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Numero do processo: 10840.000525/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO.
Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ do médico ou de outro profissional da área de saúde que prestou o serviço, são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresentada declaração complementando as informações neles ausentes.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA
Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n o 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE
É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula n o 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula nº 4 do CARF, vigente desde 22/12/2009.
Numero da decisão: 2202-000.958
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 21.145,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ do médico ou de outro profissional da área de saúde que prestou o serviço, são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresentada declaração complementando as informações neles ausentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n o 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula n o 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula nº 4 do CARF, vigente desde 22/12/2009.
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RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ do médico ou de outro profissional da área de saúde que prestou o serviço, são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresentada declaração complementando as informações neles ausentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula no 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 2 mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula no 4 do CARF, vigente desde 22/12/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 21.145,00. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10840.000525/200791 Acórdão n.º 220200.958 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 23, integrada pelos documentos de fls. 24 e 25, pela qual se exige a importância de R$14.396,02, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, ano calendário 2004, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 24, verificase que foram apuradas as seguintes infrações: 1. glosa de despesas médicas no valor de R$27.941,00, por falta de comprovação; 2. glosa de contribuição à previdência privada e Fapi, no montante de R$24.408,17, por falta de comprovação. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 19, instruída com os documentos de fls. 20 a 34, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 38 e 39): Na impugnação apresentada às fls.01/19, em 11/10/2007, a Impugnante alega em síntese que: • Tem direito à dedução das despesas declaradas e comprovadas, sendo indevida a glosa efetuada pela fiscalização; • Está apresentando os comprovantes que demonstram claramente as despesas médicas e odontológicas efetuadas, e estão em conformidade com os requisitos exigidos pelo Regulamento do Imposto de Renda, em seu art. 80; • Somente caberia a exigência de cheques ou extratos bancários para a comprovação das despesas médicas, no caso de não ser possível a prova, por documento, que preencha os requisitos estabelecidos no art. 80 do RIR/99; • A Notificação de Lançamento encontra fundamento tão somente em mera presunção arbitrária, eis que, simplesmente, desconsidera os recibos de despesas médicas apresentados, sem qualquer prova de suas inidoneidades; • A aplicação dos juros à Taxa SELIC, apesar de previsto em norma de patamar de lei ordinária, contraria norma de escalão hierárquico superior, notadamente a regra contida no art. 161; § 1° do CTN, sendo sua aplicação totalmente improcedente; • A multa aplicada ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, portanto, forçoso o cancelamento da multa imposta, devendo, no mínimo, ser reduzida ao patamar de 20% (vinte por cento) em conformidade com o art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/96. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 4 Apreciando a impugnação apresentada, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 1731.916 (fls. 37 a 47), de 18/05/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito às suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 80, §1o, III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). GLOSA DE DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI Restabelecese a dedução com Previdência Privada pleiteada na declaração de ajuste anual, à vista da comprovação documental. JUROS. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do §1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. A multa de 75%, prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável sempre nos lançamentos de ofício realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual os seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A decisão a quo restabeleceu o valor da contribuição à previdência privada declarada pela contribuinte e manteve integralmente a glosa das despesas médicas. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 01/06/2009 (vide AR de fl. 49 verso), o contribuinte apresentou, em 30/06/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 50 a 73, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 20), no qual, após breve relato dos fatos, reitera os termos de sua impugnação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10840.000525/200791 Acórdão n.º 220200.958 S2C2T2 Fl. 3 5 DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 03, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 18/08/2010, veio numerado até à fl. 74 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Despesas médicas Inicialmente, cumpre esclarecer que não se discorda de que o ônus da prova é de quem acusa ou de quem pleiteia algo em face de outra pessoa e, por conseguinte, cabe ao fisco o ônus da prova da infração imputada ao contribuinte, demonstrando e comprovando a ocorrência do fato gerador diretamente vinculado à obrigação fiscal exigida. Contudo, em se tratando de situações em que há a redução da base de cálculo do imposto, em razão de certos privilégios ou benefícios concedidos pela legislação, compete ao contribuinte comprovar que tem direito a eles, caso contrário, está o fisco autorizado a efetuar as glosas correspondentes. No caso das deduções da base de cálculo do ajuste anual, o art. 73 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), estabelece expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar tais deduções, deslocando para ele o ônus probatório. No caso das despesas médicas, a Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim dispõe: Art. 8o A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10840.000525/200791 Acórdão n.º 220200.958 S2C2T2 Fl. 4 7 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] De acordo com o dispositivo legal acima transcrito, podem ser deduzidos da base de cálculo do ajuste anual os pagamentos efetuados pelo contribuinte a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, bem como os pagamentos efetuados aos planos de saúde, desde que relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Ainda de acordo com a lei, o contribuinte deve comprovar as despesas médicas incorridas mediante apresentação de documento que especifique o pagamento, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Até prova em contrário, atendidos os requisitos legais, os recibos fornecidos pelo profissional da área de saúde nos quais esteja consignado que o pagamento deuse em razão de tratamento prestado ao contribuinte ou a seus dependentes são documentos hábeis para comprovar a prestação do serviço. A legislação não exige que o profissional discrimine o serviço prestado, até porque eles devem guardar sigilo em razão do exercício de sua profissão. Além disso, não há na legislação nada que proíba o pagamento em dinheiro e, muito menos, que obrigue o contribuinte a apresentar outra prova que demonstre a transferência efetiva de numerário (cópia de cheque, saque da conta corrente do contribuinte ou depósito feito na conta do beneficiário etc), além do próprio recibo fornecido pelo prestador do serviço. Nesse sentido, cabe invocar o art. 320 do Novo Código Civil (Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002), em que se admite o uso de instrumento particular, como os recibos ora analisados, como forma de quitação: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. Assim, não cabe à fiscalização fazer ilações quanto à forma de pagamento sem apresentar elementos de prova contundentes que conduzam a conclusão de que os serviços não foram efetivamente pagos. Por fim, não há nenhum óbice à utilização de recibos comuns pelos médicos dentistas ou outro profissional da saúde, desde que contenham as informações requeridas na legislação. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 8 Feitas essas digressões, passase à análise da documentação apresentada pelo contribuinte. Os recibos e notas fiscais abaixo discriminados, possuem a perfeita identificação do prestador do serviço de acordo com os requisitos legais (nome, endereço e CPF ou CNPJ), e, portanto, comprovam o pagamento de serviços médicos, odontológicos e hospitalares prestados à contribuinte, durante o anocalendário fiscalizado, razão pela qual essas despesas devem ser restabelecidas a título de dedução de despesas médica. Prestador do Serviço Documentos (folhas) Valor (em Reais) Clínica de Medicina Tradicional Chinesa 29 120,00 Dra. Juçara Montaldi 30 200,00 Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas da FURPUSP 31 25,00 Dr. Marcos Virgílio de Lazari 33 e 34 20.800,00 Total 21.145,00 Caso duvidasse da idoneidade desses documentos, caberia a fiscalização ter se aprofundado mais na ação fiscal, diligenciando junto ao profissional, consultando os órgãos representativos de classe para verificar a aptidão técnica e profissional para a execução dos serviços ou carreando outros elementos de prova que pudessem demonstrar, de forma incontestável, que tais documentos não correspondiam aos fatos neles contidos, o que não ocorreu. Quanto as demais despesas pleiteadas, essas não podem ser restabelecidas. Nos recibos de fls. 27 e 28, o nome de quem teria efetuado o pagamento está incompleto, consta apenas “Maria Tereza”, razão pela qual não pode ser aceito para fins de dedução. Da mesma forma, o recibo de fl. 32 não serve para comprovar despesas médicas, uma vez que não foi emitido pelo prestador do serviço. Destarte, há que se restabelecer despesas médicas no montante de R$21.145,00. Multa de oficio Quanto à alegação de violação aos princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e do nãoconfisco, verdade é que, em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de tributo, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora deve aplicar a multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. A multa de mora de 20% só poderia ser aplicada se o presente crédito tributário não decorresse de um lançamento de ofício, mas sim de um procedimento de iniciativa do próprio sujeito passivo, no qual a única infração cometida fosse o atraso de recolhimento. Isto porque, uma vez que as multas de ofício estão previstas em ato legal vigente, regularmente editado, descabida mostrase qualquer manifestação deste Colegiado no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia, por força do disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), que regula o julgamento administrativo de segunda instância. Ademais, esse entendimento já se encontra sumulado pelo CARF, desde 22/12/2009: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10840.000525/200791 Acórdão n.º 220200.958 S2C2T2 Fl. 5 9 Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic Na verdade, a exigência dos juros apurados a partir da Taxa SELIC está prevista, de forma literal, no artigo 13 da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995 e no § 3o do art. 61 da Lei no 9.430/1996, não havendo como afastála sem expurgar, também, tais dispositivos literais de lei. Ademais, esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula no 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em, em vigor desde 22/12/2009: Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Destarte, há que se referendar o feito fiscal naquilo que se relaciona com a aplicação da Taxa SELIC como juros de mora. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso, para restabelecer despesas médicas no valor total de R$21.145,00. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA
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Numero do processo: 13971.000771/2008-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL.
Comprovado nos autos o pagamento parcial este é considerado apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4, do CTN.
Numero da decisão: 9202-007.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. Comprovado nos autos o pagamento parcial este é considerado apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 07 71 /2 00 8- 27 Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.348 2 Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 240200.122, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. O presente auto de infração decorre das contribuições devidas à Seguridade Social, no valor de 12.083.107,86 (doze milhões, oitenta e três mil, cento e sete reais e oitenta e seis centavos), correspondentes à contribuição doe segurados e da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e a outras entidades e fundos (terceiros) INCRA e SEBRAE. As contribuições objeto da NFLD não foram objeto de declaração nas guias de FGTS e GFIP. O lançamento compreende o período de 08/2000 a 12/2006, tendo a recorrente sido devidamente notificada do lançamento em 12.03.2008.O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 289/321. A DRJ julgou totalmente improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 288/332, por meio do qual aduziu o recorrente, em preliminar, existência de decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 12.03.2003, e, no mérito, aduziu, dentre outras, ser a multa abusiva e confiscatória. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 901/910, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, determinando a exclusão do auxiliocreche da base de cálculo, e mantendose na integralidade os períodos posteriores. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4°, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PRÊMIO ASSIDUIDADE. PLANOS DE SAÚDE. SEGURO DE VIDA. O salário de contribuição é compreendido Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.349 3 como a remuneração, na qual se considera a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive as gorjetas. Somente são permitidas as exclusões expressamente previstas no artigo 28, § 9° da Lei 8.212/91. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO CRECHE. O auxilio creche, concedido pelas empresas aos filhos de seus funcionários menores de 06 (seis) anos, a teor do art. 28, 9 °, "m", da Lei 8., não integram o salário de contribuição, possuindo nítido caráter indenizatório, sendo dispensada a comprovação dos gastos efetuados conforme iterativa jurisprudência. COOPERATIVA DE TRABALHO. A contribuição previdenciária incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços prestados pelos cooperados através de cooperativa de trabalho. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. SEBRAE. MULTA. EXCESSIVIDADE. Falece ao Conselho de Contribuintes a competência para análise da constitucionalidade de normas tributárias, atividade privativa do Poder Judiciário, nos termos da Súmula n.02. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n. 03 do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIG para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário provido em parte Às fls. 917/921, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, arguindo erro material da data constante sobre o prazo decadencial, os quais foram acolhidos pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 923/928, “para sanar a contradição apontada e retificar o voto condutor e sua parte dispositiva, no que se refere a decadência, para reconhecer a extinção do lançamento das competências até 11/2000, nos termos do art. 173, I, do CTN”. Às fls. 1053/1063, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, arguindo erro material da data constante sobre o prazo decadencial, os quais foram acolhidos pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1071/1076, e re ratificados às fls. 1080/1084, para “para reconhecer a extinção do lançamento das competências até 11/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN”. Às fls. 1094/1148, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação as seguintes matérias: 1. Nulidade parcial do Acórdão que julgou os Embargos de Declaração da contribuinte. Apesar de a contribuinte ter apresentado Embargos de Declaração elencando uma série de fundamentos não analisados pelo Acórdão recorrido, o Acórdão que julgou os Embargos de Declaração se limitou a consignar trechos do voto anteriormente proferido e a afirmar que não existiam os vícios apontados pela empresa. Diferentemente, o acórdão paradigma concluiu que "A ausência de análise de argumento devidamente ventilado em Recurso Voluntário caracteriza inequívoco cerceamento de defesa. Este vício impinge a nulidade do ato, por força do que dispõe o art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72"; 2. Prazo decadencial do auto de infração. O acórdão recorrido Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.350 4 interpretou que no caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o art. 150, § 4º do CTN só seria aplicado quando fosse constatada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, essa não é a melhor solução, conforme as decisões dos acórdãos paradigmas: estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, a decadência a ser aplicada seria aquela constante do art. 150, § 4º do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento. Nessa hipótese, é perfeitamente legal e possível afirmar que a ausência do pagamento não desnatura o lançamento por homologação, mormente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei; 3. Não incidência das contribuições sobre as seguintes verbas pagas pela empresa: (a) participação dos administradores nos resultados da empresa. Apesar de ser incontroverso que a participação dos administradores nos resultados da empresa sempre foi paga conforme a sistemática prevista na Lei n° 6.404/76, o acórdão recorrido asseverou que deveriam incidir contribuições previdenciárias sobre tal verba. Já o acórdão paradigma é bastante claro: "Do que posto, temos que, para a configuração do fato gerador, a autoridade fiscal deveria ter apontado o descumprimento dos requisitos elencados, o que não foi feito. Ao contrário, a recorrente traz elementos que corroboram com o alegado de que cumpriu as determinações legais, afastando assim a incidência previdenciária, consoante art. 28, §9°, 'j' da lei 8212/91. (...) A hipótese em comento diz respeito a distribuição de resultados aos administradores, prevista na lei 6404/76, não se confundindo com remuneração pelo serviço prestado"; (b) PPR – Programa de Participação nos Resultados da empresa (suposto "prêmio absenteísmo/assiduidade"). Em ambos os processos – acórdãos recorrido e paradigma, o Fisco considerou que a participação nos resultados, paga pela empresa aos funcionários, seria "prêmio assiduidade". Todavia, o paradigma consignou que: "Discordo da solução adotada no julgamento de origem. Entendo que o critério da assiduidade, que consistia no cumprimento integral da jornada de trabalho não é suficiente para transfigurar a forma acordado pelos celebrantes da Convenção Coletiva de Trabalho". Ou seja, enquanto o acórdão recorrido entendeu que o PPR seria, na verdade, "prêmio assiduidade", o paradigma asseverou que, quando a assiduidade é uma das metas a serem atingidas para se receber o PPR (como no caso da contribuinte), sobre essa verba não poderiam incidir as contribuições. (c) Plano de saúde. Diferentemente do que decidiu o acórdão recorrido, o acórdão paradigma firmou o entendimento de que, quando o benefício (plano de saúde) se estende a todos os empregados e dirigentes da empresa, sobre ele não incidem contribuições previdenciárias; e (d) Seguro de vida. Enquanto para o acórdão recorrido devem incidir contribuições sobre essa verba, para o paradigma isso não pode ocorrer quando ela atinja a totalidade dos funcionários e dirigentes . Às fls. 1265/1273, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação apenas à segunda divergência, relativa ao prazo decadencial do tributo, restando mantido o despacho em sede de Reexame de Admissibilidade pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 1274. Às fl. 1276/1280, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, ratificando os argumentos da decisão para requerer a sua manutenção na parte recorrida pelo Contribuinte. Às fls. 1283 e ss., o processo veio a julgamento, porém, observado que o processo se encontrava com irregularidades processuais, foi determinada diligência para levantar os débitos e respectivos recolhimentos de contribuições previdenciárias patronais, dos segurados e destinada a terceiros sobre a remuneração dos segurados empregados sobre a folha Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.351 5 de pagamentos, contribuintes individuais e cooperativas de trabalho, nas competências de 12/2002 a 03/2003, e para elaborar relatório conclusivo. A União tomou ciência, à fl. 1311, e o Contribuinte também foi cientificado, conforme fl. 1317. À fl. 1323, o processo veio novamente à julgamento, contudo foi verificado que a diligência determinada às fls. 1283 e ss. não foi cumprida, por isso, determinouse novamente o retorno dos autos, fazendose necessário os esclarecimentos solicitados em sede de resolução (Resolução n° 9202000.088). A diligência restou cumprida pela DRJ, às fls. 1336/1337, através da qual a Delegacia de fiscalização informou as Contribuições declaradas e recolhidas no período em discussão (competências anteriores a março/2003), listando as rubricas por competência e valores, sendo, portanto, suficientes, para o deslinde da questão. INCLUÍDO O Contribuinte cientificado, conforme fl. 1339, motivando apresentação de Manifestação, às fls. 1343/1344, fazendo constar que “em relação à contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/1991, foi declarada inconstitucional pelo STF no julgamento, sob a sistemática do art. 543B do CPC/73, do RE nº 595.838/SP”. Os autos retornaram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. O presente auto de infração decorre das contribuições devidas à Seguridade Social, no valor de 12.083.107,86 (doze milhões, oitenta e três mil, cento e sete reais e oitenta e seis centavos), correspondentes à contribuição doe segurados e da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e a outras entidades e fundos (terceiros) INCRA e SEBRAE. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Decadência Pagamento apto a atrair o art. 150, § 4º, do CTN. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à decadência, afirmando que, conforme entendeu o acórdão paradigma, o pagamento de contribuição incidente sobre qualquer rubrica da folha de Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.352 6 salário caracteriza a antecipação de pagamento, devendo, assim, ser utilizada a regra prevista no artigo 150, § 4°, do CTN. O Recurso Especial insurgiuse tão somente quanto à tese decadencial, conforme relatado alhures. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão, necessário se faz que se observem outros requisitos. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.353 7 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Da análise dos autos não restava evidente este recolhimento, o que motivou a baixa do processo em diligência, a fim de elucidar tais questões. Do relatório apresentado pela unidade fiscalizadora foi possível detectar recolhimentos a título de folha de pagamento, os quais aproveitam a rubrica discutida na Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.354 8 infração vinculada a este processo – correspondentes à contribuição dos segurados e da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e a outras entidades e fundos (terceiros) INCRA e SEBRAE. No caso em tela, portanto, não assiste razão ao acórdão recorrido, devendo este ser reformado já que comprovado que o Contribuinte efetuou a antecipação de seu pagamento. Assim, considerando que houve a comprovação do adiantamento de parte da contribuição previdenciária devida face a existência de pagamento antecipado tal reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN Nestes termos deve ser declarada a decadência das competências anteriores a março de 2003. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1354DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.900180/2009-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROVANDO A RETENÇÃO NA FONTE. AGÊNCIAS DE TURISMO, OBRIGAÇÃO DE EFETUAR A RETENÇÃO. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL.
No caso empresas de turismo, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da própria prestadora (agência de turismo) incidentes sobres as comissões por ela auferidas. O contribuinte juntou aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado, os quais justificam uma nova análise do direito creditório vindicado.
Numero da decisão: 1003-000.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, exercício 2004, considerando as informações e provas colacionadas aos presentes autos no recurso voluntário. Havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito a título de saldo negativo de IRPJ, que seja realizada a homologação da DCOMP objeto desse processo.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROVANDO A RETENÇÃO NA FONTE. AGÊNCIAS DE TURISMO, OBRIGAÇÃO DE EFETUAR A RETENÇÃO. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. No caso empresas de turismo, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da própria prestadora (agência de turismo) incidentes sobres as comissões por ela auferidas. O contribuinte juntou aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado, os quais justificam uma nova análise do direito creditório vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, exercício 2004, considerando as informações e provas colacionadas aos presentes autos no recurso voluntário. Havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito a título de saldo negativo de IRPJ, que seja realizada a homologação da DCOMP objeto desse processo. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 01 80 /2 00 9- 61 Fl. 334DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 06-36.427, de 12 de abril de 2012, da 2ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no Relatório do acórdão da DRJ, reproduzo-o abaixo: Trata o processo das Declaração de Compensação Per/Dcomp, todas retificadoras enviadas em 12/01/2008 e em 28/02/2008, de págs. 2/49, relativas à compensação de débitos 599301 IRPJ PJ optantes pelo lucro real/Estimativa mensal, 12/2003 a 08/2004, com direito creditório de Saldo Negativo (SN) de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ do exercício 2004, no valor original total requerido de R$ 13.815,75. 2. A DRF em Foz do Iguaçu/PR, depois de ter intimado a empresa a esclarecer a divergência entre os valores constantes da Dcomp e os da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ (em 08/08/2008, pág. 53, sem que conste resposta do contribuinte), emitiu o Despacho Decisório de págs. 52, 54/58, em 18/02/2009, nº de rastreamento 821026708, comunicando que não homologou as compensações declaradas porque o valor do SN IRPJ na DIPJ difere e é inferior ao que é requerido nas Dcomp; apurou o saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 27/02/2009, no valor do principal de R$ 13.815,75, acrescido de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório por via postal (AR recebido em 05/03/2009, pág. 53), a contribuinte apresentou, tempestivamente, em 17/03/2009, a manifestação de inconformidade de págs. 59/61, com os documentos de págs. 62/124. 4. Informa que o regime de tributação no ano calendário de 2003 foi lucro estimado, portanto, apurou o IRPJ sobre a receita bruta e pagou de conformidade com Darfs e Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, código 8045, que anexa. 5. Demonstra a evolução dos recolhimentos efetuados, do IRRF e IRPJ compensados do ano calendário de 2003 à pág. 59, computando saldo credor inicial de 31/12/2002, no valor de R$ 2.953,49, nos meses de 01 a 05/2003 e um “Saldo a compensar/2004” de R$ 4.609,17; explica que, em dezembro, apurou o Balanço Geral do ano calendário de 2003, com base em balancetes de redução/suspensão, apurando IRPJ devido no ano no valor de 15.005,78, tendo compensado R$. 10.537,16 mais o saldo remanescente de 2002 no valor de R$ 2.953,49; houve IRRF no valor de R$ 6.124,30, totalizando R$ 19.614,95, resultando um saldo a compensar para ano calendário de 2004 o valor de R$ 4.609,17. 6. À pág. 60, efetua demonstrativo análogo referente ao ano-calendário 2004, partindo do saldo credor de R$ 4.609,17 de 31/12/2003 e apurando no final o saldo credor de IRPJ em 31/12/2004 (a ser compensado em 2005) no valor de R$ 9.975,74; explica que, em dezembro, foi apurado o Balanço Geral do ano calendário de 2004, com base em balanço de redução/suspensão, não apurando IRPJ por ter apresentado prejuízo, apresentando, portanto um saldo a compensar para os exercícios seguintes no valor de R$ 9.975,74, proveniente do saldo a compensar de 2003, no valor de R$. 4.609,17, mais o imposto pago em 2004 no valor de R$ 2.642,08 e mais o IRRF em 2004 no valor de R$ 2.636,54, perfazendo o total ser compensado futuramente no valor de R$ 9.975,74. 7. O contribuinte protocolizou ainda em, 28/04/2009, Requerimento de Baixa de débito 5993 IRPJ de 03/2003, no valor de R$ 559,00, indevidamente compensado na retificadora Dcomp nº 14141.41767.120108.1.7.023903, quando a intenção era Fl. 335DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 compensar o débito de 03/2004; comprova o erro de fato com o recolhimento referente a 03/2003 em Darf e a Dcomp original nº 23397.81573.2900404.1.3.021480 de 29/04/2004, págs. 127/148; à pág. 149, o despacho da DRF em Foz do Iguaçu/PR, acatando as razões referentes a erro de fato, o que não altera o resultado do Despacho Decisório deste processo, contestado. A 2ª Turma da DRJ/CTA julgou a manifestação de inconformidade improcedente, e não reconheceu o crédito informado pela contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/01/2004, 27/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004 PER/DCOMP ELETRÔNICO NÃO HOMOLOGADO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ NÃO CONFIRMADO. Correta não homologação de compensação se a existência de crédito de saldo negativo de IRPJ pleiteado não é confirmada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados A contribuinte foi intimada do acórdão proferido pela DRJ no dia 08/05/2012 (e- fls.190) e, irresignada com a decisão, apresentou Recurso Voluntário aos 01/06/2012, conforme razões abaixo sintetizadas: - Por se tratar de empresa do ramo de agência de viagens e turismo, as retenções de Imposto de Renda tem tratamento diferenciado, no qual o recolhimento do imposto deve ser efetuado pela pessoa jurídica beneficiária do rendimento, ficando a fonte pagadora desobrigada da retenção; - Destaca que o imposto de renda retido na fonte foi recolhido com o código 8045 e os mesmos foram declarados em DCTF e informados na Ficha 43 da DIPJ/2003, ano calendário 2002; DIPJ 2004, ano calendário 2003 e DIPJ 2005, ano calendário 2004; - A Recorrente anexou DARF recolhidos pela empresa nos ano calendários de 2002, 2003 e 2004 como prova dos recolhimentos, bem como juntou comprovantes anuais de retenção enviadas às fontes pagadoras para constarem m sua DIRF como se retido fosse. É o Relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 336DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 O presente processo refere-se às Per/Dcomp retificadoras (e-págs. 02 a 49), todas requerendo o reconhecimento do direito creditório de Saldo Negativo de IRPJ do exercício 2004, apurado em 31/12/2003, a fim de quitar débitos de estimativas de IRPJ, código 5993, dos meses 12/2003 e 01 a 08/2004. A compensação não foi homologada, porque o saldo negativo informado na DIPJ do período não corresponde ao valor do saldo negativo apontado no Per/Dcomp. O valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de credito foi de R$ 16.661,46 e o valor do saldo negativo Informado na DIPJ foi R$ 4.609,17. Em julgamento na primeira instância administrativa, depois de analisar as informações disponíveis no sistema, a DRJ/CTA verificou não existir saldo negativo de IRPJ em 31/12/2003, e destacou que o contribuinte relacionou valores retidos por seus clientes no total de R$ 6.702,08, porém, sem apresentar comprovantes dessas retenções. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente destaca que, por se tratar de empresa do ramo de agência de viagens e turismo, as retenções de Imposto de Renda tem tratamento diferenciado, no qual o recolhimento do imposto deve ser efetuado pela pessoa jurídica beneficiária do rendimento, ficando a fonte pagadora desobrigada da retenção e juntou aos autos os DARFs recolhidos pela empresa nos ano-calendários de 2002, 2003 e 2004 e anexou os comprovantes anuais de retenção enviadas às fontes pagadoras para que essas informassem em suas respectivas DIRFs. Destacou ainda a Recorrente na sua peça de defesa que o Imposto de Renda Retido na Fonte foi recolhido com o código 8045, constando os referidos DARFs nas respectivas DCTF e na Ficha do Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ de cada ano. A Recorrente, assim, em grau de recurso voluntário, acostou novos documentos ao processo, os quais, segundo defende, são suficientes para comprovar as retenções na fonte não reconhecidas pela decisão de primeira instância. A Lei nº 11.771/2009, que instituiu a Política Nacional de Turismo, especificou as atividades que competem às agências de turismo, conforme artigo abaixo: Art. 27. Compreende-se por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. § 1o São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. § 2o O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultando-se à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. § 3o As atividades de intermediação de agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos seguintes serviços turísticos fornecidos por terceiros: I - passagens; II - acomodações e outros serviços em meios de hospedagem; e Fl. 337DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 III - programas educacionais e de aprimoramento profissional. Conclui-se, portanto, que a receita auferida pelas agências de turismo é composta, entre outras, pela comissão recebida dos fornecedores de serviços turísticos, entre os quais se encontram as pessoas que atuam nos meios de hospedagem, passagens e venda de excursões. A retenção do imposto de renda na fonte, relativamente aos pagamentos a título de comissões, encontra-se disciplinada no inciso I do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985: Art 53 - Sujeitam-se ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: I - a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; A regulamentação do dispositivo legal acima foi efetuada pela Instrução Normativa SRF nº 153, de 5 de novembro de 1987, abaixo descrito: O Secretário da Receita Federal, no uso da competência que lhe foi delegada pelo Ministro da Fazenda por meio da Portaria Ministerial nº 371, de 29 de julho de 1985, e tendo em vista as disposições do artigo 53, I, da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, e do artigo 2º do Decreto-Lei nº 1.056, de 21 de outubro de 1969, RESOLVE: 1 - O recolhimento do imposto de renda previsto no inciso I do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, será efetuado pela pessoa jurídica que receber de outras pessoas jurídicas importâncias a título de comissões e corretagens relativas a: (...) e) vendas de passagens, excursões ou viagens. 2 - As pessoas jurídicas que pagarem ou creditarem as comissões e corretagens referidas no item 1 ficam desobrigadas de efetuar a retenção do imposto. 2.1 - Neste caso, a beneficiária da comissão ou corretagem deverá fazer constar do documento comprobatório o valor do imposto que assume a responsabilidade de recolher. 3 - Quando houver repasse de parte da comissão relativa a determinada operação, o recolhimento será efetuado pelo valor líquido recebido pela pessoa jurídica, assim considerada a diferença entre o valor das comissões recebidas e o das repassadas a outra(s) pessoa(s) jurídica(s) em cada quinzena. 4 - O recolhimento do imposto será efetuado até o último dia da quinzena seguinte àquela em que as comissões e corretagens tenham sido recebidas com indicação do código 8045 (Comissões e Serviços de Propaganda - art. 53 da Lei nº 7.450/85) no campo 20 do Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF. Conclui-se, pois, que a regulamentação do setor buscou concentrar nas agências de turismo a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto de renda na fonte, incidente sobre as comissões por elas percebidas. A responsabilidade pelo recolhimento do imposto na fonte é exclusivamente da agência de turismo, pessoa jurídica beneficiária da comissão. Essa também foi conclusão Fl. 338DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 extraída das da Soluções de Consulta nº 11, de 08 de março de 2018 e nº 22, de 16 de janeiro de 2017. Logo, de fato, as informações e documentos trazidos pela Recorrente em seu recurso voluntário configuram, ao meu sentir, documentos indispensáveis para a sua defesa e devem ser analisados pela DRF de Foz do Iguaçú para verificar se as retenções apontadas pela Recorrente na manifestação de inconformidade estão comprovadas através dos DARFs e Declarações de Rendimentos acostados ao recurso voluntário. A Declaração de Compensação é um processo que visa restituir quantias pagas a título de tributos ou contribuições que são administrados pela Receita Federal do Brasil, que foram recolhidos indevidamente ou ainda, quando o valor pago é maior do que aquele realmente devido. Ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, previsto na legislação fiscal federal. É importante observar que os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A decisão da DRJ, porém, estava fundamentada primordialmente na ausência de comprovação do crédito e, em razão desse posicionamento, a Recorrente acostou novos documentos para comprovar suas alegações. A autoridade julgadora, por outro lado, deve se orientar pelo princípio da verdade material quando da apreciação das prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O princípio da ampla defesa, por outro lado, garante ao contribuinte o direito de defender-se plenamente de todos os fatos e fundamentos dentro do processo administrativo. Em que pese ter a Recorrente juntado os documentos apenas em grau de recurso, em obediência à verdade material que deve pautar os processos administrativos e da formalidade moderada e na permissão concedida pelo art. 38 da Lei 9.784/99, o contribuinte tem a possibilidade de juntar documentos indispensáveis para sua defesa mesmo após a manifestação de inconformidade. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para a juntada de provas nesse caso específico e, para evitar prejuízo à defesa ou evitar supressão de instância de julgamento, haja vista que as questões trazidas no recurso voluntário não foram enfrentadas nas instâncias anteriores, deve o processo retornar à DRF de origem para que seja possível analisar as declarações da Recorrente quanto à demonstração da liquidez e certeza do crédito, através da análise dos documentos juntados nesta oportunidade. À luz dos documentos contábeis juntados aos autos, verifica-se tratar-se de hipótese que faz jus a uma nova análise pela Unidade Local do direito creditório alegado. Fl. 339DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, exercício 2004, considerando as informações e provas colacionadas aos presentes autos no recurso voluntário. Havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito a título de saldo negativo de IRPJ, que seja realizada a homologação da DCOMP objeto desse processo. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 340DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001840/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Os créditos bancários não comprovados de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório não supere R$ 80.000,00 no ano-calendário, não perfazem rendimentos omitidos para efeito de lançamento.
ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova para modificar ou desconstituir crédito contido em lançamento tributário é do contribuinte.
Numero da decisão: 2402-007.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação quanto à aplicação concomitante da multa de ofício com multa isolada, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os créditos bancários não comprovados de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório não supere R$ 80.000,00 no anocalendário, não perfazem rendimentos omitidos para efeito de lançamento. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova para modificar ou desconstituir crédito contido em lançamento tributário é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação quanto à aplicação concomitante da multa de ofício com multa isolada, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 40 /2 00 6- 11 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 523 2 (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 501) pelo qual a recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de julgadora de primeiro grau considerou apenas parcialmente procedente impugnação contra lançamento de IRPF, no valor de R$ 105.324,11 (acrescidos de juros e multa de ofício) e multa isolada no valor de R$ 7.896,97, incidentes sobre omissão de rendimento de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas e rendimentos caracterizados em depósitos bancários sem origem comprovada, em relação aos exercícios de 2002 a 2005. Consta do relatório do acórdão recorrido o seguinte resumo dos fatos verificados até então: Foi instaurado procedimento riscai mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.1.90.002006014199 (fls. 01 a 02), datado de 22/09/2006, o qual delimitou a atuação fiscal em relação ao imposto sobre a renda relativo ao período compreendido entre 01/2001 a 12/2004. As Declarações de Ajuste Anual entregues encontramse apensas às fls. 03 a 16. Dando seqüência ao procedimento instaurado, foi lavrado Termo de Início de Fiscalização com escopo de obter esclarecimentos complementares sobre variados depósitos realizados em contacorrente de titularidade conjunta da fiscalizada com seu cônjuge, já anteriormente intimado, e extratos bancários. Decorreu deste ato a apensação dos documentos de fls 18 a 24. Diante dos elementos de prova colecionados, a Fiscalização lavrou Auto de Infração, consubstanciado no Termo de Verificação de Infração de fls. 162 a 170, em virtude dc apuração das seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física no anocalendário de 2002 no valor de R$ 31.571.00; 2. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário de 2001 a 2004. 3. Falta de recolhimento do imposto de renda da pessoa física devido a titulo de carnêleão. Cientificado na pessoa de seu procurador em 27/12/2006, a parte apresentou impugnação de fls. 186 a 209 cm 25/01/2007, na qual defende a revisão do lançamento mediante a seguinte argumentação: 1. Preliminarmente, defende a nulidade do lançamento por entender afrontado por esta o princípio da legalidade, uma vez que o lançamento teria sido feito ao arrepio Fl. 523DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 524 3 das prescrições legais. Adita que o art 9a do Decreto n? 70.235, de 6 dc março de 1972, determina a instrução obrigatória do lançamento com todos os elementos de prova hábeis a sustentálo, tornando incabível a inversão do ônus de prova. 2. No mérito, diz que rendimentos pertinentes ao Sr Mario Klinger em virtude da prestação de serviços na área de administração de obras lhe foram erroneamente impingidos como omissão de rendimentos de pessoas físicas sujeitos a camêleâo (fls 203). 3. No mérito, defende que o uso de presunções simples pelo Fisco exige o esgotamento do campo probatório, enfatizando o poderdever deste em produzir e apresentar as provas de "todos os fatos que renderam ensejo à exigência fiscal que foi objeto do lançamento". 4. Quanto à omissão caracterizada por depósito bancário, argúi desrespeito ao limite objetivo imposto pelo inciso II do § 3o do art 42 da Lei n2 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n2 9.481, de 1997, para os anoscalendário de 2001 e 2002. 5. Sobre o tema, enfatiza ainda a perfeita comprovação de valores relativos à venda do imóvel na Rua José Linhares (R$ 65.000,00) e da devolução de empréstimo pela filha do contribuinte, Sr MARIANA KLINGER (R$ 133.152,09), apensamos novos documentos. 6. Acresce ainda que muitos depósitos foram seguidos de saques e que a sobra era novamente depositada perfazendo uma cadeia repetitiva com a mesma origem, e cita que o tema já fora abordado pela Consulta SRRF 7ª RF/DISIT ne 123, de 30 de abril de 2001. 7. Clama pela necessária repercussão sobre a multa isolada da consideração de somente parte dos rendimentos como seu pagamento pela atividade de gerenciador de obras, uma vez que provada fazer jus somente à parcela do valor contratado. Por fim, invoca o direito de apresentar oportunamente os elementos de prova ainda não colhidos em virtude da dependência de terceiros. Ao analisar o caso, decidiu a autoridade julgadora pela procedência parcial da sua impugnação, conforme as seguintes ementas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Período de apuração: 01/01/2001 a31/12/2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a urna, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 525 4 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os créditos bancários não comprovados de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório não supere R$ 80.000,00 no anocalendário, não perfazem rendimentos omitidos para efeito de lançamento. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova for atribuído ao contribuinte por presunção legal, caberá a ele a prova da origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade. DEVOLUÇÃO DE EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADA. A alegação da existência de empréstimos realizados a terceiros ou a devolução deste, deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência do numerário entre mutuante e mutuário para desfazimento da presunção. Irresignada, em 22.12.2010, a contribuinte apresentou recurso voluntário trazendo, em síntese, as mesmas alegações da impugnação, desta feita, porém, omitindose quanto à nulidade do lançamento e inovando ao abordar argumentos relacionados à ilegalidade da aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada. Pede ao final, a recorrente, a improcedência integral do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido, exceto quanto à alegação de ilegalidade da aplicação concomitante de multa de ofício e multa isolada, por tal matéria não ter sido prequestionada na impugnação. Dos rendimentos recebidos de pessoas físicas pelo marido da recorrente A contribuinte aduz que rendimentos recebidos de pessoas físicas por seu marido foram erradamente a si imputados, devendo por isso tais valores serem excluídos do lançamento. Sobre tal alegação, deve ser esclarecido que parte da exigência de IRPF no lançamento em apreço trata de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, cujos valores foram auferidos ao longo do anocalendário de 2002, no montante total de R$ 31.571,00, tendo sido os fatos geradores foram expressamente confessados pela contribuinte ao longo do procedimento fiscal (fls 42 e 44). Assim, quanto a este item, não cabe razão à recorrente. Da omissão de receita referente a depósitos bancários sem origem comprovada Fl. 525DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 526 5 Relativamente ao exame da defesa apresentada sobre fatos caracterizadores de omissão de receita relacionada a depósitos bancários sem origem comprovada, deve ser esclarecido que a auditoria, com fulcro no art. 42, §6º, da Lei 9430/1996, dividiu proporcionalmente o total dos valores creditados em conta corrente conjunta (conforme pode ser constatada da comparação dos valores relacionados às folhas 154a 164 e planilha de folhas 174), cuja origem não foi comprovada pelos titulares das contas envolvidas (ou seja: a recorrente Minnie Klinger e seu marido Mario Klinger (PAF 18841.001839/200688)). Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 6 Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Assim, não cabe aqui alegar que o valor creditado é ligado a um ou a outro titular da conta bancária considerada, mas esclarecer, mediante comprovação de origem, que o valor depositado não caracteriza fato gerador do tributo sob exame, razão pela qual fica afastado o pedido de exclusão do depósito de R$ 15.040,00, efetuado em 01.06.2001. Da aplicação do limite mensal de R$12.000,00 e anual de R$ 80.000,00 Quanto à alegação de que a decisão recorrida não aplicou corretamente a regra da exclusão do somatório mensal até R$12.000,00 e anual de R$ 80.000,00, previsto no art. 42, §3º, II, da Lei 9430/1996, devendo ser excluídos diversos depósitos realizados no decorrer dos anos calendários de 2002 a 2004, contidos no auto de infração. Não obstante a interpretação flexível utilizada pelo julgador do primeiro grau (ao afastar todos os valores menores de R$ 12.000,00, sem considerar o somatório mensal dos depósitos, fls. 493), fato que beneficiou sobremaneira a contribuinte na decisão de primeira instância, tal entendimento não encontra guarida no presente voto, pois, entendese que, nos termos da norma de regência, o valor mensal de R$ 12.000,00 e anual de R$ 80.000,00 são aplicados ao somatório dos depósitos realizados ao longo do período, antes da divisão proporcional do valor dos créditos sem origem comprovada, em relação aos cotitulares das contasconjuntas consideradas. Assim, não há correção a ser realizada quanto a este aspecto. Da comprovação de origem do depósito de R$ 64.000,00 Quanto à alegação de que o crédito de R$ 64.000,00 (50% R$ 32.000,00) refere à valor obtido com a venda de imóvel, por concordar com o entendimento adotado pela autoridade de piso, com fulcro no art. 57, §3º, do RICARF, colacionase o seguinte excerto da decisão recorrida, tratando dessa matéria. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 527 6 No tocante ao depósito de R$ 64.000,00, cumprenos dizer que não são trazidos aos autos novos elementos de prova. Assim, passase à análise dos já existentes. A escritura pública lavrada em 10/05/2001 (fl 36 verso) para instrumentalizar a compra e venda do imóvel localizado na RUA JOSÉ LINHARES, efetivamente informa ter sido repassado ao interessado em data anterior à lavratura, cheque 000011 da agência 0022 do Unibanco (banco 479) no valor de R$ 65.000,00, cheque este que, segundo extrato à fl 19 do anexo I, foi depositado em 02/05/2001 em conta no Banco Unibanco (agência 476, conta 1126277). Não obstante, a análise do mesmo extrato na data em que o cheque teria sido compensado não nos permite confirmar a argumentação do impugnante de ter ocorrido saque no valor de R$ 1.000,00 para fazer frente a despesas cartorárias, do que redundaria em efetivo depósito de apenas R$ 64.000,00, sob o qual pretende afastar a tributação. Em verdade, é preciso que se diga que o valor tributado foi depositado em espécie no banco Citibank S.A no dia 10/05/2001, conforme fl 194 do anexo. Ora, seja pela ocorrência de depósitos em diferentes instituições bancárias (Unibanco e Citibank), do que decorre a impossibilidade de valores depositados em cheque serem prontamente considerados como dinheiro em função da necessidade de compensação; seja pela não coincidência de datas entre os depósitos (02/05/2001 no Unibanco e 10/05/2001 no Citibank); seja pela diferença de meios de pagamento (cheque e espécie); entendo ser impossível atribuir verossimilhança à tese do recorrente. Assim, não cabe razão à impugnante quanto a este item. Da comprovação de origem do depósito de R$ 133.152,09 Aduz a impugnante, também, que o crédito de R$ 133.152,09 refere a valor obtido com a venda de imóvel, entretanto, sobre tal alegação, por concordar mais uma vez com o entendimento adotado pela autoridade de piso, com fulcro no art. 57, §3º, do RICARF, colacionase o excerto da decisão recorrida, tratando dessa matéria. Não é rara de ver famílias brasileiras ajudando filhos em forma de doações e empréstimos, que, tendo em vista à proximidade sangüínea do vínculo, caracteriza se pela informalidade dos registros. Todavia, é necessário entender que o lançamento que por ora se analisa é lastreado em uma presunção relativa, cujo ônus de elidir é dc quem alega. Dito isto, vislumbrase que o empréstimo citado além de não constar informado nas declarações entregues pelo recorrente (fls 04 a 14), também não encontra suporte econômico nos rendimentos declarados, uma vez que estes são informados em montante aquém ao valor emprestado. Tampouco está registrada a devolução do numerário pela filha mutuária. De outro rumo, o extrato à fl 183 do anexo 1, vêse que a suposta devolução de empréstimo tomou forma pelo depósito de um cheque em caixa expresso. Todavia a microfilmagem deste elemento de prova de produção muito simplificada não resta apenso aos autos. É de bom alvitre dizer que aqui não se escolhe provas, mas pretendese demonstrar que outros elementos de maior eficácia para comprovação da efetividade da Fl. 527DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 528 7 transferência de recursos entre mutuário e mutuante, poderiam ter sido carreados em lugar da declaração firmada à fl 229. Sobre a declaração emitida pela suposta mutuária, no máximo, pode ser considerada como indício pelo fato de não retratar a operação em si, isto é, não é representativa do negócio jurídico firmado (empréstimo), tão somente dele dá notícia a ser ratificada ou não por outros indícios ou provas. Frisese, inclusive, que devido à relação parental entre mutuante e mutuária, tal documento dotase de extremada vulnerabilidade no que tange ao seu valor probante. É bom dizer que este entendimento não dista daquele pacificamente comungado na esfera administrativa, inclusive no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), no sentido de que a operação de empréstimo, para ser aceita, deve ser comprovada por meio de documentação hábil e idónea a atestar a efetiva entrega do numerário, bem como deve ser compatível com os rendimentos e disponibilidades financeiras declaradas pelo credor à data da doação. (...) Assim, não cabe razão à impugnante quanto a este item. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário apresentado, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.911459/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/06/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito.
Numero da decisão: 3402-006.819
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação efetivada. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os seguintes argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade: alega, em síntese, que a composição dos valores apontados como crédito referia-se a compensações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 14 59 /2 01 0- 14 Fl. 108DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.819 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911459/2010-14 efetuadas, não se tratando de pagamentos efetuados por DARF, sendo suficiente o valor passível de compensação na PER/DCOMP em análise. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº. 3402-006.814, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.690896/2009-47. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.814): “A questão trazida a julgamento centra-se na comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Constata-se que o valor apontado como crédito na PERDCOMP em questão seria um pagamento através do DARF, que não foi localizado pela unidade de origem nos sistemas da RFB, razão pela qual não foi homologada a compensação pleiteada. Na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário a Requerente alega que a composição do valor apontado como crédito não seria um pagamento efetuado através de DARF, mas de compensações efetuadas através de diversas PERDCOMPs, cujos débitos foram retificados. Entretanto, não apresenta qualquer elemento probatório, lastreado em sua escrita contábil e fiscal, para corroborar seu pretenso direito. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; No presente caso, a Recorrente afirma que teria apurado créditos de PIS/COFINS, contudo, para comprovar a liquidez e certeza de seu alegado crédito é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a Fl. 109DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.819 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911459/2010-14 diminuição do valor do débito correspondente ao período de apuração em questão. Se os valores se referiam a compensações efetuadas indevidamente ou a maior, caberia à parte que alega apresentar documentos contábeis e fiscais para demonstrar o recolhimento/compensação efetuada a maior, com a recomposição da base de cálculo do tributo objeto da retificação. A Recorrente não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito apontado, mas somente a informação que tal valor seria um saldo de outras PERDCOMPs, cujos valores seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão recorrida ter apontado a insuficiência de sua alegação e a irregularidade no procedimento. Mesmo considerando uma possível flexibilidade na admissão de provas após a impugnação/manifestação de inconformidade, não foram apresentadas provas suficientes para demonstrar o alegado erro cometido, e o lastro contábil/fiscal que poderia comprovar a retificação da declaração que teria gerado o saldo a compensar. Portanto, não tendo sido em nenhum momento comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001573/2008-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/07/1996, 01/10/1996 a 31/10/1998
DECISÕES DE SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE RECURSO. DEFINITIVIDADE.
São definitivas as decisões de segunda instância das quais não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição.
RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA. MANUTENÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE INOVAÇÃO.
Não há que se falar em inovação quando os esclarecimentos prestados pela Fiscalização em virtude de diligência demandada pelos órgãos de julgamento administrativos prestam-se exclusivamente a esclarecer dúvidas por eles suscitadas, sem que tenham ocorrido alterações nos fundamentos jurídicos do lançamentos.
Numero da decisão: 9202-007.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 31/07/1996, 01/10/1996 a 31/10/1998 DECISÕES DE SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE RECURSO. DEFINITIVIDADE. São definitivas as decisões de segunda instância das quais não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição. RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA. MANUTENÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE INOVAÇÃO. Não há que se falar em inovação quando os esclarecimentos prestados pela Fiscalização em virtude de diligência demandada pelos órgãos de julgamento administrativos prestam-se exclusivamente a esclarecer dúvidas por eles suscitadas, sem que tenham ocorrido alterações nos fundamentos jurídicos do lançamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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AUSÊNCIA DE RECURSO. DEFINITIVIDADE. São definitivas as decisões de segunda instância das quais não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição. RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA. MANUTENÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE INOVAÇÃO. Não há que se falar em inovação quando os esclarecimentos prestados pela Fiscalização em virtude de diligência demandada pelos órgãos de julgamento administrativos prestamse exclusivamente a esclarecer dúvidas por eles suscitadas, sem que tenham ocorrido alterações nos fundamentos jurídicos do lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 73 /2 00 8- 35 Fl. 826DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201004.076, proferido pela 1ª Turma / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.605.9065 consolidado em 05/09/2003), no valor de R$ 277.646,05, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 47/50), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho – SAT (até 06/1997), e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (a partir de 07/1997), referentes às competências 05/1995 a 07/1996 e 10/1996 a 10/1998. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de acordo com o artigo 31 da Lei no 8.212/1991 (anterior à Lei nº 9.711 de 20/11/1998), com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa HELIVIA AERO TÁXI LTDA CNPJ 15.818.545/000187, em cumprimento ao contrato 101.2.013.959. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 67/73. O Prestador de Serviços (HELIVIA AERO TÁXI LTDA CNPJ 15.818.545/000187) igualmente apresentou impugnação às fls. 77/79. A DRJ/SDR, às fls. 507/521, julgou pela parcial procedência da impugnação apresentada. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 532/565. O Prestador de Serviços (HELIVIA AERO TÁXI LTDA CNPJ 15.818.545/000187) também apresentou Recurso Voluntário, às fls. 614/636. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 691/712, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 827DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 9202007.464 CSRFT2 Fl. 10 3 Período de apuração: 01/05/1995 a 31/07/1996, 01/10/1996 a 31/10/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Às fls. 714/732, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Preliminar/Nulidade Inexistência de vício/vício formal versus vício material descrição imprecisa do fato gerador. Anotou inicialmente que a matéria sobre a qual versa a presente divergência jurisprudencial é circunscrita às normas gerais do processo administrativo tributário. Logo, particularidades como o fato de se tratar de um ou outro tributo, ou a diversidade dos elementos faltantes não influem na demonstração do dissídio. Cotejando o acórdão recorrido juntamente com os acórdãos trazidos à divergência, verificase, de plano, a semelhança das questões fáticas ali envolvidas, tendo em vista que, em todos os casos, houve uma descrição deficiente no relatório fiscal de modo a efetivamente demonstrar a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. Entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário em relação à cessão de mão de obra, como se o motivo da autuação nunca tivesse existido, os acórdãos paradigmas entenderam que tais vícios na caracterização ou mesmo na comprovação do fato gerador somente acarretam a nulidade do lançamento e ainda assim por vício formal. A Turma a quo entendeu por prover o recurso voluntário, reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguida, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária. Segundo seus fundamentos, a fiscalização não comprovou, ao realizar o lançamento original, a cessão de mão de obra. Para o acórdão recorrido, o Relatório Fiscal foi vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra, descrevendo apenas que o objeto do contrato, sem especificar os motivos que levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra. O vício somente foi suprido com a confecção de Relatório Fiscal Complementar. Os acórdãos paradigmas, por outro lado, entenderam de forma diversa. Para os precedentes, no caso de o Relatório Fiscal não demonstrar de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário e descrevendo de forma completa o fato gerador devese anular o lançamento por vício formal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 735/739, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Preliminar/Nulidade Inexistência de vício/vício formal versus vício material descrição imprecisa do fato gerador. Fl. 828DF CARF MF 4 Cientificado à fl. 747, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 803/, alegando, preliminarmente, não cumprimento de requisito formal ao não juntar o inteiro teor do paradigma, divergência não comprovada e decurso de prazo decadencial. No mérito, reforçou argumentos anteriores e requereu o não provimento do recurso da União. O Prestador de Serviços (HELIVIA AERO TÁXI LTDA CNPJ 15.818.545/000187) foi cientificado à fl. 820, mantendose inerte. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Embora alegação do Contribuinte de que o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional se fundamenta numa divergência não comprovada e com ausência de similitude fática, ouso discordar. Em suas razões de recurso a Fazenda Nacional utilizouse de argumentos corroborados pelas reiteradas decisões desta corte. Importante frisar que a matéria sobre a qual versa a presente divergência jurisprudencial é circunscrita às normas gerais do processo administrativo tributário. Logo, particularidades como o fato de tratarse de um ou outro tributo, ou a diversidade dos elementos faltantes não influem na demonstração do dissídio. A decisão recorrida diverge do entendimento proferido nos acórdãos paradigmas, os quais consignam que a falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, acarreta tãosomente a nulidade por vício de forma. Cotejando o acórdão recorrido juntamente com os acórdãos trazidos à divergência, verificase, de plano, a semelhança das questões fáticas ali envolvidas, tendo em vista que, em todos os casos, houve uma descrição deficiente no relatório fiscal de modo a efetivamente demonstrar a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. Entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário em relação à cessão de mão de obra, como se o motivo da autuação nunca tivesse existido, os acórdãos paradigmas entenderam que tais vícios na caracterização ou mesmo na comprovação do fato gerador somente acarretam a nulidade do lançamento e ainda assim por vício formal. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 9202007.464 CSRFT2 Fl. 11 5 DO MÉRITO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.605.9065 consolidado em 05/09/2003), no valor de R$ 277.646,05, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 47/50), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho – SAT (até 06/1997), e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (a partir de 07/1997), referentes às competências 05/1995 a 07/1996 e 10/1996 a 10/1998. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de acordo com o artigo 31 da Lei no 8.212/1991 (anterior à Lei nº 9.711 de 20/11/1998), com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa HELIVIA AERO TÁXI LTDA CNPJ 15.818.545/000187, em cumprimento ao contrato 101.2.013.959. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Preliminar/Nulidade Inexistência de vício/vício formal versus vício material descrição imprecisa do fato gerador. Para o melhor deslinde da questão é importante observar a questão de prova bem delimitada e decidida pelo acórdão do colegiado a quo: Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Conselheiros que se manifestaram resta claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. Imperioso ressaltar que embora este Conselheiro discorde totalmente da necessidade de comprovação pelo Fisco da Fl. 830DF CARF MF 6 existência de crédito, ou impossibilidade de constituição deste no devedor principal, posto que tal entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento a questão do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões relativas ao lançamento tributário são preliminares e prejudiciais à análise do mérito. Voltando a questão do lançamento, uma vez anulada a DN, foi iniciado novo procedimento fiscal visando a elaboração de relatório fiscal complementar consoante se observa do despacho do Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, fls. 190 e 195 A Fazenda Nacional insurgese, quanto a alegação de que o fato gerador não restou bem delineado nos autos, bem como quanto ao apontamento da natureza do vício como material. A Fazenda Nacional argumenta que o correto seria, nos mesmo termos do paradigma, anular o lançamento em face de deficiência na atividade da autoridade fiscal, conceituando, entretanto, tal vício como formal, permitirá o reinício do prazo para lançamento, nos termos do art. 173, II, do CTN (relançamento). E nesse ponto merece ser citado o acórdão recorrido ao explicitar que era “Patente a inovação dos argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo.” Em que pese o argumento da Fazenda Nacional, entendo que o auto de infração original padece de deficiência oriunda da ausência de êxito da fiscalização em demonstrar a correta comprovação do fato gerador, qual seja, a existência da cessão de mão de obra, , motivo pelo qual deve ser cancelado o Auto de Infração de obrigação principal, por vício material, que consiste em vício irreparável ao lançamento, eis que materialmente este não se sustenta. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 831DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 9202007.464 CSRFT2 Fl. 12 7 Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante as razões suscitadas pela i. Relatora, afora no que se refere ao conhecimento, entendo que os elementos constantes do autos e as normas que regem a matéria objeto de divergência conduzem a conclusões diversas daquela esposada no voto vencido. No caso vertente, para o deslinde da controvérsia, necessário fazer uma breve analise dos meandros que envolveram o Processo Administrativo Fiscal – PAF entre o lançamento e a decisão adotada pelo Colegiado Ordinário. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 47/50), o lançamento fora efetuado com base no instituto da responsabilidade solidária em razão de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, à luz o artigo 31 da Lei nº 8.212/1991, na redação anterior à Lei nº 9.711/1998), pela empresa HELIVIA AERO TÁXI LTDA. Embora a autuação tenha sido julgada procedente pela DecisãoNotificação – DN nº 17.401.4/0418/2004 (fls. 109/116), a 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS resolveu anular a decisão de primeira instância administrativa (Acórdão CRPS nº 1760/2004 – fls. 134/138) por entender necessária a verificação, pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, quanto a existência do credito previdenciário junto ao prestador dos serviços. Vejamos o inteiro teor da ementa do referido julgado: EMENTA. PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador de serviços). Somente diante da não apresentação ou da apresentação deficiente (pelo prestador de serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anulação da decisãonotificação. Nos termos do voto condutor da decisão do CRPS, o Instituto Nacional do Seguro Social deveria diligenciar junto à cessionária de mãodeobra para verificar a existência do crédito tributário que se buscou imputar à responsável solidária, de forma a evitar cobrança em duplicidade de obrigações já adimplidas e justificar o procedimento adotado. Nos termos da decisão do CRPS: Não foram trazidos aos autos evidencias de qualquer procedimento fiscal tendente a verificar o descumprimento da obrigação principal pelo contribuinte (neste caso as empresas prestadoras de serviços mediante cessão de mãodeobra). A incompreensível omissão de procedimentos de auditoria estende Fl. 832DF CARF MF 8 se aos casos de fiscalização total das empresas prestadoras de serviço ou de adesão destas ao REFIS, ou opção pelo SIMPLES; situações trazidas a lume, com freqüência, após o lançamento do crédito, na fase de defesa ou recursal. Isso posto, entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte (prestador de serviços), que justifique o procedimento adotado. A despeito do inconformismo da Secretaria da Receita Previdenciária, manifestado por meio do pedido de revisão de fls. 140/144, o CRPS não conheceu desse apelo, tendo mantido sua decisão, de conformidade com o Acórdão nº 1046/2006 (fls. 156/158). Os autos foram remetidos à Fiscalização que, em atendimento à diligência demanda pelo Acórdão nº 1760/2004, emitiu a Informação Fiscal de fl. 188, noticiando que a prestadora de serviços, HELIVIA AERO TÁXI LTDA, fora regularmente notificada do lançamento, tendo inclusive apresentado impugnação específica (fls. 77/79). Além disso, nos termos da Informação Fiscal: 2 – Em atendimento ao contido na fl. 120, primeiro parágrafo, efetuouse pesquisa nos sistemas informatizados da SRFB (CNAF/CFE), sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada prestadora dos serviços, e constatouse não existir qualquer ação fiscal efetuada junto a esta. 3 – Procedeuse a pesquisa no SISTEMA DE COBRANÇA – MF/RFB – verificandose que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei n. 9964/2000 – REFIS – assim como, ao parcelamento especial da Lei no. 10684/2003 PAES(fl166). Reaberto o contencioso, e tendo sido notificadas das informações prestadas pelo Fisco, com deferimento de prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, somente a prestadora de serviços, HELIVIA AERO TÁXI LTDA, apresentou manifestação reiterando os termos da peça impugnatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), por seu turno, considerou caracterizada a cessão de mãodeobra, bem assim a responsabilidade solidária. Ainda segundo a DRJ/RJO, os documentos apresentados conjuntamente com as peças impugnatórias não se mostraram aptos a infirmar o lançamento. Por essa razão, os apelos foram julgados procedentes em parte, somente para excluir do lançamento as competência atingidas pela decadência, em virtude a edição da Súmula Vinculante do STF nº 8. Não obstante, o Colegiado a quo entendeu ser o lançamento nulo por vício material. Consoante consignado no Acórdão nº 2201004.076, “não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento”. Segundo se infere, “o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante”. A decisão recorrida insurgese ainda contra a Informação Fiscal (identificada no decisum como Relatório Fiscal Complementar), a qual teria representado “patente inovação. Na prática, de acordo com voto condutor do acórdão recorrido, estarseia diante de um novo Fl. 833DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 9202007.464 CSRFT2 Fl. 13 9 lançamento, “posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária – no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra – só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo”. Pois bem. Segundo se demonstrou acima, o juízo proferido pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS foi por anular a decisão de primeira instância administrativa, com vistas à adoção de providências tendentes a prevenir a exigência de contribuição em duplicidade. Tanto assim que o voto condutor do Acórdão 1760/2004 foi concluído da seguinte forma: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do CRPS, por Unanimidade em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação . (Grifouse) De se frisar que não somente a conclusão do voto, mas a ementa do aresto é, do mesmo modo, suficientemente clara no sentido de que a nulidade apontada pelo CRPS foi referente à decisão de primeira instância administrativa. Com a devida vênia, não há no julgado nenhum argumento que aponte no sentido de que a intenção daquele Colegiado teria sido de anular o lançamento, como se inferiu na decisão recorrida. A despeito da afirmação de que a decisão do CRPS não tenha tido a melhor técnica possível, o fato é que não houve fundamentação, conclusão ou ainda acórdão determinando a anulação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, mas sim a Decisão Notificação, com expressa determinação para que a Secretaria da Receita Previdenciária adotasse as providências relacionadas naquele decisum. Além do que, o inciso II do art. 42 do Decreto 70.235/1972 é expresso no sentido de que, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, sendo incabível a oposição de recurso ou tendo esgotadose o prazo para sua interposição, as decisões administrativas de segunda instância tornamse definitivas. Senão vejamos o teor do dispositivo: Art. 42. São definitivas as decisões: [...] II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; [...] No caso concreto, não se tem notícias sobre a interposição de qualquer espécie de recurso pela Autuada questionando a anulação da DecisãoNotificação ou pugnando pela nulidade do lançamento, ou seja, a decisão materializada pelo Acórdão CRPS nº 1760/2004 tornouse definitiva por inércia da Autuada e da prestadora de serviços, não sendo admissível qualquer questionamento a seu respeito na esfera administrativa. Asseverese que a norma processual impossibilita a adoção de procedimentos tendentes a reverter decisões que tenham tornadose imutáveis. Reiterese que o Sujeito Passivo, além de não haver questionado o acórdão do CRPS, defendeu a validade da decisão tal como proferida, por meio das contrarrazzões de fls. 147/150. E mais, além de não ter apresentado qualquer manifestação em relação aos Fl. 834DF CARF MF 10 apontamentos expostos pelo Fisco quando notificada do resultado da diligência demandada pelo CRPS, de modo a complementar a peça impugnatória, por ocasião do recurso voluntário, não trouxe a Autuada (ou a prestadora de serviços) nenhum questionamento a respeito da validade do lançamento. De se esclarecer que a manifestação trazida aos autos pela prestadora de serviços em vista do resultado da diligência não faz referência aos efeitos da decisão do CRPS. Diante disso, entendo não ser plausível que o julgador administrativo adote decisão com base em fundamentos estranhos aos erigidos nos apelos manejados pelos Contribuintes. Aliás, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/1970, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta e a discordância do sujeito passivo em relação ao lançamento devem ser por ele suscitados, e não pelo julgador administrativo, ainda na fase impugnatória. Confirase: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Além do que, o art. 141 do Código de Processo Civil, que abaixo se transcreve, é expresso quanto à vedação imposta aos julgadores em conhecer de questões que não tenham sido fomentada por quem, em virtude de lei (como é o caso), tinha a incumbência de fazêlo: Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Por tudo o que até aqui se expôs, considero que se deva afastar as razões arguidas no aresto atacado, que redundou na alteração do resultado do julgamento proferido pelo CRPS por meio do Acórdão nº 1760/2004 (de anulação da DecisãoNotificação para anulação do lançamento por vício material), tendo em vista que referida decisão há muito se tornou definitiva na esfera administrativa e que não houve manifestação alguma do Sujeito Passivo nesse sentido. Outra questão erigida na decisão vergastada é de que Informação Fiscal resultante da diligência demandada pelo CRPS significaria inovação, isto é, novo lançamento. Mais uma vez não vejo como concordar com tal argumento. Compulsando o Relatório Fiscal, constatase que a Fiscalização procedeu ao lançamento das contribuições com base, dentre outros, em contratos locação de helicópteros para transporte de pessoas e materiais designados pela empresa autuada, incluindo a mãode obra para a operação e manutenção das aeronaves, em observância ao art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e aos arts. 31 e 33 da Lei 8.212/1991. Por outro lado, a Informação Fiscal resultante da diligência requerida pelo CRPS prestouse tãosomente a esclarecer, com base em pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que a prestadora dos serviços contratados mediante cessão de mãodeobra não foi submetida a procedimento fiscal com Fl. 835DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 9202007.464 CSRFT2 Fl. 14 11 vistas à cobrança dos mesmos tributos exigidos da tomadora, bem assim não aderiu aos parcelamentos especiais da Lei nº 9.964/2000 – REFIS ou da Lei nº 10.684/2003 – PAES. Apercebase que, ao revés do que restou consignado no acórdão guerreado, a providência adotada pelo Fisco não representou nenhuma inovação no lançamento, prestando se exclusivamente a esclarecer que os créditos constituídos na tomadora de serviços não foram exigidos da cessionária de mãodeobra ou por ela confessados. Aliás, esse procedimento visou justamente esclarecer uma preocupação externada no acórdão do CRPS, que anulou a Decisão Notificação nº 17.401.4/0418/2004, quanto a hipótese de exigência desses valores em duplicidade. Por fim, não vejo como isso possa ter influenciado na verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, na determinação da matéria tributável, no cálculo do tributo devido ou ainda na identificação dos sujeitos passivos. Em outras palavras, não se está diante de infringência alguma ao art. 142 do CTN ou ainda ao art. 9º do Decreto nº 70.235/1972. Os fundamentos jurídicos que deram suporte à autuação, art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e arts. 31 e 33 da Lei 8.212/1991, permaneceram exatamente os mesmos, não se verificando qualquer tipo de inovação que pudesse dar ensejo à verificação de fato imponente diverso daquele que fora evidenciado quando da autuação. Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 836DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725062/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. INTEMPESTIVIDADE NÃO SUSCITADA EM RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo e restringe a análise do Recurso Voluntário apenas às questões contrárias à declaração de intempestividade, quando suscitadas, não se conhecendo das demais questões em virtude da preclusão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2201-005.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por este tratar exclusivamente de matéria sobre a qual não se instaurou o litígio administrativo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: SAVIO SALOMAO DE ALMEIDA NOBREGA
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FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. INTEMPESTIVIDADE NÃO SUSCITADA EM RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo e restringe a análise do Recurso Voluntário apenas às questões contrárias à declaração de intempestividade, quando suscitadas, não se conhecendo das demais questões em virtude da preclusão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por este tratar exclusivamente de matéria sobre a qual não se instaurou o litígio administrativo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 50 62 /2 01 0- 50 Fl. 128DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.220 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.725062/2010-50 Trata-se de Auto de Infração DEBCAD n. 37.314.759-7 lavrado por descumprimento da obrigação acessória prescrita no artigo 32, IV da Lei n. 8.212/91, combinado com o artigo 225, IV, § 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. Verifica-se do Relatório Fiscal de fls. 6/9 que a ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS – ABEMIFA deixou de incluir em GFIP os valores pagos a título de serviços prestados pela cooperativa de trabalho médico denominada UNIMED durante as competências de 01/2006 a 12/2007. Notificada da autuação por via postal em 22.10.2010 (fls. 20) a ABEMIFA apresentou defesa em 24.01.2011 (fls. 27/34), tendo elencado basicamente as seguintes alegações: (i) Em preliminar de tempestividade, que o Auto de Infração foi recebido em 22.12.2010 (quarta-feira) e que nos termos do artigo 15 do Decreto n. 70.235/72 teria até o dia 22.01.2011 (sábado), prorrogável até o dia 24.01.2011 (segunda-feira), para apresentar impugnação; (ii) Que nos termos da Constituição Federal e do CTN as entidades de assistência social no exercício das suas funções e de suas finalidades estatutárias são imunes; (iii) Que na condição de tomadora de serviços não é responsável pelo recolhimento das contribuições sociais, uma vez que o artigo 22, IV da Lei n. 8.212/91 somente se aplica a atos cooperados ou prestados por intermédio de cooperativas de trabalho, não sendo o caso da UNIMED, porquanto os serviços de plano de saúde não são atos cooperados; e (iv) Que não é tomadora dos serviços, mas, mera intermediadora entre os associados e o fornecedor, de sorte que por não apresentar receita ou faturamento não ocorre o fato gerador da contribuição objeto da autuação. A DRF-SECAT-EQPROF de Belo Horizonte constatou, em despacho de fls. 93, que a ABEMIFA havia apresentado impugnação intempestiva, protocolada em 24.01.2011. Contudo, tendo em conta que ABEMIFA havia alegado a tempestividade como preliminar da impugnação a 8ª Turma da DRJ/BHE entendeu por apreciar tal questão, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT n. 15, de 12.7.1996. Em acórdão de fls. 95/99, a DRJ/BHE não conheceu da impugnação em virtude da intempestividade, conforme se verifica dos seguintes trechos: “Conforme dispõe o Decreto 70.235/72, artigo 15, o prazo para apresentação de impugnação em processo administrativo de fiscal é de 30 dias. O termo inicial para contagem do referido prazo, nos termos do Decreto70.235/72, artigo 15, é a data em que for feita a intimação da exigência. [...] No presente caso, conforme relatado, o sujeito passivo foi cientificado da presente autuação em 22/12/2010 (quarta-feira), conforme se verifica pela análise da cópia de AR de fl. 20. Dessa feita, o prazo para apresentação da impugnação começou a fluir em 23/12/2010 (quinta-feira) e expirou em 21/1/2011 (sexta-feira). Entretanto, a impugnação somente foi apresentada em 24/1/2011 (segunda-feira) conforme carimbo de protocolo à fl. 27 e de acordo com despacho de fl. 93. Restando, portanto, evidenciada a intempestividade da impugnação.” Fl. 129DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.220 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.725062/2010-50 Notificada da decisão em 31.08.2012 (fls. 104), a ABEMIFA apresentou Recurso Voluntário em 27.09.2012 (fls. 107/125) alegando apenas razões de mérito sem, contudo, questionar quaisquer elementos da declaração de intempestividade da impugnação exarada pela 1ª Instância de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Relator. Embora o presente Recurso Voluntário tenha sido formalizado com observância ao prazo legal insculpido no artigo 33 do Decreto n. 70.235/72, verifico que a recorrente não faz qualquer questionamento acerca da intempestividade declarada na decisão recorrida. Por essa razão, entendo que o recurso não merece ao menos ser conhecido. A teor do que alude o artigo 14 do Decreto n. 70.235/72, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo. Significar dizer que a apresentação de impugnação intempestiva equivale à ausência de impugnação, de sorte que não havendo impugnação não se instaura litígio ou fase litigiosa de procedimento administrativo. Todavia, caso o autuado suscite a tempestividade como preliminar da impugnação – foi o que ocorreu no caso em tela – tal questão deve ser analisada pela 1ª Instância de julgamento, nos termos do que dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 15, de 12.7.1996. Ocorre que a decisão de 1ª Instância que acaba julgando impugnação intempestiva limita-se a analisar a arguição de tempestividade suscitada pelo autuado. Apenas em relação a essa questão é que se instaura a fase litigiosa a que alude o artigo 14 do Decreto n. 70.235/72. As demais questões constantes da peça impugnatória não passam nem perto de ser objeto de exame. Com efeito, se a 1ª Instância de julgamento não adentrou à análise das questões meritórias constantes da respectiva defesa, não caberia a este Tribunal enquanto órgão de 2ª Instância de julgamento administrativo fazê-lo, porquanto tais questões encontram-se processualmente preclusas. É nesse sentido que há muito vem se manifestando este Tribunal: “IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - NÃO CONHECIMENTO DAS RAZÕES DO RECURSO. Não se conhece das razões de recurso, como tal, contra decisão de primeira instancia, que não apreciou formalmente o mérito da exigência, à vista de comprovada intempestividade da impugnação. [...] (Processo n. 10283.001421/91-11. Acórdão n. 107-2.169. Conselheiro Relator Dícler de Assunção. Sessão de 25.04.1995. Publicado em 22.12.2009).” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA — PRECLUSÃO PROCESSUAL: A declaração de intempestividade da impugnação, pela decisão de primeiro grau, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à contrariedade oferecida a essa declaração (...)”. (Processo n. 10880.013371/91-67. Acórdão n. 108-05.814, Conselheiro Relator José Antonio Minatel. Publicado em 15.07.1999). Fl. 130DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.220 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.725062/2010-50 Aliás, as decisões mais recentes acabam corroborando essa linha de raciocínio. Confira-se: “IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE ALEGADA EM RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, exceto se a preliminar de tempestividade for suscitada em Recurso Voluntário, situação em que será cabível o julgamento desta matéria, conforme explicita o Ato Declaratório Normativo nº 15, de 12 de julho de1996, publicado no D.O.U. de 16 /07/1996. [...] (Processo n. 10410.005814/2005-85. Acórdão n. 2401-006.207. Conselheira Relatora Luciana Matos Pereira Barbosa. Publicado em 28.05.2019).” Tendo em vista que a ABEMIFA não suscitou em seu Recurso Voluntário quaisquer questões acerca da intempestividade da impugnação declarada na decisão recorrida, não há como se vislumbrar de qualquer matéria que possa ser suscetível de análise por parte deste órgão de 2ª instância de julgamento. Por último, sabendo-se que a autuação fiscal discutida nos presentes autos diz respeito ao descumprimento de obrigação acessória que é reflexo da exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de serviços prestados por cooperativas de trabalho, talvez coubesse à autoridade preparadora revisar o lançamento nos termos dos artigos 145, III e 149, I, ambos do Código Tributário Nacional, bem assim pelo poder de autotutela da administração pública (Súmula n. 473/STF), uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 22, IV da Lei n. 8.212/91 no julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral Reconhecida n. 595.838/SP. Conclusão Por todo o exposto e por tudo que consta nos autos, voto por não conhecer do presente Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.005157/2003-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1993, 1994
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 3301-006.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o prazo de dez anos para apresentação do pedido de restituição/compensação e determinar à Unidade de Origem que realize a análise do crédito considerado decaído.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente de Turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o prazo de dez anos para apresentação do pedido de restituição/compensação e determinar à Unidade de Origem que realize a análise do crédito considerado decaído. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente de Turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 6626 – 3ª Turma da DRJ/BEL, por meio do qual, por unanimidade, foi indeferida a solicitação da contribuinte relacionada a Pedido de Restituição, protocolado em 15/09/2003, fundado em pagamentos indevidos de Contribuição Social para o Programa de Integração Social (PIS) realizados com base nos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449/88, nos períodos de apuração 08/1993 a 06/1994 e 10/1994, no valor de R$ 4.775,16. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 51 57 /2 00 3- 15 Fl. 192DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.683 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.005157/2003-15 O Pedido de Restituição encontra-se acompanhado de duas Declarações de Compensação. A primeira, protocolada em 15/09/2003, onde foi usado parcela do crédito pleiteado para compensar débito de PIS do período de apuração 08/2003, no valor de R$ 844,48. E a segunda, protocolada em 15/10/2003, usada para compensar outra parcela do suposto crédito com débito de PIS do período de apuração 09/2003, no valor de R$ 981,36. Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas complementações, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir: Relatório Versa o presente processo sobre pedido de restituição/compensação protocolado na data de 15.09.2003, conforme documento fl 01, no valor de R$ 4.775,16, e tem como referência valores recolhidos a maior em favor do PIS, no período de agosto de 1993 a junho de 1994 e outubro de 1994, conforme planilha, fl 2, e que pleiteia compensar com valores devidos para a mesma contribuição dos meses: agosto e setembro de 2003, de acordo com as Declarações de Compensação constante às fls 5 e 26, respectivamente. 2. O processo foi analisado na Delegacia de Origem que indeferiu a solicitação formulada pelo sujeito passivo por entender que havia ultrapassado o prazo de decadência, através do PARECER DRF/MNS/SEORT datado de 11 de agosto de 2004, fls 29 a 36, do qual tomou ciência em 18.08.2004, conforme “AR”, fl 37. 3. Inconformado o sujeito passivo recorreu da decisão da primeira instância a esta Delegacia de Julgamento, na data de 13.09.2004, fls 38 a 40, onde aduziu em seu favor, em resumo,. o seguinte: a) Que não merece prosperar a interpretação dada pelo órgão recorrido adequando o art. 156 do CTN ao presente caso, que merece ser reformada tal decisão; b) Que o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça é de que o prazo decadencial começa a correr depois de decorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, somado mais cinco e transcreveu o voto do Ministro César Asfor Rocha no ERES/SP nº 43.502; c) Finalmente requereu reforma na decisão administrativa e o reconhecimento da restituição/compensação realizada pela recorrente. Devidamente processado, a 3ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou o recurso improcedente, conforme Acórdão nº 01-6.626, datado de 05/09/2006, cujo voto da relatora transcrevo a seguir: Voto 4. A impugnação é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, dela tomo conhecimento. 5. Analisando os documentos acostados ao processo verifica-se que o sujeito passivo pleiteou a restituição/compensação de créditos recolhidos em favor do PIS, no período de agosto de 1993 a junho de 1994 e outubro de 1994, conforme planilha, fl 2, na data de 15.09.2003, fl 01, depois de decorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Fl. 193DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.683 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.005157/2003-15 6. Para melhor fundamentar a decisão ora emanada em que se considera que decaiu o direito do sujeito passivo, na via administrativa, requerer tal compensação, transcrevemos abaixo os textos legais que tratam de prazos: a) Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvando o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário;” b) Ato Declaratório SRF nº 096, de 26 de novembro de 1999 “ I – o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário – arts. 165, I e 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). 7. Isto posto, voto no sentido de INDEFERIR a solicitação do sujeito passivo. Cientificada do julgamento de primeiro grau, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário em que reafirma sua tese de prazo decenal (5 + 5 anos) para o pleito de restituição aplicado aos tributos sujeitos a lançamento por homologação e apresenta outra tese: de que o prazo de 05 anos, no caso em exame, deveria ser contado a partir da data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, de 09/10/1995, ou seja, 10/10/1995. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A questão do prazo para pleitear a restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação encontra-se pacificada no âmbito deste Colegiado com a edição da Súmula CARF nº 91, de efeito vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Súmula CARF nº 91 Fl. 194DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.683 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.005157/2003-15 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). De acordo com a citada súmula, o termo que separa o tratamento diferenciado quanto ao prazo decadencial (se 10 ou 05 anos) é a data 09/06/2005. Assim, aos pedidos de restituição formulados até essa data aplica-se o prazo decenal, contado do fato gerador. E, logicamente, para aqueles protocoladas a partir de tal data, o prazo é quinquenal, contado do pagamento indevido. No caso concreto, a Recorrente apresentou seu pedido administrativo de restituição na data 15/09/2003, fazendo jus, portanto, à aplicação do prazo prescricional de 10 anos, nos termos acima citados, independentemente, portanto, da data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, de 09/10/1995 (DOU 10/10/1995), que suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução dos diplomas legais declarados inconstitucionais pelo STF. Aplicando-se o prazo de 10 anos ao presente caso, e tendo-se em conta que o pedido de restituição, protocolado em 15/09/2003, abrange recolhimentos que vão desde 17/09/1993 a 10/11/1994 (ver planilha à fl. 04), efetuados para os fatos geradores 31/08/1993 a 30/06/1994 e 31/10/1994, observo que se operou a decadência unicamente para pleitear a restituição/compensação quanto ao pagamento relativo ao fato gerador 31/08/1993, pois a decadência, in casu, somente alcança fatos anteriores a 09/1993. Pelas razões acima, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o prazo de dez anos para apresentação do pedido de restituição/compensação e determinar à Unidade de Origem que realize a análise do crédito considerado decaído. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 195DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf
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Numero do processo: 10540.720046/2006-99
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Inexiste divergência a ser dirimida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais quando os acórdãos recorrido e paradigma convergem para considerar que "prevalece a regra legal vigente à data em que efetivada a compensação, e não a regra em vigor à época em que surgiu o indébito".
Numero da decisão: 9101-004.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Inexiste divergência a ser dirimida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais quando os acórdãos recorrido e paradigma convergem para considerar que "prevalece a regra legal vigente à data em que efetivada a compensação, e não a regra em vigor à época em que surgiu o indébito". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata-se de apreciar recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão nº 1802-01.277, proferido pela Segunda Turma Especial desta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 00 46 /2 00 6- 99 Fl. 210DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.274 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10540.720046/2006-99 Câmara, na sessão de julgamento de 3 de julho de 2012, que registrou a seguinte ementa e julgamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ‑CSLL Ano-calendário: 2002 ESTIMATIVA DE SETEMBRO DE 2002. POSSIBILIDADE DE QUITAÇÃO POR AUTOCOMPENSAÇÃO. As compensações de débitos apurados até 30/09/2002 podiam ser realizadas na forma das normas vigentes até esta data. Nestes casos, não dependia a Contribuinte de esperar a data de vencimento do tributo para promover a compensação. É inadequado utilizar a data de vencimento como parâmetro para a definição da forma de compensação que deveria ter sido adotada. O fato de o vencimento do débito ter ocorrido em outubro/2002, já na vigência das normas introduzidas pela Lei 10.637/2002, não justifica a exigência de Declaração de Compensação, nem prejudica a autocompensação promovida pela Contribuinte com base no art. 66 da Lei 8.383/1991. Uma vez aceita a quitação de estimativa por autocompensação, esta deve compor o saldo negativo do ano a que corresponde, e que está sendo utilizado como crédito neste processo. [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Dos autos se extrai que o processo: - trata-se da manifestação de inconformidade de fls. 95/96, que contesta o Despacho Decisório de fls. 85/86, datado de 15/10/2009, o qual homologou parcialmente a compensação declarada, sob a alegação de insuficiência de créditos, uma vez que foram apresentados débitos em valores superiores aos créditos disponíveis. - O parecer de fls. 76 a 78 que integra o despacho decisório informa que: I - a demanda do contribuinte tem origem em saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2002, informado na DIPJ/2003, no valor de R$ 9.687,70; II - em todos os meses do ano-calendário de 2002 foram encontrados valores devidos para as estimativas de CSLL, calculadas através da receita bruta e acréscimos, sendo que na extinção das estimativas foram utilizadas CSLL retida na fonte e compensações; III - da estimativa do mês de janeiro de 2002, no valor de R$ 1.172,73, foi informado na DCTF apenas o valor de R$ 1.119,29, fl.55, expressando insuficiência de R$ 53,44, e o sistema de controle da Receita Federal não acusa pagamento ou compensação desta diferença, portanto, a inclusão do referido valor na composição do saldo negativo de 2002, devido ao não pagamento, é indevida e será excluída; IV - a estimativa do mês de setembro de 2002, no valor de R$ 928,51, não foi extinta por falta de apresentação de Declaração de Compensação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: - embora o relator do despacho decisório informe que nos sistemas da Receita Federal não tem registro de entrega de DCOMP da estimativa do período de apuração de setembro de 2002 e que o procedimento do contribuinte foi de autocompensação que não mais poderia ser utilizado, os Sistemas da Receita Federal não poderiam ter tais registros, pois esses seriam iniciados pelo período de apuração outubro/2002, conforme determina o art. 49 combinado com o art. 68 da Lei 10.637/2002; Fl. 211DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.274 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10540.720046/2006-99 - a DCTF do 3º trimestre/2002 foi apresentada dentro do seu prazo regulamentar, mais precisamente em 14/11/2002, já com a estimativa de setembro/2002, no valor de R$ 928,51, compensada sem processo porque este era o sistema vigente naquele momento. A Lei em foco foi promulgada em 30/12/2002, com efeitos retroativos a 1º de outubro de 2002, de modo que neste período de retroatividade encontra-se a compensação da estimativa de setembro/2002, já liquidada via DCTF, apresentada tempestivamente, não restando dúvida quanto à sua validade e legalidade; - a trimestralidade da DCTF foi cumprida dentro da sistemática legal então vigente. A implantação da DCOMP ocorreu com a retroatividade comentada e, desta forma, considerando a obrigatoriedade de sua apresentação em outubro de 2002, envolvendo as estimativas de setembro de 2002, provocaria ajustes no sistema anterior como, por exemplo, a retifícação da DCTF do 3º trimestre, apresentada legalmente, quando a Lei em foco não altera aquele sistema, apenas revoga; - não é justa e não tem base legal a posição de excluir da composição do Saldo Negativo do exercício de 2003 o valor de R$ 928,51 correspondente à compensação referente a estimativa de setembro/2002, liquidada em tempo aprazado na sistemática anterior; - quando a lei retroagiu, envolvendo o 4º trimestre, a compensação e respectiva liquidação das estimativas do 3º trimestre já haviam sido feitas dentro da legalidade vigente naquela oportunidade. Ao final, requer a reconsideração da decisão tomando o valor de R$ 928,25 como estimativa de setembro de 2002 compensada e liquidada, incluindo-a na composição do Saldo Negativo de 2003, ano calendário de 2002, e retirando-a da obrigatoriedade de recolhimento imposta pelo já citado despacho decisório. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, a Turma de Julgamento da DRJ concluindo que "inexistindo o direito creditório alegado pelo contribuinte, indefere-se o pedido de compensação a ele vinculado". Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, ao qual foi dado provimento, nos termos da ementa acima transcrita. Cientificada, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs, tempestivamente, recurso especial à 1ª Turma da CSRF, em que alega divergência jurisprudencial em relação à matéria “legislação aplicável à compensação de débitos: a vigente na data da apuração dos débitos ou a vigente na data da compensação efetuada”. Indicou como acórdão paradigma o Acórdão nº 202-18.667, de 2007, cuja ementa, quanto a essa matéria, é a seguinte: COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170-A DO CTN. Não existe permissão legal para realização da compensação de indébitos cujo direito esteja pendente de trânsito em julgado de decisão judicial, mesmo que o referido indébito tenha origem em recolhimento indevido realizado em data anterior à vigência do art. 170-A do CTN. Prevalece a regra legal vigente à data em que efetivada a compensação, e não a regra em vigor à época em que surgiu o indébito. Em síntese, a recorrente alega que o regime jurídico da compensação é aquele vigente na data do protocolo do pedido ou da apresentação da DCOMP, citando o REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010), segundo o qual deve ser realizada a “compensação à luz das Fl. 212DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.274 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10540.720046/2006-99 normas (que não as da data da propositura da ação) vigentes quando da efetiva realização da compensação (ou seja, do encontro de contas)”. Requer, ao final, o conhecimento e o provimento do recurso. O Presidente da Câmara da Primeira Seção do CARF competente para análise da admissibilidade recursal deu seguimento ao recurso, admitindo a comprovação da divergência jurisprudencial na matéria recorrida, nos termos do despacho de admissibilidade: Enquanto a decisão recorrida entendeu que a legislação aplicável à compensação de débitos é a vigente na data da apuração desses débitos (a DCTF respectiva, na qual se efetuou a compensação, foi apresentada posteriormente à alteração da legislação), o acórdão paradigma apontado decidiu, de modo diametralmente oposto, que a legislação aplicável à compensação de débitos é a vigente na data da compensação efetuada. A parte recorrida foi cientificada do recurso especial interposto e do despacho que o admitiu e não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Conhecimento Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF. O recurso foi admitido pelo despacho do Presidente da Câmara recorrida e sua admissibilidade não foi questionada pela parte contrária. Contudo, é de se verificar que estão ausentes os pressupostos de admissibilidade recursal, uma vez que a divergência apresentada pela recorrente não restou demonstrada a partir do confronto entre os acórdãos recorrido e paradigma. No caso dos autos, o contribuinte contestou o despacho decisório por entender, em síntese, que não poderia ser excluída do Saldo Negativo do exercício de 2003, ano calendário 2002, pois, em síntese, o valor de R$ 928,51, correspondente à compensação referente à estimativa de setembro/2002 fora liquidada na sistemática anterior (autocompensação), conforme declarado na DCTF do 3º trimestre/2002, apresentada dentro do seu prazo regulamentar (em 14/11/2002). Sustentou que, como a Lei nº 10.637/2002 foi promulgada em 30/12/2002, com efeitos retroativos a 1º de outubro de 2002, de modo que neste período de retroatividade encontra-se a compensação da estimativa de setembro/2002, já liquidada via DCTF, apresentada tempestivamente, não restando dúvida quanto à sua validade e legalidade. A decisão recorrida deu provimento ao recurso voluntário consoante os seguintes fundamentos: Na linha do que sustenta a Recorrente, também entendo que a exigência de apresentação de PER/DCOMP, via de regra, não se aplica à compensação de débitos cujos fatos geradores ocorreram até 30/09/2002, especialmente para os casos de autocompensação Fl. 213DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.274 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10540.720046/2006-99 com base no art. 66 da Lei 8.383/1991 (tributos de mesma espécie), onde os créditos eram sempre anteriores ao débito. Isto porque de acordo com a legislação vigente até 30/09/2002, a chamada autocompensação não dependia de formalidades externas, e, por isso, operava seus efeitos desde o surgimento do débito. As compensações de débitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01/10/2002, estas sim, realmente, só poderiam ocorrer mediante apresentação de Declaração de Compensação, por força das alterações que a Lei 10.637/2002 promoveu no art. 74 da Lei 9.430/1996, com vigência a partir de outubro/2002. Veja-se que o caso dos autos compreende exatamente o período de transição entre o modelo de compensação realizada pelos próprios contribuintes em sua escrita fiscal (autocompensação) e o modelo de declaração de compensação (DCOMP). De outro lado, o recurso especial da PGFN aponta divergência em relação a qual legislação deve ser aplicável à compensação de débitos, sustentando que a compensação efetivada em DCTF, sem apresentação de DCOMP, afronta a MP nº 66, de 30/08/2002, convertida na lei nº 10.637/2002, já vigente à época de sua realização. O paradigma apresentado (Acórdão nº 202-18.667, de 2007), traz a seguinte ementa quanto a essa matéria: COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170-A DO CTN. Não existe permissão legal para realização da compensação de indébitos cujo direito esteja pendente de trânsito em julgado de decisão judicial, mesmo que o referido indébito tenha origem em recolhimento indevido realizado em data anterior à vigência do art. 170-A do CTN. Prevalece a regra legal vigente à data em que efetivada a compensação, e não a regra em vigor à época em que surgiu o indébito. Do voto condutor transcreve-se o seguinte excerto: Quanto à aplicação retroativa do art. 170-A do CTN, engana-se a recorrente. O direito de compensar é direito material que surge com a existência do indébito, este sim, anterior à vigência da regra do art. 170-A. Já o direito de requerer a compensação, por meio da declaração de compensação, somente pode ser exercido de acordo com a legislação vigente à época do efetivo exercício do direito. E à época em que exerceu tal direito encontrava-se em vigor a referida norma e inexistia direito líquido e certo para a recorrente por presença de obstáculo legal constituído pela ação judicial impetrado que ainda não se encontrava consumada. Do confronto entre os acórdãos recorrido e paradigma, observa-se que as decisões são, na realidade, convergentes (e não divergentes), no sentido de que ambas consideram que "prevalece a regra legal vigente à data em que efetivada a compensação, e não a regra em vigor à época em que surgiu o indébito". Nota-se a premissa equivocada da recorrente ao considerar que "a compensação efetivada em DCTF, sem apresentação de DCOMP", não teria efeito no caso dos autos. Ocorre que, na verdade, a compensação não foi efetivada em DCTF, mas apenas informada em DCTF, uma vez que se tratava da chamada “autocompensação”. Considerando-se a situação dos autos, o voto condutor registrou que "de acordo com a legislação vigente até 30/09/2002, a chamada autocompensação não dependia de formalidades externas, e, por isso, operava seus efeitos desde o surgimento do débito". Ou seja, na data da efetivação da compensação (30/09/2002) foi observada a regra então vigente (autocompensação), sem necessidade de informação à Receita Federal. Conquanto essa Fl. 214DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.274 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10540.720046/2006-99 possibilidade tenha deixado de existir a partir de 1º de outubro de 2002, com a exigência de declaração de compensação pela novel legislação, isso não se aplicaria ao presente litígio. Assim, inexiste dúvida a ser dirimida por esta C. Turma da CSRF quanto à legislação aplicável à compensação pretendida, o que, inclusive já foi objeto de julgamento sob o rito dos recursos repetitivos (REsp nº 1164452/MG), no sentido de que "a lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte". Veja-se que nesse sentido decidiu o acórdão paradigma, bem como decidiu o acórdão recorrido, ao considerar que na data da efetivação da compensação (30/09/2002) foi observada a regra então vigente (da autocompensação). Diante da ausência de divergência, não se conhece do recurso especial apresentado. Conclusão Por esses fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.724403/2012-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
A imunidade prevista no art. 195, §7º, da Constituição Federal contempla apenas as instituições beneficentes de assistência social, que preencham os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN c/c art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991.
ISENÇÃO DO PROUNI. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS.
Suspende-se a isenção do PROUNI quando a instituição de ensino não demonstra em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção, segregadas das demais atividades.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
A imunidade prevista no art. 195, §7º, da Constituição Federal contempla apenas as instituições beneficentes de assistência social, que preencham os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN c/c art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991.
ISENÇÃO DO PROUNI. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS.
Suspende-se a isenção do PROUNI quando a instituição de ensino não demonstra em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção, segregadas das demais atividades.
ASSUNTO - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
NULIDADE DE ACÓRDÃO DRJ . INOCORRÊNCIA
Não tendo ocorrido os fatos elencados no artigo 59 do Decreto nº 70.237/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, não ocorre a nulidade.
Numero da decisão: 3301-006.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, não conhecer o recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. A imunidade prevista no art. 195, §7º, da Constituição Federal contempla apenas as instituições beneficentes de assistência social, que preencham os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN c/c art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. ISENÇÃO DO PROUNI. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. Suspende-se a isenção do PROUNI quando a instituição de ensino não demonstra em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção, segregadas das demais atividades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. A imunidade prevista no art. 195, §7º, da Constituição Federal contempla apenas as instituições beneficentes de assistência social, que preencham os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN c/c art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. ISENÇÃO DO PROUNI. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. Suspende-se a isenção do PROUNI quando a instituição de ensino não demonstra em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção, segregadas das demais atividades. ASSUNTO - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DE ACÓRDÃO DRJ . INOCORRÊNCIA Não tendo ocorrido os fatos elencados no artigo 59 do Decreto nº 70.237/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, não ocorre a nulidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, não conhecer o recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-26T19:41:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-08-26T19:41:43Z; Last-Modified: 2019-08-26T19:41:43Z; dcterms:modified: 2019-08-26T19:41:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:57dc724e-9bd9-4127-962a-004e39b28ffc; Last-Save-Date: 2019-08-26T19:41:43Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-26T19:41:43Z; meta:save-date: 2019-08-26T19:41:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-26T19:41:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-08-26T19:41:43Z; created: 2019-08-26T19:41:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2019-08-26T19:41:43Z; pdf:charsPerPage: 1971; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-26T19:41:43Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.574 1 2.573 S3C3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.724403/201259 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3301006.479 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2019 Matéria Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Recorrentes DRJ/ BELO HORIZONTE ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO UNIVERSITÁRIO ABEU ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. A imunidade prevista no art. 195, §7º, da Constituição Federal contempla apenas as instituições beneficentes de assistência social, que preencham os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN c/c art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. ISENÇÃO DO PROUNI. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. Suspendese a isenção do PROUNI quando a instituição de ensino não demonstra em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção, segregadas das demais atividades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. A imunidade prevista no art. 195, §7º, da Constituição Federal contempla apenas as instituições beneficentes de assistência social, que preencham os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN c/c art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. ISENÇÃO DO PROUNI. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. Suspendese a isenção do PROUNI quando a instituição de ensino não demonstra em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção, segregadas das demais atividades. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 44 03 /2 01 2- 59 Fl. 2574DF CARF MF 2 ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DE ACÓRDÃO DRJ . INOCORRÊNCIA Não tendo ocorrido os fatos elencados no artigo 59 do Decreto nº 70.237/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, não ocorre a nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, não conhecer o recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Adoto o relatório constante do Acórdão nº 0252.257, exarado pela 1ª Turma da DRJ/BELO HORIZONTE, por economia processual e por bem descrever os fatos circunscritos a estes autos: Tratase de autos de infração do Programa de Integração Social – PIS (fls.1.621/1.631) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 1.632/1.642), totalizando o crédito tributário no valor de R$ 663.993,09 (seiscentos e sessenta e três mil, novecentos e noventa e três reais e nove centavos) para o Pis e R$ 3.064.584,30 (três milhões, sessenta e quatro mil, quinhentos e oitenta e quatro reais e trinta centavos) para a Cofins, incluindo multa de ofício de 75% e juros moratórios, correspondente aos anoscalendários de 2008 e 2009. Os respectivos enquadramentos legais estão citados nas fls.1.624 (Pis) e 1.635 (Cofins). Conforme Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 1.531/1.536, em 08/08/2011 foi iniciada junto à entidade ação fiscal relativa às contribuições previdenciárias do período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009. Fl. 2575DF CARF MF Processo nº 10735.724403/201259 Acórdão n.º 3301006.479 S3C3T1 Fl. 2.575 3 Posteriormente a ação fiscal foi estendida para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas às contribuições para o PIS e da Cofins do mesmo período. Restaram consignadas no citado TVF as seguintes ocorrências: • Do procedimento fiscal relativo às contribuições previdenciárias foram constatadas irregularidades que resultaram a suspensão da isenção dessas contribuições em todo o período fiscalizado, conforme Relatório Fiscal dos AI 37.306.4390 e 37.306.4411, parte integrante do processo administrativo nº 15563.720.215/201294, que se encontra parcialmente reproduzido em documento anexado ao presente processo (fls. 92/123). • Considerando o descumprimento dos requisitos legais para a isenção, demonstrado no processo administrativo nº 15563.720.215/201294, fezse necessário o lançamento do Pis e da Cofins, do mesmo período, pelo regime cumulativo. • Desconsiderouse também a isenção estabelecida no art. 8º da Lei nº 11.096/2008, decorrente da adesão ao PROUNI, vez que a fiscalizada não atendeu ao requisito estabelecido no art. 3º da IN SRF nº 456/2004, que define que a instituição deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, os custos, despesas e resultados dos períodos de apuração, relativos ás atividades sobre as quais recaia a isenção segregada das demais atividades. A Contribuinte foi cientificada dos lançamentos em 19/12/2012 (conforme Aviso de Recebimento, fl. 1.664) e encaminhou, via postal, em 15/01/2013, a impugnação e os documentos de fls. 1.668/2.255. Alguns dos argumentos expostos na peça impugnatória tratam de combater os fundamentos que levaram à suspensão isenção das contribuições destinadas à seguridade social e são, essencialmente, os mesmos argumentos da peça recursal apresentada no processo administrativo nº 15563.720215/2012 94, julgado em 28/11/2013, cuja cópia do acórdão juntamos nas fls. 2.259/2.303. Quanto à desconsideração da isenção que decorreu da adesão da fiscalizada ao PROUNI, as razões de impugnação apresentadas foram, em síntese: • A isenção do Pis e da Cofins operase automaticamente, a partir da assinatura do Termo de Adesão ao PROUNI e durará no período de sua vigência. • Nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005, com a redação dada pela Lei 11.128/2005, o eventual cancelamento da isenção somente se dará ao final de Fl. 2576DF CARF MF 4 cada anocalendário, nos casos de curso considerado insuficiente e de não quitação dos tributos federais. • Contudo, no desenrolar da ação fiscal ficou constatada a inexistência de qualquer débito tributário administrado pela RFB. • A fiscalização invoca a inobservância do art. 3º da Instrução Normativa nº 456/2004 que estabelece que, para usufruírem a isenção, as instituições que aderirem ao PROUNI deverão demonstrar, com clareza e exatidão, em sua contabilidade, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção, segregadas das demais atividades. • A Instrução Normativa 456/2003 foi editada para regulamentar a MP nº 213, de 10 de setembro de 2004. Considerando que essa MP foi convertida na Lei nº 11.096/2008 (que criou o PROUNI), forçoso concluir que sua regência atrai novel instrução normativa – específica para o PROUNI – e que a Instrução Normativa 456/2004 perdeu sua vigência. • Caso assim não se entenda, é preciso interpretar juridicamente o que significam as expressões “clareza e exatidão” e “segregadas das demais atividades”. • O registro contábil claro e exato é pressuposto fático geral, subjetivo, abstrato e não conduz por si só à especificidade de uma obrigação tributária. • Quanto ao termo “atividades sobre as quais recai a isenção segregadas das demais receitas”, não há que se falar em segregação de atividades outras que não seja ensino superior, a não ser os demais segmentos. A receita operacional da impugnante restringese ao ensino. • A isenção do Pis e da Cofins prevista na lei nº 11.096/2005 está automaticamente consolidada quando da adesão ao PROUNI, porquanto cumpre integralmente os requisitos de admissibilidade. Basta conceder bolsas de estudo nos limites ex lege. • A autoridade fiscal não tem competência para revogar unilateralmente contrato administrativo que se consolidou quando da celebração de ato jurídico perfeito e acabado, protegido constitucionalmente. • Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal recebido em 17/11/2012, a contribuinte elaborou relatório segregando, por centro de custos, mês a mês, os valores escriturados no ano de 2008, na conta 410101 Mensalidades de Colégios. • Os valores contabilizados na conta 410101 Mensalidades de Colégios, no período de janeiro a Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 10735.724403/201259 Acórdão n.º 3301006.479 S3C3T1 Fl. 2.576 5 dezembro de 2008 referemse a mensalidades de colégios e de Curso Superior – Graduação, conforme Balancetes entregues à fiscalização. À época, a segregação se efetivava por centro de custos envolvendo Campus 1, Campus 2, Campus 3, Campus 4 e Campus 7. • Os centros de custos envolvendo Campus 1, Campus 2, Campus 3, Campus 4 e Campus 7 oferecem valores que correspondem à Receita de Curso Superior de Graduação. • A fiscalização não compreendeu as segregações evidenciadas por centros de custos. • No ano de 2009 surgem segmentos voltados ao Curso Superior, tanto no âmbito de graduação, quanto de Pós Graduação, o que não ocorria no ano de 2008, tornando se necessário discriminar a conta de graduação, uma vez que ela era única. Não há que abrir uma conta para registros de cursos seqüenciais, pois inexistentes na ABEU. • No ano de 2009 as contas estão higidamente segregadas contabilmente em virtude da expansão dos cursos oferecidos entre graduação, pósgraduação e extensão.No ano calendário 2008, a segregação existira por meio de centro de custos, conforme relatórios anexos. • Pelos Balancetes do ano de 2008 observase que todas as contas de receitas estão devidamente elencadas em seus respectivos centros de custos. Através dos balancetes são extraídos todos os elementos de receita e despesa de cada segmento/unidade. • Ao Termo de Verificação Fiscal foram anexadas planilhas para cálculo das contribuições devidas. Nas planilhas há uma segregação das receitas, de forma que se pode dizer que foi possível à fiscalização identificar cada receita, sem dificuldade de aferição. Os dados foram extraídos do arquivo digital, como mencionado no relatório. • Equivocada a fundamentação da auditoria ao eleger a perda da isenção pelas infrações que teriam sido cometidas pela ABEU, sobretudo em virtude do descumprimento dos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/1991. Independentemente de tratarse de entidade beneficente e de assistência social, as isenções do PIS e da Cofins alcançam, pela vontade da lei, qualquer entidade de ensino superior, seja com fins lucrativos, seja sem fins lucrativos, conforme preceitua o art. 5º da Lei nº 11.096/2005, que disciplina o Programa Universidade para Todos – PROUNI. Assim, os fundamentos erigidos naqueles processos não se coadunam com os que devem ser aplicados nesta espécie. Fl. 2578DF CARF MF 6 • O Auto de Infração da Cofins tem, como enquadramento legal, os art. 2º, inc. II e parágrafo único, art.3º, 10, 22 e 51 do Decreto 4.524/2002 e art. 10, inc. XIV da Lei nº 10.833/2003. No entanto a peça de sanção se sustenta na esfera da imunidade, isenção e não incidência, envolvendo tanto a Cofins, quanto o Pis. • Traz à colação decisão emanada do, então, Segundo Conselho de Contribuintes (Processo nº 10735.001861/200244), a qual conclui que a ABEU faz jus à isenção da Cofins, no período de 1993 a 1998, por atender os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. • Aponta a conexão entre o presente processo e os processos administrativos nº 15563.720216/201239 e 15563.720215/2012 94 e requer a unificação dos feitos, pelo princípio da economia processual. • Conclui fazer jus à imunidade tributária e não à isenção tributária, nos termos do art. 150, VI, “c” e 195, § 7º, no limite traçado pelo art. 146, III do Texto Constitucional, cuja Lei Complementar é o CTN. • Aduz preencher todos os requisitos cumulativos exigidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. • Por fim, requer o cancelamento dos autos de infração consubstanciados nos processos administrativos nº 10735.724403/201259, 15563.720216/201239 e 15563.720215/201294 e o restabelecimento das isenções tributárias relativas ao Pis e à Cofins. É o relatório. 2. Analisando as razões de impugnação, a DRJ/BHE decidiu por dar provimento parcial á impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, assim ementando o Acórdão ora combatido em sede de recurso voluntário da seguinte forma : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. A imunidade prevista no art. 195, §7º, da Constituição Federal contempla apenas as instituições beneficentes de assistência social, que preencham os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN c/c art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. ISENÇÃO DO PROUNI. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. Suspendese a isenção do PROUNI quando a instituição de ensino não demonstra em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 10735.724403/201259 Acórdão n.º 3301006.479 S3C3T1 Fl. 2.577 7 sobre as quais recaia a isenção, segregadas das demais atividades LEI 9718/98. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO PLENÁRIO DO STF. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõe se, em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, afastar a exigência da Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. A imunidade prevista no art. 195, §7º, da Constituição Federal contempla apenas as instituições beneficentes de assistência social, que preencham os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN c/c art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. ISENÇÃO DO PROUNI. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. Suspendese a isenção do PROUNI quando a instituição de ensino não demonstra em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção, segregadas das demais atividades. LEI 9718/98. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO PLENÁRIO DO STF. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõe se, em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, afastar a exigência da Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento . ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006 DECISÃO. CONEXÃO. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. Fl. 2580DF CARF MF 8 É a atividade onde se examina a conformidade dos atos praticados pelos agentes do fisco frente à legislação de regência em vigor, sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos . Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3. A DRJ/BHE decidiu por exonerar o crédito tributário em dois aspectos , como extraíse dos trechos do Acórdão exarado : IV – DA ISENÇÃO DO ART. 8º DA LEI Nº 11.096/2005 (PROUNI) • Do anocalendário 2008 Relativamente ao ano de 2008, a Autuada informou à fiscalização que escriturava suas receitas (mensalidades de colégio e referentes à educação superior) indistintamente na conta “410101 – Mensalidades de Colégio” e efetuava a segregação das receitas por centros de custos, conforme planilha juntada nas fls. 82/83 (ABEU – COLÉGIOS e UNIABEU – CENTRO UNIVERSITÁRIO). (...) De tudo quanto destacado, tenho que deve ser excluído dos lançamentos do Pis e da Cofins relativos ao anocalendário 2008, as receitas decorrentes da realização de atividades de Curso Superior Graduação, nos Campi 1, 2, 3, 4, 6 e 7 uma vez demonstrado nos autos o preenchimento dos requisitos previstos no art. 3º da Insttrução Normativa SRF nº 456/2004. (grifos deste relator) • Das Receitas Financeiras Outro ponto da autuação fiscal diz respeito ao ajustamento das bases de cálculo das contribuições relativas aos períodos de apuração de janeiro/2008 a maio/2009, para a inclusão das Receitas Financeiras. No entender da autoridade fiscal, considerando que o art. 79, inc. XII da Lei nº 11.941/2009 revogou expressamente o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, a partir de 28/05/2009, seria cabível a tributação das receitas financeiras pelo Pis e pela Cofins no período compreendido entre 01/01/2008 e 27/05/2009. Neste ponto, necessário invocar o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da lei nº 9.718/98, em decisão definitiva pelo plenário do STF. Ao julgar o Recurso Extraordinário nº 357.950, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e a constitucionalidade do art. 8º da referida lei. A análise do inteiro teor daquela decisão revela que somente as receitas provenientes do faturamento podem sofrer a incidência do PIS e da Cofins, uma vez que o STF considerou que o § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 era incompatível com o art. 195, I, “b” da Constituição, em sua redação original, e que a mácula Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 10735.724403/201259 Acórdão n.º 3301006.479 S3C3T1 Fl. 2.578 9 do dispositivo legal não desapareceu com a superveniência da EC nº 20/98 . Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõe se, em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, afastar a exigência da Cofins/Pis sobre as receitas estranhas ao conceito de faturamento . Ressaltese que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que instituíram a sistemática nãocumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social, respectivamente, cujo regime se aplica às pessoas jurídicas que apuram seu imposto de renda com base no lucro real, repetiram o enunciado da Lei 9.718/98, fazendo incidir as contribuições sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas, assim entendido o total das receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Como sua ampliação, ao contrário da Lei 9.718/98, deuse na vigência da Emenda Constitucional 20/98, a base de cálculo eleita é compatível com a Constituição Federal. Contudo, para as pessoas jurídicas que se sujeitam ao regime cumulativo, como é caso da Impugnante, e apuram as contribuições com base na Lei nº. 9.718/98, o conceito de receita bruta deve ser entendido como proveniente das receitas oriundas da venda de mercadorias, de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços. Desta forma, cabe excluir da base de cálculo das contribuições as rubricas “Receitas Financeiras”, visto que tais receitas não se enquadram na interpretação dada pelo STF (grifos deste relator) 4. Diante desta exoneração, com fundamento no artigo 34 do Decreto nº 70.235+1972, com alterações posteriores e na Portaria MF nº 3/2008, a DRJ/BHE recorreu de ofício a este CARF, demonstrando como segue os valores remanescentes : . Fl. 2582DF CARF MF 10 5. A impugnante, inconformada, apresentou recurso voluntário, onde repete as razões de impugnação, em síntese, da seguinte forma : I – DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO defende a apresentação tempestiva do recurso voluntário II – DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA III – DA IMUNIDADE DO PIS/ COFINS IV DA ISENÇÃO DA COFINS E DO PIS – ARTIGO 82 DA LEI N2 11.096 DE 2005 QUE INSTITUIU O PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS – PROUNI apresenta as mesmas razões de defesa descritas no relatório reproduzido acima V DA NULIDADE DO ACORDÃO RECORRENDO A decisão atécnic2 permaneceu silente desde o início até o fim. Ouvidos moucos se perpetraram às exaustivas súplicas manifestas sobre o gozo da imunidade tributária reconhecida à recorrente ao longo de diversos lustros incessantes. O absurdo e gélido argumento da recusa ao exame a uma ilegalidade jamais mencionada. Essa ilegalidade ficou sim patenteada a partir do acórdão, ou seja, somente agora, pela violação ao devido processo legal, livre contraditório e ampla defesa. A omissão do acórdão, concernente à topologia posta, finda por incorrer em supressão de instância porque somente neste momento, em sede recursal superior, seria apreciada por este Colegiado, dada a ausência de manifestação da Delegacia da Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 10735.724403/201259 Acórdão n.º 3301006.479 S3C3T1 Fl. 2.579 11 Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), frente à arguição da imunidade tributária posta. O decisório combatido acinta os preceitos insculpidos que asseguram a fecundação das discussões por afrontar o princípio da concentração ou da eventualidade da defesa O julgamento cingiuse apenas a um ponto do contraditório recaído sobre a isenção tributária ex lege. E mais: tratou de maneira liliputiana julgar apenas sobre o afastamento da isenção fundada na inobservância de questões acessórias de índole meramente formal erigidas com base em suposto defeito nas demonstrações contábeis devidamente refutadas. Ficou nisso. Nada mais do que isso foi acrescentado. VI – DAS QUESTÕES CONTÁBEIS SOBRE O PIS/COFINS no que pertine ao anocalendário 2009, a recorrente não teve a mesma sorte quanto a um julgamento justo, escorreito e legal, porquanto fundado na alegação em que a segregação não foi identificada a redundar na aplicação da pena e a consequente manutenção do crédito reclamado, culminando com a procedência parcial do recurso referente ao anocalendário de 2008, com a exclusão do anocalendário de 2009 que mantém o crédito tributário. podese afirmar, sem sombra de dúvidas, que as contas de Receitas e Despesas de cada uma de suas atividades estão demonstradas cabalmente de forma segregada. VII – DO REQUERIMENTO Pelo exposto, mutatis mutandi, seja na órbita da imunidade tributária, seja na órbita da isenção tributária, o auto de infração não poderá prosperar o que ora se requer: a) Seja conhecido e no mérito dar provimento ao presente recurso para declarar a nulidade do acórdão que in albis não se debruçou, ainda que palidamente, sobre a arguição da imunidade tributária no que tange ao anocalendário de 2009. b) Alternadamente o reconhecimento da isenção do PIS/COFINS referente ao anocalendário de 2009, nos mesmos moldes da procedência da impugnação referente ao ano calendário de 2008. c) O cancelamento do Auto de Infração e respectiva extinção da exigibilidade do crédito tributário 6. Verificamos, em pesquisa efetuada no sítio do CARF, que o processo de nº 15563.720216/201239, já foi objeto do Acórdão nº 2401004.614, exarado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste CARF, que possui a seguinte ementa : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ENTIDADE BENEFICENTE/REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA Fl. 2584DF CARF MF 12 SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91. A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DEIXAR DE PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSA DA RFB. Constitui infração à legislação, deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários á fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 10735.724403/201259 Acórdão n.º 3301006.479 S3C3T1 Fl. 2.580 13 Quanto ao mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.0952, excluir do lançamento os levantamentos TT2, UM2, UO2 e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.0960, manter o lançamento; e c) quanto aos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCADs 51.019.0979 e 51.031.7685, manter o lançamento. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. 7. Assim os autos me vieram para relatar. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini DO RECURSO DE OFÍCIO 8. Quanto ao Recurso de Ofício, não o conheço por se referir a valor de exoneração, veiculado pelo Acórdão DRJ/BELO HORIZONTE, inferior ao limite alçada de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), determinado pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, que revogou a Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. 9. Assim se mostram os valores TRIBUTO VALOR PRINCIPAL VALOR MULTA TOTAL EXONERADO PIS AUTO INFRAÇÃO 313.443,23 235.082,42 VALOR EXONERADO 114,640,69 85.980,52 200.621,21 PIS APÓS EXONERAÇÃO 198.802,54 149,101,91 COFINS AUTO INFRAÇÃO 1,446.661,04 1.084.995,78 VALOR EXONERADO 529.110,84 396.833,13 925.943,97 COFINS APÓS EXONERAÇÃO 917.550,20 688.162,65 1.126.565,18 10. O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, por tais razões dele o conheço Fl. 2586DF CARF MF 14 DO RECURSO VOLUNTÁRIO 11. Passemos ás razões do recurso voluntário. PRELIMINAR – NULIDADE DO ACÓRDÃO DRJ 12. Alega a recorrente que o Acórdão DRJ não enfrentou a questão da imunidade tributária a que entende que faz jus. 13. Equivocada a recorrente. 14. O Ilustre Julgador da DRJ/BHE foi muito claro na abordagem da imunidade tributária a que alega fazer jus a recorrente, tanto que o seu voto condutor abriu um tópico específico para enfrentar a questão. 15. Ademais, em não tendo ocorrido os requisitos elencados no artigo 59 ( que trata da nulidade) do Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal, não há´que se falar em nulidade do bem redigido e claro Acórdão DRJ/BHE. 16. Sem mais delongas, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. O MÉRITO II – DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA / III – DA IMUNIDADE DO PIS/COFINS 17. O Ilustre Julgador da DRJ/BHE bem tratou da questão da isenção/imunidade tributária discutida pela recorrente e fundamento da autuação. 18. Pela clareza de seus argumentos, os adoto como razões de decidir neste voto : Urge inicialmente fazer uma abordagem acerca dos dispositivos legais que regem a imunidade de tributos das instituições de educação, bem como dos posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais acerca de um tema que desafia entendimentos abalizados em sentidos divergentes. Nesse passo, oportuno trazer à baila os dispositivos constitucionais que tratam da imunidade de tributos das instituições de educação, tanto o relativo aos impostos como às contribuições sociais destinadas à seguridade social: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... VI instituir impostos sobre: ... c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 10735.724403/201259 Acórdão n.º 3301006.479 S3C3T1 Fl. 2.581 15 assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; ... Art. 195. Omissis ... § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Inferese dos dispositivos constitucionais retrotrancritos que o constituinte condicionou a fruição da imunidade de impostos e contribuições destinadas à seguridade social pelas instituições de educação (enquadradas como entidade beneficente de assistência social – no caso da imunidade das contribuições sociais) à observância das exigências estabelecidas em lei. A necessária observância de requisitos/condições estabelecidas em lei para o gozo da imunidade dos impostos e das contribuições para seguridade social fora estabelecida pelo legislador constitucional no intuito de evitar abusos, preservando o interesse público. Desta feita, podese afirmar que estamos diante das chamadas imunidades CONDICIONADAS, eis que o constituinte vinculou sua fruição ao cumprimento de requisitos previstos na legislação infraconstitucional, diferentemente das imunidades previstas no art. 150, VI, “a”, “b” e “d” da CF, estas, incondicionadas (in Imunidades Tributárias: LimitaçõesConstitucionais ao Poder de Tributar, Aires Barreto, Ed. Dialética, 2ª Edição, fls. 14 e 16). Em julgado recente, o Supremo Tribunal Federal (RMS 26932/DF Relator: Min. JOAQUIM BARBOSA, DJe022, DIVULG 04022010 analisando a pertinência da renovação do CEBAS para que uma entidade beneficente faça jus à imunidade das contribuições destinadas a seguridade social com arrimo no § 7º do art. 195 da Constituição Federal, assentou entendimento de que não existe imunidade tributária absoluta, o reconhecimento da observância aos requisitos legais que ensejam a proteção constitucional dependem da incidência da norma aplicável no momento em que o controle da regularidade é executado, na periodicidade indicada pelo regime de regência, não havendo direito adquirido a regime jurídico relativo à imunidade tributária. Deduzse deste julgado que em relação à imunidade das contribuições destinadas à seguridade social o STF também entende que estamos diante de uma imunidade CONDICIONADA, devendose observar os requisitos legais para sua fruição, no momento em que o controle da regularidade é executado. Neste sentido, o Acórdão nº 20311.338 (processo administrativo nº 10735.001861/200244), da Terceira Câmara do, então, Fl. 2588DF CARF MF 16 Segundo Conselho de Contribuintes não socorre à Impugnante como prova de atendimento aos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, uma vez que a situação verificada naqueles autos não é estanque ao longo do tempo. Conforme a bem colocada interpretação do Presidente do STF, Min. JOAQUIM BARBOSA, o reconhecimento da imunidade constitucional dependende da observância aos requisitos legais, no momento em que o controle de regularidade é executado, vez que não há direito adquirido à imunidade tributária. Logo, percebese que não há maiores controvérsias doutrinárias e jurisprudenciais no sentido de que tanto a imunidade de impostos (Art. 150, VI, “c” da CF) como as das contribuições destinadas à seguridade social (Art. 195 § 7º da CF), a que fazem jus as instituições de educação (entidade beneficente), são uma espécie de imunidade CONDICIONADA, sendo necessário a observância dos requisitos estabelecidos em lei para sua fruição. A questão que se coloca, e que até a presente data não há consenso doutrinário e jurisprudencial, é se os requisitos para fruição da imunidade de impostos e contribuições destinadas à seguridade social hão de ser fixados obrigatoriamente por lei complementar em face do disposto no inciso II do art. 146 da Constituição Federal, não se admitindo a regulação por lei ordinária, e, em assim sendo, os requisitos a serem observados seriam exclusivamente os constantes dos incisos I a III do art. 14 da Lei nº 5.172/66 CTN. Conforme inicialmente exposto, as Delegacias de Julgamento da Receita Federal se submetem ao entendimento adiministrativo e seus julgadores não podem afastar a eficácia de nenhum dispositivo legal que estabeleça requisito para fruição da imunidade de impostos e contribuições destinadas à seguridade social pelas instituições de educação. Administrativamente entendese que, para poder invocar a imunidade das contribuições de seguridade social, as entidades devem, em primeiro lugar atender ao requisito de se caracterizarem como beneficentes de assistência social; depois, devem obedecer aos requisitos estabelecidos em lei, como condiciona o texto constitucional. Não obstante, os dois instrumentos normativos infraconstitucionais aptos à regulamentação da imunidade em questão são notadamente o artigo 14 do Código Tributário Nacional CTN (enquanto Lei Complementar), bem como o artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (enquanto Lei Ordinária), vigente à época do lançamento 1 Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (redação dada pela LC nº 104, de 10/01/2001) Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 10735.724403/201259 Acórdão n.º 3301006.479 S3C3T1 Fl. 2.582 17 II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Sendo assim, os requisitos expostos na legislação transcrita hão de ser cumpridos cumulativamente para efeito do gozo da imunidade. O desatendimento de qualquer uma das condições previstas no art. 14 do CTN1 ou no art. 55 da Lei nº 8.212, de 19912, impede a fruição da imunidade constitucional. 19. Este tribunal administrativo também está adstrito ao rigor da lei imposta para reger a matéria, portanto, a obediência ao texto legal imposta ao julgador da DRJ é a mesma imposta ao julgador em assento no CARF. 20. Neste diapasão, nego provimento ao recurso neste quesito. IV DA ISENÇÃO DA COFINS E DO PIS – ARTIGO 82 DA LEI N2 11.096 DE 2005 QUE INSTITUIU O PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS – PROUNI / VI – DAS QUESTÕES CONTÁBEIS SOBRE O PIS/COFINS 21. Mais uma vez, o Ilustre Julgador da DRJ/BHE enfrentou o mérito da questão suscitada com absoluta precisão, sem reparos na sua linha de raciocínio. Portanto, pela clareza de tais argumentos, os transcrevo e adoto como razões de decidir. IV – DA ISENÇÃO DO ART. 8º DA LEI Nº 11.096/2005 (PROUNI) O Programa Universidade para Todos (ProUni) foi instituído pela Lei nº 11.096/2005 (resultante da conversão em lei da Medida Provisória nº 213/2004) com o objetivo de fomentar o acesso ao ensino de nível superior àqueles brasileiros tidos como desfavorecidos economicamente, por meio da concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais para cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos. Como forma de estimular a adesão das IES ao ProUni, o art. 8º da Lei nº 11.096/2005 lhes concedeu isenção de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente ao lucro e às receitas decorrentes da realização de atividades de ensino superior em cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica. Eis o teor do artigo 8º da Lei nº 11.096/2005, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em exame (destacamos): Art. 8o A instituição que aderir ao Prouni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: I Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas; Fl. 2590DF CARF MF 18 II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988; III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar no 7, de 7 de setembro de 1970. § 1o A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dosincisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. De início, merece esclarecer que, como a Instrução Normativa nº SRF nº 456/2004 foi editada para regulamentar a.MP 213/2004 e a Lei nº 11.096/2005 resulta da conversão dessa MP em lei, não há que se falar em perda de vigência da IN SRF nº 456/2004, ou necessidade de edição de novo ato normativo, como quer fazer crer a Impugnante. De sorte que, disciplinando a isenção das empresas que aderem ao PROUNI, a Instrução Normativa SRF nº 456, de 5 de outubro de 2004, assim estabelece: Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; III Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); e IV Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. Parágrafo único. Na hipótese de o sistema de contabilidade adotado pela instituição de ensino não oferecer condições para apuração do lucro líquido e do lucro da exploração por atividade, este poderá ser estabelecido com base na relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida total. Do acima transcrito, no tocante à Contribuição para o Pis e à Cofins, a Instrução Normativa SRF nº 456/2004 esclarece que a isenção recairá sobre as receitas decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. Além disso, exigese que o beneficiário da isenção demonstre em sua contabilidade, com clareza e exatidão, de forma Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 10735.724403/201259 Acórdão n.º 3301006.479 S3C3T1 Fl. 2.583 19 segregada, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção De se concluir, portanto, que não há qualquer complexidade ou subjetividade no texto do citado normativo: os beneficiários da isenção do PROUNI devem evidenciar na contabilidade, de maneira clara e sem incorreções, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados relativos às atividades beneficiadas com a isenção (atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica). No caso da Impugnante, por ocasião da resposta ao Termo de Intimação datado de 09/07/2012 (fl.41), sua adesão ao PROUNI restou comprovada, conforme Termo de Adesão (fls. 43/73). Contudo, a despeito da adesão ao PROUNI, a autoridade fiscal desconsiderou a isenção prevista nos inc. III e IV do artigo 8º da Lei nº 11.096/2005, por entender não atendidos os requisitos estabelecidos no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 456/2004. 22. O ano calendário 2008 foi exonerado do crédito tributário, portanto não compõe esta lide. 23. Com relação ao ano calendário de 2009, assim se pronunciou o Ilustre Julgador da DRJ/BHE : A situação que se afigura no anocalendário de 2009 difere do ocorrido em 2008 vez que neste anocalendário os centros de custo relacionados às atividades de ensino superior subdividemse em atividades de Graduação e PósGraduação. Neste contexto, apenas as receitas originadas das atividades de Graduação estariam beneficiadas com a isenção no § 1º do art. 8º da Lei nº 11.096/2005, donde necessário o desdobramento das contas contábeis referentes às atividades de ensino superior. No ano de 2009, a conta de receita das atividades de ensino superior foi desdobrada em “4.1.01.07.01 Mensalidade Curso Superior – Graduação” e “4.1.01.07.02 Mensalidade Curso Superior – Pós Graduação”. Não localizamos nos autos intimações relativas ao anocalendário 2009 mas pelos Balancetes Comparativos de Movimentos Mensais apresentados junto à Impugnação, observase o seguinte elenco de contas no tocante às receitas: INSERIR TABELA FLS 2366 Logo, relativamente às receitas, é de se concluir pela segregação também no Fl. 2592DF CARF MF 20 Anocalendário 2009, eis que, a exemplo do ocorrido em 2008, a escrituração da Contribuinte permite aferir, por centro de custo, o montante das receitas recebidas, recordando que há, ainda, o desdobramento da conta contábil “4.1.01.07 Mensalidades e Taxas Curso Superior” em receitas decorrentes dos cursos de Graduação (4.1.01.07.01) e de PósGraduação (4.1.01.07.02) Contudo, a segregação referente às atividades beneficiadas com isenção limitase às contas contábeis de receitas. As demais contas que contabilizam parcelas redutoras (devolução de mensalidades, descontos concedidos s/ mensalidades), custos e despesas não estão desdobradas aos respectivos segmentos de educação superior. O art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 456, de 5 de outubro de 2004 assim preconiza: Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. Sendo assim, não basta apenas a segregação das receitas beneficiadas com a isenção do Prouni, mas também haverão de ser segregados todos os custos, despesas e resultados relativos à atividade isenta. Tal situação não se observa na escrituração do segmento de educação superior em 2009. A exemplo, citese a conta “3.5.06.03 – Descontos Cadastrados s/Mensalidades”, cujos valores influenciam diretamente na apuração das bases de cálculo do Pis e da Cofins: embora a contabilização dos descontos concedidos sobre mensalidades permita identificar o centro de custos ao qual se relaciona a despesa, não é possível identificar se o desconto se aplica ao segmento de Ensino Superior – Graduação, beneficiado com a norma isentiva, ou ao segmento de PósGraduação, que não faz jus à isenção. Igual funcionamento se observa nas contas relativas às bolsas concedidas e demais despesas incorridas. Do exposto, com relação aos períodos de apuração do anocalendário De 2009, o lançamento merece ser mantido. 24. Diante da autorização legal para que a regulamentação das condições para usufruição da isenção com relação ao PROUNI fosse efetivada pela Secretaria da Receita Federal, estas regras devem ser obedecidas para que a instituição possa ser beneficiária da isenção. 25. Em não cumprindo os requisitos legais e normativos, correta a autuação e o Acórdão DRJ em mantela. 26. Pelo exposto, nego provimento ao recurso neste quesito. Conclusão Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 10735.724403/201259 Acórdão n.º 3301006.479 S3C3T1 Fl. 2.584 21 27. Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO DE OFÍCIO e NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 2594DF CARF MF
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