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Numero do processo: 19515.002208/2003-42
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO POR DELEGACIA INCOMPETENTE. NULIDADE DO PROCESSO DESDE O ACÓRDÃO.
A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento está definida no regimento interno da Receita Federal do Brasil. São nulos os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3402-002.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral Dr. Leandro Bettini, OAB/SP 237.509.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros, Gilson Macedo Rosenbrug Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), Silvia de Brito Oliveira, Jacques Veloso de Melo (Suplente) e João Carlos Cassuli Junior. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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JULGAMENTO POR DELEGACIA INCOMPETENTE. NULIDADE DO PROCESSO DESDE O ACÓRDÃO. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento está definida no regimento interno da Receita Federal do Brasil. São nulos os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral Dr. Leandro Bettini, OAB/SP 237.509. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros, Gilson Macedo Rosenbrug Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Winderley Morais Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 08 /2 00 3- 42 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 (Substituto), Silvia de Brito Oliveira, Jacques Veloso de Melo (Suplente) e João Carlos Cassuli Junior. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3402002.128 S3C4T2 Fl. 725 3 Relatório Versa o processo de Auto de Infração por falta de recolhimento de Cofins, referente aos fatos geradores ocorridos nos anos de 1997/2000 e 2002, que constituiu crédito tributário no montante de R$ 2.781.950,94 incluído principal, multa de ofício e juros de mora. A descrição dos fatos e enquadramento legal constante do auto de infração (folhas 116 do processo – numeração eletrônica, n.e.) dá conta de que a autuação se deu em razão de diferenças apuradas entre o valor declarado e os valores escriturados pelo contribuinte, relativamente a contribuição. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, em 24/06/2003, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 24/07/2003, impugnação (fls. 121 a 138 n.e.) acompanhada de documentos juntados nos autos, aduzindo em apertada síntese que: Preliminarmente: o Auto de Infração é nulo pois, diante da greve dos servidores, não a contribuinte teve acesso aos autos do presente processo administrativo para que pudesse preparar a sua Impugnação de forma mais contundente; em relação aos valores referentes aos fatos geradores ocorridos no decorrer do anobase de 1997 e nos meses de janeiro a maio de 1998, operouse a decadência do direito de o Fisco constituir estes créditos tributários, vez que o lançamento tributário foi cientificado à Impugnante no dia 24 de junho de 2003; Meritoriamente: que as receitas financeiras e receitas de aluguéis obtidas nos períodos de janeiro de 1997 a janeiro de 1999 não eram tributáveis até o advento da Lei nº 9.718/98; que as diferenças entre os valores declarados em DCTF e recolhidos período entre 02/1999 a 12/2002, decorrem do fato de a Autoridade Fiscal não ter considerado os cancelamentos ou reduções de cobranças das anuidades (estornos), requerendo perícia para apurar tais diferenças; A taxa SELIC foi criada para o setor privado, onde a sua fixação visa remuneração do investidos, de forma competitiva e não pode ser aplicada como sanção por atraso do cumprimento de uma obrigação, e ainda, houve erro na apuração da taxa Selic aplicada aos fatos geradores ocorridos em 31/01/1997, 28/02/1998,3 30/06/1999, 31/08/1999 e 31/12/2002; Por fim, requereu o cancelamento do Auto de Infração e a extinção do Procedimento Administrativo. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, a Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, proferiu o Acórdão de nº. 16629, de 24 de fevereiro de 2006, julgando procedente o lançamento tributário, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/2002 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE VISTAS, FALTA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte não anexou aos autos qualquer documento/protocolo que indicasse o seu comparecimento á repartição, tratandose, pois, de um argumento sem a devida comprovação. DECADÊNCIA Em havendo descumprimento do disposto no art. 150 do CTN, cabe o lançamento de oficio, sendo que a contagem do prazo decadencial é efetuada consoante o inciso I do art. 173 do mesmo código.O prazo fixado por lei é de dez anos para as contribuições sociais (Lei no. 8.212/91, art. 45). Não há que se falarem decadência, pois o termo do prazo decadencial ocorrerá apenas em 31/12/2007. BASE DE CÁLCULO. ENCARGOS REPASSADOS. TRIBUTÁVEL. Os encargos repassados aos titulares dos cartões estão previstos contratualmente, sendo decorrência natural da atividade do contribuinte. Apenas se fossem receitas resultantes de operações atípicas, ou seja, estranhas ao objetivo estipulado no Estatuto Social da empresa, como também nos contratos de prestação de serviços, poderseia entender como não sujeitas tributação. BASE DE CALCULO. RECEITA DE ALUGUEL. EXCLUSÃO. Indevida a sua inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS, uma vez que a locação de imóveis não faz parte da atividade principal do contribuinte. PERÍCIA. Incabível a realização de perícia, uma vez que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento que indique a possibilidade de terem ocorrido os alegados estornos contábeis. CONSTITUCIONALIDADE DA TAXA SELIC. É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. PIS Fl. 727DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3402002.128 S3C4T2 Fl. 726 5 O lançamento do PIS segue a sorte do lançamento da Cofins por decorrer do mesmo procedimento fiscal de verificações obrigatórias, abrangendo as mesmas matérias tributáveis. Lançamento Procedente em Parte Inicialmente a DRJ registra que não há o que se falar em cerceamento de defesa vez que a recorrente não trouxe aos autos qualquer documento/protocolo que indicasse o seu comparecimento à repartição, bem como, as notícias de movimento grevista não possuem valor oficial, e ainda que não tenha tido vista dos autos, o recorrente demonstrou conhecimento dos fatos e provas que justificaram os lançamentos. Quanto à alegação de decadência a DRJ considerou a contagem disposta no artigo 173, I do CTN, considerando o período mais antigo, ocorrido em janeiro de 1997, iniciando a contagem à partir de 01/01/1998, chegando a conclusão que o direito de lançar persistiu até 31/12/2002. E, ainda, considerou o prazo decadencial de 10 anos trazido pelo artigo 45 da Lei 8.212/91, desse modo, entendeu que não há o que se falar em decadência. No que se refere ao pedido de exclusão das receitas financeiras dos períodos de 01/1997 à 01/1999, a DRJ considerou serem receitas diretamente vinculadas à atividade de prestação de serviços da recorrente estando correta a inclusão na base de cálculo da Cofins, devendose excluir apenas as receitas de aluguel auferidas em janeiro de 1999. Quanto ao período de 02/1999 à 12/2002, a DRJ não observou qualquer indício/documento de ter havido cancelamento ou redução de cobrança de anuidade, motivo pelo qual também indeferiu o requerimento de perícia. Por fim, aduziu a DRJ que, em se tratando de arguição de inconstitucionalidade, não é competente o foro administrativo para apreciar a matéria, porém, retificou os percentuais de juros aplicados nos valores dos fatos geradores ocorridos em 31/01/1997, 28/02/1998,3 30/06/1999, 31/08/1999 e 31/12/2002. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de 1ª Instância em 21/06/2007, conforme AR de fls. 538 – numeração eletrônica, a recorrente apresentou tempestivamente, em 20/07/2007, Recurso Voluntário a este Conselho, aduzindo preliminarmente que a decisão proferida pela DRJ Brasília é nula, posto que é incompetente para julgar, em primeira instância, o processo administrativo em questão, conforme Portaria SRF no 6.174/05. Alega que à época dos fatos, a contribuinte encontravase sediada em São Paulo, sendo, portanto, a DRJ de São Paulo competente para julgar o processo. A recorrente repisou a alegação de cerceamento de defesa trazida em sede de impugnação, transcrevendo em seu recurso, duas notícias de jornal de grande circulação onde uma delas com, data de 30/07/2003, informa que a greve teve início no dia 08 de julho de 2003. Ainda, em sede preliminar, alegou decadência dos períodos anteriores à junho de 1998, vez que o prazo estabelecido pela Lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional e Fl. 728DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 o Pis e a Cofins por serem créditos sujeitos ao lançamento por homologação, o regime jurídico aplicável é o do §4º do art. 150 do CTN. No mérito à contribuinte repetiu os fundamentos apontados na sua impugnação, e por fim, requereu a reforma total da decisão proferida pela DRJ. DAS CONTRARRAZÕES A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário no dia 09 de outubro de 2007 fazendo as seguintes considerações: A alegação de nulidade em razão do não acesso ao processo administrativo diante da paralisação dos serventuários da RFB, não merece guarida vez que a contribuinte poderia ter requerido devolução do prazo recursal no momento da normalidade do serviço; A portaria trazida pela contribuinte no recurso acerca da distribuição de competência, não pode valer mais do que competência prevista na Lei 8.748/93; O prazo decadencial se inicia em 01/01/1998; As receitas financeiras incluemse na base de cálculo como integrantes da receita bruta, conforme art. 3º, da Lei 9718/98; A taxa Selic encontra sua incidência e amparo legal na própria Lei e na exceção prevista no art.161, parágrafo único, do CTN. Por fim, requereu a inteira improcedência do recurso voluntário. DA DILIGÊNCIA Às fls.687 – numeração eletrônica, foi determinado na Resolução nº 141.130, da 2ª Turma, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em que o relator Júlio César Alves Ramos votou pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora: 1. confirme se a empresa, na data de julgamento dos autos, estava sediada mesmo no município de São Paulo; 2. informe sobre a existência de ato administrativo que tenha fixado, ainda que temporariamente e restrita a alguns processos, a competência para julgamento na DRJ Brasília. Neste ultimo caso, que se junte cópia do referido ato que permita afirmar que este processo se encontrava naquela situação. Cientificado da Resolução retro descrita, em reposta ao item 1, a DERAT/SP/DICAT/ECOB, informou que lançamento foi efetuado em 24.06.2003 no CNPJ de no 61.582.870/000100, estando a empresa sediada em São Paulo SP e em 11.06.2004 houve incorporação da empresa pelo CNPJ nº 33.344.557/000107, com sede em Osasco/SP. Posteriormente, em 01.09.2004, o CNPJ n° 33.344.557/000107 foi incorporado pelo CNPJ n° 33.870.163/000184, com sede em SalvadorBA, conforme fls. 693/695. Portanto na data do julgamento dos autos, em 24.02.2006, a sede da empresa era no município de SalvadorBA. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3402002.128 S3C4T2 Fl. 727 7 Quanto ao item 2, a DRJ/SPOI/SECOJ, por sua vez, acostou à estes autos esclarecimentos e documentos às fls. 722, informando que no Diário Oficial da União de 24/10/2003 foi publicada a Portaria SRF nº 1515, de 23/08/2003 (cópias as fls. 714/715) que transferiu a competência para julgamento dos processos administrativos fiscais , no âmbito das DRJ’s. No artigo 1ª, III, da referida Portaria, restou determinado que os processos relativos à A.I. do IRPJ e reflexos, que estivessem aguardando julgamento na data da publicação e que, cumulativamente, tivessem sido formalizados de 01/01/1999 a 30/0612003 com valor original dos autos de infração de R$ 5.000.000,00 a R$ 10.000.000,00, deveriam ser transferidos da DRJ São Paulo I para a DRJ Brasília. A Recorrente possuía outro processo, de nº 19515.002209/200397, de auto de infração de IRPJ, calculado em R$ 6.463.585,10 (fl.719), o qual, com base nas disposições acima citadas, foi encaminhado à Brasília. No inciso IV da referida Portaria, havia disposição de que os processos de auto de infração do IRFonte, CSLL, Cofins e Pis, formalizados em decorrência da mesma ação fiscal dos processos de IRPJ definidos no inciso III, deveriam ser transferidos da DRJ/SPO/I para a DRJ Brasília. Diante disso, a SECOJ da DRJ/SPOI transferiu esses autos para a SECOJ da DRJ/BSA/DF, conforme COMPROT de fls. 720/721, em virtude desse processo de Auto de Infração de Cofins decorrer da ação fiscal de IRPJ. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 04 (quatro) Volumes, numerados até a folha 723 (setecentos e vinte e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Considero, preambularmente, que o processo contém nulidade capaz de prejudicar a apreciação do recurso à melhor luz do direito, em face da prática de ato administrativo viciado, o qual, praticado por órgão incompetente, macula o direito de defesa do contribuinte, bem como ainda outros princípios que regem os atos administrativos, o processo administrativo fiscal, afrontando ainda o devido processo legal. Salientase que resta prejudicada a análise de quaisquer matérias discutidas nos autos, pelo que passo a expor meu entendimento pessoal quanto ao vício mencionado. A Recorrente alega em seu recurso a incompetência da DRJ/BSA para o julgamento da impugnação apresentada, haja vista que à época do julgamento aquela Delegacia de Julgamento somente teria competência para julgar processos das Unidades da SRF situadas nos Estados de Goiás, Tocantins e no Distrito Federal, nos termos do Anexo V do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, alterado pela Portaria 6.174, de 7 dezembro 2005. Vejamos o teor da Portaria acima mencionada: Portaria SRF nº 6.174, de 7 de dezembro de 2005. DOU de 8.12.2005 Altera o Anexo V do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da delegação de competência de que trata o art. 258 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal (SRF), aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, resolve: Art. 1º O Anexo V do Regimento Interno da SRF passa a vigorar com a redação constante do Anexo a esta Portaria. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. JORGE ANTONIO DEHER RACHID ANEXO Anexo V do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005: Delegacias da Receita Federal de Julgamento Localização Jurisdição Territorial Matéria Fl. 731DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3402002.128 S3C4T2 Fl. 728 9 Brasília (DF) Unidades da SRF situadas nos Estados de Goiás e Tocantins e no Distrito Federal. Tributos e contribuições administrados pela SRF, exceto: I IPI e lançamentos conexos; II IPIV, II, IE e demais tributos ou contribuições exigidos quando do despacho aduaneiro de mercadorias na importação ou na exportação. 6ª Região Fiscal. ITR. Ora, a autoridade preparadora, em cumprimento da diligência solicitada na resolução nº 340200.030, muito bem elaborada pelo ilustre Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, trouxe aos autos a informação de que a Recorrente estava sediada em São Paulo, SP, à época do lançamento do crédito tributário e à época do julgamento encontravase sediada em Salvador, BA. Cumpre esclarecer que, à época da tramitação dos autos para a fase de julgamento em primeira instância, vigorava a Portaria SRF nº 1515 de 23/08/2003, onde havia previsão de delegação de competência deste processo para DRJ/BSA realizar o julgamento, tendo em vista que continha as condições previstas na referida Portaria. Ocorre que, à época do julgamento, em 24/02/2006, a Portaria SRF 1515 de 23/08/2003 já não vigorava e sim, a Portaria SRF nº 6.174 de 07/12/2005 a qual havia alterado novamente a competência para julgamento dos processos administrativos fiscais, onde resta claro que o julgamento desses autos não era de competência da DRJ/BSA. Assim sendo, assiste razão a Recorrente ao alegar a incompetência da DRJ/BSA para julgar os autos. Sabese que em matéria de nulidade no processo administrativo tributário o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, prevê a nulidade dos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente. Salientese, ainda, que apesar de não ter sido dada a oportunidade para a Recorrente manifestarse sobre o resultado da diligência, não haverá cerceamento de direito defesa, vez que o reconhecimento da nulidade da decisão da DRJ/BSA foi pedido expresso da Recorrente, não lhe causando prejuízo, conforme o §3º, do mesmo preceito legal citado. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para o fim de: (1) declarar a nulidade dos atos processuais a partir do acórdão recorrido (autoridade incompetente), inclusive; e (2) determinar o retorno dos autos do processo à Unidade Preparadora, para que encaminhe o processo ao órgão competente para proferir novo respectivo julgamento. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 10 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005482/2004-89
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
1TR - PROPRIEDADE ARRENDADA. ÁREA DE PASTAGENS. PROVA DA EXISTÊNCIA CONTRATO PARTICULAR ENTRE AS PARTES. DECLARAÇÃO DO ARRENDANTE E GULA DE APURAÇÃO DE INFORMAÇÃO RURAL INFORMADA À SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA COMPROVAR A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE PASTAGENS.
Nos casos em que o proprietário arrenda propriedade rural para atividade pecuária, o contrato particular firmado entre as partes descrevendo a área de pastagens arrendada, junto com a guia de apuração de informação rural informada à Secretaria da Fazenda de Estado pelo arrendante, em data anterior ao procedimento de fiscalização, documentos estes somados à declaração prestada pelo arrendante no mesmo sentido, se constituem em elementos de prova suficientes para comprovar a existência da área de pastagens que foi glosada
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.877
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de 3.259 animais de grande porte.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 1TR - PROPRIEDADE ARRENDADA. ÁREA DE PASTAGENS. PROVA DA EXISTÊNCIA CONTRATO PARTICULAR ENTRE AS PARTES. DECLARAÇÃO DO ARRENDANTE E GULA DE APURAÇÃO DE INFORMAÇÃO RURAL INFORMADA À SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA COMPROVAR A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE PASTAGENS. Nos casos em que o proprietário arrenda propriedade rural para atividade pecuária, o contrato particular firmado entre as partes descrevendo a área de pastagens arrendada, junto com a guia de apuração de informação rural informada à Secretaria da Fazenda de Estado pelo arrendante, em data anterior ao procedimento de fiscalização, documentos •estes somados à declaração prestada pelo arrendante no mesmo sentido, se constituem em elementos de prova suficientes para comprovar a existência da área de pastagens que foi glosada Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do coleQiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de 3.259 animais de grande porte. ') i 0\4-Ji CARLOS ALBER • ").REITAS PkARRETO - Presidente MOISÉS r COM', LLI NUNES i; ' SILVA - Relator EDITADO EM: j - -(tAS7 d101-1) Participaram, do presente jul gamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (Suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório Pelo que se depreende da fl. 06 do auto de infração o contribuinte informou área de pasta gem de 4 110 hectares, mas não indicou rebanho. Assim, a área foi glosada com base no fundamento de que não existe rebanho no imóvel que justifique sua atividade, O contribuinte apresentou impugnação e juntou aos autos o contrato de arrendamento de pastagens e venda de animais de tis, 41/45, que tem por objeto a venda de 3..529 cabeças de gado e o arrendamento da área de 3..228,419 hectares de pastagem, área esta correspondente à parte da Fazenda Rio Corrente A grícola, localizada na cidade de Itiquira/MT. No contrato referido no parágrafo anterior a autuada fi gura como arrendante da área e vendedora do gado. A decisão recorrida entendeu que o contrato de fis, 41 a 45 não seria suficiente para comprovar a existência da pastagem e do rebanho indicado. Intimada, a recorrente, de forma tempestiva, in gressou com recurso de fls. 125/126, apontando como paradiona o acórdão ri 301-33,052, cuja cópia consta das fls. 131 a 139, sintetizado por meio da seguinte ementa: ITR — GRAU DE UTILIZ4Ç1O DO IMÓVEL PASTAGENS E REBANHO A retificação do cálculo do tributo depende da apresentação de provas consistentes da existência dos animais na propriedade, sendo suficiente, para isto, apresentação de contrato de arrendamento devidamente . formalizado, registrado em cartório e assinado por testemunhas. Recurso voluntário provido. "(Relatora designada Susy Gomes Hoffmann Julgamento em 13/07/2006) Além da ementa acima referida, foi citado como paradi gma o acórdão n° 303- 32,656. cuja sintese da ementa faz referência à necessidade de contrato de arrendamento ou parceria como instrumento necessário para comprovar a existência de pastagens e forma de utilização do solo. Processo o 10183 005482/2004-89 CSRF-T2 Acórdão n° 9202-01L877 Fl 2 O recurso foi recebido por meio do despacho de fis 152 a 154 e a Fazenda Nacional apresentou contranazões de fis 149 a 162, destacando que o contrato de arrendamento, por si só, não é suficiente para comprovar a atividade pecuária e área de pastagem, fazendo-se necessário, ainda, provas consistentes da existência dos animais na propriedade, provas estas que não vieram aos autos, Argumenta ainda que, a guia de apuração de informação rural de fi 80, informada na Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso, e a declaração de fls. 81, em que a arrendatária indica a área arrendada e os animais existentes sobre a propriedade, por terem sido apresentadas junto com o recurso, não são suficientes para provar a existência co citado rebanho e da área de pastagem É o relatório, Voto Conselheiro MOISÉS GlACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado. O acórdão recorrido entendeu que o contrato de arrendamento e venda de gado não se constitui em prova hábil para comprovar a existência da pastagem e do rebanho. Por sua vez, os acórdãos paradigmas destacam que contrato de arrendamento se constitui em meio hábil para fazer prova da existência da área de pastagens. Assim, entendo caracterizada a divergência Admito o recurso e passo ao exame do mérito. O direito brasileiro, tanto na esfera administrativa quanto judicial, adotou o princípio do livre convencimento do julgador. Por outro lado, em se tratando de prova documental, a exceção daquela em que a lei exige documento público, não se pode, sem elementos concretos, deixar de aceitar documento particular como meio de prova. No caso concreto refiro-me ao contrato de arrendamento de Es. 41/45, conjugado com as informações de fis, 80 a 81, que reputo suficientes para comprovar que, sobre a propriedade objeto da exigência do ITR, existia pastagem na área de 3228,419 hectares (fi, 80) e rebanho de gado, No caso concreto, verifico que, em 21/0.3/2001, isto é, em período bem anterior à autuação, a arrendatária entregou junto à Secretaria da Fazenda guia de informação e apuração rural, identificando operação de transação de animais oriundos da área arrendada, referente ao ano base de 2000. Tal prova, quando conjugada com o contrato de arrendamento de venda de gado de Es. 41 a 45, por meio do qual a autuada vendeu 3,259 cabeças de gado e arrendou 3_228,419 hectares e a declaração do representante legal da arrendante, especificando as características dos animais existente na propriedade, sobre a qual se faz a exigência do ITR, se constitui em meio de prova que me conduz ao convencimento da veracidade das informações constantes do contrato de Es. 41/45. Por fim, mas não menos importante, registro que não se pode exigir do arrendante ficha de vacinação, notas fiscais de vacinas, notas fiscais de produtor comprovando a comercialização de animais, visto que tais documentos são emitidos em nome de quem compra as vacinas, movimenta o gado ou vende os animais, no caso o produtor (arrendatário) que não se confunde com o arrendante. É de se destacar que a área glosada com pastagens foi de 4.110 hectares, no entanto, as provas dos autos dão notícia da existência de 3 228,419 hectares cobertos por , pastagens . Assim, é de se dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa apenas da área comprovada (3..228,419 hectares). ISTO POSTO, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, para reconhecer a existência de 3.2.59 animais de grande porte. É o voto \. MoiSes iacome 1 1 -unes a uva - R- -atgr 4
score : 1.0
Numero do processo: 13888.004763/2010-13
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13888.004763/2010-13 Resolução n.º 2202-00.175 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1.602 a 1610, integrado pelos demonstrativos de fls. 1.594 a 1.599, pelo qual se exige a importância de R$773.817,46, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, anos-calendário 2005 a 2008. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.617 a 1.621, instruída com os documentos de fls. 1.622 a 1.655, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fl. 1.665): Lavrado o Auto de Infração e cientificada a contribuinte, apresentou a defesa de fls. 1617/1621, afirmando que não estaria demonstrado que houve supressão de tributos e que colaborou para a elucidação dos fatos, sendo que nem todo o dinheiro representa lucros e que quem utilizava as contas era seu esposo Ivan, o que teria sido confirmado por este e pelas demais pessoas intimadas a apresentar informações. Afirma que exercia trabalho informal destinando todo o rendimento para o seu próprio sustento e de sua família e que o dinheiro da conta era decorrente das atividades de comercialização de veículos, realização de festas, dinheiro de clientes para pagamentos de fornecedores, etc, cuja margem de lucro seria muito pequena. Afirma que eram recebidos cheques de terceiros, os quais eram depositados na sua conta-corrente para pagar inúmeros fornecedores, prática esta utilizada por todos os comerciantes atacadistas e varejistas. Afirma que não há memória para justificar todos os lançamentos. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 17-50.410 (fls. 1.659 a 1.670), de 03/05/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1o de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13888.004763/2010-13 Resolução n.º 2202-00.175 S2-C2T2 Fl. 3 3 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 26/05/2011 (vide AR de fl. 1.674), o contribuinte interpôs, em 15/06/2011 (vide envelope de fl. 1.681), tempestivamente, o recurso de fls. 1.675 a 1.679, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 1.680), expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 25/07/2011, veio digitalizado até à fl. 16911 . 1 Processo digital. Numeração do e-processo. O processo físico foi numerado até a fl. 1681 (fl. 1688 da digitalização). Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13888.004763/2010-13 Resolução n.º 2202-00.175 S2-C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Trata-se de lançamento relativo aos anos-calendário 2005 a 2008 decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Numa análise preliminar dos autos, observa-se que parte dos extratos bancários que compõe o presente processo foi fornecida pelo próprio contribuinte e outra parte entregue diretamente pela instituição financeira, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, sem prévia autorização judicial, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme consta do Termo de Constatação Fiscal às fls. 1579 a 1593. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13888.004763/2010-13 Resolução n.º 2202-00.175 S2-C2T2 Fl. 5 5 no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram-se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, por força do disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000004/2008-14
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO
Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo.
PLANTIO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS
Gastos no plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa.
EXTRAÇÃO
Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativas.
FRETES E COMBUSTÍVEIS
Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito.
PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL.
O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização.
SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL
Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo.
CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-01.143
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração, bem assim com a aquisição das partes de máquinas denominadas contra-faca dos picadores Demuth, Klockner e Camura. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção das máquinas e do parque fabril e a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp, além do Conselheiro Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção das máquinas e do parque fabril.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo. PLANTIO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos no plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativas. FRETES E COMBUSTÍVEIS Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito. PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL. O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo. PLANTIO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos no plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computálos como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matériaprima empregada no processo produtivo enquadramse no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social nãocumulativas. FRETES E COMBUSTÍVEIS Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporamse ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 2 2 Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito. PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL. O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração, bem assim com a aquisição das partes de máquinas denominadas contrafaca dos picadores Demuth, Klockner e Camura. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção das máquinas e do parque fabril e a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp, além do Conselheiro Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção das máquinas e do parque fabril. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Fl. 409DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 3 3 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de COFINS NãoCumulativa, apurados no segundo trimestre de 2007, no montante de R$ 3.179.347,62. A Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Monte Dourado, por intermédio do Despacho Decisório de fls. 192/209, deferiu parcialmente o pleito, indicando às fls. 205/207 os bens e serviços que cujo ingresso na base de cálculo dos créditos em questão não foi reconhecido. Irresignada com a decisão, de que tomou ciência em 01.10.2008 (fl. 210), a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, em 30.10.2008 (fls. 220/234), a qual exibe o conteúdo que segue resumido: a) A glosa parcial dos créditos é absolutamente dessarrazoada, não só em virtude de uma interpretação sistemática da Lei n° 10.833/2003, como também pelo dispositivo contido no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, que elimina toda e qualquer dúvida sobre o princípio da não cumulatividade aplicável de forma ampla e irrestrita à contribuição em tela. b) Apresenta síntese do seu processo produtivo e ressalta que, ao contrário de outras empresas do setor de celulose, em virtude de necessidades específicas e de estratégias de mercado, utiliza para sua produção matériasprimas produzidas por ela própria, eliminando assim uma etapa da cadeia básica do seu setor. Deste modo, ao invés de adquirir a madeira de terceiros, investiu e investe muito em sua floresta. Ocorre que, por isso, incorre em despesas de elevada monta para a sua manutenção, que se consubstanciam inegavelmente em insumos imprescindíveis à sua atividade agroindustrial de fabricação de celulose. c) Entende que os custos advindos do emprego de bens e serviços na sua atividade florestal enquadramse claramente no conceito de insumos para a produção da celulose que comercializa, devendo, portanto, ser admitidos como passíveis de creditamento na apuração da contribuição social em comento. A legislação permite que o contribuinte aproveite como créditos os valores de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. A celulose é obtida através da decomposição da madeira, por um processo físico químico. A madeira é a própria matériaprima essencial da celulose. A glosa dos produtos e serviços utilizados no plantio da madeira viola claramente o princípio da nãocumulatividade. Questiona se sua opção em produzir a própria matériaprima é fato que autoriza a sua discriminação. Conclui que o fato de ser uma empresa agroindustrial, de ter uma cadeia de produção maior que a maioria das demais empresas do setor, não autoriza a oneração de sua produção, mediante a tributação majorada do seu faturamento. Portanto, geram direito a crédito os custos Fl. 410DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 4 4 havidos com os serviços e insumos florestais, sob pena de afronta às disposições contidas na Lei n° 10.833/2003 e violação aos princípios da igualdade e da nãocumulatividade. Refere entendimento recente exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. d) A decisão ora impugnada desconsiderou o direito da defendente ao aproveitamento do crédito da contribuição calculado sobre serviços de transporte, na aquisição de combustível utilizado em sua própria frota de veículos, bem como a prestação de serviços contratados para a manutenção de seu parque fabril. e) A contratação de empresa que presta serviços de transporte é essencial às suas atividades, de maneira que podem ser considerados como insumos ensejadores da apuração dos créditos em pauta. Também o combustível utilizado para movimentar sua frota de veículos deve ser considerado na apuração dos créditos. f) Já com relação aos créditos apurados sobre os custos da prestação de serviços da manutenção do parque fabril, resta claro que sem a realização de tal manutenção, as atividades relacionadas à produção de celulose ficam seriamente prejudicadas. À medida que os serviços de manutenção são essenciais à atividade de produção realizada pela defendente, possuindo assim estrita relação com o processo produtivo da pasta de celulose, os créditos apurados da contribuição social sobre os respectivos custos incorridos devem também ser reconhecidos. Refere solução de consulta. g) Também não merece prosperar a glosa de valores relativos à aquisição de base de contrafaca, placas de desgaste, carimbos, lâminas de facas, pente inferior de picador, bigorna para picador, quebrador de cavaco e dos respectivos custos de frete. Tratamse de insumos utilizados diretamente na produção de celulose, que não foram incorporados ao ativo permanente e cuja vida útil não ultrapassa um ano. A recorrente sequer realiza a depreciação dos bens em questão. A IN SRF nº 404/2004 assegura o direito ao crédito sobre o custo de bens que se desgastam durante o processo produtivo. Por sua vez, a glosa dos créditos sobre o custo do frete relacionado a estes bens não se justifica pelas razões já expostas. h) A nãoaplicação da taxa Selic sobre os créditos da defendente anula o princípio da isonomia previsto no caput do artigo 5° da Carta Magna, uma vez que a RFB faz uso de tal taxa para a atualização de seus créditos. Refere julgados administrativos. i) Ratificando todos os argumentos até aqui apresentados, junta parecer jurídico elaborado pelo advogado Marco Aurélio Greco, que corrobora o entendimento da defendente sobre a questão jurídica em exame e encontrase às fls. 263/313. Em complementação ao laudo do processo produtivo florestal apresentado anteriormente, apresenta laudo complementar, no Fl. 411DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 5 5 qual é realizada a discriminação detalhada deste processo e a utilização dos denominados insumos silviculturais (fls. 236/262). j) Abre mão do questionamento acerca do indeferimento dos créditos relacionados às operações de venda de água e energia elétrica aos habitantes da Vila de Monte Dourado. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo contribuinte, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do CTN. COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem gerar créditos da Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. 1 Preliminarmente Demarcação do Litígio Fl. 412DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 6 6 Antes de passar à análise dos fundamentos do recurso, entendo prudente demarcar a matéria litigiosa. Não há questão preliminar a ser enfrentada. No mérito, a discussão limitase à possibilidade de apuração de créditos decorrentes das seguintes despesas: a) produtos e serviços empregados no plantio, manutenção e extração de florestas; b) fretes e movimentação de insumos; c) combustível empregado na frota; d) aquisições de partes e peças com vida útil inferior a um ano, empregadas em máquinas incorporadas à linha de produção; e) produtos e serviços empregados na manutenção do parque fabril. Pleiteiase, ainda, a correção dos créditos mediante a aplicação da taxa Selic, a partir da apresentação de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Embora conste do recurso voluntário questionamento relativo a suposta glosa de despesa de armazenagem, após a leitura do despacho decisório, verificase que, pelo menos no presente recurso não se verifica glosa referente a tal despesa. 2 Mérito 2.1 Regime Probatório Antes de passar à análise do mérito, entendo que é importante registrar, preambularmente, a opinião deste relator no sentido de que a nãocumulatividade, diferentemente do que se tem corriqueiramente alegado, não representa um benefício. Entretanto, independentemente da aplicabilidade dos comandos do CTN afetos à hermenêutica dos dispositivos legais, no caso o art. 1111 ou da repartição do ônus da prova, no caso o art. 1792, não se pode olvidar que a apuração de créditos é um redutor do imposto a pagar e, como tal, uma circunstância impeditiva da formação da obrigação tributária. Consequentemente, nos litígios que envolvem essa matéria não se pode olvidar do comando do art. 333, do Código de Processo Civil3, aplicado subsidiariamente. 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 2 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. 3 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 413DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 7 7 Analisando tal distribuição, concluiu o professor Hugo de Brito Machado4 No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) Assim sendo, não vejo como atribuir exclusivamente ao Fisco o dever de buscar elementos que infirmem as alegações do sujeito passivo. Cabe a este último, a meu ver, trazer ao processo elementos que respaldem seu pleito. 2.2 Conceito de Insumo Outro ponto que merece ser demarcado preambularmente é a opinião deste relator acerca do conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da Cofins nãocumulativos. Como já tive oportunidade de manifestarme anteriormente, entendo que esse conceito não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste, privilegiase o critério físico e, no caso do PIS e da Cofins, o da pertinência (ou inerência, se tomado o conceito doutrinário fixado no parecer juntado aos autos). Com efeito, a tributação pelo IPI tem como fato gerador, regra geral, a saída do produto industrializado. Nada mais coerente, portanto, do que avaliar a qualificação do dispêndio (como insumo) em razão da sua relação com aquele produto. Lembrar, nessa senda, o que dizia o art. 164 do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos litigiosos5, e que repete a redação de regulamentos anteriores e é repetido pelo que lhe sucedeu:. II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 4 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 5 Aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 8 8 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; De se destacar, ademais, que a exegese desse dispositivo, tanto no âmbito do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, quanto do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sempre levou em consideração as orientações do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, onde está consignado: 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. Entretanto, quando se trata da contribuição para o PIS e a da Cofins não cumulativas, incidentes sobre o faturamento, coerentemente, a meu ver, o legislador ampliou o universo dos dispêndios classificáveis como insumos, conforme se extrai do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, que repete a redação do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Como é possível perceber, de acordo com a legislação de regência, a fixação do conceito de insumo não mais seria demarcada exclusivamente em razão da ligação do gasto ao produto, mas a todo o processo produtivo. Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa ou custo inerente à atividade econômica, nem muito menos aplicar, por analogia, os conceitos fixados pela legislação que rege a apuração do Lucro Real, no caso, os artigos 249 e 250 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999. Com efeito, tal e qual se verifica com relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados, tratase de fato gerador diverso (auferir lucro) e de base de cálculo formada sob uma sistemática igualmente diversa (Lucro Real). Fl. 415DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 9 9 Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência (ou inerência, segundo o parecer juntado aos autos) com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo. Outro ponto sobre o qual não posso deixar de me manifestar é a interpretação fixada nos acórdãos trazidos ao processo pelo Recorrente. Mesmo reconhecendo a excelência do colegiado responsável pela sua prolação, peço vênia para discordar da exegese assentada em tais acórdãos, pois entendo que o § 3º do art. 5º da Lei nº 10.833, de 20036 não autoriza a apuração de créditos a partir de todo e qualquer dispêndio vinculado à receita de exportação. Confirase a redação do dispositivo: § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Em uma leitura isolada, poderseia concluir que o comando ampliou o rol de despesas passíveis de gerar direito a crédito: ao invés de limitálos aos bens e serviços empregados no processo produtivo, passara a admitir que toda e qualquer despesa vinculada à exportação conferisse tal direito. Ocorre que, a meu ver, esse parágrafo não pode interpretado sem a leitura demais que compõem o mesmo art. 5º, em especial do 1º e do 2º, assim redigidos (original não destacado): § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. 6 Igualmente aplicável ao cálculo do PIS/Pasep por força do comando inserido no art. 15 da mesma lei. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 10 10 Como é possível concluir, a apuração dos créditos aptos a usufruir do tratamento diferenciado conferido a empresas exportadoras, diferentemente do que se cogitou, deve ser realizada segundo os moldes do art. 3º da mesma Lei nº 10.833, de 2003, observando se, consequentemente, o critério fixado no já transcrito inciso II desse mesmo artigo. Finalmente, no que se refere a máquinas, equipamentos ou outros bens incorporados ao ativo permanente, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme consignado no §1º, III do mesmo art. 3º: § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são passíveis de gerar crédito os bens e serviços utilizados no processo produtivo e, no caso dos bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização. Feitas tais considerações, passase à análise da higidez das glosas alvo de litígio. 2.3 Plantio e Manutenção de Florestas Com a devida licença, penso que não há como reconhecer os gastos em questão como insumo, para efeito de cálculo do crédito do PIS e da Cofins não cumulativos. De fato, apesar de não concordar com a premissa de que os gastos na formação e manutenção de floresta estejam dissociados ao processo produtivo, não vejo como considerar esses gastos como despesa ou custo, na medida em que os mesmos se incorporam ao valor daquelas florestas, contabilmente classificadas no ativo imobilizado, nos termos do art. 183, V da Lei nº 6.404, de 1976: Art. 183 No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; Por outro lado, o § 2º, “c”, do mesmo art. 183 deixa claro que os valores investidos em tal ativo devem ser alvo de exaustão, na medida em que o bem seja explorado (original não destacado): § 2º A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: (...) Fl. 417DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 11 11 c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Ora, se representam um bem do ativo imobilizado, o valor da sua aquisição ou produção jamais será computado como despesa ou custo. Relembro o comando do no §1º, III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito anteriormente. Ou seja, tratandose de floresta, o custo a ser considerado é o valor da exaustão, calculada sobre o valor contábil do bem. Destaco, ainda, que eventual resistência do Fisco em admitir que se apurem créditos de PIS e Cofins a partir de tais custos, matéria estranha ao presente litígio, não desvirtua a natureza desses gastos. Com efeito, dispêndios que agreguem valor a determinado bem do ativo imobilizado, salvo expressa disposição legal em contrário, não representam um custo, mas um investimento, independentemente do tratamento tributário que posteriormente vier a ser conferido à redução de valor do bem. 2.4 Serviços Atrelados à Extração de Florestas Com base no que já foi debatido anteriormente, não vejo como rejeitar os créditos relativos aos serviços de corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira. Com efeito, tratandose de serviços atrelados à obtenção da matériaprima, seu emprego direto no processo produtivo da recorrente é inegável. Satisfeita tal condição, consequentemente, há que se reconhecer o direito ao crédito, nos termos do art. 3º, II, das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Por outro lado, a norma não dá margem para desconsiderar os gastos incorridos em etapa da produção que antecede a industrialização do produto. Basta fazer uma leitura isolada do dispositivo para concluir que se admitem créditos inerentes a insumos utilizados na produção (qualquer que seja o processo) e na industrialização. Ademais, devem ser igualmente consideradas as despesas necessárias ao transporte e manuseio da matériaprima. Quanto a esse ponto, destaco manifestação do Fisco por meio da Solução de Consulta nº 210 SRRF/8ª RF, de 25 de junho de 2009 (D.O.U: de 07/07/2009 (original não destacado), em cuja ementa se lê: Geram direito a créditos da Cofins apurada em regime não cumulativo os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços, os dispêndios com a energia elétrica consumida estabelecimentos da pessoa jurídica, os dispêndios com armazenagem de mercadoria e os dispêndios com o frete pago na aquisição de insumos. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que Fl. 418DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 12 12 estejam estes em fase de industrialização, também enseja apuração de créditos da Cofins. Nessa ordem de consideração, acato os gastos incorridos com corte, arrasto, baldeio, taçamento mecanizado, transporte rodoviário, desdobramento, desgalhamento, manuseio, carga e descarga da madeira. 2.5 Combustível Empregado na Frota Própria. Na esteira do que exposto quando da análise do conceito de insumo, após compulsar os autos, em especial as planilhas onde são descritas as despesas com a aquisição de combustível, vêse que aquelas que comprovadamente se referem ao processo produtivo (óleo tipo BPF e para a Casa de Força), já foram aceitas pela Autoridade de Jurisdição. Restaria enfrentar, assim, a possibilidade de se apurar créditos quando da aquisição de combustíveis para a frota de veículos da recorrente. Como destacado anteriormente, os custos relativos à movimentação dos produtos em elaboração, que englobam, evidentemente, os combustíveis empregados na frota do contribuinte, em princípio, inseremse no rol dos insumos capazes de gerar crédito. Em outro sentido, tal tratamento não se estende aos combustíveis empregados em atividade diversa, como, por exemplo, o transporte de empregados ou de produtos industrializados entre estabelecimentos. Justamente em razão desse tratamento diferenciado em função do emprego é que a apuração dos créditos não pode prescindir de uma escrituração que permita identificar o uso dado ao combustível. Assim, na medida em que não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstre qual foi o valor incorrido ou o quantitativo empregado como insumo e quais são utilizados em veículos que, se observado o texto da lei, não seriam utilizados em tal finalidade, não vejo como reconhecer os créditos atrelados à aquisição de combustíveis para a frota da recorrente. 2.6 Partes e Peças Como é possível extrair do despacho decisório às fls. 204/205, a autoridade de jurisdição acatou expressamente os créditos atrelados a bens que considerou possuir vida útil inferior a um ano. Confirase: A planilha anexa ao processo (fls. 162 a 187) mostra os insumos que foram reconhecidos no conceito de insumo aceito para que se tenha direito ao crédito: (...) Partes integrantes de máquinas inseridas nas linhas industriais cujo tempo de vida seja inferior a um ano: facas, contrafacas, feltros para secagem da celulose, feltro úmido agulhado, grampos de sustentação de facas e contrafacas, lâminas de facas, telas, tela plástica, além dos respectivos custos de fretes destes produtos; Fl. 419DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 13 13 Mais adiante, esclarece a autoridade de jurisdição que, em face dos argumentos já expendidos quando da análise dos gastos na manutenção de florestas, foram glosados os créditos decorrentes das aquisições de partes de máquinas que julgou possuir vida útil superior a um ano, assim listados: Partes integrantes de máquinas inseridas nas linhas industriais cujo tempo de vida seja superior a um ano: base de contrafaca, placas de desgaste, carimbos, lâminas de facas, pente inferior de picador, bigorna para picador, quebrador de cavaco, além dos respectivos custos de fretes destes produtos — Parte de equipamento (Ativo permanente); Com efeito, conforme já mencionado, penso que, em se tratando de dispêndios classificáveis no ativo permanente, o valor do crédito deverá ser calculado proporcionalmente ao montante depreciado. Até certo ponto corroborando com essa linha de argumentação, postula o sujeito passivo o reconhecimento do direito ao crédito com base na alegação de que, diferentemente do que concluíra o Fisco, os bens alvo de glosa possuiriam vida útil inferior a um ano. No intuito de demonstrar tal fato, aduz que os gastos correspondentes não foram contabilizados no ativo permanente e traz ao processo declaração do fornecedor que ratifica a informação de que parte dos bens, quando empregados na fabricação de celulose, possuiria vida útil inferior a um ano. Sem dúvida, a declaração do fornecedor é elemento apto a ratificar as alegações. Consequentemente os produtos por ela contemplados, no caso, as bases da contra faca dos picadores “Demuth”, “Klockner” e “Camura”, devem ser consideradas como desgastáveis em prazo inferior. Em sentido diverso, não vejo como considerar que, isoladamente, a classificação contábil dos gastos seja meio de prova das alegações da Recorrente. Para cumprir tal desiderato a contabilização deveria estar amparada em elementos capazes de demonstrar a sua higidez. Quanto a esse aspecto, relembrese o que dispõe o art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Ante ao exposto, acato exclusivamente os créditos fundados na aquisição de partes de máquinas com vida útil comprovadamente inferior a um ano, bem assim ao valor do frete incorrido quando da sua aquisição. 2.7 Manutenção do Parque Fabril Fl. 420DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 14 14 Com a devida vênia, não vejo como considerar que a manutenção do parque fabril, independentemente da sua relevância para o exercício da atividade econômica, possa se inserir no conceito de insumo para efeito de cálculo da contribuição alvo de discussão. Mais uma vez, há que se relembrar a delimitação imposta pelo inciso II do art. 3º: o crédito se limita aos bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos. Assim, na esteira do que já foi abordado anteriormente, não vejo como considerar as despesas com manutenção, que só atingem indiretamente o processo produtivo, no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo indireto. 2.8 Taxa Selic. Busca a contribuinte, finalmente, a correção monetária dos créditos a partir da data da formulação do pedido objeto do presente litígio, onde é pleiteado, relembrese, o ressarcimento do saldo credor remanescente àquele utilizado nos termos do § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Com efeito, o § 2º do mesmo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, prevê expressamente a possibilidade de aproveitamento nos moldes em que foi pleiteada: § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ocorre que, em pese a alegada violação aos princípios constitucionais expostos com maestria no parecer acostado ao processo, não vejo como, em nome de tais princípios, reconhecer a correção pleiteada. Para tanto, seria necessário afastar a proibição expressa gizada no art. 13 da mesma Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê (original não destacado): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II Fl. 421DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000004/200814 Acórdão n.º 3102001.143 S3C1T2 Fl. 15 15 do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Não vejo, outrossim, como aplicar no presente julgamento a interpretação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Com efeito, como é cediço, por força no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais7, este Colegiado deve reproduzir as decisões proferidas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, a matéria ali debatida, esclareçase, é a aplicação da correção monetária sobre créditos do IPI, apurados nos termos da Lei nº 9.779, de 1999, diploma que, sabidamente, não previu a incidência da Selic, mas também não proibiu tal incidência. Assim sendo, tratandose de arcabouço jurídico diverso, não vejo como reproduzir as conclusões daquela egrégia corte. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira, incorridos quando da sua extração, bem assim com a aquisição das partes de máquinas denominadas contrafaca dos picadores “Demuth”, “Klockner” e “Camura”. Sala das Sessões, em 9 de agosto de 2011. Luis Marcelo Guerra de Castro 7 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 19515.002357/2005-73
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 04/08/1999 a 10/04/2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CPMF. OCORRÊNCIA.
Diante da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal, cujo cumprimento é obrigatório pelo CARF, o prazo decadencial das contribuições sociais é de cinco anos, devendo ser reconhecido como improcedente o crédito tributário formalizado após esse tempo.
Numero da decisão: 3802-001.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Declarou impedimento o Conselheiro Solon Sehn
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 04/08/1999 a 10/04/2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CPMF. OCORRÊNCIA. Diante da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal, cujo cumprimento é obrigatório pelo CARF, o prazo decadencial das contribuições sociais é de cinco anos, devendo ser reconhecido como improcedente o crédito tributário formalizado após esse tempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 57 /2 00 5- 73 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Declarou impedimento o Conselheiro Solon Sehn Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão 05 21.414 de 10 de março de 2008, lavrado pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas, relativamente a crédito tributário no montante de R$ 38.001,02 (trinta e oito mil e um reais e dois centavos), incluídos principal, multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora calculados até o mês anterior ao da lavratura. No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS de fl. 19, e no TERMO DE CONSTATAÇÃO de fls. 38/40, a autoridade autuante relata que o valor apurado é decorrente de falta de recolhimento de CPMF, em virtude de medida judicial, posteriormente revogada. Os débitos foram apurados com base nas informações fornecidas pela instituição financeira junto à qual a fiscalizada mantinha conta corrente, através do demonstrativo denominado VALORES INFORMADOS PELOS DECLARANTES (fls. 04/07), prestadas em atendimento ao disposto no art. 45, inciso IV, da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Cientificada da exigência em 16/08/2005, em 14/09/2005, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 53/60, na qual alega, em suma e fundamentalmente, que 1. Nos termos do disposto no art. 5°, da Lei n°9.431 [sic], de 1996, a instituição financeira é responsável tributária pela retenção e recolhimento da referida contribuição, e contra ela, portanto, deveria ser dirigida a pretensão fiscal. 2. É inconstitucional a utilização da taxa Selic como juros moratórios de tributos pagos em atraso, uma vez que possui natureza jurídica remuneratória de investimentos e sua fixação por atos infralegais do Banco Central fere o princípio constitucional da legalidade, por afronta ao art. 161, §1°, do Código Tributário Nacional. A autoridade julgadora de primeira instância considerou correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário inadimplido, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de iquidação e Custódia —SELIC, por expressa disposição legal, sendo o lançamento lavrado com observância das regras aplicáveis à época dos fatos geradores e que não foram afastadas por entendimento judicial. Votando, assim, pela procedência da exigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira, acrescida da multa de ofício e dos juros de mora, tal como formalizado no Auto de Infração. Irresignada, a interessada apresentou Recurso Voluntário contra o acórdão mencionado acima. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19515.002357/200573 Acórdão n.º 3802001.446 S3TE02 Fl. 5 3 Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo e, ausentes outras questões prejudiciais, passo à análise de mérito. Inicialmente, cumpre destacar que a Recorrente alega, em sede preliminar, a decadência do direito de lançar créditos tributários da CPMF, fundamentandose para tanto na jurisprudência esposada por este Conselho, assim como pela Câmara Superior de Recursos Fiscais bem como pela Sumula Vinculante n° 08, do STF. Em que pese tratarse de argumento novo que não mereceria conhecimento nesta instância posto que precluso o direito de trazer novas alegações aos autos, em virtude da característica de questão de ordem da alegação da Recorrente e da possibilidade de conhecimento de ofício da matéria (decadência), analisarseá sua aplicação ao caso presente. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula supramencionada declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, a qual outorgava o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, acarretando, assim, a observância dos respectivos prazos dispostos no Código Tributário Nacional. Como se trata de ausência de recolhimento de CPMF em decorrência de ordem judicial, temse que não se aplica a regra do art. 150, § 4o, do CTN, mas sim a do art. 173, I, do mesmo diploma, que traz como termo inicial o dia 1o de janeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ora, uma vez que os fatos geradores ocorreram em julho e agosto de 1999, ponto inicial da contagem do prazo decadencial para o Fisco constituir crédito tributário de CPMF, o termo a quo para o lançamento foi 01/01/2000, sendo certo que a notificação regular do lançamento ao sujeito passivo deveria ter se dado até 01/01/2005. Como, no caso concreto, a ciência do lançamento de ofício se deu em 16 de agosto de 2005, resta claramente evidenciada a decadência do Direito do Fisco de proceder ao lançamento de ofício. Isto posto, reconhecida a preliminar de decadência, desnecessária a manifestação em relação aos demais tópicos abordados na peça recursal do sujeito passivo. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para DARLHE provimento. (assinado digitalmente) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11128.006481/2005-60
Data da sessão: Fri Jul 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 17/02/2003
REVISÃO ADUANEIRA PREVISÃO LEGAL APURADA DIFERENÇA DE TRIBUTO OU NECESSIDADE DE IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE.
Em consonância com o disposto no inciso I do art. 149 do CTN e por expressa previsão legal (art. 54 do DT, a' 37, de 1966), o procedimento de revisão aduaneira, realizado após o desembaraço ou liberação da mercadoria, consiste na apuração da regularidade do pagamento dos tributos e da exatidão das demais informações prestadas pelo importador na Dl, dentre elas, destaca-se a correta classificação fiscal da mercadoria ira Nomenclatura do Comum do Mercosul (NCM). Se no procedimento de revisão aduaneira Cor apurada diferença de crédito tributário ou a necessidade de aplicação de penalidade, a autoridade fiscal está obrigada a realizar o lançamento do tributo ou propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional.
REVISÃO ADUANEIRA. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO NA NCM. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTENCIA.
O ato de desembaraço aduaneiro, que consiste na liberação da mercadoria, encerrando a fase de conferência aduaneira, não tem a natureza de ato de homologação expressa da atividade realizada previamente pelo importador no âmbito do despacho aduaneiro. Antes da ciência do contribuinte do resultado do procedimento de revisão aduaneira, encerrando o despacho aduaneiro, o critério Jurídico utilizado para fins de classificação fiscal do produto ria NCM é o adotado pelo próprio importador, pois é ele quem elabora a Declaração de Importação (DI) e, consequentemente, presta todas as informações atinentes à operação de importaçao, incluindo, as relativas à identificação física da mercadoria e o respectivo código da NCM. Dessa ferina, nao constitui modi Reação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da aliquota aplicável, fixadas na Farda Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI)
DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO). RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE.
A descrição inexata do produto na Declaraçâo de Importação (DI), configurando errônea classificação fiscal do produto na NCM, subsume-se perfeitamente à hipótese da inflação por declaração inexata descrita no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, independente da existência de dolo ou má-fé do importador, por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.700
Decisão: Acordam os membros do Colegrado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/02/2003 REVISÃO ADUANEIRA PREVISÃO LEGAL APURADA DIFERENÇA DE TRIBUTO OU NECESSIDADE DE IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. Em consonância com o disposto no inciso I do art. 149 do CTN e por expressa previsão legal (art. 54 do DT, a' 37, de 1966), o procedimento de revisão aduaneira, realizado após o desembaraço ou liberação da mercadoria, consiste na apuração da regularidade do pagamento dos tributos e da exatidão das demais informações prestadas pelo importador na Dl, dentre elas, destaca-se a correta classificação fiscal da mercadoria ira Nomenclatura do Comum do Mercosul (NCM). Se no procedimento de revisão aduaneira Cor apurada diferença de crédito tributário ou a necessidade de aplicação de penalidade, a autoridade fiscal está obrigada a realizar o lançamento do tributo ou propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. REVISÃO ADUANEIRA. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO NA NCM. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTENCIA. O ato de desembaraço aduaneiro, que consiste na liberação da mercadoria, encerrando a fase de conferência aduaneira, não tem a natureza de ato de homologação expressa da atividade realizada previamente pelo importador no âmbito do despacho aduaneiro. Antes da ciência do contribuinte do resultado do procedimento de revisão aduaneira, encerrando o despacho aduaneiro, o critério Jurídico utilizado para fins de classificação fiscal do produto ria NCM é o adotado pelo próprio importador, pois é ele quem elabora a Declaração de Importação (DI) e, consequentemente, presta todas as informações atinentes à operação de importaçao, incluindo, as relativas à identificação física da mercadoria e o respectivo código da NCM. Dessa ferina, nao constitui modi Reação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da aliquota aplicável, fixadas na Farda Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO). RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE. A descrição inexata do produto na Declaraçâo de Importação (DI), configurando errônea classificação fiscal do produto na NCM, subsume-se perfeitamente à hipótese da inflação por declaração inexata descrita no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, independente da existência de dolo ou má-fé do importador, por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva. Recurso Voluntário Negado.
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Li DA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSEM O: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato Lterador: I 7/02/2003 REVISÃO ADUANEIRA PREVISÃO LEGAL APURADA DIFERENÇA DE TRIBUTO OU NECISSIDADE DE im pow ÀO DE PENAL1DADE„ LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGÃTOR11DADE. Em consonância com o disposto no inciso I do art. 149 do CTN e por expressa previsão legal (art. 54 do DT, a' 37, de 1966), o procedimento de revisão aduaneira, realizado após o desembaraço ou liberação da mercadoria, consiste na apuração da regularidade do pagamento dos tributos e da exatidão das demais informações prestadas pelo importador na Dl, dentre elas, destaca-se a correta classificação fiscal da mercadoria ira Nomenclatura do Comum do Mercosul (NC,-M). Se no procedimento de revisão aduaneira Cor apurada diferença de crédito tributário ou a necessidade de aplicação de penalidade, a autoridade fiscal está obrigada a realizar o lançamento do tributo ou propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional REVISÃO ADUANEIRA. RECLASSITICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO NA NCM. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO.INEXISTENCIA, O ato de desembaraço aduaneiro, que consiste na liberação da mercadoria, encerrando a fase de conferência aduaneira, não tem a natureza de ato de homologação expressa da atividade realizada previamente pelo importador no âmbito do despacho aduaneiro.. Antes da ciência do contribuinte do resultado do procedimento de revisão aduaneira, encerrando o despacho aduaneiro, o critério Jurídico utilizado para fins de classi Reação fiscal do produto ria NCM é o adotado pelo próprio importador, pois é ele quem elabora a Declaração de Importação (DÍ) e, consequentemente, presta todas as inibi mações atinentes à operação de importaçao, incluindo, as relativas à identificação física da mercadoria e o respectivo código da NCIVL Dessa ferina, nao constitui modi Reação de critério, o resultado do procedime.nto de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo hnportador, visando apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da aliquota aplicável, fixadas na Farda Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do UI (TIPO. DECLARAÇÃO INEXATA. "ER Re.)N EA CLASSIFICAÇÃO 1' ISCAI, MULTA DE 011e.10 DE 75% (SETENTA E CINCO POR ( ENTO). RESPONSABILIDADE OBJErIVA. APL1CABILIDADE, A descrição inexata do produto na Declaraçâo de Importação (1).1), configurando errônea classificação fiscal do produto na NCM, subsume-se perfeitamente r hipótese da inflação por declaração inexata descrita no inciso 1 do art. 44 da Lei n') 9.430, de 19%, independente da eXiStaC j a de dolo ou ma-fe do impOltid01, por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva. Recurso Voluntá io Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegrado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Luis Marce ei erra de Castro -• Presidente • (7/- _ - to.;;eiVemz. .mdes do .Nascimento - Relator EDI LA DO I 20/06/2010 Participaram do presente :julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, 'José Fernandes do Nascimento, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Narrei Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Eufrasio (Suplente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela autuada visando a relbrma Acórdão n" 1.7-32.205, de 27 de maio de 2009 (lis 108/122), proferido pelos membros da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Jul gamento de São Paulo II (DRJ/SPOI I), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO CLASSIEICAGiO DE MERCADOR IAS Daía do fino gel adot 17/02/2003 CLASSIFICAÇÃO IS( A L DE. MLRCADORMS NÃO IMPUGNADAS 2 ocesso n" 1 112.5 1106481 /2005-60 S3-C1"E 2 Acórdão n " 3IO2-00.700 11 135 As classificações fiscais adotadas pela autoridade lancadot a para as mercadorias objeto do presente proces.so foram consideradas não impugnadas por não terem sido expressamente conlest(tdas pelo impugnante (mi. 17 do Decreto n°70 235/72, com a redação dada pelo avt 67 da Lei a' 9 532/97) DESCINJO DA MERCADORTA IMPORI41M Convidei a117-.S e devidamente identificada a mercadoria designada e conhecida por nome comercial Declaração da mercador ia pelo çeu nome comercial Inaplicável penalidade por filha de descrição detalhada da mercadoria importada lnexigibilidade da multa de oficio e da multa cono ole administrativo das impor tações- Lançainento Procedeote em Parle Os lançamentos que deram origem ao presente processo foram formalizados por meio dos Autos de Infração de fls. 01/16, contendo a exigência dos seguintes :,, rtavaines: (i) Imposto sobre a Importação (.11), ['riposte) sobre Produtos Industrializados (FM), acrescidos dos .juros moratórios e da multa de oficio dc.; 75% (setenta e cinco por cento); e (ii) muita do controle administrativo das importações, por falta de licenciamento; e (iii) multa proporcional ao valor aduaneiro (multa regulamentar), por classificação fiscal incorrei a. O motivo da presente autuação foi a reclassificação fiscal dos produtos submetidos a despacho aduaneiro por meio da Declaração de Impo' laça() (DI) n" 03/0136077- 9, registrada em 17/02/2003 (lis, 21/27), coutbrme discriminado no quadro abaixo: ADTÇÃOATEM DESCR lÇ.ÃO DO PRODIYVO NA DT NCIVI DT NCM AI Norne Comercial: CEFITROL 4D1„ Qualidade: 001/01 2915 70 40 3402..13 00Industrial Triestcarato d.e Sorbitan Nome Comercial: CRUA, 001/02 2915 70 40 3824.90 29 41(S), Qualidade: industrial Ieptonato de Sódio, Nome Comercial: 002 2922 49 29 2918.19.90 CRODAQUEST A300, Qualidade: Industrial Am i da, Nome Comercial: R( )DAM I DE OR 00.3/02 2924.19 99 3824.90 29 POW ER, Qualidade: indusuial Nome Comercial: CRODAFI,Ufl) PC 61, Qualidade: 905/02 .3824 99.89 3208.90 39 Industrial Nome Comercia: CRODAFLUID PQ 141, 005/03 3224,90 82 3403 11 90 Qualidade: Industrial AI. — AUTO DE INFRAÇÃO. O novo enquadramento tarifário, atribuído pela autoridade fiscal, foi baseado nas conclusões apresentadas nos Laudos Técnicos oficiais de lis, 46/70, elaborados pelo Laboratório de Análises da Fundação de Desenvolvimento da Ilnicamp (Funcamp) Em 27/12/2005, a interessada fbi cientificado dos referidos Autos de htfracão. Inconformada, por meio da peça impugnatória de fis 81/91, apresentou as razões de defesa, que foram resumidas nos excertos do relatório integrante do Acórdão recorrido, a seguir transcritos: /\ I) é impos-sivel a realização de rewis •ão iiduaneira, porqw houve a decadencia do direito do Fisco de revisão da classificação tarifaria, a r•evisito aduaneira poderá ocorrer no prazo de:".cadencial com a finalidade de apurar-se, tão _somenic', a suficiência do recolhimento dos tributo.s federais,- a conduta per missiva não possibilitava à alil0 fidade administrativa a desclassificação tarifaria da mucadolia importada quando ultrapassado O pr•iizo previsto na legislação aduaneira, qual .seja 5 dias úteis do te)•ntino da conferên(ia, 2)1/0) ocorreu no caso, nenhuma ilas hipóteses mencionadas nos incisos do art 149 do Código Tributário Nacional a en.sejar a revisão do lançaineitici tributário, whnitindo-se a neces.sidade de revisão do procedimento adotado pelo contribuinte, constata-.se que a idtetaç-ão da classificação fiscal feita pela ,fiscalização cofigura alteração quanto aos critérios ¡Ur irlico anteriormente utilizados, 3) a pietensão da autoridade administrativa de rever o procedimento efetuado pelo contribuinte, com o qual havia conc.ordado, cai actemiza-se revisão por erro de direito, o que é vedado CM no.s.N 0 ordenamento jurídico, por configurar mudança de ciitá io fIO ida v anteriormente.' adotado,- 4) não se aplica a multa de oficio prevista no ait 44, inciso 1, da Lei n" 9430/96, nos exatos termos elo Al WCO.S'IT n(-) /Q/97, tendo el 11 l'Nía O (inserida de dolo ou niáje da impugnante„ quanto à multa do controle adminis•ti ativo das impor fações, da s•implcs arálise do dispositivo legal que innpara a autuação.,• conslata-.se que não se aplica ao caso, pois a operação importação de incicadoria realirada pela impugnante estava anyhtrada pelos documentos c vigidos pela legislação CM vigor, eventual equívoco na da S.s ilicaç eio rio produto não caracteriza atiséncia de licença de imi2ortação ou documento equivalente a (m.sejar a aplicação de tal 1)clialidade Em seguida, sobreveio o mencionado Acórdão, em que, os membros da Turma julgadora a quo., por unanimidade de votos, rejeitaram as preliminares suscitadas, c no mérito, pelo voto de qualidade do Presidente da 'turma, consideraram procedente, em parte, o lançamento, para excluir . o valor da multa do controle administrativo das importações.. 1.2/08/2009, por via postal (11. 124v), a autuada foi cientificada do citado A.córdao.. Inconformada com o (les:fecho do .julgamento, retornou aos autos, por -intermédio do Recurso Voluntário de fls.. 125/32, protocolado em 09/09/2009 (fi, 126), em síntese, aprese.ntando as seguintes razões recursais: a) impossibilidade de realização do procedimento de revisão aduaneira, após efetivado o desembaraço, Objetivando a. reclassilicacão fiscal do produto na -NCM, por dois motivos: (i) tal procedimento não se encontrava expressamente previsto no art. 1.49 do CTN, como sendo uma das hipóteses de revisão de oficio do lançamento; e (ii) ele implicaria mudança de critério jurídico, o que é vedado pelo art. 146 do (.T,TN; e b) inaplicabilidade da multa de oficio, prevista no art.. 44 da Lei n" 9..430, de 1996, eis que o próprio Acórdão recorrido, ao excluir a multa do/Controle \ • //1 Utocesso n" I I 128.006481/2005-60 S31:1 -12 A.cdalão n.' 3102410.700 1.1 136 a.dministrativo das importações,', entendera que a situação presente não se tratava de declaração inexata ou filha de declaração.. Com base no exposto, espera a recorrente que o presente Recurso seja conhecido e integralmente provido, declarando totalmente improcedente o referido lançamento sca 1 . Enn cumprimento ao despacho de ft 133 (última numerada), os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na sessão de 04/02/2010, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo Il do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n" 256, de 22 de . junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Comiselheiro. É o R el atóri o.. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento - Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conheci mento . II- DAS PRELINIINARES Em preliminar, a recorrente alegou que, após efetivado o desembaraço aduaneiro dos produtos importados, não era mais possível a realização do procedimento cie revisão aduaneira, objetivando a reclassificacão fiscal do produto na. NCM., por dois motivos: (i) tal procedimento não se encontrava expressamente previsto no art. 149 do CTN, como sendo urna das hipóteses de revisão de oficio do lançamento; e (ii) ele implicaria mudança de critério .jurídico, o que é vedado pelo art. 146 do CTN. Da revisão aduaneira: falta de previsão legal. Não procede a alegação da recorrente cie que inexiste previsão legal, para realização do procedimento de revisão aduaneira, motivado por reelassificação fiscal do produto na NCM, pois tal hipótese de revisão de lançamento não estaria expressamente contemplada no art. 149 cio CTN. De fato, analisando o inteiro teor do citado preceito legal, nele não se encontra nenhuma menção expressa acerta do procedimento de revisão aduaneira, muito menos, acerca do procedimentos de classificação fiscal de mercadoria na NC.-M.. Entretanto, tal circunstância, por si só, não é suficiente para se concluir que o procedimento de rechissificação fiscal da mercadoria na NCM, realizada na fase de revisão aduaneiro, não tem amparo legal, pois, além de não ser taxativo quanto as hipóteses de revisão de lançamento, o inciso I do art. 149 do CTN, remete ao legislador ordinário a possibilidade de estabelecer outras situações passíveis de revisão de oficio do lançamento. Ademais, os incisos IV, V e V111 do citado artigo, indiretamente, contemplam a hipótese de realização do lançamento ou sua revisão de oficio, na fase de revisão de aduaneira, motivada por erro de classi ricaça() fiscal. Senão, yela-0 que. dispõem tais dispositivos legais, que seguem transcritos: Art. 149 O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos s'e ,t,utintes casos: - quando a lei assim O determine, IV quando .SC comprove falsidade, elTO ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissa() Ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refei e o ai ligo seguinte, 1111 - quando deva CJ apicciado .fato não conhecido ou não prc.»,ado por ocasião do lançamento (10/11 101 ( ) i fos não originais) EM consonância com disposto no inciso 1, o adigo 54 do Decreto-lei n' 37, de 1966, com a redação dada pelo Decreto-lei n" 2.472, de 1988, prevê expressamente a possibilidade de realização, após o desembaraço aduaneiro ou liberação da mercadoria, do procedimento de revisão das informações tributárias e outra natureza, prestadas pelo importador na Di que serviu de base para o processamento do despacho aduaneiro. Regulamentando o referido preceito legal, o capa do art. 570 do Decreto n" 4.543, de 26 de dezembro de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002), vigente na época dos fatos, disciplinava o referido procedimento, com o seguinte teor: Art. 570 Revisão Aduaneira é o a/o pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de beneficio fiscal e da exatidão das infinmações prestadas pelo importador na declaiação de importação, Ou pelo expoi tudor na declaração de exportação (1)00eio-lei n" 37, de 1966 rui- .54, com a redação dada pelo ncerelo-lei Tf 2.472, de 1988, art. 2, e Deureto-le.'i ri' 1.578, de 1977, art 8') (. (grifos não originais). Assim, além d.e se destinar à apuração da regularidade do pagamento dos tribunos, o procedimento de revisão aduaneira tem por finalidade também a verificar a exatidão das demais intbunações prestadas pelo importador na Dl, dentre elas, destaca-se a correta classificação fiscal dos produtos na NC-114. .4(.1 ar gurnentandum, ainda que não existisse a referenciada previsão legal, entendo que a realização ou revisão do lançamento, por erro de classificação fiscal do importado•r, tem amparo no inciso IV do art 149, pois se trata de elemento de Obrigatório informação na DI. Da mesma forma, tratando-se de lançamento por homologação (art. 150 do CTN), a inexatidão da intOrmação quanto à classificação fiscal do produto na Dl. também se subsume perfeitamente a hipótese descrita no inciso V do art. .149, Por fim, como a revisão, no caso presente, firi baseada nas conclusões apresentadas nos laudos técnicos oficiais, elaborado após o deseniN:n aço trduanenu, não lesta dúvida de que se trata fato não conhecido na fase ji Processo n III 28 006181/2005-60 S3-CT12 Acórdão ri ' 3102-00.700 Fl 137 anterior ao desembaraço do produto, situação que enquadra plenamente no inciso VITI" do art. 149. Dessarte, a.purada diferença. de crédito tributário ou ilícito tributário sujeito a imposição de pena pecuniária, no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, a autoridade fiscal, por dever de oficio, com suporte nos dispositivos legais referenciados, está obrigado a. -realizar o lançamento do tributo e aplicar a penalidade cabível, nos termos do art, 142 do CNN, sob pena de responsabilidade funcional. Por tais razões, rejeito a presente preliminar Da revisão aduaneira: mudança de critério jurídico. Previanente, a análise do argumento trazido pela recorrente, é oportuno fazer uma rápida digressão acerca do que seja mudança de critério jurídico, denominado pela doutrina de princípio da proteção da confiança. Instituto que, embora abordado por muitos e entendido por poucos, tem suscitado fortes controvérsias no seio da doutrina e da u ri s-plaklêt lei a. Recomenda a boa doutrina que o primeiro passo para uma adequada compreensão de um instituto de direito positivo é analisar o preceito legal em que veiculado. Assim, seguindo essa trilha, começo analisando o conteúdo veiculado pelo art. 146 do CTN, que tem o seguinte teor, ipsis Ari 146 21 modificação introduzida, de ofício ou em conseqüênciu de decisão administrativa ou judicial, nos eritérias. jurídicas. adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada,, em relação a UM mesmo sujeito passivo, quanto a lato gerador ocorrido posteriormente à •s-ua introdnção. (grifos não originais) É inquestionável que o dispositivo em apreço trata de modificação critério jurídico adotado em relação à prévio ato de lançamento tributário, realizado pela autoridade administrativa (lançamento de oficio), que a alteração do critério jurídico aplicado anteriormente seja introduzida por meio de ato de autoridade administrativa (ato de oficio) ou dc decisão administrativa ou judicial, e que tanto o lançamento quanto o ato de ofício ou decisório refiram-se a um mesmo sujeito passivo.. Assim, com base no conteúdo jurídico do referido preceito legal, verifica-se que três condições deverão ser atendidas para que haja a configuração da mudança. do critério jurídico, no âmbito do lançamento tributário: a) a primeira: haja uni prévio ato de lançamento de oficio, em que a. autoridade administrativa tenha adotado um determinado critério .jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de oficio) ou pelo órgão julgador administrativo ou .judicial (por meio de decisão administrativa ou .judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de oficio e as decisões administrativa e judicial refiram-se a um mesmo sujeito passivo.. No caso presente, nãt.) se verificou nenhuma das condições, pois, a primeira (lelas, somente veio acontecer com a realização dos presentes lançamentos, mediante manifestação expressa da autoridade fiscal acerca do correto enquadramento tarifado dos produtos na NCM. Até então, a classificação fiscal e, por conseguinte, o critério jurídico adotado para fixa-la foram, exclusivamente, da alçada da importadora, ora recorrente. Não é demais lembrai que, nos termos do § 1" do art. 27 do Decreto n" 70,235, de 1972 (PAF), o procedimento de classificação fiscal de mercadoria na NCM divide- se em duas fases distintas, a saber: a) a fase técnica, que consiste na identificação física, c011.1 a - especificação de todos os aspectos técnicos relevantes para o enquadramento do produto nos código da NCM,; e b) a fase jurídica, que diz respeito ao enquadramento tarifário do produto na -NCM, que é realizada em consonância corn. as Regras Gerais de interpretação do Sistema Harmonizado (RGI-SII) e a Regra Geral Complementar (RGC.-1) da NCM, vigentes na data da ocorrência do fato gerador, com subsídio nos esclarecimentos contidos nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (N.1SH). 'Dessa fOrma, para que não haja equivoco no enquadramento tarifário, esta últirna fase, somente pode ser implementaria após a perfeita identificação física do produto, com todos os dados e, se for o caso, com infOrmações acerca de sua finalidade, funcionamento, destinação etc.. Com efeito, antes da conclusão do despacho aduaneiro, mediante ciência ao contribuinte do resultado do procedimento revisão aduanei 'a, o critério jurídico utilizado para a classificação fiscal do produto importado é adotado pelo próprio importador, pois é ele responsável pela elaboração da Declaração de Importação (Dl) e, consequentemente, pelas intbrmações nela inseridas, incluindo, as atinentes à identificação e classificação fiscal da mercadoria. Assim, somente após a homologação expressa, pela autoridade fiscal, desse procedimento é que se poderá .falar em critério jurídico adotado pela Administração tributaria. O simples ato de desembaraço aduaneiro, que consiste na liberação da mercadoria, encerrando a fase de conferência aduaneira, por óbvio, não tem a natureza de homologação expressa da atividade realizada previamente pelo importador no âmbito do lançamento por homologação, no caso, a atividade de classificação fiscal, valoração aduaneira, aputa.ção e recolhimento dos tributos devidos etc, todas realizadas pelo importador anteriormente ao inicio do despacho, portanto, sem a participação da fiscalização aduaneira Cabe ressaltara ainda que, embora na fase de conferência aduaneira, a autoridade fiscal tenha poderes para identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação, na prática, em. rarissimas oportunidades, nesta fase, a autoridade aduaneira homologa expressamente a classificação fiscal adotada pelo importador. Na grande maioria das vezes, em lace das peculiaridades do procedimento, que exige rapidez na liberação da mercadoria, sequer a autoridade fiscal toma conhecimento do desembaraço aduaneiro (desembaraço automático). Na prática, esta situação passou a ser a regra., a partir da implantação do Siscom.e.x importação, em 01/01/1997, quando, em conformidade COM diSpOStO no art.. 504 do RA/2002„ a conferência aduaneira passou a. ser realizada por amostragem (art.. 508 do R.A/2002), mediante a seleção da Dl para um dos seguintes canais: verde, amarelo, vermelho e cinza.. / /5. Processo n [ 1128. 006481/2005-60 53-C1 12 Acórdão ri." 3102-00..700 H [38 É cediço que, dependendo do tipo de canal de seleção, a participação da autoridade fiscal na fase de confbrência aduaneira poderá ser totalmente ausente, conforme estabelecido no art, 20 da Instrução Normativa SRF 206, de 25 de setembro de 2002, a seguir transa i : Art 20 Após o registro, a DT será submetida a análise fiscal e s-elecionada para um dos seguintes canais de conferi/nela aduaneira: (Revogado pela IN Sia i n" 680, de O 2/1(1/ 2006) - verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço autornático da mercadoria, dispensados O exaine documental e a verifiraçt.io da mercadoria; II - amarelo, pelo qual ,será realizado o exame documé.'mal, e, não .sendo constatada n regularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verif'icação da mercadoria,. - vermelho, pelo qual a im...9-cadorict somente st.Tá desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da me; Gado, ia; e IV - eiTIZO, pelo qual será realizado o exame documenta!, a verificação da mercadoria e a aplicação dc procedimento especial de controle aduaneiro, para verificar elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria ., conforme estabelecido nos anis. 65 a 69 Nessas circunstâncias, querer atribuir ao ato de desembaraço aduaneiro a condição de ato de homologação expressa da atividade realizada e informações consignadas pelo importador na DI, parece-me uni nonscnse (sem sentido), Com efeito, somente quando a autoridade fiscal se pronunciar de modo expresso sobre a classificação fiscal adotada pelo importador, estará configurada. a fixação de um critério jurídico de oficio, o que, regia geral, concretiza-se no ato final de revisão aduaneira do despacho.. Sem tal manifestação, enquanto não precluso o direito de o 1/isco realizar o lançamento, mediante procedimento de revisão aduaneira, definido pelo art. 54 1 do Decreto-lei n 0 37, de .1966, com redação dada pelo Decreto-lei n" 2.472, de 1988, a autoridade fiscal poderá rever a Classificação fiscal adotada pelo importador e, se apurada diferença de crédito tributário a maior, deverá proceder ao lançamento com supedâneo nos -incisos I, IV, V e VIII do art. 1.49 do CIN . , conforme o caso. Assim, fica cabalmente demonstrada a improcedência da alegação da recorrente, pois, no presente caso, não houve mudança de critério jurídico mediante ato de oficio da autoridade administrativa, haja vista que não há notícias nos autos de que houvera prévio lançamento de oficio ou. homologação expressa de lançamento, relativamente ao despacho aduaneiro objeto da presente, autuação. Com tais considerações, ta.mbéin. rejeito a presente preliminar. Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à fat,enda Nacional ou_ do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador seta Icon/á -da- na forma. que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração \dc que trata o art 44 deste Decreto-Lei. (Redação dada pelo Decreto-Lei n" 2 472, de 01/09/1988) 41, DO M.DJUrf0 No mérito, o cerne da presente controvérsia consiste na aplicação e exigência da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no ali, 44, 1, da Lei n" 9.430, em relação ao .11, e no ait 80, I, da Lei n" 4_50, de 1964, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nc 9..430.. dei 996, relativo ao II'L O entendimento aqui esposado está amparado no que dispõe o art.. 17 do Decreto n" 70..235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9..532, de 1997, in verbis': "Art. fl. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante". Alegou a recorrente que era indevida a aplicação das ditas penalidades pelo lato de que o próprio Acórdão recorrido, ao excluir a multa do controle administrativo das importações, expressara entendimento de que a presente situação não se enquadrava no conceito de declaração inexata ou falta dc declaração. Não procede a alegação da recorrente, com devida vênia.. Diveisameute do que alegou a recorrente, ficou assentado no Voto Vencedor que serviu de fundamento para o Acórdão recorrido que, em relação à descrição da mercadoria, há diferença de tratamento quando se trata de apuração do crédito tributário e concessão do licenciamento, conforme excerto a seguir transcrito: Como no caso presente ., tratando-.se de litígio envolvendo classificação .fiseal de mercadoria importada ., especialmente produto químico. O descrição detalhada da mercado/À] é .flunlamental para se proceder ao correto enquadramento tarifãrio, na ThC, para o efeito especifico de possibilitar a apuração do crédito tributário devido, para efeito de verificação quanto ao licenciamento ou não da mercadoria importada. no caso destes autos - 7-,rodulo químico identificado por seu nome comercial, certamente, o enfoque há de .ser diferente, e, lendo em conta, que M70 é O mesino enfoque quando ,se busca saber se refer ida mercadoria foi devidamente autorizada para sua importação, especialmente quando ela está identificado por .seu 110111e comercial (grifos não originais). Este também é o meu entendimento. I. indubitável que, conhecendo o nome comercial do produto químico, pala quem tem conhecimento técnico da matéria, é possível saber a sua cornposiçí.ío química e, por conseguinte, a sua correta identificação física, haja vista que o 'fabricante disponibiliza as informações técnicas necessárias a identificação física do produto. Não se olvide que o licenciamento exige a prévia anuência do Órgão técnico especializado no assunto (no caso, o Ministério da Saúde) que, por dever oficio, deve conhecer o significado dos nomes comerciais dos produtos, a reputação da marca e do fabricante etc, que são informados no pedido licenciamento que lhe são submetidos à apreciação.. Além disso, na formulação do pedido de licenciamento, o importador é obrigado a prestar ao Órgão anuente todos os esclarecimentos necessários à caracterização do produto objeto de licen.ciarnento, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras infermações relativas ao produto. Logo, se deferido o licenciamento de produto comercialmente conhecido no mercado, entendo ser razoável a conclusão de que autoridade anuente tem pleno conhecimento das características tisico-quimicas do produto, da sua aplicação e finalidade etc. Alf Processo TI' 1H 25 0(16481/2005-60 51C1 2 Aci'n-dão n 3102-00.700 H 1.39 Outrossim, no que concerne a descrição do produto, enquanto a atenção da autoridade fiscal visa, principalmente, a. perfeita identificação do produto na DI, para fins de atribuição do correto enquadramento tarifário na NCM e, por conseguinte, a determinação das pertinentes aliquotas do produto na TEC e TIPI, por sua vez, a atenção da autorida.d.e anuente volta-se, essenciahnente, para a exata identificação física do produto, para evitar que ingressem no País produtos diferentes dos licenciados, na maioria das vezes, nocivos a saúde, meio ambiente etc. Assim, no que tange à descrição do produto, fica demonstrado que existe diferença do conceito de declaração inexata para fins fiscais e de licenciamento, Para este, o nome comercial e a destina.ção do produto poderá ser suficiente para sua a.dequada identificação técnica, enquanto que para aquele, somente a descrição detalhada da composição química, propriedades físicas etc. é suficiente para a adequada classificação do produto na NCM.. No que concerne ao aspecto estritamente tributário, cabe esclarecer que a exclusão da multa por classificação tarifária errônea ou declaração inexata, estava prevista no item 1 2 do Ato Declaratório Normativo Cosil (ADN) n" 10, de 16 de janeiro de 1997. Acontece que o referido AD.N foi tacitamente revogado em 27/08/2001, data em que entrou vigor .. o § 203 do art. 84 da Medida Provisória a" 2.158-35, de 24 de agosto de 2001.. Ademais, em decorrência do estabelecido no novel preceito legal, em 11 de setembro de 2002, o citado A..D.N foi expressamente revogado pelo art. 2' 4 do citado .ADI Slt1 n" 13, de 2002.. Por ou1ro lado, a exclusão da multa do controle administrativo das importações, por falta de licenciamento„ encontra-se expressamente prevista no Ato Declaratorio Normativo Cosi.t. n" 12, de 21 d.e janeiro de 11997, que continua em vigor. Logo, na data da prática da infração objeto dos presente autos, inexistia no ordenamento jurídico qualquer excludente de ilicitude prevendo a relevação das referidas penalidades pecuniárias, portanto, cori etamente aplicadas as penalidades em apreço, por conseguinte, não merece reforma o Acórdão recorrido.. DA CONCLUSÃO "r. não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4' da Lei n" 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de 1e:conhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferencia percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifin ia errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. 2" A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por de.clai ação inexata prevista n.o art. 44 da 1,ei no 9 430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. 4 Al i 2" ific,-a revogado o Ato Deelarat6rio (Normativo) Cosit n" 10, de, 16 de janeiro de 1997. 5 ) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do ali . 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Fxterior - SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente desciito,.coin todos os elementos necessátios à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que n?icir7se constate, eM qualquer dos casos, intuito doloso ou ma _fé por parle do declarante". ( ,/ I V Diante de todo o exposto, voto no sentido de RI-',..111TAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR. PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, para manter na íntegra no córd -recorrido _ ' / jo-s'éT-ertrarMes-do-Nas cimento 01//
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Numero do processo: 10920.004159/2005-98
Data da sessão: Mon May 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/08/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por perempto.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-00.455
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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PEREMPÇÃO. Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por perempto. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos telinos do relatório e voto que integram o presente julgado. - JUDITH DO AMARAL M RCONDES ARMANDO — Presidénte LUCIANO LOPES D M •A MORAES— Relatar FORMALIZADO EM: 25 de junho de 2.I1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Traj ano D'Amorim, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. Processo n° 10920.004159/2005-98 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.455 Fl. 63 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência de crédito tributário no valor de R$ 72.660,00 referente a multa exigida por infração às medidas de controle fiscal relativas a cigarro de procedência estrangeira. Depreende-se da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em tela, assim como do auto de infração e termo de apreensão e guarda fiscal n° 0920200/54158/05, no qual se ernbasou, que, em 27/08/2005, a Polícia Militar, no Município de Mafra/SC, localidade de São Lourenço, apreendeu em posse do interessado 36.330 maços de cigarro de procedência estrangeira sem comprovação de sua regular importação. As mercadorias foram encaminhas à Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina que, depois de lavrar termo de ação fiscal, as encaminhou à Delegacia da Receita Federal. Declarada a pena de perdimento das mercadorias apreendidas (fi.35), a fiscalização lavrou auto de infração para exigência da multa prevista no parágrafo único do artigo 3° do Decreto-lei n° 399/1968 com a redação dada pelo artigo 78 da Lei n° 10.833/2003. Constam dos autos cópias do boletim de ocorrência da Polícia Militar e de documentos emitidos pela Secretaria de Fazenda de Santa Catarina. Regularmente cientificado por via postal (AR às folhas 15-v), o interessado apresentou a impugnação tempestiva de folhas 18/19, com os documentos de folhas 20 a 22 anexados. • O impugnante alega que foi contratado por Martin Alves Cândido para transportar a mercadoria, porém não tinha conhecimento de que tipo de mercadoria se tratava. Quando procediam ao carregamento foram abordados pela Polícia Militar que os autuou. O responsável pela carga se evadiu do local. Alega que somente tomou conhecimento do conteúdo ilícito da carga ao ser abordado pela Polícia Militar e que não adentrou o País com as mercadorias, nem mesmo chegou a transportá-las, pois ainda se encontrava carregando o veículo. Defende a veracidade das alegações, apresentando um termo de declaração de Martin Alves Cândido se responsabilizando pelas mercadorias. Alega que o próprio boletim de ocorrência da PM Processo o° 10920.004159/2005-98 S3-C2T11 Acórdão n.° 3201-00.455 Fl. 64 informa que "... cujo responsável pela mesma fugiu do local entrando em um matagal". Pelas razões apresentadas, defende não poder ser responsabilizado pelos tributos devidos e requer a desconstituição do auto de infração. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FNS n° 15.185, de 13/02/2009, fls. 45/47: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/08/2005 MULTA REGULAMENTAR Constitui infração às medidas de controle fiscal a aquisição, transporte, venda, exposição à venda, depósito, posse ou consumo de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitando- se o infrator à multa legal, além da aplicação da pena de perdimento dos cigarros apreendidos. • Lançamento Procedente. Às fls. 49 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 50/54, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. • 3 Processo n° 10920.004159/2005-98 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.455 Fl. 65 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância no dia 10/03/2009, conforme Aviso de Recebimento constante das fls. 49, iniciando-se a contagem do prazo recursal no dia seguinte, 11/03/2009. A recorrente interpôs Recurso Voluntário .contra a decisão a quo em 14/04/2009, conforme carimbo de fls. 90. Diz o artigo 33 do Decreto 70.235/72 que rege o Processo Administrativo Fiscal: Art. 33 - Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Verifica-se que a irresignação do contribuinte foi protocolada fora do prazo legalmente previsto, sendo, portanto, intempestivo o recurso interposto. Como a recorrente não cumpriu o prazo previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72 para interposição de recurso contra a decisão do órgão julgador de primeira instância, voto por não conhecer o recurso, pois perempto. , Sala das Sessões, em .4 de maio de 2010 li pLUCIANO LOP 1)E ALMEIDA MO • • ES 4
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Numero do processo: 10814.006256/2004-41
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 13/07/2004
RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES FISCAIS. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. CONTROLE DE CARGA. ARMAZENAMENTO. Por ocasião da chegada de mercadoria do exterior por via aérea, deve o transportador disponibilizar a carga ao depositário, a quem compete registrar o fato no sistema MANTRA, no prazo máximo de 2 horas após a chegada do veículo transportador. O desatendimento dessa obrigação acessória constitui embaraço à fiscalização, punível com a respectiva multa.
Numero da decisão: 3802-000.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva (relatora), Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Marco Antonio Perdigão (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado.
Nome do relator: Relatorf
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 13/07/2004 RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES FISCAIS. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. CONTROLE DE CARGA. ARMAZENAMENTO. Por ocasião da chegada de mercadoria do exterior por via aérea, deve o transportador disponibilizar a carga ao depositário, a quem compete registrar o fato no sistema MANTRA, no prazo máximo de 2 horas após a chegada do veículo transportador. O desatendimento dessa obrigação acessória constitui embaraço à fiscalização, punível com a respectiva multa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva (relatora), Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Marco Antonio Perdigão (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/07/2004 RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES FISCAIS. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. CONTROLE DE CARGA. ARMAZENAMENTO. Por ocasião da chegada de mercadoria do exterior por via aérea, deve o transportador disponibilizar a carga ao depositário, a quem compete registrar o fato no sistema MANTRA, no prazo máximo de 2 horas após a chegada do veículo transportador. O desatendimento dessa obrigação acessória constitui embaraço à fiscalização, punível com a respectiva multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva (relatora), Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 62 56 /2 00 4- 41 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Rodrigues de Lima e Marco Antonio Perdigão (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. Relatório Tendo sido designado como redator ad hoc nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e dada a inexistência de relatório ou de qualquer outra memória concernente ao julgamento em tela, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Tratase de auto de infração referente a descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga, nos termos do art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66. Segundo a fiscalização, em 03/07/2004, a autuada promoveu a entrada no território nacional do vôo GEC0502, procedente de Frankfurt, Alemanha. O responsável pelo veículo formalizou o registro do termo de entrada nº 04/0130800 no MANTRA, entregando à fiscalização os documentos previstos no art. 8º da IN/SRF nº 102 de 20/12/94. Em 05/07/2004 e 06/07/2004, através das Cartas Gcarg nº 20046467 1 e 200465546, a empresa solicitou a inclusão no dossiê nº 04/0130800 das vias carbonadas dos conhecimentos de carga nº 020 4089 1690, consignado à empresa Jas do Brasil Transp. Int. Ltda e nº 020 6406 0522, consignado à empresa Rodhe & Liesenfeld do Brasil Ltda, que não foram apresentados no momento da entrega do termo e da documentação que o instrui, apresentando as informações desses conhecimentos no sistema. Entende a fiscalização que a inclusão no MANTRA dos dados relativos a carga sem documento só poderia ocorrer com a chegada efetiva do documento, mesmo em outro vôo, e que deveria ser formulado o respectivo DSIC, documento subsidiário de identificação de carga no sistema MANTRA. Alega ainda a fiscalização que esses casos de informações equivocadas e de informações prestadas com base em documentos inexistentes poderiam possibilitar o desvio de cargas se não detectadas a tempo. Intimada em 22/09/2004, a interessada apresentou impugnação e documentos em 20/10/04, juntados às fls. 24 e seguintes, alegando, em síntese: 1. Alega que os documentos relativos aos conhecimentos aéreos em questão foram extraviados no país de origem, gerando um “código 27” no MANTRA, faltando complementação de informações no sistema MANTRA. 2. Alega que, tão logo conseguiu os dados relativos aos conhecimentos extraviados, protocolizou os pedidos de retificação de fl. 06, agindo em consonância com a legislação, com lealdade e boafé. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10814.006256/200441 Acórdão n.º 3802000.141 S3TE02 Fl. 175 3 3. Alega que não foram gerados os DSIC pelo fato de que as cargas já se encontravam na armazenagem da INFRAERO, sendo impossível gerar um DSIC nessa situação. 4. Alega que os “Termos de Retificação” apresentados teriam a mesma finalidade do DSIC. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 5. Alega que em nenhum momento deixou de prestar informações sobre veículo ou carga que adentrou em território nacional desde a prévia chegada da aeronave. 6. Requer por fim que seja julgado improcedente o presente auto de infração. A primeira instância, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/07/2004 RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES FISCAIS. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. CONTROLE DE CARGA. ARMAZENAMENTO. Por ocasião da chegada de mercadoria do exterior por via aérea, deve o transportador disponibilizar a carga ao depositário, a quem compete registrar o fato no sistema MANTRA, no prazo máximo de 2 horas após a chegada do veículo transportador. O desatendimento dessa obrigação acessória constitui embaraço à fiscalização, punível com a respectiva multa. Cientificado da referida decisão em 25/07/2008 (fls. 86), o sujeito passivo apresentou, em 26/08/2008 (fls. 92), o recurso voluntário de fls. 92/101, onde requer seja dado provimento ao seu recurso e, consequentemente, afastados os créditos tributários constituídos contra si. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que a conselheira relatora, Maria de Fátima Oliveira Silva, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009: Ressalvado o meu entendimento pessoal – no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso – reproduzo, abaixo, o voto objeto da decisão de primeira instância, já que inexiste qualquer memória sobre o julgamento do feito por este Conselho. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade da impugnação apresentada, dela se toma conhecimento. O objetivo central da lide é verificar se de fato ocorreu o fato gerador da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e” (grifo meu) Para analisarmos a questão, mister se faz a análise da IN SRF 102/94, que regulamenta os procedimentos e prazos relativos à prestação de informações sobre carga aérea. O art. 4º e 8º da IN SRF 102/94 estabelecem: “Art. 4º A carga procedente do exterior será informada, no MANTRA, pelo transportador ou desconsolidador de carga, previamente à chegada do veículo transportador, mediante registro: I da identificação de cada carga e do veículo; § 1º As informações sobre carga procedente do exterior serão apresentadas à unidade local da SRF que jurisdiciona o local de desembarque da carga. § 2º As informações prestadas posteriormente à chegada efetiva de veículo transportador dependerão de validação pelo AFTN, exceto nos casos de que tratam o parágrafo seguinte e o art. 8º. § 3º As informações sobre carga poderão ser complementadas através de terminal de computador ligado ao Sistema: I – (...) II até duas horas após o registro de chegada do veículo, nos casos em que tenham sido prestadas através de terminal de computador.” (grifo meu) “Art. 8º As informações sobre carga consolidada procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até duas horas após o registro de chegada do veículo transportador. Parágrafo único. A partir da chegada efetiva de veículo transportador, os conhecimentos agregados (filhotes) informados no Sistema serão tratados como desmembrados do conhecimento genérico (master) e a carga correspondente tratada como desconsolidada.” (grifo meu) Por sua vez, o art. 7º da IN SRF 102/94 estabelece: “Art. 7º Nos casos de bens chegados como bagagem acompanhada ou remessa expressa e como tal não aceitos pela fiscalização aduaneira; de carga não manifestada, embora documentada; de carga sem documento; ou de carga cujo tipo de documento ou identificação o Sistema não contemple, seu armazenamento processarseá através de documento subsidiário de identificação de carga DSIC. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10814.006256/200441 Acórdão n.º 3802000.141 S3TE02 Fl. 176 5 § 1º O DSIC instrui o armazenamento da carga no Sistema, sem prejuízo a quaisquer atos de ofício com relação a essa carga.” (grifo meu) Por fim o art. 9º dispõem: “Art. 9º O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no momento de sua chegada, cabendolhe, simultaneamente, a entrega à fiscalização aduaneira dos manifestos e dos respectivos conhecimentos de carga e, quando for o caso, dos documentos de trânsito aduaneiro.” (grifo meu) Observando o comportamento da impugnante, percebemos que em nenhum momento a mesma respeitou as disposições regulamentares expressas na IN SRF 102/94. Em primeiro lugar, não promoveu a prévia informação dos conhecimentos aéreos nº 020 6406 0522 e nº 020 4089 1690 no sistema MANTRA conforme prevê o art. 4º, I, da IN SRF 102/94. Em detectando a chegada de carga sem o correspondente documento de carga (conhecimento aéreo), não promoveu a formulação do respectivo DSIC, nos termos do art. 7 da IN SRF 102/94. Por fim, solicitou a retificação dos dados relativos ao termo de entrada para inclusão de novo conhecimento aéreo após o prazo regulamentar de 24 horas, previsto nos arts. 4º e 8º, sem apresentação do conhecimento de carga original, nos termos do art. 9º. Dessa forma, entendo que ficou caracterizada a falta da prestação de informações sobre carga proveniente do exterior por empresa de transporte internacional, na forma e prazo estabelecidos pela SRF, nos termos do art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, sendo, portanto, cabível a multa ali cominada ao fato gerador descrito. Com relação às alegações da impugnante sobre boafé e lealdade, vemos que a imputação da multa em questão se faz por meio de parâmetros objetivos previstos em lei e regulamentados via instrução normativa, não cabendo qualquer análise sobre o aspecto subjetivo do comportamento da autuada. Nesse sentido já dispõem o art. 136 do CTN: “Art. 136 – Salvo disposição em contrário, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” (grifo meu) Alegou também ser impossível a geração do DSIC sem apresentar qualquer prova nesse sentido. Também incabível a fungibilidade entre o DSIC e o “Termo de Retificação”, visto não haver qualquer previsão legal ou normativa nesse sentido. Não podemos esquecer que a administração aduaneira tem seus atos administrativos vinculados, nos termos do § único do art. 142 do CTN: “Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional” Fl. 235DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Do todo exposto, voto pela procedência total do crédito tributário lançado por este auto de infração. Este, portanto, foi o entendimento dado pela primeira instância, que, como dito, é aqui reproduzido uma vez que não há memória concernente ao julgamento do feito pelo CARF. Pela mesma razão, a título de ementa do presente julgamento de segunda instância foi também reproduzida a ementa do acórdão recorrido. A título de informação, ressalto que esta Turma de julgamento, mesmo com formação diversa daquela em que foi julgado o presente feito, tem entendido que a não prestação de informação sobre carga proveniente do exterior na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal se subsume ao tipo sancionado pelo artigo 107, inciso IV, alínea “e”, c/c artigo 37, caput e § 2º, todos do Decretolei nº 37, de 1966. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 236DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10183.005553/2005-24
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3101-000.031
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de origem.
Nome do relator: JOÃO LUIZ FREGONAZZI
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4,42.1/4. ;-- • t 4' Ade" TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10183.005553/2005-24 Recurso n° 139.209 Resolução n° 3101-00.031 — I a Câmara! Ia Turma Ordinária Data 22 de maio de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MAURO VILLELA Recorrida DRJ-CAMPO GRANDE/MS RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de origem t .s. ,,,,,e--... ze---4-ízo.,-, il—tique Pinheiro Torres - refsidente João Luizi'lry ona lator '‘( . EDITADO EM 30/11/2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Eregonazzi, Valdete Aparecida Marinheiro, Susy Gomes Hoffmann e Helcio Lafetá Reis (Suplente). Ausente o Conselheiro Tarásio Campeio Borges. 5 1 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão DRJ/CGE n.° 04- 11.833, de 20 de abril de 2007, da l.a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento consubstanciado no auto de infração de fls.01 e seguintes, cujo crédito tributário relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados, multa proporcional e acréscimos moratórios dizem respeito à glosa de área de exclusão da base de cálculo e do valor da terra nua declarado. Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da autoridade julgadora de primeira instância, abaixo transcrito. Trata o presente processo do Auto de Infração/Anexos, fls. 01/09 através do qual se exige do contribuinte acima identificado o pagamento de la 307.096,43, a titulo de Imposto Territorial Rural — ITR, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, decorrentes da glosa parcial da área utilizada com pastagens e pela substituição do VTN por hectare declarado pelo VTN por hectare da tabela do SIPT, informados em sua Declaração de ITR (DIAC/DIAT), do exercício de 2002, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Alvorada do Marape, com área total de 38.549,0 ha, número do imóvel na Receita Federal 0.785.178-2, localizado no município de Tapurah/MT. A ação fiscal iniciou-se em 01/07/2005, com a intimação ao contribuinte, conforme AR defi. 19, para relativamente ao exercício de 2002) apresentar documentos para comprovar os dados da declaração apresentada. No procedimento de análise e verificação da documentação carreada aos autos, a fiscalização constatou falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, pela não comprovação da área total de pastagens, em virtude da não aprovação do projeto técnico e pela substituição do VTAT declarado pela da tabela do SIPT, ensejando a lavratura do competente Auto de Infração conforme determina a lei. O lançamento foi fundamentado nos artigos. P, 4 Q, 7, 9', 10 e parágrafos, 11, 12, e 14, da Lei n y 9.393/1996. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação, (fls.839/87), alegando, em síntese, que: É altamente injusta e insustentável a conclusão utilizada pela fiscalização de que o beneficio implantado no imóvel não possa ser considerado, porque não foi aprovado pelo Incra; Não pode ser responsabilizado por retardamento não provocado por ele, porque sempre cumpriu a risca a legislação; É incontestável que, quando entregou a declaração, a área correspondente a 18.393,34 encontrava-se toda desmatada, não podendo ser relegada a um plano puramente fiscalista e arrecadató rio, tendo como motivo a não aprovação do Projeto pelo Incra; Apresentou recurso para o Conselho de Contribuintes, com relação ao ITR de 1994, tendo sido dado provimento com determinação para que o lançamento fosse efetuado com base no VTArm constante no laudo anexado aos autos; „f" 2 Processo n° 10183.005553/2005-24 53-011 Resolução n2 3101-00.031 FI. 261 O valor obtido em avaliação técnica foi aceito para o exercício de 1994, não existe razão de fato e de direita, para que ele não prevaleça para 2002; O laudo anexado aos autos caracteriza perfeitamente o imóvel rural, discrimina o meio físico, informação geral sobre as áreas utilizadas na exploração, reserva legal, ocupadas com benfeitorias valor da terra nua atualizado, especificando os elementos que contribuíram para a sua formação; Anexou vários textos de acórdãos do Conselho de Contribuintes para justificar seus argumentos e, que segundo seu entendimento vedam a ferocidade fiscalister como que fora apresentada na lavratura do Auto de Infração; Por último, requer revisão do lançamento, conforme DITR apresentada e, conseqüentemente, seja o auto de infração cancelado. -Acompanharam a impugnação os documentos de fls. 88/199. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação, acolhendo em parte as razões da impuipante, para aceitar a área de pastagem declarada, mantendo todavia a glosa no que respeita ao valor da terra nua declarado. Inconformada, a querelante interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos dantes expendidos na fase de impugnação. Junta laudo técnico de avaliação relativo ao ano base de 2001 É o relatório. Voto Conselheiro João Luiz Fregonazzi, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em seu recurso, a recorrente junta aos autos laudo técnico de avaliação que preenche parcialmente os requisitos exigidos pela NBR 14653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, original às fls. 240 e seguintes. O Engenheiro Agrônomo, devidamente habilitado e com anotação de responsabilidade técnica, utilizou o método comparativo direto, obtendo informações acerca do valor imobiliário de imóveis rurais situados próximos ao da recorrente, objeto deste processo. Todavia, é de se considerar que muito embora para fins de cálculo do valor da terra nua a classificação do imóvel e a situação em face das qualidade do solo e localização, não fez incidir nos cálculos os fatores de fonte, área, equivalência e transposição. Tampouco informou o desvio padrão e os cálculos e método para identificar os valores máximo e mínimo admissíveis para o imóvel. Releva considerar que os deulais requisitos da supracitada norma técnica foram integralmente observados. 3 , Considerando que as falhas apontadas podem representar variação no valor da terra nua resultante dos cálculos e informações inserias no laudo de avaliação, julgo conveniente converter o julgamento em diligência para que as falhas apontadas sejam corrigida pelo perito responsável pela confecção do prefalado laudo de avaliação. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência à Unidade de origem para que intime a recorrente a proceder à correção do laudo, nos termos em que mencionado no parágrafo anterior. comcom voto i _ crs-Êcr Jr:7ã\ uiz Fr gon i // • .:. • • 4 • \ • n
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Numero do processo: 10715.005568/2009-61
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 13/11/2004,014/11/2004, 15/11/2004, 16/11/2004, 17/11/2004, 26/11/2004, 26/12/2004, 01/12/2004
INFORMAÇÃO PRESTADA SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE REGISTRO. APLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E” DO DECRETO-LEI 37/66.
O descumprimento do prazo previsto para informação do veículo e carga transportados configura a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei 37/66.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentar-se comprovada no processo.
Numero da decisão: 3102-01.398
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes e Nanci Gama, que foi substituída pelo Conselheiro Hélio Araújo.
Nome do relator: Winderley Morais Pereira
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DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE REGISTRO. APLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E” DO DECRETOLEI 37/66. O descumprimento do prazo previsto para informação do veículo e carga transportados configura a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes e Nanci Gama, que foi substituída pelo Conselheiro Hélio Araújo. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Hélio Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “O presente processo trata da exigência do valor de R$ 40.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 11, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em novembro 2004 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/00248/09", descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10715.005568/200961 Acórdão n.º 3102 001.398 S3C1T2 Fl. 2 3 Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 16 a 32 alegando, em síntese, que: a equivocada fundamentação legal da penalidade aplicada torna nulo o auto de infração, conforme se depreende do inciso IV do artigo 10 combinado com o inciso II do artigo 59, ambos do Decreto 70.235/72, eis que cerceia o direito de defesa da impugnante, uma vez que a multa não corresponde à infração supostamente praticada; a multa contraria o disposto no inciso VI do artigo 2º da Lei 9.784/99 e no parágrafo 2º do artigo 113 do CTN, pelo fato de não possuir qualquer finalidade específica a ela relacionada ou necessidade de proteger determinado bem jurídico, pois após o desembaraço aduaneiro da mercadoria embarcada considerase concluído todo o procedimento fiscalizatório, não havendo qualquer possibilidade de se caracterizar dano ao erário; as normas utilizadas para embasar a aplicação da multa estão desvinculadas do interesse de aprimorar a fiscalização e a arrecadação de tributos, eis que toda fiscalização e recolhimento relativo a tributos já foram efetivamente efetuados; a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; o artigo 107 inciso IV alínea "e" do DecretoLei 37/66, ao mencionar a expressão "deixar de prestar informações'", não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os dados de embarque das mercadorias no Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras, sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex. Portanto, foi exatamente por esses motivos e em atendimento aos princípios da finalidade e da motivação que foi proferida a Solução de Consulta 215/04, que não deixa dúvida quanto à impossibilidade de se realizar o início da contagem de prazo para registro das informações no Siscomex nas retro mencionadas datas, razão pela qual devem ser declarados nulos os lançamentos da multa relativamente àquelas averbações realizadas no primeiro dia útil subseqüente ao respectivo embarque; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde ser efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência, efetuando, por conseguinte, o registro no menor prazo possível; a inobservância dos prazos regulamentares tão somente acarretaria embaraço à fiscalização se prejudicasse negativamente a capacidade de o fisco arrecadar tributos, o que não é o caso, pois referida intempestividade não traz qualquer prejuízo à atividade fiscalizadora, sendo irrelevante para o direito tributário a conduta infracional supostamente praticada. por diversas vezes no decorrer do ano de 2004 o Siscomex permaneceu indisponível, impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade. Nesse sentido, pede para que seja resgatada a memória das panes de sistema ocorrida no mês de dezembro de 2004. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação, reduzindo a multa à R$ 5.000,00, por entender que o prazo previsto na IN SRF nº 1.096/2010, de 7 (sete) dias, para informação de carga transportada, deveria ser aplicado à parte do lançamento, em razão da retroatividade benigna. A decisão da DRJ foi assim detalhada no voto vencedor. “Nesse sentido, é bem de ver que para aos embarques no Vôo GEC/0503, ocorridos em 11.11.2004, 12.11.2004, 14.11.2004, 23.11.2004 e 28.11.2004, o novo prazo de sete dias previsto na IN/RFB 1.096/10 para a prestação de informação da carga transportada iniciou em 12.11.2004, 13.11.2004, 15.11.2004, 24.11.2004 e 29.11.2004, e venceu em 18.11.2004, 19.11.2004, 21.11.2004, 01.12.2004 e 05.12.2004. Portanto, é intempestivo somente o registro (averbação) efetuado pela impugnante em 08.12.2004. Com relação aos embarques no Vôo LH/503, ocorridos em 10.11.2004, 13.11.2004 e 14.11.2004, o novo prazo de sete dias previsto na IN/RFB 1.096/10 para a prestação de informação da carga transportada iniciou em 11.11.2004, 14.11.2004 e 15.11.2004, e venceu em 17.11.2004, 20.11.2004 e 21.11.2004. Portanto, são tempestivos todos os registros (averbações) efetuados pela impugnante em 17.11.2004. Em face de tudo o quanto foi exposto e no que diz respeito à matéria litigiosa, voto por rejeitar a preliminar arguida e por julgar procedente em parte a impugnação, para manter o crédito tributário lançado no valor de R$ 5.000,00.” Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10715.005568/200961 Acórdão n.º 3102 001.398 S3C1T2 Fl. 3 5 Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma parcial da decisão, repisando as alegações apresentadas na impugnação, que podem ser assim resumidas em apertada síntese. O auto de infração não foi instruído com documentação comprobatória da infração imputada e com a base legal diferente dos fatos apurados, caracterizando cerceamento do direito de defesa. A planilha Siscomex em que se baseia o lançamento não indica a data das tentativas realizadas pela Recorrente para a inserção de dados, que não ocorreram em razão de falhas técnicas do Sistema Siscomex. Inaplicabilidade ao caso, da multa por embaraço a fiscalização. Finaliza a Recorrente alegando a absoluta falta de proporcionalidade e razoabilidade da multa aplicada e seu caráter confiscatório. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Cerceamento do direito de defesa e ofensa a princípios constitucionais Inicialmente cabe a análise da alegação de cerceamento do direito de defesa, em razão da ausência de prova comprobatória dos fatos e divergência quanto ao embasamento legal. Nesta matéria não assiste razão a Recorrente. O Auto de Infração foi realizado dentro das normas legais, atendendo todos os requisitos previstos na legislação quanto a formalização do lançamento tributário. A multa foi corretamente descrita e detalhada, sendo o lançamento objeto de impugnação e julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento e ainda, não tendo as suas pretensões atendidas, a Recorrente protocolou o Recurso Voluntário. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa. O procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, ao devido processo administrativo fiscal. Quanto à alegação que o lançamento estaria ferindo princípios constitucionais de razoabilidade e proporcionalidade e teria caráter confiscatório. Também aqui não pode prosperar as alegações do recurso. Os princípios constitucionais atingiriam o legislador e estando a multa prevista em Lei e em plena vigência, não há que se considerar qualquer ofensa a preceitos constitucionais. Ainda que pudesse restar alguma dúvida sobre a legalidade sob o viés constitucional da penalidade aplicada, mesmo assim, este colegiado não poderia apreciar a Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 matéria, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Lançamento em razão da informação intempestiva de dados de embarque O lançamento teve origem no descumprimento do prazo para informação dos dados de embarque, referente a transportes internacionais realizados pela Recorrente. O prazo para informação dos embarques estava definido à época dos fatos no art. 37 da IN SRF nº 28/1994, alterado pelo art. 1º, da IN SRF nº 510/2005. In verbis. “Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo.” A Recorrente tece nos seus argumentos diversas considerações acerca da obrigação acessória constante da IN SRF nº 37/2004. Para um melhor deslinde da questão faz se necessário, antes de qualquer discussão, a análise da atribuição da Receita Federal para criar obrigações acessórias Atribuição da Receita Federal para definir obrigações acessórias A definição de obrigação acessória e assunto pertinente aos órgãos da administração tributária, para confirmar este entendimento, basta análise da matéria do ponto de vista dos diplomas legais que atribuem competência a Receita Federal para definir obrigações acessórias. O art. 113 do Código Tributário Nacional definiu o que vem a ser obrigação principal e obrigação acessória. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10715.005568/200961 Acórdão n.º 3102 001.398 S3C1T2 Fl. 4 7 “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Conforme definido no CTN, a obrigação acessória é prestação comissiva ou omissiva previstas na legislação, no interesse da arrecadação ou fiscalização tributária. A obrigação acessória não se confunde com a obrigação principal de recolhimento tributário, mas conforme, descrito no código, visa o controle e a fiscalização. Não há como falar em obrigação acessória ligada a lançamento, mas a obrigação de fazer ou não fazer do sujeito passivo. A alegação que a obrigação acessória somente poderia ser definida em lei e não em normas administrativas, não encontra respaldo nas normas de direito tributário, pois, no art. 113 é esclarecido, de forma cristalina, que a obrigação acessória nasce da legislação tributária. A legislação tributária abarca outros institutos normativos, tais como decretos e normas complementares como preceitua o art. 96 também do CTN. Ao analisar a questão Luciano Amaro define que mesmo nos casos em que a obrigação acessória foi definida por ato de autoridade administrativa, mesmo assim, podese dizer que decorre de “lei”, visto o caráter de vinculação legal da administração tributária. “Parece que ao dizer serem as obrigações acessórias decorrentes da legislação tributária, o Código quis explicitar que a previsão dessas obrigações pode estar não em “lei”, mas em ato de autoridade que se enquadre no largo conceito de “legislação tributária” dado no art. 96; mesmo, porém que se ponha em causa um dever de utilizar certo formulário escrito em ato de autoridade, melhor seria dizer que a obrigação, em situações como esta, decorre da lei, pois nesta é que estará o fundamento com base no qual a autoridade pode exigir tal ou qual formulário, cujo formato tenha ficado a sua discrição. E, obviamente, também nessas situações, o nascimento do dever de alguém cumprir tal obrigação instrumental surgirá, concretamente, quando ocorrer o respectivo fato gerador”. 1 1 Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 16ª ed.,São Paulo, Saraiva. pg. 276277. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Detalhando ainda, se restasse dúvida, a atribuição da Receita Federal de definir obrigações tributárias, foi editada a MP 1.788/98, convertida posteriormente na Lei nº 9.779 de 19 de janeiro de 1999, que no seu artigo 16, torna inconteste a atribuição da Receita Federal para dispor sobre as obrigações acessórias. “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável” Conforme descrito acima a alegação a Receita Federal possui a competência legal para criar e regular obrigações acessórias referente aos tributos por ela administrados. Destarte, quaisquer declarações, controles e prazos referentes a tributos sobre o seu controle, são de cumprimento obrigatório pelos intervenientes do comércio exterior e o seu descumprimento enseja a aplicação das penalidades pertinentes. A inaplicabilidade do principio da boafé e da ausência de dano no descumprimento das obrigações acessórias Quanto à discussão sobre dano ou prejuízo a administração aduaneira e aplicação do principio da boafé no descumprimento das obrigações acessória, também não se aplica nestes casos. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente, nos termos previstos no art. 136, do Código Tributário Nacional. In verbis. “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” O art. 136 explicita a posição adotada no Código, de afastar as características subjetivas para análise da responsabilidade. As sanções estão previstas em lei e salvo disposição em contrário, não consideram o instituto da subjetividade, não sendo considerada na aplicação da penalidade, a intenção do agente no ato comissivo ou omissivo. Esta fica mais evidente, quando aplicada aos tributos e controles aduaneiros, que na sua origem não possuem caráter arrecadatório, mas de controle e segurança da soberania nacional. As obrigações aduaneiras, tanto principais, quanto acessórias, são determinadas em função de decisões administrativas e políticas de Estado. As obrigações acessórias, definidas no controle aduaneiro, caminham em conjunto com os controles administrativos e fitossanitários. Todas as informações exigidas nas declarações tipicamente aduaneiras são relevantes e determinam critérios de riscos que levam a níveis diferenciados de controle aduaneiro, inclusive podendo definir a ausência total da verificação física das mercadorias importadas. Dai a definição de sanções aplicáveis a descumprimento de Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10715.005568/200961 Acórdão n.º 3102 001.398 S3C1T2 Fl. 5 9 obrigações acessórias. A falta ou informação em atraso prejudicam sobremaneira o controle, portanto, a penalidade aplicada vem no intuito de estimular o correto cumprimento das obrigações acessórias, punindo aquele que falta com as informações nos termos previstos pela norma. Enquadramento legal da penalidade aplicada Insurgese a Recorrente contra o enquadramento legal, utilizado no enquadramento da penalidade aplicada, qual seja a alínea “e”, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/66. Em razão da falta de informação da carga, não configuraria embaraço a fiscalização e, portanto, o enquadramento não poderia ser utilizado no Auto de Infração. Aqui incorre a Recorrente em erro de argumentação, pois, o enquadramento legal, utilizado para aplicação da penalidade é alínea “e”, do inciso IV, do art. 107 do DL nº 37/66, que trata da falta de prestação de informação a que estava obrigada. “ Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; “ Alega a Recorrente que o descumprimento do prazo para informação do embarque somente poderia ensejar a aplicação da penalidade de embaraço a fiscalização, prevista no inciso “c” do art. 107 do DL 37/66, em razão do art. 44 da IN 28/1994. “Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 O art. 44 da instrução normativa somente confirma que o descumprimento das obrigações acessórias constituem embaraço a fiscalização, não determinando qual a penalidade a ser aplicada. A penalidade é definida pelo Auditor Fiscal da Receita Federal que diante dos fatos, verifica o enquadramento legal e aplica a penalidade prevista. No caso em estudo foi aplicado o inciso “e” do art. 107, do DL nº 37/66. Que define a penalidade para os casos de informação intempestiva referentes à carga transportada o que se amolda perfeitamente ao caso em tela, visto a discussão travada em todo o processo versar sobre a informação intempestiva de dados de carga. Portanto, não há qualquer reparo no enquadramento legal utilizado no Auto de Infração. Erro no Sistema Siscomex impossibilitando a informação no prazo determinado Alega a Recorrente a existência de erros no sistema Siscomex. O que teria impossibilitado a informação do embarque da carga, no prazo determinado pela IN SRF nº 28/1994. Analisando os documentos constantes do recurso voluntário não foram identificados quaisquer documentos ou fatos que comprovam o erro no Sistema Siscomex, que vincula ou demonstre que as informações da carga em discussão nos autos, foi impossibilitada por erro deste Sistema. O contribuinte tenta fazer crer, que caberiam ao Serviço Federal de Processamento de Dados e a Receita Federal demonstrarem que as informações da carga no Siscomex não ocorreram por erro no Siscomex. Neste ponto, cabe ressaltar que a autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O lançamento foi motivado por informações constantes nos sistemas informatizados e foi demonstrado nos autos. A modificação do lançamento, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência de erros no Siscomex vinculados a informação da carga em discussão nos autos. A simples alegação, sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação dos fatos alegados no recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 2 Portanto, sem quaisquer documentos ou fatos que possam comprovar a alegação que ocorreu um erro dos sistemas informatizados, impedindo a correta informação da carga, não podem prosperar as alegações do recurso quanto a esta matéria. Conclusão 2 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10715.005568/200961 Acórdão n.º 3102 001.398 S3C1T2 Fl. 6 11 Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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