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Numero do processo: 11020.002007/2010-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/02/2007 a 28/02/2007, 01/04/2007 a 30/04/2007, 01/02/2008 a 29/02/2008, 01/04/2008 a 30/04/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 20 07 /2 01 0- 24 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11020.002007/201024 Acórdão n.º 9202004.680 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11020.002007/201024 Acórdão n.º 9202004.680 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11020.002007/201024 Acórdão n.º 9202004.680 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11020.002007/201024 Acórdão n.º 9202004.680 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11020.002007/201024 Acórdão n.º 9202004.680 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11020.002007/201024 Acórdão n.º 9202004.680 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11020.002007/201024 Acórdão n.º 9202004.680 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11020.002007/201024 Acórdão n.º 9202004.680 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11020.002007/201024 Acórdão n.º 9202004.680 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 184DF CARF MF
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Numero do processo: 10315.720696/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO.
Comprovado o pagamento antecipado do tributo, aplicável o art. 150, §4º do CTN, considerando a ocorrência do fato gerador do tributo como termo a quo para contagem do prazo decadencial. Caso não haja qualquer comprovação, necessária a aplicação do art. 173, I do CTN, considerando o início do prazo decadencial como o 1º dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido concretizado.
DESCONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. SÚMULA 75 DO CARF.
A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. No entanto, não se trata, em absoluto, de caso de nulidade do procedimento fiscal. A falta de comprovação do pagamento e/ou de retificação da declaração na época da reaquisição da espontaneidade não aproveita seus efeitos legais.
ARBITRAMENTO DE LUCRO. ÔNUS FISCAL.
A falta de apresentação de documentos hábeis e idôneos, por si, autoriza a fiscalização, a materializar uma presunção relativa de veracidade através do arbitramento, a qual a qualquer momento pode ser ilidida pelo contribuinte, imputando-lhe, assim, o ônus fiscal.
MULTA AGRAVADA.DESCABIMENTO. SÚMULA 96 DO CARF.
A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO FISCAL.
Para haver a qualificação da multa necessário ser devidamente demonstrada vontade (dolo) no sentido de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais de contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário e negar provimento do Recurso de Ofício, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 18/11/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. Comprovado o pagamento antecipado do tributo, aplicável o art. 150, §4º do CTN, considerando a ocorrência do fato gerador do tributo como termo a quo para contagem do prazo decadencial. Caso não haja qualquer comprovação, necessária a aplicação do art. 173, I do CTN, considerando o início do prazo decadencial como o 1º dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido concretizado. DESCONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. SÚMULA 75 DO CARF. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. No entanto, não se trata, em absoluto, de caso de nulidade do procedimento fiscal. A falta de comprovação do pagamento e/ou de retificação da declaração na época da reaquisição da espontaneidade não aproveita seus efeitos legais. ARBITRAMENTO DE LUCRO. ÔNUS FISCAL. A falta de apresentação de documentos hábeis e idôneos, por si, autoriza a fiscalização, a materializar uma presunção relativa de veracidade através do arbitramento, a qual a qualquer momento pode ser ilidida pelo contribuinte, imputandolhe, assim, o ônus fiscal. MULTA AGRAVADA.DESCABIMENTO. SÚMULA 96 DO CARF. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO FISCAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 06 96 /2 01 3- 27 Fl. 897DF CARF MF 2 Para haver a qualificação da multa necessário ser devidamente demonstrada vontade (dolo) no sentido de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais de contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário e negar provimento do Recurso de Ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 18/11/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório A ação fiscal teve início com o Termo de Início de Fiscalização em 10/11/2010 emitido via postal AR. Junto à ação fiscal procedida na empresa Maesio Candido Vieira ME, foram abertas diligências em empresas suspeitas de participarem de planejamento fiscal fraudulento com a empresa fiscalizada, sendo elas: Ponto Econômico Ltda, Polo do Eletro Comercial de Moveis Ltda, Ponto do Eletro Moveis e Eletrodomésticos Ltda, Centro Varejista e Atacadista Cearense Ltda e V W Comercial de Moveis e Eletrodomésticos Ltda. Num primeiro momento buscouse uma auditoria fiscal, ou seja, auditoria nos livros fiscais e notas fiscais. No entanto nem o contribuinte nem o Fisco Cearense forneceram dados que pudessem levar o trabalho a resultados conclusivos. Dessa forma optouse por uma auditoria na escrituração digital do contribuinte. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10315.720696/201327 Acórdão n.º 1201001.516 S1C2T1 Fl. 3 3 No exame contábil das empresas verificouse o uso de interposta pessoa "laranja" e demais ilícitos. Após análise de cada contabilidade na empresa fiscalizada e nas diligenciadas, lavrouse o Termo de Intimação em 20/08/2012, individualizado, solicitando os elementos comprobatórios dos fatos contábeis. O tempo para atendimento pelo contribuinte foi de aproximadamente 8 (oito) meses. Mesmo com o tempo dado, o contribuinte não atendeu as intimações. Examinado os livros e demonstrativos do contribuinte, a fiscalização se deparou com situações reputadas incomuns para contabilidade: o contribuinte não registra no balancete patrimonial das empresas a conta Banco Conta Movimento, no entanto dispunha da conta Fornecedores e Duplicatas a Receber, o que leva a conclusão de que as transações eram realizadas em dinheiro. A Fiscalização apurou que as contas Estoques e Transferência de mercadoria apresentam valores relevantes. Notase, então, a ausência da conta Banco Conta Movimento e, de fato, uma conta Caixa apresentando valores relevantes em sua movimentação, destacandose também a conta Clientes a Receber. Fora apurado outro balancete digital, esse, da empresa Maesio Candido Vieira, e chamou a atenção da Fiscalização, mais uma vez, a falta da Conta Banco/Conta Movimento, valores elevados da conta Caixa, Clientes a receber, outras contas de clientes, Mercadoria para revenda e Transferência de mercadorias com valores em destaque. Além disso, o contribuinte, em todas empresas apresenta gastos relevantes em Manutenção, Conservação e Reparos, Material de Construção entre outros, sem constar no ativo imobilizado imóvel, e ainda registra valores relevantes na rubrica despesa, quando a fiscalização reputa que tais lançamentos deveriam ser lançados no imobilizado e não na conta de despesas. Segundo a fiscalização, os históricos não dizem nada sobre a procedência e o destino das transações. Os lançamentos levaram a fiscalização a crer que havia desvios da Receita Bruta das empresas envolvidas no esquema, podendo a Receita declarada ainda ser maior do que a apresentada. A escrituração contábil do contribuinte sem os elementos solicitados nos anexos dos Termos mostrouse imprestável para uma análise consistente da contabilidade. Desta forma o Auditor ficou impossibilitado de efetuar qualquer análise, uma vez que não foram fornecidos os elementos que geraram os lançamentos. Do Arbitramento Consoante se verifica no Auto de Infração o contribuinte sofreu o Arbitramento do Lucro pela falta da entrega de comprovantes/documentos que respaldassem os lançamentos contidos na escrituração. Fl. 899DF CARF MF 4 No caso presente a fiscalização entendeu que a falta de comprovação da escrituração contábil fora oriunda da inépcia presumidamente causada de forma proposital, pois, o prazo que foi concedido daria para atender ao Fisco, desde que fossem lícitas e tivessem os documentos de comprovação. Dessa forma resolveu o Fisco desconsiderar a escrita contábil. Destarte, a fiscalização arbitrou o lucro do contribuinte pela Receita Conhecida, no caso a Receita Bruta. O valor total do crédito tributário apurado (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) totalizou R$ 80.945.727,37. Ato contínuo, a fiscalização reputou que a conduta reiterada e sistemática, praticada pelo contribuinte, de não apresentar a documentação que respaldaria a contabilidade nos anos 2006, 2007 e 2008, teve por objetivo ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal do Fisco. Vislumbrouse, desta forma, uma conduta delituosa e continuada da empresa tendente a ludibriar a Fazenda Pública, na medida em que não presta informações/documentações fundamentais para elucidação dos fatos contábeis, embasamento suficiente para aplicação da multa. Ainda se somou o fato do uso reiterado e continuado de "laranjas" nesse grupo de empresas, justificando a Representação para Fins Penais e a qualificação da multa. As empresas interpostas surgiram no período entre 1999 e 2000 e somente a Polo do Eletro surgiu em 2004. Todas empresas, sem exceção, sugiram através de interpostas pessoas. A fiscalização, então, analisou e entendeu que o uso de "laranja", constituiu crime de sonegação fiscal, majorando a multa em 50%, haja vista que a contribuinte não atendeu ao termo legalmente feito por autoridade do Fisco Federal. Impugnação A impugnante, ora recorrente, entende que os anos de 2006, 2007 e os dois primeiros trimestres de 2008, quando do lançamento fiscal (09.07.2013) já haviam sido alcançados pela decadência. Entende também que, existisse qualquer medida preparatória (art. 173, parágrafo único, do CTN) em curso, perdera ela qualquer validade porque descontinuada diversas vezes do prazo de sessenta dias na ausência de outro ato escrito que indicasse prosseguimento dos trabalhos, na forma do art. 33, § 3° do Decreto Federal n° 7.574/11. Aduz o contribuinte o reconhecimento de que o fulcro da questão é a suposta recusa da entrega de livros e documentos, e que as ofensas de caráter pessoal, voluntárias ou não, direcionadas contra o empresário e sua família não terão qualquer influência no deslinde da questão estritamente tributária. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10315.720696/201327 Acórdão n.º 1201001.516 S1C2T1 Fl. 4 5 Pedese, então, também em preliminar, pela desclassificação do primeiro agravante da penalidade, uma vez comprovado que a interposição de familiares não trouxe qualquer prejuízo à arrecadação de tributos e, em segundo ponto, o sócio controlador e sua esposa assumiram a integralidade das quotas de todas as empresas, antes de qualquer procedimento fiscal, estando assim alcançados pelo artigo 138 do CTN. Adiante pleiteia o impugnante, ora recorrente, que o agravamento do agravamento seja desclassificado porque não existe a configuração penal tributária de punir sobre punir pelo mesmo fato. Ainda pede o reconhecimento do fato inconteste de que a impugnante não descumpriu suas obrigações acessórias, dispostas em lei — livros e formulários fiscais, todos em poder do Fisco e devidamente devolvidos quando do encerramento da fiscalização. Pedese, finalmente, em razões de mérito, que declarese a insubsistência do lançamento impugnado, em sua totalidade — IRPJ, CSL, PIS e COFINS —, porquanto, na data da constituição do crédito fiscal, a impugnante não devia qualquer formulário, documento ou planilha aos agentes do Fisco, posto que os pedidos anteriores encontravamse preclusos por decorrência do prazo legal. Em suma, ante as razões expostas, requereu a impugnante a improcedência do auto de infração. Da decisão de 1° instância Através do Acórdão nº 03055.084, a 2ª Turma da DRJ/BSB deu parcial provimento à Impugnação apresentada, tendo sido reconhecida a decadência dos 3 primeiros trimestres de 2006 para fins de IRPJ e CSLL, do 1°trimestre de 2008 para o IRPJ e dos períodos até novembro de 2006 para o PIS e COFINS, , bem como, afastada a aplicação da multa qualificada e da multa agravada, conforme abaixo detalhado. Arbitramento A impugnante afirma que não recusara a apresentação dos documentos, contudo, firmouse o entendimento, na 2°Turma da DRJ/BSB que o motivo do arbitramento foi a falta da entrega dos comprovantes/documentos que respaldassem os lançamentos contidos na escrituração. Esclareceuse que a fiscalização, em análise da escrituração do contribuinte, encontrou falhas, como por exemplo, a não escrituração da conta bancos, bem como, as vendas não passavam pelas contas de receita, e, ainda, que para poder fazer a real verificação da veracidade dos registros, necessária seria a apresentação da documentação que poderia embasá la. Dessa forma, entendeuse que o contribuinte, ao não fornecer a documentação, deu azo a desconsideração da escrita e, por conseguinte, ao arbitramento, que foi assim realizado corretamente. Fl. 901DF CARF MF 6 Multa Quanto a aplicação da multa, primouse pela adoção do critério da especificidade, no caso, a legislação do arbitramento, prevendo expressamente no art. 530, inciso III, que a falta e apresentação de documentos enseja o arbitramento. Portanto, essa é consequência legal da não apresentação dos documentos. Dessa forma, reputou a DRJ que o agravamento de 50% da multa não pode ser mantido. A fiscalização ainda onerou o contribuinte com a qualificação da multa, reputando que o Sr Maésio Cândido Viera constituiu outras empresas, se utilizando de interpostas pessoas. Entendeuse, no entanto, que esta conduta, por si só, não autorizou a qualificação da multa. Na realidade, faltou nos autos a prova de que a formação destas outras empresas de alguma maneira corroborou com algum ilícito. Firmouse que em nenhum momento a fiscalização faz prova disso “Tivesse a fiscalização recalculado o Lucro Real, e assim, descoberto alguma conduta, das empresas apontadas como interpostas que implicasse em algum ilícito, mas não fez. A fiscalização optou pelo arbitramento. Em assim fazendo, não fez a interligação das empresas colacionadas, não mostrando o ilícito.” Destarte, entendeuse que não há que se falar que a não entrega de documentos “reiteradamente” fosse motivo de qualificação da multa, pois, este é o motivo do arbitramento. Por tudo isso, firmouse a redução da multa ao patamar de 75%. Decadência A data da ciência do auto de infração fora 09 de julho de 2013, de acordo com AR de fl. 754. Entendeu a DRJ/BSB que para o IRPJ e CSLL, estão decaídos os 1º, 2º e 3º trimestres de 2006. Quanto ao quarto trimestre de 2006, decidiuse pela não consumação da decadência, pois, o lançamento poderia ter sido realizado a partir de 1º janeiro de 2007, e pela regra do art. 173, I, a decadência só começa a contar do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser realizado, ou seja, 1º de janeiro de 2008, dessa forma, o lançamento poderia se dar até 31 de dezembro de 2013. Ainda, para o IRPJ, quanto ao fato gerador de 31/03/2008 como perceberase o pagamento, se desloca para a aplicação do art. 150, § 4° do CTN, e assim só poderia ser lançado até 31 de março de 2013. Portanto entendeuse estarem decaídos os fatos geradores do 1º trimestre de 2008. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10315.720696/201327 Acórdão n.º 1201001.516 S1C2T1 Fl. 5 7 Para o PIS e a COFINS, cujos lançamentos são mensais, firmouse entendimento pela decadência dos lançamentos realizados até 30 de novembro de 2006, pois, para fatos geradores de dezembro, o lançamento poderia se dar em 1º de janeiro de 2007, e da mesma forma, a decadência só começa a contar em 1º de Janeiro de 2008, podendo lançar até 31 de dezembro de 2013. Para os que foram percebidos pagamentos, primeiramente de PIS e COFINS para os fatos geradores de junho, julho, agosto e setembro de 2007, entendeuse que estes estavam decaídos. Para o PIS, ainda decaído o fato gerador de dezembro de 2007, e de março de 2008. Em suma, as seguintes conclusões foram, então, atingidas: a) Reconhecimento da decadência do IRPJ e da CSLL, para fatos geradores até o 3º trimestre de 2006 (30 de setembro de 2006); b) Reconhecimento, também, da decadência do 1º trimestre de 2008 para IRPJ. c) Reconhecimento da decadência para o PIS e a COFINS, para os fatos geradores até 30 de novembro de 2006; d) Reconhecimento, também, da decadência para PIS para os fatos geradores de julho a setembro de 2007, dezembro de 2007, e março de 2008. e) Quanto a Cofins reconhecimento da decadência dos fatos geradores de julho a setembro de 2007. Recurso Voluntário Descontinuidade O ora recorrente alega inicialmente que não fora enfrentada a questão suscitada em sede de impugnação referente a descontinuidade da ação fiscal. Argui que restou demonstrada a inexistência de validade e eficácia da ação fiscal, na qual foi devolvida a espontaneidade ao contribuinte, ponto primordial que não restou analisado no v. acórdão recorrido e que se encontra consubstanciado na legislação colacionada na defesa (Art. 333, §3º do Decreto federal nº 7574/2011 e art. 138 do CTN). O recorrente ainda alega que o não enfrentamento da questão prejudica a constatação da patente decadência dos exercícios de 2006, 2007 e 2008. Decadência Fl. 903DF CARF MF 8 O recorrente alega que os períodos de 2006 (4º trimestre – IRPJ e CSLL; Dezembro – PIS e COFINS), 2007 (4º Trimestre – IRPJ e CSLL; Junho, Julho, Agosto e Setembro – PIS e COFINS) e 2008 (1º e 2º Trimestres – IRPJ e CSLL; Junho – PIS e COFINS) cobrados pelo Fisco não merecem prosperar, tendo em vista que a Recorrente somente tomou ciência do Auto de Infração em 09 de Julho de 2013. Segundo a Recorrente restou demonstrado que os períodos acima foram atingidos pelo instituto da decadência. Arbitramento O recorrente ainda repisa de forma literal todos os fatos referentes a suposta inexistência de motivos a justificar a prática do arbitramento. Alega que os documentos trazidos aos autos são aptos a comprovar que a autoridade do lançamento ao longo de dois anos e meio de trabalho diuturno de toda a equipe de auditores não encontrou qualquer omissão de receitas, mínimas que fossem, preferindo o arbitramento a pretexto de que a impugnante recusara livros e documentos fiscais que ela mesma, autoridade do lançamento, devolveu mediante termo. Pleiteia, ao final do recurso, mais uma vez a declaração da insubsistência do lançamento impugnado em sua totalidade, porquanto, na data da constituição do crédito fiscal, o ora recorrente, não devia qualquer formulário, documento ou planilha aos agentes do Fisco, posto que os pedidos anteriores se encontravam preclusos por decorrência do prazo legal. Em suma, ante as razões expostas, pede a improcedência do auto de infração. Ônus da Prova Alega, por fim, o recorrente, que o ônus da prova cabe à autoridade administrativa, mesmo que a base de cálculo do montante devido seja determinado por arbitramento, sob pena de se instalar o arbítrio em matéria tributária, assegurando, sempre, ampla prerrogativa e direito de defesa ao contribuinte, para que este não seja gravado além do expressamente previsto na legislação. Recurso de Ofício Tendo em vista o cancelamento parcial do débito, foi apresentado Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10315.720696/201327 Acórdão n.º 1201001.516 S1C2T1 Fl. 6 9 Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Decadência A análise deste ponto norteia a construção lógica de que a consumação do instituto da decadência depende diretamente do termo a quo adotado, variando de acordo com a situação fática que se concretiza. O fator que opera esta variação, no caso em tela, é o pagamento antecipado do tributo. Outros fatores, ocasionalmente, podem ser levados em conta, como a constatação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, mas, conforme se verá em análise posterior do mérito, o presente sub examine não exige a aplicação de quaisquer destes. Neste albor, uma vez constatado o pagamento antecipado do tributo, necessária a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, definindo, desta forma, o momento da ocorrência do fato gerador como o termo a quo para contagem do prazo decadencial. Em contrapartida, não havendo indícios de pagamento antecipado do tributo, irretorquível a aplicação do art. 173, I do CTN, considerando o início do prazo decadencial no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Estáse aqui a discutir a cobrança dos exercícios de 2006, 2007 e 2008. A data da ciência do auto de infração fora 09 de julho de 2013, de acordo com AR de fl. 754. Neste exato momento concretizouse o lançamento, formalizado o crédito tributário e devidamente informado o contribuinte. Partindo destes pressupostos, de pronto, já se torna inequívoco o reconhecimento da consumação do exercício de 2006 em sua totalidade. A antecipação do pagamento não é, nesta análise, um fator ativo de variação, de modo que a consideração do lapso temporal entre a ocorrência do fato gerador e o definitivo termo a quo da contagem do prazo decadencial, em integral abrangência de manifestação, e a conseqüente percepção do mais longínquo termo ad quem, inibem sua efetividade e aplicação concreta. De modo prático, aplicando o art. 173, I do CTN ao último período de apuração do anocalendário de 2006, ou seja, estabelecendo a situação que alcançaria faticamente o limite máximo possível do início da contagem do prazo decadencial, teríamos a data de 1º de janeiro de 2008 e desta forma, apenas a data de 1º de janeiro de 2013 como termo ad quem mais longínquo temporalmente. Como o lançamento se deu em 09 de julho de 2013, todos os períodos de apuração do exercício de 2006, de todos os tributos em tela, foram atingidos pela decadência. Quanto ao exercício de 2007, necessário que se faça uma segregação inicial dos i) períodos de apuração que têm seus fatos geradores perfectibilizados no próprio exercício de 2007 e ii) aqueles que se concretizam apenas em 2008. Fl. 905DF CARF MF 10 No que se refere ao IRPJ e CSLL (i), cuja apuração se dá trimestralmente, devemos considerar os três primeiros trimestre de 2007 e em relação ao PIS e COFINS (i), cuja apuração se dá mensalmente, devemos considerar os meses de janeiro a novembro. À estes períodos, cujos lançamentos poderiam ter sido efetuados no próprio exercício de 2007, o mesmo raciocínio aplicado para o exercício de 2006 aqui se aproveita: coadunando o limite jurídico com o limite fático possíveis, atingese o termo a quo residindo na mesma data de 1º de Janeiro de 2008 e o termo ad quem em 1º de Janeiro de 2013. Alcançados, portanto, pela decadência. Já em relação ao 4º Trimestre de 2007, relativamente ao IRPJ e CSLL (ii) e ao mês de dezembro de 2007, referente ao PIS e COFINS (ii), os lançamentos poderiam ter sido efetuados somente a partir de 2008, razão pela qual devese primar pela observância do fator de variação anteriormente descrito, qual seja, a antecipação do pagamento. O recorrente comprovou cabalmente o pagamento antecipado do quantum apurado no 4º Trimestre de 2007, tanto em relação ao IRPJ, em DARF de fl. 882, quanto à CSLL, em DARF de fl. 884. Desta feita, devese aplicar a regra encartada no art. 150, §4º do CTN, considerando a data de 1º de janeiro de 2008 como o termo inicial da contagem do prazo decadencial, data exata da concretização do fato gerador. Consumada, assim, a decadência. Sobre o PIS do período de dezembro de 2007 consumarase e atestarase a decadência em análise pretérita da 2ª Turma da DRJ/BSB, ante a égide da comprovação do pagamento em consulta aos sistemas da SRF, aplicandose também o art. 150, §4º do CTN. Já quanto à COFINS do período de dezembro de 2007, não há qualquer comprovação e tampouco alegação nos autos que indique o pagamento, razão pela qual deve ser aplicado o art. 173, I do CTN. Assim, como o lançamento poderia ter sido efetuado em 2008, o 1º dia do exercício seguinte corresponde ao primeiro dia do ano de 2009 e este será o termo a quo, e o termo ad quem será, por consequência lógica, a data de 1º de janeiro de 2014. Não está decaído este período, portanto. No que diz respeito ao exercício de 2008, mais uma segregação fática deve ser predefinida antes que se defina a consumação (ou não) do instituto da decadência. Dividindo o referido exercício em dois semestres, fácil a percepção de que o segundo semestre, sob a ótica inversa da construída até então, ou seja, respeitando um lapso temporal mínimo entre a ocorrência do fato gerador e a contagem do início do prazo decadencial, não seria atingido pelo instituto da decadência de forma alguma. Deste modo, mesmo considerando o pagamento e aplicandose o art. 150, § 4° do CTN, ou seja, imprimindo concomitância entre o fato gerador e o termo a quo do prazo decadencial, (desconsiderando qualquer disposição legal que atribua um lapso temporal entre estes últimos), a decadência não seria consumada. Veja, quanto ao segundo semestre de 2008, o mais tenro termo a quo se concretizaria em 31 de julho de 2008 (sem levar em conta qualquer fator de variação) e o termo ad quem em 31 de julho de 2013, ou seja, alguns dias depois da data de ciência do auto de infração. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10315.720696/201327 Acórdão n.º 1201001.516 S1C2T1 Fl. 7 11 Portanto, independente de comprovado o pagamento, não há que se falar em decadência quanto ao IRPJ e CSLL dos dois últimos trimestres de 2008, e o PIS e a COFINS dos meses de julho a dezembro de 2008. No entanto, quanto ao primeiro semestre de 2008, essencial que se aplique novamente o fator de variação. O recorrente comprova cabalmente em fls.878 e 879 o pagamento de IRPJ do 1º Trimestre de 2008, em fls. 880 e 881 o pagamento de IRPJ do 2º trimestre de 2008, em fls. 883 o pagamento de CSLL do 1º Trimestre de 2008 e em fls. 885 o pagamento de CSLL do 2º Trimestre de 2008. Nestes casos, então, deve ser aplicada a regra do art. 150, §4º do CTN, o que consuma a decadência, visto que o Fisco teria até 31 de março de 2013 e 30 de junho de 2013, respectivamente em relação ao 1º e 2º Trimestres de 2008, para concretizar o lançamento, o qual se deu em 9 de julho de 2013. O PIS referente aos períodos de março e junho de 2008 fora reputado e discriminado no Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSB como pago, em consulta ao sistema da SRF. No entanto, houvese por bem reconhecer a decadência apenas de março de 2008. Ora, se aos dois períodos fora firmado o pagamento, a mesma sistemática deve ser adotada para a contagem do prazo decadencial, de modo que a ambos deve ser aplicada a regra do art. 150, §4º do CTN. Resta patente que o termo ad quem do prazo decadencial concretizariase em 30 de junho de 2013, consumandose, então, a decadência também do PIS referente ao período de junho de 2008. Finalmente, quanto aos casos em que não se apresentaram qualquer alegação ou comprovação de pagamento, quais sejam, o PIS referente aos meses de janeiro, fevereiro, abril e maio, e todos os meses do primeiro semestre de 2008 relativos a COFINS, não há que se falar em decadência, pois o prazo começou a fluir apenas em 1º de janeiro de 2009, sob a aplicação do art. 173, I do CTN, se esvaindo em 1º de janeiro de 2014. Concluise, para melhor visualização do que se decide, entendo por afastar a preliminar de decadência nos seguintes casos: 1. O valor de COFINS de dezembro de 2007 2. Os valores apurados nos dois últimos trimestres de 2008, de julho a dezembro, quanto ao IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. 3. Os valores de PIS referentes aos meses de janeiro, fevereiro, maio e abril, todos de 2008. 4. Os valores da COFINS referentes aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho de 2008. Fl. 907DF CARF MF 12 Descontinuidade Alega o Recorrente que não fora enfrentada a questão suscitada em sede de impugnação referente a descontinuidade da ação fiscal, não obstante ter sido demonstrada a inexistência de validade e eficácia da ação fiscal, na qual foi devolvida a espontaneidade ao contribuinte. Entendo que ao julgador, seja do CARF ou da DRJ, não é mandatório que analise e se manifeste expressamente sobre cada um dos argumentos trazidos pela parte se o conjunto de fatos e direitos analisados são suficientes para a formação de sua opinião. Desta forma, ainda que não tenha ocorrido a análise da Turma Julgadora da DRJ acerca do presente tema descontinuidade da ação fiscal trazido pelo Recorrente, não enxergo qualquer prejudicialidade para que este Conselheiro proceda à devida análise em sede de Recurso Voluntário, o que passo a fazer. No CARF existem dois posicionamentos atuais que divergem quanto a reaquisição da espontaneidade do contribuinte quando há inércia da Administração Tributária por um período de sessenta dias (Decreto 70.235/72, art. 7º, § 2º, mantida pelo Decreto Federal nº 7574/11, art. 33, §3º). Ambos, no entanto, convergem para a impossibilidade de reconhecimento da nulidade do lançamento ou do procedimento fiscal decorrente deste fato. Neste sentido, cumpre colacionar, inicialmente, jurisprudência do CARF que preza pela impossibilidade de reaquisição da espontaneidade e também pela impossibilidade de decretação da nulidade do lançamento, em caso análogo, diante do vencimento do Mandado de Procedimento Fiscal: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. (Acórdão nº 110100.812 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 03/10/2012 e Acórdão nº 2801001.728 – 1ª Turma Especial – Sessão de 28 de Julho de 2011) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Porém, nos autos nem mesmo foi constatado referido defeito Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10315.720696/201327 Acórdão n.º 1201001.516 S1C2T1 Fl. 8 13 (Acórdão nº 1401001.235 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 31 de Julho de 2014) O entendimento quanto a nulidade se mantém intacto, alterando somente o posicionamento quanto a reaquisição de espontaneidade, no recente julgado do CARF a seguir apontado: LAPSO TEMPORAL ENTRE TERMOS SUPERIOR A SESSENTA DIAS. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO.INOCORRÊNCIA. Ocorrendo eventualmente um lapso temporal superior a sessenta dias entre a lavratura de dois termos escritos durante a fiscalização, o máximo que se poderia admitir, por hipótese, seria que o contribuinte houvesse recuperado momentaneamente a espontaneidade. Não se trata, em absoluto, de caso de nulidade do procedimento fiscal. (Acórdão nº 1301001.974 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 05 de Abril de 2016) Importante ressaltar a observância estrita do art. 33, § 3º, do Decreto Federal nº 7574/11, o qual estabelece o prazo de sessenta dias, expresso ao dizer que esse prazo é "para os efeitos do disposto no § 1º", ou seja, para fins de exclusão da espontaneidade do sujeito passivo. Não se trata, em absoluto, de caso de nulidade do lançamento ou do procedimento fiscal, sob a alegação de que este teria perdido validade e eficácia. Quanto à questão da espontaneidade, apesar da contraditória instabilidade jurisprudencial, há entendimento sumulado no CARF, que segue a interpretação estrita e literal do supracitado dispositivo legal: Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Superando a divergência com o respaldo de entendimento sumulado e solidificado e, no esforço de unificar um posicionamento uníssono neste Conselho, poderseia admitir que a interessada de fato recuperou a espontaneidade, com o que se teria que aceitar como espontâneo algum hipotético pagamento ou retificação de declaração, por exemplo. Mas não há qualquer alegação ou comprovação nesse sentido. Não se sabe ao certo o que o recorrente intenta com o reconhecimento da reaquisição da espontaneidade, mas o certo é que em nada modificará ou inovará a decisão quanto aos períodos sobre os quais não fora reconhecida a consumação da decadência. Fl. 909DF CARF MF 14 Veja, todas as alegações e conseqüentes comprovantes de pagamento foram considerados por este julgador para decidir pela decadência ou não dos períodos em cobro. Nos períodos em que a Administração Tributária se manteve inerte o recorrente não realizou qualquer pagamento ou retificação de declaração, de modo que, mesmo reconhecendose a reaquisição de espontaneidade, nenhum efeito esta teria propagado. Além disso, repisase que não foram juntados aos autos quaisquer comprovantes de pagamentos em períodos diferentes dos que já foram reconhecidos a decadência ou pelo menos considerados para a contagem do prazo decadencial. A descontinuidade da ação fiscal, portanto, em nada prejudica a análise da decadência firmada em parte imediatamente anterior deste voto. Arbitramento O arbitramento é inconteste neste caso, uma vez que o recorrente não apresentou documentação que suportasse os lançamentos realizados em sua escrituração contábil. As passagens a seguir descritas do TVF evidenciam a necessidade do arbitramento: “(...) Os primeiros lançamentos demonstram, claramente, que as vendas não passavam pelas contas de resultado, reduzindo o montante da receita declarada. A escrituração contábil do contribuinte sem os elementos solicitados nos anexos dos Termos é imprestável para uma análise consistente da contabilidade, daí o motivo de termos solicitado, por meio de Termos e anexos, a documentação desses lançamentos. As contas, sem os documentos comprobatórios, podem estar escondendo diversos tipos de ilícitos fiscais (receita contabilizada a menor, recebimento ou fatura não contabilizada, entre outros.), o Auditor fica impossibilitado de efetuar qualquer análise se não forem fornecidos os elementos que geraram os lançamentos. (...) Examinado os livros e demonstrativos do contribuinte a fiscalização se deparou com situações incomuns para contabilidade: I O contribuinte não registra no balancete patrimonial das empresas a conta Bancos conta movimento. No entanto dispunha da conta Fornecedores e Duplicatas a Receber o que leva a conclusão de que as transações eram realizadas em dinheiro. Toda venda da empresa CENTRO VAREJISTA E ATACADISTA CEARENSE LTDA foi realizada em dinheiro. No histórico não há especificação clara das transferências, sendo assim sem a documentação de respaldo não há como concluir a veracidade dos fatos. Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10315.720696/201327 Acórdão n.º 1201001.516 S1C2T1 Fl. 9 15 Conforme relatado, a fiscalização em análise das escriturações da contribuinte encontrou falhas, como por exemplo, a não escrituração da conta bancos, e as vendas não passavam pelas contas de receita, assim, para poder fazer a real verificação da veracidade dos registros solicitou a contribuinte a documentação que poderia embasála. (...)” Veja, da análise dos autos, há de fato uma situação muito incomum para a contabilidade: a ausência da “Conta Bancos” ou “Conta Movimento”. Em contrapartida, fora concluído que toda a venda da empresa era realizada em dinheiro, passando pela “Conta Caixa”. Porém, quanto a esta última, não há qualquer histórico das transferências, o que impede fatalmente a análise da veracidade da escrituração contábil do contribuinte, principalmente no que concerne a identificação das receitas e/ou a confrontação destas informações com as Contas de Resultado. A fiscalização em inúmeras oportunidades intimou o recorrente para a apresentação da documentação que embasasse e fundamentasse esta movimentação diferenciada e pouco corriqueira, se considerado o cotidiano contábil das empresas no geral. No entanto, o recorrente não se manifestou e deixou de apresentar documentação essencial, capaz de conferir legitimidade e verdade absoluta à sua escrita. Desta feita, o arbitramento parece uma consequência lógica e natural. O art. 530 do RIR/99 mostrase inequívoco como sustentação legal para tal concretude: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art.1º) (...) III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;(grifado) O contribuinte de fato apresentou os livros, mas, constatada a insuficiência e confusão de suas informações e, conseqüentemente, sua total ausência de autonomia para um auferimento verídico absoluto da contabilidade da empresa, se omitiu na apresentação dos documentos da escrituração comercial e fiscal. Fl. 911DF CARF MF 16 Neste contexto, não há como supor que o ônus da prova seria da fiscalização. Quanto a este ponto específico, devem ser levados em conta alguns pressupostos, primeiramente. As presunções de veracidade são institutos oscilantes e voláteis, justamente para funcionarem como um instrumento que impulsiona, a todo o custo, o aprimoramento da verdade e, posteriormente, o atingimento de uma verdade absoluta. Em um primeiro momento, o contribuinte, ao apresentar suas declarações fiscais e os livros que a embasam, eiva as informações ali dispostas de uma presunção relativa de veracidade, sob o amparo de uma presunção de boafé. Cabe à Fiscalização, desta forma, ilidir a primeira presunção, juris tantum, mantendo irretocável a segunda, no entanto. Detectando inconsistências e apontando a ausência de documentação hábil e idônea que suporte as informações prestadas pelo contribuinte, a fiscalização então encontra situação fáticojurídica que o permite inverter o ônus fiscal, de modo que esta passa a deter a presunção relativa de veracidade, agora recaindo sobre as irregularidades constatadas. Neste momento cabe ao contribuinte ilidila, trazendo documentação apta a confrontar as constatações atingidas. Importante ressaltar que a Fiscalização, neste momento, carreia inúmeras oportunidades ao contribuinte para que este desnature tal presunção, intimandoo para a apresentação de documentos comprobatórios. Em referência ao caso em tela, o ora recorrente se manteve omisso quanto a apresentação da documentação que suportasse sua escrituração contábil. Veja, a fiscalização analisa a documentação inicialmente apresentada e instiga o contribuinte a cooperar com o atingimento de uma verdade absoluta. Está, no entanto, fora de seu alcance, inatingível, a busca e apreensão coercitiva da documentação que está na posse do contribuinte. A apresentação desta e/ou o esclarecimento de sua ausência depende exclusivamente da iniciativa e vontade, voluntária e autônoma, do ora recorrente. A falta de apresentação de documentos hábeis e idôneos, por si, autoriza a fiscalização, então, a materializar esta presunção relativa através do arbitramento. A norma do art. 148 do CTN tem o escopo de aproximar os valores arbitrados o máximo possível da verdadeira base de cálculo do tributo. Ainda assim, referido dispositivo legal, contudo, não encerra a possibilidade de prova em contrário no momento de formação do lançamento: o legislador estendeu a garantia do contraditório também à ocasião posterior ao arbitramento. Firmase uma presunção relativa quanto à tributação com base no arbitramento, porquanto o contribuinte sempre poderá fazer prova em contrário. Concluise que a fiscalização detém uma presunção relativa de veracidade, a qual a qualquer momento pode ser ilidida pelo contribuinte, imputandolhe, assim, o ônus fiscal. Diante do exposto, me parece que fora acertada a aplicação do arbitramento pela fiscalização. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10315.720696/201327 Acórdão n.º 1201001.516 S1C2T1 Fl. 10 17 Multas No que se refere à multa agravada, em consonância com o posicionamento da decisão firmada em 1ª Instância, entendo que o arbitramento supriu a ausência das informações e documentações requeridas, não se justificando a penalização. Aliás, esse é o entendimento consolidado nesta Corte nos termos da Súmula do CARF nº 96 de enunciado: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Apesar do art. 538 do RIR/99 dispor de forma diversa, a jurisprudência que se constrói na seara administrativa aponta para a incompatibilidade de concomitância entre o arbitramento e a aplicação da multa agravada, sob o mesmo pretexto fático. No caso em tela, a multa fora agravada pelo fato do contribuinte não apresentar os documentos que lastrearam sua escrituração contábil. A grande questão é que a não apresentação destes documentos foi justamente o motivo para o arbitramento. A lei define estritamente que o fato determinante para a aplicação da multa agravada é o não atendimento, no prazo assinalado, à intimação para prestar esclarecimentos (art. 44, § 2º, inciso I, da Lei nº 9430/96). O não atendimento à intimação para apresentação de livros e documentos constitui hipótese legal de arbitramento dos lucros, não ensejando o agravamento da penalidade. Quanto a multa qualificada, deve ser mantida sua desoneração, uma vez que não há provas robustas nos autos que sustentem sua motivação, seja por condutas reiteradas ou condutas pontuais. A conclusão pela qualificação da multa fora atingida considerando principalmente o fato de que o Sr. Maesio Candido Vieira se alternava com parentes na participação, ora majoritária, ora minoritária, em diversas empresas. O histórico dos contratos sociais e aditivos modificativos do quadro social de cada empresa apresentado não fora suficiente e apto a comprovar a utilização de interpostas pessoas “laranjas”. Neste ponto, faço minhas as considerações tecidas no v. acórdão recorrido: “(...) Na realidade, faltou nos autos a prova de que a formação destas outras empresas de alguma maneira corroborou com algum ilícito. Em nenhum momento a fiscalização faz prova disso. Nem levemente aponta isso. (...)” Fl. 913DF CARF MF 18 A consequente concretização de sonegação fiscal dependeria de uma conduta tendente a impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais de contribuinte, nos termos do art. 71 da Lei nº 4502/64. Não se vislumbram nos autos quaisquer indícios de que a organização societária do contribuinte vise finalisticamente o não pagamento de tributos, usando como meio a sonegação fiscal. A multa qualificada esmiúça uma sanção penal, que exige a clarificação e evidenciação inequívoca de uma conduta dolosa do contribuinte. A dúvida que se instaura nos autos quanto à caracterização do dolo, pela inexistência de um conjunto probatório robusto produzido pela fiscalização neste sentido, é suficiente para desnaturar tal penalização ao ora recorrente. Diante do exposto, deve ser mantida apenas a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%. Do Recurso de Ofício Diante do já exposto nos tópicos relacionados à decadência e à aplicação da multa, entendo não merecer qualquer reparo a decisão de 1°instância, quanto ao reconhecimento da decadência de parte dos períodos discutidos e à redução do percentual de multa de ofício. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a decadência relativa a cobrança dos seguintes períodos: IRPJ e CSLL do 4º Trimestre de 2006; PIS e COFINS de dezembro de 2006; IRPJ e CSLL de todo o exercício de 2007; PIS de janeiro a junho e de outubro a novembro de 2007; COFINS de janeiro a junho e de outubro a novembro de 2007; CSLL do 1º Trimestre de 2008; IRPJ e CSLL do 2º Trimestre de 2008; e PIS de junho de 2008. Conheço também do RECURSO DE OFÍCIO, para NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a consumação da decadência dos períodos reconhecidos pela DRJ/BSB e reafirmando a impossibilidade de aplicação da multa agravada e da multa qualificada, primando apenas pela aplicação da multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10315.720696/201327 Acórdão n.º 1201001.516 S1C2T1 Fl. 11 19 Fl. 915DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726969/2009-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, nos termos do artigo 62-A do RICARF. Compareceu ao julgamento o patrono da
contribuinte, Dr. Marcio Pinho Teixeira OAB/BA 23911.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO SANTOS TOSTAS
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, nos termos do artigo 62A do RICARF. Compareceu ao julgamento o patrono da contribuinte, Dr. Marcio Pinho Teixeira OABBA 23911. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1523.567, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 123), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mas manteve parcialmente o crédito tributário, para excluir do anobase de 2004 o valor de R$14.632,79, lançado em duplicidade. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.726969/200921 Resolução n.º 2101000.054 S2C1T1 Fl. 226 2 Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 124.677,20, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; Fl. 226DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.726969/200921 Resolução n.º 2101000.054 S2C1T1 Fl. 227 3 f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. ; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.726969/200921 Resolução n.º 2101000.054 S2C1T1 Fl. 228 4 p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 134/222, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Antes de adentrar às questões suscitadas na peça recursal, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento, tendo em vista o disposto no artigo 62A do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 258, de 2010: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.726969/200921 Resolução n.º 2101000.054 S2C1T1 Fl. 229 5 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Conforme descrição dos fatos no auto de infração, o lançamento tributário decorre da classificação indevida de rendimentos recebidos acumuladamente. Sobre a matéria, há orientação fazendária firmada no Parecer PGFN n.º 287/2009, posteriormente ratificado também pelo Ato Declaratório n.º 1/2009, editado à época da consolidação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema. Referida orientação, firmada no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”, por derrogar, em última instância, o texto legal do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, essa forma de tributação foi levada à apreciação, em caráter difuso, do egrégio Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011) Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.726969/200921 Resolução n.º 2101000.054 S2C1T1 Fl. 230 6 Com fulcro no reconhecimento da repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal, verificase que o Parecer PGFN nº 287/09 teve a sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN nº 2.331/10, enquanto perdurar a discussão judicial a respeito da matéria. Por essas razões, em virtude da contradição entre os termos do art. 12 da Lei n.º 7.713/88 e o teor do Parecer n.º 287/09, e, especialmente, em razão do caráter vinculado do lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, entendo por bem suspender o julgamento do presente recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406/RS. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 13855.722298/2013-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
OMISSÃO DE RECEITA DE VENDAS DE GADO. COMPROVAÇÃO.
Foi provada a omissão de receitas pela escrituração da adquirente, das notas fiscais das vendas e dos cheques emitidos para os respectivos pagamentos.
OMISSÃO DE RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE GADO.
Foi provada a omissão de receitas pelo confronto das escriturações da adquirente e da transportadora.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEDUÇÃO DE DÉBITOS NÃO AUTORIZADA.
A presunção legal de omissão de receitas baseada em depósitos bancários, prevista no RIR/99, não autoriza deduzir os débitos, pois não visa presumir resultado, mas, sim, omissão de receita.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
SONEGAÇÃO FISCAL (EM TESE) PRATICADA EM CONJUNTO. PESSOAS INTERPOSTAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SUBSIDIÁRIA. POSSIBILIDADE.
Utilizar notas fiscais inidôneas, operar como pessoa interposta, movimentar recursos pertencentes a outrem operando como caixa 2, não configuram exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, nem justificam cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito. Quando tais práticas recaem sobre pessoa interposta e a mesma não as enfrenta ou, sequer as nega, a responsabilidade tributária subsidiária deve ser mantida.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE VENDEDOR E COMPRADOR. IMPOSSIBILIDADE.
Há interesse econômico entre comprador e vendedor, porém não há interesse comum e jurídico que possa fundamentar a solidarização destes na relação jurídica tributária, pois ocupam posições antagônicas. Mais evidente resta esta constatação quando no caso concreto é comprovado que ambos não auferiram renda, ou ainda, obtiveram o mesmo lucro ou receitas conjuntamente.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO.
A utilização de contas bancárias de interpostas pessoas e de notas fiscais inidôneas, bem como a falsificação de assinaturas para endosso de cheques emitidos em nome de terceiros não configuram mera inadimplência, mas fraude, o que justifica a qualificação da multa.
MULTA AGRAVADA.
O embaraço à fiscalização causado pelo não atendimento às sucessivas intimações da fiscalização justifica o agravamento da multa.
JUROS SOBRE A MULTA PUNITIVA. CABIMENTO.
Tal fato não decorre da autuação, mas decorrerá do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2009, 2010
AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.
A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se às demais tributações, no que couber.
Numero da decisão: 1402-002.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e aos recursos voluntários, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Goncalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITA DE VENDAS DE GADO. COMPROVAÇÃO. Foi provada a omissão de receitas pela escrituração da adquirente, das notas fiscais das vendas e dos cheques emitidos para os respectivos pagamentos. OMISSÃO DE RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE GADO. Foi provada a omissão de receitas pelo confronto das escriturações da adquirente e da transportadora. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEDUÇÃO DE DÉBITOS NÃO AUTORIZADA. A presunção legal de omissão de receitas baseada em depósitos bancários, prevista no RIR/99, não autoriza deduzir os débitos, pois não visa presumir resultado, mas, sim, omissão de receita. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010 SONEGAÇÃO FISCAL (EM TESE) PRATICADA EM CONJUNTO. PESSOAS INTERPOSTAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SUBSIDIÁRIA. POSSIBILIDADE. Utilizar notas fiscais inidôneas, operar como pessoa interposta, movimentar recursos pertencentes a outrem operando como caixa 2, não configuram exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, nem justificam cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito. Quando tais práticas recaem sobre pessoa interposta e a mesma não as enfrenta ou, sequer as nega, a responsabilidade tributária subsidiária deve ser mantida. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE VENDEDOR E COMPRADOR. IMPOSSIBILIDADE. Há interesse econômico entre comprador e vendedor, porém não há interesse comum e jurídico que possa fundamentar a solidarização destes na relação jurídica tributária, pois ocupam posições antagônicas. Mais evidente resta esta constatação quando no caso concreto é comprovado que ambos não auferiram renda, ou ainda, obtiveram o mesmo lucro ou receitas conjuntamente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. A utilização de contas bancárias de interpostas pessoas e de notas fiscais inidôneas, bem como a falsificação de assinaturas para endosso de cheques emitidos em nome de terceiros não configuram mera inadimplência, mas fraude, o que justifica a qualificação da multa. MULTA AGRAVADA. O embaraço à fiscalização causado pelo não atendimento às sucessivas intimações da fiscalização justifica o agravamento da multa. JUROS SOBRE A MULTA PUNITIVA. CABIMENTO. Tal fato não decorre da autuação, mas decorrerá do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2009, 2010 AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se às demais tributações, no que couber.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e aos recursos voluntários, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto - Presidente. Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Goncalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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COMPROVAÇÃO. Foi provada a omissão de receitas pela escrituração da adquirente, das notas fiscais das vendas e dos cheques emitidos para os respectivos pagamentos. OMISSÃO DE RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE GADO. Foi provada a omissão de receitas pelo confronto das escriturações da adquirente e da transportadora. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEDUÇÃO DE DÉBITOS NÃO AUTORIZADA. A presunção legal de omissão de receitas baseada em depósitos bancários, prevista no RIR/99, não autoriza deduzir os débitos, pois não visa presumir resultado, mas, sim, omissão de receita. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 SONEGAÇÃO FISCAL (EM TESE) PRATICADA EM CONJUNTO. PESSOAS INTERPOSTAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SUBSIDIÁRIA. POSSIBILIDADE. Utilizar notas fiscais inidôneas, operar como pessoa interposta, movimentar recursos pertencentes a outrem operando como caixa 2, não configuram exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, nem justificam cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito. Quando tais práticas recaem sobre pessoa interposta e a mesma não as enfrenta ou, sequer as nega, a responsabilidade tributária subsidiária deve ser mantida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 22 98 /2 01 3- 26 Fl. 12582DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE VENDEDOR E COMPRADOR. IMPOSSIBILIDADE. Há interesse econômico entre comprador e vendedor, porém não há interesse comum e jurídico que possa fundamentar a solidarização destes na relação jurídica tributária, pois ocupam posições antagônicas. Mais evidente resta esta constatação quando no caso concreto é comprovado que ambos não auferiram renda, ou ainda, obtiveram o mesmo lucro ou receitas conjuntamente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. A utilização de contas bancárias de interpostas pessoas e de notas fiscais inidôneas, bem como a falsificação de assinaturas para endosso de cheques emitidos em nome de terceiros não configuram mera inadimplência, mas fraude, o que justifica a qualificação da multa. MULTA AGRAVADA. O embaraço à fiscalização causado pelo não atendimento às sucessivas intimações da fiscalização justifica o agravamento da multa. JUROS SOBRE A MULTA PUNITIVA. CABIMENTO. Tal fato não decorre da autuação, mas decorrerá do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009, 2010 AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A decisão referente às infrações do IRPJ aplicase às demais tributações, no que couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e aos recursos voluntários, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto Presidente. Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Goncalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 12583DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.582 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório da Delegacia de Julgamento de São Paulo. O interessado que optou pelo lucro presumido nos anoscalendário de 2009 e 2010 foi autuado, em 23/09/2013, no IRPJ e reflexos, em razão de infrações caracterizadas como omissão de receita nesses anoscalendário, tendo sido exigido um crédito tributário total de R$ 15.908.180,75, por conta de imposto, contribuições, multas de ofício proporcionais qualificadas e agravadas (225%) e outra apenas agravada (112,50%), além de juros de mora calculados até 09/2013. Foram lavrados Termos de Responsabilização Tributária subsidiária em nome de WHENDER MIJOLER POLO e WHILIE MIJOLER POLO, e solidária em nome de BARRA MANSA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA., que deles tiveram ciência em 23/09/2013 (fls. 1 a 7309). As infrações apuradas foram as seguintes, conforme o auto de infração de IRPJ (fls. 7226 a 7229): 1 OMISSÃO DE RECEITAS NA REVENDA DE GADO A OUTROS CLIENTES, com base no art. 2° da Lei n° 8.023/90, art. 3° da Lei n° 9.249/95, arts. 150, § 1°, inciso II, 518, 519 e 528, estes do RIR/99, e art. 4° da IN SRF n° 83/2001, com multa de 225%, em razão de auferição de receitas de venda de bovinos, não escrituradas e não tributadas, cujos valores foram apurados a partir dos créditos bancários que transitaram pelas contas do Sr. Jamilton Junqueira Polo (equiparado a pessoa jurídica, com o CNPJ de sua empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP), de interpostas pessoas e da empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP: Fato Gerador Valor Apurado (R$) 31/01/2009 1.173.762,53 28/02/2009 876.254,28 31/03/2009 1.104.335,92 30/04/2009 539.002,17 31/05/2009 1.000.647,98 30/06/2009 799.665,72 31/07/2009 682.214,09 31/08/2009 626.649,40 30/09/2009 413.495,66 31/10/2009 297.065,79 30/11/2009 248.138,50 31/12/2009 1.181.725,37 31/01/2010 686.454,06 28/02/2010 361.257,12 31/03/2010 707.682,16 30/04/2010 958.987,63 31/05/2010 427.844,05 30/06/2010 1.010.518,69 31/07/2010 667.284,73 31/08/2010 743.064,47 30/09/2010 748.213,65 31/10/2010 1.559.497,04 30/11/2010 902.789,45 31/12/2010 1.535.533,81 Fl. 12584DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 TOTAL 19.252.084,27 2 OMISSÃO DE RECEITAS NA REVENDA DE GADO AO FRIGORÍFICO BARRA MANSA, com base no art. 2° da Lei n° 8.023/90, art. 3° da Lei n° 9.249/95, arts. 150, § 1°, inciso II, 518, 519 e 528, estes do RIR/99, e art. 4° da IN SRF n° 83/2001, com multa de 225%, em razão de auferição de receitas caracterizada pela emissão de notas fiscais de produtor rural em nome do Sr. Jamilton Junqueira Polo (equiparado a pessoa jurídica, com o CNPJ de sua empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP), e de interpostas pessoas, não escrituradas e não tributadas, cujos valores foram apurados a partir da escrituração da empresa BARRA MANSA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA., dos cheques por ela emitidos para pagamento das compras de bovinos para abate, tendo a adquirente sido enquadrada como responsável solidária nos termos do inciso l, do art. 124, do CTN: Fato Gerador Valor Apurado (R$) 31/01/2009 1.265.260,05 28/02/2009 1.083.579,02 31/03/2009 1.498.401,18 30/04/2009 1.955.847,99 31/05/2009 1.667.421,47 30/06/2009 1.642.464,42 31/07/2009 2.238.421,54 31/08/2009 1.444.604,74 30/09/2009 1.574.341,81 31/10/2009 2.097.615,46 30/11/2009 2.306.151,19 31/12/2009 1.812.000,94 31/01/2010 1.914.179,75 28/02/2010 1.513.939,52 31/03/2010 2.214.119,67 30/04/2010 2.733.219,67 31/05/2010 1.824.936,90 30/06/2010 2.386.620,22 31/07/2010 2.433.122,24 31/08/2010 1.782.884,40 30/09/2010 2.618.480,41 31/10/2010 2.374.145,01 30/11/2010 1.564.558,78 31/12/2010 3.547.592,87 TOTAL 47.493.909,25 3 OMISSÃO DE RECEITAS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTES, com base nos arts. 3° da Lei n° 9.249/95, 518, 519 e 528, estes do RIR/99, com multa de 112,50%, em razão de não escrituração e não tributação de parte das notas fiscais de prestação de serviços de transportes para a empresa BARRA MANSA, cujos valores foram apurados confrontando a escrituração das 2 empresas: Fato Gerador Valor Apurado (R$) 31/01/2010 8.528,95 28/02/2010 36.522,00 31/03/2010 14.471,64 30/04/2010 19.637,25 31/05/2010 22.245,25 30/06/2010 21.658,00 31/07/2010 49.602,00 31/08/2010 38.505,00 30/09/2010 10.722,00 TOTAL 221.892,09 A fiscalização, no seu extenso (299 fls.) e minucioso Relatório Fiscal (RF), às fls. 6925 a 7223, aponta, inicialmente, o seguinte: Fl. 12585DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.583 5 "(...) Das ações fiscais consolidadas e informações preliminares No curso das ações fiscais levadas a efeito nos contribuintes WHENDER MIJOLER POLO MPFF n° 08.1.23.002 012004 002; WHILIE MIJOLER POLO MPFF n° 08.1.23.002012010134 e GERCINO MACIEL MPFF n° 08.1.23.002013001139, a fiscalização coletou documentos e informações comprovando que os referidos contribuintes são interpostas pessoas (laranja) e que os recursos financeiros transitados pelas contas correntes abertas em seus nomes originaramse da compra e venda de bovinos realizadas pelo SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO MPFF n° 08.1.23.00 2013001961, conforme será minuciosamente relatado no presente relatório. Destacase que os CNPJ de Produtor Rural, notas fiscais de produtor rural e inscrições estaduais emitidas em nome de WHENDER MIJOLER POLO, WHILIE MIJOLER POLO, GERCINO MACIEL e de CLÉSIO DE OLIVEIRA BARBOSA DOS SANTOS (sem ação fiscal) são decorrentes de simulação da exploração da atividade rural de imóveis rurais pertencentes ao SR. JAMILTON. Os dois primeiros contribuintes (WHENDER e WHILIE) são filhos de JAMILTON JUNQUEIRA POLO, o terceiro (GERCINO), trabalha na residência da família situada à Rua Francisco Maria Luiz, 142, Centro, Guará/SP e o quarto (CLÉSIO), foi empregado rural do SR. JAMILTON nos anos 2008 e 2009. Constatamos, ainda, que parte dos recursos financeiros que transitaram pelas contas correntes abertas em nome da firma individual JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP ... também são decorrentes da compra e venda de bovinos realizadas pela pessoa física. Da Metodologia O presente relatório está dividido em 5 partes, conforme abaixo descrito: PARTE I: Dos elementos coletados no curso da ação fiscal relativa ao contribuinte WHENDER MIJOLER POLO; PARTE II: Dos fatos levantados no curso da ação fiscal levada a efeito no contribuinte WHILIE MIJOLER POLO; PARTE III: Dos fatos e informações coletados no decorrer da ação fiscal relativa ao contribuinte GERCINO MACIEL; PARTE IV: Dos fatos e informações coletados no decorrer da ação fiscal levada a efeito no contribuinte JAMILTON JUNQUEIRA POLO; PARTE V: Dos elementos coletados no curso da ação fiscal levada a efeito na empresa individual JAMILTON JUNQUEIRA POLO EPP, bem como a consolidação das infrações, atos e/ou omissões praticados e das receitas decorrentes da compra e venda de bovinos não consideradas da atividade rural (inciso II, art.4°, IN SRF n° 83/2001) apuradas nas PARTES I a V. Fl. 12586DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Não obstante o auto de infração ter sido lavrado na empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, destacase que o termo "fiscalizado" é utilizado para se referir a cada um dos contribuintes fiscalizados, conforme relatado nas partes I a V. ()" A PARTE I, que trata do curso da ação fiscal referente a WHENDER MIJOLER PÓLO (WHENDER), aponta de mais relevante para o caso, em resumo, que (fls. 6928 a 7001): 1 as DIRPF's, mostram que a atividade principal é a exploração da atividade agropecuária e que exploraria 100% dos imóveis rurais denominados de Fazenda Rio Verde (71,00 ha) e Sítio dos Ipês (6,0 ha), ambos em Guará, SP; 2 os sistemas da RFB mostram a existência de três inscrições no CNPJ de Produtor Rural cadastrados em nome do contribuinte, a saber: a) Fazenda Rio Verde, em Guará, CNPJ 10.603.823/000165, desde 28/01/2009; b) Sítio dos Ipês, em Guará, CNPJ 10.603 823/000246, desde 20/07/2005; c) Sítio São Lucas, em Rifaina, SP, CNPJ 10.603 823/000327, desde 03/05/2010. 3 foram apresentados os talonários de produtor rural do "Sítio São Lucas", cuja exploração não consta das DIRPF's; 4 apesar de constar nas DIRPF's que o contribuinte teria explorado 100% da "Fazenda Rio Verde", nos anoscalendário de 2009 e 2010, pesquisas nos sistemas da RFB mostram que há outras duas inscrições no CNPJ de Produtor Rural para exploração deste imóvel, nos nomes de WHILIE MIJOLER POLO, CNPJ 10.308.323/000109, com a atividade de criação de bovinos para corte, desde 29/08/2008, e de GERCINO MACIEL, CNPJ 11.314.736/000150, com a atividade de criação de bovinos,exceto corte e leite, desde 12/11/2009; 5 além disso, conforme os sistemas da RFB, a "Fazenda Rio Verde" é utilizada: a) como sede de uma firma individual em nome WHIGOR MIJOLER POLO TRANSPORTES, outro filho do SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO, e também com fortes indícios de ser mais um dos operadores dos negócios fraudulentos; b) para cultivo de canadeaçúcar em nome de JAMILTON JUNQUEIRA POLO E JANETE JUNQUEIRA POLO DE MELO, desde 25/01/2012, sem que as demais inscrições tenham sido baixadas. 6 não foram apresentados os contratos de arrendamento e/ou parceria dos imóveis rurais explorados, bem como informações dos proprietários, mas consulta ao Cartório de Registro de Imóveis e Anexos de Guará mostrou que, nos anoscalendário 2009 e 2010, a "Fazenda Rio Verde" pertencia aos avós do fiscalizado; em 2011, após sucessivas aquisições e doações, 75% do imóvel passou a pertencer a JAMILTON JUNQUEIRA POLO, pai do fiscalizado; 7 apesar do expressivo volume de compra e venda de gado e expressiva movimentação financeira, o fiscalizado não possui nenhum bem e/ou direito informado em sua DIRPF e no demonstrativo de atividade rural; Fl. 12587DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.584 7 8 a quase totalidade das receitas escrituradas no livro caixa são decorrentes de vendas de "bovinos para abate" para a empresa BARRA MANSA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA CNPJ N° 03.151.790/000447, localizada no Sítio Nossa Senhora Aparecida, S/N Zona Rural Sertãozinho, em SP, fato comprovado também por diligência realizada junto a referida empresa; 9 as DIRPF's mostram que o fiscalizado teria adquirido 20.704 cabeças de gado e vendido 20.846 cabeças, nos anoscalendário 2009 e 2010; a análise dos talonarios do fiscalizado mostra que o gado vendido para abate teria supostamente originado de: a) Sitio São Lucas, em Rifaina, SP, com área de 39,6 ha., CNPJ n° 10.603.823/000327, cujas 17 notas fiscais de vendas (NF n° 01 a 17) lastrearam a venda de 1.983 cabeças de bois e/ou vacas para abate, entre 08/09/2010 e 23/12/2010, sem que o contribuinte, repitase, tenha informado a exploração deste imóvel nas DIRPF's e nem apresentado contrato de arrendamento e/ou escritura da propriedade; b) Sitio dos Ipês, em Guará, com área explorada de 6,0 ha, CNPJ n° 10.603.823/000246, cujas 28 notas fiscais de vendas (NF n° 01 a 28) lastrearam a venda de 2.851 cabeças de bovinos para abate, entre 07/10/2009 e 29/12/2009; e cujas 69 notas fiscais (NF n° 29 a 97) lastrearam a venda de 6.238 cabeças de bois/vacas para abate, entre 03/01/2010 e 28/07/2010, sem que o contribuinte apresentasse contrato de arrendamento e/ou escritura da propriedade; c) Fazenda Rio Verde, em Guará, com área de 71,00 ha, CNPJ n° 10.603.823/000165, cujas 99 notas fiscais (NF n° 01 a 99) lastrearam a venda de 8.112 cabeças de bois/vacas para abate, entre 25/02/2009 e 09/12/2009, sem que o contribuinte apresentasse contrato de arrendamento e/ou escritura da propriedade; d) nenhuma despesa de custeio da atividade rural (frete, combustíveis, funcionários, ração, produtos veterinários, etc.) foi apresentada e/ou contabilizada nos livros caixa; e) quase todo esse gado foi vendido ao Frigorífico Barra Mansa, em Sertãozinho, SP. 10 assim, é patente que os imóveis rurais supostamente explorados pelo fiscalizado são pequenas propriedades que não tinham condições de abrigar o volume de gado comercializado no intervalo de tempo indicado; 11 a fiscalização selecionou os créditos/depósitos iguais ou superiores a R$ 4.000,00 constantes nos extratos bancários, cuja origem o contribuinte não logrou comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos ("Anexo do Termo de Intimação Fiscal n° 02"), que somaram, em: a) 2009: R$ 6.363.878,53 (Bradesco); b) 2010: R$ 10.077.330,25 (Bradesco) e R$ 111.165,66 (Santander), no total de R$ 10.188.495,91; c) total geral: R$ 16.552.374, 44; 12 não há coincidência de datas e valores entre os lançamentos a débito (pagamentos) nos extratos bancários e os lançamentos registrados no livro caixa Fl. 12588DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 a titulo de despesas; o mesmo foi constatado ao cotejar os lançamentos a crédito (recebimentos) nos extratos bancários e as receitas escrituradas no livro caixa; 13 a análise das notas fiscais de aquisição de gado escrituradas nos livros caixa dos anoscalendário 2009 e 2010 mostrou fortes indícios de irregularidades (p. ex. omissão da DIRPF pelos emitentes da notas fiscais), de modo que foram realizadas diligências "presenciais" que apontaram que as notas fiscais emitidas pelos "produtores rurais" a seguir (nos totais de R$ 10.787.750,00, em 2009, representando 94,9% do total das despesas escrituradas no livro caixa e de R$ 5.481.930,00, em 2010, representando 60,1% das despesas escrituradas) eram falsas ou inidôneas: a) Antônio Ferreira, em Presidente Epitácio, SP, que desconhece as notas fiscais n°s 101 a 121; 123 a 128 e 130 a 131 em que seu nome consta como produtor rural emitente, segundo as quais teria vendido de R$ 1.479.120,00 em gado para WHENDER MIJOLER POLO; que não vendeu o gado e não conhece referida pessoa; sua pequena propriedade franqueada ao AuditorFiscal e fotografada não tem condições de criar tais bois; apresentou vários talonários fiscais, exceto das notas fiscais n°s 101 a 120 e 121 a 140, as quais foram posteriormente localizadas nos arquivos do escritório de contabilidade, e retidas, conforme Termo; b) Clésio de Oliveira Barbosa dos Santos, em Ituverava, SP, exempregado rural do Sr. JAMILTON JUNQUEIRA POLO, que trabalhou, com carteira assinada, de 02/01/2008 a 31/12/2009 na "Fazenda Bom Jesus", em Rifaina, SP (onde era feito o confinamento de gado, em sua maioria proveniente de Minas Gerais, para posterior venda ao Frigorífico Oranges, atual BARRA MANSA) foi induzido a utilizar seu nome indevidamente em beneficio do empregador; declarou, também, que o gado que transitava pelos imóveis rurais era do SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO e que seus filhos, dentre eles, o fiscalizado, eram empregados do pai; em 2009 foram confinados mais ou menos 1.500 bois; quanto à inscrição e talonários de nota fiscal de produtor tiradas em seu nome, afirma que o Sr. Jamilton lhe pediu para guiar uma viagem de boi em seu nome, do sítio para o frigorífico, e para isso, assinou alguns documentos em branco; após demanda judicial movida pelo Sr. Glauco, vizinho do Sítio Sobrado, contra o Sr. Jamilton, é que descobriu que tinha arrendado o referido sítio e que diversas notas fiscais haviam sido emitidas em seu nome; foi quando falou com o Sr. Jamilton e procurou um advogado para dar baixa na inscrição, o que ocorreu em junho/2010; informado de que teria vendido, no ano de 2009, R$ 4.545.515,08 em gado, afirmou desconhecer as operações e os documentos fiscais emitidos e que o gado deve ser de propriedade do Sr. Jamilton; afirmou que o gado que transitava nos imóveis rurais era de propriedade do Sr. Jamilton; c) Célio Altiéris Roberto Campos, em Patrocínio Paulista, SP, que desconhece a existência de documentos fiscais em que consta como produtor rural, mas que afirma ter assinado vários documentos a pedido de pessoa chamada "MATEUS" para que este adquirisse um caminhão, sendo que "MATEUS" compra e vende gado; jamais fez qualquer venda de gado, pois jamais teve condição financeira para tanto (notas fiscais n°s 01 a 64; 68 a 75); jamais teve ou arrendou imóvel urbano ou rural e que não conhece WHENDER MIJOLER POLO; d) José Gilberto Germino, em Batatais, SP, que trabalha em serviços gerais (cortador de cana, fundição, trabalhador rural), que não conhece WHENDER MIJOLER POLO, que nunca foi proprietário e nem arrendou qualquer imóvel rural e que nunca comprou, vendeu ou criou gado; Fl. 12589DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.585 9 e) Clayton Rodrigo Martins, em Patrocínio Paulista, SP, que desconhece a existência dos documentos fiscais em que consta como produtor rural, que jamais subscreveu qualquer documento de inscrição no cadastro do CNPJ. quanto às notas fiscais n°s 01 a 20; 26 a 34; 36; 39 a 40; 43 a 44 e 46 a 50, não recebeu referidas receitas, pois nunca fez negócios rurais, por nunca ter tido condições financeiras para tanto; desconhece WHENDER MIJOLER POLO, não possui qualquer propriedade e exerce atividades de serviços gerais e sempre foi empregado, conforme sua carteira de trabalho; f) Denis Sussumu Takara e outros, em Presidente Prudente, SP, desconhece as notas fiscais n°s 01 a 7 e 9 a 13 em que seu nome consta como produtor rural emitente, segundo as quais teria vendido R$ 613.980,00 em bois para WHENDER MIJOLER POLO; não vendeu esse gado e nem conhece referida pessoa; não há capacidade para criar tais bois em sua pequena propriedade, que é explorada em conjunto com sua esposa e cunhado, produzindo pequena quantidade de leite, à época dos fatos; g) Deusdete Fermino, em Presidente Prudente, SP, desconhece as notas fiscais n°s 276 a 294; 298 a 321 e 323 a 325 em que seu nome consta como produtor rural emitente,segundo nas quais teria vendido R$ 2.467.580,00 em gado para WHENDER MIJOLER POLO; não vendeu estas rezes e não conhece referida pessoa; não tem qualquer propriedade nem atividade rural; trabalha em serviços gerais (pintor e ajudante de pedreiro) há mais de vinte anos; h) Rosângela Sandeski, enteada do Sr. Wandir Xavier Ribeiro, CPF n° 363.641.18887, em Presidente Prudente, SP, cuja inscrição cadastral é utilizada pelo padrasto, que comercializa gado em seu nome; em face das notas fiscais n°s 12 a 16 e 32 a 35 confirmou as vendas, de R$ 600.000,00, afirmando ter intermediado tais vendas; desconhece o destinatário dessas vendas, WHENDER MIJOLER POLO, e que apenas recebeu o montante relativo à comissão de intermediação, atividade que exerce desde 1978; conhece o Frigorífico Sertãozinho, atual Barra Mansa, da Família Oranges; 14 essas declarações e depoimentos prestados pelos acima diligenciados, que constam às fls. 6940 a 6954 do eprocesso, no RF, mostram que: a) eram pessoas de baixo poder econômico/condição financeira, que jamais exerceram atividade rural e que tiveram seus nomes utilizados indevidamente; ou b) eram pequenos produtores rurais que tiveram seus talonários "clonados"; ou c) eram notas fiscais emitidas "gratuitamente" (notas frias) por corretores de gado e que não refletem as transações nelas registradas; 15 em 05/11/2012, o fiscalizado autorizou a Receita Federal a solicitar junto ao Banco Bradesco S/A cópia de todos os documentos bancários relativos à conta corrente n° 8.6819, na agência n° 1.834, em Guará; a análise das cópias dos cheques emitidos pelo fiscalizado, bem como dos lançamentos a débito decorrentes de transferência bancárias realizadas a terceiros (planilha anexa) constantes nos extratos bancários, a fiscalização realizou diversas diligências e/ou circularizações referentes aos extratos bancários, a saber: a) Aires Roberto, de Araxá, MG, que recebeu, em 09/11/2009, R$ 61.413,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos através de um corretor e que não conhece o fiscalizado; Fl. 12590DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 b) Amadeu Bernardes, de Pirajuba, MG, que recebeu, em 13/08/2009, R$ 46.700,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos para a empresa Cruzeta Leilões, com sede em Frutal, MG, e que não conhece o fiscalizado; c) Antônio Zago Lopes, de Sacramento, MG, que recebeu R$ 100.000,00 e R$ 47.778,00 remetidos pelo fiscalizado, respectivamente, em 27/10/2010 e 23/11/2010, cujas notas fiscais avulsas de produtor rural tiveram como destinatários os produtores rurais Gabriel de Paula Peraro, na Fazenda São João, em Veríssimo, MG e Nelson Luiz Abdala da Silva e outro, na Fazenda São Francisco, em Pintópolis, MG; d) Armando Paiva de Ávila, de Araxá, MG, que recebeu, em 03/05/2010, R$ 15.820,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos ao produtor rural Nilton Ribeiro, de Araxá, MG, sem emissão de nota fiscal; e) César Henrique Salgado Magriotis, de Araxá, MG, que recebeu, em 21/07/2009, R$ 21.333,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos ao produtor rural Nilton Ribeiro, de Araxá, MG, sem emissão de nota fiscal, e que não conhece o fiscalizado; f) Cildete Maria de Almeida Furtado, de Sacramento, MG, que recebeu, em 24/02/2010, R$ 25.829,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos ao produtor rural Nelson Luiz Abdala da Silva e outro, da Fazenda São Francisco, em Pintópolis, MG, conforme nota fiscal; g) Ênio Humberto Camilo, de Uberaba, MG, que recebeu, em 10/07/2009, R$ 45.108,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos ao Sr. Antônio Dal Secchi Bento, de Uberaba/MG; h) Ivan Borges Maia Cardoso, de Sacramento, MG, que recebeu, em 06/09/2010, R$ 143.545,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos ao produtor rural Nelson Luiz Abdala da Silva e outro, da Fazenda São Francisco, em Pintópolis, MG; i) Klener Brentini Branquinho, de Pedregulho, SP, que recebeu, em 15/06/2010, 16/09/2010 e 11/10/2010, créditos de R$ 47.710,00, R$ 35.000,00 e R$ 19.516,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos para a Barra Mansa; j) José Augusto de Almeida Junqueira, de Veríssimo, MG, que recebeu, em 08/07/2009, R$ 101.475,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos ao Sr. WHILIE MIJOLER POLO, da Fazenda Nova Suécia, em Sacramento, MG; k) José Puertas Zafra, de Uberaba, MG, que recebeu, em 20/12/2010, R$ 20.000,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos sem emissão de nota fiscal ao Sr. Roberto Junqueira que se dizia comprador de gado para o Frigorífico Orange, e que não conhece o fiscalizado; l) Elmar Pereira Rezende, em Pedrinópolis, MG, que recebeu, em 18/06/2009, 26/02/2010, 29/03/2010 e 17/05/2010, créditos de R$ 19.505,00, R$ 13.775,00, R$ 17.205,00 e R$ 16.025,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos ao fiscalizado, sem emissão de nota fiscal; Fl. 12591DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.586 11 m) Gasparina Carneiro de Melo, de Perdizes, MG, que recebeu, em 12/06/2009 e 12/01/2010, créditos de R$ 42.100,00 e R$ 16.924,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos ao fiscalizado, sem emissão de nota fiscal; n) Maria Narciso Carneiro, de Pedrinópolis, MG, que recebeu, em 02/03/2010, R$ 30.646,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos a terceiros, não sabendo identificar os compradores, sem emissão de nota fiscal; o) Nadir Pereira da Cunha, de Perdizes, MG, que recebeu, em 31/07/2009, R$ 49.087,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos a terceiros, não sabendo identificar os compradores, sem emissão de nota fiscal; p) Nélio César Pereira, de Pedrinópolis, MG, que recebeu, em 21/10/2009, R$ 24.531,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos ao fiscalizado, sem emissão de nota fiscal; q) Vasco da Cunha Guimarães, de Perdizes, MG, que recebeu, em 11/05/2009, R$ 49.913,00 remetidos pelo fiscalizado, por conta da venda de bovinos ao fiscalizado, sem emissão de nota fiscal; r) Walter de Carvalho Júnior, de Araxá, MG, que confirmou o recebimento dos cheques por conta da venda de bovinos ao produtor rural Cid Monteiro Cruz, da Fazenda Sesmaria do Barreiro, em Araxá, MG, e que não conhece o fiscalizado e tampouco Whilie Mijoler Polo, Jamilton Junqueira Polo ou a Barra Mansa; s) Nelson Luis Abdalla da Silva, cuja inventariante (o contribuinte, já falecido, residia em Ituverava, SP), informou que não houve qualquer venda de bovinos para o fiscalizado e tampouco para Whilie Mijoler Polo, Jamilton Junqueira Polo ou a Barra Mansa; que o movimento de gado (compra e venda) ocorria dentro do Estado de Minas Gerais (Monte Carmelo e Pintópolis) em razão dos custos de transportes e da incidência de ICMS nas transações realizadas fora do Estado; e que apenas confirma o lançamento no Livro de Caixa da Atividade Rural de 2010 da nota fiscal emitida por Cildete Maria de Almeida Furtado, sem contudo confirmar o pagamento pelo fiscalizado; quanto às demais notas, não foi possível identificálas, bem como se as compras dos bovinos efetivamente teriam ocorrido e se os pagamentos teriam sido realizadas pelo fiscalizado; t) Fabiana dos Santos Moura, residente em Guará, SP, confirmou o recebimento dos cheques para liquidar a venda de bovinos realizadas pelo seu esposo, Ézio de Freitas Moura, ao Sr. JAMILTON, genitor do fiscalizado; informa que seu esposo é um pequeno produtor rural que explorava em regime de comodato a Fazenda Havana, em Sacramento, MG e que a venda do gado foi realizada em abril de 2009 com a visita do Sr. JAMILTON ao curral da referida propriedade; u) Nilton Ribeiro, de Sacramento, MG, afirma que trabalha com compra e venda de gado, mas que a atividade preponderante é a intermediação dos negócios (corretagem); assevera que tais recursos são decorrentes destas atividades, mas também de empréstimos realizados ao Sr. JAMILTON; afirma que o gado vendido ou intermediado ao JAMILTON era em sua totalidade "gado para pasto" e eram guiados para um imóvel localizado em Sacramento, MG; a comissão era de 2% a 3%; conhece o SR. JAMILTON e seus filhos há mais de 14 anos e pelo que sabe sempre trabalhou com Fl. 12592DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 compra e venda de gado; informou que o preço do gado vendido para outro estado é mais caro, pela incidência de ICMS; o endereço supracitado é imóvel pertencente ao declarante, aonde mora sua mãe; informou por escrito que não teve nenhuma nota fiscal de venda de gado emitida entre 2009 e 2010 para Whender Mijoler Polo ou Whilie Mijoler Polo ou Jamilton Junqueira Polo ou Barra Mansa; 16 assim, concluise que: a) o Sr. Nilton Ribeiro é um importante elo de ligação entre os produtores rurais da região de Araxá e o Sr. JAMILTON, seja atuando como corretor, seja vendendo gado adquirido de terceiros sem emissão de nota fiscal; em decorrência destas transações, a fiscalização constatou um volume considerável de recursos transferidos ou depositados em conta corrente aberta em nome do Sr. Nilton, bem como cheques emitidos a seu favor, todos originados de contas abertas em nome do fiscalizado e dos demais operadores do negócio gerido pelo SR. JAMILTON; b) a origem dos recursos financeiros que transitaram pelas contas correntes abertas em nome do fiscalizado é decorrente da compra e venda de bovinos; c) o gado adquirido era procedente de Minas Gerais, sendo uma pequena parte destinada a imóveis rurais de propriedade do Sr. Jamilton Junqueira Polo, principalmente, a "Fazenda Bom Jesus", em Rifaina, SP (na divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo), e outra parte, a maior, era remetida diretamente para abate no Frigorífico Barra Mansa, em Sertãozinho, SP, sem transitar por qualquer imóvel rural; d) o gado era guiado sem emissão da nota fiscal e da Guia de Trânsito Animal (GTA) para não pagar o ICMS, vez que os animais se originavam de Minas Gerais com destino a São Paulo; e) quando o vendedor do gado exigia a emissão de notas fiscais de venda e, para não haver incidência do ICMS, utilizase nome de um produtor rural e respectivo imóvel rural localizado em Minas Gerais ou guiavase o gado para Fazenda Nova Suécia, em Sacramento, MG, de propriedade do Sr. Jamilton Junqueira Polo, cuja inscrição estadual encontrase em nome de WHILIE MIJOLER POLO, como será visto na PARTE II; f) houve pagamentos de bovinos que teriam sido adquiridos em nome do FRIGORÍFICO BARRA MANSA e de WHILIE MIJOLER POLO, o que demonstra uma estreita relação entre os operadores do negócio (WHENDER/WHILIE) e entre vendedor/comprador (WHENDER/BARRA MANSA); g) relatos provam que a atividade de compra e venda de bovinos era, de fato, explorada e de responsabilidade do SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO; h) muitos diligenciados sequer conhecem o SR. WHENDER MIJOLER POLO; i) o fiscalizado atuava como mero funcionário do SR. JAMILTON, seja comprando gado, seja conduzindo os caminhões, seja executando serviços gerais; 17 intimado, o frigorífico Barra Mansa apresentou, dentre outros documentos, cópia do Documento Auxiliar da Nota DANFE (entrada) emitido pela empresa, cópia das notas fiscais de produtor emitidas em nome do fiscalizado, cópia dos conhecimentos de transporte e as fichas do Livro de Registro de Entradas; o Livro "Registro de Entrada e as notas fiscais Fl. 12593DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.587 13 eletrônicas da empresa mostram que esta teria adquirido bovinos para abate do fiscalizado, nos anoscalendário 2009 e 2010, que somaram, respectivamente, R$ 11.398.809,81 e R$ 8.061.494,24; foi apurado, ainda, que: a) a empresa não detinha procuração autorizando o pagamento a terceiros, mas todos os cheques ou notas promissórias rurais emitidos para pagar o gado adquirido do SR. WHENDER MIJOLER POLO foram entregues ao SR. WHILIE MIJOLER POLO, que foi, assim, identificado como o responsável pela área administrativa e financeira dos negócios do SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO, o que demonstra que o fiscalizado não detinha controle sobre as operações comerciais feitas em seu nome e evidencia que eram, sim, operações do SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO; b) as cópias dos conhecimentos de transportes apresentados pela empresa mostra que a quase totalidade do gado adquirido do SR. WHENDER MIJOLER POLO teria sido transportado pela empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, de CNPJ n° 03.050.534/000110, que foi intimada a apresentar os originais dos conhecimentos de transportes emitidos no decorrer dos anoscalendário 2009 e 2010, tendo a mesma alegado "estarem perdidos" tais documentos, conforme PARTE V; a empresa WHILIE MIJOLER TRANSPORTESME (CABRITO TRANSPORTES) também aparece como transportador do gado vendido em nome do fiscalizado; c) as cópias das 1as vias das notas fiscais de produtor rural emitidas em nome de WHENDER MIJOLER POLO (Faz. Rio Verde, Sitio dos Ipês e Sitio São Lucas) disponibilizadas pela empresa mostram (na parte superior e inferior de diversas notas fiscais) a existência das seguintes expressões: "JAMILTON", "JAMILTON 710", "790", "CABRITO", "T JAMILTON J POLO CT 565", "JAMILTON J POLO CT 612", "JAMILTON 668", "JAMILTON 656", "CABRITO 37", WHILIE 41" e "WHILIE 50"; ou seja, o frigorífico identificava as operações com o nome do real beneficiário (JAMILTON JUNQUEIRA POLO) ou do responsável administrativo e financeiro (WHILIE MIJOLER POLO); d) a caligrafia da quase totalidade das notas fiscais emitidas em nome do fiscalizado (Sitio São Lucas, Sitio Ipê e Fazenda Rio Verde) mostra que eram preenchidas pelo SR. WHILIE MIJOLER POLO; 18 documentos bancários apresentados pelas instituições financeiras e extratos bancários das contas dos fiscalizados (WHENDER, WHILIE, GERCINO, JAMILTON JUNQUEIRA POLO e da firma individual JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP) mostram, nos anoscalendário 2009 e 2010: a) transferências bancárias do fiscalizado (WHENDER) sem emissão de quaisquer documentos, para as contas correntes em nome de JAMILTON JUNQUEIRA POLO, JAMILTON JUNQUEIRA POLOME, OSWALTER POLO e WHILIE MIJOLER POLO, no total de R$ 942.800,00, além de 21 transferências contábeis feitas pelo BRADESCO para contas em nome das pessoas fisicas/firma individual envolvidas no negócio explorado pelo SR. JAMILTON (fls. 6985 do eprocesso), cujo histórico na conta creditada é "Depósito em dinheiro próprio favorecido", o que não reflete a realidade; b) vários cheques nominais para os operadores do negócio (compra e venda de bovinos) explorado pelo SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO, no total R$ 475.041,89, a saber: Fl. 12594DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 JAMILTON J POLO, WHIGOR JUNQUEIRA POLO, JAMILTON P POLO ME, WHILIE MIJOLER POLO; c) a análise das cópias dos cheques emitidos em nome do fiscalizado (c/c 8.6819 da ag. 1834 do Bradesco) mostrou a existência de vários cheques com assinaturas claramente "divergentes" uma da outra, o que demonstra que os cheques eram assinados por vários operadores/auxiliares do negócio explorado pelo SR.JAMILTON; não foi realizado exame grafotécnico para verificar a autenticidade das assinaturas, bem como a autoria delas, mas vários cheques foram preenchidos com a caligrafia do SR. JAMILTON e do SR. WHILIE; portanto, podese afirmar que há assinaturas de autenticidade duvidosa; d) a análise dos extratos bancários das contas do SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO e pessoas interpostas, a fiscalização verificou que o fiscalizado (WHENDER) recebeu créditos de GERCINO MACIEL e de JAMILTON, no total de R$ 473.971,88; 19 a principal adquirente do gado vendido em nome de SR. WHENDER era a empresa BARRA MANSA, cujos pagamentos eram realizados através de cheques nominais sacados contra a conta da empresa na agência 3376 do BRADESCO, em Ribeirão Preto, SP, pelo SR. WHILIE, que, de posse do(s) cheque(s), dirigiase à referida agência para realizar o depósito (total ou parcial) na conta corrente n° 86819, agência 1834, do BRADESCO, em Guará, em nome de WHENDER MIJOLER PÓLO; no campo histórico dos lançamentos, no extrato bancário, consta a expressão "TRANSF ENTRE AGENC DINH" e que o depositante seria o "PRÓPRIO FAVORECIDO", conforme 2a via dos comprovantes de depósitos/transferências apresentados pelo BRADESCO, o que não reflete a realidade; os cheques depositados não eram relacionados na ficha de depósito e eram creditados "como se dinheiro fosse"; essa sistemática tinha o objetivo de dificultar o rastreamento/origem dos recursos transitados na conta do SR. WHENDER; 20 vários cheques emitidos pela BARRA MANSA para pagamento de gado adquirido de terceiros foram depositados em conta do Sr. WHENDER; dentre outros, estão vendas realizadas em nome do próprio JAMILTON, WHILIE e CLÉSIO DE OLIVEIRA BARBOSA DOS SANTOS (exfuncionário rural do JAMILTON); 21 não foi possível determinar o tempo de permanência dos animais em poder do Sr. WHENDER, pois a intimação para prestar tais informações (item 1 do Termo de Intimação Fiscal n° 006) não foi atendida, tendo sido simplesmente alegado que: a) o contador iria "tentar qualificar o gado" b) atua "como produtor, corretor de gado "marchant", vendendo, pagando e recebendo comissões dos pecuaristas alienante das reses..."; c) que "todos os valores mencionados como recebidos da empresa Barra Mansa depositados na sua conta eram provenientes de operações mercantis das quais foi corretor, sendo que, salvo os valores recebidos pela corretagem, as diferenças foram repassadas aos pecuaristas"; 22 o volume dos negócios realizados em nome do fiscalizado é expressivo e decorre da venda de 20.846 cabeças realizadas nos anoscalendário 2009 e 2010, o que teria gerado receitas no montante de R$ 20.655.587,98, conforme informações prestadas nas Declarações de Ajuste Anual apresentadas no curso da ação fiscal; não foram apresentadas notas fiscais de entradas e nem as GTA Guia de Trânsito Animal que pudessem justificar documentalmente a "origem" do gado comercializado; Fl. 12595DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.588 15 23 quanto aos imóveis supostamente explorados: a) não foram apresentados contrato de arrendamento e/ou de parceira e nem escrituras dos imóveis rurais supostamente explorados; b) os imóveis rurais supostamente explorados são pequenas propriedades e não teriam condições de abrigar o grande volume de gado comercializado, a não ser por pouco tempo; c) as notas fiscais de vendas apresentadas pelo Sr. WHENDER mostram que o gado vendido para abate teria supostamente se originado dos seguintes imóveis rurais: Sitio São Lucas, com 39,6 ha., que teria suportado 1.983 cabeças por 3 meses; Sitio Ipê, com 6,0 ha., que teria suportado 9.089 cabeças por 9 meses; Fazenda Rio Verde, com 71,0 ha., que teria suportado 8.112 cabeças por 10 meses; d) considerando (I) o pequeno porte dos imóveis rurais supostamente explorados, (II) a apresentação de notas fiscais de entradas "inidôneas" para comprovar a origem do rebanho comercializado, conforme verificado nas diligências, e (III) não ter sido apresentado qualquer comprovante de despesas de custeio, concluise que quase a totalidade do rebanho comercializado não transitou por estes imóveis; 24 o Sr. WHENDER não é o titular de fato das receitas originadas da venda de bovinos e dos recursos financeiros delas decorrentes transitados na conta corrente n° 8.6819, aberta em seu nome, pois: a) não apresentou qualquer informação ou documentos que pudesse comprovar a exploração da atividade rural (p. ex. escritura de imóvel rural ou contrato de arrendamento ou parceria, despesas com ração e produtos veterinários, despesas com transporte de animais, funcionários, etc. ) ; b) apesar do volume de negócios realizados em nome do Sr. WHENDER (venda de 20.846 cabeças de bovinos e receita bruta de R$ 20.655.587,98), nenhum bem ou direito patrimonial foi localizado em seu nome; c) as transferências de recursos financeiros para as contas abertas em nome de JAMILTON JUNQUEIRA POLO, JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP e outras pessoas interpostas são expressivas e nenhum documento ou contrato foi apresentado para justificar tais operações; d) as diligências indicaram que o SR. WHENDER é um mero empregado do SR. JAMILTON, prestando serviços de motorista, comprador e serviços gerais, e teve seu nome utilizado indevidamente para abertura de inscrição estadual, CNPJ de Produtor Rural e contas correntes junto a instituições financeiras; e) ficou comprovado que todos os cheques nominais emitidos pela empresa BARRA MANSA para liquidar o gado adquirido eram entregues diretamente ao SR. WHILIE, responsável pelo operacional e financeiro dos negócios do SR. JAMILTON, ou seja, o SR. WHENDER não detinha o controle das operações; Fl. 12596DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 25 o Sr. JAMILTON JUNQUEIRA POLO foi considerado o titular de fato das receitas originadas pela venda de bovinos e dos recursos financeiros delas decorrentes transitados nas contas correntes abertas em nome do Sr. WHENDER, pois: a) o Sr. JAMILTON é quem detém a propriedade da maioria dos imóveis explorados (Fazenda Rio Verde, Fazenda Nova Suécia, Fazenda Bom Jesus, Sitio Sobrado); b) o Sr. JAMILTON é quem detém a propriedade dos caminhões que transportaram a maioria dos bovinos e dos veiculos utilizados para administrar os negócios (Partes IV e V ); c) o Sr. JAMILTON é quem detém os conhecimentos do negócio explorado há anos (compra e venda de bovinos); d) todas as notas fiscais de compras de ração, de produtos veterinários e de outros produtos inerentes à atividade rural foram emitidas em nome do SR. JAMILTON (Parte IV); e) o Sr. JAMILTON e sua empresa individual receberam significativos recursos por meio de transferências bancárias originadas das contas correntes abertas em nome das pessoas interpostas, sem que nenhum documento fosse apresentado para justificar os valores recebidos; f) a declaração prestada pelo Sr. NILTON RIBEIRO de que teria realizado empréstimos ao Sr. JAMILTON JUNQUEIRA POLO e que estes teriam sido pagos através de conta corrente aberta em nome do Sr. WHENDER; g) as diligências indicam que a exploração do negócio de compra e venda de bovinos é realizada pelo e de responsabilidade do Sr. JAMILTON JUNQUEIRA POLO; seus filhos (WHENDER, WHILIE e WHIGOR), o empregado doméstico Gercino Maciel e o ex empregado rural Clésio de Oliveira Barbosa dos Santos são interpostas pessoas e tiveram seus nomes utilizados indevidamente para abertura de inscrição e CNPJ Produtor Rural e contas correntes junto a instituições financeiras; h) cabe destacar que o objetivo de utilizar nomes de familiares e empregados para simular exploração de imóveis rurais e, consequentemente, emitir inscrições estaduais, CNPJ Produtor Rural e abrir contas em nome daqueles era dissimular e pulverizar os recursos financeiros decorrentes de volumosas e inúmeras transações comerciais realizadas e, assim, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação principal; 26 conforme os documentos fiscais, Livro Caixa e Declarações de Ajuste Anual dos anos calendário 2009 e 2010 apresentados por WHENDER MIJOLER PÓLO, foram apuradas receitas originadas das vendas de bovinos, conforme quadro a seguir: Demonstrativo das Receitas Apuradas Mês/Trimestre AC 2009 AC 2010 JAN 0,00 1.256.095,10 FEV 114.418,05 896.336,44 MAR 1.084.211,07 1.551.970,49 1° Trimestre 1.198.629,12 3.704.402,03 ABR 1.575.354,72 900.448,98 MAI 1.365.403,39 605.472,78 JUN 1.019.842,13 1.029.714,65 2° Trimestre 3.960.600,24 2.535.636,41 JUL 981.314,30 347.953,37 Fl. 12597DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.589 17 AGO 861.492,37 0,00 SET 598.290,49 269.849,61 3° Trimestre 2.441.097,16 617.802,98 OUT 987.873,95 361.377,15 NOV 1.315.136,85 344.466,74 DEZ 1.600.225,42 1.588.339,93 4° Trimestre 3.903.236,22 2.294.183,82 TOTAL 11.503.562,74 9.152.025,24 27 as receitas decorrentes das vendas em nome do Sr. WHENDER à BARRA MANSA totalizaram R$ 11.398.809,81 e R$ 8.061.494,24, nos anoscalendário 2009 e 2010, respectivamente, o que representa 99,09% e 88,08% da receita total declarada nos seus livros caixa; a receita que decorre dessas vendas de 10.821 e de 7.010 cabeças de gado, respectivamente, totalizando 17.831 cabeças nos dois anos, o que representa 85,53% de todo o rebanho comercializado pelo Sr. WHENDER (17.831/20.846); tais receitas auferidas e os resultados tributáveis serão apurados e consolidados em autos de infração a serem lavrados em nome de JAMILTON JUNQUEIRA POLO EPP. A PARTE II, que trata do curso da ação fiscal referente a WHILIE MIJOLER POLO (fls. 7001 a 7050), traz elementos e fatos praticamente idênticos aos relatados na PARTE I, pois o SR. WHILIE (responsável pelo operacional e financeiro dos negócios do SR. JAMILTON) é parte importante no "modus operandi" idealizado para simular a exploração de imóveis rurais e, consequentemente, emitir inscrições estaduais, CNPJ Produtor Rural e aberturas de contas correntes, com objetivo de dissimular e pulverizar as transações comerciais de compra e venda de gado e o recebimento dos recursos financeiros delas decorrentes e, assim, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação principal. Diferentemente da ação fiscal levada a efeito junto ao Sr. WHENDER, praticamente nenhum documento ou informações foram apresentadas pelo SR. WHILIE. Eis, em resumo, os novos fatos apurados: 1 em 05/11/2012, o contribuinte autorizou a Receita Federal a solicitar junto às instituições financeiras toda a documentação bancária; 2 os únicos documentos apresentados foram as Guias de Trânsito Animal (GTA) das vendas de bovinos para a BARRA MANSA, em 26/03/2013, conforme correspondência assinada pelo Sr. WHENDER (fls. 7010 e 7011); as GTA das compras não foram apresentadas; 3 a BARRA MANSA apresentou dentre outros, xerox das DANFE Documento Auxiliar da Nota (entrada) emitidas pela empresa decorrentes da aquisição de gado para abate, cópia das notas fiscais de produtor emitidas em nome do fiscalizado e cópia dos conhecimentos de transporte; conforme tais documentos e as fichas do Livro de Registro de Entrada, a empresa teria adquirido, nos anoscalendário 2009 e 2010, R$ 4.113.691,35 e R$ 5.217.389,36, de gado para abate, respectivamente; 4 a BARRA MANSA informou que todos os cheques ou notas promissórias rurais emitidos para pagamentos do gado adquirido do Sr. WHILIE foram entregues diretamente a ele; além disso, também retirava os cheques decorrentes das vendas realizadas em nome dos Sr. WHENDER (PARTE I), Sr. GERCINO MACIEL (PARTE III), Sr. JAMILTON e alguns cheques nominais a CLÉSIO DE OLIVEIRA BARBOSA DOS SANTOS (PARTE IV), sem Fl. 12598DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 outorga de procuração; tais fatos demonstram que o Sr. WHILIE era o operador administrativo e financeiro dos negócios fraudulentos do Sr. JAMILTON; 5 conforme cópias dos conhecimentos de transportes apresentados pela BARRA MANSA, a quase totalidade do gado adquirido do Sr. WHILIE teria sido transportado pela empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOME, CNPJ n° 03.050.534/000110, que, intimada para apresentar os originais, alegou "estarem perdidos", conforme PARTE V; a empresa WHILIE MIJOLER TRANSPORTESME, CNPJ 12.804.420/000100 (CABRITO TRANSPORTES) também aparece como transportador do gado vendido à BARRA MANSA; 6 a análise das cópias das las vias das notas fiscais de produtor rural emitidas em nome de WHILIE MIJOLER POLO (Fazenda Rio Verde e Sitio Bom Jesus) e disponibilizadas pela empresa BARRA MANSA mostrou que na parte superior de diversas notas fiscais consta a expressão/nome "JAMILTON"; segundo informações obtidas junto à empresa, tais anotações indicam o nome da pessoa que vendeu o gado; 7 a caligrafia usada para preencher as notas fiscais do produtor emitidas em nome do Sr. WHILIE, bem como dos conhecimentos de transportes das empresas JAMILTON JUNQUEIRA POLOME e WHILIE MIJOLER POLO TRANSPORTESME é a mesma usada para preencher os documentos fiscais (nota fiscal do produtor rural) emitidos em nome de WHENDER MIJOLER POLO, GERCINO MACIEL, JAMILTON JUNQUEIRA POLO e CLÉSIO DE OLIVEIRA BARBOSA DOS SANTOS; conforme a PARTE I, quase sempre o preenchimento dos documentos fiscais era realizado pelo SR. WHILIE; 8 as cópias dos cheques emitidos pelo fiscalizado (C/C n° 8.6827 Ag. 1834 do Bradesco) mostraram que vários eram nominais a PETRUS WILHELMUS JOZEF SCHOENMAKER, no total de R$ 1.864.341,58; em 07/02/2013, lavrouse Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos n° 001, com ciência via postal em 15/02/2013, para que o contribuinte apresentasse, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, as notas fiscais, contratos e outros documentos; em 28/02/2013, os documentos solicitados foram recebidos e mostravam tratarse de compra de 2.160 novilhas (25 a 36 meses de idade) realizada pelo fiscalizado no período de 19/08/2009 a 19/11/2010; o gado era proveniente de imóveis rurais de Tapira, MG e de Perdizes, MG, tendo sido guiado em nome de WHILIE (inscrição estadual 001.2828470024) para a Fazenda Nova Suécia, de propriedade do SR. JAMILTON, em Sacramento, MG, conforme as notas fiscais avulsas de produtor; dentre os transportadores/motoristas do rebanho, estão os Srs. WHENDER e o próprio WHILIE; estranhamente, não foram localizadas e nem apresentadas quaisquer notas fiscais de saída (venda posterior) desse rebanho da Fazenda Nova Suécia; embora intimado, o fiscalizado não apresentou o Livro Caixa, os documentos fiscais de compra e venda de gado e nem a GTA das aquisições; 9 o créditos/depósitos de valores iguais ou superiores a R$ 3.000,00 constantes nos extratos bancários da conta corrente n° 8.6827 aberta em nome de WHILIE MIJOLER POLO na agência 18341, do Banco Bradesco, em Guará, SP, no total de R$ 14.225.314,97, sendo R$ 3.597.742,66 no anocalendário 2009 e R$ 10.627.572,31 no no anocalendário 2010, que foram objeto de intimação, não atendida, para comprovar a origem dos recursos; 10 apesar de não ter apresentado a Declaração de Ajuste Anual e nem o livro caixa com os respectivos comprovantes de receitas, a fiscalização, através das notas fiscais e fichas do livro de entrada coletadas no decorrer da diligência no frigorífico BARRA MANSA, identificou parte das receitas originadas das venda de bovinos realizadas em nome do Sr. WHILIE, nos anoscalendário 2009 e 2010, de R$ 4.113.691,35 e R$ 5.217.38 9,36, respectivamente; Fl. 12599DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.590 19 11 os sistemas da RFB mostram a existências de três inscrições no CNPJ de Produtor Rural cadastrados em nome do do Sr. WHILIE, a saber: a) Fazenda Rio Verde, em Guará, de criação de bovinos para corte, desde 28/01/2009; b) Fazenda Nova Suécia, em Sacramento, de criação de gado de leite, desde 15/07/2009; c) Sítio Bom Jesus, em Rifaina, de criação de bovinos para corte, desde 29/03/2010; d) Sítio Amambaia, em ltuverava, SP, de criação de bovinos para corte, desde 23/01/2012; 12 intimado, o fiscalizado não apresentou os contratos de arrendamento e/ou parceria dos imóveis supostamente explorados, e nem informou os dados do(s) proprietário(s) dos imóveis; apesar disso, a fiscalização constatou que: a) Fazenda Rio Verde: o Sr. WHENDER declarou que durante os anoscalendário 2009 e 2010 explorava 100% do imóvel (PARTE I); b) Fazenda Nova Suécia: de propriedade do Sr. JAMILTON, cuja única inscrição estadual de produtor rural está cadastrada em nome do Sr. WHILIE; sua atividade principal seria a "criação de bovinos para leite", mas nenhuma nota fiscal de venda de leite foi apresentada; não obstante a fiscalização ter encontrado notas fiscais de aquisição de gado guiado para este imóvel, nenhuma nota fiscal de saída de gado deste imóvel foi apresentada, o que permite concluir que o gado adquirido do Sr. PETRUS WILHELMUS JOZEF SCHOENMAKER não transitou por este imóvel e com grande possibilidade de ter sido internalizado no Estado de São Paulo para os imóveis rurais do Sr. JAMILTON ou até mesmo ter sido remetido diretamente para o abate; c) Sitio Bom Jesus: de propriedade do SR. JAMILTON; na matricula n° 5697, a área, de 12,1 ha., é identificada como Fazenda Retiro Bom Jesus, em Rifaina, SP; destaquese que a área denominada de Fazenda Bom Jesus também é de propriedade do Sr. JAMILTON, que informou na Declaração de Ajuste Anual dos anoscalendário 2009 e 2010 que explorou 100% do imóvel (PARTE IV); todos os elementos coletados indicam que a exploração dos imóveis rurais por parte do Sr. WHILIE é simulada; 13 a partir dos dados da movimentação bancária do Sr. WHILIE, a fiscalização realizou diversas diligências, das quais destacamse: a) Antônio Zago Lopes, de Sacramento, MG, que recebeu R$ 339.237,00, no ano calendário 2010, por conta de venda de gado para o Sr. WHILIE, embora as notas fiscais avulsas de produtor tenham sido emitidas para os destinatários produtores rurais Gabriel de Paula Peraro, da Fazenda São João, em Veríssimo, MG e Nelson Luiz Abdala da Silva e outro, da Fazenda São Francisco, em Pintópolis, MG (fato também ocorrido com a venda de gado ao Sr. WHENDER); b) Carmine José Pinto Di Mambro, de Araxá, MG, que recebeu R$ 73.458,00, no ano calendário 2010, informou não conhecer o Sr. WHILIE e que o negócio foi a venda de bovinos ao Sr. NILTON RIBEIRO; as notas fiscais avulsas de produtor também foram emitidas para os destinatários produtores rurais Gabriel de Paula Peraro, da Fazenda São João, em Veríssimo, MG e Nelson Luiz Abdala da Silva e outro, da Fazenda São Fl. 12600DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 Francisco, em Pintópolis, MG (fato também ocorrido com a venda de gado ao Sr. WHENDER); o transporte do gado teria sido realizado pelo Sr. WHIGOR; c) Elmar Pereira Rezende, de Pedrinópolis, MG, que recebeu R$ 150.903,00, nos anos calendário 2009 e 2010, por conta de venda de gado para o Sr. WHILIE, sem emissão de documentos fiscais; d) Enio Humberto Camilo, de Uberaba, MG, que recebeu R$ 13.258,22, no anocalendário 2009, por conta de venda de gado para o Sr. RICARDO DOS ANJOS CAMILO; informou desconhecer o Sr. WHILIE; e) Klener Brentini Branquinho, de Pedregulho, SP, que recebeu R$ 104.480,00, no ano calendário 2010, por conta de venda de gado para a BARRA MANSA, intermediada pelo Sr. WHENDER; f) Júlio César Dumont, de Perdizes, de MG, que não conhece o SR. WHILIE e que recebeu R$ 109.935,00, no anocalendário 2010, por conta de venda de gado com a intermediação do Sr. Nélio "Boiadeiro"; estranhamente, as notas fiscais avulsa de produtor foram emitidas tendo como destinatários os produtores rurais José Paulo Carvalho Abreu e outros, da Fazenda Lagoinha 4, Pedrinópolis, MG e Nelson Luiz Abdala da Silva e outro, da Fazenda São Francisco, Pintópolis, MG; 14 assim, podese concluir que: a) o "modus operandi" e os fornecedores são os mesmos que os da PARTE I; b) o Sr. NILTON RIBEIRO (Araxá, MG) e o Sr. RICARDO DOS ANJOS CAMILO (Uberaba, MG), dentre outros, atuam como intermediários/corretores de gado e com estreitas relações comerciais com o SR. JAMILTON; c) os irmãos WHENDER, WHILIE e WHIGOR atuam como auxiliares/empregados diretos do pai, o Sr. JAMILTON; d) o gado adquirido pelo Sr. JAMILTON era sempre originado de imóveis rurais localizados em Minas Gerais e sem emissão de notas fiscais para evitar o recolhimento de ICMS, vez que o gado era enviado para seus imóveis rurais no Estado de São Paulo ou enviado diretamente para abate no frigorífico BARRA MANSA, em Sertãozinho, SP; e) quando a emissão de nota fiscal era condição imposta pelos produtores rurais vendedores, o SR. JAMILTON informava como destinatário nomes de produtores rurais e imóveis rurais (com ou sem consentimento) localizados no Estado de Minas Gerais para continuar não recolhendo o ICMS, com destaque para o Sr. Nelson Luiz Abdala da Silva e outro; f) quando o gado para abate a ser adquirido estava localizado em imóveis rurais localizados no Estado de São Paulo, a ... nota fiscal era emitida diretamente a empresa BARRA MANSA; 15 a titulo exemplificativo, destacamos uma operação de compra de bovinos realizada do SR. JÚLIO CÉSAR DUMONT, em Perdizes, MG (PARTE III), em que fica claro a "confusão" entre os operadores e o "modus operandi" dos negócios "fraudulentos" desenvolvidos pelo SR. JAMILTON: Fl. 12601DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.591 21 a) um corretor da região de Minas Gerais localiza o gado que interessa ao Sr. JAMILTON (na maioria dos casos, gado para abate imediato no frigorífico BARRA MANSA), no caso, o Sr. Nélio César Pereira, conhecido como "Nélio Boiadeiro", de Pedrinópolis, MG; b) o negócio é finalizado pelo Sr. JAMILTON ou por WHILIE ou WHENDER e o gado é transportado em caminhões de propriedade do Sr. JAMILTON (às vezes os motoristas são os próprios filhos) ou através de fretes contratados (se o gado seguir para abate, o frete é pago pelo frigorífico); c) considerando que o gado adquirido era originado de Minas Gerais e o produtor rural vendedor exigiu que houvesse emissão de notas fiscais, o Sr.JAMILTON indica nomes de supostos compradores do gado com imóveis localizados em Minas Gerais para não haver incidência do ICMS na operação; d) no prazo acordado, o pagamento é realizado através de transferências bancárias das contas correntes abertas em nome do Sr. WHILIE e do empregado doméstico do Sr. JAMILTON, o Sr. GERCINO MACIEL; e) o destino final do gado adquirido quase sempre é a BARRA MANSA, também conhecida como "FRIGORIFICO ORANGES"; para entrada do gado no frigorífico, o Sr. JAMILTON providenciava emissão de nota fiscal do produtor rural em nome de um dos operadores do negócio (pessoa interposta); f) o recebimento das vendas ocorre através de cheques emitidos pela BARRA MANSA e nominal ao operador do negócio utilizado para emissão da nota fiscal de venda; 16 as operações registradas nas contas correntes em nomes dos fiscalizados (WHENDER, WHILIE, GERCINO, JAMILTON JUNQUEIRA POLO e da firma individual JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP) mostram uma verdadeira "confusão" entre as diversas contas correntes abertas no BRADESCO em nome das pessoas interpostas (filhos e empregados) com objetivo de operacionalizar o "esquema de fraude", o que demonstra e reforça que o titular de fato dos recursos é uma única pessoa, o Sr. JAMILTON; 17 foram depositados na conta corrente em nome do Sr. WHILIE vários cheques emitidos pelo BARRA MANSA para pagamento de bovinos para abate adquiridos; além dos já conhecidos WHENDER, JAMILTON e CLESIO OLIVEIRA BARBOSA DOS SANTOS (fato que que também denota a confusão entre os operadores do negócio do Sr. JAMILTON), constam como emitentes de notas fiscais de produtor rural: DORVANIR MORAIS FRANCO, CARLOS SOUBHIA, ADELINO SERON, ADEMIR LESO, OSWALDO LOURENÇO, JOSE CARLOS MORENO, AURO MARCOS MORAES ZANELLA; 18 não foi possível determinar o tempo de permanência do gado em poder do Sr. WHILIE, limitandose este a alegar, como seu irmão WHENDER, que: a) o contador iria "tentar qualificar o gado" b) atua "como produtor, corretor de gado "marchant", vendendo, pagando e recebendo comissões dos pecuaristas alienante das reses ..."; Fl. 12602DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 c) que "todos os valores mencionados como recebidos da empresa Barra Mansa depositados na sua conta eram provenientes de operações mercantis das quais foi corretor, sendo que, salvo os valores recebidos pela corretagem, as diferenças foram repassadas aos pecuaristas"; 19 a movimentação da conta corrente do Sr. WHILIE mostra transferências/depósitos bancários entre os operadores do negócio de compra e venda de bovinos desenvolvidos pelo Sr. JAMILTON, sem emissão de quaisquer documentos que justificassem as operações, nos anos calendário 2009 e 2010, no total de R$ 281.060,00, sendo: a) Transferência para JAMILTON JUNQUEIRA PÓLO: R$ 192.960,00 b) Transferência para JAMILTON JUNQUEIRA PÓLOME: R$ 33.000,00; c) Transferência para OSWALTER PÓLO, pai do Sr. JAMILTON: R$ 55.100,00; 20 além dessas, a fiscalização identificou através de "recibos de retiradas" da conta do Sr. WHILIE, de valores entre R$ 1.000,00 e R$ 25.000,00, nos anoscalendário 2009 e 2010, outras transferências/depósitos feitos diretamente no "caixa", para as contas de JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, JAMILTON, WHIGOR, WHENDER, GERCINO MACIEL; 21 vários cheques foram emitidos pelo Sr. WHILIE a favor de JAMILTON JUNQUEIRA POLO e da firma individual JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, no anocalendário 2009, sem apresentação de documentos que justificassem as operações; 22 o Sr. WHILIE não possui bens ou direitos em seu nome, não apresentou as declarações de ajuste anual e sua empresa, WHILIE MIJOLER POLO TRANSPORTESME, de CNPJ 12.804.420/000100 (Cabrito Transportes), optante pelo simples nacional, encontrase OMISSA da Declaração Anual do Simples Nacional, estando seus veículos (1 carro e 2 caminhões) gravados com cláusula de "alienação fiduciária"; assim, não obstante expressiva movimentação financeira decorrente da compra e venda de gado ocorridas durante os anos calendário 2009 e 2010, inexistem resultados financeiros e econômicos em seu beneficio, o que é mais uma prova de que os recursos financeiros e os resultados da compra e venda de gado são, de fato, pertencentes ao SR. JAMILTON; 23 o não atendimento de qualquer intimação demonstra que o Sr. WHILIE é pessoa interposta e teve intenção de dificultar os trabalhos e apuração dos fatos e do real beneficiário das operações de compra e venda de bovinos; 24 o Sr. WHILIE é o responsável administrativo e financeiro das atividades exploradas pelo Sr. JAMILTON, pois: a) primeiro, os cheques nominais emitidos pelo frigorífico BARRA MANSA aos operadores do negócio (WHENDER, WHILIE, GERCINO, CLÉSIO, JAMILTON) eram quase sempre retirados por ele; b) segundo, era ele quem dava suporte operacional ao negócio explorado pelo Sr. JAMILTON que é evidenciado pelas multas dos veículos (PARTE IV) e cadastramento em seu nome, no sistema "SEM PARAR", de veículos de propriedade do Sr. JAMILTON (PARTE IV); c) terceiro, a fiscalização constatou que quase todos documentos fiscais emitidos em nome dos operadores do negócio explorado pelo Sr. JAMILTON eram preenchidos pelo Sr. Fl. 12603DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.592 23 WHILIE, além dos emitidos em seu próprio nome, a saber: NF do Produtor de Whender (Sítio São Lucas, Sítio dos Ipês e Fazenda Rio Verde), NF Produtor de Gercino Maciel (Faz. Rio Verde), NF Produtor de Clésio de Oliveira B Santos (Sítio Sobrado), NF Produtor de Jamilton Junqueira Polo (Faz. Bom Jesus), Conhecimentos de Transporte das empresas Jamilton Junqueira PoloEPP e Whilie Mijoler TransportesME; além disso, vários cheques sacados contra as contas correntes abertas no BANCO BRADESCO S/A, Ag. 1834, de Guará, também foram preenchidos com a mesma caligrafia, a saber: Whender Mijoler Polo C/C n° 8.6819, Whilie Mijoler Pólo, C/C n° 8.6827 e Gercino Maciel, C/C n° 9.091; 25 o Sr. WHILIE não é o titular de fato das receitas originadas da venda de bovinos e dos recursos financeiros delas decorrentes transitados na conta corrente n° 8.6827 aberta em seu nome, pois: a) primeiro: o fiscalizado não apresentou nenhuma informação ou documentos que pudessem comprovar a exploração da atividade rural (p.ex. escritura de imóvel rural ou contrato de arrendamento ou parceria, despesas com ração e produtos veterinários, despesas com transporte de animais, funcionários, etc.) e as evidências coletadas levaram à conclusão de que a exploração é simulada; b) segundo: nenhum bem ou direito foi localizado em nome do fiscalizado que teria sido adquirido com os recursos/resultado dos negócios, sendo que todos os bens localizados foram adquiridos em 2012 e encontramse alienados; c) terceiro: as transferências de recursos financeiros para as contas abertas em nome de JAMILTON JUNQUEIRA POLO, JAMILTON JUNQUEIRA POLO EPP e outras pessoas interpostas são expressivas e nenhum documento ou contrato foi apresentado para justificar tais operações; d) quarto: as diligências indicam que o Sr. WHILIE auxilia seu pai (administrativo e financeiro) na exploração do negócio (compra e venda de gado) e também teve seu nome utilizado indevidamente para abertura de inscrição e CNPJ Produtor rural e conta corrente (PARTE IV) 26 o Sr. JAMILTON é o titular de fato das receitas originadas pela venda de bovinos e dos recursos financeiros delas decorrentes transitados na conta corrente aberta em nome do o Sr. WHILIE, pois: a) primeiro: é o Sr. JAMILTON que detém a propriedade dos imóveis supostamente explorados (Fazenda Rio Verde, Fazenda Nova Suécia, Fazenda Bom Jesus); b) segundo: o Sr. JAMILTON detém a propriedade dos caminhões que transportaram a maioria dos bovinos adquiridos e vendidos, bem como dos veículos utilizados na administração dos negócios (PARTE IV e PARTE V); c) terceiro: o Sr. JAMILTON detém os conhecimentos do negócio explorado há anos; d) quarto: todas as notas fiscais de compras de ração, de produtos veterinários e de outros produtos inerentes a atividade rural apresentadas no curso das ações fiscais foram emitidas em nome do Sr. JAMILTON (PARTE IV); Fl. 12604DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 24 e) quinto: o Sr. JAMILTON e sua empresa receberam significantes recursos através transferências bancárias originadas das contas correntes das pessoas interpostas, sem respaldo documental; f) sexto: as diligências indicam que a exploração do negócio era de responsabilidade do Sr. JAMILTON; seus filhos, seu empregado doméstico Gercino Maciel e seu exempregado rural Clésio de Oliveira Barbosa dos Santos são interpostas pessoas e tiveram seus nomes utilizados indevidamente (com ou sem consentimento) para abertura de inscrição e CNPJ Produtor rural e contas correntes; 27 embora o Sr. WHILIE não tenha apresentado documentos para comprovar a origem dos recursos transitados em sua conta corrente, foram coletados documentos e informações que levaram à conclusão de que todos os recursos que transitaram em sua conta corrente são decorrentes das operações de compra e venda de bovinos realizadas pelo Sr. JAMILTON; 28 conforme notas fiscais de entradas, fichas e demonstrativos extraídos do livro de registro de entradas dos anoscalendário 2009 e 2010, correspondentes à venda de 3.777 cabeças em 2009 e de 3.772 cabeças em 2010, totalizando 7.549 cabeças, eis os créditos bancários referentes a tais vendas para a BARRA MANSA: Demonstrativo das Receitas Apuradas Barra Mansa Mês/Trimestre AC 2009 AC 2010 JAN 233.681,05 120.929,27 FEV 493.661,78 0,00 MAR 388.103,89 0,00 1° Trimestre 1.115.446,72 120.929,27 ABR 301.399,88 0,00 MAI 72.674,53 593.688,96 JUN 603.682,37 566.898,39 2° Trimestre 977.756,78 1.160.587,35 JUL 324.355,95 1.022.806,61 AGO 147.634,74 777.236,03 SET 364.630,87 927.618,55 3° Trimestre 836.621,56 2.727.661,19 OUT 316.138,25 108.129,57 NOV 867.728,04 950.547,75 DEZ 0,00 149.534,23 4° Trimestre 1.183.866,29 1.208.211,55 TOTAL 4.113.691,35 5.217.389,36 29 dos valores dos créditos bancários ("coluna A") foram deduzidos os valores transferidos das contas dos demais operadores (WHENDER, GERCINO MACIEL, JAMILTON e JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP) do negócio do Sr. Jamilton, de aplicações financeiras, estornos, etc. ("coluna B"), assim como os créditos bancários dos valores decorrentes das vendas realizadas a empresa BARRA MANSA já apurados ("coluna C"), resultando os valores a tributar ("coluna D"): 2009 2010 Mês/Trimestre A B C D A B C D JAN 0,00 0,00 233.681,05 0,00 463.743,46 0,00 120.929,27 342.814,19 FEV 53.400,00 16 000,00 493.661,78 0,00 207.319,00 111.000,00 0,00 96.319,00 MAR 347.101,89 17.000,00 388.103,89 0,00 413.011,16 0,00 0,00 413.011,16 1° Trimestre 0,00 852.144,35 ABR 11.050,00 0,00 301.399,88 0,00 587.957,91 55.522,00 0,00 532.435,91 MAI 296.165,61 0,00 72.674,53 223.491,08 885.719,69 534.982,17 593.688,96 0,00 JUN 532.434,32 39.000,00 603.682,37 0,00 1.243.992,78 33.200,00 566.898,39 643.894,39 2° Trimestre 223.491,08 1.176.330,30 JUL 357.476,33 0,00 324.355,95 33.120,38 1.082.500,96 19.000,00 1.022.806,61 40.694,35 Fl. 12605DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.593 25 AGO 274.614,40 29.760,80 147.634,74 97.218,86 984.638,80 58.000,00 777.236,03 149.402,77 SET 284.979,81 60.851,14 364.630,87 0,00 1.129.120,28 33.000,00 927.618,55 168.501,73 3° Trimestre 130.339,24 358.598,85 OUT 302.543,86 114.685,32 316.138,25 0,00 1.296.658,85 112.214,75 108.129,57 1.076.314,53 NOV 563.327,43 0,00 867.728,04 0,00 1.271.103,75 0,00 950.547,75 320.556,00 DEZ 574.649,01 0,00 0,00 574.649,01 1.061.805,67 37.060,00 149.534,23 875.211,44 4° Trimestre 574.649,01 2.272.081,97 TOTAL 928.479,33 4.659.155,47 30 as receitas auferidas e os resultados tributáveis serão apurados e consolidados em autos de infração a serem lavrados em nome de JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP; A PARTE III, que trata do curso da ação fiscal referente a GERCINO MACIEL (fls. 7051 a 7091), traz, em resumo, o seguinte: 1 diversos fatos (incluindo visitas aos locais e fotos) e informações apurados nas diligências evidenciam que Gercino Maciel analfabeto, de acordo com pesquisa CNIS reside num imóvel de baixíssimo padrão, à R. Maria Ortega, 10, Bairro Orestes Quércia, em Guará, SP, não apresentou declaração de ajuste anual nos últimos 5 anos, não possui qualquer imóvel e que trabalha "sem registro" há anos executando serviços domésticos e gerais na residência do Sr. JAMILTON, cujo endereço residencial (R. Francisco Maria Luiz, 142, Centro, CEP 14.580000, Guará, SP) foi utilizado para abrir a conta corrente n° 9.0913, na ag. 1834 do Bradesco, em seu nome; não há dúvida de que se trata de interposta pessoa do Sr. JAMILTON, como será mostrado; 2 a ação fiscal foi motivada pela expressiva movimentação financeira, conforme DIMOF, sem a apresentação da Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário 2010; 3 foi expedida RMF (ciência em 02/04/2013) para requisitar ao BRADESCO os extratos e outros documentos bancários das contas correntes em nome do fiscalizado, em vista das sucessivas intimações não atendidas, dos indícios de que o titular de direito é interposta pessoa, e do embaraço à fiscalização caracterizado pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira (inciso I, art. 33, da Lei n° 9.430/1996); 4 de posse dos extratos e demais documentos, foram selecionados os créditos/depósitos de valores iguais ou superiores a R$ 4.000,00 na conta n° 9.0913, ag. 18341 do BRADESCO, em nome de GERCINO MACIEL, que somaram R$ 10.260.521, 05, no anocalendário 2010, que foram objeto de intimação para comprovação de origem; 5 as cópias dos cheques emitidos pelo fiscalizado mostram que vários se destinaram aos operadores do negócio do Sr. JAMILTON, como ao Sr. Whilie e à empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOME, no anocalendário 2010; 6 a caligrafia utilizada para preenchimento dos cheques da conta n° 9.0913, bem como das notas fiscais do produtor rural emitidas em nome de GERCINO MACIEL (coletadas junto ao Frigorífico Barra Mansa) mostra, mesmo sem exame grafotécnico, ser igual à utilizada no preenchimento dos cheques das contas correntes de WHENDER e WHILIE, bem como no preenchimento das notas fiscais de produtor rural e dos conhecimentos de transportes emitidos pela empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP (PARTE II); Fl. 12606DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 26 7 as transferências de recursos da conta do Sr. GERCINO MACIEL para contas correntes do SR. JAMILTON e contas em nome dos demais operadores do negócio do Sr. JAMILTON são expressivas, somando R$ 1.643.696,34 em 2010; 8 a ficha cadastral aponta que o Sr. GERCINO é corretor de gado, com R$ 36.000,00 de salário mensal; os seus "apresentantes" à instituição financeira foram o Frigorífico Barra Mansa e o Sr. JAMILTON; sua conta foi encerrada em 22/11/2012, logo após o Sr. JAMILTON ter ciência, em 07/11/2012, do Termo de Diligência/Solicitação de Documentos n° 001 (PARTE IV); 9 após as diligências junto ao frigorífico BARRA MANSA, e ainda, junto a diversos produtores rurais fornecedores, juntouse provas de que a movimentação financeira tem origem no negócio de compra e venda de gado explorados pelo Sr. JAMILTON; 10 o frigorífico BARRA MANSA apresentou, em 17/06/2013, demonstrativo em que consta que os cheques emitidos pelo BARRA MANSA para pagamento das aquisições de gado para abate realizadas em nome de Sr. GERCINO MACIEL foram entregues diretamente ao Sr. WHILIE (sem procuração para isso), o que é mais uma prova que o Sr. GERCINO não é o titular de fato das operações; 11 as cópias das notas fiscais do produtor rural emitidas em nome de GERCINO MACIEL e as informações prestadas pela empresa BARRA MANSA mostram que: a) na parte superior ou inferior de diversas dessas notas fiscais constam as expressões "JAMILTON"; "WHILIE"; "POLO"; "CABRITO" (apelido do SR. WHILIE); b) a caligrafia utilizada no preenchimento dessas notas fiscais é a mesma utilizada no preenchimento das notas fiscais emitidas em nome de WHENDER, WHILIE e CLÉSIO DE OLIVEIRA BARBOSA DOS SANTOS, bem como nos conhecimentos de transportes emitidos pela empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP (PARTE II); c) conforme informações constantes no campo "informações complementares" da DANFE Documento Auxiliar da Nota ENTRADA fornecida pela BARRA MANSA, o transporte do gado teria sido realizado pelo Sr. JAMILTON JUNQUEIRA POLO e por WHILIE; 12 a partir dos débitos referentes a transferências bancárias para terceiros, constantes nos extratos bancários da conta corrente de GERCINO MACIEL, c/c n° 9.0913, ag. 18341, no BRADESCO, foram realizadas diversas diligências, das quais se destacam: a) Afonso Ricardo de Castro, de Araxá, MG, que recebeu R$ 100.000,00, no ano calendário 2010, por conta da venda de gado para o Sr. NILTON RIBEIRO, vulgo BICUDO, residente e domiciliado em Araxá, MG; informou que a documentação fiscal não foi entregue pelos compradores, conforme combinado, e por isso, não pode apresentála; b) Alaerce de Andrade de Queiroz, de São José da Bela Vista, SP, que recebeu, no ano calendário 2010, R$ 60.000,00, como adiantamento por conta da venda de 204 cabeças ao frigorífico BARRA MANSA por intermédio do Sr. JAMILTON, conforme notas fiscais em anexo; informou não conhecer o Sr.GERCINO; o Documento Auxiliar da Nota (DANFE) emitido pelo frigorífico, mostra que o valor total da operação foi de R$ 329.699,50 e a diferença teria sido paga pelo frigorífico, que, por seu turno, comprovou o pagamento do gado, em 28/08/2013, apresentando cheques nominais a ALLAERCE Fl. 12607DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.594 27 DE ANDRADE DE QUEIROZ; todavia, não foi possível identificar em que contas os mesmos teriam sido depositados/compensados (PARTE V); c) Ana Laura Florentino Redondo, de Rifaina, que recebeu R$ 72.371,00, no ano calendário 2010, por conta do recebimento de empréstimo concedido ao SR. WHILIE, conforme cópia do contrato de mútuo e recibo em anexo; informou não conhecer o Sr. GERCINO MACIEL; d) Antônio Caetano Eugênio, de Araxá, MG, que recebeu R$ 72.371,00, no ano calendário 2010, por conta de venda de gado para o Sr. NILTON RIBEIRO; informou que a documentação fiscal não foi entregue pelo comprador, conforme combinado, e por isso, não pode apresentála; e) Antônio Zago Lopes, de Sacramento, MG, que recebeu R$ 326.377,00, no ano calendário 2010, por conta de venda de gado para o Sr. JAMILTON; informou que não conhece o Sr. GERCINO MACIEL; as notas fiscais avulsas de produtor foram emitidas em nome do produtor rural Nelson Luiz Abdala da Silva e outro, da Fazenda São Francisco, em Pintópolis, MG, fato já ocorrido em outras compras de gado realizadas pelo Sr. JAMILTON e seus operadores (PARTE I); f) Benjamin Cury Neto, de Franca, SP, que recebeu R$ 28.852,00, no anocalendário 2010, por conta de venda de 18 cabeças de gado para o Sr. JAMILTON, com nota fiscal emitida em nome da empresa BARRA MANSA, que comprovou o pagamento, em 28/08/2013, apresentando o cheque n° 076826, nominal a BENJAMIN CURY NETO E OUTROS, no valor de R$ 28.852,56, o qual foi depositado/compensado na conta corrente n° 5.0571, de JAMILTON JUNQUEIRA POLOME, no BRADESCO (PARTE V); g) Cildete Maria de Almeida Furtado, de Sacramento, MG, que recebeu R$ 26.418,00, no anocalendário 2010, por conta de venda de gado para o Sr. JAMILTON; informou não conhecer o Sr. GERCINO MACIEL; as notas fiscais avulsas de produtor mais uma vez foram emitidas em nome de Nelson Luiz Abdala da Silva e outro, da Fazenda São Francisco, em Pintópolis; h) Elmar Pereira Rezende, de Pedrinópolis, MG, que recebeu R$ 108.639,00, no ano calendário 2010, por conta de venda de gado por meio do seu conhecido, Sr. Whilie, que se apresentou como representante do Sr. GERCINO MACIEL, sem emissão de documentos fiscais; i) Enio Humberto Camilo, de Uberaba, MG, que recebeu R$ 50.153,00, no ano calendário 2010, por conta de venda de gado a RENATO LUCAS DE SOUZA intermediado por RICARDO DOS ANJOS CAMILO, conforme documento em anexo; informou que não conhece o Sr. GERCINO MACIEL e não soube informar a razão, motivo ou circunstância que o levou a efetuar a transferência bancária; a análise dos documentos e informações coletados no curso das ações fiscais mostram que o SR. RICARDO DOS ANJOS CAMILO tem estreitas relações comerciais com a Familia Polo; j) Francisco Puertas Zafra, de Uberaba, MG, que recebeu R$ 21.684,00, no anocalendário 2010, por conta de venda de gado ao Sr. ROBERTO JUNQUEIRA que se dizia comprador de gado para o FRIGORÍFICO ORANGE, conforme documento em anexo, Fl. 12608DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 28 sem emissão de nota fiscal; os documentos e informações coletadas no curso das ações fiscais mostram que o SR. ROBERTO JUNQUEIRA atua como corretor de gado e tem estreitas relações comerciais com a "FAMÍLIA POLO"; ignora quem seja o Sr. GERCINO MACIEL k) Júlio César Dumont, de Perdizes, de MG, que recebeu de R$ 142.677,00, no ano calendário 2010, por conta de venda de gado ao Sr. Nélio "Boiadeiro", conforme documento anexo; como em outros negócios, as notas fiscais avulsa foram emitidas em nome de Nelson Luiz Abdala da Silva e outro; dentre os motorista dos veículos que transportaram o gado estão WHENDER e WHIGOR; l) Klener Brentini Branquinho, de Pedregulho, SP, que recebeu de R$ 108.260,00, no ano calendário 2010, por conta de venda de gado à empresa BARRA MANSA, intermediada pelo SR. WHENDER; informou desconhecer o Sr. GERCINO MACIEL; referida empresa comprovou o pagamento do gado apresentando diversos cheques nominais a KLENER BRENTINI BRANQUINHO e a fiscalização identificou que alguns destes cheques teriam sido depositados/compensados em contas correntes de WHENDER (C/C 68819), GERCINO MACIEL (C/C 90913) e do Sr. NILTON RIBEIRO (PARTE 1), inclusive com falsas assinaturas de endosso (PARTE V); m) Nadir Pereira da Cunha, de Perdizes, MG, que recebeu de R$ 80.430,00, no ano calendário 2010, por conta de venda de gado ao Sr. WHENDER; informou desconhecer o Sr. GERCINO MACIEL; n) Romeu Paixão Leal, de Santa Vitória, MG, que recebeu de R$ 43.306,00, no ano calendário 2010, por conta de venda de 40 cabeças de gado ao Sr. JAMILTON, intermediado pelo corretor Mário Antônio Fornazie; a pedido do Sr. JAMILTON, o gado foi guiado em nome de Nelson Luiz Abdala da Silva e outro, da Fazenda São Francisco, Pintópolis, MG; informou desconhecer o Sr. GERCINO MACIEL; o) José Augusto de Almeida Junqueira, de Perdizes, MG, que recebeu de R$ 20.000,00, no anocalendário 2010, por conta de venda de gado ao Sr. WHILIE; informou desconhecer o Sr. GERCINO MACIEL; 13 os imóveis rurais supostamente explorados pelo Sr. GERCINO MACIEL são a Fazenda Rio Verde (CNPJ de Produtor Rural n.° 11.314.736/000150, com atividade de criação de bovinos, exceto corte e leite, desde 12/11/2009) e o Sítio dos Ipês (CNPJ de Produtor Rural n.° 11.314.736/000231, com atividade de criação de Criação de bovinos para corte, desde 17/01/2011), que já seriam 100% explorados pelo Sr. WHENDER; a atividade explorada na "Fazenda Rio Verde" seria a criação de bovinos, exceto para corte e leite, entretanto, verificou se que as notas fiscais de produtor rural emitidas referemse a gado para abate; tal fazenda era de propriedade dos pais do Sr. JAMILTON (OSWALTER POLO) e por herança, hoje é de propriedade do Sr. JAMILTON; nenhum contrato de arrendamento e/ou parceria foi apresentado à fiscalização; notese que essa fazenda foi utilizada para inscrição de 5 CNPJ, a saber: a) Whender, CNPJ n.° 10.603.823/000165, de criação de bovinos para corte, desde 28/01/2009; b) Whilie, CNPJ n.° 10.308.323/000109, de criação de bovinos para corte, desde 29/08/2008; Fl. 12609DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.595 29 c) Jamilton Junqueira Polo e Janete J Polo de Melo, CNPJ n.° 14.944.915/000160, de cultivo de canadeaçúcar, desde 25/01/2012; d) Gercino Maciel, CNPJ n.° 11.314.736/000150, de criação de bovinos, exceto corte e leite, desde 12/11/2009; e) Whigor Mijoler Polo Transportes, CNPJ n.° 13.034.781/000187, de transporte rodoviário de cargas, desde 23/11/2010; 14 o Sr. GERCINO MACIEL se recusou a receber pessoalmente a fiscalização e não atendeu a qualquer das intimações; 15 o volume dos negócios em nome de GERCINO MACIEL é expressivo e todo decorrente da venda de gado ao frigorífico BARRA MANSA, para o qual ele teria vendido, no ano calendário 2010, 4.992 cabeças, no valor de R$ 11.040.944,22, conforme demonstrativo e fichas do Livro de Registro de Entradas apresentados pelo frigorífico, tendo sido, neste ano, seu principal fornecedor de gado; 16 os pagamentos eram realizados através de cheques nominais ao Sr. GERCINO MACIEL e depositados na conta corrente n° 9.0913, da agência 1834, do BRADESCO, em Guará; o frigorífico informou que esses cheques também eram entregues ao Sr. WHILIE; 17 o SR. GERCINO MACIEL foi intimado a comprovar a origem de recursos no montante de R$ 10.260.521,05 que transitaram pela sua conta corrente, mas não respondeu; 18 o Sr. GERCINO MACIEL não é o titular de fato das receitas de vendas de bovinos e dos recursos financeiros delas decorrentes transitados na conta corrente (n° 9.0913, ag. 1834, do BRADESCO) e considerado pessoa interposta do Sr. JAMILTON, pois a) primeiro: o Sr. GERCINO MACIEL é pessoa simples e não detém condição financeira e patrimonial para desenvolver a exploração dos negócios registrados em seu nome; b) segundo: o SR. GERCINO MACIEL não apresentou qualquer informação ou documentos que pudessem comprovar a exploração da atividade rural (p. ex.: escritura de imóvel rural ou contrato de arrendamento ou parceria, despesas com ração e produtos veterinários, despesas com transporte de animais, funcionários, etc.); c) terceiro: no anocalendário 2010 foi identificada em nome do Sr. GERCINO MACIEL receita da atividade no montante de R$ 11.040.944,22 e nenhum bem ou direito foi localizado em seu nome; d) quarto: as transferências de recursos financeiros ocorridas no anocalendário 2010 para as contas abertas em nome de JAMILTON, JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, WHILIE, WHENDER e WHIGOR são constantes e expressivas e nenhum documento ou contrato foi apresentado para justificar tais operações; e) quinto: as diligências indicam que as pessoas que receberam pagamentos através da conta corrente aberta em nome do Sr. GERCINO MACIEL sequer o conhecem e que os negócios foram realizados pelo Sr.JAMILTON; Fl. 12610DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 30 19 o Sr. JAMILTON foi considerado pela fiscalização titular de fato das receitas das vendas de bovinos e dos recursos financeiros delas decorrentes transitados na conta corrente em nome do Sr. GERCINO MACIEL, pois: a) primeiro, o Sr. GERCINO MACIEL presta serviços domésticos gerais na residência do Sr. JAMILTON e está diretamente subordinado a ele; b) segundo: é o Sr. JAMILTON que detém a propriedade do imóvel supostamente explorado denominado de Fazenda Rio Verde; c) terceiro: é o SR. JAMILTON que detém a propriedade dos caminhões que transportaram a maioria dos bovinos adquiridos "sem nota" e vendidos em nome do Sr. GERCINO MACIEL; d) quarto: é o Sr. JAMILTON que detém os conhecimentos do negócio explorado há anos; e) quinto: todas as notas fiscais de compras de ração, de produtos veterinários e de outros produtos inerentes à atividade rural apresentadas no curso das ações fiscais foram emitidas em nome do Sr. JAMILTON (PARTE IV); f) sexto: o Sr. JAMILTON, sua firma individual e seus filhos (WHENDER, WHILIE e WHIGOR) foram as pessoas que receberam significativos recursos por meio de transferências bancárias originadas da conta corrente de GERCINO MACIEL, sem qualquer documento apresentado para justificar os valores recebidos; g) sétimo: as diligências indicam que os negócios de compra e venda de gado são de responsabilidade do Sr. JAMILTON, auxiliado pelos seus 3 filhos, que também tiveram seus nomes utilizados indevidamente para abertura de inscrição e CNPJ de Produtor Rural e contas correntes junto a instituições financeiras; h) oitavo: a caligrafia utilizada no preenchimento das notas fiscais do produtor rural emitidas em nome do Sr.GERCINO MACIEL é a mesma utilizada para preenchimento das notas fiscais do produtor rural emitidas em nome de WHENDER, WHILIE e JAMILTON; i) nono: os cheques emitidos pela BARRA MANSA para pagamento das vendas realizadas em nome de GERCINO MACIEL eram entregues ao Sr. WHILIE; 20 conforme as notas fiscais de entradas e fichas do Livro de Registro de Entradas da BARRA MANSA, as receitas de vendas de 7.157 cabeças de gado em nome de Gercino para a BARRA MANSA totalizaram de R$ 11.040.944,22, no anocalendário 2010: Demonstrativo das Receitas ApuradasBarra MansaAC 2010 Mês de Emissão da NFE Valor total das Vendas Mensais JAN 288.746,55 FEV 280.086,70 MAR 389.334,80 1° Trimestre 958.168,05 ABR 1.832.770,69 MAI 498.751,20 JUN 592.351,52 2° Trimestre 2.923.873,41 JUL 1.062.362,26 AGO 899.405,97 SET 1.243.426,27 Fl. 12611DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.596 31 3° Trimestre 3.205.194,50 OUT 1.904.638,29 NOV 239.351,26 DEZ 1.809.718,71 4° Trimestre 3.953.708,26 TOTAL 11.040.944,22 21 as receitas auferidas e os resultados tributáveis serão apurados e consolidados em autos de infração a serem lavrados em nome de JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP. A PARTE IV, que trata da ação fiscal referente a JAMILTON JUNQUEIRA POLO (fls. 7092 a 7138), titular de fato dos negócios em tela, traz, em resumo, o seguinte: 1 em 11/03/2013, após sucessivas intimações e prorrogações, o contribuinte apresentou apenas os extratos bancários do BANCO SANTANDER DO BRASIL S/A (Ag. 0476 c/c n,° 10007926) e da COOP CRED PEQ EMP MICROEMPREENDEDORES (Ag. 32107 c/c n° 10.1702; 2 assim, os extratos bancários das contas correntes mantidas junto ao Banco Bradesco, Banco do Brasil e Nossa Caixa foram solicitados através de RMF, como se verá adiante; os extratos bancários apresentados pelo contribuinte no curso da diligência fiscal serão analisados mais adiante juntamente com os demais extratos requisitados; 3 coletando dados sobre a existência de multas de infração de trânsito (CIRETRAN FRANCA/SP) envolvendo os 6 veículos cadastrados no sistema RENAVAN em nome de fiscalizado, conforme extratos em anexo, apurouse a existência de multas aplicadas aos condutores JAMILTON, WHILIE e WHENDER; as multas aplicadas aos filhos, no contexto exposto, evidenciam a relação de emprego e subordinação ao Sr. Jamilton, proprietário dos veículos; 4 coletando dados junto ao sistema "SEM PARAR" (CGMP CENTRO DE GESTÃO DE MEIOS DE PAGAMENTOS S/A), apurouse que a Toyota Hilux CD 4X4 SRV, ano 2010, do Sr. Jamilton foi cadastrada em nome de WHILIE e posteriormente substituída pela Toyota Hilux CD 4X4 SRV, ano 2012, do Sr. Jamilton, o que evidencia a sua relação de emprego e subordinação ao proprietário dos veículos; 5 diligência junto ao frigorífico BARRA MANSA evidenciou, com base em cópia do Documento Auxiliar da Nota DANFE (entrada) emitido pela empresa, cópia das notas fiscais de produtor emitidas em nome do fiscalizado, cópia dos conhecimentos de transporte, notas promissórias rurais e as fichas do Livro de Registro de Entradas relativas aos anoscalendário 2009 e 2010, em anexo, que o fiscalizado vendeu ao frigorífico bovinos para abate que somaram R$ 1.443.927,31 e R$ 1.497.440,62, respectivamente, nos anoscalendário 2009 e 2010, sendo que todos os cheques e/ou notas promissórias rurais emitidas pelo BARRA MANSA foram entregues diretamente ao SR. WHILIE, pessoa interposta e responsável pela área administrativa e financeira dos negócios desenvolvidos pelo Sr. JAMILTON; 6 de acordo com as informações constantes nas notas de entradas, quase todo o gado foi transportado pela empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOME e também pela empresa WHILIE MIJOLER TRANSPORTESME (CABRITO TRANSPORTES); os documentos Fl. 12612DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 32 fiscais emitidos em nome do Sr. JAMILTON e das demais pessoas/empresas (WHENDER, WHILIE, GERCINO MACIEL, CLÉSIO DE OLIVEIRA, JAMILTON JUNQUEIRA POLO EPP) foram preenchidos pela mesma pessoa; 7 eis um apanhado das informações das instituições financeiras: a) BRADESCO: segundo a ficha cadastral, a conta corrente seria em conjunto com sua esposa, a Sra. SÔNIA MIJOLER POLO; entretanto, as cópias dos cheques mostram que a conta seria também em conjunto com um dos filhos, o Sr. WHIGOR; intimado, o contribuinte não prestou as informações solicitadas; b) NOSSA CAIXA: as cópias dos cheques mostram que a conta corrente é conjunta com seu filho WHILIE; c) BANCO DO BRASIL: as cópias dos cheques mostram que a conta corrente é conjunta com sua esposa, a Sra. SÔNIA; 8 intimado, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: a) 6 talonários de nota fiscal de produtor (n°s 101 a 250), da Fazenda Bom Jesus, em Rifaina, SP; b) 544 DANFE's (Documento auxiliar da nota fiscal eletrônica) de compras realizadas da Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia; c) Notas Fiscais de Compras relativas a diversos fornecedores; 9 as notas fiscais de compras tiveram como destinatário a pessoa fisica do Sr. JAMILTON, CPF n° 982.736.71887, para o CNPJ de Produtor Rural de n° 08.619.218/000130, da Fazenda Bom Jesus, em Rifaina, SP; dentre as notas, destacamse as emitidas pelas seguintes empresas e/ou cooperativas: a) COOPERATIVA DOS AGRICULTORES DA REGIÃO DE ORLÂNDIA: referentes à aquisição de produtos veterinários, ração (farelo de milho, produtos para manutenção de veículos, lubrificante, filtro de óleo); segundo tais notas, as mercadorias teriam sido transportadas pelo Sr. JAMILTON e pelos filhos WHENDER, WHILIE e WHIGOR; b) GASODIESEL PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA: compra de óleo diesel; c) COMERCIAL DIVINO PNEUS E PEÇAS LTDA EPP: compra de serviços de recapagem e consertos de pneus; d) PREMIX MANUF PROD ALIM ANIMAIS PREMIX LTDA: compra de ração para bovinos no anocalendário 2010; e) COMERCIAL AUTOMOTIVA LTDA (DPASCHOAL): compra de 4 pneus; f) NOTAS FISCAIS AVULSAS EMITIDAS POR PRODUTORES RURAIS DE GOIÁS: compra de caroço de algodão; segundo tais notas, um dos motorista da carga foi o Sr. WHENDER; g) USINA COLORADO AÇÚCAR E ÁLCOOL OSWALDO R. MENDONÇA LTDA: compra de bagaço de cana; Fl. 12613DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.597 33 10 os transportadores (itens a e f acima) são elementos adicionais que demonstram que, de fato, os negócios de compra e venda de bovinos eram desenvolvidos pelo Sr. JAMILTON auxiliado pelos filhos WHENDER, WHILIE e WHIGOR; 11 nas Declarações de Ajuste Anual relativas aos anoscalendário 2009 e 2010, o contribuinte declarou explorar a firma individual JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, de CNPJ n° 03.050.534/000110 (PARTE V) e a atividade rural; 12 o contribuinte informou em suas Declarações de bens e direitos os seguintes imóveis rurais: a) 100% Fazenda Bom Jesus 120,0 Ha Rifaina, SP; b) 50% Fazenda Nova Suécia 459,8 Ha Sacramento, MG; c) 100% Fazenda Retiro do Bom Jesus 120,5 Rifaina, SP; d) 100% Sítio Sobrado 7,2 Ha Guará, SP; 13 intimado a apresentar cópias das escrituras e contratos de arrendamento e/ou parcerias, nada apresentou; 14 pesquisas junto aos órgãos de registro de imóveis mostraram os imóveis rurais/matriculas a seguir: a) Sítio Sobrado, em Guará, SP, com 2,42 ha, matrícula 460; b) Faz. Rio Verde, em Guará, SP, com 25,71 ha, matrícula 1359; c) Faz.Rio Verde, em Guará, SP, com 45,14 ha, matrícula 7; d) Sítio Cascalho, em Rifaina, SP, com 26,68 ha, matrícula 4520; e) Faz. Bom Jesus, em Rifaina, SP, com 45,11 ha, matrícula 4577; f) Faz. Bom Jesus, em Rifaina, SP, com 43,50 ha, matrícula 4576; g) Faz. Retiro Bom Jesus, em Rifaina, SP, com 9,68 ha, matrícula 5693; h) Faz. Retiro Bom Jesus, em Rifaina, SP, com 9,68 ha, matrícula 5694; i) Faz. Retiro Bom Jesus, em Rifaina, SP, com 12,10 ha, matrícula 5697; j) Faz. Retiro Bom Jesus, em Rifaina, SP, com 9,68 ha, matrícula 5698; k) Faz. Retiro Bom Jesus, em Rifaina, SP, com 121,80 ha, matrícula 9639; l) Faz. Nova Suécia, em Sacramento, MG, com 495,70 ha, matrícula 13759; Fl. 12614DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 34 15 além dos imóveis rurais informados na Declaração de Bens e Direitos denominados de Fazenda Bom Jesus, Fazenda Nova Suécia, Fazenda Retiro do Bom Jesus e Sitio Sobrado, a fiscalização constatou que o contribuinte ainda é proprietário da Fazenda Rio Verde, em Guará, SP e do Sítio Cascalho, em Rifaina, SP; 16 eis todos os imóveis rurais pertencentes a JAMILTON e que, simuladamente, seriam explorados por terceiros (WHENDER, WHILIE, WHIGOR, GERCINO MACIEL e CLÉSIO DE OLIVEIRA BARBOSA DOS SANTOS) com objetivo de abrir inscrições e CNPJ de produtor rural "de fachada", bem como contas correntes, principalmente no BANCO BRADESCO S/A, com objetivo de dissimular as transações comerciais realizadas e o recebimento dos recursos financeiros delas decorrentes e, assim, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação principal: a) Faz. Rio Verde, em Guará, SP, explorada por (I) WHENDER, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 10.603 823/000165, de criação de bovinos para corte, desde 28/01/2009; (II) WHILIE, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 10.308.323/000109, de criação de bovinos para corte, desde 29/08/2008; (III) JAMILTON JUNQUEIRA POLO e JANETE JUNQUEIRA POLO DE MELO, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 14.944.915/0001 60, de canadeaçúcar, desde 25/01/2012; (IV) GERCINO MACIEL, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 11.314.736/000150, de criação de bovinos, exceto corte e leite, desde 12/11/2009; e (V) WHIGOR, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 13.034.781/000187, de transporte rodoviário de cargas, desde 23/11/2010; b) Fazenda Bom Jesus, em Rifaina, SP, explorada por Jamilton Junqueira Polo, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 08 619.218/000130, de criação de bovinos para corte, desde 29/08/2008, desde 31/01/2007; c) Sitio Bom Jesus, em Rifaina, SP, explorado por (I) WHILIE, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 10.308.323/000281, de criação de bovinos para corte, desde 29/03/2010; e (II) WHIGOR, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 12.692.662/000143, de criação de bovinos para corte, desde 19/10/2010; d) Sítio dos Ipês, em Guará, SP, explorado por (I) WHENDER, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 10.603.823/000246, de criação de bovinos para corte, desde 20/072009; e (II) GERCINO MACIEL, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 11.314.736/000231, de criação de bovinos para corte, desde 17/01/2011; e) Sitio São Lucas, em Rifaina, SP, explorado por WHENDER, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 10.308.323/000327, de criação de bovinos para corte, desde 03/05/2010; f) Sítio Amanbaia, em ltuverava, SP, explorado por WHILIE, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 10 308 323/000362, de criação de bovinos para corte, desde 23/01/2012; g) Sítio Sobrado, em Guará, SP, explorado por (I) CLÉSIO, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 10.351.418/000105, de criação de bovinos para corte, desde 18/09/2008; e (II) WHIGOR, sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 12.692.662/000224, de criação de bovinos para corte, desde 10/02/2012; h) Fazenda Nova Suécia, em Sacramento, MG, explorada por WHILIE sob o CNPJ de Produtor Rural n.° 00.128.284/000124, de criação de bovinos para leite, desde 15/07/2009; Fl. 12615DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.598 35 17 após inúmeras intimações e reintimações nenhum contrato de arrendamento e/ou parceria foi apresentado; eis as conclusões sobre os imóveis: a) consulta ao Cartório de Registro de Imóveis e Anexos de Guará, SP, mostra que, nos anoscalendário 2009 e 2010, a "Fazenda Rio Verde" pertencia a OSVALTER POLO e Sra. ILDA JUNQUEIRA POLO, pais do Sr. JAMILTON; em 2011, após sucessivas transações (aquisições e doações), 75% desse imóvel passou a pertencer ao Sr. JAMILTON (PARTE I); b) a Fazenda Bom Jesus é o principal imóvel explorado pelo Sr. JAMILTON (PARTE I); c) o Sítio Bom Jesus, supostamente explorado por WHILIE e WHIGOR, pertence ao Sr. JAMILTON; d) não foi identificado o proprietário dos imóveis rurais denominados de Sítio dos Ipês, Sítio São Lucas e Sítio Amanbaia, supostamente explorados por WHENDER, WHILIE e GERCINO MACIEL; entretanto, tudo indica que o Sítio dos Ipês também pertence ao Sr. JAMILTON; e) o Sr. JAMILTON informou nas Declarações de Ajuste Anual que explorou, nos anos calendário 2009 e 2010, 100% do imóveis denominados de SÍTIO SOBRADO e FAZENDA BOM JESUS, mas constatamos a existência de CNPJ Produtor Rural e inscrição estadual em nome CLÉSIO DE OLIVEIRA BARBOSA DOS SANTOS (SÍTIO SOBRADO); a exploração de 100% do Sítio Sobrado pelo Sr. JAMILTON continuou até 2012, mas o imóvel também registra inscrição/CNPJ Produtor Rural em nome de WHIGOR; 18 muitos dos destinatários das transferências bancárias realizadas através das contas correntes de WHENDER, WHILIE, GERCINO MACIEL, empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP e JAMILTON são os mesmos produtores/corretores, o que significa que (I) existia uma única rede de fornecedores de gado e (II) quando necessário, era utilizada mais de uma conta para realizar o pagamento de uma operação realizada pelo Sr. JAMILTON, como mostra o quadro às fls. 7117 do eprocesso; 19 as operações de vendas em nome do Sr. CLÉSIO foram realizadas através do CNPJ Produtor Rural n° 10.351.418/000105 (data abertura: 18/09/2008) e da inscrição estadual n° 325.077.055.119, com a simulação do arrendamento do Sítio Sobrado, que pertencia ao Sr. JAMILTON; 20 a escrituração contábil da BARRA MANSA mostra que no anocalendário 2009 foram realizados pagamentos no total de R$ 4.545.515,08 ao Sr. CLÉSIO, conforme lançamentos na conta contábil (21100100002 FORNECEDORES DE GADO); os pagamentos "por cheque" somaram R$ 4.454.412,65, sendo R$ 4.390.540,39 registrados na conta contábil BANCO BRADESCO AG. 3376 e R$ 63.872,26 na conta contábil BANCO REAL RIB. PRETO, embora o Livro de Registro de EntradasAC 2009 aponte compras de R$ 3.524.928,41, no anocalendário 2009; (negritouse) 21 na parte superior de diversas cópias das las vias das notas fiscais de produtor rural emitidas em nome do Sr. CLÉSIO (Sitio Sobrado) disponibilizadas pela BARRA MANSA há a palavra "JAMILTON" identificando, para o frigorífico, o nome do titular de fato das operações; Fl. 12616DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 36 22 os dados do campo "transportador/volumes transportados" da DANFE (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica de "entrada" emitido pela BARRA MANSA) mostram que todo o gado guiado em nome do Sr. CLÉSIO foi transportado pela empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOME; 23 todos os documentos fiscais emitidos em nome do Sr. CLÉSIO e de outros operadores do negócio de compra e venda de gado explorado pelo Sr. JAMILTON foram preenchidos por uma mesma pessoa, conforme descrito abaixo, e os indícios é que esta pessoa seja o Sr. WHILIE, filho do SR. JAMILTON e responsável pela parte administrativa, operacional e financeira dos negócios; 24 informações prestadas pela BARRA MANSA dão conta de que todos os cheques para pagamento do gado adquirido em nome do Sr. CLÉSIO foram entregues diretamente ao Sr. JAMILTON ou a WHILIE (dois cheques); 25 o cotejo dos dados das fichas das contas da empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLO EPP e de WHILIE e WHENDER apresentadas pelo BRADESCO ("2a VIA DO COMPROVANTE DE DEPÓSITO/TRANSFERÊNCIA") com os lançamentos contábeis da BARRA MANSA permite identificar que alguns cheques nominais ao Sr. CLÉSIO transitaram pelas contas da firma individual JAMILTON JUQUEIRA POLOEPP, de WHENDER e de WHILIE; 26 a análise dos cheques nominais ao SR. CLÉSIO mostra que: a) os endossos dos cheques foram realizados com assinaturas falsificadas, o que é facilmente comprovado pela variação das assinaturas ou ainda comparandose com a assinatura aposta no Termo de Constatação (PARTE I); b) uma da assinaturas de endosso (por extenso) foi feita com a mesma caligrafia utilizada para preencher os documentos fiscais (notas fiscais de produtor rural e conhecimento de transporte) emitidos em nome de WHENDER, WHILIE, GERCINO MACIEL, JAMILTON e JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP; 27 as provas e evidências mostram que os negócios realizados em nome do Sr. CLÉSIO pertenciam de fato ao Sr. JAMILTON; assim, a receita da venda de bovinos à BARRA MANSA no anocalendário 2009 em nome do Sr. CLÉSIO totalizou R$ 3.524.928,41, conforme os dados do Livro de Registro de Entradas AC 2009 da referida empresa e como tal será tributada; 28 a fiscalização selecionou créditos/depósitos constantes nos extratos bancários de contas correntes do Sr. JAMILTON, conforme segue: a) Anocalendário 2009: Banco do Brasil S/A (C) R$ 432.808,00 Cooperativa de Crédito R$ 46.000, 00 Banco Bradesco S/A (C) R$ 1.706.659, 90 Nossa Caixa (C) R$ 494.677, 07 Santander do Brasil R$ 118.281,00 Total R$ 2.798.425,97 b) Anocalendário 2010: Fl. 12617DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.599 37 Banco do Brasil S/A (C) R$ 110.369,76 Cooperativa de Crédito R$ 452.203, 50 Banco Bradesco S/A (C) R$ 2.877.339, 06 Nossa Caixa (C) R$ 160.627,44 Santander do Brasil R$ 159.760, 00 Total R$ 3.760.299,76 c) Total geral .................... R$ 6.558.725,73 29 em 31/05/2013, intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados em sua conta corrente constantes no "Anexos do Termo de Intimação", o contribuinte nada apresentou; apesar disso, a fiscalização coletou informações e documentos que demonstram que a movimentação financeira teve origem na exploração dos negócios de compra e venda de bovinos; 30 a análise dos documentos bancários permitiu identificar as contas conjuntas abaixo e o contribuinte foi intimado, em vão, a informar o percentual de participação de cada um dos titulares nos valores depositados/creditados nas respectivas contas: a) Banco do Brasil Ag. 2092 C/C 20.028 Conjunta com a Sra. SÔNIA, sua esposa; b) Bradesco S/A Ag. 18341 C/C 3.9438 Conjunta com WHIGOR e a Sra. SÔNIA; c) Nossa Caixa Ag. 168 C/C 83077 Conjunta com WHILIE; 31 nos anoscalendário 2009 e 2010, nenhum dos três (SÔNIA, WHILIE e WHIGOR) apresentou declaração de ajuste, de modo que a fiscalização concluiu que os depósitos/créditos bancários nessas contas são todos decorrentes exclusivamente da atividade de compra e venda de bovinos explorada individualmente pelo Sr. JAMILTON, e assim será tributada; 32 eis as divergências apuradas entre (I) Receita Declarada, (II) Receita Bruta Identificada, e (III) Créditos Bancários: Fl. 12618DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 38 33 o negócio preponderante explorado pelo Sr. JAMILTON, auxiliado, sob relação de emprego e subordinação, pelos seus filhos WHENDER, WHILIE e WHIGOR (sem ação fiscal), é a compra e venda de bovinos e tinha como principal cliente a BARRA MANSA; 34 os documentos obtidos pela fiscalização não permitiram determinar o tempo que o rebanho adquirido e comercializado permaneceu em poder do fiscalizado; o contribuinte, embora intimado a detalhar a sua atividade, bem como a informar, no caso de intermediação, os percentuais, forma e valores das comissões, conforme abaixo descrito, nada apresentou: a) venda de rebanho em confinamento superior a 52 dias; b) venda de rebanho em confinamento inferior a 52 dias; c) venda de rebanho em seu poder superior a 138 dias, nos demais casos; d) venda de rebanho em seu poder inferior a 138 dias, nos demais casos; 35 as ações fiscais ora relatadas mostraram que a principal fonte de receita do Sr. JAMILTON decorre da venda de bovinos para a BARRA MANSA; eis os números totais das operações: DEMONSTRATIVO NEGÓCIOS REALIZADOS JAMILTON X FRIGORÍFICO BARRA MANSA Emitente da Nota fiscal de venda Grau de relacionamento com o Sr. Jamilton Quantidade 2009 Quantidade 2010 Valor 2009 Valor 2010 WHENDER Filho 10.821 7.010 11.398.809,81 8.061.494,24 WHILIE Filho 3.777 3.772 4.113.691,35 5.217.389,36 GERCINO MACIEL empregado doméstico 0 7.157 0,00 11.040.944,22 CLÉSIO exempregado rural 2.382 0 3.524.928,41 0,00 JAMILTON Titular de fato 654 1.402 1.443.927,31 1.497.440,62 TOTAL 17.634 19.341 20.481.356,88 25.817.268,44 36 destaquese que quase todo o gado vendido para a BARRA MANSA era procedente do Estado de Minas Gerais; outras vendas foram feitas pelo Sr. JAMILTON a esse frigorífico através de notas fiscais emitidas por terceiros cujos recursos foram depositados em contas correntes de WHENDER (PARTE I), WHILIE (PARTE II) e JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP (PARTE V); as notas fiscais emitidas em nome de ROSALU FERRAZ FLADT QUEIROZ e OCACIR JOSÉ SOARES são comprovadamente inidôneas (PARTE V); 37 a fiscalização concluiu que as intimações não foram atendidas para dificultar a apuração da verdade material dos fatos, vez que ficou demonstrado que WHENDER, WHILIE e GERCINO MACIEL, além do exempregado CLÉSIO, são pessoas interpostas ("laranjas") de JAMILTON; 38 outro ponto importante é o da não apresentação das notas fiscais de compra do gado vendido para a BARRA MANSA, que será explicitado como segue: a) a região do Estado de São Paulo (Sertãozinho), aonde o frigorífico atua, não possui rebanho suficiente para manter o abatedouro em pleno funcionamento; b) assim, a alternativa foi adquirir gado de Minas Gerais; no caso em tela, a maioria do gado era do Triângulo Mineiro (Sacramento, Prata, Araxá, Tapira, Conquista, Uberaba, Perdizes, Pedrinópolis, etc.); c) ora, o produtor rural vende seu gado para quem paga o maior preço por arrouba de boi (independente do local do frigorífico, pois o frete é sempre pago pelo comprador); Fl. 12619DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.600 39 d) dessa forma, o frigorífico, para enfrentar a concorrência, principalmente, para poder competir com os frigoríficos de Minas Gerais, precisava também adquirir gado sem incidência do ICMS; e) para isso o frigorífico BARRA MANSA cooptou pessoas dispostas a adquirir gado de Minas Gerais sem nota fiscal ou com notas fiscais emitidas como se o gado tivesse como destino outro imóvel em Minas Gerais, internalizálos no Estado de São Paulo (facilidade encontrada pela precariedade da fiscalização estadual) e posteriormente "esquentar" a operação com a emissão de notas fiscais de venda provenientes de imóveis localizados em São Paulo; neste caso, essa pessoa foi o Sr. JAMILTON; f) a inexistência de notas fiscais de compras (entradas) de bovinos de Minas Gerais levou o Sr. WHENDER a apresentar grande quantidade de notas fiscais inidôneas emitidas por produtores rurais do Estado de São Paulo, principalmente da região sudoeste do Estado, que estão distantes a pelo menos 500 Km dos imóveis explorados pelo fiscalizado; outras considerações sobre o tema estão na PARTE V; 39 a fiscalização identificou, durante os anoscalendário 2009 e 2010, por meio das Declarações de Informações Sobre Movimentação Financeira (DIMOF) apresentadas pelas instituições financeiras, movimentação financeira expressiva que transitou pelas contas correntes dos operadores do negócio, conforme segue: a) WHENDER: R$ 17.081.936,00; b) WHILIE: R$ 14.642.012, 38; c) JAMILTON: R$ 7.587.156, 36 d) JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP: R$ 14.923.615,98; não há notas fiscais de vendas emitidas em nome da empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP; entretanto, as contas dessa empresa eram utilizadas para movimentação de recursos provenientes das vendas de bovinos realizadas pelas pessoas físicas, apuradas na PARTE V; e) GERCINO MACIEL R$ 13.031.475, 46; f) CLÉSIO DE OLIVEIRA B DOS SANTOS (2) R$ 0,00; não há movimentação financeira/bancária em nome do Sr. CLÉSIO; g) Total: R$ 54.234.720, 72; 40 as receitas das vendas auferidas pelo Sr. JAMILTON, no anocalendário 2009, respaldadas por notas fiscais emitidas em nome do Sr. CLÉSIO (CNPJ de Produtor Rural n° 10.351.418/000105 Sítio Sobrado), conforme o Livro de Registro de Entradas AC 2009 da BARRA MANSA somaram R$ 3.524.928,41, conforme o quadro a seguir: Demonstrativo das Receitas auferidas em nome do Sr. CLÉSIO Mês de Emissão da NFE Valor total das Vendas Mensais JAN 1.031.579,00 FEV 332.778,93 MAR 0,00 Fl. 12620DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 40 1° Trimestre 1.364.357,93 ABR 0,00 MAI 0,00 JUN 0,00 2° Trimestre 0,00 JUL 281.845,05 AGO 215.016,75 SET 571.761,00 3° Trimestre 1.068.622,80 OUT 756.885,86 NOV 123.286,30 DEZ 211.775,52 4° Trimestre 1.091.947,68 TOTAL 3.524.928,41 41 as receitas das vendas auferidas pelo Sr. JAMILTON, nos anoscalendário 2009 e 2010, respaldadas por notas fiscais emitidas em seu próprio nome (CNPJ de Produtor Rural n° 08.619.218/000130 Fazenda Bom Jesus, em Rifaina), conforme o Livro de Registro de Entradas AC 2009 e dados extraídos das notas fiscais eletrônicas AC 2010 da BARRA MANSA, somaram R$ 1.443.927,31 e R$ 1.497.440,62, respectivamente nos anoscalendário 2009 e 2010, conforme o quadro a seguir: Demonstrativo das Receitas Apuradas Mês/Trimestre AC 2009 AC 2010 JAN 0,00 248.408,83 FEV 142.720,26 337.516,38 MAR 26.086,22 272.814,38 1° Trimestre 168.806,48 858.739,59 ABR 79.093,39 0,00 MAI 229.343,55 127.023,96 JUN 18.939,92 197.655,66 2° Trimestre 327.376,86 324.679,62 JUL 650.906,24 0,00 AGO 220.460,88 106.242,40 SET 39.659,45 177.585,98 3° Trimestre 911.026,57 283.828,38 OUT 36.717,40 0,00 NOV 0,00 30.193,03 DEZ 0,00 0,00 4° Trimestre 36.717,40 30.193,03 TOTAL 1.443.927,31 1.497.440,62 42 apesar das inúmeras operações de venda de gado para abate, importa destacar que, da mesma forma que nas outras fiscalizações ora relatadas, nenhuma nota fiscal de aquisição de bovinos foi apresentada pelo Sr. JAMILTON, ou seja, o gado vendido em seu próprio nome à BARRA MANSA também não teve sua origem comprovada; 43 com base nos documentos coletados, a fiscalização considerou os valores dos créditos bancários apurados em cada conta bancária, totalizados na coluna "CRÉDITOS", dos quais foram deduzidos os valores transferidos das contas dos demais operadores (WHENDER, GERCINO MACIEL, JAMILTON e JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP) do negócio do Sr. Jamilton, de aplicações financeiras, estornos, etc. (coluna "EXCLUSÕES"), assim como os créditos bancários dos valores decorrentes das vendas realizadas à empresa BARRA MANSA já apurados (coluna "VENDAS BM"), resultando na coluna "VALORES A TRIBUTAR": a) Demonstrativo dos Créditos Bancários Considerados pela Fiscalização decorrentes da Venda de Bovinos AC 2009: AC 2009 BB SANTAND COOPER BRADESCO NOSSA CRÉDITOS EXCLUSÕES VENDAS BM VALORES A Fl. 12621DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.601 41 CAIXA TRIBUTAR JAN 159.327,54 14.000,00 0,00 156.458,50 31.496,57 361.282,61 119.000,00 0,00 242.282,61 FEV 99.239,71 17.000,00 0,00 151.064,83 70.500,00 337.804,54 67.000,00 142.720,26 128.084,28 MAR 67.344,87 0,00 0,00 150.051,56 129.789,60 347.186,03 93.000,00 26.086,22 228.099,81 1° Trim 325.912,12 31.000,00 0,00 457.574,89 231.786,17 1.046.273,18 279.000,00 168.806,48 598.466,70 ABR 6.266,69 7.000,00 0,00 148.403,12 19.000,00 180.669,81 22.000,00 79.093,39 79.576,42 MAI 11.000,00 26.500,00 0,00 194.638,75 98.300,00 330.438,75 110.000,00 229.343,55 0,00 JUN 0,00 14.000,00 0,00 92.076,19 24.100,00 130.176,19 12.000,00 18.939,92 99.236,27 2° Trim 17.266,69 47.500,00 0,00 435.118,06 141.400,00 641.284,75 144.000,00 327.376,86 178.812,69 JUL 0,00 6.281,00 0,00 332.118,67 4.990,00 343.389,67 0,00 650.906,24 0,00 AGO 13.457,27 8.850,00 0,00 273.317,03 46.000,00 341.624,30 44.457,27 220.460,88 76.706,15 SET 10.216,51 0,00 0,00 66.625,10 36.000,90 112.842,51 32.000,00 39.659,45 41.183,06 3° Trim 23.673,78 15.131,00 0,00 672.060,80 86.990,90 797.856,48 76.457,27 911.026,57 117.889,21 OUT 14.500,00 5.000,00 0,00 35.959,89 10.300,00 65.759,89 14.500,00 36.717,40 14.542,49 NOV 4.234,81 10.200,00 0,00 49.653,88 5.000,00 69.088,69 10.200,00 0,00 58.888,69 DEZ 47.220,60 9.450,00 46.000,00 56.292,38 19.200,00 178.162,98 30.000,00 0,00 148.162,98 4° Trim 65.955,41 24.650,00 46.000,00 141.906,15 34.500,00 313.011,56 54.700,00 36.717,40 221.594,16 TOTAL 432.808,00 118.281,00 46.000,00 1.706.659,90 494.677,07 2.798.425,97 554.157,27 1.443.927,31 1.116.762,76 b) Demonstrativo dos Créditos Bancários Considerados pela Fiscalização Decorrentes da Venda de Bovinos A C 2010: AC 2010 BB SANT COOP BRADESCO NOSSA CAIXA CRÉDITOS EXCLUSÕES VENDAS BM VALORES A TRIBUTAR JAN 40.335,00 6.620,00 54.150,00 106.290,68 14.894,94 222.290,62 38.000,00 248.408,83 0,00 FEV 4.997,49 8.800,00 48.051,00 301.176,45 10.000,00 373.024,94 41.000,00 337.516,38 0,00 MAR 8.980,00 18.500,00 25.893,00 272.789,67 26.782,50 352.945,17 0,00 272.814,38 80.130,79 1° Trim 54.312,49 33.920,00 128.094,00 680.256,80 51.677,44 948.260,73 79.000,00 858.739,59 80.130,79 ABR 4.980,00 10.000,00 47.000,00 75.329,91 6.100,00 143.409,91 32.000,00 0,00 111.409,91 MAI 0,00 9.500,00 0,00 284.554,55 102.850,00 396.904,55 143.350,00 127.023,96 126.530,59 JUN 0,00 19.600,00 30.000,00 347.835,88 0,00 397.435,88 66.000,00 197.655,66 133.780,22 2° Trim 4.980,00 39.100,00 77.000,00 707.720,34 108.950,00 937.750,34 241.350,00 324.679,62 371.720,72 JUL 13.717,36 9.940,00 57.350,00 294.401,76 0,00 375.409,12 12.000,00 0,00 363.409,12 AGO 12.300,00 18.700,00 20.048,00 158.594,08 0,00 209.642,08 31.000,00 106.242,40 72.399,68 SET 8.187,58 10.000,00 0,00 479.107,81 0,00 497.295,39 89.000,00 177.585,98 230.709,41 3° Trim 34.204,94 38.640,00 77.398,00 932.103,65 0,00 1.082.346,59 132.000,00 283.828,38 666.518,21 OUT 6.500,00 18.500,00 64.722,50 305.959,89 0,00 395.682,39 236.441,21 0,00 159.241,18 NOV 10.372,33 10.000,00 67.379,00 87.603,13 0,00 175.354,46 10.000,00 30.193,03 135.161,43 DEZ 0,00 19.600,00 37.610,00 163.695,25 0,00 220.905,25 57.210,00 0,00 163.695,25 4° Trim 16.872,33 48.100,00 169.711,50 557.258,27 0,00 791.942,10 303.651,21 30.193,03 458.097,86 TOTAL 110.369,76 159.760,00 452.203,50 2.877.339,06 160.627,44 3.760.299,76 756.001,21 1.497.440,62 1.576.467,58 44 as receitas auferidas e os resultados tributáveis serão apurados e consolidados em autos de infração a serem lavrados em nome de JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP. A PARTE V, que trata do curso da ação fiscal referente a JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP (fls. 7139 a 7223), titular de fato dos negócios em tela, traz, em resumo, o seguinte: 1 intimado, em vão, a apresentar documentos, a fiscalização realizou, em 05/11/2012, a retenção dos documentos abaixo relacionados que se encontravam arquivados no Escritório Guará de Contabilidade Ltda.ME: a) Livro Registro de Saídas do ano de 2008 sem subscrição do termo de abertura; b) Registros de Saídas dos meses de Janeiro/2009 a Dezembro/2009; c) Registros de Saídas dos meses de janeiro/2010 a Dezembro/2010; 2 após sucessivas prorrogações, a empresa apresentou parte dos documentos solicitados, como segue: a) Requerimento de firma individual; Fl. 12622DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 42 b) Livros contábeis e fiscais do anocalendário 2011; c) Livros caixa dos anos calendário 2009 e 2010; d) extratos bancários da conta corrente n° 130003022, da ag. 0476 do BANCO SANTANDER, com exceção dos meses de março, abril e novembro/2010; 3 o requerimento de firma individual aponta que a empresa tem como atividade principal o "transporte rodoviário de gado e cargas em geral"; pesquisa nos sistemas da RFB mostra que a empresa está cadastrada no CNAE n° 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional; o domicilio fiscal informado é a Rua Francisco Maria Luiz, 142, Centro, Guará, SP, o mesmo utilizado pelo Sr. JAMILTON, por WHENDER e por WHILIE; 4 os livros contábeis e fiscais dos anoscalendário 2009 e 2010 não foram devidamente assinados pelo proprietário; eis as receitas da atividade escrituradas nos livros de registro de saídas e de apuração do ICMS, de janeiro/2009 a dezembro/2010: RECEITA BRUTA ESCRITURADA Mês/Trimestre AC 2009 AC 2010 JAN 65.729,00 61.695,05 FEV 48.226,00 57.424,25 MAR 71.184,00 71.447,40 1° Trimestre 185.139,00 190.566,70 ABR 71.554,00 63.200,36 MAI 64.638,00 53.246,75 JUN 59.052,00 59.549,75 2° Trimestre 195.244,00 175.996,86 JUL 74.480.00 57.211.00 AGO 86.563.60 41.288.00 SET 89.376.00 89.175.00 30 Trimestre 250.419,60 187.674,00 OUT 96.746.00 56.310.00 NOV 71.781.35 0.00 DEZ 61.129.25 0.00 40 Trimestre 229.656,60 56.310,00 TOTAL 860.459,20 610.547,56 5 os recursos decorrentes dessa receita bruta escriturada, bem como a movimentação financeira e bancária dos anoscalendário 2009 e 2010 não foram escriturados nos livros caixa, conforme folhas dos livros em anexo; 6 nos anoscalendário em tela, o contribuinte optou pela tributação com base no lucro presumido e utilizou os percentuais de presunção de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL): RECEITA BRUTA DECLARADA Trimestre AC 2009 AC 2010 1o 185.139.00 190.566.70 2o 195.244.00 175.996.86 3o 250.419.60 187.676.00 4o 229.656.60 56.310.00 TOTAL 860.459,20 610.549,56 7 pesquisas nos sistemas da RFB mostram que dos valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apurados com base na receita escriturada e declarada nos anoscalendário 2009 e 2010, apenas os valores de IRPJ (R$ 675,62) e CSLL (R$ 608,15) do 4° trimestre não foram informados em DCTF, tendo sido, entretanto, devidamente liquidados através de DARF; Fl. 12623DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.602 43 8 coletando dados sobre a existência de multas de infração de trânsito (CIRETRAN FRANCA/SP) envolvendo os 4 caminhões cadastrados no sistema RENAVAN em nome da empresa, apurouse a existência de multas aplicadas, dentre outros, aos condutores WHIGOR e WHENDER; as multas aplicadas aos filhos, no contexto exposto, evidenciam a relação de emprego e subordinação ao Sr. Jamilton, titular da empresa; 9 coletando dados junto ao sistema "SEM PARAR" (CGMP CENTRO DE GESTÃO DE MEIOS DE PAGAMENTOS S/A), apurouse que 3 caminhões estavam cadastrados em nome do Sr. Jamilton e 1 em nome de WHIGOR; 10 em 21/03/2013 houve a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, como segue: a) SANTANDER: não atendeu a intimação, mas com base nos extratos bancários da conta corrente 3022, da ag. 0476, exceto os meses de março, abril e novembro/2010, que não foram apresentados pelo contribuinte (motivo da expedição da RMF) a fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal n° 002 para comprovação da origem dos recursos depositados e/ou creditados nessa conta corrente; não é significativa a movimentação bancária nos meses que os extratos não foram apresentados; b) BRADESCO: em 03/05/2013, ocorreu o 1° atendimento parcial em que foram enviados a ficha cadastral, extrato bancário em meio magnético, informe de rendimentos, cópias de cheques e a codificação dos lançamentos adotada pelo banco relativos a conta corrente 5.0571, da ag. 18341; em 14/05/2013, foi finalizado o atendimento com apresentação dos comprovantes de depósitos/transferência e informando que não localizaram operações de desconto de duplicatas, notas promissórias, outros títulos de crédito, instrumento de procuração, bem como aplicações financeiras e aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variáveis; 11 após intimações e reintimações não atendidas, o contribuinte foi intimado a comprovar, dentre outras transações, a origem dos créditos e/ou depósitos transitados pelas contas supracitadas que somaram, nos anoscalendário 2009 e 2010: Fl. 12624DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 44 12 após análise das cópias dos cheques emitidos pela empresa fiscalizada, bem como dos lançamentos a débito decorrentes de transferências bancárias realizadas a terceiros (vide planilha anexa) e constantes nos extratos bancários conta corrente 5.0571, da ag.18341, do BRADESCO, a fiscalização realizou diversas diligências, das quais cabe destacar: a) Cleomar Antônio Bizinotto, de Sacramento, MG, que recebeu R$ 20.000,00, no ano calendário 2009, por conta da intermediação de negócios de gado de terceiros diretamente com o Sr. JAMILTON, a quem conhece desde 2003; b) Elmar Pereira Rezende, de Pedrinópolis, MG, que recebeu R$ 29.400,00, no ano calendário 2009, por conta de venda de gado realizada ao Sr. JAMILTON, intermediado pelo Sr. WHILIE; c) José Eduardo Ribeiro Matta, de São Paulo, SP, com imóvel em Prata, MG, que recebeu R$ 38.008,00 e R$ 13.000,00, respectivamente, nos anoscalendário 2009 e 2010, por conta de venda de gado ao corretor ROBERTO JUNQUEIRA; informou que não conhece o Sr. JAMILTON e que as notas fiscais ficaram de ser emitidas após o corretor repassar os dados do comprador, o que não aconteceu; d) Samir Bittar, de Franca, SP, com imóvel rural em Restinga, SP, que recebeu, no ano calendário 2010, R$ 90.000,00, por conta da venda de 123 cabeças de gado ao Sr. JAMILTON, com emissão das notas fiscais em nome de WHIGOR (NFP n° 20) e Euclides Furlan Júnior (NFP n° 21 a 23); neste caso, o comprador do gado foi o Sr. JAMILTON que pagou através da conta corrente da empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP e notas fiscais emitidas em nome do filho WHIGOR e de um corretor (EUCLIDES FURLAN JÚNIOR), que capta gado para o Sr. JAMILTON; 13 o resultado das diligências demonstra claramente o uso das contas correntes abertas em nome da firma individual para também operacionalizar o negócio de compra e venda de bovinos explorado pela pessoa física, Sr. JAMILTON; evidencia, também, a relação de emprego e subordinação dos filhos WHILIE e WHIGOR (PARTES I, II e III); resta claro, portanto, que o Sr. JAMILTON utiliza as contas correntes da sua empresa, dos seus filhos e de empregados para realizar o "financeiro" do negócio por ele desenvolvido; 14 vários cheques emitidos pelo frigorífico BARRA MANSA para pagamento de bovinos adquiridos em nome de terceiros foram depositados na conta corrente 5.0571, do BRADESCO, em nome da firma individual JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP; dentre outros, constam vendas realizadas em nome do próprio Sr. JAMILTON, WHILIE, WHENDER e Sr. CLÉSIO (exfuncionário rural do Sr. JAMILTON); as notas fiscais emitidas em nome de ROSALU FERRAZ FLADT QUEIROZ e OCACIR JOSÉ SOARES são comprovadamente inidôneas, conforme será mostrado mais adiante; 15 após diversas prorrogações, nada foi apresentado; 16 as receitas de transportes escrituradas nos livros fiscais da fiscalizada foram tributadas nos anoscalendário 2009 e 2010 e totalizaram RS 860.459,20 e R$ 610.549,56, respectivamente; intimada, a empresa não apresentou os talonários de conhecimentos de transporte; mas, de acordo com registros contábeis e livros fiscais da empresa BARRA MANSA, os serviços de transportes de gado contratados da fiscalizada nos anoscalendário 2009 e 2010 totalizaram R$ 860.459,20 e R$ 823.693,40; 17 nos anoscalendário 2009 e 2010 transitaram créditos nas contas correntes da firma individual JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, respectivamente, nos totais de R$ Fl. 12625DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.603 45 9.313.278,42 e R$ 5.524.114,108, conforme Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF); desses, a fiscalização selecionou e intimou o contribuinte a comprovar a origem de créditos que somaram, respectivamente, R$ 8.701.388,21 e R$ 5.194.210,11; a empresa não atendeu à intimação; 18 após análise dos extratos e documentos bancários apresentados pelo BRADESCO, bem como das informações e documentos coletados durante as diligências realizadas, a fiscalização concluiu que parte considerável dos recursos financeiros acima referemse aos negócios de compra e venda de bovinos explorados pelo Sr. JAMILTON; a outra parte dos recursos são decorrentes da receita de serviços de transportes de gado prestados para a empresa BARRA MANSA; 19 a análise da movimentação da conta corrente da empresa, nos anoscalendários 2009 e 2010 mostra transferências/depósitos bancários entre os operadores da atividade desenvolvida pelo Sr. JAMILTON, sem emissão de quaisquer documentos que justificassem as operações; essa confusão financeira entre as contas correntes, envolvendo inclusive, contas de pessoas interpostas, deixa claro que, de fato, os recursos pertencem ao Sr. JAMILTON; eis as principais contas correntes utilizadas na exploração do negócio em tela de compra e venda de gado (BRADESCO, na agência 1834, em Guará, SP): a) WHENDER, C/C 8.6819; b) WHILIE, C/C 8.6827; c) GERCINO MACIEL, C/C 9.0913; d) JAMILTON, C/C 3.9438; e) JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, C/C 5.0571; 20 a fiscalização constatou que a mesma caligrafia foi utilizada para preencher notas fiscais do produtor emitidas em nome de WHENDER, WHILIE, GERCINO MACIEL, JAMILTON e CLÉSIO, bem como dos conhecimentos de transportes emitidos pelas empresas JAMILTON JUNQUEIRA POLOME e WHILIE MIJOLER POLO TRANSPORTESME; a mesma caligrafia foi utilizada para preencher cheques sacados contra as contas referidas no tópico anterior; todos os documentos encontramse anexados ao processo, mas, para facilitar a visualização, foram juntadas em um único arquivo duas cópias de cada um dos documentos e emitentes acima citados; 21 o não atendimento das intimações tinha a intenção de dificultar os trabalhos da auditoria e retardar a apuração dos fatos com vistas a identificar o titular de fato e a origem dos recursos financeiros transitados pela conta corrente aberta em nome da firma individual; 22 não obstante a firma individual não ter apresentado documentos que pudessem comprovar a origem dos recursos transitados nas suas contas correntes, a fiscalização, no decorrer da ação fiscal, coletou documentos e informações que provam que parte considerável dos recursos são decorrentes dos negócios de compra e venda de bovinos explorados pela pessoa física Sr. JAMILTON, pois: Fl. 12626DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 46 a) primeiro: é o Sr. JAMILTON que detém a propriedade dos imóveis explorados (Fazenda Rio Verde, Fazenda Nova Suécia, Fazenda Bom Jesus); b) segundo: todas as notas fiscais de compras de ração, de produtos veterinários e de outros produtos inerentes a atividade rural apresentadas no curso das ações fiscais foram emitidas em nome do Sr. JAMILTON (PARTE IV); c) terceiro: as diligências indicam claramente que a exploração do negócio é feita pelo Sr. JAMILTON; 23 com base nos documentos coletados no curso da ação fiscal e para fins de apuração dos créditos bancários considerados decorrentes da venda de bovinos a terceiros não identificados, a fiscalização excluiu: a) as transferências originadas das contas correntes de GERCINO MACIEL, WHENDER, WHILIE; b) parte dos recursos considerados decorrentes da receita da atividade principal da empresa e já tributados; c) o montante dos depósitos decorrentes da vendas realizadas em nome de CLÉSIO, vez que será tributada com base nas informações prestadas pela BARRA MANSA (PARTE IV): d) demonstrativo dos créditos bancários considerados pela fiscalização decorrentes da venda de bovinos AC 2009: AC 2009 SANTAND BRADESCO CRÉDITOS EXCLUSÕES RB ESCRITURA TRANSP VALORES A TRIBUTAR JAN 42.981,83 954.227,09 997.208,92 0,00 65.729,00 931.479,92 FEV 52.431,10 789.964,90 842.396,00 46.000,00 48.226,00 748.170,00 MAR 46.000,00 964.548,66 1.010.548,66 63.128,55 71.184,00 876.236,11 1° Trimestre 141.412,93 2.708.740,65 2.850.153,58 109.128,55 185.139,00 2.555.886,03 ABR 61.000,00 530.979,75 591.979,75 61.000,00 71.554,00 459.425,75 MAI 70.099,30 832.695,60 902.794,90 61.000,00 64.638,00 777.156,90 JUN 19.000,00 779.481,45 798.481,45 39.000,00 59.052,00 700.429,45 2° Trimestre 150.099,30 2.143.156,80 2.293.256,10 161.000,00 195.244,00 1.937.012,10 JUL 0,00 723.573,71 723.573,71 0,00 74.480,00 649.093,71 AGO 56.745,58 634.340,15 691.085,73 151.797,74 86.563,60 452.724,39 SET 26.500,00 641.055,74 667.555,74 205.867,14 89.376,00 372.312,60 3° Trimestre 83.245,58 1.998.969,60 2.082.215,18 357.664,88 250.419,60 1.474.130,70 OUT 20.000,00 399.841,32 419.841,32 40.572,02 96.746,00 282.523,30 NOV 48.000,00 431.679,40 479.679,40 218.648,24 71.781,35 189.249,81 DEZ 29.000,00 547.242,63 576.242,63 56.200,00 61.129,25 458.913,38 4° Trimestre 97.000,00 1.378.763,35 1.475.763,35 315.420,26 229.656,60 930.686,49 TOTAL 471.757,81 8.229.630,40 8.701.388,21 943.213,69 860.459,20 6.897.715,32 e) demonstrativo dos créditos bancários considerados pela fiscalização decorrentes da venda de bovinos AC 2010: AC 2010 SANTAND BRADESCO CRÉDITOS EXCLUSÕES RB APURADA TRANSP VALORES A TRIBUTAR JAN 0,00 413.863,87 413.863,87 0,00 70.224,00 343.639,87 FEV 0,00 313.616,12 313.616,12 0,00 48.678,00 264.938,12 MAR 0,00 352.509,61 352.509,61 30.000,00 107.969,40 214.540,21 1° Trimestre 0,00 1.079.989,60 1.079.989,60 30.000,00 226.871,40 823.118,20 ABR 0,00 421.162,48 421.162,48 28.348,67 77.672,00 315.141,81 Fl. 12627DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.604 47 MAI 106.328,00 334.955,46 441.283,46 67.086,00 72.884,00 301.313,46 JUN 13.200,00 370.277,31 383.477,31 68.838,23 81.795,00 232.844,08 2° Trimestre 119.528,00 1.126.395,25 1.245.923,25 164.272,90 232.351,00 849.299,35 JUL 30.435,00 311.615,26 342.050,26 0,00 78.869,00 263.181,26 AGO 30.000,00 629.152,02 659.152,02 47.000,00 90.890,00 521.262,02 SET 29.900,00 481.782,51 511.682,51 35.000,00 127.680,00 349.002,51 3° Trimestre 90.335,00 1.422.549,79 1.512.884,79 82.000,00 297.439,00 1.133.445,79 OUT 0,00 396.713,33 396.713,33 5.740,00 67.032,00 323.941,33 NOV 0,00 447.072,02 447.072,02 0,00 0,00 447.072,02 DEZ 28.800,00 482.827,12 511.627,12 15.000,00 0,00 496.627,12 4° Trimestre 28.800,00 1.326.612,47 1.355.412,47 20.740,00 67.032,00 1.267.640,47 TOTAL I 238.663,00| 4.955.547,1115.194.210,111 297.012,90| 823.693,40| 4.073.503,81 Eis o resumo consolidado das infrações e bases de cálculo apuradas, conforme a PARTE V do RF (fls. 7174 a 7178): 1 Omissão de Receita da Atividade Receita Bruta Mensal na Revenda de Mercadorias Outros Clientes, com multa agravada/qualificada de 225%: AC 2009 WHILIE PARTE II (A) JAMILTON PARTE IV (B) JJPEPP PARTE V (C) BC A TRIBUTAR (A+B+C) JAN 0,00 242.282,61 931.479,92 1.173.762,53 FEV 0,00 128.084,28 748.170,00 876.254,28 MAR 0,00 228.099,81 876.236,11 1.104.335,92 1° Trimestre 0,00 598.466,70 2.555.886,03 3.154.352,73 ABR 0,00 79.576,42 459.425,75 539.002,17 MAI 223.491,08 0,00 777.156,90 1.000.647,98 JUN 0,00 99.236,27 700.429,45 799.665,72 2° Trimestre 223.491,08 178.812,69 1.937.012,10 2.339.315,87 JUL 33.120,38 0,00 649.093,71 682.214,09 AGO 97.218,86 76.706,15 452.724,39 626.649,40 SET 0,00 41.183,06 372.312,60 413.495,66 3° Trimestre 130.339,24 117.889,21 1.474.130,70 1.722.359,15 OUT 0,00 14.542,49 282.523,30 297.065,79 NOV 0,00 58.888,69 189.249,81 248.138,50 DEZ 574.649,01 148.162,98 458.913,38 1.181.725,37 4° Trimestre 574.649,01 221.594,16 930.686,49 1.726.929,66 TOTAL 928.479,33 1.116.762,76 6.897.715,32 8.942.957,41 AC 2010 WHILIE PARTE II (A) JAMILTON PARTE IV (B) JJPEPP PARTE V (C) BC A TRIBUTAR (A+B+C) JAN 342.814,19 0,00 343.639,87 686.454,06 FEV 96.319,00 0,00 264.938,12 361.257,12 MAR 413.011,16 80.130,79 214.540,21 707.682,16 1° Trimestre 852.144,35 80.130,79 823.118,20 1.755.393,34 ABR 532.435,91 111.409,91 315.141,81 958.987,63 MAI 0,00 126.530,59 301.313,46 427.844,05 JUN 643.894,39 133.780,22 232.844,08 1.010.518,69 2° Trimestre 1.176.330,30 371.720,72 849.299,35 2.397.350,37 JUL 40.694,35 363.409,12 263.181,26 667.284,73 AGO 149.402,77 72.399,68 521.262,02 743.064,47 SET 168.501,73 230.709,41 349.002,51 748.213,65 3° Trimestre 358.598,85 666.518,21 1.133.445,79 2.158.562,85 OUT 1.076.314,53 159.241,18 323.941,33 1.559.497,04 NOV 320.556,00 135.161,43 447.072,02 902.789,45 DEZ 875.211,44 163.695,25 496.627,12 1.535.533,81 4° Trimestre 2.272.081,97 458.097,86 1.267.640,47 3.997.820,30 TOTAL 4.659.155,47 1.576.467,58 4.073.503,81 10.309.126,86 Fl. 12628DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 48 2 Omissão de Receita da Atividade Receita Bruta Mensal na Revenda de Mercadorias Operações com a empresa BARRA MANSA, com multa agravada/qualificada de 225%: AC 2009 WHENDER PARTE I (A) WHILIE PARTE II (B) CLÉSIO PARTE IV (C) JAMILTON PARTE IV (D) BC A TRIBUTAR (A+B+C+D) JAN 0,00 233.681,05 1.031.579,00 0,00 1.265.260,05 FEV 114.418,05 493.661,78 332.778,93 142.720,26 1.083.579,02 MAR 1.084.211,07 388.103,89 0,00 26.086,22 1.498.401,18 1° Trimestre 1.198.629,12 1.115.446,72 1.364.357,93 168.806,48 3.847.240,25 ABR 1.575.354,72 301.399,88 0,00 79.093,39 1.955.847,99 MAI 1.365.403,39 72.674,53 0,00 229.343,55 1.667.421,47 JUN 1.019.842,13 603.682,37 0,00 18.939,92 1.642.464,42 2° Trimestre 3.960.600,24 977.756,78 0,00 327.376,86 5.265.733,88 JUL 981.314,30 324.355,95 281.845,05 650.906,24 2.238.421,54 AGO 861.492,37 147.634,74 215.016,75 220.460,88 1.444.604,74 SET 598.290,49 364.630,87 571.761,00 39.659,45 1.574.341,81 3° Trimestre 2.441.097,16 836.621,56 1.068.622,80 911.026,57 5.257.368,09 OUT 987.873,95 316.138,25 756.885,86 36.717,40 2.097.615,46 NOV 1.315.136,85 867.728,04 123.286,30 0,00 2.306.151,19 DEZ 1.600.225,42 0,00 211.775,52 0,00 1.812.000,94 4° Trimestre 3.903.236,22 1.183.866,29 1.091.947,68 36.717,40 6.215.767,59 TOTAL 11.503.562,74 4.113.691,35 3.524.928,41 1.443.927,31 20.586.109,81 AC 2010 WHENDER PARTE I (A) WHILIE PARTE II (B) GERCINO MACIEL PARTE III (C) JAMILTON PARTE IV (D) BC A TRIBUTAR (A+B+C+D) JAN 1.256.095,10 120.929,27 288.746,55 248.408,83 1.914.179,75 FEV 896.336,44 0,00 280.086,70 337.516,38 1.513.939,52 MAR 1.551.970,49 0,00 389.334,80 272.814,38 2.214.119,67 1° Trimestre 3.704.402,03 120.929,27 958.168,05 858.739,59 5.642.238,94 ABR 900.448,98 0,00 1.832.770,69 0,00 2.733.219,67 MAI 605.472,78 593.688,96 498.751,20 127.023,96 1.824.936,90 JUN 1.029.714,65 566.898,39 592.351,52 197.655,66 2.386.620,22 2° Trimestre 2.535.636,41 1.160.587,35 2.923.873,41 324.679,62 6.944.776,79 JUL 347.953,37 1.022.806,61 1.062.362,26 0,00 2.433.122,24 AGO 0,00 777.236,03 899.405,97 106.242,40 1.782.884,40 SET 269.849,61 927.618,55 1.243.426,27 177.585,98 2.618.480,41 3° Trimestre 617.802,98 2.727.661,19 3.205.194,50 283.828,38 6.834.487,05 OUT 361.377,15 108.129,57 1.904.638,29 0,00 2.374.145,01 NOV 344.466,74 950.547,75 239.351,26 30.193,03 1.564.558,78 DEZ 1.588.339,93 149.534,23 1.809.718,71 0,00 3.547.592,87 4° Trimestre 2.294.183,82 1.208.211,55 3.953.708,26 30.193,03 7.486.296,66 TOTAL 9.152.025,24 5.217.389,36 11.040.944,22 1.497.440,62 26.907.799,44 3 Omissão de Receitas da Atividade Receita Bruta Mensal na Prestação de Serviços de Transportes AC 2010: a) a JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP não apresentou os talonários/blocos dos conhecimentos de transportes dos noscalendário 2009 e 2010, de modo que a omissão apurada no AC 2010, de R$ 221.892,09, decorreu da comparação entre os valores da receita escriturada/declarada pela fiscalizada e os valores contabilizados pela BARRA MANSA; b) a diferença "negativa" de R$ 8.746,25, em 02/2010, foi desconsiderada, vez que serviços de transportes podem ter sido prestados a outros clientes; c) foi aplicada multa agravada/qualificada de 112,5%: DEMONSTRATIVO OMISSÃO DE RECEITAS DE TRANSPORTES AC 2010 MÊS Receita Apurada BM Receita Declarada Omissão de Receita Fl. 12629DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.605 49 JAN 70.224,00 61.695,05 8.528,95 FEV 48.678,00 57.424,25 8.746,25 MAR 107.969,40 71.447,40 36.522,00 1° Trimestre 226.871,40 190.566,70 45.050,95 ABR 77.672,00 63.200,36 14.471,64 MAI 72.884,00 53.246,75 19.637,25 JUN 81.795,00 59.549,75 22.245,25 2° Trimestre 232.351,00 175.996,86 56.354,14 JUL 78.869,00 57.211,00 21.658,00 AGO 90.890,00 41.288,00 49.602,00 SET 127.680,00 89.175,00 38.505,00 3° Trimestre 297.439,00 187.674,00 109.765,00 OUT 67.032,00 56.310,00 10.722,00 NOV 0,00 0,00 0,00 DEZ 0,00 0,00 0,00 4° Trimestre 67.032,00 56.310,00 10.722,00 TOTAL 823.693,40 610.547,56 221.892,09 4 tributação reflexa: as omissões de receitas da atividade descritas nos tópicos 1 a 3 geraram as infrações abaixo indicadas, conforme autos de infração: a) INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO: OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA AO PIS E A COFINS; b) OMISSÃO DE RECEITA: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS DA ATIVIDADE OMITIDAS. O final da PARTE V (fls. 7178 a 7210) do RF traz, no que é relevante para o caso, descrições detalhadas sobre: 1 todas as informações obtidas por escrito na diligência levada a cabo junto à BARRA MANSA, com ciência pessoal em 21/11/2012, que permitiram obter os dados já referidos no RF, dentre outros, juntamente com outras informações coletadas e já expostas, levam às seguintes conclusões: a) nenhuma compra de gado da BARRA MANSA foi intermediada por pessoa física e nem pela empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP; b) o cheque nominal a "Benjamin" foi depositado na conta da empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP (C/C 50571) e alguns cheques nominais a Klener Brentini Branquinho depositados em contas correntes de WHENDER, GERCINO MACIEL E NILTON RIBEIRO, com assinaturas de endosso falsificadas e fortes indícios de ser a mesma caligrafia utilizada para preenchimento das notas fiscais de produtor rural, conhecimentos de transportes e cheques emitidos pelos operadores do negócio do Sr. JAMILTON, conforme já relatado; c) abate em média 700 a 750 cabeças por dia, sendo que a empresa e seus sócios não têm rebanho próprio e nunca efetuaram vendas de gado ao frigorífico; d) há grande quantidade de notas fiscais inidôneas utilizadas para venda de gado à empresa; 34 produtores rurais (fls. 7187 e 7189), consultados por amostragem, afirmam que nunca realizaram qualquer transação comercial com a BARRA MANSA, embora tais notas totalizem, nos anoscalendário 2009 e 2010, compras de gado de R$ 20.969.257,64 e de R$ 13.070.808,27, respectivamente; isso demonstra que a empresa Fl. 12630DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 50 não possui qualquer controle para impedir que notas fiscais inidôneas e pessoas interpostas sejam utilizadas nas compras de gado; e) há fortes indícios de que há, na mesma condição e "modus operandf utilizado pelo Sr. JAMILTON, outros "fornecedores" de gado; o volume identificado de notas fiscais inidôneas permite concluir que não é um fato isolado e esporádico, mas uma prática rotineira e usual pactuada e permitida pela BARRA MANSA; f) a BARRA MANSA apresentou planilha que a fiscalização denominou de "Demonstrativo dos pagamentos realizados a terceiros decorrentes de notas inidôneas AC 2009 e 2010", em anexo, que mostra que nenhum dos produtores rurais emitentes das notas figuram como recebedores dos recursos; por outro lado, a empresa alegou que "... em virtude do grande volume de arquivos da empresa e não sendo uma obrigação acessória, a empresa, ano a ano, queima as procurações de representantes de fornecimento de gado..."; ou seja, a BARRA MANSA não apresentou procuração outorgada a terceiros pelos supostos emitentes das notas fiscais; g) a BARRA MANSA abateu 199.746 cabeças, em 2009, sendo que 187.243 (93,7%) teriam origem no Estado de São Paulo e 4.327 (2,2%) no Estado de Minas Gerais; em 2010 abateu 195.402 cabeças, sendo que 183.465 (93,9%) teria origem no Estado de São Paulo e 10.849 (5,5%) do Estado de Minas Gerais; h) nos anoscalendário 2009 e 2010, a BARRA MANSA adquiriu do Sr. JAMILTON e pessoas interpostas, 36.975 cabeças, sendo , 17.634, em 2009, e 19.341, em 2010; i) apesar do Sr. JAMILTON e pessoas interpostas não terem apresentado as notas fiscais de compra do gado vendido à BARRA MANSA (o Sr. WHENDER as apresentou, mas eram quase todas inidôneas), a fiscalização juntou elementos que apontam que tal gado era procedente do Estado de Minas Gerais; j) portanto, considerando apenas o gado adquirido do Sr. JAMILTON, já há uma enorme diferença em relação ao volume do gado que seria originário de Minas Gerais, havendo fortes indícios de que essa diferença é muito maior; k) nas proximidades de Sertãozinho, SP, não há gado suficiente para manter o abatedouro em funcionamento; l) há outros frigoríficos nas regiões produtoras de gado do Estado de São Paulo, dificultando a captação de gado; m) Sertãozinho está perto de Minas Gerais; n) assim, o "modus operandf da BARRA MANSA para manter o volume de abate próximo da sua capacidade máxima era adquirir gado originado de vários municípios de Minas Gerais; no caso em tela, a maior parte do gado originavase da região conhecida como Triângulo Mineiro (Sacramento, Prata, Araxá, Tapira, Conquista, Uberaba, Perdizes, Pedrinópolis, São Roque de Minas, etc.); o) sendo certo que o produtor rural vende seu gado para quem paga o maior preço por arrouba, independentemente da localização do frigorífico, pois o frete é sempre pago pelo comprador, o frigorífico BARRA MANSA, para poder concorrer "na captação" com outros frigoríficos, principalmente os localizados em Minas Gerais, e, ter um Fl. 12631DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.606 51 preço final do produto (carne) a preços competitivos, precisava adquirir o gado sem incidência do ICMS (que ocorre na transferência do gado de um estado para outro); p) para isso, o frigorífico BARRA MANSA pactuou com algumas pessoas para que adquirissem gado proveniente de Minas Gerais e o revendessem como se o gado tivesse origem no Estado de São Paulo; no caso, esta pessoa é o Sr. JAMILTON; 2 como ocorria essa aquisição e posterior "internalização" do gado no Estado de São Paulo? a) primeiro: o gado era adquirido diretamente pelo Sr. JAMILTON auxiliado pelos filhos WHENDER, WHILIE e WHIGOR e por alguns corretores (remunerados por ele) que atuavam em alguns municípios de Minas; b) segundo: o gado era quase sempre adquirido sem a emissão de nota fiscal ou com notas fiscais emitidas como se o gado tivesse como destino outra fazenda de Minas Gerais para que não houvesse a incidência de ICMS; c) terceiro: tendo em vista a precaridade/inexistência da fiscalização estadual, o rebanho era facilmente transportados para o Estado de São Paulo; d) quarto: para vender o gado para a BARRA MANSA, o Sr. JAMILTON providenciava a emissão de notas fiscais de venda em seu nome ou em nome das pessoas interpostas e com origem em imóveis rurais localizados em São Paulo de propriedade do Sr. JAMILTON; ressaltese que a maioria das notas fiscais eram emitidas em nome das pessoas interpostas, conforme se vê no quadro abaixo: DEMONSTRATIVO NEGÓCIOS REALIZADOS JAMILTON X FRIGORÍFICO BARRA MANSA Emitente da Nota fiscal de venda Grau de relacionamento com o Sr. Jamilton Quantidade 2009 Quantidade 2010 Valor 2009 Valor 2010 Whender filho 10.821 7.010 11.398.809,81 8.061.494,24 WHILIE filho 3.777 3.772 4.113.691,35 5.217.389,36 Gercino Maciel empregado doméstico 0 7.157 0,00 11.040.944,22 Clésio exempregado rural 2.382 0 3.524.928,41 0,00 Jamilton Titular de fato 654 1.402 1.443.927,31 1.497.440,62 TOTAL 17.634 19.341 20.481.356,88 25.817.268,44 e) quando o gado adquirido pelo Sr. JAMILTON era de fato procedente de fazendas no Estado de São Paulo e vendido, em seguida, à BARRA MANSA, a nota fiscal de venda já era emitida diretamente ao frigorífico e ocorria uma "confusão" financeira, ou seja, o Sr. JAMILTON pagava o gado ao produtor rural e o frigorífico pagava o Sr. JAMILTON com cheque nominal ao produtor rural, em conformidade com os valores negociados; compras de gado realizadas com notas emitidas em nome da BARRA MANSA teriam sido pagas através de transferências originadas das contas correntes de WHENDER, WHILIE e GERCINO MACIEL; f) exatamente pela total inexistência de notas fiscais de compras (entradas) de bovinos originados de Minas Gerais é que o Sr. WHENDER apresentou grande quantidade de notas fiscais inidôneas emitidas por produtores rurais localizados em diversos municípios do Estado de São Paulo, principalmente da região sudoeste do Estado de São Paulo, que estão distantes a pelo menos 500 Km dos imóveis explorados pelo fiscalizado (PARTE I); Fl. 12632DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 52 g) o Sr. JAMILTON e as demais pessoas interpostas não apresentaram as notas fiscais de compras (entradas) de bovinos; h) a parte do gado adquirido em Minas Gerais que não estava ainda no peso para abate era transportada diretamente para a "Fazenda Bom Jesus", em Rifaina, SP, aonde, em determinado período do ano, ocorria o confinamento de bois, conforme declaração prestadas pelo Sr. CLÉSIO, não tendo sido possível determinar o tempo que esse gado ficava em poder do contribuinte; 3 qual o motivo pelo qual a Barra Mansa não adquiria o gado diretamente dos produtores de Minas Gerais? a) primeiro: para não ter que arcar com os custos provocados pela incidência do ICMS; b) segundo: não arcar com custos de logística para realizar diretamente a captação; c) terceiro: manter niveis alto de captação e, consequentemente, de abate, com rebanho adquirido ao menor preço possível; d) quarto: oferecer ao mercado preços competitivos da carne e seus derivados; e) quinto: majorar os lucros auferidos às custas de um esquema fraudulento de sonegação de impostos (ICMS); f) apesar das vantagens financeiras e/ou econômicas não terem sido quantificadas, está claro o interesse da BARRA MANSA em fomentar, pactuar e ser conivente com os atos fraudulentos praticados e demonstrados ao longo do presente relatório; 4 prova desse interesse é que para o esquema funcionar, a BARRA MANSA: a) não poderia ter controle rígido para inibir as transações comerciais lastreadas com notas fiscais inidôneas, como de fato não teve; b) não poderia fazer os pagamentos exclusivamente através de transferências bancárias/créditos em conta corrente dos produtores rurais emitente das notas fiscais, como de fato não fez; c) implementou rotina de pagamentos através de cheques nominais aos emitentes das notas fiscais, mas sem nenhum controle interno ou exigência de procuração outorgada pelos produtores rurais para entrega dos cheques a terceiros; d) sem essa combinação de fatores descritos acima e que são de responsabilidade da BARRA MANSA, os atos fraudulentos não teriam sido praticados ao longo dos anos, vez que tais se estendem a períodos anteriores e posteriores a 2009 e 2010; e) importa destacar que, em 2010, o principal vendedor de gado para a BARRA MANSA foi o Sr. GERCINO MACIEL, pessoa interposta do Sr. JAMILTON, com a conivência da empresa compradora; f) destaquese, ainda, a fragilidade dos controles ou negligência/conivência de funcionários dos bancos quanto ao tratamento que deveria ser aplicado aos saques e/ou depósitos de cheques nominais, vez que a fiscalização identificou uma quantidade enorme de endossos falsos; Fl. 12633DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.607 53 g) assim, a BARRA MANSA não pode ser considerada terceiro de boafé e por isso será responsável tributária por parcela dos créditos tributários constituídos; 5 ainda com relação às transações comerciais realizadas entre o Sr. JAMILTON e a BARRA MANSA, resumese: a) primeiro: o Sr. JAMILTON negociava, adquiria o gado do produtor rural e pagava por conta e risco, de acordo com o prazo acordado; b) segundo: negociava, revendia e recebia do BARRA MANSA os recursos decorrentes da revenda do gado; 6 quais as vantagens auferidas pelo Sr. JAMILTON na negociação? a) não pagar o ICMS referente ao gado adquirido em Minas Gerais sem a emissão de notas fiscal; b) utilizar CNPJ de Produtor rural, inscrições estaduais, notas fiscais de produtor rural inidôneas e movimentar contas correntes em nome de interpostas pessoas para dissimular e pulverizar os recursos financeiros decorrentes de volumosas e inúmeras transações comerciais com a BARRA MANSA, proporcionava vantagens financeiras pelo não pagamento dos tributos federais ao impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação principal; c) a empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP era privilegiada pela BARRA MANSA com a contratação do transporte do gado negociado; os registros contábeis e livros fiscais da BARRA MANSA mostram que o transporte de gado contratado da fiscalizada totalizou R$ 860.459,20 e R$ 823.693,40, respectivamente, nos anos calendário 2009 e 2010; d) a BARRA MANSA, intimada a informar os critérios de contratação de frete das pessoas físicas/jurídicas responsáveis pelo transporte do gado adquirido, informou que a contratação seguia uma escala feita pelo setor de transportes e que o seu preço seguia a tabela de frete do frigorífico; isso não é verdade, vez que quase todo o gado adquirido dos Srs. JAMILTON, WHENDER, WHILIE, GERCINO MACIEL e CLÉSIO foi transportado pela empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP; 7 com base nos elementos coletados no curso da ação fiscal e com base no art. 2° e parágrafo único da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990 e art. 4° da IN SRF n° 83, de 11 de outubro de 2001, que tratam da natureza da atividade rural, e ainda com base no 150, § 1°, II, do RIR/99, que trata da equiparação das empresas individuais às pessoas jurídicas, para fins de imposto de renda, e tendo em vista que: a) os negócios de compra e venda de gado foram realizados, de fato, pelo Sr. JAMILTON; b) não foi possível determinar o tempo que os animais ficaram em poder do contribuinte; c) intimado, o fiscalizado não informou o tempo que os animais teriam ficado em seu poder; Fl. 12634DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 54 8 concluise, então, que as receitas decorrentes das vendas de gado não foram consideradas decorrentes da exploração da atividade rural e os negócios foram enquadrados no inciso II do art.4° da IN SRF n° 83/2001: "Art. 4° Não se considera atividade rural: (... ) "II a comercialização de produtos rurais de terceiros e a compra e venda de rebanho com permanência em poder do contribuinte em prazo inferior a 52 dias, quando em regime de confinamento, ou 138 dias, nos demais casos; (...) 9 concluise, também, que os negócios realizados pelo Sr. JAMILTON (compra e venda de gado) são de natureza comercial, justificando a equiparação da pessoa fisica à pessoa jurídica, nos moldes do art. art. 150, § 1°, II, do RIR/99: "Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei n° 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2°). § 1° São empresas individuais: (... ) II as pessoas fisicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei n° 4.506, de 1964, art. 41, § 1°, alinea "b"); (...)" 10 a empresa individual JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, de CNPJ 03.050.534/0001 10, já estava constituída e sua atividade de transporte rodoviário de gado está relacionada com as atividades desenvolvidas pelo Sr. JAMILTON (compra e venda de gado), sendo que: a) suas receitas de prestação de serviços de transporte foram exclusivamente auferidas com transporte de gado vendido à BARRA MANSA; b) sua conta corrente movimentou recursos expressivos decorrentes da exploração da compra e venda de bovinos realizada em nome do Sr. JAMILTON em montante muito superior aos recursos financeiros decorrentes da prestação de serviços de transporte de gado; 11 as receitas auferidas e os resultados tributáveis consolidados apurados nos anoscalendário 2009 e 2010 em nome do Sr. JAMILTON, além da omissão de receita decorrente da prestação de serviços de transportes serão objeto de autos de infração a serem lavrados contra a empresa já constituída JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, de CNPJ n° 03.050.534/000110; Fl. 12635DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.608 55 12 a JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP optou pelo lucro presumido nos anoscalendário em tela; o percentual de presunção de lucro é de 8% sobre a receita bruta (atividades em geral, art. 518 do RIR/99), o mesmo aplicável ao transporte de cargas. A PARTE V (fls. 7205 a 7208) do RF é concluída apresentando: 1 os motivos pelos quais as operações em tela não foram enquadradas no § 2°, III, do art. 150, do RIR/99 ("agentes, representantes e outras pessoas sem vinculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria"), a saber: a) as vendas realizadas à BARRA MANSA caracterizam atos de comércio realizados por conta própria e risco do Sr. JAMILTON e, prova disso, é que as NOTAS FISCAIS DE VENDA DE PRODUTOR RURAL foram emitidas em seu nome ou em nome de interpostas pessoas; b) intimada, a BARRA MANSA informou não manter relações comerciais com pessoas físicas na condição de corretores/intermediários e nem com a empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP; c) embora intimados, os fiscalizados não apresentaram quaisquer documentos, levantamentos, demonstrativos de cálculo das comissões e respectivos documentos de respaldo a respeito do exercício da intermediação de negócios de compra e venda de gado, cujos recursos transitaram pelas suas contas bancárias; 2 os motivos pelos quais as multas de lançamento de oficio foram qualificadas/agravadas (225%), nos moldes dos §§ 1° e 2°, do inciso I, do art. 44, da Lei n° 9.430/1996, em vista da conduta adotada pela fiscalizada enquadrarse nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964; a saber: a) prática de atos e/ou omissões com a clara intenção de alterar as características do fato gerador e de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária dos débitos tributários devidos, dentre outros: b) embaraçar a fiscalização ao deixar de atender sucessivas intimações; c) movimentar recursos em contas bancárias de interpostas pessoas; 3 os motivos e bases legais para lavrar "Termo de Representação Fiscal para Fins Penais" e "Termo de Arrolamento de Bens"; 4 imputação de Responsabilidade Tributária Solidária à BARRA MANSA, com base no art. 124, inciso I, do CTN, sobre a parte do crédito tributário, de R$ 11.240.603,74, decorrente das omissões de receitas das vendas que o Sr. JAMILTON realizou em seu nome e das pessoas interpostas, pois: a) a empresa sabia que o Sr. JAMILTON utilizava a emissão de notas fiscais em nome de pessoas interpostas (anotações nas notas fiscais); b) existia interesse comum e liame inequívoco entre as atividades do Sr. JAMILTON e a empresa BARRA MANSA, como descrito neste RF; Fl. 12636DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 56 c) entregava os cheques nominais a pessoa não autorizada (Sr. WHILIE); 5 imputação de Responsabilidade Tributária Subsidiária ao Sr. WHENDER, com base no inciso II, do art. 135, do CTN, sobre o crédito tributário total, pois os atos e/ou omissões por ele praticados conduziram à sonegação fiscal pela omissão de receitas decorrente da exploração da compra e venda de gado pelo Sr. JAMILTON, dentre os quais se destacam: a) apresentação de notas fiscais inidôneas; b) atuação como interposta pessoa do Sr. JAMILTON; c) movimentação de recursos de terceiros em sua conta corrente ("caixa 2"); d) apresentação das declarações de ajuste e escrituração dos livros caixa após inicio da ação fiscal e de sucessivas intimações fiscais; 6 imputação de Responsabilidade Tributária Subsidiária ao Sr. WHILIE, com base no inciso II, do art. 135, do CTN, sobre o crédito tributário total, pois os atos e/ou omissões por ele praticados conduziram à sonegação fiscal pela omissão de receitas decorrente da exploração da compra e venda de gado pelo Sr. JAMILTON, dentre os quais se destacam: a) atuação como interposta pessoa do Sr. JAMILTON; b) atuação como responsável pela área administrativa e financeira do negócio; c) movimentação de recursos de terceiros em sua conta corrente ("caixa 2"); d) não atendimento às intimações fiscais; e) não apresentação das declarações de ajuste. Os autos de infração seus ARs constam às fls. 7224 a 7303. Os Termos de Responsabilização Tributária e seus ARs constam às fls. 7304 a 7309, todos com a mesma data de ciência dos autos de infração. A empresa individual JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP (fls. 7312 a 7364), o Sr. WHENDER (fls. 7365 a 7382), Sr. WHILIE (fls. 7383 a 7400) apresentaram impugnação, em 16/10/2013. A BARRA MANSA apresentou impugnação, em 21/10/2013, por meio de seus advogados (fls. 7404 a 7448), acostando cópias de documentos relacionados às aquisições objeto da autuação, tais como Guias de Trânsito Animal (GTA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Boletins de Abate/DCI/ROMANEIO "SEM ATESTE", DANFE, NOTAS FISCAIS DE PRODUTOR, CONSULTAS PÚBLICAS AO CADASTRO ICMS, cheques e NOTAS PROMISSÓRIAS RURAIS relacionados ao Sr. WHENDER, cópias do mesmo tipo de documentos relacionados ao Sr. WHILIE exceto GTA e Boletins de Abate , cópias de DANFE e NOTAS FISCAIS DE PRODUTOR relacionados ao Sr. CLÉSIO e ao Sr. GERCINO MACIEL, bem como, a título ilustrativo, cópias de documentos relacionados a aquisições de gado de outros produtores de fora do Estado de São Paulo. A empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP alega, em resumo, que: 1 o lançamento é nulo, pois é inconstitucional o Fisco obter dados protegidos pelo sigilo bancário sem ordem judicial, ainda que embasado no art. 6° da Lei Complementar n° 105/01, de modo que foi usada prova ilícita; traz decisão do STF em favor de sua tese; Fl. 12637DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.609 57 2 além disso, quanto ao item 002 do auto de infração (OMISSÃO DE RECEITAS NA REVENDA PARA A BARRA MANSA), em razão do recebimento dos valores das notas fiscais de produtor rural emitidas em seu nome e em nome de interpostas pessoas, não escrituradas e não tributadas, no valor total de R$ 47.493.909,25), há várias incongruências advindas da: a) solidariedade imputada ao frigorífico Barra Mansa; e, b) tributação como operação comercial e não como intermediação, que foi o que de fato ocorreu; 3 a invocação de interesse comum exige a existência de uma sociedade de fato entre a JJP EPP e o frigorífico; mas houve interesse do frigorífico apenas em relação à aquisição, o que não gera tributação, pois não constitui receita/lucro e sim despesa; assim, tanto a atividade de intermediar quanto a de revender geram tributação, mas não interesse comum; ao contrário, os interesses em tela são antagônicos, pois intermediar ou revender é diferente de adquirir; 4 não se pode confundir a solidariedade prevista no art. 124, I, com a responsabilidade de que trata o art. 128 e seguintes, todos do CTN; 5 analogias sobre a propriedade de imóveis e sobre aquisição de imóveis com dívida ilustram sua tese sobre responsabilidade por sucessão; traz ementa do CARF; 6 assim, ainda que o frigorífico tivesse interesse na aquisição, este seria adstrito ao aspecto econômico e não ao jurídico; toda empresa, por óbvio, tem algum interesse no seu fornecedor, mas isso não implica interesse jurídico e societário, únicos capazes de gerar solidariedade; 7 para fins de solidariedade, é preciso interesse jurídico na situação constitutiva do fato gerador; daí a necessidade de existência de unidade de negócio, para que as partes possam não apenas partilhar os resultados (interesse econômico), mas gerir o negócio (interesse jurídico); traz decisões do STF em favor de sua tese; 8 ora, se o Sr. JAMILTON realizava atos próprios de comércio, por conta e risco, tal situação impede a configuração de unidade de negócio, descaracterizando, portanto, a imputação de solidariedade; traz ementas do CARF; 9 e mais: sendo atos próprios de comércio, por conta e risco, o lançamento não poderia ter sido lavrado contra a pessoa jurídica JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, pois o seu objeto social é o serviço de transporte, atividade que não é correlata ao comércio; 10 se o gado foi adquirido e revendido pelo Sr. Jamilton, por meio da pessoa jurídica da sua titularidade, não houve prestação de serviço de transporte, pela simples questão de que o transporte foi em causa própria; 11 assim, na hipótese de existência de receita tributável, o Sr. Jamilton deveria ter sido autuado como produtor rural ou, na ausência dos respectivos requisitos, como agente de campo, ou seja, como corretor, intermediador de negócios, hipótese que levaria a tributação para a pessoa física, conforme arts. 150, 45, III, e 75, todos do RIR/99, razões pelas quais não cabe exigência da CSLL, COFINS e PIS, mas, apenas, do IR; 12 a tributação na pessoa jurídica por atos de comércio é sem sentido, pois se assim fosse, o interesse comum com o frigorífico consistiria no resultado do comércio da carne, sendo a Fl. 12638DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 58 aquisição do gado (insumo) apenas um meio; assim, se o frigorífico é solidário com o Sr. JAMILTON, é preciso admitir que a compra de gado era um meio para a realização de um fim; nesse contexto, não cabe a hipótese de revenda de gado, mas apenas de aquisição, o que significa que não há qualquer tributo incidente na operaçãomeio, pois esta não caracterizaria o exercício de nenhuma atividade econômica autônoma; em resumo: a solidariedade imputada somente seria cabível se o AuditorFiscal sustentasse que o Sr. JAMILTON e o Frigorífico foram sócios em 36.975 cabeças de gado (17.634 em 2009 e 19.341 em 2010), com o objetivo comum de abate e comercialização, o que levaria a tributação para a receita daí decorrente; portanto, a fundamentação não confirma a conclusão, razão pela qual o lançamento é improcedente em relação a este item, visto que os fatos descritos e imputados não condizem com a capitulação legal; 13 se superado o aspecto da ilicitude da prova e mantida a solidariedade, o lançamento deve ser anulado em relação a este item, pois a operação passível de tributação seria aquela vinculada à venda dos produtos do abate; nesta hipótese, o Sr. Jamilton e o Frigorífico seriam sócios em unidade de negócio e o gado adquirido seria matériaprima (insumo) para abate e comércio; tal situação, por óbvio, tem o condão de anular o lançamento; afinal, a solidariedade exige sociedade de fato (unidade de negócio), como se colhe da jurisprudência transcrita do STJ e do CARF; 14 por outro lado, se afastada a solidariedade, o lançamento deve ser anulado, visto que o Sr. Jamilton realizava atos próprios de intermediação, cuja comissão paga pelo frigorífico girava em torno de 5%, conforme fl. 259, PARTE V, do RF; 15 por fim, descabe utilizar os extratos bancários para servir de base para o lançamento no tocante aos créditos, sem considerar os débitos, que caracterizam os pagamentos aos produtores rurais pela alienação de gado ao frigorífico; 16 a base tributável referente ao item 001 do auto de infração (OMISSÃO DE RECEITAS NA REVENDA PARA OUTROS CLIENTES, em razão de auferição de receitas de venda de bovinos, não escrituradas e não tributadas, cujos valores foram apurados a partir dos créditos bancários que transitaram pelas contas bancárias da empresa JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, do titular e das interpostas pessoas, no total de R$ 19.252.084,27), não se sustenta, pois: a) no tópico 10.5, "Do volume das movimentações bancárias", PARTE IV, do RF, a movimentação financeira de todos os fiscalizados foi de R$ 54.234.720,72, nos anos em tela; b) no tópico 12.1, "Da omissão de Receita da Atividade Receita Bruta Mensal na Revenda de Mercadorias Outros Clientes", PARTE V, do RF, consta que o a base de cálculo, decorrente da movimentação bancária, é de R$ 8.942.957,41 (AC 2009) e R$ 10.309.126,86 (AC 2010), o que totaliza R$ 19.252.084,27; c) no tópico 12.2, "Da Omissão de Receita de Atividade Receita mensal na Revenda de Mercadorias Operações com a empresa Barra Mansa", PARTE V, do RF, constatouse que a receita da venda de boi foi de R$ 20.586.109,81 conforme notas fiscais de entrada (AC 2009) e de R$ 26.907.799,44 (AC 2010), totalizando R$ 47.493.909,25; d) ora, se a movimentação bancária foi de R$ 54.234.720,72, nos anos 2009 e 2010, e se a receita da venda de bois para a Barra Mansa foi de R$ 47.493.909,25, no mesmo período, a diferença é de R$ 6.740.811,47, razão pela qual este valor deveria ser a base de cálculo para o item 001 do auto de infração, e não R$ 19.252.084,27, como consta na Fl. 12639DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.610 59 PARTE V, do RF, item "Da omissão de Receita da Atividade Receita Bruta Mensal na Revenda de Mercadorias Outros Clientes"; e) por óbvio, o Sr. Auditor Fiscal apurou base de cálculo a maior, de R$ 12.511.272,80 (R$ 19.252.084,27 R$ 6.740.811,47); f) e mais: do valor de R$ 6.740.811,47, resultado da diferença entre a movimentação financeira e a receita da venda de bois, também irreal, pois não foi deduzida a receita de R$ 1.471.008,76, referente ao serviço de transporte de gado, o que resultaria numa base redimensionada de R$ 5.269.802,71, da qual seria necessário ainda deduzir as movimentações financeiras decorrentes de transferências bancárias entre os fiscalizados, para, finalmente, atingir a base tributável real referente ao item 001 do auto de infração; g) como as planilhas com os valores das transferências bancárias entre os fiscalizados encontramse com o Sr. Auditor Fiscal, é necessária nova apuração; 17 a multa foi majorada (qualificada) para 150% e posteriormente (agravada) para 225%, sendo certo que a multa pela inadimplência é de 20% do crédito apurado e não pago, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430/96; além disso, a multa é inconstitucional (art. 150, IV), por ser confiscatória; 18 não há previsão legal para a incidência de juros em relação à multa decorrente de lançamento ofício, exceto em se tratando de auto de infração apenas de multa, nos termos do art. 43 da Lei n° 9.430/96; embora não conste do RF e nem do auto de infração, o Sistema de Cálculos (SICALC) da Receita Federal faz incidir juros equivalentes à taxa SELIC em relação à multa, o que não pode ser aceito; 19 não cabe revisão do lançamento, pois o erro aqui é de direito e não de fato, conforme jurisprudência judicial transcrita. O Sr. WHENDER e o Sr. WHILIE apresentaram impugnações (fls. 7365 a 7400) de igual teor. Alegam, em resumo, no que difere das alegações anteriores, que: 1 o Sr. AuditorFiscal errou ao responsabilizálos pelo crédito tributário com base no art. 135, II, do CTN, pois os autos evidenciam que atuaram como empregados do pai, Sr. Jamilton (que foi quem, de fato e de direito, engendrou e dirigiu o comércio de gado), de modo que essa condição de subordinação leva à necessidade de interpretar o dispositivo em conjunto com o art. 137, I, do CTN: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (... ) II os mandatários, prepostos e empregados; (... ) Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: Fl. 12640DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 60 I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; (...)"(grifos do original) 2 a imputação de responsabilidade decorre de auferimento de benefício econômico pessoal e de prática de atos de gestão, que só existem nas figuras dos sócios ou dos representantes legais (procuradores), valendo ressaltar que não foram acusados de formação de sociedade de fato, entendimento amparado pelos arts. 114, 118, I e II, 124, I e 126, III, do CTN; 3 aplicamse ao caso analogias sobre a diferença entre a responsabilidade do motorista que transporta mercadoria sem nota fiscal em razão de vínculo empregatício e a do que transporta mercadorias em benefício próprio, hipótese na qual a empresa de transporte não pode ter responsabilidade tributária, pois o motorista agiu contrariamente aos interesses do empregador, nos moldes do art. 137, III, "b", do CTN; 4 a responsabilização de um funcionário implica reconhecer a existência de uma unidade de negócio, na qual, o gestor e não o subordinado responde por seus atos. A empresa BARRA MANSA traz cópias de documentos, às fls. 7449 a 12320 do eprocesso, e alega, em resumo, que: 1 os produtores fiscalizados (Jamilton, Whender, Gercino e Whilie) dispunham duma área rural voltada para agropecuária de cerca de 847 hectares, situada parte em São Paulo e parte em Minas Gerais (fl. 189 do RF), e conforme fls. 179/180 (item 4.1.1, PARTE IV, do RF) apresentaram várias notas fiscais de aquisição de insumos para agropecuária; portanto, em vista dos princípios da eventualidade e da verdade material, não há de prevalecer o lançamento, por não considerar as pessoas físicas produtores rurais; 2 foi vinculada solidariamente à parte de R$11.240.603,74 (incluindo multa de 225% e juros de mora) do crédito tributário apurado contra a pessoa física do Sr. Jamilton e lançado contra a empresa Jamilton Junqueira PoloEPP, que teria omitido receitas; a vinculação foi feita com base no art. 124, I, do CTN, e nas equivocadas premissas abaixo (item 13.4.1, PARTE V, do RF), segundo as quais a BARRA MANSA buscaria: a) furtarse aos custos do ICMS; b) isentarse dos custos e logísticas de pessoal contratados para comprar bovinos; c) manter altos níveis de aquisição de bovinos, com o menor preço possível; d) oferecer ao mercado interno e externo preços competitivos da carne e seus derivados; e) auferir lucros às custas de um esquema fraudulento de sonegação fiscal de ICMS; 3 as supostas provas seriam que a BARRA MANSA: a) deveria ter controle rígido para inibir as transações comerciais lastreadas com notas fiscais inidôneas; b) deveria fazer pagamentos exclusivamente através de transferências bancárias/créditos em conta corrente aberta em nome dos produtores rurais emitente das notas fiscais; Fl. 12641DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.611 61 c) efetuava os pagamentos por meio de cheques nominais aos emitentes das Notas Fiscais, mas sem nenhum controle interno ou exigência de procuração outorgada pelos produtores rurais para entrega de cheques a terceiros; 4 todavia, a empresa sempre adquiriu gado agindo legalmente (obedecendo, inclusive, o art. 22 da Lei Estadual de São Paulo n° 6.374/89, que estatui os deveres do contribuinte), com total lisura e boafé, não existindo prova para tal imputação, sendo certo que o Fisco não pode fazer valer como prova contra a Barra Mansa documentos supostamente emitidos ou utilizados irregularmente por terceiros; aliás, toda a documentação exigida (que comprova que os bois ingressaram no estabelecimento e que os pagamentos, com base nos preços de mercado da época, foram realizados por meio de cheques nominais aos pecuaristas) foi disponibilizada ao Fisco, a saber: a) Notas Fiscais do produtor com a devida habilitação junto à Secretaria da Fazenda Estadual (SINTEGRA válido); b) Notas (DANFE'S) de Entrada das mercadorias, sendo oportuno suscitar que a empresa faz uso da Nota Fiscal Eletrônica que só é emitida quando há inscrição válida do produtor rural vendedor; c) GUIAS DE TRÂNSITO ANIMAL, devidamente assinadas pela Autoridade Responsável; d) Extratos Bancários; e) Livros Fiscais e Contábeis com as devidas escriturações das operações de aquisição de bovinos; f) "BOLETINS DE ABATE" nos quais a empresa forneceu à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, todas as informações referentes às aquisições realizadas, com, inclusive, os dados dos pecuaristas vendedores de gado. 5 quanto aos negócios com corretores, a empresa forneceu os nomes de todos eles, cabendo indagar, em vista do controle rígido a ser adotado pela empresa, mencionado no RF: quais seriam as outras cautelas, instituídas em lei, cabíveis à compradora, para amparar as compras de gado, senão as relatadas nesta defesa? 6 assim, em razão da relação comercial, confirma a regular inscrição do vendedor (obrigação que assiste a si), emite os documentos fiscais a seu encargo, e efetua os recolhimentos de tributos, quando for o caso; tratase de procedimento amparado em lei, que, uma vez observado, configura ato já consumado não sujeito a ser desconsiderado pelas autoridades; 7 a conduta do fisco macula o princípio da legalidade, da segurança jurídica e da moralidade administrativa, na medida em que tenta punir inocentes por infração cuja responsabilidade transcende os limites impostos pela legislação à empresa adquirente, que, por sinal, não logrou qualquer benefício com a conduta a si imputada; 8 o fato da BARRA MANSA exercer sua atividade não permite concluir que ela tenha algum tipo de "interesse comum" na realização de atos lesivos ao fisco praticados por produtores rurais, conforme jurisprudência judicial transcrita, cabendo destacar o seguinte argumento: "Não será, com efeito, razoável exigir da vendedora que controle o iter da mercadoria da Fl. 12642DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 62 origem até o destino final. Do contrário, consagrarseia em máxima a obrigação do cidadão precaverse com tal intensidade que nem mesmo o Estado, que é legalmente vocacionado para este dever, conseguiu desempenhar"; ao contrário: a sonegação acusada pelo Fisco não pode ir além dos sonegadores para alvejar quem agiu de boafé, adotando as cautelas normais nas suas operações, nos termos da legislação e dos costumes vigentes; 9 a propósito, o RF aponta a negligência daqueles que teriam a competência e autoridade de fiscalizarem as operações que antecederam a compra por parte da BARRA MANSA, como segue: a) fls. 271: "Terceiro: tendo em vista a precariedade/inexistência da fiscalização estadual, o rebanho era facilmente transportado para o Estado de São Paulo;" b) fls. 274: "Destacamos ... a fragilidade dos controles ou negligência/conivência de funcionários das instituições financeiras quanto ao tratamento que deveria ser aplicado aos saques e/ou depósitos de cheques nominais, vez que a fiscalização identificou uma quantidade enorme de endossos falsos."; 10 ressalta que: a) a BARRA MANSA não tem qualquer vínculo societário e gerencial com os contribuintes autuados, limitandose o relacionamento ao âmbito comercial (aquisição de gado por compra direta) e ao âmbito de intermediação (corretagem); b) buscar manter altos níveis de aquisição de gado ao menor preço faz parte do objetivo de qualquer frigorífico; c) é insustentável justificar a imposição de solidariedade com base na atividade econômica de buscar matériaprima a bom preço, vez que, independentemente de qualquer fraude perpetrada por produtores rurais, a BARRA MANSA continuará comprando gado na medida da sua capacidade de abate (cerca de 750 a 800 cabeças/dia), para obter lucro; 11 vejase que o abate mensal médio da empresa é de 16.645 cabeças, totalizando 199.746 em 2009 e 195.402 em 2010 (resposta aos agentes fiscais em 6 de agosto de 2013, página 256 do RF); tais números desqualificam a conotação dada pela fiscalização, pois as aquisições fiscalizadas, de 17.643 e de 19.341, não representam 10% do total anual no período em tela; 12 cabe também rechaçar a afirmação de que a BARRA MANSA, com a suposta fraude imputada aos produtores rurais fiscalizados, buscava manter e oferecer ao mercado interno e externo preços competitivos, pois não há como imaginar que uma empresa consiga manterse no mercado sem preços competitivos; 13 e mais: os preços praticados pela BARRA MANSA, seja na aquisição de gado, seja na venda da carne e derivados para os mercados externo e interno, estão alinhados aos preços praticados pelos demais frigoríficos; a propósito, o preço da arroba é definido pela localização do rebanho, sendo que os bovinos do Estado de São Paulo têm os preços mais elevados, conforme tabela a seguir de preços no mercado físico de boi gordo, em 11/10/2013, obtida no domínio "scotconsultoria.com.br". 14 a questão do preço do boi do Estado de Minas Gerais mostra outro equívoco do Fisco para imputar à BARRA MANSA responsabilidade solidária, pois é descabida a alegação de que a BARRA MANSA teria se beneficiado do suposto esquema para lucrar com o não pagamento do ICMS na compra de gado, cuja aquisição com incidência de ICMS oneraria a BARRA Fl. 12643DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.612 63 MANSA, pois: a) pagaria mais barato pelo boi (ver quadro acima); b) se creditaria dos valores pagos do tributo para utilizálos em vendas de carne para outros Estados da Federação; c) portanto, a aquisição direta junto aos produtores de Minas Gerais só traria benefícios econômicos à empresa que compraria o boi mais barato e, ainda, se creditaria do valor do respectivo ICMS; d) tanto é assim que, conforme a planilha apresentada de fl. 256 RF, Minas Gerais é o segundo Estado em fornecimento de gado para a empresa, atrás apenas de São Paulo; e) por outro lado, a fiscalização é contraditória ao concluir pela existência de benefício econômico para empresa, pois há textos em que imputa todo o benefício com a suposta sonegação de ICMS em favor do Sr. Jamilton e dos demais produtores rurais (fl. 275 do RF): "13.4.2. Das vantagens auferidas pelo SR. JAMILTON JUNQUEIRA PÓLO Com relação as transações comerciais realizadas entre JAMILTON JUNQUEIRA POLO e a empresa BARRA MANSA, resumese: Primeiro: o SR. JAMILTON negociava, adquiria e pagava por conta e risco, de acordo com o prazo acordado, o gado ao produtor rural; Segundo: negociava, revendia e recebia do BARRA MANSA os recursos decorrentes da revenda do gado. Quais as vantagens auferidas pelo SR. JAMILTON na negociação? a) considerando que o gado era adquirido em Minas Gerais sem a emissão de notas fiscal, e por isso, sem a incidência de ICMS, o SR. JAMILTON ganhava na diferença negociada entre o preço de compra e venda da arroba;" 15 traz doutrina contrária à solidariedade como espécie de sujeição passiva e à aplicação do art. 124, I, do CTN, por ser dispositivo excessivamente genérico e, por si só, insuficiente para caracterizar a responsabilidade solidária; 16 mesmo que se admita a existência duma unidade de negócio entre a BARRA MANSA e os produtores rurais para aquisição de bovinos, passível de gerar solidariedade, tal hipótese se desfaz no momento em que se verifica que a compra de gado não caracteriza qualquer fato imponível (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) de responsabilidade da BARRA MANSA; ou seja: inferir a existência da unidade de negócio para compra de gado, sob a gestão dos produtores com a participação da BARRA MANSA, desfaz o contexto de omissão de receitas; 17 tendo agido legalmente, é incabível qualquer espécie de penalidade, de modo que a multa de 225% não guarda qualquer relação com a conduta da BARRA MANSA e sua aplicação é Fl. 12644DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 64 inconstitucional (a pena não pode passar da pessoa do condenado, princípios do nãoconfisco, razoabilidade, proporcionalidade, capacidade contributiva, dentre outros). Diante das defesas apresentadas, a Delegacia de Julgamento de São Paulo julgou parcialmente procedente o lançamento tão somente para afastar a responsabilidade atribuída ao Frigorífico Barra Mansa, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 NULIDADE. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. Preliminar indeferida. CARACTERIZAÇÃO DA ATIVIDADE. Não se discute em preliminar se a atividade do autuado era essa ou aquela, tratandose de questão de mérito. Preliminar indeferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2009, 2010 CARACTERIZAÇÃO DA ATIVIDADE. Foi provado que o Sr. Jamilton Junqueira Polo não praticava atos de produtor rural ou de corretor na venda de gado, mas, sim, atos próprios de comércio, por sua conta e risco, o que justificou equiparálo a pessoa jurídica, não sendo necessário abrir um novo CNPJ para a autuação, visto que já possuía a empresa de transporte de gado Jamilton Junqueira Polo EPP. OMISSÃO DE RECEITA DE VENDAS DE GADO AO FRIGORÍFICO BARRA MANSA. AC 2009 e 2010. Foi provada a omissão de receitas pela escrituração da adquirente, das notas fiscais das vendas e dos cheques emitidos para os respectivos pagamentos. OMISSÃO DE RECEITA DE VENDAS DE GADO A OUTROS CLIENTES. AC 2009 e 2010. Foi provada a omissão de receitas com base nos depósitos bancários de origem não comprovada, devidamente expurgados. OMISSÃO DE RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE GADO. AC 2010. Foi provada a omissão de receitas pelo confronto das escriturações da adquirente e da transportadora. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 12645DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.613 65 A presunção legal de omissão de receitas baseada em depósitos bancários, prevista no RIR/99, não autoriza deduzir os débitos, pois não visa presumir resultado, mas, sim, omissão de receita. MULTA QUALIFICADA. A utilização de contas bancárias de interpostas pessoas e de notas fiscais inidôneas, bem como a falsificação de assinaturas para endosso de cheques emitidos em nome de terceiros configuram fraude, o que justifica a qualificação da multa. MULTA AGRAVADA. O embaraço à fiscalização causado pelo não atendimento às sucessivas intimações da fiscalização justifica o agravamento da multa. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A decisão referente às infrações do IRPJ aplicase às demais tributações, no que couber. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SUBSIDIÁRIA. WHENDER MIJOLER POLO. As acusações de (I) usar notas fiscais inidôneas, (II) usar suas contas bancárias para movimentar recursos de "caixa 2" de terceiro, e (III) operar como interposta pessoa que motivaram a imputação de responsabilidade tributária subsidiária ao Sr. WHENDER não foram enfrentadas e sequer negadas, razões pelas quais a responsabilidade imputada deve ser mantida. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SUBSIDIÁRIA. WHILIE MIJOLER POLO. As acusações de (I) usar suas contas bancárias para movimentar recursos de "caixa 2" de terceiro e, (II) operar como interposta pessoa que motivaram a imputação de responsabilidade tributária subsidiária ao Sr. WHILIE não foram enfrentadas e sequer negadas, razões pelas quais a responsabilidade imputada deve ser mantida. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BARRA MANSA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA. Não configurado o interesse comum entre comprador (Barra Mansa) e vendedor (Sr. Jamilton) na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal (auferimento de renda), é de se afastar a imputação de solidariedade. Diante da decisão acima, foram interpostos Recursos Voluntários com, basicamente, o mesmo teor das impugnações em primeira instância, e o competente Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 12646DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 66 Voto Conselheiro Demetrius NIchele Macei Os recursos apresentados por Jamilton Julqueira Polo EPP, Whilie MIjoler Polo e Whender Mijoler Polo (estes dois na condição de responsáveis). Na visão do Fisco, o Sr. Jamilton Junqueira Polo, engendrou operação de compra/venda de gado, especialmente no Estado de Minas Gerais, fazendo uso de meios inidôneos e da colaboração de empregados, dentre os quais dois filhos (Whender e Whilie). Quanto a este item, a apuração do crédito tributário devido está baseada nas informações capituladas nas notas fiscais de entrada (aquisição de gado) emitidas pelo Frigorífico Barra Mansa. Na parte não relacionada ao Frigorífico Barra Mansa, o Fisco considerou que o gado adquirido foi vendido para clientes diversos, contribuintes não identificados. Quanto a este item, a apuração do crédito tributário devido está baseada no montante da movimentação de valores por intermédio de bancos. Por fim, a terceira e última infração diz respeito à receita oriunda da prestação de serviço de transporte de gado, cuja apuração está baseada nas notas fiscais também registradas no Frigorífico Barra Mansa. O lançamento encontrase assim estruturado: 0001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS OUTROS CLIENTES 0002 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS OPERAÇÕES COM A EMPRESA BARRA MANSA COM. DE CARNES E DERIVADOS LTDA. 0003 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE Foram apurados os seguintes créditos tributários: Tributo Valor (principal) IRPJ (COEFICIENTE DE APURAÇÃO 8% X ALÍQUOTA DE 15% X ALÍQUOTA ADICIONAL DE 10% R$ 1.291.357,74 CSSL (COEFICIENTE DE APURAÇÃO 12% X ALÍQUOTA DE 9%) R$ 723.253,16 COFINS (INCIDÊNCIA CUMULATIVA À ALÍQUOTA DE 3%) R$ 2.009.036,56 PIS (INCIDÊNCIA CUMULATIVA À ALÍQUOTA DE 0,65%) R$ 435.291,25 Total R$ 4.458.938,71 Fl. 12647DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.614 67 O valor total do crédito, acrescido de juros e multa, é de R$ 15.908.180,75, sendo que o lançamento foi integralmente realizado na pessoa jurídica (empresa individual) JAMILTON JUNQUEIRA POLO EPP. O lançamento foi feito com base no regime de apuração pelo lucro presumido (coeficiente de 8%) e incidência cumulativa quanto às contribuições sociais incidentes sobre a receita (COFINS/PIS). O relatório fiscal encontrase dividido em cinco partes, sendo: PARTE FATOS RELACIONADOS AO CONTRIBUINTE FOLHAS DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA) 1 WHENDER MIJOLER POLO 01/77 II WHILIEMIJOLERPOLO 77/126 III GERCINO MACIEL 127/167 IV JAMILTON JUNQUEIRA POLO 168/214 V JAMILTON JUNQUEIRA POLO EPP 215/299 A ação fiscal decorreu de diligência realizada em relação ao contribuinte Whender Mijoler Polo, MPFF n° 08.1.23.002012004002, filho do Sr. Jamilton, em razão de expressiva movimentação financeira verificada junto ao BRADESCO. Expediuse, inicialmente, o MPFD n° 08.1.23.002012009900, para coleta de informações e documentos. Após uma série de constatações e da não apresentação da totalidade dos documentos exigidos e informações não esclarecidas, expediuse o MPFF n° 08.1.23.002013001953 e, consequentemente, a conversão do procedimento de diligência em fiscalização. As informações relativas à movimentação financeira foram obtidas por meio de requisições às instituições financeiras: Fiscalizado: Sr. JAMILTON • 3.2.1. BRADESCO S/A RMF nº 08.1.23.002013000019 (ag. 18341, c/c 3.9438); • 3.2.2. NOSSA CAIXA S/A RMF nº 08.1.23.002013000027 (ag. 186, c/c 8.3077); • 3.2.3. BANCO DO BRASIL RMF nº 08.1.23.002013000035 ag. 2.0923, c/c 20.028 X). Fiscalizado: JAMILTON EPP • SANTANDER S/A RMF nº 08.1.23.002013000043 (agência 0476 c/c 3022) • BRADESCO S/A RMF nº 08.1.23.002013000051 (agencia 1834 c/c 50571) Após o exame da movimentação financeira e diligências, o Fisco constatou que a operação envolvendo a compra e venda de gado de produtores rurais, localizados em sua maioria no Estado de Minas Gerais, havia sido engendrada pelo Sr. Jamilton Junqueira Polo. Fl. 12648DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 68 A Fiscalização também constatou que a quase totalidade das receitas movimentadas são decorrentes de vendas de bovinos para a empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda., CNPJ 03.151.790/000447, localizada no Município de Sertãozinho (SP), para efeito de abate. A outra parte dos recursos foi considerada como decorrente da (i) venda de gado para contribuintes diversos não identificados e da (ii) receita de serviços de transporte de gado não contabilizada. O Sr. Auditor Fiscal é firme no sentido de que os recursos financeiros movimentados em diversas contas de pessoas interpostas pertencem ao Sr. Jamilton Junqueira Polo, coordenador e responsável pelo engendramento da operação de aquisição e revenda de gado ao Frigorífico Barra Mansa, para abate. Vide o capitulado no: • TÓPICO 8.6. "Da Conclusão", FOLHA 199, PARTE IV, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA); • TÓPICO 9.1.1. "Das contas conjuntas x efeitos para fins de tributação", FOLHA 202, PARTE IV, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA); • TÓPICO 10.1. "Dos negócios explorados pelo fiscalizado", FOLHA 203, PARTE IV, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA); • TÓPICO 10.4 "Da captação de gado para o BARRA MANSA e o modus operandi dos negócios explorados pelo Sr. JAMILTON JUNQUEIRA POLO", FOLHAS 206/208, PARTE IV, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA); • TÓPICO 10.5 "Do volume das movimentações bancárias", FOLHAS 208/209, PARTE IV, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA). • TÓPICO 9.2. "Da movimentação bancária", FOLHAS 244/245, PARTE V, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA); • TÓPICO 9.4. "Da 'livre' movimentação de recursos entre as contas", FOLHAS 245/246, PARTE V, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA); • TÓPICO 11. "Dos créditos bancários considerados pela fiscalização decorrentes das vendas de bovinos que transitaram pelas contas correntes de firma individual", FOLHAS 247/249, PARTE V, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA); • 12.2. (002) "Da omissão de Receita de Atividade Receita Bruta Mensal na Revenda de Mercadorias Operações com a empresa BARRA MANSA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA", FOLHAS 251/252, PARTE V, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA); • 13.4. "Da captação de gado para o BARRA MANSA x modus operandi", FOLHAS 268/273, PARTE V, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA); • 13.4.2. "Das vantagens auferidas pelo SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO", FOLHAS 275/277, PARTE V, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA); Fl. 12649DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.615 69 Diante do constatado, a DRF apurou: 0001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS OUTROS CLIENTES O CONTRIBUINTE AUFERIU RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE BOVINOS, NÃO ESCRITURAS E NÃO TRIBUTADAS, cujos valores foram apurados a partir dos créditos bancários que transitaram pelas contas correntes abertas em nome da empresa, DO TITULAR E DAS PESSOAS INTERPOSTAS, CONFORME RELATÓRIO FISCAL EM ANEXO. FATOS GERADORES: 31/01/2009 A 31/12/2010 MULTA QUALIFICADA/AGRAVADA DE 225% A apuração acima envolveu o exame da movimentação financeira de Whilie Mijoler Polo, Jamilton Junqueira Polo e Jamilton Junqueira Polo EPP, o que resultou nas seguintes bases para tributação: Ano Whilie Parte II Jamilton Parte IV Jamilton/EPP Parte V Valor 2009 R$ 928.479,33 R$ 1.116.762,76 R$ 6.897.715,32 R$ 8.942.957,41 2010 R$ 4.659.155,47 R$ 1.576.467,58 R$4.073.503,81 R$ 10.309.126,86 — — — TOTAL R$ 19.252.084,27 É o que se colhe do capitulado no tópico 12.1, folha 250, Parte V, do relatório fiscal (paginação física). Mais adiante, o Fisco assim concluiu: 0002 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS OPERAÇÕES COM A EMPRESA BARRA MANSA COM. DE CARNES E DERIVADOS LTDA. O contribuinte emitiu as notas fiscais de produtor rural em seu nome e em nome de interpostas pessoas, não escrituras e não tributadas, relativas a venda de bovinos para abate a empresa BARRA MANSA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA, SENDO A REFERIDA EMPRESA ENQUADRADA COMO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA NOS TERMOS DO INCISO I DO ART. 124 DA LEI N° 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966 (CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN), CONFORME RELATÓRIO FISCAL EM ANEXO. FATOS GERADORES: 31/01/2009 A 31/12/2010 MULTA QUALIFICADA/AGRAVADA DE 225% A apuração acima envolveu o exame das notas fiscais de entrada registradas no Friforífico Barra Manda, relacionadas às pessoas Whender Mijoler Polo, Whilie Mijoler Fl. 12650DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 70 Polo, Clésio de Oliveira Barbosa dos Santos e Jamilton Junqueira Polo, o que resultou nas seguintes bases para tributação: Ano WhenderParte 1 Whilie Parte II Clésio Parte IV Jamilton Parte IV Valor em R$ 2009 R$ 11.503.562,74 R$ 4.113.691,35 R$ 3.524.928,41 R$ 1.443.297,31 20.586.109,81 2010 R$ 9.152.025,24 R$ 5.217.389,36 R$ 11.040.944,22 R$ 1.497.440,62 26.907.799,44 — — ... ... TOTAL 47.493.909,25 É o que colhe do capitulado no tópico 12.2., folha 251/252, Parte V, do relatório fiscal (paginação física). A participação dos filhos na operação consta do tópico 4.1.1., intitulado "Da análise dos documentos apresentados", folha 181, parte IV, do relatório fiscal, assim vertido: "AS OBSERVAÇÕES RELATADAS NOS ITENS 'A' E 'F ACIMA É MAIS UM ELEMENTO A DEMONSTRAR QUE, DE FATO, OS NEGÓCIOS DE COMPRA E VENDA DE BOVINOS ERAM DESENVOLVIDOS PELO SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO E auxiliados pelos filhos WHENDER, WHILIE e WHIGOR sob relação de emprego/dependência e subordinação." (GRIFAMOS) A mesma ilação consta do tópico 10.1., intitulado "Dos negócios explorados pelo fiscalizado", folhas 203/204, parte IV, do relatório fiscal, assim vertido: "NO DECORRER DAS AÇÕES FISCAIS RELATADAS NO PRESENTE TERMO, A FISCALIZAÇÃO CONSTATOU QUE O NEGÓCIO PREPONDERANTE EXPLORADO PELO SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO E auxiliado, sob relação de emprego e subordinação, pelos seus filhos WHENDER MIJOLER POLO. WHILIE MIJOLER POLO, e WHIGOR MIJOLER POLO (sem ação fiscal), É A COMPRA E VENDA DE BOVINOS E TINHA COMO PRINCIPAL CLIENTE A EMPRESA BARRA MANSA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA (SERTÃOZINHO/SP)." (GRIFAMOS) Por fim, o Fisco concluiu que: 0003 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇCOS DE TRANSPORTE O contribuinte não escriturou e não tributou parte das notas fiscais referentes a prestação de serviço de transporte a empresa BARRA MANSA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA, CARACTERIZANDO OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE, CONFORME RELATÓRIO FISCAL EM ANEXO. FATOS GERADORES: 31/01/2010 A 01/10/2010 MULTA QUALIFICADA DE 112,5% A apuração acima envolveu a comparação dos valores das receitas declaradas pela fiscalizada/autuada e os valores contabilizados pela empresa BARRA MANSA (principal cliente), com multa qualificada de 112,5%, o que resultou na base de R$ 221.892,09. O regime de apuração foi pelo lucro presumido, conforme os seguintes dispositivos do RIR/99: Fl. 12651DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.616 71 "ART. 518. A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO E DO ADICIONAL (541 E 542), EM CADA TRIMESTRE, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, OBSERVADO O QUE DISPÕE O § 7A DO ART. 240 E DEMAIS DISPOSIÇÕES DESTE SUBTÍTULO (LEI N2 9.249, DE 1995, ART. 15, E LEI RR 9.430, DE 1996, ARTS. I2 E 25, E INCISO I). ART. 519. PARA EFEITOS DO DISPOSTO NO ARTIGO ANTERIOR, CONSIDERASE RECEITA BRUTA A DEFINIDA NO ART. 224 E SEU PARÁGRAFO ÚNICO. § 1 NAS SEGUINTES ATIVIDADES, O PERCENTUAL DE QUE TRATA ESTE ARTIGO SERÁ DE (LEI NA 9.249, DE 1995, ART. 15, § L2): IIDEZESSEIS POR CENTO PARA A ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE, EXCETO O DE CARGA, PARA O QUAL SE APLICARÁ O PERCENTUAL PREVISTO NO caput;" (GRIFAMOS) Tal forma de apuração encontrase fundamentada nos tópicos: • 14. Da atividade econômica e da forma de tributação, FOLHAS 277/281, PARTE V, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA); • 14.1. Do não enquadramento das operações realizadas no § 2^, III, do art. 150 do RIR/99, FOLHAS 281/283, PARTE V, DO RELATÓRIO FISCAL (PAGINAÇÃO FÍSICA). Por fim, o Sr. Auditor Fiscal responsabilizou o Frigorífico BARRA MANSA como solidário pelo crédito tributário apurado em relação a JAMILTON JUNQUEIRA POLO EPP, com base no art. 124, I, do CTN. Entendeu o Auditor Fiscal que o aludido Frigorífico, para manter o nível de abate próximo da sua capacidade máxima, pediu ao Sr. Jamilton Junqueira Polo que localizasse e adquirisse gado para tal finalidade. O Sr. Jamilton, por sua vez, contou com o auxilio de seus filhos Whender, Whilie e Whigor (sem ação fiscal) e também de alguns corretores subcontratados para localização de rebanhos em Minas Gerais. Tais pessoas, sob a coordenação e responsabilidade do Sr. Jamilton, adquiriam os bois e "simulavam" a internação dos mesmos em propriedades rurais situadas no Estado de São Paulo, visando burlar o recolhimento do ICMS, já que o mesmo é diferido. Tal afirmação encontrase capitulada no tópico 13.4, intitulado "Da captação de gado para o BARRA MANSA x MODUS OPERANDI", folhas 268/277, parte V, do relatório fiscal (paginação física). No Estado de São Paulo, o recolhimento do ICM é diferido para o momento da saída da mercadoria do estabelecimento que ocorrer o abate, daí a explicação para a internação do gado em propriedades situadas naquela unidade federativa. Fl. 12652DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 72 Diz que simulavam a internação, pois, segundo o Fisco, os bois adquiridos em Minas Gerais eram revendidos e transportados diretamente para o Frigorífico, visando possibilitar o abate imediato. Tal operação (aquisição/revenda) exigiu o uso de pessoas interpostas, bem como a emissão de notas fiscais inidôneas. Assim, o Sr. Auditor Fiscal apurou diversos crédito tributários em relação à firma individual JAMILTON JUNQUEIRA POLO EPP e: • Solidarizou a empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda. com o débito (art. 124,1, do CTN); • responsabilizou as pessoas de Whender Mijoler Polo e Whilie Mijoler Polo pelo débito (art. 135, II, do CTN), como empregados do pai (Jamilton Junqueira Polo). Examinando a farta documentação probatória juntada na fase investigatória (o processo se encontra com mais de 10 mil páginas de documentos), o meticuloso trabalho realizado pela fiscalização e, finalmente, toda a fundamentação da decisão de primeira instância de julgamento, não vejo razão nas alegações dos recorrentes em sede de Recurso Voluntário para a reforma da decisão a quo. O argumento relativo á existência de prova ilícita não procede. Os recorrentes afirmam em sede preliminar que a informação bancária obtida pela Receita Federal ofende norma constitucional de sigilo de informações, o que tornaria nulo o procedimento de fiscalização. Independentemente do fato de ser defeso ao julgador administrativo acolher argumentos envolvendo inconstitucionalidade de lei, vejase o Supremo Tribunal Federal, recentemente, manifestouse sobre o tema nas ADIs 2390, 2386 e 2397, cujo acórdão está pendente de publicação, todavia, o tema foi amplamente divulgado na imprensa especializada, bem como no sitio de internet do STF (Notícias), cujo texto inicial segue: "Quartafeira, 24 de fevereiro de 2016 STF garante ao Fisco acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão desta quartafeira (24) o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. (...)" (http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=3 10670 Acesso em 15.08.2016) Fl. 12653DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.617 73 Com a decisão acima noticiada, entendo que este tema restou superado não só administrativa, como também judicialmente. No mérito, o principal argumento de defesa continua sendo que teria o Sr. Jamilton praticado atos próprios de comércio, por sua conta e risco, e assim o lançamento não poderia ter sido lavrado contra a pessoa jurídica JAMILTON JUNQUEIRA POLOEPP, cuja atividade (transporte) não é correlata ao comércio. Alega que o Sr. Jamilton deveria ter sido autuado como produtor rural ou, na ausência dos respectivos requisitos, como agente de campo, ou seja, como corretor, intermediador de negócios, hipótese que levaria a tributação para a pessoa física, conforme arts. 150, 45, III, e 75, todos do RIR/99, razões pelas quais não cabe exigência da CSLL, COFINS e PIS, mas, apenas, do IR. Os argumentos são improcedentes, pois as razões para tal procedimento estão fundamentadas e detalhadamente descritas, às fls. 277 a 281 do Relatório Fiscal e embasadas na legislação de regência (Com a redação dada pela Lei 9.250/1995), como segue: "14. Da atividade econômica e da forma de Tributação O art. 2° da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990, abaixo transcrito, determina o que se considera atividade rural. Art. 2° Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei n° 9.250, de 1995); Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. (Incluído pela Lei n° 9.250, de 1995). E considerando que: Fl. 12654DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 74 a) os negócios de compra e venda de gado foram realizados, de fato, pelo SR.JAMILTON JUNQUEIRA POLO; b) Não foi possível a fiscalização determinar o tempo que os animais ficaram em poder do contribuinte; c) Intimado, o fiscalizado também não informou o tempo que os animais teriam ficado em seu poder; d) Levandose em conta os itens b e c, as receitas decorrentes das vendas de gado realizadas não foram consideradas decorrentes da exploração da atividade rural e a fiscalização enquadrou os negócios em conformidade com o inciso II do art. 4° da IN SRF n° 83/2001 (regulamentadora da legislação acima transcrita); e) Com base nos elementos coletados no curso da ação fiscal, a fiscalização considerou os negócios realizados pelo SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO (compra e venda de gado) de natureza comercial e enquadrados no art. 150, § 1°, II, do RIR/99; f) A atividade contratual (transporte rodoviário de gado) da referida empresa está relacionada com as atividades desenvolvidas pelo SR. JAMILTON JUNQUEIRA POLO (compra e venda de gado), cujas receitas de prestação de serviços de transporte foram exclusivamente auferidas com transporte de gado vendido à terceiros fiscalizados; g) Conta corrente aberta em nome da empresa movimentou recursos expressivos decorrentes da exploração da compra e venda de bovinos realizada em nome da pessoa física JAMILTON JUNQUEIRA POLO em montante muito superior aos recursos financeiros decorrentes da prestação de serviços de transporte de gado (atividade contratual), conforme relatado nos tópicos 6.2 (transferência de recursos financeiros), tópico 7 (diligências fornecedores) e tópico 8 (termo de Intimação Fiscal n° 003) e 9.2 (movimentação bancária); Além disso, o argumento de que o Sr. Jamilton intermediava a venda de gado como corretor foi examinado e considerado improcedente já no próprio Relatório Fiscal, conforme consta às fls. 281 a 283 da PARTE V. A recorrente alega que o gado foi revendido pelo Sr. Jamilton, por meio da pessoa jurídica da sua titularidade e que não houve prestação de serviço de transporte, pois este teria sido feito em causa própria. O argumento é improcedente pois, como já foi visto no item anterior, os negócios foram feitos pelo Sr. Jamilton, pessoa física. Sua atividade comercial levouo a ser equiparado a pessoa jurídica. Assim, sua empresa de transporte de gado não transportou gado que ela negociava, mas, sim, que o Sr. Jamilton negociava, muito embora tenham sido depositados na conta bancária da transportadora mais recursos provenientes dos negócios do Sr. Jamilton, do que recursos de fretes. Além disso, não há qualquer referência à compra de gado pela sua principal cliente com frete incluso no preço. Ao contrário: as despesas com frete de gado adquirido para abate constam nos registros contábeis dos terceiros fiscalizados, acompanhados dos respectivos comprovantes de pagamento, de modo que a alegação de que não houve prestação de serviço de transporte de gado, conforme corretamente considerada pela fiscalização e confirmada pela DRJ, é descabida. Fl. 12655DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.618 75 O argumento de que não se pode utilizar os créditos bancários sem considerar os débitos é improcedente, pois a presunção legal de omissão de receitas baseada em depósitos bancários, prevista no RIR/99, não autoriza deduzir os débitos, até porque não se está a apurar resultado, mas, sim, omissão de receita. Assim, entendo que restam claros os motivos que levaram a fiscalização a considerar comercial a atividade do Sr. Jamilton, no tocante à compra e venda de gado, bem como a autuar os fatos geradores em nome da transportadora. A recorrente alega também erro na base de cálculo (R$ 19.252.084,27) do item 001 (OMISSÃO DE RECEITAS ... OUTROS CLIENTES) do auto de infração. O argumento genérico de que há erro na base de cálculo é improcedente, pois a apuração das receitas omitidas não resultou, exclusivamente, da movimentação bancária, razão pela qual os "cálculos" apresentados pelo contribuinte não possuem relevância. A apuração da matéria tributável foi feita, em resumo, com base no seguinte: 1 a omissão de receitas de vendas ao principal cliente (FRIGORÍFICO BARRA MANSA anos 2009 e 2010) foi apurada com base na escrituração dessa empresa, nas notas fiscais emitidas e nos cheques nominais por ela emitidos; 2 a omissão de receitas de transporte (ano 2010) foi apurada pelo cotejo entre os valores da receita escriturada/declarada pela JJPEPP e os valores contabilizados pelo terceiro fiscalizado; 3 a omissão de receitas de vendas a OUTRO CLIENTES (anos 2009 e 2010) foi apurada com base nos depósitos bancários de origem não comprovada, excluídos os valores das vendas a esse seu cliente principal, as transferências entre contas, os estornos e as aplicações financeiras. A incoerência alegada pela recorrente não procede, pois os cálculos adaptados à realidade da autuação mostram que o valor de R$ 19.252.084,27 corresponde a cerca de 35,50% do total da movimentação bancária (R$ 54.234.720,72). No entanto, embora sem repercussão na apuração da base de cálculo de cada infração, cabe dizer que houve um lapso na soma dessa movimentação financeira dos fiscalizados, no item "10.5. Do volume das movimentações bancárias", da PARTE IV, cujo total, apurado com base nas Declarações de Informações Sobre Movimentação Financeira (DIMOF), consta como R$ 54.234.720,72, mas cujas parcelas somam, na realidade, R$ 67.266.196,18. A movimentação financeira do Sr. Gercino Maciel não foi incluída na totalização, como mostra o quadro a seguir: WHENDER 17.081.936,00 WHILIE 14.642.012,38 JAMILTON 7.587.156,36 JJPEPP 14.923.615,98 GERCINO MACIEL 13.031.475,46 CLÉSIO 0,00 SOMA 67.266.196,18 Total no item 10.5Parte IV 54.234.720,72 DIFERENÇA 13.031.475,46 Fl. 12656DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 76 Esse total errado se deve a espaços criados depois da vírgula, provavelmente por deficiência do programa que transformou um documento em ".PDF" não pesquisável em um documento ".PDF" pesquisável. Vejase a seguir como problemas desse tipo no "copiar" de um documento em "PDF" pesquisável e "colar" em uma planilha "EXCEL" leva esta a não "ler" o número. A prova consta no quadro a seguir, no qual foram copiados valores do documento "Relatório Fiscal", em ".PDF" pesquisável, colados em planilha EXCEL e ajustados para eliminação dos espaços: SEM AJUSTE COM 1 AJUSTE (WHILIE) COM 2 AJUSTES (+JAMILTON) COM 3 AJUSTES (+GERCINO) 1) WHENDER MIJOLER POLO R$ 17.081.936,00 R$ 17.081.937,00 R$ 17.081.937,00 R$ 17.081.937,00 2) WHILIE MIJOLER POLO R$ 14.642.012, 38 R$ 14.642.012,38 R$ 14.642.012,38 R$ 14.642.012,38 3) JAMILTON JUNQUEIRA POLO R$ 7.587.156, 36 R$ 7.587.156, 36 R$ 7.587.156,36 R$ 7.587.156,36 4) JAMILTON JUNQUEIRA POLO EPP (1).: R$ 14.923.615,98 R$ 14.923.616,98 R$ 14.923.617,98 R$ 14.923.617,98 5) GERCINO MACIEL R$ 13.031.475, 4 6 R$ 13.031.475, 4 6 R$ 13.031.475, 4 6 R$ 13.031.475,46 6) CLÉSIO DE OLIVEIRA B DOS SANTOS (2) R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Total calculado R$ 32.005.551,98 R$ 46.647.566,36 R$ 54.234.723,72 R$ 67.266.199,18 Total no Relatório Fiscal R$ 54.234.720, 72 R$ 54.234.720, 72 R$ 54.234.720, 72 R$ 54.234.720, 72 Assim, a fiscalização ajustou apenas os valores para os Srs. WHILIE e JAMILTON, deixando de fazêlo para o Sr. GERCINO. Notese, por fim, que a base de cálculo total, R$ 66.967.885,61, é um pouco inferior à soma da movimentação financeira dos fiscalizados, de R$ 67.266.196,18. Portanto, restou amplamente demonstrada a correção da base de cálculo tributável, e que os equivocos gerados pelo sistema de informática, não causaram prejuízo ao contribuinte. Quanto à inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança de juros sobre as multas, o tema é pacifico no âmbito do CARF, no sentido da possibilidade desta cobrança. No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Por esta razão, afasto a alegação da recorrente de que não haveria incidência de juros sobre as multas punitivas, ressaltando que tal fato não decorre da autuação, mas decorrerá do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Em relação à qualificação/agravamento da multa, concordo com as conclusões da DRJ quando afirma que a autuação não trata, como é óbvio, de mera inadimplência, como afirma a recorrente, mas sim, de fraude (interposição de pessoas, uso de notas fiscais inidôneas e falsificação de endossos em cheques nominais) amplamente comprovada nos autos, visando a sonegação, o que justifica a qualificação das multas (aumento em 100%). Vejase a Súmula do CARF n° 34 (vinculante): "Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é Fl. 12657DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.619 77 cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. (Portaria n° 383, de 12/07/2010, publicada no DOU de 14/07/2010)" Além disso, o contribuinte, bem como as interpostas pessoas causaram embaraço à fiscalização deixando de atender sucessivas intimações da fiscalização, igualmente demonstrados no curso da fiscalização, o que justifica o agravamento das multas (aumento em 50%). Finalmente, quanto à responsabilidade dos Srs. Whilie e Whander, filhos do Sr. Jamilton e formalmente empregados do autuado, entendo que foram atribuidas de forma correta pela fiscalização. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de que a responsabilidade constante no artigo 135 do CTN se trata de responsabilidade utra vires, isto é, a ação fraudulenta dos sócios exclui completamente a responsabilidade da sociedade mediante transferência da sujeição passiva da pessoa juridica para a pessoa fisica, entendo que no caso os Sr. Whilie e Whander devem responder pelos débitos apurados no auto de infração em tela. A peculiaridade aqui surge na utilização de interposta pessoa (Sr. Gercino Maciel pessoa de diminuto patrimônio e empregado do Sr. Jamilton há anos, e os Recorrentes filhos com amplo patrimonio e movimentação financeira relacionada aos fatos geradores) de forma que tanto o pai quanto os dois filhos aqui nominados contribuiram conjuntamente para a sonegação perpretada e identificada no Relatório de Fiscalização. A defesa de ambos se concentra em afirmar que o AuditorFiscal errou ao responsabilizálos pelo crédito tributário com base no art. 135, II, do CTN, pois os autos evidenciam que agia como empregados do pai, Sr. Jamilton (que foi quem, de fato e de direito, engendrou e dirigiu o comércio de gado), de modo que essa condição de subordinação leva a interpretar o dispositivo em conjunto com o art. 137, I, do CTN. Eis os citados dispositivos: "Responsabilidade de Terceiros (... ) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." (grifouse) Fl. 12658DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 78 "Responsabilidade por Infrações (... ) Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas." (grifouse) Ocorre, porém, que restou comprovado nos autos que os recorrentes estiveram longe de ter exercido atividade "regular" da administração, pois: 1 Sr. WHENDER utilizou Notas Fiscais de Produtor Rural falsas ou inidôneas, conforme item 7 da PARTE I, do RF; 2 Sr. WHENDER operou como interposta pessoa do Sr. JAMILTON, conforme item 18.4 da PARTE I, do RF; 3 Sr. WHENDER utilizou sua conta bancária para movimentar recursos que pertenciam a seu pai, operando como "caixa 2" do Sr. Jamilton, conforme item 9.23 da PARTE I, do RF; 4 Sr. WHILIE utilizou sua conta bancária para movimentar recursos que pertenciam a seu pai, operando como "caixa 2" do Sr. Jamilton, conforme item 12 da PARTE II, do RF; 5 Sr. WHILIE operou como interposta pessoa do Sr. JAMILTON, conforme item 14 da PARTE II, do RF; Diante da falta de impugnação a esses fatos, por parte dos recorrentes, que se limitaram a afastar sua responsabilidade "em tese", não é forçoso concluir que: 1. o Sr. WHENDER usava seu CNPJ de Produtor Rural e suas contas bancárias para simular como sendo suas as vendas que o Sr. Jamilton pretendia dissimular, ajudando este a ocultar, assim, expressiva parte do seu comércio de gado, e; Fl. 12659DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.620 79 2. o Sr. WHILIE operava a parte administrativa e financeira do negócio, preenchendo notas fiscais e cheques, retirando os cheques e notas promissórias rurais sem ter procuração para isso (ou seja, agindo como verdadeiro preposto do sr. Jamilton) e falsificando assinaturas de endosso de cheques. Importante anotar que os Sr. Jamilton e Jamilton EPP foram recentemente objeto de medida cautelar fiscal, junto à 3a. Vara Civel da Justiça federal de Franca/SP (autos 000044650.2015.403.6113) que, diante da caracterização de fortes indícios de esfaziamento fraudulento de patrimônio, inclusive com a alienação de bens arrolados junto a Receita Federal para seu outro filho Whigor (também investigado aqui, mas não caracterizado como responsável tributário), teve declarada a indisponibilidade dos bens até o limite do débito em discussão no presente processo, por meio de liminar contra si deferida em 27.02.2015, conforme consta no documento de fls. XX (eprocesso). Por estes motivos e pela farta matéria probatória reunida nos autos, entendo que deve ser mantida a responsabilidade dos Sr. WHILIE e WHANDER pelo crédito tributário ora lançado. Tratandose de lançamento formalizado no mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, aplicase à CSLL, ao PIS e à CONFINS o mesmo resultado do julgamento do processo de IRPJ, aqui tido como principal. RECURSO DE OFÍCIO A fiscalização entendeu que o Frigorífico Barra Mansa deveria figurar como responsável tributário, pelo fato de ter tido, o frigorífico, conhecimento da participação fraudulenta de todas as pessoas nominadas no relatório Fiscal e também pelo fato de ser o seu principal cliente. O fundamento legal utilizado pela fiscalização foi o art. 124, I do CTN, in verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Não há controvérsia nos autos de que o referido frigorífico era o comprador da maioria do gado fornecido pelo autuado. Também se reconhece que a principal fonte de informações obtidas para quantificar a presente autuação, ao lado da movimentação financeira, veio justamente da contabilidade do referido frigorífico. Contudo, estes fatos de per si não tem o condão de atribuir ao frigorífico a responsabilidade tributária cometida por terceiros. Por outro lado, também é incontroverso que não há nenhuma relação societária ou familiar em que o autuado e o frigorífico pudesse ser visto como alguma espécie de Grupo Econômico do autuado, o que sequer foi cogitado pela fiscalização. Vejase que se tratam de lados juridicamente opostos. Comprador e vendedor. Portanto, entendo correta a decisão da Delegacia de Julgamento em afastar a solidariedade do Frigorífico neste caso. Fl. 12660DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 80 Caso semelhante a este foi julgado nesta turma, na relatoria do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, no caso DEDINI S/A, julgado em fevereiro de 2016 (acórdão 1402002.110), cujo trecho do voto é esclarecedor, senão vejamos: "Nesse ponto, é fundamental para o deslinde o fato de que a solidariedade não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrando se o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral." No presente caso, a relação de compra e venda entre a empresa Barra Mansa e Jamilton Junqueira EPP, não pode dar ensejo a aplicação do artigo 124, inciso I do CTN, ou seja, da solidariedade, posto que as partes não coabitam o mesmo pólo da relação jurídica que estabeleceram. Numa relação de compra e venda, há um interesse coincidente, mas não comum, entre vendedor e comprador. Para que o interesse se constitua como comum é necessária a participação direta dos interessados na concretização/prática do fato gerador. Constatase, portanto, que o interesse além de comum, deve ser jurídico. Novamente se está diante de dificuldade conceitual, que De Plácido e Silva diferencia com propriedade. Para ele há três tipos de "interesses comuns" possíveis: o econômico, o moral e o jurídico: “O (interesse) moral decorre dos direitos à vida, à liberdade, ao sossego, ao bemestar, à honra, à fama. O econômico estruturase toda vez que a coisa ou o fato, calcado em um bem material, ou mesmo em um direito ou bem intelectual, possa ser convertido ou transformado em valor pecuniário. E se diz jurídico quando, um ou outro, se apresentam legítimos, de modo a autorizar a pessoa a defendêlos, segundo as regras do Direito. Fl. 12661DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.722298/201326 Acórdão n.º 1402002.289 S1C4T2 Fl. 12.621 81 Nesta razão, o interesse jurídico é o interesse juridicamente ou legalmente protegido, porque se exibe legítimo, positivo, certo, atual e inequívoco." (Dicionário Jurídico, 1987, v. 2, p. 497) Do exposto, concluo que no caso em tela poderia haver, de fato, entre as duas partes – empresa Barra Mansa e Jamilton Junqueira EPP – interesse econômico comum. No entanto, interesse jurídico que possa embasar a aplicação da solidariedade não existe, pois ambos ocupam lados distintos na relação jurídica de compra e venda que se perfez e não praticaram conjuntamente o fato gerador dos tributos lançados. Para concluir, vejase a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que vem caminhando nesta mesma esteira de entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídico tributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (...) 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. (...) 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação Fl. 12662DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 82 comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível.(grifo meu) 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). (...) (Resp 884.845/SC Relator Ministro Luiz Fux Primeira Turma, Data do Julgamento 05/02/2009, Data da Publicação 18/02/2009) Vejase que no precedente acima, que sequer as empresas do mesmo "conglomerado financeiro" alçaram entre si solidariedade, pois faltou justamente o interesse jurídico comum, consubstanciado na prática conjunta do fato gerador. No caso concreto, além de não pertencerem indiscutivelmente a Grupo Econômico ou similar, tampouco auferiram renda (IRPJ), obtiveram o mesmo lucro (CSLL) ou receitas (PIS/COFINS) que pudessem caracterizar o interesse jurídico comum previsto no Código Tributário Nacional, suficiente para a solidariedade almejada pelo Fisco. Diante do exposto, nego provimento aos Recursos Voluntários interpostos bem como nego provimento ao Recurso de Ofício. É o voto. Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 12663DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/10/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16682.720589/2011-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006, 2007
PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO.
O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica.
APROVEITAMENTO DO ÁGIO. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. INVESTIDORA E INVESTIDA.
São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão).
DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO.
A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade.
DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS.
Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica.
CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO.
A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.
Os arts. 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável.
Numero da decisão: 9101-002.419
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Nathalia Correia Pompeu (relatora) e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Nathalia Correia Pompeu, Cristiane Silva Costa, que votou pelas conclusões, Luís Flávio Neto e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura no conhecimento e mérito.
Nome do relator: NATHALIA CORREIA POMPEU
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. INVESTIDORA E INVESTIDA. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Nathalia Correia Pompeu (relatora) e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Nathalia Correia Pompeu, Cristiane Silva Costa, que votou pelas conclusões, Luís Flávio Neto e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura no conhecimento e mérito.
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Numero do processo: 11610.009942/2001-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. INEFICÁCIA.
Para a comprovação de seus argumentos, as peças de defesa devem ser instruídas com todos os documentos e provas necessários. O ônus para a comprovação dos pagamentos efetuados e não localizados cabe ao interessado, que deve conservar os documentos até o transcurso do prazo prescricional previsto no Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-001.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. INEFICÁCIA. Para a comprovação de seus argumentos, as peças de defesa devem ser instruídas com todos os documentos e provas necessários. O ônus para a comprovação dos pagamentos efetuados e não localizados cabe ao interessado, que deve conservar os documentos até o transcurso do prazo prescricional previsto no Código Tributário Nacional.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1380; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.009942/200181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.514 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2016 Matéria Auto de Infração CSLL Recorrente SISPACK MEDICAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. INEFICÁCIA. Para a comprovação de seus argumentos, as peças de defesa devem ser instruídas com todos os documentos e provas necessários. O ônus para a comprovação dos pagamentos efetuados e não localizados cabe ao interessado, que deve conservar os documentos até o transcurso do prazo prescricional previsto no Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 99 42 /2 00 1- 81 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11610.009942/200181 Acórdão n.º 1201001.514 S1C2T1 Fl. 3 2 Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Por meio do Auto de Infração (fls. 02 a 15), originado da realização de Auditoria Interna nas DCTF referentes ao primeiro e segundo trimestres do anocalendário (AC) de 1997, foi exigido do contribuinte em epígrafe o recolhimento de crédito tributário, no montante de R$ 27.649,50 (vinte e sete mil, seiscentos e quarenta e nove reais e cinquenta centavos), incluindo contribuição, multa de ofício e juros de mora (estes calculados até 30/11/2001). 1. O crédito tributário decorreu de pagamentos informados em DCTF, não confirmados (Anexo Ib): (...) 3. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos à fl. 05. 4. O contribuinte, cientificado da autuação, apresentou, em 20/12/2001, por meio de seu representante legal (fls. 01 e 52 a 59), impugnação (fl. 01), acostou documentos e alegou que os débitos reclamados já teriam sido pagos (01 a 03/97) e compensados com saldo de 1996 (04 a 06/97), conforme cópias anexas. Afirmou que retificaria a DCTF do 2º trimestre de 1997 devido a informação incorreta da CSLL (compensada com saldo de 1996, conforme DIPJ). 5. A Autoridade Administrativa, em Revisão de Lançamento (Despacho Decisório nº 1.379/2011; fl. 70), determinou o cancelamento de parte dos créditos tributários julgados improcedentes (períodos de apuração 0101/ 97 e 0102/ 97), e o encaminhamento do saldo restante para apreciação por esta DRJ, conforme demonstrativos de consolidação e recálculo de fls. 66 a 69, restando em aberto o informado às fls. 71 e 72 (extrato do processo). Em sessão de 15 de março de 2012 a 4a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para manter o valor do principal apurado após a Revisão de Lançamento, em relação aos meses de março a junho/1997, a ser cobrado com a aplicação de multa de mora (limitada a 20%) e juros de mora, conforme legislação de regência. Foi exonerada, por força da retroatividade benigna, a multa de ofício, nos termos do artigo 18 da Lei n. 10.833/2004. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual afirmou, apenas, que: (...) tendo em vista que todos os valores foram recolhidos regularmente, conforme informado nas DCTFs objeto do processo supra, não sendo possível a apresentação dos correspondentes DARFs por já terem sido decorridos mais de 10 (dez) anos da data do recolhimento, bem como da lavratura do Auto de Infração pela Receita Federal. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11610.009942/200181 Acórdão n.º 1201001.514 S1C2T1 Fl. 4 3 Dessa forma, solicita a extinção dos valores supra, os quais ainda constam como débitos no relatório de informações fiscais, bem como a juntada deste requerimento ao processo supra citado. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A questão ainda em debate nos autos é bastante singela e diz respeito ao principal, juros e multa de mora cujos pagamentos foram informados em DCTF, mas não identificados nos sistemas da Receita Federal nem comprovados, mediante documentos, pela Recorrente. Com efeito, a decisão de piso constatou que: 11. Consulta aos Sistemas DCTFGER, IRPJ/Cons, Sinal08, Processo no SIEF, e aos documentos que constam do presente processo, indicam o quanto segue. 11.1. Os débitos remanescentes, referentes aos períodos de apuração março a junho/1997 (0103/ 97, 0104/ 97, 0105/ 97 e 0106/ 97), foram informados nas DCTF originais (visto que, até o presente momento, não foi entregue DCTF retificadora), como extintos por pagamento (e não por compensação, como afirmado pela Impugnante, em relação aos meses de abril a junho). 11.2. Observase que constam as seguintes informações, nas base de dados da RFB (Receita Federal do Brasil): Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11610.009942/200181 Acórdão n.º 1201001.514 S1C2T1 Fl. 5 4 11.2. O Sistema Sinal08 confirma apenas os pagamentos relativos a janeiro e fevereiro (já reconhecidos na Revisão de Lançamento), embora recolhidos no código 2372 (CSLL PJ que apuram o IRPJ com base em Lucro Presumido ou Arbitrado). Não houve recolhimento no código 2484. 11.2.1. De se observar que o DARF de fl. 16, no valor de R$ 2.021,45, foi recolhido no código 5993 (IRPJ), e que não foi feito REDARF. 11.2.2. Ademais, foi informado na DIRPJ/98 (que representava confissão de dívida) que o débito referente ao IRPJ calculado por estimativa relativo a março/97 somou R$ 2.021,44 (valor este utilizado na apuração do “IRPJ a pagar” apurado ao final do anocalendário, e compensado, segundo a Impugnante, com saldo negativo de períodos anteriores). 11.2.3. Portanto, temse que o débito de CSLL referente a março/97 não foi pago, nem compensado, razão pela qual há que se prosseguir em sua cobrança. 11.3. Em relação aos débitos de abril a junho/97, temse que a Impugnante afirma que eles foram compensados com saldo de 1996. No entanto, tal afirmação não é corroborada com documentação hábil. (grifamos) Como relatado, a interessada, no Recurso Voluntário, afirmou não mais possuir os comprovantes de pagamento, dado o transcurso de mais de dez anos. Contudo, o argumento não a socorre, pois o ônus para comprovação dos pagamentos que não foram encontrados nos sistemas da Receita Federal cabe ao contribuinte e a manutenção dos documentos correspondentes deve observar o prazo prescricional previsto no Código Tributário Nacional: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Não há, portanto, como atender à pretensão da Recorrente, por falta de comprovação documental dos pagamentos. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11610.009942/200181 Acórdão n.º 1201001.514 S1C2T1 Fl. 6 5 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.005248/2001-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996,1997
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONSTANTES DA DIRPF. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Presume-se a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial a descoberto, decorrentes de excesso de aplicação de recursos em relação às origens.
Numero da decisão: 9202-004.519
Decisão: Recurso Especial Provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer o Acréscimo Patrimonial a Descoberto do ano de 1997, no valor de R$ 122.098,55.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1996,1997 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONSTANTES DA DIRPF. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Presume-se a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial a descoberto, decorrentes de excesso de aplicação de recursos em relação às origens.
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decisao_txt : Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer o Acréscimo Patrimonial a Descoberto do ano de 1997, no valor de R$ 122.098,55. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONSTANTES DA DIRPF. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumese a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial a descoberto, decorrentes de excesso de aplicação de recursos em relação às origens. Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial para restabelecer o Acréscimo Patrimonial a Descoberto do ano de 1997, no valor de R$ 122.098,55. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 52 48 /2 00 1- 85 Fl. 2960DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 210100.529, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fl. 522/524 e 566/568, em virtude das seguintes infrações: Acréscimo Patrimonial a Descoberto: omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, nos meses de março a dezembro de 1996 e dezembro de 1997; Dedução Indevida de Dependentes: glosa de deduções com dependentes pleiteadas indevidamente no anocalendário 1996, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal às fls. 525 a 530; Pensão Judicial Deduzida Indevidamente: glosa de parte da dedução com pensão alimentícia, pleiteada a maior, no anocalendário 1996; Despesa com Instrução Deduzida Indevidamente: glosa de despesas, pleiteadas indevidamente, com instrução de filhos, no anocalendário 1996, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal às fls. 525 a 530; e Omissão de Rendimentos Provenientes de Depósitos Bancários: omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada pelo contribuinte mediante documentação hábil e idônea. Sobre o imposto apurado, no total de R$ 135.841,98, foram aplicados multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora regulamentares, perfazendo um montante global de R$ 351.206,52. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 607/661, requerendo, preliminarmente, que fosse anulado o crédito tributário e, no mérito, que fosse julgado insubsistente o auto de infração, face à imprevisão dos demonstrativos em que se pautou a auditoria fiscal autuante, e cancelado o lançamento tributário de IRPF; sucessivamente, que, ao menos, fosse reconhecida a impossibilidade de se exigir a multa de ofício, nos moldes do art. 63 da Lei 9.430/96, e declarada abusiva no percentual de 75% e dos juros de mora calculados com base na variação da taxa SELIC. Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 15374.005248/200185 Acórdão n.º 9202004.519 CSRFT2 Fl. 10 3 A DRJRJO II, às fls. 793/811, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do auto de infração, e, no mérito, julgou procedente o lançamento de fls. 529/575, resultando na seguinte ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1996, 1997 Ementa: PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA Concedido ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR DE NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. PROVA ILÍCITA Os documentos bancários obtidos pela Fiscalização junto às instituições bancárias, mediante autorização judicial, são provas lícitas para demonstrar a ocorrência de infração à legislação tributária, inocorrendo nulidade na sua produção. NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n" 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1996, 1997 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO O acréscimo do patrimônio da pessoa física submetese à tributação quando não corresponder aos rendimentos declarados e o contribuinte não provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados. DOAÇÃO. PROVA A alegação de recebimento de valor significativo, em forma de doação, quando não tenha sido comprovada a efetiva transferência do valor doado por meio de provas inequívocas, não é suficiente para justificar acréscimo patrimonial. Fl. 2962DF CARF MF 4 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de dispositivos legais, prerrogativa essa reservada ao Poder Judiciário. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. TAXA SELIC. APLICABILIDADE A partir de 01/04/1995, sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente” O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 818/854, refazendo os pedidos realizados em sede de impugnação. A, então, 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, às fls. 876/886, converteu o feito em diligência para que, primordialmente, o processo fosse instruído com as DIPJ (exercícios de 1997 e 1998) da Malva Defensivos e Equipamentos Fitodomissanitários Ltda; componentes da verificação fiscal junto à Adylia Leite da Costa (conforme resposta a intimação fl. 743), que tivessem relação com o recebimento da herança em questão e as doações aos herdeiros, caso existentes em arquivo. Na sessão de 14/05/2010, às fls. 1005/1022, retornaram os autos para julgamento pela atual 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, que rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento e nulidade da decisão de primeiro grau e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso, para excluir do lançamento a exigência a título de acréscimo patrimonial a descoberto do anocalendário de 1997 e excluir o montante de R$ 80.193,91 da base de cálculo dos depósitos bancários sem origem comprovada. Às fls. 1026/1060, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, demonstrando, com relação à omissão da base de cálculo, que o acórdão paradigma levou em consideração, para a aplicação do limite anual de R$ 80 mil, a totalidade dos depósitos (total das omissões) no anocalendário de 2002 (R$ 78.940,63), e não apenas o somatório dos depósitos iguais ou inferiores a R$ 12 mil (que representava o montante de R$ 42.637,37), como procedeu o acórdão ora recorrido. Assim, tendo em vista que o somatório de todos os valores depositados (sem origem comprovada) no anocalendário 2002 totalizou R$ 78.940,63, naquele feito, autorizou que fosse excluído do lançamento os depósitos iguais ou inferiores a R$ 12 mil (que totalizaram R$ 42.637,87). Também nesse caso observase a cristalina divergência de entendimentos sobre a interpretação da lei tributária. Ainda, o Acórdão Recorrido entendeu que se deve excluir da base de cálculo todos os depósitos inferiores a R$ 12 mil. Ao contrário, os Acórdãos Paradigmas, acertadamente, entenderam que o limite anual de R$ 80 mil deve ser respeitado por quaisquer depósitos de origem não comprovada, sejam eles inferiores ou superiores a R$ 12 mil. No caso dos autos, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 525/530 e o Auto de Infração de fls. 522/568, o somatório dos depósitos bancários superam o valor de R$ 80.000,00. Assim, o acórdão recorrido foi de encontro ao posicionamento firmado nos acórdãos paradigmas. Quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, o paradigma optou por manter o lançamento a título de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e por acréscimo patrimonial a descoberto, tal como foi realizado pela fiscalização. Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 15374.005248/200185 Acórdão n.º 9202004.519 CSRFT2 Fl. 11 5 Noutros termos, sem incluir os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada na evolução patrimonial do APD a título de recursos/origens. Ao revés, o acórdão recorrido considerou que os depósitos bancários, cuja origem restasse comprovada pelo contribuinte, assim como aqueles cuja origem restasse oculta/omitida deveriam constar no fluxo financeiro do acréscimo patrimonial a descoberto a título de recursos a respaldar as aplicações/despesas. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 1116/1122, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deu seguimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, DEU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto nas matérias "exclusão dos rendimentos omitidos da base de cálculo" e "acréscimo patrimonial a descoberto", mas não o admito nas matérias "exclusão dos valores de R$ 254,51 e R$175,99" e "doação". Às fls. 1123/1124, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF, ao reexaminar a admissibilidade do Recurso Especial, manteve a conclusão do Presidente da Câmara na parte que negou seguimento ao recurso. O Contribuinte, às fls. 2927/2940, apresentou contrarrazões, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, motivado, dentre outras questões, ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto: omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, nos meses de março a dezembro de 1996 e dezembro de 1997; e de Omissão de Rendimentos Provenientes de Depósitos Bancários: omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada pelo contribuinte mediante documentação hábil e idônea. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento a exigência a título de acréscimo patrimonial a descoberto do ano calendário de 1997 e excluir o montante de R$ 80.193,91 da base de cálculo dos depósitos bancários sem origem comprovada. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à exclusão dos rendimentos omitidos da base de cálculo e quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, nos termos expostos no relatório. a) Exclusão de Rendimentos Omitidos da Base de Cálculo: Fl. 2964DF CARF MF 6 A alegação da Fazenda Nacional em sede de Recurso Especial é a de que compulsandose os extratos bancários como também os demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal, houve equivoco do acórdão recorrido, pois , embora haja depósitos de valores inferiores a R$ 12.000,00, entretanto, o somatório anual do volume de depósito na conta corrente está além dos R$ 80.000, 00. O Acórdão Recorrido entendeu que se deve excluir da base de cálculo todos os depósitos inferiores a R$ 12.000,00. Ao contrário, os Acórdãos Paradigmas, entenderam que o limite anual de R$ 80.000,00 deve ser respeitado por quaisquer depósitos de origem não comprovada, sejam eles inferiores ou superiores a R$ 12.000,00, pois para a Fazenda Nacional tratase de critério conjugado. deve ser calculado a partir do somatório de todos os depósitos bancários, e não apenas daqueles inferiores a R$ 12.000,00 No caso dos autos, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 525/530 e o Auto de Infração de fls. 522/568, o somatório dos depósitos bancários correspondem ao valor de R$ R$ 80.193,91. A divergência fica por conta da limitação de R$ 80.000,00, se ela compreende o somatório de todos os depósitos ou se tão somente daqueles inferiores a R$ 12.000,00. Observo que no tocante a esta divergência na interpretação do dispositivo legal já houve pacificação do entendimento por este Conselho, por meio da edição da sumula 61: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Resta claro, que não se trata concessão de isenção, mas sim de limitação a presunção absoluta prevista no art. 42 da Lei. Portanto, um valor de depósito abaixo de R$ 12.000,00 até o importe de R$ 80.000,00 poderia ser tributado, contudo exigindo prova da infração legal cometida pelo contribuinte, por parte da fiscalização. Desse modo, considero que o importe de depósitos movimentados pelo contribuinte não ultrapassam o montante legal estabelecido. O segundo ponto da divergência que sobe para análise deste colegiado é: b) Acréscimo patrimonial a descoberto: O acórdão recorrido entendeu que rendimentos omitidos e apurados e tributados pela fiscalização devem ser incluídos no fluxo financeiro como origem de recursos. Noutros termos, entendeu como equivocado o procedimento da fiscalização de somente incluir no cômputo da evolução patrimonial os recursos que considerou devidamente comprovados. O primeiro paradigma indicado para a matéria, o Acórdão n° 10612.966, tratou de lançamento de infrações de acréscimo patrimonial a descoberto e de omissão de receitas por depósitos bancários não comprovados, e não determinou que se aproveitasse o valor lançado na segunda infração como origem de recursos da primeira, enquanto que o acórdão recorrido permitiu tal aproveitamento. Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 15374.005248/200185 Acórdão n.º 9202004.519 CSRFT2 Fl. 12 7 Cito aqui o trecho do acórdão recorrido que gerou a irresignação: Penso que tal falha deve ser saneada neste julgamento, tendo em vista que a fiscalização somente incluiu no cômputo os recursos que considerou devidamente comprovados (fl. 529). Empréstimos e demais valores não comprovados foram excluídos da apuração, e não constam dos referidos fluxos financeiros. Por outro lado, é mansa e pacífica a jurisprudência deste Conselho no sentido de que rendimentos omitidos e apurados e tributados pela fiscalização devem ser incluídos no fluxo financeiro como origem de recursos. O recorrente requer ainda a inclusão, como origem de recursos, no fluxo financeiro mensal no anocalendário 1997, da doação que teria sido recebida de sua mãe Sra. Adylia Leite Costa, no valor de R$ 35.340,00. (...) Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. Ou seja, a discussão está em averiguar se é possível ou não incluir rendimentos omitidos como origem de recursos. Tanto é possível, inclusive, que a própria fiscalização fez isso no auto de infração. Compulsando os autos observo que houve duplicidade na retirada feita pelo acórdão recorrido, devendo ser sanada por esta via, uma vez que o Recurso da Fazenda pede a manutenção do auto de infração. Diante do exposto voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento em parte para restabelecer o Acréscimo Patrimonial a Descoberto do ano de 1997, no valor de R$ 122.098,55, por considerar como origem de recursos (a) o valor da omissão de rendimentos presumida por depósitos bancários sem origem comprovada, apenas uma vez, conforme já considerado no lançamento e (b) o valor da doação reconhecida pela decisão a quo. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 2966DF CARF MF 8 Fl. 2967DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.720131/2012-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA.
Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apontados como paradigmas.
Numero da decisão: 9303-004.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apontados como paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 01 31 /2 01 2- 61 Fl. 8682DF CARF MF 2 Valcir Gassen (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 8.620 a 8.628) com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3202001.284 (fls. 8.589 a 8.604) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 20 de agosto de 2014, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de nulidade do auto de infração, por vício material, suscitada no recurso voluntário. Ainda, a decisão foi reratificada no julgamento dos embargos de declaração (fl. 8.588), os quais foram conhecidos e providos, nos termos do Acórdão nº 3202001.330 (fls. 8.607 a 8.609), de 14 de outubro de 2014, para declarar prejudicado o exame do recurso de ofício, face o acolhimento da preliminar de nulidade do auto de infração do recurso voluntário. Os fundamentos das decisões de provimento do recurso voluntário e de acolhimento dos embargos de declaração foram sintetizados nas seguintes ementas, respectivamente, in verbis: Acórdão nº 3202001.284 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2009 LANÇAMENTO FISCAL COM ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de oficio, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O erro na apuração da base de cálculo caracteriza vício material que torna nulo o auto de infração. Preliminar de nulidade do auto de infração acolhida Acórdão nº 3202001.330 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 Fl. 8683DF CARF MF Processo nº 10935.720131/201261 Acórdão n.º 9303004.327 CSRFT3 Fl. 8.682 3 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. VÍCIO SANADO. Omissão no julgado acerca da análise de recurso de ofício. Omissão suprida. Embargos de declaração acolhidos e providos. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 8.620 a 8.628) suscitando divergência jurisprudencial quanto à decretação da nulidade do auto de infração por erro na apuração da base de cálculo dos tributos em exigência. Para demonstrar o dissenso, indicou como paradigmas os acórdãos nºs 20179.213 e 1102000.989. Embasa a sua inconformidade com a decisão recorrida, nos seguintes fundamentos: · na hipótese de ser constatado erro na apuração da matéria tributável, deve ser promovida a retificação do lançamento, não ensejando de plano a sua nulidade; · há divergência jurisprudencial quanto à interpretação do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN e arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que diante de erro na determinação da matéria tributável, os órgãos julgadores dos acórdãos recorrido e paradigmas decidiram de forma contrária no que concerne à necessidade ou não da declaração de nulidade do lançamento; · considerandose o equívoco na apuração do tributo devido pelo contribuinte e a patente necessidade de revisão, não havendo dúvida quanto à infração imputada ao contribuinte, o presente lançamento se torna necessário, com o intuito de se preservar o direito da Fazenda Pública na constituição do correto montante do crédito tributário; · requer o provimento do apelo para que seja restabelecido o lançamento, mediante os ajustes necessários ao correspondente crédito tributário. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do despacho s/nº, de 26 de junho de 2015 (fls. 8.631 a 8.633), proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF então em exercício. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 8.650 a 8.675) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 8684DF CARF MF 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Quanto à comprovação da divergência jurisprudencial, requisito indispensável à admissibilidade do recurso da Fazenda Nacional, com a devida vênia ao despacho que lhe deu seguimento, entendese não ter sido atendido pela Recorrente, devendo ser negado seguimento ao apelo especial. No acórdão recorrido, o Colegiado a quo decidiu por anular o auto de infração tendo em vista que o erro na apuração da base de cálculo caracteriza vício material, insanável sem novo lançamento, ensejando a nulidade do ato administrativo. Embasouse o julgado nos seguintes fundamentos: [...] Como se observa nos autos, após a diligência solicitada pela DRJ, o agente fiscal afirmou existir erro no montante das saídas com suspensão, consideradas não comprovadas e que devem ser consideradas na apuração dos ajustes finais das contribuições, sendo que este valor seria de R$ 73.600.425,84 e não R$ 143.734.493,41. Diante disso, foi elaborada nova apuração mensal das contribuições considerando os adequados valores de saídas suspensas não comprovadas, havendo a substituição dos anexos V, VI, IX, XII e XIII do auto de infração. Apenas para relembrar, os montantes objeto da autuação inicial foram: Saídas com suspensão informadas pela Recorrente R$ 217.334.919,25 Saídas com suspensão reconhecidas pelo fiscal R$ 143.734.493,41 Saídas que deveriam ser tributadas R$ 73.600.425,84 Vêse que o montante de R$ 143.734.493,41 atenderia todos os requisitos legais para gozar da suspensão de PIS e COFINS, não devendo ser tributado. A diligência realizada conclui justamente o contrário ao afirmar que as saídas com suspensão foram no valor de R$ 73.600.425,84, o que faz com que o valor de R$143.734.493,41 passe a ser a quantia que deveria ser submetida à tributação. Se a Recorrente já teria comprovado para a fiscalização que as saídas com suspensão alcançavam a quantia de R$ 143.734.493,41, não parece possível através de diligência “corrigir” o montante para R$ 73.600.425,84. Fl. 8685DF CARF MF Processo nº 10935.720131/201261 Acórdão n.º 9303004.327 CSRFT3 Fl. 8.683 5 O cerne da questão não passa simplesmente pela alteração na fundamentação legal da exigência, como apontado na decisão recorrida, mas sim no seu agravamento. Ora, o §3º art. 18 do Decreto n° 70.235/72 deve ser lido não da forma como foi feito pela decisão recorrida, pois existem ali duas situações independentes apontadas para lavratura de novo auto de infração, ou seja: (i) incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial; e (ii) inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência. No caso concreto, temos a ocorrência do item (i) acima, inclusive referendado na própria decisão a quo [“a correção do erro de transcrição ocasionou duas situações distintas frente ao § 3º retrocitado: 1ª) A de desnecessidade de novo lançamento para os meses em que não houve agravamento da exigência; 2ª) A de necessidade de novo lançamento (ou lançamento complementar) para os meses em que houve agravamento da exigência”]. Além disso, antes mesmo de se analisar as disposições do Decreto n° 70.235/72, é mister lembrar que qualquer situação que contrarie o artigo 142 do CTN já seria suficiente para a declaração da existência de vício material no auto de infração. [...] (grifouse) Restou assentado, portanto, que o erro na apuração da base de cálculo do crédito tributário em exigência constituise em vício de ordem material, ensejando a nulidade do auto de infração. Contra referido entendimento é que discordou a Fazenda Nacional. Ocorre que, em sua insurgência contra o acórdão que deu provimento ao recurso voluntário, por meio do recurso especial em julgamento, a Fazenda Nacional não logrou êxito em comprovar a divergência jurisprudencial no sentido de ser o erro de apuração da base de cálculo vício de ordem formal, o que possibilitaria a realização de um novo lançamento. Limitouse a Recorrente a alegar a necessidade de retificação do lançamento, inclusive colacionando como paradigmas acórdãos que assim dispunham, mas não refletem entendimento sobre a natureza do vício que maculou o auto de infração, se de ordem formal ou material. Tal assertiva é comprovada pela simples leitura das ementas dos acórdãos pretensamente dissidentes, in verbis: Acórdão nº 20179.213 “COFINS. BASE DE CÁLCULO. ERRO DE APURAÇÃO. Constatado que houve erro na apuração da base de cálculo da Cofins por parte da Fiscalização, devese retificar o lançamento para excluir da base de cálculo os valores que não correspondem ao faturamento da fiscalizada. MULTA AGRAVADA. SITUAÇÃO FÁTICA NÃO CONFIGURADA. Fl. 8686DF CARF MF 6 Incabível a imposição de multa agravada quando não restar configurado de forma clara e evidente o não atendimento pelo sujeito passivo às solicitações que lhe foram efetuadas. Recurso de oficio negado.” (grifouse) Acórdão de nº 1102000.989 [...] ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1993 REDUÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. A aplicação do princípio juria novit curia no processo administrativo fiscal autoriza a redução do valor da exigência quando uma simples operação aritmética pode assegurar com segurança a liquidez dos créditos tributários. JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária.” (grifos no original) Portanto, enquanto o acórdão recorrido consignou ser o erro na apuração da base de cálculo vício de ordem material, os julgados trazidos como paradigmas apenas apontaram entendimentos pela possibilidade de retificação do valor lançado, no curso do processo administrativo, quando constatado equívoco na apuração do seu montante. À toda evidência, ausente o necessário dissídio jurisprudencial a ensejar o prosseguimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Diante do exposto, por não ter sido demonstrada a divergência jurisprudencial, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 8687DF CARF MF Processo nº 10935.720131/201261 Acórdão n.º 9303004.327 CSRFT3 Fl. 8.684 7 Fl. 8688DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.721525/2012-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/04/2012
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - COMPENSAÇÃO - REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE
Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP.
COMPENSAÇÃO. VALORES QUE CONSISTEM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. AUSÊNCIA DE AMPARO JUDICIAL OU DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos antes mesmo de decisão judicial ou declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-003.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a multa por compensação indevida efetuada de 07/01 a 11/11 e sobre a compensação de todas as GFIP, no tocante a horas extras. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP. COMPENSAÇÃO. VALORES QUE CONSISTEM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. AUSÊNCIA DE AMPARO JUDICIAL OU DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos antes mesmo de decisão judicial ou declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 15 25 /2 01 2- 18 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a multa por compensação indevida efetuada de 07/01 a 11/11 e sobre a compensação de todas as GFIP, no tocante a horas extras. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.721525/201218 Acórdão n.º 9202003.829 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional, face ao acórdão 2402004.210, proferido pela 4ª Câmara/ 2º Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento do CARF. O processo teve início através do Auto de Infração DEBCAB nº 51.017.663 1 (fls. 2/7), decorrente da glosa de compensações realizadas com créditos de contribuição previdenciária objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da demanda judicial, referente ao período de 01/07/2011 a 31/03/2012, bem como imposição de multa isolada decorrente da compensação indevida. Segundo o Fisco, o município não poderia compensar os créditos tributários, já que a sentença ainda não havia transitado em julgado, desrespeitando o art. 170A do Código Tributário Nacional e motivando a multa qualificada. Conforme Relatório Fiscal do Processo COMPROT nº 10783,721525/2012 18 (fls. 16/20), a Contribuinte impetrou ação judicial declaratória de inexistência de relação jurídicotributária sob o nº 2011.50.03.0003770, requerendo a suspensão da exigibilidade tributária e ilegalidade dos pagamentos realizados a título de contribuição social sobre as verbas pagas a título de: a) adicional de 1/3 de férias; b) primeiros quinze dias de afastamento do serviço por motivo de doença; c) aviso prévio indenizado e seus respectivos proporcionais de férias e décimo terceiro salário; d) folgas não gozadas; e e) adicional de horas extras. A pretensão judicial da Contribuinte foi parcialmente acolhida, sendo declarada a inexigibilidade da inclusão, como base de cálculo da contribuição social sobre a folha de salários das seguintes despesas: a) quinze primeiros dias de afastamento dos empregados públicos doentes ou acidentados; b) aviso prévio indenizado; c) adicional de férias de 1/3; e d) folgas não gozadas. Autorizou, ainda, a respectiva compensação dos créditos originados, sem impor a limitação disposta no art. 170A, CTN. Do Auto de Infração, a Prefeitura apresentou impugnação arguindo inexistir ilegalidade da compensação como processada, em virtude de haver sentença favorável no processo nº 2011.50.03.0003770, tramitando na Justiça Federal, aguardando análise dos recursos de apelação interpostos pelo Município bem como pelo Fisco. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ manteve o entendimento de irregularidade da compensação, nos termos do art. 170A do CTN, porém, considerou inexistir a comprovação da falsidade de declaração e dolo específico pelo sujeito passivo, afastando a multa qualificada (fls. 127/134). Da decisão da DRJ foi interposto recurso de ofício, em atendimento ao disposto no art. 1º da Portaria MF 3, de 03/2008, sobre os débitos exonerados (fls. 127). A Prefeitura, fls. 142/148, interpôs Recurso Voluntário alegando a legalidade na compensação do crédito, que considera líquido e certo, e refutou a novamente a aplicação da multa qualificada pelos mesmos fundamentos anteriores. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, às fls. 170/176 (194/200), negou provimento ao recurso de ofício e deu parcial provimento ao recurso voluntário para que fosse excluída a multa isolada de 150%, decidindo, em síntese, que não basta a mera falsidade de declaração, sendo necessária ainda a comprovação do dolo do sujeito passivo para a imputação da penalidade do art. 89, § 10 da Lei 8.212/91. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, às fls. 178/186 (201/209), alegando ser suficiente a falsidade de declaração para a caracterização da multa do § 10 do art. 89 da Lei 8.212/91. Às fls. 189/190 (210/211), em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, a Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, considerou que “de fato, em situações semelhantes, as decisões em comento divergiram acerca da necessidade de configuração de dolo para imposição de multa constante do art. 89, § 10º da Lei 8.212/91”. Às fls. 215/219, o Interessado contrarrazoou arguindo, em síntese, inexistir dolo, uma vez que se referia a efetivo crédito, tanto é que o indeferimento da compensação se deu em razão de não existir decisão transitada em julgado e não pela inexistência de crédito ou falsidade da declaração. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.721525/201218 Acórdão n.º 9202003.829 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo administrativo fiscal do Auto de Infração DEBCAB nº 51.017.6631 (fls. 2/7), decorrente da glosa de compensações realizadas com créditos de contribuição previdenciária objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da demanda judicial, referente ao período de 01/07/2011 a 31/03/2012, bem como imposição de multa isolada decorrente da compensação indevida. Considerou o Fisco que o Município não poderia compensar os créditos tributários, já que a sentença ainda não havia transitado em julgado, desrespeitando o art. 170A do Código Tributário Nacional e motivando a multa qualificada. A lide se concentra sobre a correta interpretação da aplicação da multa de mora ou isolada nas hipóteses de compensação indevida de contribuição previdenciária. O acórdão recorrido entendeu por afastar o instituto da multa isolada (multa em dobro, com previsão no art. 89, § 10 da Lei 8.212/91), por considerar não comprovada pelo agente fiscal a “falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo”. O Recorrente, por sua vez, em sede de Recurso Especial, aduziu ser suficiente a falsidade de declaração para a caracterização da multa do § 10 do art. 89 da Lei 8.212/91. Vejamos a redação do art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, que enseja a aplicação das sanções na hipótese de compensação indevida, in verbis: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 9º. Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada Fl. 249DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, .. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) (grifo nosso) Deduzse da previsão do art. 89, §§ 9 e 10, da Lei 8.212/91 a existência de duas sanções tributárias nas hipóteses de compensação indevida de contribuições previdenciárias: a multa de mora de 20% (multa de mora), tratandose de compensação efetuada indevidamente, e a multa isolada de 150%, nos casos de comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Vale dizer, a multa de mora deve ser aplicada toda vez em que há uma compensação indevida. Já a multa isolada resulta de situações em que há uma compensação indevida, fruto de uma conduta manifestamente fraudulenta contra o fisco, de um ato volitivo de dolo, devendo haver prova da presença do elemento subjetivo. A simples conduta do sujeito passivo de compensar um crédito que entende ser de direito não pode ser tida presumidamente como de máfé, pois a máfé não se presume, deve ser comprovada, nos exatos termos fixados no § 10 do art. 89 da Lei 8.212/91. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.721525/201218 Acórdão n.º 9202003.829 CSRFT2 Fl. 5 7 Não se tratando de comprovada máfé, mas de simples compensação indevida, aplicase a penalidade contido no § 9º do art. 89 da mesma Lei de Custeio, sanção esta decorrente da regra geral prevista no art. 136 do CTN, (salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável). Ou seja, o sujeito passivo sofrerá uma sanção, que é a multa de 20%, por sua compensação indevida, independente da existência de dolo. Há que se ponderar que a sentença judicial originou o crédito do contribuinte, apesar de ainda haver recurso pendente de análise, consequentemente sem trânsito em julgado, esta firmou o direito do contribuinte, condenando a Fazenda Nacional em suportar a compensação das verbas, sem indicar a obrigatoriedade de aguardar o disposto no art. 170A, CTN. A compensação em GFIP, com a identificação do crédito, ainda que sem trânsito em julgado, não reflete conduta fraudulenta, a exemplo do contribuinte que, de máfé, compensa créditos que nunca existiram, lesando efetivamente o fisco. A compensação de valores sem observância das regras estabelecidas pela legislação tributária (art. 170A, CTN), por si só, não materializa a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, não caracteriza a conduta de máfé (dolo). Logo, não está materializada, nos autos, os elementos suficientes para imputar a Recorrente a prática da conduta tipificada no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, que enseja a aplicação da multa isolada de 150%. Ainda que restassem dúvidas quanto ao sentido a ser atribuído à disposição legal, em reforço argumentativo, deve destacar o art. 112 do CTN, que impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: Código Tributário Nacional – CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretasse da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” (grifo nosso) Desta maneira, há também que existir proporcionalidade e razoabilidade, não se mostrando adequada a multa isolada quando não resultou em prejuízo ao fisco. Nesse sentido julgou a 1ª Turma Regional Federal, conforme ementa transcrita a seguir: “APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO NÃO CONHECIDA. RAZÕES DISSOCIADAS DO CONTEÚDO DA SENTENÇA IMPUGNADA. MULTA ISOLADA DE 50%. LEI 9.430/96, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 12.249/2010. CONTRIBUINTE DE Fl. 251DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 BOAFÉ. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. (...) 2. Nos termos dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 12.249/2010, a multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto do pedido de ressarcimento indeferido ou indevido ou de declaração de compensação não homologada, ressalvada a hipótese de falsidade da declaração (caso em que a multa atinge o patamar de 100%), incidirá sempre que ocorrer o indeferimento do pedido administrativo de restituição ou compensação, independentemente da existência de máfé por parte do contribuinte. 3. A aplicação literal dos dispositivos combatidos ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Primeiro, porque não há efetivo prejuízo ao Fisco quando do indeferimento do pedido administrativo de restituição ou compensação, mostrandose desnecessária e inadequada a imposição da multa isolada pelo simples indeferimento do pedido do contribuinte. Segundo, porque a aplicação da multa de 50% revela uma inadmissível sanção política em detrimento do contribuinte que, de boafé, procurou legitimamente defender seus interesses e direitos. Com efeito, não parece razoável que, além de não receber o "direito creditório" que entende possuir, indeferido na esfera administrativa, o contribuinte ainda terá que pagar indistintamente ao Fisco o percentual de 50% do valor que pleiteou. 4. O STF "tem historicamente confirmado e garantido a proibição constitucional às sanções políticas, invocando, para tanto, o direito ao exercício de atividades econômicas e profissionais lícitas (art. 170, par. ún., da Constituição), a violação do devido processo legal substantivo (falta de proporcionalidade e razoabilidade de medidas gravosas que se predispõem a substituir os mecanismos de cobrança de créditos tributários) e a violação do devido processo legal manifestado no direito de acesso aos órgãos do Executivo ou do Judiciário tanto para controle da validade dos créditos tributários, cuja inadimplência pretensamente justifica a nefasta penalidade, quanto para controle do próprio ato que culmina na restrição." (ADI 173, JOAQUIM BARBOSA, STF.) 5. Apelação não conhecida e remessa oficial não provida.” (TRF – 1ª Região AMS 00507186220124013800 – Dec. em 18/08/2015 – Relator: Desembargadora Federal Ângela Catão eDJF1 de 28/08/2015, pág. 1612) (grifo nosso) Diante desse quadro fático, por não vislumbrar indícios de falsidade por parte do contribuinte, os valores glosados sujeitarseão à incidência da multa moratória nos termos do § 9º do art. 89 da Lei 8.212/1991 e, como o Fisco não demonstrou a falsidade na declaração, a multa isolada, preconizada no § 10º daquele mesmo preceptivo legal, deverá ser excluída do presente lançamento fiscal. Voto no sentido de CONHECER do recurso especial e NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 252DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.721525/201218 Acórdão n.º 9202003.829 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Peço licença a ilustre conselheira para divergir do seu entendimento quanto a aplicação da multa isolada do art. 89 da lei 8212/91, quando constatada falsidade de informação de compensação em GFIP. DAS COMPENSAÇÕES O lançamento consubstanciado na Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições previdenciárias os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Conforme previsto no art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes, não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Com relação ao argumento de realização de compensação nos limites legais, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na hipótese dos autos, não se vislumbra essa condição para as compensações efetuadas pela contribuinte. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Não bastasse isso, consoante restou circunstanciadamente demonstrado pela fiscalização, em seu relatório fiscal: Entre os elementos apresentados à fiscalização consta cópia do contrato de prestação de serviços de número 060/2011 entre o Município de Juaguaré e a empresa denominada URBIS – Instituto de Gestão Pública, responsável por todos os estudos, orientações legais e redação da petição inicial do processo judicial 2011.50.03.0003770, subseção Judiciária de São Mateus – ES, referente à compensação das contribuições previdenciárias declaradas em GFIP. Consta também o relatório intitulado “Relatório Inicial Junho de 2011”, onde constam estudos do suposto indébito com um anexo denominado “Anexo I Planilhas”, onde consta o quadro “Controle de Créditos Verbas Indenizatórias / 1.3 Férias”, com valores mensais a partir de junho/2006, apuração dos acréscimos utilizando a taxa de juros Selic e os valores acumulados acrescidos dos juros Selic até o mês de janeiro/2011. O valor total apurado foi de R$ 1.867.357,61, diferente do valor constante no processo judicial, que é de R$ 2.033.473,24. A ação judicial acima descrita requereu a suspensão da exigibilidade tributária e ilegalidade dos pagamentos realizados a título de contribuição social sobre as verbas pagas a título de adicional de 1/3 de férias, primeiros quinze dias de afastamento do serviço por motivo de doença, aviso prévio indenizado e seus respectivos proporcionais de férias e décimo terceiro salário, folgas não gozadas e adicional de horas extras. Requereu ainda o direito à compensação administrativa, com outros tributos da mesma espécie, dos valores recolhidos indevidamente com base nas rubricas mencionadas no período de 5 anos anteriores à proposição, sem qualquer restrição ou cerceamento. A pretensão da autora foi parcialmente acolhida nos seguintes termos, conforme sentença de 15/12/2011: “Com resolução de mérito (Art. 269, I do CPC) JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO para declarar a inexigibilidade da inclusão, como base de cálculo da contribuição social sobre a folha de salários devida pela Autora aos seus empregados regidos pelo regime da CLT, das seguintes despesas: a) valores pagos nos quinze primeiros dias de afastamento dos empregados públicos doentes ou acidentados, b) aviso prévio indenizado, c) adicional de férias de 1/3 e d) folgas não gozadas. Relativamente aos valores vencidos e não pagos proíbo a ré de os lançar e cobrar; relativamente aos valores vencidos e pagos, condeno a ré a suportar a compensação administrativa a que tem direito o autor. Marco temporal inicial: 05 anos da propositura da presente ação”. Relativamente às contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de adicional de horas extras, o pedido foi julgado improcedente. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.721525/201218 Acórdão n.º 9202003.829 CSRFT2 Fl. 7 11 Registrese, que ao admitir a compensação na forma pretendida pela contribuinte, estaríamos não só malferindo o disposto no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, mas também interpretando àquela norma de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação de regência, como acima demonstrado, bem como evidente ausência de liquidez e certeza do crédito utilizado pela contribuinte para promover as compensações, já que quando iniciada a compensação nem mesmo existia sentença favorável, muito menos existe trânsito em julgado do processo judicial. Nesse sentido, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, de maneira a homologar as compensações pleiteadas, tendo a autoridade recorrida agido da melhor forma, com estrita observância à legislação previdenciária. Embora o alvo do Resp da Fazenda não seja esse, fazse necessário a apreciação da questão para adentrarmos a questão da comprovação de falsidade. Da Multa Isolada Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, base do presente recurso, no meu entender, correto, em parte, o procedimento adotado pela autoridade fiscal, considerando, que informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa encontrese exercendo direito líquido e certo leva sim, a uma falsa declaração capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no § 10º do art. 89 da lei 8212/91, no patamar de 150%. A argumentação do julgador de primeira instância para afastar a multa isolada encontramse assim fundamentados: "Além disso, a constatação de que houve a inserção de informação diversa da realidade somente configurará a falsidade de declaração, quando restar comprovado o dolo específico, elemento subjetivo do tipo, o ânimo de reduzir, afastar, retardar o recolhimento do tributo." No mesmo sentido foi a julgado da câmara a quo que encaminhou por negar provimento Entendo que acertadamente decidiu a d. DRJ. Não demonstrado o intuito doloso, a vontade do contribuinte em praticar a sonegação, fraude ou conluio, não há que se falar em incidência de multa isolada. No presente caso concreto, verificase que não estão presentes os fatores que justificam a aplicação da multa de 150%, sobretudo a comprovação pela fiscalização da falsidade da declaração. Salientese que o motivo do indeferimento da compensação não foi a inexistência do crédito ou a falsidade da declaração, mas sim a compensação antes do término das ações judiciais propostas pelo contribuinte ou do momento em que poderia ser feita a compensação, determinado pela decisão judicial, e a ausência de apresentação de documentos pelo contribuinte comprovando a origem dos créditos utilizados. Neste ponto, adoto como razões de decidir os fundamentos do voto recentemente proferido sobre este mesmo assunto no PAF nº 15215.720059/201131, de Relatoria da E. Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, julgado na sessão de Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 18/06/2013, que resultou no acórdão nº 2302002.521, por unanimidade, para fins de exclusão da multa qualificada de 150% aplicada na glosa de compensação (destaques do original): Notese que o fundamento adotado pela autoridade fiscal para a aplicação da multa isolada não apenas o fato do contribuinte além de não ter transito em julgado (o que ensejou a manutenção da glosa), mas, sim, ter promovido a compensação mesmo antes de obter a medida judicial. Não podemos afastar o fato que a empresa realizou as compensações ao seu “bel prazer”, antes mesmo de amparo judicial. Não falo com isso que o direito a qualquer compensação deva ser precedido de ação judicial, pelo contrário a própria lei autoriza a compensação direta do tributo recolhido indevidamente, porém essa definição de recolhimento indevido estará sujeita a posterior homologação, por parte da DRFB. Dessa forma, entendo que compete ao sujeito passivo, no momento em que intimado para tanto, demonstrar de forma clara e objetiva o seu direito creditório, para que, só então, a autoridade fiscal rebata, afastando o direito e efetivando não apenas o lançamento da glosa, como aplicando a multa isolada. Deve a autoridade fiscal, analisando pontualmente cada caso concreto, identificar a verba compensada, para só então definir a existência de falsidade de declaração. Notese que aqui, não exigiu o legislador a demonstração da fraude por parte do agente fiscal, como destacado na decisão recorrida, nem mesmo dolo específico como trazido pela relatora, mas a indicação de informação falsa na GFIP. Convém apreciar, inicialmente o dispositivo legal utilizado pela autoridade fiscal para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Entendo que o dispositivo em questão retrata multa diversa da comumente aplicada nos lançamentos de ofício, consubstanciada no art. 44, § 1º da 9430/1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.721525/201218 Acórdão n.º 9202003.829 CSRFT2 Fl. 8 13 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limiar entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito, e a falsidade propriamente dita. Ao efetivar compensação sobre valores descritos na legislação previdenciária como fazendo parte do conceito de salário de contribuição e, por conseqüência, sendo base de cálculo de contribuição previdenciária, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. Vale lembrar, que o lançamento em envolve os pagamentos realizados a título de contribuição social sobre as verbas pagas a título de adicional de 1/3 de férias, primeiros quinze dias de afastamento do serviço por motivo de doença, aviso prévio indenizado e seus respectivos proporcionais de férias e décimo terceiro salário, folgas não gozadas e adicional de horas extras. Vejamos, o conceito de salário de contribuição. Art. 28 da lei 8212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata oart. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias:(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata oart. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9ºe468 da CLT;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Citamos acima, a previsão legal de exclusão de parcelas à título de férias (diversas da pretendida pelo recorrente), bem como não existe qualquer previsão que ensejasse respaldo a compensação de horas extras, aviso prévio ou outras compensadas e que ora constam da presente autuação. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.721525/201218 Acórdão n.º 9202003.829 CSRFT2 Fl. 9 15 Identificase no Regulamento da Previdência Social Decreto 3048/90, aspectos mais específicos em relação a estes pagamentos. Com relação ao aviso prévio indenizado, existia expressa previsão de exclusão do conceito de salário de contribuição, contudo a alínea f do §9º do art. 214 foi revogado desde 2009, o que enseja a inclusão dessa verba no conceito de salário de contribuição. V as importâncias recebidas a título de: f) aviso prévio indenizado; (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Também é esclarecedor o decreto em questão no que se refere ao pagamento de 1/3 de férias: Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; §4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriode contribuição. Com relação aos 15 primeiros dias de atestado médico, a legislação é clara que compete ao empregador o pagamento constituindo interrupção do contrato de trabalho, com o cômputo de todos os direitos devidos ao empregados por disposições de lei, Acordos coletivos ou mesmos Convenções coletivas. Percebese pela leitura do conceito de salário de contribuição, tanto da lei como do decreto que os mesmos abrangem a totalidade dos rendimentos do trabalhador, com exceção daqueles expressamente previstos nos respectivos §9º dos respectivos instrumentos. É o caso efetivo do pagamento das horas extras, que nada mais são, do que pagamento por serviço prestado além da jornada prevista no inciso XIII, do art. 7º da Constituição Federal de 1988. A declaração em GFIP de créditos a compensar gera a diminuição da contribuição devida, lançando a informação nos sistemas da Receita Federal de ter o contribuinte, no presente caso, promovido o recolhimento indevido, ou seja, ser detentor de direito líquido e certo de valores a compensar; contudo, tal informação está sujeita a posterior homologação. Nesse sentido, compete a autoridade fiscal, quando da realização do procedimento fiscal, intimar o contribuinte a esclarecer a base dos valores declarados, Fl. 259DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 informações essas que devem estar disponíveis à fiscalização, tão logo seja o contribuinte intimado para tanto. A legislação é clara que ações judiciais para promover compensações devem observar o transito em julgado (art.170A do CTN). O que falar então de promover compensações (lançando valores em GFIP com conseqüente diminuição do valor devido, sem obter respaldo judicial (no caso, promoveu o recorrente a compensação antes mesmo da decisão de primeira instância que só ocorreu em dezembro), ou mesmo promover a compesação de valores que a própria sentença não garantiu respaldo (no caso as horas extras). Nesse caso, proceder a compensação de valores sem amparo judicial, sem declaração de inconstitucionalidade não pode ser aceito. Assim, a não comprovação do direito creditório a esse título gera tbm falsidade de declaração. Apenas observo que, a multa isolada pela falsidade de declaração deve ser mantida, no presente caso, em relação ao período em que o contribuinte ainda não havia obtido medida judicial favorável, já que optou por iniciar a compensação antes mesmo da decisão, qual seja, compensações do período de 07/01 a 11/11 e sobre a compensação de todas as GFIP, no tocante a horas extras, já que nem mesmo a justiça, garantiu qualquer amparo para excluir a verba do conceito de salário Pelos fatos descritos, fica fácil identificar que não se desincumbiu o sujeito passivo de provar que os valores indicados como crédito em sua GFIP, realmente existiram. É nesse caso, que resta demonstrada a falsidade. Neste ponto, entendo pertinente transcrever definição trazida pelo ilustre Conselheiro Kleber Araújo, que tratou com muita propriedade a questão em processo semelhante: Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.721525/201218 Acórdão n.º 9202003.829 CSRFT2 Fl. 10 17 Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Com base nas colocações acima, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/ 96. No meu entender, a previsão de multa isolada pela falsidade de declaração visa justamente coibir a prática de compensação de valores, sem que o contribuinte, ao ser inquirido para tanto, prove que os valores lançados em GFIP decorrem de recolhimento indevido. Se assim não o fosse, veríamos a criação de uma prática de que contribuinte se daria ao direito de compensar tudo aquilo que até então recolhia de contribuição previdenciária sobre sua folha, por simplesmente entender que indevida a inclusão das verbas no conceito de remuneração; contando com o fato de que, se viesse a ser fiscalizado, pagaria apenas a diferença com multa moratória. Inaceitável tal raciocínio! É de se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, ou seja, ausência da demonstração efetiva do recolhimento indevido, ou melhor do direito líquido e certo as compensações, como no presente caso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para restabelecer a multa por compensação indevida efetuada de 07/01 a 11/11 e sobre a compensação de todas as GFIP, no tocante a horas extras. É como voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.725856/2009-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 56 /2 00 9- 16 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725856/200916 Acórdão n.º 9202004.157 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 413DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725856/200916 Acórdão n.º 9202004.157 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 415DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725856/200916 Acórdão n.º 9202004.157 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 417DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725856/200916 Acórdão n.º 9202004.157 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 418DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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