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Numero do processo: 13161.720180/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. Constatada contradição entre o dispositivo do acórdão embargado e a conclusão do seu voto condutor, acolhem-se os embargos declaratórios que apontaram o vício, para solucionar a contradição.
Embargos acolhidos
Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2201-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2201-1.476, de 19/01/2012, alterar a conclusão do voto, adaptando-a ao dispositivo do julgado. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 56.658.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 10 de maio de 2013
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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CONTRADIÇÃO. Constatada contradição entre o dispositivo do acórdão embargado e a conclusão do seu voto condutor, acolhemse os embargos declaratórios que apontaram o vício, para solucionar a contradição. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 22011.476, de 19/01/2012, alterar a conclusão do voto, adaptandoa ao dispositivo do julgado. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 56.658. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10 de maio de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 80 /2 00 7- 23 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Cuidase de embargos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 220101.476, 19 de janeiro de 2012. Aduz a Embargante que o acórdão apresenta contradição entre a parte dispositiva do acórdão e a conclusão do seu voto condutor: enquanto no primeiro se diz que o recurso foi parcialmente provido, no segundo consta que o recurso foi negado. Em exame preliminar de admissibilidade a Sra. Presidente da Câmara acolheu os embargos e determinou a inclusão do processo em pauta para seu exame pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Os embargos foram interpostos tempestivamente. Fundamentação Como se colhe o relatório, a embargante aponta contradição entre o dispositivo do acórdão e seu voto condutor. Reproduzo a seguir um e outro: Dispositivo do acórdão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, rejeitar o a proposta de diligência. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Preliminarmente, por voto de qualidade, manter a sujeição passiva no tocante ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. No mérito, por maioria, dar provimento parcial para deduzir da área tributável a área de reserva legal averbada. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13161.720180/200723 Acórdão n.º 2201002.096 S2C2T1 Fl. 3 3 Conclusão do voto: Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Como se vê, há um evidente descompasso entre a conclusão do voto condutor do acórdão e o seu dispositivo. Tratase, pois, de contradição que precisa ser sanada, sendo os embargos declaratórios a via adequada para tanto. Acolho, portanto os presentes embargos e passo ao exame da contradição apontada. Compulsando o acórdão embargado, verifico que há contradição não só entre o dispositivo do acórdão e a conclusão do voto, como entre esta e seus fundamentos. Reproduzo a seguir trecho do voto condutor do acórdão que evidencia essa contradição: Sobre a alegação de que não foram consideradas as áreas de reserva legal, embora, como ressaltou a primeira instância, o lançamento se limitou a alterar o valor total do imóvel, não se pode desprezar o fato de que, efetivamente, o imóvel tenha uma área de reserva legal, a qual, devido às circunstâncias específicas do caso, não foram declarada. Nessas condições, penso que deve ser reconhecida a área de reserva legal, que mede 553,42 hectares, correspondente a 20% das áreas dos lotes nºs 172, 173, 174, 177, 180 e 257, conforme averbações nos registros correspondentes, acostados aos autos. Portanto, o voto condutor do acórdão, coerentemente com o dispositivo referiuse expressamente ao reconhecimento de uma área de reserva legal, o que, por evidente lapso, não constou da conclusão do voto. Assim, resolvo a contradição, retificando a conclusão do voto condutor do acórdão embargado para: Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido dar provimento parcial ao recurso para deduzir da área tributável a área de reserva legal averbada, de 553,42ha. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos para, sanando a contradição, alterar a conclusão do voto condutor do acórdão embargado nos termos acima referidos. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 533DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000561/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/09/2008
INFRAÇÃO. MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL. FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA.
Constitui infração às medidas de controle fiscal a posse, circulação e transporte de cigarros de procedência estrangeira, sem documentação probante de sua regular importação, sujeitando-se o infrator à multa prevista no art. 3º do Decreto-Lei nº 399/1968.
Numero da decisão: 3201-001.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
EDITADO EM: 29/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki (presidente da turma), Daniel Mariz Gudiño (vice-presidente em exercício), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Mércia Helena Trajano D'Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. EDITADO EM: 29/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki (presidente da turma), Daniel Mariz Gudiño (vice-presidente em exercício), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Mércia Helena Trajano D'Amorim.
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MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL. FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. Constitui infração às medidas de controle fiscal a posse, circulação e transporte de cigarros de procedência estrangeira, sem documentação probante de sua regular importação, sujeitandose o infrator à multa prevista no art. 3º do DecretoLei nº 399/1968. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. EDITADO EM: 29/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki (presidente da turma), Daniel Mariz Gudiño (vicepresidente em exercício), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 05 61 /2 00 8- 17 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18088.000561/200817 Acórdão n.º 3201001.326 S3C2T1 Fl. 88 2 seguida, a ementa do acórdão recorrido e as razões de recurso voluntário apresentado pela recorrente: Contra os interessados, Helen Ibiu Soares (CPF n° 364.560.476 68), Sidnei Aparecido da Freiria (CPF n° 032.174.09639) e Aguinaldo Genari (CPF n° 257.534.81884), foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/05, para exigência da multa de R$ 40.988,00, aplicável por maço de cigarro, cumulativa à pena de perdimento, segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls.02, em razão de terem sido apreendidos cigarros de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória de importação regular, conforme processo administrativo n° 18088.000534/200844, cuja cópia faz parte integrante desta auto de infração, tendo como referência o TGAGF n° 0812200 32414/08. A autuação foi fundamentada no Decretolei n° 399/68, arts. 3o, § único, com redação dada pelo art. 78 da Lei n° 1083/03, no Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4543/02, arts. n° 538, 539, 540, 541, 621 e 632. Cientificados do lançamento, os sujeitos passivos apresentaram em 0/12/2008, a impugnação de fls.37 e ss, arguindo: a) nulidade absoluta em face da ausência de averiguação da responsabilidade de cada um dos suspeitos, com aplicação sumária da pena. b) Alega que inexiste qualquer relação entre o Sr Sidnei, que estava na condução da Quantum e os demais se encontravam no Ford Fiesta. Não existem provas cabais de que os Sr. Helen e Sr. Agnaldo tenham relação com o contrabando de cigarros. c) Apresenta declaração firmada pelo Sr. Sidnei reconhecendo que os maços de cigarros encontrados no veículo Santana Quatum são da sua propriedade, não existindo qualquer relação do Sr. Helen e Agnaldo com as mercadorias, inclusive sem o conhecimento deles. d) Ao final requer o afastamento da pena em relação aos interessados Agnaldo e Helen e protesta pelo parcelamento do débito com redução de 40% para o Sr. Sidney. A impugnação foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/SP II em 10/05/2011, em acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/09/2002 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA Constitui infração às medidas de controle fiscal o transporte de cigarros de procedência estrangeira sem documentação Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18088.000561/200817 Acórdão n.º 3201001.326 S3C2T1 Fl. 89 3 probatória de sua regular importação, sujeitandose o infrator à multa específica prevista na legislação aduaneira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os contribuintes, cientificados desta decisão em 30/06/11, apresentaram recurso voluntário frente a esta decisão em 14/07/11, reiterando os argumentos expostos na peça impugnatória. Acrescentam ter sido interposto mandado de segurança pela recorrente Helen Ibiu Soares para anulação da pena de perdimento de seu veículo, Fiesta, em razão dos cigarros terem sido encontrados no veículo Santana Quantum dirigido pelo Sr. Sidnei, sendo acolhida sua pretensão pelo Egrégio Tribunal de Justiça da 3a Região. Entende ainda que o mesmo deve ser compreendido em relação ao recorrente Agnaldo Genari, posto este ser o condutor do Veículo da Sra. Helen. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Atendidos os requisitos legais para admissibilidade do recurso voluntário, dele tomase conhecimento. Os requerentes protestam pela anulação da pena de multa imposta,pois teria ferido os princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório, encartados na Constituição Federal. Em que pese o alegado, constatase da leitura do presente processo que o lançamento foi realizado com a observância de todas as formalidades exigidas pelo Decreto nº 70.235/72, sendo os responsáveis cientificados de todas as informações constantes do processo, bem como sendolhes ofertada a possibilidade de defesa. Salientase ainda que o fato da autoridade fiscal ter lavrado o auto de infração com base nos documentos da Polícia Federal, sem aguardar a conclusão do procedimento policial não importa na nulidade do feito, pois tratamse de órgãos independentes, com diferentes competências, e que podem até mesmo ter opiniões diferentes sobre os mesmos fatos. A matéria objeto do presente processo encontra disciplina no art. 3º, parágrafo único, do Decretolei nº 399/68, com a redação dada pelo art. 78 da Lei nº 10.833/2003: Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18088.000561/200817 Acórdão n.º 3201001.326 S3C2T1 Fl. 90 4 venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem qualquer dos produtos nele mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos.(grifo nosso) Já o artigo 2º desse mesmo diploma normativo – referenciado pelo caput do artigo 3º referese às medidas especiais estabelecidas de controle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. O então vigente Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro) trazia ainda semelhantes disposições sobre a matéria em comento: Art. 621. A pena de perdimento da mercadoria será ainda aplicada aos que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas pelo Ministro de Estado da Fazenda para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de origem estrangeira, adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem tais produtos, por configurar crime de contrabando (Decretolei nº 399, de 1968, arts. 2º e 3º, § 1º) Art. 632. Aplicase a multa de R$ 0.98 (noventa e oito centavos de real) por maço de cigarro, por unidade de charuto ou de cigarrilha, ou por lote de sessenta quilos líquidos dos demais produtos manufaturados apreendidos, na hipótese do art. 621, cumulativamente com o perdimento da respectiva mercadoria (Decretolei nº 399, de 1968, arts. 1º e 3º, § )1(grifo nosso). No tocante ao valor da penalidade, vige o valor de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarros definido pelo art. 78 da Lei nº 10.833/2003 – norma, portanto, já aplicável à época dos fatos e posterior ao Decreto nº 4.543/02 que previa um valor menor. A prática da infração em tela foi confessada pelo requerente Sidnei Aparecido da Freiria. Dessa forma, uma vez lavrado Auto de Infração com Apreensão de Mercadorias sujeitando o infrator à pena de perdimento das mercadorias (20.494 maços de cigarros), cabível, por expressa disposição legal, a aplicação cumulativa da multa em epígrafe objeto do Auto de Infração. Resta definir, contudo, a sujeição passiva em relação aos demais requerentes, Helen Ibiu Soares e Aguinaldo Genari. Os recorrentes Helen Ibiu Soares e Aguinaldo Genri contestam serem os detentores das mercadorias, afirmando que as mesmas encontravamse na posse exclusiva de Sidney Aparecido de Freiria. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18088.000561/200817 Acórdão n.º 3201001.326 S3C2T1 Fl. 91 5 Consta do presente processo declaração de Sidney Aparecido de Freiria que confirma ser o detentor das mercadorias, isentando Helen Ibiu Soares e Aguinaldo Genri da prática deste ato. A autoridade fiscal informa no auto de infração que “Os referidos cigarros foram apreendidas no interior de um veículo VW QUANTUM”, sendo que as demais mercadorias “foram apreendidas no interior de um veiculo FORD FIESTA.”. A informação citada acima foi extraída das depoimentos constantes dos autos do IPL nº 17540/08 – DPF Araraquara/SP. Consta ainda destes depoimentos que “As munições foram arrecadadas dentro do veículo fiesta, conduzido por Helen Ibiu Soares”. Desta forma, temos certo que os cigarros apreendidos foram transportados no interior do Veículo VW/Santana Quantum, placa GQZ 5138, conduzido por Sidnei Aparecido da Freiria, o qual confessou a propriedade dos mesmos. Constatase ainda que no interior do Ford Fiesta Sedan, placa HAT 7880, de propriedade de Helen Ibiu Soares, foram encontradas e apreendidas diversas mercadorias, avaliadas em R$ 2.305,70 (dois mil, trezentos e cinco reais e setenta centavos); ressaltese que os cigarros apreendidos não foram encontrados neste veículo. Em sendo estas as informações trazidas aos autos, não é possível concluir que a proprietária do veículo Fiesta, Helen Ibiu Soares, seja possuidora dos cigarros encontrados no veículo Santana que seguia em comboio. Da mesma forma, inexiste neste processo qualquer informação que permita concluir que Aguinaldo Genri tenha participado na prática da infração. Entendo, lastreado nas informações constante dos autos, que não há como incluir Helen Ibiu Soares e Aguinaldo Genri no pólo passivo da obrigação tributária. Ressalto aqui, que não está sendo afastado o lançamento, a decisão restringese a excluir do polo passivo da obrigação Helen Ibiu Soares e Aguinaldo Genri, mantendose integralmente o lançamento, tendo como responsável Sidney Aparecido de Freiria. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do pólo passivo da obrigação tributária Helen Ibiu Soares e Aguinaldo Genri, mantendo como responsável pela obrigação Sidney Aparecido de Freiria. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18088.000561/200817 Acórdão n.º 3201001.326 S3C2T1 Fl. 92 6 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900849/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.529
Decisão: RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Luiz Carlos Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: Não se aplica
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(assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Luiz Carlos Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .9 00 84 9/ 20 08 -1 3 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.900849/200813 Resolução nº 3402000.529 S3C4T2 Fl. 1.335 2 Relatório Tratamse os autos de Declaração de Compensação realizada pelo contribuinte, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS referente ao período de FEV/2004 sob o valor original de R$ 1.367,25 (hum mil, trezentos e sessenta e sete reais e vinte e cinco centavos) com parte de débito oriundo da mesma contribuição de competência de OUT/2004 sob o valor de R$ 1.499,57 (hum mil, quatrocentos e noventa e nove reais e cinquenta e sete centavos) Em análise à compensação transmitida a DRF de Blumenau indeferiu o pleito sob o argumento da inexistência de crédito, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. O contribuinte insurgiuse, argüindo que a insuficiência de crédito para compensação se deveu a um erro no preenchimento da DCTF e da DACON e que em 20/05/2008 enviou DCTF e DACON retificadoras. Ainda, se diz estar amparado pelo princípio da Verdade Material, onde caberia ao fisco buscar esclarecimentos acerca das divergências encontradas, ofendendo ainda o princípio da razoabilidade, se apegando a um excesso de formalismo. O julgamento em primeira instância rechaçou os fundamentos da manifestação de inconformidade, apresentando entendimento de que, é ônus do contribuinte corrigir qualquer erro de informação em DACON e DCTF em tempo hábil. Esclareceu ainda que, como disposto no art. 170 do CTN, a compensação, para ser válida, demandaria a existência de crédito liquido e certo, o que não se apurou no presente caso. Afirmou não haver dúvidas de que a contribuinte retificou sua DCTF, porém o fez em data posterior à apresentação da DCOMP, o que retirou do crédito indicado a liquidez e certeza que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de repetição. E ainda, finalizou pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo a não homologação das compensações. O recurso foi apresentado nos mesmos termos da Manifestação de Inconformidade e no julgamento em 2ª instância o CARF houve por bem em converter o julgamento em diligência para que se verificasse a integralidade do crédito a ser compensado. Realizada a diligência foi apresentado parecer conclusivo, no sentido de que “o crédito disponível teria sido suficiente para efetivar a compensação”. Distribuição Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volumes, numerado até a folha 89 (oitenta e nove), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.900849/200813 Resolução nº 3402000.529 S3C4T2 Fl. 1.336 3 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam estes autos de diligência, designada pela Resolução nº. 340200.113, na qual o Ilustre Relator, Julio César Alves Ramos, solicitou informações à Autoridade Preparadora afim de apurar fatos ocorridos nos autos, que lhe dessem suporte ao efetivo deslinde da causa. É que, conforme o relatório acima tratase o processo de compensação formalizada pelo sujeito passivo, na qual a origem do direito creditório, segundo consta, é o pagamento a maior efetuado pelo contribuinte. Bem ponderada a diligência estabelecida pela Resolução acima citada, pois que objetivou a verificação da efetiva existência ou não pagamento a maior, não considerando como suficientes (para fazer nascer o indébito apontado), apenas e tão somente as retificações das declarações efetuadas pelo contribuinte. Segundo a Resolução acima, “é o reconhecimento, agora pelo sujeito ativo da relação tributária, de que o sujeito passivo efetivamente recolheu tributo em excesso ou indevidamente, que dá a ele o direito à restituição. E se há direito a ela, há possibilidade de utilizálo para compensação de tributo”. Assim, foi designada a diligência, para apuração concreta do indébito alegado. Entretanto, de forma absolutamente breve, cumpre informar que ainda que a diligência realizada nos autos tenha de fato esclarecido pontos cruciais ao deslinde da causa, sendo extremamente conclusiva, o fato é que ao contribuinte não foi dada vistas de seu resultado, prejudicando o bom andamento do processo, em necessária observação ao princípio do contraditório e ampla defesa respeitado no processo administrativo fiscal. Sem mais delongas, mesmo que o resultado desta diligência permita a averiguação concreta da existência (ou não) do pagamento a maior, e por via de conseqüência, a materialização (ou não) do crédito apontado pelo contribuinte, ao mesmo não foi dada a oportunidade de se manifestar acerca das conclusões adotadas pela Autoridade Preparadora, nos termos do que dispõe o artigo 26 e seguintes da Lei 9.784/99. Sendo, assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, afim de que o sujeito passivo seja cientificado do resultado da diligência realizada, intimandoo para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias, após o que devem os autos retornar à este Colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001491/2005-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004
RECEITA DE VENDAS EFETUADAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
A isenção para o PIS e a COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.037-25, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplica-se às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo, até 25 de julho de 2004.
Apenas a partir de 26 de julho de 2004, as alíquotas do PIS e da Cofins foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus - ZFM, quando auferidas por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, nos termos do que dispõe o art. 2º da Lei nº 10.996, de 2004.
Numero da decisão: 3201-001.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-07-15T11:09:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: ACM3201_3201-001281_10670001491200590_; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 0.9.3; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: opdrjfns; dcterms:created: 2013-07-15T14:09:46Z; Last-Modified: 2013-07-15T11:09:46Z; dcterms:modified: 2013-07-15T11:09:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: ACM3201_3201-001281_10670001491200590_; xmpMM:DocumentID: b47985dd-efb3-11e2-0000-527a968b43a6; Last-Save-Date: 2013-07-15T11:09:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 0.9.3; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-07-15T11:09:46Z; meta:save-date: 2013-07-15T11:09:46Z; pdf:encrypted: true; dc:title: ACM3201_3201-001281_10670001491200590_; modified: 2013-07-15T11:09:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: opdrjfns; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: opdrjfns; meta:author: opdrjfns; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-07-15T14:09:46Z; created: 2013-07-15T14:09:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2013-07-15T14:09:46Z; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: opdrjfns; producer: GPL Ghostscript 8.54; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 8.54; pdf:docinfo:created: 2013-07-15T14:09:46Z | Conteúdo => S3-C2T1 Fl. 539 1 538 S3-C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.001491/2005-90 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201-001.281 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Recorrente NESTLÉ BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004 RECEITA DE VENDAS EFETUADAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. A isenção para o PIS e a COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.037-25, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplica-se às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo, até 25 de julho de 2004. Apenas a partir de 26 de julho de 2004, as alíquotas do PIS e da Cofins foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus - ZFM, quando auferidas por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, nos termos do que dispõe o art. 2º da Lei nº 10.996, de 2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Fábia Regina Freitas. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 540 2 EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente), MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAÚJO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, FÁBIA REGINA FREITAS e LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 03/27 e 434/435), o qual se exige da contribuinte o recolhimento de créditos tributários relativos à COFINS – código 2960 (fato gerador: 31/03/2002 a 31/01/2004) e à COFINS - código 5477 (fato gerador: 28/02/2004 a 31/12/2004), com juros de mora calculados até 30/11/2005: Contribuição (código: 2960): 317.745,95 Juros de Mora: 147.944,80 Multa Proporcional (passível de redução): 238.309,39 TOTAL: 704.000,14 Contribuição (código: 5477): 1.657.817,62 Juros de Mora: 350.691,86 Multa Proporcional (passível de redução): 1.243.363,17 TOTAL: 3.251.872,65 Na descrição dos fatos de fls. 06/10, o auditor responsável pela fiscalização informou que o lançamento assenta-se em infrações à legislação fiscal, tipificadas como: 1) recolhimento a menor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS, nos períodos de março/2002 a janeiro/2004 em virtude da exclusão indevida da base de cálculo da COFINS das receitas decorrentes de vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus. Os cálculos dos valores da COFINS que não foram recolhidos constam do DEMONSTRATIVO COFINS a Lançar (fl. 19/22). O Enquadramento Legal foi informado pelo fiscal autuante às fl. 08: art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e reedições, Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 541 3 com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições; arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02. 2) insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS — incidência não cumulativa, nos períodos de fevereiro a dezembro/2004, em virtude da exclusão indevida da base de cálculo da COFINS das receitas decorrentes de vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus e da glosa de diversos créditos utilizados pelo contribuinte na apuração da COFINS - incidência não cumulativa, discriminados às fl. 08/10. Em virtude da glosa de tais créditos as deduções apuradas que constam dos DEMONSTRATIVOS DAS DEDUÇÕES APURADAS — INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA — FEVEREIRO A DEZEMBRO/2004, resultaram inferiores aos valores utilizados pelo contribuinte, implicando em insuficiência de recolhimento de contribuição nos referidos períodos. O Enquadramento Legal foi informado pelo fiscal autuante às fl. 010: arts. 1°, 2°, 3° e 5° da Lei n° 10.833/2003. A contribuinte, por intermédio de procurador habilitado (documento de fls. 446), apresentou a impugnação de fls. 440/445, alegando, em síntese, que: 1) o lançamento de ofício aborda dois tópicos: a) parcelas da COFINS devidas sobre vendas realizadas a adquirentes localizados na Zona Franca de Manaus, no período de março de 2002 a janeiro de 2004; b) glosa de compensação efetuada com base no processo de ressarcimento de IPI de n° 10670.000593/2002-45, correspondente ao período de fevereiro a dezembro/2004; 2) a isenção da COFINS nas vendas para a ZFM: 2.1) o artigo 40 do ADCT da Carta/88 estabelece ser "mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação desta Constituição". O preceito configura princípio e fixa prazo imodificável (salvo por emenda constitucional) dentro do qual o princípio atua e os benefícios fiscais concedidos ou as condições originariamente dispostas para a ZFM devem ser mantidos; 2.2) a ZFM, criada pela Lei 3.173, de 06/06/57, teve contornos reafirmados no Decreto-lei 288, de 28/02/67. Esses atos a definem como área especialmente demarcada, na Amazônia, na qual se operam incentivos fiscais específicos, sujeito à uma administração peculiar, salientando, o art. 4° do DL 288/67 que, as operações que a ela destinam mercadorias nacionais são, "para todos os efeitos fiscais", equivalentes a uma exportação brasileira para o exterior; Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 542 4 2.3) a categoria especial da ZFM já fora reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADIN 1.799-2, tendo como relator o Ministro Marco Aurélio. Posteriormente, a Corte também se pronunciou, ao suspender, liminarmente, os efeitos da expressão "na Zona Franca de Manaus" constante do inciso I, do § 2°, do art. 14, da MP 2.037- 24, de 23.11.00 (AD1N 2.348, julg. 07/12/2000); 2.4) o dispositivo original da MP 2.037-24/00 pretendia eliminar a isenção do PIS e da COFINS quanto às receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na ZFM. Dessa forma, suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do texto, prevaleceu o dispositivo constitucional e a lei passou a assegurar expressamente a isenção em foco; 2.5) a MP 2.113-26, de 27/12/2000 seguiu-se à anterior, revogando-a, fixando, porém, no art. 14, § 2°, I, a mesma redação conferida pelo Supremo Tribunal, isto é, sem a referência à Zona Franca de Manaus como área excludente da isenção. O dispositivo cristalizou-se na MP 2.158-35, 24/08/01, após sucessivas reedições; 2.6) a Emenda Constitucional n° 33, de 11/12/2001 ratificou todo esse contexto, ao imunizar as receitas de exportação das contribuições sociais dando nova redação ao artigo 149 da Carta/88; 2.7) ante o exposto acima, o lançamento equivocou-se na interpretação dada aos dispositivos legais em vigor, especialmente o art. 14 da atual MP 1.538/01, seus incisos e parágrafos acima mencionados, até porque o entendimento adotado termina por ferir a Constituição, não restando dúvidas, aliás, quanto aos fatos geradores ocorridos após a EC 33/01, insuscetíveis de serem alcançados pela tributação e a serem decotados, em última instância, "ad argumentandum". 3) O ressarcimento de IPI: 3.1) o lançamento assevera que o processo administrativo de ressarcimento foi protocolizado em 14.05.2002, embora relacionado com o período de dezembro de 2001, quando já iniciado o procedimento de fiscalização, ficando excluída a espontaneidade, "conforme o disposto no parágrafo único do art. 138 do CTN". Por isso, ocorreu a glosa do valor compensado: "o valor informado como compensado na DCTF do 4° trimestre/2001 também é objeto de lançamento através do presente auto". 3.2) no caso, a autuação é nula. Com efeito, o art. 138 do CTN versa sobre o pagamento do tributo atrasado. Logo, a norma é inaplicável, porque a hipótese trata de uma compensação já efetuada, antes da ação fiscal. Desde modo, como a capitulação é inadequada, só resta concluir pela nulidade ou ineficácia da autuação. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 543 5 3.3) o ressarcimento do IPI é direito do contribuinte, reconhecido no lançamento. Prende-se, a alegada impossibilidade da compensação, ao fato de ter sido ela apresentada em processo iniciado posteriormente à sua efetivação. O processo tem a única finalidade de registrar o fato junto à Receita Federal. O erro no procedimento foi denunciado pelo contribuinte, que promoveu a sua retificação. Dessa forma, quando muito, estaríamos diante de obrigação acessória cumprida a destempo, que não poderia ensejar, jamais, a glosa de tributo compensado e a sua cobrança, como se tratasse de tributo não pago. Assim, não pode prevalecer a cobrança de imposto, bem como as penalidades de mora (juros e multa). Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 28/10/2008, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) considerou procedente o lançamento, conforme Acórdão n° 09-21.368 (fls. 499 a 509): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/03/2002 a 31/12/2004 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador deve ser indeferido. MATÉRIA INCONTROVERSA. GLOSA DE CRÉDITOS DA COFINS. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, consolidando-se administrativamente o crédito tributário a ela correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 31/03/2002 a 31/12/2004 COFINS - RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS As receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência da Cofins, apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001. COFINS NÃO - CUMULATIVO - RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS As vendas de produtos para a Zona Franca de Manaus não estão fora do campo da incidência da COFINS não - cumulativo, uma vez que o art. 5º da Lei n° 10.637, de 2002 restringe a não - incidência desta contribuição à venda de mercadorias para o exterior. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 544 6 Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 27/01/2009, tendo protocolado seu recurso voluntário em 26/02/2009, que, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, conheço o recurso voluntário e passo a analisá-lo. Conforme já relatado, o Auto de Infração tem por objeto valores não recolhidos a título de Cofins, decorrente da não inclusão na base de cálculo do tributo de receitas com vendas de produtos para a Zona Franca de Manaus e da glosa de parcela de créditos da Cofins no regime da não-cumulatividade. Constata-se que a aludida glosa da compensação efetuada com base no processo de ressarcimento de IPI de n° 10670.000593/2002-45 não faz parte das infrações descritas neste auto de infração, razão pela qual as alegações da contribuinte referentes a esta matéria não serão apreciadas. A lide restringe-se, portanto, a inclusão na base de cálculo da Cofins das receitas relativas às vendas à Zona Franca de Manaus, no período entre 31/03/2002 a 31/12/2004. Para a solução do litígio mostra-se necessário ilustrar as modificações que a legislação referente à matéria sofreu. A Zona Franca de Manaus – ZFM foi criada pela Lei nº 3.173/57, sendo esta lei posteriormente revogada pelo Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, ainda em vigor. O art. 4º do DL 288/67 prescrevia uma equivalência entre as exportações efetuadas para o estrangeiro e as remessas de mercadorias nacionais para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus: Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (grifo nosso) Ressalte-se que esta equivalência deveria ser observada em relação a todos os efeitos fiscais e referente à legislação em vigor. A Constituição Federal de 1988, posterior ao DL 288/67, estabeleceu em seu artigo 149 a não incidência de contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 545 7 Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo: [...] § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I – não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; A Lei Complementar nº 70/91, ao instituir a Cofins, em obediência ao preceito constitucional, estabeleceu em seu artigo 7º isenção para as receitas de exportação: Art. 7º – É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. (grifo nosso) O Poder Executivo, por meio do Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, regulamentou o disposto no art. 7º da LC 70/91, nestes termos: Art. 1º. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º. da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I – vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II – exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III – vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decreto-Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV – vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V – fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: Fl. 545DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 546 8 a) à empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação: [...] (Grifo nosso) Posteriormente, o citado art. 7º da LC nº 70/91 foi alterado pela a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, sendo excluídas as disposições previstas no parágrafo único deste artigo, com efeitos retroativos aos fatos geradores ocorridos a partir do dia 1º de abril de 1992, data de início dos efeitos do disposto na referida Lei Complementar nº 70, de 1991. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trouxe diversas alterações relativas à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. No ano seguinte, contudo, foi publicada a Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de junho de 1999, que em seu art. 14 dispôs sobre as regras de desoneração das contribuições em tela, nas hipóteses especificadas, tendo revogado expressamente todos os dispositivos legais relativos à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até o dia 30 de junho de 1999: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: [...] II – da exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º. São isentas da contribuição para o P1S/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º. As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; [...] (grifo nosso) Ressalte-se que esta Medida Provisória foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIn nº 2.348-9 (DOU de 18/12/2000), que requereu a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus. O Supremo Tribunal Federal – STF, nesta ação, deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", disposta no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória Nº 2.037-24/00, com efeitos ex nunc. Posteriormente, em 02/02/2005, foi prolatada decisão julgando prejudicada a ADIn, sendo o processo arquivado sem apreciação do mérito, nos seguintes termos: Fl. 546DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 547 9 DECISÃO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE MEDIDA PROVISÓRIA – REEDIÇÕES – AUSÊNCIA DE ADITAMENTO À INICIAL - PRECEDENTE – PREJUÍZO (QUESTÃO DE ORDEM NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 1.952/DF). 1. Conforme ressaltado pelo Procurador-Geral da República na peça de folha 545 a 547, a medida provisória atacada mediante esta ação direta de inconstitucionalidade foi objeto de reedições sucessivas, não havendo ocorrido aditamento à inicial. 2. Nos termos do precedente revelado na apreciação da Questão de Ordem na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.952/DF, relatada pelo ministro Moreira Alves, com decisão publicada no Diário da Justiça de 9 de agosto de 2002, declaro o prejuízo do pedido por perda de objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. 3. Publique-se. Brasília, 2 de fevereiro de 2005. Ministro MARCO AURÉLIO Relator Posteriormente à decisão liminar do STF na ADIn nº 2.348-9, foi editada a Medida Provisória nº 2.037-25, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158- 35, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do §2º do art. 14, acima citado, que vinha constando em suas edições anteriores: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II – da exportação de mercadorias para o exterior; III – dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V – do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI – auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; Fl. 547DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 548 10 VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII – de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no §1º não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II – a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; (Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007) III – a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Em 26 de julho de 2004 foi editada a Medida Provisória n° 202, convertida na Lei n° 10.996, de 2004, cujo art. 2° reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM: Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Sendo esta a evolução da legislação que rege a matéria, constata-se, a partir de 1º de fevereiro de 1999, a existência de três momentos distintos referentes à tributação da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre as receitas decorrentes de vendas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus: A) Entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, data da entrada em vigor da Medida Provisória 2.037-25, de 2000, atual Medida Provisória Nº 2.158-35, de 2001, vigia norma que vedava expressamente a isenção sobre receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na ZFM. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 549 11 B) Entre 21 de dezembro de 2000 e 26 de julho de 2004, data de início da vigência da Medida Provisória n° 202, convertida na Lei n° 10.996, de 2004, a legislação não determinava expressamente a isenção sobre estas receitas. C) A partir de 26 de julho de 2004, nos termos da MP n° 202, convertida na Lei n° 10.996, de 2004, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins foram reduzidas à zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, quando auferidas por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Em relação à isenção das receitas ora tributadas, a contribuinte sustenta que, conforme previsto no artigo 4º Decreto-lei nº 288/67, as operações que destinam a ZFM mercadorias nacionais são, "para todos os efeitos fiscais", equivalentes a uma exportação brasileira para o exterior. Observa-se, contudo, que o citado DL 288/67, ao estabelecer esta equiparação, restringiu seus efeitos a legislação em vigor: Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (grifo nosso) Refere-se, portanto, apenas aos tributos vigentes à data da promulgação deste Decreto-lei, no ano de 1967. As contribuições sociais, por sua vez, foram instituídas posteriormente; o PIS em 1970, por meio da Lei Complementar nº 07, e a Cofins em 1991, pela Lei Complementar nº 70. Constata-se ainda que o DL 288/67, mesmo que tivesse este teor, não poderia modificar a legislação superveniente que instituísse novos tributos, projetando os efeitos desta isenção para o futuro indiscriminadamente. Ademais, o fato de ter sido publicada lei posterior, qual seja a MP n° 202, convertida na Lei n° 10.996, de 2004, reduzindo a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para as receitas em comento necessariamente significa que antes desta publicação estas receitas eram tributadas, caso contrário a nova lei seria totalmente desnecessária, hipótese não recomendada pela hermenêutica jurídica. Conclui-se, desta forma, que as receitas de vendas a empresas situadas na ZFM não podem ser equiparadas às receitas de vendas de exportação para fins de incidência destes tributos. Observa-se, contudo, que nem todas as receitas de vendas a ZFM são tributáveis pelas contribuições em tela; em que pese não ser aplicada a norma prevista no DL 288/67, o artigo 14 da Medida Provisória 2.037-25, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158- 35, de 2001, estabelece diversas hipóteses de receitas isentas: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 549DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 550 12 I - dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II - da exportação de mercadorias para o exterior; III - dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV - do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V - do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI - auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro - REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII - de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII - de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-Lei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX - de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X - relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. Tendo em vista que as hipóteses dos incisos I, II, III, V, VII e X não são dirigidos à ZFM, conclui-se que são isentas as receitas de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX. Quanto aos argumentos referentes ao artigo 40 do ADCT, que teriam dado validade ao DL 288/67 em detrimento da legislação posterior que, como demonstrado, determinava a incidência das contribuições em tela sobre as receitas ora tributadas, esclarece-se que este não e o local apropriado para tais questionamentos, face ao previsto no artigo 62 do RI-CARF, que veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.001491/2005-90 Acórdão n.º 3201-001.281 S3-C2T1 Fl. 551 13 Em tendo demonstrado o entendimento acerca do direito envolvido na lide, ingressa-se na verificação dos fatos postos em julgamento. Como já explicitado, o Auto de Infração refere-se à Cofins correspondente ao período de apuração compreendido entre 01/03/2002 e 31/12/2004. No tocante aos fatos geradores referentes aos períodos de apuração entre 01/03/02 e 25/07/04, mostra-se correto o lançamento, pois as receitas tributadas não correspondem a hipóteses previstas no artigo 14 da Medida Provisória 2.037-25, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. O mesmo não ocorre em relação aos fatos geradores praticados entre 26/07/04 e 31/12/04, pois, diante da norma estabelecida pela MP 202/04, que reduz a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, tais receitas não são tributáveis. Desta forma, devem ser excluídos os valores lançados incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM. Destarte, voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para exclusão dos valores exigidos incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM referente aos fatos geradores praticados entre 26/07/04 e 31/12/04, mantendo o restante do lançamento. É como voto. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto - Relator Fl. 551DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.000975/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Data do fato gerador: 16/02/2000, 03/03/2000, 09/03/2000, 21/03/2000,
24/03/2000
DRAWBACK SUSPENSÃO
ESCRITURAÇÃO FISCAL
A exclusiva ausência de escrituração do Livro Registro de Controle da
Produção e do Estoque não é motivo para descaracterização do cumprimento
do princípio da vinculação física. Admite-se que, por meio de controles
eletrônicos idôneos, proceda-se às verificações fiscais inerentes
PRORROGAÇÃO E TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS
Demonstrado que o beneficiário adotou tempestivamente as providências
necessárias à prorrogação e à transferência dos insumos importados para
outro ato concessório e que o órgão reponsável pela concessão do regime
reconheceu sua baixa, não procede a descaracterização do benefício.
TRIBUTOS DEVIDOS
O descumprimento das exigências pactuadas gera exclusivamente a cobrança
dos tributos suspensos quando da importação dos insumos, não sendo
cabível, consequentemente, a exigência sobre todos os insumos previstos no
ato concessório.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 16/02/2000, 03/03/2000, 09/03/2000, 21/03/2000,24/03/2000
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo ou a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-000.795
Decisão: Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Nanci Gama, Beatriz Sena e Leonardo Mussi votaram pelas conclusões.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ELÉTRICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 16/02/2000, 03/03/2000, 09/03/2000, 21/03/2000, 24/03/2000 DRAWBACK SUSPENSÃO ESCRITURAÇÃO FISCAL A exclusiva ausência de escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque não é motivo para descaracterização do cumprimento do princípio da vinculação física. Admite-se que, por meio de controles eletrônicos idôneos, proceda-se às verificações fiscais inerentes PRORROGAÇÃO E TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS Demonstrado que o beneficiário adotou tempestivamente as providências necessárias à prorrogação e à transferência dos insumos importados para outro ato concessório e que o órgão reponsável pela concessão do regime reconheceu sua baixa, não procede a descaracterização do benefício. TRIBUTOS DEVIDOS O descumprimento das exigências pactuadas gera exclusivamente a cobrança dos tributos suspensos quando da importação dos insumos, não sendo cabível, consequentemente, a exigência sobre todos os insumos previstos no ato concessório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/02/2000, 03/03/2000, 09/03/2000, 21/03/2000, 24/03/2000 Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo ou a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Recurso Voluntário Provido Fl. 275DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Nanci Gama, Beatriz Sena e Leonardo Mussi votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, Leonardo Mussi, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Trata-se de exigência de imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados, acrescidos de juros e multa de ofício, fundado na acusação de descumprimento parcial do regime aduaneiro especial de drawback suspensão. Segundo consignado no relatório fiscal acostado às fls. 28 a 37, o sujeito passivo não adimplira o compromisso de exportar inerente ao ato concessório 2000-00/000039- 7. Acusa ainda a autoridade fiscal que a pessoa jurídica não escritura o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque - Modelo 3 e, dessa forma, não possui meios aptos a controlar os estoques e o consumo de insumos estrangeiros importados sob a égide do regime, bem assim os estoques e as saídas de produtos elaborados com insumos importados. Consta do relatório fiscal, ainda, que o controle informatizado apresentado por meio de disquete não preencheria as exigências normativas. A fim de demonstrar tal afirmação, juntou aos autos cópia de impressão da primeira folha impressa 1 . Por outro lado, a exportação efetivamente realizada é inferior ao quantitativo pactuado: deveriam ser exportados 15000 chicotes de cabine e 15.000 de assoalho e, conforme apurado, só teriam sido exportados 9000 chicotes de cabine e 7.872 de assoalho. Consta ainda do relatório fiscal que os aditivos que ajustaram as quantidades pactuadas foram expedidos após o encerramento do prazo para reexportar, bem assim que as transferências de matéria prima para outro ato concessório ocorreram em desacordo com o que preconizaria a legislação que disciplina o regime. Regularmente cientificada, comparece a recorrente aos autos para, em sede de impugnação, sinteticamente, argüir que obteve autorização para utilizar o regime especial de 1 fl. 90 a 93. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10660.000975/2004-50 Acórdão n.º 3102-00.795 S3-C1T2 Fl. 2 3 drawback, modalidade suspensão nos termos do Ato Concessório 2000-00/000039-7, de 07/02/2000, que lhe concedeu a suspensão de tributos incidentes na importação das mercadorias (partes e peças) constantes do Anexo 1 ao referido pedido, no montante de U$$ 449.577,10, valor no Local de Embarque e se comprometeu a exportar chicotes automotivos no valor no U$$ 1.009.905,00, até o dia 05/08/2000. O referido ato concessório foi objeto dos Aditivos 2000-00/000565-8 (Doc. 03), 2000-01/000269-4 (Doc. 04) e 2000-01/000531-6 (Doc. 05), que, ao final, prorrogaram seu prazo de validade até 27/01/2002; Por outro lado, os valores e quantidades avençados foram alvo de alteração pelo SECEX que efetuara novo cálculo dos insumos importados e considerara baixado o regime adimplido, em razão da comprovação de que todos os insumos de fatos importados (porém, em quantidades menores do que aqueles originalmente autorizados) teriam sido : a) utilizados parcialmente na exportação de produtos industrializados, com substancial ganho cambial; b) transferidos parcialmente para o Ato Concessório no 2000-001000166-0, de 08/05/2000; c) nacionalizados parcialmente com pagamento integral de todos os tributos incidentes, com os acréscimos legais devidos; d) reexportados ao exterior. Consequentemente, verifica-se o integral cumprimento do regime. Todavia, as transferências efetuadas teriam sido desconsideradas e exigidos tributos sobre as importações realizadas e transferidas, bem assim sobre as importações não realizadas, originalmente consignadas no Ato Concessório 2000-00/000039-7. A fim de demonstrar tal afirmação, transcreve parcialmente o demonstrativo de fls. 47 e aponta as evidências de ratificariam essa alegação. Reafirma, portanto, que a transferência efetuada se dera com observância da legislação, bem como que sobre insumos não importados não é devido o pagamento de qualquer exigência. Defende, outrossim, a validade dos aditivos expedidos, citando os trechos do Comunicado DECEX nº 21/97 que respaldariam essa emissão. Por outro lado, faz uma cronologia das prorrogações autorizadas mediante o aditivo nº : a) 2000-00/000565-8, de 10/07/2000, que prorrogou a validade até 01/02/2001; b) 2000-01/000269-4, protocolado em 12/01/2001 e emitido em 02/04/2001, prorrogando novamente o prazo de validade até 31/07/2001; e Fl. 277DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 c) 2000-01/000531-6, protocolado em 26/07/2001, e emitido em 01/08/2001, prorrogando novamente o prazo de validade até 27/01/2002. Contesta, nessa linha, a conclusão de que os aditivos, foram obtidos a destempo. Defende, ainda, a higidez da transferência dos insumos remanescentes. Cita os artigos do Comunicado DECEX nº 21/97 que respaldariam tal procedimento e sustenta que cumpriu as condições para sua consecução. Segundo aduz, protocolara, em 06/10/2000, pedido de baixa do Ato Concessório 2000-00/000039-7, com a transferência do saldo remanescente para o Ato Concessório nº 2000-00/000166-0 sendo tal data anterior ao termo final fixado, após a adição do Aditivo nº 2000-00/000565-8 (01/02/2001). Em razão do indeferimento desse pedido, teria sido protocolado, em 19/06/2001 novo pedido de baixa do Ato Concessório 2000-00/000039-7, com reexportação parcial e transferência parcial para o Ato Concessório nº 2000-00/000166-0, sendo referida data anterior ao termo final fixado. Em razão do Aditivo nº 2000-01/000269-4, o encerramento só ocorreria em 31/07/2001. Portanto, tanto o protocolo original do pedido de transferência efetuado em 06/10/2000, como aquele datado de 19/06/2001, teriam sido realizados antes do vencimento do prazo para exportação do Ato Concessório de Drawback, respeitadas as prorrogações constantes dos aditivos. Contesta, por outro lado, a cobrança sobre mercadorias que não foram importadas, ou seja, para as quais não se aperfeiçoou o fato gerador do imposto de importação ou sobre produtos industrializados. Sustenta, nessa linha, que, no máximo, somente se poderia exigir os impostos suspensos (II e IPI) sobre insumos efetivamente importados que não tivessem sido: i) aplicados em produtos exportados; ii) nacionalizados com pagamento dos tributos e encargos; iii) reexportados; e iv) transferidos para outro Ato Concessório. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 16/02/2000, 03/03/2000, 09/03/2000, 21/03/2000, 24/03/2000 DRAWBACK SUSPENSÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTROLE DE ESTOQUES DOS INSUMOS IMPORTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DA VINCULAÇÃO FÍSICA ENTRE OS INSUMOS IMPORTADOS E OS PRODUTOS EXPORTADOS. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. É cabível a exigência ex officio dos tributos incidentes na importação de insumos beneficiados pelo regime do drawback suspensão quando o beneficiário do regime não apresentar ao fisco meio hábil de controle legal dos estoques dos insumos importados, essenciais para o exame da necessária vinculação Fl. 278DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10660.000975/2004-50 Acórdão n.º 3102-00.795 S3-C1T2 Fl. 3 5 física entre os mesmos e as mercadorias destinadas ao mercado externo. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa e suscitar: a) que a decisão recorrida incorreu em cerceamento do direito de defesa, materializado no não enfrentamento das alegações acerca da intributalidade das mercadorias previstas em ato concessório e não importadas; b) que o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque - Modelo 3 não se prestaria à fiscalização do regime de drawback; c) que o princípio da vinculação física careceria de fundamento legal; É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Em nome da clareza, enfrento separadamente cada uma das alegações manejadas. Preliminar de Nulidade Deixo de tomar conhecimento das alegações acerca de nulidade do acórdão em razão de cerceamento do direito de defesa, na medida que, no mérito, razão assiste ao sujeito passivo. De se aplicar, portanto, o § 3º do Art. 59, do Decreto nº 70.235, 72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Descumprimento de Obrigações Acessórias Em primeiro lugar, não há respaldo legal para a descaracterização do regime em razão da não escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. Ou seja, embora defenda que o sujeito passivo deva manter controles de estoque capazes de garantir o cumprimento do princípio da vinculação física, o livro fiscal exigido pelo Fisco não é o único meio apto a tal desiderato. Importante registrar o que diz o § 3º do art. Art. 371. do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nª 4.544, de 2002, que reza: § 3º Será permitida a escrituração por sistema mecanizado, mediante prévia autorização do Fisco Estadual, bem assim por processamento eletrônico de dados observado o disposto no art. 317. Art. 317. A emissão de documentos fiscais e a escrituração de livros fiscais por contribuinte usuário de sistema de processamento eletrônico de dados depende de prévia autorização do Fisco Estadual, na forma disposta em legislação específica, exceto quanto aos livros de que tratam os arts. 390 e 400. Por outro lado, não consta do relatório fiscal que dá suporte ao auto de infração qualquer acusação acerca da não aprovação, por parte do Fisco Estadual, do sistema de controle eletrônico utilizado pelo contribuinte. Ou seja, apesar de constar do relatório fiscal a acusação de que aquele controle informatizado não preencheria as exigências normativas, não se faz qualquer indicação de quais seriam as exigências descumpridas. Finalmente, há que se registrar, ainda, que a apuração da aplicação ou não da mercadoria estrangeira no processo produtivo de outra exportada foi efetivada a partir dos registros informatizados que se alega imprestáveis, conforme observado nos demonstrativo de fl. 46 Descumprimento do Regime e Tributos Devidos Como restou destacado na decisão de piso, o sujeito passivo obteve prorrogação do ato concessório e autorização para transferir os insumos não empregados para outro ato concessório. Nessa linha, não há como ignorar a tempestividade das solicitações, bem assim a resposta positiva do órgão responsável pela concessão do regime, que deu baixa no ato concessório considerando tais prorrogações e transferências. Finalmente, não se pode esquecer que o regime garante a suspensão dos impostos incidentes sobre a importação, mas caso não cumprido, não gera a exigência de impostos sobre todo o montante pactuado em ato concessório, mas exclusivamente os tributos suspensos. Com relação a esse aspecto, veja-se, em primeiro lugar, o que diz o art. 335 vigente à época do regime: Art. 335. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades Fl. 280DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10660.000975/2004-50 Acórdão n.º 3102-00.795 S3-C1T2 Fl. 4 7 (Decreto-lei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I): I - suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; (original não destacado) Evidentemente, sem que se materialize a importação, não há que se falar em suspensão. Veja-se o 342 do mesmo regulamento: Art. 342. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I - no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; ou c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; (original não destacado) Ou seja, o descumprimento da obrigação de empregar as mercadorias segundo avençado no ato concessório conduz exclusivamente à cobrança dos impostos incidentes na importação das mercadorias efetivamente importadas. Sem que se materialize o fato gerador do imposto, não há suspensão do pagamento e, sem essa suspensão não há o que cobrar. Conclusão Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 28 de outubro de 2010 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 281DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10880.679802/2009-89
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 14/07/2006
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A presença de motivação no despacho decisório, de maneira sucinta porém clara, afasta a preliminar de nulidade do ato administrativo guerreado.
JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO.
A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72).
ESTRITA LEGALIDADE. VERDADE MATERIAL. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.
A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificá-lo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa).
Numero da decisão: 3803-004.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório; por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues, que dava provimento parcial para que a declaração retificadora fosse apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O conselheiro Jorge Victor Rodrigues apresentou declaração de voto.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A presença de motivação no despacho decisório, de maneira sucinta porém clara, afasta a preliminar de nulidade do ato administrativo guerreado. JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO. A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). ESTRITA LEGALIDADE. VERDADE MATERIAL. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificálo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório; por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues, que dava provimento parcial para que a declaração retificadora fosse apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O conselheiro Jorge Victor Rodrigues apresentou declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 02 /2 00 9- 89 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: TIM CELULAR S/A, manifesta inconformidade com Despacho Decisório eletrônico , emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT 03 que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE, código de arrecadação 8741, recolhido em 14/11/2006. O citado despacho informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade de fls. 06 a 20, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: Faz breve relato dos fatos. Alega possuir “elevada quantia creditícia” perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINSexportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios , todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679802/200989 Acórdão n.º 3803004.224 S3TE03 Fl. 90 3 CIDE, Pis importação e COFINSexportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. Alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia gerar débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. Discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese. Alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado. Discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que “ se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta.” (sic). Alega que qualquer agente fiscal que “ ...”analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada.” (sic). Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributarias. Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. A DRJ em SÃO PAULO I/SP julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Data do fato gerador: 14/11/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não há ofensa ao principio da verdade matéria se não é apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta basicamente os mesmos argumentos esgrimidos na peça vestibular (nulidade do despacho decisório, por falta de fundamentação e violação dos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade) e diz aduzir documentos que não teria juntado antes em virtude do prazo exíguo até a manifestação de inconformidade. Ao final requer a nulidade do despacho decisório ou o acolhimento do pedido de diligência, para exame da escrita fiscal da recorrente, com o fito de confirmar a compensação encetada. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679802/200989 Acórdão n.º 3803004.224 S3TE03 Fl. 91 5 DO DESPACHO DECISÓRIO A preliminar de nulidade do despacho decisório, por alegada carência de fundamentação não merece guarida. Consta do ato administrativo guerreado, de maneira sucinta porém clara, o motivo pelo qual não foi homologada a compensação pleiteada: utilização do DARF discriminado no PER/DCOMP para quitação de outro débito do contribuinte, o qual é apontado em detalhes logo abaixo do campo CARACTERÍSTICAS DO DARF, sob a rubrica UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. Vale referir, outrossim, que a análise feita pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento sobre a questão, ao contrário do que manifesta a recorrente, me parece extremamente digna: Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse débito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. DA PRECLUSÃO A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). Nessa toada, se me afigura legítima a resistência já manifestada pelo órgão judicante de primeiro grau, e que nem de longe consubstancia supressão de instância: Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 apresentação de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto nº 70.235/1972 que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” Já os §§ 4º e 5º do mesmo artigo determinam que: “§ 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)” Conforme expressamente previsto no Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4º, somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade, nenhuma documentação foi apresentada pela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679802/200989 Acórdão n.º 3803004.224 S3TE03 Fl. 92 7 elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” (grifei) “Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificálo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa). Por outra vertente, o contribuinte alegou erro formal na sua declaração, entretanto não trouxe aos autos sua escrituração contábil e fiscal, para fins de prova do alegado. O princípio da verdade material no processo administrativo fiscal não é um dogma que está acima de todas as normas; ao revés, é mitigado pelo sistema, ao privilegiar a preclusão de juntar provas no processo (art. 16 e §§ do Decreto nº 70.235/72). Nessa toada, o pedido de diligência também não merece agasalho, uma vez que não se encontram nos autos qualquer indício de verossimilhança de erro formal. Posto isso, voto por REJEITAR a preliminar e DESPROVER o recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Declaração de Voto Conselheiro Jorge Victor Peço vênia aos pares para ousar divergir do entendimento esposado pelo i. Relator no voto condutor da matéria sob exame, o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, notadamente no que atine à questão que trata da possibilidade de alteração da DCTF originária, pela via da DCTF retificadora, depois da ciência pela contribuinte do teor do contido em despacho decisório eletrônico, que não homologou a compensação por ela transmitida; bem assim da questão que trata da alteração de DCTF não comprovada mediante a apresentação de documentação idônea, juntamente com a manifestação de inconformidade. A decisão recorrida, em relação ao tema “alteração de DCTF depois da ciência de decisão que não homologou a compensação”, pronunciouse sucintamente por meio da ementa, cujos excertos naquilo que interessa à ilustração pretendida, se transcreve: ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. (...). CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. O entendimento expressado nos excertos acima transcritos se sustentam segundo os termos do voto condutor da decisão sob exame, a seguir: A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679802/200989 Acórdão n.º 3803004.224 S3TE03 Fl. 93 9 tais como DIPJ, DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório.(Grifei). Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. O ponto de divergência suscitado entre o entendimento esposado pelo e. Relator e o julgador que ora se pronuncia, se corporifica com a afirmação de que a DCTF retificada não pode ser acolhida como argumento de defesa, após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, apenas sob a justificativa de que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na data da emissão do despacho decisório, notoriamente porque, considerando a realidade dos fatos direcionados aos processos similares que tramitam nesta Corte, tais erros apenas são verificados pela contribuinte quando da ciência do despacho decisório. Mesmo porque o referido despacho reflete a realidade constatada no Per/Dcomp transmitido eletronicamente, e não pelo processo de investigação realizado na DCTF, DACON, etc, que também pode conter imprecisões, que tornam relevantes e justificam a elaboração de DCTF retificadora. Por força da jurisprudência firmada pelos Tribunais Superiores passouse a admitir a possibilidade de o sujeito passivo apurar os tributos devidos e antecipar o seu pagamento, consolidando a tese pela ausência de lançamento tributário (autolançamento), a partir do disposto no artigo 150 do CTN, instituindose, portanto, uma nova situação jurídica. Por decorrência dessa inovação surgiu a necessidade de criação de um instrumento para formalizar e institucionalizar tal situação jurídica. Deuse, então, o advento da DCTF. Diante da complexidade da legislação fiscal e do exíguo prazo concedido para a apuração e adimplemento das obrigações pelo sujeito passivo, veio a MP nº 1.990 26/1999, por seu art. 19 a regular o instituto da retificação da DCTF, senão vejamos: Art. 19. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização apela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. (Grifei). Posteriormente a IN RFB nº 903/2008, por meio do seu artigo 11 sinalizou com as hipóteses em que não é admitida a transmissão de DCTF – retificadora, notadamente para os casos em que já se suplantou o âmbito de ação por parte da RFB,ou seja, após a ida do processo administrativo para a PFN. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Hodiernamente a Instrução Normativa nº 1.110/2010, que dispõe sobre a Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, nos seus artigos 2o, 5o e 7o, estabelece quem deverá apresentar esse documento, o momento em que deve fazêlo e a penalidade para quem deixar de apresentálo no prazo fixado, ou o fizer com incorreções/omissões. Em ocorrendo esta hipótese será a contribuinte intimada para apresentação da declaração original, e/ou a prestar esclarecimentos, porventura solicitados pela autoridade administrativa, assertivas estas corroboradas pelo contido no artigo 8o desse normativo, que determina que os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. A decisão a quo esteve silente quanto à apreciação deste tema. Certamente a realização de auditoria interna na DCTF retificadora, que não dependeria de audiência da contribuinte, impactaria nos efeitos projetados pela decisão de primeira instância, como se depreenderá oportunamente. Para disciplinar a matéria em pauta veio a IN nº 1.110/2010 dispor em seu artigo 9o, caput e § 1o, que a alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante a apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada, que terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, como também tratar das situações em que a retificação não produzirá efeitos jurídicos, supondose que a contribuinte não se enquadra em nenhum deles, mormente por não constar dos autos esta constatação. O entendimento profligado no Acórdão nº 330201.406, em decisão proferida pelo colegiado da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARFMF, em sessão realizada em 26 de janeiro de 2012, mencionado a título de exemplificação, consubstancia a afirmação das assertivas aqui formuladas, conforme demonstra a ementa a seguir: CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo conseqüência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Grifei). Mencionase, ainda, outros excertos dessa decisão, com vistas a uma melhor compreensão do tema acerca do qual versa o debate, confirase: O acórdão de primeira instância indeferiu o pedido, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF, seria desnecessária a comprovação da liquidez e certeza dos indébitos, o que a Interessada não teria efetuado. Ocorre que a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679802/200989 Acórdão n.º 3803004.224 S3TE03 Fl. 94 11 É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9o, I, da IN RFB nº 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas pra reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus da prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. (Grifei). Nesta ponto tornase possível inferir, conforme o cenário acima transcrito e descrito, que a DCTF retificadora, por possuir a mesma natureza da original, a substitui integralmente e, autonomamente, produz efeitos jurídicos que lhe são peculiares, notadamente quanto à alteração da situação material anteriormente constatada pelo despacho decisório, sendo certo que essa DCTF será objeto de procedimento de auditoria interna (IN RFB nº 1.110/2010, art. 8o). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 Outra inferência, vislumbrável a partir da realização da auditoria interna, é a relevância deste procedimento a conferir a existência de liquidez, certeza e da disponibilidade de crédito alegado pela contribuinte em relação à compensação declarada, com vistas à homologação ou não pela autoridade administrativa, o que não mais é possível de se fazer pela via do despacho decisório, eis que a falha detectada pela interessada em relação à DCTF originariamente apresentada, apenas se tornou perceptível após a ciência do despacho decisório. Ressaltase que é precisamente a partir da ciência do despacho decisório que o sujeito passivo á chamado a comparecer aos autos em formação, inaugurando, assim, o contencioso, mediante a apresentação da manifestação de inconformidade, ocasião em que se torna possível alegar a existência de erro em relação à DCTF original e a sua correção por meio de DCTF, que possivelmente irá retratar uma realidade fiscal distinta daquela contida na original. Isto posto concluise que: somente após a realização deste procedimento é que se poderia decidir pela não homologação da compensação declarada pela contribuinte, bem assim que o ônus probante da liquidez e certeza do indébito é de responsabilidade da autoridade fiscal, eis que as informações necessárias às constatações pertinentes estão disponíveis nos bancos de dados da RFB, anteriormente alimentadas pelas declarações regularmente apresentadas pela contribuinte, ou mesmo pela solicitação de documentos e de esclarecimentos, quando se fizer necessário. No mais, assentase o litígio na alegação de erro material quanto ao preenchimento de DCTF que ensejou a não homologação de Per/DComp transmitido eletronicamente ao Fisco, cujo erro foi corrigido mediante DCTF retificadora, transmitida em 03/03/2010 (doc. 04), que segundo alega a recorrente, põe em terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada. Não obstante o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, na ocasião em que manifestou o seu inconformismo contra o despacho decisório eletrônico, a ora recorrente justificou a impossibilidade de proceder à retificação e apresentação de 147 outras DCTF, oportunamente, mormente por conta da quantidade de documentos a serem manipulados e da elaboração de peças impugnatórias em trinta dias, surgindo, com isso, razões de superveniência, situação esta admitida no § 4o deste artigo, a possibilitar a apresentação a posteriori de tais documentos. Os princípios da informalidade em favor do administrado e da verdade material são baluartes no campo do Direito Administrativo Tributário, devendo os julgamentos de processos fiscais serem pautados por tais orientações, principalmente por não trazer prejuízo ao erário e nem para as partes litigantes, não prejudicar o devido processo legal e, porventura, impossibilitar a alegação de cerceamento de defesa, ou mesmo de supressão de instância. Ademais disso a conversão de julgamento diligência, ato discricionário do julgador, resulta de dúvida acerca de matéria de fato, cujos elementos de prova com potencial de deslinde da lide, não se encontram nos autos. Daí, para auxiliar na formação da convicção do juiz realizase este procedimento, oportunamente, sendo este o caso de que se cuida. Por todo o exposto, ante a necessidade de ver sanada pelo juízo de primeira instância a falha constatada, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para exame da DCTF retificadora e apuração da situação real acerca da existência de créditos e de débitos a ele vinculados, eis que a liquidez e certeza da pretensão da contribuinte nesta nova situação, como visto, é de responsabilidade do Fisco, com isso Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679802/200989 Acórdão n.º 3803004.224 S3TE03 Fl. 95 13 possibilitando a instância a quo pronunciarse sobre a não homologação ou não da DComp aviada. (Assinado digitalmente) Conselheiro Jorge Victor Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11516.004132/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL, NESSA QUALIDADE NÃO AMPARADO POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS.
As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. LIMITE SUPERIOR DA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA.
O conceito de Salário de Contribuição, assim como o seu limite superior, são restritos à base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, trabalhadores avulsos, empregados domésticos, segurados contribuintes individuais e segurados facultativos, não irradiando efeitos normativos de qualquer espécie sobre a base de incidência das contribuições patronais, a qual não encontra limites quantitativos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
PARCELAMENTO. PEDIDO DE INCLUSÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA DO CARF.
Escapa à competência do CARF, a atribuição de sindicar se o devedor e o débito reúnem todos os requisitos aptos à concessão do parcelamento pretendido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. LIMITE SUPERIOR DA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA. O conceito de Salário de Contribuição, assim como o seu limite superior, são restritos à base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, trabalhadores avulsos, empregados domésticos, segurados contribuintes individuais e segurados facultativos, não irradiando efeitos normativos de qualquer espécie sobre a base de incidência das contribuições patronais, a qual não encontra limites quantitativos na Lei de Custeio da Seguridade Social. PARCELAMENTO. PEDIDO DE INCLUSÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA DO CARF. Escapa à competência do CARF, a atribuição de sindicar se o devedor e o débito reúnem todos os requisitos aptos à concessão do parcelamento pretendido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 41 32 /2 00 9- 63 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 Data da lavratura do AIOP: 27/07/2009. Data da ciência do AIOP: 30/07/2009. Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou integralmente procedente o lançamento tributário constituído por intermédio do Auto de Infração nº 37.183.6158, de 27 de julho de 2009, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados – exercentes de mandato eletivo municipal , conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 33/39. Consta consignado na Resenha Fiscal que os fatos geradores das contribuições lançadas foram apurados com base nas Folhas de pagamento, GFIP e nas Guias de Recolhimento para a Previdência Social – GPS, e constituem os seguintes levantamentos: FP1 FL PAGTO SAL NÃO DECLARADO – remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, constantes da folha de pagamento e não declaradas em GFIP, no período de 01/2005 a 12/2006; FP2 FL PAGTO SAL NÃO DECLARADO – remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, constantes da folha de pagamento e não declaradas em GFIP, no período de 01/2007 a 11/2008; FPG FOLHA PAGTO – DIFERENÇA GILRAT – diferenças de contribuições devidas à Seguridade Social referentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004132/200963 Acórdão n.º 2302002.534 S2C3T2 Fl. 319 3 ambientais do trabalho (GILRAT), no período de 06/2007 a 11/2008. A discriminação nominal dos segurados objeto do vertente lançamento e os respectivos auferidos mas não informados em GFIP encontramse relacionados na planilha objeto do Anexo I, a fls. 40/46, cujas bases de cálculo encontramse discriminadas no Relatório de Lançamentos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 117/126. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 204/213, julgando procedente em parte o lançamento e mantendo o crédito tributário na forma ilustrada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 214/223. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO a fls. 231/241, formalizado pelo Sr. Delegado Regional da DRF/Florianópolis/SC, autoridade responsável pela execução do Acórdão, em razão de inexatidão material decorrente de lapso manifesto no Acórdão, com fundamento no parágrafo 1º do artigo 22 e artigo 27 da Portaria MF nº 58/2006; e artigo 32 do Decreto nº 70.235/1972. Devidamente cientificado do Acórdão e do pedido de retificação acima aludidos, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 249/254. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão 0346.344 – 5ª Turma da DRJ/BSB a fls. 272/282, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 11/04/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 293. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 294/304, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que os segurados Luzimar Torres, Ademir Schmoeller, Ademar Rohling e Ronaldo Fornazza, durante o exercício de seus mandatos eletivos de Vereadores, na data dos autos, estavam vinculados a Regime Próprio de Previdência, conforme declarações e demais documentos que acompanham o processo, estando assim, isentos de contribuição, nos termos do art. 12 da Lei nº 8.212/91; · Que o segurado José Eduardo Cláudio era filiado ao Regime Geral de Previdência Social, por meio da empresa Catarinense Indústria e Comércio de Molduras Ltda., onde contribuía pelo teto máximo do Salário de Contribuição; · Parcelamento do débito; Fl. 320DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Ao fim, requer a reforma da decisão recorrida. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 11/04/2012. Havendo sido o recurso voluntário postado em 27/04/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DOS EXERCENTES DE MANDATO ELETIVO Argumenta o Recorrente que os segurados Luzimar Torres, Ademir Schmoeller, Ademar Rohling e Ronaldo Fornazza, durante o exercício de seus mandatos Fl. 321DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004132/200963 Acórdão n.º 2302002.534 S2C3T2 Fl. 320 5 eletivos de Vereadores, na data dos autos, estavam vinculados a Regime Próprio de Previdência, conforme declarações e demais documentos que acompanham o processo, estando assim, isentos de contribuição, nos termos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Razão não lhe assiste. O §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, acrescentou ao inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 a alínea “h”, a qual qualificava como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. Ocorre que, quando da edição da citada Lei Ordinária 9.506/97, o art. 195 da Constituição Federal dispunha que: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores;" Com fundamento na tese de que o inciso II do já visto art. 195 da CF/88 não comportava os agentes políticos, forte no argumento de que eles não poderiam ser qualificados como "trabalhadores", e em razão de não se tratar de instituição de contribuição sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros", o disposto no art. 13, §1º da Lei nº 9.506/97 foi declarado inconstitucional, em 08/10/2003, DJ de 21/11/2003, conforme Decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 351.717/PR, eis que, segundo o Excelso Pretório, a criação de uma nova figura de segurado obrigatório da Previdência Social somente poderia ter ocorrido por meio de lei complementar, nunca por Lei Ordinária. Em virtude de tal decisão ter sido proferida no trâmite do Controle Difuso de Constitucionalidade, tal veredictum beneficiou, à época, tão somente, o impetrante da ação judicial em relevo. Nessa perspectiva, em decorrência própria da aludida decisão da Suprema Corte, o Senado Federal suspendeu, com fundamento no art. 52, X da CF/88, a execução da norma inscrita na alínea "h" do Inciso I do Artigo 12 da Lei nº 8212/91, conforme Resolução nº 26, de 21 de junho de 2005, in verbis: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: (...) Fl. 322DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 X suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; RESOLUÇÃO Nº 26, DE 2005 Suspende a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997. O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. O entrave constitucional acima abordado veio a ser desbloqueado com a publicação da Emenda Constitucional nº 20/98, a qual conferiu nova redação ao Inciso II do art. 195 da Carta de 1988, que passou a ostentar a seguinte redação: Constituição da República Federativa do Brasil "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, A citada Emenda Constitucional nº 20/98, na sua trajetória de reforma do regime previdenciário dos Servidores Públicos, conferiu nova redação ao caput do art. 40 da CF/88, reservando exclusivamente aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, o regime próprio de previdência social. Constituição da República Federativa do Brasil Fl. 323DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004132/200963 Acórdão n.º 2302002.534 S2C3T2 Fl. 321 7 Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) §13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social." Mas não parou por aí. De modo a espancar qualquer dúvida, a citada EC n° 20/98 fez acrescer ao suso mencionado Dispositivo Constitucional o parágrafo §13, dispondo ad litteram que “ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social”. Nesse contexto, extraise dos preceptivos constitucionais acima revisitados, que promoveram a reforma do regime jurídico previdenciários das três esferas de governo, as seguintes conclusões: a) A contar da vigência e eficácia da EC n° 20/98, somente poderiam permanecer amparados por Regime Próprio de Previdência Social das três esferas de governo os servidores ocupantes de servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações; b) A partir da vigência e eficácia da EC n° 20/98, os servidores ocupantes, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, são vinculados ao regime geral de previdência social – RGPS; c) Com as alterações constitucionais introduzidas pela Emenda Constitucional nº 20/98, ficou afastada a reserva de lei complementar para a instituição de nova categoria de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, possibilitando que nova lei ordinária, tão só, formalizasse legalmente a sua criação; d) Os exercentes de Mandato Eletivo federal, estadual, distrital e municipal, que nessa específica condição, não estivessem amparados por RPPS, passariam a ser segurados obrigatórios do RGPS. Na sequência da lapidação legislativa, em 18 de junho de 2004 foi promulgada a Lei nº 10.887/2004 que acrescentou ao tão comentado inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 a alínea ‘j’, com redação idêntica à da extirpada alínea ‘h’ já vista anteriormente, Fl. 324DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 só que, agora, acobertada pela nova redação do art. 195, I da Lei Suprema, que afastou a imprescindibilidade da Lei Complementar. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887/2004). Percebam que as disposições introduzidas na alínea ‘j’ do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 10.887/2004, apenas explicitam em grau infraconstitucional aquilo que já se encontrava estabelecido na Lex Excelsior em decorrência da EC n° 20/98. Concluise do exposto que somente podem ser filiados a Regime Próprio de Previdência Social governamental os servidores ocupantes de servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, circunstância que afasta, peremptoriamente, da proteção do manto de tais regimes todo e qualquer exercente de mandato eletivo, nessa específica condição. É de se notar que, mesmo no caso do servidor civil ocupante de cargo efetivo ou do militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, mas não amparados, nessa condição, por regime próprio de previdência social, o art. 13 da Lei nº 8.212/91, na redação que lhe fora conferida pela Lei nº 9.876/99, já estabelecia compulsoriamente sua filiação compulsória ao Regime Geral de Previdência Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876/1999). §1o Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (Incluído pela Lei nº 9.876/1999). §2o Caso o servidor ou o militar, amparados por regime próprio de previdência social, sejam requisitados para outro órgão ou entidade cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição, permanecerão vinculados ao regime de origem, obedecidas as regras que cada ente estabeleça acerca de sua contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.876/1999). Desta forma, a partir de 21 de junho de 2004 data da publicação da Lei nº 10.887/2004, com eficácia a partir de 19 de setembro de 2004, por força da anterioridade Fl. 325DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004132/200963 Acórdão n.º 2302002.534 S2C3T2 Fl. 322 9 específica prevista no art. 195, §6º da CF/88, tornouse indiscutível a obrigatoriedade de contribuição previdenciária dos agentes políticos federais, estaduais, distritais e municipais (Presidente da República, Governadores, Prefeitos, Senadores, Deputados e Vereadores) sobre seus subsídios para o custeio da Seguridade Social. No entanto, deflui dos termos inscritos no §1º do art. 13 da Lei nº 8.212/91 que, se a vinculação a regime próprio de previdência for concomitante com o exercício de outras atividades remuneradas abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, situação bem comum no caso de vereadores, o agente político será segurado obrigatório do RGPS em relação a cada uma dessas atividades desenvolvidas, mesmo se a vinculação se der a regimes previdenciários diferentes, podendo ser, como exemplo, contribuinte de regime próprio de previdência social na qualidade de servidor público titular de cargo efetivo e contribuinte do regime geral de previdência social, na qualidade de vereador, como sói ocorrer no presente caso em relação aos segurados mencionados no primeiro parágrafo deste tópico. Outro não é o Direito Positivado no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99: Regulamento da Previdência Social Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) f) o brasileiro civil que trabalha para a União no exterior, em organismos oficiais internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se amparado por regime próprio de previdência social; g) o brasileiro civil que presta serviços à União no exterior, em repartições governamentais brasileiras, lá domiciliado e contratado, inclusive o auxiliar local de que tratam os arts. 56 e 57 da Lei nº 11.440, de 29 de dezembro de 2006, este desde que, em razão de proibição legal, não possa filiarse ao sistema previdenciário local;(Redação dada pelo Decreto nº 6.722, de 30 de dezembro de 2008) h) o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008; (Redação dada pelo Decreto nº 6.722, de 30 de dezembro de 2008) i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social; l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, Fl. 326DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal; m) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante de emprego público; (...) p) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Redação dada pelo Decreto nº 5.545/2005) Nessa prumada, estando os exercentes de mandato eletivo expressamente excluídos de Regime Próprio de Previdência Social, por força de Norma Constitucional, e taxativamente vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de segurado empregado, por ordem das disposições inscritas na alínea ‘h’ do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi conferida pela Lei nº 10.887/2004, ambos, Ente Público Municipal e Segurado sujeitamse às obrigações tributárias estabelecidas na Lei nº 8.212/91, na data da ocorrência dos fatos geradores. Assim, ao caso presente, mostrase irrelevante se o exercente de mandato eletivo municipal exerce, concomitantemente, atividade vinculada a Regime Próprio de Previdência Social. Nesta hipótese específica, incidem em cada caso in concreto, simultaneamente, tanto as disposições relativas ao RPPS, decorrentes da condição de servidor ocupante de cargo de provimento efetivo, quanto aquelas próprias do RGPS, consequentes da condição de segurado empregado do exercente de mandato eletivo. No caso em apreço, as declarações acostadas a fls. 127/134 revelam, tão somente, que os exercente de mandato eletivo Luzimar Torres, Ademir Schmoeller, Ademar Rohling e Ronaldo Fornazza exerceram, cumulativamente, a vereagem municipal e outro cargo de servidor público filiado a RPPS. Nessa perspectiva, estando tais segurados vinculados ao RGPS, devidas serão as contribuições previdenciárias a cargo do Ente Público Municipal ora Recorrente previstas nos art. 22, I e II da Lei nº 8.212/91, destinadas ao custeio da Seguridade Social e aos financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os valores pagos, creditados ou devidos aos exercentes de mandato eletivo municipal, na qualidade de segurado empregado do Regime Geral de Previdência Social. Diante de tal quadro, por força do preceptivo inscrito no art. 37 da Lei nº 8.212/91, havendo sido constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização, por dever de ofício plenamente vinculado, teve que proceder à lavratura do competente lançamento visando à constituição do crédito tributário referente às contribuições devidas. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 327DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004132/200963 Acórdão n.º 2302002.534 S2C3T2 Fl. 323 11 Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. 2.2. DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O TETO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Argumenta o Recorrente que o segurado José Eduardo Cláudio era filiado ao Regime Geral de Previdência Social, por meio da empresa Catarinense Indústria e Comércio de Molduras Ltda., onde contribuía pelo teto máximo do Salário de Contribuição. Sim ... Era ... e? A Lei de Custeio da Seguridade Social apenas estabelece limite para a base de cálculo da contribuição a cargo do segurado empregado, fixadas nos artigos 20 e 28 da Lei nº 8.212/91, mas, não, para a base de incidência das contribuições patronais previstas no seu art. 22. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: (Redação dada pela Lei n° 9.032/95). (grifos nossos) Saláriodecontribuição Alíquota em % até 249,80 8,00 de 249,81 até 416,33 9,00 de 416,34 até 832,66 11,00 (Valores e alíquotas dados pela Lei nº 9.129/95) §1º Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social.(Redação dada pela Lei n° 8.620/93) §2º O disposto neste artigo aplicase também aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços a microempresas. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 8.620/93) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a Fl. 328DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o §5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) §5º O limite máximo do saláriodecontribuição é de Cr$ 170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Anotese que o conceito jurídico de Salário de Contribuição, assim como o seu limite superior, são restritos à base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, trabalhadores avulsos, empregados domésticos, segurados contribuintes individuais e segurados facultativos, não irradiando efeitos normativos de qualquer espécie sobre a base de incidência das contribuições patronais previstas no art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual base não encontra limites quantitativos na Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos Fl. 329DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004132/200963 Acórdão n.º 2302002.534 S2C3T2 Fl. 324 13 segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876/99). §1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) Deflui dos preceitos legais suso selecionados a irrelevância do limite máximo do Salário de Contribuição previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91 para fins de determinação do Quantum debeatur patronal, eis que a base de cálculo estatuída no art. 22 da Lei de Custeio da Seguridade Social não conhece limites. Assim, independentemente de quanto auferia mensalmente o segurado José Eduardo Cláudio na empresa Catarinense Indústria e Comércio de Molduras Ltda., sendo ele segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de segurado empregado do Recorrente, sobre este vergam as obrigações tributárias principais previstas no art. 22 da Lei nº 8.212/91. Também nesse aspecto, procedente o lançamento. 2.3. DO PEDIDO DE PARCELAMENTO Fl. 330DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 O Recorrente recorre a esta Corte Administrativa requerendo a concessão de parcelamento do crédito tributário apurado, em razão da inviabilidade de pagamento em parcela única. Mesmo ciente da precariedade da situação financeira do Município, com suas receitas totalmente comprometidas com o pagamento de dívidas anteriores, infelizmente, não há como atender ao pedido por ele formulado, ante a calva de competência deste Colegiado para tanto. O Parcelamento Ordinário Administrativo constituise num acordo celebrado entre a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e o devedor, que tem por finalidade o pagamento parcelado das contribuições e demais importâncias devidas à Seguridade Social e não recolhidas em época própria, incluídas ou não em notificação. Tal pedido há que ser formulado diretamente pelo devedor, eis que sua formulação implica confissão irretratável da dívida e configura confissão extrajudicial, nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil. De posse do Requerimento, o pedido será analisado pelo Órgão Fazendário competente para a verificação do adimplemento integral dos requisitos legais para a sua concessão. Aditese que tal modalidade de parcelamento não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições, ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, a teor do art. 155 do CTN. O parcelamento ordinário, antes tratado no art. 38 da Lei nº 8.212/91, houve se por revogado por determinação expressa da Medida Provisória nº 449/2008, revogação essa referendada pela Lei nº 11.941/2009. O parcelamento ordinário é hoje regido pelos preceitos insculpidos na Lei nº 10.522/2002, cujo art. 11 condiciona sua formalização ao pagamento da 1ª prestação e ao oferecimento de garantia real ou fidejussória, não possuindo este Colegiado competência administrativa para autorizar sua concessão. Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 11. O parcelamento terá sua formalização condicionada: (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) I Ao prévio pagamento da primeira prestação, conforme o montante do débito e o prazo solicitado, observado o disposto no §1o do art. 13; (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) II ao oferecimento, pelo devedor, de garantia real ou fidejussória, inclusive fiança bancária, idônea e suficiente para o pagamento do débito, observados os limites e as condições estabelecidos no ato de que trata o art. 14F. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) §1o O disposto no inciso II não se aplica aos pedidos de parcelamento de optantes do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno PorteSimples Nacional, instituído pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006.(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 331DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.004132/200963 Acórdão n.º 2302002.534 S2C3T2 Fl. 325 15 §2o Para efeito do disposto no inciso II, poderão também ser oferecidos como garantia o faturamento ou os rendimentos do devedor.(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) §3 Descumprido o parcelamento garantido por faturamento ou rendimentos do devedor, poderá a Fazenda Nacional realizar a penhora preferencial destes na execução fiscal, que consistirá em depósito mensal à ordem do Juízo, ficando o devedor obrigado a comprovar o valor do faturamento ou rendimentos no mês, mediante documentação hábil. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) A esta 2ª Seção houvese por outorgada, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Foge à competência deste Colegiado, por óbvio, a atribuição de sindicar se o devedor e o débito reúnem todos os requisitos aptos à concessão do parcelamento pretendido. De forma análoga, não dispõe esta Corte de Poder legal para impingir à Secretaria da Receita Federal do Brasil a concessão de parcelamento não acatado pela lei. Nessa perspectiva, avulta que o Pedido de Parcelamento do débito aviado neste Auto de Infração de Obrigação Principal, se do interesse do Autuado, deverá ser requerido diretamente à DRF de origem, de acordo com as orientações assentados no IPC Instruções para o Contribuinte, a fls. 03/04. 3. DECISÃO Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 332DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10530.000226/98-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
IPI. SALDO ESCRITURAL ANTERIOR A 1999. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. INDEFERIMENTO SUMÁRIO.
Indefere-se sumariamente o recurso cujo fundamento contrarie enunciado de súmula do Carf.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 IPI. SALDO ESCRITURAL ANTERIOR A 1999. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. INDEFERIMENTO SUMÁRIO. Indefere-se sumariamente o recurso cujo fundamento contrarie enunciado de súmula do Carf. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 IPI. SALDO ESCRITURAL ANTERIOR A 1999. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. INDEFERIMENTO SUMÁRIO. Indeferese sumariamente o recurso cujo fundamento contrarie enunciado de súmula do Carf. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 02 26 /9 8- 26 Fl. 977DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.000226/9826 Acórdão n.º 3302002.155 S3C3T2 Fl. 977 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 469 a 475 do processo apensado 10530.720245/200888) apresentado em 09 de novembro de 2010 contra o Acórdão no 15 24.292, de 08 de julho de 2010, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 462 a 467 do processo 10530.720245/200888), cientificado em 19 de outubro de 2010, que, relativamente a pedido de restituição e compensação de IPI dos períodos de janeiro de 1998 a setembro de 2003, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. É incabível, por falta de previsão legal, o ressarcimento de créditos do IPI decorrentes da aquisição de insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado, antes de Io de janeiro de 1999, e aplicados na industrialização de produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Decorridos cinco anos da apresentação de declaração de compensação ou de pedido de compensação convertido em declaração, sem manifestação da autoridade administrativa, considerase homologada a compensação e extintos os correspondentes débitos declarados. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi apresentado em 20 de fevereiro de 2003 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fls. 937 a 942. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de processo de representação para cadastramento do crédito solicitado no processo administrativo n° 10530.000226/9826, devido a impossibilidade de cadastramento deste processo no sistema SIEF, em função de críticas do sistema à data do período de apuração do crédito pleiteado e a data do pedido, conforme documento de fl. 01. O estabelecimento acima identificado formalizou pedidos de ressarcimento e declaração de compensação, para aproveitamento de créditos do IPI, no valor de R$ 165.530,55, com base no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999 e na IN SRF n° 33, de 1999, relativos ao período de 1o trimestre de 1998 ao 3o trimestre de 2003, conforme pedidos de compensação, fls. 311 a Fl. 978DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.000226/9826 Acórdão n.º 3302002.155 S3C3T2 Fl. 978 3 372, e PERDCOMP n° 34549.68285.261004.1.3.018089, fls. 49 a 117; n° 16120.23569.271004.1.3.016090, fls. 118 a 176; n° 15363.73549.281004.1.3.011902, fls. 177 a 215; n° 34488.23240.240903.1.3.018702, fls. 216 a 223; e n° 28006.16875.281004.1.3.01 0007, fls. 224 a 275. Ao presente processo foram juntados os processos n° 10530.000226/9826 e 10530.002881/200824, conforme termo de juntada à fl. 309 e despacho à fl. 454, respectivamente. A Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana, proferiu Despacho Decisório n° 1654, de 01/09/2008, fls. 276 a 281, deferindo parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 59.731,24, e homologando as compensações até o limite do crédito deferido, com base no Relatório e Fundamentação deste Despacho Decisório. Em 31/10/2008, a DRF/FSA emite decisão complementar, fl. 283, para incluir as PERDCOMP n° 34488.23240.240903.1.3.018702, fls. 216 a 223; e n° 28006.16875.281004.1.3.010007, fls. 224 a 275 e retirar do texto do despacho decisório n° 1654, de 01/09/2008, o parágrafo 1 (“As PER/DCOMPS, supra citadas, já foram informadas em declaração de Compensação em papel, neste processo PER/COMPS, consideradas não declaradas.”). Cientificada do despacho decisório em 26/09/2008, conforme “AR”, fl. 282, a contribuinte apresentou, em 28/10/2008, manifestação de inconformidade, fls. 294 a 296, alegando que: <=> o SEORT/FSA indeferiu o pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI relativo ao período do 1o ao 4o trimestre de 1998, entendendo que esse saldo credor somente existia quando o produto resultante desta operação estivesse sujeito ao pagamento do imposto na saída do estabelecimento industrial; <=> a compensação de quaisquer espécie, relativos a tributos ou contribuições administrados pela SRF com saldo credor de IPI está disciplinado pelo art. 5o da IN SRF N° 21, de 2007, ato normativo vigente à época da formulação do pedido. Transcreve o art. 3o e seu inciso I, e art. 5o da referida instrução normativa; <=> se o próprio julgador reconhece a existência de um crédito, sua devolução à empresa poderá ser feita pela via da compensação com débitos de outros tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal, conforme dispõe o art. 5o da IN SRF N° 21/97; <=> requer revisão da decisão impugnada para manter a totalidade dos créditos pleiteados e homologação dos valores compensados. A DRJ, apreciando o pedido remanescente em relação ao ano de 1998, considerou o seguinte: Fl. 979DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.000226/9826 Acórdão n.º 3302002.155 S3C3T2 Fl. 979 4 Notese que apenas os créditos definidos como incentivados, para os quais a lei expressamente assegurasse a manutenção e utilização, e que não fossem absorvidos no período de apuração em que foram escriturados, poderiam ser objeto de ressarcimento em espécie e de compensação com débitos de outros tributos e contribuições. [...] Desta forma, não resta dúvida de que o direito ao ressarcimento nos termos previstos no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, e na IN SRF n° 33, de 1999, simplesmente não alcança períodos anteriores ao dia Io de janeiro de 1999, carecendo de amparo legal, por conseguinte, o pedido de ressarcimento formulado pela interessada, visto que se refere a insumos adquiridos no ano de 1998. Porém, quanto ao prazo para a Receita Federal exercer seu direito de homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, o parágrafo 5o do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, assim dispõe: [...] Assim, os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 (MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002) foram convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados. [...] Ante o exposto, voto por considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecer o direito creditório, mas homologar os pedidos de compensação de fls. 325 a 368, 373 e 376 e a compensação declarada no PERDCOMP n° 34488.23240.240903.1.3.018702, por expressa determinação legal. No recurso, a Interessada, inicialmente, reiterou o conteúdo da manifestação de inconformidade. A seguir, reproduziu vários textos legais e normativos, para concluir o seguinte: Ora, Senhor Relator, Senhores Nobres Conselheiros, data máxima vénia, o Secretário da Receita Federal, ao editar a Instrução Normativa n°033/99, fixando o prazo de vigência do direito à utilização dos créditos de que tratam o art. 11, da Lei n°11.779/99, extrapolou a autorização legal, haja vista que os decretos e normas infralegais, ai incluídas as instruções normativas, não podem acrescentar aquilo que lei não estabeleceu. Estabelecimento de prazo é matéria de fundo, portanto, deve ser prevista em lei. Se a Lei n° 9.779/99 não fixou prazo é porque Fl. 980DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.000226/9826 Acórdão n.º 3302002.155 S3C3T2 Fl. 980 5 era matéria já disciplinada por lei anterior. Não poderia, por via de consequência, ser estabelecida por norma inferior. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, devido a limitações do sistema Sief, estão apensados ao presente processo mais dois processos (10530.720245/200888, que contém o acórdão de primeira instância e o recurso voluntário; 10530.725609/201031). Portanto, a presente decisão abrange os três processos em questão, tendo sido formalizada no presente processo à vista do seu cadastramento no eProcesso como processo principal. Em relação ao pedido, conforme também esclarecido, restou em litígio somente o ano de 1998, em relação ao qual o entendimento das instâncias anteriores foi de que não estaria abrangido pelo novo direito previsto na Lei n. 9.779, de 1999. A respeito da matéria, aplicase a Súmula Carf n. 16 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. A aplicação da referida súmula é obrigatória, à vista das disposições do art. 72 do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009). Observese que a presente decisão é definitiva, à vista da disposição art. 67, § 2º, do Regimento Interno do Carf: § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.000226/9826 Acórdão n.º 3302002.155 S3C3T2 Fl. 981 6 À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 982DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003319/2010-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
MULTA QUALIFICADA
A qualificação da multa de ofício se aplica quando fica evidenciado o comportamento do sujeito passivo, no tocante a sonegação, fraude ou conluio.
Numero da decisão: 2403-002.051
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da qualificação da multa de ofício. Vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza Costa. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Jhonathas Ribeiro da Silva, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Freitas Souza Costa e Jhonatas Ribeiro Da Silva.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA QUALIFICADA A qualificação da multa de ofício se aplica quando fica evidenciado o comportamento do sujeito passivo, no tocante a sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 33 19 /2 01 0- 31 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da qualificação da multa de ofício. Vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza Costa. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Jhonathas Ribeiro da Silva, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Freitas Souza Costa e Jhonatas Ribeiro Da Silva. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 2403002.051 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Acórdão 0724.450 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no valor de R$ 790.803,28, referente às contribuição patronal de 20% devidas à Seguridade Social incidente sobre à remuneração paga ou creditada a segurado contribuinte individual. Consta dos autos amplo e detalhado relatório fiscal, fls. 49/68, emitido pela fiscalização, a qual considerou como fato gerador de contribuição previdenciária os valores contabilizados pela empresa supracitada a título de mútuo ao Diretor Presidente, Sr. Rolf Kuehnrich. Os fatos apurados em ação fiscal desenvolvida na empresa estão indicados como segue. A autoridade lançadora informa que a ação fiscal na empresa Monte Claro Participações e Serviços S.A teve como precedente a fiscalização desenvolvida na pessoa física do Sr. Rolf Kuehnrich, com o objetivo de verificação do imposto de renda das pessoas físicas. No curso daquela ação fiscal, da análise da elevada movimentação bancária do contribuinte, se verificou que os recursos foram provenientes de operações de mútuo firmadas com a empresa Monte Claro. O relatório fiscal apresenta no item 05, descrição detalhada dos fatos e dos documentos examinados na fiscalização efetuada na pessoa física, fls. 51/61. O contribuinte pessoa física apresentou 02 contratos de mútuo a respeito dos quais, a fiscalização informa o que segue: Os contratos não estão registrados em cartório; disponibilizam créditos na ordem de R$ 900.000,00 e R$ 1.800.000,00 com vencimentos em 09/01/2007 e 09/01/2008 respectivamente; não consta remuneração pelo empréstimo, que ficou em aberto; os contratos foram assinados por Rolf Kuehnrich, como mutuário, e Frederico Kuehnrich Neto, seu filho, que é o Diretor Vice Presidente. Informa que a dívida não está registrada nas DIRPF referente aos anos calendários 2006 e 2007, sendo que consta da DIRPF do ano calendário 2008, quando o contribuinte já estava sob investigação. Relata que em decorrência da conexão da movimentação financeira do contribuinte (Rolf Kuehnrich) com a empresa Fl. 533DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Monte Claro, foi efetuada a intimação desta para a apresentação de documentos e livros. Da análise dos elementos disponibilizados constatouse a situação relatada a seguir. A empresa não tinha imobilizado, nem apresentava movimentação contábil em bancos. Informa que a Monte Claro registrou em sua contabilidade o mútuo concedido ao Diretor Presidente Rolf Kuehnrich, na conta 1933 2.1.9.1.10, sendo que esta conta, estranhamente está classificada no Passivo com o sinal negativo. A empresa registra valores elevados de investimento na empresa que detém o controle, a Teka Tecelagem Kuehnrich S.A. A Monte Claro apresentou prejuízo acumulado nos exercícios de 2005, 2006, 2007 e 2008, no valor aproximado de 30 (trinta ) milhões de reais por exercício. Detinha dívidas classificadas no grupo exigível a longo prazo, também na ordem de 30 milhões de reais. Que apesar de estar previsto nas Atas de Assembléia, remuneração ao Presidente e Vice Presidente, limitada ao valor de R$ 1.000,00, não foram apurados registros na contabilidade da empresa; A Monte Claro não registrou pagamentos de despesas de custeio, como água, luz, telefone, transporte, escrituração etc., normais em qualquer tipo de empreendimento. Cita que em decorrência destes fatos, é de se questionar a razão de uma empresa conceder empréstimos milionários ao seu Diretor Presidente, não obstante apresentar dívidas com valores substanciais em seu passivo, e vultoso prejuízo acumulado. Não se verificou a intenção da reaver estes empréstimos, concedidos desde 2006. Apresenta quadro de créditos concedidos, fls. 56/57, o qual indica a movimentação bancária na conta pessoal de Rolf Kuehnrich e a conexão com a conta contábil 1933 2.1.9.1.10 ROLF KUEHNRICH. Informa que os recursos financeiros tinham como origem a empresa TEKA. Os valores perfazem um total de R$ 1.664.000,00 nos anos de 2006 e 2007. Foram efetuadas diversas intimações a empresa, no sentido de que esta apresentasse esclarecimentos a respeitos dos fatos apurados. Nas diversas respostas efetuadas pelo contribuinte, a fiscalização informa que restou confirmado que não houve amortização dos empréstimos efetuados. A fiscalização relata que se verificou a pratica de irregularidade da Monte Claro ao deixar de proceder a retenção do imposto de renda na fonte e o recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos ao seu Diretor Presidente. Apresenta conclusão fls. 62/63, na qual entende que os valores pagos pela Monte Claro, a título de mútuo na realidade se trata de pagamentos de verbas remuneratórias. Em resumo, elenca os seguintes fatos apurados: a) O mutuário obteve ao longo dos anos de 2006, 2007 e 2008, empréstimos mensais, sucessivos e com valores elevados, b) Não houve qualquer tipo de amortização na divida ao longo dos anos de 2006, 2007 e 2008 e o mútuo permanece inalterado 4 anos após as primeiras concessões, c) Que ocorre uma clara rotina de pagamentos, efetuados próximo do dia 05 de cada mês, no valor exato de R$ Fl. 534DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 2403002.051 S2C4T3 Fl. 4 5 60.000,00 com uma complementação menor a cada quinzena de cada mês. d) Que em valores históricos foi concedido um total de R$ 2.492.600,00 até 31/12/2008, conforme registro no livro Razão, com uma remuneração inexpressiva da Monte Claro a titulo de atualização monetária, e) Os contratos não prevêem qualquer tipo de garantia da dívida, f) O Sr. Rolf Kuehnrich atesta que os valores recebidos do mútuo foram consumidos como despesas pessoais, g) A dívida não consta das declarações de imposto de renda de 2006 e 2007 de Rolf Kuehnrich. h) Os contratos de mútuo apresentados não foram averbados em registro público, não tendo validade perante terceiros, nos termos do Código Civil Brasileiro, i) O mutuário é o próprio mandatário da mutuante, sendo que também tem influencia sobre a Teka, empresa do qual os recursos se originaram, j) A Monte Claro apresentou prejuízos acumulados substanciais e dividas elevadas em seu passivo, não se justificando a concessão dos empréstimos a titulo de mútuo, sem qualquer esforço para o recebimento, k) Que apesar de constar em atas, não se constatou o pagamento de honorários a diretores, na contabilidade da empresa. Que em decorrência de todos estes fatos, os pagamentos foram considerados como verbas de natureza remuneratória, com a incidência de contribuição previdenciária. Informa que aos fatos geradores lançados no presente auto de infração, em virtude de ausência de recolhimento e declaração inexata em GFIP, em cada competência foi aplicada multa considerando a penalidade menos severa, que resultou na comparação entre a multa de ofício, estabelecida no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (75%) e a soma da multa de mora do inciso I do art. 35 (24%) e do § 5o do art. 32, ambos da Lei 8.212/91. Cita que o comparativo, constantes do relatório "Comparação de Multas" resultou na aplicação da multa mais benéfica, para as competências 01/2006 a 11/2008 nos termos da soma da multa de mora do inciso I do art. 35 (24%) e do § 5 o do art. 32, ambos da Lei 8.212/91. Para a competência 12/2008, o comparativo teve como resultado mais benéfico ao contribuinte a aplicação da multa de ofício, estabelecida no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (75%) As multas aplicadas constam dos levantamentos P PRO LABORE (01/2006 A 11/2008) e P2 PRO LABORE ( 12/2008), e estão indicadas no Discriminativo de Débito DD, fls. 05/09 dos autos. Que para esta competência foi aplicada multa qualificada, tendo em vista que a conduta da empresa foi enquadrada como sonegação, de forma dolosa e intencional, retardando o conhecimento dos fatos pelo fisco, nos termos da Lei 4.502/64 A fiscalização cita ainda que a falta de recolhimento das citadas contribuições configura, em tese, crime de sonegação de contribuições previdenciárias de acordo com o disposto no Código Penal Decreto Lei n° 2.848 de 07/12/1940, Fl. 535DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 alterado pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000, tendo motivado Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação as autoridades competentes para as providencias cabíveis. A empresa apresentou impugnação, fls. 433/454, na qual em síntese argumenta: Sustenta que não seria possível que antes mesmo do fim do tramite do processo administrativo seja o contribuinte processado criminalmente, sob a alegação que teria deixado de recolher tributo e cita jurisprudências. Alega que os processos administrativos 13971.003319/201031, 13971.003292/201087, 13971.003293/201021, 13971.00332072010 66, 13971.003321/201019 e 13971.003290/201098 devem ser reunidos para que sejam realizados os julgamentos em conjunto, o que evitará que seja prolatada decisões contraditórias. Cita que não foi não foi observado o principio da ampla defesa uma vez que o lançamento efetuado não apresenta de forma clara as disposições legais infringida. Que consta uma serie de dispositivos legais inaplicáveis à espécie, mais confundindo do que ajudando na compreensão da pendências que foram imputadas ao impugnante. Faz referencias, fls. 437/438 a alguns dispositivos legais que não se aplicariam ao lançamento em questão. Alega.que as contribuições lançadas se referem ao período 01/2006 a 12/2008, mas que no tópico "Dos créditos relacionados ao mútuo", item 5.4.1 do relatório fiscal não restou relacionada qualquer informação acerca do período 2008, o que se configura como cerceamento do direito de defesa. Alega completa ausência de provas no sentido que os documentos juntados não comprovam as alegações do fisco e ao contrário provam a existência de contrato de mútuo mantido pelo impugnante e o Sr. Rolf Kuehnrich. Aduz que o fisco fundouse basicamente em suposições e ilações pessoais em detrimento de documentos regulares. Que não há provas de que os valores foram recebidos a titulo de verbas remuneratórias, conforme exigem os arts. 112 e 142 do CTN. Que não existe qualquer vedação a pagamento de valores mensais e que os contratos previam que os valores poderiam ser retirados ou parcelados de acordo com as necessidades e conveniências. Que não existe impedimento no ordenamento jurídico para a empresa com prejuízo fiscal conceder empréstimos. Que os atos de gestão não podem ficar sujeitos a aprovação da fiscalização tributária, que não conhece o contexto operacional existente. Que o contrato de mútuo não exige qualquer formalidade, tais como: ter garantia, ser averbado em registro público, ter sido declarado por ambas as partes e ter justificada a finalidade do empréstimo. Argumenta que a operação de mútuo está regularmente documentada, com os créditos registrados na conta bancária do contribuinte, com contratos e devidamente lançada na contabilidade da impugnante. Sustenta que não houve prova por parte do fisco da ocorrência do fato gerador. Que a impugnante não pode concordar com a suposta simulação defendida pelo fisco. Discorre sobre questão relacionada a simulação, no sentido de que esta não teria ocorrido no contrato de mútuo. Que os fatos narrados não se aplicam ao §1° do art. 167 do Código Civil que dispõe sobre simulação nos negócios jurídicos. Sustenta que os valores creditados ao Sr.Rolf Fl. 536DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 2403002.051 S2C4T3 Fl. 5 7 Kuehnrich foram contabilizados e declarados ao fisco pela impugnante e a operação foi comprovados por documentos hábeis. Insurge contra a aplicação da multa qualificada na competência 12/2008, no qual alega que não bastam suspeitas, e que há que estar materialmente comprovado e demonstrado que o contribuinte de forma deliberada agiu com o intuído de obter vantagem indevidas em matéria tributária, posto que fraude não se presume. Que não ficou demonstrado o evidente intuito de fraude. Que a multa aplicada é desproporcional e abusiva a falta hipoteticamente cometida pela contribuinte, bem como confiscatória, posto que contraria princípios de proporcionalidade, da razoabilidade, proibição ao confisco e do devido processo legal, nos termos da Constituição Federal. Discorre sobre o tema e cita decisões e jurisprudências. Questiona ainda o escalonamento progressivo da multa de mora, prevista na legislação previdenciária. Requer por ultimo a produção de todas as provas admitidas em direito, possibilitando inclusive a juntada posterior de documentos. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Nulidade do acórdão por não ter analisado a totalidade dos pedidos e fundamentos apresentados (ilegalidade e inconstitucionalidade e o negócio jurídico firmado entre as partes (mútuos) não está maculado pela simulação). · o Acórdão é nulo, porque indeferiu o requerimento formulado pela empresa (item III da Impugnação), no sentido de que fosse determinada a reunião, para julgamento conjunto, deste processo àqueles relacionados na Impugnação: 13971.003292/201087, e 13971.003293/201021, porque envolvem os mesmos "fatos geradores" e existe identidade dos elementos de prova (art. 9o , § 1 o , do Decreto n° 70.235/72). · Nulidade do Auto de Infração. Vício Formal do Al. Os "Fundamentos Legais do Débito" apresentados pela Fiscalização, que fazem referência a dispositivos legais totalmente inaplicáveis à exigência, conforme exposto na Impugnação, isto não é possível. A bem da verdade, as características menos existentes num documento com estes moldes são exatidão e clareza. e ausência de qualquer informação no relatório fiscal (item 5.4.1) acerca dos valores exigidos relativos ao período de 2008. · a empresa demonstrou que os documentos apresentados (os contratos de mútuo, as contabilizações, os depósitos bancários, a DIRPF) são provas irrefutáveis dos empréstimos concedidos pela Recorrente ao Sr. Rolf Kuehrich. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 · As ilações da fiscalização não encontram suporte jurídico nem fático · a inexistência de amortizações intermediárias não serve para caracterizar ou descaracterizar um contrato de mútuo. · Eventuais equívocos na contabilidade não são capazes de fundamentar a ocorrência do fato gerador de tributos. Neste caso, a empresa poderia, em tese, ser penalizada por eventual descumprimento de obrigação acessória · a Recorrente não concedia empréstimo exatamente no mesmo valor todo início de mês como afirma o Acórdão recorrido, o que é provado pelo próprio relatório fiscal, às fls. 8/9. · o art. 591 do CC apenas faculta a exigência de juros à parte que faz o empréstimo e obviamente não determina os percentuais. · atos de gestão da empresa (como vai recuperar seus créditos, por exemplo) não podem ficar sujeitos à aprovação da fiscalização tributária, a qual sequer dispõe de elementos suficientes para avaliar o contexto das operações existentes. · não foi citada qualquer norma que demonstrasse a obrigatoriedade, por exemplo, de que o contrato de mútuo, para ser válido, precise necessariamente (a) ter garantia; (b) ser averbado em registro público; (c) ter sido declarado por ambas as partes; e (d) ter justificada a finalidade do empréstimo. · após verificar o equívoco nas declarações dos anos de 2006 e 2007, o mutuário também declarou os valores do mútuo em sua declaração de IRPF do ano de 2008. · não existir qualquer óbice de o mútuo ter sido formalizado por sócio da mutuante · o ordenamento jurídico vigente não impede as empresas, com prejuízo fiscal, a conceder empréstimos. · Não houve prova de nenhum fato gerador · O art. 112 do CTN, mais especificamente o inciso II, deixa claro que a dúvida não é elemento determinante para tributar ou penalizar o contribuinte. · Indícios não são provas · A fiscalização partiu de suposições Ônus da prova/Prova negativa · os contratos apresentados pela Recorrente tem validade até prova em contrário · Não houve simulação Fl. 538DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 2403002.051 S2C4T3 Fl. 6 9 · As operações foram contabilizadas e declaradas ao Fisco pela Recorrente · As multas devem ser afastadas Multa qualificada · As multas exigidas são abusivas · O escalonamento da multa em face do tempo é flagrantemente ilegítimo É o relatório Fl. 539DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PRELIMINARES NULIDADE – ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE A recorrente pleiteia a nulidade do acórdão recorrido por não ter analisado a totalidade dos pedidos e fundamentos apresentados (ilegalidade e inconstitucionalidade) Inicialmente devese registrar que tanto o lançamento como os acréscimos têm respaldo nas leis. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. O Decreto nº 6.764, de 10 de fevereiro de 2009, que aprovou a Estrutura Regimental do Ministério da Fazenda apresenta as atribuições do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, no artigo 32. Art. 32. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão colegiado judicante, paritário, compete julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme estabelecido nos arts. 25, inciso II, e 37, § 2o, do Decreto no 70.235, 6 de março de 1972, alterado pela Medida Provisória no 449, de 3 de dezembro de 2008. Parágrafo único. Metade dos conselheiros integrantes do CARF será constituída de representantes da Fazenda Nacional, e a outra metade, de representantes dos contribuintes, indicados pelas confederações representativas de categorias econômicas de nível nacional e pelas centrais sindicais Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 2403002.051 S2C4T3 Fl. 7 11 vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62 expressamente veda aos julgadores do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARFnº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 NULIDADE – APRECIAÇÃO CONJUNTA DE PROCESSOS A tese apresentada pela recorrente é da nulidade do Acórdão, porque indeferiu o requerimento formulado pela empresa (item III da Impugnação), no sentido de que fosse determinada a reunião, para julgamento conjunto, deste processo àqueles relacionados na Impugnação: 13971.003292/201087, e 13971.003293/201021, porque envolvem os mesmos "fatos geradores" e existe identidade dos elementos de prova. Tal tese é apresentada com fundamento no artigo 9º, § 1º, do Decreto n° 70.235/72, que transcrevo: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1oOs autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Entendo que a questão foi bem abordada e bem resolvida na decisão de primeira instância. Por esse motivo transcrevo trecho daquela decisão, informando que, pelas mesmas razões, também aqui no CARF tais processos não serão julgados por turmas distintas: Quanto aos demais lançamentos citados pelo contribuinte, informo que o processos 13971.003292/201087, trata de exigência de imposto de renda da pessoa jurídica e o processo 13971.003293/201021, se refere a lançamento de imposto de renda retido na fonte. Ambos tem como sujeito passivo a pessoa jurídica Monte Claro Participações e Serviços S.A e são inerentes a exigência de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, não se tratando, portanto de matéria conexa ao presente lançamento e deverão se apreciados por outra turma de julgamento, com competência específica para estes tributos. NULIDADE – FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 2403002.051 S2C4T3 Fl. 8 13 A tese apresentada pela recorrente é que o relatório "Fundamentos Legais do Débito" apresentados pela Fiscalização, fazem referência a dispositivos legais totalmente inaplicáveis à exigência. Alega também falta de exatidão e clareza no relatório fiscal (item 5.4.1) acerca dos valores exigidos relativos ao período de 2008. Entendo que não cabe razão à recorrente. Registro que para a decretação de nulidade é necessária a comprovação do prejuízo. Pelas manifestações da recorrente fica evidente o pleno entendimento do lançamento. O relatório "Fundamentos Legais do Débito" apresenta todos os dispositivos legais que dão sustentação ao auto de infração . A fundamentação legal é apresentada em detalhes. Quanto ao item 5.4.1 do Relatório Fiscal, este descreve parte da fiscalização IRPF do senhor Rolf Kuehnrich e apresenta uma tabela inserida no corpo do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 04 que apresenta valores até 12/2007. Registro que, conforme item 5.6 do mesmo Relatório Fiscal, em atendimento ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 07 (ação fiscal ROLF), o senhor Rolf apresentou demonstrativo do mútuo para com a MONTE CLARO, incluindo o período de 2008 (DOC. 30 DEMONSTRATIVO MÚTUO ROLF KUEHNRICH (ação fiscal ROLF) a) Apresentou demonstrativo do mútuo para com a MONTE CLARO, incluindo o período de 2008 (DOC. 30 DEMONSTRATIVO MÚTUO ROLF KUEHNRICH (ação fiscal ROLF)), atestandose assim que houve a concessão de mais "empréstimos" neste ano. Asseverou também que não houve amortizações no período e que o demonstrativo não contempla os cálculos de variação monetária, mas não explicitou a razão; Complementando, o item 5.8 do mesmo Relatório Fiscal, informa que os livros contábeis da empresa relativos ao ano 2008 foram apresentados em atendimento ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 13. 5.8 DOC. 38 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 13 (ação fiscal ROLF) Esta intimação, cuja numeração foi indevidamente registrada como 01, demandou da MONTE CLARO livros e documentos relativos aos anos de 2005 e 2008. As cópias dos livros DIÁRIO/RAZÃO foram autuadas juntamente com o DOC. 13 LIVROS DIÁRIO ANEXO I e DOC. 14 LIVROS RAZÃO ANEXO II, respectivamente. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 MÉRITO MÚTUO / PRÓLABORE O lançamento tem por base o que a fiscalização considerou verbas remuneratórias (prólabore) do senhor Rolf Kuehnrich, presidente da empresa. O recurso alega que tratase de mútuo, apresenta contratos e afirma que não acorreram fatos geradores da contribuição. Entendo que deve prevalecer a verdade material e o que me leva a concordar com a fiscalização é o conjunto de indícios abaixo apresentados: · O senhor Rolf é o presidente da empresa. · Não houve pagamento de prólabore (as atas das assembléias da MONTE CLARO prevêem o pagamento de honorários aos seus diretores, porém a contabilidade da mesma não registra nenhum tipo de pagamento a este título). Relatório Fiscal h) Ainda de acordo com as atas de assembléias, havia previsão de remuneração aos administradores, limitada ao valor de R$ 1.000,00 ao mês. De se ressaltar que os administradores eram ROLF KUEHNRICH e seu filho FREDERICO KUEHNRICH NETO. Ou seja, havia previsão de remuneração aos diretores da empresa, sendo que, nos livros contábeis, não foram identificados pagamentos de honorários. · Regularmente, por volta do dia 5 de cada mês, ocorria transferência. · Mensalmente, sem exceção, ocorreram transferências bancárias para o senhor Rolf , média de R$ 62.666,67 no ano 2006, de R$ 76.000,00 no ano 2007 e R$ 69.050,00 no ano 2008. Relatório Fiscal A vinculação destes créditos com o mútuo firmado entre ROLF e a MONTE CLARO está fundamentada na contabilidade da própria empresa, bem como nos históricos dos lançamentos bancários. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 2403002.051 S2C4T3 Fl. 9 15 · O primeiro contrato de mútuo apresentado, referese ao ano 2006, com vencimento em 09/07/2007, não foi cobrado. · O segundo contrato, ano 2007, vencimento em 09/01/2008 também não foi cobrado. · Não houve qualquer tipo de amortização da dívida ao longo dos anos de 2006, 2007 e 2008, 2009 e 2010 (07/2010, final da ação fiscal). · Em valores históricos, nos anos 2006 a 2008 foi transferido um total de R$ 2.492.600,00. · Os contratos de mútuo apresentados não foram averbados em registro público, não sendo oponível a terceiros, conforme artigo 221 do Código Civil Brasileiro; Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. · Os contratos foram assinados por Rolf Kuehnrich, como mutuário, e Frederico Kuenhrich Neto, seu filho, que é o Diretor Vice Presidente, como mutuante. · Os contratos não prevêem qualquer tipo de garantia da dívida. · A contabilidade não apresenta a apropriação dos juros atinentes ao respectivo contrato. Relatório Fiscal d) O saldo da dívida em 31/12/2008 era de R$ 2.570.431,815, considerando os valores de atualização monetária. Em valores históricos, foi concedido um total de R$ 2.492.600,00. Cumpre registrar que, como explicitado, a atualização monetária teve como base algum índice de risco, o que gerou atualização negativa em vários períodos. Do acima, verificase que a remuneração obtida pela MONTE CLARO foi mínima; · Conforme o contrato, de acordo com a Cláusula Segunda, a remuneração pelo empréstimo ficou em aberto, devendo ser pactuada Fl. 545DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 periodicamente pelas partes, sendo que não poderia ser inferior ao custo financeiro que a credora tivesse sobre a captação de seus recursos; CLÁUSULA SEGUNDA A importância efetivamente recebida constituirá débito líquido e certo, e sobre ela incidirá, até o efetivo reembolso, a remuneração que for pactuada periodicamente entre as partes, não podendo a mesma ser inferior ao custo financeiro que a CREDORA tiver sobre a captação de seus recursos. · O Código Civil prevê a cobrança de juros em contratos de mútuo. Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 406. Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional. · A dívida não consta nas DIRPF de 2006 e 2007 de ROLF KUEHNRICH. · Na DIRPF relativa ao ano de 2008, entregue em 28/04/2009, há o registro deste mútuo, (o contribuinte estava sob procedimento de investigação do Ministério Público Federal, cujo objeto era justamente a incompatibilidade com a movimentação financeira do Fiscalizado). Relatório Fiscal Cumpre ainda registrar que a dívida em questão, contraída junto à empresa MONTE CLARO, não está registrada nas DIRPF2 referentes aos anoscalendário 2006 e 2007. Na DIRPF relativa ao ano de 2008, entregue em 28/04/2009, há o registro deste mútuo, sendo relevante comentar que, a esta época, o contribuinte já estava sob procedimento de investigação do Ministério Público Federal, cujo objeto era justamente a incompatibilidade com a movimentação financeira do Fiscalizado. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 2403002.051 S2C4T3 Fl. 10 17 · Não se verifica, neste procedimento, qualquer benefício para a empresa (mútuo) · A Monte Claro apresentava prejuízos acumulados substanciais, e dívidas milionárias em seu passivo, não justificando a concessão de outros empréstimos em relação aos quais não envidou esforços no recebimento. Relatório Fiscal: e) A empresa não registrou RECEITA OPERACIONAL, e apresentou um Prejuízo Acumulado de R$ 36.635.355,44 em 31/12/2005, R$ 34.434.210,02 em 31/12/2006, de R$ 30.444.175,86 em 31/12/2007 e de R$ 37.841.929,16 em 31/12/2008; f) Detinha dívidas, classificadas no grupo do EXIGÍVEL A LONGO PRAZO, da ordem de 30 milhões de reais; · O Sr. Rolf Kuehnrich atestou que os valores recebidos do mútuo foram consumidos como despesas pessoais. · O acórdão apresentou jurisprudência onde consta que “As retiradas mensais da sócia da empresa, quando não confortadas com provas suficientes de se constituir mútuo, configura pro labore indireto, incidindo as contribuições previdenciárias pertinentes” ALIMENTAÇÃO PRESTAÇÃO IN NATURA ADESÃO AO PAT DESNECESSIDADE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS RETIRADA DE NUMERÁRIO PRO LABORE INDIRETO SALÁRIOMATERNIDADE O prazo decenal, previsto no art. 45 da lei 8.212 /9i, foi declarado formalmente inconstitucional por esta Corte, na Argüição de Inconstitucionalidade n° 2000.04.01.0922283. Assim, o prazo aplicável à decadência é o de 5 anos, cuja interrupção ocorre com a constituição dos créditos tributários. Não incide contribuição previdenciária sobre as parcelas relativas a alimentação prestadas in natura pelo empregador, forte no art. 28, § 9o, c, da lei n° 8.212/91, independente de adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT), conforme orientação do STJ. A alimentação prestada ao trabalhador e custeada, total ou parcialmente pela empresa, efetivamente não configura contraprestação pelo trabalho, mas investimento da empresa na nutrição e bemestar de seus empregados no ambiente de trabalho, de modo que tenham mais saúde e produtividade. Para configurar o beneficio previsto no art. 7o da Constituição, a distribuição do lucro aos Fl. 547DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 empregados deve obedecer aos. requisitos da lei n° 10.101/00, excluindose o valor que excedeu ao limite de dois pagamentos por ano civil. A participação nos resultados da empresa pelos empregados implica existência de lucro, caso contrário a rubrica 'distribuição de lucro' configura salário. As retiradas mensais da sócia da empresa, quando não confortadas com provas suficientes de se constituir mútuo, configura pro labore indireto, incidindo as contribuições previdenciárias pertinentes. Saláriomaternidade de empregada no comércio varejista, com salário variável, calculado na forma dos acordos coletivos de trabalho. (TRF4"R. AC 2005.71.00.0215389 2a T. Rei. Eloy Bernst Justo DJ04.06.2008)(grifo nosso) Entendo que a operação não foi de mútuo e que o procedimento fiscal está conforme o artigo 28, inciso III, da Lei n° 8.212/1991, segundo o qual, é responsabilidade a cargo da empresa a contribuição previdenciária incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviço. MULTA DE MORA Nas competências 01/2006 a 11/2008 foi aplicada multa de mora (24%) com base no artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 548DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 2403002.051 S2C4T3 Fl. 11 19 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Na competência 12/2008 foi aplicada multa de ofício qualificada no percentual de 150%. Em decorrência do apresentado acima, no item MÚTUO / PRÓLABORE, entendo que deve ser mantida a multa qualificada na competência 12/2008, tendo em vista estar caracterizada a pratica de sonegação e conluio. A qualificação da multa de ofício, só se aplica em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento do sujeito passivo, no tocante a sonegação, fraude ou conluio. A fundamentação legal está contida no artigo 35 A da Lei 8.212/91, artigo 44 da lei 9.430/96 e artigos 71, 72 e 73 da Lei no4.502/64. Lei 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A .Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 549DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8oda Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado);(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado);(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado);(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado);(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998).(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos;(Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam osarts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;(Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.(Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas noart. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e noart. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 2403002.051 S2C4T3 Fl. 12 21 § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre:(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Lei no4.502/64 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. As questões da sonegação e do conluio estão bem descritas no Relatório Fiscal, razão pela qual me utilizo da transcrição de trecho. Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a conduta acima descrita na definição de sonegação contida no art. 71 da Lei 4.502/64, já transcrito. A sonegação, conforme citado artigo, apresenta as seguintes exigências: • Uma ação ou omissão; • Que esta ação ou omissão seja dolosa; • Que ela impeça ou retarde o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Assim, o contribuinte, ao celebrar contrato de mútuo com empresa da qual é Diretor Presidente, e por meio deste contrato receber valores que de fato têm natureza de verbas remuneratórias, praticou, inequivocamente, uma ação dolosa, intencional e consciente, retardando o conhecimento dos fatos pelo Fisco. O FISCALIZADO não praticou estes atos de forma involuntária, ou incorreu em erro em sua conduta. Desta forma, a conduta sob análise amoldase à hipótese prevista para a sonegação (art. 71), uma vez que a conduta do contribuinte retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco. Por fim, tendo havido a participação do FISCALIZADO e da empresa MONTE CLARO nas condutas acima descritas, está caracterizado o enquadramento no art. 73, ou seja, no conluio. Assim, por tudo o acima exposto, aplicase a multa de ofício em seu percentual duplicado, 150%, pela simples adequação da conduta praticada ao disposto no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007 CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 552DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13982.001048/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 82 .0 01 04 8/ 20 10 -5 1 Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13982.001048/201051 Resolução nº 1402000.202 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de autos de infração do IRPJ e da CSLLpara cobrança desses tributos nos anoscalendário de 2004 a 2009 nos valores de R$ 2.324.042,68 e R$ 939.002,71; respectivamente, aí incluídos juros de mora e multa de ofício aplicada no percentual de 150%. Além disso, é exigida multa de ofício na modalidade isolada no montante de R$ 368.957,76; como decorrência do não recolhimento de parcela do imposto e da contribuição devidos a título de estimativas ao longo do período sob exame. A autuação decorre da glosa de custos pela ausência de comprovação das operações de compra de mercadorias junto à empresa TOZZO & CIA LTDA. registradas em notas fiscais tidas como inidôneas. O procedimento iniciouse a partir de documentação disponibilizada ao Fisco por meio de autorização judicial contendo elementos obtidos em cumprimento a mandado de busca e apreensão no fornecedor supra identificado com indicação do que seria um esquema fraudulento de venda de mercadorias sem nota fiscal bem como emissão de documento fiscal sem que a operação mercantil nele indicada tenha ocorrido. O sujeito passivo teria sido beneficiário dessa segunda modalidade de fraude, fato confirmado pela autoridade fiscal após intimar a interessada para comprovar a entrada das mercadorias e receber em resposta que o recebimento das mercadorias se daria por meio do livro de registro de entradas além do que os pagamentos seriam realizados exclusivamente em moeda corrente. Acrescenta a autoridade que não foi apresentando nenhum comprovante de pagamento e nem qualquer documento relativo ao frete. Foi imputada a multa qualificada, tendo em vista que o registro de operações inexistentes configuraria o evidente intuito de fraude. Em impugnação contra o feito a interessada alega, em apertada síntese: A ocorrência da decadência em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a outubro de 2005; A nulidade dos lançamentos por cerceamento do direito de defesa, pois somente teve acesso às provas utilizadas pela Fiscalização após o lançamento fiscal, quando o prazo de impugnação já estava em curso; A impossibilidade de utilização da prova emprestada sob o argumento de que prova colhida em processo do qual não participou tem força probatória meramente indiciária e que depoimentos tomados sem a presença da autoridade judiciária não é prova capaz de elidir a presunção de efetividade das operações instrumentadas por notas fiscais; A regularidade das operações de aquisições cujos valores foram glosados, tendo em vista que registrou todas as notas fiscais em seus livros contábeis e fiscais as quais foram levadas a efeito para apuração das contribuições sociais apuradas, foram emitidas na forma prevista na legislação tributária, não havendo nestas nenhuma irregularidade, ou mesmo declaração de inidoneidade em procedimento próprio. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13982.001048/201051 Resolução nº 1402000.202 S1C4T2 Fl. 4 3 A fiscalização não levou em consideração a compensação de prejuízos fiscais acumulados devidamente indicados na escrituração da empresa.; Seria incabível a imputação da multa qualificada com base em meros indícios; e: Não caberia a multa aplicada na modalidade isolada em concomitância com a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC, prolatou o Acórdão 0730545, na sessão de 08/02/2013, negando provimento à impugnação e considerando o lançamento integralmente procedente. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13982.001048/201051 Resolução nº 1402000.202 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Dentre as alegações suscitadas pela defesa está a desconsideração do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL que deveriam ser compensados do valor da irregularidade apurada. A decisão recorrida afirma que não foi demonstrada a existência do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL e acrescenta que nos anos de 2005 a 2008 o sujeito passivo teria informado lucro real na DIPJ sem qualquer dedução a título de compensação do suposto saldo de prejuízo fiscal apurado em 2003. Pelo exame dos autos, ouso discordar faticamente do bem fundamentado acórdão sob exame. Conforme DIPJs, nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007 o sujeito passivo compensou prejuízo de exercícios anteriores no montante de R$ 5.342,54; R$ 15.235,71 e R$ 35.499,86; respectivamente. Dentre os documentos trazidos aos autos com a impugnação existem cópias de folhas do LALUR e dentre elas, aquela de fls. 758 representaria a parte “B” desse livro com indicações das compensações mencionadas na DIPJ, a partir de um saldo de prejuízos existente em 31/12/2003 no valor de R$ 547.978,10. A meu ver, diversamente do entendimento da primeira instância julgadora, a compatibilidade entre as DIPJs e o LALUR impede a desconsideração pura e simples do saldo de prejuízos informado. Ao contrário, em tese caberia a aceitação do valor em questão e a utilização na redução da base tributável, nos moldes pleiteados. Restariam três questões a serem dirimidas. A primeira delas é a idoneidade dos documentos trazidos aos autos, pois só foram apresentados em sede de impugnação sem que a Fiscalização se manifestasse sobre eles. A segunda referese à ausência da parte do LALUR que trata do saldo de base de cálculo negativa da CSLL, valor considerado pelo sujeito passivo como idêntico ao saldo de prejuízos fiscais. A terceira é a impossibilidade de verificar pelos elementos contidos se o saldo de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL, ainda que existentes não foram utilizados parcial ou integralmente em períodos posteriores, o que limitaria a dedução aqui suscitada. Sendo assim, meu voto é para converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que sejam feitas as seguintes verificações junto ao sujeito passivo: Atestar, ou não, a idoneidade dos documentos trazidos aos autos pelo sujeito passivo, no que se refere fundamentalmente aqueles representativos das folhas do livro LALUR; Caso os documentos sejam cópias fieis daqueles integrantes da escrituração: Confirmar se a escrituração do sujeito passivo registra saldo de prejuízos ficais acumulados em 31/12/2003 no valor de R$ 547.978,10; Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13982.001048/201051 Resolução nº 1402000.202 S1C4T2 Fl. 6 5 Confirmar a existência de saldo de bases de cálculos negativas da CSLL em 31/12/2003; Após as verificações, confirmada a existência dos saldos em discussão, elaborar demonstrativo deduzindo do valor tributável em cada ano (considerando as irregularidades) o saldo de prejuízos fiscais ou base de cálculo negativo da CSLL, dentro do limite estabelecido em lei (30%). O resultado da diligência deverá ser cientificado ao sujeito passivo concedendo lhe prazo para manifestação, findo o qual os autos deverão retornar ao CARF para análise. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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