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Numero do processo: 10730.913197/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS.
A compensação tributária exige que os créditos apresentados pelo sujeito passivo possuam os atributos de liquidez e certeza. Desde que apenas parte dos créditos foi comprovada, também parcial deve ser a homologação da compensação declarada.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2007
IRRF. COMPENSAÇÃO. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. PROVA.
Ao final do período de apuração, o contribuinte pode abater do imposto devido o montante retido na fonte, incidente sobre receitas auferidas no mesmo período e oferecidas à tributação. Recai sobre a interessada o ônus de provar que as receitas foram oferecidas à tributação, especialmente diante de indícios em contrário.
Numero da decisão: 1301-000.766
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, DAR provimento
parcial ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, para reconhecer direito creditório no montante de R$ 24.074,13 (aqui já incluído o valor reconhecido em momentos anteriores do contencioso), correspondente a saldo negativo de imposto de renda apurado no segundo trimestre do ano calendário 2006, devendo ser homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS. A compensação tributária exige que os créditos apresentados pelo sujeito passivo possuam os atributos de liquidez e certeza. Desde que apenas parte dos créditos foi comprovada, também parcial deve ser a homologação da compensação declarada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 IRRF. COMPENSAÇÃO. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. PROVA. Ao final do período de apuração, o contribuinte pode abater do imposto devido o montante retido na fonte, incidente sobre receitas auferidas no mesmo período e oferecidas à tributação. Recai sobre a interessada o ônus de provar que as receitas foram oferecidas à tributação, especialmente diante de indícios em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, DAR provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, para reconhecer direito creditório no montante de R$ 24.074,13 (aqui já incluído o valor reconhecido em momentos anteriores do contencioso), correspondente a saldo negativo de imposto de renda apurado no segundo trimestre do anocalendário 2006, devendo ser homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.913197/200902 Acórdão n.º 130100.766 S1C3T1 Fl. 154 2 Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório SS – IT CONSULTING LTDA., sucessora por incorporação de SS 2002 CONSULTORIA EM INFORMÁTICA E RECURSOS HUMANOS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroI / RJ, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Niterói/RJ. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 21246.79692.290509.1.7.020065, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito – Saldo Negativo de IRPJ Período de Apuração: 2º Trimestre/2006 (01/04/2006 a 30/06/2006) Valor do Saldo Negativo : R$ 24.200,19 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 24.200,19 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 17.876,89 Posteriormente, foram apresentadas as seguintes DCOMP, utilizando o mesmo crédito: 09934.52029.191109.1.7.025176 33230.65616.310108.1.3.028524 42633.59443.270809.1.7.027847 As DCOMP foram analisadas em procedimentos informatizados, resultando em reconhecimento parcial do direito creditório, no valor de R$ 15.828,30, e: HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA DCOMP Nº 21246.79692.290509.1.7.02 0065; NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS DCOMP nº 09934.52029.191109.1.7.02 5176, 33230.65616.310108.1.3.028524, 42633.59443.270809.1.7.027847 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.913197/200902 Acórdão n.º 130100.766 S1C3T1 Fl. 155 3 De acordo com o Despacho Decisório de fls. 04, nº de rastreamento 854499215, o direito creditório foi reconhecido parcialmente, pois a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP foi suficiente para quitação do imposto devido, mas não foi suficiente para comprovar o saldo negativo de IRPJ em sua totalidade. Consta ainda na citada Decisão: • Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 24.200,19. • Valor da DIPJ: R$ 24.200,19 • Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 32.572,08. • IRPJ devido: R$ 8.371,89. • Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas da DIPJ) – (IRPJ devido) • Valor do saldo negativo disponível = R$ 15.828,30 A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 23/12/2009 (Histórico das comunicações – fls. 59). Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 18/01/2010, fls. 01/03, alegando em síntese: Alega a tempestividade da manifestação da inconformidade. O valor correto de DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO NA PERDCOMP DE Nº 21246.79692.290509.1.7.020065 é de R$ 32.572,08, conforme se comprova na DIPJ, e que a mesma não aceita transmitir sua retificação. Considerar o crédito acima como correto para homologação das demais DCOMP. Juntamente com a manifestação de inconformidade, a interessada anexou a cópia da DIPJ/2007, fls. 23/56. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroI / RJ analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1234.843, de 15/12/2010 (fls. 79/84), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do Fato Gerador: 30/06/2006 RETENÇÃO NA FONTE A pessoa jurídica tributada com base no lucro real somente poderá compensar o imposto devido, na apuração do período, com os valores retidos na fonte, se as receitas, sobre as quais incidiram as retenções, forem computadas na determinação do lucro real COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.913197/200902 Acórdão n.º 130100.766 S1C3T1 Fl. 156 4 A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido. Ciente da decisão de primeira instância em 04/02/2011, sextafeira, conforme documento de fl. 93, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 09/03/2011, quartafeira de cinzas (registro de recepção à fl. 94, razões de recurso às fls. 94/98), mediante o qual oferece, em apertada síntese, as seguintes razões: Inicialmente, a recorrente historia a decisão recorrida, a qual teria negado seu pleito sob os seguintes argumentos: (a) Comprovação dos rendimentos oferecidos à tributação; (b) Erro na informação de retenção relativa a empresa NCJ Consultoria de Recursos Humanos; (c) Retenção do imposto de renda pela fonte pagadora Made Soluções Ltda, CNPJ 05.787.829/000108. Com relação à empresa NCJ, cujo CNPJ informado na declaração de rendimentos coincide com o CNPJ da própria interessada, alega tratarse de mero erro formal no preenchimento da declaração, já corrigido com a retificação da DIPJ/2006 (anexo 1 – ficha 54). Tal erro, por sua ótica, não poderia prejudicar seu direito. No que tange à empresa Made Soluções, cuja retenção não constaria em DIRF e cujo comprovante de retenção não teria sido anexado aos autos, informa que o crédito (no valor de R$ 52,77) não teria sido utilizado para a composição do crédito em PER/DCOMP. Mais uma vez, afirma que procederá à retificação da ficha 54 da DIPJ. Finalmente, busca demonstrar os valores que compõem a base de cálculo utilizada na compensação, para o que oferece a comprovação do imposto retido por sua principal fonte pagadora (anexo 2). Considera, assim, comprovada a liquidez e certeza de seus créditos, e pede a homologação das compensações declaradas, conforme jurisprudência administrativa que colaciona. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.913197/200902 Acórdão n.º 130100.766 S1C3T1 Fl. 157 5 Gira a lide em torno do valor de imposto de renda retido na fonte a que tem direito o contribuinte de abater do imposto devido no segundo trimestre do anocalendário 2006. Em primeira instância, foi ratificado o Despacho Decisório de fl. 56, o qual reconheceu saldo negativo de R$ 15.828,30, apurado mediante o confronto do imposto devido de R$ 8.371,89 e de imposto de renda retido na fonte de R$ 24.200,19. Com relação à alegada retenção na fonte feita por NCJ Consultoria de Recursos Humanos Ltda., CNPJ 04.816.323/000109, no valor de R$ 105,00, a própria recorrente admite que esse valor não consta de DIRF. Incumbiria, então, à interessada apresentar o comprovante anual de retenção, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/1996, o que fez, à fl. 131. No entanto, não há comprovação de que os rendimentos correspondentes tenham sido oferecidos à tributação, pelo que se mostra incabível o reconhecimento do crédito pleiteado. Quanto à empresa Made Soluções, o valor supostamente retido na fonte (R$ 52,77) não mais integra o litígio. Finalmente, a interessada apresenta à fl. 130 o Comprovante Anual de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP fornecido por sua principal cliente, Petróleo Brasileiro S. A. Petrobrás, CNPJ 33.000.167/000101. Ali se pode constatar rendimentos auferidos nos meses de abril, maio e junho de 2006 (segundo trimestre) no total de R$ 675.959,33, correspondentes a retenções na fonte de R$ 63.878,11. Os percentuais correspondentes a cada tributo objeto de retenção estão previstos na Instrução Normativa SRF nº 480/2004, a saber: 4,80% para IRPJ, 1,00% para CSLL, 3,00% para COFINS e 0,65% para PIS, perfazendo um total de 9,45%. Desta forma, aplicandose ao total retido a razão (4,80 / 9,45) é de se constatar que a parcela retida, correspondente ao imposto de renda, é de R$ 32.446,02. Examinandose a DIPJ, é também de se constar que os rendimentos oferecidos à tributação no segundo trimestre de 2006 montam R$ 706.431,28 (linha 06A/04), e que o total de retenções declarado é de R$ 32.572,08 (linha 12A/12). Ora, tais valores são compatíveis com os rendimentos auferidos e retenções promovidas pela principal fonte pagadora, Petrobrás, pelo que os valores comprovados de retenção devem prevalecer, ainda que o valor da DCOMP tenha sido em montante inferior. De se observar que a interessada foi intimada a regularizar as diferenças antes mesmo do Despacho Decisório, deixando de fazêlo, e esse foi um dos motivos para que suas alegações de erro no preenchimento da DCOMP não tenham sido acolhidas em primeira instância. O princípio da verdade material, que deve orientar o processo administrativo, impõe que se reconheça o direito creditório em tela, claramente decorrente de erro no preenchimento da DCOMP. Finalmente, especificamente quanto ao oferecimento à tributação dos rendimentos auferidos no segundo trimestre, a interessada deixa de comprovar que o tenha feito, somente se manifestando a esse respeito quanto à principal fonte pagadora, Petrobrás. Da mesma maneira que anteriormente, os indícios são contrários a sua pretensão. Ao somar as receitas oferecidas à tributação na DIPJ, nos quatro trimestres do anocalendário 2006 (ficha 06A, linha 04), chegase ao total anual de R$ 3.095.181,45. Por outro lado, ao somar as Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.913197/200902 Acórdão n.º 130100.766 S1C3T1 Fl. 158 6 receitas que constam do demonstrativo de fl. 108, chegamos ao total anual de R$ 3.148.307,70. Ou seja, existem, por certo, receitas que não foram oferecidas à tributação. Em se tratando de redução do tributo devido, e, ainda mais, tendo a matéria sido expressamente questionada na decisão de primeira instância, o ônus de especificar o montante de receitas e retenções em cada trimestre e de comprovar seu oferecimento à tributação é inegavelmente da recorrente, mormente em se tratando, como se trata, de contribuinte tributado com base no Lucro Real, de quem se exige escrituração completa de todas as suas operações. Não se tendo desincumbido do ônus probatório, o único valor a ser admitido como retenção de imposto de renda no segundo trimestre de 2006 é aquele já referido neste voto de R$ 32.446,02. Com isso, é de se dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto: diante de imposto devido no valor de R$ 8.371,89 e de retenções na fonte confirmadas de R$ 32.446,02, o saldo negativo passível de restituição ou compensação no segundo trimestre de 2006 é de R$ 24.074,13, cabendo a homologação das compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório no montante de R$ 24.074,13 (aqui já incluído o valor reconhecido em momentos anteriores do contencioso), correspondente a saldo negativo de imposto de renda apurado no segundo trimestre do anocalendário 2006, devendo ser homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11516.005334/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória,
apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e
Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de
todas contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a manutenção da multa
aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores
lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária
correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação
de causa e efeito que os vincula.
MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA.
RETROATIVIDADE. Aplica-se
ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF,
c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes
apenas dar fiel cumprimento à legislação
vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.186
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, para recalcular a multa nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfico ao contribuinte, deduzindo-se os valores lançados a título de multa nas autuações por descumprimento de obrigações principais. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua Fl. 203DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para recalcular a multa nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfico ao contribuinte, deduzindose os valores lançados a título de multa nas autuações por descumprimento de obrigações principais. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 11516.005334/200841 Acórdão n.º 2401002.186 S2C4T1 Fl. 195 3 Relatório KHEMEIA INDÚSTRIA QUÍMICA SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Florianópolis/SC/, Acórdão nº 07 14.500/2008, às fls. 142/147, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação ao período de 01/2003 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08/14, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 01/09/2008, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 20.826,52 (Vinte mil, oitocentos e vinte e seis reais e cinquenta e dois centavos), com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal, a contribuinte deixou de informar em GFIP´s os pagamentos realizados à UNIMED DE CRICIÚMA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO DA REGIÃO CARBONÍFERA em cumprimento aos contratos de prestação de serviços firmado entre ambos sob os números 0827 e 021505. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 150/182, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja aplicado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, em detrimento ao artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, na forma decidida pelo julgador recorrido. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que a contribuição previdenciária incidente sobre a nota fiscal e/ou fatura de prestação de serviços por cooperados, mediante cooperativa de trabalho, encontrase maculada por vício de ilegalidade, malferindo o disposto no artigo 195, inciso I, alínea “a” e § 4º, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal, uma vez tratarse de nova fonte de custeio, razão pela qual só poderia ser instituída por Lei Complementar, o que não se vislumbra no caso vertente, eis que a presente exação fora criada por lei ordinária (8.212/91), impondo seja decretada a improcedência do feito. Assevera que todos os pagamentos efetuados pela Recorrente são feitos diretamente à UNIMED, não se podendo confundir a noção de cooperativa com a de cooperado, para entenderse que a relação jurídica contratual (externa) dáse entre cooperados e terceiros (tomador de serviços), em total afronta ao conceito de sociedade cooperativa. Contrapõese ao lançamento, mais precisamente ao arbitramento levado a efeito pela autoridade lançadora ao constituir o crédito previdenciário, sob o argumento de que, Fl. 205DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 ao extrair os valores admitidos como base de cálculo dos tributos exigidos da contabilidade da contribuinte, não adotou a importância total dos serviços médicos prestados contidos nas notas fiscais emitidas pela UNIMED, na forma que determina o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Sustenta que o procedimento do arbitramento, deixando de considerar o valor total da nota fiscal, somente poderia ser utilizado na hipótese de a empresa deixar de registrar, em sua contabilidade, o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, na forma do artigo 33, § 6º, da Lei nº 8.212/91, o que não se constata nos presentes autos, sob pena de inobservância aos preceitos do artigo 142 do CTN. Contrapõese à decisão recorrida, aduzindo para tanto que a autoridade julgadora administrativa tem competência para se furtar de aplicar norma inconstitucional. Alega que a apreciação de inconstitucionalidades e ilegalidades de leis ou atos normativos pelo julgador administrativo é plenamente aceita pela doutrina e jurisprudência, sendo defeso àquele se esquivar dos argumentos ofertados pela contribuinte, relativamente a esse tema. Argúi a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, aduzindo para tanto, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Defende, ainda, tratarse referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Traz à colação inúmeras decisões de nossos Tribunais. Contrapõese à multa aplicada, por considerála confiscatória e abusiva, sendo, por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do crédito em questão. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 11516.005334/200841 Acórdão n.º 2401002.186 S2C4T1 Fl. 196 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma legal, na forma decidida no Acórdão recorrido. Inicialmente, mister destacar que corroboramos com a conclusão da tese aventada pela contribuinte, no sentido da aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4°, do CTN, não em face da pretensa existência de recolhimentos, uma vez que a presente autuação decorre de descumprimento de obrigação acessória e não principal, onde se cogitaria em antecipação de pagamento, mas, sim, por conta do decisum exarado nos autos da autuações por descumprimento de obrigação principal, onde sustentamos a decadência com base no dispositivo legal supra, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. Entrementes, inobstante compartilhar com o inconformismo da contribuinte na forma explicitada acima, este Colegiado, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, já sedimentou o entendimento de que tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória omissão de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impõese a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, independentemente da espécie de infração incorrida, razão pela qual nos quedamos a aludido raciocínio, em homenagem a economia processual. Dessa forma, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, na forma admitida pelo Acórdão recorrido, devendo ser rejeitada a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte. MÉRITO Inicialmente devese frisar que, não obstante tratarse de autuação face a inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente estão ligados basicamente à procedência das exigências fiscais consubstanciadas nos autos dos processos nºs 11516.005331/200816 e 11516.005332/200852, onde o Fisco promoveu o lançamento exigindo as contribuições previdenciárias devidas sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços de saúde de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho (UNIMED), nos termos do artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, fatos geradores não declarados em GFIP’s. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 Registrese, que em nenhum momento a contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a questionar o mérito daquelas autuações correlatas encimadas que, incluídas nesta mesma pauta de julgamento, foram mantidas totalmente. Em verdade, a contribuinte faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos a constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Com efeito, restou circunstanciadamente demonstrado pela autoridade lançadora, que a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de informar em GFIP’s a integralidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, mais precisamente os pagamentos realizados à cooperativa de trabalho médico (UNIMED), contrariando o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela Fl. 208DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 11516.005334/200841 Acórdão n.º 2401002.186 S2C4T1 Fl. 197 7 apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante, não se cogitando na improcedência do lançamento. Conforme relatado alhures, os fatos geradores que, no entendimento da fiscalização, deixaram de ser informados pela contribuinte foram incluídos nos processos nºs 11516.005331/200816 e 11516.005332/200852, já devidamente analisado por esta Egrégia Câmara, impondo a apreciação deste lançamento com estrita observância à decisão prolatada nos autos daquelas autuações, tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Na esteira desse entendimento, uma vez mantida a exigência fiscal com esteio nos pagamentos realizados a cooperativas de trabalho médico (UNIMED), não há que se falar na improcedência da presente autuação, na forma que pretende fazer crer a recorrente, impondo seja mantida a exigência na forma lançada. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 209DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 8 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Assim, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de Fl. 210DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 11516.005334/200841 Acórdão n.º 2401002.186 S2C4T1 Fl. 198 9 primeira instância, ressaltandose o insurgimento contra Taxa Selic, totalmente impertinente, uma vez sequer ser aplicada em auto de infração por descumprimento de obrigações acessórias. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada, não fazendo uso nem mesmo do benefício da relevação da multa, inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS. DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 RETROATIVIDADE Por derradeiro, em que pese à procedência do lançamento em seu mérito, destacase que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A àquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a conseqüente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Nessa toada, em observância à jurisprudência consolidada neste Colegiado, impende recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, deduzindose os valores levantados a título de multa nas autuações correlatas, por descumprimento de obrigações principais. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular a multa nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfico ao contribuinte, deduzindose os valores lançados a título de multa nas autuações por descumprimento de obrigações principais, pelas razões de fato e de direito encimadas. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 10 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 212DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001368/2004-27
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
Ementa: RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA.
Não se conhece de recurso especial que pleiteia revisão de julgado que esteja em consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte Administrativa.
Recurso Especial do Procurador não conhecido.
Numero da decisão: 9101-000.976
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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Antonio Carlos Gúi on Editado em: LIN r - Relator. t CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10820.001368/2004-27 Recurso n" 336.444 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.976 — la Turma Sessão de 23 de maio de 2011 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SHP - SERVIÇOS HIDRÁULICOS E PNEUMÁTICOS - EPP Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 Ementa: RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. Não se conhece de recurso especial que pleiteia revisão de julgado que esteja em consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte Administrativa. Recurso Especial do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. Não poderá ser confundida com atividade similar a de engenharia mecânica, privativa de engenheiros ou assemelhados, ramo de oficina de prestação de serviços na área de manutenção e reparo de equipamentos hidráulicos e pneumáticos. Atividade exercida não se encontra enquadrada nas atividades incluídas nos dispositivos de vedação 6 opção pelo regime especial do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte. Recurso Voluntário Provido" 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: A contribuinte acima qualificada, mediante o Ato Declaratório Executivo n 21 de 06 de agosto de 2004, emitido pelo Delegado da Receita Federal de sua jurisdição, foi excluída do Sistema integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei n° 9317, de 05 de dezembro de 1996 e alterações posteriores. A exclusão efetuou-se após a realização de diligencias locais nas quais constatou-se que "se trata de instalações de oficina de médio porte, onde são prestados serviços de recuperação e manutenção de equipamentos hidráulicos e pneumáticos", os quais são supervisionados pelo Sr. Jorge Rodrigues, engenheiro mecânico. 0 acórdão lavrado pela la Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirao Preto/SP manteve a exclusão da Interessada (fis. 63/68). A decisão pode ser sintetizada pela transcrição dos trechos abaixo: "0 cerne da questão é determinar se a atividade desenvolvida pela interessada é atividade privativa de engenheiro ou de qualquer outra profissão legalmente regulamentada Ainda sobre o assunto a Cosi:, por meio através do Ato Declaratório (Normativo) n 04, de 22 de 2 Processo n° 10820.001368/2004-27 Acórdão n.° 9101-000.976 fevereiro de 2000, tendo em vista os dispositivos mencionados, exarou o entendimento de 'que não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços Comércio de Peps e equipamentos Hidráulicos e Pneumáticos em geral com prestação de serviços de Recuperação e Manutenção em Equipamentos Hidráulicos, por caracterizar serviço de engenharia' Deve-se consignar que aqui não importa se o serviço vem a ser efetivamente prestado por engenheiro ou por profissional legalmente habilitado, nos temos da Resolução n° 218 de 1973, baixada de acordo com a citada Lei n' 5.194 de 1966. Isto significa que mesmo não tendo a empresa empregados com habilitação em nível superior na área de engenharia ou equivalente, o que interessa para caracterizar o impedimento é o fato de que as atividades de manutenção de equipamentos industriais, exercidas pela interessada exigirem a prestação dos serviços profissionais de engenheiro ou técnico legalmente habilitado, como demonstrado acima e pelo relatório de diligência fiscal de fis. 35, elaborado em 05/11/2003, especifica que foi constatado no estabelecimento da pessoa jurídica, que a atividade exercida é a prestação de serviços de recuperação e manutenção em equipamentos hidráulicos e pneumáticos. Na diligencia fiscal foi constatado ainda que a referida empresa tem procurador e responsável pelas atividades da pessoa jurídica o engenheiro mecânico Dr. Jorge de Mello Rodrigues com registro no Conselho Federal de engenharia". Regularmente intimada da decisão supra mencionada em 04 de agosto de 2006, a Interessada apresentou Recurso Voluntário (IL. 76/85) no dia 21 de agosto do mesmo ano. Nessa ocasião, a Interessada explicita que suas atividades se assemelham aquelas exercidas pelas oficinas mecânicas e, portanto, não necessitam ser desempenhadas por engenheiro mecânico. Ademais, argumenta que o Sr. Jorge não supervisiona coisa alguma, pois sequer estava no estabelecimento quando da visita do Auditor Fiscal. Na verdade, trata-se do administrador da empresa, quem, além de engenheiro é advogado. É o relatório." CSRF-T1 Fl. 2 0 acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário do Contribuinte para cancelar o Ato Declaratório de exclusão do Simples. Segundo o acórdão, as atividades privativas do engenheiro são somente as atividades listadas de 01 a 08, na Resolução CONFEA N°218, pois as demais, de 09 a 18, são concorrentes com os Tecnólogos e os Técnicos de Grau Médio, ou seja, exemplificando, são privativas somente as atividades de supervisão, estudo, planejamento, projeto, estudo de viabilidade técnico-econômica, assessoria, consultoria, direção de obra, ensino, pesquisa, vistoria, perícia, dentre outros, conforme ressalta o artigo 25 dessa Resolução. De acordo com o acórdão, "não há qualquer exigência ou pré- requisito legal para que sejam executados os serviços propostos e que vêm sendo exercidos pela Interessada, como seja, a de prestação de serviços na área de manutenção e reparo de 3 equipamentos hidráulicos e pneumáticos, os quais podem ser prestados por técnicos de nível médio, não havendo necessidade de profissão legalmente habilitada para exercer tal atividade." Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido à lei (Lei n. 9.317/1996, art. 9°, XIII) e A. prova dos autos, porquanto no poderia optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços de manutenção e reparo de equipamentos hidráulicos, por serem equiparados a serviços profissionais de engenharia. 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 302.106 (fls.107/109)), ante a potencial afronta A. citada lei e prova dos autos. A Contribuinte apresentou contra-razões. o relatório. 4 Processo n° 10820.001368/2004-27 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-000.976 Fl. 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho,Relator Peço vênia para não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Cinge-se a controvérsia em saber se é legitima a manutenção de pessoa jurídica no SIMPLES cujo objeto social seja a montagem e manutenção de equipamentos hidráulicos (fls. 2) em vista do disposto no art. 9 0, XIII da Lei n. 9.317/1996 que impediria a opção pelo SIMPLES de empresas que desenvolvessem atividades equiparadas à de engenharia. Citada controvérsia encontra-se superada nesta Corte Administrativa por força da edição da Súmula CARF n. 57, verbis: "Súmula CARP no 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal." A superação da controvérsia por jurisprudência sumulada pelo Tribunal, por si só, é suficiente para afastar o conhecimento de recurso especial interposto pela parte. De fato, a edição de súmula (ainda que superveniente) esvazia por completo o objeto da insurgencia da Fazenda Nacional, em vista da absoluta impossibilidade de este Colegiado examinar novamente o dissenso ou a alegada violação do acórdão recorrido à lei federal suscitada no recurso. Reforça este fundamento o atual RUCARF, o qual impõe atualmente o não conhecimento de recursos que se insurjam contra julgados que estejam em perfeita consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte. Veja-se, neste sentido, o disposto no art. 67, parágrafo 2 °, do RI/CARF aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, verbis: "Art. 67. Compete a CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. sç' 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique sumula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância." 5 - Relator Antonio Carlos Por tais fundamento ento meu voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. 6
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Numero do processo: 13502.002454/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2005
REALIZAÇÃO DE DILIGENCIAS. DESNECESSIDADE
Além do colegiado julgador de primeira instância não vislumbrar
necessidade da realização de diligências para dirimir as questões a ele submetidas, suficiente para não viciar a decisão proferida, não houve, em momento algum, protesto por parte do recorrente.
LUCROS DISTRIBUÍDOS A PESSOA FÍSICA DE VALORES SUPERIORES AO LUCRO PRESUMIDO PELA PESSOA JURÍDICA Somente estão amparados com o benefício da isenção do imposto de renda das pessoas físicas, os valores dos lucros distribuídos até o limite do lucro
presumido da pessoa jurídica da qual o contribuinte figure como sócio. Além deste limite, somente com demonstrativos hábeis e comprovação do oferecimento do devido valor à tributação pelo critério do lucro real.
Numero da decisão: 2102-001.780
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2005 REALIZAÇÃO DE DILIGENCIAS. DESNECESSIDADE Além do colegiado julgador de primeira instância não vislumbrar necessidade da realização de diligências para dirimir as questões a ele submetidas, suficiente para não viciar a decisão proferida, não houve, em momento algum, protesto por parte do recorrente. LUCROS DISTRIBUÍDOS A PESSOA FÍSICA DE VALORES SUPERIORES AO LUCRO PRESUMIDO PELA PESSOA JURÍDICA Somente estão amparados com o benefício da isenção do imposto de renda das pessoas físicas, os valores dos lucros distribuídos até o limite do lucro presumido da pessoa jurídica da qual o contribuinte figure como sócio. Além deste limite, somente com demonstrativos hábeis e comprovação do oferecimento do devido valor à tributação pelo critério do lucro real.
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DESNECESSIDADE Além do colegiado julgador de primeira instancia não vislumbrar necessidade da realização de diligências para dirimir as questões a ele submetidas, suficiente para não viciar a decisão proferida, não houve, em momento algum, protesto por parte do recorrente. LUCROS DISTRIBUÍDOS A PESSOA FÍSICA DE VALORES SUPERIORES AO LUCRO PRESUMIDO PELA PESSOA JURÍDICA Somente estão amparados com o benefício da isenção do imposto de renda das pessoas físicas, os valores dos lucros distribuídos até o limite do lucro presumido da pessoa jurídica da qual o contribuinte figure como sócio. Além deste limite, somente com demonstrativos hábeis e comprovação do oferecimento do devido valor à tributação pelo critério do lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assinado digitalmente Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13502.002454/200871 Acórdão n.º 2102001.780 S2C1T2 Fl. 234 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 3a Turma da DRJ/SDR, de 28 de abril de 2.010 (fls. 216/217), que por maioria de votos julgou procedente em parte a impugnação, mantendo assim a exigência de imposto no valor de R$ 35.430,93, com os acréscimos legais, excluindo da tributação a parte relativa à omissão de rendimentos pertinentes a depósitos bancários com origem não comprovada no valor de R$ 33.041,80, o que redundou numa exclusão do lançamento no valor de R$ 9.086,49. De acordo com o Auto de Infração (fls. 118/128), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre de rendimentos atribuídos a sócios de empresa e de depósitos bancários de origem não comprovadas, e estão assim discriminadas: 001 – RENDIMENTOS ATRIBUÍDOS A SÓCIOS DE EMPRESAS RENDIMENTOS EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO/ARBITRADO PAGOS A SÓCIO OU ACIONISTA Rendimentos pagos a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no Lucro Presumido/Arbitrado, excedentes ao Lucro Presumido/Arbitrado menos IRPJ,CONFINS, CSLL e PIS/PASEP e outros impostos e contribuições sociais, quando a pessoa jurídica não demonstre, através de escrituração contábil feita com a observancia da lei comercial, que o lucro efetivo é superior ao Lucro Presumido/Arbitrado, de acordo com o Ato Declaratório 4/96, inciso II. Para maiores detalhes consultar o anexo " Cálculo do Rendimento Isento Maximo oriundo da Distribuição de Lucros". . Fato Gerador Valor Tributável ou imposto Multa(%) 31/12/2005 R$ 134.919,74 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 663 do RIR/99 ; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13502.002454/200871 Acórdão n.º 2102001.780 S2C1T2 Fl. 235 3 Art. 1° da Lei n°11.119/05. 002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA 0 contribuinte foi intimado através de Termo lavrado no dia 20 de outubro de 2008, recebido dia 29 de outubro de 2008, a comprovar a origem dos depósitos realizados em suas contas correntes, tendo sido os valores creditados discriminados um a um. 0 contribuinte respondeu através de carta, recebida em 21 de novembro de 2008, anexando no doc.2Extratos da CCP Construções, as transferências feitas da conta de sua empresa para sua conta pessoal. Estes valores foram desconsiderados para efeito desta infração, tendo sido considerados apenas os que não foram explicados, os quais encontramse discriminados nas relações de depósitos não comprovados anexadas pra os bancos, 409 e 477. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/01/2005 R$ 14.651,00 75,00 28/02/2005 R$ 1.520,00 75,00 31/03/2005 R$ 5.224,62 75,00 30/04/2005 R$ 5.857,00 75,00 30/06/2005 R$ 480,00 75,00 31/07/2005 R$ 200,00 75,00 31/08/2005 R$ 570,00 75,00. 31/10/2005 R$ 420,00 75,00 30/11/2005 R$ 1.619,18 75,00 31/12/2005 R$ 2.500,00 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 849 do RIR/99; Art. 1° da Lei n°11.119/05. No que se refere A atualização monetária e As penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13502.002454/200871 Acórdão n.º 2102001.780 S2C1T2 Fl. 236 4 Na decisão recorrida bem resumiu o Sr. Relator, consignando que: De acordo com o relatório fiscal (fls. 120/120), o contribuinte, intimado a comprovar a origem dos depósitos em suas contas bancárias em 2005, comprovara que parte dos créditos provinha de transferências de sua empresa, a CCP Construções. Verificouse, porém, que o contribuinte havia informado em sua declaração de ajuste anual, como rendimentos isentos e não tributáveis, lucros de R$ 150.410,00, distribuídos por sua empresa, a qual, porém, declarara lucro presumido passível de distribuição de apenas R$ 15.490,26, como demonstrado a seguir: Lucro presumido anual 128.374,97 Impostos e tributos pagos 112.884,71 Limite máximo de lucros distribuídos com isenção 15.490,26 O impugnante argumenta, em síntese, que inexiste limite máximo para a distribuição de lucros isentos do imposto de renda. Sequer se trataria aqui de isenção, mas sim da impossibilidade de se tributar mais uma vez, contra a pessoa fisica, os rendimentos que já foram tributados na pessoa jurídica. O lançamento estaria, portanto, privado de base legal. Quanto aos depósitos bancários, argumenta que se trata de recursos da sua empresa, como se pode verificar pelos extratos da pessoa jurídica já acostados aos autos; que realizara diversos gastos em favor da pessoa jurídica com os seus próprios recursos, que posteriormente lhe eram ressarcidos. Anexa cópias de recibos e notas fiscais e cópias de livro diário e folha de pagamento (fls. 167/208). No tocante ao valor atribuído pelo Recorrente como distribuição de lucro acima do presumido, o Relator, Sr. Zilton de Araújo Andrade Filho fundamentou seu entendimento com base no inciso XXVII do art. 39 do Decreto n.o 3.000/99, que estabelece que o valor dos lucros efetivamente recebidos pelos sócios não entrarão no computo do rendimento bruto, para evitar com isto a dupla tributação. O valor que exceder, como não foi tributado na pessoa jurídica, tornase devido na pessoa física, tal como exige o lançamento. Para que isto não ocorra, lembrou o texto do art. 51 da IN SRF 11/96, que condiciona à demonstração do resultado através de escrituração contábil, o que não ocorreu no presente caso. Quanto aos depósitos, para os quais apresentou extratos bancários da empresa da qual alega ser sócio, evidenciando transferências, destaca o Relator que estes valores já foram considerados pela autoridade fiscal autuante, e a argumentação de que os mesmos referemse a ressarcimento de despesas não estão evidenciados serem originários da empresa da qual é sócio ou mesmo se constituem receitas da pessoa jurídica que foram creditadas em Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13502.002454/200871 Acórdão n.º 2102001.780 S2C1T2 Fl. 237 5 sua conta pessoal e nesta hipótese, que tais valores foram oferecidos à tributação na pessoa jurídica. Nesta questão dos depósitos bancários, houve divergência de entendimento entre os julgadores da primeira instância, prevalecendo o voto proferido pelo Sr. Carlos Romeu Silva Queiroz, que com fulcro no inciso II do par. 3o do art. 42 da lei n.o 9.430/96 afastou a pretensão fiscal, uma vez que os valores individuais dos depósitos são inferiores a R$ 12.000,00 e o somatório no ano é de R$ 33.041,80, portanto, não ultrapassando o limite de R$ 80.000,00. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, aduz o Recorrente, às fls. 223/225 que: a) a decisão recorrida é nula, pela inexistência de diligências que avaliasse provas documentais de posse da autuante, que foram conferidas tanto pelo autuado como pela empresa da qual participa, sem a fase de inquirição determinada pelo art. 18 do decreto n.o 70.235/72; b) que os documentos acostados evidenciam que incorreu em equívoco material em promover a declaração com base no lucro presumido, inferiores aos de sua realidade, passível de correção a qualquer tempo, e c) o percentual da multa, com fundamento no inciso II do art. 44 da lei n.o 12.249/2010 seria de 50% do valor do débito, e não 75%, como foi aplicada, uma vez que não houve a constatação de dolo ou má fé. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Portanto, dele conheço. A decisão recorrida está devidamente fundamentada e não merece qualquer reparo, devendo ser mantida integralmente. Com efeito, a decisão recorrida não apresenta qualquer vício, pois bem apresenta os fatos do presente processo e os Relatores fundamentaram seus entendimentos, de forma clara e objetiva, fazendo expressa referência aos documentos acostados pelo Recorrente, não vislumbrando necessidade de qualquer diligência para elucidar a questão remanescente do Auto de Infração, uma vez que foi afastada a cobrança com fundamento em omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários, restando apenas apreciar cobrança sobre a diferença atribuída na distribuição de lucros, que na DIRPF ultrapassou o valor presumido e foi declarado pela pessoa jurídica. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13502.002454/200871 Acórdão n.º 2102001.780 S2C1T2 Fl. 238 6 Inicialmente, por haver protestado pela nulidade da decisão por falta de diligência, importante destacar que nem mesmo o Recorrente protestou por ela, ou vislumbrou a sua importância. Portanto, desnecessária a sua realização e descabida a alegação de nulidade em função da sua inexistência. A alegação de que houve equivoco na escolha do critério de apuração do lucro da empresa da qual o Recorrente é sócio, em optar pelo presumido, não o exime do pagamento do imposto, tal como está sendo exigido, pois o Recorrente não evidenciou o oferecimento à tributação do valor pela pessoa jurídica, do que entende devido se apurado o imposto pelo critério do lucro real, tornando razoável a exigência do inciso XXVIII do art. 39 do RIR, que requer demonstrações através de escrituração contábil do lucro efetivo da empresa, sobre o qual pagou o imposto, e consequentemente, embasaria o valor do lucro distribuído aos seus sócios. Como não houve qualquer demonstração neste sentido, prevalece o limite de isenção apurado pela empresa da qual o Recorrente é sócio, da distribuição do lucro pelo critério presumido, que foi de R$ 15.490,26. Também não pode prevalecer a alegação do Recorrente de que é facultado às pessoas jurídicas alterar o critério de apuração do lucro a qualquer tempo, pois no caso, além de não ter apresentado demonstrativo hábil da efetiva realização de despesas que substituíssem validamente o critério utilizado de lucro presumido, e menos ainda, do comprovante do pagamento do imposto devido pela pessoa jurídica, e no caso, também não haveria espontaneidade na alteração, uma vez já iniciado o procedimento fiscal. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001965/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DECADÊNCIA – NÃO OCORRÊNCIA.
Tratando-se de descumprimento de obrigação acessória o prazo decadencial do Fisco é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2301-002.377
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Adriano González Silvério
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA – NÃO OCORRÊNCIA. Tratandose de descumprimento de obrigação acessória o prazo decadencial do Fisco é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.174.9751, o qual exige multa em decorrência da empresa autuada deixar de preparar folhas de pagamento de contribuintes individuais (taxistas), “utilizados diariamente pela empresa transportar ‘movimento para o banco’, conforme lançamentos contábeis escriturados na conta 51247 e demais divergências em confronto folha de pagamento e GFIP.” A autuada apresentou impugnação alegando a decadência qüinqüenal baseada no artigo 150, § 4º do CTN, a qual teria fulminado o direito do Fisco de exigir a multa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora manteve integralmente a autuação, razão pela qual interpôs recurso voluntário repisando os argumentos lançados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Com razão a decisão de primeira instância ao sustentar que no caso de descumprimento de obrigação acessória o prazo decadencial do direito do Fisco é aquele estampado no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, o qual tem como dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Peço vênia a meus pares para transcrever trecho da decisão recorrida a qual demonstra a não ocorrência da decadência no caso concreto: “Todavia, esta situação não corresponde àquela verificada no presente Auto de Infração, que consiste em lançamento decorrente do descumprimento de obrigação acessória, no qual não há que se falar em pagamento antecipado. Assim, a regra a ser aplicada é a prevista no inciso I do art. 173 do CTN, segundo a qual a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído. Considerando que o período objeto da autuação é de 01/2005 a 12/2005 e que o lançamento se deu em 29/06/2010, a autuação Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10640.001965/201018 Acórdão n.º 2301002.377 S2C3T1 Fl. 3 3 deve prosperar, visto não ter sido alcançado pela decadência o direito do Fisco de efetuar o lançamento.” Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, mantendose a autuação fiscal. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000698/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. INEXISTÊNCIA
Mesmo que a entidade seja isenta do recolhimento das contribuições sociais patronais, está a mesma obrigada a descontar e recolher as contribuições dos segurados a seu serviço.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.128
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade do lançamento; II) indeferir o pedido para juntada de novas provas; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. INEXISTÊNCIA Mesmo que a entidade seja isenta do recolhimento das contribuições sociais patronais, está a mesma obrigada a descontar e recolher as contribuições dos segurados a seu serviço. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. Recurso Voluntário Negado.
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ELIAS ANTONIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. INEXISTÊNCIA Mesmo que a entidade seja isenta do recolhimento das contribuições sociais patronais, está a mesma obrigada a descontar e recolher as contribuições dos segurados a seu serviço. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade do lançamento; II) indeferir o pedido para juntada de novas provas; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000698/200943 Acórdão n.º 240102.128 S2C4T1 Fl. 117 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa acima epigrafada contra decisão da DRJ Rio de Janeiro I (RJ) a qual declarou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração AI n. 37.213.8411, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. O crédito em questão contempla o período de 01 a 12/2005 e contém a contribuição as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa no período do lançamento. O valor do crédito, com data de consolidação em 27/07/2009, assumiu o montante de R$ 8.408,04 (oito mil, quatrocentos e oito reais e quatro centavos). De acordo com o Relatório da Auditoria, o lançamento decorreu da suposta falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais verificadas mediante análise de folhas de pagamento, de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social – GPS, Livros Contábeis, etc. Verificase que foram adotados, para a confecção do lançamento, os seguintes levantamentos (itens de apuração): a) AUT – pagamentos a contribuintes individuais constantes em folha de pagamento e não declarados em GFIP, os quais foram relacionados na Planilha 12; b) DIF – este levantamento subdividese em: b.1) pagamentos a empregados, registrados na folha de pagamento normal, sob a forma de “abonos” e sem incidência de contribuição, nem declaração em GFIP, os quais foram relacionados na Planilha 13; b.2) pagamentos a empregados constantes em recibos e em folhas de pagamento, que foram denominadas pelo Autuado como “Folhas de Pagamento – Autônomos”, não declarados em GFIP, os quais foram relacionados na Planilha 13; c) EMP – pagamentos a pessoas físicas, enquadradas pelo Fisco como segurados empregados, constantes em recibos e em folhas de pagamento, que foram denominadas pelo Autuado como “Folhas de Pagamento – Autônomos”, os quais encontramse relacionados na Planilha 14. A seguir, em relação ao levantamento EMP, a Auditoria passa a apresentar os motivos de fato e de direito que a levaram a concluir pela existência da relação de emprego para os trabalhadores arrolados. A empresa apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que declarou procedente o lançamento. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Inconformado o Instituto apresentou recurso, no qual argumenta, em apertada síntese, que: a) por ser entidade beneficente de assistência social e sem fins lucrativos, não pode sofrer tributação sobre o se patrimônio, renda ou receitas de serviços, pelo que dispõe o art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal e o art. 14 do Código Tributário Nacional – CTN; b) presta relevantes serviços a pessoas carentes na região em que atua; c) se enquadra em todos os requisitos fixados pelo artigo 14 do CTN, portanto, faz jus ao beneficio da imunidade prevista no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal; d) o registro no Conselho Nacional de Assistência Social e a declaração de utilidade pública apenas reforçam os argumentos relativos à imunidade, já que os certificados foram emitidos à época em que o Instituto integrava a Fundação, abarcando, assim, tanto um como o outro; e) sendo a imunidade uma espécie de limitação ao poder de tributar, somente lei complementar pode lhe traçar os contornos e esse aspecto deve ser enfrentado pelo órgão de julgamento administrativo; f) é antijurídica toda medida tomada pela Administração que não seja amparada por lei ou que extrapole o âmbito fixado por essa; g) não se pode afastar a imunidade das entidades que prestam assistência social, pelo mero fato de seus diretores receberem remuneração, quando essa decorre exclusivamente de atividade laborativa; h) no caso em apreço, as leis ordinárias invocadas para sustentar os autos de infração lançados invadem o espaço que o constituinte reservou para as leis complementares, sendo, portanto, o auto de infração totalmente inválido; Ao final, pede a declaração de nulidade do AI e a produção de todos os meios de prova em direito admitidos. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000698/200943 Acórdão n.º 240102.128 S2C4T1 Fl. 118 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Matéria não impugnada Um primeiro ponto a ser destacado é o fato do Instituto autuado não haver se contraposto, nem na defesa, tampouco no recurso, à apuração fiscal. Não se traçou uma linha sequer impugnando a ocorrência dos pagamentos efetuados pelo autuado aos trabalhadores a seu serviço ou mesmo quanto ao enquadramento previdenciário dado pelo Fisco a esses. Nesse sentido, conforme dispõe o Decreto n. 70.235, art. 17, “caput” 1, esses pontos do lançamento não foram objeto de impugnação. Isenção/imunidade No lançamento em questão essa alegação de que a entidade era isenta do recolhimento das contribuições sociais é impertinente, posto que as contribuições exigidas são as dos segurados, as quais não estão abrangidas pela imunidade tributária suscitada. Nesse sentido, fica afastado esse argumento. Da inconstitucionalidade do art. 55 da Lei n. 8.212/1991 Para enfrentar a tese da possibilidade de órgão administrativo afastar a aplicação de lei em face do reconhecimento de sua inconstitucionalidade, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade de lei trazida pela recorrente. Juntada de provas A juntada de elementos probatórios no processo administrativo fiscal é regulada pelo Decreto n. 70.235/1972, nos seguintes termos: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos Considerandose que o recorrente não apresenta qualquer justificativa legal que ampare a apresentação de novas provas no presente momento processual, devese indeferir o seu requerimento nesse sentido. 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 121DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000698/200943 Acórdão n.º 240102.128 S2C4T1 Fl. 119 7 Conclusão Ante todo o exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar a preliminar de nulidade do lançamento, por indeferir o pedido para juntada de novas provas e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 122DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10950.005461/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 02/10/2009
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 33, § 2.º E 3 º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO
283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OBRIGAÇÃO
PRINCIPAL FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 33, § 2.º e 3 º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
Ao deixar de apresentar documentos relacionados a registros contábeis, qual seja deixar de apresentar os extratos, incorreu a empresa em descumprimento da lei, importando falta imputada pelo artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório fiscal da infração como da multa aplicada.
Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.114
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º e 3 º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Ao deixar de apresentar documentos relacionados a registros contábeis, qual seja deixar de apresentar os extratos, incorreu a empresa em descumprimento da lei, importando falta imputada pelo artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório fiscal da infração como da multa aplicada. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10950.005461/200930 Acórdão n.º 240102.114 S2C4T1 Fl. 57 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.222.8860, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, ao deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previstas na lei 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme dispositivo legal infringido. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 05:, foram solicitados documentos e livros imprescindíveis à auditoria, através do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal de 04/06/2009. No exame da movimentação financeira detectamos uma divergência com o faturamento apresentado pela empresa. Desta forma, para esclarecer tal divergência, solicitamos, através do Termo de Intimação Fiscal no 01, de 06/08/2009, a apresentação de extratos bancários de todas as contas correntes movimentadas pela empresa nos anos de 2005 a 2008. A empresa apresentou extratos do Banco do Brasil, Banco Real, Banco SICOB e Banco Santader, deixando de apresentar os extratos do Banco Brasdesco. Considerando que até a data de hoje, decorridos 57 (cinquenta e sete) dias a empresa não apresentou os extratos do Bradesco, lavramos o presente Auto de Infração. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 02/10/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 09/10/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 17 a 25. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 36 a 39. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 44 a 51 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam:. 1. Ausência de Tipicidade da Conduta da Empresa Recorrente a ausência de apresentação dos extratos se deu única e exclusivamente em razão da conduta da instituição financeira, pois essa se furtou a fornecer os referidos extratos, apesar de inúmeros protocolos de solicitações feitos ao Banco Bradesco S/A; 2. Cumpriu com todas as determinações e requisições da Autoridade Fiscal que estavam ao seu alcance, motivo pelo qual a aplicação da multa tornouse inteiramente ilegal; 3. O Auditor Fiscal não se deu por satisfeito com todas as informações e extratos apresentados pela empresa, e presumiu, a seu bel talante, pela existência de movimentação financeira superior a receita bruta, na sagacidade de promover a autuação contra a empresa; Fl. 72DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 4. A conduta imputada à empresa no Relatório Fiscal da Infração não se enquadra no art. 33, §§2° e 3° da Lei n°8.212/91, qual seja, "recusa, sonegação de qualquer documento ou informação", e isso vem caracterizar atipicidade da conduta atribuida à empresa; 5. Diante da ausência de ato ilícito e de sua atipicidade, não resta ao Fisco outra alternativa sendo a de declarar nula a multa aplicada; 6. Por outro lado, o artigo 233, parágrafo único do Decreto n°3.048/99 Regulamento da Previdência Social, não traz em seu bojo a definição do que seja uma infração legal, tratando apenas do documento considerado deficiente, por isso, não se pode falar em infringencia por parte da autuada ao citado artigo; 7. Ilegalidade da Multa Aplicada Proibição do Confisco a multa foi aplicada com efeito confiscat6rio, o que é vedado constitucionalmente, e que também desobedeceu aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. 8. Por fim, requer a improcedência da exigência fiscal em questão, face sua desproporcionalidade entre a penalidade aplicada e a suposta existência de movimentação financeira superior à receita bruta. .A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10950.005461/200930 Acórdão n.º 240102.114 S2C4T1 Fl. 58 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 55. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar o procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Ao detectar diferenças de lançamento requereu a autoridade fiscal os extratos, não tendo a empresa apresentado alegando que não houve recusa na apresentação, mas não obteve a empresa os extrato do banco bradesco, , não podendo ser penalizada pela falta cometida por terceiro. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Contudo, dito argumento não é suficiente para afastar a autuação, posto que o fato que configura a infração restou configurado, qual seja “deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previstas na lei 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme dispositivo legal infringido.” Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois tendo sido encontrada divergências, deveria a empresa apresentar o referidos extrato. O fato de ter a empresa tido problemas para que o banco fornecesse os extratos, não possui o condão de afastar a infração. No que tange a argüição de ilegalidade da multa aplicada pela legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade ou legalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na aplicação da multa, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10950.005461/200930 Acórdão n.º 240102.114 S2C4T1 Fl. 59 7 Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n ° 8.212/1991. VALOR DA MULTA Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Quanto aos valores da multa aplicada, onde questiona o recorrente serem indevidos, ressaltese: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portanto, conforme dispôs a Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e seu decreto regulamentador acima descrito, a Portaria MPS/GM N° 142, de 11/04/2007 reajustou os valores da multa: Art. 9° A partir dei° de abril de 2007: V — o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social — RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art.283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos) a R$ 119.512,33 (cento e dezenove mil quinhentos e doze reais e trinta e três centavos); Notese que mesmo depois de ter suas alegações de impugnação sido afastadas, não fez o recorrente, qualquer prova do alegado, trazendo qualquer novo documento para demonstrar as ditas inconsistências, ou mesmo apresentou os documentos durante a fase impugnatória . Conforme descrito pela autoridade fiscal a autuação só foi aplicada após 57 dias da solicitação. Ademais, a alegação de que não tinha a intenção de praticar qualquer falta, também não afeta o lançamento, uma vez que a intenção do agente não interfere, ou seja o fato de ter agido com dolo ou culpa não interfere no lançamento. Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, não havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais, posto inclusive a possibilidade de relevação. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO Fl. 77DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10950.005461/200930 Acórdão n.º 240102.114 S2C4T1 Fl. 60 9 Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 78DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10183.003872/2006-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR.
A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extra fiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário, condição especial para
proteção da área de reserva legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.510
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (relatora) e Atilio Pitarelli. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Recorrida DRJ em CAMPO GRANDEMS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário, condição especial para proteção da área de reserva legal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (relatora) e Atilio Pitarelli. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Relatora Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Redator designado Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 EDITADO EM: 24/08/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/09 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 2002, relativamente ao imóvel denominado “Fazenda Paralelo 10”, localizado no Município de Aripuanã MT. De acordo com os esclarecimentos constantes do Auto, o lançamento decorreu da glosa das áreas declaradas como sendo de utilização limitada (reserva legal, que fora averbada a menor do Registro de Imóveis e sem apresentação do ADA) e de exploração extrativa (Plano de Manejo comprovado era menor que o declarado) no imóvel. Através deste lançamento, foram alteradas as áreas declaradas pela contribuinte da seguinte forma (cf. quadro de fls. 02): 2002 Declarado Considerado no lançamento Área de Utilização Limitada 20.000,0 0,0 Exploração Extrativa 4.800,0 3.000,0 Cientificada do lançamento, a Interessada apresentou a Impugnação de fls. 90/101, por meio da qual alegou que encontrara um ADA apresentado ao Ibama no ano de 2000, e que a área de reserva legal de seu imóvel corresponderia a 80% do mesmo, nos termos da lei. Alegou ainda que o imóvel tinha área de preservação permanente, a qual, apesar de não ter sido declarada efetivamente existia e deveria ser reconhecida. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Brasília decidiram pela parcial manutenção do lançamento, acolhendo, como comprovadas as seguintes áreas, verbis: Assim, com base no ADA de 2000, é possível afastar a tributação do ITR relativo às áreas de preservação permanente no total de 2.702,1 ha e da área de reserva legal de 12.500,0 ha, para o exercício de 2002.(...) Consideraram como não impugnada a parcela do lançamento relativa à glosa da área declarada como sendo de exploração extrativa. Inconformada com tal decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 125/137, por meio do qual reitera os argumentos expostos em sede de impugnação, discorrendo sobre o conceito de reserva legal. Alegou que a própria Secretaria Estadual do Meio Ambiente de Mato Grosso emitiu termo de retificação da área de reserva legal de seu imóvel, ampliandoa para 80%. Em seguida, discorreu sobre os julgados do STJ acerca da Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.003872/200686 Acórdão n.º 210201.510 S2C1T2 Fl. 171 3 inexigibilidade do ADA para fins de redução da base de cálculo do ITR, trazendo também à colação os julgados do Conselho de Contribuintes a respeito da matéria. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 23.06.2008, como atesta o AR de fls. 124. O Recurso Voluntário foi interposto em 16.07.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento decorrente da glosa das áreas declaradas pela Recorrente como sendo de utilização limitada (reserva legal), bem como de exploração extrativa. A decisão recorrida já reconheceu em parte o direito da Recorrente, tendo também considerado como não impugnada a parcela do lançamento relacionada à glosa da área de exploração extrativa. Sendo assim, a questão que chega a esta Turma para julgamento diz respeito somente à glosa da área de reserva legal, cujos dados são os seguintes, após a decisão recorrida (que também reconheceu a existência de área de preservação permanente, mesmo que não declarada): 2002 Declarado Considerado no lançamento Considerado pela DRJ Área de Utilização Limitada 20.000,0 0,0 12.500,0 Área de Preservação Permanente 0,0 0,0 2.702,1 Sustenta a Recorrente que a efetiva área de reserva legal existente em seu imóvel é de 20.000,0 hectares, pois corresponderia a 80% do total da propriedade, nos termos do que determina a legislação em vigor. Este argumento, porém, não foi acolhido pela decisão recorrida, já que no ADA apresentado pela Recorrente para o ano de 2000 constava apenas a existência de 12.500,0 hectares de área de reserva legal (percentual correspondente a 50% da área total do imóvel). Por isso, somente esta área foi acolhida como comprovada. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 A decisão recorrida, em entendimento que corroborou o esposado pela autoridade lançadora, entendeu que somente poderiam ser reconhecidas como comprovadas as áreas devidamente declaradas em ADA para fins de redução do ITR. Por outro lado, de acordo com a defesa da Recorrente, a exigência de apresentação do ADA como condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente para fins de apuração do ITR não encontra amparo na jurisprudência, e por isso não poderia impedir a exclusão das mesmas em sua DITR. Há que se analisar então se é efetivamente necessária a apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da tributação pelo ITR, e ainda qual seria o prazo legal para a sua apresentação nestes casos. No que diz respeito à exigência deste documento, é de se ressaltar que desde a edição da Lei nº 10.165/2000 – que acrescentou o art. 17O à Lei nº 6.938/81 a obrigação de apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas referidas do cálculo do ITR passou a ser veiculada em lei, e por isso mesmo exigível de todos os contribuintes, verbis: "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) "§ 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR) (...) A referida norma, como se vê, passou a determinar a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de reserva legal e utilização limitada. Daí porque a partir do exercício 2001 a apresentação do ADA é, de fato, um requisito para tal. No entanto, esta norma é silente no que diz respeito ao prazo para sua apresentação. Sendo assim, é de se concluir que a apresentação deste documento ao Ibama é obrigatória a partir de 2001 como condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da tributação pelo ITR, mas que o prazo para esta apresentação não deve necessariamente se dar dentro do tempo pretendido pelas autoridades fiscais (de 6 meses). Na hipótese em exame, a Recorrente trouxe aos autos cópia de dois ADA. O primeiro deles foi apresentado ao Ibama em 23.02.2000, e foi considerado como válido pela decisão recorrida, que acabou por reconhecer a existência das áreas lá declaradas (12.500,0 hectares de reserva legal e 2.702,1 hectares de área de preservação permanente). O segundo deles foi apresentado ao Ibama em 31.10.2006 e atesta a existência de uma área de reserva legal de 20.000,0 hectares. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.003872/200686 Acórdão n.º 210201.510 S2C1T2 Fl. 172 5 Sendo assim, a Recorrente demonstrou ter atendido à exigência legal de apresentar tal documento. Por outro lado, merece acolhida a alegação da Recorrente de que a área de reserva legal averbada para seu imóvel correspondia a 50% de sua área total, na medida em que a legislação em vigor no momento da averbação previa este percentual legal para a área de reserva. Segundo sua defesa, com a alteração na legislação, a área de reserva legal na área em que está localizada passou a corresponder a 80% do imóvel. Tais argumentos são corroborados pelo laudo de fls. 79, segundo o qual a Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SEMA/MT já emitira Termo de Retificação de averbação de reserva legal. Estes termos foram devidamente anexados ao autos às fls. 62/69, dos quais é possível confirmar que a área total da propriedade é de 25.002.,9179 hectares, sendo que 20.004.6579 correspondem à “reserva legal existente”. Tais documentos, a meu ver, são suficientes a demonstrar a efetiva existência da referida área de reserva legal declarada (de 20.000,0), objeto de glosa por meio do lançamento em exame. Assim, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Voto Vencedor Conselheiro Rubens Maurício Carvalho, Redatordesignado. Divirjo da ilustre relatora, exclusivamente, em relação à questão da obrigatoriedade da averbação na matrícula do imóvel para fruição da benesse em face do ITR. Assim, passo a verificar a existência do requisito formal da averbação na matrícula do imóvel para fruição do benefício no âmbito do ITR para a área de reserva legal. Em relação à área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I Omissis; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei nº 4.771/65 definemse os percentuais de cobertura florestal a título de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do benefício no âmbito do ITR, já que a Lei nº 9.393/96 assevera a exclusão da área de reserva legal, porém remetendoa ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei nº 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme art. 55 do Decreto nº 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 – MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI Nº 4.771/65. MATRÍCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.003872/200686 Acórdão n.º 210201.510 S2C1T2 Fl. 173 7 I A questão controvertida referese à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matrícula do imóvel. II "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam à conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS nº 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matrícula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV Recurso Especial provido. (grifouse) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis nº 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o benefício tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei nº 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, é obrigatória a averbação na matrícula do imóvel e sem essa condição não há como o contribuinte se beneficiar da isenção pleiteada. Ou seja, a averbação na matrícula do imóvel para as áreas de reserva legal constitui juridicamente o direito para que o contribuinte possa exercêlo. sem ela, não há direito a ser exercido. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho, Redatordesignado. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10875.003415/95-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IPI — CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. As telhas de aço onduladas
ou trapezoidais, mesmo pintadas, destinadas à construção de telhados ou fechamentos laterais de construção, constituindo-se
em elemento estrutural e de acabamento de edificações, classificam-se no código NCM 7308.90.90.
Numero da decisão: 9303-001.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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As telhas de aço onduladas ou trapezoidais, mesmo pintadas, destinadas à construção de telhados ou fechamentos laterais de construção, constituindose em elemento estrutural e de acabamento de edificações, classificamse no código NCM 7308.90.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 22/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffman Relatório Fl. 293DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Em exame recurso manejado pelo contribuinte que busca reformar decisão da Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, prolatada em 16 de agosto de 2006, que entendeu correta a classificação fiscal proposta pela autoridade autuante (capítulo 72) com respeito ao produto telhas galvanizadas, conhecidas comercialmente como “telhas metálicas”. A decisão recorrida restou assim ementada: "CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TELHAS METÁLICAS. As chapas de aço comercialmente denominadas "telhas metálicas", podem ser usadas como elementos estruturais, em acabamento de edificações, destinadas à construção de telhados e fechamentos laterais, como também em utilidade diversa. Na Nomenclatura do Sistema Harmonizado, como regra geral, a destinação da mercadoria não determina a classificação fiscal, salvo quando o texto da posição, ou subposição, o especifique. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Como fundamentação básica dessa conclusão, aduziu o redator designado: A minha discordância em relação ao voto do eminente relator se concentra na fundamentação utilizada para caracterizar uma determinada classificação fiscal de forma vinculada à destinação da mercadoria à construção civil. Ora, as chapas de aço comercialmente denominadas "telhas metálicas", podem sim ser usadas como elementos estruturais, ou em acabamento de edificações, podem ser destinadas à construção de telhados e fechamentos laterais, mas também podem ser utilizadas em utilidade diversa. Na Nomenclatura do Sistema Harmonizado, como regra geral, a destinação da mercadoria não determina a classificação fiscal, salvo quando o texto da posição, ou subposição, o especifique. Não faz sentido diante das especificas regras que norteiam a Nomenclatura do Sistema Harmonizado, pretender como fez a empresa recorrente, e foi corroborado no voto do ilustre relator vencido, que telhas metálicas destinadas à construção civil tenham uma determinada classificação fiscal e as telhas metálicas destinadas a fim diverso tenham outra classificação fiscal. A classificação fiscal apontada pela fiscalização está consoante entendimento oficial da Receita Federal de pleno conhecimento da ABCEM, posto que se encontra registrada em Pareceres Normativos e respostas a consultas. A propósito o documento de fls.11 revela que aquele órgão de classe orientou seus associados a não mais veicularem consulta ao fisco, posto que sua posição solidificada já era conhecida e ainda assim frontalmente contestada pela ABCEM, que recomendou aos associados a continuar classificando as telhas metálicas no Capitulo 73, com a promessa de em momento oportuno capitanear ação judicial em defesa de sua tese rejeitada pela SRF. Entretanto, ao que parece, tal ação não se concretizou, porém muitos dos associados da ABCEM, como no caso presente, aparentemente seguiram a imprudente orientação Fl. 294DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10875.003415/9580 Acórdão n.º 9303001.633 CSRFT3 Fl. 2 3 apesar das respostas às consultas decidindo em última instância contra o que parecia ser o seu interesse. Vale dizer que à época da lavratura do auto de infração o já longínquo ano de 1995 havia mesmo reiteradas decisões em processos de consulta formalizados junto à Coordenação do Sistema Aduaneiro da Secretaria da Receita Federal (COANA) que apontavam como correta a classificação proposta pela fiscalização. O mesmo se passava ainda quando da formalização do recurso voluntário (2002). Por essa ocasião, porém, o entendimento da SRF já não era pacífico, tendo a então recorrente mencionado Solução de Consulta da 8ª Região Fiscal que corrobora a classificação por ela pretendida (7308.9090). Posteriormente a ela e antes da prolação do decisum ora objurgado, reconheceu a última instância da SRF (Solução de Consulta COANA nº 09, publicada no DOU em 12 de novembro de 2003) que a classificação correta seria a realizada pela recorrente. O recurso especial a isso fez referência, mencionando também diversas decisões do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes a ela aderentes. O recurso foi, por isso mesmo, admitido pela Presidente da Terceira Câmara daquele Colegiado, consoante despacho de fls. 257/259. Contrarazões às fls. 261 a 270. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Examino o recurso, dado que os requisitos de admissibilidade foram bem apreciados. Com razão o recorrente. De fato, as telhas metálicas produzidas a partir de perfis laminados constituemse em elementos estruturais para edificações e se destinam, precipuamente, à construção de telhados e fechamentos laterais. Como tal, classificamse na posição 7308.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul como, aliás, já reconhecido pela própria Administração tributária (Solução de Consulta nº 09 da Coordenação do Sistema Aduaneiro da Secretaria da Receita Federal, publicada no DOU em 12 de novembro de 2003). Ao contrário, não procede o argumento aposto no voto vencedor do acórdão recorrido, e repetido em contrarazões da PFN, segundo o qual tais produtos não se destinam à construção civil e como tal deveriam se enquadrar em posições do capítulo 72. Para tal conclusão, parecemme bastantes as seguintes notas do capítulo 72 que definem os produtos aí classificáveis: Fl. 295DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 CAPÍTULO 72 FERRO FUNDIDO, FERRO E AÇO Notas 1. Neste Capítulo e, no que se refere às alíneas d), e) e f) da presente Nota, na Nomenclatura, consideramse: ... ij) Produtos semimanufaturados: os produtos maciços obtidos por vazamento contínuo, mesmo submetidos a uma laminagem primária a quente; e os outros produtos maciços simplesmente submetidos a laminagem primária a quente ou simplesmente desbastados à forja ou martelo, incluídos os esboços de perfis. Estes produtos não se apresentam em rolos. k) Produtos laminados planos: os produtos laminados, maciços, de seção transversal retangular, que não satisfaçam à definição da Nota 1ij) anterior: em rolos de espiras sobrepostas, ou não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75mm, ou de largura superior a 150mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75mm. Os produtos que apresentem motivos em relevo provenientes diretamente da laminagem (por exemplo: ranhuras, estrias, gofragens, lágrimas, botões, losangos) e os que tenham sido perfurados, ondulados, polidos, classificamse como produtos laminados planos, desde que aquelas operações não lhes confiram as características de artefatos ou obras incluídos em outras posições. Os produtos laminados planos, de quaisquer formas (excluídas a quadrada ou retangular) e dimensões, classificamse como produtos de largura igual ou superior a 600mm, desde que não tenham as características de artefatos ou obras incluídos em outras posições Assim, sabido que os produtos a classificar não se enquadram nas condições previstas na nota 1ij, somente se poderiam classificar neste capítulo 72 se não tivessem as características de obras incluídas em outras posições (nota 1k, in fine). Não nos parece seja esse o caso das telhas. Deveras, possuem elas características próprias que as destinam ao uso em construções. Aliás, essa a conclusão expressa nas notas técnicas elaboradas pela ABNT mencionadas no acórdão paradigma. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10875.003415/9580 Acórdão n.º 9303001.633 CSRFT3 Fl. 3 5 Diferentemente do quanto defendido pelo relator da decisão recorrida, nem mesmo a circunstância de que as telhas possam ser utilizadas em outra finalidade que não a construção de telhados (aplicações, por sinal, que ele não discrimina) impede, a meu sentir, a classificação no capítulo 73 na medida em que ali tampouco se exige o uso exclusivo. Insta frisar que o recurso voluntário não pretendia, nem o voto vencido o afirmou, que o produto se deveria classificar em uma dada posição se destinado a construção e em outra em caso diverso. O que se postulou e foi reconhecido pelo relator vencido foi que as telhas se classificam na posição pretendida pela empresa, não há outra. Vale a transcrição: Destarte, os produtos da recorrente consistem em telhas metálicas, tubos, perfis e outras peças de aços destinadas ao uso na construção civil, devendo classificarse na posição 73.08.90.99.00, por ser esta a posição mais especifica, uma vez que se tratam de produtos especificamente destinados à construção civil, não lhes sendo aplicáveis as classificações genéricas "obras de aço" que se reportam à classificação sugerida pelo agente fiscal. Corrobora tal entendimento a Portaria Interministerial n° 218 de 11/10/2001, editada pelo Ministério de Desenvolvimento Industrial e Comercial Exterior e pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, que no anexo esta portaria adotou a classificação 73.08.90.10 para telhas onduladas e trapezoidais, perfeitamente aplicável, portanto, as telhas metálicas de aço galvanizado comercializadas pela recorrente. E o embasou, ainda, em solução de consulta concorde com a pretensão da então recorrente. Diante do quanto exposto, e em consonância com a própria definição dada pela Coordenação Aduaneira da SRF, voto pelo provimento do recurso especial do contribuinte de modo a reconhecer que as telhas metálicas por ele produzidas classificamse na posição 7308.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul, sujeita, no período, à alíquota zero. Em conseqüência, por reformar a decisão, afastando a pretendida exigência fiscal. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 297DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Fl. 298DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13678.000044/2002-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS
CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. Incabível o cômputo de
juros a valores deferidos em ressarcimento, por absoluta falta de previsão legal, necessária porquanto não se confundem juros e mera atualização monetária.
Numero da decisão: 9303-001.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martinez López, que negavam provimento.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. Incabível o cômputo de juros a valores deferidos em ressarcimento, por absoluta falta de previsão legal, necessária porquanto não se confundem juros e mera atualização monetária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martinez López, que negavam provimento. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 16/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Gileno Gurjão Barreto Relatório Fl. 472DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Cuidase de recurso especial proposto pela representação fazendária sob o entendimento de que a decisão proferida pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes contrariou a legislação tributária ao deferir a incidência de juros sobre valores ressarcidos a título de crédito presumido de IPI. A decisão recorrida foi sintetizada na seguinte ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. O aproveitamento de créditos do IPI incidentes sobre insumos utilizados na fabricação de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, somente é possível uma vez devidamente comprovada que os referidos insumos se constituem em matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem conforme prescreve a legislação de regência. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Como a atualização do crédito presumido pela taxa SELIC não representa nenhum aumento de seu valor real, justificase plenamente sua aplicação a partir da protocolização do pedido. Recurso provido em parte. Como demonstrado, as glosas promovidas pela fiscalização e ratificadas pela DRJ continuaram mantidas pela Câmara recorrida, que apenas reviu a impossibilidade de deferimento dos juros. O recurso manejado pela PFN aduz ter havido contrariedade ao art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95 que, ao deferir o acréscimo de juros a valores a serem devolvidos aos sujeitos passivos, apenas mencionou os casos de restituição. Defende a douta representação fazendária serem distintos os institutos da restituição – onde há um pagamento indevido – e do ressarcimento, no qual os recursos entregues pela Administração não decorrem de qualquer pagamento indevido ou a maior praticado pelo beneficiado. Combate ainda o recurso os argumentos da desnecessidade de ato legal, já que a Selic é taxa de juros e não mero índice de correção monetária, bem como o de que sua aplicação decorre da mora da Administração. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF que consta às fls. 161/162 sob o fundamento de que a decisão foi não unânime e contrariou, em tese, a legislação aplicável. Intimado, o sujeito passivo não formulou contrarazões. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O apelo fazendário atende os requisitos de admissibilidade e deve, no meu entender, ser provido. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13678.000044/200299 Acórdão n.º 9303001.724 CSRFT3 Fl. 2 3 Isso porque partilho todos os argumentos expostos pela representação fazendária, com base nos quais sempre deneguei tal acréscimo como as considerações a seguir demonstram. Por fim, também entendo correta a negativa de aplicação da taxa selic sobre o valor a ser ressarcido. É que não há lei que preveja o cômputo de juros em adição a valores postulados em ressarcimento. Esta adição, como se sabe, está autorizada apenas nos casos de restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente. Nos ressarcimentos nada foi pago indevidamente ou a maior. Também, a meu ver, incabível a tese de que tal adição visa apenas à correção ou atualização monetária para garantir o poder de compra do montante a ressarcir, dispensando lei autorizativa. É que, entendo, não se pode confundir a aplicação da taxa de juros selic com a figura da correção ou atualização monetária, pois aquela é autêntica taxa de juros, que incorpora, além da expectativa de inflação, efetiva remuneração, de vez que aplicada, em sua origem, à remuneração dos títulos da dívida pública e apenas trazida ao mundo tributário por força, originalmente, da lei 9.250/95. Assim sendo, não se pode admitir a tese de que sua aplicação independa de existência de norma legal, ao sabor do entendimento doutrinário pacificado de que “a correção monetária não constitui plus” mas apenas reposição do anterior poder aquisitivo do crédito. A taxa selic é, sim, plus e plus bastante alto, por sinal, como, aliás, reconhecem os mesmos contribuintes quando se trata de pagála nos recolhimentos em atraso... Ocorre que sendo uma remuneração, que embute, mas extrapola, o que se poderia chamar de “correção” monetária, a aplicação de juros ao ressarcimento constituiria, ao contrário, enriquecimento do sujeito passivo, que nada pagou indevidamente. Não é ele, portanto, credor da União, seja tributário, seja não tributário. Ademais, sabemos todos que o instituto da correção monetária, criado à época da ditadura militar, tinha por escopo preservar o valor de determinado crédito compensandoo pela inflação passada. Por outro lado, como taxa de juros prefixada que é, e disso não há dúvidas, o que a Selic embute é uma expectativa de inflação; ou seja, é a inflação que se espera que ocorrerá, não a que tenha eventualmente ocorrido e que se mede por um dos muitos índices disponíveis: IPC, INPC, IPCA etc. Como tal, pode se confirmar ou não. Pois bem, após o plano real não tem sido incomum que se registrem deflações (o que nem por isso fez a Selic negativa). Será que os que advogam a incidência de correção monetária pretenderão, nesse caso, reduzir o montante a ressarcir? Ou, por coerência, considerarão que há enriquecimento sem causa do postulante ao ressarcimento? Fl. 474DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Claro que a lei poderia deferir a incidência de juros nesses casos. Não o fez, porém. E não o tendo feito, não cabe ao intérprete fazêlo, ainda que a título de analogia ou de eqüidade. A partir da edição do art. 62A, recentemente incluído no Regimento Interno do CARF, vime obrigado a rever tais conclusões quando demonstrada a “resistência injustificada” por parte da Administração. Isso porque, aquele artigo tornou obrigatória a adoção do entendimento expresso em decisão do STJ que tenha sido proferida na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. E naquele e. Tribunal Superior consolidouse o entendimento de que a Selic é devida exatamente na forma que foi concedida no julgamento contestado desde que tenha havido aquela resistência (REsp 993.164 e 1.150.188, ambos da relatoria do Ministro Luiz Fux). No presente caso, entretanto, verificase da ementa e do voto condutor do acórdão que a empresa vem insistindo no pleito de valores que não estão amparados pela Lei. Isso restou demonstrado desde os trabalhos iniciais de verificação do seu pedido e tem sido reiteradamente confirmado pelas duas decisões proferidas. Destarte, não se configura qualquer resistência desmotivada por parte da Administração que enseje, a meu sentir, a aplicação do entendimento consolidado pelo e. Superior Tribunal de Justiça. Vale o registro de que aquele Tribunal Superior também vem entendendo que a mera demora na concessão equiparase à “recusa injustificada”, embora não haja decisões nesse teor proferidas já na sistemática do art. 543C. Esse entendimento, que vinha sendo acompanhado por esta e. Câmara Superior, foi revisto na última reunião realizada – outubro – e é o posicionamento que, a meu ver, se mostra mais consentâneo com os comandos legais. Com essas considerações, voto por dar provimento ao apelo fazendário. E é assim que voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 475DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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