leitura do trecho acima observa-se que nenhuma conduta dolosa foi imputada ao Recorrente. Importante observar, porém, que para a caracterização da sonegação, não basta uma simples conduta para impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Faz-se necessária uma conduta qualificada por evidente intuito de fraude. Ademais, os fatos devem estar minuciosamente descritos no lançamento tributário (Termo de Verificação Fiscal) e acompanhado de robusto lastro probatório. Em resumo, para a qualificação multa são necessários os seguintes requisitos: i) conduta qualificada por evidente intuito de fraude do sujeito passivo, tais como, documentos inidôneos, informações falsas, interposição de pessoas, declarações falsas, atos artificiosos, dentre outros; ii) conduta típica minuciosamente descrita no lançamento tributário (Termo de Verificação Fiscal); iii) conjunto probatório robusto da conduta praticada pelo sujeito passivo e demais envolvidos, se for o caso. 55. Fl. 408DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 20 O CARF tem se posicionado na linha do racional exposto acima, inclusive com a edição de súmulas, no sentido de que para fins de qualificação da multa não basta a simples omissão de receita ou rendimentos, faz-se necessário a comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo. ´ A propósito, veja-se a inteligência das Súmulas CARF nº 14, 25 e 34: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de14/07/2010) Súmula CARF nº 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de14/07/2010) Não pode o julgador presumir o elemento doloso na conduta do agente, tampouco aplicar a qualificadora em sentido amplo, daí a importância de se observar o teor das citadas Súmulas CARF nºs 14, 25 e 34. As provas precisam materializar condutas adicionais perpetradas pelo contribuinte com o intuito de ocultar a omissão de rendimentos, como é o caso da emissão de notas subfaturadas, apresentação de documentos falsos, interposição de pessoas, dentre outras. Conforme se observa, o relato fiscal não descreve suficientemente uma conduta qualificada por evidente intuito doloso e ação simulatório praticada pelo Recorrente. Os fatos não demonstram a utilização dolosa de documentos fraudulentos, interposição de pessoas ou atos artificiosos. Assim, mostra-se procedente a pretensão deduzida na defesa no que toca a redução da multa ao patamar mínimo, relativamente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Conclusão. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário em parte, deixando de conhecer das alegações de inconstitucionalidade e de violação a princípios constitucionais. Na parte conhecida rejeitar as prefaciais e, no mérito, dou parcial provimento no sentido de excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindo a penalidade ao patamar básico de 75%. Fl. 409DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.168 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.727039/2018-72 21 Assinado Digitalmente André Barros de Moura Fl. 410DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11285399 #
Numero do processo: 10670.720749/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO – DTE. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. NÃO CONHECIMENTO. Considera-se realizada a ciência da decisão administrativa 15 (quinze) dias após a sua disponibilização no Domicílio Tributário Eletrônico, quando não houver acesso tempestivo pelo sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. O acesso posterior ao conteúdo do Acórdão não reabre nem prorroga o prazo recursal. Interposto o Recurso Voluntário após o transcurso do prazo legal, impõe-se o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 2402-013.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto dada a sua intempestividade. Assinado Digitalmente Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Duarte Firmino – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Correa Lisboa, Gregório Rechmann Junior, João Ricardo Fahrion Nüske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Marcus Gaudenzi de Faria, Rodrigo Duarte Firmino (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA VILARDI VIEIRA DE SOUZA MIFANO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202601

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO – DTE. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. NÃO CONHECIMENTO. Considera-se realizada a ciência da decisão administrativa 15 (quinze) dias após a sua disponibilização no Domicílio Tributário Eletrônico, quando não houver acesso tempestivo pelo sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. O acesso posterior ao conteúdo do Acórdão não reabre nem prorroga o prazo recursal. Interposto o Recurso Voluntário após o transcurso do prazo legal, impõe-se o seu não conhecimento.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10670.720749/2013-61

anomes_publicacao_s : 202603

conteudo_id_s : 7354513

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2402-013.380

nome_arquivo_s : Decisao_10670720749201361.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : LUCIANA VILARDI VIEIRA DE SOUZA MIFANO

nome_arquivo_pdf_s : 10670720749201361_7354513.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto dada a sua intempestividade. Assinado Digitalmente Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Duarte Firmino – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Correa Lisboa, Gregório Rechmann Junior, João Ricardo Fahrion Nüske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Marcus Gaudenzi de Faria, Rodrigo Duarte Firmino (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026

id : 11285399

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:10 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862166635169710080

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-03-31T19:44:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-03-31T19:44:39Z; Last-Modified: 2026-03-31T19:44:39Z; dcterms:modified: 2026-03-31T19:44:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-03-31T19:44:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-03-31T19:44:39Z; meta:save-date: 2026-03-31T19:44:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-03-31T19:44:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-03-31T19:44:39Z; created: 2026-03-31T19:44:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2026-03-31T19:44:39Z; pdf:charsPerPage: 1307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-03-31T19:44:39Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10670.720749/2013-61 ACÓRDÃO 2402-013.380 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 23 de janeiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MUNICÍPIO DE TAIOBEIRAS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO – DTE. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. NÃO CONHECIMENTO. Considera-se realizada a ciência da decisão administrativa 15 (quinze) dias após a sua disponibilização no Domicílio Tributário Eletrônico, quando não houver acesso tempestivo pelo sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. O acesso posterior ao conteúdo do Acórdão não reabre nem prorroga o prazo recursal. Interposto o Recurso Voluntário após o transcurso do prazo legal, impõe-se o seu não conhecimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto dada a sua intempestividade. Assinado Digitalmente Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Duarte Firmino – Presidente Fl. 396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.380 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720749/2013-61 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Correa Lisboa, Gregório Rechmann Junior, João Ricardo Fahrion Nüske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Marcus Gaudenzi de Faria, Rodrigo Duarte Firmino (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de lançamento fiscal relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição a cargo da empresa, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre parcelas das remunerações pagas aos servidores efetivos, contratados e comissionados do Recorrente, nas competências de 01/2010 a 12/2010. Conforme consignado no Relatório Fiscal, após a análise da documentação apresentada à d. Fiscalização, verificou-se que o Recorrente deixou de recolher as referidas contribuições incidentes sobre: (i) diárias pagas a segurados empregados em montante superior a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; (ii) valores pagos a título de bolsa de estudo a servidores da Prefeitura Municipal; (iii) valores pagos a empresas prestadoras de serviços, nas hipóteses em que restou caracterizada a existência de vínculo empregatício entre o Recorrente e os profissionais contratados por intermédio de tais pessoas jurídicas. Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Impugnação, a qual, remetida à Delegacia Regional de Julgamento – DRJ, foi julgada improcedente, mantendo-se integralmente o crédito tributário constituído. Não obstante a intimação do Acórdão da DRJ ter ocorrido por meio do Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), com recebimento na caixa postal em 18/01/2019, o Recurso Voluntário foi interposto apenas em 29/03/2019, sob a alegação de que a decisão teria sido acessada somente em 28/02/2019. Embora tenha sido lavrado Termo de Perempção, em razão da preliminar de intempestividade arguida no referido Recurso Voluntário, os autos foram remetidos para apreciação. É o relatório. Fl. 397DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.380 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720749/2013-61 3 VOTO Conselheira Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Relatora Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente, no qual, em sede preliminar, suscita-se a sua tempestividade. Sustenta o Recorrente que o Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento – DRJ teria sido acessado por meio do Portal e-CAC apenas em 28/02/2019, conforme certidão de fls. 356, razão pela qual o prazo de 30 (trinta) dias para a interposição do recurso se encerraria apenas em 30/03/2019. Todavia, não lhe assiste razão. Conforme se extrai dos autos, a decisão foi regularmente disponibilizada no Domicílio Tributário Eletrônico – DTE, com recebimento na caixa postal eletrônica em 18/01/2019. Nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, na hipótese de o sujeito passivo não efetuar a consulta ao teor da intimação, considera-se automaticamente realizada a ciência 15 (quinze) dias após a sua disponibilização na caixa postal, independentemente do efetivo acesso. Cite-se, a propósito, o teor do referido dispositivo: “Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I - no endereço da administração tributária na internet; II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local § 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 398DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.380 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720749/2013-61 4 II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III - se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (...)” Assim, embora o Recorrente somente tenha acessado a sua caixa postal eletrônica em 28/02/2019, tendo em vista que o teor do Acórdão da DRJ já havia sido nela disponibilizado em 18/01/2019, a ciência do referido Acórdão operou-se automaticamente em 04/02/2019, iniciando-se, a partir de então, o prazo legal para a interposição do Recurso Voluntário, o qual se encerrou em 06/03/2019. O acesso posterior ao conteúdo da decisão, em 28/02/2019, não tem o condão de reabrir ou prorrogar o prazo recursal. Dessa forma, tendo o Recurso Voluntário sido interposto apenas em 29/03/2019, após o transcurso do prazo legal, impõe-se o reconhecimento de sua intempestividade, razão pela qual deve ser rejeitada a preliminar suscitada, deixando-se de conhecer do referido recurso. Assinado Digitalmente Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano Fl. 399DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11285417 #
Numero do processo: 00000.845604/80-78
Data da sessão: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 1979
Ementa: FALTA APURADA EM CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO - O fato gerador do imposto de importação é a entrada da mercadoria estrangeira no país, materializando-se, quanto à mercadoria em falta, o fato gerador ficto. Também, na chegada do navio são levados ao conhecimento das autoridades aduaneiras os elementos, necessários à apuração da falta. O "dólar fiscal" e alíquotas tarifárias a serem utilizados no cálculo do crédito tributário são os vigentes nessa ocasião.
Numero da decisão: 302-24.514
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa, que negou, e Levy Valério de Oliveira, Raimundo José Alves Gonçalves e Edwaldo Reis da Silva que deram provimento parcial, para considerar como data de referência para cálculo do tributo a da conferência final do manifesto, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO DA SILVA ARAÚJO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 197906

ementa_s : FALTA APURADA EM CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO - O fato gerador do imposto de importação é a entrada da mercadoria estrangeira no país, materializando-se, quanto à mercadoria em falta, o fato gerador ficto. Também, na chegada do navio são levados ao conhecimento das autoridades aduaneiras os elementos, necessários à apuração da falta. O "dólar fiscal" e alíquotas tarifárias a serem utilizados no cálculo do crédito tributário são os vigentes nessa ocasião.

numero_processo_s : 00000.845604/80-78

conteudo_id_s : 7354924

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 302-24.514

nome_arquivo_s : Decisao_000008456048078.pdf

nome_relator_s : JOÃO DA SILVA ARAÚJO

nome_arquivo_pdf_s : 000008456048078_7354924.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa, que negou, e Levy Valério de Oliveira, Raimundo José Alves Gonçalves e Edwaldo Reis da Silva que deram provimento parcial, para considerar como data de referência para cálculo do tributo a da conferência final do manifesto, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Fri Jun 15 00:00:00 UTC 1979

id : 11285417

ano_sessao_s : 1979

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:11 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862166635556634624

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 24.514; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2015-12-29T19:12:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 24.514; xmpMM:DocumentID: uuid:922beb84-458d-46c5-9c6f-39d200da29f1; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 24.514; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-12-29T19:12:37Z; created: 2015-12-29T19:12:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2015-12-29T19:12:37Z; pdf:charsPerPage: 1344; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2015-12-29T19:12:37Z | Conteúdo => Ç";l" .,11~. ~I'..•••.• -:""_ .l--' 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2ª CAMARA 5 - d 15 de junho de 197 9essao e.............................................. . . Recurso n.o 93.432 - .Processo Recorrente AGlNCIA MARÍTIMA ACORDÃO nº 0845/60480/78 DICKINSON S/A N.o . ?~._:__~_~_~__. FALTA APURADA EM CONFERlNCIA FINAL DE MANIFESTO - O fa- to ge~ador do imposto de importaç~o ~ a entrada da mer- cadoria estrang~ira no pais, materializando-se, quanto' ~ m~Tc~doria em falta, o fato gerador ficto. Tamb~m na chegada do navio s~o levados ao conhecimento das autor i dadas aduaneiras os elementos necessários ~ apuraç~o da falta. O "dólar f,iscal" e aliquotas târifárias a serem' utilizàdos no cálculo do cr~dito tributário s~o os vi- gentes nessa ocasi~o. • Recorrld DRF- SANTOS Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os membros da 2ª C~mara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso,' vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Co~ta, que negou, e Levy , Val~rio de Oliveira, Raimundo José Alves Gonçalves e Edwaldo Reisrn Silva~que deram provimento parcial, para considerar como data de re ferência para cálculo do tributo a da conferência final do manifes4 to, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente' julgado. da Faz. -Presidente ~Relator 5~ANI DDS ANJ~:-procurador / Nacional. Sala de Sessões, 15 de junho de 1979. \ Participaram ainda do presente julgamento os seguintes' Conselheiros. EDUARDO NOGUEIRA DA GAMA, EDUARDO JORGE PEREIRA JUNIOR' e ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS. SERViÇO PÚBLICO FEDERAL I -2- MF- TERCEIRO RECORRENTE RECORRIDA RELATOR CONSELHO DE CONTRIBUINTES, AGlNCIA MARíTIMA DICKINSON DRF- SANTOS JOÃO DA SILVA ARAÚJO RE L AT Ó R I O SEGUNDA CAMARA S/A Rec. 93.432 Ac • 24.514 • O presente processo teve ~nÍcio com o Auto de Infração de fls. 1, lavrado com base no resultado da Conferência Final de Manifesto nº 2841/73, do navio "KINAROS", entrado no porto de Santos em 38/ 10/73, que constatou faltas e acréscimo de mercadoria estrangeira. Em decorrência disto foiexi~db ~ transportadora o valor de ~$ 12.485,71, referente ao imposto de importação e multas do art. 106, 11, "d", do Decreto-lei nº 37/66 e 5º, VI, do Decreto-lei nº 751/69. A autuada foi intimada regularmente em 24/05/78, no pi6prio Au to (fls. Iv). Às fls. 06/07, defesa tempestiva reconhecendo os extravios ir- resignando-se, no entanto com o c~lculo do tributo que, no seu en- tender foi feito incorretamente. Diz que:o fiscal autuante adotou' o "d óI'ar fisca1 "d a época da autuação, além de aplicar as aI íquo - , tas tarifárias vigentes. r) ,Arg~i em sua defesa o paragnafo unico, do art. 60 do Decreto- lei 37, de 18/11/66, além de citar o Ato Declaratório nº 800/125, de 06.06.75, da Superintendência Regional da Receita Federal - 8ª Região. Pede que seja anexadas fotocópias das declarações de impo~ tação relativas às partidas a que cor respondem as faltas apontadas, dando-lhe "vista" do processo par,a nova mani festação, sob pena de cerceamento de defesa. Finalmente pede a improcedência parcial da ação para ser reco- nhecido que o imposto de importação, no caso, deve ser calculado' com base no "dólar fiscal" apurado regularmente, fazendo-se a con~ versão da moeda estrangeira com o dolar fiscal vigente na mesma ,~ época da importaçãe, aplicando-se, outrossim, a alíquota tarifária também vigente na mesma época (a multa de 5b% incidirá sobre o va- lor assim calculado). Contestação fiscal às fls. 09, confirmando os c~lculos dos ;I~ postos e multas que obedeceram a critérios adotados pela Resolução, conforme Orientação Normativa Interna nº 30 da Coordenação do Sis- tema de Tributação. Finalmente mantém em todos os seus termos o Au SERViÇO PÜSLICÓ FEDERAL Rec. 93.432 Ac • 24.514 -3- • Auto de Infração. Decisão às fls. 11/16, julgando procedente a ~ção fiscal. Intimada regularmente às fls. 18, em 31/~0/78, a transpoE tadora ingressa com suas r2z~es recursais às fls. 20/22, tempe~ tivamente (21/11/78) com os mesmos argumentos de defesa. É o relatório • ';a 5 E R V Iç O P ú-a LI C O F E O E R A L v O T O Rec. 93.432 Ac • 2 4.91 ?+ -4; - • • A questão susci tada.no processo é a de saber-se que alíquota e taxa.de câmbio devem ser aplicadas para cálculo do imposto, no ' caso do fato gerador ficto estabelecido no parágrafo único do art. lº do Decreto-lei 37/66. Este, depois de estabelecer, concorde com o C.T.N., que o fato gerador do Imposto de Importação é a entrada da mercadoria es trangeira no território nacional ( caput do art. lº) estatue no seu parágrafo único, a, figurÇl do mesmo fato gerador, porém ficto, ao ' considerar, para efeito da ocorr~ncia do fato gerador, corno entra- da no território nacional, a meroadoria que constar corno tendo si- do importada, mas posteriormente achada em falta. Esse dispositivo se apoia no art •. l16 do C.T.N., pois conside.ra ocorrido o mesmo.fa to gerador quando se reunem as circunstâncias materiais const~nt~l do manifesto, do conhecim~nto ~e carga ou docu~entos equi0alentes- necessárias.a que produza os efeitos que normalmente lhe são pró-' , o. poi'i 08 '. o~ .se j am, ,a de scar.ga da m er C?ado.ria, sua, en trada no t erri tó- rio naciona 1. E nenhum a disPosição .do D ec re to -1ei 37 / 6 6 ou de outra qualque~ lei dispõe em contrário. E portanto estatue que o mesmo fato gerador ficto ocorre ' no momento estabelecido nocaput do ar~. lº. O fato de haver empregadó o mesmo parágrafo .único a 8xpre~ (,;~sao "CUj8 falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira", aliado à redação do art. 23 parágrafo único, tem levado à interpr~ tação segundo ~ qual o fato ~erador do imposto ocorre no momento ' em que a autoridade aduanei~a apura a falta referida, r~sultando ' dai conclusão de que a alíquota e taxas cambiais a aplicar sejam ' as daquele momento. Tal i~terpretação, data v~nia, Mao encontra apoio na lei,' no direito e nas regras de hermeneutica. Gom efeito, uma mercadoria consta como tendo sido importa- da quando constante de manifesto, conhecimento. de carga ou docume~ tos equivalentes, e desde o momento ~mque o veículo condutor (na- . ", . . \ . vio, avião etc .•. )"entra no porto ou local a que, segundo tais docu \~nt~s, se. destina tal mercoad~~ia, e a ~~toridade aduaneira recebe'A tars docúmentos. Recebendo, ou trossim ,. as folhas de descarga das ' -segue- ~. SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Rec. 93.432 Ac • 24.514 -5- .. mercadoriai; tem, nesse momento, conhecimento de qualquer falta de mercadoria que deveria ter sido descarregada.. . Aquele,o momento da ocorr~ncia do fato gerador da obrigaç~o tribut~ria, tanto para ~s mercadorias efetivamente descarregadas,' como para aquelas q~e porventura venham a ser encontradas em fal- ta; com relaç~o ~s ~ltimas, o fato gerador ~ ficto, isto ~,consi- dera-se a meicadoria em falta combrealmeote sntrada no territ6rio nacional, entrada que ocorre desde o momento em que ocorreria o fa to gerador real se n~o houvesse a falta. Int~rpretai-se de outra ~anei~~, dando como ocorrido'o fato gerador ficto' de que se trata em outro momento, seria admitir~se ae' possibilidade jurl-dica de cri~n a simples lei tributária fato ger~ dor, ainda que ficto~ diverso do previsto no art. 19 do C6digo Tri but~rio Nacional - lei compleme~t~r da Constit~iç~o, de maior hie- rarquia . . t- • .. SE.RVIÇO PÚBLICO FEDERAL Rec~ 93.432 Ac • 24.514 -6- , ' ! • lan~amento far-se a sua convers~o em moeda nacional ao cªmbio do dia da ocorrência do fato gerador, n~o havendo' no Decreto-lei 37/66 qualquer disposiç~o em contrário .. E no artigo 144, impera~ivamente dispõe .que "o .lança,mento re- porta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigaç~oe rege- ~e pela lei ent~o vigente, ainda que posteriormente modificada ou re\Jogada" • A interpretaç~o do parágrafo ~nico do art. 23 do Decreto-lei' 37/66 há de ser feita em conformidade com tais disposições do e.T.N., leicogente para a Uni~o, os Estados e os Município, e de tais disposições n~o pode divergir. Ora, e~ nenhu~ mome~to o Decreto-lei 37/66, e o Decreto nº' 63.431/68, dispõem de modo diverso ~obre a taxa de c~mbio a ser utilizada na convers~o da moeda estrangeira, no'caso, tornando-se ~ssim, obrigat6ria a aplicaç~o do art. 143 do e.T.N. Em nenhum momento diz que deve ser aplicada ~liquota diver~a' da correspondente ao mom~nto da ocorrência do fato gerador estabe- lecido na caput do art. lº do 'Decreto-lei 37/6[-;,'em consonância cDm o.art. 19 do e6digo Tributário Nacional. ~ iaia se tdrna patente na an~lise do Deoreto nº 63.431/68, , que regulamentando especificamente a conferência final do manifes- to, dis~õe, expressamente, que a mercadoria ficará sujeita aos tri .butos vigentes na data do respectivo fato gerado~, que n~o define, limitando-se a repetir a ncrma do pará~rafo ~nico do art. lº do De • creto-lei 37/66, e que eis valo,res expressos. em moeda estrangeira' ser~p convertidos em moeda nacional à taxa de câmbio vigente n'~qu~ ,la mesma data, que, como vimos, e a prevista no caput do artigo lº do Decreto-lei 37/66. Ante o exposto, dou provimento ao ~ecurso. Sal a de Se ssões., 15 de jun tid, . .:de .. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006

score : 1.0
11285353 #
Numero do processo: 10980.910076/2015-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. EMBALAGENS. Os BIG BAGs são necessários para a atividade fim de empresas cerealistas que as utilizam como embalagem primária para efetuar a venda e o devido transporte dos grãos, que devem ser colocados em sacos que suportam grande peso e volume e também garantem a conservação e proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis. Sem a utilização dos BIG BAGs, a recorrente não conseguiria realizar o transporte e a venda da sua produção. Aplicação da Súmula CARF nº 235. PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Não pode ser deferido pedido de diligência fiscal para produção de provas que já haviam sido solicitadas ao contribuinte desde a fiscalização. O contribuinte que teve créditos glosados em razão de carência probatória deve providenciar, mesmo que em sede de Recurso Voluntário, a apresentação dos documentos solicitados pela Fiscalização ou pela primeira instância de julgamento, e não solicitar a concessão de prazo hábil para, passados quase 10 anos, nada apresentar. DIREITO CREDITÓRIO. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Nos termos da Súmula CARF nº 188, deve ser revertida a glosa de créditos vinculados às despesas com frete de insumos adquiridos de pessoa física. DIREITO CREDITÓRIO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 234. O contribuinte pode ter, em seu objeto social, atividade comercial e também de prestação de serviços. Os bens incorporados ao ativo imobilizado que fazem jus ao creditamento sobre encargos de depreciação são aqueles utilizados na prestação de serviços.
Numero da decisão: 3302-015.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do pedido de reversão da glosa de créditos com serviços prestados em janeiro de 2012 e junho de 2014; e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de diligência e, no mérito, dar provimento parcial para determinar a suspensão da incidência do PIS/Cofins de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 sobre as vendas que cumprem os requisitos previstos na legislação; para reverter a glosa de créditos vinculados (i) às aquisições de embalagens tipo “BIG BAGs”, (ii) às despesas com frete de insumos adquiridos de pessoa física e (iii) aos encargos de depreciação de caminhões e carretas, tudo nos termos da diligência fiscal determinada por este Conselho; e para determinar a correção de eventual saldo credor pela taxa SELIC a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco, nos termos do REsp nº 1.767.945/PR. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Renata Casorla Mascareñas (substituta integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202602

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. EMBALAGENS. Os BIG BAGs são necessários para a atividade fim de empresas cerealistas que as utilizam como embalagem primária para efetuar a venda e o devido transporte dos grãos, que devem ser colocados em sacos que suportam grande peso e volume e também garantem a conservação e proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis. Sem a utilização dos BIG BAGs, a recorrente não conseguiria realizar o transporte e a venda da sua produção. Aplicação da Súmula CARF nº 235. PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Não pode ser deferido pedido de diligência fiscal para produção de provas que já haviam sido solicitadas ao contribuinte desde a fiscalização. O contribuinte que teve créditos glosados em razão de carência probatória deve providenciar, mesmo que em sede de Recurso Voluntário, a apresentação dos documentos solicitados pela Fiscalização ou pela primeira instância de julgamento, e não solicitar a concessão de prazo hábil para, passados quase 10 anos, nada apresentar. DIREITO CREDITÓRIO. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Nos termos da Súmula CARF nº 188, deve ser revertida a glosa de créditos vinculados às despesas com frete de insumos adquiridos de pessoa física. DIREITO CREDITÓRIO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 234. O contribuinte pode ter, em seu objeto social, atividade comercial e também de prestação de serviços. Os bens incorporados ao ativo imobilizado que fazem jus ao creditamento sobre encargos de depreciação são aqueles utilizados na prestação de serviços.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10980.910076/2015-05

anomes_publicacao_s : 202603

conteudo_id_s : 7354490

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3302-015.565

nome_arquivo_s : Decisao_10980910076201505.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

nome_arquivo_pdf_s : 10980910076201505_7354490.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do pedido de reversão da glosa de créditos com serviços prestados em janeiro de 2012 e junho de 2014; e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de diligência e, no mérito, dar provimento parcial para determinar a suspensão da incidência do PIS/Cofins de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 sobre as vendas que cumprem os requisitos previstos na legislação; para reverter a glosa de créditos vinculados (i) às aquisições de embalagens tipo “BIG BAGs”, (ii) às despesas com frete de insumos adquiridos de pessoa física e (iii) aos encargos de depreciação de caminhões e carretas, tudo nos termos da diligência fiscal determinada por este Conselho; e para determinar a correção de eventual saldo credor pela taxa SELIC a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco, nos termos do REsp nº 1.767.945/PR. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Renata Casorla Mascareñas (substituta integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).

dt_sessao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2026

id : 11285353

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:10 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862166636419612672

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-03-31T18:43:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-03-31T18:43:57Z; Last-Modified: 2026-03-31T18:43:57Z; dcterms:modified: 2026-03-31T18:43:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-03-31T18:43:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-03-31T18:43:57Z; meta:save-date: 2026-03-31T18:43:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-03-31T18:43:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-03-31T18:43:57Z; created: 2026-03-31T18:43:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; Creation-Date: 2026-03-31T18:43:57Z; pdf:charsPerPage: 2035; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-03-31T18:43:57Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10980.910076/2015-05 ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 12 de fevereiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE LAVOURA INDÚSTRIA COMÉRCIO OESTE S/A INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. EMBALAGENS. Os BIG BAGs são necessários para a atividade fim de empresas cerealistas que as utilizam como embalagem primária para efetuar a venda e o devido transporte dos grãos, que devem ser colocados em sacos que suportam grande peso e volume e também garantem a conservação e proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis. Sem a utilização dos BIG BAGs, a recorrente não conseguiria realizar o transporte e a venda da sua produção. Aplicação da Súmula CARF nº 235. PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Não pode ser deferido pedido de diligência fiscal para produção de provas que já haviam sido solicitadas ao contribuinte desde a fiscalização. O contribuinte que teve créditos glosados em razão de carência probatória deve providenciar, mesmo que em sede de Recurso Voluntário, a apresentação dos documentos solicitados pela Fiscalização ou pela primeira instância de julgamento, e não solicitar a concessão de prazo hábil para, passados quase 10 anos, nada apresentar. DIREITO CREDITÓRIO. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Nos termos da Súmula CARF nº 188, deve ser revertida a glosa de créditos vinculados às despesas com frete de insumos adquiridos de pessoa física. DIREITO CREDITÓRIO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 234. O contribuinte pode ter, em seu objeto social, atividade comercial e também de prestação de serviços. Os bens incorporados ao ativo imobilizado que fazem jus ao creditamento sobre encargos de depreciação são aqueles utilizados na prestação de serviços. Fl. 3203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do pedido de reversão da glosa de créditos com serviços prestados em janeiro de 2012 e junho de 2014; e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de diligência e, no mérito, dar provimento parcial para determinar a suspensão da incidência do PIS/Cofins de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 sobre as vendas que cumprem os requisitos previstos na legislação; para reverter a glosa de créditos vinculados (i) às aquisições de embalagens tipo “BIG BAGs”, (ii) às despesas com frete de insumos adquiridos de pessoa física e (iii) aos encargos de depreciação de caminhões e carretas, tudo nos termos da diligência fiscal determinada por este Conselho; e para determinar a correção de eventual saldo credor pela taxa SELIC a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco, nos termos do REsp nº 1.767.945/PR. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Renata Casorla Mascareñas (substituta integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER), de n° 09237.56252.180914.1.1.08-5306, apresentado pela contribuinte acima identificada, pleiteando crédito de Pis não cumulativo - exportação, relativo ao 3º trim/2012, no montante de R$ 12.329,04. Ressalte-se que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança, de nº 5052794- 85.2015.4.04.7000/PR, objetivando a análise de seu direito creditório em caráter prioritário. No documento, a pessoa jurídica reivindica crédito que entende possuir com origem na legislação do Pis-Exportação, com fundamento no § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002. Foi proferido Despacho Decisório (fls. 736), por meio do qual foi indeferido o direito creditório de Pis não cumulativo - exportação pretendido pela manifestante. Cientificado em 14/07/2016, pela via eletrônica, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade (MI) às fls. 745/800. As razões da defesa apresentadas foram devidamente expostas e tratadas quando da análise da Impugnação ao Auto de Infração presente no Processo n° 10980.722878/2016-32. Em resumo, a contribuinte contestou: Fl. 3204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 3 - a desconsideração das receitas classificadas inicialmente como exportação, e que foram reclassificadas para mercado interno, bem como a apreciação de suas operações sob a égide da Lei nº. 12.350/2010, que a descaracterizou como cerealista; - as glosas fiscais que recaíram sobre créditos apurados sobre determinados bens e serviços entendidos pela fiscalização como fora do conceito de insumo; - a desconsideração de créditos oriundos de devoluções de mercadorias vendidas; - reparo à apuração de créditos sobre os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; - a glosa de fretes de transferências de insumos, produtos acabados ou já vendidos entre filiais; - a glosa de créditos apurados sobre o custo de aquisição de bens do ativo imobilizado. Ao fim, a interessada requereu que seja considerada procedente a Manifestação de Inconformidade, com o consequente reconhecimento do crédito, aplicação da taxa SELIC sobre o valor ressarcível e ressarcimento em dinheiro do saldo credor. Postulou pela juntada de documentos em momento posterior. Os Autos foram remetidos para a Delegacia de julgamento, que determinou a devolução destes à Unidade de origem, para a realização de diligência, a fim de se averiguar o real valor das receitas de exportação da contribuinte, verificando-se o impacto disso no total de receitas auferidas e na apuração dos créditos da não-cumulatividade. Como vários processos do contribuinte estavam sendo julgados simultaneamente, a diligência abrangeu todos esses processos. Da diligência realizada, foi elaborado Relatório Fiscal de Diligência (fls. 809/815), em que ficou demonstrada, após a análise documental, juntada quando da apresentação da MI, a existência de mais receitas de exportação. Disso resultou a alteração nos totais das receitas de mercado externo e interno, tributadas e não-tributadas, com consequente modificação no percentual do rateio proporcional entre citadas receitas e no montante dos créditos calculados em função de cada tipo de receita. Ao final dos trabalhos, alguns meses sofreram alterações nos valores ressarcíveis de PIS e Cofins, conforme se infere do trecho abaixo, extraído da mencionada Informação Fiscal de Diligência: Fl. 3205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 4 Como se verifica da planilha elaborada pela diligência, para este processo, que trata PIS/Pasep do 3º trim/2012, não houve alteração no valor calculado. A contribuinte foi cientificada do resultado dos trabalhos, não se manifestando a respeito disso. O processo foi então enviado novamente à DRJ, para pronunciamento acerca das conclusões a que chegou à autoridade fiscal. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, por unanimidade de votos, pela DRJ - Ribeirão Preto (DRJ-RPO), em sessão datada de 13/06/2018, tendo sido exarado o acórdão nº 14-86.399 (fls. 860/867) com a seguinte ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de ressarcimento, deve ser mantida a decisão dada pela autoridade administrativa, que não reconheceu o montante pleiteado por meio de Pedido de Ressarcimento. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. Fl. 3206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 5 É incabível a incidência de juros compensatórios com base na Taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS/Cofins por falta de previsão legal. Inconformada, a recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 874/910). Esta Turma, embora com composição distinta, em julgamento datado de 27/04/2021, resolveu converter o julgamento em diligência por meio da Resolução nº 3302-001.698 (fls. 1057/1070), nos seguintes termos: CONDIÇÃO DE CEREALISTA A recorrente pugna pelo conhecimento do decidido no Mandado de Segurança 5030790.20.2016.4.04.7000, arguindo que no Judiciário restou decidido que possui a condição de cerealista e que, portanto, tem direito à suspensão da incidência de PIS e Cofins. (...) No acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, restou decidido que o cerealista definido nos termos do inciso I do §1º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, nas operações de compra e revenda de grão a granel. Assim, nestas operações, a atividade da recorrente foi considerada de cerealista. (...) Porém, é necessário analisar se a condição de ser cerealista é suficiente para se aplicar a suspensão, como alega a recorrente. O Auto de Infração reclassificou as vendas para tributadas no mercado interno em razão de que parte das pessoas jurídicas adquirentes não se enquadra na condição de produtoras das mercadorias especificadas nas alíneas “a” e “b” do incido I do artigo 54 da Lei nº 12.350/2010, conforme excerto abaixo: (...) Na Informação Fiscal de e-fls. 713 e ss., a autoridade fiscal deixou claro que a análise partir das informações inseridas pela própria recorrente em suas notas fiscais, no campo “Dados Adicionais”, o enquadramento legal da suspensão, qual seja, o artigo 54 da Lei nº 12.350/2010 e após 09/10/2013, o artigo 29 da Lei nº 12.865/2013, conforme abaixo: (...) Percebe-se que a condição de ser cerealista, em momento algum, foi questionada pela fiscalização, sendo o argumento completamente estranho aos motivos expostos pela autoridade fiscal para reclassificação das receitas de vendas com suspensão para receitas tributadas no mercado interno. Contudo, é necessário verificar se a suspensão prevista no artigo 9º, inciso I da Lei nº 10.925/2004 é aplicável ao presente caso. A autoridade fiscal efetuou a reclassificação das receitas de vendas dos insumos milho (NCM 1005.90.10) e trigo (NCM 1001.19.00) durante todo o período e para Fl. 3207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 6 soja (NCM 1201.00.90) e farelo de soja (NCM 2304.00.90) até 09/10/2013, sob a égide do artigo 54 da Lei nº 12.350/2010, uma vez que era o estava escrito no campo DADOS ADICIONAIS como informações complementares das notas fiscais. (...) A recorrente alega a hipótese prevista no inciso I do §1º do artigo 8º: (...) De plano, constata-se que o farelo de soja (NCM 2304.00.90) não consta do inciso I do §1º do artigo 8º não se lhe aplicando, portanto, a suspensão prevista no inciso I do artigo 9º da Lei nº 10.925/2004. (...) No caso, a suspensão prevista no artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 foi regulamentada pela IN SRF nº 660/2006, que dispôs sobre os requisitos para fruição da suspensão nos seguintes temos: (...) Conforme a regulamentação, há requisitos cumulativos a serem observados em relação ao vendedor e em relação ao adquirente. O vendedor deve: 1. Se enquadrar na condição de cerealista (argumento da recorrente); 2. Proceder à venda de produtos in natura de origem vegetal; 3. Inserir a informação: “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente; 4. Exigir do adquirente a declaração que apura o imposto sobre a renda com base no lucro real; Por sua vez, o adquirente deve: 1. Apurar o imposto de renda com base no lucro real; 2. Exercer atividade agroindustrial, entendida como a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º 1 da Lei nº 8.023, de 1990 (atividade rural); 3. Utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o caput do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. Observa-se, então, que a condição de ser cerealista não é suficiente à aplicação da suspensão, embora sua ausência seja suficiente para afastar a suspensão. No caso, a recorrente não inseriu em suas notas fiscais que a suspensão ocorria com base no artigo 9º, inciso I, o que levou a fiscalização a apurar os requisitos com base no artigo 54 da Lei nº 12.350/2010. (...) Fl. 3208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 7 Destarte, a recorrente chegou a noticiar durante a fiscalização que a suspensão ocorreria com base no artigo 9º, inciso I, apesar de nas notas fiscais constarem o artigo 54 da Lei nº 12.350/2010. Verifica-se, ainda, por amostragem, que alguns dos adquirentes constantes da planilha de glosa da fiscalização possuem CNAE indicativo do exercício da atividade agroindustrial e outros que não possuem como CNAE, atividade de produção ou fabricação de produtos referidos no caput do artigo 8º. Exemplificando: (...) Assim, entendo possível a ocorrência da suspensão com base no artigo 9º, inciso I da Lei nº 10.925/2004. Contudo, a verificação da aplicação da suspensão prevista no artigo 9º, inciso I da Lei nº 10.925/2005 depende da confirmação dos requisitos acima delineados, razão pela qual proponho a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal confirme: 1. Se as operações correspondem à venda de produtos in natura na condição de cerealista; 2. Se os adquirentes constantes da planilha de e-fls. 469/507 apuram o imposto de renda com base no lucro real; 3. Se os adquirentes utilizaram as mercadorias adquiridas com suspensão na produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, Além disso, deve a autoridade fiscal proceder ao ajuste do novo rateio para efeito de segregar os créditos passíveis de ressarcimento dos créditos não passíveis de ressarcimento, de acordo com o resultado obtido na diligência, nos moldes do que fora realizada por ocasião da diligência deferida pela DRJ. DESPESAS COM MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO Neste capítulo, a recorrente aduz o direito ao crédito de caminhões e carretas, sob o argumento de que uma de suas filiais, denominada Lavoura Transportes (CNPJ 79.851.192/0001-08) executa a atividade principal de realização de transportes, sendo, portanto, os caminhões fundamentais para a realização das atividades operacionais das filiais, de modo que sua depreciação gera direito ao crédito. A Informação Fiscal destaca que a glosa ocorreu em razão do entendimento de que os bens não eram utilizados no processo produtivo. O fundamento deste crédito é o inciso VI e §1º, III do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: (...) A legislação permite o crédito de bens incorporados ao ativo imobilizado e utilizados na prestação de serviços, o que, em princípio, daria direito ao crédito à depreciação de caminhões e carretas, no caso de prestação de serviços de Fl. 3209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 8 transporte de cargas, conforme disposto no artigo 4º do Contrato Social, juntado em manifestação de inconformidade. Contudo, a utilização de imobilizado na prestação de serviços pressupõe o auferimento de receitas de prestação de serviços. Não se trata, simplesmente, de haver transporte interno de mercadoria em caminhões próprios, mas prestação de serviços de transporte a terceiros, uma vez que os bens devem ser efetivamente na condição de custos de prestação de serviços e não como mera despesa operacional em transporte realizado internamente à pessoa jurídica. Destarte, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal verifique se houve auferimento de receitas de prestação de serviços a terceiros e se os caminhões e carretas objeto da glosa estão vinculados a esta prestação de serviço. Concluindo, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal verifique: 1. Se as operações de suspensão reclassificadas para tributadas no mercado interno correspondem à venda de produtos in natura na condição de cerealista, nos termos do artigo 9º, inciso I da Lei nº 10.925/2004; 2. Se os adquirentes constantes da planilha de e-fls. 469/507 apuram o imposto de renda com base no lucro real; 3. Se os adquirentes utilizaram as mercadorias adquiridas com suspensão na produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; 4. Se houve auferimento de receitas de prestação de serviços de transporte a terceiros e se os caminhões e carretas objeto da glosa “Despesas com máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado” estão vinculados a esta prestação de serviço. Em 27/03/2024 foi lavrado Relatório de Diligência Fiscal, juntado às fls. 3162/3197, com os resultados obtidos. O contribuinte se manifestou sobre este documento nos seguintes termos (fl. 3202): LAVOURA INDÚSTRIA E COMÉRCIO OESTE S/A, pessoa jurídica de direito privado, devidamente inscrita no CNPJ/MF sob o nº 79.851.192/0001-08, vem, respeitosamente, à honrosa presença de Vossa Senhoria, em relação ao procedimento fiscal realizado que constatou os vícios relatados no Recurso Voluntário, reiterar seus termos e fundamentos, para anular o auto de infração e demais consectários. É o relatório. Fl. 3210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 9 VOTO Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. I – ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche parcialmente as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento apenas em parte. II – DO TÓPICO “DECISÃO JUDICIAL - CEREALISTA - SUSPENSÃO PIS E COFINS” Neste tópico, o contribuinte pede que sejam afastadas as glosas indevidamente realizadas, anulando-se o impugnado acordão e despacho decisório, nos seguintes termos: Pois bem, já está comprovado no presente processo, que o D. Fiscal incorreu em erro ao enquadrar a operação da Recorrente nos termos da Lei n.º 12.350/10, descaracterizando, pois, a efetiva operação de cerealista que, segundo a Lei n.º 10.925/04, concede o direito da suspensão das contribuições de PIS e de COFINS na saída das mercadorias que são por ela comercializadas. Nestes termos, trazemos a decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 5030790.20.2016.4.04.7000, pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, em acórdão já transitado em julgado, onde restou reconhecido e declarado que a Recorrente é CEREALISTA, e que apesar de não fazer "jus" ao crédito presumido do PIS e da COFINS, uma vez que não realiza qualquer processo industrial, não está obrigada ao seu recolhimento, em decorrência da suspensão legal que lhe favorece, vejamos. (...) Assim, restou reconhecido em decisão judicial já transitada em julgado em 17/09/2018, que a atividade da Recorrente é puramente CERELISTA, portanto, a mesma encontra-se amparada e fazendo jus, para vendas no mercado interno de soja e milho, à suspensão da exigibilidade do recolhimento do PIS e da COFINS, nos termos do inciso 9º da Lei 10925/2004. Portanto, em decisão judicial, transitada em julgado, "Data Máxima Vênia", que, por óbvio, suplanta qualquer decisão administrativa, restou afastada as disposições do artigo 54 da Lei nº 12.350/10, para reconhecer que a atividade da Recorrente é puramente CEREALISTA, não havendo em sua atividade qualquer processo industrial, estando desobrigada do recolhimento do PIS e da COFINS, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.925/04. Fl. 3211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 10 Diante de todo o exposto, estando demonstrada cabalmente a atividade de cerealista desenvolvida pela Recorrente, estando sob o abrigo da Lei n.º 10.925/04 c/c IN RFB n.º 660/06 para suspender o PIS e a COFINS no mercado interno em face das atividades por ela desenvolvidas inerentes à cerealista, não restam dúvidas que devem ser afastadas as glosas indevidamente realizadas, anulando-se o impugnado acordão e despacho decisório. Como visto no Relatório deste voto, esse tópico do Recurso Voluntário ensejou a necessidade de realização de uma diligência fiscal. As conclusões deste procedimento se encontram no documento acostado às fls. 3162/3197, nos seguintes termos: 1. Trata-se do cumprimento de Resoluções proferidas nos julgamentos dos Recursos Voluntários interpostos pela contribuinte nos processos administrativos de análise do direito creditório de Pis e Cofins não cumulativos dos Pedidos de Ressarcimento relacionados abaixo: (...) 2. As Resoluções dos Recursos Voluntários interpostos em face dos Acórdãos da DRJ, que deram provimento parcial às Impugnações, converteram os julgamentos em diligências, consignando os seguintes dispositivos: (...) ITEM 1 – DILIGÊNCIA (...) 5. Os requisitos a se verificar no item 1 da Diligência são basicamente: confirmar se as vendas são de produtos in natura de origem vegetal e se a contribuinte realiza essas vendas na condição de cerealista. 6. A condição de cerealista não mais se discutirá na via administrativa, já que foi decidida judicialmente, conforme exposto na Resolução do Recurso Voluntário: (...) 8. A expressão in natura é utilizada para descrever produtos de origem vegetal quando em seu estado natural ou sem processamento. As Notas 1a) e 1b) do Capítulo 10 na Tabela NCM, que engloba as posições 1005.90.10 e 1001.19.99, de milho e trigo respectivamente, especificam: “Os produtos mencionados nos textos das posições do presente Capítulo só se incluem nessas posições quando se apresentem em grãos, mesmo nas espigas ou caules” e “O presente Capítulo não compreende os grãos descascados (com ou sem película) ou trabalhados de outro modo.” Já nas Considerações Gerais das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, do Capítulo 12, que inclui a posição 1201.90.00, da soja, esclarece que: “As sementes e os frutos destas posições podem apresentar-se inteiros, partidos, descascados. Podem, além disso, ter sido submetidos a um tratamento térmico, (...), esse tratamento é permitido apenas se não modificar a característica das sementes e frutas como Fl. 3212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 11 produtos naturais. (IN RFB nº 1.072, de 2010)”. Desta forma, pelos atos normativos acima expostos, verificamos que os produtos classificados nas NCMs 1001.19.99 (trigo), 1005.90.10 (milho) e 1201.90.00 (soja) se referem a produtos in natura de origem vegetal, pois de acordo com o texto os produtos abrangidos nestas posições não podem sofrer processos que os modifiquem; ou não podem estar moídos, ou não podem estar descascados, ou trabalhados de outro modo, ou podem sofrer algum processo mas desde que não os descaracterize de sua forma natural. 9. Assim sendo, temos confirmado o item 1 da Diligência determinada pela Resolução CARF, ou seja, as operações de suspensão reclassificadas para tributadas no mercado interno correspondem à venda de produtos in natura na condição de cerealista, nos termos do artigo 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/2004. ITEM 2 - DILIGÊNCIA 10. O item 2 da Diligência requer a verificação do regime de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos adquirentes destas operações de venda que originaram as receitas suspensas reclassificadas para receitas tributadas na análise inicial do direito creditório de Pis e Cofins não cumulativos. 11. Esta verificação é necessária em função do disposto na Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº 660/2006, que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre o crédito presumido decorrente da aquisição desses produtos, na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. (...) 14. Estes são os adquirentes relacionados nas folhas citadas nas Resoluções referidas, participantes das operações de vendas com suspensão que foram reclassificadas na análise inicial e os respectivos regimes em que apuram o imposto de renda pessoa jurídica: (...) 15. Vemos que as vendas, ora em análise, realizadas para os adquirentes com CNPJ 01.758.596/0001-56, 02.779.914/0001-28, 18.334.928/0001-78 e 82.675.133/0001-22, que não apuram o imposto de renda pessoa jurídica pelo regime do lucro real, não cumprem com um dos requisitos, dispostos na IN RFB nº 660/2006, necessários para que a operação incorra na suspensão do Pis e da Cofins não cumulativos do inciso I, do art. 9º, da Lei nº 10.925 de 2004. E a seguir temos os valores das correspondentes operações de venda mensais por adquirente: (...) ITEM 3 - DILIGÊNCIA Fl. 3213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 12 16. O item 3 da Resolução CARF que converte o julgamento em Diligência determina que se “Verifique se os adquirentes utilizaram as mercadorias adquiridas com suspensão na produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004”. 17. Relacionamos a seguir as mercadorias do caput do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004: (...) 18. Para verificar se os adquirentes utilizaram os bens adquiridos com suspensão; milho, soja ou trigo; na produção das mercadorias relacionadas acima, baixamos as Escriturações Fiscais Digitais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins de todos os adquirentes que apuram o imposto de renda da pessoa jurídica pelo regime do lucro real. Destas EFDs Contribuição, extraímos os documentos fiscais das operações de vendas de mercadorias relacionadas no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, produzidas com os insumos (milho, soja ou trigo). (...) CONCLUSÃO 92. Em conformidade com o exposto neste Relatório de Diligência Fiscal sobre o averiguado nesta Diligência, refizemos os cálculos das contribuições apuradas, dos créditos de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, verificamos os descontos de créditos a serem realizados das contribuições apuradas, respeitando os valores informados nos Controles de Créditos Fiscais das EFDs Contribuições declaradas pela contribuinte, e assim chegamos aos valores dos créditos ressarcíveis a serem deferidos e aos valores das contribuições a serem pagas, que restaram em parte modificados. 93. Esclarecemos que, ao reconhecer judicialmente a atividade da recorrente como cerealista, e assim aplicando a suspensão da receita em conformidade com o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, consequentemente, o crédito presumido deste artigo fica vedado ao cerealista de acordo com o inciso I do § 4º do art. 8º desta Lei: (...) 94. Os cálculos estão demonstrados em planilhas anexadas aos processos, em Excel. E a seguir relacionamos os valores dos Pedidos de Ressarcimento, objeto da análise, e os respectivos valores a serem deferidos, comparando-os com os resultados de análises anteriores (DRFB – Delegacia da Receita Federal do Brasil e DRJ – Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento/Diligência): (...) 95. Dê-se ciência deste Relatório de Diligência Fiscal ao contribuinte, para que, caso queira, manifeste-se no prazo de 30 (trinta) dias nos termos do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, ressaltando-se que, com ou sem manifestação da Fl. 3214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 13 interessada, o presente processo será devolvido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário. Apesar da decisão judicial obtida pelo recorrente, no qual lhe resta assegurada a condição de “cerealista”, não há como acolher o pedido para afastamento das glosas e anulação do acórdão da DRJ e do Despacho Decisório. Vejamos. Conforme consta do Despacho Decisório, nem todos os créditos do contribuinte são ressarcíveis/compensáveis. Existem créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno, os quais somente podem ser objeto de dedução do imposto devido na escrita fiscal; e créditos vinculados a (i) receitas não tributadas no mercado interno e (ii) receitas de exportação, os quais podem ser objeto de ressarcimento/compensação. O contribuinte fez a opção de segregar os créditos pelo método do rateio, considerando a proporção do tipo de receita em relação à receita total, e a fiscalização da Receita Federal assim procedeu para apurar os montantes corretos, conforme itens 32/37 da Informação Fiscal (fl. 720/721): Etapa 5 - Cálculo do Rateio Proporcional entre as Receitas Tributadas, Receitas Não tributadas no Mercado Interno e Receitas de Exportação 32. Tendo em vista a alteração dos valores totais das receitas de exportação, de mercado interno não tributadas e tributadas tivemos alterado o cálculo do rateio proporcional entre Receitas do Mercado Interno Tributadas, Receitas do Mercado Interno Não tributadas e Receitas de Exportação. 33. De acordo com a opção da empresa, SPED Contribuições, a vinculação dos créditos às receitas será feita por rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a essas receitas a relação percentual existente entre as mesmas e a receita bruta total. 34. As receitas financeiras tributadas à alíquota zero, por não terem qualquer relação com os custos, despesas e encargos comuns que compõem a base de cálculo dos créditos, não devem integrar o montante da receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa (receitas de mercado interno) e nem o da receita bruta total, auferida em cada mês, sob pena de distorcer o percentual a ser utilizado para fins de apuração de créditos vinculados à exportação e às vendas de mercado interno. 35. Da mesma forma, igual tratamento deve ser dado às receitas decorrentes das vendas de bens do ativo imobilizado as quais não sofrem incidência das contribuições e também não possuem nenhuma relação com as despesas de composição da base de cálculo do crédito e, portanto, não integram o total da receita de mercado interno não tributado para fins de rateio. 36. O mesmo também ocorre com as exportações decorrentes das saídas de bens adquiridos com fim específico de exportação (notas fiscais de venda com CFOP 7.501 – Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação), Fl. 3215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 14 ocasião em que a empresa atua exclusivamente como comercial exportadora. Portanto, tais receitas não devem integrar o montante das receitas de exportação nem da receita bruta total da empresa. 37. Para demonstração do resultado anexamos aos processos planilha com o cálculo do rateio proporcional entre receitas do mercado interno tributado, mercado interno não tributado e das receitas de exportação, de acordo com o parâmetro definido no art. 3º, § 8º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 (rateio proporcional), in verbis: II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Nesse contexto, verifica-se que, mesmo que confirmada a possibilidade de suspensão dos tributos pleiteada pelo contribuinte (objeto de diligência fiscal), não haverá influência no cálculo do rateio, pois este processo trata exclusivamente do ressarcimento de créditos vinculados a receitas de exportação. Essa suspensão teria reflexos sobre o rateio no que tange exclusivamente aos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno, objeto de pedido de ressarcimento em outros processos. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial a este pedido, para determinar a suspensão da incidência do PIS/Cofins de que trata o art. 9º da Lei nº10.925/2004 sobre as vendas que cumprem os requisitos previstos na legislação, conforme apurado e quantificado na diligência fiscal determinada por este Conselho. III – DO TÓPICO “RECLASSIFICAÇÃO INDEVIDA” Neste tópico, o contribuinte pede que seja revertida a reclassificação das receitas com exportação indireta para receitas tributadas no mercado interno, nos seguintes termos: Nesse passo, confirmada a questão da atividade primordial exercida pela Recorrente, qual seja, cerealista, mister adentrar na outra suposta inconsistência aventada pela autoridade fiscal, que reclassificou os valores oriundos de exportação indireta para mercado interno tributado sob a justificativa de que não houve a confirmação do envio dos grãos para o mercado externo. Segundo consta, os fundamentos da fiscalização que levaram à desconsideração das receitas como exportação e foram reclassificadas como tributadas no mercado interno são: “9. Também, na relação de notas fiscais de exportação indireta encaminhada pela empresa, para algumas notas não foram preenchidos os campos relativos aos números da Declaração de Despacho de Exportação – DDE, do Registro de Exportação – RE e do respectivo Memorando de Exportação. Na exportação indireta é fundamental a demonstração do fim específico de exportação, ou seja, é necessário que fique identificado os números da DDE, do RE e do Memorando Fl. 3216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 15 de Exportação o que comprova esta operação. Portanto, para estas notas fiscais efetuamos glosa por falta de comprovação – Glosa 2.” (...) Segundo amplamente exposto no item acima, a recorrente possui seu caráter de exportador de grãos. Portanto, incorreu em erro a autoridade fiscal ao não reconhecer as operações de exportação da Recorrente sob a justificativa de que não apresentou as notas fiscais e documentos de exportação que demonstrassem a efetiva remessa dos produtos ao exterior. Posto isso, com o objetivo de comprovar o efetivo envio dos grãos ao exterior, quer seja pela via direta, quer seja pela via indireta, e nos moldes do princípio da verdade material, foi apresentado todos os documentos referentes às exportações durante o período de janeiro de 2012 a junho de 2014. Portanto os documentos constantes do processo comprovam cabalmente a existência da exportação de grãos durante o período fiscalizado, eis que não pode subsistir os argumentos apresentados pela fiscal. Portanto, uma vez demonstrada a existência das exportações diretas e indiretas que foram desconsideradas pela fiscalização e alvo da lavratura do despacho decisório, conclui-se que efetivamente ocorreram as exportações, razão pela qual deve ser julgando procedente este Recurso Voluntário para ao final, anular o acórdão recorrido e as glosas realizadas e deferir os créditos na sua integralidade. Tais argumentos são uma reprodução integral de pedido já formulado na Manifestação de Inconformidade; a DRJ, para conferir a veracidade dessas alegações, determinou a realização de uma diligência, cujas conclusões constam do relatório juntado às fls. 809/815. Apesar de cientificado deste documento e intimado a se manifestar, o contribuinte permaneceu silente. Transcorrido in albis o prazo para manifestação, o processo foi remetido para a DRJ, cujo decisão foi a seguinte (fl. 865): Contra a decisão que indeferiu o direito creditório pleiteado no PER nº 09237.56252.180914.1.1.08-5306, foi apresentada defesa, devidamente apreciada quando do julgamento do Auto de Infração presente no Processo n° 10980.722878/2016-32. Isso porque referida manifestação reportou-se a glosas de créditos que influenciaram na classificação das receitas da contribuinte, em exportação, mercado interno tributado e mercado interno não tributado, bem como na apuração dos créditos de PIS e Cofins. Após os procedimentos fiscalizatórios, sobrou saldo de imposto a pagar para diversos períodos de apuração, devidamente lançado no AI já citado. Foi realizada também diligência fiscal, cujo resultado encontra-se informado às fls. 809/815, para que se apurasse o real montante das exportações e sua influência nas receitas da contribuinte, tanto quanto a alteração no percentual de rateio, no que tange às receitas no mercado externo e interno (tributadas e não tributadas), Fl. 3217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 16 para fins de cálculo dos créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins. E, ainda, verificação da existência de saldo credor passível de ressarcimento. Com a conclusão de todos os trabalhos da fiscalização, não houve novamente apuração de crédito de Pis não cumulativo - exportação, para o período de 3º trim 2012. Assim, não comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de ressarcimento, deve ser mantida a decisão dada pela autoridade administrativa, que não reconheceu o montante pleiteado por meio do PER n° 09237.56252.180914.1.1.08-5306. Tendo em vista que o contribuinte nada acrescentou em seu Recurso Voluntário, não há como modificar a decisão de piso. Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. IV – DO TÓPICO “DO RATEIO PROPORCIONAL ENTRE AS RECEITAS TRIBUTADAS, RECEITAS NÃO TRIBUTADAS NO MERCADO INTERNO E RECEITAS DE EXPORTAÇÃO – DESCONSIDERAÇÃO DO NOVO RATEIO EM RAZÃO DAS PROVAS TRAZIDAS AOS AUTOS” Neste tópico, o contribuinte pede novamente que seja revertida a reclassificação das receitas com exportação indireta para receitas tributadas no mercado interno, dessa vez nos seguintes termos: A autoridade fiscal, em face das glosas provenientes das receitas de exportação e do mercado interno não tributado (suspensão), viu-se obrigada a refazer o rateio proporcional entre as receitas tributadas, receitas não tributadas no mercado interno e receitas de exportação. Assim, os documentos que foram trazidos com a manifestação de inconformidade, levam a crer a veracidade das informações fiscais e tributárias levadas ao conhecimento da fiscalização no momento da formalização dos pedidos de ressarcimento. Exemplificando, as exportações efetivamente ocorreram, quer seja pela via direta, quer seja pela via indireta, segundo memorandos de exportações, DEE’s e RE’s; assim como restou amplamente demonstrado que a atividade da Recorrente é cerealista, razão pela qual aplica-se ao caso a suspensão prevista no art. 9º, da Lei n.º 10.925/04 c/c arts. 2º e 3º da IN RFB 660/06. Neste sentido, uma vez demonstrada as efetivas operações pela Recorrente para reconhecer os créditos que lhe são de direito, consequentemente os rateios informados à fiscalização no pedido de ressarcimento são os corretos, razão pela qual não assiste razão à fiscal alterá-los. Portanto, não restam dúvidas das operações efetivadas pela Recorrente, razão pela qual deve ser julgado procedente o presente recurso para anular o acórdão e Fl. 3218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 17 despacho decisório, para ao final desfazer o rateio realizado pela fiscalização para manter incólume o rateio proporcional realizado pela Recorrente junto aos seus documentos fiscais que deram origem ao pedido de ressarcimento. Em pedido sucessivo, que seja refeito o rateio na proporção do que for deferido nos pedidos de exportação e das receitas não tributadas no mercado interno (suspensão). Como o contribuinte se limita a repetir o mesmo pedido do item anterior, novamente sem demonstrar porque as conclusões da diligência fiscal estariam equivocadas, deve ser mantida a negativa de provimento ao pedido. V – DO TÓPICO “DOS BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA” Neste tópico, o contribuinte pede a reversão das glosas de créditos, nos seguintes termos: Pois bem, a sistemática da não-cumulatividade das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS consiste em permissão para descontos da base de cálculo da pessoa jurídica – apurada sobre a receita bruta – relativos a certas operações de entrada de bens, encargos, custos e despesas. Tem-se expressamente previsto, na Lei nº 10.637/2002 e na Lei nº 10.833/2003, as situações que ensejam crédito de PIS e COFINS, dentre as quais destacam-se os bens adquiridos para a revenda, que segue: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei;” Sendo assim, não poderão ser glosados os bens adquiridos, uma vez que devidamente comprovadas, através de documentos que seguiram com a manifestação de inconformidade, que as mercadorias foram destinadas ao mercado interno não tributado (suspensão) ou, ainda, para o externo, de modo que deverão ser deferidos em sua integralidade, razão pela qual deve ser anulado o acordão e despacho de decisório. O contribuinte apenas cita a legislação que permite a tomada de créditos, sem rebater os fundamentos do Despacho Decisório e do acórdão da DRJ. Nesse contexto, não há como dar provimento ao pedido. VI – DO TÓPICO “DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS” Fl. 3219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 18 Neste tópico, o contribuinte pede a reversão das glosas de créditos de insumos, nos seguintes termos: No item denominado “etapa 7”, a agente fiscal destaca a glosa dos créditos referentes a bens utilizados como insumos. Dentre os principais itens glosados, estão os créditos oriundos de exportação, que já fora amplamente demonstrado através de documentos no item “IV.A” da manifestação de inconformidade. Salienta-se, outrossim, a glosa referida pela fiscalização que consiste nas aquisições de BIG BAG para ensacar os grãos destinados à venda. Em linhas gerais, foi mencionado que o referido insumo não compunha o caráter de insumo uma vez que era embalagem utilizada no transporte e não na fabricação dos produtos, segundo previsão legal contida no despacho decisório. Como devido respeito que mereça a fiscal que exarou o despacho decisório ora contestado, mas não merece prosperar sua interpretação. A fiscal entende que o sistema não cumulativo trazido pelo legislador seria idêntico ao sistema constitucional da não cumulatividade estabelecido para o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), expedida através das Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, nas quais determina que somente poderão ser considerados insumos, para fins de creditamento para desconto do tributo devido no caso das contribuições para o PIS e para a COFINS, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, vindo de encontro ao que foi estabelecido tanto pela Carta Magna (os contornos presentes na não cumulatividade prevista), bem como pela legislação infraconstitucional. (...) Em síntese, veja-se que a base de cálculo para apuração do PIS e da COFINS é o faturamento, pressupõe-se que para atingir tal objetivo (faturamento) deva-se produzir e comercializar bens os quais a Recorrente está incumbida de vender. Assim, para chegar a tal fim, necessário o dispêndio de algumas despesas e insumos que atinjam o seu objetivo final. Logo, entende-se que todas as despesas e insumos necessários para o objetivo final da Autora, qual seja o faturamento, deva ser passível de creditamento para PIS/COFINS. Corolário lógico, pois, que os BIG BAGs são necessários para a atividade fim da empresa pois, para efetuar a venda, com o devido transporte dos grãos, deve-se colocá-los em sacos que suportam grande peso e volume, a conservação e proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis, como é o caso exposto. Se não houvesse a utilização dos BIG BAGs, a Recorrente não conseguiria atender a demanda dos clientes e, consequentemente, não os venderia e, não geraria faturamento. Fl. 3220DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 19 (...) Quanto aos serviços utilizados como insumos, foram pleiteados os meses de janeiro de 2012 e junho de 2014. Veja-se que o serviço prestado no mês de janeiro de 2014, embora devidamente comprovado por meio de nota fiscal, foi glosado com base no argumento de que o serviço de mecânica não se enquadra como insumo aplicado ao produto. Todavia, com base em toda a explanação retro acerca da definição de insumos, tem-se superado qualquer questionamento acerca do enquadramento como insumo, visto que essencial para o processo produtivo. Por outro lado, observa-se que a Autoridade Fiscal apenas glosou os valores de janeiro de 2012 por ausência de comprovação da efetiva aquisição de serviço. Desta forma, oportunamente, juntou-se aos autos as notas fiscais relativas aos serviços prestados no período de janeiro de 2012, razão pela qual tem-se superada qualquer discussão acerca do direito ao crédito. Nesses termos, considerando-se que a Recorrente tomou créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumo decorrentes dos custos incorridos pelos bens adquiridos e em razão deles serem necessários para a sua atividade-fim, entende que merece ser afastada a glosa, visto que aferidos nos termos estabelecidos pela legislação em vigor. Em relação aos BIG BAGs, verifica-se que são necessários para a atividade fim da empresa pois, para efetuar a venda, com o devido transporte dos grãos, deve-se colocá-los em sacos que suportam grande peso e volume e também garantem a conservação e proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis. Se não houvesse a utilização dos BIG BAGs, a Recorrente não conseguiria atender a demanda dos clientes e, consequentemente, não os venderia. Sobre o tema há, inclusive, a Súmula CARF nº 235: As despesas incorridas com embalagens para transporte de produto, quando destinadas à sua manutenção, preservação e qualidade, enquadram-se na definição de insumos fixada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Quanto aos serviços utilizados como insumos, o contribuinte informa que se referem aos meses de janeiro de 2012 e junho de 2014. Essa informação confere com o que consta da Informação Fiscal, às fls. 724 e 725: 55. A empresa declarou no SPED Contribuições valores componentes da base de cálculo dos créditos pleiteados como serviços utilizados como insumos somente nos meses de janeiro de 2012 e junho de 2014. 56. Na relação de notas fiscais encaminhada pela empresa em resposta à Intimação Fiscal nº 01/2016 somente há uma nota de junho de 2014 que confere Fl. 3221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 20 com o valor declarado no SPED neste mês. Portanto, glosamos o valor de janeiro de 2012 por falta de comprovação da efetiva aquisição do serviço. O presente processo trata dos créditos referentes ao 3º trimestre de 2012, logo a matéria não deve ser conhecida. VII – DO TÓPICO “DESPESAS COM ALUGUÉIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS” Neste tópico, o contribuinte pede a conversão do julgamento em diligência para apresentação da documentação que comprova as despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, nos seguintes termos: DESPESAS COM ALUGUÉIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS O Acórdão, negou o direito da Recorrente em produzir tais provas, portanto, merece reparo nesse sentido, uma vez que o direito ao crédito com despesas de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, também vem amparado pelo texto legal: (...) Posto isso, conforme requerido na impugnação do processo principal nº 10980.722878/2016-32, requer seja o feito baixado em diligência para apresentação da documentação que comprova as despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, sob pena de cerceamento de defesa. Este Conselho privilegia o Princípio da Verdade Material, buscando sempre a verdade dos fatos no mundo real, em contraposição à “verdade dos autos”, atenuando os rigores do formalismo processual e admitindo a produção de provas após a apresentação da Impugnação, desde que atendidas determinadas condições, sendo a principal delas a apresentação, pelo contribuinte, de provas indiciárias que ao menos demonstrem a plausibilidade dos seus pedidos. Vejamos, portanto, os fundamentos da Informação Fiscal que glosou esses créditos (fls. 725/726): Etapa 10 – Análise dos Créditos referentes a Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos 61. No SPED Contribuições, a contribuinte declarou como componente da base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos do período desta análise, janeiro de 2012 a junho de 2014, despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos. 62. Para comprovar a declaração e atestar as referidas despesas, intimamos a empresa, através do Termo de Intimação Fiscal nº 01/2016, a apresentar cópia dos contratos de aluguel e respectivos comprovantes de pagamento que compuseram esta rubrica. Fl. 3222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 21 (...) 64. Entretanto, dos contratos inicialmente apresentados pela empresa, um trata- se de subcomodato cujo período de comodato é de 22/01/2015 a 22/01/2015, outro é locado de pessoa física com prazo inicial em 11/01/2016, outro de locação de 1 contêiner cujo prazo inicial é de 19/08/2015, outro de locação de 1 barracão com prazo inicial em 18/08/2014 e o último documento apresentado não é cópia de contrato e sim documento judicial datado de 25/06/2011. Como demonstramos, os documentos não são do período desta análise, além de outras inconsistências, como locação de pessoa física e documento não é contrato de aluguel. 65. Porém, posteriormente, a contribuinte apresentou outro Contrato de Arrendamento Mercantil de Unidade Armazenadora de Cereais com período de arrendamento de 10 anos, com início em 25/09/2007 e fim em 24/09/2017, com valor da contraprestação de R$ 7.000,00 mensais. Também apresentou notas fiscais de aluguel de máquina com datas dentro do período de análise. 66. Tendo em vista estes últimos documentos, deferimos a totalidade das despesas neles contidas e glosamos do montante declarado no SPED Contribuições a diferença não comprovada pela contribuinte. Para demonstração anexamos aos processos os documentos apresentados pela empresa, juntamente com planilha de resultado desta rubrica. Para se contrapor a estes argumentos, o contribuinte apresentou as seguintes alegações em sua Manifestação de Inconformidade: Nesses termos, considerando-se que a Manifestante tomou créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumo decorrentes dos custos incorridos pelos bens adquiridos e em razão deles serem necessários para a sua atividade-fim, entende que merece ser afastada a glosa, visto que aferidos nos termos estabelecidos pela legislação em vigor. IV.F – DESPESAS COM ALUGUÉIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS O mesmo ocorre com relação às despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos. Veja-se que o direito ao crédito com despesas de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, também vem amparado pelo texto legal: (...) Ocorre que, diante de um equívoco da ora manifestante, foram indevidamente juntados contratos de aluguéis e comprovantes de pagamentos relativos a período distinto ao pleiteado. Conduta esta que acarreta apenas em vício formal, não sendo capaz de derruir um direito expressamente previsto na legislação. Neste diapasão, é imperioso oportunizar prazo hábil à ora manifestante para a juntada de toda a documentação probatória, tais como contratos de aluguéis e arrendamentos mercantis, referentes ao período de janeiro de 2012 a junho de Fl. 3223DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 22 2014, visto que, apenas assim, tem-se a possibilidade da reforma do despacho decisório ora impugnado e, por conseguinte, a viabilização do deferimento integral dos pedidos de ressarcimentos. Tal defesa foi apresentada em 28/07/2016. Passados quase 10 anos, o contribuinte não apresentou um único documento sequer, dentre aqueles para os quais solicitou prazo hábil para apresentação. Nesse contexto, mostra-se inadmissível a realização de uma diligência para produção de provas que já poderiam ter sido apresentadas pelo contribuinte, junto com o Recurso Voluntário ou até mesmo depois deste. Pelo exposto, rejeito o pedido de diligência. VIII – DO TÓPICO “DAS DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA” Neste tópico, o contribuinte pede a reversão da glosa de créditos vinculados a fretes de produtos acabados entre filiais, nos seguintes termos: Quanto ao frete pago pela adquirente na compra de mercadorias, este poderá gerar crédito desde que a esta seja destinada a revenda ou utilizada como insumo, de forma que o custo com o frete estará integrado no custo para aquisição dos bens. O mesmo se aplica para os fretes nas operações em que o fornecedor é pessoa jurídica, conforme se verifica: (...) Afirma a fiscal que há uma destoante diferença entre os valores declarados no SPED Contribuições e o informado na planilha encaminhada pela empresa em resposta à intimação 26/2016. E que em relação aos períodos de janeiro de 2012 e agosto de 2012, no momento em que fora intimada para prestar os esclarecimentos, sequer houve a declaração de novos valores pela recorrente. Ainda, afirmou-se no despacho decisório que diversas operações não foram especificadas, tais como, a identificação e diferenciação do frete de compra e do frete de venda, bem como da mercadoria transportada pelo contribuinte nas operações de compra, sendo estes alguns dos fatores que ensejaram na glosa dos valores. Por outro lado, quanto aos fretes realizados entre filiais, contrário ao alegado pela Autoridade Fiscal, não há qualquer óbice para o creditamento, tanto que o próprio dispositivo legal (inciso IX, do artigo 3º da Lei nº 10.833/03), ao mencionar "(...) frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor" está admitindo o crédito do frete para o transporte de insumos, produtos acabados ou produtos já vendidos. Assim, o crédito não estaria limitado às operações de venda. (...) Fl. 3224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 23 Observa-se que, em um primeiro momento, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) se pronunciou no sentido reconhecer o dispêndio do frete entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde oriundos destinados as transferências de matérias-primas e produtos intermediários, consoante se observa: (...) Todavia, também é possível atribuir ao frete entre estabelecimentos de produtos acabados a natureza jurídica do crédito de insumo. Atualmente, o CARF tem estendido sua interpretação quanto aos bens e mercadorias relacionados aos fretes entres as filiais, admitido não apenas a possibilidade de direito ao crédito sobre o transporte de insumos e produtos intermediários, mas, também, sobre os produtos acabados, consoante se observa: (...) Outrossim, consoante deprede-se do Acórdão nº 3403-00.485, tem se ainda a possibilidade de crédito nas transferências realizadas entre os estabelecimentos da mesma pessoa jurídica de produtos destinados à exportação, de modo que os fretes entre filiais equipar-se-ão aos fretes de venda. Desse modo, tendo em vista que a Recorrente tem a exportação como uma de suas principais atividades, faz-se necessário, também, as comprovações destas operações. Vejamos, portanto, os fundamentos da Informação Fiscal que glosou esses créditos (fls. 726/727): Etapa 11 - Análise dos Créditos referentes a Fretes na Operação de Venda 67. Para demonstração do valor declarado como Fretes na Operação de Venda, a empresa apresentou Relação dos Conhecimentos de Transporte – CTe e desta relação selecionamos alguns documentos por amostragem para checagem de informações. Visualizamos estes Conhecimentos através do programa disponibilizado no endereço www.cte.fazenda.gov.br, com a respectiva chave informada na relação encaminhada. 68. Desta amostra, verificamos que constava nesta Relação não somente fretes sobre operações de venda, mas também fretes sobre operações de compra. Importante salientar que para analisarmos os fretes sobre compras é necessária a identificação da mercadoria transportada, pois, neste caso, o frete compõe o custo da mercadoria vendida. Também identificamos inconsistências como fretes que não se enquadram na legislação de regência, inciso IX, do art. 3º, c/c inciso II do art. 15, da Lei nº 10.833/2003, como exemplo: fretes de bens do ativo imobilizado, de amostras, brindes, material de construção, etc. Outra inconsistência encontrada na amostra foram fretes de transferência de mercadoria. Fl. 3225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 24 69. Em função do identificado na amostragem reintimamos a empresa, Reintimação Fiscal nº 26/2016, a reencaminhar a relação de Conhecimentos de Transporte informando qual o tipo de frete; compra, venda ou formação de lote; e também identificar a mercadoria transportada, além do fornecedor e do adquirente desta mercadoria. 70. Da análise desta segunda planilha, inicialmente, verificamos que o valor total de frete informado é menor que o valor total declarado no Sped Contribuições. Com isso, efetuamos glosa excluindo do montante declarado no SPED Contribuições esta diferença – Glosa 8. Lembrando que sempre o valor deferido está limitado ao valor declarado no SPED. 71. Em relação ao frete pago pelo adquirente na COMPRA de mercadorias destinadas à revenda ou utilizadas como insumos, este serviço integra o custo de aquisição desses bens, podendo gerar direito a créditos desde que o custo tenha sido suportado pelo adquirente. Caso a mercadoria transportada não gere crédito por não ser bem para revenda ou utilizado como insumo, o respectivo frete também não gerará crédito. Portanto, os fretes: de documentos administrativos, de aquisição de bem para o ativo imobilizada (CFOP 2.551), de transferência de mercadoria entre unidades do contribuinte (CFOP 5.152 e 1.152), de aquisição de bem adquirido para uso ou consumo (CFOP 1.556), de transporte de amostra grátis (CFOP 6.911), além de despesas com guinchos; foram excluídos do total declarado no SPED Contribuições – Glosa 1. 72. O mesmo ocorre em relação ao frete nas operações de compra de mercadoria adquirida de Pessoa Física, já que neste caso o direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, conforme dispõe o inciso I do § 3º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e o valor incorrido de frete nas operações de compra compõe o custo de aquisição dos referidos bens. Por isso a totalidade declarada de frete nas operações de Compra de Pessoa Física também foi excluída da base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins – Glosa 2. Importante informar que desta glosa alguns fretes apesar de estarem identificados, na relação encaminhada pela contribuinte, como sendo Pessoa Jurídica o fornecedor da mercadoria transportada, na visualização do CTe verificamos que de fato o fornecedor da mercadoria é Pessoa Física e por isso também excluímos estes fretes do total declarado pela empresa no SPED. 73. Como já informamos acima, o frete sobre operações de COMPRA compõe o custo da mercadoria adquirida, ou seja, para a nossa análise é fundamental a identificação da mercadoria transportada, pois é ela quem define o direito ou não ao crédito. Em função disto é que reintimamos a empresa a reencaminhar a relação inicial contendo esta informação. Entretanto, para alguns CTe a empresa continuou a não identificar a mercadoria e, portanto, devido à impossibilidade de análise conclusiva efetuamos glosa destes valores – Glosa 3. Fl. 3226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 25 74. Também excluímos valores de fretes onde a empresa não informou o tipo do frete, se venda, compra ou formação de lote, assim como também não informou a descrição da mercadoria transportada, e o fornecedor e/ou adquirente desta. A glosa se deve pela impossibilidade de formação de juízo quanto ao direito a crédito destes serviços – Glosa 4. 75. Outra exclusão do montante declarado como fretes sobre operações de venda foi devido a Conhecimentos de Transporte eletrônicos cancelados pelos respectivos emitentes - Glosa 5. Identificamos os cancelamentos através de visualização do CTe no site da Fazenda Nacional, informado acima. Anexamos aos processos cópia de parte dos Conhecimentos de Transporte cancelados, não a totalidade deles devido à grande quantidade e a possibilidade de visualização destes, caso necessário, no site da Fazenda Nacional anteriormente identificado. 76. Ainda na análise da segunda relação de CTe, identificamos alguns Conhecimentos de Transporte declarados em duplicidade e, portanto, excluímos o respectivo montante da base de cálculo do crédito de Pis e Cofins referente a esta rubrica – Glosa 6. 77. Para demonstração dos valores glosados anexamos aos processos planilha de Resultado da análise desta rubrica, relativa a “Frete nas Operações de Venda e de Compra”, e Relação dos Conhecimentos de Transporte Eletrônicos excluídos da base de cálculo dos créditos, separados por motivo da glosa, assim como também, os documentos necessários à comprovação do relatado. Ressaltamos que, entre estas planilhas, há uma denominada “Relação das Notas Fiscais Glosadas – Glosa 7” onde relacionamos Conhecimentos de Transporte inclusos na segunda planilha encaminha pela contribuinte, mas que não foram considerados nesta análise por não comporem o período de análise, em função da data de entrada informada. 78. Os demais valores declarados como despesas de fretes, nas Operações de venda e de compra, foram confirmados pelos documentos apresentados pela contribuinte em resposta às Intimações e, portanto, deferidos nesta análise. Apesar das glosas de fretes terem sido realizadas sob diversos fundamentos, o contribuinte se limitou a contestar a glosa de créditos vinculados ao frete de produtos acabados. Contudo, tal matéria já se encontra pacificada neste Conselho por meio da Súmula CARF nº 217: Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Apesar de não ter sido objeto de contestação específica, a Glosa 2 se refere a frete nas operações de compra de mercadoria adquirida de pessoa física, matéria que deve ser conhecida de ofício pelo julgador, por estar sumulada neste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 188: É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e Fl. 3227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 26 pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Nesse contexto, decido, de ofício, pela reversão da Glosa 2, referente a créditos vinculados a frete de insumos adquiridos de pessoa física. IX – DO TÓPICO “DAS DESPESAS COM MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO” Neste tópico, o contribuinte pede a reversão da glosa de créditos vinculados às despesas com máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado, nos seguintes termos: Conforme legislação vigente, é permitida a tomada de créditos do PIS/Cofins sobre as aquisições de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, desde que estes sejam utilizados no processo produtivo da empresa. (...) Observa-se que, com a máxima vênia, a Autoridade Fiscal erroneamente glosou os créditos relativos aos bens incorporados ao ativo imobilizado – caminhões e carretas –, sob o argumento de que estes bens não seriam utilizados no processo produtivo, tendo em vista que a empresa teria o beneficiamento de grãos como o seu processo produtivo. Em que pese este seja uma de suas principais funções, ocorre que, em uma de suas filiais, denominada de Lavoura Transportes (inscrita no CNPJ/MF sob o nº 79.851.192/0001-08), executa-se como atividade principal a realização de transportes, consoante pode-se observar no objeto do estatuto social: “(vii) transporte rodoviário de cargas, exceto produtos perigosos e mudança, intermunicipal, interestadual e internacional.” Portanto, os caminhões apontados pela Recorrente são evidentemente fundamentais para que esta exerça suas atividades operacionais e integram o seu ativo imobilizado, fazendo, pois, jus ao direito creditório sobre a depreciação ocorrida sobre referidos bens. Deste modo, tendo em vista que os bens do ativo imobilizado apontados pela Recorrente são essenciais ao processo produtivo da referida transportadora, é ilegal e abusiva a vedação ao aproveitamento, pelo que impõe- se o afastamento das glosas e o deferimento dos créditos lançados na sua integralidade. Na diligência fiscal determinada pelo CARF foi solicitada também uma análise dessa matéria. O Relatório de Diligência Fiscal traz as seguintes conclusões (fls. 3190/ss): Fl. 3228DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 27 74. As Resoluções que converteram os julgamentos nesta Diligência, determinaram no item 4 que verifiquemos: “Se houve auferimento de receitas de prestação de serviços de transporte a terceiros e se os caminhões e carretas objeto da glosa “Despesas com máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado” estão vinculados a esta prestação de serviço.” (...) 76. Quanto à verificação exigida, informamos que em parte a resposta é sim, resta comprovado que a contribuinte Lavoura Indústria Comércio Oeste SA, de acordo com o declarado em Escriturações Fiscais Digitais das Contribuições PIS/Pasep e Cofins – EFD do período, realizou prestações de serviços de transporte a terceiros. A seguir tabela referente aos correspondentes valores e períodos dos serviços prestados: (...) 80. A glosa em análise inicial do seu direito creditório se deu pelo fato de que no geral os bens destacados não eram utilizados no processo produtivo da empresa o “beneficiamento de grãos”. Nesse primeiro momento foi desconsiderada a prestação de serviço de transporte a terceiros como atividade da contribuinte, entretanto, nesta diligência constatamos que estas operações são realizadas pela contribuinte e compõem o cálculo dos créditos de pis e cofins não cumulativos, fazendo jus portanto de créditos apurados sobre caminhões e carretas, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados nos serviços de transporte prestados a terceiros. 81. Destacamos que os demais bens glosados, que não caminhões e carretas, serão mantidos como itens excluídos da base de cálculo dos créditos de Pis/Pasep e cofins não cumulativos, no cálculo final desta diligência. 82. Para identificar quais caminhões e carretas eram utilizados nas prestações de serviços de transporte a terceiros, a fim de comprovar o direito ao crédito, intimamos a empresa (Termo de Intimação Fiscal nº 15.178- 2023/EQAUD3/DRFBLU/SRRF09/RFB) a apresentar planilha com relação de documentos fiscais de prestações de serviços de transporte vinculados aos caminhões e/ou carretas, as respectivas cópias destes documentos, planilha com a relação dos referidos caminhões e carretas vinculando-os à descrição utilizada na EFD Contribuições no registro do crédito de “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado” e respectivas documentações probatórias. 83. Da resposta à Intimação verificamos as placas indicadas nos Conhecimentos de Transporte e checamos, com ajuda das planilhas e documentos comprobatórios encaminhados, quais foram os caminhões e carretas que correspondiam àquelas placas informadas nos documentos fiscais do serviço de transporte prestado a terceiros. Relação dos bens comprovados e deferidos nesta diligência a seguir: Fl. 3229DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 28 (...) 84. Os caminhões e carretas que não tiveram a comprovação de utilização em prestação de serviços de transporte a terceiros, através dos documentos encaminhados pela contribuinte, e por isso continuam excluídos da base de cálculo dos créditos sob análise, estão relacionados a seguir: (...) 85. Durante a Diligência verificamos que a contribuinte declarou em duplicidade alguns caminhões e carretas, informando o bem tanto na rubrica de “Máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (crédito sobre encargos de depreciação)” quanto na rubrica de “Máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (crédito com base no valor de aquisição)”. Por terem sua comprovação na utilização em prestação de serviços de transporte, deferimos o crédito de Pis e Cofins sobre os bens, mas somente na rubrica com a forma do cálculo do “crédito sobre encargos de depreciação” e mantivemos a glosa na rubrica do “crédito com base no valor de aquisição”. Relacionamos a seguir os respectivos bens: (...) 86. O cálculo do crédito de Pis/Pasep e Cofins não cumulativos sobre as despesas com máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado após esta diligência está demonstrado em planilhas anexadas aos processos. Com base no resultado da diligência, voto para dar provimento parcial a este pedido, no limite do crédito reconhecido em diligência. X – DO TÓPICO “DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC” Neste tópico, o contribuinte pede que o valor pedido em ressarcimento seja corrigido pela Taxa SELIC. Contudo, não houve qualquer resistência por parte da Receita Federal neste ponto, ou qualquer utilização de outra taxa. Logo, há evidente falta de interesse e utilidade processuais nessa matéria (pressupostos de admissibilidade), razão pela qual voto pelo seu não conhecimento. XI – DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do pedido de reversão da glosa de créditos com serviços prestados em janeiro de 2012 e junho de 2014; e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de diligência e, no mérito, dar provimento parcial para determinar a suspensão da incidência do PIS/Cofins de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 sobre as vendas que cumprem os requisitos previstos na legislação; para reverter a glosa de créditos vinculados (i) às aquisições de embalagens tipo “BIG BAGs”, (ii) às despesas com frete de insumos adquiridos de pessoa física e (iii) aos encargos de depreciação de Fl. 3230DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.565 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.910076/2015-05 29 caminhões e carretas, tudo nos termos da diligência fiscal determinada por este Conselho; e para determinar a correção de eventual saldo credor pela taxa SELIC a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco, nos termos do REsp nº 1.767.945/PR. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 3231DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0