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Numero do processo: 10920.720297/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO PELO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA - SIPT.
O valor da terra nua não foi questionado no recurso, portanto, o crédito tributário restou definitivamente constituído no trânsito em julgado da decisão a quo, de acordo com o art. 42, parágrafo único do Decreto nº 70.235/72.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO GENÉRICO.
Tratando-se de área de preservação permanente, o laudo técnico deve analisar o imóvel face à legislação que a define (à época do fato gerador, Lei 4.771, de 1965, arts. 2º e 3º, com as alterações da Lei 7.803, de 1989). Afirmações genéricas, sem fazer a indicação das condições geográficas compatíveis com área de preservação permanente, não podem ser acolhidas.
Numero da decisão: 2102-003.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por voto de qualidade em negar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Alice Grecchi, Livia Vilas Boas e Silva e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Junior.
(Assinado digitalmente)
Nubia Matos Moura Presidente Substituta.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Junior Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, João Bellini Junior, Dayse Fernandes Leite, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Livia Vilas Boas e Silva.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ARBITRAMENTO PELO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA SIPT. O valor da terra nua não foi questionado no recurso, portanto, o crédito tributário restou definitivamente constituído no trânsito em julgado da decisão a quo, de acordo com o art. 42, parágrafo único do Decreto nº 70.235/72. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO GENÉRICO. Tratandose de área de preservação permanente, o laudo técnico deve analisar o imóvel face à legislação que a define (à época do fato gerador, Lei 4.771, de 1965, arts. 2º e 3º, com as alterações da Lei 7.803, de 1989). Afirmações genéricas, sem fazer a indicação das condições geográficas compatíveis com área de preservação permanente, não podem ser acolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por voto de qualidade em negar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Alice Grecchi, Livia Vilas Boas e Silva e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Junior. (Assinado digitalmente) Nubia Matos Moura – Presidente Substituta. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 02 97 /2 00 8- 61 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Alice Grecchi – Relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Junior – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, João Bellini Junior, Dayse Fernandes Leite, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Livia Vilas Boas e Silva. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de ofício. Os valores declarados, retificados de ofício e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2006 DECLARADO, FL. 23 RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO 02. Área de Preservação Permanente 1.476,2 220,0 ha 03. Área de Reserva Legal 0,0 ha 295,2 ha 22. Valor da Terra Nua R$ 500.000,00 4.683.141,17 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a conversão do julgamento em diligência por esta turma, em sessão realizada em 21 de julho de 2012, adoto de forma livre o relatório da Resolução nº 2102000.067, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste E. Conselho constante em fls. 139/141: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (f. 21/24), mediante o qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural – ITR, Exercício 2006, no valor total de R$ 521.342,22, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o nº 6.195.0181, localizado no município de Campo Alegre SC. Na descrição dos fatos (f. 22), o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa parcial da área declarada como de preservação permanente e da alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. A interessada apresentou a impugnação de f. 36/41. Em síntese, alega que a área do imóvel está localizada na Mata Atlântica, não sendo possível qualquer exploração. Argumenta que as áreas isentas não estão sujeitas à comprovação prévia por parte do contribuinte. Não concorda com o fato de a autoridade lançadora haver utilizado uma planta do imóvel elaborada há mais de 30 anos para efetuar a glosa da área de preservação permanente. Informa que a propriedade imóvel é cortada por vários rios e que a área de preservação permanente existe, de fato, no imóvel. Solicita a realização de perícia. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10920.720297/200861 Acórdão n.º 2102003.262 S2C1T2 Fl. 272 3 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou as preliminares argüidas e no mérito julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a existência da Área de Preservação Permanente não restou comprovada e que para o Valor da Terra Nua pleiteado não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Além de constar de ADA tempestivo, a área de preservação permanente deve também ser comprovada com Laudo Técnico, que deve discriminar as áreas, com o pertinente enquadramento previsto na Lei nº 4.771/1965 (arts. 2º e 3º), com as alterações da Lei nº 7.803/1989. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls.83 a 88, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação, fundamentalmente que conforme declaração de órgãos ambientais e laudo técnico, a totalidade da área do imóvel é de Preservação Permanente, ressaltando que não se faz necessária, para a configuração de área de preservação permanente para os fins do ITR, do Ato Declaratório Ambiental ADA, expedido pelo IBAMA, porquanto tem natureza declaratória. Alega ao final que a contribuinte supre a falta de prova e, através do Laudo Técnico ora juntado, e, ainda, estribado na Declaração do FATMA, formula o pedido de reconhecimento de que a totalidade da área é isenta de ITR, improcedendose o lançamento realizado. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Esta Turma em sessão realizada em 21 de junho de 2012, Converteu o Julgamento do presente recurso em diligência, Resolução nº 2102000.067, face aos seguintes argumentos extraídos do Voto do então Conselheiro à época, Rubens Maurício Carvalho, o qual não é mais membro deste E. Conselho. Aberta a discussão para o julgamento, atentouse para o fato que o Auto de Infração referese aos documentos do processo 10920.002854/200604, que não constam dos presentes autos, senão vejamos a transcrição da fl. 22: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Complemento da Descrição dos Fatos: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NÃO COMPROVADA A empresa, intimada, não apresentou a documentação comprobatória das áreas declaradas como de preservação permanente. No entanto, alteramos os valores declarados com base na documentação apresentada na revisão da DITR do exercício de 2002, conforme processo administrativo nº 10920002854/200604 de 30/10/2006. Destarte, a turma entendeu ser impraticável o seguimento do julgamento sem tais documentos referidos no processo supracitado. Diante desse fato, voto para CONVERTER o julgamento em diligência, solicitando à unidade de origem para que promova a juntada ao presente processo dos documentos do processo administrativo 10920.002854/200604 que lastrearam o lançamento que ora se julga. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Uma vez atendida a determinação da Resolução 2102000.0671ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária do CARF, que converteu o julgamento em diligência, conforme cópias do processo 10920.002854/200604 constante em fls. 145/267, fora devolvido o processo ao CARF, para julgamento (fl. 268). Considerando que o Conselheiro relator não ser mais membro do CARF, houve novo sorteio e os autos distribuídos a esta relatora. Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente recurso se cinge à controvérsia da existência de Área de Preservação Permanente no imóvel fiscalizado. Inicialmente, cabe consignar que o valor da terra nua não foi objeto do presente recurso, limitandose o contribuinte tão somente a requerer o reconhecimento das áreas de preservação permanente no imóvel. Portanto, o crédito tributário quanto ao VTN restou definitivamente constituído no trânsito em julgado da decisão a quo, de acordo com o art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72, que trata do processo administrativo fiscal. In verbis: “Art. 42. São definitivas as decisões: [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10920.720297/200861 Acórdão n.º 2102003.262 S2C1T2 Fl. 273 5 No que tange a exclusão das áreas de preservação permanente para fins de apuração da área tributável do ITR, a qual está prevista na alínea “a”, do inciso II, §1°, art. 10, da Lei n° 9.393, vejamos a redação do referido diploma legal abaixo transcrita: "Art. 10. § 1ºPara os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal " (Grifei) A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega do ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser corroborada com a descrição contida no ADA. No entanto, em que pese esta relatora entenda que o ADA não é exigência necessária para a constituição das Áreas de Preservação Permanente, compulsando os autos, verificase que no processo nº 10920002854/200604, juntado por determinação da diligência, Resolução 2102000.0671ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária do CARF, o contribuinte protocolou tal documento no Ibama em 31/10/2006 (fl. 202), referente à 2006, o qual descreve área de 1.476,2/ha de APP. Como se exemplifica pelo precedente abaixo da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, ainda que o ADA fosse intempestivo, este não poderia ser descartado para fins de comprovação da existência de APP, conforme segue: “Acórdão nº 9202002.725 – 2ª Turma da CSRF Sessão de 11 de junho de 2013. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Ato Declaratório Ambiental ADA, ainda que apresentado/protocolizado intempestivamente, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado). “[...] a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 27, datado de 21/06/2005, após o fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, contemplando a área objeto da demanda, ainda que intempestivamente. [...]” Assim, entendo que o ADA apresentado pelo recorrente é documento hábil a comprovar que no imóvel à época do fato gerador – Exercício 2006, já existiam 1.476,2/ha de Área de Preservação Permanente. Ademais, o Laudo Técnico (Análise de Aptidão de Uso do Solo) elaborado por engenheiro Agrônomo, Charles Roberto Puff, acostado no presente recurso (fls. 91/115), devidamente acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fl. 125), também se mostra hábil à comprovar a existência de APP no imóvel fiscalizado, conforme excertos abaixo transcritos: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10920.720297/200861 Acórdão n.º 2102003.262 S2C1T2 Fl. 274 7 “A aptidão de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, no imóvel rural de propriedade de Imobiliária Scylla Peixoto Ltda., com área continua total e titulada de 1.476,20 hectares [...] está definitivamente descartada, visto a situação do imóvel e as inúmeras condições de restrição e impedimento legal, com presença intensiva de áreas de preservação permanente (faixas marginais ciliares de corpos d'águas, nascentes e nos chamados "olhos d'água"; no topo de morros, montes, montanhas e serras; nas encostas ou partes destas com declividade superior a 45º, equivalente a 100% na linha de maior declive; nas bordas de tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura de relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais e a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção), presença maciça em toda a superfície, de cobertura florestal nativa, primária e/ou secundária, em estágio avançado de regeneração, tornandose assim totalmente imprestável à quaisquer atividades de exploração extrativista e/ou comercial, considerada sua grande importância par proteção dos ecossistemas.” Inclusive, a certidão da Fundação de Amparo à Tecnologia e ao Meio Ambiente FATMA (fl. 08 e 152 pdf) pelo seu conteúdo e também pela forma constitui ato declaratório de área ambiental protegida uma vez que a mesma declara que o imóvel com área total de 1.476,2 ha situase em áreas de preservação permanente. Cabe esclarecer que a fiscalização já concedeu 220,00 ha de área de preservação permanente e 295,2 ha de área de reserva legal, ainda que esta última não tenha sido declarada pelo contribuinte. Assim, considerando que a soma das áreas supracitadas (515,2 ha), já fora concedida pelo Fisco, entendo que deve ser dado provimento ao recurso para que seja excluído do lançamento 961,00 ha de área de preservação permanente. Ante o exposto, diante do entendimento desta relatora sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso para que seja excluído do lançamento 961,00 ha de APP. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Voto Vencedor Em que pesem as ponderadas razões da ilustre relatora, a qual saúdo, ouso dela divergir, especificadamente quanto aos efeitos do laudo técnico juntado aos autos por ocasião da interposição do recurso voluntário (fls. 91 a 115). Primeiramente, sublinho que o ADA não é o único documento exigido para comprovarse a área de preservação permanente, sendo também necessário laudo técnico que discrimine as áreas que possuem as características previstas na Lei 4.771, de 1965 (arts. 2º e 3º), com as alterações da Lei 7.803, de 1989. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Nessa questão (exigência de laudo para comprovar a existência de área de preservação permanente), não há divergências com a relatora, que conheceu do laudo técnico juntado aos autos. Esclarecendo a necessidade de laudo técnico especificar as áreas de preservação permanente, a relatora, na mesma sessão de julgamento, consignou, quanto a outro processo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Anocalendário: 2006, 2007 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTA NATIVA. PARQUE NACIONAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Não há nos autos comprovação de que o imóvel se situa no parque nacional SaintHilaire Lange ou em seu entorno. Inclusive, a fim de comprovar a existência das áreas de preservação permanente e áreas cobertas por floresta nativa, deveria o contribuinte ter apresentado Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, que demonstrasse a existência efetiva de tais áreas. (Grifouse.) (Acórdão 2102 003.266) A divergência se limita ao conteúdo do laudo técnico, considerado hábil para comprovar a existência da área de preservação permanente pela relatora. Tal laudo não delimita, ou define, a quantidade das áreas de preservação permanente. Se limita a afirmações genéricas de que a “aptidão de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal” (...) “está definitivamente descartada, visto a situação do imóvel e as inúmeras condições de restrição e impedimento legal, com presença intensiva de áreas de preservação permanente (...), presença maciça em toda a superfície, de cobertura florestal nativa, primária e/ou secundária, em estágio avançado de regeneração” (...). O laudo não analisa o imóvel face à já citada legislação que define a área de preservação permanente. 5. AVALIAÇÃO DE USO E APTIDÃO DE SOLO DA ÁREA (...) A aptidão de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, no imóvel rural de propriedade de Imobiliária Scylla Peixoto Ltda., com área continua total e titulada de 1.476,20 hectares (hum mil e quatrocentos e setenta e seis hectares e vinte ares), inseridos nas localidades de Postema, Vaca Pintada, Quinn e Rio Barrosa, Município de Campo Alegre, Estado de Santa Catarina, está definitivamente descartada, visto a situação do imóvel e as inúmeras condições de restrição e impedimento legal, com presença intensiva de áreas de preservação permanente (faixas marginais ciliares de corpos d'águas, nascentes e nos chamados "olhos d'água"; no topo de morros, montes, montanhas e serras; nas encostas ou partes destas com declividade superior a 45º, equivalente a 100% na linha de maior declive; nas bordas de tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura de relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais e a asilar Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10920.720297/200861 Acórdão n.º 2102003.262 S2C1T2 Fl. 275 9 exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção), presença maciça em toda a superfície, de cobertura florestal nativa, primária e/ou secundária, em estágio avançado de regeneração, tornandose assim totalmente imprestável à quaisquer atividades de exploração extrativista e/ou comercial, considerada sua grande importância para a proteção dos ecossistemas. (Grifouse.) Reitero, como também fez a insígne relatora, que a fiscalização reconheceu 220,00 ha de área de preservação permanente e 295,2 ha de área de reserva legal. O laudo técnico afirma que há “presença intensiva de áreas de preservação permanente”. Estaria se referindo a essas 220,00 ha? Ou a maior quantidade? Afirmações genéricas, sem fazer a indicação das condições geográficas compatíveis com área de preservação permanente, não podem ser acolhidas. Com base nesses argumentos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) João Bellini Junior – Redator Designado. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10715.004022/2010-26
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 40 22 /2 01 0- 26 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 3801004.795 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 3801004.795 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.004022/201026, contra o acórdão nº 0728.935, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 23 de maio de 2012, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 205.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: em razão do erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidas com atraso, variável, em sua grande maioria, de 01 a 08 dias além do prazo concedido pela legislação para a prestação das informações junto ao Siscomex, nos termos da tabela que acompanha o Auto de Infração. ao contrário do que faz crer a autoridade administrativa, não basta à mera inobservância da legislação aduaneira para validar a imputação de multa. Mister que se configure a intenção dolosa do agente em fraudar o controle aduaneiro, bem como o dano ao Erário incorrido, a fim de justificar a imputação das multas capitaneadas pela legislação que regulamenta o comercio exterior, o que não se apresenta no presente caso. a aplicação da pena de multa mostrase de todo desarrazoada e desproporcional, devendo na espécie se aplicado o artigo 654, do Regulamento Aduaneiro vigente época, Decreto 4.543/2002, o qual prevê a relevação de multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 3801004.795 S3TE01 Fl. 5 4 o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que se aplica às infrações da mesma espécie, apuradas em uma mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apurados na fiscalização. Requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente, com a consequente relevação da multa, em razão da ausência de dolo ou prejuízo ao Erário, bem como por força da desproporcionalidade entre a infração cometida e a sanção imposta; ou, em sede de pedido eventual, na hipótese de configurada a infração, e não relevada a multa, que o credito tributário seja reduzido ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil, reais), mediante aplicação da teoria da continuidade delitiva. É o relatório. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 50.000,00 para R$ 185.000,00 referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido. Inconformada com a improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 133/168, expondo que: 1 O auto de infração seria nulo por não comprovar as supostas infrações; 2 Erro material na decisão de primeira instância, posto que estabeleceu multa regulamentar de R$30.000,00, ao invés de R$20.000,00 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 3801004.795 S3TE01 Fl. 6 5 3 A infração não é objetiva, sendo necessário perquirir se houve dolo ou dano ao Erário; 4 Aplicação do art. 654 quanto à revelação multa, tendo em vista a ausência de dolo ou dano ao Erário; 5 A manutenção da multa ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 3801004.795 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a 4 voos, conforme fl. 169 do Recurso Voluntário e fl. 127 do acórdão de primeira instância, devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$30.000,00, para R$20.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 3801004.795 S3TE01 Fl. 8 7 por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 3801004.795 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 3801004.795 S3TE01 Fl. 10 9 (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Obrigação Acessória. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 3801004.795 S3TE01 Fl. 11 10 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 3801004.795 S3TE01 Fl. 12 11 da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 23034.008187/2003-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002
DECADÊNCIA. NÃO RECONHECIMENTO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Lançamento efetuado em prazo inferior a 5 anos não caracteriza a decadência.
FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VÍCIO. NULIDADE.
Apresentação de fundamentação legal genérica, sem exatidão, representa vício material insanável que torna nulo o lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2403-002.960
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar; por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à decadência, no mérito: em dar provimento ao recurso quanto ao vício material.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 DECADÊNCIA. NÃO RECONHECIMENTO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Lançamento efetuado em prazo inferior a 5 anos não caracteriza a decadência. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VÍCIO. NULIDADE. Apresentação de fundamentação legal genérica, sem exatidão, representa vício material insanável que torna nulo o lançamento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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NÃO RECONHECIMENTO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Lançamento efetuado em prazo inferior a 5 anos não caracteriza a decadência. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VÍCIO. NULIDADE. Apresentação de fundamentação legal genérica, sem exatidão, representa vício material insanável que torna nulo o lançamento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar; por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à decadência, no mérito: em dar provimento ao recurso quanto ao vício material. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 81 87 /2 00 3- 59 Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.008187/200359 Acórdão n.º 2403002.960 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, Acórdão 1133.082 da 7ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, excluindo os valores de R$86,20 na competência 02/2000 e o valor de R$86,19 na competência 06/2002. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Temse em pauta Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) relativa a contribuições ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (salárioeducação), incidentes sobre as remunerações dos segurados que prestaram serviços ao Notificado no período de 01/1999 a 06/2002. Conforme oficio n°. 3.281/2002GEARC, as contribuições exigidas foram declaradas em GFIP e não recolhidas integralmente, conforme demonstrativo anexo (fl. 5). Cientificado do lançamento em 11/08/2003 (fl. 63), o sujeito passivo postou impugnação (fl. 64) em 22/08/2003 (fl. 144), na qual reitera o posicionamento de carta anterior, enviada ao Ministério da Educação, datada de 20/11/2002, e requerendo o encerramento do procedimento, tendo em vista que todas as verbas referentes ao salário educação foram quitadas na oportunidade do pagamento das respectivas guias de recolhimento, de conformidade com suas competências e em tempo hábil, razão pela qual tornase infundada e inverídica a cobrança. Em anexo à impugnação, apresentou cópias dos seguintes documentos: carta ao FNDE datada de 20/11/2002 (fls. 65/69); GPS e GRPS (fls. 70/143); envelope (fl. 144); carta ao FNDE datada de 20/11/2002 (fls. 145/149); envelope (fl. 150); planilha (fl. 151); consultas AGUIA (fls. 152/197). Eis, em resumo, o que importa relatar. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Que efetuou o recolhimento de todas as contribuições · Em caso de não acolhimento da afirmação, requer perícia para comprovar os recolhimentos. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · Cerceamento de defesa. Transferência do procedimento administrativo do FNDE para a RFB. · Decadência. · Ausência de comprovação por parte do fisco. É o relatório. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.008187/200359 Acórdão n.º 2403002.960 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PRELIMINARES DECADÊNCIA. O presente crédito foi constituído pelo FNDE por meio da Notificação para Recolhimento de Débito – NRD nº 0001002/2003, datada de 05/08/2003. A ciência do contribuinte ocorreu em 11/08/2003. O débito referese ao período 01/1999 a 06/2002. Considerando o prazo qüinqüenal estabelecido pelo CTN, entendo que não ocorreu decadência. DO VÍCIO MATERIAL O contribuinte foi intimado a recolher valores os quais teriam sido deduzidos indevidamente, tendo para tanto, a autoridade competente à época do Fato Gerador elaborado planilha de cálculo, sucinto relatório, bem como Notificação para Recolhimento de Débito – NRD.. Ocorre que nestes documentos, não consta a tipificação exata da contribuição sob exigência, trazendose apenas os diplomas normativos, in verbis: Fundamentação Legal: DecretoLei n° 1.422, de 23/10/1975; Decreto n°76.923, de 26/12/1975; Decreto n°87.043, de Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 22/03/1982; Decreto no 88.374, de 07/06/1983; Lei no 7.787, de 30/06/1989; Lei n°8.212, de 24/07/1991; Lei n°8.383, de 30/12/1991; Lei n° 8.620, de 05/01/1993; Lei n° 8.981, de 20/01/1995; Lei 9.065, de 20/06/1995; Lei n° 9.424, de 24/12/1996; Lei n° 9.528, de 10/12/1997; Lei 9.601, de 21/01/1998; Lei 9.766, de 18/12/1998; Decreto n° 3.034, de 27/04/1999; Decreto n°3.048, de 06/05/1999; Decreto n°3.142, de 16/0811999 e Lei n°9.876, de 26/11/1999. Considero a fundamentação legal apresentada insuficiente. Utilizo o exemplo do conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, que, por meio de analogia, compara o caso com um evento do cotidiano: uma pessoa é autuada por estacionar em local proibido e lhe é apresentada a fundamentação legal “Código de Trânsito”. Diante desse quadro, entendo ter havido descumprimento do disposto no art. 142 do CTN, ensejador de vício material insanável. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por negar provimento na preliminar de decadência e no mérito, declarar a nulidade do auto de infração por vício material ante a insuficiência da fundamentação legal apresentada. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10805.723248/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. CONCESSÃO DE ANTECIPAÇÃO ANTES DA ASSINATURA DO ACORDO. POSSIBILIDADE LEGAL.
O pagamento de antecipação de parcela da PLR antes da assinatura do acordo, de per si, não é causa para que se considere o plano desconforme com a legislação de regência.
PLR. ACOMPANHAMENTO DAS METAS. OBRIGAÇÃO CUMPRIDA.
Os documentos constantes nos autos comprovam que a empresa cumpriu satisfatoriamente com o dever de informar aos empregados e sindicatos acerca do cumprimento das metas constantes nos acordos de PLR.
DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. CITAÇÃO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA REFERENTE A FISCALIZAÇÃO ANTERIOR. DEFICIÊNCIA.
É deficiente a caracterização de fatos geradores baseada apenas em decisão de primeira instância administrativa exarada em processo decorrente de fiscalização pretérita sofrida pelo sujeito passivo.
PLR. PERIODICIDADE. PAGAMENTOS EM DUAS PARCELAS NO MESMO SEMESTRE. DESRESPEITO AO LIMITE ANUAL. POSSIBILIDADE.
A redação do § 2.º do art. 3.º da Lei n.º 10.101/2000 vigente na data dos fatos geradores vedava o pagamento da PLR em duas vezes no mesmo semestre.
PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO DA LEI DE REGÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES.
Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, deve-se tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000.
PLR. ACORDO FIRMADO NA MATRIZ. EXTENSÃO PARA EMPREGADOS QUE PRESTAM SERVIÇO FORA DA ÁREA DE ABRANGÊNCIA DO SINDICATO. POSSIBILIDADE.
Não altera a natureza da PLR o fato de haver extensão de acordos firmados com o sindicato da base territorial da matriz para empregados que prestam serviços em localidade fora da abrangência do sindicato.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos: a) afastar o descumprimento da comunicação mensal relativa ao acompanhamento das metas, b) excluir do lançamento as contribuições sobre os fatos geradores das competências 01/2009, 02/2009 e 03/2009 referente ao descumprimento do PLR do exercício anterior, nos termos do voto do relator e II) por maioria de votos: a) afastar a indicação de desconformidade da lei 10.101/2000, pela antecipação de parcela de PLR sem a formalização do acordo, bem como o descumprimento da necessidade de acordo em relação a cada estabelecimento fora da base territorial da matriz, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu pelo descumprimento dos dois requisitos previstos na lei 10.101/2000 e b) excluir do lançamento a primeira competência por semestre, referente ao pagamento de PLR em relação a cada empregado, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Carlos Henrique de Oliveira, que mantinham o lançamento em relação a todas as parcelas.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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CONCESSÃO DE ANTECIPAÇÃO ANTES DA ASSINATURA DO ACORDO. POSSIBILIDADE LEGAL. O pagamento de antecipação de parcela da PLR antes da assinatura do acordo, de per si, não é causa para que se considere o plano desconforme com a legislação de regência. PLR. ACOMPANHAMENTO DAS METAS. OBRIGAÇÃO CUMPRIDA. Os documentos constantes nos autos comprovam que a empresa cumpriu satisfatoriamente com o dever de informar aos empregados e sindicatos acerca do cumprimento das metas constantes nos acordos de PLR. DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. CITAÇÃO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA REFERENTE A FISCALIZAÇÃO ANTERIOR. DEFICIÊNCIA. É deficiente a caracterização de fatos geradores baseada apenas em decisão de primeira instância administrativa exarada em processo decorrente de fiscalização pretérita sofrida pelo sujeito passivo. PLR. PERIODICIDADE. PAGAMENTOS EM DUAS PARCELAS NO MESMO SEMESTRE. DESRESPEITO AO LIMITE ANUAL. POSSIBILIDADE. A redação do § 2.º do art. 3.º da Lei n.º 10.101/2000 vigente na data dos fatos geradores vedava o pagamento da PLR em duas vezes no mesmo semestre. PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO DA LEI DE REGÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 32 48 /2 01 3- 63 Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, devese tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000. PLR. ACORDO FIRMADO NA MATRIZ. EXTENSÃO PARA EMPREGADOS QUE PRESTAM SERVIÇO FORA DA ÁREA DE ABRANGÊNCIA DO SINDICATO. POSSIBILIDADE. Não altera a natureza da PLR o fato de haver extensão de acordos firmados com o sindicato da base territorial da matriz para empregados que prestam serviços em localidade fora da abrangência do sindicato. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos: a) afastar o descumprimento da comunicação mensal relativa ao acompanhamento das metas, b) excluir do lançamento as contribuições sobre os fatos geradores das competências 01/2009, 02/2009 e 03/2009 referente ao descumprimento do PLR do exercício anterior, nos termos do voto do relator e II) por maioria de votos: a) afastar a indicação de desconformidade da lei 10.101/2000, pela antecipação de parcela de PLR sem a formalização do acordo, bem como o descumprimento da necessidade de acordo em relação a cada estabelecimento fora da base territorial da matriz, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu pelo descumprimento dos dois requisitos previstos na lei 10.101/2000 e b) excluir do lançamento a primeira competência por semestre, referente ao pagamento de PLR em relação a cada empregado, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Carlos Henrique de Oliveira, que mantinham o lançamento em relação a todas as parcelas. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3497DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.723248/201363 Acórdão n.º 2401003.895 S2C4T1 Fl. 3.496 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 02 56.607 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração AI: a) AI n.º 51.030.3366: exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT; b) AI n.º 51.030.3374: exigência das contribuições patronais para outras entidades ou fundos; Os fatos geradores considerados no lançamento foram os pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados (rubrica 302P – Prêmio Part. Resultado) que, segundo o fisco, não se enquadraram na previsão elisiva da alínea “j” do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/1991. O fisco mencionou os seguintes pontos que estariam em desconformidade com a Lei da PLR para a matriz e unidades de São Caetano do Sul: a) antes da assinatura do acordo não foram demonstradas quais metas deveriam ser cumpridas para recebimento da PLR, assim verificase que quando foi paga a antecipação ainda não tinha havido a fixação das metas; b) a empresa não comprovou o acompanhamento mensal do cumprimento das metas, apenas para alguns meses há memorandos tratando da questão; c) o acordo coletivo previa o envio mensal de comunicação ao Sindicato representativo das categorias de seus empregados, todavia, não houve a comprovação do cumprimento dessa obrigação; d) o adiantamento da PLR foi pago quando ainda não havia acordo que lhe desse suporte; e) em relação aos trabalhadores excluídos do acordo assinado em 26/05/2009, os documentos acostados não servem para comprovar o acompanhamento do alcance das metas, posto que sequer indicam a unidade a que se referem; f) a periodicidade legal não foi respeitada. O fisco afirma que todas as desconformidades apontadas acima foram também verificadas para as Unidade localizadas nos Municípios de São José dos Campos; Sorocaba; Mogi das Cruzes; São Paulo e Gravataí. Fl. 3498DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Aduz que não havia acordos coletivos disciplinando o pagamento da PLR para as unidades identificadas pelos CNPJ 59.275.792/001121; 59.275.792/001202; 59.275.792/001393; 59.275.792/002527; 59.275.792/003094; 59.275.792/003175; 59.275.792/008134 e 59.275.792/009378. Nesses casos, foram seguidas todas as regras da matriz para pagamento da verba em questão. Apresentada a defesa, a DRJ declaroua improcedente, fato que motivou a interposição de recurso, no qual a empresa, após relatar os principais fatos do processo, tratou dos seguintes pontos: I) Regular periodicidade no pagamento A diligência realizada (fls. 2.231/3.409), da qual a recorrente não foi intimada, só vem a comprovar que inexistiu descumprimento da periodicidade legal. A Lei n.º 10.101/2000 não restringe a possibilidade de dois pagamentos de PLR dentro do mesmo semestre, desde que respeitada a limitação anual. É assim que tem entendido a jurisprudência do CARF, conforme decisão colacionada. Além do mais, as duas únicas parcelas pagas a título de PLR no ano de 2009 referemse a programas e acordos coletivos distintos, havendo um intervalo de, pelo menos, seis meses entre pagamentos da mesma PLR. Esse procedimento está em total sintonia com o que decidiu a 3.ª Câmara do CARF quando apreciou a PLR paga em 2007 pela recorrente. Observese que a DRJ concluiu que, para apenas 51 funcionários, num total de 21.200, houve o descumprimento da periodicidade, mas mesmo para esses, se tivesse sido oportunizada à recorrente a possibilidade de se pronunciar sobre a diligência, teria comprovado que não houve o pagamento de três parcelas, mas sim de: a) PLR recebida em categorias distintas (horista x mensalista); b) desconto de PLR paga a maior; e c) diferença de PLR paga a menor. Essas comprovações se encontram em planilha acostada. O parcelamento da PLR, mesmo que mensal, não retira a natureza indenizatória da verba, conforme tem decidido o TST. A 4.ª Câmara do CARF tem entendido acertadamente que somente deve ser tributada a parcela da PLR paga em excesso, não se justificando a desconsideração de todas as parcelas. II) Efetivo acompanhamento das metas fixadas A DRJ, para concluir que não houve o acompanhamento das metas, lançou mão de critério não previsto em lei, desprezando o fato de que as comunicações aos sindicatos e funcionários tiveram início logo após a formalização dos acordos, mesmo porque nos meses anteriores as metas ainda não haviam sido definitivamente fixadas pelas partes. Demais disso, os programas de PLR já são uma tradição na realidade do seu segmento empresarial, cuja elaboração e avaliação do cumprimento das metas são sempre Fl. 3499DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.723248/201363 Acórdão n.º 2401003.895 S2C4T1 Fl. 3.497 5 objeto de acompanhamento cuidadoso pelos sindicatos, conforme texto constante do Jornal "A Voz Metalúrgica", transcrito no recurso. As metas democraticamente escolhidas pelas partes estão fundadas em três critérios objetivos: (i) produtividade, (ii) qualidade e (iii) absenteísmo. Fazse necessário esclarecer que o 1.º pagamento da PLR, geralmente ocorrido em maio, referese ao adiantamento parcial, ficando o 2.º pagamento condicionado ao cumprimento das metas preestabelecidas. O efetivo alcance de todas as metas pactuadas na PLR de 2009, conforme quadro demonstrativo acostado, revela prova irrefutável de que houve o seu acompanhamento por todos os envolvidos no processo. A autoridade fiscal e o órgão de primeira instância, ao questionarem o acompanhamento da PLR sob sua ótica subjetiva e equivocada, afastamse da norma hermenêutica de que é defeso ao aplicador da lei se utilizar de interpretação não decorrente do texto legal, a partir de meros subjetivismos. Cita decisões do CARF que censuram esse proceder. III) Pagamento do adiantamento antes da fixação das metas A DRJ manteve o entendimento da autoridade lançadora de que os adiantamentos negociados previamente nos acordos coletivos teriam sido pagos antes de sua vigência, mas estranhamente adotou um novo argumento, ao sustentar que a suposta violação da legislação decorreria do fato das metas haverem sido definitivamente fixadas em maio de 2009, quando o período aquisitivo já teria iniciado em janeiro daquele ano. Mas mesmo que se passe por cima deste flagrante atropelo ao § 3.º do art. 18 do Decreto n.º 70.235/1972, devese ter em conta no julgamento da causa que os acordos coletivos que oficializaram a PLR foram fruto de incessante negociação desde o princípio do ano. É fato que o acordo celebrado para o estabelecimento matriz (São Caetano do Sul) foi concretizado ainda na competência 05/2009, tendo as suas cláusulas servido como modelo para as demais unidades. Isso se deu em razão da envergadura institucional do Sindicato do ABC Paulista, que tradicionalmente assume posição pioneira nas negociações. No caso da unidade de São José dos Campos, o programa de PLR é idêntico ao da matriz, ao passo que nos demais acordos as bases de negociação também são as mesmas, a exceção dos valores fixados, sendo que em todos os casos a negociação precedeu ao pagamento, fato comprovado mediante reprodução de notícias da mídia. A jurisprudência do CARF tem reiterado o entendimento de que a data de celebração formal do acordo de PLR não possui o condão de desqualificar sua natureza jurídica, conforme estabelecido pelas decisões mencionadas, onde merece destaque o Acórdão n.º 9202002.485, de 29/01/2013, de relatoria do Cons. Manoel Coelho Arruda Júnior. IV) Regularidade da PLR de 2008 e da nulidade dos lançamentos a ele referentes Fl. 3500DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 Em relação aos levantamentos relativos aos pagamentos da PLR de 2008 efetivados em 2009, o acórdão recorrido reconheceu inequivocamente que o fisco não discorreu sobre todas as motivações que ensejaram o lançamento, no entanto, entendeu que essa ausência de caracterização do fato gerador não implicaria em nulidade do lançamento, mas em cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo, que no caso concreto não teria ocorrido, uma vez que a recorrente teria rebatido todos os fundamentos do lançamento fiscal. A ausência de discriminação completa do fato gerador da obrigação tributária impregna o ato administrativo de insanável vício material, posto que o crédito tributário não foi regularmente constituído, conforme preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN e art. 243 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. A mácula apontada ganha mais relevância na espécie, haja vista que, sendo a PLR uma verba protegida pela imunidade tributária, constitui ônus da autoridade fiscal comprovar a irregularidade do benefício a fim de justificar sua tributação. Cita decisão do CARF tratando da inafastável obrigação do fisco de comprovar a ocorrência do fato gerador. A apuração das contribuições da PLR de 2008, com base em fundamentos adotados em processo administrativo diverso, além de não encontrar respaldo na legislação, afigurase inoportuno, posto que em 13/05/2014, Turma do CARF, nos autos do PAF n.º 10805.723653/201209, promoveu a reforma do Acórdão citado no relatório fiscal. Além do mais, a PLR de 2008, a exemplo da de 2009, atendeu a todos os requisitos da Lei n.º 10.101/2000, uma vez que as metas objetivas previamente estabelecidas foram satisfatoriamente alcançadas, com o acompanhamento dos funcionários e respectivos sindicatos, atingindo, portanto, o desiderato constitucional de repartição dos lucros da atividade econômica com todos os atores do processo de produção. Em relação aos líderes de grupo, supervisores, gerentes e diretores, o acordo coletivo inicialmente pactuado em maio de 2008 previa a possibilidade de sua inclusão, o que de fato ocorreu antes mesmo da aferição das metas. V) legítima extensão do acordo coletivo da matriz para os empregados dos pequenos escritórios regionais da recorrente A premissa de limitação territorial da abrangência do sindicato, adotada pela DRJ, não possui caráter absoluto, posto que o próprio Ministério do Trabalho e Emprego MTE, no exercício de sua competência, já relativizou a aludida regra quando em confronto com preceitos constitucionais favoráveis ao trabalhador, conforme Portaria 01/2002 Ementa n.º 12 DO 25/03/2002. Essa regra fica ainda mais relativizada no caso concreto, visto que o sindicato signatário de acordo coletivo estendido aos funcionários dos escritórios da recorrente possui notória credibilidade. Cita o Acórdão exarado pela CSRF, n.º 920202.079, de 22/03/2012, no qual este entendimento é corroborado. Ao final, pediu o conhecimento e integral provimento do recurso e, caso a turma assim não entenda, que, ao menos, sejam excluídas as parcelas relativas ao programa de 2008 e daquelas que foram regularmente pagas, conforme o entendimento do colegiado. É o relatório. Fl. 3501DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.723248/201363 Acórdão n.º 2401003.895 S2C4T1 Fl. 3.498 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Motivação do lançamento O fisco acusou a inexistência de metas quando foi efetuado o pagamento da antecipação da PLR. Depois aponta que a empresa não demonstrou para todo o período o acompanhamento do alcance das metas. Uma terceira desconformidade mencionada referese à falta de envio aos sindicatos de comunicação acerca do alcance das metas, conforme previsto no acordo coletivo. O fisco afirma também que a periodicidade legal restou descumprida para os pagamentos de PLR realizados em 2009. Outra questão apontada diz respeito a falta de acordo com sindicato da base territorial de algumas unidades. Sustenta que, em relação ao aditamento do programa de 2008, no qual a empresa incluiu empregados em funções de liderança, não há comprovação de que houve a verificação do cumprimento das metas, tendo a empresa apresentado planilhas que teriam sido elaboradas na data em que foi assinado o aditamento. Assevera que para PLR de 2008 houve fiscalização com lavratura de débito de contribuições sobre a referida rubrica, as quais foram consideradas procedentes em decisão de lavra da DRJ em Campinas (SP), cuja cópia do acórdão foi juntada. Passemos então à apreciação de todos esses pontos, levando em conta as alegações recursais. Inexistência de metas até o pagamento da antecipação O fisco apresenta como irregularidade o fato da empresa haver antecipado parte da PLR antes mesmo de formalizar os acordos, assim, o pagamento parcial teria sido efetuado sem que os trabalhadores conhecessem as metas a serem cumpridas. A empresa afirma que firmou o acordo para os empregados da matriz no mês de maio de 2009, portanto, antes da concessão de antecipação da PLR. Para os outros estabelecimentos, sustenta que foram adotados as mesmas bases de negociação, portanto, na data da antecipação os termos acordados já era do conhecimento de todos. Fl. 3502DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Assevera também que as negociações que desembocaram no acordo assinado em maio de 2009 já estavam em curso desde o início do ano, além de que não houve significativas alterações do conteúdo em relação ao acordo firmado em 2008. Essa turma de julgamento tem reiteradamente decidido que a legislação aplicável exige que a assinatura do acordo para pagamento da PLR seja prévia ao início do período aquisitivo do direito. Para o colegiado o descumprimento dessa exigência leva à incidência de contribuições sociais sobre a verba paga a esse título. Verificase que a acusação feita no relatório fiscal diz respeito ao pagamento de parcela a título de antecipação da PLR antes da assinatura do acordo. Pelo entendimento da turma acima mencionado, a princípio pode até parecer que a exigência de acordo prévio abranja também a necessidade de que os pagamentos de antecipação tenham que ser efetuados somente após a assinatura do acordo. Assim, se o acordo foi assinado em maio, não poderia haver antecipação da verba antes desse marco, sob pena de haver pagamento de PLR sem qualquer instrumento que lhe desse embasamento. Todavia, meu entendimento acerca das antecipações é outro. A antecipação é uma liberalidade do empregador, posto que a lei não obriga as empresas a anteciparem parcela da PLR. Por isso, no momento em que é antecipada a parcela não há de se aferir qualquer critério ou condição, ou seja, a apuração do lucro ou resultado e a verificação do alcance das metas fixadas no acordo, em geral, são efetuadas apenas ao final do período aquisitivo. Se ao final, for verificado que o beneficiário não fazia jus à PLR, a parcela antecipada deve ser reembolsada à empresa, sob pena de sofrer a incidência de contribuições, posto que passaria a ser tratada como verba remuneratória. Olhando sob outra perspectiva, verifico também ser possível a concessão de antecipação da PLR antes do início do ano base, sem que isso venha a tornar o plano desconforme com a lei. Imaginemos, por exemplo, uma antecipação paga em novembro, com a assinatura do acordo para o ano subsequente feita até o final de dezembro. Esse procedimento em nada se choca com a Lei n. 10.101/2000. Assim, a princípio, inexiste impedimento para que parcela da PLR seja antecipada antes da assinatura do acordo que lhe dá sustentação. Na espécie, verificase que para os estabelecimentos situados na base territorial da matriz, o adiantamento foi pago quando já havia acordo assinado, conforme cópia do documento enviado para o MTE. Para os outros estabelecimentos isso não ocorreu, todavia, mesmo para esses, se na data do pagamento não havia acordo assinado, a meu ver, a posterior formalização das regras convalida o pagamento efetuado a título de antecipação de PLR. Concordo com a DRJ quanto à necessidade de acordo prévio ao período aquisitivo para que a verba seja excluída do saláriodecontribuição, todavia, não foi esse o motivo que levou o fisco a tributar a verba. Caso adotemos agora essa motivação para manter o lançamento, estaremos da mesma forma como fez a primeira instância inovando nas razões apresentadas pela autoridade lançadora, o que se mostra inaceitável, haja vista ser vedado aos órgãos de julgamento decidir com base em razões não constantes na peça de acusação fiscal. Com base no exposto, voto por afastar a suposta desconformidade das antecipações da PLR com a lei de regência. Fl. 3503DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.723248/201363 Acórdão n.º 2401003.895 S2C4T1 Fl. 3.499 9 Inexistência do acompanhamento das metas da PLR 2009 Outra razão adotada pelo fisco para justificar o lançamento foi a suposta ausência de acompanhamento mensal do cumprimento das metas. Apreciando os acordos colacionados percebemos que foram eleitas como metas a produção, a qualidade e o absenteísmo. O § 1.º da "Cláusula Sexta Plano de Participação" (Plano da matriz) prevê que as metas acordadas deverão ser atingidas até 31/12/2009. No § 2.º da mesma Cláusula havia ainda a obrigação da empresa de informar mensalmente ao sindicato o acompanhamento em relação ao cumprimento das metas/índices. A empresa alegou que após a formalização dos acordos passou a prestar todas as informações necessárias à verificação do cumprimento das metas. Asseverou que é tradição na empresa o constante acompanhamento das metas pelos sindicatos. Garante que o fato das metas terem sido plenamente alcançadas em 2009 é uma prova de que houve o efetivo acompanhamento destas. Ao contrário do que conclui a DRJ, para mim funcionários e sindicatos foram satisfatoriamente informados acerca do cumprimento das metas da PLR de 2009. Às fls. 2021/2152 constam documentos referentes à PLR de 2009, onde há a comprovação de que havia a comunicação do acompanhamento das metas aos empregados. Por outro lado, as “Comunicações ao Sindicato PLR”, juntadas pela fiscalização às fls. 1524/1564, demonstram também que aqueles entes eram comunicados acerca do cumprimento do acordado. A meu ver também inexiste uma demonstração cabal do fisco de que as metas não eram acompanhadas. Não há, por exemplo, um documento emitido por um dos sindicatos envolvidos de que a empresa sonegava informações acerca do acompanhamento das metas. Mesmo que a empresa não tenha comprovado que fez esses comunicados mensalmente, não se pode inferir que houve prejuízo aos trabalhadores em razão deste fato, além de que na Lei da PLR inexiste dispositivo que obrigue a empresa a divulgar mês a mês os dados relativos às metas/índices negociados entre patrões e empregados. Pagamentos relativos à PLR de 2008 Os levantamentos P2, P4, P6, R2, R7, L2, L4, L6, L0, G3, G6, e G8 dizem respeito a recebimentos de PLR por lideres, supervisores, gerentes e diretores. Esses trabalhadores não constavam no acordo coletivo firmado inicialmente, tendo sido incluídos mediante aditivo. A empresa alegou que os pagamentos efetuados nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2009 se referem ao programa de PLR de 2008. Acerca desses pagamentos (PLR 2008), o fisco trouxe as seguintes considerações em seu relato: Fl. 3504DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 "38. Conforme citado no item 11, a empresa informou que os pagamentos efetuados nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2009 referemse ao pagamento da parcela final do plano de participação do ano de 2008, o qual já foi objeto de fiscalização em 2012, e, portanto, apresenta somente cópia do Acordo Coletivo de São Caetano do Sul, a fim de confirmar a data de pagamento. 39. De fato, o programa de participação nos resultados relativo ao ano de 2008 foi objeto de procedimento fiscal, através do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 08114002012004534, o qual conclui que o programa estava em desacordo com a legislação específica, e, portanto, que os valores pagos a título de participação nos resultados integravam a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 40. Em relação ao item anterior, a empresa recebeu Auto de Infração, apresentou impugnação e através do Acórdão 0540.512 – da 6ª Turma da DRJ/CPS o crédito tributário foi mantido. Anexamos ao presente processo cópia do citado acordo. (...) 50. E, ainda para os empregados em nível de lideres, supervisores, gerentes e diretores, tendo em vista que os pagamentos já foram objeto de julgamento administrativo, Acórdão 0540.512 – da 6ª Turma da DRJ/CPS, que integra o presente processo, os valores foram considerados integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias." No julgamento a quo, considerouse que o fisco não apresentou todos os elementos a caracterizar os fatos geradores de contribuições, o que poderia acarretar em prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, todavia, concluiuse que no caso concreto, não se verificou o cerceamento, posto que a empresa compreendeu perfeitamente a acusação e pode rebater o lançamento na sua totalidade. Eis excerto do voto do relator: De fato, em relação aos pagamentos efetivados em 2009, e relativos à PLR de 2008, a fiscalização não discorre sobre todos as motivações que ensejaram o lançamento, e faz observações quanto ao Acórdão 0540.512 da 6.ª Turma da DRJ/CPS, que considerou que a empresa teria descumprido com a legislação no tocante àquela PLR, a de 2008. Nessa situação, e a princípio, poderseia entender em cerceamento defesa, e não em ausência do fato gerador da obrigação principal (artigos 114, 116 do CTN), ou em ausência da matéria tributável, da identificação do sujeito passivo, ou do montante do tributo devido (artigo 142 do CTN), uma vez que a hipótese de incidência e os motivos que levaram à atuação fiscal são os mesmos – pagamentos de PLR em desconformidade com a Lei nº 10.101. Quanto a cerceamento de defesa, a de se observar a sua inocorrência, pois foi possível à impugnante, diante dos elementos apresentados pela fiscalização, que se diga, repetem de uma para a outra PLR, compreender da acusação e rebater o lançamento fiscal. (...) Nessas considerações, os pagamentos realizados nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2009, relativos à PLR de 2008 (itens 49, 57, 64, ..., do Relatório Fiscal), não deverão ser excluídos do presente lançamento, uma vez que o julgamento provisório de processo anterior (nº 10805.723653/201209, Acórdão 05 40.512 da 6.ª Turma da DRJ/CPS), citado pela fiscalização, serviu apenas para Fl. 3505DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.723248/201363 Acórdão n.º 2401003.895 S2C4T1 Fl. 3.500 11 apontar os procedimentos reiterados da empresa impugnante em relação a seus planos de PLR, e, mais, foi possível o exercício de defesa e o julgamento da matéria." Com a devida vênia, esse entendimento não deve ser por nós chancelado. A falta de exposição dos motivos que levaram o fisco a tributar as parcelas da PLR de 2008 pagas em 2009 é inquestionável. A autoridade lançadora poderia até lançar mão de fatos ocorridos em fiscalização pretérita para reforçar seu entendimento, jamais fundamentar a imposição fiscal, para esses fatos, apenas com base em decisão administrativa recorrível. A elaboração da peça acusatória com todas as circunstâncias que envolvem o ilícito é obrigação do agente fiscal imposta pelo inciso LV do art. 5.º da Carta Magna, que garante aos litigantes em processos, sejam judiciais ou administrativos, o direito à ampla defesa e ao contraditório. Se o fisco negligencia seu ônus de demonstrar a contento a ocorrência do fato gerador, o direito à ampla defesa do sujeito passivo encontrase irremediavelmente ofendido, independentemente do fato de que em posterior impugnação o lançamento venha a ser atacado na íntegra. O comando do art. 142 do CTN é enfático ao prescrever que uma das obrigações da autoridade administrativa na constituição do crédito tributário pelo lançamento é a verificação (caracterização) do fato gerador. O descuido quanto a essa faceta do lançamento inquina este ato administrativo com a pecha do vício material, que o impede de produzir os efeitos desejados. No âmbito da legislação previdenciária o art. 243 do RPS é enfático a determinar que: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Assim, a falta de descrição clara dos fatos geradores é falha grave e que não pode ser suprida com mera menção à decisão administrativo precária acerca de fatos pretéritos. Tal mácula, por se encontrar localizada em elemento interno do lançamento, qual seja, a explicitação da razão da incidência tributária sobre determinados fatos, deve acarretar em improcedência do lançamento.. Em resumo devem ser excluídas por improcedência as competências 01, 02 e 03/2009, para os levantamentos P2, P4, P6, R2, R7, L2, L4, L6, L0, G3, G6, e G8. Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 Periodicidade Após analisar as planilhas constantes às fls. 174/1.571, fazendo um apanhado por empregado, a DRJ chegou a conclusão de que houve pagamentos que não respeitaram a periodicidade máxima de uma vez por semestre, além de pagamentos em três parcelas durante o ano. Vejamos o que dizia o texto da Lei n.º 10.101/2000, na redação vigente no período do lançamento: Art.3.º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2.º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Ao contrário do que defende o sujeito passivo, a leitura do dispositivo transcrito permite concluir que o legislador deixou aos empregadores a possibilidade de fazerem um pagamento por semestre ou dois pagamentos por ano civil. Observese que a conjunção "ou" nesse caso é usada com conotação inclusiva, permitindo inferir que a norma não permite o pagamento da PLR em periodicidade inferior a semestral, nem em mais de duas vezes ao ano. Essa é a interpretação mais razoável para a questão, pois caso se entenda que a partícula "ou" representa uma exclusão, afastase por completo a regra da periodicidade semestral, uma vez que a empresa poderia pagar duas parcelas por semestre, desde que não violasse o limite de dois pagamentos ao ano. Reforçando este entendimento, vejo que há outro momento na própria Lei n.º 10.101/2000 em que a conjunção "ou" é utilizada também com força de inclusão. O seu art. 1.º dispõe: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Pois bem, caso tomássemos a partícula "ou" na sua acepção exclusiva, iríamos interpretar que a empresa não poderia instituir um programa que contemplasse ao mesmo tempo a aferição do lucro e dos resultados, mas um ou outro. Essa exegese, a meu ver, mostrase absurda. Ultrapassada a questão hermenêutica acerca da periodicidade, devo me posicionar acerca de outro ponto não menos polêmico, que pode ser resumido na seguinte questão: uma vez desrespeitada a periodicidade legal, apenas a parcela tida como irregular seria tributada ou o desrespeito à norma acarretaria na contaminação de todos os pagamentos? O meu entendimento é que, havendo apenas mais de um pagamento no mesmo semestre, não se pode tributar a totalidade da PLR repassada, mas apenas aquele pagamento que violou a regra de periodicidade prevista na lei. Esse posicionamento vem sendo Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.723248/201363 Acórdão n.º 2401003.895 S2C4T1 Fl. 3.501 13 manifestado tanto pela jurisprudência administrativa quanto a judicial, conforme se observa dos trechos abaixo transcritos: Quanto ao pagamento de PLR efetuado aos empregados nas localidades em que a recorrente firmou acordo coletivo com o sindicato da categoria, entendo que a recorrente deixou de cumprir os requisitos legais apenas no exercício de 2000, quando efetuou pagamento de PLR três vezes no exercício, sendo duas delas dentro do mesmo semestre civil. A recorrente efetuou pagamentos em 05/2000, 06/2000 e 12/2000. A meu ver, a parcela que representou o descumprimento do requisito legal corresponde àquela efetuada em 06/2000 e sobre esta devem incidir as devidas contribuições. (CARF, trecho do voto condutor, proferido pela Relatora Conselheira Ana Maria Bandeira, Acórdão 20601.025, Sessão de 02/07/2008). TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART. 27, § 2º, DA LEI 9.711/1998. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. ART. 35 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.528/1997. DISCUSSÃO ACERCA DA CONSTITUCIONALIDADE. NÃOCONHECIMENTO.[...] 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). [...] (STJ, REsp 496.949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009) Feitas essas considerações, já posso retornar à apreciação do caso concreto. Da planilha confeccionada pela DRJ, fls. 2.231/3.409, verificase que no máximo há casos de segurados recebendo PLR em três competências distintas por semestre, assim, deve serem tidas como irregulares apenas o segundo e terceiro pagamentos feitos ao mesmo empregado em um dado semestre. Portanto, para cada semestre, a tributação deve incidir apenas a partir da segunda competência em que houve pagamento, conforme dados constantes na planilha de fls. 2.231/3.409. Pagamento a empregados de estabelecimento que não firmaram acordo coletivo A empresa admite que para os levantamentos P7, P8, P9, R3, R4, R5, G1 e G4, houve a extensão do acordo coletivo da matriz para os funcionários fora da base territorial Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 14 do sindicato. Todavia, argumenta que o Ministério do Trabalho tem flexibilizado a questão da área de abrangência dos entes sindicais para garantir direitos dos trabalhadores. Apresenta jurisprudência do CARF que também chancela extensão de acordos firmados na matriz para empregados alocados em estabelecimentos que não possuem ajuste para pagamento da PLR. Sustenta que, no seu caso específico, deve ser levada em conta o porte do sindicato que abrange a área da matriz, posto que esse é uma referência para toda a categoria dos metalúrgicos. Em outras ocasiões vinha me posicionando de forma conservadora em relação à questão de extensão de acordos para trabalhadores fora da base territorial do sindicato, todavia, deparome com decisão unânime da 2.ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão n.º 920202.079, de 22/03/2012) que considerou válida a extensão de acordo coletivo firmado pelo sindicato da base territorial da matriz para empregados de filial situada em localidade não abrangida pelo acordo. Peço licença ao Conselheiro Elias Freire para utilizar como fundamento para meu voto suas brilhantes considerações sobre a questão: No caso sub examen, a questão a ser apreciada diz respeito a possibilidade de aplicabilidade do Acordo Coletivo de Trabalho supra mencionado amparar os trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. Em regra, o enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. Entretanto, o entendimento do Ministério do Trabalho e Emprego, sintetizado na Ementa nº 12, aprovada pela Portaria nº 1, de 22 de março de 2002, publicada no Diário Oficial da União de 25 de março de 2002, é no sentido de que esta regra deve ser ressalvada quando se tornar necessária a observância dos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido e, ainda, na hipótese de transferência temporária do empregado, in verbis: “CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. LOCAL DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Empresa que presta serviço em local diverso de sua sede, independentemente de possuir filial neste local, deve atender às condições de trabalho e salariais constantes do instrumento coletivo firmado pelos sindicatos do local da prestação do serviço, em virtude das limitações decorrentes dos critérios de categoria e de base territorial, ainda que não tenha participado da negociação de que resultou a convenção coletiva. Ficam ressalvados os princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e de direito adquirido, bem como as hipóteses de transferência transitória do empregado, nos termos do § 3º, do art. 469, da Consolidação das Leis do Trabalho” Por certo, o pagamento da PLR nos termos do Acordo Coletivo negociado, inclusive para trabalhadores que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato, configura Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.723248/201363 Acórdão n.º 2401003.895 S2C4T1 Fl. 3.502 15 direito adquirido dos empregados que se enquadrem nos critérios estabelecidos no instrumento coletivo. Destarte, concluo que o referido acordo coletivo de trabalho tem o condão de amparar a PLR paga aos seus empregados, inclusive, aos trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato. Ou seja, a extensão da PLR pactuada em acordo coletivo de trabalho para trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato, não é, por si só, fato que altere a natureza do pagamento efetuado. Feitas essas considerações, encaminho pela exclusão dos levantamentos P7, P8, P9, R3, R4, R5, G1 e G4. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para que, em cada semestre, seja excluída do lançamento a primeira competência, em que houve pagamento a título de PLR, conforme relação constante a planilha de fls. 2.231/3.409. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10840.003150/2001-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 30/04/1992 a 29/01/1993
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL. SÓCIOS QUOTISTAS. ARTIGO 35 DA LEI Nº7.7713, DE 1988.
Tratando se de sociedade de responsabilidade limitada, a previsão distribuição imediata de seus lucros, expressa em contrato social ,configura a hipótese de ocorrência do fato gerador do ILL.
ILL SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA.
Comprovado que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado, a contribuinte adquire o direito de restituição ou compensação do imposto sobre lucro líquido indevidamente recolhido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-002.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) declarou-se impedido. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior, OAB/DF 36.531.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL. SÓCIOS QUOTISTAS. ARTIGO 35 DA LEI Nº7.7713, DE 1988. Tratando se de sociedade de responsabilidade limitada, a previsão distribuição imediata de seus lucros, expressa em contrato social ,configura a hipótese de ocorrência do fato gerador do ILL. ILL — SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Comprovado que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado, a contribuinte adquire o direito de restituição ou compensação do imposto sobre lucro líquido indevidamente recolhido. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) declarouse impedido. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior, OAB/DF 36.531. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 31 50 /2 00 1- 26 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10840.003150/200126 Acórdão n.º 2202002.947 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Versam os presentes autos sobre requerimento de restituição, formulado em 14/11/2001, relacionado com importâncias pagas indevidamente a titulo de ILL (fls. 01/02) entre os anos de 1991 e 1992, que totalizariam, segundo a contribuinte, R$ 366.336,24 (trezentos e sessenta e seis mil e trezentos e trinta e seis reais e vinte a quatro centavos). Despacho decisório (fls. 59/61) indeferiu a restituição, salientando que a recorrente deixou de apresentar prova cabal de ausência de distribuição de lucros entre os sócios e, ainda, não comprovou a destinação dada, a época, aos lucros obtidos pela empresa (nos termos da cláusula sétima, do contrato social acostado às fls. 32 destes autos): No mais; deflagrouse a decadência do indébito pleiteado. A impugnação (então denominada pela contribuinte de "Recurso"), juntada As fls. 66/68, trouxe aos autos cópia das declarações de Imposto sobre a Renda (entregues no período) considerado no pleito de restituição), as quais demonstrariam a não distribuição dos lucros, conforme possível verificar de' seus campos "aplicações". Salientou, sobre mais, que se houvesse acontecido distribuição de lucro a algum sócio caberia ao Fisco diligenciar junto as pessoas físicas supostamente beneficiadas para que adimplissem com o IRPF supostamente devido, e dessa maneira não imputasse responsabilidade a empresa impugnante. Sustentou, finalmente, que o inicio da contagem do prazo decadencial não se dá a partir do pagamento/recolhimento do tributo, mas sim a partir da publicação da Resolução n. 82, de 18/11/1996, do Senado Federal (publicada no DOU no ano de 1997). Decisão de piso (fls. 85/88) indeferiu o requerimento de restituição sob o argumento de que: (a) caberia á contribuinte comprovar que não houve a distribuição dos lucros aos sócios; e (b) que a contagem do prazo decadencial, que é de 05 (cinco) anos, segundo evidenciado nos termos do Ato Declaratório da SRF n. 96, de 1999, é aberta a partir do pagamento/recolhimento, mesmo no caso de impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação. Desta maneira, o crédito postulado teria sido atingido pelo fenômeno decadencial, uma vez que os recolhimentos de ILL sucederamse nos anos de 1991 e 1992, e a restituição foi protocolizada em 14/11/2001. O recurso voluntário interposto (fl. 94/99) trouxe a baila argumento de que seriam suficientes os documentos (cópias das declarações de IR) juntados aos autos como prova da não distribuição, aos quotistas, dos. lucros acumulados no período discutido. Disse, ainda, que não poderia a DRJ julgar improcedente o pedido de restituição em razão da ocorrência de decadência (denominada de prescrição nas razões do recurso do contribuinte), contagem do prazo de decadência cogitada nesses autos somente se dera com a publicação da Resolução n. 82/96 do Senado Federal. Em 5/12/2007, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário n° 150.379, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 10616.650 (fls. 113/118), acatada por maioria de votos. 0 julgado foi assim ementado: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 DECADÊNCIA — REPETIÇÃO DO INDÉBITO — TERMO INICIAL DE ILL DECLARADO INCONSTITUCIONAL 0 reconhecimento da não incidência de ILL de sociedade por quotas é atestada pela Instrução Normativa SRF Tr. 63, publicada no DOU de 25/07/97. Sob esse prisma, não havendo transcorrido entre a data do ato da administração tributária, e a do pedido de restituição, interregno temporal superior a cinco anos, é de se considerar a não ocorrência da decadência do crédito envolvido na postulação. Decadência afastada. A decisão recorrida, por maioria de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pedir a restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro liquido, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, relativamente a pagamentos efetivados entre 30/04/1992 e 29/01/1993, cujo pedido fora protocolizado em 14/11/2001, determinando o retorno dos autos A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de origem para o enfrentamento das demais questões de mérito, vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos e Ana Maria Ribeiro dos Reis, que negaram provimento ao recurso. ' Intimada deste acórdão em 19/06/2008 (fls. 120), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial As fls. 123136, onde defendeu, em apertada síntese, que: a) 0 acórdão recorrido acolheu o entendimento de que o prazo de 5 anos para pleitear a restituição/compensação dos valores indevidamente pagos por sócios cotistas de sociedades limitadas a titulo de ILL tem como termo inicial a data de publicação da IN/SRF no 63/97, ou seja, o dia 25/07/1997; b) Por sua vez, o Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 302 35.782, assentou o posicionalmente de que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário (artigo 168, inciso I, do CTN), ocorrido com o pagamento do tributo, sendo que reconhecimento da inconstitucionalidade da exação (naquele caso, a edição da Medida Provisória n° 1.110/95) não significaria determinação para restituição ou compensação tributária, mas, apenas, ordem de não constituição do crédito tributário. Admitido o recurso por meio do Despacho n° DAF106150379_362 (fls. 138 141), a contribuinte foi cientificada e, devidamente representada, apresentou contrarazões As fls. 144151, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. Na sessão de 22/09/2009 este Colegiado proferiu o acórdão n° 920200.250 cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 1991, 1992 ILL SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS DECADÊNCIA. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10840.003150/200126 Acórdão n.º 2202002.947 S2C2T2 Fl. 4 5 O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades por quotas de responsabilidade limitada, se dá em 25.07.1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 63. Recurso especial negado. Portanto, restou mantida a decisão de segunda instância com relação ao afastamento da decadência do direito da contribuinte de pleitear a restituição do ILL. Mediante embargos em 24/09/2012, em acolher os embargos de declaração para o acórdão n° 920200.250, de 22/09/2009, sem alteração do resultado do julgamento, mas determinando o retorno dos autos à instância "a quo" para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator A decadência foi superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, restando para análise as demais questões. No que toca ao mérito, o enfrentamento da questão de mérito pela decisão recorrida resultou no indeferimento do pedido do suplicante com base no argumento de que restara sem comprovação a destinação dada aos lucros da empresa. O tributo em questão está disciplinado pela sistemática de tributação introduzida pelos arts. 35 a 39 da Lei nº 7.713, de 1988, alterada pelo art. 71, da lei Nº 7.789, de 1989 e pelo art. 1º da Lei nº 7.959, de 1989, nos seguintes termos: “Art. 35. O sócio quotista, o acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de oito por cento, calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período base. § 1º Para efeito da incidência de que trata este artigo, o lucro líquido do períodobase apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: a) adição do valor das provisões (...); (...) c) exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas, (...); d) compensação de prejuízos contábeis apurados em balanço de encerramento de períodobase anterior, desde que tenham sido compensados contabilmente, ressalvado do disposto no § 2º deste artigo. (...) § 4º O imposto de que trata este artigo: a) será considerado devido exclusivamente na fonte, quando o beneficiário do lucro for pessoa física; b) (...); (Revogada pela Lei nº 7.759, de 1989) c) poderá ser compensado com o imposto incidente na fonte sobre a parcela dos lucros apurados pelas pessoas jurídicas, que corresponder à participação de beneficiário, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliado no exterior. § 5º É dispensada a retenção na fonte do imposto a que se refere este artigo sobre a parcela do lucro líquido que corresponder à participação de pessoa jurídica imune ou isenta do imposto de renda. (Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10840.003150/200126 Acórdão n.º 2202002.947 S2C2T2 Fl. 5 7 § 6º O disposto neste artigo se aplica em relação ao lucro líquido apurado nos períodosbase encerrados a partir da data da vigência desta Lei. Art. 36. Os lucros que forem tributados na forma do artigo anterior, quando distribuídos, não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Incide, entretanto, o imposto de renda na fonte; a) em relação aos lucros que não tenham sido tributados na forma do artigo anterior; b) no caso de pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de lucros, quando o beneficiário for residente ou domiciliado no exterior. Art. 37. (...). Art. 38. O disposto no art. 63 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, somente se aplicará aos lucros e reservas relativos a resultados de períodosbase encerrados à data da vigência desta Lei. Art. 39. O disposto no art. 36 desta Lei não se aplicará às sociedades civis de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987.” Da leitura de tal sistemática de tributação observa se que os lucros apurados pelas pessoas jurídicas, das quais são participantes as pessoas físicas e/ou jurídicas relacionadas no caput do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ficam sujeitos ao imposto de renda na fonte à alíquota de 8%, independentemente de sua efetiva distribuição. De acordo com o art. 36, os lucros que forem tributados nessa sistemática (ILL) não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, quando forem distribuídos. Apreciando o Recurso Extraordinário nº 172.058/SC, em 30/10/1995, o Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade da imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido – ILL em relação ao acionista, tendo em vista que em tais sociedades a distribuição dos lucros depende, principalmente, da manifestação da assembléia geral. Por outro lado, em relação às sociedades limitadas, entendeu o STF que o ILL só é devido nos casos em que, na data do encerramento do período base de apuração, exista no Contrato Social previsão de disponibilidade econômica ou jurídica imediata, ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. O teor de sua ementa, na parte que interessa ao caso ora sob exame, é o seguinte: “IMPOSTO DE RENDA – RETENÇÃO NA FONTE – SÓCIO COTISTA. A norma insculpida no artigo 35 da Lei nº 7.713/88 mostrase harmônica com a Constituição Federal quando o contrato social prevê a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro líquido apurado, na data do encerramento do períodobase. Nesse caso, o citado artigo exsurge como explicitação do fato gerador estabelecido no artigo 43 do Código Tributário Nacional, não cabendo dizer da Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 disciplina, de tal elemento do tributo, via legislação ordinária. Interpretação da norma conforme o Texto Maior”. O art. 43 do CTN, a que se reporta a decisão em referência, assim dispõe: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Diante do entendimento do STF haver condicionada a incidência ou não da exação à forma da distribuição de lucros estabelecida no contrato social, convém reproduzir a parte do contrato social da empresa, em vigor em 01/06/1986 (fls. 48 do processo digital): “Clausula Sétima – O exercício financeiro encerrarseá no dia 31 de dezembro de cada ano, data em que serão levantados um Balanço Geral e conta de Lucros e Perdas. Os lucros apurados terão as destinação que os sócios decidirem. Os prejuízos verificados serão suportados proporcionalmente as quotas possuídas pelas sócios”. No caso em questão, a Recorrente anexa aos autos cópia de seu Contrato Social que, em sua cláusula 7, determina que: O exercício social encerrarseá em 31 de dezembro de cada ano, sendo que o primeiro balanço deverá ser levantado em 31 de dezembro de cada anos, cabendo aos sócios deliberar, de comum acordo, sobre a destinação dos lucros que, no caso de serem distribuídos, obedecerão à proporção das quotas pertencentes a cada um. Os eventuais prejuízos poderão ser rateados entre os sócios, ou permanecer em conta específica, para futura compensação com lucros. Conforme constante no Contrato Social, é possível confirmar a clara definição de que os sócios deverão deliberar de comum acordo sobre a distribuição do lucro, comprovando que não está evidenciada a automática disponibilidade do lucro apurado. Dessa forma, seguindo a orientação da Instrução Normativa n° 63/97, entendese que de fato a Recorrente tem o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos, pois não ficou evidenciada a disponibilidade econômica ou jurídica do lucro líquido Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10840.003150/200126 Acórdão n.º 2202002.947 S2C2T2 Fl. 6 9 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720629/2012-83
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO PAGAMENTO.
A despesa médica cujo ônus do pagamento não ficou provado ter sido do contribuinte declarante não é dedutível da base de cálculo do imposto sobre a renda.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza, Ronnie Soares Anderson, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ÔNUS DO PAGAMENTO. A despesa médica cujo ônus do pagamento não ficou provado ter sido do contribuinte declarante não é dedutível da base de cálculo do imposto sobre a renda. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza, Ronnie Soares Anderson, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1640.817, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, fls. 40 a 44, que considerou improcedente a impugnação ao lançamento de glosa de despesas médicas, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 06 29 /2 01 2- 83 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 valor de R$6.842,43, relativa ao anocalendário de 2008, descrita na Notificação de Lançamento, fls. 08 a 13, nos seguintes termos. “GLOSADA A DEDUÇÃO REFERENTE AO PLANO DE SAÚDE UNIMED DEVIDO AO MESMO SER PAGO PELA EMPRESA BRENNO AUGUSTO SPINELLI MARTINS ME CONFORME BOLETOS BANCÁRIOS APRESENTADOS E PORTANTO NÃO FOI O CONTRIBUINTE QUE TEVE O ÔNUS DO PAGAMENTO.” Em sua impugnação, fls. 03 a 05, instruída com os documentos de fls. 14 a 32, o contribuinte alegou, em síntese, que: sua empresa está inativa há mais de cinco anos, o que se verifica pelo documento emitido pela própria Receita Federal. Não há qualquer faturamento pela empresa capaz de gerar recursos para o cumprimento da obrigação, daí esta ser cumprida pela pessoa física do titular da empresa e, assim sendo, a despesa suportada por ele pode ser deduzida em sua declaração de ajuste anual; embora o plano de saúde tenha sido contratado em nome da empresa Brenno Augusto Spinelli Martins – ME, tratase de uma contratação para uso exclusivamente familiar, haja vista que somente compõem o quadro de usuários o próprio contribuinte e seus dependentes, o que demonstra ser de sua responsabilidade a quitação do referido convênio – vide demonstrativo da fatura mensal em anexo; a Lei Complementar 139 de 10/11/2011, que altera a Lei Complementar nº 123 de 14.12.2006, enseja a responsabilidade tributária e trabalhista do titular no período dos fatos geradores. Cientificado da decisão de primeira instância em 27/08/2012, segundafeira, o interessado ingressou recurso voluntário, 26/09/2012, fls. 49 a 71, reiterando os argumentos apresentados na impugnação, para aduzir que junta declaração da Unimed na qual afirma que Brenno Augusto Spinelli Martins ME “encontrase adimplente com suas mensalidades do respectivo contrato de Prestação de Assistência à Saúde.” Nesse sentido, conclui o recorrente que, estando inativa a empresa individual, coube ao titular pessoa física o ônus pelo pagamento das despesas com o plano de saúde. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O litígio gira em torno da glosa de despesas médicas no valor de R$6.842,43, glosadas em face da falta de comprovação de que coube ao contribuinte o ônus pelos pagamentos do plano de saúde contratado pela empresa individual Brenno Augusto Spinelli Martins ME. A decisão recorrida manteve o lançamento sob as seguintes razões de decidir: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.720629/201283 Acórdão n.º 2802003.309 S2TE02 Fl. 78 3 Para comprovar o direito à dedução das despesas médicas acima relacionadas, o Impugnante apresentou os seguintes documentos: Tela de Informações de Apoio para Emissão de Certidão, de fls. 18/19; Demonstrativo da Fatura Mensal do Contratante Brenno Augusto Spinelli Martins Me, de fls. 20; Faturas de Serviços da Unimed Ribeirão Preto e Recebimento de Títulos de Outros Bancos do Unibanco S.A, de fls. 21/23 e 29/32; Fatura de Serviços da Unimed Ribeirão Preto e Comprovante de Pagamento de Títulos do Banco do Brasil, de fls. 24; Fatura de Serviços da Unimed Ribeirão Preto e Comprovante de Pagamento de Bloqueto Bancos da Caixa Econômica Federal, de fls. 25/26 e Fatura de Serviços da Unimed Ribeirão Preto e Comprovante de Pagamento ilegível, de fls. 27/28. Os documentos acostados não comprovam que o ônus do pagamento das despesas médicas glosadas foi do Impugnante. Os comprovantes de pagamento não trazem qualquer informação que indique que o Impugnante arcou com o pagamento das despesas médicas glosadas, motivo pelo qual, a glosa deve ser mantida. Observase pelos documentos apresentados e da consulta aos sistemas da RFB que a empresa Brenno Augusto Spinelli Martins Me está ativa. Instruindo seu recurso, o Recorrente junta declaração firmada pela Unimed na qual apenas noticia o adimplemento das mensalidades do contrato de Prestação de Assistência à Saúde firmado com a referida empresa individual. Ao contrário do que alega o Recorrente o fato do adimplemento das mensalidades contratadas pela empresa individual e eventual inatividade desta não significa necessariamente que o contribuinte, pessoa física, tenha efetivamente arcado com as despesas médicas glosadas. Nos termos do inciso II do § 2º do art. 8º da Lei nº. 9.250/1995, a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Portanto, dos documentos acostados aos autos pelo Recorrente não se consegue evidenciar que o ônus do pagamento das despesas médicas glosadas foi do Recorrente. Finalmente, observese que quanto à Lei Complementar nº 123, de 2006, e alterações, citada pelo Recorrente, por definir a responsabilidade solidária do titular em relação aos fatos geradores advindos das relações tributárias e trabalhistas, não se estender às relações fora desse âmbito ocasionadas em razão do contrato firmado pela empresa individual com a Unimed. Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000435/2010-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Nulidade da Decisão de 1a. Instância
Tendo sido a decisão da autoridade julgadora de 1a. Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão.
Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada.
A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratando-se de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastá-la, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazê-lo, fica caracterizada a omissão de receitas.
Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea.
Arbitramento dos Lucros.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III).
Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude.
Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
Responsabilidade Solidária
O artigo 124, inciso I do CTN, regra a responsabilidade solidária entre sujeitos que ordinariamente figuram no consequente de determinada norma de incidência tributária, não sendo aplicável para alterar a sujeição passiva decorrente de patologias na conduta do contribuinte, tais como atos ilícitos, simulações e conluios.
Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS.
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exonerar a imputação da responsabilidade solidária ao sócio. Vencidos a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez (relatora) e o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que negaram provimento ao recurso. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro acompanha pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Roberto Massao Chinen
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente Substituta e Relatora
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Nulidade da Decisão de 1a. Instância Tendo sido a decisão da autoridade julgadora de 1a. Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão. Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratando-se de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastá-la, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazê-lo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. Arbitramento dos Lucros. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Responsabilidade Solidária O artigo 124, inciso I do CTN, regra a responsabilidade solidária entre sujeitos que ordinariamente figuram no consequente de determinada norma de incidência tributária, não sendo aplicável para alterar a sujeição passiva decorrente de patologias na conduta do contribuinte, tais como atos ilícitos, simulações e conluios. Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exonerar a imputação da responsabilidade solidária ao sócio. Vencidos a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez (relatora) e o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que negaram provimento ao recurso. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro acompanha pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Roberto Massao Chinen (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Presidente Substituta e Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA Tendo sido a decisão da autoridade julgadora de 1a. Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratandose de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastála, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazêlo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributamse como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 04 35 /2 01 0- 34 Fl. 918DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 2 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA O artigo 124, inciso I do CTN, regra a responsabilidade solidária entre sujeitos que ordinariamente figuram no consequente de determinada norma de incidência tributária, não sendo aplicável para alterar a sujeição passiva decorrente de patologias na conduta do contribuinte, tais como atos ilícitos, simulações e conluios. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exonerar a imputação da responsabilidade solidária ao sócio. Vencidos a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez (relatora) e o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que negaram provimento ao recurso. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro acompanha pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Roberto Massao Chinen (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente Substituta e Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez. Relatório Em respeito à economia processual transcrevo relatório adotado na Resolução n º 1801000.074, de 31/12/2012, desta 1a. TE / 3a. CAM / 1a. SEÇÃO do CARF: Fl. 919DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16004.000435/201034 Acórdão n.º 1801001.943 S1TE01 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 241.867,79, aí incluídos o principal, a multa de ofício qualificada e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas anocalendário 2006 (fls.513 a 576). De acordo com o relato constante do Termo de Descrição dos Fatos (fls. 513 a 543), o presente procedimento decorre de auditoria fiscal iniciada na pessoa física de Paulo Rogério de Souza. No âmbito daquele procedimento verificouse que o contribuinte Paulo Rogério de Souza, doravante denominado simplesmente Sr. Paulo, movimentou em suas contascorrentes bancárias, no anocalendário 2006, a quantia de R$ 6.743.222,82, enquanto que declarou, na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física Simplificada, rendimentos totais para o mesmo período de R$ 18.488,00. No decorrer das investigações apurouse que o Sr. Paulo se utilizou de suas contascorrentes bancárias pessoais mantidas no Brasil e no exterior, para recebimentos decorrentes de atos típicos de comércio, pois atuava como representante comercial de diversas outras empresas, muitas delas do setor de distribuição de gasolina e derivados de petróleo, álcool e derivados de cana de açúcar em geral. Em procedimento de circularização junto a clientes foram obtidas inúmeras informações a respeito de clientes e valores pagos ao Sr. Paulo. As intimações para comprovação da origem dos recursos encaminhadas ao Sr. Paulo deixaram de ser respondidas, na sua maior parte. Informou o Sr. Paulo que ao final de 2005 celebrou contrato verbal com a empresa Petropalmas Distribuidora de Petróleo Ltda, para representação na venda de álcool etílico hidratado carburante; que em 02/05/2006, constituiu a empresa Negrelli e Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda., cujo contrato foi registrado na Jucesp em 08/05/2006 e que a razão social foi alterada para P.R.F. Comércio de Roupas Ltda. ME, a partir de 09/05/2007; que, depois da constituição da pessoa jurídica formalizou contrato verbal de representação entre a Negrelli e a Petropalmas; que todas as operações advindas do referido contrato foram feitas por intermédio de suas contas bancárias. Consignou a auditoria que nenhum documento comprobatório das justificativas foi apresentado, além dos contratos sociais e alterações da Negrelli e Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda., e um contrato particular de representação comercial feito entre a referida empresa e a Petropalmas Distribuidora de Petróleo Ltda., CNPJ: 03.202.459/000166, sem a assinatura da contratante. Pesquisas realizadas indicaram que a Petropalmas não estava habilitada no sistema Sintegra Sistema Integrado de Informações Sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços. Informações obtidas na internet e advindas de outros órgãos revelaram inúmeras irregularidades e ilegalidades praticadas pela Petropalmas, inclusive com sua citação em Comissão Parlamentar de Inquérito e o cancelamento, em 03/04/2007, de sua inscrição pela ANP. O Sr. Paulo também teria realizado negócios irregulares com Geraes Brasil Petróleo Ltda., CNPJ: 01.460.940/000126 e com a Oilpetro Distribuidora de Fl. 920DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 4 Petróleo Ltda, empresas que não foram localizadas em seus domicílios tributários. Foi providenciada circularização com os remetentes de recursos para as contas do Sr. Paulo pelas quais foram constatados inúmeros pagamentos decorrentes de relações comerciais. Tendo em conta o não atendimento da intimação para providenciar inscrição voluntária retroativa a 01/01/2006, foi efetuada, de ofício, a inscrição do contribuinte no CNPJ a partir dessa data e a auditoria passou a se desenvolver junto às pessoas jurídicas Paulo Rogério de Souza e PRF Comércio de Roupas Ltda, sucessora da Negrelli e Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda. Nestes autos foram formalizados os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nos 2o., 3o. e 4o. trimestres de 2006 tendo como infração a omissão de receitas apurada pelos depósitos bancários de origem não comprovada. A apuração das bases de cálculo e dos valores devidos deuse pelo arbitramento dos lucros tendo em conta a inexistência de escrituração mínima obrigatória assim como documentos comprobatórios das operações. A multa de ofício foi qualificada, pois teria restado configurado o evidente intuito de fraude pela sonegação de 99% dos depósitos bancários, assim como pela apresentação de declarações (DIPJ) de inatividade e a apresentação de Declaração da Pessoa Física Simplificada. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais assim como o Termo de Sujeição Passiva Solidária ao sócio Paulo Rogério de Souza, nos termos dos artigos 121 e 124 do CTN. A pessoa jurídica foi cientificada das exigências na pessoa de seu representante legal e o Sr. Paulo Rogério Souza do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Ambos apresentaram impugnações tempestivas, por intermédio de procurador legalmente habilitado, A pessoa jurídica argüiu, em resumo: • Em 2006, foi representante comercial de várias empresas, dentre elas a Petropalmas. De 01/01/2006 a 01/05/2006 figurou como representante comercial autônomo, percebendo comissões sobre os produtos vendidos nessa atividade. Em 02/05/2006 constituiu uma sociedade "Negrelli & Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda.", CNPJ 07.993.346/000187, cuja denominação atual é "PRF Comércio de Roupas Ltda. ME"; • O lançamento foi feito, no período de janeiro a 05/05/2006, em nome de Paulo Rogério de Souza, CNPJ 11.933.948/000116, e, no período de 06/05/2006 a 31/12/2006, em nome de PRF Comércio de Roupas Ltda. ME. Assim, tratandose de autos de infração de período seqüencial, envolvendo as mesmas pessoas, pelos mesmos fatos, com a mesma acusação fiscal, devem ser julgados simultaneamente, porquanto interligados entre si, como preconizado nos arts. 103 e 105 do Código de Processo Civil, subsidiário do Processo Administrativo Tributário (Lei n° 10.941, de 25 de outubro de 2001) e do vigente Código Tributário Nacional (CTN). Requer, por essas razões, que seja apensado a este, para julgamento simultâneo, o processo 16004.000435/201034 formalizado em nome da PRF Com. De Roupas Ltda. ME. • Quando foi intimada a apresentar a sua inscrição junto ao CNPJ e seus livros Diário, Razão, Registro de Inventário, Lalur, bem assim a documentação correspondente, informou à fiscalização que, em 2006, mediante contrato verbal, era representante comercial em caráter não eventual da empresa Petropalmas para a comercialização de álcool etílico hidratado carburante, cabendo à citada empresa a emissão das notas fiscais e a entrega do produto no destino. A impugnante cabia emitir os pedidos de vendas, se encarregar do recebimento das duplicatas, cheques e outros títulos, depositandoos em sua conta corrente, e depois fazer a transferência dos valores das vendas para a Petropalmas ou para quem essa empresa indicasse; Fl. 921DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16004.000435/201034 Acórdão n.º 1801001.943 S1TE01 Fl. 4 5 • Em 02/05/2006, constituiu a empresa de representação comercial Negrelli (atual PRF), tendo formalizado, em 23/05/2006, um contrato de representação comercial com a Petropalmas, no qual foram mantidas as condições antes entabuladas, recebendo os valores das vendas e, depois, fazendo o repasse ora em dinheiro ora em crédito para aquela empresa ou para quem ela indicasse, descontandose apenas a comissão; • Entretanto, no inicio de 2007, tendo em vista os prejuízos experimentados, paralisou a atividade de representação e rescindiu o contrato com a Petropalmas. Alterou, então, o nome da empresa e a sua atividade, passando a ser comércio de confecções e artigos de vestuário em geral. Dessa forma, não procede a alegação do Fisco de que utilizou as contas bancárias abertas em seu nome para acobertar operações mercantis praticadas pela Petropalmas; • O Fisco toma por base para a exigência do imposto de renda única e exclusivamente extratos bancários, utilizandose, assim, de uma presunção frágil e injusta. A Lei n° 9.430, de 1996, inseriu novas presunções dentre as quais a vinculada aos valores creditados em conta de depósito,. em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações; • Não há correlação lógica entre depósitos e rendimentos omitidos; depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Os depósitos devem representar o marco inicial de uma investigação fiscal e, como tal, não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da presunção legal, além de que para uma pessoa física é impossível comprovar cada um dos depósitos efetivados em suas contas ao longo de cinco anos; • O Fisco elaborou uma planilha, unilateralmente, sem quaisquer provas de que tenha advindo de instituição financeira, presumindo que os depósitos efetuados representam operações de vendas de mercadorias; • Cabe ao Fisco a prova da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; • Os depósitos existentes não significaram acréscimo patrimonial, nem operações de vendas próprias de mercadorias, mas créditos decorrentes de vendas procedidas pela empresa Petropalmas, que emitiu as notas fiscais e as entregou para as empresas destinatárias, por força do contrato de representação comercial acima mencionado; • Não é permitido ao Fisco proceder à inscrição de oficio no CNPJ estribado unicamente em presunção, sem que antes detenha elementos seguros de prova capazes de justificar a exigência; • O Fisco não pode fazer a inscrição de oficio no CNPJ e o lançamento por arbitramento, uma vez que a contribuinte não tem acesso à escrituração contábil da Petropalmas, que fez as vendas e recebeu os respectivos valores. Não se pode fazer o arbitramento sem fundamentação legal. A lei exige prova de que a escrituração contenha vicio ou omissão capaz de comprometela, da qual emergisse a sua invalidade, o que não ficou provado pela fiscalização. In casu, não se trata de escrita imprestável ou mesmo de omissão em ofertála à fiscalização, de maneira a justificar o arbitramento procedido, sendo totalmente ilegal a conduta do fiscal autuante; • O Fisco consultou os depositantes e todos confirmaram que a contribuinte agiu estritamente como corretor, representante comercial, chegando alguns a declinar formalmente que era representante comercial da Petropalmas. Planilhas relacionando uma infinidade de notas fiscais emitidas pela Petropalmas e assim Fl. 922DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 6 como de outras empresas que, em tese, poderiam representar sonegação fiscal, instauração de CPI, não pode levar o Fisco a crer que os meros depósitos bancários sejam puramente renda não declarada; • É enganosa a informação do fiscal de que a Petropalmas estava cadastrada no Sintegra com a situação de "não habilitado". Em consulta ao Integra/ICMS verificase que a citada empresa encontrase "habilitada" desde 25/08/2004, assim como no cadastro da Receita Federal do Brasil (RFB) ela se encontra "ativa". Além disso, o alegado cancelamento do cadastro daquela empresa na ANP somente se deu em 03/04/2007, portanto, em 2006, ela estava apta para a prática de atos de comércio; • Não há como aplicar a penalidade agravada, porquanto não há certeza sequer do lançamento. Não houve fraude, nem conluio ou falsificação de documentos. Realizou seus depósitos bancários de forma absolutamente regular. Foi corretor, mero representante comercial e nesta condição depositou, por força do contrato, os valores envolvidos na representação comercial estabelecida, repassandoos imediatamente a empresa contratante dos serviços de representação, com retenção das diminutas comissões sobre as vendas; • Ao longo da impugnação ficou evidente que o lançamento em sua essência não pode prosperar quando fundado em suposições, conjecturas e presunções. Assim, ainda que procedente fosse o lançamento não teria cabimento a manutenção da penalidade agravada; • Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas, e por decorrência da natureza característica de tais figuras, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o intuito de fraude. Mas, não basta ser qualquer intuito, há de ser evidente, demonstrado de modo concreto, sem deixar margem a dúvida; • Existindo dúvida deve ser aplicado o art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN), exigindose a multa de 75%. Paulo Rogério de Souza apresentou impugnação de fls. 584 608, contra o Termo de Sujeição Passiva Solidária, na qual alegou: • A solidariedade tributária está prevista nos arts. 134 e 135 do CTN, que estabelece a sua extensão aos sócios relativamente a débitos da sociedade, definindoa como subsidiária, tendo em vista que é restrita aos casos de impossibilidade de se exigir o cumprimento da obrigação da própria empresa; • Quanto à responsabilidade pessoal, está limitada aos casos em que a obrigação tributária tenha decorrido de atos praticados, comprovadamente pelo sócio com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, hipótese que não está tipificada no presente caso; • Em nenhum momento foi demonstrada a intervenção, pelo "responsável solidário" em algum ato ou suas responsabilidades por alguma omissão que desse causa ao pretenso crédito. Por outro lado, mostrase absolutamente possível exigirse o cumprimento da obrigação da empresa autuada, se fosse o caso, o que afasta de imediato a responsabilização de qualquer outra pessoa, a demandar a exclusão do tido "responsável solidário" do pólo passivo da presente relação tributária; • Para que se pudesse incluir o sócio no pólo passivo da exigência fiscal em epígrafe, como pretende a fiscalização, mister que tivesse a mesma obtido uma declaração eficaz de sua responsabilidade, o que somente teria sido possível mediante prévio procedimento judicial de cognição com obtenção de sentença Fl. 923DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16004.000435/201034 Acórdão n.º 1801001.943 S1TE01 Fl. 5 7 condenatória transitada em julgado. Somente assim poderseia considerar tais pessoas físicas como coresponsáveis pelo crédito tributário; • A inclusão do sócio no pólo passivo da obrigação tributária afronta os art. 134 e 135 do CTN e a CF que garante o devido processo legal nas instâncias administrativa e judicial, consistindo em grave vicio de forma e conteúdo; • A fiscalização não comprovou a responsabilidade tributária da pessoa física em relação ao crédito tributário da empresa autuada; • O procedimento fiscal contrariou os princípios da legalidade, verdade material, da irretroatividade, bem assim a necessidade de motivação do ato administrativo do lançamento. As presunções só são admitidas quando estão expressamente previstas em lei; • Não há como prosperar a aplicação da penalidade agravada de 150%. A 3a. Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP proferiu o Acórdão 1431.226 e julgou os lançamentos procedentes (fls. 703/716). Em preliminares aquela autoridade observou que não teria havido equiparação de pessoa física à jurídica nem inscrição de ofício no CNPJ, motivo pelo qual as razões de defesa nesse sentido não foram conhecidas. O pedido de apensamento deste com os autos de n º 16004.000443/201081 foi rejeitado. No mérito sustentou a apuração de omissão de receitas pela presunção legal prevista no artigo 42 da Lei n º 9.430, de 1996, justificou o arbitramento pela falta de manutenção de escrituração a amparar a apuração pelo lucro real e qualificou de reiterada a conduta da empresa em omitir receitas auferidas do Fisco Federal, o que implicaria na manutenção da penalidade qualificada. No que toca à sujeição passiva solidária consignou que o referido termo seria, apenas, mera informação destinada a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional para a inscrição em dívida ativa do débito e que a discussão da questão deveria se desenrolar na esfera judicial a cargo de outra autoridade julgadora. A notificação para ciência da decisão foi encaminhada ao endereço da PRF Comércio de Roupas Ltda., e lá recepcionada em 08/11/2010, como indica a cópia do AR à fl. 724. Foram encaminhados, via correio, em 08/12/2010, os recurso interpostos contra as exigências, por meio de procurador, pela pessoa física de Paulo Rogério de Souza, anexado às fls. 726 a 750, e pela pessoa jurídica PRF Comércio de Roupas Ltda., anexado às fls. 751 a 824. O responsável solidário alegou, em preliminares, a tempestividade da peça e pediu pelo julgamento simultâneo com o processo n º 16004.000443/201081 e, no mérito, reproduziu as razões de defesa deduzidas na impugnação pleiteando, ao final, a sua exclusão do pólo passivo, na condição de responsável solidário, da relação jurídicotributária. No recurso interposto pela pessoa jurídica PRF Comércio de Roupas Ltda alegou, a recorrente, em preliminares a nulidade da decisão da DRJ em Ribeirão Preto, (i) pela caracterização de cerceamento do direito de defesa por não terem sido apreciadas as razões de defesa apresentadas na impugnação, no que respeita à equiparação da pessoa física em pessoa jurídica e contra a inscrição de ofício, retroativa, no CNPJ; (ii) pela ausência de fundamentação, ou seja, pelo não encaminhamento do voto do relator Antonio Carlos Trevisan, vencido na questão Fl. 924DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 8 que julgou, por maioria de votos, não tomar conhecimento das razões de impugnação contra a sujeição passiva solidária. As demais questões preliminares levantadas na impugnação foram reproduzidas no recurso voluntário. No mérito, além de reproduzir as argüições de defesa deduzidas na impugnação, acrescentou, em suas palavras; O Superior Tribunal de Justiça em decisão recentíssima, publicada em 27/04/2010, decidiu de vez por todas, que se a empresa compradora consultar o cadastro SINTEGRA e o cadastro CNPJ e constatar que a empresa está regularmente HABILITADA e ATIVA, respectivamente, perante aqueles órgãos, as empresas destinatárias têm direito ao crédito do imposto e estão a salvo de qualquer penalidade, ainda que, ao depois, venha ser considerada "NÃO HABILITADA" ou "INATIVA". Nesse sentido transcreveu ementa de acórdão de decisão do STJ, proferida no REsp 114844/MG, lª Seção, rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 14/04/2010 e publicado em 27/04/2010, ao qual, ressalta, se aplicam os efeitos do art. 543C do CPC. Ao final pugnou pelo acolhimento dos recursos. Tendo em vista a revogação do artigo Artigo 62A, parágrafos 1o. e 2o. do Regimento Interno do CARF, que determinava o sobrestamento do julgamento do presente processo, retornam os autos em pauta para prosseguimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Os recursos interpostos pela contribuinte e pelo sujeito passivo solidário são tempestivos, razão pela qual deles tomo conhecimento. A fim de melhor expor o presente voto será distribuído em itens, de acordo com a ordem das alegações de defesa Recurso Voluntário Interposto por PRF Comércio de Roupas Ltda. Me 1 Preliminares 1.1 JULGAMENTO SIMULTÂNEO COM O PROCESSO N º 16004.000443/201081 Referido processo encontrase incluído na mesma pauta de julgamento do presente processo, razão pela qual haverá o julgamento simultâneo solicitado pela defesa. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16004.000435/201034 Acórdão n.º 1801001.943 S1TE01 Fl. 6 9 1.2 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Invoca, a recorrente, o cerceamento do direito de defesa que alega ter ocorrido na decisão proferida pela Turma Julgadora de 1a. Instância vez que, aquela autoridade, teria deixado de apreciar as razões de defesa deduzidas na impugnação contra a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica e inscrição de ofício no CNPJ. A relatora do julgado teria consignado que "que no presente processo não houve equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, tampouco inscrição de oficio no CNPJ, razão pela qual deixo de analisar os questionamentos da contribuinte a esse respeito". Tem razão a Turma Julgadora de 1a. Instância. O presente processo trata de infrações atribuídas à pessoa jurídica PRF Comércio de Roupas Ltda. Me, de CNPJ 07.993.346/000187, empresa que já fora inscrita pelo próprio sócio Paulo, em 08/05/2006, com a denominação de Negrelli e Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda. A inscrição de ofício no CNPJ se deu em relação à empresa Paulo Rogério de Souza, à qual foi atribuído o CNPJ 11.933.948/000116, no período de 01/01/2006 a 07/05/2006, tratada nos autos do processo n º16004.000443/201081. A recorrente requer, ainda, o reconhecimento do cerceamento do direito de defesa ao argumento de que a decisão recorrida teria sido proferida com ausência de fundamentação, pois não teria constado da decisão as razões que levaram o julgador daquele colegiado, Antonio Carlos Trevisan, que votou por conhecer dos argumentos de defesa contra a imputação da responsabilidade solidária a terceiros. Vêse que a defesa não está inteirada da maneira como se dá o julgamento em colegiado. O julgamento em colegiado na DRJ é muito similar ao julgamento em colegiado no CARF. O processo é distribuído por sorteio a um membro da turma, que será nomeado relator. Esse membro vai analisar a imputação em confronto com as razões de defesa e vai proferir, na sessão de julgamento, o seu voto. O restante do colegiado acompanhará, ou não, o voto do relator. Não é obrigatório que conste do corpo da decisão o posicionamento de cada um dos membros da Turma Julgadora. Do contrário, seria necessário que cada julgador deduzisse em arrazoado os motivos que levaram a votar dessa ou daquela maneira. Isso pode vir a ocorrer caso algum membro da Turma opte por fazer uma declaração de voto, ou caso o relator seja o vencido na votação. Mas este não foi o caso dos autos. Tampouco o julgador Antonio Carlos Trevisan optou por fazer declaração de voto. A obrigatoriedade é que conste expressamente do acórdão como cada um votou. Se acompanhou ou não, o voto do relator, porque, afinal, o voto é de lavra do relator da decisão. Pelos mesmos motivos é infundada a alegação de nulidade por não ter constado na decisão a assinatura do julgador Antonio Carlos Trevisan. Por tais razões, rejeitase a preliminar. 2 Mérito 2.1 OMISSÃO DE RECEITAS No mérito é importante contextualizar que o presente processo trata das infrações atribuídas à empresa PRF Comércio de Roupas Ltda. ME CNPJ 07.993.346/000187, nos períodos correspondentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de maio a dezembro de 2006. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 10 A ação fiscal foi iniciada na pessoa de Paulo Rogério de Souza pela constatação de que a pessoa física movimentou, em suas contas correntes bancárias, somente no ano de 2006, a vultosa quantia de R$ 6.743.222,82, comparada à totalidade dos rendimentos tributáveis declarados na DIRPF do mesmo período apresentada ao Fisco, que somaram apenas R$ 18.488,00. Em razão disso Paulo Rogério de Souza foi intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes, ocasião em que admitiu que praticou atividade mercantil típica de pessoa jurídica. Nesse sentido Paulo Rogério afirmou desempenhar a atividade de representante da empresa Petropalmas Distribuidora de Petróleo Ltdal, nas condições elencadas no Termo de Descrição dos Fatos (fls. 515): • celebrou contrato verbal com a empresa e ficou responsável pelo recebimento de suas vendas, referentes a álcool etílico hidratado carburante; • receberia uma comissão sobre a totalidade das vendas e que deveria prestar conta de cada pedido fechado; • a contratante se obrigaria a atender os pedidos e emitiria as notas fiscais, arcando com o pagamento dos tributos; • no inicio de 2006 passou a desempenhar o estabelecido no contrato verbal feito com a Petropalmas Distribuidora de Petróleo Ltda.; • em 02/05/2006 constituiu a empresa Negrelli e Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda., cujo contrato foi registrado na Jucesp em 08/05/2006; • formalizou o contrato (verbal) feito anteriormente, agora entre a Negrelli e Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda. e a Petropalmas Distribuidora de Petróleo Ltda.; • todas as operações advindas do contrato foram feitas por intermédio de suas contas bancárias; • o contrato foi encerrado em face dos enormes prejuízos; • a razão social de sua empresa foi alterada para P.R.F. Comércio de Roupas Ltda. ME, a partir de 09/05/2007. As atividades supostamente praticadas foram descritas na resposta apresentada por Paulo Rogério em 12/03/2010 (fls. 231/239) ao Termo de Constatação e Intimação datado de 19/02/2010 (fls. 227/229). Partindo de informações obtidas nos extratos bancários a auditoria também providenciou a circularização com outras pessoas jurídicas. Nesse sentido, atendendo a intimações da auditoria fiscal, a CC Distribuidora de Alimentos Ltda, a Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool, a Geraes Brasil Petróleo Ltda, José Alberto Vanali Matheus, Silvana Barbosa Ferrari Matsuda, Milhim & Milhim Auto Posto Ltda., Nelci Lourdes Vieira Lima Baccan, Onda Verde Agrocomercial S/A, confirmaram terem feito transações comerciais com a autuada. Constatando que a pessoa física de Paulo Rogério de Souza praticava atividades típicas de pessoa jurídica, a auditoria intimou, também, o interessado a apresentar escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16004.000435/201034 Acórdão n.º 1801001.943 S1TE01 Fl. 7 11 Foram lavradas diversas intimações para que Paulo Rogério de Souza apresentasse escrituração contábil e demonstrasse e comprovasse a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes bancárias. Mas o intimado, representado por advogado, limitouse a tecer considerações a respeito de conceito de renda e sobre a impossibilidade e ilegalidade de se lavrar auto de infração com base em depósitos bancários. A atividade de representação comercial está prevista na Lei n º 4.886, de 1964: Art . 1º Exerce a representação comercial autônoma a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que desempenha, em caráter não eventual por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para a realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para, transmitilos aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios. Parágrafo único. Quando a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil, serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação comercial. Art . 2º É obrigatório o registro dos que exerçam a representação comercial autônoma nos Conselhos Regionais criados pelo art. 6º desta Lei. ... Verificase, assim, que a atividade de representação comercial encontrase regulamentada e, nessas condições, inserese nas previsões do art. 146 do RIR/99: Art. 146. São contribuintes do imposto e terão seus lucros apurados de acordo com este Decreto (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 27): I as pessoas jurídicas (Capítulo I); II as empresas individuais (Capítulo II). § 1 ºAs disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 27, § 2 º ). ... § 3 ºAs sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei n º 9.430, de 1996, art. 55). Diante da constatação de que o interessado havia auferido rendimentos e que tais rendimentos seriam advindos da prática de atividade de pessoa jurídica, a auditoria fiscal formalizou o lançamento na pessoa jurídica que já estava constituída à época da infração, a PRF Comércio de Roupas Ltda. ME Fl. 928DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 12 Importa consignar que a legislação em vigor permite a presunção de omissão de receitas formulada a partir da verificação de depósitos bancários de origem não identificada, como previsto no art. 42, caput, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o t i tular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos uti l izados nessas operações [destaques acrescidos]. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea . In casu, o titular das contascorrentes bancárias é Paulo Roberto de Souza, que praticou atividade de pessoa jurídica e recebeu rendimentos advindos de atividade empresarial em suas contas de depósito, razão pela qual é desprovida de qualquer fundamentação a alegação de que a Petropalmas é que deveria ser intimada a apresentar a origem dos recursos creditados nas contas de depósito. É do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas da atividade operacional, ou caso sejam, que foram devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio justamente dispensar o Fisco de produzir a prova do nexo de causalidade ou do liame entre os valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta ao Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, tornase juridicamente válida a imputação de omissão de receitas. No caso em apreço o contribuinte foi diversas vezes intimado a comprovar a origem dos recursos. Nesse sentido, constou textualmente das intimações: ... Na hipótese de haver depósitos bancários creditados nas contas, mas que não lhe pertençam, informar individualmente que tipo de operação originou tal lançamento, classificandoa(s) e mencionando quais pessoas físicas e ou jurídicas foram favorecidas, bem como o seu CPF e ou CNPJ, além da apresentação dos documentos comprobatórios destas propriedades/titularidades; Frisamos que as justificativas dos créditos deverão estar embasadas em documentos da época em que os lançamentos ocorreram, devendose efetuar as correlações entre os créditos com os documentos comprobatórios das operações; ... Mas limitouse o intimado a dizer que possuía contrato – verbal, frisese de representação comercial com outra empresa. Não fora assinado contrato escrito, não havia Fl. 929DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16004.000435/201034 Acórdão n.º 1801001.943 S1TE01 Fl. 8 13 controle dos valores supostamente recebidos dos clientes, não havia controles dos valores supostamente repassados à empresa representada, não havia controles de quantidades negociadas, não havia notas fiscais, não havia pedidos, enfim, não havia nada, absolutamente nada que pudesse corroborar as assertivas. O depósito bancário não se constitui em fato gerador de tributo. Todavia, a partir da edição do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, se o contribuinte não fizer prova da origem dos recursos depositados em suas contas correntes e de investimentos, pode a autoridade fiscal presumir a omissão de receitas, fato integrante da base de cálculo dos tributos em discussão. A doutrina e a jurisprudência também admitem a utilização de presunções, nos lançamentos de ofício. Para Maria Rita Ferragut a Administração Pública tem o “dever poder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários á formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei, como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta” (in Presunções no Direito Tributário – Dialética – São Paulo – 2001 – p. 105). No caso concreto, verificada a existência de depósitos bancários de origem não identificada pelo titulas das contas correntes e de investimentos, deve ser a tributação de tais valores como receitas omitidas da atividade, e não há exceção admitida à aplicação da norma Há, portanto, disposição legal expressa no sentido de considerar omissão de receitas, depósitos bancários que não tiverem sua origem comprovada pelo titular da conta. Para a refutação dos fatos indiciários, que levaram ao conhecimento jurídico do fato qualificador da norma de incidência tributária, in casu, a omissão de receitas, caberia aos recorrentes, provar que os indícios são falsos ou que não haveria nexo de implicação entre os fatos diretamente provados – depósitos bancários não comprovados e indiretamente provados – omissão de receitas. Entretanto, os recorrentes, não oferecem nenhuma contraprova capaz de afastar os indícios. E, “aquele que não tem como provar seu direito é, para o mundo jurídico, como se não o tivesse”. (Op. cit., p. 454). Logicamente, quando o contribuinte observa as obrigações tributárias principais e acessórias, todos os depósitos bancários estão devidamente contabilizados, e têm a sua origem identificada na contabilidade, regularmente amparada em documentação de suporte. O que não é o caso em apreço, em que se limita a defesa a meras argüições, estas sim absolutamente desprovidas de amparo legal , no sentido de que os depósitos bancários não podem ser considerados como receitas omitidas, ainda que não tenham sido comprovados pelo seu titular. A omissão de receitas restou, enfim, claramente configurada e este aspecto da autuação foi confirmado pela autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 14 Mantida, pois, a imputação de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. 2.2 FORMA DE TRIBUTAÇÃO A forma de tributação adotada pela auditoria fiscal no lançamento, o arbitramento dos lucros, está plenamente justificada pela inexistência de escrituração contábil na forma das leis comerciais e fiscais. Nesse contexto é despiciendo reafirmar que a recorrente, em que pese as diversas intimações nesse sentido, não apresentou qualquer elemento, documento ou livro de escrituração mínima obrigatória para as pessoas jurídica. 2.3 QUALIFICAÇÃO DA MULTA. FRAUDE Entendo que no presente caso a conduta fraudulenta do sujeito passivo restou demonstrada na intenção de sonegar, do Fisco Federal, a obtenção de rendimentos tributáveis. Vale dizer, a fraude está demonstrada na falsa declaração de rendimentos da pessoa física – DIRPF, apresentada ao Fisco, no anocalendário 2006. Dessa forma, a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador , das condições pessoais do contribuinte, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento foi praticada na DIRPF. O sujeito passivo, deliberadamente, praticou uma ação continuada do com o intuito de não levar ao conhecimento do Fisco sua real situação econômicofinanceira, principalmente o recebimento de receitas, fato gerador da obrigação tributária principal. A admissão de apresentação de declaração ao Fisco com a inserção de falsas informações, como suporte fático da incidência da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, é aceita pela jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, e do Superior Tribunal de Justiça, conforme ementas de julgados abaixo colacionadas: MULTA QUALIFICADA – CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, quando a contribuinte, mediante fraude, modifica as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, reduzindo o montante do tributo. Acórdão 10517.249, de 15/10/2008 1o. C.C / 5a. Câmara. Relator Paulo Jacinto do Nascimento. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação do evidente intuito de fraude conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, ii, Lei no. 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16004.000435/201034 Acórdão n.º 1801001.943 S1TE01 Fl. 9 15 Acórdão 19100.016, de 20/10/2008. 1o. C.C. 1a. Turma Especial. Relatora Ana de Barros Fernandes. Superior Tribunal de Justiça – Resp 601106/PR / 2003/01318517 – 5a. Turma – Relator Ministro Gilson Dipp CRIMINAL. SONEGAÇÃO FISCAL. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. ... X. Constatada a existência da obrigação tributária e comprovada a fraude na documentação exigida pelo Fisco, com a supressão do pagamento do imposto devido, inviável, nesta sede, o afastamento da condenação, ao fundamento de que a entrada irregular da mercadoria não constitui fato gerador do tributo. ... Recursos parcialmente conhecidos e desprovidos. Foram omitidos, na declaração apresentada ao Fisco, 99% (noventa e nove por cento) dos rendimentos auferidos. É evidente que, dado o volume das receitas ocultadas ao Fisco na declaração apresentada, não se pode dizer que a empresa operou com erro. E não há alternativa para a conduta praticada: ou se caracteriza o erro; ou se caracteriza o dolo. Mas não é só. A fiscalização apurou que várias das empresas com as quais a recorrente operou comercialmente estavam envolvidas com a prática de atos ilícitos. A Petropalmas, empresa que a recorrente alega representar, faz parte de um amplo esquema de sonegação, tendo sido, inclusive, citada em Comissão Parlamentar de Inquérito por ter praticado diferentes preços de combustíveis no mercado do Rio Grande do Sul. O esquema de sonegação de álcool teria causado um prejuízo superior a R$ 3,5 milhões àquele Estado e as fraudes envolviam empresas "laranja", que figuravam como fictícias destinatárias do combustível. O modo de operar seria o mesmo utilizado com Paulo Rogério de Souza, ou seja, há contratos verbais de representação pelos quais os representantes tem autorização para comprar, vender, receber, transacionar em nome da contratante, no caso a Petropalmas. A mercadoria é vendida em nome da contratante e acobertada com suas próprias notas fiscais. Da mesma forma, estão envolvidas em ilícitos tributários e criminais as empresas Geraes Brasil Petróleo Ltda., Oilpetro Distribuidora de Petróleo Ltda., e Onda Verde Comercial S/A, todas empresas que operaram comercialmente com a recorrente. Todo o esquema, combinado com o uso das contascorrentes do sócio, possibilitou às empresas de Paulo Rogério não oferecer à tributação os rendimentos oriundos de suas atividades comerciais, evidenciando, assim, aqui também, o intuito doloso de sonegação fiscal. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 16 Adotado tais fundamentos, a imputação da multa qualificada deve subsistir na exigência da omissão de receitas sobre os valores exigidos nos autos. É inaplicável, in casu, o efeito do artigo 543C do CPC atribuído ao Resp114844//MG, de 14/04/2010, do STJ. Referido julgado tratou de preservar a boafé da parte e, como visto, o presente caso trata de fraude praticada pela recorrente e não de boafé de terceiros. 2.4 TRIBUTAÇÃO REFLEXA No que tange aos autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, destaquese que se tratam de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Em assim sendo, a decisão de mérito prolatada em relação à exigência matriz constitui prejulgados na decisão das exigências reflexas. Recurso Voluntário Interposto pelo Responsável Solidário As razões meritórias de defesa apresentadas pelo responsável solidário que também foram argüidas no recurso voluntário da pessoa jurídica já foram devidamente apreciadas nos parágrafos acima, razão pela qual tornase desnecessário reproduzilas novamente. Aqui serão apreciadas as razões atinentes à responsabilidade solidária. 3 Preliminares 3.1 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O responsável solidário afirma que houve cerceamento de direito de defesa na decisão recorrida por entender que aquela autoridade teria deixado de apreciar as razões de defesa do responsável solidário contra a imputação da responsabilidade solidária. As conclusões se basearam nos seguintes trechos daquele voto: Por óbvio, esse é um juízo de valor dos senhores Procuradores, em face dos elementos carreados para os autos pelo Fisco, ou de outros a que vierem ter acesso. Assim sendo, não estão dependentes de entendimentos anteriormente emanados a respeito, seja pelas Delegacias de Julgamento, seja pelo Conselho de Contribuintes. Demonstrado está, portanto, que não se trata de matéria que deva ser apreciada por qualquer dessas instâncias julgadoras. Apesar de discordar do posicionamento daquela Turma, entendo que no caso, não restou caracteriza o cerceamento do direito de defesa. Isto porque aquela autoridade analisou e rebateu a questão da imputação da solidariedade tributária. Talvez não de forma clara e objetiva, mas consignou seu entendimento sobre o tema. Por tal razão, rejeito a preliminar suscitada. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16004.000435/201034 Acórdão n.º 1801001.943 S1TE01 Fl. 10 17 4 Mérito 4.1 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Cumpre observar, inicialmente, que a maior parte das razões meritórias deduzidas pelo responsável solidário já foram devidamente apreciadas na análise do recurso voluntário apresentado pela empresa, por se confundirem com aquelas. Aqui serão analisadas as razões de mérito contra a imputação da responsabilidade solidária. O recorrente pede pela exclusão da responsabilidade tributária solidária defendendose da imputação prevista nos artigos 134 – Responsabilidade Solidária e 135 do CTN – Responsabilidade Pessoal. Das razões de defesa extraio os seguintes trechos: A autoridade lançadora, portanto, para incluir o sócio no pólo passivo da presente relação tributária para responder pela divida da pessoa jurídica retro mencionada, poderia fazêlo, primeiramente, apenas se aquela fosse insolvente e não tivesse patrimônio, sendo certo, ademais, que, cumulativamente, tal procedimento só poderia ser levado a efeito na hipótese de obtenção de declaração eficaz da responsabilidade individual daquela pessoa, tudo isso que, à evidência, nem de longe ocorreu na caso sub examine. Inexiste em todo ordenamento jurídico pátrio, qualquer coresponsabilização automática, de plano e sem causa, dos sócios de uma empresa (o que de fato não são), por suposta divida da mesma, sendo evidente a ilegitimidade do expediente do Sr. agente fiscal para este fim. Contudo, no presente caso, a auditoria fiscal imputou ao Sr. Paulo Rogério de Souza a responsabilidade solidária por interesse comum prevista no art. 124, I, do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; E a imputação da responsabilidade solidária não se deu de forma “automática” como afirmou a defesa. A auditoria muito bem justificou a atribuição da responsabilidade solidária ao sócio descrevendo, em minúcias, as razões que levaram a tal imputação: [...] Conforme já informado, o Sr. Paulo utilizou suas contas bancárias (abertas em nome da pessoa física) para a exploração de atividades comerciais de suas empresas, a Paulo Rogerio de Souza e a Negrelli e Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda., atualmente P.R.F. Comércio de Roupas Ltda. ME. A renda obtida com tais operações beneficiou diretamente não só as empresas mas também o próprio sócio, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum das referidas pessoas com o fato gerador da obrigação principal. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 18 As pessoas jurídicas realizam seus negócios, seus empreendimentos, por meio dos atos de vontade praticados por pessoas naturais, seus sócios, que as utilizam para a composição de seus interesses. Sozinhas, sem a participação, sem o impulso dessas pessoas naturais que a constituíram, elas são figuras meramente constituídas e ficam impossibilitadas de alcançar seus objetivos. No Direito Societário, os sócios são chamados de empreendedores, aqueles que investem capital e são responsáveis pela concepção e condução do negócio. Impulsionadas pelo empreendedor Sr. Paulo, as empresas Paulo Rogerio de Souza e Negrelli e Pascutti Representações Comerciais de Combustíveis Ltda., atualmente P.R.F. Comércio de Roupas Ltda. ME., foram beneficiadas diretamente pela conduta ilícita do sócio, que utilizou suas contas pessoais para acobertar as operações de suas empresas. 0 total dos depósitos bancários creditados nas contas da pessoa física no ano de 2006 ultrapassa os R$ 5,6 milhões. Com tamanha disponibilidade financeira, tornase evidente que ocorreu o fato gerador do I RPJ (e de outros tributos também), conforme estabelecido no art. 43 do Código Tributário Nacional (Lei n°5.172/66): [...] Além de utilizar suas contas pessoais para o desenvolvimento de atividades comerciais, possibilitando que suas empresas não recolhessem os tributos incidentes sobre as operações, o Sr. Paulo faltou com a verdade ao declarar que uma de suas empresas estava inativa no ano de 2006. Se não bastasse, utilizou notas fiscais de empresas com registro cancelado perante a Agência Nacional do Petróleo/não habilitadas no SINTEGRA. Tais condutas, nitidamente enquadradas como prática de atos fraudulentos e simulados, categoricamente demonstrados por esta fiscalização, contribuíram para aumentar os lucros das empresas e conseqüentemente a obtenção da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. 0 interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. [...] No curso dos trabalhos de auditoria, já demonstrado anteriormente no item 3 (uso das contas pessoais para exploração de atos de comércio), verificamos que o Sr. Paulo praticou diversos atos que comprovam o interesse na gestão dos negócios de suas empresas. Logo, soa óbvio que o contribuinte teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN. [...] No caso dos autos era Paulo Rogério de Souza quem praticava atos tipicamente de pessoa jurídica, em situações de constituição de fato gerador de tributos. Não há Fl. 935DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16004.000435/201034 Acórdão n.º 1801001.943 S1TE01 Fl. 11 19 como negar, pois, que o interesse da empresa se confunde com o interesse do sócio e vice versa. A extensa descrição dos fatos apurados, contidos no Termo de Descrição dos Fatos, direcionase já no capítulo destinado à qualificação da multa de ofício, a demonstrar a atuação de Paulo Rogério de Souza, descrevendo sua conduta com vistas à sonegação fiscal, e, conseqüentemente, maximização de lucros não tributados que resultou da omissão, fraudulenta, receitas oriundas de atividade comercial, correspondentes aos de vultosos depósitos/créditos efetuados nas suas contascorrentes pessoais, cujas origens dos recursos não foram comprovados, com o evidente fito de burlar o Fisco suprimindo o quantum de tributos e contribuições devidos. Portanto, restou demonstrado na acusação que Paulo Rogério de Souza geriu pessoalmente os negócios durante a prática dos atos fraudulentos que ensejaram a falta de recolhimento dos tributos aqui lançados. Correta, assim, a imputação da responsabilidade solidária com fundamento no art. 124, I do CTN. Pelo exposto, voto por negar provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Voto Vencedor Leonardo Mendonça Marques, Redator Designado Na apreciação das insurgências recursais veiculadas nos presentes autos, divergi da d. Conselheira Relatora, apondo as vênias de praxe, no que tange à responsabilidade solidária imposta ao sócio da pessoa jurídica, que interpôs recurso próprio. Vale dizer, o motivo da discordância com a proposição de voto que manteve a sujeição passiva solidária, encontrase menos na apreensão dos fatos pertinentes, que na fundamentação jurídica da extensão do ônus por sobre terceiro. É que o i. autor do lançamento fundamentou a solidariedade no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional, como se lê no "Termo de Sujeição Passiva Solidária" (efl. 640): Nos termos do referido processo, restou caracterizada a sujeição passiva solidária, nos moldes do inciso I do art. 124 da Lei n 2 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Fl. 936DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 20 Eis os termos do artigo 124 do Código Tributário Nacional: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Entendo que tal previsão normativa trata da estruturação da hipótese de incidência tributária, em sua feição "normal", "natural", ordinária, a delinear quem deve figurar no consequente da norma; não está contemplando a modificação da sujeição passiva decorrente de atos ilícitos, dolosos, simulados. O artigo 124 disciplina a hipótese de um negócio jurídico e de seu resultante fato gerador que, em decorrência de sua formatação, insere mais de um sujeito no pólo passivo da obrigação tributária. É certa a existência de diversos precedentes nesta e. Corte Administrativa, alguns dos quais foram invocados na elaboração do lançamento. No entanto, a leitura do artigo 124 do CTN neles promovida não se afigura a mais exata. A inexatidão encontra origem na imprecisão da expressão utilizada no inciso I, em comento, qual seja: "as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador". É enorme a amplitude que se pode alcançar partindo da noção de interesse comum no evento que materializa a incidência. Basta imaginar uma pessoa que detenha ações de grande companhia listada em bolsa de valores. Não há dúvida de que essa empresa busca auferir lucro. Também não se questiona que a obtenção de lucro figura como "situação" edificadora do fato gerador do IRPJ. Mas, estaria ali a hipótese versada pelo artigo 124, I, do Código? Poderia o acionista ser responsabilizado, de forma solidária, por toda a tributação incidente sobre o lucro vultoso da grande empresa, eis que também é interessado na obtenção desse lucro? Claro que não. Ocorre que, partindo da hipótese extrema acima sugerida, há diversas outras situações que tenderiam a ser erroneamente compreendidas como subsumidas ao artigo 124, pelo suposto interesse comum, exatamente como se arguiu na edificação do lançamento ora analisado. Valhome da lição de Paulo de Barros Carvalho, que de forma precisa apontou o conteúdo da norma em tela: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 16004.000435/201034 Acórdão n.º 1801001.943 S1TE01 Fl. 12 21 Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) Dentre os exemplos arrolados no trecho citado, tomemos o da copropriedade de um determinado imóvel, quanto à dívida de IPTU. Seria necessária a norma do artigo 124, ou a alocação dos proprietários na sujeição passiva seria decorrência direta da estruturação da hipótese de incidência? Aqui se apreende a função do artigo 124, inciso I: estabelecer a solidariedade. Não fosse a definição legislativa, poderseia cogitar, com boa dose de razoabilidade, que os coproprietários seriam devedores de frações do tributo, correspondentes às suas frações ideais no domínio do imóvel. A norma complementar tributária vem estipular que a sujeição passiva será solidária. E no artigo seguinte, detalha os efeitos da solidariedade que impôs quanto ao interesse comum, e também quanto à solidariedade especificamente determinada por lei (inciso II), que não decorreria diretamente da construção da hipótese de incidência tributária: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Esclarecido o conteúdo da norma do artigo 124, I, cabe avaliar se ela daria suporte à responsabilização formalizada na autuação em questão. O quadro fático que se tem, nos presentes autos, é o do sócio, pessoa física, que em conluio descrito pelo autor do lançamento, atuou em paralelo à pessoa jurídica autuada para desviar receitas da contabilização e consequente tributação das mesmas. Vale dizer, acompanhei a d. Relatora naquilo em que manteve a multa qualificada, majorada pela comprovação de conduta dolosa no sentido de sonegar tributos. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 22 No entanto, contemplo cenário diverso na relação entre sócio e pessoa jurídica, nas implicações que esse dolo surte sobre as personalidades jurídicas, e qual o fundamento que seria apto a responsabilizar o sócio que pratica os atos ilícitos. A priori, o sócio pessoa física e a pessoa jurídica da qual ele participa, detêm personalidades jurídicas e posições negociais diversas. Portanto, retomando a ótica pelo artigo 124, I, temse: empresa que pratica atos mercantis, visando auferir receitas, pagar suas despesas (inclusive salários de empregados e pró labore de sócios gestores), quitar seus tributos, e ao final, se possível, perceber lucro; em outra posição, o sócio, que realiza aporte de capital e possivelmente atua na gestão da empresa, na expectativa de receber remuneração pelo trabalho administrativo e distribuição de lucros. São posições diversas, atores diversos em situações que geram fatos geradores distintos. Não há os elementos necessários para deflagrar a solidariedade prescrita no artigo 124, I, do CTN. Ocorre que, no caso dos autos, houve abuso de personalidade jurídica. A pessoa física escamoteou recebimentos para suas contas, de modo a subtraílos da tributação da pessoa jurídica. De certa forma, o que se desenhou foi a simulação de atos corporativos, quando em verdade tudo que se operava voltavase à consecução de ganhos diretos para a pessoa física, que buscou escapar da tributação. Ou seja, contexto patológico, extraordinário, que impõe a exasperação da multa de ofício, e a desconsideração do negócio jurídico aparente. Em conclusão, a alocação da pessoa física recorrente na sujeição passiva solidária, com base no artigo 124, I, do CTN, não encontra respaldo nos fatos compreendidos nos autos, razão pela qual merece ser cancelada. Pelas razões expostas, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de Paulo Rogério de Souza, para afastar a sujeição passiva solidária que lhe fora imposta. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 939DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720093/2006-66
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002
Declaração de Compensação. Ausência de comprovação do direito creditório. Não homologação.
Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-004.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram este julgado. Vencido o conselheiro Bruno Curi que dava parcial provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a Dra. Alessandra Gomensoro, OAB/RJ 108.708
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Ausência de comprovação do direito creditório. Não homologação. Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram este julgado. Vencido o conselheiro Bruno Curi que dava parcial provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a Dra. Alessandra Gomensoro, OAB/RJ 108.708 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 00 93 /2 00 6- 66 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 40/54) da interessada contra o Despacho Decisório nº 945, de 01 de setembro de 2006 (fls. 32/35), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA (DRF/SDR), que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pretendidas na PER/DCOMP às folhas 06/10. Entendia a contribuinte possuir um direito a crédito originário de um pagamento a maior de PIS referente ao período de apuração de 09/2002, e pretendia utilizar esse crédito para compensar débitos do mesmo tributo nos três períodos de apuração seguintes, quais sejam, 10, 11 e 12/2002. Todavia o crédito pleiteado foi glosado pela autoridade fiscal, visto que “foi constatado na fiscalização de nº 05.1.01.002004004006 que (...) o valor da contribuição declarada para o mês de setembro estava sub avaliado, sendo que o débito correto era maior que o valor recolhido...” (fl. 34). Assim, considerou a autoridade fiscal que não existia pagamento a maior no período, inexistindo o pretendido direito creditório. Cientificada do despacho decisório em 20/11/2006 (fl. 39), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em 19/12/2006, sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: Entende a Receita Federal que não há direito creditório, visto que foram apurados em fiscalização valores devidos de PIS superiores aos débitos declarados pela Coelba, o que resultou no auto de infração do processo administrativo nº 10580.002752/200506; Ocorre que esse auto de infração ainda está sendo questionado nas vias administrativas, não podendo interferir neste processo de PER/DCOMP enquanto pendente de julgamento definitivo; Nesse processo do auto de infração citado (nº 10580.002752/200506), ainda cabe recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face de divergências em julgados semelhantes por diferentes Câmaras do Conselho de Contribuintes; Em face da clara inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, que norteou o auto de infração citado, haverá reversão da decisão do Conselho de Contribuintes junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais; Enquanto não houver desfecho no processo do auto de infração (nº 10580.002752/200506), permanece a dúvida quanto à circunstância material do fato tributário, de tal modo a incidir perfeitamente o art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN); Se não for para homologar as compensações conforme pleiteado, pelo menos que haja a suspensão do presente processo até que seja proferida decisão Fl. 557DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.720093/200666 Acórdão n.º 3802004.289 S3TE02 Fl. 557 3 definitiva nos autos do processo do auto de infração (nº 10580.002752/2005 06). O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SDR no 1515.689, de 14/05/2008, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. VERIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Constatada em procedimento fiscal a inexistência dos créditos declarados pelo sujeito passivo, resta à autoridade fiscal não homologar as compensações pleiteadas com base nesses créditos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada O julgamento foi no sentido de indeferir a solicitação, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e consequentemente, não homologação da compensação pleiteada. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que os autos são reflexo do processo de n° 10580.002752/200506, bem como repisa sobre inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS pela Lei n° 9.718/98, tendo em vista o período estar abrangido no período cumulativo de sua apuração. Requer a Recorrente que seja julgado PROCEDENTE o presente Recurso, a fim de que seja reformada a decisão ora combatida e deferida a compensação, por inexistir, na hipótese, justificativa plausível para negar o seu deferimento. Ainda, pugna pela suspensão do presente feito até que seja proferida decisão definitiva nos autos do Processo Administrativo n° 10580.002752/200506 (auto de Infração) , por ser medida mais consonante com o caso em apreço, a fim de que sejam evitadas decisões possivelmente conflitantes. O julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução de n° 3201 00.183, de 08/12/2010, que dispunha: (.....) Fl. 558DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Assim sendo, para minha convicção, voto por baixar o processo em diligência para que seja juntado aos autos a cópia da decisão do recurso voluntário e especial, caso tenha ocorrido, relativo ao processo n° 10580.002752/200506. Em resposta à demanda, à fl. 529 (pdf), informase que o processo de n° 10580.002752/200506 (auto de Infração) encontrase pendente de julgamento o recurso especial na 4ª Câmara/3ªSEJUL/CARF, situação que persiste até o presente momento. Ressaltese que no eprocesso consta o valor atualizado de R$ 2.300.000,00, no entanto, como se trata de Per/Decomp, entendo que o valor que se discute no processo de Per/Decomp, e o enfrentamento pelo não reconhecimento do direito creditório, no DESPACHO DECISÓRIO é de R$ 956.000,00 (Volume 1); da mesma forma, observase a carta de cobrança emitida pela Secat, também é R$ 956.000,00 (fl 39 do Volume 1); portanto, o valor do litígio encontrase dentro de limite de alçada da 2ªTE. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. Na sessão de dezembro/2014 houve pedido de vista dos autos, da mesma forma na sessão de janeiro/2015 e finalmente, pedido de retirada de pauta, pela empresa, na sessão de fevereiro/2015; retornando nesta sessão de março/2015 para prosseguimento no julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo do não reconhecimento do crédito pleiteado referente ao período de apuração de setembro de 2002, e consequentemente, não homologadas as compensações solicitadas, pois, a fiscalização apurou, valor devido de PIS superior ao débito declarado pela Coelba, resultando no auto de infração do processo administrativo n° 10580.002752/200506 (aguardando análise de recurso especial). Através do Despacho Decisório verificase que a autoridade fiscal não reconheceu o crédito pleiteado referente ao período de apuração de setembro de 2002, e por conseguinte, não homologou as compensações pretendidas, visto que foi apurado, em fiscalização, conforme trecho do voto do despacho: Ocorre, porém, que foi constatado na fiscalização de n°05.1.01.002004004006 que, em função das receitas de swap não consideradas no cálculo do PIS, o valor da contribuição declarada para o mês de setembro estava sub avaliado, sendo que o débito correto era maior que o valor recolhido por meio do DARF supramencionado, chegando ao total de R$ 3.270.804,92. Deste modo, mesmo considerando os demais DARF alocados para a quitação do débito de PIS apurado para Fl. 559DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.720093/200666 Acórdão n.º 3802004.289 S3TE02 Fl. 558 5 aquele período, o contribuinte ainda foi autuado a pagar uma diferença de R$ 100.140,09. Anexamos às fls. 21/30, cópias das peças do auto de infração mais relevantes para a apreciação do presente pleito. Assim, tendo em vista que o valor de PIS apurados para setembro de 2002 no auto de infração de no 10580.002752/200506 já foi reconhecido em última instância administrativa e considerando que no cálculo da diferença a pagar, o AFRF utilizou a totalidade do valor de R$ 3.075.685,09 recolhido por meio do DARF pago em 15/10/2002, não restou créditos a serem utilizados na compensação aqui declarada e, assim, somos obrigados a glosar a totalidade do direito creditório pleiteado. O que resultou na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 31/09/2002 Ementa: Constatada pela SRF a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado, o sujeito passivo será comunicado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, contado da ciência do procedimento. Compensação não Homologada Como relatado, a recorrente alega que, como o referido processo de auto de infração ainda está sendo questionado nas vias administrativas, não poderia interferir neste processo de PER/DCOMP, pois estaria pendente de julgamento definitivo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Aplicando ao caso, o art. 112 do CTN. O processo pendente de julgamento, teve relatoria da Conselheira Nayra Bastos Manatta, acórdão de n° 20401.195, cuja ementa a seguir transcrevo, onde foi dado parcial provimento, pelo voto de qualidade: PIS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao PIS é de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. NORMAS PROCESSUAIS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E z ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. OPERAÇÕES DE SWAP. RECONHECIMENTO RECEITA. ADOÇÃO REGIME DE COMPETÊNCIA. As receitas advindas das operações de swap integram a base de cálculo da contribuição e devem ser reconhecidas, contrato a contrato, e, se tributadas pelo regime de competência, por opção do contribuinte, devem ser reconhecidas mensalmente,independente da efetiva liquidação das operações que as geraram. EXCLUSÕES BASE DE CÁLCULO. Os registros contábeis em conta de resultado de receitas não operacionais que foram Fl. 560DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 posteriormente estornados por indevidos devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição, por não representarem receita. SEGUROS. TRIBUTAÇÃO. No caso de seguros recebidos pela contribuinte em decorrência de sinistro inexiste previsão legal para que se exclua do valor recebido da seguradora o valor do bem sinistrado. A tributação deve ocorrer sobre o total do valor recebido do segurado, sem quaisquer exclusões. ESTORNO DE VALORES COMPUTADOS INICIALMENTE COMO PROVISÕES DE RECEITAS. As provisões de receita que assim tenham sido registradas inicialmente, e, portanto, oferecidas à tributação do PIS e da Cofins, quando não se configurarem como efetivas receitas e forem, por conseguinte, estornadas, não são base de cálculo para as contribuições. PAGAMENTO EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O pagamento é uma das formas de extinção do crédito tributário constituído, prevista no Código Tributário Nacional. REFIS. Não cabe lançamento de ofício de débitos incluídos no Refis, antes do inicio da ação fiscal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Recurso provido em parte. O respectivo processo de Auto de Infração foi formalizado em 29/03/2005 visando a cobrança do PIS nos períodos de janeiro a junho/00; agosto/00 a janeiro/01; março a junho/01; outubro a dezembro/01; fevereiro, março, maio, setembro e outubro/02 em virtude de recolhimento a menor da contribuição por divergências nas bases de calculo. Narrados todos os fatos, observase que a recorrente apresentou a sua manifestação de inconformidade para a DRJ Salvador, a qual decidiu julgar improcedente a manifestação de inconformidade sob os argumentos de que a falta de comprovação da liquidez e certeza de suposto direito creditório e impõe a não homologação do pedido de compensação. Irresignada com a decisão de primeira instância a recorrente apresenta a sua peça recursal para o CARF alegando que não se pode aceitar a decisão que não homologou as compensações solicitadas. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática. Nesse sentido, nas declarações de compensação que não foram homologadas, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Fl. 561DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.720093/200666 Acórdão n.º 3802004.289 S3TE02 Fl. 559 7 Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Os arts. 170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifos não são originais) (...) Além do disposto no CTN, a compensação é regida pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 que permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. O art. 74 da Lei nº 9.430/1996, alterado pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, dispõe, relativamente à homologação de compensações: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (grifo do relator) Quando da apreciação de compensações com créditos decorrentes a pagamentos indevidos ou a maior, pode a autoridade fiscal determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de verificar a exatidão das informações prestadas nas declarações de compensação, o que ocorreu. O procedimento de fiscalização realizado apurou valores devidos de PIS superiores aos débitos declarados pela recorrente. Enfim, os valores devidos de PIS encontrados pela fiscalização eram superiores até mesmo aos recolhimentos do período, ocasionando o lançamento de ofício. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Como bem ressalta a DRJ, em trecho do seu voto: Vejase o mês de setembro de 2002: o valor declarado de PIS foi de R$ 2.194.515,22, contra recolhimentos que totalizavam R$ 3.170.664,83 (ver DCTF fl. 17), o que geraria, a princípio, um direito a crédito da diferença; todavia, no levantamento da Receita Federal, foi apurado que o total devido no mês era de R$ 3.270.804,92 (ver fl. 25), ou seja, superior até aos recolhimentos, de forma que foi lançada, de ofício, a diferença de R$ 100.140,09 (registrese, por oportuno, que o valor autuado é este, e não de R$ 1.067.879,81, como colocado pela interessada à folha 51). Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional, já comentado. Assim sendo, não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso. Em sendo assim o pleito não reveste de certeza e liquidez, não obstante, contestação administrativa do processo de auto de infração, onde se alega que poderá ocorrer reversão da decisão do Conselho de Contribuintes junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por conta, da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/1998. E em derradeiro, não há como acatar o pedido de suspensão do presente processo até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo do auto de infração, tendo em vista, inexistência de previsão legal. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 563DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10384.003319/2003-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 01/12/1999
DRAWBACK SUSPENSÃO. BASE DE CÁLCULO OBTIDA A PARTIR DE INFORMAÇÃO ERRÔNEA DO PESO DOS PRODUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO ADIMPLEMENTO.
Constatado erro na formação da base de cálculo, em virtude de que os pesos dos produtos compromissados por exportar foram informados erroneamente no formulário "Pedido de Drawback", impossibilitada fica a análise do adimplemento do regime sem modificar os critérios de formação da base de cálculo, tendo como resultado a insubsistência do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-00.352
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Corintho Oliveira Machado
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Recorrida DRJ-FORTALEZA/CE ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 01/12/1999 DRAWBACK SUSPENSÃO. BASE DE CÁLCULO OBTIDA A PARTIR DE INFORMAÇÃO ERRÔNEA DO PESO DOS PRODUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO ADIMPLEMENTO. Constatado erro na formação da base de cálculo, em virtude de que os pesos dos produtos compromissados por exportar foram informados erroneamente no formulário "Pedido de Drawback", impossibilitada fica a análise do adimplemento do regime sem modificar os critérios de formação da base de cálculo, tendo como resultado a insubsistência do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. .-RA4.:)( k---"------. i•---:---E.,_ Ter \À•dZ).,r‘d\----r- ME CIA HEL TRAJA D' MOR M - Presidente ' ! ; ,1 , ti CORINTHO OUVE RrACHADO — Relator ,' , EDITADO EM: 09/09/2009 1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida 1 Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Do lançamento Trata-se de lançamento do Imposto sobre as Importações - acrescido dos juros de mora previstos no art. 61, § 3 0 , da Lei no 9.430/96, bem como da multa de oficio capitulada no art. 44, inciso I, da mesma lei, petfazendo, na data da autuação, crédito tributário no valor total de R$ 8.105,16, conforme Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração de fls. 02/13. Segundo a autoridade fiscal responsável pela lavratura do auto de infração, o lançamento foi motivado pelo inadimplemento parcial do compromisso de exportar relativo ao Ato Concessório de Drawback suspensão n° 0044-99/000022-4, emitido em 22/11/1999, através do qual a autuada fora autorizada a importar insumos que deveriam ser utilizados na produçâo de 16.650 unidades, com peso líquido total de 66.600 Kg, de peles de carneiros curtidas ao cromo wet-blue, bem como 16.650 unidades, com peso líquido total de 66.600 Kg de peles de cabras curtidas ao cromo wet-blue. Não obstante, a beneficiária do regime comprovou apenas a exportação de 17.520 unidades de peles de carneiros curtidas ao cromo wet- blue, com peso total de 13.200 Kg, não apresentando nenhuma comprovação de exportação de relativa a peles de cabras. Apesar disso, a autoridade administrativa calculou o crédito tributário devido, inerente aos insumos não utilizados no processo produtivo das mercadorias exportadas, proporcionalmente à diferença entre o peso total compromissado e o peso total das peles exportadas, conforme fls. 10/11, não tendo considerado, para tanto, a discriminação e os quantitativos em unidades das mercadorias exportadas. Da impugnação Cientificada do lançamento em 10/11/2003 (vide fls. 02 e 13), a recorrente insurgiu-se contra a exigência, tendo apresentado, em 05/12/2003, a impugnação de fls. 40/54, onde, após fazer uma breve descrição dos fatos, apresenta argumentos os quais, entende, demonstrariam a improcedência da exigência formalizada pelo Fisco. Primeiramente, alega que a empresa exportou a quantidade efetiva de produtos compromissada no ato concessó rio, mas que teria havido equivoco da autoridade lançadora, a qual, ao analisar o documento "Pedido de Drawback", teria entendido que a empresa se comprometera a exportar o produto mensurado em peso, e não em quantidades unitárias. Argúi que, no campo reservado ao peso liquido no formulário Pedido de Drawback, interpretara que deveria ter sido informado o peso da matéria bruta a ser industrializada. Ressalta que, depois do \„ 2 Processo n° 10384.003319/2003-34 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.352 Fl. 141 processo de beneficiamento, o produto industrializado passa a ter peso inferior ao da matéria in natura. Argumenta ainda que o laudo técnico seria suficiente para demonstrar que todo o insumo importado fora utilizado no processo produtivo, e que, quanto aos dados consubstanciados no Pedido de Drawback, deveria prevalecer a interpretação mais favorável ao contribuinte. Baseada em respeitável doutrina, a impugnante propugna pela observação dos princípios da verdade material e do dever de investigação, obrigatórios por força do art. 142 do CTIV. Defende que a administração, ao cobrar tributos sobre Cujos fatos geradores não possui prova, teria incorrido em nulidade por ofensa ao princípio da legalidade objetiva. Questiona ainda a aplicação do art. 112 do CIN, defendendo a interpretação mais favorável ao contribuinte relativamente ao pedido de drawback. Com base nos fundamentos acima elencados, requer: no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração, e; que, "antes do julgamento, seja aberta instrução probatória, marcando-se audiência para oitiva do Engenheiro Químico da empresa que efetuou os laudos [...] ". A DRJ em FORTALEZA/CE julgou procedente em parte o lançamento, fls. 80 e seguintes, ficando a ementa do acórdão assim vazada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/12/1999 PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerar-se-á não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Não obstante, tais pedidos serão indeferidos quando os elementos que integram os autos demonstrarem ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito. LANÇAMENTO. OBSERVAÇÃO DOS REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. É legítimo o ato administrativo do lançamento que tenha observado os requisitos formais de validade. Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/12/1999 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROMISSO DE EXPORTAR. INFORMAÇÃO ERRÔNEA DO PESO DOS PRODUTOS NO FORMULÁRIO PEDIDO DE DRAWBACK. MERCADORIA QUANTIFICADA EM UNIDADES SIMPLES OU EM UNIDADES DE ÁREA. ADIMPLEMENTO ANALISADO A \i 3 PARTIR DAS EXPORTAÇÕES MENSURADAS NA UNIDADE DE MEDIDA ADEQUADA AO PRODUTO. Diante da constatação de que os pesos dos produtos compromissados por exportar foram informados erroneamente no formulário "Pedido de Drawback", a análise do adimplemento regime deverá considerar preferentemente os quantitativos compromissados nas unidades de grandeza adequadas à mensuração dos produtos industrializados pela beneficiária. Lançamento Procedente em Parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 94 e seguintes, onde reproduz os argumentos alinhavados em primeiro grau e aduz que a decisão de primeiro grau, em verdade, re-autuou a pessoa jurídica, pois baseou-se em novos critérios para manter o auto de infração parcialmente. A Repartição de origem, considerando a dispensa do arrolamento de bens para fins recursais, encaminhou os presentes autos para apreciação deste Colegiado, fl. 138. É o Relatório. Voto Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento, s.m.j., não primou pela melhor técnica quando aplicou uma simples regra de três a partir do laudo técnico apresentado, fl. 36, que detalhava a quantidade de produto consumido (salcromo 26) para o peso total de peles a serem exportadas, e passou essa proporção para o Relatório Unificado de Drawback, fl. 31, onde consta não só a quantidade das peles exportadas, mas também o peso dessas, em Kg (porém, após o tratamento com o Salcromo). A decisão guerreada trata da matéria de forma brilhante: O cerne da questão em comento, como se vislumbra da leitura do relatório supra, está centrado na verificação se houve, de fato, descumprimento dos requisitos necessários ao gozo do drawback suspensão. Nesse ínterim, é necessária a análise de duas questões relativas ao lançamento tributário: a) diante do fato dos quantitativos compromissados por exportar, dispostos no ato concessório sub examine, estarem expressos em quilogramas e em quantidades unitárias, examinar, primeiramente, qual a grandeza adequada ao aferimento do adimplemento dos compromissos firmados pela interessada; b) superado o problema disposto acima, aferir se houve ou não o adimplemento do regime e, sendo o caso, efetuar os cálculos dos s tributos devidos para verificar se os mesmos equivalem ao crédito tributário lançado pela autoridade administrativa. 4 Processo n° 10384.003319/2003-34 S3-C1T2 Acórdão n.°3102-00352 F1.142 Sobre a primeira questão, observam-se, às fls. 36, laudo técnico onde se verifica que a quantidade de insumo que seria utilizada no processo produtivo foi obtida a partir do peso total das peles que seriam tratadas, numa relação diretamente proporcional. As informações constantes do laudo, comparadas com os dados informados no ato coneessório (fls. 17), estâo resumidas na tabela abaixo: Laudo Técnico referente à utilização do insumo Salcromo 26 (fls. 36) Quantidade de peles a Peso médio de Peso total das peles a Quantidade de serem tratadas cada unidade de serem tratadas insumo necessária pele 133.200x 15% = 33.300 4 Kg 133.200 Kg 20.000 Kg Ato Concessório (compromisso de exportar — campos 19 a 24) Quantidade de peles Peso liquido das peles (campo Preço FOB total (campo 21) 20) (campo 24) 16.650 peles de carneiro + 66.600 Kg, relativamente às US$ 199.800,00 (US$ 16.650 peles de cabra (total peles de carneiro e 66.600 Kg 108.225,00 ref. peles = 33.300 unidades) correspondentes às peles de de carneiro e US$ cabra (peso total = 133.200 91.575,00 ref. peles de Kg) cabra) O laudo acima referenciado demonstra, de forma transparente, o equivoco da recorrente ao informar, no campo 20 do ato concessó rio, não o peso do produto final, mas o peso bruto correspondente às unidades de peles de carneiro e de cabra compromissadas antes do seu processamento industrial, uma vez que foi com base no peso bruto das peles que foram levantados os quantitativos do insumo que seria utilizado em seu tratamento. Esse equívoco, a meu ver, não pode justificar a metodologia de cálculo do crédito tributário adotada pela autoridade fiscal, até porque o produto resultante do tratamento industrial não é comercializado em unidades de peso (como o quilograma), mas em quantidades unitárias ou em unidades de área (como o metro quadrado). Tudo isso é corroborado ainda pelo fato do valor que a beneficiária se comprometeu a exportar ter sido levantado com base nos preços unitários de cada pele (e não em seu peso), o que se constata diante da análise dos campos 23 e 24 do formulário Pedido de Drawback (fls. 17). A questão acima tratada foi confirmada pela própria autoridade lançadora, a qual, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 10), assevera o seguinte: A partir do laudo apresentado pelo contribuinte, analisado no subitem 2.2, verificamos que a utilização dos produtos químicos guarda relação direta com o peso dos produtos, embora essa não seja a unidade de comercialização. (grifo nosso) Nada obstante, a decisão de primeira instância, s.mj., também peca quando tenta ajustar o auto de infração ao critério que devia ter sido utilizado, pois a base de cálculo foi de tal modo auferida erroneamente, que não se tem como acertá-la no caso vertente. A i própria decisão nos dá o motivo para assim entender-se (em negrito): 5 Diante disso, o crédito tributário devido deverá ser ajustado com base nos quantitativos em unidades compromissadas não exportadas. Conforme já mencionado, a contribuinte se comprometera a exportar 16.650 unidades de peles de carneiro e 16.650 unidades de peles de cabra, todas curtidas ao cromo wet- blue. Não obstante, e contrariamente à afirmativa da impugnante que, sem comprovar, argüiu que o compromisso teria sido cumprido na integralidade, exportou apenas 17.520 peles de carneiro e nenhuma pele de cabra. No caso, o correto seria considerar totalmente adimplido o compromisso em relação às exportações de peles de carneiro (cujas exportações foram superiores às compromissadas) e totalmente inadimplido com respeito às exportações de pele de cabra. Isso redundaria na não consideração das exportações excedentes de peles de carneiro para fins de apuração do montante do tributo devido. Contudo, cumpre destacar que a autoridade lançadora, na análise do adimplemento do regime de drawback, considerou em conjunto as exportações das peles de cabra e de carneiro, conforme se vê da leitura do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal delis, 10: A empresa, através do Ato Concessó rio 0044-99/000022-4, assumiu o compromisso de exportar 133.200 (cento e trinta e três mil e duzentos) quilogramas de peles de carneiro/cabra curtidas ao cromo úmidos wet-blue, de acordo com Ato Concessó rio analisado (fl. 17). (grifo nosso) Por conta desse fato, não pode a autoridade julgadora, agora, inovar da fundamentação adotada pela autoridade fiscal e particularizar as exportações realizadas. Conseqüentemente, os cálculos do montante devido deverão levar em consideração as exportações conjuntas de peles de carneiro e de cabra, conforme metodologia adotada pela autoridade lançadora (ressalte-se que não há mais a possibilidade de agravamento da exigência, em vista da decadência do direito — considerando que a última prorrogação do prazo para a realização das exportações foi para o dia 1°/12/2001 —fls. 27). Feitas as observações pertinentes, o crédito tributário efetivamente devido deverá ser calculado com base no inadimplemento do compromisso de exportar 15.780 unidades de peles de carneiro e de cabra, resultado da diferença entre o total de peles compromissado a exportar (33.300), e a quantidade de peles de carneiro exportadas (17.520). Isso representa um percentual de inadimplência de 47,39%, conforme demonstrado abaixo: Quantitativos Produtos:Quantitativos % de compromissados compromissados exportados (uni (unid) d) inadimplência - Peles de carneiro 16.650 17.520 Peles de cabra 16.650 O - Total de peles 33.300 17.520 47,39 6 Processo n° 10384.003319/2003-34 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00352 Fl. 143 De posse do percentual de inadimplência do compromisso de exportar vinculado ao ato concessário de drawback em exame, chegar-se-á ao valor correto do crédito tributário devido, o qual corresponde a R$ 1.751,8 1 relativamente ao Imposto sobre as Importações, além da multa de oficio de 75% tipificada no auto de infração objeto da lide. Quanto ao IPI, não há crédito tributário a ser constituído, uma vez que a alíquota do imposto em tela relativamente ao insumo importado é zero. O demonstrativo dos cálculos dos valores acima referenciados apresenta-se disposto abaixo: Demonstrativo de cálculo do crédito tributário relativo ao inadimplemento parcial do compromisso de exportar vinculado ao ato concessório de drawback suspensão n° 0044-99/000022-4. INSUMOS --> Salcromo Pó Peso liq. dos insumos importados (Kg) 20.000 Valor CFR dos insumos (US$) 14.800,00 % dos insumos não utilizado nas exportações 47,39 Peso lig. dos insumos não utilizados nas exportações (Kg) 9.478,00 Valor CFR dos insumos não utilizados nas exportações (US$) 7.013,72 Valor tributável (taxa conversão R$ 1,9213) 13.475,46 Aliquota do II (%) 13 II devido (R$) 1.751,81 Base de cálculo do IPI (BC do II + II) 15 227 27. , Aliquota do IPI (%) O IPI devido (R$) 0,00 Total do crédito tributário devido (impostos) (R$) 1.751,81 Crédito tributário (impostos) lançado (R$) 3.330,25 Crédito tributário a ser exonerado (R$) 1.578,44 Nessa moldura, em que pese a razoabilidade do raciocínio expendido pela autoridade julgadora de primeiro grau, para manter parcialmente o auto de infração, uma vez que, de fato, não houve adimplemento total do drawback, entendo que o lançamento não pode prosperar nem de forma parcial, porquanto, como bem disse a recorrente, a decisão hostilizada baseou-se em novos critérios para manter o auto de infração parcialmente. Posto isso, voto p)zir PROVER o recurso voluntário, para tornar insubsistente o auto de infração. 1 1 ri I ' t th 114, CORINTHO OtIVEIKA MACHADO 7
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000372/2003-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1998
IRPJ. REVISÃO DE OFÍCIO. DESCONSIDERAÇÃO DE COMPENSAÇÕES
HOMOLOGADAS PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL.
A constatação de que parcela do crédito tributário constituído pelo lançamento de oficio havia sido extinta por força de compensações homologadas pela Delegacia da Receita Federal competente, em cumprimento a acórdão erigido por esse Conselho, impõe a exclusão dos respectivos valores da exigência fiscal. Recurso de oficio
desprovido.
IRPJ. COMPENSAÇÃO EFETUADA DIRETAMENTE PELO CONTRIBUINTE.
REGIME JURÍDICO INSTITUÍDO PELO ART. 66 DA LEI N°. 8.383/91.
DEMONSTRAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO.
OBRIGATORIEDADE.
Sob a sistemática tragada pela Lei Federal n°. 8.383/91 (art. 66), a compensação poderia ser processada diretamente pelo contribuinte, corno incidente do lançamento por homologação. Em outras palavras, sem a interferência do Fisco apurava o contribuinte seu crédito e abatia dos débitos vincendos referentes a tributos de mesma natureza e destinação.
Nessa sistemática (incidente do lançamento por homologação), não basta ao contribuinte alegar a compensação ou demonstrá-la por "planilha"; realizada a compensação por sua conta e risco e submetida a ulterior fiscalização da autoridade
fiscal, está adstrito o contribuinte a demonstrar, mediante a apresentação de todos os
elementos necessários, o procedimento de apuração do pretenso crédito, o que não
foi realizado. Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1103-000.770
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de oficio e voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
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REVISÃO DE OFÍCIO. DESCONSIDERAÇÃO DE COMPENSAÇÕES HOMOLOGADAS PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL. A constatação de que parcela do crédito tributário constituído pelo lançamento de oficio havia sido extinta por força de compensações homologadas pela Delegacia da Receita Federal competente, em cumprimento a acórdão erigido por esse Conselho, impõe a exclusão dos respectivos valores da exigência fiscal. Recurso de oficio desprovido. IRPJ. COMPENSAÇÃO EFETUADA DIRETAMENTE PELO CONTRIBUINTE. REGIME JURÍDICO INSTITUÍDO PELO ART. 66 DA LEI N°. 8.383/91. DEMONSTRAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Sob a sistemática tragada pela Lei Federal n°. 8.383/91 (art. 66), a compensação poderia ser processada diretamente pelo contribuinte, corno incidente do lançamento por homologação. Em outras palavras, sem a interferência do Fisco apurava o contribuinte seu crédito e abatia dos débitos vincendos referentes a tributos de mesma natureza e destinação. Nessa sistemática (incidente do lançamento por homologação), não basta ao contribuinte alegar a compensação ou demonstrá-la por "planilha"; realizada a compensação por sua conta e risco e submetida a ulterior fiscalização da autoridade fiscal, está adstrito o contribuinte a demonstrar, mediante a apresentação de todos os elementos necessários, o procedimento de apuração do pretenso crédito, o que não foi realizado. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiadopor unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de oficio e voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA , tero - Kelator. Processo n° 19740.000372/2003-51 S1-Ci T3 11.3 Acórdão n.° 1103-000.770 Aloysi JosjP / lo C Da Silva - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Fernandes Barroso, Cristiane Silva Costa, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percinio da Silva. Relatório 0 contribuinte teve contra si formalizado lançamento de oficio relativo ao Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no ano-calendário de 1998, tendo o lançamento por fundamento a verificação de falta de pagamento da exação, nos termos descritos as fls. 8/15. Notificado, apresentou o contribuinte a impugnação de fls. 1/3, arguindo: (a) em relação aos meses de novembro e dezembro, de fato, se equivocou no preenchimento dos números dos pedidos de compensação (informa os números corretos); e, (b) em relação ao período de apuração de abril, o valor foi compensado, conforme planilha anexa, e a compensação foi informada na DIPJ. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ) julgou o lançamento parcialmente procedente por acórdão assim ementado: "AUDITORIA INTERNA. DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO A falta de recolhimento ou pagamento de tributo enseja lançamento de oficio. Os valores que foram objetos de compensações homologadas devem ser excluídos do lançamento. Lançamento Procedente em Palle." Da decisão se extrai: "De acordo com os documentos de fls. 70/75 e com a informação de fl. 76, os débitos com vencimento em novembro e dezembro foram objetos de compensações homologadas. A compensação extingue o crédito tributário (art. 156, II, do CTN). A compensacdo, feita no âmbito do lançamento por homologação, extingue o crédito tributário sob condição resolutoria de sua ulterior homologação (art. 74, § 2°, da Lei 9.43011996). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 19740.000372/2003-51 si -C1 T3 Acórclào n.° 1103-000.770 Fl. 4 extingue o crédito tributário sob condição resolutoria de sua ulterior homologação (art. 74, § 2°, da Lei 9.430/1996). Deste modo, os valores que foram objetos de compensações homologadas devem ser excluídos do lançamento, para que não haja duplicidade de exigência. Na impugnação, o interessado alega que, em relação pet-iodo de apuração de abril, o valor foi compensado, conforme planilha que anexa. 0 emus da prova da compensação informada na D1PJ é do interessado. .4 existência de eventual direito creditório a ser compensado não impede o lançamento. A compensação deve ser efetuada na forma da legislação de regência da matéria. .4 partir do exercício 1993, foi permitida a compensação do saldo credor de 1RPJ e do de CSLL, apurados nas Declarações de Rendimentos das pessoas juridicas, compensação que, até setembro de 2002, podia ser feita na própria contabilidade do contribuinte (mediante registro nos livros fiscais e contábeis,), independente de requerimento à SRF, abrangendo débitos de mesma natureza e de períodos de apuração posteriores (IN SRF 21/97, revogada pela IN SRF 210/2002). A partir de outubro de 2002, qualquer compensação deve ser informada a SRF por meio de DCOMP, seja entre tributos de mesma espécie, seja de espécies diferentes (art. 74 da Lei 9.430/1996, coin a redação dada pelo art. 49 da Lei 10.637/2002). 0 interessado não juntou aos Autos elementos que comprovem ter havido compensação na forma da legislação (apresentou, apenas, planilha, lido juntando lançamentos contábeis). Deste modo, não foi elidida a infração que lhe foi imputada: jalta de recolhimento ou pagamento do principal. A falta de recolhimento ou pagamento de tributo enseja lançamento de oficio. Pelo exposto, deve ser mantido o lançamento referente ao período de apuração de 04/1998." 0 processo foi remetido à apreciação deste Conselho por força de recurso de oficio e de recurso voluntário (fls. 92/93), no qual alega o contribuinte: "No ano-calendário de 1997, o Recorrente apurou imposto de renda a pagar no valor de RS 426.742,75, conforme cópia da DIRPJ'98 anexada ei impugnação. Todavia, equivocou-se e efetuou o recolhimento no valor de R$ 799.226,07 (doc. 03). Esse recolhimento a maior gerou um crédito tributário de R$ 372.488,31, que acrescido de juros Selic até o mês de abril de 1998, totaliza RS 398.717,92, conforme já comprovado na impugnação por meio da D1RPJ/98, de planilhas e da guia do comprovante de arrecadação (doc. 04). Em março de 1998, o Recorrente efetuou recolhimento/compensação em valor superior ao devido, apurando, assim, o crédito de RS 7.408,62, conforme se comprova através de planilha anexa impugnação. Ao constatar o crédito realizou a atualização pelos Juros Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 19740.000372/2003-51 S1 -C1T3 Fl. 5 Acórdão n.° 1103-000.770 Selic e informou na DIA1/99 — Ficha 12, linha 13, correspondente ao mês de abril o total atualizado, ou seja, R$ 7.482,71 (doc.05). Do exposto acima se verifica que os montantes de R$ 398.717,92 e RS 7.482,71 somados totalizam R$ 406.200,63, montante do valor lançado indevidamente." o relatório. Voto Conselheiro Hugo Correia Sotero Recurso de oficio que atende os requisitos legais. Recurso voluntário tempestivo e que preenche os pressupostos de admissibilidade. Conheço, inicialmente, do recurso de oficio. A Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro, no acórdão submetido a revisão deste Conselho, acatou os argumentos expendidos pelo contribuinte na impugnação, no sentido de que as exigências pertinentes aos períodos de apuração de novembro e dezembro de 1998 foram objeto de compensações homologadas pela Delegacia da Receita Federal de São Paulo (Delegacia Especial de Instituições Financeiras). De fato, a análise do Despacho de fl. 72 indica que, por força de decisão exarada por esse Conselho, foram "HOMOLOGADAS, as compensações pedidas no presente processo (fls. 38, 63/65, 67, 68, 73/79, 129, 139, 194, 205) e no processo 16327.000.850/98-51 (fls. 02, 03, 64, 66) alem das já homologadas no despacho decisório de fls. 424/436". Nesse contexto, verificada a homologação das compensações pleiteadas pelo contribuinte, com a consequente extinção do crédito tributário, correta a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ao excluir os valores compensados do crédito tributário constituído pelo lançamento. Isto posto, conheço do recurso de oficio para negar-lhe provimento. No recurso voluntário de fls. 92/93 postulou o contribuinte a reforma da decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento para que seja reconhecida compensação efetuada diretamente na contabilidade para quitação dos valores devidos no período de apuração de abril de 1998. Alega o contribuinte que "apurou imposto de renda a pagar no valor de R$ 426.742,75, conforme cópia da DIRPJ/98 anexada à impugnação", tendo "todavia, equivocou-se e efetuou o recolhimento no valor de R$ 799.226,07", o que gerou crédito passível de compensação. Para comprovação do alegado juntou o contribuinte, na impugnação e no recurso voluntário, "planilha" demonstrativa da apuração e da compensação efetuada, não sendo aceita a demonstração pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento sob o argumento Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 19740.000372/2003-51 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.770 FL 6 de que "o interessado não juntou aos Autos elementos que comprovem ter havido compensação na forma da legislação (apresentou, apenas, planilha, não juntando lançamentos contábeis)". Como é cediço, A época da formalização da compensação alegada pelo contribuinte, dois regimes jurídicos (distintos e independentes) disciplinavam a compensação de créditos tributários. Sob a sistemática tragada pela Lei Federal n°. 8.383/91 (art. 66), a compensação poderia ser processada diretamente pelo contribuinte, como incidente do lançamento por homologação. Em outras palavras, sem a interferência do Fisco apurava o contribuinte seu crédito e abatia dos débitos vincendos referentes a tributos de mesma natureza e destinação. Ao revés, na compensação prevista no art. 74 da Lei Federal n°. 9.430/96, o abatimento deveria ser precedido de requerimento à Secretaria da Receita Federal, que apuraria o valor dos créditos do contribuinte e procederia A compensação com débitos vencidos ou vincendos referentes a quaisquer tributos ou contribuições por ela administrados, independentemente da natureza ou destinação do produto da arrecadação. Teria o contribuinte, segundo alega, levado a efeito, com esteio na regra do art. 66 da Lei n°. 8.383/91, compensação de valores recolhidos a maior com aqueles devidos no período de apuração de abril de 1998. Nessa sistemática (incidente do lançamento por homologação), não basta ao contribuinte alegar a compensação ou demonstra-la por "planilha"; realizada a compensação por sua conta e risco e submetida a ulterior fiscalização da autoridade fiscal, está adstrito o contribuinte a demonstrar, mediante a apresentação de todos os elementos necessários, o procedimento de apuração do pretenso crédito, o que não foi realizado. Nesse contexto, A mingua de demonstração efetiva do credito a compensar, a tanto não servindo mera "planilha", unilateralmente produzida, correta a decisão exarada pela Delegacia de Julgamento. Posto isto, conheço do recurso voluntário para negar-lhe provimento. 5 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA
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