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Numero do processo: 10380.732714/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. BASE DE CÁLCULO. O art. 35, §2º da Lei nº 4.863/65 promove alterações nas bases de cálculo das contribuições previdenciárias e das contribuições de terceiros, de modo a equipará-las. Consequentemente, as exclusões contidas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91, bem como as condições lá contidas, também são extensíveis à contribuição ao INCRA. PREVIDENCIÁRIO. ABONO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURAS DIFERENCIADAS. IMPOSSIBILIDADE..Na ausência de previsão legal para tratamento diverso entre as pessoas, ou de justificativa adequada para estabelecimento de diferenças, prevalece a aplicação e interpretação baseada no princípio constitucional da igualdade. Assim, o plano de saúde deve ser o mesmo para empregados e dirigentes em relação às disposições do art.28, §9º, alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991. PREVIDENCIÁRIO. SEGURO DE VIDA EM GRUPO DISTINTOS PARA EMPREGADOS E DIRIGENTES. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. CONDIÇÕES PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO CONTIDA EM ATO INFRALEGAL. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2011.
O seguro de vida em grupo, custeado pela empresa para todos os empregados e dirigentes, não pode ser considerado como benefício individualizado ao colaborador. Não há proveito direto ou indireto, já que estendido a todos uma espécie de garantia familiar em caso de falecimento. Além da respectiva
natureza dessa verba não se conformar com remuneração, o Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99) extrapolou os limites legais e acabou por inovar ao estabelecer a necessidade de previsão em acordo ou convenção coletiva para fins de não-incidência da contribuição previdenciária. Além disso, a Procuradora-Geral da Fazenda Nacional, mediante Ato Declaratório nº 12/2011, dispensou de apresentação de contestação, de interposição de recursos bem como desiste dos já interpostos nas discussões sobre a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles. PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). MAIS DE UM INSTRUMENTO. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO E PLANO PRÓPRIO. A Lei nº 10.101/2000 permite que o programa de PLR de uma empresa seja baseado em mais de um instrumento (convenção coletiva de trabalho e plano próprio), havendo, inclusive, previsão legal para compensação entre os valores apurados em cada um deles (art. 3º, §3º). MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%.
Numero da decisão: 2301-005.011
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, com relação às alegações de inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA; II) na parte conhecida do recurso, por unanimidade de votos, reconhecer a alegação de pagamento quanto ao levantamento TD - Terceiros Incra Folha Diretor, relativa a todas as competências de 2008, com exceção de 10/2008, nos termos da manifestação fiscal de fls. 545-546; III) por voto de qualidade, negar provimento na matéria Assistência Médica, restando vencidos os conselheiros Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes; IV) por unanimidade de votos, dar provimento na matéria Seguro de Vida e negar provimento nas demais matérias; e V) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; pela tese "b" os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Jorge Henrique Backes; e pela tese "c" o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do RICARF, em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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BASE DE CÁLCULO. O art. 35, §2º da Lei nº 4.863/65 promove alterações nas bases de cálculo das contribuições previdenciárias e das contribuições de terceiros, de modo a equipará-las. Consequentemente, as exclusões contidas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91, bem como as condições lá contidas, também são extensíveis à contribuição ao INCRA. PREVIDENCIÁRIO. ABONO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURAS DIFERENCIADAS. IMPOSSIBILIDADE.. Na ausência de previsão legal para tratamento diverso entre as pessoas, ou de justificativa adequada para estabelecimento de diferenças, prevalece a aplicação e interpretação baseada no princípio constitucional da igualdade. Assim, o plano de saúde deve ser o mesmo para empregados e dirigentes em relação às disposições do art.28, §9º, alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991. PREVIDENCIÁRIO. SEGURO DE VIDA EM GRUPO DISTINTOS PARA EMPREGADOS E DIRIGENTES. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. CONDIÇÕES PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO CONTIDA EM ATO INFRALEGAL. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2011. O seguro de vida em grupo, custeado pela empresa para todos os empregados e dirigentes, não pode ser considerado como benefício individualizado ao colaborador. Não há proveito direto ou indireto, já que estendido a todos uma espécie de garantia familiar em caso de falecimento. Além da respectiva Fl. 623DF CARF MF 2 natureza dessa verba não se conformar com remuneração, o Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99) extrapolou os limites legais e acabou por inovar ao estabelecer a necessidade de previsão em acordo ou convenção coletiva para fins de não-incidência da contribuição previdenciária. Além disso, a Procuradora-Geral da Fazenda Nacional, mediante Ato Declaratório nº 12/2011, dispensou de apresentação de contestação, de interposição de recursos bem como desiste dos já interpostos nas discussões sobre a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles. PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). MAIS DE UM INSTRUMENTO. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO E PLANO PRÓPRIO. A Lei nº 10.101/2000 permite que o programa de PLR de uma empresa seja baseado em mais de um instrumento (convenção coletiva de trabalho e plano próprio), havendo, inclusive, previsão legal para compensação entre os valores apurados em cada um deles (art. 3º, §3º). MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, com relação às alegações de inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA; II) na parte conhecida do recurso, por unanimidade de votos, reconhecer a alegação de pagamento quanto ao levantamento TD - Terceiros Incra Folha Diretor, relativa a todas as competências de 2008, com exceção de 10/2008, nos termos da manifestação fiscal de fls. 545-546; III) por voto de qualidade, negar provimento na matéria Assistência Médica, restando vencidos os conselheiros Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes; IV) por unanimidade de votos, dar provimento na matéria Seguro de Vida e negar provimento nas demais matérias; e V) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; pela tese "b" os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Jorge Henrique Backes; e pela tese "c" o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do RICARF, em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10380.732714/2011-78 Acórdão n.º 2301-005.011 S2-C3T1 Fl. 624 3 conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes – Redator do Voto Vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal. Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Trata-se de recurso voluntário interposto pela Companhia Energética do Ceará contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/São Paulo), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. A fiscalização lavrou auto de infração com o intuito de exigir da ora Recorrente o recolhimento de contribuição ao INCRA, além dos acréscimos legais, incidentes sobre o pagamento das seguintes verbas, durante o ano de 2008: (i) abono decorrente de acordo coletivo, por liberalidade da empresa; (ii) assistência médica e odontológica a dirigentes (diretores empregados e gerentes); (iii) prêmio de seguro de vida a dirigentes (diretores empregados e gerentes); (iv) participação nos lucros e resultados (PLR) de dirigentes (diretores empregados e gerentes), em desacordo com a legislação; (v) remunerações constantes das folhas de pagamento mensais relativos a dirigentes (diretores empregados e gerentes). Fl. 625DF CARF MF 4 De acordo com o relatório fiscal, o auto de infração teria sido lavrado para evitar os efeitos da decadência, uma vez que a matéria estaria sendo discutida em juízo pela Recorrente, com suspensão do respectivo crédito tributário. No entanto, a autuação exige o recolhimento de multa. Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ/São Paulo). O acórdão de primeira instância possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA IDÊNTICA RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DISTINTA APRECIAÇÃO E JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial antes do lançamento implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento ater-se à matéria diferenciada. LANÇAMENTO. DEVER DE OFÍCIO. É obrigação da autoridade fiscalizadora efetuar o lançamento das contribuições para a Seguridade Social, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional (CTN), caso inexista decisão judicial que proíba tal procedimento, sendo o lançamento ato vinculado e obrigatório, que visa afastar a decadência. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA. JUROS. INOCORRÊNCIA DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Na ausência de suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do artigo 151, IV e V do Código Tributário Nacional, não há que se falar em exclusão da multa aplicada e, muito menos, da exclusão dos juros de mora, não contemplada pelo Art. 63, da Lei 9.430/96. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei. AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. O Auto de Infração (AI´s) encontra-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10380.732714/2011-78 Acórdão n.º 2301-005.011 S2-C3T1 Fl. 625 5 Os Acordos Coletivos de Trabalho comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas e/ou requerimento perícias e diligências, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, com observância das determinações previstas no art. 57, III e IV, §§1º e 4º, alíneas “a”, “b” e “c”, todos do Decreto nº 7.574/2011. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendê-las necessárias para a apreciação da matéria litigada, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Outras Entidades Terceiros, incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. EXCLUSÕES LEGAIS. Entende-se por salário de contribuição, para o segurado empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente na legislação não integram o salário de contribuição. ASSISTÊNCIA MÉDICA. Fl. 627DF CARF MF 6 Os valores pagos pela empresa a título de assistência médica e seguro de vida enquadram-se no conceito de salário-de- contribuição quando seu fornecimento não atende todos os requisitos legais de isenção das contribuições previdenciárias devidas. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. O valor (prêmio) relativo a seguro de vida em grupo, pago pela empresa, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias se não previsto em convenção ou acordo coletivo, e não esteja também disponível a todos os empregados e dirigentes. ABONO ÚNICO. Os abonos pagos com habitualidade têm natureza jurídica salarial e integram a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ainda irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, defendendo a não incidência das verbas discriminadas no auto de infração, uma vez que: (a) a contribuição ao INCRA é inconstitucional; (b) já teria havido o recolhimento da contribuição sobre as remunerações constantes das folhas de pagamento mensais relativos a dirigentes (diretores empregados e gerentes). (c) o abono pago é decorrente de acordo coletivo, desvinculados do salário, possuindo natureza indenizatória; (d) a assistência médica e odontológica, embora haja distinção de cobertura nos contratos entre empregados e dirigentes, cumpre com o requisito legal de ser oferecida a todos; (e) o seguro de vida em grupo, embora abranja somente os dirigentes, não constitui remuneração; (f) o PLR pago aos dirigentes empregados atende aos requisitos legais e não representa remuneração pelo trabalho; (g) impossibilidade de cobrança concomitante de multa de mora e multa de ofício, devendo prevalecer a mais benéfica. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10380.732714/2011-78 Acórdão n.º 2301-005.011 S2-C3T1 Fl. 626 7 No CARF, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência para que a fiscalização se pronunciasse sobre o lançamento das multas, uma vez que a relatório afirmou que o lançamento foi realizado com o intuito de prevenir a decadência, e sobre a alegação de pagamento. Em resposta, a fiscalização reconheceu ter se equivocado ao afirmar que o lançamento de ofício estava sendo realizado para evitar a decadência, uma vez que inexistente à época qualquer decisão suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Com relação à alegação de pagamento, verificou nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil a realização de recolhimentos em 15/09/2011, após a ciência do início dos trabalhos fiscais, relativos a todas as competências de 2008, com exceção de 10/2008, opinando “pela retificação do presente crédito tributário através da inclusão dos recolhimentos citados neste item no levantamento TD – Terceiros Incra Folha Diretor, não devendo ocorrer retificação em nenhum outro levantamento”. A Recorrente manifestou-se sobre a diligência fiscal, reafirmando seus argumentos de defesa, e insistindo no pagamento da competência outubro/2008. Os autos retornaram a este CARF para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 18/02/2014 e o recurso voluntário foi interposto em 20/03/2014. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Inconstitucionalidade da Contribuição ao INCRA Em função do disposto na Súmula CARF nº 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”), as alegações de inconstitucionalidade da cobrança da contribuição ao INCRA não devem ser conhecidas por este colegiado. Concomitância entre as Discussões Administrativa e Judicial De acordo com os elementos constantes dos autos, não vislumbro concomitância entre as discussões administrativa e judicial que enseje aplicação da Súmula CARF nº 1 (“Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”). Enquanto a ação judicial discute o direito à compensação das contribuições do FUNRURAL e do INCRA de empresa que não exerça atividade rural com débitos Fl. 629DF CARF MF 8 previdenciários, o auto de infração discute a incidência da contribuição ao INCRA sobre determinadas verbas pagas aos empregados. Alegação de Pagamento com relação à Competência 10/2008 A diligência fiscal verificou os recolhimentos alegados pela Recorrente com base nas informações constantes do sistema da Receita Federal do Brasil. Não há qualquer guia de pagamento juntada aos autos. Por essa razão, deixou de examinar a alegação de pagamento com relação à competência 10/2008, relativamente ao levantamento TD – Terceiros Incra Folha Diretor. Base de Cálculo da Contribuição ao INCRA A contribuição ao INCRA possui um longo histórico de alterações legislativas. O Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral apresentou o seguinte levantamento em julgamento proferido pelo TRF da 1ª Região (AMS 23058 MG 2000.38.00.023058-9): 2 – A Contribuição ao INCRA (que não se confunde com a Contribuição ao FUNRURAL) possui o seguinte histórico legislativo: [a] A Lei n. 2.613/55, criadora do Serviço Social Rural (SSR), instituiu contribuição (tríplice) sobre a folha de salários, a cargo de empresas rurais e urbanas, para custeio da prestação de serviços sociais no meio rural (art. 6º, CAPUT [3% a cargo dos empregadores rurais enumerados]; art. 6º, § 4º [adicional de 0,3% a cargo dos empregadores de profissionais vinculados a Institutos e Caixas de Aposentadorias e Pensões]; e art. 7º [1% a cargo dos empregadores rurais não-enumerados no art. 6º]). [b] A Lei Delegada n. 11/62 criou a Superintendência de Política Agrária (SUPRA), sucessora do SSR, destinando-lhe a arrecadação das contribuições da Lei n. 2.613/55 para – nova finalidade – formulação da política agrária e prestação de serviços de extensão rural e de assistência social aos trabalhadores rurais. [c] A Lei n. 4.214/63 (Estatuto do Trabalhador Rural) encarregou (art. 159) o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI) da arrecadação das contribuições ao Fundo de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural. [d] A Lei 4.504/64 (Estatuto da Terra) extinguiu a SUPRA, criando, como seus sucessores, o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA) e o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), afetando metade da arrecadação das contribuições da Lei n. 2.613/55 (3%; 1%; e 0,3% sobre a folha de salários) ao INDA (para desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo) e outra metade ao Serviço Social da Previdência (para a prestação de serviços de previdência aos rurícolas), atribuindo-se a promoção da reforma agrária ao IBRA (mediante recursos do Fundo Nacional de Reforma Agrária). Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10380.732714/2011-78 Acórdão n.º 2301-005.011 S2-C3T1 Fl. 627 9 [e] A Lei n. 4.863/65 elevou a alíquota da contribuição prevista no § 4º do art. 6º da Lei n. 2.613/55 (adicional), de 0,3% para 0,4%, mantendo a partilha (meio-a-meio) entre o INDA e o Serviço Social da Previdência dos rurícolas. [f] O Decreto n. 276/67 criou/reformulou o FUNRURAL – Fundo de Assistência e Previdência ao Trabalhador Rural (alterando a redação de preceitos da Lei n. 4.214/63), a ele destinando metade (0,2%) da contribuição-adicional de 0,4% da folha de salários (antes pertencente ao Serviço Social da Previdência), além de atribuir-lhe o produto de nova contribuição (1% sobre a comercialização de produtos rurais), a serem arrecadados pelo extinto INPS. A outra metade (0,2%) da contribuição-adicional permaneceu atrelada ao INDA (art. 117, I, da Lei n. 4.504/64). [g] O Decreto-lei n. 582/69, que estabeleceu ‘medidas para acelerar a Reforma Agrária’ e organiza o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), estipulou que as contribuições do art. 6º e 7º da Lei n. 2.613/55 (3% e 1%) seriam destinadas ao IBRA; o ‘Adicional de 0,3%’ (art. 6º, § 4º, da Lei n. 2.613/585) (já elevado para 0,4%) seria partilhado entre o IBRA (0,1%), o INDA (0,1%) e o FUNRURAL (0,2%). Doravante, as parcelas da Lei n. 2.613/55 destinadas ao IBRA (3% + 1% + 0,1%) passaram também a integrar o ‘Fundo Nacional de Reforma Agrária’. [h] O Decreto-lei n. 1.110/70 criou o INCRA, destinando-lhe competência e recursos do IBRA, do INDA e do GERA (extintos): a receita do INCRA compunha-se da fração de 0,2% do ‘Adicional de 0,4%’ (art. 6º, § 4º, da Lei n. 2.613/55), que integrava (0,1%) o ‘Fundo Nacional de Colonização e Reforma Agrária’ e o patrimônio (0,1%) do extinto INDA (0,2%, pois). A Contribuição ao FUNRURAL (0,2%) seguiu disciplina própria outra. [i] O Decreto-lei n. 1.146/70 preceituou que as contribuições do art. 6º, CAPUT, e do art. 7º da Lei n. 2.613/55 (3% [agora reduzidos para 2,5%], a cargo das empresas enumeradas, e 1%, a cargo das empresas rurais não enumeradas [sujeitas ao ITR]) pertenceriam ao INCRA, assim como metade do ‘Adicional de 0,4%’ (art. 6º, § 4º, da Lei n. 2.613/55); a outra metade (0,2%) pertenceria ao FUNRURAL. As contribuições ao INCRA seriam por ele mesmo arrecadadas; a do FUNRURAL, pelo INPS. [j] A LC n. 11/71, instituidora da contribuição para o custeio do PRORURAL (Programa de Assistência do Trabalhador Rural), elevou a alíquota do Adicional previsto no art. 6º, § 4º, da Lei n. 2.613/55 de 0,4% para 2,6%, destinando 2,4% ao FUNRURAL, arrecadável pela rede bancária credenciada junto ao INSS, permanecendo, pois, 0,2% em prol do INCRA, por ele arrecadado. [k] A Lei n. 7.261/84 confirma a titularidade do INCRA quanto às contribuições. Fl. 631DF CARF MF 10 [l] A arrecadação da contribuição ao INCRA pelo INSS firma-se no art. 84 da Lei n. 8.212/91, o que não denota mudança do perfil jurídico da contribuição para previdenciário. [m] Ao tempo da promulgação da CF/88, a contribuição de 0,2% sobre a folha de salários pertencia ao INCRA, integrando o Fundo Nacional de Colonização e Reforma Agrária, sem nenhuma vinculação direta ou indireta, salvo pontos de contato legislativo, com a denominada ‘contribuição ao FUNRURAL’ (que sempre ostentou natureza previdenciária). O art. 35, §2º da Lei nº 4.863/65 promove alterações nas bases de cálculo das contribuições previdenciárias e das contribuições de terceiros, de modo a equipará-las: Art 35. A partir da vigência da presente Lei as contribuições arrecadadas pelos Institutos de Aposentadoria e Pensões das emprêsas que lhe são vinculadas, e destinadas a outras entidades ou fundos, serão calculadas sôbre a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições de previdência, estarão sujeitas aos mesmos limites, prazos, condições e sanções e gozarão dos mesmos privilégios a elas atribuídos, inclusive no tocante à cobrança judicial, a cargo do respectivo instituto. § 1º A contribuição constituída pelo artigo 3º da Lei nº 4.281, de 8 de novembro de 1963, com a alteração determinada pelo art. 4º da Lei número 4.749, de 12 de agôsto de 1965, passará a ser recolhida, mensalmente, pelas emprêsas, na base de 1,2% (um e dois décimos por cento) sôbre o salário de contribuição dos empregados, compreendendo sua própria contribuição e a dos empregados, devendo ser efetuado o desconto total, com relação a êstes, por ocasião do pagamento da segunda parcela do 13º salário no mês de dezembro ou no mês em que ocorrer o pagamento nos demais casos legalmente previstos. § 2º As contribuições a que se refere êste artigo integrarão, com as contribuições de previdência, uma taxa única de 28% (vinte e oito por cento) incidente, mensalmente sôbre o salário de contribuição definido na legislação social e assim distribuída: (Vide Lei nº 6.136, de 1974) CONTRIBUIÇÕES Dos segurados Das emprêsas I - geral de previdência 8,0% 8,0% II - 13º salário 1,2% IIII - salário-família 4,3% IV - salário-educação 1,4% V - Legião Brasileira de Assistência 0,5% VI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) ou Comercial (SENAC) 1,0% VII - Serviço Social da Indústria (SESI) ou do Comércio (SESC) 2,0% VIII - Instituto Nacional de Desenvolviinento Agrário (INDA) 0,4% IX - Banco Nacional de Habitação 1,2% Fl. 632DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/L4281.htm#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/L4281.htm#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4749.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4749.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1970-1979/L6136.htm Processo nº 10380.732714/2011-78 Acórdão n.º 2301-005.011 S2-C3T1 Fl. 628 11 TOTAL 8,0% 20,0% 28,0% § 3º Os créditos a cada uma da entidades ou fundos mencionados no § 2º serão efetuados pelos estabelecimentos bancários depositários da arrecadação, de acôrdo com o rateio que fôr estabelecido em ato do Poder Executivo, guardada a respectiva proporcionalidade, em favor do correspondente Instituto de Aposentadoria e Pensões, mas reduzida, antes, a taxa de administração de 1% (um por cento). (Redação dada pela Lei nº 5.030, de 1966) § 5º A referência ao Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA), no item VIII, do § 2º, não prejudica o disposto no item II, do art. 117, da Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964. § 6º As isenções legais de que porventura goze alguma emprêsa com relação às contribuições discriminadas no § 2º serão objeto de compensações, desde que comprovadas, por ocasião do recolhimento na forma por que a respeito dispuser o regulamento dêste artigo. § 7º As entidades de fins filantrópicos, amparadas pela Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, ficarão obrigadas a recolher aos Institutos, a que estiverem vinculadas, tão-sòmente as contribuições descontadas de seus funcionários. § 8º Para os efeitos da contribuição de que trata êste artigo, considera-se emprêsa o empregador como tal definido na Consolidação das Leis do Trabalho, bem como repartições públicas, autárquicas, quaisquer outras entidades públicas ou sociedades incorporadas, administradas ou concedidas pelo Poder Público, em relação aos respectivos servidores que sejam contribuintes de Institutos de Aposentadoria e Pensões. (Incluído pela Lei nº 5.049, de 1966). Consequentemente, as exclusões contidas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91 – bem como as condições lá contidas – também são extensíveis à contribuição ao INCRA. Abono A fiscalização exige contribuição ao INCRA sobre o valor do abono previsto em acordo coletivo de trabalho, em virtude da correlação desta verba com as perdas salariais (grifos nossos). Na “Cláusula 2ª – Correção Salarial” do Acordo Coletivo de Trabalho de 2008-2010 consta a seguinte disposição: Parágrafo Primeiro: A COELCE, a título de indenização pela diferença de ganho real postulada e a concedida, pagará aos empregados, em Novembro de 2.008 e Outubro de 2.009, abono indenizatório e Fl. 633DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/L5030.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/L5030.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4504.htm#art117ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4504.htm#art117ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/L3577.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/L3577.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5049.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5049.htm#art4 12 sem qualquer integração salarial, nos seguintes valores: 60% (sessenta por cento) do salário base do empregado percebido em 31 de outubro de 2008, com um valor mínimo de R$1.400,00 (hum mil e quatrocentos reais), a ser pago no 5º dia útil após a assinatura do presente acordo e 60% (sessenta por cento) do salário base do empregado percebido em 31 de outubro de 2009, com um valor mínimo de R$1.400,00 (hum mil e quatrocentos reais), cujo pagamento se dará até 31 de outubro de 2009. Nos termos do art. 28, §9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91, somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária. Mantenho, portanto, a exigência fiscal nessa parte. Planos Distintos de Assistência Médica e Odontológica A exigência fiscal assenta-se na existência de planos distintos de assistência médica e odontológica oferecidos aos empregados e aos dirigentes. Em virtude da divergência de coberturas entre os beneficiários, a fiscalização afastou a desoneração previdenciária. A Recorrente não refuta a divergência dos planos. Apenas enfatiza que o art. 28, §9º, alínea “q” da Lei nº 8.212/91 apenas prevê a disponibilidade de assistência médica e odontológica a todos os empregados e dirigentes, requisito cumprido e não contestado pela fiscalização: q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Penso que assiste razão à Recorrente. O que a lei exige é o oferecimento de cobertura a todos os empregados e dirigentes, ou seja, impõe universalidade, não fazendo exigência quanto à homogeneidade dos planos. Excluo, portanto, a exigência fiscal nessa parte. Seguros de Vida em Grupo Distintos E tal como ocorrido no item anterior, a Recorrente patrocinava dois planos distintos de seguro de vida em grupo, sendo um dedicado aos empregados e outro destinado aos dirigentes. A fiscalização exige o recolhimento de contribuição ao INCRA sobre essas verbas, uma vez que, a seu ver, o plano de seguro de vida deve ter abrangência genérica e homogênea, extensiva a dirigentes e empregados. A exigência, no entanto, não se baseia na Lei nº 8.212/91, mas na legislação infralegal, mais precisamente no disposto no art. 214, §9º, inc. XXV do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99), o qual condiciona a desoneração à previsão em acordo ou convenção coletiva e à disponibilidade a todos os empregados e dirigentes da empresa. Fl. 634DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9528.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9528.htm#art1 Processo nº 10380.732714/2011-78 Acórdão n.º 2301-005.011 S2-C3T1 Fl. 629 13 Considero que o seguro de vida em grupo, custeado pela Recorrente para todos os empregados e dirigentes, não pode ser considerado como benefício individualizado ao colaborador. Não há proveito direto ou indireto, já que estendido a todos uma espécie de garantia familiar em caso de falecimento. Além da respectiva natureza não se conformar com a remuneração, o RPS extrapolou os limites legais e acabou por inovar ao estabelecer a necessidade de previsão em acordo ou convenção coletiva para fins de não-incidência da contribuição previdenciária sobre o valor do prêmio de seguro de vida em grupo pago pela empresa aos seus empregados e dirigentes. Tanto assim que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional dispensou seus procuradores de continuar discutindo essa matéria, por meio do Ato Declaratório PGFN nº 12/2011: A Procuradora-Geral da Fazenda Nacional, mediante Ato Declaratório nº 12/2011, dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos bem como desiste dos já interpostos nas discussões sobre a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles. Excluo, portanto, a exigência fiscal nessa parte. PLR A fiscalização afirma que “a empresa paga corretamente a Participação nos Lucros e Resultados aos seus empregados, de acordo com a Lei 10.101/2000, estando previstas nos acordos coletivos, anexos a este relatório fiscal, as regras substantivas e adjetivas para o seu implemento”. No entanto, a fiscalização aduz que os valores pagos aos dirigentes eram realizados sem observância dos critérios de avaliação de desempenho fixados nos acordos coletivos. Vale esclarecer que não se trata de fixação de critérios distintos para dirigentes e demais empregados. Trata-se do mesmo critério (vide cláusula terceira e Anexo III dos Acordo Coletivos de Trabalho), mas executados de formas diferentes. No caso dos dirigentes, a fiscalização afirma que a Recorrente não cumpre com as exigências de avaliação individual. A Recorrente, neste ponto, não contesta a acusação fiscal, cingindo-se a defender que as verbas pagas possuem a natureza de PLR, são desvinculadas do salário e, como tal, não se sujeitam à incidência das contribuições previdenciárias. Entendo, no entanto, que a natureza de PLR alegada só tem cabimento a partir do momento em que a empresa cumpre com os ditames formais e substanciais do respectivo plano, conforme estatui a Lei nº 10.101/2000. Fora desse hipótese, não há como reconhecer a natureza de PLR aos pagamentos feitos aos dirigentes. Mantenho, portanto, a exigência fiscal nessa parte. Fl. 635DF CARF MF 14 Concomitância da Multa de Mora e da Multa de Ofício Não existe tal concomitância na forma alegada pela Recorrente. Os lançamentos relativos às competências anteriores à 11/2008 (inclusive), ficaram sujeitos à “multa de mora” prevista no antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876/99. Já o lançamento relativo à competência de 12/2008 ficou sujeito à multa de ofício capitulada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Multa e Retroatividade Benigna Analiso derradeiramente a cobrança da multa, a qual foi originalmente aplicada com base no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10380.732714/2011-78 Acórdão n.º 2301-005.011 S2-C3T1 Fl. 630 15 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. Como se vê, a redação do art. 35 previa a exigência de penalidade sobre as contribuições sociais em atraso – denominada como multa de mora – com percentuais que aumentavam progressivamente, de acordo com a ocorrência de determinados atos administrativos e também com o passar do tempo. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração (GFIP) à autoridade previdenciária não influenciava a evolução percentual da multa, o qual somente seria fixada no instante do efetivo pagamento. Dentro desse regime de penalidades, vale lembrar que a falta de apresentação ou a apresentação com alguma incorreção da GFIP sujeitava o contribuinte à imposição de multa específica severa, por descumprimento de obrigação acessória, constante do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Pois bem. A partir da unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, ocorrida em 2007, uma série de modificações foi introduzida na legislação das contribuições previdenciárias, a fim de harmonizar com o tratamento dado aos demais tributos federais. Assim, a partir de dezembro/2008, com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a redação do art. 35 foi alterada para prever a aplicação da multa de mora da legislação tributária federal (art. 61 da Lei nº 9.430/96) e um Fl. 637DF CARF MF 16 novo dispositivo foi inserido na Lei nº 8.212/91, o art. 35-A, para dispor sobre a multa de ofício (art. 44 da Lei nº 9.430/96). A apresentação ou não de declaração (GFIP) à autoridade fiscal e o momento da atuação da fiscalização passaram a determinar a aplicação da multa de mora ou da multa de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35-A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Um tema que tem gerado controvérsia na jurisprudência e que apresenta, ao menos, duas linhas interpretativas refere-se à aplicação da retroatividade benigna, constante do art. 106 do CTN, do novo art. 35 e do art. 35-A em relação ao antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Eventualmente, a fundamentação jurídica dessas duas linhas de interpretação pode variar, mas o resultado alcançado por quaisquer dessas vertentes será o especificado a seguir. A primeira linha de interpretação sustenta que somente o novo art. 35 poderá retroagir com o objetivo de limitar a 20% o percentual da multa constante do antigo art. 35. Por seu turno, o art. 35-A, por inovar a legislação previdenciária de custeio, seria aplicável aos lançamentos de ofício realizados a partir da vigência da Lei nº 11.941/2009. Esta é a posição sustentada de maneira reiterada pelo Superior Tribunal de Justiça. Cite-se, a esse respeito, o seguinte enxerto do voto do Min. Humberto Martins (os grifos são nossos): A jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, independentemente da natureza da multa, sem descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa, pois tal normativo estabelece que a lei aplica-se a ato ou a fato pretérito quando lhe comina punição menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. Verifica-se que o art. 35 da Lei n. 8.212⁄91 foi alterado pela Lei n. 11.941⁄09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10380.732714/2011-78 Acórdão n.º 2301-005.011 S2-C3T1 Fl. 631 17 benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. (...) Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212⁄91, com a redação anterior à Lei n. 11.940⁄09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212⁄91, dada pela Lei n. 11.941⁄09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430⁄96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940⁄09, que introduziu o art. 35-A à Lei n. 8.212⁄91 (...) Com efeito, sua aplicação restringe-se aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no RESP nº 1.275.297/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/12/2013 No mesmo sentido, cite-se também o seguinte trecho do voto da Min. Regina Helena Costa (os grifos são nossos): Controverte-se acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212⁄91 pela Lei n. 11.941⁄09 que, ao incluir o art. 35-A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430⁄96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212⁄91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35-A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. (...) Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). Fl. 639DF CARF MF 18 STJ, 1ª Turma, RESP nº 1.585.929/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/04/2016 A segunda linha de interpretação considera que o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 já previa em seu bojo tanto a multa moratória, para os recolhimentos espontâneos, quanto a multa de ofício, em decorrência de autuação da fiscalização (emissão de notificação fiscal de lançamento), não obstante o “caput” do dispositivo faça referência à “multa de mora”. Afinal, não será o “nomen iuris” que determinará o regime jurídico da multa. No fundo, a natureza jurídica dessas multas – moratória ou de ofício – seria a mesma, possuindo caráter sancionador, punitivo e não-indenizatório. Em consequência, o lançamento de multa relativa a fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos até 03/12/2008 deverá observar, por essa vertente interpretativa, os percentuais do antigo art. 35 (em respeito ao art. 144 do CTN), ficando limitado ao disposto (i) no novo art. 35 (20%), no caso de declaração entregue pelo contribuinte, ou (ii) no art. 35-A (75%), no caso de ausência da mencionada declaração e existência de lançamento de ofício. Esta é a posição que tem prevalecido no CARF, pelo voto de qualidade ou, quando menos, por maioria de votos. De forma exemplificativa, vale citar os seguintes julgados: ac. 9202-003.713, de 28/01/2016; ac. 9202-004.344, de 24/08/2016; ac. 2202- 003.445, de 14/06/2016; ac. 2301-004.388, de 09/12/2015; ac. 2401-004.286, de 13/04/2016). É indubitável a relevância dos fundamentos jurídicos apresentados pelas duas linhas de interpretação. Mas a existência dessa divergência jurisprudencial introduz uma dúvida no sistema, de caráter objetivo, quanto à solução do conflito a respeito da retroatividade benigna da lei nova que define infrações, atraindo a aplicação do art. 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III – à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Nesse cenário de incerteza normativa quando à natureza da penalidade aplicável ou à graduação da multa originalmente lançada (inc. IV), o art. 112 do CTN retrata a adoção do princípio “in dubio pro reo” em matéria de interpretação e deixa transparecer a vontade (vinculante) do legislador de favorecer o acusado com a aplicação da penalidade mais branda. A norma protege o acusado de injustiça na punição, quando houver incerteza a respeito do fato ou do direito aplicável. Assim, nas palavras de Hugo de Brito Machado (“Teoria das Sanções Tributárias”, in Sanções Administrativas Tributárias, Ed. Dialética, p. 177): Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10380.732714/2011-78 Acórdão n.º 2301-005.011 S2-C3T1 Fl. 632 19 Se o princípio de Direito Penal do in dubio pro reo exige certeza quanto ao fato, pela mesma razão deve exigir certeza quanto ao direito, pois a verificação da incidência da norma penal depende não apenas da constatação da ocorrência do fato, mas da delimitação do alcance da norma que é indispensável para que se saiba se está aquele fato abrangido, ou não, pela hipótese de incidência, vale dizer, pelo tipo penal. Trata-se de corolário que não pode ser ignorado pelo intérprete, ainda que ele particularmente não apresente dúvida acerca do relacionamento entre o antigo art. 35, o novo art. 35 e o art. 35-A. Isso porque a referida dúvida, pressuposto para aplicação do art. 112 do CTN, é objetiva e advém das decisões divergentes entre os membros da mesma turma, entre turmas diversas do mesmo tribunal ou entre tribunais diferentes. A jurisprudência judicial não destoa a esse respeito (grifamos): Além disso, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009, estabelece somente multas de mora, inclusive quando houver lançamento de ofício. O legislador considerou irrelevante, para efeito de aplicação da multa de mora, o fato de haver ou não informação a respeito do débito na GFIP. Isso porque as hipóteses de falta de declaração ou declaração inexata eram penalizadas com as multas previstas no art. 32, §§ 4º e seguintes, da Lei nº 8.212/91, que foram revogadas pela Lei nº 11.941/2009. De qualquer sorte, mesmo que haja dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável (se é multa de mora ou de ofício), a lei deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN. TRF da 4ª Região, 1ª Turma, Apelação Cível nº 2005.71.11.004530-2/RS, Rel. Des. Federal Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/02/2010 Posto isso, voto por limitar a multa imposta com base no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, ao disposto no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (20%), por força da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e da interpretação mais favorável ao acusado prevista no art. 112 do CTN. Conclusão Em face do exposto: (i) não conheço o recurso voluntário, com relação às alegações de inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA; (ii) conheço e deu provimento parcial ao recurso voluntário, com a finalidade de: (ii.a) reconhecer a alegação de pagamento quanto ao levantamento TD – Terceiros Incra Folha Diretor, relativa a todas as competências de 2008, com exceção de 10/2008, nos termos da manifestação fiscal de fls. 545-546; (ii.b) excluir as exigências sobre os planos de assistência médica e odontológica e sobre o seguro de vida em grupo; (iii.c) manter as demais exigências; Fl. 641DF CARF MF 20 (iii) para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, voto por limitar a multa imposta com base no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, ao disposto no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (20%), na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e da interpretação mais favorável ao acusado prevista no art. 112 do CTN. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10380.732714/2011-78 Acórdão n.º 2301-005.011 S2-C3T1 Fl. 633 21 Voto Vencedor Apresento divergência com o relator em relação ao item referente a exclusão das exigências sobre os planos de assistência médica e odontológica e em relação a aplicação da multa sobre obrigação principal. Concordo integralmente com o voto vencido em relação aos demais itens. Exclusão das exigências sobre os planos de assistência médica e odontológica A exigência fiscal assenta-se na existência de planos distintos de assistência médica e odontológica oferecidos aos empregados e aos dirigentes. Em virtude da divergência de coberturas entre os beneficiários, a fiscalização afastou a desoneração previdenciária. Não há previsão (se é que poderia haver) no art. 28, §9º, alínea “q” da Lei nº 8.212/91 para tratamento diverso entre empregados e dirigentes. A lei exige o oferecimento de cobertura a todos os empregados e dirigentes. Na ausência de previsão legal para tratamento diverso entre as pessoas com mais força prevalece a igualdade. Dirigentes e empregados são iguais em relação à saúde. A Constituição Federal assegurou direitos e garantias fundamentais, dispondo textualmente que todos são iguais perante a lei. Princípios Constitucionais são normas jurídicas que mesmo do seu alto grau de abstração e de generalidade estabelecem valores e parâmetros fundamentais para a sociedade e seu ordenamento jurídico. A partir deles todas as outras normas devem ser criadas, interpretadas e aplicadas. E discriminações são admissíveis quando houver uma correlação lógica entre o fator de discrímen legal e a desequiparação procedida e isso de acordo com os interesses delineados na Constituição. Diferenças de habilidades, de formação, e outras, podem, por exemplo, justificar diferenças de salários e até de cursos a serem ofertados na empresa. Mas em relação à saúde, esse discrímen é difícil de ser justificado nos termos da CF. Trata-se de oferta privada de saúde a pessoas, mas inserida em disposições de lei, e tanto a lei como a sua aplicação, devem seguir os princípios constitucionais. Observe-se também que a saúde é matéria de interesse público, O artigo 197 da CF reconheceu textualmente que as ações e serviços de saúde são de relevância pública, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle. E a Administração não titulariza interesses públicos. O titular deles é o Estado que os protege e exercita através da função administrativa, ou pelo controle da vontade estatal consagrada em lei. Assim, entendo que o plano de saúde deve ser o mesmo para empregados e dirigentes em relação às disposições do art. 28, §9º, alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 643DF CARF MF 22 Retroatividade benigna. Multa sobre obrigação principal. O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. De acordo com o relatório fiscal, o presente processo trata de lançamento de contribuições previdenciárias parte patronal - obrigação principal referentes ao período de 01/2008 a 12/2008 e multa por descumprimento de obrigação acessória (apresentar GFIP sem todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias), portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre a autuação e a sistemática anterior. A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35-A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476-A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35-A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicam-se as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Nota-se que o auditor-fiscal, no momento da autuação já elaborou planilha comparativa entre as multas vigentes na data do fato gerador e as multas supervenientes, em virtude das alterações promovidas na Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941, de 2009, conforme seguintes os trechos extraídos do relatório fiscal: 23. A MP 449/2008, que foi transformada na Lei n° 11.941/2009 trouxe alterações na Lei 8.212/91, introduzindo-se o artigo 35-A, o qual determina que, nos casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, deve ser aplicada à multa disposta no art. 44 da Lei n. 9.430, de 27/12/96, D.O.U. de Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10380.732714/2011-78 Acórdão n.º 2301-005.011 S2-C3T1 Fl. 634 23 30/12/96, ou seja, multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos das seguintes condutas: (i) do não recolhimento de contribuições previdenciárias e não declaração das contribuições previdenciárias não recolhidas e (ii) do não recolhimento das contribuições previdenciárias e declaração com omissão e/ou incorreções das contribuições previdenciárias não recolhidas. Portanto, a aplicação da multa de oficio ocorrerá quando do procedimento fiscal ensejar a lavratura de lançamento de débito face ao sujeito passivo. 24. Desta forma a multa de ofício de 75% a ser aplicada após a Lei n° 11.941 de 2009, substitui as seguintes multas que seriam aplicadas pela legislação anterior (Lei 8.212/91): a) multa de mora de 24% aplicada no lançamento da obrigação principal devida; b) multa aplicada pela infração relativa à não entrega de GFIP (CFL 67) e a multa aplicada pela infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP (CFL 68), ou seja, por descumprimento de obrigação acessória. 25. Quanto aos valores recolhidos anteriormente ao procedimento fiscal que, porém, não foram declarados em GFIP, não se aplicará pela legislação vigente à multa de oficio de 75%, mas sim ensejará a lavratura do AI (CFL 78), em que o cálculo da multa será o disposto na Lei n.° 8.212/91, art. 32-A, "caput", inciso I e §§ 2o e 3o, incluídos pela MP n.° 449 de 2008 (Lei n° 11.941 de 2009). 26. Portanto, em relação a essas diferenças apuradas do ano de 2008, em relação ao período de 01/2008 a 11/2008, não houve a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, disposta no art. 44 da Lei 9.430/96, conforme disposto na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, que alterou na Lei 8.212/1991, introduzindo-se o art. 35-A, e a multa do auto no fundamento legal 78, tendo em vista, que em relação a essas competências do ano de 2008 foi mais benéfico para a empresa á aplicação da multa da Lei anterior (Lei n° 8.212/1991), somada ao valor da multa do auto de infração no fundamento legal 68, somada a multo do auto no fundamento legal 68,(sic) conforme quadro demonstrativo de comparação de multas. (Grifos nossos.) Portanto, entendo que a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o disposto no art. 476-A da IN RFB 971/2009, acima transcrito, e nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, Portanto não há que se falar em aplicação do princípio da retroatividade benigna, consoante o disposto no artigo 106, II, c, do CTN, uma vez que tal procedimento já foi realizado pela fiscalização no momento da lavratura do auto de infração, nos termos do artigo 476-A da IN RFB 971/2009 e de acordo com o art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Fl. 645DF CARF MF 24 Conclusão Pelo exposto, entendo que devam sem mantidos os valores da multa apurada incidente sobre a obrigação principal, e mantida a exigência sobre os planos de assistência médica e odontológica. Voto com o relator em relação aos demais itens. É como voto. Jorge Henrique Backes - Relator Voto Vencedor Fl. 646DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.721066/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, que examinou o mérito do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, que examinou o mérito do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira – Presidente e Redator designado. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário (fls.25.538/22.569) interposto pelo contribuinte contra a R. decisão da DRJCGE (fls. 22.465/22.506) que julgou procedente em parte sua Impugnação ao lançamento dos Autos de Infração — DEBCAD n° 51.036.6902, lavrado em face da empresa acima identificada referente às contribuições sociais devidas pela RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 21 06 6/ 20 14 -0 1 Fl. 22615DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.616 2 empresa para os TERCEIROS incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP. O lançamento do Auto de Infração DEBCAD nº 51.036.6902, fls. 03 a 15, onde constam nestes os DD –DISCRIMINATIVOS DOS DÉBITOS, RADA – RELATÓRIOS DE APROPRIAÇÕES DE DOCUMENTOS APRESENTADOS e os FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DOS DÉBITOS. 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 22.465/22.506) por sua precisão e clareza: “O lançamento do Auto de Infração DEBCAD nº 51.036.6902, fls. 03 a 15, onde constam nestes os DD –DISCRIMINATIVOS DOS DÉBITOS, RADA – RELATÓRIOS DE APROPRIAÇÕES DE DOCUMENTOS APRESENTADOS e os FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DOS DÉBITOS. O lançamento do Auto de Infração foi consolidado em 06/06/2014, com valor total, fls. 02. Na impugnação de fls 98 a 129, 15215 a 15240 e fls. 17124 a 17145, a sociedade empresária alega, em síntese, que: DA PRELIMINAR. DA IRREGULARIDADE DOS ATOS FISCALIZATÓRIOS ANTERIORES AOS AUTOS DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DA INTEMPESTIVIDADE DA EMISSÃO DE TERMO QUE PRORROGOU O PROCEDIMENTO INICIADO. ∙ Segundo o artigo 33, inciso I, parágrafo 3º, do Decreto nº 7.574/2011, prevê que os termos de intimação valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período contado a partir do término, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, desde que lavrado e cientificado ao sujeito passivo dentro do prazo anterior, assim, o Termo de Intimação Fiscal nº 03 não foi lavrado e nem cientificado o Fl. 22616DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.617 3 contribuinte no prazo acima, portanto todos os atos produzidos pela fiscalização a partir desse termo devem ser anulados; DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DA IMPUGNANTE EM RELAÇÃO AOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DE RESPONSABILIDADE DO SEU ESTABELECIMENTO FILIAL INSCRITO NO CNPJ Nº 08.870.769/000504 E DA NULIDADE PARCIAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. ∙ Não há como responsabilizar o sujeito passivo deste lançamento em relação aos créditos previdenciários da filial CNPJ Nº 08.870.769/000504, pois esta é um estabelecimento autônomo do estabelecimento da matriz, conforme os fundamentos legais e jurisprudenciais de fls. 217 a 222; DA INOBSERVÂNCIA PELA DRF/CONTAGEM DO PROPÓSITO DA DILIGÊNCIA DETERMINADA PELA DRJ/CGE E DA FRAGILIDADE DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL PRODUZIDO. ∙ ∙ Não foi observado pela Autoridade Lançadora a INCORPORAÇÃO da TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA – CNPJ 78.230.182/0001/84 pela TOSHIBA INFRAESTRUTURA AMÉRICA DO SUL LTDA 08.870.769/000172, ao qual esta incorporou aquela em 03/2011, segundo alterações contratuais anexas as fls. 363 a 400 e estabeleceu a incorporada como FILIAL CNPJ 08.870.769/000504, segundo os argumentos de fls. 15217 a 15221; Por problemas operacionais não conseguiu em tempo hábil a época da assinatura e do registro dos atos societários relacionados a incorporação, o novo número do CNPJ da filial, assim, manteve as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP e as GPS – GUIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL no CNPJ da incorporada, segundo os argumentos de fls. 15217 a 15221; II.1 DA INCONTESTÁVEL OCORRÊNCIA DA INCORPORAÇÃO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA (CNPJ Nº 78.230.182/000184) PELA Fl. 22617DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.618 4 MANIFESTANTE E DA CONFIRMAÇÃO DESSA OPERAÇÃO PELOS ATOS SOCIETÁRIOS FORMALIZADOS E REGISTRADOS. Pelos argumentos e documentos anexos as impugnações reiteram a incorporação TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA (CNPJ Nº 78.230.182/0001 84) pela TOSHIBA INFRAESTRUTURA AMÉRICA DO SUL LTDA 08.870.769/000172, além disso, também, apresenta as fls. 17150 a 17157, copias do CNPJ de que a atividade da filial incorporadora se deu em 31/03/2011, da DIRF exercício 2011 anocalendário 2011 da incorporada com extinção em 01/04/2011 DO DIREITO. DO AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD nº 51.036.6902. DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS SALÁRIOSDECONTRIBUIÇÃO PAGOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS. DA PLANILHA Nº 2 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0001 72) (DOC 5a) Da planilha nº 2 do Relatório Fiscal, o contribuinte contesta as competências 13/2010 e 13/2011 coluna H – BC NÃO DECLARADA EM GFIP, que estes saláriosdecontribuição foram informados corretamente nas GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP relativas às competências 12/2010 e 12/2011, conforme demonstrativo de fls. 116 a 117, pois se tratam de adiantamentos de gratificação pagas aos segurados empregados nas competências 12/2010 e 12/2011, portanto devem ser excluídos do lançamento; Quantos as outras bases de cálculo da planilha nº 2 do Relatório Fiscal são valores referentes aos pagamentos de avisos prévios indenizados, aos quais estes têm natureza indenizatória, conforme os fundamentos de fls. 228 a 232 e cópia da decisão judicial em anexo doc.6a1, fls. 475 a 483, logo o lançamento é improcedente; DA PLANILHA Nº 2 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0001 72) (DOC 5a) – FLS. 15221 A 15227. Fl. 22618DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.619 5 Da planilha nº 2 do Relatório Fiscal, o contribuinte contesta as competências 13/2010 e 13/2011 coluna H – BC NÃO DECLARADA EM GFIP, que estes saláriosdecontribuição foram informados corretamente nas GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP relativas as competências 12/2010 e 12/2011, conforme demonstrativo de fls. 116 a 117, pois se tratam de adiantamentos de gratificação pagas aos segurados empregados nas competências 12/2010 e 12/2011, portanto devem ser excluídos do lançamento; Quantos as outras bases de cálculo da planilha nº 2 do Relatório Fiscal são valores referentes aos pagamentos de avisos prévios indenizados, aos quais estes têm natureza indenizatória, conforme os fundamentos de fls. 228 a 232 e cópia da decisão judicial em anexo doc.6a1, fls. 475 a 483, logo o lançamento é improcedente; ITEM 10 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL ∙ PLANILHA Nº 2 DO RELATÓRIO FISCAL. FLS. 17136 A 17138. O impugnante manifesta que os valores insertos na coluna H da planilha 2 referemse a adiantamento de gratificação nas competências 12/2010 e 12/2011 e, não sobre os valores lançados a título de adiantamento nas competências 13/2010 e 13/2011, e, que foram devidamente tributados no mês 12/2010 e 12/2011, conforme os argumentos e demonstrações as fls. 19907 a 19910. ∙ ITEM 11 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL. PLANILHA Nº 2 DO RELATÓRIO FISCAL. O impugnante alega que os valores das demais colunas da planilha 2, com exceção da coluna H, de que esses valores referemse as rubricas pagas a título de aviso prévio indenizado, ao qual não incidem a contribuição previdenciária, conforme decisão do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PLANILHA Nº 3 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04) (DOC. 5 b). Fl. 22619DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.620 6 As competências 04 a 07/2011foram declaradas nas GFIP com CNPJ nº 78.230.182/000184 (incorporada pelo CNPJ 08.870.769/000504 em 31/03/2011, porque devido ao trâmite da incorporação, conforme GPS e GFIP, doc5b2 e planilha de fls. 118, portanto os lançamentos nas competências 04 a 07/2011 não devem prosperar; Em relação as competências 04 a 13/2011 divergências das folhas de pagamento e o MANAD são improcedentes, pois os batimentos deveriam ser entre as folhas de pagamento e as GFIP, porque estes são as bases do MANAD, conforme doc 5b3; PLANILHA Nº 3 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000504) (DOC. 5 b). FLS 15227 A 15231. As competências 04 a 07/2011foram declaradas nas GFIP com CNPJ nº 78.230.182/000184 (incorporada pelo CNPJ 08.870.769/000504 em 31/03/2011, porque devido ao trâmite da incorporação, conforme GPS e GFIP, doc5b2 e planilha de fls. 118, portanto os lançamentos nas competências 04 a 07/2011 não devem prosperar; Em relação as competências 04 a 13/2011 divergências das folhas de pagamento e o MANAD são improcedentes, pois os batimentos deveriam ser entre as folhas de pagamento e as GFIP, porque estes são as bases do MANAD, conforme doc 5b3; ITEM 12 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL ∙ PLANILHA Nº 3 DO RELATÓRIO FISCAL. O impugnante manifesta que as supostas diferenças de bases de cálculo de contribuições previdenciárias insertas nas folhas de pagamento e as declaradas nas GFIP no período de 04 a 13/2011 deramse em razão da fiscalização não consideradas as GFIP CNPJ 78.230.182/000184. Justifica que somente conseguiu executar as suas tarefas com o novo CNPJ 08.870.769/000504 a partir do mês de agosto/2011. O manifestante reconhece o erro procedimental de obrigação acessória, mas reitera que as contribuições previdenciárias foram devidamente declaradas e Fl. 22620DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.621 7 recolhidas e que a DRFB/CONTAGEM não observou a diligência da DRJ/CGE e a incorporação, pelo não aproveitamento das GFIP e GPS da incorporada. PLANILHA Nº 5 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04 DOC 5C. Os Rateios Diversos – Horas – Jean Carlo Prezepiorski, nas competências 03/2011 a 09/2011 referemse a simples rateio de despesas conta contábil, portanto não são remunerações, conforme os documentos anexados doc.5 b3; ∙ PLANILHA Nº 5 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000504 DOC 5C. FLS. 15231. Os Rateios Diversos – Horas – Jean Carlo Prezepiorski, nas competências 03/2011 a 09/2011 referemse a simples rateio de despesas conta contábil, portanto não são remunerações, conforme os documentos anexados doc.5 b3; ITEM 14 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL. PLANILHA Nº 5 DO RELATÓRIO FISCAL ∙ Reitera os argumentos expostos na impugnação e em sua primeira manifestação. PLANILHA Nº 6 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04) (DOC. 5D). Os lançamentos do levantamento Mãodeobra especializada são pagamentos efetuados as pessoas jurídicas, conforme doc. 5d e demonstrativo de fls. 121, portanto não são saláriosdecontribuição; PLANILHA Nº 6 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000504) (DOC. 5D). FLS. 15231 A 15234. Os lançamentos do levantamento Mãodeobra especializada são pagamentos efetuados as pessoas jurídicas, conforme doc. 5d e demonstrativo de fls. 121, portanto não são saláriosde contribuição; ITEM 15 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL. Fl. 22621DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.622 8 PLANILHA Nº 6 DO RELATÓRIO FISCAL. O impugnante manifesta que não considerou as notas fiscais da incorporada TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA (CNPJ Nº 78.230.182/0001 84), logo, a fiscalização não considerou a incorporação, assim, frente ao Princípio da Verdade Material, foi comprovado que os valores pagos aos prestadores de serviço que contratou e que foram utilizados indevidamente pela DRFB/CONTAGEM como base de cálculo das contribuições previdenciárias autuadas. O lançamento não deve prosperar em relação a essa parte. PLANILHA Nº 7 E 8 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04). Na competência 05/2011 lançamento Plano de Incentivo mobiliário, demonstrativo de fls. 122, referemse as ajudas de custo em decorrência de mudança de local de trabalho, portanto não são saláriosdecontribuição, logo o lançamento é improcedente; DA OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O contestador reitera as contestações já expostas acima e requer a improcedência dos lançamentos em observância ao Princípio da Verdade Material, segundo os argumentos de fls. 255 a 258; PLANILHA Nº 7 E 8 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04). FLS. 15234. Na competência 05/2011 lançamento Plano de Incentivo mobiliário, demonstrativo de fls. 122, referemse as ajudas de custo em decorrência de mudança de local de trabalho, portanto não são saláriosdecontribuição, logo o lançamento é improcedente; ITEM 16 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL. PLANILHAS Nº 7 E 8 DO RELATÓRIO FISCAL. Fl. 22622DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.623 9 O impugnante manifesta a sua reiteração dos argumentos da impugnação, ressaltando mais uma vez que os valores que compuseram indevidamente o lançamento são oriundos das verbas pagas a título de ajuda de custo para alguns de seus empregados para aquisição de mobiliário em locais de operação, não tendo qualquer relação com verba salarial. DO PEDIDO. EM PRELIMINAR. Requer a nulidade dos Autos de Infração DEBCAD nº 51.036.690 2 em razão da intempestividade do Termo de Intimação nº 03; Requer a nulidade dos Autos de Infração DEBCAD nº 51.036.690 2 em razão ilegitimidade passiva da primeira impugnante CNPJ Nº 08.870.769/000172 diante da ausência de responsabilidade pelas obrigações tributárias na filial CNPJ Nº 08.870.769/000504; NO MÉRITO. Requer o cancelamento e insubsistência dos Autos de Infração DEBCAD nº 51.036.6902. Requer nova diligência, pois houve inobservância da DRFB/CONTAGEM pelo qual foi determinado pela DRJ, a luz do Princípio da Verdade Material; Requer a procedência da impugnação e cancelamento dos lançamentos. requer que seja determinada novamente remessa dos autos em diligência para que a DRFB/CONTAGEM atenda com precisão o despacho decisório, ante a inobservância da diligência determinada pela DRJ/CGE. requer o cancelamento do lançamento. Tendo em vista que o impugnante apresentou várias questões, por razoabilidade, foram solicitadas diligências de fls 15149 a 15153 e 15244 a 15249 junto a Autoridade Lançadora para esclarecimentos. Fl. 22623DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.624 10 A Autoridade Lançadora por meio dos Termos de Informação Fiscal de fls. 15158 a 15161 e 15252 a 15259, esclareceu as questões divergentes apontadas nos pedidos de diligências. O impugnante devidamente cientificado dos Termos de Informação Fiscal de fls. 15158 a 15161 e 15252 a 15259, manifestou as fls. 15215 a 15240 e 17124 a 17183. 3 A decisão da DRJCGE (fls. 22.422/22.506) julgou procedente em parte a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. As remunerações dos segurados empregados constantes nos lançamentos contábeis e DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte são saláriosdecontribuição, quando essas remunerações não estão declaradas nas Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP nas formas qualitativas (nome do segurado) e quantitativas (remunerações pagas). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 4 – O contribuinte foi cientificado da decisão de piso (fls. 22.535) em 14/06/2016, e interpôs o recurso voluntário em 08/07/2016 às fls. (22.538/22.612), mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer de forma sucessiva a nulidade do procedimento de fiscalização em vista das prorrogações dos termos de fiscalização, produção de perícia contábil e ao final reforma da r. decisão da DRJ com o cancelamento do auto de infração. 5 É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 22624DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.625 11 6 – O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Preliminar Da Irregularidade dos atos fiscalizatórios 7 Não há nulidade a ser declarada e reconhecida na medida em que não houve cerceamento de defesa e ao contraditório, sendo que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. 8 Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF. 9 – A respeito do tema trago à colação os seguintes julgados Ac nº 1302 002.090 j. 02/06/17, Ac. nº 1302002.067 j. 25/04/2017 e Ac nº 3302004.019 j. 18/04/2017. Pelo exposto acima, afasto a preliminar de nulidade. Da ilegitimidade passiva da recorrente em relação aos créditos tributários do estabelecimento filial CNPJ 08.870.769/000504 e nulidade parcial do AI. 10 – Nesse ponto sem razão a recorrente, tomo como razões de decidir os mesmos termos indicados na r. decisão da DRJ a respeito do tema: “Atentese, que a inscrição da filial no CNPJ é derivada do CNPJ da matriz, e, por questão da política administrativa tributária para facilitar a fiscalização. Devese lembrar que o ativo do patrimônio social da sociedade empresária é único, logo a criação de filiais, não afasta a responsabilidade da matriz, pois quem tem o bônus, também, deve arcar com o ônus.” 11 – A respeito do assunto tratando da responsabilidade do contribuinte em relação a débitos entre matriz e filial as razões de decidir em recurso repetitivo do E. STJ: Fl. 22625DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.626 12 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. DÍVIDAS TRIBUTÁRIAS DA MATRIZ. PENHORA, PELO SISTEMA BACENJUD, DE VALORES DEPOSITADOS EM NOME DAS FILIAIS. POSSIBILIDADE. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL COMO OBJETO DE DIREITOS E NÃO COMO SUJEITO DE DIREITOS. CNPJ PRÓPRIO DAS FILIAIS. IRRELEVÂNCIA NO QUE DIZ RESPEITO À UNIDADE PATRIMONIAL DA DEVEDORA. 1. No âmbito do direito privado, cujos princípios gerais, à luz do art. 109 do CTN, são informadores para a definição dos institutos de direito tributário, a filial é uma espécie de estabelecimento empresarial, fazendo parte do acervo patrimonial de uma única pessoa jurídica, partilhando dos mesmos sócios, contrato social e firma ou denominação da matriz. Nessa condição, consiste, conforme doutrina majoritária, em uma universalidade de fato, não ostentando personalidade jurídica própria, não sendo sujeito de direitos, tampouco uma pessoa distinta da sociedade empresária. Cuidase de um instrumento de que se utiliza o empresário ou sócio para exercer suas atividades. 2. A discriminação do patrimônio da empresa, mediante a criação de filiais, não afasta a unidade patrimonial da pessoa jurídica, que, na condição de devedora, deve responder com todo o ativo do patrimônio social por suas dívidas, à luz de regra de direito processual prevista no art. 591 do Código de Processo Civil, segundo a qual "o devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei". 3. O princípio tributário da autonomia dos estabelecimentos, cujo conteúdo normativo preceitua que estes devem ser considerados, na forma da legislação específica de cada tributo, unidades autônomas e independentes nas relações jurídicotributárias travadas com a Administração Fiscal, é um instituto de direito material, ligado à questão do nascimento da obrigação tributária de cada imposto especificamente considerado e não tem relação com a responsabilidade patrimonial dos devedores prevista em um regramento de Fl. 22626DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.627 13 direito processual, ou com os limites da responsabilidade dos bens da empresa e dos sócios definidos no direito empresarial. 4. A obrigação de que cada estabelecimento se inscreva com número próprio no CNPJ tem especial relevância para a atividade fiscalizatória da administração tributária, não afastando a unidade patrimonial da empresa, cabendo ressaltar que a inscrição da filial no CNPJ é derivada do CNPJ da matriz. 5. Nessa toada, limitar a satisfação do crédito público, notadamente do crédito tributário, a somente o patrimônio do estabelecimento que participou da situação caracterizada como fato gerador é adotar interpretação absurda e odiosa. Absurda porque não se concilia, por exemplo, com a cobrança dos créditos em uma situação de falência, onde todos os bens da pessoa jurídica (todos os estabelecimentos) são arrecadados para pagamento de todos os credores, ou com a possibilidade de responsabilidade contratual subsidiária dos sócios pelas obrigações da sociedade como um todo (v.g. arts. 1.023, 1.024, 1.039, 1.045, 1.052, 1.088 do CC/2002), ou com a administração de todos os estabelecimentos da sociedade pelos mesmos órgãos de deliberação, direção, gerência e fiscalização. Odiosa porque, por princípio, o credor privado não pode ter mais privilégios que o credor público, salvo exceções legalmente expressas e justificáveis. 6. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (REsp 1355812/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/05/2013, DJe 31/05/2013) 12 – A Lei 8.212/91 em seu artigo 32 estabelece as obrigações da empresa, relacionado aos fatos geradores previdenciários, não criando distinção entre matriz e filial: Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 22627DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.628 14 I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; 13 – Logo, entendo descabida as razões recursais da contribuinte afastando esse item na forma da fundamentação acima. Da ocorrência de incorporação de fato e de direito da sociedade empresária Toshiba Sistemas de Distribuição pela primeira recorrente. 14 Esse tópico foi exaustivamente tratado pela DRJ e entendo que deve ser mantida por seus próprios fundamentos: Fl. 22628DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.629 15 Fl. 22629DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.630 16 Fl. 22630DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.631 17 Fl. 22631DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.632 18 15 – Tal formalismo é exigido a fim de assegurar as declarações de todos os segurados obrigatórios e evitar possíveis fraudes. Portanto, sabedora da existência das disposições normativas acerca do assunto, caberia ao contribuinte se preparar para cumprir com tais obrigações e não transferir o ônus de problemas internos a terceiros. Portanto, nesse ponto afasto os argumentos recursais. Fl. 22632DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.633 19 DO MÉRITO Do AI DEBCAD 51.036.6902 Questionamento sobre a Planilha nº 2 do Relatório Fiscal 16 – Quanto a esse ponto alega o contribuinte de acordo com relatório: “DA PLANILHA Nº 2 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000172) (DOC 5a) Da planilha nº 2 do Relatório Fiscal, o contribuinte contesta as competências 13/2010 e 13/2011 coluna H – BC NÃO DECLARADA EM GFIP, que estes saláriosdecontribuição foram informados corretamente nas GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP relativas às competências 12/2010 e 12/2011, conforme demonstrativo de fls. 116 a 117, pois se tratam de adiantamentos de gratificação pagas aos segurados empregados nas competências 12/2010 e 12/2011, portanto devem ser excluídos do lançamento; ∙ Quantos as outras bases de cálculo da planilha nº 2 do Relatório Fiscal são valores referentes aos pagamentos de avisos prévios indenizados, aos quais estes têm natureza indenizatória, conforme os fundamentos de fls. 228 a 232 e cópia da decisão judicial em anexo doc.6a1, fls. 475 a 483, logo o lançamento é improcedente; 17 – Nesse ponto entendo que cabe razão ao contribuinte, pois de acordo com art. 62, § 1º, II, “b” e §2º do RICARF é possível afastar o crédito tributário quando reconhecido através da sistemática do antigo art. 543B e C do antigo CPC decisão definitivas de mérito do E.STJ nesse sentido, Tema 478 verbis: EMENTA [...]2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. Fl. 22633DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.634 20 A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. [...]3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Fl. 22634DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.635 21 (REsp 1230957 RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, Julgado em 26/02/2014, DJE 18/03/2014) 18 – No caso aplicando a decisão acima indicada dou provimento ao recurso do contribuinte nesse ponto para afastar o lançamento sobre as diferenças encontradas pela fiscalização em relação ao pagamento do aviso prévio indenizado. 19 – Prosseguindo nesse mesmo item indica o contribuinte conforme relatório o questionamento de mais dois itens sobre a planilha nº 02 e que a respeito desses itens entendo que não merece reforma a decisão da DRJ que a meu analisou os documentos e os argumentos trazidos pela recorrente, sendo que adoto como razão de decidir nesse ponto os fundamentos da decisão do julgador de piso: Fl. 22635DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.636 22 Fl. 22636DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.637 23 Fl. 22637DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.638 24 Planilha nº 3 do Relatório Fiscal CNPJ da Incorporada 20 – Nesse item, alega o contribuinte de acordo com relatório: PLANILHA Nº 3 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04) (DOC. 5 b). As competências 04 a 07/2011foram declaradas nas GFIP com CNPJ nº 78.230.182/000184 (incorporada pelo CNPJ 08.870.769/000504 em 31/03/2011, porque devido ao trâmite da incorporação, conforme GPS e GFIP, doc5b2 e planilha de fls. 118, portanto os lançamentos nas competências 04 a 07/2011 não devem prosperar; Em relação as competências 04 a 13/2011 divergências das folhas de pagamento e o MANAD são improcedentes, pois os batimentos deveriam ser entre as folhas de pagamento e as GFIP, porque estes são as bases do MANAD, conforme doc 5b3; 21 Após análise entendo que não merece reparos a decisão de piso, que adoto seus fundamentos como razão de decidir: Fl. 22638DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.639 25 Fl. 22639DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.640 26 Fl. 22640DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.641 27 22 – Por sorte que, mesmo havendo o reconhecimento anterior da incorporação pela legislação societária, para fins tributários relacionados à obrigação acessória e formalização das declarações que constituem o crédito tributário há a necessidade de seguir a legislação de regência com o fito de manter a Administração Tributária a par dos fatos jurídicos que estão ocorrendo e evitar eventuais fraudes quando da ocorrência dessas mudanças societárias. 23 – Portanto, nego provimento ao recurso nesse tópico. 24 – Alega o contribuinte: PLANILHA Nº 5 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04 DOC 5C. ∙ Os Rateios Diversos – Horas – Jean Carlo Prezepiorski, nas competências 03/2011 a 09/2011 referemse a simples rateio de despesas conta contábil, portanto não são remunerações, conforme os documentos anexados doc.5 b3; Fl. 22641DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.642 28 25 – Após análise dos argumentos da recorrente e decisão da DRJ nego provimento nesse tópico e o faço com as mesmas razões de decidir do julgador de piso verbis: 26 – Alega o recorrente: PLANILHA Nº 6 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04) (DOC. 5D). Fl. 22642DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.643 29 Os lançamentos do levantamento Mãodeobra especializada são pagamentos efetuados as pessoas jurídicas, conforme doc. 5d e demonstrativo de fls. 121, portanto não são saláriosdecontribuição; PLANILHA Nº 6 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000504) (DOC. 5D). FLS. 15231 A 15234. Os lançamentos do levantamento Mãodeobra especializada são pagamentos efetuados as pessoas jurídicas, conforme doc. 5d e demonstrativo de fls. 121, portanto não são saláriosde contribuição; 27 – Da mesma forma que os itens anteriores não vejo razões para reforma da decisão de piso e, portanto a mantenho por seus próprios fundamentos, adotando suas razões de decidir negando provimento ao recurso nesse tópico inclusive: 28 – Razões recursais nesse item: PLANILHA Nº 7 E 8 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04). Na competência 05/2011 lançamento Plano de Incentivo mobiliário, demonstrativo de fls. 122, referemse as ajudas de custo em decorrência de Fl. 22643DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.644 30 mudança de local de trabalho, portanto não são saláriosdecontribuição, logo o lançamento é improcedente; DA OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O contestador reitera as contestações já expostas acima e requer a improcedência dos lançamentos em observância ao Princípio da Verdade Material, segundo os argumentos de fls. 255 a 258; 29 – Após análise dos argumentos da recorrente e decisão da DRJ nego provimento nesse tópico e o faço com as mesmas razões de decidir do julgador de piso acima indicado não havendo provas dos argumentos da requerente nos autos. Conclusão 30 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e afastando as preliminares no mérito dar provimento parcial apenas para exclusão dos lançamentos sobre as verbas de aviso prévio indenizado. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Voto Vencedor Fl. 22644DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.645 31 Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Em que pese o costumeiro acerto e a fundamentação do voto do ilustre Relator, ouso, com a máxima vênia, dele discordar quanto ao item referente à Planilha nº 3 do Relatório Fiscal (CNPJ nº 08.870.769/00564). Explico. Consta do relatório fiscal produzido em resposta à diligência determinada pelo julgador de piso (fls. 18.028): 11 – Quanto as competências 04 a 07/2011 que teriam sido declaradas em GFIP de outra empresa e que a autuada afirma ter sido incorporada a fiscalização além de reiterar o contido no item a.3 do TIF acima mencionado (fls. 16041 e 16042), reafirma a decisão acima de não considerar por não ser verdadeira a incorporação alegada pela autuada. Assim fica reforçada a argumentação da fiscalização de não caber fazer confronto de valores apurados em folhas de pagamentos de salários de empresa sob fiscalização com valores declarados em GFIP de outra empresa, o que se ocorrido, constituiria não só erro crasso na ação fiscal, mas também infringência à legislação e possibilidade de responsabilização funcional contra a autoridade lançadora. (destaquei) Porém tal fato, a incorporação mencionada, é ponto fundante da defesa quanto a este item da imputação fiscal, posto que a Recorrente alega, desde a impugnação, que houve os pagamentos dos valores devidos de contribuição previdenciária sobre as folhas de pagamento do período de 04 a 07/2011, porém tais pagamentos e informações em GFIP foram realizados pelo CNPJ da empresa incorporada, vez que a regularização da documentação da empresa demorou a ocorrer. Como meio de prova de suas alegações anexa ao processo mais de 15.000 páginas de documentos, cópias de suas folhas de pagamento. Aqui o motivo de minha discordância. Há, dentro do presente processo, um verdadeiro embate entre o Fisco e o Recorrente sobre o ônus da comprovação das alegações de ambos. Fl. 22645DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.646 32 Se por um lado, o Fisco realizou o lançamento por entender que a operação societária alegada não se consubstanciou em face do descumprimento de alguns requisitos, o Recorrente, por outro lado, entende que houve o cumprimento de sua obrigação tributária, embora reconheça que há uma questão formal que deva ser esclarecida, posto que o cumprimento da obrigação se dá por outro estabelecimento. Como meio de prova, anexa um volume gigantesco de documentos que exigem um trabalho minucioso para que possam produzir os resultados esperados pelo Recorrente, trabalho este que – na visão do Fisco – não lhe cabe. A turma recorrida, que em parte anteviu tal situação, determinou diligência com o fito de determinarse a verdade material constante dos autos. O cumprimento de tal diligência, em vez de resolver a situação, acirrou os pontos de argumentação de ambos. Cediço que não cabe à Administração Tributária produzir provas que ensejam a modificação, extinção ou impedimento do direito de crédito tributário, constituído pelo lançamento. Tal produção de prova, no sentido de um documento hábil para que a argumentação da parte, os fatos por ela alegados, seja verificado, é ônus do sujeito passivo. Não obstante, os documentos acostados são, embora em volume que não permita a efetiva comprovação das alegações do contribuinte, indícios veementes da possível veracidade da argumentação trazida pelo Recorrente. Assim, entendo imprescindível nova diligência. Conclusão Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que: i) a Autoridade Preparadora intime o contribuinte para que, querendo, apresente em, no máximo, 30 dias: · os resumos sintéticos das folhas de pagamento do período de 04 a 07/2011 dos estabelecimentos 78.230.182/000184 e 08.870.769/000504; · a comprovação da contabilização das folhas apresentadas, de cada estabelecimento mencionado, por meio do diário e correspondente razão; Fl. 22646DF CARF MF Processo nº 13603.721066/201401 Resolução nº 2201000.286 S2C2T1 Fl. 22.647 33 · a comprovação da entrega das GFIP's respectivas (de forma resumida) e o respectivo recolhimento dos valores das contribuições previdenciárias; · uma planilha demonstrativa da coerência entre os funcionários constantes da folha de pagamento e das GFIPS apresentadas, com no máximo 100 segurados por competência, que permita, que por amostragem, se verifique a coerência entre as informações sintéticas apresentadas, mormente quanto ao local de trabalho e remuneração; · outros documentos que entenda ter valor probante de suas alegações, que sempre de forma sintética, possa permitir que a autoridade lançadora verifique a base de cálculo e a regularidade dos recolhimentos efetuados. ii) Após a apresentação dos documentos, que a Autoridade Lançadora realize a verificação da coerência dos documentos apresentados e produza um relatório circunstanciado sobre os fatos geradores ocorridos, a base de cálculo apurada e os recolhimentos efetuados, se abstendo de se pronunciar sobre a operação societária entabulada. iii) Seja dado ciência desse relatório ao contribuinte, para nova manifestação, em 30 dias. iv) Cumprida a diligência, retornem os autos ao CARF. É como voto. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado Fl. 22647DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.729842/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1778; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 100 1 99 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.729842/201343 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.025 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente SANTA ELAINE OLIVEIRA GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 42 /2 01 3- 43 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11080.729842/201343 Acórdão n.º 2202004.025 S2C2T2 Fl. 101 2 Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11080.729842/201343, em face do acórdão nº 1262.225, julgado pela 18ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), na sessão de julgamento de 18 de dezembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Contra a contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.07/12 relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2009, para cobrança do crédito tributário de R$ 66.709,30. O lançamento é decorrente da seguinte infração: *omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 16.033,78 (IRRFonte de R$ 395,89); *omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da justiça federal de R$ 103.950,00. O enquadramento legal encontrase às fls. 09,10 e 12. Inconformada, a interessada ingressou com a peça defensória de fl.02, alegando que: 1. os rendimentos relativos ao vínculo de emprego foram declarados como tendo sido recebidos do Ministério da Saúde, ou seja, não foram omitidos, tanto que constam como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica apenas equivocadamente, pois foram apresentados como recebidos de outra pessoa jurídica; 2. os valores recebidos em 2009, referentes à ação judicial 9500038390 são relativos às diferenças salariais, assim o valor recebido tem que ser distribuído de março de 1990 a fevereiro de 2009, conforme verificase na planilha de cálculo; 3. assim, por terem sido recebidos de uma única vez em 2009, tais valores são decorrentes de diferenças que devem ser distribuídas dentro de 228 meses (19 anos); 4, em seguida, cita toda a documentação acostada aos autos para comprovar suas alegações e requer prioridade na tramitação do processo com base no Estatuto do Idoso." Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11080.729842/201343 Acórdão n.º 2202004.025 S2C2T2 Fl. 102 3 A 18ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) entendeu que a importância recebida deveria sofrer a incidência do imposto de renda no momento do recebimento, de forma acumulada. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 69/75, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Delimitação da lide. Em relação a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 16.033,78 (IRRF de R$ 395,89), não foi apresentado no recurso qualquer razão recursal, razão pela qual deve ser considerada como matéria não impugnada. Portanto, a lide encontrase delimitada em relação aos rendimentos recebidos de forma acumulada. Rendimentos recebidos acumuladamente. No presente caso, verificase que o lançamento tributário deriva da contribuinte ter recebido valores decorrentes de ação judicial movida pela contribuinte em face da União, referente a diferenças de remuneração da contribuinte, cujo processo autuado sob o n° 9500038390, com trâmite perante a 5a. Vara Federal de Porto Alegre. Assim, verificase que a contribuinte recebeu os valores da referida ação judicial no anocalendário 2009, de forma acumulada. Portanto, fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11080.729842/201343 Acórdão n.º 2202004.025 S2C2T2 Fl. 103 4 alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Art.62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720093/2006-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA válido contemplando a área em litígio foi apresentado em 20/03/2001, assim, muito antes do início da ação fiscal. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
Numero da decisão: 9202-005.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA válido contemplando a área em litígio foi apresentado em 20/03/2001, assim, muito antes do início da ação fiscal. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA válido contemplando a área em litígio foi apresentado em 20/03/2001, assim, muito antes do início da ação fiscal. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 00 93 /2 00 6- 49 Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 9202005.677 CSRFT2 Fl. 767 2 Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2102001.932, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 17 de abril de 2012 (efls. 622 a 633). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. Cabe ao contribuinte interessado apresentar a documentação comprobatória da existência das áreas que pretende excluir da tributação pelo ITR (como é o caso da área de preservação permanente). Sem provas que atestem de forma irrefutável a existência e o alcance das referidas áreas, não há como aceitar as informações prestadas em DITR. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 9202005.677 CSRFT2 Fl. 768 3 ITR PLANO DE MANEJO FLORESTAL COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO. Para fins de apuração do ITR, considerase como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada. Decisão: por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de 249,9 hectares como de preservação permanente. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 17/05/2012 (efl. 606), esta apresentou, em 15/06/2012 (efl. 620), Recurso Especial (efls. 607 a 619 e anexos), com fulcro no art. 67 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 634 a 636. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão 210100.442, prolatado em 11 de março de 2007, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Turma Especial do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 39100.037, prolatado em 21 de outubro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 210100.442 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso negado. Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 9202005.677 CSRFT2 Fl. 769 4 Naoki Nishioka que dava provimento parcial em relação à área de preservação permanente. Acórdão 39100.037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso Quanto à matéria em litígio, apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão de área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, se alega: a) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10, inciso II da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; b) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97, 73/2000, 60/2001 e 256/2002, Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; c) A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. De fato, esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa SRF nº 43/97, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 9202005.677 CSRFT2 Fl. 770 5 reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; d) Entende como inteiramente equivocado o entendimento, no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, uma vez que: "(...). O que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo." e) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97, 73/2000, 60/2001 e 256/2002, Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; f) No caso concreto, embora regularmente intimado para tanto, o contribuinte não apresentou ADA ou o seu requerimento, protocolados tempestivamente, junto ao IBAMA, não atendendo, portanto, as exigências da legislação do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de preservação permanente e reserva legal. Com efeito, conforme pontuado pelo voto condutor da decisão atacada, o ADA somente foi apresentado com data de protocolo extemporânea (13/11/2006). Relativo a exercício diverso, portanto. Atentese que o contribuinte já havia apresentado ADA relativo ao exercício de 2000 no qual, conforme reconhece a própria decisão hostilizada, não constava referida área. Cabe notar ainda que a área declarada no exercício de 2006 (2.540,4 hectares) destoa veementemente do que foi declarado pelo autuado como sendo área preservada (249,9 hectares). Logo, evidente que o ADA de um exercício não pode ser aproveitado em relação a outros. Isto porque, como deixa evidente a situação retratada nos autos, nada obsta que o contribuinte diminua a área mantida a titulo de preservação permanente. E não se pode olvidar que foi justamente esse o intuito do legislador. Bastasse a apresentação de um ADA para que se comprovasse a existência das áreas preservadas não seria necessária a obrigatoriedade de sua renovação anual; g) Ora, sendo assim, havendo lei, estabelecendo de forma expressa, a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de reconhecimento do direito à isenção em relação às áreas de utilização limitada/reserva legal não pode o julgador administrativo, apenas com base na verdade material e sem qualquer outro fundamento, desconsiderar dispositivo expresso de lei (em especial, o art. 17O, da Lei n 6.938/81) e normas regulamentares expedidas em conformidade com seu substrato de validade pela autoridade competente Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 9202005.677 CSRFT2 Fl. 771 6 (Instruções Normativas da SRF). Entenderse o processo administrativo fiscal dessa forma significaria subverter o principio da legalidade em favor das disposições e caprichos dos contribuintes. Ainda mais, constituiria precedente para, também, em nome da verdade material, admitirse outras permissividades, tais como a utilização de provas ilícitas no âmbito processual tributário, ao arrepio da lei; h) Anda que a aplicação do principio da verdade material tivesse lugar no presente feito, o que se considera apenas para fins de debate, devese assentar que sua aplicação não e absoluta, de modo que não se presta a afastar a aplicação de dispositivo legal, válido e vigente. Alem do mais, o principio da verdade material estribase no principio da legalidade, e por ele, portanto, deve ser limitado. Logo, eventual aplicação do principio da verdade material não pode ocorrer ao alvedrio da legislação, em seu detrimento, derrogando suas disposições, tampouco se afastar de sua teleologia. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, da Constituição de 1988, submete a Administração ao principio da legalidade. Requer, assim, que seja conhecido o recurso, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 1604/13 (efl. 643), o contribuinte apresentou Recurso Especial de sua iniciativa de efls. 645 a 668 e anexos, o qual assim restou não admitido, consoante exame de admissibilidade de efls. 743 a 749. Não houve oferecimento de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: mesmo não havendo nos autos o AR referente ao Termo de Intimação Fiscal de efls. 07/08, podese garantir, porém, que o início da ação fiscal deuse entre a lavratura do referido termo, datado de 17/04/2006, e a data de resposta a tal intimação, 04/05/2006, consoante efl. 09, o que é suficiente para fins do deslinde do processo; b) Atos Declaratórios Ambientais: b.1) ADA/2000, protocolizado em 07/11/2000, contendo 0,0 ha. a título de APP efl. 172; b.2) ADA/2000 (retificação) protocolizado em 20/03/2001, contendo 3.002,8 ha. a título de APP efl. 305; Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 9202005.677 CSRFT2 Fl. 772 7 b.3) ADA/2006, protocolizado em 13/11/2006, contendo 2.541,4 ha. a título de APP efl. 174; c) Laudo anexado pela autuada efls. 17 a 38. d) Licenciamento Ambiental Estadual e Plano de Recuperação de APP degradada, datado de 2008 efls. 311 a 327. Limitado o litígio assim, à possibilidade de exclusão dos 249,9 ha. a título de área de preservação permanente (consoante demonstrativo de efl. 5), acerca do tema entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 9202005.677 CSRFT2 Fl. 773 8 Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte em 20/03/01 (e fl. 305), assim muito anteriormente ao prazo estabelecido pela regulamentação infralegal da RFB (prazo limite: 31/03/06, consoante Instrução Normativa SRF no. 554, de 2005) e, também, anteriormente ao início da ação fiscal, ainda que tivesse sido iniciada em 17/04/06. Faço notar que, ainda que não se trate de ADA referente ao exercício em litígio (2005), mas de exercício anterior, a possibilidade de aproveitamento do ADA/2000 deflui, em meu entendimento, da desnecessidade de sua apresentação anual, sistemática que durou até o ano de 2006, da seguinte forma, claramente expressa pelo art. 10, caput e parágrafo único da Instrução Normativa Ibama no. 76, de 31 de outubro de 2005, in verbis: Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificado ra apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 9202005.677 CSRFT2 Fl. 774 9 Quanto ao momento de entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 9202005.677 CSRFT2 Fl. 775 10 ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 9202005.677 CSRFT2 Fl. 776 11 tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA, contemplando a área de preservação permanente glosada de 249,9 ha. em litígio, foi entregue em 20/03/01 (e fl. 305) e admitindose aqui o aproveitamento do ADA/2000 para exercícios até 2006 (inclusive), o requisito restou cumprido, assim, anteriormente ao início da ação fiscal, sendo de Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 9202005.677 CSRFT2 Fl. 777 12 se rechaçar a glosa da área de preservação permanente perpretada pela autoridade fiscal. De se manter, destarte, o provimento parcial, na forma decidida pelo Colegiado a quo. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 777DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905763/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 63 /2 01 2- 43 Fl. 308DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 31.380,87. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.475, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13603.905763/201243 Acórdão n.º 3401003.925 S3C4T1 Fl. 297 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 310DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13603.905763/201243 Acórdão n.º 3401003.925 S3C4T1 Fl. 298 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 312DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13603.905763/201243 Acórdão n.º 3401003.925 S3C4T1 Fl. 299 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 314DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.900229/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.572
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente AMCOR PACKAGING DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 29 /2 01 2- 15 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13819.900229/201215 Acórdão n.º 3302004.572 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 02051.206. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13819.900229/201215 Acórdão n.º 3302004.572 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13819.900229/201215 Acórdão n.º 3302004.572 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13819.900229/201215 Acórdão n.º 3302004.572 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13819.900229/201215 Acórdão n.º 3302004.572 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13819.900229/201215 Acórdão n.º 3302004.572 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004164/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO.
O direito de praticar o ato de lançamento, quanto da ocorrência de simulação, extingue-se após 5 anos, sendo o termo inicial de contagem do prazo o primeiro dia exercício seguinte àquele em que o. lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do art. 173, parágrafo único do CTN.
SIMULAÇÃO. CARACTERÍSTICAS.
A simulação é caracterizada pela divergência entre a exteriorização dos atos formalmente praticados e a vontade, a intenção, desejada. Na simulação, os atos praticados pelas partes são desejados apenas na sua forma, mas materialmente deseja-se outro resultado. Na simulação, é irrelevante que os atos formais praticados publicamente sejam lícitos, pois esse fato não influi no cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade.
OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA. SIMULAÇÃO.
Caracterizando-se que atos praticados em seqüência, com utilização de transformação da forma de constituição de sociedades, aumento de capital com ágio, atos sucessivos num curto espaço de tempo, denotam a divergência entre exteriorização dos atos praticados com a vontade real, descaracterizando a operação como a de um planejamento tributário lícito, e que levam ao não oferecimento à tributação do ganho de capital ocorrido, mantém-se a autuação realizada.
GLOSA DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. IMPROCEDÊNCIA.
Descabe a glosa de despesas consideradas desnecessárias quando se comprova que as mesmas estão vinculadas aos atos de alienação da participação societária, sendo gastos inerentes a esta atividade e necessários à sua realização.
MULTA ISOLADA, CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO PELA MULTA DE OFÍCIO.
Comprovando-se que a multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa baseou-se nos mesmos atos que geraram a lavratura de multa de ofício, aplica-se a regra de imputação penal da consunção pela qual a multa da penalidade menor (isolada) fica absorvida pela maior (de ofício) até o limite desta. Comprova-se, no presente caso que a multa isolada foi integralmente absorvida pela multa de ofício
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA
Não há sentido em se aplicar multa qualificada quando o contribuinte agiu conforme pacífica jurisprudência do próprio Conselho de Contribuintes no momento da realização das operações. Aplicar a penalidade para um ato que à época da sua realização era compreendido como lícito desrespeita o princípio da segurança jurídica.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CABIMENTO.
A contribuinte jamais escondeu o fato de a venda das ações ser o seu objetivo e de que essa venda foi estruturada da forma que lhe pareceu conveniente, em termos fiscais, respeitada não só a legislação, mas também a jurisprudência que prevalecia na esfera administrativa. O simples fato de ser acionista não pode lhe imputar responsabilidade solidária com fundamento no art. 124, I do CTN.
CSLL. REFLEXOS DO LANÇAMENTO DO IRPJ.
Mantém-se os lançamentos reflexos da CSLL na mesma proporção dos lançamentos do IRPJ, tendo em vista que estes se referem a autuações que se refletem na apuração do lucro líquido.
Numero da decisão: 1401-002.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Preliminarmente, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso no que tange à alegação de decadência do lançamento da glosa das despesas com ágio. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ainda em sede preliminar, por maioria de votos, negar provimento ao recurso no que pertine à alegação de decadência do lançamento das glosas de despesas consideradas não comprovadas. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso i) quanto à glosa das despesas com ágio; e ii) a tributação reflexa da CSLL; e dar provimento ao recurso para i) determinar a exclusão do lançamento do valor de R$350.730.300,00; ii) cancelar a glosa das despesas consideradas desnecessárias pela Fiscalização; iii) afastar a aplicação da multa isolada. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso para i) afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Ailton Neves da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves; e ii) afastar a sujeição passiva solidária dos sócios da Autuada. Vencidos os Conselheiros Ailton Neves da Silva e Abel Nunes de Oliveira Neto. Designado o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva para redigir o voto vencedor. Participou do julgamento o Conselheiro Ailton Neves da Silva, para suprir a ausência do Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, que declarou-se impedido de votar.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto De Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino Da Silva, Abel Nunes De Oliveira Neto, Ailton Neves Da Silva, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. O direito de praticar o ato de lançamento, quanto da ocorrência de simulação, extinguese após 5 anos, sendo o termo inicial de contagem do prazo o primeiro dia exercício seguinte àquele em que o. lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do art. 173, parágrafo único do CTN. SIMULAÇÃO. CARACTERÍSTICAS. A simulação é caracterizada pela divergência entre a exteriorização dos atos formalmente praticados e a vontade, a intenção, desejada. Na simulação, os atos praticados pelas partes são desejados apenas na sua forma, mas materialmente desejase outro resultado. Na simulação, é irrelevante que os atos formais praticados publicamente sejam lícitos, pois esse fato não influi no cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA. SIMULAÇÃO. Caracterizandose que atos praticados em seqüência, com utilização de transformação da forma de constituição de sociedades, aumento de capital com ágio, atos sucessivos num curto espaço de tempo, denotam a divergência entre exteriorização dos atos praticados com a vontade real, descaracterizando a operação como a de um planejamento tributário lícito, e que levam ao não oferecimento à tributação do ganho de capital ocorrido, mantémse a autuação realizada. GLOSA DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. IMPROCEDÊNCIA. Descabe a glosa de despesas consideradas desnecessárias quando se comprova que as mesmas estão vinculadas aos atos de alienação da participação societária, sendo gastos inerentes a esta atividade e necessários à sua realização. MULTA ISOLADA, CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO PELA MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 64 /2 00 7- 19 Fl. 3703DF CARF MF 2 Comprovandose que a multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa baseouse nos mesmos atos que geraram a lavratura de multa de ofício, aplicase a regra de imputação penal da consunção pela qual a multa da penalidade menor (isolada) fica absorvida pela maior (de ofício) até o limite desta. Comprovase, no presente caso que a multa isolada foi integralmente absorvida pela multa de ofício MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA Não há sentido em se aplicar multa qualificada quando o contribuinte agiu conforme pacífica jurisprudência do próprio Conselho de Contribuintes no momento da realização das operações. Aplicar a penalidade para um ato que à época da sua realização era compreendido como lícito desrespeita o princípio da segurança jurídica. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CABIMENTO. A contribuinte jamais escondeu o fato de a venda das ações ser o seu objetivo e de que essa venda foi estruturada da forma que lhe pareceu conveniente, em termos fiscais, respeitada não só a legislação, mas também a jurisprudência que prevalecia na esfera administrativa. O simples fato de ser acionista não pode lhe imputar responsabilidade solidária com fundamento no art. 124, I do CTN. CSLL. REFLEXOS DO LANÇAMENTO DO IRPJ. Mantémse os lançamentos reflexos da CSLL na mesma proporção dos lançamentos do IRPJ, tendo em vista que estes se referem a autuações que se refletem na apuração do lucro líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Preliminarmente, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso no que tange à alegação de decadência do lançamento da glosa das despesas com ágio. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ainda em sede preliminar, por maioria de votos, negar provimento ao recurso no que pertine à alegação de decadência do lançamento das glosas de despesas consideradas não comprovadas. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso i) quanto à glosa das despesas com ágio; e ii) a tributação reflexa da CSLL; e dar provimento ao recurso para i) determinar a exclusão do lançamento do valor de R$350.730.300,00; ii) cancelar a glosa das despesas consideradas desnecessárias pela Fiscalização; iii) afastar a aplicação da multa isolada. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso para i) afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Ailton Neves da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves; e ii) afastar a sujeição passiva solidária dos sócios da Autuada. Vencidos os Conselheiros Ailton Neves da Silva e Abel Nunes de Oliveira Neto. Designado o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva para redigir o voto vencedor. Participou do julgamento o Conselheiro Ailton Neves da Silva, para suprir a ausência do Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, que declarouse impedido de votar. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. Fl. 3704DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.688 3 (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto De Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino Da Silva, Abel Nunes De Oliveira Neto, Ailton Neves Da Silva, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa Relatório Trata o presente processo de auto de infração relativo a alienação de investimento avaliado pelo patrimônio líquido cujo ganho de capital não foi tributado. Referida irregularidade teria ocorrido no ano de 2002. A base da autuação decorreu da análise da seguinte operação societária: Fl. 3705DF CARF MF 4 18 de março de 2002, ou seja, quatro dias após a alteração acima, na empresa Cervejarias Kaiser S/A — CNPJ 28.295.442/000121, em Assembléia Geral Extraordinária — AGE realizada às 08:00 horas, na qual foi apresentada e debatida a proposta de negocio com sociedade canadense Molson, foram aprovadas por unanimidade as deliberações: 1) Aprovar a aquisição pela sociedade, das ações detidas pela sua controlada Cervejarias Kaiser Brasil Ltda (KAISER BRASIL), na Cervejarias Kaiser Industria e Comercio S/A e a deliberação pela Sociedade em Reunião de Quotistas da KAISER BRASIL a ser realizada nesta data, no sentido de aprovar tal venda; 2) Aprova a cessão pela sociedade a KAISER BRASIL LTDA., de direitos de propriedade intelectual; 3) Aprovar a transformação da KAISER BRASIL LTDA em sociedade anônima; 4) Aprovar o aumento do capital na KAISER BRASIL LTDA em virtude da subscrição a fh ser efetuada pela Molson Inc, com integralização em moeda nacional e ativos; Fl. 3706DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.689 5 5) Aprovar a quitação pela KAISER BRASIL LTDA de valores devidos a CERVEJARIA KAISER S A; 6) Aprovar a celebração pela diretoria da KAISER BRASIL LTDA, de todos os documentos necessários para aprovar e implementar a transação ora aprovada; 7) Aprovar a cessão, pela Sociedade à KAISER BRASIL LTDA de todos os documentos necessários para aprovar e implementar a transação ora aprovada; 8) Aprovar a celebração pela Diretoria da Sociedade, de todos os contratos e documentos necessários à implementação da transação ora aprovada, tais como: acordo de associação e investimento, com a conseqüente alienação, para a empresa do grupo Molson, das participações societárias detidas pela Sociedade; acordo de subscrição com conseqüente investimento da Sociedade no capital de empresa do grupo Molson, dentre outras deliberações. Fl. 3707DF CARF MF 6 Fl. 3708DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.690 7 Fl. 3709DF CARF MF 8 Fl. 3710DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.691 9 Depois de todo este histórico de operações, assim conclui o fiscal sobre os atos praticados. Fl. 3711DF CARF MF 10 Da análise realizada, o fiscal realizou o lançamento do IRPJ devido sobre o ganho de capital não tributado. SIMULAÇÃO Além disso, entendeu ter ocorrido a simulação de atos com vistas a evitar a incidência tributária conforme as seguintes palavras: 1) Aquisição injustificável a Molson Inc adquire a Z.W.S.P.V., empresa recém criada, com pequeno capital, sem nenhum fundo de comércio que justificasse a sua aquisição e com alteração da denominação social, ou seja, nem mesmo uma marca para justificar tal interesse. 2) Ato continuo, cinco dias após celebra um ACORDO DE ASSOCIAÇÃO E INVESTIMENTO E OUTRAS AVENÇAS onde adquire diversas empresas, culminando com o aporte de valor pela Molson Inc no capital social da Cervejarias Kaiser Brasil S/A, fato este que reduziu o percentual de participação da Cervejarias Kaiser S/A, tinha como objetivo principal a distorção do resultado fiscal na alienação do investimento, ocultando parcela do ganho, conforme demonstrado acima. 3) Prazo — da constituição da Z.W.S.P.V. (17/12/01) até o acordo acima celebrado (19/03/02) transcorreram apenas 3 meses e dois dias, configurando que já havia intenção pretérita da aquisição daqueles ativos, visto que uma operação desta monta não se realiza do dia para noite. 4) Diversas alterações nas empresas — transformações de Ltda em S/A e viceversa — alteração de denominação social, transferência de local, incorporações, reduções de capital social, foram alguns dos subterfúgios utilizados para dificultar a análise pela fiscalização desta operação engendrada entre os participantes. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA Para completar, em razão da atuação de diversos agente na realização no negócio tido por simulado, o fiscal, depois de reapresentar os atos negociais praticado, entendeu por estabelecer a responsabilização solidária dos seguintes agentes e consoante as normas legais indicadas no TVF também descritas.: Fl. 3712DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.692 11 MULTA QUALIFICADA Foi aplicada a multa de ofício no percentual de 150% com base na simulação constatada e nos seguintes dizeres: A multa de oficio é qualificada tendo em vista os atos simulados, de acordo com o disposto no artigo 44, inciso II, da Lei n. 9430/94, que foi consolidado no art. 957, inciso II, do RIR/99, tendo em vista que a intenção das partes foi claramente a alienação das empresas envolvidas com a redução do ganho de capital através da simulação praticada pelos atos elaborados quase que simultaneamente, em decisões com lapso de horas apenas, tudo para convergir a vontade real das partes, estando inequivocamente caracterizada a simulação dos atos, que embora legais, tiveram a função de distorcer o resultado final que se daria naturalmente caso as partes não engendrassem elaborado planejamento. LANÇAMENTO DA CSLL Em decorrência de tudo foi lavrado auto de infração reflexo da CSLL Fl. 3713DF CARF MF 12 Ato contínuo foi emitido outro termo de verificação fiscal, agora às fls. 338/343, no qual foram efetuados outros lançamentos agora relativos aos seguintes itens: MULTA ISOLADA Finalmente foi emitida multa isolada em relação aos valores não integralmente pagos por estimativa decorrentes dos valores lançados. Fl. 3714DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.693 13 Assim, foi lavrado auto de multa isolada relativo aos meses de fevereiro, março e abril de 2002. Cientificado da autuação o contribuinte apresentou recursos voluntários contra os lançamentos mediante petições de fls. 424, 1338 e 1369. Os contribuintes cientificados por sujeição passiva apresentaram impugnação conforme listagem abaixo KSP Participações Ltda Fls. 403 Brasal Refrigerantes S/A Fls. 516 Heineken International B.V. Fls. 556 Heineken Latin America Ltda Fls. 733 Cocacola Indústrias Ltda Fls. 892 TILPAR Til Participações S.A. Fls. 927 Refrigerantes do Noroeste S/A Fls. 993 Heineken International B.V. Fls. 1468 Brasal Refrigerantes S/A Fls. 1426 Heineken Latin America Ltda Fls. 1644 TILPAR Til Participações S.A. Fls. 2083 Cocacola Indústrias Ltda Fls. 2106 KAIK Participações Ltda Fls. 2174 Fl. 3715DF CARF MF 14 Da análise das impugnações resultou a seguinte decisão emitida pela Delegacia de Julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. O direito de praticar o ato de lançamento, quanto da ocorrência de simulação, extinguese após 5 anos, sendo o termo inicial de contagem do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o . lançamento poderia ter sido efetuado. CSLL. DECADÊNCIA Na contagem do prazo decadencial dos reflexos da infração apu12da para o IRPJ, aplicase a mesma regra empregada na contagem do imposto. IRPJ. AUMENTO DE CAPITAL COM ÁGIO. REFLEXO NO CUSTO DA PARTICIPAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. NECESSIDADE DE TRIBUTAÇÃO. A integralização de capital com ágili, para qUi.' scj:! válida e produza efeitos, impõe que a vontade manifestada nos atos praticados esteja em conformidade com a vontade real das partes. Havendo o descasamento entre a vontade expressa na forma dos atos praticados e a efetiva vontade, há apenas simulação de aumento de capital, o que torna o ato ineficaz perante terceiros, com a conseqüente necessidade de autuação do ganho de capital não oferecido à tributação. SIMULAÇÃO. CARACTERÍSTICAS. A simulação é caracterizada pela divergência entre a exteriorização dos atos formalmente praticados e a vontade, a intenção, desejada. Na simulação, os atos praticados pelas partes são desejados apenas na sua forma, mas materialmente desejase outro resultado. Na simulação, é irrelevante que os atos formais praticados publicamente sejam lícitos, pois esse fato não influi no cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA.SIMULAÇÃO. Atos praticados em seqüência, com utilização de transformação da forma de constituição de sociedades, aumento de capital com ágio, atos sucessivos num curto espaço de tempo, denotam a divergência entre exteriorização dos atos praticados com a vontade real, descaracterizando a operação como a de um planejamento tributário lícito, e que levam ao não oferecimento à tributação do ganho de capital ocorrido. MULTA DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. AGRAVAMENTO. A multa de oficio deve ser agravada na ocorrência de simulação. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. ABRANGÊNCIA. Decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes não vinculam os integrantes das turmas de julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, aplicamse ao próprio processo julgado e apenas servem como referência, seja para o contribuinte ou para o Fisco, conforme o caso. GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. As operações praticadas por uma empresa com reflexos tributários devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, de forma a justificar, no caso de despesas, a necessidade e utilidade para as atividades da empresa. A simples contabilização das despesas não faz prova a favor do contribuinte. A contabilidade faz Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.694 15 prova a seu favor quando se reveste das qualidades para tal, ou seja, quando a documentação comprobatória, os lançamentos contábeis, a coerência das datas, e o fluxo financeiro, em conjunto, estão em harmonia com o fato econômicocontábil. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos por expressa disposição legal e são calculados seguindo os preceitos da lei. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA DE IRPJ E CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO. CABIMENTO. Constatada a falta ou insuficiência do recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL, cabivel o lançamento de multa isolada calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. BASES DE CÁLCULO. As bases de cálculo das multas isolada e de ofício, por falta de recolhimento de antecipação e por falta de pagamento da contribuição ou tributo, respectivamente, são distintas. Verificada a insuficiência de pagamento de estimativas e a insuficiência de pagamento do imposto de renda, verificase a ocorrência de duas infrações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A tributação reflexa segue em tudo a mesma linha decisória quanto ao decidido no IRPJ . RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO E CABIMENTO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificados da decisão da Delegacia de Julgamento, o contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram os recursos voluntários conforme abaixo. Em relação a estes indicaremos um breve resumo das suas alegações. Heineken Interbational B.V. Fls. 1749 Alegações no sentido de que as pessoas dos sócios são distintas da empresa e que o interesse comum não estaria aí caracterizado. Assim a atribuição de responsabilidade configuraria uma verdadeira desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Não sendo cabível. Além disso, alega que não participou das discussões para formatação da operação, inclusive sendo alijado da mesma. E que, conforme documentos apresentados, a empresa apenas aquiesceu com a venda, mesmo porque, ainda que fosse contrária sua participação seria irrelevante e não afetaria o resultado. TILPAR Til Participações S.A. Fls. 1728 – Alegações no sentido de que as pessoas dos sócios são distintas da empresa e que o interesse comum não estaria aí Fl. 3717DF CARF MF 16 caracterizado. Assim a atribuição de responsabilidade configuraria uma verdadeira desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Não sendo cabível. CocaCola Indústrias Ltda Fls. 2192 Alegações no sentido de que as pessoas dos sócios são distintas da empresa e que o interesse comum não estaria aí caracterizado. Assim a atribuição de responsabilidade configuraria uma verdadeira desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Não sendo cabível. Brasal Refrigerantes S.A. Fls. 2212 e 2273 Alegações no sentido de que as pessoas dos sócios são distintas da empresa e que o interesse comum não estaria aí caracterizado. Assim a atribuição de responsabilidade configuraria uma verdadeira desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Não sendo cabível. KAIK Participações Ltda Fls. 2340 Alegações no sentido de que as pessoas dos sócios são distintas da empresa e que o interesse comum não estaria aí caracterizado. Assim a atribuição de responsabilidade configuraria uma verdadeira desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Não sendo cabível. Heineken Latin America Ltda Fls. 2912 Alegações no sentido de que as pessoas dos sócios são distintas da empresa e que o interesse comum não estaria aí caracterizado. Assim a atribuição de responsabilidade configuraria uma verdadeira desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Não sendo cabível. Além disso, alega que não participou das discussões para formatação da operação, inclusive sendo alijado da mesma. E que, conforme documentos apresentados, a empresa apenas aquiesceu com a venda, mesmo porque, ainda que fosse contrária sua participação seria irrelevante e não afetaria o resultado. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário conforme petições de fls. 2571 e 3097. Chegando a este Conselho foi emitida resolução determinando a realização de diligência conforme fls. 3234. Da diligência realizada foi emitida a informação fiscal de fls. 3291. O recorrente se pronunciou sobre a diligência às fls. 3515 Dentre os argumentos aduzidos pelo recorrente e pelos responsáveis solidários podemos resumílos em : Regular emissão de ações com ágio Emissão das novas ações baseada no art. 170, § 1º, da Lei das S/A Fl. 3718DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.695 17 Valor recebido na aquisição de ações com ágio foi objeto de mútuo com a MXS Discussão centrada no aumento de capital da Kaiser Brasil Quando a Recorrente deixou de ser acionista da Kaiser Brasil não tinha havido aumento de capital Da Legalidade da incorporação inversa O aumento de capital não é substitutivo da venda Fl. 3719DF CARF MF 18 Inexistência de simulação e não cabimento da multa agravada Com os argumentos acima apresenta extensa jurisprudência deste CARF, devidamente analisada, no sentido de que não se caracterizaria a fraude se não houve o ânimo doloso nos atos praticados ou quando os atos praticados são lícitos. Fl. 3720DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.696 19 DECADÊNCIA Entende, em consonância com o acima apresentado, que no presente caso, não se constatando a existência de dolo, fraude ou simulação, a regra de decadência a ser aplicada é a do art. 150, § 4º do CTN e não a do art. 173, § único, conforme apresentado pela fiscalização e defendido pela recorrente. Fl. 3721DF CARF MF 20 7.48. A DECISÃO simplesmente ignorou e deixou de analisar os argumentos acima mencionados, apresentados na impugnação. A DECISÃO apenas ressaltou que o valor supostamente devido a titulo de CSL sobre a parcela do preço quitada com a entrega de ações (R$ 350.730.300,00) também vem sendo discutido em 'outro processo administrativo (n° 19515.005.605/200881) e que, para evitar uma duplicidade de julgamentos, este e aquele processo deveriam ser julgados em conjunto. Fl. 3722DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.697 21 INDEDUTIBILIDADE DE DESPESAS — TERMO 02 Fl. 3723DF CARF MF 22 CONTRARAZÕES DA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Fl. 3724DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.698 23 Fl. 3725DF CARF MF 24 Fl. 3726DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.699 25 Da Inexistência de Decadência Entende a PGFN neste item que sendo o caso de acusação de simulação, caracterizada esta, há de se utilizar a regra de decadência do art. 173 do CTN, fazendo com que o prazo somente findasse em 31/12/2007 Da Glosa de Despesas não Comprovadas Entende a PGFN que as despesas não foram comprovadas pela empresa posto não terem sido apresentadas à fiscalização. Que ainda que tivessem sido não seriam despesas dedutíveis. Que, em relação à decadência, entende que como não ocorreu o pagamento antecipado não há que se aplicar a regra do art. 150, § 4º, mas sim a do art. 173, I, do CTN, tendo em vista que esta aplicação decorre do não pagamento antecipado ou da realização do pagamento irregular após comprovação de ofício. Fl. 3727DF CARF MF 26 II. g. Da aplicação de multa de ofício qualificada Alega, neste ponto que a qualificação da multa é cabível quando verificada, como restou no caso, a ocorrência dos atos de simulação tendentes a evitar a exação tributária, posto que comprovada a hipótese dos art. 71 a 73, da Lei nº 4.502/66. II.h. Da aplicação concomitante da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa e multa de ofício. Possibilidade. Roga pela manutenção da aplicação concomitante das duas multas por entender que as duas bases de cálculo são distintas. II.i. Multa de Ofício. Incidência de Juros de Mora. Possibilidade. Entende ser possível, com base nas diversas normas apresentadas, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. II.j. Da responsabilidade solidária dos sócios Entende, neste caso que o interesse comum se justifica pela situação pessoal de cada um dos responsáveis solidários indicados na autuação. Finalmente há de se registrar que consta petição às fls. 3598, na qual o Sr. RODOLPHO DE OLIVEIRA FRANCO PROTASIO informa que recebeu a intimação da NESLIP endereçada ao mesmo como se fora procurador da empresa Heineken International BV mas, no entanto o real e atual procurador da empresa no Brasil é o Sr. Arthur Ribeiro Viñau – CPF: 195.206.72869. Fl. 3728DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.700 27 Voto Vencido Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos legais, por isso deles tomamos conhecimento. O fato que gerou a imputação mais elevada do auto baseia os valores que compõem a base de cálculo em dois pontos: 1) A parcela de redução do ganho de capital na subscrição de ações pela Molson por causa da redução da participação da CKSA nas Cervejarias Kaiser Brasil S/A. Com essa redução da participação o ganho de capital total somente foi apurado na parcela do percentual de participação após a redução do percentual da participação. Assim foi realizada a inclusão deste resultado de equivalência na composição do ganho de capital 2) A parcela recebida a título de permuta de ações com a Molson foi tributada por ter sido considerada como operação de venda. A empresa não a havia computado em razão de as ações terem ficado bloqueadas para negociação por parte desta e somente terem sido liberadas em 2004, época em que a empresa pagou o restante do ganho de capital por ela apurado. Pela análise das informações constantes na autuação, na decisão da DRJ, na impugnação, recurso voluntário e contrarazões da PGFN, demonstrase, sem qualquer sombra de dúvidas, que em relação à legalidade das operações não existem reparos a fazer. Todas as operações obedeceram aos termos da Lei, tanto que, quanto a estas, não é suscitada nenhuma nulidade. Por isso é que a linha de acusação da fiscalização em seu TVF se direciona no sentido de suscitar a simulação dos atos societários com vistas unicamente a obter vantagens tributárias. Contra esta argumentação a recorrente alega que nunca escondeu que a intenção da empresa sempre foi a de realizar a venda de ações. Por esta razão entende que os atos praticados dentro das normas legais não tinham a intenção de simular nenhuma ação. Fl. 3729DF CARF MF 28 Inobstante as robustas argumentações tanto de um lado quanto de outro é forçoso reconhecer que num caso desta monta, onde pesa a acusação de simulação, razões justificáveis existem dos dois lados: Por parte da defesa, no sentido de que todos os atos são revestidos de legalidade e assim, não podem ser considerados simulados. Por parte da acusação, no sentido de que toda uma séria de atos concatenados tenderam, apenas e tão somente, a evitar a incidência de IRPJ sobre o ganho de capital percebido na alienação do investimento A dificuldade de realizar a análise deste processo decorreu, num primeiro momento, em desdobrar todas as operações para poder entender os reflexos dos atos societários praticados na incidência tributária. Assim, após detalhada análise podemos reduzir o montante da autuação a dois pontos essenciais. Iniciemos, no entanto, com a preliminar levantada, PRELIMINAR DECADÊNCIA Insiste a recorrente de que deve ser acatada a preliminar de decadência da autuação em razão de o auto de infração referirse ao período de julho/2002, enquanto que a autuação somente foi lavrada em dezembro/2002. Alega que, desta forma, consoante a regra do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN teria se esgotado o prazo da fazenda pública realizar o lançamento antes da autuação. Ocorre que, no presente caso a acusação não é de uma simples simulação. A acusação é a de que a empresa realizou diversos atos societários tendentes a disfarçar a venda unicamente com o objetivo de ver reduzida a tributação sobre o ganho na venda. Tais procedimentos foram caracterizados pela fiscalização como simulação de atos e, assim, a estes se aplica a regra do art, 173, parágrafo único do CTN. Consoante a leitura dos atos praticados que foram apontados pela fiscalização, podese perceber que não se trata de um caso de simples omissão de rendimentos ao qual poderseia aplicar apenas a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Neste caso, realmente observase a ocorrência de inúmeros atos societários encadeados e relacionados, todos na direção de provocar a redução da incidência tributária sobre o ganho a ser auferido na operação de venda da participação detida pela recorrente na CKBSA. Ora, na leitura deste relator, agiu corretamente a fiscalização a enquadrar a realização do conjunto de atos como simulação, visto que, considerada a intenção do recorrente que, desde a realização do acordo de avenças, tinha o objetivo de venda, a realização de atos diversos, até mesmo em sentido contrário ao da venda, caracteriza a intenção de simulação de atos com a intenção de reduzir a incidência tributária e, desta forma, entendemos que resta caracterizada a simulação passível de modificação da regra de decadência para a do art. 173, parágrafo único do CTN. Por estas razões, entendo por rejeitar a preliminar de decadência em face de, no presente caso, caracterizandose a ocorrência de simulação, deve ser aplicada a regra do art. 173, parágrafo único do CTN, pela qual o prazo decadencial somente se encerrou em 31/12/2007, não tendo ocorrido a decadência em relação à autuação do presente processo. Fl. 3730DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.701 29 1) A diluição da participação societária da Cervejaria Kaiser S/A (CKSA) na Cervejaria Kaiser Brasil S/A (CKBSA), por meio da subscrição de ações, com ágio de mais de 1.000%, por parte da Molson Inc. O efeito desta subscrição e da diluição da participação da CKSA foi que o resultado da equivalência patrimonial nesta causou uma redução no ganho de capital apurado quando da alienação no montante de R$ R$ 777.992.100,81. Nesta operação o que se discute, em síntese, é se a subscrição de ações com ágio por parte da Molson Inc. tinha efetivamente a intenção de formar uma sociedade com a CKSA, ou se a operação foi formatada desta forma apenas para permitir que a diluição da participação da CKSA com a incorporação do ágio ao capital, sem que haja a tributação na incorporação deste ágio ao capital, fazendo com que o resultado da equivalência na CKBSA funcionasse como uma redução do valor do ganho de capital apurado da alienação da CKBSA à MXS do BRASIL S/A. Visualizando estas operações temos de observar fatos que não decorrem da simples verificação da legalidade dos atos societários. Repetidas vezes foi informado pela recorrente que a intenção sempre foi a de realizar a alienação da CKBSA e das outras três empresa à Molson. A operação mais lógica para qualquer entendedor comum era o de a Molson chegar à estipulação do preço dos ativos com a CKSA e efetuar o seu pagamento, assumindo o controle acionário integral das empresas Não existe nenhum impedimento na legislação de que uma empresa estrangeira seja proprietária de empresa brasileira do ramo de bebidas. Assim o negócio mais simples foi evitado em contrapartida a um negócio bem mais complexo. Continuando na análise dos fatos ocorridos vemos que em vez de adquirir toda a CKBSA de uma vez a Molson Inc. fez uma subscrição de ações novas emitidas pela CKBSA com o pagamento de um ágio de quase dez vezes o valor do PL. Com a realização desta operação a participação da CKSA na CKBSA foi reduzida para 43,36%. Ora, se o sentido original do negócio, conforme deduzido pelo recorrente foi sempre o de alienação da CKBSA, qual o objetivo na subscrição das ações pela Molson e manutenção de participação significativa por parte da CKSA. Indagase neste momento: A intenção era vender ou associarse? Disto não há resposta concreta. A argumentação do recorrente segue sempre no sentido de que os negócios são regulares e revestidos das formalidades legais, mas não justifica porque a empresa que desejava adquirir seus investimentos se tornou sócia e esta permaneceu junto na sociedade com participação bastante razoável. Incontinenti surge outra ação que também não é compreensível num negócio em que deveria ocorrer uma simples compraevenda. Essa operação é realizada com o inusitado aumento de capital da empresa MXS DO BRASIL que passou de R$ 500,00 para o montante de R$ R$ 1.934.619.732,00, equivalente à 1.934.619.232 ações de valor unitário. Tal aumento de capital foi integralmente subscrito e integralizado pela Molson Inc. com a transferência das ações recentemente Fl. 3731DF CARF MF 30 subscritas junto à CKBSA. Assim agindo a MXS DO BRASIL passou a deter o controle da CKBSA, sendo esta mesma controlada pela Molson Inc. Após este ato, a MXS DO BRASIL adquiriu a totalidade da participação da Cervejaria Kaiser na CKBSA realizando o pagamento com um mútuo obtido junto à CKBSA mais 350.000.000 em ações da Molson Inc. Em que pesa a legalidade dos atos praticados, não há como se vislumbrar algum objetivo societário nos atos praticados senão o de evitar a tributação integral do ganho de capital pela alienação da participação. Apesar dos esforços do recorrente em justificar todos os atos praticados com, frisese, coerência admirável, é inescapável verificar que o objetivo a ser atingido com a série de atos societários concatenados era, apenas e tão somente, o de obter vantagens de redução da carga tributária e não o de atender a alguma necessidade específica dos intervenientes do negócio. Realizar o planejamento tributário é tarefa diuturna das empresas, que, neste ponto tem de ser respeitada e aplaudida. Diferente é utilizar formatos negociais pouco convencionais para atingir um único objeto de fugir da tributação. O que é permitido pela legislação é, diante da expectativa de um ato negocial que possua diferentes formas de execução, possa o contribuinte eleger a que lhe cause menor peso tributário. Esse planejamento é permitido e, mais ainda, deve ser protegido. Outra coisa é criaremse formas de associação e dissociação de empresas, em espaços curtos de tempo que demonstram não a intenção de associação, mas sim a simples intenção de reduzir a tributação. Vejase, quando a Molson Inc. realizou a subscrição de ações da CKBSA pagando um ágio muito elevado em relação ao patrimônio líquido, passando a ser sócio majoritário da empresa, vislumbravase o interesse de associarse. Tal ato era, e é, perfeitamente legal e compreensivo. Não se compreende é o porque de a CKSA aceitar a entrada de um sócio majoritário em uma subsidiária integral, perdendo inclusive o poder de mando, quando, como alega em suas peças, sua intenção foi sempre a de alienar o negócio. Qual era a efetiva intenção? associarse ou alienar? a recorrente alega uma posição, mas age em sentido contrário, sem apresentar uma justificativa lógica. A participação da empresa MXS DO BRASIL é outra incógnita da qual a recorrente também não apresenta qualquer justificativa, até mesmo porque, neste aspecto tem a seu favor a justificativa que se trata de ato empresarial de terceiros aos quais não tem nenhum conhecimento e, muito menos, justificativa. Inobstante a inexistência de justificativa é de aparente incoerência, para dizer o mínimo, que a empresa Molson faça a subscrição de ações da CKBSA com ágio elevado, utilize estas ações para integralizar a participação na MXS DO BRASIL e, por fim, ainda conceda mútuo entes as duas de forma a fornecer os recursos para aquisição da CKBSA. Fl. 3732DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.702 31 Ou seja, em verdade o dinheiro pelo qual a CKSA alienou o controle da CKBSA é o mesmo dinheiro que foi utilizado na subscrição de capital, que, apenas pelo planejamento concatenado das alterações societárias, foi mutuado à MXS para posterior aquisição da participação da CKSA na CKBSA. No fim das contas o comprador foi o mesmo Molson Inc., o objeto da venda foi o mesmo (CKBSA) e a vendedora a recorrente. A existência e interveniência da MXS do Brasil S/A nesta operação serviu apenas para disfarçar a compra total da CKBSA pela Molson que, se realizada da forma normal, implicaria na integral tributação do ganho de capital que, ao fim e ao cabo, era o que se tentava evitar pela construção societária. Quanto a isto, apresentamos os precedentes abaixo que seguem no sentido de considerar simulados os atos que não se revestem de propósito negocial. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Camara Superior de Recursos Fiscais CSRF SUPERIOR PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE MATÉRIA: IRPJ, COFINS, PIS, CSLL ACÓRDÃO: 9101002.429 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006, 2008 OPERAÇÕES DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INADMISSIBILIDADE. Não se pode admitir, à luz dos princípios constitucionais e legais entre eles os da função social da propriedade e do contrato e da conformidade da ordem econômica aos ditames da justiça social , que, a prática de operações de reorganização societária, seja aceita para fins tributários, pelo só fato de que há, do ponto de vista formal, lisura per se dos atos quando analisados individualmente, ainda que sem propósito negocial. GANHO DE CAPITAL. CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADE SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. O sólido e convergente acervo probatório produzido nos autos demonstra que o contribuinte valeuse da criação de uma sociedade, para a alienação de bens classificados em seu ativo permanente, evadindose da devida apuração do respectivo ganho de capital, por meio de simulação, que é reforçada pela ausência propósito negocial para sua realização. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Comprovadas a simulação e o intuito fraudulento, caracterizado pelo dolo específico, impõese a aplicação da multa de 150%. Recurso Especial do Contribuinte Negado. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Camara Superior de Recursos Fiscais CSRF SUPERIOR PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE MATÉRIA: IRPJ, COFINS, PIS, CSLL ACÓRDÃO: 9101002.504 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SIMULAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. A prática de atos simulatórios com a finalidade de deixar de oferecer à tributação os ganhos decorrentes da alienação de participação societária caracteriza o evidente intuito de fraude pela conduta de ação dolosa tendente a excluir características Fl. 3733DF CARF MF 32 essenciais relativas à ocorrência do fato gerador da obrigação principal relativa ao ganho de capital na alienação de ações, de modo a evitar o pagamento dos tributos devidos, o que justifica a qualificação da multa de ofício. Quando essa conduta ocorre mediante conluio entre pessoas físicas ou jurídicas, temse mais uma razão para qualificar a multa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. 150%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. AFRONTA AO ART. 150, IV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). É difícil de conceber qualquer lógica nestes procedimentos. Claro que não se pode acusar a recorrente em relação a estes últimos atos, no entanto, será que a mesma, tendo participado do acordo de avenças entre as empresas não questionou este formato. Bem não se pode afirmar nem contra nem a favor da empresa, contudo a responsabilidade deste conselheiro é emitir seu voto quanto à esta operação no sentido de infirmar ou não a autuação. Assim, diante de toda a sequência de atos concatenados praticados em reduzido espaço de tempo, atos estes que por diversas vezes contrariaram até mesmo a afirmação da empresa de que a verdadeira intenção do acordo era o de alienação das CKBSA, não vejo como não dar azo acusação fiscal de que ocorreu efetivamente a realização de atos negociais com o único intuito de reduzir a imposição tributária. Neste sentido, entendo que efetivamente ocorreu a simulação dos atos, tipificada nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, objetivando impedir a ocorrência integral do ganho de capital na operação, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto em relação a esta parte da autuação. 2) O recebimento por CKSA de parte do pagamento no valor de R$ 350.730.300,00, em ações da Molson Inc. Este valor não foi considerado na apuração do ganho de capital em 2002 em razão de, conforme alegado pela empresa, as ações recebidas não terem ficado disponíveis para utilização pela empresa em 2002. Estas ações ficaram custodiadas e bloqueadas no aguardo da verificação de pendências futuras, somente sendo liberados em 2004, época em que a empresa pode ter a integral disponibilidade sobre as mesmas. O valor destas ações ficou depositado em uma escrow account e somente foi liberado para a empresa em 2004, quando foi realizado o pagamento do ganho de capital a ele relativo. Vejase o excerto da fiscalização. Com relação a este item que compôs a base de cálculo da autuação e cujo pagamento de ganho de capital realizado em 2004 foi imputado ao valor da autuação, tenho de discordar da autuação. Fl. 3734DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.703 33 Ora, o ganho de capital para se configurar exige o aumento da disponibilidade patrimonial da pessoa. Se a empresa, em relação a este valor apesar de entregue pela Molson Inc. não possuia todos os requisitos de disponibilidades, vez que as ações ficaram em custódia de terceiros para garantia de contingência e somente foram liberadas em março de 2004. Vejase os termos do acordo realizado. Até por impossibilidade prática não há como se exigir o pagamento do imposto sobre o ganho de capital, sem que o preço tenha sido disponibilizado à empresa. Veja se um exemplo de uma empresa que aliena um investimento por R$ 1.000.000,00 devendo pagar R$ 250.000,00 de ganho de capital. Se acaso esta recebe o pagamento da alienação apenas de 20% devendo o restante ser pago em parcelas trimestrais e ficando bloqueados em escrow account o que ocorre é que num caso como este o alienante sequer teria recursos suficientes para quitar todo o imposto devido. Por isto é que o ganho de capital é apurado pelo valor total do negócio, entretanto o recolhimento do imposto fica sujeito ao efetivo recebimento de cada parcela. Além disso, consoante as disposições do art. 31, § 2º do DecretoLei nº 1.578/77. Art 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. ............ § 2º Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do exercício social seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, Fl. 3735DF CARF MF 34 reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada períodobase. Neste sentido, considerandose que a parte do preço recebida em montante de ações da Molson Inc., somente foi disponibilizada em março/2004 e, nesta época foi oferecida à tributação, entendo que este valor deve ser excluído da base de cálculo da autuação, posto que somente poderia ser tributado em 2004, quando da disponibilidade destes valores à CKSA. DA GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS Iniciando a análise deste ponto, vamos relacionar alguns documentos importantes à sua fundamentação. fls. 144 Intimação pedindo documentos dia 05/12/2007 Recebido em 10/12/2007 pessoalmente, fls. 151 Solicitação de prorrogação de prazo em 12/12/2007, concedida por três dias úteis. Dia 12 foi uma quartafeira, prazo findava dia 17/12/2017 às 18:00 hs. Fls.515 Comprovante de SEDEX do envio dos documentos, conforme abaixo: Vejamos o trecho do voto da Delegacia de Julgamento sobre o assunto. Fl. 3736DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.704 35 O auto trata de despesas não comprovadas. Os documentos apresentados mostram o pagamento de valores e serviços, sem especificar o objeto dos serviços prestados. Posteriormente, junto com a impugnação, a recorrente apresentou declaração do ING informando do contrato trataria de pagamento em relação sucesso da operação de venda e notas fiscais dos contratos de serviço, todos contabilizados como despesas extraordinárias e vinculadas ao processo de venda. O auto foi lavrado após cinco anos do fato gerador. Não há menção de pagamentos. A DRJ trouxe os argumentos de que não foram apresentados os documentos, e que, mesmo apresentados, não seriam despesas necessárias, que a decadência seria pelo art. 173, pela vinculação com a simulação do negócio. O auto de infração é por glosa de despesas não comprovadas, mas incluiu o art. 299, que trata de despesas desnecessárias. Houve pagamento de IR por retenções na fonte e estimativas em alguns meses de 2002, mas não no mês de julho/2002. Em relação a este item a DRJ considerou que, em relação à decadência não se aplica a regra do art. 150, § 4º, do CTN, mas sim a do art, 173, § 1º, haja vista a inexistência de pagamento antecipado e, em consequência, não há que se falar em homologação do lançamento, cabendo a regra de decadência a ser aplicada com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Com relação aos demais argumentos apresentados pela recorrente temos que: a) A autuação somente foi realizada após as 18:00 horas do dia 17/12/2007, ou seja, após transcorrido o prazo final para apresentação da documentação requerida pela fiscalização. b) A recorrente apresentou, em sua impugnação, os documentos que haviam sido encaminhados pelos correios, após o final do prazo, e que comprovariam a prestação dos serviços. Ocorre que, primeiro os documentos não foram apresentados dentro do prazo devido. Segundo, a comprovação apresentada trata das despesas incorridas com consultoria e assessoria devidas no processo de alienação da CKBSA e escrituradas como despesas extraordinárias. Fl. 3737DF CARF MF 36 Ora, dos elementos trazidos acima, demonstrase, de início, que a autuação não contem vícios, vez que o lançamento foi realizado após o escoamento do prazo de apresentação da documentação. Assim, cabível o lançamento por falta de comprovação das despesas. Mais ainda, tratandose de empresa sediada no município de São Paulo não faz sentido que os documentos tenham sido encaminhados via correios, quando poderiam ter sido entregues em mãos. Mais ainda quando se percebe, conforme documento dos correios acostados pela empresa, que a documentação somente foi postada às 18:29 horas, ou seja, após o horário normal de expediente da repartição do dia final do prazo. Em relação à comprovação destas e a justificativa de que as mesmas se referem às despesas incorridas com consultorias e assessorias decorrentes do processo de alienação, forçoso se constatar, assim, como verificado pela Delegacia de Julgamento, que as despesas em questão não se enquadram nas hipóteses dos art. 299, do RIR/99, abaixo transcrito, posto que não se referem ao desenvolvimento das atividades regulares da empresa, haja vista que, tratandose de empresa produtora de bebidas não se encontra entre suas atividades principais a realização sistemática de operações de compra e venda de empresas. Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Assim, consoante todo o demonstrado entendo que o auto foi lavrado regularmente. A acusação à época da lavratura foi a correta, qual seja, a não comprovação das despesas. A apresentação posterior de documentação comprovando as despesas e demonstrando que as mesmas, mesmo comprovadas, não eram dedutíveis por não se enquadrarem nas hipóteses doa rt. 299, do RIR/99, não tem o condão de tornar improcedente a autuação, visto que, quando da lavratura do auto, referida documentação não se encontrava disponível e, sendo disponibilizada em sede de impugnação, não demonstrou possuir os requisitos que a tornavam dedutíveis e que poderiam fazer insubsistir a acusação. Por fim, quanto à decadência, repiso que não havendo antecipação do pagamento de estimativa de IRPJ relativa ao mês de julho/2002, há de se aplicar a norma do art. 173, § 1º, do CTN, fazendo com que o final do prazo de lançamento ocorresse apenas em 31/12/2007. Entretanto, após os debates ocorridos na sessão de julgamento, verificamos que a necessidade da realização da despesa não pode se resumir às atividades rotineiras da empresa. A necessidade deve ser auferida em relação aos atos que deveriam ser praticados e que estão relacionados àquela despesa. Fl. 3738DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.705 37 Neste caso as despesas realizadas se referem, no seu todo, a despesas com consultorias da operação de venda da sua participação na CKBSA. Assim, reconhecendo que, no presente caso, a necessidade das despesas decorre do fato de estas serem intrinsecas à realização dos atos de alienação da participação, passo a comungar do entendimento dos demais colegas desta câmara no sentido de que estas despesas devem ser caracterizadas como necessárias e, assim, podem sim ser utilizadas como dedução na apuração do lucro do exercício. À vista do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso neste ponto. DA MULTA QUALIFICADA SOBRE A OMISSÃO DE RECEITAS DO GANHO DE CAPITAL Com relação à aplicação de multa qualificada relativa à parte do lançamento de omissão de receitas relativas ao ganho de capital auferido na operação de alienação da participação da empresa na CKBSA este relator entende, de forma semelhante ao que foi apresentada no presente voto relativamente à preliminar de decadência, que ocorre sim a simulação de atos com vistas à redução da incidência tributária. Desta forma, resta caracterizada a hipótese das regras que permitem a qualificação da infração, na forma do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Por isso, entende este relator ser cabível a aplicação e manutenção da multa qualificada na hipótese deste item, MULTA ISOLADA Com relação ao auto de infração relativo a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta Câmara, existindo três diferentes vertentes de opinião: 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo ao período de apuração anual do imposto impede a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa em função de tratarse, em essência do mesmo tributo exigido no exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade. 2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada punem condutas distintas e assim, podem subsistir concomitantemente sem qualquer empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo. 3) A terceira posição interpretativa segue no sentido de que os fatos geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante o exercício e a outra pune a falta do pagamento no ajuste anual, a maior penalidade deve Fl. 3739DF CARF MF 38 prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação, somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício. Pessoalmente sou adepto da terceira corrente e da adoção do princípio da consunção. Por isso, transcrevo os valiosos fundamentos do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201000.235: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da nonna punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Fl. 3740DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.706 39 Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. No presente caso, percebese que a multa de ofício excede o valor da multa isolada pelo não recolhimento da estimativa. Desta forma entendo por dar provimento ao recurso voluntário em relação ao lançamento da multa isolada em razão desta ter sido integralmente abrangida pela multa de ofício. Fl. 3741DF CARF MF 40 DO REFLEXO DA CSLL Quanto a este item, levandose em consideração que a despesas objeto de glosa foi realizada na DRE do contribuinte, ou seja, influía diretamente na apuração do lucro líquido, quando a ocorrência da autuação o reflexo também ocorre no mesmo lucro líquido, razão pela qual obrigatoriamente há de se refletir na base de cálculo da CSLL, haja vista a norma do art. 1º, da lei nº 7.689/88, que informa que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. Assim, quanto a este ponto, o que foi lançado a título de IRPJ deve obrigatoriamente se refletir na CSLL, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário neste ponto. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Com relação à sujeição passiva solidária os argumentos trazidos pelos sujeitos passivos giraram todos no sentido de que os acionistas das sociedades não podem ser responsabilizados pelos atos praticados pelas mesmas, dado que a empresa, possuindo personalidade jurídica própria, deve assumir a responsabilidade sobre suas ações, não podendo esta ser repassada aos acionistas, posto que isto caracterizaria desconsideração da personalidade jurídica que é ato excepcional e não aplicáveis ao caso. Mesmo considerando robustos os argumentos trazidos à colação, sempre acompanhados de dizeres de conhecidos doutrinadores e atores do direito tributário, havemos de discordar do entendimento, com relação ao que se trata neste processo. Entendemos que, no presente caso há de se fazer uma distinção entre o que se denominam atos empresarias do que são os atos societários. Os primeiros, também conhecidos como atos comerciais, são aqueles atos realizados pela sociedade como agente do mercado. Envolve as atividades de aquisição e venda de mercadorias, prestação de serviços, realização dos atos não vinculados como pagamento de tributos, movimentação de contas bancárias, etc. Todos estes atos e os a ele assemelhados decorrem de atividades usuais da empresa e são praticados por conta e ordem de sua diretoria/presidência. Quanto a estes atos, entendemos que, efetivamente, não seria cabível a responsabilização solidária posto que não cabe aos acionistas interferir no dia a dia da empresa. A responsabilidade por sua atividade diária é sim da diretoria e repassála aos acionistas não nos parece adequado. Diferentes são os atos societários praticados, estes sim, pelos acionistas da empresa. Estes atos, diferentemente dos atos comerciais comuns, são atos que somente os sócios da empresa podem praticar mediante participação em assembléia. Tais atos, como incorporação, fusão cisão da sociedade, alienação da empresa, distribuição de lucros, aumento ou redução de capital, entre muitos outros, somente pode ser praticados pelos acionistas da empresa mediante deliberação em assembleia, na forma do art. 122, da Lei nº 6.404/76. No presente caso, todas as alterações societárias foram aprovadas em assembleia de acionistas, ou sejam todos estes analisaram a forma de alienação da sociedade, Fl. 3742DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.707 41 com todos os seus detalhes e não discordaram da mesma. Os atos foram aprovados por unanimidade. Assim, estes acionistas assumiram o ônus das implicações dos atos que aprovaram. Sendo estes atos considerados simulados e com o único objeto de reduzir a imposição tributária os acionistas que com eles anuíram, e atuaram com o evidente interesse comum que é exigido pela norma do art. 124, I, do CTN. Com relação aos responsáveis solidários Heineken Latin America Ltda e Heineken International B.V., estes alegaram que não participaram da formulação dos negócios, vez que eram partícipes diretamente interessados e, assim, foram alijados da negociação, somente comparecendo nas assembleias convocadas para decisão. Ocorre, no entanto, que conforme eles próprios indicaram em seus recursos, votaram favoravelmente nas decisões de subscrição pela Molson e posterior alienação da participação à MXS. Somente passaram a se abster após estes atos estarem decididos. Ora, para que pudéssemos excluir a responsabilidade estes atores, necessário seria que os mesmos tivessem comparecido às assembleias e nela votado contrariamente aos atos de subscrição com ágio e alienação à MXS. Isso não ocorreu. Assim, mesmo contando com participação societária reduzida, verificandose não terem demonstrado a sua contrariedade direta aos atos que foram considerados simulados neste voto, entendo que a sua responsabilização deve ser mantida na integralidade. Desta forma, com relação à sujeição solidária, verificandose a existência da simulação dos atos e o interesse dos acionistas ao terem anuído com os atos societários atacados, voto no sentido de negar provimento aos recursos e manter a sujeição passiva solidária de todos. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da autuação: O valor recebido em ações da Molson Inc no montante de R$ 350.730.300,00 que somente foi disponibilizado à empresa em março de 2004; Excluir a autuação da multa isolada tendo em vista que, com base no princípio da consunção, o valor da multa isolada foi integralmente absorvido pela multa de ofício; Excluir a glosa das despesas desnecessárias Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 3743DF CARF MF 42 Voto Vencedor Em que pese o brilhante voto do Nobre colega Relator, além das demais divergências em que fui vencido, também vou divergir no que se refere à qualificação da multa e responsabilização solidária dos sócios da contribuinte. Isto porque, apesar de atualmente este Conselho possam concluir pela existência de simulação nas operações realizadas pelo Contribuinte, o fato é que as mesmas foram realizadas no ano de 2002. Naquele momento, a jurisprudência deste conselho administrativo acatava, de forma quase pacífica, a legalidade de operações como as realizadas pelo contribuinte. Isto porque, como foi muito bem demonstrado pelo contribuinte em vasta pesquisa de jurisprudência do Conselho Administrativo, nos 10 anos que antecederam as operações realizadas, o entendimento pacífico da CSRF era no sentido de de dar validade aos panejamentos tributários que não ferissem diretamente texto de lei. A jurisprudência reiterava que para caracterização da simulação era indispensável que o ato não pudesse ser realizado por vedação legal, bem como que os objetivos visados com a prática não interfeririam na qualificação jurídica do ato. No caso concreto, verifico que o contribuinte agiu exatamente como era a orientação da jurisprudência administrativa que, na época, certamente enquadrariam as operações realizadas como legítimas. A própria operação de "casa e separa" era muito nova no contexto da análise do conselho administrativo, mas já tinha posição favorável à sua legalidade. Com a devida vênia ao posicionamento exarado pelo nobre colega relator, em atenção ao princípio da segurança jurídica, não é possível aplicar ao contribuinte hoje, conseqüências jurídicas que não haveriam no momento da realização dos atos e operações societárias que ensejaram o presente lançamento. Ainda mais, em se tratando de uma interpretação que leva em consideração o dolo qualificado punido por uma multa qualificada. É inegável que a segurança jurídica e suas garantias derivadas, como proibição de excesso, proporcionalidade, razoabilidade, acessibilidade e confiança legítima, configuramse como típicas garantias asseguradas aos contribuintes, as quais, ainda que não expressamente discriminadas, constituemse em modalidades de “limitações constitucionais ao poder de tributar” e, por conseguinte, acomodamse ao conjunto das regras de identidade do sistema constitucional, como expressões de cláusulas pétreas, protegidas pelo artigo 60, parágrafo 4º, “a”, da CF. O dolo qualificado ensejados da aplicação de uma penalidade qualificada demanda a prova, pelo Fisco, de que na época dos fatos, o contribuinte, consciente da ilegalidade, mesmo assim a pratica com a intenção de lesar o Fisco. Certamente, não foi o que aconteceu no caso concreto, face a todo o contexto histórico fartamente comprovado pelo contribuinte. Fl. 3744DF CARF MF Processo nº 19515.004164/200719 Acórdão n.º 1401002.070 S1C4T1 Fl. 3.708 43 Digase ainda que, até hoje, ainda há linha da doutrina e da jurisprudência que adota a interpretação que era aplicada pelo Conselho Administrativo no momento da ocorrência das operações. Ademais, mesmo o contemporâneo parágrafo único do art. 116 do CTN, usado como base para o presente lançamento, desde o seu nascimento foi questionado quanto à sua autoexecutoriedade. Outrossim, não há sentido em se atribuir responsabilidade solidária aos sócios e sucessores diante do fato de que a contribuinte jamais escondeu o fato de a venda das ações de KAISER BRASIL ser o seu objetivo e de que essa venda foi estruturada da forma que lhe pareceu conveniente, em termos fiscais, respeitada não só a legislação, mas também a jurisprudência que prevalecia na esfera administrativa. Assim, não entendo restarem aplicáveis os dispositivos legais atinentes à responsabilização solidária no presente caso. Até porque, se for mantida a interpretação sustentada no presente lançamento, fundada no inc. I do art. 124 do CTN, a simples participação societária acarretaria em sujeição passiva solidária, o que, a meu ver, é uma clara distorção da norma. Diante de tudo o quanto exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício e a sujeição passiva dos responsáveis solidários. É como voto. Daniel Ribeiro Silva Redator Designado Fl. 3745DF CARF MF
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Numero do processo: 15889.000246/2008-76
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004,2005
NULIDADE.
O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO
COMPROVADA.
Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Caracteriza-se como omissão no registro de receita a indicação na
escrituração de saldo credor de caixa, ressalvada à Recorrente a prova da improcedência da presunção
INEXATIDÕES MATERIAIS.
As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL.
Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.594
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas pela Recorrente e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, ressalvada à Recorrente a prova da improcedência da presunção INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 961 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas pela Recorrente e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Autos de Infração, fls. 07/51 I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 07/17, com a exigência do crédito tributário no valor de R$248.415,85, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido dos anoscalendário de 2003 e 2004. O lançamento se fundamenta nas infrações que se seguem, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 74/81: Item 1 – Omissão de receitas constatada em razão da apuração do saldo credor de caixa pela não comprovação do suprimento de numerário, ou seja, da efetiva entrega e da origem dos recursos dos sócios Ricardo Franceschi, CPF 130.596.26804 e Eduardo Odilon Franceschi, CPF 983.132.40806, nos valores de R$197.454,84, R$711,08 e R$2.181,15 referentes a janeiro, março e abril de 2003; Item 2 – Omissão de receitas nos valores totais de R$1.262.338,68 e R$1.798.703,39 respectivamente para os anos calendário de 2003 e 2004 decorrente de: depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos quais os titulares, sócios Ricardo Franceschi, CPF 130.596.26804 e Eduardo Odilon Franceschi, CPF 983.132.40806, regularmente intimados, não comprovaram a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores na conta corrente nº 83147098 da agência nº 00010 do Banco Santander S/A com movimentação exclusiva da Recorrente e contabilizada no Livro Razão até abril de 2003, fls. 189/213; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 962 3 depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprova a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores na conta corrente nº 10399 da agência nº 0315 da Caixa Econômica Federal (CEF), na conta corrente nº 488232 da agência nº 00604 do Banco Bradesco S/A e na conta corrente nº 98337335 da agência nº 00010 do Banco Santander S/A, fls. 99/391. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 25 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 29/40 com a exigência do crédito tributário no valor de R$49.854,69 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 41/51 com a exigência do crédito tributário no valor de R$230.100,56 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 18/22 a exigência do crédito tributário no valor de R$171.602,31 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Autos de Infração, fls. 52/73 I Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 52/57, com a exigência do crédito tributário no valor de R$7.248,69, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido do segundo trimestre do ano calendário de 2003. O lançamento se fundamenta nas infrações que se seguem, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 74/81: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 963 4 Item 1 – Omissão de receitas de comissões e fretes apurada em face da diferença entre os valores registrados na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 608/642, e aqueles constantes nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 643/647, em conformidade com os demonstrativos às fls. 571/599; Item 2 – Insuficiência de valores declarados constada a partir do cotejo entre os dados constantes nos registros contábeis, na DIPJ e na DCTF. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ 4º e 5º do art. 516, art. 528 e inciso III do art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II O Auto de Infração às fls. 58/62 com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.917,50 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 63/67 com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.850,43 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 68/73 a exigência do crédito tributário no valor de R$2.779,22 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Fase Litigiosa Cientificada em 30/05/2008, fls. 07, 18, 29, 41, 52, 58, 63 e 68, a Recorrente apresentou a impugnação em 01/07/2008, fls. 775/788, com as alegações abaixo sintetizadas. Argúi que os lançamentos são nulos, já que não foram considerados vários documentos apresentados. Alega que indícios e presunções não podem ser considerados evidências da realidade e que no presente caso cabe à Administração Pública o ônus da prova e não poderia deixar de examinar minuciosamente todo o acervo probatório apresentado. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 964 5 Em relação ao aspecto material da hipótese de incidência, afirma que a grande maioria dos valores apurados de ofício se referem a transferências entre contas da mesma titularidade entre instituições financeiras diferentes. Procura demonstrar que No caso em questão houve erro na identificação do elemento material, ou seja, o auditor fiscal não observou que vários dos valores encontrados nas contas correntes da empresa eram provenientes de transferências entre contas de mesma titularidade, ou sela, contas da própria empresa e, por conseguinte, não se tratava de nova receita, não podendo haver tributação em ambas as operações. Elabora planilha identificando os valores que foram transferidos da conta corrente nº 98337335 da agência nº 00010 do Banco Santander S/A para a conta corrente nº 488232 da agência nº 00604 do Banco Bradesco S/A mediante emissão de Transferência Eletrônica Disponível (TED): Data Valor – R$ 12/03/2004 50.000,00 11/06/2004 18.690,00 14/06/2004 55.800,00 25/06/2004 600,00 04/08/2004 27.250,00 05/08/2004 57.250,00 11/08/2004 46.200,00 04/08/2004 22.800,00 30/08/2004 50.000,00 31/08/2004 80.000,00 24/09/2004 43.314,86 27/09/2004 51.340,00 29/09/2004 50.100,00 04/10/2004 53.000,00 20/01/2004 46.932,24 22/10/2004 1.000,00 26/10/2004 54.950,00 09/11/2004 81.000,00 11/11/2004 61.178,00 06/12/2004 27.900,00 06/12/2004 46.900,00 Total 926.205,10 Informa que há erros na base de cálculo apurada de ofício. Expressa que Como ressaltado anteriormente, tratase de valores que a empresa transferiu de uma conta corrente para outra, mediante TED ou depósito em cheque da própria empresa. O fisco considerou o montante total como se fosse renda, o que redunda em considerar em duplicidade o mesmo valor de receita. Erro inaceitável. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 965 6 [...] Não sendo, novos valores, mas os mesmos anteriormente considerados para a tributação, não há ocorrência de novo fato gerador, tratase do mesmo. Conseqüentemente, não poderia haver tributação sobre o total dos valores. Houve erro inafastável do auditor fiscal na apuração do elemento material da norma tributária. No entanto, da forma como elaborado o auto e efetuados os cálculos para apuração da base de cálculo, estaria havendo tributação em duplicidade. [...] A Receita Federal estaria exigindo imposto já cobrado em outra operação, sobre o mesmo valor, da mesma pessoa jurídica. Resultado: houve erro na obtenção da base de cálculo para incidência do tributo. Pertinente ao excesso de exação, estabelece que Ora, se houve consideração de valores que, na verdade, não configuram renda da autuada, se houve inclusão de valores que seriam renda de terceiros e que já teriam sofrido incidência de tributos, ou seja, se houve apuração da base de cálculo, redundando em aumento significativo desta, claro está que o fisco está cobrando mais do que efetivamente o contribuinte deveria recolher. Evidente o excesso de exação. Discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic.e da aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Assim, pelos fundamentos de fato e de direito constantes do presente recurso, REQUER : A Provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, inclusive através da oitiva de testemunhas, e outros desde que moralmente legítimos, requerendo, desde já, a juntada dos documentos inclusos. B Cancelamento do Auto de infração. C Suspensão da exigibilidade do crédito tributário em referência até decisão final. Pelo exposto, aguarda o recorrente sejam acolhidos os fundamentos e os pedidos supra declinados, acolhendo "in totum" as alegações e razões elaboradas, sendo reconsiderada a cobrança e a exigibilidade em pauta. Termos em que, P.Deferimento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 966 7 Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1426.191, de 25/09/2009, fls. 908/921: “Impugnação Procedente em Parte”, oportunidade em que foi reconhecida a decadência dos primeiro trimestre do anocalendário de 2003 do IRPJ e da CSLL e de janeiro a abril do anocalendário de 2003 do Pis e da Cofins. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITA. RESULTADO. ARBITRAMENTO. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. Caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária, bem assim do trânsito por conta de resultado, cujas importâncias dão ensejo ao arbitramento do lucro se existirem vícios ou deficiências nos registros contábeis que tornem a escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira e bancária. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de renda (fato jurídico tributário). Cabe ao Fisco apenas provar a ocorrência do fato indiciário; ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido inexistiu na situação concreta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. MARCO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A sistemática de lançamento denominada por homologação exige o pagamento antecipado do tributo, de modo a incidir o beneficio (para o contribuinte) da antecipação do início da contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, assim previsto no § 4° do artigo 150 do Código Tributário _Nacional, bem assim a inocorrência das hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Presentes ditas premissas, reconhecese o fenômeno decadencial. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 967 8 Nacional (art. 161, § 1 0) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Notificada em 07/12/2009, fl. 926, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06/01/2010, fls. 937/949, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui Assim sendo, REITERASE "in totum os termos da defesa, pelos fundamentos de fato e de direito constantes da mesma e REQUERSE, seja REFORMADA a DECISÃO DRJ/RPO N° 1426.181 em 25/09/2009, para que seja ANULADO totalmente o Auto de Infração — MPF n. 08.1.03.002008007881. Termos em que, P. Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A parcela litigiosa devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento, referese ao segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2003 e primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2004 do IRPJ e da CSLL, bem como de maio a dezembro do anocalendário de 2003 e de janeiro a dezembro do anocalendário de 2004 do Pis e da Cofins. Pertinente à suspensão da exigibilidade dos presentes débitos, cabe transcrever a matéria regulada no Código Tributário Nacional (CTN): Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Verificase que como a Recorrente apresentou o recurso voluntário observando os requisitos legais, o crédito tributário constituído pelo lançamento está com a exigibilidade suspensa, nos termos das leis reguladoras do processos administrativo fiscal. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 968 9 A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que houve excesso de exação. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). Ademais, a Recorrente que fez opção pela tributação com base no lucro presumido devendo determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração (art. 519 e seguintes do RIR, de 1999). A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, fls. 01/04 e 83/84, do Termo de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal, fl. 82, e finalizou em 30/05/2008 com a ciência válida dos Autos de Infração, fls. 07, 18, 29, 41, 52, 58, 63 e 68. Nestes termos, mostrase infundada a alegação da Recorrente de a autoridade fiscal não havia apreciado a documentação apresentada. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. A Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, embora tenha sido previamente notificada para Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 969 10 solucionar as pendências tributárias. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas e os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Assim, a solicitação deve ser indeferida. A Recorrente discorda do procedimento fiscal formalizado nos Autos de Infração, fls. 07/51. No que se refere omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, a Lei nº 9.430, de 1997, prevê: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, positiva que, por presunção relativa, constitui omissão de receita os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada. É regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da escrituração contábil da Recorrente, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre estes valores. Constatada a disparidade não justificada a origem dos depósitos bancários pela Recorrente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 970 11 Ainda em relação à matéria, vale transcrever o enunciado de súmula do CARF n° 26, a qual é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF) que prevê: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Relativamente ao anocalendário de 2003, na conta corrente nº 83147098 da agência nº 00010 do Banco Santander S/A, de titularidade dos sócios Ricardo Franceschi, CPF 130.596.26804 e Eduardo Odilon Franceschi, CPF 983.132.40806, cujos valores são contabilizados pela Recorrente até abril de 2003, fls. 189/213, na conta corrente nº 10399 da agência nº 0315 da Caixa Econômica Federal (CEF), na conta corrente nº 488232 da agência nº 00604 do Banco Bradesco S/A e na conta corrente nº 98337335 da agência nº 00010 do Banco Santander S/A, fls. 99/391, os recebimentos dos postos de combustíveis somam do valor de R$12.946.579,68. Confrontando este valor com o montante de R$14.208.918,36 de depósitos não conciliados, fls. 655/680, recebidos das distribuidoras (Fórmula Brasil Petróleo Ltda, Gianpetro Distribuidora de Petróleo Ltda, Oil Petro Brasileira Ltda, Serta Distribuidora de Petróleo Ltda e LM Petróleo Ltda), remanesce o saldo anual de R$1.262.338,68 considerado como omissão de receita: Tabela 1 AnoCalendário 2003 Total da Receita Omitida – R$ Receita Omitida de Comissão – R$ Receita Omitida de Frete – R$ Janeiro 146.450,18 52.813,98 93.636,20 Fevereiro 101.897,94 37.312,62 64.585,32 Março 123.067,28 74.530,87 48.536,41 Abril 137.949,27 44.755,89 93.193,38 Maio 116.225,17 36.926,06 79.299,11 Junho 86.632,88 27.165,64 59.467,24 Julho 86.878,21 22.191,61 64.686,60 Agosto 76.146,91 21.017,54 55.129,37 Setembro 95.938,14 27.765,51 68.172,63 Outubro 91.712,00 21.621,07 70.090,93 Novembro 94.310,72 24.408,89 69.901,83 Dezembro 105.129,98 57.604,00 47.525,98 Total 1.262.338,68 448.113,68 814.225,00 Relativamente ao anocalendário de 2004, na conta corrente nº 10399 da agência nº 0315 da Caixa Econômica Federal (CEF), na conta corrente nº 488232 da agência nº 00604 do Banco Bradesco S/A e na conta corrente nº 98337335 da agência nº 00010 do Banco Santander S/A, fls. 99/391, os recebimentos dos postos de combustíveis somam do valor de R$12.273.013,86. Confrontando este valor com o montante de R$14.071.717,26 de depósitos não conciliados, fls. 727/749, recebidos das distribuidoras (Fórmula Brasil Petróleo Fl. 11DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 971 12 Ltda, Gianpetro Distribuidora de Petróleo Ltda, Oil Petro Brasileira Ltda, Serta Distribuidora de Petróleo Ltda e LM Petróleo Ltda), remanesce o saldo anual de R$1.798.703,39 considerado como omissão de receita: Tabela 2 AnoCalendário 2004 Total da Receita Omitida – R$ Receita Omitida de Comissão – R$ Receita Omitida de Frete – R$ Janeiro 148.555,79 99.568,77 48.987,02 Fevereiro 135.150,17 98.861,09 36.289,08 Março 116.736,27 52.680,90 64.055,37 Abril 64.609,18 30.067,26 34.541,92 Maio 88.754,48 36.761,07 51.993,41 Junho 109.952,24 55.355,05 54.597,19 Julho 167.498,62 67.007,69 100.490,93 Agosto 199.472,22 90.889,60 108.582,62 Setembro 212.854,11 96.822,46 116.031,65 Outubro 190.609,47 93.464,10 97.145,36 Novembro 197.578,47 108.365,91 89.212,57 Dezembro 166.932,37 58.646,05 108.286,32 Total 1.798.703,39 888.489,95 910.213,44 A Recorrente elabora planilha identificando os valores que foram transferidos da conta corrente nº 98337335 da agência nº 00010 do Banco Santander S/A para a conta corrente nº 488232 da agência nº 00604 do Banco Bradesco S/A mediante emissão de Transferência Eletrônica Disponível (TED). Analisando os referidos valores do anocalendário de 2004 e do cotejo entre os valores constantes na Planilha de Créditos Não Comprovados elaborada de ofício, fls. 727/249 e nas cópias dos extratos da conta corrente nº 98337335 da agência nº 00010 do Banco Santander S/A, fls. 300/391 e da conta corrente nº 488232 da agência nº 00604 do Banco Bradesco S/A, fls. 270/299, temse que: Tabela 3 Data Valor R$ Planilha de Créditos Bancários Não Comprovados Fl. 727 Banco Santander S/A Banco Bradesco S/A Lançamento Fl. Lançamento Fl. 12/03/2004 50.000,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM TED nº 140052 320 TED nº 1116486 278 11/06/2004 18.690,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM DEB DIVERSOS nº 10033 342 TED nº 2861608 285 14/06/2004 55.800,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM DEB DIVERSOS nº 10036 342 TED nº 2891997 285 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 972 13 25/06/2004 600,00 DEP.EM DINHEIRO CH COMPENSADO nº 1512 343 Depósito Cheque nº 0102105 286 04/08/2004 27.250,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM TED nº 210054 355 TED nº 6532654 289 04/08/2004 22.800,00 DEP EM CHEQUE? CHEQUE CAIXA nº 1653 354 TED nº 6532654 289 05/08/2004 57.250,00 DEP EM CHEQUE? CHEQUE CAIXA nº 1662 355 TED nº 6559224 289 11/08/2004 46.200,00 DEP EM CHEQUE? CHEQUE CAIXA nº 1674 355 TED nº 6683641 289 30/08/2004 50.000,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM CHEQUE PAGAMENTO nº 1713 359 TED nº 7061497 290 31/08/2004 80.000,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM TED nº 7093781 290 24/09/2004 43.314,86 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM TED nº 140008 364 TED nº 7626184 291 27/09/2004 51.340,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM CHEQUE CAIXA nº 1786 364 TED nº 7654189 291 29/09/2004 50.100,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM CHEQUE CAIXA nº 1794 364 TED nº 7725297 291 04/10/2004 53.000,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM TED nº 7833034 293 20/10/2004 46.932,24 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM TED nº 8198940 292 22/10/2004 1.000,00 DEPOS CC AUTOAT CH COMPENSADO nº 1857 372 Depósito nº 9602910 292 26/10/2004 54.950,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM CHEQUE PAGTO nº 1863 372 TED nº 8345257 292 09/11/2004 81.000,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM CHEQUE PAGTO nº 1905 378 TED nº 8682782 295 11/11/2004 61.178,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM CHEQUE PAGTO nº 1912 378 TED nº 8743975 295 06/12/2004 27.900,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM CHEQUE PAGTO nº 1989 385 TED nº 9323331 297 06/12/2004 46.900,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM CHEQUE PAGTO nº 1953 385 TED nº 9323151 297 Analisando o conjunto probatório, inferese que os seguintes valores foram comprovados como transferências entre contas correntes do mesmo titular coincidentes em históricos dos lançamentos, datas e valores: Tabela 4 Data Valor R$ Planilha de Créditos Bancários Não Comprovados Fl. 727 Banco Santander S/A Banco Bradesco S/A Lançamento Fl. Lançamento Fl. 12/03/2004 50.000,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM TED nº 140052 320 TED nº 1116486 278 04/08/2004 27.250,00 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM TED nº 210054 355 TED nº 6532654 289 24/09/2004 43.314,86 TEDTRAN. ELET. DISPONIVEL REMET R&E COM TED nº 140008 364 TED nº 7626184 291 Assim, devem prevalecer os seguintes valores para o anocalendário de 2004: Tabela 5 AnoCalendário 2004 Total da Receita Omitida – R$ Receita Omitida de Comissão – R$ Receita Omitida de Frete – R$ Fl. 13DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 973 14 Janeiro 148.555,79 99.568,77 48.987,02 Fevereiro 135.150,17 98.861,09 36.289,08 Março 116.736,27 52.680,90 64.055,37 Abril 64.609,18 30.067,26 34.541,92 Maio 88.754,48 36.761,07 51.993,41 Junho 109.952,24 55.355,05 54.597,19 Julho 167.498,62 67.007,69 100.490,93 Agosto 122.222,22 55.690,61 66.531,61 Setembro 169.539,25 77.119,52 95.419,73 Outubro 190.609,47 93.464,10 97.145,36 Novembro 197.578,47 108.365,91 89.212,57 Dezembro 166.932,37 58.646,05 108.286,32 Total 1.678.138,53 833.588,02 847.550,51 Em relação à omissão de receita decorrente de saldo credor de caixa, o RIR, de 1999, determina: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, ressalvada à Recorrente a prova da improcedência da presunção, que é o efeito que a lei deduz de fato conhecido ou indício, para estabelecer por inferência a existência de outro. O intuito da norma é coibir a existência de recursos que transitam à margem da escrituração contábil da Recorrente e o suprimento da conta Caixa para satisfazer os dispêndios desta. Destarte, sem a comprovação efetiva de que este suposto empréstimo adveio de origem totalmente externa à Recorrente, quando se trata de pessoas ligadas por meio de comprovantes bancários da transferência de valores e não se logrando comprovar que a origem dos recursos é diverso daquele escriturado, não se ilide a tributação erguida com fulcro neste remissivo legal (art. 282 do RIR, de 1999). É correto procedimento de verificação de saldo credor mediante a recomposição da conta Caixa. Se a Recorrente não afasta a apuração de saldo credor de caixa, não obstante as oportunidades deferidas, subsiste Fl. 14DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 974 15 incólume a presunção de receitas omitidas. Para que se possa comprovar o saldo credor de caixa, caracterizador da omissão de receita há que se efetuar a recomposição do mesmo, excluindo os valores que não representem efetivo ingresso ou saída de numerário. Vale transcrever excertos da jurisprudência administrativa sobre a questão 1: Autoridade Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Título Acórdão nº 120100127 do Processo 10580008975200226 Data 19/06/2009 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. Somente infirmam a presunção de omissão de receitas do suprimento de caixa efetuado por sócios as provas concomitantes da origem dos recursos utilizados e da efetividade de sua entrega à pessoa jurídica. A ausência tãosomente de apenas uma delas já é o bastante suficiente para autorizar a presunção legal de omissão de receias. Não elide tãosomente essa omissão de receitas se o supridor comprovar apenas a efetiva entrega do dinheiro e não comprovar a origem externa à empresa destes mesmos valores.OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor de caixa na escrituração autoriza a presunção de omissão no registro de receitas se o sujeito passivo não apresenta provas para elidir a respectiva imputação. [...] Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10809836 do Processo 13971000359200645 Data 05/02/2009 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.SALDO CREDOR DE CAIXA. SUPRIMENTOS DE CAIXA INEXISTENTES. OMISSÃO DE RECEITAS. A apuração de saldo credor de caixa, em razão do expurgo do registro de suprimentos não comprovados, autoriza a presunção de omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. A Recorrente foi intimada a comprovar o efetivo ingresso de valores contabilizados a débito da conta caixa e comprovar a efetiva destinação dada aos mesmos, uma vez que restou comprovada a ausência de pagamentos correspondentes registrados a crédito da conta caixa e os históricos bancários dos respectivos débitos presumirem outra destinação, fl. 557. Concomitantemente, os sócios Ricardo Franceschi, CPF 130.596.26804 e Eduardo Odilon Franceschi, CPF 983.132.40806, foram intimados a comprovar a origem e efetiva entrega dos valores mencionados e contabilizados pela Recorrente, fls. 565/569. 1 Fonte: http://www.lexml.gov.br/busca/search?keyword=saldo+credor+de+caixa+2009; acesso em 02/05/2011 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 975 16 Os valores constantes na conta caixa se encontram discriminados na planilha às fls. 602/607. A Recorrente diz que há valores que foram sacados e que efetivamente deveriam constar como ingressos na conta caixa. Diferentemente de sua alegação, houve exclusão de todos os lançamentos a débito e a crédito, cujos históricos demonstram que não representam efetivo ingresso ou saída de valores, conforme os demonstrativos à fl. 649, remanescendo o saldo no período de R$200.407,07considerado como omissão de receita: Tabela 6 AnoCalendário 2003 Total da Receita Omitida – R$ Receita Omitida de Comissão – R$ Receita Omitida de Frete – R$ Janeiro 197.454,84 71.207,67 126.247,17 Março 771,08 466,97 304,11 Abril 2.181,15 707,65 1.473,50 Total 200.407,07 72.382,29 128.024,78 Todos os valores constantes nas Tabelas 1 a 6 foram considerados como omissão de receita da Recorrente em decorrência desta presunção legal que inverte o ônus da prova, ou seja, a autoridade fiscal fica desobrigada de comprovar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabendo à Recorrente desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida, o que não ocorreu nos autos. As referidas presunções legais são resultado de normas com os atributos de serem abstratas, gerais, imperativas e impessoais. As provas do ilícito tributário constante nos autos foram exaustivamente analisadas pelas autoridades fiscais. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem qualquer incorreção nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 07/81. As meras alegações da Recorrente desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que os lançamentos de ofício não contêm incorreções. Logo, os procedimentos fiscais devem ser alterados conforme os valores constantes na Tabela 5. Observese que permanece inalterada a parcela litigiosa devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento, referente ao segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2003 e primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2004 do IRPJ e da CSLL, bem como de maio a dezembro do anocalendário de 2003 e de janeiro a dezembro do anocalendário de 2004 do Pis e da Cofins. A Recorrente discorda do procedimento fiscal formalizado nos Autos de Infração, fls. 52/73. O RIR, de 1999, prevê: Art.528.Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração Fl. 16DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 976 17 correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único.No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, §1º). A Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, que vigorava à época, determinava: Art. 1º Estabelecer as normas disciplinadoras da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). [...] Art. 8º A DCTF conterá informações relativas aos seguintes impostos e contribuições federais: [...] § 1º Os valores relativos a impostos e contribuições exigidos em lançamento de ofício não deverão ser informados na DCTF. [...] Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. Vale transcrever excertos da jurisprudência administrativa sobre a questão2: Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10709554 do Processo 10380001753200581 Data 13/11/2008 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2002 DIFERENÇAS ENTRE O IMPOSTO DEVIDO E O CONFESSADO EM DCTF Desde o ano calendário de 1998, a confissão de débitos relativos ao IRPJ é feita na DCTF e não mais na DIPJ. Havendo diferenças entre os valores confessados e os devidos com base na receita bruta cabe lançamento de ofício. [...] Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10708942 do Processo 13971000336200550 Data 28/03/2007 Ementa [...] IRPJ DIFERENÇAS DE RECEITAS APURADAS DIVERGÊNCIAS ENTRE AS DECLARAÇÕES DO CONTRIBUINTE E SUA ESCRITA LANÇAMENTO PROCEDÊNCIA Apurado pelo fisco, do confronto da escrita do contribuinte com as declarações prestadas à administração, diferenças nas receitas apuradas, é cabível a constituição do crédito tributário de IRPJ. 2 Fonte: http://www.lexml.gov.br/busca/search?keyword=lan%C3%A7amento+diferen%C3%A7a+dctf+dipj&f1 tipoDocumento=; acesso em 02/05/2011. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 977 18 [...] Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10514619 do Processo 10325001434200379 Data 11/08/2004 Ementa IRPJ E CSLL DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES PAGOS E DECLARADOS EM DCTF E DIPJ E AQUELES LANÇADOS NA ESCRITA FISCAL Devido o lançamento do imposto e da contribuição relativos às diferenças a maior havidas entre os valores lançados na escrita fiscal e aqueles pagos e declarados em DCTF e DIPJ. A omissão de receita formalizada nos Autos de Infração, fls. 52/73, ficou assim evidenciada em face da diferença entre os valores registrados na DIPJ, fls. 608/642, e nas DCTF, fls. 643/647 e aqueles constantes nas planilhas, fls. 643/647: Tabela 7 AnoCalendário 2003 Total da Receita Omitida – R$ Receita Declarada DIPJ – R$ Receita Contabilizada – R$ Abril 49.691,42 38.224,58 87.916,00 Julho 1.000,00 33.589,19 34.589,19 Total 50.691,42 71.813,74 122.505,19 Diferentemente do entendimento da Recorrente de que houve duplicidade de lançamento, os valores constantes nos Autos de Infração, fls. 07/51, referemse a omissão de receitas constatada em razão da apuração do saldo credor de caixa pela não comprovação do suprimento de numerário e pela omissão de receitas nos valores decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada e as quantias objeto dos Autos de Infração, fls. 52/73, são relativas a omissão de receitas apurada a partir da comparação dos dados constantes nos registros contábeis, na DIPJ e na DCTF. Diante disto, não lhe cabe razão. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 18DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 978 19 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) deve prevalecer a multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo lançado do ofício em decorrência de infração à legislação tributária. Assim, não cabem reparos ao lançamento. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic. Pelo fato desse argumento, o Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A Lei nº 9.430, de 1996, prevê: Art.5º [...] §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Aplicando a legislação de regência ao presente caso, verificase que como a Recorrente não procedeu ao pagamento do crédito tributário até a data do vencimento, deve fazêlo acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 979 20 Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STJ e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09/09/20093: RECURSO ESPECIAL Nº 1.111.175 SP (2009/00188256) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA RECORRENTE : SOFT SPUMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADVOGADO: WALDEMAR CURY MALULY JUNIOR E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 3 Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=5338305&sReg=200900188256 &sData=20090701&sTipo=5&formato=PDF; acesso em 16/04/2011. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 980 21 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Ainda em relação à matéria, vale transcrever os enunciados de súmulas do CARF n°s 4 e 5, as quais são de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) que prevêem: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Cabe ressaltar o crédito tributário da União constituído não pago até a data do vencimento é acrescido de juros de mora equivalentes à Selic para títulos federais. Por conseguinte, os lançamentos estão corretos. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente ao PIS, à Cofins e à CSLL, tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Em face do exposto voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo dos tributos os valores constantes na Tabela 4 relativamente à infração de depósitos bancários de origem não comprovada formalizada nos Autos de Infração, fls. 07/51. (documento assinado digitalmente) Fl. 21DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000246/200876 Acórdão n.º 180100.594 S1TE01 Fl. 981 22 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 22DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10825.002864/2005-39
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO. A cada período de apuração deve ser reconhecida a parcela mínima de realização do lucro inflacionário acumulado, na forma legalmente prevista LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO REALIZAÇÃO. DECADÊNCIA. Devem ser consideradas realizadas as parcelas do lucro inflacionário acumulado de períodos já atingidos pela decadência do direito de lançar LUCRO INFLACIONÁRIO. TRIBUTAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. Correta a autuação que exigiu o lucro inflacionário não oferecido à tributação pelo sujeito passivo e que considerou os prejuízos fiscais apurados no período e aqueles relativos a anos-calendário anteriores QUESTIONAMENTO DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTAS DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.687
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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REALIZAÇÃO. A cada período de apuração deve ser reconhecida a parcela mínima de realização do lucro inflacionário acumulado, na forma legalmente prevista LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO REALIZAÇÃO. DECADÊNCIA. Devem ser consideradas realizadas as parcelas do lucro inflacionário acumulado de períodos já atingidos pela decadência do direito de lançar LUCRO INFLACIONÁRIO. TRIBUTAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. Correta a autuação que exigiu o lucro inflacionário não oferecido à tributação pelo sujeito passivo e que considerou os prejuízos fiscais apurados no período e aqueles relativos a anoscalendário anteriores QUESTIONAMENTO DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTAS DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. Recurso Voluntário Negado. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes Fl. 147DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10825.002864/200539 Acórdão n.º 1801000.687 S1TE01 Fl. 140 3 Relatório Em procedimento de revisão da Declaração de Imposto de Renda da recorrente, anos calendários de 2000 e 2001, foram verificadas ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, do lucro inflacionário realizado sem observância do percentual mínimo obrigatório, infringindo o Regulamento do Imposto de Renda , o que ensejou a lavratura de Auto de Infração exigindo IRPJ no valor de R$ 1.232,17, juros de mora no valor de R$ 809,90 e multa de ofício no valor de R$ 924,12, totalizando o crédito tributário em R$ 2.966,19. Cientificada da autuação, a contribuinte impugnou o lançamento, com as seguintes alegações: a) o Fisco, ao apurar os valores lançados, deixou de considerar os prejuízos anteriores que, se apurados, eliminariam a diferença apresentada no levantamento fiscal; b) se eventualmente for mantido o lançamento, solicita que o crédito tributário seja considerado no montante de débitos existentes e parcelado no Paes. Com o Acórdão 1418.702 de 27 de fevereiro de 2008, da 3ª Turma da DRJ/RPO, a DRJ em Ribeirão PretoSP rejeitou a alegação.de que não foram considerados os prejuízos anteriores, pois no anocalendário de 2000, a contribuinte tinha apurado prejuízo fiscal de R$ 913.405,18 (fls. 20), o qual sofreu redução, depois da inclusão do lucro inflacionário realizado. No anocalendário de 200l, do valor tributável apurado diminuise o valor de R$ 2.143,69 a título de prejuízo fiscal apurado no próprio e R$ 3.520,50 a título de prejuízos anteriores. Não obstante o acima exposto, constatase, no demonstrativo do sistema de controle de lucro inflacionário da SRF — Sapli, anexado as fls. 112 a 115, que foram feitas, por revisão interna e/ou baixa por decadência, realizações do lucro inflacionário acumulado nos anoscalendário anteriores a 1995, o que alterou o saldo daquele lucro, em 31/12/1995, para R$113.426,43. Aplicandose ao citado saldo, o percentual mínimo de realização de 10% fixado pela legislação, obtémse o valor de R$ 11.342,64, a ser tributado nos anoscalendário 2000 e 2001 Em conseqüência desse procedimento, o imposto devido passou a ser de R$ 965,89. Por não ser competência da DRJ, o pedido para inclusão do débito no PAES não foi atendido. .Intimada em 05/05/2008, do Acórdão 1418.702 – 3ª Turma da DRJ/RPO a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 04/06/2008, alegando, preliminarmente, que o Fl. 148DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Auto de Infração deve ser julgado improcedente, por ferir princípios básicos de direito constitucional e tributário, a saber: a) princípio da capacidade econômico/contributiva; b) princípio da vedação ao confisco; e c) princípio da preclusão do direito Se assim não entender este Conselho, pede alternativamente para: d) reduzir os percentuais dede juros calculados com base na variação de índices econômicos para o juro constitucional de mora a razão de 1% ao mês; e e) que seja a multa, a que título for, calculada na razão máxima de 20% ao mês, cancelandose a multa de ofício de 75%. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10825.002864/200539 Acórdão n.º 1801000.687 S1TE01 Fl. 141 5 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente e dele conheço. O valor do crédito tributário constante do Auto de Infração foi retificado e reduzido em procedimento da DRJ No tocante a inconstitucionalidade de leis este Conselho não é competente para se pronunciar, nos termos da Súmula CARF nº2:: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Relativamente aos débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidem, desde 1º de abril de 1995, juros moratórios à taxa SELIC, no período de inadimplência, de acordo com a Súmula CARF nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à multa de ofício de 75%, sua cobrança baseiase no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96. De acordo com a Súmula CARF nº 51, não se aplicam as multas previstas no Código de Defesa do Consumidor às relações de natureza tributária Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. Diante do exposto voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 150DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Fl. 151DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13864.720200/2011-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO - INCIDÊNCIA.
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Entretanto, quando é pago habitualmente e em pecúnia, via cartões ou tickets, há incidência.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO - INCIDÊNCIA. O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Entretanto, quando é pago habitualmente e em pecúnia, via cartões ou tickets, há incidência. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Entretanto, quando é pago habitualmente e em pecúnia, via cartões ou tickets, há incidência. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 02 00 /2 01 1- 25 Fl. 331DF CARF MF 2 maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 14/03/2013, a 3ª Turma da 4ª Câmara da 2.ª Seção do CARF julgou Recurso Voluntário, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2403 001.968 (fls. 214/226), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO..ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PAGAMENTO POR DEPÓSITOS EM CARTÕES MAGNÉTICOS.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA O Ato Declaratório nº 03/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN, reconheceu devida a aplicação da jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre pagamentos do auxílioalimentação in natura benefício concedido pelos empregadores, sem inscrição no PAT, a seus empregados. O Ato Declaratório nº 03/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, não fez previsão de pagamento via depósitos de valores em cartões magnéticos. Tal expediente, por permitir a conversão em pecúnia, é de sofrer incidência de contribuição previdenciária. MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. DISTINÇÃO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13864.720200/201125 Acórdão n.º 9202005.559 CSRFT2 Fl. 332 3 A multa de mora prevista na legislação anterior deve ser limitada a 20%, pela aplicação retroativa do atual artigo 35 da Lei nº 8.212/1991. Já a multa de ofício correspondente a 75%, criada pelos períodos anteriores à sua criação. Recurso Voluntário Provido em Parte" O registro da decisão deuse com a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação incidente sobre a cesta básica. b) Por maioria de votos em negar provimento ao recurso para manter a tributação incidente sobre a alimentação fornecida por meio de cartão magnético. Vencidas as conselheiras Carolina Wanderley Landim (relatora) e Maria Anselma Croscrato dos Santos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. c) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício aplicada até a competência de novembro de 2008 e recálculo da multa de mora, quanto às competências de janeiro a março de 2008, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.11.941/2009 (art. 61, da Lei n. 9.430/96) prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e Carlos Alberto Mees Stringari." Contra essa decisão a PFN interpôs recurso especial de fls. 228/244, cujo seguimento foi admitido, conforme despacho de fls. 282/285. O Município ofertou contrarrazões de fls. 300/304. Cientificado do acórdão em 21/10/2014 (AR de fl. 290), o sujeito passivo apresentou em 05/11/2014, portanto, tempestivamente, o recurso especial de fls. 292/299, admitido quanto à incidência de alimentação aos trabalhadores, que, segundo a recorrente, teria se dado mediante a entrega de valerefeição. Na origem, tratase de lançamento fiscal constante do Auto de Infração, cadastrado sob o DEBCAD 37.356.4325 (contribuição previdenciária incidente sobre valores pagos a título de despesas com alimentação), julgado procedente pela DRJ e, que teve alterações tãosomente no tocante à multa de ofício no Acórdão ora combatido. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Ambos os recursos especiais cumprem os requisitos de admissibilidade, por isso deles conheço. Do Recurso Especial do Contribuinte Fl. 333DF CARF MF 4 Conforme narrado, tratase de auto de infração em decorrência do pagamento de valores a título de “VALE ALIMENTAÇÃO / TICKET ALIMENTAÇÃO” a vereadores, gerando, segundo a fiscalização, débitos nas rubricas “Empresa” e “Seguro do Acidente do Trabalho SAT/RAT”. A questão a ser enfrentada quanto a esta matéria é, em sua essência, relativa à natureza da verba paga mediante o uso de cartão ou ticket de alimentação, sem inscrição no PAT para o período autuado. Sobre a matéria, há entendimento no sentido de que a utilização de cartão/ticket se trata de auxílio alimentação pago in natura se aplicando o disposto no Parecer PGFN 2.117/2011, não podendo prevalecer sua inclusão na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela inscrição no PAT. Porém, existem os que entendem que tal pagamento tem natureza de auxílio alimentação pago em pecúnia, sendo, portanto, a inscrição no PAT condição necessária para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição. No meu entender, o ticket refeição (ou vale alimentação) se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticket refeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados, sendo que a inscrição no PAT seria uma mera obrigação acessória, cujo descumprimento não descaracteriza a natureza jurídica desse fornecimento. Além disso, considero que não se faz relevante a forma pela qual é feita o pagamento da verba, pois sua natureza não se altera pela forma de fornecimento. Evidentemente, o pagamento pelo fornecimento direto dos alimentos na própria empresa reduz o risco de utilização remuneratória indevida da verba. Apesar desse contexto, não é possível entender que o pagamento na forma de ticket (fornecimento de alimentos por empresas conveniadas, fora das instalações da empresa, mediante apresentação de um cartão) seria necessariamente utilizado para remunerar o trabalhador, pois a máfé não se presume, devendo ser comprovada. Pelo que se depreende dos autos, a rubrica foi considerada como base para incidência da contribuição previdenciária pelo fato de ter sido paga na forma de ticket e não pela constatação do abuso do pagamento, ou seja, pela demonstração de que o valor correspondia, na verdade, à remuneração e não à verba indenizatória, ou seja, não houve descaracterização da natureza da verba pela fiscalização. De acordo com os artigos 3º da Lei n.º 6.321/76 e 6º do Decreto n.º 5/1991, o pagamento in natura do auxílio alimentação pela empresa nos programas de alimentação previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária e do FGTS. No mesmo sentido, a Lei n° 8.212/1991 estabelece em seu artigo 28, parágrafo 9º, alínea “c”, que a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/1976 não integrará base de cálculo da contribuição previdenciária. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou no sentido de que, ainda que a empresa não esteja inscrita no PAT, não incide a contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13864.720200/201125 Acórdão n.º 9202005.559 CSRFT2 Fl. 333 5 Diante da jurisprudência pacífica do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, esclarecendo que, esteja ou não o empregador inscrito no PAT, o auxílio alimentação pago in natura não ostenta natureza salarial e, portanto, não integra a remuneração do trabalhador. Nessa mesma manifestação, a PGFN recomendou a edição de Ato Declaratório nesse sentido. Acolhendo a sugestão, a Procuradora Geral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório nº 3/2011, estabelecendo que “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Nessa esteira, a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (IN RFB) nº 1.453/2014 alterou o inciso III do art. 58 da IN RFB nº 971/2009 para retirar o requisito de concordância com “os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)” para fins de tributação da alimentação in natura. É dizer: também está claro para a Receita Federal que essas parcelas não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Assim, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Recurso da Fazenda Nacional Multa mais benéfica A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: Fl. 335DF CARF MF 6 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13864.720200/201125 Acórdão n.º 9202005.559 CSRFT2 Fl. 334 7 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 337DF CARF MF 8 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13864.720200/201125 Acórdão n.º 9202005.559 CSRFT2 Fl. 335 9 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 339DF CARF MF 10 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13864.720200/201125 Acórdão n.º 9202005.559 CSRFT2 Fl. 336 11 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado. Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora no que tange ao mérito do Recurso Especial do Contribuinte, ouso discordar. Acerca do auxílio alimentação, rezava a Lei no. 8.212, de 1991, na redação vigente à época dos fatos geradores sob análise, em seu art. 28, §9o., alínea "c": "Art. 28 (...) (...) 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 341DF CARF MF 12 c) a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976;" A partir do teor do disposto, em linha com o argumentado pela Autoridade Fiscal, seria necessário, para fins de que se usufruísse da exclusão, que a parcela de alimentação fosse recebida "in natura", tal como seria o caso, por exemplo de alimentação fornecida em refeitórios, o que não se observa no caso em questão. Entendo que o recebimento através de "tickets" ou valealimentação, a partir do elemento volitivo na escolha da utilização pelo beneficiário, se aproxima da caracterização como pagamento em pecúnia, não havendo, assim, que se falar em exclusão do salário de contribuição neste caso. Ressalto que o dispositivo citado (art. 28, §9o., "c" da Lei no. 8.212, de 1991) trata de exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias, a ser interpretada de forma literal, em meu entendimento, e que, também, ainda permanece em vigor, entendendo este Conselheiro que só seria o caso de cogitar de afastálo caso houvesse na jurisprudência judicial pátria decisum de natureza vinculante a este CARF que estabelecesse a não incidência para valores pagos em "tickets" ou valealimentação. Inexistindo julgado com tais características de forma a afastar o dispositivo em questão no presente momento, ou seja, não havendo decisão judicial de natureza vinculante a este Conselho concluindo pela não incidência in casu, opto por prestigiar o teor do dispositivo legal, concluindo, assim, pela incidência sobre os valores pagos em "tickets" a título de auxílio alimentação aqui analisados. Finalmente, noto que este vinha sendo, inclusive, o entendimento unânime desta Turma, consoante já manifestado no Acórdão 9.202003.730, de 18/01/16, o qual só restou recentemente modificado, passando a prevalecer por maioria de votos. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 342DF CARF MF
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