Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10860.900323/2006-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1998
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. O Despacho Decisório é instrumento válido para retificação de lançamento, bem como não homologação de DCOMP, dentre outras aplicações. Portanto, deve conter
relatório, fundamentação válida à luz do CTN e do PAF, além de proferido por autoridade competente. Não é nulo o despacho que atende esses pressuposto.
IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Verificada a
insuficiência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte na DCOMP.
Incabível a retificação desta para substituir ou complementar o crédito.
Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.689
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1998 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. O Despacho Decisório é instrumento válido para retificação de lançamento, bem como não homologação de DCOMP, dentre outras aplicações. Portanto, deve conter relatório, fundamentação válida à luz do CTN e do PAF, além de proferido por autoridade competente. Não é nulo o despacho que atende esses pressuposto. IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Verificada a insuficiência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte na DCOMP. Incabível a retificação desta para substituir ou complementar o crédito. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10860.900323/2006-22
conteudo_id_s : 5844996
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.689
nome_arquivo_s : Decisao_10860900323200622.pdf
nome_relator_s : Moisés Giacomelli Nunes da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 10860900323200622_5844996.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
id : 7174285
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010590904320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2099; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.900323/200622 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.689 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de agosto de 2011 Matéria DCOMP ELETRONICO SALDO NEGATIVO DO IRPJ Recorrente RADIOLOGIA MEDIO VALE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. O Despacho Decisório é instrumento válido para retificação de lançamento, bem como não homologação de DCOMP, dentre outras aplicações. Portanto, deve conter relatório, fundamentação válida à luz do CTN e do PAF, além de proferido por autoridade competente. Não é nulo o despacho que atende esses pressuposto. IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Verificada a insuficiência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte na DCOMP. Incabível a retificação desta para substituir ou complementar o crédito. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório RADIOLOGIA MEDIO VALE LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de números: (...), apresentadas pelo programa PER/DCOMP, por meio das quais a contribuinte pretendeu o reconhecimento de direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, para a compensação de débitos próprios de períodos de apuração subseqüentes. 2. Pelo Despacho Decisório fls. 63/64 , cientificado em 08/10/2008 (AR fl. 72), a autoridade preparadora considerou as “Compensações Parcialmente Homologadas.”, nos seguintes termos, em resumo: “Ementa: Saldo Negativo de IRPJ. Declaração de Compensação. Extinção de obrigação tributária. Todo contribuinte pode extinguir suas obrigações tributárias, através do instituto da COMPENSAÇÃO, bastando demonstrar o crédito, que entende ter direito, e relacionar o débito. A homologação da compensação dependerá da efetiva comprovação da existência dos créditos. COMPENSAÇÕES PARCIALMENTE HOMOLOGADAS. RELATÓRIO 1. Em 22 de julho de 2003, a contribuinte apresentou eletronicamente, a esta Administração Tributária, a Declaração de Compensação nº 18920.62665, na qual informa que é detentora de um crédito de R$ 10.072,02, relativo ao saldo negativo do IRPJ, apurado em 31 de dezembro de 1998. 2. Posteriormente, para aproveitamento do crédito restante, apresentou as Declarações de Compensação nº ......, ficando todas vinculadas àquela primeira declaração, portanto limitadas ao crédito nela informado. FUNDAMENTAÇÃO 3. Na determinação dos créditos utilizados para a extinção do tributo foi, rigorosamente, observado o pedido da contribuinte; tendo sido verificada a formação da parcela por ela requerida com as informações constantes nesta Administração Tributária. 4. O direito pretendido é o saldo negativo do IRPJ, apurado em 31 de dezembro de 1998; pois, como consta na DIPJ, as antecipações mensais próprias e aquelas efetuadas através de terceiros superaram o imposto apurado ao final daquele ano. Entretanto, tal diferença não alcança o Fl. 174DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 3 pretendido pela contribuinte, tendo em vista que o montante retido na fonte é inferior àquele constante na ficha 13 da DIPJ. 5. O imposto comprovadamente retido foi da ordem de R$ 11.155,36 e não daquela informada na DIPJ, resultando na redução do saldo negativo a ser reconhecido para R$ 3.082,10. 6. Com isto e, como já dito, respeitandose a vontade da contribuinte, procedese a verificação das declarações de compensações que utilizam o mesmo crédito, privilegiandose a ordem cronológica; comparase, então, a parcela do crédito destinada a cada uma das referidas declarações com o montante dos débitos nelas constantes. 7. O crédito disponível foi totalmente utilizado nas declarações de compensação 18920.62665, 39391.16723 e 22362.34286, conforme consta nas listagens de débitos, de créditos e no demonstrativo de compensação; encontrandose, essas declarações e a de nº 36210.20476, homologadas por disposição legal. DECISÃO 8. Considerando o exposto e, ainda, em especial o Código Tributário Nacional, a Lei nº 9.430/96, o Regimento Interno desta Secretaria, e os Demonstrativos de Crédito, de Débito e de Compensação NÃO HOMOLOGO as declarações de compensação 23322.33032, 01485.47663, 37696.83694 e 17060.06330. [....]” 3. Inconformada, a interessada apresenta Manifestação de Inconformidade, protocolizada em 06/11/2008 e juntada às fls. 73/82, acompanhada dos documentos de fls. 83/110, alegando, em síntese, o que segue: 3.1 De início, resume os fatos e assevera que o suposto débito decorreu de “simples erro material de preenchimento de tais DIPJ`s pela impugnante, não havendo ausência de recolhimento de tributo pela sociedade, e estando aquele devidamente adimplido via compensação válida de crédito existente. 3.2 A seguir, argumenta que o Despacho Decisório de nãohomologação das compensações efetivadas, por ser o primeiro ato praticado pela Receita Federal com a finalidade de constituir formalmente o débito, equiparase a um auto de infração, tanto que o Decreto nº 70.235/72 colocou no mesmo patamar as manifestações de inconformidade e as impugnações aos autos de infração e, prosseguindo, sustenta que a prática de tal ato (despacho decisório) há de ser precedida das formalidades legalmente impostas, quais sejam: legalidade, moralidade, impessoalidade, bem como observada a garantia do contraditório e da ampla defesa. 3.3 Nesse compasso, diz que o despacho decisório é inexato e impreciso quanto à “descrição fática do suposto equívoco cometido pela impugnante no procedimento de compensação”, o que dificultou sua defesa, porquanto as irregularidades detectadas pelo sistema eletrônico da Receita Federal não se fizeram acompanhar de elementos suficientes a identificálas. 3.4 Transcreve os art. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72, argumentando que “a indicação precisa de todos os elementos constituintes do crédito tributário”, tanto é necessária no auto de infração quanto no despacho decisório. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 4 3.5 Com isso, insurgese contra a validade do despacho decisório, pugnando, inclusive, por sua improcedência, o qual, extraiu à impugnante, seu direito à ampla defesa. 3.6 No tópico seguinte, quanto ao direito, levanta a questão de ocorrência de erro material no preenchimento da DIPJ/1999, para asseverar que: “... A impugnante apura os tributos sobre o resultado com base no lucro real. No exercício de 1998, foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor originário de R$ 12.852,18 .... . Deste valor, foram utilizados, no exercício de 1999, R$ 4.062,56 ...., remanescendo um crédito originário de R$ 8.789,62(Sic) ... Ao final do exercício de 1999, foi apurado, novamente, saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 1.273,40 .... Ocorre que, por equívoco, ao preencher a DIPJ original correspondente, o contribuinte informou o valor do crédito remanescente do exercício de 1998 (R$ 8.798,62, que deveria ter sido informado no campo contido na Ficha nº 13, linha nº 22 “Saldo Negativo de Períodos Anteriores”), somado ao valor de R$ 9.346,66, correspondente ao Imposto de Renda Retido na Fonte do exercício de 1999 (Ficha nº 13, linha nº 13 “Imposto de renda retido na Fonte”). Vejase: DIPJ/1999 – VERSÃO ORIGINAL FICHA 13 – Cálculo do imposto de renda sobre o Lucro Real DISCRIMINAÇÃO VALOR IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01. À alíquota de 15% 10.505,79 (...) DEDUÇÕES (...) 13. ( ) Imposto de Renda retido na Fonte 18.145,28 (...) 16. ( ) Imposto de renda Mensal por Estimativa 2.432,53 17. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR POR SCP 0,00 19. TOTAL DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 20. ( ) Pagamentos 0,00 COMPENSAÇÕES 21. ( ) Pagamentos Indevidos ou a Maior 0,00 22. ( ) Saldo Negativo de Períodos Anteriores 0,00 23. ( ) Outras 0,00 (...) 26. SALDO DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 Posteriormente, intimado pela Receita Federal, em 13 de setembro de 2006, acerca das diferenças entre o crédito informado na DIPJ 1999 e aquele declarado na DCOMP nº 18920.62665.220703.1.3.025363, o contribuinte procedeu à retificação daquela declaração em 10 de outubro de 2006, segregando os valores referentes ao “Saldo Negativo de Períodos Anteriores” (R$ 8.798,62), do “Imposto de Renda Retido na Fonte” (R$ 9.346,66). Entretanto, tal retificação não foi reconhecida pela Receita Federal, tendo em vista a ausência de informação, correspondente ao somatório do imposto a pagar, na linha nº 19 “Total de Imposto de Renda a Pagar”. Tal informação Fl. 176DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 5 deveria ter sido preenchida automaticamente pelo Programa Gerador da DIPJ (o que não ocorreu), conforme orientação dada pelo campo AJUDA: AJUDA “Linha 13/19 – Total do Imposto de Renda a Pagar Esta linha será preenchida automaticamente pelo Programa Gerador da DIPJ e indicará a soma dos valores constantes das Linhas 13/17 e 13/18” (destacamos) DIPJ/1999 1ª RETIFICAÇÃO FICHA 13 Cálculo do imposto de renda sobre o Lucro Real DISCRIMINAÇÃO VALOR IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01. À alíquota de 15% 10.505,79 (...) DEDUÇÕES (...) 13. ( ) Imposto de Renda retido na Fonte 9.346,66 (...) 16. ( ) Imposto de renda Mensal por Estimativa 2.432,53 17. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 1.273,40 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR POR SCP 0,00 19. TOTAL DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 0,00 20. ( ) Pagamentos 0,00 COMPENSAÇÕES 21. ( ) Pagamentos Indevidos ou a Maior 0,00 22. ( ) Saldo Negativo de Períodos Anteriores 8.798,62 23. ( ) Outras 0,00 Diante disso e sem perceber que o equívoco remanescente decorria de falha operacional do próprio programa da DIPJ, em 29 de agosto de 2007, a Receita Federal lavrou nova intimação, solicitando, novamente, a retificação da DIPJ 1999. O contribuinte, em face de tal posicionamento, confundido pelas orientações fiscais e também desconhecedor da falha do sistema acima narrado retificou a declaração, retornandoa, equivocadamente, aos moldes da original. Notese, no entanto, que à equivalência da primeira retificação, o sistema, novamente, não procedeu ao somatório que deveria ter sido condensado na linha nº 19 “Total de Imposto de Renda a Pagar”, que ficou zerada, novamente. Vejase: (...) 26. SALDO DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 8.798,62 Tal procedimento perpetuou o não reconhecimento, pela Receita Federal, do total do crédito existente em favor da Impugnante, e à posterior lavratura da intimação ora em debate. Nesse contexto, mesmo que entenda tratarse de irregularidade, ainda assim, estáse diante de sucessivos erros materiais de preenchimento de declaração, passíveis de saneamento. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 6 No sentido de prestigiar o princípio da verdade material, registremse diversos julgados do Conselho de Contribuintes ao determinarem a superação dos óbices decorrentes de erro de fato quando comprovada documentalmente (como é o caso) a idoneidade do procedimento adotado pelo contribuinte. [....] 3.7 Diante disso, sustenta a tese de que o direito à compensação decorre antes da existência do crédito e de sua titularidade do que da declaração pela qual ela se processa, posto que esta (a declaração) representa o instrumento (meio), não devendo se confundir com o seu fim, isto é, a própria compensação, sendo certo que o direito que se busca com este instrumento não nasce com o requerimento (declaração) mas sim com o surgimento do crédito. Em suas palavras: “De fato, o entendimento supra exarado não poderia ser diferente, sob pena de prestigiar a forma em detrimento ao conteúdo, já que a existência do crédito e sua respectiva titularidade é que assegura o direito à compensação e não a declaração pela qual ela se processa. Mesmo respeitando a importância das declarações administrativas, que certamente se revestem da condição de veículo de comunicação entre o Fisco e o Contribuinte, fato é que o direito à compensação decorre do crédito, e se este existe, e encontrase materialmente comprovado, não há porque negar o seu exercício em razão de equívoco no preenchimento da DIPJ ou qualquer outra obrigação acessória. Não se pretende defender a inutilidade de tais declarações, instrumento necessário para o auxílio da fiscalização, mas unicamente assegurar a sua condição de instrumento (meio), não se confundindo com seu fim (compensação), cujo direito nasce não do requerimento, mas do surgimento do crédito. Dessa forma, demonstrada a existência do crédito a compensar (alvo de questionamento pela Receita Federal) e considerandose a incontroversa regularidade do procedimento compensatório adotado pela Impugnante, extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do Código tributário Nacional, não havendo diferenças a recolher.” 3.8 Ao final, requer: (i) preliminarmente, seja reconhecida a nulidade do Despacho Decisório em decorrência da imprecisão e inexatidão dos fatos que motivaram a exigência, decorrentes da deficiência e precariedade do documento, o que cerceia o direito de ampla defesa da Impugnante; e (ii) no mérito, ultrapassada a preliminar suscitada, e com fulcro nas razões de fato e de direito elencadas, que se julgue procedente a presente manifestação de inconformidade, reformandose integralmente o Despacho Decisório, em decorrência da existência de direito da Impugnante ao crédito indevidamente glosado, decorrente de mero erro de preenchimento da DIPJ correspondente, declarandose a extinção do crédito nele consubstanciado pelas compensações. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 178DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 7 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO CRÉDITO INDICADO. Não são capazes de alterar a conclusão da autoridade da DRF, alegações que denotam pretensão de alterar a composição do crédito indicado na Declaração de Compensação, mediante inclusão de crédito de período anterior. A compensação de saldo negativo de períodos anteriores está limitada ao valor do saldo do imposto de renda a pagar. (...) No voto condutor do acórdão de primeira instância destancamse os seguintes fundamentos: (...) Em sua manifestação de inconformidade, questiona a interessada, de início, a validade do Despacho Decisório, alegando “imprecisão e inexatidão dos fatos que motivaram a exigência, decorrentes da deficiência e precariedade do documento, o que cerceia o direito de ampla defesa da Impugnante” e defende que o Despacho Decisório equiparase a Auto de Infração. 10. Observese que não se equiparam auto de infração e despacho decisório, pois enquanto o primeiro formaliza exigência, constituindo o crédito tributário, por iniciativa do sujeito ativo, o segundo apenas reflete apreciação de compensação declarada por iniciativa do sujeito passivo, abrangendo débitos informados e constituídos pelo próprio contribuinte, os quais já podem ter sido confessados em DCTF ou que estão confessados na própria declaração de compensação, dado o seu caráter de confissão a partir de 31/10/2003 com a Medida Provisória nº 135, publicada em 31/10/2003, e convertida na Lei nº 10.833/2003. 11. Mas, apesar de o Despacho Decisório não ter iguais elementos e finalidade de Auto de Infração, nele deve estar expressa a descrição de seu objeto e a fundamentação da decisão nele contida, até mesmo para não se caracterizar hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, dentre as quais “despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. (...) 14. Assim, injustificável a alegação de que o despacho decisório seria inexato e impreciso, não se cogitando de cerceamento do direito de defesa, pois, como visto, o despacho decisório explicita seu objeto (em consonância com o que pretendido), sua fundamentação e conclusão, e dele a interessada foi cientificada e recebeu cópia, sendolhe concedido prazo regulamentar para apresentar sua manifestação de inconformidade. 15. No mérito, a defendente alega ter ocorrido “erro material no preenchimento de DIPJ”. Mas, para identificar e justificar tal erro, apresenta exposição na qual não é possível identificar motivos capazes de aumentar o crédito reconhecido no Despacho Decisório. Para melhor análise, transcrevese, a seguir, trechos da manifestação apresentada: (...) 26. Na verdade, depreendese da manifestação apresentada, que a pretensão da interessada é promover correções que têm por objetivo destacar saldo credor de período anterior (AC 97) o qual teria sido somado ao saldo negativo do AC informado (98). Mas, ainda que permaneça inalterado o valor pleiteado, a alteração (retificação) de sua composição, agora para incluir eventual saldo negativo do ano Fl. 179DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 8 calendário de 1997, configurase um novo pedido de reconhecimento de indébito, ensejando, inclusive, respeitados os limites temporais pertinentes, a retificação da DIPJ/1998 (AC 1997). 27. Entretanto, a DRF de origem reconheceu parte do indébito, em função da comprovação de apenas uma parcela do IRRF declarado. Agora, em sede de Manifestação de Inconformidade, após a ciência do Despacho Decisório a interessada manifestase acerca de eventual crédito do anocalendário de 1997. 28. Contudo, tal crédito, reiterese, sequer se confirma como saldo negativo apurado ao final daquele anocalendário, mas seria o imposto retido na fonte no ano de 1997, que, como visto, por si só, não é compensável nem restituível, mas poderia vir a compor eventual saldo negativo, este sim, passível de utilização em compensação ou restituição. 29. Entretanto, o suposto valor do saldo negativo do anocalendário de 1997, por não haver sido apurado na DIPJ/1998 (AC 1997) e nem integrado a declaração de compensação inicialmente ofertada nestes autos, tratase de uma inovação, a qual exigiria a formalização de outra declaração de compensação, distinta da que ora se analisa, além de dever ser apresentada dentro do prazo prescricional, sendo certo ainda que, por falta de competência originária a esta instância de julgamento, necessitaria antes da apreciação da DRF. 30. Noutra vertente da defesa ofertada, a manifestante sustenta também a tese de que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não da declaração pela qual ela se processa. 31. Contudo, a declaração de compensação não se trata de mero “veículo de comunicação entre o Fisco e o Contribuinte”, como defende a interessada, mas sim de veículo por meio do qual se formaliza a compensação (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002) e conseqüente extinção do crédito tributário (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Em razão de tais efeitos, a declaração de compensação foi criada para viabilizar compensações nos estritos termos do que disposto no caput art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, in verbis: (...) 32. Mesmo que existente eventual crédito proveniente do AC 97, a falta de apresentação da declaração de compensação nos moldes da legislação demonstrando a sua utilização não é hábil a permitir a extinção de débitos. 33. Ainda, atribui a interessada o não reconhecimento do crédito, a erro do programa gerador da DIPJ porque, como indicado nas orientações de preenchimento da Ficha 13, a linha 19 (total de IRPJ a pagar), deveria ser preenchida automaticamente com a soma das linhas 17 (imposto de renda a pagar) e 18 (imposto de renda a pagar por SCP), mas a linha 19 ficou indevidamente zerada. 34. De fato, o Majur/1999 trouxe a seguinte orientação para o preenchimento da linha 19 da Ficha 13: “Linha 13/19 – Total do Imposto de Renda a Pagar Esta linha será preenchida automaticamente pelo Programa Gerador da DIPJ e indicará a soma dos valores constantes das Linhas 13/17 e 13/18.” 35. Entretanto, a defendente não apurou imposto a pagar e sim saldo negativo da ordem de R$ 10.072,02, portanto, não faria sentido preencher a linha 19 que representa a totalização do imposto a ser pago. Nesse sentido, não se sustenta a alegação da defendente de que o Programa Gerador da DIPJ operou em erro. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 9 36. Cabe ressaltar que, como visto, o reconhecimento apenas de parte do direito creditório não foi motivado pelo fato de a linha 19 da Ficha 13 da DIPJ do AC 98 estar zerada nas declarações original e retificadoras apresentadas. Tanto é assim que, independentemente disto, a autoridade competente da DRF apreciou como saldo credor de IRPJ o valor pleiteado de R$ 10.072,02 indicado na linha 17 tanto da DIPJ original como da 2ª retificadora. 37. Nesse contexto, as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade e a documentação que a instrui não permite o reconhecimento de direito creditório superior àquele já admitido pela autoridade da DRF. (...) Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, fls.125 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, concluiu e requer: (...) Não se pretende defender a inutilidade de tais declarações, instrumento necessário para o auxilio da fiscalização, mas unicamente assegurar a sua condição de instrumento (meio), não se confundindo com seu fim (compensação), cujo direito nasce não do requerimento, mas do surgimento do crédito. Dessa forma, demonstrada a existência do crédito a compensar (alvo de questionamento pela Receita Federal) e considerandose a incontroversa regularidade do procedimento compensatório adotado pela Impugnante, extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 156, II do Código Tributário Nacional, não havendo diferenças a recolher. "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; (...)" (destacamos) Assim que o Despacho Decisório lavrado contra a Radiologia Médio Vale, fundase em crédito devidamente adimplido via compensação. Estes os argumentos que demonstram o direito creditório pleiteado e demonstrado desde a entrega das declarações de compensação objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecidas e homologadas as compensações procedidas pela Impugnante, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal. 4 — PEDIDO Pelo exposto, requerse o provimento do Recurso Voluntário para reformar integralmente o Despacho Decisório, em decorrência da existência de direito da Impugnante ao crédito indevidamente glosado, decorrente de mero erro de preenchimento da DIPJ e DCOMP correspondente, deferindose o processamento da retificação daquelas declarações nos termos acima indicados, bem como das fichas de recolhimento por estimativa conforme modelos anexos É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em litígio o reconhecimento de direito creditório referente a Saldo Negativo de Recolhimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (SNRIRPJ), anocalendário de 1998. Do crédito pretendido (R$ 10.072,02), foi reconhecido o valor de R$ 3.082,10. Segundo o Despacho Decisório da DRF, a diferença entre as antecipações (estimativa + IRRF) e o imposto apurado como devido não alcança o pretendido pela contribuinte, tendo em vista que o montante retido na fonte é inferior àquele constante na ficha 13 da DIPJ. Na DIPJ foi informado IRRF de R$ 18.145,28, mas “o imposto comprovadamente retido foi da ordem de R$ 11.155,36”. Desde a manifestação de inconformidade, a recorrente questiona a validade do Despacho Decisório, alegando “imprecisão e inexatidão dos fatos que motivaram a exigência, decorrentes da deficiência e precariedade do documento, o que cerceia o direito de ampla defesa da Impugnante”. Essa preliminar foi rejeitada na decisão recorrida pelos seguintes fundamentos: 10. Observese que não se equiparam auto de infração e despacho decisório, pois enquanto o primeiro formaliza exigência, constituindo o crédito tributário, por iniciativa do sujeito ativo, o segundo apenas reflete apreciação de compensação declarada por iniciativa do sujeito passivo, abrangendo débitos informados e constituídos pelo próprio contribuinte, os quais já podem ter sido confessados em DCTF ou que estão confessados na própria declaração de compensação, dado o seu caráter de confissão a partir de 31/10/2003 com a Medida Provisória nº 135, publicada em 31/10/2003, e convertida na Lei nº 10.833/2003. 11. Mas, apesar de o Despacho Decisório não ter iguais elementos e finalidade de Auto de Infração, nele deve estar expressa a descrição de seu objeto e a fundamentação da decisão nele contida, até mesmo para não se caracterizar hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, dentre as quais “despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. 12. Todavia, o Despacho Decisório é claro ao expor: Fl. 182DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 11 12.1 o objeto de análise: direito creditório pleiteado no valor de R$ 10.072,02, referente a saldo negativo apurado em 31/12/1998 (portanto anocalendário de 1998, exercício de 1999), e compensações declaradas com tal crédito; 12.2 os motivos do reconhecimento apenas parcial de tal crédito (comprovação de retenção na fonte da “ordem de R$ 11.155,36 e não daquela informada na DIPJ, resultando na redução do saldo negativo a ser reconhecido para R$ 3.082,10”... 12.3 as compensações homologadas em função do crédito reconhecido e de disposição legal. 13. Observese que o crédito pretendido, no valor de R$ 10.072,02, como saldo negativo do exercício 1999 (portanto, anocalendário 1998) é indicado pela própria contribuinte em sua Declaração de Compensação e corresponde ao valor negativo indicado a título de IRPJ (saldo credor) no ajuste anual (Ficha 13) da declaração do anocalendário de 1998, à fl. 50. 14. Assim, injustificável a alegação de que o despacho decisório seria inexato e impreciso, não se cogitando de cerceamento do direito de defesa, pois, como visto, o despacho decisório explicita seu objeto (em consonância com o que pretendido), sua fundamentação e conclusão, e dele a interessada foi cientificada e recebeu cópia, sendolhe concedido prazo regulamentar para apresentar sua manifestação de inconformidade. No recurso voluntário, a contribuinte simplesmente repisa o argumento, porém, nada acrescenta em suas alegações, muito menos, refuta os fundamentos acima transcritos que, a meu ver, são irretocáveis. Rejeito, pois, a preliminar. Mérito O contribuinte reitera a alegação de erro na apuração do IRPJ devido e no preenchimento da DIPJ/99 (anocalendário 1998). Ocorre que tais erros deveriam ter sido verificados e corrigidos antes do transcurso do prazo decadencial. A contribuinte apresentou 2 (duas) DIPJ retificadoras dentro do prazo de 5 anos, contados do fato gerador, que segundo alega estariam também incorretas. Tal qual alegado pelo recorrente, é pacífico neste Conselho o entendimento que é admissível a retificação de erro material no preenchimento de declarações alegados em recursos administrativos, desde que comprovados. Porém, não é essa a situação dos autos: a contribuinte pretende incluir um elemento novo apuração do SNRIRPJ do anocalendário de 1998, que alega se tratar do SNRIRPJ de períodos anteriores (1997), o qual não foi provado no autos do processo. Isso ficou patente nos fundamentos da decisão recorrida, verbis: 16. Do que exposto pela interessada, depreendese que: 16.1 teria apurado no AC 97 (exercício 98) saldo negativo de IRPJ de R$ 12.852,18, do qual teria remanescido para uso ao do anocalendário 1998 (exercício 1999) a parcela de R$ 8.798,62; Fl. 183DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 12 16.2 no AC 98 teria apurado R$ 10.505,79 de IRPJ, do qual foi abatida estimativa de R$ 2.432,53 e IRRF de R$ 9.346,66, redundando em saldo de IRPJ negativo de R$ 1.273,40 (= R$ 10.505,79 – R$ 2.432,53 – R$ 9.346,66), como indicado na 1ª DIPJ retificadora reproduzida na manifestação de inconformidade, e tal valor de R$ 1.273,40, adicionado ao alegado saldo negativo remanescente do AC 97 de R$ 8.798,62, resultaria no valor pleiteado de R$ 10.072,02 (= R$1.273,40 + R$ 8.798,62); 16.3 na DIPJ original e na 2ª retificadora teria indicado indevidamente a título de IRRF o valor de R$ 18.145,28, que seria a soma do IRRF que alega correto de R$ 9.346,66 mais o valor que corresponderia ao saldo negativo remanescente do AC 1997, de R$ 8.798,62, ou seja: R$ 18.145,28 = R$ 9.346,66 + R$ 8.798,62. 17. Em resumo, depreendese que a pretensão da interessada seria aquela abaixo discriminada em comparação com a DIPJ e com o que foi admitido no Despacho Decisório: DIPJ – AC 98 Ficha 13 DIPJ Desp. Dec. Manifestação DISCRIMINAÇÃO VALOR VALOR VALOR IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01. À alíquota de 15% 10.505,79 10.505,79 10.505,79 (...) DEDUÇÕES (...) 13. ( ) Imposto de Renda retido na Fonte 18.145,28 11.155,36 9.346,66 (...) 16. ( ) Imposto de renda Mensal por Estimativa 2.432,53 2.432,53 2.432,53 17. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 3.082,10 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR POR SCP 0,00 0,00 0,00 19. TOTAL DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 3.082,10 1.273,40 20. ( ) Pagamentos 0,00 0,00 0,00 COMPENSAÇÕES 21. ( ) Pagamentos Indevidos ou a Maior 0,00 0,00 0,00 22. ( ) Saldo Negativo de Períodos Anteriores 0,00 0,00 8.798,62 23. ( ) Outras 0,00 0,00 0,00 (...) 26. SALDO DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 3.082,10 10.072,02 (...) 18. Ocorre que a formação do saldo credor objeto do pedido, com crédito proveniente de saldo negativo de períodos anteriores (AC 1997), não foi noticiada na Declaração de Compensação e nem na DIPJ do AC 98 (quer na original quer nas retificadoras). Fl. 184DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 13 19. Observese que na Declaração de Compensação (fls. 03 e 04 dos autos) são indicados: a título de “IRPJ retido na fonte”, valores de R$ 8.485,10 mais R$ 861,56, perfazendo a soma de R$ 9.346,66; e a título de pagamento de estimativa de 1998, o valor de R$ 2.432,53, como alegado para as linhas 13 e 16 da Ficha 13 da DIPJ do AC 98 , nada tendo sido mencionado acerca de valor a título de saldo credor de 1997. 20. E, ainda, que, como admite a própria interessada, foi ela intimada, por duas vezes, para esclarecer as “diferenças entre o crédito informado na DIPJ 1999 (ano calendário 1998) e aquele declarado na DCOMP nº 18920.62665.220703.1.3.02 5363”, afirmando ter procedido a retificações, mas a 1ª retificação da DIPJ do AC 98, entregue em 10/10/2006, fora revertida por uma 2ª retificação da mesma declaração, em 01/11/2007, em que nada foi informado no sentido de que o saldo credor pleiteado era formado também por crédito de períodos anteriores. 21. Por outro lado, na Ficha 08 DIPJ do AC 97 (pesquisa juntada às fls. 112/114) verificase que foi declarado no ajuste final saldo negativo de IRPJ de R$ 19,19 e não de R$ 8.798,62 como alegado na manifestação de inconformidade. Desse modo, nem mesmo se confirma a alegação de que existiria saldo credor de ano anterior (AC 97) a ser utilizado na formação do saldo credor do AC 98. 22. Por oportuno, cabe realçar que a interessada instrui sua defesa com cópias de razão contábil do período de janeiro/97 (fls. 101) e dezembro/97 (fls. 102) de onde se depreende que o valor de R$ 8.798,62 corresponderia a saldo de “IRF a compensar”. Por sua vez, na cópia de balancete mensal de jan/98 (fls. 96) e dez/98 (fls. 97) são indicados como saldo inicial e saldo final da conta “IRF a compensar”, os valores respectivamente de R$ 8.798,62 e R$ 18.145,28. Também da cópia do Razão Contábil de jan/98 (fls. 99) e dez/98 (fls. 100), vêse que são indicados, para a conta “IRF a compensar” saldo inicial de R$ 8.798,62, que no mês 10/98 apresenta saldo de R$ 18.145,28 do qual é utilizada em 10/98 a parcela de R$ 8.073,26 (fls. 100) remanescendo saldo de R$ 10.072,02. 23. Assim, a DIPJ do AC de 1997 não aponta apuração de saldo credor alegado de R$ 8.798,62 para ser utilizado na DIPJ do AC 98 e elementos da escrituração, ainda que confirmados, indicam que, na verdade, o referido valor de R$ 8.798,62 corresponderia a IRRF do AC 97 e não ao saldo negativo de imposto apurado ao final do período. 24. Nesse ponto, cabível consignar que as antecipações (como estimativas ou IRRF), por si sós, não são passíveis de restituição/compensação após encerramento do período, mas apenas o saldo credor apurado ao final do período. 25. Com efeito, ampliando o raciocínio até aqui sustentado, cabe ressaltar que a própria contribuinte admitiu em sua manifestação de inconformidade ter apurado no anocalendário de 1998, saldo negativo (Ficha 13, Linha 19) da ordem de R$ 1.273,40, sendo que a compensação de eventual saldo negativo de anos anteriores Fl. 185DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 14 limitarseia ao total do imposto a pagar, ou seja, valor positivo na linha 19 da Ficha13, caso houvesse, como estabelece o Majur /1999: (...) 26. Na verdade, depreendese da manifestação apresentada, que a pretensão da interessada é promover correções que têm por objetivo destacar saldo credor de período anterior (AC 97) o qual teria sido somado ao saldo negativo do AC informado (98). Mas, ainda que permaneça inalterado o valor pleiteado, a alteração (retificação) de sua composição, agora para incluir eventual saldo negativo do anocalendário de 1997, configurase um novo pedido de reconhecimento de indébito, ensejando, inclusive, respeitados os limites temporais pertinentes, a retificação da DIPJ/1998 (AC 1997). 27. Entretanto, a DRF de origem reconheceu parte do indébito, em função da comprovação de apenas uma parcela do IRRF declarado. Agora, em sede de Manifestação de Inconformidade, após a ciência do Despacho Decisório a interessada manifestase acerca de eventual crédito do anocalendário de 1997. 28. Contudo, tal crédito, reiterese, sequer se confirma como saldo negativo apurado ao final daquele anocalendário, mas seria o imposto retido na fonte no ano de 1997, que, como visto, por si só, não é compensável nem restituível, mas poderia vir a compor eventual saldo negativo, este sim, passível de utilização em compensação ou restituição. 29. Entretanto, o suposto valor do saldo negativo do anocalendário de 1997, por não haver sido apurado na DIPJ/1998 (AC 1997) e nem integrado a declaração de compensação inicialmente ofertada nestes autos, tratase de uma inovação, a qual exigiria a formalização de outra declaração de compensação, distinta da que ora se analisa, além de dever ser apresentada dentro do prazo prescricional, sendo certo ainda que, por falta de competência originária a esta instância de julgamento, necessitaria antes da apreciação da DRF. (Grifei) Portanto, além de o alegado erro material não ter sido comprovado nos autos, a pretensão da contribuinte é alterar o credito originalmente apontado na DCOMP (SNRIRPJ de 1998 por alegado SNRIRPJ 1997). Verificase, de plano, que não se trata de erro de preenchimento da DCOMP, tal qual reconhecido em julgamentos anteriores desse colegiado, pois, o crédito originalmente apontado inexiste. Sobre a DCOMP, dispõe o art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (redação dada pelo art. 49 da lei 10.637/2002:) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) Fl. 186DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 15 § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (A redação deste Inciso foi dada pelo Artigo 4º da Lei nº 11.051 de 29.12.2004.) (Grifei). Na prática a pretensão da contribuinte equivale a um novo pedido de compensação, para que o débito remanescente seja compensado com outros créditos. Esse procedimento é expressamente vedado pela lei de regência, conforme acima grifado. Quanto as demais questões, entendo que os fundamentos do despacho decisório da DRF de origem e da decisão de 1a. instância igualmente não merece reparos. ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 187DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001839/2004-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. ALTERAÇÃO SUPERVENIENTE. APLICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A modificação superveniente à remessa necessária do seu limite de alçada, para finalidade de conhecimento do recurso de ofício averbado, implica na sua imediata adoção, quando do juízo de admissibilidade, na data de sua apreciação em segunda instância administrativa, consoante verbete da Súmula CARF nº 103, ainda que ocasionada por retorno de diligência.
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3401-004.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF n. 103.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. ALTERAÇÃO SUPERVENIENTE. APLICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A modificação superveniente à remessa necessária do seu limite de alçada, para finalidade de conhecimento do recurso de ofício averbado, implica na sua imediata adoção, quando do juízo de admissibilidade, na data de sua apreciação em segunda instância administrativa, consoante verbete da Súmula CARF nº 103, ainda que ocasionada por retorno de diligência. Recurso de ofício não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.001839/2004-25
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851649
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.428
nome_arquivo_s : Decisao_19515001839200425.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 19515001839200425_5851649.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF n. 103. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7201594
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010609778688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001839/200425 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3401004.428 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PIS/PASEP E COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FARMÁCIA E PERFUMARIA SINETE LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. ALTERAÇÃO SUPERVENIENTE. APLICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A modificação superveniente à remessa necessária do seu limite de alçada, para finalidade de conhecimento do recurso de ofício averbado, implica na sua imediata adoção, quando do juízo de admissibilidade, na data de sua apreciação em segunda instância administrativa, consoante verbete da Súmula CARF nº 103, ainda que ocasionada por retorno de diligência. Recurso de ofício não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF n. 103. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 39 /2 00 4- 25Fl. 707DF CARF MF 2 convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de lançamento para exigência de diferenças de PIS/Pasep e Cofins verificadas no período 1998/2003. Em impugnação o contribuinte sustentou decadência do período anterior a junho/1999, por força do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional; que não houve prova da infração, limitandose a informar o autuante a verificação de recolhimentos a menor; que receitas de terceiros não devem compor o faturamento; que é inconstitucional a inclusão de ICMS na base de cálculo das contribuições; que a ampliação do conceito de faturamento, promovido pela Lei nº 9.718/98, é inconstitucional; que a Lei nº 10.147/2000 estabeleceu a incidência monofásica sobre determinados medicamentos; que a multa de ofício possui efeito confiscatório; e, que a cobrança de juros de mora à taxa selic é inconstitucional. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ julgou o lançamento insubsistente, por vício formal, ante a ausência de elementos de prova da prática do ilícito tributário assinalado. Desse julgado houve interposição de recurso de ofício. Devidamente intimado, o contribuinte não se manifestou. Na sessão de 04/02/2009, através da Resolução nº 20400.687, a 4ª Câmara/2º Conselho de Contribuintes, por entender ausente o prejuízo à defesa e tendo em conta os princípios da economia processual e eficiência, converteu o julgamento em diligência para colação dos documentos que respaldariam o lançamento. Devidamente intimado a apresentar a documentação referente ao período 1998/2003, em junho/2015, o sujeito passivo alegou não mais possuir os livros e demais documentos exigidos, e face ao transcurso de mais de uma década, referenciando o disposto no art. 195, parágrafo único, do CTN. As autoridades diligenciantes anexaram extratos da DIPJ, demonstrativo de apuração dos tributos e relatório de diligência fiscal. Cientificado do relatório o contribuinte reprisou a manifestação acerca da ausência da documentação contábil e fiscal e aduziu que nada de novo foi trazido aos autos, requerendo a manutenção da decisão que declarou a nulidade do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Em juízo de admissibilidade da remessa necessária verifico, pelos elementos disponíveis nos autos (efls. 62 e 262), nos termos do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e do art. 70, caput, do Decreto 7.574/2011, que o valor exonerado não atinge o limite de alçada Fl. 708DF CARF MF Processo nº 19515.001839/200425 Acórdão n.º 3401004.428 S3C4T1 Fl. 11 3 estabelecido pela superveniente Portaria MF 63/2017, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Como antecipado, nada obstante a superveniência do aludido ato administrativo em relação à decisão que averbou o recurso de ofício e ainda à resolução que converteu o julgamento em diligência, para fins de conhecimento do reexame, o valor de alçada aplicável é aquele vigente na data de sua apreciação em segunda instância administrativa, ex vi da Súmula CARF nº 103. Outrossim, o fato de existir manifestação anterior desse sodalício, mediante prolação de resolução, não modifica a circunstância que, na presente assentada, houve novo reexame da remessa necessária, devendo o limite de alçada ser aferido novamente de acordo com a regra ora vigente. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, o que implica a manutenção da decisão administrativa de primeiro grau. Robson José Bayerl Fl. 709DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.723671/2016-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. COMPENSAÇÃO DE IRRF. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Considerar que rendimentos sujeitos à tributação exclusiva não estão abrangidos pela isenção por moléstia grave pe entendimento que implicaria em restrição não prevista em lei (Art 6 da Lei 7713/88, inc XIV).
Numero da decisão: 2001-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. COMPENSAÇÃO DE IRRF. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Considerar que rendimentos sujeitos à tributação exclusiva não estão abrangidos pela isenção por moléstia grave pe entendimento que implicaria em restrição não prevista em lei (Art 6 da Lei 7713/88, inc XIV).
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.723671/2016-07
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5856490
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.235
nome_arquivo_s : Decisao_10830723671201607.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 10830723671201607_5856490.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
id : 7245609
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010611875840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.723671/201607 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.235 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente EDUARDO DE ANDRADE BERNAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. COMPENSAÇÃO DE IRRF. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Considerar que rendimentos sujeitos à tributação exclusiva não estão abrangidos pela isenção por moléstia grave pe entendimento que implicaria em restrição não prevista em lei (Art 6 da Lei 7713/88, inc XIV). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 36 71 /2 01 6- 07 Fl. 144DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 07 a 12, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2015, anocalendário de 2014, para formalização da redução do saldo de imposto de renda a restituir no valor de R$ 35.788,84, para o valor de R$ 94,79, por supostamente não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave, ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, ou não comprovou a efetiva retenção do imposto de renda sobre rendimentos isentos e/ou não tributáveis, para fins da compensação pleiteada. O interessado foi cientificado da notificação em 31/05/2016 e apresentou impugnação em 06/06/2016, fls. 02 a 07 alegando, em síntese, e corroborando, por documentos, legislação e jurisprudência, que resta inconteste o seu direito de usufruir da isenção de imposto de renda da pessoa física sobre estes proventos de aposentadoria. A DRJ Fortaleza, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte preencheu os dois requisitos legais, que logrou êxito em comprovar sua condição de portador de moléstia grave especificada em Lei e que os rendimentos lançados como omissão são provenientes de aposentadoria. Sendo assim o mesmo faz jus a isenção. No entanto, argumenta a DRJ que o contribuinte demonstrou nos autos que fez opção pelo regime de tributação exclusiva na fonte previsto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 11.053, de 2004. Assim, seria de se concluir que se trata de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, principalmente, tendo em conta que o código de receita 5565 informado na DIRF é relativo a Benefício ou Resgate de Previdência Privada e Fapi Optantes. Ademais, o IRRF foi calculado à alíquota de 15%, de conformidade com o disposto no art. 3º, inciso II, do citado texto legal, acima reproduzido. Portanto, considerando que os rendimentos recebidos seriam de tributação exclusiva na fonte, não caberia a compensação do imposto retido na declaração de ajuste anual. Em sede de Recurso Voluntário, além de ter repisado a comprovação da sua condição de portador de moléstia grave, e de sua condição de isento, colacionou decisões administrativas e sustentou que considerar que os rendimentos sujeitos a tributação exclusiva não estão abrangidos pela isenção por moléstia grave é um entendimento que implicaria em restrição não prevista em lei. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10830.723671/201607 Acórdão n.º 2001000.235 S2C0T1 Fl. 3 3 Mérito Isenção por moléstia grave e retenção na fonte do IRPF De acordo com o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias nele enumeradas. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6º do art. 39 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Nos termos do § 4º do RIR/1999, para o reconhecimento de novas isenções, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O contribuinte apresentou preencheu os dois requisitos legais, logrou êxito em comprovar sua condição de portador de moléstia grave especificada em Lei e que os rendimentos lançados como omissão são provenientes de aposentadoria. Sendo assim restou claro que mesmo faz jus a isenção. No entanto argumenta a DRJ que o contribuinte demonstrou nos autos que fez opção pelo regime de tributação exclusiva na fonte previsto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 11.053, de 2004. Assim, seria de se concluir que se trata de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Não concordo com o entendimento da DRJ. Ao meu ver, foram integralmente supridas as faltas apontadas no lançamento. Ademais, não há no texto legal, qual seja o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988 e alterações, menção à exclusão de isenção de impostos tributados exclusivamente na fonte. O termo legal deve ser interpretado literalmente, abarcando na isenção os impostos sobre rendimentos de aposentadoria pagos por entidades de previdência complementar, sujeitos ou não à tributação exclusiva na fonte. Assim, concordo que considerar que rendimentos sujeitos à tributação exclusiva não estão abrangidos pela isenção por moléstia grave é entendimento que implicaria em restrição não prevista em lei. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. Fl. 146DF CARF MF 4 A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave, nos termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário pois resta comprovada a sua situação de isenção e seu direito a restituição do IR retido. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a sua condição de isento para fins fiscais restando comprovada a sua condição de portador de moléstia grave. Por conseguinte, proceder com a devida restituição do IR através do órgão competente (Delegacia da Receita). (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10830.723671/201607 Acórdão n.º 2001000.235 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000811/2010-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ANTINOMIA.
A denúncia espontânea da infração não exclui a responsabilidade quando a penalidade tem por objeto a própria conduta extemporânea do administrado, materializada no cumprimento a destempo da obrigação de fazer.
Aplica-se a multa prevista em lei à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga, quando deixarem de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a informação tenha sido prestada antes do início de qualquer procedimento fiscal.
Numero da decisão: 9303-006.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ANTINOMIA. A denúncia espontânea da infração não exclui a responsabilidade quando a penalidade tem por objeto a própria conduta extemporânea do administrado, materializada no cumprimento a destempo da obrigação de fazer. Aplica-se a multa prevista em lei à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga, quando deixarem de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a informação tenha sido prestada antes do início de qualquer procedimento fiscal.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10715.000811/2010-98
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5855048
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.335
nome_arquivo_s : Decisao_10715000811201098.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10715000811201098_5855048.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7234288
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010613972992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10715.000811/201098 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.335 – 3ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ADUANA Recorrente TAM LINHAS AÉREAS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ANTINOMIA. A denúncia espontânea da infração não exclui a responsabilidade quando a penalidade tem por objeto a própria conduta extemporânea do administrado, materializada no cumprimento a destempo da obrigação de fazer. Aplicase a multa prevista em lei à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga, quando deixarem de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a informação tenha sido prestada antes do início de qualquer procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 08 11 /2 01 0- 98 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3201000.950, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, afastou a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negou provimento ao recurso. O colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando omissão, obscuridade e contradição. Apreciados os Embargos de Declaração, o colegiado a quo, por unanimidade de votos, conheceu e rejeitou os embargos, sendo consignada a seguinte ementa ao acórdão 3201001.508: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A mera Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 4 3 irresignação de uma parte, quanto ao teor do julgado, não pode ser admitida, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. ” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · Tratase de auto de infração que exige a cobrança de multa administrativa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto Lei 37/66 decorrente da prestação de informações sobre veículo ou carga transportada para o exterior no SISCOMEX após o prazo legal, quando dos embarques de mercadorias destinadas a exportação efetuados através da Alfândega no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro no mês de janeiro de 2006; · O colegiado a quo não aplicou à penalidade a legislação mais benigna, não reconhecendo a denúncia espontânea trazida pela Lei 12.350/10, que alterou o § 2º do art. 102 do DecretoLei 37/66 para possibilitar expressamente a exclusão pela denúncia espontânea da multa decorrente de infrações de natureza administrativa. Em Despacho às fls. 194 a 196, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional que trouxe, entre outros, que: · O recurso especial não deve ser conhecido, haja vista tem por objeto a rediscussão do conjunto probatório; · Por disposição expressa do DecretoLei 2.472/88, que introduziu o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, o benefício da exclusão da penalidade ficou limitado às penalidades de natureza tributária. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que o recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, pois tempestivo e restando comprovada a divergência suscitada. A divergência suscitada pela Recorrente diz respeito à aplicação do instituto da denúncia espontânea para excluir a multa administrativa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada no prazo estabelecido pela Receita Federal, prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, em razão do advento da Lei 12.350/2010. O acórdão recorrido decidiu no sentido de manter a aplicação da citada multa administrativa, prescrita no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, não aventando em seu voto a possibilidade de aplicação ao caso concreto do instituto da denúncia espontânea, em razão do advento da Lei 12.350/2010. Enquanto, os acórdãos indicados como paradigmas, em sentido oposto, entenderam aplicável tal instituto. Para melhor elucidar, importante transcrever parte da ementa do acórdão nº 3801004.901 indicado como um dos paradigmas: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 03/02/2006 a 28/02/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 6 5 qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido.” Ventiladas tais considerações, conhecendo o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, passo a discorrer sobre a lide – qual seja, aplicação ou não da denúncia espontânea com o intuito de se afastar a multa por falta de cumprimento de obrigação acessória, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Eis que a denúncia espontânea em matéria aduaneira se encontra positivada no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, reproduzido no art. 683 § 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6759/2009). Para melhor elucidar, trago síntese cronológica do art. 102 do DecretoLei 37/66 – que trata da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 7 6 Antes do advento da MP 497/10, vêse que o § 2º do art. 102 era taxativo ao prescrever que a denúncia espontânea excluía apenas as penalidades de natureza tributária (Grifos meus): “Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” Com o advento da MP 497/10, convertida na Lei 12.350/2010, a denúncia espontânea passou a afastar também as penalidades de natureza administrativa, além da tributária, in verbis (Grifos meus): “Art.102 – A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Com tal dispositivo, a denúncia espontânea passou a ser aplicada para as penalidades de natureza administrativa, salvo as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 8 7 Ademais, quanto à intenção do legislador ao trazer a menção à penalidade administrativa quando da aplicação da denúncia espontânea, importante reproduzir a Exposição de Motivos daquela MP 497/10 (Grifos meus): “[...] 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. (…) 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.” Nesse ínterim, cumpre destacar ainda que para que a exclusão da responsabilidade ocorra devese observar se não houve início de procedimento fiscal, mediante ato de ofício, tendente a apurar a infração ou o cumprimento da obrigação acessória aduaneira. Sendo assim, considerando o caso vertente, em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 102, §2º, do Decreto Lei 37/66 com a redação dada pela MP 497/10 (convertida na Lei 12.350/10 – que manteve a mesma redação) para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira. Ademais, cabe trazer que o Direito aduaneiro é considerado autônomo, inclusive porque se originam de fontes peculiares – tais como, acordos e tratados internacionais, códigos e regulamentos aduaneiros, ainda que tenha dependência com outros ramos de direito. As relações jurídicas observam as peculiaridades de regimes próprios, ainda que envolva outros ramos científicos. Sendo assim, podese considerar que deve observar um regramento especial – tal como o que preceitua o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 9 8 Não há como ignorar a redação do art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010, que exclui “expressamente” a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Digo “expressamente”, pois, ao meu sentir, não há como “interpretála” ou “interpretála restritivamente”, vez trazer claramente que o instituto da denúncia espontânea afasta toda a penalidade pecuniária de natureza administrativa sem ao menos ressalvar hipóteses excludentes. Nos termos do art. 5º, inciso II, da CF/88, temos que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei – ou seja, somente a lei poderá criar, entre outros, vedações. O que, por conseguinte, entender que a norma em questão seria “expressa” reflete o respeito ao Princípio da Legalidade. Caso o legislador da Lei 12.350/2010, que alterou o art. 102, § 2º do Decreto Lei 37/66, incluindo no campo de alcance da aplicação do instituto da denúncia espontânea, tivesse a pretensão de se excluir as hipóteses de entrega de obrigações acessórias aduaneiras a destempo, deveria ter trazido tal vedação de forma expressa, promovendo ao sujeito passivo a segurança jurídica que tanto merece. Não obstante a isso, vêse que apenas incluiu o termo penalidade de natureza administrativa e ainda esclareceu na exposição de motivos que o instituto da denúncia espontânea alcança “toda” penalidade pecuniária. Ademais, ignorar o dispositivo de norma, sem ao menos, ter sido declarado inconstitucional, traria insegurança jurídica aos sujeitos passivos que observam o disposto na lei, além de ferir a regra trazida pelo art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, in verbis (Grifos meus): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...]” Quanto à aplicação do disposto no art. 102, § 2º do DecretoLei 37/66 aos períodos anteriores à sua vinda no ordenamento jurídico, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 10 9 "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". Sendo assim, verificase a subsunção do caso concreto à norma referendada. Ora, com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa pela entrega a destempo da obrigação acessória aduaneira. Ainda em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali, não mais aplico, por analogia, a Súmula CARF 49, eis que, ainda que tenha como fundamento original o art. 138 do CTN, trata especificamente da entrega a destempo de DCTF, e não da obrigação acessória aduaneira. Essa última possui regra especial tratada expressamente no art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010. Ademais, quanto à Súmula CARF nº 49 que traz que "a denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração", entendo que deva ainda sua aplicabilidade ser afastada no presente caso (obrigação acessória aduaneira), pois as decisões reiteradas e uniformes que consubstanciaram a referida súmula se deu anteriormente à edição da MP 497/2010. O que, por conseguinte, não há que se falar em obrigatoriedade de os conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais observarem a referida súmula no presente caso, invocando equivocadamente o caput do art. 72, Anexo II, do RICARF/2015 (Portaria MF 343/2015). Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado A matéria objeto dos autos é de amplo conhecimento deste Colegiado. Como já me manifestei em outras ocasiões, trilhando o mesmo caminho escolhido nos autos do processo nº 10283.002493/200993, acórdão nº 9303003.559, da relatoria do i. Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho, pela maestria como aborda a matéria, adoto, mais uma vez, os fundamentos declinados no voto do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, em decisão tomada no processo nº processo 11128.002765/200749, acórdão 380200.568, datado de 05 de julho de 2011, a seguir reproduzido. Do instituto da denúncia espontânea no âmbito da legislação aduaneira: condição necessária. É de fácil ilação que o objetivo da norma em destaque é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações relativas ao descumprimento das obrigações de natureza tributária e administrativa. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Nesse sentido, resta evidente que é condição necessária para a aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros termos, é elemento essencial da presente excludente de responsabilidade que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 12 11 decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. São dessa última modalidade todas as infrações que têm, no núcleo do tipo, o atraso no cumprimento da conduta imposta como sendo o elemento determinante da materialização da infração. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação da informação intempestivamente materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a prestação da informação fora do prazo estabelecido, porém antes do início do procedimento fiscal, realizando o Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 13 12 cumprimento da obrigação, mediante a denúncia espontânea, com exclusão da responsabilidade pela infração. (...) Logo, no caso em destaque, se o registro da informação a destempo materializou a infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, não pode ser considerada, simultaneamente, como uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma infração. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que a conduta que materializasse a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta que representativa da denúncia espontânea. Em consequência, tornarseia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála não poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade do infrator. Tal hipótese, ao meu ver, representaria um contra senso do ponto de vista jurídico, retirando da prática da dita infração qualquer efeito punitivo. Nesse sentido, porém com base em fundamentos distintos, tem trilhado a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 14 13 TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido.(STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Os fundamentos da decisão apresentados pela E. Corte, foram basicamente os seguintes: (i) a inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária; e (ii) o descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido julgado. No meu entendimento, para fim de definição dos efeitos do instituto da denúncia espontânea, é irrelevante a questão atinente à natureza intrínseca da multa tributária ou administrativa, isto é, se punitiva (ou sancionatória) ou indenizatória1 (ou ressarcitória), uma vez que toda penalidade pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre sempre da prática de um ato ilícito, consistente no 1 A origem dessa discussão está na jurisprudência do C. STF (RE nº 79.625/SP) que tratou da natureza jurídica da multa moratória (se punitiva ou ressarcitória), quando julgou questões acerca da aplicação do art. 184 do CTN, que trata dos privilégios do crédito fiscal, no âmbito do processo de falência. Segundo o referido julgado, entendeu a Corte Suprema que a dita multa tinha natureza punitiva. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10715.000811/201098 Acórdão n.º 9303006.335 CSRFT3 Fl. 15 14 descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização tem como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa do agente. Essa questão, no meu entendimento, é irrelevante para definição do significado e alcance jurídicos da excludente da responsabilidade por denunciação espontânea em análise, seja no âmbito das penalidades tributárias ou administrativas. É consabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e aduaneira configura, respectivamente, infração de natureza tributária ou aduaneira, independentemente dela decorrer do descumprimento de um dever de caráter formal (obrigação acessória) ou material (obrigação principal). Ademais, toda obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da obrigação principal, instrumentalizandoo e, dessa forma, servindo de suporte para as atividades de controle da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme delineado no § 2º do art. 113 do CTN. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial do contribuinte e, no mérito, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.905481/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-003.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10183.905481/2012-46
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5849638
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.482
nome_arquivo_s : Decisao_10183905481201246.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10183905481201246_5849638.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
id : 7193552
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010618167296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.905481/201246 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.482 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de março de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente LEONICE DA S. A. MACIEL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 54 81 /2 01 2- 46 Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10183.905481/201246 Acórdão n.º 3201003.482 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório LEONICE DA S. A. MACIEL EPP requereu restituição de crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório não deferindo a restituição, em razão do fato de que os pagamentos informados já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou a inexistência de débito referente ao pagamento em questão, conforme DCTF retificadora apresentada. Nos termos do Acórdão nº 02049.836, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação do crédito pleiteado. No Recurso Voluntário, o contribuinte reitera a existência de erro na DCTF e no Dacon e alega que a origem do indébito é o fato de as mercadorias vendidas se submeterem ao regime monofásico, razão pela qual não deveria incidir a contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.476, de 02/03/2018, proferido no julgamento do processo 10183.905470/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.476): O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10183.905481/201246 Acórdão n.º 3201003.482 S3C2T1 Fl. 4 3 ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1703 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 32DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.724419/2013-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO NO SUJEITO PASSIVO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. INSUFICIÊNCIA DE PROVA DE SIMULAÇÃO'.
Não restando suficientemente comprovada a existência de simulação, permanece como valida alienação. de imóvel rural tal como atestada pelas provas carreadas nos autos.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE.
Deve-se cancelar o auto de infração quando for observado erro na construção no lançamento, nos termos do disposto no artigo 142 do CTN.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte).
Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTA DE OFÍCIO.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, incidindo, inclusive, sobre a obrigação principal decorrente de penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 2201-004.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO NO SUJEITO PASSIVO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. INSUFICIÊNCIA DE PROVA DE SIMULAÇÃO'. Não restando suficientemente comprovada a existência de simulação, permanece como valida alienação. de imóvel rural tal como atestada pelas provas carreadas nos autos. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. Deve-se cancelar o auto de infração quando for observado erro na construção no lançamento, nos termos do disposto no artigo 142 do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. JUROS DE MORA. SELIC. MULTA DE OFÍCIO. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, incidindo, inclusive, sobre a obrigação principal decorrente de penalidade pecuniária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10935.724419/2013-96
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841097
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.115
nome_arquivo_s : Decisao_10935724419201396.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10935724419201396_5841097.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7169640
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010630750208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 731 1 730 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.724419/201396 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.115 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de fevereiro de 2018 Matéria GANHO DE CAPITAL Recorrente CRISTINA POSSATO DUARTE PERTILE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO NO SUJEITO PASSIVO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. INSUFICIÊNCIA DE PROVA DE SIMULAÇÃO'. Não restando suficientemente comprovada a existência de simulação, permanece como valida alienação. de imóvel rural tal como atestada pelas provas carreadas nos autos. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. Devese cancelar o auto de infração quando for observado erro na construção no lançamento, nos termos do disposto no artigo 142 do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 44 19 /2 01 3- 96 Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 732 2 JUROS DE MORA. SELIC. MULTA DE OFÍCIO. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, incidindo, inclusive, sobre a obrigação principal decorrente de penalidade pecuniária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 694/721, interposto contra decisão da DRJ em Campo Grande/MS, de fls. 667/688, a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 458/469, lavrado em 12/11/2013, decorrente das seguintes infrações: (i) Omissão de rendimentos em razão de acréscimo patrimonial a descoberto, relativo a fatos geradores ocorridos em fevereiro/2009, março/2009, maio/2009 e junho/2009, que resultou no imposto de renda devido (sujeito à tabela progressiva anual) no valor de R$ 3.061,46, com aplicação da multa de 75%; (ii) Omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativo a fatos geradores ocorridos em fevereiro, março e maio de 2009 (total de R$ 20.393,26 no ano); junho, julho, agosto, outubro e Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 733 3 dezembro de 2010 (total de R$ 19.147,01 no ano); e abril, agosto e dezembro de 2011 (total de R$ 23.905,43 no ano), com aplicação da multa qualificada de 150%. A ciência da RECORRENTE ocorreu em 19/11/2013 (fl. 487). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 182.863,04, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura), multa de ofício, ora aplicada no percentual de 75%, ora de 150%. Do Ganho de Capital De acordo com o Termo de Verificação e Fiscal – TVF de fls. 475/479, a infração decorrente da omissão de ganho de capital teve origem com a venda, em março de 2009, de imóvel rural (Fazenda Rancho Eldorado, matrícula 5125 no Registro de Iguatemi/MS) cujos coproprietários (50% para cada) eram Juscelino do Reis e Marcelo Luiz Pertile (cônjuge da RECORRENTE, casado em regime de comunhão universal de bens), com valores da alienação recebidos de forma parcelada ao longo dos anos 2009, 2010 e 2011. A autoridade fiscal apurou uma simulação na alienação da Fazenda, pois a despeito de o imóvel estar em nome de pessoa jurídica (da qual Juscelino do Reis e a RECORRENTE são sócios), os valores da venda teriam sido repassados de imediato aos sócios mediante empréstimos. A descrição dos fatos envolvendo o ganho de capital foi assim apresentada no TVF (fls. 475/479): “A Ganho de Capital na venda de imóvel rural em Iguatemi/MS: Os coproprietários (50% cada) Juscelino do Reis e Marcelo Luiz Pertile adquiriram em junho de 2003 por R$ 480.000,00 (R$ 240.000,00 cada) área rural de 1.233,6225 há (Fazenda Rancho Eldorado matrícula 5125 no Registro de Iguatemi/MS). Constituíram empresa (Inajá Agroflorestal Ltda CNPJ 10.329.553/000146) em 10/08/2008 tendo como sócios Juscelino dos Reis e a esposa do sócio Marcelo Luiz Pertile, Cristina Possato Duarte Pertile, casado em regime de comunhão universal de bens, conforme contrato social. Conforme cláusula primeira o objetivo social é a exploração de atividades agropastoris em geral, abrangendo a criação e manejo de gado bovino, eqüinos e tratos culturais. Conforme cláusula quarta do contrato social Cristina Possato Duarte Pertile é nomeada representante do condômino Marcelo Luiz Pertile e conforme cláusula quinta integralizam o capital de R$ 480.000,00 pela entrega da área rural pelo valor de aquisição, que é o mesmo constante na Declaração do ITR 2003 feita pelo adquirente. Em 09/09/2008 consta nos livros da Inajá a conta 13210007 "imóveis próprios" o reajuste do valor do imóvel pela entrega em Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 734 4 03/09/2008 da declaração do ITR 2008, em nome dos sócios incorporadores, de R$ 2.320.000,00, para se chegar ao valor de R$ 2.800.000,00. A sede da empresa, conforme cadastro e primeira alteração contratual de 08/11/11 é na residência do sócio Marcelo Luiz Pertile à R Juraci Antonio Capra 861, casa 32, Country , Cascavel PR. Conforme CNAE (Cód. Nac. Ativ. Econ.) os sócios Jucelino dos Reis e Marcelo Luiz Pertile, já exerciam desde maio de 2008 atividade rural (reflorestamento) através de outra empresa e com um terceiro sócio, na PAR Agroinvest LTDA CNPJ 09.571.975/000144. Conforme os livros, a Inajá não apresenta receita ou resultado em 2008, 2009, em 2010, praticamente apenas despesas financeiras de R$ 4.141,14, sobressaindo em 25/10/10 o IOF de R$ 3.269,50, em 2011 apenas despesas de R$ 25.606,29, sobressaindo em 15/08/11o pagamento de ITBI de R$ 23.000,00, relativo a terreno recebido em pagamento da fazenda. No SPED (Sist. Público de Escrit. Digital) consta Receita Operacional Bruta Igual à despesa de R$ 194,30 em 2009, receitas e despesas de R$ 4.533,06 em 2010, receitas e despesas de R$ 25.633,71 em 2011. Em 08/11/2011 alteram o objeto social para a exploração de atividades agropastoris em geral , abrangendo a criação e manejo de gado bovino, equinos e tratos culturais, a administração, compra, venda e locação de imóveis próprios. Conforme escritura de 10/12/2009 a Inajá Agroflorestal Ltda vende essa área de 1.233,6225 em Iguatemi para o falecido Ricardo Santos CPF 001.825.91972 pelo valor ajustado na Declaração ITR de R$ 2.800.000,00 pagos R$ 800.000,00 em 01/03/2009, R$ 1.000.000,00 em 01/03/2010 e R$ 1.000.000,00 em 01/03/2011. A Inajá Ltda repassa de imediato em 2009 e 2010 os valores recebidos aos sócios mediante empréstimos. Assim temos que a venda da área foi feita mediante passagem pela titularidade de empresa, sem faturamento, cujos sócios são as pessoas físicas que originariamente eram os proprietários da terra. Ao depararse com a ocorrência de simulação, a autoridade fiscal tem o dever aplicar a legislação sobre os fatos efetivamente ocorridos, desconsiderando aqueles fatos constituídos apenas formalmente, sem nenhuma consonância com a realidade. Esse dever decorre do disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a autoridade administrativa que vai realizar o lançamento deve "verificar a ocorrência do fato gerador" e "determinar a matéria tributável". Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 735 5 Evidentemente, quando o legislador estabeleceu esse dever, teve como objetivo a identificação do verdadeiro fato gerador, a fim de determinar a verdadeira matéria tributável, não ficando a autoridade fiscal limitada aos aspectos formais dos atos praticados. Tanto é assim que a ocorrência de simulação está prevista como uma das hipóteses que ensejam o lançamento de ofício, conforme previsto no art. 149, VII, do Código Tributário Nacional: ‘Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;’ Diante dos dispositivos acima mencionados, constantes do Código Tributário Nacional desde seu advento no ano de 1966, resta evidente a possibilidade de a autoridade fiscal desconsiderar o ato simulado e apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos. Importa destacar que essa atitude impõese como um dever à autoridade fiscal e nada mais é do que uma decorrência do princípio da verdade material. Ainda, conforme a Lei 7.450 de 23/12/1985. ‘Art 51 Ficam compreendidos na incidência do imposto de renda todos os ganhos e rendimentos de capital , qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio, que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto de renda.’ Multa agravada de 150% conforme art. 957 II do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99) e arts. 71 a 73 da Lei 4502/1964: ‘Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art.72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 736 6 reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 . Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.’ Diligenciado adquirente acerca dos pagamentos, a viúva enviou cópia da escritura. Assim sendo foi calculado o ganho de capital de CADA UM dos dois proprietários da fazenda em Iguatemi considerando o custo para cada proprietário de R$ 240.000,00 pago em junho de 2003 e a venda, conforme escritura, no recebimento da primeira parcela em março de 2009 por R$ 1.400.000,00 para cada proprietário, diferindose a tributação conforme o recebimento de cada uma das três parcelas (R$ 400.000,00 em mar/2009, R$ 500.000,00 em mar/2010 e R$ 500.000,00 em mar/2011 para cada proprietário). A aplicação dos fatores de redução do ganho de capital da Lei 11.196/2005 faz com que o lucro tributável caia de R$ 1.160.000,00 para R$ 843.101,55, ou seja, 60,22% do valor de venda. Se tivessem recebido, conforme escritura de dez/2009, 28,57% do pagamento em março de 2009 o lucro nesse mês seria de R$ 240.886,16, recebendo 35,71 % do pagamento em março de 2010 e março de 2011 o lucro tributável em cada um desses meses seria de R$ 301.107,69. Intimada a empresa compradora, a sócia Cristina Pertile, juntando cópia de notas promissórias, apresentou o cronograma da quitação com R$ 628.000,00 recebidos em fevereiro/2009, R$ 172.000,00 em março/2009, R$ 100.000,00 em maio/2010, R$100.000,00 em junho/2010, R$ 100.000,00 em julho/2010, R$ 150.000,00 em agosto/2010, R$ 200.000,00 em outubro/2010, R$ 295.000,00 em dezembro/2010, R$ 55.000,00 em abril de 2011, R$ 400.000,00 em agosto de 2011 na forma de terreno conforme DOI (Decl. de Oper. Imob.) em que constam como alienantes a viúva e as filhas e R$ 600.000,00 em dezembro de 2011 através de diversos cheques, perfazendo o total de R$ 2.800.000,00. Nos livros da Inajá constam detalhadamente os valores recebidos em dez/2011 e cheques devolvidos. Assim, devido a doença em 2010 e falecimento do comprador, os recebimentos não foram exatamente conforme a escritura de dez/2009. Dessa forma, o lucro tributável de cada um dos dois sócios é de R$ 845.942,55 ou 60,43% do valor da venda diferido pelos valores das parcelas recebidas (divididas por cada sócio) conforme planilha em anexo (documentos Diversos Outros Ganho capital da Faz Iguatemi MS). O ganho de capital do sócio Marcelo foi dividido com a esposa Cristina que declarou em separado.” Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 737 7 Através da planilha de fl. 470 a autoridade fiscal demonstra a apuração do ganho de capital, e do lucro tributável relativo a cada parcela recebida. Notase que o valor do ganho de capital tributável foi dividido entre a RECORRENTE e o seu cônjuge. Conforme exposto, a autoridade fiscal aplicou multa de 150% por entender que houve simulação no caso da alienação do imóvel através de pessoa jurídica. Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto A autoridade fiscal apurou APD no anocalendário 2009 com a construção de residência no lote 32 no Condomínio Vinícius de Moraes. O cônjuge da RECORRENTE declarou ter gasto R$ 335.000,00 para construção do imóvel, dos quais R$ 90.000,00 foram em 2008 e R$ 245.000,00 em 2009. A autoridade fiscal detalhou essa infração da seguinte forma no TVF: “B Variação Patrimonial a Descoberto: Intimado a apresentar documentação referente às aquisições/financiamentos de bens/participações societárias, o contribuinte/cônjuge Marcelo apresentou os documentos em cópia que foram usados para, juntamente com DIRFs (Declarações de Imposto Retido na Fonte, enviadas à Receita pelas fontes pagadoras), DARFs (Recolhimentos de Tributos à Receita) e DIRPF (Decl. De Imp. De Renda Pessoa Física) montar planilha de origens e aplicações de recursos. Conforme planilha de origens e aplicações de recursos em anexo, no início de 2009, o contribuinte/cônjuge Marcelo efetuou aportes na Agroinvest Par conforme livro razão. Declara ter gasto R$ 90.000,00 em 2008 com a construção de residência no lote 32 de 988,12 m2 no Condomínio Vinícius de Moraes e gasto R$ 245.000,00 em 2009 totalizando R$ 335.000,00. Considerados os pagamentos de financiamento de construção pagos à caixa econômica em 2009 (R$ 20.915,50) temos então que os demais gastos com a construção em 2009 ficariam em R$ 224.084,50. Início da obra em 15/05/2008 (conforme Aviso de Regularização de Obra ARO) conclusão em 09/06/2009 (conforme protocolo do Certificado de conclusão de obra e notandose aumento de consumo da Copel de 27 KWH em junho para 142 KWH em julho), enquadrada como padrão alto RI com 358,19 m2 (conforme matrícula e Aviso de Regularização de Obra ARO) temos 384 dias de construção. Fazendo uma proporcionalidade dos dias de cada mês no total de dias calculase o número de metros quadrados de construção por mês que são multiplicados pelo custo unitário básico mensal do Sinduscon PR do respectivo mês. Totalizando os dispêndios Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 738 8 mensais teríamos uma total de R$ 418.351,14 conforme planilha no final de "docs construção", bem superior aos R$ 335.000,00 declarados, durante todo o período da obra. Sabendose que o acabamento é mais custoso do que as fundações, levantamento de paredes e lages, a ponto do CUB variar em torno de 45% entre o CUB de padrão baixo e alto, é razoável supor que os custos maiores sejam no final da obra, talvez até com pagamentos parcelados além do término da obra, dos quais não se dispõe dos carnes de prestação, salientando que mobiliário (que se pode transportar sem alterar sua condição de móvel) não compõe o custo do imóvel. Os valores de variação patrimonial a descoberto foram divididos entre os cônjuges. Para a esposa, ao se acrescentar nos rendimentos metade da variação patrimonial do casal, o desconto simplificado aumenta (gerando uma "Dedução no Imposto" nos cálculos) e acrescentase ao saldo de imposto a pagar, o imposto já restituído na declaração.” Em síntese, a fiscalização constatou que, tirando os pagamentos de financiamento de construção pagos à caixa econômica em 2009 (R$ 20.915,50), os demais gastos com a construção em 2009 ficariam em R$ 224.084,50. Assim, o que a autoridade fez foi dividir esse valor por 06, que representa o número de meses em que houve a obra naquele ano (de janeiro a junho), o que resulta em R$ 37.347,42 para cada mês. Munida do valor acima e dos outros valores de origens e despesas, foi elaborada a planilha de fl. 456, onde constatou a variação patrimonial a descoberto nos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2009. A metade dessa variação foi atribuída à RECORRENTE e a outra metade ao seu cônjuge. A planilha com estimativas de gastos com a construção foi acostada à fl. 471. Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 490/512 em 16/12/2013. A DRJ de origem assim resumiu as razões de defesa do RECORRENTE: “Julgamento em conjunto O julgamento da presente impugnação deve ser em conjunto com a apresentada pelo cônjuge do impugnante no processo nº 10935.724414/201363, pois a cada um foi atribuída responsabilidade por 50% do crédito tributário constituído. Preliminares de nulidade A autoridade lançadora desconsiderou operações realizadas pela pessoa jurídica Inajá Agroflorestal Ltda e lançou o imposto de renda sobre ganho de capital em nome das pessoas físicas de seus sócios, tudo isso à revelia da referida pessoa jurídica, a qual tem interesse e direito em promover os esclarecimentos Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 739 9 acerca dos fatos, sendo, assim de litisconsórcio passivo necessário, que deveria ter sido chamado ao processo, sob pena de cerceamento de direito de seu direito de defesa e dos sócios, razão pela qual deveria ser declarada a nulidade do lançamento; Se houvesse alguma irregularidade fiscal na venda do imóvel rural, a responsabilidade tributária deveria ser imputada à sociedade Inajá Agropecuária Ltda, motivo pelo qual se deve anular o lançamento por erro na identificação do sujeito passivo; Desconsideração de ato ou negócio jurídico Os procedimentos para desconsideração de ato ou negócio jurídico dependem ainda da edição de lei ordinária, conforme previsto no parágrafo único do art. 116 do CTN; A fundamentação no inciso VII do art. 149 do CTN é equivocada, pois referido dispositivo apenas poderia ser aplicado em caso de revisão de ofício dos lançamentos; Além disso, não houve comprovação de que tenha havido simulação, pois se assim fosse, teria havido comprovação de que os alienantes do imóvel seriam as pessoas físicas sócias da pessoa jurídica, o que não houve no caso em pauta; A alienação do imóvel rural pela pessoa jurídica é comprovada por meio de escritura pública e contrato particular. Desconsideração da personalidade jurídica A autoridade fiscal não possui competência legal para desconsiderar a personalidade jurídica, conforme regras do art. 50 do Código Civil, cabendo tal ofício apenas ao Poder Judiciário. Ganho de capital Não há se falar em ganho de capital dos sócios pessoas físicas, pois a sociedade Inajá Agroflorestal Ltda foi devidamente constituída, não há interposta pessoas em seu quadro societário, possui contabilidade regular, a qual foi utilizada, inclusive, para se apurar o suposto ganho de capital em nome dos sócios pessoas físicas, motivo pelo qual se refuta o argumento de que a pessoa jurídica teria sido constituída apenas para servir de passagem para alienação do imóvel rural. Inexistência de simulação A incorporação do imóvel rural de propriedade dos sócios pessoas físicas ao capital social da pessoa jurídica não implicou ganho de capital, pois isso se deu pelo valor histórico do bem; Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 740 10 Posteriormente, houve adequação do valor do imóvel rural ao preço de mercado que foi registrado contabilmente, conforme permitia o §2º do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996; O imóvel rural estava sendo reflorestado entre os anos de 2004 e 2005, motivando a diminuição das atividades de pecuária até cessar, o que explica o fato de não se ter auferido resultado nos anos de 2008 a 2010; Não havendo faturamento ou lucro da empresa, também não houve nas pessoas físicas dos sócios; A sociedade foi constituída visando à venda de madeira ou a sua transformação em cavaco, biomassa voltada para a indústria frigorífica da região, mas a área rural, em razão da parte reflorestada, tornouse atrativa, surgindo oportunidade de venda, o que motivou a mudança nos planos originais, considerando que o negócio era atraente; Não há irregularidade no fato de o endereço da sociedade ser o mesmo de um dos sócios, e isso até facilita a entrega de correspondência e também estabelece uma referência para a pessoa jurídica; A venda, diferentemente do que alega a fiscalização, não foi feita pelo valor ajustado na DITR, mas sim pelo valor de mercado, o qual foi informado em DIAT/2008 conforme determina a Lei nº 9.393, de 1996; O repasse dos valores recebidos pela venda do imóvel não foram repassados de forma imediata às pessoas físicas de seus sócios, mas conforme estes tiveram necessidade, o que foi feito em 04/03/2010, 13/10/2010 e 14/05/2012 por meio de legítimos contratos de mútuo, com recolhimento de IOF; Tudo isso mostra que não houve a alegada simulação, a qual não foi provada de forma concreta pela autoridade lançadora. Equivoco na data de recebimento de parcela Se eventualmente subsistir a exigência do crédito tributário, há que se corrigir a data do recebimento da parcela de R$ 100.000,00 ocorrido, efetivamente, em 28/05/2010 conforme informado corretamente pela autoridade lançadora no relatório fiscal, mas que na apuração do tributo devido considerouse 28/05/2009, o que implicaria uma incidência de juros maiores que o devido. Inexistência de variação patrimonial a descoberto O valor de construção declarado no anocalendário 2009 é superior ao ocorrido efetivamente, e tratouse de mera estimativa lançada quando da elaboração da declaração de ajuste anual; Foi emitido habitese em junho de 2009 antes do término da obra, que se deu em agosto de 2009, para permitir a obtenção de Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 741 11 financiamento junto à Caixa Econômica Federal, e essa emissão de habitese é permitida desde que preenchidos requisitos mínimos previstos na legislação; Se for considerar o valor de construção declarado, devese registrar que houve uma concentração de pagamentos em agosto e setembro de 2009, o que motivou a obtenção de empréstimo de R$ 100.000,00 em agosto de 2009 conforme contrato juntado à impugnação, além de comprovantes de saques bancários para fazer frente as dívidas de construção pagas em agosto de 2009; Assim, o valor da construção deve ser rateado entre os meses de janeiro até setembro de 2009, devendo ser considerado o valor de R$ 80.000,00 no mês de agosto de 2009 e o saldo remanescente nos meses de janeiro a setembro; Para comprovar o alegado, junta laudo técnico assinado pelo engenheiro responsável pela obra, bem como declaração do mestre de obra, ambos sinalizando conforme o alegado na impugnação; Houve uma incorreção da planilha da fiscalização, pois nesta consta devolução de empréstimo obtido de Thays Cristina Pertile de Anchieta em agosto de 2009, quando o correto seria R$ 50.000,00 em agosto de 2009 e o restante em dezembro de 2009, conforme declaração da referida credora; Apresenta nova planilha com as referidas modificações para comprovar a inexistência de variação patrimonial a descoberto. Multa qualificada Não se justificou o motivo da aplicação da multa de ofício de 150%, citando apenas os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, não sendo demonstrada e comprovada a conduta praticada pelo sujeito passivo, ou seja, a que ele tenha agido com consciência e vontade de praticar o fato descrito na norma; A mera alegação de insuficiência de recolhimento de tributos, principalmente quando o contribuinte apresenta as diversas declarações exigidas pelo Fisco além de manter escrita contábil regular, não é motivo para se aplicar a multa qualificada; A jurisprudência administrativa vai ao encontro desse entendimento. Impossibilidade de correção da multa de ofício Se persistir a exigência da multa de ofício, sobre esta não poderá incidir a Selic. Pedidos Ao final, pleiteouse: Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 742 12 nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa pela ausência de litisconsórcio envolvendo a empresa Inajá Agroflorestal Ltda; nulidade do lançamento em razão de ser vedado à autoridade administrativa efetuar a desconsideração de ato jurídico perfeito, por ausência previsão legal; nulidade do lançamento em razão de a autoridade administrativa não possuir competência para desconsideração da personalidade jurídica da empresa Inajá Agroflorestal Ltda; exonerar os créditos tributários fundados em suposto ganho de capital; exonerar os créditos tributários fundados em suposta variação patrimonial a descoberto; redução da multa de 150% para 75%; a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; a procedência total da impugnação.” Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em Campo Grande/MS julgou procedente em parte o lançamento (fls. 667/688). O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LITISCONSORTE NECESSÁRIO. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DE DEFESA. O lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física deve ser feito em nome desta, e não em nome de pessoas jurídicas, as quais não são sujeito passivo do referido tributo, motivo pelo qual não devem ser chamadas para compor a lide processual, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. SIMULAÇÃO. CARACTERÍSTICAS. A simulação resta caracterizada quando se constata divergência entre a exteriorização e a volição, isto é, quando são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente os que se praticam são outros. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 743 13 Compete à autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária na sua essência, não levando em conta negócios jurídicos simulados com o fim de ocultar a realidade dos fatos. IMÓVEL RURAL. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. OMISSÃO. Deve ser lançado de ofício o imposto de renda sobre omissão de ganho de capital decorrente da alienação de propriedade rural. VARIAÇÃO PATRIMONIAL DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Presumese a omissão de rendimentos decorrente da variação a patrimonial a descoberto apurada em fluxo de caixa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de fraude, sonegação e conluio, conforme prevê a lei. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. O crédito tributário abrange também a multa de ofício, motivo pelo qual sobre esta, uma vez não paga no vencimento, incidem juros de mora conforme determina a legislação tributária. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO. Deve ser revisado o lançamento para fins de correção do período correspondente ao fato gerador informado incorretamente em auto de infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Nas razões do voto proferido na ocasião, a autoridade julgadora rebateu os argumentos do RECORRENTE e findou por manter o lançamento do crédito exigido. Apenas julgou a impugnação procedente em parte para alterar a data do fato gerador do imposto lançado em decorrência da omissão de ganho de capital correspondente à parcela recebida de R$ 50.000,00 (metade referente a cada cônjuge) de 28/05/2009 para 28/05/2010, conforme especificado abaixo: Isto porque a DRJ verificou que, a despeito da autoridade fiscal ter informado corretamente no relatório fiscal o recebimento de R$ 100.000,00 em maio/2010 (fl. 477), considerou na apuração do imposto de renda que o mencionado valor foi recebido em 28/05/2009. E tal equívoco implicou na incidência de juros de mora por um ano a mais que o devido. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 744 14 O Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 25/06/2014, conforme AR de fl. 692, apresentou o recurso voluntário de fls. 694/721 em 25/07/2014. Em suas razões, praticamente reitera o alegado na Impugnação. Apenas acrescenta argumentos sobre a inaptidão do CNPJ da Inajá. Afirma que, quando da lavratura do auto de infração, a fiscalização lavrou representação para que fosse tornado inapto o CNPJ da empresa Inajá Agroflorestal Ltda., o que foi atendido pela Administração Tributária, conforme Ato Declaratório Executivo nº 02, de 29/01/2014 (fl. 723). No entanto, afirmou que, motivada pela premência de alienar imóvel urbano na cidade de Ponta Grossa/PR (de propriedade da empresa), solicitou a reativação do CNPJ e teve seu pleito atendido (fls. 725 e 727/728). Com isso, entendeu que a própria Receita Federal reconheceu que a empresa existe de fato e de direito, o que implica reconhecer que a pessoa jurídica é que deveria sofrer a presente autuação, e não seus sócios, pois quem de fato alienou o imóvel foi a pessoa jurídica. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Erro na Construção do Lançamento – Ganho de Capital Conforme relatado, a autoridade lançadora entendeu ter havido uma simulação quando da venda do imóvel rural (Fazenda Rancho Eldorado), pois entendeu que a pessoa jurídica Inajá Agroflorestal Ltda. foi constituída pelos proprietários do imóvel rural com o único objetivo de efetuar a venda do bem. Assim, o repasse do resultado da venda pela Inajá aos seus sócios, mediante empréstimos, aliado a uma série de outros fatos, revelaria o caráter simulado da operação, eis que, no entender da autoridade fiscal, os proprietários do imóvel ainda seriam as pessoas Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 745 15 físicas, e em desfavor destes é que deveria ser lavrado o auto de infração para apuração do ganho de capital. No entanto, não compartilho do mesmo entendimento da autoridade lançadora. É que, no caso concreto, não verifico no lançamento o motivo fundamental pelo qual uma simulação de venda do imóvel através da empresa beneficiaria os seus sócios pessoas físicas. Alguns dos motivos apresentados pela autoridade fiscal para fundamentar a sua conclusão de que a Inajá Agroflorestal Ltda. foi constituída com o propósito de não apurar ganho de capital com a venda do bem imóvel rural foram os seguintes: o fato de a empresa, constituída em agosto/2008, ter ficado até 2011 sem explorar a atividade para a qual foi criada (exploração de atividades agropastoris em geral, abrangendo a criação e manejo de gado bovino, equinos e tratos culturais); afirma que em setembro/2008 a empresa reajustou o valor do imóvel integralizado pelos sócios para o montante de R$ 2.800.000,00, conforme última declaração de ITR (diferença de R$ 2.320.000,00 para o valor original integralizado); a sede da empresa é o endereço residencial do Sr. Marcelo Pertile; o Sr. Jucelino dos Reis e Sr. Marcelo Pertile (cônjuge da RECORRENTE) já exerciam atividade rural com um terceiro sócio por meio de outra empresa; citou também o fato de a pessoa jurídica ter repassado os valores das vendas, em 2009 e 2010, aos seus sócios através de empréstimos. Assim, mediante os argumentos acima, a autoridade fiscal entendeu que “a venda da área foi feita mediante passagem pela titularidade de empresa, sem faturamento, cujos sócios são as pessoas físicas que originariamente eram os proprietários da terra”. Consequentemente, afirmou ter havido simulação na venda e apurou o ganho de capital em nome dos seus sócios. Contudo, a fundamentação do ato supostamente simulado não explica como a operação teria sido arquitetada pelos sócios para ocultar a ocorrência do fato gerador em nome deles. É preciso ter em mente que os fatos relatados pela fiscalização apontam indícios de que houve uma tentativa de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento do fato gerador do ganho de capital. Mas isso não significa que essa simulação teve como beneficiário os sócios pessoas físicas. Afinal, a empresa Inajá Agroflorestal Ltda. é dotada de personalidade jurídica própria, detentora de direitos e deveres. Portanto, ela pode (e deve) responder na esfera fiscal por suas operações. O ato simulado passível de investigação pelo Fisco foi, no meu entendimento, o reajuste de R$ 2.320.000,00 no valor do imóvel integralizado pelos sócios (passou de R$ 480.000,00 para o R$ 2.800.000,00). Contudo, este ato foi praticado pela própria pessoa jurídica. Ou seja, caso a autoridade fiscal constatasse que o ato foi tendente a ocultar a Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 746 16 ocorrência do fato gerador, poderia evidenciar tal conduta, desconstituir o ato de reajuste do valor do imóvel, e apurar o ganho de capital. No entanto, esse lançamento deveria ser apurado em nome da pessoa jurídica, e não em desfavor das pessoas físicas sócias da empresa, sob o pretexto de simulação. Ademais, entendo ser frágil a fundamentação do ato supostamente simulado. Ora, talvez o maior indício de simulação levantado pela fiscalização tenha sido o fato de a Inajá Agroflorestal Ltda. ter repassado aos seus sócios, mediante empréstimos em 2009 e 2010, os valores recebidos em decorrência da venda do bem imóvel. Contudo, para a premissa adotada pela fiscalização fosse válida, entendo que todo o valor da venda deveria, necessariamente, ser repassado aos sócios, o que não ocorreu no presente caso. Conforme relatado, os valores decorrentes da venda foram recebidos em 2009, 2010 e 2011, conforme discriminado a seguir (TVF – fls. 477/478): “(...) cronograma da quitação com R$ 628.000,00 recebidos em fevereiro/2009, R$ 172.000,00 em março/2009, R$ 100.000,00 em maio/2010, R$100.000,00 em junho/2010, R$ 100.000,00 em julho/2010, R$ 150.000,00 em agosto/2010, R$ 200.000,00 em outubro/2010, R$ 295.000,00 em dezembro/2010, R$ 55.000,00 em abril de 2011, R$ 400.000,00 em agosto de 2011 na forma de terreno conforme DOI (Decl. de Oper. Imob.) em que constam como alienantes a viúva e as filhas e R$ 600.000,00 em dezembro de 2011 através de diversos cheques, perfazendo o total de R$ 2.800.000,00.” Notase que a empresa recebeu boa parte do valor da venda (R$ 1.055.000,00) apenas em 2011, quando sequer foram repassados valores aos sócios a título de empréstimos. Dentre os valores recebidos em 2011, uma parte (R$ 400.000,00) foi paga através de terreno urbano situado em Ponta Grossa/PR (fls. 283/285), o qual permanece em nome da pessoa jurídica Aliás, em seu recurso voluntário, a RECORRENTE afirma que foi justamente a possibilidade de vender tal imóvel em Ponta Grossa/PR que motivou o pedido de reativação do CNPJ da Inajá Agroflorestal Ltda., o que foi atendido pela autoridade responsável, conforme documento de fls. 727/728. O documento de fl. 245 aponta que, no final do anocalendário 2011, a Inajá Agroflorestal Ltda. possuía pouco mais de R$ 900.000,00 em disponibilidades (bancos, caixa e aplicações). Esta quantia mais o valor representado pelo bem imóvel recebido como pagamento (R$ 400.000,00) resulta em quase metade do valo da venda da Fazenda Rancho Eldorado. Ou seja, ante as constatações acima, verificase que boa parte do valor recebido em decorrência da venda permaneceu com a pessoa jurídica Inajá Agroflorestal Ltda., sendo frágil a premissa adotada pela fiscalização (de que os empréstimos seriam repasse do valor da venda) para efetuar o lançamento em nome dos sócios. A simulação, aqui, pode ter residido no ato de repassar verbas tributáveis disfarçadas de empréstimos. Porém, o mútuo poderia ser descaracterizado para constatar, por exemplo, o recebimento de renda tributável pelas pessoas físicas ou o pagamento sem causa. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 747 17 Contudo, a fiscalização foi além e entendeu que os empréstimos representariam a transferência do valor da venda do imóvel, quando sequer houve o repasse do valor total da transação. Os pontos acima levantados expõem a fragilidade do lançamento, que se encontra envolvido mais em dúvidas do que certezas. Ora, é certo que o imóvel foi integralizado pelos sócios da Inajá Agroflorestal Ltda. quando da sua constituição, conforme cláusula quinta de seu contrato social (fls. 161/170): A referida incorporação foi devidamente anotada no registo do imóvel em 29/09/2008 (fl. 97) Também é certo que a venda do imóvel se deu em nome da pessoa jurídica como alienante, sendo os recursos transferidos diretamente a ela (seja em conta corrente de sua propriedade, ou através de transferência de bem imóvel para seu nome). Diante dessas certezas, questionase: por que pretender tributar a operação em desfavor dos sócios? Seria mais preciso e verossímil trabalhar com o fato de o imóvel ser de propriedade da pessoa jurídica. Neste sentido, caberia à autoridade fiscal desconstituir o ato de reajuste do valor do imóvel (pois realizada sem amparo legal) e apurar o ganho de capital em desfavor da pessoa jurídica. Ao invés disso, a autoridade fiscal preferiu percorrer caminho mais complexo ao pretender tratar a operação como ato simulado dos sócios e tributar o ganho de capital em nome deles, pessoas físicas. Contudo, a opção tomada pela autoridade necessitaria estar respaldada em provas mais robustas, o que não ocorreu no presente caso, conforme acima exposto. Repitase: o lançamento não explica o motivo fundamental pelo qual a venda do imóvel através da empresa traria benefícios a seus sócios pessoas físicas. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 748 18 Suponhamos, hipoteticamente, que a operação de venda do bem imóvel tivesse isenção/redução de ganho de capital caso fosse efetuada através daquela pessoa jurídica específica. Este, então, seria o motivo ensejador da simulação. Mas não. A alienação, mesmo realizada pela pessoa jurídica, era passível de apuração do ganho de capital tributável. Neste sentido, o correto era apurar o ganho de capital em nome da empresa Inajá Agroflorestal Ltda., pois esta era a real proprietária do bem imóvel alienado. Verifico que a falha relativa à eleição do sujeito passivo, no meu entender, macula o lançamento do crédito tributário. Ora, os documentos acostados aos autos convergem para o entendimento de que a Inajá Agroflorestal Ltda. era a proprietária do bem imóvel alienado. Neste caso, s.m.j., deveria a autoridade fiscal apurar o ganho de capital obtido pela empresa, e não em nome dos sócios da mesma (Sr. Jucelino dos Reis e a RECORRENTE – com reflexos em seu cônjuge, Sr. Sr. Marcelo Pertile). Assim, entendo que ocorreu erro na construção do lançamento, eivandoo de vicio, razão pela qual deve ser cancelado o auto de infração relativo a omissão de ganho de capital. Observese que, segundo o art. 142 do CTN, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação e a correta identificação do sujeito passivo são, entre outros, elementos essenciais e intrínsecos do lançamento: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” No caso concreto, o erro na indicação do sujeito passivo torna o lançamento ineficaz. Conforme acima exposto, caberia à autoridade fiscal ter apurado o ganho de capital auferido pela Inajá Agroflorestal Ltda., haja vista que o imóvel objeto de alienação era, para todos os efeitos, de sua propriedade, tanto que a empresa foi quem recebeu os valores e bens decorrentes da operação de venda do bem. Está, portanto, eivado de vício material o lançamento do imposto de renda sobre o ganho de capital, devendo o mesmo ser extinto por ofensa ao art. 142 do CTN. Tendo em vista o cancelamento da infração relativa ao ganho de capital, deixo de analisar as razões de defesa sobre a aplicação da multa qualificada, pois esta englobou somente o lançamento decorrente do ganho de capital. MÉRITO Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto A fiscalização elaborou a planilha de fl. 456 considerando todas as origens e aplicações da RECORRENTE e de seu cônjuge (Sr. Marcelo Pertile) e constatou que houve acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2009. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 749 19 A RECORRENTE contesta variação a descoberto apontada pela fiscalização e acosta aos autos outra planilha (elaborada por ela – fl. 663) que difere em apenas dois parâmetros da planilha elaborada pela fiscalização, ambos relativos a despesas (aplicações): Construção da casa no condomínio Vinícius de Morais, no valor de R$ 224.084,50: enquanto a autoridade fiscal distribuiu o valor de forma equivalente nos meses de janeiro a junho (R$ 37.347,42/mês), a RECORRENTE rateou o mesmo valor nos meses de janeiro a setembro (R$ 18.010,56/mês), exceto em agosto, quando apurou despesa de R$ 80.000,00; Devolução do empréstimo de R$ 100.000,00 a Thays/Aldrei: enquanto a fiscalização computou que o pagamento do empréstimo ocorreu integralmente em agosto, a RECORRENTE informa que o valor foi pago em duas parcelas de R$ 50.000,00, sendo uma no mês de agosto e outra em dezembro. Em princípio, verifico que a questão envolvendo o pagamento de empréstimo de R$ 100.000,00, que a RECORRENTE reporta ter ocorrido por meio de duas parcelas (uma em agosto e outra em dezembro), em nada influencia na apuração da variação a descoberto. É que a presunção da omissão de rendimentos ocorreu nos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2009. Sendo assim, eventuais alterações nas despesas relativas a meses posteriores à ocorrência dos fatos não têm o poder de alterar a varação a descoberto detectada. Portanto, mesmo que se acate o argumento da RECORRENTE, de que o empréstimo foi pago em duas parcelas de R$ 50.000,00, uma em agosto e outra em dezembro, tal fato não altera a variação a descoberto nos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2009. No que diz respeito ao pagamento do valor de R$ 224.084,50 para a construção da casa no condomínio Vinícius de Morais, a RECORRENTE afirma que o valor de construção declarado no anocalendário 2009 “é superior ao efetivo, tratandose de mera estimativa lançada quando da elaboração da declaração de ajuste anual”. Assim, mesmo que se considere o valor de construção declarado, afirmou que a obra se estendeu até setembro/2009 (e não até junho, como entendeu a fiscalização) e que houve uma concentração de gastos no mês de agosto. Na tentativa de comprovar suas alegações, acosta cópia de contrato de empréstimo de R$ 100.000,00 adquirido no mês de agosto (fls. 330/331) além de comprovantes de saques, da ordem de R$ 45.000,00 cada, realizados em 17 e 18 de agosto (fl. 639). Com isso, conforme já exposto, entendeu que deveria ser considerado como despesa da construção o valor de R$ 80.000,00 no mês de agosto de 2009 e o saldo remanescente (R$ 144.084,50) rateado nos meses de janeiro a setembro (R$ 18.010,56/mês). Contudo, a documentação apresentada pela RECORRENTE não é suficiente para comprovar que os dispêndios com a obra em agosto foram da ordem de R$ 80.000,00, bem superiores aos outros meses. O remanejamento de valor na planilha de despesas somente pode ser acatado mediante a apresentação de documentos que comprovem a efetiva realização da despesa em determinado período. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 750 20 O contrato de empréstimo e os saques de quantias vultuosas no mês de agosto não significam, necessariamente, que todo o valor foi utilizado na construção da casa. Seria necessário a RECORRENTE apresentar recibos, notas fiscais de compras/serviços, etc. demonstrando que despendeu tal quantia naquele mês de agosto. Portanto, em razão da não comprovação de que houve uma concentração maior de despesas em determinado mês, o procedimento correto é o rateio da despesa de forma equivalente nos meses em que houve a obra, conforme adotado pela fiscalização. Neste ponto, esclareço que, mesmo tendo autoridade fiscal apurado o custo da obra de construção civil segundo índice do SINDUSCOM, tal valor não foi considerado na planilha de fluxo de caixa para apuração do APD. Notase que a fiscalização optou por utilizar o valor declarado pela RECORRENTE como custo da construção, e rateálo entre os meses de janeiro a junho, quando foi concluída a obra, conforme protocolo do Certificado de Conclusão de Obra – COO (fl. 447). Neste sentido, o laudo técnico fornecido pelo RECORRENTE, indicando que o padrão da construção é de nível médio, não tem o condão de alterar o lançamento (fls. 641/659). No que diz respeito ao momento de término da obra, a RECORRENTE argumenta que o “habitese” foi emitido antes do término da obra (em junho de 2009), o que é permitido segundo o art. 18, § 2º, da Lei do Município de Cascavel/PR nº 2.582/96, desde que preenchidos requisitos mínimos previstos na legislação. Alegou que, naquela oportunidade, “a obra carecia ainda de rebocos externos, parte de pintura, parte das calçadas e acabamentos”, inclusive seria o entendimento da vigilância sanitária do município de Cascavel/PR para a concessão do “habitese”. Desta forma, entendeu que os valores lançados como dispêndios com a construção devem ser recalculados estendendo o rateio até o mês de setembro/2009. Ocorre que, conforme exposto, a RECORRENTE não apresenta qualquer documento que corrobore suas alegações. O único documento idôneo nos autos que indica com certa margem de segurança quando a obra foi concluída é o Certificado de Conclusão de Obra – COO (fl. 447), o qual indica a data de 09/06/2009. Para fazer valer suas alegações de que teve dispêndios ainda nos meses de agosto e setembro, deveria acostar aos autos comprovação idônea de suas alegações, como recibos, notas fiscais de compras/serviços, etc. tudo a fim de demonstrar que efetuou despesas após o mês de junho (data do Certificado de Conclusão de Obra). Sem essa comprovação, entendo que não merece reparos o demonstrativo mensal de evolução patrimonial, referente ao anocalendário 2009, elaborado pela fiscalização à fl. 456 para verificação do APD. É que a fiscalização, munida de documentos relativos às origens e aplicações da RECORRENTE e de seu cônjuge, montou a já mencionada planilha de fluxo financeiro de fl. 456, contabilizando, mês a mês, todos os recursos/origens verificados e todos os dispêndios/aplicações comprovados. Deste modo, foi verificado acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de fevereiro (R$ 14.967,45), março (R$ 18.255,22), maio (R$ 14.426,55) e junho (R$ 20.785,40), Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 751 21 tendo sido lavrado o imposto de renda sobre os respectivos valores, sujeito à tabela progressiva anual. A RECORRENTE, em nenhum momento de sua defesa, apresenta comprovação de recebimento de quaisquer rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, como forma de comprovar recebimento de recursos/origens que pudessem justificar o acréscimo patrimonial identificado nos meses de fevereiro a junho. Considerando os sinais exteriores de riqueza, a autoridade realizou o lançamento com base no art. 55, XIII, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Art.55. São também tributáveis: XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; O entendimento firme deste CARF é no sentido de que o lançamento de imposto de renda com base na presunção de omissão de rendimentos, com base no acréscimo patrimonial a descoberto, é possível quando a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Recurso negado. (processo nº 11543.000484/200165; 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 14/05/2014) Em sua defesa, poderia ter apresentado comprovação de que percebeu outros rendimentos durante o anocalendário 2009, ou ainda demonstrar que houve custo com a construção da casa além do mês de junho, quando foi expedido o Certificado de Conclusão de Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 752 22 Obra. Contudo, apenas se limitou a alegar que concentrou a maior parte dos gastos com a obra no mês de agosto e que houve custo também no mês de setembro, sem fazer provas de suas alegações. Portanto, entendo que deve ser mantido o lançamento do imposto de renda relativo ao APD apurado. Juros sobre multa de ofício A RECORRENTE insurgese também contra a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Alega, em suma, que não há na legislação previsão de juros sobre a multa, mas apenas sobre o valor do imposto devido. No entanto, a despeito dos argumentos da RECORRENTE, entendo que a multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal e, consequentemente, o crédito tributário. Neste sentido, os arts. 113, §1º, e 139 da CLT dispõem o seguinte: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Ou seja, apesar de não ser tributo (art. 3º do CTN), a penalidade pecuniária possui natureza de obrigação tributária principal. E, da leitura dos dispositivos acima, verifica se que a penalidade pecuniária faz parte do crédito tributário estando, pois, sujeita às regras que estabelecem a cobrança de juros de mora sobre os créditos tributários. Neste sentido, transcrevo o art. 161 do CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Portanto, entendo que o crédito tributário referente à penalidade pecuniária (multa de ofício) não paga no respectivo vencimento está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic. Neste sentido é a jurisprudência das três turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, conforme abaixo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 753 23 Anocalendário: 2007 (...) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180; 1ª Turma da CSRF; sessão de 19/01/2016) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2009 (...) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821; 2ª Turma da CSRF; sessão de 08/03/2016) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 02/01/1998 a 30/12/1999 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385; 3ª Turma da CSRF; sessão de 26/01/2016). Portanto, não merecem prevalecer as alegações da RECORRENTE acerca da suposta ausência de previsão legal para a cobrança de juros sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10935.724419/201396 Acórdão n.º 2201004.115 S2C2T1 Fl. 754 24 Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a infração decorrente do ganho de capital, por erro na identificação do sujeito passivo, devendo ser mantido o lançamento do crédito tributário decorrente do APD. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 754DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902496/2012-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material.
Numero da decisão: 3001-000.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10073.902496/2012-08
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830032
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.157
nome_arquivo_s : Decisao_10073902496201208.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RENATO VIEIRA DE AVILA
nome_arquivo_pdf_s : 10073902496201208_5830032.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
dt_sessao_tdt : Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7120508
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010660110336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1239; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 161 1 160 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902496/201208 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.157 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2018 Matéria COFINS PAGAMENTO Recorrente AGUAS DAS AGULHAS NEGRAS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 24 96 /2 01 2- 08 Fl. 161DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório 040146437 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 21939.02064.290311.1.1.3.042204, o direito à compensação ficou limitado ao valor do crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP. De acordo com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por esta razão, não se homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Foi arguido, pela recorrente, que foi apurado débito relativo a COFINS no período de janeiro de 2011, tendo sido quitado. Após revisar as bases de cálculo, concluiu valor pago a maior em janeiro de 2011. DACON e DCTF A informação consta da DACON e DCTF retificadora. passando, desde então, a constar o valor correto. Em decorrência deste pagamento a maior, realizou compensação com débito de CSL relativo ao mês de fevereiro de 2011. Verdade Material Pugnou pela aplicação do princípio da verdade material, tendo em vista que ocorrera, tão somente, pagamento a maior. DRJ/BSB. A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0366.400 4ª Turma ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAISDCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10073.902496/201208 Acórdão n.º 3001000.157 S3C0T1 Fl. 162 3 escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp nº 23828.05083.300905.1.3.042331, transmitida eletronicamente em 30/09/2005, com base em suposto crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, oriundo de pagamento indevido ou a maior, A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor do principal de R$ 47510,52. Em 18/02/2009 foi emitido Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificado dessa decisão, bem como da cobrança dos débitos confessados na DCOMP, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, acrescida de documentação anexa, onde alega, em síntese, que o crédito pleiteado é proveniente de pagamento a maior de Cofins, período de apuração 29/02/2004. Enfatiza que teria direito ao crédito pleiteado conforme DCTF retificadora apresentada para o período. Assim, entendendo demonstrados os fundamentos que asseguram o direito do seu pleito, requer a reconsideração do despacho decisório, a fim de determinar a homologação da compensação efetuada pela empresa. Fl. 163DF CARF MF 4 No caso em concreto, a manifestante não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Diante do exposto e tudo mais que consta dos autos, VOTO no sentido da improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário A recorrente realizou breve relato dos autos, alegando, em preliminar, a inexistência de intimação para comprovação da regularidade do crédito. Apontando a observância da norma de execução CODAC/COSIT/CACAJ/COTEC n.º 6/2007. No mérito, apontou para os valores apurados em balancete como meios de comprovar a plena existência do crédito decorrente do pagamento a maior. Repisa o argumento de a DACON e a escrituração contábil refletirem o valor constante na DCTF retificadora. Em sua linha, afirma não haver falta de documentação hábil e idônea a comprovar seu crédito, vez que acostou a DACON e o Balancete. Pugna pela aplicação da verdade material como substrato para aceitação dos documentos comprobatórios de seu pagamento a maior, citando decisões deste Outro linha trazida nas palavras de defesa, foi a ocorrência de divergencia no fundamento da decisão, ofendendo o artigo 146 do CTN. Isto porque, em primeiro momento, o fundamento fora que o DARF do pagamento estaria vinculado ao débito declarado. Após, a DRJ teria alterado o fundamento do indeferimento para a ausência de provas em razão da insuficiência de documentos constantes nos autos. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário cujo conteúdo requer o reconhecimento de crédito levado a compensação em Dcomp. A fim de tornar didático a exposição, colacionase trechos do acórdão do eminente Conselheiro Cássio Schappo, que, por bem delimitar o tema, merece ser transcrito na íntegra: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10073.902496/201208 Acórdão n.º 3001000.157 S3C0T1 Fl. 163 5 Discordando do Despacho Decisório que foi desfavorável ao seu pedido, aborda o fato de ter transmitido DCTF retificadora referente ao período do 1º Semestre de 2007 na data de 13/08/2009 e que esta declaração não foi levada em consideração na análise de seu pleito. A DRJ/BHE (2ª Turma) negou provimento a Manifestação de Inconformidade pela ausência de comprovação da origem do crédito e pela divergência entre os valores informados no DACON e na DCTF, o que afasta a certeza do crédito e resulta em razão suficiente para o indeferimento da compensação requerida. A questão se apresenta sob dois enfoques, o primeiro, conforme apresentado pela recorrente diz respeito a existência de uma DCTF retificadora transmitida em data anterior à PER/DCOMP, que no seu entendimento atesta a existência de crédito da COFINS pelo pagamento a maior/indevido da competência 30/06/2007 e que sequer foi levada em consideração quando da emissão do Despacho Decisório; o segundo, passado pela DRJ/BHE de que haveria divergência de valores declarados entre a DACON e a DCTF. Cabe esclarecer que a divergência apontada pelo julgador singular só passou a existir com a recepção pelo fisco da DCTF retificadora, quando comparados a DACON original com a DCTF retificadora. A 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, já firmou entendimento ao confirmar decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, de “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. De outro norte vem o acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, nº 3201003.071 da Sessão de 27/07/2017, Processo 19740.900036/200904, da lavra do Conselheiro Relator Paulo Roberto Duarte Moreira, cujas razões de decidir passo a adotar para fundamentar o presente voto: Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, Fl. 165DF CARF MF 6 questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10073.902496/201208 Acórdão n.º 3001000.157 S3C0T1 Fl. 164 7 Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado e a cobrança já tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Quanto ao pedido da recorrente de não declarar a nulidade na hipótese do mérito lhe ser favorável, entendo não ser a melhor solução à lide. Isto porque possível enfrentamento do mérito pela Turma somente se efetivaria diante de elementos carreados aos autos que permitissem decidir o direito, e tais elementos não prescindiriam de diligência à unidade de origem, providência que julgo menos eficiente que novo despacho decisório. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: " Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitiremse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Nesse sentido, decisão do STJ: Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de Fl. 167DF CARF MF 8 grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rei. Min. limar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/LexVol. 195, pág. 135) Diante do exposto, alinhado aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o despacho decisório por vício material. No caso transcrito, diversamente do presente, o débito que estava declarado em DCTF perfazia o valor de R$ 379.120,32, tendo, contudo, recolhido a quantia de R$401.008,74. O erro, portanto, ocorrera apenas no recolhimento, merecendo ser acolhido o pleito do contribuinte. Ainda foi relatado, em sede de recurso voluntário que, ao tomar ciência do despacho decisório, teria retificado a DCTF. Ainda, em face dos argumentos de ausência dependente provas de seu crédito, juntou cópias de seu livro razão, notas fiscais e comprovantes de arrecadação, sendo mister, por fim, ressaltar que em sua DIPJ constava o lançamento do valor pretendido como crédito. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000840/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001
Ementa:
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria.
PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA.
Aplica-se à cooperativa de crédito a legislação da contribuição ao PIS e COFINS relativa às instituições financeiras, sendo irrelevante a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos.
Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido.
Numero da decisão: 3402-004.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta do Relator de sobrestar o feito em face do RE 609.096. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Relator, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor, neste ponto, o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; por unanimidade de votos, em não conhecer de parte das questões meritórias, nos termos do voto do Relator; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento em razão da diferença do tratamento tributário da cooperativa de crédito
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 Ementa: INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria. PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. Aplica-se à cooperativa de crédito a legislação da contribuição ao PIS e COFINS relativa às instituições financeiras, sendo irrelevante a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos. Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.000840/2003-81
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840370
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.942
nome_arquivo_s : Decisao_16327000840200381.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 16327000840200381_5840370.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta do Relator de sobrestar o feito em face do RE 609.096. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Relator, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor, neste ponto, o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; por unanimidade de votos, em não conhecer de parte das questões meritórias, nos termos do voto do Relator; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento em razão da diferença do tratamento tributário da cooperativa de crédito (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7166560
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010670596096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.516 1 1.515 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000840/200381 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.942 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2018 Matéria PIS Recorrente Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Médicos de Taubaté Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 Ementa: INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria. PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. Aplicase à cooperativa de crédito a legislação da contribuição ao PIS e COFINS relativa às instituições financeiras, sendo irrelevante a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos. Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta do Relator de sobrestar o feito em face do RE 609.096. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Relator, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor, neste ponto, o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; por unanimidade de votos, em não conhecer de parte das questões meritórias, nos termos do voto do Relator; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento em razão da diferença do tratamento tributário da cooperativa de crédito (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 40 /2 00 3- 81 Fl. 1694DF CARF MF 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de auto de infração lavrado contra a recorrente para fins de exigência de PIS/PASEP para o período compreendido entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2001. Por bem retratar o caso em tela, emprego aqui o relatório formulado no bojo da resolução n. 3402000.603 (fls. 1.425/1.429), o que passo a fazer nos seguintes termos: Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: 1. Tratase de exigência de Contribuição ao PIS (R$ 66.536,07, aí incluídos, juros de mora e multa de oficio ao patamar de 75%). 2. Relata a fiscalização que o contribuinte não apuraria, nem muito menos recolheria qualquer importância a titulo de Contribuição ao PIS. 3. Ciência em 13/03/2003 (fl. 81), impugnação em 10/04/2003 (fls. 88/106). Argumentos: 3.1. Que estaria sujeita à Contribuição ao PIS calculada sobre sua folha de salários, forte na ausência de finalidade lucrativa, atributo próprio às cooperativas, bem como em consideração ao ditado pelo art. 2°, inciso II e § 1°, da Lei no 9.715/98, e à circunstância de apenas praticar atos cooperativos. Tudo, enfim, efetivando o propalado "adequado tratamento tributário ao ato cooperativo", conforme disposição constitucional. 3.2. Predica de confiscatória a multa de oficio imposta. 3.3. O cômputo dos juros segundo a variação da taxa Selic seria inconstitucional. 3.4. Enfim, pugna pela produção de prova pericial. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0514886, de 18 de outubro de 2006, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 16327.000840/200381 Acórdão n.º 3402004.942 S3C4T2 Fl. 1.517 3 Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 Ementa: COOPERATIVAS. MERCADO FINANCEIRO. ATO NÃO COOPERATIVO. As instituições que dão corpo ao mercado financeiro, à evidência, não figuram como associados em cooperativa. Logo, os negócios jurídicos aí havidos entre uma dada cooperativa e referido mercado financeiro só pode se caracterizar como negócio não cooperativo, donde a possibilidade de incidência tributária. Inconformado com a decisão proferida, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que: 1) A presente autuação não pode subsistir, mormente porque desconsidera a natureza jurídicosocietáriaeconômica na qual se reveste a Recorrente, instituiçãofinanceira não bancária sob o formato societário de cooperativa de crédito. De fato, o lançamento impugnado se fulcrou em base legal cujas referencias são as sociedades de natureza bancária, de cunho nitidamente mercantil, e que divergem em tudo e por tudo da realidade da Recorrente. Ademais, atingiu os atos cooperativos da Recorrente, atos esses que não se caracterizam como receita da entidade, mas sim dos cooperados; 2) Em verdade a Fiscalização fez incidir PIS sobre a receita bruta supostamente auferida pela Recorrente, desconsiderando a prática de atos cooperativos que abrangem a captação de recursos de cooperados, empréstimos a cooperados e aplicações financeiras desses recursos (na cooperativa central e no mercado) que como tais estão à margem da incidência tributária na cooperativa (vide Lei n. 5.764/71, art. 79, parágrafo único); 3) Independentemente da questão da descaracterização da natureza de cooperativa da Recorrente, como se viu no tópico precedente, há ainda que se destacar que a Fiscalização desconsiderou a anterioridade nonagesimal a que está submetido o PIS, e tal qual prevê o art. 195, § 6° da Constituição Federal de 1988, que posterga a exigibilidade das Contribuições Sociais ao interregno de 90 (noventa) dias contados da publicação da lei que as instituiu; 4) Independentemente das questões tratadas nos tópicos precedentes, e em se considerando procedente o presente lançamento fiscal, o que só se admite por amor ao debate, ainda assim rega perquerir acerca da possibilidade de dedução das sobras da Recorrente na base tributável do PIS, prevista em lei. na hipótese, de cooperativa de crédito. Como se sabe, se trata, na hipótese, de cooperativa de crédito. Seu ato cooperativo restou bem aclarado em tópicos anteriores, revelandose, claramente, que as sobras, nesta particular espécie cooperativa, nada mais representam do que os valores restantes após cobertos todos os custos com a atividade societária da Recorrente, voltada a atender as necessidades dos cooperados. A Fl. 1696DF CARF MF 4 previsão de exclusão das sobras na base de cálculo do PIS se perfaz pela própria natureza jurídica das sobras, que denotam não um acréscimo patrimonial à cooperativa, como se viu, mas mero reembolso aos cooperados das despesas incorridas na prestação de serviços, pois decorrem necessariamente dos valores pagos a maior pelos cooperados à cooperativa, para fins de custear as despesas administrativas da sociedade. a) preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do lançamento fiscal, tendo em vista que o Auto Fiscal sub examen embasouse fundamentalmente na descaracterização da Recorrente como sociedade cooperativa, tributandolhe a totalidade de suas operações (atos cooperativos e não cooperativos), sem apartálos, pedido que se ampara na jurisprudência que neste Conselho de Contribuintes há muito vem se solidificando; b) ainda em preliminar, e subsidiariamente ao pedido precedente, requerse sejam excluídos do Auto de Infração combatido os valores referentes ao PIS relativo às competências de fevereiro a outubro/1999 eis que conforme o Ato Declaratório n° 88 (DJU 22/11/1999) c/c com o principio constitucional da anterioridade nonagesimal, tal exigência darseia apenas a partir de novembro de 1999; c) no mérito, com fulcro nas razões de fato e de direito elencadas, que se julgue procedente o presente recurso fiscal, anulandose integralmente o Auto de Infração guerreado, originário do presente processo, tendo em vista a não incidência de PIS sobre os atos cooperativos da Recorrente, na extensão em que aqui postulado, ou seja, incluídas captação de recursos de cooperados, empréstimos a cooperados e aplicações financeiras (na central e no mercado), consoante regência da legislação especifica Lei n. 5.764/71 eis que cooperativa, na prática de atos cooperativos, não aufere receita (a receita é do cooperado), falecendolhe a base de cálculo do tributo em exame; d) subsidiariamente, requerse a exclusão do Auto de Infração combatido, dos valores referentes (a) às deduções permitidas pela Lei n. 9.718/98 (art. 3°, § 6°, com redação dada pela MP nº 2.15835/2001) na base de cálculo do PIS, decotandose os valores que não configurem receita propriamente dita da Recorrente, haja vista o caráter interpretativo e, portanto, retroativo da norma; (b) às sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, nos termos da Lei 10.676/03. 2. Uma vez processado o recurso voluntário interposto pelo Recorrente, a então turma julgadora, por intermédio da resolução já citada, resolveu sobrestar o julgamento do presente caso, o que fez nos seguintes termos: (...). Uma das matérias discutidas nos autos diz respeito a base de cálculo do PIS para as sociedades financeiras e a elas equiparadas. Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 16327.000840/200381 Acórdão n.º 3402004.942 S3C4T2 Fl. 1.518 5 Essa matéria encontrase com Repercussão geral reconhecida em 04/02/2011 no RE nº 609096, de relatoria do Ministro a Ministra Ricardo Lewandowski, o que impõe o sobrestamento do julgamento do recurso nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do CARF que expressamente determina que: (...) Isto posto, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente recurso, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do CARF até que seja proferida decisão definitiva pela Suprema Corte. (...). 3. Não obstante, com a supressão da aludida norma regimental, o presente caso foi a mim distribuído. 4. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. Em suma, uma das questões aqui debatidas é exatamente aquela pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal e retratada em recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida (RE n. 609.096). A citada repercussão geral está retratada pela ementa abaixo transcrita: EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (STF; RE 609096 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 03/03/2011, DJe080 DIVULG 29042011 PUBLIC 02052011 EMENT VOL0251201 PP 00128). 6. Tecidas tais considerações, insta desde já destacar que, ao meu ver, o presente caso pode ser albergado por duas decisões possíveis, porém excludentes entre si, as quais serão devidamente detalhadas a seguir. I. Da aplicação subsidiária do CPC/2015 e o sobrestamento do feito 7. A primeira decisão possível para o presente caso é a de sobrestar seu julgamento até que haja decisão definitiva do RE n. 609.096, haja vista o caráter vinculante do precedente que se formará em tal julgamento. 8. Para se chegar a tal conclusão, convém registrar que não é de hoje que o legislador nacional, sob o pretexto de buscar uma pretensa aproximação de um distante modelo Fl. 1698DF CARF MF 6 de Common Law, tem criado inúmeros dispositivos legislativos no sentido de prestigiar a figura do precedente, em especial quando tal precedente é vinculado por um Tribunal Superior. Daí, e.g., a criação da repercussão geral, por intermédio da Emenda Constitucional n. 45/04. 9. Referida valorização – ainda que aparente – de um modelo de stare decisis é renovada com o advento do CPC/2015, em especial com o disposto no seu art. 9261, norma que oferece importantes vetores para a busca de uma verdadeira valorização dos precedentes. Não obstante, o art. 927 do citado Codex2 densifica tais valores, na medida em que prescreve os tipos formais de decisão aptos a veicular um precedente de caráter vinculante. 10. Logo, o que se observa é que o reconhecimento quanto à repercussão geral do RE nº 609.096 já denota que o advento do precedente a ser formado apresentará um caráter transubjetivo e vinculante, o que obrigará que a ratio decidendi daí extraída seja seguida pelos demais órgãos judiciais e também pela Administração Pública, exatamente como prevê o caput do citado art. 927 do CPC. Buscase, com isso, salvaguardar a unidade material das decisões de caráter judicativo e, consequentemente, o tratamento igualitário entre jurisdicionados que se encontrem em situações análogas e, por fim, uma segurança jurídica de índole substancial. 11. Aliás, é exatamente em razão de tais valores que o CPC/2015 prescreve que, na hipótese de recurso extraordinário afetado por repercussão geral, todos os demais processos (sem distinção entre processos administrativos e judiciais) deverão ser sobrestados, até que haja decisão no chamado leading case. É o que prevê o art. 1.035, §5° do CPC3. 12. A questão, todavia, que deve ser aqui debatida é se tal dispositivo deve ou não ser convocado no âmbito dos processos administrativos tributários. Para tanto, insta analisar o que dispõe o art. 15 do CPC4. Segundo referido dispositivo, as disposições do CPC devem ser aplicadas de forma supletiva e subsidiária, ou seja, atribuemse às normas do CPC, respectivamente, uma função normativosubstitutiva e também uma função normativo integrativa. 13. Para a questão aqui analisada, o que interessa é o caráter subsidiário do CPC/2015 e, consequentemente, sua função normativointegrativa, que pode ser vista por duas perspectivas. 14. A primeira delas com base na embolorada ideia de que o direito se perfaz pelo intermédio exclusivo da lei, calcada, pois, na concepção de um divinal legislador que não deixa comportamentos sociais sem prescrições normativas e que, quando isso eventualmente 1 “Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente.” 2 “Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados.” 3 “Art. 1.035. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário quando a questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo. (...). § 5o Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional.” 4 “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.” Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 16327.000840/200381 Acórdão n.º 3402004.942 S3C4T2 Fl. 1.519 7 ocorre, o próprio direito legislado cria mecanismos no sentido suplantar tais buracos, o que se dá por intermédio de institutos como a analogia, os princípios gerais do direito e a equidade. Aí então a função integrativa clássica do CPC/2015 em face de uma lacuna legislativa referente ao processo administrativo tributário. 15. Todavia, uma visão mais moderna deste caráter subsidiário da lei parte do pressuposto de que tal norma integrativa deverá ser convocada de modo a potencializar os valores que lhes são próprios, bem como os valores do próprio Direito enquanto método de resolução, com justiça, de problemas de convivência humana. Nesse sentido, quando se fala no caráter subsidiário do CPC, sua convocação no processo administrativo, inclusive o tributário, deve ser no sentido de potencializar os princípios constitucionais do processo civil, dentre os quais destacamse os seguintes vetores: integridade, unidade e coerência das decisões de caráter judicativo, de modo a também tutelar, reflexamente, igualdade de tratamento a jurisdicionados em situações análogas e, por fim, segurança jurídica, aqui tratada como uma segurança jurídica de índole material5. 16. Assim, com base em tais premissas, na hipótese de recurso extraordinário afetado por repercussão geral, o sobrestamento prescrito no já citado art. 1.035, §5° do CPC, também deve se estender aos processos administrativos de caráter tributário, pois, dessa forma, estarseá prestigiando os sobreditos valores jurídicos, tão importantes para o Direito. 17. Não obstante, mesmo que se empregue a função integrativa de uma norma subsidiária em um sentido clássico, ainda sim a solução aqui proposta (sobrestamento do processo administrativo tributário) seria a resposta mais adequada para o caso em tela. E isso porque, ao se analisar as disposições legais que tratam do processo administrativo tributário (Decreto n. 70.235 e lei n. 9.784/99), é impossível encontrar qualquer prescrição normativa que trate do problema aqui enfrentado, qual seja, o que fazer com processo administrativo que apresente recurso com causa de pedir autônoma e cujo teor está pendente de julgamento no âmbito judicial, em sede de processo com caráter transindividual. Não havendo disposições legais nas leis que tratam o processo administrativo tributário, deve ser aplicado de forma subsidiária o CPC. 18. O RICARF, por sua vez, não apresenta solução para essa questão, uma vez que a hipótese aqui tratada (sobrestamento de casos afetados por repercussão geral no STF) foi suprimida do atual Regimento Interno deste Tribunal, caracterizando a lacuna normativa. Nem se alegue que essa supressão geraria um pretenso "sentido" jurídico, uma vez que denotaria a pseuda intenção deste ato normativo regimental em propositadamente evitar o sobrestamento aqui debatido. Não é crível imaginar que a omissão do veiculador do RICARF seja capaz de, positivamente, criar norma jurídica e, o que é pior, criar uma suposta norma que gritantemente conflita com os valores de igualdade e segurança jurídica que devem conformar toda e qualquer decisão de caráter judicativo. 19. Ademais, também não há que se falar que o disposto no art. 62, §§ 1º e 2º do RICARF6 resolveria essa questão. Primeiramente pela falta de subsunção, já que o citado 5 A segurança jurídica aqui defendida não quer redundar apenas em uma segurança através do direito, quer dizer, a garantia de uma planificação prévia de ações, mas deve efetivamente ser caracterizada como a segurança do direito, ou seja, como algo que suscite a manutenção dos "vectores irredutíveis da normatividade jurídica". (BRONZE, Fernando C. P. "As margens e o rio (da retórica à metodonomologia)". "in" Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra vol. LXXIII. out 1998. pp. 112113.). 6 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1700DF CARF MF 8 dispostivo fala de vinculação deste Tribunal na hipótese de decisão já proferida pelo STF ou pelo STJ, o que não é o caso dos autos. Não obstante, ainda que fosse possível convocar analogamente tais dispositivos, o que se cogita aqui apenas de forma hipotética, ainda sim restaria impossível o afastamento do art. 15 do CPC no caso em concreto. E isso porque um regimento interno, passível de veiculação autocrática ou antimajoritária por parte de um circunstancial Presidente de um Tribunal Administrativo ou Ministro da Fazenda não pode se sobrepor ao que estabelece uma legislação federal fruto de longo e exaustivo debate democrático promovido no âmbito das casas do Congresso Nacional, sob pena de, em última ratio, simplesmente esvaziar o art. 15 do CPC de qualquer conteúdo, ou seja, indevidamente admitir que mero regimento interno, regularmente veiculado por simples portaria ministerial, tenha a aptidão de revogar lei federal. Até porque, em última análise, diposição regimental não tem aptidão para tratar de norma processual, matéria afeta exclusivamente à lei federal, exatamente como prescreve o art. 22, inciso I da Magna Lex7. 20. Em perfeita sintonia com as assertivas até então desenvolvidas, em 23/02/2017, caso em tudo análogo ao presente foi decidido no sentido da suspensão do processo administrativo que tramita neste Conselho: no curso do Recurso Extraordinário nº 566.622/RS, de relatoria do Ministro Marco Aurélio Mello, oportunidade em que procedeuse à suspensão dos processos que tramitam neste Conselho acerca de matéria idêntica, decidida de maneira favorável ao contribuinte pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em decisão pendente de publicação: A Fundação Armando Álvares Penteado, admitida no processo como interessada, requer a comunicação, mediante ofício, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF acerca da suspensão dos processos que versem a mesma matéria do extraordinário. (...). Relata a ausência de implementação da medida no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, vinculado ao Ministério da Fazenda, responsável pelo exame dos recursos contra atos formalizados no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Afirma que a recusa do Órgão decorre § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)” 7 " Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; (...)." Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 16327.000840/200381 Acórdão n.º 3402004.942 S3C4T2 Fl. 1.520 9 da falta de previsão regimental a respaldar a suspensão dos processos. Ressalta a iminência de julgamento, no CARF, de processo administrativo relevante para a entidade. Noticia a expedição de ofício, pela Secretaria Judiciária, a todos os tribunais do território nacional, não tendo havido comunicação aos órgãos administrativos. (...) Em se tratando de processo sob repercussão geral, surgem conseqüências danosas. Uma vez admitida, dáse o fenômeno do sobrestamento de processos que, nos diversos Tribunais do País, versem a mesma matéria, sendo que hoje há previsão no sentido do implemento da providência requerida § 5º do artigo 1.035 do Código de Processo Civil. (...) A entrega da prestação jurisdicional deve ocorrer conciliandose celeridade e conteúdo. Daí a necessidade de atentarse para o estágio atual dos trabalhos do Plenário. Dificilmente conseguese julgar, fora processos constantes em listas, mais de uma demanda, o que projeta no tempo, em demasia, o desfecho de inúmeros conflitos de interesse. No caso, temse quatro votos proferidos no sentido da inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. Enquanto isso, o Poder Público continua aplicandoo, gerando dificuldades de toda ordem para entidades beneficentes. (...) Implemento a medida acauteladora, suspendendo, nos termos do artigo 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil, o curso de processos que veiculem o tema, obstaculizando o acionamento, pela Administração Pública, do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. (grifos nossos). 21. Em 07/03/2017 foi expedido o Ofício nº 594/R endereçado ao Presidente deste Conselho com cópia da decisão do Ministro Marco Aurélio Mello que suspendeu os processos administrativos que tratam da matéria. Logo, não há dúvida quanto à aplicação subsidiária do art. 1.035, §5° do CPC no caso em comento. 22. Diante deste quadro, voto pelo sobrestamento do presente processo administrativo até que haja ulterior e defintiva decisão no RE n. 609.096, a ser julgado pelo STF. 23. Caso, todavia, a proposta de sobrestamento alhures desenvolvida não seja acolhida por esse colegiado, mister se faz a análise do mérito da lide aqui desenhada, o que resultaria em suma segunda decisão possível para o caso em comento. Vejamos. II. Da delimitação das questões de mérito passíveis de conhecimento no presente recurso 24. Antes, todavia, de adentrar ao mérito da presente demanda, mister se faz, nesse instante, delimitar quais questões podem ser conhecidas por esse colegiado, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos do contribuinte só foram desenvolvidos em âmbito recursal e não configuram questões de ordem pública, essas últimas sim passíveis de cognição oficiosa pela instância julgadora. Fl. 1702DF CARF MF 10 25. Assim, ao se fazer uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova nas seguintes causas de pedir: (i) "nulidade" do lançamento em relação às competências compreendidas entre fevereiro e outubro de 1999, uma vez que exigidas em descompasso com o princípio da anterioridade nonagesimal (item II.2 da peça recursal); e, ainda (ii) da impossibilidade de lançamento de PIS em caso de sobras, haja vista o disposto na lei 10.676/038 que permite a dedução desta rubrica na base de cálculo da contribuição em comento (item III.3 da peça recursal). 26. As questões sobreditas só foram trazidas aos autos em sede de Recurso Voluntário, ou seja, não foram arguidas quando da apresentação da impugnação, oportunidade que o contribuinte tem para trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa, exatamente como prevê o art. 16, inciso III do Decreto n. 70.235/729. 27. Logo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública, i.e., passível de ser conhecida de ofício, está precluso o direito do contribuinte debater tais temas, exatamente como prevê o art. 17 do sobredito Decreto10 e, ainda, sob pena de haver uma indevida supressão de uma instância julgadora. III. Das questões meritórias passíveis de cognição 28. Preliminarmente, o contribuinte alega que a autuação seria nula, uma vez que a fiscalização teria desqualificado a recorrente como uma sociedade cooperativa, ignorando, pois, a segregação entre ato cooperado e ato não cooperado. 29. Desta síntese já é possível perceber que a questão não se configura como uma preliminar de mérito, mas se confunde com o próprio mérito da demanda, i.e., saber qual a extensão da incidência tributária pelo PIS para as cooperativas de crédito. 30. No mérito propriamente dito do seu recurso, o contribuinte procura atribuir contornos específicos ao cooperativismo de crédito para, ato contínuo, concluir que o ato cooperado não está sujeito a incidência da contribuição para o PIS. 31. Ocorre que, ao analisar o objeto social constante no art 2º do Estatuto Social da Recorrente (fls. 1.470/1.508) com o disposto na Lei nº 4.595/1964, que dispõe sobre a política e as instituições monetárias, bancárias e creditícias, depreendese que a Recorrente qualificase como instituição financeira. Vejamos o que prescreve citada disposição estatutária: 8 Ainda que a matéria em apreço fosse passível de cognição meritória, não restaria alternativa além de rechaçar tal fundamento, uma vez que a possibilidade de dedulção das sobras da base de cálculo do PIS adveio com a lei n. 10.676/03 e, no caso em tela, os fatos geradores compreendem o período entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2001, ou seja, período que antecede a citada previsão legal. 9 "Art. 16. A impugnação mencionará: (...). III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...)" 10 "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 16327.000840/200381 Acórdão n.º 3402004.942 S3C4T2 Fl. 1.521 11 32. Por sua vez, o § 1º do art. 22 da lei nº 8.212/91, ao tratar da contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, dispõe que: Art. 22. (...). § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (...) (grifos nosso). 33. O sobredito dispositivo é empregado como referência pelos parágrafos 5º e 6º da Lei nº 9.718/98, que ao dispor sobre a tributação do PIS e da COFINS no regime cumulativo, incidente sobre a receita bruta, assim prescreve: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções Fl. 1704DF CARF MF 12 facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (...). 34. Da análise de tais dispositivos legais é possível concluir que o legislador tributário previu um regime próprio de tributação para as instituições financeiras, dentre as quais expressamente se destacam as cooperativas de crédito. Assim, para tais atividades empresariais, o legislador previu uma tributação sobre a receita bruta com base no regime cumulativo, permitindo, por sua vez, a dedução de determinadas despesas incorridas para a geração de receita. 35. Desse modo, não tem como subsistir a alegação da recorrente de que pratica ato cooperativo e que tal ato não seria passível de tributação, uma vez que ela própria qualificase como instituição financeira (ainda que sob o regime cooperativo), o que faz com que o contribuinte seja tributado na forma prevista na legislação para este tipo de atuação empresarial. 36. Ademais, o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE n. 599.362, afetado por repercussão geral, reconheceu que os atos cooperativos são potencialmente sujeitos à tributação. É o que se observa da ementa do sobredito julgado: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 146, III, C, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE IMUNIDADE OU DE NÃO INCIDÊNCIA COM RELAÇÃO AO ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/71. RECEPÇÃO COMO LEI ORDINÁRIA. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA. MP Nº 2.15835/2001. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. INEXISTÊNCIA. Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 16327.000840/200381 Acórdão n.º 3402004.942 S3C4T2 Fl. 1.522 13 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. Fl. 1706DF CARF MF 14 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. (STF; RE 599362, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 0902 2015 PUBLIC 10022015). 37. Em seu voto, assim se manifesta o Relator do leading case, Ministro Dias Tóffoli: (...). O entendimento de que as sociedades cooperativas não possuem faturamento, nem receita, e que, portanto, não haveria a incidência de qualquer tributo sobre a pessoa jurídica levaria ao mesmo resultado prático de se conferir a elas imunidade tributária, com a ressalva de que não há autorização constitucional para tanto. (...). 38. Nesse sentido, rechaço os fundamentos trazidos pela recorrente e conhecidos no presente voto. Dispositivo 39. Ex positis, voto no sentido de (i) suspender o julgamento do presente processo até que haja decisão em definitivo do RE n. 609.096 ou, caso essa proposta de julgamento seja superada, (ii) voto por negar provimento ao recurso voluntário. 40. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Conselheiro Diego Diniz Ribeiro Relator, ressalto minha discordância exclusivamente em relação ao seguinte ponto deste voto: sobrestar o feito em face do RE 609.096/RS Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 16327.000840/200381 Acórdão n.º 3402004.942 S3C4T2 Fl. 1.523 15 Quanto a esta matéria, ressalto que quanto a aplicação subsidiária do CPC/2015 e o sobrestamento do julgamento deste processo até que haja decisão definitiva do RE nº 609.096/RS, haja vista o caráter vinculante do precedente que se formará em tal julgamento, esse Colegiado já tem decido pela sua improcedência, em face da falta de previsão regimental abarcado pelo RICARF (Portaria MF nº 343/2015). Ante ao acima exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008009/2008-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2006
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990-PR, REsp 834.681-MG e AgRg no REsp 1.335.688-PR).
Numero da decisão: 9101-003.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990-PR, REsp 834.681-MG e AgRg no REsp 1.335.688-PR).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.008009/2008-52
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852848
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.450
nome_arquivo_s : Decisao_19515008009200852.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRE MENDES DE MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 19515008009200852_5852848.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7210364
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010696810496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1433; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 4.168 1 4.167 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.008009/200852 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.450 – 1ª Turma Sessão de 6 de março de 2018 Matéria IRPJ JUROS SOBRE MULTA Recorrente PQ SILICAS BRAZIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990PR, REsp 834.681MG e AgRg no REsp 1.335.688PR). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 80 09 /2 00 8- 52 Fl. 4168DF CARF MF Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 9101003.450 CSRFT1 Fl. 4.169 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial (efls. 4105/4114) interposto pela PQ SILICAS BRAZIL LTDA ("Contribuinte") em face do Acórdão nº 1101001.294, da sessão de 24 de março de 2015, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário 1. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2006 Nulidade. Improcedência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Direito de Defesa. Cerceamento. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, 1 A autuação fiscal tratou de exigência fiscal de IRPJ e CSLL (efls. 349/382). Foi assim descrita pela decisão de primeira instância (DRJ): "2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 349 a 352) a contribuinte, que apurou o IRPJ pelo Lucro Real anual no anocalendário 2004, de acordo com cópia da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) às fls. 23 a 143, deduziu indevidamente na apuração da base de cálculo do imposto e da CSLL valores a título de despesas/custos, já que referidas despesas/custos não foram comprovados por documentação hábil e idônea e/ou não foram considerados pela fiscalização como necessários para a atividade da empresa ou a manutenção da fonte produtora. 3. A autuação constatou, ainda, conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 361 e 362), que nos períodos examinados (janeiro/2003 a dezembro/2007) a fiscalizada está sujeita à tributação do resultado com base no Lucro Real, regime pelo qual optou, tendo efetuado os cálculos das estimativas mensais, mediante balancetes mensais levantados para fins de suspensão ou redução, com respectivas demonstrações de apuração do Lucro Real; entretanto, foram verificadas divergências entres os valores consignados na escrituração e os valores pagos ou recolhidos , que restaram não esclarecidas pela recorrente e que foram objeto de autuação pela fiscalização." Fl. 4169DF CARF MF Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 9101003.450 CSRFT1 Fl. 4.170 3 dandolhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. Provas. Análise. Comprovado nos autos que a Autoridade Julgadora de 1ª Instância procedeu a criteriosa e profunda análise das provas documentais juntadas pela defesa, soa impróprio reclamo da recorrente de que as mesmas não teriam sido apreciadas. Pretensão de retorno dos autos para novo julgamento pela Autoridade a quo que não se sustenta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2006 Custos, Despesas Operacionais e Encargos.Dedutibilidade. Não satisfeitas as normas previstas no artigo 299, do RIR/1999, cabe a glosa dos custos, despesas ou encargos que tenham afetado a base imponível do IRPJ. Confirmado o atendimento dos requisitos ali inseridos, especialmente usualidade, normalidade e necessidade e estando suportados por documentação hábil e idônea a escorar os registros contábeis, impõese excluir da tributação os montantes comprovados. Apuração Anual. Valores Declarados ou Pagos. Diferença. Lançamentos. Diferença na apuração anual do Imposto de Renda das pessoas jurídicas, apurada pelo cotejamento entre os valores declarados ou pagos pela contribuinte e o efetivamente apurado em auditoria fiscal, leva à imposição de lançamento de ofício para exigir a divergência encontrada. Constatado, porém, que a Fiscalização tomou como diferença de ajuste anual valores que se referem a provisões de estimativas mensais ou de imposto de renda na fonte incidente nos pagamentos de juros sobre capital próprio, os lançamentos não podem prosperar. Lançamentos que se cancelam. Multa de Lançamento de Ofício. Incidência de Juros de Mora. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora, na forma dos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Cientificada, a PGFN não interpôs recurso especial (efl. 4098). A Contribuinte interpôs recurso especial para devolver a matéria "juros sobre multa de ofício", protestando sobre a incidência dos encargos moratórios. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 4129/4132) deu seguimento ao recurso especial. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 4134/4144) pugnando pela manutenção da incidência de juros sobre a multa nos termos do acórdão recorrido. Fl. 4170DF CARF MF Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 9101003.450 CSRFT1 Fl. 4.171 4 É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em relação à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 4129/4132, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 2, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte. Passo ao exame do mérito. Sobre a matéria devolvida, juros de mora sobre multa de oficio, vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 4171DF CARF MF Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 9101003.450 CSRFT1 Fl. 4.172 5 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) O entendimento apresentado é convergente com o voto do REsp nº 1.129.990PR, conforme excerto transcrito 3. Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): 3 Vide ementa: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (REsp 1129990/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2009, DJe 14/09/2009) Fl. 4172DF CARF MF Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 9101003.450 CSRFT1 Fl. 4.173 6 "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação". A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Fl. 4173DF CARF MF Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 9101003.450 CSRFT1 Fl. 4.174 7 Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(Grifos no original) No mesmo sentido, vale citar o REsp 834.681MG e o AgRg no REsp 1.335.688PR. Enfim, a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, portanto, que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 4174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.905270/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/08/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/08/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.905270/2011-51
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5843710
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.281
nome_arquivo_s : Decisao_10830905270201151.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830905270201151_5843710.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7174103
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010735607808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.905270/201151 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.281 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/08/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 52 70 /2 01 1- 51 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.905270/201151 Acórdão n.º 3201003.281 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.392, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.905270/201151 Acórdão n.º 3201003.281 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.905270/201151 Acórdão n.º 3201003.281 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.905270/201151 Acórdão n.º 3201003.281 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
