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Numero do processo: 10980.018192/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural
Área de Preservação Permanente e Área de Proteção Ambiental.
Isenção. Conjunto probatório. Comprovação.
Numero da decisão: 2201-003.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 31/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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Isenção. Conjunto probatório. Comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 31/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 81 92 /2 00 8- 33 Fl. 2391DF CARF MF 2 1 Tratamse de Recurso de Ofício (fls. 1417) e Voluntário (fls.1.433/1.474) interposto pela DRJ e contribuinte em face da decisão da DRJ/CGE que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte ao lançamento do ITR dos exercícios de 2004, 2005 e 2006, no valor de 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 1.406/) por sua precisão e complementado posteriormente por mim: Fl. 2392DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.392 3 Fl. 2393DF CARF MF 4 Fl. 2394DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.393 5 Fl. 2395DF CARF MF 6 3 A decisão da DRJ/CGE (fls. 1.406/1.417) julgou procedente em parte a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: 4 – O valor do crédito do imposto lançado às fls. 1180/1261 foi de R$ 46.070.332,32 dos exercícios de 2004 a 2006 ante o valor de R$ 19.224.290,91 exonerado pela DRJ/CGE, por isso o recurso de ofício. 5 Cientificado da decisão de piso (fls. 1.428), o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls.1.433/1474 replicando as mesmas razões anteriores e às fls. 1.480/1.502 contrarrazões e razões do recurso de ofício da PGFN. 6 – Em sessão de 28/07/2011 às fls. 1.503/1511 essa Turma em sua antiga composição em Relatoria da Conselheira Rayana França converteu o julgamento em diligência e houve a determinação em parte ao contribuinte e para a unidade preparadora para: Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.394 7 Fl. 2397DF CARF MF 8 8 – Cito as fls. dos principais documentos solicitados na diligência: Fls. 1.515/1.526 – Sentença e Acórdão do Processo 353/89 em que a contribuinte propõe ação em face do Governo do Estado de São Paulo pela desapropriação indireta da parte Paulista do imóvel; Fls. 1.527/1.537 – Inicial da contribuinte da Ação 353/89; Fls. 1.538/1.589 Defesa da Fazenda de São Paulo; Fls. 1.614/1.749 laudo do perito judicial José Narciso na ação 353/89 de Abril de 1992; Fls. 1.750/1.797 Laudo do assistente técnico da Fazenda Paulista datado de Agosto de 1993; Fls. 1.904/1982 Laudo do novo perito judicial datado de Março de 2008; Fls. 1.983/2.127 Laudo do assistente técnico da Fazenda de SP Anselmo Gomiero; Fls. 2.128/2.169 Laudo do assistente técnico da contribuinte Sr. Roberto Baratieri datado de Setembro de 2009; Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.395 9 Fls. 2.170/2.182 – Laudo do assistente técnico da Fazenda de SP Paulo Shwenck complementar ao laudo do perito judicial; Fls. 2.212/2.213 – ofício resposta da Fundação Instituto de Terras de SP; Fls. 2.217 – ofício resposta do IAB – Instituto Ambiental do Paraná; Fls. 2.273/2.276 – ofício resposta do IBAMA; Fls. 2.280/2.287 – ofício resposta da Secretaria do Meio Ambiente de SP; Fls. 2.308/2.366 – laudo técnico sobre a área e plantas da região com a localização do imóvel da contribuinte e documentos; Fls. 2.367/2.375 – Manifestação fiscal reiterando os termos do lançamento; Fls. 2.384/2.387 – Manifestação da contribuinte sobre a diligência, reiterando os termos recursais. 9 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso RECURSO VOLUNTÁRIO 10 – Vou apreciar o recurso de ofício posteriormente ao final da análise do recurso voluntário, contudo ambos os recursos são aptos a seu conhecimento e julgamento. 11 – A questão principal nos autos a ser dirimida é quanto a glosa da área de preservação permanente do lado Paulista do imóvel e da área de proteção ambiental no lado Paranaense do imóvel, declarada nos Exercícios do ITR de 2004 a 2006 e da alteração do VTN Fl. 2399DF CARF MF 10 tributado, com base na tabela SIPT mantida pela Receita Federal, por ter a autoridade lançadora concluído que não foram devidamente comprovados os dados declarados. 12 – Em relação a entrega do ADA é ponto incontroverso nos autos sendo que a autoridade lançadora deixa claro esse fato no relatório fiscal e lançamento de fls. 1.180/1.261 dos autos. 13 – A meu ver o recurso voluntário do contribuinte deve ser provido senão vejamos. 14 – Toda a farta documentação da ação de desapropriação de nº 353/89 em que a própria fiscalização se fundou para lançar o auto, após a diligência determinada deixa mais claro os fatos. 15 – Veja que desde o início o contribuinte vem questionando o fato de que a totalidade do imóvel na área paulista está dentro de área de preservação permanente há anos, sendo que houve discussão acerca da real localização do imóvel, sendo que na minha opinião seria verificável de forma simples pela só análise dos elementos que constam da ação de desapropriação indireta em que a contribuinte contende com o Estado de São Paulo. 16 – Podemos ver que em várias passagens da vasta documentação juntada e até mesmo na decisão judicial de fls. 1.515/1.520 em que nenhum momento a Fazenda do Estado de São Paulo, peritos e assistentes técnicos de ambas as partes, questionam o fato da existência da área de preservação permanente no imóvel, o que se discute muito é o valor da indenização em decorrência do volume de mata nativa existente no local. 17 – Tanto que a contribuinte sagrouse vencedora da ação, apesar da reforma pelo Tribunal de Justiça reconhecendo a prescrição da ação. 18 – A fiscalização em sua diligência durante a fiscalização de fls. 943/1.165 para obter a documentação, apenas instruiu os autos com fragmentos de diversos laudos da ação proposta pela contribuinte, ficando até mesmo difícil de entender o contexto em que os Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.396 11 mesmos se inseriam, contudo, após, juntada às fls. 1.515/2.182 ficou mais fácil a análise completa de todo o conjunto probatório. 19 – Vale mencionar que o ofício de fls. 2.212/2.213 do Instituto de Terras do Estado de São Paulo deixa claro que: 20 – Esses fatos, aliados ao laudo técnico de fls. 2.308/2.313 e seus anexos especialmente às fls. 2.356 deixam claro a localização do imóvel da contribuinte em área de preservação permanente e portanto isento do ITR de acordo com art. 10, § 1º, II, “a” da Lei 9.393/96, portanto dou provimento ao recurso nesse ponto. 21 – Diz a decisão da DRJ nesse ponto: Fl. 2401DF CARF MF 12 22 – Da mesma forma quanto a parte do imóvel localizado no Estado do Paraná ficou claro também pelo laudo e documentos de fls. 2.273/2.287 do IBAMA que grande parte do imóvel está inserida em área de proteção ambiental verbis: Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.397 13 23 – De acordo com a informação acima do IBAMA essa área não poderia ser enquadrada na alínea “a” do artigo 10, § 1º, II, da Lei 9.393/96, contudo pela análise da legislação entendo que podem ser enquadradas tanto nas alíneas “b” e “c”: b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Fl. 2403DF CARF MF 14 24 – A meu ver, essa área estaria melhor definida pela alínea “c” acima, uma vez que após análise da legislação federal e estadual colacionada pela contribuinte às fls. 814/826 entendo que não há ampliação das restrições da área de preservação permanente, contudo, pela alínea “c” que exige comprovação e na minha ótica pelo conjunto probatório há, que a parte paranaense do imóvel é uma área de interesse ecológico de acordo com a legislação indicada acima e resposta do IBAMA e os diversos laudos da região que demonstram que o imóvel não comporta a exploração econômica de diversas atividades identificadas no inciso “c”. 25 – Portanto, dou provimento ao recurso nesse sentido para considerar isentas do ITR a parte do imóvel no Paraná de acordo com os fundamentos acima. RECURSO DE OFÍCIO 26 – Quanto ao recurso de ofício apesar de atender os requisitos de admissibilidade, contudo, pelo fato da existência de matéria prejudicial quanto a comprovação da isenção do ITR tratada no Recurso Voluntário entendo que resta prejudicado a análise do mesmo diante da reforma integral da decisão de piso e portanto nego provimento. Conclusão 27 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e no mérito darlhe provimento e julgar prejudicado sendo negado provimento ao recurso de ofício. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 2404DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.398 15 Fl. 2405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912053/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.768
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 53 /2 01 2- 06 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.794, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13001.720083/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS. ACORDO DE CONCILIAÇÃO.
A discriminação de verbas em acordo, para ser válida e eficaz, deve obedecer aos dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e 3º do artigo 276 do Decreto 3048/99, não havendo manifestação do juízo na sentença homologatória, a totalidade dos rendimentos deve ser tributada.
Numero da decisão: 2402-005.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS. ACORDO DE CONCILIAÇÃO. A discriminação de verbas em acordo, para ser válida e eficaz, deve obedecer aos dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e 3º do artigo 276 do Decreto 3048/99, não havendo manifestação do juízo na sentença homologatória, a totalidade dos rendimentos deve ser tributada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
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ACORDO DE CONCILIAÇÃO. A discriminação de verbas em acordo, para ser válida e eficaz, deve obedecer aos dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e 3º do artigo 276 do Decreto 3048/99, não havendo manifestação do juízo na sentença homologatória, a totalidade dos rendimentos deve ser tributada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 1. 72 00 83 /2 01 4- 01 Fl. 251DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13001.720083/201401 Acórdão n.º 2402005.884 S2C4T2 Fl. 252 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (Fls. 129 a 137) interposto contra decisão proferida no Acórdão 1537.767 3ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 121 a 123) onde, por unanimidade de votos, julgou a Impugnação (fls. 02 a 05) improcedente, mantendose a integralidade do crédito tributário relativo a apuração de IRPF sobre rendimentos que teriam sido omitidos pelo Recorrente. Adotaremos o relatório da decisão recorrida por representar bem o ocorrido no processo: "O interessado impugna lançamento do anocalendário 2010, onde foram incluídos rendimentos omitidos recebidos acumuladamente em ação judicial movida contra a Pires Material para Construção Ltda., no valor de R$ 203.071,28, resultando em imposto suplementar de R$ 15.909,36. O autuante excluiu dos rendimentos brutos resultante de acordo de conciliação a parcela isenta de 5,44%, correspondente ao FGTS. Foram excluídos também os honorários advocatícios. Como resultado, o contribuinte deveria ter declarado rendimentos tributáveis de R$ 244.938,29, mas declarara apenas R$ 41.867,01. O impugnante argumenta, em síntese, que recebera outras parcelas isentas, não descontadas pelo autuante: indenização por dano material, juros de mora, multa fixada nos autos e férias indenizadas. Afirma ainda que houve erro nos cálculos, pois com a exclusão das parcelas mencionadas pelo autuante, os rendimentos a declarar deveriam ser R$ 243.312,56, e não R$ 244.938,29. Apresenta peças dos autos judiciais e planilhas." Dada a declaração de improcedência de sua pretensão impugnatória, o Recorrente interpôs recurso voluntário com os seguintes termos: Preliminar Que o lançamento foi equivocado ao tomar o valor total creditado ao recorrente tais como verbas indenizatórias por danos materiais, multas por litigância de má fé, ferias indenizadas, juros de mora, honorários e recolhimentos ao FGTS conforme homologados pelo juízo; No mérito, em síntese , apresentou os seguintes argumentos complementares aos apresentados na impugnação: Que os valores pagos a titulo de honorários multas por litigância de má fé apresentam pequenas diferenças entre o valor homologado e pago em razão de atualização monetária. Fl. 253DF CARF MF 4 Que o valor de imposto de renda retido na fonte tem como base de calculo o acordo homologado; Que o acordo foi realizado após sentença de segunda instância e, por conseqüência, tem suas verbas definidas de maneira clara, sendo inviável a homologação de acordo que se afaste a sentença prolatada. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13001.720083/201401 Acórdão n.º 2402005.884 S2C4T2 Fl. 253 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Intimado da decisão da DRJ em 20/02/15, sextafeira (fls. 127), o Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário em 23/03/15 (Fls 129), deste modo, nos termos do Parágrafo Único do Art. 5º do Decreto 70.235/72 o recurso é tempestivo e como atende aos demais requisitos de admissibilidade voto por dele conhecer. Preliminares A temática alegada como preliminar é, em realidade, integrante das questões de mérito, eis que demandam análise da natureza das dos valores integrantes das verbas recebidas. Por tal motivo, voto por não conhecer da matéria alegada e discutila durante as discussões de mérito dada sua maior pertinência. Mérito A demanda gira em torno de lançamento realizado sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de acordo judicial firmado entre o Recorrente e a empresa Pires Material para Construções Limitada ME. Segundo o relatório fiscal o contribuinte teria omitido o valor de R$ 203.071,28, tendo em vista que somente declarou como rendimentos tributáveis o valor de R$ 41.867,01 do total de 244.938,29 recebidos no citado acordo. Analisando o lançamento verificamos que o calculo foi efetuado seguindo a sistemática de calculo de RRA com retenção exclusiva na fonte, portanto, neste quesito é irretocável tanto o lançamento quanto a decisão. Outrossim, cabe realizar, no presente caso, análise da pertinência de exclusão da verbas pagas a titulo de honorários advocatícios, indenização por férias, indenização por danos materiais e multas judiciais tidas pelo recorrente como redutoras da base de calculo, por serem indenizatórias, isentas ou não tributáveis. As alegações do recorrente quanto a existência de sentença transitada em julgado com definição da natureza de tais verbas, fazendo referência a calculo de liquidação pericial, em nosso sentir, não são suficientes para afastar a incidência do tributo sobre a totalidade das verbas recebidas em razão de acordo. Apesar de haver indícios da composição dos valores na linha defendida pelo Recorrente, ao firmar o aludido acordo, em prol do fim da demanda lide, ocorre uma transação para por fim a lide, abrindose mão das discussões de mérito, por conseqüência, da discussão do quanto devido em cada rubrica. A única hipótese prevista em lei para manutenção da natureza individualizada das verbas inseridas em acordo, decorre da manifestação expressa do juízo quanto a tal. A discriminação, para ser válida e eficaz, deveria obedecer aos dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e3º do artigo 276 do Decreto 3048/99. Fl. 255DF CARF MF 6 O artigo 832, §3º da CLT, desde o advento da Lei nº 10.035/2000, informa que a discriminação das verbas deve constar da decisão judicial. Portando, o dever de discriminar as verbas é da autoridade judiciária, e não das partes litigantes. "§3º As decisões cognitivas ou homologatórias deverão sempre indicar a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso." Se há forma definida em lei para se promover tal discriminação, em sede de acrdo, não é possível aceitar a discriminação feita pelas partes ou a indicação dos peritos como suficientes para sustentar a pretensão do Recorrente. Ocorre que, no presente caso, o juízo emitiu decisão em que não discriminou as verbas, apenas homologou o resultado final do acordo (fl. 233). Nesta via, não merece prosperar o entendimento do Recorrente quanto a validade da discriminação realizada na sentença de primeira instância, no calculo pericial ou mesmo no acordo homologado pelo juízo, eis que caberia ao juízo promover tal discriminação para pudesse ser oponível a terceiros para todos os fins de direito, inclusive tributários. Conclusão Com fundamento no exposto, voto por negar provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900707/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. O pedido cancelamento somente poderá ser admitido caso pleiteado enquanto pendente de julgamento, conforme consta do art. 113 e ss da IN RFB n° 1.717/17.
Numero da decisão: 1301-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. O pedido cancelamento somente poderá ser admitido caso pleiteado enquanto pendente de julgamento, conforme consta do art. 113 e ss da IN RFB n° 1.717/17.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. O pedido cancelamento somente poderá ser admitido caso pleiteado enquanto pendente de julgamento, conforme consta do art. 113 e ss da IN RFB n° 1.717/17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 07 07 /2 00 9- 51 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10384.900707/200951 Acórdão n.º 1301002.588 S1C3T1 Fl. 177 2 Cuida o presente processo de pedido de compensação DCOMP nº 35990.27327.201005.1.3.048006 (fls. 02/06), o qual objetiva compensar pagamento a maior de estimava de IRPJ, referente ao mês de outubro de 2004, com débito de IRPJ relativo a dezembro de 2004, no valor de R$ 8.378,39. A DRF, por meio de Despacho Decisório à fl 7 ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP considerou improcedente o crédito, conforme fundamentação abaixo: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Enquadramento legal: os arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005 e art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 12/20), alegando que a compensação pleiteada foi efetuada de forma indevida, reconhecendo que inexiste o crédito tributário pleiteado. Verificase que o suposto crédito tem origem em recolhimentos por estimativa relativo ao mês 11/2005, deduzidos do valor apurado no mês 12/2005, sendo, portanto, desnecessária a utilização do procedimento de declaração de compensação. Vejamos o excerto que sintetiza tal narrativa: " (...) os valores pagos ou parcelado por estimativa até o mês 11/2005 são utilizado para deduzir o valor devido no mês de 12/2005, o que não foi efetuado, tendo sido utilizado de forma incorreta a declaração de compensação, a qual deve ser desconsiderada,uma vez que o encontro de contas deve ser processado sem necessidade da Declaração de Compensação." Requer ao final, o cancelamento da DCOMP em comento. Confirase: “não existe o débito a ser compensado, devendo ser desconsiderada a compensação efetuada. Assim, requer o seu cancelamento”. A 4° Turma da DRJ/FOR prolatou o Acórdão n° 0826.010, o qual não conheceu da manifestação de inconformidade, conforme ementa a seguir: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não se conhece da manifestação de inconformidade quando o contribuinte não contradita as razões da não homologação da compensação, restringindo sua alegação à inexistência do débito. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10384.900707/200951 Acórdão n.º 1301002.588 S1C3T1 Fl. 178 3 Direito Creditório Não Reconhecido" Contra a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 57/68), reiteirando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Este colegiado, por meio do acórdão 1803002.450 proferiu decisão, no sentido de não conhecer do recurso face à perempção, nos termos da ementa a seguir. "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para o recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos." O contribuinte apresentou Recurso Especial, diante do erro de citação sobre a decisão da DRJ que havia sido encaminhada ao endereço errado do contribuinte em sua primeira tentativa, a nova tentativa ocorreu em data posterior, o que faz com que o Recurso Voluntário interposto seja tempestiva. Dessa forma, foi requerido a retificação do acórdão proferido para que este tenha o seu mérito analisado. Assim, a DRF/TERESINAPI opôs embargos inominados suscitando o quanto segue: Sr. Chefe Substituto, Tendo em vista que o Contribuinte, apresentou Recurso Especial, com Pedido de Retificação do Acórdão proferido nestes autos, com fulcro no art. 66 do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256), relativo ao Recurso Voluntário objeto de reanálise, haja vista este erro grave de endereçamento ocorrido. Desta forma, sugiro o envio deste processo à Colenda 3ª Turma Especial do CARF/BSB. Em despacho às fls. 174/175 os referidos embargos foram admitidos com amparo nas disposições do artigo 66, do Anexo II, do Regimento Interno para que o recurso voluntário seja reexaminado, já que é tempestivo. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Tratase de procedimento de Declaração de Compensação não homologado por se tratar de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10384.900707/200951 Acórdão n.º 1301002.588 S1C3T1 Fl. 179 4 Como visto, a DRJ/FOR não conheceu da manifestação de inconformidade. A decisão destacou que os argumentos apresentados pelo contribuinte concentraramse na inexistência do débito. A Recorrente reconhece que a declaração de compensação foi utilizada de forma indevida no presente caso, vez que o crédito nela informado corresponde a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada no lucro real. Desse modo, ao constar seu equívoco, a Recorrente requer seja cancelada a DCOMP transmitida ante a inexistência do débito, objeto da compensação pleiteada. Nesse ponto, a decisão recorrida ressalta que sua competência cingese ao exame do pedido de compensação, de tal modo que o pedido de cancelamento deve ser apreciado pela DRF, nos termos do art. 302, XI, do Regimento Interno da RFB, in verbis: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: (...) XI decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; (...) Destacando que o pedido de cancelamento da declaração de compensação não se submete ao PAF (Decreto nº 70.235, de 1972), mas ao processo administrativo em geral (Lei nº 9.784, de 1999). Pois bem, resta evidente o equívoco cometido pelo contribuinte, uma vez que não é necessária a utilização da DCOMP para se processar o encontro de contas de estimativa de IRPJ com o intuito de apurar o IRPJ devido ou o saldo negativo ao final do período, sendo ponto incontroverso nos autos. Com efeito, o que se pleiteia é o cancelamento da declaração de compensação em virtude da inexistência do crédito ali informado. Ocorre que, o pedido cancelamento da DCOMP é regulado pelo art. 113 e ss da IN RFB n° 1.717/17, nos seguintes termos: Art. 113. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser cancelados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do pedido de cancelamento. Parágrafo único. O cancelamento não será admitido quando formalizado depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 114. A retificação ou o cancelamento da declaração de compensação também não serão admitidos quando formalizados depois do prazo de homologação tácita da compensação. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10384.900707/200951 Acórdão n.º 1301002.588 S1C3T1 Fl. 180 5 Art. 115. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto neste Capítulo, a declaração de compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso, em relação ao qual o sujeito passivo ainda não tenha sido intimado do despacho decisório proferido pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso. Como se vê, a presente regra é clara no sentido de que o cancelamento somente poderá ser admitido caso pleiteado enquanto pendente de julgamento, o que não se verifica no presente caso. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, NEGARlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10384.900707/200951 Acórdão n.º 1301002.588 S1C3T1 Fl. 181 6 Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928477/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Aguardando nova decisão.
Numero da decisão: 3402-004.378
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 77 /2 00 9- 71 Fl. 693DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.276 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: Fl. 694DF CARF MF Processo nº 11080.928477/200971 Acórdão n.º 3402004.378 S3C4T2 Fl. 112 3 A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.276), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos podem sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: Fl. 695DF CARF MF 4 a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 563 a 575, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas de R$ 4.043.553,56, auferida na execução dos contratos CERPA/2002 2091, CERPI/2002 2101 e CERCEEED, foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime nãocumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 17%, 18% e 38%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Além disso, na referida Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, não foram reconhecidas as receitas sujeitas à incidência nãocumulativa, auferidas no mês de janeiro de 2007, na execução dos contratos CERCO/2002 2111 e CERCO/2002 2121, no total de R$ 1.281.817,72, CER PA/2002 2091, CERPI/2002 2101 e CERCO/2002 2111, cujos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, sofreram Fl. 696DF CARF MF Processo nº 11080.928477/200971 Acórdão n.º 3402004.378 S3C4T2 Fl. 113 5 reajustes nos percentuais de 17% e 18%, respectivamente, mediante o cômputo das variações do índice IGPM. Consequentemente, o faturamento de R$ 5.325.371,28, das Notas Fiscais nº 300, nº 301, nº 302, nº 310 e nº 311, auferido na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CER CEEE, de 11/11/2002, foi incorretamente reconhecido como Receita da Venda no Mercado Interno pelo REGIME CUMULATIVO, no mês de fevereiro de 2007, na Dacon original do 1º semestre de 2007, de nº 0000100200700057176, apresentada em 06/03/2007. Da mesma forma, a receita parcial de R$ 4.043.553,56, auferida na execução dos contratos CERPA/ 2002 2091, CERPI/2002 2101 e CERCEEED, também foi incorretamente reconhecida como Receita da Venda no Mercado Interno pelo REGIME CUMULATIVO, no mês de janeiro de 2007, na Dacon retificadora de nº 0000100200703768794, apresentada em 11/08/2008. Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 577 a 599, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) a Fiscalização não considerou o balancete analítico de janeiro de 2007 (doc 08 do RV), uma vez que o valor de R$ 4.043.553,56 apontado no DACON retificador de janeiro de 2007 é exatamente o mesmo daquele posto no referido balancete analítico. iii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iv) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovido configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. v) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra quea Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de Fl. 697DF CARF MF 6 determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; vi) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índica que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vii) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifeste acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 630 a 638, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 11080.928477/200971 Acórdão n.º 3402004.378 S3C4T2 Fl. 114 7 b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente reconhecidos por este Conselho, de modo que passo a apreciação do mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente depois do julgamento a quo, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Todavia, tal questão de fundo não pode ser objeto de análise neste momento processual. Isto porque o despacho decisório (fls 7) resumiu a não homologação do crédito ao fato de que " a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Daí que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte limitouse a, em uma lauda, informar que "comprova a existência do crédito compensado através de retificação da DCTF do período." Por conseguinte, o julgamento da DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por entender que a retificação ou o cancelamento, para fins de comprovação do direito creditório, só poderiam ser adotados pela empresa em uma situação de espontaneidade, nunca após o despacho decisório. Assim, a lide foi demarcada unicamente com relação a este ponto, e não com relação a qualquer outra qualidade do crédito, decorrente de indébito tributário, pleiteado. Fl. 699DF CARF MF 8 Pois bem. Com relação aos efeitos da DCTF retificadora, o artigo 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001,2 dispôs que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da original. Disciplinando tal regra, a Instrução Normativa n. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam , em seu artigo 11, colocava que: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No presente caso, o procedimento eletrônico de não homologação referiuse à PERD/COMP e à não localização de créditos suficientes. Ocorre que, como determinam as normas acima transcritas, somente não seriam admitidas para alterar o crédito declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Ou seja, mesmo após de proferido o despacho decisório, como aqui ocorreu, é possível que a DCTF retificadora tenha seus plenos efeitos de substituir a original. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Assim, a DCTF retificadora apresentada in casu tem o condão de alterar a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, o que naturalmente leva à necessidade de o crédito pleiteado pela ora Recorrente ser analisado pela autoridade fiscal de origem com base nessa nova informação, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que poderia ser denegada a compensação. É nesse sentido que tem decidido a pacífica jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos Acórdãos colacionadas abaixo: 2 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 11080.928477/200971 Acórdão n.º 3402004.378 S3C4T2 Fl. 115 9 Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. (Acórdão 3201 001.237) Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.” Ementa: CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 330201.727) Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão (Acórdão 380302.683) Ocorre que em razão dos procedimentos adotados especificamente no bojo deste processo administrativo, a providência que deve ser tomada é outra. Explico. Repisando o histórico processual, vemos que o Relator que me precedeu entendeu por bem baixar o processo em diligência, o que culminou na análise pela autoridade fiscal de origem sobre a certeza e liquidez dos créditos em discussão (fls 563 a 575). Ou seja, foi já suprida tal necessidade de averiguação pela DRF in casu. Igualmente foi satisfeito o direito da Contribuinte de apresentar nova Manifestação de inconformidade (fls 577 a 599), com relação às considerações trazidas pela autoridade fiscal. Assim, não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa até então, de modo que mandar que estes atos fossem refeitos significaria desproposita afronta à eficiência e à celeridade processual. Fl. 701DF CARF MF 10 Entretanto, esses novos contornos da lide não foram apreciados pela DRJ, já que foram diretamente enviados a este Conselho após o cumprimento da citada diligência. Essa situação não pode ser convalidada no processo administrativo fiscal, sob pena supressão de instância e ofensa ao duplo grau de jurisdição administrativa. Afinal, a ausência de análise do caso pela DRJ nesse contexto ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria (contrato por preço prédeterminado, sua correção monetária e implicações no regime de apuração da COFINS) por este Conselho, estaríamos atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. É por essa razão que, uma vez superada a questão da DCTF retificadora, os créditos pleiteados já tendo sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, os autos devem agora ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo administrativo, dado ao princípio do formalismo moderado que impera nesta seara. Saliento que não se trata de nulidade do Acórdão a quo, que julgou a lide conforme apresentada naquele momento processual. Dessarte, não é o caso de aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72, mas sim de dar cumprimento ao artigo 60 do mesmo diploma normativo,4 quando determina que irregularidades verificadas no processo devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Dispositivo Diante do exposto, voto por i) dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente quanto ao direito de se valer da DCTF retificadora para o pleito dos créditos; ii) determinar a remessa dos autos para a DRJ de Porto Alegre, para que nova decisão seja proferida, levando em consideração agora os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls 563 a 575) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls 577 a 599), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. 4 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 11080.928477/200971 Acórdão n.º 3402004.378 S3C4T2 Fl. 116 11 Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 703DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.912784/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2003
BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários.
TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizá-lo na compensação de débitos próprios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizálo na compensação de débitos próprios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 84 /2 00 9- 17 Fl. 481DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação de crédito pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep Folha de Salários com débitos débito(s) discriminado(s) no PER/DCOMP nº 17278.32333.311005.1.3.047241. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão recorrido, a seguir transcrito: DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 07), referente ao PER/DCOMP nº 17278.32333.311005.1.3.047241. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$1.832,80, representado por Darf recolhido em 15/10/2003 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 48, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10680.912784/200917 Acórdão n.º 3302004.606 S3C3T2 Fl. 482 3 discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Por sua vez, a DRF de origem se manifesta a respeito da tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e não reconhecido o direito creditório pleiteado, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 9/4/2012, a contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou o recurso voluntário de fls. 61/93 em 9/5/2012, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade, em aditamento, acrescentou as seguintes razões defesa: a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do Fl. 483DF CARF MF 4 pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002. Ademais, o mencionado Decreto extrapolava previsão legal atinente aos limites de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha; c) a decisão de 1ª instância contrariava o entendimento da Receita Federal, apresentado na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, entendendo pela incidência exclusiva da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, II, do CTN; d) o Decreto nº 4.524, de 2002, e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, eram ilegais na parte que previa a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não estava prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, especialmente, as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, que dizem respeito à cooperativas de produção e não à cooperativas de trabalho; f) a Recorrente não deduzira da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição, na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998; e g) ao final, afirmou que, sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não podia prevalecer o entendimento de 1ª instância. Na Sessão de 16 de outubro de 2014, por meio da Resolução nº 3302 000.445, a composição pretérita deste Colegiado, converteu o julgamento em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências: i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte, no período de apuração objeto do presente litígio, utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; iii) Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10680.912784/200917 Acórdão n.º 3302004.606 S3C3T2 Fl. 483 5 b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/ 2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/ 2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv). Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii). retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. Por meio do Relatório de Diligência Fiscal colacionado aos autos, a autoridade fiscal prestou as seguintes informações: a) a contribuinte apresentara algumas considerações sobre o processo de Mandado de Segurança (fls. 197/199) e as peças do citado processo encontravamse às fls. 200/400; b) com base nas informações da memória de cálculo apresentada pela contribuinte e nos valores confirmados no balancete, elaborou o demonstrativo de “DIPJ 2004 Exclusões da Base de Cálculo do PIS – setembro de 2003 = R$ 9.035.994,61”, em demonstrada divergência de R$ 10.736,66 entre a memória de cálculo e os valores informados no balancete, concentrados em uma única conta, o que majorou a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Embora fossem razoáveis as alegações da recorrente acerca da natureza das deduções efetuadas, não fora possível confirmar a composição da exclusão da base de cálculo, devido à divergência apontada; c) a consulta que originou a Solução de Consulta nº 412, de 2004 fora formalizada por meio do processo nº 10680.013505/200418, protocolizado em 10/11/2004. Os textos da consulta e da Solução de Consulta foram colacionados aos autos; e d) a autoridade fiscal da Disit/SRRF 6ª RF manifestouse sobre as questões elencadas na resolução do CARF por meio do documento juntado aos autos. Por sua vez, a Disit/SRRF 6ª RF prestou os seguintes esclarecimentos, in verbis: 5. A Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, foi protocolizada em 10/11/2004, gerando o Processo Administrativo nº 10680.013505/200418, o qual foi “convertido em processo digital” por esta Divisão e encontrase disponível para consulta no Sistema eProcesso; 6. A análise da consulta formulada, que deu origem à SC Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, conforme expressamente Fl. 485DF CARF MF 6 informado no seu item “7”, limitouse a examinar “se as receitas que nomeia como taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição.” (grifo não consta do original); 7. Pelo simples exame da petição inicial da consulta não seria possível se constatar que a contribuinte teria, ou não, impetrado anteriormente Mandado de Segurança sobre o mesmo objeto, sendo que, a então consulente prestou as declarações de praxe, previstas no art. 3º , inciso II e alíneas a, b e c, da Instrução Normativa SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002, vigente à época em que apresentou a consulta, no sentido de que o fato exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte; 8. Dessa forma, a SC Disit06 nº 412/2004, tão somente examinou a questão posta pela contribuinte, onde, à vista dos elementos do processo, se concluiu que a consulente não preencheria, à época da análise, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade; 9. Oportuno pontuar que, antes de adentrar ao mérito da questão formulada na consulta, foi inicialmente esclarecido à solicitante que o processo de consulta visa a esclarecer dúvida sobre a interpretação da legislação tributária e não se presta a examinar eventual condição de isenção da consulente, hipótese que envolveria análise de situação de fato, qual seja, o atendimento aos requisitos fixados em lei; 10. Evidente assim o fato de que, não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta; 11. Em relação aos efeitos da consulta, tendo em vista o disposto no inciso IV do artigo 15, da então vigente IN SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002 (atual inciso IV da IN RFB nº 1.396/2013), visa tal dispositivo prevenir situação em que a demanda venha a ser objeto de mais de um processo administrativo ou judicial, de forma a se evitar decisões distintas em situações em que haja coincidência de objeto, partes e causa de pedir; 12. Conforme descrito acima, nos itens 8 a 10, a solução de consulta se ateve a analisar a questão relativa ao enquadramento das receitas descritas pela consulente na hipótese isentiva prevista na norma, concluindose que tais receitas estariam sujeitas ao recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com base na receita bruta; 13. Consta na ementa da SC Disit06 nº 412/2004, relativamente à contribuição para o PIS/Pasep, a seguinte expressão: “A associação que remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, recolhe a contribuição com base na Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10680.912784/200917 Acórdão n.º 3302004.606 S3C3T2 Fl. 484 7 receita bruta.”. Não há uma efetiva concomitância entre o objeto da solução de consulta e a sentença judicial, vez que tratam de situações distintas; embora atinentes à tributação da contribuição para o PIS/Pasep, possuem objeto e fundamentos distintos; 14. Entretanto, há que se destacar que ambas as decisões (administrativa e judicial) convergem no sentido de que, a interessada está sujeita ao recolhimento de contribuição para o PIS/Pasep com base no faturamento; 15. Também é fato que, no processo de consulta administrativa não houve qualquer manifestação ou decisão da SRRF06 no sentido de que a consulente estaria sujeita exclusivamente ao recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu Faturamento, vez que tal situação não foi objeto de análise no referido processo, por não se fundamentar, e tampouco ter sido objeto de questionamento, a aplicação do art. 15 da MP 2.15835/2001, motivo pelo qual há que se concluir que, não há necessidade de reforma da SC Disit06 nº 412/2004, visto que eventual ato dessa natureza não implicaria em qualquer alteração na situação jurídica da consulente no que se refere às conclusões quanto à sua sujeição passiva relativamente à contribuição para o PIS/Pasep. (grifos do original) Cientificada do resultado da diligência, a recorrente prestou os seguintes esclarecimentos/argumentos de defesa: a) ainda que o artigo 15 da MP n.° 2.15835 não tenha sido objeto de análise, a Solução de Consulta n.° 412/2004 era expressa no sentido de que a Recorrente “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários”, inclusive, esse fora o entendimento manifestado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 3a Seção de Julgamento, por meio do acórdão 3403002.500, em que apreciada a mesma situação, com diferença apenas quanto ao período do crédito e do débito compensado; b) a divergência apontada no relatório fiscal decorrera de equívoco cometido ao somar à base de cálculo o total da conta de natureza credora n.° 4121 (Recup/Ressar. de Eventos Indenizáveis), R$ 10.736,66 (fl. 110) e a conta de natureza devedora n.° 41 (Eventos Indenizáveis Líquidos), R$ 952.399,88 (fl. 114). Assim, demonstrado que o equívoco cometido era de natureza meramente contábil, aliado às demais confirmações do fiscal, verificavase que a Recorrente não se valeu de nenhuma das deduções previstas no artigo 32 do Decreto n.° 4.524/2002, em especial, as sobras, conforme contas utilizadas na apuração das exclusões, que englobam apenas as deduções permitidas às operadoras de planos de saúde; c) antes da análise das informações colhidas em diligência e explicações acima, imprescindível que esta Turma de Julgamento se pronunciasse sobre a ilegalidade do Decreto n.° 4.524/2002 ao incluir as sobras como dedução que motivaria a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha sem respaldo legal, especialmente, tendo em conta que esta seria a única dedução passível de aproveitamento pela Recorrente (cooperativa de trabalho médico), dentre as hipóteses de dedução ensejadoras da cobrança concomitante da Fl. 487DF CARF MF 8 Contribuição para o PIS/Pasep Folha e da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento. As demais deduções previstas no artigo 32 são todas aplicáveis a cooperativas de produção; d) a dedução das sobras não se encontrava dentre as deduções do artigo 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 (aplicáveis somente a cooperativas de produção e não de trabalho), bem como não se podia fundamentar tal hipótese na Lei 10.676/2003 que, apesar de prever a dedução das sobras, não mencionava, em momento algum, que, ao deduzir as sobras da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, estarseia diante do nascimento do fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep Folha. Assim, somente era possível a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha cumulativamente com a Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento apenas das cooperativas de produção, caso realizada alguma das exclusões do referido art. 15; e e) este Conselho tinha competência para se pronunciar sobre a ilegalidade de atos do Poder Executivo, conforme já decidira a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 3a Seção, por meio do acórdão n° 3202000.378 e 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, por intermédio do acórdão nº 3401001.805. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia envolve questões de direito e de fato. A questão jurídica diz respeito à legalidade do § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas no referido artigo contribuirá, cumulativamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. As questões de fato cingemse em saber (i) se a Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, reconhecera que a consulente, ora recorrente, estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu faturamento e (ii) se há provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, das deduções previstas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º da Lei 10.676/2003, e regulamentadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. Em relação à primeira questão, a recorrente alegou que, como a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício não constava da redação do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, era ilegal § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que previa a inclusão da referida dedução, dentre as condições necessárias para enquadrar a recorrente como contribuinte da Contribuição para o PIS/Pasep incidente, cumulativamente, sobre a folha de salários e sobre o faturamento. A redação do referido preceito regulamentar tem o seguinte teor, in verbis: Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 15, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 36): Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10680.912784/200917 Acórdão n.º 3302004.606 S3C3T2 Fl. 485 9 I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, observado o disposto no § 1º; II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. [...] § 4º A cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. [...] (grifos não originais) A simples leitura revela que a redação dos incisos do caput do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 não prevê a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício. A previsão dessa dedução somente ocorreu a partir da vigência da Medida Provisória 1.85810/1999, conforme estabelecido no art. 2º da Lei 10.676/2003, que, no seu art. 1º deu redação definitiva à referida dedução. Assim, como a redação do caput do art. 151 da Medida Provisória 2.158 35/2001 não contempla a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do 1 "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; Fl. 489DF CARF MF 10 Exercício, inequivocamente, o questionado preceito regulamentar excedeu ao que determinava o comando legal regulamentado, o que é suficiente para inquinálo de ilegal. Entretanto, por força do disposto no caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, fora das situações excepcionadas no seu § 6º, é expressamente vedado a esta instância administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A mesma vedação consta do art. 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015) e a sua inobservância implica perda do mandato do Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do RICARF/2015. Não se pode olvidar, ademais, que, embora os referidos preceitos legal e regimental refirase a fundamento de inconstitucionalidade, obviamente, ele alcança a hipótese de ilegalidade, sob pena de completa subversão ao princípio da hierarquia das normas, que põe a normal constitucional no ápice. Em outras palavras, se há vedação para o afastamento sob fundamento de inconstitucionalidade com mais razão tal proibição também se estende para os casos de ilegalidade. Superada a questão jurídica, passase a analisar as questões de fato. A primeira a ser analisada diz respeito ao que ficou determinado na SC Disit06 nº 412/2004. Para a recorrente, a referida SC havia determinado que a recorrente estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o faturamento. Para justificar o seu entendimento, a recorrente transcreveu o excerto, extraído da citada SC, em que afirmado que ela “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários.” De outra parte, a autoridade fiscal da Disit06 alegou que a citada solução de consulta limitouse a afirmar que se as receitas descritas pela consulente na petição inicial (taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sobrevivência e atuação da recorrente) não se enquadravam nas hipóteses dos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001. Ainda esclareceu a citada autoridade que “não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta.” A razão está com a autoridade fiscal. No caso em tela, a condição que sujeita a recorrente à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento e sobre a folha de salários não são os arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001, mas o inciso I do § 2º do art. 15 da citada MP. E esse preceito legal não foi objeto da consulta, por conseguinte, sobre ele não houve qualquer análise e orientação no âmbito da referida SC. Dirimida a primeira questão de fato, passase à análise da segunda, que diz respeito à existência de provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, quaisquer das deduções discriminadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º2 da Lei 10.676/2003, e consolidadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." 2 " Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10680.912784/200917 Acórdão n.º 3302004.606 S3C3T2 Fl. 486 11 De acordo com o Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade fiscal concluiu que, embora fossem razoáveis as alegações da recorrente, acerca da natureza das deduções efetuadas, não era possível confirmar a composição da exclusão da base de cálculo devido à divergência de R$ 10.736,66, encontrada na conta “Eventos Indenizáveis Líquidos”, entre a memória de cálculo apresentada pela recorrente e os valores informados no balancete colacionados aos autos, o que majorara a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Na citada manifestação, a recorrente esclareceu o motivo da divergência. Para ela a divergência foi motivada por equívoco na operação algébrica, ou seja, o saldo da conta de natureza credora de nº 4121 (“Recup/Ressar. de Eventos Indenizáveis”), no valor de R$ 10.736,66 (fl. 110) e foi indevidamente adicionado à conta de natureza devedora de nº 41 (“Eventos Indenizáveis Líquidos”), no valor de R$ 952.399,88 (fl. 114). A análise dos dados apresentados nos referidos balancetes em cotejo com os informados na referida memória de cálculo, confirma o equívoco de natureza meramente algébrico cometido pela recorrente. Deveras, o saldo da conta “Eventos Indenizáveis Líquidos” do balancete, inequivocamente, já incorporava o valor do saldo devedor da “Recup/Ressar. de Eventos Indenizáveis”, portanto, a adição do referido valor foi feita de forma indevida, conforme alegado pela recorrente. Dessa forma, uma vez cabalmente demonstrado, nos autos, que o motivo apresentado pela autoridade fiscal, para não reconhecer a alegação da recorrente, fora respaldado em mero equívoco cometido pela recorrente no preenchimento da citada memória de cálculo, induvidosamente, resta comprovado que, no período em referência, a recorrente não utilizou quaisquer das referidas deduções, especialmente, a dedução das sobras apuradas na DRE do período. Além disso, independentemente, da demonstração do referido equívoco, uma leitura atenta dos referidos balancetes revela que a recorrente, no período, não deduziu nenhum dos valores dos itens discriminados no artigo 32 do Decreto 4.524/2002, incluindo as sobras apuradas na DRE. Dessa forma, uma vez demonstrado que a recorrente não estava sujeita a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salários, obviamente, o valor da contribuição recolhido a esse título, com o código 8301, era indevido. E o fato de a recorrente não ter procedido, previamente a apresentação da DComp, a retificação da DCTF, obviamente, não tem o condão de transformar em devido o valor do recolhimento indevido. Entender de modo diverso implicaria valoração excessiva da forma em menoscabo ao conteúdo, com evidente afronta ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal. do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999." Fl. 491DF CARF MF 12 Por todas essas razões, chegase a inexorável conclusão que o valor recolhido indevidamente a título da “Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários”, código 8301, com os devidos acréscimos legais, é passível de compensação, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso, para reconhecer o direito de a recorrente realizar a compensação até o limite do valor crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 492DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903149/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 28/02/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.422
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 49 /2 01 2- 63 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.685, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.000508/2002-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - INDUSTRIALIZAÇÃO POR TERCEIROS.
A industrialização efetuada por terceiros aplicada sobre insumo (a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem )adquirido pelo exportador, visando seu aperfeiçoamento, para posterior emprego nos produtos finais exportados pelo encomendante, compõe o custo de produção da matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, devendo compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI como ressarcimento do PIS e da COFINS previsto na Lei nº 9.363/96.
Numero da decisão: 9303-005.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - INDUSTRIALIZAÇÃO POR TERCEIROS. A industrialização efetuada por terceiros aplicada sobre insumo (a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem )adquirido pelo exportador, visando seu aperfeiçoamento, para posterior emprego nos produtos finais exportados pelo encomendante, compõe o custo de produção da matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, devendo compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI como ressarcimento do PIS e da COFINS previsto na Lei nº 9.363/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas
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A industrialização efetuada por terceiros aplicada sobre insumo (a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem )adquirido pelo exportador, visando seu aperfeiçoamento, para posterior emprego nos produtos finais exportados pelo encomendante, compõe o custo de produção da matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, devendo compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI como ressarcimento do PIS e da COFINS previsto na Lei nº 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 05 08 /2 00 2- 40 Fl. 242DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3202001.072, de 30 de janeiro de 2014, (fls. 214 a 220 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de creditamento dos valores da industrialização por encomenda. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo a PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, correspondente ao 4º trimestre de 2001. O Despacho Decisório excluiu do cálculo do crédito presumido pleiteado, a ser utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, as parcelas referentes ao valor da prestação de serviços relativos às industrializações por encomenda e os acréscimos calculados pela taxa Selic. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese, que são ilegais as restrições feitas através de Instruções Normativas, relativas às aquisições e gastos em questão, conforme sua análise da legislação e o entendimento dos tribunais e acórdãos do Conselho de Contribuintes citados. Encerrou requerendo a concessão do que foi originalmente pedido, acrescido da taxa SELIC, conforme princípios constitucionais e julgados citados em sua manifestação. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 9303005.260 CSRFT3 Fl. 243 3 A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer o direito ao creditamento dos valores da industrialização por encomenda, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante se agrega ao seu custo de aquisição para fins de gozo e fruição do crédito presumido do IPI. Recurso voluntário provido A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 222 a 231) em face do acórdão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada da Fazenda Nacional diz respeito ao direito a crédito presumido de IPI nas operações de industrialização por encomenda. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 0202.814 e 9303001.933. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição integral das ementas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 233 a 237 sob o argumento que comparando os fundamentos do acórdão recorrido e do acórdão paradigma, entendeuse que restou caracterizado o dissídio jurisprudencial, sendo inequívoca a divergência manifestada, pois o acórdão recorrido manifestase pelo cabimento da inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, pelo produtor exportador, do valor referente à Fl. 244DF CARF MF 4 prestação de serviços relativos à industrialização por encomenda, no caso em que os produtos industrializados por terceiros são utilizados como matériaprima pela encomendante, no seu processo de produção; já os acórdãos paradigmas, em sentido diametralmente oposto, entendem que tais valores não podem ser incluídos no cálculo do crédito presumido de IPI. O Contribuinte foi cientificado por edital para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 239 e 240 e não se manifestou. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. O processo se refere à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363, de 1996, dos valores referentes à industrialização por encomenda. Analisando os autos, verificase que a diligência realizada pela fiscalização concluiu que produtos industrializados por terceiros são utilizados como matériaprima pela Contribuinte no seu processo de produção. As conclusões da diligência foram as seguintes (fls. 195): MARUÁ CALCADOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ (MF) sob n° 72.107.1211000148, com sede e foro na Rua KraemerEck, n° 1293, bairro centenário, na cidade de Sapiranga/RS, neste ato representada por seu Diretor, Sr. Gilberto Morbach, em resposta ao Termo de Diligência n° 1, de 03106110, respondemos às perguntas na ordem que seque: 1. os produtos industrializados por terceiros são cabedais para costura e préfabricados de calçados; 2. os mencionados produtos são utilizados como matériaprima; Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 9303005.260 CSRFT3 Fl. 244 5 3. os mencionados produtos são utilizados no processo de produção do contribuinte/peticionário/impugnante; 4. o valor das aquisições para o 4° Trimestre de 2001 foi de R$918.977,97. Importante frisar que o beneficiamento de matériaprima por terceiros não tem a natureza de prestação de serviços, e sim, de industrialização por encomenda. Assim, tratandose de industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso a matéria prima, que integra o custo do produto industrializado e posteriormente exportado, o valor cobrado por esta industrialização por encomenda integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI. De fato, na maior parte das vezes em que um industrial recorre à industrialização por encomenda o faz por não reunir condições técnicas de realizar internamente tais operações, seja por falta de pessoal capacitado, seja por não possuir o equipamento adequado. Esta opção está ligada, à uma racionalidade econômica, pois ela decorre de uma decisão econômica de não verticalizar o processo produtivo, criando internamente uma linha ou divisão para realizar a operação em tela, seja porque infrequente, seja porque é mais barato realizála fora. Verificase que os cabedais para costura e préfabricados de calçados em discussão só assume a condição de matéria prima para o postulante do benefício (fabricante de calçados) após ter sido submetida a essa industrialização parcial. Antes disso, matériaprima não é utilizada no processo produtivo e nem é integral e imediatamente consumido ou incorporada fisicamente ao item fabricado pelo exportado. Ora, se no estado em que inicialmente adquirido o item não pode ainda participar do processo fabril do postulante, como pode ser, desde logo, considerado matéria prima? Só o é, a meu sentir, após submetido àquele tratamento adicional. Fl. 246DF CARF MF 6 E, como diz o texto normativo nos arts. 1º e 2º da Lei 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador A meu ver, pois, o “valor total” a que se refere a lei tem de corresponder àquele que a empresa desembolsou para contar em seu estabelecimento com um item que empregará efetivamente na produção do produto a exportar. Vale repetir que esse acréscimo de valor – correspondente à aqui discutida “industrialização adicional” – inclui, no mais das vezes, não apenas despesas com mão de obra, mas também, e com destaque, depreciação de ativo fixo não existente no estabelecimento do encomendante, e, no mínimo, o lucro daquele que realiza a operação. A presença dessa última parcela é, por si só, suficiente para não fazer sentido pressupor – ao menos como regra – que um dado estabelecimento capaz de realizála internamente “opte” por contratála a terceiros e pagar mais por isso. No presente o Contribuinte pagou a outra empresa para transformar beneficiar cabedais para costura e préfabricados de calçados, para depois a própria empresa transformalo em calçado e, o que requer o emprego de equipamentos específicos e pessoal especializado, Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 9303005.260 CSRFT3 Fl. 245 7 para realizar essa transformação. Não vejo motivos então para que se exclua a parcela do beneficiamento realizado. Despiciendo dizer, sobre o valor pago incidiram integralmente as contribuições que se quer ressarcir. A lei fala em matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não haveria tal possibilidade de inclusão se os materiais recebidos fossem exportados no mesmo estado. Caracterizado, pois, que a industrialização se deu sobre insumo que vem a ser, depois, efetivamente empregado no processo produtivo do bem exportado, cabe, em meu entender, incluir o valor pago no cálculo do incentivo. Por fim, exponho que filiome ao entendimento retratado pela Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais (abaixo reproduzido), no sentido de que os dispêndios decorrentes da industrialização por encomenda que venham a ser aplicados sobre ou na obtenção de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, por sua vez aplicados no processo produtivo do produto exportado, seu valor integra o custo deste insumo, e, consequentemente, deve integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Recentemente essa matéria foi tratada nessa Câmara Superior, os motivos encontramse bem delineados no voto condutor do Acórdão 9303004.694, de 12 de março de 2017, da lavra do il. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, razão pela qual passamos a adotálo como razão de decidir: Imaginemse as seguintes situações: uma primeira, em que a matériaprima sai do estabelecimento vendedor já definitivamente acabado e pronto para aplicação no processo produtivo do adquirente, ou seja, quando nela já se encontra aplicado aquele serviço que, se assim não fosse, o adquirente teria de encomendar a um terceiro a sua realização para o posterior emprego no seu processo produtivo. Neste caso, não se questiona que todo o valor do custo de aquisição da matériaprima gera o direito ao crédito pleiteado. Fl. 248DF CARF MF 8 Agora, uma segunda situação, na qual a matériaprima é adquirida do estabelecimento vendedor sem que nele tenha sido aplicado o serviço que se afigura necessário à sua utilização no processo produtivo do adquirente, que, por isso mesmo, o encomenda a um terceiro. Embora o gasto assim dispendido seja incorporado ao custo da matériaprima, a tese vencida o exclui da determinação do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996. Todavia, a Lei nº 9.363, de 1996, autoriza o direito ao crédito sobre todas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. Não havendo óbice legal, todos os gastos empregados na matériaprima a fim de permitir a sua utilização devem ser a ela incorporados, ainda que só empregados, por encomenda, por um terceiro, de modo que devem ser considerados na determinação do crédito presumido pelo encomedante. Adotando o nosso entendimento, confiramse os seguintes acórdãos desta mesma Turma e do Superior Tribunal de Justiça STJ: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. (Acórdão nº 9303001.721, de 07/11/2011). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 9303005.260 CSRFT3 Fl. 246 9 incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtor¬exportador. (...) (Acórdão nº 930301.623, de 29/09/2011). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento o insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. 2. A respeito do pleito de cômputo dos valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, o recurso especial não foi conhecido em face da ausência de prequestionamento. Nesta feita, a agravante limitouse a repetir as teses jurídicas apresentadas no recurso especial, deixando de impugnar o fundamento específico da decisão hostilizada quanto ao ponto. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 3. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. Fl. 250DF CARF MF 10 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/11/2011) Assim, considerando que o Contribuinte em seu processo produtivo comprovou que remete cabedais para costura e préfabricados de calçados para serem objeto de beneficiamento em terceiros, que após lhe retornam devidamente aperfeiçoadas para que sejam utilizadas como matériaprima de seus produtos finais (calçados), que por sua vez são exportados ao exterior, tenho que, efetivamente, deve essa etapa de industrialização por encomenda ser agregada ao custo da matéria prima por ela adquirida, para fins de cômputo do crédito presumido de IPI veiculado pela Lei nº 9.363/96. Assim sendo, na esteira das considerações constantes dos autos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digiltamente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720198/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. EXCLUSÃO. DESPESA FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO.
É legítima a dedução, na apuração do lucro real, de despesas financeiras referentes a financiamentos securitizados no âmbito do Programa de Saneamento de Ativos - PESA, instituído pela Lei nº 9.138/95.
IRPJ. EXCLUSÃO. AGROINDÚSTRIA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA.
O benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada aplica-se às máquinas agrícolas adquiridas por agroindústria, ainda que tais ativos sejam caracterizados como de uso misto", isto é, utilizado tanto na área estritamente rural quanto na área agroindustrial.
IRPJ. EXCLUSÃO. AGROINDÚSTRIA. CANA-DE-AÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA.
Os encargos contabilizados pelas empresas rurais que cultivam cana-de-açúcar, ainda que na qualidade de agroindústria, estão sujeitos à depreciação acelerada incentivada.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao IRPJ é aplicável ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1201-001.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Roberto Caparroz acompanhou o Relator pelas conclusões, quanto ao tópico da exaustão. Vencidos os Conselheiros José Carlos e Paulo Cezar, que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa relativa à depreciação acelerada.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 28/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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EXCLUSÃO. DESPESA FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO. É legítima a dedução, na apuração do lucro real, de despesas financeiras referentes a financiamentos securitizados no âmbito do Programa de Saneamento de Ativos PESA, instituído pela Lei nº 9.138/95. IRPJ. EXCLUSÃO. AGROINDÚSTRIA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA. O benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada aplicase às máquinas agrícolas adquiridas por agroindústria, ainda que tais ativos sejam caracterizados como de “uso misto", isto é, utilizado tanto na área estritamente rural quanto na área agroindustrial. IRPJ. EXCLUSÃO. AGROINDÚSTRIA. CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA. Os encargos contabilizados pelas empresas rurais que cultivam canade açúcar, ainda que na qualidade de agroindústria, estão sujeitos à depreciação acelerada incentivada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao IRPJ é aplicável ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 98 /2 01 1- 91 Fl. 2272DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Roberto Caparroz acompanhou o Relator pelas conclusões, quanto ao tópico da exaustão. Vencidos os Conselheiros José Carlos e Paulo Cezar, que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa relativa à depreciação acelerada. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 28/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário de 2007, no montante de R$ 28.964.766,44, acrescido de juros de mora, multa de ofício de 75% e multa isolada de 50% sobre os valores apurados a título de estimativas. Mais precisamente, foram apuradas as seguintes infrações (fls. 626 a 638 e 639 a 654): 0001 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA – CANA DE AÇUCAR. Exclusão indevida, na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, dos gastos incorridos na formação da lavoura canavieira, no montante de R$ 16.443.992,76, levados ao resultado da contribuinte por meio de depreciação acelerada incentivada. 0002 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA – MÁQUINAS AGRÍCOLAS. Exclusão indevida, na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, dos gastos incorridos na aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas, no valor de R$ 15.481.120,03, levados ao resultado da contribuinte por meio de depreciação acelerada incentivada. 0003 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS – FINANCIAMENTOS SECURITIZADOS. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 3 3 Exclusão indevida, na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, de despesas relacionadas a financiamentos securitizados (despesas financeiras), no valor de R$ 4.598.935,31. 0004 – MULTA OU JUROS ISOLADOS – FALTA DE RECOLHIMENTO SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 693/735) aos lançamentos. Argumenta, em síntese, que: (i) as despesas financeiras teriam sido glosadas sem motivo identificado. Elas correspondem a juros sobre empréstimos bancários, relativos a financiamentos securitizados no bojo do Programa Especial de Saneamento de Ativos – PESA, criado pela Lei nº 9.138/98, sendo despesas necessárias, usuais e normais à atividade econômica exercida, nos termos do art. 299 e 374 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR. (ii) quanto à depreciação acelerada incentivada, afirmou ter direito ao benefício fiscal em relação aos bens do ativo imobilizado. Sustenta que o artigo 314 do RIR não estabelece que o benefício da depreciação acelerada incentivada somente pode ser aproveitado por pessoas (físicas ou jurídicas) que exerçam exclusivamente atividade rural, sendo também aplicável às agroindústrias. (iii) no que diz respeito aos custos envolvidos no cultivo de cana de açúcar, a contribuinte reitera a aplicabilidade do benefício da depreciação acelerada incentivada, sob a alegação de que tais dispêndios devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, assim, estariam sujeitas à depreciação, e não à exaustão, como quer fazer crer a autoridade fiscal. Diz que as despesas com a formação da lavoura de cana de açúcar podem perfeitamente ser depreciadas, na medida em que se trata de uma cultura permanente da qual se extrai a matériaprima a ser consumida (cana), permanecendo incólume a parte subterrânea da planta (touceira), que não é consumida na concepção técnica do termo, razão pela qual não há que se falar no regime de exaustão, que pressupõe o consumo integral do bem, ativo ou cultura. (iv) os Autos de Infração são nulos, tendo em vista a ausência de recomposição da apuração do IRPJ e da CSLL relativamente ao próprio exercício autuado, como também aos subsequentes, afinal não foi considerada a dedução da “quota normal” de depreciação, bem como não foi efetuada a recomposição das bases em razão do valor do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL que foi alterado no procedimento fiscal. (v) como o efeito fiscal da depreciação acelerada incentivada, em face da depreciação normal, é apenas o de postergar o tributo, cujo pagamento fica diferido para o período em que venha ser adicionada a quota de depreciação transferida contabilmente para o resultado, sequer existe a infração apontada. (vi) não houve redução de tributos, tendo em vista que eles foram pagos em períodos subsequentes. Nessa linha de raciocínio, conclui que só caberia a imposição de multa de 20% e a exigência de juros entre a data da dedução integral e a de cada adição. Fl. 2274DF CARF MF 4 (vii) a multa isolada, por implicar confisco, por não possuir base legal à época dos fatos e pela impossibilidade de sua cobrança em concomitância com a multa de ofício, deve ser afastada. Posteriormente, por meio da petição de fls. 955/957, a interessada requereu a juntada do Relatório Técnico do Centro de Tecnologia Canavieira – CTC, que aborda o sistema de produção agrícola da canadeaçúcar (fls. 959/970); do Parecer Técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis Atuariais e Financeiras – FIPECAFI, que diz respeito ao tratamento contábil dos custos incorridos na cultura de canadeaçúcar (fls. 972/1.004); e do Parecer Técnico da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia – FUNDACE, que trata do aspecto contábil dos custos incorridos na cultura de canadeaçúcar (fls. 1.006/1.033). Em Sessão de 29/04/2013, a 2ª Turma da DRJ/CGE julgou a impugnação improcedente por meio do Acórdão nº 0431.574 (fls. 1.038/1.054), cuja ementa foi assim redigida: “Despesas Financeiras. Juros. Regime de Competência. Exclusão do Lucro Líquido. Cabimento. As despesas financeiras relativas a juros devem ser apropriadas contabilmente segundo o regime de competência, não cabendo, na apuração do lucro real, em relação ao mesmo valor, nenhum tipo de exclusão do lucro líquido. Atividade Rural. Bens do Ativo Imobilizado. Depreciação Acelerada Incentivada. Os bens do ativo imobilizado, adquiridos por pessoa jurídica que explore atividade rural, destinados ao uso específico nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. Lavoura de Cana de Açúcar. Dispêndio. Despesa. Exaustão. Os dispêndios realizados na lavoura de cana de açúcar são apropriados como despesa do exercício por meio de quotas de exaustão. Erro de Contabilização. Postergação do Imposto. Pagamento. Caracterização. A infração denominada postergação do imposto só se consuma com a prova do pagamento, sem o que a infração será redução indevida do lucro. Penalidade Pecuniária. Lei Mais Benéfica. Aplicação Retroativa. Aplicase retroativamente a lei que comine penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo da infração. Multa isolada. Multa vinculada ao tributo. Cumulação. Validade. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. Multa. Vedação Ao Confisco. Exame Na Esfera Administrativa. Impossibilidade. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda tributo confiscatório. CSLL e IRPJ. Lançamento. Identidade de Matéria Fática. Decisão Mesmos Fundamentos. Aplicamse ao lançamento da Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 4 5 CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” A interessada foi intimada da decisão em 03/05/2013 (fls. 1.059) e, no dia 29/05/2013, apresentou recurso voluntário (fls. 1.061/1.117), por meio do qual reitera os argumentos da peça impugnatória e rebate determinados pontos da decisão de primeiro grau. Em sessão de 03 de junho de 2014, esta C. Câmara, por meio da Resolução nº 1102000.247 (fls. 1.245/1.260), converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: a) dê ciência desta resolução ao contribuinte para que, desejando esta, traga aos autos documentos, informações e planilhas para tornar ainda mais preciso este trabalho; b) analise todas as provas e argumentos trazidos sob as seguintes premissas: b.1) Financiamento Securitizado Despesas Financeiras – realize análise dos cálculos realizados pela contribuinte informando se encontramse na forma da lei ou não, se os valores apropriados em resultados estão corretos, levando em conta a suposta manifestação da autoridade diligente nos autos do processo nº 15956.000510/201045; b.2) Depreciação acelerada incentivada de bens – esclareça a fiscalização como foram calculados os valores não aceitos como dedutíveis sob o argumento da lei; b.3) ainda sobre o tema descrito no subitem anterior, informe se nos anos posteriores ao autuado houve (ou não) pagamento de tributos considerando que os itens beneficiados pela depreciação acelerada não teriam sido mais considerados na apuração dos respectivos resultados. Há que se provar que unicamente o que ocorreu (ou não) foi o aspecto temporal de sua tributação; neste sentido apresentese possíveis valores que não tenham sido pagos, tudo na conformidade dos critérios previstos para a postergação no Parecer Normativo COSIT nº 2/96. c) elabore relatório de diligência circunstanciado, especificando os valores conforme os subitens acima; d) dê ciência desse relatório ao contribuinte para sobre ele se manifestar, caso deseje, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando se os autos a este Colegiado para ulterior julgamento. Tramitado o feito, o resultado da diligência foi objeto do Relatório Fiscal Conclusivo e Intimação Fiscal SEFIS n. 128/2015 (fls. 2.092/2.096), do qual a contribuinte se manifestou por meio de petição de fls. 2.081/2.088. É o relatório. Fl. 2276DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, pelo que dele conheço. Exclusões indevidas – financiamentos securitizados A glosa de despesas financeiras relacionadas com financiamentos securitizados foi levada a cabo pelo fato da fiscalização não ter compreendido o motivo e a natureza jurídica da exclusão dos respectivos valores na apuração do lucro real, conforme relato de fl. 665: “Embora tenha sido apresentado o modo como foram calculadas as exclusões dos financiamentos securitizados, mês a mês, não restou claro o motivo pelo qual os valores foram excluídos do Lucro Real, razão pela qual esta fiscalização decidiu pela glosa de tais exclusões [...]” A DRJ manteve a glosa, sob o entendimento de que o procedimento adotado pela Recorrente, além de não ter sido justificado adequadamente, ensejaria uma duplicidade de dedução de uma mesma despesa, uma vez que o lucro líquido acabaria sendo reduzido por meio da apropriação contábil dos juros e, ao mesmo tempo, por ocasião da exclusão no LALUR. Vejase, nesse sentido, o seguinte trecho da decisão de piso: “Como se vê, a Fiscalização não alcançou a lógica da explicação prestada pela impugnante para justificar a exclusão daquelas despesas e, por isso, desconsiderou a exclusão, somando os valores à base de cálculo do IRPJ e da CSLL De fato, as razões da impugnante são de difícil compreensão, sobretudo, porque, a pretexto de "refletir a essência das operações de securitização", foi adotado um procedimento que não encontra respaldo nas normas de contabilização de juros, tanto no aspecto contábil, quanto no aspecto estritamente fiscal. O valor excluído referiase a juros sobre financiamento da atividade rural. O critério de apropriação de juros, como despesa do exercício, é dado pelo art. 374 do RIR: Art. 374. Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 17, parágrafo único): I os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata temporis, nos períodos de apuração a que competirem; Não obstante a clareza do dispositivo regulamentar, que traduz o critério contábil e fiscal de apropriação de juros (proporcional Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 5 7 ao tempo), a impugnante resolveu por conta própria adotar uma sistemática diferente e errônea. Disse ela: Nos anos imediatamente subsequentes às securitizações, mais especificamente em 2002, a Impugnante decidiu refletir em sua contabilidade, de forma adequada (sic), qual seria o valor efetivo da sua dívida em decorrência dos empréstimos. A impugnante afirmou ter contabilizado um determinado valor a fim de refletir o que seria o montante efetivo da dívida, em decorrência dos empréstimos. Disse mais: Considerando que a diferença entre o valor presente dos juros e o valor da Dívida Liquida, por ser uma fotografia, naquela data, da posição devedora efetiva da Impugnante, o que se avaliou é se, para fins fiscais, haveria alguma consequência em virtude desse ajuste que seria refletido na contabilidade. Uma vez que esse montante de R$ 31.821.895,00 não estava sendo dispendido naquele momento (não dedutível, portanto), a Impugnante decidiu por efetuar a sua adição no cálculo do lucro real, apenas descontando o valor dos juros pagos naquele exercício (dedutíveis), correspondentes a R$ 883.011,00, resultando numa adição efetiva de R$ 30.938.884,00. Reconhecendo que a contabilização daquele valor não poderia se refletir no lucro tributável, procedeu à adição do mesmo montante. Notese que a adição ao lucro líquido não implicou aumento efetivo do lucro real, nem tributação antecipada que qualquer receita. O único efeito que a adição produziu foi anular as consequências fiscais e contábeis daquele extravagante lançamento de R$ 31.821.895,00. Se o problema parasse aqui, não haveria desdobramentos relevantes no plano tributário. Ocorre, entretanto, que a impugnante passou a excluir do lucro líquido dos exercícios subsequentes quotas daquele valor antes adicionado. Basta conferir o que foi dito: A partir de então, a Impugnante vem, ano a ano, adotando a mesma sistemática de cálculo da posição devedora, para refleti la exatamente no seu balanço patrimonial, embora, tendo efetuado a referida adição em 2002, tenha passado, a partir daí a excluir no cálculo do lucro real as diferenças entre a posição devedora efetiva calculada anualmente e o valor adicionado em 2002. A exclusão desses valores, na prática, produz duplicidade da despesa. Primeiro reduzindo o lucro líquido, por meio da apropriação contábil dos juros; depois, reduzindo o lucro real, por meio do ajuste extracontábil de exclusão. Fl. 2278DF CARF MF 8 Observese que no ano base 2007 foi contabilizada como outras despesas financeiras a quantia de R$ 51.169.751,29 (Ficha 06A da DIPJ, fl. 457) Pelo exposto, concluise que a glosa da exclusão elimina a duplicidade e, portanto, é procedente. A Recorrente, após tecer comentários sobre a origem dos financiamentos securitizados, o tratamento contábil dado a eles em 2002 e nos anos subseqüentes, afirma que os Julgadores não lograram compreender os procedimentos adotados em relação às despesas em questão, pois em nenhum momento teria havido duplicidade de despesas. Aduz que, no ano de 2002, decidiu refletir em sua contabilidade qual seria o valor efetivo (ajuste a valor presente) de suas dívidas em decorrência de empréstimos bancários objeto de financiamentos securitizados no âmbito do Programa de Saneamento de Ativos – PESA, instituído pela Lei nº 9.138/95, o que provocou um ajuste a título de despesa financeira da ordem de R$ 31.821.895,00, correspondente à diferença entre o valor presente dos juros e o valor da Dívida Líquida. Deste montante, afirma que adicionou no cálculo do lucro real a quantia de R$30.938.884,00, valor este parcialmente revertido nos anos posteriores, por meio de exclusões, dentre as quais a de 2007 ora glosada. Nesse contexto, assim concluiu o Relatório após a referida diligência (fls. 2.095): "1) Considerando que a legislação apontada pela empresa está de acordo com a legislação de regência na matéria analisada; 2) Considerando que não foi constatada divergências em relação aos valores constantes nos demonstrativos e as informações apresentadas pela diligência; 3) Considerando que os procedimentos adotados pela contribuinte foram registrados nos livros fiscais e contábeis, cujas cópias encontramse anexadas às fls. 1593/2071; A fiscalização conclui que: a recorrente tem direito ao abatimento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a título de Despesas Financeiras de Financiamentos Securitizados apuradas no anocalendário de 2007, o valor de R$ 4.598.935,31." Verificase, assim, que a própria fiscalização, após a diligência, acabou por reconhecer o direito de a Recorrente abater as despesas financeiras em questão, razão pela qual cancelo a glosa correspondente ao item 0003 dos Autos de Infração (exclusões indevidas – financiamentos securitizados – valor de R$ 4.598.935,31). Depreciação acelerada incentivada de máquinas e equipamentos agrícolas Entenderam a fiscalização e a decisão de primeiro grau que os custos referentes à aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas não poderiam ter sido reconhecidos como despesa do exercício. A controvérsia, na verdade, gira em torno da interpretação do artigo 314 do RIR/99, que assim dispõe: Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 6 9 “Artigo 314 Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição.” Aos olhos do fisco o benefício fiscal criado por tal dispositivo é restrito aos bens da atividade rural stricto sensu, isto é, quando a atividade exercida for exclusivamente rural. Já a Recorrente sustenta que a regra do artigo 314 alcança a atividade rural não só como atividade fim, mas também como atividade meio. Alega que é uma sociedade agroindustrial voltada ao cultivo e à industrialização de canadeaçúcar, exercendo atividade tipicamente rural, que vai desde a preparação das terras destinadas às lavouras, passa pelo cultivo e colheita, assim como pela aquisição de insumos, máquinas e equipamentos agrícolas necessários, pelo processamento de cana até chegar à obtenção de seus produtos finais, açúcar e álcool, posteriormente comercializados no mercado. Aduz também que o artigo 2º, da Lei nº 8.023/1990 – base legal do artigo 58 do RIR/99 , não deve ser aplicado nesse caso, uma vez que o benefício em tela possui outra base legal, qual seja, a MP nº 2.159/70. E ainda que aplicável a referida lei, as atividades da Recorrente ainda assim se enquadrariam na regra do benefício, seja por envolver agricultura, seja porque a atividade rural não se descaracteriza como tal apenas por ser seguida da industrialização ou comercialização do produto. A própria lei previdenciária, aliás, considera agroindústria espécie de empresa que explora atividade rural, na mesma linha do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64). A decisão de piso discordou do racional da Recorrente, sob a seguinte justificativa: “O art. 314 (reproduzindo o texto do art. 6° da MP n° 2.159 70/2001) estabelece os requisitos necessários para gozo do benefício. São eles: a) bens classificados no ativo imobilizado; b) pessoa jurídica que explore atividade rural; e c) bens empregados na atividade rural. O primeiro requisito exige que o bem seja destinado ao ativo imobilizado, o que afasta a aplicação da regra a bens destinados a consumo, revenda ou a processo de industrialização, tais como matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. O segundo requisito se refere ao adquirente dos bens. Ele deve exercer atividade rural, ainda que não seja de forma exclusiva. O último requisito efetivamente condiciona o benefício ao emprego dos bens na atividade rural. É o que se depreende da expressão '"para uso nessa atividade ". No caso concreto, é indiscutível que a impugnante faz jus ao benefício, já que se dedica à lavoura de cana de açúcar, atividade que se enquadra como rural. Todavia, o benefício não pode ser estendido às máquinas e aos equipamentos envolvidos Fl. 2280DF CARF MF 10 na fabricação de açúcar e de álcool, pois essa atividade não pode ser tida como rural. [...] O disposto no inciso V deixa evidente que a fabricação de açúcar e de álcool não se enquadra como atividade rural. Portanto, ao maquinismo nela empregado não incide o benefício da depreciação incentivada. O lançamento ora impugnado se manteve dentro desse parâmetro, glosando apenas as exclusões que se referiam a máquinas e equipamentos afetos à atividade industrial, admitindo o benefício para as empregadas na lavoura de cana de açúcar” De início, é importante frisar que, de acordo com o que foi constatado durante a fiscalização (fl. 676 – item 18.2), e ratificado no relatório conclusivo de diligência, a Recorrente não só aufere receitas provenientes de vendas de produção de álcool e açúcar, mas também com a venda de mudas de cana, bagaço de cana e soja. Foi justamente por essa razão que o fisco rateou o custo do maquinário agrícola na proporção destas receitas em relação ao faturamento total, glosando a exclusão “apenas” da parcela relativa à área agroindustrial (99% do faturamento). É importante, nesse contexto, não perder de vista que a Lei nº 8.212/91 (art. 22A) definiu o conceito jurídico de agroindústria, categoria na qual está inserida a Recorrente. Segundo tal dispositivo legal, por agroindústria devese entender o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. A Instrução Normativa RFB nº 971/09, ao regulamentar a figura do produtor rural pessoa jurídica, prescreve no seu artigo 165: “Artigo 165 Considerase: I produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, sendo: a) produtor rural pessoa física: [...] b) produtor rural pessoa jurídica: 1. o empregador rural que, constituído sob a forma de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), ou sociedade empresária, tem como fim apenas a atividade de produção rural, observado o disposto no inciso III do § 2º do art. 175; 2. a agroindústria que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização da produção rural própria ou da produção rural própria e da adquirida de terceiros, observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 175 e no § 3º deste artigo.” Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 7 11 Como se nota, uma agroindústria – caso da Recorrente caracterizase com tal pelo fato de, além de explorar produção rural própria (atividade rural), também industrializar esta produção (atividade agroindustrial). O artigo 6º da MP 2.159/70, matriz legal do art. 314 do RIR/99, dispõe que os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. Note que esse dispositivo legal criou benefício fiscal desvinculado do resultado da atividade rural, não fazendo referência à Lei nº 8.023/90, que é a base legal do artigo 58 do RIR/99. E impôs como condições ao benefício: (i) que o bem seja passível de registro no ativo imobilizado; (ii) que a pessoa jurídica explore “atividade rural”; e (iii) que o bem seja utilizado na “atividade rural”. A Recorrente, então, para fazer jus a depreciação acelerada, deve preencher esses três requisitos. O primeiro requisito – que o bem seja passível de registro no ativo imobilizado – foi confirmado pelo fisco e não é objeto de controvérsia. Também o segundo requisito – que a pessoa jurídica explore atividade rural – foi cumprido, afinal restou constatado pelo próprio fisco que a Recorrente explora, no exercício de seu objeto social, atividade rural, tanto na forma de atividade fim (para vender produtos agrícolas), quanto na forma de atividade meio (para produzir os insumos necessários à produção de álcool e açúcar). O cerne da questão diz respeito ao cumprimento ou não do requisito do item (iii) acima, de que o bem seja utilizado na “atividade rural”. Nesse ponto, o conjunto probatório, notadamente as notas fiscais de aquisição do ativo (fls.551/580), indicam claramente que os ativos em comento (tratores, colhedoras e plantadoras) são bens para desenvolvimento de atividades rurais, mais precisamente relacionados à cultura da cana. A autoridade fiscal autuante, porém, partiu da premissa de que o uso do ativo imobilizado em questão seria “misto”, ou seja, destinado a desenvolver a atividade como um todo, desde a parte agrícola (preparo e colheita da cana) até sua parte industrial (produção de álcool e açúcar). Tanto é assim que empregou um critério de rateio em função do faturamento de "cada atividade", glosando a parcela correspondente ao “uso industrial”, que é muito próximo do total do faturamento. A meu ver, e por questões de ordem lógica, dizer que o uso foi misto implica em reconhecer que o uso também foi direcionado à atividade rural. Isso é inegável. É indiscutível também que desde o plantio da cana até sua colheita há diversos percursos que exigem conhecimentos rurais e que demandam máquinas rurais, equipamentos rurais, empregados rurais, ou seja, uma estrutura típica rural prévia à estrutura agroindustrial. Fl. 2282DF CARF MF 12 No âmbito de uma atividade de agroindústria, aliás, é até de certo modo natural a aquisição de equipamentos para “uso misto”, mas daí a prejudicar o enquadramento do enquanto bem destinado à atividade rural existe um abismo. Segundo penso, a menção ao termo “atividade rural”, para efeitos do benefício fiscal de depreciação acelerada incentivada, por si só, não tem o condão de afastar sua aplicação às agroindústrias. Atividade agroindustrial engloba, e não exclui a atividade rural. A finalidade do benefício legal da depreciação acelerada incentivada é fomentar a atividade rural. Tratase de uma política incentivada na forma de norma objetiva. Não é porque o adquirente é uma agroindústria, e por isso vai se valer da produção na forma de insumo, que a atividade rural e o benefício fiscal a ela aplicável deixam de existir. Nesse caso concreto, estamos falando de máquinas agrícolas destinadas ao ativo imobilizado; o adquirente, agroindústria que explora canadeaçúcar; e os bens são diretamente destinados ao desenvolvimento desta cultura. Isso significa dizer que houve a satisfação, pela Recorrente, dos três requisitos legais para a depreciação acelerada incentivada. O fato da produção do contribuinte ser concentrada, isto é, integradas, numa mesma pessoa jurídica, a atividade rural de cultivar cana e a atividade fabril de transformála em álcool e açúcar, não desnatura a atividade rural, esta sim contemplada pelo incentivo fiscal da depreciação acelerada incentivada. Nesse sentido, aliás, já se manifestou o E. CARF. Vejase: ATIVIDADE RURAL INTEGRADA COM ATIVIDADE INDUSTRIAL DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. Produzir de forma integrada pelo acoplamento, numa única pessoa jurídica e num único modo de produção, da atividade rural de plantar e colher com a atividade fabril de transformar o insumo rural em produto industrializado não desnatura cada uma dessas etapas e não inviabiliza o seu reconhecimento econômico, jurídico e contábil em separado, o que possibilita a dedução da depreciação acelerada incentivada dos bens empregados no cultivo da canadeaçúcar. (Ac. 1401001.524. Sessão de 01/02/2016). E nem se diga que a metodologia de apuração adotada pela fiscalização – de ratear os custos em função do faturamento de cada uma das “atividades" (vendas de produtos rurais x vendas de produtos agroindustriais) seria legítima. Isso porque o referido artigo 6º da MP 2.15970 base legal do artigo 314 do RIR/99, conforme já exposto não restringe o aproveitamento da depreciação acelerada incentiva apenas às empresas que explorem exclusivamente atividade rural. Pelo contrário, tais dispositivos buscam incentivar a atividade rural como um todo, sem ter especificado uma categoria da outra e sem ter previsto nenhum critério de rateio. Ocorre, porém, que a DRJ e o fiscal autuante, com a devida vênia, pretenderam se colocar indevidamente na posição de legislador, afirmando peremptoriamente qual teria sido a intenção deste, que no seu entender teria sido a de conceder um benefício de menor amplitude, excluindo as atividades agroindustriais. Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 8 13 A meu ver, porém, essa interpretação está inteiramente equivocada. Isso porque é princípio elementar do Direito que a interpretação deve partir do texto legal, não podendo o intérprete criar restrição não prevista na lei e nem empregar metodologia de rateio de cálculo discricionária ou “emprestada” de outro comando legal. A propósito, o tema em questão também já foi analisado pelo antigo 1º Conselho de Contribuintes. Reproduzo, a seguir, a ementa de determinado julgado e trecho do Acórdão 10196.867 (Sessão de 14/08/08) de autoria da Cons. Sandra Maria Faroni: “ATIVIDADE RURAL — APROPRIAÇÃO DE CUSTOS — ATIVO PERMANENTE — As regras contábeis que impõem a contabilização do investimento na formação de lavoura canavieira no "Ativo Imobilizado", não obstam a apropriação da totalidade do custo no próprio ano dos dispêndios.” (Acordão nº 10419.138. Sessão de 05/12/02). “Diferentemente da Lei nº 8.023/90, que trata da tributação dos resultados provenientes da atividade rural, o art. 6º da MP nº 2.15970, de 2001 não faz qualquer referência a resultados nem remete à Lei nº 8.023/90. A norma em questão não limitou o benefício a empresas que explorem exclusivamente ou predominantemente atividade rural. De acordo com o dispositivo transcrito, o benefício destinase a qualquer empresa que explore atividade rural, e a única limitação é que o bem a ser depreciado seja adquirido para uso nessa atividade. A lavoura de cana é, sem dúvida, uma atividade rural. Não é relevante, a meu ver, que a produção seja utilizada pela própria empresa, em sua agroindústria, ou seja vendida a terceiros. Como a norma não exige que a empresa aufira receitas de venda de produção rural, não cabe reportarse à Lei nº 8.023/90 para impor limitações ao gozo do benefício. Nesse caso, o autuante distinguiu onde a lei não o fez. [...].” Nessa conformidade, considerando que a depreciação incentivada diz respeito a custos com máquinas e equipamentos agrícolas usados na “atividade rural”; que a própria lei define agroindústria como pessoa jurídica que explora atividade rural como condição prévia de ser assim qualificada; e que a agroindústria nada mais faz do que industrializar a produção rural própria, reconheço o direito da Recorrente quanto à depreciação acelerada incentivada sobre os ativos imobilizados rurais e, por força disto, cancelo a glosa relativa ao item 0002 (exclusões indevidas – depreciação acelerada incentivada – máquinas agrícolas – valor de R$ 15.481.120,03) dos Autos de Infração. Custos da lavoura de canadeaçúcar Segundo a fiscalização, os custos referentes à plantação e colheita de cana deaçúcar deveriam ter sido reconhecidos como despesa do exercício mediante apropriação de quotas de exaustão – que enseja o reconhecimento contábil ao longo de anos, na medida do esgotamento do ativo , e não através de depreciação acelerada incentivada – que podem ser reconhecidos integralmente como despesa , como fez a Recorrente. A controvérsia, portanto, envolve a análise acerca do tratamento fiscal que deve ser conferido aos dispêndios relativos ao cultivo da canadeaçúcar pela Recorrente. Fl. 2284DF CARF MF 14 A decisão de primeiro grau (fl. 1.050), com base no Parecer Normativo nº 18/1979, concluiu que, como a canadeaçúcar permite até cinco cortes com bom aproveitamento (fl. 716), os custos envolvidos são passíveis de exaustão, conforme a lógica do aludido ato normativo. A Recorrente, por seu turno, afirma que o fato dela cultivar canadeaçúcar, incorrendo em despesas para a formação de lavoura, para depois utilizar a cana na produção de açúcar e álcool, não interfere em absolutamente nada no gozo do benefício da depreciação acelerada. Ademais, a canadeaçúcar corresponde a “cultura perene” que justifica o lançamento em conta de ativo passível de depreciação acelerada incentivada. De plano, afasto a aplicação do Parecer Normativo nº 18/1979, por três motivos: primeiro, porque tratase de ato infralegal que, na tentativa de interpretar o artigo 4º, § 1º, do DecretoLei nº 4.506/1964, dispositivo este que regulamenta a exaustão apenas de recursos florestais, pretendeu indevidamente ampliar seu campo de atuação para outros contribuintes. Em segundo lugar porque tal ato, quando muito, é destinado para empresas que exploram plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, mas depois de dois ou mais cortes, categoria da qual a Recorrente não se insere. Utilizandose da conclusão do Laudo Agronômico do Centro de Tecnologia Canavieira apresentado na defesa (fl. 969): “a análise das informações coletadas na literatura especializada, complementada com a avaliação das práticas agronômicas rotineiramente empregadas na condução dos canaviais comerciais, permite inferir que a canadeaçúcar pode ser classificada como cultura perene, no tocante ao manejo da lavoura (necessidade de erradicação, por exemplo)”. Ainda segundo a doutrina do Laudo, a cultura de canadeaçúcar não está sujeita à exaustão, tendo em vista que as touceiras desta permanecem no solo por longo período de tempo, não se extinguindo com os sucessivos cortes. Havendo o desgaste do solo, novo preparo e ciclo de colheita são empregados, não havendo no que se falar em “extinção” da atividade. E terceiro porque no cultivo de canadeaçúcar, seja ela desenvolvida por agroindústria ou por outra espécie de produtor rural, os gastos correlatos devem ser registrados no ativo imobilizado, uma vez que correspondem a custos dirigidos à manutenção da atividade produtora que contribuem para a geração de receitas. E sendo ativo imobilizado, cabível normalmente a depreciação, no caso acelerada em razão da natureza rural da atividade. O Parecer da FIPECAFI (fl. 1.001) vai direto ao ponto: “1. Tendo em vista as características agronômicas da cultura da canadeaçúcar sintetizadas no Relatório Técnico elaborado pelo Centro de Tecnologia Canavieira, e, sobretudo, a conclusão de que se trata de cultura perene, indagase: a perda de valor econômico da lavoura da canadeaçúcar (e dos respectivos custos que foram ativados para sua formação) pode ser classificada como depreciação? Entendemos que SIM, pois nas culturas perenes, a exemplo dos cafezais ou laranjais, os gastos realizados na formação da cultura da canadeaçúcar ao serem levados para o resultado do período devem ser tratados como depreciação. A depreciação representa a perda econômica dos direitos do ativo imobilizado Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 9 15 utilizados na operação da companhia onde dele se busca extrair os benefícios, e ao mesmo tempo assumindo os riscos de controle.” Descatase, nesse sentido, o seguinte trecho do voto vencedor proferido no Acordão nº 140200.914 (Sessão de 15/03/12), da lavra do Cons. Antônio Jose Praga de Souza: “Cumpre esclarecer a “confusão” gerada pela interpretação errônea de que a atividade da recorrente deve ser considerada como exaustão e não depreciação, pois estaria comparada ao cultivo de florestas é um argumento facilmente refutado. O primeiro ponto que deve ser observado é que, conforme exposto em Parecer do Dr. Ariovaldo dos Santos, não há diferença contábil entre depreciação e exaustão, tendo em vista que ambos recebem o mesmo exatamente o mesmo tratamento. [...] Ademais, a decisão recorrida afirma incorretamente que a cultura de canadeaçúcar equiparase ao cultivo de “florestas”, situação em que aplicarseia a dedução via quotas de exaustão (nem para as florestas, ressaltese, o termo exaustão é atualmente cabível). [...] A confusão conceitual perpetrada pela d. autoridade fiscal deve ser esclarecida para que seja possível a correta compreensão da aplicação do benefício da depreciação acelerada do cultivo de canadeaçúcar. O produtor da canadeaçúcar, a exemplo de outras culturas, investe em melhorias do solo, procurando garantir adequado suprimento nutricional à planta, o que é possível se fazer, em média, no caso da cana, em até cinco cortes, quando, então, a baixa qualidade se torna inevitável, finalizando o ciclo de produção, por incapacidade de retorno futuro do investimento.[...] Assim, no caso de cultivo de canadeaçúcar, devem ser registrados no ativo imobilizado os recursos aplicados na formação da cultura, desde o preparo do solo até o encerramento do plantio, uma vez se tratarem de custos dirigidos à manutenção da atividade da companhia, contribuindo para geração de receitas em diversos exercícios sociais.” Ressaltese que posição semelhante foi adotada em decisão mais recente, conforme atesta a ementa do seguinte julgado: LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. (Acordão nº 1401001.522. Dj de 18/04/2016). Entendo, na linha desses precedentes, que os encargos contabilizados pelas empresas rurais que cultivam canadeaçúcar, seja ela enquadrada ou não enquanto Fl. 2286DF CARF MF 16 agroindústria, ao contrário do que entendeu a decisão de piso, estão sim sujeitos à depreciação acelerada incentivada, e não à exaustão. Diante disso, oriento meu voto no sentido de também cancelar a glosa relativa ao item 0001 (exclusões não autorizadas – depreciação acelerada incentivada – cana deaçúcar – valor de R$ 16.443.992,76). CONCLUSÃO Ante todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.901467/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
OMISSÃO. MATÉRIA CONEXA. VINCULAÇÃO. REPERCUSSÃO NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Torna-se expressa a recomendação à unidade local para que, no momento do cumprimento do quanto decidido, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível referente aos 1º e 2º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003.
OMISSÃO. ANÁLISE DE PROVA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. EMBARQUE PARA O EXTERIOR. NÃO ACOLHIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não devem ser acolhidos os embargos de declaração quando o voto vencedor do acórdão embargado se manifestou expressamente a respeito da matéria. Omissão não caracterizada.
OMISSÃO. INCLUSÃO DO VALOR RELATIVO À REVENDA DE MERCADORIAS NO CÁLCULO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Deve ser reconhecida expressamente a inclusão das receitas provenientes da revenda de mercadorias no cômputo da receita de exportação no resultado do julgamento do acórdão embargado, nos termos da fundamentação do voto condutor. O resultado deve refletir a posição adotada pelo colegiado.
CONTRADIÇÃO. ERRO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A PARTIR DA DATA DA TRANSMISSÃO DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
A taxa Selic, para fins de correção do direito creditório pleiteado, deve ser aplicada a partir de 30/01/2004, data da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, e não 04/06/2008 como constou equivocadamente no resultado do acórdão embargado.
ERRO. PERÍODO DE APURAÇÃO.
Deve constar, como período de apuração discutido no presente processo, o 3º trimestre de 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003).
Numero da decisão: 3401-003.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o relator, Conselheiro André Henrique Lemos, em acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
André Henrique Lemos - Relator.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 OMISSÃO. MATÉRIA CONEXA. VINCULAÇÃO. REPERCUSSÃO NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Tornase expressa a recomendação à unidade local para que, no momento do cumprimento do quanto decidido, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível referente aos 1º e 2º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003. OMISSÃO. ANÁLISE DE PROVA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. EMBARQUE PARA O EXTERIOR. NÃO ACOLHIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Não devem ser acolhidos os embargos de declaração quando o voto vencedor do acórdão embargado se manifestou expressamente a respeito da matéria. Omissão não caracterizada. OMISSÃO. INCLUSÃO DO VALOR RELATIVO À REVENDA DE MERCADORIAS NO CÁLCULO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser reconhecida expressamente a inclusão das receitas provenientes da revenda de mercadorias no cômputo da receita de exportação no resultado do julgamento do acórdão embargado, nos termos da fundamentação do voto condutor. O resultado deve refletir a posição adotada pelo colegiado. CONTRADIÇÃO. ERRO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A PARTIR DA DATA DA TRANSMISSÃO DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 14 67 /2 00 8- 04 Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 919 2 A taxa Selic, para fins de correção do direito creditório pleiteado, deve ser aplicada a partir de 30/01/2004, data da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, e não 04/06/2008 como constou equivocadamente no resultado do acórdão embargado. ERRO. PERÍODO DE APURAÇÃO. Deve constar, como período de apuração discutido no presente processo, o 3º trimestre de 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o relator, Conselheiro André Henrique Lemos, em acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Rosaldo Trevisan Presidente. André Henrique Lemos Relator. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. Relatório Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de IPI, oriundo de: (1) aquisições de insumos de pessoas físicas; (2) receitas de exportação, advindas de comercial exportadora; (3) receitas de exportação provenientes de variações cambiais; (4) receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros; (5) atualização desses supostos créditos por intermédio da Taxa SELIC. Acordaram os membros da DRJ de piso, por unanimidade de votos, pela improcedência da manifestação de inconformidade, ensejando interposição de recurso Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 920 3 voluntário, o qual, julgado por este Tribunal, à maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso manejado, reconhecendo o direito de o contribuinte (a) incluir no cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos às pessoas físicas e cooperativas; (b) incluir as receitas de exportação indireta tanto no numerador quanto no denominador da fração para a apuração do coeficiente de exportação, bem como de (c) corrigir o valor do ressarcimento pela Taxa SELIC, a partir da data do protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. Irresignada com a decisão colegiada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, requerendo o total provimento de seu recurso, a fim de que a decisão fosse reformada no seguinte sentido: (i) afastamento da Taxa SELIC sobre o pedido de ressarcimento; (ii) rejeitada a incidência da Taxa Selic no período anterior à data da ciência do primeiro ato administrativo de oposição estatal ao pleito do contribuinte, ou ainda, seja considerado como parâmetro a data de emissão desse ato; (iii) não prosperando as teses anteriores, seja aplicada a Taxa Selic a partir do término do prazo de 360 dias contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento sobre os valores que foram objeto de indeferimento por ilegítima oposição estatal constante da IN/SRF 23/1997; (iv) que a incidência da SELIC seja restrita aos créditos que foram objeto de oposição injustificada pelo Fisco, configurada apenas em relação ao crédito relativo às aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas. Simultaneamente, a Contribuinte, por seu turno, opôs embargos de declaração (com efeitos modificativos), fls. 830836, asseverando: (1) omissão quanto à preliminar invocada no tocante ao resultado do julgamento proferido nos autos do PAF 10840.900565/200654, relativo ao crédito presumido de IPI (1o e 2o trimestres de 2003), deve repercutir no cálculo do benefício em questão, tendo em vista que a fiscalização considerou os valores reajustados daquele outro processo para apurar os montantes em discussão no caso sub judice; (2) omissão no que toca à inclusão das receitas relativas ao complemento de preço no cálculo da receita de exportação; (3) omissão no que se refere à inclusão do valor relativo à revenda de mercadorias no cálculo da receita de exportação; (4) contradição quanto à data do protocolo do pedido de ressarcimento. Em seguida a Contribuinte apresentou suas contrarrazões ao recurso especial, defendendo em sede de preliminares que o recurso não seja conhecido ou, caso assim não se entenda, no mérito, não lhe seja dado provimento, devendo ser mantido o acórdão na parte em que recorrido. Por fim, à fl. 912, sobreveio despacho de admissibilidade dos embargos de declaração, havendo seu acolhimento, incluindose o presente processo em lote a ser sorteado aos conselheiros da 3a Seção, vez que o Colegiado anterior fora extinto. A União (Fazenda Nacional) não foi intimada para apresentar manifestação/impugnação aos embargos de declaração promovidos pela Contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos I. Quanto à prejudicial de mérito Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 921 4 Como se viu no Relatório acima, o contencioso versa sobre Pedido de Ressarcimento do IPI, sendo que o requerido pela Contribuinte lhe fora concedido em parte pelo então Colegiado deste CARF, sendo que desta decisão sobrevieram, simultaneamente, embargos de declaração com efeitos infringentes (modificativos), opostos pela Contribuinte e recurso especial interpostos pela Fazenda Nacional, com contrarrazões apresentadas pela Contribuinte. Sem muitas delongas, percebese que antes de se apreciar o recurso especial pela CSRF, esta 1a Turma Ordinária terá que julgar os embargos de declaração opostos pela Contribuinte, enfim, este é o devido processo legal a ser seguido, é a ordem das coisas, e mais, antes de adentrar no mérito dos embargos de declaração, entendese obrigatório que este Colegiado aprecie uma prejudicial de mérito, qual seja, a necessidade de se intimar a parte contrária em sede de embargos declaração, quando estes possuem um potencial caráter modificativo (efeitos infringentes como se viu, a própria ContribuinteEmbargante, expressamente ressalva que têm, e realmente possuem este caráter, como se viu), a fim de que deles se manifeste. Chamase a atenção de que, mormente as duas primeiras omissões, caso deflagradas, terão efeito modificativo no acórdão, seja do ponto de vista jurídicotributário, seja seu consequente efeito financeiro (alteração dos valores do crédito pleiteado). Vêse que a Embargante tem a nítida intenção de modificar o acórdão do Colegiado, e em assim agindo, há de se oportunizar à parte adversa que se manifeste dos embargos, por meio de contrarrazões ou impugnação, cumprindo os princípios constitucionais do contraditório e do devido processo legal (art. 5o, LIV e LV, da CF/88). Esta também é dicção no plano infraconstitucional, conforme exegese do art. 2o, da Lei 9.784/99, que estabelece normas gerais para o processo administrativo na esfera da Administração Pública Federal: "Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." Como se sabe, o artigo 65 do Regimento Interno do CARF, prevê o cabimento de embargos de declaração quanto o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição, portanto, por lógica e coerência, sendo estes opostos e visando efeitos infringentes, seja a parte adversa, intimada para dele se manifestar, querendo, em cumprimento aos princípios constitucionais do devido processo legal e do contraditório. O Código de Processo Civil CPC/2015, em seu artigo 1.023, § 2º é peremptório: "Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 922 5 § 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestarse, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada." Impende ressaltar que o CPC/2015, por meio do seu artigo 15, determina sua aplicação supletiva e subsidiária nos processos administrativos: "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Aliás, antes mesmo do CPC/2015, o E. STF, nos autos dos Edcl em RE 144.9814/RJ, já adotava este entendimento, cuja parte da ementa dispõe: "(...). A garantia constitucional do contraditório impõe que se ouça, previamente, a parte embargada na hipótese excepcional de os embargos de declaração haverem sido interpostos com efeito modificativo. (DJ 08/09/1995, p. 28362). Neste norte também navega a jurisprudência do E. STJ: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGO DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES CONFERIDOS. NECESSIDADE DE CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA PARTE CONTRÁRIA. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. PRECEDENTE DA CORTE ESPECIAL DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A ausência de intimação para contraminutar os embargos de declaração a que se atribuiu efeitos infringentes, nos termos da pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, torna nulo o julgamento, devendo ser cassada a decisão proferida sem oportunizar o necessário contraditório. 2. As razões expendidas pelo agravante para excepcionar o entendimento desta Corte não merecem guarida, uma vez que era direito da parte embargada ser intimada com o objetivo de se manifestar especificamente sobre as razões dos embargos de declaração. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp. 1.488.613/PR). Neste mesmo sentido: EDcl no REsp 1.009.651/RJ (DJe 19/10/2009), EAg 778.452/SC (Corte Especial, DJe 23/08/2010) e nos EDcl nos EDcl no REsp 258073/RJ (DJe 02/09/2011). Esta casa também possui entendimento neste sentido, como foi nos autos do PAF 10930.907888/201127, da lavra do conselheiro Diego Diniz Ribeiro e declaração de voto da conselheira Ana Paula Fernandes nos autos do PAF 10245.000582/200951 (Ac. 9202 004.551). Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 923 6 Destacase o acórdão 1401001.263, proferido nos autos do PAF 10580.011328/200444, cuja ementa possui o seguinte teor: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2000 EMBARGOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE. Declarase a nulidade absoluta de acórdão proferido em sede de embargos de declaração, haja vista que foram conferidos efeitos infringentes ao julgado, sem que a parte interessada Fazenda Nacional tivesse sido intimada para acompanhar o feito. Por fim, salientase ainda, a Resolução 3402000.834, tomada à unanimidade de votos, abrindose vista à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que se manifeste dos declaratórios opostos pelo contribuinte. Por tais razões, voto no sentido de intimar a parte Embargada (União), a fim de que apresente, querendo, suas contrarrazões. II. Quanto ao mérito Caso não haja consenso do Colegiado quanto ao item precedente, adentrase no mérito dos embargos de declaração. A Embargante, como se viu no relatório, invocou 3 (três) omissões e uma contradição, quais sejam: 1) omissão quanto à preliminar invocada no tocante ao resultado do julgamento proferido nos autos do PAF 10840.900565/200654, relativo ao crédito presumido de IPI (1o e 2o trimestres de 2003), deve repercutir no cálculo do benefício em questão, tendo em vista que a fiscalização considerou os valores reajustados daquele outro processo para apurar os montantes em discussão no caso concreto; 2) omissão no que toca à inclusão das receitas relativas ao complemento de preço no cálculo da receita de exportação; 3) omissão no que se refere à inclusão do valor relativo à revenda de mercadorias no cálculo da receita de exportação; 4) contradição quanto à data do protocolo do pedido de ressarcimento. Começase do último (quarto) argumento para o primeiro, apenas por entender este relator, ficará mais didático principiar pelo mais simples. II. 1. Quanto à contradição Disse a Embargante que o acórdão menciona que a esta havia formulado o pedido de ressarcimento em 04/06/2008, porém, pelo que consta nas fls. 10/80, o pedido fora transmitido em 30/01/2004, sendo correta esta e não aquela. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 924 7 Razão assiste a Embargante. Realmente, à fl. 792, o voto vencido faz menção de que o pedido fora formulado em 04 de junho de 2008, sendo que no restante do acórdão não há qualquer outra menção no tocante à data do protocolo do pedido de ressarcimento. Talvez o equívoco tenha se dado em razão da fl. 1 conter a data de 04/06/2008, como sendo do "protocolo formador de processo", todavia, às fl. 12 consta o dia 30/01/2004, como sendo a "data de transmissão", não havendo dúvida quanto à isto. Deste modo, voto em julgar procedente os embargos de declaração neste particular, devendo ser retificada a data do pedido para 30/01/2004. II. 2. Quanto à omissão referente à inclusão do valor da revenda de mercadorias no cálculo da receita de exportação Defendeu a Embargante que houve omissão do acórdão em não constar na parte dispositiva do aresto a referência quanto ao reconhecimento do direito da Recorrente em incluir, nas receitas de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI, as receitas relativas às revendas de mercadorias. De se ver a parte dispositiva (fl. 782): ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte de incluir no cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas; de incluir as receitas de exportação indireta tanto no numerador quando no denominador da fração para apuração do coeficiente de exportação, bem como de corrigir o valor do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Bastista e Domingos de Sá Filho, quanto ao cálculo do coeficiente de exportação e à variação cambial. Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB/SP 206.899. De bom alvitre que o aludido assunto fora objeto de ementa (fl. 782) e do voto vencedor (fls. 793794), faltando, apenas, fosse citado na parte dispositiva do acórdão. Pelo que se vê, de fato, tal assunto não fora citado na parte dispositiva, merecendo reparo, razão bastante para que, neste particular, haja a procedência dos embargos opostos. II. 3. Quanto à omissão no que toca à inclusão das receitas relativas ao complemento de preço no cálculo da receita de exportação Defendeu a Embargante que o acórdão restou omisso quanto à este assunto, vez que o voto vencedor não analisou a operação realizada pela Recorrente, vez que partiu do Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 925 8 pressuposto de que se tratava de receitas exclusivamente decorrentes de variações cambiais, e por tal razão, a glosa deveria ser mantida. Advoga a Embargante que os valores da glosa se referem à variação cambial entre a data de saída da mercadoria de seu estabelecimento e a data de embarque ao exterior. Entende que se trata de uma complementação de preço das mercadorias exportadas, mas que não teriam natureza de receita financeira como entendeu a fiscalização. Disse que a fiscalização elaborou uma planilha elencando as operações consideradas como receitas financeiras decorrentes de variação cambial (fls. 502/505). Mencionou que respondeu à fiscalização, trazendo aos autos notas fiscais referentes as operações (nrs. 2740, 2812, 2942, dentre outras, conforme fls. 502507) e que no campo "observações" consta que se trata de complemento, "em virtude da variação cambial ocorrida entre a data da emissão e a data efetiva do embarque". Diz que houve omissão no julgado, pois o voto vencedor não apreciou estas provas, tampouco a operação realizada, pelo contrário, partiu da premissa de que se trata de receita oriunda de variação cambial típica, sem analisar o enquadramento das notas fiscais de complementação de preço como receita financeira. Reconhecese a omissão, entendendose que tal assunto merece ser enfrentado. Ao que constam das fls. 502507, as notas fiscais expressam que se tratam de complemento de outras, cujo motivo é a variação cambial ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal primeva e a data efetiva do embarque. Ao juízo deste relator, esta operação não se assemelha a uma variação cambial típica, ou ainda, e mais, redundando em uma receita financeira variação ativa ou passiva da entidade, mas sim, por força de uma realidade cambial e contratual, o complemento é obrigatório, e obrigatório também o é, para fins da legislação do ICMS e do IPI, como ressalvou o voto vencido. Como consignou o e. conselheiro do voto vencido, o acórdão da CSRF/02 02814, decidiu: INCLUSÃO DE VARIAÇÃO CAMBIAL NA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. Para efeito de cálculo do crédito presumido, por expressa determinação normativa, a receita de exportação deve ser apurada segundo o cambio vigente na data do embarque. Por tais razões, voto no sentido de reconhecer a omissão, enfrentando a matéria omitida, dandose provimento ao recurso voluntário, para incluir as receitas referentes ao complemento de preço no cálculo da receita de exportação. II. 4. omissão quanto à preliminar de dependência ao PAF 10840.900565/200654 Disse a Embargante que o acórdão foi omisso quanto à preliminar invocada no tocante ao resultado do julgamento proferido nos autos do PAF 10840.900565/200654, Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 926 9 relativo ao crédito presumido de IPI (1o e 2o trimestres de 2003), vez que tal resultado repercutirá no cálculo do benefício em questão, tendo em vista que a fiscalização considerou os valores reajustados daquele outro processo para apurar os montantes em discussão no caso concreto. Às fls. 719 e seguintes, a RecorrenteEmbargante juntou cópia do recurso voluntário referente ao PAF 10840.900565/200654. Demais disso, à fl. 915, no despacho de admissibilidade dos embargos de declaração, ficou asseverado pelo presidente substituto da 3a Seção de E. Tribunal: Compulsando os autos, às fls. 660 a 687, constato que, no recurso voluntário, o recorrente sustentou que o resultado do julgamento proferido nos autos do processo administrativo n. 10840.900565/200654, relativo ao crédito presumido de IPI referente ao 1o e 2o trimestres de 2003, deveria repercutir no cálculo do benefício em questão nestes autos, tendo em vista que a Fiscalização considerou os valores discutidos naquele outro processo, ao apurar os montantes em discussão no presente caso. Argumentou também que, se for reconhecida a improcedência, total ou parcial, dos cálculos elaborados pela Fiscalização naquele processo administrativo, a apuração do crédito presumido, relativo ao 3o trimestre de 2003, deve ser refeita com base no que for decidido naquele processo. O voto vencido condutor do acórdão para todas as matérias, à exceção da inclusão das receitas de variação cambial na Receita de Exportação não tratou do tema. Neste aspecto, os embargos devem ser conhecidos, para que o Colegiado manifestese expressamente sobre a preliminar. Deste modo, entende este relator que, baixandose os autos à Unidade de Origem, esta deverá observar os efeitos do resultado de julgamento do PAF 10840.900565/200654, referente aos créditos, refazendose os cálculos elaborados pela fiscalização, de acordo com o que for decidido no referido processo. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de intimar a Fazenda Nacional acerca dos embargos de declaração com efeitos infringentes opostos pela Contribuinte, para que, querendo, se manifeste, no prazo de 5 (cinco) dias, acerca dos declaratórios. Alternativamente, voto em rejeitar os embargos quanto à preliminar e o julgálos procedente quanto aos demais argumentos. André Henrique Lemos Relator Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 927 10 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Com as vênias de estilo, em que pese o bem fundado voto do Conselheiro Relator André Henrique Lemos, apresento voto divergente, nos seguintes termos. Quanto à alegação de (i) omissão do acórdão embargado quanto ao julgamento da preliminar de dependência do julgamento do presente processo de decisão final a ser proferida do processo nº 10840.900565/200654, relativo a crédito presumido de IPI referente aos 1º e 2º trimestres de 2003, uma vez que a autoridade fiscal considerou os valores reajustados daquele período no presente processo que, por seu turno, referese ao 3º trimestre de 2003, transcrevese, abaixo, o seguinte trecho do despacho de admissibilidade que tratou da matéria: "Compulsando os autos, às fls. 660 a 687, constato que, no recurso voluntário, o recorrente sustentou que o resultado do julgamento proferido nos autos do processo administrativo n. 10840.900565/200654, relativo ao crédito presumido de IPI referente ao 1o e 2o trimestres de 2003, deveria repercutir no cálculo do benefício em questão nestes autos, tendo em vista que a Fiscalização considerou os valores discutidos naquele outro processo, ao apurar os montantes em discussão no presente caso. Argumentou também que, se for reconhecida a improcedência, total ou parcial, dos cálculos elaborados pela Fiscalização naquele processo administrativo, a apuração do crédito presumido, relativo ao 3o trimestre de 2003, deve ser refeita com base no que for decidido naquele processo. O voto vencido condutor do acórdão para todas as matérias, à exceção da inclusão das receitas de variação cambial na Receita de Exportação não tratou do tema" (seleção e grifos nossos). O acórdão embargado, em que pese ter realizado expressa referência ao processo nº 10840.900565/200654, de fato não enfrentou a matéria nos votos vencido e vencedor: "Das alterações e glosas efetuadas pela fiscalização no cálculo do crédito, o interessado manifestou sua inconformidade alegando, em síntese, que: a) Se for reconhecida a improcedência, total ou parcial, dos cálculos elaborados pela fiscalização nos autos do processo n° 10840.900565/200654, a apuração do crédito presumido deve ser refeita com base no que for decidido naquele processo" (seleção e grifos nossos). Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 928 11 Ainda que se reconheça a omissão quanto à alegação em apreço da contribuinte no sentido de que, caso reconhecida a improcedência, total ou parcial, dos cálculos elaborados pela fiscalização nos autos do processo nº 10840.900565/200654, a apuração do crédito presumido deva ser refeita com base no que for decidido naquele processo, e em que pese se verificar a identidade de matérias entre os dois processos, que discutem unicamente períodos diferentes de apuração, não se vislumbra a existência de prejudicialidade externa que justifique o sobrestamento do presente feito, mas de simples vinculação por conexão. Necessário ressaltar, não obstante, em complementação ao raciocínio ora firmado, que tal reconhecimento, nos termos do art. 6º, caput e § 2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, não implica necessariamente uma distribuição por dependência ao relator prevento, tratandose de faculdade. Por outro lado, da leitura das razões do recurso voluntário interposto pela ora embargante, é possível se constatar que o objeto do pedido preliminar é no sentido de que, caso reconhecida a improcedência total ou parcial dos cálculos elaborados pela autoridade fiscal no processo nº 10840.900565/200654, deverá tal decisão ser levada em conta com relação à apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003. Assim, conheço da alegação de omissão para colmatála, sem efeitos infringentes, tornando expressa a recomendação para que a unidade, no momento do cumprimento do quanto decidido no presente feito, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível referente aos 1º e 2º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003. Quanto à alegação de (ii) omissão de análise da real natureza dos valores excluídos do cálculo da receita de exportação, argumenta a contribuinte que o acórdão embargado não analisou os elementos de prova constantes dos autos, transcrevendose, abaixo, o seguinte trecho do despacho de admissibilidade que tratou da matéria: "No capítulo 3.2.2 do arrazoado recursal voluntário, fls. 675 a 680, o recorrente pugnou por que a variação cambial ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal e a do fechamento do contrato de câmbio, plasmada nas notas fiscais complementares emitidas, fosse computada como receita de exportação. O voto Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 929 12 vencido do Acórdão embargado deu provimento ao recurso. O Colegiado Recursal, no entanto, majoritariamente, entendeu que as receitas decorrentes das variações cambiais, enquanto receitas financeiras que são, não devem ser computadas na REx. E fêlo com base na dicção do art. 13 do Regulamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, aprovado pelo Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 REGPISCOFINS, e no art. 9° da Lei nº 9.718, de27 de novembro de 1998. É verdade, no entanto, que o voto vencedor para a matéria não foi específico em relação à variação cambial ocorrida entre as datas contratação comercial e da celebração do contrato de câmbio com a instituição financeira, limitandose a tratar da variação cambial genericamente. O contribuinte tem direito a um pronunciamento expresso do colegiado, razão pela qual, também quanto a esta matéria, os aclaratórios merecem ser conhecidos" (seleção e grifos nossos). Ao se compulsarem as fls. 516 a 519, é possível constatar quais operações foram consideradas pela autoridade fiscal como receitas financeiras decorrentes de variação cambial, bem como os números da nota fiscal relativa à operação principal e da nota fiscal complementar. Tais notas complementares, referentes à variação, foram trazidas aos autos às fls. 502 a 507. Nelas, constatase, no campo "natureza da operação", lêse que se trata de operação de venda de mercadorias de produção própria destinada à exportação e, no campo "observações", a expressa referência à nota da operação principal. Contudo, em que pese nosso entendimento pessoal no sentido de que a receita da venda de mercadorias com o valor expresso em moeda estrangeira deva ser reconhecida e, logo, convertida em reais à taxa de câmbio fixada na data de embarque dos bens para o exterior, nos termos, ademais, da Solução de Consulta nº 10, de 17/06/2002, proferida pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, o fato é que o acórdão embargado se pronunciou expressamente a respeito da matéria, que não pode ser devolvida ao conhecimento deste colegiado por meio de embargos de declaração, em virtude da inexistência de omissão, em conformidade com o trecho do voto vencedor do acórdão embargado a seguir transcrito: "Repito o conceito de Receita de Exportação esposado pela legislação de regência da matéria – inc. II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, ao qual esse julgamento está inarredavelmente vinculado (...) Por outro lado, a expressão ‘variação monetária’, constitui gênero no qual se incluem as espécies ‘variação cambial’ e ‘variação monetária propriamente dita’, também designada de ‘correção monetária’. A primeira decorre da variação da taxa de câmbio; a segunda, da variação da moeda nacional em função de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual. Especificamente sobre as variações monetárias em função da Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 930 13 taxa de câmbio variação cambial, o Regulamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, aprovado pelo Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 REGPISCOFINS, seu art. 13, com respaldo no art. 9º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, dispôs, in verbis: ‘Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio, ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência das contribuições, como receitas financeiras (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 30). § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo das contribuições segundo o regime de competência. § 3º A opção prevista no § 2º aplicarseá a todo o ano calendário. § 4º A alteração no critério de reconhecimento das receitas de variação monetária deverá observar normas a serem expedidas pela Secretaria da Receita Federal (SRF)'. Enquanto receitas financeiras que são, as variações cambiais não integram a Receita de Exportação para fins de apuração do CPIPI" (seleção e grifos nossos). Assim, em virtude de não vislumbrar a omissão a respeito da matéria, voto no sentido de não acolher os embargos de declaração neste particular. Quanto à alegação de (iii) omissão de menção, no dispositivo do acórdão, do deferimento do direito de inclusão do valor relativo à revenda de mercadorias no cálculo da receita de exportação, transcrevese o seguinte trecho do despacho de admissibilidade: "No que tange a inclusão das receitas de revenda de mercadorias no cálculo do coeficiente de exportação, o Colegiado houve por bem em reverter o ajuste procedido pela Fiscalização (item 3.2.3 do Relatório de Auditoria Fiscal de 23/09/2008, fls. 542), para permitir o cômputo dessa receita no numerador da relação percentual (REx/ROB). Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 931 14 O dispositivo do acórdão, no entanto, nada referiu quanto a esse deferimento. Confirase: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte de incluir no cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas; de incluir as receitas de exportação indireta tanto no numerador quando no denominador da fração para apuração do coeficiente de exportação, bem como de corrigir o valor do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Bastista e Domingos de Sá Filho, quanto ao cálculo do coeficiente de exportação e à variação cambial. De fato, o resultado do acórdão embargado incorreu em omissão na medida em que o resultado de julgamento não foi expresso com relação ao reconhecimento do direito da embargante à inclusão, no cômputo da receita de exportação, das receitas provenientes da revenda de mercadorias, sentido que se extrai da leitura dos fundamentos do voto condutor. Assim, voto por conhecer a omissão em referência e colmatála, nos termos do voto vencedor, reconhecendo expressamente a inclusão das receitas provenientes da revenda de mercadorias no cálculo da receita de exportação no resultado do julgamento. Quanto à alegação de (iv) contradição entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento referida no julgamento e a efetiva data de transmissão do pedido de ressarcimento eletrônico, transcrevese, abaixo, o trecho pertinente do despacho de admissibilidade: "O voto condutor do acórdão para a matéria referente ao abono de juros Selic ao valor do ressarcimento consignou que "...o pedido do Recorrente foi formulado em 04 de junho de 2008 ..." (fls. 792). Erro. O PER nº 32467.31413.300104.1.1.01 7317, fls. 12 a 81, foi transmitido em 30/01/2004" (seleção e grifos nossos). A contradição/erro de fato deve ser conhecida e, assim, voto no sentido de que a taxa Selic para fins de correção do direito creditório deve ser aplicada a partir da data do protocolo/transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, i.e., 30/01/2004, e não 04/06/2008. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 932 15 Por fim, quanto à alegação de (v) erro material no trimestre de referência, constante da ementa do julgado, transcrevese o trecho pertinente do despacho de admissibilidade: "O período de apuração referido no Acórdão nº 3403003.439 foi 01072002 a 31122002. O RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL DE 23/09/2008, fls. 568 a 590, e o Despacho Decisório, fls. 591, no entanto, referem se a crédito presumido apurado no 3º trimestre de 2003". O erro deve ser reconhecido e, assim, voto no sentido de que passe a constar, como período de apuração discutido no presente processo, o 3º trimestre de 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003). Assim, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração opostos, sem efeitos infringentes, especificamente para o fim de que: (i) a unidade, no momento do cumprimento do quanto decidido no presente feito, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível referente aos 1º e 2º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003; (ii) seja reconhecida expressamente, nos termos da fundamentação do voto condutor do acórdão embargado, a inclusão das receitas provenientes da revenda de mercadorias no cômputo da receita de exportação; (iii) seja reconhecido o erro material e aplicada a taxa Selic para fins de correção do direito creditório a partir de 30/01/2004, e não 04/06/2008 como constou originalmente; e (iv) passe a constar, como período de apuração discutido no presente processo, o 3º trimestre de 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003). Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator Fl. 932DF CARF MF
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