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Numero do processo: 15504.015542/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
IRPF. ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI. LAUDOS MÉDICOS DIVERGENTES. LAUDO MÉDICO QUE APRECIOU A DIVERGÊNCIA MÉDICA E PROLATOU DECISÃO. VALORIZAÇÃO DO ÚLTIMO POSICIONAMENTO MÉDICO, POIS EM HARMONIA COM AS DEMAIS PROVAS DOS
AUTOS.
A instância julgadora administrativa pode e deve solucionar o litígio a partir dos laudos médicos juntados aos autos, não ficando adstrita a qualquer dos laudos, pois é cediço que o julgador não se vincula, de forma absoluta, a qualquer laudo pericial, devendo apenas fundamentar adequadamente sua
decisão. Obviamente que havendo laudo pericial, não se convencendo o julgador do acerto dele, deve submeter o caso a nova perícia, pois não parece razoável que o julgador, que não é perito, possa arrostar um laudo de profissional competente. Porém, havendo laudos díspares no processo, à luz das demais provas juntadas ao processo, pode o julgador solucionar
diretamente a lide.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.144
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI. LAUDOS MÉDICOS DIVERGENTES. LAUDO MÉDICO QUE APRECIOU A DIVERGÊNCIA MÉDICA E PROLATOU DECISÃO. VALORIZAÇÃO DO ÚLTIMO POSICIONAMENTO MÉDICO, POIS EM HARMONIA COM AS DEMAIS PROVAS DOS AUTOS. A instância julgadora administrativa pode e deve solucionar o litígio a partir dos laudos médicos juntados aos autos, não ficando adstrita a qualquer dos laudos, pois é cediço que o julgador não se vincula, de forma absoluta, a qualquer laudo pericial, devendo apenas fundamentar adequadamente sua decisão. Obviamente que havendo laudo pericial, não se convencendo o julgador do acerto dele, deve submeter o caso a nova perícia, pois não parece razoável que o julgador, que não é perito, possa arrostar um laudo de profissional competente. Porém, havendo laudos díspares no processo, à luz das demais provas juntadas ao processo, pode o julgador solucionar diretamente a lide. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 EDITADO EM: 03/07/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Francisco Marconi de Oliveira. Relatório Abaixo se transcreve o relatório da decisão recorrida, que bem sintetiza as razões do indeferimento do pedido de restituição na DRFB e da manifestação de inconformidade dirigida à Turma de Julgamento da DRJ (fls. 77 e 78): O contribuinte precitado manifesta inconformidade com o Despacho Decisório n° 1.502 DRF/BHE, às fls. 55 a 56, que deferiu em parte o pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o 13° salário recebido nos anoscalendário de 2005 a 2007. A autoridade a quo justifica o deferimento em parte do pleito com base no Parecer da Junta Médica do Ministério da Fazenda n° 09510, fl. 41, que declara que "o contribuinte é portador de moléstia especificada em lei desde 01.07.2007" Cientificado em 12/07/2010 (fl. 57), o contribuinte apresenta, em 11/08/2010, fl. 65, o recurso às fls. 58 a 60, com as seguintes alegações, em síntese: o contribuinte apresentou pedido de isenção e restituição de imposto de renda em 14/09/2009, tendo anexado documentação comprobatória do seu direito; em 22/10/2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil solicitou à Assembléia Legislativa informações sobre seu direito à isenção por ser portador de moléstia grave; A Assembléia, em resposta, informou que reconheceu o direito à isenção a partir do dia 30/07/2007 até 29/07/2012; em maio de 2010, recebeu notificações de lançamento, nas quais constavam que os proventos percebidos nos exercícios de 2005, 2006 e de 2007 teriam sido recalculados como tributáveis, tendo como base o Parecer Médico Pericial nº 09510, emitido pela Junta Médica do Núcleo de Perícia da Gerência Regional de Administração do Ministério de Minas Gerais, que reconheceu o direito do contribuinte definitivamente a partir de julho de 2007; ficou surpreso com a postura da Delegacia de Fiscalização que, além de não convocar o contribuinte para comprovar suas alegações, fez uma ponte com a fonte pagadora, sem sequer analisar outras provas subsidiárias; independente de ver ferido seu direito de ampla defesa, apresentou impugnações, que estão aguardando julgamento, juntamente com exames utilizados pelo Centro de Saúde Tia Amância para fixar o início da patologia; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15504.015542/200920 Acórdão n.º 210202.144 S2C1T2 Fl. 2 3 Da Preliminar o contribuinte é aposentado desde 15/03/1993 e, segundo laudo médico fornecido pelo Centro de Saúde Tia Amância, é portador de moléstia grave desde 2003 e faz jus à isenção por tempo indeterminado, devido à fase em que se encontra; Do Mérito segundo o acórdão emanado pelo Conselho de Contribuintes, SUS é competente para emissão de laudo médico oficial e se a patologia é atestada por manifestações médicas, inclusive por órgão oficial municipal, incabível a tributação dos proventos de aposentadoria, falecendo competência à autoridade tributária para questionar quanto às formal idades de atestados, pareceres e diagnósticos médicos; segundo processo de consulta, não existe nenhuma preferência à obrigatoriedade de vinculação entre a fonte pagadora dos rendimentos e a instituição pública emitente do laudo pericial. Ao final, requer o reconhecimento do direito, o expurgo do processo do ofício S7/2009/GPE/ASS, a retificação do Parecer Médico Pericial n° 09510 no tocante à data de início e o processamento dos créditos apurados nas declarações retificadoras. A 5ª Turma de Julgamento da DRJBHE (MG), por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0228.645, de 17 de setembro de 2010. A decisão rejeitou a pretensão do contribuinte com a seguinte motivação (fls. 78, 79 e 81): Compulsando os autos, verificase que o contribuinte protocolizou pedido de restituição relativo à retenção incidente sobre o 13° salário dos anoscalendário 2005 a 2007 em 12/09/2009, tendo acostado aos autos documentos de fls. 05 a 22, entre estes, laudo médico com carimbo "C.S Tia Amância", que consigna que o contribuinte é portador de moléstia grave desde outubro de 2003 por tempo indeterminado, fl. 05. A fiscalização, por meio do ofício n° 514/2009 /DRF /BHE /SEFIS /EQU1MALHA, solicitou à fonte pagadora dos proventos de aposentaria do contribuinte, no caso, Assembléia Legislativa de Minas Gerais, pronunciamento a respeito de sua isenção de imposto de renda por ser portador de moléstia grave. Esta se manifestou, por meio do oficio nºt 87/2009/GPE/ASS, fl. 35, tendo declarado que consta nos assentamentos funcionais do contribuinte laudo médico para fins de isenção de imposto de renda emitido pela Coordenação de Saúde e Assistência da Casa, com validade para o período de 30/07/2007 a 29/07/2012. Em face da divergência entre o laudo médico de fl. 05 com as informações prestadas pela diretoria de recursos humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, foi solicitado Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 pronunciamento da Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, fl. 36. Esta exarou o Parecer n° 09510. à fl. 41, após avaliação pericial em domicílio em 09/03/2Q10 e análise documental de interesse para o exame médico pericial. no_qual conclui ser o interessado portador de moléstia grave prevista em lei, definitivamente, a partir de julho de 2007. Ressaltese que a Junta Médica, para emitir o Parecer n° 095 10, analisou documentação de interesse para o exame medico pericial e fez avaliação pericial no domicílio do contribuinte. (...) Da análise dos documentos supratranscritos, inferese que a Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, mediante o Parecer n° 09510, e a Coordenação de Saúde e Assistência da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, mediante laudo médico, constataram que o diagnóstico de adenocarcinoma acinar invasivo da próstata se deu com o exame anatomopatológico datado de 26/07/2007, fl. 75. Anteriormente a este, havia hipóteses de diagnóstico e o reconhecimento inequívoco da doença, neoplasia maligna, somente ocorreu com base no referido exame. Assim, não há como considerar para fins de concessão da isenção data anterior a do exame anatomopatológico de fl. 75. Observese que o próprio centro médico no qual o contribuinte realizou a medição de PSA, no caso Instituto Hermes Pardini, consignou nos documentos de fls. 72 a 74, em parte acima transcritos, que o exame, de forma isolada, não permite o diagnóstico de neoplasia benigna. Assim sendo, acatase o Parecer da Junta Médica, com fulcro no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. (grifos do original) O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 07/10/2010 (fl. 82). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 05/11/2010. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. preliminarmente, os profissionais de hospitais vinculado ao SUS têm competência para expedir laudo pericial para fins de isenção do imposto de renda, conforme jurisprudência desse CARF, hipótese que se aplica ao presente processo, com Laudo proveniente de profissional vinculado ao Centro de Saúde Tia Amância, pois, “Segundo a Lei Municipal n.° 8.425 , de 05 de agosto de 2002, o Centro de Saúde Tia Amância é unidade municipal subordinada à Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Distrito Sanitário CentroSul, sendo portanto, incontestavelmente, competente para emissão do laudo medico”; II. considerou como início da moléstia o mês de outubro de 2003, a partir de alterações do PSA, como se vê pelos exames acostados aos autos, atestado pelo Laudo acima referido, sendo certo que, “... Independente de observação pelo Instituto Hermes Pardini, aposta em medição de PSA, informando que somente um único resultado, de Fl. 139DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15504.015542/200920 Acórdão n.º 210202.144 S2C1T2 Fl. 3 5 forma isolada, não permite o diagnóstico de neoplasia maligna, os exames sucessivos, realizados com pouco espaçamento, permitiram à perita concluir, pelo desenrolar da doença e o sequenciamento dos resultados, que o início da patologia se deu em outubro de 2003, conforme laudo. Reforça e embasa o diagnóstico expedido pelo Centro de Saúde Tia Amância PBH, o fato de estar o contribuinte, ainda, em estado terminal, motivado por metástases múltiplas que atacaram os ossos, a bexiga, e por quatro vezes o crânio, o que pode ser constatado na documentação apensa ao presente”; III. não há gradação entre os laudos médicos emitidos pelas diferentes esferas da administração, sendo que o laudo do SUS somente poderia ser contestado com decisão fundamentada, que levassem a concluir pela imprestabilidade dele. Por tudo, o recorrente pede o reconhecimento da moléstia grave desde outubro de 2003, procedendose o cancelamento da exigência tributária, autorizando o crédito das restituições, conforme as declarações de rendimentos retificadoras apresentadas. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 07/10/2010 (fl. 82), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 05/11/2010, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 08/11/2010, segunda feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, encontramse em debate nestes autos apenas as restituições do IRRF sobre o 13º salário, conforme pedido de restituição de fl. 01, não sendo objeto de apreciação qualquer controvérsia sobre as restituições decorrentes das declarações de ajuste anual DIRPF retificadoras, até porque o IRRF incidente sobre o 13º salário não é objeto de ajuste na DIRPF, ou seja, eventual restituição de IRRF incidente sobre o 13º salário somente pode ser restituído por fora da DIRPF, via processo administrativo, como neste caso, ou mais recentemente via Pedido Eletrônico de Restituição. Dessa forma, como já dissera a decisão recorrida, o pedido para que sejam processadas as declarações retificadoras mostrase estranho à presente lide, esta que trata apenas do pedido de restituição do imposto retido incidente sobre o 13º salário referente aos anoscalendário de 2005 a 2007. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Assim, todo o cerne da controvérsia resumese a definir a data em que o contribuinte passou a ser portador da moléstia especificada em Lei para fazer jus à isenção do imposto de renda. Pelo que se vê pelo Laudo emitido por profissional médico do Centro de Saúde Tia Amância, datado de 30 de abril de 2009, o recorrente seria portador da doença grave desde outubro de 2003 (fl. 112). De outra banda, a fonte responsável pelo pagamento dos proventos do contribuinte, a Assembléia Legislativa de Minas Gerais, informou que o laudo médico para fins de isenção do imposto de renda fora emitido pela Coordenação de Saúde e Assistência dessa Casa Parlamentar, com validade para o período de 30/07/2007 a 29/07/2012 (fl. 35). Para solucionar a contradição acima, a autoridade da DRFBBelo Horizonte solicitou parecer da Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, que, após avaliação pericial em domicílio (em 09/03/2010) e análise documental, concluiu que o recorrente preencheria os critérios para enquadramento do benefício pleiteado a partir de julho de 2007 (fl. 41). Com o quadro acima, à luz da divergência original nas instâncias médicas, parece claro que houve um pronunciamento unificador, a partir do Laudo da Junta Médica do Ministério da Fazenda, definindo a data para gozo do benefício a partir de julho de 2007. Devese ficar claro que esta instância julgadora administrativa pode e deve solucionar o litígio a partir dos laudos médicos juntados aos autos, não ficando adstrita a qualquer dos laudos, pois é cediço que o julgador não se vincula, de forma absoluta, a qualquer laudo pericial, devendo apenas fundamentar adequadamente sua decisão. Obviamente que havendo laudo pericial, não se convencendo o julgador do acerto dele, deve submeter o caso a nova perícia, pois não parece razoável que o julgador, que não é perito, possa arrostar um laudo de profissional competente. Porém, havendo laudos díspares no processo, à luz das demais provas juntadas aos autos, pode o julgador solucionar diretamente a lide. Voltando a estes autos, parece claro que o contribuinte logrou somente demonstrar alterações de exame PSA a partir de 2003, o que não é suficiente por si só para afirmar a existência de um carcinoma (neoplasia maligna), como inclusive anotado nos exames médicos. Certamente, não por outro motivo, o contribuinte somente teve o reconhecimento da moléstia grave por parte de sua fonte pagadora a partir de julho de 2007, a partir da biópsia de sua próstata, quando se identificou um adenocarcinoma acinar invasivo da próstata Na linha acima, as demais provas dos autos indicam o acerto do Laudo Pericial da Junta Médica do Ministério da Fazenda, que solucionou a divergência no âmbito da instância médica, indicando que o contribuinte seria portador da moléstia grave a partir de julho de 2007. Com as considerações, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15504.015542/200920 Acórdão n.º 210202.144 S2C1T2 Fl. 4 7 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000679/2005-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002
ISENÇÃO. TÁXI. ALIENAÇÃO. PRAZO. EFEITOS.
A alienação do veículo destinado a taxista, adquirido com isenção de IPI, antes de três anos contados da data de sua aquisição, acarretará o pagamento pelo alienante do tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária.
Numero da decisão: 3101-001.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 19/03/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Marinheiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002 ISENÇÃO. TÁXI. ALIENAÇÃO. PRAZO. EFEITOS. A alienação do veículo destinado a taxista, adquirido com isenção de IPI, antes de três anos contados da data de sua aquisição, acarretará o pagamento pelo alienante do tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Corintho Oliveira Machado - Relator. EDITADO EM: 19/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Marinheiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
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TÁXI. ALIENAÇÃO. PRAZO. EFEITOS. A alienação do veículo destinado a taxista, adquirido com isenção de IPI, antes de três anos contados da data de sua aquisição, acarretará o pagamento pelo alienante do tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 19/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Marinheiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 79 /2 00 5- 08 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O processo epigrafado foi inaugurado para recepcionar auto de infração relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (fls. 18/22) que se prestou a constituir crédito tributário devido em face de constatação de infração à legislação tributária, descrita no lançamento nos seguintes termos: 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DA ISENÇÃO PELO RECEBEDOR DO PRODUTO. Alienação de veiculo adquirido com isenção para taxistas antes de três anos da sua aquisição, sem a autorização da unidade da SRF. Automóvel GM/ASTRA GL SEDAN 1.8 L, 110 CV, 5 passageiros, 4 portas, adquirido em 19/03/2002 e alienado em 31/01/2005, conforme Nota Fiscal e Certificado de Registro de Veiculo anexados ao processo do auto de infração. O crédito tributário exigido foi composto dos seguintes montantes: COMPONENTES DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO VALOR (R$) IMPOSTO 4.503,18 JUROS DE MORA 2.360,11 MULTA PROPORCIONAL 3.377,38 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO 10.240,67 O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado do lançamento por meio de correspondência enviada pelos Correios com Aviso de Recebimento (AR), recebida em 31/03/2005 (fl. 25), tendo apresentado sua impugnação em 02/05/2005 (uma segunda feira), conforme peça de fls. 27/28 (e anexos), firmada por procurador regularmente estabelecido (fl. 29), por meio da qual aduziu que “alienara o veiculo em questão, desonerandoa de todos os encargos fiscais que gravavam o referido bem, como faz prova a cópia do certificado em apenso, cujo registro ocorreu em 20/03/2005, ocasião em que a postulante promovera sua efetiva tradição ao adquirente”, não obstante “a autorização para transferência do veículo tivesse sido preenchida em 31/01/2005”. Asseverou, ademais, que “no Brasil, a transmissão de bens móveis, dos quais o veículo é uma de suas espécies, só se legitima através da entrega da coisa ao adquirente, ou seja, com a tradição”, conforme entendimento pacífico da “doutrina pátria” (citação). E assim está disposto no art. 1.267 do novo Código Civil brasileiro (Lei nº 10.406/2002). Concluiu requerendo o cancelamento do lançamento, uma vez que “o ato que consumou a alienação do veículo objeto do presente procedimento fiscal ao seu adquirente” (tradição), só Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.000679/200508 Acórdão n.º 3101001.346 S3C1T1 Fl. 3 3 ocorreu quando já transcorrido o prazo de três anos previstos na lei de regência para a não incidência do imposto na operação. A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou a impugnação improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002 ISENÇÃO. TÁXI. ALIENAÇÃO. PRAZO. EFEITOS. A alienação do veículo destinado a taxista, adquirido com isenção de IPI, antes de três anos contados da data de sua aquisição, acarretará o pagamento pelo alienante do tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002 PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO PRIVADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos esgrimidos na peça vestibular de defesa e ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja cancelado o auto de infração. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Nada de novo veio aos autos, bem por isso não devo alongar na fundamentação deste voto, que somente deve sufragar o quanto decidido pela órgão judicante de primeira instância: Consta dos autos que o sujeito passivo teve deferido seu pedido de isenção de IPI na aquisição de veículo destinado ao uso na atividade de taxista em 01/03/2002 (fls. 04/06). De posse dessa autorização, adquiriu o veículo GM/ASTRA GL SEDAN 1.8L, em 19/03/2002, como fazem prova os documentos de fls. 13/14. Naquela época, encontravase em vigor a Instrução Normativa (IN) SRF nº 31, de 2000, que fundamentou o deferimento do pedido, cujo artigo 9º normatizava a questão ora litigada, verbis: Art. 9o A alienação de veículo adquirido com o benefício de que trata esta Instrução Normativa, efetuada antes de três anos da sua aquisição, dependerá de autorização da Secretaria da Receita Federal, que somente a concederá se comprovado que a transferência será feita para pessoa que satisfaça os requisitos estabelecidos neste ato, ou que foram cumpridas as obrigações a que se refere o inciso II do § 1o. (...) § 3o A alienação do veículo adquirido com isenção do IPI, sem prévia autorização da SRF, antes de transcorridos três anos da sua aquisição, ainda que efetuada a pessoa que satisfaça os requisitos necessários à fruição do benefício, implica a perda do direito à isenção. (...) E ao tempo da alienação do veículo de que trata o caso sub analisis, vigorava a Instrução Normativa (IN) SRF nº 353, de 2003, que continha os mesmos dispositivos normativos recém transcritos. Não há dúvidas na espécie de que a alienação do veículo tratado nos autos deuse por ocasião do preenchimento, pelo sujeito passivo, da Autorização para Transferência de Veículo (recibo de venda), ocorrida em 31/01/2005. A própria impugnante anexou ao recurso uma cópia desse documento (fl. 34), que já havia sido acostado aos autos pela autoridade fiscal (fl. 08). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.000679/200508 Acórdão n.º 3101001.346 S3C1T1 Fl. 4 5 O fato de o Certificado de Registro de Veículo (CRV) ter sido emitido em nome do novo adquirente (fl. 35) apenas em 20/03/2005, ao contrário do alegado no recurso, não tem o condão de transferir a data de alienação do bem, a qual, como dito, ocorreu em 31/01/2005. A expedição do novo CRV é ato que se processa após a alienação, de responsabilidade do novo proprietário (o que pode não ocorrer, não obstante a alienação ter ocorrido), o qual inclusive tem prazo de 30 dias para tomar as providências de atualização cadastral junto ao Órgão de Trânsito (Detran), ex vi do disposto no art. 123, § 1º, da Lei nº 9.503, de 2007, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, verbis: Art. 123. Será obrigatória a expedição de novo Certificado de Registro de Veículo quando: I for transferida a propriedade; (...) § 1º No caso de transferência de propriedade, o prazo para o proprietário adotar as providências necessárias à efetivação da expedição do novo Certificado de Registro de Veículo é de trinta dias, sendo que nos demais casos as providências deverão ser imediatas. Demais disso, a alegação da impugnante no sentido de que a tradição (entrega) do bem só ocorreu na oportunidade da atualização do registro no Detran, além de ferir o bom senso (já que a praxe é a emissão do recibo de venda no momento da entrega do bem), não vem acompanhada de qualquer prova. E, como diz a hermenêutica jurídica, alegar e não provar é o mesmo que não provar. Ante o exposto, voto por DESPROVER o recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002267/2010-28
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/07/2010
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS.
Apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32 -A, inciso II , acrescentado pela MP n. 449, de 04.12.2008.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.103
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/07/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32 -A, inciso II , acrescentado pela MP n. 449, de 04.12.2008. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
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Obrigação Acessória Recorrente DÍGITRO TECNOLOGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/07/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32 A, inciso II , acrescentado pela MP n. 449, de 04.12.2008. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 22 67 /2 01 0- 28 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.002267/201028 Acórdão n.º 2803002.103 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.002267/201028 Acórdão n.º 2803002.103 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por não ter informado em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social as remunerações pagas aos segurados empregados por intermédio do salário indireto "assistência médica" (Plano de Saúde Unimed Dependentes) no mês de 11/2008 e os valores pagos a cooperativa de trabalho nos meses de 02 a 06, 08, 09 e 12/2007. O r. acórdão – fls 265 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · A decisão recorrida considera que a extensão do plano de saúde aos dependentes cabe nos estritos limites da 'isenção' prevista no art. 28, §9°, 'q' da Lei 8.212 e que, por se tratar de benefício (utilidade), deve integrar o salário de contribuição. O raciocínio merece reforma. A uma, porque parece impossível estabelecer um conceito de salário utilidade ou indireto para efeito trabalhista e outro para efeito tributário, estabelecendo assim tratamento diverso para o mesmo fato jurídico. A duas, porque o art. 28, §9°, 'q' da Lei 8.212 não trata de isenção fiscal a ser interpretada restritivamente. · A hipótese do §9° do art. 28 da Lei 8.212 não prevê a exclusão do crédito tributário pela inexigibilidade da contribuição. Absolutamente. A declaração da lei de que "não integram o salário de contribuição" repercute sobre a hipótese de incidência do tributo que deixa de existir e não apenas de ser exigível. · Podese afirmar que a 'isenção' se aplica ao valor da assistência médica conveniada, não existindo na literalidade Lei nenhuma limitação da isenção ao valor do plano do empregado ou dirigente ou exclusão do valor dos dependentes. · Requer o provimento do recurso para anular o auto de infração É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.002267/201028 Acórdão n.º 2803002.103 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO PAGAMENTO DOS PLANOS DE SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS Tratase a decidir se a legislação em regência determina que a assistência médica oferecida aos dependentes dos empregados se configura ou não como salário de contribuição. Vejamos a legislação que trata o tema: Lei 8 212/1991 An 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos o creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n' 9.528, de 10/12/97) ... §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) ... q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluído pela Lei n • 9.528, de 10/12197) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.002267/201028 Acórdão n.º 2803002.103 S2TE03 Fl. 6 5 No caso presente, temos que o pagamento de planos de saúde dos dependentes dos empregados não se encontra albergado na exceção legal, configurandose como salário de contribuição. Os referidos pagamentos a desdúvida representam benefício financeiro aos segurados, os quais não necessitam de efetuar desembolsos para a cobertura de seus dependentes e são pagos em razão do vínculo empregatício existente, amoldandose no conceito trazido no art. 28,I da lei 8.212/91. Dessa feita, os valores pagos a título de assistência médica oferecida aos dependentes dos empregados se constituem como salário de contribuição, de obrigatória declaração em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social. A ausência de declaração dos valores mencionados informa a procedência da autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004459/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA.
Comprovada através
de documentação hábil e idônea trazida aos autos a
existência da moléstia grave devidamente prevista em lei, e restando comprovado que os rendimentos cuja omissão foi imputada ao contribuinte eram rendimentos de aposentadoria, é de se reconhecer a isenção pretendida.
Numero da decisão: 2102-002.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. Comprovada através de documentação hábil e idônea trazida aos autos a existência da moléstia grave devidamente prevista em lei, e restando comprovado que os rendimentos cuja omissão foi imputada ao contribuinte eram rendimentos de aposentadoria, é de se reconhecer a isenção pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 16/05/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 10/12 para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos totais de R$ 25.996,81 recebidos de pessoas jurídicas no Exercício 2005. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a Solicitação de Revisão do Lançamento – SRL de fls. 01, por meio da qual informou ser portador de tetraplegia, razão pela qual deveria ser revisto o lançamento. A SRL foi indeferida através da decisão de fls. 18, que assim foi fundamentada: Tendo em vista que o interessado não apresentou laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, reconhecendo a doença prevista na lei 7713, de 1988, art. 62, inc. XIV, foi rejeitada a SRL. Cientificado o contribuinte de tal decisão, o mesmo apresentou a Impugnação de fls. 23, por meio da qual afirmou que seriam isentos os proventos das suas aposentadorias precoces, provenientes de paralisia irreversível e incapacitante. Afirmou ainda que a paralisia já havia sido reconhecida pelo Hospital das Clinicas do Estado de São Paulo, bem como pela União (INSS) e pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Afirmou ainda que sua condição de isento já fora reconhecida para os anos anteriores e posteriores ao aqui discutido, e por isso o lançamento deveria ser revisto. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ no Rio de Janeiro decidiram pela manutenção do lançamento, ao entendimento de que não restara comprovada a existência da moléstia grave alegada através de laudo médico. Eis o trecho da decisão que esclarece sua motivação: No caso em análise, cabe destacar que o contribuinte apresentou o laudo médico pericial do Instituto Nacional do Seguro Social, a fl. 47, em que consta que: "...NOTA: Considerandose a Legislação vigente que regulamenta o Sigilo Médico.... a Perícia Médica da Previdência Social considerase impedida de divulgar o CID 10 e/ou diagnóstico do requerente em questão." Acrescentese que a declaração, de fl. 05, emitida pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo do Hospital das Clinicas, a despeito das doenças ali descritas, não comprovou ser o interessado portador de doença especificada em lei como isentiva do pagamento do imposto de renda, conforme prescrito pela legislação de regência acima reproduzida. Não há como interpretar de modo diferente, pois, de acordo com o estabelecido na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributaria que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. No que tange a outra condição cumulativa, ou seja, a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.004459/200776 Acórdão n.º 210202.040 S2C1T2 Fl. 77 3 aposentadoria ou reforma e pensão, verificase ser o contribuinte aposentado do Instituto Nacional do Seguro Social —INSS desde 01/09/1978, conforme documento de fl. 08, e da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, nos termos da fl. 06. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 72/74, por meio do qual alegou ter sido a decisão recorrida contraditória no que diz respeito à imprestabilidade do laudo trazido aos autos, tendo em vista que o mesmo esclarece detalhadamente qual a moléstia da qual padece. Esclareceu ainda que a referida moléstia lhe impede de exercer os atos cotidianos necessários à sobrevivência, e que o julgado recorrido não passava de um emaranhado de transcrições, merecendo ser revisto. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 20.09.2010, como atesta o AR de fls. 71. O Recurso Voluntário foi interposto em 11.10.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão de alegada omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, por parte do contribuinte Recorrente. A decisão recorrida deixou de acolher a Impugnação ofertada, mantendo o lançamento por omissão, ao argumento de que o Recorrente teria deixado de comprovar o preenchimento de um dos requisitos da lei para a fruição da isenção sobre os rendimentos tidos como omitidos, pois não teria comprovado ser portador de moléstia grave, através de laudo pericial. No Recurso Voluntário, o Recorrente reitera que os documentos trazidos por ele comprovam sim a existência da moléstia grave, e que a decisão recorrida estava se baseando na nota de rodapé do laudo apresentado para negar o seu pleito. Sustenta que a moléstia está plenamente demonstrada e que a decisão recorrida estaria sendo contraditória, já que o mesmo laudo que foi considerado imprestável para atestar o seu bom direito também atestava ser ele portador de paralisia incapacitante. Assim, em resumo, a matéria aqui tratada diz respeito ao direito – ou não – do Recorrente de gozar da isenção prevista no art. 6º da Lei nº 7.713/88, cujo inciso XIV assim dispõe (cf. redação atual, que ampliou o rol das moléstias): Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) (destacamos) Decorre desta norma que todos aqueles que sejam portadores de uma destas moléstias e que, ao mesmo tempo, recebam rendimento de aposentadoria ou pensão, terão o direito à isenção do Imposto de Renda sobre tais rendimentos. Voltando ao caso que ora se examina, o Recorrente trouxe aos autos no intuito de comprovar o seu direito à mencionada isenção – os documentos de fls. 47 (laudo emitido pelo INSS), bem como de fls. 05 (declaração de Hospital das Clínicas em São Paulo, descrevendo os procedimentos médicos pelos quais se submeteu, e atestando que o mesmo saíra do hospital com tetraplegia). Com base nestes documentos, é inquestionável o fato de que o Recorrente é portador de paralisia incapacitante, patologia que, como visto acima, está entre aquelas previstas na lei como passíveis de isenção. Aliás, ainda que os referidos documentos não atestassem a paralisia incapacitante da qual padece o Recorrente, ela pode ser corroborada pelo fato de que o mesmo foi aposentado por invalidez, conforme documento de fls. 08. Por tudo isso, merece reforma o entendimento esposado na decisão recorrida, no sentido de que o referido documento (laudo de fls. 47) não seria hábil à comprovação de que o Recorrente fosse portador da moléstia grave alegada. Comprovada a moléstia grave, restaria ainda analisar se o Recorrente preenche o segundo requisito legal para que possa fruir da isenção pretendida. Tratase da comprovação de que os rendimentos em questão são decorrentes de aposentadoria. Neste ponto, porém, a própria decisão recorrida já o reconheceu, razão pela qual há que ser reconhecida a isenção aqui pleiteada, nos termos do disposto no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.004459/200776 Acórdão n.º 210202.040 S2C1T2 Fl. 78 5 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000289/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2007
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É de se admitir as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-002.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer R$7.000,00 (sete mil reais) de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:26/2/2013
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É de se admitir as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Recurso Provido.
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DESPESAS MÉDICAS. É de se admitir as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer R$7.000,00 (sete mil reais) de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:26/2/2013 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 02 89 /2 00 9- 82 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento por meio do qual exigese da recorrente, IRPF suplementar relativo ao anocalendário, 2006, em virtude glosa de dedução da base tributável para: deduções de despesas médicas (R$ 7.000,00). A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1749.420, de 24 de março de 2011, que se encontra às fls. 106 a 111, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. GLOSA. Mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados documentos hábeis à comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como o respectivo desembolso financeiro A ciência de tal julgado se deu por via postal em 29/04/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 115). À vista da decisão, foi protocolizado, em 18/05/2011, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 116/130 no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, reitera os argumentos apresentados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite ,Relatora O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. A matéria em litígio é a forma de comprovação de despesas médicas no valor de (R$ 7.000,00). É de se ressaltar, que, para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13830.000289/200982 Acórdão n.º 2802002.140 S2TE02 Fl. 597 3 II das deduções relativas a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Entretanto, no que se refere à comprovação do efetivo pagamento, expõese posicionamento sobre o tema. A princípio, considerase que os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Entretanto, também entendese que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, principalmente quando: 1. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos (Existência de Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 2. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; Assim, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço, na esteira do comando legal do §3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 1943. Destarte, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Neste caso concreto, cotejando a imputação constante da Notificação de Lançamento, a impugnação, a peça recursal e os documentos com trazidos aos autos, especificamente os recibos de . 21/32, considerase que não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. Ademais os documentos de fls. 91/92, demonstram que a recorrente é portadora de Hipotireoidismo, portanto necessita de cuidados médicos. Na linha acima, vêse que a contribuinte trouxe aos autos os comprovantes normalmente suficientes para a comprovação das despesas médicas declaradas, os recibos respectivos, preenchendo todos os requisitos do Art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$7.000,00 (sete mil reais) (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001245/98-86
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1992 a 30/09/1995
RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91.
Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada.
Otacílio Dantas Cartaxo- Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 30/09/1995 RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 12 45 /9 8- 86 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 243 a 250) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 239 a 241) que deu provimento parcial ao recurso voluntário, I) por maioria de votos, para considerar decaídos os períodos anteriores a março de 1993, face à decadência do art. 150, § 4°, do CTN, vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente) e Antonio Bezerra Neto que afastavam a decadência pela tese dos dez anos (art. 55 da Lei n° 8.212/91); e II) por unanimidade de votos, para acolher a semestralidade, para os períodos não decaídos. A ementa do julgado ora recorrido é a seguinte: PIS/FATURAMENTO. DECADÊNCIA. Decai em cinco anos, na modalidade de lançamento de oficio, o direito A Fazenda Nacional de constituir os créditos relativos para a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento já poderia ter sido efetivado. Os lançamentos feitos após esse prazo de cinco anos são nulos. LC N° 7/70. Ao analisar o disposto no artigo 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 7/70, há de se concluir que "faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). Recurso provido em parte. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, violação ao disposto no § 4º do artigo 150 do CTN e no artigo 45 da Lei n° 8.212/91. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 252 a 254. Importante destacar, a propósito, que cientificado do v. acórdão recorrido e cobrado a pagar ou apresentar recurso especial da parte que lhe foi desfavorável, o contribuinte informou a inclusão desta parcela no Parcelamento Excepcional (PAEX), conforme informado às fls. 346. Restou pendente, assim, o julgamento do presente recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10830.001245/9886 Acórdão n.º 9303001.536 CSRFT3 Fl. 348 3 Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial da Fazenda Nacional merece ser conhecido. No tocante ao mérito, todavia, melhor sorte não assiste à Recorrente. Com efeito, a matéria ora controvertida diz respeito, apenas, ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal já dirimiu definitivamente a controvérsia, inclusive através da edição da Súmula Vinculante nº 08, cujo teor é o seguinte: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 393DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 10980.011138/2003-52
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2003
Ementa:
BAIXAS DE ESTOQUE. TRIBUTAÇÃO.
Ausentes justificativas fundamentadas do contribuinte em virtude intimação regular formalizada pela autoridade fiscal, revela-se procedente a tributação que toma por base informações prestada pelo fiscalizado ao Fisco estadual.
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2).
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4).
LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DECISÃO PROLATADA EM ÂMBITO INCIDENTAL. AFASTAMENTO POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. CONDIÇÕES.
A partir da publicação da Medida Provisória nº 449, em 04 de dezembro de 2008, os órgãos de julgamento estão autorizados, no âmbito do processo administrativo fiscal, a afastar aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 1301-001.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir de tributação os valores correspondentes a OUTRAS RECEITAS (letra a da descrição dos fatos de fls. 112 destes autos, fatos geradores de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000), nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2003 Ementa: BAIXAS DE ESTOQUE. TRIBUTAÇÃO. Ausentes justificativas fundamentadas do contribuinte em virtude intimação regular formalizada pela autoridade fiscal, revela-se procedente a tributação que toma por base informações prestada pelo fiscalizado ao Fisco estadual. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2). JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DECISÃO PROLATADA EM ÂMBITO INCIDENTAL. AFASTAMENTO POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. CONDIÇÕES. A partir da publicação da Medida Provisória nº 449, em 04 de dezembro de 2008, os órgãos de julgamento estão autorizados, no âmbito do processo administrativo fiscal, a afastar aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal.
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TRIBUTAÇÃO. Ausentes justificativas fundamentadas do contribuinte em virtude intimação regular formalizada pela autoridade fiscal, revelase procedente a tributação que toma por base informações prestada pelo fiscalizado ao Fisco estadual. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2). JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DECISÃO PROLATADA EM ÂMBITO INCIDENTAL. AFASTAMENTO POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. CONDIÇÕES. A partir da publicação da Medida Provisória nº 449, em 04 de dezembro de 2008, os órgãos de julgamento estão autorizados, no âmbito do processo administrativo fiscal, a afastar aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 11 38 /2 00 3- 52 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 247 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir de tributação os valores correspondentes a OUTRAS RECEITAS (letra “a” da descrição dos fatos de fls. 112 destes autos, fatos geradores de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000), nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 248 3 Relatório PAPÉIS CARTUM LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, que manteve, na íntegra, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigência de PIS, relativa aos períodos de 01/02/1999 a 31/12/2000 e de 01/04/2002 a 31/10/2002, formalizada a partir da constatação de divergências entre os valores declarados e os escriturados (“Outras Receitas”) e, também, entre os valores declarados à Receita Federal (DIPJ/2003) e os escriturados e declarados à Secretaria estadual (apurados por meio de Guias de Informação e Apuração do ICMS – GIA/ICMS). No referido lançamento, a autoridade fiscal aplicou multa qualificada de 150%, motivo pelo qual elaborou a competente Representação Fiscal para fins Penais. Transcrevo a seguir relato feito em primeira instância acerca dos argumentos trazidos pela contribuinte em sede de impugnação. [...] 4. Tempestivamente, em 17/12/2003, a interessada, por intermédio de representante constituído (procuração à fl. 144), interpôs a impugnação de fls. 119/142, acompanhada dos documentos de fls. 143/170, a seguir sintetizada. 5. Na descrição dos fatos, aduz, inicialmente, que os valores constantes das GIA/ICMS apontadas no auto de infração são decorrentes de retificações efetuadas, por sugestão da fiscalização estadual, após o encerramento de suas atividades, com o objetivo de proceder à baixa de valores constante do estoque, não tendo havido a venda de produtos. 6. Acerca do direito, diz que tinha por objeto o comércio de papel e papelão, tendo finalizado suas atividades, passando a não ter movimentação alguma. Sustenta, nesse contexto, que o lançamento está acostado exclusivamente na informação das GIAs, sem que reste provada a existência das operações. Destarte, não concorda com a autuação, por não ter ocorrido hipótese de incidência, mas apenas a sua presunção pelo fisco. 7. Quanto à questão, argumenta que o Conselho de Contribuinte tem proferido inúmeras decisões, as quais exemplifica, com o entendimento de que, embora as diferenças obtidas a partir de declarações prestadas ao fisco estadual constituam indicio de omissão de receitas, não justificam a simples presunção, cabendo à fiscalização esgotar o campo probatório. 8. Contesta, na seqüência, a ampliação da base de cálculo da contribuição pela Lei n° 9.718, de 1998, fundamentandose em jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de que tal incide em inconstitucionalidade. 9. A seguir, questiona a multa de oficio, aplicada no percentual de 150%, alegando ser exorbitante e de caráter confiscatório, atentando contra o direito de propriedade garantido no art. 5°, XXII, da Constituição Federal de 1988. Quanto a Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 249 4 esse tema, cita trechos das obras de diversos doutrinadores e diz que os agentes públicos devem observar o que dispõe o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988. Contrapõese, também, à multa, discorrendo sobre a função social da empresa e sobre a necessidade de sua preservação. Transcreve outras manifestações de doutrinadores e jurisprudência judicial, dizendo, por fim, que "(...) é copiosa a jurisprudência dos Tribunais Brasileiros, inclusive a do Supremo Tribunal Federal, reconhecendo ao Juiz poder de reduzir a multa estridentemente iníqua (...) " e que o que se verifica, pois, é que a lei brasileira, a pretexto de punir, abusa do poder de impor penalidades, eivando de inconstitucionalidade por violar o disposto no art. 5º, XXII combinado com o art. 150, IV da Constituição Federal, tomado por analogia. Assim, resta evidente a configuração do confisco e o desrespeito a capacidade contributiva da Impugnante." 10. Na seqüência, argumenta que os juros exigidos no auto de infração são ilegais, posto que cumulativos; menciona comentário de Theônio Negrão (sic) que diz: "a capitalização de juros é proibida (Dec. 22.626, art. 4), exceto nos saldos líquidos em conta corrente (Ibidem) e na hipótese do artigo 1544 do C.C.". Diz que o valor cobrado de juros, atingindo um percentual superior a 25%, claramente o torna abusivo, em detrimento de seu patrimônio, e que o art. 1.062 do Código Civil especifica os juros legais, como de 6% ao ano, não cumulativos; diz, ainda, que o judiciário já decidiu que a aplicação de juros será de forma simples, no percentual de 12% ao ano, sendo que qualquer índice que ultrapasse esse percentual, será considerado abusivo e ilegal; conclui, afirmando que com a cobrança de juros compostos a SRF está violando os princípios tributários insertos na Constituição, e nas leis civil, tributária e comercial. 11. Por fim, requer que se considere improcedente o lançamento, com o cancelamento do auto de infração. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 5.288, de 14 de janeiro de 2004, pela procedência do lançamento. O referido julgado restou assim ementado: SAÍDAS DE MERCADORIAS EM ESTOQUE. APURAÇÃO DE RECEITAS. BASES CONSISTENTES. As receitas relativas às saídas de mercadorias em estoque, apuradas a partir de bases consistentes de informações, não pode ser desacreditada pela simples alegação de que as operações seriam de baixa de estoque e nem pela tentativa de invalidar a utilização de dados prestados pela contribuinte ao fisco estadual. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE LEIS. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PERCENTUAIS. LEGALIDADE Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora e multa de oficio pelos percentuais legalmente determinados. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 250 5 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 99/103, por meio do qual renovou a argumentação expendida na peça impugnatória. Diante da natureza do tributo lançado, o presente processo foi distribuído para a Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que, em sessão realizada 02 de dezembro de 2008, por meio do acórdão nº 20403.622, declinou da competência para julgar o recurso voluntário. O voto condutor da decisão acima referenciada assinala: A competência para julgamento deste recurso não é deste Segundo Conselho de Contribuintes. Com efeito, verifico que a apuração dos fatos que resultou na lavratura deste auto de infração tendente à exigência do PIS serviu também para determinar a formalização, em face da recorrente, de outros dois autos de infração, estes tendentes à exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. Tanto o auto de infração de IRPJ, lavrado nos autos do Processo n° 10980.011137/200316, quanto o auto de CSLL, lavrado nos autos do Processo n° 10980.011139/200305, foram formalizados no dia 10 de novembro de 2003, mesma data em que lavrado o auto de Cofins de que ora se trata. O cotejo da descrição dos fatos constante dos autos de infração antes referidos com a descrição dos fatos constante deste auto de PIS bem demonstra se tratar da mesma hipótese. [...] Verificase, portanto, que a exigência do PIS formalizada nos presentes autos decorre de fatos cuja apuração serviu, ao menos em parte, também para determinar a prática, pela ora recorrente, de infração à legislação do Imposto sobre a Renda IR. Assim, nos termos do art. 20, inciso I, alínea "d", do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, combinado com o art. 21, inciso I, alínea "c", do mesmo Regimento, a competência para o julgamento deste recurso voluntário é do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. [...] É o Relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 251 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Destaco, de início, que acolho com ressalvas o pronunciamento da Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes acerca da competência para apreciar a presente lide, vez que, apesar de a autuação de que trata o presente processo derivar do mesmo procedimento de fiscalização (Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.1.01.002003001177 – fls. 01 – relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados), as infrações imputadas à contribuinte decorreram de procedimentos de verificações obrigatórias, também autorizados pelo referido Mandado de Procedimento Fiscal. Observo, inclusive, que o lançamento tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (processo administrativo nº 10980.011137/200316) alcançou, apenas, fatos geradores ocorridos em junho, setembro e dezembro de 2002, enquanto o relativo ao presente feito recaiu sobre fatos ocorridos no período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000 e de abril a outubro de 2002. Verifico, ainda, que as divergências apuradas no procedimento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica decorreram exclusivamente do batimento entre os valores declarados na DIPJ/2003 e os valores escriturados e declarados à Secretaria Estadual, enquanto as tratadas nos presentes autos estão relacionadas, também, a “outras receitas” que não foram computadas na base de cálculo da contribuição (período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000). Não obstante, diante do disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno em vigor (ANEXO II), abaixo transcrito, penso que esta Primeira Seção detém competência para a apreciação da controvérsia, eis que, ao menos em parte, a exigência formalizada no presente processo está lastreada “em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”. Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...] IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; {2} Ausente prova de ciência da decisão exarada em primeira instância, tenho por tempestivo o recurso voluntário impetrado, portanto dele conheço. As razões recursais podem assim ser sintetizadas: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 252 7 i) o lançamento tributário tomou por base saldos de estoques apresentados na escrita fiscal que foram posteriormente ajustados sem que houvesse saída efetiva de mercadorias; ii) o art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, inovou o conceito de faturamento, incluindo demais receitas auferidas, independentemente de sua origem ou classificação fiscal, o que seria inconstitucional; iii) o lançamento tributário viola os princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco; iv) é possível a apreciação da constitucionalidade da lei em seara administrativa; v) a multa aplicada tem natureza confiscatória; e vi) o uso da SELIC na cobrança dos juros é ilegal. No que diz respeito aos saldos de estoque; às alegações de inconstitucionalidades, inclusive no que tange à possibilidade de apreciação de tais questionamentos em âmbito administrativo; à natureza da multa aplicada; e à utilização da TAXA SELIC, esclareço que tais questões foram apreciadas pela Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão realizada em 21 de junho de 2006. Com efeito, no acórdão nº 10515.794, em que, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 10980.011137/200316 (IRPJ), restou consignado, in verbis: [...] Das saídas das mercadorias e da omissão de receitas Alega a recorrente que o conteúdo das GIA/ICMS não indicaria a venda de mercadorias, mas a baixa de estoque, declarada daquela forma por "sugestão do fiscal estadual". E que tais GIA/ICMS, por si só, não se prestam à comprovação da ocorrência do fato gerador do imposto, mas mero indício. Afirma ainda, que o lançamento está baseado apenas em presunções, fundado em prova emprestada do fisco estadual. Não merecem prosperar as alegações da recorrente, senão vejamos: A apuração fiscal teve início a partir da constatação do estoque de mercadorias, em 31/12/2001, no valor de R$ 4.742.988,70, cuja destinação a recorrente foi intimada (05/09/03) e reintimada (03/11/2003) a informar e comprovar. Na mesma ocasião, a recorrente foi intimada também a apresentar as GIA entregues à Secretaria Estadual no ano de 2002, referentes à movimentação daquele estoque de mercadorias. Não consta, no presente processo, o atendimento a estas intimações. Conforme fl. 104, a Secretaria de Estado da Fazenda forneceu cópias de FIR Informações e Recolhimentos do ICMS (fls. 105/111), a partir das quais foram Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 253 8 verificadas saídas declaradas ao fisco estadual, mas que foram omitidas nas declarações prestadas à SRF. Desta forma, a fiscalização federal utilizouse das informações disponíveis, já que restaram infrutíferas as tentativas de obtêlas diretamente da recorrente. A recorrente tinha, em 31/12/2001, um estoque de mercadorias no montante de R$ 4.742.988,70, cujas saídas ocorreram, segundo informado em GIA/ICMS, de abril a outubro de 2002, nos valores de R$ 810.610,40, R$ 630.736,20, R$ 543.268,30, R$ 839.618,10, R$ 860.165,00, R$ 461.140,00 e R$ 597.450,00, respectivamente. Estes são os valores que foram considerados pela fiscalização, como sendo a receita obtida pela saída das mercadorias. Verificase, pois, que o lançamento teve bases sólidas, não havendo que se falar em mera presunção fiscal. Quanto à alegação de que os valores tributados constituiriam meros registros de baixa de estoque, a recorrente, em momento algum, especificou a natureza desta suposta operação, não apresentou informações sobre o parâmetro que adotou para daquela forma compôlas quantitativamente e nem mesmo trouxe aos autos os registros contábeis pelos quais tem procedido à aludida "baixa" de R$ 4.742.988,70 de mercadorias em estoque. Desta feita, entre a apuração de saídas de mercadorias que se encontravam em estoque e que foram informadas pela própria recorrente ao fisco estadual, e a alegação, vaga e simples, de que não foi comprovada a existência de operação em que se baseia o lançamento, há de prevalecer aquela que, no presente processo, encontrase embasada em elementos reais, devendo, pois, ser mantido o lançamento tributário. Da alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade Alega a recorrente que a exigência fiscal em tela é ilegal e inconstitucional, de vez que, nos termos do art. 150, da Constituição Federal, é vedada a utilização de tributo com efeito de confisco. Além disso, afirma a recorrente que a legislação tributária, ao instituir imposto sobre fato ou fatos não indicativos de riqueza, fere o principio constitucional da capacidade econômica ou contributiva das empresas. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados, sendo de competência privativa do STF, art 102, CF. Salientese que, até o momento, não houve qualquer declaração de inconstitucionalidade por parte do STF sobre a contribuição em comento. Da multa de ofício aplicada Ademais, alega a recorrente que a imposição de multa no percentual de 150% é totalmente confiscatória, o que não é permitido em sede tributária. Não deve prosperar a argumentação acima, eis que: A aplicação da multa de oficio constante do Auto de Infração foi feita com base na legislação vigente (inciso II, do art. 44, da Lei 9.430/96 e art. 957, II, do RIR/99) em decorrência da fraude constatada. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 254 9 Da Taxa Selic A partir de 01.04.1995, sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sendo cabível sua utilização, por expressa disposição legal. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal, que declare sua inconstitucionalidade. Nesse sentido, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes: [...] Tendo integrado o Colegiado por ocasião do julgamento cujos excertos do acórdão reproduzi acima, mantenho o posicionamento acerca das questões abordadas. Ademais, esclareço que, relativamente à apreciação em seara administrativa de eventuais inconstitucionalidades de leis e à aplicação da taxa de selic, em virtude de reiteradas decisões no mesmo sentido, foram editadas as súmulas nºs 2 e 4, abaixo reproduzidas, que são de adoção obrigatória pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do parágrafo 4º do art. 72 do Regimento Interno (ANEXO II). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em que pese o fato de a decisão ter sido embargada pela contribuinte, esclareço que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do acórdão nº 0105.924 (sessão de 24 de junho de 2008), manteve na íntegra a decisão exarada pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Sem prejuízo do disposto na Súmula CARF nº 2, acima transcrita, penso que as considerações da Recorrente acerca da alegada inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que, redefinindo o conceito de faturamento, estabeleceu que as contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS seriam calculadas com base na totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, merecem ser apreciadas. Nesse sentido, cumpre verificar se as decisões incidentais prolatadas pelo Supremo Tribunal Federal podem dar azo ao afastamento, pela autoridade administrativa, da norma ali declarada inconstitucional, qual seja, o parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. O Decreto nº 2.346, de 1997, consolidando normas procedimentais a serem observadas pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais, estabeleceu: a) que as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 255 10 observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos por ele estabelecidos; b) que, transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial; c) que o disposto no item anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal; d) que, tratandose de decisão proferida em caso concreto, o Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do AdvogadoGeral da União, poderá autorizar a extensão dos correspondentes efeitos jurídicos. Em conformidade com o Decreto em referência, portanto, a autoridade administrativa só poderia afastar a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no caso de decisão proferida incidentalmente, em dois casos: a) após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal; e b) com base em ato autorizador do Presidente da República. Nessa linha, o disposto no parágrafo único do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 1997, que autoriza os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, não poderia ser interpretado sem que se levasse em conta as balizas preconizadas pela mesma norma regulamentadora, ou seja, a declaração de inconstitucionalidade referenciada deve decorrer de ação direta ou, no caso em que tenha sido prolatada incidentalmente, que tenha sua execução suspensa pelo Senado Federal ou que tenha seus efeitos jurídicos ampliados em razão de ato do Presidente da República. Contudo, a partir da publicação da Medida Provisória nº 449, em 04 de dezembro de 2008, o Decreto em referência, penso, perdeu a sua eficácia. Isto porque, alterando disposições do Decreto nº 70.235, de 1972, a Lei nº 11.941, de 2009, que resultou da conversão da referida Medida Provisória, estabeleceu: Art. 25. O Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: [...] Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 256 11 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; ... O art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, na mesma linha do acima disposto, veda expressamente aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, esclarecendo, contudo, por meio do seu parágrafo único, que tal vedação não se aplica aos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Como é cediço, a questão posta em discussão no presente item, qual seja, a inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, já foi objeto de decisão do plenário do STF nos julgamentos dos Recursos Extraordinários nºs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084. Corroborando o que aqui se afirma, releva reproduzir excerto do pronunciamento da Ministra Cármen Lúcia, ao apreciar Agravo de Instrumento impetrado pela União. DECISÃO AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COFINS. ARTS. 3º, § 1º, E 8º DA LEI N. 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO: IMPOSSIBILIDADE. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA: CONSTITUCIONALIDADE. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. ANÁLISE, DESDE LOGO, DO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AGRAVO PROVIDO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. ... 11. Em 5 de agosto de 2009, no julgamento do Recurso Extraordinário 527.602, de relatoria do Ministro Eros Grau, o Plenário do Supremo Tribunal Federal reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/98 e da constitucionalidade do art. 8º da mencionada lei, apreciada nos Recursos Extraordinários ns. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJ 15.8.2006. 12. Mantevese o entendimento de que a noção de faturamento contida no art. 195, inc. I, da Constituição da República (norma anterior à Emenda Constitucional n. 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, não sendo possível a convalidação dessa imposição, mesmo com o advento de norma constitucional derivada (Emenda Constitucional n. 20/98). 13. Além disso, o Supremo Tribunal rejeitou a alegação de inconstitucionalidade do art. 8º da Lei 9.718/98 (majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%) e descartou a argumentação de que haveria necessidade de lei complementar para esse fim. Também estabeleceu que a Lei n. 9.718/98 passou a produzir efeitos válidos a partir de 1º.2.1999, em atendimento à exigência do decurso do prazo nonagesimal, prevista no art. 195, § 6º, da Constituição da República. 14. Ao julgar inconstitucional a majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3% da Cofins, promovida pelo art. 8º da Lei n. 9.718/98, o Tribunal a quo divergiu da orientação fixada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. 15. Pelo exposto, dou provimento a este agravo, na forma do art. 544, §§ 3º e 4º, do Código de Processo Civil, e, desde logo, parcial provimento ao recurso extraordinário, nos termos do art. 557, § 1ºA, do mesmo diploma legal, para reformar o acórdão recorrido no ponto que julgou ilegítima a majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%, promovida pelo Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.011138/200352 Acórdão n.º 1301001.131 S1C3T1 Fl. 257 12 art. 8º da Lei n. 9.718/98. Considerandose a Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal, deixo de condenar ao pagamento de honorários advocatícios de sucumbência. Publiquese. Brasília, 19 de novembro de 2009. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Sou, pois, pelo acolhimento das razões recursais relativamente a este item. Assim, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir de tributação os valores correspondentes a OUTRAS RECEITAS (letra “a” da descrição dos fatos de fls. 112, fatos geradores de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000). “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000672/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do Fato Gerador: 19/02/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR A EMPRESA CEDENTE DE MÃO-DE-OBRA DE DESTACAR ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Constitui infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa cedente de mão-de-obra de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços.
A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A administração pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do Fato Gerador: 19/02/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR A EMPRESA CEDENTE DE MÃO-DE-OBRA DE DESTACAR ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Constitui infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa cedente de mão-de-obra de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A administração pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL Recorrente KARRER PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 19/02/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR A EMPRESA CEDENTE DE MÃODEOBRA DE DESTACAR ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Constitui infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa cedente de mãodeobra de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A administração pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 06 72 /2 00 9- 91 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10909.000672/200991 Acórdão n.º 2402003.199 S2C4T2 Fl. 188 3 Relatório Tratase de AI DEBCAD n. 37.208.4222, resultante de conduta da empresa Recorrente de não destacar em suas notas fiscais de prestação de serviços a retenção dos onze por cento de seu valor bruto para a Previdência Social. Segundo informações descritas no Relatório Fiscal da multa aplicada, tal fato constitui infração ao art. 31, § 1°, da Lei n° 8.212/91, com redação da Lei n° 9.711/98, combinado com o art. 219, § 4°, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Junto ao relatório fiscal, a autoridade autuante elaborou relatório discriminando as notas fiscais emitidas no período de 01/2007 a 08/2008. A Autoridade, ainda, aplicou o mínimo de multa previsto em lei (R$ 1.329,18), nos termos do art. 283, caput e § 3°, do Decreto n° 3.048/99 e considerando o art. 8°, V, da Portaria Interministerial MPS/MF n° 48/2009. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação, a qual fora julgada improcedente, nos termos do acórdão de fls. 98/110. Inconformada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (Fls. 113/125) em apreço, reiterando os fundamentos apresentados em impugnação. O Recurso foi remetido a este Conselho para julgamento (fls. 128). É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Em preliminar O recurso preenche a todos os requisitos de admissibilidade, inclusive a tempestividade. Por isso, dele conheço. No mérito Pretende a Recorrente o cancelamento do auto de infração lavrado em razão de não recolhimento de contribuições destinadas a terceiros, no período de 03/2004 a 08/2008. Primeiramente, necessário esclarecer que não cabe a este julgamento a análise da validade do ato que declarou a exclusão da Recorrente do Simples, uma vez que a questão não se faz objeto da autuação. Quanto ao mais, no que tange a alegação de que os autos de infração lavrados pela autoridade deveriam ser cancelados em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário pela existência de recurso administrativo pendente para discussão quanto à exclusão do Simples, não merece guarida a pretensão da Recorrente. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 151, III, de fato prevê que a existência de recursos administrativos pendentes de apreciação resultam na suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Todavia, a hipótese claramente não pode ser aplicada ao presente caso. Por suspensão da exigibilidade do crédito tributário entendese a impossibilidade de o Fisco diligenciar para cobrança do montante supostamente devido. Ou seja, suspensa a exigibilidade de determinado crédito tributário, não pode o Fisco ajuizar execução fiscal ou opor o crédito ao contribuinte com vistas à compensação de ofício ou como fundamento ao indeferimento de expedição de certidão de regularidade fiscal. É o que ensina Leandro Paulsen: “Efeitos da suspensão da exigibilidade. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário veda a cobrança do respectivo montante do contribuinte, bem como a oposição do crédito ao mesmo, e. g., com vista à compensação de ofício pela Administração com débitos seus perante o contribuinte ou como fundamento para o indeferimento de certidão de regularidade. (...) Não impede o lançamento nem afeta a decadência, como regra. A ocorrência das hipóteses previstas no art. 151, normalmente não impede a constituição do crédito tampouco suspende o prazo decadencial.” 1 1 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13 edição. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2011. p. 1090. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10909.000672/200991 Acórdão n.º 2402003.199 S2C4T2 Fl. 189 5 Notese que não há qualquer menção quanto à impossibilidade de o fisco constituir o crédito, mas tão somente quanto à sua cobrança. Até porque, de acordo com a legislação tributária, o prazo decadencial é insuscetível de suspensão, sendo o lançamento a única forma de o Fisco garantir que o crédito tributário pendente de discussão, em qualquer que seja a esfera, seja atingido pela decadência. Assim, descabida a alegação da Recorrente de que o auto de infração em comento deva ser cancelado, uma vez que, ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não está o Fiscal impedido de lançar o crédito, ficandolhe vedado apenas a cobrança do crédito. Ainda, de acordo com o que ensina Hugo de Brito Machado, não há que se falar em exigibilidade enquanto ainda houver pendência de recurso administrativo. Menos ainda em suspensão da mesma: “A exigibilidade nasce quando já não cabe mais reclamação nem recurso contra o lançamento respectivo, quer porque transcorreu o prazo legalmente estipulado para tanto, quer porque tenha sido proferida decisão de última instância administrativa.” 2 Destarte, temse que a autoridade fiscalizadora, no exercício de sua função administrativa, estava obrigada à lavratura do auto de infração em comento, vez que verificada a existência de pendências por parte da empresa Recorrente, não havendo qualquer fato que a impedisse de o fazer. Desta forma também já julgou esta Turma: “Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF Cabe à Primeira Seção do CARF analisar recurso contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre ato de exclusão de empresa do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, bem como a data de início de seus efeitos SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LANÇAMENTO – POSSIBILIDADE As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, impedem sua cobrança mas não a sua constituição. De igual forma, a suspensão da exigibilidade do crédito não representa óbice ao andamento do contencioso administrativo fiscal (...). Recurso Voluntário Provido em Parte.” (CARF, Proc. 10640.003934/201000, Acórdão 2402002.808, Quarta Câmara, Segunda Seção de Julgamento, Rel. Ana Maria Bandeira, Sessão de 21/06/2012). 2 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 23 Edição. São Paulo: Malheiros, 2003. p. 174. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Conclusão Por todo o supra exposto, voto pelo conhecimento do recurso e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905571/2009-69
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida em Aspectos Prejudiciais.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora a quo que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida.
Numero da decisão: 1801-001.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância, para se pronunciar a respeito do mérito do litígio, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida em Aspectos Prejudiciais. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora a quo que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.905571/200969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.326 – 1ª Turma Especial Sessão de 5 de março de 2013 Matéria Restituição / Compensação Recorrente CONSTRUTORA GOMES PIMENTEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PREJUDICIAIS. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora “a quo” que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância, para se pronunciar a respeito do mérito do litígio, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 55 71 /2 00 9- 69 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 0936.368, de 16/08/2011, da 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG (fls. 68/70) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório da DRF em Varginha/MG, que não homologou as compensações declaradas em DCOMP. Histórico O presente processo trata de Declaração de Compensação transmitida eletronicamente em 26/06/2007 (fls. 33/38) que informa direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL relativa ao mês de março de 2006 (recolhimento em abril/2006), no valor de R$ 22.158,67, para utilização na compensação de débito de estimativa de IRPJ do mês de março de 2006, no mesmo valor do indébito informado. Pelo Despacho Decisório Eletrônico da DRF em Varginha/MG, emitido em 07/10/2009 (fl. 04) não houve reconhecimento do direito creditório pleiteado pois o DARF indicado no PERDCOMP para comprovação do indébito já teria sido alocado a outro pagamento e, assim, não haveria a disponibilidade do crédito. Foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 01/03) na qual alega, a interessada, que teria recolhido, no curso do anocalendário 2006, estimativas de CSLL que, no total, teriam superado o valor da CSLL devida ao final do período. De acordo com o seu Livro Razão e os DARFs, teria recolhido os seguintes valores de estimativa de CSLL em 2006: Meses Valores Janeiro 13.182,30 Fevereiro 5.524,16 Março 22.158,67 Abril 8.741,85 Maio 100,00 Junho 100,00 Julho 100,00 Agosto 100,00 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.905571/200969 Acórdão n.º 1801001.326 S1TE01 Fl. 3 3 Setembro 100,00 Outubro 100,00 Novembro 100,00 Total 50.353,49 Alega que, de acordo com a Ficha 17 da DIPJ/2006 o valor apurado como devido da CSLL ao final do anocalendário 2005 montou em R$ 26.728,24 e que esse débito teria sido quitado com o valor retido na fonte, de R$ 2.595,70, e com estimativas recolhidas no curso do anocalendário, no total de R$ 24.132,54, restando um saldo a compensar de R$ 23.625,25 (R$ 50.353,49 () R$ 2.595,70 () R$ 24.132,54). Aponta erro no preenchimento da Ficha 17 da DIPJ/2007. Analisando o pedido a 2a. Turma Julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que a empresa apurou estimativa de CSLL para o período de apuração 03/2006 no valor de R$ 22.158,67 e a declarou como débito devido na DCTF respectiva. Assim, o pagamento efetuado nesse mesmo valor em 28/04/2006, não teria sido indevido ou a maior por ter sido feito na forma da Lei para quitar débito devidamente lançado por DCTF. Assinalou que se o total de estimativas pagas superar o valor do imposto e/ou contribuição devido ao final do exercício, o excesso deve compor o saldo negativo do período e, nessas condições, poderá ser objeto de pedido de restituição pela empresa ou ser usado para compensação. A utilização de pagamentos isolados de uma ou outra estimativa não seria possível, nos termos da IN SRF n º 600, de 2005. Notificada da decisão, em 23/01/2012, como demonstra a cópia do AR (fl. 89 processo digital) apresentou, a interessada, em 17/02/2012, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz que instruções normativas poderiam estabelecer formas e procedimentos para realização de compensações mas jamais restringir o direito à compensação previsto em lei. Argumenta, ainda, ter ocorrido um mero erro formal no preenchimento da DIPJ do exercício 2007 – anocalendário 2006 e na declaração eletrônica de compensação, no campo “tipo do crédito”, preenchido com a informação “pagamento indevido ou a maior”, quando o correto seria “saldo negativo de CSLL”. Pede, assim, em respeito ao princípio da verdade material, que seja reconhecido o direito creditório a título de saldo negativo de CSLL e homologada a compensação declarada. É o relatório. Voto Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito ao único argumento de que, nos termos da IN/SRF n º 600, de 2005, seria vedada a utilização de estimativas mensais recolhidas no curso do anocalendário como direito creditório em compensações. A questão quanto a possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação, encontrase superada, inclusive no que diz respeito à legislação complementar. As justificativas encontram se pormenorizadas no Acórdão n º 18010000.486, desta 1a. Turma Especial da 3a. Câmara – 1a. Seção do CARF, de relatoria desta Conselheira. Entretanto, a interessada, na manifestação de inconformidade, já dera indícios de que pleiteava como indébito, em verdade, o saldo negativo de CSLL para fazer frente à desejada compensação. Vejamos suas alegações à fl. 03: Conforme consta da Ficha 17 da DIPJ/2006 a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido devida, relativa ao ano de 2005, importou em R$ 26.728,24. Esse débito de CSLL foi pago com os valores retidos na fonte, no montante de R$ 2.595,70 e R$ 24.132,54, liquidados pelos valores recolhidos por estimativa, sobrando ainda um saldo líquido a compensar de R$ 23.625,25 (50.353,49 menos 2.595,70 menos 24.132,54). O que houve foi um erro no preenchimento da Ficha 17 da DIPJ 2007. A Turma Julgadora de 1a. instância, contudo, não apreciou as alegações da defesa a respeito da ocorrência de erro no preenchimento da Declaração de Compensação Eletrônica, no tipo de crédito indicado. Desta feita, nas razões de defesa deduzidas no recurso voluntário, a interessada reprisa que teria errado no preenchimento da referida DCOMP e que o indébito pleiteado é o saldo negativo de CSLL. Entretanto, esta Turma Julgadora do CARF não pode analisar as razões meritórias de defesa, não analisadas pela autoridade julgadora “a quo”. A autoridade julgadora “a quo”. centrou sua decisão em questão prejudicial e assim não analisou integralmente os argumentos da defesa, no que toca à ocorrência de erro no preenchimento da DCOMP, assim como também não analisou a efetiva existência e procedência do crédito. É necessária a apreciação do mérito pela autoridade julgadora competente, quanto aos demais aspectos das argüições de defesa, para homologação das compensações, além do que é imperiosa a análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado e da possibilidade de sua utilização na compensação de débitos de estimativa de IRPJ apuradas como devidas no curso do anocalendário 2006. Cumpre registrar inclusive que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova oportunidade de apresentar recurso voluntário, Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.905571/200969 Acórdão n.º 1801001.326 S1TE01 Fl. 4 5 possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação na segunda instância administrativa de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, mas sem homologar as compensações, por ausência de análise do mérito pela autoridade julgadora da DRJ Juiz de Fora/MG, com o conseqüente retorno dos autos àquela repartição, para verificação dos demais argumentos de defesa relativos ao erro no preenchimento da DCOMP, à existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, pronunciandose, no mérito, a respeito das compensações declaradas pela recorrente. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10711.004067/2005-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/01/2001 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.235
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/01/2001 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de duas autuações. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 350 2 A primeira das autuações (fls. 0106) trata de Imposto de Importação (II), Juros de mora, Multa por lançamento de ofício/não recolhimento de tributos e Multa do controle administrativo, totalizando créditos no valor total de R$ 34.869,90. A segunda autuação (fls. 0711) trata de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Juros de mora e Multa por lançamento de ofício/não recolhimento de tributos, totalizando créditos no valor total de R$ 18.561,29. Alega a fiscalização que a empresa autuada/importadora, por meio da Declaração de Importação (DI) nº 01/00107154 submeteu em despacho para consumo mercadorias descritas como “cerâmica econoprop 20/40 – qualidade de uso: poços de petróleo – teor de pureza: não aplicável – estado físico: pó – embalagem: bags 3.200lbs”. A empresa classificou a mercadoria no código NCM/SH 2529.10.00, correspondente ao produto feldspato. Tal código sofria tributação de 6,5% de II e 0% de IPI. Foi retirada amostra do produto para análise e o órgão de análise emitiu o laudo técnico nº 2014/01, concluindo que a mercadoria se trata de “preparação química à base de óxidos de alumínio, sílica, titânio e ferro”, classificável na TEC no código 3824.90.79, tributável em 16,5% de II e 10% de IPI. Lavrado o auto de infração e intimada a contribuinte (fl. 33v), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 3664. Seguem as alegações da empresa. Desde o início de suas operações, importou mercadorias sob o código NCM/SH 2529.10.00 sem qualquer questionamento por parte da Alfândega, sendo que a classificação adotada se deu com base em informações repassadas pelo fabricante do produto; A importação é nula tendo em vista que já foi objeto de anterior processo da Inspetoria de Macaé. A classificação como feldspato se deveu ao fato de que a cerâmica em questão possui em sua composição metais alcalinos, característicos da Posição 2529 da TEC; A classificação pretendida pelo fiscal elimina a possibilidade da cerâmica ser tipificada em qualquer uma das posições correspondentes aos produtos do capítulo 25 da TEC, posicionamento inadmissível ante ao fato de que cerâmicas são produtos típicos, perfeitamente classificáveis no capítulo 25, mormente, como mulita, ainda que não se admita a classificação como feldspato; Inconformada com a classificação pretendida pela fiscalização que, equivocadamente enquadraram os produtos no Capítulo 38 da TEC, a impugnante, demonstrando sua boafé em definir a Fl. 435DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 351 3 natureza do produto, encomendou dois laudos técnicos de laboratórios e profissionais distintos. Requer, nos termos do artigo 30, §3º, do Decreto nº 70.235/1972, que seja determinada a translação dos referidos laudos, os quais se encontram anexados ao processo administrativo nº 10726.000068/200407. Apresenta às folhas 4243 trechos dos referidos laudos técnicos. A simples análise da composição química da cerâmica importada pela empresa demonstra que a empresa adotou a classificação referente ao estado mais rudimentar do produto, e não a mais precisa correspondente ao produto mulita, com efeito um dos derivados do caulim, sendo este último proveniente do feldspato. Defende que, pelo fato de ter sido detectada a presença de mulita nas análises, o produto deve ser classificado no Capítulo 25 da TEC, sob o código 2508.60.00 (mulita), sendo que, conforme exposto no laudo A, a cristobalita, uma das formas de sílica, foi encontrada em quantidades ínfimas, não devendo prevalecer para fins de classificação do produto. Defende a classificação das mercadorias no código NCM/SH 2508.60.00 (mulita) pela aplicação da Regra 3b do Sistema Harmonizado, sendo iguais às alíquotas de II e IPI para a mulita e o feldspato. Não há prejuízos ao Fisco. O feldspato é um precursor mineralógico da mulita, sendo ambos utilizados na indústria de cerâmica, sendo que tanto o feldspato como a mulita encontramse tipificados no Capítulo 25 da TEC e possuem a presença da mesma substância: aluminosilicato; Alega a impugnante que, diante dos exames laboratoriais por ela realizados e antes da lavratura do Auto de Infração, começou a classificar, a partir da DI 04/03063323, as mesmas mercadorias sob o código NCM/SH de mulita (2508.60.00) sem qualquer objeção da fiscalização aduaneira, sendo que esta DI (04/03063323) foi parametrizada para o canal vermelho e a DI seguinte (04/03321039) foi parametrizada para o canal verde. A lavratura de auto de infração após a realização de uma coleta mais de quatro anos depois da ocorrência do fato gerador viola direitos do contribuinte, como o da celeridade processual. Durante muitos anos importou as mercadorias como feldspato, sempre com a concordância do Fisco, sendo que declarações de importação foram parametrizadas para canal amarelo e vermelho; posteriormente, tendo em vista o início do procedimento fiscal, procurou novamente profissionais capazes, que entenderam mais apropriada a classificação como mulita, embora seja o feldspato um precursor da mulita. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 352 4 Defende a aplicação do artigo 146 do Código Tributário Nacional. Afirma que a fiscalização sempre acatou a classificação adotada pela empresa, o que constitui norma complementar da lei, o que afasta a imposição de quaisquer penalidades e correção monetária, conforme artigo 100 e seu parágrafo único, do CTN; Solicita, também, a aplicação do artigo 112, CTN, que prevê a interpretação benigna ao acusado em caso de dúvidas. Incabível a multa do controle administrativo uma vez que a declaração foi correta (como confirma a própria fiscalização) e que havia licença de importação. Se houvesse infração, a mesma já estaria incluída na multa da Lei nº 9.430/1996. Defende a aplicação do artigo 112 do CTN A própria fiscalização de Macaé não aplicara esta multa. Alega que a multa é confiscatória. Solicita a nulidade do auto. Subsidiariamente, solicita que sejam considerados insubsistentes os Autos de Infração, com o conseqüente cancelamento dos débitos neles constantes. Protesta pela intimação no escritório de advocacia. À folha 160, encaminhouse o processo para julgamento. À folha 161, há pedido de diligência no sentido da unidade de origem (Rio de Janeiro) informar se são autênticos os documentos de folhas 97137, especificamente no que concerne à DI nº 01/00107154. Foi também solicitado que se informasse se a DI do presente processo já foi objeto de auto de infração e, se positiva a resposta, quais verbas foram lançadas. À folha 164, o processo é remetido à Delegacia de Macaé para atendimento da diligência. À folha 165, há despacho da Delegacia de Macaé, que informa que: os documentos de folhas 97/137 são cópia fiel do original; a matéria tributável tratada no auto de infração lavrado pela Alfândega do Porto do Rio Janeiro (o presente processo) é a mesma do auto de infração lavrado pela IRF/Macaé no que diz respeito à DI nº 01/00107154; entretanto, a multa por falta de licença de importação (lançada no presente processo) não foi exigida no procedimento da Inspetoria de Macaé. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 353 5 Na mesma folha 166, foi o processo devolvido à unidade do Rio de Janeiro, que devolveu os autos a esta Delegacia de Julgamento (fl. 167). Nova diligência de folhas 168169, solicitava intimação da empresa impugnante para complementar a defesa acerca dos novos elementos trazidos aos autos. Aditamento à impugnação de folhas 173178. Renova a empresa o pedido de nulidade haja vista a duplicidade da autuação. Contesta a possibilidade de prosseguimento do julgamento tão somente em relação à multa relativa ao controle administrativo uma vez que tal análise ensejaria a análise do mérito da classificação fiscal, que neste momento está sob análise do Conselho de Contribuintes. À folha 211, retornouse o processo para julgamento Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/01/2001 LANÇAMENTO. NULIDADE Anulase o lançamento no tocante às exigências anteriormente lançadas em processo distinto. LAUDO PERICIAL Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada, pela impugnante, a improcedência desses laudos ou pareceres, o que não ocorreu no presente caso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/01/2001 MULTA POR AUSÊNCIA LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. É devida a multa por ausência de licença de importação, quando a mercadoria efetivamente importada difere da mercadoria autorizada à importação Lançamento Procedente em Parte Fl. 438DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 354 6 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou parcialmente a exigência. Considerando que não havia certeza com relação ao tratamento administrativo dispensado à mercadoria e que tal fator seria relevante para a solução do litígio, decidiu esta 2ª TO, por meio da Resolução nº 310200.116, relatada pela então Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, converter o julgamento em diligência. Em cumprimento, respondeu a autoridade autuante que a mercadoria alvo do litígio estava sujeita a licenciamento automático e que o auto de infração foi lavrado com base na orientação consignada no Ato Declaratório Normativo nº 12, de 1997. Em face do encerramento do mandato da relatora original, o processo foi alvo de nova distribuição, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Sendo certo que não se ventilou, nem no auto de infração nem na decisão de 1ª instância a ocorrência de intuito doloso ou máfé por parte da importadora, a meu ver, a solução do presente litígio exige que se avalie: 1 a legalidade, em abstrato, da imposição da multa do 169 do Decretolei nº 37, de 1966 às hipóteses de ausência de licenciamento; 2 se o erro na indicação da classificação tarifária implica ausência de licenciamento; e 3 se implicar tal falha, a descrição da mercadoria reúne as condições necessárias à aplicação da excludente instituída pelo ADN Cosit nº 12/97; Em nome da clareza, analiso cada um desses aspectos separadamente. 1 Legalidade da Penalidade e Hipótese da sua Imposição Antes de discutir a aplicabilidade das hipóteses excludentes trazidas pela recorrente, em respeito ao princípio da legalidade, entendo prudente fazer algumas considerações acerca da legalidade da multa ora debatida que tem como matriz legal o art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, que, em sua atual redação, diz: Fl. 439DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 355 7 Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) I importar mercadorias do exterior: a) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria. b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Admitindo que, à época dos fatos, já se encontrava implantado o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) e a Guia de Importação fora substituída pela Licença de Importação, a avaliação da legalidade de tal penalidade não pode prescindir da delimitação do universo dos “documentos equivalentes” àquele que foi extinto. No plano da nomenclatura, tal dúvida é respondida pela simples leitura do artigo 6º, caput e parágrafos do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992: Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. § 2° Outros documentos emitidos pelos órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta, com vistas à execução de controles específicos sob sua responsabilidade, nos termos da legislação vigente, deverão ser substituídos por registros informatizados, mediante acesso direto ao Sistema, pelos órgãos encarregados desses controles. (grifei) Vêse, portanto, que a partir desse novo sistema, todas exigências inerentes ao processo de nacionalização1, seja sob o ponto de vista tributário, com enfoque na verificação da correta incidência dos tributos, seja sob o ponto de vista administrativo, que engloba as exigências cambiais, sanitárias, dentre outras, foram concentradas em único ambiente informatizado, onde convivem dois documentosbase: a Declaração de Importação, onde são tratadas as informações relativas ao controle tributário e a Licença de Importação, por meio da qual interagem os chamados Órgãos Anuentes, responsáveis pela condução dos controles administrativos. 1 Procedimento que permite "Tornar nacional, por equiparação jurídica, a mercadoria procedente do estrangeiro", segundo conceituado por Roosevelt Baldomir Sosa, in Glossário de Aduana e Comércio Exterior. São Paulo, Aduaneiras, 2001, p.228. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 356 8 Penso, entretanto que, para a avaliação da equivalência entre a Guia de Importação e a Licença de Importação, para efeito da aplicação da penalidade em questão, devese ir além desse plano meramente semiótico e buscar, na legislação inerente àquele documento textualmente previsto no art. 526, II do RA de 1985, quais eram os interesses por ele resguardados e, conseqüentemente, avaliar se o documento que o substituiu alcançou esses mesmos interesses. Finalmente, antes de avaliar a correspondência entre a LI e a GI sob o aspecto finalístico, é importante esclarecer que, apesar do nome homônimo, o documento cuja falta foi apontada pela autoridade fiscal não é o mesmo que foi criado pelo Decreto nº 42.914, de 1957: Guia de Importação para fins estatísticos, extinta pelo art. 1732 do Decretolei nº 37, de 1966 que, em seu artigo 169, também instituiu a matriz legal da penalidade em discussão. 2.Regime de Licenciamento Os dispositivos legais que tratam do controles nãotarifários sobre o comércio exterior foram, ao menos parcialmente, tacitamente derrogados pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Ou seja, os controles que antes eram exercidos por meio das medidas necessárias à expedição de Guia de Importação passaram a ser realizados no bojo desse novo procedimento. Nesse contexto, sendo certo que, tanto do ponto de vista conceitual, quanto da finalidade do documento, a Licença de Importação efetivamente substituiu a Guia de Importação, a meu ver, tornase possível o seu enquadramento na locução “documento equivalente” insculpida no art. 526, II do RA/1985, bem assim a regulamentação proposta no Art. 633, II, “a” do RA/2002 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, 2 Art. 173 Serão reunidas num só documento a atual nota de importação, a guia de importação a que se refere o Decreto nº 42.914, de 27 de dezembro de 1957, e a guia de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 357 9 de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados nº regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e Ocorre que, a meu ver, o documento que substituiu a Guia de Importação, como instrumento de controle nãotarifário, foi exclusivamente a Licença de Importação emitida de maneira nãoautomática. Como se verá a seguir, a legislação inferior que atualmente disciplina esse controle: Portaria Secex nº 21, de 1996 e Comunicado Decex nº 12/97, incorporou os conceitos do APLI mas os aplicou em descompasso com a norma hierarquicamente superior que dá suporte à exigência de licenciamento prévio para as operações de importação. Na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 358 10 Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, segundo o Acordo, o que diferencia a LI automática da não automática, não é a ausência de controle prévio ou a sua concessão por meio de ferramentas computacionais, como o nome empregado poderia sugerir, mas a natureza desse controle. O licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembrese, segundo o art 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 359 11 b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI3 do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, na égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos que disciplinam o funcionamento do Siscomex denominaram licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrasenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. 3 Classificação Fiscal e Licenciamento Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de que o exclusivo erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Desta feita, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (v.g. o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. 3Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (...) VI embarque da mercadoria antes de emitida a guia de importação ou documento equivalente: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 360 12 Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Nesse contexto, restando claro que o erro de classificação, conforme informação trazida ao processo pela autoridade fiscal, não alterou o regime de licenciamento da mercadoria, não vejo como manter a exigência. 4 Alcance do ADN nº 12, de 1997 Importa esclarecer, finalmente, que não consigo extrair do ADN nº 12, de 1997 a interpretação que orientou a lavratura do auto de infração litigioso. Vejamse redação do dispositivo: “...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de Licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado...” A meu ver, a aplicação do ADN 12 tem como antecedente lógico a caracterização da ausência de licença de importação. Ou seja, em primeiro lugar há que se caracterizar a infração para, em seguida, discutirse a tal conduta deixa de ser apenada em razão da exatidão da descrição. Nessa linha, não vejo como pretender, por meio de raciocínio a contrário senso, apenar qualquer hipótese de descrição inexata, ainda que, como se verifica no presente litígio, não se configure falha no licenciamento. 5. Conclusão Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 7 de outubro de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 445DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.004067/200573 Acórdão n.º 310201.235 S3C1T2 Fl. 361 13 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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