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4616162 #
Numero do processo: 10120.000293/2005-35
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 19 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jun 19 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2000 ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matricula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente; o que ocorreu na hipótese destes autos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-39.585
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. 0 Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes votou pela conclusão.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matricula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente; o que ocorreu na hipótese destes autos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. 0 Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes votou pela conclusão. A HELENA TRAJANO D o 'AMORIM - Relatora L21)-iL r • Processo n° 10120.000293/2005-35 AcOrdAo n.° 302 - 39.585 CC03,CO2 Fls. 81 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Verissimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. • 2 Processo n° 10120.000293/2005-35 AcOrdao n.° 302-39.585 CC03,CO2 Fls. 82 Relatório 0 contribuinte acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia/DF. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, As fls. 48/49 que transcrevo, a seguir: "Contra o contribuinte interessado foi lavrado, em 20/01/2005, o Auto de Infração/anexos de Jis. 01 e 25/32, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 82.859,83, a titulo de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, do exercício de 2000, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 30/12/2004, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Manacá" (NIRF 1.396.367-8), localizado no município de Nova Cri xás — GO. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2000 incidentes em malha valor (Formulários de fls. 02/03 e 21/24), iniciou-se com a intimação de fls. 04, recepcionada em 13/10/2004 ("AR" de fls. 05), exigindo-se a apresentação de cópia autenticada da Certidão ou da Matricula atualizada do Cartório de Registro de Imóveis competente; do Ato Declaratório Ambiental, além de outros documentos e esclarecimentos, por escrito, visando a elucidar os dados contidos na mencionada declaração de ITR (DITR). Em atendimento, foram apresentados os documentos/extratos de Jis. 06/09, 10/11, 12 e 13/17. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2000 e da documentação apresentada pelo contribuinte, a fiscaliza cão resolveu lavrar o presente auto de infração, glosando integralmente as áreas declaradas como de utilização limitada, com 1.256,0 lia, coin conseqüentes aumentos das áreas tributável e aproveitável do imóvel, do VDT tributável e da alíquota de cálculo, apurando imposto suplementar de RS 33.310,49, conforme demonstrativo de fls. 29. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontram-se descritos as folhas 27/28 e 30. Após tomar ciência do lançamento, em 26/01/2005 (as fls. 34), o contribuinte interessado, através de advogado e procurador legalmente constituído (as fls. 45), protocolou, em 22/02/2005, a impugnação de fls. 39/44. Apoiado nos documentos de prova já acostados aos autos, alegou e requereu o seguinte, em síntese: • faz um breve relato dos fatos apontados pelo autuante para justificar lavratura do presente auto de infração; • em resposta a intimação da fiscalização, apresentou cópia da Matricula n" 0758, do CRI competente, constando a averbação, em 03/03/1993, da area de 1.256,04 ha declarada como de utilização limitada, além de cópia do ADA protocolizado em 06/03/2003; 3 Processo n° 10120.000293/2005-35 Acórdão n.° 302-39.585 CC03,'CO2 FIs. 83 • por não ter sido o ADA protocolado no prazo de seis meses contados da entrega da DITR, conforme estabelece a IN/SRF n" 067/97, optou a autoridade fiscal por lavrar o presente auto de infração; • ocorre que a citada Instrução Normativa extrapolou as normas estabelecidas em lei para fins de reconhecimento das areas de reserva legal e de preservação permanente, a luz do art. 10, da Lei n°9.393/96, transcrito pelo requerente; • a exigência de declaração de órgão competente para fins de reconhecimento da area não tributável aplica-se apenas em relação ás areas de interesse ecológico para proteção de ecossistenzas (alínea "b", inciso II, do ,sç I" da Lei 9.393/1996) e areas comprovadanzente imprestáveis para qualquer exploração agrícola (á/Inca "c", inciso II, do ,sç 1" da Lei 9.393/1996). Já em relaçã o as areas de preservação permanente e de reserva legal (alínea "a'), esta última objeto do presente auto de infração, não impôs a lei nenhuma exigência. Assim, pelo "Principio da Reserva Legal", não pode a Instrução Normativa da Receita Federal impor tal exigência; • pelo fato de a Receita Federal estar exigindo tal procedimento dos proprietários rurais, teve ainda o legislador o cuidado de deixar bem claro a inexigência do ADA no caso analisado, editando a MP n" 01.956-50, de 26/05/2000 (última reedição pela MP n°2.166-67, de 24/08/2001), o qual acresceu o sç 7" ao art. 10 da Lei n" 9.393/96, conforme transcrito anteriormente; • a aplicação do disposto na MP n°2.166-67 é respaldada pelo art. 106, II, "c" do CTN, transcrito pelo requerente; • como a Lei n°9.393/96 não fazia qualquer exigência em relação à declaração de qualquer órgão para fins de reconhecimento das areas de preservação permanente e de reserva legal, o citado parágrafo 7" apenas esclarece a não exigência do referido ADA; • para reforçar a sua tese, cita jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes (1°- Acórdão 302-35463, de 20/03/2003, da Segunda Camara, Relatora: Simone Cristina Bissoto, e 2° - Acórdão 301-30129, de 19/03/2002, da Primeira Cômara, Relatora: Roberta Maria Ribeiro Aragão), além de julgado do TRF I" Região (Terceira Turma), N" do Processo AMS 1999.01.00.028101-1, Relator: Juiz Olindo Menezes, Relator Convocado: Juiz Saulo José Casali Bahia, publicada no DJ de 08/08/2001; • mesmo tendo sido demonstrada a inaplicabilidade da exigência do ADA para fins de dedução da area de preservação permanente e de Reserva Legal no cálculo do ITR, providenciou o referido documento, não restando, portanto, qualquer dúvida CI71 relação existência de tais áreas, e • por fim, requer o provimento da presente impugnação, cancelando-se o débito fiscal reclamado." 0 pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdao DRJ/BSA le 03-17.815, de 05/07/2006 (fls. 47/53), proferido pelos membros da I a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia/DF, cuja ementa dispõe, verbis: 4 Processo n° 10120.000293/2005-35 Acórdzio n.° 302-39.585 CC03/CO2 Fls. 84 "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 Ementa: DA AEA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. Não reconhecida como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declara tório junto ao IBAMA ou órgão conveniado, resta incabível a exclusão da á,-ea de utilização limitada / reserva legal declarada da incidência do ITR. Lançamento Procedente." Cientificada do acórdão de primeira instância conforme AR, à fl. 57, datado de 28/08/2006; a interessada apresentou, em 22/09/2006, o recurso de fls. 58/63, em que repisa praticamente as razões contidas na impugnação. 0 processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 79, que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Conselho. o relatório. • • 5 Processo n0 10120.000293/2005-35 Acórdão n.° 302-39.585 CC03, CO2 Fls. 85 Voto Conselheira Mercia Helena Trajano D'Amorim, Relatora 0 recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de lançamento de oficio do ITR do exercício de 2000, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 30/12/2004, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Manacá" (NIRF 1.396.367-8), localizado no município de Nova Crixds — GO. Foram exigidos cópia autenticada da Certidão ou da Matricula atualizada do Cartório de Registro de Imóveis competente; do Ato Declaratório Ambiental, além de outros documentos e esclarecimentos, por escrito, visando a elucidar os dados contidos na mencionada declaração de ITR (DITR). Em resposta à intimação da fiscalização, a recorrente apresentou cópia da Matricula n° 0758, do CRI competente, constando a averbação, em 03/03/1993, da Area de 1.256,04 ha declarada corno de utilização limitada, além de cópia do ADA protocolizado em 06/03/2003. Conforme o acórdão de la instância, observa-se o motivo da manutenção da glosa das Areas: "Da análise das peps do presente processo, verifica-se que apesar de ter sido comprovado nos autos a averba geio tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal declarada (1.256,0 ha), a margem da matricula do imóvel, conforme Certidão, de fls. 06/09, do Cartório de Registro de Imóveis e Tabelionato I" de Notas e Anexos da Comarca de Mozarkindia — GO (AV-03-M-0758), confirma-se o não cumprimento de uma segunda exigência, qual seja, de que as áreas ambientais do imóvel, para fins de exclusão do ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental - ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolizaçã o tempestiva do seu requerimento (do ADA), conforme relato da autoridade autuante ás fls. 27/28." Em atendimento A solicitação da Receita Federal, a interessada apresentou cópia da matricula do imóvel, onde se encontra averbada a reserva legal de 1256,0 ha. Porém, o motivo da glosa dessa Area declarada na DIAT/2000, é que a recorrente deixou de apresentar o Ato Declaratório Ambiental — ADA do IBAMA, no prazo regulamentar, ou seja, seis meses após o término da entrega da declaração, motivo pelo qual foi lavrado o auto de infração para cobrança do imposto suplementar corno previsto em lei. Quanto A Area de reserva legal, consta, nos autos, averbação no registro geral de imóveis conforme Certidão, de fls. 06/09, do Cartório de Registro de Imóveis e Tabelionato 1° de Notas e Anexos da Comarca de Mozarlândia — GO (AV-03-M-0758), portanto, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo. As disposições legais pertinentes A matéria, que é objeto tanto da Lei n° 4.771, de 15/09/65 (Código Florestal), quanto da Lei n° 7.803, de 18/07/89 (que altera a redação da Lei n° 4.771/65), estando também prevista implicitamente na Lei n° 9.393/1996. 6 Processo no 10120.000293/2005-35 Acórdão n.° 302-39.585 CC03/ CO2 Fls. 86 Estabelece o Código Florestal, em seu art. 16, "a", que, para as regiões Leste Meridional, Sul e Centro-Oeste, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas só serão permitidas desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente. (grifei) A Lei n° 7.803/89, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. § 1° 2". A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área." Destarte, quando a Lei IV 8.847/94, cm seu artigo 11, trata das áreas isentas, determina que, in verbis: "Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n" 7.803, de 1989. Ou seja, a Lei n° 8.847/94 cita expressamente a Lei que criou o Código Florestal, bem como a Lei que o alterou. evidente ainda que os 20% de que trata a legislação citada, destinados reserva legal, devem estar perfeitamente localizados, assim constando na averbação feita margem da inscrição de matricula do imóvel rural, para que não seja alterada "sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área". Por outro lado, a Lei n° 9.343, de 1996, em seu art. 10, inciso II, alínea "b", prevê que as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas assim devem ser "declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas" para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Em seqüência, na alínea "c" trata das áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüicola ou florestal, também ressalvando que sejam "declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual". Claro está que a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal e a necessidade de reconhecimento, em ato individual e especifico, das áreas de interesse ecológico, como condição para excluir a tributação, estão expressamente previstas na legislação de regência do ITR. 7 Processo n° 10120.000293/2005-35 Acórdão n.° 302-39.585 CC03 /CO2 Fls. 87 Conclui-se, portanto que, para as áreas de reserva legal serem excluídas da área tributada e aproveitável do imóvel rural, as mesmas precisam estar devidamente averbadas junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior h. da ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorreu na hipótese destes autos. Destaco, ademais, que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA se tornou obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. Dispõe o art. 17-0 daquela Lei, "in verbis": "Art. I7-" Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao IBAAIA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n" 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria. o - A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. " Diante do exposto, voto por que se dê provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 19 de junho de 2008 LENA T JANORTIVr- Relatora • 8

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4616788 #
Numero do processo: 10480.002867/2002-78
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPF - GLOSA DE DESPESAS - Não comprovadas as despesas médicas e com instrução glosadas, mantém-se a autuação. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO - A retificação da declaração por iniciativa do próprio contribuinte quando vise reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento, requisitos não observados no caso concreto. Recurso negado.
Numero da decisão: 104-22.115
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Heloísa Guarita Souza

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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)

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Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO. 10480.002867/2002-78 147.089 IRPF - Ex: 2000 JOÃO CAETANO DA SILVA 1a TURMNDRJ-RECIFE/PE 07 de dezembro de 2006 104-22.115 IRPF - GLOSA DE DESPESAS - Não comprovadas as despesas médicas e com instrução glosadas, mantém-se a autuação. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO _ A retificação da declaração por iniciativa do próprio contribuinte quando vise reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento, requisitos não observados no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOÃO CAETANO DA SILVA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ~~~~().j~~ ..MARIA HELENA COTTA CARDOzif PRESIDENTE FORMALIZADO EM: 79 J A N {007 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 10480.002867/200278 104-22.115 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, GUSTAVO L1AN HADDAD e REMIS ALMEIDA ESTOL. Ausente justificadamente o Conselheiro OSCAR LUIZ MENDONÇADEAGUIARyL ~ 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. Recurso nO. Recorrente 10480.002867/200278 104-22.115 147.089 JOÃO CAETANO DA SILVA R E LATÓR I O Trata-se de auto de infração (fls. 06/11 e 42/45) lavrado contra JOÃO CAETANO DA SILVA, CPF/MF nO 103.107.204-78, originário da revisão eletrônica da declaração de ajuste do ano-calendário de 1999, exercício de 2000, que originou um crédito tributário de IRPF no valor total de R$ 32.703,30, em 22.01.2002, decorrente de deduções indevidas a título de despesas com instrução e despesas médicas, por falta de comprovação. Intimado em 26.02.2002, por AR (fls. 90), o Contribuinte apresentou sua impugnação, em 18.03.2002 (fls. 01/05), acompanhada dos documentos de fls. 06/87, em que alega que "recebeu verbas rescisórias resultantes de dois acordos trabalhistas homologados em 1999, tendo como beneficiários o próprio contribuinte e mais dois companheiros de trabalho, resultando no preenchimento da declaração de ajuste de forma errônea, englobando os rendimentos recebidos pelos três interessados. Acrescenta ainda, que informou como tributáveis rendimentos que deveriam ter sido declarados como não tributáveis, de acordo com o Decreto 3.000/99.", conforme relatado no acórdão de primeira instância (fls. 95). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife, por intermédio da sua 1a Turma, à unanimidade de votos, no acórdão nO11.223, de 25.02.2005 (fls. 94/96), considerou o lançamento totalmente procedente, uma vez que o Contribuinte não impugnou as glosas de deduções indevidas, limitando-se a solicitar a retificação da sua declaração de ajuste, para o que não teria competência a DRJ. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 10480.002867/200278 104-22.115 Após ser intimado de tal decisão em 25.05.2005 (fls. 100), o Contribuinte interpôs seu recurso voluntário, em 20.06.2005 (fls. 102/108), em que repete os mesmos argumentos antes já apresentados, requerendo a retificação da sua Declaração de Ajuste anual e reconhecendo, ao final que: "entendia que qualquer pagamento poderia ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda e errei, tanto é que na nova revisão e retificação documento anexo 008, demonstro uma nova estrutura sem considerar tais pagamentos como dedutíveis." (fls. 108). Às fls. 109 consta Relação de Bens e Direitos para Arrolamento. É o Relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 10480.002867/200278 104-22.115 VOTO Conselheira HELOíSA GUARITA SOUZA, Relatora O recurso é tempestivo e preenche o seu pressuposto de admissibilidade, pois está acompanhado do arrolamento de bens. Dele, então, tomo conhecimento. Apesar do auto de infração ser por glosa de despesas, como visto no relatório, o Contribuinte acaba por concordar com elas, admitindo seu erro. Logo, não há conflito a ser dirimido nessa parte. A rigor, a pretensão do Contribuinte é de ter retificada a sua declaração de ajuste, do ano-calendário de 1999. No entanto, tal procedimento não pode ser acolhido após a lavratura do auto de infração, a teor do art. 147, do Código Tributário Nacional, que dispõe: "Art. 147 - O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensável à sua efetivação. S 1° - A retificação da declaração por iniciativa do próprio contribuinte quando vise reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. " (grifos nossos) 5 ------------------------------ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 10480.002867/200278 104-22.115 Emergem do dispositivo legal, dois requisitos indissociáveis: 1° - é necessário provar a ocorrência de um erro; 2° - a retificação há que ser feita antes do lançamento. Assim, ainda que se pudesse admitir e aceitas as alegações do Contribuinte quanto aos equívocos cometidos no preenchimento de sua declaração, não se conseguiria afastar a segunda exigência do art. 147, do CTN, ou seja, de que somente seria admissível antes da notificação do lançamento. Ante ao todo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negar-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 07 de dezembro de 2006 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006

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4615530 #
Numero do processo: 35564.003771/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/07/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7o, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9°, alínea "j", da Lei n° 8.212/91-, mais precisamente MP n° 794/1994, c/c Lei n° 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados, o que não se vislumbra no pagamento à parte dos segurados empregados da empresa, tendo em vista a inexistência de disposição legal expressa exigindo a sua extensão à totalidade dos funcionários, sendo defeso ao aplicador da lei coarctar os ditames daquela norma, conferindo interpretação que não decorre literalmente do seu próprio bojo, a partir de meros subjetivismos. AUXÍLIO-BOLSA ESTUDOS. HIPÓTESE DE ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA. INOBSERVÂNCIA REQUISITOS LEGAIS De conformidade com o artigo 28, § 9o, alínea "t", da Lei n° 8.212/91, os valores concedidos aos funcionários e diretores da empresa a título de Plano Educacional, in casu, Auxílio-Bolsa de Estudos, conquanto que guarde consonância com as atividades por ela desenvolvidas e extensivo a totalidade dos empregados e diretores, estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Tendo a contribuinte pago aludida verba somente a parte de seus segurados empregados e/ou diretores, caracteriza-se como salário indireto, sujeitando-se, assim, à incidência das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante à aplicação do instituto. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo O fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. TAXA SELIC E LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei n° 8.212/91. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4o do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula n° 2 do antigo 2o CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-000.828
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 06/2001. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que não acolheu a decadência; II) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e b) em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de Ia instância; e III) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação sobre as verbas pagas aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados -PLR. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA

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4601985 #
Numero do processo: 12268.000173/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. A partir da vigência da Lei nº 10.666/03, foi extinta a escala de salário base, passando o salário de – contribuição dos contribuintes individuais, ser a remuneração auferida em urna ou mais empresas, ou pelo exercício de atividade por conta própria, durante o mês, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição. Além dessa contribuição obrigatória efetuada pelo segurado contribuinte individual, por iniciativa própria, a empresa, também, é obrigada a recolher a contribuição patronal destinada à Seguridade Social sobre os valores pagos aos contribuintes individuais. Com o advento da Lei n°10.666/03, a empresa passou a ser obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do contribuinte individual a seu serviço, mediante desconto correspondente a 11% sobre a remuneração paga, devida ou creditada a este segurado, e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições a seu cargo. As guias (GRCI e GPS) tem apenas o condão de determinar o salário debeneficio do segurado.MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-002.558
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 10/2002, anteriores a 11/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiro Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram pela aplicação do I, Art. 173 do CTN;b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES

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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. A partir da vigência da Lei nº 10.666/03, foi extinta a escala de salário base, passando o salário de – contribuição dos contribuintes individuais, ser a remuneração auferida em urna ou mais empresas, ou pelo exercício de atividade por conta própria, durante o mês, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição. Além dessa contribuição obrigatória efetuada pelo segurado contribuinte individual, por iniciativa própria, a empresa, também, é obrigada a recolher a contribuição patronal destinada à Seguridade Social sobre os valores pagos aos contribuintes individuais. Com o advento da Lei n°10.666/03, a empresa passou a ser obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do contribuinte individual a seu serviço, mediante desconto correspondente a 11% sobre a remuneração paga, devida ou creditada a este segurado, e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições a seu cargo. As guias (GRCI e GPS) tem apenas o condão de determinar o salário debeneficio do segurado.MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.

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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 10/2002, anteriores a 11/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiro Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram pela aplicação do I, Art. 173 do CTN;b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 2        2 MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.   O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento  da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a  multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.  Revogado  o  referido  dispositivo  e  introduzida  nova  disciplina  pela  Lei  11.941/2009,  devem  ser  comparadas  as  penalidades  anteriormente  prevista  com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº  9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais  benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).  Não  há  que  se  falar  na  aplicação  do  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/1991  combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a  multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP  449/2008,  somente  sendo  possível  a  comparação  com  multas  de  mesma  natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e  da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Segunda  Seção de Julgamento,  I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas  preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 10/2002,  anteriores  a 11/2002, devido à  aplicação da  regra decadencial  expressa no § 4°, Art.  150 do  CTN,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a).  Vencidos  os  Conselheiro  Mauro  José  Silva  e  Marcelo Oliveira, que votaram pela aplicação do I, Art. 173 do CTN;b) em manter a aplicação  da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou  pelo afastamento integral da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para  que  seja  aplicada  a  multa  prevista  no  Art.  61,  da  Lei  nº  9.430/1996,  se  mais  benéfica  à  Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que  votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao  Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).     Marcelo Oliveira ­ Presidente  Leonardo Henrique Pires Lopes ­ Relator    Participaram da sessão os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente),  ADRIANO GONZALES SILVERIO, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE  SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.    Relatório  Trata­se  de  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  –  NFLD,  de  nº  37.126.246­1,  lavrada  em  face  de  AUTOMATON  EMBALAGENS  PLASTICAS  LTDA.  MASSA FALIDA, da qual foi notificada em 04/10/2007, em virtude do não recolhimento das  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social  pelos  contribuintes  individuais  (Autônomos  –  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 3        3 Serviços  Prestados  por  Terceiros),  com  base  na  alíquota  de  15%,  vigente  no  período  de  02/1999 a 06/1991 e na alíquota de 20%, vigente no período de 06/2002 a 12/2005.     Afirma  o  Relatório  Fiscal  (fls.  36  e  seguintes)  que  o  fato  gerador  da  contribuição  apurada  é  a  prestação  de  serviços  remunerados  por  contribuintes  individuais,  e  que o crédito tributário a ele correspondente foi consolidado com base na Lei nº 11.101/2005,  que  regula  a  recuperação  judicial,  a  extrajudicial  e  falência  do  empresário  e  da  sociedade  empresária.    É  que  a  empresa  Recorrente,  segundo  o  Relato  Fiscal,  teve  sua  falência  decretada em 11/03/1991, tendo sido nomeado síndico da Massa Falida o Dr. Brasílio Bacéllár  Neto,  CPF:  033.215.419­04,  com  endereço  profissional  a  Rua  Marechal  Hermes,  272  —  Curitiba/PR e indicado como síndico gestor o Sr. Oscar Augusto Dalmolin, tendo este prestado  o devido compromisso legal.    Para  fins  de  regularização  do  valor  devido,  foi  imputado  à  Recorrente  o  pagamento de R$ 12.331,43 (doze mil, trezentos e trinta e um reais e quarenta e três centavos).    Irresignada,  apresentou  a  Recorrente  impugnação  (fls.  46  e  seguintes),  no  escopo  de  desconstituir  o  lançamento  pelo  Fisco  realizado,  não  tendo,  todavia,  obtido  julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita:    VALORES PAGOS AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS  Sobre  os  valores  pagos,  devidos  ou  creditados  aos  contribuintes  individuais  incidem contribuições previdenciárias nos termos da legislação de regência.  DECADÊNCIA.  Ê de dez anos o prazo de decadência aplicado às contribuições previdenciárias.    Lançamento Procedente    Insatisfeita  com  a  decisão  proferida,  apresentou  a  Recorrente  Recurso  Voluntário (fls. 91 e seguintes), alegando em suma:  a)  A  decadência  parcial  do  direito  do  Fisco  de  constituir  o  crédito  tributário,  tendo  em  vista que a NFLD foi lavrada apenas outubro de 2007, abrangendo um período de 1999  a 2005,  estando, portanto, atingidas pelo prazo quinquenal limítrofe para efetuação do  lançamento todas as competências anteriores a novembro de 2002;  b)  Que,  nas  competências  de  02/99  a  06/99,  mesmo  tendo  sido  cobrada  a  contribuição  previdenciária  sobre  02  (dois)  trabalhadores  avulsos,  houve  o  regular  recolhimento  individual por parte de um deles, devendo, portanto, ser abatido do montante pelo Fisco  exigido o valor já regularmente Recolhido;  c)  Que,  nas  competências  de  06/02  a  03/03,  houve  o  recolhimento  regular  das  contribuições em situação semelhante à acima alegada, devendo, portanto, ser deduzido  da  NFLD  o  valor  de  o  valor  de R$  1.200,00  (um mil  e  duzentos  reais)  referente  às  competências de 02/99 até 06/99, e R$ 3.123,10 (três mil, cento e vinte e três reais, dez  centavos) sobre as competências de 06/02 até 03/03.    Assim,  vieram  os  autos  a  este  Conselho  de  Contribuintes  por  meio  de  Recurso Voluntário.    Fl. 105DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 4        4 Sem Contrarrazões.    É o relatório.  Voto             Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator    Dos Pressupostos de Admissibilidade    Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao  seu exame.  Da Decadência    Tendo sido argüida, em via recursal, a decadência dos débitos compreendidos  no  presente  lançamento,  constata­se  que  parcela  deles  foi  atingida  pelo  inegável  decurso  do  prazo  decadencial  previsto  em  lei  para  a  cobrança  de  valores  relativos  às  contribuições  previdenciárias.    No  caso  em  apreço,  quando  da  autuação,  o  prazo  de  decadência  de  que  gozava o INSS para constituir seus créditos era de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro  dia  do  exercício  seguinte  ao  da  ocorrência  do  fato  gerador,  nos  termos  do  art.  45  da  Lei  8.212/1991.    Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente,  o Supremo Tribunal Federal ­ STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e  46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições:    Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator:    Resultam  inconstitucionais,  portanto,  os  artigos  45  e  46  da  Lei  nº  8.212/91  e  o  parágrafo único do art.5º do Decreto­lei n° 1.569/77, que versando sobre normas  gerais  de  Direito  Tributário,  invadiram  conteúdo  material  sob  a  reserva  constitucional de lei complementar.   Sendo  inconstitucionais  os  dispositivos,  mantém­se  hígida  a  legislação  anterior,  com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que  não  acolhem  a  hipótese  de  suspensão  da  prescrição  durante  o  arquivamento  administrativo  das  execuções  de  pequeno  valor,  o  que  equivale  a  assentar  que,  como os demais  tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam­se, entre  outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN.  Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento,  para  confirmar  a  proclamada  inconstitucionalidade  dos  arts.  45  e  46  da  Lei  8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do  art. 5º do Decreto­lei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967,  com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69.    É como voto.  Súmula Vinculante n° 08:    “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os  artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito  tributário”.  Fl. 106DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 5        5   Os  efeitos  da  Súmula  Vinculante  são  previstos  no  artigo  103­A  da  Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis:    Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre  matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à  administração pública direta e  indireta, nas esferas  federal,  estadual e municipal,  bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na  forma estabelecida em lei.  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).    Lei n° 11.417, de 19/12/2006:    Regulamenta o art. 103­A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de  janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado  de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências.  ...  Art.  2o O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  após  reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a  partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos  demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas  federal,  estadual  e  municipal,  bem  como  proceder  à  sua  revisão  ou  cancelamento, na forma prevista nesta Lei.    § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia  de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos  judiciários ou entre  esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança  jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.    Temos  que  a  partir  da  publicação  na  imprensa  oficial,  que  se  deu  em  20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula  Vinculante.    Assim,  afastado  por  inconstitucionalidade  o  artigo  45  da  Lei  n°  8.212/91,  resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional ­ CTN se aplica  ao caso concreto.    Ocorre  que  este  Código  prevê  a  aplicação  de  duas  regras,  aparentemente  conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a  segunda  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais:    Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos  tributos  cuja  legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado,  expressamente a homologa.  (...).  § 4º Se a  lei não  fixar prazo a homologação,  será ele de cinco anos, a contar da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 6        6 tenha  pronunciado,  considera­se  homologado  o  lançamento  e  definitivamente  extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.      Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue­se  após 5 (cinco) anos, contados:  I ­ do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter  sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado,  por  vício  formal, o lançamento anteriormente efetuado.    Harmonizando  as  normas  acima  transcritas,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitar­se a lançamento por  homologação:    1)  Quando não tiver havido pagamento antecipado;  2)  Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação;  3)  Quando não tiver havido declaração prévia do débito.    Cumpre  transcrever  o  acórdão  prolatado  em  sede  de  Recurso  Especial  representativo da controvérsia:    PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS  NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado  em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do  direito  de  lançar  nos  casos  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte  não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e  Prescrição  no Direito  Tributário",  3ª  ed., Max  Limonad,  São  Paulo,  2004,  págs.  163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 7        7 iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda que se  trate de  tributos  sujeitos a  lançamento por homologação,  revelando­se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos  nos  artigos  150,  §  4º,  e  173,  do  Codex  Tributário,  ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo sujeito a lançamento  por  homologação;  (ii)  a  obrigação  ex  lege  de  pagamento  antecipado  das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de  1994;  e  (iii)  a  constituição  dos  créditos  tributários  respectivos  deu­se  em  26.03.2001.  6. Destarte, revelam­se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o  decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento  de ofício substitutivo.  7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do  CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (REsp  973733/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  12/08/2009, DJe 18/09/2009).  No  voto  lavrado  no  referido REsp  973.733/SC,  foi  transcrito  entendimento  firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que  limitam  a  aplicação  do  art.  150,  §4º  do  CTN  às  hipóteses  que  tratam  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  “quando  ocorrer  pagamento  antecipado  inferior  ao  efetivamente  devido,  sem  que  o  contribuinte  tenha  incorrido  em  fraude,  dolo  ou  simulação,  nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” .    No  caso  dos  autos,  verifica­se  que  a  contribuição  lançada  refere­se  ao  pagamento  das  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social  pelos  contribuintes  individuais  (Autônomos  –  Serviços  Prestados  por  Terceiros),  com  base  na  alíquota  de  15%,  vigente  no  período de 02/1999 a 06/1991 e na alíquota de 20%, vigente no período de 06/2002 a 12/2005.    Depreende­se  dos  autos que  a Recorrente  efetuou  o  pagamento  de  algumas  das  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  o  que  afasta,  de  início,  um  dos  pressupostos  para aplicação do art. 173 do CTN.    Outrossim, não  tendo sido comprovando que sua conduta  tenha sido eivada  de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da  aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica  definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal.     Deste  modo,  considerando  que  o  crédito  previdenciário  foi  constituído  em  04/10/2007, envolvendo as competências de 01/02/1999 a 31/12/2005, encontram­se decaídos  os períodos até 10/2002, isto é, anteriores 11/2002.    Do Mérito    Fl. 109DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 8        8 Do equívoco quanto à base de cálculo    Afirma  a  Recorrente  que  os  recolhimentos  efetuados  pelo  segurado  contribuinte  individual  Sr.  Oscar  Augusto  Dalmolin,  NIT  11444664632,  no  período  de  fevereiro de 1999 a março de 2003, não foram abatidos dos valores lavrados. Junta ao processo  cópias de GRCI e GPS para comprovar o alegado.     Diante de tal alegação, é preciso que se façam os devidos esclarecimentos, já  que  é  nítido  o  equivoco  cometido  com  relação  às  bases  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária.    Como  se  sabe,  o  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  alcança,  em  regra,  dois  contribuintes:  empresa  e  segurado.  No  que  pertine  àquela,  a  Lei  nº  8.212/91  determina como base de cálculo a remuneração e, em relação ao segurado, utiliza o salário de  contribuição.  Este  comporta  limites  mínimo  e  máximo,  já  aquele  não  comporta  limites  na  incidência de contribuição.    Ora,  até março de 2003, o  salário de  contribuição do  segurado contribuinte  individual era o  salário  ­base, observada a Tabela de Transitoriedade de que  tratava o artigo  278­A do RPS aprovado pelo Decreto n°3.048, de 06 de maio de 1999.     A partir da vigência da Lei nº 10.666/03, foi extinta a escala de salário­base,  passando o salário­de – contribuição dos contribuintes individuais, ser a remuneração auferida  em urna ou mais empresas, ou pelo exercício de  atividade por conta própria, durante o mês,  observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição.    Além  dessa  contribuição  obrigatória  efetuada  pelo  segurado  contribuinte  individual,  por  iniciativa  própria,  a  empresa,  também,  é  obrigada  a  recolher  a  contribuição  patronal  destinada  à Seguridade Social  sobre  os  valores  pagos  aos  contribuintes  individuais,  nos  seguintes  percentuais:  15%,  ou  20%  sobre  o  salário­base  do  segurado  no  período  de  05/1996 a 02/2000, de acordo com a Lei Complementar n°84/96; 20% a partir de 03/2000, não  se admitindo mais a opção de 20% sobre o salário­base, que foi revogada pela Lei nº 9.876/99.     A partir de 01/04/2003, com o advento da Lei n°10.666/03, a empresa passou  a  ser  obrigada  a  arrecadar  a  contribuição  previdenciária  do  contribuinte  individual  a  seu  serviço,  mediante  desconto  correspondente  a  11%  sobre  a  remuneração  paga,  devida  ou  creditada a este segurado, e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições a  seu cargo.    Destarte, as guias (GRCI e GPS) juntadas ao processo­fl. 54­68­ servem para  determinar  o  salário­de­beneficio  do  segurado  e  nada  mais.  Repete­se  ainda  uma  vez,  a  contribuição lançada na presente NFLD é a patronal, disposta no artigo 22,  inciso III, da Lei  n°8.212/91,  referente  às  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  titulo,  no  decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais, não tendo a autuada demonstrado nos  autos o recolhimento de tais contribuições.    Com  relação  ao  argumento  de  que  "as  contribuições  previdenciárias  dos  trabalhadores  autônomos  não  foram  retidas  por  falta  de  caixa  da  massa  falida",  reza  o  parágrafo 5° do artigo 33 da Lei n°8.212,91, que dispõe:    Fl. 110DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 9        9 "Art.  33.§5':  O  desconto  de  contribuição  e  de  consignação  legalmente  autorizadas  sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe  sendo  licito  alegar  omissão  para  se  eximir  do  recolhimento,  ficando  diretamente  responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o  disposto  esta Lei."    Destarte,  caso  a  Recorrente  não  tenha  descontado  a  importância  dos  contribuintes  individuais  e  não  tenha  procedido  ao  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias, fica obrigado a fazê­lo.    Todavia, constata­se que no Discriminativo Analítico de Débito­DAD (fl. 06  a 08) não se encontram lançadas as contribuições devidas relativas à alíquota de 11%(onze por  cento)  sobre  a  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  ao  contribuinte  individual,  razão  pela  qual, neste ponto, não merece reforma a decisão atacada pelo presente Recurso Voluntário.    Da multa aplicada    A  autuação  em  comento  refere­se  ao  descumprimento  pelo  contribuinte  da  sua  obrigação  tributária  principal,  consistente  no  dever  de  recolher  a  contribuição  previdenciária dentro do prazo previsto em lei.    Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da  ocorrência  dos  fatos  geradores  previa  a  imposição  ao  contribuinte  da  penalidade  correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava  a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal  de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal,  e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa.    Como  se  depreende  do  caput  do  art.  35  referido  (sobre  as  contribuições  sociais  em  atraso,  arrecadadas  pelo  INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes  termos...)  a  penalidade  decorria  do  atraso  no  pagamento,  independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não.    Em  outras  palavras,  não  existia  na  legislação  anterior  a  multa  de  ofício,  aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de  mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei  dirigia­se à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento  em que fosse recolhida.     Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na  Lei  nº  11.941/2009,  o  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991  foi  revogado,  tendo  sido  incluída  nova  redação àquele art. 35.    A  análise  dessa  nova  disciplina  sobre  a  matéria,  introduzida  em  dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior  que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106,  II do CTN,  in  verbis:    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 10        10 I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão, desde que não  tenha sido  fraudulento e não  tenha  implicado em falta de  pagamento de tributo;  c) quando  lhe comine penalidade menos  severa que a prevista na  lei  vigente ao  tempo da sua prática.    Cabe,  portanto,  analisar  as  disposições  introduzidas  com  a  referida MP  nº  449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009:    Art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991  ­   Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  a,  b  e  c  do  parágrafo  único  do  art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não pagos nos prazos previstos  em  legislação,  serão acrescidos  de  multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27  de dezembro de 1996.    Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 ­ Os débitos para com a União, decorrentes de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos  nos prazos previstos na  legislação específica, serão acrescidos de multa de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso.  § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  do  tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.    À  primeira  vista,  a  indagação  de  qual  seria  a  norma  mais  favorável  ao  contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35  da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos  em que  a multa  de mora  excedesse  o  percentual  de  20% previsto  como  limite máximo pela  novel legislação.    Contudo, o art. 35­A,  também  introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009,  passou  a  punir  o  contribuinte  pelo  lançamento  de  ofício,  conduta  esta  não  tipificada  na  legislação anterior, calculado da seguinte forma:    Art.  35­A.   Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições  referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.    Art.  44.   Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas:   Fl. 112DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 11        11 I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto ou contribuição nos casos de  falta de pagamento ou recolhimento,  de falta de declaração e nos de declaração inexata;  II  ­  de  50%  (cinqüenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor  do  pagamento mensal:   a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar de ser efetuado, ainda que não  tenha sido apurado  imposto a pagar  na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha  sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição  social sobre o  lucro  líquido, no ano­calendário correspondente, no caso de  pessoa jurídica.     Pela nova sistemática  aplicada  às contribuições previdenciárias, o atraso no  seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº  9.430/1996).  Sendo o  caso  de  lançamento  de  ofício,  a multa  será  de 75%  (art.  44  da Lei  nº  9.430/1996).    Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos  fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em  se aplicar  também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com  que norma será cotejada a antiga  redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a  existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN.    Isto  porque,  caso  seja  acolhido  o  entendimento  de  que  a  multa  de  mora  aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da  Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%.    Ocorre  que  alguns  doutrinadores  defendem que  a multa  de mora  teria  sido  substituída  pela  multa  de  ofício,  ou  ainda  que  esta  seria  sim  prevista  no  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação  da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou  seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício.    Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer.     Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35  da  Lei  nº  8.212/1991  destinava­se  a  punir  a  demora  no  pagamento  do  tributo,  e  não  o  pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase  do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser  pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento.    Também  não  seria  possível  se  falar  em  substituição  de multa  de mora  por  multa  de  ofício,  pois  as  condutas  tipificadas  e  punidas  são  diversas.  Enquanto  a  primeira  relaciona­se  com  o  atraso  no  pagamento,  independentemente  se  este  decorreu  ou  não  de  autuação do Fisco, a outra vincula­se à ação fiscal.    Fl. 113DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 12        12 Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada  conforme o art. 35­A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício  prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art.  32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991.    Em  primeiro  lugar,  esse  entendimento  somente  teria  coerência,  o  que  não  significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto  pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificando­as.     Nesses  casos,  concluindo­se  pela  aplicação  da  multa  de  ofício,  por  ser  supostamente a mais benéfica, os autos de  infração  lavrados pela omissão de fatos geradores  em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa  de  ofício)  estaria  substituindo  aquelas  aplicadas  em  razão  do  descumprimento  da  obrigação  acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco.    Em  segundo  lugar,  não  se podem  comparar multas  de naturezas  distintas  e  aplicadas  em  razão  de  condutas  diversas. Conforme  determinação  do  próprio  art.  106,  II  do  CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando  cominar­lhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verifica­se a edição  de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com  sanções diversas.    Assim,  somente  caberia  a  aplicação do art.  44,  I  da Lei nº 8.212/1996  se a  legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº  449/2008.    A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que  tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições.    Revogado  o  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991,  cabe  então  a  comparação  da  penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita  acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996.    Não  só  a  natureza  das  penalidades  leva  a  esta  conclusão,  como  também  a  própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha  sobre a multa de mora, foi  introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora,  agora  remetendo  ao  art.  61  da  Lei  nº  9.430/1996.  Estes  dois  dispositivos  é  que  devem  ser  comparados.    Diante  de  todo  o  exposto,  não  é  correto  comparar  a multa  de mora  com  a  multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento.    Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento,  deverão  ser  cotejadas  as  penalidades  da  redação  anterior  e  da  atual  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991.    Da Conclusão    Diante do exposto, conheço do recurso para, na parte conhecida, DAR­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO,  apenas  no  tocante  à  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  ao  Fl. 114DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000173/2007­51  Acórdão n.º 2301­002.558  S2­C3T1  Fl. 13        13 contribuinte  e  à desconstituição  do  crédito  tributário  relativo  às  competências  atingidas  pelo  prazo  decadencial  limite  para  a  realização  do  lançamento,  quais  sejam,  aquelas  relativas  aos  períodos até 10/2002, isto é, anteriores 11/2002.      É como voto.  Sala das Sessões, em 7 de fevereiro de 2012  Leonardo Henrique Pires Lopes                                  Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A

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Numero do processo: 10930.000186/2006-53
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2006 INCLUSÃO NO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. MANUTENÇÃO DE APARELHOS DECODIFICADORES DE SINAL DE TV A CABO. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 57, a atividade de prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Lei 9.317/96).
Numero da decisão: 1803-001.348
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 891          1 890  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10930.000186/2006­53  Recurso nº  512.864   Voluntário  Acórdão nº  1803­01.348  –  3ª Turma Especial   Sessão de  13 de junho de 2012  Matéria  INCLUSÃO SIMPLES FEDERAL  Recorrente  HTC REPAROS EQUIP TV POR ASSINATURA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Data do fato gerador: 01/01/2006  INCLUSÃO NO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. MANUTENÇÃO DE  APARELHOS DECODIFICADORES DE SINAL DE TV A CABO.  Conforme entendimento da Súmula CARF nº 57, a atividade de prestação de  serviços  de  manutenção,  assistência  técnica,  instalação  ou  reparos  em  máquinas  e  equipamentos,  bem  como  os  serviços  de  usinagem,  solda,  tratamento  e  revestimento  de  metais,  não  se  equiparam  a  serviços  profissionais  prestados  por  engenheiros  e  não  impedem  o  ingresso  ou  a  permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Lei 9.317/96).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Selene Ferreira de Moraes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Walter Adolfo Maresch ­ Relator.       Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/2006­53  Acórdão n.º 1803­01.348  S1­TE03  Fl. 892          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Selene  Ferreira  de  Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Victor Humberto Da  Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta.   Relatório  HTC REPAROS EQUIP TV POR ASSINATURA LTDA, pessoa jurídica já  qualificada  nestes  autos,  inconformada  com  a  decisão  proferida  pela DRJ CURITIBA  (PR),  interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a  reforma da decisão.  Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos.  Trata  o  presente  processo  de  manifestação  de  inconformidade  contra  e  Despacho  Decisório  proferido  em  11/04/2006  pela  Sacat  da DRF/Londrina  (fls.  804­807),  que  indeferiu  o  pedido,  protocolado  em  31/01/2006,  de  inclusão  retroativa  no  Simples  desde 01/01/2006 (fl. 01).  2. Inobstante a interessada já tivesse quitado os débitos inscritos  em Dívida Ativa da União que a impediram de efetuar alteração  na  FCPJ  para  incluir­se  no  Simples,  o  pedido  de'  inclusão  retroativa foi indeferido pela DRF/Londrina em face de constar  o  instrumento  constitutivo  arquivado  na  Junta  Comercial  do  Paraná  (fls.  06­07)  que  ela  se  dedica  ao  ramo  de  "comércio  e  reparos  em  equipamentos  para  TV  a  cabo",  fato  que  constitui  causa impeditiva prevista no art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317, de 5  de  dezembro de  1996,  art.  20, XII,  da  IN SRF n°  608,  de  9  de  janeiro de 2006, e Resolução Confea n° 218, de 29 de junho de  1973 (com base nas atribuições conferidas pela Lei n° 5.194, de  1966)  3. Regularmente  intimada por  via postal,  em 19/04/2006  (AR à  fl. 809), a interessada, por intermédio de seu representante legal  (mandato à fl. 831) protocolo tempestivamente, em 19/05/2006, a  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  810­830,  cujo  tear  é  sintetizado a seguir.  Do  enquadramento  na  exceção  trazida  pela  Lei  n°  11.051,  de  2004  3.1.  Aduz  que  presta  serviços  de  reparação  e  manutenção  de  máquinas  e  aparelhos  eletrodomésticos,  conforme  consta  da  certidão simplificada da Junta Comercial o Paraná (fl. 838); que  a Lei nº 11.051, de 2004, que deu nova redação ao art. 40 da Lei  n° 10.964, de 2004, excluiu da vedação ao Simples a atividade  serviços  de  manutenção  e  reparação  de  aparelhos  eletrodomésticos,  dentre os quais  se enquadram os aparelhos  e  televisão.  3.2.  Alega  que,  conforme  se  depreende  do  seu  contrato  social,  possui  por  objeto  social  a  comercialização  e  reparos  em  equipamentos  para  TV  a  cabo,  que,  em  verdade  são  Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/2006­53  Acórdão n.º 1803­01.348  S1­TE03  Fl. 893          3 eletrodomésticos  utilizados  para  fins  de  recepção  de  sinais  especialmente  especificados  e  teledifusão  de  sons  e  imagens  a  assinantes;  que  juntou  aos  autos  as  notas  fiscais  exigidas  pela  administração  tributária  quando  da  análise  do  pedido  de  inclusão  no  regime  simplificado  e  tributação;  que,  da  interpretação  sistemática  da  norma  em  análise,  frente  aos  conceitos  ora  delineados,  entende  enquadrar­se  na  hipótese  de  exceção trazida pela Lei n° 11.051, de 2004.  3.3. Argumenta que pensar o contrário seria admitir o absurdo  de  que  determinada  empresa  pudesse  enquadra­se  no  Simples  caso  realizasse  reparos  de  televisores,  vídeos  cassetes  ou  reprodutores  de  DVD  (todos  meios  de  execução  de  mídias  de  sons  e  imagens), mas  estaria  impedida  caso  realizasse  reparos  em  receptores  de  sinais  de  TV  por  assinatura  ou  controles  remotos  destes  equipamentos;  que  tamanha  é  a  abstração  realizada  pela  administração  fazendária  que,  ao  indeferir  o  pleito em análise, até mesmo incluiu no rol e serviços prestados  pela  requerente  outros  nunca  realizados,  como manutenção  de  antenas coletivas e melhoramento de imagens.  3.4. Entende que as disposições da Lei n° 11.051, de 200, seriam  desnecessárias  em  face  de  os  serviços  de  manutenção  e  reparação  de  aparelhos  eletrodomésticos,  em  regra,  prescindirem da execução por profissionais de engenharia; cita  acórdãos da DRJ/Ribeirão Preto­SP e requer o reconhecimento  do seu enquadramento no art. 40, V, da Lei nº 10.964, de 2004,  com as alterações promovidas pela Lei n° 11.051, de 2004.  Do não enquadramento na hipótese prevista no art. 9º, XIII, da  Lei nº 9.317, se 1996   3.5.  Argúi  ser  equivocada  a  aludida  semelhança  entre  os  serviços por  ela prestados  e a atividade de  engenharia; que os  serviços  por  ela  prestados  são,  em  regra,  serviços  simples,  os  quais  não  exigem  conhecimento  técnico  a  nível  médio  ou  superior;  cita  julgados  da  DRJ/Ribeirão  Preto­SP  e  da  STJ  e  conclui que a atividade meramente acessória de engenharia não  exige  a  filiação  ao  conselho  de  classe,  posto  não  ser  atividade  considerada  desenvolvida  por  profissionais  engenheiros;  que  quando  caracterizada  a  desobrigação  da  presença  de  um  profissional de engenharia para consecução do objeto social da  empresa, impossível é a imposição da redação do art. 9º, XIII, da  Lei no 9.317, de 1996.  3.6.  Assevera  que  administração  fazendária  realizou  interpretação extensiva da norma contida no art. 9º, XIII, da Lei  9.317, de 1996, efetuando uma odiosa analogia malam parte, o  que  é  vedado  pelo CTN;  que  a  legislação  que  exclui  garantias  deve ser interpretada restritivamente, sobretudo quando se firma  em preceito constitucional; que é princípio elementar em Direito  Tributário  que  somente  a  lei  pode  determinar  a  imposição  de  ônus  tributário  (art.  150,  I,  da  C.F.),  não  se  admitindo  a  oneração do contribuinte pelo emprego da analogia (art. 108, §  1°,  do  CTN);  que  é  necessária  uma  valoração  frente  ao  fato  Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/2006­53  Acórdão n.º 1803­01.348  S1­TE03  Fl. 894          4 concreto, para verificar se os serviços por ela executados exigem  a presença de um profissional de engenharia, sob pena de ofensa  aos princípios da legalidade e da razoabilidade.  Dos princípios inerentes à administração pública   3.7. Aduz que o impedimento ao seu enquadramento no Simples  fere  frontalmente  a  Carta  Suprerna  (art.  170,  IX,  e  170);  que  havendo  uma  certeza  constitucional,  legal  e  doutrinária  da  necessidade  de  se  incentivar  as  microernpresas  e  empresas  de  pequeno  porte  e  não  existindo  restrição  legal,  não  há  razão  jurídica e nem justa para se negar a opção sem amparo legal.  3.8.  Argumenta  que  os  princípios  expressamente  previstos  no  ordenamento  jurídico  pátrio  devem  ser  respeitados,  no  que  concerne  ao  trato  pelo  ente  público  dos  processos  administrativos,  como  previsto  no  art.  2°  da  Lei  nº  9.784,  de  1999; que o princípio da razoabilidade ficou sobrepujado ante a  alegada  aplicação  da  norma,  visto  que  a  requerente  não  se  enquadra  na  espécie  de  exclusão  do  simples;  que  o  agente  administrativo,  ao  julgar  o  pedido  de  inclusão  não  deve  se  prender  ao  formalismo  —  análise  crua  do  objeto  social  da  requerente  —  e  negar  a  sua  inclusão  no  regime  especial  de  tributação,  ou  extrapolar  o  dispositivo  normativo,  na  busca  de  analogias.  3.9.  Destaque  que  a  administração  pública  deve  aplicar  o  disposto  em  norma  cogente,  contudo,  urna  valoração  do  fato  concreto  deve  ser  realizada  a  fim  de  impedir  a  aplicação  desarrazoada  de  dispositivo  legal  por  mera  formalidade,  ou  ainda, aplicação extensiva de norma que deva  ser  interpretada  restritivamente;  que  outro  princípio  que  se  confunde  com  a  razoabilidade é o princípio da proporcionalidade, o qual regula  os atos administrativos limitando a discricionariedade de alguns  atos e ampliando­a em outros.  3.10. Salienta que a atenção aos princípios deve ser máxima sob  pena  de  ilegalidade  no  executar  de  seus  atos,  atentando­se  ao  fato de que a finalidade maior do administrador público deve ser  sempre o interesse público, em seu conceito mais amplo; que ao  estabelecer  a  Carta Magna  um  regime  especial  de  tributação,  específico  às  empresas  de  pequeno  porte,  o  ordenamento  jurídico  procurou  proteger  tais  empresas,  que  não  comportam  uma  tributação  formulada  pra  grupos  de  grande  potencial  econômico; que a legislação que regulamenta o Simples nasceu  em  encontro  com  o  previsto  na  Constituição  e  disciplinou  a  matéria  dispondo  todo  um  conjunto  de  normas  competentes  a  tutelar a  relação existente entre e  fisco e empresas de pequeno  porte; que todo esses esforço  foi  realizado na busca do melhor  atendimento  ao  interesse  público,  visto  que  grande  quantidade  das  empresas  enquadradas  no  regime  do  Simples  não  sobreviveria em um regime comum de tributação.  3.11.  Alega  que  na  tomada  de  decisões,  o  agente  público  deve  refletir sobre o interesse público no caso específico e verificar se  a estrita aplicação de determinado instituto jurídico levaria a um  Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/2006­53  Acórdão n.º 1803­01.348  S1­TE03  Fl. 895          5 benefício  ou  desgaste  ao  interesse  público  como  um  todo;  que  ela não poderia suportar o ônus de arcar com os mesmo tributos  de  uma  grande  corporação,  razão  pela  qual,  uma  vez  impossibilitada de optar pelo Simples, passará a sofrer grandes  dificuldades.  Do pedido  3.12.  Ao  final  requer  a  inclusão  no  regime  simplificado  de  tributação, reformando a decisão da Sacat da DRF/Londrina.   A DRJ CURITIBA (PR), através do acórdão nº 06­21.917, de 23 de abril de  2009 (fls. 847/851), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim  a decisão:  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE ­ SIMPLES   Ano­calendário: 2006   ATIVIDADE  ECONÔMICA  VEDADA.  SERVIÇOS  DE  MANUTENÇÃO  E  REPARAÇÃO  DE  EQUIPAMENTO,  DE,  TRANSMISSÃO DE SINAIS DE TV A CABO.  As pessoas jurídicas cuja atividade seja de prestação de serviços  de  manutenção  e  reparo  de  equipamentos  de  transmissão  de  sinais  de  TV  a  cabo,  por  assemelhar­se  à  profissão  de  engenheiro, estão impedidas de optar pelo Simples.   Ciente da decisão em 14/05/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl.  854), apresentou o recurso voluntário em 15/06/2009 ­ fls. 855/887, onde reitera os argumentos  da inicial requerendo a reforma da decisão de primeira instância.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Walter Adolfo Maresch  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  legais  para  sua  admissibilidade, dele conheço.  Trata  o  presente  processo  de  pedido  de  inclusão  manual  no  SIMPLES  FEDERAL  (Lei  nº  9.317/96),  a  partir  de  01/01/2006,  considerando  a  impossibilidade  de  inclusão automática em virtude de pendências na PGFN.   Analisado  o  pedido  foi  afastado  o  óbice  em  virtude  da  comprovação  do  pagamento das pendências mas mantido o impedimento de inclusão no SIMPLES FEDERAL  em  virtude  do  exercício  de  atividade  vedada  –  serviços  de  manutenção  de  equipamentos  receptores de tv a cabo, por assemelhar­se aos serviços prestados por engenheiros.  Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/2006­53  Acórdão n.º 1803­01.348  S1­TE03  Fl. 896          6 Alega a recorrente que não presta serviços de engenheiro ou assemelhados a  engenheiro, sendo que presta serviços de conserto de aparelhos receptores/decodificadores ou  controles remotos de aparelhos decodificadores de sinal de tv a cabo, estando amparada na Lei  nº 10.964/2004, com a redação que lhe foi dada pela Lei 11.054/2004.  A  decisão  de  primeira  instância  entendeu  presente  a  semelhança  com  os  serviços de engenheiro, sustentando que a atividade exercida pela recorrente inclui o conserto e  reparação de sofisticados aparelhos das estações transmissoras de TV a cabo.  A decisão de primeira instância merece reforma.  Com  efeito,  conforme  notas  fiscais  juntadas  aos  autos  em  virtude  de  intimação realizada pela Administração Tributária (fls. 52/803), verifica­se que a empresa tem  por  atividade  o  conserto  e  manutenção  de  aparelhos  receptores/decodificadores  e  de  seus  controles  remotos  ambos  de  uso  doméstico,  conforme  atesta  a  expressiva maioria  das  notas  fiscais carreadas pela contribuinte.  A  norma  invocada  pela  recorrente  (art.  4º  da  Lei  10.964/2004),  tem  a  seguinte redação: (verbis)  Art. 4o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII  do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas  jurídicas  que  se  dediquem  às  seguintes  atividades:  (Redação  dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  I  –  serviços  de  manutenção  e  reparação  de  automóveis,  caminhões,  ônibus  e  outros  veículos  pesados;  (Redação  dada  pela Lei nº 11.051, de 2004)  II  –  serviços  de  instalação,  manutenção  e  reparação  de  acessórios  para  veículos  automotores;  (Redação  dada  pela  Lei  nº 11.051, de 2004)  III  –  serviços  de  manutenção  e  reparação  de  motocicletas,  motonetas  e  bicicletas;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.051,  de  2004)  IV  –  serviços  de  instalação,  manutenção  e  reparação  de  máquinas de escritório e de informática; (Redação dada pela Lei  nº 11.051, de 2004)  V  –  serviços  de  manutenção  e  reparação  de  aparelhos  eletrodomésticos.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.051,  de  2004)  grifamos  (...)  A decisão de primeira instância entendeu inaplicável as disposições da Lei nº  10.964/2004 e não ser possível o enquadramento na sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei  nº  9.317/96),  pois  foram  encontradas  notas  fiscais  contendo  o  conserto  e  reparo  de  ‘sofisticados’ aparelhos de transmissão de sinal de tv a cabo utilizados por estações repetidoras,  que  consistiriam  em  “reparos  em  placas  de  RX,  reparos  em  módulo  triplé,  reparos  em  amplificador  Indoor,  reparos  em  gerador  de  stereo  Standart,  reparos  em  receptor  óptico  750  mhz, reparos em modulador, etc.”  Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.000186/2006­53  Acórdão n.º 1803­01.348  S1­TE03  Fl. 897          7 Ora, além de não haver base técnica na afirmação de tratar­se de sofisticados  aparelhos de transmissão de sinal de tv a cabo, tal constatação não implica reconhecer qualquer  serviço  assemelhado  ao  de  engenheiro  pois  o  porte ou  nível  de  sofisticação  do  equipamento  que foi objeto de conserto (não de fabricação) não tem o condão de transformar o serviço em  assemelhado ao serviço prestado por engenheiro.  Se  dúvidas  acerca  desta  interpretação  havia,  tais  foram  dissipadas  com  a  edição da súmula CARF nº 57, com o seguinte teor:  Súmula  CARF  nº  57:  A  prestação  de  serviços  de  manutenção,  assistência  técnica,  instalação  ou  reparos  em  máquinas  e  equipamentos,  bem  como  os  serviços  de  usinagem,  solda,  tratamento  e  revestimento  de  metais,  não  se  equiparam  a  serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem  o  ingresso  ou  a  permanência  da  pessoa  jurídica  no  SIMPLES  Federal.  Destarte,  seja  pela  inclusão  das  atividades  da  recorrente  na  Lei  nº  10.964/2004,  e  a  correta  exegese  a  ser  atribuída  ao  art.  9º,  inciso  XIII  da  Lei  nº  9.317/96,  conforme entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 57, assiste razão a interessada.  Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso.  (assinatura digital)  Walter Adolfo Maresch ­ Relator                                  Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH

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Numero do processo: 13851.001180/99-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Provada a suficiência do direito creditório alegado, e não havendo impedimento de outra natureza, há que se deferir a compensação pleiteada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1201-000.718
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em DAR provimento ao recurso. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz e João Carlos de Lima Junior.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/99­72  Acórdão n.º 1201­00.718  S1­C2T1  Fl. 2          2 Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, tomo  de  empréstimo  o  relatório  contido  na  Resolução  nº  1202­00.018,  exarada  pela  2ª  Turma  Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho (fl. 869 e ss.):  CITROSUCO  PAULISTA  S/A.  recorre  da  decisão  de  primeira  instância  proferida  pela  1ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Ribeirão Preto — SP, assim relatada, in verbis:  "Trata  o  presente  julgamento  de  manifestação  de  inconformidade com o Despacho Decisório de fl. 498 o qual,  deferiu  parcialmente  pedido  de  restituição/compensação  de  saldos negativos de IRRI relativamente ao ano­calendário de  1998.  Do  pedido  no  valor  de  R$  4.419.443,37,  foi  deferido  direito  à  restituição  da  importância  de  R$  3.758.457,67  conforme detalhado no citado despacho.  Cientificada do Despacho Decisório em 13/09/2004 (fl. 504),  a contribuinte ingressou em 11/10/2004 com a manifestação  de  inconformidade  de  fls.  516/518  na  qual,  se  alega,  em  relação à  parcela  de R$ 26.424,92,  tratar­se  de  imposto  de  renda  retido  na  fonte  incidente  apenas  nas  operações  de  swap  realizadas  junto à  fonte pagadora Banco AGF Braseg  S/A,  juntando  o  documento  de  fl.  528,  para  comprovar  sua  alegação.  No  tocante  ao  valor  de  R$  582.515,35,  indeferido  sob  o  argumento  de  não  ter  sido  contabilizado,  juntou  demonstrativo e cópia de folhas do livro Diário, que fazem as  folhas 540 a 684, onde tais valores teriam sido escriturados."  A  solicitação  da  contribuinte  expressa  na  sua manifestação  de  inconformidade  foi  indeferida  na  decisão  de  primeira  instância  sob  os  fundamentos  consignados  no  voto,  fls.  690/691, in verbis:  "Em  sua  manifestação  de  inconformidade,  a  interessada  juntou o documento de  fl.  528,  emitido pela  fonte pagadora  que comprovaria a retenção da importância de R4 26.42,92.  (sic)  Entretanto, verificando o documento de fl. 45, Ficha n° 07 da  DIPJ/99,  linha 21 "Ganhos Auferidos no Mercado de Renda  Variável"  constata­se  que  a  interessada  não  declarou  nenhum rendimento relativo a operações de swap, conforme  determina o Majur/99, verbis:  Linha  07/21  —  Ganhos  Auferidos  no  Mercado  de  Renda  Variável  "Indicar o somatório dos ganhos auferidos, em cada mês, em  operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias,  de  futuros  e  assemelhadas,  existentes  no  país.  Incluem­se,  também,  nesta  linha,  os  ganhos  auferidos  nas  alienações,  fora  de  bolsa,  de  ouro,  ativo  financeiro,  e  de  participações  societárias, exceto as alienações de participações societárias  permanentes  em  sociedades  coligadas  e  controladas  e  de  Fl. 988DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/99­72  Acórdão n.º 1201­00.718  S1­C2T1  Fl. 3          3 participações  societárias  que  permanecerem  no  ativo  da  pessoa jurídica até o término do ano­calendário seguinte ao  de suas aquisições.  Também incluem­se nesta linha os rendimentos auferidos em  operações  de  swap  e  no  resgate  de  quota  de  fundo  de  investimento  ou  clube  de  investimento  cujas  carteiras  sejam  constituídas, no mínimo de 67% (sessenta e sete por cento) de  ações no mercado à vista de bolsa de valores ou assemelhada  (Lei n° 9.532, de 1997, art. 28, alterado pela MP n° 1.636, de  13 de janeiro de 1998, art. 2°, atual MP n° 1.855, de 1999;  IN SRF n° 64, de 03 de julho de 1998, arts. 11, 25 e 26).  Considera­se  ganho  o  resultado  positivo  auferido  nas  operações citadas acima, realizadas em cada mês, admitida a  dedução  dos  custos  e  despesas  incorridos,  necessários  à  realização das operações."  Ora,  para  fazer  jus  a  restituição  do  imposto  retido  é  necessário que o rendimento que produziu tal retenção tenha  sido oferecido à tributação na declaração de ajuste anual.  Portanto, mantenho a glosa deste item.  No  tocante ao valor de R$ 581.895,62 referente a retenções  sobre aplicações financeiras, indeferido em razão de não ter  sido escriturado, há outro aspecto que merece ser analisado.  Na  DIPJ/99,  Ficha  n°  07,  linha  23  "Outras  Receitas  Financeiras",  foi  oferecido  à  tributação  o  valor  de  R$  31.032.019,29.  Conforme  se  verifica  do  MAJUR/99,  nesta  linha  devem  ser  oferecidas  as  receitas  não  incluídas  nas  linhas 07/21 e 07/22.  "Linha  07/23  —  Outras  Receitas  Financeiras  ­  Indicar  as  receitas realizadas no período de apuração, relativas a juros,  descontos,  lucro na operação de  reporte,  prêmio de  resgate  de  títulos  ou  debêntures  e  rendimento  nominal  auferido  em  aplicações  financeiras  de  renda  fixa,  não  incluídas  nas  Linhas 07/21 e 07/22. As  receitas dessa natureza, derivadas  de  operações  com  títulos  vencíveis  após  o  encerramento  do  período  de  apuração,  serão  rateadas  segundo  o  regime  de  competência."  Desse  modo,  caberia  à  interessada  demonstrar  que  as  restituições  pretendidas  referiam­se  a  receitas  efetivamente  declaradas.  Entretanto,  o  demonstrativo  apresentado  pela  contribuinte trata apenas dos valores retidos.  Como já referido anteriormente, para  fazer  jus à restituição  do imposto retido na fonte, é necessário que se comprove que  as receitas correspondentes foram oferecidas à tributação.  E, o Código Tributário Nacional é claro quando afirma que a  lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com  Fl. 989DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/99­72  Acórdão n.º 1201­00.718  S1­C2T1  Fl. 4          4 créditos  líquidos  e  certos,  vencidos ou vincendos,  do  sujeito  passivo contra a Fazenda Pública, in verbis:  "Art.  170. A  lei  pode, nas condições  e  sob as garantias que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  Parágrafo único. Omissis”  Assim,  tendo por base que a  certeza  e  liquidez do  crédito é  requisito  essencial  para  a  homologação  da  restituição/compensação,  VOTO  pela  improcedência  da  manifestação de inconformidade."  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  21/07/2008,  segundo  "A.  R."  afixado  às  fls.  704,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  protocolizado  na  repartição  de  origem  em  19/08/2008, fls. 705 a 713, instruído com a planilha de fls. 714 a  720 e com os documentos de fls. 721 a 867.  Alega, em síntese, que:  ­ o motivo que levou o acórdão recorrido a manter o despacho  decisório e a indeferir parte do direito creditório cinge­se a que  a  recorrente  supostamente  não  teria  comprovado  o  efetivo  oferecimento à tributação dos valores de IRF de R$ 26.424,92 e  R$ 581.895,62;  ­  embora  tenha  carreado  aos  autos  uma  série  de  documentos  comprobatórios  do  oferecimento  dos  referidos  rendimentos  à  tributação,  tais  como  planilhas  explicativas,  informes  de  rendimentos  e  livro  Razão,  o  acórdão  recorrido,  de  forma  lacônica,  entendeu  não  haver  tal  comprovação,  sem  contudo  analisar detida e analiticamente as provas constantes dos autos  ou  dar  explicações  claras  e  precisas  das  razões  que  evidenciariam a falta de oferecimento à  tributação das  receitas  financeiras em foco;  ­ quanto à retenção do valor de R$ 26.424,92, como já dito nos  autos trata­se de IRRF decorrente de operação de "swap", junto  ao  banco  AGF,  devidamente  contabilizado  e  também  indicado  em  informe  de  rendimentos  fornecido  pela  fonte  pagadora,  conforme  documentos  juntados  com  a  manifestação  de  inconformidade, docs. 2 e 4 respectivamente;  ­ o excerto de planilha, fls. 708, e a própria planilha, juntamente  com os documentos que a instruem comprovam a inclusão de R$  26.424,92  na  DIPJ,  Ficha  7,  Linha  n°  23  —  outras  receitas  financeiras; ainda que ditos rendimentos não constem da Ficha  7, Linha n° 21 da DIPJ, onde deveriam ser incluídos os ganhos  auferidos em operação de "swap" não haveria fundamento para  o  acórdão  recorrido  afirmar  que  referida  verba  não  poderia  integrar  o  saldo  negativo  a  cuja  restituição  a  contribuinte  tem  direito;  Fl. 990DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/99­72  Acórdão n.º 1201­00.718  S1­C2T1  Fl. 5          5 ­ da mesma forma o acórdão recorrido não logrou demonstrar a  razão  que  supostamente  legitimaria  o  indeferimento  da  restituição do valor de R$ 581.895,62; assim como ocorreu com  a verba de R$ 26.424,92, não foram analisados os elementos de  provas carreados aos autos pela recorrente que demonstram que  os  rendimentos  correspondentes  às  retenções  do  valor  de  R$  581.895,62 foram escriturados e oferecidos à tributação;  ­ a despeito de acreditar já haver produzido tal prova nos autos,  por  meio  da  planilha  ora  juntada  e  dos  documentos  que  a  instruem,  reforça  a  demonstração  de  que  os  rendimentos  indicados  nos  informes  de  rendimentos  das  fontes  pagadoras  foram  contabilizados  e  oferecidos  à  tributação;  a  planilha  contém, não  só os  valores  retidos, mas  também os  rendimentos  auferidos  pela  recorrente,  como  o  acórdão  recorrido  entendeu  necessário; a planilha foi elaborada a partir da análise de todos  os  informes  fornecidos por cada  instituição  financeira à época,  confrontando  os  respectivos  montantes  de  IRRF  e  de  rendimentos  com  aqueles  registrados  na  contabilidade  da  recorrente;  todas  as  informações  da  planilha  podem  ser  checadas nos documentos que as instruem;  ­ em que pese a nulidade do acórdão recorrido, ela não deverá  ser pronunciada por esse órgão  julgador, nos  termos do artigo  59, parágrafo 3°, do Decreto n° 70.235/72, na medida em que a  causa está madura para pronto julgamento de seu mérito a favor  da recorrente, ante as provas colacionadas aos autos quanto ao  oferecimento à tributação dos rendimentos em foco;  Alfim  a  contribuinte  pede  o  conhecimento  e  provimento  do  recurso,  reformando­se  o  acórdão  recorrido  e  assegurada  a  restituição da totalidade do crédito tributário ora pleiteado.  Apreciadas as  razões de defesa, a  referida 2ª Turma decidiu pela conversão  do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade local se manifestasse sobre as seguintes  questões:  Considerando  que  o  direito  creditório  em  litígio  foi  indeferido  sob a  justificativa de ausência de provas de que os  respectivos  rendimentos  tivessem  sido  declarados,  ou  de  não  se  ter  comprado que  foram  escriturados,  e  tendo  em  vista o  conjunto  probante  presentes  nos  autos,  junto  ao  pedido  de  restituição  e  com a manifestação de inconformidade, especialmente a planilha  de  fls.  714  a  720  e  os  documentos  que  a  instruem,  vindos  aos  autos com o recurso voluntário, entendo necessário converter o  julgamento  em diligência, para que a DRF de origem adote as  seguintes providências relativamente às verbas de R$ 26.424,92  e de R$ 581.895,62:  1ª) ­ com base na planilha de fls. 714 a 720 e documentos que a  instruem,  de  fls.  721  a  867,  verificar  a  correção  dos  referidos  valores  confrontando­os  com  os  informes  de  rendimentos  e  retenções fornecidos pelas fontes pagadoras;  Fl. 991DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/99­72  Acórdão n.º 1201­00.718  S1­C2T1  Fl. 6          6 2ª) ­ à vista dos livros Diários e Razão verificar a contabilização  dos  respectivos  rendimentos  de  aplicações  financeiras  e  dos  valores de IRRF;  3ª)  ­  verificar  a  declaração  ou  inclusão  dos  respectivos  rendimentos de aplicações financeiras e dos respectivos IRRF na  correspondente DIPJ/1999;  4ª)  ­  elaborar  "relatório  de  diligência"  circunstanciado  das  verificações e constatações efetuadas e;  5ª) ­ dar ciência à contribuinte do "relatório de diligência" que  vier  a  ser  elaborado  anotando­lhe  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  para se manifestar a respeito, querendo.  Realizada  a  diligência,  a  autoridade  local  acostou  aos  autos  relatório  circunstanciado (fl. 963 e ss.) onde conclui, em resumo, que:  1  –  Os  valores  informados  no  demonstrativo  apresentado  pelo  contribuinte às folhas 741 a 747 (folhas 714 a 720 do processo  em papel, antes da digitalização) intitulado “Demonstrativo das  contas  de  resultado  onde  foram  contabilizados  os  rendimentos  das  aplicações  financeiras  e  da  conta  de  ativo  onde  foram  contabilizados  os  valores  de  IRRF  no  ano­calendário  1998”,  guardam  correspondência  com  os  valores  constantes  dos  comprovantes de rendimentos de folhas 765 a 801 (folhas 738 a  774  do  processo  em  papel,  antes  da  digitalização),  conforme  detalhamento contido na tabela de folhas 934 a 944;  2  –  Os  valores  informados  no  demonstrativo  apresentado  pelo  contribuinte às folhas 741 a 747 (folhas 714 a 720 do processo  em papel, antes da digitalização), intitulado “Demonstrativo das  contas  de  resultado  onde  foram  contabilizados  os  rendimentos  das  aplicações  financeiras  e  da  conta  de  ativo  onde  foram  contabilizados  os  valores  de  IRRF  no  ano­calendário  1998”,  guardam  correspondência  com  os  valores  constantes  dos  registros contábeis apresentados às folhas 804 a 894 (folhas 777  a  867  do  processo  em papel,  antes  da  digitalização),  conforme  detalhamento contido na tabela de folhas 945 a 952;  3 As tabelas de folhas 962 (valores lançados pelo contribuinte a  título  de  IRRF  sobre  aplicações  financeiras)  e  953  a  961  (Receitas  Financeiras  –  transferência  para  o  resultado  do  exercício)  demonstram  a  correspondência  entre  os  valores  constantes  dos  documentos  de  folhas  804  a  888  e  os  valores  informados na Ficha 07 – linha 23 (fl. 915) e na Ficha 13 – linha  17 da DIPJ nº 0924507 (fl. 926).  Intimada  para  tanto,  a  recorrente  apresentou  contrarazões  ao  relatório  de  diligência, apenas para corroborar as informações ali prestadas (fl. 967 e ss.):  Voto             Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator.  Fl. 992DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/99­72  Acórdão n.º 1201­00.718  S1­C2T1  Fl. 7          7 1) Da Admissibilidade do Recurso  O  recurso  atende  aos  pressupostos  processuais  de  admissibilidade  estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele deve­se tomar conhecimento.  2) Do Direito Creditório  A  interessada protocolizou pedido de  restituição do  saldo negativo de  IRPJ  apurado  no  ano­calendário  de  1998,  no  valor  de  R$  4.419.443,37  (fl.  1),  posteriormente  retificado para R$ 4.366.778,21 (fl. 310), conforme apurado na DIPJ/1999 (fl. 56).  Ao examinar o pedido de restituição, bem como os correspondentes pedidos  de  compensação  (fl.  267  e  ss.),  a  autoridade  competente  os  deferiu  parcialmente,  mediante  glosa dos seguintes valores (fl. 498 e ss.):  a) R$ 26.424,92, a título de IRRF, por não constar dos informes de rendimento e retenção  do imposto emitidos pela fonte pagadora;  b) R$  581.895,62,  também  a  título  de  IRRF,  por  não  haver  sido  escriturado  no  livro  Diário.  Ao  apreciar  a manifestação  de  inconformidade  proposta  pela  interessada,  a  DRJ de origem reconheceu a retenção no valor de R$ 26.424,92. No entanto, manteve ambas  as glosas de  IRRF sob o argumento de que a contribuinte não comprovara haver oferecido à  tributação os rendimentos correspondentes.  Pois  bem,  conforme  relatado  pela  autoridade  que  realizou  a  diligência,  o  exame da documentação acostada aos autos revela que a contribuinte ofereceu à tributação do  IRPJ no  ano­calendário  de 1998 os  rendimentos  correspondentes  às  retenções de  imposto de  renda na fonte nos valores R$ 26.424,92 e R$ 581.895,62.  3) Conclusão  Tendo  em  vista  todo  o  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  o  direito  creditório  da  contribuinte  relativo  ao  saldo  negativo  do  IRPJ  do  ano­calendário  de  1998  (fl.  56),  devendo  a  autoridade  local  promover  as  compensações pleiteadas (fl. 267 e ss.) até o limite do crédito aqui reconhecido, observado no  entanto  eventual  emprego  desse  mesmo  crédito  em  outras  compensações  já  deferidas  ou  homologadas.  (documento assinado digitalmente)  Marcelo Cuba Netto                  Fl. 993DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13851.001180/99­72  Acórdão n.º 1201­00.718  S1­C2T1  Fl. 8          8               Fl. 994DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO

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Numero do processo: 16327.002082/2002-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1997 IRRF - OPERAÇÕES CONJUGADAS - AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO - DECADÊNCIA. Pelo entendimento pessoal do relator, o imposto de renda na fonte é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, nos casos do artigo 65, § 4°, alínea “a”, da Lei n° 8.981/95, ocorre no dia do pagamento dos rendimentos. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” Assim, no caso, diante da inexistência de pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que os fatos geradores em apreço, ocorridos em 21/03/1997, em 31/03/1997 e em 22/04/1997, não estão atingidos pela decadência, pois a ciência do lançamento se deu em 08/05/2002. Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.217
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/2002­54  Acórdão n.º 9202­02.217  CSRF­T2  Fl. 291          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões.    (Assinado digitalmente)  Henrique Pinheiro Torres – Presidente­substituto    (Assinado digitalmente)  Gonçalo Bonet Allage – Relator  EDITADO EM: 05/07/2012  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres  (Presidente­substituto),  Susy  Gomes  Hoffmann  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Gonçalo  Bonet  Allage,  Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira  e Elias Sampaio Freire.  Relatório  Em  face  do Banco BCN S.A., CNPJ  n°  60.898.723/0001­81,  foi  lavrado  o  auto de infração de fls. 04­08, para a exigência de imposto de renda na fonte incidente sobre  pagamentos de  rendimentos de aplicações  financeiras  (operações conjugadas), quanto a  fatos  ocorridos em 21/03/1997, em 31/03/1997 e em 22/04/1997, com multa de ofício de 75%.  A ciência do lançamento se deu em 08/05/2002 (fls. 08).  A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo  (SP) I considerou o lançamento procedente (fls. 188­197).  Por sua vez, a Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção  de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF, apreciando o recurso  voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 3402­00.110, que se encontra às  fls. 256­261, cuja ementa é a seguinte:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 1997  IRRF  ­  DECADÊNCIA  ­  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO  –  NÃO  COMPROVAÇÃO  DA  OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO  ­  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/2002­54  Acórdão n.º 9202­02.217  CSRF­T2  Fl. 292          3 PRAZO  DECADENCIAL  CONTADO  NA  FORMA  DO  ART. 150, § 4°, DO CTN.  O  imposto de  renda apesar da entrega da declaração por  parte do contribuinte, é lançado por homologação, já que o  pagamento do imposto deve ser pago antecipadamente sem  o  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  de  acordo  com a regra do art. 150 do CTN. No caso do imposto retido  na  fonte,  a  própria  fonte  pagadora  é  a  responsável  pelo  pagamento ao fisco, que é feito mensalmente.  Preliminar Acolhida.  A decisão  recorrida,  por maioria  de votos,  deu  provimento  ao  recurso  para  reconhecer a decadência do lançamento, vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.  Intimada do acórdão em 17/12/2009 (fls. 262), a Fazenda Nacional interpôs,  com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  n°  147/2007,  recurso  especial  às  fls.  267­272,  cujas  razões  podem ser assim sintetizadas:  a) Insurge­se  a Fazenda Nacional  contra o  r.  acórdão proferido pela Quarta  Câmara  da  Terceira  Seção  que,  por  maioria  de  votos,  acolheu  a  preliminar  de  decadência  dos  fatos  geradores  objetos  do  presente  lançamento;  b) A  e.  Câmara  a  quo  aduziu  que,  aplicando­se  o  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  haveria transcorrido o prazo decadencial de cinco anos para a lavratura  do  auto  de  infração.  Assim,  à  data  em  que  o  contribuinte  fora  cientificado do auto de infração, haveria perimido o direito da Fazenda  Nacional  de  constituir  o  crédito  tributário,  relativo  aos  fatos  geradores  ocorridos nos meses de março e abril de 1997;  c) Entretanto, o r. acórdão merece ser reformado;  d) Na hipótese  dos  autos,  em  que  o  contribuinte  não  antecipa  o  pagamento  dos  tributos  recolhidos  mediante  "lançamento  por  homologação",  a  contagem  do  prazo  decadencial  deverá  se  dar  com  fulcro  no  art.  173,  inciso  I, do CTN, conforme majoritário entendimento  jurisprudencial e  doutrinário  sobre  o  tema,  e  não  segundo  o  artigo  150,  §  4°  do  CTN,  como determinado na decisão recorrida;  e) O entendimento  jurisprudencial em que fundamenta o presente  recurso, e  que  foi  recente  firmado  pelo  STJ,  é  no  sentido  de  que,  não  havendo  recolhimento  antecipado  do  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação, ainda que o contribuinte apresente a declaração, o prazo  decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário reger­se­ á pelo disposto no art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4°;  f) Aliás,  deve­se  destacar  que  a  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  sessão  de  julgamentos  do  dia  12.08.2009,  ao  analisar  o  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/2002­54  Acórdão n.º 9202­02.217  CSRF­T2  Fl. 293          4 Recurso  Especial  973.733/SC,  de  Relatoria  do  MM.  Luiz  Fux,  na  sistemática dos Recursos Repetitivos (Art. 543­C do CPC), definiu que  no  caso  dos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  o  prazo  decadencial  é  de  cinco  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  realizado,  nas  hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento do  tributo;  g) Consoante  esta  linha  de  interpretação,  o  art.  150,  §4°  do  CTN  estaria  dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento  do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada  a  ver  com  o  ato  de homologação). Portanto,  o  lançamento de  ofício  de  tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento  por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do  CTN, e não o prazo do art. 150, §4°;  h) Com  efeito,  nos  casos,  como  o  dos  autos,  em  que  o  contribuinte  não  antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por  homologação",  a  jurisprudência  entende  que  não  haveria  atividade  do  contribuinte a homologar;  i) Não  seria  possível  realizar  a  homologação  de  atividade  inexistente,  ou  efetuada  de  maneira  errônea,  mas  caberia  à  autoridade  administrativa  unicamente proceder ao lançamento de ofício dos valores devidos. E, o  prazo para o lançamento de ofício não está disposto no art. 150, mas no  art. 173 do CTN;  j) Não  havendo,  pois,  o  que  homologar,  o  procedimento  exigível  é  o  do  lançamento de ofício, observado o prazo do artigo 173 do CTN, e não  o do artigo 150 do mesmo Diploma Legal;  k) Assim,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  em  março  e  abril  de  1997,  o  prazo  decadencial  começou  a  correr  em  01/01/1998  (primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  realizado). Ora,  se 08/05/2002 o  contribuinte  foi notificado do auto de  infração,  não  há  que  se  falar  em  decadência  da  exação,  devendo  ser  mantido o lançamento;  l) Requer  seja  o  presente  recurso  conhecido  e  provido,  para  que  seja  reformado o r. acórdão, afastando­se a preliminar de decadência no caso  em exame, uma vez que efetuado dentro do prazo legalmente fixado (art.  173, I, do CTN).  Admitido  o  recurso  através  do  despacho  n°  2202­00.123  (fls.  273­274),  o  contribuinte  foi  intimado  e,  devidamente  representado,  apresentou  contrarrazões  às  fls.  278­ 286, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida.  É o Relatório.    Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/2002­54  Acórdão n.º 9202­02.217  CSRF­T2  Fl. 294          5 Voto             Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator  O  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  cumpre  os  pressupostos  de  admissibilidade e deve ser conhecido.  Reitero  que  o  acórdão  proferido  pela  Segunda  Turma Ordinária  da  Quarta  Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento ao  recurso para reconhecer a decadência do lançamento.  Segundo a recorrente, diante da ausência de pagamento antecipado, aplica­se  ao caso a  regra decadencial prevista no  artigo 173,  inciso  I, do CTN, de modo que não está  extinto o crédito tributário para os fatos ocorridos em março e em abril de 1997, pois a ciência  do lançamento se deu em 08/05/2002.  Eis a matéria em litígio.  O tributo em apreço encontra previsão legal no artigo 65 da Lei n° 8.981/95,  que assim dispõe:  Art.  65.  O  rendimento  produzido  por  aplicação  financeira  de  renda  fixa, auferido por qualquer beneficiário,  inclusive pessoa  jurídica  isenta,  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1995,  sujeita­se  à  incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por  cento.  § 1º. A base de cálculo do  imposto é constituída pela diferença  positiva  entre  o  valor  da  alienação,  líquido  do  imposto  sobre  operações  de  crédito,  câmbio  e  seguro,  e  sobre  operações  relativas  a  títulos  ou  valores mobiliários  (IOF),  de  que  trata  a  Lei  nº  8.894,  de  21  de  junho  de  1994,  e  o  valor  da  aplicação  financeira.  §  2º.  Para  fins  de  incidência  do  Imposto  de Renda na  fonte,  a  alienação  compreende  qualquer  forma  de  transmissão  da  propriedade,  bem  como  a  liquidação,  resgate,  cessão  ou  repactuação do título ou aplicação.  §  3º.  Os  rendimentos  periódicos  produzidos  por  título  ou  aplicação,  bem  como  qualquer  remuneração  adicional  aos  rendimentos  prefixados,  serão  submetidos  à  incidência  do  Imposto de Renda na fonte por ocasião de sua percepção.  § 4º. O disposto neste artigo aplica­se também:  a)  às  operações  conjugadas  que  permitam  a  obtenção  de  rendimentos predeterminados, realizadas nas bolsas de valores,  de  mercadorias,  de  futuros  e  assemelhadas,  bem  como  no  mercado de balcão;  b)  às  operações  de  transferência  de  dívidas  realizadas  com  instituição  financeira,  demais  instituições  autorizadas  a  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/2002­54  Acórdão n.º 9202­02.217  CSRF­T2  Fl. 295          6 funcionar pelo Banco Central do Brasil ou com pessoa jurídica  não­financeira;  c) aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa  jurídica,  sob  qualquer  forma  e  a  qualquer  título,  independentemente  de  ser  ou  não  a  fonte  pagadora  instituição  autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.  § 5º. Em relação às operações de que tratam as alíneas a e b do  § 4º, a base de cálculo do imposto será:  a) o resultado positivo auferido no encerramento ou liquidação  das operações conjugadas;  b) a diferença positiva entre o valor da dívida e o valor entregue  à  pessoa  jurídica  responsável  pelo  pagamento  da  obrigação,  acrescida do respectivo Imposto de Renda retido.  §  6º.  Fica  o Poder Executivo  autorizado  a  baixar  normas  com  vistas a definir as características das operações de que tratam as  alíneas a e b do § 4º.  § 7º. O imposto de que trata este artigo será retido:  a)  por  ocasião  do  recebimento  dos  recursos  destinados  ao  pagamento de dívidas, no caso de que trata a alínea b do § 4º;  b) por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação  do título ou da aplicação, nos demais casos.  § 8º. É responsável pela  retenção do  imposto a pessoa  jurídica  que receber os recursos, no caso de operações de transferência  de  dívidas,  e  a  pessoa  jurídica  que  efetuar  o  pagamento  do  rendimento, nos demais casos.  De  acordo  com  este  dispositivo  legal,  surge  o  fato  gerador  do  imposto  de  renda na fonte, com relação a rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, no dia dos  referidos pagamentos, sendo que o tributo é devido pela fonte pagadora.  Segundo penso, o imposto de renda retido na fonte, inclusive este previsto no  artigo  65  da  Lei  n°  8.981/95,  é  tributo  sujeito  ao  regime  do  chamado  lançamento  por  homologação,  já que cabe às  fontes pagadoras a apuração da base de cálculo do  imposto e o  recolhimento  do  montante  devido,  a  título  de  antecipação  ou  em  caráter  definitivo,  submetendo,  posteriormente,  esse  procedimento  à  autoridade  administrativa,  que  deverá,  homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado.  A homologação expressa, para tais tributos, deve se dar no prazo de 5 (cinco)  anos, a contar da ocorrência do fato gerador.  Ultrapassado  esse  prazo,  sem  ter  sido  lavrado  lançamento  de  ofício  pela  autoridade  administrativa,  considera­se  homologada  tacitamente  a  atividade  exercida  pelo  contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/2002­54  Acórdão n.º 9202­02.217  CSRF­T2  Fl. 296          7 antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  §  4°.  Se  a  lei  não  fixar  prazo  à  homologação,  será  ele  de  5  (cinco) anos, a contar da ocorrência do  fato gerador; expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador,  implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto  da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário.  Considerando  que  os  fatos  geradores  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  ocorreram, no caso em julgamento, em 21/03/1997, em 31/03/1997 e em 22/04/1997 e diante  do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em  08/05/2002 (fls. 08), concluo que a manifestação da Fazenda Nacional não merece prosperar,  pois, efetivamente, a decadência impede a manutenção do lançamento.  Na  visão  deste  julgador,  como  não  se  está  diante  de  dolo,  fraude  ou  simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma  prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.  Contudo, por força do que determina o artigo 62­A do Regimento Interno do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o  julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n°  973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/2002­54  Acórdão n.º 9202­02.217  CSRF­T2  Fl. 297          8 julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (STJ,  Primeira  Seção,  REsp  n°  973.733/SC,  Relator  Ministro  Luiz Fux, DJE de 18/09/2009)  Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por  homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal conta­se  do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter sido efetuado,  sendo  que  “O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.002082/2002­54  Acórdão n.º 9202­02.217  CSRF­T2  Fl. 298          9 disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia  do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a  lançamento por homologação, ...”.  Dessa forma, torna­se importante analisar a comprovação quanto à existência  ou não de pagamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, de imposto  de renda na fonte, que tem como uma de suas espécies a exigência prevista no artigo 65 da Lei  n° 8.981/95, para aplicação ao caso da regra prevista no artigo 150, § 4° (tal qual fez o acórdão  recorrido) ou no artigo 173, inciso I, ambos do CTN (da forma defendida pela recorrente).  Analisando  os  autos,  especificamente  o  auto  de  infração,  não  consegui  identificar nenhum recolhimento de  imposto de  renda  retido na  fonte  relativo ao período em  questão.  Assim,  direcionado  pelo  artigo  62­A  do  RICARF  e  considerando  o  julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n°  973.733/SC, não obstante o posicionamento pessoal deste  julgador, deve­se aplicar ao caso a  regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, relativamente aos fatos em  tela,  ocorridos  em  21/03/1997,  em  31/03/1997  e  em  22/04/1997,  o  início  do  prazo  de  decadência se deu em 01/01/1998, com término em 31/12/2002.  Como a ciência do lançamento ocorreu em 08/05/2002, inexiste decadência,  de modo que a decisão recorrida não pode ser confirmada.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  especial  interposto pela Fazenda Nacional, pois não há decadência, devendo os autos retornar à Câmara  de origem a fim de que sejam analisadas as demais questões postas no recurso voluntário.    (Assinado digitalmente)  Gonçalo Bonet Allage                                Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GONCALO BONET ALLAGE

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Numero do processo: 19515.002861/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS – CSLL. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.821
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO

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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS – CSLL. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/2009­05  Acórdão n.º 1401­000.821   S1­C4T1  Fl. 1.440          2         Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a  preliminar  de  nulidade  e,  quanto  ao mérito, NEGAR    provimento  ao  recurso  nos  termos  do  voto do relator.   (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva – Presidente    (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto – Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto,  Maurício  Pereira  Faro,  Fernando  Luiz  Gomes  de  Mattos,  Gilberto  Baptista,  Sergio  Luiz  Bezerra Presta  e Jorge Celso Freire da Silva.    Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/2009­05  Acórdão n.º 1401­000.821   S1­C4T1  Fl. 1.441          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra o Acórdão nº 16­27.871, da 2ª Turma da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I­SP.  Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão  de primeira instância:  A contribuinte acima identificada foi autuada e notificada a recolher o crédito  tributário,  no  valor  de  R$  11.190.925,69,  referente  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ, Programa de  Integração Social  ­ PIS, Contribuição Social sobre o  Lucro Líquido — CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social  ­  Cofins, multas e acréscimos legais.  DA AUTUAÇÃO  Termo  de  Verificação  e  Constatação  Fiscal  (fls.  1132  a  1135)  descreve  os  procedimentos  adotados  para  com  a  contribuinte  que  levaram  à  apuração  de  "Depósitos  Bancários  de  Origem  Não  Comprovada",  tendo  em  vista  a  não  justificação ou comprovação dos créditos efetuados nas contas­correntes e na conta  investimento da empresa no ano de 2005.  Foram lavrados, em 21/09/2009, os seguintes autos de infração:  do  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  (fls.  1174  a  1177),  com  o  fundamento  legal  nos  artigos  25  e  42  da  Lei  n°  9.430/1996  e  no  artigo  528  do  RIR/1999;  do  PIS  (fls.  1182  a  1185)  com  fundamento  nos  artigos  Io  e  3o  da  Lei  Complementar 07 de 07/09/1970; artigo 24, § 2o da Lei n° 9.249/1995 e artigos 2o,  inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3o, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002.  da  Cofins  (fls.  1190  a  1193)  com  fundamento  nos  artigos  2o,  inciso  II  e  parágrafo único, 3o, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002.  da  CSLL  (fls.  1197  a  1200)  com  fundamento  no  artigo  37  da  Lei  n°  10.637/2002 e artigo 22 da Lei n° 10.684/2003.  DA IMPUGNAÇÃO  Em 27/10/2009 a empresa apresentou impugnações (fls. 1207 a 1213 ­Cofins;  fls. 1246 a 1252 ­ CSLL; fls. 1282 a 1288 ­  IRPJ; fls. 1321 a 1327 ­ PIS), com as  alegações abaixo sintetizadas.  Com relação ao cerceamento ao direito de exercício da ampla defesa, que:  a  afirmação  de  forma  unilateral  e  genérica  de  que  a  Notificada  deixou  de  recolher valores devidos à Previdência Social, sem, contudo, demonstrar a origem e  a  natureza  da  contribuição  e  os  segurados  beneficiários  da  previdência  social,  impede a perfeita identificação da obrigação inadimplida;     Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/2009­05  Acórdão n.º 1401­000.821   S1­C4T1  Fl. 1.442          4    ante  aos  princípios  da  legalidade,  a  infração  cometida,  sua  fundamentação  jurídica  e  a  base  imponível  devem  estar  demonstradas  de  forma  precisa,  possibilitando  com  sua  identificação  o  exercício  da  ampla  defesa  na  esfera  administrativa;  assim, padecem do vício de nulidade a constituição do crédito previdenciário  sem a identificação dos segurados beneficiários, bem como dos fatos geradores.  Com relação à base de incidência, que:  auditoria  fiscal  arrolou  como  base  de  incidência  valores  pertencentes  à  terceiros na qualidade de prestadora de  serviços de desenvolvimento e controle de  cobrança extrajudicial, contas a pagar e a receber;  "Conforme comprova o contraio em anexo, movimentos (sic) os recursos de  sua  cliente  ASSOCIAÇÃO  ITAQUERENSE  DE  ENSINO.  Portanto  padece  de  vícios  insanáveis  a  eleição  de  volumosos  recursos  de  terceiros  como  se  sendo  receitas  próprias,  gerando  tamanha  distorção,  onde  suas  receitas  constituem­se  tão  somente na  taxa de administração no  importe de 0,1% (um décimo por cento) dos  valores de terceiros movimentados ";  torna­se  abusivo  o  lançamento  sobre  a  base  de movimentação  financeira  de  terceiros e clientes, tratadas no presente caso, como própria;  junta  como  documento  probante  seu  livro  diário,  onde  retrata  a  real  movimentação financeira própria decorrente dos serviços prestados à  terceiros e as  declarações  econômico­fiscais  do  mesmo  exercício,  onde  revelam  suas  receitas  reais, muito aquém daquela aferida pela auditoria fiscal, ou seja, tão somente a taxa  de administração de recursos de terceiros.  DA TEMPESTIVIDADE DAS IMPUGNAÇÕES  Despacho  da  DERAT  ­SPO/DICAT/EQCOB  (fl.  1364),  considerou  a  impugnação intempestiva e encaminhou o presente processo à Equipe de Análise de  Processos de Imposto de Renda ­ EQPIR para providências.  Despacho Decisório EQPIR/PJ (fls. 1365 e 1366), considerou a impugnação  intempestiva  e,  não  havendo  erro  de  escrita  ou  cálculo,  constatou  não  ser  cabível  revisão  de  ofício  do  lançamento,  decidindo,  assim,  por  procedentes  os  Autos  de  Infração relativos ao IRPJ, PIS, Cofins e CSLL.  Em  01/07/2010,  a  interessada  apresentou  impugnação  (fls.  1373  a  1378)  repisando  as  alegações  já  apresentadas  e  alegando  serem  tempestivas  as  impugnações  apresentadas  na  data  de  27/10/2009  tendo  em  vista  o  disposto  na  Portaria  n°  525  de  06/11/2008  do  Secretário  Executivo  do  Ministério  do  Planejamento,  Orçamento  e  Gestão,  que  antecipou  o  "Dia  do  Servidor  Público"  (ponto facultativo) do dia 28 de outubro para o dia 26/10/2009.   A DRJ , por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos, nos  termos da ementa que se transcreve:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/2009­05  Acórdão n.º 1401­000.821   S1­C4T1  Fl. 1.443          5 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.  A  existência  de  depósitos  bancários  não  contabilizados  e  de  origem  não  comprovada caracteriza omissão de receita.  AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.  A  procedência  do  lançamento  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  implica  manutenção das exigências fiscais dele decorrente.  Irresignada  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  interessada  interpôs  recurso voluntário repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação.  É o relatório.    Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/2009­05  Acórdão n.º 1401­000.821   S1­C4T1  Fl. 1.444          6 Voto               Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator.  O  recurso  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  portanto,  dele  tomo  conhecimento.  Conforme relatado, a autuação envolveu  omissão de receitas por presunção  legal a partir de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada.  Após  intimada  por  diversas  vezes    sem  que  comprovasse  a  origem  dos  depósitos  bancários  constante  em  extratos  bancários  apresentados  por  ela  própria  o  autuante  lavrou  a  presente  autuação  para  o  ano­calendário  de  2005  com  base  em  presunção  legal de depósitos não comprovados (art. 42 da Lei n. 9.430­96).  Preliminar de nulidade  Preliminarmente, a recorrente imputa o presente AI com o vício da nulidade,  por  conter,  pois  não  foi  fundamentada  a  autuação,  representando manifesto  cerceamento  do  contraditório e da ampla defesa. Alegou ainda que a autuação é nula pois a fiscalização teria  afirmado  "de  forma  unilateral  e  genérica  de  que  a  Notificada  deixou  de  recolher  valores  devidos à Previdência Social, sem contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição e  os segurados beneficiários da previdência social”  Apenas  para  um  melhor  esclarecimento  sobre  o  assunto,  transcreve­se  o  dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto  70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93:  Art. 59 ­ São nulos:  I­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa;      Por conseguinte, considera­se nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente  ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois  não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de  defesa,  vez  que  os  fatos  apurados  foram  descritos  com  o  respectivo  enquadramento  legal,  e  levados ao conhecimento, da autuada,  levando a mesma a defender­se plenamente através da  peça impugnatória e recurso voluntário acostados aos autos.  O que se vê foi um grande empenho da fiscalização em cumprir o seu papel e  somente após inúmeras negativas do Contribuinte de apresentar a comprovação da origem dos  depósitos bancários relacionados pela fiscalização, tudo isso com base em previsão legal muito  bem consignada no auto de infração (art. 42 da Lei n. 9.430­96).  Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/2009­05  Acórdão n.º 1401­000.821   S1­C4T1  Fl. 1.445          7 Infundada  também a sua  alegação de que o  autuante  "de  forma unilateral  e  genérica  de  que  a Notificada  deixou  de  recolher  valores  devidos  à  Previdência  Social,  sem  contudo,  demonstrar  a  origem  e  a  natureza  da  contribuição  e  os  segurados  beneficiários  da  previdência social”. É que a autuação foi lastreada em presunção legal (Depósitos Bancários de  Origem Não Comprovada), nada tendo a ver com a referida alegação.  Acrescente­se  que,  quando  muito,  em  se  admitindo  o  fato  da  autoridade  lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a  sua subsunção à norma, tratar­se­ia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade.  E como ficará bem demonstrado mais adiante, nem mesmo isso aconteceu.  Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada  MÉRITO   PRESUNÇÃO  LEGAL  ­  Depósitos  Bancários  Sem  Comprovação  da  Origem dos Recursos  O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de  receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos utilizados nessas operações.  Ora,  como  se  vê  da  descrição  dos  fatos,  a  empresa  não  apresentou  documentação que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. Apontados  pela  fiscalização com base nos  extratos bancários  fornecidos pelo próprio  contribuinte. Com  efeito, sequer os contabilizou ou os declarou. A recorrente não  logrou comprovar, através de  documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a ligação dos recursos recebidos  em conta bancária e o seu discurso apresentado. Na verdade, a interessada ao invés de tentar  provar os fatos alegados, se limita a tecer meras alegações totalmente desprovidas de provas.  Cinge­se  a  alegar  que  fiscalização  tomou  como  base  de  incidência  valores  pertencentes  à  terceiros,  no  caso  sua  cliente Associação  Itaquerense  de Ensino.que,  segundo  ela, prestaria a essa empresa serviços de desenvolvimento e controle de cobrança extra judicial,  contas a pagar e a receber.  Como  já  se  disse,  mera  alegação  totalmente  desprovida  de  provas  e  confirmação  no mundo  dos  fatos.  Essa  alegação  vem  sendo  repetida  desde  a  autuação  e  já  plenamente refutada pela própria fiscalização como também pela DRJ.  A  fiscalização  já  analisou  a  relação  das  mensalidades  dos  alunos  da  Associação  Itaquerense  de  Ensino  e  demonstrou  sem  ser  infirmada  pela  contribuinte,    não  haver correlação entre elas e a movimentação bancária.  Eis o teor do TVF:  Em 27/02/2009, o contribuinte entregou a Ficha Cadastral ­ JUCESP, e a relação de  recebimentos  de  mensalidade mês  a  mês  de  alunos  da  Associação  Itaquerense  de  Ensino  (Protocolo  DEFIC/SPO/DIFIS/IND.  N°  2009004204.  doe,  de  fls.  180).  Apesar  de  não  estarem  assinadas  pelo  representante  legal  do  contribuinte,  examinamos  as  planilhas  e  verificamos  que  os  valores  das  mesmas  não  têm  qualquer  relação  com  os  valores  dos  Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002861/2009­05  Acórdão n.º 1401­000.821   S1­C4T1  Fl. 1.446          8 créditos constantes dos extratos de conta­corrente. As planilhas encontram­se às fls. 181 a  1081.        E a DRJ também arrematou a questão no seguintes termos:  Quanto  aos  demais  documentos  apresentados  (livro  diário  e  declarações  econômico­fiscais  ­  fls.  1226  a  1242),  estes,  por  si  só,  não  possuem  o  condão  de  comprovar os créditos efetuados nas contas corrente e  investimento, na medida em  que os montantes ali descritos não são suportados por documentação hábil e idônea e  não  comprovam  a  alegação  de  que  os  valores  creditados  em  sua  conta  corrente  pertencem a terceiros. O mesmo ocorre com a DIJP apresentada que, além de tudo,  apresenta os valores zerados.  Em  verdade,  a  argumentação  da  recorrente    não  conseguiu  infirmar  a  presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430­96, uma vez que não  foi comprovada a origem dos recursos depositados nas contas­correntes do contribuinte:  LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 ­ DOU de 30.12.96   “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação  de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.  Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a  existência  de  depósito  bancário  sem origem  comprovada. À  recorrente,  comprovar  a origem  desses depósitos.  Lançamentos Reflexos   Por  estarem  sustentados  na mesma matéria  fática,  os mesmos  fundamentos  devem nortear a manutenção em parte das exigências lançadas por via reflexa.   Por  todo  o  exposto,  rejeito  a  preliminar  de  nulidade  e,  quanto  ao  mérito,  NEGO provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto                            Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA

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Numero do processo: 13971.003937/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/06/2006 Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA LEI 11.941/09. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.672
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2445; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 1          1             S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.003937/2008­67  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­002.672  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de março de 2012  Matéria  REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE  PAGAMENTO  Recorrente  TAYKA CONFECÇÕES DE JEANS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/11/2005 a 30/06/2006  Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP  A empresa está obrigada  a  arrecadar, mediante desconto das  remunerações,  as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço.  MULTA.  RETROATIVIDADE  BENIGNA  DO  ARTIGO  106  DO  CTN,  NECESSIDADE  DE  AVALIAR  AS  ALTERAÇÕES  PROVOCADAS  PELA LEI 11.941/09.  Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo  qual  incide  na  espécie  a  retroatividade  benigna  prevista  na  alínea  “c”,  do  inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código  Tributário  Nacional,  devendo  ser  a  multa  lançada  na  presente  autuação  calculada nos  termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de  1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais  benéfica ao contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  I) Por maioria de votos: a) em manter a  aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva,  que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para  que  seja  aplicada  a  multa  prevista  no  Art.  61,  da  Lei  nº  9.430/1996,  se  mais  benéfica  à  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Redator(a).  Vencidos  os  Conselheiros  Bernadete  de  Oliveira  Barros  e  Marcelo  Oliveira,  que  votaram  em  manter  a  multa  aplicada;  II)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  em  negar  provimento  ao  Recurso  nas  demais  alegações  da  Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério.        Fl. 191DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   2 Marcelo Oliveira ­ Presidente.     Bernadete de Oliveira Barros­ Relator.     Adriano Gonzales Silvério ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De  Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.  Fl. 192DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003937/2008­67  Acórdão n.º 2301­002.672  S2­C3T1  Fl. 2          3     Relatório  Trata­se  de  crédito  previdenciário  lançado  contra  a  empresa  acima  identificada,  referente  às  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  correspondentes  à  contribuição dos segurados contribuintes individuais.  Consta  do  Relatório  Fiscal  (fls.  16),  que  constitui  fato  gerador  da  contribuição lançada o pagamento de pró­labore aos sócios da empresa autuada, declarado em  GFIP após o início da ação fiscal e que constam discriminados nas folhas de pagamento.  A autoridade autuante esclarece que os fatos apurados, objeto deste Auto de  Infração, em tese, configuram o Crime De Sonegação De Contribuição Previdenciária, previsto  no artigo 337­A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000, e  serão,  portanto,  objeto  de  REPRESENTAÇÃO  FISCAL  PARA  FINS  PENAIS,  com  comunicação à autoridade competente para providências cabíveis.  A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil,  por  meio  do  Acórdão  07­15.029,  da  6a  Turma  da  DRJ/FNS  (fls.  88),  julgou  o  lançamento  procedente.   Inconformada com a decisão, a autuada, apresentou recurso  tempestivo (fls.  98), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação.  Inicialmente,  reafirma  que  a  exclusão  do  Simples  foi  contestada  pela  recorrente  através  de  Impugnação  contra  o  Atos  Declaratórios  Executivos  42  e  46/2008,  protocolizados, tempestivamente, na Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC, estando,  portanto, a sub judice, não sendo definitiva, dependendo de evento futuro e incerto para o fisco.  Preliminarmente,  reitera  que  a  fiscalização  fez  incidir multa  exacerbada  de  150% sobre o  Imposto de Renda que  considerou devido,  contrariando, dessa  forma, o  artigo  150, IV, da Constituição da República.  Entende  que  a  sanção  tributária  tem  por  finalidade  dissuadir  o  possível  devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, não podendo nunca ser  utilizada  como  expediente  ou  técnica  de  arrecadação,  como  verdadeiro  tributo  disfarçado,  e  reafirma que a multa aplicada é inconstitucional, assim como a aplicação da taxa SELIC para  fins tributários.  Alega  divergência  entre  Pareceres  da  COSIT  referentes  às  improcedências  dos reflexos de PIS e COFINS quando o  regime de  tributação no  IRPJ foi o  lucro arbitrado,  entendendo  que,  por  extensão  e  analogia,  a  CSLL  –  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido, também improcede.  Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   4 Argumenta que,  in  casu, mantidas  as  tributações  reflexas  ­  PIS, COFINS  e  CSLL,  o  Sr.  Julgador  deverá  representar  ao  seu  superior  hierárquico,  porque  provocado  um  conflito de divergência.  No  mérito,  insiste  na  necessidade  de  se  comprovar  o  dolo  de  sonegação,  alegando  que  o  artigo  44,  da  Lei  n°  9.430/96,  ao  recepcionar,  no  inciso  II,  o  disposto  nos  artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64,  restringiu a aplicação da multa de 150% ao evidente  intuito de fraude, possuíndo uma conotação mais ampla, "ação ou omissão dolosa...", o que é  diferente de evidente intuito de fraude.  Tenta  demonstrar  a  ilegalidade  da  exclusão  da  empresa  do  SIMPLES  e  defende  a  observância  do  Princípio  da  Proporcionalidade  na  aplicação  da  penalidade  pecuniária.  Quanto  à  formação  do  Grupo  Econômico,  observa  que,  compulsando­se  a  documentação  que  faz  parte  de  todo  o  processo  administrativo  envolvendo  as  respectivas  empresas, em nenhum momento consegue­se comprovar a ação dolosa dos respectivos sócios,  ou que os mesmos pudessem ter a intenção deliberada de formação de grupo econômico como  pretende a fiscalização fazendária, bem como falta comprovação, por parte do fisco, quanto à  formação de grupo econômico envolvendo a empresa recorrente e outras citadas no processo  administrativo em comento.  Sustenta  a  ocorrência  da  prescrição  do  direito  de  se  cobrar  o  débito,  argumentando  que  a  Autoridade  Fazendária  dispõe  de  cinco  anos  para  efetivar  lançamento  suplementar,  caso  discorde  do  montante  declarado  pelo  contribuinte,  ressaltando  que  tal  episódio não se verificou em nenhum momento.  É o relatório.  Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003937/2008­67  Acórdão n.º 2301­002.672  S2­C3T1  Fl. 3          5     Voto Vencido  Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros  O  recurso  é  tempestivo  e  todos  os  pressupostos  de  admissibilidade  foram  cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento.  Da análise do recurso apresentado, verifica­se que a recorrente entendeu, de  forma equivocada, que fora tributada por pretensa omissão no registro de receitas, a partir de  uma presunção da utilização de "interpostas pessoas", e que estaria formando, juntamente com  outras empresas, um "Grupo Econômico de Fato".  Contudo, da leitura do Relatório Fiscal de fls. 16, constata­se que em nenhum  momento  a  autoridade  lançadora  fez  menção  à  formação  de  Grupo  Econômico,  ou  fundamentou  o  lançamento  na  responsabilidade  solidária de  que  trata  o  art.art.124,  I  e  II  do  CTN, ou a Lei 8.212/91, em seu art. 30, IX.  Portanto,  entendo  que  não  restou  caracterizada  a  formação  de  Grupo  Econômico, devendo as empresas tidas como integrantes do Grupo Econômico serem excluídas  do relatório “RELAÇÃO DE VÍNCULOS” (fls. 15).  Porém, a fiscalização deixa muito claro, nos relatórios que integram o AI, que  o  lançamento  se  refere  à  contribuição  previdenciária  dos  segurados  contribuintes  individuais  que  lhe  prestaram  serviços,  incidente  sobre  o  pró­labore  pago  pela  empresa,  declarado  pela  própria recorrente em GFIP e em Folha de Pagamento.  E nem mesmo a fiscalização fundamentou o AI no art. 32, IV § 5o, acrescido  pela Lei 9528/97, conforme afirma equivocadamente a autuada em seu recurso.  Dessa  forma,  os  argumentos  relativos  à  omissão  de  receitas,  presunção  de  utilização  de  pessoas  interpostas,  PIS,  COFINS  e  CSLL,  multa  de  150%  sobre  Imposto  de  Renda e agravamento de multa de 50% não serão objeto de análise por esta Conselheira por  serem  estranhos  e  totalmente  impertinentes  ao  lançamento  discutido  por  meio  do  presente  processo administrativo fiscal, o que constitui motivo para o não conhecimento dessa parte do  recurso.  No que tange à alegação de que o débito com prazo anterior superior a cinco  anos anteriores disposto neste processo encontra­se prescrito, cumpre observar que não há, no  lançamento em discussão, débitos lançados em competências anteriores a cinco anos, uma vez  que o lançamento foi consolidado em 07/10/2008, e se refere ao período 11/2005 a 06/2006.  Assim, não há que se falar em decadência de parte do débito.  Da mesma forma, o fato de a empresa ser ou não do SIMPLES não interfere  no  julgamento  do  AI  em  comento,  que  trata  de  contribuição  devida  pelo  segurado  a  seu  serviço, independente do sistema de tributação a que está sujeita.  Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   6 Ou seja, mesmo não sendo excluída do SIMPLES, a empresa está obrigada a  recolher a contribuição dos  segurados a  seu serviço,  sejam eles empregados ou contribuintes  individuais.  E  sendo o  lançamento  um ato  vinculado  e  não  sendo  facultado  ao  servidor  público  eximir­se  de  aplicar  a  lei,  a  Autoridade  Fiscal,  ao  constatar  que  a  empresa  autuada  remunerou contribuinte individual e deixou de recolher a contribuição por ele devida, lavrou o  competente AI, em observância à legislação que rege a matéria.  E o  lançamento  foi acrescido de  juros e multa,  conforme normativos  legais  vigentes à época.  Mas, ao contrário do que afirma, não houve agravamento de multa de 50%  por infração qualificada, mas sim uma redução, tendo em vista a declaração do fato gerador em  GFIP, conforme consta de forma cristalina do relatório DAD (fls. 04).  Nesse sentido, constata­se que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma  clara  e precisa,  a ocorrência do  fato gerador da  contribuição previdenciária,  fazendo constar,  nos  relatórios  que  compõem  a  Notificação,  os  fundamentos  legais  que  amparam  o  procedimento adotado e as rubricas lançadas.  O  Relatório  Fiscal  traz  todos  os  elementos  que  motivaram  a  lavratura  da  NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais  que  dão  suporte  ao  procedimento  do  lançamento,  separados  por  assunto  e  período  correspondente,  garantindo,  dessa  forma,  o  exercício  do  contraditório  e  ampla  defesa  ao  autuado.   A autuada insurge­se, ainda, contra a multa aplicada, alegando que a mesma é  exacerbada  de  150%,  contrariando,  dessa  forma,  o  artigo  150,  IV,  da  Constituição  da  República.  Entende  que  a  sanção  tributária  tem  por  finalidade  dissuadir  o  possível  devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, não podendo nunca ser  utilizada  como  expediente  ou  técnica  de  arrecadação,  como  verdadeiro  tributo  disfarçado,  e  reafirma que a multa aplicada é inconstitucional, assim como a aplicação da taxa SELIC  No entanto, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer  CJ  771/97,  “o  guardião  da  Constituição  Federal  é  o  Supremo  Tribunal  Federal,  cabendo  a  ele  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ordinária.  Se  o  destinatário  de  uma  lei  sentir  que  ela  é  inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou  servidor  público  não  pode  se  eximir  de  aplicar  uma  lei  porque  o  seu  destinatário  entende  ser  inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”.  Dessa  forma,  o  foro  apropriado  para  questões  dessa  natureza  não  é  o  administrativo.   É  oportuno  salientar  que  a  utilização  da  Taxa  SELIC  para  atualizações  e  correções  dos  débitos  apurados  encontra  respaldo  no  art.  34,  da  Lei  8.212/91  e  a  multa  encontra­se amparada no art. 35 do mesmo diploma legal, vigente à época da lavratura do AI.  Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada  ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes (  curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa  Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003937/2008­67  Acórdão n.º 2301­002.672  S2­C3T1  Fl. 4          7 lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplica­se normalmente na  administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente  poderá  fazer  o  que  estiver  expressamente  autorizado  em  lei  e  nas  demais  espécies  normativas,  inexistindo,  pois,  incidência  de  vontade  subjetiva.  Esse  principio  coaduna­se  com  a  própria  função  administrativa,  de  executor  do  direito,  que  atua  sem  finalidade  própria,  mas  sem  em  respeito  à  finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservar­se a ordem jurídica”  Ademais,  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar  aplicação  de  lei  ou  decreto  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  conforme  disposto  em  seu art. 62.  E  o  Conselho  Pleno,  no  exercício  de  sua  competência,  uniformizou  a  jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007,  transcritos a seguir:  Enunciado nº 02:  O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  legislação  tributária.  Enunciado nº 03:  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da Receita Federal  com base na  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia –  Selic para títulos federais.  Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais  discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração.  Mister  lembrar  que  o  descumprimento  de  obrigações  legais,  sejam  elas  acessórias  ou  principais,  sempre  prejudica  o  erário,  e  é  com  o  objetivo  do  melhor  funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à  lei e se evite a  sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo  que vilipendia obrigação legal a todos imposta.  A recorrente argumenta, ainda, que há necessidade de se comprovar o dolo de  sonegação, e que o artigo 44, da Lei n° 9.430/96, ao recepcionar, no inciso II, o disposto nos  artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64,  restringiu a aplicação da multa de 150% ao evidente  intuito de fraude, possuindo uma conotação mais ampla, "ação ou omissão dolosa...", o que é  diferente de evidente intuito de fraude.  Todavia,  cumpre  salientar  que  a  autoridade  fiscal  autuante  não  é  titular  da  pretensão punitiva estatal, cabendo­lhe apenas representar ao órgão competente — no caso, ao  Ministério  Público  Federal —  a  quem  caberá  tipificar  o  fato  e  oferecer  ou  não  a  denúncia.  Logo, o que é pertinente na Representação Fiscal para Fins Penais é  tão­somente o  relatório  dos  fatos  e  não  a  sua  tipificação  penal,  devendo­se  enfatizar,  ainda,  que  o  resultado  da  persecução  penal  não  interfere  no  julgamento  do  processo  administrativo  fiscal,  eis  que  distintos os seus objetos.  Fl. 197DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   8 Nesse sentido, a auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional, uma vez que  tomou ciência da ocorrência, em tese, de crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária,  tipificado no art. 337­A, I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983/2000.  Portanto, não cabe nesta instância administrativa discutir a ocorrência ou não  de crime, devendo a  recorrente  apresentar  suas alegações perante o órgão competente para  a  apuração do ilícito.  Nesse sentido e,  CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta;  Voto  no  sentido  de  CONHECER  PARCIALMENTE  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO para, na parte conhecida, DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, apenas para  excluir, do Relatório de Vínculos, as empresas listadas como integrantes do Grupo Econômico.  É como voto.    Bernadete De Oliveira Barros ­ Relator Voto Vencedor  Conselheiro Adriano Gonzales Silvério – Redator Designado  O único apontamento em relação ao voto da Relatora diz respeito à aplicação  da retroatividade benigna em relação à multa aplicada no caso concreto.  Há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela  Lei  11.941,  de  27  de maio  de  2009, merecendo  verificar  a  questão  relativa  à  retroatividade  benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de  1966.  Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a  gradação prevista na  redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 1991,  passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento),  uma vez  que  submetida  às  disposições  do  artigo  61  da Lei  nº  9.430,  de  27  de dezembro  de  1996.  Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35­A da Lei nº 8.212/91,  já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à  época  do  lançamento  e,  de  acordo  com  o  106  do  Código  Tributário  Nacional  deve  ser  verificado o fato punido.   Ora  se  o  fato  “atraso”  aqui  apurado  era  punido  com  multa  moratória,  consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a  novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Aqui reside a divergência  com o voto do Ilustre Conselheiro Relator.  Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo  qual  incide na espécie a  retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do  inciso  II, do artigo  106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional,  devendo  ser  a  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003937/2008­67  Acórdão n.º 2301­002.672  S2­C3T1  Fl. 5          9 multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de  24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais  benéfica ao contribuinte.  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  e  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  Recurso  Voluntário  para  determinar  a  aplicação  da  multa  prevista no artigo 35 caput da Lei 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte.    Adriano Gonzáles Silvério ­ Conselheiro                          Fl. 199DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 08/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

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Numero do processo: 19515.004275/2007-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 DECADÊNCIA. No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, em relação ao qual não tenha ocorrido o pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Aplicação do recurso especial repetitivo nº 973.733, nos termos do art. 62A da Portaria MF 256, de 2009 e alterações. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2003 DESPESAS OPERACIONAIS. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade da despesa é condicionada à comprovação da efetiva realização do gasto e que estes tenham relação direta com pessoas ligadas à pessoa jurídica e, ainda, que se refiram a eventos relacionados com a atividade fim da mesma. As despesas que se revelarem desnecessárias ou não usuais à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real. DESPESAS COM FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E PRÊMIOS SORTEADOS A FUNCIONÁRIOS. INDEDUTIBILIDADE. Despesas incorridas com a realização de confraternização de fim de ano não se enquadram na definição de despesas necessárias estabelecida pela legislação tributária, não sendo passíveis de exclusão da apuração do Lucro Real. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2003 PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. OMISSÃO DE RECEITAS RECONHECIDA. LANÇAMENTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo lançamento condicional, eventual recolhimento dos valores dos autos de infração de IRPJ e CSLL apurados sobre receitas omitidas não tem o condão de elidir a correta lavratura de auto de infração do IRRF em razão da falta de identificação do beneficiário ou da causa da operação, verificada no momento da fiscalização.
Numero da decisão: 1202-000.832
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões, quanto à matéria relativa à glosa de despesas de confraternização e premiações de viagem a funcionários, os conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2044; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T2  Fl. 589          1 588  S1­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.004275/2007­25  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1202­00.832  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de julho de 2012  Matéria  Glosa de despesas  Recorrente  Y&R PROPAGANDA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício:  2003  DECADÊNCIA.   No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, em relação ao qual  não  tenha  ocorrido  o  pagamento  antecipado,  aplica­se  a  regra  decadencial  prevista  no  art.  173,  inciso  I,  do  CTN.  Aplicação  do  recurso  especial  repetitivo nº 973.733, nos termos do art. 62­A da Portaria MF 256, de 2009 e  alterações.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ  Exercício: 2003  DESPESAS OPERACIONAIS. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE.   A  dedutibilidade  da  despesa  é  condicionada  à  comprovação  da  efetiva  realização do gasto e que estes  tenham relação direta com pessoas ligadas à  pessoa  jurídica  e,  ainda,  que  se  refiram  a  eventos  relacionados  com  a  atividade fim da mesma. As despesas que se revelarem desnecessárias ou não  usuais  à  consecução  dos  objetivos  sociais  da  pessoa  jurídica  devem  ser  adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real.  DESPESAS  COM  FESTAS  DE  CONFRATERNIZAÇÃO  E  PRÊMIOS  SORTEADOS A FUNCIONÁRIOS. INDEDUTIBILIDADE.   Despesas incorridas com a realização de confraternização de fim de ano não  se  enquadram  na  definição  de  despesas  necessárias  estabelecida  pela  legislação  tributária, não sendo passíveis de exclusão da apuração do Lucro  Real.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2003     Fl. 589DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 590          2 PAGAMENTOS  SEM  COMPROVAÇÃO DA  OPERAÇÃO OU  CAUSA.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  RECONHECIDA.  LANÇAMENTO  CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE.   Inexistindo  lançamento  condicional,  eventual  recolhimento  dos  valores  dos  autos de infração de IRPJ e CSLL apurados sobre receitas omitidas não tem o  condão de elidir a correta lavratura de auto de infração do IRRF em razão da  falta de identificação do beneficiário ou da causa da operação, verificada no  momento da fiscalização.     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares  de  nulidade  da  autuação  e  de  decadência  e,  no  mérito,  negar  provimento  ao  recurso voluntário. Votaram pelas conclusões, quanto à matéria relativa à glosa de despesas de  confraternização  e  premiações  de  viagem  a  funcionários,  os  conselheiros  Orlando  José  Gonçalves Bueno e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.  (assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto  (assinado digitalmente)  Viviane Vidal Wagner ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Orlando  José Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner,  Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Edijalmo Antônio da Cruz.  Fl. 590DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 591          3   Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão  de primeira instância que julgou totalmente procedentes os autos de infração de IRPJ, CSLL,  PIS  e  COFINS,  lançados  em  razão  de  omissão  de  receita  caracterizada  pela  constatação  de  depósitos bancários não comprovados, e de  IRPJ,  IRRF e CSLL por glosa de despesas,  com  multa de ofício de 75%.  Por bem descrever os elementos constantes dos autos, e considerando razões  de economia processual, peço vênia para transcrever trechos do relatório do acórdão recorrido,  no  que  interessa  ao  presente  julgamento,  visto  que  parte  da  autuação  foi  objeto  de  parcelamento:  Conforme  o  Termo  de  Constatação  Fiscal  de  fls.  291/299,  a  fiscalização  constatou  várias  irregularidades  apresentadas  nos  seguintes itens:  [...]  D­  DAS  OUTRAS  DESPESAS  QUE  CONFIGURAM  MERA  LIBERALIDADE  [...]  D2  ­ DESPESAS COM CONFRATERNIZAÇÃO O  contribuinte  contabilizou na conta 4.1.1.04.0001 ­ Confraternizações diversas  despesas  relativas  a  comemorações  de  aniversários,  nascimentos, presentes, brindes, comemoração do dia da mulher,  comemoração da Páscoa, revelações de filmes, etc, no montante  de R$ 244.936,54.  Por  entender  a  fiscalização  que  tais  despesas  não  se  coadunariam  com  os  requisitos  de  necessidade,  usualidade  e  normalidade das despesas exigidas pelas atividades da empresa,  entendeu ser mera liberalidade do contribuinte, lançando IRPJ e  CSLL  sobre  a  importância  de  R$  244.936,54,  como  Custos,  Despesas Operacionais e Encargos Não Necessários.  D3  ­  DESPESAS  COM  PREMIAÇÃO  A  FUNCIONÁRIOS  A  fiscalização  detectou  despesas  discriminadas  na  conta  4.1.1.04.0015  ­ Despesas  de Viagens,  que  indicam  tratar­se  de  hospedagem de pacote de reveillon da funcionária Flávia Godoy  e  acompanhante  e  do  funcionário  Yuri  Aizemberg  e  acompanhante.  O mesmo concluiu sobre a hospedagem o período de 28/12/01 a  02/01/02 do  funcionário Patrick Golffaux e acompanhante e do  funcionário Marcos Lacerda e acompanhante.  O somatório dos respectivos valores no importe de R$ 30.386,40,  que  foram  deduzidos  na  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  Fl. 591DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 592          4 cálculo da CSLL, por meio da contas 4.1.1..04.0015 ­ Despesas  de  Viagem  e  4.1.1.04.0016  ­  Viagens  Administrativas,  foi  tributado pela fiscalização com Custos, Despesas Operacionais e  Encargos Não Necessários.  E ­ DO MÚTUO NÃO COMPROVADO   E1­  DA  OMISSÃO  DE  RECEITAS  A  empresa  escriturou  na  conta 2.1.1.04.0001 (21114) ­ Roberto Luiz Justus, lançamentos  contábeis  a  crédito,  cujas  contrapartidas  foram  escrituradas  a  débito  na  conta  1.1.1.02.0010  (11.180)  Banco  Bradesco  S/A  ­  12910 , no montante de r$ 364.542,50.  O contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal N° 07) a  apresentar a documentação hábil e idônea (extrato bancário do  mutuante,  coincidentes  em  data  e  valor,  aos  referenciados  no  extrato  bancário  da  mutuada  ­  contribuinte)  e  não  apresentou  para ilidir a presunção legal de omissão de receitas preceituada  pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996.  Foram  lançadas  as  exigências  relativas  ao  IRPJ  e Reflexos  na  rubrica omissão de receitas.  [...]  E3 ­ DO PAGAMENTO SEM CAUSA O mútuo não comprovado  teve  sua  liquidação  mediante  a  devolução,  em  08/10/02,  04/11/02  e  01/12/02,  todos  na  importância  de  R$  125.000,00,  que  contemplava  além  do  principal  a  importância  referente  a  juros  e  foram  considerados  como  pagamento  sem  causa,  nos  termos do art. 61 da lei n° 8.981/1995.  Foi lançado o IRRF sobre os valores acima referidos na rubrica  Pagamento sem Causa.  IMPUGNAÇÃO   O  contribuinte  foi  cientificado  em  18/12/2007,  nos  próprios  autos de infração e apresentou a impugnação de fls. 340/367, em  17/01/2008, na qual apresenta as alegações abaixo sintetizadas.  Inicialmente  informa  que  por  ausência  de  tempo  hábil  para  localização de  documentação  comprobatória,  teria  aproveitado  o  benefício  da  redução  da  multa  de  ofício,  e  efetuado  o  pagamento  do  IRPJ  e  da  CSLL  referentes  aos  itens  D.l  (DESPESAS DE DÍVIDAS PERDOADAS) e E.l  (OMISSÃO DE  RECEITAS),  descritos  no  Termo  de  Constatação  Fiscal  (conforme cálculos e guias DARF anexas (does. 02 a 04).  Esclarece que os valores pagos de IRPJ e CSLL com benéfico da  redução da multa  foram calculados de acordo com os  critérios  retratados  no  auto  de  infração  (com  aproveitamento  de  toda  a  parcela de prejuízos apontada (vide doe. 02).  PRELIMINARES   Fl. 592DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 593          5 Decadência  do  PIS  e  da  COFINS.  A  suposta  omissão  receita  representada por depósitos bancários recebidos entre os dias 12  e  16  de  setembro  de  2002  tratar­se­iam  de  crédito  tributário  relativo a fatos geradores periódicos que se aperfeiçoaram com  o término do mês de setembro de 20202.  Decadência  do  IRRF.  A  exigência  diz  respeito  a  pagamentos  efetuados  em 08/10/2002, 04/11/2002 e 01/12/2002, que  teriam  sido considerados como pagamento sem causa. Caracterizar­se­ iam  por  créditos  tributários  pertinentes  a  fatos  geradores  instantâneos  que  teriam  se  aperfeiçoado,  respectivamente,  em  08/10/2002, 04/11/2002 e 01/12/2002.  O  PIS,  a  COFINS  e  o  IRRF  possuem  a  natureza  de  tributos  sujeitos ao lançamento por homologação, a ciência dos autos de  infração ocorreu em 18/12/2002, data posterior ao escoamento  do  período  de  cinco  anos  da  ocorrência  dos  supostos  fatos  geradores,  e,  portanto,  decaído estava o  direito  ao  lançamento  tributário  com  base  no  artigo  150,  parágrafo  4o,  do  Código  Tributário Nacional.  Mérito   [...]  DA GLOSA DE DESPESAS COM CONFRATERNIZAÇÃO  Por  falta  de  indicação  da  norma  supostamente  infringida,  o  lançamento tributário, neste particular, seria formalmente nulo.  Tais  gastos  (R$  244.936,54)  feitos  para  celebrar  aniversários,  nascimentos,  etc,  seriam  de  pequena  monta  em  relação  ao  faturamento  da  empresa  e  caracterizar­se­iam  como  liberalidades sociais.  DA  GLOSA  DE  DESPESAS  COM  PREMIAÇÂO  DE  FUNCIONÁRIOS   Por  falta  de  indicação  da  norma  supostamente  infringida,  o  lançamento tributário, neste particular, seria formalmente nulo.  Tais gastos (R$ 30.386,40) que corresponderiam à premiação a  funcionários, sob a forma de viagens (pacotes)^ serie legítimas e  absolutamente  conforme  a  lei  tributária,  sendo  o  auto  de  infração neste particular nulo de pleno direito.  DO MUTUO NAO COMPROVADO (OMISSÃO DE RECEITAS,  INDEDUTIBILIDADE  DE  DESPESA  FINANCEIRA  E  IRRF  SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA)  A impugnante não dispondo de tempo hábil para a obtenção de  titularidade do supridor dos recursos mutuados, houve por bem  efetuar o recolhimento do IRPJ e da CSLL   A  própria  extinção  do  crédito  tributário  (seja  por  razão  de  pagamento,  seja  por  decadência)  relativa  a  tais  depósitos  bancários  caracterizados  como  omissão  de  receitas  deveria  elidir  a  obrigação  de  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE  formulada  a  título  de  "pagamento  sem  causa",  uma  vez  que  a  Fl. 593DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 594          6 fundamentação  para  tal  exigência  foi  a  suposta  falta  de  comprovação dos valores mutuados.  Com respeito à exigência do IRRF sobre o pagamento tido como  sem  causa,  não  deve  prosperara  a  autuação,  pois  a  causa  do  pagamento foi o dever legal de restituir o empréstimo contraído.  O  empréstimo  teria  sido  devidamente  comprovado  com  a  exibição dos documentos relativos ao recebimento dos recursos  que  foram  depositados  em  instituição  financeira  idônea  e  devidamente registrados na contabilidade.  O  posterior  pagamento  da  dívida  ­  não  contestado  pela  Autoridade Fiscal – é prova cabal da existência fática e jurídica  do contrato de mútuo.  A  2ª  Turma  da  DRJ/SPO­I,  inicialmente,  restringiu  a  decisão  apenas  às  parcelas dos valores dos itens referentes às glosas de despesas com arredamento mercantil, com  brindes, com confraternização e premiação, que não foram objeto do pagamento pelo REFIS4 e  ao montante integral do pagamento tido como sem causa, que foram objeto de impugnação.    Em  seguida,  julgou  procedente  em  parte  a  impugnação,  reconhecendo  a  decadência  dos  lançamentos  de  PIS  e  COFINS  sobre  a  receita  omitida,  editando  a  seguinte  ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2002   DESPESAS  INDEDUTÍVEIS. ARRENDAMENTO MERCANTIL.  VEÍCULOS DE PASSEIO.  Os  dispêndios  correspondentes  à  contraprestação  de  arrendamento  mercantil  de  veículos  de  passeio,  bem  assim  as  respectivas  despesas  com  seguros  e  manutenção,  são  despesas  indedutíveis na apuração do lucro real, quando não comprovado  que  tais  veículos  são  intrinsecamente  relacionados  com  a  produção ou comercialização dos bens ou serviços.  DESPESAS  COM  LOCAÇÃO  DE  QUADRAS  ESPORTIVAS.  INDEDUTIBILIDADE.  Com  o  advento  do  inciso  II,  do  art.  13  da  Lei  n°  9.249/1995  somente  é  dedutível  o  aluguel  de  bens  imóveis  quando  relacionados  intrinsecamente  com  a  produção  ou  comercialização dos bens e serviços..  DESPESAS  COM  DISTRIBUIÇÃO  DE  BRINDES.  DESPESAS  COM PROMOÇÕES. INDEDUTIBILIDADE.  A  partir  do  ano­calendário  de  1996,  as  despesas  com  distribuição  de  brindes,  aí  incluídas  as  promoções,  independentemente de seu valor ou de sua eventual necessidade  para  o  incremento  da  atividade  econômica  da  empresa,  são  Fl. 594DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 595          7 indedutíveis, para efeito de apuração do  lucro real, nos  termos  preceituados pelo art. 13, inciso VII, da Lei n° 9.249/1995.  DESPESAS  COM  FESTA  DE  CONFRATERNIZAÇÃO.  INDEDUTIBILIDADE.  As  despesas  incorridas  com  a  realização  de  confraternização,  festas  e  almoços  não  se  enquadram  na  definição  de  despesas  necessárias  estabelecida  pela  legislação  tributária,  o  que  implica  considerá­las  indedutíveis  na  apuração  do  lucro  real,  com  exceção das  despesas  com alimentação  concedida  a  todos  os empregados.  DESPESAS  REALIZADAS  COM  VIAGENS  PAGAS  A  FUNCIONÁRIOS  A  TÍTULO  DE  PREMIAÇÃO.  INDEDUTIBILIDADE.  As despesas incorridas com o pagamento de viagens de lazer a  funcionários  a  título  de  premiação,  onde  não  se  comprova  o  benefício  auferido  pelo  sujeito  passivo,  são  indedutíveis  na  apuração do lucro/real, já que são mera liberalidade, não sendo  necessárias à atividade da emprega e à manutenção da sua fonte  produtora, nos termos do art. 299 do RIR/1999.  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA.  CSLL  Aplica­se  à  exigência  dita  reflexa  o  que  foi  decidido  quanto  à  exigência matriz,  devido  a  relação de causa e efeito entre elas.  PIS.  COFINS.  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.  Para  fins  de  cômputo  do  prazo  de  decadência,  tendo  havido  pagamento antecipado, aplica­se a regra do §4°, do art. 150, do  CTN.  Exoneram­se,  assim,  os  valores  relativos  aos  fatos  geradores de setembro de 2002, pois atingidos pela decadência  de cinco anos contados do fato gerador.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­  IRRF   Ano­calendário: 2002   INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS. CONTAGEM DO PRAZO  DECADENCIAL.  Inexistindo  pagamentos  suscetíveis  de  serem  homologados,  o  termo  inicial  da  decadência  corresponde  ao  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  realizado.  PAGAMENTOS SEM CAUSA INCIDÊNCIA.  Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a  beneficiários  não  identificados  assume  o  ônus  do  imposto  de  renda  na  fonte  respectivo,  calculado  sobre  a  base  de  cálculo  reajustada.    Fl. 595DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 596          8 Cientificado  em  01/11/2010  (fl.506­v),  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário ao CARF, em 30/11/2010 (fls.511 e seguintes), em que, inicialmente, esclarece que  os valores  referentes aos  itens A, B e C do TVF foram  incluídos no parcelamento da Lei nº  11.941/2009  e  que  a  discussão  no  presente  processo  diz  respeito  somente  às  seguintes  exigências:  ­  item  D.2:  IRPJ  e  CSLL  em  razão  da  glosa  de  despesas  com  confraternização;  ­  item D.3:  IRPJ  e CSLL  em  razão  da  glosa de  despesas  com premiação  a  funcionários;  ­ item E3: IRRF com base reajustada, sob alegação de pagamento sem causa.  Em  seguida,  sustenta  a  invalidade  dos  lançamentos  pelas  razões  a  seguir  sintetizadas.  Sobre a glosa da dedutibilidade de despesas de confraternização (item D.2),  alega:  (i) que a fiscalização cerceou seu direito de defesa, não lhe dando o adequado  conhecimento dos fatos imputados e fundamento legal da autuação, ferindo o art. 50, II, §1º, da  Lei nº 9.784/99 e o art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72;  (ii)  que  a  decisão  recorrida  está  em  sentido  contrário  ao  da  jurisprudência  administrativa  e  doutrina  majoritária,  pois  os  gastos  incorridos  com  eventos  de  confraternização  da  empresa,  de  pequena monta  em  relação  ao  faturamento,  caracterizam­se  liberalidades  sociais,  cuja  dedutibilidade  já  foi  reconhecida  pela  jurisprudência  do  antigo  Conselho de Contribuintes.  Sobre a glosa da dedutibilidade de despesas com premiações a  funcionários  (item D.3), alega:  (i) que o  lançamento  também é nulo pelas mesmas razões expostas no  item  anterior;  (ii) que as despesas glosadas englobam gastos registrados na conta “viagens  administrativas”,  que  contempla  valores  relativos  a  viagens  sorteadas  entre  todos  os  funcionários da empresa durante a festa de final de anto, e a conta “despesas de viagens”, que  diz respeito a valores empregados em viagens de interesse comercial da empresa.  Sobre o IRRF/pagamento sem causa (item E.3), exigido sobre os pagamentos  referentes a liquidação de mútuo registrado na conta de passivo, tomado junto ao sócio Roberto  Luiz Justos, cuja existência fática foi considerada não comprovada, alega:  (i) decadência, visto que tomou ciência do auto em 18/12/2007, após prazo de  cinco  anos  da  ocorrência  dos  supostos  fatos  geradores  instantâneos,  relativos  aos  dias  08/10/2002,  04/11/2002  e  01/12/2002,  contados  com  base  no  art.  150,  §4º,  do  CTN,  independentemente  da  falta  de  recolhimento  de  IRRF  sob  o  código  5217,  já  que  o  que  se  homologa é a atividade realizada pelo contribuinte no sentido de apurar os tributos devidos;  (ii) que como a recorrente efetuou o recolhimento do IRPJ e CSLL incidentes  sobre  os  valores  de  mútuo  considerados  como  “receitas  omitidas”,  o  enquadramento  da  liquidação  do  respectivo  mútuo  enquanto  “pagamento  sem  causa”  não  tem  mais  como  Fl. 596DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 597          9 prevalecer, não sendo cabível a dupla incidência (IRPJ e IRRF), o que já foi reconhecido pelo  antigo Conselho de Contribuinte;  (iii)  que  se  a  lei  não  exige  contrato  escrito  e  admite  a  simples  prova  da  transferência dos recursos, o mútuo celebrado pela recorrente foi provado devidamente com os  respectivos  depósitos  bancários  e  registros  contábeis,  sendo  indevida  a  exigência  de  IRRF  sobre pagamentos  sem  causa,  já que  a  causa  do  pagamento  é  o  dever  legal  de  restituição,  o  posterior pagamento da dívida, não contestado pela fiscalização, é prova da existência fática e  jurídica do contrato de mútuo.  É o relatório.  Fl. 597DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 598          10   Voto             Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora    Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser  conhecido.  Preliminar de decadência  Sobre a preliminar de decadência do lançamento de IRRF, aduz a recorrente  que  a  contagem  do  prazo  deveria  observar  a  norma  do  art.  150,  §4º,  do  CTN,  independentemente da falta de recolhimento do tributo respectivo.  Além de expressamente reconhecida pela recorrente, a falta de recolhimento  de  IRRF  sob  o  código  5217,  relativo  a  beneficiários  não  identificados,  foi  constatada  pelo  relator da decisão recorrida, conforme documento de fl. 476.  A falta de comprovação de pagamento não atrai a incidência do art. 150, §4º,  do  CTN,  consoante  a  jurisprudência  do  STJ  adotada  sob  a  forma  de  recurso  repetitivo  no  recurso especial – Resp nº 973.733/SC, aplicável aos julgamentos administrativos nos termos  do art. 62­A do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e alterações posteriores).  Assim,  a  contagem  do  prazo  decadencial  para  lançamento  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  inicia­se  a  partir  do  primeiro  dia do  exercício  seguinte  ao  que poderia  haver  lançamento,  o que,  no  caso  concreto,  tendo em conta os  fatos  geradores ocorridos  em  2002, iniciou­se no dia 01/01/2003. Diante disso, verifica­se que a ciência do respectivo auto  de  infração  ocorreu  dentro  do  quinquídio  legal  (18/12/2007),  não  havendo  que  se  falar  em  decadência.  Mérito  No mérito, cabe, incialmente, apreciar a glosa das despesas com (i) festas de  confraternização e (ii) premiação a funcionários, consideradas indedutíveis pela fiscalização.  Nos termos da legislação do imposto de renda, as despesas operacionais, para  serem  consideradas  legítimas,  devem  guardar  natural  e  íntima  relação  com  a  atividade  da  empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora,  tal como dispõem os arts. 277 e  299 do RIR/99, in verbis:  Art.  277.  Será  classificado como  lucro operacional  o  resultado  das  atividades,  principais ou  acessórias,  que  constituam objeto  da pessoa jurídica (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 11) [....].  [...]  Art.  299.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à atividade  da  empresa  e  à manutenção da  respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47).  Fl. 598DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 599          11 §  1º  São  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização das transações ou operações exigidas pela atividade  da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º).  § 2º  As  despesas  operacionais  admitidas  são  as  usuais  ou  normais  no  tipo  de  transações,  operações  ou  atividades  da  empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º).  §  3º O disposto  neste  artigo  aplica­se  também às  gratificações  pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.   Desses dispositivos se depreende que, para fins de dedutibilidade da despesa  na apuração do resultado tributável, são exigidos os requisitos de necessidade e usualidade ou  normalidade. São necessárias as despesas essenciais para a consecução dos objetivos sociais,  ainda  que  secundários,  desde  que  vinculadas  com  as  fontes  produtoras  de  rendimentos;  são  normais  as  despesas  ordinariamente  realizadas  nas  atividades  e  operações  destinadas  à  manutenção  da  fonte  produtora;  e  são  usuais  aquelas  realizadas  de  maneira  frequente  ou  habitual em determinado tipo de atividade ou operação.  A partir da vigência da Lei nº 9.249, de 26/12/95, para fins de apuração do  lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, além de observar o  disposto  nos  dispositivos  do  RIR/99  acima  transcritos,  as  despesas  consideradas  como  necessárias e passíveis de dedução são aquelas pagas ou incorridas na realização de transações  ou  operações  praticadas  em  razão  da  atividade  da  empresa,  observados  critérios  bem  restritivos, como se vê do art. 13 da referida lei:  Art.  13.  Para  efeito  de  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas  as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47  da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964:   I  ­  de  qualquer  provisão,  exceto  as  constituídas  para  o  pagamento  de  férias  de  empregados  e  de  décimo­terceiro  salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro  de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de  junho de  1995,  e  as  provisões  técnicas  das  companhias  de  seguro  e  de  capitalização, bem como das  entidades de previdência privada,  cuja  constituição  é  exigida  pela  legislação  especial  a  elas  aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996)   II  ­  das  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  e  do  aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados  intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e  serviços;   III  ­  de  despesas  de  depreciação,  amortização,  manutenção,  reparo,  conservação,  impostos,  taxas,  seguros  e  quaisquer  outros  gastos  com  bens  móveis  ou  imóveis,  exceto  se  intrinsecamente  relacionados  com  a  produção  ou  comercialização dos bens e serviços;   IV  ­  das  despesas  com  alimentação  de  sócios,  acionistas  e  administradores;  Fl. 599DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 600          12  V ­ das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a  custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares  assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos  empregados e dirigentes da pessoa jurídica;   VI ­ das doações, exceto as referidas no § 2º;   VII ­ das despesas com brindes.   §  1º  Admitir­se­ão  como  dedutíveis  as  despesas  com  alimentação  fornecida  pela  pessoa  jurídica,  indistintamente,  a  todos os seus empregados.   § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações:   I ­ as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991;  II ­ as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação  tenha  sido  autorizada  por  lei  federal  e  que  preencham  os  requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição Federal,  até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes  de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte;   III  ­  as  doações,  até  o  limite  de  dois  por  cento  do  lucro  operacional  da  pessoa  jurídica,  antes  de  computada  a  sua  dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no  Brasil,  sem  fins  lucrativos,  que  prestem  serviços  gratuitos  em  benefício  de  empregados  da  pessoa  jurídica  doadora,  e  respectivos  dependentes,  ou  em  benefício  da  comunidade  onde  atuem, observadas as seguintes regras:   a)  as  doações,  quando  em  dinheiro,  serão  feitas  mediante  crédito  em  conta  corrente  bancária  diretamente  em  nome  da  entidade beneficiária;   b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição  da  fiscalização,  declaração,  segundo  modelo  aprovado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  fornecida  pela  entidade  beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente  os  recursos  recebidos  na  realização  de  seus  objetivos  sociais,  com  identificação  da  pessoa  física  responsável  pelo  seu  cumprimento,  e  a  não  distribuir  lucros,  bonificações  ou  vantagens  a  dirigentes,  mantenedores  ou  associados,  sob  nenhuma forma ou pretexto;   c)  a  entidade  civil  beneficiária  deverá  ser  reconhecida  de  utilidade pública por ato formal de órgão competente da União.  Diante disso, cabe ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil  e idônea, que não apenas suportem os lançamentos contábeis decorrentes, mas que justifiquem  e atestem a dedutibilidade das despesas necessárias, normais e usuais à atividade da empresa.  Em  outras  palavras,  a  dedutibilidade  da  despesa  é  condicionada  à  comprovação  da  efetiva  realização  do  gasto  e  que  estes  tenham  relação  direta  com  pessoas  ligadas à pessoa jurídica e, ainda, que se refiram a eventos relacionados com a atividade fim da  mesma.   Fl. 600DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 601          13 Do  teor  da  legislação  acima,  nota­se  que  as  despesas  com alimentação  dos  empregados,  referidas no §1º do mesmo artigo 13,  foram excepcionalmente  ressalvadas pelo  legislador,  após  a  vedação  expressa  das  despesas  com  alimentação  de  sócios,  acionistas  e  administradores  (art.  13,  inciso  IV).  A  possibilidade  de  dedução  é  concedida  excepcionalmente, dado o caráter da alimentação como meio de subsistência do trabalhador.  Nesse  caso,  estariam  incluídas,  por  exemplo,  as  despesas  com  alimentação  distribuídas através de vale­alimentação ou servida na própria empresa, as quais poderiam ser  deduzidas na apuração do lucro real.   Hipótese distinta são as despesas com alimentação ofertada esporadicamente  em  eventos  festivos,  como  é  o  caso  das  despesas  de  confraternização  objeto  da  glosa  ora  discutida, as quais não se enquadram como despesas necessárias, para fins de dedução do lucro  real.  Ademais,  visto  ser  presumível  que  tais  confraternizações  englobem  funcionários,  sócios  e  administradores,  admitir­se  a  dedução  integral  dessas  despesas  seria  admitir uma forma indireta de contornar a vedação legal prevista no inciso IV do art. 13 da Lei  nº 9.249/95.  Note­se que, no caso concreto, sequer houve comprovação discriminada das  despesas de confraternização.  Outra parte das despesas glosadas corresponde ao pagamento de hospedagem  para funcionários e seus respectivos acompanhantes.  Quanto  a  essas  despesas,  alega  a  recorrente  que  se  referem  a  viagens  sorteadas como prêmios entre os  funcionários, as quais seriam normais, usuais e necessárias,  assim como as despesas com festas de confraternização, haja vista, por suas próprias palavras,  “inserirem­se no contexto das despesas realizadas com as festividades de final de ano”.  Todavia,  no  presente  caso,  considerando  o  exposto  anteriormente,  não  há  dúvida  de  que  os  gastos  com  festas,  brindes  e  prêmios  caracterizam  atos  de  evidente  liberalidade, não restando comprovadas a necessidade, a normalidade e a usualidade da despesa  em  relação  à  atividade  fim  da  empresa,  para  fins  de  dedutibilidade  na  apuração  da  base  de  cálculo do IRPJ e CSLL.  Em  que  pese  existir  jurisprudência  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes  acatando  a  tese  da  dedutibilidade  de  certas  despesas,  desde  que  pudessem  ser  consideradas  razoáveis, o entendimento mais recente desta Corte aponta para a impossibilidade de dedução,  diante das normas legais acima referidas.   Nesse sentido, cabe citar o acórdão nº 120100.439 da 1ª Turma ordinária da  2ª  Câmara  da  1ª  Seção  do  CARF,  de  relatoria  do  ilustre  Conselheiro  Rafael  Correia  Fuso,  julgado à unanimidade na sessão de 25 de fevereiro de 2011, cuja ementa dispõe:  LUCRO REAL. DESPESA INDEDUTÍVEL  Despesas  incorridas  com  a  realização  de  confraternização  de  fim  de  ano  não  se  enquadram  na  definição  de  despesas  necessárias  estabelecida  pela  legislação  tributária,  não  sendo  passíveis de exclusão da apuração do Lucro Real.  Fl. 601DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 602          14 Inteligência do disposto no artigo 299 do RIR/99 e artigo 13 da  Lei n° 9.249/95.  Assim,  nessa  parte,  não  cabe  acatar  a  defesa  apresentada  pela  recorrente,  devendo ser negado provimento ao recurso.  Do imposto de renda retido na fonte ­ IRRF  Quanto ao IRRF sobre pagamentos sem causa, a fiscalização considerou que,  por  pertencer  à  recorrente,  visto  que  não  houve  a  comprovação  da  origem  dos  recursos  depositados  em  conta  mantida  junto  a  instituições  financeiras,  a  quitação  do  mútuo  descaracterizado  representou  um  pagamento  sem  causa,  a  teor  do  inciso  I  do  art.  674  do  RIR/99, que dispõe:           Art.  61.  Fica  sujeito  à  incidência  do  Imposto  de  Renda  exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento,  todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário  não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.          § 1º A incidência prevista no caput aplica­se, também, aos  pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou  sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não  for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa,  bem  como  à  hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.          § 2º Considera­se vencido o Imposto de Renda na fonte no  dia do pagamento da referida importância.           §  3º  O  rendimento  de  que  trata  este  artigo  será  considerado  líquido,  cabendo  o  reajustamento  do  respectivo  rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.  A recorrente sustenta que, uma vez que recolheu os débitos de IRPJ e CSLL e  teriam  decaído,  segundo  ela,  o  PIS  e  a  Cofins,  todos  incidentes  sobre  referida  receita,  a  exigência de  IRRF deixou de  ter  legitimidade sob o  título de "pagamento sem causa", pois a  fundamentação  para  tal  exigência  teria  sido  justamente  a  falta  de  comprovação  dos  valores  mutuados.  Ora,  inexiste  lançamento  condicional.  Uma  vez  caracterizada  a  infração  à  legislação  tributária,  compete  à  autoridade  fiscal,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  lavrar o respectivo auto de infração, o qual não se anula em face de posterior cumprimento da  norma tributária. No mesmo sentido tem se manifestado reiteradamente o CARF, por exemplo,  em relação ao arbitramento do lucro em razão da falta de apresentação da escrituração contábil  e fiscal, culminando com a edição da Súmula CARF nº 59:   A  tributação  do  lucro  na  sistemática  do  lucro  arbitrado  não  é  invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros  e  documentos  imprescindíveis  para  a  apuração  do  crédito  tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos  durante o procedimento fiscal.    Fl. 602DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004275/2007­25  Acórdão n.º 1202­00.832  S1­C2T2  Fl. 603          15 Assim,  eventual  “reconhecimento”  da  omissão  e  recolhimento  do  IRPJ  e  CSLL  lançados  na  forma  da  legislação  não  tem  o  condão  de  elidir  a  correta  incidência  do  IRRF, na forma do art. 674 do RIR/99, caracterizado pela falta de identificação do beneficiário  ou da causa da operação no momento da fiscalização. Sem razão a  recorrente  também nessa  parte.  Dispositivo  Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Viviane Vidal Wagner                            Fl. 603DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO

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