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Numero do processo: 15374.000875/2003-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1992 Ementa EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA PFN. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Constatado que o crédito tributário a que se refere o recurso de ofício é controlado no processo original, do qual o crédito tributário discutido no recurso voluntário foi desmembrado e formou os presentes autos, reconhece- se que ocorreu uma inexatidão material devida a lapso manifesto por ter constado indevidamente no relatório que integra o acórdão, que os autos também versavam sobre recurso de ofício, razão pela qual os embargos da PFN devem ser acolhidos, para ratificar o decidido apenas em relação ao recurso voluntário, mantendo-se as ementas relativas à correspondente discussão.
Numero da decisão: 1102-000.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional, para retificar o acórdão 1102- 00.469, de 30.06.2011, sanando inexatidão material devida a lapso manifesto e ratificar o decidido apenas em relação ao recurso voluntário, cuja decisão é a seguinte: "Dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência das exigências para a CSLL anteriores ao mês de março de 2009, bem como, cancelar a exigência referente ao item 5 do termo de verificação fiscal"; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Constatado que o crédito tributário a que se refere o recurso de ofício é controlado no processo original, do qual o crédito tributário discutido no recurso voluntário foi desmembrado e formou os presentes autos, reconhece se que ocorreu uma inexatidão material devida a lapso manifesto por ter constado indevidamente no relatório que integra o acórdão, que os autos também versavam sobre recurso de ofício, razão pela qual os embargos da PFN devem ser acolhidos, para ratificar o decidido apenas em relação ao recurso voluntário, mantendose as ementas relativas à correspondente discussão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional, para retificar o acórdão 1102 00.469, de 30.06.2011, sanando inexatidão material devida a lapso manifesto e ratificar o decidido apenas em relação ao recurso voluntário, cuja decisão é a seguinte: "Dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência das exigências para a CSLL anteriores ao mês de março de 2009, bem como, cancelar a exigência referente ao item 5 do termo de verificação fiscal"; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000875/200391 Acórdão n.º 110200.758 S1C1T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto, Antônio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs embargos de declaração, de fls. 224, contra o acórdão 110200.469, de 30.06.2011, que por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário, cuja relator não mais integra o colegiado. Consta nos embargos que o recurso de ofício deve ser apreciado no proc. 10768.021247/9766, sendo que o processo a que se refere o acórdão embargado, foi desmembrado dele. Requer que seja sanada a contradição, para que seja modificado o acórdão proferido no presente processo, mantendo a decisão relativa ao recurso voluntário. A ciência do acórdão embargado à PFN se deu em 12.08.2011 e os embargos foram apresentados em 19.08.2011. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima Os embargos são tempestivos e devem ser conhecidos. Constato que tem razão a Procuradoria da Fazenda Nacional. Os presentes autos foram desmembrados do processo 10768.021247/9766. Pela decisão da Turma Julgadora, de fls. 134/149, o lançamento foi considerado procedente em parte, para considerar devido o IRPJ no valor de apenas R$ 965.131,45 e a CSLL no valor de R 398.586,65, ambos acrescidos da multa de ofício de 75% e demais acréscimos moratórios, e indevido o IRRF exigido. Às fls. 01 consta que o controle do crédito tributário dos valores mantidos passou para os presentes autos, em razão de desmembramento do proc. 10768.021247/9766. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000875/200391 Acórdão n.º 110200.758 S1C1T2 Fl. 3 3 Portanto, o recurso de ofício é discutido nos autos originais, e foi apreciado em sessão de 06.07.2005, conforme acórdão 10708.159, não podendo ser decidido nos presentes autos. De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamento, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma. Ainda, de acordo com o art. 66, do Anexo II do mesmo Regimento, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo Presidente da turma, e nos termos do § 2º a matéria poderá ser submetida à deliberação da turma. Entendo que a situação não se enquadra nas hipóteses de embargos previstas no art. 65 acima mencionado, uma vez que não há obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos. Tampouco há ponto sobre o qual a turma deveria se pronunciar. A situação se enquadra no disposto no art. 66, do Anexo II, do RICARF, como inexatidão material devida a lapso manifesto, uma vez que não se observou que a informação sobre o desmembramento constou às fls. 1. Assim, constou inapropriadamente, no relatório que os autos versavam também sobre recurso de ofício, e consequentemente, o colegiado julgou recurso de ofício, indevidamente. Do exposto, do voto condutor do acórdão embargado somente deve prevalecer o decidido em relação ao recurso voluntário, cujo teor reproduzo abaixo: No tocante ao recurso voluntário, restaram litigiosos os itens seguintes: 0 item 4 trata da contabilização de exportações com atraso durante o ano calendário de 1992, cujo crédito constituído se deu em vista das diferenças apuradas na relação data de embarque e no valor da receita /custo de exportação, no período de janeiro a novembro de 1992. Aqui pede a Recorrente que se realize diligência para confirmar o acerto nos lançamentos que foram objeto da planilha de fls.191/201, onde relaciona "outras despesas" sem a correspondente folha do Livro Diário onde cada urna fora escriturada, bem como não juntou qualquer documento que suportasse tais valores, portanto não é possível saber onde essas despesas estariam contabilizadas e documentos comprobatórios do vinculo entre as despesas da conta "outras despesas de exportação", n° 787 92 82 e as receitas autuadas. Conforme dito na decisão recorrida, sem os documentos não há como se estabelecer a comprovação dos valores apontados nas planilhas e não vinculados, especificamente, aos respectivos lançamentos respectivos dos livros fiscais. A falta de juntada dos documentos que suportaram os lançamentos contábeis prejudica a instrução probatória pretendida pela Contribuinte. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000875/200391 Acórdão n.º 110200.758 S1C1T2 Fl. 4 4 0 exemplo citado na decisão recorrida bem confirma este fato. E o caso das fls. 20 do anexo 1, onde há copia da folha 42 do livro Diário (a Contribuinte indica despesas que estariam nas fls. 43 e 44), relativo ao mês de fevereiro, valor objeto da remessa necessária, onde consta a conta 787.92.82.00, "outras despesas com exportação", restando impossível saber a qual fatura aquelas despesas se referem. A prova necessária para comprovar as alegações da Recorrente não se restringe apenas às contabilizações realizadas no livro Diário. Ela deveria detalhar os lançamentos, juntar os respectivos documentos que deram suporte a contabilidade , bem como demonstrar que aqueles valores se relacionam com as receitas do período, para se confirmar então a pertinência das deduções realizadas. Aqui pretende a Recorrente que o fisco realize trabalho que seria do seu encargo, sem falta de previsão legal. É a recorrente quem conhece os fatos e tem a obrigação da instrução probatória, conforme dispõe os arts. 15 (caput) e 16 do Decreto n° 70.235, de 6/03/1972. Por seu turno a fiscalização instruiu a exigência com os elementos de prova de fls.47/57 e anexos, enquanto a impugnação e/ou recurso não vieram instruídas com os documentos que lhe dariam sustentação.Bastaria a simples juntada dos documentos e a sua vinculação nos respectivos lançamentos fiscais e contábeis mas tal providência não se realizou e, mais, a Recorrente optou por não fazêlo deixando este encargo para o fisco. Pelo exposto não prosperam as razões oferecidas neste item especifico. Melhor sorte tem a Recorrente em relação ao item 5 do termo de verificação fiscal, no que respeita à dedução dos valores dos tributos, que estavam sendo questionados judicialmente e para os quais ofertou carta de fiança.Isto porque a impossibilidade de sua dedução só se formalizou a partir da vigência do art. 8° da Lei n° 8.541, de 23/12/1992, cuja vigência se inicia em janeiro de 1993. Outro item que merece reforma é a manutenção da exigência da CSLL para os meses que foram declarados decaídos em relação ao IRPJ, uma vez que a autoridade de primeiro grau não reconheceu a decadência dessa Contribuição, em homenagem ao artigo 45 da Lei 8212/1991. Contudo a controvérsia em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação", deve ser contado por urna das regras previstas no CTN ou pela regra prevista no art. 45 da Lei n° 8.212/91 foi dirimida através da Súmula vinculante nº.8 conforme DOU de 20/06/2008: Fl. 262DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000875/200391 Acórdão n.º 110200.758 S1C1T2 Fl. 5 5 (...) "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do 4° do art. 2" da Lei n"11.417/2006. Súmula vinculante n° 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do DecretoLei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j.12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Mill. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min.Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Mill. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei no 1.569/1997, art. 5", parágrafo único Lei n" 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasilia, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n" 117, de r, 20/06/2008, Seção I, pg. 1) Portanto, diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei (170 40 n'.8.212/91 deve ser adequada à contribuição social à forma de contagem do prazo decadencial implementada em relação ao IRPJ.(A decisão considerou decaídas as exigências anteriores ao mês de março de 2009, portanto a mesma conclusão deve ser estendida à CSLL). Assim, de acordo com o trecho acima transcrito do voto condutor do acórdão embargado, deve ser dado provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência das exigências para a CSLL anteriores ao mês de março de 2009, bem como deve ser cancelada a exigência referente ao item 5 do termo de verificação fiscal. As ementas que permanecem são as seguintes: DEDUTIBILIDADE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Somente a partir de 1 °.de janeiro de 1993, por força do art. 9 ° da Lei n° 8.541/92, são consideradas como redução indevida do lucro real, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições e sua respectiva atualização, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 do CTN, haja ou não depósito judicial em garantia. POSTERGAÇÃO DE RECEITA DESPESAS ADICIONAIS. ÔNUS DA PROVA CABE A QUEM ALEGA. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000875/200391 Acórdão n.º 110200.758 S1C1T2 Fl. 6 6 Não é ônus do fisco proceder a instrução probatória em lugar do Contribuinte. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. — Súmula Vinculante n 8. O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido — CSLL prevalece aquele estabelecido no Código Tributário Nacional CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO CSLL. Na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas, o lançamento reflexo colhe a sorte daquele que lhe deu origem. Do exposto, oriento meu voto para conhecer e acolher os embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional, para retificar o acórdão 110200.469, de 30.06.2011, sanando inexatidão material devida a lapso manifesto e ratificar o decidido apenas em relação ao recurso voluntário, cuja decisão é a seguinte: “Dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência das exigências para a CSLL anteriores ao mês de março de 2009, bem como, cancelar a exigência referente ao item 5 do termo de verificação fiscal”. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 264DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 11020.720673/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS.
A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição,por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita.
HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA.
Deve ser mantida a homologação da compensação declarada pela contribuinte quando há crédito suficiente para tanto. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.498
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que davam provimento parcial ao recurso. Redator designado: o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição,por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA. Deve ser mantida a homologação da compensação declarada pela contribuinte quando há crédito suficiente para tanto. Recurso voluntário provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA. Deve ser mantida a homologação da compensação declarada pela contribuinte quando há crédito suficiente para tanto. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que davam provimento parcial ao recurso. Redator designado: o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Gilberto de Castro Moreira Junior Redator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Wilson Sahade. Relatório Cuida a lide de Pedido de Restituição de alegado crédito relativo à Contribuição para o Fincanciamento da Seguridade Social COFINS nãocumulativa, vinculado às receitas de exportação, referente ao 4º trimestre de 2006, no valor total de R$ 10.644,33. Cumulado com o referido pedido de restituição, foi apresentada Declaração de Compensação (PER/DCOMP 02843.62622.300407.1.3.095892), no valor total de R$ 4.132,54. A DRF Caxias do Sul/RS, fundamentada no Relatório de Verificação Fiscal de fls. 10/12, por meio do Despacho Decisório DRF/CXL/2008 (fl.08), reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 9.735,21. A diferença entre o crédito pleiteado e o reconhecido (R$ 909,12) deveuse à inclusão, na base de cálculo da COFINS, das receitas com créditos de ICMS transferidos para terceiros. Restou ainda, homologada a compensação efetuada. Após a homologação da compensação, foi declarado, pela autoridade administrativa, um saldo credor da contribuinte de R$ 5.602,67 (fls. 29/32). De tal despacho, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 47/53), alegando, em síntese: que o saldo credor de ICMS não configura receita, mas tributo embutido no custo das mercadorias adquiridas, recuperável sob a forma de compensação ou restituição; que a recuperação do ICMS embutido no custo das mercadorias adquiridas decorre do princípio da nãocumulatividade; que o ICMS destacado nas notas fiscais integra o preço de venda do produto, configurando, assim, parcela da receita/faturamento, fazendo parte da base de cálculo do PIS e da COFINS; contudo, o ICMS já serviu de base de cálculo para apuração do PIS e da COFINS devidos pelo fornecedor dos insumos adquiridos pela requerente; que a empresa está imune ao ICMS sobre receita decorrente de exportações; que a Lei Complementar nº 87/96, em seu artigos 25, §2º, inciso II, autorizou às empresas exportadoras a transferirem, para outros contribuintes do mesmo Estado, os saldos credores acumulado de ICMS; que, ao transferir seus créditos de ICMS acumulados para quitar obrigações contraídas junto a fornecedores, está, na verdade, usando seus créditos como moeda de pagamento do débito que possui por conta de aquisição de insumos. Essa transação não implica no ingresso de dinheiro novo, posto que, na prática, o tributo recuperado passa para o caixa da empresa da mesma forma como se ela tivesse sido ressarcida do benefício pelo fisco; que a exigência do PIS e da COFINS sobre o ICMS recuperado e aproveitado pela empresa exportadora ofende a regra constitucional da imunidade assegurada às exportações pelo art. 155, §2º, inciso X, alínea “a” da Constituição Federal; e Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720673/200742 Acórdão n.º 3202000.498 S3C2T2 Fl. 87 3 que sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento devem incidir juros calculados pela Taxa Selic. Ao final, requereu o deferimento da restituição consoante os cálculos originariamente apresentados, devidamente atualizados pela taxa Selic. A DRJJuiz de Fora/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls.67/71), nos termos da ementa adiante transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO Não comprovada a existência de crédito disponível à data da transmissão do DCOMP, não há que se homologar a respectiva compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário perante este Colegiado (fls. 78/82), insurgindose quanto à inclusão do ICMS transferido para terceiro na base de cálculo da contribuição do PIS/PASEP, sob os argumentos que ali apresenta, que não se diferenciam daqueles aduzidos na Manifestação de Inconformidade. Ao final, requereu o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, trata a lide de Pedido de Ressarcimento da COFINS não cumulativa de alegados créditos vinculados às receitas de exportação, referente ao 4º trimestre de 2006, no valor total de R$ 10.644,33. A DRJJuiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório postulado, manifestandose, nesse sentido, apenas quanto ao montante de R$ 909,12, visto que a DRF Caxias do Sul/RS já havia reconhecido parte do direito creditório, no valor de R$ 9.735,21. Por guardar identidade com a matéria ora em apreço, adoto como razões de decidir o entendimento manifestado pelo i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, nos autos do Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 processo nº. 11065.000342/200512, cujo voto condutor do Acórdão transcrevo abaixo, excertos: “ (...) Das discussões que se devem travar, a primeira diz respeito à necessidade de inclusão da “receita” decorrente da alienação do saldo credor de ICMS decorrente de exportações na base de cálculo da contribuição. (...) Com efeito, essas parecem ser as razões para o entendimento da SRF. Primeiro, que o crédito fiscal é alienado; segundo, “logo”, há uma receita; terceiro, a lei que estabeleceu a incidência nãocumulativa da contribuição, cuja base de cálculo é a totalidade das receitas, não previu sua exclusão. Por fim, não importa que não tenha havido lançamento em conta de resultado porque é irrelevante a forma de contabilização da receita. Tentemos examinar com mais profundidade cada elemento da tese fiscal. Quanto à existência de uma alienação onerosa, os contribuintes contrapõem que ela não existe. Tratarseia meramente de um pagamento ao seu fornecedor que é feito utilizando o saldo credor de ICMS por expressa autorização legal. Em suma, o crédito fiscal funciona como uma espécie de “moeda” na operação, permitindo a extinção da obrigação contraída junto ao fornecedor sem a necessidade de pagamento com efetivo numerário. Em troca, o fornecedor utilizará o crédito na forma “normal”, isto é para compensar imposto devido pelas suas próprias saídas, o que não poderia ser feito pelo detentor original. Não partilho tal entendimento. Com efeito, a mera transferência de titularidade do direito, originalmente apenas oponível à Fazenda, basta, a meu ver, para caracterizar a alienação nos termos do direito civil. E não há dúvida de que essa alienação é onerosa na medida em que há contrapartida por parte do fornecedor, ainda que no exato valor do direito transferido. Minha divergência acerca do entendimento da Administração radica no segundo elo do raciocínio. É que ele considera suficiente a ocorrência de uma alienação para que seja imperativo o reconhecimento de uma receita. Disso divirjo, valendome dos próprios conceitos contábeis aplicáveis à matéria. É que, por certo, a ninguém escapa ser o objetivo da contabilidade a demonstração das mutações patrimoniais, especialmente aquelas de natureza quantitativa, de modo a facilitar a tomada de decisões por parte de gestores e investidores. O seu foco é, portanto, o resultado, que corresponde a modificações no Patrimônio Líquido da entidade. Até redundante, o Patrimônio líquido só se altera, de forma definitiva, em razão de lucro ou prejuízo apurado. A princípio, pois, nada impede que tais mutações sejam registradas e “demonstradas” diretamente nas contas patrimoniais. Nesses termos, uma venda de mercadoria adquirida com esse fim, por exemplo, poderia ser contabilizada a crédito da conta de estoque (item do ativo) correspondente e a débito de uma outra conta de ativo (caixa ou clientes). Em complemento, registrarseia, diretamente na conta lucros ou prejuízos acumulados (conta do Patrimônio Líquido) a diferença entre o valor do estoque e o da venda. Sabemos todos que não é assim que tal operação é contabilizada. De fato, tratandose mesmo de uma operação de venda de mercadorias (ou de produtos elaborados ou serviço prestado) exigem as normas contábeis seja contabilizada segregadamente. De um lado, reconhecese contabilmente o direito decorrente do preço ajustado, ainda que não imediatamente liquidado: débito de uma conta de Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720673/200742 Acórdão n.º 3202000.498 S3C2T2 Fl. 88 5 ativo (caixa ou clientes) e crédito de uma conta de resultado (receita de venda); de outro lado, registrase a perda patrimonial correspondente à entrega do bem, imprescindível à obtenção da receita (crédito do estoque e débito do custo das mercadorias, ou dos produtos ou dos serviços vendidos). Podemse conceber diversas razões para a necessidade ou conveniência de tal segregação, desde a dificuldade em apurar o custo no momento da venda dada a grande quantidade de operações realizadas diariamente, sabendose que essa é a finalidade da empresa, até a clareza da demonstração do resultado que advém da existência de contas próprias indicando, individualizadamente, como se formou o resultado do exercício. Transferese, assim, para a conta de lucros ou prejuízos apenas o resultado final relativo a um dado período. Seja qual for a razão fundamental para essa segregação (os livros não a indicam) é certo, porém, que ela não atinge aquelas operações que, por não corresponderem ao objetivo central da empresa, não ocorrem costumeira ou freqüentemente. Assim se passa com aqueles itens que não foram comprados para serem revendidos e que por isso mesmo não integram os estoques para venda. O melhor exemplo provavelmente seja a venda de itens do ativo permanente. De fato, quando uma empresa se desfaz de uma máquina, um imóvel, um veículo, ou mesmo ações de uma outra empresa, nenhuma norma contábil determina que ela registre uma “receita de venda” acompanhada de uma baixa do bem contra uma conta de “custo”. Pelo contrário, lançase diretamente o dinheiro ou direito recebido a débito do ativo contra a própria conta representativa do bem vendido. Não há receita e custo; no resultado apenas aparece, e diretamente, o lucro ou a perda (nesse caso não operacionais) apurado na operação. Ou seja, as contas de resultado só registram o efetivo resultado líquido. Daí que desaparece o suporte técnico para a afirmação de que, por ter ocorrido uma alienação (e notese que alienação é gênero do qual a venda é mera espécie) já surge a obrigatoriedade do registro de uma receita. Essa obrigatoriedade somente existe para aqueles itens que foram adquiridos exatamente para serem vendidos, seja no mesmo estado, seja depois de transformados em um novo produto ou serviço. O exemplo envolveu item classificado contabilmente no ativo permanente. Por isso, sabendose que o direito relativo ao crédito de ICMS decorrente da aquisição é contabilmente registrado no mesmo grupo do ativo (ativo circulante) do estoque caberia perguntar se, só por isso, a contabilização de sua “venda” não deveria seguir o mesmo padrão das mercadorias no último obrigatoriamente incluídas. Também entendo que a melhor resposta é não. E assim penso porque as mercadorias divergem totalmente do crédito fiscal (seja de ICMS, IPI ou mesmo das próprias contribuições PIS e COFINS) naquilo que realmente importa: enquanto as mercadorias são adquiridas, desde o início, para serem vendidas, o crédito fiscal, além de não ser propriamente “adquirido”, não tem por “objetivo” ser vendido. Realmente, o crédito fiscal não é “adquirido” juntamente com o produto como defendem, ao meu ver equivocadamente, algumas autoridades fiscais. E isso porque ele não decorre da relação comercial que se estabelece entre vendedor e comprador. Entre estes há uma operação de venda, com um preço ajustado, que é pago pelo comprador. Neste preço há uma parte que corresponde ao imposto de que o vendedor é sujeito passivo. Ele é destacado na nota fiscal de compra não porque seja objeto de uma venda entre aquele e o comprador, mas sim porque a legislação tributária o exige de modo a tornar mais clara a concretização do princípio constitucional da nãocumulatividade. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Ainda assim, o que o adquirente compra é um produto, e só um produto. O que ele paga é um preço, e só um preço. Ele nem “adquire” o crédito do imposto nem “paga” o imposto decorrente da aquisição. Ele suporta o ônus dessa incidência tributária e é essa circunstância que o autoriza a recuperar esse valor do ente tributante de modo a dar cumprimento ao princípio da nãocumulatividade. Essas são as razões, aliás, para que o ICMS destacado pelo vendedor integre sua receita de venda e seja, por isso mesmo, base de cálculo da própria contribuição que discutimos, como já pacificou o Superior Tribunal de Justiça (Súmula nº 68). Esse fato, no entanto, não constitui razão, a meu ver, para que, na sistemática não cumulativa, deva “imputarse” um débito da contribuição de modo a “anular” o crédito a que o contribuinte do PIS tem em conseqüência da aquisição feita, tese acrescida em alguns processos que analisamos, visando a “restabelecer o equilíbrio tributário”. Assim não penso, também. Bem antes o contrário. O direito de crédito das contribuições PIS e COFINS sobre o valor integral pago ao vendedor (preço do produto) decorre exatamente do fato de que este último também sobre esse total as recolherá. O direito de mantêlo mesmo quando na venda posterior (por ser uma operação de exportação) não haja PIS nem COFINS a recolher decorre de expressa disposição legal (art. 5º da Lei 10.637 e art. 6º da Lei 10.833). E como essas disposições não condicionaram tal aproveitamento à forma como venha a ser utilizado o crédito fiscal do ICMS, parece necessário concluir que o “restabelecimento do equilíbrio tributário” a imposição de um débito de COFNS deveria ocorrer mesmo se o ente federativo com direito ao recebimento do ICMS viesse a estabelecer forma diversa de utilização daquele crédito, por exemplo, o ressarcimento em dinheiro. Será que, mesmo assim, se entenderia que deveria haver um lançamento de receita? Receita de quê? De “venda” ao Estado? Registro, para não parecer uma contradição: essa situação difere por completo do crédito presumido de IPI objeto de ressarcimento. Neste caso, sim, há nova receita porque não havia direito algum registrado contabilmente em contrapartida do qual pudesse ser “baixado” o valor a ser ressarcido. Nem mesmo o “custo” com as contribuições o pode ser dado que a norma legal (Lei 9.363) não condicionou o crédito presumido a seu “estorno”. Ou seja, o custo com as contribuições incidentes sobre os insumos já foi, ou pelo menos podia ter sido, “recuperado” via preço. Em conseqüência, o valor posteriormente recebido é nova receita, e que tem sim de ser tributada quando a base de cálculo seja a totalidade das receitas por falta de previsão legal para ser excluída. No caso que discutimos, não. Já há um direito registrado contabilmente e o que o legislador fez ao autorizar sua transferência foi, simplesmente, dar a ele uma nova destinação que viabilizasse na prática sua utilização, o que, ademais, somente dá cumprimento ao texto constitucional que prevê, não só a imunidade, mas também o direito ao crédito (art. 155, § 2º, inciso X, letra a com a redação da Emenda Constitucional 42/1993). Divergimos, por essas razões, do entendimento da Administração de que a operação de transferência de saldo credor de ICMS, ainda que alienação seja, e alienação onerosa, gere receita. E não sendo receita, também não vale o argumento final da autoridade fiscal atuante neste processo: a expressão contida no art. 3º da Lei 9.718/98 (“independente da forma de contabilização”) exige, primeiro, que se esteja realmente falando de receita. Não autoriza que seja assim considerado algo que receita não é. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720673/200742 Acórdão n.º 3202000.498 S3C2T2 Fl. 89 7 Tudo isso não obstante, é imperioso reconhecer que o entendimento fazendário vem de ser recentemente encampado em texto legal expresso. Refirome à Lei 11.945, cujo art. 16 está vazado nos seguintes termos: Art. 16. Os arts. 1o, 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 1o ............................................................................................................. § 3o .................................................................................................................... VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996." (NR) Há, pois, segundo o texto legal, receita. Ela pode ser excluída da base de cálculo das contribuições, mas só a partir de 1º de janeiro de 2009, isso porque o art. 33 do mesmo ato legal determinou que o artigo 17 acima produz efeitos apenas a partir de 1º de janeiro de 2009. Que tal conceito deveria emergir diretamente da ciência contábil e não de um ato legal, vocacionado apenas a regular a incidência de contribuições, é até desnecessário reafirmar. O fato concreto, porém, é que há hoje ato legal dizendo que dessa operação advém receita para o contribuinte em questão, e receita que deve ser tributada pela contribuição até 31 de dezembro de 2008. Não vejo como possam os Conselheiros membros do CARF desconsiderar esse enunciado sem contrariar o art. 62 do Regimento da Casa (Portaria MF 256/2009): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. De fato, a não ser sua inconstitucionalidade, não vejo o que se possa alegar, especialmente porque já concluímos que a decisão judicial que possui o contribuinte Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 não alcança esse processo e não há nenhuma decisão do STF que se possa a ele aplicar. Tal norma regimental, aliás, embasa enunciado de Súmula Administrativa originada no Segundo Conselho de Contribuintes (Súmula nº 02, aprovada em sessão de 18 de setembro e publicada em 26 do mesmo ano). Ainda que extinto aquele órgão, a observância dos entendimentos firmados em suas Súmulas pelos Conselheiros membros do CARF é obrigatória por força de disposição regimental (art. 72, § 4º da Portaria MF 256/2009). Com essas considerações, e em estrito respeito à Súmula Administrativa nº 02 do Segundo Conselho de Contribuintes e ao Regimento Interno do CARF, e tendo em conta que o período considerado é anterior a 1º de janeiro de 2009, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte neste ponto.” Em relação à base de cálculo da COFINS, o art. 17 da referida Lei nº 11.945/2009 traz a mesma exclusão do art. 16 (relativa ao PIS/PASEP), mencionada no voto acima transcrito, ao promover a alteração da redação do §3º do art. 1º da Lei nº. 10.833/2003, acrescentandolhe o inciso VI, a saber: Art. 17. Os arts. 1o, 2o, 3o, 10, 58J e 58O da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o ........................................................................................... ......................................................................................................... § 3o ................................................................................................. ........................................................................................................ VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (...) ................................................................................................. Assim descabe o entendimento de que a precitada lei é norma meramente interpretativa. Norma interpretativa é norma que não altera qualquer conteúdo ou elemento da norma interpretada, limitandose a apenas esclarecerlhe o significado. A Lei n.º 11.945/2009, ao acrescentar o inciso VI ao §3º do art. 1º da Lei n.º 10.833/2003, alteroulhe o conteúdo, acrescentando mais uma hipótese de exclusão de receita para fins de apuração da base de cálculo da Cofins, criando, assim, nova norma, instituindo novo direito, que passou a existir somente a partir da data do início da vigência daquela nova lei. É o que claramente se vê da leitura do item 6 da Exposição de Motivos da MP nº.451/2008, ao explicitar as razões da alteração introduzida por meio do art. 8º daquela Medida Provisória, posteriormente convertido no referido art. 17 da Lei n.º 11.945/2009, verbis: Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720673/200742 Acórdão n.º 3202000.498 S3C2T2 Fl. 90 9 Submeto à apreciação de Vossa Excelência o Projeto de Medida Provisória que altera a legislação tributária federal, dispõe sobre ações de reestruturação dos setores produtivos, especialmente os de aquicultura e pesca nos municípios do Estado de Santa Catarina atingidos pelas chuvas ocorridas no último bimestre de 2008, e que altera a Lei no 6.194, de 19 de dezembro de 1974 (...) 6. Os arts. 7º, 8º e 9º objetivam incentivar as exportações brasileiras, ao criar nova hipótese de exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, deixando de tributar as receitas decorrentes de transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação. (grifo não constante do original) Assim, vez que a presente lide trata de créditos referentes ao 3º trimestre de 2007, anterior, portanto, a 1º/01/2009, quando, então, passou a produzir efeitos a Lei nº. 11.945/2009, não há como reconhecer o direito creditório pleiteado pela recorrente nesta parte sim, vez que a presente lide trata de créditos referentes ao 4º trimestre de 2006, anterior, portanto, a 1º/01/2009, quando, então, passou a produzir efeitos a Lei nº. 11.945/2009, a qual excluiu da base de cálculo da contribuição para o PIS as transferências a terceiros de créditos de ICMS originados de operações de exportação, não há como reconhecer o direito creditório na integralidade, conforme pretende a recorrente. Por último, há que se esclarecer a questão das compensações declaradas pela contribuinte. Notese que a DRJ muito embora no voto condutor do Acórdão tenha discorrido apenas quanto ao não reconhecimento do direito creditório em relação à parcela que deixou de incluir as transferências de ICMS a terceiros na base de cálculo da Cofins – equivocadamente concluiu pela não homologação das compensações efetuadas por meio da PER/DCOMP 02843.62622.300407.1.3.095892, por insuficiência de crédito. As compensações declaradas por meio da PER/DCOMP acima citada já foram homologadas pela DRF, conforme se pode ver do despacho constante à fl. 13, datado de 22/04/2008, onde se lê: “Homologo as compensações até o limite do crédito.” Isso porque as compensações declaradas, no valor total de R$ 4.132,54, referentes a IRPJ (1º trimestre/2007) e CSLL (1º trimestre/2007), foram deduzidas do montante do direito creditório reconhecido pela DRFCaxias do Sul/RS, remanescendo saldo credor de R$ 5.602,67, conforme atesta aquela DRF à fl. 32. Esse saldo credor foi objeto de emissão de Ordem Bancária, para fins de ressarcimento à contribuinte (fl. 40). Assim, não há que se falar em não homologação das compensações efetuadas, pois havia saldo credor suficiente para tanto. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, tão somente para declarar homologadas as compensações efetuadas por meio da PER/DCOMP 02843.62622.300407.1.3.095892, em razão da existência de saldo credor suficiente. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 10 Voto Vencedor Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior No que tange a cessão de créditos de ICMS, entendo ouso discordar da ilustre Relatora e entendo caber razão à Recorrente. Devese levar em consideração o fato de que, nos termos da sistemática tributária em questão, o ICMS é, por, expressa determinação constitucional, imposto não cumulativo, devendo se compensar em cada operação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado. Assim, na condição de imposto não cumulativo, o ICMS, eventualmente pode gerar saldos credores continuados na escrita fiscal do Contribuinte. Diversas são as hipóteses que podem ocasionar essa situação, tais como, saídas desoneradas do imposto com autorização para se manter os créditos, alíquota aplicável na saída menor do que a de aquisição, entre outras. O fato é que o crédito acumulado de ICMS gerado por um Contribuinte não pode ser enquadrado no conceito de receita supra mencionado e nem, tampouco pode ser equiparado a tal eis que tem natureza meramente contábil. De acordo com o Manual de Contabilidade da FIPECAFI, "o ICMS é um imposto incidente sobre o valor agregado em cada etapa do processo de industrialização e comercialização da mercadoria, até chegar ao consumidor final. O valor do imposto a ser pago pelas empresas é representado pela diferença entre o imposto incidente nas vendas e o imposto pago na aquisição das mercadorias que integram o processo produtivo, ou para serem revendidas. Por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador". Ao final, está concluído que mesmo que não haja recolhimento do ICMS, em razão da apuração de saldo credor, "em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa". Quando a Contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos, desde que atendidas às condições constantes do Regulamento do ICMS do respectivo Estado Membro, o legislador previu, dentre outras, a possibilidade de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica, que pode ser estabelecimento fornecedor, nas operações de compras de matériaprima, material secundário ou de embalagem máquinas, aparelhos e equipamentos industriais, isso quando o saldo de crédito supera os seus débitos. Assim, é muito comum que na existência de saldo de créditos acumulados de ICMS, os contribuintes realizem operações de cessão de créditos, mormente com seus fornecedores. Analisandose estas operações contabilmente, verificase que não há transito em contas de resultado, não representando ingresso de receita para a contribuinte. Ao contrário, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720673/200742 Acórdão n.º 3202000.498 S3C2T2 Fl. 91 11 tratase de pagamento de insumos via cessão de crédito. Não há circulação de dinheiro, tão somente a transferência de um direito que, no caso do ICMS será feita por meio da emissão de Nota Fiscal. A operação é escritural, sendo a transferência regida pela legislação de cada EstadoMembro. A cessão de créditos não pode ser comparada a uma venda de mercadorias, isto porque se trata de operação fiscal no qual a contribuinte possuidora dos créditos cede o direito de utilização a uma outra empresa, operação essa sem cunho comercial. Neste sentido, podese citar o recente julgado da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais (“CSRF”) que, ao analisar o tema, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 16/02/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, Acórdão n° 0203.783, 2ª Turma, Processo n° 13005.000684/2005 64 Recurso n° 202137.936, Sessão de 11 de fevereiro de 2009, Recorrente: FAZENDA NACIONAL, Interessado: CALÇADOS MAJOLO LTDA.) No mesmo sentido é o acórdão 340300.708 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, em que foi relator o conselheiro Winderley Morais Pereira, cabendo destaque o seguinte excerto de seu voto: “A operação de transferência dos créditos ocorre normalmente com um repasse em valores ou mercadorias das empresas recebedoras dos créditos as empresas cedentes. Entendo serem os valores recebidos em razão das transferências destes créditos de ICMS, operações de alteração patrimonial, visto que, os créditos não utilizados se constituem em direitos da empresa. Ao ceder os créditos, o valor recebido substitui no patrimônio, o valor ocupado anteriormente pelos créditos a serem recuperados que foram objeto da transferência. Portanto, temos uma simples permuta de contas do ativo, não gerando receitas. Conseqüentemente, os valores recebidos nas operações de Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 12 transferência não sofrem a incidência do PIS e da COFINS por sua natureza jurídica não se revestir de receita. A matéria já foi enfrentada pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 20218.714, na sessão do dia 12 de fevereiro de 2008, com relatoria do e. Conselheiro Antonio Zomer, quando foi decidido pela não incidência das contribuições sobre as receitas obtidas com a transferência de créditos de ICMS a terceiros.” Portanto, a contribuinte simplesmente deixou de utilizar as reservas de seu caixa para efetuar o pagamento, sem que isso passe a ser fato gerador das contribuições sociais. Além disso, aplicável também ao tema é a decisão do Excelso Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral (RE 585.235), que decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base do PIS, na medida em que o artigo 3º da Lei nº 9.718/98 altera o conceito de faturamento devidamente consagrado no direito privado brasileiro. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em relação ao tema da cessão de créditos de ICMS. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10120.003275/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/09/2009
SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS
FÍSICAS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF.
IMPROCEDÊNCIA
Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições sociais exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física na condição de subrogados.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.411
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições sociais exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física na condição de subrogados. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.003275/201072 Acórdão n.º 240102.411 S2C4T1 Fl. 242 3 Relatório Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.273.3093, o qual foi lavrado contra o contribuinte acima para exigência da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, cuja responsabilidade é da empresa na condição de subrogada. Afirma o Relatório Fiscal de fls. 42 e segs. que os fatos geradores das contribuições foram as aquisições de produtos rurais de pessoas físicas, as quais foram retidas pela notificada. A empresa apresentou impugnação, fls. 54 e segs, alegando cerceamento ao seu direito de defesa, pelo fato da ação fiscal ter sido iniciada antes de decorrido o prazo fixado na notificação inicial. Alegou também que o devido processo legal restou ferido, na medida em que a prorrogação da auditoria se deu por ato unilateral da Administração, sem que fosse dada ciência ao sujeito passivo. Arguiu a inconstitucionalidade dos dispositivos que amparam o lançamento, uma vez que o STF, no julgamento do RE n.º 363.852/MG, declarou inconstitucionais as normas que tornavam obrigatória a retenção pelo adquirente das contribuições incidentes sobre a receita da produção rural adquirida de pessoas físicas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF) julgou, fls. 147 e segs., improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, fls. 156 e segs., no qual insistiu na tese de que o AI seria nulo por falta de ciência pessoal da prorrogação da fiscalização e também por inexistência de motivação jurídica para o ato administrativo. Defende o reconhecimento da inconstitucionalidade da legislação que dá guarida ao lançamento, em razão de decisão plenária proferida pelo STF. Acusa o caráter confiscatório da multa e afirma que inexistiu na espécie crime contra a ordem tributária. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Aplicação do Recurso Extraordinário RE n. 363.852/MG ao lançamento A aplicação do entendimento do STF exarado no RE n.º 363.852/MG ao presente caso é uma exigência do inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) O RE transitou em julgado em 06/05/2011 e, tendo o mesmo contado com a manifestação do Plenário da Corte, deve a referida decisão ser observada nos julgamentos do CARF. Assim a solução da presente lide passa pela delimitação do alcance do que ficou decidido pela Corte Máxima no bojo do RE n.º 363.852/MG, no qual discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador pessoa física, prevista no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 8.540/1992, e da subrogação do adquirente na obrigação de recolher o tributo devido, conforme art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4.º e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu Fl. 244DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.003275/201072 Acórdão n.º 240102.411 S2C4T1 Fl. 243 5 nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Analisando a ementa do acórdão exarado pelo STF no citado RE, percebese que o mesmo é explícito em declarar a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização dos produtores rurais pessoas física, e vai além, também afastando a possibilidade de se responsabilizar o adquirente na condição de subrogado. Eis as exatas palavras contidas na parte dispositiva do decisum: “... para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais...” Percebese, então, que a decisão da Corte Maior atingiu não somente as contribuições sociais previstas no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, mas também a forma de arrecadação, afastando a responsabilidade da empresa adquirente na condição de subrogada, esta estampado no inciso IV do art. 30 da mesma Lei. Verificase, no entanto, que a contribuição exigida na presente NFLD, a qual é aquela destina ao SENAR, não foi atingida pela referida decisão da Corte Máxima, posto que a mesma tem como fundamento o inciso I do art. 3.º da Lei n.º 8.315/1991, não tendo esse dispositivo sido objeto do RE n.º 363.852. Portanto, é plenamente exigível a contrição ora lançada, posto que alicerçada em lei vigente e eficaz. O mesmo não se pode falar acerca da subrogação do adquirente dos produtos rurais de pessoa física na obrigação de pagar o tributo, posto que o único dispositivo que autorizava essa técnica de arrecadação era o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, como se Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 pode ver da parte dispositiva do acórdão exarado no bojo do RE n.º 363.852, conforme se extrai do texto: “...declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97...” Eis os textos do inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.598/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n.º 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.548/1997, foram declarados inconstitucionais, não pode subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos. E nem se fale que a decisão do Supremo não atingiu esse dispositivo, posto que na inicial foi requerida a declaração de inconstitucionalidade de todo o art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992, o qual alterou dispositivos da Lei n.º 8.212/1991, inclusive trazendo a regra que previa a subrogação do adquirente de produtos rurais de pessoa física. Embora se possa argumentar que a subrogação da empresa adquirente não decorre do inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, mas no Decreto n.º 790/1993, devese ter em conta que o sistema tributário nacional, estruturado no princípio da legalidade, confere apenas à Lei em sentido estrito o poder para criar responsabilidade tributária. Eis o que dispõe o art. 128 do CTN: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.003275/201072 Acórdão n.º 240102.411 S2C4T1 Fl. 244 7 Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Não poderia, então, o fisco apresentar, como fundamento legal para justificar a possibilidade de se arrecadar o tributo por subrogação, norma criada pelo Poder Executivo. Isso fica mais evidente quando analisamos o Relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, que apresenta como base legal para subrogação da contribuição do SENAR o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, em decisão plenária, a norma que previa a subrogação do adquirente de produtos oriundos de produtor rural pessoa física na obrigação de recolher a contribuição ao SENAR, deve este Tribunal Administrativo, em obediência ao seu Regimento Interno, declarar a improcedência do lançamento. Conclusão Diante de todo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 247DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900322/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: DECOMP SALDO NEGATIVO DE IRPJ
Periodo Apuração: 2003/2004
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 1302-000.869
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perempto.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perempto. Marcos Rodrigues de Mello Presidente. Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório Fl. 54DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 10510.900322/200810 Acórdão n.º 130200.869 S1C3T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Salvador/BA. Observase nos autos que originalmente a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Aracaju. Depreendese pela descrição dos fatos, que o valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP é diferente do apurado na DIPJ. O valor do saldo negativo da DIPJ é de R$ 11.380,83 e o da PER/DCOMP é de R$ 16.547,28. Regularmente notificada do indeferimento, a recorrente apresentou impugnação alegando em síntese que: Com relação a PER/DCOMP nº 27408.40316.120504.1.3.024432 esclarece que houve equívoco no preenchimento do valor e do período de apuração. Que o saldo negativo se originou no anocalendário de 2002, conforme DIPJ 2003. O referido crédito foi compensado posteriormente com valores de IRPJ a pagar nos seguintes períodos de apuração: Período de Apuração PER/DECOMP 12/2003 42849.99330.061107.1.3.027609 03/2004 27616.19689.261107.1.3.023175 07/2004 02238.43760.261107.1.3.022134 Para regularizar a situação retificou a DIPJ 2004 em 06/11/2007; DIPJ/2005 em 27/11/2007, DCTF´s referentes ao 4º trimestre/2003 em 07/11/2007, 1º trimestre/2004 em 27/11/2007 e 3º trimestre/2004 em 27/11/2007. A 2ª Turma da DRJ de Salvador/BA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a solicitação, fundamentando para tanto que: O objeto de manifestação de inconformidade é o cancelamento da Dcomp discutida neste processo. O cancelamento de Dcomp só pode ser providenciado por iniciativa do contribuinte, antes de qualquer intimação para a apresentação de documentos comprobatórios da compensação e estando o pedido pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido (Instrução Normativa SRF n° 600, art. 62 e parágrafo único e Instrução Normativa RFB n° 900, artigo 82 e parágrafo único). Destaquese que Empresa foi intimada, mais de um ano antes da emissão do despacho decisório, para sanear o pedido de compensação apresentado e nenhuma providência tomou. Assim, ante a inexistência do crédito apontado, devese prosseguir na cobrança dos débitos confessados. É o relatório. Voto Fl. 55DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 10510.900322/200810 Acórdão n.º 130200.869 S1C3T2 Fl. 56 3 Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Dispenso o exame do mérito uma vez que o recurso voluntário não pode ser conhecido por este órgão colegiado em vista de ter fluído o prazo legal de sua interposição, restando ocorrida à perempção. A recorrente tomou ciência do acórdão de primeira instância em 22 de julho de 2011 e somente protocolizou o recurso voluntário em 26 de agosto de 2011, portanto, decorridos mais de trinta dias da ciência. Assim dispõe o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal – PAF: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Cumpre registrar que não há no recurso em questão qualquer justificativa do contribuinte sobre a perda do prazo e no despacho de encaminhamento datado de 31/08/2011 o ilustre fiscal registra a intempestividade. Considerase assim definitivo o ato decisório de primeiro grau. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário por ter sido interposto fora do prazo legal. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 19515.006164/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 OMISSÃO DE RECEITAS. INEXISTÊNCIA DE PRESUNÇÃO LEGAL. CARACTERIZAÇÃO INDIRETA. ÔNUS DO FISCO. Cabe à autoridade lançadora embasar com provas e indícios a ocorrência de omissão de receitas não verificada diretamente, nem decorrente de presunção legal. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA DE ESTOQUE. PREVISÃO LEGAL. Insubsiste a exigência quando o autuante não adota o critério determinado pela norma para verificar a hipótese autorizativa da presunção de omissão de receita.
Numero da decisão: 1402-000.979
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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INEXISTÊNCIA DE PRESUNÇÃO LEGAL. CARACTERIZAÇÃO INDIRETA. ÔNUS DO FISCO. Cabe à autoridade lançadora embasar com provas e indícios a ocorrência de omissão de receitas não verificada diretamente, nem decorrente de presunção legal. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA DE ESTOQUE. PREVISÃO LEGAL. Insubsiste a exigência quando o autuante não adota o critério determinado pela norma para verificar a hipótese autorizativa da presunção de omissão de receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006164/200915 Acórdão n.º 140200.979 S1C4T2 Fl. 198 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006164/200915 Acórdão n.º 140200.979 S1C4T2 Fl. 199 3 Relatório A Fazenda Nacional recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo I/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte acima identificada foi autuada em 18/12/2009 (fls. 86, 91, 96 e 101), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro de 2005. 2. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 80 e 81), a contribuinte omitiu receitas no montante de R$27.275.027,46 porque a fiscalização rejeitou a justificativa apresentada pela fiscalizada para explicar o motivo da diferença entre o estoque final em 31/12/2005, escriturado no Livro de Inventário no montante de R$4.359.843,80, e o estoque final constante no balanço geral encerrado em 31/12/2005, cujo saldo contábil foi de R$31.634.871,26 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 90 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 85 a 88) com base nos artigos 249, inciso II, 251, 261, 274, 279, 286, 288 e 289 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR11999), 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e 41 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, formalizando crédito tributário calculado até 30/11/2009 no montante de R$8.834.198,48; 3.2. PIS (fls. 89, 91 a 92) com base nos artigos 1º, 3º e 4º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, formalizando crédito tributário, calculado até 30/11/2009, no montante de R$988.013,31; 3.3. COFINS (fls. 100 a 102) com base nos artigos 1º, 3º e 5º da Lei nº 10.833/2003, formalizando crédito tributário, calculado até 30/11/2009, no montante de R$4.550.849,22; 3.4. CSLL (fls. 95 a 97) com base nos artigos 2° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 10 da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996, 28 da Lei n° 9.430/1996 e 37 da Lei n° 10.637/2002, formalizando crédito tributário, calculado até 30/11/2009, no montante de R$3.199.279,70. 4. O enquadramento legal da multa de oficio aplicada no percentual de 75% é o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (fls. 84, 90, 94 e 99). O enquadramento legal dos juros de mora são os artigos 6°, § 2°, 28 e 61, § 3°, da Lei nº 9.430/1996 (fls. 84, 90, 94 e 99). Fl. 204DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006164/200915 Acórdão n.º 140200.979 S1C4T2 Fl. 200 4 5. Irresignada com os lançamentos, em 18 de janeiro de 2010, a empresa apresentou, representada por procuradora (fls. 122 a 140), a impugnação de fls. 110 a 122, instruída com documentos de fls. 123 a 174, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. a diferença apontada pela fiscalização tem como origem aparelhos de telefonia celular de tecnologia mais antiga (CDMA), fabricados em Manaus pela empresa industrial do grupo, mas que lá não podiam permanecer devido à agressiva umidade, e cujo valor era menos que 50% do valor de seus insumos, pois a maioria dos consumidores A época já preferia a tecnologia nova totalmente digital (GSM) e que foram transferidos pelo preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, conforme a legislação dos tributos indiretos sobre preço de transferência entre empresas interdependentes; 5.2. sabiase de antemão que a impugnante não lograria obter pela mercadoria o valor pelo qual ela lhe estava sendo vendida e, ao final, quando se conseguisse passar a mercadoria para frente haveria inexoravelmente que acontecer um ajuste de contas entre as duas empresas para repassar para a fabricante o prejuízo da operação desastrada; 5.3. "usouse o preço de venda de algumas poucas unidades que já haviam sido entregues as operadoras antes da debandada de fuga da tecnologia CDMA, fazendo incidir sobre este valor todos os tributos, diretos e indiretos"; 5.4. ao entrar no estoque a mercadoria foi escriturada pelo valor da Nota Fiscal, subdividido em dois valores: parte como custo propriamente dito correspondente ao que seria razoável pagar por ela no mercado naquele momento e o restante numa conta titulada como despesas de aquisição dentro do próprio grupo de contas do estoque, mas fora do inventário em si, correspondente ao sobrevalor exigido pela legislação que regula o preço de transferência entre empresas interdependentes; 5.5. na venda, a impugnante baixou a mercadoria do estoque (o Livro Registro de Inventário reflete isso), apurando seu resultado entre o preço efetivo da venda contra o valor registrado como custo da mercadoria, permanecendo no ativo contábil o valor de sobrepreço, que seria objeto de um ajuste no final com o fabricante/fornecedor, não tendo a contribuinte levado este prejuízo ao seu resultado, nem tirado qualquer proveito na apuração do imposto, o que poderia ter feito, mas manteve a diferença no ativo por representar um direito contra sua fornecedora, conforme acordo prévio entre as partes; 5.6. o levantamento especifico de estoque previsto no artigo 41 da Lei n° 9.430/1996, único artigo citado no enquadramento legal que trata de uma hipótese de presunção de omissão de receitas, não foi feito, nem guarda qualquer relação com o procedimento adotado pela fiscalização, já que o levantamento especifico identifica as entradas e saídas de material para conferir se os saldos de existência física são Fl. 205DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006164/200915 Acórdão n.º 140200.979 S1C4T2 Fl. 201 5 compatíveis com as entradas e com as saídas escrituradas nos livros; 5.7. o próprio Termo de Verificação Fiscal confirma que o Livro Registro de Inventário da impugnante reflete a absoluta verdade dos fatos; 5.8. a fiscalização questiona uma diferença de valor (não de quantidade) entre o Livro de Inventário e o Balanço Patrimonial, mas não uma diferença de existência física de qualquer item do estoque, o que de imediato afasta a aplicação do artigo 41 da Lei n° 9.430/1996; 5.9. não houve qualquer tentativa de manter o produto no estoque para esconder a receita correspondente a sua venda, que foi integralmente reconhecida no resultado do exercício, e a existência física da mercadoria foi baixada dos inventários, uma vez que foram emitidas as Notas Fiscais de Venda correspondentes; 5.10. fica descartada qualquer relação entre a hipótese legal do artigo 41 da Lei n° 9.430/1996 e o fato concreto, pois a fiscalização não encontrou nos estoques físicos mercadorias que ali não deveriam estar conforme os estoques escriturais, nem deixou de encontrar mercadorias que ali deveriam estar para respaldar o que estava nos livros, havendo uma consonância perfeita entre a existência física e as escriturais; 5.11. "nem mesmo uma analogia é possível entre o fato concreto e o que está na lei, pois o que está embasando a presunção de omissão de receita na lei é que não estando mais no estoque as mercadorias que ali deveriam estar, permite, sem provas, presumir ter sido estas mercadorias vendidas sem o correspondente registro das receitas, ou, ainda, estando ali mercadorias sem o devido registro nos livros permitiria se imaginar a existência de recursos A margem da escrituração, o que também redundaria em omissão de receitas"; 5.12. estão à disposição do Fisco as notas fiscais de vendas emitidas regularmente pelo fabricante, das quais foram anexadas algumas (fls. 169 a 174); 5.13. comunicou à fiscalização, conforme documento anexado (fl. 168), sobre a condição resolutória que pendia sobre a venda entre o fabricante e a impugnante e que era, como já explicado, as condições que a impugnante conseguisse em razão da mudança de tecnologia no mercado que desvalorizara radicalmente os produtos; 5.14. apesar da pendência, o fabricante reconheceu em seu resultado a venda efetuada, sem realizar qualquer prejuízo, computando a receita constante das notas fiscais emitidas sem qualquer abatimento ao mesmo tempo em que apurou o custo efetivo do produto, sem diferir, nem antecipar; Fl. 206DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006164/200915 Acórdão n.º 140200.979 S1C4T2 Fl. 202 6 5.15. a impugnante, por sua vez, registrou as mercadorias em seu inventário pelas quantidades e valores constantes dos documentos fiscais e dos conhecimentos de embarque e as manteve até conseguir vendêlas pelo preço possível, emitindo as correspondentes notas fiscais, cujos canhotos de entrega estão A disposição da administração tributária, e dando baixa na contabilidade e no registro de inventário, sempre com base na nota fiscal, sem a intenção de iludir quem quer que seja; 5.16. neste momento poderia ter realizado um prejuízo enorme afetando diretamente a base de cálculo dos impostos e contribuições, mas não o fez, pois não computou no resultado do exercício o custo do inventário que transferiu para outra conta do ativo dentro do grupo de estoque representativa do direito que tinha contra o fabricante formalizado por ocasião do recebimento da mercadoria no valor de R$27.275.027,46; 5.17. até este momento não houve omissão de receitas ou qualquer outro prejuízo foi dado A Fazenda Pública, mas ao contrário as duas empresas apresentaram resultados maiores que os reais, o fabricante ao reconhecer resultado que já sabia que não se realizaria e a impugnante ao não apropriar como seu o prejuízo já realizado na venda para terceiros, tendo se antecipado resultado que no momento da fiscalização já estava patente não se ter realizado; 5.18. a contabilização final do acerto entre as partes não provocará alguma tributação que, eventualmente pudesse ter sido postergada ou até mesmo dissimulada, já que o valor registrado no ativo da impugnante será baixado contra seu "Contas a Pagar", onde está registrada a divida com o fabricante pela compra das mercadorias, não afetando contas de resultado e o fabricante, por sua vez, terá que transformar em despesa a parcela do seu Contas a Receber que não se realizou, o que fará com que faça um ajuste no resultado já oferecido A tributação e que não se realizou; e 5.19. "faltou à fiscalização analisar com mais cuidado frente à legislação em vigor o que de fato aconteceu e não teria tirado a conclusão desastrada que tirou".” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 25.664 (fls. 178186) de 10/06/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação apresentada, exonerando na totalidade o crédito tributário em litígio. A decisão foi assim ementada. “OMISSÃO DE RECEITAS. INEXISTÊNCIA DE PRESUNÇÃO LEGAL. CARACTERIZAÇÃO INDIRETA. ÔNUS DO FISCO. Cabe à autoridade lançadora embasar com provas e indícios a ocorrência de omissão de receitas não verificada diretamente, nem decorrente de presunção legal. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA DE ESTOQUE. PREVISÃO LEGAL. Improcede a exigência quando o autuante Fl. 207DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006164/200915 Acórdão n.º 140200.979 S1C4T2 Fl. 203 7 não adota o critério determinado pela norma para verificar a hipótese autorizativa da presunção de omissão de receita.” Nos termos da legislação em vigor, aquele Colegiado recorreu de oficio a este Conselho. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006164/200915 Acórdão n.º 140200.979 S1C4T2 Fl. 204 8 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso de ofício é assente em lei (Decreto nº 70.235/72, art. 34, c/c a Lei n° 8.748, de 09/12/93, arts. 1° e 3°, inciso I), dele tomo conhecimento. Tratase de recurso de ofício interposto pela 1ª Turma da DRJ São Paulo I/SP que exonerou na totalidade o crédito tributário constituído pelos autos de infração constantes do presente processo. Assim se pronunciou aquele Colegiado: “6. Para se analisar o litígio contido no presente processo que trata de omissão de receitas, inicialmente é necessário dizer que ha duas espécies de constatação de omissão de receitas: a direta e a indireta. 7. A primeira ocorre sempre que a própria omissão de receitas ficar comprovada. Por exemplo: a fiscalização constata que notas fiscais emitidas não foram escrituradas, nem declaradas, ou que pagamentos de clientes não foram contabilizados. 8. Já na segunda espécie, não é a própria omissão que fica caracterizada, mas um outro fato contábil ou extracontábil, que tem relação lógica com omissão de receitas. Dito de outra forma: há uma presunção de que ocorreu omissão de receitas. Esta espécie pode ser de duas subespécies: a omissão de receitas decorrente de presunção legal e a omissão de receitas decorrente de presunção pura e simples acompanhada de provas indiciárias. Para que ocorra a primeira subespécie de omissão de receitas indireta basta que a lei diga que determinado fato a caracteriza. Já a decorrente de presunção pura e simples necessita o reforço de provas indiciárias. Notese que a necessidade da existência de lei ou de provas indiciárias decorre de que nem todo fato contábil ou extracontábil caracteriza omissão de receitas ainda que se construa um raciocínio lógicoabstrato que "demonstre" a omissão de receitas, pois ao mesmo tempo haverá a possibilidade deste mesmo fato contábil ou extracontábil não representar omissão de receitas. 9. Se ocorrer esta última hipótese (não existir omissão de receitas juntamente com o fato que, em regra, denota omissão de receitas) numa presunção legal de omissão de receitas, o contribuinte tem a possibilidade de comprovar esta situação. Isto é a chamada "inversão legal do ônus da prova" perfeitamente aceita pelo nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil — CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto n° 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (..) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006164/200915 Acórdão n.º 140200.979 S1C4T2 Fl. 205 9 10. Se, por outro lado ocorrer numa presunção pura e simples acompanhada de provas indiciárias, o sujeito passivo poderá apresentar provas indiciárias a seu favor que serão contrapostas aos elementos colhidos pelo Fisco. 11. São omissões de receitas decorrentes de presunções legais as hipóteses de depósitos bancários de origem não comprovada (artigo 42 da Lei n° 9.430/1996), passivo não comprovado, passivo já pago e não baixado, saldo credor de caixa, pagamentos a terceiros não escriturados (artigo 40 da Lei n° 9.430/1996 e artigo 281 do RIR11999), suprimento de caixa não comprovado (artigo 282 do RIR/1999) e levantamento quantitativo por espécie mais conhecido por auditoria de estoque (artigo 41 da Lei n° 9.430/1996). Observese que esta subespécie de omissão de receitas (presunção legal), pelo próprio fato de necessitar estar prevista em lei, é "numerus clausulus", ou seja, existe em número limitado. Já as presunções puras e simples acompanhadas de provas indiciárias, pela própria diversidade das situações e provas, não estão limitadas a determinado número ou tipo. 12. Esta classificação de presunção de omissão de receitas é utilizada pelo antigo Conselho de Contribuintes (explicita ou implicitamente), atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em seus julgados, conforme se depreende das seguintes ementas: "IRPJ E OUTROS OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS ANO DE 1996 FALTA DE PREVISÃO LEGAL DECADÊNCIA PRELIMINAR SUPERADA Somente a partir do anocalendário de 1997 passou a vigorar a Lei n° 9.430/96, que previu esta hipótese de infração em seu art. 40. Para o ano de 1996 tratase de presunção pura e simples, a necessitar de reforço de provas indiciárias, que, somadas, pudessem levar á caracterização da infração. Preliminar de decadência superada em função da apreciação do mérito." (Acórdão 10807.799, Oitava Câmara, de 12/05/2004, relator José Carlos Teixeira da Fonseca) "IRPJ ANOBASE DE 1991 OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO NÃO COMPROVADO Até o anocalendário de 1996, a existência de "passivo não comprovado" não comportava a aplicação direta da presunção legal de omissão de receitas, sem que o trabalho fiscal investigasse os reais efeitos do fato. O parágrafo único do art. 228 do RIR194 não tinha sustentação (Acórdão 10707.772, Sétima Câmara, sessão de 16/09/2004, relator Luiz Martins Valero) 13. Em qualquer dos casos, não se desobriga a autoridade de comprovar o(s) fato(s) que dá(ão) origem à omissão de receitas: ou aquele definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção juris tantum, ou aqueles outros, direta ou indiciariamente, mas sempre concretamente evidenciadores da materialidade da infração. 14. Pois bem, feita esta classificação, cabe definir em qual espécie se enquadra (ou não se enquadra) a Omissão de Receitas descrita no Termo de Verificação Fiscal de fls. 80 e 81. Facilmente percebese que não se trata de uma omissão de receitas constatada diretamente, pois o que a fiscalização descobriu de plano foi uma diferença, no montante de R$27.275.027,46 em 31/12/2005, entre os valores de estoque final escriturado no Livro de Inventário (R$4.359.843,80) e o constante no balanço geral (R$31.634.871,26). Também não se trata de uma omissão de receitas constatada por meio de presunção simples, porque além de não haver nenhum outro elemento ou indício que indiquem ter havido omissão de receitas, a autoridade fiscal não explica porque a diferença observada representa omissão de receitas. Neste ponto cabe reproduzir todo o texto da motivação para o ato Fl. 210DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006164/200915 Acórdão n.º 140200.979 S1C4T2 Fl. 206 10 administrativo do lançamento dos tributos discutidos no presente processo, no valor total atualizado até 30/11/2009 de R$17.572.340,71: "1. DIFERENÇA DE ESTOQUE Conforme Termo de Intimação IV, o contribuinte foi regularmente intimado no prazo de 10 (dez) dias a demonstrar a diferença apurada entre o estoque final em 31/12/2005 escriturado no Livro de Inventário no montante de R$4.359.843,80 e o estoque final constante no balanço geral encerrado em 31/12/2005 cujo saldo contábil é de R$31.634.871,26, acarretando diferença no importe de R$27.275.027,46. Em resposta a intimação IV, o contribuinte alegou que essa diferença foi contabilizada (sic) em separado do custo numa conta especifica do balancete, dentro do grupo de Estoques (conta 1.30.01.10.0050 — Entradas p/ Desp. Aquis. Fret. Carr. E Seg.) e que por problemas de ordem financeira este desconto ainda não foi concedido pela Evadin Indústrias Amazônia S/A decorridos 4 anos aproximadamente. Assim sendo, diante dos argumentos apresentados, rejeitamos as justificativas e a diferença de R$ 27.275.027,46 corresponde (sic) ao valor não justificado deverá ser considerado presunção de omissão de vendas." 15. Observese que a autoridade fiscal não diz porque rejeita as justificativas da contribuinte. 16. Diante disto, somente restaria a omissão de receitas constatada por meio de presunção legal, método de apuração este que foi o escolhido pelo auditor fiscal ao inserir o artigo 41 da Lei nº 9.430/1996 no enquadramento legal da autuação (fls. 80 e 87). O artigo 41 da Lei n° 9.430/1996 dispõe que a omissão de receita poderá ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de produtos, o que não se confunde com simples constatação de diferença de valor entre o Livro de Inventário e o Balanço Geral. É o método conhecido pelo nome de auditoria de estoques ou de produção. O artigo 41 da Lei n° 9.430/1996 assim o prevê: Art. 41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. § 1° Para os fins deste artigo, apurarse6 a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no inicio do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. § 2° Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. § 3° Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda. (negrito meu) 17. Do exposto, observase que, por este método de auditoria, em síntese, efetuase um levantamento das quantidades de produtos em estoque inicial + Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006164/200915 Acórdão n.º 140200.979 S1C4T2 Fl. 207 11 adquiridos (compras) e os compara, no final do período, com os produtos alienados (vendas) + produtos em estoque final, tributandose eventual diferença na quantidade de produtos, como omissão de receitas. 18. Entretanto, a hipótese legal para presumir que houve omissão de receitas contida no artigo 41 da Lei n°9.430/1996 não ocorre no presente caso. Como já dito, o artigo 41 da Lei n° 9.430/1996 diz que diferença de quantidade de produtos no estoque é que caracteriza omissão de receitas e, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 80), o procedimento se limitou a comparar os valores de estoque final escriturado no Livro de Inventário e o valor constante no Balanço Geral, inobservando totalmente a metodologia de auditoria disciplinada no artigo 41 da Lei n° 9.430/1996. 19. Observese que isso não significa que o fato de o contribuinte não comprovar lançamentos contábeis possa ficar sem nenhuma conseqüência tributária. A principal delas é a possibilidade do lucro ser arbitrado nos termos do artigo 530 do RIR/1999, método de apuração do lucro que não foi o utilizado no presente caso. 20. Acrescentese ainda que as outras normas que constam no Termo de Verificação Fiscal e no Auto de Infração (artigo 24 da Lei no 9.249/1995, artigos 249, inciso II, 251, parágrafo único, 261, 274, 279, 288 e 289 do RIR/1999) não tratam de omissão de receitas decorrente de presunção legal (o artigo 286 do RIR/1999 é a reprodução no regulamento do artigo 41 da Lei n° 9.430/1996). 21. Assim dispõe o artigo 333 do CPC, como já dito aplicado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, sobre o ônus da prova: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (negrito meu) 22. No presente caso, a fiscalização, que é o autor do procedimento fiscal, não prova, nem ao menos de maneira mínima, seu direito ao crédito tributário formalizado no presente processo. Não há prova direta, nem prova indiciária embasadora de presunção simples, nem presunção legal aplicada correta e oportunamente. 23. Diante disto, é até desnecessário analisar a impugnação, já que o lançamento é deficiente por si próprio. Cabe apenas dizer que a explicação dada pela contribuinte é verossímil, pois conforme pesquisas na internet, à época dos fatos geradores ora discutidos (anocalendário 2005), estava ocorrendo um aumento de mercado para a tecnologia de aparelhos de telefonia celular GSM e a AIKO (marca da contribuinte), que já comercializou no Brasil aparelhos CDMA, atualmente somente comercializa aparelhos GSM. Independentemente disto, é de conhecimento geral que as mudanças e novidades no mercado de aparelhos celulares é muito rápida, o que com certeza desvaloriza os modelos antigos. Além disto, é verdade que o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI Decreto no 4544, de 26 de dezembro de 2002) exige que as transferências de mercadorias entre empresas interdependentes sejam realizadas pelo preço corrente no mercado atacadista do remetente: Art. 136. 0 valor tributável não poderá ser inferior: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006164/200915 Acórdão n.º 140200.979 S1C4T2 Fl. 208 12 I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); (...) 24. Também não é estranho que uma empresa fique devendo a outra empresa do mesmo grupo econômico por quatro ou mais anos. 25. Em face do exposto, voto para que se julgue PROCEDENTE a impugnação apresentada contra os lançamentos discutidos neste processo.” Entendo que a decisão recorrida está devidamente motivada e os seus fundamentos de fato e de direito, que peço vênia ao autor para adotálos no presente julgado, não merecem reparos, pelo que encaminho o meu Voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio interposto. Sala das Sessões, em 11 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/05/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10830.008670/2003-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Período de apuração: 3º Trimestre 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003)
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO.
AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO SISTEMA ELETRÔNICO.
APRESENTAÇÃO APÓS 29/09/2003. INADMISSIBILIDADE.
Sem que haja prova do impedimento de utilização do sistema eletrônico,
considerase
não formulado o pedido de restituição apresentado em
formulário impresso após 29/09/2003.
Numero da decisão: 3302-001.622
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Recorrente ITAMBÉ INDÚSTRIA DE PRODUTOS ABRASIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Período de apuração: 3º Trimestre 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO SISTEMA ELETRÔNICO. APRESENTAÇÃO APÓS 29/09/2003. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja prova do impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10830.008670/200314 Acórdão n.º 330201.622 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem resumir a contenda. “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Ressarcimento em formulário a fl. 001, do Pedido de Ressarcimento eletrônico n° 41958.50305.151003.1.3.010751, autuado no processo n° 10830.90479.7/200609 apensado ao presente (fls. 005/017), e das Declarações de Compensação eletrônicas n° 39017.72552.071103.1.3.011001 (fls. 038/039), n° 13274.77654.071103.1.3.017595 (fls. 040/042) e n° 41062.45252.151003.1.3.012914, autuado no processo n° 10830.900332/200716 apensado ao presente (fls. 004/005), por meio dos quais a contribuinte pretende ter reconhecido o crédito no valor de R$ 25.004,75 e compensálo no todo em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, de que trata a Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997, com base na Lei 9.363, de 13 de dezembro de 1996, referentes ao 3o trimestre de 2003. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas SP, que, em 11/06/2004, emitiu Despacho Decisório (fl. 032), cientificado à contribuinte em 27/08/2004 (fl. 034), no qual considerou não formulado o pedido de ressarcimento entregue em formulário (em meio papel) e, posteriormente, em 16/10/2008, decidiu o pleito, mediante Despacho Decisório de fls. 082/084, no qual a autoridade competente homologou parcialmente as compensações em virtude de um dos pedidos de ressarcimento ter sido considerado não formulado por ser em formulário e, em conseqüência, o crédito efetivamente pleiteado e reconhecido foi em valor inferior ao das compensações pretendidas. Cientificada do Despacho Decisório, em 27/10/2008 (fl. 086), a contribuinte ingressou, em 31/10/2008, com a manifestação de inconformidade de fl. 087 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Afirma que o valor da glosa, de R$ 1.567,42, é referente ao pedido de ressarcimento protocolado em 05/11/2003 por meio de formulários, em virtude de não se ter conseguido enviálo pela Internet, devido à transição da própria RFB de um sistema anterior para sistema eletrônico, o que teria sido inclusive registrado no pedido protocolado, conforme a IN 600/2005, art. 16, §3°. 2. Esclarece que os ressarcimentos e compensações referentes ao 3º trimestre de 2003 e associados ao presente processo correspondem a dois conjuntos para os quais não ocorre Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10830.008670/200314 Acórdão n.º 330201.622 S3C3T2 Fl. 3 3 duplicidade do crédito, quais fossem: o Pedido de Ressarcimento em formulário protocolado em 05/11/2003, no valor de R$ 1.567,42, e a Declaração de Compensação PER/DCOMP n° 39017.72552.071103.1.3.011001 no mesmo valor; o Pedido de Ressarcimento eletrônico n° 41958.50305.151003.1.3.01 0751, no valor de R$ 23.437,33, e as Declarações de Compensação eletrônicas n° 41062.45252.151003.1.3.012914, no valor de R$ 17.333,59, e n° 13274.77654.071103.1.3.01 7595, no valor de R$ 6.103,74. Conclui requerendo o cancelamento do crédito pleiteado.” Em face do exposto a 8ª turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que tal pedido deveria inexoravelmente ter sido formulado em meio eletrônico. Intimada em 13.06.201, irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13.07.2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. O contribuinte apresentou, em 05/11/2003, Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI sendo o valor postulado referente ao crédito presumido de IPI de que trata a Portaria MF nº 38/97, tendo sido glosado o valor de R$ 1.567,42, em face do pedido ter sido apresentado em formulário impresso. Pedido de Restituição. Formulário Impresso. A Instrução Normativa SRF 210, de 30 de setembro de 2002, disciplinou a restituição e a compensação de quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, aprovando, em seu artigo 44, os formulários. In verbis o referido artigo: Art. 44. Ficam aprovados os formulários "Pedido de Restituição", "Pedido de Pagamento de Restituição", "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", "Pedido de Ressarcimento de IPI", "Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito" e "Declaração de Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10830.008670/200314 Acórdão n.º 330201.622 S3C3T2 Fl. 4 4 Compensação" constantes, respectivamente, dos Anexos I, II, III, IV, V e VI desta Instrução Normativa. Parágrafo único. A SRF disponibilizará, no endereço <www.receita.fazenda.gov.br>, os formulários a que se refere o caput. Já a Instrução Normativa SRF n° 320, de 11 de abril de 2003, aprovou, posteriormente, o programa e as instruções para preenchimento do Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Segue o artigo 1º da referida IN: Art. 1o Aprovar o programa e as instruções para preenchimento do Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Parágrafo único. O programa, de livre reprodução, está disponível na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Em 30 de março de 2004 foi editado a Instrução Normativa SRF nº 414, o qual passou a regulamentar o Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação, versão 1.3 (PER/DCOMP 1.3), estabelecendo as hipóteses em que o sujeito passivo deveria utilizar do Programa PER/DCOMP 1.3 para declarar compensação ou formular o seu pedido de restituição ou de ressarcimento à Secretaria da Receita Federal. In verbis o referido artigo: Art. 3º À exceção das hipóteses mencionadas no art. 2º, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições sob administração da SRF ou ser restituído ou ressarcido desses valores deverá encaminhar à SRF o correspondente formulário aprovado pelo art. 44 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, ou pelo art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 379, de 30 de dezembro de 2003, ao qual deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. Dessa forma, frente à alínea C, do inciso IV, do artigo 2º da IN supra, o contribuinte deveria ter utilizado o programa PER/DCOMP para fazer tal pedido. Art. 2º O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF ou ser restituído ou ressarcido desses valores deverá encaminhar à SRF, respectivamente, Declaração de Compensação, Pedido Eletrônico de Restituição ou Pedido Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10830.008670/200314 Acórdão n.º 330201.622 S3C3T2 Fl. 5 5 Eletrônico de Ressarcimento gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.3, nas seguintes hipóteses: (...) IV – tratandose de Pedido de Restituição formulado por pessoa jurídica, em todos os casos em que o crédito tenha sido reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, bem como naqueles em que o crédito do sujeito passivo se refira a: (...) c) pagamento indevido ou a maior de IRPJ, Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), IPI, Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), ITR, Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) ou Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) efetuado há menos de cinco anos mediante qualquer código de receita do respectivo imposto ou contribuição, inclusive multa moratória e juros moratórios do IRPJ, IRRF, IPI, IOF, ITR, Simples, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, CPMF ou Cide; No mesmo sentido, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 323, de 24 de abril de 2004, que previa em seu art. 3° que “os formulários a que se refere o art. 44 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional, embora admitida pela legislação federal, não possa ser requerido ou declarada a SRF mediante utilização do programa PER/DCOMP, aprovado pela Instrução Normativa SRF n° 320, de 11 de abril de 2003”. O parágrafo único do dispositivo supra determinava, ainda, que “na hipótese de descumprimento do disposto no caput, considerarseá não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação." Sendo assim, entendo que o contribuinte terse utilizado de formulário impresso para realizar o seu pedido de restituição, não obedeceu às condições legais expostas, razão pelo qual seu pedido de restituição deve ser considerado não formulado, em virtude da não utilização do Programa PER/DCOMP. Neste sentido, conheço do presente recurso, e negolhe provimento. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2012 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10830.008670/200314 Acórdão n.º 330201.622 S3C3T2 Fl. 6 6 (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 11060.000330/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO.
Atestado pelo órgão de origem, em diligência, a existência de parcelamento dos valores lançados pela autoridade fiscal, é de se confirmar os créditos tributários exigidos nas autuações. Informado pelo contribuinte, após a diligência, a desistência do recurso, descabe ao órgão julgador conhecê-lo, por perda de objeto.
Numero da decisão: 1202-000.842
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. Atestado pelo órgão de origem, em diligência, a existência de parcelamento dos valores lançados pela autoridade fiscal, é de se confirmar os créditos tributários exigidos nas autuações. Informado pelo contribuinte, após a diligência, a desistência do recurso, descabe ao órgão julgador conhecê-lo, por perda de objeto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. Atestado pelo órgão de origem, em diligência, a existência de parcelamento dos valores lançados pela autoridade fiscal, é de se confirmar os créditos tributários exigidos nas autuações. Informado pelo contribuinte, após a diligência, a desistência do recurso, descabe ao órgão julgador conhecêlo, por perda de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11060.000330/200953 Acórdão n.º 1202000.842 S1C2T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase de Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, relativo aos anos de 2003 a 2007, com aplicação da multa de ofício, no percentual de 150%, e dos juros de mora com base na taxa Selic, fls. 374 a 375v e fls. 381 a 383. Em síntese, de acordo com descrito no relatório do Acórdão nº 1811.096 da DRJ/Santa Maria, de fls. 504 a 515, foram apuradas as seguintes irregularidades: 1 omissão na entrega da DIPJ e entrega da DIPJ com valores zerados, ou com erro na informação das receitas auferidas; 2 omissão na entrega das declarações DCTF e DACON, ou entrega de DCTFs com valores zerados; 3 a autuada deixou de efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL devidos em todo o período fiscalizado; 4 falta de apresentação dos livros Diário e Razão dos anos de 2007 e 2007; 5 omissão de receitas auferidas nas vendas a prazo, dos anos de 2003 a 2005; Face às irregularidades acima, a fiscalização procedeu na apuração do lucro com base na sistemática do lucro real trimestral, nos anos de 2003 a 2005 e na sistemática do lucro arbitrado, nos anos de 2006 e 2007, efetuando a compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL apurados em períodos anteriores e o lançamento do IRPJ e da CSLL, que se encontram controlados no presente processo. Irresignada com a autuação, a empresa apresentou as impugnações de fls. 389/415 (IRPJ) e de fls. 437/463 (CSLL), alegando, em síntese: que a compensação dos prejuízos fiscais não poderia ser limitada a 30% do lucro real, uma vez que o legislador ordinário não pode ampliar o campo de incidência do IRPJ e da CSLL; aduz que grande parte de sua receita provém da prestação de serviços a prazo, que muitas vezes não são pagos, não podendo os mesmos servir de base de cálculo para a tributação; a multa de oficio aplicada não se presta ao caso dos autos, pois inexistiu qualquer ato tendente a ludibriar a fiscalização; Fl. 720DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11060.000330/200953 Acórdão n.º 1202000.842 S1C2T2 Fl. 3 3 combate a exigência de juros de mora calculados com base na taxa Selic, alegando a sua ilegalidade por afronta ao disposto no art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional. informa que efetuou parcelamento dos débitos conforme relação em anexo à impugnação; Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1811.096 da DRJ/Santa Maria, de fls. 504 a 515, com o seguinte ementário: INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMA LEGAL Os órgãos administrativos de julgamento não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legal. PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CALCULO NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. COMPENSAÇÃO A limitação da compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido decorre de lei, não cabendo ao agente administrativo afastar a sua aplicação por conta de eventual inconstitucionalidade ou ilegalidade da norma impositiva. CSLL. DEDUÇÃO DO LUCRO REAL E DA SUA PRÓPRIA BASE DE CALCULO A vedação da dedução da CSLL para efeito de determinação do lucro real e da sua própria base de cálculo decorre de lei, não cabendo ao agente administrativo afastar sua aplicação por conta de eventual inconstitucionalidade ou ilegalidade da norma impositiva. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros morat6rios do crédito tributário decorre de lei, não cabendo ao agente administrativo afastar sua aplicação por conta de eventual inconstitucionalidade ou ilegalidade da norma impositiva. PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE O inicio do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, não cabendo a exclusão do auto de infração de valores confessados, pagos ou parcelados no curso da ação fiscal. IRPJ. CSLL. REGIME DE CAIXA A adoção do regime de caixa para reconhecimento de receitas somente é facultado aos optantes pela sistemática de tributação pelo lucro presumido e pelo Simples. Na hipótese dos autos, sendo o sujeito passivo optante pela sistemática de tributação Fl. 721DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11060.000330/200953 Acórdão n.º 1202000.842 S1C2T2 Fl. 4 4 pelo lucro real, não há previsão legal para a utilização do regime de competência. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO A falta de apresentação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, ou sua apresentação com apenas uma parte da receita declarada, aliada à falta de apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Federais, ou sua apresentação sem a informação dos valores dos tributos vencidos, configura a hipótese de sonegação fiscal, pois impede ou retarda o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, justificando o agravamento da multa de oficio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não satisfeito com a decisão proferida, a interessada impetrou recurso voluntário, em 04/11/2009, de fls. 524 a 552, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Na oportunidade, solicita a exclusão dos valores objeto de parcelamento. Ao compulsar os autos, verifiquei que foi emitido Despacho pela unidade de origem, DRF/Santa Maria, de fls. 501 a 503, informando que parte dos valores objeto dos lançamentos ora examinados encontramse parcelados no processo nº 1060.000261/200988. Um novo Despacho da unidade de origem informou da adesão da autuada ao “parcelamento especial” instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, nos seguintes termos, fls. 523: 2. Fazendo uma consulta nos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil verificamos que o sujeito passivo solicitou a adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei 11.941, de 27/05/2009, conforme. se verifica pelo estrato de telas os sistemas "SINAL10" e “PAEX", anexados às fIs. 521/522 do presente processo. A informação da existência do “parcelamento especial” acima referido, indicava a possibilidade da recorrente ter desistido do litígio, em parte ou de todo os lançamentos controlados no presente processo. Dessa forma, considerando a existência de parcelamento no processo nº 1060.000261/200988 e da adesão ao “parcelamento especial” instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, esta Turma julgadora aprovou a Resolução 1202000.105, de 22 de novembro de 2011, convertendo o julgamento do recurso em DILIGÊNCIA, para que a autoridade administrativa de origem se manifestasse a respeito dos parcelamentos referidos, informando os valores do IRPJ e CSLL lançados no presente processo, confrontados com aqueles objeto dos parcelamentos, com a indicação de possíveis saldos remanescentes O processo retornou a este órgão julgador com o resultado da diligência e a respectiva manifestação da empresa autuada, de fls. É o Relatório. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11060.000330/200953 Acórdão n.º 1202000.842 S1C2T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre apurar se os valores exigidos na autuação encontramse parcelados, face à diligência proposta por esta Turma Julgadora com essa finalidade. A unidade de origem, como resultado da diligência, prestou as seguintes informações, fls.: “2. Face ao acima exposto, pesquisamos os valores de IRPJ e CSLL, declarados pelo contribuinte em DCTF e processados nos sistemas de controle da SRF, concluindose que há duplicidade de informação, para os períodos de apurações de 2006 ( 1º ao 4º trimestres) e 2007 (1º e 2º trimestres), com períodos lançados através do Auto de Infração constante deste processo, que abaixo passamos a especificar: a) IRPJ/CSLL – 1º , 2º, 3º e 4º trimestres/2006: Quando em procedimento fiscal, o contribuinte confessou referidos períodos através das DCTF retificadoras nº 200620082050306987 (1º e 2º trim/2006) e nº 200620082080274992 (3º e 4º trim/2006), incluindoos no parcelamento especial da Lei 11941/2009. b) IRPJ/CSLL – 1º e 2º trimestres/2007: Quando em procedimento fiscal, o contribuinte confessou os referidos períodos através da DCTF retificadora nº 200720082030357499, que foram objeto de parcelamento através do processo nº 11060.000261/200988, parcelamento esse deferido em 23/01/2009. Por inadimplência, o parcelamento foi rescindido em 07/06/2009 e encaminhado à Dívida Ativa da União e posteriormente incluído no parcelamento especial da Lei 11941/2009. 3. Outrossim, os créditos tributários constituídos pelo Auto de Infração, constante do presente processo, também se encontram incluídos no parcelamento especial da Lei 11941/2009.” Os períodos lançados nos autos de infração correspondem aos anos de 2003 até o 2º trimestre de 2007, fls. 375 e seguintes. Já as informações prestadas pela unidade de origem, em diligência, indica que haveria duplicidade de débitos entre os valores informados em DCTF e aqueles lançados nos Autos de Infração, relativos ao período de 1º ao 4º trimestres de 2006 e 1º e 2º trimestres de 2007. Por fim, informa, ainda, que “os créditos tributários constituídos pelo Auto de Infração, constante do presente processo, também se encontram incluídos no parcelamento especial da Lei 11941/2009.” Fl. 723DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11060.000330/200953 Acórdão n.º 1202000.842 S1C2T2 Fl. 6 6 Por seu turno, o contribuinte, ao se manifestar a respeito do resultado da diligência, informa, fls.: “Em resposta à Resolução Carf – Diligência, Processo: 11060.000330/2009 53, a empresa Sociedade Rádio Santamariense Ltda., CNPJ 95.594.990/000140, tem a confirmar que houve a desistência de recurso deste processo, o qual encontra se parcelado na Lei 11941/2009.” (destaquei) Assim, sem maiores discussões, pareceme claro que os valores exigidos nas autuações encontramse devidamente parcelados na sistemática da Lei nº 11.941, de 2009, fato informado pela unidade de origem e atestado pelo próprio contribuinte, tendo inclusive confirmado a desistência de recurso no presente processo, descabendo a este órgão julgador conhecer do recurso, por perda de objeto. Em face do exposto, voto para que não se conheça do recurso voluntário, por perda de objeto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 724DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000573/00-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA – ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO
NACIONAL – CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA.
Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário
Nacional – CTN – nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de
fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não
recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo
Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em
caráter repetitivo).
Numero da decisão: 3302-000.826
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida DRJ Salvador/BA DENÚNCIA ESPONTÂNEA – ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA. Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN – nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Relatório Tratase de Pedido de Homologação de Denúncia Espontânea (fls, 01/08), acompanhado da comprovação do pagamento de valores de PIS e COFINS, que não haviam sido declarados nem pagos, em razão de erro no sistema de apuração de impostos do contribuinte, ora Recorrente. Conforme relatado na petição apresentada, tão logo constatado o equívoco na declaração dos tributos, e a correspondente ausência no recolhimento, o contribuinte promoveu a declaração e pagamento do valor de principal, acrescido de juros, mas sem computar qualquer penalidade, inclusive a multa moratória. A DRF ao analisar o pedido da Recorrente (fls. 10/11) indeferiu a homologação do pagamento, por entender que a denúncia espontânea não afasta a incidência da multa moratória. No entender do órgão a multa moratória não teria caráter punitivo – mas sim natureza compensatória, razão pela qual não poderia ser afastada, mesmo nos casos em que há denúncia espontânea. Irresignada a Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade (fls. 13/15), alegando, essencialmente, que a legislação (art. 138 do CTN) exclui a aplicação a responsabilidade pela infração, quando o contribuinte promove a denúncia espontânea de seus débitos, não fazendo qualquer distinção entre os tipos de multa, devendo, portanto, ser afastada a aplicação de qualquer multa – inclusive a moratória. Cita decisões do então Conselho de Contribuintes, que corroboram seu entendimento. Sobreveio a decisão da DRJ (fls. 36/40) que indeferiu a manifestação de inconformidade, por entender devida a multa moratória, mesmo nos casos em que ocorre a denúncia espontânea, pois tal multa teria caráter indenizatório e não punitivo. Apresentado Recurso Voluntário (fls. 46/52), no qual a Recorrente reitera seus argumentos, trazendo julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais e Superior Tribunal de Justiça, que corroboram seu entendimento de que toda multa – inclusive e especialmente a moratória – devem ser afastadas nos casos em que ocorre a denúncia espontânea. Os autos foram então distribuídos para o 1º Conselho de Contribuintes, que decidiu por declinar a competência, em favor desta Seção, tendo em vista tratarse de denúncia espontânea de valores de PIS e de COFINS (fls. 57/62). Vieramme os autos para análise (fls. 63), é o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13502.000573/0006 Acórdão n.º 330200.826 S3C3T2 Fl. 2 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. Cingese a controvérsia à questão da aplicabilidade ou afastamento da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, formalizada por contribuinte, antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório. De início importa ressaltar que nos autos não há qualquer discussão quanto à ocorrência ou não da denúncia espontânea. Vale dizer, não é caso de declaração de tributos desacompanhada de pagamento, o que poderia afastar a caracterização da denúncia espontânea, na esteira do que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). Ao contrário, em momento algum tal possibilidade foi sequer aventada, tendo a DRF e a DRJ reconhecido tratase de caso “clássico” de denúncia espontânea clássico, em que o contribuinte não havia realizado a declaração dos tributos, e o faz – acompanhada do pagamento de principal acrescido de juros moratórios – antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório. O que se discute nos autos, portanto, é se, diante do instituto da denúncia espontânea é cabível a aplicação da multa moratória. Feitas tais considerações iniciais, passase ao exame da matéria sob julgamento. O fundamento aplicado pelos julgadores administrativos de primeira instância para manter a exigência da multa moratória em casos de denúncia espontânea, é de que tal multa não pode ser considerada uma penalidade. São no seguinte sentido as afirmações da DRJ, verbis: “O instituto da denúncia espontânea exclui tãosomente a responsabilidade por infrações, o que significa afastar as penalidades aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente. Contudo, como a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabe a exclusão de sua exigência nos casos de denúncia espontânea.” É evidente a confusão de conceitos por parte da Delegacia de Julgamento DRJ. De início a r. decisão ora atacada afirma que a denúncia espontânea afasta as penalidades aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente. Neste ponto é irrepreensível o raciocínio traçado, afinal, o artigo 138 do CTN é claro em afastar a aplicação de quaisquer penalidades, nos casos de denúncia espontânea. Novamente, de se destacar que, no presente caso, não há dúvidas que se trata de denúncia espontânea. Logo, a conclusão lógica é de que, porque o caso sob análise é um caso de denúncia espontânea segundo a própria DRJ devem ser afastada a aplicação de quaisquer penalidades. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 O problema é que, na sequência, a decisão atacada apresenta uma afirmação descabida, ao asseverar que a multa de mora não é sanção ou penalidade (?!), mas sim uma forma de indenização. Ora, para clarear a questão, vejamos o que dizem os dicionários a respeito do vocábulo MULTA: “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: Multa: Ato ou efeito de multar 1.Rubrica: termo jurídico. Sanção pecuniária. Dicionário Michaelis: Multa: 1 Ato ou efeito de multar; coima, pena pecuniária a quem infringe leis ou regulamentos. 2 Condenação, pena. Pareceme claro que o conceito de multa nada mais é, do que o conceito de SANÇÃO. Multa é sempre uma penalidade! Não há qualquer dúvida quanto ao conceito, seja em sua literalidade, seja na aplicação do mesmo em toda legislação fiscal, doutrina e jurisprudência. Neste sentido, pareceme descabida a afirmação de que multa de mora não caracteriza sanção. Ainda mais complicado, é a classificação da multa de ofício como uma “sanção punitiva” e da multa moratória como uma “sanção compensatória”. Sanção punitiva é puro pleonasmo. Afinal, toda sanção é conceitual e literalmente uma punição. E ainda que se pretenda realizar uma digressão sobre a multa moratória ser ou não uma sanção compensatória, será, ainda assim, uma sanção. Ou seja, a multa moratória – ainda que se pretenda qualificála de qualquer outra forma – sempre será uma sanção, uma punição. A este respeito, destacase que a sanção, enquanto meio coercitivo, é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe1. Logo, sendo a sanção a conseqüência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, então, a natureza da sanção está diretamente relacionada com a natureza da norma jurídica desobedecida, melhor dizendo, com o ilícito que tenta impedir. No caso da multa moratória, buscase repreender o atraso no pagamento dos tributos, penalizando o contribuinte pelo descumprimento da obrigação de recolher o tributo na data legalmente estipulada. Nada tem, portanto, a multa moratória de caráter compensatório. É pura e simplesmente uma sanção aplicada em razão de o contribuinte terse colocado em estado de mora, frente ao dever jurídico de pagar o tributo. O Estado não aplica a multa moratória para se ver indenizado ou compensado de um delito do contribuinte. Indenizações são devidas quando há patrimônio a ser restabelecido, recomposto, em razão de determinado comportamento que ofendeu de alguma forma este patrimônio. 1 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário.Carnaval Tributário. São Paulo: Saraiva, 1989, p556. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13502.000573/0006 Acórdão n.º 330200.826 S3C3T2 Fl. 3 5 No caso de tributos esta recomposicão patrimonial é efetuada por meio da cobrança dos juros moratórios – este sim com função de restabelecer o patrimônio do Estado, em razão do atraso no pagamento (recomposicão monetária do valor devido, e pago em atraso). Tanto assim que os juros moratórios não são afastados quando o pagamento da denúncia espontânea é efetuado – justamente porque afastase as multas, mas não se afasta a recomposição da moeda, que não decorre de responsabilidade, tampouco se relaciona à infração, mas ao mero atraso no pagamento, que deve ser compensado. Neste sentido, destacase o voto proferido pelo Ministro Castro Meira, em decisão que asseverou que a denúncia espontânea exclui a incidência de qualquer tipo de multa, verbis: “A expressão "multa punitiva" é até pleonástica, já que toda multa tem por objetivo punir, seja em razão da mora, seja por outra circunstância, desde que prevista em lei. Daí, a jurisprudência deste Superior Tribunal terse alinhado no sentido de que a denúncia espontânea exclui a incidência de qualquer espécie de multa, e não só a "punitiva", como quer o recorrente”. (Recurso Especial nº 1.029.364, Relator Min. Castro Meira, julgamento em 03/04 2008) De qualquer modo, mesmo a denominação adotada pela DRJ, no sentido de diferenciar multas “punitivas” de multas “compensatórias” (ou indenizatórias), nas quais se classificariam as multas moratórias, também não influencia no caso da denúncia espontânea. Isto porque tanto uma como a outra são afastadas nos casos em que o contribuinte, antes de qualquer procedimento fiscalizatório, promove extemporaneamente a declaração e pagamento de tributo. Isto porque o art. 138 do CTN é claro ao afastar a responsabilidade por infrações e, portanto, a aplicação de quaisquer multas – sejam ela punitivas, compensatórias, indenizatórias, ou quaisquer outras denominações que venham a ser criadas. Ou seja, tratandose de multa, qualquer que seja sua classificação – de ofício, isolada, moratória, punitiva, compensatória, indenizatória, etc. – quando se verificar a ocorrência de denúncia espontânea, a multa está afastada. A este respeito já se posicionou o Superior Tribunal de Justiça, verbis: “A distinção entre multa moratória e multa punitiva alegada no regimental é completamente desnecessária neste caso, em que, caracterizada a denúncia espontânea, ambas são excluídas.” (Ag Rg no Resp 919.886 – Humberto Martins – DJe 24/02/2010) Aliás, é firme a posição daquele tribunal a respeito do afastamento da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, justamente porque, sendo uma multa (não importa de qual tipo), tem de ser afastada nos casos do art. 138 do CTN, verbis: “TRIBUTÁRIO – TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – CONFISSÃO DA DÍVIDA ACOMPANHADA DO PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA (CTN, ART. 138) – CARACTERIZAÇÃO. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 1. O contribuinte, ao espontaneamente denunciar o débito tributário em atraso e recolher o montante devido, com juros de mora, ou seja, na integralidade, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização fica exonerado de multa moratória. 2. O contribuinte, in casu, pagou o débito, integralmente, antes de qualquer procedimento fiscal, nos termos do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 936085 / SP, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 18/12/2007) “TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. PRECEDENTE: RESP. 907.710/SP. (...) 4. Relativamente à natureza da multa moratória, esta Corte já se pronunciou no sentido de que "o Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal, sendo inexigível no caso de denúncia espontânea, por força do artigo 138 (...)" (REsp 169877/SP, 2ª Turma, Min. Ari Pargendler, DJ de 24.08.1998). Precedente: AgRg nos EREsp 584.558/MG, Luiz Fux, Primeira Seção, DJ 20.03.2006.” (REsp 905056 / SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 11/12/2007). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO INTEGRAL ANTERIOR A QUALQUER PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO E ANTES DA ENTREGA DA DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA (CTN, ART. 138). 1. Os Embargos de Declaração opostos pela parte têm nítido caráter infringente, e em face do Princípio da Fungibilidade Recursal, recebo os embargos como agravo regimental. 2. Ocorrendo o pagamento integral da dívida com juros de mora antes da entrega da DCTF e de iniciado qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização, configurada está a denúncia espontânea pelo contribuinte, afastando a aplicação da multa moratória. Agravo regimental improvido.” (EDcl nos EDcl no AgRg no AgRg no REsp 977055 / PR, Relator Min. Humberto Martins, DJe de 03/05/2010) Na esteira da posição firmada pelo Superior Tribunal de Justiça a Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF) também já se posicionou pelo afastamento da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, verbis: “MULTAS DE OFICIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal benefício de exclusão da multa, seja de ofício ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13502.000573/0006 Acórdão n.º 330200.826 S3C3T2 Fl. 4 7 Nacional (CTN). Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/03 04.690, Relator: Carlos Henrique Klaser Filho, DOU de 08.08.2007) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA INAPLICABILIDADE DA MULTA DE MORA:A denúncia espontânea de infração, acompanhada do pagamento do tributo em atraso e dos juros de mora, exclui a responsabilidade do denunciante pela infração cometida, nos termos do art. 138 do CTN, o qual não estabelece distinção entre multa punitiva e multa de mora sendo, portanto, inaplicável esta última. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido.” (Acórdão CSRF/0104.863, Relator José Carlos Passuelo, sessão de 16/02/2004). ‘DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido”. (Acórdão CSRF/0305.102, Relatora Anelise Daudt Prieto, sessão de 06/11/2006) “TRIBUTÁRIO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA – CTN ART. 138 – MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO IMPROCEDÊNCIA. Tendo o contribuinte efetuado o recolhimento do imposto devido, corrigido monetariamente e com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte de fisco, há de se lhe aplicar o benefício da denúncia espontânea estabelecido no art. 138, do Código Tributário Nacional, que alcança todas as penalidades, sejam punitivas ou compensatórias, decorrentes do descumprimento de obrigações principais e/ou acessórias, sem distinção. A MULTA DE MORA é, portanto, excluída pela denúncia espontânea, não se comportando, de forma alguma, a aplicação de multa de ofício, seja a prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, ou qualquer outra.”(Acórdão CSFR/0304.145) Assim, como no presente caso não há dúvida quanto ao procedimento adotado pelo contribuinte – declarando e pagamento o tributo extemporaneamente, antes de qualquer procedimento fiscalizatório – tampouco resta qualquer dúvida quanto a estar configurada a denúncia espontânea, sendo, então, aplicável o artigo 138 do CTN. Deve, portanto, ser afastada qualquer penalidade, seja ela a multa de ofício, seja ela a multa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 moratória, ou compensatória, ou indenizatória, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e ampla jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em face do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que seja reformada r. decisão proferida pela DRJ, tendo em vista que não há incidência de qualquer multa, em especial a multa de mora, nos casos em que se configura a denúncia espontânea. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2011. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10680.723509/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
PRELIMINAR DE NULIDADE - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ. MAJORAÇÃO DE CUSTOS - DOCUMENTO HÁBIL. A dedução dos valores correspondentes à majoração de custos decorrente de regularização de quantidade de carvão vegetal, valor unitário e complementos de preço, somente pode ser admitida se o contribuinte apresentar a nota fiscal complementar emitida pelo fornecedor do insumo ou documento hábil e idôneo que o comprove.
GLOSA DE CUSTOS - FALTA DE COMPROVAÇÃO. Devem ser glosados os custos totais contabilizados com base em nota fiscal emitida por fornecedor de insumo, quando os elementos de prova produzidos pela autoridade fiscal evidenciarem a falta de capacidade do contribuinte de comprovar a efetividade da operação e o pagamento correspondente efetuado ao suposto fornecedor.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento da CSLL que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E SEM CAUSA. Está sujeito a incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, bem como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.185
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza, para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. MAJORAÇÃO DE CUSTOS DOCUMENTO HÁBIL. A dedução dos valores correspondentes à majoração de custos decorrente de regularização de quantidade de carvão vegetal, valor unitário e complementos de preço, somente pode ser admitida se o contribuinte apresentar a nota fiscal complementar emitida pelo fornecedor do insumo ou documento hábil e idôneo que o comprove. GLOSA DE CUSTOS FALTA DE COMPROVAÇÃO. Devem ser glosados os custos totais contabilizados com base em nota fiscal emitida por fornecedor de insumo, quando os elementos de prova produzidos pela autoridade fiscal evidenciarem a falta de capacidade do contribuinte de comprovar a efetividade da operação e o pagamento correspondente efetuado ao suposto fornecedor. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento da CSLL que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E SEM CAUSA. Está sujeito a incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, bem como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Recurso voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 35 09 /2 01 0- 56 Fl. 5916DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.917 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza, para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e IRRF (fls. 1/31), cumulados com juros e multa de ofício (75%), referentes a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2005 e 2006, em virtude da (i) glosa de custos não comprovados, decorrentes da constatação da dedução de compras de carvão vegetal em valor superior ao constante das notas fiscais de aquisição, (ii) da insuficiência no recolhimento de COFINS e (iii) da realização de pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa. Inicialmente, foi instaurada fiscalização para verificação dos créditos das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS Não Cumulativos Exportação, referente ao período de 01/04/2005 a 31/12/2006. Verificouse posteriormente, conforme Registro de Procedimento Fiscal n° 06.1.01.002009023070, datado de 17/08/2010, a necessidade de extensão dos procedimentos fiscais também em relação ao IRPJ, CSLL e IRRF, em razão da constatação da existência de valores sujeitos à glosa das respectivas bases declaradas nas DIPJ’s 2006 e 2007. Como resultado da ação fiscal, além do lançamento das diferenças de IRPJ, CSLL (apurados em ambos os anoscalendário sob o regime anual de tributação, conforme declarado nas mencionadas DIPJ) e IRRF, oriundos da glosa de custos de insumos, foi também realizada a comparação e reconstituição dos DACON apresentados pelo contribuinte à RFB, que, em face das divergências constatadas em relação à legislação de regência da matéria, repercutiram em lançamento de valores relacionados somente à COFINS, devidas nos meses de Fl. 5917DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.918 3 janeiro e fevereiro de 2006, haja vista o aproveitamento, de oficio, dos créditos acumulados e declarados pelo contribuinte nas respectivas DACON. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 32/77), a Fiscalização explica as irregularidades apuradas, a seguir resumidas. Inicia afirmando que a suposta diferença entre o valor registrado na nota fiscal emitida pelo fornecedor e o valor real de aquisição do bem deve ser suprida com emissão de nota complementar pelo vendedor, já que não há previsão legal para emissão de nota fiscal de entrada englobando a suposta diferença, mormente quando não restar comprovado o custo adicional. Assim, não haveria como considerar tais valores como dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, já que correspondentes à majoração de custo, calculada em função de suposta regularização advinda de diferenças de quantidades de carvão vegetal, de valor unitário e também de complemento de preço (equivalente ao ICMS destacado em DAEMS emitido em nome do vendedor do carvão vegetal), com base tão somente em notas fiscais de entrada emitidas pelo próprio contribuinte fiscalizado. Em relação aos documentos apresentados pelo contribuinte como prova do pagamento das notas fiscais de entrada por ele próprio emitidas (vide cópias reprográficas juntadas por amostragem nos Anexos II a VIII), argumenta que, além de se referirem, em quase sua totalidade, a cópias de cheques emitidos ao portador e/ou nominalmente a terceiros, também não conseguem demonstrar o custo adicional (diferenças de quantidades, valores e complementos de preço). Isso porque, o próprio contribuinte, intimado por duas vezes a apresentar prova documental que evidenciasse a vinculação das pessoas físicas beneficiárias dos pagamentos registrados como efetuados aos respectivos fornecedores de carvão vegetal (mediante apresentação, dentre outros, do instrumento de procuração que autorize o recebimento por Conta e ordem dos respectivos fornecedores), reconheceu a impossibilidade de apresentar qualquer documentação que demonstrasse a vinculação havida entre as pessoas indicadas nos cheques e seus fornecedores. Além disso, a fiscalização entendeu que, mesmo nos casos em que se verificou a existência de cheques nominais ao vendedor do carvão vegetal, tais pagamentos não serviriam, por si sós, para comprovar a efetividade do custo adicional descrito nas notas fiscais de entrada emitidas pelo contribuinte, já que desacompanhados de nota fiscal complementar emitida pelo vendedor do carvão vegetal. Pela mesma razão, entendeu insuficientes os documentos relativos aos controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, apresentados e produzidos pelo contribuinte à fiscalização. Além da glosa da diferença de custos de aquisição contabilizados e não comprovados, em relação a alguns fornecedores foram glosados os custos totais da operação, constantes da nota fiscal original do fornecedor, conforme demonstrativos às fls. 464/518. Nesse tocante, a fiscalização aponta diversos motivos pelos quais passou a questionar a efetiva aquisição do carvão vegetal, quais sejam: Fl. 5918DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.919 4 (i) Alguns fornecedores apresentaram informação a RFB atestando estar INATIVO e/ou não haver realizado nenhuma operação de venda comercial durante o período fiscalizado; (ii) As Notas Fiscais avulsas apresentadas pelo contribuinte foram firmadas por pessoas físicas sem a comprovação do vínculo com a pessoa jurídica nelas indicadas como remetentes do carvão vegetal (o que foi verificado inclusive através de diligência efetuada junto aos estabelecimentos fornecedores e intimação das pessoas físicas relacionadas); (iii) As Autorizações para Transporte de Produto Florestal – ATPF foram emitidas e/ou firmadas por pessoas distintas do fornecedor; (iv) Os supostos pagamentos não puderam ser comprovados por meio dos vários cheques apresentados e emitidos ao portador e/ou nominais a pessoas distintas do fornecedor, bem como por meio de recibos de depósitos bancários a favor de pessoas físicas, as quais o contribuinte também não conseguiu demonstrar a indispensável vinculação que autorize os respectivos recebimentos por conta e ordem do fornecedor; (v) Os recibos apresentados foram firmados por pessoas que o contribuinte não conseguiu comprovar a correspondente vinculação aos fornecedores e/ou a devida autorização formal para o recebimento em nome do respectivo fornecedor. (vi) A maior parte dos cheques apresentados não foram sacados e/ou depositados pela pessoa jurídica ou física. Em decorrência do exposto, a fiscalização entendeu (i) não restar comprovada a operação ou a causa dos pagamentos efetuados a terceiros, sócios, acionistas ou titulares das pessoas jurídicas supostamente fornecedoras de carvão vegetal, e (ii) não restar comprovado o pagamento do preço dos bens, direitos ou serviços supostamente adquiridos pelo contribuinte, sujeitando tais pagamentos à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de 35%. Finalmente, a partir da glosa de custos de IRPJ e CSLL, da análise de diversos PER/DCOMP’s (análise detalhada nos processos indicados na tabela baixo) e da reconstituição dos créditos de PIS e COFINS declarados em DACON, a ação fiscal apurou débitos de COFINS. 10680.016541/200514 COFINS Exportação 2° Trimestre de 2005 10680.723324/201041 COFINS Exportação 3° Trimestre de 2005 10680.723372/201030 COFINS Exportação 4º Trimestre de 2005 10680.723459/201015 COFINS Exportação 1º Trimestre de 2006 10680.723468/201006 COFINS Exportação 2° Trimestre de 2006 10680.723487/201024 COFINS Exportação 3º Trimestre de 2006 10680.723503/201089 PIS Exportação 2° Trimestre de 2005 Fl. 5919DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.920 5 10680.723504/201023 PIS Exportação 3° Trimestre de 2005 10680.723505/201078 PIS Exportação 4° Trimestre de 2005 10680.723506/201012 PIS Exportação 1º Trimestre de 2006 10680.723507/201067 PIS Exportação 2° Trimestre de 2006 10680.723508/201010 PIS Exportação 3° Trimestre de 2006 Os valores lançados estão demonstrados por meio das planilhas intituladas "Controle de Compensação de Créditos COFINS/PIS – Ajuste de Saldos Apurados no DACON", às fls. 78/100. Também restou apurada a tomada de créditos indevidos de PIS e COFINS incidentes sobre aquisições de pessoa jurídica não tributada, a saber, Associação Regional de Proteção Ambiental (CNPJ n°. 03.817.553/000120). Diante do exposto, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 341/587), acompanhada da documentação que passou a compor os anexos XVI a XVIII, expondo, em síntese, que: (i) é nulo o auto de infração, diante da ausência de intimação relativa à extensão do procedimento fiscal; (ii) o valor lançado nas notas fiscais de entrada "é pulverizado entre os envolvidos no processo" de corte, produção, transporte e todos os demais serviços relacionados ao carvão vegetal, prática autorizada pelo produtor/fornecedor, sendo que, os pagamentos eram feitos, em sua maioria, aos motoristas encarregados do transporte; (iii) não há fundamentação contrária eficaz que embase as alegações da fiscalização no sentido de ilegalidade do complemento de preço nas operações com carvão vegetal, uma vez que havia expressa permissão legal no RICMS/MG autorizando a prática da emissão da nota fiscal de entrada com o complemento de preço, o que caracteriza invasão de competência do Fisco Federal; (iv) houve invasão de competência tributária, uma vez que a fiscalização escudouse da legislação do Estado de Minas Gerais para lançar impostos federais; (v) é inconteste a efetividade dos pagamentos aos fornecedores, seja por meio de cheques nominais, depósitos em conta corrente e cheques ao portador com expressa referência à nota fiscal correspondente à operação; (vi) a produção de ferrogusa é compatível com o volume de carvão vegetal adquirido; (vii) é necessária a realização de perícia contábil para comprovar o alegado (quesitos formulados e assistentes técnicos indicados às fls. 568/570); (viii) os beneficiários dos recursos (fornecedores de carvão vegetal) foram devidamente identificados, sendo improcedente o lançamento de IRRF; e (iv) as diferenças de COFINS a recolher apontadas pela fiscalização não existem, uma vez que a empresa apresentou DACON de forma clara e transparente, em consonância com as normas de regência. A 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, para (i) rejeitar a preliminar de nulidade, (ii) rejeitar o pedido de perícia; e (ii) manter integralmente o crédito tributário exigido, nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Fl. 5920DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.921 6 Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007 MAJORAÇÃO DE CUSTOS DOCUMENTO HÁBIL A dedução dos valores correspondentes à majoração de custos decorrente de regularização de quantidade de carvão vegetal, valor unitário e complementos de preço, somente pode ser admitida se o contribuinte apresentar a nota fiscal complementar emitida pelo fornecedor do insumo, porquanto seja, nesse caso, ineficaz a nota fiscal de entrada. GLOSA DE CUSTOS FALTA DE COMPROVAÇÃO Devem ser glosados os custos totais contabilizados com base em nota fiscal emitida por fornecedor de insumo, quando os elementos de prova produzidos pela autoridade fiscal evidenciarem a falta de capacidade do contribuinte de comprovar a efetividade da operação e o pagamento correspondente efetuado ao suposto fornecedor. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento da Contribuição Social que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não hi nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Exercício: 2006, 2007 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E PAGAMENTOS SEM CAUSA Está sujeito a incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, bem como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2006, 2007 GLOSA DE CUSTOS CRÉDITOS INFORMADOS EM DACON Mantida a glosa dos custos efetuada em procedimento fiscal, deve ser mantido o lançamento da Cofins que apurou débito remanescente após reconstituição dos créditos informados em Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 5921DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.922 7 Regularmente intimado por meio eletrônico, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário às fls. 5868/5913, repisando os argumentos de sua peça impugnatória e acrescentando argumentos no sentido de que: (i) Seu direito de defesa foi cerceado, haja vista o indeferimento do pedido de realização de perícia contábil pelo julgador de primeira instância. Nesse sentido, argumenta que se o volume de ferrogusa produzido é compatível com o carvão vegetal adquirido e escriturado contabilmente, o que pode ser comprovado através de perícia contábil, a glosa dos custos de aquisição não merece prosperar, configurando ato arbitrário e ilegal; (ii) A emissão de nota fiscal de entrada está respaldada pelo art. 150, § 2º do RICMS/MG. Somente com a inserção do art. 149A, com vigência a partir de 01/07/2009, é que esse dispositivo legal disciplinou a hipótese de emissão de nota fiscal complementar pelo produtor de carvão vegetal; (iii) Não havia, à época dos fatos, qualquer norma estadual ou federal que obrigasse o fornecedor de carvão vegetal a emitir nota fiscal complementar. Pelo contrário, as normas do SINIEF, invocadas pela fiscalização e pela decisão recorrida, apenas dispõem acerca da possibilidade de emissão de nota fiscal de entrada no caso de ajuste de preço e da possibilidade de emissão de nota fiscal complementar pelo fornecedor, deixando a cargo dos Estados da Federação a regulamentação da matéria. Pelas mesmas razões, inexistiria qualquer conflito de normas entre a legislação estadual e federal que regem o tema. É o Relatório. Fl. 5922DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.923 8 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Inicialmente, digase que não merece respaldo a argüição do Recorrente no sentido de que seu direito foi cerceado em razão do indeferimento do seu pedido de perícia. Verifiquese que o auto de infração foi lavrado para (i) glosar custos não comprovados, decorrentes da constatação da dedução de compras de carvão vegetal em valor superior ao constante das notas fiscais de aquisição, (ii) cobrar os valores insuficientemente recolhidos a título de COFINS e (iii) para cobrar IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa. Nesse passo, a perícia contábil argüida pelo Recorrente não é suficiente para afastar qualquer lançamento. A perícia contábil poderia, quando muito, comprovar que o volume de ferrogusa produzido é compatível com o carvão vegetal adquirido e escriturado contabilmente. Entretanto, isso não comprova que os custos do insumo adquirido foram suportados nos valores registrados pelo Recorrente, legitimando, assim, a sua dedutibilidade. Com efeito, não há que se falar em cerceamento do seu direito de defesa. De outro giro, também não merece respaldo qualquer argumentação acerca da ausência de intimação relativa à extensão do procedimento fiscal, já que todas as alterações no MPF foram devidamente registradas eletronicamente, conforme demonstrado pela consulta à Internet do MPF 06.1.01.002009023070, acostada ao acórdão recorrido (fl. 5826). Majoração de Custos No mérito, é necessário dizer que o Recorrente não logrou comprovar o custo do insumo escriturado contabilmente e deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A diferença entre o valor registrado na nota fiscal emitida pelo fornecedor e o valor de aquisição registrado pelo Recorrente deveria ser suprida com a emissão de nota fiscal complementar pelo vendedor/fornecedor ou pela apresentação de outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem que o custo registrado em sua contabilidade era real. No entanto, é certo que, não dispondo das notas fiscais complementares, o Recorrente não trouxe aos autos documentos que justificasse o acréscimo de preço. Ressaltese que, conforme apurado pela fiscalização: (i) As Notas Fiscais avulsas apresentadas pelo contribuinte foram firmadas por pessoas físicas que, aparentemente, não possuem vínculo com a pessoa jurídica nelas indicadas como remetentes do carvão vegetal (o que foi verificado inclusive através de diligência efetuada junto aos estabelecimentos fornecedores e intimação das pessoas físicas relacionadas); (ii) As Autorizações para Transporte de Produto Florestal – ATPF foram emitidas e/ou firmadas por pessoas distintas do fornecedor; Fl. 5923DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.924 9 (iii) Os supostos pagamentos de transporte e frete não puderam ser comprovados por meio dos vários cheques apresentados e emitidos ao portador e/ou nominais a pessoas distintas do fornecedor, bem como por meio de recibos de depósitos bancários a favor de pessoas físicas, já que o Recorrente não conseguiu demonstrar a vinculação de tais pessoas com o fornecedor, autorizando os recebimentos por conta e ordem do fornecedor; (iv) Os recibos apresentados foram firmados por pessoas físicas que, aparentemente, não possuem vínculo com os fornecedores ou que não se mostraram autorizadas a receber valores em nome do fornecedor. Nesse passo, corroboro a pormenorizada análise das provas feita pelo acórdão recorrido e sua conclusão, no sentido de que: “em verdade, os documentos que dão guarida às notas fiscais de entrada foram produzidas pelo próprio adquirente dos insumos, tais como: controles internos de pesagem, cópias de cheques, planilha de custos, entre outros. Notese ainda que documentos de arrecadação estadual, autorizações de órgãos florestais ou ambientais, entre outros documentos de terceiros anexados à impugnação, estão vinculados apenas às notas fiscais emitidas pelos fornecedores, com base nos valores e quantidades originalmente informados. Ou seja, não há nenhum documento de terceiro, especialmente do fornecedor de carvão vegetal, que ateste a majoração do custo decorrente de ajuste de preço ou quantidade.” Falta de comprovação da aquisição do carvão vegetal de pessoas jurídicas Além da glosa da diferença de custos de aquisição contabilizados e não comprovados, em relação a 6 (seis) fornecedores (F.L. da SilvaME, E.A da Maia Carvão, Carvão Diamente Negro Ltda., Guimarães e Silveira Ltda., Michel Honório Viana ME, T.L.A da SilvaME) foram glosados os custos totais da operação, constantes da nota fiscal original do fornecedor, conforme demonstrativos às fls. 464/518. Nesses casos, entendo que os custos não podem ser glosados totalmente, devendo ser mantidos os valores constantes na nota fiscal original dos fornecedores. Isso porque, no meu entendimento, inexistem provas suficientes para afirmar que o carvão vegetal não foi sequer adquirido. A fiscalização possuiu apenas dois argumentos específicos para entender que a aquisição de carvão vegetal não teria se realizado: (i) alguns fornecedores declararam estar inativos no período ou não terem realizado nenhuma operação de venda comercial durante o período fiscalizado; e (ii) a maior parte dos cheques apresentados não foi sacado e/ou depositado pelas pessoas jurídicas fornecedoras. No que toca ao segundo argumento da fiscalização, expliquese que, o exame das cópias dos cheques acostados aos autos revela que nenhum deles foi sacado e/ou depositado pelos 6 (seis) fornecedores em comento, e que os beneficiários dos cheques (apontados nos cheques de forma manuscrita ou por meio de carimbos) são pessoas físicas e jurídicas as quais, após pesquisa de dados da RFB, não se conseguiu vislumbrar qualquer vínculo com as empresas fornecedoras. Ora, a partir desses dois argumentos não é possível concluir que a operação não existiu. Fl. 5924DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.925 10 O Recorrente não deve ser apenada pela situação de inatividade de alguns fornecedores perante a RFB. Além disso, o segundo argumento só demonstra que não foi possível comprovar qualquer pagamento em nome das pessoas jurídicas fornecedoras, mas não afasta a comprovação de que a Recorrente efetivamente arcou com os custos da aquisição do insumo. Assim, os argumentos da fiscalização devem ser encarados apenas como indícios de uma operação irregular, mostrandose incapazes de justificar a glosa do custo registrado na nota fiscal emitida por tais pessoas jurídicas. Ademais, deve ser levado em conta que as provas nos autos demonstram que houve transporte da mercadoria e pagamentos pulverizados a diversas pessoas. Notese, aliás, que também existem indícios de que a mercadoria entrou no estabelecimento do Recorrente, já que foram anexados as notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão. Afastada parcialmente a glosa dos custos efetuada em procedimento fiscal, deve ser revisto o lançamento da COFINS a partir da devida reconstituição dos créditos informados em Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON. Pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa Ainda nesse contexto, entendo que o lançamento a título de IRRF não merece prosperar. Como dito, em virtude dos documentos apresentados pelo Recorrente nos autos é possível verificar a quem foram destinados os pagamentos realizados e que foram realizados para aquisição e transporte de carvão vegetal. O que não está claro, sublinhese, é que o custo adicional registrado pelo Recorrente tenha sido por ele suportado e que o insumo utilizado em sua produção tenha sido adquirido pelo preço registrado em sua contabilidade. Assim, é de se afastar a exação referente ao IRRF, já que os beneficiários dos pagamentos estão identificados e a sua causa está comprovada. Finalmente, o decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento da CSLL que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Ante o exposto, voto, preliminarmente, para não acolher os argumentos de nulidade da decisão recorrida ou do lançamento, e, no mérito, para dar parcial provimento ao recurso voluntário, (i) manter a glosa relativa à majoração dos custos, correspondente aos valores registrados nos quadros demonstrativos de fls. 103/419; (ii) afastar parte dos valores glosados a título de IRPJ e CSLL, correspondentes aos valores registrados nos demonstrativos de fls. 420/518 e referentes à glosa do custo original na aquisição de carvão vegetal relacionado aos 6 (seis) fornecedores indicados no voto; (iii) rever o lançamento de COFINS, a partir da devida reconstituição dos créditos informados em DACON, considerando as glosas ora afastadas; e (iii) afastar totalmente o lançamento de IRRF. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 5925DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.926 11 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Redator Designado. Nos debates do julgamento dos recurso voluntário interpostos neste processo divergi do ilustre Relator, Conselheiro Carlos Pelá, quanto a glosa de custos em face da falta de comprovação das aquisições de carvão vegetal, bem como da conseqüente exigência de IR Fonte em razão dos pagamentos em causa. Uma vez que o Colegiado, pelo voto de qualidade, manteve integralmente as exigências, fui designado para redigir o voto condutor deste Acórdão. Vejamos a transcrição dos fundamentos do voto condutor da decisão recorrida no que tange ao mérito: “(...) III MAJORAÇÃO DE CUSTOS — REGISTRO DE COMPRAS DE CARVÃO VEGETAL EM VALOR SUPERIOR AO CONSTANTE DA NOTA FISCAL DE AQUISIÇÃO III.1. ASPECTOS LEGAIS DA AUTUAÇÃO 0 item 3 do TVF trata da majoração de custos apurada em face da constatação de dedução de compras de carvão vegetal em valor superior ao constante das notas fiscais de aquisição, conforme apuração feita nos Quadros Demonstrativos n° 01, 01A e 02. 0 impugnante defendeu a legalidade do procedimento de emissão de nota fiscal de entrada na aquisição de carvão vegetal, para fins de ajuste de preço e quantidade, tendo enfatizado o cumprimento ao RICMS e orientações da SEF/MG. Contudo, não tem razão o defendente, uma vez que, tanto no âmbito estadual quanto federal, não hi previsão legal de dispensa de emissão de nota fiscal pelo fornecedor do insumo no caso de ajuste de preço e quantidade do carvão vegetal ou reajustamento de preço, conforme foi evidenciado no TVF e se passa a explicitar em seguida. Primeiramente, deve ser ressaltado que as normas legais pertinentes ao ICMS não se confundem com a legislação que cuida dos impostos e contribuições federais. Neste sentido, legislação especifica define aspectos que devem ser observados pelos contribuintes nas respectivas esferas de atuação dos entes tributantes, não podendo o impugnante se socorrer apenas na legislação estadual para afastar a tributação de impostos e contribuições regidos por legislação federal. No caso, verificase que o contribuinte restringiu sua discussão aos aspectos da aplicação do art. 150, § 2 ° — Anexo IX — Parte 1 do RICMS, se omitindo e considerar a regulamentação estabelecida em Convênio Sinief (Sistema Nacional Integrado de Informações EconômicoFiscais), de abrangência maior, por constituir ato firmado por representantes da Unido, dos Estados e do Distrito Federal, desconsiderando ainda a própria legislação federal, conforme destaques feitos no TVF. Fl. 5926DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.927 12 Assim, vale transcrever trechos do TVF que evidenciaram a análise da questão a teor das disposições firmadas em Convênio Sinief: (...) E bom lembrar que o art. 199 do CTN dispõe que a Fazenda Pública da Unido e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou especifico, por lei ou convênio. Do mesmo modo, conforme consignado no TVF, é importante evidenciar o que a legislação no âmbito federal diz sobre o assunto: Salientese que o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 — RIPI/2002, regulamentou o assunto relativo a emissão de documentos fiscais no Titulo VIII, Capitulo X Seção II, de cujo exame não se vislumbra a previsão da hipótese alegada pelo contribuinte, qual seja, a validade, para fins fiscais, da nota fiscal de entrada pelas empresas adquirentes de produtos/mercadorias para fins de regularização de diferenças de quantidades, valor unitário e complemento de prego de carvão vegetal adquirido de estabelecimentos obrigados a emissão de notas fiscais. Ainda relativamente à hipótese alegada pela fiscalizada, cumprese ressaltar que, em face do disposto nos arts. 320 e 323, do RIM/2002, fica evidente a obrigatoriedade de emissão da nota fiscal, modelo 1 ou 1 A pelo estabelecimento que promoveu a saída do carvão vegetal (inciso I, do art. 323), mesmo quando haja apuração de diferenga de quantidades e preps (incisos Xe NI do art. 333 do RIPI/2002). Além do mais, o inciso II do citado art. 323 remete a obrigatoriedade de emissão das notas fiscais de entrada somente em relação as hipóteses descritas em seu art. 359, dentre as quais não se vislumbra a hipótese de sua emissão em razão de diferenças de quantidade, preço unitário e complemento de preço de carvão vegetal adquirido de pessoas jurídicas obrigadas a emissão de documentos fiscais. Portanto, das hipóteses de emissão de nota fiscal de entrada previstas na legislação em referencia não se incluiu a situação alegada pela fiscalizada em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, datado de 03/03/2010, não podendo ser a mesma considerada, para efeitos fiscais, documento hábil para o registro e dedução do suposto custo adicional em razão de eventual regularização. Não há como olvidar que a regulamentação feita por força de Convênio Sinief e a legislação federal determinam a emissão do documento fiscal competente pelo fornecedor do insumo no caso de reajustamento de preço ou de regularização de preço ou de quantidade, ficando afastada qualquer hipótese de "invasão de competência" nesse caso, de forma que a nota fiscal de entrada de carvão vegetal não pode ser considerada documento hábil e suficiente para fins de comprovação de custos de insumos sujeitos a dedução na apuração do IRPJ e da CSLL. Assim, a prevalecer o entendimento do impugnante quanto à interpretação por ele dada às disposições do art. 150 , § 2 ° — Anexo IX — Parte 1 do RICMS, na redação original vigente a época dos fatos geradores, ficaria configurado evidente conflito entre as normas reguladoras do Estado de Minas Gerais e as disposições expressas no Convênio S/N°, de 15 de dezembro de 1970, art. 21, e no Convênio Sinief n° 6, de 21 de fevereiro de 1989, art. 40, citadas no TVF, que prevêem a emissão de nota fiscal pelo fornecedor na situação discutida. Fl. 5927DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.928 13 Portanto, a nota fiscal de entrada, ainda que o contribuinte considere necessária a sua emissão para atender a legislação do Estado de Minas Gerais, não dispensa nem substitui a nota fiscal complementar, emitida pelo fornecedor do insumo, no caso de majoração de custos em função de suposta regularização de diferenças de quantidades de carvão vegetal, de valor unitário ou complemento de preço, exigida no âmbito do Convênio Sinief e pela legislação federal. Independentemente das considerações legais feitas acima, é notório que a nota fiscal de entrada, emitida unicamente com base em controles de pesagem e registro de entrada de carvão, todos procedimentos executados pelo próprio adquirente da mercadoria, não poderia se prestar como documento eficaz para a comprovação da operação de reajustamento de preço ou regularização de preço ou quantidade do insumo adquirido, em substituição a nota fiscal complementar emitida pelo fornecedor, conforme foi também ressaltado pela fiscalização, nos seguintes termos: Salientese, que, para fins fiscais, os documentos relativos aos controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, apresentados pelo contribuinte fiscalização, não possuem nenhum efeito. Isto se deve ao fato de que, além de corresponderem a documentos produzidos pela própria Siderúrgica Valinho S/A, documentos firmados sem lastro em documento legal emitido pelo fornecedor do carvão vegetal não podem ser considerados hábeis, em face da legislação supramencionada, para fins de dedução de custo de produtos adquiridos. Portanto, pelo fato de estes complementos de preço corresponderem a valores amparados por documento produzido pela fiscalizada (notas fiscais de entrada, controles de pesagem e registro de entrada de carvão), os mesmos não podem ser admitidos como custo dedutivel para fins de apuração do lucro real, da base de cálculo da CSLL e tampouco servirem de base para o cálculo do crédito de PIS/CONFINS. Desta forma, podese afirmar com segurança que o contribuinte não dispunha da documentação hábil para a comprovação dos custos decorrentes de diferenças de preço ou quantidade apuradas quando da entrega do carvão vegetal em seu estabelecimento, motivo suficiente para a glosa dos custos e do aproveitamento dos créditos pertinentes. III.2. ANALISE DOCUMENTAL Sendo insuficientes e ineficazes os documentos produzidos pelo próprio contribuinte adquirente do produto e beneficiário da dedução dos custos ou do crédito correspondente (nota fiscal de entrada, controles de pesagem e registro de entrada de carvão), restaria ao impugnante comprovar a efetividade do reajustamento de preço ou regularização de preço e quantidade por meio da apresentação de outros documentos com vista a validar a operação retratada nas notas fiscais de entrada. Nesse sentido, o impugnante afirmou que o valor lançado nas notas fiscais de entrada "6 pulverizado entre os envolvidos no processo" de corte, produção, transporte e todos os demais serviços relacionados ao carvão vegetal, prática autorizada pelo produtor/fornecedor. Acrescentou ainda que os pagamentos eram feitos, em sua maioria, aos motoristas encarregados do transporte. Conforme se pode inferir, o contribuinte ao relatar que o valor lançado nas notas fiscais de entrada era "pulverizado" entre diversos agentes que atuaram na operação de aquisição do carvão vegetal, e o pagamento, na maioria dos casos, efetuado ao motorista responsável pelo transporte, acaba por admitir que não tem Fl. 5928DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.929 14 condições de comprovar a efetividade do pagamento a quem de direito (produtor/fornecedor) pelas diferenças de preço ou de quantidade registradas nas mencionadas notas fiscais de entrada do insumo. Em verdade, uma vez que o contribuinte assumiu a responsabilidade, por sua conta e risco, de repassar a terceiros valores devidos aos fornecedores de carvão vegetal pelas diferenças apuradas na entrada do insumo em seu estabelecimento, ao não dispor do documento hábil a comprovar estas diferenças (nota fiscal complementar emitida pelo fornecedor do insumo), ficou sem elementos de comprovação da operação perante o fisco federal, inviabilizando a dedução dos custos ou aproveitamento dos créditos correspondentes. Esta falta de condições do contribuinte autuado de levar a cabo as comprovações devidas no que respeita também ao pagamento dos insumos já foi destacada na análise da fiscalização, conforme se denota do seguinte trecho extraído do TVF: Em relação aos documentos apresentados pelo contribuinte como prova do pagamento das notas fiscais de entrada por ele próprio emitidas (vide cópias reprográficas juntadas por amostragem nos Anexos II a VIII do presente processo), ressaltese que, além de se referirem, em quase sua totalidade, a cópias de cheques emitidos ao portador e/ou nominalmente a terceiros, também não conseguem demonstrar o custo adicional (diferenças de quantidades, valores e complementos de prep) que se encontra descrito tão somente em notas fiscais de entrada de carvão vegetal emitidos pela própria Siderúrgica Valinho S/A. Sobre esse assunto, vale salientar que o próprio contribuinte, intimado por duas vezes a apresentar prova documental que evidenciasse a vincula ção das pessoas fisicas beneficiárias dos pagamentos registrados como efetuados aos respectivos fornecedores de carvão vegetal (mediante apresentação, dentre outros, do instrumento de procuração que autorize o recebimento por conta e ordem dos respectivos fornecedores) reconheceu a impossibilidade de apresentar "qualquer documentação que demonstre a vincula ção havida entre as pessoas indicadas no quadro apresentado no Termo ora respondido, assim como naquele datado de 28/06/2010, com seus fornecedores (..)” 0 próprio exemplo utilizado pelo contribuinte na impugnação para demonstrar o seu "modus operandi", relativamente à transação que teria sido mantida com a empresa F L da Silva, cujos documentos constam do Anexo XVI, conforme relação constante do Relatório, atesta a inviabilidade da comprovação, diante da inexistência de nenhum vinculo entre os cheques indicados e a suposta beneficiária F L Silva, conforme se demonstra abaixo: valor da nota fiscal de entrada n°028410 — R$13.253,00; valor da nota fiscal de emissão da F L Silva — R$7.200,00; pagamento efetuado em seis cheques, emitidos ao portador (beneficiário não identificado), sem nenhuma vinculação com o fornecedor F L Silva, no valor total de R$13.253,00 . notese que a coincidência de valor existe apenas em relação A nota fiscal de entrada, documento emitido pelo próprio contribuinte autuado, e por isso mesmo ineficaz para comprovar eventuais diferenças decorrentes de ajuste de preço ou quantidade do insumo adquirido, conforme a legislação vigente já discutida; Fl. 5929DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.930 15 documentos outros, tais como a Autorização para Transporte de Produto Florestal (ATPF) e guias de recolhimento do imposto estadual dizem respeito apenas à nota fiscal original emitida pelo fornecedor do carvão vegetal; é notório que, no exemplo examinado, não há nenhum documento bancário vinculando os diversos cheques A F L Silva, seja pelo pagamento das diferenças decorrentes de ajuste de preço ou quantidade indicadas na nota fiscal de entrada do insumo e, nesse caso, nem sequer pelo valor original da nota fiscal do fornecedor. Não há, portanto, como admitir que pagamento "pulverizado" a diversos supostos agentes que atuaram na operação de compra do carvão vegetal, formalizado em diversos cheques emitidos ao portador, possa referendar uma venda realizada por um fornecedor especifico e ainda com base em documento ineficaz (nota fiscal de entrada) para a comprovação das diferenças de preço ou quantidade. A questão suscitada pela defesa no tocante a existência de cópias de cheques indicando no verso o número das notas fiscais correspondentes A operação já foi examinada pela autoridade fiscal, nos seguintes termos: Acrescentese que consta do verso das cópias reprograficas dos cheques (que foram extraídas, por amostragem, diretamente dos originais que se encontram em poder da instituição bancária, apresentados pelo contribuinte, fls. 91 a 222, do Anexo I) um carimbo com a seguinte informação: "cheque destinado ao pagamento nota fiscal n° ___________parte (X) origem ( ) entrada" A despeito disto, vale ressaltar que, sendo a indicação do número da nota fiscal que deu origem ei emissão daqueles cheques correspondente ii nota fiscal originalmente emitida pelo fornecedor, tal informação, além de firmada pela própria Siderúrgica Valinho S/A em documento de sua própria emissão, também não serve para comprovar a efetividade do custo adicional registrado pela fiscalizada, haja vista que nas notas fiscais assim informadas (de emissão dos respectivos fornecedores de carvão vegetal) não há descrição de nenhuma parcela que corresponda eis diferenças de quantidades, valores unitários e complementos de prep e que constam somente destacados nas notas fiscais de entrada emitidas pela própria Siderúrgica Valinho S/A. Neste sentido, observese, que ainda que a informação, realizada pela própria Siderúrgica Valinho S/A no verso dos cheques por ela emitidos, mencionasse o número da sua nota fiscal de entrada, esta informação, por estar desacompanhada do documento fiscal hábil para prova do custo adicional, ou seja, a nota fiscal complementar emitida pelo vendedor do carvão vegetal também não serviria para comprovar a efetividade da existência do custo adicional. O que se traduz da correta análise feita pela autoridade fiscal, é que o cheque "admite" qualquer anotação no seu verso, especialmente quando feita pelo próprio emitente, não se podendo considerar que tal inscrição, por si só, ateste a efetividade do registro, quando o pagamento representado por aquele cheque não guardar nenhuma outra vinculação direta com a operação a que supostamente diz respeito, no tocante ao destinatário/beneficiário (fornecedor do carvão vegetal), valor e data da operação indicados no competente documento fiscal hábil. O impugnante apontou ainda a existência de cheques nominais emitidos para os seguintes fornecedores: Fl. 5930DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.931 16 F L da Silva; Carvão Diamante Ltda; Express Com. Imp. e Exportação Ltda; Gregório Echeverria; Indústria e Comércio Carvão União Ltda. Marcia Fortunato Borges. E ainda a ocorrência de depósitos bancários em conta corrente dos próprios fornecedores, no caso de Bern Indústria e Comércio de Madeira Ltda. e Comércio de Carvão MS. Estas questões também foram apreciadas pela autoridade fiscal, que assim se pronunciou a respeito no TVF: Por outro lado, observese que mesmo nos casos em que eventualmente se verifique a existência de cheques nominais ao vendedor do carvão vegetal estes pagamentos também não serviram, por si sós, para comprovação da efetividade do custo adicional descrito nas notas fiscais de entrada emitidas pela própria Siderúrgica Valinho S/A, pelo fato de estarem desacompanhados de documentação fiscal fundamental e necessária para tanto, ou seja, a nota fiscal complementar emitida pelo vendedor do carvão vegetal. Diante, pois, da falta de comprovação deste custo adicional mediante a apresentação das competentes notas fiscais complementares emitidas pelos respectivos fornecedores de carvão vegetal, fica caracterizada a indedutibilidade das importâncias registradas na escrituração comercial/fiscal da Siderúrgica Valinho S/A a titulo de regularização de diferenças de quantidades, valor unitário e complemento de prep de carvão vegetal adquirido, conforme discriminado na coluna "Valor da Majoração do Custo", do Quadro Demonstrativo n°01, em anexo, fis. 101 a 153. Analisando a documentação apresentada pelo impugnante nos Anexos XVI, XVII e XVIII, cuja especificação consta do Relatório, relativamente as citadas empresas, constatase o seguinte: F L Silva: confirmando a abordagem feita quando do exame do exemplo apresentado pelo impugnante quanto a citada empresa, foram apresentados cheques ao portador e também cheques nominais a terceiros estranhos A operação original de compra do carvão vegetal, que sinalizam a "pulverização" do pagamento a que fez referência o impugnante, ineficazes para comprovar o ajuste de preço e quantidade do insumo. Carvão Diamante Negro Ltda: foram anexados diversos cheques ao portador ou nominais a terceiros, denunciando a "pulverização" do pagamento, cujos valores guardam relação apenas com as notas fiscais de entrada, assim como com outros documentos de lavra da própria Siderúrgica Valinho, ineficazes para comprovar o ajuste de preço e quantidade do insumo. Express Comercio Importação e Exportação Ltda: o contribuinte juntou cópias de cinco cheques (somente frente), datados de 13/08/2006, nominativos a citada empresa, no valor total de R$13.911,00; não há como identificar a destinação final dos cheques diante da falta da apresentação da cópia dos versos desses documentos; a emissão de diversos cheques para o mesmo destinatário, na mesma data, quando bastaria um único cheque em favor do fornecedor de carvão vegetal, a chamada "pulverização", inviabiliza a comprovação da operação. Fl. 5931DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.932 17 Gregório Echeverria: o impugnante juntou cópia de cheques nominativos A empresa, depositados em contas de terceiros, conforme comprovantes também anexados aos autos; o somatório desses cheques guarda relação apenas com a nota fiscal de entrada emitida pelo próprio emitente dos cheques, documento ineficaz para comprovar o ajuste de preço e quantidade do carvão vegetal. Indústria e Comércio Carvão União Ltda: foram juntadas cópias de diversos cheques nominativos a empresa (somente frente), sinalizando a "pulverização" do pagamento, não havendo como identificar a destinação final desses cheques; a única coincidência seria com a nota fiscal de entrada, documento ineficaz porquanto emitido pelo próprio contribuinte emitente dos cheques e em desacordo com a legislação de âmbito federal. Márcia Fortunato Borges: foram apresentados dois cheques nominativos, depositados em conta corrente da empresa fornecedora, que guardam relação apenas com as notas fiscais de entrada; não houve a apresentação da nota fiscal complementar emitida pela empresa fornecedora do insumo a fim de atestar que o pagamento correspondeu efetivamente a ajuste de prego ou quantidade relativamente A operação faturada anteriormente. Bent Indústria e Comércio de Madeira Ltda: o impugnante juntou cópia de cheques nominativos A empresa, acompanhados do comprovante de depósitos pertinente, entretanto, os valores e datas desses cheques não foram vinculados a nenhuma nota fiscal; os demais cheques anexados por cópia foram emitidos ao portador e vinculados tão somente a notas fiscais de entrada; os demais documentos anexados pelo impugnante foram elaborados pela própria Siderúrgica Valinho, não sendo suficientes para a comprovação da operação de ajuste de preço ou quantidade do insumo; as ATFP e guias de recolhimentos de tributos estaduais estão vinculadas apenas As notas fiscais originalmente emitidas pelo fornecedor. Comércio de Carvão MS Dr. Amorim: foram apresentados cheques nominativos, depositados em conta corrente da empresa fornecedora, que guardam relação apenas com as notas fiscais de entrada; não houve a apresentação da nota fiscal complementar emitida pela empresa fornecedora do insumo a fim de atestar que o pagamento correspondeu efetivamente a ajuste de preço ou quantidade de operação já faturada. Além das empresas acima, mencionadas expressamente na impugnação, nos Anexos XVI, XVII e XVIII, conforme relação apresentada no Relatório, constam ainda documentos pertinentes As seguintes empresas: LM Pereira: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Michel Honório Viana: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Libania Ferreira Santos: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Fermin° Antunes Martins: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam Fl. 5932DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.933 18 ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A. nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Inicio Antônio Alves: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas a nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Aldair de Souza A Costa: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Rodomec Mecanização e Transporte Ltda: cópia de cheques nominativos A empresa, acompanhados do comprovante de depósitos pertinente, entretanto, os valores e datas desses cheques não foram vinculados a nenhuma nota fiscal; os demais cheques anexados por cópia foram emitidos ao portador e vinculados tão somente a notas fiscais de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo. Analisando o conjunto de documentos pertinentes a todas as empresas acima relacionadas, na grande maioria dos casos, constatase a existência de cheques ao portador, nominativos a terceiros, nominativos ao fornecedor, porém depositados em contas de terceiros, traduzindo a alegada "pulverização" de pagamentos a que se referiu o impugnante, tornando impossível verificar a destinação do numerário e a validação da operação retratada nas notas fiscais de entrada. Em outros casos (Bent e Rodomec), houve depósitos em conta corrente do fornecedor sem qualquer vinculação com as notas fiscais competentes, além dos usuais cheques "pulverizados". E ainda em dois casos (Márcia Fortunato Borges e Comércio de Carydo MS Dr. Amorim), foram constatados depósitos nas contas dos fornecedores, que guardam correspondência tão somente com a nota fiscal de entrada emitida pelo autuado, mas são insuficientes para comprovar o reajustamento de preço ou quantidade do insumo adquirido, diante da inexistência da nota fiscal complementar. Em verdade, todos os documentos que dão guarida As notas fiscais de entrada foram produzidos pelo próprio adquirente dos insumos, tais como: controles internos de pesagem, cópia de cheques, planilhas de custos, entre outros. Notese ainda que documentos de arrecadação estadual, autorizações de órgãos florestais ou ambientais, entre outros documentos de terceiros anexados à impugnação, estão vinculados apenas às notas fiscais emitidas pelos fornecedores, com base nos valores e quantidades originalmente informados. Ou seja, não ha nenhum documento de terceiro, especialmente do fornecedor do carvão vegetal, que ateste a majoração do custo decorrente de ajuste de preço ou quantidade. Porém, o que ficou patente em todos os casos analisados é a inexistência de documento legal (nota fiscal complementar) atestando que as diferenças, apuradas pelo confronto da nota fiscal de entrada com a nota fiscal do fornecedor, efetivamente existiram, de forma a autorizar o registro do custo na contabilidade do autuado. Nestas condições, deve ser mantida a glosa dos valores correspondentes majoração de custos levada a efeito pelo autuado com base apenas em notas fiscais de entrada, por constituírem documentos ineficazes perante o fisco federal. Fl. 5933DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.934 19 III.3. CONSIDERAÇÕES ACERCA DA APURAÇÃO DO CUSTO E ENQUADRAMENTO LEGAL DA INFRAÇÃO Aduziu o impugnante que era imprescindível que o valor adotado pela fiscalização, como base de calculo, deveria se reportar à correspondente quantidade fisica —metragem/m 3 para que viesse a compor, através de seu preço médio, o valor tributável. Enfatizou ainda a compatibilidade entre o consumo do carvão vegetal e a produção de ferrogusa, acusando que o procedimento fiscal está alicerçado em meras suposições. Também anexou laudo técnico e planilhas de custos, que integram o Anexo XVI, conforme especificado no Relatório. 0 que o impugnante sugeriu nesse caso está relacionado a chamada auditoria de estoques, procedimento previsto no art. 286 do RIR11999, para fins de apuração de omissão de receitas, por presunção legal, determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa juridica. Com base nesse levantamento, considerarseia receita omitida o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de matérias primas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. Na situação vertente, porém, não cogitou a autoridade fiscal de realizar auditoria de estoque, o que demonstra a inocuidade do laudo técnico e das planilhas de custos apresentadas, voltados que são para essa modalidade de levantamento, cuja validade fica limitada aos fins a que se destinam, não tendo o condão de assegurar a regularidade do contribuinte perante a Fazenda Pública Federal ou de obstar as verificações da autoridade fiscal realizadas em estrita observância ás normas legais pertinentes. Conforme se viu, o trabalho fiscal se fundamentou na análise contábil do registro de custos, tendo constatado a existência de valores contabilizados com base em documento ineficaz, porquanto impróprio para a comprovação de ajuste de preço ou quantidade ou reajustamento de preço, nos termos da regulação feita em Convênio Sinief e pela legislação federal. Não há entre as hipóteses mencionadas (auditoria de estoque e verificação documental dos custos contabilizados) qualquer relação de subordinação ou precedência, ou seja, qualquer uma das alternativas para investigação pode ser autonomamente utilizada pela autoridade fiscal, no exercício de suas funções regulamentares, observada a constituição das devidas provas da infração. Nada há de irregular, portanto, no procedimento de oficio que se assenta na constatação de glosa de custos majorados sem o amparo em documento hábil, independentemente de qualquer levantamento quantitativo de estoques de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários. O impugnante argumentou ainda que a fiscalização não fez prova de que o carvão vegetal foi acobertado por nota fiscal inidõnea nem houve a declaração de ineficácia do contribuinte ou de documento por ele emitido. Conforme exaustivamente debatido, a glosa dos custos contabilizados decorreu da falta de comprovação com documentação hábil das diferenças de custos decorrentes de ajuste de preço ou quantidade ou reajustamento de preço, por terem sido amparadas em notas fiscais de entrada. Assim, a autoridade fiscal não caracterizou a infração como uso de nota fiscal inidõnea até mesmo porque o que se Fl. 5934DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.935 20 verificou foi a ausência da nota fiscal complementar emitida pelo fornecedor do insumo, documento hábil para comprovar as diferenças de custo contabilizadas, a teor da legislação vigente. No tocante aos questionamentos acerca do enquadramento legal da exigência, o contribuinte discorreu acerca da legislação citada pela fiscalização ao final do item 3 do TVF ("arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289 e parágrafos, 290, 293, 294 e 300 do RIR/99, Decreto n° 3.000/99"), para afirmar que nenhum desses artigos tipificados foi arranhado. Primeiramente, é importante notar que a glosa dos custos contabilizados foi levada a efeito, essencialmente, com base na regulação feita por meio do Convênio Sinief e na legislação federal citada pela autoridade fiscal no TVF, já debatida no item HU desse Voto, ao qual se faz remissão, que tratou especialmente dos aspectos legais da autuação, tendo ficado evidenciado que a nota fiscal de entrada constituía documento impróprio para a comprovação da majoração de custos em função de suposta regularização de diferenças de quantidades de carvão vegetal, de valor unitário ou complemento de preço. 0 documento hábil exigido é a nota fiscal complementar emitida pelo fornecedor do insumo, ausente na situação tratada. Portanto, à luz das disposições dos incisos III e IV do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, que rege o processo administrativofiscal, a infração foi devidamente caracterizada e contextualizada na legislação vigente, ficando justificada e autorizada a glosa do custo indevidamente contabilizado com base em documento ineficaz perante o fisco federal. Podese dizer que, subsidiariamente, foram citadas as mencionadas normas do Regulamento do Imposto de Renda, que tratam da escrituração do contribuinte tributado pelas regras do lucro real, sobre as adições ao lucro liquido, além de normas pertinentes aos registros e avaliação do custo de mercadorias e matérias primas utilizadas no processo produtivo, que também estão inseridas no contexto do lançamento pertinente à glosa de custos contabilizados sem lastro em documento hábil, não havendo nesse particular nenhuma incoerência ou irregularidade. Nestas condições, também não há reparo algum a se fazer no que tange ao enquadramento legal da infração. IV. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA AQUISIÇÃO DE CARVÃO VEGETAL DE PESSOAS JURÍDICAS Além das glosas de custo motivadas pela emissão de notas fiscais de entrada, documento ineficaz para a comprovação do custo de aquisição do carvão vegetal (matéria abordada no item 3 do TVF), em relação aos fornecedores abaixo especificados, foram glosados os custos totais da operação constantes da nota fiscal original do fornecedor, conforme detalhamento feito no item 4 do TVF e Quadros Demonstrativos n° 03 e 04 (fls. 282/309): Fl. 5935DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.936 21 Nesses casos, a fiscalização constatou que a documentação apresentada em relação a esses seis fornecedores, em conjunto com as informações que integram o banco de dados constantes dos sistemas da RFB, apontava elementos suficientes à convicção de que as notas fiscais apresentadas pela empresa fiscalizada (aquelas tidas por emitidas originalmente pelos mencionados fornecedores, notas fiscais de entrada e/ou notas fiscais avulsas) não poderiam ser consideradas como documentos hábeis para a comprovação dos respectivos custos que foram registrados em sua escrituração comercial/fiscal. Para poder responder aos questionamentos do autuado, é importante destacar os fatos apurados pela fiscalização relativamente aos fornecedores acima especificados, conforme se passa a explicitar: 1 Guimarães & Silveira Ltda de acordo com pesquisas realizadas nos sistemas da RFB, a empresa foi constituída em 27/10/2005, apresentou DIPJ somente em relação ao anocalendário de 2005, não se verificando, contudo, nenhum valor consignado a titulo de receita auferida no correspondente trimestre; relativamente ao período a que se referem as notas fiscais de aquisição de carvão vegetal, anocalendário de 2006, o fornecedor não apresentou a DIPJ correspondente; foram apresentadas à fiscalização duas notas fiscais avulsas (n° 010269465 e n° 010269464) emitidas em 24/06/2006 pela Secretaria de Estado da Fazenda no Mato Grosso do Sul, nos valores de R$7.875,00 e R$12.375,00, respectivamente, ambas apontando como remetente a pessoa jurídica do fornecedor Guimarães & Silveira Ltda e, como destinatário a Siderúrgica Valinho S.A; nas notas fiscais avulsas, no campo destinado à assinatura do produtor, consta a indicação da pessoa fisica do Sr. Betânio do Carmo, enquanto a pessoa cadastrada como sendo o sócioadministrador da empresa era o sr. AdaIto Ferreira Guimarães; realizada diligencia junto ao fornecedor, o Sr. AdaIto Ferreira Guimarães afirmou, entre outras coisas, que "nunca teve empresa registrada em seu nome" e "que desconhece a remessa de tais notas fiscais e tampouco as pessoas que nelas figuram e assinam como produtor e respectivos transportadores"; constatou a fiscalização, no que tange aos comprovantes de pagamentos, que foram apresentados cheques ao portador e cópias contábeis de cheques, todos emitidos ao portador; o exame das cópias dos cheques acostadas aos autos revela que nenhum dos referidos cheques foram sacados e/ou depositados pela empresa Guimarães & Silveira Ltda. e que todos os beneficiários de suas emissões (apontados nos cheques de forma manuscrita ou por meio de carimbos) referemse a pessoas fisicas e jurídicas as quais, após pesquisa nos sistemas de dados da RFB, não se conseguiu vislumbrar qualquer vinculo com a empresa; da relação elaborada pela fiscalização, chamou atenção o fato de o Sr. Betinio do Carmo (também mencionado em relação aos fornecedores Michel Honório Viana e Carvão Diamante • Ltda, como adiante se verá) ser o beneficiário dos cheques especificados; afirmou a autoridade fiscal que as notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, todos emitidos pela própria Siderúrgica Valinho S.A., também não conseguem comprovar que o carvão vegetal descrito nos mesmos adveio, de fato, da pessoa jurídica Guimarães & Silveira Ltda; Fl. 5936DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.937 22 questionado acerca da vinculação das pessoas beneficiárias daqueles valores, a empresa autuada afirmou que "infelizmente, encontrase impossibilitada de fornecer qualquer documentação que demonstre a vinculacio havida entre as pessoas indicadas no quadro apresentado no termo ora respondido, assim como naquele datado de 28/06/2010, com seus fornecedores (...)."2 Michel Hon6rio Viana Me a empresa apresentou as DIPJ relativamente aos exercícios de 2004 a 2009, anos calendário de 2003 a 2008, respectivamente, como pessoa jurídica INATIVA; sendo que as notas fiscais em questão foram emitidas no anocalendário de 2006; do exame das 46 notas fiscais emitidas pelo fornecedor, cinco foram extraídas diretamente de talondrios, enquanto as demais se referem a notas fiscais avulsas emitidas pela Secretaria de Estado da Fazenda no Mato Grosso do Sul, tendo como remetente a pessoa jurídica do fornecedor Michel Honório Viana e, como destinatário, a Siderúrgica Valinho S.A; observou a fiscalização que, do exame destas 41 notas fiscais avulsas, no campo destinado a assinatura, 22 delas constavam a indicação da pessoa fisica do Sr. Betânio do Carmo; 16 indicavam a pessoa fisica do Sr. Ronaldo Mendonça Pereira; duas, a pessoa fisica do sr. Raphael Oliveira de Rezende e uma, a pessoa fisica da sra. Clain Cristina S do Carmo; observou ainda que, em campo especifico destas mesmas 41 notas fiscais avulsas, parte das AUTORIZAÇÕES PARA TRANSPORTE DE PRODUTO FLORESTAL — ATPF, na verdade, foram concedidas em nome de pessoas fisicas e/ou jurídicas distintas da empresa Michel Honório Viana, em referência, conforme especificado, figurando, entre outras, a empresa Carvão Diamante Ltda. e a empresa T.L.A da Silva, que também constam registradas na escrituração comercial/fiscal da fiscalizada como sua fornecedora de carvão vegetal, conforme adiante se verificará; as tentativas de intimação da empresa não obtiveram êxito; as notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, todos emitidos pela Siderúrgica Valinho S/A, não conseguem comprovar que o carvão vegetal descrito nos mesmos adveio, de fato, da pessoa jurídica Michel Honório Viana; quanto aos pagamentos, observou a fiscalização que, para cada nota fiscal de aquisição de carvão vegetal, o contribuinte apresentou vários cheques ao portador, o que não permite evidenciar que os valores constantes dos referidos cheques foram, de fato, recebidos pela pessoa jurídica Michel Honório Viana — ME. Ademais, conforme afirmou o próprio contribuinte, a quitação das referidas notas fiscais avulsas foi realizada na própria nota fiscal de entrada e foi firmada "normalmente pelo motorista"; o autuado, intimado, manifestou a impossibilidade de vinculação das pessoas fisicas (beneficiárias dos valores relacionados nos cheques em referência) aos fornecedores de carvão vegetal. 3— Carvão Diamante Negro Ltda. relativamente ao anocalendário de 2006, a empresa apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — DSPJ não tendo sido informado nenhum valor a titulo de receita auferida nos meses de março a julho de 2006 (meses correspondentes As notas fiscais registradas na escrituração comercial e fiscal da fiscalizada), tendo apenas consignado no mês de novembro de 2006 receita bruta não decorrente da prestação de serviços no valor de R$3.959,25; Fl. 5937DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.938 23 do exame das 27 notas fiscais apresentadas pela fiscalizada, é de se observar que apenas 16 foram extraídas de talondrios; as demais 11, se referem a notas fiscais avulsas emitidas pela Secretaria de Estado da Fazenda no Mato Grosso do Sul, tendo como remetente a pessoa jurídica do fornecedor Carvão Diamante Negro Ltda e, como destinatário, a Siderúrgica Valinho S.A; destas 11 notas fiscais avulsas, no campo destinado A assinatura, em nove consta a indicação da pessoa fisica do sr. Betânio do Carmo; em uma, foi indicada a pessoa fisica do sr. Antônio Carlos Macedo e, em outra, a pessoa fisica da sra. Keelly Paula Pereira; das observações consignadas também em campo especifico destas 27 notas fiscais avulsas, verificase que parte das ATPF, na verdade, foram concedidas em nome de pessoas fisicas e/ou jurídicas distintas da empresa fornecedora Carvão Diamante Negro Ltda, conforme especificado, podendo ser destacados os nomes da empresa Michel Hon6rio Viana — ME e do Sr. Betãnio do Carmo; as tentativas para intimação da empresa foram infrutíferas; ressaltou a fiscalização que as notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, todos emitidos pela Siderúrgica Valinho S.A. também não conseguem comprovar que o carvão vegetal descrito nos mesmos adveio, de fato, da pessoa jurídica Carvão Diamante Negro Ltda; quanto aos comprovantes de pagamentos, é de se observar para cada nota fiscal de aquisição de carvão vegetal houve a emissão de vários cheques, a maioria emitidos ao portador, sendo que a quitação das referidas notas fiscais avulsas foi realizada na própria nota fiscal de entrada e foi firmada "normalmente pelo motorista"; as cópias contábeis dos cheques revelam que a fiscalizada somente emitiu cheques nominais a partir de 19/07/2006, tendo sido observado que em nenhum desses cheques consta a empresa Carvão Diamante Negro Ltda como beneficiária de suas emissões. Ademais, é de se ressaltar que os mesmos foram emitidos em beneficio de pessoas fisicas que, segundo pesquisas realizadas nos sistemas de dados da RFB, não possuem nenhuma relação com a referida empresa Carvão Diamante Negro Ltda, conforme especificado; apresentadas cópias reprográficas de alguns dos cheques emitidos ao portador, verificouse que nenhum dos cheques apresentados foram sacados e/ou depositados pela Carvão Diamante Negro Ltda. e que todos os beneficiários de suas emissões (apontadas nos cheques de forma manuscrita ou por meio de carimbos) referemse a pessoas fisicas e jurídicas das quais, da pesquisa nos sistemas de dados da RFB, não se consegue vislumbrar qualquer vinculo com a empresa Cary do Diamante Negro Ltda, conforme especificado; da relação elaborada, a fiscalização chamou atenção para o fato de o Sr. Beanio do Carmo (já mencionado anteriormente em relação aos fornecedores Guimarães & Silveira Ltda e Michel Honório Viana) ser o beneficiário de três cheques; além do Sr. Mauricio de Freitas Soares Júnior; Sr. Kennedy Marçal; Sr. Paulo Sergio da Silva, os quais também não possuem nenhuma relação com a empresa Carvão Diamante Negro Ltda. Já em relação As pessoas jurídicas, também é de se ressaltar o fato de que a empresa Comercial de Cary do Costa Rica (beneficiária de três cheques) não ter sido a pessoa jurídica emitente da nota fiscal. Vêse também que quatro cheques tiveram por beneficiário a Cooperativa de Produtores de Café e quatro outros cheques tiveram por beneficiários postos de combustíveis; Fl. 5938DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.939 24 observou também a autoridade fiscal que algumas das pessoas mencionadas anteriormente foram beneficiárias de depósitos bancários, a saber: (BetAnio do Carmo), 47 (Paulo Sérgio da Silva), 62 (Betânio do Carmo), 76 (C C V costa Rica Ltda), 83 (Paulo Sérgio da Silva), 87 (Ary Shimidt); o autuado, intimado, manifestou a impossibilidade de vinculação das pessoas beneficiárias dos valores relacionados nos cheques em referência aos fornecedores de carvão vegetal. 4— T.L.A. da Silva ME a empresa apresentou DIPJ, relativamente ao anocalendário de 2006, em formulário destinado As pessoas jurídicas que se encontram na situação INATIVA; as tentativas para intimação da empresa não lograram êxito; relativamente aos pagamentos das quatro notas fiscais correspondentes, ficou constatado que, em relação As três primeiras, foram efetuados por meio de cheques ao portador; do exame das cópias acostadas aos autos, verificouse que nenhum dos cheques apresentados foram sacados e/ou depositados pela pessoa jurídica T.L.A. da Silva, e que os beneficiários das emissões destes cheques que constam grafados de forma manuscrita referemse a pessoas fisicas as quais, da pesquisa nos sistemas de dados da RFB, não se consegue vislumbrar qualquer vinculo com a empresa T.L.A. da Silva, conforme especificado; quanto A nota fiscal n° 00366, o contribuinte apresentou cópias contábeis de três cheques nominais, além de dois recibos de depósitos bancários sendo que os pagamentos tiveram por beneficiários somente pessoas fisicas distintas da empresa T.L.A. da Silva, conforme especificado; as notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, todos emitidos pela Siderúrgica Valinho S.A, também não conseguem comprovar que o carvão vegetal descritos nos mesmos adveio, de fato, da pessoa jurídica T.L.A. da Silva; questionado acerca da vinculação das pessoas (beneficiárias dos valores relacionados nos cheques em referência) aos fornecedores de cardo vegetal, o autuado manifestou a impossibilidade de comprovar documentalmente qualquer vinculo. 5 — E. A. da Maia Carvão a empresa apresentou DIPJ, relativamente ao anocalendário de 2005, em formulário destinado As pessoas jurídicas que optaram pelo SIMPLES, porém, não indicou nenhum valor de receita apurada durante naquele período; as tentativas para intimação da empresa se mostraram infrutíferas; das informações consignadas m campo especifico da nota fiscal apresentada pela fiscalizada, verificouse que a ATPF foi concedida em nome de pessoa jurídica distinta da empresa E. A. DA MAIA CARVÃO, haja vista ter sido emitida para a empresa F. A. MARTINS CARVÃO; relativamente aos pagamentos da nota fiscal correspondente, ficou constatado que os mesmos foram efetuados parte por meio de cheques ao portador e parte em dinheiro; do exame das cópias acostadas aos autos, constatouse que nenhum dos cheques apresentados foram sacados e/ou depositados pela pessoa jurídica E. A. da Fl. 5939DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.940 25 Maia Carvão e que os beneficiários das emissões destes cheques que constam grafados de forma manuscrita referemse a pessoas fisicas as quais, da pesquisa nos sistemas de dados da RFB, não se consegue vislumbrar qualquer vinculo com a empresa autuada, conforme especificado; as notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, todos emitidos pela Siderúrgica Valinho S.A, também não conseguem comprovar que o carvão vegetal descritos nos mesmos adveio, de fato, da pessoa jurídica E.A. da Maia Cary do; questionado acerca da vinculação das pessoas (beneficiárias dos valores relacionados nos cheques em referência) aos fornecedores de carvão vegetal, o autuado manifestou a impossibilidade de comprovar documentalmente qualquer vinculo. 6— F. L. da Silva ME a empresa apresentou a DIPJ, relativamente ao ano calendário de 2005, em formulário destinado As pessoas jurídicas que se encontram na situação de NATIVA. No anocalendário de 2006, apresentou declaração em formulário destinado As optantes pelo SIMPLES, porém sem consignar nenhum valor a titulo de receita; do exame das 1.347 notas fiscais, é de se observar que três delas se referem a notas fiscais avulsas emitidas pela Secretaria de Estado da Fazenda no Mato Grosso do Sul, tendo como remetente a pessoa jurídica do fornecedor F. L. da Silva e, como destinatário, a Siderúrgica Valinho S.A; a exemplo do que ocorreu com relação As notas fiscais avulsas apresentadas pela fiscalizada em relação aos fornecedores Guimarães & Silveira Ltda, Michel Honório Viana e Carvão Diamante Negro Ltda, constatase das três notas fiscais avulsas, ora mencionadas, que no campo destinado A assinatura, em duas delas consta a indicação da pessoa fisica de Keelly Paula Pereira e, em uma nota fiscal avulsa há a indicação da já mencionada pessoa fisica do Sr. BetAnio do Carmo; os comprovantes de pagamentos apresentados pela fiscalizada indicam que para cada uma das três notas fiscais avulsas houve a emissão de vários cheques gafados nominalmente a pessoas fisicas especificadas, das quais, após pesquisa junto ao banco de dados da RFB, não se conseguiu vislumbrar nenhum vinculo com o fornecedor F.L da Silva — ME; observou a fiscalização que, conforme mencionado anteriormente, a sra. Marisa Fernandes Machado também foi beneficiária de cheques emitidos em relação ao fornecedor Carvão Diamante Negro Ltda ME e o sr. Betãnio do Carmo também figura na documentação relacionada aos fornecedores Guimarães & Silveira Ltda, Michel Honório Viana e Carvão Diamante Negro Ltda; restaram infrutíferas as tentativas para intimação do fornecedor; as notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, todos emitidos pela Siderúrgica Valinho S.A. também não conseguem comprovar que o carvão vegetal adveio, de fato, da pessoa jurídica F. L da Silva; em relação aos pagamentos, segundo se constada das cópias contábeis, os desembolsos relativos a 746 notas fiscais (emitidas de maio de 2005 a maio de 2006) foram efetuados por meio de vários cheques ao portador. A partir de junho de 2006, as demais cópias contábeis dos cheques e os recibos de depósitos bancários apresentados pela fiscalizada indicam diversas pessoas fisicas, as quais, dos exames realizados junto ao banco de dados da RFB, não se consegue vislumbrar qualquer vinculo com o fornecedor F.L. da Silva ME; Fl. 5940DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.941 26 da relação elaborada, a fiscalização observou que a sra. Elizabeth das Graças também figura relacionada na documentação apresentada em relação ao fornecedor T.L.A. da Silva e que Raphael Oliveira de Rezende aparece relacionado ao fornecedor Michel Honório Viana; o autuado, intimado, manifestou a impossibilidade de vinculação das pessoas beneficiárias dos valores relacionados nos cheques em referencia aos fornecedores de carvão vegetal. O impugnante argumentou que não pode ser responsabilizado pela situação fiscal de seus fornecedores, tendo acentuado que, no site da Receita Federal, constatou o registro de situação cadastral ATIVA para todos os fornecedores ou HABILITADO em relação ao período abrangido pela autuação, conforme documentos que integram o Anexo XVI, especificados no Relatório. Ponderou ainda que, além das notas fiscais emitidas pelo fornecedor, restaram apresentadas as notas fiscais de entrada, bem como o efetivo comprovante de pagamento dos valores consignados na referida nota. Salientou também a ausência de Ato Declaratório de inidoneidade de nota fiscal nos casos em exame. Primeiramente, cumpre salientar que, diferentemente do entendimento da defesa, as inconsistências apontadas pela fiscalização no exame das declarações das pessoas jurídicas constituem elementos de prova que se somam a outros, todos convergindo no sentido de denunciar a incapacidade do autuado de comprovar a efetividade das compras de carvão objeto das notas fiscais de emissão desses seis fornecedores, conforme se passa a explicitar. Assim, em relação a esses fornecedores, em todos os casos, verificouse que as declarações obrigatórias das pessoas jurídicas foram apresentadas com receita zerada ou incompatível com os valores das notas fiscais emitidas em favor da Siderargica Valinho S.A., ou simplesmente declararamse inativas, ainda que o impugnante tenha procurado caracterizálas como empresas "ativas" ou contribuinte "habilitado" no período abrangido pela autuação fiscal, conforme documentos juntados A impugnação. No tocante aos pagamentos, nas intimações expedidas pela autoridade fiscal, o contribuinte foi instado a apresentar os documentos comprobatórios dos custos incorridos e a comprovar o efetivo pagamento, ou a apresentar contratos ou instrumentos de procuração que autorizassem o recebimento dos valores por conta e ordem dos fornecedores, tendo, invariavelmente, alegado a "impossibilidade de fornecer qualquer documentação que demonstre a vinculacio havida entre as pessoas indicadas no quadro apresentado no termo ora respondido". No próprio TVF, a fiscalização evidenciou pagamentos comprovados por meio de emissão de vários cheques ao portador ou nominais a pessoas distintas do fornecedor, bem como por meio de recibos de depósitos bancários a favor de pessoas fisicas, as quais o contribuinte não conseguiu demonstrar a vinculação que autorize os respectivos recebimentos por conta e ordem do fornecedor; além de recibos firmados por pessoas que o contribuinte não conseguiu comprovar a correspondente vinculação aos fornecedores ou a devida autorização formal para o recebimento em nome do respectivo fornecedor. Conforme abordagem feita no item 111.2 deste Voto, cheques emitidos ao portador e nominativos a terceiros, "pulverizado" a diversos supostos agentes que atuaram na operação de compra do carvão vegetal pela Siderúrgica Valinho, sem que se estabeleça nenhum vinculo com o suposto fornecedor, não podem servir de prova de pagamento das notas fiscais questionadas. Da mesma forma, anotações no Fl. 5941DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.942 27 verso dos cheques com a inscrição das notas fiscais a que supostamente se referem não comprovam pagamento se estes cheques foram emitidos ao portador ou depositados em contas de terceiros estranhos ao fornecedor indicado no documento fiscal. Também vale ressaltar que eventuais carimbos apostos por agentes fiscalizadores no trânsito da mercadoria não atestam o efetivo pagamento ao fornecedor indicado no documento fiscal, pelas quantidades e nos valores dos insumos nele inscritos. E importante notar ainda que, na análise feita no citado item 111.2 deste Voto, relativamente A documentação juntada pelo impugnante (Anexos XVI, XVII e XVIII), não foi encontrado nenhum depósito efetuado diretamente nas contas correntes desses seis fornecedores que pudesse estar relacionado As notas fiscais por eles emitidas em favor do autuado. Em verdade, desses seis fornecedores, constam documentos pertinentes a pagamentos supostamente efetuados A F L Silva e Carvão Diamante Negro Ltda., notadamente cheques ao portador ou cheques nominais a terceiros, sem relação alguma com essas empresas, guardando correspondência apenas com as notas fiscais de entrada. Estas notas fiscais de entrada e os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, em conformidade com as questões abordadas no item 111.1 deste Voto, também não se prestam para comprovação dos custos, por constituírem documentos de lavra do próprio contribuinte adquirente do insumo, além de não atenderem As exigências legais pertinentes. Não há como deixar ainda de registrar que a autoridade fiscal apontou a existência de notas fiscais avulsas firmadas por pessoas fisicas sem a comprovação do vinculo com a pessoa jurídica nelas indicadas como remetentes do carvão vegetal e a emissão de ATPF relativamente a pessoas distintas do fornecedor. Quanto A ausência de ato declaratório de inidoneidade de nota fiscal, tal fato não impede a glosa de custos, quando o lançamento está estruturado numa gama de elementos 'coletados pela fiscalização, todos convergindo no sentido de denunciar a incapacidade do autuado de comprovar a efetividade das compras de carvão vegetal objeto das notas fiscais de emissão desses seis fornecedores. De todo modo, uma nota fiscal declarada inidõnea e uma nota fiscal emitida sem que se possa atestar a efetividade da operação nela retratada com o fornecedor emitente do documento, podem ter em comum o fato de não se prestarem a amparar o registro de custo na contabilidade do contribuinte, autorizando a glosa do valor correspondente, ainda que o ato declaratório de inidoneidade possa ter outras implicações previstas na legislação que define a sua expedição. Nestas condições, verificase que, no exercício regular de suas funções, a autoridade fiscal promoveu cuidadoso trabalho de investigação, que não ficou restrito A pesquisa nos sistemas de cadastro e controles da RFB que, por si só, já fornecem importantes informações acerca da vida fiscal dos contribuintes, tendo envidado esforços nas tentativas de intimar os fornecedores de carvão, analisado detidamente os comprovantes de pagamento apresentados, apontando as suas limitações, evidenciado inconsistências no que tange A emissão de notas fiscais avulsas e ATPF, tendo ainda desconstituido a força probante das notas fiscais de entrada e outros documentos de controle interno do contribuinte, além de ter oportunizado ao autuado prestar os esclarecimentos e comprovar por outros meios a efetividade da operação retratada nas notas fiscais questionadas. Portanto, deve ser mantido o lançamento pertinente A glosa de custos contabilizados com base nas notas fiscais emitidas por esses seis fornecedores. Fl. 5942DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.943 28 V. PEDIDO DE PERÍCIA Em tópico especifico da impugnação apresentada contra o lançamento do IRPJ, o contribuinte postulou a realização de perícia contábil, tendo formulado os quesitos e indicado seus assistentes técnicos (fls. 568/570). Neste sentido, cumpre registrar que cabe ao administrador tributário, por força do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, determinar a realização de diligências e perícias quando as entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Ainda A luz do citado decreto, esclareçase que a regra do processo administrativo fiscal é de que são conhecidos todos os documentos que instruirem a impugnação formalizada por escrito tempestivamente. Notese também que é da essência da relação processual que as alegações de parte a parte estejam devidamente instruídas com as respectivas provas. No caso vertente, o entendimento da fiscalização sobre o assunto foi consubstanciado nos autos de infração, no TVF, nos demonstrativos conexos e nas provas documentais juntadas nos autos, motivando o lançamento de forma apropriada, não tendo o impugnante apontado, objetivamente, nenhum fato relevante na apuração que pudesse dar ensejo a uma revisão dos dados que serviram de base para o lançamento. Por sua vez, a autoridade julgadora, no exercício de suas atribuições e contando com a livre convicção no exame das provas formadas de parte a parte, analisou todo o conjunto probatório, expondo, no caso, os motivos pelos quais não logrou êxito o contribuinte em refutar as evidências expostas no lançamento, especialmente no tocante A validade das notas fiscais de entrada e de outros documentos de controle interno da empresa autuada, quanto aos aspectos pertinentes ao pagamento, A apuração do custo no processo produtivo, entre outras questões abordadas nos quesitos listados no pedido de perícia do impugnante. Também é importante destacar que não compete ao julgador determinar a abertura de uma nova auditoria fiscal, o que efetivamente representa o pedido do impugnante, para a apuração dos mesmos fatos objeto do lançamento questionado. A fase investigatória já se encerrou com a lavratura e ciência dos autos de infração; agora caberia ao contribuinte apresentar a impugnação acompanhada das provas de suas alegações, de forma a refutar os fatos que lhe foram imputados e justificar a realização de uma perícia. No caso concreto, não existem fatos que justifiquem os procedimentos próprios de uma perícia contábil. Sendo assim, não havendo motivação bastante para a realização de perícia, o pedido do impugnante deve ser indeferido, na forma das disposições contidas nos arts. 18 e 28 do Decreto n°70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993. VI. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 0 auto de infração de fls. 20/26 trata da exigência do IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa, correspondendo a matéria tratada no item 5 do TVF. Segundo o impugnante, a fiscalização ignorou a efetividade dos pagamentos, a comprovação do trânsito da mercadoria, a existência de autorizações do lbama e Fl. 5943DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.944 29 documentos de arrecadação estaduais, concluindo que os beneficiários primários dos recursos (fornecedores de carvão vegetal) foram devidamente identificados. Inicialmente é importante trazer a lume os registros feitos pela fiscalização no TVF, que resumem de forma apropriada o lançamento do IRRF: Além do lançamento de oficio da exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, parte da matéria tributada com base nos fatos anteriormente descritos fica também submetida à incidência do imposto exclusivamente na fonte, conforme adiante será demonstrado, uma vez caracterizada a hipótese descrita no artigo 674 do RIR, de 1999, nos seguintes termos: Pagamento a Beneficiário não Identificado Art. 674. Está sujeito ir incidência do imposto, exclusivamente na fonte, a aliquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei 8.981, de 1995, art. 61). § 1° A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei 8.981, de 1995, art. 61, 19. § 2° Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei 8.981, de 1995, art. 61, § 29. § 3° 0 rendimento será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n2 8.981, de 1995, art. 61, § 32). (grifo não é do original) , Depreendese de tal preceito legal, que a pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa dos pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem como, não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços, sujeitarse6 â incidência do imposto, exclusivamente na fonte, a aliquota de 35%, a titulo de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. Neste caso, considerase ocorrido o fato gerador do Imposto de Renda na Fonte, independentemente da contabilização como despesa ou custo, os pagamentos registrados na contabilidade da empresa, mesmo se efetuados como forma de adiantamentos. No caso do presente procedimento fiscal, a hipótese legal relativa a pagamentos a beneficiários não identificados fica caracterizada em relação aos valores relacionados no item 3, acima (demonstrados nos Quadros Demonstrativos n° 01, 01 A e 02), uma vez correspondentes à majoração de custo advinda de suposta regularização de diferenças de quantidades de carvão vegetal, de diferenças de valor unitário e também de complemento de preço (equivalente ao ICMS destacado em DA EMS emitido em nome do vendedor do carvão vegetal), contabilizada com base tãosomente em notas fiscais de entrada emitidas pela própria fiscalizada e, portanto, sem o devido lastro em respectivas notas fiscais complementares dos fornecedores do carvão vegetal comercializado. Fl. 5944DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.945 30 Neste caso situamse os pagamentos que o contribuinte realizou por meio de cheques ao portador e sem a necessária comprovação documental dos respectivos recebimentos (recibos e/ou duplicatas) firmados/emitidos pelas pessoas jurídicas fornecedoras do carvão vegetal, e/ou (no caso dos recibos apresentados a fiscalização como firmados por terceiros, motoristas, intermediários, etc), sem a indispensável comprovação da existência dos competentes instrumentos de procura cão que autorize tal operação. Ainda em relação aos valores relacionados no item 3, seria bom lembrar que há casos em que o contribuinte apresentou, como prova da efetividade do pagamento destes custos majorados, cópias contábeis dos cheques e/ou os recibos de depósitos bancários com a indicação de diversas pessoas fisicas. Conforme mencionado naquele item 3, mesmo nos casos em que eventualmente se verificasse a existência de cheques nominais ao vendedor do carvão vegetal, estes pagamentos também não serviram, por si sós, para comprovação da efetividade do custo adicional descrito nas notas fiscais de entrada emitidas pela própria Siderúrgica Valinho S/A, porque desacompanhados de documentação fiscal fundamental e necessária para tanto, ou seja, a nota fiscal complementar emitida pelo vendedor do carvão vegetal. Em face desta situação, é de se observar que fica configurada a hipótese legal anteriormente transcrita relativamente à falta de comprovação da operação ou da causa dos pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros. Portanto, a empresa ora fiscalizada fica também se sujeita a exigência do IRF sobre os valores relacionados no Quadro Demonstrativo n°05, fls. 310 a 331, em anexo. Conforme esclarecimento feito no TVF, a questão tratada no item 3 daquele termo, pertinente A majoração de custos advinda de suposta regularização de diferenças de quantidades de carvão vegetal, de diferenças de valor unitário e também de complemento de preço, repercutiu no lançamento do IRRF, no que atine As duas situações previstas no art. 674 do RIR11999, quais sejam, pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovação da operação ou da causa dos pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não. Nesse sentido, devese remeter A análise feita no item III deste Voto, oportunidade em que foram abordados todos os aspectos atinentes A glosa da majoração dos custos, inclusive questões relacionadas ao pagamento, trânsito da mercadoria, autorizações legais e guias de recolhimento de tributo estadual, tendo sido confirmado na integra o lançamento. Cumpre lembrar que, fundamentalmente, pelas razões expressas no TVF, as notas fiscais de entrada não foram aceitas na comprovação dos custos adicionais decorrentes de ajuste de prego ou quantidade ou reajustamento de preço. Assim, a diferença do valor consignado na nota fiscal de entrada e na nota fiscal originariamente emitida pelo fornecedor do insumo foi objeto de glosa; em consequência, tal valor serviu de parâmetro para reajustamento da base de cálculo do IRRF, de acordo com a legislação de regência, conforme consta do Quadro Demonstrativo n° 05 (fls. 310/331). Embora relacionadas, tratase de hipóteses de incidências diversas: a primeira, referese As glosas de custos, fato esse que enseja os respectivos lançamentos do IRPJ e da CSLL, pois altera, concomitantemente, o lucro real e a base de cálculo daquela contribuição (o que já foi objeto de apreciação, nesse Voto); a segunda, A tributação exclusiva na fonte do imposto de renda, A aliquota de 35%, incidente Fl. 5945DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.946 31 sobre os pagamentos feitos por pessoas jurídicas a beneficiários não identificados ou sem que se determine a operação ou a causa do pagamento. Dessa forma, no caso vertente, a lógica adotada pela autoridade fiscal está correta: se a nota fiscal de entrada não se presta A comprovação da majoração do custo incorrido, toda a operação decorrente dessa majoração indevida fica descaracterizada; assim, os pagamentos efetuados por meio de cheques ao portador ficam sujeitos ao imposto de renda na fonte por evidente falta de identificação do beneficiário e da operação que deu causa ao pagamento; e nos casos de cheques nominais, conquanto identificados os beneficiários, não se pode determinar a operação ou a causa do pagamento, fato que também justifica o lançamento do IRRF. Portanto, diversamente do entendimento da defesa, os fatos narrados no TVF conferem legitimidade A exigência fiscal, nos estritos termos do art. 674 do RIR/1999 supracitado, autorizando o lançamento das parcelas identificadas como "pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa", consoante apuração dos valores feita nos demonstrativos fiscais anexados As fls. 310/331. Sendo assim, lembrando ainda que não houve alteração no lançamento no que respeita As glosas de custos, deve ser mantido a exigência do imposto de renda retido na fonte. VII. DÉBITO DE COFINS REMANESCENTE APÓS RECONSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS DECLARADOS EM DACON O impugnante, na parte especifica de sua impugnação que tratou do Cofins, aduziu que as diferenças apontadas pela fiscalização não existem, uma vez que a empresa apresentou os Dacon de forma clara e transparente, em consonância com as normas de regência e, pelas mesmas razões, não procede também a recomposição da conta gráfica relativamente ao PIS. A fiscalização, no item 6 do TVF, esclareceu que a análise em relação a verificação dos créditos que deram origem aos PEFt/Dcomp especificados encontravase nos respectivos processos. Todo o levantamento feito pela autoridade fiscal foi consubstanciado nas planilhas "Controle de Compensação de Créditos Cofins/PIS — Ajuste dos Saldos Apurados no Dacon", anexadas As fls. 78/100. Nessas planilhas, tanto para a Cofins quanto para o PIS, foram identificados, mês a mês, em colunas especificas, a "Base de Cálculo dos Créditos Glosada" e sua repercussão no crédito vinculado A exportação e em relação aos créditos apurados no mercado interno. 0 contribuinte foi orientado a proceder ao abatimento do saldo que integra a linha "Saldo de Créditos do Mês Exportação", das respectivas Fichas do seu Dacon, tendo sido anotado ainda que, da reconstituição e dos ajustes do saldo de créditos apurados nos Dacon, em face do aproveitamento de oficio dos créditos apurados e declarados pelo contribuinte, foram constatados valores relativos a débitos remanescentes de Cofins nos meses de janeiro e fevereiro de 2006, objeto do auto de infração lavrado As fls. 27/31. Conforme se vê dos demonstrativos fiscais, os créditos apurados de Cofins e PIS foram afetados pela glosa de custos perpetrada no lançamento do IRPJ e da CSLL e, uma vez mantida a exigência fiscal nessa parte (item III do Voto), não ha porque alterar o lançamento feito com base na reconstituição dos créditos declarados Fl. 5946DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.723509/201056 Acórdão n.º 1402001.185 S1C4T2 Fl. 5.947 32 em Dacon relativamente A Cofins e ao PIS, cumprindo notar que o impugnante também não apontou nenhuma irregularidade nas planilhas elaboradas pela fiscalização. A titulo de registro, cumpre salientar que a infração descrita no item 7 do TVF — "Crédito indevido de PIS/Cofins incidente sobre aquisições de .pessoa jurídica não tributada", em relação à qual a fiscalização observou que o próprio contribuinte expressamente reconheceu que os pagamentos correspondentes não geravam crédito dessas contribuições, não foi objeto de contestação pelo impugnante. (...)” Aos fundamentos acima transcritos nada merece ser acrescentado, posto que esgotam as questões em litígio, deixando patente a correta tributação da majoração de custo e dos pagamentos sem causa comprovada efetuados pelo contribuinte.. Destaco que tais fundamentos não foram suficientemente contraditados na peça recursal, a ponto de mudar o convencimento deste julgador, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados neste voto. Por fim, assevero que, à luz do art. 29 do Decreto 70.235 de 1972, que rege o Processo AdministrativoTributário no âmbito Federal (PAF), “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção...”. Frisese que esta redação original é uma das poucas jamais foi alterada ao longo desses 40 anos de vigência do PAF. Registro ainda que o art. 50 da Lei 9.784/1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF, estabelece: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito.” (Grifei) CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5947DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 04/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.100093/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 30/11/2004, 31/08/2005, 31/08/2006
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO.
TIPIFICAÇÃO INCORRETA DA CONDUTA INFRACIONAL.
DISPOSITIVO LEGAL NÃO VIGENTE Á ÉPOCA DOS FATOS.
Descabe a exigência da penalidade vinculada à prática das infrações, cujo dispositivo que introduziu a conduta infracional no ordenamento teve vigência após a ocorrência dos fatos.
Numero da decisão: 1201-000.740
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO. TIPIFICAÇÃO INCORRETA DA CONDUTA INFRACIONAL. DISPOSITIVO LEGAL NÃO VIGENTE Á ÉPOCA DOS FATOS. Descabe a exigência da penalidade vinculada à prática das infrações, cujo dispositivo que introduziu a conduta infracional no ordenamento teve vigência após a ocorrência dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, (Suplente convocado), Marcelo Cuba Netto, Manoel Mota Fonseca (Suplente convocado), João Carlos de Lima Junior e Rafael Correia Fuso. Relatório Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.100093/200914 Acórdão n.º 120100.740 S1C2T1 Fl. 253 2 Tratase de remessa oficial com fundamento no art. 34 do Decreto nº 70.235/72, em face do Acórdão nº 0935.781, de 29.06.2011, proferido pela e. 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG). Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 16/28), o auto de infração de que trata os presentes autos (fls. 03/12) foi lavrado para exigência de multa isolada em razão da compensação indevida pleiteada pelo sujeito passivo, utilizando supostos créditos apurados no 3º trimestre/2004, 2º trimestre/2005 e 3º trimestre/2005. Regularmente cientificada da exigência em 18.06.2009 (fls. 03), a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 66/92), tendo sido o seu pleito integralmente deferido pelo órgão julgador de primeira instância (fls. 246/253). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2) Da Multa Isolada A questão objeto do apelo oficial consiste na apreciação da validade da exigência de multa isolada por compensação indevida, efetuado com fundamento no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, em relação à declarações de compensação apresentadas na vigência da redação anterior deste mesmo dispositivo. Entendo que não merece reparo a decisão da DRJ. Ao dispor sobre a fundamentação legal para autuação, a autoridade fiscal assim se manifestou (fls. 24/25): “31 Em 24 de agosto de 2001, a Medida Provisória n° 2.158 35, art. 90, possibilitou à Secretaria da Receita Federal efetuar lançamento de ofício para cobrar as diferenças apuradas em declarações prestadas pelo sujeito passivo. Este artigo foi alterado pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Teve nova redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, conforme transcrevo: (...) 32 Assim, a fiscalizada estará sujeita à imposição da multa isolada prevista no art. 18, § 2º , da Lei n° 11.488/07, já que ficou caracterizada a falsidade dos dados (Créditos Fictos) inseridos nas PERDCOMPs apresentadas. O percentual da multa a ser aplicado é de 150% sobre os débitos indevidamente compensados, cujas bases de cálculo das multas e seus valores se encontram especificados no Quadro Demonstrativo dos Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.100093/200914 Acórdão n.º 120100.740 S1C2T1 Fl. 254 3 Débitos Compensados Indevidamente nas PERDCOMPs Entregues a SRF Majorados em 150%. 33 Diante dos fatos, lavramos o presente Auto de Infração, constituindo a multa isolada tendo como base de cálculo os débitos indevidamente compensados nas PERDCOMPs. O lançamento darseá no auto de infração, de acordo com o seguinte enquadramento legal: art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, 24/08/2001, alterada pelo art. 18 da Lei n° 10.833, 29/12/2003, com nova redação dada pela Lei n° 11.488, 15/06/2007, art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/27/12/1996. (...)” (destacouse) Conforme os trechos destacados, a fiscalização fundamentou a exigência na legislação vigente à época da autuação. Não observou, como deveria ter feito, a alteração na redação do dispositivo aplicável, promovida após a ocorrência dos fatos objeto dos presentes autos. Notese que a conduta imputada ao sujeito passivo foi de inserir dados falsos (créditos fictos) em suas PER/DCOMP. Ocorre que tal conduta só foi prevista no aludido art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2001. Ou seja, à época dos fatos, a conduta apenada pelo aludido dispositivo era tipificada de outra forma. Com bem pontuado pela autoridade julgadora a quo, a disposição legal que estabelece a cominação de penalidade isolada define em seu texto qual a ação ou omissão do contribuinte deverá se apenada. A autoridade lançadora não está autorizada a imputar penalidade sobre conduta, cuja tipificação foi inserida no ordenamento em momento posterior, após a ocorrência dos fatos investigados. Como é cediço, a lei aplicável ao caso deve ser aquela vigente à data da transmissão das PER/DCOMP que veicularam as declarações de compensação que o Fisco considerou estarem maculadas pela falsidade dos dados nelas informados. Ou seja, neste caso, a conduta infracional se materializou no momento da transmissão dos formulários PER/DCOMP, sendo que a lei aplicável não deve ser a vigente à época da constatação da irregularidade, mas a que vigorava no momento da realização da conduta a ser apenada. Verificase nos autos que as declarações de compensação com elementos de falsidade que ensejaram o presente lançamento, foram transmitidas em 22/11/2004, 17/08/2005 e 23/08/2006 (PERDCOMPs de nºs 22199.89211.221104.1.3.013236, 06732.04223.170805. 1.3.010226 e 07415.85341.230806.1.3.015863), portanto antes do início da vigência da nova redação do mencionado art. 18 da Lei nº 10.833/2003. De fato, por ocasião da apresentação das aludidas PER/DECOMP, os dispositivos pertinentes apresentavam as redações seguintes, verbis: Medida Provisória n° 135, de 2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.100093/200914 Acórdão n.º 120100.740 S1C2T1 Fl. 255 4 compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) Lei n° 10.833, de 2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 29/12/2004) (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) Verificase que tanto na redação original, aplicável à PER/DCOMP nº 22199.89211.221104.1.3.013236, quanto na redação dada pela Lei nº 11.051/04, aplicável às PER/DCOMP nº 06732.04223.170805.1.3.010226 e 07415.85341.230806.1.3.015863, exige se para caracterização da conduta infracional a “prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964”, ou seja, a prática de sonegação, fraude ou conluio. Ocorre que os elementos caracterizadores destas condutas não se assemelham à “falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo”, na forma imputada pela fiscalização no presente caso. Como dito acima, o lançamento foi fundamentado na nova redação do dispositivo, vigente somente a partir de 2007, verbis: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.100093/200914 Acórdão n.º 120100.740 S1C2T1 Fl. 256 5 Depreendese dos trechos destacados que o novel dispositivo apresentou diferente tipificação da conduta infracional. Ao suprimir a referência anterior aos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, a imposição da penalidade passou a exigir que se comprove a existência de elementos falsos na declaração apresentada ao Fisco. No entanto, tal conduta não deveria ser imputada ao sujeito passivo antes da vigência do dispositivo legal que a introduziu no ordenamento. Ainda que se possa afirmar a existência da intenção de ludibriar o fisco presente em ambos os normativos, não é possível, tratandose de penalidades, considerálos semelhantes. Deveria a autoridade lançadora caracterizar a conduta infracional como fraude, sonegação ou conluio, apoiandose na redação vigente à época da apresentação das respectivas declarações. Desta forma, o lançamento incorreu em vício insanável de fundamentação ao imputar ao sujeito passivo conduta infracional que fora tipificada posteriormente à ocorrência dos fatos. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARCELO CUBA NETTO
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