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Numero do processo: 10831.001112/90-33
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: 301-00.631
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao DECEX/CIC, através da RO (IRF-Viracopos/SP), na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FLAVIO ANTONIO QUEIROGA MENDLOVITZ
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FLAVIO ANT IN QUEIR G MEND OVITZ - Relator. RES - Procurador da Fazenda Nacional. Recurso n.° 112.685 Processo ng 10831-001112/90-33. Recorrente FEPASA - FERROVIA PAULISTA S/A. Recornd IRF - VIRACOPOS - SP. RESOLUCAO Ng 301-631 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Primeira Cmara do Terceiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamen- to em diligencia ao DECEX/CIC, através da RO (IRF-Viracopos/SP), na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasflia-D , 13 de março de 1991. VISTO EM SESSAO DE: 09 ABR 191 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, JOAO BAPTISTA MOREIRA, IVAR GAROTTI, LUIZ ANTONIO JACQUES e os Suplentes PAULO CtSAR BASTOS CHAUVET e SAN- DRA MfRIAM DE AZEVEDO MELLO. Ausentes os Conselheiros JOSE THEODORO MASCARENHAS MENCK e WLADEMIR CLOVIS MOREIRA. i ERVICO PUBUCO FEDERAL MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, 1'1 CÂMARA. RECURSO Ng 112.685 RESOLUÇÃO 301-631 RECORRENTE: FEPASA - FERROVIA PAULISTA S.A. RECORRIDA : IRF - VIRACOPOS - SP. RELATOR : FLAVIO ANTONIO QUEIROGA MENDLOVITZ. RELATÓRIO A recorrente solicitou através da DI n° 6353/90 de 11.07.90, redugão do Imposto de Importação e IPI, com base na Lei n 7810/89. A fiscalização constatando que o referido beneficio fiscal,encontrava-se revogado pela Lei ng 8032/90 (DOU-13/04/90), lavrou o Auto de Infração de fl. 01, para exigir os tributos, com os acréscimos legais, no total de Cr$ 13.885,74 (treze mil, oitocentos e oitenta e cinco cruzeiros e setenta e quatro centavos) ou 279,75 Bônus do Tesouro Nacional. Tendo tomado ciência do Auto de Infração, através do AR (fl. 08), tempestivamente, a autuada apresentou impugnagio de fls. 09/ 15 , alegando basicamente o seguinte: - que para manutenção de seu parque operacional, procedeu a importação de pegas para socadora Plasser SAP 232; - que a importação fora levada a efeito, com suporte na docu mentagio legal acostada ao processo, sem guia de importação com base no item 4.3 do Comunicado Cacex nQ 204/88, conforme dispOe a Carta de Credenciamento, junto sa Secretaria da Receita Federal, emitida em 26. 01.90, com validade para embarque ate 31.12.90, sob o rig 18-90/00173-1; - que ficou surpresa, ao deparar com a manifestação do Audi tor Fiscal, no verso da DI, de que a redução estava revogada Lei ng... 8032/90; - que a ferrovia fora tradicionalmente beneficiada pela isen Qd0 ou redugão de impostos, quando da importagão de máquinas e equipa mentos necessários a manutenção de seu parque operacional, mencionando vários dispositivos legais, que acolhiam ora especificamente, ora gene ricamente, beneficio ao transporte ferroviário nacional; - que destaca a Lei ng 8032/90 de 12/04/90, que é por exce lência didática sobre a matéria e teve por fim legislar, dispondo no -3- Rec 112.685 Res 301-631 ERVIÇO PLIEILICO FEDERAL seu Artigo 1, que revoga as isenções e reduções, no seu Artigo 2q as limita e por outro lado nos Arts. 3q ao 9q disciplinam as importações sob certos aspectos; - que no Artigo 10 determina que o Artigo 1, não se aplica as isenções e reduções concedidas, nos termos da legislação respecti va at a data da entrada em vigor desta Lei; - que a ferrovia jg possuia a Carta de Credenciamento da SRF, junto 'a Cacex, em substituição as Guias de Importação desde 26. 01.90 e com prazo de validade at 31.12.90; - que a Carta de Credenciamento fora concedida, sob a vigen cia da Lei 0 7810/89, que concedia redução de 80% do Imposto de Im portaçio e IPI, tendo como (mica e exclusiva conclusão, que a importa gio está amparada por esta Lei; - que cita obra "Estudos de Problemas e Casos Tributários", Edição Jose Bushsky - 1969, tratando-se de um direito, fundado na obrigatoriedade de suas normas, devem estas serem interpretadas com a maior atenção ao fim do direito, que 6 a justiça, não só quanto aos interesses do Estado, na obtenção de sua receita, para a consecução de seus objetivos, como na pessoa do contribuinte, para não onerg -lo demasiadamente, sem base real e sem que importe a imposição tributg ria, um verdadeiro confisco; - que o CTN quando trata da interpretação e integração da legislação tributária, dispõe em seu Art. 112, que a lei tributária que define infrações, ou lhes comina penalidades, interpreta-se da ma neira mais favorável ao acusado, em caso de divida quanto à capitula gio legal do fato, 'a natureza ou circunstãncias materiais do fato ou sa natureza ou extensão dos seus efeitos; - que sobre a materia, com propriedade manifestou-se J.MOTTA MAIA (Comentário ao CTN), que a lei tributária permite uma abertura em favor do contribuinte, por via da interpretação, quando se trata de beneficiá-lo, ou seja, como na lei penal, há de adotar-se a inter pretagão mais favorável ao acusado, o contribuinte; - que do ponto de vista, estritamente jurídico, há que des tacar-se o que dispõe a Carta de Credenciamento da Cacex "A Cacex,con cede ao Importador acima, registrado no Cadastro de Exportadores e Im portadores sob n° 3-0018/60-02059, a presente Carta de Credenciamento para importar partes e pegas, componentes e acessórios para seuusopró -4- Rec. 112.685 Res. 301-631 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL prio, sem guia de importação com base no item 4.3 do Comunicado Cacex ng 204/88 de 02.09.88, até o limite anual de US$ 100.000, (cem mil do lares americanos) FOB ou seu equivalente em outras moedas". - que por todo o exposto, requer a improcedência do Auto de Infração. Sobre a impugnação, manifesta-se o Autor do feito às fls. 44/45, proponho a manutenção do Auto de Infração, com os seguintes ar gumentos: - que o ilnico direito que a autuada possue, através da Car ta de Credenciamento, é o de poder importar, partes, pegas, componen tes e acessórios de máquinas, sem a obrigação de emissão de guia de importação para cada operação, ate o limite global de US$ 100.000,00 FOB, somente isso; - que não há como pretender que a Cacex, ao emitir a Carta de Credenciamento, tenha lhe concedido qualquer tipo de favor fiscal, sendo portanto, totalmente inaplicável ao caso o disposto no Art. 10, Inciso I da Lei ng 8032/90,como quer a impugnante; - que também não se aplica ao caso, o disposto no Inciso II do mesmo Artigo 10, que ressalva a isenção para as GI's já emitidas antes da revogação, não se tratando no presente caso, de Guia de Im p tagão, mas sim de Carta de Credenciamento e que pelo estatuído no Art. 129 do RA, é vedada outra interpretação, que não seja a literal, da legislação dispondo de isenção ou redução do imposto; - que por ultimo, cabe informar que assunto idêntico, envol vendo a mesma pessoa passiva da obrigação tributária, já foi julgado nesta IRF (Processo ng 10831.000692/90-60 - Decisão ng 65/90), tendo- se decidido que o simples fato de dispor de Carta de Credenciamento emitida antes da entrada em vigor da Lei revogatória, não chi a inte ressada o direito a gozo de redução pretendida. Em 29.08.90, a autuada solicitou a liberação da mercadoria, através da Portaria MF ng 389/76, oferecendo em garantia, fiador ban cário, sendo autorizada a liberação em 30.08.90 (fl. 47) e consequen te desembaraço efetuado em 05.09.90, conforme fl. 49/verso. A autoridade de 1g Inst5ncia julgou procedente a ação fis cal. -5- Rec. 112.685 res. 301-631 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 0 recurso foi interposto no prazo, com as razões j,i arrola das na contestação. r o relatório. • I -6- Rec. 112.685 Res. 301-631 SERVIÇO PCJBLICO FEZERAL VOTO A Lei ng 8032/90 trata de Isengões e reduções, dispõe em seu art. 10, inciso II: "Art. 10 - 0 disposto no art. lg desta lei no se apli ca: II - aos bens importados, a titulo definitivo, amparados por isenção ou redução na forma da legislagão anterior, cujas guias de im- portação tenham sido emitidas ate a data da entrada em vigência desta lei." Conforme se depreende da leitura do texto legal, no esta contemplado o termo "Carta de Credenciamento", expedida conforme dis- põe a Resolução CACEX 204/88. Assim sendo, voto para transformar o julgamento em diligen cia ao DECEX-CIC, órgão sucessor da CACEX, para pronunciar-se quanto a dúvida levantada. Quesito formulado pela lg Camara: - 0 termo GUIA DE I1P0RTAQA0 descrito no art. 10, inciso II da Lei 8032/90, abrange também as importações ampa radas por Carta de Credenciamento, emitida nos termos da resolução CACEX 204/88? Sala das Sessões 113 de -a go de 1991. FLAVIO ANTON 0 QUEIRO MEN LOVITZ - Relator. •
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004630/88-21
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 1989
Ementa: Compete a 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes julgar recursos sobre classificação fiscal.
Numero da decisão: 303-25.714
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em remeter o processo à lª Câmara, vencido o Cons. Hélio Loyolla de Alencastro, na forma do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente, o Cons. Evandro Neiva de Amorim.
Nome do relator: JOSE ALVES DA FONSECA
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Recorrid : DRF - CAMPINAS - SP • Compete a 1 Câmara do 3 2 Conselho de Contribuintes I julgar recursos sobre classificação fiscal. VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Con selho de Contribuintes, por maioria de votos, em remeter o processo à l g Câmara, vencido o Cons. Hélio Loyolla de Alencastro, na forma do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente, o Cons. Evandro Neiva de Amorim. Sala das Sess5; , em 14 de dezjmbro de 1989. HÉLIO LOYO LA DE ALENCASTR• - Presidente 111 kof',/1-4 041A4-4,c- JOS, VE' DA, FONSECA - Relator M L)3ERT MACAU- Proc. da Faz. Nac. VISTO EM SESSÃO DE: 7 JAN 1990 [ Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLINDO DE SOUZA MACHADO E SILVA, HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO LUIZ EDUARDO SÁ RORIZ, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JUNIOR e PAULO CÉSAR BASTOS CHAUVET. Fls. 02 Recurso: 111.260 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão: 303-25.714 MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RECORRENTE: ICI BRASIL S.A. RECORRIDA : DRF - CAMPINAS - SP RELATOR : JOSÉ ALVES DA FONSECA RELATÓRIO A empresa acima identificada foi autuada l em,virtude de o produto por ela declarado nos documentos aduaneiros não se identifi car com aquele descrito no laudo de análise realizado. Foi descrito na DI como sendo um produto denominado "sal sódico de derivado sulfo- nado de composto animado (amida primária do xido monocarboxilico -N Oleonil) de nome 'químico Shodio methil N - Oleonil Taurate, posição • 29.25.99.00 com aliquotas de 30% para o II e O% para o IPI, mas o La- boratório de Análises constatou que se trata de uma mistura de sais de amidas graxas sulfonadas, com predominância do N - Metil - N Ole - oil Taurato de Sódio, um produto de constituição química não defini - da, com propriedades tensoativas, que foi classificado pela fiscaliza I ção na posição 34.02.01.00 da TAB com aliquotas de 50% para o II e I 15% para o IPI. Foi exigida a diferença dos dois tributos e multa do I artigo 364, II, do RIPI, por falta de recolhimento do IPI devido. Em impugnação tempestiva,o contribuinte alega que sua classificação está amparada pelo Parecer CST 338, de 23.02.81, edita- do em processo da Hokko do Brasil, Ltda. Aduz que seu produto é o mes mo constante do referido parecer e que as empresas envolvidas o utili zam na fabricação de produtos s agropecuários, defensivos agrícolas. Em nome do principio da isonomia, pede que seja julgado improcedente o AI. O julgador de primeira instância manteve a exigência, por considerar que não existe igualdade entre os dois produtos, visto que o Parecer invocado pela impugnante se refere ao produto denomina- do comercialmente FENEPON T- 77 - pó de cor creme, ao passo que o pro duto ora importado se dura IGEPON T - 77 - sólido em escamas amarelas. Agrega ainda que.o produto,objeto do parecer citado,e um produto orgâ nico de constituição química definida, contrariamente ao produto im- portado pelo impugnante que não possui constituição química definida. Agrega que,de acordo com a nota 29-1 da TAB,classifica-se no capítulo 29 apenas os produtos orgânicos de constituição química definida, ten do a fiscalização adotado os alicerces dos Pareceres Normativos CST 124/75 e 116/86, bem como o fato de ter constatado o laudo que se tra ta de um produto tensoativo. Em recurso tempestivo dirigido a este Colegiado, o con tribuinte pede a reformulação da decisão recorrida,dizendo ser o seu produto o mesmo constante do Parecer CST 338/81. Diz que a diferença entre eles referem-se apenas quanto ao nome comercial e a forma de apresentação "sob a forma de pó de cor creme e outro sólido, em esca- mas amarelas (creme, amarelo, são cores similares). Agrega, ainda,que o nome cientifico do produto importado é o mesmo identificado pelo LA BANA. Quanto aos pareceres normativos evocados pelo julgador de primeira instância, informa que o de número 82/86,confirma inteira v.v. mente a posição correta adotada pelo recorrente. • É o relatório. 1 • • Fls. 03 Recurso: 111.260 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão: 303-25.714 4111 VOTO O Laudo de fls. 16 indica que a amostra coletada foi de Metil-N-Oleoil-Taurato de Sódio. O laboratório concluiu que se tra ta de N-Metil-N-Oleoil-Taurato de Sódio, um produto de constituição química não definida, com características tensoativas doItipo AniOni co. Do ponto de viste de identificação, mesmo que haja discordância no varejo, parece-me que no atacado há uma convergencia, indicando tra- tar-se de uma questão de classificação. Face ao exposto, voto no sentido de declinar da compe tencia desta Câmara para julgamento, em favor da 1 B Câmara do 3 2 Con- • selho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 14 de dezembro de 1989. )(g. lgl JOSÉ ALVES DA FONSECA - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721949/2010-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT.
Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, mesmo que por meio de terceiros e que não esteja inscrita no PAT.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.475
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência parcial em relação ao período compreendido entre 01/2005 a 06/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para excluir todos os códigos de
lançamento relacionados à alimentação.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, mesmo que por meio de terceiros e que não esteja inscrita no PAT. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência parcial em relação ao período compreendido entre 01/2005 a 06/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para excluir todos os códigos de lançamento relacionados à alimentação. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 548DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ewan Teles Aguiar. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10680.721949/201079 Acórdão n.º 2403001.475 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI nº 37.267.4445, cuja notificação ocorreu em 13/07/2010 (fl. 03), lavrado em face da CONSTRUFEL CONSTRUTORA FERROVIÁRIA LTDA, no valor R$ 11.951,51 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e cinquenta e um centavos), por ter deixado de recolher contribuições previdenciárias destinadas às outras entidades e fundos (FNDE, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA), à alíquota de 5,8%, incidentes sobre os valores pagos a título de alimentação in natura (cantina, lanches e cestas básicas) fornecido aos empregados, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT e não incluídos em folhas de pagamento/GFIP´s no período de 01/2005 a 12/2007. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 65/73, verbis: “2 – O fato gerador das contribuições lançadas no presente Auto de Infração foi verificado e apurado da seguinte forma: 2.1 Alimentação in natura fornecida pela empresa aos contribuintes segurados empregados, no período de 01/2005 a 12/2007, a titulo de alimentação cujos valores correspondentes ao presente levantamento, encontramse lançados neste AI, sob o seguinte código AL Alimentação sem comprovante de PAT. 2.2 Foi solicitado à empresa, mediante Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF, em 26/04/2010, o comprovante de adesão ao PAT Programa de Alimentação do trabalhador. Tendo em vista a não apresentação do comprovante de adesão ao ‘PAT’, os valores correspondentes à alimentação e as cestas básicas fornecidas passam a integrar a remuneração dos segurados empregados. A obrigatoriedade da inscrição no programa de alimentação do Trabalhador está claramente definida na Lei 8.212/9 que assim determina: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97). (...) Fl. 550DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 4 c) a parcela ‘in natura’ recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei 6.321, de 14 de abril de 6.321, de 14 de abril de 1976.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 269/285. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de julgamento em Belo HorizonteMG DRJ/BHE, prolatou o Acórdão n° 02 31.497, de fls. 409/415, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. Incide contribuição para as outras entidades/terceiros sobre os valores pagos aos segurados empregados que prestam serviço ao contribuinte, pessoa jurídica. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em decadência quando ainda não transcorrido o prazo legal para a Seguridade Social constituir seus créditos. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO ADESÃO AO PAT. O valor da ALIMENTAÇÃO fornecida in natura a empregados por empresa não inscrita no Programa de ALIMENTAÇÃO do trabalhador PAT integra o salario decontribuição. Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas nos exatos termos definidos pela legislação previdenciária. As demais sofrerão os efeitos da tributação. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. REMUNERAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Embora a convenção coletiva de trabalho possa descaracterizar verba como remuneração para fins trabalhistas, a hipótese de incidência das contribuições previdenciárias continua adstrita ao que está definido na lei, em obediência ao princípio da estrita legalidade que rege a instituição de tributos. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10680.721949/201079 Acórdão n.º 2403001.475 S2C4T3 Fl. 3 5 DECISÕES JUDICIAIS. As DECISÕES JUDICIAIS, mesmo que reiteradas, não tem efeito vinculante em relação às DECISÕES proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente. Crédito tributário mantido.” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 426/437, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos: Da Decadência Alega a Recorrente que, haveria ocorrido a decadência dos períodos constituídos como crédito tributário, através do Auto de Infração nº 37.267.4429, cujos fatos geradores tivessem ocorrido antes de 13/07/2005. Cita o art. 150, §4º do código tributário nacional CTN para respaldar a decadência quinquenal, alegando ser inegável que durante o ano de 2005 tenha havido recolhimentos antecipatórios dos tributos em questão, previstos na lei 8.212/91 em seu art. 22, incisos I e II. Da Inexistência da Relação JurídicoTributária. Insurgese neste tópico a Recorrente das verbas cobradas no auto de Infração a título de pagamento de refeições in natura, por não integrar o salário de contribuição, não podendo ser considerado como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Alega que a incidência da contribuição previdenciária ocorrerá somente quando há pagamento de valores em pecúnia a título de alimentação, e sem que tal fornecimento esteja inscrito no PAT. No caso dos alimentos fornecidos in natura, através de lanches e refeições em cantina, bem como através de cestas básicas, como ocorreu no caso em tela, não há obrigatoriedade de inscrição no PAT e, assim não haverá a incidência tributária em virtude da não inscrição no referido programa. Argúi que, é vasto o posicionamento do STJ e dos outros tribunais nesse sentido, ou seja, de que não incide contribuições previdenciárias quando a alimentação é fornecida in natura pela empresa aos seus empregados, independentemente de haver inscrição no PAT. O fornecimento de alimentos in natura, como no presente caso, se dá por força de convenção coletiva de trabalho, convenções estas que estabelecem claramente que tal fornecimento não integra a remuneração para todos os fins, e, assim, não estariam sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 6 Assim ao final ratifica que o fornecimento de alimentação in natura, independentemente de estar inscrito no PAT, não integra a base de cálculo de incidência previdenciária. Do Pedido Requer a reforma da decisão de forma a se reconhecer a decadência de parte do crédito tributário constituído, ou seja, com fatos geradores anteriores a 07/2005 e no mérito considerar como indevidas as contribuições exigidas, anulandose o auto e extinguindose o crédito tributário em sua totalidade. Pede ainda que o presente recurso seja julgado juntamente com recursos interpostos nos processos nºs 10680.721948/201024 e 10680.721950/201001, por se tratar de questão conexa. É o relatório. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10680.721949/201079 Acórdão n.º 2403001.475 S2C4T3 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 423 e 426, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: Fl. 554DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 8 CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas. Da análise do Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal – TEPF, na fl. 53, a Fiscalização destaca que examinou “Comprovantes de Recolhimentos”. Esse fato é suficiente para a aplicação da decadência nos termos do art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração corresponde às competências compreendidas entre 01/2005 a 12/2007. A notificação ocorreu em 13/07/2010 (fl. 03). Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre 01/2005 a 06/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. DO MÉRITO NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM A COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO PAT A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento in natura, sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. A DRJ, no seu r. acórdão, julgou como procedente o lançamento no que se refere a essa autuação, por entender que a inscrição no PAT é condição essencial para que tais verbas possam ser excluídas do conceito de remuneração. É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN Fl. 555DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10680.721949/201079 Acórdão n.º 2403001.475 S2C4T3 Fl. 5 9 NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante:“nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.” Ademais, a Jurisprudência também pacificou entendimento no sentido de que não incide contribuição previdenciária em relação ao valetransporte pago em pecúnia. Sendo, inclusive, matéria prevista na Súmula n. 60 de 08 de dezembro de 2011 da Advocacia Geral da União, verbis: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Fl. 556DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 10 Razão pela qual, não deve incidir contribuição previdenciária em relação ao fornecimento de alimento in natura. CONCLUSÃO Do exposto, preliminarmente, reconheço a decadência parcial em relação ao período compreendido entre 01/2005 a 06/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; no mérito dou provimento ao recurso para excluir todos os códigos de lançamento relacionados à alimentação. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 557DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI
score : 1.0
Numero do processo: 10611.000255/91-58
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 1992
Ementa: Isenção.
Não é suficiente qualquer declaração,para gozar do benefício fiscal estabelecido pelo art. 1499, inciso X, do R.A., sendo necessário o certificado de homologação pertinente expedido pelo MAer, "ex vi" do art. 158 do mesmo diploma.
Recurso negado.
Numero da decisão: 301-26.874
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relat6rio e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO BAPTISTA MOREIRA
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ACORDA0 N! 301-26.874----------Sessão de 27 de fevereiro Recurso n2. . 114.324 Recorrente: CHAMONE INDÚSTRIA AERONÁUTICA LTDA Recor-rid IRF - Aeroporto Tancredo Neves - MG - Presidente 1'1- Re, .A MOREIRA ~Iator ~UZA - Procurador da Faz. Nacional ITAMAR ~ Isenção. Não e suficiente qualquer declaração,para gozar do ben~ fÍcio fiscal estabelecido pelo art. 1499, inciso x, do R.A., sendo necessário o certificado de homologação per tinente expedido pelo MAer, "ex vi" do art. 158 do mesmo diploma. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Canse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relat6rio e voto que passam a integrar o pr~sente julgado. Brasília-DF, em 27 de fevereiro de 1992. • VISTO EM SESSÃO DE: 1 6 OUT 19n Participaram ainda do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Flávio Antonio Queiroga Mendlovitz, Fausto de Freitas e Castro Neto, Sandra MÍriam de Azevedo Mello (suplente) eSjrgio de Castro Neves. Ausentes os Conselheiros Luiz Antonio Jacques e Josj Theodoro Masc£renhas Menck. . DAMEFP/DF - SECOS "' 041/92 _ ••.H. SERVICO PÚBLICO FEDERAL MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N2 114.324 - ACÓRDÃO N2 301-26.874 RECORRENTE CHAMONE INDÚSTRIA AERONÁUTICA LTDA RECORRIDA : IRF - Aeroporto Tancredo Neves - MG RELATOR JOÃO BAPTISTA MOREIRA E.!L!,ATÓRIQ A empresa Chamone Indústria Aeronáutica Ltda submeteu a despacho, através da D.I. nQ 03744/88, a importação de 2 pas de ~~iibe; ~l~i~e~ndo isenção do Imposto de Importação e do Impo~to S2 bre Produtos Industrializados; com fundamento nos artigos 149, X, 158 e 219 do Regulamento aprovado pelo Decreto nQ 91.030/85. 4t Em ato de revisão, a fiscalização aduaneira entendeu que a importadora não estava especificamente credenciada pelo D~ partamento de Aviação Civil (DAC) para executar serviços de manute~ ção, modificação e/ou reparos em hélices de aeronaves, razao porque , - ' : ',', . ' " '.,',.! l\ ••nao preencherla o r~qulslto estabelecido,'no artigo 158 do R.A. Em consequincia, foi lavrado o Auto de fnfração de fl•.Ol para exigir o recolhimento dos impostos de importação e sobre produtos indu£ trializados, acrescidos de multa de mora, multa do artigo 364, 11, do RIPI e dos demais encargos legais. A autuada impugnara a exigincia fiscal (fls. 12) al~ gando que, apesar de não estar homologada para a execuçao de repª ros e/ou modificações em hélice para aeronaves está, no entanto,4t habilitada a executar servillçode manutenção de aeronave no qual e£ tão incluídas a remoção e instalação de hélices. Este seria o e~ tendimento da DAC, conforme declaração que anexa à impugnação. Às fls. 15 o autor do feito propõe seja mantida a ex~ gincia fiscal. Em lª instincia a açao fisc~l:foiLjulgada procedente, entendendo a autoridade "a quo" que a autorização do DAC habilita a autuada à troca de tOdo, o conjunto de hélice e nao o seu desmonte par~ substituição de seus componentes. Tempestivamente, ~ empresa autuada recorre da decisão de lQ grau, reprisando os argumentos apresentados na peça impugnatQ ria. Aduz, ainda, que, ao contrário do que afirma a decisão singg lar, a substituição de urna pá de hélice riãoiimplica em desmontagem Imprensa Nacional Rec. : Ac. : 114.324 301-26.874 05. • • SERVICO PÚBLICO FEDERAL. do elemento propulsor mas tão somente em remoça0 de uma pa defei tuosa e colocação, em seu lugar, de uma pá em condições de uso. É o relatório . Imprensa Nacional 64. Rec.: 114.324 Ac.: 301-26.874 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL YQl'Q o art. 158 do R.A. condiciona a isenção pleiteada a existência de oficina especializada homologada pelo órgão competeQ te do Ministério da Aeronáutica. c Ora, o Certificado de Homologação, de fls. 06, .so trata de oficina especializada reparos em células de aeronaves para "manutenção, modificações de es1Iull:urametálica ...". e/ou • _ O argumento, da Requeren,te,'que,.a cl:'emoção, ins.talª ção e ih~peção'prévêntivas de hélices para aeronave estaria co~ preendida na homologação préci tada e inconsisten te,)mesmo com a declaração de fls. 13. Is~o porque o artigo 158 não fala em inte~ pretação, através de declaração, da nopm.~,e sim, em homologação. I-ª. to é, somente um "certificado homologação para, remoção, instalª çao e inspeção preventiva de hélices seria capaz de satisfazer a norma"regularmentrr; tendo em vista a interpretação literal dispo-ª. ta pelo art. 111 do CTN. Em reforço a essatese, as "instruções para Homolog-ª çao e Fiscalização de Empresas", de fls. 16 et seqs, :estabelecem que a manutenção, modificações DF reparos em hélices de aeronaves dão origem a "certificados de homologação, padrão E-I, 2,3":' Como o Certificado da Empresa é C-2, C-4, D-l e H, tal oficina' especializada não está homologada para gozar da iseQ çao prevista no art. 149, inciso:'x. em desmontagem do elemento propulsor. • Despicien40 das pas de hélice implica discutir, in casu, se a substi tuição Destarte. nego provimento no Recurso. Sala das Sessões, 27 de fevereiro de 1992. Imprensa Nacional 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004810/88-66
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 1996
Ementa: ENZIMA CARRIER BOUD ACYLASE FIXADA SOBRE GRANULOS DE SUPORTE INERTE - Com fundamento no laudo do Instituto Nacional de Tecnologia e manifestação do Instituto Adolfo Luiz, foi julgada pura essa enzima.
Numero da decisão: 301-28.076
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O cons. João Baptista Moreira, votou pela conclusão, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ISALBERTO ZAVÃO LIMA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O cons. João Baptista Moreira, votou pela conclusão, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DE, em 22 de maio de 1996 MO • - • - • ' DE MEDEIROS Presidente 4)(ac----c<v ISALBERTO ZAVÃO LIMA Relatar PROCURADOR DA ENDNACIONAL 01.oe ; $ Dictown .en ndoVISTA EM itil2 3-- r rnienda Ned0,1A, .1 O Ui 1995 Procurado Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : MÁRCIA REGINA MACHADO MELARE, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO e LUIZ FELIPE GALVÃO CALDEIROS. tett MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° : 111.091 ACÓRDÃO N° : 301-28.076 RECORRENTE : BAYER DO BRASIL S/A RECORRIDA : IRF/AIRJ/RJ RELATOR(A) ISALBERTO ZAVÃO LIMA RELATÓRIO Retorna o presente processo de diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT), ordenada pela Resolução 301 - 450 (fls. 83 a 86), e complementa- se o Relatório as fls. 84 e 85. Essa diligência foi determinada, com intuito de se esclarecer em definitivo a questão da classificação tarifária das enzimas em puras, concentradas e preparadas que se tomou questão polêmica, em razão de o LABANA, reiteradamente nessa matéria, ter adotado um parâmetro repelido por outros órgãos técnicos, para identificar as enzimas em puras quando seu teor protéico se situa acima de 80% de proteínas; concentradas, entre 80% e 20% de proteínas e preparados, abaixo de 20% de proteínas. Da diligência, resultou o laudo do INT, no qual a resposta aos quesitos do relator visaram clarificar a correção do entendimento do LABANA de caracterizar as enzimas em puras, concentradas ou preparadas a partir de seu teor protéico nas percentagens atrás definidas. A distinção entre enzima pura e preparada como pretende o LABANA (enzima pura teor de proteína acima de 80%; enzima preparada igual teor de proteína menor de 20%) não é aceita pelo Instituto Adolfo Lutz (tis 80) nem pelo INT, conforme laudos do processo. A resposta do INT ao quesito "g" é taxativa ao afirmar que a classificação de enzimas em função do conteúdo protéico adotado pelo LABANA não encontra respaldo na literatura técnica consagrada. A resposta do quesito "a" ficou prejudicada pelo tempo decorrido desde a amostragem da mercadoria até a data em que esta esteve disponível aos exames laboratoriais do INT. Desta forma, não foi possível a análise do nível de atividade enzimática. É o Relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° : 111.091 ACÓRDÃO NI° : 301-28.076 VOTO Como vimos do relatório a matéria em julgamento há de ser deslindada em função das provas produzidas, principalmente da diligência ordenada com o fim de esclarecê-la cabalmente. E este esclarecimento foi feito de forma indiscutível, quanto tanto ao pronunciamento do INT, quanto ao Instituto Adolfo Lutz, que negam qualquer valor técnico ao critério adotado pelo LABANA de classificar as enzimas por seu percentual protéico. ou seja, puras, teor de proteína acima de 80%, concentradas, teor de proteína entre 80% e 20% e preparadas, teor de proteína abaixo de 20%. Ora, determina o Decreto n° 70.235/72 que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, no seu artigo 30, que os laudos ou pareceres do LABANA, INT e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos e pareceres. Em assim sendo, comprovada que foi pelos laudos do INT a improcedência técnica e científica do critério do LABANA de tomar como base para identificar as enzimas em percentual só seu valor protéico, cai por terra o embasamento do auto de infração e da decisão recorrida que, com base em tal critério concluiu que a enzima importada pela Recorrente seria uma enzima preparada, o que não resultou provado. Ademais, parte das análises ficaram prejudicadas pela caducidade do prazo de validade do material amostrado, quando de sua remessa ao INT, inviabilizando a mensuração do nível de atividade enzimática, dado este importante diante dos argumentos da Recorrente. Diante do exposto dou provimento ao recurso. Sala de Sessões em, 22 de maio de 996 É/ 4 ISALBERTO ZAVÁO LIMA - Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000041/2007-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.276
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000041/200716 Acórdão n.º 240301.276 S2C4T3 Fl. 171 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1719.447 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.010.4307, com valor inicial consolidado de R$ 17.257,50. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente a Segurados, devidas e não recolhidas, correspondentes a contribuição do Segurado Empregador, referente aos 11% do ProLabore dos sócios e contribuição do segurado Contribuinte individual 11% sobre Autônomos. (não é objeto de apropriação indébita, uma vez que não foi feito desconto 11% segurados). O Relatório Fiscal, às fls. 67 a 68, informa que serviram de base para a apuração do débito aqui demonstrados as Folhas de pagamento e os Resumos das folhas de pagamento , Dirf 2003/2004/2005 e NF's Serviços no. 32 e 66, ref. A Luciano Nakashima, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social — GFIP, LDC's 35.585.7260 e 35.822.7950 e GPS (Guias da Previdência Social). O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09350191F00 foi cientificado pelo sujeito passivo, fls. 61. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 10, é de 08/2004 a 09/2006. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 22.12.2006, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 86 a 108. Após análise, a primeira instância emitiu o Acórdão nº 1719.447 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II SP, fls. 126 a 130, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2006 Documento Original: NFLD n° 37.010.4307, de 22/7/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS EM ATRASO INCIDÊNCIA DE JUROS E MULTA DE MORA. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Sobre as contribuições sociais em atraso há a incidência de juros equivalentes à taxa referencial SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Lançamento Procedente Acordam os membros da 9' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Ao Serviço de Orientação da Recuperação de Créditos SEREC da Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária de São Paulo Centro para cientificar o contribuinte do teor do presente Acórdão, intimandoo para pagamento do crédito previdenciário no prazo de 30 dias da ciência, ressalvandolhe o direito à interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, nos termos da legislação vigente. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 136 a 156, na qual alega em síntese que: (i) Do estado de necessidade da Recorrente. (ii) Da multa de mora. (iii) da inconstitucionalidade da taxa SELIC. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 169. É o Relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000041/200716 Acórdão n.º 240301.276 S2C4T3 Fl. 172 5 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 169. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS PRELIMINARES (a) violação a preceitos constitucionais. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000041/200716 Acórdão n.º 240301.276 S2C4T3 Fl. 173 7 (b) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.010.4307que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.010.4307) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000041/200716 Acórdão n.º 240301.276 S2C4T3 Fl. 174 9 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.010.4307, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (ii) Do estado de necessidade. Analisemos. Obviamente, tal argumento não tem amparo na legislação tributário previdenciário tampouco no processo administrativotributário. Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO. (iii) da inconstitucionalidade da taxa SELIC. Analisemos. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. (ii) Da multa de mora. Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000041/200716 Acórdão n.º 240301.276 S2C4T3 Fl. 175 11 A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11444.000461/2009-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2007
TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA.
É devida, pela empresa contratante, a contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
ATIVIDADES NA ÁREA DE SAÚDE. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRATOS COLETIVOS PARA PAGAMENTO POR VALOR PREDETERMINADO. SERVIÇOS DISCRIMINADOS NA NOTA FISCAL OU FATURA. BASE DE CALCULO.
Nas atividades na área de saúde, a base de cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, nos casos de contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, corresponderá ao valor dos serviços prestados pelos cooperados quando estes estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura.
LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA.
O artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigos 35, I, II, III da Lei 8.212/91.
Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art.
61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar o artigo 35-A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 e lhe conferiu nova redação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.362
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PREVIDENCIÁRIO. CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA. É devida, pela empresa contratante, a contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. ATIVIDADES NA ÁREA DE SAÚDE. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRATOS COLETIVOS PARA PAGAMENTO POR VALOR PREDETERMINADO. SERVIÇOS DISCRIMINADOS NA NOTA FISCAL OU FATURA. BASE DE CALCULO. Nas atividades na área de saúde, a base de cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, nos casos de contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, corresponderá ao valor dos serviços prestados pelos cooperados quando estes estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigos 35, I, II, III da Lei 8.212/91. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a Fl. 552DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar o artigo 35 A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 e lhe conferiu nova redação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000461/200926 Acórdão n.º 2403001.362 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado (DEBCAD n° 37.200.0045), consolidado em 27/05/2009, no valor de R$ 48.338,82 (quarenta e oito mil trezentos e trinta e oito reais e oitenta e dois centavos), referente as contribuições destinadas à Seguridade Social e devidas pela empresa. Os fatos geradores das contribuições lançadas foram os valores pagos pela empresa pelos serviços que lhe foram prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho (Unimed de Ourinhos Cooperativa de Trabalho Médico), no período de 05/2004 a 12/2007. As bases de cálculo apuradas corresponderam ao montante dos valores registrados nas notas fiscais/faturas a titulo de serviços pessoais contratuais e dos valores relativos ao custo operacional Ato Principal e à coparticipação Ato Principal. As contribuições recolhidas pelo sujeito passivo antes do inicio do procedimento fiscal foram consideradas pela fiscalização. O sujeito passivo apresentou impugnação, alegando, em suma, o seguinte: A impugnante não pode sofrer qualquer sanção penal pelo ato de declarar a base cálculo de forma diversa da apontada pela fiscalização, porquanto não houve dolo em sua conduta. A base de cálculo foi apurada pela impugnante conforme critérios definidos na Instrução Normativa n.° 3/2005 e na Circular emitida pela Cooperativa. Ao regulamentar a incidência da contribuição prevista no artigo 22, IV da Lei n.° 8.212/91, a Instrução Normativa n.° 3/2005, em seu artigo 291, inciso I, alínea dispôs que, para cálculo de referida contribuição, o valor da base de cálculo não poderá ser inferior a 30% da nota fiscal. Por conta desta interpretação, a Unimed Ourinhos encaminhou a Circular UNI/DIR 016/2000, informando que a base de cálculo, para efeito de recolhimento da contribuição previdenciária, era de 30% do valor da nota fiscal. Contudo, a fiscalização, deturpando o comando legal e infralegal, entendeu que a base de calculo é aquela prevista na Lei n.° 8.541/92, que trata da retenção do imposto de renda, e equivale a 60% da nota fiscal. A contribuição instituída pela Lei n.° 9.876/99 é inconstitucional. A impugnante celebrou contrato de prestação de serviços médicohospitalar com uma cooperativa de trabalho. Esta enviou Circular à impugnante informando que os honorários médicos corresponderiam a 30% do valor da nota fiscal. O valor dos serviços prestados é de livre negociação entre a cooperativa e seus cooperados, estando portanto fora do conhecimento da impugnante. A impugnante não tem nenhum vinculo pessoal com os cooperados, apenas com a cooperativa de trabalho. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A penalidade superveniente estabelecida pela MP n.° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009, por ser mais benéfica para a impugnante, deve ser aqui aplicada retroativamente para redução da multa moratória, com fundamento no artigo 106. II do CTN. Requer a nulidade do lançamento; a redução da multa de mora aplicada; e que todas intimações sejam dirigidas ao procurador da impugnante. É o relatório. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.256, a 8ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto – SP DRJ/POR, em 19 de janeiro de 2010, exarou o Acórdão n ° 1427.237, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.253, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” É o Relatório. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000461/200926 Acórdão n.º 2403001.362 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 269, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento DA PRELIMINAR DE NULIDADE A Recorrente requer que “ seja anulado o auto de infração AIOP n. 37.200.0045 e declarado insubsistente referida cobrança da penalidade pecuniária em face da correta declaração da base de cálculo ”. Com o advento da Lei n. 9.876/99, foi criada nova fonte de custeio da previdência social através da inclusão do inciso IV ao art. 22 da Lei n.8.212/91, devido pelas tomadoras sobre pagamentos dos serviços prestados por cooperados, através de suas cooperativas de trabalho.Assim dispõe a nova redação do inciso IV do art. 22: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada Seguridade Social, além do disposto no art. 23 é de: IV Quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que lhe são prestados por cooperados ou por intermédio de cooperativas de trabalho.” O período do crédito : 01/05/2004 a 31/12/2007 aduz que até julho de 2005 deva ser observada a IN SRP n° 71/2002 . A INSRP n° 3, de 14 de julho de 2.005, revogou a INSRP n° 71/02 e regulou a incidência mediante o comando do artigo 291 : “ Art. 291. Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando, se referir a contrato de grande ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em Fl. 556DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial.” Conforme alega a Recorrente, esta interpretou que a base de cálculo não poderia ser inferior a 30%. Agindo assim, esqueceuse de observar que, no que se refere aos contratos coletivos de serviços prestados pelos cooperados, aplicase o percentual mínimo se os valores dos materiais fornecidos não estiverem discriminados nas notas fiscais ou faturas e, ainda, uma outra condicionante contida no inciso I , “a” do artigo maestro, que impõe tal percentual quando se referir a contrato de grande ou de risco global, sendo classificado assim aquele que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial, verbis: “ I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) Inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando, se referir a contrato de grande ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial.” A empresa alega que : “procedeu ao recolhimento do tributo levando em consideração a base de cálculo consistente em 30% (trinta por cento) do valor bruto da Nota Fiscal/Fatura para fins de incidência da alíquota de 15% (quinze por cento) prevista na lei.” . Registrou que : “ Vale lembrar que a contratação dos serviços ocorre entre a empresa tomadora e a cooperativa (pessoa jurídica) e não com os cooperados (pessoa física),muito menos existe a possibilidade de estabelecer valores e honorários que serão devidos, fato de livre negociação entre cooperativa e seus cooperados, logo, referida circular aparentemente se reveste de higidez e credibilidade.” Por fim a recorrente declara como teria efetuado os cálculos para recolhimento: “ A Impugnante mesmo não concordando com a constitucionalidade da referida contribuição, procedeu ao recolhimento da exação nos termos delineados na INSRP n. 3/2005 em conjunto com o dispositivo legal, ou seja, a incidência da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre a base de cálculo de 30% (trinta por cento) do valor bruto da nota fiscal/fatura emitida pela Cooperativa.” Assim , de plano, a empresa confessa que cometeu equívoco ao interpretar a legislação. Confessa que utilizou de forma generalizada 30 % dos valores brutos para fazer incidir sobre esses os 15% obrigacionais. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000461/200926 Acórdão n.º 2403001.362 S2C4T3 Fl. 4 7 A norma é claríssima ao determinar que a base de cálculo não poderá ser inferior a 30% não querendo de forma alguma que interpretação oblíqua infira que a base não possa ser superior nos casos efetivamente comprovados pelos pagamentos das notas fiscais ou faturas pelos serviços prestados. Às fls.216 e 231, extraído do colacionado contrato entre as partes, se revela a existência de contrato por valores prédeterminados e ainda conforme cláusula 43 também um segundo plano não de risco global e sim de assistência básica: “ Art.43 Os usuários farão jus, satisfeitas as respectivas condições, à cobertura básica prevista neste Titulo, exclusivamente dentro dos recursos próprios ou credenciados, nos termos da Proposta de Admissão.” Dissecando a instrução temse que : “ a) Tratase de norma para ser observada nos CONTRATOS COLETIVOS para pagamento por valor predeterminado; b) Quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura quando se referir a contrato de grande ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial.” Desse modo, em razão de tudo que foi exposto, há que se proceder o cálculo das incidências na forma da legislação que obriga imputar percentual de 15% sobre as notas fiscais ou faturas. No Relatório Fiscal o Auditor Revela que as bases de cálculo apuradas corresponderam ao montante dos valores registrados nas notas fiscais/faturas a titulo de serviços pessoais contratuais e dos valores relativos ao custo operacional Ato Principal e à co participação Ato Principal. Desse modo resta comprovado que o Auditor Fiscal agiu com exação ao constituir os créditos em apreço. Portanto, não dou provimento às prejudicial de nulidade. DO MÉRITO DA RESPONSABILIDADE PENAL – INEXISTÊNCIA DE DOLO Nas razões de reforma do Acórdão em tela, a Recorrente alega que : “ No julgamento da impugnação, o nobre Relator, sob o argumento de "se tratar de questão impertinente", deixou de se manifestar em relação a este ponto. Observase, que a questão da inexistência de dolo é matéria que merece atenção, sendo imprescindível a análise e manifestação sobre este ponto. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 De fato, em fase alguma deste processo consta que o crédito tenha sido constituído em razão de tipificação penal. Deste modo, tratase mesmo de questão impertinente que, contraditoriamente ao que alega a recorrente, ao fim de sua peça recursal o admite de modo transverso por não tendo sido incluído em seu pedido, inferese de modo lícito, ter corroborado posto que se assim não fosse teria requerido. “ verbis ”: “ O PEDIDO (a) que seja anulado o auto de infração AIOP n. 37.200.0045 e declarado insubsistente referida cobrança da penalidade pecuniária em face da correta declaração da base de cálculo; (b) que seja reduzida a multa, pela aplicação da nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212/91, nos termos acima expostos.” DA MULTA É compulsório observar que o artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada : “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” Na hipótese de novos critérios de apuração ou de novos processos de apuração é que se aplica a previsão do § 1º deste artigo: “ § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios ” O presente lançamento não está submetido à novos critérios de apuração. Assim, ainda que estivesse não implicaria inobservar o preceituado no caput do artigo 144 CTN: “ O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada ” Na forma do registro de fls.22, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os parâmetros estabelecidos pelo art. 35, I, II, II da Lei n°8.212/91. Entretanto o artigo supra foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo não novos critérios de apuração mas determinando que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição Fl. 559DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000461/200926 Acórdão n.º 2403001.362 S2C4T3 Fl. 5 9 e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” MULTA MAIS BENÉFICA O art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 560DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do cálculo se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Conheço do recurso, para NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando que se proceda ao recálculo da multa de mora conforme o artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 561DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10845.007596/87-61
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 1990
Numero da decisão: 301-00.502
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO
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Numero do processo: 10831.000711/89-79
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Infração Administrativa ao Controle das Importações.
Penalidade capitulada no inc. IX, do art. 526, do RA,
Divergência do nome do fabricante. ressalvada com Aditivo a, GI apresentado à fiscalização anteriormente ao desembaraço aduaneiro descaracteriza a infração. O documento é apto para sanar a irregularidade apurada.
Recurso Especial a que se nega provimento.
Numero da decisão: CSRF/03-02.422
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por
unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ELIZABETH EMILIO MORAES CHIEREGATTO
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FAZENDA NACIONAL REC ORRID A : CÂMARA DO 3' CC SUJEITO PASSIVO: POLYENTA S/A. Infração Administrativa ao Controle das Importações. Penalidade capitulada no inc. IX, do ali:, 526, do RA, Divergência do nome do fabricante. ressalvada com Aditivo a, G1 apresentado â. fiscalizaçâo anteriormente ao desembaraço aduaneiro descaracteriza a infração. O documento é apto para sanar a irregularidade apurada. Recurso Especial a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAIENI.)A NIVIIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidRde de votos, l'-,TEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. F ON P OD R:USO-ES - PRESIDENTE ELIZABETE" EPvIILIO MORAES CHIERECIATTO RELATORA FORMALLZADO EM: 2 5 J1_1',_ 1996 Participaram, ainda, do presente hilgarriento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES INTIJNES, MOACYR ELOY DE MED=OS UBALDO CAMPELO NETO e JOÃO HOLAND.A COSTA Ausente, justificadamente, o Conselheiro FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, Processo n. 10831/000.711/89-79 2. Recurso n. RP 303-1.147 Recorrente: Fazenda Nacional Recorrida: 3a. Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes Sujeito Passivo: Polyenka S/A Relatora: Elizabeth Emilio de Moraes Chieregatto RELATÓRIO Recorre a Fazenda Nacional de decisão não unânime proferida pela E. Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes , nos termos do Acórdão n. 303-26.316 , sessão realizada em 16 .04.91 , que eximiu o importador da penalidade capitulada no art. 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro. A multa prevista no inciso II, do art. 526 , também aplicada pela fiscalização , por ter o importador classificado erroneamente a mercadoria submetida a despacho aduaneiro , foi excluída por unanimidade, pois a Colenda Câmara entendeu que , embora inegável a descrição incorreta da mercadoria , tal fato não acarretou estar a mesma ao desabrigo de G.I. , prova esta que pode ser encontrada nos termos do laudo do assistente técnico. Quanto à multa capitulada no inciso IX, aplicada por divergência do nome do fabricante, o fato de a recorrente haver apresentado aditivo à G.I., corrigindo sua indicação , antes do desembaraço aduaneiro , sanou a irregularidade apurada , no entender da maioria. A douta Procuradora da Fazenda Nacional não partilha deste entendimento. Argumenta que a divergência existente com relação ao fabricante configura infração ao controle administrativo das importações , sendo inaceitável que Aditivo à G.I. , extemporâneo , emitido por órgão cuja competência é o controle cambial , venha a elidir Ação Fiscal legitima embasada em normas regulamentares vigentes. PROCESSO N9 10831/000.711/89-79 3• Acórdão n9-CSRF/03-2.422 Assinala que correta é a aplicação da penalidade de que se trata, uma vez que o registro da D.I. dá inicio ao processo de despacho aduaneiro (art. 413 do RA ) . Ressalta que , ao registrar a DI , o importador deu causa ao fato gerador do Imposto de Importação, conforme estabelecem os arts. 86 e 87 do RÃ, e ao aperfeiçoar o Fato Gerador, ocorreu a efetivação do lançamento na forma estatuída pelo Código Tributário Nacional. Complementa que , efetivado o lançamento , excluída está a espontaneidade , conforme inciso III , parágr. lo. do art. 7o. do Decreto 70.235/72. Esclarece , ademais , que os Aditivos à GI foram emitidos em 28.04.89 , após o registro da DI , que se dera em 07.04.89 , não tendo , pois, eficácia para elidir a infração. Pelo exposto , requer o provimento de seu Recurso Especial , para reformar a decisão recorrida, mantendo-se a decisão monocrática. É o relatório. -Ogr- PROCESSO N9 10831/000.711a9-79 4. Acórdão n9-CSRF/03-2.422 VOTO Restringe-se o presente Recurso Especial à aplicação da penalidade capitulada no inc. IX, do art. 526, do Regulamento Aduaneiro, face à divergência de fabricante apurada pela fiscalização. Constam dos autos os Aditivos nos. 319-89/000058-1 e 319- 89/000059-0 , emitidos pela Cacex de acordo com os termos do art 526 parágr. 7o. , inc. II , do RA, segundo o qual não constituirão infrações os casos IV e IX do mesmo art. , se alterados pelo Órgão competente, os dados constantes da Guia de Importação ou documento equivalente. Nos citados Aditivos consta a ressalva de que" o presente aditivo somente terá validade caso ainda não tenha sido desembaraçada a mercadoria". Na verdade, a Cacex é o Órgão competente tanto para emitir as guias de importação , quanto os aditivos a elas. No caso vertente , não há como deixar de considerar citados Aditivos , uma vez que foram apresentados antes do desembaraço aduaneiro sanando , assim, a irregularidade apontada. Pelo exposto , voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto , mantendo integralmente a decisão da Câmara recorrida. Sala das Sessões (DF), 17 de junho de 1996 ELIZABETH EMíLIO MORAES CHIEREGATTO Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 11444.000777/2010-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SÚMULA
VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte confirmados pelo RDA Relatório de Documentos Apresentados no conexo processo nº 11444.000775/201062.
A Recorrente teve ciência do auto de infração de obrigação acessória no dia 30.06.2010, o período objeto do auto de infração é de 04/2005 a 12/2009.
Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 05/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO
DE GFIP COM DADOS OMISSÕES OU INCORREÇÕES
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a declaração GFIP a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por
finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.288
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 05/2005, inclusive, com base no parágrafo 4º, Art. 150 do CTN.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Fl. 199DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte confirmados pelo RDA Relatório de Documentos Apresentados no conexo processo nº 11444.000775/201062. A Recorrente teve ciência do auto de infração de obrigação acessória no dia 30.06.2010, o período objeto do auto de infração é de 04/2005 a 12/2009. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 05/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS OMISSÕES OU INCORREÇÕES Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a declaração GFIP a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 05/2005, inclusive, com base no parágrafo 4º, Art. 150 do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Fl. 200DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 196 3 Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 175 a 179, com Anexo às fls. 180 a 192, interposto pela Recorrente – QUINTANA CÂMARA MUNICIPAL apresentado contra Acórdão nº 1432.387 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento De Ribeirão Preto SP, fls. 149 a 151, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA – Auto de Infração de Obrigação Acessória nº. 37.256.2426, com ciência da Recorrente em 30.06.2010, às fls. 01, com valor inicial consolidado de R$ 28.500,00 sendo retificado para R$ 18.000,00. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 14 a 18, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 78, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a declaração – GFIP a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. O Relatório Fiscal da Infração aponta ainda que a Recorrente deixou de declarar em GFIP, no período de 04/2005 a 12/2009, a totalidade das contribuições devidas à Previdência Social incidentes sobre a remuneração paga a agentes políticos, exercentes de mandato eletivo Vereadores, e incidentes também sobre as rescisões de contrato de trabalho de segurados empregados, bem como a diferença de alíquota de 1% de RAT devida no período de 06/2007 a 13/2009, sobre a folha de empregados; omitindo também o código 84116/00 no campo CNAE PREPONDERANTE até 10/2008; já para as competências 01 a 12/2009 , informou erroneamente o campo CAT dos vereadores com o código 12, quando o correto é 19; e o NIT da vereadora Claudia Aparecida Colucci com o n° 12155433281, sendo correto o NIT n° 17007347620. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, com a redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, "caput", inciso I e §§ 2º e 3º, incluídos pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 CTN. Quanto à aplicação da multa, o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 19 a 21, informa que efetuou a aplicação da multa mais benéfica em função da Lei 11.941/2009 com a comparação com o art. 32A, lei 8.212/1991. Foi emitido o TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 5 a 6, contendo o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0811800.2010.002916. O período objeto do AIOA, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é 04/2005 a 12/2009. A Recorrente teve ciência da AIOP no dia 30.06.2010, conforme fls. 01. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 197 5 Após análise dos autos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP emitiu a Acórdão nº 1432.387 9ª Turma, fls. 149 a 151, julgando procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: Contribuições Sociais previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar, a empresa, GFIP com informações incorretas ou omissas. NOTIFICAÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGENTES POLÍTICOS. E segurado obrigatório da Previdência Social, na qualidade de empregado, o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social, sendo devidas as contribuições incidentes sobre a remuneração destes a partir de setembro de 2004. MULTA APLICADA. OCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. RETIFICAÇÃO. Vislumbrase a ocorrência de bis in idem na aplicação da multa de ofício concomitantemente com a multa prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, com a retificação da multa aplicada, mantendo o crédito remanescente de R$18.000,00 Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 175 a 179, com Anexo às fls. 180 a 192, reiterando as argumentações apresentadas em sede de primeira instância no processo nº 11444.000775/201062: (i) Da inconstitucionalidade. A Lei n° 9.506/97 instituiu a condição de segurado obrigatório aos exercentes de mandato eletivo, criando, de forma irregular, nova fonte de custeio da seguridade social por meio de lei Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 ordinária, quando era exigido lei complementar. Que mesmo com a nova redação dada ao artigo 195 da Constituição Federal dada pela Emenda Constitucional n° 20/98, não se alterou a condição dos exercentes de mandato eletivo, entendendo que os mesmos não prestam serviços à Câmara Municipal, nem à Prefeitura ou ao Município, não podendo ser enquadrados como empregados. Menciona que o dispositivo da lei acima mencionada foi declarada inconstitucional pelo STF, editando, o Senado Federal, a resolução n° 16, suspendendo a sua execução. Menciona que a mesma inconstitucionalidade foi cometida na edição da Lei 10.887/04. Entende existir, ainda, outra inconstitucionalidade advinda do fato da lei ser originária de uma medida provisória, enquanto o artigo 62 da Constituição Federal veda a edição de medidas provisórias sobre matérias reservadas à lei complementar. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, às fls. 194. É o Relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 198 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fls. 194. DAS PRELIMINARES (a) Da regularidade da lavratura do Auto de Infração Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOA, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.256.2426 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 199 9 § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 200 11 Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (b) Alegações de inconstitucionalidades. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (c) Da decadência. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 201 13 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, Fl. 212DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 202 15 segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência esposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 203 17 § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. Desta forma, devese cotejar o presente processo AIOA nº 11444.000777/201051 com o correlato processo de AIOP nº 11444.000775/201062. Na hipótese presente do correlato processo de AIOP nº 11444.000775/2010 62, verificase que há a presença de recolhimentos antecipados a homologar pela Auditoria Fiscal pois o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 11, apresenta recolhimentos nas competências: 04/2007 a 04/2009. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar realizados pelo contribuinte, observandose que aplico tal regra desde que haja pelo menos 01 (um) recolhimento antecipado realizado pelo contribuinte em qualquer competência e que tal informação esteja disponível nos autos. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do auto de infração pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 30.06.2010 e o período objeto do auto de infração se refere a 04/2005 a 12/2009. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 05/2005, inclusive. (d) Em relação ao segurado Cláudia Aparecida Colucci e ao segurado Vanderlei Meleiro. Analisemos. A Recorrente aduz que em relação aos segurados Cláudia Aparecida Colucci e Vanderlei Meleiro, a disposição legal exclui a obrigatoriedade de recolhimento à Previdência Social ao exercente de mandato eletivo pertencente a regime próprio. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Contudo, corroborando a manifestação da decisão de primeira instância, o vínculo referido pelo art. 12, I, j, Lei 8.212/1991 se refere ao vínculo com o próprio município. Ademais, a Recorrente não anexou aos autos a prova documental do vínculo desses segurados com o regime próprio do Município de Quintana. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para dar provimento parcial ao recurso, NAS PRELIMINARES, acolhendo a decadência até a competência 05/2005, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 216DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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