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Numero do processo: 10070.001269/2004-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
PROVA DOCUMENTAL. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIOS DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL.
A regra geral para efeito de preclusão estabelece que as provas devem ser apresentadas com a impugnação ou a manifestação de inconformidade do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise documentos oferecidos após a defesa inaugural, em observância aos princípios da instrumentalidade dos atos administrativos e da verdade material.
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que revela-se inequívoca a afronta ao artigo 485, V, do CPC, tendo em vista a negativa de vigência do artigo 6º, VI, b, da Lei 7.713/88, afigurando-se evidente o direito dos autores à isenção pretendida, na medida em que o acórdão regional assentou ter havido incidência do imposto de renda na fonte na contribuição para a formação do fundo de aposentadoria, e, ainda, que o autor contribuiu para o regime de previdência privada parcialmente sob a égide do dispositivo legal revogado pela Lei 9.250/95, razão pela qual se deve excluir da incidência do imposto de renda o valor do benefício que, proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante. (Recurso Especial nº 1001779 DF)
PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
A isenção do imposto sobre a complementação de aposentadoria recebida depende da comprovação de que o benefício pago pela entidade de previdência privada corresponde a contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1ºo de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, nos termos do Parecer PGFN/CRJ n° 2139.
APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Deve ser excluída da incidência do imposto de renda, o valor do benefício que, proporcionalmente, corresponda às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante.
Numero da decisão: 2201-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria, na parcela correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/1989 e 31/12/1995, cujo ônus tenha sido do Contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Rayana Alves de Oliveira França, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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REGIMENTO INTERNO CARF. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (DOU 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “ revelase inequívoca a afronta ao artigo 485, V, do CPC, tendo em vista a negativa de vigência do artigo 6º, VI, b, da Lei 7.713/88, afigurandose evidente o direito dos autores à isenção pretendida, na medida em que o acórdão regional assentou ter havido incidência do imposto de renda na fonte na contribuição para a formação do fundo de aposentadoria, e, ainda, que o autor contribuiu para o regime de previdência privada parcialmente sob a égide do dispositivo legal revogado pela Lei 9.250/95, razão pela qual se deve excluir da incidência do imposto de renda o valor do benefício que, proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante.” (Recurso Especial nº 1001779 DF) PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. A isenção do imposto sobre a complementação de aposentadoria recebida depende da comprovação de que o benefício pago pela entidade de previdência privada corresponde a contribuições efetuadas exclusivamente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 12 69 /2 00 4- 75 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10070.001269/200475 Acórdão n.º 2201002.005 S2C2T1 Fl. 76 2 pelo beneficiário no período de 1ºo de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, nos termos do Parecer PGFN/CRJ n° 2139. APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Deve ser excluída da incidência do imposto de renda, o valor do benefício que, proporcionalmente, corresponda às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROVA DOCUMENTAL. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIOS DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. A regra geral para efeito de preclusão estabelece que as provas devem ser apresentadas com a impugnação ou a manifestação de inconformidade do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise documentos oferecidos após a defesa inaugural, em observância aos princípios da instrumentalidade dos atos administrativos e da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria, na parcela correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/1989 e 31/12/1995, cujo ônus tenha sido do Contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Rayana Alves de Oliveira França, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Do Pedido de Restituição O contribuinte acima identificado solicitou a restituição do imposto de renda referente aos exercícios de 2000 a 2004 da parcela de 33,33% dos rendimentos que recebeu da Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10070.001269/200475 Acórdão n.º 2201002.005 S2C2T1 Fl. 77 3 Caixa de Previdência do Banco do Brasil e declarados inteiramente como tributáveis nas respectivas declarações de ajuste anual. Para cada exercício, apurou o valor a restituir que alega ter direito em função de ter suportado o ônus do imposto quando da formação do fundo de aposentadoria na entidade, a saber: Exercícios Restituição líquida R$ Demonstrativo (fl) 2000 5.715,56 8 2001 5.781,24 14 2002 6.568,11 25 2003 7.234,13 35 2004 7.373,94 44 A restituição solicitada pelo contribuinte foi indeferida por meio do Despacho de fls. 52 e 53 sob argumento que, a partir de 01/01/1996, com a vigência da Lei nº 9.250, de 1995, os benefícios pagos por entidades de previdência privada estão sujeitos à incidência do imposto de renda, independentemente do ônus da contribuição e do período a que se referem. Da Manifestação de Inconformidade Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a isenção pleiteada diz respeito aos 33,33% dos benefícios pagos pela entidade de previdência privada que teriam sofrido a tributação pelo IR quando da constituição do fundo de pensão. Que tal conclusão está de acordo com decisão proferida pela SRRF da 1ª Região Fiscal. Acrescenta que a Previ tem imunidade tributária reconhecida desde 2005 na condição de entidade sem fins lucrativos. Decisão de 1ª Instância. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ2) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e, por meio do Acórdão 13 35.043, de 26 de maio de 2011, fundamentou a decisão nos termos sintetizados a seguir. A partir de 1º/01/1996, os benefícios pagos a pessoas físicas pelas entidades de previdência privada estão sujeitos à incidência do imposto de renda independentemente de quem tenha sido o ônus da contribuição, do período a que se referem e a circunstância da tributação do patrimônio da entidade (arts. 32 e 33 da Lei nº 9.250, de 1995). O contribuinte cita o Parecer PGFN/CRJ n° 2.139, de 2006, para ver reconhecido o seu direito à restituição mas, os julgadores de 1ª instância constataram que os elementos necessários ao exercício do direito, porventura existente, não foram juntados pelo interessado / reclamante aos autos inviabilizando a análise do pedido e sua apuração. Isto é o Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10070.001269/200475 Acórdão n.º 2201002.005 S2C2T1 Fl. 78 4 que se depreende do Voto condutor do Acórdão de 1ª instância no trecho selecionado (fl. 64) e reproduzido a seguir, a saber: Para aplicação do parecer em tela, e conseqüente reconhecimento do direito à isenção pleiteada, é imprescindível que o contribuinte traga aos autos elementos fornecidos pela entidade de previdência privada que esclareçam qual percentual do beneficio recebido representa a parcela isenta, ou seja, obedece os requisitos de período da contribuição e ônus do beneficiário. No tocante à instrução processual, importa salientar que em consonância com o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto n£ 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), é dever do interessado prover a manifestação de inconformidade com todos os elementos probatórios que se façam necessários à defesa e/ou comprovação de seu direito. Ocorre que o interessado restringese a invocar a isenção de parte do beneficio recebido sem, no entanto, demonstrar que as condições acima mencionadas foram atendidas. Assim, o Colegiado de 1ª instância decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e, por conseqüência, indeferiu o pedido de restituição. Do Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão nº 1335.043 em 13/01/2012, AR fl. 66, o contribuinte apresentou em 10/02/2012 o Recurso Voluntário de fl.72 acompanhado da relação das contribuições à Previ – Banco do Brasil (fl.73) relativas aos meses de janeiro de 1989 a dezembro de 1995 e os respectivos valores de imposto de renda. Alega tratarse de contribuições de sua responsabilidade para o fundo e assim, nos termos do Parecer PGFN nº 2.139, de 2006, solicita a reforma do acórdão e a restituição desses valores. Da distribuição do processo O processo foi distribuído, por sorteio, para este relator na sessão pública realizada em 23/01/2013 no CARF em Brasília. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O Recurso Voluntário é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade. Dele conheço. A controvérsia do caso em tela se resume a decidir se o contribuinte tem direito a reaver o imposto de renda que tenha incidido sobre o valor do benefício que, Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10070.001269/200475 Acórdão n.º 2201002.005 S2C2T1 Fl. 79 5 proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante. Inicialmente, é oportuno verificar os dispositivos legais que regulam a matéria e, nesse histórico, a Lei nº 7.713, de 1988, especificou de forma objetiva no art. 6º os rendimentos percebidos pelas pessoas físicas isentos do imposto de renda, a saber: LEI Nº 7.713, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1988. Altera a legislação do imposto de renda e dá outras providências. [...] Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] VII os benefícios recebidos de entidades de previdência privada: a) quando em decorrência de morte ou invalidez permanente do participante; b) relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte; A partir de 01/01/1996, entretanto, a legislação de regência do Imposto de Renda das Pessoas Físicas sofreu significativas alterações com a edição da Lei nº 9.250/95 , que assim dispôs: Art. 32. O inciso VII do art. 6º da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.6º. ; VII os seguros recebidos de entidade de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante. Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. "(Grifei) O Colegiado de 1ª instância entendeu que a pretensão do contribuinte não pode prosperar devido a ausência de prova de que tais rendimentos correspondem às contribuições por ele efetuadas, no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Constatase que o contribuinte avaliou e propôs um percentual, provavelmente em função da relação estabelecida para a participação do empregador e do empregado na formação do fundo, de 33,33% para a sua participação. Entretanto, tal percentual traz consigo um nível de incerteza incompatível com o tema de isenção tributária. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10070.001269/200475 Acórdão n.º 2201002.005 S2C2T1 Fl. 80 6 Valendose da prerrogativa de ser o maior interessado, o contribuinte apresentou o extrato de suas contribuições pessoais feitas à Previ no período de 01/1989 a 12/1995 conforme doc. fl. 73. Nesse ponto, é necessário verificar se o recorrente atende aos preceitos acrescentados pela Lei nº 9.532, de 1997, no art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, consubstanciados no § 4º e suas alíneas, a saber: [..] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente;) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, na interposição da manifestação de inconformidade In casu, apesar do recorrente não ter apresentado a prova no momento devido nem alegado qualquer uma das razões do aludido dispositivo, admito efeitos para a prova apresentada. Isso porque verifico que o recorrente tomou conhecimento pelo acórdão de 1ª instância que seu direito poderia ser reconhecido e, se reconhecido fosse, ainda assim dependeria de comprovação de suas contribuições à Previ. Então, juntou ao Recurso Voluntário preparado em causa própria, a prova documental de extrema relevância para a solução da lide. Assim, sopesando os efeitos dos princípios da instrumentalidade dos atos administrativos e da verdade material com o princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório aplicáveis ao processo administrativo fiscal, entendo comprovadas as contribuições realizadas pelo recorrente ao fundo de aposentadoria Previ. Quanto ao direito à restituição pleiteada, cabe registrar, que a matéria foi submetida ao Poder Judiciário, sob o regime do artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, em sede de Recurso Especial nº 1001779 DF, julgado em 25/11/2009, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO RESCISÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. PREVIDÊNCIA PRIVADA. APLICAÇÃO DAS LEIS 7.713/88 E 9.250/96. SÚMULA 343/STF. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA PACÍFICA NOS TRIBUNAIS À ÉPOCA DA PROLAÇÃO DO ACÓRDÃO RESCINDENDO (ANO DE 2003). DIREITO À RESTITUIÇÃO DECORRENTE DE LESÃO CONSISTENTE NA INOBSERVÂNCIA DA PROIBIÇÃO DO BIS IN IDEM. 1. A Súmula 343, do Supremo Tribunal Federal, cristalizou o entendimento de que não cabe ação rescisória por ofensa a Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10070.001269/200475 Acórdão n.º 2201002.005 S2C2T1 Fl. 81 7 literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais. 2. A ação rescisória, a contrario sensu, resta, então, cabível, se, à época do julgamento cessara a divergência, hipótese em que o julgado divergente, ao revés de afrontar a jurisprudência, viola a lei que confere fundamento jurídico ao pedido (ERESP 908774/RJ). 3. "Quando existir violação de literal disposição de lei e o julgador, mesmo assim, não acolher a pretensão deduzida na ação rescisória fundada no art. 485, V, do Código de Processo Civil, o acórdão estará contrariando aquele mesmo dispositivo ou a ele negando vigência, com o que dará ensejo à interposição de recurso especial com base na alínea "a" do permissivo constitucional" (REsp 476.665/SP, Rel. Ministro Antônio de Pádua Ribeiro, Corte Especial, julgado em 01.12.2004, DJ 20.06.2005). 4. In casu, por ocasião da prolação da decisão rescindenda, vale dizer, no ano de 2003, a jurisprudência remansosa desta Corte Superior perfilhava o entendimento de que as contribuições recolhidas sob a égide da Lei 7.713/88 para a formação do fundo de aposentadoria, cujo ônus fosse exclusivamente do participante, estariam isentas da incidência do imposto de renda, porquanto já teriam sido tributadas na fonte, quando da realização das mencionadas contribuições (Informativos de Jurisprudência nº 150, de 07 a 11 de outubro de 2002, e nº 174, de 26 a 30 de maio de 2003). 5. A jurisprudência desta Corte consolidouse no sentido de que, quer se trate da percepção de benefícios decorrentes de aposentadoria complementar, quer se trate de resgate de contribuições quando do desligamento do associado do plano de previdência privada, devese perquirir sob qual regime estavam sujeitas as contribuições efetuadas. 6. Portanto, tendo as contribuições sido recolhidas sob o regime da Lei 7.713/88 (janeiro de 1989 a dezembro de 1995), com a incidência do imposto no momento do recolhimento, os benefícios e resgates daí decorrentes não serão novamente tributados, sob pena de violação à regra proibitiva do bis in idem. Por outro lado, caso o recolhimento tenha se dado na vigência da Lei n.º 9.250/95 (a partir de 1.º de janeiro de 1996), sobre os resgates e benefícios referentes a essas contribuições incidirá o imposto. 7. Destarte, revelase inequívoca a afronta ao artigo 485, V, do CPC, tendo em vista a negativa de vigência do artigo 6º, VI, b, da Lei 7.713/88, afigurandose evidente o direito dos autores à isenção pretendida, na medida em que o acórdão regional assentou ter havido incidência do imposto de renda na fonte na contribuição para a formação do fundo de aposentadoria, e, ainda, que o autor contribuiu para o regime de previdência privada parcialmente sob a égide do dispositivo legal revogado Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10070.001269/200475 Acórdão n.º 2201002.005 S2C2T1 Fl. 82 8 pela Lei 9.250/95, razão pela qual se deve excluir da incidência do imposto de renda o valor do benefício que, proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 879.580/DF, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 13/05/2009, DJe 25/05/2009; EREsp 946.771/DF, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, julgado em 09.04.2008, DJe 25.04.2008; EREsp 911.891/DF, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, julgado em 09.04.2008, DJe 25.04.2008; AgRg nos EREsp 908.227/RJ, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 14.11.2007, DJ 03.12.2007; e REsp 772.233/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 01.03.2007, DJ 12.04.2007). 8. Recurso especial provido, para determinar o retorno dos autos à instância ordinária para que o Tribunal de origem se pronuncie a respeito do mérito da ação rescisória, uma vez ultrapassado o óbice da Súmula 343/STF. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.”. Portanto, o STJ em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “deve excluir da incidência do imposto de renda o valor do benefício que, proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante.” (grifei). Em face da alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 2010, no artigo 62A do anexo II, que introduziu dispositivo no Regimento Interno deste E. Conselho, ao qual estamos vinculado, este entendimento deve ser aplicado por essa Câmara, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Sobre esse tema , a RFB também já se pronunciou, por meio da CoordenaçãoGeral de Tributação, nos termos da Solução de Divergência nº 7, de 15 de março de 2011, que ofereceu contornos operacionais aos atos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional sobre a questão, a conferir: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 7 de 15 de Março de 2011 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF EMENTA: VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA DE ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONTRIBUIÇÕES EFETUADAS NO PERÍODO DE 1º DE JANEIRO DE 1989 A 31 DE DEZEMBRO DE 1995. RETENÇÃO NA FONTE. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10070.001269/200475 Acórdão n.º 2201002.005 S2C2T1 Fl. 83 9 O conteúdo expresso no Ato Declaratório nº 4, de 7 de novembro de 2006, bem como o entendimento constante do Parecer PGFN/PGA/Nº 2683/2008 permite terse configurada a não obrigatoriedade da retenção do imposto sobre a renda aplicável à complementação de aposentadoria recebida de entidade de previdência privada, no limite que corresponda ao valor das contribuições efetuadas, exclusivamente pelo beneficiário, no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, por força da isenção concedida no inciso VII do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, na redação anterior a que lhe foi dada pela Lei nº 9.250, de 1995; Diante da inexistência de ato que esclareça o procedimento de cálculo a ser adotado e considerando o constante no Ato Declaratório nº 4, de 2006, e respectivos julgados tomados como jurisprudência, podese afirmar que os valores correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário, no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, podem ser abatidos, para efeitos tributários, da complementação de aposentadoria recebida de previdência privada, após a data de 1º de janeiro de 1996, até se exaurirem. Da complementação de aposentaria ocorrida anteriormente a 1º de janeiro de 1989 não há valores a serem exauridos, mas daquela ocorrida no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 há que se proceder adequada identificação que corresponda ao quantum das contribuições efetuadas, no período, exclusivamente pelo beneficiário. Se após o recebimento da complementação de aposentadoria, o beneficiário ainda continuar efetuando contribuições à previdência privada, tais contribuições estarão desassociadas dos procedimentos de cálculo dos valores a serem exauridos. Observados os mandamentos normativos que envolvem o prazo prescricional, este tem configurado, na presente situação, o seu início a partir do recebimento da primeira complementação de aposentadoria auferida de entidade de previdência privada, após a data de 1º de janeiro de 1996. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria, na parcela correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/1989 e 31/12/1995, cujo ônus tenha sido do Contribuinte “observados os mandamentos normativos que envolvem o prazo prescricional” nos termos da Solução de Divergência acima citada. Caberá a autoridade responsável pela execução do acórdão apurar o valor do crédito e adotar as medidas que forem necessárias e pertinentes ao caso. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10070.001269/200475 Acórdão n.º 2201002.005 S2C2T1 Fl. 84 10 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.005. Brasília/DF, 22 de maio de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ _____________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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Numero do processo: 10680.723069/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Fatos Geradores Recorrente ASSOCIAÇÃO DE ASSISTÊNCIA AOS SERVIDORES DO CEFETMG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 30 69 /2 01 0- 37 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Relatório Trata o presente de autodeinfração de obrigação acessória, lavrado em 30/08/2010, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 24/09/2010, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/2005 a 12/2007 todos os valores pagos às cooperativas de trabalho, conforme planilhas de fl. 10/35. A recorrente impugnou a autuação e Acórdão de fls. 72/73, julgou o lançamento procedente. Ainda inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário, arguindo em síntese: a) que a contratação de plano de saúde não caracteriza a prestação de serviços pela cooperativa à associação; b) que não praticou qualquer irregularidade capaz de justificar a imposição de multa isolada; c) que a decisão recorrida é nula porque indeferiu o pedido de perícia capaz de demonstrar a inexistência da prestação de serviço, acarretando o cerceamento do direito de defesa; d) reitera que não há prestação de serviços entre a UNIMED e a recorrente, mas apenas a intermediação para prestação de serviços médicos aos associados; e) que a exação cobrada é flagrantemente inconstitucional e discorre sobre o assunto; f) que não há a obrigação de informar em GFIP os valores pagos ás cooperativas , porque a exação é flagrantemente inconstitucional; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.723069/201037 Acórdão n.º 2302002.418 S2C3T2 Fl. 107 3 g) que a multa é confiscatória, desarrazoada e desproporcional à gravidade do fato, h) que não houve conduta dolosa e que é primária. Requer o provimento do recurso e o cancelamento do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido. Referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP dos pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho, no período de 01/2005 a 12/2007. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos aos pagamentos efetuado às cooperativas de trabalho, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. Quanto à alegação de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, ressalto que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.723069/201037 Acórdão n.º 2302002.418 S2C3T2 Fl. 108 5 O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida, na época dos fatos geradores, no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, sendo seu valor total o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Embora o relatório fiscal traga que foi aplicada a multa do artigo 32,§5º da lei n.º 8.212/91, por ser mais benéfica ao contribuinte em vista das alterações produzidas pela lei n.º 11.941/2009, o meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Não obstante, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.723069/201037 Acórdão n.º 2302002.418 S2C3T2 Fl. 109 7 lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.723069/201037 Acórdão n.º 2302002.418 S2C3T2 Fl. 110 9 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13310.000045/2001-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. ART. 11 DA LEI 9.779/99. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CONTROLE DO ESTOQUE. PROVA.
Quando envolve industrialização por encomenda, o controle da produção é mais trabalhoso e complexo, pois além dos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agrega-se a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador.
Cabe ao contribuinte demonstrar a existência e a consistência do controle do estoque e das operações de remessa de insumos para a industrialização por encomenda, bem como do retorno dos produtos industrializados. A falta de comprovação e controle destas operações impede a aferição da aplicação dos insumos na industrialização, impedindo o reconhecimento do crédito.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-002.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela Recorrente o Sr. Walter Hubmann, RG. 5.653.978-SSP/BA.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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CRÉDITOS BÁSICOS. ART. 11 DA LEI 9.779/99. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CONTROLE DO ESTOQUE. PROVA. Quando envolve industrialização por encomenda, o controle da produção é mais trabalhoso e complexo, pois além dos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agregase a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Cabe ao contribuinte demonstrar a existência e a consistência do controle do estoque e das operações de remessa de insumos para a industrialização por encomenda, bem como do retorno dos produtos industrializados. A falta de comprovação e controle destas operações impede a aferição da aplicação dos insumos na industrialização, impedindo o reconhecimento do crédito. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela Recorrente o Sr. Walter Hubmann, RG. 5.653.978SSP/BA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 0. 00 00 45 /2 00 1- 11 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento apresentado pelo contribuinte em 25/06/2001 (fl. 1), cumulado com Pedidos de Compensação (fl. 121, 125, 130, 135 e 143), por meio do qual solicita o ressarcimento de saldo credor de créditos básicos de Imposto sobre Produtos Industrializado (IPI) em relação ao período de apuração de janeiro a março de 2001 (1º trimestre de 2001), com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A Delegacia da Receita Federal em FortalezaCE (DRF) entendeu que “o Interessado não vem sendo capaz de apresentar os documentos hábeis comprobatórios do processo industrialização que teriam sido submetidos os insumos considerados nos Pedidos de Ressarcimento, que teriam, segundo alega, dado origem a produtos finais saídos de seu estabelecimento industrial e, segundo ainda alega, exportados. CONCLUSÃO. Desta forma, haja vista o Interessado não haver comprovado absolutamente o alegado direito aos créditos pleiteados, e este estar sujeito à prova, através de documentos hábeis, comprobatórios da origem dos valores efetivamente utilizados no cálculo do benefício previsto na legislação” (fl. 178; grifo editado – Termo de Verificação Fiscal), assim decidindo, ao final, pelo indeferimento da restituição e recusa de homologação à compensação (Despacho Decisório de fl. 360/363). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 378/403), na qual alega (a) a necessidade de reconhecimento da ocorrência da homologação tácita em relação aos pedidos de compensação, visto que transcorreram mais de cinco anos entre a sua apresentação e a decisão de homologação, e que (b) o Auditor Fiscal fez solicitações de documentos e informações que extrapolam qualquer medida de razoabilidade, devendose reconhecer que os insumos que adquiriu foram aplicados na industrialização dos sapatos que exportou. Requereu ainda, (c) que seu crédito seja atualizado pela Taxa Selic entre a data do protocolo deste Processo e a data do efetivo ressarcimento. Com a Impugnação, o Contribuinte apresentou cópia de decisões proferidas em outros processos nos quais solicitou o ressarcimento de IPI de outros períodos de apuração, os quais foram deferidos integral ou parcialmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos em Belém/PA (DRJ), manteve a decisão de indeferimento do direito, por meio do Acórdão n° 018.960 (fls. 500/519), cujas razões são resumidas na seguinte ementa: Ementa: IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. Só geram direito ao ressarcimento do crédito de IPI as matérias primas e os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que embora não se integrando ao novo produto, se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direito com o produto em fabricação. Parecer Normativo nº 65/79. LIQUIDEZ E CERTEZA Incumbe a requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza. Em não o fazendo, impossível o acolhimento da pretensão. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 630 3 Passados cinco anos contados da data de entrega do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4º e 5º, do artigo 74 , da Lei nº 9.430/96. Com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03, perdendo o fisco o direito de rever de ofício a declaração de compensação. Compensação Homologada. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 528/561), no qual: a) reitera que, em relação ao período de apuração tratado neste caso, a totalidade de sua produção, enquanto indústria de calçados, era destinada à exportação, produzindo dezenas de modelos de calçados distintos; b) reitera a descrição do seu processo produtivo (feita em resposta ao item 8 do Termo de Verificação Fiscal), explicando também que a industrialização é feita utilizando mãodeobra da Cooperativa de Calçados de Quixeramobim Ltda (Cocalqui), com as máquinas e equipamentos da Contribuinte; c) insurgese contra a alegação do Fisco de que não haveria prova de que os insumos teriam sido de fato destinados ao processo produtivo, argumentando que não há qualquer fundamento concreto que justifique esta dúvida, e que seria questão de bom senso aferir que os insumos compõem o produto final; a propósito do tema, questiona “se todas essas matériasprimas, materiais de embalagem e materiais intermediários não foram aplicados na produção, e se não constam do registro de inventário da empresa, o que foi feito com eles?” e argumenta que “se verificarmos superficialmente o demonstrativo nº 10, entregue à fiscalização em atenção ao Termo de Início e juntado ao Processo quando da Manifestação de Inconformidade, que relaciona TODOS OS MATERIAIS utilizados na produção para cada anocalendário que foi objeto de fiscalização, ficará constatado, até para um leigo, que tais materiais fazem parte da produção de calçados (couros, solados, forros, saltos, caixas, linhas, etc.), assentindo, inclusive, os preceitos contidos nos Pareceres CST nºs 65/79 e 181/74” (fl. 488), insistindo, assim, em que as informações solicitadas pela Fiscalização foram atendidas de forma suficiente; d) argumenta, também, que o direito de crédito do IPI é gerado na entrada do insumo no estabelecimento industrial, e não no consumo dos insumos na produção. Requer, ao final, o seguinte (fl. 561): i) que o Pedido de Compensação apensado à folha 65, seja considerado homologado, por ter ocorrido a homologação tácita desse pedido; ii) que essa decisão seja reformada, promovendose o deferimento total ao Pedido de Ressarcimento de IPI com base no art. 11 da Lei 9.779/99; Fl. 631DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 iii) que sejam homologadas as compensações de deb́itos, inerentes a este processo; iv) que o ressarcimento do Crédito de IPI seja realizado, devidamente atualizado pelo índice obtido pela variação da Taxa Selic, entre a data do protocolo deste Processo e a data do efetivo ressarcimento. Resolveram os membros deste Colegiado, por meio da Resolução nº 3403 00.046 do dia 26 de maio de 2010 (fls. 569/571), converter o julgamento do recurso em diligência a fim de certificar a regularidade fiscal das entradas de matériaprima e das saídas de produtos industrializados para o exterior, para que fosse verificado se o contribuinte lançou o crédito pela entrada dos insumos no valor pelo qual adquiriu, antes de remetêlos à Cocalqui, ou se se creditou pelo valor das remessas recebidas da Cocalqui, bem como se o valor da atividade (prestação de serviço/industrialização por encomenda) da Cocalqui é lançado como crédito, e também se os produtos saídos da contribuinte foram exportados, tudo no intuito de aferir a aplicação dos insumos nos produtos saídos da contribuinte. O Termo de Informação Fiscal (fl. 575), elaborado ao final da diligência, informa que, depois de intimada três vezes, a contribuinte “deixou de atender à Fiscalização limitouse a apresentar alguns Livros Fiscais e cópias de NF de Entrada de insumo (vide resposta à Fiscalização em anexo) , desta forma, não há nada a acrescentar à fiscalização realizada na empresa à época da análise do alegado direito, não há o que se manifestar”. A ciência ao contribuinte do Termo de Informação Fiscal foi dada por meio de Termo de Encerramento de Ação Fiscal, em 27/11/2012 (fl. 593). Os autos foram então devolvidos a estes Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 24/09/2007 (fl. 528), dentro do prazo de trinta dias contados da data da notificação do acórdão, ocorrida em 13/09/2007 (fl. 522). Por ser tempestivo, tomo conhecimento do recurso. De um lado, assiste razão ao Recorrente quando alega que a Fiscalização foi excessivamente exigente nas suas diligências, como quando, por exemplo, pretende a entrega de relatório nos seguintes moldes (fls. 170/172): Para isto, solicitamos a apresentação de Relatório com as seguintes informações, anexadas cópias dos documentos comprobatórios das mesmas: 5.1. Apresentar, para cada Nota Fiscal (separadamente), as seguintes informações (nesta ordem) acerca dos insumos adquiridos e remetidos para industrialização por encomenda (discriminar os insumos adquiridos no mercado interno daqueles adquiridos no mercado externo): 1. Número da nota fiscal; 2. Data de registro no Livro Registro de Entradas modelo 1; 3. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 631 5 CFOP registrado no Livro Registro de Entradas; 4. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque modelo 3 (fichas substitutivas ou outro controle equivalente); 5. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 6. CFOP constante na nota fiscal; 7. Razão social do fornecedor; 8. CNPJ do fornecedor; 9. Discriminação de cada produto; 10. Valor de cada produto; 11. Classificação fiscal de cada produto; 12. Alíquota de IPI de cada produto; 13. Registrar se o insumo beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo e do Ato Declaratório que o concedeu, se for o caso; 14. Período em que foi registrado o cred́ito no Livro Registro de Apuração do IPI; 15. Valor do cred́ito de IPI registrado; (do item 16 ao 18, para o caso previsto no artigo 391 nas operações em que o estabelecimento mandar industrializar produtos, com insumos adquiridos de terceiros, os quais, sem transitar pelo estabelecimento adquirente, forem entregues diretamente ao industrializador estas informações devem constar na nota fiscal emitida em nome do adquirente, o estabelecimento em questão) 16. Razão Social do destinatário industrializador; 17. CNPJ do destinatário industrializador; 18. Endereço do destinatário industrializador; (do item 19 ao 33, para o caso em que o insumo ou o produto semiacabado transita pelo estabelecimento adquirente) 19. Número da nota fiscal de saída (para industrialização por encomenda); 20. Data de registro no Livro Registro de Saídas — modelo 2; 21. CFOP registrado no Livro Registro de Saídas; 22. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque — modelo 3 (fichas substitutivas ou outro controle equivalente); 23. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 24. CFOP constante na nota fiscal de saída; 25. Razão social do industrializador; 26. CNPJ do industrializador; 27. Discriminação de cada produto; 28. Valor de cada produto; 29. Classificação fiscal de cada produto; 30. Alíquota de IPI de cada produto; 31. Registrar se o produto beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo e do Ato Declaratório que o concedeu, se for o caso; 32. Período em que foi registrada a saída no Livro Registro de Apuração do IPI; 33. Valor do débito de IPI registrado; (a partir do item 34, os retornos da industrialização por encomenda, quer os insumos remetidos tenham transitado ou não pelo estabelecimento encomendante) 34. Número da nota fiscal de saída do estabelecimento industrializador (retorno de industrialização por encomenda); 35. Data de registro no Livro Registro de Entradas; 36. CFOP registrado no Livro Registro de Entradas; 37. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 38. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 39. CFOP constante na nota fiscal; 40. Razão social do industrializador; 41, CNPJ do industrializador; 42. Discriminação de cada produto industrializado; 43. Valor de cada produto industrializado; 44. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Classificação fiscal de cada produto industrializado; 45. Alíquota de IPI de cada produto industrializado; 46. Registrar se o produto beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo c do Ato Declaratório Valor dos produtos industrializados ou importados pelo estabelecimento industrializador, diretamente empregados na operação, se ocorrer essa circunstância 48. Período em que foi registrada a entrada no Livro Registro de Apuração do IRPJ; 49. Valor do crédito de IPI registrado. Apresentar, para cada Nota Fiscal (separadamente), as seguintes informações (nesta ordem) acerca dos produtos finais vendidos referentes aos insumos adquiridos e remetidos para industrialização por encomenda: 1. Número da nota fiscal; 2. Data de registro no Livro Registro de Saídas modelo 2; 3. CFOP registrado no Livro Registro de Saídas; 4. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque modelo 3 (fichas substitutivas ou outro controle equivalente); 5. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 6. CFOP constante na nota fiscal; 7. Razão social do comprador; 8. CNPJ do comprador; 9. Discriminação de cada produto; 10. Valor de cada produto; 11. Classificação fiscal de cada produto; 12. Alíquota de IPI de cada produto; 13. Registrar se o insumo beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo e do Ato Declaratório que o concedeu, se for o caso; 14. Período em que foi registrada a saída no Livro Registro de Apuração do IPI; 15. Valor do débito de IPI registrado; (a partir deste item 16, para os casos de exportação); 16. Data da efetiva exportação; 17. Número do documento de exportação; 18. Valor em real; 19. Valor em dólar no caso de venda com fins à exportação, apresentar declaração da empresa compradora de que atende perfeitamente ao previsto no DecretoLei n". 1.248, de 29 de novembro de 1972, na condição de "Comercial Exportadora", se for o caso (apresentar documentação comprobatória) Ao ver deste Relator, a Fiscalização, ao depararse com uma escrituração que não seguiu os moldes adequados para formalizar as operações de industrialização por encomenda e para o controle do estoque, pretendeu buscar uma via alternativa, cujo cumprimento, no entanto, apenas é possível em teoria. Dos dados existentes nos autos, verificase que houve entrada de produtos aplicados na produção de calçados e que houve a saída de calçados do estabelecimento do Recorrente. Ocorre que a atividade de industrialização não era realizada pelo recorrente, mas por terceiro, em regime de industrialização por encomenda. E não foi demonstrada a existência de um controle de estoque dos insumos e dos produtos acabados, nem houve uma formalização adequada das operações que envolvem a industrialização por encomenda. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 632 7 O Recorrente explicou o seu processo produtivo da seguinte forma (fls166/168): 1. Recebimento do pedido do cliente; 2. De posse do pedido, emitese a ordem de produção, (OP); 3. Seguese o desenvolvimento técnico do produto, matrizes, formas, navalhas e compra da matériaprima; 4. Observação sobre a matériaprima couro: Beneficiamento do couro, significa dar o acabamento final, tipo de curtimento e cor. O couro é comprado em estágios précurtido ao cromo (WET BLUE), vegetal ou semiterminado. Ambos necessitam de acabamento final com fingimento e/ou pintura. O beneficiamento é feito por cortumes especializados, não é operação típica de empresa de calçados, e após é recebido no almoxarifado da Calçados Aniger Nordeste Ltda para classificação e ser aprovado para produção. 5. Toda matériaprima é recebida no almoxarifado da empresa e tem seu registro no sistema de controle do estoque. O material é devidamente conferido, tanto na qualidade quanto na quantidade. Logo em seguida é agrupado no que chamamos de ordens de produção (OP), a qual é remetida para a produção. A industrialização é efetuada pela Cocalqui (Cooperativa de Calcados Ouixeramobim Ltda), a qual recebe os insumos acompanhados de Nota Fiscal (Remessa p/ industrialização). A Fiscalização, no entanto, constatou o seguinte (fls. 167/169): O Interessado afirma, no item 5, que "Toda matériaprima é recebida no almoxarifado da empresa e tem seu registro no sistema de controle do estoque", no entanto, verificamos, a partir da observação de documentos fiscais, que não, e demonstramos com a anexação das NF, como exemplo: da Curtume Panorama Ltda, 2861, em 20.02.2002, CFOP 6.11, venda para Calçados Aniger Nordeste Ltda, com a observação "Local de entrega da mercadoria p/ benef por conta e ordem do adquirente Firenze Acabam em Couros Ltda Picada 48 Alta s/n IvotiRS CNPJ 89.774.830/000180 conf nota fiscal de remessa 2862 de 20.02.2002"; da mesma empresa, a referida 2862; e, da Calçados Aniger Nordeste, a 6943, CFOP 693, de 20.02.2002, com a observação "Mercadoria adquirida pela NF 2861 de Curtume Panorama Ltda entregue a Firenze Acabamentos em Couro Ltda, conforme NF n° 2862". Argüida "Se realiza ou realizou operação(ões) de Industrialização por Encomenda como Encomendante", o Interessado respondeu que "Durante todo o período compreendido pelos processos em análise, a Fl. 635DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 empresa efetuou operações de industrialização por encomenda de seus produtos produzidos", listando como Estabelecimento Industrial que realizou a Industrialização por Encomenda: Razão Social: COCALQUI – Cooperativa de Calçados Quixeramobim Ltda. (...) De fato, o Industrializador por Encomenda, Cocalqui, de acordo com a informação prestada pelo Interessado, e como verificamos no local, situase num edifício logo à frente da sede da Calçados Aniger do Nordeste Ltda, como se fora mesmo apenas um outro galpão da mesma, inclusive com acesso por ela controlado. Na Resposta ao Termo de Início, o Interessado declara, ainda, que "Não temos sistema de Custos Coordenado e Integrado com a Escrituração Fiscal" (grifo nosso) e que não escritura o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque modelo 3, mas "Registro equivalente conforme modelo anexo" (grifo nosso). A Fiscalização entende que as notas fiscais que formalizam a remessa e o retorno da industrializadora por encomenda não foram feitas de maneira adequada, não permitindo aferir a existência de controle de estoque (fl. 175): A RELAÇÃO ÍNTIMA E INFORMAL QUE O INTERESSADO MANTÉM COM O INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA, ESPECIALMENTE A COCALQUI COOPERATIVA DE CALÇADOS QUIXERAMOBIM, COMPROMETE A IDENTIFICAÇÃO E COMPROVAÇÃO DO PROCESSO INDUSTRIAL, HAJA VISTA A IRREGULAR EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS, BEM COMO SEU REGISTRO, O QUE LEVA A SITUAÇÕES ABSURDAS, COMO: NÃO HAVER PRODUTO INDUSTRIAL SAÍDO DO INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA. HAJA VISTA A ANIGER CONSIDERÁLO APENAS COMO UM PRESTADOR DE SERVIÇOS; HAVER VENDA E EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO PRODUZIDO. HAJA VISTA, SE FOSSE POSSÍVEL CONSIDERAR AS NOTAS DE RETORNO DA COCALQUI COMO COMPROBATÓRIAS DO PROCESSO PRODUTIVO, QUE O QUE SAI DA COOPERATIVA NÃO SAI ACOMPANHADO DA RESPECTIVA E DEVIDA NOTA FISCAL, ESTA EMITIDA, INDEPENDENTE DA DATA DE SAÍDA DO QUE QUER QUE SAIA DO INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA (CONSIDERADO PRESTADOR DE SERVIÇO), PERIODICAMENTE, APENAS AO FINAL DE CADA MÊS OU SEJA, POR EXEMPLO, SAPATOS QUE NÃO FORAM FABRICADOS (PORQUE NÃO HÁ NOTA DE SAÍDA DE SAPATO DA COCALQUI SÓ DE DEVOLUÇÃO DE INSUMOS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇO), E SE O TIVESSEM SIDO AINDA NÃO TERIAM SAÍDO DO INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA (PORQUE SE SAÍRAM NÃO TERIAM SAÍDO ACOMPANHADO DE NOTA FISCAL) JÁ PODERIAM, VENDIDOS E EXPORTADOS, ESTAR PASSEANDO NUMA RUA DA EUROPA OU DOS EUA. A Fiscalização ilustra a falta de compasso entre as notas fiscais e a falta de controle eficiente do estoque no seguinte trecho (fls. 180/181): Fl. 636DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 633 9 (...) Outrossim, hão bastasse isto, em documento do Interessado entregue à Fiscalização, "Assunto: Remessa e Retorno para industrialização por encomenda" (cópia anexa), o procurador Cursio José Juchem termina por concordar com os argumentos aqui expostos pelo Auditor, haja vista o texto, e seus anexos, apresentados: "A empresa promoveu a remessa de matériasprimas para industrialização por terceiros, mediante a emissão de Nota Fiscal CFOP 593 (atual 5901) com descrição e classificação fiscal das matériasprimas. A empresa executora dos serviços (grifo nosso) industrialização é Cooperativa de Calçados Quixeramobim Cocalqui. O retorno das mercadorias industrializadas é feito através de duas Notas Fiscais: retorno simbólico dos insumos utilizados na industrialização por encomenda, CFOP 594 (atual 5902). Exemplo anexo NF 616 da Cocalqui. Nesta nota fiscal de retorno simbólico dos insumos está mencionada a quantidade de pares produzidos com estes insumos. o valor cobrado pela industrialização compreendendo os serviços prestados e mercadorias eventualmente empregadas no processo industrial, é feito pelo executante da encomenda (Cocalqui) com emissão de nota fiscal CFOP 5.13 (atual 5124), colocando o nome do modelo do calçado, a quantidade de pares e os valores monetários correspondentes. Exemplo NF 627 anexa. Verificando a Legislação pertinente especialmente o PN n° 378/71 e RIPI/98, deveria o executor da encomenda descrever ainda na referida nota fiscal, a descrição do produto. Calçado de couro/modelo Velvet, bem como a Classificação Fiscal de cada produto (grifo nosso)". Sobre os exemplos, as notas fiscais anexadas pelo Interessado, há que se alertar, primeiro, para o fato de que se tratam de documentos emitidos no ano de 2004, fora do período que estamos verificando, portanto, mas que, ainda assim, podem servir de exemplo, sim, inclusive para demonstrar que o Estabelecimento Industrial, ao menos até junho de 2004, permaneceu com as mesmas práticas de emissão e registro de documentos e livros fiscais que impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido IPI (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e do Ressarcimento IPI previsto no art. 11 da Lei 9.779/99 e IN/SRF 033/99, o cálculo dos valores de créditos pleiteados, por alegado direito, senão vejamos: 1. A NF de Saída 2957, que seria o exemplo de Remessa para Industrialização por Encomenda, CFOP 5901, emitida em 30.06.2004, não parece referirse às NF 616 e 627, emitidas em datas anteriores, 18.06.2004 e 28.06.2004, da Cocalqui, que seriam exemplo de "retorno das mercadorias industrializadas", haja vista não estar listada em nenhuma destas, como pode ser verificado; Fl. 637DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 2. As NF que, juntas, seriam o exemplo de Retorno de Industrialização por encomenda, não podem assim ser consideradas, haja vista as divergências gritantes entre elas, além das datas de emissão: a NF 616 registra, em Descrição dos Produtos, "Remessa simbólica no total de insumos recebidos para industrialização de calçados através de s/ NFs n° 2660 a 2663, 2685 a 2688, 2698 a 2700, 2706 a 2709, referente a 21.216 prs de calçados produzidos; diferentemente da NF 627, que deveria ser seu par, indissociável, na devolução do que quer que fosse, que registra "Ind. efetuada p/ outra empresa conforme insumos recebidos para industrialização de calçados atrav. de ssN/F n° 2493, 2524/25, 2527 a 2530/32, 2534 a 2567/74, 2579 a 2582/85/86/90/91, 2593 a 2597, 2609 a 2612, 2619 a 2623, 2631 a 2633/35/36, 2638 a 2646, 2650 a 2653, 2660 a 2663/85 2686 a 2688, 2698 a 2700, 2706 a 2709, 2725/26, 2752 a 2759, 2767 a 2771, 2783 a 2787,2799 a 2806, 2820 a 2827, 2844 a 2849, 2862 a 2864" [ainda, como se fora serviço mesmo, "() 1,5% IRRF"], totalizando 24.651 pares. (Há uma inscrição indecifrável na NF 627, no campo Insc. Estadual do Substituto Tributário lê "1124 3/3 cont. 109", talvez algum código acessível apenas às duas empresas.) O exposto é mais um exemplo da dificuldade que o Interessado encontra para demonstrar o processo de industrialização, comprovar a operação de industrialização por encomenda, atender, neste sentido, à solicitação da Fiscalização (mesmo, ao menos, apresentar uma única NF de Saída, sua, de venda definitiva, que pudesse ser associada a NF de Retorno de Produto Industrializado por Encomenda, emitida pela Cocalqui, nenhuma foi assim entregue à Fiscalização o Interessado só conseguiu fazer e apresentar um tipo de associação entre Notas Fiscais: associar, e apresentar à Fiscalização, NF, da Aniger, que seriam de saída de insumos, CFOP 5.93 Remessa para Beneficiamento, àquelas que seriam de devolução destes insumos, emitida pela cooperativa, ainda assim porque nas NF de Retorno de Industrialização por Encomenda, CFOP 5.13 e 5.94, da Cocalqui, constam, pelo menos isto, relacionadas, no campo "Descrição dos Produtos", os números das NF de Remessa para Beneficiamento emitidas pela Empresa Encomendante) diante dos documentos, que seriam comprobatórios da operação de industrialização por encomenda, o Representante da Empresa termina, por fim, por reconhecer que "Verificando a Legislação pertinente especialmente o PN n° 378/71 e RIPI/98, deveria o executor da encomenda descrever ainda na referida nota fiscal, a descrição do produto, Calçado de couro/modelo Velvet, bem como a Classificação Fiscal de cada produto". O contribuinte, como visto, não conseguiu demonstrar o controle da matéria prima adquirida e efetivamente empregada na produção. Quando o contribuinte industrializa diretamente, basta demonstrar o seu processo produtivo e o seu controle de estoque de matériaprima e produtos acabados para que se identifique a agregação das aquisições ao produto final. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 634 11 Mas quando o processo produtivo envolve atividade de terceiros, deve haver um controle mais rigoroso, por meio do qual se consiga identificar a agregação dos insumos remetidos aos produtos industrializados recebidos. Neste sentido, faço minhas as seguintes palavras do Conselheiro Antonio Zomer, em julgamento de caso desta mesma Recorrente, embora envolvendo crédito presumido e outro período de apuração: Em se tratando de industrialização por encomenda, o controle da produção é, sem dúvida, muito mais trabalhoso para a empresa, uma vez que, aos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agregase a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Neste passo, as remessas de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, recipientes, moldes, matrizes ou modelos devem ser cuidadosamente registradas e controladas na contabilidade das duas empresas, por meio da emissão dos documentos fiscais próprios, principalmente as notas fiscais de remessa. Este controle deve estenderse ao processo de fabricação, com acompanhamento efetivo da utilização dos insumos, e alcançar o retomo dos produtos industrializados, com registro em separado da devolução dos insumos/produtos. No presente caso, a fiscalização requereu a apresentação dos controles efetuados pela empresa e constatou que eles eram inexistentes ou muito precários, provavelmente devido à proximidade física dos estabelecimentos da encomendante e do industrializador, separados unicamente por uma rua. Em vista desta proximidade, estabeleceuse uma confusão entre os estabelecimentos da Calçados Aniger e da Cocalqui, gerando uma grande gama de irregularidades, registradas pela fiscalização em pormenores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 75/104. Entre elas, destacase a emissão de notas fiscais que não poderiam corresponder a efetivos retornos de produtos industrializados, pois não havia a correspondente remessa dos insumos e viceversa. Se a requerente do crédito de IPI não manteḿ os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na sua fabricação, não há que se falar em direito ao ressarcimento dos cred́itos pagos na sua aquisição. Neste contexto, as notas fiscais de aquisição de insumos não são suficientes para garantir o direito ao ressarcimento, assim como não o são os livros contábeis e fiscais de entradas, saídas, de apuração do IPI e os diversos contratos de câmbio de exportação. Sem a necessária vinculação entre estas peças, por meios dos registros e demonstrativos exigidos pelo regulamento do IPI, não exsurge o direito ao ressarcimento. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 (...) O indeferimento do ressarcimento dos cred́itos, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está afirmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido exportações de calçados pela Aniger. O que se concluiu foi que os controles existentes, efetuados de maneira precária e desvinculada das remessas de insumos e do retomo dos produtos acabados, não permitiu a aferição do direito ao crédito e, conseqüentemente, ao ressarcimento, porque não se comprovou a incorporação dos insumos aos produtos exportados. Também não socorre a recorrente o fato de ter ocorrido o deferimento de outros pleitos seus, relativos a períodos anteriores, tanto de crédito presumido quanto de créditos básicos, pois a comprovação do direito deve ser feita período a período, processo a processo, mormente quando a empresa possui mais de um estabelecimento industrial, como é o caso da recorrente, que se situa em Quixeramobim — CE e possui pelo menos uma filial industrial, situada no sul do país, no município de Campo Bom RS. Para a continuidade do deferimento dos pedidos nos anos subseqüentes não é suficiente que a empresa seja a mesma ou que não tenha havido alteração do processo produtivo. A verificação fiscal, por decisão da autoridade administrativa, pode ser realizada apenas nos livros e documentos, como no caso anterior, ou in loco, como no caso presente. Decisões em sentido contrário podem surgir, não porque os AuditoresFiscais são distintos, mas porque os períodos são diferentes e os exames podem ser mais ou menos aprofundados. Por conseqüência, também não se pode afirmar que uma decisão está correta e a outra errada, ou viceversa, pois ambas foram proferidas à vista das provas produzidas nos respectivos processos. Quanto à reiteração do pedido de perícia, feita no recurso voluntário, há que se registrar que não cabe ao julgador determinar a produção de novas provas, mas apenas investigar sobre a exatidão e veracidade daquelas existentes nos autos, produzidas pelas partes. Se o Fisco examinou o processo industrial das empresas envolvidas na operação industrial (Calçados Aniger e Cocalqui) e concluiu pela inexistência ou total imprestabilidade dos controles mantidos por ambas, para o fim de demonstrar a incorporação dos insumos aos produtos vendidos ou exportados, cabia à recorrente ilidir esta acusação, por meio da apresentação de documentação comprobatória de suas alegações. (trecho do voto; Acórdão 20219.303, Processo nº 13310.000050/200213, Rel. Cons. Antonio Zomer, j. 04/09/2008) Caberia ao Recorrente, com efeito, demonstrar nestes autos a existência e a confiabilidade do seu controle de estoque, tanto dos insumos como dos produtos acabados, vinculando as operações de remessa para a industrialização com os retornos de produto Fl. 640DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 635 13 industrializados e destes com as vendas realizadas ao exterior, o que, no entanto, verificouse ser inconsistente. Diante de tal panorama, entendo que também no presente caso não há como se reconhecer o direito de crédito do contribuinte. Voto, por isso, por negar provimento ao recurso. Ivan Allegretti Fl. 641DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 15540.000197/2010-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010. NULIDADES. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, com a descrição dos fatos e legislação aplicável, e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 142, do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Cabível o lançamento da multa de ofício isolada nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher as estimativas mensais de IRPJ e CSLL a que estava obrigada.
Numero da decisão: 1302-001.126
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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NULIDADES. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, com a descrição dos fatos e legislação aplicável, e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 142, do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Cabível o lançamento da multa de ofício isolada nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher as estimativas mensais de IRPJ e CSLL a que estava obrigada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 Relatório Em procedimento de verificação das obrigações tributárias foi efetuado lançamento de Ofício, das seguintes infrações: • Multa Isolada pela falta de Recolhimento do IRPJ sobre base de Cálculo Estimada. Multa apurada em decorrência da falta de pagamento da estimativa mensal do IRPJ, incidente sobre a base de cálculo determinada com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução Multa de 50% sobre o valor do Imposto de Renda Mensal por Estimativa apurado pelo contribuinte no anobase de 2005, que não foi declarado em DCTF e não foi recolhido à Receita Federal, no valor de R$ 1.138.813,09. • Multa Isolada pela falta de Recolhimento da Contribuição Social sobre a base Estimada. Multa apurada em decorrência da falta de pagamento da estimativa mensal da CSLL, incidente sobre a base de cálculo determinada com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução – Multa de 50% sobre o valor da CSLL mensal por estimativa apurada pelo contribuinte no anobase de 2005, que não foi declarada em DCTF e nem recolhida à Receita Federal, no valor de R$ 468.067,60. Inconformada, a Impugnante, apresenta impugnação tempestiva, na qual, em síntese, alega: que o Auto de Infração está eivados de nulidades, bem como não encarta preceito legal correspondente à sanção aplicável. que inexiste DOLO ou CULPA, por parte da Suplicante. que a exigência tributária encontrase em completa dissonância das condições estabelecidas pela norma jurídica a respeito do lançamento, art. 142 do Código Tributário Nacional. que não houve diligências suplementares. requer a realização de exame pericial contábil, com fundamentos do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal e indica como perito o Dr. José Carlos Gomes Bernardo e apresenta quesitos que entende serem fundamentais para a elucidação da controvérsia. apresenta, Impugnação a CSLL, com os mesmos argumentos apresentados para o IRPJ. A 15ª Turma da DRJ/RJ1, pelo do acórdão nº 12043.493, por unanimidade, e nos termos da ementa que passa a integrar o presente julgado, indefere o pedido de perícia e rejeita a argüição de nulidade, e, no mérito, julga procedente o lançamento das multas isoladas conforme a ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese a perícia quando esta se mostra prescindível. LANÇAMENTO DEVIDAMENTE FORMALIZADO.INEXISTÊNCIA Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 15540.000197/201027 Acórdão n.º 1302001.126 S1C3T2 Fl. 63 3 DE NULIDADE. Verificandose que o Auto de Infração atende a todos os requisitos exigidos pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e pelo artigo 10 do Decreto nº 70.235/1975, rejeitase a argüição de nulidade. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. As provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito do contribuinte de fazêlo em outro momento processual, a menos que esteja demonstrada, justificadamente, a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher as estimativas mensais de IRPJ a que estava obrigada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher as estimativas mensais de CSLL a que estava obrigada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 14/12/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 11/01/2013, reiterando o alegado em sede de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 O recurso voluntário apresenta todos os requisitos previstos no Decreto nº 70235/72, razão porque dele o conheço. Em relação ao requerimento de perícia não vejo justificativa legal para tanto, por isso acompanho o entendimento da DRJ no sentido de indeferilo. Muito bem salientou o relator da Primeira Instância, quando afirmou que as provas documentais constantes dos autos são suficientes para formação de convicção, uma vez que o auto de infração se refere a multa isolada por falta de pagamento de estimativa mensal de IRPJ e CSLL declarados em DIPJ, mas não recolhida. Portanto, no caso, é dispiciendo qualquer pronunciamento técnico pois bastava ao contribuinte juntar as cópias dos DARF´s comprovando o recolhimento dos valores declarados em DCTF, ou que comprovasse que aqueles valores declarados não correspondiam a realidade dos fatos. Em relação as alegadas nulidades, também não contrario a decisão guerreada, uma vez que nos autos facilmente se constata que as descrições das infrações e a fundamentação legal estão em perfeita consonância com os fatos descritos e os valores lançados. A Recorrente pretende a anulação da autuação sem amparo legal, pois no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determinam: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim a nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente, ou cerceamento de direito de defesa. Quanto as alegações de afronta à princípios constitucionais, é preciso ressaltar que a competência deste colegiado administrativo é limitada tendo em vista o seu caráter vinculado, onde o julgador é um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou inconstitucionalidade de comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. Tanto é que a matéria foi Sumulada através da Súmula CARF nº 2 que determina: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. No mérito o presente processo trata de multa isolada de 50% pela falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo determinada com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução apurado pelo contribuinte na DIPJ/2006. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 15540.000197/201027 Acórdão n.º 1302001.126 S1C3T2 Fl. 64 5 O fato está perfeitamente caracterizado e comprovado e a multa aplicada por falta de recolhimento das estimativas dos tributos tem como fundamentação legal a Lei 9.430/96, que determina: ... II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) ....... Art. 2º da Lei 9430/96 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Constatado que os valores lançados foram apurados pelo próprio contribuinte na DIPJ/2006 e que estes valores não foram declarados em DCTF e nem recolhidos à RFB, e que em nenhum momento, o Recorrente contestou os fatos descritos, optando por argumentos genéricos é de se manter a multa isolada. Pelo exposto, indefiro o pedido de perícia, rejeito as nulidades suscitadas e no mérito nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 6 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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Numero do processo: 18471.002137/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. LUCROS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. São isentos do imposto os lucros e dividendos pagos a sócios e acionistas, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou presumido, até o limite da base de cálculo do imposto, subtraída de todos os imposto e contribuições que estiver sujeita a pessoa jurídica.
PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DO LITÍGIO. RECURSO. PERDA DE OBJETO. O pagamento do crédito tributário objeto do litígio, em qualquer fase processual, importa a desistência do recurso.
Recurso de ofício negado.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2201-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Voluntário, por perda de objeto.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 25 de março de 2013.
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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LUCROS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. São isentos do imposto os lucros e dividendos pagos a sócios e acionistas, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou presumido, até o limite da base de cálculo do imposto, subtraída de todos os imposto e contribuições que estiver sujeita a pessoa jurídica. PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DO LITÍGIO. RECURSO. PERDA DE OBJETO. O pagamento do crédito tributário objeto do litígio, em qualquer fase processual, importa a desistência do recurso. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Voluntário, por perda de objeto. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 25 de março de 2013. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 37 /2 00 5- 31 Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Contra HENRIQUE JORGE DUARTE foi lavrado o auto de infração de fls. 269/273 para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF no valor de R$ 2.121.905,15, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 5.440.352,61. As infrações que ensejaram a autuação foram: 1) Omissão de rendimentos recebidos excedentes ao lucro presumido/arbitrado pagos a sócio ou acionista. Fato gerador: 31/12/2000 e base de cálculo: R$ 7.665.103,83. 2) Omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários com origens não comprovadas. Fato gerador: 31/12/2000. Base de cálculo: 66.624,00. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o lucro apurado contabilmente e passível de distribuição com isenção do imposto era de R$ 6.172.714,89; que o lucro distribuído, no valor de R$ 2.164.995,53 não foi considerado no cálculo da parcela excedente porque se trata de lucro apurado no ano de 1999, quando a legislação em vigor previa a isenção do imposto tanto na fonte quanto na declaração de ajuste. Quanto aos depósitos bancários, alega que não houve omissão de rendimentos quanto aos depósitos de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00. Cita decisão judicial contrária à quebra do seu sigilo bancário. Insurgese contra a incidência de juros calculados com base na taxa Selic. A DRJBELO HORIZONTE/MG, por meio do acórdão de fls. 355 julgou procedente em parte o lançamento para reduzir o imposto exigido para R$ 62.930,56, a ser acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, proporcionalmente, com base nas considerações a seguir resumidas. Antes da decisão, a DRJ decidiu converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora se pronunciasse sobre as alegações da defesa. Em resposta à intimação, por meio do relatório fiscal de fls. 344/345, concluiu que a omissão de rendimentos referentes à distribuição de dividendos deveria ser reduzida para R$ 162.214,39 que somado ao valor de R$ 66.624,00, correspondente à base de cálculo do item 02 da autuação, perfazia uma valor de R$ 285.213,74, que seria a nova base de cálculo. Refazendo os cálculos se chegaria ao imposto suplementar de R$ 62.930,56. A DRJBELO HORIZONTE/MG julgou, então, procedente em parte o lançamento para manter a exigência do valor apurado pela Fiscalização quando da diligência. Tendo em vista o valor do crédito tributário exonerado, a DRJBELO HORIZONTE/MG recorreu de ofício. Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.002137/200531 Acórdão n.º 2201001.996 S2C2T1 Fl. 3 3 O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira em instância em 14/04/2010 (fls. 395) e, em 15/05/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 397/412 no qual reitera as alegações da impugnação pertinentes ao crédito tributário remanescente. Ao encaminha o recurso voluntário a este Conselho, o que fez por meio do despacho de fls. 416, a autoridade preparadora observou que o Contribuinte havia protocolizado pedido de desistência da impugnação e do recurso, nos termos da petição de fls. 374. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Como se colhe do relatório, a DRJBELO HORIZONTE/MG afastou parte da exigência, o que é objeto do presente lançamento de ofício, por concluir que do montante dos lucros distribuídos ao Contribuinte (R$ 8.504.208,93), R$ 8.341.994,54 eram passíveis de distribuição e, portanto, isentos do imposto de renda. Para tanto, a DRJ se valeu de informação fiscal da própria autoridade lançadora prestada em resposta a diligência anteriormente determinada. Os fatos estão detalhados no Relatório Fiscal de fls. 344/345 no qual a autoridade que deu curso á diligência relata que, diante dos novos elementos apresentados pela empresa Assure Administradora e Corretagem de Seguros Ltda. (fls. 329/342) pôde verificar a existência de lucros passíveis de distribuição no valor de R$ 8.341.994,54. Os documentos referidos são Livro Diário, Livro Razão e Balanço Patrimonial da empresa em questão. É inequívoco, portanto, o fato apurado e o acerto da decisão recorrida em exonerar esta parte do crédito tributário. Quanto ao recurso voluntário, conforme informado pela autoridade preparadora, tãologo tomou ciência do resultado da diligência, o Contribuinte apresentou manifestação expressa desistindo do recurso (fls. 374) e recolheu o crédito tributário remanescente (fls. 378). Ora, o pagamento extingue o crédito tributário, o que inviabiliza a possibilidade de recurso após o pagamento, por falta de objeto. Neste caso, não só o Contribuinte pagou o crédito tributário remanescente como, expressamente, manifestouse pela desistência do recurso. O art. 78 do CARF é categórico quanto à desistência do recurso, senão vejamos: Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Assim, a peça recursal posteriormente apresentada é absolutamente intempestiva. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário, este último por perda de objeto. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.002137/200531 Acórdão n.º 2201001.996 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 18471.002137/200531 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.996. Brasília/DF, 25 de março de 2013. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.014081/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. REJEIÇÃO.
Não se conhecem dos embargos apresentados por não restar configurada a omissão alegada.
Numero da decisão: 1302-001.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos interpostos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. REJEIÇÃO. Não se conhecem dos embargos apresentados por não restar configurada a omissão alegada.
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OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. REJEIÇÃO. Não se conhecem dos embargos apresentados por não restar configurada a omissão alegada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos interpostos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 40 81 /2 00 7- 83 Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 11080.014081/200783 Acórdão n.º 1302001.141 S1C3T2 Fl. 1.160 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 130200.619, proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 30/06/2011, com a seguinte ementa: MULTA ISOLADA. IRPJ E CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Provido o recurso voluntário no processo matriz, o mesmo veredicto deve ser proferido nestes autos conexos ou reflexivos dada à vinculação existente entre os dois autos. O colegiado deu provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, cancelando a exigência da multa isolada, adotando o mesmo entendimento exarado no julgamento do processo principal (matriz). Cientificada em 18/10/2011 (fls. 396), a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 19/10/2011, sustentando que ao dar provimento ao recurso voluntário, o acórdão embargado omitiuse ao não se pronunciar sobre a definitividade ou não da decisão proferida nos autos do processo de n" 11080.012499/200756, determinante na deliberação final sobre a aplicabilidade de tal decisão aos presentes autos. Sustenta a embargante que: (...), conforme andamento processual em anexo, a decisão proferida no processo de n° 11080.012499/200756 ainda não foi cientificada a Fazenda Nacional para fins de interposição de recurso especial, nada autorizando sua imediata aplicação ao presente processo. Isso porque, em decorrência da apreciação do mencionado recurso, a decisão aplicada pode ser reformada, restando indevida a exclusão da penalidade ora efetuada nestes autos. Ao final, a embargante requer o acolhimento dos presentes embargos, para que seja objeto de saneamento o vicio apontado. É o relatório. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 11080.014081/200783 Acórdão n.º 1302001.141 S1C3T2 Fl. 1.161 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos, cabendo verificar se preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do RICARF. Alega a Fazenda Nacional, ora embargante, que a decisão recorrida ao dar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo contém vício a ser sanado, na medida em que se omitiu ao não se pronunciar sobre a definitividade ou não da decisão proferida nos autos do processo de n" 11080.012499/200756, determinante na deliberação final sobre a aplicabilidade de tal decisão aos presentes autos. Não procede a alegação da embargante, na medida em que, em que pese o acórdão embargado tenha vinculado a decisão deste processo ao processo matriz, também examinou o mérito da presente autuação, tal como se verifica no excerto abaixo, transcrito do voto condutor: [...] No processo matriz, além da análise de cada pagamento objeto de autuação, foram examinados diversos aspectos relacionados com o mérito do lançamento e arroladas diversas assertivas que culminaram com o provimento do recurso voluntário. Desta forma, mesmo que fosse o caso de exame do mérito, os pagamentos objetos de autuação, no processo matriz, foram escriturados em contas patrimoniais – Ativo Permanente ou obras em andamento e especificamente em Sociedades em Conta de Participação. A legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (RIR/99) dispõe: Art. 148. As sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas (Decretolei nº 2.303, de 21 de novembro de 1986, art. 7º, e Decretolei nº 2.308, de 19 de dezembro de 1986, art. 3º). Art. 149. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. 254, II (Decretolei nº 2.303, de 1986, art. 7º, parágrafo único). Como se vê, a movimentação financeira de transferência de valores para uma Sociedade em Conta de Participação não tem qualquer relação com a Conta de Resultados do sujeito passivo e mesmo que não fosse o caso da mencionada sociedade, a legislação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica estabelece em seu Capítulo VI – DISPOSIÇÕES ESPECIAIS SOBRE ATIVIDADES E PESSOAS JURÍDICAS – Seção X – Compra e Venda, Loteamento, Incorporação e Construção de Imóveis, o seguinte: Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 11080.014081/200783 Acórdão n.º 1302001.141 S1C3T2 Fl. 1.162 4 Art. 410. O contribuinte que comprar imóvel para venda ou promover empreendimento de desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária ou construção de prédio destinado à venda, deverá, para efeito de determinar o lucro real, manter, com observância das normas seguintes, registro permanente de estoque para determinar o custo dos imóveis vendidos. Art. 411. O lucro bruto na venda de cada unidade será apurado e reconhecido quando contratada a venda, ainda que mediante instrumento de promessa, ou quando implementada a condição suspensiva a que estiver sujeita a venda (Decretolei nº 1598, de 1977, art. 27, § 1º). Verificase, pois, que existe dispositivo expresso na legislação para a apuração de resultados das atividades relacionadas com a incorporação imobiliária e construção de prédio e, portanto, a sociedade em conta de participação para cada empreendimento imobiliário pode ser equiparada a um registro permanente de estoque para a determinação do custo da unidade imobiliária. De qualquer forma, como sociedade em conta de participação ou como registro permanente de estoque, o resultado só pode ser apurado quando da venda da unidade imobiliária. Desta forma, a tributação pretendida nestes autos, pela glosa de pagamentos, custos ou despesas operacionais não tem amparo na legislação tributária vigente. Ao final do voto o relator vincula o entendimento ao decidido no processo matriz, in verbis: Diante do exposto e tendo sido provido o recurso voluntário no processo matriz, a mesma sorte deve ser dada a estes autos para cancelar as multas lançadas isoladamente, dada a relação de vinculo entre os dois autos. Dessa forma, entendo que a alegada ausência de pronunciamento sobre a não definitividade da decisão proferida no processo matriz em nada altera as conclusões do acórdão embargado. Por oportuno, verificase que os processos foram julgados em sequência, na mesma data, e que o processo n" 11080.012499/200756 encontrase arquivado, conforme consulta ao sistema Comprot no sítio do Ministério da Fazenda na rede mundial de computadores. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer dos embargos interpostos. Sala de Sessões, em 10 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 11080.014081/200783 Acórdão n.º 1302001.141 S1C3T2 Fl. 1.163 5 Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E
score : 1.0
Numero do processo: 10825.001653/2007-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS EM VIRTUDE DE PROCESSO TRABALHISTA.COMPROVAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE HONORÁRIOS DE ADVOGADOS PARA FINS DE DEDUTIBILIDADE
Deixando o contribuinte de comprovar, através de meios idôneos de prova, o pagamento dos valores deduzidos a título de honorários de advogado da base de cálculo representada pelo montante correspondente aos rendimentos decorrentes da ação judicial respectiva, correta é a glosa das despesas correlatas pela autoridade fiscal.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2802-002.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 17/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 17/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS EM VIRTUDE DE PROCESSO TRABALHISTA.COMPROVAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE HONORÁRIOS DE ADVOGADOS PARA FINS DE DEDUTIBILIDADE Deixando o contribuinte de comprovar, através de meios idôneos de prova, o pagamento dos valores deduzidos a título de honorários de advogado da base de cálculo representada pelo montante correspondente aos rendimentos decorrentes da ação judicial respectiva, correta é a glosa das despesas correlatas pela autoridade fiscal. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 16 53 /2 00 7- 41 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 17/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 15/17, relativa ao exercício de 2005, de suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista e de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, estes pelo dependente Ivanilde Lima de Araújo, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresenta impugnação de fls. 01, em que alega, em síntese que: 1 por lapso deixou de constar da DIRPF o rendimento da esposa Ivanilde Lima de Araújo, no valor de R$ 9.062,58; 2 os rendimentos de R$ 15.720,71 referemse a rendimento que deixou de receber em época própria, portanto não é devido nesse exercício, sendo tributado diretamente na fonte; 3 contratou o advogado Francisco Isidoro Aloise cujos serviços custaram R$3.144,14 e as taxas, R$ 1.571,07; 4 junta a guia de depósito do valor liquido recebido, com menção ao número do processo judicial, e outros documentos. Em julgamento, a 3ª Turma da DRJ/SP2, em sessão realizada no dia 11/08/2010, decidiu à unanimidade, manter o lançamento aos seguintes fundamentos: que constitui matéria não impugnada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pelo dependente apontado no relatório supra; que não existe fundamento legal para a assertiva de que rendimentos recebidos que sejam pagos tardiamente, quando deveriam ter sido pagos em anoscalendário anteriores, são tributados exclusivamente na fonte; que o contribuinte não apresenta quaisquer fundamentos que demonstrem a que períodos de tempo corresponderiam os rendimentos tardiamente recebidos; que embora seja permitida a dedução de valores pagos a título de honorários advocatícios, não traz o contribuinte qualquer prova de que efetivamente os tenha pago. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl.40, interpôs tempestivamente o recurso de fl.41, restringindose a juntada do original do contrato de honorários advocatícios que já constava dos autos por cópia e de apresentar, este pela primeira vez nos autos, original de recibo de pagamento de honorários advocatícios. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10825.001653/200741 Acórdão n.º 2802002.075 S2TE02 Fl. 55 3 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, no que impugna em parte a decisão da DRJ, apenas no que tange à pretensão de ver deduzidos os valores pagos a título de honorários advocatícios do total lançado. A singeleza do recurso interposto torna de fácil deslinde a matéria. Conheço do documento de fl.42, trazido aos autos por ocasião da interposição do recurso voluntário, em homenagem ao princípio do formalismo moderado e na esteira da jurisprudência desta Turma. Quanto à matéria de direito, é inconteste a existência de previsão legal para dedução do valor pago a título de honorários advocatícios, quando se trata de valores recebidos em virtude de decisão judicial. Todavia, quanto à matéria de fato, o recibo apresentado designa apenas o nome do pagador (o contribuinte), o valor pago, o nome da sociedade de advogados que o recebe, a data (no anocalendário de que hora se trata) e o número do processo judicial, sendo, portanto, documento extremamente sintético, há de se levar em consideração só seguintes aspectos: É exigência legal (Lei n° 8.906/94) a aposição do número de inscrição da sociedade de advogados que emitiu o documento de fls. 49, razão pela qual o memso não pode ser considerado idôneo para fins de dedutibilidade na apuração do IRPF, vejase que nem ao menos há a menção ao endereço da sociedade emitente ou mesmo de sua inscrição no CNPJ. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10480.002207/2003-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
Somente são passíveis de tributação com base na presunção relativa estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários sem origem comprovada. Verificando-se a comprovação da origem dos depósitos, por meio de documentação hábil e idônea, de modo a satisfazer a exigência do citado dispositivo legal, incabível a manutenção da autuação por presunção.
AUTUAÇÃO POR PRESUNÇÃO. DESDOBRAMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO COMPROVADO. DÚVIDAS. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN.
Tratando-se de autuação por presunção, havendo dúvidas quanto à natureza ou circunstâncias materiais que envolveram os desdobramentos do negócio jurídico cuja comprovação não foi posta em dúvida, deve ser acatada a interpretação mais favorável ao Contribuinte, conforme o art. 112 do CTN. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.614
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire e Otacílio Dantas Cartaxo. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1867; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 323 1 322 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10480.002207/200378 Recurso nº 157.760 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.614 – 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSÉ CAMILO DE SOUZA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Somente são passíveis de tributação com base na presunção relativa estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários sem origem comprovada. Verificandose a comprovação da origem dos depósitos, por meio de documentação hábil e idônea, de modo a satisfazer a exigência do citado dispositivo legal, incabível a manutenção da autuação por presunção. AUTUAÇÃO POR PRESUNÇÃO. DESDOBRAMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO COMPROVADO. DÚVIDAS. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. Tratandose de autuação por presunção, havendo dúvidas quanto à natureza ou circunstâncias materiais que envolveram os desdobramentos do negócio jurídico cuja comprovação não foi posta em dúvida, deve ser acatada a interpretação mais favorável ao Contribuinte, conforme o art. 112 do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10480.002207/200378 Acórdão n.º 9202002.614 CSRFT2 Fl. 324 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire e Otacílio Dantas Cartaxo. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – RedatoraDesignada EDITADO EM: 13/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 10617.038, da 6a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes (fls. 263 a 286), julgado na sessão plenária de 10 de setembro de 2008, pelo voto de qualidade, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001; por unanimidade de votos, rejeitou as demais preliminares arguidas pelo recorrente; e, no mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 379.442,73. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10480.002207/200378 Acórdão n.º 9202002.614 CSRFT2 Fl. 325 3 conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Iniciado o procedimento de fiscalização e caracterizada a indispensabilidade do exame da documentação bancária, a autoridade fiscal pode, por expressa autorização legal, solicitar informações e documentos relativos a operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, quando este não atende às intimações da autoridade fazendária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SIGILO FISCAL. ALCANCE O sigilo fiscal do conteúdo dos processos administrativos fiscais é estendido a todos os servidores, independentemente do cargo ou função, que a eles tenham acesso. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXTRATOS BANCÁRIOS. NORMA DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. A Lei Complementar no 105, de 2001, que autorizou o acesso às informações bancárias do contribuinte, sem a necessidade de autorização judicial prévia, bem como a Lei no 10.174, de 2001, que alterou o art. 11, parágrafo 3o, da Lei no 9.311, de 1996, por representarem apenas instrumentos legais para agilização e aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais, por força do que dispõe o art. 144, § 1o, do Código Tributário Nacional, têm aplicação aos procedimentos tendentes à apuração de crédito tributário na forma do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, cujo fato gerador se verificou em período anterior à publicação, desde que a constituição do crédito não esteja alcançada pela decadência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO Descabe qualquer pedido de diligência estando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção, não podendo este servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos. Recurso voluntário negado. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10480.002207/200378 Acórdão n.º 9202002.614 CSRFT2 Fl. 326 4 Cientificada do acórdão em 2/2/2009 (fl. 288), a Fazenda Nacional apresentou, no dia seguinte, recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova (fls. 291 a 295), com fulcro no art. 7o, I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, para questionar a exclusão da base de cálculo do valor de R$ 306.754,59, referente a dois depósitos bancários (R$ 153.277,66 e R$ 153.476,93). Afirma a recorrente que a origem desses depósitos não foi comprovada, pois o contribuinte foi apenas o procurador da venda do imóvel, e os pagamentos foram feitos com cheques nominais aos vendedores, não havendo motivos para se pensar que eles foram depositados na conta do contribuinte, ou que, se foram de fato nela creditados, tenha havido o posterior repasse para os verdadeiros proprietários. Transcrevo os argumentos: Ocorre, porém, não ter havido qualquer comprovação que justifique a exclusão de depósitos bancários (2 depósitos que perfazem R$ 306.754,59). Ao contrário, só há nos autos elementos que justificam a manutenção do lançamento. De se notar, inicialmente, que o voto vencedor, com o devido respeito, pautouse em presunções que, em verdade, só poderiam ser aplicadas, no presente caso, para beneficiar o Fisco e, consequentemente, manter o lançamento. Com efeito, os depósitos bancários ora em discussão dizem respeito, em tese, a duas parcelas referentes à aquisição de um imóvel pelo Bompreço S.A. junto aos senhores Severino Teixeira Filho e Josefa Ferreira da Silva, tendo os mesmos como procurador, naquele negócio, o ora Contribuinte Recorrido. Dessa forma, entendeu a ilustre maioria estar justificada a origem dos depósitos em razão desta operação. Ocorre, entretanto, que o Contribuinte Recorrido é simples PROCURADOR dos vendedores do imóvel. Consoante o parágrafo único da Cláusula Terceira do Instrumento Particular (fls. 189), o pagamento das prestações seria realizado sempre com cheques nominais aos VENDEDORES. Há nos autos (Folhas 176, 184, 187 e 193) cópias de cheques nominais aos vendedores. Ou seja, tal cláusula vinha sendo cumprida e não há razão nem elementos probatórios que justifiquem a alteração do seu cumprimento. O ordinário de presume, o extraordinário se comprova! Ou seja, o ordinário era o pagamento em cheques nominais aos vendedores, não havendo razão para que o pagamento fosse realizado ao procurador, ora Contribuinte Recorrido. A declaração do Bompreço S.A. (fls. 186), afirmando o pagamento das 5a e 6a parcelas da aquisição do imóvel foi utilizada pelo ilustre Conselheiro Redator do voto vencedor como elemento probatório central da "compatibilidade de datas" com os depósitos bancários discutidos. De se notar, entretanto, que tal declaração comprova mesmo é o cumprimento do Instrumento de Promessa de Compra e Venda, na medida em que declara expressamente que Bompreço "pagou ao Sr. Severino Teixeira Filho e Josefa Ferreira da Silva os montantes de R$ 153.277,66 e R$ 153.476,93,...". Em outras palavras: pagou aos VENDEDORES, e não ao PROCURADOR (Contribuinte Recorrido). Fl. 342DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10480.002207/200378 Acórdão n.º 9202002.614 CSRFT2 Fl. 327 5 Dessa forma, não houve comprovação da origem destes depósitos na conta bancária do Contribuinte Recorrido, ainda que "em datas compatíveis" ou em valores aproximados. Ademais, ressaltese, ainda que se considere justificada a origem dos depósitos, não comprovação nos autos de que tais valores tenham sido repassados ao Sr. Severino Teixeira Filho e à Sra. Josefa Ferreira da Silva. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 296 a 298. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 2/10/2009 (fl. 300), o contribuinte apresentou, em 14/10/2009, contrarrazões ao recurso da Fazenda e recurso especial da parte que lhe foi desfavorável (fls. 302 a 308). Em suas contrarrazões, pugna pela manutenção da decisão recorrida na parte em que reconheceu que os depósitos pertenciam a terceiros. Em sede de recurso especial, defende que os depósitos derivados de rendimentos de aluguéis e da venda de imóvel pertencem a terceiros. Entretanto, os despachos de fls. 311 a 318 negaram seguimento ao recurso especial do contribuinte, por não considerarem comprovada a divergência jurisprudencial. Após a ciência do contribuinte da não admissão de seu recurso especial (fl. 321), o processo retornou ao CARF para julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão diz respeito à análise de prova em virtude de recurso especial por contrariedade da Fazenda Nacional, e restringese à comprovação da origem dos seguintes depósitos: a) R$155.527,60, em 14/04/1998 (fl. 58), do qual se considerou comprovado R$153.277,66; b) R$153.476,93, em 12/05/1998 (fl. 102), considerado comprovado em sua totalidade. A explicação do contribuinte para esses depósitos foi a de que pertenciam a Severino Teixeira e Josefa Ferreira da Silva, seu cunhado e irmã, relativos a 5a e 6a parcelas da venda de imóvel para o Bompreço S.A. Supermercados do Nordeste, que buscou comprovar por meio: Fl. 343DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10480.002207/200378 Acórdão n.º 9202002.614 CSRFT2 Fl. 328 6 a) do Instrumento Particular de Sinal e Princípio de Pagamento Cumulado com Promessa de Compra e Venda, datado de 17/11/1997, referente à venda de imóvel de propriedade de Severino Teixeira Filho e Josefa Ferreira da Silva ao Bompreço S.A. Supermercados do Nordeste, no qual consta que os vendedores foram representados pelo contribuinte, na qualidade de procurador (fls. 188 a 191); b) da declaração do Bompreço S.A. Supermercados do Nordeste de que pagou esses valores a Severino Teixeira e Josefa Ferreira da Silva (fl. 186). O voto vencido do acórdão recorrido não considerou que esses documentos comprovavam os depósitos, pois, no parágrafo único na cláusula terceira do contrato do item “a”, constava que os pagamentos seriam sempre feitos por meio de cheque nominal aos vendedores, não existindo qualquer documento nos autos que autorizariam o pagamento ao contribuinte, mero procurador do negócio. Já o voto vencedor entendeu que os documentos eram suficientes para comprovar a origem porque, no contrato, ficou definido o pagamento de seis parcelas de R$150.000,00, corrigidas pelo IGPM, com vencimento no dia dez dos meses de dezembro de 1997 a maio de 1998. Assim, os depósitos teriam se dado em datas e valores compatíveis com esses pagamentos. Além disso, existia a declaração do vendedor de que os valores depositados se referiam a esse negócio jurídico. Reforçou esse entendimento o fato de um dos depósitos, o de R$153.476,93, em 12/05/1998, ser em valor idêntico a uma das parcelas informadas na declaração do vendedor. Para o depósito em valor maior, o de R$155.527,60, em 14/04/1998, entendeuse que a diferença de R$2.250,00 poderia perfeitamente ter sido depositada em conjunto com outros valores. Assim, ainda que persistisse a dúvida se os valores foram repassados aos vendedores, bem com se o valor depositado a maior efetivamente correspondia a parcela da venda, considerouse que se deveria adotar a interpretação mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN. Analisando os argumentos de tão profícua discussão, sou obrigado a discordar da opinião que prevaleceu no julgado recorrido. Para que se comprovasse que o valor recebido era de terceiros, seria forçoso se demonstrar a) que os recursos pertenciam a terceiros, b) o ingresso dos valores na conta do contribuinte e c) o seu repasse aos terceiros. No caso, as provas dos autos indicam a possibilidade de ter ocorrido o ingresso dos valores. Entretanto, não há qualquer prova de que esses valores foram repassados a seus verdadeiros proprietários. Ao contrário, o acórdão de 1a instância aponta inconsistências que merecem ser destacadas (fls. 229 e 230): Fl. 344DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10480.002207/200378 Acórdão n.º 9202002.614 CSRFT2 Fl. 329 7 a) em relação ao depósito de R$ 155.527,66 (14/04/1998), após seu ingresso na contacorrente, o destino da quase totalidade dos recursos (R$ 150.000,00) foi uma aplicação financeira associada à conta do impugnante, no dia 16/04/1998 (fl. 58); b) em relação ao depósito de R$ 153.476,93 (12/05/1998), a despeito da coincidência de valor com o valor mencionado no documento de fl. 186, constatase que quase toda a quantia foi objeto de aplicação financeira pelo contribuinte ("APL. CITISTAR") (fl. 102). Assim, não é razoável a conclusão de que os valores pertenceriam a terceiros, pois o contribuinte se comportou como dono logo em seguida ao depósito, e nunca demonstrou o retorno dos recursos aos verdadeiros proprietários em momento posterior. Desse modo, mesmo que os valores tenham sido pagos pelo Bompreço ao cunhado e irmã do contribuinte, existem fortes indícios de que foram repassados ao contribuinte como pagamento com outra motivação, o que corrobora a presunção legal de se tratar de receitas próprias do sujeito passivo. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, restabelecendo a tributação de R$ 306.754,59 de depósitos bancários com origem não comprovada. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 345DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10480.002207/200378 Acórdão n.º 9202002.614 CSRFT2 Fl. 330 8 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada Divergi do bem articulado voto do Ilustre Conselheiro Relator, pelos fundamentos a seguir expostos. A exigência que ora se analisa foi formalizada com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Assim, tratase de presunção legal relativa, por meio da qual se transfere ao Contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. No presente caso, embora o Contribuinte tenha alegado que os recursos objeto da autuação pertenciam a terceiros, o comando legal aplicado exige a comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem desses recursos. Nesse passo, entendo que a exigência contida no dispositivo legal ora tratado foi atendida, relativamente a dois dos depósitos objeto da autuação, cuja origem foi a venda de imóvel, efetuada por parentes do Contribuinte, à empresa Bompreço S/A Supermercados do Nordeste. Nesse negócio jurídico, consta do respectivo contrato que o Contribuinte atuou como procurador dos vendedores. Confirase os elementos de prova trazidos aos autos, muito bem resumidos no voto vencedor do acórdão recorrido: “Às fls. 188 a 191 consta cópia de instrumento particular de sinal e princípio de pagamento cumulado com promessa de compra e venda de um imóvel em que o recorrente atuou como procurador dos promitentes vendedores. Conforme cláusula terceira do referido instrumento (fl. 189), ficou acertado pela promitente compradora BOMPREÇO SA SUPERMERCADOS DO NORDESTE que haveria o pagamento de seis parcelas de R$150.000,00, corrigidas pelo IGPM, com vencimento no dia dez dos meses de dezembro de 1997 a maio de 1998. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10480.002207/200378 Acórdão n.º 9202002.614 CSRFT2 Fl. 331 9 Nesse sentido, à fl. 186 foi juntada cópia de declaração da BOMPREÇO AS SUPERMERCADOS DO NORDESTE informando o pagamento dos montantes de R$153.277,66 e R$153.476,93, referentes à 5ª e 6ª parcelas do preço de aquisição do imóvel negociado. Tais parcelas tinham pagamento previsto para dez de abril e dez de maio de 1998, sendo, portanto compatíveis estas datas com as dos depósitos em questão. Em outro aspecto, o valor do pagamento da sexta parcela, no montante de R$153.476,93, é idêntico ao depósito de 12/05/1998, e o valor de R$ 153.476,93, embora tenha uma diferença de R$ 2.250,00, pode perfeitamente ter sido depositado em conjunto com outros valores, atingindo o total R$ 155.527,66, depositado em 14/04/1998. Assim, a meu ver restou comprovada a origem dos dois depósitos referidos no trecho acima reproduzido, de forma a satisfazer a exigência contida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Claro está que, em tese, poderia haver algum outro tipo de negócio jurídico, passível de tributação, entre o Contribuinte e os beneficiários dos pagamentos efetuados pela empresa Bompreço Supermercados S/A, que inclusive possuem relação de parentesco com o autuado. Entretanto, não há nos autos elementos suficientes a indicar que os totais destes dois depósitos poderiam simplesmente ser considerados como base de cálculo do Imposto de Renda, como se os desdobramentos da comprovação da origem dos depósitos, efetuada para elidir a presunção, pudessem transformarse em nova presunção, o que efetivamente não está previsto no dispositivo legal que fundamentou a autuação. Nesse sentido, adoto e transcrevo como minhas razões de decidir, o trecho do voto condutor do acórdão recorrido, que a meu ver expressa a melhor solução para a presente lide: “Aqui, cumpre esclarecer que, sendo a presunção legal ora questionada regra que define infração de omissão de rendimentos com aplicação de multa de ofício, cabe bem a regra do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5. 172, de 25 de Outubro de 1966), em que havendo dúvidas quanto à natureza ou circunstâncias materiais do fato devese acatar interpretação mais favorável ao contribuinte. Por conseguinte, ainda que possa haver alguma dúvida se os valores foram posteriormente repassados aos promitentes vendedores ou se o valor de R$ 153.476,93 foi efetivamente depositado juntamente com outros recursos, o conceito de origem com base em documentação hábil e idônea estabelecido no art. 42 da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deve ser interpretado, no caso concreto aqui analisado, como passível de abarcar em sua definição, como suficientes para afastar a presunção legal estabelecida, a declaração de pagamento dada pela BOMPREÇO SA SUPERMERCADOS DO NORDESTE e o instrumento particular de sinal e princípio de pagamento cumulado com promessa de compra e venda. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10480.002207/200378 Acórdão n.º 9202002.614 CSRFT2 Fl. 332 10 Assim sendo, diante do exposto, entendo que os montantes de R$153.277,66 e de R$153.476,93, referentes à 5ª e 6ª parcelas do preço de aquisição do imóvel negociado, devem ser excluídos, respectivamente, dos depósitos de R$ 155.527,60, em 14/04/1998 (fl. 58), e de R$153.476,93, em 12/05/1998 (fl. 102), os quais foram lançados como omissão de rendimentos por falta de comprovação de origem.” Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 348DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 2 2/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913036/2009-08
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 03 6/ 20 09 -0 8 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913036/200908 Resolução nº 1802000.237 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. A Recorrente apresentou a Declaração de Compensação DCOMP (fls. 03/11), por meio da qual procurou compensar crédito a título de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, do período de apuração de 31/03/2006, com débito de IRPJ Lucro presumido no 3º trimestre de 2006. A DRF Recife, por meio do Despacho Decisório Eletrônico (fl. 13), não homologou a compensação, fundamentandose no fato de que, para o DARF discriminado no PER/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito suficiente para quitação dos débitos informados no PER/Dcomp. Conforme Histórico das Comunicações (fl. 19), e imagem do sistema Sucop (fl. 21), a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 20/10/2009. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 18/11/2009 (fls. 23 a 33), argumentando e requerendo, em síntese, que: a) o presente processo teve início em 02/02/2007 em razão da Declaração de Compensação transmitida, na qual identificou DARF do período de apuração de 31/03/2006 correspondente a IRPJ, código de receita 2089, com vencimento em 30/04/2006 e recolhido em 27/04/2006; b) em 14/08/2006 procedeu à entrega à DCTF relativa ao 1° semestre de 2006, na qual apurou e declarou IRPJ no valor de R$ 796.432,27, IRPF no valor de R$ 4.599,08, CSLL no valor de R$ 317.368,97, PIS/Pasep no valor de R$ 81.963,40 e Cofins no valor de R$ 379.678,66; c) verificou que essa DCTF continha algumas omissões relativas ao total de tributos e transmitiu em 22/11/2006 a 1ª DCTF retificadora, informado novos tributos e contribuições devidos relativos ao trimestre declarado, retificando o valor do débito de Cofins do 1º TRI – 2006 para R$ 383.417,21, e repetindo os valores dos demais tributos; d) posteriormente, em 05/09/2007, ainda para sanear erros da DCTF primitiva, elaborou e transmitiu a 2ª DCTF retificadora, na qual alterou o valor do IRRF para R$ 4.300,90, acrescentou R$ 401,39 de CSRF 1º TRIM – 2006, mantendo os demais valores; e) cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte, ora manifestante, analisando as DCTF, tanto a primitiva quanto as retificadoras, detectou que o valor nelas lançado, sob a rubrica de IRPJ (código 208901), não retrata com exatidão o valor apurado, que efetivamente importa em R$ 410.023,43, enquanto o valor de R$ 424.009,61, na verdade, representa o valor pago e recolhido em 30/04/2006, mediante DARF próprio; f) é indiscutível que o valor declarado naquele PER/Dcomp relativo ao tributo recolhido pela manifestante é de R$ 424.009,61, e que é cabível a compensação do valor recolhido a maior, no valor de R$ 13.986,18; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913036/200908 Resolução nº 1802000.237 S1TE02 Fl. 4 3 g) ao elaborar e transmitir aquela "Declaração de Compensação" buscou apenas o reconhecimento do crédito recolhido em 30/04/2006, mediante DARF próprio, para a devida e cabível compensação de IRPJ relativo ao 3°TRIM/2006; h) a Declaração de Compensação da manifestante preenche todos os requisitos necessários à sua legalidade e ao deferimento da sua compensação e homologação; i) reconhece que o Despacho Decisório, relativo ao PER/DCOMP 42161.26576.020207.1.3.04.5303, que não homologou o pedido da contribuinte com base nos registros existentes junto à SRFB, notadamente aqueles originários da 2ª DCTF, transmitida pela contribuinte em 05/09/2007 e recepcionada sob o nº 36.90.34.61/01, está correto, posto que coerente e com base nos lançamentos constantes junto a essa SRFB; j) no entanto, considerando que as informações das DCTF, inclusive aquelas retificadoras, a última transmitida em 05/09/2007, protocolada sob o nº “36.90.34.61.01”, não retratam com fidelidade os valores de totalização dos tributos apurados no 1° TRIM de 2006, requer o direito de elaborar e transmitir, na forma da lei, uma nova DCTF retificadora, objetivando declarar com exatidão os débitos e créditos tributários, “retificando, na sua total inteireza, a DCTF transmitida e recepcionada em 05/09/2007, protocolada sob o nº 36.90.34.61.01”; k) requer determinar que o Auditor Fiscal que proferiu o Despacho Decisório desconsidere as DCTF (primitivas e retificadas) transmitidas e recepcionadas nas datas já declinadas, posto que as mesmas não retratam com fidelidade os valores de totalização dos tributos apurados no 1° TRIMESTRE de 2006, e que considere e analise o Pedido de Compensação formulado pela manifestante, com base na DCTF retificadora, a qual será transmitida e recepcionada por esta SRFB, posto que nesta, enfim, serão retratados com fidelidade os valores de totalização dos tributos apurados no 1°trimestre de 2006; l) solicita, por fim, a revisão do "Despacho Decisório" para que seja julgado procedente o seu pleito, no que concerne à homologação do procedimento, “e se assim não o fizer, de ofício, determinar o arquivamento dos pedidos de compensações formulados pelo contribuinte, desconstituindo o crédito postulado, bem como, também, desconstituir os débitos apurados como devidos pelo contribuinte”. A DRJ de Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006 IMPUGNAÇÃO E PROVAS DOCUMENTAIS. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. Pela legislação de regência do processo administrativo fiscal, as razões de impugnação e as provas documentais devem ser apresentadas no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, ressalvada a hipótese, desde que fundamentada, de posterior apresentação de provas documentais que demonstrem a impossibilidade de efetuálas naquele prazo, se por motivo de força maior, ou se refiram a fato ou direito superveniente ou caso se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913036/200908 Resolução nº 1802000.237 S1TE02 Fl. 5 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão em 13/02/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2012, onde busca a reforma do acórdão da DRJ. . É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913036/200908 Resolução nº 1802000.237 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. A Recorrente, em sua manifestação de inconformidade, reconheceu que o Despacho Decisório, relativo ao PER/DCOMP 05042.15552.070207.1.3.040045, que não homologou o seu pedido, como estando o mesmo correto, “posto que coerente e com base nos lançamentos constantes junto a essa SRFB”, ao mesmo tempo em que alega que as informações transmitidas nas DCTF apresentadas (original e retificadoras) não retratam com fidelidade os valores de totalização dos tributos no 1º Trimestre de 2006 e, por isso, requer que sejam desconsideradas tais DCTF e que seja considerado o seu Pedido de Compensação com base na DCTF que ainda iria transmitir, com os valores dos débitos e créditos com exatidão e, que, assim, seja revisto o Despacho Decisório para que seja julgado procedente o seu pleito, e se assim não o fizer, que se arquivem os pedidos de compensação formulados, desconstituindo tanto o crédito postulado como os débitos apurados como devidos pela contribuinte. Ocorre que antes de qualquer procedimento fiscal foi vedado a contribuinte que retificasse sua DCTF para contemplar as alterações promovidas em razão do recálculo da base de cálculo do IRPJ. Posteriormente a DRJ de Recife entendeu que não poderiam ser produzidas novas provas em razão de ter expirado o prazo de trinta dias contados da data em que foi feita a intimação. Nesse ponto discordo da decisão da DRJ, senão vejamos alguns julgados sobre o tema. A esse respeito: “(...) PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO”. (CARF – Ac. 240100135 – 1ª Turma – 4ª Câmara – 2ª Seção). E também: “QUESTÃO PROCESSUAL MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS PRECLUSÃO PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA VERDADE MATERIAL A apresentação de prova documental, após o decurso do prazo para interposição de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, nos termos do artigo 16, do Decreto nº. 70.235/72, com redação dada pela Lei nº. 9.532/97, a fim de que a decisão proferida se coadune com os princípios da legalidade e da verdade Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913036/200908 Resolução nº 1802000.237 S1TE02 Fl. 7 6 material. Recurso especial não conhecido. (CSRF – 3ª Turma Ac. Nº 40305210 – Processo 10814.008031/9875). O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados entre a DIPJ e a DCTF, sem a análise do crédito, afronta aos princípios basilares de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica. A DIPJ alegada pelo contribuinte como matéria de prova está supostamente com os dados da apuração compatíveis com o crédito tributário alegado na PER/DCOMP, portanto divergentes da DCTF. Sendo assim, estamos diante de duas declarações oficiais, com informações divergentes entre si, onde uma assiste razão ao contribuinte e a outra ao Fisco. Tendo em vista que não há qualquer dispositivo na legislação que disponha sobre hierarquia entre as declarações, sendo ambas válidas e legítimas, entendo que a prova apresentada não é suficiente para a comprovação das alegações feitas. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913036/200908 Resolução nº 1802000.237 S1TE02 Fl. 8 7 Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar à sua defesa a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, afastando a decisão da DRJ de Recife e retorno a delegacia de origem para análise: a) do direito creditório alegado pela Recorrente a luz da sua escrita contábil, memórias de cálculo do IRPJ e escrituração das notas fiscais de faturamento; b) juntar cópia da DIPJ referente ao anocalendário em questão; c) intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 99DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000035/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/02/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 67. ART. 32-A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes da falta de entrega de GFIP ou da entrega desse documento após o prazo previsto na legislação foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida lhe dar provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, devendo a multa ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/02/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 67. ART. 32-A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes da falta de entrega de GFIP ou da entrega desse documento após o prazo previsto na legislação foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida lhe dar provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, devendo a multa ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2408; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 141 1 140 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000035/201061 Recurso nº 002.467 Voluntário Acórdão nº 2302002.467 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS AI CFL 67 Recorrente TOMÉ ENGENHARIA E TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 67. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes da falta de entrega de GFIP ou da entrega desse documento após o prazo previsto na legislação foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida lhe dar provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, devendo a multa ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 35 /2 01 0- 61 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Data da lavratura do Auto de Infração: 18/02/2010. Data de ciência do Auto de Infração: 24/02/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa acima identificado, em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo Autuado em face do lançamento aviado no Auto de Infração nº 37.217.4892, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 08/09. CFL 67 Deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. Informa a Autoridade Fiscal Lançadora que a empresa deixou de entregar, em época própria, as GFIP relativas aos fatos geradores previdenciários do décimo terceiro salário de 2006, apesar da previsão legal imposta. Tal omissão foi sanada em junho/2009, após o inicio do presente procedimento fiscal. A multa foi aplicada em conformidade com o art. 32, IV, §§ 4º e 7 º da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97 e art. 102 c/c art. 284, I c.c. art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, corresponde ao valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, em função do número de segurados, pela não apresentação da GFIP, independentemente do recolhimento da contribuição. Relata o Agente Fiscal que a infração tributária em tela se deu antes da vigência da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, e que depois de efetuada a comparação das multas relativas a esta infração especifica vigente à data da ocorrência dos fatos geradores, Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000035/201061 Acórdão n.º 2302002.467 S2C3T2 Fl. 142 3 com aquela prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, incluídos pela MP nº 449/08, convertida na Lei 11941/09, apurouse que a legislação vigente à data da ocorrência dos fatos geradores se revelou mais benéfica ao contribuinte, sendo, por tal razão, observado o princípio tempus regit actum, previsto no art. 144 do CTN. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 64/68. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no acórdão a fls. 105/110, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O sujeito passivo foi cientificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa em 09/01/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 112. Não se conformando com a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, o Autuado ofereceu Recurso Voluntário a fls. 113/117, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que as formalidades necessárias à validade do MPF não foram respeitadas, pois deixou de constar quais os documentos inicialmente exigidos para a fiscalização dos tributos fiscalizados e que não foram entregues pela Recorrente, bem como a fixação do prazo para o término da fiscalização; · Que, extrapolado o prazo de 120 dias sem renovação ou lavratura do Auto de Infração, é necessária a emissão de novo MPF e a nomeação de um novo agente fiscal para realizar o trabalho; · Que a Recorrente entregou a GFIP em 29/05/2009, quando extrapolou o prazo de vigência do MPF e não havia outro novo em curso, o que caracteriza denúncia espontânea, afastando a aplicação de penalidades; Ao fim, requer o reconhecimento da nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A apresentação do Recurso Voluntário se deu no prazo e na forma previstos na legislação, como assim atesta o documento a fl. 140. 2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega que as formalidades necessárias à validade do MPF não foram respeitadas, pois deixou de constar quais os documentos inicialmente exigidos para a fiscalização dos tributos fiscalizados e que não foram entregues pela Recorrente, bem como a fixação do prazo para o término da fiscalização. Argumenta que, extrapolado o prazo de 120 dias sem renovação ou lavratura do Auto de Infração, é necessária a emissão de novo MPF e a nomeação de um novo agente fiscal para realizar o trabalho. Na sequência do seu raciocínio, afirma o Recorrente ter entregue as GFIP em 29/05/2009, data em que já havia sido extrapolado o prazo de vigência do MPF e não havia outro novo em curso, o que caracterizaria denúncia espontânea, afastando a aplicação de penalidades. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000035/201061 Acórdão n.º 2302002.467 S2C3T2 Fl. 143 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude da preclusão. 3. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a conhecer e examinar, de ofício, a questão relativa à penalidade pecuniária aplicada à infração em exame, em honra ao preceito encartado no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000035/201061 Acórdão n.º 2302002.467 S2C3T2 Fl. 144 7 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/ 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente na não apresentação de GFIP, independentemente do recolhimento da contribuição correspondente, era punível com pena pecuniária correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei n º 11.941/2009, promoveu alterações na tipificação da infração em destaque, a qual passou a ser a falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, sendo tal conduta, na hipótese de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, apenada com multa de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, limitada a 20% (vinte por cento). No caso de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária, a multa a ser aplicada será de R$ 200,00 (duzentos reais). Nos demais casos, é prevista a penalidade de R$ 500,00 ( quinhentos reais). A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra ostentar a ora discutida imputação de penalidade pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória natureza objetiva. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000035/201061 Acórdão n.º 2302002.467 S2C3T2 Fl. 145 9 A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941/2009, e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000035/201061 Acórdão n.º 2302002.467 S2C3T2 Fl. 146 11 situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de não entrega de GFIP ou da entrega desse documento declaratório após o prazo fixado na legislação previdenciária, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000035/201061 Acórdão n.º 2302002.467 S2C3T2 Fl. 147 13 pela Lei nº 11.941/2009, observado o valor mínimo da multa assentado no §3º desse mesmo dispositivo legal, somente na estrita hipótese de a multa assim calculada se revelar menos gravosa ao sujeito passivo do que aquela prevista na legislação vigente à data dos fatos geradores, em obsequio ao princípio da retroatividade benigna encartado no art. 106, II, ‘c’ do Código Tributário Nacional CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, II e §3º da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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