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Numero do processo: 16327.001716/2007-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.081
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam tomadas providências conforme relatório e voto que desta formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2.474 1 2.473 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001716/200766 Recurso nº 166713 Resolução nº 1302000.081 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de maio de 2011 Assunto OMISSÃO DE RECEITA ESCLARECIMENTO DE FATO Recorrente KAPITAL FACTORING SOC DE FOM COML LTDA S Recorrida FAZENDA NACIONAL OMISSÃO DE RECEITA – DIVERGÊNCIA DE VALORES – ESCLARECIMENTO DE FATO – A contribuinte alega que a DRJ deixou de considerar documentos por ela acostados a este processo que comprovariam equívoco na apuração das receitas tributadas no lançamento. A contribuinte limitouse a anexar uma série de documentos, sem demonstrar e sem explicar, período a período, de forma específica, como eles denotam erro no lançamento. Autorizo diligência para que a contribuinte esclareça, analiticamente, suas razões de fato, unicamente com base nos documentos que constam deste processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam tomadas providências conforme relatório e voto que desta formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andre Ricardo Lemes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 16327.001716/200766 Error! Reference source not found. n.º 1302000.081 S1C3T2 Fl. 2.475 2 Relatório Em 25092007 foi lavrado auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no valor aproximado de R$ 8 MM contra a Kapital, relativo ao anocalendário de 2004 em virtude da omissão de receitas da atividade de factoring. A empresa teria deixado de escriturar a movimentação bancária relacionada ao Banco Bradesco e Itaú (vol. I fls. 171 a 199; vol. II, vol. III, vol. IV e vol. V fls. 802 a 897, vol. I fl. 165). Os valores de receita foram apurados pela diferença entre o valor de compra da cessão de créditos e o valor de face dos títulos comprados, de acordo com esclarecimentos do próprio contribuinte. Intimada pela fiscalização a regularizar sua escrita contábil a contribuinte não o fez. A escrita contábil foi considerada imprestável, razão pela qual a autoridade fiscal efetuou o arbitramento do lucro tributável. Diante da omissão de receita, entendeuse a existência de dolo e foi aplicada a multa de 150%. Foi efetuada a representação fiscal para fins penais. Em sua impugnação, a contribuinte nega que tenha tido a intenção de omitir receita e alega que não foi comprovado dolo ou qualquer crime contra a ordem tributária, inclusive, que cooperou com a fiscalização. Alega que multa de ofício de 150% deve ainda ser eliminada ou reduzida para 20% posto que confiscatória nos termos da Constituição Federal. Além disso, reconhece que escriturou de forma equivocada a movimentação do Itaú e Bradesco, refez a escrita contábil e apresentou nova escrita na fase impugnatória, demonstrando a correta apuração dos tributos pelo lucro real. Por outro lado, em seu entendimento, o auditor fiscal não comprovou adequadamente a relação das receitas de atividade de factoring tributadas com a movimentação bancária da empresa e as apurou incorretamente, não estando consignada adequadamente a base de cálculo, mesmo pelo lucro arbitrado. Diante desses fatos, entende a interessada que resta imprestável o arbitramento do lucro e que a tributação deve ser reduzida e feita sobre o lucro real da sociedade, que é a expressão material do acréscimo patrimonial, mais próxima da realidade e correta do ponto de vista tributário. O arbitramento está sujeito ao contraditório e, diante das novas evidências, a verdade material deve ser respeitada, pelo lucro real, em detrimento do arbitramento levado a cabo. No mínimo, os tributos devem ser apurados sobre a receita correta. Apresentou a impugnante nova escrituração fiscal e solicitou a abertura de perícia pra sua apreciação, visando considerar os valores corretos declarados e retificados pelo contribuinte bem como os tributos pagos pela nova escrituração contábil e fiscal. Em 21122007 a DRJ proferiu sua decisão, negou abertura de diligência posto que a autoridade entendeu que as provas no processo são suficientes para a conclusão do julgado. Mantevese integralmente o lançamento. A DRJ entendeu que a apresentação na fase impugnatória de nova escrituração contábil não desautoriza o arbitramento do lucro, visto que a escrita encaminhada à fiscalização foi confessadamente incorreta e insuficiente para apurar a correta base de cálculo. A imprestabilidade da escrita encaminhada à autoridade fiscal justifica o arbitramento sendo legalmente desnecessário para esse arbitramento o aprofundamento da análise fiscal ou evidente intuito de dolo ou fraude. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 16327.001716/200766 Error! Reference source not found. n.º 1302000.081 S1C3T2 Fl. 2.476 3 A título exemplificativo, as receitas originais declaradas pela empresa com base no lucro real na DIPJ foram de aproximadamente R$ 3,1 MM (vol. I fls. 68 e 71, vol. IX — fl. 1685), enquanto restou evidenciado que a receita total com a movimentação do Itaú e Bradesco era de R$ 18 MM consoante informações apresentadas pelo próprio contribuinte e posterior demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal (vol. I fls. 171a 199, vol. II — fls. 202 a 399, vol. III — fls. 402 a 599, vol. IV fls. 602 a 799, vol. V — fls. 802 a 897; vol. X — fl. 1816). Apesar de a contribuinte ter confessado o valor das receitas não escrituradas, a autoridade fiscal ainda teve o cuidado de por amostragem pedir elementos adicionais como contratos de cessão de crédito, duplicatas, etc., visando confrontar esses documentos com a movimentação bancária do Itaú e do Bradesco. Ao fazer isso, a autoridade fiscal ficou satisfeita em aceitar como verídicas as composições de receita apresentadas pela contribuinte e, diante da disparidade dos valores declarados e não declarados, a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do lucro. Para a DRJ, o arbitramento portanto está correto e a base de cálculo foi adequadamente consubstanciada nas informações prestadas pelo contribuinte e detalhada no vol. X, fl. 1816. A DRJ entendeu ainda que o arbitramento do lucro é diferente da aferição presumida da margem da empresa ou do valor de seus ativos, passivos, receitas ou despesas, sendo uma base de cálculo definida nos termos da Lei, partindo da receita da empresa transparente no procedimento fiscal. Esclareceu a autoridade julgadora que a omissão, pela contribuinte, de vultuosas somas de movimentação financeira da atividade de factoring sem qualquer tributação caracteriza conduta dolosa que dificultou o conhecimento do fisco sobre o fato gerador. Manteve assim portanto a multa qualificada de 150%, independentemente da colaboração do contribuinte junto à fiscalização. Afirmou ainda que o julgador administrativo é incompetente para apreciar a inconstitucionalidade dessa multa ou para aplicar a multa de mora, já que a aplicação da multa de ofício ao lançamento de ofício está disposta em Lei e cabe à autoridade administrativa cumprir a Lei. Não há, na visão da DRJ, base legal para o acolhimento da nova escrita contábil encaminhada pela interessada e para a adoção, no caso em questão, do lucro real. Intimada da decisão em 22022008, a contribuinte recorreu ao Conselho em 20032008, pedindo em síntese que seja reconhecida a nulidade do Acórdão da DRJ que não teria enfrentado a integralidade dos argumentos da impugnação ou ao menos a aceitação e análise por este Conselho da documentação contábil e fiscal apresentada pela contribuinte junto com a impugnação visando auferir adequadamente a base de cálculo dos tributos, sobretudo pelo lucro real, e reconhecer como abatimento os tributos já pagos pelo interessado, cancelando assim o lançamento fiscal. Alegou a recorrente que a DRJ desconsiderou completamente a nova escrituração contábil apresentada pela contribuinte e deixou de se manifestar sobre os tributos pagos pela contribuinte de acordo com essa nova escrituração contábil que precisam no mínimo ser abatidos de qualquer tributo devido neste processo. A autoridade fiscal de primeira instância não se manifestou, ainda, sobre a DIPJ retificadora, meramente alegando sua ilegalidade. Não há qualquer ilegalidade no procedimento de retificação razão pela qual ele precisaria ser considerado. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 16327.001716/200766 Error! Reference source not found. n.º 1302000.081 S1C3T2 Fl. 2.477 4 A interessado informou que a presença da DIPJ retificadora e da nova escrita contábil são razões contundentes para abertura de perícia ou diligência visando sua apreciação e que a falta de abertura dessa diligência é cerceamento do direito de defesa. Nessa linha, afirmou: “Verificase que o tema discutido na impugnação não trata da legalidade ou não do arbitramento do lucro, e sim, sua invalidade diante da nova contabilidade apresentada, razão pela qual, em caso de manutenção de tal regime de tributação, deveria ser refeita a apuração dos valores com base na nova escrituração fiscal. (...) Inobstante isto, argumentou a recorrente que os valores levados a efeito com base no arbitramento do lucro se encontravam dissociados da realidade, inexistindo correta avaliação dos documentos apresentados pela recorrente durante todo o procedimento fiscal.” Afirmou a contribuinte que a base de cálculo apurada pela autoridade fiscal está incorreta pois considera a totalidade dos descontos dos títulos como se renda fosse deixando de considerar diversos desembolsos que a empresa teve para adquirir esses títulos. Foram inclusive tributados como renda valores decorrentes da mera troca e substituição de títulos, sem auferição de renda. Nessa medida, a receita bruta apurada para fins de arbitramento do lucro está incorreta e de ser confrontada com a nova escrituração do contribuinte sob pena de arbitramento de lucro inexistente. Mais ainda, afirmou que, diferentemente do alegado pela DRJ, a contribuinte não confessou a correção do lançamento fiscal, pelo contrário. O lançamento parte de base de cálculo errada e por isso fere o princípio da capacidade contributiva. Por fim, alegou a recorrente que não teve a intenção de omitir receitas da tributação, que não teve intuito doloso, sendo incorreto e desprovido o entendimento da autoridade julgadora e a aplicação da multa confiscatória de 150%. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Diante dos elementos presentes no processo, noto a necessidade de converter o julgamento em diligência para esclarecer alguns elementos de defesa da contribuinte. Voto portanto por converter o julgamento em diligência e solicito à autoridade preparadora por favor que tome as seguintes providências. 1 – Relacione, em planilha, os valores totais declarados pela contribuinte em sua DIPJ ou contabilidade original a título de receitas passíveis de tributação, por período base, referenciando ao lado as folhas deste processo onde essas informações ficam evidentes. 2 – Relacione, em planilha, os valores totais declarados pela contribuinte em sua nova contabilidade e DIPJ retificadora a título de receitas passíveis de tributação, por período base, referenciando ao lado as folhas deste processo onde essas informações ficam evidentes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 16327.001716/200766 Error! Reference source not found. n.º 1302000.081 S1C3T2 Fl. 2.478 5 3 – Relacione ainda em planilha os valores totais de receita objeto de tributação pelo lucro arbitrado, por período de apuração, referenciando ao lado as folhas deste processo onde as informações que formam base para o cômputo dessa receita ficam evidentes. 4 – Acuse em planilha a diferença entre os valores totais de receita apurados conforme 3 e conforme 2. 5 – Relacione em planilha o valor dos tributos efetivamente pagos relacionados ao anocalendário de 2004 após o lançamento fiscal, descrevendo data do pagamento, código de pagamento, tributo, valor principal, juros e multa, computando o valor residual do lançamento fiscal após a imputação desses pagamentos. 6 – Intime a contribuinte para que tome ciência dos documentos acostados ao processo conforme providências 1 a 5. 7 – Conceda prazo de trinta dias para a contribuinte apresentar por escrito suas considerações sobre os documentos 1 a 5 e suas explicações, com base nas informações presentes neste processo, acerca das diferenças 4. A contribuinte deve explicar de forma específica e analítica por período de apuração porque entende que a receita considerada pela autoridade fiscal não é efetivamente receita tributável, com base nos documentos constantes deste processo. 8 – Após esse prazo, acoste eventual manifestação expressa da contribuinte a este processo para que posteriormente o processo seja encaminhado a este Conselho visando prosseguir o julgamento. É como voto. Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001145/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.222
Decisão: Resolvem os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termo do art. 62-A do RICARF.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Resolvem os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termo do art. 62A do RICARF. (Documento assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente (Documento assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros presentes Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Relatório Atendendo a requisição do Juízo da 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, motivada pela quebra de sigilo fiscal da Confederação Brasileira de Vela e Motor, determinada nos autos da Medida Cautelar nº 2005.51.01.5019775, a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização instaurou procedimento fiscal, com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao imposto de renda, nos anoscalendário de 2000 a 2004. Fl. 4927DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 2 2 Constatada a incompatibilidade entre as receitas declaradas e sua movimentação financeira, a DEFIC/RJ requisitou do Banco Bradesco S/A informações a respeito das contascorrentes e aplicações financeiras existentes em nome da entidade, no período fiscalizado. Constatado que os livros contábeis da Interessada referentes ao anocalendário de 2001 não registravam as operações praticadas pela sua FILIAL de CNPJ 34.169.060/000235, o Auditor Fiscal intimou a entidade a consolidar sua escrituração. Em resposta à intimação, a Interessada informou: que até 31/12/2003, vinha contabilizando separadamente as operações da MATRIZ e da FILIAL de São Paulo; que a partir de 01/01/2004, todavia, passou a elaborar as demonstrações contábeis de forma consolidada. A DEFIC/RJ requisitou do Banco Bradesco S/A, informações relativas à contas correntes e aplicações financeiras existentes em nome da FILIAL da Interessada, no período e recebeu as informações solicitadas. Examinando a escrituração o Auditor detectou que o Diário da FILIAL estava sem registro e sem assinatura, e que o Diário da MATRIZ estava sem registro e com rasuras, nos termos de abertura e de encerramento. Entendendo que os vícios acima apontados tornavam os livros imprestáveis para o exame da movimentação financeira no período investigado, o Auditor intimou a Interessada a reapresentar a escrituração, saneando as irregularidades detectadas. Em face desta exigência, o Presidente da Federação Brasileira de Vela e Motor e o contador compareceram à repartição fiscal, e declararam, que os livros contábeis apresentados consolidavam toda a escrituração da MATRIZ e da FILIAL, que se comprometiam a levar os ditos livros a registro até o dia 07/08/2006, que os recursos da Interessada provêm das anuidades de seus filiados, dos patrocínios esportivos, das verbas alocadas pelo Governo Federal e da participação nas receitas do “Bingo Augusta”, operado por sua FILIAL em São Paulo – SP. Que as receitas provenientes das anuidades de seus filiados e do “Bingo Augusta” foram utilizadas na manutenção da entidade e em eventos esportivos; que as verbas governamentais foram aplicadas em projetos esportivos, tendo sido, inclusive, auditadas pela Controladoria Geral da União; que as verbas de patrocínio foram aplicadas, exclusivamente, em atividades esportivas; que a Interessada não distribui lucros ou superávits, não remunera sua diretoria, nem possui participação em outras atividades que não aquelas anteriormente mencionadas. Após providenciar o registro a Interessada apresentou à Fiscalização resposta a intimação e Diário Retificador. O Auditor confrontou as transações bancárias realizadas no anocalendário de 2001 com os respectivos registros contábeis e constatou que diversos valores creditados na conta corrente mantida pela FILIAL junto ao Bradesco, não haviam sido escriturados. A Interessada informou que: que a contacorrente em questão era usada com a finalidade de controlar o movimento de giro do “Bingo Augusta”, assegurando um fundo fixo de funcionamento da casa; QUE os valores sacados da referida conta eram utilizados para efetuar os pagamentos de prêmios e as trocas de cheques dos clientes; QUE à medida em que o limite do fundo ficava baixo, os cheques dos clientes, trocados junto ao banco, eram depositados na referida conta, recompondo, assim, o mencionado fundo; QUE a movimentação financeira da conta em questão foi registrada nos livros contábeis da empresa administradora do bingo. O Auditor consignou a ocorrência das seguintes irregularidades: inexistência de documentos ou esclarecimentos acerca da origem dos já mencionados 1.178 depósitos e créditos Fl. 4928DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 3 3 efetuados na conta corrente da FILIAL no total de R$ 32.110.280,03; e inexistência de escrituração contábil e fiscal dos referidos depósitos e créditos. Por entender que a Interessada deixou de cumprir os requisitos necessários para o gozo da isenção do imposto de renda, no anocalendário de 2001, o Auditor lavrou termo específico, relatando os fatos capazes de determinar a suspensão do benefício e o Delegado da DEFIC/RJ decidiu pela suspensão da isenção expedindo o Ato Declaratório, na forma do art. 32, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Concomitantemente foram tributado como receitas omitidas os depósitos bancários sem origem e lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, no valor total de R$ 31.843.005,69 incluídos aí multa e juros de mora. Em 19/12/2006, a Interessada foi cientificada do Ato Declaratório e dos Autos de Infração, tempestivamente, apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese que: Da manifestação de inconformidade contra a suspensão da isenção que, na condição de entidade desportiva mantenedora do “Bingo Augusta”, contratou a empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda. para administrálo. que , nos termos do ajuste previsto em contrato, caberia à empresa contratada, “de modo exclusivo ... o exercício, execução e direção dos serviços de arrecadação do movimento financeiro gerado pelo citado Bingo”. que a movimentação da contacorrente do Bradesco ficava a cargo da empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda., tendo em vista que nesta conta eram registradas as operações do bingo. que em virtude de um lapso contábil, a escrituração das operações envolvendo a referida conta acabou sendo feita na empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda. que com a finalidade de comprovar tais fatos, encaminhou à DEFIC/RJ, os extratos da mencionada conta, acompanhados dos livros contábeis da empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda., mas que a referida documentação não foi examinada pela autoridade fiscal, e nem tampouco lhe foi devolvida. que diante de tais circunstâncias, entende caracterizado o cerceamento do seu direito de defesa. que no mérito, a suspensão da isenção não merece prosperar, uma vez que a entidade cumpre rigorosamente os requisitos estabelecidos pelo art. 174 do RIR/1999. que para comprovar suas alegações, anexou, entre outros documentos, cópia do Razão Analítico da empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda. com as operações realizadas no período. Da impugnação contra os autos de infração Inconformada, também, com a cobrança dos tributos apurados em decorrência da perda da isenção, a Interessada alegou, em resumo: Fl. 4929DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 4 4 que a autuação padece de nulidade, uma vez que não se pode exigir imposto de renda de entidade isenta, sem que haja uma decisão definitiva acerca da legitimidade de sua suspensão, conforme dispõe o art. 32, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. que além do mais, já teria decaído o direito de constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2001, em razão do disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. que a acusação de omissão de receitas, fundamentada na falta de comprovação da origem dos depósitos efetuados na contacorrente não procede, pois a movimentação da referida conta bancária estava sob responsabilidade da empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda. que ao tributar como receitas omitidas os depósitos a Fiscalização ignorou o modus operandi de um bingo. que as máquinas e mesas de bingo só trabalham com numerário, fato que obriga os clientes a trocarem seus cheques pelo correspondente valor em dinheiro. que para garantir o regular funcionamento do “Bingo Augusta”, faziase necessário sacar dinheiro em espécie junto ao banco e transportar os valores sacados até o estabelecimento comercial, para que os mesmos estivessem disponíveis para os clientes. que em virtude de tal fato, firmou com o Banco um convênio para remessa de numerário à domicílio, através de transportadora de valores contratada por aquela instituição financeira. que os depósitos efetuados na conta constituem, simplesmente, a reposição de valores anteriormente sacados, não constituindo nenhum acréscimo patrimonial, nem tampouco receita omitida. que a apuração de um eventual lucro tributável, no presente caso, só poderia ser feita através da mensuração global de todas as receitas e despesas da entidade no período fiscalizado. que ainda que venha a ser julgada procedente a autuação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, a mesma conclusão não poderá estendida aos lançamentos do PIS e da COFINS. que o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, determinado pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, extrapola o conceito de “faturamento” previsto na redação original do art. 195, inciso I, da Constituição Federal, padecendo portanto de inconstitucionalidade. que somente a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/1998, passou a ser possível a cobrança de contribuição para a seguridade social sobre outras receitas. que ao ampliar o alcance do termo “faturamento”, o legislador alterou um conceito de direito privado, ofendendo, ainda, o Código Tributário Nacional. que não bastasse isso, a própria inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS também é inconstitucional. que o valor do ICMS, destacado na nota fiscal, não integra o conceito jurídico de “receita”, nem tampouco o de “faturamento”, uma vez que é repassado, posteriormente, à Fazenda estadual. Fl. 4930DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 5 5 que a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal revelase, no caso concreto, confiscatória, violando, conseqüentemente, o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. que a utilização da taxa SELIC para fins de cálculo dos juros de mora é inconstitucional, os juros de mora devem ficar limitados ao percentual de 1% ao mês, conforme determina o art. 161, §1º, do Código Tributário Nacional. Em 18/01/2007 e 19/01/2007, a Interessada apresentou dois aditamentos à sua defesa, o primeiro relativo à suspensão de isenção, e o segundo, relativo aos autos de infração. Em ambos, repisa as razões de inconformidade anteriormente expostas, acrescentando, todavia, no que diz respeito ao tema da responsabilidade tributária: que ao contrário do que havia afirmado, a Impugnante não atuava como mantenedora do bingo, e sim como entidade desportiva credenciada. que o objeto social da empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda previa a “exploração comercial e administrativa de jogos e concursos de prognósticos eletrônicos e/ou mecânicos, tais como bingo, sorteio numérico, bingo permanente e similares, conforme disposições da Lei 8.672/93, regulamentada pelo Decreto 981/93” . que diante da exigência contida na Lei nº 9.615, de 24/03/1998 – Lei Pelé, de que a exploração do bingo estivesse vinculada a uma entidade desportiva credenciada, a empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda firmou um contrato de prestação de serviços com a Impugnante, ficando responsável pela administração do “Bingo Augusta”. que nos termos do referido contrato, caberia à empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda “o exercício, execução e direção dos serviços de arrecadação do movimento financeiro gerado pelo citado bingo” . que em face do estipulado, a Impugnante abriu, no Banco Bradesco S/A, a contacorrente, voltada especificamente para as operações do bingo, constituindo como procuradores, pessoas vinculadas à empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda., que administrou e contabilizou em seus livros toda a movimentação da contacorrente em questão. que para evitar esta situação, o legislador promoveu uma alteração na Lei Pelé, fixando a responsabilidade tributária da empresa comercial administradora do bingo. que em face do exposto, a responsabilidade pelos tributos eventualmente apurados deve ser imputada à empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda. Em 06/02/2007, a Interessada apresentou outras duas petições, requerendo a juntada de documentos. Finalmente, a Interessada protocolizou um último aditamento à sua defesa, ponderando: que as apropriações contábeis de sua FILIAL eram efetuadas diariamente, nos livros Diário e Razão, levados posteriormente aos balancetes mensais, tanto da FILIAL como da MATRIZ. Tendo em vista a preliminar de cerceamento de direito de defesa levantada pela Interessada, foi o julgamento convertido em diligência, a fim de que a DEFIC/RJ informasse se a petição anexada por cópia à fl. 1347 havia sido, de fato, recebida na data ali indicada, ou seja, em 06/11/2006. Fl. 4931DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 6 6 Em atendimento ao solicitado, o Auditor informou que em 02/10/2006, intimou a Interessada; que em 09/10/2006, apresentou resposta, afirmando que a movimentação financeira da conta havia sido escriturada nos livros contábeis da empresa administradora do bingo; que lavrou, Termo de Verificação e Constatação Fiscal, consignando a inexistência de escrituração contábil e a ausência de documentos comprobatórios da origem dos referidos depósitos e créditos bancários, lavrou novo Termo de Verificação, alertando a Interessada para a possibilidade de suspensão de sua isenção do anocalendário de 2001, e abrindo prazo; QUE em 23/10/2006, abriu prazo para alegações e provas; que, em 06/11/2006, a Interessada apresentou petição juntamente com a escrituração de uma outra pessoa jurídica, onde estaria supostamente registrada a movimentação financeira investigada; QUE os documentos apresentados junto com a mencionada petição referemse à escrituração contábil de outra pessoa jurídica, diversa daquela que teria o dever legal de escriturar a movimentação da conta investigada; QUE esgotado o prazo, sem que houvessem sido apresentados documentos capazes de comprovar a origem dos depósitos e créditos efetuados na contacorrente investigada, teve curso, o juízo sobre a suspensão de sua isenção. Em seguida à informação fiscal, o Delegado da DEFIC/RJ acrescentou: que conforme explicado pelo Auditor, a petição apresentada pela Interessada em 06/11/2006 caracterizava uma nova resposta à intimação de 02/10/2006 e que no que diz respeito às irregularidades descritas no Termo de Notificação de 23/10/2006, a Interessada, efetivamente, não se manifestou. Cientificada do resultado da diligência em 18/10/2007, a Interessada pela petição entregue em 30/10/2007 alegou: QUE o Auditor deixou de juntar aos autos documentos de suma importância para o deslinde da controvérsia; QUE além de haver ignorado o conteúdo dos referidos documentos, deixou, também, de juntar aos autos o protocolo de sua apresentação e as explicações que o acompanhavam; QUE tais fatos acarretaram cerceamento do direito de defesa. A DRJ/RJ através do acórdão nº 1217.701 de 21/12/2007 decidiu anular o processo a partir da decisão que determinou a suspensão de isenção da interessada conforme a ementa do julgado: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. DECISÃO QUE DEIXOU DE EXAMINAR AS ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS PELA ENTIDADE FISCALIZADA. NULIDADE. O rito procedimental para suspensão de isenções condicionadas estabelece que, uma vez notificada das irregularidades capazes de determinar a suspensão do benefício, a entidade fiscalizada terá trinta dias para apresentar provas e alegações em contrário, cabendo ao Delegado ou Inspetor da Receita Federal do Brasil decidir a respeito da procedência das mesmas (art. 32, §§ 1º a 3º, da Lei nº 9.430/1996). A decisão que deixa de apreciar as alegações e provas apresentadas tempestivamente pela entidade fiscalizada é nula, em virtude de cerceamento do direito de defesa (art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972). PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO. CONSEQÜENTE NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NA ESTEIRA DO REFERIDO ATO. A nulidade do ato declaratório de suspensão de isenção acarreta, por via de conseqüência, a nulidade dos autos de infração lavrados na esteira do referido ato (art. 59, § 2º, do Decreto nº 70.235/1972).” Fl. 4932DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 7 7 Posto que o crédito tributário exonerado excedeu o limite previsto no art. 2º da Portaria MF nº 375/2001, então vigente, foi interposto recurso de ofício. O feito foi levado, então, à apreciação da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que deu provimento ao recurso de ofício, anulando a decisão de primeira instância. Eis a ementa do julgado: “RECURSO DE OFÍCIO. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que não examina o caráter probatório dos documentos apresentados na impugnação.” A 15ª Turma da DRJ/RJ, através de novo acórdão de nº 12044.230, de 27/02/2012, por unanimidade de votos, deu parcial provimento a impugnação conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTO ANTES DE DECISÃO DEFINITIVA ACERCA DA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. A impugnação referente à suspensão de isenção não tem efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado (art. 32, § 8º, da Lei nº 9.430, de 1996). Sendo assim, a Fazenda não precisa esperar uma decisão definitiva quanto à validade do ato declaratório para poder constituir o crédito tributário devido. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS DE JULGAMENTO. É vedado aos órgãos administrativos de julgamento deixar de observar ou afastar a aplicação de leis validamente inseridas no ordenamento jurídico, sob o fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. EXISTÊNCIA OU NÃO DO PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos casos de lançamento por homologação, em que o contribuinte antecipa o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário conta se, em regra, da data de ocorrência do fato gerador, conforme dispõe o artigo 150, § 4º, do CTN. Na inexistência de pagamento antecipado, todavia, não há que se falar em lançamento por homologação. Neste caso, o prazo decadencial deve ser contado segundo a regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN , ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Fl. 4933DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 8 8 IRPJ. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO. FALTA DE REGISTRO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. As entidades isentas são obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão. Verificado, no caso concreto, que a entidade fiscalizada deixou de registrar parte expressiva de sua movimentação bancária, sem conseguir comprovar a origem dos recursos depositados ou creditados em uma de suas contas correntes, é de se confirmar a suspensão de sua isenção. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Serão considerados como receita omitida os valores creditados ou depositados em conta corrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). IRPJ. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA A DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. OBRIGATORIEDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO. Se a escrituração da pessoa jurídica contém vícios e deficiências que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, a apuração do imposto de renda devido terá que ser feita, obrigatoriamente, com base nas regras do lucro arbitrado. A autuação com base no lucro real é insustentável, sobretudo quando se verifica não terem sido levantadas as demonstrações financeiras exigidas pela lei fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 CSLL. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA A DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. OBRIGATORIEDADE DO ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Se a escrituração da pessoa jurídica contém vícios e deficiências que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, a apuração da CSLL devida terá que ser feita, obrigatoriamente, com base nas regras do lucro arbitrado. A autuação com base no lucro real é insustentável, sobretudo quando se verifica não terem sido levantadas as demonstrações financeiras exigidas pela lei fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001 PIS. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. A entidade sem fins lucrativos para a qual houver sido suspensa a isenção relativa ao imposto de renda, ficará, no período referente à suspensão, sujeita ao recolhimento do PIS sobre a receita bruta. Fl. 4934DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 9 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 COFINS. ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. A entidade sem fins lucrativos para a qual houver sido suspensa a isenção relativa ao imposto de renda, ficará, no período referente à suspensão, sujeita ao recolhimento da COFINS. Por unanimidade a turma deu parcial provimento nos seguintes termos: 1) negar provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório DEFIC/RJ nº 04G, de 14/12/2006, CONFIRMANDO, deste modo, a SUSPENSÃO da ISENÇÃO da Interessada, relativamente ao ano calendário de 2001; 2) DAR PROVIMENTO PARCIAL à impugnação apresentada contra os Autos de Infração lavrados em decorrência da suspensão do benefício, no sentido de: 2.1) REJEITAR a argüição de nulidade da autuação; 2.2) REJEITAR a argüição de ilegitimidade passiva; 2.3/4) JULGAR IMPROCEDENTE o lançamento relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e CSLL. Tributo Fato Gerador Lançado Exonerado Mantido IRPJ 31/03/01 1.537.256,60 1.537.256,60 0,00 30/06/01 1.837.959,29 1.837.959,29 0,00 30/09/01 2.159.798,40 2.159.798,40 0,00 31/12/01 2.468.555,70 2.468.555,70 0,00 Tributo Fato Gerador Lançado Exonerado Mantido CSLL 31/03/01 555.572,37 555.572,37 0,00 30/06/01 663.825,34 663.825,34 0,00 30/09/01 779.687,41 779.687,41 0,00 31/12/01 890.840,04 890.840,04 0,00 2.5) JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o lançamento relativo à Contribuição para o PIS/PASEP, ACOLHENDO a argüição de DECADÊNCIA quanto à parcela da exigência referente aos meses de janeiro a novembro de 2001: Tributo Fato Gerador Lançado Exonerado Mantido PIS 31/01/01 12.397,16 12.397,16 0,00 28/02/01 11.923,60 11.923,60 0,00 31/03/01 15.803,89 15.803,89 0,00 30/04/01 15.998,24 15.998,24 0,00 31/05/01 18.353,04 18.353,04 0,00 30/06/01 13.591,63 13.591,63 0,00 31/07/01 17,145,69 17,145,69 0,00 31/08/01 21.638,99 21.638,99 0,00 30/09/01 17.526,06 17.526,06 0,00 31/10/01 23.033,24 23.033,24 0,00 30/11/01 22.774,92 22.774,92 0,00 Fl. 4935DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 10 10 31/12/01 18.530,28 0,00 18.530,28 2.6) JULGAR PROCEDENTE o lançamento relativo à Contribuição para financiamento da Seguridade Social – COFINS: Tributo Fato Gerador Lançado Exonerado Mantido Cofins 31/01/01 57.217,70 0,00 57.217,70 28/02/01 55.032,03 0,00 55.032,03 31/03/01 72.941,05 0,00 72.941,05 30/04/01 73.838,06 0,00 73.838,06 31/05/01 84.706,35 0,00 84.706,35 30/06/01 62.730,69 0,00 62.730,69 31/07/01 79.133,98 0,00 79.133,98 31/08/01 99.872,27 0,00 99.872,27 30/09/01 80.889,54 0,00 80.889,54 31/10/01 106.307,26 0,00 106.307,26 30/11/01 105.115,01 0,00 105.115,01 31/12/01 85.524,40 0,00 85.524,40 A Turma RECORREU DE OFÍCIO da decisão, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00 definido na Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Tendo em vista o recurso de ofício, o Contribuinte, intimado do referido acórdão em 23/07/2012, recorreu da decisão na parte da decisão que lhe foi desfavorável, tempestivamente em 21/08/2012, reiterando os argumentos utilizados na impugnação e acrescentando em síntese o seguinte: ‐ que o objeto do presente recurso voluntário é a reforma da do acórdão relativa à: (1) manutenção da decisão que suspendeu a isenção, para o ano de 2001; (2) manutenção parcial da Contribuição ao PI5 (parcela da exigência referente ao mês de dezembro de 2001); (3) manutenção total do lançamento relativo à COFINS; e (4) manutenção da multa na forma cobrada e dos juros de mora sobre a mesma. ‐ que deve ser reformada a decisão que suspendeu o benefício de isenção relativa à 2001. ‐ que seja reconhecida a total improcedência das autuações, seja pela própria isenção, seja pela decadência, assim como por serem as Contribuições ao PIS e à COFINS indevidas e, ainda, seja cancelada a multa e os juros incidentes sobre ela. ‐ que a DRJ/RJO‐I entendeu, equivocamente, que não poderia se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/1998, pela suposta vedação contida no artigo 26‐A, do Decreto nº 70.235/1972. ‐ a Recorrente não requereu que o Julgador se pronunciasse acerca da inconst itucional idade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Fl. 4936DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 11 11 COFINS, até mesmo porque a mesma já foi devidamente declarada pelo Plenário do E. Supremo Tribunal Federal, bem como reconhecida pelo STJ. ‐ o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos dos Recursos Extraordinários nºs. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, conforme atesta o informativo do STF que anexa, já julgou definit ivamente a inconstitucional idade o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. ‐ assim deve ser recebida esta inconstitucionalidade como expressamente previsto no inciso I, § 6º, do próprio artigo 26‐A, do Decreto n^, 70.235/72, in verbis : "Art. 26‐A. No âmbito do processo administ rativo f iscal , f ica vedado aos órgãos de julgamento afastar a apl icação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconst itucional idade.(. . .) § 6º O disposto no caput deste art igo não se apl ica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I ‐ que já tenha sido declarado inconst itucional por decisão definit iva plenária do Supremo Tribunal Federal;" ‐ resta evidente que no caso concreto não há que se falar na vedação contida no artigo 26‐A, conforme expressamente determinado no seu § 6e , inciso 1, acima transcrito. Neste ponto insta salientar que o atual Regimento Interno desse E. Conselho Administrat ivo de Recursos Fiscais traz redação idêntica ao do disposit ivo acima transcrito, em seu artigo 62. "Art. 62‐A. As decisões definit ivas de mérito, profer idas jelo Supremo Tribunal Federai e pelo Superior Tr ibunal de Just iça em matér ia infraconst itucional . na sistemática prevista pelos artigos 543‐B e 543‐C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civ i l , deverão ser reproduzidas petos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." ‐ em atenção ao artigo acima transcrito, este E. CARF já teve diversas oportunidades de se manifestar acerca da declaração de inconstitucional idade em questão, como por exemplo, o precedente cuja ementa segue abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/1999 REPERCUSSÃO GERAL. DECISÕES PROFERIDAS PELO STF. ARTIGO 5438, CPC. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO ANEXO I I DO REGIMENTO DO CARF. PIS. ART. 3?, § I o DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Em sede de Fl. 4937DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 12 12 reafirmação de jur isprudência em repercussão geral , o Supremo Tr ibunal Federal já se manifestou pela inconst itucional idade do conteúdo do § 13 do art . 3g da Lei 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cof ins. De outra parte, o art . 62A, do Anexo I I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n‐° 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portar ia MF n‐° 586, de 21/12/2010, determina a reprodução petos Conselhe iros das decisões def ini t ivas de mérito, proferidas peto STF e pelo STJ em matéria infraconst itucional, na sistemática dos art igos 543B e 543C da Lei n? 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civ i l . Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento , por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercador ias e/ou de serviços. No caso, todo o lançamento se fez incidir sobre outras receitas que não podem ser consideradas como faturamento." (gri fos nossos) (Recurso nS. 166536; PAF ns. 19515.001191/2004‐97; 43 Câmara/3‐ Seção; Recurso Voluntário Provido POR UNANIMIDADE; Data da Sessão 14/02/2012; Conselheiro Relator Odassi Guerzoni F i lho, Acórdão n9 . 401‐001.723) ‐ dessa forma, a declaração de inconstitucionalidade em questão deverá ser vinculante também aos processos administrat ivos que versem sobre esta mesma matéria, que é exatamente o caso concret devendo, assim, ser adotado o entendimento consolidado pelos Tribunais Superiores, de que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP. ‐ caso seja ultrapassado o fundamento acima, ad argumentandum, eis que evidentemente é inconstitucional a cobrança da Contribuição ao PIS e da COFINS, no período de 2001 no tocante às receitas não operacionais, ainda assim devem ser julgadas improcedentes às cobranças da COFINS no período de janeiro a novembro de 2001, em virtude da decadência. ‐ conforme já mencionado acima, o v. Acórdão recorrido entendeu por haver decaído o direito de constituir os supostos débitos de Contribuição ao PIS, no período de janeiro a novembro de 2001, por força do disposto no artigo 150, § 42 , do CTN, eis que a Recorrente foi intimada da autuação em 19/12/2006. ‐ todavia, mesmo ciente que a COFIN, também é sujeita à lançamento por homologação, não foi dada a decadência dos supostos débitos no mesmo período, por ter aplicado o artigo 173, I , do CTN. Fl. 4938DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 13 13 ‐ também está sendo cobrado nos lançamentos em questão juros de mora sobre a multa de ofício, o que deve ser afastado, a f im de evitar dupla cobrança de juros moratórios. ‐ o artigo 61 , § 3 º , da Lei f»a, 9 . 430 / 96 é cristalino no sentido de que os juros de mora devem ser calculados sobre o montante principal , em consonância com o disposto no CTN, artigo 161. ‐ ademais, em sendo a multa de lançamento de ofício proporcional ao tr ibuto que deixou de ser recolhido, a cobrança de juros de mora, concomitante, sobre o principal e a multa de lançamento implica em bis in idem sobre o valor do tributo apurado devido. É o Relatório. Fl. 4939DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 14 14 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Conheço dos recursos de ofício e voluntário por serem tempestivos e preencherem todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72. Assim, o AFRFB entendeu ser o caso de solicitar informações diretamente às instituições financeiras – Banco Itaú e Banco Real (RMF de fls. 467 e ss.) quebrando o sigilo bancário por meio da autorização do art. 6º da LC 105/01. Em que pese não constar entre as argumentações trazidas pela recorrente a questão da solicitação dos dados bancários diretamente pelo órgão fiscalizador, por disposições regimentais vigentes, aprecio, em primeiro lugar, a possibilidade de prosseguimento do julgamento submetido a este Colegiado. Com efeito, tomo de empréstimos as argumentações e conclusões contidas no trabalho do ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, a seguir transcrito: “Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está a questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão eqüidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 4940DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 15 15 .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. Fl. 4941DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 16 16 § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos Fl. 4942DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 17 17 tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são Fl. 4943DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 18 18 absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 ...... § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. Fl. 4944DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 19 19 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. No momento em que o Ministro relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Acolhendo, por inteiro, a conclusão esposada no estudo acima reproduzido, conduzo meu voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento dos presentes autos, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno. O objeto da relação jurídica é o dever jurídico imposto ao sujeito passivo desta relação. A Lei Complementar 105/2001 determina em seu artigo 1o a abrangência do sigilo bancário, vejamos: Art. 1o. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. Portanto, devem as instituições financeiras (sujeito passivo) conservar sigilo sobre as operações passivas, ativas e serviços prestados (objeto). A título elucidativo, a atividade bancária pode ser dividida em típica e atípica, compreendendo a primeira as operações passivas e ativas e a segunda, os serviços prestados pela instituição financeira. As operações ativas/passivas são definidas pelo polo que a instituição financeira integra na obrigação. As operações passivas têm por objeto a captação de recursos junto à coletividade dos quais a instituição financeira necessita para processar sua atividade, são exemplos: depósitos à vista e a prazo, poupança, operações de câmbio. Já nas operações ativas os bancos concedem crédito aos clientes, em operações como empréstimos em conta corrente, operações de câmbio, o desconto de títulos, etc. A atividade bancária atípica, por sua vez, tem por objeto a prestação de serviços pela instituição financeira como corretagem e administração de recursos de terceiros. Assim também definiu o Superior Tribunal de Justiça, vejamos: Fl. 4945DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 20 20 Por isso, cumpre às instituições financeiras manter sigilo acerca de qualquer informação ou documentação pertinente a movimentação ativa e passiva do correntista/contribuinte, bem como dos serviços bancários a ele prestados Portanto, considero que o presente caso está adstrito à decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade do art. 6º da LC 105/01. O AFRFB não teria arrecadado a quantia de informações necessárias para a lavratura do auto de infração caso não tivesse acesso às informações complementares da movimentação financeira da empresa fiscalizada. Exemplificativamente, as informações prestadas pelo Banco Itaú (fl. 509), em resposta à RMF, foram necessárias para o AFRFB concluir, analisando os depósitos da referida conta, que alguns “pagamentos para fornecedores” constantes no Livro Diário, na realidade constituíam transferência de recursos entre as contas correntes de titularidade da própria recorrente, da seguinte forma: conta corrente registrada na escrituração contábil (Banco Real) para conta não registrada (Banco Itaú). Assim, foi decisiva no desenrolar deste feito a autorização constante nos art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, fundamento legal mediante o qual a fiscalização teve acesso à movimentação financeira da recorrente. Isto posto, cumpre recordar que, no âmbito administrativo, impera o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, o qual segue adiante transcrito: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Posteriormente, diante da necessidade de uniformizar os procedimentos previstos no parágrafo 1º, acima, foi publicada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, da qual destaco: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF Fl. 4946DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 21 21 tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. § 1º. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I – o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VI , do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2º. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I – decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II – recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3º. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. A matéria da qual trata este processo administrativo se encontra sob apreciação do Supremo Tribunal Federal em diversos processos, entre os quais cumpre destacar o Recurso Extraordinário 601314, com a decisão que segue: Fl. 4947DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 22 22 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Embora reconhecida pela Suprema Corte a repercussão geral (CPC, art. 543A), não encontro menção, no referido Recurso Extraordinário, ao sobrestamento de recursos previsto no art. 543B do Código. Não obstante, em diversas outras decisões se encontram referências inequívocas ao sobrestamento de recursos versando sobre essa matéria. Confirase, a título exemplificativo, o Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 714757: DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas –, determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543 B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator No mesmo sentido, decisão monocrática no RE 354393: Fl. 4948DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 23 23 REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). Decisão: O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto dos presentes autos – a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Os temas serão submetidos à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. O Plenário da Corte, ao apreciar a questão de ordem nos autos do RE 540.410, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de 04.09.2008, decidiu estender a aplicabilidade do instituto da repercussão aos recursos interpostos contra acórdãos publicados anteriormente a 3 de maio de 2007. Destarte, tendo recebido em conclusão o referido processo em 03.03.11, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CEZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Tenho por certo, assim que: (i) O presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC; (ii) Ainda não há decisão definitiva de mérito por parte da Suprema Corte; e (iii) Recursos com a mesma matéria têm sido devolvidos aos Tribunais de origem, para os efeitos do art. 543B do CPC. Considero, pois, plenamente atendidas as condições para a aplicação do § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, anteriormente transcrito. Por todo o exposto, Por todo o exposto, proponho: Fl. 4949DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 18471.001145/200641 Resolução nº 1302000.222 S1C3T2 Fl. 24 24 a) que V. Sa. determine o sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo, no exercício da competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF; e b) que o presente processo seja encaminhado à Secretaria da Câmara para as providências de que trata o § 2º e 3º, inciso I, do art. 2º da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 4950DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10945.900582/2014-23
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 3401-010.361
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.360, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900579/2014-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Luis Felipe de Barros Reche e Carolina Machado Freire Martins.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.360, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900579/2014-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Luis Felipe de Barros Reche e Carolina Machado Freire Martins. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Embargos de Declaração contra decisão proferida por esta Turma e assim ementada: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 05 82 /2 01 4- 23 Fl. 64913DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.361 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900582/2014-23 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. REVISÃO. LANÇAMENTO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 159. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. DECADÊNCIA. ART. 150 § 4 o CTN. GLOSAS. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica o disposto no art. 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN) no caso de análise de solicitação de crédito em despacho decisório, por não se tratar a operação de lançamento. NÃO INCIDÊNCIA. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. COMERCIAL EXPORTADORA. A não incidência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, descrita no artigo 14, inciso VIII, da MP 2.158-35/2001, exige prova de que a venda se destinou a exportação, ou seja, prova de que a mercadoria foi efetivamente exportada. ISENÇÃO. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANY. O artigo 1 o do Decreto 1.248/1972 isenta de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS a exportação indireta por meio de Trading Company desde que os bens a exportar sejam enviados diretamente a armazém alfandegado, embarque ou para regime de entreposto extraordinário na exportação. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. VENDA NO MERCADO INTERNO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. Impossível a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das vendas no mercado interno e das vendas não tributadas, eis que não compõem, a priori, a base de cálculo das exações. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. FRETES. O artigo 15 da MP 2.158-35/2001 não trata de essencialidade, mas de especialização concernente a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e serviços da mesma natureza. Assim, salvo prova da especialização do frete, impossível a dedução. EXCLUSÃO. CUSTO AGREGADO. MÃO-DE-OBRA. O conceito de custo agregado descrito pelo § 8 o do artigo 11 da IN SRF 635/2006 é amplo, e não vincula o custo agregado ao gasto com salário ou ainda com remuneração, limitando-se o artigo a tratar de dispêndios com mão-de-obra, ou seja, todos os valores pagos e benefícios concedidos às pessoas que prestam serviço ao contribuinte. Fl. 64914DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.361 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900582/2014-23 INSUMOS. PALLETS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Não é possível a concessão de crédito não cumulativo de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS ao pallet, salvo quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique a perda do produto ou de sua qualidade, ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal de crédito referente a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS para frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004 não se refere a créditos cuja aquisição é vedada em lei. SÚMULA CARF 157. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADORIA PRODUZIDA. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8 o da Lei 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Intimada, a Embargante opôs Embargos de Declaração, apontando uma série de omissões, contradições e erros de fato no julgado. Os Embargos foram acolhidos apenas e tão somente no tópico despesas com armazenagem e frete na operação de venda, isto porque, dentre as matérias declaradas preclusas por esta Turma, o tópico em questão foi, efetivamente, aventado tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em Recurso Voluntário. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A fiscalização glosa em tópico específico as DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA porquanto: Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Embargante “foram identificados fretes sem comprovação de origem, destino e/ou produto transportado” o que torna impossível a análise da natureza do frete; Fretes entre armazéns da Embargante não geram créditos das contribuições quer estes sejam de produtos acabados, quer sejam de insumos; Fl. 64915DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.361 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900582/2014-23 Quatro fretes referem-se a aquisição de ativo imobilizado. A Embargante em sede de Manifestação de Inconformidade apresentou o seguinte argumento sobre o tema: “Dentre os inúmeros fundamentos da decisão que merecem reforma, a recorrente destaca as glosas a seguir relacionadas: (...)(d3) fretes sobre a aquisição de bem não sujeito ao pagamento das contribuições e tributação monofásica e fretes de transferência entre estabelecimentos (itens 86 a 87 e 107, Informação Fiscal SEORT/EQMAC/DRF FOZ 06/2016)”. Com a máxima vênia ao ilustre Presidente desta Turma, quer parecer que, para inaugurar a lide administrativa a impugnação deve ser específica, apontar, ao menos os motivos de fato que deveriam levar ao afastamento do fundamento, o que no presente caso - sem prejuízo da vasta sabedoria do combativo patrono da Embargante - não se apresenta verdadeiro. Aliás, a Ementa do Voto destaca que “para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada”. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e rejeito os Embargos de Declaração. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 64916DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10280.901525/2012-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006
DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143.
O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).
Numero da decisão: 1003-002.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante os documentos apresentados e aplicação das determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos, homologando-se as compensações efetuadas até o limite do valor creditório reconhecido.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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(documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 25 /2 01 2- 61 Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.846 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901525/2012-61 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida no Acórdão nº 02-91.560, pela 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo apenas parcela do direito creditório pleiteado. Os fatos iniciais constam do relatório do referido Acórdão, que reproduzo a seguir: “DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 024905054, emitido eletronicamente em 03/07/2012, referente ao crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 16843.53777.200508.1.3.02-5058. O tipo do crédito utilizado é Saldo negativo de IRPJ, do 1º trim./2006. Conforme DIPJ e PER/DCOMP, o valor desse saldo negativo seria igual a R$ 13.097,67. No despacho, foi reconhecido R$ 8.020,30. Os valores das parcelas de composição do crédito informados no PER/DCOMP e os valores confirmados pelo fisco foram assim discriminados no despacho decisório: Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: art. 168 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN); § 1º do art. 6º e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996; art. 4º e art. 36 da IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. O detalhamento das parcelas confirmadas encontra-se no documento intitulado “Despacho Decisório - Análise de Crédito”. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade com suas razões de discordância. A empresa alega que sofreu retenções do IRPJ nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2006, referentes a notas fiscais de serviços prestados para órgãos públicos, os quais devem reter, dentre outros, o IRPJ sobre pagamentos efetuados à manifestante. Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.846 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901525/2012-61 Apresenta cópias das notas fiscais do período, bem como relatório demonstrativo, e requer o acolhimento da manifestação, com o reconhecimento dos créditos e o cancelamento do débito”. Ao analisar a questão, a 2ª Turma da DRJ/BHE julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade para reconhecer direito creditório remanescente no valor de R$ 58,45, além do já admitido no despacho decisório, e homologar as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário nos seguintes termos: “(…) DA FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA. DO MÉRITO DA OMISSÃO DE FATOS RELEVANTES. DA USENCIA DE FUNDAMENTO PARA O NÃO RECONHECIMENTO DA COMPENSAÇÃO Fácil perceber que a 2 a Turma de Julgamento ignorou o fato de que as retenções de IRRF, CSLL, COFINS e o PIS/PASEP encontram-se devidamente indicadas nas Notas Fiscais constantes dos autos, a teor do art. 64 da Lei n. 9.430/1996 e art. 34 da Lei . n. 10.833/2003 (alterada pela Lei n. 11.727/2008). Por outro lado, o suprimento de informações pode ser feito a qualquer tempo. Assim, não só poderia como deveria ter sido determinada a expedição de ofícios aos Órgãos Públicos tomadores dos serviços prestados pela ora Recorrente na competência em questão que não apresentaram as DIRF's, o que mais uma vez, formalmente, se requer. Entendemos que esse proceder da RFB, que originou o processo em questão, produziu ato administrativo eivado de vícios, eis que patentes à ausência de motivo e motivação. Pacífica a doutrina pátria no sentido de consagrar o motivo como um dos elementos dos atos administrativos, bem como ser essencial a existência de motivação. A festejada autora Fernanda Marínela, em seu Direito Administrativo, 5 a edição- Niterói: ímpetus, 2011, p. 256 tratando do tema, preleciona: "Quanto à enumeração, a maioria dos doutrinadores elenca cinco elementos ou requisitos, que são: sujeito competente, forma, motivo, objeto e finalidade. Essa enumeração utiliza como fundamento a previsão do art. 2 o da Lei n° 4.717/65, que dispõe sobre a ação popular, cabível além de outros objetivos-para a invalidação de atos ilegais praticados pelos agentes públicos, permitindo esse rol um desenho de suas linhas mais marcantes, orientação que será adotada neste trabalho." Ademais, a CF/88 estatui que todas as decisões devam ser fundamentadas sob pena de nulidade, o que significa dizer que a Administração Pública deve não só decidir racionalmente, mas também tornar público o seu raciocínio, submetendo-se assim, á critica da comunidade. Visa-se, com essas limitações, afastar o puro subjetivismo, obtendo-se a decisão o quanto possível independente da pessoa do julgador. Consoante lecionou Hely Lopes Meirelles, a legalidade como princípio da Administração traduz que o administrador público, no desempenho das suas funções, está submisso aos mandamentos das Leis e a exigência do bem comum, deles não Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.846 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901525/2012-61 podendo distanciar-se sob pena de invalidar a prática do ato administrativo e submeter- se a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. Ora, se até os Juízes têm o dever de fundamentar as suas decisões sob pena de nulidade, com muito mais razão deve a administração motivar seus atos. No vertente caso, tem-se que a correta informação a título de retenção de impostos no I o trimestre de 2006 poderia e poderá ser perfeitamente suprida com a notificação dos Órgãos Públicos cujas informações a guisa de comprovação de recolhimentos encontram-se pendentes, fartamente explicitada ao norte, é elemento essencial que, necessariamente, deveria ter sido considerado e ressaltado pela 2 a Turma de Julgamento, o que verdadeiramente não ocorreu, como visto. Tal omissão, NECESSARIAMENTE, conduz a uma análise equivocada da situação em apreço, haja vista que as retenções em foco foram religiosamente apontadas pela Contribuinte, ora Recorrente e podem ser perfeitamente ratificadas pelos tomadores de serviço responsáveis pelo recolhimento dos respectivos tributos no período objeto de análise. CONCLUSÃO E PEDIDOS Conforme satisfatoriamente demonstrado, verifica-se que a 2 a Turma da DRJ/BHE cometeu grave equívoco no momçnto em que ratificou o Despacho Decisório e o respectivo Parecer de fls. 75-77, ao desconsiderar que para efeito de apuração do crédito apontado pela Recorrente poderia ter sido determinada a expedição de ofícios aosí Órgãos Públicos tomadores dos serviços prestados pela Peticionária a fim de sanar eventuais dúvidas a título de comprovação de recolhimento dos impostos retidos (indicados nas NF'S acostadas aos autos), mediante a apresentação das respectivas DIRF'S, o que inquina o ato administrativo de vícios insanáveis. À vista de todo o exposto, espera e requer a Recorrente seja acolhido opresente recurso para o fim de assim ser decidido, reformando a Decisão da 2 a Turma daDRJ/BHE, e por conseguinte determine o retorno dos autos a: DELEGACIADA RECEITA FEDERAL EM BELÉM; a ^EQUIPE DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO, ECOBRANÇA- EQRECC; e ao SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA-SEORT^ a fim de que reaprecie a questão, porém determinando que haja a prévianotificação dos tomadores de serviço que não apresentaram as DIRF'S, referentes ao I o trimestre de 2006”. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.846 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901525/2012-61 Delimitação da Lide O exame do mérito dos pedidos postulados delimitados em sede recursal ficam restritos a argumentos em face do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 5.018,92 (R$ 13.097,67 (valor pleiteado) – R$ 8.078,75 (R$ 8.020,30 (valor reconhecido pelo despacho decisório) + 58,45 (valor reconhecido pela DRJ)), do ano-calendário de 2006 (Per/DComp nº 16843.53777.200508.1.3.02-5058) que, conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita (art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplicam subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Mérito Conforme já relatado, a Recorrente busca a reforma da decisão que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade para reconhecendo como direito creditório remanescente apenas o valor de R$ 58,45, além do já admitido no despacho decisório, e homologar as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido. Assim constou na decisão de piso: “(...) De acordo com o § 2º do art. 943 do RIR/1999, o Comprovante Anual de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecido pela fonte pagadora é o documento hábil para comprovar a correta dedução do imposto retido durante o ano-calendário. Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942. [.....] § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º. Considerando que o art. 28 da Lei 9.430, de 1996, expressamente estende à contribuição social as regras de apuração de base de cálculo e pagamento vigentes para o imposto de renda, aplica-se também o disposto no § 2º do art. 943 do RIR/1999 à contribuição social. A interessada não anexa ao processo comprovantes de rendimentos e retenção na fonte emitidos pelas fontes pagadoras para confirmação das retenções de IRPJ que alega ter em seu favor no 1º trim./2006. Entretanto, a ausência dos comprovantes de rendimentos e retenção na fonte pode ser suprida, quando possível, pelos registros constantes nos bancos de dados da Receita Federal em relação às retenções na fonte informadas pelas fontes pagadoras na DIRF. Em pesquisa aos bancos de dados da Receita Federal, são confirmadas nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras, para o 1º trim./2006, retenções de IRPJ na fonte em benefício da interessada no montante de R$ 8.078,75, valor superior ao anteriormente confirmado no despacho, R$ 8.020,30. Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.846 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901525/2012-61 A relação das retenções encontradas foi anexada a este acórdão. Diante do exposto, o despacho decisório deve ser reformado nos termos seguintes: Valor original do saldo negativo informado no PerDcomp com demonstrativo de crédito: R$ 13.097,67. Valor na DIPJ: R$ 13.097,67. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 13.097,67. IRPJ devido: R$ 0,00. Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada para: reconhecer direito creditório remanescente, além do já admitido no despacho decisório, referente a Saldo negativo de IRPJ do 1º trim./2006, no valor de R$ 58,45; homologar as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido”. Já a Recorrente argumentou em suas razões recursais que faz jus ao direito creditório em discussão já que a “DRJ/BHE cometeu grave equívoco no momçnto em que ratificou o Despacho Decisório e o respectivo Parecer de fls. 75-77, ao desconsiderar que para efeito de apuração do crédito apontado pela Recorrente poderia ter sido determinada a expedição de ofícios aos Órgãos Públicos tomadores dos serviços prestados pela Peticionária a fim de sanar eventuais dúvidas a título de comprovação de recolhimento dos impostos retidos (indicados nas NF'S acostadas aos autos), mediante a apresentação das respectivas DIRF'S, o que inquina o ato administrativo de vícios insanáveis”. Inicialmente, em relação à dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Para tanto, estão obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no ano-calendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no ano-calendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.846 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901525/2012-61 Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período (art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do Decreto-Lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do Decreto-Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983). Ademais, o Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.846 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901525/2012-61 Neste contexto, constata-se que a Recorrente não anexou aos autos os comprovantes de rendimentos e retenção na fonte emitidos pelas fontes pagadoras para confirmação das retenções de IRPJ que alega ter no período em discussão. Percebe-se que o voto condutor do acórdão de piso, para a negativa do reconhecimento integral do direito creditório pleiteado, considerou serem os únicos documentos hábeis para tal comprovação, a apresentação de o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Porém, nos termos da Súmula CARF nº 143, a ausência dos comprovantes de rendimentos e retenção na fonte pode ser suprida, quando possível, pelos registros constantes nos bancos de dados da Receita Federal em relação às retenções na fonte informadas pelas fontes pagadoras na DIRF. Assim, ao contrário do decidido no acórdão de piso, as Notas fiscais apresentadas pela Recorrente são provas (Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994) para fins de aplicação da Súmula CARF 143, já que a DRJ somente avaliou “os bancos de dados da Receita Federal”. Essa questão é por demais conhecida por esta Turma de Julgamento, pois ocorre com frequência a não localização das retenções nos sistemas do Fisco e a interessada não apresenta o Informe de Rendimentos que deve ser emitida pelas fontes pagadoras que efetuaram as retenções. Para ter direito a efetuar a compensação dos créditos a legislação de regência da matéria destaca a necessidade do contribuinte apresentar comprovante de retenção, emitido em seu nome pela fonte pagadora, senão vejamos o art. 55 da Lei n° 7.450/85. Por outro lado, caso a fonte pagadora não encaminhe as informações de retenção ao Fisco, o beneficiário do pagamento, e que teve as retenções, fica sujeito ao não reconhecimento pela autoridade administrativa da ocorrência daquelas retenções, ficando sujeita a não homologação de eventuais compensações em que utilizar aqueles tributos retidos. É fato que é um direito do beneficiário do pagamento e um dever da fonte pagadora a emissão do Informe de Rendimentos. Contudo, forçoso reconhecer que o beneficiário do pagamento não tem gestão sobre o comportamento da fonte pagadora. Como não tem o poder de enforcement detido pelo Fisco, a Recorrente tem que comprovar as retenções por outros meios. Neste sentido, para casos de comprovação de retenção sem informe de rendimentos, como o ora analisado, aplica a Súmula CARF 143, os contribuintes podem comprovar por quaisquer meios de prova as retenções que dão sustentação à formação do crédito reivindicado, não sendo o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora como única forma de demonstrar o crédito. No caso sob exame, as notas fiscais carreadas aos autos pela Recorrente podem e devem ser analisadas objetivando à comprovação da parcela do direito creditório em litígio. Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.846 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901525/2012-61 Logo, o sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Destarte, entendo que é preciso o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora emitir novo despacho não havendo que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Havendo dúvidas em relação ao que foi juntado ou a necessidade de juntada de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, deve a Recorrente ser intimada para esclarecimentos e apresentação de documentos. Destaca-se, por fim, que não se trata de emissão de novo despacho decisório, pois o primeiro não possuía vícios e estava de acordo com as provas e informações sistêmicas até aquele momento existentes. Os autos irão retornar apenas para a continuação da análise da liquidez e certeza do crédito remanescente, considerando o saneamento do processo com a juntada de documentos para comprovar a existência do crédito. Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.846 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901525/2012-61 Ante o exposto, voto em dar provimento parte ao recurso voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante os documentos apresentados e aplicação das determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos, homologando-se as compensações efetuadas até o limite do valor creditório reconhecido. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13153.001567/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.164
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Waldir Veiga Rocha, Diniz Raposo e Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13153.001567/200867 Resolução n.º 1302000.164 S1C3T2 Fl. 102 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/CGE, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2009 Exclusão. Débitos Com a Fazenda Pública Federal Com Exigibilidade não Suspensa. A empresa que possui débitos com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não está suspensa, não pode permanecer no Simples Nacional. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: A contribuinte acima qualificada apresentou em 03/11/2008 (fls. 01) impugnação contra sua exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, conforme Ato Declaratório Executivo ADE da DRF/Cuiabá nº 064372, de 22/08/2008, do qual foi intimada pelos Correios com postagem em 03/09/2008 (fls. 22), tendo em vista “possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa” (fls. 02). Requereu a suspensão do ato declaratório de exclusão, alegando que no decorrer dos anos de 2007 e 2008 não apresenta nenhuma pendência e que os valores devidos estão aguardando a regularização dos créditos para serem compensados. Juntou os documentos de folhas 03 e seguintes. Tendo em vista que os débitos não foram relacionados no ADE, o processo baixou em diligência nos termos da Norma de Execução Cosit/Codac/Cocaj nº 1, de 15 de março de 2010, para sanar tal irregularidade (fls. 61), retornando com as providências de fls. 62 e seguintes. Intimada (fls. 65) em 26/08/2010 (AR, fls. 78) para se manifestar sobre os débitos listados, a contribuinte apresentou requerimento protocolado em 24/09/2010 (fls. 80) onde reproduz os mesmos termos da impugnação de fls. 01. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que os débitos que determinaram a exclusão foram compensados mediante PERDCOMP que se encontra sob análise na Receita Federal. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13153.001567/200867 Resolução n.º 1302000.164 S1C3T2 Fl. 103 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Compensação de débitos do Simples Federal mediante Perdcomp Os Perdcomp alegados no recurso voluntário, embora mencionados, não foram devidamente acostados, e segundo o mapa feito pela recorrente eles foram prestados em 25/09/2010. A exclusão de ofício foi notificada por via postal ao recorrente em 08/09/2008 (fl.23), mas os débitos não haviam sido informados no ato de exclusão. Assim, a DRJ decidiu baixar o julgamento em diligência para que fossem estes noticiados ao recorrente. A ciência desses débitos deuse em 26/08/2010 (fls.78 e 83). Assim, em 25/09/2010 a recorrente estava dentro do prazo de trinta dias para permanecer no Simples Nacional mediante regularização de débitos. Isto porque o §2º do art. 31 da Lei Complementar nº123/2006 prescreve que na hipótese do inciso V do caput do art. 17 (caso vertente), será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Por sua vez, em tese, e diferentemente dos tributos devidos no âmbito do Simples Nacional, os tributos devidos no âmbito do Simples Federal (Lei nº 9.317/96), que se verificam no caso presente, são hábeis para compensação mediante Perdcomp. E segundo o §2º do art.74 da Lei nº 9.430/96, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Neste sentido, entendo que a compensação satisfaz a exigência de regularização do débito a que faz menção o §2º do art.31 da LC nº 123/2006. Todavia, conforme mencionado acima, a recorrente apenas mencionou as Perdcomp que entendeu formalizar a extinção por compensação dos débitos em aberto ao momento do ato de exclusão. Neste sentido, como o julgamento deve ser fundado em provas e não somente em meras alegações, fazse necessário apurar se realmente o foram, conforme mencionado. Neste sentido, voto para converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Controle do processo informe se os débitos mencionados às fls.63/64 estavam Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13153.001567/200867 Resolução n.º 1302000.164 S1C3T2 Fl. 104 4 devidamente amparados pelas Perdcomp citadas pela recorrente às fls.95 a 97 na data de 25/09/2010, conforme alegado. Sala das Sessões, 11 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 11040.000983/2001-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.188
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, converter o
julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13804.000764/2003-42
Data da sessão: Fri Nov 03 00:00:00 UTC 209
Data da publicação: Tue Nov 03 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1301-000.022
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WiILSON FERNANDES GUIMARÃES
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RESOLVEM os membros da 3a câmara / l a turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. rxewl, ki„„tk. 047.4. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jackson da Silva Lucas e André Ricardo Lemes da Silva. Processo n° 13805.003398/97-73 Resolução n.° 1301-000.022 Relatório LOPES CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/A., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 02.877, de 7 de março de 2003, da 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Sao Paulo/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autuação contra a empresa em epígrafe, que resultou no lançamento total de R$ 146.892,03, relativo a Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, juros de mora, multa de oficio e multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. No Termo de Verificação, As fls. 34, a Fiscalização informa que: 1. 0 Contribuinte foi intimado a apresentar diversos documentos (fls. 08), dentre os quais, os comprovantes originais fornecidos pelas fontes retentoras, referentes aos valores relacionados no Anexo 3 da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do Exercício de 1992 (DIRPJ/1992), protocolada em 14/05/1992 (fls. 09/10). 2. Após o exame da documentação apresentada, contatou-se que, conforme demonstrado no Relatório de fls. 35/36, o Contribuinte apresentou os "Comprovantes das Fontes Retentoras" de apenas 9.524,19 UFIR, embora, no Quadro 15/Linha 14 da DIRPJ/1992, a empresa tenha declarado o valor de 77.667,38 UF1R, ou seja, verificou-se uma diferença não comprovada de 68.143,19 UFIR. 3. Com base no disposto no artigo 55 da Lei 7450/1985, a Fiscalização glosou, então, a diferença de 68.143,19 UFIR constatada, o que implicou na lavratura de Auto de Infração de IRPJ. 3.1. No Auto de Infração lavrado (fls. 02/07), a infração foi enquadrada nos seguintes artigos: 514 e 586 do RIR11980, 52 e 55 da Lei 7450/1985, 2° do Decreto-lei 2394 e 51, inciso I, da Lei 7799/1989. Foi aplicada, também, multa por atraso na entrega da DIRPJ/1992 (fls. 07). Inconformada, a empresa apresentou impugnação (fls. 40/43), por intermédio de seus procuradores (fls. 39), alegando, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Ocorreu cerceamento do direito de defesa devido ao fato da Fiscalização ter demorado em encaminhar o processo fiscal A Agencia da Receita Federal para tomada de vista pela empresa. 0 Auto de Infração foi lavrado no dia 30/04/1997, mas no dia 19/05/1997 o processo ainda se encontrava na Divisão de Fiscalização, como prova o documento de andamento do processo (fls. 44). Assim, a contribuinte requereu a devolução do prazo de 19 dias para complemento da impugnação. 0 1° CC tem decidido que não tem inicio o prazo para impugnação enquanto perdurar obstáculo A defesa da parte, tendo em vista o principio da utilidade dos prazos processuais (Ac. n° 101-84.223/1992 no DOU de 16/05/1994 - fls. 45). Ocorreu também cerceamento de defesa no próprio processo porque os fiscais autuantes não juntaram os documentos de cruzamento da Malha Fonte, provavelmente, para dificultar a defesa. Isso porque os autuantes não aceitaram o imposto de renda na fonte compensado pela Impugnante, ainda que as fontes retentoras tivessem recolhido o imposto retido e informado na DlRF. 2 Processo n° 13805.003398/97-73 Resolução n.° 1301-000.022 A contribuinte requereu que o processo fosse baixado em diligencia para que a Delegada da Receita Federal de São Paulo - Sul junte o documento de cruzamento da Malha Fonte ao processo e seja devolvido o prazo de 19 dias para complemento da impugnação, tempo esse que o processo não esteve A disposição da impugnante para tomada de vista. MÉRITO A Fiscalização lançou a multa de 1% sobre a diferença de imposto de renda por suposto atraso na entrega da declaração de rendimentos do exercício de 1992, período -base 1991. A multa é indevida por dois motivos. O primeiro motivo é que a declaração foi entregue dentro do prazo fixado, como provam os documentos em anexo. A Portaria 362, de 29/04/1992 prorrogou o prazo de entrega da DIPJ/1992 ate 14/05/1992 (fls. 46), e a declaração em questão foi entregue em 14/05/1992 (fls. 47). O segundo motivo é que o 1° CC vem mantendo pacifica jurisprudência no sentido de que a multa de mora por atraso na entrega da declaração não é cumulativa com a multa de oficio. Com isso, se o imposto de renda serviu de base de cálculo para lançamento da multa de oficio, sobre essa mesma base não cabe a multa de mora (fls. 48). Quanto à exigência de IRPJ, ocorreu cobrança em duplicidade. 0 procedimento fiscal decorreu do Programa Malha Fonte/92. No cruzamento feito entre os valores do imposto de renda retido na fonte informados na DIRF das fontes retentoras e os valores constantes do Anexo 3 da declaração de rendimentos, certamente houve pequenas divergências. Entretanto, errou a Fiscalização ao desconhecer totalmente o cruzamento da Malha Fonte, aceitando a dedução do imposto retido exclusivamente em relação aos informes de rendimentos apresentados pela impugnante durante a ação fiscal. A fiscalização foi efetivada As pressas, alguns dias antes de completar o prazo para decadência daquele exercício, e, por terem decorridos cinco anos, a contribuinte não teve tempo de localizar os comprovantes de informes de rendimentos no prazo concedido. A contribuinte anexa a esta petição os informes de rendimentos relativos aos valores de imposto de renda na fonte compensados na declaração e não aceitos pela Fiscalização no valor de R$ 23.474.896,40, os quais correspondem a 39.317,48 UFIR (doc. 7). Por terem decorrido cinco anos, não foi possível conseguir a totalidade dos informes de rendimentos porque algumas empresas não estão mais em atividade. A contribuinte, todavia, junta as copias das notas fiscais faturas (doc. 8) emitidas que comprovam os destaques do imposto de renda na fonte no valor de R$ 17.246.734,14 (28.886,09 UFIR). O Fisco não pode, por se tratar o lançamento de atividade plenamente vinculada, deixar de cobrar o que é devido, mas, por outro lado, não pode cobrar o que é 4 indevido. Se o Fisco não permite a compensação do imposto de renda retido na fonte, devidamente recolhido e informado na DIRF da fonte retentora, so porque a empresa beneficiária dos rendimentos não tem os informes de rendimentos, estará cobrando imposto em duplicidade, sobre o mesmo rendimento. O artigo 112 do CTN dispõe que a lei tributária que define infrações, ou lhes comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza de seus efeitos. 3 Processo n° 13805.003398/97-73 Resolução n.° 1301-000.022 A Fiscalização não seguiu essa regra ao não considerar o imposto retido na fonte e informado na DIRF da fonte pagadora, só porque a beneficiária do rendimento não tinha o informe de rendimento. A contribuinte solicita a baixa do processo em diligência a fim de que a Delegacia da Receita Federal em São Paulo - Sul junte ao processo o documento de cruzamento feito entre os valores do imposto de renda retido na fonte pelas fontes pagadoras de rendimentos e os valores informados no Anexo 3 da declaração de rendimentos da contribuinte e que seja devolvido o prazo faltante de 19 dias para impugnação. Na decisão, a contribuinte solicita que sejam deduzidos os valores do imposto de renda retido na fonte e informados nas DlRF apresentadas à Receita Federal pelas fontes pagadoras, ainda que os informes de rendimentos não tenham sido apresentados. Não considerar esses valores significa a cobrança do imposto em duplicidade, fato que caracteriza enriquecimento ilícito e sem causa do Poder Tributante. A 3a Turma da DRJ em Sao Paulo/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 02.877, de 7 de março de 2003 (fls. 54/63), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1992 Ementa: IRPJ. IRRF. COMPENSAÇÃO. 0 imposto de renda retido na fonte sobre receitas auferidas somente poderá ser compensado na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Comprovado que a entrega da DIRPJ ocorreu dentro do prazo legal, 6. insubsistente a exigência. Lançamento Procedente em Parte. Ciente da decisão de primeira instância em 22/04/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 65 verso, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/05/2008 conforme carimbo de recepção á. folha 68. No recurso interposto (fls. 68/70), a recorrente reitera, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação. o Relatório. çJ 4 Processo n° 13805.003398/97-73 Resolução n.° 1301-000.022 Voto Conselheiro RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Relator 0 recurso é tempestivo e dele conheço. De inicio, cumpre destacar que a prova da efetiva procedência da compensação de valores retidos cabe a Recorrente. A procedência do lançamento somente é elidida pela apresentação de prova documental. A prova corresponde a documentos cuja guarda e conservação estão a cargo do próprio interessado, e que, por força do § 4°, do art. 16, do Decreto n° 70.235/1972, deveriam ter sido apresentados juntamente com a peça de impugnação ou do presente recurso voluntário. A Recorrente anexou os informes de rendimentos relativo aos valores do imposto de renda na fonte compensados na declaração e não aceitos pela fiscalização no valor de R$ 23.474.896,40 que correspondem a 39.317,48 UFIR. Segundo a mesma, por terem decorridos cinco anos, não foi possível conseguir a totalidade dos informes de rendimentos porque algumas empresas não estão mais em atividade. Também foram juntadas DIRFs. Entretanto, não consta das DIRFs juntadas o carimbo de recepção, motivo pelo qual não são hábeis para comprovar a retenção. A Recorrente juntou ainda as cópias de parte das notas fiscais faturas emitidas que comprovam os destaques do imposto de renda na fonte no valor de R$ 17.246.734,14 que correspondem a 28.886,09 UFIR. Porém, os documentos apresentados não fazem prova suficiente para comprovar a efetiva retenção de valores na fonte, mas certamente são indícios da ocorrência de retenções. Por outro lado, a fiscalização em momento algum juntou aos autos o extrato das DIRFs referentes ao período, o que seria praxe em fiscalização como a presente. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que seja trazido aos autos o extrato das DIRFs referentes ao período. Sal/ das Sessõe ,e 11 de novembro e 20101 /. ICARDO LU - Relator EA14‘MEL° 5
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Numero do processo: 10675.000389/2004-46
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.151
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10120.904644/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros Eduardo de Andrade e Luiz Tadeu Matozinho Machado, que negavam provimento.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros Eduardo de Andrade e Luiz Tadeu Matozinho Machado, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matozinho Machado, Paulo Roberto Cortez e Eduardo de Andrade . Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10120.904644/200911 Resolução n.º 1302000.205 S1C3T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Trata o processo de manifestação de inconformidade em face de despacho decisório de não homologação de declaração de compensação. A DCOMP não homologada pretendia a compensação de direito creditório oriundo de pagamento indevido de IRPJ, código 5993, no valor de R$ 111.079,34, do período de apuração 31/07/2005, com data de arrecadação em 31/08/2005. Transmitida em 13/01/2006, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de ‘não homologação’ da compensação, emitido em 20/04/2009, cujas razões de negação se fundam na utilização integral do pagamento discriminado para a quitação do débito de código 5993, do PA 31/07/2005, portanto, sem crédito disponível para a compensação em comento. Cientificada desse despacho em 29/04/2009, a interessada apresentou, em 28/05/2009, manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que “efetuou recolhimentos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 transmitida em 29/06/2006”, sob o “regime de tributação com base em balancete de suspensão ou redução do imposto”. Pede revisão do despacho decisório. A 4ª Turma da DRJ/BSB através do acórdão nº 0345.528, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, unanimemente, alegando basicamente o seguinte: na linha disciplinada pelos artigos 2°, 6°, e 28 a 30 da Lei n° 9.430/1996; artigo 6°, parágrafo único, da Lei n° 7.689/1988; e artigos 221 a 232 do Decreto n° 3.000/99, os valores pagos a título de estimativa de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido não podem ser considerados crédito em favor do contribuinte, sob a qualificação de "pagamento indevido ou a maior', uma vez que nesta sistemática de tributação a pessoa jurídica fica obrigada a antecipar ao Fisco, mensalmente, parte desse tributo, calculado com base em sua receita bruta, e aplicação de um percentual prédefinido com vistas ao cálculo do lucro real, com a faculdade aberta à pessoa jurídica para suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido por estimativa, desde que demonstre, mediante balancetes mensais, que o valor acumulado já pago até o mês anterior excede o valor do tributo, inclusive adicional (no caso do IRPJ), calculado com base no lucro real auferido até aquele mês. essa opção somente pode ser exercida até o vencimento do tributo, ou seja, não é facultado ao contribuinte efetuar o pagamento de uma estimativa e, depois, elaborar balancete, concluindo que poderia pagar valor menor ou, até mesmo, não pagar nada. Isso decorre da própria definição do instituto e da sua essência. Por isso, o balancete de suspensão ou redução não pode servir de base para que o contribuinte, tendo recolhido sua estimativa com base na receita bruta, venha a alegar ter sido indevido ou a maior esse pagamento o fato gerador do IRPJ (ou CSLL) abrange todas as situações ocorridas durante o anocalendário, sendo que o tributo devido é apurado no encerramento desse período. na apuração segundo a sistemática do lucro real anual, no fim do ano calendário, para se calcular o tributo efetivamente devido, cujo fato gerador é, então, anual, subtraemse do IRPJ (ou CSLL) apurado para todo o ano as deduções legalmente previstas, entre elas as antecipações feitas durante o período, como as decorrentes de retenções na fonte, e a título de pagamentos de estimativa mensal. Caso o resultado dessa operação matemática Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10120.904644/200911 Resolução n.º 1302000.205 S1C3T2 Fl. 3 3 seja positivo, tem o interessado o dever de recolher o valor encontrado; caso seja negativo, ter seá caracterizado o saldo negativo de IRPJ (ou CSLL), o que significa direito creditório em favor do contribuinte. Nesse último caso, referido valor constitui crédito em favor do contribuinte, repisase, na forma de saldo negativo de IRPJ (ou CSLL) apurado no período, porém, jamais na condição de pagamento indevido ou a maior. Intimado da decisão da DRJ em 16/12/2011, apresentou recurso voluntário tempestivo, em 23/12/2011 alegando basicamente o seguinte: a origem dos créditos compensados por meio do PER/DCOMP advém dos recolhimentos do IRPJ e da CSLL, do exercício de 2006, ano calendário 2005, recolhidos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 (anexa) transmitida em 29.06.2006, originando, portanto, o direito a compensação com os demais tributos. os valores foram compensados nos recolhimentos do PIS e do COFINS, conforme demonstrado. verificouse com base no acórdão, que a origem dos créditos tributários, a serem compensados, fora informada de maneira indevida. onde deveria ser assinalado créditos de "saldo negativo de CSLL e saldo negativo de IRPJ", fora preenchido "pagamento indevido ou a maior." Único fator que amparou a decisão em desfavor do contribuinte. pugna pelo reconhecimento do direito creditório tolhido em razão da equivocada 'denominação' do referido crédito, mero erro formal, quando em contrapartida verificase, claramente, a correta origem do saldo negativo. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10120.904644/200911 Resolução n.º 1302000.205 S1C3T2 Fl. 4 4 VOTO Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso voluntário apresentado pela recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. Conforme relatado, pelo despacho decisório, foi negado o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que não teria sido confirmada a existência do crédito informado, pois o respectivo DARF vinculado à DCOMP teria sido integralmente utilizado para a quitação do débito. A 4ª Turma da DRJ/BSB, não homologou as compensações pleiteadas, pelo argumento de que é inadmissível a utilização de pagamentos a título de estimativa mensal para fins de compensação tributária. Visto que a DRJ de Brasília não se pronunciou propriamente sobre o crédito, se posicionando simplesmente sobre a impossibilidade da compensação por falta de previsão legal, passo a discorrer sobre esta possibilidade. Cito jurisprudência deste E. Conselho, no caso, o Acórdão Acórdão n° 1801 000.530, de 29/03/2011, em que foi Relatora a conselheira Maria de Lourdes Ramirez e do qual participei do julgamento. Naquela ocasião decidimos que, relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. No nosso entendimento não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Peço permissão para reproduzir as palavras proferidas naquele voto, pela Ilustre Conselheira, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. “...... Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969. ........ Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10120.904644/200911 Resolução n.º 1302000.205 S1C3T2 Fl. 5 5 No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de CSLL relativa ao mês de janeiro de 2003, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito de R$ 3.328,31, para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2003, já que a DCOMP foi formalizada em janeiro de 2004. Entretanto, há notícias nos autos que os recolhimentos a maior a título de estimativas (de IRPJ e de CSLL), cujo indébito é pleiteado nestes autos a título de direito creditório – especificamente nestes autos o indébito de estimativa de CSLL foram aproveitados como dedução e compuseram o saldo final do tributo – IRPJ ou CSLL – apurado, ao final do período de apuração, em 31/12/2003, em procedimento fiscal de revisão de ofício de lançamento. Dito de outra forma, o valor aqui pleiteado já teria sido reconhecido pela auditoria fiscal, na revisão de ofício, e aproveitado nas antecipações a título de estimativas, servindo como dedução ou compondo o tributo ao final apurado. Por relevante, transcrevo o teor do item “6” do Relatório de Informação Fiscal relativo ao processo n° 19647.009690/200699, cuja cópia encontrase acostada às fls. 97 a 101: “6. Os pagamentos de estimativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art. 10 da IN N."600/2005....” Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que se juntem as provas documentais que comprovem a existência ou não do crédito pleiteado. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10120.904644/200911 Resolução n.º 1302000.205 S1C3T2 Fl. 6 6 Das informações ora requeridas e juntadas aos autos, à recorrente deve ser dada a devida ciência e concedido prazo regulamentar para, desejando, se manifestar a respeito. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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Numero do processo: 16095.000388/2007-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício:2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA MÃO DE OBRA EMPREGADA
EM CONSTRUÇÃO CIVIL. Não tendo o contribuinte comprovado o
recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a remuneração de mão de obra utilizada em construção civil é cabível a aferição indireta prevista no art. 33, §4º da Lei 8.212/91. Comprovado que parte da obra fora concluída
em período atingido pela decadência, mantém-se o crédito somente quanto ao cálculo feito com base na área parcial remanescente.
MULTA DE MORA. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais
benéfica ao contribuinte por força do art. 106,II, “c” do CTN.
Numero da decisão: 2403-000.360
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para excluir os valores apurados levando-se em consideração a área construída de 8.557,21 m², mantendo-se a cobrança sobre os 1.292,88 m² restantes. Por
maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o determinado no art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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Não tendo o contribuinte comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a remuneração de mão deobra utilizada em construção civil é cabível a aferição indireta prevista no art. 33, §4º da Lei 8.212/91. Comprovado que parte da obra fora concluída em período atingido pela decadência, mantémse o crédito somente quanto ao cálculo feito com base na área parcial remanescente. MULTA DE MORA. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106,II, “c” do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os valores apurados levandose em consideração a área construída de 8.557,21 m², mantendose a cobrança sobre os 1.292,88 m² restantes. Por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o determinado no art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, ausente justificadamente o Conselheiro Marthius Savio Cavalcante Lobato. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD DEBCAD nº 35.467 611.3, consolidada em 13/04/2005, correspondente a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de mãodeobra dos trabalhadores empregados na execução de obra de construção civil, apuradas no período de 01/2005, de acordo com o Relatório Fiscal. De acordo com a Notificação Fiscal, após o Pedido de regularização de obra efetuado pela Recorrente junto a Prefeitura Municipal de Guarulhos, em 03/2005, fora verificado que, com relação a mesma, não haviam sido recolhidos os valores referentes as contribuições previdenciárias devidas, razão pela qual, restou lavrada a presente NFLD, com utilização da apuração indireta prevista no § 4º, artigo 33, Lei 8.212/91. Para aferição indireta pelo INSS fora computada a área total do imóvel da empresa (correspondendo a 9.850,09 m²), utilizando como dies a quo do prazo decadencial a data do pedido de regularização formulado pela Recorrente perante a Prefeitura de Gurulhos. Inconformada, a Recorrente contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 51/57, alegando em síntese: ‐ A impropriedade dos valores lançados com base na área de 8.557,21 m², posto estarem atingidos pelo instituto da decadência e; O recolhimentos de contribuições previdenciárias com relação ao restante da obra, que devem ser computados e abatidos do saldo devedor residual. Não obstante a intempestividade da Impugnação, determinouse o retorno dos autos ao Auditor Fiscal para que se manifestasse acerca dos documentos juntados pela Recorrente (fls. 187). Às fls. 216/218, manifestouse o Auditor Fiscal no sentido de reconhecer a decadência da área correspondente a 4.107,40 m², bem como deixar de considerar os valores apontados nas Guias de Recolhimento juntadas pela Recorrente, por não permitirem a vinculação das mesmas às obras que originaram a autuação. A DRJ deixou de conhecer o recurso intempestivo da Recorrente. No entanto, realizou a Revisão de Ofício do lançamento, reconhecendo a decadência da área de 4.107,40 m² (fls 219/221). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16095.000388/200751 Acórdão n.º 240300.360 S2C4T3 Fl. 387 3 Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 230/241), sob os mesmos argumentos de sua defesa, adicionados da alegação de cerceamento de defesa, face a ausência de análise acerca das Guias de Recolhimento por ela juntadas quando da Impugnação. Realizou neste ato o arrolamento de bens no importe de 30% do valor do débito. Às fls. 264/265, não fora conhecido o Recurso Voluntário, com base no entendimento no sentido de que a empresa não teria direito a apresentar Recurso, eis que sua Impugnação fora INTEMPESTIVA, não se instaurando, por conseguinte, o contencioso administrativo. Neste caso, não fora emitido julgamento, DECISÃONOTIFICAÇÃO, mas tãosomente um despacho onde se reconheceu "de oficio" que o lançamento deveria ser retificado. Contudo, enviado o débito para inscrição em Dívida Ativa, às fls. 271, manifestouse a Procuradoria da Fazenda Nacional no sentido de que, o crédito não estaria hábil para inscrição, posto que, com a retificação de ofício do lançamento, seria necessária a abertura de novo prazo para Impugnação do contribuinte. Às fls. 278/283, apresentou o recorrente nova Impugnação reiterando os termos da anterior. Diante da nova Impugnação, a DRJ houve por bem julgar o lançamento procedente (fls. 330/334), já que as construções remanescentes após a retificação da NFLD não estariam afetadas pela decadência decenal, bem como, os pagamentos comprovados pela GPS não podem ser computados às obras objeto de autuação. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 339/354), sob os mesmos argumentos das defesas anteriores, adicionadas da alegação de nulidade do processo, tendo em vista a necessidade de lavratura de nova NFLD diante da retificação realizada pelo Fisco e cerceamento de defesa, no que tange a ausência de análise das Guias de Recolhimento juntadas. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO O Recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. DAS NULIDADES: Quanto a alegação de nulidade do lançamento, em vista da ausência de expedição de nova NFLD quando da retificação de ofício, não é de prosperar a alegação da Recorrente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Isto porque, a autoridade fiscal, ao retificar o lançamento, assim o fez dentro dos limites legais e observando os princípios da ampla defesa e contraditório, destacandose, ainda, que o fez em benefício do contribuinte, face aos documentos trazidos pelo mesmo quando da apresentação intempestiva da Impugnação. Não há ainda violação ao exercício da ampla defesa, pois os documentos trazidos pela Recorrente foram objeto de análise pela decisão da DRJ e não houve a juntada de documentos novos após a intimação da Recorrente para apresentação de nova Impugnação. DA DECADÊNCIA Em se tratando de construção civil, não comprovado o efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração de mãodeobra dos trabalhadores empregados na execução de obra, é cabível à autoridade fiscal a sua apuração através de aferição indireta, levandose em consideração a área construída, conforme § 4º, do artigo 33, da Lei nº 8.212/91, com redação da época dos fatos: Art. 33 § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãode obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário Para discussão acerca da ocorrência ou não do instituto da decadência, é imprescindível a análise do arcabouço documental probatório a fim de se determinar a data de término da obra que ensejou o lançamento, que também será o dies a quo do prazo decadencial. Inicialmente, cumpre destacar que o Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16095.000388/200751 Acórdão n.º 240300.360 S2C4T3 Fl. 388 5 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, independentemente da ocorrência ou não de antecipação de pagamento. Portanto, para que o presente lançamento se sustente, é necessário a verificação da área de construção existente em período anterior a 2000, posto que a autuação data de 04/2005. Quanto as provas admitidas para comprovação da área objeto de reforma, dispõe a Instrução Normativa da RFB nº 971/09: Art. 367. No caso de reforma de imóvel, o valor da remuneração da mãodeobra deverá ser apurado com base nos valores contidos nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços e no contrato, conforme disciplinado nos arts. 333 e 334. § 1º Não tendo sido apresentadas as notas fiscais, as faturas ou os recibos, ou o contrato relativos à prestação de serviços, a remuneração da mãodeobra utilizada na área reformada será apurada por aferição, mediante o cálculo do CGO para a área construída final do imóvel, observado o seu respectivo enquadramento no padrão da obra e o disposto no art. 351, com redução de 65% (sessenta e cinco por cento). § 2º A comprovação da área objeto da reforma darseá pelo habitese, certidão da prefeitura municipal, planta ou projeto aprovados, termo de recebimento da obra, para obra contratada com a Administração Pública, laudo técnico de profissional habilitado pelo Crea, acompanhado da ART, ou em outro documento oficial expedido por órgão competente. § 3º Não havendo a comprovação na forma do § 2º, será considerada como área da reforma a área total do imóvel. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Ora, da análise dos documentos trazidos pela Recorrente podemos constatar que, mesmo com a retificação levada a efeito pelo Fisco, temos uma área atingida pela decadência que ainda é objeto do lançamento. Isto porque, de acordo com os lançamentos de IPTU de fls. 180/183, nos exercícios de 1996 e 1997 já era cobrado o IPTU, com relação às seguintes áreas construídas: 287,89 m² 1.640,10 m² 1.295,10 m² 748,12 m² 4.586,00 m² O que perfazem uma área construída total de 8.557,21 m². Não bastasse, às fls. 304/308 foram juntadas Certidões expedidas pela Secretaria de Finanças da Prefeitura de Guarulhos, certificando que referida área já estava construída desde 1996 (algumas datando até mesmo de 1987), sendo cobrado o Imposto Predial Urbano proporcional desde esta data. Deste modo, resta devidamente comprovado que a construção referente a área de 8.557,21 m² se deu antes de 1996 e não pode importar em lançamento de contribuições previdenciárias em face do contribuinte, posto estar atingido pelo instituto da decadência. Com relação a área construída restante, é de se manter o lançamento, devendo as contribuições previdenciárias serem calculas levando em consideração a área de construção correspondente a 1.292,88 m². GUIAS DE RECOLHIMENTOS Da análise das Guias de Recolhimento juntadas pela Recorrente, não podemos atestar, de forma indubitável, que as mesmas são relativas a construção da obra remanescente correspondente a área de 1.292,88 m². A ausência de declaração do contribuinte, neste caso, importa na impossibilidade de criação de nexo entre as Notas Fiscais, as Guias de Recolhimento e a obra em questão. Assim, os valores apontados nas GPS juntadas não devem ser abatidos do valor final devido pela Recorrente. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16095.000388/200751 Acórdão n.º 240300.360 S2C4T3 Fl. 389 7 termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Diante do exposto, manifestome pelo provimento parcial ao recurso para excluir os valores apurados levandose em consideração a área construída de 8.557,21 m², mantendose a cobrança sobre os 1.292,88 m² restantes, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o determinado no art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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