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Numero do processo: 10120.000293/2005-35
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 19 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jun 19 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE RESERVA LEGAL.
A área de reserva legal somente será considerada para efeito de
exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando
devidamente averbada à margem da inscrição de matricula do
referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em
data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos
termos da legislação pertinente; o que ocorreu na hipótese destes
autos.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-39.585
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. 0 Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes votou pela conclusão.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matricula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente; o que ocorreu na hipótese destes autos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. 0 Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes votou pela conclusão. A HELENA TRAJANO D o 'AMORIM - Relatora L21)-iL r • Processo n° 10120.000293/2005-35 AcOrdAo n.° 302 - 39.585 CC03,CO2 Fls. 81 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Verissimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. • 2 Processo n° 10120.000293/2005-35 AcOrdao n.° 302-39.585 CC03,CO2 Fls. 82 Relatório 0 contribuinte acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia/DF. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, As fls. 48/49 que transcrevo, a seguir: "Contra o contribuinte interessado foi lavrado, em 20/01/2005, o Auto de Infração/anexos de Jis. 01 e 25/32, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 82.859,83, a titulo de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, do exercício de 2000, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 30/12/2004, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Manacá" (NIRF 1.396.367-8), localizado no município de Nova Cri xás — GO. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2000 incidentes em malha valor (Formulários de fls. 02/03 e 21/24), iniciou-se com a intimação de fls. 04, recepcionada em 13/10/2004 ("AR" de fls. 05), exigindo-se a apresentação de cópia autenticada da Certidão ou da Matricula atualizada do Cartório de Registro de Imóveis competente; do Ato Declaratório Ambiental, além de outros documentos e esclarecimentos, por escrito, visando a elucidar os dados contidos na mencionada declaração de ITR (DITR). Em atendimento, foram apresentados os documentos/extratos de Jis. 06/09, 10/11, 12 e 13/17. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2000 e da documentação apresentada pelo contribuinte, a fiscaliza cão resolveu lavrar o presente auto de infração, glosando integralmente as áreas declaradas como de utilização limitada, com 1.256,0 lia, coin conseqüentes aumentos das áreas tributável e aproveitável do imóvel, do VDT tributável e da alíquota de cálculo, apurando imposto suplementar de RS 33.310,49, conforme demonstrativo de fls. 29. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontram-se descritos as folhas 27/28 e 30. Após tomar ciência do lançamento, em 26/01/2005 (as fls. 34), o contribuinte interessado, através de advogado e procurador legalmente constituído (as fls. 45), protocolou, em 22/02/2005, a impugnação de fls. 39/44. Apoiado nos documentos de prova já acostados aos autos, alegou e requereu o seguinte, em síntese: • faz um breve relato dos fatos apontados pelo autuante para justificar lavratura do presente auto de infração; • em resposta a intimação da fiscalização, apresentou cópia da Matricula n" 0758, do CRI competente, constando a averbação, em 03/03/1993, da area de 1.256,04 ha declarada como de utilização limitada, além de cópia do ADA protocolizado em 06/03/2003; 3 Processo n° 10120.000293/2005-35 Acórdão n.° 302-39.585 CC03,'CO2 FIs. 83 • por não ter sido o ADA protocolado no prazo de seis meses contados da entrega da DITR, conforme estabelece a IN/SRF n" 067/97, optou a autoridade fiscal por lavrar o presente auto de infração; • ocorre que a citada Instrução Normativa extrapolou as normas estabelecidas em lei para fins de reconhecimento das areas de reserva legal e de preservação permanente, a luz do art. 10, da Lei n°9.393/96, transcrito pelo requerente; • a exigência de declaração de órgão competente para fins de reconhecimento da area não tributável aplica-se apenas em relação ás areas de interesse ecológico para proteção de ecossistenzas (alínea "b", inciso II, do ,sç I" da Lei 9.393/1996) e areas comprovadanzente imprestáveis para qualquer exploração agrícola (á/Inca "c", inciso II, do ,sç 1" da Lei 9.393/1996). Já em relaçã o as areas de preservação permanente e de reserva legal (alínea "a'), esta última objeto do presente auto de infração, não impôs a lei nenhuma exigência. Assim, pelo "Principio da Reserva Legal", não pode a Instrução Normativa da Receita Federal impor tal exigência; • pelo fato de a Receita Federal estar exigindo tal procedimento dos proprietários rurais, teve ainda o legislador o cuidado de deixar bem claro a inexigência do ADA no caso analisado, editando a MP n" 01.956-50, de 26/05/2000 (última reedição pela MP n°2.166-67, de 24/08/2001), o qual acresceu o sç 7" ao art. 10 da Lei n" 9.393/96, conforme transcrito anteriormente; • a aplicação do disposto na MP n°2.166-67 é respaldada pelo art. 106, II, "c" do CTN, transcrito pelo requerente; • como a Lei n°9.393/96 não fazia qualquer exigência em relação à declaração de qualquer órgão para fins de reconhecimento das areas de preservação permanente e de reserva legal, o citado parágrafo 7" apenas esclarece a não exigência do referido ADA; • para reforçar a sua tese, cita jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes (1°- Acórdão 302-35463, de 20/03/2003, da Segunda Camara, Relatora: Simone Cristina Bissoto, e 2° - Acórdão 301-30129, de 19/03/2002, da Primeira Cômara, Relatora: Roberta Maria Ribeiro Aragão), além de julgado do TRF I" Região (Terceira Turma), N" do Processo AMS 1999.01.00.028101-1, Relator: Juiz Olindo Menezes, Relator Convocado: Juiz Saulo José Casali Bahia, publicada no DJ de 08/08/2001; • mesmo tendo sido demonstrada a inaplicabilidade da exigência do ADA para fins de dedução da area de preservação permanente e de Reserva Legal no cálculo do ITR, providenciou o referido documento, não restando, portanto, qualquer dúvida CI71 relação existência de tais áreas, e • por fim, requer o provimento da presente impugnação, cancelando-se o débito fiscal reclamado." 0 pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdao DRJ/BSA le 03-17.815, de 05/07/2006 (fls. 47/53), proferido pelos membros da I a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia/DF, cuja ementa dispõe, verbis: 4 Processo n° 10120.000293/2005-35 Acórdzio n.° 302-39.585 CC03/CO2 Fls. 84 "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 Ementa: DA AEA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. Não reconhecida como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declara tório junto ao IBAMA ou órgão conveniado, resta incabível a exclusão da á,-ea de utilização limitada / reserva legal declarada da incidência do ITR. Lançamento Procedente." Cientificada do acórdão de primeira instância conforme AR, à fl. 57, datado de 28/08/2006; a interessada apresentou, em 22/09/2006, o recurso de fls. 58/63, em que repisa praticamente as razões contidas na impugnação. 0 processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 79, que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Conselho. o relatório. • • 5 Processo n0 10120.000293/2005-35 Acórdão n.° 302-39.585 CC03, CO2 Fls. 85 Voto Conselheira Mercia Helena Trajano D'Amorim, Relatora 0 recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de lançamento de oficio do ITR do exercício de 2000, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 30/12/2004, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Manacá" (NIRF 1.396.367-8), localizado no município de Nova Crixds — GO. Foram exigidos cópia autenticada da Certidão ou da Matricula atualizada do Cartório de Registro de Imóveis competente; do Ato Declaratório Ambiental, além de outros documentos e esclarecimentos, por escrito, visando a elucidar os dados contidos na mencionada declaração de ITR (DITR). Em resposta à intimação da fiscalização, a recorrente apresentou cópia da Matricula n° 0758, do CRI competente, constando a averbação, em 03/03/1993, da Area de 1.256,04 ha declarada corno de utilização limitada, além de cópia do ADA protocolizado em 06/03/2003. Conforme o acórdão de la instância, observa-se o motivo da manutenção da glosa das Areas: "Da análise das peps do presente processo, verifica-se que apesar de ter sido comprovado nos autos a averba geio tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal declarada (1.256,0 ha), a margem da matricula do imóvel, conforme Certidão, de fls. 06/09, do Cartório de Registro de Imóveis e Tabelionato I" de Notas e Anexos da Comarca de Mozarkindia — GO (AV-03-M-0758), confirma-se o não cumprimento de uma segunda exigência, qual seja, de que as áreas ambientais do imóvel, para fins de exclusão do ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental - ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolizaçã o tempestiva do seu requerimento (do ADA), conforme relato da autoridade autuante ás fls. 27/28." Em atendimento A solicitação da Receita Federal, a interessada apresentou cópia da matricula do imóvel, onde se encontra averbada a reserva legal de 1256,0 ha. Porém, o motivo da glosa dessa Area declarada na DIAT/2000, é que a recorrente deixou de apresentar o Ato Declaratório Ambiental — ADA do IBAMA, no prazo regulamentar, ou seja, seis meses após o término da entrega da declaração, motivo pelo qual foi lavrado o auto de infração para cobrança do imposto suplementar corno previsto em lei. Quanto A Area de reserva legal, consta, nos autos, averbação no registro geral de imóveis conforme Certidão, de fls. 06/09, do Cartório de Registro de Imóveis e Tabelionato 1° de Notas e Anexos da Comarca de Mozarlândia — GO (AV-03-M-0758), portanto, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo. As disposições legais pertinentes A matéria, que é objeto tanto da Lei n° 4.771, de 15/09/65 (Código Florestal), quanto da Lei n° 7.803, de 18/07/89 (que altera a redação da Lei n° 4.771/65), estando também prevista implicitamente na Lei n° 9.393/1996. 6 Processo no 10120.000293/2005-35 Acórdão n.° 302-39.585 CC03/ CO2 Fls. 86 Estabelece o Código Florestal, em seu art. 16, "a", que, para as regiões Leste Meridional, Sul e Centro-Oeste, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas só serão permitidas desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente. (grifei) A Lei n° 7.803/89, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. § 1° 2". A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área." Destarte, quando a Lei IV 8.847/94, cm seu artigo 11, trata das áreas isentas, determina que, in verbis: "Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n" 7.803, de 1989. Ou seja, a Lei n° 8.847/94 cita expressamente a Lei que criou o Código Florestal, bem como a Lei que o alterou. evidente ainda que os 20% de que trata a legislação citada, destinados reserva legal, devem estar perfeitamente localizados, assim constando na averbação feita margem da inscrição de matricula do imóvel rural, para que não seja alterada "sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área". Por outro lado, a Lei n° 9.343, de 1996, em seu art. 10, inciso II, alínea "b", prevê que as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas assim devem ser "declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas" para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Em seqüência, na alínea "c" trata das áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüicola ou florestal, também ressalvando que sejam "declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual". Claro está que a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal e a necessidade de reconhecimento, em ato individual e especifico, das áreas de interesse ecológico, como condição para excluir a tributação, estão expressamente previstas na legislação de regência do ITR. 7 Processo n° 10120.000293/2005-35 Acórdão n.° 302-39.585 CC03 /CO2 Fls. 87 Conclui-se, portanto que, para as áreas de reserva legal serem excluídas da área tributada e aproveitável do imóvel rural, as mesmas precisam estar devidamente averbadas junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior h. da ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorreu na hipótese destes autos. Destaco, ademais, que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA se tornou obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. Dispõe o art. 17-0 daquela Lei, "in verbis": "Art. I7-" Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao IBAAIA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n" 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria. o - A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. " Diante do exposto, voto por que se dê provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 19 de junho de 2008 LENA T JANORTIVr- Relatora • 8
score : 1.0
Numero do processo: 10480.002867/2002-78
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPF - GLOSA DE DESPESAS - Não comprovadas as despesas médicas e com instrução glosadas, mantém-se a autuação.
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO - A retificação da declaração por iniciativa do próprio contribuinte quando vise reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento, requisitos não observados no caso concreto.
Recurso negado.
Numero da decisão: 104-22.115
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Heloísa Guarita Souza
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ementa_s : IRPF - GLOSA DE DESPESAS - Não comprovadas as despesas médicas e com instrução glosadas, mantém-se a autuação. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO - A retificação da declaração por iniciativa do próprio contribuinte quando vise reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento, requisitos não observados no caso concreto. Recurso negado.
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Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO. 10480.002867/2002-78 147.089 IRPF - Ex: 2000 JOÃO CAETANO DA SILVA 1a TURMNDRJ-RECIFE/PE 07 de dezembro de 2006 104-22.115 IRPF - GLOSA DE DESPESAS - Não comprovadas as despesas médicas e com instrução glosadas, mantém-se a autuação. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO _ A retificação da declaração por iniciativa do próprio contribuinte quando vise reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento, requisitos não observados no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOÃO CAETANO DA SILVA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ~~~~().j~~ ..MARIA HELENA COTTA CARDOzif PRESIDENTE FORMALIZADO EM: 79 J A N {007 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 10480.002867/200278 104-22.115 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, GUSTAVO L1AN HADDAD e REMIS ALMEIDA ESTOL. Ausente justificadamente o Conselheiro OSCAR LUIZ MENDONÇADEAGUIARyL ~ 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. Recurso nO. Recorrente 10480.002867/200278 104-22.115 147.089 JOÃO CAETANO DA SILVA R E LATÓR I O Trata-se de auto de infração (fls. 06/11 e 42/45) lavrado contra JOÃO CAETANO DA SILVA, CPF/MF nO 103.107.204-78, originário da revisão eletrônica da declaração de ajuste do ano-calendário de 1999, exercício de 2000, que originou um crédito tributário de IRPF no valor total de R$ 32.703,30, em 22.01.2002, decorrente de deduções indevidas a título de despesas com instrução e despesas médicas, por falta de comprovação. Intimado em 26.02.2002, por AR (fls. 90), o Contribuinte apresentou sua impugnação, em 18.03.2002 (fls. 01/05), acompanhada dos documentos de fls. 06/87, em que alega que "recebeu verbas rescisórias resultantes de dois acordos trabalhistas homologados em 1999, tendo como beneficiários o próprio contribuinte e mais dois companheiros de trabalho, resultando no preenchimento da declaração de ajuste de forma errônea, englobando os rendimentos recebidos pelos três interessados. Acrescenta ainda, que informou como tributáveis rendimentos que deveriam ter sido declarados como não tributáveis, de acordo com o Decreto 3.000/99.", conforme relatado no acórdão de primeira instância (fls. 95). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife, por intermédio da sua 1a Turma, à unanimidade de votos, no acórdão nO11.223, de 25.02.2005 (fls. 94/96), considerou o lançamento totalmente procedente, uma vez que o Contribuinte não impugnou as glosas de deduções indevidas, limitando-se a solicitar a retificação da sua declaração de ajuste, para o que não teria competência a DRJ. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 10480.002867/200278 104-22.115 Após ser intimado de tal decisão em 25.05.2005 (fls. 100), o Contribuinte interpôs seu recurso voluntário, em 20.06.2005 (fls. 102/108), em que repete os mesmos argumentos antes já apresentados, requerendo a retificação da sua Declaração de Ajuste anual e reconhecendo, ao final que: "entendia que qualquer pagamento poderia ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda e errei, tanto é que na nova revisão e retificação documento anexo 008, demonstro uma nova estrutura sem considerar tais pagamentos como dedutíveis." (fls. 108). Às fls. 109 consta Relação de Bens e Direitos para Arrolamento. É o Relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 10480.002867/200278 104-22.115 VOTO Conselheira HELOíSA GUARITA SOUZA, Relatora O recurso é tempestivo e preenche o seu pressuposto de admissibilidade, pois está acompanhado do arrolamento de bens. Dele, então, tomo conhecimento. Apesar do auto de infração ser por glosa de despesas, como visto no relatório, o Contribuinte acaba por concordar com elas, admitindo seu erro. Logo, não há conflito a ser dirimido nessa parte. A rigor, a pretensão do Contribuinte é de ter retificada a sua declaração de ajuste, do ano-calendário de 1999. No entanto, tal procedimento não pode ser acolhido após a lavratura do auto de infração, a teor do art. 147, do Código Tributário Nacional, que dispõe: "Art. 147 - O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensável à sua efetivação. S 1° - A retificação da declaração por iniciativa do próprio contribuinte quando vise reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. " (grifos nossos) 5 ------------------------------ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 10480.002867/200278 104-22.115 Emergem do dispositivo legal, dois requisitos indissociáveis: 1° - é necessário provar a ocorrência de um erro; 2° - a retificação há que ser feita antes do lançamento. Assim, ainda que se pudesse admitir e aceitas as alegações do Contribuinte quanto aos equívocos cometidos no preenchimento de sua declaração, não se conseguiria afastar a segunda exigência do art. 147, do CTN, ou seja, de que somente seria admissível antes da notificação do lançamento. Ante ao todo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negar-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 07 de dezembro de 2006 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
Numero do processo: 35564.003771/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/07/2005
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7o, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9°, alínea "j", da Lei n° 8.212/91-, mais precisamente MP n° 794/1994, c/c Lei n° 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados, o que não se vislumbra no pagamento à parte dos segurados empregados da empresa, tendo em vista a inexistência de disposição legal expressa exigindo a sua extensão à totalidade dos funcionários, sendo defeso ao aplicador da lei coarctar os ditames daquela norma, conferindo interpretação que não decorre literalmente do seu próprio bojo, a partir de meros subjetivismos.
AUXÍLIO-BOLSA ESTUDOS. HIPÓTESE DE ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA. INOBSERVÂNCIA REQUISITOS LEGAIS De conformidade com o artigo 28, § 9o, alínea "t", da Lei n° 8.212/91, os valores concedidos aos funcionários e diretores da empresa a título de Plano Educacional, in casu, Auxílio-Bolsa de Estudos, conquanto que guarde consonância com as atividades por ela desenvolvidas e extensivo a totalidade dos empregados e diretores, estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Tendo a contribuinte pago aludida verba somente a parte de seus segurados empregados e/ou diretores, caracteriza-se como salário indireto, sujeitando-se, assim, à incidência das contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante à aplicação do instituto.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo O fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte.
TAXA SELIC E LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei n° 8.212/91.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4o do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula n° 2 do antigo 2o CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-000.828
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 06/2001. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que não acolheu a decadência; II) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e b) em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de Ia instância; e III) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação sobre as verbas pagas aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados -PLR. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 06/2001. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que não acolheu a decadência; II) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e b) em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de Ia instância; e III) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação sobre as verbas pagas aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados -PLR. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por negar provimento ao recurso.
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/07/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7o, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9°, alínea "j", da Lei n° 8.212/91-, mais precisamente MP n° 794/1994, c/c Lei n° 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados, o que não se vislumbra no pagamento à parte dos segurados empregados da empresa, tendo em vista a inexistência de disposição legal expressa exigindo a sua extensão à totalidade dos funcionários, sendo defeso ao aplicador da lei coarctar os ditames daquela norma, conferindo interpretação que não decorre literalmente do seu próprio bojo, a partir de meros subjetivismos. AUXÍLIO-BOLSA ESTUDOS. HIPÓTESE DE ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA. INOBSERVÂNCIA REQUISITOS LEGAIS De conformidade com o artigo 28, § 9o, alínea "t", da Lei n° 8.212/91, os valores concedidos aos funcionários e diretores da empresa a título de Plano Educacional, in casu, Auxílio-Bolsa de Estudos, conquanto que guarde consonância com as atividades por ela desenvolvidas e extensivo a totalidade dos empregados e diretores, estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Tendo a contribuinte pago aludida verba somente a parte de seus segurados empregados e/ou diretores, caracteriza-se como salário indireto, sujeitando-se, assim, à incidência das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante à aplicação do instituto. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo O fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. TAXA SELIC E LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei n° 8.212/91. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4o do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula n° 2 do antigo 2o CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000173/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste
fraude, dolo ou simulação.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO.
A partir da vigência da Lei nº 10.666/03, foi extinta a escala de salário base, passando o salário de – contribuição dos contribuintes individuais, ser a remuneração auferida em urna ou mais empresas, ou pelo exercício de atividade por conta própria, durante o mês, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição. Além dessa contribuição obrigatória
efetuada pelo segurado contribuinte individual, por iniciativa própria, a empresa, também, é obrigada a recolher a contribuição patronal destinada à Seguridade Social sobre os valores pagos aos contribuintes individuais. Com o advento da Lei n°10.666/03, a empresa passou a ser obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do contribuinte individual a seu serviço, mediante
desconto correspondente a 11% sobre a remuneração paga, devida ou
creditada a este segurado, e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições a seu cargo. As guias (GRCI e GPS) tem apenas o condão de determinar o salário debeneficio
do segurado.MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-002.558
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 10/2002, anteriores a 11/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiro Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram pela aplicação do I, Art. 173 do CTN;b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. A partir da vigência da Lei nº 10.666/03, foi extinta a escala de salário base, passando o salário de – contribuição dos contribuintes individuais, ser a remuneração auferida em urna ou mais empresas, ou pelo exercício de atividade por conta própria, durante o mês, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição. Além dessa contribuição obrigatória efetuada pelo segurado contribuinte individual, por iniciativa própria, a empresa, também, é obrigada a recolher a contribuição patronal destinada à Seguridade Social sobre os valores pagos aos contribuintes individuais. Com o advento da Lei n°10.666/03, a empresa passou a ser obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do contribuinte individual a seu serviço, mediante desconto correspondente a 11% sobre a remuneração paga, devida ou creditada a este segurado, e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições a seu cargo. As guias (GRCI e GPS) tem apenas o condão de determinar o salário debeneficio do segurado.MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
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MASSA FALIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. A partir da vigência da Lei nº 10.666/03, foi extinta a escala de saláriobase, passando o saláriode – contribuição dos contribuintes individuais, ser a remuneração auferida em urna ou mais empresas, ou pelo exercício de atividade por conta própria, durante o mês, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição. Além dessa contribuição obrigatória efetuada pelo segurado contribuinte individual, por iniciativa própria, a empresa, também, é obrigada a recolher a contribuição patronal destinada à Seguridade Social sobre os valores pagos aos contribuintes individuais. Com o advento da Lei n°10.666/03, a empresa passou a ser obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do contribuinte individual a seu serviço, mediante desconto correspondente a 11% sobre a remuneração paga, devida ou creditada a este segurado, e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições a seu cargo. As guias (GRCI e GPS) tem apenas o condão de determinar o saláriodebeneficio do segurado. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 2 2 MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 10/2002, anteriores a 11/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiro Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram pela aplicação do I, Art. 173 do CTN;b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de nº 37.126.2461, lavrada em face de AUTOMATON EMBALAGENS PLASTICAS LTDA. MASSA FALIDA, da qual foi notificada em 04/10/2007, em virtude do não recolhimento das contribuições devidas à Seguridade Social pelos contribuintes individuais (Autônomos – Fl. 104DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 3 3 Serviços Prestados por Terceiros), com base na alíquota de 15%, vigente no período de 02/1999 a 06/1991 e na alíquota de 20%, vigente no período de 06/2002 a 12/2005. Afirma o Relatório Fiscal (fls. 36 e seguintes) que o fato gerador da contribuição apurada é a prestação de serviços remunerados por contribuintes individuais, e que o crédito tributário a ele correspondente foi consolidado com base na Lei nº 11.101/2005, que regula a recuperação judicial, a extrajudicial e falência do empresário e da sociedade empresária. É que a empresa Recorrente, segundo o Relato Fiscal, teve sua falência decretada em 11/03/1991, tendo sido nomeado síndico da Massa Falida o Dr. Brasílio Bacéllár Neto, CPF: 033.215.41904, com endereço profissional a Rua Marechal Hermes, 272 — Curitiba/PR e indicado como síndico gestor o Sr. Oscar Augusto Dalmolin, tendo este prestado o devido compromisso legal. Para fins de regularização do valor devido, foi imputado à Recorrente o pagamento de R$ 12.331,43 (doze mil, trezentos e trinta e um reais e quarenta e três centavos). Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 46 e seguintes), no escopo de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: VALORES PAGOS AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Sobre os valores pagos, devidos ou creditados aos contribuintes individuais incidem contribuições previdenciárias nos termos da legislação de regência. DECADÊNCIA. Ê de dez anos o prazo de decadência aplicado às contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente Insatisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário (fls. 91 e seguintes), alegando em suma: a) A decadência parcial do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, tendo em vista que a NFLD foi lavrada apenas outubro de 2007, abrangendo um período de 1999 a 2005, estando, portanto, atingidas pelo prazo quinquenal limítrofe para efetuação do lançamento todas as competências anteriores a novembro de 2002; b) Que, nas competências de 02/99 a 06/99, mesmo tendo sido cobrada a contribuição previdenciária sobre 02 (dois) trabalhadores avulsos, houve o regular recolhimento individual por parte de um deles, devendo, portanto, ser abatido do montante pelo Fisco exigido o valor já regularmente Recolhido; c) Que, nas competências de 06/02 a 03/03, houve o recolhimento regular das contribuições em situação semelhante à acima alegada, devendo, portanto, ser deduzido da NFLD o valor de o valor de R$ 1.200,00 (um mil e duzentos reais) referente às competências de 02/99 até 06/99, e R$ 3.123,10 (três mil, cento e vinte e três reais, dez centavos) sobre as competências de 06/02 até 03/03. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 4 4 Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da Decadência Tendo sido argüida, em via recursal, a decadência dos débitos compreendidos no presente lançamento, constatase que parcela deles foi atingida pelo inegável decurso do prazo decadencial previsto em lei para a cobrança de valores relativos às contribuições previdenciárias. No caso em apreço, quando da autuação, o prazo de decadência de que gozava o INSS para constituir seus créditos era de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 5 5 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se Fl. 107DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 6 6 tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 108DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 7 7 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . No caso dos autos, verificase que a contribuição lançada referese ao pagamento das contribuições devidas à Seguridade Social pelos contribuintes individuais (Autônomos – Serviços Prestados por Terceiros), com base na alíquota de 15%, vigente no período de 02/1999 a 06/1991 e na alíquota de 20%, vigente no período de 06/2002 a 12/2005. Depreendese dos autos que a Recorrente efetuou o pagamento de algumas das contribuições devidas à Seguridade Social, o que afasta, de início, um dos pressupostos para aplicação do art. 173 do CTN. Outrossim, não tendo sido comprovando que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. Deste modo, considerando que o crédito previdenciário foi constituído em 04/10/2007, envolvendo as competências de 01/02/1999 a 31/12/2005, encontramse decaídos os períodos até 10/2002, isto é, anteriores 11/2002. Do Mérito Fl. 109DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 8 8 Do equívoco quanto à base de cálculo Afirma a Recorrente que os recolhimentos efetuados pelo segurado contribuinte individual Sr. Oscar Augusto Dalmolin, NIT 11444664632, no período de fevereiro de 1999 a março de 2003, não foram abatidos dos valores lavrados. Junta ao processo cópias de GRCI e GPS para comprovar o alegado. Diante de tal alegação, é preciso que se façam os devidos esclarecimentos, já que é nítido o equivoco cometido com relação às bases de cálculo da contribuição previdenciária. Como se sabe, o fato gerador da contribuição previdenciária alcança, em regra, dois contribuintes: empresa e segurado. No que pertine àquela, a Lei nº 8.212/91 determina como base de cálculo a remuneração e, em relação ao segurado, utiliza o salário de contribuição. Este comporta limites mínimo e máximo, já aquele não comporta limites na incidência de contribuição. Ora, até março de 2003, o salário de contribuição do segurado contribuinte individual era o salário base, observada a Tabela de Transitoriedade de que tratava o artigo 278A do RPS aprovado pelo Decreto n°3.048, de 06 de maio de 1999. A partir da vigência da Lei nº 10.666/03, foi extinta a escala de saláriobase, passando o saláriode – contribuição dos contribuintes individuais, ser a remuneração auferida em urna ou mais empresas, ou pelo exercício de atividade por conta própria, durante o mês, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição. Além dessa contribuição obrigatória efetuada pelo segurado contribuinte individual, por iniciativa própria, a empresa, também, é obrigada a recolher a contribuição patronal destinada à Seguridade Social sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, nos seguintes percentuais: 15%, ou 20% sobre o saláriobase do segurado no período de 05/1996 a 02/2000, de acordo com a Lei Complementar n°84/96; 20% a partir de 03/2000, não se admitindo mais a opção de 20% sobre o saláriobase, que foi revogada pela Lei nº 9.876/99. A partir de 01/04/2003, com o advento da Lei n°10.666/03, a empresa passou a ser obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do contribuinte individual a seu serviço, mediante desconto correspondente a 11% sobre a remuneração paga, devida ou creditada a este segurado, e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições a seu cargo. Destarte, as guias (GRCI e GPS) juntadas ao processofl. 5468 servem para determinar o saláriodebeneficio do segurado e nada mais. Repetese ainda uma vez, a contribuição lançada na presente NFLD é a patronal, disposta no artigo 22, inciso III, da Lei n°8.212/91, referente às remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais, não tendo a autuada demonstrado nos autos o recolhimento de tais contribuições. Com relação ao argumento de que "as contribuições previdenciárias dos trabalhadores autônomos não foram retidas por falta de caixa da massa falida", reza o parágrafo 5° do artigo 33 da Lei n°8.212,91, que dispõe: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 9 9 "Art. 33.§5': O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo licito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto esta Lei." Destarte, caso a Recorrente não tenha descontado a importância dos contribuintes individuais e não tenha procedido ao recolhimento das contribuições previdenciárias, fica obrigado a fazêlo. Todavia, constatase que no Discriminativo Analítico de DébitoDAD (fl. 06 a 08) não se encontram lançadas as contribuições devidas relativas à alíquota de 11%(onze por cento) sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual, razão pela qual, neste ponto, não merece reforma a decisão atacada pelo presente Recurso Voluntário. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 10 10 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 11 11 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 12 12 Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Da Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas no tocante à aplicação da penalidade mais benéfica ao Fl. 114DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/200751 Acórdão n.º 2301002.558 S2C3T1 Fl. 13 13 contribuinte e à desconstituição do crédito tributário relativo às competências atingidas pelo prazo decadencial limite para a realização do lançamento, quais sejam, aquelas relativas aos períodos até 10/2002, isto é, anteriores 11/2002. É como voto. Sala das Sessões, em 7 de fevereiro de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10930.000186/2006-53
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2006 INCLUSÃO NO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. MANUTENÇÃO DE APARELHOS DECODIFICADORES DE SINAL DE TV A CABO. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 57, a atividade de prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Lei 9.317/96).
Numero da decisão: 1803-001.348
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2006 INCLUSÃO NO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. MANUTENÇÃO DE APARELHOS DECODIFICADORES DE SINAL DE TV A CABO. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 57, a atividade de prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Lei 9.317/96).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 891 1 890 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.000186/200653 Recurso nº 512.864 Voluntário Acórdão nº 180301.348 – 3ª Turma Especial Sessão de 13 de junho de 2012 Matéria INCLUSÃO SIMPLES FEDERAL Recorrente HTC REPAROS EQUIP TV POR ASSINATURA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2006 INCLUSÃO NO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. MANUTENÇÃO DE APARELHOS DECODIFICADORES DE SINAL DE TV A CABO. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 57, a atividade de prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Lei 9.317/96). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/200653 Acórdão n.º 180301.348 S1TE03 Fl. 892 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Victor Humberto Da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório HTC REPAROS EQUIP TV POR ASSINATURA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CURITIBA (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra e Despacho Decisório proferido em 11/04/2006 pela Sacat da DRF/Londrina (fls. 804807), que indeferiu o pedido, protocolado em 31/01/2006, de inclusão retroativa no Simples desde 01/01/2006 (fl. 01). 2. Inobstante a interessada já tivesse quitado os débitos inscritos em Dívida Ativa da União que a impediram de efetuar alteração na FCPJ para incluirse no Simples, o pedido de' inclusão retroativa foi indeferido pela DRF/Londrina em face de constar o instrumento constitutivo arquivado na Junta Comercial do Paraná (fls. 0607) que ela se dedica ao ramo de "comércio e reparos em equipamentos para TV a cabo", fato que constitui causa impeditiva prevista no art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 20, XII, da IN SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, e Resolução Confea n° 218, de 29 de junho de 1973 (com base nas atribuições conferidas pela Lei n° 5.194, de 1966) 3. Regularmente intimada por via postal, em 19/04/2006 (AR à fl. 809), a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 831) protocolo tempestivamente, em 19/05/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 810830, cujo tear é sintetizado a seguir. Do enquadramento na exceção trazida pela Lei n° 11.051, de 2004 3.1. Aduz que presta serviços de reparação e manutenção de máquinas e aparelhos eletrodomésticos, conforme consta da certidão simplificada da Junta Comercial o Paraná (fl. 838); que a Lei nº 11.051, de 2004, que deu nova redação ao art. 40 da Lei n° 10.964, de 2004, excluiu da vedação ao Simples a atividade serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos, dentre os quais se enquadram os aparelhos e televisão. 3.2. Alega que, conforme se depreende do seu contrato social, possui por objeto social a comercialização e reparos em equipamentos para TV a cabo, que, em verdade são Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/200653 Acórdão n.º 180301.348 S1TE03 Fl. 893 3 eletrodomésticos utilizados para fins de recepção de sinais especialmente especificados e teledifusão de sons e imagens a assinantes; que juntou aos autos as notas fiscais exigidas pela administração tributária quando da análise do pedido de inclusão no regime simplificado e tributação; que, da interpretação sistemática da norma em análise, frente aos conceitos ora delineados, entende enquadrarse na hipótese de exceção trazida pela Lei n° 11.051, de 2004. 3.3. Argumenta que pensar o contrário seria admitir o absurdo de que determinada empresa pudesse enquadrase no Simples caso realizasse reparos de televisores, vídeos cassetes ou reprodutores de DVD (todos meios de execução de mídias de sons e imagens), mas estaria impedida caso realizasse reparos em receptores de sinais de TV por assinatura ou controles remotos destes equipamentos; que tamanha é a abstração realizada pela administração fazendária que, ao indeferir o pleito em análise, até mesmo incluiu no rol e serviços prestados pela requerente outros nunca realizados, como manutenção de antenas coletivas e melhoramento de imagens. 3.4. Entende que as disposições da Lei n° 11.051, de 200, seriam desnecessárias em face de os serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos, em regra, prescindirem da execução por profissionais de engenharia; cita acórdãos da DRJ/Ribeirão PretoSP e requer o reconhecimento do seu enquadramento no art. 40, V, da Lei nº 10.964, de 2004, com as alterações promovidas pela Lei n° 11.051, de 2004. Do não enquadramento na hipótese prevista no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317, se 1996 3.5. Argúi ser equivocada a aludida semelhança entre os serviços por ela prestados e a atividade de engenharia; que os serviços por ela prestados são, em regra, serviços simples, os quais não exigem conhecimento técnico a nível médio ou superior; cita julgados da DRJ/Ribeirão PretoSP e da STJ e conclui que a atividade meramente acessória de engenharia não exige a filiação ao conselho de classe, posto não ser atividade considerada desenvolvida por profissionais engenheiros; que quando caracterizada a desobrigação da presença de um profissional de engenharia para consecução do objeto social da empresa, impossível é a imposição da redação do art. 9º, XIII, da Lei no 9.317, de 1996. 3.6. Assevera que administração fazendária realizou interpretação extensiva da norma contida no art. 9º, XIII, da Lei 9.317, de 1996, efetuando uma odiosa analogia malam parte, o que é vedado pelo CTN; que a legislação que exclui garantias deve ser interpretada restritivamente, sobretudo quando se firma em preceito constitucional; que é princípio elementar em Direito Tributário que somente a lei pode determinar a imposição de ônus tributário (art. 150, I, da C.F.), não se admitindo a oneração do contribuinte pelo emprego da analogia (art. 108, § 1°, do CTN); que é necessária uma valoração frente ao fato Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/200653 Acórdão n.º 180301.348 S1TE03 Fl. 894 4 concreto, para verificar se os serviços por ela executados exigem a presença de um profissional de engenharia, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da razoabilidade. Dos princípios inerentes à administração pública 3.7. Aduz que o impedimento ao seu enquadramento no Simples fere frontalmente a Carta Suprerna (art. 170, IX, e 170); que havendo uma certeza constitucional, legal e doutrinária da necessidade de se incentivar as microernpresas e empresas de pequeno porte e não existindo restrição legal, não há razão jurídica e nem justa para se negar a opção sem amparo legal. 3.8. Argumenta que os princípios expressamente previstos no ordenamento jurídico pátrio devem ser respeitados, no que concerne ao trato pelo ente público dos processos administrativos, como previsto no art. 2° da Lei nº 9.784, de 1999; que o princípio da razoabilidade ficou sobrepujado ante a alegada aplicação da norma, visto que a requerente não se enquadra na espécie de exclusão do simples; que o agente administrativo, ao julgar o pedido de inclusão não deve se prender ao formalismo — análise crua do objeto social da requerente — e negar a sua inclusão no regime especial de tributação, ou extrapolar o dispositivo normativo, na busca de analogias. 3.9. Destaque que a administração pública deve aplicar o disposto em norma cogente, contudo, urna valoração do fato concreto deve ser realizada a fim de impedir a aplicação desarrazoada de dispositivo legal por mera formalidade, ou ainda, aplicação extensiva de norma que deva ser interpretada restritivamente; que outro princípio que se confunde com a razoabilidade é o princípio da proporcionalidade, o qual regula os atos administrativos limitando a discricionariedade de alguns atos e ampliandoa em outros. 3.10. Salienta que a atenção aos princípios deve ser máxima sob pena de ilegalidade no executar de seus atos, atentandose ao fato de que a finalidade maior do administrador público deve ser sempre o interesse público, em seu conceito mais amplo; que ao estabelecer a Carta Magna um regime especial de tributação, específico às empresas de pequeno porte, o ordenamento jurídico procurou proteger tais empresas, que não comportam uma tributação formulada pra grupos de grande potencial econômico; que a legislação que regulamenta o Simples nasceu em encontro com o previsto na Constituição e disciplinou a matéria dispondo todo um conjunto de normas competentes a tutelar a relação existente entre e fisco e empresas de pequeno porte; que todo esses esforço foi realizado na busca do melhor atendimento ao interesse público, visto que grande quantidade das empresas enquadradas no regime do Simples não sobreviveria em um regime comum de tributação. 3.11. Alega que na tomada de decisões, o agente público deve refletir sobre o interesse público no caso específico e verificar se a estrita aplicação de determinado instituto jurídico levaria a um Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/200653 Acórdão n.º 180301.348 S1TE03 Fl. 895 5 benefício ou desgaste ao interesse público como um todo; que ela não poderia suportar o ônus de arcar com os mesmo tributos de uma grande corporação, razão pela qual, uma vez impossibilitada de optar pelo Simples, passará a sofrer grandes dificuldades. Do pedido 3.12. Ao final requer a inclusão no regime simplificado de tributação, reformando a decisão da Sacat da DRF/Londrina. A DRJ CURITIBA (PR), através do acórdão nº 0621.917, de 23 de abril de 2009 (fls. 847/851), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE EQUIPAMENTO, DE, TRANSMISSÃO DE SINAIS DE TV A CABO. As pessoas jurídicas cuja atividade seja de prestação de serviços de manutenção e reparo de equipamentos de transmissão de sinais de TV a cabo, por assemelharse à profissão de engenheiro, estão impedidas de optar pelo Simples. Ciente da decisão em 14/05/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 854), apresentou o recurso voluntário em 15/06/2009 fls. 855/887, onde reitera os argumentos da inicial requerendo a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de pedido de inclusão manual no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), a partir de 01/01/2006, considerando a impossibilidade de inclusão automática em virtude de pendências na PGFN. Analisado o pedido foi afastado o óbice em virtude da comprovação do pagamento das pendências mas mantido o impedimento de inclusão no SIMPLES FEDERAL em virtude do exercício de atividade vedada – serviços de manutenção de equipamentos receptores de tv a cabo, por assemelharse aos serviços prestados por engenheiros. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/200653 Acórdão n.º 180301.348 S1TE03 Fl. 896 6 Alega a recorrente que não presta serviços de engenheiro ou assemelhados a engenheiro, sendo que presta serviços de conserto de aparelhos receptores/decodificadores ou controles remotos de aparelhos decodificadores de sinal de tv a cabo, estando amparada na Lei nº 10.964/2004, com a redação que lhe foi dada pela Lei 11.054/2004. A decisão de primeira instância entendeu presente a semelhança com os serviços de engenheiro, sustentando que a atividade exercida pela recorrente inclui o conserto e reparação de sofisticados aparelhos das estações transmissoras de TV a cabo. A decisão de primeira instância merece reforma. Com efeito, conforme notas fiscais juntadas aos autos em virtude de intimação realizada pela Administração Tributária (fls. 52/803), verificase que a empresa tem por atividade o conserto e manutenção de aparelhos receptores/decodificadores e de seus controles remotos ambos de uso doméstico, conforme atesta a expressiva maioria das notas fiscais carreadas pela contribuinte. A norma invocada pela recorrente (art. 4º da Lei 10.964/2004), tem a seguinte redação: (verbis) Art. 4o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I – serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II – serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III – serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V – serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) grifamos (...) A decisão de primeira instância entendeu inaplicável as disposições da Lei nº 10.964/2004 e não ser possível o enquadramento na sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), pois foram encontradas notas fiscais contendo o conserto e reparo de ‘sofisticados’ aparelhos de transmissão de sinal de tv a cabo utilizados por estações repetidoras, que consistiriam em “reparos em placas de RX, reparos em módulo triplé, reparos em amplificador Indoor, reparos em gerador de stereo Standart, reparos em receptor óptico 750 mhz, reparos em modulador, etc.” Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/200653 Acórdão n.º 180301.348 S1TE03 Fl. 897 7 Ora, além de não haver base técnica na afirmação de tratarse de sofisticados aparelhos de transmissão de sinal de tv a cabo, tal constatação não implica reconhecer qualquer serviço assemelhado ao de engenheiro pois o porte ou nível de sofisticação do equipamento que foi objeto de conserto (não de fabricação) não tem o condão de transformar o serviço em assemelhado ao serviço prestado por engenheiro. Se dúvidas acerca desta interpretação havia, tais foram dissipadas com a edição da súmula CARF nº 57, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Destarte, seja pela inclusão das atividades da recorrente na Lei nº 10.964/2004, e a correta exegese a ser atribuída ao art. 9º, inciso XIII da Lei nº 9.317/96, conforme entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 57, assiste razão a interessada. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13851.001180/99-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Provada a suficiência do direito creditório alegado, e não havendo impedimento de outra natureza, há que se deferir a compensação pleiteada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1201-000.718
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em DAR provimento ao recurso. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz e João Carlos de Lima Junior.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Provada a suficiência do direito creditório alegado, e não havendo impedimento de outra natureza, há que se deferir a compensação pleiteada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em DAR provimento ao recurso. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz e João Carlos de Lima Junior. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, André Almeida Blanco (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior e Régis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/9972 Acórdão n.º 120100.718 S1C2T1 Fl. 2 2 Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na Resolução nº 120200.018, exarada pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho (fl. 869 e ss.): CITROSUCO PAULISTA S/A. recorre da decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto — SP, assim relatada, in verbis: "Trata o presente julgamento de manifestação de inconformidade com o Despacho Decisório de fl. 498 o qual, deferiu parcialmente pedido de restituição/compensação de saldos negativos de IRRI relativamente ao anocalendário de 1998. Do pedido no valor de R$ 4.419.443,37, foi deferido direito à restituição da importância de R$ 3.758.457,67 conforme detalhado no citado despacho. Cientificada do Despacho Decisório em 13/09/2004 (fl. 504), a contribuinte ingressou em 11/10/2004 com a manifestação de inconformidade de fls. 516/518 na qual, se alega, em relação à parcela de R$ 26.424,92, tratarse de imposto de renda retido na fonte incidente apenas nas operações de swap realizadas junto à fonte pagadora Banco AGF Braseg S/A, juntando o documento de fl. 528, para comprovar sua alegação. No tocante ao valor de R$ 582.515,35, indeferido sob o argumento de não ter sido contabilizado, juntou demonstrativo e cópia de folhas do livro Diário, que fazem as folhas 540 a 684, onde tais valores teriam sido escriturados." A solicitação da contribuinte expressa na sua manifestação de inconformidade foi indeferida na decisão de primeira instância sob os fundamentos consignados no voto, fls. 690/691, in verbis: "Em sua manifestação de inconformidade, a interessada juntou o documento de fl. 528, emitido pela fonte pagadora que comprovaria a retenção da importância de R4 26.42,92. (sic) Entretanto, verificando o documento de fl. 45, Ficha n° 07 da DIPJ/99, linha 21 "Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável" constatase que a interessada não declarou nenhum rendimento relativo a operações de swap, conforme determina o Majur/99, verbis: Linha 07/21 — Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável "Indicar o somatório dos ganhos auferidos, em cada mês, em operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, existentes no país. Incluemse, também, nesta linha, os ganhos auferidos nas alienações, fora de bolsa, de ouro, ativo financeiro, e de participações societárias, exceto as alienações de participações societárias permanentes em sociedades coligadas e controladas e de Fl. 988DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/9972 Acórdão n.º 120100.718 S1C2T1 Fl. 3 3 participações societárias que permanecerem no ativo da pessoa jurídica até o término do anocalendário seguinte ao de suas aquisições. Também incluemse nesta linha os rendimentos auferidos em operações de swap e no resgate de quota de fundo de investimento ou clube de investimento cujas carteiras sejam constituídas, no mínimo de 67% (sessenta e sete por cento) de ações no mercado à vista de bolsa de valores ou assemelhada (Lei n° 9.532, de 1997, art. 28, alterado pela MP n° 1.636, de 13 de janeiro de 1998, art. 2°, atual MP n° 1.855, de 1999; IN SRF n° 64, de 03 de julho de 1998, arts. 11, 25 e 26). Considerase ganho o resultado positivo auferido nas operações citadas acima, realizadas em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações." Ora, para fazer jus a restituição do imposto retido é necessário que o rendimento que produziu tal retenção tenha sido oferecido à tributação na declaração de ajuste anual. Portanto, mantenho a glosa deste item. No tocante ao valor de R$ 581.895,62 referente a retenções sobre aplicações financeiras, indeferido em razão de não ter sido escriturado, há outro aspecto que merece ser analisado. Na DIPJ/99, Ficha n° 07, linha 23 "Outras Receitas Financeiras", foi oferecido à tributação o valor de R$ 31.032.019,29. Conforme se verifica do MAJUR/99, nesta linha devem ser oferecidas as receitas não incluídas nas linhas 07/21 e 07/22. "Linha 07/23 — Outras Receitas Financeiras Indicar as receitas realizadas no período de apuração, relativas a juros, descontos, lucro na operação de reporte, prêmio de resgate de títulos ou debêntures e rendimento nominal auferido em aplicações financeiras de renda fixa, não incluídas nas Linhas 07/21 e 07/22. As receitas dessa natureza, derivadas de operações com títulos vencíveis após o encerramento do período de apuração, serão rateadas segundo o regime de competência." Desse modo, caberia à interessada demonstrar que as restituições pretendidas referiamse a receitas efetivamente declaradas. Entretanto, o demonstrativo apresentado pela contribuinte trata apenas dos valores retidos. Como já referido anteriormente, para fazer jus à restituição do imposto retido na fonte, é necessário que se comprove que as receitas correspondentes foram oferecidas à tributação. E, o Código Tributário Nacional é claro quando afirma que a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com Fl. 989DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/9972 Acórdão n.º 120100.718 S1C2T1 Fl. 4 4 créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, in verbis: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Omissis” Assim, tendo por base que a certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para a homologação da restituição/compensação, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade." Cientificada da decisão de primeira instância em 21/07/2008, segundo "A. R." afixado às fls. 704, a contribuinte apresentou recurso voluntário protocolizado na repartição de origem em 19/08/2008, fls. 705 a 713, instruído com a planilha de fls. 714 a 720 e com os documentos de fls. 721 a 867. Alega, em síntese, que: o motivo que levou o acórdão recorrido a manter o despacho decisório e a indeferir parte do direito creditório cingese a que a recorrente supostamente não teria comprovado o efetivo oferecimento à tributação dos valores de IRF de R$ 26.424,92 e R$ 581.895,62; embora tenha carreado aos autos uma série de documentos comprobatórios do oferecimento dos referidos rendimentos à tributação, tais como planilhas explicativas, informes de rendimentos e livro Razão, o acórdão recorrido, de forma lacônica, entendeu não haver tal comprovação, sem contudo analisar detida e analiticamente as provas constantes dos autos ou dar explicações claras e precisas das razões que evidenciariam a falta de oferecimento à tributação das receitas financeiras em foco; quanto à retenção do valor de R$ 26.424,92, como já dito nos autos tratase de IRRF decorrente de operação de "swap", junto ao banco AGF, devidamente contabilizado e também indicado em informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, conforme documentos juntados com a manifestação de inconformidade, docs. 2 e 4 respectivamente; o excerto de planilha, fls. 708, e a própria planilha, juntamente com os documentos que a instruem comprovam a inclusão de R$ 26.424,92 na DIPJ, Ficha 7, Linha n° 23 — outras receitas financeiras; ainda que ditos rendimentos não constem da Ficha 7, Linha n° 21 da DIPJ, onde deveriam ser incluídos os ganhos auferidos em operação de "swap" não haveria fundamento para o acórdão recorrido afirmar que referida verba não poderia integrar o saldo negativo a cuja restituição a contribuinte tem direito; Fl. 990DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/9972 Acórdão n.º 120100.718 S1C2T1 Fl. 5 5 da mesma forma o acórdão recorrido não logrou demonstrar a razão que supostamente legitimaria o indeferimento da restituição do valor de R$ 581.895,62; assim como ocorreu com a verba de R$ 26.424,92, não foram analisados os elementos de provas carreados aos autos pela recorrente que demonstram que os rendimentos correspondentes às retenções do valor de R$ 581.895,62 foram escriturados e oferecidos à tributação; a despeito de acreditar já haver produzido tal prova nos autos, por meio da planilha ora juntada e dos documentos que a instruem, reforça a demonstração de que os rendimentos indicados nos informes de rendimentos das fontes pagadoras foram contabilizados e oferecidos à tributação; a planilha contém, não só os valores retidos, mas também os rendimentos auferidos pela recorrente, como o acórdão recorrido entendeu necessário; a planilha foi elaborada a partir da análise de todos os informes fornecidos por cada instituição financeira à época, confrontando os respectivos montantes de IRRF e de rendimentos com aqueles registrados na contabilidade da recorrente; todas as informações da planilha podem ser checadas nos documentos que as instruem; em que pese a nulidade do acórdão recorrido, ela não deverá ser pronunciada por esse órgão julgador, nos termos do artigo 59, parágrafo 3°, do Decreto n° 70.235/72, na medida em que a causa está madura para pronto julgamento de seu mérito a favor da recorrente, ante as provas colacionadas aos autos quanto ao oferecimento à tributação dos rendimentos em foco; Alfim a contribuinte pede o conhecimento e provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido e assegurada a restituição da totalidade do crédito tributário ora pleiteado. Apreciadas as razões de defesa, a referida 2ª Turma decidiu pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade local se manifestasse sobre as seguintes questões: Considerando que o direito creditório em litígio foi indeferido sob a justificativa de ausência de provas de que os respectivos rendimentos tivessem sido declarados, ou de não se ter comprado que foram escriturados, e tendo em vista o conjunto probante presentes nos autos, junto ao pedido de restituição e com a manifestação de inconformidade, especialmente a planilha de fls. 714 a 720 e os documentos que a instruem, vindos aos autos com o recurso voluntário, entendo necessário converter o julgamento em diligência, para que a DRF de origem adote as seguintes providências relativamente às verbas de R$ 26.424,92 e de R$ 581.895,62: 1ª) com base na planilha de fls. 714 a 720 e documentos que a instruem, de fls. 721 a 867, verificar a correção dos referidos valores confrontandoos com os informes de rendimentos e retenções fornecidos pelas fontes pagadoras; Fl. 991DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/9972 Acórdão n.º 120100.718 S1C2T1 Fl. 6 6 2ª) à vista dos livros Diários e Razão verificar a contabilização dos respectivos rendimentos de aplicações financeiras e dos valores de IRRF; 3ª) verificar a declaração ou inclusão dos respectivos rendimentos de aplicações financeiras e dos respectivos IRRF na correspondente DIPJ/1999; 4ª) elaborar "relatório de diligência" circunstanciado das verificações e constatações efetuadas e; 5ª) dar ciência à contribuinte do "relatório de diligência" que vier a ser elaborado anotandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar a respeito, querendo. Realizada a diligência, a autoridade local acostou aos autos relatório circunstanciado (fl. 963 e ss.) onde conclui, em resumo, que: 1 – Os valores informados no demonstrativo apresentado pelo contribuinte às folhas 741 a 747 (folhas 714 a 720 do processo em papel, antes da digitalização) intitulado “Demonstrativo das contas de resultado onde foram contabilizados os rendimentos das aplicações financeiras e da conta de ativo onde foram contabilizados os valores de IRRF no anocalendário 1998”, guardam correspondência com os valores constantes dos comprovantes de rendimentos de folhas 765 a 801 (folhas 738 a 774 do processo em papel, antes da digitalização), conforme detalhamento contido na tabela de folhas 934 a 944; 2 – Os valores informados no demonstrativo apresentado pelo contribuinte às folhas 741 a 747 (folhas 714 a 720 do processo em papel, antes da digitalização), intitulado “Demonstrativo das contas de resultado onde foram contabilizados os rendimentos das aplicações financeiras e da conta de ativo onde foram contabilizados os valores de IRRF no anocalendário 1998”, guardam correspondência com os valores constantes dos registros contábeis apresentados às folhas 804 a 894 (folhas 777 a 867 do processo em papel, antes da digitalização), conforme detalhamento contido na tabela de folhas 945 a 952; 3 As tabelas de folhas 962 (valores lançados pelo contribuinte a título de IRRF sobre aplicações financeiras) e 953 a 961 (Receitas Financeiras – transferência para o resultado do exercício) demonstram a correspondência entre os valores constantes dos documentos de folhas 804 a 888 e os valores informados na Ficha 07 – linha 23 (fl. 915) e na Ficha 13 – linha 17 da DIPJ nº 0924507 (fl. 926). Intimada para tanto, a recorrente apresentou contrarazões ao relatório de diligência, apenas para corroborar as informações ali prestadas (fl. 967 e ss.): Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/9972 Acórdão n.º 120100.718 S1C2T1 Fl. 7 7 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Direito Creditório A interessada protocolizou pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1998, no valor de R$ 4.419.443,37 (fl. 1), posteriormente retificado para R$ 4.366.778,21 (fl. 310), conforme apurado na DIPJ/1999 (fl. 56). Ao examinar o pedido de restituição, bem como os correspondentes pedidos de compensação (fl. 267 e ss.), a autoridade competente os deferiu parcialmente, mediante glosa dos seguintes valores (fl. 498 e ss.): a) R$ 26.424,92, a título de IRRF, por não constar dos informes de rendimento e retenção do imposto emitidos pela fonte pagadora; b) R$ 581.895,62, também a título de IRRF, por não haver sido escriturado no livro Diário. Ao apreciar a manifestação de inconformidade proposta pela interessada, a DRJ de origem reconheceu a retenção no valor de R$ 26.424,92. No entanto, manteve ambas as glosas de IRRF sob o argumento de que a contribuinte não comprovara haver oferecido à tributação os rendimentos correspondentes. Pois bem, conforme relatado pela autoridade que realizou a diligência, o exame da documentação acostada aos autos revela que a contribuinte ofereceu à tributação do IRPJ no anocalendário de 1998 os rendimentos correspondentes às retenções de imposto de renda na fonte nos valores R$ 26.424,92 e R$ 581.895,62. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da contribuinte relativo ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1998 (fl. 56), devendo a autoridade local promover as compensações pleiteadas (fl. 267 e ss.) até o limite do crédito aqui reconhecido, observado no entanto eventual emprego desse mesmo crédito em outras compensações já deferidas ou homologadas. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 993DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/9972 Acórdão n.º 120100.718 S1C2T1 Fl. 8 8 Fl. 994DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002082/2002-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1997
IRRF - OPERAÇÕES CONJUGADAS - AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO - DECADÊNCIA.
Pelo entendimento pessoal do relator, o imposto de renda na fonte é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, nos casos do artigo 65, § 4°, alínea “a”, da Lei n° 8.981/95, ocorre no dia do pagamento dos rendimentos. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.”
Assim, no caso, diante da inexistência de pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que os fatos geradores em apreço, ocorridos em 21/03/1997, em 31/03/1997 e em 22/04/1997, não estão atingidos pela decadência, pois a ciência do lançamento se deu em 08/05/2002.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.217
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 IRRF OPERAÇÕES CONJUGADAS AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO DECADÊNCIA. Pelo entendimento pessoal do relator, o imposto de renda na fonte é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, nos casos do artigo 65, § 4°, alínea “a”, da Lei n° 8.981/95, ocorre no dia do pagamento dos rendimentos. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” Assim, no caso, diante da inexistência de pagamento antecipado, aplicase a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que os fatos geradores em apreço, ocorridos em 21/03/1997, em 31/03/1997 e em 22/04/1997, não estão atingidos pela decadência, pois a ciência do lançamento se deu em 08/05/2002. Recurso especial provido. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 920202.217 CSRFT2 Fl. 291 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidentesubstituto (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 05/07/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidentesubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face do Banco BCN S.A., CNPJ n° 60.898.723/000181, foi lavrado o auto de infração de fls. 0408, para a exigência de imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos de rendimentos de aplicações financeiras (operações conjugadas), quanto a fatos ocorridos em 21/03/1997, em 31/03/1997 e em 22/04/1997, com multa de ofício de 75%. A ciência do lançamento se deu em 08/05/2002 (fls. 08). A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) I considerou o lançamento procedente (fls. 188197). Por sua vez, a Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 340200.110, que se encontra às fls. 256261, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 IRRF DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 920202.217 CSRFT2 Fl. 292 3 PRAZO DECADENCIAL CONTADO NA FORMA DO ART. 150, § 4°, DO CTN. O imposto de renda apesar da entrega da declaração por parte do contribuinte, é lançado por homologação, já que o pagamento do imposto deve ser pago antecipadamente sem o prévio exame da autoridade administrativa, de acordo com a regra do art. 150 do CTN. No caso do imposto retido na fonte, a própria fonte pagadora é a responsável pelo pagamento ao fisco, que é feito mensalmente. Preliminar Acolhida. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento, vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Intimada do acórdão em 17/12/2009 (fls. 262), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 267272, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela Quarta Câmara da Terceira Seção que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência dos fatos geradores objetos do presente lançamento; b) A e. Câmara a quo aduziu que, aplicandose o art. 150, § 4°, do CTN, haveria transcorrido o prazo decadencial de cinco anos para a lavratura do auto de infração. Assim, à data em que o contribuinte fora cientificado do auto de infração, haveria perimido o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, relativo aos fatos geradores ocorridos nos meses de março e abril de 1997; c) Entretanto, o r. acórdão merece ser reformado; d) Na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, conforme majoritário entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre o tema, e não segundo o artigo 150, § 4° do CTN, como determinado na decisão recorrida; e) O entendimento jurisprudencial em que fundamenta o presente recurso, e que foi recente firmado pelo STJ, é no sentido de que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, ainda que o contribuinte apresente a declaração, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerse á pelo disposto no art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4°; f) Aliás, devese destacar que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na sessão de julgamentos do dia 12.08.2009, ao analisar o Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 920202.217 CSRFT2 Fl. 293 4 Recurso Especial 973.733/SC, de Relatoria do MM. Luiz Fux, na sistemática dos Recursos Repetitivos (Art. 543C do CPC), definiu que no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento do tributo; g) Consoante esta linha de interpretação, o art. 150, §4° do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação). Portanto, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°; h) Com efeito, nos casos, como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar; i) Não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de ofício dos valores devidos. E, o prazo para o lançamento de ofício não está disposto no art. 150, mas no art. 173 do CTN; j) Não havendo, pois, o que homologar, o procedimento exigível é o do lançamento de ofício, observado o prazo do artigo 173 do CTN, e não o do artigo 150 do mesmo Diploma Legal; k) Assim, para os fatos geradores ocorridos em março e abril de 1997, o prazo decadencial começou a correr em 01/01/1998 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado). Ora, se 08/05/2002 o contribuinte foi notificado do auto de infração, não há que se falar em decadência da exação, devendo ser mantido o lançamento; l) Requer seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o r. acórdão, afastandose a preliminar de decadência no caso em exame, uma vez que efetuado dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I, do CTN). Admitido o recurso através do despacho n° 220200.123 (fls. 273274), o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou contrarrazões às fls. 278 286, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 920202.217 CSRFT2 Fl. 294 5 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento. Segundo a recorrente, diante da ausência de pagamento antecipado, aplicase ao caso a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que não está extinto o crédito tributário para os fatos ocorridos em março e em abril de 1997, pois a ciência do lançamento se deu em 08/05/2002. Eis a matéria em litígio. O tributo em apreço encontra previsão legal no artigo 65 da Lei n° 8.981/95, que assim dispõe: Art. 65. O rendimento produzido por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, a partir de 1º de janeiro de 1995, sujeitase à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento. § 1º. A base de cálculo do imposto é constituída pela diferença positiva entre o valor da alienação, líquido do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF), de que trata a Lei nº 8.894, de 21 de junho de 1994, e o valor da aplicação financeira. § 2º. Para fins de incidência do Imposto de Renda na fonte, a alienação compreende qualquer forma de transmissão da propriedade, bem como a liquidação, resgate, cessão ou repactuação do título ou aplicação. § 3º. Os rendimentos periódicos produzidos por título ou aplicação, bem como qualquer remuneração adicional aos rendimentos prefixados, serão submetidos à incidência do Imposto de Renda na fonte por ocasião de sua percepção. § 4º. O disposto neste artigo aplicase também: a) às operações conjugadas que permitam a obtenção de rendimentos predeterminados, realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como no mercado de balcão; b) às operações de transferência de dívidas realizadas com instituição financeira, demais instituições autorizadas a Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 920202.217 CSRFT2 Fl. 295 6 funcionar pelo Banco Central do Brasil ou com pessoa jurídica nãofinanceira; c) aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. § 5º. Em relação às operações de que tratam as alíneas a e b do § 4º, a base de cálculo do imposto será: a) o resultado positivo auferido no encerramento ou liquidação das operações conjugadas; b) a diferença positiva entre o valor da dívida e o valor entregue à pessoa jurídica responsável pelo pagamento da obrigação, acrescida do respectivo Imposto de Renda retido. § 6º. Fica o Poder Executivo autorizado a baixar normas com vistas a definir as características das operações de que tratam as alíneas a e b do § 4º. § 7º. O imposto de que trata este artigo será retido: a) por ocasião do recebimento dos recursos destinados ao pagamento de dívidas, no caso de que trata a alínea b do § 4º; b) por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação do título ou da aplicação, nos demais casos. § 8º. É responsável pela retenção do imposto a pessoa jurídica que receber os recursos, no caso de operações de transferência de dívidas, e a pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, nos demais casos. De acordo com este dispositivo legal, surge o fato gerador do imposto de renda na fonte, com relação a rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, no dia dos referidos pagamentos, sendo que o tributo é devido pela fonte pagadora. Segundo penso, o imposto de renda retido na fonte, inclusive este previsto no artigo 65 da Lei n° 8.981/95, é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe às fontes pagadoras a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, a título de antecipação ou em caráter definitivo, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para tais tributos, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 920202.217 CSRFT2 Fl. 296 7 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que os fatos geradores do imposto de renda retido na fonte ocorreram, no caso em julgamento, em 21/03/1997, em 31/03/1997 e em 22/04/1997 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 08/05/2002 (fls. 08), concluo que a manifestação da Fazenda Nacional não merece prosperar, pois, efetivamente, a decadência impede a manutenção do lançamento. Na visão deste julgador, como não se está diante de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 920202.217 CSRFT2 Fl. 297 8 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 920202.217 CSRFT2 Fl. 298 9 disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, de imposto de renda na fonte, que tem como uma de suas espécies a exigência prevista no artigo 65 da Lei n° 8.981/95, para aplicação ao caso da regra prevista no artigo 150, § 4° (tal qual fez o acórdão recorrido) ou no artigo 173, inciso I, ambos do CTN (da forma defendida pela recorrente). Analisando os autos, especificamente o auto de infração, não consegui identificar nenhum recolhimento de imposto de renda retido na fonte relativo ao período em questão. Assim, direcionado pelo artigo 62A do RICARF e considerando o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, não obstante o posicionamento pessoal deste julgador, devese aplicar ao caso a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, relativamente aos fatos em tela, ocorridos em 21/03/1997, em 31/03/1997 e em 22/04/1997, o início do prazo de decadência se deu em 01/01/1998, com término em 31/12/2002. Como a ciência do lançamento ocorreu em 08/05/2002, inexiste decadência, de modo que a decisão recorrida não pode ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, pois não há decadência, devendo os autos retornar à Câmara de origem a fim de que sejam analisadas as demais questões postas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 19515.002861/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2005
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS – CSLL. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento
matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.821
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS – CSLL. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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CASTELO COBRANÇA EXTRA JUDICIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS – CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/200905 Acórdão n.º 1401000.821 S1C4T1 Fl. 1.440 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Gilberto Baptista, Sergio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/200905 Acórdão n.º 1401000.821 S1C4T1 Fl. 1.441 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1627.871, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: A contribuinte acima identificada foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário, no valor de R$ 11.190.925,69, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, multas e acréscimos legais. DA AUTUAÇÃO Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 1132 a 1135) descreve os procedimentos adotados para com a contribuinte que levaram à apuração de "Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada", tendo em vista a não justificação ou comprovação dos créditos efetuados nas contascorrentes e na conta investimento da empresa no ano de 2005. Foram lavrados, em 21/09/2009, os seguintes autos de infração: do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (fls. 1174 a 1177), com o fundamento legal nos artigos 25 e 42 da Lei n° 9.430/1996 e no artigo 528 do RIR/1999; do PIS (fls. 1182 a 1185) com fundamento nos artigos Io e 3o da Lei Complementar 07 de 07/09/1970; artigo 24, § 2o da Lei n° 9.249/1995 e artigos 2o, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3o, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002. da Cofins (fls. 1190 a 1193) com fundamento nos artigos 2o, inciso II e parágrafo único, 3o, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002. da CSLL (fls. 1197 a 1200) com fundamento no artigo 37 da Lei n° 10.637/2002 e artigo 22 da Lei n° 10.684/2003. DA IMPUGNAÇÃO Em 27/10/2009 a empresa apresentou impugnações (fls. 1207 a 1213 Cofins; fls. 1246 a 1252 CSLL; fls. 1282 a 1288 IRPJ; fls. 1321 a 1327 PIS), com as alegações abaixo sintetizadas. Com relação ao cerceamento ao direito de exercício da ampla defesa, que: a afirmação de forma unilateral e genérica de que a Notificada deixou de recolher valores devidos à Previdência Social, sem, contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição e os segurados beneficiários da previdência social, impede a perfeita identificação da obrigação inadimplida; Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/200905 Acórdão n.º 1401000.821 S1C4T1 Fl. 1.442 4 ante aos princípios da legalidade, a infração cometida, sua fundamentação jurídica e a base imponível devem estar demonstradas de forma precisa, possibilitando com sua identificação o exercício da ampla defesa na esfera administrativa; assim, padecem do vício de nulidade a constituição do crédito previdenciário sem a identificação dos segurados beneficiários, bem como dos fatos geradores. Com relação à base de incidência, que: auditoria fiscal arrolou como base de incidência valores pertencentes à terceiros na qualidade de prestadora de serviços de desenvolvimento e controle de cobrança extrajudicial, contas a pagar e a receber; "Conforme comprova o contraio em anexo, movimentos (sic) os recursos de sua cliente ASSOCIAÇÃO ITAQUERENSE DE ENSINO. Portanto padece de vícios insanáveis a eleição de volumosos recursos de terceiros como se sendo receitas próprias, gerando tamanha distorção, onde suas receitas constituemse tão somente na taxa de administração no importe de 0,1% (um décimo por cento) dos valores de terceiros movimentados "; tornase abusivo o lançamento sobre a base de movimentação financeira de terceiros e clientes, tratadas no presente caso, como própria; junta como documento probante seu livro diário, onde retrata a real movimentação financeira própria decorrente dos serviços prestados à terceiros e as declarações econômicofiscais do mesmo exercício, onde revelam suas receitas reais, muito aquém daquela aferida pela auditoria fiscal, ou seja, tão somente a taxa de administração de recursos de terceiros. DA TEMPESTIVIDADE DAS IMPUGNAÇÕES Despacho da DERAT SPO/DICAT/EQCOB (fl. 1364), considerou a impugnação intempestiva e encaminhou o presente processo à Equipe de Análise de Processos de Imposto de Renda EQPIR para providências. Despacho Decisório EQPIR/PJ (fls. 1365 e 1366), considerou a impugnação intempestiva e, não havendo erro de escrita ou cálculo, constatou não ser cabível revisão de ofício do lançamento, decidindo, assim, por procedentes os Autos de Infração relativos ao IRPJ, PIS, Cofins e CSLL. Em 01/07/2010, a interessada apresentou impugnação (fls. 1373 a 1378) repisando as alegações já apresentadas e alegando serem tempestivas as impugnações apresentadas na data de 27/10/2009 tendo em vista o disposto na Portaria n° 525 de 06/11/2008 do Secretário Executivo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que antecipou o "Dia do Servidor Público" (ponto facultativo) do dia 28 de outubro para o dia 26/10/2009. A DRJ , por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos, nos termos da ementa que se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/200905 Acórdão n.º 1401000.821 S1C4T1 Fl. 1.443 5 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. A existência de depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada caracteriza omissão de receita. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/200905 Acórdão n.º 1401000.821 S1C4T1 Fl. 1.444 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a autuação envolveu omissão de receitas por presunção legal a partir de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Após intimada por diversas vezes sem que comprovasse a origem dos depósitos bancários constante em extratos bancários apresentados por ela própria o autuante lavrou a presente autuação para o anocalendário de 2005 com base em presunção legal de depósitos não comprovados (art. 42 da Lei n. 9.43096). Preliminar de nulidade Preliminarmente, a recorrente imputa o presente AI com o vício da nulidade, por conter, pois não foi fundamentada a autuação, representando manifesto cerceamento do contraditório e da ampla defesa. Alegou ainda que a autuação é nula pois a fiscalização teria afirmado "de forma unilateral e genérica de que a Notificada deixou de recolher valores devidos à Previdência Social, sem contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição e os segurados beneficiários da previdência social” Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso voluntário acostados aos autos. O que se vê foi um grande empenho da fiscalização em cumprir o seu papel e somente após inúmeras negativas do Contribuinte de apresentar a comprovação da origem dos depósitos bancários relacionados pela fiscalização, tudo isso com base em previsão legal muito bem consignada no auto de infração (art. 42 da Lei n. 9.43096). Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/200905 Acórdão n.º 1401000.821 S1C4T1 Fl. 1.445 7 Infundada também a sua alegação de que o autuante "de forma unilateral e genérica de que a Notificada deixou de recolher valores devidos à Previdência Social, sem contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição e os segurados beneficiários da previdência social”. É que a autuação foi lastreada em presunção legal (Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada), nada tendo a ver com a referida alegação. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. E como ficará bem demonstrado mais adiante, nem mesmo isso aconteceu. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada MÉRITO PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. Apontados pela fiscalização com base nos extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte. Com efeito, sequer os contabilizou ou os declarou. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a ligação dos recursos recebidos em conta bancária e o seu discurso apresentado. Na verdade, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer meras alegações totalmente desprovidas de provas. Cingese a alegar que fiscalização tomou como base de incidência valores pertencentes à terceiros, no caso sua cliente Associação Itaquerense de Ensino.que, segundo ela, prestaria a essa empresa serviços de desenvolvimento e controle de cobrança extra judicial, contas a pagar e a receber. Como já se disse, mera alegação totalmente desprovida de provas e confirmação no mundo dos fatos. Essa alegação vem sendo repetida desde a autuação e já plenamente refutada pela própria fiscalização como também pela DRJ. A fiscalização já analisou a relação das mensalidades dos alunos da Associação Itaquerense de Ensino e demonstrou sem ser infirmada pela contribuinte, não haver correlação entre elas e a movimentação bancária. Eis o teor do TVF: Em 27/02/2009, o contribuinte entregou a Ficha Cadastral JUCESP, e a relação de recebimentos de mensalidade mês a mês de alunos da Associação Itaquerense de Ensino (Protocolo DEFIC/SPO/DIFIS/IND. N° 2009004204. doe, de fls. 180). Apesar de não estarem assinadas pelo representante legal do contribuinte, examinamos as planilhas e verificamos que os valores das mesmas não têm qualquer relação com os valores dos Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/200905 Acórdão n.º 1401000.821 S1C4T1 Fl. 1.446 8 créditos constantes dos extratos de contacorrente. As planilhas encontramse às fls. 181 a 1081. E a DRJ também arrematou a questão no seguintes termos: Quanto aos demais documentos apresentados (livro diário e declarações econômicofiscais fls. 1226 a 1242), estes, por si só, não possuem o condão de comprovar os créditos efetuados nas contas corrente e investimento, na medida em que os montantes ali descritos não são suportados por documentação hábil e idônea e não comprovam a alegação de que os valores creditados em sua conta corrente pertencem a terceiros. O mesmo ocorre com a DIJP apresentada que, além de tudo, apresenta os valores zerados. Em verdade, a argumentação da recorrente não conseguiu infirmar a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.43096, uma vez que não foi comprovada a origem dos recursos depositados nas contascorrentes do contribuinte: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À recorrente, comprovar a origem desses depósitos. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção em parte das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 13971.003937/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/06/2006
Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA LEI 11.941/09. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.672
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/06/2006 Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA LEI 11.941/09. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2445; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.003937/200867 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301002.672 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2012 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente TAYKA CONFECÇÕES DE JEANS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/06/2006 Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA LEI 11.941/09. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Adriano Gonzales Silvério Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003937/200867 Acórdão n.º 2301002.672 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados contribuintes individuais. Consta do Relatório Fiscal (fls. 16), que constitui fato gerador da contribuição lançada o pagamento de prólabore aos sócios da empresa autuada, declarado em GFIP após o início da ação fiscal e que constam discriminados nas folhas de pagamento. A autoridade autuante esclarece que os fatos apurados, objeto deste Auto de Infração, em tese, configuram o Crime De Sonegação De Contribuição Previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000, e serão, portanto, objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0715.029, da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 88), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada, apresentou recurso tempestivo (fls. 98), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. Inicialmente, reafirma que a exclusão do Simples foi contestada pela recorrente através de Impugnação contra o Atos Declaratórios Executivos 42 e 46/2008, protocolizados, tempestivamente, na Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC, estando, portanto, a sub judice, não sendo definitiva, dependendo de evento futuro e incerto para o fisco. Preliminarmente, reitera que a fiscalização fez incidir multa exacerbada de 150% sobre o Imposto de Renda que considerou devido, contrariando, dessa forma, o artigo 150, IV, da Constituição da República. Entende que a sanção tributária tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, não podendo nunca ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado, e reafirma que a multa aplicada é inconstitucional, assim como a aplicação da taxa SELIC para fins tributários. Alega divergência entre Pareceres da COSIT referentes às improcedências dos reflexos de PIS e COFINS quando o regime de tributação no IRPJ foi o lucro arbitrado, entendendo que, por extensão e analogia, a CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também improcede. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Argumenta que, in casu, mantidas as tributações reflexas PIS, COFINS e CSLL, o Sr. Julgador deverá representar ao seu superior hierárquico, porque provocado um conflito de divergência. No mérito, insiste na necessidade de se comprovar o dolo de sonegação, alegando que o artigo 44, da Lei n° 9.430/96, ao recepcionar, no inciso II, o disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, restringiu a aplicação da multa de 150% ao evidente intuito de fraude, possuíndo uma conotação mais ampla, "ação ou omissão dolosa...", o que é diferente de evidente intuito de fraude. Tenta demonstrar a ilegalidade da exclusão da empresa do SIMPLES e defende a observância do Princípio da Proporcionalidade na aplicação da penalidade pecuniária. Quanto à formação do Grupo Econômico, observa que, compulsandose a documentação que faz parte de todo o processo administrativo envolvendo as respectivas empresas, em nenhum momento conseguese comprovar a ação dolosa dos respectivos sócios, ou que os mesmos pudessem ter a intenção deliberada de formação de grupo econômico como pretende a fiscalização fazendária, bem como falta comprovação, por parte do fisco, quanto à formação de grupo econômico envolvendo a empresa recorrente e outras citadas no processo administrativo em comento. Sustenta a ocorrência da prescrição do direito de se cobrar o débito, argumentando que a Autoridade Fazendária dispõe de cinco anos para efetivar lançamento suplementar, caso discorde do montante declarado pelo contribuinte, ressaltando que tal episódio não se verificou em nenhum momento. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003937/200867 Acórdão n.º 2301002.672 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente entendeu, de forma equivocada, que fora tributada por pretensa omissão no registro de receitas, a partir de uma presunção da utilização de "interpostas pessoas", e que estaria formando, juntamente com outras empresas, um "Grupo Econômico de Fato". Contudo, da leitura do Relatório Fiscal de fls. 16, constatase que em nenhum momento a autoridade lançadora fez menção à formação de Grupo Econômico, ou fundamentou o lançamento na responsabilidade solidária de que trata o art.art.124, I e II do CTN, ou a Lei 8.212/91, em seu art. 30, IX. Portanto, entendo que não restou caracterizada a formação de Grupo Econômico, devendo as empresas tidas como integrantes do Grupo Econômico serem excluídas do relatório “RELAÇÃO DE VÍNCULOS” (fls. 15). Porém, a fiscalização deixa muito claro, nos relatórios que integram o AI, que o lançamento se refere à contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, incidente sobre o prólabore pago pela empresa, declarado pela própria recorrente em GFIP e em Folha de Pagamento. E nem mesmo a fiscalização fundamentou o AI no art. 32, IV § 5o, acrescido pela Lei 9528/97, conforme afirma equivocadamente a autuada em seu recurso. Dessa forma, os argumentos relativos à omissão de receitas, presunção de utilização de pessoas interpostas, PIS, COFINS e CSLL, multa de 150% sobre Imposto de Renda e agravamento de multa de 50% não serão objeto de análise por esta Conselheira por serem estranhos e totalmente impertinentes ao lançamento discutido por meio do presente processo administrativo fiscal, o que constitui motivo para o não conhecimento dessa parte do recurso. No que tange à alegação de que o débito com prazo anterior superior a cinco anos anteriores disposto neste processo encontrase prescrito, cumpre observar que não há, no lançamento em discussão, débitos lançados em competências anteriores a cinco anos, uma vez que o lançamento foi consolidado em 07/10/2008, e se refere ao período 11/2005 a 06/2006. Assim, não há que se falar em decadência de parte do débito. Da mesma forma, o fato de a empresa ser ou não do SIMPLES não interfere no julgamento do AI em comento, que trata de contribuição devida pelo segurado a seu serviço, independente do sistema de tributação a que está sujeita. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Ou seja, mesmo não sendo excluída do SIMPLES, a empresa está obrigada a recolher a contribuição dos segurados a seu serviço, sejam eles empregados ou contribuintes individuais. E sendo o lançamento um ato vinculado e não sendo facultado ao servidor público eximirse de aplicar a lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar que a empresa autuada remunerou contribuinte individual e deixou de recolher a contribuição por ele devida, lavrou o competente AI, em observância à legislação que rege a matéria. E o lançamento foi acrescido de juros e multa, conforme normativos legais vigentes à época. Mas, ao contrário do que afirma, não houve agravamento de multa de 50% por infração qualificada, mas sim uma redução, tendo em vista a declaração do fato gerador em GFIP, conforme consta de forma cristalina do relatório DAD (fls. 04). Nesse sentido, constatase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa ao autuado. A autuada insurgese, ainda, contra a multa aplicada, alegando que a mesma é exacerbada de 150%, contrariando, dessa forma, o artigo 150, IV, da Constituição da República. Entende que a sanção tributária tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, não podendo nunca ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado, e reafirma que a multa aplicada é inconstitucional, assim como a aplicação da taxa SELIC No entanto, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. É oportuno salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 e a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma legal, vigente à época da lavratura do AI. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003937/200867 Acórdão n.º 2301002.672 S2C3T1 Fl. 4 7 lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração. Mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário, e é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. A recorrente argumenta, ainda, que há necessidade de se comprovar o dolo de sonegação, e que o artigo 44, da Lei n° 9.430/96, ao recepcionar, no inciso II, o disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, restringiu a aplicação da multa de 150% ao evidente intuito de fraude, possuindo uma conotação mais ampla, "ação ou omissão dolosa...", o que é diferente de evidente intuito de fraude. Todavia, cumpre salientar que a autoridade fiscal autuante não é titular da pretensão punitiva estatal, cabendolhe apenas representar ao órgão competente — no caso, ao Ministério Público Federal — a quem caberá tipificar o fato e oferecer ou não a denúncia. Logo, o que é pertinente na Representação Fiscal para Fins Penais é tãosomente o relatório dos fatos e não a sua tipificação penal, devendose enfatizar, ainda, que o resultado da persecução penal não interfere no julgamento do processo administrativo fiscal, eis que distintos os seus objetos. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Nesse sentido, a auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional, uma vez que tomou ciência da ocorrência, em tese, de crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, tipificado no art. 337A, I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983/2000. Portanto, não cabe nesta instância administrativa discutir a ocorrência ou não de crime, devendo a recorrente apresentar suas alegações perante o órgão competente para a apuração do ilícito. Nesse sentido e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, apenas para excluir, do Relatório de Vínculos, as empresas listadas como integrantes do Grupo Econômico. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzales Silvério – Redator Designado O único apontamento em relação ao voto da Relatora diz respeito à aplicação da retroatividade benigna em relação à multa aplicada no caso concreto. Há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Aqui reside a divergência com o voto do Ilustre Conselheiro Relator. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a Fl. 198DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003937/200867 Acórdão n.º 2301002.672 S2C3T1 Fl. 5 9 multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para determinar a aplicação da multa prevista no artigo 35 caput da Lei 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. Adriano Gonzáles Silvério Conselheiro Fl. 199DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 19515.004275/2007-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2003
DECADÊNCIA.
No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, em relação ao qual não tenha ocorrido o pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Aplicação do recurso especial repetitivo nº 973.733, nos termos do art. 62A da Portaria MF 256, de 2009 e alterações.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
Exercício: 2003
DESPESAS OPERACIONAIS. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE.
A dedutibilidade da despesa é condicionada à comprovação da efetiva realização do gasto e que estes tenham relação direta com pessoas ligadas à pessoa jurídica e, ainda, que se refiram a eventos relacionados com a atividade fim da mesma. As despesas que se revelarem desnecessárias ou não usuais à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real.
DESPESAS COM FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E PRÊMIOS
SORTEADOS A FUNCIONÁRIOS. INDEDUTIBILIDADE.
Despesas incorridas com a realização de confraternização de fim de ano não se enquadram na definição de despesas necessárias estabelecida pela legislação tributária, não sendo passíveis de exclusão da apuração do Lucro Real.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 2003
PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. OMISSÃO DE RECEITAS RECONHECIDA. LANÇAMENTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE.
Inexistindo lançamento condicional, eventual recolhimento dos valores dos autos de infração de IRPJ e CSLL apurados sobre receitas omitidas não tem o condão de elidir a correta lavratura de auto de infração do IRRF em razão da falta de identificação do beneficiário ou da causa da operação, verificada no momento da fiscalização.
Numero da decisão: 1202-000.832
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões, quanto à matéria relativa à glosa de despesas de confraternização e premiações de viagem a funcionários, os conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 DECADÊNCIA. No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, em relação ao qual não tenha ocorrido o pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Aplicação do recurso especial repetitivo nº 973.733, nos termos do art. 62A da Portaria MF 256, de 2009 e alterações. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2003 DESPESAS OPERACIONAIS. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade da despesa é condicionada à comprovação da efetiva realização do gasto e que estes tenham relação direta com pessoas ligadas à pessoa jurídica e, ainda, que se refiram a eventos relacionados com a atividade fim da mesma. As despesas que se revelarem desnecessárias ou não usuais à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real. DESPESAS COM FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E PRÊMIOS SORTEADOS A FUNCIONÁRIOS. INDEDUTIBILIDADE. Despesas incorridas com a realização de confraternização de fim de ano não se enquadram na definição de despesas necessárias estabelecida pela legislação tributária, não sendo passíveis de exclusão da apuração do Lucro Real. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2003 PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. OMISSÃO DE RECEITAS RECONHECIDA. LANÇAMENTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo lançamento condicional, eventual recolhimento dos valores dos autos de infração de IRPJ e CSLL apurados sobre receitas omitidas não tem o condão de elidir a correta lavratura de auto de infração do IRRF em razão da falta de identificação do beneficiário ou da causa da operação, verificada no momento da fiscalização.
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No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, em relação ao qual não tenha ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Aplicação do recurso especial repetitivo nº 973.733, nos termos do art. 62A da Portaria MF 256, de 2009 e alterações. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2003 DESPESAS OPERACIONAIS. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade da despesa é condicionada à comprovação da efetiva realização do gasto e que estes tenham relação direta com pessoas ligadas à pessoa jurídica e, ainda, que se refiram a eventos relacionados com a atividade fim da mesma. As despesas que se revelarem desnecessárias ou não usuais à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real. DESPESAS COM FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E PRÊMIOS SORTEADOS A FUNCIONÁRIOS. INDEDUTIBILIDADE. Despesas incorridas com a realização de confraternização de fim de ano não se enquadram na definição de despesas necessárias estabelecida pela legislação tributária, não sendo passíveis de exclusão da apuração do Lucro Real. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2003 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 590 2 PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. OMISSÃO DE RECEITAS RECONHECIDA. LANÇAMENTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo lançamento condicional, eventual recolhimento dos valores dos autos de infração de IRPJ e CSLL apurados sobre receitas omitidas não tem o condão de elidir a correta lavratura de auto de infração do IRRF em razão da falta de identificação do beneficiário ou da causa da operação, verificada no momento da fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões, quanto à matéria relativa à glosa de despesas de confraternização e premiações de viagem a funcionários, os conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Edijalmo Antônio da Cruz. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 591 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou totalmente procedentes os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lançados em razão de omissão de receita caracterizada pela constatação de depósitos bancários não comprovados, e de IRPJ, IRRF e CSLL por glosa de despesas, com multa de ofício de 75%. Por bem descrever os elementos constantes dos autos, e considerando razões de economia processual, peço vênia para transcrever trechos do relatório do acórdão recorrido, no que interessa ao presente julgamento, visto que parte da autuação foi objeto de parcelamento: Conforme o Termo de Constatação Fiscal de fls. 291/299, a fiscalização constatou várias irregularidades apresentadas nos seguintes itens: [...] D DAS OUTRAS DESPESAS QUE CONFIGURAM MERA LIBERALIDADE [...] D2 DESPESAS COM CONFRATERNIZAÇÃO O contribuinte contabilizou na conta 4.1.1.04.0001 Confraternizações diversas despesas relativas a comemorações de aniversários, nascimentos, presentes, brindes, comemoração do dia da mulher, comemoração da Páscoa, revelações de filmes, etc, no montante de R$ 244.936,54. Por entender a fiscalização que tais despesas não se coadunariam com os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade das despesas exigidas pelas atividades da empresa, entendeu ser mera liberalidade do contribuinte, lançando IRPJ e CSLL sobre a importância de R$ 244.936,54, como Custos, Despesas Operacionais e Encargos Não Necessários. D3 DESPESAS COM PREMIAÇÃO A FUNCIONÁRIOS A fiscalização detectou despesas discriminadas na conta 4.1.1.04.0015 Despesas de Viagens, que indicam tratarse de hospedagem de pacote de reveillon da funcionária Flávia Godoy e acompanhante e do funcionário Yuri Aizemberg e acompanhante. O mesmo concluiu sobre a hospedagem o período de 28/12/01 a 02/01/02 do funcionário Patrick Golffaux e acompanhante e do funcionário Marcos Lacerda e acompanhante. O somatório dos respectivos valores no importe de R$ 30.386,40, que foram deduzidos na apuração do lucro real e da base de Fl. 591DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 592 4 cálculo da CSLL, por meio da contas 4.1.1..04.0015 Despesas de Viagem e 4.1.1.04.0016 Viagens Administrativas, foi tributado pela fiscalização com Custos, Despesas Operacionais e Encargos Não Necessários. E DO MÚTUO NÃO COMPROVADO E1 DA OMISSÃO DE RECEITAS A empresa escriturou na conta 2.1.1.04.0001 (21114) Roberto Luiz Justus, lançamentos contábeis a crédito, cujas contrapartidas foram escrituradas a débito na conta 1.1.1.02.0010 (11.180) Banco Bradesco S/A 12910 , no montante de r$ 364.542,50. O contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal N° 07) a apresentar a documentação hábil e idônea (extrato bancário do mutuante, coincidentes em data e valor, aos referenciados no extrato bancário da mutuada contribuinte) e não apresentou para ilidir a presunção legal de omissão de receitas preceituada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Foram lançadas as exigências relativas ao IRPJ e Reflexos na rubrica omissão de receitas. [...] E3 DO PAGAMENTO SEM CAUSA O mútuo não comprovado teve sua liquidação mediante a devolução, em 08/10/02, 04/11/02 e 01/12/02, todos na importância de R$ 125.000,00, que contemplava além do principal a importância referente a juros e foram considerados como pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da lei n° 8.981/1995. Foi lançado o IRRF sobre os valores acima referidos na rubrica Pagamento sem Causa. IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado em 18/12/2007, nos próprios autos de infração e apresentou a impugnação de fls. 340/367, em 17/01/2008, na qual apresenta as alegações abaixo sintetizadas. Inicialmente informa que por ausência de tempo hábil para localização de documentação comprobatória, teria aproveitado o benefício da redução da multa de ofício, e efetuado o pagamento do IRPJ e da CSLL referentes aos itens D.l (DESPESAS DE DÍVIDAS PERDOADAS) e E.l (OMISSÃO DE RECEITAS), descritos no Termo de Constatação Fiscal (conforme cálculos e guias DARF anexas (does. 02 a 04). Esclarece que os valores pagos de IRPJ e CSLL com benéfico da redução da multa foram calculados de acordo com os critérios retratados no auto de infração (com aproveitamento de toda a parcela de prejuízos apontada (vide doe. 02). PRELIMINARES Fl. 592DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 593 5 Decadência do PIS e da COFINS. A suposta omissão receita representada por depósitos bancários recebidos entre os dias 12 e 16 de setembro de 2002 tratarseiam de crédito tributário relativo a fatos geradores periódicos que se aperfeiçoaram com o término do mês de setembro de 20202. Decadência do IRRF. A exigência diz respeito a pagamentos efetuados em 08/10/2002, 04/11/2002 e 01/12/2002, que teriam sido considerados como pagamento sem causa. Caracterizarse iam por créditos tributários pertinentes a fatos geradores instantâneos que teriam se aperfeiçoado, respectivamente, em 08/10/2002, 04/11/2002 e 01/12/2002. O PIS, a COFINS e o IRRF possuem a natureza de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a ciência dos autos de infração ocorreu em 18/12/2002, data posterior ao escoamento do período de cinco anos da ocorrência dos supostos fatos geradores, e, portanto, decaído estava o direito ao lançamento tributário com base no artigo 150, parágrafo 4o, do Código Tributário Nacional. Mérito [...] DA GLOSA DE DESPESAS COM CONFRATERNIZAÇÃO Por falta de indicação da norma supostamente infringida, o lançamento tributário, neste particular, seria formalmente nulo. Tais gastos (R$ 244.936,54) feitos para celebrar aniversários, nascimentos, etc, seriam de pequena monta em relação ao faturamento da empresa e caracterizarseiam como liberalidades sociais. DA GLOSA DE DESPESAS COM PREMIAÇÂO DE FUNCIONÁRIOS Por falta de indicação da norma supostamente infringida, o lançamento tributário, neste particular, seria formalmente nulo. Tais gastos (R$ 30.386,40) que corresponderiam à premiação a funcionários, sob a forma de viagens (pacotes)^ serie legítimas e absolutamente conforme a lei tributária, sendo o auto de infração neste particular nulo de pleno direito. DO MUTUO NAO COMPROVADO (OMISSÃO DE RECEITAS, INDEDUTIBILIDADE DE DESPESA FINANCEIRA E IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA) A impugnante não dispondo de tempo hábil para a obtenção de titularidade do supridor dos recursos mutuados, houve por bem efetuar o recolhimento do IRPJ e da CSLL A própria extinção do crédito tributário (seja por razão de pagamento, seja por decadência) relativa a tais depósitos bancários caracterizados como omissão de receitas deveria elidir a obrigação de IMPOSTO DE RENDA NA FONTE formulada a título de "pagamento sem causa", uma vez que a Fl. 593DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 594 6 fundamentação para tal exigência foi a suposta falta de comprovação dos valores mutuados. Com respeito à exigência do IRRF sobre o pagamento tido como sem causa, não deve prosperara a autuação, pois a causa do pagamento foi o dever legal de restituir o empréstimo contraído. O empréstimo teria sido devidamente comprovado com a exibição dos documentos relativos ao recebimento dos recursos que foram depositados em instituição financeira idônea e devidamente registrados na contabilidade. O posterior pagamento da dívida não contestado pela Autoridade Fiscal – é prova cabal da existência fática e jurídica do contrato de mútuo. A 2ª Turma da DRJ/SPOI, inicialmente, restringiu a decisão apenas às parcelas dos valores dos itens referentes às glosas de despesas com arredamento mercantil, com brindes, com confraternização e premiação, que não foram objeto do pagamento pelo REFIS4 e ao montante integral do pagamento tido como sem causa, que foram objeto de impugnação. Em seguida, julgou procedente em parte a impugnação, reconhecendo a decadência dos lançamentos de PIS e COFINS sobre a receita omitida, editando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DESPESAS INDEDUTÍVEIS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. VEÍCULOS DE PASSEIO. Os dispêndios correspondentes à contraprestação de arrendamento mercantil de veículos de passeio, bem assim as respectivas despesas com seguros e manutenção, são despesas indedutíveis na apuração do lucro real, quando não comprovado que tais veículos são intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens ou serviços. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE QUADRAS ESPORTIVAS. INDEDUTIBILIDADE. Com o advento do inciso II, do art. 13 da Lei n° 9.249/1995 somente é dedutível o aluguel de bens imóveis quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços.. DESPESAS COM DISTRIBUIÇÃO DE BRINDES. DESPESAS COM PROMOÇÕES. INDEDUTIBILIDADE. A partir do anocalendário de 1996, as despesas com distribuição de brindes, aí incluídas as promoções, independentemente de seu valor ou de sua eventual necessidade para o incremento da atividade econômica da empresa, são Fl. 594DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 595 7 indedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, nos termos preceituados pelo art. 13, inciso VII, da Lei n° 9.249/1995. DESPESAS COM FESTA DE CONFRATERNIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. As despesas incorridas com a realização de confraternização, festas e almoços não se enquadram na definição de despesas necessárias estabelecida pela legislação tributária, o que implica considerálas indedutíveis na apuração do lucro real, com exceção das despesas com alimentação concedida a todos os empregados. DESPESAS REALIZADAS COM VIAGENS PAGAS A FUNCIONÁRIOS A TÍTULO DE PREMIAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. As despesas incorridas com o pagamento de viagens de lazer a funcionários a título de premiação, onde não se comprova o benefício auferido pelo sujeito passivo, são indedutíveis na apuração do lucro/real, já que são mera liberalidade, não sendo necessárias à atividade da emprega e à manutenção da sua fonte produtora, nos termos do art. 299 do RIR/1999. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Aplicase à exigência dita reflexa o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido a relação de causa e efeito entre elas. PIS. COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do §4°, do art. 150, do CTN. Exoneramse, assim, os valores relativos aos fatos geradores de setembro de 2002, pois atingidos pela decadência de cinco anos contados do fato gerador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. Inexistindo pagamentos suscetíveis de serem homologados, o termo inicial da decadência corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. PAGAMENTOS SEM CAUSA INCIDÊNCIA. Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 596 8 Cientificado em 01/11/2010 (fl.506v), o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, em 30/11/2010 (fls.511 e seguintes), em que, inicialmente, esclarece que os valores referentes aos itens A, B e C do TVF foram incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009 e que a discussão no presente processo diz respeito somente às seguintes exigências: item D.2: IRPJ e CSLL em razão da glosa de despesas com confraternização; item D.3: IRPJ e CSLL em razão da glosa de despesas com premiação a funcionários; item E3: IRRF com base reajustada, sob alegação de pagamento sem causa. Em seguida, sustenta a invalidade dos lançamentos pelas razões a seguir sintetizadas. Sobre a glosa da dedutibilidade de despesas de confraternização (item D.2), alega: (i) que a fiscalização cerceou seu direito de defesa, não lhe dando o adequado conhecimento dos fatos imputados e fundamento legal da autuação, ferindo o art. 50, II, §1º, da Lei nº 9.784/99 e o art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72; (ii) que a decisão recorrida está em sentido contrário ao da jurisprudência administrativa e doutrina majoritária, pois os gastos incorridos com eventos de confraternização da empresa, de pequena monta em relação ao faturamento, caracterizamse liberalidades sociais, cuja dedutibilidade já foi reconhecida pela jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes. Sobre a glosa da dedutibilidade de despesas com premiações a funcionários (item D.3), alega: (i) que o lançamento também é nulo pelas mesmas razões expostas no item anterior; (ii) que as despesas glosadas englobam gastos registrados na conta “viagens administrativas”, que contempla valores relativos a viagens sorteadas entre todos os funcionários da empresa durante a festa de final de anto, e a conta “despesas de viagens”, que diz respeito a valores empregados em viagens de interesse comercial da empresa. Sobre o IRRF/pagamento sem causa (item E.3), exigido sobre os pagamentos referentes a liquidação de mútuo registrado na conta de passivo, tomado junto ao sócio Roberto Luiz Justos, cuja existência fática foi considerada não comprovada, alega: (i) decadência, visto que tomou ciência do auto em 18/12/2007, após prazo de cinco anos da ocorrência dos supostos fatos geradores instantâneos, relativos aos dias 08/10/2002, 04/11/2002 e 01/12/2002, contados com base no art. 150, §4º, do CTN, independentemente da falta de recolhimento de IRRF sob o código 5217, já que o que se homologa é a atividade realizada pelo contribuinte no sentido de apurar os tributos devidos; (ii) que como a recorrente efetuou o recolhimento do IRPJ e CSLL incidentes sobre os valores de mútuo considerados como “receitas omitidas”, o enquadramento da liquidação do respectivo mútuo enquanto “pagamento sem causa” não tem mais como Fl. 596DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 597 9 prevalecer, não sendo cabível a dupla incidência (IRPJ e IRRF), o que já foi reconhecido pelo antigo Conselho de Contribuinte; (iii) que se a lei não exige contrato escrito e admite a simples prova da transferência dos recursos, o mútuo celebrado pela recorrente foi provado devidamente com os respectivos depósitos bancários e registros contábeis, sendo indevida a exigência de IRRF sobre pagamentos sem causa, já que a causa do pagamento é o dever legal de restituição, o posterior pagamento da dívida, não contestado pela fiscalização, é prova da existência fática e jurídica do contrato de mútuo. É o relatório. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 598 10 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. Preliminar de decadência Sobre a preliminar de decadência do lançamento de IRRF, aduz a recorrente que a contagem do prazo deveria observar a norma do art. 150, §4º, do CTN, independentemente da falta de recolhimento do tributo respectivo. Além de expressamente reconhecida pela recorrente, a falta de recolhimento de IRRF sob o código 5217, relativo a beneficiários não identificados, foi constatada pelo relator da decisão recorrida, conforme documento de fl. 476. A falta de comprovação de pagamento não atrai a incidência do art. 150, §4º, do CTN, consoante a jurisprudência do STJ adotada sob a forma de recurso repetitivo no recurso especial – Resp nº 973.733/SC, aplicável aos julgamentos administrativos nos termos do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e alterações posteriores). Assim, a contagem do prazo decadencial para lançamento do imposto de renda retido na fonte iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia haver lançamento, o que, no caso concreto, tendo em conta os fatos geradores ocorridos em 2002, iniciouse no dia 01/01/2003. Diante disso, verificase que a ciência do respectivo auto de infração ocorreu dentro do quinquídio legal (18/12/2007), não havendo que se falar em decadência. Mérito No mérito, cabe, incialmente, apreciar a glosa das despesas com (i) festas de confraternização e (ii) premiação a funcionários, consideradas indedutíveis pela fiscalização. Nos termos da legislação do imposto de renda, as despesas operacionais, para serem consideradas legítimas, devem guardar natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora, tal como dispõem os arts. 277 e 299 do RIR/99, in verbis: Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11) [....]. [...] Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 598DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 599 11 § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Desses dispositivos se depreende que, para fins de dedutibilidade da despesa na apuração do resultado tributável, são exigidos os requisitos de necessidade e usualidade ou normalidade. São necessárias as despesas essenciais para a consecução dos objetivos sociais, ainda que secundários, desde que vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos; são normais as despesas ordinariamente realizadas nas atividades e operações destinadas à manutenção da fonte produtora; e são usuais aquelas realizadas de maneira frequente ou habitual em determinado tipo de atividade ou operação. A partir da vigência da Lei nº 9.249, de 26/12/95, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, além de observar o disposto nos dispositivos do RIR/99 acima transcritos, as despesas consideradas como necessárias e passíveis de dedução são aquelas pagas ou incorridas na realização de transações ou operações praticadas em razão da atividade da empresa, observados critérios bem restritivos, como se vê do art. 13 da referida lei: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; Fl. 599DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 600 12 V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2º; VII das despesas com brindes. § 1º Admitirseão como dedutíveis as despesas com alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados. § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; III as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: a) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária; b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição da fiscalização, declaração, segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, fornecida pela entidade beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais, com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto; c) a entidade civil beneficiária deverá ser reconhecida de utilidade pública por ato formal de órgão competente da União. Diante disso, cabe ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que não apenas suportem os lançamentos contábeis decorrentes, mas que justifiquem e atestem a dedutibilidade das despesas necessárias, normais e usuais à atividade da empresa. Em outras palavras, a dedutibilidade da despesa é condicionada à comprovação da efetiva realização do gasto e que estes tenham relação direta com pessoas ligadas à pessoa jurídica e, ainda, que se refiram a eventos relacionados com a atividade fim da mesma. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 601 13 Do teor da legislação acima, notase que as despesas com alimentação dos empregados, referidas no §1º do mesmo artigo 13, foram excepcionalmente ressalvadas pelo legislador, após a vedação expressa das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores (art. 13, inciso IV). A possibilidade de dedução é concedida excepcionalmente, dado o caráter da alimentação como meio de subsistência do trabalhador. Nesse caso, estariam incluídas, por exemplo, as despesas com alimentação distribuídas através de valealimentação ou servida na própria empresa, as quais poderiam ser deduzidas na apuração do lucro real. Hipótese distinta são as despesas com alimentação ofertada esporadicamente em eventos festivos, como é o caso das despesas de confraternização objeto da glosa ora discutida, as quais não se enquadram como despesas necessárias, para fins de dedução do lucro real. Ademais, visto ser presumível que tais confraternizações englobem funcionários, sócios e administradores, admitirse a dedução integral dessas despesas seria admitir uma forma indireta de contornar a vedação legal prevista no inciso IV do art. 13 da Lei nº 9.249/95. Notese que, no caso concreto, sequer houve comprovação discriminada das despesas de confraternização. Outra parte das despesas glosadas corresponde ao pagamento de hospedagem para funcionários e seus respectivos acompanhantes. Quanto a essas despesas, alega a recorrente que se referem a viagens sorteadas como prêmios entre os funcionários, as quais seriam normais, usuais e necessárias, assim como as despesas com festas de confraternização, haja vista, por suas próprias palavras, “inseriremse no contexto das despesas realizadas com as festividades de final de ano”. Todavia, no presente caso, considerando o exposto anteriormente, não há dúvida de que os gastos com festas, brindes e prêmios caracterizam atos de evidente liberalidade, não restando comprovadas a necessidade, a normalidade e a usualidade da despesa em relação à atividade fim da empresa, para fins de dedutibilidade na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Em que pese existir jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes acatando a tese da dedutibilidade de certas despesas, desde que pudessem ser consideradas razoáveis, o entendimento mais recente desta Corte aponta para a impossibilidade de dedução, diante das normas legais acima referidas. Nesse sentido, cabe citar o acórdão nº 120100.439 da 1ª Turma ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, de relatoria do ilustre Conselheiro Rafael Correia Fuso, julgado à unanimidade na sessão de 25 de fevereiro de 2011, cuja ementa dispõe: LUCRO REAL. DESPESA INDEDUTÍVEL Despesas incorridas com a realização de confraternização de fim de ano não se enquadram na definição de despesas necessárias estabelecida pela legislação tributária, não sendo passíveis de exclusão da apuração do Lucro Real. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 602 14 Inteligência do disposto no artigo 299 do RIR/99 e artigo 13 da Lei n° 9.249/95. Assim, nessa parte, não cabe acatar a defesa apresentada pela recorrente, devendo ser negado provimento ao recurso. Do imposto de renda retido na fonte IRRF Quanto ao IRRF sobre pagamentos sem causa, a fiscalização considerou que, por pertencer à recorrente, visto que não houve a comprovação da origem dos recursos depositados em conta mantida junto a instituições financeiras, a quitação do mútuo descaracterizado representou um pagamento sem causa, a teor do inciso I do art. 674 do RIR/99, que dispõe: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. A recorrente sustenta que, uma vez que recolheu os débitos de IRPJ e CSLL e teriam decaído, segundo ela, o PIS e a Cofins, todos incidentes sobre referida receita, a exigência de IRRF deixou de ter legitimidade sob o título de "pagamento sem causa", pois a fundamentação para tal exigência teria sido justamente a falta de comprovação dos valores mutuados. Ora, inexiste lançamento condicional. Uma vez caracterizada a infração à legislação tributária, compete à autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, lavrar o respectivo auto de infração, o qual não se anula em face de posterior cumprimento da norma tributária. No mesmo sentido tem se manifestado reiteradamente o CARF, por exemplo, em relação ao arbitramento do lucro em razão da falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal, culminando com a edição da Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/200725 Acórdão n.º 120200.832 S1C2T2 Fl. 603 15 Assim, eventual “reconhecimento” da omissão e recolhimento do IRPJ e CSLL lançados na forma da legislação não tem o condão de elidir a correta incidência do IRRF, na forma do art. 674 do RIR/99, caracterizado pela falta de identificação do beneficiário ou da causa da operação no momento da fiscalização. Sem razão a recorrente também nessa parte. Dispositivo Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 603DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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