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Numero do processo: 18336.001250/2004-72
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/10/1999
CERTIFICADO DE ORIGEM - PREFERENCIA TARIFÁRIA. Não cabível a aplicação de preferência tarifária quando descumpridas formalidade essenciais pela ausência de registro no Certificado de Origem, da fatura correspondente à entrega da mercadoria e falta de registro em formulário respectivo, no campo relativo a observações que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país.
Recurso provido
Numero da decisão: 9303-003.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 21/10/1999 CERTIFICADO DE ORIGEM - PREFERENCIA TARIFÁRIA. Não cabível a aplicação de preferência tarifária quando descumpridas formalidade essenciais pela ausência de registro no Certificado de Origem, da fatura correspondente à entrega da mercadoria e falta de registro em formulário respectivo, no campo relativo a observações que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país. Recurso provido
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Não cabível a aplicação de preferência tarifária quando descumpridas formalidade essenciais pela ausência de registro no Certificado de Origem, da fatura correspondente à entrega da mercadoria e falta de registro em formulário respectivo, no campo relativo a observações que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 12 50 /2 00 4- 72 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Em Recurso Especial de fls. 261/273, admitido pelo Despacho nº 3100049 de fl.277, insurgese a Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 310200.461 (fls.254/258) que deu provimento ao Recurso Voluntário. O Acórdão traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/10/1999 PETROBRAS TRANSITO DE MERCADORIA ALADI A preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica ACE depende do transporte direto da mercadoria do pais de origem ate o Brasil, podendo ser faturada por operador de terceiro pais, associado ou não à ALADI. Recurso Voluntário Provido. Alega a Fazenda Nacional que o reconhecimento do tratamento tarifário diferenciado está pautado na origem da mercadoria, cuja comprovação somente se dá através da apresentação de documento próprio que no presente caso correspondeu a fatura comercial apresentada pela Petrobras International Finance Company (PIFSB1064/99), com sede nas Ilhas Cayman, localidade que não é membro da ALADI. Transcreve o art.434 do Regulamento Aduaneiro – RA aprovado pelo Decreto nº 91.030/85 e registra que a Associação Latino Americana de Integração (ALADI) criada pelo Tratado de Montevidéu de 12 de agosto de 1980, tendo o Brasil como país – membro foi assinado o Regime Geral de Origem, consubstanciado na Resolução 78 do Comitê de representantes anexo ao Decreto nº 98.874/90, e a Regulamentação das Disposições Referentes à Certificação de Origem, que se operou através do Acordo 91 apenso ao Decreto nº 98.836/90. Afirma que tais normas são as que disciplinam a comprovação da origem da mercadoria e estipulam outros requisitos a serem atendidos para fruição das preferências tarifárias pactuadas entre os países membros da ALADI. Transcreve igualmente o art. 7º da Resolução da ALADI que comanda a possibilidade de benefício relativo aos tratamentos preferenciais pactuados pelos participantes de um acordo celebrado de acordo com o Tratado de Montevidéu de 1980 desde que os países acompanhem os documentos de exportação em formulário padrão adotado pela Associação com declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001250/200472 Acórdão n.º 9303003.061 CSRFT3 Fl. 331 3 Diz ainda o dispositivo que a declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria, certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe com personalidade jurídica, credenciada pelo Governo do país exportador. Continua alegando que diante da ausência de qualquer dos requisitos exigidos pelos acordos internacionais ou ainda, em face da constatação de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, o Estado importador fica impedido de reconhecer o tratamento preferencial devendo ser aplicada à mercadoria o regime normal de tributação, previsto para as importações de terceiros países. No caso destes autos diz que, embora o certificado de origem traga explicitamente indicado como país exportador a Venezuela, a fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da DI, foi, de fato, emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY – PIFCO, localizada nas Ilhas Cayman país, como já mencionado, não signatário do ACE39, estando essa empresa qualificada na DI como exportadora. Finalmente registra que a parte ora Recorrida não faz jus aos benefícios fiscais do Acordo de Complementação Econômica nº 39, firmado entre Brasil e Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, sendo necessária a reforma da decisão proferida pela Câmara, no sentido de negar provimento a Recurso Voluntário. Em ContraRazões nas fls. 280/327, a Contribuinte articula fundamentos sobre a regularidade da operação autuada em face da comprovação documental da origem venezuelana da mercadoria importada através da Declaração de Importação de nº 99/0896192 6, registrada em 21.10.1999. Transcreve nas fls. 282 e 283 decisões administrativa e judicial que admitem a legalidade da preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica – ACE dependente do transporte direto do país de origem até o Brasil, podendo ser faturado por operador de terceiro país, associado ou não à ALADI, desde que documentalmente provada a triangulação com as correspondentes invoices e fatura operacionais. Alega que a Petrobras ao comprar mercadoria originária da Venezuela, agiu defendendo os interesses supranacionais do fortalecimento da integração econômica dos povos da América Latina, não como opção simplesmente empresarial. Desta feita, contando a ALADI com um Regime Geral de Origem (RGO), a Resolução nº 78, incorporada no ordenamento jurídico brasileiro através do Decreto nº 98.874/90 regulamentada pelo Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, modificao pela Resolução nº 232, internalizada pelo Decreto nº 2.865/98. Para comprovação da origem, continua, e consequente fruição dos benefícios tarifários pactuados no âmbito da ALADI, necessário atender os requisitos previstos no RGO. Transcreve a Nota COANA/COLAD/DITEG/nº60/97 que em um trecho, assim pontifica: “Na triangulação comercial que, reiteramos, é prática frequente no comércio moderno, essa acreditação não corre riscos pois se Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 trata de uma operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Acordo em que foi negociado o produto habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiarse do tratamento preferencial no país de destino da mercadoria. O fato de que um terceiro país fature essa mercadoria é irrelevante no que concerne à origem. O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOCUL) não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais.” Discorre acerca do critério para fruição de tratamento tarifário privilegiado e sobre a origem das mercadorias e transcreve o art. 4º da Resolução nº252 da ALADI que estabelece a condição do benefício desde que as mercadorias sejam expedidas diretamente do país exportador para o pais importador. Destaca a incontroversibilidade referente ao fato concreto de que a mercadoria importada tratada neste processo foi expedida diretamente da Venezuela para o Brasil e o Certificado de Origem faz referência expressa ao Bil Of Lading no campo observações, e este, por sua vez, é claro ao mencionar que a carga vem direito para o país, assim como a fatura da PIFCO descreve exatamente a mesma carga transportado no mesmo navio, na mesma viagem e somente não foram registradas todas as operações da triangulação comercial (PDVSA – PIFCO – PETROBRAS) porue o SISCOMEX não comporta tais registros, não se tendo como fazêlo. Justifica ainda que a limitação do SISCOMEX obriga ainda que a PIFCO figure na DI como exportadora pelo fato concreto de que não existe no sistema um campo específico para alocar o operador. Discorre sobre o Certificado de Origem interpretando sua finalidade. Oferece transcrição de decisão da CSRF no Acórdão 0304.853 com trecho do seguinte teor: ......a apresentação por ocasião do despacho aduaneiro, do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria quando devidamente acompanhado das respectivas faturas,inclusive aquela emitida por operador de terceiro país, na qualidade de interveniente, supre as informações acessórias que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à fiscalização aduaneira, como previsto no Regime Geral de Origem da ALADI,principalmente quando a fatura emitida pelo terceiro país registra em campos próprios o número da primeira fatura e o número do respectivo Certificado de Origem do país produtor. Conclui seus fundamentos alegando a inexistência de dispositivo legal que afaste a fruição do tratamento tributário privilegiado em face do certificado de origem trazer informação discrepante com relação à fatura comercial apresentada para despacho aduaneiro e ainda, que em nenhum momento o Regime Geral de Origem determina que o número da fatura mencionada no Certificado de Origem coincida com o da fatura registrada na DI. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001250/200472 Acórdão n.º 9303003.061 CSRFT3 Fl. 332 5 Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicio minhas considerações privilegiando, do meu ponto de vista, um dos aspectos que maior transcendência traz ao tema sob comento que diz respeito à caracterização indiscutível da origem do produto a fim de que o mesmo possa ser alvejado por tratamento tributário diferenciado desta feita por força de acordo internacional. Busco luzes no capítulo segundo do Regime Geral de Origem da Resolução nº 78 do Comitê de Representantes da ALADI, e no art. 1º do Acordo 91 do mesmo Comitê que prelecionam: RESOLUÇÃO 78 “SÉTIMO. Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos países participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, esses países deverão acompanhar os documentos de exportação, no formuláriopadrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar. OITAVO. A descrição das mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde à mercadoria negociada, classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro. Nos casos em que a mercadoria tenha sido negociada em uma nomenclatura diferente à NALADI/SH se indicará o código e a descrição da nomenclatura registrada no acordo de que se tratar.” Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação.” ACORDO 91 “A descrição dos produtos incluídos no formulário que acrecita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá conincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro.” Constato que as formalidades exigidas para a obtenção da fruição do incentivo são, como era de se esperar, absolutamente indispensáveis. Tal indispensabilidade diz respeito a garantir que a redução tarifária seja destinada a mercadoria que de fato foi alvo das formalidades exigidas pelo acordo internacional, e não outra. Ultrapasso, de primevo, o aspecto da triangulação acontecida entre a Venezuela, Ilhas Cayman e Brasil por já considerado legalmente possível por este E. Conselho em diversas decisões sendo que a PDVSA emite fatura comercial nº 744530 e a PIFCO Petrobrás International Finance Company emite fatura comercial nº 1064/99 que instruiu a DI, ambas situandose na condição de exportadoras. Entendo que relativamente ao certificado de origem seja desnecessário o registro da quantidade de mercadoria importada uma vez que o art. 1º do Acordo 91 não estabelece essa exigência.. Sem dúvidas, na minha visão, as formalidades exigidas pela legislação de regência foram, em parte, levadas a efeito no caso presente tornando indiscutível a origem e o destino da mercadoria em questão, e apenas por esse aspecto. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001250/200472 Acórdão n.º 9303003.061 CSRFT3 Fl. 333 7 No entretanto, constato no Certificado de Origem que a fatura nele registrada foi a emitida pela PDVSA de nº 744530 e não a de nº 10644/99 emitida pela PFICO. Pelo que dos autos consta, não visualizei a comprovação de que o Certificado de Origem é referente à importação que se cuida neste processo até mesmo porque ausente documento que cumpra o determinado pelo item nono do Capitulo II do Anexo a Resolução nº 252 do Regime Geral de Origem da ALADI que determina a indicação em formulário respectivo, no campo relativo a observações que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso. Sala das Sessões, 12 de agosto de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 36542.000222/2004-84
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 12/07/2002
MPF. PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRIBUIÇÃO
PREVIDENCIÁRIA. REGRAS ESPECIAIS. Pela existência à época de
regra específica nesse sentido, os lançamentos até 02/05/2007 não precedidos de MPF devem ser declarados nulos.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.483
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Rogério de Lellis Pinto, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Francisco de Assis Oliveira Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 12/07/2002 MPF. PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REGRAS ESPECIAIS. Pela existência à época de regra específica nesse sentido, os lançamentos até 02/05/2007 não precedidos de MPF devem ser declarados nulos. Recurso especial negado.
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PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REGRAS ESPECIAIS. Pela existência à época de regra específica nesse sentido, os lançamentos até 02/05/2007 não precedidos de MPF devem ser declarados nulos. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Alla , Rogério de Lellis Pinto, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Frei Ø. Por maioria de votos, em negar f provimento ao recurso. Vencidos os 1 onselheiros fioo Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Francisco de Assis Oliveira Jun : r e Carlos A • rto Freitas Barreto. 1 ,, / / Á . , CARLOS A \I, í it 1 ' I'Q2EITAS BARRETO - Presidente , , I I JULIO C SAR\j IEIIA GOME) - Relator EDITADO' EM: 1 4 MAIO 2010 1 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Trata-se de recurso especial por divergência interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão através do qual se declarou a nulidade do lançamento por ausência de mandado de procedimento fiscal - MPF. N° Acórdão 205-00004 Tributo / Matéria Decisão Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 12/07/2002 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Ausência de mandado de procedimento fiscal —MPF. É nulo o lançamento não procedido de MPF Processo anulado ah initio. No mérito, trata-se de autuação por responsabilidade pessoal de dirigente público, que tinha previsão no artigo 41 da Lei ri° 8.212, de 24/07/91, revogado pelo art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009. A recorrente indicou acórdãos paradigmas e comprovou a divergência, confoime despacho que lhe deu seguimento: N° Acórdão 202-17274 Tributo / Matéria IOF - ação fiscal- (insuf na puraçã o e recolhimento) Decisão Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. EXISTÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPLEMENTAR - MPF-C. Comprovada a expedição de MPF-C para extensão da autorização de fiscalização inicial ao IOF e sendo o MPF um mero instrumento de controle administrativo, é improcedente a alegação de nulidade do auto de infração fundada na inexistência desta ordem. Após o despacho que deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contra-razões. 4 É o Relatório. 2 Processo n° 36542.000222/2004-84 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.483 Fl. 2 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Creio que o exame da questão deve se iniciar com a pesquisa sobre as normas que disciplinavam até 02/05/2007 o procedimento fiscal relativo às contribuições previdenciárias. É que a partir de então, logo após a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com os decretos n° 6.104, de 30/04/2007 e n° 3.724, de 10/01/2001 também foram unificados os procedimentos — o primeiro revogou as regras que eram especificas para as contribuições previdenciárias para que o procedimento fiscal passasse a ser disciplinado pelo segundo, comum a todos os tributos federais: DECRETO IV' 6.104 - DE 30 DE ABRIL DE 2007 — DOU DE 2/5/2007 Dispõe sobre a execução dos procedimentos fiscais no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, DECRETA: Art. l'Os arts. 2' a 4' do Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.2° Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores- Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art.3'Ficam revogados os Decretos ds 3.969, de 15 de outubro 1 de 2001, 4,058, de 18 de dezembro de 2001, 5.527, de 1° de setembro de 2005, e 5.614, de 13 de dezembro de 2005. fr Art. 4' Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 30 de abril de 2007; 186' da Independência e 119' da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Guido Mantega Após essas explicações iniciais, passemos então às normas especificas para as contribuições previdenciárias que vigeram até 02/05/2007. O Decreto n° 3.969, de 15/10/2001 cuidou de detalhar as informações que devem, obrigatoriamente, constar no mandado de procedimento fiscal — MPF, deteininar a autoridade competente para sua emissão, prazo de duração e suas prorrogações e outras 3 questões. Merece atenção especial o artigo 16, quando ao afastar a possibilidade de nulidade por decurso do prazo de validade sem emissão de novo MPF, acabou por denunciar um sentido de exceção à regra, que seria a nulidade do procedimento sem sua observância. Caso o MPF fosse um simples instrumento de controle da administração tributária seria desnecessária a regra de exceção para uma única hipótese, essa trazida pelo artigo 16. Lembrando que o Decreto n° 3.969/2001 somente se aplicava às contribuições previdenciárias: DECRETO N°3.969 - DE 15 DE OUTUBRO DE 2001 Art. 700 MPF-F, o MPF-D e o MPF-E conterão: 1- numeração de identificação e controle; II - dados identificadores do sujeito passivo; III - natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV - prazo para a realização do procedimento fiscal; V - nome e matrícula do servidor responsável pela execução do mandado; VI- nome, endereço e telefone funcionais do chefe do servidor a que se refere o inciso V; VII - nome, matrícula e assinatura da autoridade emissora e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII - o código de acesso à "Internet" que permita, ao sujeito passivo do procedimento fiscal, identificar o MPF. § 1 0 O MPF-F indicará, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o período de apuração correspondente, bem assim as verificações a serem procedidas para constatar a correta determinação das respectivas bases de cálculo, em relação aos valores declarados ou recolhidos nos últimos dez exercícios. § 2 0 Na hipótese de ser fixado o período de apuração correspondente, o MPF-F alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. § 3 0 O MPF-D indicará, ainda, a descrição sumária das A verificações a serem realizadas. § 4 0 O MPF-E indicará a data do início do procedimento fiscal. Art. 15. O MPF se extingue: I - pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II - pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade 4 Processo n° 36542.000222/2004-84 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.483 Fl. 3 • responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Nesse sentido é que as portarias ministeriais regulamentaram o decreto. As portarias n° 357, de 17/04/2002 e n° 520, de 19/05/2004 determinavam explicitamente a nulidade do lançamento por ausência de MPF: PORTARIA MPAS N° 357, DE 17 DE ABRIL DE 2002 Art. 28. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III - o lançamento com ausência de fundamento legal, erro na identificação do fato gerador, do período ou do sujeito passivo ou não precedido do Mandado de Procedimento Fisèal.-MPF; PORTARIA N°520, DE 19 DE MAIO DE 2004.(*) Art. 31. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; lI - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III— o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. sç 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2' Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao j1,1 prosseguimento ou solução do processo. •• • Art. 32 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo quando o sujeito passivo houver dado causa ou quando não influírem na solução do litígio. Parágrafo único. A nulidade somente deve ser decretada quando o saneamento do vício for inviável. Observa-se ainda que o artigo 32 da Portaria MPS 0 520/2004 somente permitia o saneamento de atos distintos daqueles previstos no artigo 31. Inclusive esse último é bastante parecido com o artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, exceto pela ausência neste do inciso III que é justamente o que trata do MPF. No desenvolvimento do trabalho surgiu uma dúvida quanto ao tempus regit actum: em 02/05/2007 foi revogado o Decreto n° 3.969, de 15/10/2001 que, conforme 5 explicado, abria muitas possibilidades de nulidade do lançamento quando o procedimento fiscal não atendesse as regras do MPF, inexistentes nos decretos n° 6.104, de 30/04/2007 e n° 3.724, de 10/01/2001; por outro lado, a Portaria MPS n° 520/2004, que regulamentava o processo administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias, por força do artigo 25, I da Lei n° 11.457, de 16/03/2007, deixou de viger somente em 01/04/2008, quando então o processo administrativo fiscal passou a observar o Decreto n° 70.235, de 06/03/72. Entendo que as regras na Portaria MPS n° 520/2004 relativas ao MPF e que se mostravam contrárias aos preceitos dos novos decretos não mais poderiam ser aplicadas desde 02/05/2007 e não de 01/04/2008, quando foram revogadas. Nada mais é do que se observarem as relações hierárquicas entre as nonnas — para unidade do ordenamento jurídico, as de menor hierarquia buscam validade nas normas superiores; quando as contrariam são inválidas. Mais especificamente, o inciso III do artigo 31 da Portaria MPS n° 520/2004 encontrava substrato no Decreto n° 3.969/2001, que, conforme já explicado, tinha preceitos rigorosos quanto ao MPF. Como foi revogado em 02/05/2007, a partir de então a regra no inciso III perdeu validade. Concluindo, até 02/05/2007, pela existência à época de regra específica nesse sentido, os lançamentos não precedidos de MPF devem ser declarados nulos. Seguem transcrições: LEI N°11.457, DE 16 DE MARÇO DE 2007. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972: 1 - a partir da data fixada no 1° do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativo-fiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2° e 3° desta Lei; Art. 16. (.) § I' A partir do (primeiro) dia do 13' (décimo terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o disposto no caput deste artigo se estende à dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE decorrente das contribuições a que se referem os arts. 2' e 3' desta Lei. Art. 2' Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto n°6.103, de 2007). Art. 3' As atribuições de que trata o art. 2' desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando- se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto n°6.103, de 2007). 6 Processo n° 36542.000222/2004-84 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.483 Fl. 4 Passando agora ao presente caso, temos que o MPF em nome do autuado, fls. 102, com data de 13/07/2006, somente foi emitido para cumprimento de diligência solicitada pelo CRPS, já na segunda instância de julgamento. Portanto, à época do lançamento, em 12/07/2002, não havia MPF em nome do autuado. Por conseqüência, o lançamento é nulo. Portanto, voto por negar provimento ao recurso. É COMO V lel y ‘l‘ ' VU\ h''4 Julio Car V -ira Gomes - Relatorc),. v 7
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004158/2003-91
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1202-000.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Andrada Marcio Canuto Natal.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Andrada Marcio Canuto Natal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .0 04 15 8/ 20 03 -9 1 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.004158/200391 Resolução nº 1202000.177 S1C2T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário em face de decisão que negou provimento ao pleito do contribuinte, referente a DCOMP (fl.01/02, 49/52, 53/56, 57/60 e 61/64), com o objetivo de compensar de débitos de COFINS e PIS. Os créditos referemse aos saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 2001 (R$ 523.987,05) e 2002 (R$ 4.017.179,79), perfazendo um total de R$ 4.541.166,84. Reproduzse, abaixo, parte do relatório da decisão recorrida, por bem esclarecer os fatos que interessam ao julgamento: Através do Parecer Conclusivo nº 145/08 (fl. 84/86) e Despacho Decisório nº 145/08 (fl. 87), não foi reconhecido o direito creditório e não homologadas as compensações solicitadas. Constam do Parecer Conclusivo os seguintes argumentos: · Com relação ao crédito de 2001, a interessada já havia solicitado compensação utilizando este crédito através do processo 10768.002416/200214, sendo denegado seu pedido tanto pela DERAT/RJO (fl. 69/73) quanto pela DRJ/RJO 1 (fl. 74/81). Atualmente o feito encontrase no Primeiro Conselho de Contribuintes (fl.82). · A sociedade foi fiscalizada, sendo apurada a existência de IRPJ a pagar, de R$ 18.252.834,01 para 2001 e R$ 24.270.834,01, mais acréscimos legais para 2002, que estão sendo exigidos no processo 18.471.001814/200501, que se encontra em julgamento no citado conselho (fl.83). · Não foram configuradas a certeza e liquidez do crédito. A interessada tomou ciência do Parecer e do Despacho Decisório no dia 08/05/2008 (fl. 88), se insurgindo, nas fl. 91/113, contra o disposto nos referidos documentos através da manifestação de inconformidade em 06/06/2008, apresentando como argumentos o que se segue: · A interessada apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) declarações de compensação, no total de R$ 8.840.722,06, relativas a parte dos saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 2001 e 2002. · O valor do tributo exigido na carta de cobrança deve ser retificado. · Na carta de cobrança é exigido o valor de R$ 5.832.251,44, relativo a COFINS de 04/2003. Deve ser exigido da interessada somente a parcela quitada por compensação, ou seja, aos R$ 4.541.166,84, com os devidos acréscimos moratórios. · A DERAT/RJ entendeu que as declarações de compensação objeto do Despacho Decisório não poderiam ser homologadas, pois a interessada, por meio do processo administrativo n° 10768.002416/200214, já teria apresentado pedido de restituição/compensação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, sendo que o direito creditório não teria sido reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ I). Fl. 603DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.004158/200391 Resolução nº 1202000.177 S1C2T2 Fl. 4 3 · A interessada, além do processo mencionado (10768.002416/200214), apresentou outros pedidos/declarações de restituição/compensação relativos ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 (fl.96). · Os pedidos/declarações de restituição/compensação descritos totalizam o montante de R$ 11.636.403,37. O saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001 é de R$ 12.051.903,37, conforme comprova a respectiva DIPJ do período. Descontados os pedidos a interessada ainda teria direito à restituição/compensação de R$ 415.500,00 · Este valor, corrigido até 14.05.2003, corresponde ao saldo negativo de IRPJ de 2001, utilizado nas compensações em análise (R$ 523.987,05). · De acordo com a primeira Dcomp (doc. 13), do valor pleiteado (R$ 4.541.166,84), apenas o montante de R$ 523.987,05 fundamentase no saldo negativo de IRPJ de 2001, estando o restante relacionado ao saldo negativo de IRPJ de 2002. · Diferentemente do que sustenta o Parecer Conclusivo, o crédito pleiteado de parte do saldo negativo de IRPJ de 2001(R$ 523.987,05), não foi utilizado nos demais pedidos. · Os pedidos/declarações de restituição/compensação descritos na tabela foram indeferidos pela DERAT/RJ e ainda se encontram pendentes de julgamento com base no mesmo argumento, qual seja, de que o crédito não seria líquido e certo, já que teria sido lavrado auto de infração para dela exigir IRPJ relativo aos anoscalendário de 2001 e 2002, o que demonstraria a existência de imposto a pagar, e não a restituir/compensar. · O número do processo administrativo relativo ao auto de infração em causa foi incorretamente descrito pelo Parecer Conclusivo, a interessada sequer é parte do processo n° 18471.001814/200501. O auto que aponta suposta infração decorrente do não pagamento de IRPJ nos anos calendário de 2001 e 2002 é o do processo n° 18471.000626/200639. · O art. 74 da Lei n° 9.430/94, na sua nova redação, bem como a IN SRF n° 600, de 28.12.2005, que o regulamenta, não trouxeram qualquer outra condição aplicável às declarações de compensação, daí que a homologação das mesmas continuou a depender, apenas, da existência do crédito na data em que protocoladas. · Em nenhum momento foi questionada pela SRFB a existência e o valor do IRF antecipado pela INTERESSADA em 2001 e 2002, o qual gerou os saldos negativos apurados nas DIPJ relativas àqueles anoscalendário. · Não havia, à época das compensações, qualquer débito para com a SRFB em aberto, que demandasse compensação de ofício com os créditos relativos aos saldos negativos de IRPJ apurados nas DIPJ relativas aos anoscalendário de 2001 e 2002, temse que as declarações de compensação formuladas atenderam a todos os requisitos legais exigidos para a sua homologação. · Os créditos relativos aos saldos negativos de IRPJ tinham sido aqueles regularmente apurados em suas DIPJ, o qual se revestiam de liquidez e certeza. Portanto, as declarações não poderiam deixar de ser homologadas. · O auto em que se exige o IRPJ relativo aos anoscalendário de 2001 e 2002 somente foi lavrado em 14/07/2006 e posteriormente retificado em 18/12/2006, ou seja, após o protocolo das declarações de compensação em causa. · A constatação posterior de fatos que alterem a apuração do IRPJ de determinado anocalendário, já declarado pelo contribuinte, terá como única conseqüência a exigência de diferença de tributo mediante a lavratura de auto de infração. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.004158/200391 Resolução nº 1202000.177 S1C2T2 Fl. 5 4 · Caso o contribuinte tenha apurado saldo negativo de IRPJ no ano calendário, o mesmo não poderá ser utilizado para reduzir o tributo exigido no lançamento de ofício, se já tiver sido objeto de pedido de restituição ou de compensação. Mas a validade dos pedidos de restituição ou de compensação eventualmente já efetuados não será afetada. · Do contrário, jamais se poderia admitir a compensação de tributos com créditos originados há menos de cinco anos, na medida em que esse é o prazo de que normalmente dispõem as autoridades administrativas para revisar o lançamento efetuado pelo contribuinte. · Nesse passo terseia que tolerar efeitos jurídicos distintos na hipótese de lançamentos de ofício fundamentados em fraude cometida pelo contribuinte, lavrados no prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN) , mas que ocorressem após a homologação de compensação efetuada com base em saldo negativo revisto no referido lançamento. · Tal tratamento diferenciado dos lançamentos fundamentados em fraude não é possível. Daí ser forçoso concluir que autos de infração posteriores não têm o condão de interferir em compensações já efetuadas pelo contribuinte. · Tanto que no auto, relativo aos anoscalendário de 2001 e 2002 (proc. n° 18471.000626/200639), o principal não foi reduzido pela utilização de qualquer crédito de IRF devido por antecipação, o qual deu origem aos saldos negativos apurados nas DIPJ o que confirma a validade das compensações mediante a utilização dos referidos créditos. · Se as Dcomp não fossem válidas, em razão da lavratura do referido auto de IRPJ, o IRF que resultou nos saldos negativos de IRPJ, deveria ter sido deduzido do principal autuado. · O montante exigido no auto não foi compensado, então, a liquidez e certeza dos referidos créditos jamais poderiam depender do resultado do julgamento final daquele auto. · Ainda que se entenda que a existência de débitos de IRPJ impediriam o aproveitamento dos créditos, tal efeito somente poderia se produzir após o trânsito em julgado da decisão administrativa que julgasse integralmente procedente o auto de infração. · Embora o art. 142 do CTN determine que a constituição do crédito tributário é feita pelo lançamento, o art. 145 admite que o mesmo seja alterado em função de: (i) impugnação do sujeito passivo, (ii) recurso de ofício ou até mesmo (iii) iniciativa da autoridade administrativa. · O art. 151, III, do CTN determina que suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e recursos. O lançamento somente se torna definitivo enquanto não encerrada a discussão a seu respeito. · Foi apresentada tempestivamente impugnação ao auto. O débito lançado somente poderia ser considerado definitivamente constituído após o encerramento da discussão quanto à sua regularidade. · Enquanto não encerrada a discussão administrativa do auto de IRPJ, não há débito constituído capaz de impedir o aproveitamento dos créditos. · A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ao analisar a impugnação , julgou o auto de infração improcedente quanto aos valores de IRPJ relativos ao anocalendário de 2002, apenas mantendo o lançamento referente ao anocalendário de 2001. · Caso se entenda que o mero lançamento de IRPJ já seria suficiente para impedir o aproveitamento dos saldos negativos, a análise das declarações Fl. 605DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.004158/200391 Resolução nº 1202000.177 S1C2T2 Fl. 6 5 de compensação devem ser sobrestadas, até o julgamento final do referido auto. · Caso o auto de infração venha a ser julgado improcedente, o imediato indeferimento das declarações de compensação em causa terá importado em enriquecimento sem causa, por parte da Fazenda Nacional. · Diferentemente do que ocorre em relação à analise dos pedidos/declarações de restituição/compensação por parte da DERAT, o art. 74 da Lei n° 9.430/96 não prevê qualquer prazo para a apreciação, por parte das DRJ, de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. · A jurisprudência, tanto administrativa como judicial, já se firmou no sentido de que não há prazo prescricional nem decadencial entre a instauração do litígio, pela apresentação de recursos por parte do contribuinte, e a decisão final administrativa. · Estando suspensa a exigibilidade do débito quitado por compensação, é perfeitamente possível o sobrestamento do feito. · O sobrestamento não trará qualquer prejuízo à Fazenda Nacional, uma vez que, mesmo na hipótese de o auto de infração de IRPJ vir a ser julgado parcialmente procedentes, para dele ser deduzido o valor do crédito fiscal pleiteado pela INTERESSADA, os tributos que a INTERESSADA pretendeu quitar por compensação ainda serão dela exigíveis, uma vez que já foram constituídos por meio dos pedidos de compensação, nos termos do § 6° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 · Requer o reconhecimento do crédito, bem como que seja homologada a compensação, senão o sobrestamento do processo. É o relatório. Considerou a autoridade julgadora que a existência de um auto de infração não definitivamente julgado, impondo um IRPJ a pagar (processo nº 18471.000626/200639), já seria suficiente para indeferir os pedidos de restituição/compensação, posto que, não haveria a condição necessária de certeza da existência do crédito, nem de liquidez, posto que, o lançamento ainda pode ser considerado procedente ou procedente em parte no âmbito do Conselho de Contribuintes, não pode ser homologada nenhuma compensação vinculada a este suposto crédito. Além disso, o contribuinte não apresentou livros, demonstrativos e documentos que comprovassem a contabilização das receitas relativas aos créditos de IRRF, não tendo restado comprovado que as receitas respectivas integraram a base de cálculo do IRPJ. Esclareceu o julgador que fica suspensa a exigibilidade do crédito da Fazenda objeto das compensações, enquanto não transitada em julgado a decisão sobre a certeza e liquidez do crédito no processo principal, acarretando o indeferimento do pedido, nos termos do art. 170 do CTN. A decisão ficou assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001,2002 COMPENSAÇÃO A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.004158/200391 Resolução nº 1202000.177 S1C2T2 Fl. 7 6 Cientificado dessa decisão em 17/10/2008, conforme AR (fls.580), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 14/11/2008 (fls.298 e ss), em esclarecendo, em síntese, que: (i) os autos devem ser distribuídos por dependência aos processos n°s 18471.000626/200639 (auto de infração de IRPJ), 15374.001251/200634 (compensação) e 10768.002416/200214 (compensação); (ii) o crédito (R$ 8.840.722,06) foi utilizado para compensar: (i) parte da COFINS apurada nos meses de abril de 2003 e dezembro de 2004 e (ii) parte do PIS apurado mês de outubro de 2005; (iii) enquanto não encerrada a discussão administrativa do auto de IRPJ (processo nº 18471.000626/200639), não há débito constituído capaz de impedir o aproveitamento dos créditos relativos aos saldos negativos de IRPJ apurados nos anos calendário de 2001 e 2002. Após ter sido distribuído a outra Câmara e pautado, o processo foi encaminhado para distribuição por dependência com o processo nº 18471.000626/200639. É o relatório. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.004158/200391 Resolução nº 1202000.177 S1C2T2 Fl. 8 7 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. De acordo com a autoridade fiscal, o saldo negativo do IRPJ apurado pela contribuinte, ora recorrente, revelouse incorreto, tendo em vista a lavratura do auto de infração de IRPJ relativo aos anoscalendário de 2001 e 2002 (processo n° 18471.000626/200639). Assim, a análise da compensação pretendida nestes autos depende diretamente do resultado do julgamento daquele processo. O art. 2º da Lei nº 9.430/96 determina o procedimento de apuração do saldo de imposto a pagar ou a restituir ao final do período, a partir das antecipações mensais ocorridas durante o anocalendário: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...]§3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: [...]III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. A mesma Lei nº 9.430/96, dispõe sobre a homologação da compensação tributária declarada pelo contribuinte, prevendo um prazo para que a Administração Tributária se manifeste: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.004158/200391 Resolução nº 1202000.177 S1C2T2 Fl. 9 8 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]§ 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (destacouse) O legislador estabeleceu que a compensação de qualquer crédito, inclusive resultante da apuração do “Saldo Negativo de IRPJ”, é declarada sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Nesse sentido, compete à autoridade fiscal realizar diligências com vistas à confirmação da liquidez e certeza do crédito pleiteado através da compensação, antes de esgotado o prazo de homologação, quando, por meio da denominada homologação tácita, serão considerados extintos os débitos tributários compensados, na forma do art. 156, inciso II, do CTN. No presente caso, vale observar que a autoridade fiscal, ao proceder ao lançamento relativo ao ano calendário de 2001 e 2002, recompôs o lucro nos respectivos períodos utilizando os valores relativos ao IRRF e os valores pagos por estimativa correspondentes ao mesmo período utilizado na apuração do saldo negativo informado na PER/DCOMP. O auto de infração formalizado no processo nº 18471.000626/200639 foi reduzido pela compensação do IRPJ pago por estimativa e do IRRF lançados nas DIPJ, nos anos calendários de 2001 e 2002. Quando da verificação da procedência do crédito utilizado na DCOMP – Saldo Negativo de IRPJ, a autoridade fiscal apurou IRPJ a pagar, após deduzidas todas as antecipações efetuadas no período. Ao proceder dessa forma, a Administração Tributária sinaliza que o crédito alegado pela recorrente não é o que ela informou na DCOMP, mas aquele que a fiscalização apurou, que, no caso concreto, corresponde à inexistência de crédito. Na desconstituição do crédito alegado pela recorrente com a apuração de IRPJ a pagar, como em todas as manifestações decorrentes da relação Fiscocontribuinte, a decisão da Administração comporta recurso. Assim, não há que se falar em efetiva utilização do crédito para compensação de débitos tributários enquanto não houver a constituição definitiva do auto de infração impugnado. É certo que a compensação tributária somente é possível na existência de créditos líquidos e certos, a teor do art. 170 do CTN. Todavia, tendo sido constatado que o crédito utilizado na DCOMP anexada ao processo é inexistente, não cabe neste momento reconhecêlo como válido, nem tampouco como inválido, enquanto não se tornar definitivo o Fl. 609DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.004158/200391 Resolução nº 1202000.177 S1C2T2 Fl. 10 9 lançamento que resultou em IRPJ a pagar, visto que poderá ser restabelecido o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ, caso seja considerado improcedente ou parcialmente procedente o lançamento. O crédito tributário apurado pelo fisco no processo nº 18471.000626/200639, assim como o crédito tributário indevidamente compensado na DCOMP em análise neste processo, encontramse com a exigibilidade suspensa, por força do art. 151 do CTN, até que sejam definitivamente julgados. Considerandose a suspensão da exigibilidade da exigência no processo nº 18471.000626/200639, resta inviável a verificação da compensação declarada pela recorrente neste processo. Até esta instância de julgamento, a análise dos recursos seguiu os trâmites processuais normais, sem qualquer prejuízo à defesa. Contudo, o julgamento proferido por esta instância recursal poderá encerrar definitivamente o litígio, visto que a Câmara Superior de Recursos Fiscais não é terceira instância de julgamento, pois não se trata de uma instância revisora. Tratase de órgão uniformizador de jurisprudência, a teor do que dispõe o Decreto nº 70.235/72: SEÇÃO VII Do Julgamento em Segunda Instância Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º (Revogado pelo Decreto nº 83.304, de 1979) § 2o Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do acórdão ao interessado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – (VETADO)(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II – de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Eventual interposição de recurso especial dependerá do atendimento aos requisitos constantes do art. 67 e §§ do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e suas alterações, que dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.004158/200391 Resolução nº 1202000.177 S1C2T2 Fl. 11 10 § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.{1} § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. (destacouse) Assim, o recurso especial de decisão que julgou o recurso voluntário, para ser admitido a um novo julgamento, deve preencher alguns requisitos, sendo o mais importante deles a demonstração de existência de divergência em relação ao julgamento da mesma matéria realizado por outra turma. Diante disso, a dependência do resultado daquele julgamento prejudica o julgamento deste processo neste momento, visto que, para que a decisão seja passível de recurso especial, o interessado deverá comprovar a adoção de tese divergente por outra turma e o prequestionamento da matéria. Para ser admitido, o recurso especial eventualmente apresentado neste processo teria que trazer a prova da divergência da tese, o que não se faz possível ou, quando muito, Fl. 611DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.004158/200391 Resolução nº 1202000.177 S1C2T2 Fl. 12 11 repetiria a comprovação adotada no processo principal, e dependeria do critério de admissibilidade adotado pelo destinatário do recurso. Explicase. Tecnicamente, a questão (tese jurídica) que importa ao deslinde do presente litígio, como se depreende das decisões anteriores e das razões recursais, corresponde à falta de comprovação do crédito em razão da redução do saldo negativo de IRPJ, que é exatamente a matéria que está sendo debatida em outro processo. Sendo este julgamento apenas decorrente, a aplicação daquela decisão se daria de forma automática, sem novo exame do mérito. Assim, ainda que pudessem ser julgados na mesma sessão, entendese que o julgamento do processo dependente fica prejudicado, pois, caso seja decidida a questão objeto do processo principal, aquela decisão estará sujeita a recurso especial, enquanto a questão decidida neste processo, sendo apenas de natureza instrumental, não possibilitaria a comprovação de divergência. Ademais, não estando os processos apensados, ainda que fosse admitida, a subida do recurso especial eventualmente interposto nestes autos para a Câmara Superior de Recursos Fiscais em nada contribuiria para a realização da função precípua daquela Corte, qual seja, a uniformização da jurisprudência do CARF, e apenas aumentaria o estoque de recursos a serem por ela apreciados, representando um desperdício de recursos humanos e financeiros. Cabe, ainda, referir o art. 265, inciso IV, alínea “a” do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, que determina: Art. 265. Suspendese o processo: [...] IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Assim, a suspensão do feito neste momento é medida que se impõe, em respeito aos princípios do devido processo legal e da economia processual. Diante do exposto, deve ser convertido o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a decisão definitiva sobre o crédito, a ser exarada no processo nº 18471.000626/200639, junte cópia daquela decisão e, em seguida, devolva os autos a esta relatora, para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 612DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000818/2004-29
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
NULIDADE. NÃO APRECIAÇÃO DE ARGUIÇÕES DE
INCONSTITUCIONALIDADE EM P INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Aplicam-se A. autoridade julgadora de la instância as mesmas razões que motivaram a edição da Súmula CARF n° 2 (0 CARP não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
DILIGÊNCIA. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA.
IMPROCEDÊNCIA.
Não cabe converter o processo em diligência quando o contribuinte não apresenta qualquer elemento que coloque em dúvida o lançamento. É
desnecessário converter o processo em diligência quando o resultado desta diligência, qualquer que seja, não afeta o julgamento.
DEFESA POR AMOSTRAGEM. PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
IMPROCEDÊNCIA.
Não cabe atender pedido de diligência do contribuinte quando este apresenta na sua defesa só alguns exemplos que entende favorável aos seus argumentos. A defesa deve ser completa e exaustiva, precluindo a
oportunidade de juntar outros elementos após o prazo legal de impugnação e lançamento depende de um universo de elementos e o contribuinte na sua defesa s6 apresenta alguns destes elementos, o litígio fica restrito à matéria impugnada que corresponde aos elementos apresentados,
ficando o restante do lançamento incontroverso.
DEFESA POR AMOSTRAGEM. VERDADE MATERIAL.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO
FISCAL. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
O principio da verdade material não permite a defesa por amostra. Não cabe
ao julgador administrativo substituir o contribuinte na demonstração que
caberia a este. 0 julgamento administrativo não visa efetuar uma revisão do
lançamento, entendida como aperfeiçoamento do ato, mas apenas o
julgamento do ato impugnado, e por isso a possibilidade de conversão do
julgamento em diligência é limitada. 0 julgador administrativo não está
autorizado a investigar, mas apenas a julgar.
DEFESA. ELEMENTOS COMPROBATORIOS. FUNDAMENTAÇÃO.
Não basta que o contribuinte apresente documentos e afirme que tais documentos demonstram determinada tese. E preciso que a defesa explique como os documentos apresentados demonstram a tese alegada. Cabe a defesa demonstrar inequivocamente a sua tese e, ao não fazê-lo, deixa a autuação incontroversa.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. BALANÇOS
DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO.
Descabe a multa isolada se há tributo exigido com multa de oficio pela
mesma infração.
Numero da decisão: 1101-000.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, 1) por voto de qualidade, REJEITAR a proposta de diligência, vencida a Conselheira Relatora Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelos Conselheiros José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga, designando-se para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; e, 3) no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: 3.1) por unanimidade de votos, manter a glosa de despesas financeiras e, 3.2) por maioria de votos, cancelar a exigência de multa isolada, vencida a Conselheira Relatora Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, designando-se para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Junior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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NÃO APRECIAÇÃO DE ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE EM P INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Aplicam-se A. autoridade julgadora de la instância as mesmas razões que motivaram a edição da Súmula CARP n° 2 (0 CARP não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 DILIGÊNCIA. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não cabe converter o processo em diligência quando o contribuinte não apresenta qualquer elemento que coloque em dúvida o lançamento. É desnecessário converter o processo em diligência quando o resultado desta diligência, qualquer que seja, não afeta o julgamento. DEFESA POR AMOSTRAGEM. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não cabe atender pedido de diligência do contribuinte quando este apresenta na sua defesa só alguns exemplos que entende favorável aos seus argumentos. A defesa deve ser completa e exaustiva, precluindo a oportunidade de juntar outros elementos após o prazo legal de impugnação e recurso. Quando o lançamento depende de um universo de elementos e o contribuinte na sua defesa s6 apresenta alguns destes elementos, o litígio fica restrito à matéria impugnada que corresponde aos elementos apresentados, ficando o restante do lançamento incontroverso. DEFESA POR AMOSTRAGEM. VERDADE MATERIAL. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.099 O principio da verdade material não permite a defesa por amostra. Não cabe ao julgador administrativo substituir o contribuinte na demonstração que caberia a este. 0 julgamento administrativo não visa efetuar uma revisão do lançamento, entendida como aperfeiçoamento do ato, mas apenas o julgamento do ato impugnado, e por isso a possibilidade de conversão do julgamento em diligência é limitada. 0 julgador administrativo não está autorizado a investigar, mas apenas a julgar. DEFESA. ELEMENTOS COMPROBATORIOS. FUNDAMENTAÇÃO. Não basta que o contribuinte apresente documentos e afirme que tais documentos demonstram determinada tese. E preciso que a defesa explique como os documentos apresentados demonstram a tese alegada. Cabe a defesa demonstrar inequivocamente a sua tese e, ao não fazê-lo, deixa a autuação incontroversa. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. BALANÇOS DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. Descabe a multa isolada se há tributo exigido com multa de oficio pela mesma infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) por voto de qualidade, REJEITAR a proposta de diligência, vencida a Conselheira Relatora Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelos Conselheiros José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga, designando-se para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; e, 3) no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: 3.1) por unanimidade de votos, manter a glosa de despesas financeiras e, 3.2) por maioria de votos, cancelar a exigência de multa isolada, vencida a Conselheira Relatora Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, designando-se para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Junior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. k BENEDICTO CELSO B J IOR — Redator designado FRANCI DE SA ES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente. Etk-LI i»tko LI PEREIRA BESSA — Relatora -/--- CARLOS EDUARDOID(F: E A GUERREIRO — Redator designado /4 2 Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI -C IT I Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.100 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. 3 Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo IV 13971.000818/2004-29 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.101 Relatório MABESA DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/BH que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE lançamento formalizado em 23/06/2004, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.825.124,07, pertinente aos anos-calendário 1999 a 2002. Observou a autoridade lançadora, de inicio, os seguintes fatos: • A contribuinte exerce atividades relativas à industrialização, a comercialização, a importa cão e a exportação de artigos para higiene infantil, incontinência urinária adulta, higiene feminina e artigos similares, bem como a prestação de serviços de comercialização de produtos para terceiros, importação e exportação de quaisquer bens e serviços, podendo participar de outras sociedades, conforme disposição de seu Contrato Social e Alterações. • Denominava-se, antes, MPC Produtos para Higiene Ltda e tinha como sócios Cremer S A e Plásticos Cremer S A. Sucessivas alterações fizeram com que seus sócios passassem a ser Stronger Corporation Sociedad Anônima, sediada no Uruguai, e Júlio César Ribas, bem como que sua denominação passasse a ser Mabesa do Brasil Indústria e Comércio Ltda. • A contribuinte possui participação societária em MPC Nordeste S A (99,97%) e Mabesa Brasil S A (99,97%). • No domicilio fiscal da contribuinte, constatou-se em 26/09/2003 que o pátio encontrava-se totalmente vazio e com um único funcionário, Sr. Cláudio Busanelllo, o qual declarou que as atividades de industrialização naquele estabelecimento se encontram paralisadas desde abril de 2001 e que desde então, até dezembro de 2002, o local funcionou como centro de distribuição de mercadorias. Desenvolvido o procedimento fiscal mediante ciência postal, a autoridade lançadora exigiu, por meio do Termo de Intimação fiscal 2003.133.02 (fls. 27/28), a apresentação de: I. Cópias dos contratos de Mútuo referentes as contas contábeis abaixo relacionadas: a) 112401 - MPC Nordeste S.A b) 112402 - DRYPERS c) 112404 - MPC Nordeste S.A - C/C d) 112406- DRYPERS - C/C 4 Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo no 13971.000818/2004-29 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.102 Relativamente a estas operações, exigiu a relação de todas as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, no período de 1999 a 2002, devendo indicar data, valor, opera cão (entrada/saída do recurso), forma de pagamento (dinheiro, chegue, transferência). Após pedir prorrogação do prazo de atendimento, a contribuinte apresentou cópia dos respectivos contratos de mútuo e relação de todas as operações correspondentes a mútuo, com as informações solicitadas, esclarecendo que os pagamentos foram efetuados através de transferências ou cheques (fl. 31). Os contratos seriam aqueles juntados as fls. 32/37 e, as fls. 38/90 há relatório com as operações registradas nas contas antes referidas, de 1999 a 2002. A autoridade lançadora, então, exigiu cópia dos balancetes mensais de 1999 a 2000, bem como intimou a empresa a relacionar as despesas financeiras geradas pelas contas de Passivo Circulante e Exigível a Longo Prazo denominadas 212 — Financiamentos. Ainda, observando que nos contratos de mútuo apresentados constava cláusula prevendo que sobre os saldos em aberto ao final dos respectivos períodos, incidirão os encargos que forem ajustados periodicamente entre as partes contratantes, exigiu informações cerca das contas de resultado referente as receitas financeiras geradas por estas operações de 1999 a 2002 (fls. 91/93). As informações exigidas teriam sido prestadas conforme fls. 95/96, e a partir dai a fiscalização direcionou as análises para a forma de apuração das estimativas de IRPJ e CSLL (fls. 97/99). As fls. 114/129 constam relatórios elaborados pela Fiscalização, descrevendo as despesas e receitas de juros apuradas mensalmente de 1999 a 2002. Na seqüência constam balancetes mensais de apuração de resultado a partir de janeiro/99. Frente a estes elementos, constatou a autoridade lançadora que a empresa fiscalizada efetuou empréstimos e mútuos em moeda nacional e estrangeira (grupos das contas contábeis 212 — Financiamentos, constantes de seu PASSIVO) incorrendo no pagamento de juros. E, ao mesmo tempo era detentora de créditos (grupo de contas 1124 constante de seu ATIVO) contra empresas controladas e coligadas, desvinculadas de suas atividades normais e usuais, sobre os quais efetuou a cobrança de encargos em valores substancialmente menores do que os encargos pagos. Destacando que os recursos foram disponibilizados a MPC Nordeste S.A e Mabesa do Brasil S.A, elaborou, então, os ANEXOS .11.1, 11.2, 11.3 e 114 — "Demonstrativos das contas do passivo sujeitas a geração de despesas financeiras" a partir dos saldos iniciais dessas contas, os quais resumem a situação do endividamento da fiscalizada durante os anos- calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, bem como os ANEXOS IIII, 1112 e 1114 detalhando as receitas geradas pelos empréstimos concedidos no mesmo período, e os ANEXOS IV.1, IV.2, IV.3 e IV.4 explicitando as despesas geradas pelos empréstimos contraídos no período fiscalizado. Por fim, nos ANEXOS Vi, V.2, V.3 e V4, estabeleceu a proporção entre direitos/haveres para determinar as despesas vinculadas aos valores disponibilizados as empresas ligadas, mas delas deduzindo as receitas financeiras reconhecidas. Na seqüência, glosou as parcelas das despesas com pagamentos de juros que excediam as receitas financeiras reconhecidas, por não guardarem uma natural e intima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora não exibiam os predicados de usualidade e normalidade preconizados pelos artigos 277, 374 e 299 k)() Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 Acórdão n.° 1101-000.495 SI-C ITI Fl. 2.103 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°3.000/99 — RIR/99. Consignou que: 0 cerne da questão em pauta não reside em saber se o denominado repasse de recursos financeiros deu-se diretamente, ou no mesmo instante em que o contribuinte os captava junto as instituições financeiras, ou, ainda, se primeiro o contribuinte captou os recursos para poder emprestá-los ou, ao contrario, se primeiro emprestou recursos a suas coligadas para só depois ir socorrer-se no mercado financeiro. 0 que releva saber é que, em qualquer desses casos, resta cristalino o indiscutível vinculo existente entre a captação de recursos no mercado financeiro e os mútuos celebrados com as coligadas, evidenciando por via de consequência, de uni lado, o verdadeiro propósito ou destinatário de tais recursos e, do outro, o que é mais importante, a clara desnecessidade de o contribuinte ter incorrido nas indigitadas despesas financeiras. Retomando os fatos que deram origem à autuação, conforme concedia empréstimos a terceiros, comprometendo parte de seu capital de giro, tomava empréstimos, arcando com despesas de juros sobre eles. Dito por outras palavras, a empresa se apropriou de encargos que reduziram o seu lucro real, encargos esses incidentes sobre capitais que financiaram as atividades das suas coligadas e não as suas. Dai a conclusão pela indedutibilidade dos montantes excedentes, tendo por base os dispositivos anteriormente reproduzidos. Não discutimos a correção ou não da transferência de recursos, com ou sem encargos, para empresas coligadas com a concomitante tomada de empréstimos junto ao mercado financeiro. O motivo da autuação não foi o fato de a empresa ter suprido de recursos outras empresas ou de não ter cobrado juros por isso, mas sim de ter deduzido, na apuração do lucro liquido, a totalidade das despesas financeiras dos empréstimos tomados no mercado financeiro concomitantemente a tais suprimentos. Se num grupo de empresas coligadas, algumas necessitarem de recursos e, por motivos diversos, não tiverem condições de, por si mesmas, obtê-los no mercado financeiro, não há impedimento de que uma das empresas do grupo forneça tais recursos. 0 que não se justifica é que as despesas financeiras para obtenção de recursos para um grupo de empresas sejam assumidas e deduzidas na apuração do lucro real por uma só delas. As despesas financeiras, nesse caso, devem ser rateadas entre as empresas. Ressalte-se que a legislação não contempla a tributação em conjunto, sendo que cada empresa corresponde a um contribuinte. Além dos valores de IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual em razão de tais glosas, a autoridade lançadora também recompôs as apurações mensais, determinando as estimativas que deixaram de ser recolhidas em razão do cômputo das despesas financeiras em sua apuração, e aplicou multa de oficio isolada. Em seus cálculos, considerou também a compensação de prejuízo fiscal disponível, até o limite legalmente previsto. A autuada apresentou impugnação, assim relatada na decisão recorrida: Ciente em 23 de junho de 2004 (fi. 922), a interessada apresentou, em 23 de julho de 2004, as impugnações de fls. 928 a 943 e de fls. 1.922 a 1.937, de idêntico teor, que a seguir se resumem. Impugnavilo 6 Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI -CIT1 Acórdão n.° 1101 -000.495 Fl. 2.104 Glosa de despesas financeiras Principia ela pela alegação de que "os capitais tomados de instituições financeiras" não teriam sido "direcionados a controladas da Impugnante, sob a forma de operações de mútuo". Assinala que os próprios levantamentos realizados pelo Autor do feito mostrariam que, em diversos ineses do período fiscalizado, os aumentos de seus direitos creditórios teriam correspondido a acréscimos insignificantes ou mesmo a diminuições de suas obrigações (e vice-versa); a tal respeito, diz não se tratar de simples casos isolados, pois, entre 2001 e 2002, teria havido uma variação positiva de R$ 50.816.038,55 nas contas de Direitos [...]. No entanto, as contas de Deveres acusaram um decréscimo, nos mesmos dois anos, de R$ 1.419.902,80 [...J. [..] Ou seja, é impossível alegar, como fizeram as autoridades fiscalizadoras, qualquer vinculação dos repasses a coligadas com empréstimos ou financiamentos tomados de terceiros. Prosseguindo, alega: [..] não há vinculação, aos empréstimos e financiamentos tomados, dos repasses a controladas, porque ditos repasses tiveram como fonte de recursos operações de aumento de capital ou remessas para futuro aumento de capital. [..] 0 principal acionista da Impugnante é uma empresa estrangeira, cuja controladora é Productos Internacionales Mabesa. Esta empresa controla outras, dentre as quais incluem-se Stronger Corporation Sociedad Anónima e Stronger Corporation. Houve aportes regulares de capital, ou para futuro aumento de capital, provenientes do grupo no exterior, destinando os recursos para a Impugnante. Esta, por sua vez, repassava os, recursos para as empresas acima descritas, todas do mesmo grupo. Aliás, tal procedimento só foi adotado pela controladora em razão do sistema de fluxos cambiais vigente no Pais. E que o registro de investimentos estrangeiros por parte das controladoras sempre foi realizado diretamente para a Impugnante. Se no Brasil, a exemplo da maioria dos outros países, o fluxo cambial fosse livre, toda a sistemática teria resultado simplificada, pois as controladoras poderiam ter remetido os valores diretamente para as empresas controladas pela Impugnante. t. I I . A análise dos contratos de câmbio e dos extratos bancários anexos demonstra tal fato. Compulsando-se os documentos, verifica-se claramente que os repasses não dependeram de empréstimos tomados de terceiros, mas provieram de remessas para aumento de capital, que não geraram qualquer despesa dedutivel para a Impugnante. Por exemplo: - os R$ 1.200.000,00 recebidos por MPC Nordeste em 29 de janeiro de 2002 (doc. anexo) provieram de transferência efetuada por MPC Produtos para Higiene (doc. anexo), após crédito na conta-corrente bancária (doc. anexo) relativo ao contrato de câmbio n°02/003960 (doc. anexo), cujo remetente foi Stronger Corp.; - os R$ 970.000,00 (R$ 900 mil + R$ 70 mil) creditados em 21 de março de 2002 na conta-corrente bancária de Mabesa do Brasil (doc. anexo) provieram do contrato de câmbio n°02/006516 (doc. anexo), tendo como remetente Stronger Corp., cujo valor foi creditado na mesma data na conta-corrente bancária de MPC Produtos para Higiene (doc. anexo); - em 05 de julho de 2002, foi creditado em conta-corrente bancária de MPC Produtos para Higiene a quantia de R$ 2.871.798,95 (doc. anexo), proveniente do contrato de câmbio n° 02/015376 (doc. anexo), cujo remetente foi Productos Internacionales 7 Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CITI Acen.clAo n.° 1101-000.495 Fl. 2.105 Mabesa. Na mesma data, houve urn repasse para Mabesa do Brasil de R$ 2.830,000,00 (doc. anexo); - em 15 de julho de 2002, foi creditada em conta-corrente bancária de MPC Produtos para Higiene a quantia de R$ 858.849,55 (doc. anexo), proveniente do contrato de câmbio n°02/016175 (doc. anexo), remetido por Productos Internacionales Mabesa. Na mesma data, foram transferidos para Mabesa do Brasil R$ 595.000,00 mais R$ 259.000,00 (docs. anexos); - em 29 de julho de 2002, foi creditado em conta-corrente bancária de MPC Produtos para Higiene a quantia de R$ 5.317.117,21 (doc. anexo), proveniente do contrato de câmbio no 02/017475 (doc. anexo), cujo remetente foi Productos Intemacionales Mabesa. No dia seguinte, houve a transferência para Mabesa do Brasil de R$ 4.951.000,00 (doc. anexo); - em 19 de agosto de 2002, foi creditado em conta-corrente bancária de MPC Produtos para Higiene a quantia de R$ 308.616,38 (doc. anexo), proveniente do contrato de câmbio n° 02/019550 (doc. anexo), remetido por Stronger Corp. No dia seguinte, houve a transferência para Mabesa do Brasil de R$ 305.000,00 (docs. anexos). 12. Os fatos acima descritos foram indicados por amostragem; caso haja necessidade, pode ser verificada nos demais documentos contábeis da Impugnante a relação corn remessas para aumento de capital de outros repasses para controladas. De qualquer maneira, tais fatos demonstram claramente que a notificação não merece prosperar. Em primeiro lugar, não há qualquer vinculação dos recursos captados por empréstimos ou financiamentos com os repasses para controladas. Em segundo lugar, os ditos repasses ocorreram com recursos enviados do exterior para aumento de capital, que não geraram qualquer despesa dedutivel para a Impugnante. 14. Partiu a fiscalização, como demonstrado, de premissa equivocada: a de que os empréstimos e financiamentos tomados foram na verdade direcionados para suas controladas, motivo pelo qual as respectivas despesas não poderiam ser apropriadas pela Impugnante. 15. Ora, ficou cabal e exaustivamente demonstrado que não houve tal redirecionamento. Então não resta outra conclusão possível sendo a de que as despesas financeiras poderiam, e deveriam, ser apropriadas pela lmpugnante, com impacto na apuração de seu lucro real [...J. 16. 0 que se verificou, na verdade, foi o desprezo da fiscalização pela busca da verdade material [...J. 17. Cabe destacar, por outro lado, que as particularidades a envolver as operações sob análise [..] não podem influenciar o juízo da fiscalização sobre a existência ou não de tributo a pagar, inclusive porque "A Fiscalização não pode se investir no papel do empresário para julgar a firma pela qual os contribuintes devem gerir seus próprios recursos". Multa exigida isoladamente Quanto a isto, a impugnante alega que a "multa isolada" seria "aplicável apenas quando o sujeito passivo deixa de cumprir uma obrigação tributária sem que deste ato resulte pagamento a menor de tributo", acrescentando que a expressão "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa", constante do artigo 44, §1°, da Lei a' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deveria ser interpretada 8 Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.106 como a (mica possibilidade prevista em lei para a incidência da referida multa. Ou seja, quando houver descumprimento de obrigação tributária (acessória), sem que tal descumprimento tenha resultado em pagamento a menor de tributo, então deve ser aplicada a multa, por isto chamada de "isolada". Se prejuízos fiscais e base de cálculo negativas resultassem em "zero" de tributos a pagar, mesmo após as glosas pretendidas pela fiscalização, ou se o respectivo período base ainda não tivesse chegado ao final, então poder-se-ia argumentar pela aplicação da multa isolada. Mas não foi o que ocorreu. 0 Auto de Infração indica tributo a pagar, sobre o qual já incide a multa respectiva, sendo inaplicável no caso a multa "isolada". Apenas por este motivo deve ser excluído da notificação o valor de R$ 947.354,63. Afirma também que a exigência simultânea de multa proporcional e multa isolada caracteriza excesso de exação, não amparada apelo ordenamento jurídico. inadmissível que, para urna suposta infração que resultou em alegado pagamento a menor de imposto no importe de R$ 1.263.139,49, haja aplicação de penalidade no valor de R$1.894.709,24, ou seja, de 150%. Multas deste porte somente são exigíveis pela legislação em situações de fraude ou sonegação. Não o caso que se apresenta. 1-1 Por outro lado, penalidades dessa amplitude agridem o direito de propriedade, constitucionalmente assegurado [...], desconsideram a vedação de utilização do tributo com efeito de confisco [...] e fazem tabula rasa dos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade. Menciona e transcreve jurisprudência. Anexaram-se os autos do processo 13971.000807/2004-49, que passaram a compor os volumes VI a X do presente (folhas 1038 a 2028). Por força da Portaria SRF n° 10.621, de 6 de julho de 2007, a competência do exame deste processo foi trans crida para esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • A prática de operações de mútuo com suas controladas foi reconhecida pela própria fiscalizada desde o inicio do procedimento fiscal, e está amplamente demonstrada nas peças processuais. • Quanto à falta de perfeita correspondência entre seus direitos creditórios e suas obrigações, cumpre atentar ao fato de que o Auto de Infração não afirma que tenha existido, ao longo do tempo, uma relação determinada e imutável entre tais elementos de seu patrimônio; o fundamento .fático da exigência é a constatação de que a interessada, em quase todos os meses do período submetido fiscalização, obteve recursos de terceiros ao mesmo tempo em que era credora de vultosos valores cedidos a suas controladas (vejam-se demonstrativos de fls. 872 e 883 a 904). A interessada aponta uma outra exceção a regra, incapazes de invalidar a constatação de que, 9 Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.107 neste período, contraiu empréstimos que eram, em suma, desnecessários para suas atividades. • Relativamente à vinculação dos repasses de recursos a operações de aumento de capital ou remessas para futuro aumento de capital, entendeu que tal argumento também não pode ser acatado porque a interessada não demonstrou, com coincidência de data e valor, como tais operações, meramente permutativas (uma vez que, ale gadamente, tratar-se-ia de valores que haveriam apenas transitado por suas disponibilidades) poderiam afetar seus resultados (tendo em vista que o lançamento repousa na glosa de fatos modificativos de sua situação patrimonial, quais sejam, suas despesas de juros). Ademais, este mesmo argumento labora em desfavor da interessada, uma vez que só faz demonstrar que ela, a rigor, não necessitaria de recorrer a empréstimos onerosos no Pais, dispondo, como parece dispor, de abundantes fontes de recursos no Exterior. • Concluiu, assim, que as alegações e documentos oferecidos a exame pela impugnante não lograram infirmar a glosa de despesas de juros realizada pelo Autor do feito, ressaltando que este não assumiu o papel de gerente dos negócios da interessada, limitando-se a verificar, a luz da legislação de regência sobre a matéria, se as despesas deduzidas para apuração do lucro real poderiam ser consideradas indispensáveis, usuais e normais. • Quanto ao cabimento da multa isolada apenas nos casos em que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, destacou que a lei adota a expressão ainda que, e não desde que, e esclareceu que não há excesso de exação se a autoridade tributária age em estrita consonância com o principio da legalidade, bem como que a soma dos percentuais aplicados a titulo de multa proporcional e multa isolada não permitem a conclusão de houve imotivada aplicação de multa qualificada no percentual de 150%. Ao final, declarando sua incompetência para apreciar argüições de inconstitucionalidade da lei tributária, e a não vinculação à jurisprudência administrativa citada, apenas reduziu a multa isolada a R$ 631.569,75, em atenção ao disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, dado o novo percentual de multa estabelecido pela Lei n° 11.488/2007. Cientificada da decisão de primeira instância em 08/09/2008 (fl. 2043), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 03/10/2008 (fls. 2049/2088). Argúi a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento ao seu direito de defesa, na medida em que ali não se realizou análise de pedidos/fundamentos por ela apresentados, especificamente porque não apreciada a alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das multas aplicadas. Reproduz doutrina em favor de sua tese. Entende equivocada a conclusão, expressa na decisão recorrida, de que os recursos repassados pela Recorrente a suas controladas caracterizariam operações de mútuo. (f00 l 0 Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo no 13971.000818/2004-29 SI -CI TI Acórdão n.° 1101 -000.495 Fl. 2.108 Assevera que houve mero equivoco nas informações prestadas no contato prévio com a fiscalização, pois estes recursos não eram entregues com a expectativa ou mesmo intenção de recebê-los de volta, constituindo-se, na verdade, em aportes para futuro aumento de capital. 17. Ao serem verificados os contratos firmados pela Recorrente (fls.), resta claro que não se tratam de contratos de mútuo, ante a ausência de elementos ou requisitos que devem compor e constituir estes contratos. Basta verificar: não houve fixação de valor determinado; não houve entrega integral de recursos e de uma só vez; o crédito foi colocado ã disposição da outra empresa, para saque/utilização se e quando fosse necessário. 18. A prova efetiva de que os recursos não tinham natureza de mútuo e sim de adiantamentos para futuro aumento de capital, é a efetiva capitalização dos valores remetidos a titulo de adiantamento. Conform demonstra a ata da Assembléia Geral de Mabesa do Brasil S.A., de 1° de novembro de 2005 (documento anexo), houve aprovação de aumento do capital social da referida empresa em R$ 129.586.080,00, 'Por meio da capitalização do montante destinado ã conta do adiantamento para futuro aumento de capital, proveniente do aporte de capital realizado pela acionista Mabesa do Brasil Indústria e Comercio Lida" (doc. anexo, item "i" das deliberações). 19. Ou seja, fica claro, desde já, que os aportes de recursos vinham para a recorrente com o objetivo especifico de aumento do seu capital social — os próprios contratos de câmbio demonstram este fato (lis.) — e que, em seguida, serviam para aumento de capital social na controlada Mabesa do Brasil S.A.. Diferentemente, os empréstimos bancários tomados pela recorrente eram as fontes de recursos para o desenvolvimento de suas atividades operacionais. Dai decorre o fato de serem as despesas sobre tais financiamentos necessárias e usuais its atividades da recorrente. Os seja, as operações eram distintas e tinham com objetivos diferentes. Entende que, se restarem dúvidas sobre as operações, os autos devem ser baixados em diligência, prestigiando o principio da verdade material e da manutenção da legalidade do lançamento. Reafirma que os documentos anexados à impugnação demonstram que a Recorrente (a) recebia recursos provenientes do exterior e (b) os repassava para sua controlada, e esclarece as antigas denominações sociais das empresas ali citadas. Reprisa os procedimentos adotados para os alegados aumentos de capital e novamente os justifica em razão do sistema de fluxos cambiais vigentes no Pais, o qual impede a remessa de valores diretamente para a empresa controlada pela recorrente. Novamente se reporta aos exemplos das remessas para aumento de capital, que não geram qualquer despesa dedutivel para a Recorrente, e ressalva a possibilidade de ser verificada nos demais documentos contábeis da Recorrente a relação com remessas para aumento de capital de outros repasses para controlada. Opõe-se à. exigência de perfeita e estrita coincidência de valores e datas, que não considera razoável, pois os elementos apresentados, como amostra de inúmeros outros, demonstram claramente que os repasses não apresentaram relação com empréstimos tomados. Assim, inexistindo qualquer vincula ção entre os recursos captados por empréstimos ou financiamentos com os repasses para a controlada, bem como ausente qualquer vincula(*) dos repasses com os empréstimos ou financiamentos tomados de terceiros pela Recorrente, conforme demonstrado no item 6 da impugnação, entende que a exigência é improcedente. 11 Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.109 Reportando-se A afirmação contida na decisão recorrida, de que a empresa "parece dispor" de abundantes fontes de recursos no Exterior, "fato" que justificaria a alegada desnecessidade das operações de mútuo, assevera que a necessidade ou não de recorrer a empréstimos somente pode ser analisada pelos gestores da empresa, e não pelo Fisco. Defende ser seu direito a contratação de empréstimos, a partir de suas necessidades, somente lhe sendo vedado praticar fraudes, o que não foi o caso, ante a ausência de imputação de multa qualificada. Assim, as despesas financeiras poderiam, e deveriam, ser apropriadas na apuração do lucro real, sob pena de se desprezar o arquétipo constitucional dos tributos que incidem sobre o lucro. Defende a observância o principio da verdade material, opondo-se às suposições nas quais se fundou a decisão recorrida, e à exigência de prova negativa, mormente se há prova no sentido de que as conclusões do Fisco não se coadunam com a realidade. Na medida em que não existe nenhuma vincula ção entre os recursos captados através de empréstimos ou financiamento com os repasses para controlada, feitos para aumento de capital e a Fiscalização não conseguiu provar o contrário, e ausente qualquer justificativa para que a fiscalização julgue quais operações são necessárias, ou não, a empresa, devem ser afastadas as exigências combatidas. Por fim, questiona a aplicação de multa isolada concomitantemente A aplicação de multa proporcional, por representar bis in idem, reportando-se A. jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e reprisando os demais argumentos deduzidos em l a instancia, inclusive quanto à caracterização de excesso de exação. 12 Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 S I -C IT! Acórdão n.° 1101 -000.495 Fl. 2.110 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente cumpre rejeitar a argüição de nulidade da decisão recorrida por não ter sido apreciada a alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das multas aplicadas. A autoridade julgadora expressou as razões pelas quais assim procedeu e estas se alinham ao que também já pacificado no âmbito do CARF: Súmula CARFn° 2: 0 CARF nCio é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao mérito, constata-se que a autoridade lançadora identificou dois fatos na contabilidade da contribuinte: a contratação de empréstimos onerosos e a concessão de empréstimos a suas controladas, com menores encargos. A recorrente afirma a existência de outros dois fatos não considerados no procedimento fiscal: o aporte de recursos externos que se destinariam a aumento de capital das controladas indiretas e a inexistência de cláusulas que caracterizassem as operações com suas controladas como sendo mútuo. Ou seja, em sua defesa, a contribuinte pretende demonstrar que haveria uma origem especifica para os valores disponibilizados a suas controladas, e que tal vinculação se confirmaria pelo fato das transferências de recursos terem se convertido em aumento de capital nas beneficiárias. A recorrente apresenta apenas uma amostra de provas acerca de aportes de recursos advindos do exterior, tendo como origem sua controladora e como causa futuro aumento de capital (fls. 945/1033). De outro lado, observa-se em balancetes de 1999 a contabilização de aportes provenientes de Mercado Externo no Passivo Exigível de Longo Prazo (grupo 252), vinculados a Productos lnternacionales Mabesa, a qual também é citada no grupo 212.2, do Passivo Circulante. De fato, a autoridade fiscal reconheceu, em seus demonstrativos, a existência de dividas da autuada para com a controladora citada, mencionando seus saldos presentes no Passivo Circulante e no Exigível a Longo Prazo praticamente em todos os meses fiscalizados de 1999 a 2002, os quais podem ser assim resumidos, em comparação com os empréstimos que teriam sido concedidos pela fiscalizada as empresas ligadas: a) em dezembro de 1999, as dividas representam R$ 887.006,00 a curto prazo e R$ 872.886,00 (fl. 887) a longo prazo, ao passo que os direitos alcançam R$ 3.486.151,92 (fl. 883); b) em dezembro de 2000, as dividas representam R$ 943.767,00 a curto prazo e R$ 449.786,00 a longo prazo (fl. 888), ao passo que os direitos alcançam R$ 1.217.862,46 (fl. 884); c) em dezembro de 2001, as dividas representam R$ 1.257.031,81 a curto prazo e R$ 3.189.228,17 a longo prazo (fl. 889), ao passo que os direitos alcançam R$ 26.979.463,32 (fl. 885); 13 Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.495 n.2.111 d) em fevereiro de 2002, consta o último registro das dividas a curto prazo no valor de R$ 1.250.957,81, e em dezembro de 2002 as dividas a longo prazo representam R$ 2.115.088,00, o passo que os direitos alcançam R$ 51.972.418,58 (fl. 886). Relativamente a este último item, esclareça-se que, se somadas as operações de 2002 citadas exemplificativamente pela contribuinte na impugnação, os valores cedidos pela controladora no exterior chegariam a R$ 11.526.381,09, a indicar que seu registro se deu em contas não consideradas pela autoridade lançadora em seu demonstrativo de fl. 890, ou que houve a liquidação parcial das obrigações ao longo de 2002, operando em favor desta segunda assertiva o fato de o passivo registrado em favor da controladora chegar a R$ 3.657.612,70, em setembro/2002. A recorrente também menciona que empréstimos destinados a empresa ligada teriam sido recebidos como adiantamento para futuro aumento de capital, aumento este que teria se materializado em 01/11/2005. Neste contexto, é possível que, de fato, alguns empréstimos concedidos às empresas ligadas estivessem, efetivamente, vinculados aos aportes recebidos da controladora no exterior, mesmo que esta vinculação não fosse formal, mas, apenas, financeira, dado que a exigência foi determinada em razão do fluxo financeiro de recursos entre a autuada e suas controladas no Brasil. E, nestas condições, o limite para dedutibilidade das despesas financeiras deveria ser estabelecido com o expurgo daqueles valores. Assim, para se decidir quanto à necessidade das despesas financeiras contabilizadas no período fiscalizado, é imperioso aferir se houve, de fato, aportes de recursos na empresa fiscalizada, que pudessem justificar, ao menos em parte, os empréstimos concedidos as controladas antes citadas, confirmando-se sua contabilização e também os documentos que suportam tais registros contábeis, além de se confrontar seu montante mensal com os recursos disponibilizados mensalmente às controladas. Importante também confirmar se há registros contábeis e comprovação documental de que os empréstimos assim concedidos às mencionadas controladas no período fiscalizado foram convertidos em aumento de capital, aspecto que, embora não determinante — pois bastaria o fluxo financeiro entre a autuada e suas coligadas para justificar a exclusão de seus efeitos na exigência — pode corroborar a alegação da recorrente. Relevante também é apurar se haveria outros adiantamentos, as coligadas da autuada, distintos dos mútuos considerados pelo Fisco, que se prestaram como destino dos valores advindos da controladora no exterior. Somente com estas informações, e o parecer conclusivo de autoridade fiscal acerca de suas repercussões, cientificado à contribuinte para complementação de suas razões, é possível aferir se os aportes de recursos da controladora, e seu repasse as coligadas, afetam, de alguma forma, o resultado final dos cálculos da autoridade lançadora. Por esta razão, conclui-se, aqui, pela necessidade de CONVERTER 0 JULGAMENTO em diligência, para que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte promova as análises acima referidas, elaborando, ao final, relatório circunstanciado a ser cientificado à interessada, com abertura de prazo de 30 (trinta) dias para eventual complementação de suas razões de defesa. 14 Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-C1TI Acórclao n.° 1101-000.495 Fl. 2.112 Contudo, submetida a matéria à apreciação da Turma Julgadora, prevaleceu entendimento contrário à realização da diligência, nos termos expressos pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, a exigir a apreciação do mérito da exigência no contexto apresentado nos autos. Nada, porém, há a acrescentar à abordagem completa e aprofundada exteriorizada no voto vencedor do Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, o qual adota-se na integra, inclusive quanto à manutenção da multa isolada, já reduzida ao percentual de 50% na decisão recorrida. Assim, depois de REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida, e restando vencido o presente posicionamento em favor da conversão do julgamento em diligência, acompanha-se o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. /Oh:DELI pfRIV ERABESSA — Relatora 15 Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.113 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Relator. Conforme a autoridade fiscal (proc. fls. 863 a 904), o contribuinte emprestava valores para empresas, nas quais tinha participação acionária (MPC Nordeste SA e Mabesa do Brasil SA). Tais empréstimos concedidos estavam registrados no ativo, como mútuos — contas sub-grupo 112.4. Ao lado disto, o contribuinte tomava empréstimos, que registrava no passivo, como financiamentos — contas sub-grupos 212 e 252. Já as contas de resultado, informavam a existencia de receitas e despesas financeiras. Estes fatos estão demonstrados nos balancetes da empresa que registram as contas de ativo como mútuos e as conta de passivo como financiamentos, juntados ao processo pela fiscalização (e.g.: proc. fls. 130 a 199). 0 fiscal autuante explica que "silo indedutiveis, por desnecessárias, as despesas financeiras de empresa que fornece recursos financeiros a outras empresas, sem remuneração ou com remuneração inferior às taxas de mercado". Adiciona que "esta dedutibilidade é calculada com base na proporção dos empréstimos repassados a terceiros". Visando documentar a situação, constatar e quantificar a infração, o fiscal efetua algumas intimações. Inicialmente, o fiscal solicitou que a empresa (proc. fls. 27 e 28) a fornecesse os contratos dos mútuos consignados no seu ativo e a detalhasse as operações, informando para cada uma a data, o valor e a forma de pagamento (dinheiro, cheque ou transferência ). 0 contribuinte atendeu a intimação, apresentando os contratos, que afirma serem de mútuos e fornecendo os lançamentos a débito e a crédito nessas contas de mútuos (proc. fls. 30 a 90). Os contratos, pactuados entre a autuada e outras 2 empresas do mesmo grupo empresarial, reconhecem que as partes têm "interesse reciproco em efetuar movimentações financeiras de recursos eventualmente existentes nas partes contratantes, de forma a suprir as empresas de recursos necessários ao normal desenvolvimento de suas atividades" e estabelecem que "as partes contratantes, de acordo com suas disponibilidades financeiras, transferirão recursos entre si, observadas as regras contidas neste contrato". Portanto, os contratos apresentados ao Fisco demonstram, claramente, que as partes pactuaram a transferência temporária de recursos, a titulo de mútuos. Na sequencia, o fiscal intimou o contribuinte (proc. fls. 91 a 93) a informar as contas de resultado que registravam as receitas financeiras destes mútuos, já que constava dos contratos que "sobre os saldos em aberto ao final dos respectivos períodos, incidirão os encargos que forem ajustados periodicamente entre as partes contratantes". A empresa informou (proc. fls. 95 e 96) que a conta de resultado referente a receita financeira era a 352.102 (juros recebidos). Na mesma intimação o fiscal solicitou que a empresa indicasse as contas de resultados referentes as despesas financeiras decorrentes dos empréstimos registrados nas contas do passivo - financiamentos passivo circulante e financiamentos exigível a longo prazo (proc. fls 91 e 93). A empresa informou (proc. fls. 95 e 96) que as despesas financeiras 16 Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.114 mencionadas eram lançadas nas contas de resultado 351.1 (despesa financeira mercado interno) e 351.2 (despesa financeira mercado externo). Para demonstrar e quantificar o montante de despesas financeiras desnecessárias, o fiscal apresenta os anexos I, II, III, IV, e V (de 1 a 4), todos montados com os livros, balancetes e respostas fornecidos pela empresa. Nos anexos I (de 1 a 4), são indicados os saldos mensais dos empréstimos e mútuos concedidos pela autuada, no período de 1999 a 2002, para a MPC Nordeste SA e a Drypers, que depois veio a se chamar Mabesa do Brasil SA (proc. fls. 883 e 884). Nos anexos II (de 1 a 4), são indicados os saldos mensais, do período de 1999 a 2002, das diversas contas de passivo, referente aos financiamentos tomados e que geraram despesas financeiras (proc. fls. 885 a 890). As seguintes contas de passivo foram incluídas nos anexos II: capital de giro; operações swap; Bank Boston; ABN; Banrisul; Banco BCN; conta corrente garantida; Produtos Internac. Mabe SA; Paragon Trade Brands Inc; Georgia Pacific Corp; Nordson Corporation; Serenity SA; Ace adto s/ contrato de câmbio; prov p/ possível perda cambial; Mabesa do Brasil - BNV; Prodec; Fundese; MPC Prod p/ Higiene Ltda; MPC Nordeste SA; Drypers do Brasil; IR diferido sobre reavaliações; parcelamento de impostos; e outras. Nos anexos III e IV (de 1 a 4), são indicados os montantes mensais das receitas e despesas financeiras, decorrentes dos empréstimos concedidos e tomados, respectivamente (proc. fls. 891 a 898). A partir dos anexos de I a IV, o fiscal elabora o anexo V, onde é apurado o montante mensal de despesas financeiras indedutiveis (proc. fls. 899 a 902). Conforme as explicações do fiscal, são desnecessárias as despesas financeiras mensais (no percentual correspondente A. relação entre os empréstimos concedidos e os tomados) que excedem as receitas financeiras (proc. fls. 871 e 872). Com base na apuração demonstrada nos anexos V, o fiscal propõe a glosa de despesas nos seguintes montantes: janeiro fevereiro março abril maio junho julho agosto setembro outubro novembro dezembro 1999 2000 2001 2002 0,00 11.344,78 146.463,93 17.031,60 0,00 155.362,24 0,00 4.685,21 368.601,44 6.933,46 0,00 125.039,71 0,00 0,00 87.224,10 204.550,42 368,51 0,00 156.894,51 894.270,59 0.00 0,00 68.254,93 103.541,73 0,00 0,00 106.352,51 71.209,21 0,00 229,98 76.216,45 311.837,51 0,00 148.992,27 79.453,02 0,00 158.115,12 280.579,66 301.354,19 448.369,94 3.644.813,76 Além da apuração do IRPJ e CSLL anual decorrente da glosa, o fiscal recalcula as estimativas mensais e aplica a multa isolada. Todos os cálculos são feitos considerando os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL, conforme é explicado 17 Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo IV 13971.000818/2004-29 SI-CITI Acórdão n.° 1101 -000.495 Fl. 2.115 (proc. fls. 873 e 874) e apresentado nos anexos VI (1 e 2) (proc. fls. 903 e 904) e no auto de infração lavrado em 02/06/2004 (905 a 920). Após citar a base legal do lançamento, o fiscal novamente explica os fundamentos lógicos da glosa de despesas que efetuou: Retornando os fatos que deram origem à autuação, conforme descritos no item 03, tem-se que, a fiscalizada, ao mesmo tempo em que concedia empréstimos a terceiros, comprometendo parte de seu capital de giro, tomava empréstimos, arcando corn despesas de juros sobre eles. Dito por outras palavras, a empresa se apropriou de encargos que reduziram o seu lucro real, encargos esses incidentes sobre capitais que financiaram as atividades das suas coligadas e não as suas. Dai a conclusão pela indedutibilidade dos montantes excedentes, tendo por base os dispositivos anteriormente reproduzidos. Não discutimos a correção ou não da transferência de recursos, corn ou sem encargos, para empresas coligadas com a concomitante tomada de empréstimos junto ao mercado financeiro. 0 motivo da autuação não foi o fato de a empresa ter suprido de recursos outras empresas ou de não ter cobrado juros por isso, mas sim de ter deduzido, na apuração do lucro liquido, a totalidade das despesas financeiras dos empréstimos tomados no mercado financeiro concomitantemente a tais suprinientos. Se num grupo de empresas coligadas, algumas necessitarem de recursos e, por motivos diversos, não tiverem condições de, por si mesmas, obtê-los no mercado financeiro, não há impedimento de que uma das empresas do grupo forneça tais recursos. 0 que não se justifica é que as despesas financeiras para obtenção de recursos para uni grupo de empresas sejam assumidas e deduzidas na apuração do lucro real por uma sá delas. As despesas financeiras, nesse caso, devem ser rateadas entre as empresas. Ressalte-se que a legislação não contempla a tributação em conjunto, sendo que cada empresa corresponde a um contribuinte. São essas as razões da autuação, que foi mantida no julgamento da DRJ, salvo no que tange à multa isolada, reduzida por aplicação retroativa de legislação benigna. Mas, para melhor analisar o recurso voluntário apresentado e a proposta de conversão do julgamento em diligencia, apresentada pela I. Relatora, cabe enfatizar os fundamentos lógicos da autuação, já destacados pelo autoridade autuante. Conforme bem explica o fiscal, a constatação de que a empresa concede empréstimos a outras empresas ligadas, por si s6, não tem relevância fiscal. Do mesmo modo que a constatação de a empresa toma empréstimos, por si s6, também, não tem qualquer relevância. No entanto, a constatação de que a empresa, concomitantemente, toma e concede empréstimos, sugere que os empréstimos tomados não estão sendo aplicados nas atividades da empresa, mas repassados para outras empresas. Essa situação, por si só, não significa que a empresa esteja contabilizando despesas financeiras desnecessárias, mas é um indicativo de que pode estar havendo a infração. 18 Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CITI Ad:01.dd° n.° 1101-000.495 Fl. 2.116 que pode ocorrer que os juros cobrados pelos empréstimos concedidos sejam iguais ou maiores que os juros pagos pela empresa em razão de seu passivo, de sorte que o resultado da empresa não seja reduzido pelas operações. Isso afastaria a infração. Assim, a concomitância de empréstimos tomados e concedidos apenas evidencia a possibilidade de que a empresa esteja contabilizando despesas financeira desnecessárias. Tal possibilidade existe porque a concomitância sugere que os recursos estejam sendo tomados para serem repassados e, nesta situação, pode ocorrer de que as despesas financeiras, correspondentes aos valores tomados e repassados, superem as receitas financeiras dos repasses. Portanto, para se verificar se há ou não infração, não basta olhar as contas patrimoniais de ativo e passivo. A observação destas contas patrimoniais apenas permite identificar a possibilidade de estar ocorrendo a infração fiscal. A verificação da infração só é possível pela confirmação de que as transferências de recursos para as empresas ligadas sejam feitas por meio de empréstimos e pelo o exame das contas de resultado, com a comparação das despesas e receitas financeiras vinculadas aos empréstimos, considerando ainda a relação entre os empréstimos concedidos e tomados. Tal comparação de receitas e despesas pode ser feito de diversos modos, inclusive pode ser feita pela forma adotada na autuação, onde se comparou as despesas financeiras mensais, decorrentes dos emprétimos tomados, com receitas financeiras mensais, decorrentes dos empréstimos concedidos. Isso porque, como a empresa deve contabilizar suas receitas e despesas pelo regime de competência, a contabilização destas deve corresponder a contabilizações mensais dos empréstimos concedidos e obtidos, cuja consideração é necessária para indentificar os períodos e montantes de repasses de empréstimos e, consequentemente, para determinar o montante de despesa desnecessária. Além disso, restando caracterizado a tomada e repasse de empréstimos ao longo de diversos períodos sem haver interrupção da situação, é improvável haver um descolamento significativo entre a contabilização dos saldos de empréstimos e a contabilização das receitas e despesas decorrentes. Não obstante, se houver tal descolamento e se ele for significativo, tal fato pode ser alegado na defesa do contribuinte, o que não ocorreu no presente caso. Portanto, não há qualquer óbice a forma de comparação das despesas e receitas financeiras feitas pelo Fisco no presente caso. No entanto, como mencionado, efetuando a comparação de despesas e receitas financeiras deste modo, é preciso considerar a proporção entre os empréstimos concedidos e tomados, para aplicar tal percentual às despesas financeiras, de sorte que a comparação entre despesas e receitas seja referente apenas aos montantes tomados e repassados. Cabe destacar que se os empréstimos concedidos superarem os obtidos, independente do quanto superem, o percentual fica limitado a 100%, tal como constou da apuração demonstrada nos anexos V (de 1 a 4). Essa limitação é necessária porque o valor de empréstimos concedidos acima do valor de empréstimos tomados, tem origem em recursos que não causam despesas financeiras. Ainda, cabe observar que é possível haver situação na qual, embora existam ao mesmo tempo destinação de recursos para outras empresas e dividas de empréstimos, os valores correspondente as destinações para outras empresas viriam de outra fonte que não os recursos existente na empresa. Isso ocorreria, por exemplo, no caso de um terceiro aportar recursos na empresa com o fim especifico destes serem transferidos em definitivo para outra 19 Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-C ITI Acórdão n.° 1101 -000.495 Fl. 2.117 empresa. Outro exemplo, mais provável, seria no caso de acionista efetuar aumento de capital na empresa e esta efetuar aumento de capital nas suas controladas. No primeiro caso, a empresa seria mera intermediária do fluxo financeiro e não caberia aventar de despesa financeira desnecessária, pois não haveria concessão de empréstimo. No segundo caso, a contrapartida do recebimento dos valores seria na conta capital e a contrapartida da entrega dos valores para as controladas seria investimentos e não caberia aventar de despesa financeira desnecessária, pois não haveria concessão de empréstimo. Frise-se que nenhuma destas situações foi verificada na fiscalização do caso em julgamento. Também, é preciso destacar que, nas duas situações acima exemplificadas, nem o recebimento de recursos e nem a destinação são contabilizados como empréstimos, ou têm contratos de empréstimo como lastro documental, ou geram juros, ou se caracterizarem como empréstimos ou transferencias provisórias. Ao contrário, tem contabilização absolutamente distinta de empréstimos, pois são transferências definitivas. Com essas considerações em mente, cabe listar, um a um, os pontos apresentados pelo contribuinte no seu recurso (proc. fls. 2049 a 2064), para verificar se são procedentes ou não. Preliminarmente, o contribuinte pleiteia a nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento de defesa, já que não foram apreciados os argumentos de defesa relativos a ilegalidade e inconstitucionalidade das multas aplicadas. Mas, esta alegação não pode prosperar. Os julgadores administrativos não podem fazer juizo de constitucionalidade de lei ou de adequação de lei à lei de hierarquia superior, por isso não podem apreciar tais argumentos. Para a Administração, até determinação em contrário pelos órgãos próprios, toda lei é constitucional e adequada ao sistema. Tal questão é inclusive objeto da seguinte súmula do CARF: Súmula CARF no 2: 0 CARF nõo é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mérito, inicialmente, o contribuinte diz que não ocorreram operações de mútuos com as controladas e que se equivocou nas informações que apresentou à fiscalização. Sustenta que os valores repassados para as controladas, inclusive os que teriam origem na sua controladora no exterior, não eram empréstimos, mas aportes para futuro aumento de capital. Porém, esses argumentos do contribuinte não são procedentes e nem têm o condão de refutar o lançamento. Ora, não basta o contribuinte simplesmente negar que as transferências de valores para as coligadas decorreram de mútuos. Como não basta negar que a origem dos repasses está nos empréstimos lançados no passivo. Seria preciso que ele apresentasse uma nova contabilidade e novos documentos que ratificassem suas afirmações, o que não fez. Afinal, o lançamento foi feito com base nos livros, documentos e informações fornecidos pelo contribuinte, que informam serem as transferencia decorrentes de mútuos, tendo sua origem em empréstimos registradops no passivo (proc. fls. 31, 131 e outras). Se o contribuinte sustenta agora que estes elementos estavam errados e quer que o Fisco considere sua alegação, deveria tê-los corrigido e apresentado na defesa uma nova contabilidade e documentação que retratasse a situação que entende correta. 20 Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-C IT1 Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.118 Mas, o contribuinte preferiu a comodidade de apenas insinuar que errou (que teria lançado como empréstimo e como mútuo o que seria adiantamento para aumento de capital), não sendo sequer expresso quanto a admitir seu erro. Também, não tomou qualquer providência para sanar o erro que alega. Por isso, não há como considerar pertinente tal argumento de defesa. Na sequencia, o contribuinte argumenta que os contratos que apresentou não têm as características de contratos de mútuo, pois: "não houve fixação de valor determinado; não houve entrega integral de recursos e de uma só vez; o crédito foi colocado à disposição da outra empresa, para saque/utilização se e quando fosse necessário". Com este argumento, o contribuinte tenta negar a natureza dos contratos de transferência de recursos, pactuados com suas coligadas, para refutar a autuação. Ou sei a, conforme o contribuinte, os contratos que assinou com suas coligadas não tinham natureza de mútuo e por isso o lançamento não poderia prosperar. Mas, não há como admitir essa idéia. Em primeiro lugar porque tais contratos têm natureza de contratos de mútuo, já que tem por objeto o empréstimo de coisa fungivel, no caso dinheiro, conforme a definição de mútuo do Código Civil, art. 586. Cabe destacar que nenhum dos pontos alegados pelo contribuinte ("não houve fixação de valor determinado; não houve entrega integral de recursos e de uma só vez; o crédito foi colocado a disposição da outra empresa, para saque/utilização se e quando fosse necessário"), com o fito de descaracterizar os contratos como de mútuos, infirmam a natureza dos contratos pactuados, que continuam sendo contratos de mútuo. Portanto, só por isso o argumento da defesa é absolutamente irrelevante. Em segundo lugar porque a situação que motiva o lançamento é o fato de haver empréstimos de valores para as coligadas, independente do tipo de contrato que fundamente este empréstimo. Ou seja, um dos elementos da autuação é haver a transferência temporária de recursos para as coligadas. Assim, mesmo que se admitisse, apenas por hipótese, que os contratos não fossem contratos de mútuo, seria preciso reconhecer sua natureza de contrato de empréstimo, ou ainda sua natureza de contratos que pactuam a transferencia temporária de recursos, inclusive com pagamento de juros. Também por isso o argumento da defesa é totalmente inóquo. Esse ponto é de suma relevância. Conforme registrado na contabilidade e conforme pactuado entre as empresas, a transferência de recursos não é definitiva. As transferência são temporárias, pois os valores são repassados para as empressas ligadas e são devolvidos. Tudo conformee os contratos apontados pela fiscalização. Assim, as transferências se caracterizam como empréstimos. Mas, a natureza dos repasse, também é revelada pelo próprio fluxo financeiro entre as empresas. Tal fato se percebe, pela análise dos saldos mensais global registrados nas contas de mútuos. Conforme se vê, embora exista uma tendência do total emprestado aumentar ano a ano, existe uma variação nos saldos que confirmam que as transferências têm natureza temporária e de empréstimos, tal como abaixo demonstrado:, ( 21 Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA SI-CI TI Fl. 2.119 Processo n° 13971.000818/2004-29 Acórdão n.° 1101-000.495 SALDO ATIVO MÚTUO SALDO ATIVO MÚTUO SALDO ATIVO MÚTUO j an/99 jan/00 fev/00 mar/00 3.404.491,12 4.367.186,52 4.588.851,15 jan/01 fev/01 mar/01 1.156.377,01 1.290.407,94 2.303.693,81 fev/99 mar/99 abr/99 abr/00 3.606.645,73 abr/O I 2.739.264,26 mai/99 154.374,26 mai/00 948,53 mai/01 5.681.155,48 jun/99 801.304,37 jun/00 jul/00 67.803,89 291.721,71 jun/01 jut/01 7.696.765,10 13.443.203,40 jul/99 1.500.075,00 ago/99 2.340.892,67 ago/00 327.811,72 ago/01 set/01 out/O1 19.607.435,24 20.314.160,51 20.044.964,61 set/99 out/99 3.451.228,79 3.471.426,94 set/00 out/00 1.217.862,46 nov/99 3.711.794,94 nov/00 nov/01 24.514.078,24 dez/99 3.486.151,92 dez/00 dez/01 26.979.463,32 SALDO ATIVO MÚTUO jan/02 fev/02 28.919.419,50 28.919.419,50 mar/02 29.348.729,10 abr/02 31.620.231,46 mai/02 33.816.375,52 jun/02 4 1.889.824,46 jul/02 50.537.541,84 ago/02 54.504.878,71 set/02 55.144.710,89 out/02 53.310.488,24 nov/02 51.693.225,69 dez/02 51.972.415,56 Mais eloquente do que observar a variação nos saldos mensais globais das contas de mútuos, é observar os lançamentos, a débito e a crédito, em cada uma das contas de mútuo. Conforme mencionado, o fiscal intimou o contribuinte a apresentar cada um dos lançamentos nas contas de mútuos, informando a data, valor, operação (entrada/saída do recurso e a forma de pagamento (proc. fls. 27 e 28). 0 contribuinte atendeu a intimação, apresentando listagem que individualizava cada uma das operações de mútuo (proc. fls. 31, 38 a 90). Nessas listagem constata-se os valores são debitados e creditados, de 1999 a 2002. Ou seja, as listagens caracterizam exatamente o que foi pactuado entre as empresas, que era repassar recursos entre si conforme suas necessidades e possibilidades. Portanto, resta comprovado pela própria movimentação financeira que se trata de mútuos. Assim, nota-se que até o momento, de um lado, restou comprovado os fatos afirmados pelo Fisco, e de outro, o contribuinte não comprova nenhuma das alegações pelas quais pretende infirmar o lançamento. Continuando a análise do recurso voluntário, constata-se que o contribuinte propugna que a prova efetiva de que os repasses não tinham natureza de mútuo e que eram adiantamentos para futuro aumento de capital é a efetiva capitalização dos valores repassados, em 01/11/2005, conforme demonstra ata de assembleia da Mabesa do Brasil SA, que aprovou aumento do capital social em R$ 129.586.080,00, por meio de capitalização dos aportes feitos pela recorrente à titulo de adiantamento para futuro aumento de capital. Porém, também, essa alegação é improcedente. Para melhor demonstrar a impertinência do argumento, cabe lembrar que a autuação ocorreu em 02/06/2004 e referiu-se a fatos ocorridos de 1999 a 2002, provados com documentos da época. Portanto, não é razoável que o contribuinte queira infirmar aquilo que restou provado em 2004, alegando evento ocorrido em 2005, muito tempo após encerrada a fiscalização. Mais inaceitável é quando pretende fazer isso sem apresentar uma contabilidade retificadora, do período alcançado pela fiscalização, com a documentação correspondente, e que sustente sua nova versão. Vale lembrar que ao tempo da fiscalização o próprio contribuinte declarou que os repasses se davam a titulo de mútuo, inclusive gerando receitas financeiras. Também, • 22 Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-C IT! Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.120 vale lembrar que os contratos e a contabilidade confirmam este fato e as transferências são contabilizadas como mútuos e não como adiantamento para aumento de capital. Ainda, a observação dos saldos mensais dos mutuos mostra que as transferências não eram definitivas. Mais evidente ainda são as operações de ingresso e saída de recursos das contas de mútuos, informadas pelo contribuinte, em listagens, que confirmam que se tratava de empréstimos entre as empresas e não de adiantamento para aumento de capital. Por outro lado, o evento que o contribuinte apresenta como prova cabal das suas alegações (capitalização em 2005) é dependente apenas de sua vontade e é distinto daqueles eventos que motivaram o lançamento (mútuos concedidos de 1999 a 2002). Por isso, é absurda a pretensão do contribuinte em alegar que a capitalização ocorrida em 2005 possa demonstrar que as operações tinham natureza diversa daquela documentada na época ou mesmo possa afetar a natureza jurídica das operações ocorridas de 1999 a 2002. E evidente que os mútuos feitos de 1999 a 2002, bem como eventuais outros empréstimos seguintes, podem ter sido convertidos em aumento de capital em 2005, o que ocorreria sem afetar a natureza de mútuo/empréstimo no período em que existiu como tal. Também, é evidente que os mútuos poderiam ser transformados em adiantamento para aumento de capital, antes do efetivo aumento de capital. Mas, se isso aconteceu, foi depois de 2002, pois até lá ficou comprovado nos autos que as transferências eram mútuos e que não eram transferências definitivas. Por isso, o fato de haver uma capitalização em 2005 não prova nada sobre os fatos de 1999 a 2002. Para bem analisar a questão, cabe notar que todos os elementos presentes no processo, salvo a mera alegação em contrário do contribuinte, demonstram que os valores foram transferidos temporariamente para as coligadas, durante 4 anos seguidos, o que caracteriza mútuo. Até o fim de 2002, não existe qualquer registro na contabilidade de que demonstre a conversão do montante emprestado em aumento de capital ou adiantamento para aumento de capital. Também, cabe notar que o aumento de capital, informado pelo contribuinte, só ocorreu em 2005. De outra banda, não lid qualquer impecilho na legislação para que os valores emprestados possam ser usados para aumento de capital. No entanto, isso não altera a natureza jurídica da causa da transferência, enquanto não seja feita a capitalização. Enquanto não ocorre a conversão de empréstimo em aumento de capital, os valores emprestados continuam sendo empréstimos. No momento em que as empresas decidem utilizar os valores emprestados para efetuar aumento de capital, esses valores podem ser convertidos em uma transferência definitiva e transformados em aumento de capital. Inclusive, podem ficar por um curto espaço de tempo como adiantamento para aumento de capital, mas devem se transformar em seguida em uma transferencia definitiva pelo aumento do capital. Não se pode de modo algum confundir empréstimos com entrega de recursos para aumento de capital. Os primeiros são transferências provisórias e dão direito a juros. Os segundos são transferências definitivas e dão direito a dividendos. E verdade que valores emprestados podem ser convertidos em aumento de capital, mas a natureza da transferência só se altera no momento da conversão. Assim, no caso concreto, se a conversão ocorreu apenas em 2005, até lá as transferências correspondiam a empréstimos. Também, é preciso demonstrar o equivoco da defesa no que tange a sua pretensão de afastar o lançamento alegando que as transferências se davam a titulo de adiantamento para aumento de capital. E que a mera contabilização de uma transferência como 23 Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.121 adiantamento para aumento de capital não basta para definir a natureza da transferência. Se diversas transferências são contabilizadas como adiantamentos para aumento de capital e este aumento demora a ocorrer, mais do que o tempo razoável, tais transferências podem ser tratadas como empréstimos e o contribuinte pode até ser acusado de sonegação, já que estaria ocultando a contabilização de despesas desnecessárias, por meio de um lançamento contábil que não corresponde a verdade. No caso concreto as transferência ocorreram a partir de 1999 e só teriam sido convertidas em aumento de capital em 2005. Portanto, certamente o fiscal efetuou o lançamento com multa de apenas 75% porque os empréstimos estavam contabilizados como mútuos. E provável, e seria correto, que se os empréstimos estivessem lançados como adiantamento para aumento de capital, o fiscal aplicaria a multa de 150%, por sonegação. Assim, por essas razões, o aumento de capital ocorrido em 2005 é totalmente irrelevante ao caso em julgamento. Do mesmo modo, a alegação de que os mútos concedidos, de 1999 a 2002, na verdade seriam adiantamento para aumento de capital, frente a declaração do próprio contribuinte de que este aumento só ocorreu em 2005, longe de afastar a infração, sugeriria seu agravamento. Inclusive, como já destacado, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que os repasses fossem feitos a titulo de adiantamento para futuro aumento de capital e, ao contrário, está sobejamente documentado nos autos que se tratavam de empréstimos. Não obstante a improcedência de todos os argumentos presentes no recurso voluntário e até agora analisados, com base neles, o contribuinte considera equivocado o lançamento. Sustenta que os empréstimos que tomou foram aplicados na sua própria atividade operacional e por isso as despesas financeiras a eles vinculadas são necessárias e usuais as atividades da empresa. Diz que em caso de dúvida sobre as operações, os autos devem ser baixados em diligência, em respeito ao principio da verdade material e a legalidade do lançamento. Como se vê, até este ponto, a defesa do contribuinte consistiu em negar que os repasses de valores para suas coligadas decorressem de mútuos e em afirmar que se enganou ao informar que os contratos eram de mútuo, pois na verdade seriam aportes para futuro aumento de capital, sendo que os contratos que entregou para o fiscal nem características de mútuo teriam. Além disso, pretendeu sustentar que a prova cabal de suas afirmações estaria no aumento de capital da Mabesa do Brasil SA, por meio da capitalização dos aportes feitos pela recorrente à titulo de adiantamento para futuro aumento de capital, ocorrida em 01/11/2005. Porém, com base nesses argumentos de defesa, o pedido de diligencia do contribuinte não pode ser atendido por não haver qualquer elemento que precise ser verificado, como se demonstrou acima. Ou seja, até o momento, o contribuinte não apresentou um único elemento capaz de suscitar dúvidas sobre a correção do lançamento. De outra banda, o lançamento está totalmente de acordo com o principio da verdade material e da legalidade. 0 contribuinte continua sua defesa, insistindo no seu argumento de que os repasses que efetuou para as controladas se destinavam a aumento de capital. Agora, afirma que juntou documentos na sua impugnação que demosntram isso claramente. Conforme o contribuinte, tais documentos também mostram que ele recebeu recursos do exterior e que repassou estes recursos para a sua controlada. 24 Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-C I Ti Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.122 Para facilitar a compreensão dos documentos que apresenta, explica que seu antigo nome era MPC Produtos para Higiene Ltda e que controla a Mabesa do Brasil SA, antes denominada Drypers do Brasil AS, e depois denominada Mabesa do Brasil Ltda, época em que incorporou a MPC Nordeste SA. Esclarece que seu principal acionista é uma empresa estrangeira cuja controladora é a Productos Internacionales Mabesa, que por sua vez controla a Stronger Corporation Sociedad Anônima e a Stronger Corporation. Enfatiza que "houve aportes regulares de capital, ou para futuro aumento de capital, provenientes do grupo no exterior, destinando os recursos para a Recorrente" e que "esta, por sua vez, repassava os recursos para as empresas acima descritas, todas do mesmo grupo". Afirma que "os repasses não dependeram de empréstimos tomados de terceiros, mas provieram de remessas para aumento de capital que não geram qualquer despesa dedutivel para a Recorrente". Diz que apresentou exemplos dessas remessas (proc. fls. 945 a 1033), escolhidos por amostragem, no item 11 da impugnação (proc. fls. 934 a 936 e 1928 a 1930). Faz expressa remissão a estes exemplos, indicando-os um a um (proc. fls. 2055 e 2056). Informa que pode ser verificado na sua contabilidade "a relação com remessas para aumento de capital de outros repasses para controlada". Os exemplos são os seguintes: - os R$ 1.200.000,00 recebidos por MPG Nordeste em 29 de janeiro de 2002 (doc. anexo) provierani de transferência efetuada por MPG Produtos para Higiene (doc. anexo), após crédito na conta-corrente bancária (doc. anexo) relativo ao contrato de câmbio no 02/003960 (doc anexo), cujo remetente foi Stronger Corp.; - os R$ 970.000,00 (R$ 900 mil + R$ 70 mil) creditados em 21 de marco de 2002 na conta-corrente bancária de Mabesa doBrasil (doc. anexo) provieram do contrato de câmbio n° 02/006516 (doc. anexo), tendo como remetente Stronger Corp., cujo valor foi creditado na mesma data na conta-corrente bancária de MPG Produtos para Higiene (doc. anexo); - ern 05 de julho de 2002, foi creditado em contacorrente bancária de MPG Produtos para Higiene a quantia de R$ 2.871.798,96 (doc anexo), proveniente do contrato de câmbio n° 02/015376 (doc. anexo), cujo remetente foi Productos Intemacionales Mabesa. Na mesma data, houve uni repasse para Mabesa do Brasil de R$ 2.830.000,00 (doc. anexo); - em 15 de julho de 2002, foi creditada em contacorrente bancaria de MPG Produtos para Higiene a quantia de R$ 858.849,55 (doe anexo), proveniente do contrato de câmbio n° 02/016175 (doc. anexo), remetido por Productos Intemacionales Mabesa. Na mesma data, foram transferidos para Mabesa do Brasil R$ 595.000,00 mais R$ 259.000,00 (does anexos); - em 29 de julho de 2002, foi creditado em contacorrente bancária de MPG Produtos para Higiene a quantia de R$ 5.317.117,21 (doa anexo), proveniente do contrato de câmbio n°- --, 25 Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 S I -C I T I Acórdão n.° 1101 -000.495 Fl. 2.123 021017475 (doa anexo), cujo remetente foi Productos Inteniacionales Mabesa. No dia seguinte, houve a transferência para Mabesa do Brasil de RS 4.951.000,00 (doc anexo); - em 19 de agosto de 2002, foi creditado em conta-corrente bancária de MPG Produtos para Higiene a quantia de R$ 308.616,38 (doc. anexo), proveniente do contrato de câmbio n° 02/019550 (doc. anexo), remetido por Stronger Corp. No dia seguinte, houve a transferência para Mabesa do Brasil de R$ 305.000,00 (does. anexo.$). Porém, também neste ponto da defesa, que se esperava revelador de algum fato que colocasse em dúvida o lançamento, até em razão da proposta de conversão do julgamento em diligência feita pela I. relatora, constata-se novamente a improcedência dos argumentos de defesa. Desta vez, a defesa é impertinente, não por uma, mais por diversas razões. Em primeiro lugar, este trecho da defesa também é improcedente porque ele consiste em apenas apresentar afirmações e documentos sem qualquer demonstração de como eles se conectariam com a infração ou mesmo com sua argumentação de defesa. Assim, é impossível verificar se os documentos realmente corroboram as afirmações do contribuinte. Na verdade, a única ligação, entre os elementos juntados na impugnação e a infração, é a própria afirmação do contribuinte de que esses elementos seriam suficientes para infirmar o lançamento. Ou seja, não lid um esforço de demonstração de que os exemplos de fato podessem influenciar a existência ou a quantificação da infração. Além disto, os documentos apresentados para os 6 exemplos dados no recurso são contratos de câmbio e extratos bancários, que apenas mostram a venda de moeda estrangeira e a transferência de valores. Só por isso, fica evidente que estes documentos são incapazes de comprovar as alegações do contribuinte. Além desta intrínseca insuficiência, não há nada no recurso que esclareça como estes documentos devem ser ponderados. Por exemplo: 1 0) não é explicado, para nenhum dos 6 exemplos dados, se eles estão ou não contabilizados, ou se foram contabilizados errados, ou em quais contas estariam contabilizados ou deveriam estar; 2°) também, não é explicado se as remessas recebidas do exterior eram para aumentar o capital na autuada ou eram para que a autuada aumentasse sua participação nas suas coligadas ou controladas; 3°) muito menos é apresentado qualquer documento que demonstre que as empresas no exterior controlam a vontade da autuada, ou de que a autuada tenha tido alguma deliberação, entre 1999 e 2002, no sentido de aumentar o investimento nas coligadas; 4 0) ainda, não foi apresentado qualquer documento deste aumento de capital, quer na própria empresa, quer nas controladas; 5°) muito menos foi apresentado algum elemento que comprovasse que o acionista no exterior remetia valores com a destinação especifica, para que a autuada aumentasse seus investimentos nas controladas; 6°) além disso, não foi esclarecido por quanto tempo os valores teriam ficado contabilizado como empréstimo e quando teria ocorrido o aumento de capital; 7°) inclusive, não foi sequer informado se foram contabilizados juros, ativos e passivos, referentes aos lançamentos correspondentes aos exemplos; 8°) etc. Portanto, os exemplos são dados pelo contribuinte sem um efetivo esforço de mostrar como eles se vincu m as alegações da defesa e, também por isso, são inóquos. 26 Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CI T1 Acórcido n.° 1101-000.495 Fl. 2.124 Mas, não é preciso enumerar as tão diversas deficiências deste trecho da defesa, para refutá-la. Apenas a falta de indicação das partidas e contrapartida que registrariam na contabilidade os 6 exemplos impede que se verifique se os exemplos de fato sustentam o que o contribuinte afirma. Por isso, esse trecho da defesa não deve ser considerado. No entanto, frise-se que, embora o recurso seja inapto para comprovar o que alega, é possível por outros meios demonstrar que os exemplos são irrelevantes para a autuação. Porém, é preciso destacar que cabia a defesa demonstrar inequivocamente a procedência de sua alegação e que, ao não fazê-lo, deixou a autuação incontroversa. A defesa deveria demonstrar e comprovar, no minim, como os 6 exemplos que deu corroborariam suas afirmações. Porém, ela não se preocupou em efetuar essa comprovação, se acomodando em citar algumas operações, sem demonstrar a forma como essas operações poderiam afetar a matéria em litígio. Deste modo, a única culpada desta ausência de demonstração é a própria recorrente e não cabe reverter para o Fisco a busca de explicações que não foram apresentadas pelo próprio contribuinte, nem na sua impugnação e nem no seu recurso. 0 processo administrativo não se presta a postergações desnecessárias, que poderiam ser causadas por uma conversão do julgamento em diligência, quando não há razão para tanto. Em segundo lugar, este trecho da defesa também é improcedente porque o contribuinte pretende efetuá-la apenas com a apresentação de uma "amostra" daquilo que diz demonstrar que tem razão. Mas, isso não é possível, já que não há base legal para tanto, pois no caso a amostra que apresentou não visa evidenciar um erro sistemático e quando muito poderia infirmar parcelas pontuais da autuação referente aos próprios elementos da amostra. Frise-se que no caso concreto, o lançamento decorre de milhares de fatos distintos, sendo cada um deles responsável por parte do valor lançado, e a amostra se refere a apenas 6 desses fatos. Ou seja, não é o caso da amostra demonstrar um erro na linha de entendimento, que pudesse afetar todo o lançamento. No caso concreto, a amostra apenas poderia demonstrar, e inclusive não consegue, alegados erros pontuais. No caso em julgamento, são milhares de lançamentos a débito e a crédito que compõem o saldo dos mútuos concedidos e dos empréstimos tomados e que dão azo ao lançamento. Apenas quanto aos mútuos concedidos, em atendimento a intimação, o contribuinte utilizou dezenas de páginas, para elencar os milhares de lançamentos feitos nas contas de mútuos concedidos (proc. fls. 38 a 86). Assim, mesmo admitindo-se apenas por hipótese que o contribuinte houvesse logrado nos seus 6 exemplos demonstrar fatos favoráveis aos seus argumentos (o que não foi o caso), todos os outros lançamentos contábeis na conta de mútuo permanecem sem contestação. Porém, o contribuinte vai mais longe e propõe reverter para o Fisco o ônus de prova que deveria ser seu. Isso porque, o contribuinte informa que, além da "amostra", existem "inúmeros outros" elementos que sustentam seu pleito e que, "caso haja necessidade", podem ser verificados pelo Fisco. No entanto, tal diligência não é necessária e nem seria possível admiti-la, pois os 6 exemplos dados na defesa só podem afetar aos pontos específicos a que se referem. Vale lembrar que o momento processual não é mais de auditoria. Está fase já foi concluída há muito. 0 Fisco já apresentou seu entendimento dos fatos e direito aplicável. /- 27 Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.125 Também, já foi superada a fase de defesa, onde cabia a apresentação de uma defesa exaustiva e conclusiva. Agora, a fase é de julgamento no CARF. Dessarte, de modo algum é admissivel que a defesa pretenda fazer uma defesa global por meio de amostra de casos pontuais e muito menos que pretenda reverter o ônus da prova, para que o julgador re-examine, por meio de diligência, se a totalidade dos casos diferem do afirmado no lançamento. É verdade que existem situações limites onde se pode entender que a demonstração de alguns pontos convençam ao julgador a um re-exame dos fatos por meio de diligência. Isso ocorreria nos casos em que a defesa demonstra, por um exemplo, um erro sistemático no lançamento, suscitando dúvidas no julgador sobre a totalidade do lançamento. Mas, isso não ocorre no caso concreto. No caso em julgamento, não há base legal para, a partir do exame da amostra, duvidar do universo de fatos que compõe a matéria tributável. Afinal, a amostra não é apta a demonstrar um erro presente do lançamento, pois quando muito poderia demonstrar erros pontuais e relativos aos próprios elementos da amostra (isso se lograsse êxito, o que não faz). Por isso, nada há para ser verificado em diligência e precluiu o prazo de apresentação de provas. Assim, os únicos pontos em litígio são os correspondentes aos 6 exemplos. Um exame do Decreto n° 70.235, de 1972, confirma a conclusão acima. 0 rito processual estabelecido no decreto define a discussão administrativa como um processo de julgamento, que visa o controle da legalidade do ato administrativo e que se coloca como um método alternativo de solução de litígios. Deste modo, o julgamento administrativo de lides fiscais não visa efetuar uma revisão do lançamento, entendida como aperfeiçoamento do ato. Ele apenas visa o julgamento do ato. Assim, as possibilidades do julgador buscar novas informações sobre os fatos objetos do lançamento são bastantes limitadas. Isso porque ele não está autorizado a investigar, mas apenas a julgar. Portanto a possibilidade de diligência é para atender dúvidas postas em razão do julgamento e não em razão de uma mente investigativa. Deste modo, por exemplo, caberia conversão julgamento em diligência quando a defesa lograsse suscitar dúvidas sobre os fatos objeto do lançamento, ou quando fosse possível haver erro do direito aplicado no lançamento, dependendo dos fatos efetivamente ocorridos. De qualquer modo, no que tange as possibilidades de pedir diligências, o julgador não pode substituir nem o Fisco e nem o contribuinte, naquilo que cabe a cada um provar. Assim, embora seja dificil definir os limites das possibilidades de conversão do julgamento em diligência, em termos teóricos, é evidente que no caso concreto não é possível esta conversão. No caso concreto, o contribuinte deveria provar ou que não emprestou recursos, ou que não tomou recursos emprestados, ou que efetuou as duas operações mas sem redução do seu resultado. Mas, apesar dele alegar, não conseguiu demonstrar nenhum destes aspecto. Ou seja, ao invés de exemplificar com amostras, o contribuinte deveria comprovar que todos os repasse que fez foram em seguida convertidos em aumento de capital, ou comprovar todos os repasses tiveram origem diversa dos empréstimos que tomou, ou provar que efetuou repasses de empréstimos sem que isso afetasse seu resultado. Ao se acomodar a apresentar apenas alguns exemplos, a contestação do contribuinte se limitou a estes exemplos. Por isso não cabe ao julgador pedir diligência para fazer aquilo que era papel da contribuinte fazer. 28 Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.126 Em terceiro lugar, este trecho da defesa também é improcedente porque as alegações genéricas do contribuinte, bem como seus exemplos que visam confirmá-las, não são suficientes para afetar as razões da autuação. Conforme se percebe neste item do recurso voluntário, o contribuinte faz algumas alegações gerais e apresenta 6 exemplos com os quais pretende comprovar essas alegações. Tais alegações são bem retratadas nas seguintes passagens: "... os recursos repassados a controlada tiveram como objetivo operações de aumento de capital ou remessas para futuro aumento de capital." ... "Houve aportes regulares de capital, ou para futuro aumento de capital, provenientes do grupo no exterior, destinando os recursos para a Recorrente. Esta, por sua vez, repassava os recursos para as empresas acima descritas, todas do mesmo grupo". "... os repasses não dependeram de empréstimos tomados de terceiros, mas provieram de remessas para aumento de capital que não geram qualquer despesa dedutivel para a Recorrente". Em resumo, o contribuinte apresenta dois argumentos: 1°) os valores repassados para as empresas ligadas foram enviados por acionistas estrangeiros, para este fim especifico e sem custo financeiro; 2°) a empresa repassou estes valores para as empresas ligadas, para aumento de capital ou futuro aumento de capital. Assim, cabe analisar cada um deles, bem como os exemplos que, conforme o contribuinte, os confirmariam. Um ponto a ser destacado é que, conforme o auto de infração, os repasses para as empresas ligadas ocorrem desde 1999, mas os exemplos apresentados pela recorrente se referem apenas a 2002. Deste modo, não é apresentado nenhum elemento de prova referente A. origem dos valores repassados nos anos de 1999 a 2001. Ou seja, sequer por amostragem, o auto é infirmado no período de 1999 a 2001. No que tange ao ano de 2002, para poder avaliar se os exemplos dados pelo contribuinte conseguem, ao menos parcialmente, comprovar suas alegações, é preciso considerá-los frente a situação apontada no auto de infração. Para isso, foi feita tabela com base nos anexos I e II apresentados pela fiscalização, indicando os saldos mensais dos mútuos concedidos, os saldos mensais das contas de passivo consideradas, e em quanto os mútuos superam os empréstimos: COLUNA 1 mútuos ativo (anexos I) COLUNA II empréstimos passivo (anexos II) COLUNA Ill repasses acima dos empréstimos jan/02 28.919.419,50 19.333.765,97 9.585.653,53 fev/02 28.919.419,50 19.382.685,97 9.536.733,53 mar/02 29.348.729,10 18.847.727,23 10.501.001,87 abr/02 31.620.231,46 19.657.457,38 11.962.774,08 mai/02 33.816.375.52 20.419.890,56 13.396.484,96 jun/02 41.889.824,46 17.068.498,00 24.821.326,46 jut/02 50.537.541,84 16.671.205,74 33.866.336,10 ago/02 54.504.878,71 17.154.977,51 37.349.901,20 set/02 55.144.710,89 19.344.710,61 35.800.000,28 out/02 53.310.488,24 20.666.616,66 32.643.871,58 nov/02 51.693.225,69 20.703.023,03 30.990.202,66 dez/02 51.972.415,56 14.712.940,47 37.259.475,09 29 Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Com isso em mente, cabe iniciar a análise dos exemplos dados pelo contribuinte, que são resumidos abaixo: 30 Processo n° 13971.000818/2004-29 S I-C 111 Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.127 Na tabela acima, fica evidente que se o contribuinte comprovasse, por exemplo para o mês de janeiro, que repassou até R$ 9.585.653,53 para as empresas ligadas, sendo a origem destes valores em transferências de sócios estrangeiros, isso ainda não seria suficiente para afetar o lançamento, pois sobrariam ainda R$ 19.333.765,97 de mútuos cuja origem estaria nos R$ 19.333.765,97 registrados no passivo. Já em relação a julho, para demonstrar que nenhum dos valores repassados (mútuos concedidos) implicaram em divida registrada no passivo, seria preciso que o contribuinte comprovasse recebimentos dos acionistas estrangeiro e repasses no montante de R$ 50.537.541,84. De outra banda, caso ele comprovasse apenas que R$ 33.866.336,10 são repasses de valores vindo sem custo do estrangeiros, isso não afetaria o lançamento, pois ainda haveria de explicar a origem de R$ 16.671.205,74. Então, cabe agora examinar os exemplos dados pelo contribuinte, para verificar se eles conseguem ou não colocar em dúvida o lançamento. Antes, no entanto, como o contribuinte não deu qualquer explicação sobre seus exemplos, que permitisse considerá-los da forma adequada, é preciso efetuar uma série de suposições. Por exemplo, o contribuinte não explicou em quais contas estavam contabilizados ou deveriam estar contabilizados os valores correspondente às remessas de acionistas estrangeiros, constante de seus 6 exemplos. Assim, não se sabe se tais valores estão ou não abrangidos pelas contas de passivo utilizadas pelo fiscal e que formam o saldo mensal acima mencionado (coluna II). Aumentando a confusão, o contribuinte disse que essas transferências do exterior seriam para aumento de capital na autuada, que se ocorreu de fato (o que não se sabe porque o contribuinte não apresentou nenhum elemento comprobat6rio) indicariam que esses valores não comporiam o passivo, mas sim o capital. Dentro deste quadro de dúvidas (causado pela insuficiência de prova da defesa), para dar seguimento a análise dos exemplos, cabe considerar as duas situações possíveis: ou as transferências estão consideradas nos saldos mensais individuais do anexo 11.4, totalizados nos saldos mensais da tabela acima na coluna II, referente ao passivo; ou não. Caso essas transferências não estejam consideradas nos saldos mensais de passivo, caberia reduzir o saldo de mútuos no montante das transferência, para efetuar a comparação com os empréstimos. Deste modo, apenas se os exemplos comprovarem o recebimento e transferência de valores superiores aos valores constantes da coluna III, na tabela acima, é que poderiam afetar o lançamento. Caso essas transferências estejam consideradas nos saldos mensais do passivo seria preciso retirá-las também da composição deste saldo. Assim, o saldo mensal do ativo e do passivo ficariam diminuídos do valor da transferência. Porém, considerando os saldos de mútuos e de passivo contantes da tabela, e considerando a afirmação do contribuinte de que as transferências dos acionistas no exterior não implicaram em despesas financeiras, apenas se os exemplos conseguissem zerar o saldo de passivo é que o lançamento seria afetado. Caso contrário, continuaria havendo mútuos concedidos acima dos montantes de empréstimos e as despesas financeiras totais não seriam afetadas, implicando no mesmo montante de glosa de despesa. Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.128 em 29/01/2002, acionista estrangeiro (Stronger Corp) envia para recorrente (Mabesa Ind Com, antiga MPC Prod Hig Ltda) 1.200.000,00, que envia para empresa ligada (MPC Nordeste) 1.200.000,00 em 21/03/2002, acionista estrangeiro (Stronger Com) envia para recorrente (Mabesa Ind Com, antiga MPC Prod Hig Ltda) 970.000,00, que repassa para empresa ligada (Mabesa do Brasil SA) 970.000,00 em 05/07/2002, acionista estrangeiro (Productos Internacionales Mabesa) envia para a recorrente (Mabesa Ind Com, antiga MPC Prod Hig) 2.871.798,96, que repassa para empresa ligada (Mabesa do Brasil SA) 2.830.000,00 em 15/07/2002, acionista estrangeiro (Productos Intemacionales Mabesa) envia para a recorrente (Mabesa Ind Com, antiga MPC Prod Hig) 858.849,55, que repassa para empresa ligada (Mabesa do Brasil SA) 854.000,00 em 29/07/2002, acionista estrangeiro (Productos Internacionales Mabesa) envia para a recorrente (Mabesa Ind Com, antiga MPC Prod Hig) 5.317.117,21, que repassa para empresa ligada (Mabesa do Brasil SA) 4.951.000,00 em 19/08/2002, acionista estrangeiro (Stronger Corp) envia para recorrente (Mabesa Ind Com, antiga MPC Prod Hig Ltda) 308.616,38, que repassa para empresa ligada (Mabesa do Brasil SA) 305.000,00 Assumindo por hipótese que o contribuinte houvesse de fato comprovado que as transferências tiveram o fito exclusivo de serem repassadas e que os repasses tivessem sido feitos para aumento de capital (o que o contribuinte não logra provar, como já se demonstrou), tem-se os seguintes valores transferidos e repassados, a serem considerados: R$ 1.200.000,00 em janeiro de 2002; R$ 970.000,00 em março de 2002; R$ 8.635.000,00 em julho de 2002; e R$ 305.000,00 em agosto de 2002. Considerando esses valores, quer as transferências estivessem ou não incluídas no passivo, em nenhum momento esses exemplos conseguiriam afetar o lançamento. A tabela abaixo compara os 6 exemplos acumulados mensalmente ao lado dos saldos mensais de ativo e passivo: COLUNA I mútuos ativo (anexos I) COLUNA II empréstimos passivo (anexos II) COLUNA Ill repasses acima dos empréstimos COLUNA IV transferências e repasses (6 exemplos) COLUNA V transferências e repasses acumulados jan/02 28.919.419,50 19.333.765,97 9.585.653,53 1.200.000,00 1.200.000,00 fev/02 28.919.419,50 19.382.685,97 9.536.733,53 970.000,00 2.170.000,00 mar/02 29.348.729,10 18.847.727,23 10.501.001,87 2.170.000,00 abr/02 31.620.231,46 19.657.457,38 11.962.774,08 2.170.000,00 mai/02 33.816.375,52 20.419.890,56 13.396.484,96 2.170.000,00 jun/02 41.889.824,46 17.068.498,00 24.821.326,46 2.170.000,00 j u1/02 50.537.541,84 16.671.205,74 33.866.336,10 8.635.000,00 10.805.000,00 ago/02 54.504.878,71 17.154.977,51 37.349.901,20 305.000,00 11.110.000,00 set/02 55.144.710,89 19.344.710,61 35.800.000,28 11.110.000,00 out/02 53.310.488,24 20.666.616,66 32.643.871,58 11.110.000,00 nov/02 51.693.225,69 20.703.023,03 30.990.202,66 11.110.000,00 dez/02 51.972.415,56 14.712.940,47 37.259.475,09 11.110.000,00 Conforme se observa na tabela, os montantes na coluna V são insuficientes tanto para zerar a coluna III (os excessos de repasses sobre os empréstimos) e também são insuficientes para zerar a coluna II (saldo mensal do passivo). Assim, independente das transferências estarem ou não englobadas no anexo 11.4 feito pelo fiscal, os 6 exemplos (mesmo que fossem comprovados como transferência sem custo e como aumento de capital 61 31 Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.129 nas empresas ligadas, o que não são) não chegam nem de longe a lançar dúvidas sobre o lançamento. Porém, para continuar o exame, cabe agora efetuar a análise considerando mais a miúde esses exemplos. Como se percebe, o contribuinte informa que as transferências de janeiro, fevereiro e agosto decorrem de contratos de câmbios da Stronger Corporatio, e as transferências de julho decorrem de contratos de cambio da Productos Internationale. As primeiras totalizam R$ 2.478.616,38 e as segundas totalizam R$ 9.047.756,72. Analisando-se o anexo 11.4 (proc. fl. 890), constata-se que não há conta de passivo referente a Stronger Corporation. Portanto, como não é apresentada qualquer prova de que a Stronger tenha participado do aumento de capital da autuada, não cabe considerar os valores com origem nela, para fins de sustentar as alegações do contribuinte. Por outro lado, constata-se que uma das contas de passivo circulante e outra do exigível a longo prazo do anexo 11.4 se chamam Productos Internationale. No entanto, o saldo nas duas contas, no mês de julho de 2002, é de R$ 2.799.544,70. Dessarte, embora os exemplos dados pelo contribuinte informem transferências da Producto Internacionales no montante de R$ 9.047.756,72, como não há qualquer prova de que tenha feito aumento de capital na autuada e como o saldo considerado no passivo é de apenas de R$ 2.799.544,70, os exemplos poderiam quando muito reduzir de R$ 2.799.544,70 do ativo e passivo, para fins de apuração da infração. Mas, isso não afetaria em nada a autuação. De fato, com essas considerações, os 6 exemplos só conseguiriam informar que se deveria desconsiderar do ativo e passivo, a partir de julho de 2002, o montante de R$ 2.799.544,70, o que é insuficiente para afetar a autuação. Também é preciso registrar (principalmente em razão da defesa dizer que as transferencias se destinavam, a aumento de capital na autuada, mas de não apresentar qualquer prova) que a explicação do porque no passivo em nome da Productos Internationale só exista um saldo de R$ R$ 2.799.544,70, enquanto o contribuinte junta exemplos que mostram transferências de R$ 9.047.756,72, é bastante simples. t que a lógica da autuação trabalha com os saldos das contas enquanto o contribuinte pretende refutar esta lógica informando transferências que foram creditadas nas contas junto a outros diversos lançamentos. Assim, fica evidente que para refutar a natureza de empréstimo do saldo, não bastariam exemplos, mas seria preciso que fosse comprovada a integralidade dos lançamentos a crédito nas contas de passivo, pois é evidente que existem lançamentos a débito, como mostra o saldo menor do que as transferências. Mesmo assim, frente a esta movimentação financeira constante, fica evidenciado que de modo algum se poderia dizer que o saldo se destinasse a aumento de capital. Assim, se percebe que, ainda sem olhar no detalhe os exemplos dados pelo contribuinte, é evidente que eles não conseguem fazer qualquer demonstração em favor da tese da defesa. Resta então, para esgotar a análise, considerar cada um dos documentos juntados, relativos aos 6 exemplos (proc. fls. 945 a 1033). Conforme mencionado, para comprovar suas alegações, o contribuinte junta apenas contratos de cambio e extratos bancários. Os contratos demonstrariam a origem do valor e os extratos demonstrariam a movimentação do valor até as empresas ligadas, o que, diga-se, é totalmente insuficiente para comprovar as alegações feitas na defesa. Os contratos informam que a finalidade da remessa é aumento de capital na autuada (proc. fls. 945, 959, 990, 994, 1.000 e 1.027). Em um leIes consta folha com a —7 32 Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.130 seguinte cláusula (proc. fl. 946): os recursos oriundos do presente ingresso de divisas destinam-se a imediata integralizacdo de capital do vendedor da moeda estrangeira não se tratando, portanto, de adiantamento para futuro aumento de capital, nem de investimento ponte, operações vedadas pelo Banco Central do Brasil, através da circular nr. 2487 de 06/10/94. Nos outros consta cláusula informando que o contrato se subordina as exigências legais e regulamentares (proc. fl. 960, 991, 995, 1.001 e 1.028). 0 primeiro é datado de 29/01/2002 e o valor em moeda nacional é de R$ 4.812.000,00. 0 segundo é de 21/03/2002 e o valor em moeda nacional é de R$ 2.225.660,00. 0 terceiro é datado de 05/07/2002 e o valor em moeda nacional é de R$ 2.872.000,00. 0 quarto é datado de 15/07/2002 e o valor em moeda nacional é de R$ 859.050,00. 0 quinto é datado de 29/07/2002 e o valor em moeda nacional é de R$ 5.317.430,00. 0 sexto é datado de 19/08/2002 e o valor em moeda nacional é de R$ 309.080,00. Apenas considerando os valores dos contratos e os valores informados nos 6 exemplos, se percebe que eles diferem bastante. Além disso, se nota que todos os contratos são entre os sócios estrangeiros e a autuada, de sorte que, se de fato a destinação prevista nos contratos fosse obedecida, estaria demonstrado o aumento de capital na autuada, mas não nas empresas ligadas e beneficiadas pelos repasses. Assim, os contratos não se prestam a comprovar a alegação de que houve aumento de capital nas empresas ligadas. Mas, é preciso ter em mente que, mesmo que as transferências tenham sido declaradas ao Banco Central como destinada a aumento de capital na autuada, nada comprova que isto tenha ocorrido. Nesse sentido, o contribuinte não juntou qualquer documento, como ata de assembleia, que demonstrasse ter havido aumento de capital. Por outro lado, todas as provas (inclusive a comparação do total de transferências em julho de 2002 feitas pela Producto Internationale conforme os exemplos dados pelo contribuinte e o saldo da conta de passivo) evidenciam que se tratavam de empréstimos. Ainda é possível efetuar comparações entre as movimentações demonstradas pelos extratos juntados aos exemplos e a movimentação de ingressoss e saídas de recursos das contas de mútuos com as empresas ligadas, que foram fornecidas pelo contribuinte em atendimento a intimação. Essa comparação comprova que os repasses para empresas ligadas eram feitos como transferências provisórias de recurso, com natureza de empréstimo, já que ao lado delas existem devoluções. Também por isso os documentos juntados aos exemplos não servem para comprovar as alegações do contribuinte, mas ao contrário só servem para demonstrar sua improcedência. Em resumo, os exemplos apresentados neste trecho da defesa não comprovam as alegações do conbuinte, ao contrário, as infirmam, e essas alegações, mesmo que fossem comprovadas no limite dos exemplos dados, não afetariam o lançamento. Portanto, este ponto do recurso voluntário não é capaz de suscitar qualquer dúvida sobre a autuação e muito menos motivar uma diligência. 0 recurso do contribuinte ainda apresenta outras alegações. Na sequencia, ele analisa os anexos I e II (de 1 a 4) e, ao constatar que os saldos globais mensais do anexo I não mantem uma correlação exata com os saldos do anexo II, argumenta que "não ha qualquer vincula ção dos repasses com os empréstimos ou financiamentos tomados de terceiros pela Recorrente". Conclui que "a incidência pretendida nos Autos de Infração impugnados não podem prevalecer, devendo ser reformado o Acórdão recorrido qu manteve os lançamentos". 33 Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.131 Também aqui o contribuinte está equivocado. A premissa da qual ele parte (não haver uma determinada correlação entre os saldos dos mútuos e dos empréstimos, de sorte que existem períodos que enquanto o saldo de um sobe o do outro desce), não permite a conclusão a que ele chega. As razões da autuação e a mecânica de quantificação das despesas desnecessárias, não exigem uma correlação, mas a simples concomitância acompanhada de despesas financeiras maiores que receitas financeiras. 0 contribuinte ainda alega que o Fisco não pode se imiscuir na gestão da empresa e que por isso as glosas devem ser canceladas. Porém, novamente, o contribuinte opera em erro. A fiscalização não afetou a gestão da empresa, mas apenas se manifestou (e corretamente) sobre os efeitos fiscais desta gestão. 0 reclamante também diz que a fiscalização partiu de suposições e que não se pode exigir uma prova negativa do contribuinte. Afirma que, enquanto o Fisco não comprovou a infração, seu recurso demonstrou não haver vinculo entre os repasses e empréstimos e provou que os repasses eram para aumento de capital. Conclui que o lançamento deve ser cancelado Porém, conforme a presenta análise, a situação é exatamente oposta a essa percepção do contribuinte. De um lado o lançamento se baseia em uma análise razoável da situação constatada e está robustamente comprovada pelo Fisco, e de outro lado a defesa não logra nem comprovar suas alegações e estas, mesmo que fossem comprovadas, não teriam o condão de infirmar a autuação. Por fim, é relevante notar que, aparentemente, a razão de ser da proposta de conversão do julgamento em diligência da I. Relatora decorre da percepção de que existe nas contas de passivo apontadas pela fiscalização (anexos II) uma conta com nome de uma das empresas que remeteria valores do exterior sem cobrar qualquer encargo (Productos Internationale). Mas, se é esta a razão da proposta, ela não procede pois em todos os anos existem outras contas de passivo com saldos. Assim, mesmo que o contribuinte durante a diligência conseguisse demonstrar que todo o saldo das contas de passivo da empresa no exterior correspondesse a remessas feitas sem qualquer custo, o lançamento se manteria. A bem da verdade, se fosse possível a reformatio in pep's, tal hipotética demonstração, implicaria em um aumento do lançamento. Isso porque, reduzindo-se o saldo do passivo e mantendo-se os demais dados, a proporcionalização das despesas financeiras indicariam um maior montante a ser comparado com as receitas, com o consequente aumento das despesas glosadas por não serem necessárias. Por todas razões acima expostas, voto pela não necessidade de baixar o processo em diligência e pela improcedencia do recurso no que tange a glosa de despesas financeiras. Quanto ao lançamento da multa isolada, o contribuinte afirma que elas não podem ser cumuladas com as multas proporcionais e que só podem ser aplicadas quando o contribuinte deixe de cumprir obrigação tributária sem que deste ato resulte pagamento a menor de tributo. Adiciona que a aplicação das duas multas implica em violação dos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade. Sobre esta questão, o contribuinte não tem razão pois as hipóteses de incidências das duas multas não se excluem. Cabe a transcrição de voto anterior, em que tratei da questão: 34 Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.132 A lide versa sobre a possibilidade da cobrança da multa isolada em conjunto com a multa pelo não recolhimento/declaração. A base legal da penalidade, art. 44 da lei n°9.430, de 1996, na sua redação original, é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e 170s de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis ,¢ 1° As multas de que trata este artigo semi() exigidas: I -juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente; Já a redação atual do art. 44, da lei n° 9.430, de 1996, é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: L I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente„ sobre o valor do pagamento mensal: z. b) na forma do art. 22 desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Conforme se depreende da leitura dos dispositivos transcritos, quer na sua forma original, que na sua redaVi atual, o art. 44 35 Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA • •• Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.133 da Lei n° 9.430, de 1996, previa a aplicação das duas multas, sem n qualquer restrição a aplicação concomitante. Urna é aplicada cm razão do não pagamento/declaração e a outra é aplicada em razão da não antecipação das estimativas. Selo multas diferentes, incidindo cio hipóteses diferentes. De modo algum as duas multas incidem sobre o mesmo fato. Elas punem violações distintas. Não obstante a diferança das duas multas, pode ocorrer situações em que coexistam o suporte fótico de ambas. Nesses casos, a administração deve aplicar as duas multas, já que a atividade de lançamento é vinculada a lei, como é a de julgamento. Também cabe enfatizar que a coexistência das duas multas em nada fere qualquer disposição constitucional. Por isso, nenhum dos argumentos do contribuinte neste sentido são pertinentes. Ademais, de uni lado se presume a constitucionalidade das lei e de outro a Administração não pode afastar a aplicação da lei, por entendê-la inconstitucional. Por estas razões, voto pela improdecencia do recurso também em relação a multa isolada. Em conclusão, voto por não reconhecer a nulidade da decisão recorrida, pela não necessidade de converter o julgamento em diligência, e pela improcedencia do recurso no que tange a glosa de despesas financeira e aplicação da multa isolada. Sala das Sessões, 29 de junho de 2011 Carlos Eduardo de Alineida Guerreiro 36 Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.134 Voto Vencedor BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR — Redator designado Da concomitáncia das multas de oficio, banda uma, e das multas isoladas decorrentes do não recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL, banda outra Como é de conhecimento de todos os que operam na esfera fiscal, os recolhimentos mensais estimados configuram mero adiantamento de numerário aos cofres públicos, com vistas à consecução do desiderato governamental de manutenção da homogeneidade da arrecadação, dentro do mesmo ano-calendário. Os fatos geradores do IRPJ e da CSLL, anualmente apurados, são, nesse cenário, reputados complexivos, eis se aperfeiçoarem fictamente em um único Limo, identificado ao último dia do exercício fiscal. No momento em que se esgota o período de apuração anual, tem-se, pois, o efetivo deslinde das bases de cálculo pertinentes, com o desvelo do montante de exação a ser recolhido. Em tal ocasião, deixam os recolhimentos antecipados de ter qualquer função, salvo no que se refere ao cotejamento de eventuais cifras a serem pagas (saldo positivo) ou a serem restituidas ou compensadas (saldo negativo). Noutras palavras, tão logo findo o exercício, há apenas de se aventar a cobrança do tributo complexivamente computado, deixando de ser importante eventual inadimplemento dos pagamentos mensais estimados. Ora, se não pode ser cobrado qualquer valor estimado, é evidente que não se faz possível, da mesma maneira, imputar sanções pecuniárias derivadas do não pagamento tempestivo. Seria ilógico punir o sujeito passivo, por força da falta de antecipação de tributo, depois de já se ter certeza da inexistência de exação complexiva a ser quitada. A multa isolada ora lançada, pois, é incabível. 0 entendimento ora exposto vigora, a pleno vapor, no seio deste colegiado, consoante se pode depreender das elucidativas ementas adiante transcritas: "MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS — A muha isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2° da Lei n° 9.430/96 não tem lugar quando aplicada após o encerramento do exercício, sendo apurado prejuízo ou base de cálculo negativa. Outrossim, descabe a concomitância da referida multa com a proporcional ao imposto devido, tendo ambas as multas se baseado nos mesmos .fatos, sob pena de aplicar-se dupla penalidade sobre uma mesma infração." (Ac. 1 0 CC — 107-09.191/07) 37 Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 13971.000818/2004-29 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.495 Fl. 2.135 "IRPJ — MULTA ISOLA DA - FA LTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - PREJUÍZO FISCAL - Após o encerramento do ano calendário, a base de cálculo para efeitos de aplicação da multa isolada tem como limite o saldo do tributo a pagar na declaração de ajuste, não sendo cabível, portanto, a sua imposição na inexistência de base tributável." (Ac. 1° CC — 104- 23.583/08) Imperioso, pois, o cancelame , das penas isoladas lançadas. BENEDICTO LELSOIBENICIO JUNIOR 38 Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA
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Numero do processo: 36266.007293/2005-03
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2005
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO.
Nos casos de tributos sujeitos o lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 -A do Regimento Interno do CARF.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência.]
LIEGE LACROIX THOMASI
Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA (Presidente), LIEGE LACROIX THOMASI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANA SATO E ADRIANO GONZALES SILVÉRIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos o lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 -A do Regimento Interno do CARF. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos o lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 72 93 /2 00 5- 03 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência.] LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA (Presidente), LIEGE LACROIX THOMASI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANA SATO E ADRIANO GONZALES SILVÉRIO. Relatório Peço licença para colacionar ao presente excerto do relatório constante da DN n. 21.002/0133/2006 – fls. 160/163: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (Mandado de Procedimento Fiscal —Fiscalização n.° 09267438, de 04/10/2005), contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 112/115), elaborado pela Auditora Fiscal da Previdência Social — AFPS MARIA DO CARMO SILVA, matricula SIAPE n°. 1.259.793, correspondente à contribuição patronal, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, inclusive o adicional previsto no § 6° do art. 57, da Lei n°. 8.213/91, e as destinadas a terceiros: SalárioEducação, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Serviço Social da Indústria (SESI), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e Serviço Brasileiro de Apoio ás Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos empregados e contribuintes individuais, referentes ao período de 01/1997 a Fl. 379DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 36266.007293/200503 Acórdão n.º 2302002.009 S2C3T2 Fl. 15 3 06/2005, no montante de R$ 1.018.083,39 (um milhão, dezoito mil e oitenta e três Reais e trinta e nove centavos), consolidado em 11/11/2005. 2. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 112/115), a presente notificação é constituída pelos seguintes levantamentos: FP — contém as contribuições patronais devidas pela empresa nas competências 01/1997, 02/1997, 04/1997 a 13/1998, não recolhidas em época própria à Seguridad * FPG — abarca as contribuições patronais declaradas em GFIP pela Notificada, inclusive o adicional do GILRAT, não recolhidas à Previdência Social nos prazos legais estabelecidos; 3. 0 crédito previdenciário em comento foi apurado com base na análise das folhas de pagamento, das GFIP e da escrituração contábil. 4. A Notificante afirma que, para o período de 01/1995 a 06/1997, o enquadramento e a cobrança dos valores devidos a titulo de acidente de trabalho foram realizados com base na tabela de códigos de acidente de trabalho, sendo que o código relativo à atividade da empresa é 1191004, o que enseja a aplicação da aliquota de 3% (três por cento). Já para o período posterior a 06/1997, o referido enquadramento foi empreendido com base no Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE) constante do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), qual seja, 31.52600, cujo grau de risco é de 3% (três por cento). 5. A contribuição adicional ao GILRAT, prevista no art. 57, § 6°, da Lei n°. 8.213/91, foi apurada com base nas informações prestadas em GFIP, fundadas em laudo técnico exigido pelo Ministério do Trabalho. 6. As Guias da Previdência Social — GPS apresentadas pela empresa supraepigrafada, constantes dos sistemas informatizados da Previdência Social, foram deduzidas das contribuições previdenciárias apuradas pela fiscalização. 7. Para o correto esclarecimento da Impugnante, também fazem parte da presente NFLD os anexos Discriminativo Analítico do Débito DAD (que contém bases de cálculo e contribuições em valores originários), Discriminativo Sintético do Débito — DSD (que contém as contribuições em valores originários, os acréscimos legais, totais por competência e total geral), Relatório de Documentos Apresentados — RDA (que contém todas as guias de recolhimento apresentadas à fiscalização, bem como eventuais créditos da empresa), Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados — RADA (que contém as apropriações dos documentos apresentados e constantes do Anexo RDA), Relatório de Lançamentos — RL e Fundamentos Legais do Débito — FLD. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 DA IMPUGNAÇÃO 8. Tempestivamente, conforme informação prestada por ISABEL LUISA N. SANTOS (fls. 158), a empresa em comento impugnou a notificação, por meio do instrumento (fls. 117/144), protocolizado sob o n°. 36266.007293/200503, acompanhado dos seguintes documentos: procuração outorgada aos advogados do escritório Coelho, Morello e Bradfield Advogados Associados (fls. 145) e cópias reprográficas de Alterações do Contrato Social da Autuada (fls. 146/156), alegando, em síntese, que: 8.1. Inicialmente, a contribuição previdenciária supostamente incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais, fundada no art. 1° da Lei Complementar n°. 84/96, revelase inconstitucional, pois apenas com a edição da Emenda Constitucional n°. 20 é que poderia ser instituída a referida exação. 8.2. A contribuição previdenciária destinada aos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa e seu respectivo adicional para financiamento da aposentadoria especial aos 25 anos também se revelam inconstitucionais. Na realidade, a norma inserta no inciso II do art. 22 da Lei n°. 8.212/91 permite a incidência de apenas uma contribuição para o financiamento tanto da aposentadoria especial quanto da incapacidade laborativa. Ademais, o art. 195, inciso I, da Magna Carta, é cristalino ao estabelecer que apenas uma única contribuição incidente sobre a folha de salários pode ser instituída e, portanto, são inconstitucionais as contribuições do GILRAT e seu adicional. 8.3. No tocante à contribuição destinada ao salárioeducação, é flagrante sua inconstitucionalidade, pois a delegação de competência prevista no Decretolei n°. 1.422/75 não possuía respaldo na Emenda Constitucional 01/69, não podendo ser recepcionada pela Constituição Federal de 1.988 por afronta ao novo Sistema Tributário Nacional, especialmente por afronta ao principio da legalidade. 8.4. Ainda em relação à contribuição destinada ao salário educação, verificase que em função do disposto no art. 25 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias — ADCT, o Decreto n°. 1.422/75 restou revogado após 180 (cento e oitenta) dias da promulgação da Constituição Federal, sendo indubitável que a edição da Lei n°. 9.424/96 evidencia a referida revogação. 8.5. Ademais, como a Carta Política de 1988 qualificou a folha de salários como base de cálculo de um único tipo de contribuição social, a própria Constituição Federal exclui sua utilização por outro tipo de tributo, como o salárioeducação. 8.6. A contribuição destinada ao SEBARE também deve ser afastada. Em verdade, esta contribuição não se revela um mero adicional aos valores devidos ao SESC/SENAC ou ao SESI/SENAI, pois constitui contribuição autônoma. Deste modo, em se tratando de nova contribuição, é imperiosa a veiculação da exação em tela por meio de lei complementar, o que inocorreu. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 36266.007293/200503 Acórdão n.º 2302002.009 S2C3T2 Fl. 16 5 8.7. Além disso, em função das contribuições sociais de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como a destinada ao SEBRAE, terem o escopo de conferir um beneficio especifico a determinado grupo ou categoria, apenas estes beneficiários é que devem ser compelidos a recolher estas contribuições. Como o SEBARE visa unicamente satisfazer os interesses das micro e pequenas empresas, apenas estas é que devem ser compelidas a recolher a contribuição destinada ao SEBRAE. Logo, como a Defendente não é micro ou pequena empresa, revelase absurda a cobrança da contribuição destinada ao SEBRAE constante da presente notificação. 8.8. A contribuição destinada ao INCRA também deve ser excluída da lavratura em comento, pois a Lei Complementar n°. 11/71 não foi recepcionada pela Constituição Federal vigente, em função da unificação da previdência social e urbana. Em adição a isto, houve cerceamento do direito de defesa do Notificado, pois a indicação de que a Lei n°. 2.613/65 funda a exação em tela é incorreta, já que a Defendente não encontrou este dispositivo legal em consulta ao sistema informatizado da Presidência da República. Outro obstáculo ao exercício da ampla defesa referese à citação de que a Lei n°. 4.863/65 funda a exação destinada ao INCRA, vez que este diploma legal não normatiza relações tributárias referentes a esta contribuição. 8.9. Em função do principio da verdade material, o Defendente propugna pela imparcialidade da autoridade julgadora, sob pena de afronta ao principio da moralidade administrativa. 8.10. A imposição cumulativa de multa de mora e juros de mora é inconstitucional e abusiva, pois prevê que para um mesmo fato sejam aplicadas duas penas, o que configura bis in idem. 8.11. A multa aplicada é elevadíssima, caracterizando verdadeiro confisco, violando o disposto no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Os ensinamentos de Sacha Calmon Navarro são transcritos como reforço da argumentação. 8.12. A aplicação de juros moratórios equivalentes à taxa SELIC não pode prosperar, pois a referida taxa é verdadeira remuneração pelo custo do dinheiro, não possuindo natureza indenizat6ria. Ademais, como a instituição da taxa SELIG não obedeceu ao principio da legalidade, pois foi veiculada por circular do Banco Central do Brasil, sua aplicação em percentuais superiores a 1% a.m. (um por cento ao mês) fere o o disposto no art. 161, § 1°, do CTN. 8.13. Noutro giro, a inclusão dos sócios gerentes na Autuada como coresponsáveis pelo crédito previdenciário constituído pelo presente notificação é ilegal. Na realidade, o Código Tributário Nacional — CTN possibilita a inclusão de pessoas físicas como coresponsáveis pelos débitos havidos por pessoas jurídicas, desde que o devedor principal não possua condições de arcar com o tributo ou mediante prova inequívoca de que os Fl. 382DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 administradores da empresa agiram com fraude à lei, ao estatuto ou ao contrato social. 8.14. Deste modo, o Fisco só tem o direito de exigir do sócio o adimplemento da obrigação tributária se, e somente se, este agir com ingerência, que não se confunde com o inadimplemento de obrigações tributárias. Neste diapasão, ressaltese que a responsabilidade tributária dos administradores é subjetiva, conforme teor do art. 135 do CTN, o que exige que deve ser provado pela Administração Pública que a falta do pagamento de tributo devido decorre da prática de ato ilícito cometido exclusivamente pelo administrador. Como reforço deste entendimento, a Defendente cita excerto do voto proferido pelo Ministro José Delgado, no julgamento do Resp n°. 100.739SP. 8.15. 0 pedido é pela anulação da notificação. Em caráter eventual, a Defendente pleiteia a exclusão dos acréscimos moratórios e a exclusão das pessoas físicas como co responsáveis. Em 11/11/2005, a DRP em São PauloNorte julgou procedente a notificação [fls. 159/179]. O Sujeito Passivo foi intimado do decisum em 09/06/2006 [fl. 182], tendo interposto recurso voluntário em 10/07/2006 [fls. 185/216]. Em síntese, reiterou os argumentos dispostos na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 36266.007293/200503 Acórdão n.º 2302002.009 S2C3T2 Fl. 17 7 direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõe se a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, tem se que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Desse modo, ao observar o caso concreto trazido a esta câmara superior de julgamento, notase que à recorrente assiste razão quanto ao seu inconformismo no que se refere à fundamentação do acórdão recorrido. De acordo com o julgado, foi suscitada a decadência do crédito tributário com base no disposto no art. 150, § 4º do CTN. Senão vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [g. n.] No entanto, conforme se o observa no precedente vinculante do Superior Tribunal de Justiça, deverseá aplicar o disposto no art. 173, I do CTN quando do cálculo do prazo quinquenal, mesmo nos casos de lançamento por homologação. Nos casos em que há Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 36266.007293/200503 Acórdão n.º 2302002.009 S2C3T2 Fl. 18 9 recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso, consta recolhimento/antecipação de pagamento. Logo, deve ser aplicado a contagem disposta no §4º, do art. 150, do CTN. Ato contínuo, restam fulminadas pela decadências as competências anteriores a 10/2000, inclusive, haja vista que a ciência do sujeito passivo ocorreu em 11/11/2005. MÉRITO Ao contrário do afirmado pela recorrente, a fiscalização não tem que identificar um por um os segurados, pois os valores foram encontrados nos documentos elaborados pela própria autuada. Os valores foram retirados das folhas de pagamento e da GFIP que são registros elaborados da própria recorrente. Assim, já é de conhecimento da recorrente quais foram os segurados que ela própria remunerou. Os fatos já se encontram provados pela fiscalização, pois os valores recolhidos não foram suficientes para cobrir o crédito tributário. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, chegando ao ponto de o STF ter publicado o verbete de Súmula de n ° 732, nestas palavras: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. A legislação que lastreia a cobrança da contribuição social do Salário educação encontrase discriminada às fls. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdadesregionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. Em relação às contribuições destinadas ao Sebrae as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 36266.007293/200503 Acórdão n.º 2302002.009 S2C3T2 Fl. 19 11 das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 36266.007293/200503 Acórdão n.º 2302002.009 S2C3T2 Fl. 20 13 A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Não possui natureza de confisco a exigência da multa pelo atraso, tendo previsão expressa no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. É bem verdade que o art. 35 da Lei n º 8.212 foi alterado por meio da Medida Provisória n º 449, tendo, inclusive, sido acrescentado o art. 35A à Lei n º 8.212. Assim, a partir da MP n º 449, convertida na Lei n º 11.941, há que se diferenciar se os valores constaram ou não em lançamento de ofício. Se não houver lançamento de ofício e o contribuinte recolher espontaneamente os valores devidos aplicase a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212, caso os valores tenham sido apurados por meio de lançamento de ofício, aplicase o disposto no art. 35A da Lei 8.212. In casu, os valores constam em lançamento de ofício. Atualmente, para esses casos, deve ser observada a multa prevista no art. 44 da Lei n º 9.430 de 1996, que prevê aplicação de multa de no mínimo 75%. Desse modo, foi correta a aplicação da multa pelo órgão fazendário, não cabendo alteração do lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer a decadência do lançamento relativo às competências anteriores a 10/2000, inclusive, em atenção ao disposto no art. 150, §4º, do CTN. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 391DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13896.000475/00-93
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.039
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber Joasé da Silva (Presidente) José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo G. Barbieri, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 12/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13896.000475/0093 Acórdão n.º 330200.039 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório do acórdão DRJ/RPO 1415676, de 26 de abril de 2007: A contribuinte solicitou o ressarcimento de IPI (fl. 01), de 09/06/2000, no valor total de R$ 510.000,00, referente a insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação, com amparo no art. 4º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, no art. 1º, § único, do Decreto nº 792, de 2 de abril de 1993, e na Portaria Interministerial MF/MCT nº 273, de 1993, relativamente ao 1º trimestrecalendário de 2000. Pedidos de compensação às fls. 89/90, formalizados em 27/12/2001. A DRF em Sorocaba, mediante despacho decisório exarado em 30/12/2004 (fls. 185/197), indeferiu o pedido de ressarcimento com base na informação fiscal de fl. 184, em que restou constatado que a interessada não cumprira a obrigação prevista na legislação (Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, art. 11; Decreto nº 792, de 1993, art. 7º, § 2º), ficando sujeita às penalidades previstas (Lei nº 8.248, de 1991, art. 9º; Decreto nº 792, de 1993, art. 10), em face das informações repassadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em pareceres técnicos (fls. 122/152 e 165/178); de acordo com o artigo 2º das Portarias Interministeriais nº 557 e 558 (fls. 68/69), de 14/12/1999, a concessão do incentivo da isenção deve ser tornada sem efeito em virtude da sobredita falta de cumprimento das condições normativas e, assim, considerada a saída tributada dos bens de informática com o afastamento da isenção, inexiste saldo credor a ser ressarcido. Cientificada somente em 09/10/2006, conforme AR nos autos, a postulante apresentou, em 31/10/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 209/226, subscrita pelo respectivo procurador, Sr. José Roberto Tomicioli Pereira, qualificado no instrumento legal de fls. 241/242, alegando, em resumo, o seguinte: Houve a homologação tácita das compensações por decurso do prazo de 5 (cinco) anos do vencimento dos tributos compensados (14/09/2001), já que a intimação do teor do despacho decisório ocorreu apenas em 10/10/2006; O Parecer Técnico do MCT foi considerado pela autoridade fiscal como uma decisão final desse órgão, o que não era; sem contestar o Parecer Técnico, a interessada resolveu propor o parcelamento do saldo de investimentos não realizados, porém, em ofício datado de 08/04/2005, o órgão competente não acatou a proposta de quitação do saldo devedor; o referido ofício deve ser considerado nulo por flagrante infração ao disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, arts. 56 e 57; o MCT deixou de comunicar a Receita Federal sobre a pendência do “recurso” e deixou de esclarecer que a manifestante vem cumprindo o parcelamento proposto; há pedido de reconsideração em relação ao ofício (reproduzido na manifestação de inconformidade e com cópia às fls. 464/469), sem decisão final até o momento, cujas razões foram adotadas para caso idêntico pela Consultoria Jurídica do MCT; Os fundamentos para o despacho decisório foram superados, primeiramente com a Lei nº 11.077 de dezembro de 2004, e depois com o Decreto nº 5.906, de 26 de setembro de 2006, devido à regulamentação do parcelamento do saldo de investimento em pesquisa e desenvolvimento (parcelamento do suposto débito em 48 meses e previsão de recurso contra Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 12/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13896.000475/0093 Acórdão n.º 330200.039 S3C3T2 Fl. 3 3 decisão que indefere o parcelamento); além disso, teria ocorrido o adimplemento antecipado do parcelamento em setembro de 2006 (fls. 505/510); Por fim, o despacho decisório deve ser reformado para que sejam deferidos o ressarcimento e a compensação pleiteados, com o cancelamento de eventuais cartas de cobrança; ou, alternativamente, deve ser suspenso o trâmite do presente processo até ulterior manifestação do MCT/SEPIN, sob pena de nulidade do procedimento administrativo tendo em vista a pendência de recurso; subsidiariamente, deve ser aplicada a regra da homologação tácita em 5 anos prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 74; todos os meios de prova devem ser admitidos; há a suspensão da exigibilidade dos débitos em virtude da apresentação da manifestação de inconformidade, conforme a Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 11. A DRF em Sorocaba, mediante acórdão n° 1415.676, exarado em 30/12/2004 (fls. 588/595), indeferiu, por unanimidade de votos, o pedido de ressarcimento com base na informação fiscal de fl. 184, em que restou constatado que a interessada não cumprira a obrigação prevista na legislação (Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, art. 11; Decreto nº 792, de 1993, art. 7º, § 2º), ficando sujeita às penalidades previstas (Lei nº 8.248, de 1991, art. 9º; Decreto nº 792, de 1993, art. 10), em face das informações repassadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em pareceres técnicos (fls. 122/152 e 165/178); de acordo com o artigo 2º das Portarias Interministeriais nº 557 e 558 (fls. 68/69), de 14/12/1999, a concessão do incentivo da isenção deve ser tornada sem efeito em virtude da sobredita falta de cumprimento das condições normativas e, assim, considerada a saída tributada dos bens de informática com o afastamento da isenção, inexiste saldo credor a ser ressarcido. Diante da decisão proferida, inconformada, a requerente interpôs recurso voluntário em 06 de junho de 2007, alegando em síntese, que deve ser reconhecido o Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SAORT/Nº 005/2005 deve ser revisto e reconsiderado, conforme sumário abaixo: A autoridade fiscal decidiu com base no Parecer Técnico, sendo claro que o mesmo não era definitivo, final e conclusivo; O Despacho Decisório ignorou o fato de que o OFICIO/GAB/SEITEC Nº 218/2003, datado de 05 de dezembro de 2003, que encaminho o Parecer Técnico para a Manifestante, ofereceu à Manifestante a alternativa de contestar ou propor quitação do saldo devedor, inclusive com a possibilidade de parcelar o débito em 48 meses; a Manifestação elegeu apresentar uma proposta de quitação, a qual ainda aguarda manifestação do órgão competente; O decisão do MCT, conforme o OFÍCIO/GAB/SEPIN Nº 108/2005, de indeferir a proposta de quitação feita pela Manifestante, é nulo e destituído de eficácia, por infringir dispositivo da Lei nº 9.784/99 (Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), bem como o art. 4º da Lei 11.077/04, que concedeu às pessoas em situação idêntica à da Manifestante o direito a um parcelamento, que não poderia ser imotivado recusado, e que será objeto de apreciação em razão de recurso de pedido de reconsideração interposto nos termos dos artigos 56 e 57 da Lei 9.784/1999; A própria consultoria jurídica do MCT (Advocacia Geral da União) reconhece a ilegalidade do referido Oficio, conforme o PARECER CONJUR/MCTACF Nº 137/03 e 37/2005, que recomenda de forma expressa que “ (...) deve a SEPIN dirigir Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 12/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13896.000475/0093 Acórdão n.º 330200.039 S3C3T2 Fl. 4 4 expediente à Secretaria da Receita Federal solicitando seja suspensa a aplicação da penalidade (...), bem como que a decisão deve ser revista, em relação “(...) a todos os casos que se encontrem em igual situação jurídica, oportunizandose aos interessados que possam formular o pedido de quitação, nos termos da legislação aplicável”. Além da falta de decisão final sobre o pedido de reconsideração (doc. 09 da Impugnação), o parcelamento foi totalmente quitado pela Manifestante, conforme documentos 11, 12 e 13, garantindo de vez o beneficio de isenção de IPI; e Além da recente total quitação do investimento em P&D, mais recentemente ainda foi regulamentado o parcelamento de contribuintes que estivesse em dívida pelo Decreto nº 5.906/2006, prevendo até mesmo recurso contra indeferimento de parcelamento, ou seja, jamais poderia se considerar que o benefício da isenção de IPI já teria ocorrido. Diante do exposto, a Recorrente pleiteia ao final de sua peça pelo reconhecimento e procedência da manifestação de inconformidade do presente recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Cumpridas todas as formalidades processuais, de acordo com a legislação que rege a matéria e tendo o contribuinte ingressado com recurso voluntário no prazo legal, dele tomo conhecimento. Passo agora a analisar a demanda, com base no que foi alegado pela requerente e nos fatos trazidos à baila pelo processo em comento. I – Da Homologação Tácita A requerente defendeu a ocorrência da homologação tácita do crédito pleiteado, uma vez que já encontravase decorrido o prazo previsto em lei, de cinco anos, conforme preceituado no art. 74 da Lei n° 9.430 de 1996, do momento do pedido de ressarcimento e a decisão que indeferiu os pedidos de compensação deles resultantes. Concordo com alegação em princípio, porém, discordo das datas consideradas pela requerente. Independentemente da contagem do prazo prescricional a partir do pedido de restituição (09/06/2000) ou a partir dos pedidos de compensação (27/12/2001), a verdade é que tais foram julgados improcedentes na data de 30/12/2004, mediante despacho decisório exarado de fls. 185/197, o qual indeferiu o pedido de ressarcimento com base na informação fiscal de fl. 184. Porém, o art. 74 da Lei n° 9.430/96, afirma que o prazo de cinco anos é contado a partir da entrega dos pedidos de compensação, logo, o prazo começa a ser contado do dia 27/12/2001, até a data da decisão que o indeferir, no caso, até a data de 30/12/2004, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 12/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13896.000475/0093 Acórdão n.º 330200.039 S3C3T2 Fl. 5 5 passados, portanto, apenas três anos do pedido de compensação até a decisão que o indeferiu, não ocorreu a homologação tácita, que apenas ocorreria a partir de 28/12/2006, momento este posterior, inclusive, à ciência por parte da requerente do indeferimento de seus pedidos de compensação. Portanto, afasto a homologação tácita do pedido formulado. II – Da Necessidade de Conversão do Processo em Diligência Fato é que o MCT não apreciou o recurso do contribuinte formulado em sua seara. Nada foi trazido aos autos e nenhuma informação foi obtida que elucide o seu andamento ou se de fato, tal recurso já fora julgado. Destaco que a decisão acerca deste recurso se faz crucial para julgarmos da possibilidade de tomada de crédito por parte da requerente. Tendo em vista que, conforme defendido em seu pleito, a requerente tem direito ao duplo grau de jurisdição junto àquele órgão, previsto nos arts. 56 e 57 da Lei n° 9.784/99, este julgará justamente a realização do investimento que autoriza o benefício fiscal.. Esse colegiado deve certificarse quanto ao fato prévio que daria causa ao benefício fiscal, para que sua adequação seja verificada e qualquer cobrança seja feita. Isso posto, considero pertinente a baixa do processo em diligência, para que a autoridade fiscal certifiquese do andamento ou quanto ao eventual teor da decisão final acerca da decisão do MCT, para que então retorne processo ao Egrégio Conselho, para posterior apreciação do crédito tributário ora pleiteado. O entendimento deste colegiado acerca do assunto corrobora tal raciocínio, conforme transcrito abaixo: NORMAS PROCESSUAIS. DILIGÊNCIA. A realização de diligência ou perícia demanda a apresentação de início de prova que justifique o procedimento, assim como a observância dos requisitos legais previstos. (2° Conselho nº 129.181, processo nº 16707.004273/200367, Rel. Antônio Carlos Bueno Ribeiro, sessão de 15 de junho de 2005. III Conclusão Mediante o exposto, voto no sentido de converter o presente processo em diligência, para que as autoridades fiscais certifiquemse da conclusão do procedimento administrativo sobre o plano de pagamentos submetido ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Sala das Sessões, em 29 de Abril de 2010 (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 12/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13896.000475/0093 Acórdão n.º 330200.039 S3C3T2 Fl. 6 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 12/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10183.006003/2005-22
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercido: 2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO FUNDAMENTADA - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM APREÇO - IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO.
Nos termos do artigo 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, a divergência jurisprudencial que autorizava a interposição de recurso especial deveria estar demonstrada de forma fundamentada, o que não acontece no caso, onde o
contribuinte se insurgiu contra a glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada, motivada pela apresentação a destempo do ADA, bem como com relação ao valor atribuído ao imóvel pela autoridade lançadora, mas deixou de comprovar as decisões divergentes
para situações idênticas ou muito semelhantes.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.479
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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Nos termos do artigo 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, a divergência jurisprudencial que autorizava a interposição de recurso especial deveria estar demonstrada de forma fundamentada, o que não acontece no caso, onde o contribuinte se insurgiu contra a glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada, motivada pela apresentação a destempo do ADA, bem como com relação ao valor atribuído ao imóvel pela autoridade lançadora, mas deixou de comprovar as decisões divergentes para situações idênticas ou muito semelhantes. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Processo n°10183.006003/2005-22 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.479 Fl. 258 1 • Is I WS "-d SUSY to - • FMANN — Presidente em exercício eiril t. GONÇALO BONE ALLAGE- Relator EDITADO EM:. •2 ^ 3 . .... ABA 201t Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros, Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Manoel Coelho Amada Junior. Relatório Em face de Valdomiro de Sousa foi lavrado o auto de infração de fls. 02-08, , para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2001, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada, bem como pela alteração do valor total do imóvel relativamente à Fazenda Canaã do Xingu, situada no município de Querência (MT). As áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas, respectivamente, de 542,5 ha e de 36.105,6 ha para 0,0 ha, sendo que o valor total do imóvel restou alterado de R$ 2.591,942.40 para R$ 7.070.188,34. A I Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente (fls. 98-112). Apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 302-39.233, que se encontra às fls. 160-182, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercido: 2001 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ISENÇÃO. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, , para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAM4/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação @, 2 Processo n° 10183.006003/2005-22 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.479 Fl. 259 tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel. VTAI Deve ser mantido o VIN apurado pela fiscalização quando não apresentado Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural / RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator) e Marcelo Ribeiro Nogueira, que deram provimento parcial, sendo Redator Designado o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Intimado do acórdão em 23/06/2008 (fls. 191), o contribuinte, devidamente representado, interpôs recurso especial de divergência às fls. 193-209, acompanhado dos documentos de fls. 210-229, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O acórdão recorrido, ao julgar procedente o lançamento, manifestou entendimento que diverge de outros julgados proferidos pelo Conselho de Contribuintes a respeito da entrega do ADA; b) Como decisões divergentes, estão transcritas as ementas dos acórdãos ri°5 303-32492, 302-35.463, 301-32.382, 301-30.129, além do julgamento proferido pela CSRF no recurso n° 301-127373, todos relacionados à apresentação do ADA; c) Apresentou o ADA antes do inicio da ação fiscal, motivo pelo qual se aplica ao caso a regra do artigo 138 do Código Tributário Nacional — CTN; d) As áreas de reserva legal e de preservação permanente estão averbadas à margem da matricula do imóvel desde 21/11/1994; e) Quanto ao VTN, juntou cópia de laudo técnico realizado pelo Engenheiro Agrônomo Antonio de Pádua Seroni, CREA 3183D — 7952/VD MT, o qual foi elaborado com a visita in loco do imóvel; O O recurso deve ser provido para que o lançamento seja julgado improcedente. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 302-068 (fis. 234-237), segundo o qual "Analisando os acórdãos (recorrido e paradigmas) apresentados, concluo que ficou satisfatoriamente comprovada a divergência alegado, posto que ambos os paradigmas entendem ser suficiente uma simples declaração da existência da área de preservação permanente, por parte do contribuinte, para obter o beneficio da isenção sendo, ainda, dispensável a averbação à margem da matricula do imóvel como requisito ao reconhecimento - da existência da área de reserva legaL Portanto, declarando existir tais áreas e não sendo comprovada qualquer falsa declaração do contribuinte, há que se promover à apuração do 3 • Processo e* 10183.00600312005-22 CSRF-T2 Acerdâo n.° 9202-00.479 Fl. 260 ITR excluindo-se as mesmas da tributação, independente da referida averbação ou apresentação tempestiva do ADA." (fls. 236), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contra-razões as fls. 240-255, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE Relator Sob minha ótica, o Recurso Especial interposto pelo contribuinte não pode ser conhecido. Reitero que o recorrente pleiteou o reconhecimento de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, relativamente ao exercício 2001, na hipótese em que ocorreu a apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, questionando, ainda, o valor total do imóvel atribuído pela autoridade lançadora. De acordo com o artigo 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007: Art. 15 O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional OU do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. (..) § 2°. Na hipótese de que trata o inciso 11 do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar. ,fiundamentadamente. a divergência argüida. indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. (Grifei) Na visão deste julgador, para que pudessem ser apreciadas por este Colegiado as questões suscitadas pelo recorrente, caberia a ele a demonstração fundamentada das divergências jurisprudenciais, conforme previa o dispositivo acima transcrito, o que não ocorreu no caso em apreço. Embora no recurso especial interposto pelo contribuinte estejam transcritas as ementas de alguns acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes, sob minha ótica, em g. nenhum momento restou demonstrada, de forma fundamentada, a divergência argüida. 4 Processo n° 10183.006003/2005-22 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.479 Fl. 261 1 Com relação ao ADA, foram trazidos aos autos apenas as ementas dos julgados supostamente divergentes, mas, no bojo do recurso, não houve a confrontação dos acórdãos para mostrar a similaridade entre os casos. No que se refere ao valor atribuído ao imóvel pela autoridade lançadora, sequer foram indicadas decisões paradigma. Dessa forma, impossível saber se ocorreram decisões divergentes para fatos idênticos ou muito semelhantes. Segundo penso, o contribuinte deixou de demonstrar, fundamentadamente, o dissídio jurisprudencial quanto à apresentação intempestiva do ADA para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, bem como com relação ao valor atribuído ao imóvel pela autoridade lançadora, desatendendo, assim, a regra do artigo 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, motivo pelo qual não conheço do recurso especial em tela. É como voto. ,40:111 Gonçalo Bone Allage - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001233/2007-32
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
Ementa:
MEDIDA PROVISÓRIA N. 303/06. PAEX. VIGÊNCIA.
De acordo com o artigo 62 da CF/88, não sendo convertidas em lei no prazo máximo de cento e vinte dias, as medidas provisórias perdem sua eficácia, hipótese em que cabe ao Congresso Nacional regular as relações jurídicas nascidas de suas disposições por meio de decreto legislativo (§3o). Omissa a edição do decreto legislativo, os direitos e as obrigações surgidos durante o período em que a medida provisória produziu efeitos são preservados e conservam-se disciplinados pelo que ela, MP, estabelecia (§11).
PAEX. ADESÃO ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO À PRÉVIA CONFISSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DO LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO MANTIDO.
Sujeito passivo que alega, como matéria de defesa, ter parcelado o crédito tributário objeto do auto de infração antes da conclusão do procedimento de fiscalização. Prova inexistente da prévia constituição do crédito tributário. Lançamento que se mantém.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: MEDIDA PROVISÓRIA N. 303/06. PAEX. VIGÊNCIA. De acordo com o artigo 62 da CF/88, não sendo convertidas em lei no prazo máximo de cento e vinte dias, as medidas provisórias perdem sua eficácia, hipótese em que cabe ao Congresso Nacional regular as relações jurídicas nascidas de suas disposições por meio de decreto legislativo (§3o). Omissa a edição do decreto legislativo, os direitos e as obrigações surgidos durante o período em que a medida provisória produziu efeitos são preservados e conservam-se disciplinados pelo que ela, MP, estabelecia (§11). PAEX. ADESÃO ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO À PRÉVIA CONFISSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DO LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO MANTIDO. Sujeito passivo que alega, como matéria de defesa, ter parcelado o crédito tributário objeto do auto de infração antes da conclusão do procedimento de fiscalização. Prova inexistente da prévia constituição do crédito tributário. Lançamento que se mantém. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: MEDIDA PROVISÓRIA N. 303/06. PAEX. VIGÊNCIA. De acordo com o artigo 62 da CF/88, não sendo convertidas em lei no prazo máximo de cento e vinte dias, as medidas provisórias perdem sua eficácia, hipótese em que cabe ao Congresso Nacional regular as relações jurídicas nascidas de suas disposições por meio de decreto legislativo (§3o). Omissa a edição do decreto legislativo, os direitos e as obrigações surgidos durante o período em que a medida provisória produziu efeitos são preservados e conservamse disciplinados pelo que ela, MP, estabelecia (§11). PAEX. ADESÃO ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO À PRÉVIA CONFISSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DO LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO MANTIDO. Sujeito passivo que alega, como matéria de defesa, ter parcelado o crédito tributário objeto do auto de infração antes da conclusão do procedimento de fiscalização. Prova inexistente da prévia constituição do crédito tributário. Lançamento que se mantém. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 33 /2 00 7- 32 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de autos de infração para constituição de créditos da COFINS, com relação a fatos geradores consumados entre janeiro e março de 2002, e da contribuição ao PIS, relativamente a apuração de janeiro a março e a dezembro de 2002. Os valores objeto da exigência consistem em diferenças apuradas entre, de um lado, os montantes devidos segundo a escrituração contábil da pessoa jurídica e a DIPJ por ela entregue à RFB e, de outro, aqueles constituídos por meio das respectivas DCTFs. Dos termos de verificação fiscal que subsidiaram a lavratura dos autos de infração (fls. 137/143 e 144/149), destacamse as seguintes passagens relevantes: (i) intimada a exibir à fiscalização cópia da DCTF pertinente ao primeiro trimestre de 2002, declaração cuja entrega não fora identificada nos registros informatizados da RFB, a recorrente informou ter extraviado o documento; (ii) depois de iniciado o procedimento fiscal, a recorrente transmitiu duas DCTFs afeitas a períodos de apuração objeto da auditoria, as quais foram desconsideradas em razão da perda da espontaneidade; e (iii) igualmente se desconsiderou a notícia de adesão ao parcelamento instituído pelo artigo 1o, da Medida Provisória no. 303/06 (PAEX), uma vez que, (iiia) no entender da autoridade processante, o veículo em questão teria perdido a eficácia em razão de não ter sido convertido em lei no prazo assinalado pelo artigo 62 da CF/8, e (iiib) a interessada não comprovara ter pretendido parcelar, naquele programa, os débitos aqui lançados. Notificada da imposição, a recorrente interpôs as tempestivas impugnações de fls. 156/159 e 172/175, ao ensejo das quais deduziu fundamentalmente que: (i) a MP no. 303/06, embora não convertida em lei, teria sido preservada pelo disposto no §11 do artigo 62, da CF/88, de acordo com o qual o diploma permanece regendo as relações jurídicas surgidas durante o período em que vigorou caso o Congresso Nacional não edite o decreto legislativo a que se refere o §3o, do mesmo dispositivo constitucional; (ii) apenas não documentou ter incluído o crédito objeto do auto de infração no parcelamento em questão porque a própria MP no. 303/06 não previra a oportunidade para tanto para os sujeitos passivos optantes; e, finalmente, (iii) a multa de ofício, aplicada no equivalente a 75% do principal, se mostrava excessiva e confiscatória. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 19515.001233/200732 Acórdão n.º 3403002.311 S3C4T3 Fl. 6 3 Por meio do acórdão de fls. 191/195, a DRJSão Paulo I negou provimento à impugnação, embora houvesse acolhido o argumento de que a adesão da recorrente ao parcelamento da MP no. 303/06 fora válida e produzira efeitos. “No que diz respeito à Medida Provisória no. 303 – consignou a DRJ – cumpre registrar que o prazo de vigência desta encerrouse em 27/10/2006, conforme Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional no. 57, de 31/10/2006 (publicado no DOU de 01/11/2006), por não ter sido convertida em lei nos prazos explicitados nos prazos explicitados nos §§ 3o e 7o do artigo 62, da Constituição Federal de 1988. E nesse contexto, a própria Constituição Federal (artigo 62, §§ 3o a 11) estabelece caber ao Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo publicado até 60 dias após a perda da eficácia da medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante a sua vigência. Na ausência do referido decreto legislativo, a Constituição empresta ao texto da medida provisória o tratamento de lei com reduzido período de vigência, resguardando os atos praticados sob sua égide, como verdadeiros atos jurídicos perfeitos, sem embargo do retorno da eficácia para o futuro dos dispositivos legais a ela contrários”. Sem prejuízo, porém, o colegiado a quo manteve a autuação intacta, argumentando que a adesão da recorrente ao parcelamento da MP 303/06 não inibia, por si só, a constituição de ofício do crédito tributário, eis que até o início do procedimento fiscal e, mais ainda, até a lavratura da exigência, as obrigações aqui exigidas não haviam sido ainda confessadas – isto é, constituídas por ato do próprio sujeito passivo – sob as regras daquela programa de parcelamento. Irresignada, a recorrente interpôs, então, recurso voluntário, a fim de reiterar as razões já aduzidas quando da impugnação aos autos de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Tempestivo e bem preparado, o recurso voluntário merece conhecimento. Desde a impugnação, a recorrente não dirige sua insurgência contra o débito tributário em si. Não discute a ocorrência do fato gerador, o surgimento ou o montante da obrigação principal que lhe é aqui imposta. Antes, reconhecea integralmente, mas argumenta que, tendo aderido ao parcelamento da MP no. 303/06 previamente ao início do procedimento fiscal, a constituição do crédito por ato de ofício fosse desnecessária ou, quando menos, que a sanção aplicada nos termos do artigo 44, da Lei no. 9.430/96 fosse inexigível. A DRJ recorrida solucionou adequadamente a questão em torno da produção dos efeitos do veículo normativo. Realmente, de acordo com o artigo 62 da CF/88, não sendo convertidas em lei no prazo máximo de cento e vinte dias, as medidas provisórias perdem sua eficácia, hipótese em que cabe ao Congresso Nacional regular as relações jurídicas nascidas de suas disposições por meio de decreto legislativo (§3o). Mas a própria Constituição Federal cuida de estabelecer que, faltando o decreto legislativo, os direitos e as obrigações surgidos Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 durante o período em que a medida provisória produziu efeitos são preservados e conservamse disciplinados pelo que ela, MP, estabelecia (§11). No caso concreto, como o decreto legislativo jamais foi editado para regular a perda de eficácia da MP no. 303/06, as adesões às modalidades de parcelamento nela previstas consideramse atos jurídicos perfeitos, nos termos do aludido §11, do artigo 62, da CF/88. Pois bem. A MP no. 303/06 previu duas diferentes hipóteses de parcelamento para dívidas tributárias federais: a que interessa a este feito foi regulada pelo artigo 1o do diploma e, em síntese, oferecia ao interessado a oportunidade de parcelar obrigações vencidas até 28 de fevereiro de 2003 em até cento e trinta prestações mensais. De acordo com o dispositivo, o parcelamento em questão poderia abrigar quaisquer passivos tributários federais do período, inclusive os créditos não constituídos até a data da adesão, contanto que, neste último caso, viessem a ser confessados conforme regramento que ainda viria a ser expedido. Vejase: “Art. 1o. (...) 1o O disposto neste artigo aplicase à totalidade dos débitos da pessoa jurídica, ressalvado exclusivamente o disposto no inciso II do § 3o deste artigo, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União ou do INSS, mesmo que discutidos judicialmente em ação proposta pelo sujeito passivo ou em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive aos débitos que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento. § 2o Os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados, de forma irretratável e irrevogável.” Por intermédio, então, da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 1/07, instituiuse a “Declaração PAEX”, documento este destinado, justamente, à confissão dos créditos tributários até então não constituídos e que o sujeito passivo intentasse parcelar sob o programa da MP no. 303/06. E o mais relevante: dentre as obrigações que o contribuinte haveria de confessar por meio da Declaração PAEX a regra arrolava especificamente aquelas que, à época da veiculação da própria Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 1/07, constituíssem objeto de auditoria fiscal não concluída. Confirase: “Art. 1º Fica instituída a Declaração Paex a ser apresentada até o dia 16 de fevereiro de 2007 pelas pessoas jurídicas optantes pelo Parcelamento Excepcional (Paex), de que trata a Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, com a finalidade de: I confessar débitos, de forma irretratável e irrevogável: a) a serem incluídos no Paex, ainda não confessados à Secretaria da Receita Federal (SRF), total ou parcialmente, quando se tratar de devedor desobrigado da entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) ou da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica; b) em relação aos quais houve desistência de ação judicial, bem como prestar informações sobre o processo correspondente a essa ação; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 19515.001233/200732 Acórdão n.º 3403002.311 S3C4T3 Fl. 7 5 c) relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF, não concluída no prazo fixado no caput, independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega de declaração específica;” Essa é a hipótese dos autos. Em 3 de janeiro de 2007, quando expedida a normativa acima, a fiscalização que redundou na imposição da exigência estava em pleno andamento, de modo que, quisesse a recorrente confessar os créditos em questão e inserilos para parcelamento no programa da MP 303/06, lhe competia preencher a Declaração PAEX e transmitila até a data limite para tanto, 16 de fevereiro de 2007. Esta prova, no entanto, a recorrente não produziu, mesmo depois de o v. acórdão de Primeira Instância têla alertado para a relevância do documento. Daí porque, a meu ver, não há como reconhecer aqui que o crédito tributário objeto do lançamento tenha sido confessado ou mesmo tido sua exigibilidade suspensa por força do parcelamento mencionado. Quanto à excessividade da multa de ofício, incide aqui o impeditivo do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 e do artigo 62 do RICARF, de acordo com os quais, salvo exceções expressamente previstas, é defeso aos órgãos administrativos judicantes recusar a aplicação de lei com fundamento em suposta inconstitucionalidade. Como se trata de penalidade prevista em veículo de hierarquia legal – o artigo 44, da Lei nº 9.430/96 – deixo de conhecer do argumento. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 11618.002073/2004-36
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000 a 2003
APLICAÇÃO RETROATIVA DAS DISPOSIÇÕES DA LEI N° 10.174 E DA LEI COMPLEMENTAR N° 105, AMBAS DE 2001 - SÚMULA N°34 DO CARF - PRELIMINAR REJEITADA.
Em seção que se realizou em 08 de dezembro de 2009, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual eu integro e fui voto vencido, aprovou o Enunciado da Súmula n° 35, consolidando a jurisprudência no sentido de que "o artigo 11, § 3°, da Lei n.° 9.311/96, com a redação dada pela Lei n.° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente."
Em face das disposições do artigo 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, dispondo que "as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF", submeto-me ao entendimento da douta maioria e rejeito a preliminar de irretroatividade.
PERIODICIDADE DO IMPOSTO DE RENDA - DECADÊNCIA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRAZO CONTADO DE FORMA MENSAL - FNAPLICABILIDADE.
A complexa hipótese do imposto de renda decorrente de rendimentos
provenientes da remuneração do trabalho dá-se apenas no final do ano-base, quando se verifica o último dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo.
Da interpretação sistêmica dos artigos 8°, 9° e 10° da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 3°, parágrafo único e artigos 4º; 8° e 10° da Lei n° 9.250, de 1995, e do artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, conclui-se que a base de cálculo do imposto de renda é a soma anual dos valores apurados mensalmente. Não há antinomia entre uma norma estabelecer que os valores consideram-se recebidos no mês em que houver o crédito pela instituição financeira e outra norma considerar a base de cálculo constitui-se da soma dos valores recebidos em cada um dos meses do ano-calendário. O que é necessário é que se tenha presente que na apuração da base de cálculo deve, quando for o caso, se efetuar as deduções previstas no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.742
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 a 2003 APLICAÇÃO RETROATIVA DAS DISPOSIÇÕES DA LEI N° 10.174 E DA LEI COMPLEMENTAR N° 105, AMBAS DE 2001 - SÚMULA N°34 DO CARF - PRELIMINAR REJEITADA. Em seção que se realizou em 08 de dezembro de 2009, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual eu integro e fui voto vencido, aprovou o Enunciado da Súmula n° 35, consolidando a jurisprudência no sentido de que "o artigo 11, § 3°, da Lei n.° 9.311/96, com a redação dada pela Lei n.° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente." Em face das disposições do artigo 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, dispondo que "as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF", submeto-me ao entendimento da douta maioria e rejeito a preliminar de irretroatividade. PERIODICIDADE DO IMPOSTO DE RENDA - DECADÊNCIA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRAZO CONTADO DE FORMA MENSAL - FNAPLICABILIDADE. A complexa hipótese do imposto de renda decorrente de rendimentos provenientes da remuneração do trabalho dá-se apenas no final do ano-base, quando se verifica o último dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo. Da interpretação sistêmica dos artigos 8°, 9° e 10° da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 3°, parágrafo único e artigos 4º; 8° e 10° da Lei n° 9.250, de 1995, e do artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, conclui-se que a base de cálculo do imposto de renda é a soma anual dos valores apurados mensalmente. Não há antinomia entre uma norma estabelecer que os valores consideram-se recebidos no mês em que houver o crédito pela instituição financeira e outra norma considerar a base de cálculo constitui-se da soma dos valores recebidos em cada um dos meses do ano-calendário. O que é necessário é que se tenha presente que na apuração da base de cálculo deve, quando for o caso, se efetuar as deduções previstas no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995. Recurso especial negado.
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'` - MINISTÉRIO DA FAZENDA t CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS kr' --;-- - CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 11618.002073/2004-36 Recurso n° 144.579 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9202-00.742 — 2a Turma Sessão de 13 de abril de 2010 Matéria IRPF Recorrente RONALDO DA CUNHA LIMA FILHO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 a 2003 APLICAÇÃO RETROATIVA DAS DISPOSIÇÕES DA LEI N° 10.174 E DA LEI COMPLEMENTAR N° 105, AMBAS DE 2001 - SÚMULA N°34 DO CARF - PRELIMINAR REJEITADA. Em seção que se realizou em 08 de dezembro de 2009, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual eu integro e fui voto vencido, aprovou o Enunciado da Súmula n° 35, consolidando a jurisprudência no sentido de que "o artigo 11, § 3°, da Lei n.° 9.311/96, com a redação dada pela Lei n.° 10.174/2001, que autoriza o uso de infolmações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente." Em face das disposições do artigo 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, dispondo que "as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF", submeto-me ao entendimento da douta maioria e rejeito a preliminar de irretroatividade. PERIODICIDADE DO IMPOSTO DE RENDA - DECADÊNCIA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRAZO CONTADO DE FORMA MENSAL - FNAPLICABILIDADE. A complexa hipótese do imposto de renda decorrente de rendimentos provenientes da remuneração do trabalho dá-se apenas no final do ano-base, quando se verifica o último dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo. Da interpretação sistêmica dos artigos 8°, 9° e 10° da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 3°, parágrafo único e artigos 4'; 8° e 10° da Lei n° 9.250, de 1995, e do artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, conclui-se que a base de cálculo do imposto de renda é a soma anual dos valores apurados mensalmente. Não há antinomia entre uma nouna estabelecer que os valores consideram-se j2 1 recebidos no mês em que houver o crédito pela instituição financeira e outra norma considerar a base de cálculo constitui-se da soma dos valores recebidos em cada um dos meses do ano-calendário. O que é necessário é que se tenha presente que na apuração da base de cálculo deve, quando for o caso, se efetuar as deduções previstas no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, or unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 1 CARLOS ALBER fi FJ • ITAS BARRETO- Presidente , MOISES r i • I NUNES DA SILVA - Relator EDITADO EM: 14 MAIO 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior e Elias Sampaio Freire. Declarou-se impedido, em razão da parte, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório - Contra o recorrente foi lavrado o auto de infração de fls. 04 e seguintes, com ciência em 23/08/2004 (fl. 04), em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos-calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002. As declarações de ajuste anual constam das fls. 36 e seguintes, onde o contribuinte declara o imposto devido nos anos-calendário fiscalizados. Foi apurado imposto devido de R$ 177.447,44, acrescido de multa de 75% no valor de R$ 133.085,56, mais juros de mora de R$ 83.500,46, totalizando o crédito tributário de R$ 394.033,46. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho dos Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento pela irretroatividade da Lei n° 10.147, de 2001. No mérito, negou provimento ao recurso. Intimado do acórdão, tempestivamente, o contribuinte interpõe recurso especial de fls. 290 e seguintes, repisando a preliminar de irretroatividade lei da Lei n° 10.147, de 2001, alegando, ainda, a decadência em relação aos depósitos bancários realizados nos meses de janeiro a agosto de 1999. 2 Processo n° 11618.002073/2004-36 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.742 Fl. 2 O recurso foi recebido através do despacho de fls. 390/391, onde consta a transcrição das ementas dos acórdãos paradigmas caracterizadoras da divergência. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 393 e seguintes. É o relatório. • Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Os requisitos de admissibilidade estão identificados no despacho de fls. 390 e seguintes. Assim, conheço do recurso e passo ao exame da matéria. a) Da irretroatividade da Lei n° 10.142, de 2001. Em relação à alegação de irretroatividade da lei, tenho que a norma que suprime direito não é norma de natureza instrumental, mas sim lei material. Imaginar que a lei nova tenha eficácia para desconsiderar direitos, que de forma plena se verificaram na vigência da lei revogada, é o mesmo que admitir que a norma revogada não produziu efeitos em relação aos fatos que se concretizaram durante sua vigência. Em 25 de outubro de 1996, ingressou no ordenamento jurídico brasileiro a Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, que institui a contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira - CPMF, e dá outras providências, sendo que o artigo 11, § 3° . , desta Lei possuía a seguinte redação: 3°• A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." Transcrito o texto da noilna, cabe analisar a quem se destinam as expressões: "vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." Tais expressões estariam conferindo algum tipo de direito aos jurisdicionados e, caso afirmativo, qual a natureza deste direito? Antes de responder estas indagações, algumas considerações se fazem necessárias para que se possam compreender as regras de proteção do sigilo bancário existentes até 1996. Assim, retroagimos no tempo para analisar as disposições da Lei n° 4.595, de 1964, norma esta com status de Lei Complementar, que dispõe sobre a Política e as Instituições monetárias, bancárias e creditícias, cria o Conselho Monetário Nacional, e dá outras providências, contendo os seguintes preceitos no artigo 38 e respectivo § 7°, a seguir transcritos: "Art. 38. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. 3 § 1°. As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestados pelo Banco Central do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legitimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos à mesma. § 7'. A quebra de sigilo de que trata este artigo constitui crime e suje ia os responsáveis à pena de reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, aplicando-se, no que couber, o Código Penal e o Código de Processo Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis." As indagações feitas anteriormente em relação à Lei n° 9.311, de 1996, valem para as disposições do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964. A quem se destinam as expressões: "as informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário", contidas no § 1°. do artigo 38 e a previsão do § 7 0, de que se constitui crime a quebra do sigilo bancário? Qual a natureza desta norma: instrumental ou material? Se tais dados estão sob o controle do Estado, ente soberano, é preciso que se compreenda o porquê este impõe limitação à sua atuação, instituindo dois outros poderes, um com a função de criar leis e outro com a tarefa de verificar a legalidade dos atos praticados pelo próprio Estado, por meio do Poder Executivo. A propósito deste assunto, e sem nos ater a digressões doutrinárias, a história revela que a humanidade, com seu desenvolvimento, percebeu que era necessário limitar as ações do Estado-soberano como forma de proteção dos indivíduos frente ao Estado. Inicialmente concebido para proteger seus súditos, houve períodos na história em que os indivíduos passaram ter medo das ações ilimitadas do Estado, surgindo a conhecida doutrina dos "freios e contra-pesos", por meio da qual um órgão do Estado-soberado limita e fiscaliza a atuação do outro. Nesta linha, o Judiciário tem sua atuação limitada pelo Poder Legislativo, o Poder Executivo, quando age em desconformidade com a lei, tem seus atos corrigidos pelo Judiciário, sendo que os limites de atuação do Poder Legislativo são fixados por meio do pacto social que institui o Poder Constituinte que aprova norma de hierarquia superior que deve ser observada por todos. Voltando às disposições do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, quando tal norma prevê que somente o Poder Judiciário poderá quebrar o sigilo bancário, não nos resta dúvida de que se trata de uma norma que limita a atuação do Estado-soberano e confere direito aos indivíduos, cabendo perquirir qual a natureza deste direito: material ou instrumental? Partindo da concepção de que direito material deve ser compreendido como sendo a nouna que confere determinado bem jurídico a alguém e de que direito instrumental se constitui da norma de que se valem as partes e os jurisdicionados para exigirem do Estado- jurisdição, o bem da vida que lhes foi subtraído ou espontaneamente não lhes foi alcançado pelo obrigado, tenho que o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, era nonua de natureza material. Assim, por meio do dispositivo legal aqui citado, antes de sua alteração, integrava o rol de direito de todos os indivíduos a garantia de que, sem ordem judicial, ninguém teria acesso aos seus dados bancários. Chegando a conclusão de que o artigo 38 da Lei n° 4.595, era norma de natureza material, é preciso que se diga que as normas desta natureza só podem ser alteradas por leis de idêntica qualidade, sendo vedado, em qualquer hipótese a aplicação retroativa. Ao se admitir a aplicação retroativa de norma de natureza material voltar-se-ia a tempos primórdios em que os súditos não tinham meios e nem garantias para combater os abusos praticados pelo Estado, visto em determinados períodos ou sociedades como sinônimo de tirania. Nenhuma garantia teria o indivíduo se o Estado, a qualquer momento, viesse elaborar 4 Processo n° 11618.002073/2004-36 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.742 Fl. 3 leis para subtrair direitos ou prerrogativas decorrentes de relações jurídicas concebidas sob a égide de norma anterior. Diante de tais considerações, volto ao texto do § 3°. do artigo 11 da Lei n° 9.311, de 1996, antes de sua alteração pela Lei n° 10.174, de 2001, e peço vênia para comparar com para o artigo 38 da Lei n°. 4.595, de 1964, sendo que estou grifando as expressões em relação as quais quero fazer considerações: § 3°. do artigo 11 da Lei n° 9.311/96, em sua Artigo 38 da Lei n° 4.595/64, em sua redação redação primitiva primitiva "Art. 38. As instituições financeiras conservarão sigilo "§ 3 0 . A Secretaria da Receita Federal resguardará, na em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização _para § 1°. As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestados pelo Banco Central do constituição do crédito tributário relativo a outras Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de contribuições ou impostos." livros e documentos em juizo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legítimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos à mesma. Inequivocadamente, as expressões acima grifadas possuem a mesma natureza. Conferem aos administrados a garantia de que, salvo por ordem judicial, toda e qualquer movimentação bancária feita na vigência de tais normas, em momento algum será utilizada para quaisquer fins, que não os previstos nas leis vigentes na época em que ocorreram os depósitos bancários. Sabidamente, as leis existem e produzem efeitos até que nonna subseqüente, de idêntica hierarquia, as revogue. Entretanto, é preciso que se tenha presente que a lei que vier modificar norma anterior destina-se a regular os atos da vida que se efetivarem a partir de sua vigência. Imaginar que a lei nova, conforme já foi dito, tenha eficácia para desconsiderar direitos, que de forma plena se verificaram na vigência da lei revogada é o mesmo que admitir que a norma revogada não produziu efeitos em relação aos fatos que se concretizaram durante sua vigência. Além dos fundamentos existentes nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade de n° 2406, 2397 e 2390, que tramitam no Supremo Tribunal Federal, tenho que toda a norma que suprime direito não é norma de natureza instrumental, mas sim lei material. Na linha do que coloquei anteriormente, quando o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, garantiu aos correntistas a inviolabilidade do sigilo bancário, salvo mediante determinação judicial, dita norma outorgou aos administrados garantia de natureza material. Idêntico entendimento aplica- se em relação ao § 3°. do artigo 11 da Lei 9.311, de 1996. Não se pode dizer que os citados dispositivos possuíam natureza instrumental. Tratavam-se de normas de caráter material que limitavam o poder do Estado-soberano frente ao indivíduo. A limitação do poder do Estado- Administração frente ao cidadão é para este uma garantia de natureza material que, se violada, legitima o ofendido a recorrer ao Judiciário, usando-se para tal as normas de natureza instrumental como, por exemplo, o mandado de segurança. A Lei n° 10.174, de 2001 e a Lei Complementar n° 105, de 2001, ao admitirem a utilização de dados bancários a partir da arrecadação da CPMF para a apuração e constituição de crédito referente a outros tributos, não possuem natureza instrumental porque extinguiram direito de natureza material que conferia aos contribuintes {1.• 5 segurança que, durante a vigência das normas que resultaram modificadas, salvo por decisão judicial, não seriam utilizados os dados referentes às operações bancárias para exigência de qualquer tributo além da CPMF. Mais, a Lei n° 10.174, de 2001, ao revogar a proibição contida na Lei n° 9.311 de 1996, criou novo direito para a Administração tributária, qual seja, o direito de investigar a partir dos dados da movimentação financeira. Assim, o ordenamento posterior não se amolda ao contexto delimitado no § 1°. do artigo 144 do Código Tributário Nacional, pois a inovação legislativa não ampliou os poderes de fiscalização pré-existentes, mas sim trouxe novo poder de investigação para as autoridades administrativas, permitindo a utilização de dados da CPMF para a constituição do crédito tributário, quando na legislação anterior tal procedimento era expressamente proibido. Em que pese meu entendimento, em seção que se realizou em 08 de dezembro de 2009, o pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual eu integro e fui voto vencido, aprovou o Enunciado da Súmula n° 35, com a seguinte redação: "O art., ssç 3 0, da Lei n.° 9.311/96, com a redação dada pela Lei n.° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito • tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente." Em face das disposições do artigo 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, dispondo que "as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF", submeto-me ao entendimento da douta maioria e rejeito a preliminar de irretroatividade. II - Da decadência mensal. Após reflexões acerca do tema, tenho enfrentado a matéria com base nos dispositivos legais e fundamentos que passo a transcrever, grifando aqueles que considero mais importantes à compreensão da matéria. LEI N° 7.713, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1988. Art. I°. Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo Imposto sobre a Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2°. O Imposto sobre a Renda das pessoas ,fisicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (grifei). Art. 3°. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9 0 a 14 desta Lei. 1°. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. sç 2°. Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerando-se 6 Processo n° 11618.002073/2004-36 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.742 Fl. 4 como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos artigos 15 a 22 desta Lei. § 3 0• Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer titulo, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4°. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Art. 8°. Fica sujeito ao pagamento do Imposto sobre a Renda, calculado de acordo com o disposto no artigo 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no Pais. Lei n° 8.134, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1990. Art. 8° Na declaração anual (artigo 9"), poderão ser deduzidos: 1- os pagamentos feitos, no ano-base, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos; II - as contribuições e doações efetuadas a entidades de que trata o artigo 1° da Lei n° 3.830, de 25 de novembro de 1960, observadas as condições estabelecidas no artigo 2° da mesma lei; III - as doações de que trata o artigo 260 da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990; IV - a soma dos valores referidos no artigo 7°, observada a vigência estabelecida no parágrafo único do mesmo artigo. Art. . 9' As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir (grifei). Art. 10, A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I - de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o ano-base exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e 11- das deduções de que trata o artigo 8°. Lei n° 9.250, DE 29 DE DEZEMBRO DE 1995. 7 ."• CAPITULO II DA INCIDÊNCIA MENSAL DO IMPOSTO Art. 3°. O Imposto sobre a Renda incidente sobre os rendimentos de que tratam os artigos 7°, 8° e 12 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, será calculado de acordo com a seguinte tabela progressiva em Reais: Parágrafo único. O imposto de que trata este artigo será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês. Art. 4°. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do Imposto sobre a Renda poderão ser deduzidas: (grifei). - a soma dos valores referidos no artigo 6' da Lei n°8.134, de 27 de dezembro de 1990'; II - as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; III - a quantia, por dependente, de: a) R$ 132,05 (cento e trinta e dois reais e cinco centavos), para o ano- calendário de 2007 (redação atribuída pela MP n°340, de 29/12/96); b) R$ 137,99 (cento e trinta e sete reais e noventa e nove centavos), para o ano-calendário de 2008 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); c)R$ 144,20 (cento e quarenta e quatro reais e vinte centavos), para o ano-calendário de 2009 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); d) R$ 150,69 (cento e cinqüenta reais e sessenta e nove centavos), a partir do ano-calendário de 2010 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); IV- as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); V - as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ónus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; VI - a quantia, correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência Art. 60 O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: - a remuneração paga a terceiros, desde que com vinculo empregaticio, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II - os emolumentos pagos a terceiros; III - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. 8 Processo n° 11618.002073/2004-36 C SRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.742 Fl. 5 privada, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, de: (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); a) R$ 1.313,69 (um mil, trezentos e treze reais e sessenta e nove centavos), por mês, para o ano-calendário de 2007 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); b) R$ 1.372,81 (um mil, trezentos e setenta e dois reais e oitenta e um centavos), por mês, para o ano-calendário de 2008 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); c) R$ 1.434,59 (um mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e cinqüenta e nove centavos), por mês, para o ano-calendário de 2009 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); d) 1.499,15 (um mil, quatrocentos e noventa e nove reais e quinze centavos), por mês, a partir do ano-calendário de 2010 (redação atribuída pela ME n°340, de 29/12/96); Art. 8": A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas, ao ensino fundamental; ao ensino médio, à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização) e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); I. R$ 2.480,66 (dois mil, quatrocentos e oitenta reais e sessenta e seis centavos), para o ano-calendário de 2007 (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 2. R$ 2.592,29 (dois mil, quinhentos e noventa e dois reais e vinte e nove centavos), para o ano-calendário de 2008; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 3. R$ 2.708,94 (dois mil, setecentos e oito reais e noventa e quatro centavos), para o ano-calendário de 2009; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 4. R$ 2.830,84 (dois mil, oitocentos e trinta reais e oitenta e quatro centavos), a partir do ano-calendário de 2010; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); •c) à quantia, por dependente, de: (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); •1. R$ 1.584,60 (um mil, quinhentos e oitenta e quatro reais e sessenta centavos), para o ano-calendário de 2007; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 9 2.R$ 1.655,88 (um mil, seiscentos e cinqüenta e cinco reais e oitenta e oito centavos), para o ano-calendário de 2008; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 3. R$ 1.730,40 (um mil, setecentos e trinta reais e quarenta centavos), para o ano -calendário de 2009; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); 4. R$ 1.808,28 (um mil, oitocentos e oito reais e vinte e oito centavos), a partir do ano-calendário de 2010. (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); "Art. 10. O contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que substituirá todas as deduções admitidas na legislação, correspondente à dedução de vinte por cento do valor dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, independentemente do montante desses rendimentos, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie, limitada a: (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); a) R$ 11.669,72 (onze mil, seiscentos e sessenta e nove reais e setenta e dois centavos), para o ano-calendário de 2007; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); b) R$ 12.194,86 (doze mil, cento e noventa e quatro reais e oitenta e seis centavos), para o ano-calendário de 2008; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); c) R$ 12.743,63 (doze mil, setecentos e quarenta e três reais e sessenta e três centavos), para o ano-calendário de 2009; (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); d) R$ 13.317,09 (treze mil, trezentos e dezessete reais e nove centavos), a partir do ano-calendário de 2010. (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); Parágrafo único. O valor deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido." (NR) (redação atribuída pela MP n° 340, de 29/12/96); Lei n° 9430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1°. O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (grifei) § 4°. Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. -U) Processo n° 11618.002073/2004-36 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.742 Fl. 6 Dos dispositivos legais acima transcritos, o artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1998, dispõe que: "o Imposto sobre a Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos". Os artigos 8'; 90 e 10° da Lei n° 8.134, de 1990, fazem referência à declaração anual; pagamentos feitos no ano-base e rendimentos percebidos durante o ano-base, prevendo que "as pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir". Os artigos 3°, parágrafo único e art. 4°, da Lei 9.250, de 1995, referem-se aos rendimentos mensais, sendo que os artigos 8° e 10° desta mesma Lei fazem referência aos rendimentos obtidos durante o ano-base. O artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, dispõe que ` .̀ o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira." Assim, diante das normas acima referidas, é preciso investigar se há antinomia entre estas normas ou se elas convivem de forma harmônica, sem que a norma posterior tenha revogado a anterior. A primeira observação a ser feita decorre das disposições contidas na Lei n° 9.250, de 1995, em que no artigo 3°, parágrafo único e art. 4° fazem referência à incidência mensal do Imposto sobre a Renda, sendo que no artigo 8° fala em base de cálculo do imposto devido no ano. Em tese, poder-se-ia alegar que, em havendo incidência mensal do imposto de renda, o critério temporal deste seria mensal. Todavia, a pernanecer este entendimento, a mesma Lei não poderia fazer referência à base de cálculo anual. Seria ilógico e incompreensível adotar um critério temporal mensal e uma base de cálculo anual. A única interpretação harmônica que se pode extrair da Lei n° 9.250, de 1995 é que a base de cálculo do imposto de renda é a soma anual dos valores apurados mensalmente. Nesta linha de raciocínio, tenho que o artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, dispondo que "o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira" em nada inovou, pois previsão semelhante já existia no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995, anteriolniente analisado. Em face da aparente contradição entre o artigo 8° da Lei n° 8.134, de 1990, com o artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995 e artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, valho-me da clássica doutrina de Carlos Maximiliano, na obra Hermenêutica e Aplicação do Direito, para quem: "Pode ser promulgada nova lei, sobre o mesmo assunto, sem ficar tacitamente ab-rogada a anterior: ou a última restringe apenas o campo de aplicação da antiga; ou ao contrário, dilata- o, estende-o a casos novos; é possível até transformar a determinação especial em regra geral. Em suma: a incapacidade implícita entre duas expressões de direito não se presume; na dúvida, se considerará uma norma conciliável com a outra. O / / _ vi 11 jurisconsulto Paulo ensinara que — as leis posteriores se ligam às anteriores, se lhes não são contrárias, e esta última circunstância precisa ser provada com argumentos sólidos." "Se a lei nova cria, sobre o mesmo assunto da anterior, um sistema inteiro, completo, diferente, é claro que todo o outro sistema foi eliminado. Por outras palavras: dá-se ah-rogação, quanto a norma posterior se cobre com o conteúdo todo da antiga". (Maximiliano, Carlos, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 12" edição, Ed. Forense Rio de Janeiro 1992, pág. 358.). Tenho que as disposições do artigo 42, § 1 0, da Lei n° 9.430, de 1996, ao fazerem referência que o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado e as disposições dos artigos 8°, 90 e 10 da Lei n°. 8.134, de 1990, prevendo que "as pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se detemánará o saldo do imposto a pagar ou a restituir", convivem haimonicarnente, iguais linhas paralelas de trilhos de trem que seguem lado a lado, sem se chocarem, mas cada uma delas cumprindo sua função. Não há antinomia entre uma norma estabelecer que os valores consideram-se recebidos no mês em que houver o crédito pela instituição financeira e outra norma considerar que todos os valores devem ser levados ao ajuste anual. O que é necessário que se tenha presente é que na apuração da base de cálculo mensal deve, quando for o caso, se efetuar as deduções previstas no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995. Pelos fundamentos acima expostos, tem-se que o fato gerador, no caso de rendimentos obtidos por pessoa física, não é mensal, mas sim anual e ocorre no último momento do dia 31 de dezembro de cada ano-calendário. ISSO POSTO, rejeito as preliminares e nego provimento ao recurso especial, para manter a exigência tributária. É o voto. -- Moises iacome 1 unes da 1va - Relator. 12
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Numero do processo: 16327.000520/2003-21
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999
DECADÊNCIA. SÚMULA Nº 8 DO STF.
Não se conhece do recurso especial fundado em contrariedade à lei quando a norma apontada foi declarada inconstitucional pelo STF.
Recurso Especial do Procurador não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.389
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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SÚMULA Nº 8 DO STF. Não se conhece do recurso especial fundado em contrariedade à lei quando a norma apontada foi declarada inconstitucional pelo STF. Recurso Especial do Procurador não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 20 /2 00 3- 21 Fl. 872DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000520/200321 Acórdão n.º 9303002.389 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão n ° 20310.566, assim ementado: (...) PIS. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS extinguese em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Acolhida a decadência para o período de 31/01/97 a 31/01/98. (...) Foi lavrado auto de infração, cientificado em 19/02/2003, por falta/insuficiência de pagamento do PIS. O período de apuração foi de 01/01/1997 a 31/12/1999. O acórdão recorrido aplicou a decadência prevista no art. 150, § 4º do CTN, com o fundamento de se tratar o PIS de um tributo lançado por homologação, sem perquerir a existência de pagamento. A PGFN interpôs Recurso Especial pleiteando a aplicação do prazo decadencial de de 10 anos previsto no art. 45 da Lei 8.212/91. A recorrente pleiteia, em em contrarazões, a manutenção do julgado, com a devida aplicação do art. 150, § 4 do CTN. O contribuinte também interpôs Recurso Especial, porém pediu desistência, exceto na matéria decaída, nos termos do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto O recurso interposto pela PGFN é tempestivo e porém não deve ser conhecido por ter sido fundado em contrariedade a Lei 82012/91, posteriormente declara inconstitucional pelo STF. Cuidase, neste processo, de exigência fiscal relativa ao PIS, referente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/1997 a 31/12/1999, consubstanciada no Auto de Infração cuja ciência pelo contribuinte se deu em 19/02/2003. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000520/200321 Acórdão n.º 9303002.389 CSRFT3 Fl. 4 3 A PGFN pugna pela aplicação do art. 24 da Lei 8.212/91. Já o sujeito passivo baseia toda a sua argumentação na tese jurídica de aplicação do art. 150, §4º do mesmo código, indepentemente de se haver ou não pagamento, a mesma adotada pela decisão ora recorrida. Em nenhum momento contesta a ausência de pagamento. Assim, não conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 874DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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