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Numero do processo: 10980.911288/2010-97
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-002.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
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ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 12 88 /2 01 0- 97 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem descrever a síntese dos fatos adoto o relatório da decisão recorrida, e fls.61/62, que a seguir transcrevo: Na data de 29/04/2008 o interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 29094.09076.290408.1.3.044094, de fls. 4751, postulando compensação de Crédito originado em Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa IRPJ, Código de Receita 2362, referente PA 06/2007, Valor Original do Crédito Inicial de R$ 682.811,96 e Crédito Original na Data da Transmissão de R$ 465.944,83, tendo esse Direito Creditório sido veiculado no PER/DCOMP acima. 2. Em 05/10/2010, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba emitiu o Despacho Decisório de fls. 02, cientificado em 19/10/2010 (fls. 03), não homologando o PER/DCOMP, estatuindo: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP : 465.944,83 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. CARACTERÍSTICAS DO DARF Período de apuração Cód Receita Vr Total DARF Data Arrecad 30/06/2007 2362 1.373.958,00 31/07/2007 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. 3. Em 28/10/2010, o contribuinte interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 0515, instruída com os documentos de fls. 1656. 4. O arrazoado do manifestante envereda no sentido de estatuir que se o contribuinte recolhe valor a maior do que a estimativa apurada fica caracterizado pagamento indevido, podendo o valor excedente ser restituído ao contribuinte. 5. Essa restituição poderá ocorrer tanto com a compensação do pagamento a maior com o imposto apurado na estimativa subseqüente, quanto com a compensação com outros tributos vincendos. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.911288/201097 Acórdão n.º 1802002.226 S1TE02 Fl. 3 3 6. Entende que o pagamento indevido da parcela de estimativa não está condicionado ao fechamento do período de apuração anual, mas decorre do pagamento do imposto em valor superior ao efetivamente apurado para determinada estimativa. Por isso, se foi realizado equivocadamente um pagamento a maior do que o efetivamente devido, essa diferença a maior deve ser prontamente restituída ou compensada com outros tributos, inclusive com as estimativas subseqüentes. 7. Por fim, assevera que esses pagamentos a maior não foram utilizados para a compensação das estimativas subseqüentes e nem para a composição do saldo negativo do período, assim seria liquido e certo o direito da contribuinte em utilizálo na compensação de outros tributos. 8. Cita jurisprudência administrativa para tentar sustentar sua tese e ao final pede que seja provida integralmente a sua Manifestação de Inconformidade. Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório, fl. 02, é a decisão de primeira instância proferida mediante o Acórdão nº 0633.493, de 06 de setembro de 201 (e fls.61/65), ou seja, a Delegacia de Julgamento de Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005. O Acórdão de primeira instância possui a seguinte ementa, fl.61: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. PGTO INDEVIDO OU A MAIOR. PARCELA ESTIMATIVA IRPJ. NECESSIDADE DE DEDUÇÃO COM O DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU COMPOR O SALDO NEGATIVO. VIGÊNCIA INSRF 600/2005. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da mencionada decisão em 12/03/2012, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 09/04/2012, alegando, essencialmente, os mesmos fundamentos expendidos na manifestação de inconformidade perante a DRJ, portanto, desnecessário repeti los. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Finalmente requer seja dado integral provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 29094.09076.290408.1.3.044094, de fls. 4751, transmitido em 29/04/2008, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Estimativa IRPJ, Código de Receita 2362, referente PA 06/2007 no valor de R$ 465.944,83, com débito de IRPJestimativa, (PERÍODO DE APURAÇÃO: Maio/ 2008 e VENCIMENTO: 30/04/2008). Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, consta o seguinte: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP : 465.944,83 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. CARACTERÍSTICAS DO DARF Período de apuração Cód Receita Vr Total DARF Data Arrecad 30/06/2007 2362 1.373.958,00 31/07/2007 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. O referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRFn° 600, de 2005, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.911288/201097 Acórdão n.º 1802002.226 S1TE02 Fl. 4 5 indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 0633.493, de 06 de setembro de 2011 (efls.61/65), ou seja, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° n° 600, de 2005. Desse modo concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. Sobre o mencionado ato normativo a Recorrente alega que tanto o Código Tributário Nacional como a Lei Ordinária não fixaram prazo para o gozo do direito creditório, de modo que não caberia à Instrução Normativa fazêlo em detrimento ao contribuinte, e que, a Instrução Normativa RFB n° 900/08 não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) ... Como visto os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, tanto pela DRF quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. O assunto encontrase pacificado na Súmula CARF nº 84, verbis: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.911288/201097 Acórdão n.º 1802002.226 S1TE02 Fl. 5 7 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Caberia a análise da DIPJ/2008 e DCTF(s), bem como os Balancetes de Suspensão/Redução do ano calendário de 2007 para se verificar se o pagamento efetuado de IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração de 30/06/2007 é maior que o devido e ainda se não fora utilizado para compor o saldo negativo de 31/12/2007. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito, tanto pela autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da do artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9.430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantitativo a conferir a liquidez e certeza do direito creditório alegado objeto do PER/DCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR) para análise do PER/DCOMP em comento, e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13657.000456/2009-43
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/JFA (Fls. 52), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O contribuinte acima identificado insurgiuse contra a Notificação de Lançamento do IRPF/2005 (anocalendário 2004), da qual tomou ciência em 13/02/2009, que lhe exigiu crédito tributário total de R$ 108.080,37. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 57 .0 00 45 6/ 20 09 -4 3 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13657.000456/200943 Resolução nº 2801000.253 S2TE01 Fl. 77 2 Motivou o lançamento de ofício a constatação de omissão de rendimentos tributáveis, no valor total de R$ 245.392,43, da seguinte forma: 1. Banco do Brasil SA, na quantia de R$ 237.448,46, com imposto retido de R$ 7.123,45; 2. Instituto Nacional do Seguro Social, no montante de R$ 7.943,97. O interessado apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento em 17/03/2009, que foi indeferida, tendo tomado ciência do resultado em 08/04/2009. Inconformado, o interessado apresentou impugnação de folha 01 a 03 em 08/05/2009, afirmando que: 1. os valores recebidos são originários de parcelas atrasadas recebidas acumuladamente em ação judicial; 2. se o INSS tivesse pago corretamente os valores, sem a necessidade de ajuizamento de ação judicial, os valores efetivamente devidos pelo INSS não seriam tributados pelo imposto de renda; 3. o presente lançamento é carecedor de liquidez, certeza e exigibilidade. Para instruir o pleito, o interessado anexou os documentos de folhas 04 a 09. Foram anexadas as telas de consulta de folhas 45/46 para instrução processual. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/JFA entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria com a qual o contribuinte concorda ou que não tenha sido expressamente contestada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. O regime de tributação aplicável aos rendimentos recebidos acumüladamente é o previsto na norma vigente à época do fato gerador, constituindo omissão de rendimentos tributáveis, deixar de informálos na declaração de ajuste anual. RENDIMENTOS ACUMULADOS. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS. No caso de rendimentos recebidos acumüladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária nos termos da Lei n2 7.713, de 1988, art. 12. O Recorrente foi Cientificado em 10/01/2012 (Fls. 59), e veio a interpor Recurso Voluntário em 27/01/2012, (fls. 63 a 70), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13657.000456/200943 Resolução nº 2801000.253 S2TE01 Fl. 78 3 Contudo, a Agência da Receita Federal do Brasil em Pouso Alegre – MG lavrou Termo de Perempção (Fls. 62). O processo foi encaminhado à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e direcionado a este conselheiro (fls. 75). É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. De início, cuida esclarecer que o recurso é tempestivo, posto que o Recorrente foi Cientificado em 10/01/2012 (Fls. 59), e veio a interpor Recurso Voluntário em 27/01/2012, (fls. 63 a 70). Também verifico que uma parte do lançamento objeto do presente processo versa sobre omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em ação de revisão de benefício previdenciário. Cabe salientar que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, Dje043 DIVULG 03/03/2011). Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13657.000456/200943 Resolução nº 2801000.253 S2TE01 Fl. 79 4 Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, §1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62 A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ante o acima exposto, VOTO por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 37213.001331/2008-37
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a delegacia de origem aprecie a documentação apresentada às fls 501 a 910, informando se o contribuinte possui ou não o direito a restituição pleiteada.
.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein.
Relatório
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a delegacia de origem aprecie a documentação apresentada às fls 501 a 910, informando se o contribuinte possui ou não o direito a restituição pleiteada. . assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a delegacia de origem aprecie a documentação apresentada às fls 501 a 910, informando se o contribuinte possui ou não o direito a restituição pleiteada. . assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 72 13 .0 01 33 1/ 20 08 -3 7 Fl. 944DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 37213.001331/200837 Resolução nº 2803000.240 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que indeferiu o pedido de restituição requerido. O r. acórdão – fls 475 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o indeferimento da restituição. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: Com fulcro no artigo 3 o parágrafo 11 da IN RFB n° 900 de 30/12/2008 – a restituição das contribuições previdenciárias declaradas incorretamente fica condicionada à retificação da declaração. O recorrente já providenciou a respectiva retificação, que vai anexo a esse recurso, logo faz jus a devida restituição. Tal assertiva foi corroborada no acórdão que ora se recorre, no seu parágrafo (25) "Reiterese, por oportuno, que a Interessada (ora recorrente) poderá retificar as informações prestadas em GFIP, de forma a adequálas à legislação de regência, e pleitear o reconhecimento do seu direito creditório." Requer o provimento do recurso com o deferimento da restituição pleiteada. É o relatório. . Fl. 945DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 37213.001331/200837 Resolução nº 2803000.240 S2TE03 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A decisão que indeferiu a restituição fundamentouse em despacho da Equipe de restituição e isenção previdenciária, donde extraio e destaco: ... 8. Ao analisarmos os documentos anexados a este processo; GFIP, folhas de pagamento e notas fiscais emitidas, e em confronto com os dados do nosso sistema verificamos que a empresa supra citada não discriminou nas GFIP (das três competências) os valores das retenções, por tomador, conforme comprova os documentos às fls. 422 a 432 (amostragem), e por estarem ilegíveis as notas fiscais não foi possível verificar o destaque dos valores retidos estando portanto em desacordo com o disposto nos itens 5 a 7 acima. 9. Cabe ressaltar que não pode ser verificada a existência de fatos geradores não declarados em GFIP, pois esta depende de um exame da contabilidade da empresa. Tal exame, de acordo com o art.65 da IN RFB 900, de 30/12/2008, só pode ser efetuado através da abertura de uma Diligência Fiscal, o que demandaria mais tempo do que o determinado no Mandado de Segurança. 10.O §11 do artigo 3o da IN RFB 900, de 30/12/2008, determina que "A restituição das contribuições previdenciárias declaradas incorretamente fica condicionada à retificação da declaração, exceto quando o requerente for segurado ou terceiro não responsável". 11. E o artigo 65 da IN RFB 900 diz que "A autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas ". 12. Desta forma, tendo em vista o exposto nos itens 05 a 08 deste relatório que demonstram que a empresa não fez a GFIP conforme determinam as normas e, tendo em vista a exiguidade do tempo determinado no MS, somos pelo INDEFERIMENTO deste requerimento. A r. decisão segue a mesma linha apontada, mantendo assim o indeferimento da restituição pleiteada. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 37213.001331/200837 Resolução nº 2803000.240 S2TE03 Fl. 5 4 Depreendese do exposto, que a recorrente interpôs mandado de segurança para que a RFB apreciasse seu pedido, o que foi deferido, com determinação de prazo para cumprimento. Ante este quadro, a administração entendeu não seguir o que constava do §11 do artigo 3o da IN RFB 900, de 30/12/2008, o que abriria uma oportunidade para que o contribuinte retificasse suas GFIP’s e se enquadrasse na norma, pois tal medida demandaria mais tempo para a decisão final, extrapolando o prazo que constava do Mandado de Segurança. Tenho que tal procedimento não merece respaldo. Em qualquer circunstância deve ser oportunizado ao contribuinte prazo para que retifique os documentos declaratórios feitos com incorreções facilmente sanáveis, especialmente quando norma interna da administração tributária assim determina. Assim sendo, buscando seguir os princípios da celeridade e eficiência, devem os autos ser baixados em diligência para que seja apreciada a documentação apresentada às fls 501 a 910, informando se o contribuinte possui ou não o direito à restituição pleiteada. Após, deve o resultado ser apresentado ao contribuinte, o qual terá o prazo de 30(trinta dias) para que, querendo, se manifeste. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a delegacia de origem aprecie a documentação apresentada às fls 501 a 910, informando se o contribuinte possui ou não o direito a restituição pleiteada. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 16682.721112/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2010
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITAS ORIUNDAS DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS.
As receitas financeiras não integram a base de cálculo da Cofins quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, relativamente às reservas técnicas, fundos especiais e provisões, além das reservas e fundos determinados em leis especiais, constituídos para garantia de todas as suas obrigações.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-002.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam o relator pelas conclusões. Fez declaração de voto o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 24/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. AÇÕES JUDICIAIS TRANSITADAS EM JULGADO. A determinação da base de cálculo das contribuições em auto de infração deve basearse no conceito de faturamento estabelecido nas decisões transitadas em julgado em ações propostas pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2010 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. LIMITAÇÃO. O conceito de faturamento restrito às receitas decorrentes de vendas de produtos e da prestação de serviços não engloba as receitas financeiras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2010 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITAS ORIUNDAS DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. As receitas financeiras não integram a base de cálculo da Cofins quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, relativamente às “reservas técnicas, fundos especiais e provisões”, “além das reservas e fundos determinados em leis especiais”, constituídos “para garantia de todas as suas obrigações”. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 12 /2 01 1- 77 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 340 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam o relator pelas conclusões. Fez declaração de voto o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 24/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro: Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 29/40) identificouse que as receitas financeiras oriundas dos Rendimentos Financeiros dos Bens Garantidores de Provisões Técnicas foram omitidas da base de cálculo para apuração das contribuições do PIS e da COFINS. Acrescenta que o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi revogado pela Lei nº 11.941/2009, restringindo o conceito ampliativo de receita bruta, mas não excluiu as receitas essenciais ao faturamento das instituições financeiras. Ressalta que: “ O STF, pelo acórdão do Ministro César Peluso, entendeu que a PIS/COFINS pode incidir sobre as receitas decorrentes do exercício das atividades empresarias. Sendo assim, percebese que as contribuições do PIS/COFINS incidem sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras, e, por conseguinte, incidem nas receitas financeiras referentes às garantias das provisões técnicas, auferidas pelas seguradoras, pois possuem natureza de receitas operacionais.” Prossegue afirmando que: “Existe uma peculiaridade no faturamento das seguradoras, pois, não são apenas as receitas de prêmio que compõem as receitas brutas, outras receitas são necessárias à consecução do objeto social, tais como algumas recuperações de despesas ou comissões, além das receitas Fl. 342DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 341 3 financeiras provenientes dos ativos garantidores das provisões técnicas. O contribuinte foi cientificado em 08/12/2011 e apresentou impugnação (fls. 89/118) alegando em síntese: · impetrou o MS nº 99.0122909 para assegurar seu direito de calcular e recolher o PIS de acordo com a sistemática prevista para as seguradoras na LC nº 7/70, deixando assim, de atender às disposições contidas no artigo 72, inciso V, do ADCT, na Lei nº 9.701/98 e na Lei nº 9.718/98; · o TRF declarou a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 para assegurar à impugnante o direito de calcular e recolher o PIS com base nas receitas auferidas nas vendas de mercadorias e serviços, nos termos da decisão; · não obstante fosse plausível alegar que, sendo o contrato de seguro inconfundível com a compra e venda de mercadorias e a prestação de serviços (tanto que estão disciplinados em capítulos distintos do Código Civil), o acórdão prolatado pelo TRF da 2ª Região a teria exonerado de computar as receitas de prêmios na base de cálculo do PIS, a impugnante achou por bem agir conservadoramente e, no prazo estabelecido no §2º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, calculou essa contribuição social na forma dos dispositivos enfrentados computando os prêmios auferidos na sua base de cálculo; · como a segurança lhe foi concedida em parte, a impugnante não incluiu naqueles valores tributáveis receita financeira alguma, pois, se o fizesse, estaria compreendendo que a segurança teria sido inteiramente denegada, o que não era o caso; · tal procedimento foi expressamente homologado pela DEINF pelo despacho de fls. 2070/2073, proferido no processo nº 10768.013845/9914 segundo o qual “... o gabinete desta Delegacia se posicionou com relação à interpretação da matéria do julgado em tela, tendose decidido pelo entendimento descrito em fls. 1545, onde em breve síntese a base de cálculo da contribuição litigada deve ser composta pelas atividades empresariais típicas, excluindose na espécie as receitas financeiras; · impetrou o MS nº 99.00118227 para não se sujeitar às disposições contidas nos artigos 2º, 3º, 8º e 17, inciso I, da Lei nº 9.718/98, tendo depositado os valores em discussão em contas a ele vinculada; · o STF deu provimento parcial ao recurso extraordinário para reconhecer a inconstitucionalidade apenas do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de Fl. 343DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 342 4 receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais; nem a RFB, nem a PGFN partilham do entendimento perfilhado pelo autor do feito, de acordo com o entendimento da Nota Técnica COSIT nº 21/2006 e do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007; · a União reconhece a ilegitimidade da pretensão que revogou o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; · descabe distinguir receitas financeiras relativas a aplicações garantidoras de provisões técnicas de receitas financeiras relativas às demais aplicações, pois não há, diferença entre umas e outras, sendo a correlação entre aplicações financeiras e provisões técnicas resulta de ato discricionário da seguradora ao escolher os bens que reservará no seu patrimônio a fim de garantir recursos para pagar indenizações de sinistros cuja ocorrência estimase, por cálculos de probabilidade, possam se materializar; · as contas denominadas provisões técnicas, registram valores de obrigações futuras e prováveis, para garantir que as seguradoras disporão de fundos líquidos para honrar as indenizações pelas quais serão responsáveis, devem ser guardados bens em valores equivalentes aos saldos daquelas contas que possam ser liquidados no mercado quando necessário; as receitas das aplicações financeiras vinculadas pelas seguradoras em determinado mês a Provisões ou reservas Técnicas não possuem natureza jurídica distinta das receitas das aplicações financeiras não indicadas como lastro dessas Provisões naquele mês; · as seguradoras não são instituições financeiras e são reguladas pelo Decretolei nº 73/66 e dependem de autorização da SUSEP; · a discussão submetida ao Plenário do Egrégio STF por força dos Embargos de Declaração Opostos nos autos do RE nº 400.479/RJ não afeta o presente caso, já que o que se discute é a incidência do tributo sobre receitas de prêmio de seguros, não se cogitando de receitas financeiras; Encerra a impugnação requerendo que seja julgada procedente a impugnação, exonerando a interessada das exigências tributárias dele decorrentes. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por julgar improcedente a defesa em decisão que assim ficou ementada: Fl. 344DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 343 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2010 RECEITAS FINANCEIRAS. SEGURADORAS. A declaração de inconstitucionalidade, do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa. As receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das “reservas técnicas, fundos especiais e provisões”, “além das reservas e fundos determinados em leis especiais”, constituídos, na dicção do DecretoLei nº73, de 1966, “para garantia de todas as suas obrigações”, porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2010 RECEITAS FINANCEIRAS. SEGURADORAS. A declaração de inconstitucionalidade, do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa. As receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das “reservas técnicas, fundos especiais e provisões”, “além das reservas e fundos determinados em leis especiais”, constituídos, na dicção do Decreto Lei nº 73, de 1966, “para garantia de todas as suas obrigações” porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No recurso, a Interessada reproduziu trecho do termo de verificação fiscal e analisou o acórdão de primeira instância. Iniciou sua contestação por afirmar não ser instituição financeira, mas, sim, sociedade seguradora especializada em operações de seguros de pessoas e danos. Esclareceu que obteve medida liminar parcial em relação ao PIS, para recolher a contribuição apenas sobre o faturamento de vendas de mercadorias e serviços, tendo Fl. 345DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 344 6 adotado o entendimento de que os prêmios não estariam abrangidos pela medida, que, havido sido parcialmente concedida, abrangeria as receitas financeiras. Segundo a Interessada, o procedimento teria sido reconhecido pela Deinf/RJ no processo 10768.013845/9914 (processo de acompanhamento judicial). Em relação à Cofins, esclareceu que, da mesma forma, foi concedida em parte a liminar, razão pela qual as receitas financeiras estariam por ela abrangidas. Foi requerida a conversão dos depósitos em renda da União, proporcionalmente aos prêmios, o que ocorreu em 26 de julho de 2007. A seguir, tratou dos limites da discussão dos RE n. 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, afirmando que não atingiriam a discussão contida no presente processo. Novamente citando o acórdão de primeira instância, alegou que a Nota Técnica Cosit n. 21, de 2006, concluiu que, "no caso de instituições regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados, não devem ser consideradas as receitas referentes as aplicações financeiras; de recursos próprios". No mesmo sentido, o Parecer PGFN CAT n° 2.773/2007, levaria à conclusão de que, “no caso de sociedades seguradoras, o prêmio é computado nas bases de cálculo dessas contribuições, mas as receitas decorrentes de aplicações financeiras não.” Afirma, na seqüência, que a concessão em parte da segurança teve por fim afastar a incidência das contribuições sobre as receitas financeiras. Ainda analisou a questão dos embargos declaratórios no RE 400.479/RJ, partindo do princípio de que receitas financeiras são operacionais. Voltou a afirmar que seguradoras não seriam instituições financeiras e a analisar a questão discutida no citado RE. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Ainda que se possa pretender discutir a incidência das contribuições sobre as receitas financeiras oriundas de rendimentos financeiros dos bens garantidores de provisões técnicas, que são na verdade o motivo central do presente lançamento, é preciso destacar que a Fl. 346DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 345 7 Recorrente buscou no judiciário restringir o alcance das contribuições e a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98. Para tanto foram impetrados dois Mandados de Segurança, cujo conteúdo foi assim resumido pela autoridade lançadora: No MS relativo ao PIS, o TRF declarou a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 para assegurar à impugnante o direito de calcular e recolher o PIS com base nas receitas auferidas nas vendas de mercadorias e serviços, nos termos da decisão, cujo trecho transcrevese abaixo: “2) quanto aos demais pedidos, conceder, em parte, a segurança, para que as impetrantes não sejam compelidas a recolher o PIS como determinado na Lei n.º9.718/98 sobre valores que não se consubstanciam em receitas decorrentes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, determinando, ainda, que as demais alterações introduzidas pela Lei n.º 9.718/98 tenham eficácia 90 (noventa) dias a contar de sua publicação.” No MS relativo a COFINS, o STF deu provimento parcial ao recurso extraordinário, nos seguintes termos: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). No mesmo julgamento, o Plenário afastou a argüição de inconstitucionalidade da Lei nº 9.715/98, bem como do art. 8º da Lei nº 9.718/98, que prevê majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3%. E estabeleceu, ainda, que, ante a exigência contida no art. 195, § 6º, da Constituição Federal, a Lei nº 9.718/98 entrou a produzir efeitos a partir de 1º de fevereiro de 1999. No que toca à compensação facultada à pessoa jurídica pelo § 1º do art. 8º da Lei nº 9.718/98, esta Corte, no julgamento do RE nº 336.134 (Pleno, Rel. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 16.05.2003), reputoua constitucional, ao afastar alegada ofensa ao princípio da isonomia. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência Fl. 347DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 346 8 da COFINS, receita estranha ao faturamento da recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção. ” Por conta disso, antes de analisar o caso específico dos autos, é preciso esclarecer que, após o julgamento do citado RE 400.479, a discussão da base de cálculo das contribuições em relação às instituições financeiras acabou sendo objeto de declaração de repercussão geral no RE n. 609.096/RS, que, como se verá a seguir, abrangeu todas as entidades do art. 22, § 1º, da Lei n. 8.212, de 1991. O recurso extraordinário do Ministério Público (http:// redir.stf.jus.br /estfvisualizadorpub/jsp/consultarprocessoeletronico/ConsultarProcessoEletronico.jsf?seqobjet oincidente=3840384) fundouse na “contrariedade” (do acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região) “a dispositivos da Constituição pela decisão ora recorrida, em relação ao PIS (art. 72 do ADCT e art. 97 da Constituição) e em relação à Cofins (art. 195, inc. I, da Constituição)”. O recurso expressamente tratou do não alcance das instituições financeiras e equiparadas pela Lei n. 10.637, de 2002, que, em seu art. 8º, I, referiuse às pessoas jurídicas do § 6º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. O dispositivo da Lei n. 8.212, de 1991, foi também expressamente citado no RE, juntamente com a argumentação de que a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, não atingiu o caput e o § 3º do mesmo artigo. O RE também abordou a questão da reserva de plenário para declaração de inconstitucionalidade. Como esclarecido no relatório, a tributação das receitas financeiras seria permitida, no entendimento das instâncias anteriores, quando originados das “reservas técnicas, fundos especiais e provisões”, “além das reservas e fundos determinados em leis especiais”, constituídos, na dicção do DecretoLei nº 73, de 1966, “para garantia de todas as suas obrigações”. Nesse contexto, as referidas receitas financeiras integrariam o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por empresas seguradoras no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. A pretensão do Fisco foi de interpretar a decisão transitada em julgado com base no acórdão no RE 400.479. Tal decisão, entretanto, não é necessariamente o posicionamento definitivo do STF sobre a matéria, uma vez que houve a declaração de repercussão geral mencionada, que abrange as entidades do art. 22, § 1º, da Lei n. 8.212, de 1991. Caso se decida pela constitucionalidade da incidência, todas as receitas financeiras das instituições financeiras e equiparadas serão alcançadas pelas contribuições sociais. Mas a repercussão geral não atinge decisões judiciais transitadas em julgado. De fato, a referida repercussão geral, para efeito do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009), não tem aplicação ao presente caso. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 347 9 Na verdade, a repercussão geral e os recursos repetitivos não têm os mesmos efeitos “erga omnes” e vinculativos das decisões do STF no âmbito de ação constitucional concentrada ou de resolução do Senado Federal que suspende a eficácia de lei declarada inconstitucional. As duas últimas medidas citadas tem efeitos que extrapolam o processo, enquanto que as decisões definitivas do STF podem ser aplicadas por órgãos administrativos com base no art. 26A do Decreto n. 70.235, de 1972, e as súmulas vinculantes tem regras próprias. Diante do exposto, o recurso deve ser analisado à vista das ações apresentadas pela Interessada. A ação relativa ao PIS apenas restringiu a incidência da contribuição sobre o faturamento de vendas de mercadorias e de prestação de serviços, enquanto que, na ação relativa à Cofins, houve menção ao significado desse conceito, conforme abaixo reproduzido: [...] cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais Na ação relativa ao PIS, nem sequer se cogitou da redefinição de faturamento, que ficou restrito ao resultado das vendas de mercadorias e de prestação de serviços. Vejase que as questões tratadas no RE 400.479/RS e na repercussão geral citada foram especificamente levantadas no âmbito das próprias ações judiciais que resultaram nos RE 400.479 e 609.096 e, por isso, se deu continuidade aos respectivos processos. No caso em análise (PIS), tais questões não foram levantadas por meio de recurso e, assim, a discussão encerrouse. Não se pode, assim, pretender restabelecer a discussão à vista de decisões posteriores do Supremo Tribunal Federal, que não representam sequer o seu entendimento definitivo. Ainda em relação ao PIS, a ação judicial fundouse, inclusive, no art. 72 do ADCT/88 (efl. 188), questão motivadora do RE que originou a repercussão geral anteriormente citada. Ademais, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração contra o acórdão do TRF, para esclarecer se o acórdão teve o seguinte objetivo: “afastar a incidência do PIS sobre todas as receitas que efetivamente não configurem vendas de mercadorias e serviços, como as receitas com operações de seguros, inclusive prêmios, o se somente receitas financeiras” (efl. 196). Nesse contexto, não havia, evidentemente, dúvidas a respeito do afastamento da incidência sobre as receitas financeiras. Por fim, essa interpretação restou decidida no próprio processo judicial, com a conversão dos depósitos judiciais apenas na proporção dos prêmios. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 348 10 Assim, não é possível reinterpretar a decisão judicial, que, claramente, não permite a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras. Em relação à Cofins, a Interessada, na ação judicial, discutiu a incidência sobre as receitas de atividades principais das empresas (efl. 231). O STF proveu em parte o RE 509.8583, apresentado pela Interessada, adotando o entendimento de que o faturamento seria a “soma das receitas oriundas das atividades empresariais”. A Interessada alegou que, na interpretação do aresto, adotou o mesmo critério já admitido pela RFB no caso do PIS. Entretanto, tratase de decisões distintas e que não podem ser interpretadas com base nos mesmos critérios. À evidência, o Supremo Tribunal Federal esclareceu o conceito de faturamento no caso da Cofins como sendo as receitas oriundas da atividade empresarial, no mesmo sentido do RE 400.479. A decisão exarada pelo STF para o caso da COFINS ficou assim ementada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE/509858 Procedência:RIO DE JANEIRO Relator:MIN. CEZAR PELUSO RECTE.(S) GERLING SUL AMÉRICA S/A SEGUROS INDUSTRIAIS ADV.(A/S) LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA RECDO.(A/S) – UNIÃO ADV.(A/S) PFN ROSANE BLANCO OZORIO BOMFIGLIO DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido por Tribunal Regional Federal, acerca da constitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.718/98. 2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273 RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 349 11 todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). No mesmo julgamento, o Plenário afastou a argüição de inconstitucionalidade da Lei nº 9.715/98, bem como do art. 8º da Lei nº 9.718/98, que prevê majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3%. E estabeleceu, ainda, que, ante a exigência contida no art. 195, § 6º, da Constituição Federal, a Lei nº 9.718/98 entrou a produzir efeitos a partir de 1º de fevereiro de 1999. No que toca à compensação facultada à pessoa jurídica pelo § 1º do art. 8º da Lei nº 9.718/98, esta Corte, no julgamento do RE nº 336.134 (Pleno, Rel. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 16.05.2003), reputoua constitucional, ao afastar alegada ofensa ao princípio da isonomia. 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência da COFINS, receita estranha ao faturamento da recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção. Publiquese. Int.. Brasília, 23 de novembro de 2006. Ministro CEZAR PELUSO Relator Ou seja, diversamente da decisão proferida no processo do PIS, no caso da COFINS prevaleceu o conceito “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” Nesse contexto, é preciso saber se as receitas financeiras vinculadas às aplicações das reservas técnicas enquadramse como receitas decorrentes da atividade empresarial da Interessada, ou se, conforme argumenta a Interessada com base no RE 400.749, o conceito restringirseia aos prêmios de seguro. Primeiramente, há que se considerar que não se trata de todas as receitas financeiras, mas especialmente daquelas relacionadas às garantias das provisões técnicas, que, no entender da Fiscalização, seriam receitas operacionais. Mas a questão que importa é saber se se trata de receitas oriundas das atividades empresariais, no seguinte contexto adotado pela Fiscalização: Existe uma peculiaridade no faturamento das seguradoras, pois não são apenas as receitas de prêmio que compõem as receitas brutas, outras receitas são necessárias à consecução do objeto social, tais como algumas recuperações de despesas ou comissões, além das receitas financeiras provenientes dos ativos garantidores das provisões técnicas. Estas últimas, inclusive, influenciam diretamente no cálculo atuarial do valor do seguro, fazendo parte da receita operacional da empresa, configurando receitas advindas das atividades empresariais. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 350 12 [...] Existem diversas técnicas para o cálculo de prêmio de seguro, envolvendo vários parâmetros estatísticos. A SUSEP não define forma para a elaboração. Assim, as Seguradoras possuem liberdade de estabelecer a forma de fixação do prêmio. As seguradoras para garantir a rentabilidade dos recursos utilizam as taxas de juros como um dos fatores importantes para cálculo do prêmio. Dentro do ambiente de negócio das seguradoras, para que a solvência seja garantida é preciso reter provisões adequadas, investir prudentemente e possuir adequado nível de capital, limitando a concentração de sua exposição ou transferindo riscos para outros agentes de mercados, através de mecanismos como resseguro e cosseguro, logo a rentabilidade dos investimentos se torna um parâmetro importante para que a seguradora tenha condições de honrar seus compromissos. Ratificando o relato acima citamos uma reportagem do jornal O GLOBO ECONOMIA do dia 17/08/2009, onde a reportagem informa que o preço médio dos seguros de automóveis subiu cerca de 11% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Entre as justificativas das seguradoras, está o aumento de sinistros, especialmente furtos e roubos. Mas a queda da taxa Selic, fixada pelo BACEN, também afetou o mercado: boa parte das reservas técnicas das seguradoras, usadas para cobrir as despesas, está aplicada em títulos do tesouro e renda fixa, remunerados pela SELIC. Portanto, a análise efetuada pela Fiscalização aparentou ser puramente econômica, considerando que as receitas financeiras influenciariam diretamente a fixação dos prêmios. O raciocínio jurídico desenvolvido pela fiscalização em torno dessa questão seria o de que, havendo tal influência econômica na determinação da principal fonte de receita da empresa, a atividade de aplicação do capital relativo às provisões seria inerente ao objeto social. Tal interpretação afronta diretamente o que determina o art. 110 do CTN, que determina: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 351 13 Sobre a possibilidade de análise econômica de institutos do direito privado são contundentes os ensinamentos de Aliomar Baleeiro, atualizados por Misabel Abreu Machado Derzi, e citados em artigo publicado pela Conselheira Nanci Gama no livro PIS COFINS à Luz da Jurisprudência do CARF1: A chamada interpretação segundo o critério econômico, consiste em apreender o sentido das normas, institutos e conceitos jurídicos, de acordo com a realidade econômica subjacente por detrás das formas jurídicas. Desenvolveuse plenamente na Alemanha, em distintos períodos, mas serviu certa época, ao desenvolvimento do facismo e da insegurança jurídica, ao direito do Reich facista e totalitário. (...) Assim, a interpretação econômica que serviu um regime totalitário foi erradicada da própria Alemanha, onde prosperou em tempos sombrios. Hoje, o critério “econômico”, que se invoca eventualmente na interpretação de um tribunal tedesco, serve à apuração da capacidade econômica de contribuir e somente se justifica, na medida em que, dentro dos limites dos sentidos possíveis da palavra, colher aquele sentido que melhor se ajustar aos postulados da justiça tributária. Ora, o Código Tributário não acolheu a tese da interpretação econômica. Ao contrario, como observa Aliomar Baleeiro, o art. 110 proclama, como um limite ao legislador: “... o primado do Direito Privado quanto a definição, ao conteúdo e ao alcance dos institutos, conceitos e formas deste ramo jurídico quando utilizado (sic) pela Constituição Federal, pelos Estados ou pelas Leis Orgânicas do DF e dos Municípios. Ao contrario sensu, tal primado não existe se aquelas definições, conceitos e formas promanam de outras leis ordinárias.” Mas, e isso pe de suma relevância somente o legislador poderá atribuir efeitos tributários distintos, alterando o alcance e o conteúdo dos institutos e conceitos de Direito Privado, se inexistir obstáculo na constituição. Não o intérprete e aplicador da lei. A licença, como diz Baleeiro, contida no art. 1092, a contrario sensu, dirigese ao legislador, mesmo assim, naqueles casos, que são restritíssimos em que institutos, conceitos e formas de Direito Privado não foram utilizados pela Constituição para definir ou limitar competências. Ainda, em relação ao tratamento a ser dado as receitas financeiras oriundas de rendimentos financeiros dos bens garantidores de provisões técnicas, busco no plano de contas da sociedades seguradoras determinado pela RESOLUÇÃO CNSP 086/2002 e seus ANEXOS, as disposições sobre as NORMAS CONTÁBEIS a serem observadas pelas 1 PIS COFINS à Luz da Jurisprudência do CARF. Marcelo Magalhaes Peixoto, Gilberto de Castro Moreira Junior (coordenadores) São Paulo: MP ed. 2011. p. 462 2 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 352 14 sociedades seguradoras, resseguradoras, de capitalização e entidades abertas de previdência complementar. Esta Resolução, em seu Anexo II, determina que todas as Receitas Financeiras de Aplicações de Recursos sejam classificadas em grupo específico de resultado financeiro, e entre as receitas ali classificadas encontramse: 36. RESULTADO FINANCEIRO 361. RECEITAS FINANCEIRAS 3611. RECEITAS DE APLICAÇÕES NO MERCADO INTERNO 3612 RECEITAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA PRIVADOS 3613 RECEITAS CO TÍTULOS DE RENDA FIXA PÚBLICOS 3614 RECEITAS COM TÍTULOS DE RENDA VARIÁVEL 3615 RECEITAS DE EMPRÉSTIMOS 3616 RECEITAS FINANCEIRAS COM OPERAÇÕES DE SEGUROS 3617 RECEITAS FINANCEIRAS COM OPERAÇÕES DE RESSEGUROS 3618 RECEITAS COM DEPÓSITOS E FUNDOS RETIDOS 3619 OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS Não há motivo algum para diferenciarmos as receitas financeiras decorrentes de aplicações financeiras diversas dos rendimentos financeiros decorrentes dos ativos garantidores de reservas técnicas. A natureza das duas receitas é inseparável. O fato de, por determinação legal, as seguradoras terem obrigação legal de manter reservas técnicas, como forma de garantia de suas atividade, em absoluto, torna as receitas financeiras obtidas a partir destas provisões como sendo receitas decorrente de faturamento, ou ainda como sendo receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Ainda merece destaque a conclusão exarada no Parecer PGFN/CAT/nº 2.773/07, que expressamente afastou a interpretação adotada pela decisão recorrida para entender que, em relação a COFINS, o “conceito de receita bruta é o contido no art. 2º da LC nº 70, de 1991, isto é, as receitas advindas da venda de mercadorias e da prestação de serviços;” e mais adiante “serviços para as seguradoras abarcam as receitas advindas do recebimento dos prêmios;”. Tal conclusão, que afasta a interpretação extensiva da decisão recorrida, tem por origem, entre outros argumentos, a Nota Técnica COSIT nº 21, de 28 de agosto de 2006, que, ao analisar o conceito de faturamento, foi taxativa: 6.2. No caso de instituições regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados, não devem ser consideradas as receitas referentes às aplicações financeiras de recurso próprios. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 353 15 É incontestável que, no presente caso, se trata, de receitas decorrentes de aplicações financeiras de recursos próprios (receitas financeiras oriundas dos Rendimentos Financeiros dos Bens Garantidores de Provisões Técnicas). Por fim, a respeito da decisão exarada no processo da COFINS da Recorrente, que em nada difere dos demais despachos exarados pelo STF sobre a matéria, trago a baila o brilhante ensinamento exarado pelo Conselheiro Sidnei Stahl que, em artigo publicado na obra PIS e COFINS à Luz da Jurisprudência do CARF, Volume 2, assim adverte: Obviamente, não estamos diante de um voto calor suficiente, mas estamos diante de elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de qualquer natureza; falase, assim, de soma das receitas; em, alusão ao artigo 187 da Lei n. 6.404/763, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício das atividades empresarias típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito d e faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Neste sentido, o conceito de “faturamento” não mais seria a “recita bruta faz vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza”, mas “qualquer outra recita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição lega de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98, por esta ser inadequada àquela expressa constitucional. 3 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 354 16 (...) veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração de seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar4 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é estrito de recita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das recitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (i) faturamento, (2) receita bruta de vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo somo das receitas oriundas do exercício das atividades empresarias. Não substitui um pelo outro, como se faz crer. Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base da incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta de vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referir a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme aqui expus. Por ultimo o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários n. 346.084PR, n. 357.950RS, n. 358.273RS e n. 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme seu teor, da maneira que se pode ver da abreviatura “cf”. Conforme visto anteriormente estes Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimos, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. (grifos originais) Diante da força dos argumentos acima transcritos não vejo como considerar como faturamento as receitas decorrentes das receitas financeiras oriundas de rendimentos financeiros dos bens garantidores de provisões técnicas À vista do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a autuação relativa ao PIS e a COFINS. 4 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982. p.55 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 355 17 (assinado digitalmente) Alexandre Gomes – Relator. Declaração de Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, 1 – HISTÓRICO LEGISLATIVO DA COFINS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E SEGURADORAS A Carta Magna, até o advento da Emenda Constitucional nº 20/98, através de seu artigo 195, inciso I, outorgava competência à União Federal para instituir e cobrar contribuição social sobre o faturamento das pessoas jurídicas: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o FATURAMENTO e o lucro. (…).” (Destacamos) A COFINS, por sua vez, foi instituída pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que, em seu artigo 1º, assim dispôs: “Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social.” (destaques nossos) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 356 18 A contribuição em questão, cuja legislação foi recepcionada pela Constituição Federal, incidia sobre o faturamento das pessoas jurídicas, expressão esta cujo significado foi logo explicitado no caput do artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91, a seguir transcrito: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” (grifos nossos) O artigo 11, parágrafo único, da mesma lei, contudo, excluiu da incidência da COFINS as instituições financeiras e seguradoras, elevando, em contrapartida, a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das pessoas jurídicas em questão, conforme atesta a legislação abaixo transcrita: Lei Complementar nº 70/91 “Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar.” Lei nº 8.212/91 “Art. 22. Omissis. (...) § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo.” (destaques e grifos nossos) Ocorre que, em 27 de novembro de 1998, foi editada a Lei nº 9.718, que previu a obrigatoriedade de as instituições financeiras e seguradoras, como a Recorrente, recolherem mensalmente a COFINS, bem como, em seu artigo 3º, § 5º, determinou que tais empresas observassem, para fins de apuração da contribuição em questão, as mesmas regras de exclusão e deduções previstas para o recolhimento da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), nos seguintes termos: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 357 19 “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (...) § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP.”(grifos nossos) Portanto, de acordo com a Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e seguradoras passaram a ter a obrigação tributária de recolher a COFINS, à alíquota de 3% (três por cento) à época, sobre a sua receita bruta mensal diminuída das deduções previstas expressamente na já citada legislação. Fazse importante salientar que, mesmo depois da edição da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a qual instituiu o regime nãocumulativo para a COFINS, a Recorrente permanece até os dias de hoje sujeita às regras previstas na Lei nº 9.718/98, por força do disposto no inciso I do artigo 10 da Lei nº 10.833, abaixo transcrito: Lei nº 10.833/2003 “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983;” (gifase) Lei nº 9.718/98 “Art. 3º. Omissis. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir:” (grifase) Lei nº 8.212/91 “Art. 22. Omissis. (...) Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 358 20 § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo.” (destaques e grifos nossos) Ante todo o exposto, verificase que a Recorrente, como “empresa de seguros privados” (seguradora) que é, atualmente encontrase obrigada ao recolhimento do PIS e da COFINS, sobre o seu faturamento mensal, nos termos preconizados pelo caput do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. 2 DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE FATURAMENTO – DA IMPOSSIBILIDADE DE SE TRIBUTAR PELO PIS E COFINS RECEITAS NÃO DECORRENTES EXCLUSIVAMENTE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 2.1 – Do conceito de faturamento estabelecido pela legislação comercial e tributária recepcionado pelo artigo 195, I da Constituição Federal A Constituição Federal repartiu as competências tributárias entre as pessoas políticas, outorgando capacidade legislativa em matéria tributária para União Federal, Estados, Distrito Federal e Municípios, de forma discriminada, ou seja, delimitando fatos, situações e pessoas que poderiam ser alcançadas pela lei tributária. No que concerne à União Federal, além da competência relativa aos impostos, taxas, contribuições de melhoria e empréstimos compulsórios (artigos. 145, 148, 153 e 154), a Constituição Federal lhe outorgou competência e capacidade legislativa no que tange às contribuições destinadas à Seguridade Social, conforme disposto no artigo 195, inciso I, na redação anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, verbis: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o FATURAMENTO e o lucro” destaques e grifos nossos. Notase que o Poder Constituinte ao determinar expressamente que a seguridade social seria financiada tão somente pelo “empregador” que “fature”, pague “salário” e aufira “lucro”, enumerou expressamente as hipóteses materiais e pessoais que seriam alcançadas pela competência tributária outorgada à União federal, excluindo, assim, todas as outras hipóteses não previstas no art. 195, I, acima reproduzido. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 359 21 Portanto, até o advento da Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998, a União Federal detinha competência tributária para a instituição e exigência dos empregadores de Contribuição destinada à Seguridade Social exclusivamente sobre a folha de salário, o faturamento e o lucro. Por sua vez, a Carta Constitucional de 1988, ao definir a competência da União Federal para instituir contribuição social sobre o faturamento, buscou o significado do vocábulo na legislação comercial, único ramo do direito que até então havia definido, positivamente, o conceito de faturamento como aquele decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, como se depreende do artigo 219 do Código Comercial, bem como dos artigos 1º e 20, da Lei nº 5.474/68, in verbis: CÓDIGO COMERCIAL Art. 219 Nas vendas em grosso ou por atacado entre comerciantes, o vendedor é obrigado a apresentar ao comprador por duplicado, no ato da entrega das mercadorias, a fatura ou conta dos gêneros vendidos, as quais serão por ambos assinadas, uma para ficar na mão do vendedor e outra na do comprador. Não declarado o prazo do pagamento, presumese que a compra foi a vista (art. 137). As faturas sobreditas, não sendo reclamadas pelo vendedor ou comprador, dentro de 10 (dez) dias subseqüentes à entrega e recebimento (art. 135) presumemse contas líquidas.” LEI Nº 5.474/68 “Art. 1º EM TODO CONTRATO DE COMPRA E VENDA MERCANTIL ENTRE PARTES DOMICILIADAS NO TERRITÓRIO BRASILEIRO, com prazo não inferior a 30 (trinta) dias, contado da data da entrega ou despacho das mercadorias, O VENDEDOR EXTRAIRÁ A RESPECTIVA FATURA PARA APRESENTAÇÃO AO COMPRADOR. § 1º A fatura discriminará as mercadorias vendidas ou, quando convier ao vendedor, indicará somente os números e valores das notas parciais expedidas por ocasião das vendas, despachos ou entregas das mercadorias. Art. 20. As empresas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços , poderão, também, na forma desta Lei, emitir fatura e duplicata.” (Destacamos) Percebese, assim, que o conceito de faturamento já havia sido determinado pelo Direito Comercial anteriormente à Carta Magna de 1988, elegendose, como pressuposto fundamental à sua ocorrência, a prática de operação mercantil de venda de mercadorias ou de prestação de serviços. Inclusive, a legislação fiscal na qual se fundamentava a exigência da COFINS (Lei Complementar n° 70/91), com respaldo no conceito sedimentado pelo Direito Comercial, sempre explicitou que a expressão “faturamento” é a totalidade das receitas Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 360 22 decorrentes das vendas de mercadorias e/ou serviços de qualquer natureza. O mesmo ocorria com a legislação da Contribuição ao FINSOCIAL, da qual a COFINS foi sucessora: Lei Complementar n° 70/91 “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” (grifase) Decretolei nº 1.940/82, alterado pelo Decreto Lei nº 2.397/87 “Art. 1º Fica instituída, na forma prevista neste decretolei, contribuição social, destinada a custear investimentos de caráter assistencial em alimentação, habitação popular, saúde, educação, justiça e amparo ao pequeno agricultor. (Redação dada pela Lei nº 7.611, de 1987)(...) a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda; (Incluída pelo Decreto Lei nº 2.397, de 1987) Desse modo, antes e depois da Constituição Federal de 1988, a expressão “faturamento” sempre foi entendida para fins fiscais como a totalidade das receitas decorrentes exclusivamente das vendas de mercadorias ou serviços de qualquer natureza ou da combinação de ambas. Faturamento, portanto, no direito brasileiro, indica a cobrança de um preço a título de contraprestação num negócio bilateral relativo unicamente à venda mercadorias ou prestação de serviços. De outra forma, o conceito de faturamento, formado durante anos pela experiência legislativa brasileira, jamais admitiu outras receitas que não aquelas decorrentes da venda de mercadorias, mercadorias e serviços ou apenas serviços.. A propósito, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, por ocasião de vários julgamentos, analisou a questão relativa ao conceito de faturamento, tendo estabelecido os parâmetros a que está sujeito o legislador federal ao criar imposições fiscais e o aplicador do direito ao cobrar as exações. Com efeito, a Suprema Corte, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 150.755 1, o qual tratava da contribuição ao FINSOCIAL das empresas prestadoras de serviço, decidiu pela constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, que determinava a incidência da contribuição sobre a “receita bruta” das pessoas jurídicas, conquanto para os Ministros, a imposição de uma contribuição social sobre a receita bruta, com fundamento no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, seria possível se a noção de “receita bruta” utilizada pela referida lei se conformasse aos limites do conceito de faturamento antes mencionado. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 361 23 Portanto, restou decidido que não havia inconstitucionalidade alguma na norma, uma vez que o artigo 28 teria utilizado o conceito de “receita bruta” estabelecido pelo artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91 e artigo 22, alínea “a”, do Decretolei nº 2.397/87, que a conceituava como aquela decorrente “das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Nesse sentido, confira se os seguintes trechos dos votos proferidos em tal julgamento: MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE “... antes da Constituição, precisamente para a determinação da base de cálculo do Finsocial o DL 2.397, 21.12.87, já restringia, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita líquida de vendas e serviços, do DL 1.598/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento. ...................................................................................................... Por tudo isso, não vejo inconstitucionalidade no art. 28 da L. 7.738/89, a cuja validade entendo restringirse o tema deste recurso extraordinário, desde que nele a receita bruta, base de cálculo da contribuição, se entenda referida aos parâmetros de sua definição no DL 2.397/87, de modo a conformála à noção de faturamento das empresas prestadoras de serviço.” MINISTRO MOREIRA ALVES “... desde o momento em que existe legislação no país que, com relação à receita bruta, a conceitua de forma que possa ela equipararse a faturamento, pareceme que, por via de interpretação, se possa tomar receita bruta, aqui, como a decorrente do faturamento. ...................................................................................... Adotando essa interpretação restritiva de receita bruta – e afasto a objeção decorrente do artigo 110 do Código Tributário Nacional, pois essa exegese equipara, no caso, a receita bruta à resultante do faturamento, e assim se amolda à Constituição que se refere a este , acompanho, com a devida vênia, o Ministro Sepúlveda Pertence.” MINISTRO NÉRI DA SILVEIRA “Com efeito, há, no Decretolei nº 2.397/87, art. 22, qual observou o ilustre Ministro Sepúlveda Pertence, conceito de “receita bruta”, que se pode ter como assimilável à noção de faturamento, a que remete o art. 195, I, da Constituição. Nesse mesmo sentido, posteriormente, a Lei Complementar nº 70/91 estipulou em seu art. 2º. Dessa maneira, quando se prevê no art. 28, da Lei nº 7.738/89, a incidência da alíquota, nele determinada, sobre a receita bruta, cumpre entender a locução como faturamento, a teor do previsto no art. 195, I, da Constituição. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 362 24 Desse modo, recuso a inconstitucionalidade do dispositivo, cumprindose darse à “receita bruta” nele referida, a compreensão de “faturamento”, tal como já se consigna em textos de lei.” Mais à frente, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento da ADC nº 01 de 01/12/93, reafirmou a advertência de que o conceito de faturamento se limita à receita proveniente das vendas de mercadorias e serviços, conforme se verifica da leitura de trechos dos votos dos Ministros Moreira Alves e Ilmar Galvão: Ministro Moreira Alves (Relator) "Tratase, pois de contribuição social prevista no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal que se refere ao financiamento da seguridade social mediante contribuições sociais dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Notese que a Lei Complementar 70/91, ao considerar o faturamento como a ‘receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza’ nada mais fez do que lhe dar a conceituação do faturamento para efeitos fiscais, como bem assinalou o Ministro ILMAR GALVÃO, no voto que proferiu no RE 150.764, ao acentuar que o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços ‘coincide com o de faturamento, que, para efeitos fiscais, foi sempre entendido como o produto de todas as vendas, e não apenas das vendas acompanhadas de fatura, formalidade exigida tãosomente nas vendas mercantis a prazo (art. 1º da Lei 187/36)’. Ministro Ilmar Galvão “Por fim, assinalese a ausência de incongruência do excogitado artigo 2º da LC nº 70/91, com o disposto no artigo 195,I, da CF/88, ao definir ‘faturamento’ como ‘receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.’ De efeito, o conceito de ‘receita bruta’ não discrepa do ‘faturamento’, na acepção que este termo é utilizado para efeitos fiscais, seja, o que corresponde ao produto de todas as vendas, não havendo qualquer razão para que lhe seja restringida a compreensão, estreitandoo nos limites do significado que o termo possui em direito comercial, seja, aquele que abrange tão – somente as vendas a prazo (art. 1º da Lei nº 187/68, em que emissão de uma ‘fatura’ constitui formalidade indispensável ao saque da correspondente duplicata Entendimento neste sentido, alías, ficou assentado pelo STF, no julgamento do RE 150.755 (in Revista Dialética de Direito Tributário nº 1, pp. 99/100, destaque nosso)”. Verificase, assim, que, nos termos das decisões do Supremo Tribunal Federal, faturamento, para efeitos fiscais, é o resultado de todas as vendas de mercadorias e Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 363 25 serviços, ainda que não acompanhadas da respectiva fatura, admitindo, portanto, o faturamento se equipare exclusivamente ao conceito de receita bruta em sentido estrito assim entendido como as receitas provenientes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, nos termos da LC 70/91. Ou seja, segundo entendimento da Corte Máxima competente para apreciar a matéria, o conceito de faturamento não alcança outras receitas, que não sejam resultado da venda, tais como, rendimentos de aplicações financeiras, juros, aluguéis variações monetárias, royalties, lucros e dividendos, indenizações, descontos obtidos, etc.. Nesse momento, oportuno trazer trecho do parecer elaborado pelo professor Tercio Sampaio Ferraz Junior à Federação Brasileira dos Bancos (FEBRABAN) a respeito do tema em tela: “Ora, faturamento como expressão constitucional, é um desses termos que apontam para um conceito enraizado numa prática usual do comércio. Do ponto e vista genético, não se pode deixar de reconhecer que a palavra denota uma prática comercial referente à fatura, isto é, ao ato de faturar ou organizar fatura. Isto é, aquela escrita do vendedor que acompanha as mercadorias, na qual se insere o nome e características da mercadoria, inclusive o preço respectivo (assim, entre outros, Carvalho de Mendonça, em seu: Tratado de Direito Comercial, Rio de Janeiro, 1938). Tratase, nesse sentido, de uma prática referente a uma técnica documental, que a distingue de outras, como a contacorrente ou o pedido de mercadorias. Essa técnica ganhou conceituação doutrinária, de modo que o faturamento de uma empresa passou a referirse a todas as vendas realizadas em determinado período. O uso comum estendeu, pois, o faturamento de vendas mercantis também a vendas de serviços prestados, com a indicação dos preços respectivos. Assim, o faturamento, que, em sentido denotativo, aponta para o ato de extrair ou formalizar a fatura, conhece uma extensão do seu sentido conotativo, que permite denotar também um rol de vendas de uma empresa. Essa interpretação tem por base um atributo conotativo do conceito, localizado não no atributo fatura, mas no atributo venda. Entendese, assim, o entendimento uniforme do STF de faturamento num sentido que alcança, para efeitos fiscais, todas as vendas, mesmo se não acompanhadas de fatura, admitindo, portanto, que ao faturamento se equipare a receita brutas das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza (teor da LC 70/91). Mas que não alcança outros numerários, aqueles que não resultam de venda, como juros, aluguéis, variações monetárias, royalties, lucros e dividendos, descontos obtidos etc. Nesse sentido estrito de todas as vendas, o uso pelo legislador da expressão: receita bruta pôde ser assimilado à expressão constitucional faturamento. Ou seja, o STF, ao definir faturamento pelo atributo conotativo vendas, entendeu como constitucionalmente adequado o uso da expressão receita bruta, pelo legislador tributário. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 364 26 Assim, quando a jurisprudência do STF reconhece que a distinção entre receita bruta e faturamento não é óbice à constitucionalidade de uma lei que os equipare, devese ter em conta que esse reconhecimento opera uma equiparação entre os dois termos mediante o atributo venda. Isto é, desde que entendida a receita bruta como “receita bruta das vendas de mercadorias e serviços”, ela pode ser aceita como faturamento.(Destaques nossos) Portanto, nos termos da Constituição Federal de 1988 e anteriormente ao advento da Emenda Constitucional nº 20/98, a expressão faturamento só pode ser entendida como produto de todas as vendas de mercadorias ou serviços, à prazo ou à vista, com ou sem a emissão de fatura, conforme definido pelos artigos 219 do Código Comercial, 1º, § 1º e 20 da Lei nº 5.474/68 E DECIDIDO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, de forma que não há qualquer respaldo jurídico que autorize o entendimento diverso do aqui apresentado, sob pena de violação do artigo 195, I da Constituição Federal. 2.2 – Do conceito constitucional de faturamento das instituições financeiras e seguradoras Ao contrário do que poderseia pensar, o conceito de faturamento que deve ser observado pelas instituições financeiras e seguradoras quando da apuração do PIS e da COFINS nos termos do caput do artigo 1° da Lei n° 9.718/98, não pode ser diverso do sentido inequívoco do conceito de faturamento atribuído a todas as outras pessoas jurídicas, qual seja, “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” (artigo 2° da Lei Complementar 70/91). Esta afirmação decorre do fato de que o conceito fiscal de faturamento é ÚNICO para fins de incidência tributária, seja para uma empresa comercial, seja para uma prestadora de serviços ou para uma instituição financeira, não sendo possível admitir, em qualquer hipótese, que o conceito de faturamento sofra variações de acordo com a qualificação do sujeito passivo envolvido na incidência da hipótese tributária. Reforçando tal entendimento, afirma o Professor Marco Aurélio Greco em resposta a consulta formulada pela CONSIF e FEBRABAN, a saber: “Da mesma forma, o conceito de faturamento tem seus requisitos e elementos determinados no plano objetivo à luz da relação subjacente da qual resulta (emanada no âmbito de uma atividade econômica e expressa em certo tipo de negócio jurídico), independente da pessoa que o esteja auferindo. Ou seja, faturamento é um conceito determinado objetivamente (qualidades da realidade) e não subjetivamente (qualidades da pessoa). Esta afirmação, até certo ponto óbvia, tem um reflexo importante, pois, na medida em que este elemento objetivo da competência se reporta diretamente à realidade (sem passar por um filtro subjetivo da pessoa que o aufere), implica reconhecer Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 365 27 que a amplitude deste conceito não varia por razões ligadas à pessoa que o aufere. Assim, se determinada verba não configura faturamento quando vista da perspectiva objetiva, não será o fato de este mesmo tipo de verba ser auferido por outra pessoa jurídica que a tornará integrante do conceito faturamento. A natureza de uma verba – para fins de configurar, ou não, faturamento – não se transmuda ao sabor das pessoas que a recebem. Isto é da maior importância, pois o recebimento de juros e outras receitas financeiras por pessoa jurídica que desenvolve atividade industrial ou comercial não integra o conceito constitucional de faturamento (penso que não há dúvida a este respeito). Ora, por este tipo de receita estar fora do âmbito do conceito, assim permanece em toda e qualquer situação, seja qual for a atividade empresarial desenvolvida pela pessoa jurídica.” (Destaques nossos) Vale, outrossim, citar as palavras de Alcides Jorge Costa acerca do assunto: “A base de cálculo da COFINS, tal como prevista pela Lei Complementar n. 70/91 era o faturamento mensal, assim considerada a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Portanto, esta base de cálculo era o faturamento, produto da venda de mercadorias, destas e de serviços ou apenas de serviços de qualquer natureza, não se alterando em função da atividade desenvolvida pela empresa.” (Destaques nossos) Logo, se a Constituição utiliza determinado termo, o significado desse termo deve ser interpretado como sendo aquela acepção existente na época em que foi redigida a Constituição. E nessa linha, se a baliza de faturamento, no momento em que foi promulgada a Constituição de 1988, era uma – inclusive sedimentado no âmbito do Direito Privado o aplicador ao alterar esse conceito em função da qualificação do sujeito passivo está praticando uma inconstitucionalidade, posto que exorbita aos marcos fixados pela Constituição. Aliás, e por esta razão, o artigo 110 do Código Tributário Nacional é didático ao estabelecer que a manipulação de conceitos constitucionais para fins de incidência tributária não é permitida pelo próprio sistema, ao asseverar que “a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” Destarte, uma vez declarada a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Mandado de Segurança, a recorrente, a despeito da sua condição de seguradora, deve observar para fins de apuração e recolhimento do PIS e da COFINS, o conceito ÚNICO de faturamento previsto na Lei Complementar nº 70/91, correspondente à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Tanto assim o é, que quando se intentou que a Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) englobasse receitas outras além do faturamento auferido pelas Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 366 28 instituições financeiras e seguradoras, quais sejam as receitas financeiras, se fez editar a Emenda Constitucional de Revisão nº 1/94, para fazer que referida contribuição incidisse “sobre a receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza”. Ou seja, quando se pretendeu tributar as receitas típicas das instituições financeiras e seguradoras pela contribuição ao PIS, alterouse via emenda de revisão a sua respectiva base de cálculo, uma vez que o artigo 195, I da Constituição Federal não permitia tal incidência. A distinção entre o conceito de faturamento (receita bruta em sentido estrito) e receita em termos de receita operacional (receita típica da empresa) não é novidade inclusive para fins fiscais. O artigo 22, §1° do DL 2397/87) ao determinar a incidência do FINSOCIAL assim estabeleceu: receita bruta é a oriunda das “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”, diferenciandoa das “rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas, (...)”(alínea “b”), bem como “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas” (alínea “c”). Vale dizer, quando o legislador pretendeu tributar as receitas financeiras das instituições financeiras e seguradoras, trouxe, como não poderia deixar de ser, para o critério material da hipótese de incidência o termo “rendas e receita operacional”. Portanto, considerando que as seguradoras auferem, em regra, receitas decorrentes de venda de apólices de seguros a seus clientes; receitas oriundas da atividade típica das seguradoras e das instituições financeiras (receitas financeiras e assemelhadas) e outras receitas (indenizações recebidas, resseguros, etc), o PIS e a COFINS somente deve incidir sobre as primeiras, ou sendo bem explicito, as receitas auferidas pela Recorrente em conseqüência da prestação de serviços típicas das seguradoras a seus clientes, pois apenas tais receitas se subsumem ao conceito de faturamento constitucionalmente previsto. Inclusive, entender de modo diverso que, as receitas financeiras oriundas do exercício da atividade empresarial devem ser tributadas pelo PIS e pela COFINS, acabaria por desrespeitar os limites da coisa julgada conquanto estaria por restabelecer parcialmente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da medida judicial impetrada pelo contribuinte.. Por tudo exposto, verificase que a interpretação equivocada do vocábulo faturamento, atribuindolhe uma significação mais ampla do que aquela delimitada tanto pela legislação vigente, como pela própria jurisprudência firmada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, incluindo receitas auferidas pela recorrente não decorrentes da sua prestação de serviços, a exemplo de receitas financeiras, incorre em manifesta inconstitucionalidade e ilegalidade, por violar o artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, além de modificar o sentido e alcance da expressão, firmados pelo direito privado, especialmente pelos artigos 219, do Código Comercial, e 1º e 20, da Lei nº 5.474/68, o que não é permitido pelo artigo 110 do Código Tributário Nacional. 2.3 Da violação ao artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988, ao artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91 e aos artigos 2º e 3º da própria Lei nº 9.718/98, após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do seu artigo 3º pelo Supremo Tribunal Federal Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 367 29 A Recorrente está obrigada, desde 1º de fevereiro de 1999, ao recolhimento mensal do PIS e da COFINS tendo por base o seu faturamento, na medida em que foi julgado inconstitucional pelo STF o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 nos autos do Mandado de Segurança. Por sua vez, conforme exaustivamente demonstrado, o conceito de faturamento que deve ser observado pela Recorrente para fins de apuração e recolhimento da COFINS, é aquele previsto no artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. Nesse contexto, em vista de todo o exposto, verificase que a cobrança do PIS e da COFINS sobre receitas da recorrente não decorrentes da sua prestação de serviços aos seus clientes (como as receitas financeiras) viola frontalmente o sentido do artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91 c/c artigos 2º e 3º da própria Lei nº 9.718/98, que estabelecem a incidência da contribuição em questão apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas, assim entendido como a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”. Não fosse isso, a cobrança do PIS e da COFINS sobre receitas do recorrente não incluídas no conceito de faturamento viola, por conseguinte, o princípio da estrita legalidade tributária previsto no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal, abaixo transcrito, na medida em que não há na legislação pátria, após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 para o Recorrente, lei que fundamente a cobrança em questão: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...)”. Com efeito, como é cediço, o princípio da legalidade, em festejo, por sua vez, ao princípio da segurança jurídica, garante ao contribuinte que a hipótese de incidência tributária será veiculada por meio de lei em sentido formal, mais precisamente, lei ordinária. Neste diapasão, a definição de todos os elementos da hipótese de incidência tributária, mediante lei em sentido formal, também é necessidade imperiosa à legitimidade da imposição do tributo e consubstancia outra expressão da legalidade: princípio da tipicidade. Portanto, a lei deverá contemplar a descrição completa que ensejará o nascimento da obrigação tributária, já que esta, por sua vez, não pode ficar adstrita à vontade da autoridade fiscal. Corroborando tudo o quanto aqui esposado, preciosas são as lições do mestre Luciano Amaro, in Direito Tributário Brasileiro, 6ª ed., 2001, Saraiva, p. 112 e p. 111, respectivamente: “ (...) Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 368 30 A lei exigida pela Constituição Federal para criação do tributo é, como regra, a lei ordinária; por exceção para alguns tributos, a Constituição requer lei complementar; é o caso por exemplo, dos impostos que podem ser criados pela União no exercício da chamada competência residual (art. 154 da CF). Ao estudarmos as fontes do direito tributário, vamos analisar essas hipóteses, e ainda examinar figuras normativas que, como sucedâneo da lei ordinária, podem fazerlhe as vezes na criação ou modificação de tributos”. (...)”. “ (...) Isso leva a uma outra expressão da legalidade dos tributos, que é o princípio da tipicidade tributária, dirigido ao legislador e ao aplicador da lei. Deve o legislador, ao formular a lei, definir de modo taxativo (numerus clausus) e completo, a situações (tipos) tributáveis, cuja ocorrência será necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, bem como os critérios de quantificação (medida) do tributo. Por outro lado, ao aplicador da lei vedase interpretação extensiva e a analogia, incompatíveis com a taxatividade e determinação dos tipos tributários. Á vista da impossibilidade de serem invocados, para a valorização dos fatos, elementos estranhos aos contidos no tipo legal, a tipicidade tributária costuma qualificarse de fechada ou cerrada, de sorte que o brocardo nullum tributum sine lege traduz o ‘imperativo de que todos os elementos necessários à tributação do caso concreto se contenham e apenas se contenham na lei’. (...)”. As palavras de Roque Antônio Carrazza também são de muita valia: “No campo tributário, o princípio da legalidade trata de garantir a exigência de autoimposição, isto é, que sejam os próprios cidadãos, por meio de seus representantes, que determinem a repartição da carga tributária e, em conseqüência, os tributos que, de cada um deles, pode ser exigido. Assim, o patrimônio dos contribuintes só pode ser atingido nos casos e modos previstos na lei, que deve ser geral, abstrata, e igual para todos, (art. 5º, I e 150, II ambos da CF), irretroativa (art. 150, III “a” da CF), não confiscatória (art. 150, IV da CF).” (Curso de Direito Constitucional Tributário, pg. 175) (Grifos nossos) Por fim, a título meramente ilustrativo, importante mencionar trecho do voto histórico proferido pelo então ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Gallotti, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 71.758 em 1972. “Se a lei pudesse chamar de compra o que não é compra, de importação o que não é importação, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721112/201177 Acórdão n.º 3302002.439 S3C3T2 Fl. 369 31 tributário inscrito na Constituição.” (trecho do voto histórico proferido pelo então ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Gallotti, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 71.758 em 1972) Diante de todo o exposto, em vista do conceito constitucional de faturamento já delimitado nos itens anteriores, que compreende apenas as receitas decorrentes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, a tributação de receitas outras auferidas pelo Recorrente (como as receitas financeiras) viola frontalmente o princípio da legalidade tributária, na medida em que não há no ordenamento jurídico pátrio lei que chancele a cobrança em questão. Voto pois, por dar provimento ao Recurso Voluntário É como voto, (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 12269.003777/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12269.003777/200919 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.350 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de março de 2014 Assunto AUTO DE INFRAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, GFIP Recorrente REDE SOS TURBO COMÉRCIO E MANUTENÇÃO DE TURBOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 69 .0 03 77 7/ 20 09 -1 9 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003777/200919 Resolução nº 2401000.350 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.210.0724, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 06 e seguintes, em fiscalização na empresa REDE SOS TURBO COMÉRCIO E MANUTENÇÃO DE TURBOS LTDAME verificouse que o contribuinte deixou de informar, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência GFIP: 1) As contribuições patronais (empresa e contribuições para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalhoRAT) uma vez que preencheu Campos com informações que alteraram o valor devido, no período de 02/2004 a 13/2007, quais sejam: a) Campo SIMPLES: a empresa informou o código 2 (optante pelo SIMPLES), nas competências de 02/2004 a 13/2007. A empresa foi excluída do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte a partir da competência janeiro/2004 através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n 0 031 de 03/06/2009 e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Devidos Pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL) através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n°036 de 08 /06/2009, a partir de 01/07/2007. b) Campo Alíquota RAT: informou 0,00 enquanto que o correto é 3,00%, nas competências de 02/2004 A 05/2007 E DE 2% DE 06/2007 A 13/2007. Portanto a empresa declarou apenas as contribuições descontadas dos segurados empregados e de contribuintes individuais (administradores) constantes das GFIP's entregues. 2) Os valores das remunerações dos segurados empregados e que não foram declarados em GFIP. a) Remuneração dos segurados empregados não declaradas em GFIP, referente a alimentação fornecida aos segurados empregados, conforme demonstrado na "Planilha 3 Salário de Contribuição dos segurados empregados referente ao Vale Refeição". b) Remuneração dos segurados empregados não declaradas em GFIP, referente ao pagamento de vale transporte conforme demonstrado na "Planilha 4 Salário de Contribuição dos segurados empregados referente ao Vale Transporte" . c) Remuneração dos segurados empregados não declaradas em GFIP, referente ao pagamento de assistência a empregados conforme demonstrado na "Planilha 5 Salário de Contribuição dos segurados empregados referente a assistência a empregados". Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003777/200919 Resolução nº 2401000.350 S2C4T1 Fl. 4 3 d) Remuneração dos segurados empregados, e não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, conforme demonstrado na "Planilha 1 Salário de Contribuição CONSOLIDADO dos segurados empregados da FOLHA DE PAGAMENTO" e na "Planilha 2 Salário de Contribuição CONSOLIDADO dos segurados empregados da FOLHA DE PAGAMENTO". Os saláriosde contribuição foram obtidos nas folhas de pagamentos. Os valores das remunerações dos segurados contribuintes Individuais e que não foram declarados em GFIP: a) Remuneração dos contribuintes individuais e não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, conforme "Planilha 6 Salário de Contribuição dos segurados Contribuinte Individual". Os valores dos serviços prestados pelos contribuintes individuais foi obtido na conta contábil 31047 MATERIAL APLICADO. A empresa foi intimada a apresentar a documentação comprobatória e não às exibiu, e portanto tais lançamentos foram considerados como pagamentos a beneficiários não identificados, na categoria de segurados contribuintes individuais. b) Remuneração dos contribuintes individuais, sócios administradores, e não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, conforme "Planilha 7 Salário de Contribuição dos administradores (Pro Labore) ". Os valores da retirada de Prólabore foram obtidos na conta contábil 31000 PRO LABORE. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 11/08/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/08/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 91 a 100. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 118 a 130. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2007 AI DEBCAD ,\" 37.210. 0724 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENC1ÁRIA. GFIP. DECLARAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. DECADÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. PRODUÇÃO DE PROVAS. Apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores constitui infração à legislação previdenciária. Não tendo sido esgotado o prazo decadencial, o lançamento pode ser efetuado. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas todas as informações necessárias ao sujeito passivo, possibilitando que este exerça plenamente o seu direito à defesa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003777/200919 Resolução nº 2401000.350 S2C4T1 Fl. 5 4 Estando quantificada em consonância com a legislação aplicável, a multa por descumprimento de obrigação acessória não pode ser afastada ou reduzida. Considerarseão não formulados os pedidos de diligência e perícia quando a empresa não apresentar os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, e no caso de perícia, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 163 a 173 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação e dos autos de obrigação principal., quais sejam: 1. O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade, ou ainda, Princípio da Proibição de excesso que! conforme interpretação do Supremo Tribunal Federal, tem sua sede | material na disposição constitucional que determina a observância do devido processo legal substantivo, surgiu com a finalidade de impedir restrições desproporcionais aos direitos fundamentais, seja por atos administrativos, seja por atos legislativos. 2. É o que deve ser aplicado ao caso em discussão. A recorrente deve ser mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, bem como do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, Simples Nacional, pois a par da falta de registro da movimentação financeira, a mesma é uma microempresa de pequeno porte, e preenche os requisitos necessários para tanto. 3. De outra banda, ainda que o entendimento seja diverso do acima exposto, deve ser invalidade o presente auto de infração, pois é consabido que os efeitos da exclusão do SIMPLES passam a vigorar a partir do ato de exclusão. Insurgese, quanto aos efeitos do ato de exclusão, reclamando da retroatividade pois, no caso em tela, não é possível aplicar a norma que dá efeitos retroativos à exclusão do regime. Sustenta por sua vez, que o artigo 15, inciso II da Lei 9.317/96 determina que a exclusão, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9°, gera efeitos no mês subsequente à ocorrência da situação excludente. 4. Aduz que a empresa está dentro do enquadramento legal que lhe permite participar do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL e que o critério utilizado pela fiscalização para a exclusão foi exclusivamente subjetivo e desproporcional. Ressalta que em nenhum momento foi detectada a falta de regularidade de suas declarações enquanto empresa integrante dos referidos sistemas. Sustenta que a movimentação bancária não é documento de obrigação principal, mas sim acessória c que por ter apresentado todos os demais documentos obrigatórios, não se pode concluir que houve a intenção de causar embaraço à fiscalização. 5. Requer, ao final, o seu reenquadramento nos sistemas SIMPLES, a suspensão do presente Auto de Infração até o trânsito em julgado do processo administrativo dc exclusão, e que seja declarada a sua nulidade, pois os atos declaratórios executivos n° 031 e 036 não devem prosperar. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003777/200919 Resolução nº 2401000.350 S2C4T1 Fl. 6 5 6. Afirma que as cobranças e multas aplicadas neste Auto de Infração não são válidas eis que retroagiram em data pretérita à data de exclusão, o que é ilegal. 7. Quanto ao mérito, aduz que conforme verificase do auto acima referido destinase a cobrança de créditos previdenciários relativo as contribuições da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas ao segurados empregados e dos contribuintes individuais, e das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de jincapacidade laborativa decorrente dos ricos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas ao [segurados empregados. 8. A cobrança é feita sobre as rubricas pagas a título de vale transporte, vale refeição, assistência médica e assistência a empregados, considerados pela fiscalização "in natura". 9. Ocorre que totalmente equivocado o entendimento do fisco, eis que não são parcelas salariais e não possuem natureza de salários os benefícios concedidos por liberalidade aos empregados. O fornecimento de vale transporte, vale refeição, assistência médica e assistência a empregados não possuem natureza salarial e sim indenizatória e como tal não está sujeita a tributação. 10. De outra banda, o auto de infração deve ser anulado tendo em vista que não está regularmente formado, consoante determina a lei tributária pertinente a validade dos autos de lançamento. Analisandose o referido auto, observase claramente que não consta a correta disposição legal infringida pela impugnante. No mesmo sentido, o ato de infração não é preciso quanto à irregularidade constatada por ventura da inspeção. Omite se relativa ou parcialmente, ou seja , o fundamento legal da infração supostamente cometida pela autuada, de forma direta, o que inviabiliza, ou no mínimo, torna difícil o exercício pleno do direito de defesa. 11. Caso não seja este o entendimento, o que admite apenas para argumentar alega que deve ser declarada a prescrição dos créditos relativos às competências anteriores a 03/06/2005, eis que ultrapassados cinco anos da data do fato gerador. Cita a Súmula Vinculante n° 08 do STF para ratificar o entendimento do prazo decadencial qüinqüenal. 12. A recorrente requer seja dado provimento ao seu recurso no sentido de ser totalmente julgada procedente a impugnação ora apresentada, declarandose a nulidade do auto de infração ora impugnado, primeiro por conter vícios insanáveis relativos a sua válida constituição , uma vez que não consta a indicação do dispositivo legal infringido, caracterizandose cerceamento de defesa, e segundo, por estar em total desrespeito a lei, não preenchendo os requisitos mínimos para |sua validade, tal como [exigidos pela disposição legal pertinente, e por conseguinte, ver desconstituído o crédito tributário apurado. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003777/200919 Resolução nº 2401000.350 S2C4T1 Fl. 7 6 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 162 a 163. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Primeiramente, importante mencionar que o presente processo encontrase vinculado ao processo n. 12269003774/200977, onde foi lançada a obrigação principal., parte patronal. Pela análise dos autos identificase que o fato que ensejou a lavratura dos Autos de infração nos moldes em que se encontram, foi o fato da empresa ter sido excluída do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte, a partir da competência janeiro/2004, através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n ~ 031 de 03/06/2009 e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Devidos Pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL), através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n°036 de 08 /06/2009, a partir de 01/07/2007. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou o AI procedente, destacando a impossibilidade de suspensão do presente processo, face a existência de recurso nos processos em que se discute a procedência da exclusão do SIMPLES e seus efeitos retroativos. Assim, pronunciouse aquela autoridade: Do Pedido de Suspensão do Auto de Infração Uma das características do chamado efeito suspensivo é a necessidade de previsão expressa na lei que criou o recurso; era outros termos, o efeito suspensivo não se presume, ele só existe quando o legislador manifesta a intenção de conferir esse efeito. É o que ensina Maria Sylvia Zanella Dl PIETRO, em seu "Direito Administrativo, São Paulo: Atlas. 19a ed., 2006, p. 697: O efeito suspensivo, como o próprio nome diz, suspende os efeitos do ato até a decisão do recurso: ele só existe quando a lei o preveja expressamente. Por outras palavras, no silêncio da lei, o recurso tem apenas efeito devolutivo. Esse princípio foi positivado na legislação do processo administrativo federal, através da Lei n° 9.784/99, que assim dispõe em seu artigo 61: Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo. Todavia, aplicase a suspensão da exigibilidade às exigências fiscais formalizadas nos presentes autos, em razão desta própria impugnação apresentada, nos termos do art. 151, III do CTN, in verbis: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003777/200919 Resolução nº 2401000.350 S2C4T1 Fl. 8 7 ¡11 as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito szjii suspenso, ou dela consequentes, (g. n.) Não há, igualmente, previsão de efeito suspensivo em eventual recurso contra a exclusão, na própria Lei n.° 9.317/96. Donde se conclui não haver previsão legal para o efeito suspensivo no recurso cabível contra o ato de exclusão do Simples, em relação à constituição dos créditos tributários previdenciários decorrentes. Não bá razão para sobrestar o presente julgamento. Todavia, ao contrário do que entendeu referido julgador e mesmo considerando terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processos n. 12269.001984/200921 e 12269.002258/200925, considerando que as contribuições aqui lançadas deramse exclusivamente pela exclusão da empresa do sistema SIMPLES. Contudo, após pesquisas no sistema do CARF, não se identificou decisão final a respeito das mesma, ou mesmo ter sido o processo distribuído. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise da Representação de Exclusão, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, devendo os autosdeinfração ficarem sobrestados aguardando o julgamento das do AI conexa(s). Tão logo o processo de Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processos n. 12269.001984/200921 e 12269.002258/200925 sejam julgados no âmbito do CARF, devem os autos retornar ao CARF, com cópia das referidas decisões para que seja dado prosseguimento ao julgamento. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este autodeinfração até o transito em julgado da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processos n. 12269.001984/200921 e 12269.002258/200925. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 16327.001264/2003-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEIO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. PERDA DO OBJETO.
A constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício implica na extinção deste litígio, não havendo como prosseguir no julgamento do processo pela perda do objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-002.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEIO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. PERDA DO OBJETO. A constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício implica na extinção deste litígio, não havendo como prosseguir no julgamento do processo pela perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEIO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. PERDA DO OBJETO. A constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício implica na extinção deste litígio, não havendo como prosseguir no julgamento do processo pela perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 64 /2 00 3- 99 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.001264/200399 Acórdão n.º 3801002.834 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: DOS FATOS Trata o processo da compensação da importância de R$ 2.700,20, relativa à parcela da COFINS devida no mês 05/99, compensada indevidamente no processo nº 13805.005984/9898, conforme despacho decisório de fls. 15 a 17. Em decorrência, foi lavrado Auto de Infração do débito, processo nº 16327.001638/200376, impugnado pela interessada (fls. 32 a 43, e 163). No presente processo, de Declaração de Compensação (DCOMP), a interessada objetiva efetivar a quitação do referido saldo devedor da COFINS, com alegado direito de crédito do FINSOCIAL Notase que o processo foi formalizado em 14/04/2003, data anterior ao lançamento de ofício do débito compensado, efetuado em 09/05/2003. Com base em decisão judicial, que declarou a inconstitucionalidade das majorações de alíquota do FINSOCIAL, e assegurou o direito de compensar os pagamentos excedentes corrigidos pelos índices oficiais com débitos da COFINS, a interessada apurou crédito residual de 19.265,06 UFIR, correspondente à diferença entre o excesso de pagamento de FINSOCIAL referente ao período de 12/89 a 11/90 e os débitos da mesma contribuição do período de 12/90 a 03/92 (fl. 110). Às fls. 111 a 117 foram juntadas cópias dos DARFs e demonstrativos, base de apuração do indébito. Os débitos do FINSOCIAL do período de 12/90 a 03/92 foram lançados de ofício, por Auto de Infração, processo nº 16327.000930/9970, impugnado pela interessada (fls. 118 a 140). DO DESPACHO DECISÓRIO Em face do acima relatado, foi proferido Despacho Decisório (fls. 164 a 166), no seguinte sentido. Verificouse a existência de excesso de pagamentos de FINSOCIAL no período de 12/89 a 11/90, utilizado na compensação de débitos do próprio tributo relativos a 12/89 a 03/92. Conforme cálculo de fls. 153 a 161, os pagamentos efetuados não foram suficientes para a quitação de todos os débitos do FINSOCIAL, remanescendo os débitos relacionados à fl. 153. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.001264/200399 Acórdão n.º 3801002.834 S3TE01 Fl. 12 3 Diante do exposto, decidiuse: pela não homologação da compensação do débito da COFINS, no valor de R$ 2.700,20, referente ao mês de 05/99, face à inexistência do alegado indébito; pelo cancelamento do débito controlado no processo nº 16327.001264/200399, posto que lançado de ofício no processo nº 16327.001638/200376. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do Despacho Decisório em 15/04/2004 (fl. 171), a contribuinte, por meio de seu representante, apresentou, em 17/05/2004, a manifestação de inconformidade de fls. 172 a 177, alegando, em síntese: Entre a data do fato gerador da obrigação tributária relativa ao FINSOCIAL (12/90 a 03/92) e a constituição do crédito tributário (em 1999), decorreramse mais de 5 anos, tendo ocorrido a decadência do direito de efetuar o lançamento, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. Outro ponto que causa espécie é ao “cruzamento” entre os procedimentos administrativos. Não é crível que se “misture” os 2 processos, onde, em um buscase a compensação daquilo que comprovadamente foi recolhido a maior, e em outro, sem qualquer decisão ainda, que, como se viu inclusive, está alcançado pela decadência, discutese a existência ou não de débito tributário. Além disso, conforme demonstrado em planilha anexa, os cálculos efetuados pela autoridade administrativa estão em desconformidade com a legislação pertinente. A DRJ em São Paulo (SP) indeferiu a solicitação do contribuinte nos termos da ementa abaixo transcrita: Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO. Decai em 10 anos o direito de constituição do crédito tributário relativo ao FINSOCIAL. ERRO DE CÁLCULO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Desconsiderase a mera alegação de erro de cálculo, desacompanhada de comprovação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Após descrever os fatos, em síntese, apresentou as seguintes alegações. Esclarece inicialmente que a divergência trazida a apreciação deste Eg. Conselho de Contribuintes está no fato de que, o fisco, ao fazer o "encontro de contas", ou seja, ao levantar o crédito a favor da ora recorrente, como reconhecidamente o fez, face a decisão judicial transitada em julgado de que é detentora, não adotou o mesmo critério em relação aos débitos de FINSOCIAL, fazendo incidir sobre estes, multa e juros moratórios. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.001264/200399 Acórdão n.º 3801002.834 S3TE01 Fl. 13 4 Sustenta que o fisco não poderia, ao efetuar a compensação, ao mesmo tempo, efetuar o lançamento de oficio de multa e juros sobre o crédito tributário recolhido, face ao decurso do prazo decadencial de 05 (cinco) anos para tanto. Alega que é equivocado o entendimento, como o fez, o Sr. Auditor Fiscal ao asseverar que o prazo decadencial das contribuições é de 10 (dez) anos. Colaciona jurisprudência administrativa. Destaca que naquele outro processo, o qual recebeu o n° 16327.000930/99 70, a recorrente em data de 04 de maio de 1999 foi autuada pelo não recolhimento do FINSOCIAL de 12/90 a 03/92, o qual como se viu, decaiu o direito da Fazenda Pública de fazêlo o que no entanto, não houve julgamento até o presente momento. Assim, se considerarmos, ao invés do débito lançado no auto de infração (Processo n° 16327.000930/9970) como equivocadamente o fez o Sr. Auditor Fiscal, apenas o débito acrescido de atualização monetária, a recorrente ainda é detentora de um crédito de 19.265,06 UFIR's, não podendo, portanto, ser indeferida a presente compensação, sob o fundamento de inexistência de saldo, como já demonstrado no presente feito. Por fim, requereu que fosse acolhido seu recurso para o fim de reformar a decisão de primeira instância, homologandose a compensação efetuada. Após a decisão de primeira instância o processo foi apensado ao processo n° 16327.000930/9970 em que se discute a existência de créditos de FINSOCIAL, conforme despacho de fl. 216 e Termo de Juntada por Apensação de fls. 225. Em face de entendimento divergente do então Presidente da Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes o processo n° 16327.000930/9970 foi desapensado. Por último, foi proferido pela então Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes acórdão declinando a competência em favor do Segundo Conselho de Contribuintes. Outrossim, o processo foi redistribuído para este relator por sorteio. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.001264/200399 Acórdão n.º 3801002.834 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo, todavia dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. Como relatado e segundo consta do Despacho Decisório da então Delegacia Especial de Instituições Financeiras, fls. 164 a 166, o presente processo versa sobre a compensação do valor de R$ 2.700,20, relativa a parcela da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) devida no mês 05/1999, compensada indevidamente no processo nº 13805.005984/9898. Destacase que este valor compensado indevidamente da Cofins foi objeto de lançamento de ofício, conforme processo n° 16237.001638/200376. Ademais, nos termos do Despacho Decisório acima citado, o débito que era controlado neste processo também correspondia a Cofins do período de apuração de maio de 1999. Em razão da constituição do crédito tributário compensado indevidamente por meio de auto de infração, o débito deste processo foi cancelado. Assim sendo, o presente processo perdeu seu objeto. Como visto, a discussão da compensação, se legítima ou não, transferiuse para o processo 16237.001638/200376, que se encontra arquivado desde 28/11/2007, segundo consulta ao sistema Comprot do Ministério da Fazenda. Desta forma, estando o crédito tributário discutido em outro processo administrativo, não mais existe litígio administrativo, não havendo como prosseguir no julgamento do processo, razão pela qual o recurso interposto perdeu seu objeto. Neste sentido o art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010 dispõe: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.(grifouse). Fl. 247DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.001264/200399 Acórdão n.º 3801002.834 S3TE01 Fl. 15 6 Em remate, pelos elementos que compõe os autos, concluise que este processo administrativo fiscal perdeu seu objeto, uma vez que o crédito tributário em discussão foi transferido para outro processo. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10650.001591/2005-54
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 2001
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO.
Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador que, no caso da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ocorre no último dia do trimestre, nos casos de levantamentos trimestrais, ou em 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, nos casos de levantamentos anuais. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado 1 - Por maioria dos votos, recurso da Fazenda conhecido. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima, Karem Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffmann. 2 - Por unanimidade dos votos, recurso da Fazenda negado provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior, Karem
Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmir Sandri, sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez – Redator Ad Hoc
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO L ÍQUIDO - CSLL Exercício: 2001 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador que, no caso da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ocorre no último dia do trimestre, nos casos de levantamentos trimestrais, ou em 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, nos casos de levantamentos anuais. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado 1 - Por maioria dos votos, recurso da Fazenda conhecido. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima, Karem Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffmann. 2 - Por unanimidade dos votos, recurso da Fazenda negado provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior, Karem Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmir Sandri, sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente Fl. 915DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez – Redator Ad Hoc - Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão. José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro De Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmir Sandri. Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 29/06/2007 (fls. 686), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, em 03/07/2007, seu Recurso Especial (fls. 689/703), para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 101-95.906, de 07/12/2006 (fls. 671/684) cuja decisão, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido até 30/09/2000 suscitada através do recurso voluntário interposto, em 14/06/2006, pelo contribuinte Real Expresso Ltda. (fls. 633/651). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 7º, inciso II, da Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que contra o contribuinte, Real Expresso Ltda., foi lavrado, em 30/11/2005, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberaba – MG, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro liquido (fls. 04/35), com ciência, em 06/12/2005 (fls. 549) exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 19.644.671,58, a título de Imposto de Renda pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal agravada de 112,5% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo referente aos exercícios de 2001 a 2003, correspondente aos anos- calendário de 2000 a 2002, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão interna, onde a autoridade fiscal lançadora procedeu o arbitramento do lucro tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação ' do Lucro Real, e também pela não apresentação dos livros auxiliares que discriminariam os lançamentos das receitas de vendas de bilhetes de passagem rodoviários/aluguel/fretamento de ônibus. Infração capitulada no art. 530, incisos II, do RIR/99. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10650.001591/2005-54 Acórdão n.º 9101-001.758 CSRF-T1 Fl. 3 3 Os Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, através do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 36/47), lavrado em 30/11/2005, as irregularidades apuradas. Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 04/01/2006 (fls. 570/588), instruído pelos documentos de fls. 589/612 e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora - MG, em 26/04/2006, decide julgar procedente, em parte, o lançamento, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado (fls. 614/624), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: - que a escrituração resumida do Diário deve ser subsidiada por livros auxiliares que individualizem cada operação, cabendo, na falta desses, o arbitramento de lucros; - que como não existe arbitramento condicional, o lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração, cuja recusa ou inexistência foi a causa do arbitramento; - que nos tributos que se submetem ao lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se dá em 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, que sendo de natureza complexiva, ocorre no último dia do período de apuração. CSLL. Por força de disposição legal específica, é de 10 (dez) anos o prazo de decadência das contribuições para a seguridade social, contado a partir do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído; - que a partir de 31/10/2003 é incabível o lançamento de oficio de débitos confessados em instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário; - que a exasperação da penalidade só é cabível quando, mediante intimação formal para prestar esclarecimentos, restar comprovado que ocorreu recusa e/ou resistência por parte do contribuinte em atender a requisição; - que a solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se ao litígio decorrente, quanto à mesma matéria fática. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 19/05/2006, conforme Termo constante às fls. 625/628, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 14/06/2006, o seu Recurso Voluntário (fls. 633/651), instruído pelos documentos de fls. 652/669, o qual, ao ser apreciado pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 101-95.906, de 07/12/2006 (fls. 671/684), proferiu, por unanimidade de votos, a decisão de negar provimento ao Recurso de Ofício e quanto ao Recurso Voluntário de acolher a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito da CSLL relativos aos fatos geradores até 30/009/2000, conforme se verifica de sua ementa e decisão: IRPJ e CSLL: ARBITRAMENTO DO LUCRO. Impõe-se o arbitramento do lucro quando a escrituração do contribuinte revele vícios que a tornem imprestável para apurar o lucro real. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 DECADÊNCIA. CSLL- De acordo com a jurisprudência dominante na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a decadência da CSLL se rege pelas normas do CTN. DETERMINAÇÃO DA EXIGÊNCIA- Correta a decisão de primeira instância que determina a dedução, do valor a ser lançado, do montante declarado em DCTF. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Não subsiste a exasperação da penalidade se não restar comprovado o desatendimento do contribuinte a intimação formal para prestar esclarecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos de ofício e voluntário, interpostos pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora — MG e por Real Expresso Limitada. ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, acolher a preliminar de decadência da CSLL em relação aos fatos geradores ocorridos até 30.09.2000 e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 29/06/2007, conforme Termo constante às fls. 686, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (03/07/2007), o seu Recurso Especial de fls. 689/703, com amparo no art. 7º, inciso II, da Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II, 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: - que ao afastar a aplicação, ao presente caso, das disposições constantes no art. 45 da Lei 8.212/91, a e. Câmara a quo aduziu uma suposta incompatibilidade da Lei n.° 8.212/91 com a CF/88 e também com o Código Tributário Nacional; - que ao aplicar o disposto no art. 150, §4° do CTN ao caso, no lugar do art. 45 da Lei n.° 8.212/91, a e. Câmara a quo enfrentou e declarou, ainda que incidentemente, a suposta inconstitucionalidade do referido dispositivo; - que, com efeito, a suposta inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 foi afirmada quando a e. Câmara a quo afastou a sua aplicação, porque estaria em desacordo com a lei complementar (no caso, o Código Tributário Nacional); - que consoante a jurisprudência dos egrégios STJ e STF, a apreciação sobre conflito entre dispositivos de lei complementar e lei ordinária significa decidir se esta última norma ultrapassou ou não a competência que lhe foi delimitada na Constituição Federal; - que a e. Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, fulcrada não só em respeitável doutrina e jurisprudência, mas em pareceres emitidos pela Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional, julgou, reiteradamente, a incompetência deste Conselho para apreciar a inconstitucionalidade de norma legal; Fl. 918DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10650.001591/2005-54 Acórdão n.º 9101-001.758 CSRF-T1 Fl. 4 5 - que, por outro lado, o entendimento da e. Câmara a quo também está em desacordo com outro julgado da e. Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que declarou que o art. 45 da Lei 8.212/91 estipula prazo decadencial para o lançamento da CSSL, o qual deve ser aplicado em lugar do disposto pelo Código Tributário Nacional. Transcreve-se a seguir a ementa do acórdão paradigma; - que consoante o voto condutor do acórdão paradigma, o art. 45 da Lei 8.212/91 está adequado ao art. 150, §4° do Código Tributário Nacional, na parte em que prevê a edição de lei ordinária fixando prazos decadenciais diversos para o lançamento dos tributos recolhidos mediante o sistema de "lançamento por homologação", a exemplo da CSSL. Segue abaixo o acórdão paradigma apresentado (fls. 713), do qual transcrevo a respectiva ementa na parte que interessa: Acórdão 105-13.549: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. DECADÊNCIA. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (Art. 45, Inciso I, da Lei n° 8.212/91). Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes exarou o Despacho nº 101-128/2007, de 17/08/2007 (fls. 733/736), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Ciente, em 30/04/2008 (fls. 743/744), nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, o contribuinte apresenta, tempestivamente, em 09/05/2008, as contrarrazões (fls. 810/823), sem instrução de documentos adicionais, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: - que a Procuradoria da Fazenda Nacional se insurgiu contra a decisão de segunda instância na parte que julgou a decadência do lançamento da CSLL, referente aos 1º, 2° e 3° trimestres de 2000, por considerá-la contrária à Lei n° 8.212, de 1991, que prevê o prazo decadencial de dez anos para a constituição do respectivo crédito tributário; - que o acórdão guerreado foi fundamentado na regra do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, por entender a Conselheira-Relatora que é inaplicável ao caso o art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, baseada na jurisprudência desta Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, segundo a qual a decadência da CSLL se rege pelo Código Tributário Nacional; - que a tese orientadora do Acórdão recorrido n° 101-95.906 é a de que é aplicável ao caso o regramento do art. 150, § 4 0, do CTN, considerando a jurisprudência dominante na Câmara Superior de Recursos Fiscais. A ciência aos Autos de Infração ocorreu em dezembro de 2005 e nesta data, os fatos geradores ocorridos até o terceiro trimestre de 2000, inclusive, já se encontravam alcançados pela decadência, e por conseguinte, já havia exaurido o direito de a Fazenda Pública constituir de oficio os créditos tributários, tanto do IRPJ quanto da CSLL; Fl. 919DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 - que não assiste razão à d. PFN invocar esta proibição porque o acórdão guerreado foi prolatado com observância dos princípios norteadores da Administração Pública, enumerados no art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999, quais sejam, da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A competência do Conselho de Contribuintes derivada do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal) foi, portanto, exercida nos limites legalmente expressos, não deixando margem a que seja censurados; - que por sua natureza tributária, a CSLL deve ser tratada à luz do Código Tributário Nacional — Lei n° 5.172, de 1966, aplicando-se o regramento do § 4° do art. 150 do CTN, quanto ao prazo decadencial. Assim, a análise correta é a seguinte: - trata-se de tributo lançado por homologação, - o prazo decadencial para formalização do lançamento de oficio é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; - o crédito tributário em comento se refere aos fatos geradores ocorridos em 2000 a 2002; - o Auto de Infração foi lavrado com ciência para a autuada em 06.12.2005, razão pela qual os três primeiros trimestres de 2000 estão alcançados pela decadência; - que o crédito tributário com relação à CSLL deve ser considerado extinto face à inércia da Administração Tributária em exercer sua função fiscalizadora. Em outras palavras, o lançamento de oficio por ter sido formalizado após expirado o prazo de cinco anos contados da ocorrência dos fatos geradores deve ser tornado insubsistente porque o direito da Fazenda Pública está extinto pelo decurso do prazo decadencial. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Redator Ad Hoc Designado Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida no acórdão nº 9101-001.758, de 15 de outubro de 2013, processo de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Turma da CSRF resolveu designar este conselheiro como redator ad hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 29/06/2007 (fls. 686) e tendo protocolizado o presente apelo em 03/07/2007 (fls. 689/703), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidencia-se a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos verifica-se, que após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o presidente da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes exarou o Despacho nº 101-128/2007, de 17/08/2007 (fls. 733/736), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. É de se observar, que a Fazenda Nacional, cumpriu com os requisitos previstos no RI-CARF para interpor Recurso Especial de Divergência, já que acostou aos autos Fl. 920DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10650.001591/2005-54 Acórdão n.º 9101-001.758 CSRF-T1 Fl. 5 7 cópia de ementas divergentes de decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, bem como demonstrou analiticamente com a indicação do ponto no paradigma colacionado que divirja de ponto específico no acórdão recorrido. O confronto dos fundamentos expressos nos enunciados (acórdãos: recorrido e paradigma) evidencia que a Fazenda Nacional logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, tendo em vista que em situações fáticas idênticas chegou-se a conclusões distintas, com diferentes interpretações dadas à legislação tributária. Assim, do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com a ementa do acórdão paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, refere-se a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é o termo inicial para a contagem do prazo decadencial da Contribuição Social sobre o Lucro líquido. Assim, o mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com a ementa do acórdão paradigma já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, questiona-se qual seria o dispositivo aplicável para aferição do prazo decadencial tratando-se de tributos sujeitos à modalidade do lançamento por homologação. Contudo, enquanto o acórdão paradigma considerara que no caso o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (Art. 45, Inciso I, da Lei n° 8.212/91), o acórdão recorrido ao contrário, apenas ponderou que de acordo com a jurisprudência dominante na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a decadência da CSLL se rege pelas normas do Código Tributário Nacional. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Depreende-se do relatado que a Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial de Divergência, com amparo no art. 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, insurgindo-se contra decisão da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, exarado pelo Acórdão 101-95.906, de 07/12/2006, que, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência da CSLL em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/09/2000, baseado no argumento de que de acordo com a jurisprudência dominante na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a decadência da CSLL se rege pelas normas do Código Tributário Nacional. Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão- somente no que se refere ao termo inicial da contagem do prazo decadencial dos tributos considerados lançamento por homologação. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Quando se fala em decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, é preciso admitir, antes de mais nada, que se está diante de uma das mais polêmicas questões embutidas em nosso direito tributário. Entretanto, entendo, que nos dias atuais, no que diz respeito a discussão sobre o termo inicial da contagem do prazo decadencial, tornou-se pacifica, já que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº. 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Dispôs o art.62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. A contagem do prazo decadencial é um destes temas. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10650.001591/2005-54 Acórdão n.º 9101-001.758 CSRF-T1 Fl. 6 9 A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/0176994-0), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se Documento: 6162167 - EMENTA / ACÓRDÃO - Site certificado - DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 923DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.203.986 - MG (2010/0139559-7), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543-C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados:I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência Fl. 924DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10650.001591/2005-54 Acórdão n.º 9101-001.758 CSRF-T1 Fl. 7 11 do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 - EMENTA / ACÓRDÃO - Site certificado - DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534-C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Fl. 925DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se esclarecer, que na solução dos Embargos de Declaração impetrado pela Fazenda Nacional no Recurso Especial nº. 674.497 - PR (2004/0109978-2), houve o acolhimento em parte do embargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para modificar o entendimento sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Trata-se de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirando-se em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, tem-se por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim se manifestou em seu voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizando-se da sistemática prevista no art. 543-C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Fl. 926DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10650.001591/2005-54 Acórdão n.º 9101-001.758 CSRF-T1 Fl. 8 13 Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirando-se em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, tem-se por não consumada a decadência, in casu. Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em questão trata de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ocorrido no ano-calendário de 2000, relativo aos três primeiros trimestres (31/03/2000; 30/06/2000 e 30/09/2000). Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de marco inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falar-se em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o significado de “pagamento antecipado”, já que houve recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, como restou consignado nos demonstrativos de fls. 353/356 e em sua Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ de fls. 459/462. Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 31/03/2000; 30/06/2000 e 30/09/2000, já que os fatos geradores ocorreram em 31/03/2000; 30/06/2000 e 30/09/2000. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que houve pagamento antecipado, é a data do fato gerador da exigência tributária". O prazo fatal para a constituição do lançamento ocorreria em 31/03/2005, 30/06/2005 e 30/09/2005, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 06/12/2005, está Fl. 927DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado para os três primeiros trimestres do ano-calendário de 2000. Assim sendo, considero que em relação à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, com pagamento antecipado, o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que ocorre no último dia do trimestre, nos casos de levantamentos trimestrais, ou em 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, nos casos de levantamentos anuais. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Nestas condições, entendo que se faz necessário adaptar a decisão recorrida aos julgados do Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de negar provimento. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 928DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13974.000684/2007-69
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 15/01/1998 a 13/12/2002
PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DOS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos termos da decisão do STF o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 anos para os pedidos protocolizados antes de 9 de junho de 2005 e de 5 anos se o pedido foi apresentado a partir dessa data.
ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL
Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Marcos Antonio Borges declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira, declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 15/01/1998 a 13/12/2002 PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DOS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos termos da decisão do STF o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 anos para os pedidos protocolizados antes de 9 de junho de 2005 e de 5 anos se o pedido foi apresentado a partir dessa data. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 15/01/1998 a 13/12/2002 PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DOS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos termos da decisão do STF o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 anos para os pedidos protocolizados antes de 9 de junho de 2005 e de 5 anos se o pedido foi apresentado a partir dessa data. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Marcos Antonio Borges declarouse impedido. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 06 84 /2 00 7- 69 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13974.000684/200769 Acórdão n.º 3801003.138 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira, declarouse impedido o Conselheiro Marcos Antonio Borges. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13974.000684/200769 Acórdão n.º 3801003.138 S3TE01 Fl. 64 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Florianópolis: Trata o presente processo de pedido de restituição por meio do qual a contribuinte acima qualificada intenta a repetição de recolhimentos que teriam sido indevidamente efetivados a título de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS entre 15/01/1998 e 13/12/2002. O motivo para o pleito repetitório seria a indevida inclusão, na base de cálculo das contribuições recolhidas, da parcela relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias ICMS. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC pelo seu indeferimento (Despacho Decisório às folhas 21 a 24), fazendoo com base em dois fundamentos: (a) primeiro, o de que à época da apresentação do pedido de restituição, já teria tido transcurso integral o prazo de cinco anos para a repetição do indébito, previsto no inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional CTN. Como os recolhimentos foram feitos entre 1510111998 e 13/12/2002, e o pedido de restituição só foi formalizado em 18/12/2007, teria restado caracterizada a intempestividade do pleito repetitório; (b) e, segundo, que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS já estaria assentada inclusive na jurisprudência. Irresignada com o indeferimento de seu pleito, encaminhou a contribuinte, por meio de seu procurador legal mandato às folhas 16 , a manifestação de inconformidade às folhas 27 a 43, na qual apresenta suas razões. Inicialmente, discorda da interpretação dada pela DRF/Joinville/SC ao inciso I do artigo 168 do CTN. Alega que o prazo de cinco anos previsto no dispositivo legal só começa a ter curso, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, depois do transcurso do prazo previsto no parágrafo 4° do artigo 150 do mesmo CTN. Argumenta no sentido de que o artigo 3º da Lei Complementar n.° 118/2005, referido pela autoridade fiscal para fins de firmar seu entendimento de que os cinco anos se contam a partir do pagamento indevido, só teria aplicação para situações ocorridas a partir de sua vigência, como estaria firmado em decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça. A seguir, contesta a contribuinte, também, por argumentos de variada ordem, a assertiva fiscal de que o ICMS comporia as bases de cálculo do PIS. Tais argumentos não serão aqui, Fl. 67DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13974.000684/200769 Acórdão n.º 3801003.138 S3TE01 Fl. 65 4 entretanto, minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se prolatará no voto deste acórdão. A DRJ de Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRI Período de apuração: 15/01/1998 a 13/12/2002 REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a contribuinte o presente recurso voluntário apontando em resumo os mesmos argumentos que os da manifestação de inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13974.000684/200769 Acórdão n.º 3801003.138 S3TE01 Fl. 66 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos em discussão no presente processo, o um, o prazo prescricional para pedir a restituição de tributos pagos a maior; e, o dois, o direito da Recorrente em excluir da base de cálculo do PIS o ICMS. Quanto ao prazo para a contribuinte pleitear a compensação consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, pacificouse o entendimento de que o prazo estabelecido na Lei Complementar n.º 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação era de dez anos contados de seu fato gerador. Destarte, o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 anos para os pedidos protocolizados antes de 9 de junho de 2005 e de 5 anos se o pedido foi apresentado a partir dessa data. No presente caso, tendo o pedido sido apresentado em 18/12/2007 o período do pedido de restituição entre 1998 e 2002 já se encontrava decaído quando da sua apresentação. Em relação ao pagamento efetuado em 15 de janeiro de 2003, entretanto, tenho que o prazo não decaiu considerando que o entendimento da Corte Suprema é de que o prazo se conta da data do pagamento indevido. Quanto à inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS tenho que não é possível a esse conselho examinar a matéria, pois a inconstitucionalidade de lei tributária não é questão de debate dentro deste Conselho de Contribuinte, conforme a Súmula n.º 2 do CARF, que assim dispõe: “Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Nesse sentido, voto por julgar parcialmente procedente o recurso em relação ao prazo prescricional para pedir a restituição de tributo pago a maior tendo por não decaído somente o pagamento efetuado em 15 de janeiro de 2003 e negar provimento ao mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13974.000684/200769 Acórdão n.º 3801003.138 S3TE01 Fl. 67 6 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL
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Numero do processo: 10980.010848/2004-46
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
Nulidade. Lançamento Tributário.
Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material.
Juros. Taxa Selic.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
(Súmula nº 4 do Carf)
Multa De Ofício. Descabimento. Natureza Confiscatória. Inconstitucionalidade
Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF.
(Súmula nº 02 do CARF)
Súmulas. Observância Obrigatória.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 Nulidade. Lançamento Tributário. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. Juros. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do Carf) Multa De Ofício. Descabimento. Natureza Confiscatória. Inconstitucionalidade Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. (Súmula nº 02 do CARF) Súmulas. Observância Obrigatória. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
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PARCELA MÍNIMA A REALIZAR. Constatado nos autos que as parcelas mínimas a serem realizadas pela contribuinte nos trimestres de apuração do IRPJ não foram computadas no cálculo do lucro real, mantémse os lançamentos tributários nos valores já devidamente ajustados em decisão de primeira instância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO/DECLARAÇÃO DE DÉBITO. O lapso temporal para se averiguar a decadência da exigência fiscal no caso de contribuinte que não procedeu a recolhimento do tributo lançado, ou informou débito em DCTF, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 08 48 /2 00 4- 46 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (Súmula nº 4 do Carf) MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. (Súmula nº 02 do CARF) SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0620.053/08 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, efls. 135 a 146, que decidiu julgar procedente em parte o lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de IRPJ, relativa ao anocalendário de 1999, no valor integral de R$ 34.581,34 (principal e acréscimos legais). Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] Decorreu esse procedimento da constatação de ter havido, naqueles períodos: a) ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, do lucro inflacionario realizado, sem observância do percentual de realização mínima previsto na legislação de regência; e b) diferença entre o IRPJ declarado em DIPJ e em DCTF. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.010848/200446 Acórdão n.º 1801002.038 S1TE01 Fl. 3 3 Cientificada da pretensão fazendária em 23/12/2004 (Aviso de Recebimento A.R. de fls. 78), a tempo, em 21/01/2005, apresenta a autuada impugnação de fls. 79 a 98, nela argumentando, em síntese: a) que, preliminarmente, é nulo o auto de infração por cerceamento de defesa, por imprecisa descrição da suposta infração e da capitulação legal; b) que, ainda preliminarmente, os valores do auto de infração perderam a sua exigibilidade, haja vista que estão fulminados pelo vício da decadência; c) que, no mérito, a realização do lucro inflacionário deveria ser mensal e corrigida pela variação da ufir, podendo o contribuinte optar pela redução da alíquota do imposto devido, conforme o número de parcelas por ele escolhido para a efetiva realização da suposta renda auferida em virtude da inflação; d) que parcelou o tributo devido relativo ao saldo do lucro inflacionário auferido até dezembro de 1992, convertido em Ufir, primeiro em 240 vezes e, a partir de janeiro de 1995, em 120 vezes, já tendo pago a última parcela em 2003; e) que efetuou esses recolhimentos pela alíquota de 25 % (vinte e cinco por cento), sendo que a Lei n° 8.541, de 1992, determinava o pagamento desse imposto à alíquota de 20 % (vinte por cento), restando, pois, crédito em seu favor; f) que a multa de ofício cominada possui efeito confiscatório; e g) que é inaplicável a taxa Selic como índice de juros sobre débitos de tributos federais, por manifestamente inconstitucional. [...] Voto [...] Só os despachos e as decisões — repitase — podem estar eivados desse vício processual. Por outro lado, quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (art. 60 do PAF). Sou pela rejeição da preliminar arguida de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, por incabível. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO Argúi a autuada, ainda preliminarmente, que os valores do auto de infração perderam a sua exigibilidade, haja vista que estão fulminados pelo vício da decadência. [...] Assim, se o sujeito passivo não efetua nenhum pagamento, a hipótese não mais é de alocação, pelo simples motivo de que não há nada a ser homologado; inexistindo qualquer pagamento, a hipótese passa a ser de lançamento de ofício, qualquer que seja o tributo e sua disciplina originária. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Nesse sentido é o atual posicionamento da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), unificando o entendimento das Primeira e Segunda Turmas sobre a matéria: [...] No presente caso, observase que, relativamente aos trimestres do anocalendário de 1999, não houve qualquer antecipação do pagamento de imposto (fls. 29 e 30). Esclarecese que os valores informados como devidos nos segundo e terceiro trimestres, apesar de declarados em DIPJ, não foram informados em DCTF, sendo cobrados neste lançamento (fls. 75). Não tendo havido antecipação de pagamento, não há que se falar em fato homologável, e o prazo decadencial para constituição do crédito tributário obedece, nesse caso, ao disposto no art. 173, I, do CTN, sendo de 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...] Tendo sido o auto de infração cientificado à autuada em 23/12/2004 (fls. 78), não está decaído o lançamento relativo aos trimestres do anocalendário de 1999. [...] Afirma a interessada que parcelou o tributo devido relativo ao saldo do lucro inflacionário auferido até dezembro de 1992, convertido em Ufir, primeiro em 240 vezes e, a partir de janeiro de 1995, em 120 vezes, já tendo pago a última parcela em 2003. Acrescenta que efetuou esses recolhimentos pela alíquota de 25 % (vinte e cinco por cento), sendo que a Lei n° 8.541, de 1992, determinava o pagamento desse imposto à alíquota de 20 % (vinte por cento), restando, pois, crédito em seu favor. De conformidade com as telas de consulta de fls. 108 a 117 e, ainda, com os demonstrativos de fls. 67, 105 e 106, constatase a existência de diversos pagamentos relativos ao saldo de lucro inflacionario acumulado a realizar em 31/12/1992 (Cr$ 4.901.938.173 fls. 63), pela aplicação do disposto nos arts. 31 e 33 da Lei n° 8.541, de 1992, a seguir transcritos: [...] Observase, de início, que adotou a interessada o procedimento de parcelar o imposto decorrente do saldo de lucro inflacionário existente em 31/12/1992, em vez de adicionar esse saldo, periodicamente, na apuração do lucro real. Observase, também, que a alíquota prevista na lei tratandose, no caso, de 240 parcelas até 1994, e de 120 parcelas a partir de 1995 é a de 25 % (vinte e cinco por cento) (art. 33, caput), e não a de 20 % (vinte por cento) (art. 31,1, c/c 33, parágrafo único), específica para o parcelamento opcional em 120 vezes. Descabe, pois, o alegado crédito em seu favor. Considerando aqueles pagamentos, excluiuse do demonstrativo Sapli de fls. 63, o saldo de Lucro Inflacionário Acumulado a Realizar em 31/12/1992, de Cr$ 4.901.938,173,00, na forma do demonstrativo de fls. 118 a 120. Desse procedimento, remanesceu apenas o valor do Saldo Credor Dif. IPC/BTNF Corrigido, de Cr$ 232.942.248,00, pelo que, nos trimestres do anocalendário de Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.010848/200446 Acórdão n.º 1801002.038 S1TE01 Fl. 4 5 1999, as realizações mínimas passaram de R$ 14.494,12 para R$ 534,81 (fls. 118 a 120). Como decorrência, a exigência fiscal é reduzida de R$ 13.120,52 para R$ 9.181,07 (fls. 121 a 125). [...]” As argüições de multa de ofício com natureza confiscatória e contestações a incidência de juros cobrados à taxa Selic foram também rechaçadas. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 151 a 170, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 30/03/09, efls. 149; Recurso – 16/04/09, efls. 151 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente não se insurge especificamente contra o Acórdão proferido em Primeira Instância, limitandose a redargüir as contestações da defesa inicial. Em princípio, adoto de forma integral as razões de decidir esposadas pela Turma Julgadora de Primeira Instância, por seus próprios fundamentos. As preliminares suscitadas de nulidade processual e ocorrência da decadência devem ser, com efeito, afastadas. Cumpre esclarecer sobre o assunto ora versado que todo o procedimento fiscal está respaldado na legislação tributária. As infrações tributárias verificadas na auditoria são simples. No Auto de Infração restou explícito que a autuação para exigência de IRPJ decorreu de duas infrações, a saber, parcelas de lucro inflacionário realizado não adicionadas ao lucro líquido nos quatro trimestres de 1999 e valores de IRPJ informados em DIPJ mas não recolhidos ou confessados em DCTF. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Por conseguinte, todos os elementos materiais e formais constam da autuação, consoante exige o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos elementos materiais, e o artigo 10 do PAF, quanto aos elementos formais: Lançamento – art. 142, caput, CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72 – art. 10, PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Infundadas, por conseguinte, as alegações de que os Autos de Infração lavrados contra a recorrente possuem vícios, ou omissões, que possam acarretar a nulidade do lançamento tributário. As infrações tributárias foram devidamente entendidas pela recorrente, tanto que foi exercido amplamente o direito ao contraditório e a defesa, não havendo qualquer ofensa ao princípio constitucional. Afastase a arguição de nulidade do lançamento tributário por eivado de vícios insanáveis. No que respeita a decadência dos lançamentos realizados, correto o posicionamento esposado pela Turma de Julgamento a quo. Em não havendo confissão dos débitos tributários em DCTF, nem o recolhimento, ainda que parcial, dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é regido pelas disposições inseridas no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.010848/200446 Acórdão n.º 1801002.038 S1TE01 Fl. 5 7 O Superior Tribunal de Justiça, em recurso representativo de controvérsia, cujo entendimento estendese aos ministros da Primeira Seção, aos Tribunais Regionais Federais, bem como aos Tribunais de Justiça dos Estados decidiu neste diapasão – (Data de Publicação: 18/09/2009): Recurso Especial nº 973.733/SC (2007./01769940) Relator: Min Luiz Fux PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.055/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007 [...]) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase reguladas por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). [...] Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (grifos pertencem ao original) Destarte, para o IRPJ cujos fatos geradores ocorreram em março, junho, setembro e dezembro de 1999, o termo a quo é 01/01/2001 e o termo ad quem para se proceder aos lançamentos tributários é fixado em 01/01/2006. Considerandose que a recorrente foi cientificada em 23/12/2004, afastase a arguição de decadência dos lançamentos tributários. No que respeita aos cálculos devidos das parcelas de lucro inflacionários não realizados/realizados a menor nos períodos tributados, a Turma Julgadora de Primeira Instância procedeu aos ajustes necessários, em vista de alguns pagamentos não computados, e bem explicitou as razões de não acolher as contestações da recorrente. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Com efeito, consoante os demonstrativos citados no acórdão guerreado, as parcelas devidas pelo lucro inflacionário realizado a menor foram reduzidas e dado provimento parcial à impugnação oferecida. Nada contesta a recorrente sobre os ajustes feitos, como indevidos, em face à legislação tributária. Nada há a reformar no acórdão recorrido, de igual forma. Por derradeiro, quanto às contestações de natureza confiscatória da multa de ofício aplicada na forma regular (percentual de 75%) e à aplicação dos juros moratórios à taxa Selic, estas matérias já foram objeto de reiteradas decisões neste órgão administrativo de julgamento e foram sumuladas: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 04 :A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Destarte, tratandose de matérias sumuladas por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a nulidade suscitada pela recorrente e afastar a decadência para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10640.900678/2006-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO ALEGADO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Nos casos de restituição/compensação, em que cabe à contribuinte comprovar ser detentora do crédito que utiliza - fato constitutivo de seu direito - não há como reconhecer o direito à compensação sem que se faça a comprovação da existência do crédito informado na DCTF retificadora.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda..
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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PER/DCOMP Recorrente LIBRA AUTO PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO ALEGADO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Nos casos de restituição/compensação, em que cabe à contribuinte comprovar ser detentora do crédito que utiliza fato constitutivo de seu direito não há como reconhecer o direito à compensação sem que se faça a comprovação da existência do crédito informado na DCTF retificadora. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório elaborado pela SAORTDRF Juiz de Fora/MG, constante à efl. 112, o qual passo a transcrever: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 06 78 /2 00 6- 14 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 A empresa acima identificada transmitiu a DCOMP nº. 15118.66317.040803.1.3.044528 visando à compensação de débitos próprios com crédito da COFINS oriundo de pagamento a maior, arrecadado em 15/01/2003, no valor de R$ 6.147,81 (fls.01/05). Segundo o despacho decisório eletrônico anexado às fls.12, a compensação foi não homologada em razão da inexistência do crédito informado na DCOMP, vez que integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a pretendida compensação. Na manifestação de inconformidade a interessada alega que apresentou retificadoras da DIPJ e da DCTF, em 13/12/2007, alterando o débito da COFINS (crédito da DCOMP) de R$ 6.147,81 para R$ 2.970,55, liberando crédito para ser utilizado na compensação. Por meio do Acórdão n° 0919.601, da 2ª. Turma da DRJ/JFA/MG, datado de 10/06/2008, a manifestação de inconformidade foi indeferida, sob o fundamento de que as retificações (DIPJ e DCTF) ocorreram em datas posteriores à ciência da não homologação da compensação (30/11/2007), conforme docs. fls.83/84. Por sua vez o CARF, na Resolução n° 3202000.037 – 2ª. Camara / 2ª. Turma Ordinária, datada de 01/06/2011 (fls.99/101), converteu o julgamento em diligência para que [fosse] analisada a retificação da DCTF efetuada pelo sujeito passivo, e se o mesmo [teria] direito ao crédito alegado, bem como a possibilidade de compensação com seus débitos. Em cumprimento à diligência requerida por esta Turma julgadora, a SAORT remeteu os autos à SAFIS/DRFJuiz de Fora/MG para que, com base nos livros e documentos fiscais mantidos pela empresa, fosse apurado o valor devido a titulo de COFINS, em relação ao período de apuração de dezembro/2002, e fosse confrontado tal valor com o pagamento efetuado em 15/01/2003, a fim de se determinar o saldo credor porventura existente. Elaborado Relatório da Diligência, constante às efls. 142/148, foram os autos remetidos a este Colegiado, para proceder ao julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Da diligência requerida, para verificação da existência do saldo credor alegado pela recorrente, temse que não foi possível apurar o alegado crédito referente à COFINS de dezembro/2002, visto que a própria contribuinte, à efl. 141, informou que não mais possuía as Notas Fiscais de venda referentes ao período, tendo sido descartadas após cinco anos, mesmo estando o crédito tributário em litígio nestes autos. Diante da inexistência da documentação, não foi possível à autoridade fiscal concluir pela existência do referido crédito: “No Termo de Inicio de Diligência Fiscal (fls. 103 e 104), além dos livros contábeis, foram solicitados ao sujeito passivo a apresentação, em relação ao mês de dezembro de 2002, das notas fiscais de vendas, de planilha com a memória de Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.900678/200614 Acórdão n.º 3202001.114 S3C2T2 Fl. 152 3 cálculo da Cofins e PIS/Pasep com a relação das notas fiscais de vendas e identificação das vendas de mercadorias sujeitas a alíquotas diferenciadas, de planilha com a discriminação das notas fiscais de entrada que geraram créditos de PIS/Pasep e dessas próprias notas fiscais de entrada. Em resposta à intimação (fl. 117), o contribuinte respondeu que não possui as notas fiscais requeridas, pois elas foram descartadas após o prazo legal de cinco anos. Também não possui a discriminação das notas fiscais referentes aos produtos com alíquota diferenciada e a relação das notas fiscais de entrada. Embora a empresa tenha declarado, por meio da DIPJ retificadora, que parte de sua receita vinculase ao comércio de mercadorias com alíquota diferenciada da Cofins (alíquota zero), pelo fato dela não possuir nem as notas fiscais de saída e nem a discriminação ou o detalhamento contábil das vendas com alíquota diferenciada, não foi possível ao AuditorFiscal verificar a natureza dessas vendas que teriam beneficio tributário. Em razão do exposto, concluise que não foi possível à fiscalização verificar qual é a real base de cálculo e o valor efetivamente devido da Cofins para dezembro/2002. Em conseqüência, também ficou inviável verificar a legitimidade do saldo credor compensado pelo sujeito passivo.” (destaques não constantes do original) Assim, como no caso em questão caberia à recorrente comprovar ser detentora do crédito que alega, fato constitutivo de seu direito, diante da falta de prova da existência do crédito informado pela recorrente na DCTF retificadora, não há como atenderlhe o pleito formulado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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