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Numero do processo: 10880.003896/89-70
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-88751
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Recorrida: DRF em SA0 PAULO - SP. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DECRETO-LEI 2065/83 - Art. 82 - A glosa de custos por serem desnecessários ás atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora não enseja a tributação estabelecida no artigo 82 do Decreto-lei n2 2065/83. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso voluntário interposto por ITAW PLANEJAMENTO E ENGENHARIA LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Cmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto do relator. Sala das Sessefes, ;,-m 25 de agosto de 1995. son P IRA l'eloRIGUES - Presidente JEL DE of_IvrRA CANDIDO Relator / '- LUIZ FERNANDO OLIVEIRA r JRiS - Procurador da Fazenda Nacional VISTO EM C194r.SE GESSO DE: 4 - • T Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Mariam Seif, Francisco de Assis Miranda, Sebastião Rodrigues Cabral, Raul Pimentel, Kazuki Shiobara e Celso Alves Feitosa. 1 1 , = g E , Processo n2 10880/002.R96/89-70 Recurso n2: 72.917 E Recorrente: ITAU PLANEJAMENTO E ENGENHARIA LTDA. Acórdão n9 101-88.751 E RELATêiRIO E E ITAW PLANEJAMENTO E ENGENHARIA LTDA., qualificada nos autos, recorre para este Conselho, contra decisão do Sr. Delega- E do da Receita Federal em Sc:ã Paulo - SP. que julgou procedente o Auto de Infração de fls. 26, lavrado para a cobrança do imposto de Renda na Fonte, relativo ao ano de 1984, em virtude de lança- E mento fiscal efetuado na área do Imposto de Renda - Pessoa Jurí- dica por "Custo Não Comprovado Ser Necessario à Fonte Produtora. E Nas fases impugnatória e recursal, a empresa desenvol-. ve os mesmos argumenos apresentados no procedimento relativo ao IRPJ. 11Apreciando as razeies apresentadas no processo princi- n n P pal(recurso n2 103.202), esta C:limara deu provimento parcial ao n recurso, mantendo, entretanto, a exig'Éncia relativamente à maté- ria que teve repercussão no presente feito. É o relatóri 1 1 [ , ,. 1 ii 1 1 • ., _ .. ..:::::., .........750 Processo n2 10880/003.896/89-70 Ac g rcla:o . n9 101-88.751 V O T O Conselheiro jezer de Oliveira Candido, relator. O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. A tributação prevista no artigo 82 do Decreto•lei n2 2065/83 alcança os casos de omissão de receita e de redução in- devida do lucro líquido da pessoa jurídica . , sendo que, na verda- de, o que o dispositivo visou alcançar foram aquelas hipóteses que propiciem a distribuição de valores a sócios e dirigentes da empresa, ou seja, valores são omitidos ou desviados da pessoa jurídica e são distribuídos de forma disfarçada para os sócios. Assim, não é qualquer glosa de despesa que enseja a aplicação do dispositivo em questão: deve-se averiguar a possi- bilidade de distribuição dos valores a sócios e/ou dirigentes. No caso, vertente a despesa foi paga a outra • pessoa j urídica, não propiciando, portanto, distribuição a sócios elou . dirigentes da recorrente, mesmo porque a glosa teve como pressu- posto a desnecessidade do custo, não se tratando, portando. de despesas inexistentes ou desprovidas de comprovação. Assim sendo, DOU provimento ao recurso, por inaplicá- vel á espécie o artigo 82 do Decreto-lei nP 2065/83. Fk o meu voto. 1 --------.."------Jel lide Oliveira Uandido, relator. 01 2 . , ._. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.002189/88-31
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - SUPRIMEN- TOS - Insubsiste a presunção de ()Mis- são de receitas se o contribuinte lo- gra comprovar a questionada origem dos recursos supridos. IRPJ - LUCROS ARBITRADOS - A inexisten cia das demonstrações financeiras,mes= mo após sucessivas intimações e decor- ridos cerca de dois anos de encerrado' o exercício social, justifica o arbi- tramento dos lucros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por KARVACO S/A.: ACORDAM os Membros da Primeira Camara do Primeiro Con'Se lho de Contribuinte, por unanimidade de votos, dar provimento, em parte, ao recurso, para excluir a tributação relativa ao exercício de 1985, nos termos do relatório e voto que passam á integrar o presente julgado. Sala das Sessões CDF), em 04 de setembro de 1990 URGEIgE,I4OPE$ PRESIDENTE E RELATOR wpTo EM AFONS(0 SO FER". I"' i CAMPOS - PROCURADOR DA FAZENDA sEs'"°4 O 6 SET 19t NACIONALN4a )8kirtciPaX4ITI , a4AdA r do Presente julgamento, os seguintes Conselhei= ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, CRIBTOVÃO ANCRIETA DE PArVA,'CEL v.v SO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, aNDIDO RODRIGUES NEUBER E .OSÊ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Ausente, justificadamente, o (:,Conse, lheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA. cel" SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO Ng 10120-002.189/88-31 RECURSO NP: 96.589 ACORDA° N9: 101,,-80,535 RECORRENTE : KARVACO S/A. RELATÓRIO KARVACO S/A., empresa jurisdicionada à D.R.F. em Goiânia-GO, recorre a este Conselho inconformada com a decisão de primeiro grau. 2. Segundo o Auto de Infração de fls. 42 e segs. e o Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 48, ambos de 28.07.88, o lançamento de oficio compreendeu os seguintes fatos: Exercício de 1985, período-base de 01.09.83 a 31 de agosto de 1984. Empréstimos de sócio (suprimento) sem comprovação da origem dos recursos: Cr$ 4.261.368,00. Exercício de 1986, período-base de 01.09.84 a 31 de agosto de 1985. Arbitramento do lucro por falta de escrituração e elaboração das demonstrações financeiras.Tomou-se' por base o total do ativo e aplicou-se o coeficien te . de 30%. Cr$ 29.495.472.574,00 x 30% Cr$8.848.641.772,00. 3. Impugnação a fls. 51/54. Quanto aos suprimentos ' diz que a intimação referia-se ao ano-base de 1984, por cuja ra zão não fornecera à fiscalização os comprovantes dos valores DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO POBUCO FEDERAL PROCESSO N9 10120,002.189/88-31 3. Acórdão n9 101-80.535 que compunham o saldo anterior, relativo ao período-base en cerrado em 31.08.83 (Saldo esse que era de Cr$ 3.643.368, e não de Cr$ 3.775.368, como registrou a fiscalização). A se gi,lir; discriminou as parcelas e seus comprovantes. Sobre o arbitramento dos lucros,alega que na altu- ra da fiscalização possuia registros contábeis atualizados, ape sar de não ter encerrado as demonstrações financeiras do pe- riodo, pela falta de informação de empresas coligadas e contro- ladas, base legal para os lançamentos de equivalência patri- monial exigidos por lei. Porem, dispunha de elementos suficien- tes para a determinação do lucro real, principalmente se consi derado que os lançamentos não interfeririam na apuração do lucro, já que as receitas seriam não tributáveis e as despe- sas não dedutíveis. Ademais, o simples atraso na transcrição de matrizes (no caso, planilhas) na escrituração não justifica o arbitramento do lucro (Ac. 101-73.200/82). Por outro lado, em uma empresa "holding", cujas' únicas rendas seriam derivadas de equivalências patrimoniais so bre selis investimentos permanentes (não tributáveis), a apli- cação do arbitramento não atinge a objetivos precl&osj que seriam totalmente válidos nas empresas comerciais ou indus- triais. O simples fato de se calcular o lucro arbitrado sobre o total de ativos, onde se incluem esses ajustes de investimen- tos não tributáveis, já penaliza indevidamente a empresa. 4. Informação fiscal a fls. 79. 5. A decisão de primeiro grau excluiu, apenas, Cr$ 132.000,00, correspondentes ã diferença apontada pela contri- buinte no saldo da conta de empréstimos do sócio, no início do ano-base de 1985. 6. Ciente em 12.01.90, uma sexta-feira, a contribuin- te interpOs o recurso voluntário de fls. 88/91,protoce1-izado em l) , , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10120-002.189/88-31 4. Acórdão n9 101-80.535 12.02.90, onde desenvolve as razões de sua impugnação. _ 2 o relatório. • ..,, VOTO , 1 1 , Conselheiro URGEL PEREIRA LOPES, Relator: O recurso é tempestivo. , A omissão de receitas, no exercício de 1985, reve- lada por suprimentos de origem incomprovada, deveria ter por 1 , base suprimentos norespectivo ano-base, que compreendeu o pe- ríodo de 01.09.83 a 31.08.84. Suprimentos eventualmente efetua _ Aos antes ,de 01.09.83 haveriam de ser cogitados em função do e_ 1 xercício financeiro que lhes correspondesse, na medida em que, , se incomprovados, haveriam de refletir-se na declaração de ren- dimentos do exercício financeiro relativo ao período-base em que foram tidos por efetuados. 1, i No entanto, a fiscalização, para chegar aos su 1 _ 1 1 primentos aqui discutidos, no montante de Cr$ 4.261.368,00, com 1 i putou Cr$ 3.775.368,00 do saldo de balanço de 01.09.83, o que equivale a considerar empréstimos dos sócios feitos antes de i _ 1 niciado o período-base correspondente ao exercício financeiro I de 1985. 1, , Evidentemente, tal parcela não poderia correspon - !, , der a receitas omitidas no período base encerrado em 31.08.1984, 1 tributáveis, mediante lançamento de ofício, no exercício fi _ nanceiro de 1985. 1 Portanto, a parcela de Cr$ 3.775.368,00 já reduzi- 1 da para Cr$ 3.643.368, em primeira instância, deve ser excluí- da da tributação. Os suprimentos restantes compõem-se de 4 (quatro)I - , 712 _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10120-002.189/88-31 5. Acõrdão n9 101-80.535 parcelas, totalizando Cr$ 486.000. O fisco questionou, apenas, a prova da origem dos recursos. Não indagou sobre a efetividade da entrega, no Auto de Infração, embora a tivesse mencionado na Intimação de fls. 13. Ora, na cópia da declaração de imposto de renda do sócio supridor estão relacionados rendimentos expressivos que afastam a idéia de que eles tiveram o objetivo de aquecer re cursos provenientes de operações não escrituradas pela recorren te. Dou provimento a este item. Quanto ao arbitramento dos lucros, no exercício de 1986, a contribuinte não tem razão. A ação fiscal teve início em 28.03.88, com intima- ção para apresentar livrosHe documentos_¡ como de praxe, assim como a-declaração de rendimentos do exercício de 1986, ano-base de 1985. Em 19.04.88 a contribuinte informou à fiscalização que, pelas (..eficiências de pessoal .e equipamentos que relatou , ainda não tinha condições de apresentar a declaração de 1986. Nova intimação em 06.06.88, respondida em 09.6.88, aduzindo que a contabilidade ainda não fora atualizada, pelos motivos já expostos em 28.03.88. Só em 29.07.88 foi lavrado o Auto de Infração. Não se sabe com base em que a contribuinte fez a alegação de que houvera o simples atraso de transcrição de ma trizes (planilhas). Nem se compreende a desimportãncia que parece em g (4,1)) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10120-002.189/88-31 6. Acórdão n9101-80.535 p -r' estar ã falta de "apenas (as) demonstrações financeiras..." Se a declaração de rendimentos relativa ao exercí- cio de 1986 não pudera ser apresentada ate 29.07.88 (e não cons ta que o tenha sido ate a data da interposição do recurso -- 12 de fevereiro de 1990), por inexistência das demonstrações fi , nanceiras do exercício social encerrado em 31.08.85, não há como rejeitar o arbitramento dos lucros. Isto posto, dou provimento, em parte, ao recurso para excluir a tributação relativa ao exercício de 1985, ano- base de 1984. URGÉ n EREI' 'á LOP S - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 16349.000392/2009-52
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Descabe ao Carf manifestarse,
originalmente, em relação à matéria
constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA.
PRODUTOS.
A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa,
que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes
de entradas sujeitas à primeira.
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS.
MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de
cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese
às hipóteses
desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação
monofásico previsto em legislação anterior.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.935
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no
203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa,
OAB/SP no 203988.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez Fl. 122DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 58 a 78) apresentado em 26 de março de 20100 contra o Acórdão no 161624.366, de 24 de fevereiro de 2010, da 6ª Turma da DRJ / SP1 (fls. 46 a 55), cientificado em 24 de março de 2010, que, relativamente a Declaração de Compensação sobre créditos de PIS do segundo trimestre de 2006, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. COMERCIANTE. REVENDA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, a aquisição de automóveis e autopeças sujeitos à tributação monofásica não gera créditos para o comerciante na revenda dos mesmos por expressa vedação legal (art. 3º, I, da Lei nº 10.637/2002), não se aplicando à hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000392/200952 Acórdão n.º 330200.935 S3C3T2 Fl. 0 3 Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma jurídica regularmente editada. ANTINOMIA JURÍDICA. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE SOBRE O CRITÉRIO CRONOLÓGICO. Segundo a regra de interpretação contida no brocardo latino lex posterior generalis non derogat legi priori speciali, o princípio da especialidade sempre prevalece sobre o critério cronológico. Manifestação de Inconformidade Improcedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: A empresa acima identificada ingressou, em 21/09/2007, com Pedido de Ressarcimento de PIS, no valor de R$ 654.152,82 (seiscentos e cinquenta e quatro mil, cento e cinquenta e dois reais e oitenta e dois centavos), relativo ao 2º trimestre de 2006, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 (fls. 01/02). 2. O contribuinte impetrou Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0111483, no qual foi deferida parcialmente medida liminar para que a autoridade apontada como coatora procedesse à análise do referido pedido de ressarcimento no prazo máximo de 15 (quinze) dias (fls. 03v/05). 3. A DERAT/SPO/DIORT/EQITD proferiu, em 26/05/2009, o Despacho Decisório de fls. 07/09 com ciência à empresa em 01/06/2009 (fls. 09), por intermédio do qual indeferiu o mencionado pedido de ressarcimento e não reconheceu o direito creditório pleiteado. 4. Em virtude desta decisão, a empresa apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 14/34, acompanhada de documentos (fls. 35/44), alegando, em síntese, que: 4.1. A decisão de indeferimento da pretensão de ressarcimento negou vigência ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004. 4.2. A empresa é concessionária de venda de veículos automotores e está sujeita ao lucro real, portanto, deve recolher o PIS e a COFINS de forma não cumulativa nos termos das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. 4.3. A Lei nº 10.485/2002, anteriormente, já determinava que o PIS e a COFINS fossem recolhidos pelo montador ou importador, o denominado recolhimento monofásico. 4.4. Com a transformação das exações em tributos não cumulativos, a Lei nº 10.865/2004 inovou e determinou que o recorrente promovesse o fato gerador destas contribuições, porém estabeleceu que o PIS e a COFINS fossem tributados à alíquota zero, uma vez que já tributados em percentual superior ao usual pelo montador/importador (art. 8º, I e II), bem como vetou o aproveitamento do crédito vinculado, o que implica Fl. 124DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 tratamento desigual, criando carga tributária além de sua capacidade contributiva, em verdadeiro confisco e, portanto, inconstitucional. 4.5. Com o advento da MP nº 206/2004, convertida na Lei nº 11.033/2004, visando a corrigir a distorção, foram promovidas alterações nas Leis nº 10.637/2002, nº 10.833/2003 e nº 10.865/2004 para autorizar o recorrente a aproveitar créditos vinculados às operações de venda com alíquota zero, o que, no entanto, não foi observado pela Delegacia de Arrecadação de São Paulo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 4.6. Pelo princípio da não cumulatividade e diante das alterações feitas pela Lei nº 11.033/2004, entende ter direito de somar todos os custos e despesas quaisquer que sejam, desde que vinculados ao faturamento, e diminuir de seu faturamento ou receita para obter a base de cálculo dessas exações. No entanto, o entendimento da DIORT é que, neste caso, a Lei nº 11.033/2004 não se aplica, prevalecendo a legislação anterior. 4.7. Está sujeita às determinações das Leis nº 10.637/2002, nº 10.833/2003, nº 10.865/2004 e nº 11.033/2004, sofrendo as implicações da Lei nº 10.485/2002 que determina o recolhimento na forma monofásica, o que na prática nada mais é do que substituição tributária disfarçada. 4.8. Sendo tributada a alíquota zero, não se pode falar em substituição tributária e nem em sistema monofásico de tributação. 4.9. “Por outro lado não foi modificada a imposição com relação à concedente, que em forma especial de tributação, digase verdadeira ficção tributária, continuou a ser tributado pelo PIS/COFINS, sobre seu faturamento conforme determinação constitucional, e ainda em parte pelo valor de venda do veiculo ao concessionário, em inegável instituição de novo imposto sem amparo legal.” (fls. 22). 4.10. O entendimento da DIORT de que a empresa está sujeita a não cumulatividade com relação ao seu faturamento com exceção feita a vendas de carros “zero”, que se sujeitam ao recolhimento monofásico, consiste em grave ofensa à Lei nº 11.033/2004 que modificou a Lei nº 10.865/2004 ao permitir a utilização dos créditos relativos ao PIS e à COFINS referentes a produtos com alíquota zero. Portanto, a exigência é ilegal, nula e inconstitucional, pois ofende os princípios da capacidade contributiva, da estrita legalidade e da isonomia, bem como desrespeita a vinculação dos atos públicos. 4.11. Utilizou do Poder Judiciário com a finalidade de fazer valer seu direito líquido e certo ao crédito nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. 4.12. Houve na decisão da DIORT, que pretendeu fazer valer legislação anterior modificar a posterior, um absoluto descompasso com a Lei natural pela qual a posterior modifica a anterior. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000392/200952 Acórdão n.º 330200.935 S3C3T2 Fl. 0 5 4.13. Diante do exposto, requer o direito de apurar o PIS/COFINS não cumulativos com o aproveitamento dos créditos vinculados a compras de carros “zero”, peças e acessórios com a aplicação das alíquotas de 1,65% e 7,60% respectivamente nos termos das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, bem como a reforma da decisão da DIORT e o ressarcimento dos valores pleiteados. No recurso, a Interessada alegou que “vedação ao aproveitamento do crédito vinculado ao faturamento relativo aos bens vendidos com alíquota zero fere a o art. 17 da Lei 11.033/2004 além do principio da igualdade tributária.” Após esclarecer que, “Anteriormente já havia previsão legal, Lei 10.485/2002, que determinava que a exigências, relativas ao PIS e a Cofins, fossem recolhidas por expressa responsabilidade do montador ou importador, ao que se denominou recolhimento por substituição tributária, monofásico, no entendimento do Fisco”, acrescentou que, “Com a transformação das exações, razão do inconformismo, em tributos não cumulativos, a Lei 10.865/04, inovou, determinando que o recorrente (concessionário de veículos) promovesse o fato gerador das contribuições, contudo, determinou que o PIS e a Cofins fossem tributados a alíquota ‘0’, uma vez recolhidos, em porcentagem superior a usual, pelo importador ou montador.” De acordo com a Interessada, “[...] hodiernamente, de forma geral, a exigência quanto ao recolhimento das exações ao PIS e a COFINS é calculada pelo resultado dos custos e despesas subtraídos da receita a que deu origem [...]”. Na sequência, aborda a questão principal do litígio, esclarecendo o seguinte: Ocorre que a mesma Lei 10.865/04, alterou a Lei 10.485/02 com reflexo nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, determinando a alíquota zero para a venda de carros zero e vetando o aproveitamento do crédito vinculado, o que leva ao recorrente sofrer tratamento desigual. Tal tratamento desigual ocorreria, no entendimento da Recorrente, pelo fato de não poder utilizar o crédito em relação ao que dispôs as Leis nos 10.865, de 2004, e 10.485, de 2002, que “vetou a não cumulatividade, ainda que determinando o calculo da alíquota do PIS e da COFINS em ‘zero’ criando carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional.” Entretanto, segundo a Interessada, somente a partir de agosto de 2004, com a Medida Provisória no 206, foi autorizado o aproveitamento dos créditos vinculados a operações de alíquota zero. A seguir, analisou o princípio da não cumulatividade, citando doutrina e jurisprudência, que lhe daria o direito de “de somar todas os custos e despesas, quaisquer que seja[m], desde que vinculados ao seu faturamento, e diminuir de seu faturamento ou receita, o resultado apurado é a base de cálculo dessas exações incluindo nos valores agregados como despesas vinculadas ao faturamento, aquelas relativas às vendas com alíquota ‘zero’, assim determina a Lei [no 11.033, de 2004]”. Defendeu a tese de que a tributação monofásica seria uma substituição tributária disfarçada e que, continuando a ser tributada sobre o faturamento por determinação constitucional “e ainda em parte pelo valor de venda do veículo ao concessionário”, haveria a “inegável instituição de novo imposto, sem amparo legal.” Fl. 126DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Analisou, então, a legislação e reafirmou que o entendimento da primeira instância afrontaria vários princípios constitucionais. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A Interessada não repetiu no recurso as alegações sobre nulidade do despacho decisório, cabendo, portanto, apenas a análise do mérito da matéria. Pretende excluir da base de cálculo da contribuição não cumulativa os custos decorrentes de aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero em face de sujeitaremse ao regime monofásico. Primeiramente, há que se esclarecer que a não cumulatividade não é uma regra geral constitucional. A simples consulta ao texto constitucional e suas alterações permite concluir que a não cumulatividade aplicarseia irrestritamente apenas aos tributos criados na competência residual da União (art. 154, I). Em relação aos tributos originalmente previstos na Constituição, apenas o ICMS e o IPI eram sujeitos à não cumulatividade, que, segundo José Souto Maior Borges, seria uma “simples regra” e não um princípio como pretendido pela maioria da doutrina (Teoria Geral da Isenção Tributária. 3ª ed. São Paulo: Editora Malheiro, 2001, ps. 3412). Portanto, a regra (ou, se se preferir, o princípio) constitucional da não cumulatividade simplesmente não se aplicava às contribuições sociais no texto original da Constituição. Com a Emenda Constitucional no 47, de 2005, a Constituição passou a prever, no art. 195, § 9º, a possibilidade de diferenciação de alíquota e base de cálculo. Entretanto, à vista de matéria constitucional, o Carf não pode deixar de afastar a aplicação de lei, conforme sua Súmula no 2 (Portaria Carf no 106, de 2009): Súmula Carf nº 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, tal impossibilidade é reforçada pelas disposições do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF no 256, de 2009). Dessa forma, somente é possível, em sede do presente recurso voluntário, apreciar as alegações da Interessada em relação ao que determina a lei, uma vez que sua aplicação não pode ser afastada. Entretanto, antes cabe esclarecer que, em alguns pontos, as alegações da Interessada são contraditórias, como nos exemplos a seguir. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000392/200952 Acórdão n.º 330200.935 S3C3T2 Fl. 0 7 1. Violação à não cumulatividade Parte dos produtos vendidos pela Interessada sujeitase ao regime monofásico, que, pelas próprias disposições legais, como se verá adiante, é um regime distinto do não cumulativo. Dessa forma, tratandose de um regime diverso, paralelo e específico de incidência da contribuição, não há como haver violação de regra aplicável a outro regime. 2. Violação ao princípio da isonomia Isonomia implica tratamento igual aos que estejam em igual situação. Portanto, não faz sentido argumentar violação à isonomia se a regra é aplicável não só à Recorrente como a todos os contribuintes que se encontram na mesma situação. 3. Violação à capacidade contributiva No caso em questão, não é possível violação à capacidade contributiva, uma vez que os produtos vendidos sujeitos à alíquota zero já foram tributados pelo regime monofásico anteriormente. Dessa forma, o valor da contribuição devida pela Recorrente, em relação a tais produtos, é zero. O que a Interessada pretende é, na realidade, ao incluir na dedução da base de cálculo da contribuição devida em relação aos demais produtos, reduzir a base de cálculo destes últimos, cuja contribuição devida nada tem a ver com daqueles. 4. Sugestão de bitributação Em suas alegações, a Interessada sugere aparentemente que estaria sujeita a duas tributações. De fato, está, mas, além de os produtos sujeitos à incidência monofásica não estarem sujeitos à incidência não cumulativa (inexiste bitributação), tais produtos sujeitamse à alíquota zero. De fato, para concluir que a forma de tributação por incidência monofásica seria tão injusta a ponto de exigir deduções das bases de cálculo do revendor, seria preciso demonstrar que o resultado dessa tributação, no geral, seria injustificadamente maior do que a dos demais produtos sujeitos à não cumulatividade, o que sequer foi abordado adequadamente pela Interessada. Feitas as observações acima, passase à análise da legislação. Conforme bem observado pela primeira instância, as leis que instituíram as contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam às receitas “decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda aos casos de substituição tributária. Vale dizer, o regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação concentrada ou monofásico é específico e apurado paralelamente àquele. O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, ao caso dos autos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 8 Tal dispositivo deve ser lido atentamente. Em primeiro lugar, por que não é uma disposição legal generalista como pretende a Interessada. Vale dizer, não se aplica à toda a legislação de PIS/Pasep e Cofins, por dizer respeito somente às hipóteses previstas na própria lei, que trata do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”. Nesse contexto, a própria lei prevê a incidência de “suspensão”, “isenção”, “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º. Por isso, no art. 17, prevê a manutenção de créditos. Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que, especificamente, prevê a “manutenção” dos créditos vinculados às vendas de produtos de alíquota zero. Vale dizer, não trata de exclusões de base de cálculo, mas de créditos que tenham sido escriturados e que, em função da incidência de alíquota zero e das demais hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva, como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que não houvesse dúvidas sobre a matéria, que a incidência das hipóteses desonerativas não implicaria glosa de créditos. Portanto, as alegações da Interessada fundamse em equívocos de interpretação da legislação, uma vez que as duas modalidades de apuração da contribuição coexistem mas não se comunicam. Por fim, observese que as referências posteriores da legislação ao referido dispositivo legal não têm o condão de estender sua abrangência. Na realidade, limitamse a regular o crédito do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”, conforme esclarecido acima. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Da atual possibilidade de tomada de créditos – Lei nº 11.727/08 Primeiramente, cabe relembrar que foi com o advento das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (conversões das MP’s nº 66/02 e nº 135/03) que as contribuições para o Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000392/200952 Acórdão n.º 330200.935 S3C3T2 Fl. 0 9 PIS/PASEP e COFINS passaram a ter como regime geral o sistema de nãocumulatividade, entretanto, esse dispositivo foi além da aplicação desse regime e também admitiu o direito de descontar créditos calculados a partir das etapas anteriores de bens adquiridos para revenda, a saber, independentemente do sujeito detentor do crédito: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em ralação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) – nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei (...) (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação do § 2º dada pela Lei nº 10.865/04)(...) (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.(...)” “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos art. 1 a 8. Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 10 VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1. b) sujeitas à substituição tributária da COFINS”. Tais dispositivos legais vedavam, entretanto, a tomada de crédito de PIS e COFINS pelas pessoas jurídicas revendedoras, nas operações de revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição fosse exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e também em relação à venda de álcool para fins carburantes. No entanto, essa situação perdurou até a edição da Lei nº 10.865/04 que alterou consideravelmente as Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Aquela lei, dentre outras alterações, ampliou o regime não cumulativo para que esse alcançasse também as receitas sujeitas à incidência monofásica do PIS e da COFINS, manteve as alíquotas diferenciadas dispersas na legislação do PIS/COFINS, inseriu as alíneas a e b nos incisos I dos arts. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 e por fim, alterou os parágrafos 2º dos arts. 3º das mencionadas leis, no sentido de indicar a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Posteriormente, em 2004 ainda, foi adicionado à MP nº 206/04, posteriormente convertida na Lei nº 11.033, o art. 16 (quando da conversão passou a ser o art. 17) que tratava sobre a manutenção de créditos nas vendas efetuadas com isenção, alíquota zero, suspensão e nãoincidência do PIS e COFINS. Esse dispositivo veio assim redigido: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.(...)” Importantíssimo ressaltar que a partir desse momento, duas normas aparentemente contraditórias passaram a vigorar no ordenamento jurídico relativo às contribuições mencionadas. Porém, por regra geral de hermenêutica, norma específica sobrepõese à norma geral, e assim esses dispositivos deverão ser interpretados a partir da inserção do fato concreto à norma, dentro de suas especificidades. O dispositivo retro estendeu o alcance do direito de manutenção de crédito de PIS e COFINS, alcançando o vendedor, atacadista ou até mesmo varejista, que viesse a efetuar vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS como regra geral, exceto quanto a operação porventura estiver sob a égide de norma específica que disponha em contrário. Posteriormente, em janeiro de 2008, foi editada a MP nº 413, que resultou em sua conversão na Lei nº 11.727/08, cujo objetivo precípuo fora adotar medidas de natureza tributária destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro e estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na produção e comercialização de álcool. Por meio dessa Medida Provisória, o Poder Executivo tentou inserir dispositivo alheio às operações inicialmente objeto da Medida, para obstar a tomada de créditos relativa às operações ora em comento, ao literalmente tentar aprovar o texto dos artigos 14 e 15 em que vedava a apropriação de créditos de PIS/COFINS sobre os custos, encargos e despesas relativos às vendas de produtos onde incidiam o regime monofásico, apropriação antes Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000392/200952 Acórdão n.º 330200.935 S3C3T2 Fl. 0 11 permitida, por meio da inserção do § 14 ao art. 3º das Leis nº 10.637 e § 15 ao art. 3º da Lei nº 10.833/03: “Art. 14. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam avigorar com a seguinte redação: .................................................................................... § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR) Art. 15. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam avigorar com a seguinte redação: “Art. 2o .................................................................... (...).................................................................................. § 22. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)” Tal pretensa vedação simplesmente foi retirada da MP nº 413 durante seu tramite legislativo, ao qual foram interpostas 185 emendas, de modo que sua conversão em lei (Lei nº 11.727/08) não contém tal vedação. Importante observar o reconhecimento pleno do direito ao crédito pela aplicação do art. 17 da lei nº 11.033/04. Outrossim, consideramos que a pretensa vedação à tomada dos créditos ora em discussão, prevista nos art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 restou totalmente superada com a nova redação conferida ao art. 24 da mencionada Lei nº 11.727/08. Previu esse dispositivo a possibilidade de os revendedores de produtos monofásicos tomarem créditos sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota monofásica, pelos mesmos valores aos quais elas foram destacadas na etapa anterior, litteris: “Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 12 § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Ademais, corrobora com todo esse entendimento o disposto no art. 16 da Lei nº 11.116/05, ao disciplinar a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS e COFINS, referindose expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, sendo oportuna sua transcrição: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Nesse sentido, o entendimento atual é de que há o direito de crédito para as pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos sobre os quais incide a alíquota zero, em sendo intrínseca ao regime de nãocumulatividade o direito desse. Ademais, inexiste qualquer vedação legal, prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação ou recuperação dos créditos, mediante a aplicação das alíquotas pertinentes ao regime não cumulativo, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Cabe ressaltar que em 15 de dezembro de 2008 foi publicada a Medida Provisória nº 451, tratandose de mais uma tentativa do Governo em restringir os créditos de PIS e COFINS das distribuidoras e varejistas que comercializam produtos monofásicos. Tal MP em seus artigos 8 e 9 retirava a possibilidade de descontar créditos de PIS e COFINS dos distribuidores, dos comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos (produzidos e importados), quanto aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda destes produtos. Dentre as 64 emendas apresentadas ressaltase a emenda supressiva número 09, apresentada pelo Deputado Eduardo Gomes, cuja justificativa: “Os artigos 8º e 9º da supracitada Medida Provisória inseriram novos parágrafos aos artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, vedando aos distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos às alíquotas monofásicas o reconhecimento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros. Frisese que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando da edição da Medida Provisória nº 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000392/200952 Acórdão n.º 330200.935 S3C3T2 Fl. 0 13 suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão da MP na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da PIS/COFINS incidente na gasolina, diesel e querosene de aviação, que tem toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria. A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes a comercialização destes combustíveis, caracterizase como aumento da carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores finais.” Em parecer proferido em plenário, o Deputadorelator Sr. João Leão votou pela admissibilidade da MP nº 451, acolhendo a emenda nº 09. Por conseguinte, apresentou o Projeto de Lei de Conversão nº 04/2009 como substitutivo à Medida Provisória nº 451/08, que altera a legislação tributária federal, e dá outras providências. Esse Projeto foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 07/04/2009 e convertida na Lei nº 11.945 em 05 de junho de 2009. Até que ocorra alguma alteração nos dispositivos retromencionados, entendemos que permanece o direito ao crédito sobre o qual discorremos. Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Recorrente: ANIBAL PEREIRA DA COSTA Recorrido DRF NO RIO DE JANEIRO - (RJ) LUCRO ARBITRADO - Rendimentos da Cédu- la "F" - Decorrência - Por força do princípio da decorrência, o que ficar decidido no processo principal será es tendido ao processo decorrente. Assim, uma vez julgado improcedente o arbitra mento de lucro levado a efeito no pro- cesso instaurado contra a pessoa jurí- dica, torna-se incabível o lançamento' reflexo procedido contra a pessoa físi ca do sócio (cooperado) sob o mesmo sU porte fãtico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos' de recurso interposto por ANIBAL PEREIRA DA COSTA. Acordam os Membros da Primeira Câmara do Primeiro' Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimen- to ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. -ala 'as Ses Oes(DF), em 04 de dezembro de 1991 '10114111r • À - PRESIDENTE E RELA- /' TORA - VISTO EM AFeNSe :LSO FERREI' g, :, CAMPOS- PROCURADOR DA FA- SESSÃO DE: DEZ 1" ZENDA NACIONAL 1ri ç : - Particireram,ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA , CRISTÓVÃO ANCHIETA DÊ PAIVA, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PI NTEL CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER e JOSt EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN IV (\\Á, DAMEFP/DF- SECOS N q 064/90 • • ' SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO ri° 12710/000.573/91-06 2. RECURSO N9 : 67.921 ACORDAO Ne : 101-82.455 RECORRENTE: ANIBAL PEREIRA DA COSTA RELATÓRIO O contribuinte acima identificado recorre a este Conselho de decisão do Sr. Chefe da Divisão de Tributação da DRF no Rio de Janeiro (RJ) que, por delegação de competência, julgou procedente a exigência fiscal formalizada no'AUto de Infração de fls. 01., Trata-se de tributação reflexa de outro processo instaurado contra a pessoa jurídica da qual o contribuinte parti cina na condição de médico cooperado - UNIMED - RIO COOPERATIVA' DE TRABALHO MEDICO NO RIO DE JANEIRO -, na ãrea do Imposto de Renda-Pessoa Jurídica, protocolizado na repartição de oriaem sob o n9 10768-022.698/90-44. Nestes autos cogita-se da cobrança do imposto de renda-pessoa física, em virtude de inclusão na Cédula "F" das de clarações de rendimentos clQ enigrafado relativas aos exercícios' 1 de 1986 a 1990, ano-base de 1985 a 1989; de parcela do lucro ar- bitrado na aludida sociedade cooperativa, .a ele considerada auto 1 maticamente distribuída, na proporção de sua quota-parte no capi tal social daquela sociedade, com fundamento no diposto nos ar- I , tiaos 34, inciso I e 403 do RIR/80 e no 49 do artigo 39 da Lei n9 7.71R, de 92 12 88 A autoridade julgadora de primeira instância, em observância ao -princípio da decorrência, dispensou a presente -la bcr re— rr !Ur" NS n4., 9' JK - SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13710/000.573/91-06 3 AcOrdão n9 101-82.455 exigência o mesmo tratamento dado ã tributação formalizada no processo matriz, ou seja, julgou procedente a ação fiscal,no mé- rito e retificou o lançamento de ofício, agravando-o, conforme decisão de fls. 29 /32 , sob os fundamentos sintetizados na seguinte ementa: "IMPOSTO DE RENDA - PESSOA FÍSICA Aplica-se aos procedimentos intitulados decorrentes ou reflexos, no que couber, ode cidido sobre a ação fiscal que lhes de-ii origem, por terem suporte fático comum. O lucro arbitrado, diminuído do imposto e do adicional incidente sobre o mesmo na pessoa jurídica, é. considerado, por impo- sição legal, distribuído a favor, dos sócios ou acionistas de sociedades não anônimas, inclusive as constituídas sob a forma de cooperativa, não elidindo tal presunção a ausência de efetiva distribui ção de lucros pelas referidas sociedades-. AÇÃO FISCAL PROCEDENTE, NO MÉRITO, E LAN- ÇAMENTO RETIFICADO DE OFÍCIO." Dessa decisão b contribuinte foi cientificado em 25 /07/ 91 e, inconformado, ingressou em 14/08 /91 , com o re- curso voluntãrio de fls. 36. Como razões do anelo, o contribuinte se reporta' aos fundamentos apresentados no processo principal N ni t o relatório. 1, , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13710/000.573/91:06 4 1 , Acórdão n9 101-82.455 VOTO Conselheira Mariam Seif, Relatora O recurso é tempestivo e estã amparado no artigo 33 do Decreto n9 70.235/72. Dele, portanto, conheço. Conforme relatado, a tributação objeto do presen _ te processo ê decorrente da exigência fiscal formalizada contra' a pessoa jurídica da qual o recorrente participa na condição de médico cooperado - UNIMED - RIO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO NO RIO DE JANEIRO -, nos autos do processo n9 10768-022.698/90-44, cujo recurso foi protocolizado neste Conselho sob o n9 101.176. Tratando-se de tributação reflexa, o seu suporte fãtico é o mesmo que embaSou a exigência procedida no processo principal, não comportando, por isso mesmo, uma anreciação des-- vinculada da levada a efeito naquele processo, Isto poraue,segun do remansosa jurisprudência deste Colegiado "o decidido no pro- cesso da pessoa jurídica, quanto à matéria que, por sua natureza ou decorrência de lei acarrete reflexo na tributação das pessoas físicas ou na fonte, faz coisa julgada nos processos decorre~, eis que houvesse possibilidade de novo pronunciamento sobre os mesmos fatos poder-se-iam estabelecer eventuais contraditórios desaconselhãveis sob o ponto de vista social e legal". Como o processo principal foi objeto de delibera ção deste Colegiado, em sessão realizada em 02/12/91, não cabe nestes autos reabrir a discussão em torno da existência ou insubsitência do suporte fãtico da exi gência, uma vez que a mate _ ria jã foi amplamente debatida e examinada naquela ocasião, e . tendo em vista, por outro lado, o princípio da decorrência supra enunciado. _ Na oportunidade, esta Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, com faz certo o acórdão n9 , 101-82.389, assim ementado: nk\ • :441i ' • - SERVIÇO PUBUCO FEDERAL PROCESSO N9 13710/000.573/91-06 5 Acórdão n9 101-82.455 , "ARBITRAMENTO DE LUCROS - Cooperativa - Es crituração sem destaque das receitas das diversas atividades - O arbitramento de lu cros é procedimento reservado aos casos de - inexistência de escrituração contãbil regu lar e aplicável apenas nas hipóteses le- gais previstas nos incisos I a VI do arti- go 399 do RIR/80, entre as quais não se in clui a que fundamentou a ação fiscal. 2.-Ç falta de destaque das receitas se gundo sua origem (atos cooperativos, não cooperati-- vos e incompatíveis com o regime cooperati vo) não autoriza, pois, o arbitramento de lucros. No caso recomenda-se a tributação' do resultado 'global da cooperativa, com ba se no lucro real, por ser impossível a de- terminação de parcela desse lucro alcança- da pela não incidência tributária." Tornado insubsistente aue foi o lucro arbitrado, embasador do crédito tributário constituído no processo nrinci- pal, que, por sua vez, constitui a própria base de cálculo o crê_ dito tributário ora exi gido, observado, ainda, o princípin da decorrência, outra não noderã ser a decisão neste recurso. - Nesta ordem de juizo,dou nrovimento ao presente' , recurso. , : fMAR- RELATORA #164V/ , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por LEAH HERSKOVITS: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse - lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao ,re- -) curso. , r, / Sala das Sess5es-: DF, em 22 de setembro de 1983,/ / ".." 'ri..':: `', ' ,... ''''' 4K A7 ,3„,0 OUT*t.1.10"NANDEZ - PRESIDENTE ,,,,-/ ,--) -, ANURTO PINTO 73.1 - RELATOR,,- __,,',/,'vçf:1--- VISTO EM AuuSTINI1OrE0--- - PROCURADOR DA FAZENDA NA- SESSÃO DE: fUlTIIIT 1W; CIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento,os seguintes Conselheiros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FILHO, FERNANDO CÍCERO VELLOSO e RAUL PIMEN- TEL. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0875/050.640/82-55 RECURSO N9: 41.076 ACÓRDÃO N9: 101-74.718 RECORRENTE N9: LEAH HERSKOVITS RELATÓRIO_ A contribuinte acima identif cada, com domicílio fis- cal em São Paulo (SP) interpôs, tempestivamente, a este Conselho,em 29/03/83, Recurso de fls. 45/46, contra a R. Decisão do Senhor Dele- gado da Receita Federal em Guarulhos (SP), que julgou procedente o lançamento por ela impugnado, em 29/04/82, e que fora constituldope lo Auto de Infração de fls. 1, em 31/03/82. 2. Trata-se de tributação reflexa incidente sobre lucro considerado distribuído a sOcio, decorrente de omissão de receita a purada pela fiscalização na empresa Agi-Lex Indústria Têxtil, Ltda. (Proc. 0875/050.612/82-10, Recurso n9 87.384 e Ac. n9 101-74.619/83), conforme Auto de Infração de 31/03/82, a cujo recurso, julgado por esta Câmara em 24/08/83, foi dado provimento parcial para a exclu - são da importância de Cr$ 4.000,000,00, da base de cálculo do impas - to do exercício de 1979. 3. Das parcelas tributadas naquela pessoa jurídica, com reflexos nas pessoas físicas dos sócios, entre os quais, a Recorren te, foi objeto do presente Recurso, a seguinte: a) Ex. 1979: Cr$ 1.600.000,00 - 40% da parte do capital inicial da empresa Agi-Lex Indústria Têxtil, Ltda. ,que - foi integralizada no período de 27/02/78 a 09/06/78, cuja origem não foi suficientemente comprovada, pela , ) falta de coincidência entre datas e valores expresse:. DMF - DF/19 C-C - Secgraf,06/75 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0875/050.640/82-55 3. Acordo n9 101-74.718 nos documentos que integram o Processo-matriz, carac terizando, assim, omissão de receita que foi tributa da na pessoa física como lucro distribuído ã sócia Recorrente, proporcionalmente à sua participação no capital da empresa autuada. Eng. Legal: Art. 34 do RIR/80 (Dec. 85.450/80). 4. A autoridade de la. Instância julgou procedente o lançamento impugnado (f is. 31/32), sob o fundamento de que o lança- mento do Processo-matriz, do qual este decorre, teve sua procedên - cia reconhecida pela decisão singular, na mesma data, em 29/10/82. 5. Com o presente Recurso, a Contribuinte requer a sus-: tação do julgamento, até a decisão definitiva do Recurso interposto pela pessoa jurídica autuada, no Processo-matriz. 6. A exclusão da base de cálculo do imposto lançado no Processo-matriz, da importância referida no 29 parágrafo acima, é relativa à parcela tributada, neále Processo, citada na letra "a" h do 39 parágrafo desta exposição /// 1 k. É o relatOrio. ///` SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0875/050.640/82-55 4. AcOrdão n9 101-74.718 VOTO Conselheiro BRAZ JANUÁRIO PINTO, Relator: Tomo conhecimento do presente Recurso interposto, tem_ pestivamente e nos termos da lei vigente. 2. Como relatado, a única reinvidicação da Recorrente foi para sustar o julgamento deste, ate o julgamento por este Conselho do Recurso relativo ao Processo-matriz já identificado. Nada mais apre- sentou ou requereu em sua defesa. 3. Considerando ter sido julgado o Recurso do Processo- -matriz, bem como ter sido excluída da base de cálculo do imposto,na quele Processo, a importância de Cr$ 4.000.000,00, relativa ao exer- cício de 1979 e correspondente à omissão de receita apurada no ano- -base de 1978, com reflexos tributários, neste Processo, sobre a im- portância igual a 40% sobre aquele valor, proporcional à sua partici Ração societária, como lucro distribuído no ano-base de 1978; e 4. Considerando tudo omais que consta dos autos, Dou pi2vimento ao Recursof. , -1 , • ~' / ANUÃRIO PINTO'- RELATOR / Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 00004.100511/33-83
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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ACORDÃO N° 101-75.323 Recurso n o - 88.395 - IRPJ - Exercício de 1983 . Recorrente - JOÃO ATHAYDE FILHO (FIRMA INDIVIDUAL) Recorrido - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM MACEM - (AL). IRPj - INCENTIVOS FISCAIS - SUDENE - RE- DUÇÃO DE 50% DO IMPOSTO (art. 19 Decre- to-lei n9 1.624/78) - Será calculada com base no imposto devido no exercício fi- nanceiro seguintes ao ano em que a , pes- soa jurídica requereu junto à autarquia' o reconhecimento de que reune condiçOes' para o gozo do beneficio, que correspon- der., Facto;ao ano-base de sua apura- ção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOÃO ATHAYDE FILHO (FIRMA INDIVIDUAL).: Conselho d Contri:'Cu 4 À :opro::= ao recurs ::: os e a i,po::::::Jdad:ndin:t27::g'a :' //- 1 Sala das SeOsee 4jF, em 11 de julho de 1984. ' P///,' ff, , - : :,r •f ,, .. AMADOR OUT - Ra'W. F r ANDEZ - PRESIDENTE,.-,- — -7 7_ - _-----,) --,- -- - - RAUL_2 N2ÉI, \, - RELATOR WAGOSTINHO FLORES - PROCURADOR DA FAZENDA ., VISTO EM2 1, rn_ i ,J. 4_ NACIONAL SESSÃO DE: 1 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros:SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GON ÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FILHO, JOSÉ FRANCISCO PAES LANDIM (srt_ plente conv.) e ALCEU DE AZEVEDO FONSECA PINTO. 2. ,"44w* SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO Ng? 0410-051.133/83-78 RECURSO N9: _ 88.395 ACÓRDÃO N9: - 101-75.323 RECORRENTEN91- JOÃO ATHAYDE FILHO (FIRMA INDIVIDUAL), RELATCIRIO JOÃO ATHAYDE FILHO, firma individual com sede em Maceió-AL, recorre contra decisão do Delegado da Receita Federal naquela Cidade, através da qual foi-lhe reconhecido o direito ao gozo do incentivo fiscal previsto no art. 19, da Lei n9 4.239/63, alterado pelo artigo 19 do Decreto-lei n9 1.624/78 e regulamenta- do pelo Decreto 64.214/69, a . partir do exercício financeiro subse qüente ao em que foi requerido ã SUDENE o favor fiscal, quando, no entender do contribuinte, o início do gozo do incentivo tinha seu marco inicial no próprio exercício financeiro em que requereu o beneficio junto aquela Superintendência. 2. Assim se manifesta a autoridade julgadora de pri- meiro grau em sua decisão de fls. 28/29, ao manter na integra sua posição consubstanciado no Ato Déclaratório n9 01, às fls. 05: "Considerando estar o processo revestido das for- malidades legais; Considerando que o beneficio do Art. 446 do RIR/ /80, pela qual a empresa optou, é calculado so- bre o lucro da atividade industrial (Produtos A- limentares, art. 59, inciso IV, Grupo I do Decre to n9 64.214/69), com base no lucro da explora--- ção; Considerando que a redução de que trata o artigo acima mencionado produzira efeitos a partir da data da apresentação à SUDENE de requerimento de vidamente instruído na forma exigido, previst na legislação especifica (Art. 448, § 79 do RI /80); DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600 5 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0410-051.133/83-78 3. AcOrdão n9 101-75.323 Considerando que esta perfeitamente justificado que o pleito foi instruido em 24.02.83 pelo contribuin- te, conforme consta da declaração emitida pela SUDE NE, doc. anexo às fls. 03; Considerando, que a mataria não enseja contrOversia, dispensando-se maiores comentários, face a Clareza da norma contida no art. 448 & 79 do RIR/80, e ain- da com base no Parecer Normativo CST n9 195/72, que ao interpretar o § 109 do artigo 89 do Decreto n9 64.214/69, esclarece que, apesar de o reconhecimen- to do direito -à redução produzir efeitos a partir da data da apresentação à Sudene do requerimento so licitando a declaraçao de que satisfaz as condiçOe-s- minimas ao gozo do beneficio, "Somente nciexezeicio subseqüente poderá abater do imposto a mencionada parcela"; Considerando tudo o mais que do processo consta julga improcedente a impugnação apresentada, mantendo na integrar o Ato DeclaratOrio n9 01, de 30/06/83 (doc. fls. 05), ressalvado ao contribuinte o direito de recurso dentro de 30 dias, para o Primeiro Conselho de Contribuintes." 3. Segue-se as fls. 33/34 o tempestivo Recurso paina es te Conselho, cujas razOes são lidas integralmente em Plenárid,p É o relat6rio. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0410-051.133/83-78 4. Acórdão n9 101-75.323 VOTO_ Conselheiro, RAUL PIMENTEL, Relator: Não há reparos a se fazer a decisão recorrida, pos- to que exarada está nos estritos termos da lei de regência, tanto com relação ao artigo 448, § 79 do Déc. 85.450/80, quanto a orienta ção emanada do Parecer Normativo CST 195/72, que conclui, acertada- mente, que o documento fornecido pela SUDENE g de natureza jurídica declaratória, produzindo efeitos somente a partir do exercício fi- nanceiro seguinte ao ano em que houver formalizado o pedido 'aquela autarquia. Com efeito, dispõe o prefalado § 79 do art. 448 do RIR/80: 79 - A redução de que trata o artigo 446 produzi rã efeitos a partir da data da apresentação a Sucie ne do requerimento devidamente instruido na forma prevista no art. 79 do Decreto n9 64.214, de 18 de março de 1969." O Imposto de Renda das pessoas jurídicas g apurado com base no balanço anual e respectivas demonstraçOes financeiras (ar-L, 156 F2! 157 do RTR/80), por isso a 'redução a titulo de incenti vo fiscal, que será calculada de acordo com o lucro da exploração (art. 412 do RIR/80), produzirá efeitos se pleiteada no exercício de sua apuração, isto g , antes do encerramento do período-base (ar- tigo 448, 79, do RIR/80). Como o período de apuração dos resultados da pes- soa jurídica, a partir do qual se reconhecerá o beneficio, g ante- rior ao exercício financeiro do tributo, sO a partir deste período- -base g que a redução será calculada e destacada na respectiva de- claração de rendimentos (Parecer Normativo CST 195/72). - Se vê claramente que, se o contribuinte requereu o beneficio junto a SUDENE no período-base de 1983, somente no exerclá : SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0410-051.133/83-78 5. Acórdão n9 101-75.323 cio financeiro do tributo - 1984 - poderá usufruí-lo. Ante o exposto, nego provimento ao recurso/4- Brasília -DF, em27 de agosto de 1984. RAUL-PIMENT'EL - RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10845.006514/88-41
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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Numero do processo: 13837.000138/2005-31
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1988 a 28/02/1996
PIS/PASEP - RESTITUIÇÃO - DECRETOS-LEI 2445188 E 2449/88
O prazo prescricional para pleitear a restituição da contribuição recolhida indevidamente a título de PIS, em razão da inconstitucionalidade dos Decretos-lei n° 2445/88 e 2449/88, é de 05 anos contados a partir da Resolução do Senado que suspendeu a vigência destes dispositivos normativos ou do pagamento a maior, o que ocorrer por último Transcorridos 5 anos destes fatos, inexistente o direito do contribuinte por prescrito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relatora.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1988 a 28/02/1996 PIS/PASEP - RESTITUIÇÃO - DECRETOS-LEI 2445188 E 2449/88 O prazo prescricional para pleitear a restituição da contribuição recolhida indevidamente a título de PIS, em razão da inconstitucionalidade dos Decretos-lei n° 2445/88 e 2449/88, é de 05 anos contados a partir da Resolução do Senado que suspendeu a vigência destes dispositivos normativos ou do pagamento a maior, o que ocorrer por último Transcorridos 5 anos destes fatos, inexistente o direito do contribuinte por prescrito. Recurso Voluntário Negado.
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relatora. EDITADO EM: 23/08/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Antonio Francisco Relatório Trata-se de pedido de restituição de créditos de PASEP, protocolado em 08/06/05, referente aos períodos de janeiro de 1988 até fevereiro de 1996, conforme planilha de cálculo (tis.. 03/23) e Dares (fls. 24/121). Por retratar a realidade dos fatos passo a transcrever trecho do relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: "Ao direito creditório postulado, a contribuinte vinculou débitos tributários mediante apresentação de pedidos e/ou declarações de compensação. A DRF em Jundiai emitiu o Despacho Decisório de fls, 147/151, indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações dos débitos, sob a fundamentação de que lá. estava extinto o direito de pleitear a repetição de indébito dos recolhimentos efetuados antes de 08/06/2000, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional, e Lei Complementar n" 118/2005. Cientificada em 19/01/2007 (11 153) a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 02/02/2007 (fls. 154/164), na qual alega, em síntese: Alega que o termo inicial para a contagem do pi azo decadencial, da norma declarada inconstitucional é a data em que foi promulgada a Resolução do Senado Federal dispondo sobre o assunto,' Assevera que havendo homologação tácita, o prazo para a restituição do tributo pago indevidamente seria de 10 anos; Confirme entendimento do Superior . Tribunal de Justiça, a extinção do crédito tributário opera-se com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos. cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; Alternativamente aduz teria direito a restituição de seus créditos a partir de 12/11/1994 até março de 1996, uma vez que teria protocolizado declaração de compensação em 12/11/2004; Cita o Decreto n" 4.524/02 e IN n°247/02 para enfatizar que se há o prazo prescricional para a cobrança da contribuição para o PIS, estipulada num período de 10 anos, logo, o prazo para a repetição de indébito deve ser o mesmo." Após analisar as razões de inconformidade da Recorrente, a primeira Turma da Delegacia de Julgamento de Campinas proferiu o acórdão if 05-19696, o qual restou da seguinte forma ementado: "Assunto. Contribuição para o PIS/Pasep Processo n" 13837.000138/2005-31 S3-C3T2 Acórdão n " 3302-00,504 Fl_ 220 Período de apuração. 01/01/1988 a 28/02/1996 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fis, 170/205, por meio do qual reiterou os argumentos alegados em sua inconformidade. É o relatório.. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Após a análise dos fatos e do direito envolvido, concluo que a questão aqui debatida refere-se a prescrição do direito da Recorrente aos valores indevidamente recolhidos a título de PASEP nos termos dos Decretos-lei 2445/88 e 2449/88. Em relação ao prazo prescricional para solicitar a restituição do PIS/PASEP exigido nos termos dos Decretos-lei n° 2445/88 e 2449/88, sigo o entendimento de diversas decisões deste Conselho, no sentido de que o prazo conferido ao contribuinte para pleitear a restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente, em virtude de declaração de inconstitucionalidade da norma instituidora da exação, • rescreve em 05 anos contados a partir da publicação da Resolução do Senado Federal que retirou a eficácia da lei declarada inconstitucional É o que se verifica da análise dos Recursos ir 125.110; 125.111; 125,112; 124.585; 124374; 124.579, dentre outros. Neste caso, portanto, considerando que a Resolução do Senado n° 49 que promoveu a suspensão da eficácia dos Decretos-Leis n° 2.445/88 e 2,449/88, foi publicada em 10/10/95, e o pedido da Recorrente foi protocolado em 08/06/05, ou seja, após transcorridos 5 anos da publicação da Resolução, claro está que o direito da Recorrente foi fulminado pela prescrição. Por conseqüência lógica, improcedente também a alegação da Recorrente de que o prazo é de 10 anos (tese dos 5+5) e não 5 anos. A inconstitucionalidade da Lei Complementar 118/05 apenas pode ser alegada no âmbito judicial. Ante o exposto, conheço do presente Recurso para o fim de NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo in totinn a decisão de primeira instância administrativa. 3 b)j- É to voto, 1110r& jj,/ latora E abiol VOtO, "siano Keramidas 4
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Numero do processo: 00730.007587/81-72
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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Recorrido - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM NITERóI - (RJ) IRPJ - OMISSÃO DE RECEITA - A wilissão de receita, baseada em certos indícios - de escrituração, hé de repousar, campa rativamente, em dados concretos, obje- _ tivos e coincidentes, sólidos em sua estruturação, e não em uma opção sim- plista de indução, para tomar-se a es- mo, sem conta nem medida exata, fato-- res escolhidos ao sabor de uma preocu- pação em fixã-la através da heteroge- neidade de elementos cambiantes, inser- viveis ã segurança dos meios de compa- ração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SERRA LINDA MOTEL LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con - selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao re..... curso, no termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. i Sala das :- -ts47:s (DF) 22 de outubro de 1984 iií c- /40 AMAD*'4, 9i dli ' 1 ' IA FE: , - DEZ - PRESIDENTE ÁJ, lipm,......ir, '_ ,0, ; i'vf ,;(2 ‘ --------7-6- -,bi- . - RELATOR VISTO EM AGOSTINHO FLORES - PROCURADOR DA FAZENDA NA SESSÃO DE: 25 t ur '190 CIONAL ._ v.v. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, ALCEU DE AZEVEDO FONSECA PINTO, AGOSTI- NHO SERRANO FILHO, JOSE EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, RAUL PIMENTEL. 2. lieg-~or SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N? 0730.7.007.587/81-72 RECURSO N°: 88.511 ACÓRDÃO N9: 101-75.460 RECORRENTEW SERRA LINDA MOTEL LTDA. RELATÓRIO SERRA LINDA MOTEL LIMITADA, empresa estabelecida no município de São Gonçalo, Estado do Rio de Janeiro, em conseqüencia de ação fiscal, encontrou-se capitulada no Auto de Infração de fls. 01/05, lavrado sob o fundamento de haver praticado, nos exercicios de 1977 a 1981, omissão de receita avaliada em função de lençais la — : vados. No inicio da peça de autuação se consigna que se apura ram indícios de omissão de receita pela existencia de saldos credo- res de caixa e suprimentos não comprovados de caixa e bancos e no final da aludida peça se assinala que tais indícios se desprezaram, em virtude de haver-se adotado o critério de apurar-se a omissão de ,L receita mediante o confronto, efetuado em cada um dos meses dos í anos-base de 1976 a 1980, entre a quantidade de lençOis lavados e a quantidade de diárias registradas, a fim de evitar-se cumulativida- de de tributação. . Consoante anexo de fls. 02/04, que integra a peça ves — ' tibular, a fiscalização considerou, como diárias apuradas 75% dos lençOis lavados, cujo levantamento se fez em notas fiscais de servi — ços emitidas por empresa de lavanderia, com o objetivo de conceder- í -se uma redução de 25%, a titulo de margem de tolerância, para consu i 5 mo diverso, tendo sido _con 4 Si era , o.. que cada lençol lavado equi- í valeria a uma diária cobrada DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 "' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0730-007.587/81-72 03. Acórdão n9 101-75.460 A petição impugnativa, com que a autuada se insurgiu contra a cobrança do credito tributário inscrito no Auto de Infra- ção, recebeu deferimento parcial do Delegado da Receita Federal em Niterói, quando admitiu reduzir-se a base de cálculo em mais 10% pa ra atender a desgaste na roupa utilizada no serviço de cama dos a- partamentos. Aproveita a empresa do grau de recurso, articulando-o na conformidade de petição de fls. 188/200, tempestivamente apresen tada, para expor que a tributação, sob o fundamento de que a diferen ça entre a quantidade de lençóis lavados e as diárias registradas representa omissão de receita, não passa de presunção arbitrária sem amparo em lei, não podendo nem cabendo ao agente do fisco arbi- trar a receita com base em lavagens de roupa de cama, por ser um critério personalíssimo, falho e impreciso. Em continuação, aduz - que os únicos indícios, em que a legislação tributária de regência autoriza o fisco a presumir receita omitida, são os artigos 180 e 181 do RIR/80, quando se apurar saldo credor de caixa, manutenção no passivo, de obrigaçOes já pagas e de suprimentos de caixa, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovada - mente demonstradas. Cita jurisprudência administrativa firmada por este Conselho de Contribuintes, em não aceitar a presunção de omis- são de receita com base em roupa lavada de cama. Diz tratar-se de - um critério defeituoso e passível de manuseio exclusivo de quem fa ça os cálculos, e mesmo que fosse legal o levantamento de receita o mitida com base na lavagem de lenOis, jamais levaria ã certeza da - infração pretendida, porque, ao contrário, a imprecisão, a incerte- za e a dúvida são inerentes a esse tipo de levantamento. A apreciação do recurso "ex officio", ao qual se refe re a Resolução n9 101-01.735 desta Cãmara (fls. 142), ficou prejudi cada com o advento da Instrução Normativa SRF n9 093, de 23/08/198 ( d)f n o relatório. , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0730-007.587/81-72 04. Acórdão 119101-75.460 VOTO Conselheiro SYLVIO RODRIGUES, Relator: Acusou-se a empresa de haver cometido omissão de re- ceita e esta se determinou em função de interposta condição colhida através da quantidade de lençóis lavados no período submetido .à.- ação fiscal. A condição é certa, porque parte de um elemento co- nhecido, a quantidade de lençóis lavados, mas os meios utilizados como prova presuntiva, se deparam inseguros, para que, através de indícios irretorquíveis, se possa chegar ã certeza de um fato des- conhecido, a omissão de receita, precisando-a e avaliando-lhe a ex-_ tensão. Os indícios, conquanto não constituam prova das de melhores qualidades, têm sido inúmeras vezes aceito para comprovar fatos ou causas de difícil provação, como é, por exemplo, o caso de -sonegação de receitas. Imune de dúvida de que, no universo das causas jurí- dicas, h5 fatos que somente se provam por indícios, ou por circuns- - táncias e, até mesmo, por suposiçOes equivalentes, de tal modo vee mentes que formam inabalável presunção a respeito da causa que se pretende demonstrar. Entretanto, para que os indícios, ou circuns-- - tãncias, ou suposiçOes equivalentes, não aniquilem no nascedouro a presunção, é necessário que o fato seja exatificado em prova segura, inatacável na estruturação da causa jurídica. O fato precisa ter, pois, existência demonstrada por prova certa para dele surgir o di- reito e aplicar-se-lhe a lei. A verdade do fato e o conhecimento da lei são, em realidade, os pressupostos básicos do direito. Nem sempre, porém, a prova acerca de determinado fa- to reflete a verdade absoluta, objetiva. Quando isso ocorre, deve, — npelo men , refletir-lhe a certeza, que é um estado subjetivo de co , vicção. ii , _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0730-007.587/81-72 05. Acórdão n9 101-75.460 É claro que, na formação desse estado subjetivo de convicção, operam os sentidos, a consciência e a razão oferecendo pelos instrumentos da observação aplicada ao raciocínio indutivo e dedutivo, a certeza da prova a respeito da maneira como o fato o- correu. Não se olvide que a eficácia prática do direito de- pende sempre da prova dos fatos que lhe servem de base. As vezes, como são fatos de difícil demonstração, a lei, em certas hipóteses, facilita a prova, estabelecendo presunções, que não são arbitrárias, mas correspondem ao que ordinariamente acontece, ou deixa a cargo da parte a demonstração da prova precisa a respeito do fato alega-- do. Em qualquer dessas hipóteses, a fonte da prova está na indução que parte de um fato conhecido, na espécie dos autos, da lavagem de lençóis, em busca de outro desconhecido. Os efeitos do fato co- nhecido, em seus aspectos e circunstãncias, oferecem indícios de ou_ tro fato, deixando-os, porém, sob luz bruxuleante, sem expô-los cla- ramente. A razão toma, então, tais indícios e, para esclarecê-los, em torno deles elabora conjecturas, faz perqueriçOes, estabelece opi niões, tira conclusões e assim se formam as presunções. Estas, to- davia, não podem ser fugazes à certeza do fato, para não ver, aque- le que delas se serve, desmoronar-se todo o arcabouço da causa per- seguida. Os indícios e as presunções têm, por conseguinte, de ser veementíssimos para afastar em definitivo as possibilidades contrá- rias. A presunção consiste, pois, na conclusão que se tira de um fato conhecido para provar-se a existência de outro fato des- conhecido. Ela pode ser absoluta, isto é, "iurts et de iure", quan- do a lei extrai uma conseqüência contra aguai não pode haver prova em contrário; ou relativa, ou seja, "iuris tantum", quando a prova em contrário se admite. Não padece dúvida que o fisco aceita, até prova em contrário, a palavra do sujeito passivo na declaração de rendimen- tosprestada sob expressão da verdade. Nessa prova contrária, é certo incluírem-se os indícios e as presunções veementes, pois tan- il j to uns e outras são provas, as quais podem ser colhidas através de informações posteriores do próprio sujeito passivo ou de terceiro . , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0730-007.587/81-72 06. Acórdão n9 101-75.460 O sujeito passivo pode, no entanto, ser omisso, reti- cente ou mendaz quanto ao valor ou preço dos bens, serviços, direi- tos ou negócios jurídicos e nesses casos a autoridade tributária es - tá autorizada a desprezar os dados da declaração de rendimentos e arbitrar o valor ou preço mediante elementos idôneos de que dispuser. O procedimento tributário hã. de ser racional, lógico e motivado. A racionalidade e a característica lógica do procedimento ficam mais bem evidenciadas quando não ocorrem absurdos e os dados, principalmen- te os colhidos de prova indiciária ou presuntiva, são de tal ordem convincentes em sua positividade, que não há como admití-los aleat6 - rios, ou vulneráveis por contra-razOes do sujeito passivo. É de com- preender-se, portanto, que seja qual for a natureza ou qualidade da prova, indiciaria, presuntiva e, sobretudo, documental, os dados que dela se busquem, para serem positivos independerão das incertezas de circunstâncias aleatórias. Tais princípios têm pleno cabimento no problema tribu -bário de que o presente julgamento se ocupa. A fiscalização pressu_ pós que a recorrente praticara omissão de receita e, dando curso .s suas suspeitas para apurar o quantitativo omitido, tomou, por ponto de partida, a quantidade de lençóis lavados no mesmo período sobre o qual a ação fiscal se exerceu e considerando que cada lavagem de um lençol correspondia a uma diária, multiplicou a quantidade dos len- çóis lavados pelo valor médio da diária, vindo encontrar um montan- te superior ao total da receita escriturada e assim reputar o exce- dente, valor de receita omitida. Sobre a quantidade de lençóis la- vados a autuação adritiu uma rodução do 25%, El título de margem detolerãncia, e no julgamento da petição impugnativa se veio a conceder outra re- dução, esta de 10% sobre a base de calculo do imposto, como desgas- te das roupas utilizadas no serviço de cama dos apartamentos. O raciocínio seguido pelo fisco se revela compreensí- vel, mas para admitl-lo como correto na demonstração da omissão de receita, seria necessário que fosse firme, indestrutível, a premis- sa de ser uma diária igual a um lençol lavado. - O levantamento fiscal,consistente em fixar omissão de r) receita, há de repousar em dados concretos e objetivos, e nunca , , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0730-007.587/81-72 07, Acórdão n9 101-75.460 uma opção simplista de indução, num jogo de fatores escolhidos ao sabor de uma preocupação de determinar que a lavagem de um lençol e quivale a uma diária, pois assim como se disse um lençol, poder-se- -ia dizer, de igual modo, que a lavagem de mais de um lençol corres- ponderia a uma diária e isto já aconteceu em outros casos-, aqui jul_ gados semelhantes aos da espécie em debates. O critério adotado, na hipótese, pelo procedimento fiscal, para fixar receita omitida, e frágil, minguado e precário. Tão precário que nem mesmo impressiona em relação ao índice de 25% concedido, a título de margem de tale-- rãncia, como redução nos c5lculos da pretensa equivalência de lava- ! gem de lençóis e diárias de hospedagens, por não se subestruturarem lei, e, se -em vez daquele índice, outro tivesse sido admitido, o e- , .! feito igualmente se despojaria de consistência jurídica. Com a expressão verbal do raciocínio dedutivo exposto pelo fisco, formou-se, apenas, uma propositurae não exatidãodeomis - são de receita, pois, para que esta se quantificasse sem qualquer restrição, a premissa, que estabelece a equivalência da lavagem de um lençol a uma diária, deveria ter base em fato concreto, sóIidó !e não aleatOrio, de modo a poder configurar-sé, no silogismo assim cri_ ado, uma perfeita ligação dos antecedentes ao conseqüente, embora não se questione a convicção do autuante e do julgador singular de que ocorreu omissão de receita, porquanto, o que não dá segurança para confirmá-la, são os meios utilizados no confronto estabelecido e se •! terem como receitas omitidas as diferenças indicadas. A atividade administrativa do lançamento constitui una função vinculada e essencial à realização da incidência do tributo, mas há de ser exercida nos limites dos textos legais, uma vez que se insculpe,ne princípio basilar da Constituição Federal, a vedação de instituir-se ou aumentar-se imposto sem a existência de lei que o permita e insculpido tal princípio também se acha no artigo 97 do Código Tributário Nacional (Lei n9 5.172, de 25/10/1966). . Nesta associação de ideias, não há como se sustentar h o arbitramento da receita promovido pelo fisco com base em lavagem de roupa, ou até mesmo que fosse com base em consumo de sabonetes , como também se costuma fazer, pois semelhante critério de presumi f i 5„-_-. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0730-007.587/81-72 08. Acórdão n9 101-75.460 -se omissão de receita é subjetivo e vulnerável por falta de amparo em lei, porque se desrespeita o princípio da legalidade tributária, necessária a tornar o direito operante e a elevar a atividade admi- nistrativa do lançamento .à. condição fundamental de sustentar-se a tributação. Seria preferível que o procedimento fiscal se servisse desses meios comparativos, uma vez que não se cercou de cautelas, para complementarmente demonstrar discrepâncias outras, por exemplo, entre depósitos bancários ou investimentos patrimoniais, que porven - tura existissem sem uma razão plausível, e a receita escriturada,ca paz de, por essa forma, poder-se bem aferir a receita omitida. Se acaso se positivassem discrepâncias, sem qualquer justificativa, na forma como se sugere por hipótese exemplificativa, aquela prova in- diciária ou presuntiva, a respeito da disparidade entre a quantida- de de lençóis lavados e as diárias registradas, seria um ótimo ele- mento reforçativo, não para se tributar omissão de receita na manei_ ra como se pretende nos autos, mas a que resultasse desse outro co- tejo, isto é, entre a receita escriturada e o fato de qualquer das hipóteses que se viesse a tomar por base comparativa (depósito ban- cário, investimentos ou outro que se notasse no curso da fiscaliza- ção), desde que o valor excedente não recebesse prova plena e defi- nitiva quanto ã origem dos recursos que lhe dessem cobertura. Se a autoridade competente achar oportuno proceder-se ã nova ação fiscal, quanto aos exercícios examinados, poderá servir- -se das disposições do art. 542, §. 29, do RIR/80, desde que o faça dentro de prazo útil, enquanto flui o lapso do tempo decadencial. _ O Afin. q voto do rel. • e pelo provimento do recurs o ‘ f ".."# ------) SY 444* ts 0 D ' GUES - RELATORp-2-12 ..., 111.10 ,. /7v Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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ARBITRAMENTO — DECORRÊNCIA — Tributa—se na pessoa física do sócio, na proporção da participação no capital social, após descontado o imposto devido pela pessoa jurídica, os lucros nessa última arbi- trados, por força do princípio da de- corrência e o disposto no art. 34 I do RIR/80. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CARLOS SOARES MARTINS: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões (DF), em 13 de dezembro de 1990 n / URGE - PER 'RA L•? -IkESIDENTE -, adubamos FRANCIscomsis MI DA RELATOR _ VISTO EM AFOI t FERREIRA ri CAMPOS — PROCURADOR DA FA SESSÃO DE: 13 DEZ L: ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente jpigamento, os seguintes Conselhei- ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NINES, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CEL SO ALVES FEITOSA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, RAUL PIMENTEL e JOSÉ E- DUARDO RANGEL DE ALCKMIN. ” • SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10845-007.071/89-79 RECURSO N9: 60-494 ACóRDÃON9: 101-80.964 RECORRENTE: CARLOS SOARES MARTINS RELATÓRIO Em decorrência da ação fiscal instaurada contra a Empresa A.J. MARQUES & CIA. LTDA., que sofreu arbitramento do lucro nos exercícios de 1987 e 1988, período-base de 1986 e 1987, teve o sócio CARLOS SOARES MARTINS, incluído na cédula "F" da de- claração de rendimentos que apresentou para os aludidos exercícios a título de lucros automaticamente distribuídos, os valores res- pectivos de NCz$ 1.498.25 e NCz$ 3.438,56. A inclusão foi feita pelo Auto de Infração de fls. 1/2, lavrado em 17.10.89, e respeitou o percentual de 32,5% correspondente a participação do aludido sócio no capital da empre sa, resultando daí a exigência do recolhimento do crédito tributá rio de NCz$ 247.552,44, aí compreendido Imposto de Renda, corre ção monetária, juros de mora e multa de 50% do lançamento "ex-offi — • cio". Na impugnação que interpôs contra a exigdncia (fo lhas 7) o Impugnante requer sejam estendidos ao presente feito os efeitos e conseqüências do feito principal n9 10845-007.068/89-64, por tratar-se de exigência reflexa. Amparando-se nos fundamentos de fato e de direi- to expostos no Relatório e Parecer de fls. 12/13 que aprovou o julgador singular indeferiu a Impugnação, conforme decisã. rida ás fls. 14.( /2) I DMF - DF /19 C-C - Se graf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10845-007.071/89-79 3. Acórdão n9 101-80.964 Inconformado com essa decisão o interessado in gressoucom.arrecuxso'cle fls. 19 onde reitera as razões de defesa' articuladas no feito principal em razão de conexão existente, anexando às fls. 22/23, o recurso interposto pela pessoa jurídi- ca no processo principal. 2 o relatório. VOTO Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, Relator: • O art. 403 do RIR/80, dispõe que o lucro arbi- trado se presume distribuído aos sócios ou acionistas de socieda des não anónimas na proporção da participação no capital social! Feita a proporção, o valor apurado constitui= dimento classificável na cédula "F" da declaração de rendimen- tos da pessoa física (o sócio ou acionista), conforme previsão contida no art. 35 do mesmo Regulamento. O montante incluído na cédula "F" correspondeu a diferença entre o lucro apurado por arbitramento e o imposto sobre ele incidente na pessoa jurídica' (fls. 03). Releva notar que o processo principal onde foi feito o arbitramento do lucro na pessoa jurídica, já foi julga do por esta Câmara, em grau de recurso voluntário contra deci- são de l instância que havia indeferido a Impugnação, tendo o Colegiado, à unanimidade de votos, pelo Acórdão n9 101-80.806 de rk 21.11.90 negado provimento ao recurso da empresa. Nos presentes autos não trouxe o recorrente qual quer elemento capaz de infirmar o acerto da decisão de l instãn cia, limitando-se apenas a pedir que seja aqui aplicado o que for decidido no processo principal. A decisão de mérito proferida no processo prin- cipal constitui prejulgado em relação a matéria formali a por reflexo, ante o nexo causal existente. _A e SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 108454007.071/89-79 4. Acórdão n9 101-80.964 Não tendo a empresa logrado exito no seu apelo' formulado no processo matriz, a mesma soete terá o processo de- corrente, conforme torrencial jurisprudência deste Conselho. Nessas condições, voto pela negativa de provi- )mento do recurso. , daLlént (1/-) FRANCISCO DE ASSIS MIRAND- RE i. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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