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Numero do processo: 11128.000310/2001-01
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 25/10/2000
RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA.
A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4º, “b”, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta. Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.027
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarou-se impedido. Presente no julgamento o Conselheiro Luciano Lopes Almeida Moraes. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Relator ad doc
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 25/10/2000 RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA. A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta. Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarouse impedido. Presente no julgamento o Conselheiro Luciano Lopes Almeida Moraes. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente atual Charles Mayer de Castro Souza – Relator ad doc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi, Heroldes Bahr Neto, Susy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 03 10 /2 00 1- 01 Fl. 441DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15117.7ZHX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Tratam os autos de pedido de restituição (fl. 99), no valor de R$ 13.210,60, referente ao Imposto de Importação, em razão de a interessada, segundo alega, haver recolhido tributo a maior. A contribuinte, em 25/10/2000, promoveu a importação de mercadorias amparada pela DI nº 00/010222833 (fls. 59/68), tendo sido desembaraçadas junto à Alfândega do Porto de Santos/SP. Preditas mercadorias foram produzidas no México e enviadas para os Estados Unidos para embarque no Brasil. Por tratarse de mercadoria produzida por país integrante da ALADI, entendeu a interessada que teria direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a alíquota normal, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso, os Estados Unidos. Tendo a interessada efetuado o recolhimento integral do mencionado imposto, por não ter conseguido, segundo alega, registrar a redução tarifária pretendida no SISCOMEX, entendeu valerse de direito creditório do imposto de importação que teria sido pago a maior, razão pela qual, em 28/12/2000, requereu o reconhecimento do pretenso crédito, com a correspondente restituição. A Alfândega do Porto de Santos indeferiu o pedido da contribuinte (fl. 125), ao que a interessada manifestou sua inconformidade por meio da manifestação de inconformidade apresentada às fls.129/157. A DRJFortaleza/CE indeferiu o pleito da requerente (fls. 175/203), por entender que a importação realizada não atendeu às exigências legais para a aplicação da redução tarifária prevista no acordo internacional firmado no âmbito da ALADI. Alegou aquele órgão julgador que as Faturas Comerciais apresentadas, bem como a informação nos Certificados de Origem dos números das faturas comerciais emitidas pelo fabricante no México, evidenciavam que as mercadorias tinham sido objeto de comércio entre o produtor do México (paísmembro da ALADI) e a empresa dos Estados Unidos da América (país não membro da ALADI), que as teria revendido para o importador no Brasil. Tal comercialização, envolvendo país de trânsito não pertencente à ALADI, impediria a aplicação da redução tarifária solicitada, por não atender ao requisito previsto no art. 4º, alínea” b”, ii, da Resolução/ ALADI nº. 252. Irresignada, a contribuinte ofereceu Recurso Voluntário a este Colegiado (fls.213/255), onde apresentou, em linhas gerais, os mesmos argumentos expendidos na inicial. Salientou, ainda, que a triangulação efetuada com a empresa dos Estados Unidos deveuse a motivos geográficos e que o trânsito das mercadorias no território americano, pela própria natureza da operação, deuse sob a vigilância da autoridade aduaneira daquele país, com os rigores que lhes são próprios. Ao final, requereu o reconhecimento da existência do crédito tributário passível de restituição. Em sessão de 22 de maio de 2007, a Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº. 3011.843, decidiu converter o julgamento em diligência, para que fosse juntada aos autos cópia da fatura comercial expedida pelo produtor no México (fls.294/310). Fl. 442DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15117.7ZHX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.000310/200101 Acórdão n.º 3202000.027 S3C2T2 Fl. 442 3 Em sessão de 12/08/2008, por meio da Resolução nº. 3012.012, diante de dúvidas existentes, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes achou por bem converter novamente o julgamento em diligência, para: a) que a contribuinte juntasse declaração da Alfândega dos Estados Unidos da América, no sentido de explicar o motivo de a mercadoria em questão ter sido introduzida em seu território. b) fosse solicitada manifestação do Departamento de Negociações Internacionais/Secex, quanto à comercialização de mercadoria por operador de terceiro país, membro ou não da ALADI (art. 9o da Resolução no 252 da ALADI – Decreto no 3.325/99, a fim de que respondesse aos seguintes quesitos: “b1) pode a operação estar ao amparo de preferência tarifária prevista no acordo (PTR4), no caso de a mercadoria ter sido vendida pelo produtor (México) e entregue a esse 3o país (Estados Unidos da América), e depois ter sido exportada pelos EUA para o Brasil, oportunidade em que foi emitido o Certificado de Origem com a observação de que a mercadoria foi objeto de faturamento pelos EUA? b2) nos casos da espécie, para efeitos de condição ao uso do benefício, a interveniência de operador de terceiro país afasta a obrigatoriedade do requisito de expedição direta de que trata o art. 4o da Resolução no 252? e b3) ainda quanto ao requisito de expedição direta (art. 4o, “b”, ii, da Resolução no 252): a venda da mercadoria (com emissão de fatura comercial) e sua expedição para terceiro país, e a posterior comercialização e expedição do 3o país para o Brasil (com emissão de fatura comercial), não são fatos que excluem a mercadoria da preferência tarifária, tendo em vista que o dispositivo citado veda o benefício quando se tratar de mercadorias destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito? Vale dizer, o comércio posterior da mercadoria já em poder do operador exportador do 3o país, não se caracteriza como uma expedição não direta pelo país de origem, tendo em vista que a mercadoria foi enviada para 3o país e depois foi comercializada com o Brasil?” A contribuinte manifestouse às fls. 369/401. Cumprida a diligência requerida, retornaram os autos a este Colegiado, para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad doc. O benefício pretendido pela recorrente, que lhe daria a redução tarifária do Imposto de Importação, decorre da aplicação do Acordo de Preferência Tarifária – APTR nº. 04, internalizado no Brasil pelo Decreto no 90.782/84, e que, em seu artigo 9º, adota expressamente o Regime de Origem da ALADI, consubstanciado na Resolução n° 252, que aprovou o texto consolidado e ordenado da Resolução no 78, do Comitê de Representantes da Associação LatinoAmericana de Integração, e que foi incorporada à legislação brasileira pelo Decreto nº. 3.325, de 30/12/99. Fl. 443DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15117.7ZHX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Referido Acordo foi firmado entre Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela e estabelece preferência tarifária regional na importação de produtos similares provenientes de países de terceiros. Essa preferência estabelece uma redução percentual, que varia conforme a categoria do país que concede a redução e a do que recebe. O cerne do litígio está em se saber se há impedimento ao enquadramento do benefício previsto no Acordo da ALADI quando a mercadoria é vendida e remetida pelo México (país de origem) aos Estados Unidos da América e, depois, exportada deste país para o Brasil, com emissão de Certificado de Origem que informa o faturamento pela empresa dos EUA. Comprovado que as mercadorias em questão são originárias de país signatário do referido Acordo, por meio dos Certificados de Origem acostado à fl. 77, resta saber se o trânsito das mercadorias pelos Estados Unidos, país não signatário, estaria em conformidade com as disposições da Resolução/ALADI nº 252, que assim dispõe em seu art. 4º: "QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do Acordo; b)as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transportes; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iü) não sofram, durante o seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Da leitura do referido dispositivo, inferese que, para gozo do benefício, as mercadorias devem ser transportadas diretamente do país exportador signatário do Acordo para o país importador também signatário (expedição direta), sendo possível efetuarse o trânsito por países não participantes do Acordo, desde que sejam preenchidas as condições estabelecidas na alínea b do referido artigo. No caso em questão, a recorrente não logrou comprovar o preenchimento de uma das condições ali impostas, qual seja: que o trânsito, nos Estados Unidos da América, deu se sob vigilância da autoridade competente naquele país. Devidamente intimada, em razão de diligência requerida pela antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, a recorrente não apresentou o documento alfandegário dos EUA, para que ficasse provada a vigilância no país de trânsito, limitandose apenas a informar que “diante do Termo de Intimação acima referido, a Requerente envidou Fl. 444DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15117.7ZHX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.000310/200101 Acórdão n.º 3202000.027 S3C2T2 Fl. 443 5 todos seus esforços para obter o documento solicitado. No entanto, no caso dos presentes autos, apesar da colaboração do exportador no sentido de tentar resgatar o documento da alfândega dos EUA que amparou a entrada das mercadorias naquele país (documento apresentado em outros processos administrativos similares a este), não foi possível obtê lo.”(fl.192). A apresentação de tal documento mostrase de fundamental importância para que a operação possa ser considerada como de exportação direta e se tenha por preenchidos todas as condições impostas pelo art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI. Neste ponto, passo a adotar como razões de decidir o voto do Conselheiro Jose Luís Novo Rossari, proferido nos autos do processo nº. 11128.006566/0081, o qual transcrevo abaixo: “Em resposta à intimação decorrente da diligência solicitada pela 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, o Departamento de Negociações Internacionais (Deint) da Secretaria de Comércio Exterior do MICT respondeu a cada uma das questões enunciadas no relatório, esclarecendo, de forma abrangente quanto às operações efetuadas por operador de terceiro país, verbis: “(1) Resposta: Conforme entendimento deste DEINT, a operação acima citada cumpre com o disposto na normativa que trata de exportação via operador de um terceiro país no âmbito do regime de origem da ALADI (Art. 9o da Resolução 252). Ademais, a Resolução 252 da ALADI não dispõe em contrário, no que diz respeito à possibilidade de a fatura comercial emitida no país de origem da mercadoria apresentar data posterior à da fatura emitida no país em que se encontra o terceiro operador. Cabe aqui observar, que esse mecanismo é adotado ao âmbito do APTR4, tendo em vista que em determinadas situações, o terceiro operador não tem o conhecimento prévio da quantidade/preço das mercadorias que serão destinadas para o país outorgante da preferência. (2) Resposta: A regra referente a operador de terceiro país não afasta a obrigatoriedade de observação do requisito referente à expedição direta. Dessa forma, deverão ser atendidos os critérios dispostos no Art. 4, inciso b: “QUARTO. – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: (...) b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: (destaquei) Fl. 445DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15117.7ZHX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. (3) Resposta: Este DEINT entende que a exportação da mercadoria para o Brasil não contraria o art. 4o, ii, tendo em vista que a expressão “não estejam destinadas ao comércio [...] no país de trânsito” diz respeito apenas aos casos em que a mercadoria é revendida internamente no país de trânsito. Esta situação não ocorre na operação via operador de um terceiro país (Estados Unidos), tendo em vista que este agente comercial reexportará a mercadoria para o país (Brasil) que concede a preferência ao país de origem da mercadoria (México).” Ao final, o Deint/SCI/MICT acrescenta que: “Diante do exposto, informamos que as operações dispostas nos Ofícios GAB/nos 193/08, 195/08, 197/08, 198/08 e 208/08 cumprem com o disposto nos artigos 4o e 9o da Resolução 252 da ALADI. No que diz respeito aos Ofícios/GAB/nos 194/08 e 196/09, entendemos que as operações dispostas nestes documentos cumprem com o art. 9o da Resolução, entretanto, com relação ao art. 4o é necessário verificar se o documento Transportation Entry and Manifest of Goods Subject to Customs Inspection and Permit ou equivalente, foi emitido pela aduana dos Estados Unidos.” (destaquei) O órgão demandado foi claro no sentido de que a operação cumpre com o disposto no art. 9o da Resolução, que trata de faturamento por parte de um operador de terceiro país, membro ou não da ALADI. Cumpre ressaltar, no entanto, que, devidamente intimada, a recorrente não apresentou o documento alfandegário dos EUA, para que ficasse provada a vigilância no país de trânsito. Tratase de exigência que foi objeto de Resolução da 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, por ter sido considerada de fundamental importância para que a operação possa ser considerada como de exportação direta, em observância ao disposto no art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI. E o entendimento da Câmara foi integralmente ratificado na manifestação do Deint/SCE/MICT pertinente à mercadoria objeto de lide, quando esse órgão acrescentou, de forma expressa e clara, ser necessário verificar se o documento de que se trata foi emitido pela aduana dos EUA. As redações contidas na lei ou em tratados internacionais não contêm palavras ou expressões inúteis. A existência de norma estabelecendo a vigilância de autoridade aduaneira do país de trânsito para que a operação esteja amparada no regime de origem, não pode ser desconsiderada. Destarte, contrariamente ao que defende a recorrente, o fato de a Resolução estabelecer em seu art. 4o, “b”, que “considerase como expedição direta as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes (...) sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países (...)” significa que, mesmo que não tenha sido instituído documento específico na ALADI para Fl. 446DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15117.7ZHX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.000310/200101 Acórdão n.º 3202000.027 S3C2T2 Fl. 444 7 comprovar essa vigilância, o que é óbvio, visto que diz respeito a países que não fazem parte do Acordo – se houver necessidade de tal comprovação, essa deverá ser satisfeita, sob pena de a operação ser considerada uma expedição não direta. A recorrente foi devidamente intimada para satisfazer à exigência e não apresentou o documento requerido. A alegação de que matéria similar teve decisão favorável à recorrente em instância superior não pode ter qualquer vinculação com o caso presente, tendo em vista que este processo está enriquecido com a existência de elementos concretos e objetivos aplicáveis à matéria, principalmente das informações específicas sobre o acordo de origem trazidas pela Secretaria de Comércio Exterior do MICT, órgão incumbido do acompanhamento e aplicação dos regimes de origem nos Acordos da ALADI e do MERCOSUL (Decreto no 6.209/2007, anexo I, art. 17, V), o que o distingue daqueles alegados. Em vista dos elementos trazidos aos autos e considerando as conclusões objetivas da Secretaria de Comércio Exterior/Deint a respeito da matéria, entendo que a importação não atende aos requisitos de origem previstos no art. 4o da Resolução no 252 do Comitê de Representantes da ALADI, posta em execução pelo Decreto no 3.325, de 1999, restando descabido o direito ao benefício previsto no PTR4.” Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 447DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15117.7ZHX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA em 30/06/2013 12:55:39. Documento autenticado digitalmente por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA em 30/06/2013. Documento assinado digitalmente por: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 03/07/2013 e CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA em 30/06/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 06/11/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP06.1119.15117.7ZHX Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 7B5C7FF8B5E3257524A36AE1C753B09D1B3DCA11 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11128.000310/2001-01. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10660.001105/2004-06
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
PROCESSO FISCAL. PRAZOS. PEREMPÇÃO.
Recurso apresentado fora do prazo acarreta em preclusão, impedindo o julgador de conhecer as razões da defesa. Perempto o recurso, não há como serem analisadas as questões envolvidas no processo (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1.972).
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3803-000.023
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, não se conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 PROCESSO FISCAL. PRAZOS. PEREMPÇÃO. Recurso apresentado fora do prazo acarreta em preclusão, impedindo o julgador de conhecer as razões da defesa. Perempto o recurso, não há como serem analisadas as questões envolvidas no processo (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1.972). RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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Recorrida DRJ-BRAS I LIA/DF ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 PROCESSO FISCAL. PRAZOS. PEREMPÇÃO. Recurso apresentado fora do prazo acarreta em preclusão, impedindo o julgador de conhecer as razões da defesa. Perempto o recurso, não há como serem analisadas as questões envolvidas no processo (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1.972). RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não se conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. n LUI'‘ ÇOG RRA DE CASTRO - Presidente Mill AN* 4 L • Z BONAT CORDEIRO - Relator IParti I• aram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Regis Xavier Holanda e Jorge Higas o. i • Processo n° 10660.001105/2004-06 83-TE03 • Acórdão n.° 3803-00.023 Fl. 26 o Relatório A Recorrente foi cientificada pela Secretaria da Receita Federal acerca da manutenção do Ato Declaratório Executivo n. 430.573, dando conta de sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porto — SIMPLES, a partir de 1/2/2002. A fundamentação do ato de exclusão centra-se no exercício de atividade impeditiva, qual seja, a fabricação e comercialização de cigarros. Em sua Impugnação, alegou a Recorrente que não procede o fabrico do cigarro, mas apenas a industrialização de cigarros de palha artesanais, feitos por agricultores rurais, devendo ser garantida sua permanência no SIMPLES. A impugnação da Contribuinte foi rejeitada. Devidamente intimada desta decisão em 17/12/2007 (fls. 21), a Contribuinte apresentou Recurso em 18/01/2008 (fls. 23), onde de reitera os argumentos já expendidos, para tentar demonstrar o equívoco da decisão recorrida. É o relatório. 2 Processo n° 10660.001105/2004-06 83-T E03 Acórdão n.° 3803-00.023 Fl. 27 1 Voto Conselheiro ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO, Relator Dou início à análise dos autos, tendo em vista tratar-se de matéria de competência deste Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes. Inicialmente, cabe ao Relator observar se foram cumpridos pela Recorrente os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, sem os quais, impossível a apreciação do mérito. Nesse passo, constata-se que o "Recurso" foi protocolado após decorrido o prazo legal. Mesmo assim, o processo foi remetido a esse Conselho, pois o art. 35 1 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, determina a remessa do Recurso Voluntário à Segunda Instância, ainda que o mesmo seja perempto, para que se julgue a perempção. E, no que concerne ao prazo de interposição do Recurso Voluntário, como se verifica do Aviso de Recebimento juntado aos autos às fls. 21, a Recorrente foi intimada da decisão singular em 17/12/2007 (segunda-feira), tendo, a partir desta data, o prazo fatal de 30 dias para apresentação do Recurso Voluntário, na forma do Decreto n° 70.235/72, que dispõe: "Art. 33 — Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão." Em observância ao artigo supracitado e aplicando-se a regra para contagem dos prazos estabelecida no artigo 50 c/c parágrafo Único2 do mesmo Decreto, verifica-se que o prazo fatal para a apresentação do recurso foi dia 16/01/2008 (quarta-feira), tendo o contribuinte se manifestado, por protocolo via correio, somente em 18/01/2008, o que importa na constatação da intempestividade do protocolo da peça recursal. Diante do exposto, não é de se tomar conhecimento do Recurso Voluntário apresentado tardiamente, por intempestivo, ficando mantida a decisão recorrida. Sala \!, Sessões, em 16 de março de 2009. A - • Z BONAT CORDEI • e, • elator 1 Art. 35 - O recurso, smo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Art. 50 - Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 3 Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1
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Numero do processo: 11020.001594/2005-77
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO, CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO
DE COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS,
FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DF CÁLCULO DA
CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE
LANÇAMENTO.
A sistemática de creditamento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição.
Se a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oficio, não podendo fazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou em compensação para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3803-000.231
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial do Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO, CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS, FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DF CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A sistemática de creditamento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Se a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oficio, não podendo fazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou em compensação para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto. Recurso Voluntário Provido.
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS, FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DF CÁLCULO DA CONTRIBIJ IÇÃ O NO MESMO PER IODO. NEC,ESSfDADE DE L A NÇ A MEN TO. A sistemática de creditamento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a -fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Se a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oficio, não podendo lazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou em compensação para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto. Recurso Voluntário Provido.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial do Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto rei ato r. AI EXA . DRE KER - Presidente . ., 410111 ! .i., . IV. i l\ k.,ALL . ,, , 3R :, TI - Relator , ' \ Parti MUT"e •.) , dtn.,.. J a, do presente julgamento, os Conselheiros Bechior Melo I de Souza, liélcio . afetá t . s, DÀ i 'Mauricio Fedato e Carlos Henrique M.artins de lima. Relatório Trata-se de Declaração de Compensação protocolada pelo contribuinte em 30/05/2005, utilizando créditos de Contribuição para o PiS não-cumulativa, apurados em outubro de 2004 (fls.. 01/02). , A DRF•Caxias do Sul/RS reconheceu a existência do valor do "saldo de créditos passíveis de ressarcimento" indicado pelo contribuinte, mas entendeu por bem reduzir o crédito que o contribuinte poderia utilizar (tis. 16/21), fazendo-o a titulo de "GLOSA DE CREDITO", por ter verificado que "no período contemplado pelo presente processo, o contribuinte efetuou operações de transfirências de credito de ICMS a terceiros, mas não reconheceu as receitas decorrentes dessas alienações de direitos a terceiros" (11. 17), entendendo, pois, que o contribuinte teria deixado de submeter à incidência do PIS as receitas decorrentes destas vendas de crédito de ICMS, Assim, a DM apurou o valor que entendeu que seria devido de PIS em relação à receita de venda de créditos de I.CMS, e reduziu este valor do saldo de créditos de PIS apresentado na declaração de compensação • O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fl.s 32/41) argumentando que a glosa seria indevida porque seu direito de crédito decorre da sistemática não cumulativa do P.I.S e que não pode haver a incidência desta contribuição sobre a venda de créditos de ICMS, visto que a iircidéncia. do PIS deve ser limitada às receitas das vendas de bens e serviços, conforme jurisprudência que cita. A DRJ - Porto Alegre/RS manteve o entendimento da DR F, por entender que a •. matéria exigiria decisão de inconstitucionalidade das leis envolvidas, conforme se confere da ementa do Acórdão n" 10-16;175, de 5 de junho de 2008 (fls. 43/44): Assunto: Contribuição para o P1S/PaYep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 INCONSMUCIONALIDAD.h.. . A autoridade administrativa é incompetente paia decidir sobre a constitueionalidade dos ato y baixados' pelos Poderes Legislativo • e Executivo. Solicitação Indeferida 2 riocesso n' 11020 001594/2005-77 S3-1- E03 Acórdão n.' 3803-00.231 1,1 58 O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 51/55) argumentado que a questão pode ser analisada na via administrativa, inclusive no que se refere à constitucionalidadc dos dispositivos envolvidos, reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan A I legretti, Relator O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. A DRF reconheceu a existência do crédito de PIS não-cumulativo indicado pelo contribuinte, mas não permitiu que o saldo de crédito fosse integralmente utilizado na compensação. Isto porque a DRF entendeu que o contribuinte teria recolhido o PIS correspondente àquele mesmo mês de apuração em valor menor que o devido, pois teria deixado de fazer incidir o PIS em relação aos valores correspondentes à venda de créditos de ICMS. Por isso, retirou do saldo de créditos o valor que corresponderia ao débito de PIS relativo à venda de créditos de ICMS. Na linha de manifestações anteriores deste Conselho, entendo que o procedimento é equivocado. A sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS não Funciona tal como a sistemática de apuração do IP í, como parece pretender a IMF. No caso do IPI se promove a escrituração de créditos e débitos para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre tais valores, obter-se (a) ou um saldo credor que é transferido para aproveitamento no período subseqüente -- - (b) ou um saldo devedor -•-•- que implica em recolhimento do tributo. No caso do PIS e da COMNS a incidência e a apuração não dependem do confronto entre créditos e débitos. Sua incidência se dá sobre a. receita ou o faturamento, determinando o valor devido, independente da existência de créditos que possam ser usados para redução deste valor. Com efeito, a única diferença da sistemática não cumulativa reside em permitir que "Do valor apurado na .fOrnza do art. 2 0 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação (....)" (art. 3" da Lei n" 10.637/2002 e da 1 ei n" 10.833/200.3). É nítido, portanto, que os créditos não compõem nem interferem na apuração da base de cálculo das Contribuições.. No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de PIS não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do crédito • a título de "glosa", IL ..• • reduzindo o saldo de créditos como meio indireto para promover a revisão e ampliação da base de cálculo do PIS, para o efeito de cobrança dos valores que entende devidos. Se a DRF entende que determinado valor recebido pelo contribuinte configura receita sujeita. às referidas Contribuições, de modo que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito pelo meio próprio: o lançamento. Confira-se, ademais, que ° presente entendimento reitera a Jurisprudência deste Conselho cru julgamentos anteriores: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS .NÃO CUMULATIVA BAsE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não-cumulativo.s não permite que, cm pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no fr.'nuramento, base de cálculo dos débitos, .sejam .subtraid.as do montante a ressarcir... Lin tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece .seja Lletuado lançamento de oficio 1?L'5SARCIMEN1'0 COFIAIS NÃO-CUMULATIVA. JUROS SELIC INA.PlICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e CONNS não- cumulativo.s os arts. 13 e 1.5, VI, da Lei n" 10833/2003, vedam expres.samente tal aplicação. Recurso provido em parte. (Acórdão 203-11852, Recurso Voluntário n' 130.611, Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, D.O.U. de 06/06/2007, Seção 1, pág. 49) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO Constatado que, na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõe- se o lançamento para fOrmalização da exigência tributária, pois a mera glosa de créditos legítimos do sujeito passivo configura irregular compensação de ofício com crédito tributário ainda não constituído e, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a sua cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREITO 1R1BUTÁRIO. PIS NÃO- CUMULATIVO. ATUALIZA Gie MONETÁRIA. INCABIVEL, incabivel a atualização monetária do saldo credor do PIS não- ,. C141711ilatiVO objeto de ressarcimento.. Recurso Voluntário .Provido em Parte. (Recurso Voluntário n 140.760, PA 11065 002884/2005-1 I,k Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA ., .1 22/07/2008) r 4 Processo n" 11020 001594/2005-77 53-11/03 Acórdão n 3803-00.231 El 59 Pelas razões expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte, para o efeito de reconhecer-lhe o direito de utilizar na sua declaração de compensação a integralidadc do saldo de créditos, sem glosas, assim homologando integralmente a sua com . :i sacão, ficando ressalvada a possibilidade de a Fiscalização apurar as diferenças de tr. tatos il entender devidas pela via própria do lançamento. P1',5 j \ elt iv: ' 11 ,-ge- t 1. \\.. lb 5
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Numero do processo: 10930.003731/2003-11
Data da sessão: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF COMO COMPENSADOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS.
A não homologação das compensações informadas em DCTF justifica o lançamento de oficio dos débitos descobertos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis.
MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS.
Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora, ainda que objeto de lançamento de ofício.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO
Consideram-se precluídas as matérias alegadas na impugnação e não renovadas no recurso e as alegadas, em inovação, somente no recurso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3803-000.116
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF COMO COMPENSADOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. A não homologação das compensações informadas em DCTF justifica o lançamento de oficio dos débitos descobertos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora, ainda que objeto de lançamento de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO Consideram-se precluídas as matérias alegadas na impugnação e não renovadas no recurso e as alegadas, em inovação, somente no recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 301-01.804
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência â Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Recorrida : DRJ/BRASÍLIA/DF RES OLUÇ ÃO 1■12 3 01-1.804 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência â Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Presidente to • It* SUS. 0 OFFMANN Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Valmar Fonsêca de Menezes, Atalina Rodrigues Alves, Irene Souza da Trindade Torres e Carlos Henrique Klaser Filho. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. CCS Processo n° : 10670.001038/2001-50 Resolução n° : 301-1.804 RELATÓRIO Cuida-se de impugnação de Auto de Infração, de fls. 01-11, posteriormente retificado as folhas 60-64, no qual se exigiu o pagamento de diferença do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural — ITR do Exercício de 1997 apurada em R$ 11.841,95, relativa ao imóvel rural cadastrado na Receita Federal sob n 354867-8, localizado no município de Santa Bárbara D'Oeste. Segue na integra, relatório processual apresentado pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Brasilia — DF, que passa a fazer parte integrante deste: "A Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR do exercício 1997 (fls. 12/19), do sujeito passivo, concernente ao imóvel rural Fazenda Reunidas Serra Azul em Jaiba/MG cuja área corresponde a 3.669,3 hectares, incidiu em parâmetro de malha; houve, então, a glosa total das seguintes áreas, consoante FAR — Malha Valor (fls 05/06): a) 135,6 hectares de área de preservação permanente; b) 750,0 hectares de área de reserva legal (área de utilização limitada); c) 1.840 hectares de área com pastagens. Em função dessa glosa, o sujeito passivo foi intimado, por via postal cujo AR consta da fl. 21, a apresentar, na repartição fiscal da SRF em Montes Claros/MG ou na repartição mais próxima, os seguintes documentos desse imóvel rural (fl. 20): a) documento de averbação da área de reserva legal; b) Ato Declaratório Ambiental — ADA; c) documento ou ficha de registro de vacinação dos animais de médio e grande porte atinente ao ano 1996, ou seja, 460 cabeças; d) cópia da declaração de produtor rural do ano 1996 Na seqüência, transcorrido in albis o prazo para apresentação desses documentos, restou confirmada a glosa, foi então lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos em 31/10/2001, para exigir o 2 Processo n° Resolução n° : 10670.001038/2001-50 : 301-1.804 crédito tributário pertinente, no valor de R$ 78.706,01, assim discriminado (fls.01/04): a) ITR, no valor de R$ 31.252,39; b) Juros de Mora (calculados até 28/09/2001), no valor de R$ 24.014,33; c) Multa de Oficio (75%), no valor de R$ 23.439,29 Enquadramento legal: Lei n°9.393/96, arts. 1 0, 70, 10, 11 e 14, e IN SRF n° 67/97. 0 sujeito passivo tomou ciência do Lançamento Fiscal por via postal em 13/11/2001, consoante AR constante da fl. 23; apresentou a impugnação em 10/12/2001 na DRF/Piracicaba/SP (fls. 26/45), aduzindo, em apertada síntese (fls. 26/28): a) que houve a glosa das áreas declaradas como sendo de preservação permanente, utilização limitada e do rebanho (área com pastagens); b) que, segundo a Fiscalização, o lançamento fiscal ocorreu, porque a Impugnante não teria apresentado os documentos solicitados; c) que o lançamento fiscal não procede, pois, no devido prazo que lhe fora concedido na fase pré-processual, teria apresentado os documentos necessários à comprovação de sua declaração, no que concerne às áreas de preservação permanente, de reserva legal e de pastagem; d) que, complementarmente à impugnação, requer a juntada dos inclusos documentos (fls. 37/43), corroborando as informações contidas em sua declaração; Por fim, entendendo que teria comprovado tudo, a Impugnante requereu então a improcedência do lançamento fiscal, ou seja, o cancelamento do Auto de Infração. Em face da alegação do sujeito passivo que teria apresentado, tempestivamente, durante o procedimento fiscal (fase pré- processual) os documentos solicitados pela Fiscalização, mas que não constam dos autos, houve então a necessidade de baixar os autos à unidade de origem em 28/10/2003, para as seguintes diligências, conforme despacho de fl. 50, do qual consta, entre outras colocações, o seguinte, verbis: 3 Processo n° Resolução n° : 10670.001038/2001-50 : 301-1.804 "a) informar se os documentos foram efetivamente recebidos na data e forma apontada pela Impugnante: b) esclarecer por que os citados documentos não foram juntados aos autos oportunamente; c) informar . se os documentos foram, ou não, levados em conta quando •da autuação; e d) em caso negativo, elaborar *relatório circunstanciado esclarecendo se a documentação apresentada quando da fiscalização tem o condão de afastar a imposição fiscal, ou, ao contrário, nenhum reflexo tem sobre ela." Em 19/12/2003, o sujeito passivo juntou aos autos cópia do Acórdão n° 8.033, de 30/10/2003, da 2a Turma, da DRJ/Brasilia, proferido nos autos do Processo n° 10670.002022/2002-45, que também tem por objeto o imóvel em tela, porém atinente ao ITR do exercício 1998. Essa decisão reconheceu a existência da Area de reserva legal mencionada na declaração do ITR do exercício 1998, excluindo-a da tributação (fls. 52/59). As diligências solicitadas foram cumpridas, conforme Relatório Fiscal — ITR 1997, contendo, dentre outras, as seguintes conclusões (fls. 61/68): a) as Areas de preservação permanente e de reserva legal não restaram comprovadas, para efeito de exclusão do ITR (manutenção da glosa); b) quanto A Area total de pastagem calculada de 1.840 hectares constante da Ficha 06 da Declaração do ITR197 (fl. 18), ficou reduzida para 1.656 hectares, pois, diferentemente da média anual de 460 cabeças de gado de grande porte declarada (fl. 17), foi apurada, na verdade, média anual de 414 cabeças (estoque inicial 482 + estoque final 346)/2, com base nas informações constantes da declaração anual de produtor rural; c) em função dessas alterações, o Grau de Utilização do imóvel (GU), ficou reduzido de 83,5% para 58,10% e a aliquota do imposto subiu de 0,3% para 3,4%, gerando insuficiência no recolhimento do ITR referente ao exercício 1997; d) por fim, quanto ao cálculo do imposto, foi apurada uma diferença do ITR/97 no valor de R$ 11.841,95 (R§ 12.691,45 — R$ 849,50). 0 sujeito passivo foi intimado do resultado da diligência por via postal em 28/02/2005, consoante AR de fl. 70; apresentou 4 Processo n° : 10670.001038/2001-50 Resolução n° : 301-1.804 impugnação complementar de fls. 73/121, aduzindo, em síntese, o seguinte (fls. 73/79): a) que, em função da impugnação anterior e mediante a análise dos documentos apresentados antes mesmo da autuação, o Sr. Fiscal acabou refazendo o lançamento, conforme consta do Relatório Fiscal — ITR 97 (fls. 61/68); b) que o Sr. Fiscal acabou por reconhecer, em parte, a área de pastagem; c) quanto à de reserva legal, foi comprovada sua averbação â margem da matricula do imóvel (fls. 38/39). Que, embora não tenha sido apresentado o ADA, o Fisco não pode tributar essa Lea, pois a a averbação já seria o suficiente para exoneração do imposto. Nesse sentido, em caso análogo, decidiu o Acórdão n° 8.033, de 30/10/2003, da T Turma, da DRJ/Brasilia, proferido nos autos do Processo n° 10670.002022/2002-45 (fls.55/59); d) no que concerne à área de preservação permanente, a não apresentação do ADA não pode ser motivo para a não exlusdo dessa área da tributação, pois há decisões judiciais da Justiça Federal afastando a exigência do ADA, uma vez que essa área existe por expressa disposição legal (fls. 104/120). Além disso, a IN SRF 43/97, ao exigir o ADA para a caracterização da área de preservação permanente, acabou criando obrigação não prevista na Lei n° 9.393/96. Por isso, trata-se de ato normativo ilegal. Por fim, entende que a exigência fiscal ora impugnada manifestamente ilegal, e espera que assim seja reconhecida, declarando-se a nulidade do Auto de Infração. Competência para julgamento deste processo pela T Turma, em função da Portaria n° 27, de 12 setembro de 2003, editada pela DRJ/Brasilia (fls. 124/126). Ê o relatório." Seguiram-se razões de voto, em que o (a) Nobre Relator (a) de primeira instância considerou a "PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO", incluindo os acréscimos legais. Destacou que a incidência tributária sobre a alegada área de preservação permanente deve ser mantida, eis que não houve apresentação tempestiva de ADA. Decidiu, por outro lado, pela isenção da área de reserva legal, vez que foi juntado documento comprobatório de averbação dessa Lea â margem da matricula do imóvel. Por fim, no tocante a área de pastagens, acolheu a nova área documentalmente comprovada, fls. 40, para fazer a revisão do lançamento em favor do aumento da área utilizada, nos termos de fls. 134. • Processo n° : 10670.001038/2001-50 Resolução n° : 301-1.804 0 impugnante, inconformado com o julgamento apresentado pela Delegacia da Receita Federal de Brasilia — DF, interpôs recurso voluntário de fls. 142/147. Da análise atenta do presente recurso, nota-se que o recorrente reafirmou seus argumentos de impugnação ao lançamento. Fez-se inicialmente breve síntese dos fatos. Impugnou especificamente a incidência tributária sobre a área de preservação permanente, vez que já houve o reconhecimento pelo fisco da área considerada de reserva legal. Destacou, assim, ser dispensado Ato Declaratório Ambiental - ADA, quando existe de fato área de interesse ecológico, em busca da isenção legal ao pagamento de ITR. Citou legislação e jurisprudência nesse sentido, a seu favor, e destacou a inexigibilidade da apresentação de ADA. Aduziu ser o lançamento manifestamente ilegal, mas não se manifestou sobre as áreas de pastagens. É o relatório. • Processo n° : 10670.001038/2001-50 Resolução n° : 301-1.804 VOTO Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Conheço do Recurso por preencher os requisitos legais. Cuida-se de impugnação de Auto de Infração, de fls. 01-11, posteriormente. retificado as folhas 60-64, no qual se exigiu o pagamento de diferença do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural — ITR do Exercício de 1997 apurado de R$ 11.841,95, relativo ao imóvel rural cadastrado na Receita Federal sob n 354867-8, localizado no município de Santa Bárbara D 'Oeste. Preliminarmente, deve-se limitar o julgamento de segunda instancia administrativa, na parte que foi recorrida, eis que já se julgou procedente em parte o lançamento, sendo reconhecida a existência de reserva legal e área de pastagem a menor para fins de tributação. Assim, tem-se como objeto deste recurso tão -somente a procedência parcial do lançamento, na parte improcedente, quanto ã. incidência de ITR sobre área de Preservação Permanente, uma vez que sobre a área de pastagens não houve recurso. Ocorre que no presente caso há a alegação da existência além da área de preservação permanente, conforme noticiado na sua DITR. Em vista dos argumentos trazidos pela Recorrente e pelo fato da fiscalização não ter indicado que efetivamente não há a área de reserva legal, entendo como prudente e necessário para o deslinde do presente caso que sejam fornecidas informações oficiais sobre o imóvel. Neste sentido voto para que o JULGAMENTO SEJA CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA a fim de que a repartição de origem oficie o IBAMA, a fim de que o referido órgão preste as seguintes informações: a) Há, fisicamente, no imóvel area de preservação permanente? b) Qual a metragem da área de preservação permanente? 7 Processo n° Resolução n° : 10670.001038/2001-50 : 301-1.804 c) Há comprovações ou indícios que para o período de 1997 havia a referida área de preservação permanente? d) Após a realização da diligência, retornem-se os autos para julgamento. como voto. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2007 •
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001460/87-56
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 1989
Numero da decisão: 303-00.204
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, 6 origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JUNIOR
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score : 1.0
Numero do processo: 13056.000259/2004-99
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/09/1995 a 30/11/1995
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA
O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.263
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/09/1995 a 30/11/1995 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Recurso Voluntário Negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13056.000259/2004-99 Recurso n° 154.028 Voluntário Acórdão n° 3803-00.263 — 3" Turma Especial Sessão de 19 de novembro de 2009 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente COOTALL-COOPERATIVA TAQUARENSE DE LATICÍNIOS LTDA. Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COEINS Período de apuração: 01/09/1995 a 30/11/1995 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. • Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3'• TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. tetrikr:• E NDRE ICE N - Presidente a k se r BEL HIOR MELO DE SOUSA - Relator Partici • aram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Mauricio Fedato, Hélei Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de IV 10-13.232, de 06 de setembro de 2007, da DRJ-Porto Alegre/RS, fls. 26 a 27-v, que indeferiu a solicitação de restituição e mantendo a não-homologação das compensações, em face da manifestação de inconformidade, fls. 18 a 22. Cientificada da decisão em 29 de outubro de 2007, inconformada, vem a interessada com o presente recurso voluntário apresentado em 13 de novembro de 2007, em que argui não subsistir nenhum dos fundamentos em que se amparou a decisão contra a qual recorre, afirmando que: a) é equivocada, para o caso concreto, a interpretação dada ao art. 168, I. Sendo o PIS contribuição lançada por homologação deve este dispositivo legal ser aplicado de forma conjunta o art. 150, § 4°, resultando cru um prazo de prescrição/decadência de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador em relação ao qual houve o recolhimento indevido; b) que no silêncio do Fisco para homologar op procedimento adotado pelo contribuinte, somente com o decurso do prazo de cinco anos (5) a contar da ocorrência do respectivo fato gerador, com a homologação tácita dos respectivos lançamento e pagamento (indevido) é que se dá o início da contagem do prazo de cinco (5) anos para a extinção do crédito tributário; c) no caso concreto não se deu a decadência, já que os fatos geradores dos indébitos (recolhimentos indevidos) ocorreram dentro dos dez (10) anos que antecederam a protocolização da declaração de compensação; d) afirma que está é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça-STJ; e) que esta interpretação se impõe mesmo em face da sobrevinda Lei Complementar n° 118/2005, que veio determinar que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, para efeitos do art. 168, I, do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre com op respectivo pagamento, por sua vigência ser posterior à protocolização do Pedido de Restituição; O noutra linha, contrapõe-se aos fundamentos tomados pela , decisão recorrida, Decreto n° 70235/72 e o art. 6°, IV, da Lei n° 9.784/99, para exigir a comprovação prévia da liquidez e certeza do crédito acompanhando o pedido de restituição/compensação. O vínculo com o Decreto n° 70.235/72 é apenas quanto ao rito de contestação/contraditório para a manifestação de inconformidade; g) para atestar o seu contraponto, argumenta perguntando: mutatis mutandis, se tivesse utilizado o meio eletrônico (PER/DCOMP) seria aplicável tais exigências de fazer juntada da documentação tendente a esmiuçar a origem do crédito?. g) que obedeceu rigorosamente ao rito processual indicado pela IN SRF n° 210/2002, cujo Anexo VI, utilizado no caso dos autos, sequer contém campo para 'exposição de fatos e de seus fundamentos'. h) como a sistemática do processo administrativo tendente à homologação da declaração de compensação criada pela Lei n° 9.430/96 e INs que a regulamentam não comporta essa exigência, e por ter a motivação do despacho decisório limitado-se à alegação de decadência a manifestação de inconformidade fixou também limitada a essa matéria; i) pela falta de oportunidade de apresentar cabalmente sua ddefesa, eis que argumento novo foi interposto pela DRJ/POÁ, pede a possibilidade de provar a existência da liquidez e certeza do seu crédito, fundado na tese de que o ato cooperativo no gera \‘121 2 Processo n° 13056.000259/2004-99 83-1E03 Acórdão n.° 3803-00.263 Fl. 46 faturamento para as cooperativas, conforme entendimento do STJ, convertendo-se o processo em diligência. Ao fim requer seja reformado o acórdão recorrido para afastar a decadência e homologar as compensações em questão. É o relatório. Voto Conselheiro BELCHIOR MELO DE SOUSA, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como se extrai do relatório, a presente disputa restringe-se à extinção do direito de pleitear a restituir da contribuição, por suposto, paga indevidamente, se 10 anos composto de 5 anos a partir do prazo final de 5 anos para a Fazenda homologar o procedimento do contribuinte de antecipar o pagamento, ou 5 anos a contar do pagamento. Correto e o mais lógico sentido, a meu ver, é o entendimento manifestado na decisão recorrida, interpretando "o decurso do prazo de 5 (anos), contados ...da data da extinção do crédito tributário", previsto no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN, como sendo a data do pagamento do tributo ou contribuição, em que pese respeitáveis os arrazoados. Para o quentura devido apurado pelo contribuinte, em cumprimento da formulação prevista no art. 150, capte, não se discute que o pagamento antecipado tem eficácia extintiva imediata, embora sob condição resolutória. Além disso, em meu entender noqiIanto apura como seu débito confessa e paga sua eficácia é dermitiva, subsistindo a condição resolutiva, enquanto evento condicional, tão-só para preservar o direito de a Fazenda homologar ou efetuar a revisão do procedimento do contribuinte. Sobre diferenças que verificar nos elementos do fato gerador, como a base de cálculo ou a aliquota, o Fisco efetuará o lançamento, no exercício do direito de revisão, que se extingue após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°. Esgotado esse prazo, o que foi apurado e recolhido pelo contribuinte - irrelevando-se a impropriedade de o CTN denominar impropriamente de crédito tributário - certo ou errado, toma-se definitivamente extinto. Assim, a homologação, expressa ou tácita, toma definitiva a extinção do crédito tributário apenas no sentido de estancar a atividade revisional do Fisco sem afetar a eficácia extiutiva do pagamento, se eventualmente efetuado. • Por simetria de direitos, se a Fazenda tem 5 [cinco] anos para revisar o procedimento do contribuinte, não poderia este ter 10 [dez] para repetir o indébito, mas também 5 [cinco]. Segundo a tese defendida pela recorrente, este tempo se perfaz a contar da homologação expressa ou tácita, uma vez que somente este procedimento da Administração, cumulado com o pagamento tem eficácia extintiva. Ck 3 • Mas não é isto o que ocorre no mundo real, eis que o contribuinte não precisa esperar cinco anos para solicitar restituição do que pagara a maior. Assim, se o contribuinte pode, de pronto, exercer o seu direito de repetir o pagamento indevido, não pode ser outra a conclusão de que o termo inicial do prazo de decadência para pedir a restituição se dê com o pagamento antecipado. Não hesito em servir-me, para sedimentar esta posição, do art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 09 de fevereiro de 2005, mesmo em face de argumentos de ser esta uma lei extemporânea, tardia, para vir a ser interpretativa, e mesmo à luz do respeitável argumento expresso pelo eminente advogado e ex-Ministro do STF Sepúlveda Pertence de ser material a norma veiculada no texto do referido artigo, cujo efeito, assim, deve ser prospectivo, a despeito de nomear-se (expressamente) interpretativa, in verbis: "Art. 3 ° Para efeito de interpretação do inciso Ido art. 168 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei" Não existindo decisão plenária definitiva do STF que afaste a eficácia desta norma, ou inquine de inconstitucional a expressão "para efeito de interpretação", não pode este Conselho afastar a aplicação de lei, nos termos do art. 62, parágrafo único, inciso 1, do Anexo "Da Competência, Estrutura e Funcionamento dos Colegiados do CARF", do Regimento Interno do Conselho de Administração de Recursos Fiscais, que aparelhou a Portaria MF n° 256, de 19 de junho de 2009. Da natureza jurídica da citada lei exsurge o seu efeito retrospectivo, conforme previsto no art. 106, I, do CTN. As declarações de compensação em formulário foram recepcionadas pela DRF a partir de 22 de fevereiro de 2005, com o aproveitamento de créditos de PIS dos períodods de apuração de setembro a novembro de 1995. Desse modo, decaído encontra-se o direito de pleitear a restituição do que pagou indevidamente nos períodos sob exame para cobertura das compensações efetuadas. Nada há pois a reparar na decisão recorrida. Por te do o exposto, voto por negar provimento ao recurso. a a rwi BELC p TOR - ír- DE SOUSA • 4
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726619/2009-64
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.025
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: AMARYLLES RELNALDI E HENRIQUES RESENDE
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso.
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LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 240DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 241 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 17 a 22, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, 2006, 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$40.940,58, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar Estadual n° 20, de 08 de setembro de 2003. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 28 a 97), acatada como tempestiva. Alegou, em apertada síntese, que os rendimentos recebidos a título de URV têm caráter claramente indenizatório desde sua gênese, não representando aumento patrimonial e, consequentemente, verba tributável. Pondera que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, dispõe acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Ademais, o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu Fl. 241DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 242 3 sua obrigação e gerou para a contribuinte o dever de pagar mais imposto, gerando a quebra da capacidade contributiva da signatária. Questiona a multa de ofício e os juros de mora alegando que não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, mas tãosomente se baseou nas informações prestadas pela fonte pagadora. Discute a forma de tributação, discordando do cômputo isolado das diferenças em questão, sem a consideração dos rendimentos e das deduções já declarados e sem levar em consideração que a alíquota vigente nos anos de 1994 e 1998 era de 25%. Por fim, defende que os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 3ª Turma da DRJ Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 119 a 125, julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 23/09/2010 (fls. 129), a contribuinte, por intermédio de representante (Procuração às fls. 99), apresentou, em 15/10/2010, o Recurso de fls. 131 a 219. Principia tecendo considerações acerca da instituição da URV e buscando demonstrar que a correção, nos moldes em que deveria ter sido efetuada, à época, não ocorrera, motivando a interposição de ação judicial. Anos depois, houve a Edição da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, reconhecendo a natureza indenizatória das referidas diferenças. O Estado da Bahia, o devedor da obrigação legal e processual, expressa em título executivo judicial, credor do Imposto de Renda incidente sobre os salários pagos a seus servidores, abriu mão da arrecadação do imposto daí decorrente. Dessa forma, não foi a interessada quem deu causa ao erro de classificação dos valores recebidos. E não errou a fonte pagadora em considerar tais diferenças indenizatórias, eis que o STF, ao pagar idêntica parcela, editou a Resolução 245, a qual trata tais rendimentos como não sujeitos ao Imposto de Renda. Entende que o acórdão recorrido não enfrentou o argumento da ilegitimidade da União para cobrar Imposto de Renda que, por determinação judicial, pertence ao Estado Membro. Igualmente deixou de apreciar a alegação de quebra da capacidade contributiva da recorrente. Por tais motivos, protesta pela nulidade do acórdão recorrido. Invocando jurisprudência, discorre longamente acerca dos argumentos acima referidos. Quanto ao mérito, repissa a alegação de que as diferenças de URV recebidas teriam natureza indenizatória, não se sujeitando à incidência do Imposto de Renda. Traz entendimentos doutrinários para elucidar o raciocínio adotado. Protesta pela observâcia do disposto na Resolução STF nº 245, de 2002, para fins de apreciação do caso em discussão, sob pena de quebra do princípio da isonomia. Prossegue questionando os cálculos efetuados, asseverando que teriam sido aplicadas alíquotas incorretas, a saber, para os anoscalendário 1994 e 1998 as alíquotas deveriam ser 25%, como divulgado no site da Receita Federal, porém foram empregadas as alíquotas de 26,6% e 27,5%, respectivamente. E mais, foram desconsideradas as deduções cabíveis, ainda que em tese, no cálculo do imposto devido. Pondera que não se pode invocar o art. 845 do RIR/1999, que trata da perda do benefícioo das deduções, pois declarara os rendimentos objeto do lançamento conforme informação recebida da fonte pagadora. De forma Fl. 242DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 243 4 que feitas as simulações das declarações envolvidas na presente discussão, conforme planilha que instrui a impugnação, apuramse valores totalmente diversos daqueles lançados. Protesta para que sejam considerados os valores referentes a férias indenizadas e 13º salários, para fins de recálculo do imposto devido, se for o caso. Discorda da exigência de multa de ofício e juros de mora. O recurso está instruído com cópia do acórdão recorrido e da correspondência que o acompanhou. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 231, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, no tocante à alegação de que parcelas dos valores recebidos a título de URV se referiam à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º salário, e que tais parcelas foram indevidamente tributadas, pois seriam respectivamente isentas e sujeitas à tributação exclusiva, cabe registrar que esta não procede. Confrontando as planilhas de cálculo da diferença de URV emitidas pelo Ministério Público (fls. 14 a 16), com o demonstrativo de apuração do imposto de renda elaborado pela fiscalização (fls. 23), verificase que tais parcelas não foram incluídas no lançamento fiscal. A interessada argumenta, ainda, que o lançamento teria sido efetuado com erro no cálculo do Imposto Devido. Entretanto, examinando os autos, tal como já exposto no acórdão recorrido, verifico que tal alegação não procede, eis que o lançamento se fez em conformidade com a legislação de regência e os demonstrativos de apuração do imposto devido, parte integrante do Auto de Infração, refletem a situação dos autos. Prossegue a contribuinte alegando que o acórdão recorrido seria nulo por não ter enfrentado todos os argumentos da impugnação em especial a ilegitimidade passiva da contribuinte e a perda da capacidade contributiva. Ocorre que além de expressamente se manifestar acerca da responsabilidade da contribuinte pelo pagamento do imposto devido, independentemente de ter ou não havido retenção na fonte (fls. 124 e 125), o acórdão recorrido cuidou de demonstrar que a autuação contemplou os valores percebidos pela autuada e foram calculados as diferenças de imposto devidas para cada um dos períodos a que se referem os rendimentos recebidos, respeitadas as declarações anteriormente apresentadas pela interessada (fls. 123). Fl. 243DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 244 5 Por oportuno, quanto à ilegitimidade passiva invocada, destaquese que a Súmula nº 12, deste Conselho, dispõe: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito, a interessada discute, essencialmente, o caráter indenizatório dos valores recebidos. Insta frisar que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, a contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005 a 2007, valores recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, por entendêlas isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 245 6 §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, a contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Ministério Público do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas à recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com base na Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem constar expressamente do texto legal, em conformidade com o disposto no art. 111, do CTN. Assim, incabível atribuir aos rendimentos recebidos pela recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que não existe lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas. Igualmente ausente embasamento legal para considerar os juros moratórios como isentos ou não tributáveis, uma vez que estão explicitamente definidos em lei como rendimentos tributáveis, devendo a autoridade administrativa basearse na legislação tributária vigente, em consonância com o princípio da estrita legalidade estabelecido na Constituição Federal. No tocante à multa de ofício, consoante vem sendo decidido por este Colegiado (confiramse os julgados 280101.675, 280101.676 e 280101.677, todos de 27/07/2011, relatados pelo Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães e 2801001.747, de 29/07/2011, Conselheira Tânia Mara Paschoalin) é incabível a exigência de tal penalidade quando a contribuinte demonstra ter sido induzida pelas informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro escusável. Por fim, com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa de ofício de 75%. Fl. 245DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 246 7 Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 246DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10860.000174/2009-42
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. REQUISITOS.
Para que seja possível a dedução de despesas médicas, indispensável a existência de respectivas provas comprobatórias, representadas por documentos hábeis e idôneos, que contenham todos os requisitos previstos na legislação que trata da matéria.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. VALORES INFORMADOS NA DIMOB.
Os valores relativos a rendimentos de aluguéis informados na DIMOB somente podem ser desconsiderados mediante apresentação de documentação hábil e idônea que comprove que tais valores são incorretos.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-002.253
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. REQUISITOS. Para que seja possível a dedução de despesas médicas, indispensável a existência de respectivas provas comprobatórias, representadas por documentos hábeis e idôneos, que contenham todos os requisitos previstos na legislação que trata da matéria. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. VALORES INFORMADOS NA DIMOB. Os valores relativos a rendimentos de aluguéis informados na DIMOB somente podem ser desconsiderados mediante apresentação de documentação hábil e idônea que comprove que tais valores são incorretos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso negado.
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DEDUÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. REQUISITOS. Para que seja possível a dedução de despesas médicas, indispensável a existência de respectivas provas comprobatórias, representadas por documentos hábeis e idôneos, que contenham todos os requisitos previstos na legislação que trata da matéria. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. VALORES INFORMADOS NA DIMOB. Os valores relativos a rendimentos de aluguéis informados na DIMOB somente podem ser desconsiderados mediante apresentação de documentação hábil e idônea que comprove que tais valores são incorretos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10860.000174/200942 Acórdão n.º 2801002.253 S2TE01 Fl. 120 2 Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Renato Coelho Borelli, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 69/75, relativa à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004, em que foi apurado um crédito tributário correspondente a R$ 21.910, 79, decorrente das seguintes infrações: a) dedução indevida de incentivo, no montante de R$ 150,00, correspondente à diferença entre o valor declarado e o valor das doações informadas em Declaração de Beneficio Fiscal DBF pelas entidades beneficiárias das doações; b) dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$ 20.783,67, em virtude de a contribuinte não ter atendido à intimação para comproválas; c) compensação indevida de IRRF, no montante de R$ 1.028,38, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pela fonte pagadora Península Importação e Exportação Ltda em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes; d) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no montante de R$ 11.221,33, correspondente à diferença entre o total declarado pelo contribuinte e o total dos rendimentos informados na em Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias (Dimob); IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a impugnação parcial de fls. 01/04, juntamente com os documentos de fls. 05/68, alegando, em síntese, que: a) efetuou doação a UNICEF no valor de R$ 150,00, conforme doc. de fls. 09, sendo pertinente, portanto, a dedução de incentivo declarada; b) os documentos de fls. 11/38 comprovam as despesas médicas que foram glosadas; c) empresa Península Importação e Exportação Ltda informou o valor retido pela impugnante por meio de DIRF retificadora (fls. 40/43). Logo, a quantia compensada a título de IRRF é válida; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10860.000174/200942 Acórdão n.º 2801002.253 S2TE01 Fl. 121 3 d) o valor dos rendimentos de aluguéis relativos ao imóvel administrado pela Imobiliária e Administração Predimóveis Ltda não é o constante na notificação de lançamento, mas sim a quantia de R$ 5.400,00, conforme documento de fls. 57. e) recolheu o crédito tributário correspondente à parcela não impugnada. Por tais razões requer o cancelamento da notificação de lançamento. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/São PauloII julgou a impugnação procedente em parte (fls. 90/96), para restabelecer a quantia de R$ 13.588,67, a título de despesas médicas, por considerar que os documentos de fls.11 (R$ 8.591,85 Bradesco Saúde), 12 e 32 (R$ 770,00 Hans Wolfgang Halbe), 15 (R$ 140,00 – Antonio Manuel R. F. Freitas), 16 e 30 (R$ 200,00 – Plasticenter Clínica de Cirurgia Plástica), 18 (R$ 215,00 – Cardiocentro), 19/33/37 (R$ 575,40 – Pró Imagem Exames), 20 (R$ 270,00 – Acta Laboratório), 21 (R$ 151,00 – Clínica Radiológica 9 de Julho), 22 (R$ 300,00 – Clínica Ligia Kogos), 23/24 (iguais R$ 150,00 – Ortobioclínica), 26 (R$ 25,42 – Hospital São Lucas) e 36 (R$ 2.200,00 – Cristiane Ibannes Pólo) comprovam o direito as deduções de tais despesas. Quanto aos demais documentos juntados como comprovantes de despesas médicas, entendeu que não podem ser aceitos por não atenderem todos os requisitos do inc. III, § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95 (ausência de endereço). Manteve a glosa da dedução de incentivo em virtude de a doação efetuada pela contribuinte não se tratar de as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, nos termos exigidos pelo art. 12, I, da Lei nº 9.250/95. Restabeleceu o IRRF glosado, ante a documentação comprobatória apresentada. Quanto à omissão de rendimentos de aluguéis questionada, vale reproduzir trecho do voto do relator daquele aresto, que aprecia tal matéria: “Pela descrição feita à fl.44 e em razão dos termos da impugnação de fl.03, verifico que existe controvérsia apenas com relação ao valor informado em DIMOB relativo ao imóvel administrado pela Imobiliária e Administração Predimóveis Ltda. O contribuinte afirma que o valor de R$10.488,00 informado pela imobiliária é inadequado, sendo que o valor correto seria o valor de R$5.400,00. Portanto: a) documentos de fls.45 a 56 sem controvérsia (TECAD). b) documento de fl.57 (Predimóveis): O documento não pode ser aceito para a prova que o sujeito passivo pretende produzir, pois o mesmo informa como data de pagamento dos aluguéis o ano calendário de 2005 (apesar de sobrescrito para informar o ano calendário destes autos – 2004); sendo inconclusiva a análise do mesmo. Ademais, é fato que a fiscalização verificou em DIMOB (fl.44) que a Predimóveis informou o valor de R$10.488,00 e não Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10860.000174/200942 Acórdão n.º 2801002.253 S2TE01 Fl. 122 4 o valor pretendido pelo contribuinte (de R$5.400,00). Não verifico como sobrepor o valor do documento de fl.57 de emissão da imobiliária ao valor por ela informado em DIMOB.” RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 26/11/10 (fls. 100), a interessada apresentou, em 28/12/10, o Recurso de fls. 101/105, juntamente com os documentos de fls. 76/11, alegando, em suma, que: a) os recibos médicos apresentados comprovam a efetiva prestação dos serviços ali discriminados. Não merece ser penalizada pelo simples fato de não constar o endereço dos profissionais nos documentos apresentados, haja vista que é cediço que o essencial para a dedução é a comprovação dos serviços prestados que, neste caso, ocorreu. Cita decisões deste Conselho que seriam favoráveis à sua tese; b) quanto à omissão de rendimentos de aluguéis, não pode ser responsabilizada se a imobiliária Predimóveis declarou, por meio da DIMOB, valor diferente daquele constante em sua declaração de ajuste anual, que lhe foi informado por aquela empresa. Aduz que não tinha conhecimento dessa divergência e que fez sua declaração com base em documento hábil e idôneo. Sustenta que a questão não diz respeito a qual documento tem mais legalidade, mas sim ao confronto das informações prestadas pela imobiliária; c) não foi deduzido no cálculo remetido o valor recolhido pela recorrente a título de imposto suplementar, conforme documento de fls. 58. Diante do exposto acima requer a extinção da notificação de lançamento em discussão. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Em relação às despesas médicas que tiveram sua glosa mantida não há qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido, pois, como bem esclarecido, os documentos apresentados não preenchem todos os requisitos estabelecidos no inciso III, § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, devido não conterem o endereço do prestador de serviços. Por conseguinte deve ser mantida a glosa de tais valores. Cumpre informar que decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia Fl. 126DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10860.000174/200942 Acórdão n.º 2801002.253 S2TE01 Fl. 123 5 normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. No que diz respeito aos rendimentos de aluguéis relativos ao imóvel administrado pela Imobiliária e Administração Predimóveis Ltda., não considero a declaração de fls. 57 hábil e idônea para comprovar os rendimentos referentes ao ano de 2004, devido à existência de dados conflitantes, posto que, enquanto no cabeçalho do citado documento consta a informação de que se trata de valores recebidos em 2004, todas as datas dos pagamentos mensais se referem a 2005, tendo sido sobrescritas, manualmente, para informar o ano como sendo 2004. Por conseguinte o documento carece de credibilidade, não servindo para contradizer as informações constantes na DIMOB, utilizadas no lançamento em discussão. Por fim cabe esclarecer que o valor pago constante no DARF de fls. 58 foi devidamente amortizado do crédito tributário cadastrado neste processo, como pode ser verificado no extrato de fls. 116/117. Por tais razões voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10280.001531/2007-59
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Incabível a alegação de decadência nas hipóteses em que a ciência do lançamento se deu antes de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do IRPF, a saber, 31 de dezembro do ano-calendário correspondente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS.
Não procede a apontada omissão de rendimentos quando o contribuinte demonstra que auferiu os valores relativos a pagamentos de aluguéis em nome de terceiros, os quais lhe outorgaram poderes para administração do imóvel locado, não sendo o sujeito passivo, portanto, o real beneficiário dos valores questionados.
IRRF SOBRE O VALOR TRIBUTADO. EXCLUSÃO.
Não sendo o contribuinte o beneficiário dos rendimentos de aluguéis lançados, também não pode ser efetuada a dedução do respectivo IRRF retido, cabendo a sua exclusão.
Preliminar de Decadência Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.224
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento a parcela relativa à omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 30.000,00, bem como o valor respectivo a título de dedução de IRRF, no valor de R$ 4.199,20.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Incabível a alegação de decadência nas hipóteses em que a ciência do lançamento se deu antes de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do IRPF, a saber, 31 de dezembro do ano-calendário correspondente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Não procede a apontada omissão de rendimentos quando o contribuinte demonstra que auferiu os valores relativos a pagamentos de aluguéis em nome de terceiros, os quais lhe outorgaram poderes para administração do imóvel locado, não sendo o sujeito passivo, portanto, o real beneficiário dos valores questionados. IRRF SOBRE O VALOR TRIBUTADO. EXCLUSÃO. Não sendo o contribuinte o beneficiário dos rendimentos de aluguéis lançados, também não pode ser efetuada a dedução do respectivo IRRF retido, cabendo a sua exclusão. Preliminar de Decadência Rejeitada. Recurso Voluntário Provido.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Incabível a alegação de decadência nas hipóteses em que a ciência do lançamento se deu antes de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do IRPF, a saber, 31 de dezembro do anocalendário correspondente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Não procede a apontada omissão de rendimentos quando o contribuinte demonstra que auferiu os valores relativos a pagamentos de aluguéis em nome de terceiros, os quais lhe outorgaram poderes para administração do imóvel locado, não sendo o sujeito passivo, portanto, o real beneficiário dos valores questionados. IRRF SOBRE O VALOR TRIBUTADO. EXCLUSÃO. Não sendo o contribuinte o beneficiário dos rendimentos de aluguéis lançados, também não pode ser efetuada a dedução do respectivo IRRF retido, cabendo a sua exclusão. Preliminar de Decadência Rejeitada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento a parcela relativa à omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 30.000,00, bem como o valor respectivo a título de dedução de IRRF, no valor de R$ 4.199,20. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 75 2 Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (doc. às fls. 38/42) para exigência do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física (Suplementar) no montante de R$ 3.338,68, sendo o valor de R$ 1.635,81 a título de principal, acompanhado de multa de ofício no valor de R$ 1.226,85, e de juros de mora no valor de R$ 476,02, estes calculados até 30/03/2007. A autuação decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual referente ao exercício 2005, anocalendário 2004. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, constatou a autoridade lançadora a ocorrência das seguintes infrações: i) omissão de rendimentos de aluguéis e/ou royalties recebidos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (CNPJ nº 05.544.392/000173), no valor de R$ 30.000,00; e ii) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, no valor de R$ 5.767,23, da BrasilPrev Seguros e Previdência S/A (CNPJ nº 27.665.207/000131). Cientificada da exigência em 10/04/2007, conforme AR – Aviso de Recebimento à fl. 27, a contribuinte apresentou a impugnação às fls. 01/09, subscrita por seu representante legal, onde argumenta, em síntese, que: jamais recebeu qualquer rendimento relativo ao aluguel do imóvel em questão, vez que na verdade figuraria tão somente como advogada e procuradora da pessoa jurídica Colares Empreendimentos, a quem o real proprietário do imóvel teria outorgado poderes relacionados ao referido bem locado; a fonte pagadora do aluguel (Secretaria Municipal de Meio Ambiente SEMMA), na qualidade de substituto tributário, teria promovido os devidos descontos e recolhimentos a titulo de imposto sobre a renda quando da realização dos pagamentos, porquanto reputa o crédito tributário extinto; não teria assumido qualquer tipo de obrigação ou responsabilidade tributária; quanto aos rendimentos recebidos a titulo de resgate de contribuições à previdência privada, referidos rendimentos não constituiriam renda da contribuinte, pois sequer seriam de sua titularidade, e sim de seus filhos, e no momento do resgate o substituto tributário (BrasilPrev) igualmente teria realizado os descontos e recolhimentos devidos, não subsistindo qualquer débito. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 76 3 Ao final, a litigante juntou ao processo os documentos às fls. 11/17. Ao apreciar a lide, a 5a Turma de Julgamento da DRJ/Belém/PA decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo, assim, o crédito tributário exigido no lançamento, nos termos do Acórdão nº 0115.650, de 18/11/2009, às fls. 46/49. Concluiu a Turma julgadora que: i) em relação à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente SEMMA, a impugnante não logrou comprovar o alegado, ou seja, que não seria a beneficiária de tais rendimentos; ii) quanto à omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, entendeu aquele Colegiado que a litigante não produziu prova que pudesse afastar o lançamento, pois tampouco apresentou o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, limitandose a alegar que não revestia a condição de beneficiária, e sim seus filhos. Devidamente intimada da decisão a quo em 28/12/2009 (AR à fl. 52), a contribuinte interpôs, em 22/01/2010, por meio de seu procurador, o Recurso Voluntário às fls. 53/56, alegando que: o crédito tributário é referente ao anocalendário de 2004, e portanto a contagem do prazo iniciouse no primeiro dia útil do ano de 2005 (ano subseqüente) e assim, não pode ser mais exigido pela fazenda pública, haja vista que, já fora preenchido o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, por força do art. 173 do CTN; era apenas e tãosomente a advogada e procuradora do Sr. Ney Alberto Martins Monteiro, que é o proprietário do imóvel, localizado na Avenida Senador Lemos n° 4357, e que fora locado para a FUNVERDE, mas o referido proprietário foi quem recebeu todos os aluguéis pagos pela locadora; detinha apenas a incumbência de fiscalizar o contrato de locação, assim, não assumiu nenhuma responsabilidade ou obrigação tributária, visto que não era e nunca foi proprietária do imóvel e nem auferiu rendimentos provenientes deste, revestindose somente na qualidade de procuradora da imobiliária que administrou parte do contrato de locação; é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da presente cobrança tributária, haja vista que, o proprietário do imóvel, Sr. Ney Alberto Martins Monteiro, foi quem recebeu todos os rendimentos referentes ao contrato de locação com a FUNVERDE, e que deveria ser intimado para o pagamento da cobrança; ao ser intimada para recolhimento da exigência, encaminhou um comunicado (cópia em anexo), informando para o Sr. Ney Alberto Martins Monteiro, que estava sendo cobrada indevidamente pela RFB a pagar tributos e encargos fiscais, todavia, o Sr. Ney Alberto mantevese inerte, e possivelmente será demandado na Justiça pela demandada, caso esta exigência seja mantida. Por fim, solicita a recorrente que seja reconhecida a decadência do lançamento, ou senão, no mérito, seja dado provimento ao seu recurso. Anexou aos autos a documentação às fl. 57/72. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 77 4 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe a apreciação da preliminar de decadência suscitada pela recorrente. Verificase, quanto a esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 78 5 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (...) Face ao exposto, concluise que o prazo decadencial do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 79 6 antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, a exigência fiscal se refere ao exercício 2005, ano calendário 2004. Verificase que houve antecipação do pagamento do imposto (conforme DIRPF às fls. 21/24 e Demonstrativo de Apuração à fl. 41), sendo o dia inicial da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento a data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo anocalendário (art. 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN). Assim, o prazo decadencial deve ter como termo inicial 31/12/2004 e como termo final 31/12/2009. O auto de infração em apreço foi cientificado à contribuinte em 10/04/2007 (conforme fl. 27), quando ainda não havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário. Rejeitase, portanto, a preliminar de decadência. Quanto ao mérito, nesta fase recursal, verificase que a discussão no presente feito cingese à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, referente a aluguéis. A decisão de primeiro grau foi no sentido de julgar procedente a exigência fiscal, vez que a autuada não havia carreado aos autos provas de que não seria a beneficiária de tais rendimentos. O argumento apresentado pela interessada para afastar a exigência fiscal amparase na afirmação de que teria atuado tãosomente como mera procuradora do proprietário do imóvel locado (Sr. Ney Alberto Martins Monteiro), e que, portanto, este seria o real beneficiário dos aluguéis pagos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA), locadora do imóvel. Com efeito, o conjunto probatório colacionado aos autos pela recorrente, dentre os quais, digase, especificamente, o Contrato de Locação n° 004/ 2001, firmado entre o Sr. Ney Alberto Martins Monteiro e a FUNVERDE (extinta em 2003 por ocasião da criação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente – SEMMA), e o posterior Terceiro Aditivo ao referido Contrato n° 004/2001, este efetuado entre a SEMMA e a empresa M A C CORECHA, à fl. 14, revela que a autuada atuou apenas como representante (procuradora) em nome da empresa Colares Empreendimentos Imobiliários e Advocacia em Geral dos locadores do imóvel em questão. Consta, ainda, à fl. 11, procuração outorgada pelo Sr. Ney Alberto Martins Monteiro, através da qual este senhor concede poderes à Colares Empreendimentos Imobiliários e Advocacia em Geral, naquele ato representada pela recorrente, para “(...) alugar, administrar (receber, prestar contas de alugueis e encargos locatícios) do imóvel sito à Av. Senador Lemos, n° 4357 Sacramenta Belém Pará”. Deveras, a tributação dos valores recebidos a título de aluguéis deve recair sobre o proprietário do imóvel locado. Ressaltese que o fato de os valores dos aluguéis terem sido depositados pela SEMMA (locadora) na contacorrente da recorrente (enquanto pessoa responsável pela administração do bem locado) não transfere a esta a titularidade dos valores correspondentes aos aluguéis. Deste modo, tais fatos devem ter como norte a exigência do tributo devido pelo respectivo proprietário do imóvel locado, e não na manutenção do lançamento formalizado com erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 80 7 E mais, cabe também frisar que, não sendo a recorrente a beneficiária dos rendimentos apontados, não pode a mesma aproveitar a dedução do respectivo IRRF (R$ 4.199,20) retido por ocasião do pagamento destes valores. Isto posto, VOTO em rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e no mérito, em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento a parcela relativa à omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 30.000,00, bem como o valor respectivo a titulo de dedução de IRRF, no valor de R$ 4.199,20. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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