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Numero do processo: 10675.905069/2011-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 14 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2007
DCOMP. RETIFICAÇÃO DE ERRO SOBRE A ORIGEM DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE IRPJ PARA SALDO NEGATIVO DE IRPJ APURADO AO FINAL DO RESPECTIVO ANO-CALENDÁRIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 175.
A jurisprudência desta 1ª Turma se consolidou no sentido de que é possível, no âmbito do processo administrativo, retificar-se erro na informação prestada na DCOMP sobre a origem do direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ para saldo negativo de IRPJ apurado ao final do mesmo ano-calendário, tanto que foi editada a Súmula CARF 175.
Numero da decisão: 9101-005.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella, Andrea Duek Simantob (Presidente).
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2007 DCOMP. RETIFICAÇÃO DE ERRO SOBRE A ORIGEM DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE IRPJ PARA SALDO NEGATIVO DE IRPJ APURADO AO FINAL DO RESPECTIVO ANO-CALENDÁRIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 175. A jurisprudência desta 1ª Turma se consolidou no sentido de que é possível, no âmbito do processo administrativo, retificar-se erro na informação prestada na DCOMP sobre a origem do direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ para saldo negativo de IRPJ apurado ao final do mesmo ano-calendário, tanto que foi editada a Súmula CARF 175. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella, Andrea Duek Simantob (Presidente). Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 1301-004.643, por meio do qual pede seja resolvida pela CSRF divergência interpretativa acerca da seguinte matéria: - Retificação de erro sobre a origem do direito creditório informado na DCOMP - De pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ para saldo negativo de IRPJ. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 50 69 /2 01 1- 11 Fl. 282DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.899 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10675.905069/2011-11 A ementa do acórdão recorrido bem como a sua parte decisória encontram-se assim redigidas: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2007 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE O erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não possa ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Assim, reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por lhe negar provimento. (...) A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de o direito creditório informado na DCOMP, qual seja, pagamento indevido ou a maior da estimativa de IRPJ referente ao mês de fevereiro/2007 (e-fl. 2 e ss.), vir a ser retificado, no âmbito do processo administrativo, para saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007, sob alegação de que houve erro no preenchimento da DCOMP. Sobre matéria a recorrente alega o seguinte, in verbis: O acórdão hostilizado deu parcial provimento ao recurso voluntário, acatando a possibilidade de retificação de suposto erro material invocado apenas quando já proferida decisão administrativa. (...) No caso concreto, o interessado apenas indicou o hipotético erro material em sede de manifestação de inconformidade quando já proferido o Despacho-Decisório. As formalidades existentes no pedido de compensação são definidas para dar transparência, segurança e uniformidade ao procedimento, e não por mero capricho da Administração. Sobre a compensação, o Código Tributário Nacional em seus artigos 156, II, e 170 prescrevem o seguinte: (...) A fim de normatizar a forma pela qual se daria a compensação no âmbito tributário foram editados diplomas legais e normativos, dentre os quais se destaca a Lei nº 9.430/96 e alterações posteriores. Fl. 283DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.899 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10675.905069/2011-11 (...) Da norma acima reproduzida é possível aferir que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Com efeito, por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo. Assim, o alegado erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitido, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação. Ademais, ainda nos termos da legislação retro transcrita, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação. Não se pode admitir que um suposto crédito, não informado à Administração tributária no momento oportuno, ou seja, até a ciência do despacho decisório que negou a homologação das compensações, sob a pecha de tratar-se de erro material, seja admitido em momento tão tardio do processo, sem que tal tema tenha sido objeto de análise pela DRF responsável pela análise do pleito. (...) Nos termos do acima exposto, temos que, uma vez que a existência do suposto crédito não havia sido informado na DComp, não sendo indicada a origem dos mesmos, não podem ser considerados líquidos e certos, nem mesmo há como homologar-se as compensações efetuadas com base nestes, sob pena de afronta direta aos ditames legais acima esposados. (...) Conclui-se, portanto, que o órgão julgador, ao analisar os autos, deve levar em consideração os dados informados no pedido de compensação apresentado pelo contribuinte para justificar a extinção do crédito tributário. Se considerar crédito de natureza diversa do apontado pelo contribuinte na via compensatória, a decisão conflita com o próprio procedimento de compensação, em que se analisam os créditos e débitos tal qual indicados e não outros diversos. Se entendesse ter ocorrido erro na indicação direito creditório que pretendia compensar, o interessado deveria ter solicitado ao órgão competente, no caso, a Delegacia da Receita Federal, por meio de processo administrativo, a retificação da declaração de compensação. Logo, o acórdão hostilizado violou o disposto no art. 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430/96, uma vez que o alegado erro de preenchimento da DCOMP pelo interessado não pode e não poderia ser admitido, eis que, a retificação da origem e do valor do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido nos termos das normas citadas. (...) O recurso especial foi admitido em relação ao único acórdão paradigma indicado, nº 9101-004.137. O sujeito passivo, embora intimado, não apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.899 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10675.905069/2011-11 Voto Conselheira Andréa Duek Simantob, Relatora. Conhecimento O sujeito passivo não apresentou contrarrazões. O caso aqui se amolda ao disposto no artigo 67 parágrafo 3º do RICARF, pois a matéria foi objeto de súmula, apesar de sua edição ter ocorrido após a interposição do respectivo recurso especial, e, como o recorrido adotou o entendimento da súmula CARF 175, o respectivo recurso não deve ser conhecido. Segue o teor da súmula: Súmula CARF 175: É possível a análise de indébito correspondente a tributos incidentes sobre o lucro sob a natureza de saldo negativo se o sujeito passivo demonstrar, mesmo depois do despacho decisório de não homologação, que errou ao preencher a Declaração de Compensação – DCOMP e informou como crédito pagamento indevido ou a maior de estimativa integrante daquele saldo negativo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: 1301-002.763, 1302-002.021, 1401-002.336, 1401- 002.521, 9101-002.903, 9101-003.150, 9101-004.234 e 9101-004.726. Assim sendo, NÃO CONHEÇO do recurso especial. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob Fl. 285DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf
score : 1.0
Numero do processo: 13807.011846/00-41
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1202-000.115
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase do exame de Pedido de Restituição do saldo negativo da CSLL apurado na declaração DIPJ, no valor original de R$ 1.721.377,35, relativo ao anocalendário de 1999, cumulado com pedido de compensação, conforme PER/DCOMP das fls. 01 a 05. O pleito foi examinado pelo órgão de origem, que emitiu o Despacho Decisório reconhecendo parcialmente a restituição pleiteada, no valor de R$ 1.645.323,03, fls. 175 a 179. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.011846/0041 Resolução n.º 1202000115 S1C2T2 Fl. 392 2 Os motivos que levaram ao reconhecimento parcial são os seguintes: i) foi aceito como dedutível da CSLL apenas 1/3 da Cofins efetivamente paga, que totalizou o valor de R$ 3.218.856,92, tendo sido desconsiderado, no cálculo, os valores da Cofins retidos por órgãos públicos; ii) comprovação parcial da CSLL mensal paga por estimativa relativa ao ano de 1999, no valor de R$ 2.095.080,96; iii) comprovação parcial da CSLL retida por órgãos públicos: valor informado na DIPJ R$ 56.442,48; valor comprovado R$ 51.869,36; valor glosado R$ 4.573,12. Irresignado, o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade de fls. 200 a 204, cujo teor a seguir se sintetiza em relação ao item i) retro, entende ser indevida a glosa no montante de R$ 71.481,20, pois teria havido efetivo pagamento da COFINS mediante compensação de valores retidos por órgão público, de forma que a terça parte da COFINS passível de compensação com a CSLL é aquela indicada em sua DIPJ, no montante de R$ 3.290.618,99 deixa de se manifestar em relação a glosa do item ii) retro; quanto à comprovação da retenção da CSLL por órgãos públicos, item iii) acima, menciona não ter mais os documentos que possam justificar o montante retido, desistindo de comprovar a respectiva diferença glosada. Requer, ao final, a revisão do despacho decisório com a inclusão do montante de R$ 71.481,20 relativo ao item i) retro. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1617.696, da DRJ/São Paulo I, de fls. 231 a 239, reconhecendo parcialmente as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, com os seguintes fundamentos: nos termos do que dispõe o art. 13 da IN SRF nº 006, de 1999, reconhece que devem ser considerados como efetivamente pagos, a título de COFINS, também os valores relativos às compensações efetuadas, de conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, bem assim os valores retidos por órgãos públicos, com base no art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, relativos a mesma contribuição. quanto à certeza e liquidez dos créditos trazidos em compensação aos débitos da Cofins, para fins de aproveitamento na dedução da CSLL de 1/3 daquela contribuição, assim fundamentou o acórdão recorrido: “O contribuinte apresentou à autoridade fiscal, para fins de esclarecimento da dedução realizada na linha 25 da ficha 30 (a título de um terço da Cofins efetivamente paga), o Demonstrativo de fl. 28. Neste, informa na coluna "B", mês a mês os valores retidos por órgão público. Na coluna "C", informa no mês de abr/99 uma compensação no valor de R$ 4.047,21, referente ao recolhimento a maior do período de fev/99 compensado em abr/99, conforme demonstrativo anexo 1. E, no mês de ago/99, apresenta uma compensação no valor de R$ 49.736,15, referente a compensação com crédito de terceiros — Processo 10880.026890/9924 (anexo 2). Fl. 392DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.011846/0041 Resolução n.º 1202000115 S1C2T2 Fl. 393 3 (...) No que se refere a esta compensação constatase que, de fato, o contribuinte declarou na DCTF de fev/99, o débito de COFINS no valor de R$ 726.912,16, vinculados aos pagamentos de dois Darfs de: R$ 726.595,56 e R$ 316,60 (fl. 227). Mas na DIPJ do anocalendário 1999 apurou COFINS a pagar de R$ 722.905,02 no mês de fevereiro (fls. 228 e 229). No entanto, o interessado não trouxe à colação qualquer registro contábil que comprove o alegado, ou seja, de que a informação correta é a que consta na DIPJ/2000, de modo que não é possível acatar esta compensação. (de R$ 4.047,21) Quanto à compensação no valor de R$ 49.736,15, referente à compensação de crédito com débitos de terceiros no Processo n° 10880.026890/9924, o Anexo 2 compõese de: cópia do protocolo do referido processo (fl. 74) e cópia do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros (fl. 75). Em consulta ao sistema Comprot (fl. 230) constatase que, até a presente data, o processo n° 10880.026890/9924 não apresenta decisão administrativa definitiva, encontrandose na Câmara Superior de Recursos Fiscais desde 14/12/2007. Destarte, não há como reconhecer esta compensação até decisão final do pleito.” Por fim, quanto aos valores da Cofins retidos por órgãos públicos, menciona que de um total retido de R$ 161.502,81 informado pelo requerente (demonstrativo da fl. 28), apenas R$ 20.270,71 referemse ao anocalendário de 1999. Observa que entre os comprovantes anuais de retenção apresentados pelo interessado, de fls. 61 a 72, constam também comprovantes referentes aos anoscalendário de 1997 e 1998, alheios à presente solicitação. Somente os comprovantes de retenção de fls. 61, 62, 69, 70 e 72 referemse ao ano calendário de 1999, resultando em valor retido por órgãos públicos de apenas R$ 20.270,71. Conclui, refazendo os cálculos da Cofins efetivamente paga, acrescentando ao valor considerado pelo órgão de origem, o montante de R$ 20.270,71, resultando no reconhecimento de um direito creditório complementar de R$ 6.756,92 (R$ 20.270,71 x 1/3). Irresignada, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 336 a 343, com as alegações a seguir resumidas: quanto à diferença da Cofins de R$ 4.047,21 existente entre os valores informados na DCTF e na DIPJ, relativos à fev/99, utilizado em compensação em abril de 1999, sustenta que descabe exigir comprovação contábil da diferença, uma vez que o valor constante da DIPJ 2000 teria sido homologado tacitamente com o transcurso do prazo decadencial. em relação ao valor de R$ 49.736,15, relativo a crédito de terceiros originário do processo n° 10880.026890/9924, utilizado em compensação de débito da Cofins, menciona que efetuou o respectivo pagamento, com os acréscimos devidos, cujo comprovante junta ao presente recurso, fls. 371/372. por fim, em relação a falta da declaração de retenção dos órgãos públicos, aduz que este não pode ser óbice para considerar que o valor foi efetivamente retido. Poderia o órgão julgador de primeira instância ter determinado diligência fiscal, ou prova pericial, mas não poderia ter desconsiderado as informações da recorrente. Alega que alguns órgãos públicos deixaram de cumprir suas obrigações acessórias, não podendo ser penalizado por isso. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.011846/0041 Resolução n.º 1202000115 S1C2T2 Fl. 394 4 Novamente junta a composição dos créditos da Cofins retidos por órgãos públicos do ano de 1999, indicando a retenção total de R$ 161.502,81, fls. 373 a 389. É o Relatório Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. A discussão que remanesce no presente processo diz respeito à comprovação dos recolhimentos da Cofins, cuja proporção de 1/3 da contribuição paga era possível ser deduzida da CSLL devida no ano de 1999. Em relação à matéria referente à diferença entre o valor da Cofins declarada em DCTF e na DIPJ, relativo a fevereiro de 1999, não houve juntada aos autos de qualquer documento a respeito, tratandose de mera discussão jurídica quanto à homologação dos valores informados na DIPJ. Quanto ao valor da Cofins de R$ 49.736,15, que teria sido compensado com crédito de terceiros originário do processo n° 10880.026890/9924, a recorrente menciona que efetuou o respectivo pagamento, cujo comprovante junta ao presente recurso, fls. 371/372. Portanto, a matéria referese unicamente à confirmação/verificação do pagamento efetuado. Por fim, em relação a pretensa falta de comprovantes emitidos pelos órgãos públicos, que retiveram valores da Cofins da recorrente, verifico dos autos que a defesa trouxe com a manifestação de inconformidade parte dos comprovantes anuais de retenção, fls. 61 a 72. Por ocasião do seu recurso, junta também uma relação mais detalhada, contendo informações com o número das notas fiscais, datas, valor total das notas, valor dos impostos retidos e a nominata dos respectivos órgão públicos que teriam efetuado a referida retenção, totalizando o valor de R$ 161.502,81 reclamado pela autoridade fiscal, fls. 373 a 389. A esse respeito, entendo que a falta da entrega do comprovante de retenção pelo órgão pagador não pode ser óbice à realização de um direito do contribuinte, mormente quando essa comprovação puder ser efetuada por outros meios e quando essas informações são de conhecimento (ou estão à disposição) do órgão examinador. Por seu turno, o art. 23 da Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 04, de 18 de agosto de 1997, em atendimento ao disposto no art. 64 da Lei n° 9.430/96, estabeleceu que os órgãos públicos que efetuassem a retenção dos impostos/contribuições, deveriam entregar uma declaração em meio magnético à antiga Secretaria da Receita Federal contendo informações a respeito do somatório dos valores pagos e o total retido, por contribuinte: Art. 23. O órgão ou a entidade que efetuar a retenção deverá fornecer à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, comprovante anual da retenção, até 28 de fevereiro do ano subseqüente, informando o somatório dos valores pagos, assim entendido o valor antes de efetuada a retenção, e o total retido, por mês e por código de recolhimento, conforme modelo constante do Anexo IV. (.) Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.011846/0041 Resolução n.º 1202000115 S1C2T2 Fl. 395 5 §2° Como forma alternativa de comprovação da retenção, poderá o órgão ou a entidade fornecer ao beneficiário do pagamento cópia impressa do DARF, desde que este contenha, no campo destinado a observações, o valor pago, correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. § 3° Anualmente, até 28 de fevereiro do ano subseqüente, os órgãos ou as entidades que efetuarem a retenção de que trata esta Instrução Normativa deverão apresentar, à unidade local da Secretaria da Receita Federal, na Declaração de Imposto e Contribuições Retidos, em meio magnético, discriminando, mensalmente, o somatório dos valores pagos e o total retido, por contribuinte e código de recolhimento, conforme especificações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal. . (grifos acrescidos) Posteriormente, a Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 03, de 16/11/1998, alterou a redação do art. 23 citado, passando a ter a seguinte redação: Art. 23. O órgão ou a entidade que efetuar a retenção deverá fornecer à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, comprovante anual da retenção, até 28 de fevereiro do ano subseqüente, informando relativamente a cada mês em que houver sido efetuado pagamento: 1— o código de retenção; II a natureza do rendimento; III —o valor pago, assim entendido o valor antes de efetuada a retenção; IV— o valor retido. (...) 3° Anualmente, até 28 de fevereiro do ano subseqüente, os órgãos ou as entidades que efetuarem a retenção de que trata esta Instrução Normativa deverão apresentar, à unidade da Secretaria da Receita Federal, na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF, discriminando, mensalmente, o somatório dos valores pagos e o total retido, por contribuinte e código de recolhimento. Da leitura das normas regulamentares acima, verificase que o órgão que efetuar a retenção deverá fornecer à pessoa jurídica beneficiária do pagamento o comprovante anual de retenção. Adicionalmente, deverá o mesmo órgão apresentar à unidade da Receita Federal, em Declaração específica, o somatório dos valores pagos e o total retido, por contribuinte e código de recolhimento (art. 23, § 3º). Pois bem. Alega a recorrente que não mais possui todos os comprovantes anuais de retenção (art. 23, caput) exigidos pela autoridade julgadora. No entanto, anexa com o seu recurso um detalhamento completo das retenções efetuadas, conforme já mencionado neste voto. Por seu turno, o § 3º, art. 23 da Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 03, de1998, acima transcrito, dá conta de que as informações reclamadas no presente processo Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.011846/0041 Resolução n.º 1202000115 S1C2T2 Fl. 396 6 devem ser do conhecimento da unidade da Receita Federal, por estar contida em Declaração entregue à esse órgão. Já a defesa vem procurando comprovar o seu direito trazendo as provas que possui, em que pese o longo tempo transcorrido para exame do referido direito creditório (transcorridos cerca de 9 anos entre o pedido de restituição e o recurso voluntário). Em que pese o fato de já estar precluso o direito de trazer novas provas na fase recursal, consoante dispõe os §§ 4° e 5o do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 1997, é de se levar em consideração o fato de que a defesa trouxe documentos na fase impugnatória comprovando o seu direito, mesmo que incompletos, demonstrando a possibilidade de ter razão em suas alegações. Assim, considerando que a documentação agora juntada ao recurso e o detalhamento ali exposto se mostra mais completo, o que indica a possibilidade da recorrente ter razão em suas alegações quanto aos valores retidos por órgãos públicos e considerando, ainda mais, que essas informações constam em declaração específica entregue à Receita Federal, proponho a conversão do julgamento do recurso em DILIGÊNCIA, retornando o processo à unidade de origem, para que a autoridade fiscal se manifeste nos seguintes pontos: a) com base nas informações detalhadas nas fls. 373 a 389, relativos à retenção da Cofins efetuadas por órgãos públicos, totalizando o valor de R$ 161.502,81, no ano de 1999, proceder na confirmação desses valores com base na Declaração prevista no § 3º, art. 23 da Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 03, de1998, entregue por esses órgãos à Receita Federal; b) caso não seja possível a confirmação das retenções do item anterior tentar, por outros meios, a confirmação dos valores retidos da Cofins que a requerente diz ter sofrido, como, por exemplo, diligenciando junto aos respectivos órgãos públicos; c) com base nas informações coletadas acima, emitir decisão conclusiva a respeito do valor total da Cofins que os órgãos públicos retiveram da recorrente no ano de 1999; d) confirmar o pagamento da Cofins no valor original de R$ 49.736,15, de fls. 371/372, relativo ao processo n° 10880.026890/9924, informando do seu possível aproveitamento no presente processo para a composição do saldo negativo da CSLL; e) baseado nas conclusões dos itens c) e d) retro, emitir despacho conclusivo a respeito do valor do saldo negativo da CSLL relativo ao ano de 1999; f) cientificar a recorrente do conteúdo da decisão mencionada no item precedente, com intimação para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias; g) após, retorno a este CARF para julgamento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 13609.905963/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 18 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 01/03/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida indevidamente.
Numero da decisão: 3402-009.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o Conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: Pedro Sousa Bispo
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ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o Conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Contra a contribuinte precitada foi emitido, em 07/10/2009, o Despacho Decisório à fl. 4, por meio do qual não foi homologada a compensação efetuada por meio de PER/Dcomp. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito declarado, relativo a pagamento indevido ou a maior, para quitar os débitos informados na PER/Dcomp. O crédito utilizado se refere a pagamento indevido ou a maior de Cofins, concernente ao mês de março de 2005, código de receita 5856. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 59 63 /2 00 9- 41 Fl. 426DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.681 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.905963/2009-41 Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996. Inconformada, fl. 141, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 97 a 98, acompanhada dos documentos às fls. 99 a 140, alegando, em síntese, que: • O indeferimento da compensação deu-se impropriamente, uma vez que o crédito utilizado e informado na PER/DCOMP é oriundo de pagamento indevido ou a maior, cuja origem é um DARF (R$ 168.844,90, anexo) pago em 14.4.05, com o objetivo de liquidar o débito de COFINS não cumulativa (cod. rec. 5856), relativo ao período de apuração: março/2005; • Pela análise da documentação acostada à presente Manifestação de Inconformidade, evidencia-se a legitima origem do crédito declarado na PER/DCOMP, bem como se atesta o preciso preenchimento dos documentos fiscais que validam o procedimento de compensação em questão (por exemplo: DCTF, DARF e Per/Dcomp). Ao final, solicita a homologação da compensação. Ato contínuo, a DRJ-BELO HORIZONTE (MG) julgou a Manifestação de Inconformidade do contribuinte improcedente nos termos sintetizados na ementa, a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/03/2005 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação demanda a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seguida, devidamente notificada, a empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No recurso voluntário, a empresa suscitou as mesmas questões de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade quanto a não homologação da compensação. Em julgamento realizado no dia 21 de maio de 2019, este Colegiado resolveu baixar o processo em diligência fiscal para que a Autoridade Fiscal analisasse a documentação constante nos autos e solicitasse qualquer outra necessária a análise do pleito do Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. Fl. 427DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.681 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.905963/2009-41 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende todos os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se depreende da leitura dos autos, a lide trata de pedido de compensação, no qual se utilizou suposto crédito de Cofins pago indevidamente ou a maior, concernente ao mês de março de 2005, código de receita 5856, para quitar débito de outro tributo informado na Dcomp O despacho decisório não homologou a compensação devido à inexistência de crédito disponível no DARF informado para quitar o débito constante na DCOMP. O referido DARF estaria integralmente alocado para a quitação dos débitos listados no despacho decisório. O acórdão da DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu a existência do crédito pleiteado de COFINS paga a maior por falta da comprovação da certeza e liquidez. No recurso voluntário, a empresa reafirma que comprovou a certeza e liquidez do crédito, de acordo com as declarações retificadoras, Balancete Contábil, planilhas de apuração apresentadas e cópia do DARF. Este Colegiado, em julgamento realizado no dia 21 de maio de 2019, resolveu baixar o processo em diligência fiscal para que a Autoridade Fiscal analisasse a documentação constante nos autos e solicitasse qualquer outra necessária a análise do pleito do Contribuinte. Atendendo a solicitação do Colegiado, a Autoridade Fiscal finalizou a diligência fiscal com a seguinte conclusão, constante da Informação Fiscal: 6. Após algumas solicitações de prorrogação de prazo para apresentação, que foram concedidas pelo Fisco, o contribuinte apresenta resposta, fls. 271 a 346. Nesta resposta, a sociedade empresária apresenta uma longa argumentação da metodologia de como aproveitou os créditos da Cofins, fls. 271 a 285. Apresentou, ainda, cópia do balancete, fls. 297 a 335, do livro de Registro de Apuração do ICMS, fls. 337 a 342, referente a março de 2005, e planilhas, que se encontram anexadas no Arquivo Não- paginável, fl. 346. Entretanto, as notas fiscais que dariam guarida aos lançamentos contábeis não nos foram entregues, com o argumento de que “a exigência de documentação antiga, arquivo morto da empresa, está em descompasso com a realidade do ambiente empresarial. Com isso, não é crível que o requerente possua todos documentos fiscais (notas, faturas, recibos) que versam sobre as operações de aproximadamente 15 (quinze) anos atrás, tendo em vista que os registros contábeis que possui constituem documentação hábil para comprovar a certeza e liquidez do seu direito creditório”. Também não foram apresentados os livros Razão e Diário. 7. Ora, a apresentação das notas fiscais, principalmente, e dos livros contábeis são imprescindíveis para a análise do cálculo do contribuinte da Cofins no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON retificador de março de 2005, que causou a retificadora da Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF deste mesmo mês. Sem a apresentação dos documentos contábeis e fiscais não há suporte fático para assegurar o correto valor da Cofins a pagar em março de 2005. 8. O artigo 40 da Lei 9.784/99 determina que: Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Fl. 428DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.681 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.905963/2009-41 9. Destarte, não tendo sido possível atestar se o valor apurado da Cofins a pagar na DACON e DCTF retificadora de março de 2005 está correto, o direito creditório não deve ser reconhecido e, consequentemente, a DCOMP será declarada não homologada. Como se observa, o Contribuinte, apesar de instado pela Fiscalização, deixou de apresentar a documentação lastreadora dos lançamentos contábeis que supostamente comprovariam o pagamento a maior de COFINS. Não resta dúvida que a escrituração contábil faz prova a favor do Contribuinte dos fatos nela registrados, mas desde que esta seja mantida com observância das disposições legais e lastreada em documentos hábeis. No entanto, o que se percebe no caso ora analisado é que a Empresa não apresentou a documentação necessária para comprovar a efetividade das operações contábeis que supostamente lastrearam os lançamentos contábeis e, por isso, o crédito pleiteado foi negado. Sequer a empresa apresentou a documentação contábil completa, deixando de apresentar os Livros Diário e Razão. Entendo que apenas a apresentação das declarações retificadoras, Balancete Contábil, planilhas de apuração da contribuição e cópia do DARF são insuficientes para se atestar a existência do direito creditório, Como se sabe, é entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (Lei nº5.869/73), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I- ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de restituição ser do contribuinte, cabendo à Fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Ressalte-se que normas de semelhante teor constam em legislação antecedente, conforme IN SRF 210, de 01/10/2002,IN SRF 460 de 18/10/2004, IN SRF 600 de 28/12/2005. Assim, entendo que no caso concreto a Empresa não cumpriu com a sua obrigação de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, devendo ser mantida a decisão recorrida que não confirmou a homologação da compensação. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 429DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.681 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.905963/2009-41 Fl. 430DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.000658/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1202-000.052
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votas, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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'''-/ MINISTÉRIO DA FAZENDA ...Ç'..4.-.,;,- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS r' -'''' ' 3111 . PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 16327.000658/2008-34 Recurso n° 177.773 Resolução n" 1202-00.052 — 2° Câmara / 2" Turma Ordinária Data 03 de agosto de 2010 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente BANCO ITAU SA Recorrida DRJ/SÃO PAULO I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votas, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relatar, , ,.......,.... ,-------"-------1Nelson Lásso F . to - Pro te. , 7 Carlos Alberto Don. solo - Relator, EDITADO EM: il 2 Sn' polo Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lasso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Valéria Cabral Géo Verçoza, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta e Flávio Vilela Campos. .1 1 Processo rf 16327.000658/2008-34 SI-CM Resolução n o 1202-00.052 Fl. 146 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra o contribuinte acima identificado em 30/04/2008 (fls. 02 a 09), para a constituição de créditos tributários do IRP3, acrescido de multa de oficio e juros de mora, em razão da "Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente-Saldos de Prejuízos Insuficientes", relativo aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2005 e 31/12/2006, nos valores de R$ 160,253.2.30,30 e R$ 9.552,944,27, respectivamente. A insuficiência de prejuízos fiscais do contribuinte decorreu do fato de que parte dos seus prejuízos foram aproveitados por ocasião de outros lançamentos tributários formalizados contra o contribuinte, constantes dos processos 16327.000869/99-61, 16327.002784/2001-57, 16327.000009/2005-91 e 16561M00092/2006-14. Em razão dos processos mencionados, foram procedidas alterações de prejuízos do contribuinte, registradas em controles internos da Receita Federal no Sistema de Acompanhamento do Prejuízo Fiscal, do Lucro Inflacionário e da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido SAPLI, resultando, então, na insuficiência dos valores de prejuízos nos anos de 2005 e 2006, conforme se verifica nos extratos do SAPLI, de fls. 10 a 14 e 28/29 Por seu turno, o banco autuado apresentou a sua impugnação, mediante arrazoado, de fls. 33 a 39, trazendo, em síntese, as seguintes alegações, acompanhada de documentos, que foram muito bem resumidas no relatório do acórdão da DRJ/São Paulo I, de fls. 104 a 111, que transcrevo na íntegra: "i) autoridade fiscal equivocou-se ao glosar prejuízos fiscais em vários anos, conforme demonstrado em anexo, que junta (l1 76); ii) conforme o citado anexo, o autuado apurou, no ano-calendário de 95, prejuízo acumulado de R$ 1,336426,69, enquanto o SAPL1 registra prejuízo acumulado de R$ 116,33 01 63), sendo que esta divergência não seria devida ao crédito tributário lançado, objeto do Processo 16327 000.869/99-61, lançamento reconhecido nulo em definitivo pelo Conselho de Contribuintes (lis 77e 78); iii) no ano-calendário de 97 apurou prejuízo fiscal de R$ 132,390 418,47, enquanto o SAPLI registra R$ 113,822.254,10, com diferença de R$ 18,568 164,37, esta resultante de dois equívocos: a) o valor de R$ 17.680 784,42 teria sido compensado, indevidamente, de oficio com crédito lançado objeto do PÁ? 16327.00278412001-57 (l7s, 85 a 87), o qual seria objeto do Mandado de Segurança 2006.61.00,012766-0 07 84), e estaria com a exigibilidade suspensa por força de depósitos judiciais realizados 07s. 79 a 82); b) o montante, restante, de R$ 887,379,95 teria sido considerado pela autoridade com base em informação errada prestada pelo autuado na D1R1/97, corrigida, porém, em Declaração retificadora entregue em 12/2002 (/1,88); iv) no ano-calendário de 98, a autoridade teria efetuado, de oficio, compensação a mais de 1?$ 6803.731,80, - no total de R$ 42.356.435,57 ('fi 66) -, com crédito lançado objeto do PAF 16327.002784101-57, cuja exigibilidade estaria suspensa por depósitos judiciais o retuados no Mandado de Segurança 2006.61.00,012766-0, como mencionado, v) no ano-calendário de 99, a autoridade teria compensado a mais R$ 20.323.913,43,- do total de R$ 71,465.934,83 (/7 67) -, com crédito lançado objeto do PAF 16327,002784/01-57, cuja exigibilidade estaria suspensa por depósitos judiciais efetuados no Mandado de Segurança 2 (112 Processo n° 16.327,000658/2008-34 S1-C2T2 Resolução n.° 1202-00,052 Ft 147 2006.61,00,012766-0, como mencionado; teria efetuado, ainda, nova ompensação, indevida, de R$ 28,426031,88,_ com crédito tributário formalizado no PAF 16327.000009/05-91 ('I7. 95), cuja exigibilidade estaria suspensa em face de decisão ,favorável proferida pelo Conselho de Contribuintes, estando pendente ainda de julgamento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (lis,. 92 a 94); vi) não há divergência quanto ao prejuízo acumulado do ano-calendário de 2000, de R$ 248.578.086,18 (fls. 69 e 76); vii) contudo, no ano-calendário de 2001, a autoridade teria compensado a mais R$ 119.760..879,45, - do total de R$ 146.620,901,58 (fl. 69) -,com crédito lançado objeto do PAF 16561 ,000 .092/06-14 (fls. 97 e 98), cuja exigibilidade estaria suspensa, por pendente de julgamento na Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo — DRI/SP (fl.96); viii) no ano-calendário de 2002, a autoridade teria compensado a mais R$ 83.592. 138,08, - do total de R$ 97,34.2.512,32 (fl, 70) -, com crédito lançado objeto do PAF 16.561,000,092106-14 (fls. 97 e 98), cuja exigibilidade estaria suspensa, por pendente de .julgamento na Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo — DRJ/SP (fl. 96); em razão de ter levado em conta as compensações equivocadas, a autoridade apurou prejuízo .fiscal acumulado no ano, de apenas R$ 4.614..672,28 (fl. 70); ix) desta forma, segundo a autoridade, dos R$ 164.867.902,67 utilizados pelo autuado no ano-calendário de 2005 (lls 73 e 76), apenas R$ 4.614.672,28 poderiam ter sido utilizados, resultando, assim, compensação irregular de R$ 160.2.53.230,39; x) por conseqüência, .já não havendo mais saldo de prejuízo fiscal em 2006, a compensação efetuada pelo autuado, de R$ 9.5.52.944,27 (lis. 74 e 76), foi glosada; xi) a glosa desses dois valores, R$ 160253,230,39, do ano-calendário de 2005, e RS 9.552.944,27, do ano-calendário de 2006, ensejaram os lançamentos, na presente autuação, respectivamente, de R$ 40,06.3.307,59 e RS 2,388,236,07, totalizando R$ 42.451.543,66." Na sequência, a DRJ/ São Paulo 1, emitiu o Acórdão n° 16-17,944, de fls, 104 a 111, mantendo integralmente o lançamento efetuado, conforme ementário que se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. EFEITO SOBRE O CRÉDITO, NÃO SOBRE OS PROCEDIMENTOS DE CONSTITUIÇÃO. A suspensão da exigibilidade do crédito lançado não restabelece, - em .favor do autuado, para utilização futura -, eventuais saldos de prejuízos utilizados de oficio para reduzir valor tributável no lançamento .fiscal impugnado, o que, se admitido, implicaria ampliar; sem .fundamento na lei, os efeitos daquele instituto de suspensão do crédito tributário. Lançamento Procedente Os fundamentos utilizados no acórdão recorrido, foram no seguinte sentido: "A suspensão da exigibilidade do crédito lançado não restabelece, em favor do autuado, eventuais saldos de prejuízos utilizados de oficio para reduzir valor tributável em lançamento fiscal impugnado, o que, se admitido, implicaria ampliar, sem fundamento na lei, os efeitos daquele instituto de suspensão do crédito tributário. Inexiste mandamento legal que autorize ao Fisco a permitir a reutilização, em exercícios posteriores, de saldos de prejuízos já utilizados de oficio, em razão de impugnação de crédito, Ademais, a glosa da citada reutilização é procedimento obrigatório para a autoridade . fiscal no 7=2,9 3 Processo n" 16327.000658/2008-34 S1-C212 Resolução n 1202-00.052 F I 148 sentido de fazer prevalecer no âmbito administrativo os efeitos de ato de oficio anterior, ao mesmo tempo em que impede o contribuinte de desconstittd-lo ao seu alvitre e sem competência legal para tanto." Cientificada da decisão e inconformada com o resultado, a autuada apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, mediante arrazoado, de fis.115 a 123, reiterando praticamente todos os argumentos trazidos na impugnação, sem trazer qualquer elemento novo, requerendo o cancelamento da autuação ou, alternativamente, a suspensão da exigibilidade até a decisão final dos processos conexos É o relatório, 4 Processo n° 16327000658/2008-34 S1-C2T2 Resolução n 1202-00.052 Fl. 149 Voto Conselheiro Relator, Carlos Alberto Donassolo O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre registrar, que os lançamentos no presente processo ocorreram em virtude da existência de valores divergentes dos prejuízos fiscais do IRPJ constantes da declaração de rendimentos do contribuinte e dos registros do SAPLI, alterados em razão de lançamentos tributários formalizados em data anterior ao presente. Dessa forma, a principal controvérsia a ser debatida refere-se à correta apuração dos valores dos saldos desses prejuízos ao final de cada ano, a partir de 1995, a fim de verificar, ao final de 2005 e 2006, anos das autuações, qual o montante de prejuízos passíveis de compensação com o lucro real da pessoa jurídica. O acórdão recorrido entendeu que os valores de prejuízos aproveitados em lançamentos anteriores devem ser discutidos naqueles processos reconhecendo, no entanto, a relação de dependência que existe entre aqueles processos e o presente lançamento. Entendeu, ainda, que de acordo como demonstrativo da fl, 76, todas as compensações de prejuízos dos anos anteriores teriam sido zeradas em 1999, o que explicaria a existência dos saldos coincidentes do estoque de prejuízos acumulados do contribuinte e do SAPLI, no valor de R$ 248.578.086,18 no ano final do ano de 2000. Assim, os saldos de prejuízo dos anos de 1995 a 1999 poderiam ser desprezados. Não obstante esse fato, reclama o recorrente, com base no mesmo demonstrativo da fl. 76, ser necessária a verificação do prejuízo fiscal apurado a partir de 1995, isso porque, consoante se observa nesse demonstrativo, ao se comparar o estoque de prejuízo apurado pelo contribuinte com o controlado no Sistema SAPLI, verifica-se que o somatório dos prejuízos apurados pelo recorrente, em 1995, 1997 e 2000 totalizaria o valor de R$ .382304.931,34 e o apurado pela fiscalização (considerando as compensações de oficio no SAPLI) seria de R$ .362,400,456,61. A diferença entre os valores do item anterior, de R$ 19.904,474,73, teria a seguinte origem: i) da compensação do prejuízo fiscal efetuada no processo, n° 16327.000869/99-61, mas que foi encerrado com ganho de causa ao contribuinte (fls. 77/78), diferença de R$ 1,336„310,36; ii) da entrega de declaração retificadora do ano de 1997, que resultou num prejuízo maior de R$ 887.379,95 ( fls. 88 a 91); e iii) do processo 16327 002.784/01-57, diferença de R$ 17.680.784,42, cujo lançamento é objeto de discussão judicial no Mandado de Segurança n° 2006,61,00.012766-0, e está com a exigibilidade suspensa pelo depósito do montante integral do valor envolvido, nos termos do artigo 151, inciso II do Código Tributário Nacional (docs. 06/09 juntados à impugnação). Assim, o contribuinte deteria, ao final do ano de 2000, um valor de prejuízo fiscal compensável maior do que aquele considerado pela fiscalização e registrado no SAPLI. Em relação às compensações dos prejuízos efetuadas de oficio, a partir de 1998, nos processos administrativos, 16327.002784/2001-57, 16327,000009/2005-91 e 16561,000092/2006-14, entende o recorrente que tais compensações não poderiam prosperar, em razão dos créditos lançados estarem com a exigibilidade suspensa. O primeiro processo, em /47 5 Processo n° 16327.000658/2008-34 S1 -C2I2 Resolução a° 1202-00M2 H. 150 razão da já mencionada discussão judicial no Mandado de Segurança n° 2006.61.00_012766-0 e, os demais, em razão da impetração de recursos administrativos pendentes de decisão definitiva. Como se percebe, permanecem dúvidas a respeito do correto saldo de prejuízos fiscais acumulados ao final do ano de 2000. Além disso, a matéria objeto de discussão no Mandado de Segurança n° 2006.61.00.012766-0 (processo administrativo 16327,002784/2001-57) não está esclarecida nos autos Dessa forma, para uma solução definitiva do presente processo entendo que seria necessário melhor esclarecer os saldos dos estoques de prejuízos fiscais ao final do ano de 2000, além de ser consideradas as decisões administrativas definitivas nos processos 16327.000009/2005-91 e 16561.000092/2006-14, bem como avaliar a matéria do Mandado de Segurança n° 2006.61,00,012766-0 (processo administrativo 16327.002784/2001-57), cujos resultados influirão no valor das glosas de prejuízos efetuadas neste processo, afetando diretamente o crédito tributário ora lançado. Em vista do exposto, proponho a conversão do julgamento do recurso em DILIGÊNCIA, retomando o presente processo à unidade de origem, DEINF/São Paulo, para que a autoridade fiscal se manifeste e junte os seguintes documentos: a) examinar as alegações do recorrente no que se refere a diferença de estoque de prejuízos fiscais, ao final do ano de 2000, no valor de RS 19.904.474,73, ( i) da compensação do prejuízo fiscal efetuada no processo. n° 16327,000869/99-61, mas que foi encerrado com ganho de causa ao contribuinte «Is. 77/78); ii) da entrega de declaração retificadora do ano de 1997, que resultou num prejuízo maior de R$ 887 379,9.5 (fls. 88 a 91), e iii) do processo 16327.002.784/01-57, cujo lançamento é objeto de discussão judicial no Mandado de Segurança n° 200661110 012766-0), emitindo parecer conclusivo a respeito; b) intimar o contribuinte a apresentar certidão de objeto e pé, cópias da peça inicial e as sentenças/decisões/acórdão proferidos nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.61.00.012766-0; c) informar se os valores depositados judicialmente, fls. 79 a 82, se referem ao processo administrativo 16327,002784/2001-57 e se foram feitos no montante integral do crédito tributário ali exigido; d) juntar cópias das decisões administrativas definitivas exaradas nos processos 16327.000009/2005-91 e 16561.000092/2006-14; e) elaborar um demonstrativo nos moldes do que foi apresentado na fl. 76, com os saldos de prejuízos fiscais do IRPJ, em face das decisões proferidas nos itens anteriores, indicando: ano-calendário, valor prejuízo informado pelo contribuinte, valor do prejuízo alterado pela fiscalização; n° do processo vinculado a essa alteração, diferença de prejuízos e saldos acumulados de prejuízo fiscal; f) elaborar demonstrativo com os valores lançados na presente autuação e os valores que porventura deverão ser cancelados em razão dos ajustes mencionados no item anterior; 6 Processo n° 16327000658/2008-34 51-C2T2 Resolução n *1202-00.052 El 151 g) emitir despacho conclusivo a respeito dos referidos ajustes e dos valores autuados que porventura deverão ser cancelados; h) cientificar a recorrente do conteúdo do despacho mencionado no item anterior, com intimação para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias; i) após, retomo a este CARF para julgamento do recurso voluntário, Carlos Alberto onassolo 7
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Numero do processo: 16624.001008/2009-32
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.143
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ São Paulo II (fls. 108/114 da cópia digitalizada dos autos anexada ao eprocesso – à qual doravante nos referenciaremos), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada nos termos do acórdão assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/03/2006 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS DIVERSOS COM CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 24 .0 01 00 8/ 20 09 -3 2 Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15349.DVM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16624.001008/200932 Resolução nº 3802000.143 S3TE02 Fl. 145 2 IMPORTAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PLEITO DE RETIFICAÇÃO DA DI E DO RECONHECIMENTO DO RESPECTIVO DIREITO CREDITÓRIO. Direito Creditório não reconhecido por autoridade competente não pode ser utilizado para quitação de débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, por meio do instituto da compensação, nos termos da IN RFB 900/2008. Constatada a inexistência do direito creditório alegado pelo interessado, as compensações não são homologadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado pela instância recorrida, o pleito que deu ensejo ao litígio diz respeito a pedido de compensação com supostos créditos decorrentes de retificação de Declaração de Importação – DI, objeto do processo nº 10814.009541/200503, o qual, posteriormente, assim como ocorreu com outros processos, foi apensado ao processo nº 10831.000846/200533, que englobou os pleitos da recorrente que tratavam da mesma questão, qual seja, aduzido direito à redução de 40% do Imposto de Importação sobre a importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinados aos processos produtivos de veículos (artigo 5º da Lei nº 10.182, de 12/02/2001). O pleito de retificação da DI, todavia, foi indeferido por falta de apresentação da documentação solicitada (certidões comprobatórias da regularidade fiscal da interessada à época do registro da DI). O pedido de reconsideração foi igualmente rejeitado, razão pela qual a discussão findara na esfera administrativa. Uma vez rechaçado o pedido de retificação da DI foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição do imposto. Contra tal decisão o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente (acórdão nº 17 37.143, de 10/12/2009). Dentre os argumentos apresentados pelo sujeito passivo este alegou que o despacho decisório reconhecera o direito à restituição, mas que, por falta de previsão legal, o correspondente crédito não poderia ser utilizado para compensação com outros tributos. Todavia, tal direito estaria alicerçado nos artigos 15 e 24 da IN RFB nº 900/08. Não obstante, o pedido de compensação formalizado pela interessada foi indeferido com fundamento na inexistência do direito creditório referenciado, uma vez que o pedido de retificação da DI, base do crédito reclamado, fora indeferido. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 22/06/2010 (vide AR às fls. 116), a reclamante, em 16/07/2010, apresentou o recurso voluntário de fls. 119/140, onde alega que o assunto discutido nos presentes autos seria conexo àquele objeto do processo nº 10831.000846/200533, o qual aguardaria julgamento do recurso voluntário, razão pela qual o julgamento deveria ser suspenso até a decisão definitiva. Fundamentase no artigo 265, IV, “a”, do CPC, bem como no artigo 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72. Também adentra no mérito do próprio crédito relativamente ao benefício fiscal de que trata a Lei nº 10.182/01. Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15349.DVM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16624.001008/200932 Resolução nº 3802000.143 S3TE02 Fl. 146 3 Com base nesses fundamentos, requer seja dado provimento ao recurso, com o conseqüente reconhecimento do direito creditório e a correspondente homologação das compensações atreladas ao presente processo. É o relatório. Voto Admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 22/06/2010 (fls. 116). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 16/07/2010, tempestivamente, portanto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade do recurso, os mesmos se encontram presentes. Todavia, não pode ser conhecida a argumentação relacionada ao mérito do crédito fundamentado no benefício fiscal de que trata a Lei nº 10.182/01, uma vez que este é o objeto de exame do processo nº 10831.000846/200533, conforme adiante demonstrado. Assim, conheço do recurso exclusivamente para examinar o mérito da compensação atrelada ao processo em tela, já que o crédito, como dito, é assunto discutido em processo distinto. Da necessidade de sobrestamento do julgamento Na declaração de compensação de fls. 04 e 07 o sujeito passivo informa, como processo atrelado ao pedido de restituição/ressarcimento, o de nº 10831.011512/200595. Tal processo foi objeto de exame nos autos do processo nº 10831.000846/200533, o qual engloba 569 processos julgados conjuntamente pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho (acórdão nº 3201001.159). Mediante aludido acórdão, referido colegiado decidiu, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso protocolizado pelo sujeito passivo. Consequentemente, não foi reconhecido nenhum direito creditório em favor da recorrente. Contudo, apesar de este Conselho já haver proferido decisão nos autos do referido processo nº 10831.000846/200533, a lide objeto do mesmo ainda não se encerrou, uma vez que, contra a referenciada decisão, a reclamante formalizou recurso especial, o qual foi protocolizado sob o nº 10090.000569/111307. De fato, no eprocesso, na funcionalidade “consultar apensações e vínculos”, está registrada a dependência entre os processos em tela. Ademais, consta às fls. 57 do processo nº 10090.000569/111307 despacho de encaminhamento para “anexação ao processo nº 10831.000846/200533”. Como o recurso especial ainda não foi julgado, inexiste, ainda, posição definitiva quanto ao crédito informado na declaração de compensação como base para a liquidação dos débitos indicados pelo sujeito passivo. Portanto, a resolução da presente lide requer seja proferido entendimento conclusivo relativamente à legitimidade dos créditos alegados, o que só ocorrerá quando do término do processo no 10831.000846/200533. Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15349.DVM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16624.001008/200932 Resolução nº 3802000.143 S3TE02 Fl. 147 4 Diante do exposto, proponho seja o presente julgamento convertido em diligência para que a autoridade administrativa responsável pelo indeferimento inicial da compensação, de posse do resultado do julgamento definitivo (art. 42 do Decreto no 70.235/72) do processo no 10831.000846/200533 informe se os créditos eventualmente reconhecidos em favor da recorrente são suficientes para a quitação dos débitos objeto do presente processo, apresentando demonstrativo, acaso necessário, do crédito tributário remanescente. Instruído o processo com a documentação e os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15349.DVM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS em 03/02/2014 09:19:00. Documento autenticado digitalmente por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS em 03/02/2014. Documento assinado digitalmente por: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 06/02/2014 e FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS em 03/02/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0221.15349.DVM4 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: A28C6FDB60D506D1ADBA15D5F07E1BB197426BDB Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16624.001008/2009-32. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10670.000336/2009-80
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1202-000.126
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Assunto Sobrestamento Recorrente EVERESTE TÊXTIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente – (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno – Relator – Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto. Reproduzo, abaixo, na íntegra o relatório dos fatos da decisão de primeira instância: Tratase de impugnação a lançamento tributário referente a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. À fls. 44/72 encontrase o Termo de Verificação Fiscal, do qual se pode extrair o seguinte: Em 23/04/2008, a fiscalização esteve na cidade Espinosa/MG à procura da empresa em epígrafe ou de qualquer um de seus sócios ou representante, na tentativa de dar início ao procedimento fiscal através da correspondente ciência do Termo de Início de Fiscalização. Chegando ao endereço da empresa informado à RFB, foi constatado que esta não estava mais em atividade no local, havia apenas um galpão fechado. A autoridade administrativa foi informada por moradores da redondeza que a empresa não estava mais funcionando no_local_e que_a pessoa_que poderia dar informações sobre_esta_seria_o Sr. Galego residente naquela cidade; Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 2 2 Em contato com o Sr. Laurindo Fagundes Neto, conhecido como Galego, este informou não ser sócio da empresa, apesar de ter trabalhado na mesma quando esta se chamava Algodoeira Montreal Ltda.; Nas DIPJs e DCTFs dos anoscalendário de 2004 e 2005, ambas entregues com valores "zerados", constava como sócio e representante da pessoa jurídica o Sr. Marcílio Carvalho de Melo, este conhecido do Sr. Galego, porém do qual não se sabia o endereço; Consta nos arquivos da RFB como sócios atuais da empresa os Srs. Damião Ferreira da Silva e Geronimo Geraldo da Silva, dos quais o Sr. Galego informou desconhecer o endereço. Nessa oportunidade, a fiscalização já percebeu que os Srs. Damião e Geronimo se tratavam de interpostas pessoas, que haviam emprestado seus nomes para compor o quadro societário da empresa, dada a condição econômica e financeira dos mesmos, os quais nunca possuíram imóveis, veículos ou qualquer outro bem de valor econômico em seus nomes, e que apresentavam à RFB Declaração de Isento, com endereço residencial informado no CPF em ruas do Bairro Cohab II, em Sertania/PE; Em 02/05/2008 foi lavrado outro Termo de Início de Fiscalização em nome da empresa, tendo como responsável o Sr. Marcílio Carvalho de Melo, o qual foi enviado pelos correios para o endereço informado por este Sr. constante do Cadastro de Pessoas Físicas da RFB — CPF e informado em sua DIRPF, sendo a correspondência devolvida com a data de 07/05/2008 com a informação "Desconhecido"; Em 02/05/2008 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, devidamente cientificado ao Sr. Laurindo Fagundes Neto em 09/05/2008, onde, dentre outras informações, foi solicitado apresentar toda a documentação existente com vista a comprovar as operações efetuadas pela empresa nos anoscalendário de 2004 e 2005; Em 26/05/2008 foi solicitada prorrogação de prazo para atendimento à Intimação, sendo esta respondida nos seguintes termos: 'Figurou no quadro societário da Algodoeira Montreal de 12 de maio de 2004 a 13 de Abril de 2005. Retornou em 10 de março de 2006 até o período de 14 de março de 2007. No primeiro período comprou de Francisca Tavares da Silva, vendendo em seguida para Paulo Roberto Pinto de Almeida, comprando do mesmo no segundo período, vendendo a Damião Ferreira da Silva e Geronimo Geraldo da Silva', e ainda que conheceu os senhores Damião e Geronimo não sabendo informar os seus endereços e esquivouse de responder a pergunta de quem são os verdadeiros donos da empresa Algodoeira Montreal Ltda. e Evereste Têxtil Ltda.. Apresentou cópia do Contrato Social da empresa Cotton Norte Ltda., antecessora da Evereste Têxtil e cópias de oito alterações contratuais registradas na jucemg no período de 2002 a 2007."; Em 27/05/2008 foi lavrado outro Termo de Início de Fiscalização em nome da empresa em epígrafe, o qual foi enviado pelos correios para o endereço da empresa à rua Amélia de Alkimin, n° 178, Bairro Cidade Nova, na cidade de Espinosa/MG, recebido em 06/06/2008, com AR assinado. Em atenção a este, o Sr. Damião Ferreira da Silva, solicitou prorrogação de prazo para a apresentação da documentação solicitada, sendo esta concedida; Esgotado o prazo para atendimento sem qualquer manifestação por parte da contribuinte no sentido de atendêlo, foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal informando que o não atendimento ao mesmo ensejaria o arbitramento do lucro e o seu correspondente lançamento de oficio; Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 3 3 Em 28/08/2008 foram apresentados à Fiscalização da DRF/MCR/MG a documentação relacionada à fl. 47; Em 01/09/2008 foi lavrado outro Termo de Intimação Fiscal em nome da empresa em epígrafe, solicitando, dentre outras informações, os extratos bancários da empresa referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005. Quanto a estes, não houve qualquer manifestação da empresa no sentido de apresentálos, tendo esta somente entregue parte das notas fiscais de aquisição de matéria prima, notas fiscais de vendas e algumas notas de despesas. Não apresentou comprovantes de algumas rubricas de despesas escrituradas, tais como recolhimento de impostos e contribuições, rescisão contratual, multa rescisória, fretes e carretos, ordenados e salários, honorários contábeis, prólabore, manutenção de máquinas, juros passivos etc; A fiscalização relatou que, para todos os sócios constantes do quadro societário da empresa no período de 05/02/2002 até o anocalendário de 2007 foram enviados Termo de Intimação Fiscal solicitando documentos e esclarecimentos, ou forma diligenciados diretamente nos endereços informados à RFB, restando evidenciado que boa parte deles informaram à RFB endereços inexistentes ou que nunca residiram ou foram estabelecidos e reconhecidos nos endereços informados, podendose assim resumir a situação: o Sr. Marcílio Carvalho de Melo é um dos verdadeiros donos da empresa e desde que a constituiu em 05/02/2002, juntamente com a sua à época esposa, Lidyane Santana dos Santos Melo, nunca desvinculouse totalmente da empresa, tendo em alguns períodos retirado o seu nome do quadro societário e transferido suas quotas de capital para o nome de interpostas pessoas, conhecidas comumente como 'laranjas', uma vez que nunca possuíram capacidade econômica ou financeira para adquirir e gerenciar empresa deste porte. Informou endereço falso à RFB tanto no CPF, quando colocou nome de rua não conhecida na cidade de Uberlândia/MG e código DDD da cidade de Sergipe, quanto nas suas DIRPFs, procurando ocultar do Fisco o seu verdadeiro domicílio. Posteriormente, em atendimento a Intimação, o contador da empresa, Sr. Carlos Fernando de Souza, informou a esta fiscalização o endereço correto do Sr. Marcílio, sendo este devidamente intimado, em 10/10/2008, a prestar esclarecimentos. Em 18/11/2008, apresentou resposta dissimulada e distante da verdade dos fatos, alegando, em síntese, que participou da sociedade desde a sua fundação e, posteriormente, vendeu suas cotas para Pedro Alves Martins Neto e Damião Ferreira da Silva; que conhece os Srs. Damião e Geronimo e informou os mesmos endereços falsos constantes da 7' alteração contratual que deu como transferida a participação societária da empresa para os dois laranjas em 22/12/2006, sendo o pagamento das cotas realizado em dinheiro. Quanto ao último questionamento, apresentou resposta contraditória, alegando que 'a empresa nunca prestou serviços de beneficiamento para terceiros, o beneficiamento de algodão de algum produtor, ocorreu para que a pluma viesse a ser adquirida pela própria empresa'. Nada informou sobre o recebimento dos valores correspondentes aos serviços de beneficiamento, se ocorria em espécie ou em mercadoria; a Sra. Lidyane Santana Santos, sócia fundadora da empresa no ano de 2002, é hoje sócia e responsável perante à RFB da empresa Unifibras Unidade e Beneficiamento de Algodão Ltda., empresa situada na cidade de Luis Eduardo Magalhães/BA, empresa esta que teve como empregado, no período de 24/0 6/2006 a 18/10/2006 e 01706/2007 a 06/05/2008, o Sr. Damião Ferreira da Silva, que ali exerceu as funções de vigia. Em 29/05/2008 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal junto a esta empresa solicitando informações a respeito do Sr. Damião, o qual era a um só tempo, vigia na cidade de Luis Eduardo Magalhães/BA e empresário em Espinosa/MG. No entanto, em 04/07/2008, a correspondência foi devolvida pelos correios com o carimbo Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 4 4 'Não Procurado'. Devidamente intimada, em 21/08/2008, a prestar informações sobre a alienação de sua participação societária na empresa Cotton Norte Ltda., sobre o Sr. Damião e sobre o Sr. Marcílio, esta adotou o mesmo procedimento dos outros sócios ou laranjas intimados. Inicialmente, solicitou prorrogação de prazo para atendimento da intimação. Em seguida, respondeu que no período de junho de 2007 a maio de 2008 o Sr. Damião Ferreira da Silva 'exercia na empresa Unifibras a função de vigia, trabalhando oito horas por dia e com remuneração de um salário mínimo'; o Sr. Pedro Alves Martins Neto, que teve seu nome figurando como sócio da empresa no período de 31/05/2002 a 26/02/2004, com quotas de capital no valor de R$ 25.000,00, nunca teve condição econômica para tanto. Em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS sobre os vínculos empregatícios do Sr. Pedro, verificouse que ele, no período de 01/09/1998 até o mês de setembro de 2008, foi pedreiro, servente de obras, mantenedor de edificações, carregador (chapa), novamente pedreiro, sendo atualmente jardineiro. No período em que seu nome constava do contrato social da Algodoeira Montreal Ltda. era empregado como mantenedor de edificações (limpador ou conservador de fachadas) na empresa Construtora Monteiro de Castro S.A., CNPJ n°64.132.277/000150. Na Algodoeira Montreal Ltda. trabalhou como 'chapa' no período 01/04 a 30/06/2005. Apresentou DIRPF/05, informando como ocupação principal 'motorista e condutor de transporte de passageiro' e informou ter recebido de pessoas físicas no anocalendário de 2004 o valor de R$ 3.040,00 e a baixa de sua participação societária na empresa, a qual era de R$ 25.000,00, não informando o recebimento de qualquer valor referente a esta operação. Intimado e reintimado, até a presente não se dignou a atender os termos das intimações; a Sra. Francisca Tavares da Silva, natural de Correntes/PE, com grau de instrução primário incompleto, teve o seu nome compondo o quadro societário da empresa Algodoeira Montreal Ltda. no período de 31/05/2002 a 27/04/2004, com participação de 50% do seu capital social. Em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS sobre os vínculos empregatícios do Sr. Francisca, verificouse que no período de 27/09/2002 até o mês de setembro de 2008, somente teve emprego formal como faxineira na Loja de Conveniências Monsenhor Ltda., CNPJ n° 06.368.041/000111. Portanto, tratase de outra pessoa simples e sem capacidade econômica que teve seu nome usado de forma inescrupulosa por outros. Intimada pelos correios, o AR retornou com a designação 'Não Procurado'. Reintimada, da mesma forma retornou a correspondência; o Sr. Laurindo Fagundes Neto, também conhecido na cidade de Espinosa como Galego, é um dos verdadeiros donos da empresa e um dos maiores fornecedores de algodão no período fiscalizado. Em 23/04/2008 informou verbalmente a esta fiscalização que havia sido sócio em um período e arrendatário em outro. Posteriormente, respondeu por escrito que havia sido sócio em dois períodos distintos e que havia alienado sua participação societária para os Srs. Damião e Geronimo. Como estes são laranjas, não resta a menor dúvida d . que o Sr. Laurindo continua como proprietário. Intimado em 19/08/2008 a prestar esclarecimentos.Foi pedido prorrogação de prazo para atendimento, não sendo até a presente respondido o referido termo. Reintimado em 29/09/2008, novamente solicitou prorrogação de prazo, tendo respondido, em síntese, que vendeu para a Algodoeira Montreal Ltda. os valores de mercadorias descritos nos demonstrativos que lhe forma apresentados; que o algodão vendido foi de produção propria; que o –recebimento dos valores se deu em cheque emitido pela Algodoeira Montreal Ltda.; que não declarou os valores das vendas em suas DIRPFs, porém após as intimações retificou as declarações informando as vendas; e, por fim, prestou urna informação que desqualifica totalmente a escrituração da empresa e aponta mais urna fraude por ela cometida, ao informar que não recebeu Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 5 5 produtos industrializados em retorno de industrialização, os quais foram escriturados com essa rubrica para o Sr. Laurindo em 2005 no valor de R$ 1.170.000,00; o Sr. Paulo Roberto Pinto de Almeida foi outro laranja da empresa no período de 15/12/2004 a 04/01/2006. Em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS sobre os vínculos empregatícios do Sr. Paulo, verificouse que no período de 01/06/1979 até o mês de setembro de 2008, exerceu as profissões de vendedor em comércio atacadista, vigia e trabalhador de serviços gerais (serviços de conservação, manutenção e limpeza), profissão esta exercida no ano de 2005 como funcionário da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ n° 05.461.142/000170, percebendo para tal remuneração mensal média de 1,5 salário mínimo. Intimado, apresentou respostas evasivas e escorregadias e nada comprovou em relação ao que lhe fora solicitado. Foi Reintimado, não tendo até a presente data respondido tal termo; o Sr. Damião Ferreira da Silva é a pessoa que consta atualmente como principal sócio da empresa, com participação de 99% do seu capital social, o qual correspondente a R$ 49.500,00, sendo também o representante legal da empresa junto à RFB. Em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS sobre os vínculos empregatícios do Sr. Paulo, verificouse que no período de 01/03/1985 até o mês de setembro de 2008, exerceu as profissões as profissões de pedreiro, trabalhador de manutenção de edifícios, vigia, servente de obras, frentista, novamente vigia e vigilante. No período de 24/06/2006 a 18/10/2006 e 01/06/2007 a 06/05/2008 foi empregado na empresa Unifibras Unidade de Beneficiamento de Algodão Ltda., CNPJ n° 06.120.644/000108, localizada na longínqua cidade de Luis Eduardo Magalhães/BA, exercendo ali a árdua tarefa de vigia por um módico salário mínimo mensal relativo a uma jornada diária de trabalho de 8 horas, paradoxalmente à função empresarial por ele mesmo exercida e ao mesmo tempo, na cidade de Espinosa/MG, como proprietário de uma empresa que faturou algo em torno de R$ 18.000.000,00 por ano. Tudo isso sem desembolsar um centavo, uma vez que não possuía condições econômicas para comprar a sua participação no capital social da empresa e a gerenciar. Parece tratarse de um homem onipotente e onipresente, apesar de quase analfabeto. Melhor dizendo, um super homem, que é a parte e o todo. É o frio e o calor. É o patrão e o empregado. É empresário em Minas Gerais e vigia na Bahia. Durante os exercícios de 1999 a 2007 apresentou à RFB declaração de isento. Informou no CPF como endereço de residencial a rua Quintino Bocaiúva. if 84, Sertania/PE. Intimado a prestar esclarecimentos, dentre outras coisas, pediu prorrogação de prazo para atendimento e até a presente data não se manifestou; o Sr. Geronimo Geraldo da Silva, segundo informações verbais do contador da empresa, era extrabalhador rural que prestava serviços braçais de forma completamente informal ao Sr. Laurindo Fagundes Neto, uma vez que em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS sobre os vínculos empregatícios do Sr. Geronimo, não foi encontrada informação alguma referente a qualquer vínculo empregatício do mes o. É homem que sempre foi usado e abusado pelo seu expatrão, que nunca lhe concedeu seu elementar direito de ter um emprego formal com carteira assinada. Com sua santa ingenuidade sofreu demais a influência nociva do seu ex patrão que o colocou em contrato social de empresa inidônea. Sobre ele podese afirmar que conheceu o salário mínimo quando aposentouse por idade em 08707/1, na condição de trabalhador rural,e passou a receber este benefício do INSS. Jamais teve condição de participar como sócio de qualquer empresa, muito menos de empresa deste porte, tendo sido, pois, usado como laranja para compor o quadro societário da empresa fiscalizada. Intimado, o referido termo foi devolvido pelos correios com o carimbo 'Endereço Insuficiente; Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 6 6 Em 29/08/2008 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal para o contador da empresa, Sr. Carlos Fernando Souza, solicitando o esclarecimento de assuntos pertinentes e, se for o caso, a apresentação de documentos da empresa, dentre outras informações. Em resposta apresentada em 23/09/2008, o Sr. Carlos informou que foi contador das empresas (Cotton Norte, Algodoeira Montreal e Evereste Têxtil) desde 15/02/2002, contratado pelo Sr. Marcílio Carvalho de Melo, que efetuou a escrituração contábil e fiscal dos anoscalendário 2004 e 2005 e que recebeu os honorários do Sr. Laurindo Fagundes Neto. Juntamente com a resposta, entregou os documentos fiscais e contábeis que se encontravam em seu poder. Informou ainda que as DIPJs foram transmitidas por funcionário do seu escritório e que os verdadeiros donos da empresa nos anoscalendário de 2004 e 2005 seriam os Srs. Laurindo Fagundes Neto e Marcílio Carvalho de Melo, informando também o endereço deste último; Diante dos fatos narrados, a autoridade administrativa concluiu, de maneira inequívoca, tratarse o presente de um caso típico de interpostas pessoas, tendo sido os Srs. Pedro, Paulo Roberto, Damião, Geronimo e Francisca, usados como 'laranjas', os quais emprestaram seus nomes para os verdadeiros donos da empresa nos anos calendário de 2004 e 2005 seriam os Srs. Laurindo Fagundes Neto e Marcílio Carvalho de Melo, os quais nas últimas alterações contratuais ficaram com seus nomes ocultos; Relatou ainda que, o contador, segundo informações verbais do Sr. Laurindo, era o seu consultor e conselheiro, sendo, portanto, a pessoa que estabeleceu a configuração dessa filosofia sonegatória, orientando os sócios e laranjas a cometerem fraudes e prestando informações falsas em declarações e atendimento às informações; Prosseguiu dizendo que a empresa em epígrafe apresentou tanto as DIPJs quanto as DCTFs relativas aos anoscalendário de 2004 e 2005 zerados, informando como forma de tributação do lucro, o lucro real trimestral; que após o início do procedimento fiscal retificou as declarações, apurando débitos de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, porém vinculandoos a pagamentos inexistentes nos mesmos valores, dados por realizados através de DARFs; que, posteriormente a isso, novamente retificou as DCTFs, retirando, desta feita, a informação de 'Pagamento com DARF . da totalidade dos tributos apurados e informando débitos de IRPJ eCSLL pelo total apurado e o PIS e a Cofins pela diferença entre o Pis/Cofins não cumulativo apurado e o recolhido (dos valores informados como recolhidos, em sua grande maioria, não consta como tal no sistema SINAL da RFB, coincidindo com o informado somente aqueles correspondentes ao mês de junho de 2004 e aos meses de fevereiro e março de 2005); Da análise da documentação apresentada pelo contador da empresa constatouse que, devido aos erros, falhas, falta de documentos, vícios e, sobretudo, das fraudes constantes da escrituração dos livros Diário e Razão, a escrituração apresentada era completamente imprestável para a apuração do lucro real, exatamente por não conter a confiabilidade necessária a este tipo de tributação; Ficou constatado, dentre outras coisas, a utilização de artificios para ocultar do conhecimento da autoridade tributária o seu verdadeiro lucro real, mediante a adoção dentre outras, de notas fiscais de entrada frias (itens I, 4, 5 e 6 das fls. 57/58); de falta de apresentação das notas fiscais de n's 000311 a 000325 —anode 2004; de aquisição de mercadorias e posterior revenda sem transitar estas pela contabilidade da empresa notas fiscais de n's 776552, 776553, 777948 e 777950; emitiu notas fiscais de entrada frias, simulando retorno de industrialização (itens 7, 8, 9 e 10 da fl. 58); de apresentação de escrituração incompleta dos livros Diário e Razão, onde deixou de escriturar sua movimentação financeira, R$ 6.116.099,95 no ano de 2004, e R$ 5.383.557,84 no ano de 2005. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 7 7 Intimada e Reintimada a apresentar os extratos bancários, não o fez; Diante dos fatos acima relatados, tendo em vista os custos majorados e as receitas reduzidas pelas fraudes acima elencadas, concluiuse pela imprestabilidade de sua escrituração para fins de apuração do lucro real; Isso considerado, a empresa teve seu lucro arbitrado, sendo lavrado o auto de infração em seu nome, tributos IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, anoscalendário de 2004 e 2005, tendo sido aplicada Multa de Ofício Qualificada pelo evidente intuito de fraude acima constatado; Por fim, juntamente com a lavratura do auto de infração, foi lavrado 'Termo de Sujeição Passiva Solidária' em nome de Marcílio Carvalho de Melo e Laurindo Fagundes Neto (fls. 662/670), uma vez que eles, como verdadeiros proprietários da empresa no período fiscalizado, são sujeitos passivos solidários do crédito tributário constituído, nos termos do art. 124 do CTN. Devidamente cientificados os interessados do inteiro teor do auto de infração, cada qual apresentou sua peça de defesa, que assim pode ser sintetizada: i) a empresa Evereste Têxtil Ltda. pugnou a exigência (fls. 690/702) nos seguintes termos: 1) Inicialmente, pugna pela tempestividade de sua defesa; 1 2) Em seguida, requer que todas as intimações referentes a presente impugnação sejam encaminhadas para o endereço de seu advogado, sob pena de cerceamento de direito de defesa; 3) Alega que o arbitramento do lucro levado a efeito junto à empresa reputase totalmente inaceitável, porquanto a requerente dispõe de todos os livros exigidos para a aferição do lucro real, tendoos apresentado, regularmente, no curso do procedimento fiscal; que podese verificar dos autos que o arbitramento do lucro tomou por base os valores escriturados pelo sujeito passivo, o que é no mínimo estranho e contraditório, já que tal escrituração não se prestou para a apuração do lucro real; que o arbitramento é medida extrema, e como tal, só pode ocorrer quando restar demonstrado, de forma cabal e irrefutável, e depois da concessão de prazo razoável para reconstituição da contabilidade do sujeito passivo, que sua escrituração não presta para a apuração do lucro real, o que não ocorreu in casu, haja vista que não restou comprovado a impossibilidade de se aferir os resultados no lucro real; que a apresentação de sua escrituração à fiscalização, por si só, já desautoriza o arbitramento, pois ainda que houvesse falhas em sua escrituração, mesmo assim não caberia tal medida; que o arbitramento somente seria possível se ficasse comprovado nos autos a inexistência dos livros ou a recusa na sua entrega, o que não ocorreu; entende que a interpretação do comando legal que autoriza o arbitramento por falta de escrituração, por ser uma exceção e não regra, deve ser feita de forma restritiva, e não o contrário, como fizeram os agentes do Fisco. Destarte, não comprovada nos autos a inexistência de escrituração regular que venha a demonstrar o resultado efetivamente auferido em cada período base, descabe o arbitramento do lucro para fins de constituição do crédito tributário. Assim, ou o Fisco aceita a escrita do sujeito passivo e autua as supostas omissões de receitas com base no lucro real, ou então que proceda ao arbitramento do lucro com base nos critérios elencados no art. 51 da Lei n°8.981/95, utilizados quando a receita não é conhecida, pois o que a lei não admite é o Fiscal, sob qualquer pretexto, ao mesmo tempo adotar procedimentos conflitantes: utilizarse de escrituração para arbitrar o lucro e, concomitantemente, desprezar essa mesma escrituração; entende que, no presente caso, deveria ter sido adotada uma das alternativas enumeradas no art. 535 Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 8 8 do RIR/99; com o fim de sustentar seus argumentos traz à colação Ementas de julgados proferidos pelo Conselho de Contribuintes e, ainda, posicionamento doutrinário do ilustre jurista Hugo de Brito Machado; 4) Requer a segregação da base de cálculo dos tributos lançados dos valores pagos a título de ICMS, já que no lucro arbitrado, assim como no presumido, não são deduzidas despesas da base de cálculo, nem mesmo as tributárias. De fato, nestas sistemáticas de apuração, a base de cálculo é a receita bruta De acordo com a jurisprudência do STF, o ICMS, enquanto ônus fiscal, não está compreendido no conceito de faturamento e, consequentemente, na de receita bruta, por não constituir receita própria, mas sim receita alheia, não podendo, dessa forma, compor a base de cálculo dos tributos em apreço. Nesse sentido, traz à colação Acórdão proferido pela 1" Turma do E. TRF da 5 a Região; 5) Por fim, alega ser totalmente improcedente a qualificação da multa de ofício em 150%, sob o argumento de cometimento de crime contra a ordem tributária, alegando, para tanto, que a contribuinte é constituída por interposta pessoa, já que os sócios atuais, por serem pessoas de origem humilde e de poucas luzes, jamais poderiam ser sócios de uma pessoa jurídica. Entende ser tal argumentação, absurda e preconceituosa, pois que cria restrição não prevista na legislação empresarial e fiscal, além de afrontar o disposto no inciso II do art. 5° da CF/88. Entende ser a alegação de que a contribuinte se utiliza de interposta pessoa uma mera presunção, a qual, em nenhuma hipótese, justifica a aplicação de penalidade, pois o que se verifica do pressuposto para a caracterização do ilícito é a presença do dolo, o qual não pode ser identificado por meio de presunção ou ilação, mas sim de provas robustas. Conclui dizendo que, como nos autos nada se comprovou acerca da utilização de interposta pessoa, o que apenas e tãosomente se conjecturou, descabida se afigura a penalidade aplicada. E mais, considerando que os valores apurados pelo Fisco se deram a partir de informações constantes dos livros fiscais fornecidos pela própria contribuinte, devidamente escriturados, logo, em perfeita ordem, sem conter qualquer incorreção, pelo menos no tocante às receitas, descabido o agravamento da multa. Tal fato não se coaduna com a suposta ação dolosa, eis que o dolo se traduz justamente na vontade consciente e deliberada do contribuinte em iludir o Fisco, promovendo adredemente a distorção ilícita das formas jurídicas, que se materializa com a falsidade ideológica e material. Assim, inexistente o dolo, obviamente não que se falar em crime contra a ordem tributária. Ressalta ainda que, a lmpugnante, em momento algum procedeu de forma dolosa. A conotação de crime sustentada é vista pela Impugnante como uma chantagem que visa forçar a empresa a quitar o suposto crédito em busca do beneficio abrigado no art. 34 da Lei n° 9.249/95, evidenciando utilização de meios vexatórios para cobrança de tributos, conduta repelida pelo art. 326 do Código Penal Brasileiro. Por tudo isso, há que se concluir que o motivo do agravamento da multa não pode subsistir. Antes de finalizar, esclarece que nada existe provado também acerca de emissões de notas fiscais inidôneas, haja vista que todas as notas fiscais emitidas pela Impugnante derivaram de negócios jurídicos efetivamente realizados. Ante o exposto, requer seja julgado nulo o lançamento, em sua totalidade, já que levado a efeito com base em arbitramento, quando possível sua constituição pela sistemática do lucro real. ii) os Srs. Laurindo Fagundes Neto e Marcílio Carvalho de Melo pugnaram a exigência em peças de defesa separadas, respectivamente, docs. de fls. 706 a 714 e fls. 718 a 725, porém, os termos, expressões, argumentos e pedidos contidos em suas razões Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 9 9 de defesa guardam identidade de conteúdo e de forma, ou seja, são idênticos, podendo assim ser resumidos: 1) Inicialmente, o contribuinte pugna pela tempestividade de sua defesa; 2) Em seguida, alega que o Impugnante, enquanto sócio da empresa, até por não possuir poderes de gerência, nunca tomou conhecimento dos procedimentos contábeis ou fiscais da mesma, e desconhece qualquer tipo de omissão de tributos; 3) Esclarece, preliminarmente, que o Impugnante, até o momento da ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, sequer estava sob procedimento fiscal, pois que não recebeu, no curso da ação fiscal, qualquer MPFFiscalização, peça inaugural e indispensável para a constituição do crédito tributário, razão pela qual o presente lançamento é nulo de pleno direito; 6) Sustenta ser a Sujeição Passiva de terceiros medida extrema, devendo ser, portanto, somente aplicada quando restar comprovada, de forma cabal e irrefutável, que o sujeito passivo reputado responsável tenha interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal ou, de outra parte, nas situações em que seja expressamente designado por lei. Sendo assim, não há, no caso em tela, qualquer prova robusta capaz de atestar que o Impugnante tenha atuado em nome do sujeito passivo da obrigação principal, mas, tãosomente, mero indícios, que, em última análise, servem para atestar que aquele fez parte do quadro societário deste. Os indícios apontados pela fiscalização não comprovam a existência de interposta pessoa. Não há também qualquer comprovação de que a pessoa jurídica não possuía existência fática. Pelo contrário, do simples exame dos documentos acostados aos autos, verificase que a empresa possuía, até a sua desconstituição, efetiva existência e um volume de negócios considerável. Sendo assim, a imputação de responsabilidade passiva solidária não pode prevalecer. Tal só seria possível se restasse devidamente comprovado que o Impugnante tivesse concorrido para a dissolução irregular da sociedade, o que não é o caso, tendo em vista que quando houve o encerramento da empresa ele já havia vendido suas cotas para outra pessoa, que passou a administrar, por sua conta e risco, os negócios da empresa. Assim, como não restou caracterizado que o Impugnante tenha de qualquer forma contribuído para a dissolução regular da empresa, ou agido com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, não há que se falar em responsabilização solidária. Nesse sentido, traz à colação decisão proferida pelo Colendo STJ e, ainda, posicionamento doutrinário do ilustre mestre Hugo de Brito Machado. Desta feita, o ex sócio não deve e nem pode ser responsabilizado pelas dívidas tributárias da sociedade comercial, porque se afastou regularmente da empresa sem que, ato contínuo, tenha ocorrido a sua dissolução irregular, uma vez que esta continuou em atividade após a sua retirada. Por todo o exposto, requer seja julgado nulo o procedimento fiscal; senão, que seja julgado improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária.” A decisão da DRJ de Juiz de Fora, MG, julgou o lançamento procedente, adotando a seguinte ementa: Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 10 10 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA. RECEITA CONHECIDA. A concessão de prazo se justifica quando há possibilidade de recomposição da escrituração em prazo razoável. A imprestabilidade da escrituração para apuração do lucro real não a torna inábil para o levantamento da receita auferida pela pessoa jurídica. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL, PIS E COFINS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A apresentação das declarações com valores zerados, relativas ao período de 2004 e 2005, aliada às demais irregularidades constatadas, com destaque para a emissão de notas fiscais frias e para a não escrituração de sua movimentação financeira, caracteriza o dolo da contribuinte em tentar impedir que o Fisco tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal e, portanto, enseja a aplicação da multa qualificada (150%). INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador deve ser indeferido. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno de controle da administração tributária, de sorte que sua eventual irregularidade formal não enseja a nulidade dos autos de infração; não se cogita de nulidade processual além das hipóteses do art. 59 do Decreto n°70.235/1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário devido pela contribuinte as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal. Lançamento Procedente Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 11 11 Assim a decisão fundamentouse no seguinte: Sobre a impugnação da contribuinte, Evereste Têxtil Ltda., . manteve o arbitramento por que ficou constatadas irregularidades e fraudes sérias, elencadas, que justificaram a medida extrema da fiscalização, fls. 745, e também porque deixou de escriturar toda a movimentação financeiro dos anos fiscalizados; mesmo que intimada, e reintimada, apresentou documentação caótica e desconexa com comprovantes, além de declarações zeradas ou supostas retificações não demonstradas nos sistemas da RFB, além de informar retornos de industrializações falsas, conforme circularizações adotadas pela fiscalização, de tal maneira, que impossibilitou qualquer chance de concessão de prazo para regularizar, tal as graves irregularidades apontadas pela fiscalização; e mesmo imprestável a escrita fiscal, não impossibilita a utilização de elementos apresentados e apurados pela fiscalização que constituam a receita bruta, à luz do que autoriza o art. 532 do RIR/99, posto que não se arbitrou a receita, mas o lucro, extraído do confronto dos lvros fiscais e notas fiscais de saídas; quanto a exclusão do ICMS da base de cálculo dos tributos e contribuições, não há previsão legal para tanto; quanto a multa qualificada, houve comprovada utilização de interpostas pessoas e movimentação financeira à margem da escrituração, além de declarações zeradas havendo movimento financeiro, e não demonstração de despesas escrituradas, e emissões de notas fiscais frias, que justificam, plenamente, a qualificadora questionada. Sobre as impugnações apresentadas pelos sujeitos solidários, assevera o seguinte: não há nulidade no MPF, que é mero instrumento de controle da administração tributária, decorrendo de lei complementar, o CTN, a competência do agente fiscalizador, e nem se configurou quaisquer das hipóteses de nulidade previstas no Decreto 70.235/72; há vários e consistentes elementos reunidos pelo trabalho fiscal que apontam a existência do interesse comum dos responsáveis solidários, de acordo com o art. 124 do CTN, conforme relacionados as fls. 753, 754 e 755 dos autos. A contribuinte, interpôs, tempestivamente, seu recurso voluntário, repisando os mesmos argumentos da sua defesa inicial, notadamente se insurgindo contra os juros de mora sobre a multa de ofício. Os responsáveis solidários, Laurindo Fagundes Neto e Marcílio Carvalho de Melo, deixaram de apresentar seus recursos voluntários. VOTO Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 12 12 Por presente o pressuposto de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Recebido o processo para relato e posterior exame detalhado dos autos para elaboração do relatório e voto demonstrou que, dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, está a questão inerente a matéria submetida à apreciação do STF, com repercussão geral. Tratase do pedido de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, cabendo esclarecer que o mesmo possui Repercussão Geral perante o Egrégio Supremo Tribunal Federal STF, correspondendo ao tema : 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Relator: MIN. CÁRMEN LÚCIA Leading Case: RE 574706 Recurso extraordinário em que se discute, à luz do art. 195, I, b, da Constituição Federal, se o ICMS integra, ou não, a base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. [] Tal recurso extraordinário discute, à luz do art. 195, I, b, da Constituição Federal, se o ICMS integra, ou não, a base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. [] À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Por outro lado, quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 [....] Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 13 13 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida. Recentemente, o STF vem utilizando a regra prevista no § 2o do art.543C, que se refere ao STJ, para expedir atos nesse sentido. Vale lembrar que, quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existiam processos já admitidos pelos tribunais de origem pendentes de julgamento no STF e no STJ. Em relação a esses processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10670.000336/200980 Resolução n.º 1202000.126 S1C2T2 Fl. 14 14 o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). O dispositivo transcrito acima prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Assim, a partir da constatação de que, no caso em comento, a relatora do Recurso Extraordinário nº 570.706 processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos ficassem sobrestados, observandose o disposto no art. 543 B do CPC, concluise pela verificação de hipótese de sobrestamento previsto no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf (RICARF). Diante de todo o exposto, manifestome pelo sobrestamento do julgamento do presente recurso, à luz do RICARF e nos termos do art. 2º, §1º, da Portaria CARF nº 2, de 2012. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 817DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.901066/2009-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.064
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à Unidade da Receita Federal da jurisdição da Interessada para que a Autoridade Preparadora ateste o resultado da decisão definitiva a ser prolatada pelo pleno do STF na Reclamação nº 6.917. Após, retornem-se os autos a esta 2ª Turma Especial para prosseguimento do julgamento.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à Unidade da Receita Federal da jurisdição da Interessada para que a Autoridade Preparadora ateste o resultado da decisão definitiva a ser prolatada pelo pleno do STF na Reclamação nº 6.917. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 29/4/2005, em que informada a compensação do suposto crédito decorrente de pagamento indevido da Cofins do mês de maio de 2001, no valor de R$ 8.222,67, realizado em 11/6/2001, com débitos da CSLL e do IRPJ. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10480.901066/200963 Resolução n.º 3802000.064 S3TE02 Fl. 21 2 Segundo o Despacho Decisório eletrônico colacionado aos autos, a compensação não foi homologada porque o pagamento, embora confirmado, estava alocado para a quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que: a) discordava da afirmativa de que os pagamentos informados no PER/DCOMP haviam sido integralmente utilizados para quitar outros débitos tributários; b) ocorrera apenas falha procedimental, por não ter retificado as DCTF; c) a ação judicial impetrada pela OAB/PE, com decisão transitada em julgado, garantialhe o direito à isenção da Cofins até a publicação do acórdão; e d) o crédito utilizado era proveniente do pagamento a maior do valor da Cofins isenta. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Recife/PE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base nas seguintes razões de decidir: a) a compensação de crédito tributário, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, não poderia ser homologada antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial; b) a contribuinte não teria direito à compensação dos créditos atinentes aos pagamentos da Cofins informados, embora houvesse transitado em julgado o acórdão do TRF da 5ª Região, que manteve a isenção da Cofins para as sociedades civis de profissão legalmente regulamentadas e admitiu o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos, pois, tal decisão divergia do entendimento consagrado em outras ações pelo STF, que reconheceu a legitimidade da revogação da questionada isenção; e c) era inexistente o direito à compensação, em virtude da falta de liquidez e certeza dos indébitos pleiteados, pois a isenção reconhecida pela referida decisão judicial, que transitou em julgado em 9/9/2004, deixou de existir em razão da medida liminar, concedida pelo Min. Joaquim Barbosa na Reclamação nº 6.917, que suspendeu os efeitos prospectivos do acórdão proferido na Ação Rescisória nº 5.471/PE. Em 4/6/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão. Em 13/6/2012, protocolou Recurso Voluntário, no qual alegou: a) incoerência entre o Despacho Decisório da DRF/Recife e o Acórdão recorrido, com base no argumento de que este último julgado havia inovado o conteúdo da primeira decisão, pois, enquanto esta não homologara as compensações porque o pagamento informado como origem do crédito fora integralmente utilizado para a quitação do débito próprio do contribuinte, aquela manteve a não homologação da compensação porque a DComp fora apresentada antes do trânsito em julgado da ação judicial que havia reconhecido o direito de isenção da Interessada; b) cerceamento do direito de defesa, em face da ausência de prévia comunicação e abertura de prazo para alegações de defesa sobre os novos argumentos jurídicos apresentados no acórdão recorrido; e c) reafirmou a existência do crédito compensado, sob o argumento de que a citada media liminar não impedia o reconhecimento do direito creditório pleiteado, por se tratar Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10480.901066/200963 Resolução n.º 3802000.064 S3TE02 Fl. 22 3 de decisão precária que não anulara, mas apenas suspendera os efeitos do que fora decidido no acórdão reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não procede a suscitada alegação de cerceamento do direito defesa, haja vista que, ao contrário do que alegou a Recorrente, o julgado recorrido apenas refutou o novo argumento por ela apresentado, com vista a comprovar a origem do crédito informado, sem contudo inovar o fundamento da decisão originária que não homologou a compensação em tela, por causa da não comprovação da existência do crédito compensado. É oportuno esclarecer ainda que a questão referente à exigência de retificação prévia da DCTF não foi apreciada pelo órgão de julgamento de primeiro grau, porque, segundo o voto condutor do julgado recorrido, tal análise mostravase desnecessária. Dessa forma, a presente controvérsia cingese apenas ao ponto concernente à comprovação do direito creditório, questão que dependerá do que for decidido pelo STF, em caráter definitivo, na Reclamação nº 6.917, uma vez que, no caso em tela, a condição de pagamento de tributo indevido e a comprovação do crédito compensado está diretamente vinculada aos efeitos atribuídos pelo acórdão reclamado, prolatado na Ação Rescisória nº 5.471/PE. A mencionada medida liminar concedida pelo Min. Joaquim Barbosa apenas suspendeu os efeitos prospectivos do acórdão reclamado. Tratase, portanto, de decisão precária que se encontra no aguardo do pronunciamento definitivo do pleno do STF. Aliás, em consulta no sítio do STF na internet1, verificase que já foi designada a pauta plenária para tal julgamento. E, como já mencionado, o que for decidido na referida ação reclamatória terá efeito direto sobre os requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado no presente procedimento compensatório, pois, se mantido os efeitos prospectivos do acórdão reclamado, o pagamento realizado será considerado indevido, pois favorecido pela isenção. Por outro lado, se negado os efeitos prospectivos do citado acórdão, o pagamento reputarseá devido e o direito creditório utilizado inexistente. Por fim, cabe ressaltar que, embora não seja decorrente de decisão judicial, é evidente que a existência dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado no PER/DCOMP em apreço está diretamente vinculada a natureza do pagamento da Cofins realizado, isto é, se devido ou indevido. E a definição dessa situação, como já explicitado, dependerá do resultado do julgamento do pleno do STF, que decidirá se a revogação da isenção em questão aplicase desde a vigência da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ou somente a partir da publicação do acórdão reclamado. 1 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=6917&classe=Rcl MC&codigoClasse=0&origem=JUR&recurso=0&tipoJulgamento=M>. Acesso em 19 dez. 2012. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10480.901066/200963 Resolução n.º 3802000.064 S3TE02 Fl. 23 4 Como se encontra pendente de decisão definitiva a questão da isenção em destaque, os efeitos prospectivos do acórdão reclamado não podem ser adotados. Pela mesma razão, a medida liminar, que suspendeu os efeitos prospectivos do referido acórdão, também não pode ser aplicada. Por todo o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à Unidade da Receita Federal da jurisdição da Interessada, para que a Autoridade Preparadora ateste o resultado da decisão definitiva a ser prolatada pelo pleno do STF na Reclamação nº 6.917. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 10480.901068/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.065
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à Unidade da Receita Federal da jurisdição da Interessada para que a Autoridade Preparadora ateste o resultado da decisão definitiva a ser prolatada pelo pleno do STF na Reclamação nº 6.917. Após, retornem-se os autos a esta 2ª Turma Especial para prosseguimento do julgamento.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à Unidade da Receita Federal da jurisdição da Interessada para que a Autoridade Preparadora ateste o resultado da decisão definitiva a ser prolatada pelo pleno do STF na Reclamação nº 6.917. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 29/4/2005, em que informada a compensação do suposto crédito decorrente de pagamento indevido da Cofins do mês de março de 2001, no valor de R$ 7.582,43, realizado em 10/4/2001, com débito do IRPJ. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10480.901068/200952 Resolução n.º 3802000.065 S3TE02 Fl. 21 2 Segundo o Despacho Decisório eletrônico colacionado aos autos, a compensação não foi homologada porque o pagamento, embora confirmado, estava alocado para a quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que: a) discordava da afirmativa de que os pagamentos informados no PER/DCOMP haviam sido integralmente utilizados para quitar outros débitos tributários; b) ocorrera apenas falha procedimental, por não ter retificado as DCTF; c) a ação judicial impetrada pela OAB/PE, com decisão transitada em julgado, garantialhe o direito à isenção da Cofins até a publicação do acórdão; e d) o crédito utilizado era proveniente do pagamento a maior do valor da Cofins isenta. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Recife/PE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base nas seguintes razões de decidir: a) a compensação de crédito tributário, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, não poderia ser homologada antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial; b) a contribuinte não teria direito à compensação dos créditos atinentes aos pagamentos da Cofins informados, embora houvesse transitado em julgado o acórdão do TRF da 5ª Região, que manteve a isenção da Cofins para as sociedades civis de profissão legalmente regulamentadas e admitiu o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos, pois, tal decisão divergia do entendimento consagrado em outras ações pelo STF, que reconheceu a legitimidade da revogação da questionada isenção; e c) era inexistente o direito à compensação, em virtude da falta de liquidez e certeza dos indébitos pleiteados, pois a isenção reconhecida pela referida decisão judicial, que transitou em julgado em 9/9/2004, deixou de existir em razão da medida liminar, concedida pelo Min. Joaquim Barbosa na Reclamação nº 6.917, que suspendeu os efeitos prospectivos do acórdão proferido na Ação Rescisória nº 5.471/PE. Em 16/4/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão. Em 8/5/2012, protocolou Recurso Voluntário, no qual alegou: a) incoerência entre o Despacho Decisório da DRF/Recife e o Acórdão recorrido, com base no argumento de que este último julgado havia inovado o conteúdo da primeira decisão, pois, enquanto esta não homologara as compensações porque o pagamento informado como origem do crédito fora integralmente utilizado para a quitação do débito próprio do contribuinte, aquela manteve a não homologação da compensação porque a DComp fora apresentada antes do trânsito em julgado da ação judicial que havia reconhecido o direito de isenção da Interessada; b) cerceamento do direito de defesa, em face da ausência de prévia comunicação e abertura de prazo para alegações de defesa sobre os novos argumentos jurídicos apresentados no acórdão recorrido; e c) reafirmou a existência do crédito compensado, sob o argumento de que a citada media liminar não impedia o reconhecimento do direito creditório pleiteado, por se tratar Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10480.901068/200952 Resolução n.º 3802000.065 S3TE02 Fl. 22 3 de decisão precária que não anulara, mas apenas suspendera os efeitos do que fora decidido no acórdão reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não procede a suscitada alegação de cerceamento do direito defesa, haja vista que, ao contrário do que alegou a Recorrente, o julgado recorrido apenas refutou o novo argumento por ela apresentado, com vista a comprovar a origem do crédito informado, sem contudo inovar o fundamento da decisão originária que não homologou a compensação em tela, por causa da não comprovação da existência do crédito compensado. É oportuno esclarecer ainda que a questão referente à exigência de retificação prévia da DCTF não foi apreciada pelo órgão de julgamento de primeiro grau, porque, segundo o voto condutor do julgado recorrido, tal análise mostravase desnecessária. Dessa forma, a presente controvérsia cingese apenas ao ponto concernente à comprovação do direito creditório, questão que dependerá do que for decidido pelo STF, em caráter definitivo, na Reclamação nº 6.917, uma vez que, no caso em tela, a condição de pagamento de tributo indevido e a comprovação do crédito compensado está diretamente vinculada aos efeitos atribuídos pelo acórdão reclamado, prolatado na Ação Rescisória nº 5.471/PE. A mencionada medida liminar concedida pelo Min. Joaquim Barbosa apenas suspendeu os efeitos prospectivos do acórdão reclamado. Tratase, portanto, de decisão precária que se encontra no aguardo do pronunciamento definitivo do pleno do STF. Aliás, em consulta no sítio do STF na internet1, verificase que já foi designada a pauta plenária para tal julgamento. E, como já mencionado, o que for decidido na referida ação reclamatória terá efeito direto sobre os requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado no presente procedimento compensatório, pois, se mantido os efeitos prospectivos do acórdão reclamado, o pagamento realizado será considerado indevido, pois favorecido pela isenção. Por outro lado, se negado os efeitos prospectivos do citado acórdão, o pagamento reputarseá devido e o direito creditório utilizado inexistente. Por fim, cabe ressaltar que, embora não seja decorrente de decisão judicial, é evidente que a existência dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado no PER/DCOMP em apreço está diretamente vinculada a natureza do pagamento da Cofins realizado, isto é, se devido ou indevido. E a definição dessa situação, como já explicitado, dependerá do resultado do julgamento do pleno do STF, que decidirá se a revogação da isenção em questão aplicase desde a vigência da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ou somente a partir da publicação do acórdão reclamado. 1 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=6917&classe=Rcl MC&codigoClasse=0&origem=JUR&recurso=0&tipoJulgamento=M>. Acesso em 19 dez. 2012. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10480.901068/200952 Resolução n.º 3802000.065 S3TE02 Fl. 23 4 Como se encontra pendente de decisão definitiva a questão da isenção em destaque, os efeitos prospectivos do acórdão reclamado não podem ser adotados. Pela mesma razão, a medida liminar, que suspendeu os efeitos prospectivos do referido acórdão, também não pode ser aplicada. Por todo o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à Unidade da Receita Federal da jurisdição da Interessada, para que a Autoridade Preparadora ateste o resultado da decisão definitiva a ser prolatada pelo pleno do STF na Reclamação nº 6.917. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 15578.000077/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1202-000.107
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Contra a interessada acima identificada foi lavrado Auto de Infração do IRPJ para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 3.135.811,64, acrescido de multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora, com base na taxa Selic, além da multa isolada no valor de R$ 2.244.138,97. O total do crédito tributário constituído perfaz o valor de R$ 9.850.384,84, conforme demonstrativo da fl. 26. Fl. 419DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15578.000077/200705 Resolução n.º 1202000.107 S1C2T2 Fl. 420 2 De acordo com o relatado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 19 a 21, a autoridade administrativa constatou as seguintes irregularidades em relação aos anos calendário de 2002 e de 2003: a) Ano de 2002: i Do exame da DIPJ relativa ao anocalendário de 2002 (fls. 3 e 4), a fiscalização constatou a existência de saldo negativo do IRPJ (R$ 586.162,98) e o registro de que R$ 4.009.379,71 teriam sido recolhidos a título de imposto de renda pago por estimativa mensal. Na sequência, também foi constatado pela fiscalização: 1) falta de pagamento das estimativas mensais; e 2) declaração em DCTF apenas de débitos (parciais) das estimativas mensais dos meses de outubro e de novembro de 2002 (fls. 7 e 8), e nada informado em relação aos demais meses. Dessa forma, as diferenças do imposto de renda não declarado(e nem pago) foi lançado de oficio. ii nos meses de março e de maio a dezembro de 2002 a empresa não recolheu o imposto devido por estimativa a que estava obrigada, impondose o lançamento de oficio da multa isolada, obtida mediante aplicação do percentual de 75% sobre o IRPJ mensal devido por estimativa, de acordo com os Demonstrativos de Apuração, de fls. 17 e 25. b) Ano de 2003: Do exame da DIPJ relativa ao anocalendário de 2003 (fls. 5 e 6), a fiscalização constatou a existência de saldo negativo do IRPJ (R$ 450.521,58) e o registro de que R$1.068.513,17 teriam sido recolhidos a título de imposto de renda pago por estimativa mensal. Foi, ainda, constatado pela fiscalização: 1) falta de pagamento das estimativas mensais; e 2) declaração em DCTF apenas de débitos das estimativas mensais dos meses de janeiro e de fevereiro de 2003 (fls. 7 e 8). Dessa forma, as diferenças do imposto de renda não declarado (e nem pago) foi lançado de oficio. Cientificada da exigência, a interessada apresentou impugnação, mediante arrazoado, de fls. 32 a 67, instruída com documentos, de fls. 68/207, cujos principais argumentos estão sintetizados no relatório do Acórdão nº 1220.225 da DRJ/RJO I, de fls. 249 a 273, que adoto e passo a transcrever na parte que interessa: “Em relação ao ano base de 2002: apurou o imposto de renda com base no lucro real anual e optou pelo pagamento do imposto em cada mês determinado sobre a base de cálculo estimada, apurada através de balanço de suspensão ou redução, conforme dados extraídos do Livro de Apuração de Lucro Real. (docs. 4 a 15, fls. 87/98); devido à sistemática de se apurar o imposto mensal desde o ano calendário de 1997 e das suas operações financeiras lhe obrigarem a fazer a retenção de imposto de renda na fonte, acumulou saldo negativo de imposto de renda que foi utilizado para compensar com o imposto a pagar dos exercícios subseqüentes, tal como definido no art. 6°, parágrafo 1°, inciso II da Lei 9.430/96; em 31/01/2002, data da apuração do imposto de renda do mês de janeiro de 2002, acumulava um saldo negativo de imposto de renda, já compensado o imposto do ano calendário de 2001, no valor de R$ 1.442.747,28, representados na contabilidade pelo saldo das contas 166200 IRPJ a Recuperar e 166205 IRPJ a Compensar (docs. 17 e 18, fls. 100/101); Fl. 420DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15578.000077/200705 Resolução n.º 1202000.107 S1C2T2 Fl. 421 3 todo o imposto de renda retido na fonte, bem como o imposto apurado dos anos calendários anteriores a 2002 e que se constituíram em saldo negativo do imposto de renda, foram declarados nas DIPJ dos exercícios fiscais correspondentes e esse saldo é de conhecimento da Receita Federal; como se trata de imposto que tem a mesma natureza e espécie a compensação dos débitos com os créditos foram feitas de forma direta através da contabilidade sem a apresentação de requerimento à Receita Federal (docs. 19 e 20, fls. 102/103); o imposto apurado foi pago em 31/01/2003 através de compensação de crédito de imposto de renda retido na fonte de exercícios anteriores, conforme se verifica do registro contábil lançado no seu Livro Diário sob n°20.702, conta de passivo 372100 (doc. 26, fls. 128/131); verificase que o valor pago de R$ 3.423.216,74, conforme registrado no diário sob n° 20.703 em 31/01/2003, foi deduzido do Saldo Negativo de Imposto de Renda, proveniente de imposto de renda retido na fonte de exercícios anteriores, que se encontra registrado na conta n° 166200 (doc. 28, fl. 133); além do Saldo Negativo do Imposto de Renda de exercícios anteriores teve no ano calendário de 2002, o valor de R$ 1.395.111,97 de imposto retido na fonte incidente sobre as receitas computadas na determinação do lucro real, conforme se pode verificar dos informes de rendimento fornecidos pelas fontes pagadoras e registrados na conta contábil n° 166200, denominada de Imposto de Renda a Recuperar (docs. 29 a 41, fls. 134/150); considerando que o valor apurado do imposto a pagar é de R$ 2.028.105,37 mais o IR fonte no valor de R$ 1.395.111,97, temse que pagou de imposto de renda referente ao exercício de 2002 valor de R$ 3.423.217,34, que somado com o incentivo cultural de R$ 70.000,00 chegase ao valor de R$ 3.493.217,34 de imposto de renda pago, valor que é exatamente igual ao demonstrado no quadro 3 do Termo de Verificação Fiscal; conclui que o valor do imposto cobrado no Auto de Infração ora impugnado é o mesmo declarado pela impugnante e pago por compensação com o Saldo Negativo do Imposto de Renda de períodos anteriores e com o imposto de renda retido na fonte sobre as receitas que fizeram parte da base de cálculo do imposto; comparandose a DCTF com a DIPJ realmente verificase que a DCTF não tem correspondência com os seus registros contábeis, mas que o imposto correto é o que está lançado na DIPJ 2003, na qual foi declarado o imposto a pagar anual no valor de R$ 3.493.216,74; no decorrer da fiscalização, que durou 5 dias úteis, o Sr. Auditor Fiscal não solicitou documento algum de sua escrita fiscal, tendo se baseado única e exclusivamente nas declarações apresentadas pela impugnante para lavrar o Auto de Infração; se o Auditor Fiscal tivesse solicitado os documentos contábeis, os quais estão sendo juntados à presente impugnação, certamente teria constatado esse fato e verificado que o imposto declarado foi pago por compensação com crédito de Saldo Negativo de Imposto de Renda; Em relação ao ano base de 2.003: no anocalendário de 2002 (sic) também apurou o imposto de renda com base no lucro real anual e optou pelo pagamento do imposto em cada mês, determinado Fl. 421DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15578.000077/200705 Resolução n.º 1202000.107 S1C2T2 Fl. 422 4 sobre a base de cálculo estimada, apurada através de balanço de suspensão ou redução, conforme dados extraídos do Livro de Apuração de Lucro Real. (docs. 42 a 53, fls. 151/163); da declaração apresentada verificase que o total do imposto devido no exercício de 2003 (sic) foi de R$ 991.901,87, sendo pago na sua totalidade da seguinte forma: R$ 555.256,26 através de Declaração de Compensação e R$ 513.256,91 através de compensação do imposto retido na fonte; verificase pois que foi pago R$ 76.611,30 de imposto de renda a maior (doc. 57, fl. 167); além do pagamento a maior de R$ 76.611,30 tem em haver crédito de imposto de renda retido na fonte sobre as receitas que compõe a base de cálculo do imposto, no valor de R$ 373.910,28, totalizando um Saldo Negativo de Imposto de Renda do ano calendário de 2003 no valor de R$ 450.521,58. (docs. 58 a 64, fls. 171/177); verificase que o Sr. Auditor Fiscal equivocouse ao calcular o imposto devido conforme demonstrado no Quadro 4, porque deixou de considerar o imposto retido na fonte sobre as receitas que fizeram parte da base de cálculo do imposto, conforme disciplina o art. 2°, § 40, inciso III da Lei 9.430/96; considerandose o valor do imposto retido na fonte dos meses de janeiro a março de 2003, que somaram R$ 513.256,91, e deduzir o imposto cobrado pelo Auto de Infração no valor de R$ 62.735,33, verificase que o Saldo Negativo do Imposto de Renda da Impugnante é de R$ 450.521,58, exatamente o valor declarado na DIPJ 2004. (vide doc. 57, fl. 167); todos os dados relatados estão registrados nos seus livros contábeis, razão e diário nas contas de imposto de renda, 981200 registro 25.694, conta 375200 imposto de renda a pagar – registro 26.060 e conta 166200 imposto de renda a recuperar registro 26.061 (docs. 65 a 67, fls. 178/192); diferentemente do ocorrido no ano calendário de 2002 o imposto de renda apurado nos meses de janeiro e fevereiro de 2003 foi informado na DCTF do 1° Trimestre de 2003 e declarado pago por compensação, através de DCOMP conforme declarado na DCTF (docs. 68 a 71, 193/207); Em relação à multa isolada: a base de cálculo utilizada pelo Sr. Fiscal para. aplicar a multa foi a DIPJ 2002 apresentada à Receita Federal; como não constou na DIPJ o imposto de renda retido na fonte sobre as receitas que fazem parte da base de cálculo do imposto, o saldo do imposto a pagar que foi utilizado como base de cálculo para aplicar a multa está errado; como o imposto apurado mensalmente foi pago por compensação direta, conforme cabalmente demonstrado na impugnação à infração 001, não há que se falar em multa isolada por falta de recolhimento do imposto. na remotíssima hipótese de não se acatar o entendimento acima, o que se admite apenas em face do principio de eventualidade, ainda assim a multa isolada na espécie não pode prevalecer, posto ser incabível a aplicação de multa isolada concomitantemente com a penalidade de oficio; Do seu pedido final: Fl. 422DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15578.000077/200705 Resolução n.º 1202000.107 S1C2T2 Fl. 423 5 a) Seja retificada a DIPJ 2003, ano calendário 2002, para fazer constar o imposto retido na fonte nos meses em que ocorreram a retenção e conseqüentemente retificada apuração do imposto mensal. b) Seja considerado como imposto devido, na apuração mensal e anual, os valores apurados conforme a DIPJ 2003 retificada. c) Que o imposto devido, mensal e anual, conforme apurado na DIPJ 2003, depois de retificada, seja considerado pago, por compensação, com o Saldo Negativo do Imposto de Renda apurado nos exercícios anteriores, independente da apresentação do Pedido de Compensação Administrativo. d) Seja aberto prazo para que possa apresentar a DCTF do 1°, 2° e 3° Trimestre de 2002 e retificar a DCTF do 4° trimestre de 2002. e) Seja cancelada a multa isolada aplicada com base na falta de pagamento do imposto por estimativa. f) o imposto de renda do ano calendário de 2003 seja considerado pago e as obrigações acessórias cumpridas, conforme a DIPJ, DCTF e DCOMP apresentados na forma da Lei. g) o Auto de Infração seja julgado totalmente improcedente.” Requer a realização de perícia. Indica perito e formula quesitos. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1220.225 da DRJ/RJO I, de fls. 249 a 273, com o seguinte ementário: PEDIDO DE PERÍCIA Indeferese o pedido de perícia quando prescindível a solução do litígio. MULTA ISOLADA Comprovada a falta de recolhimento do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ sobre a base de cálculo estimada, cabível e a exigência da multa isolada, com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. MULTA ISOLADA REDUÇÃO DE 75% PARA 50% Cabe a aplicação da regra do art. 106, inc. II, do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei nova se aplica a ato ou fato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. Lançamento Procedente em Parte Os principais fundamentos utilizados no Acórdão recorrido, podem ser assim resumidos: Fl. 423DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15578.000077/200705 Resolução n.º 1202000.107 S1C2T2 Fl. 424 6 i) no presente caso estão presentes todos os elementos necessários à solução do litígio e que o pedido de perícia não se destina a suprir provas que deveriam estar contidas na impugnação, podendo perfeitamente ser indeferida. Quanto ao dever de escriturar é sabido que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Portanto, em vez de solicitar a perícia, o contribuinte deveria ter juntado os elementos suficientes à comprovação do pretenso saldo nas contas 166200 IRPJ a Recuperar e 166205 IRPJ a Compensar. ii) a contribuinte elucidou que a origem do seu direito creditório decorre de saldos negativos de IRPJ de exercícios anteriores, como assinalado na DIPJ/2001 e na DIPJ/2002, fls. 102/103. Contudo, como sabido, o direito à restituição, para que seja procedida à compensação, requer que o crédito seja líquido e certo. iii) a falta de juntada de documentos que demonstrem a liquidez e certeza dos saldos negativos antes referidos, além do saldo das contas 166200 IRPJ a Recuperar e 166205 IRPJ a Compensar, inviabiliza a sua pretensão de compensar os aludidos saldos com o IRPJ lançado de oficio relativo ao anobase de 2.002, valor de R$ 3.073.076,31 (fl. 77) e com o IRPJ do anobase de 2003, no valor de R$ 62.735,33 (f1.78), ou com as antecipações devidas por estimativa concernentes a tais períodos. iv) a farta documentação juntada referese ao período de 01/01/2002 a 31/12/2002 (fls. 87/150) e 01/01/2003 a 31/12/2003 (151/207). Todavia, quanto à origem do saldo negativo de IRPJ dos anos bases de 2000, 2001 e da origem dos saldos negativos das contas 166200 IRPJ a Recuperar e 166205 IRPJ a Compensar, nada foi juntado. v) a partir de outubro de 2002, a compensação de débitos próprios, com crédito relativo a tributo ou contribuição, administrados pela SRF, deveria ser efetuada mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação”. Para compensar o IRPJ, conforme pretensão da contribuinte, deveria o mesmo apresentar as correspondentes Declarações de Compensação, o que não foi feito, conforme expressamente informado em sua impugnação à fl. 51. Não pode prosperar o argumento do contribuinte de que bastava compensar o imposto de renda contabilmente. Segundo disposição legal era necessário que tivesse apresentado as correspondentes Declarações de Compensação. vi) a falta de apresentação das Declarações de Compensação e de informação na DCTF das compensações efetuadas acabou lhe resultando em prejuízo. Ao efetuar somente as compensações em sua contabilidade, sem informar tais procedimentos ao Fisco, a contribuinte restou prejudicado pela sua própria inércia. vii) a alegação de que a falta de recolhimento de imposto teria resultado da falta de preenchimento da DCTF não procede: o lançamento resultou da falta de recolhimento de estimativas, implicando em insuficiência de recolhimento do IRPJ devido nos anos de 2002 e 2003. viii) o pedido de retificação das declarações DIPJ e DCTF não pode ser aceito, uma vez que o artigo 147 do CTN veda a retificação da declaração, com o objetivo de reduzir ou excluir tributo, após a notificação do contribuinte, hipótese materializada nos autos. ix) ao confrontar os valores dos rendimentos originadas de receitas financeiras e do IRRF retido, contidos nos “demonstrativos de rendimentos”, de fls. 141 a 150 e de fls. 171 a 177, com aquele valores constantes das DIRFs, de fls. 216 a 230 e de fls. 234 a 245, encontrou Fl. 424DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15578.000077/200705 Resolução n.º 1202000.107 S1C2T2 Fl. 425 7 se diferenças em ambos nos valores, tanto no ano de 2002 como no ano de 2003, de modo que ficou caracterizado a falta de comprovação do oferecimento das receitas financeiras à tributação, bem como comprometem a liquidez e certeza relativa ao valor do imposto de renda na fonte retido nesses anos. Os elementos juntados aos autos não são suficientes para o reconhecimento do direito creditório. Deveria a peticionária demonstrar que as receitas sobre as quais incidiu o referido Imposto de Renda na Fonte, foram oferecidas à tributação, condição ‘sine qua non’ para que este pudesse ser aproveitado na compensação do imposto apurado no final do período. x) a contribuinte não fez a opção por deduzir do imposto apurado no ano calendário de 2.002 o IRRF, pois a linha 13, da ficha 12A (fl. 99) encontrase “em branco”. A dedução do IRRF do imposto de renda apurado mensal ou anualmente é uma opção da contribuinte e a falta da sua indicação na DIPJ não pode ser considerada erro de fato. Deste modo, incabível a retificação da DIPJ sob este fundamento. xi) a contribuinte sustenta que efetuou as compensações de imposto contabilmente, amparado pelo art. 73 da Lei 9.430/96 regulado pela Instrução Normativa SRF n° 21/97 e pela IN SRF 210/2002. A contribuinte para ter as suas compensações aceitas teria que comprovar os valores dos saldos negativos de IRPJ de períodos anteriores e do imposto de renda retido na fonte. Tanto o saldo negativo de IRPJ como o IRRF já foram analisados pormenorizadamente, carecendo ambos de comprovação. Assim, na ausência de comprovação infrutífera a análise quanto aos seus procedimentos contábeis. xii) a via administrativa não é apropriada para se argüir a inconstitucionalidade de ato legislativo formalmente editado. O percentual de 75%, encontrase previsto no art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430, de 1996. Entretanto, a Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, em seu artigo 14, alterou o valor a ser aplicado para o cálculo da multa isolada de 75% para 50%. Não satisfeito com a decisão proferida, a interessada impetrou recurso voluntário, de fls. 281 a 332, repisando praticamente os mesmos argumentos apresentados na impugnação, com a juntada de documentos, entre eles, cópias de “informe de rendimentos” e cópias de “declarações de compensação”. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. A controvérsia principal do presente processo diz respeito à questões meramente probatórias e se referem à análise da compensação efetuada pela recorrente com o objetivo de quitar as estimativas mensais do IRPJ dos anoscalendário de 2002 e 2003. A contribuinte apura o imposto de renda pelo lucro real anual, sendo obrigada ao recolhimento mensal por estimativa, cuja base de cálculo foi apurada de acordo com os balanços/balancetes de suspensão ou redução, deixando de recolher, e de informar em declaração DCTF, as respectivas parcelas nos meses de março, maio a setembro, outubro e novembro (valores parcialmente declarados) e dezembro de 2002, além dos meses de janeiro e fevereiro de 2003 (valores parcialmente declarados). Apurado imposto devido nesses meses Fl. 425DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15578.000077/200705 Resolução n.º 1202000.107 S1C2T2 Fl. 426 8 indicados, que não foi declarado em DCTF e nem recolhido, sujeitouse a contribuinte ao lançamento de ofício para constituição do crédito tributário, além da multa de ofício isolada pelo não recolhimento das parcelas de estimativas mensais. Por ocasião da impugnação, a interessada alegou que parte das estimativas mensais do ano de 2002 teriam sido compensadas diretamente na escrita contábil com créditos originados de saldos negativos do IRPJ dos anos de 1997 a 2001, conforme permitia a legislação à época (IN SRF nº 21, de 1997). Quer a contribuinte utilizar os valores do IRRF incidente sobre aplicações financeiras do ano de 2002, no valor de R$ 1.395.111,97, o qual pretende utilizar para amortizar o imposto de renda lançado na autuação (nenhum valor a título de IRRF compensável foi informado na DIPJ – fl. 4). Em relação ao ano de 2003, o imposto de renda apurado nos meses de janeiro e fevereiro de 2003 foi informado em DCTF e pago por compensação, através da entrega da declaração DCOMP. Menciona que as contas do IRPJ a recuperar e a compensar encontramse devidamente registradas nos seus livros contábeis e fiscais, juntando cópias dos mesmos com a impugnação, bem como cópias dos informes de rendimentos de aplicações financeiras e IRRF, de fls. 87 a 245. Salienta que o procedimento fiscal durou apenas 5 dias úteis e que o Sr. Auditor Fiscal não solicitou nenhum documento de sua escrita fiscal, tendo se baseado única e exclusivamente nas declarações apresentadas pela impugnante para lavrar o Auto de Infração. O acórdão recorrido entendeu que a contribuinte teria deixado de juntar documentos que demonstrassem a certeza e liquidez dos saldos negativos do IRPJ de períodos anteriores, que teriam sido utilizados para compensar as estimativas mensais lançadas. Além disso, a partir de outubro de 2002, a compensação dos débitos deveria ser efetuada mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação”, o que não ocorreu no presente caso. Por fim, entendeu que as diferenças apuradas das receitas financeiras e do respectivo IRRF retido (fls. 266 a 268), caracterizam a falta de comprovação do oferecimento das receitas financeiras à tributação, de modo que os documentos juntados não seriam suficientes para comprovar o pretenso aproveitamento do IRRF no anocalendário de 2002 (para abater o IRPJ lançado) e o reconhecimento do saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2003. Compulsando os autos, verifico que a duração do procedimento fiscal foi de apenas 6 dias, espaço decorrido entre a data da ciência do MPF, dia 13/03/2007, e da ciência da autuação, dia 19/03/2007 (fls.1 e 26). De fato, como alega a defesa, nenhum documento foi solicitado à autuada durante o procedimento fiscal, que foi levado a efeito em prazo extremamente reduzido. Baseouse a fiscalização, para efetuar o seu trabalho, apenas nas declarações DIPJ e DCTFs entregues pela contribuinte. Efetivamente, o lançamento é válido mas, realizado sem nenhuma manifestação por parte da autuada, correse o risco de se cometer alguma incorreção no lançamento fiscal, o que se quer evitar. No presente caso, como já mencionado, teria havido a compensação de parte das estimativas mensais com saldos negativos do IRPJ de períodos anteriores, cuja amortização ocorreu apenas contabilmente, sem qualquer comunicação aos órgãos fazendários, procedimento permitido à época, antes da publicação da MP nº 66, de 2002 e da IN SRF nº 210, de 2002, que instituiu a Declaração de Compensação. Pesa contra a autuada o fato de não ter informado em DCTF os valores dos débito das estimativas mensais do IRPJ devidos, bem como a forma da sua quitação. Além Fl. 426DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15578.000077/200705 Resolução n.º 1202000.107 S1C2T2 Fl. 427 9 disso, a autuada não logrou comprovar documentalmente a existência dos saldos negativos do IRPJ opostos aos débitos mencionados. Contra o fisco, constatase a falta de intimações à autuada e de diligências para apurar a veracidade das alegações trazidas, tanto na fase do procedimento fiscal, como na fase impugnatória. Em que pese o fato de já estar precluso o direito de trazer novas provas na fase recursal, consoante dispõe os §§ 4° e 5o do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 1997, é de se levar em consideração o fato do prazo de fiscalização ter sido extremamente reduzido, com a conseqüente falta de comunicação, ou pedido de esclarecimentos/documentos, entre o agente do fisco e o responsável pela empresa autuada. A princípio, os valores dos saldos negativos do IRPJ de exercícios anteriores ao ano de 2002, devidamente registrados na contabilidade e declarados ao fisco fazem prova a favor da contribuinte. Restaria o trabalho de conferência desses valores ainda não realizado pela autoridade fiscal. O lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN, deve se revestir da maior exatidão possível, sendo também dever dos órgão julgadores perseguir a busca da verdade material, evitando que se exija indevidamente qualquer tributo, o que poderia desestabilizar as relações entre o fisco e os contribuintes. A meu ver, a falta de entrega dos documentos que embasam os lançamentos contábeis, não pode se sobrepor a uma análise mais aprofundada dos valores dos saldos negativos do IRPJ informados nas DIPJ de exercícios anteriores aos autuados, lançamentos esses que possuem valor probante a favor da contribuinte suficientes para demonstrar a correção (ou incorreção) das compensações das estimativas que teriam sido efetuadas. Pelo que consta dos autos a interessada teria demonstrado, com a documentação juntada, a possibilidade de existirem saldos negativos do IRPJ de períodos anteriores passíveis de compensação (fls. 366 a 370). Considerando tratarse do exame de matérias que exigem a apresentação e análise de farta documentação comprobatória, entendo que devam ser apreciados os documentos trazidos com a impugnação e com o recurso voluntário, necessários à comprovação das alegações trazidas na peça recursal, fato que demanda o apropriado exame dos referidos documentos pela autoridade lançadora, a fim de que se possa prosseguir com mais segurança no julgamento do lançamento efetuado. Dessa forma, entendo necessário esclarecer a existência dos saldos negativos do IRPJ em períodos anteriores, até 31/12/2001, passíveis de compensação das estimativas mensais lançadas no presente processo, bem como a forma de contabilização das receitas financeiras e do possível aproveitamento/compensação do IRRF, como alegado pela defesa. Em vista do exposto, proponho a conversão do julgamento do recurso em DILIGÊNCIA, retornando o presente processo à unidade de origem, DRF/Vitória/ES/Fiscalização, para que a autoridade fiscal se manifeste sobre os documentos juntados com a impugnação e com o recurso voluntário, nos seguintes pontos: a) comprovar a existência dos saldos negativos do IRPJ dos anoscalendário de 1997 a 2001, conforme cópias das DIPJs, de fls. 366 a 370; Fl. 427DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15578.000077/200705 Resolução n.º 1202000.107 S1C2T2 Fl. 428 10 b) confirmar a existência de saldo negativo do IRPJ em 31/12/2001, suficiente para utilizar na compensação (efetuadas na contabilidade e por meio da Declaração de Compensação) dos valores das estimativas mensais do IRPJ do ano de 2002 e do ano de 2003, objeto do presente lançamento; c) verificar a possível existência de IRRF de exercícios anteriores ao ano de 2002, passível de aproveitamento/compensação (efetuadas na contabilidade e por meio da Declaração de Compensação) na quitação das estimativas mensais lançadas na autuação, como alegado pela defesa; d) intimar a recorrente a apresentar a documentação que julgar necessária para a verificação dos itens anteriores; f) atendidos os itens precedentes, a unidade de origem deverá elaborar demonstrativo, com a evolução dos saldos negativos do IRPJ dos anos de 1997 a 2001, e do IRRF aproveitável, emitindo despacho conclusivo a respeito; g) na sequência, existindo saldo negativo de IRPJ, em 31/12/2001, bem assim de saldos do IRRF, passíveis de compensação (efetuadas na contabilidade e por meio da Declaração de Compensação) com as estimativas mensais do IRPJ de 2002 e 2003, proceder no recálculo dos valores do IRPJ exigidos na autuação. h) cientificar a recorrente do conteúdo do despacho mencionado no item anterior, com intimação para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias; i) após, retorno a este CARF para julgamento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 428DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10830.907969/2012-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Feb 15 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2006
PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). INCENTIVOS FISCAIS. ROYALTIES. RESTITUIÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
Devem incidir sobre os créditos tributários dos sujeitos passivos, decorrentes da devolução de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de pagamento de royalties e vinculados a contratos de transferência de tecnologia, averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, a partir de 01 de janeiro de 1996, os juros equivalentes à taxa SELIC, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição for efetivada.
Numero da decisão: 1401-006.125
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para sanar o lapso manifesto da decisão recorrida, reconhecendo-se o direito de atualização do crédito pleiteado pela Taxa SELIC, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição for efetivada, cujo valor deverá apurado pela autoridade executora do presente acórdão. Vencidos os Conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Carlos André Soares Nogueira que negavam provimento à atualização do respectivo crédito. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1401-006.110, de 08 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10830.907987/2012-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: André Severo Chaves
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-02-09T19:47:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-02-09T19:47:39Z; Last-Modified: 2022-02-09T19:47:39Z; dcterms:modified: 2022-02-09T19:47:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-02-09T19:47:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-02-09T19:47:39Z; meta:save-date: 2022-02-09T19:47:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-02-09T19:47:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-02-09T19:47:39Z; created: 2022-02-09T19:47:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2022-02-09T19:47:39Z; pdf:charsPerPage: 2443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-02-09T19:47:39Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10830.907969/2012-36 Recurso Embargos Acórdão nº 1401-006.125 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2021 Embargante CONSELHEIRO Interessado 3M DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006 PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). INCENTIVOS FISCAIS. ROYALTIES. RESTITUIÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Devem incidir sobre os créditos tributários dos sujeitos passivos, decorrentes da devolução de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de pagamento de royalties e vinculados a contratos de transferência de tecnologia, averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, a partir de 01 de janeiro de 1996, os juros equivalentes à taxa SELIC, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição for efetivada. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para sanar o lapso manifesto da decisão recorrida, reconhecendo-se o direito de atualização do crédito pleiteado pela Taxa SELIC, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição for efetivada, cujo valor deverá apurado pela autoridade executora do presente acórdão. Vencidos os Conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Carlos André Soares Nogueira que negavam provimento à atualização do respectivo crédito. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1401-006.110, de 08 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10830.907987/2012-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 79 69 /2 01 2- 36 Fl. 222DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.125 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907969/2012-36 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de processo devolvido ao CARF pela EDIC-DEVAT08-VR, mediante despacho, abaixo reproduzido: Verificou-se, ainda, s.m.j., que a natureza do direito creditório pleiteado pela interessada (e ora reconhecido pelo Acórdão do CARF) é de incentivo fiscal (oriundo do Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial-PDTI) e não de Pagamento Indevido ou A Maior- PGIM. Em razão disto, no Manual de Restituição, Ressarcimento e Compensação da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Norma de Execução CODAC nº 02/2008, datada de 08/02/2008, há orientação expressa (em negrito) de que “Não cabe correção monetária nem juros SELIC, por falta de previsão legal, na restituição de crédito decorrente deste incentivo, por se tratar de um benefício fiscal, não caracterizando a ocorrência de repetição de indébito”. A despeito disso, há Acórdão-Paradigma (...) o relator escreveu: .... Assim sendo, diante do acima relatado, propõe-se o retorno do presente processo ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS-CARF/Brasília-DF, para análise e definição expressa sobre se o direito creditório reconhecido nestes autos comporta atualização pela taxa Selic. Dirimida esta dúvida, o processo deve ser reencaminhado a esta Equipe de Execução do Direito Creditório-EDICDEVAT08- VR, para operacionalização, nos sistemas informatizados da RFB, do que for decidido. A ementa do referido acórdão ficou assim consignada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2007 REGIME ESPECIAL. PDTI. IRRF. PAGAMENTOS AO EXTERIOR. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DIREITO CREDITÓRIO. Contribuinte regularmente enquadrada no Programa de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial - PDTI faz jus ao crédito incentivado de IRRF sobre pagamento a domiciliados no exterior a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industria.” Fl. 223DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.125 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907969/2012-36 Por conseguinte, o presidente desta turma proferiu Despacho de Admissibilidade do presente Embargos, conforme excertos a seguir: (...) Os autos versam sobre pedido de restituição tendo como fundamento incentivo fiscal previsto no Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI), conforme se constata pelo seguinte excerto, extraído do acórdão: “O cerne do litígio se resume em um pedido eletrônico de restituição (PER) que foi transmitido pela Recorrente relativamente a um crédito incentivado de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contrato de transferência de tecnologia. O recolhimento de IRRF, efetuado por meio de DARF foi arrecadado sob código 0422”. O acórdão, acatando a argumentação expressa no recurso voluntário, bem como os documentos acostados aos autos, reverteu decisão de primeira instância pela improcedência do pedido de restituição. O voto condutor do julgado estabeleceu o marco temporal a que a contribuinte fazia jus ao benefício fiscal, tudo conforme Portarias expedidas pelo Ministério das Ciência e Tecnologia, nos seguintes termos: “Desta forma tem-se que no período compreendido entre 06/05/2003 até 11/03/2007 a Recorrente efetivamente gozava do direito aos benefícios fiscais do PDTI, instituído pela Lei 8.661/93. Ao contrário do constatado na decisão de primeira instância”.(destaquei) Com respeito aos recolhimentos que fariam jus à restituição pleiteada, assim se posiciona o voto condutor do julgado: “Outrossim, importa dizer que os recolhimentos de IRRF objetos do presente pedido de restituição foram feitos sob o código 0422, específico para Royalties e Pagamento de Assistência Técnica, tendo como fato gerador importâncias pagas, remetidas, creditadas, empregadas ou entregues a residentes ou domiciliados no exterior, por fonte localizada no Brasil, a título de: ... Em outras palavras, como bem asseverou a decisão de piso, trata-se de um código específico para remessas ao exterior de royalties e pagamentos de assistência técnicas. Assim, tem-se que os recolhimentos objetos da PER se enquadram efetivamente nas hipóteses do regime especial concedido à Recorrente. Diante deste cenário, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente usufruir do Fl. 224DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.125 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907969/2012-36 direito creditório oriundos do PDTI sobre os recolhimentos de IRRF referentes ao período de 06/05/2003 a 11/03/2007” A unidade preparadora, por seu turno, solicita ainda aclaramento quanto à incidência da SELIC sobre os valores a serem restituídos, haja vista norma interna da Receita Federal do Brasil (Norma de Execução CODAC nº 02/2008) que informa falta de previsão legal para correção do valor a ser restituído em decorrência de benefício fiscal. Seguem os termos da unidade preparadora: “Verificou-se, ainda, s.m.j., que a natureza do direito creditório pleiteado pela interessada (e ora reconhecido pelo Acórdão do CARF) é de incentivo fiscal (oriundo do Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial-PDTI) e não de Pagamento Indevido ou A Maior-PGIM. Em razão disto, no Manual de Restituição, Ressarcimento e Compensação da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Norma de Execução CODAC nº 02/2008, datada de 08/02/2008, há orientação expressa (em negrito) de que “Não cabe correção monetária nem juros SELIC, por falta de previsão legal, na restituição de crédito decorrente deste incentivo, por se tratar de um benefício fiscal, não caracterizando a ocorrência de repetição de indébito”. A despeito disso, em outro Acórdão-Paradigma (Acórdão nº 1402- 004151, datado de 17/10/2019, do Processo nº 10830.909138/2012- 07), o relator escreveu: ... Assim sendo, diante do acima relatado, propõe-se o retorno do presente processo ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS-CARF/Brasília-DF, para análise e definição expressa sobre se o direito creditório reconhecido nestes autos comporta atualização pela taxa Selic. Dirimida esta dúvida, o processo deve ser reencaminhado a esta Equipe de Execução do Direito Creditório-EDICDEVAT08-VR, para operacionalização, nos sistemas informatizados da RFB, do que for decidido.” Em suma, a manifestante solicita esclarecimento do CARF quanto à incidência ou não da SELIC sobre os valores a serem restituídos. Assiste razão à unidade preparadora. No que se refere à incidência da SELIC sobre os valores a serem restituídos, objeto do pedido da contribuinte no recurso voluntário apresentado, constata-se a ocorrência de lapso manifesto, haja visto a decisão ter silenciado sobre o pedido formulado. Considerando-se a informação prestada pela unidade preparadora acerca da existência de ato normativo interno da RFB que veda a correção pela SELIC de valores a restituir decorrentes de benefício fiscal, como é o caso em exame, urge que o Colegiado se posicione expressamente sobre a incidência ou não da correção, conforme solicitação do órgão de origem. Fl. 225DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.125 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907969/2012-36 Registre-se que o Sr. Presidente da Turma julgadora, em função do relevo dos questionamentos levantados, assume como de sua autoria os embargos, recebendo-os como inominados, nos termos do art. 66 do anexo II do RICARF. Pelo exposto, restou demonstrada a ocorrência de lapso manifesto a ser reparado pelo colegiado para nova manifestação quanto à incidência ou não da correção pela SELIC sobre os valores a restituir, quando procedentes. CONCLUSÃO Diante do exposto, acolho os embargos como inominados, nos termos do art. 66 do Anexo II do RICARF para nova manifestação do Colegiado sobre a incidência ou não da correção pela SELIC sobre os valores a restituir, quando procedentes. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Os embargos inominados são cabíveis em face de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e de erros de escrita ou de cálculo constatados em decisão colegiada, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015): Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, dar-se-á ciência ao requerente. No caso dos autos, como bem abordado pelo Presidente da Turma, verifica-se uma omissão do acórdão recorrido quanto a atualização do crédito pleiteado pela contribuinte. Haja vista que tal pedido constou expressamente do Recurso Voluntário, conforme trecho a seguir: 34. Por todo o exposto, requer a ora Recorrente que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e provido, a fim de que a r. decisão recorrida seja Fl. 226DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.125 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907969/2012-36 reformada, deferindo-se o pedido de restituição no valor objeto do PER nº 21685.27058.301208.1.2.04-8475, devidamente atualizado pela taxa SELIC. Em que pese entender que a medida processual mais adequada para sanar a presente omissão seja o recurso de Embargos de Declaração (que não fora interposto), entendo de suma importância a definição, por este órgão colegiado, sobre a atualização do crédito, sob pena de gerar discussões sobre a execução do acórdão. Assim, corroboro com o entendimento do Presidente da Turma/Embargante, que considerou a ocorrência de lapso manifesto do acórdão recorrido, haja visto a decisão ter silenciado sobre o pedido formulado de atualização do crédito pela taxa SELIC, razão pela qual admito o presente Embargos Inominados. Passa-se ao exame do mérito. Tem-se que a controvérsia reside sobre a existência de uma norma infra legal, qual seja, a Norma de Execução CODAC nº 02/2008, em que consta a seguinte orientação: Não cabe correção monetária nem juros SELIC, por falta de previsão legal, na restituição de crédito decorrente deste incentivo, por se tratar de um benefício fiscal, não caracterizando a ocorrência de repetição de indébito Quanto ao referido tema, entendo não assistir razão à administração tributária, ao distinguir a forma de atualização do crédito decorrente de incentivo. Ora, quanto ao pagamento indevido ou a maior do que o devido de tributo à legislação de regência estabelece de forma clara que a partir de 1º de janeiro de 1996 a restituição ou compensação será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou maior que o devido até o mês anterior da restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Entendimento este consolidado no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, nos seguintes dispositivos: Art.894. O valor a ser utilizado na compensação ou restituição será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia –SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 39, § 4º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 73): I – a partir de 1º de janeiro de 1996 até 31 de dezembro de 1997, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês que estiver sendo efetuada; II – após 31 de dezembro de 1997, a partir do mês subseqüente do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo Fl. 227DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.125 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907969/2012-36 efetuada; Art. 895. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá optar pelo pedido de restituição do valor pago indevidamente ou a maior, observado o disposto nos arts.892 e 900 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 2º, e Lei nº 9.069, de 1995, art. 58). § 1º Entende-se por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior aquele proveniente de: I – cobrança ou pagamento espontâneo de imposto, quando efetuado por erro, ou em duplicidade, ou sem que haja débito a liquidar, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II – erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao recolhimento ou pagamento; Ora, se a legislação de regência prevê atualização monetária e juros moratórios com base na Taxa Selic sobre as restituições/compensações com origem em pagamento indevido ou a maior do que o devido de tributo, nada mais lógico e racional de que seja dada ao contribuinte idêntica prerrogativa quando se tratar de restituição ou compensação de tributo em situações especiais por uma questão de justiça tributária, por ausência de norma legal que diga ao contrário. Ademais, os princípios da lealdade e moralidade administrativa exigem que os créditos tributários dos sujeitos passivos, inclusive os decorrentes de restituição ou compensação de 30% do imposto retido na fonte sobre os valores remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de pagamento de royalties, vinculados a contratos de transferência de tecnologia, averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, tenham seus valores preservados até a efetiva utilização, mediante a restituição ou a compensação. Desta forma, entendo, que no caso em questão, sobre o saldo de imposto a compensar/restituir devem incidir juros equivalentes à taxa SELIC, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição ou da compensação e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição ou a compensação for efetivada. Diversos são os julgados do CARF nesse sentido, inclusive alguns deles são da mesma contribuinte do processo em exame: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2000, 2001 PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). INCENTIVOS FISCAIS. ROYALTIES. RESTITUIÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Devem incidir sobre os créditos tributários dos sujeitos passivos, decorrentes da devolução de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de Fl. 228DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.125 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907969/2012-36 pagamento de royalties e vinculados a contratos de transferência de tecnologia, averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, a partir de 01 de janeiro de 1996, os juros equivalentes à taxa SELIC, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição for efetivada. (Acórdão nº 2201-002.711 / Contribuinte: 3M DO BRASIL LTDA) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 1999 PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). INCENTIVOS FISCAIS. ROYALTIES. RESTITUIÇÃO DE 30% DO IRRF SOBRE REMESSA EFETUADA AO EXTERIOR. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Os princípios da lealdade e moralidade administrativa exigem que os créditos tributários dos sujeitos passivos, inclusive os decorrentes da restituição de 30% do imposto retido na fonte sobre os valores remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de pagamento de royalties, vinculados a contratos de transferência de tecnologia, averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, tenham seus valores preservados até a efetiva utilização, mediante a compensação ou restituição. Desta forma, sobre o saldo de imposto a compensar ou a restituir, deve ser agregado, a partir de 01/01/96, a contar da data da retenção ou do pagamento, dos juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a compensação ou restituição for efetivada. Recurso provido. (Acórdão nº 2201-01.124 / Contribuinte: BRIDGESTONE FIRESTONE DO BRASIL IND. COM. LTDA.) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2004 RESTITUIÇÃO. IRRF. ROYALTIES. PDTI. Demonstrado nos autos pela recorrente que teria o direito - no caso, faltava a Portaria MCT com vigência no período em questão - cabe o seu direito pleiteado. Trecho do voto: “Igualmente, como alegado, cabe a aplicação de juros equivalentes à taxa Selic sobre o direito creditório pleiteado.” (Acórdão nº 1402-004.151 / Contribuinte: 3M DO BRASIL LTDA) Ante o exposto, voto no sentido de acolher o Embargos Inominados, para sanar o lapso manifesto da decisão recorrida, reconhecendo-se o direito de atualização do crédito pleiteado pela Taxa Selic, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição for efetivada, cujo valor deverá apurado pela autoridade executora do presente acórdão. Fl. 229DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.125 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907969/2012-36 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para sanar o lapso manifesto da decisão recorrida, reconhecendo-se o direito de atualização do crédito pleiteado pela Taxa SELIC, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição for efetivada, cujo valor deverá apurado pela autoridade executora do presente acórdão. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Redator Fl. 230DF CARF MF Documento nato-digital
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