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Numero do processo: 13804.007318/2003-69
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1997 PRESCRIÇÃO QUANTO AO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AFASTABILIDADE. Em 04 de agosto de 2011, o STF encerrou a discussão, reconhecendo o direito dos contribuintes, antes da edição da Lei Complementar n° 118/2005, de repetir indébito tributário no prazo de 10 anos, aplicável tal entendimento ao presente caso (Vide RE 566621, Julgado em 04.08.2011, Rel. Min. Ellen Gracie, Repercussão Geral reconhecida). REFORMA DA DECISÃO. NECESSIDADE DE ENFRENTAMENTOS DE OUTRAS QUESTÕES. Considerando ainda o fato da contribuinte ter protocolado petição requerendo a alteração do valor do crédito de R$ 791.517,68, informado no DCOMP, para R$ 727.920,68, bem como solicitou a alteração do débito de Cofins de R$ 500.548,42 para R$ 436.951,42, mediante apresentação de novo formulário, que não foram enfrentadas pela DRJ. Existindo questões importantes nos autos que não foram apreciadas ainda, daí a necessidade de se garantir ao contribuinte e ao fisco a revisão da compensação pelo órgão julgador de primeira instância. Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-000.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência do direito à compensação e DETERMINAR o retorno dos autos à autoridade de primeira instância, para o proferimento de nova decisão, apreciando-se os demais elementos da lide, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedida a Conselheira Cristiane Silva Costa.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 PRESCRIÇÃO QUANTO AO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AFASTABILIDADE. Em 04 de agosto de 2011, o STF encerrou a discussão, reconhecendo o direito dos contribuintes, antes da edição da Lei Complementar n° 118/2005, de repetir indébito tributário no prazo de 10 anos, aplicável tal entendimento ao presente caso (Vide RE 566621, Julgado em 04.08.2011, Rel. Min. Ellen Gracie, Repercussão Geral reconhecida). REFORMA DA DECISÃO. NECESSIDADE DE ENFRENTAMENTOS DE OUTRAS QUESTÕES. Considerando ainda o fato da contribuinte ter protocolado petição requerendo a alteração do valor do crédito de R$ 791.517,68, informado no DCOMP, para R$ 727.920,68, bem como solicitou a alteração do débito de Cofins de R$ 500.548,42 para R$ 436.951,42, mediante apresentação de novo formulário, que não foram enfrentadas pela DRJ. Existindo questões importantes nos autos que não foram apreciadas ainda, daí a necessidade de se garantir ao contribuinte e ao fisco a revisão da compensação pelo órgão julgador de primeira instância. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência do direito à compensação e DETERMINAR o retorno dos autos à autoridade de primeira instância, para o proferimento de nova decisão, apreciandose os demais elementos da lide, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarouse impedida a Conselheira Cristiane Silva Costa. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.007318/200369 Acórdão n.º 120100.698 S1C2T1 Fl. 228 2 (documento assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Cristiane Silva Costa e Régis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de Pedido de Compensação de crédito de CSLL – saldo negativo do ano calendário de 1997, com débitos de Pis (nãocumulativo) e Cofins, ambas com vencimento em 31/08/2003. A DCOMP foi entregue em 15/09/2003. Em 08/10/2003, a contribuinte protocolou petição requerendo a alteração do valor do crédito de R$ 791.517,68, informado no DCOMP, para R$ 727.920,68, bem como solicitou a alteração do débito de Cofins de R$ 500.548,42 para R$ 436.951,42, e apresentou novo formulário. Em sua DIPJ do anocalendário de 1997, a contribuinte apurou e declarou um saldo negativo de CSLL de R$ 343.375,01 (vide Ficha 11 – fl. 111). A Delegacia da Receita Federal expediu despacho decisório com a seguinte ementa: SALDO NEGATIVO DE CSLL, EXTINÇÃO DO DIREITO DE COMPENSAR. O direito de compensar o alegado indébito extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (Código Tributário Nacional, art. 168, inciso 1, c/c art. 165, inciso I). No caso de suposto saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido apurado com base na tributação pelo lucro real anual, o prazo se iniciou em 31 de dezembro de 1997, data do encerramento do anocalendário, extinguindose em 31 de dezembro de 2002, antes, portanto, da apresentação da Declaração de Compensação, o que foi feito em 15 de setembro de 2003. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA A contribuinte, inconformada com a decisão da DRF, interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando a tese dos 5 + 5 anos, objeto de Repercussão Geral atualmente no STF. A DRJSP, por maioria de votos, manteve a decisão da DRF, apresentando o seguinte entendimento: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.007318/200369 Acórdão n.º 120100.698 S1C2T1 Fl. 229 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 DIREITO À RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O direito de o sujeito passivo pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados, na hipótese de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, da data da extinção do crédito tributário pelo pagamento, DECISÕES JUDICIAIS. OBSERVÂNCIA PELA ADMINISTRAÇÃO. A Administração Pública Federal deverá observar as decisões transitadas em julgado emanadas pelo Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em ação direta, com efeitos estendidos a todos ou que tenha sua inconstitucional idade proferida, incidentalmente, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. Não cabem ser adotadas as demais decisões judiciais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INCOMPATIBILIDADE. Urna vez decido o processo em sua questão preliminar, não há que se adentrar ao mérito, uma vez que são incompatíveis. Solicitação Indeferida. A contribuinte foi intimada da decisão em 20 de março de 2009, apresentou Recurso Voluntário em 22/04/2009, alegando em síntese novamente a tese dos 5 + 5 anos quanto ao prazo de decadência da repetição do indébito, incorrendo inclusive na discussão do disposto na Lei Complementar n° 118/2005, conforme transcrições abaixo: a) Nesse ponto, vale afastar a aplicação da Lei Complementar n° 118/052 ao presente pedido de restituição e compensação, tendo em vista que o referido diploma legal somente produz efeitos para as compensações efetuadas a partir de 09 de junho de 2005, como já expressamente decidido pelo Tribunal Pleno do Superior Tribunal de Justiça: "CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MOD1FICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.007318/200369 Acórdão n.º 120100.698 S1C2T1 Fl. 230 4 ARTIGO 3° INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 40, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA.. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (V Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação — expressa ou tácita do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VI, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2 Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3° da LC 1182005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a 'interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo SEI, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3° da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4°, segunda parte, da LC 1182005, que determina a aplicação retroativa do seu art.. 3°, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art 2°) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art 5°, XXXVI). 6, Argüição de inconstitucionalidade acolhida." (AI nos Embargos de divergência em RESP n° 644 736PE, DAÍ 27/08/2007) b) Como se vê, o acórdão proferido pelo Órgão Pleno do Superior Tribunal de Justiça é claro ao determinar que a LC 118/05 só iniciou seus efeitos a partir de 08 de junho de 2005 sendo, assim, inaplicável aos pedido formulado pela Recorrente em 15 de setembro de 2003; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.007318/200369 Acórdão n.º 120100.698 S1C2T1 Fl. 231 5 (...) c) Com efeito, aplicando os conceitos ao caso vertente, tendo sido o saldo negativo de CSLL apurado em dezembro de 1997, o direito da Recorrente de pleitear a sua restituição só teria findado em dezembro de 2007. E, tendo a ela apresentado o pedido em 13 de setembro de 2003, está mais do que respeitado o prazo prescricional; d) Em seu pedido, requereu sejam acolhidas as suas razões, devendo ser dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que seja integralmente homologada a Declaração de Compensação acostada às fls. 60/61, que retificou a de fls. 01/02. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto à questão da prescrição do crédito, entendo que a decisão da DRJ merece reparos. A despeito de não concordar com a tese dos 5 + 5 do STJ, visto que é desprovida de lógica normativa e interpretativa, o fato é que o artigo 62A do Regimento Interno do CARF determina a aplicação das decisões proferidas pelo E. STF em sede de repercussão geral, como ocorreu recentemente com a questão da decadência do direito da repetição de indébito de tributos recolhidos a maior ou indevidamente. Vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.007318/200369 Acórdão n.º 120100.698 S1C2T1 Fl. 232 6 Nesse sentido, embora o STJ já tenha pacificado a matéria, o fato é que apenas o STF veio dar repercussão geral à questão, vinculando os demais Tribunais quanto ao entendimento da matéria. Vejamos o entendimento consolidado do STJ, julgado pela 1ª Seção, sobre a matéria do prazo decadencial: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, a corrente dos cinco mais cinco. A ação foi ajuizada em 16/12/1999. Valores recolhidos, a título da exação discutida, em 09/1989. Transcorreu, entre o prazo do recolhimento (contado a partir de 12/1989) e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. lnexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária, contados para trás, a partir do ajuizamento da ação." (EREsp n.° 435.8351SC, Rel. Ministro José Delgado, 24.03.2004 — os grifos são nossos). Por fim, em 04 de agosto de 2011, o STF encerrou a discussão, reconhecendo o direito dos contribuintes, antes da edição da Lei Complementar n° 118/2005, de repetir indébito tributário no prazo de 10 anos, aplicável tal entendimento ao presente caso (Vide RE 566621, Julgado em 04.08.2011, Rel. Min. Ellen Gracie, Repercussão Geral reconhecida). Neste aspecto, entendo pela reforma da decisão da DRJ, para que a mesma supere a questão da prescrição, devendo se ater ao mérito, considerando ainda o fato da contribuinte ter protocolado petição requerendo a alteração do valor do crédito de R$ 791.517,68, informado no DCOMP, para R$ 727.920,68, bem como solicitou a alteração do Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.007318/200369 Acórdão n.º 120100.698 S1C2T1 Fl. 233 7 débito de Cofins de R$ 500.548,42 para R$ 436.951,42, mediante apresentação de novo formulário. Portanto, há questões importantes nos autos que não foram apreciadas ainda pela DRJ, daí a necessidade de se garantir ao contribuinte e ao fisco a revisão da compensação pelo órgão julgador de primeira instância, não existindo nos autos o princípio da causa madura para julgamento do mérito pelo CARF. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e no mérito DOULHE provimento para reformar a decisão recorrida, devendo outra ser proferida, pelos fundamentos trazidos nessa decisão. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO
score : 1.0
Numero do processo: 13707.001650/99-06
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO DE INÍCIO – O termo inicial para apresentação do pedido de restituição de valores retidos a título de imposto de renda na fonte por ocasião de quitação de verba indenizatória auferida em Programa de Demissão Voluntária conta-se a partir da data em que foi reconhecida a não incidência de tributação sobre tais verbas.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/04-00.549
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso julgado. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que deu provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: José Ribamar Barros Penha
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO DE INÍCIO – O termo inicial para apresentação do pedido de restituição de valores retidos a título de imposto de renda na fonte por ocasião de quitação de verba indenizatória auferida em Programa de Demissão Voluntária conta-se a partir da data em que foi reconhecida a não incidência de tributação sobre tais verbas. Recurso especial negado
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Numero do processo: 19515.002401/2003-83
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
PRELIMINAR - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL -As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § Io -Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1º CC n° 2).
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.265
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 PRELIMINAR - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL -As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § Io -Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1º CC n° 2). Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
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Numero do processo: 10945.004950/2002-77
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS FORMALIZADA A PARTIR DA OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS À ARRECADAÇÃO DA CPMF — LEIS N° 9.311, DE 1996 E 10.174, DE 2001. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ARTIGO 144, § 1°, DO CTN. A teor do que dispõe o artigo 144, § 1°, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, alcançando fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição, enquanto
não alcançados pela decadência.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE EXERCIDO POR ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme Súmula n. 02 do
Primeiro Conselho de Contribuintes, é incompetente este órgão
administrativo para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade de leis.
Numero da decisão: 9101-000.198
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso especial da contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente e justificadamente a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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ementa_s : IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS FORMALIZADA A PARTIR DA OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS À ARRECADAÇÃO DA CPMF — LEIS N° 9.311, DE 1996 E 10.174, DE 2001. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ARTIGO 144, § 1°, DO CTN. A teor do que dispõe o artigo 144, § 1°, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, alcançando fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição, enquanto não alcançados pela decadência. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE EXERCIDO POR ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme Súmula n. 02 do Primeiro Conselho de Contribuintes, é incompetente este órgão administrativo para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade de leis.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente e justificadamente a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro.
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Interessado FAZENDA NACIONAL IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS FORMALIZADA A PARTIR DA OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS À ARRECADAÇÃO DA CPMF — LEIS N° 9.311, DE 1996 E 10.174, DE 2001. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ARTIGO 144, § 1°, DO CTN. A teor do que dispõe o artigo 144, §1°, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, alcançando fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição, enquanto não alcançados pela decadência. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE EXERCIDO POR ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme Súmula n. 02 do Primeiro Coinelho de Contribuintes, é incompetente este órgão administrativo para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade de leis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente e justificadamente a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. õyl CARLOS ALBERTO '1' TTAS B • ' r TO - Presidente • "" '". KAREM IDO" D • S - Relatora Processo n° 10945.004950/2002-77 • CSRF-Tl Acórdão n.°. 9101-00.198 Fl. 2 EDITADO EM: ei 1 SET 2009'• Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (substituto do vice- presidente), Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Valmir Sandri, Marcos Rodrigues de Mello (substituto convocado) e Irineu Bianchi (substituto convocado). Relatório Trata-se de Recurso Especial (fls. 855/888), apresentado em 07/02/2006, pelo contribuinte, com fundamento no artigo 7°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra Acórdão n° 108-07.875, proferido pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O processo tem origem em Auto de Infração (fls. 565/591) com vistas à cobrança de valores de IRPJ, referente a todos os trimestres dos anos-calendário de 1997, 1998, 1999 e 2000, oriundos de receita de depósitos bancários de origem não comprovada, com aplicação de multa qualificada de 150%, de receitas operacionais de transporte, com aplicação de multa de oficio de 75% e tributação reflexa do PIS, COFINS e CSLL quanto à omissão de receitas, também com aplicação de multa qualificada em 150%. A ciência dos autos foi dada ao contribuinte em 23/09/2002 (fls. 565). Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou impugnação em 14/10/2002 (fls. 618/644), no qual aduz as seguintes razões: a) Os dados de movimentação financeira utilizados pela Fiscalização foram obtidos por meio de informações dos bancos quanto à CPMF. A Lei 9311/96, em seu artigo 11, parágrafo 3°, vedava a utilização destes dados bancários para constituição de crédito tributário de outras contribuições ou impostos que não a própria CPMF. b) A Lei 10.174/2001, que autorizaria a Fiscalização a fazer uso dos dados bancários do contribuinte para constituição de outros créditos tributários seria lei ordinária, não tendo condão de revogar lei complementar vigente à época (Lei 4.595/1964, recepcionada como lei complementar pelo artigo 192 da Constituição Federal) e a Lei Complementar 105 só teria entrado em vigor em 2001, e, por não tratar-se de norma limitada a estender os poderes de • fiscalização das autoridades administrativas, e sim de derrogação de dispositivo legal vigente no período da fiscalização, não deveria ter aplicação retroativa. c) A soma dos depósitos bancários e sua tributação enquanto lucro, receita ou renda, sem investigação mais aprofundada por parte da Fiscalização seria ilegal, pois não ficaria comprovada a vinculação entre os depósitos utilizados pela fiscalização e a omissão de receita verifica pelo Fisco. 2 .\ Processo n° 10945.004950/2002-77 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.198 Fl. 3 d) Quebra do sigilo bancário por órgãos da administração era vedada antes da Lei Complementar 105/2001 quando atingisse terceiros fora das hipóteses previstas na legislação vigente, sem autorização judicial, e, mesmo depois da instituição da Lei Complementar 105, a fiscalização não poderia buscar a origem ou a natureza das operações financeiras efetuadas, o que afirma o contribuinte ter ocorrido na apuração de suas obrigações tributárias. e)Não haveriam provas suficientes de que os depósitos constituiriam omissão de receita, de onde não se justificaria a aplicação da multa de 150%. A não apresentação dos documentos exigidos pela fiscalização no curso do procedimento deveu-se pelo furto dos mesmos, devidamente registrado em Boletim de Ocorrência. Este fato excluiria o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Com este argumentos, pleiteou o cancelamento dos Autos de Infração. Adveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 664/678) que, por unanimidade de votos, considerou o lançamento totalmente procedente, mantendo inclusive a multa qualificada. A decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). NOVA REDAÇÃO DO § 3° DO ART. 11 DA LEI N° 9.311/1996, DADA PELA LEI N° 10.174/2001. A Lei n° 10.174 /2001, que deu nova redação ao § 3 0 do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma disciplinadora do procedimento de fiscalização em si, e não dos fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. DEPÓSITOS BANCÁMOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. LUCRO. O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal terá seu 3 Processo n° 10945.004950/2002-77 CSIRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.198 Fl. 4 lucro arbitrado. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA DE 150% . Caracterizado o evidente intuito de fraude, cabe a aplicação da multa qualificada de 1 50% (art. 44, II, da Lei 9 .430/96). Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000" Diante da total improcedência de seu pedido, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 688/737), reiterando todas as razões apresentadas em sede de impugnação. Ato continuo, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade votos, proferiu o Acórdão 108-07.875, decidindo por dar provimento parcial ao recurso (fls. 796/804), reduzindo a multa qualificada para 75% e mantendo a decisão da Delegacia da Receita Federal no tocante aos outros pedidos. A decisão restou assim ementada: "IRPJ — ARBITRAMENTO DO LUCRO — LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE NA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DA CPMF — RETROATIVIDADE DO ART. 1° DA LEI 10.174/2001. O art. 1° da Lei n°10.174/2001, que alterou o §3° do art. 11 da Lei n° 9.311/96, possibilitando a obtenção de extratos bancários com base na movimentação da CPMF, retroage aos fatos pretéritos à sua vigência, haja vista que a dita alteração apenas ampliou os meios de fiscalização e investigação da autoridade administrativa, estando em consonância com a regra do §1° do art. 144 do CT1V. O mesmo raciocínio deve ser aplicado em relação à vigência do Decreto n°3.724/2001 e da LC 105/2001. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE EXERCIDO POR ÓRGÃO ADMINISTRATIVO — IMPOSSIBILIDADE. Conforme entendimento já sedimentado neste Colendo Colegiado, é incompetente este órgão administrativo para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade de leis. DEPÓSITO BANCÁRIO CONSIDERADO COMO RECEITA, LUCRO OU RENDA — SÚMULA 182 DO TFR TACITAMENTE REVOGADA. Desde o advento da Lei n° 9.430/96, mais precisamente em seu art. 42, os depósitos bancários passaram a ser considerados como lucro, receita ou renda, não cabendo mais ser invocada a Súmula 182 do extinto IFR para os fatos geradores ocorridos posteriormente ao advento da Lei. MULTA DE OFÍCIO — AGRAVAMENTO — INAPLICABILIDADE — REDUÇÃO DO PERCENTUAL — Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendo-se a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Deve ser mantida a tributação reflexa de PIS, COFINS e CSLL, dada a íntima relação de causa e efeito existente com a decisão sobre a exigência principal de IRRI. 4 • •, Processo n° 10945.004950/2002-77 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.198 Fl. 5 Recurso parcialmente provido." O voto do relator enfatizou os seguintes pontos: a) O artigo 1° Lei 10.174/2001 estaria de acordo com o artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN), o que possibilitaria a aplicação do referido dispositivo legal. O mesmo argumento é aplicável no que diz respeito à Lei Complementar 105/2001. b) Afirmou a incompetência do Conselho para apreciar a questão da inconstitucionalidade da revogação do parágrafo 3° do artigo 11 da Lei 9.311/96 pelo artigo 1° da Lei 10.174/2001. c) O artigo 42 da Lei 9.430/96 prevê expressamente a possibilidade de os depósitos bancários poderem ser considerados receitas, lucro ou renda, não prosperando a argumentação do contribuinte em sentido contrário. d) Não há, nos autos, comprovação minuciosa do intuito de dolo, fraude ou simulação, de onde se conclui a inaplicabilidade da multa qualificada. e) A tributação do PIS, COFINS e CSLL deve ser mantida, dada sua relação de causa e efeito com o lançamento principal do IRPJ. Em virtude do acolhimento parcial do pedido do contribuinte, a Fazenda Nacional, em 21/10/2004 interpôs Recurso Especial (fls. 807/825), com o objetivo de alterar a decisão do Conselho com respeito à redução da multa qualificada para 75%. Contudo, o despacho de admissibilidade de fls. 844/846 considerou como não comprovado o dissídio jurisprudencial, dada a diferença de matéria entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas apresentados pela Fazenda, a qual não agravou da decisão. O contribuinte por sua vez, intimado da decisão em 01/02/2006, interpôs também Recurso Especial (fls. 855/888), restringindo sua inconformidade a três pontos, reproduzindo, para cada um deles, as razões apresentadas em sede de impugnação e recurso voluntário: a) Arbitramento do lucro com base na movimentação financeira da empresa, retroatividade do artigo 1° da Lei 10.174/2001: Apresenta novamente a tese de que somente a partir de 10 de janeiro de 2001 (data da Lei Complementar 105) é que o Fisco teria autorização legal para valer-se da movimentação financeira da empresa para constituir créditos de tributos diferentes da CPMF. b) Controle de constitucionalidade por órgão administrativo: Neste aspecto, alegou o contribuinte que, no seu caso, a análise dos dispositivos legais envolvidos na matéria não caracterizaria intromissão nas atribuições do Poder Judiciário, mas tão somente interpretação conforme a Constituição Federal, levando-se em consideração mormente os princípios prescritos nos incisos X, XI, XXXIV, XXXVI do artigo 5° e artigo 150, III, "a" da mesma. c) Depósito Bancário considerado como Receita, Lucro ou Renda: A o(argumentação do contribuinte leva-o a concluir que artigo 42 da L i , r 5 ,) Processo n° 10945.004950/2002-77 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.198 Fl. 6 9.430/96 foi revogado tacitamente pelo artigo 5° da Lei Complementar 105, pois este último prevê que, havendo indícios de omissão de rendimentos, o Fisco tem autorização para quebrar o sigilo bancário do contribuinte para requisitar informações para a adequada apuração dos fatos, ao passo que a prescrição da Lei 9.430/96 era adequada ao tempo em que não era permitido a quebra de sigilo bancário por via administrativa. Com esta redação e raciocínio em mente, conclui o contribuinte que a constituição do crédito deve-se dar sobre a efetiva omissão de receitas provada pelo Fisco, não mais se sustentando tributação com base na presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96. Quanto à tributação reflexa, o próprio contribuinte atesta não ter encontrado divergência necessária à sua contestação. Neste aspecto, limita-se a apontar notícia de decisão proferida em sede de Recurso Extraordinário, de es. 357950, 390840, 358273, 346084, pelo Supremo Tribunal Federal afirmando que a tributação do PIS e COFINS devem recair apenas sobre o faturamento e não sobre toda e qualquer receita. Foi, então, proferido o Despacho 108-060/2006 em 06 de abril de 2006 (fls. 1016/1020), no qual o Presidente da Oitava Câmara reconheceu a divergência jurisprudencial apontada pelo contribuinte em relação a retroatividade do artigo 1° da Lei 10.174/2001 e quanto ao controle de constitucionalidade por órgão administrativo, ambas as questões ventiladas no Recurso Especial. Porém, no que diz respeito à omissão de receitas com base em depósitos bancários, não entendeu o Presidente demonstrada a divergência jurisprudencial apontada, dada a diferença de matéria fática entre o acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes e os acórdãos paradigmas utilizados pelo contribuinte. Diga-se de passagem, a data dos acórdãos apresentados para embasar a divergência jurisprudencial é anterior à própria vigência da Lei 9.430/96. O Procurador da Fazenda, cientificado da decisão em 26/06/2006, conforme comprova assinatura nas fls. 1020, apresentou contra-razões ao recurso especial, somente quanto aos pontos cuja admissibilidade foi reconhecida no despacho 108-060/2006. Quanto à argumentação de que os órgãos administrativos podem fazer interpretação dos dispositivos legais à luz da Constituição, sem que com isso usurpem atribuições do Poder Judiciário, alegou que, se assim fosse, todo servidor público seria transformado em juiz, podendo negar vigência ou efetividade a atos legais, inclusive do Judiciário, afrontando o princípio da separação de poderes. Para que restasse comprovada a interpretação conforme a Constituição, sem a declaração de inconstitucionalidade de um dispositivo legal, deveria ser demonstrado que o dispositivo questionado, em outra situação que não a dos autos seria aplicável. A partir do momento que, sob os argumentos da decisão, conclui-se que a lei afastada não teria aplicação em hipótese alguma, resta caracterizado o juízo de inconstitucionalidade, por via de controle difuso. Aponta o artigo 77 da Lei 9.430/96 que permite ao Poder Executivo abster-se de constituir créditos tributários, retificar o seu valor ou declará-lo extinto ou ainda formular desistência das ações de execução fiscal do mesmo, somente quando os créditos basearem-se em dispositivo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 6 .. Processo n° 10945.004950/2002-77 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.198 Fl. 7 Com relação a aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, aduz o Procurador que a obrigação tributária não nasce com a obtenção de dados da CPMF, mas esta obtenção constitui tão somente uma ferramenta para a consecução da atividade fiscalizatória, visando revelar uma relação de direito já existente. O contribuinte, por sua vez, tomou ciência do despacho 108-060/2006 e agravou (fls. 1041/1052). Reitera a argumentação adotada no Recurso Especial, fazendo uso, inclusive, dos mesmos acórdãos apresentados quando da interposição de Recurso Especial. Ato contínuo, foi proferido o despacho n° 83/07 (fls. 1056/1059), no qual o Conselheiro José Clóvis Alves decide pelo não seguimento do recurso, porquanto não restou a divergência jurisprudencial caracterizada, ressaltando o fato de que o tema a ser tratado pela Câmara deve estar submetido à mesma legislação, quer no acórdão proferido, quer nos acórdãos paradigmas utilizados para embasar o dissídio jurisprudencial, o que não ocorreu no presente recurso. Em 12/08/2008, os autos foram encaminhados a esta relatora para análise dos itens (a) e (b) do Recurso Especial do contribuinte. É o relatório. / • I , 7 Processo n° 10945.004950/2002-77 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.198 Fl. 8 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias O Recurso Especial do contribuinte foi objeto de despacho de admissibilidade às fls. 1016/1020, complementado às fls. 1056/ 1057, no qual foi dado seguimento às seguintes matérias: (i) Retroatividade do artigo 1° da Lei n° 10.174/2001; e (ii) Controle de constitucionalidade por órgão administrativo, conforme prerrogativa contida no §4° do artigo 33 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda vigente à época. Conheço parcialmente o Recurso Especial do contribuinte para apreciação destas duas matérias. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi negado seguimento e não foi apresentado Agravo. Portanto, sobre ele não me manifesto. Quanto à retroatividade do artigo 1° da Lei n° 10.174/2001, o acórdão recorrido entendeu que o citado artigo modificou o artigo 11, § 3° da Lei n° 9.311/19% e "retroage aos fatos pretéritos à sua vigência, haja vista que dita alteração apenas ampliou os meios de fiscalização e investigação da autoridade administrativa, estando em consonância com o §1° do artigo 144 do Código Tributário Nacional". Já a Recorrente argumenta que tal dispositivo apenas pode ser aplicado para fatos geradores a partir de sua vigência, ou seja, 10 de janeiro de 2001. A Lei n° 10.174/2001, em seu artigo 11, parágrafo 3°, determina que compete à Secretaria da Receita Federal continuar com a guarda do sigilo das informações referentes à CPMF, porém, afirma que tais informações podem ser utilizadas para instaurar procedimentos administrativos tendentes a averiguar a existência de créditos tributários relativos a outros tributos e contribuições, desde que observado o disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Trata-se de disposição legal relativa aos procedimentos de fiscalização a serem observados pela autoridade fiscal, estando sujeita, portanto, ao disposto no parágrafo 10 do artigo 144 do Código Tributário Nacional, que determina: "Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1 0 Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.". Entendo que se trata de medida ampliativa dos poderes de fiscalização, não havendo que se falar em principio da irretroatividade das leis tributárias, porquanto a i PI 8 Processo n° 10945.004950/2002-77 - Acórdão n.° 9101-00.198 Fl. 9 irretroatividade trate tão somente da questão afeta à ocorrência da hipótese de incidência tributária, ou seja, cuide somente da questão relativa ao objeto da relação jurídico-tributária (caput do artigo 144), não sendo aplicável às medidas relativas à fiscalização dos contribuintes (§1° do artigo 144). Portanto, o acesso à movimentação financeira da Recorrente se deu em plena observância aos ditames da Lei. Diferente é o caso da tributação com base em depósito bancário, para a qual se aplica o disposto no artigo 144 caput do Código tributário Nacional. Ou seja, a tributação com base exclusivamente em depósito bancário só é autorizada para fatos geradores ocorridos posteriormente ao início da vigência da norma veiculada pelo artigo 42 da Lei 9.430/96. Assim, já decidiu por diversas vezes este Conselho Administrativo, inclusive esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: "APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001 - Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, a Lei n° 10.174, de 2001, apenas ampliou os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável retroativamente essa nova legislação, por força do que dispõe o § 1° do art. 144 do Código Tributário Nacional. SIGILO BANCÁRIO - Os agentes do Físico podem . ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. (CSRF – 4' Turma, Recurso n°104-141.170, Sessão de 13/12/2006). IRPJ – OMISSÃO DE RECEITA – RETROATIVIDADE DA LEI 10.174/01 - POSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ANTES DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001 -.A regra geral de irretroatividade da lei prevista no artigo 144 contempla exceção no tocante à introdução de normas jurídicas que ampliem os poderes de investigação dos agentes fiscais. A inovação trazida pela Lei n° 10.174, de 2001, é disposição de Direito Processual Tributário e, portanto, norma processual de imediata executoriedade e aplicação, inclusive, aos processos pendentes (CPC, art. 1.211). Não há falar em violação da proteção constitucional à vida privada e à intimidade, pois os dados investigados da pessoa jurídica são relativos à vida econômico-financeira – de natureza patrimonial –, além de o sigilo fiscal proibir a divulgação a terceiros dos dados conhecidos em razão de ofício, o que implica que tais dados permanecem de exclusivo acesso da autoridade fiscal. Recurso especial provido. (CSRF – 1° Turma. Recurso n° 103-138.443, sessão de 11/06/2007). Ementa: APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001 - Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, a Lei n° 10.174, de 2001 nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável essa legislação, por força do disposto no § 1°, do art. 144 do Código Tributário Nacional a fatos geradores pretéritos. (CSRF – Quarta Turma, Recurso n° 106-144.960, sessão de 03/03/2008)" 9 Processo n° 10945.004950/2002-77 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.198 Fl. 10 Neste ponto, nego provimento ao Recurso Especial do contribuinte. A segunda questão abordada trata da (im)possibilidade de controle de constitucionalidade por órgão administrativo. Argumenta a Recorrente que o órgão administrativo, no caso o Conselho de Contribuintes, pode examinar a matéria tributada à luz da Constituição, tal como foi efetuado por diversas vezes ao analisar a decadência. Requer, portanto, que seja analisada a revogação do §3° do artigo 11, da Lei n°9.311/96 pelo artigo 1° da Lei n° 10.174/2001 à luz dos artigos 5°, incisos X, XII, XXXIV, XXXVI, e 150, III, alínea 'a', todos da Constituição Federal. Veja-se que no caso da decadência das contribuições (prazo de cinco ou dez anos), decidia-se não pela constitucionalidade ou inconstitucionalidade da Lei n° 8.212/95 (que estabelece prazo decadencial de 10 anos), mas pela aplicabilidade, em cada caso concreto, do Código Tributário Nacional em detrimento da referida norma. Ou seja, entre duas disposições legais divergentes sobre um mesmo fato jurídico, uma deve ser aplicada. De outra parte, no presente caso, não vislumbro sequer um conflito de normas de modo a possibilitar a interpretação de acordo com suas relações de coordenação e hierarquia, sendo certo que a Requerente pleiteia que seja afastado o artigo 1° da Lei 10.174/2001 em razão de sua suposta afronta à Constituição, ou seja, estar-se-ia declarando sua inconstitucionalidade, o que é vedado a este Conselho de Contribuintes. De mais a mais, esta matéria foi objeto de Súmula n° 2, do 1° Conselho de Contribuintes: "Súmula 1°C"C n°2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Assim sendo, não há sequer que ser analisado o dissídio jurisprudencial de matéria já sumulada. Ainda, conforme exposto, verifica-se que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, inclusive desta Câmara Superior de Recursos Fiscais é pacífica não apenas acerca da aplicabilidade da Lei n° 10.174/2001, mas também acerca de sua retroatividade, razão pela qual não merece prosperar o Recurso Especial também quanto a este ponto. Diante de todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. •---- •• / arem Jureidini pás -áatoraJvR 10
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Numero do processo: 19515.000233/2005-53
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso da contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173,1.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.478
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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Numero do processo: 10283.010076/2001-67
Data da sessão: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. VALOR A REPETIR. NECESSIDADE DE APURAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO NA VIA JUDICIAL. NECESSIDADE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
A sistemática de compensação introduzida pela redação original do art. 74 da Lei n. 9.430/96 exige necessariamente prévio requerimento administrativo do contribuinte.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.214
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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LEI COMPLEMENTAR N° 07/70. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até a edição da MP 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE 1k-1 Ç•42, • • • MIRANDA LA • - FORMALIZADO EM: 02 MAI 2,106 Participaram ainda, do presente julgamento, os conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, ANTONIO CARLOS ATULIM, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, ANTONIO BEZERRA NETO, FRANCISCO MAURÍCIO R. DE ALBUQUERQUE SILVA, HENRIQUE PINHEIRO TORRES e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Rr Processo n° : 10930.001847/99-50 Acórdão : CSRF/02-02.214 Recurso n° :201-116342 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : COMERCIAL FOTOGRÁFICA LONDRINA LTDA RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, transcrevo o relatório do v. acórdão recorrido: "Trata o presente processo de pedido de restituição/compensação (fls. 01 e 02) da Contribuição ao Programa de Integração Social — PIS, que a interessada alega ter recolhido a maior que o devido, referente ao período de apuração de setembro/89 a outubro/95. O Delegado da Receita Federal em Londrina/PR, através da Decisão de fls. 151/161, indeferiu o referido pleito por não ter havido pagamento indevido visto, que a legislação superveniente alterou o prazo de recolhimento do PIS e por ter ocorrido o instituto da decadência. Tempestivamente, a empresa apresentou sua manifestação de inconformidade contra a referida decisão, às fls. 164/183, discorrendo, em síntese, que há equívoco da SRF, pois o prazo para o contribuinte reaver a contribuição a maior é de prescrição e não de decadência. Sobre o prazo de recolhimento do PIS. no seu entender, a base de cálculo é o faturamento obtido no sexto mês anterior, sem qualquer correção monetária, que não está prevista na LC n° 7/70. A autoridade julgadora de primeira instáncia administrativa, através da Decisão de fls. 185/200, confirmou o indeferimento do pedido de compensação do PIS, resumindo seu entendimento nos termos da ementa dei!. 185, que se transcreve: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1989 a 31110/1995 Ementa: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito. FATO GERADOR. O fato gerador da contribuição para o PIS é o faturamento do próprio período de apuração e não o do sexto mês a ele anterior. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. Normas legais supervenientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS, previsto originariamente em seis meses. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. 2 6412 (t? Processo n° :10930.001847/99-50 Acórdão : CSRF/02-02.214 Por expressa previsão legal, atualiza-se monetariamente a contribuição devida. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. A recorrente apresentou, em 21.08.00 (fls. 204/233), recurso voluntário a este Conselho de Contribuintes, reafirmando e confirmando os pontos expendidos na peça impugnatória e contestando a decisão de primeira instância e discorrendo o seu entendimento no sentido da aplicação do artigo 6, parágrafo único, da LC n° 7/70. Finaliza, requerendo que seja considerado o prazo de 10 anos para compensar o PIS. ".(fls. 240/241) Ao recurso voluntário, a Eg. 1° Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte deu provimento, em acórdão assim ementado: "PIS — DECADÊNCIA - SEMESTRAL1DADE - BASE DE CÁLCULO —1— A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal, que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional (Resolução do Senado Federal ng 49, de 09/10/95, publicada em 10/10/95). Assim, a partir de tal data, conta-se 05 (cinco) anos até a data do protocolo do pedido (termo final). In casu, não ocorreu a decadência do direito postulado. 2 — A base de cálculo do PIS, até a edição da MP n2 1.212/95, corresponde ao ;aturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (Primeira Seção STJ - REsp n° 144.708 - RS - e CSRF). Aplica-se este entendimento, com base na LC rza 7/70, aos fatos geradores ocorridos até 29 de fevereiro de 1996, consoante o que dispõe o parágrafo único do art. 1 2 da IN SRF n° 06, de 19/01/2000. Recurso provido." (fi. 239, negritos no original) Irresignada, a Fazenda Nacional, com fulcro no voto divergente proferido pelo II. Conselheiro José Roberto Vieira, interpôs recurso especial em que sustenta, em síntese, que a interpretação ofertada pelo acórdão recorrido ao par. único do art. 6° da LC 07110, que rege a matéria, diverge do seu conteúdo.Isso porque não se refere à base de cálculo do tributo, eis que o faturamento de um mês não é grandeza hábil para medir a atividade empresarial de seis meses, mas sim, ao prazo de recolhimento da contribuição. Referido recurso foi admitido por força do acolhimento de agravo. Contra-razões apresentadas às fls. 300/326. É o relatório. 614ç3 Processo n° :10930.001847/99-50 Acórdão : CSRF/02-02.214 VOTO Conselheira ADRIENE MARIA DE MIRANDA, Relatora. Como exposto, a questão posta em debate no recurso especial em exame refere-se à forma de apuração da contribuição ao PIS nos termos em que fixada pela LC n° 07/70, norma vigente à época dos créditos pleiteados nos presentes autos, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-leis n°s 2.445/88 e 2.449/88. Sobre o tema já se manifestou essa Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais, sendo pacifico o entendimento de que a contribuição ao PIS até fevereiro de 1996 deve ser recolhida nos moldes da LC n° 07/70, isto é, mediante a aplicação da aliquota de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior. É o que se verifica, por exemplo, dos seguintes julgados: "PIS - PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO — O prazo de decadência/prescrição para requerer-se restituição/compensação de valores referentes a indébitos exteriorizados no contexto de solução jurídica conflituosa, em que, em sede de controle incidental, o STF declarou a inconstitucionalidade da lei tributária, começa a fluir para todos os contribuintes a partir do momento em que a decisão do Excelso Tribunal passou a ter efeitos erga omnes, in casu, 10 de outubro de 1995, data de publicação da resolução do Senado da República que suspendeu o dispositivo inquinado de inconstitucionalidade. PIS — COMPENSAÇÃO - Os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos Decretos-Leis nos 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a data em que passou a viger as modcações introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso especial improvido." (CSRF/02-01.834, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, dj. 25/01/2005, negritamos) 4 . • Processo n° :10930.001847/99-50 Acórdão : CSRF/02-02.214 "PIS — BASE DE CÁLCULO - SEMESTRAL IDADE — Até o advento da MP n" 1212/95, a base de cálculo da Contribuição para o PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo único, do art. 6°, da Lei Complementar n° 07/70. Precedentes do STJ e da CSRF — Recurso especial da Fazenda Nacional negado." (CSRF/02- 01.570, Rel. Cons. Otacilio Dantas Cartaxo, d.j. 27/01/2004, negritamos) Destaque-se, ainda, que esse é o posicionamento assentado também pelo Col. Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO — CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP — SEMESTRALIDADE — BASE DE CALCULO — FATURAMENT'0 DO SEXTO MÊS ANTERIOR AO DA OCORRÊNCIA DO FATO IMPONIVEL —ART. 6`; ÚNICO, DA LC 07/70 — CORREÇÃO MONETÁRIA — NÃO-INCIDÊNCIA — COMPENSAÇÃO - CORREÇÃO MONETÁRIA - APLICAÇÃO DA UFIR E DA TAXA SELIC - MATÉRIA NÃO APRECIADA NA INSTÁNCIA "A QUO" - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO STJ - C.F., ART. 105, III - PRECEDENTES DA EG. I° SEÇÃO. - Consoante iterativa jurisprudência de ambas as Turmas integrantes da eg. 1. Seção, a base de cálculo do PIS, sob o regime da LC 07/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. - A jurisprudência da Primeira Seção deste Tribunal firmou entendimento no sentido de não admitir a correção monetária da base de cálculo do PIS, por total ausência de expressa previsão legal. - Ressalva do ponto de vista do relator. - Incabível a apreciação neste Tribunal dos temas referentes à aplicação da UFIR e da Taxa Selic na correção monetária dos valores compensáveis, se a Corte de origem sequer a eles se referiu, já que entendeu inexistirem os pagamentos indevidos a titulo da contribuição questionada (C. F., art. 105, III). - Recurso conhecido e provido parcialmente." (Resp n° 390.221/RS, Rel. Min. Francisco Peçanha Marfins, DJ de 05/05/2005, negritanms) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. I. A ratio essendi da LC 07/70 revela inequívoca intenção do legislador em beneficiar o contribuinte com a instituição da base de cálculo consistente no faturamento do semestre anterior (PIS SEMESTRAL), máxime em se tratando de inovação no campo da contribuição social, funcionando a estratégia fiscal como singular vacatio legis. Precedentes uniformizadores das turmas que compõem a Seção. 2. A opção do legislador de fixar a base de cálculo do PIS como sendo o valor do faturamento ocorrido no sexto mês anterior ao da ocorrência do fato 5 61) • Processo n° :10930.001847/99-50 Acórdão : CSRF/02-02.214 gerador tem caráter político que visa, com absoluta clareza, beneficiar o contribuinte, especialmente, em regime inflacionário. 3. A I° Turma desta Corte, por meio do Recurso Especial n° 240.93 8/RS, cujo acórdão foi publicado no DJU de 10/05/2000, reconheceu que, sob o regime da LC 07/70, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador do PIS constitui a base de cálculo da incidência 4. A base de cálculo do PIS não pode sofrer atualização monetária sem que haja previsão legal para tanto. A determinação de sua exigência é sempre dependente de lei expressa, de forma que não é dado ao Poder Judiciário aplicá-la, uma vez que não é legislador positivo, sob pena de determinar obrigação para o contribuinte ao arrepio do ordenamento jurídico-tributário. Ao apreciar o SS n° 1853/DF, o Exmo. Sr. Ministro Carlos Venoso, Presidente do STF, ressaltou que "A jurisprudência do STF tem-se posicionado no sentido de que a correção monetária, em matéria fiscal, é sempre dependente de lei que a preveja, não sendo facultado ao Poder Judiciário aplicá-la onde a lei não determina, sob pena de substituir-se ao legislador (V: RE n" 234003/RS, Rel. Min. Maurício Corrêa; DJ 19.05.2000)". 5. A 1' Seção, deste Superior Tribunal de Justiça, em data de 29/05/01, concluiu o julgamento do Resp n° I44.708/RS, da reta tona da eminente Ministra Diana Calmon (seguido dos Resp 248.893/SC e 258.65 I/SC), firmando posicionamento pelo reconhecimento da característica da semestralidade da base de cálculo da contribuição para o PIS, sem a incidência de correção monetária. 6. Inocorre violação do art. 460 do CPC se o aresto recorrido decide a lide nos limites do pedido formulado. 7.Ausência de argumentos suficientes para a alteração da decisão agravada. 8. Agravo regimental desprovido." (AgRg no REsp n°644.648, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 30/05/2005, negritamos) Dessa forma, ao contrário do que sustenta a recorrente, o par. único do art. 6° da LC n° 07/70 refere-se à base de cálculo da contribuição ao PIS, que é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador conforme reconhecido pelo v. acórdão recorrido. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões — DF, em 24 de janeiro de 2006 , • • • A DE MI • RANDA 6 GA" _ Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13706.002784/98-19
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. CONCEITO DE NÃO RESIDENTE NO PAÍS.
Considera-se não-residente a pessoa física que se ausente do Brasil em caráter temporário, a partir do dia seguinte àquele em que complete doze meses consecutivos de ausência.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3805-000.057
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Presidiu a sessão o Conselheiro Sidney Feno Barros.
Nome do relator: Sidney Ferro Barros
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S3-TE05 Fl. 120 " •• •, 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS t&17:. ''' TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO' Z.4."..-glrà-M--- "'- Processo n° 13706.002784/98-19 Recurso n° 160.950 Voluntário Acórdão n° 3805-00.057 — 5' Turma Especial Sessão de 20 de março de 2009 Matéria IRPF Recorrente JOÃO ALVES PINTO FILHO Recorrida 3' TURMA/DRJ-SALVADOR/BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 IRPF. CONCEITO DE NÃO RESIDENTE NO PAÍS. Considera-se não-residente a pessoa fisica que se ausente do Brasil em caráter temporário, a partir do dia seguinte àquele em que complete doze meses consecutivos de ausência. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira 'vete Malaquias Pessoa Monteiro. Presidiu a sessão o Conselheiro Sidney Feno Barros. \ - SIDNEY F CR* : • " OS Presidente \ \ SIDNEY FERR S .. Relator I 1 - Processo n°13706.002784/98-19 S3-TE05 Acórdão n.° 3805-00.057 Fl. 121 FORMALIZADO EM: 28 MAI 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho e Sandro Machado dos Reis. Relatório Com a finalidade de descrever os fatos sob foco neste processo, até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 39 a 41 da instância a quo, in verbis: "Neste processo o interessado impugna auto de infração do imposto de renda de 1997 (fl. 02), onde foi alterado o saldo inexistente de imposto a pagar ou a restituir para imposto a pagar no valor de R$ 20.270,00. Em sua impugnação o interessado argumenta que os rendimentos foram recebidos no exterior na Argentina, apresentando para tal comprovante o comprovante de rendimentos." Na decisão recorrida, foi aceito o comprovante apresentado e efetuados os recálculos devidos, alterando-se o lançamento, por redução, de R$ 20.270,00 para R$ 10.416,38 a titulo de imposto suplementar. Irresignado, o Recorrente apresenta o apelo de fls. 51/66 por meio do qual alega, em síntese: a) Após uma estadia de anos na Argentina, o interessado retornou ao Brasil em 13.01.1997; b) Em 30.04.1997, entregou sua Declaração de Ajuste Anual e incluiu indevidamente no campo Rendimentos Tributáveis recebidos de Pessoa Jurídicas a quantia de R$ 96.200,00; c) O mesmo valor foi registrado no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, item 4, como parcela isenta dos rendimentos de ausentes no exterior, por se referir à importância recebida da empresa Construtel Argentina S/A por trabalho assalariado; d) Em conformidade com a legislação brasileira, não foi lançado pelo Recorrente imposto a pagar sobre tal valor, uma vez que essa receita já havia sido tributada na Argentina, não sendo cabível outra tributação complementar qualquer pela Fazenda Nacional; e) Ao processar a declaração anual em questão, a RFB lançou, de oficio, IR no valor de R$ 20.270,00 sobre aquela base equivocadamente registrada pelo contribuinte, o que foi impugnado pelo contribuinte em 19.11.1998; 2 Processo n°13706.002784/98-19 S3-TE05 Acórdão n.• 3805-00.057 a 122 Oito anos depois, em 11.09.2006, da DRF da Capital requisitou documentos adicionais, tendo sido apresentado pelo interessado os vistos do período em que morou e trabalhou na Argentina. Em suma, sintetiza: 1. Durante o ano-calendário de 1996 não residiu nem recebeu, no Brasil, valor passível de tributação neste País; Não há nos autos qualquer controvérsia sobre os documentos apresentados, estando assente, sem retoques, que o requerente trabalhou e residiu em solo argentino, exclusivamente, durante todo o ano de 1996, retomando ao Brasil em 13 de janeiro de 1997, de onde não mais se ausentou; O Acórdão recorrido, quando confirmou o lançamento de oficio, desconsiderou a literalidade do art. 98 do CTN, deixando de considerar norma multilateral convencionada entre dois países, referendada por regulamento legal brasileiro; IV. Não houve fatos geradores de Imposto de REnda no território brasileiro durante o ano de 1996 e o direito de tributar os rendimentos auferidos pelo Recorrente na Argentina, não cumulativo, é da competência exclusiva daquele pais; V. A exigência de pagamento de imposto complementar é ilegal e não há justificativa para lançamento da multa de oficio (mencionou a aplicação da Súmula 14 deste Conselho, além de decisões do STF). Destaco, ainda, por me parecer relevante, o terceiro parágrafo da página 10 (fl. 60) do apelo: "Se ficou incontroverso o fato do requerente ter recebido exclusivos rendimentos durante o ano de 1996 na Argentina, onde trabalhava como assalariado e residia, e se a legislação dos dois países assentou que o imposto é devido exclusivamente no pais onde a receita é contabilizada pelo contribuinte, no caso a Argentina, qual é a base legal para exigir-lhe, no Brasil, recolhimento complementar sobre esses proventos?" É o relatório. Voto Conselheiro SIDNEY FERRO BARROS, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A questão toda, como se verifica, cinge-se em se determinar se a razão está com a decisão de primeira instância — segundo a qual o Recorrente estava obrigado a pagar a diferença entre o valor devido pelas regras do IRPF brasileiro e o montante pago na Argentina — ou com o contribuinte — segundo o qual tudo estaria pago na Argentina, sem qualquer ajuste para o imposto brasileiro cabível. 3 Processo n• 13706.002784198-19 53-TEUS Acórdão n.' 3805-00.057 Fl. 123 Pelas normas legais em vigor, atualmente consolidadas na IN SRF n° 208/2002, é considerado não-residente no Brasil para fins tributários aquele que se ausente do Brasil em caráter temporário, a partir do dia seguinte àquele em que complete doze meses consecutivos de ausência. Entre as várias cópias de vistos argentinos apresentadas pelo Recorrente (fls. 28/35), o Relatório Fiscal de fl. 37 comprovou a concessão de vistos temporários nos períodos de 15.07.1992 a 15.07.1995; de 29.08.1995 a 24.08.1996; e de 24.08.1996 a 24.08.1997. Somente este período considerado, que sublinhei, já apresenta mais de doze meses de ausência do contribuinte, em território argentino (de 29.08.1995 a 31.12.1996– data de encerramento do período-base em questão – fato gerador em 31.12.1996). Aliás, quanto ao término do período anterior (de 15.07.1992 a 15.07.1995), não há notícia no processo de que tenha havido retomo do contribuinte ao Brasil. O mesmo Relatório Fiscal, contudo, salienta que o contribuinte não apresentou a Declaração de Saída Definitiva no País ou de Residência no exterior, mas tomo esse fato como irrelevante, na linha, aliás, da orientação da própria RFB, conforme se lê numa de suas perguntas e respostas estampadas em seu site na Internet e que há tempos constam dos livretos "Perguntas e Respostas" por ela editados – por exemplo, na edição de 2007, questão n° 116 (que, efetivamente, têm o condão de orientar os contribuintes e, assim, adaptam-se ao conceito de "normas complementares" a que se refere o art. 100, III, do CTN, como "práticas reiteradamente observcsdas pelas autoridades administrativas"): "RESIDENTE — SAIDA DEFINITIVA SEM ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU TEMPORÁRIA 115 — Como é considerada a pessoa fisica que se retire em caráter permanente do Brasil sem a entrega da Declaração de Saída Definitiva do Pais ou em caráter temporário? A pessoa fisica que se retire, em caráter permanente do Brasil, sem a entrega da Declaração de Saída Definitiva do País ou em caráter temporário é considerada: I - como residente no Brasil, durante os primeiros 12 meses consecutivos de ausência; II - como não-residente, a partir do 13° mês consecutivo de ausência. (Instrução Normativa SRF n° 208, de 27 de setembro de 2002, arts. 2°, inciso • V, e 3°, inciso II e V)" [grifei] Salienta-se que o residente no exterior declara e tributa seus rendimentos apenas no Pais onde se encontra. Assim, a decisão de primeira instância deu tratamento ao Recorrente de contribuinte residente no Pais que auferiu rendimentos no exterior. Ou seja: decidiu que deveria tributar esses rendimentos e permitir a compensação do imposto pago na Argentina, país com o qual o Brasil mantém acordo de tributação. Isso significa que laborou em equivoco o acórdão recorrido, pois a documentação apresentada confirma que o Recorrente era residente na Argentina, razão pela qual o lançamento não pode ser mantido. 4 k Processo n° 13706.002784/98-19 S3-TE05 Acórdão n.° 380540.057 Fl. 124 Por todo o exposto, dou provimento ao recurso. Sala das S sões, 20 de março de 2009 SIDNEY FE O OS 5 • - `!--- ,til-ines • MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 13706.002784/98-19 Recurso n° 160.950 Voluntário TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 61 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 25 de junho de 2007, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quinta Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a tomar ciência do Acórdão n° 3805-00.057. Brasília, 02e. oS - acce g•-• Aste-r't ENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente da Terceira Seção do CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com ciência [ 1 Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência Procurador(a) da Fazenda Nacional Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10665.900578/2006-00
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO - CRÉDITO INEXISTENTE.
Não se admite a compensação de débitos com créditos não comprovados.
Numero da decisão: 1103-000.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade de votos.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Sérgio Fernandes Barroso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Não se admite a compensação de débitos com créditos não comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade de votos. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 05 78 /2 00 6- 00 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 06, por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.° 01344.72883.301003.1.3.049954, transmitida em 30/10/2003, não foi homologada. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de IRPJ do quarto trimestre de 1998, apurado com base no lucro presumido, código 2089, no valor de R$ 3.165,97, efetuado em 27/01/1999. Consta do despacho decisório, que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas o valor recolhido foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, de mesmo valor, código de receita e período de apuração, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), art. 74 da Lei n.° 9.430, 27 de dezembro de 1996. A ciência do despacho se deu em 01/07./2008 (fl. 08). Em 25/07/2008, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fl. 09. Nela são apresentados os seguintes argumentos: • o despacho decisório é nulo; • a lei autoriza o contribuinte a fazer, ele mesmo, um juízo de valor, por sua conta e risco, sobre um pagamento ter sido feito indevidamente ou a maior do que o devido e utilizálo, ele mesmo, o contribuinte, na compensação de débitos próprios; • a compensação declarada extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação; • tendo a compensação realizada pelo sujeito passivo presunção de validade, conforme art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, o fisco, se a quiser desconstituir, tem que expedir ato fundamentado para este fim; • para indeferir uma compensação, é ônus do fisco dizer, fundamentadamente, o porquê do crédito utilizado não ter sido aceito; • o manifestante considerou como indevido o pagamento feito no período correspondente e usou a faculdade legal de compensálo com débito seu; a compensação não foi homologada, porque o fisco não reconheceu a existência do crédito, com a alegação de que o recolhimento foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ relativo ao período de apuração de 31/12/1998; • a alegação do fisco é vazia e desprovida de fundamentação; • dizer que as compensações foram indeferidas com a alegação de que o crédito foi utilizado para quitar o débito do período correspondente não constitui explicação fundamentada; • a cada crédito pleiteado pelo sujeito passivo há um correspondente pagamento de tributo considerado indevido por este; Fl. 44DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10665.900578/200600 Acórdão n.º 1103000.786 S1C1T3 Fl. 42 3 • por deixar de expor, fundamentadamente, as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento, o despacho decisório é nulo, conforme decisões do Conselho de Contribuintes; • o despacho decisório, por não ser fundamentado, viola o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa (art. 5°, inciso LV, da CF); • se a parte contra a qual recai o despacho não tiver conhecimento das razões que justificam a tomada de determinada decisão, nem sequer saberá quais os fatos e fundamentos específicos que terá de impugnar, ficando prejudicada a sua defesa; • é como se uma determinada pessoa fosse presa por.crime de furto, mas não houvesse, na decisão que determinou a sua prisão, qual o objeto furtado, quando e em que local houve o furto, e qual o fundamento legal específico que a conduta imputada a ela se enquadra; • sem essas informações, o preso não tem como se defender; • o mesmo ocorre no caso, em que o fisco não expôs, fundamentadamente, as razões de fato e de direito que o levaram a indeferir as compensações, impedindo o manifestante de impugnálas; • pelo exposto, pedese que o despacho seja declarado nulo. A 3.ª Turma da DRJ em Belo Horizonte, por meio do acórdão n.º 0222.000, decidiu (ementa): “COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. Não se admite a compensação de débito com recolhimento que não representa crédito passível de restituição ou de ressarcimento.” A contribuinte por meio de recurso alega: A Ausência de Norma Especifica que Determina a Retificação das DIPJs (e Até das DCTFs) nos Casos de Compensação com Pagamento Indevido ou a Maior; À época da realização das compensações (2003), não existia nenhuma norma específica exigindo a retificação da DIPJ (posteriormente substituída pela DCTF, no que se refere à confissão de dívida) para que fosse suprimido nesta o valor do crédito compensado; Aliás, somente com a última instrução normativa que disciplinou a restituição e a compensação (IN RFB n° 900/2008), é que surgiu a exigência de retificação das respectivas declarações nos casos de compensação, e ainda assim apenas para compensações que utilizam crédito de contribuições previdenciárias (art. 195, inciso I, alínea "a", e inciso II, da Constituição Federal) e de reembolso de valores de quotas de • saláriofamília e salário maternidade; Portanto, há norma específica determinando a retificação das respectivas declarações, em se tratando de compensação com pagamento indevido ou a maior, apenas nos Fl. 45DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 casos de compensações utilizando crédito de contribuições previdenciárias e de reembolso de valores de quotas de saláriofamília e saláriomaternidade, e ainda assim somente após a vigência da IN RFB n° 900/2008. Como o IRPJ não constitui evidentemente contribuição previdenciária (art. 1°, inciso I, da IN RFB n° 900/2008), e muito menos saláriofamília ou saláriomaternidade, é evidente que até o momento o contribuinte não precisa retificar a DIPJ ou a DCTF referente ao pagamento indevido ou a maior de IRPJ utilizado em compensações, razão pela qual não se pode exigir da recorrente a retificação da DIPJ relativa ao crédito utilizado. Por fim, não pode o Fisco alegar também que a DIPJ ou a DCTF constituem confissão de dívida, e que assim, mesmo sem norma específica, deveriam ser retificadas no presente caso. Do mesmo modo que a DIPJ ou a DCTF constituem confissão de divida, o Per/Dcomp constituição declaração de compensação, ou seja, o valor neste utilizado constitui crédito, tendo presunção legal de validade (art. 74, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430/96). No presente caso, o que deveria fazer o Fisco é levar em consideração a declaração posterior, no caso, o Per/Dcomp, e não a anterior (DIPJ), pois, se o contribuinte utiliza um pagamento indevido em um Per/Dcomp, é óbvio que, com esta declaração, ele está automaticamente anulando o lançamento de tal pagamento como débito na DIPJ (ou DCTF). A lógica e a regra geral é prevalecer a declaração posterior, e não a anterior, como quer o Fisco. Prova disso é que até o momento, repetindo, em relação à maioria dos tributos,, não há norma especifica determinando a retificação das respectivas declarações, nos casos de compensações com pagamento indevido ou a maior. Como já explicado, se o contribuinte utiliza um pagamento indevido em um Per/Dcomp, ele, com esta declaração, está automaticamente anulando o lançamento de tal pagamento como débito na DIPJ ou na DCTF. Apenas para casos especiais se exige a retificação (exigência que deve ser explicita), como nas compensações com contribuições previdenciárias e de reembolso de valores de quotas de saláriofamília e saláriomaternidade. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Do voto da 3a. Turma da DRJ/BHE extraio: “Conforme fls. 24 a 27, o recolhimento de R$ 3.165,97, efetuado em 27/01/1999, com código 2089, foi alocado a débito de IRPJ de código 2089, de mesmo valor, referente ao quarto trimestre de 1998, informado na DIPJ do exercício de 1999, ano calendário de 1998. Conforme fls. 28 a 30, o contribuinte declarou na linha 22 da ficha 14 da D1PJ referente ao ano calendário de 1998, saldo de imposto de renda a pagar, apurado com base no lucro presumido, no valor de R$ 3.165,97. Na linha 23 da mesma ficha, o contribuinte declara que referido débito foi Fl. 46DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10665.900578/200600 Acórdão n.º 1103000.786 S1C1T3 Fl. 43 5 integralmente quitado por meio de pagamento com DARF de mesmo valor. Portanto, é procedente a alocação do recolhimento ao débito declarado. A DIPJ faz prova em favor do fisco. Recai sobre o contribuinte o ônus de fazer a contraprova. Não se admite que o contribuinte desconheça os dados da declaração por ele prestada. Negar o débito declarado é contradizerse. Para contestar sua própria palavra, dada como expressão da verdade na DIPJ, deve o contribuinte provar o erro ou falsidade de sua declaração. Entretanto, tal prova o impugnante não logra fazer.” Dessa forma, o valor do crédito que a contribuinte pleiteia foi alocado em um débito reconhecido pela própria contribuinte. O que a contribuinte alega sua defesa é que não haveria obrigatoriedade de fazer retificação, ora, se a contribuinte quer utilizar um crédito ela precisa convencer/provar a autoridade fazendária de que o crédito pleiteado existe. No caso, a contribuinte reconhecera um débito de IRPJ de código 2089, referente ao quarto trimestre de 1998, informado na DIPJ do exercício de 1999, anocalendário de 1998, conforme fls. 28 a 30. Para ela ter direito ao crédito pleiteado ela precisaria provar que o débito referido não existia. Observe que não se trata apenas de retificar a DIPJ, precisaria a contribuinte fazer prova da veracidade da retificação. Em sede de recurso, a recorrente apenas alega que a sua DCOMP por ser posterior teria maior valor probante de que sua DIPJ, ora, não se trata de qual declaração teria maior valor, mas sim, como já dito, de provar o direito alegado. Coisa que nem em sede de recurso foi ventilado. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 47DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 19515.004307/2009-54
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
PEDIDO DE DILAÇAO DO PRAZO DE DEFESA. PROIBIÇÃO PELA
LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Os atos processuais, por força do disposto no art. 177 do Código de Processo Civil, realizar-se-ão nos prazos prescritos em lei. O prazo para impugnação é de trinta dias, conforme teor dos arts. 243, § 2º, e 293, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
CO-RESPONSÁVEIS Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança
SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a
remuneração atribuída ao empregado e contribuinte individual em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.
ASSISTÊNCIA MÉDICA.
Para a isenção de contribuição sobre os valores relativos ao benefício da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa.
VALE TRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011.
ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO
A distribuição de lucro relativa ao ano de 2004, foi efetuada nos moldes permitidos pelo contrato social da sociedade empresária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.856
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os valores relativos a vale-transporte, alimentação e distribuição de lucros do ano de 2004. A multa, também, deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. PEDIDO DE DILAÇAO DO PRAZO DE DEFESA. PROIBIÇÃO PELA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Os atos processuais, por força do disposto no art. 177 do Código de Processo Civil, realizar-se-ão nos prazos prescritos em lei. O prazo para impugnação é de trinta dias, conforme teor dos arts. 243, § 2º, e 293, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. CO-RESPONSÁVEIS Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado e contribuinte individual em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. ASSISTÊNCIA MÉDICA. Para a isenção de contribuição sobre os valores relativos ao benefício da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. VALE TRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972. DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO A distribuição de lucro relativa ao ano de 2004, foi efetuada nos moldes permitidos pelo contrato social da sociedade empresária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. PEDIDO DE DILAÇAO DO PRAZO DE DEFESA. PROIBIÇÃO PELA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Os atos processuais, por força do disposto no art. 177 do Código de Processo Civil, realizarseão nos prazos prescritos em lei. O prazo para impugnação é de trinta dias, conforme teor dos arts. 243, § 2º, e 293, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. CORESPONSÁVEIS Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado e contribuinte individual em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. ASSISTÊNCIA MÉDICA. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Para a isenção de contribuição sobre os valores relativos ao benefício da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972. DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO A distribuição de lucro relativa ao ano de 2004, foi efetuada nos moldes permitidos pelo contrato social da sociedade empresária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os valores relativos a valetransporte, alimentação e distribuição de lucros do ano de 2004. A multa, também, deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 02/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Jhonatas Ribeiro da Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004307/200954 Acórdão n.º 230201.856 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal foi cientificado ao sujeito passivo em 22/10/2009 e referese às contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de valetransporte pago em pecúnia; valealimentação sem inscrição no PAT e assistência médica, assim como de valores pagos aos segurados contribuintes individuais e valores pagos a sócios a título distribuição de lucro, considerados como prolabore. O relatório fiscal de fls. 125/142, traz que com relação aos contribuintes individuais, o levantamento referese a valores declarados pelo contribuinte na DIRF, não constando de folhas de pagamento, nem de GFIP’s; de diferenças de valores constantes das folhas e declarados em GFIP, de diferenças nas contribuições pagas sobre as remunerações informadas em folha, DIRF e GFIP’s. Aduz o relatório que com referência à assistência médica, não foram apresentados documentos hábeis a comprovar que o benefício estaria nas excludentes do salário de contribuição.Quanto ao prolabore não forma apresentados documentos para comprovar valores pagos a título de aluguéis, cursos, despesas com viagens, despesas de leasing, prêmio e seguro de vida, materiais de conservação de bens e imóveis,e veículos. Com relação aos lucros distribuídos, foram considerados prolabore por excederem o percentual contratual de distribuição. Após impugnação, Acórdão de fls. 975/1013, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso onde alega, em síntese: a) decadência; b) cerceamento de defesa porque teve indeferido o pedido de dilação de prazo para apresentação de documentos; que pela leitura do REFISC não soube com clareza quais as imputações em espécie; c) coação ao ser informado em todos os autos os nomes dos sócios, onde na sociedade de advogados, cada qual contribui apenas com seu próprio trabalho; d) que realmente oferecia tickets refeição aos seus segurados e que a inscrição no PAT apenas serve para qualificar valores acerca de incentivos fiscais e não há outro propósito; e) que o vale transporte é pago mensalmente aos empregados e não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração; f) que reconhece que cometeu erro nos valores informados na DIRF e nas GFIPs, mas não consegui corrigilo por força do inicio da ação fiscal; que Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 os valores corretos são os lançados na DIRF, mas não houve falta de recolhimento; g) que os valores lançados por conta de diferenças de remuneração de contribuintes individuais, na verdade são pagamentos efetuados a outros prestadores de serviços, cujos documentos apresentados afastam a aplicação da contribuição previdenciária; h) que juntou comprovantes de pagamento dos valores constantes do REFISC que nem foram analisados pelo julgador de primeira instância; i) que não pode ser aplicado o §3º do artigo 33 da lei n.º 8212/91, porque não atendeu ao mar de exigências fiscais porque não lhe foi outorgado tempo para isso; j) que apresentou as faturas pagas a assistência médica no ano de 2004, que oferecem coberturas aos sócios e dependentes, segurados e dependentes e representantes de certos prestadores de serviços especiais; k) que os valores levantados como prolabore na verdade são despesas operacionais, como as despesas com aluguéis que se referem à sede da recorrente e paga para a Olivetti do Brasil Ltda., as despesas com cursos e treinamentos eram para os sócios em início de carreira e representantes de prestadores de serviços; l) que os tribunais entendem que auxílioeducação não deva ser tributado; m) que as despesas de viagens não podem ser consideradas como prolabore porque foram deslocamentos nos interesses dos trabalhos e dos clientes; n) que juntou comprovantes para provar as despesas com conservação e manutenção de bens, equipamentos e imóveis, bem como de veículos, que não podem ser considerados pro labore. Além de leasing na conta tem as despesas com lubrificantes combustíveis, peças e componentes utilizados em reformas; o) que as viagens e estadias era para permitir os deslocamento da fornecedora do serviço de informática, por exemplo, além de outras realizadas em decorrência da sua própria atividade; juntou documentação para comprovar que não foi considerada pela turma julgadora; p) nas despesas com leasing, os bens foram usados na operação da recorrente e na geração de receitas; q) que a decisão deve ser revista e reformada porque juntou documentos para provar os gastos e dissociálos de prolabore; r) que o seguro de vida favoreceu os sócios e demais colaboradores, restando comprovada a efetividade de tais gastos; s) que os lucros que foram classificados como prolabore , estão de acordo com a cláusula 10ª do contrato social, vigente em 2004, sendo que em reunião de 28/02/2005, foi aprovada a distribuição de lucro sem Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004307/200954 Acórdão n.º 230201.856 S2C3T2 Fl. 3 5 obediência às proporções das participações no capital para a sócia Márcia Jose Andrade; t) que a autuação violou princípios legais e constitucionais. Requer a reforma do Acórdão para determinar o cancelamento do auto de infração pela sua insubsistência. Alternativamente, requer o reconhecimento da decadência até 10/2004, devido a aplicação do § 4º do artigo 150, do CTN. Requer, ainda que lhe seja concedido prazo maior para a apresentação de outros documentos, protestando por todos os meios de provas. Foram apensados a este processo: Auto de Infração de Obrigação Principal n.º 19515.004302/200921, relativo à parte do segurado empregado sobre as mesmas bases de cálculo apuradas para a parte patronal, lavrado na mesma ação fiscal, cujo Acórdão de fls. 81/121, pugnou pela procedência do lançamento. A recorrente apresenta as mesmas razões recursais já expostas. Auto de Infração de Obrigação Principal n.º 19515.004305/200965, lavrado na mesma ação fiscal e referente às contribuições destinadas às terceiras entidades e incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de valetransporte, vale alimentação e assistência médica, no período de 01/2004 a 12/2004. Acórdão de fls. 72/102, pugnou pela procedência do lançamento. A recorrente apresenta as mesmas razões recursais já expostas. É o relatório. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço dos recursos e passo ao seu exame. Das Preliminares O crédito lançado não se encontra atingido pela fluência do prazo decadencial, porque foi cientificado ao sujeito passivo em 22/10/2009 e compreende as competências de 01/2004 a 12/2004. Embora, a partir das sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, tenha declarado inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editado a Súmula Vinculante n° 08, que deve ser acatada por todos os órgãos judiciais e administrativos, no caso presente não ocorreu a decadência nos moldes expostos pelo Código Tributário Nacional: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado, porque a apuração só foi possível na ação fiscal e a recorrente não reconhecia as rubricas lançadas como passíveis da incidência contributiva previdenciária, de forma que deve ser aplicado o 173, I do CTN, não havendo que se falar em decadência: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004307/200954 Acórdão n.º 230201.856 S2C3T2 Fl. 4 7 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto a alegada preliminar de nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa, frente ao exíguo prazo da impugnação, saliento que os atos processuais, por força do disposto no art. 177 do Código de Processo Civil, realizarseão nos prazos prescritos em lei. O prazo para impugnação é de trinta dias, conforme teor dos arts. 243, § 2º, e 293, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, abaixo transcritos: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes .§ 1º Aplicase o disposto neste artigo em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado ou em caso de pagamento desse benefício sem observância das normas pertinentes estabelecidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social. § 2º Recebida a notificação, o empregador doméstico, a empresa ou o segurado terão o prazo de trinta dias para efetuar o pagamento ou apresentar impugnação. (Modificado pelo Decreto nº 6.103 DE 30/4/2007 – DOU DE 2/5/2007) (...) Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Modificado pelo Decreto nº 6.103 DE 30/4/2007 – DOU DE 2/5/2007) § 1º Recebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. . (Modificado pelo Decreto nº 6.103 DE 30/4/2007 – DOU DE 2/5/2007) Portanto, foram cumpridas as determinações legais, sendo improcedente a arguição de cerceamento de defesa. A relação de coresponsáveis, anexadas aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 fiscal, em consonância com o parágrafo 3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos diretores da entidade somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e no momento, não se fala em coresponsabilidade pelo crédito constituído. Tratase apenas de uma informação que poderá ser utilizada futuramente pela própria Administração ou pelo Judiciário, nos limites impostos pela lei . Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para o pagamento do crédito. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos de Auto de Infração e servem para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Do Mérito O lançamento referese às contribuições previdenciárias patronais, relativas a parte do segurado e às destinadas às terceiras entidades, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço. De acordo com os elementos constantes do processo, durante o desenvolver da auditoria fiscal foram solicitados inúmeros documentos à recorrente para a busca da verdade material, quanto às bases de incidência da contribuição previdenciária. Foram emitidos diversos Termos de Intimação Fiscal, fls. 87, 100, 102, 113, 116, 117, 121, para que fossem apresentados os documentos solicitados, a fim de verificar se os pagamentos efetuados eram base de incidência contributiva, mas nada foi apresentado, acarretando a lavratura de Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004307/200954 Acórdão n.º 230201.856 S2C3T2 Fl. 5 9 Por ora da defesa, a recorrente juntou aos autos documentos sem fazer qualquer subsunção dos mesmos aos lançamentos constantes nos autos de infração de obrigação principal recorridos, não sendo pertinente a alegação de que o Acórdão de primeira instância não se manifestou sobre os mesmos. Os documentos apresentados não ilidiram a autuação porque não houve comprovação de que os pagamentos apurados na contabilidade referentes a aluguéis, cursos, despesas de leasing com veículos, etc., não consistiam em remuneração indireta para os sócios e por isso foram tomados como prolabore. Por economia processual, me reporto à decisão recorrida que muito bem fundamentou a pertinência do lançamento, da qual seguem algumas partes: 21. Do Prólabore Aluguéis 21.1. A empresa juntou um contrato de locação firmado em 01/02/2003; termo de aditamento de contrato de 23/04/2004; demonstrativo para pagamento de aluguel n° 12529 com vencimento para 20/01/2004, no valor de R$ 1.271,89, além do demonstrativo de n° 12530 com vencimento para 20/02/2004, no valor de R$ 1.271,89. 21.2. Outro contrato anexado à impugnação é com Emmanuel Carneiro Lins e Mello, com início a partir do dia 03/03/2004, aluguel mensal de R$ 1.150,00. 21.3. Vejam que os valores das despesas com aluguéis que constam dos Balancetes mensais da empresa na subconta n° 04.01.03.004.00003 são muito superiores aos valores com que tenta justificar a Impugnante que na conta mencionada constam apenas dispêndios com imóvel de sua sede e de filiais. Mais uma vez, não há prova suficiente para alterar o lançamento do crédito tributário. 22. Do prólabore Cursos Diversos 22.1. A planilha juntada pela Impugnante, fls. 677/678, e os boletos bancário e faturas não servem como prova que ilida o procedimento fiscal. Conforme será demonstrado abaixo, o dispêndio com cursos diversos têm nítida natureza salarial (remuneração) e, como tal, devem fazer parte da base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, apuradas no lançamento. Desta forma, não há qualquer correção a ser feita no lançamento. 22.2. O § 9o do art. 28 prescreve as hipóteses que não integram o saláriode contribuição, in ver bis: § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (redação acrescentada pela MP n° 1596 14/97, convertida na Lei 9528/97) Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 22.2.1. O parágrafo 9o , "t", do artigo supracitado foi alterado pela MP n° 15869/98, reeditada na MP n° 166311/98 e assim reeditada até a conversão na Lei n° 9711/98, in verbis: § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e 4.6 que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; 22.2.2. Ainda, o Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3048/99 prescreve no seu art. 214, parágrafo 9o , inciso XIX: § 9° Não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) XIX o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; 23. Do próIabore Despesas com Viagens e Estadias 23.1. Também em relação a essas despesas a Impugnante não logrou êxito em comprovar que as viagens foram realizadas em função do trabalho. Junta documentos como boletos bancários e as faturas correspondentes para as despesas efetuadas em maio/2004, vejamos os documentos trazidos como prova, somados os valores constantes das faturas totalizam R$ 12.719,99, os descontos R$97,64, o balancete na competência em questão registram o montante de R$ 27.840,07 e, nos descontos também encontramos diferença de R$ 80,00 entre o valor registrado e os documentos apresentados, ou seja, a documentação foi apresentada parcialmente, inclusive as que se referem ao mesmo mês. As cópias juntadas não correspondem na totalidade aos meses objeto do lançamento fiscal e mais a elas se juntam documentos cujas despesas foram lançadas na conta 04.01.03.004.00047 Viagens e Estadias —Terceiros, pois como argumenta a Impugnante os itens de sua impugnação correspondem aos do anexo que junta. 23.1.1. As cópias de documentos juntados às fls. 796/814 são cópias sobrepostas, boleto sobre fatura o que impede a leitura e identificação na fatura das despesas a que se referem. 23.2 Mais uma vez não há prova suficiente pata alterar o crédito tributário. 24. Do prólabore Manutenção e Conservação de Bens e Imóveis Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004307/200954 Acórdão n.º 230201.856 S2C3T2 Fl. 6 11 24.1. Consta já na impugnação que o contribuinte juntou apenas os documentos que conseguiu angariar, alegando curto período assinalado para a defesa em comprovação de tais gastos, lembramos que os mesmos foram solicitados à época da fiscalização que se colacionados não seria o prazo de defesa óbice à apresentação ou melhor, caso fossem apresentados à fiscalização o lançamento não teria sido por aferição indireta. 24.2. Resta que, não há provas suficientes para alterar o lançamento do crédito tributário. 25. Do prólabore Manutenção e Conservação de Veículos 25.1. Despesas foram efetuadas e lançadas na conta de final 032, relativa a manutenção e conservação de veículos, destaque se que a Impugnante não prova que os gastos foram feitos com veículo utilizados pelo Contribuinte para fazer frente à sua demanda de trabalho. 25.2. Os documentos apresentados são insuficientes para alterar o lançamento do crédito tributário. 26. Do prólabore Viagens e Estadias Terceiros 26.1. Não logrou êxito, como ocorrera com a subconta: Despesas com Viagens e Estadias 04.01.03.004.00015, em provar que as despesas registradas na conta de final 47 (viagens e estadias de terceiros) estão dissociadas do prólabore. 27. Do prólabore Despesas de Leasing 27.1 A Defendente declara que na subconta em questão eram lançadas as prestações dos arrendamentos mercantis relativas a computadores e veículos automotores e que em ambos os casos os bens foram usados integral e completamente na operação do Contribuinte e na geração de receitas. Alega que os veículos foram usados em deslocamentos para contatos com clientes, assim como para a prática de atos perante os diversos órgãos do Poder Judiciário. 27.2. Vejamos, José Martins Catharino, in Tratado Jurídico do Salário, RJ, Freitas Bastos, 1951, p. 175, distingue a utilidade fornecida para a prestação de serviços da prestação de serviços, esta salarial, aquela não, funcionando como meio, instrumento de trabalho. Desse modo, um valor, quando fornecido de modo a suprir necessidade essencial à execução do serviço, possui natureza jurídica indenizatória, mas se concebido de forma diversa, constitui um plus na remuneração, assim o veículo cedido incondicionalmente representa acréscimo patrimonial, sem dúvida alguma. 27.2.1. Assim, têm nítida natureza salarial (remuneração), como um benefício indireto e, como tal, devem fazer parte da base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, apuradas no lançamento. A empresa junta uma relação de carros, fls 968, salientese a maioria de alto custo e, traz alguns documentos de contrato de fmanciamento ao consumidor final garantido por Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 alienação fiduciário CDC e, quanto ao destino dos veículos nada prova, inclusive não menciona se há ou não restrição ao uso dos veículos. 27.4. Ademais, de acordo com o Relatório Fiscal a empresa não possui circular normativa que discrimine a utilização dos veículos, sendo que os documentos juntados pela defesa, não têm o condão de afastar o procedimento fiscal, Do prólabore Premio e Seguro de Vida em Grupo 28.1. Nos termos da legislação previdenciária, as parcelas concedidas a título de seguro de vida em grupo é retributiva do trabalho prestado. E uma discricionariedade, gera um ganho econômico e conseqüente acréscimo patrimonial aos seus sócios e "colaboradores", tem natureza de saláriodecontribuição, e somente poderia ser afastada se a parcela estivesse prevista em uma das hipóteses taxativas previstas no §9°, do artigo 28, da Lei no 8.212/91, o que no presente caso a Impugnante não houve prova capaz de modificar o lançamento, 28.2. Convém ressaltar que a lei veio definir, expressamente, quais os pagamentos não integrariam o salário de contribuição. O cuidado do legislador se fez necessário, pois seria temerário submeter à análise discricionária da autoridade administrativa de afastar ou não a incidência da contribuição previdenciária, bem como, largar ao arbítrio, interesses ou conveniência das empresas a ocorrência dessa incidência. Logo, não se pode atribuir natureza àquela espécie desprovida da mesma, ou seja, por não atender à legislação previdenciária a parcela é retributiva do trabalho prestado, toda a parcela é considerada salário de contribuição. Quanto à distribuição de lucros na parte excedente à cota social, é de se notar que a recorrente apresentou documento juntado às fls. 970/971, Volume VI, para comprovar a legalidade do procedimento. Embora o fisco tenha argumentado da inexistência de formalidades necessárias para promover a alteração no percentual de lucros distribuídos, eis que a Ata de Reunião de Quotistas não possui assinaturas e identificações de todos os sócios componentes da sociedade, deve ser atentado para o que consta da cláusula 10ª, do Contrato Social: “As deliberações sociais serão adotadas por maioria absoluta de votos valendo cada cota um voto, inclusive para alteração das cláusulas contratuais, bastando tantas assinaturas quantas sejam necessárias para materializar essa maioria e autorizar o registro. " Assim, do exame do contrato social e alterações, fls. 28/79, Volume I, vêse que o Sr. Joaquim Manhães Moreira é sócio majoritário da sociedade, o que lhe permitiu firmar sozinho a Ata da Reunião de Cotistas efetuada em 28/02/2005, documento já referido, de fls. 970/971, que deliberou sobre a equânime distribuição de lucros relativa ao ano de 2004, entre os sócios majoritários. Desta forma, os valores relativos à distribuição de lucros à sócia Márcia José Andrade devem ser excluídos da base de incidência da contribuição previdenciária. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004307/200954 Acórdão n.º 230201.856 S2C3T2 Fl. 7 13 Nos levantamentos dos demais contribuintes individuais que não os sócios, o relatório fiscal de fls. 125 a 142, traz o nome de cada um, cujas contribuições fazem parte desta autuação, sendo que a recorrente não trouxe qualquer elemento que demonstrasse não ser pertinente o lançamento. Pelo contrário, foram anexados aos autos diversos recibos de pagamento dos contribuintes individuais que confirmam a prestação de serviços. Quanto à assistência médica é de se notar que de acordo com a legislação vigente, mais precisamente o artigo 28, inciso I da Lei n.º 8.212/91, o conceito de salário de contribuição é: “Art. 28 Entendese por saláriodecontribuição: (...) I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;" E no parágrafo 9º, do citado artigo, temos as excludentes do salário de contribuição, entre as quais figura na letra “q” a assistência médica, desde que cumpridas as condições estabelecidas para o seu oferecimento: §9ºNão integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; A assistência médica, portanto, para não integrar o salário de contribuição deve ser obrigatoriamente ofertada a todos aqueles que trabalham na empresa, inclusive seus próprios dirigentes. Do contrário, integrará o conceito de salário para fins da referida Lei. No caso em análise, apesar de reiteradas solicitações não foram apresentados documentos capazes de demonstrar se o benefício era extensivo a todos os segurados. A falta de apresentação dos documentos capazes de permitir a averiguação necessária, levou a fiscalização a autuála e manter o crédito lançado na sua totalidade. Quanto ao valetransporte, deve ser obedecida a Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União – AGU, de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32, que desonerou a verba da incidência contributiva previdenciária, quando paga em pecúnia: Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba" . Portanto, é despiciendo tecer outras considerações sobre o assunto, devendo a rubrica ser excluída do lançamento. Quanto ao fornecimento de tickets refeição sem a devida inscrição no PAT, não deve persistir o lançamento de acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. A reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972, nestas palavras: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Por derradeiro, não vislumbrei qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade praticada pelo fisco, sendo que as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento O entendimento esposado acima se aplica, também, aos Autos de Infração de Obrigação Principal – AIOP, apensados, de números 19515.004302/200921, relativo à parte Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004307/200954 Acórdão n.º 230201.856 S2C3T2 Fl. 8 15 do segurado e 19515.004305/200965, referente às contribuições destinadas às terceiras entidades. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para excluir os lançamentos relativos ao valetransporte, nos moldes da Súmula 60 da AGU, o vale alimentação, de acordo com o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 e os valores relativos à distribuição de lucro à sócia Márcia José de Andrade. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10950.002735/2005-13
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2044 a 31/12/2004
DCTF. ENTREGA A POSTERIRI. PROBLEMAS TÉCNICOS.
A entrega intempestiva de DCTF em face de impossibilidade de entrega via interne por falha na RFB, no caso em concreto, caracteriza o cumprimento da obrigação de apresentar referida declaração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-00.411
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Corintho de Oliveira Machado (Relator) e Mercia Helena Trajano Damorim. Designado para redigir o voto o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: Corintho Oliveira Machado
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Recorrida DRJ/CURITIBA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2044 a 31/12/2004 DCTF. ENTREGA A POSTERIRI. PROBLEMAS TÉCNICOS. A entrega intempestiva de DCTF em face de impossibilidade de entrega via interne por falha na RFB, no caso em concreto, caracteriza o cumprimento da obrigação de apresentar referida declaração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Corintho de Oliveira Machado (Relator) e Mercia Helena Trajano Damorim. Designado para redigir o voto o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. (72'-tr1714: "1-7 MÉ CIA HELEN TRAJANO D'AMORIM - Presidente CORINTH° 0 M CHADO — Relator LUCIANO LOPES IE A EI A MORAES kedator Designado EDITADO EM: 27/07/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Verissimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Reporto-me ao relatório de fls. 32 e seguintes, adotado quando da conversão do julgamento em diligência. Naquela oportunidade, foi determinado que a autoridade preparadora da unidade de origem informasse (i) se a funcionária citada pelo contribuinte de fato prestou a informação de que haveria uma reunido interna sobre o problema havido, (ii) quando ocorreu a mencionada reunido, (iii) qual foi a orientação dada aos contribuintes durante o período do dia 15 de fevereiro de 2005 até a realização da reunião, juntando aos autos cópia de documento que explicite a orientação prestada a época, e (iv) se era possível neste período a apresentação da DCTF sem a imposição de multas, em caso afirmativo, descrever o procedimento que deveria ser adotado pelo contribuinte. Após a diligencia, abram-se vistas 6 interessada para manifestação sobre o resultado, se for de seu interesse. :6i fl. 39, veio o pronunciamento do Chefe do CAC da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá-PR, porém, sem a abertura de vistas A interessada. As fls. 42 e seguintes, nova conversão do julgamento em diligencia, nos seguintes termos: para que seja implementada a vista ao recorrente, no prazo de trinta dias, com direito a manifestação, no sentido de prestigiar o contraditório e a ampla defesa. Após a efetivação da diligência, retornem os autos a esta Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes para julgamento. Intimado, fls. 47/48, recorrente quedou-se silente, e os autos retornaram. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator 0 presente recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Levada a efeito a diligência determinada, fls. 39 e seguintes, colho da manifestação do Chefe do CAC da Delegacia da Receita Federal do Brasil ern Maringá-PR a seguinte conclusão - em nenhum momento a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil naquela localidade disse que haveria prorrogação do prazo para entrega das DCTF, mesmo com a existência confirmada de problemas técnicos para o envio das aludidas declarações. Nesse sentido, cumpria A recorrente diligenciar todos os dias seguintes ao prazo final, para assim que possível, entregar a sua declaração. Os problemas técnicos foram reconhecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto que editou ato administrativo considerando espontâneas as entregas das declarações apresentadas nos dias 16, 17 e 2 Processo n° 10950.002735/2005-13 S3-CIT2 AcOrclab n° 3102-00.411 Fl. 51 18/02/2005, quando o prazo fatal teria sido em 15/02/2005. Pois bem, a recorrente só entregou a declaração em 24/02/2005, portanto bem depois de normalizados os serviços atinentes à entrega das declarações. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Corintho Olji1â Machado Voto Vencedor Conselheiro Luci no Lopes de Almeida Moraes, Redator Designado Como se verifica dos autos, se discute a validade de multa imposta por atraso na entrega da DCTF. É fato incontroverso nos autos que, no dia da entrega da DCTF, os servidores da RFB estavam com problemas, motivo pelo qual o contribuinte não pôde entregar, pela interne, a referida declaração. Neste sentido, o voto do relator primitivo é claro, ao confirmar a "existência confirmada de problemas técnicos para o envio das aludidas declarações". Apesar de este caso ser sui generis, entendo que deve ser afastada a multa no caso em concreto, já que o contribuinte estava impossibilitado de enviar a DCTF por problemas da RFB.. Mesmo que não exista norma legal disciplinando o afastamento da multa, não se pode punir o contribuinte pela entrega em atraso diante da impossibilitado de enviar tal documento pela internet. Ademais, pode-se muito bem aplicar aqui o art. 108 e 111 do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I- a analogia; II- os princípios gerais de direito tributário; III - os princípios gerais de direito público; IV- a eqüidade. § 1" 0 emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2° 0 emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. 3 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: i - a capitulação legal do fato; II - a natureza ou as circunstâncias materiais do fato, ou 6 natureza ou extensão dos seus efeitos; III- a autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV- a natureza da penalidade aplicável, ou a sua graduação. 0 que se faz aqui, então, é aplicar o CTN ao presente caso, dada a singularidade da situação aqui tratada, afastando-se, assim, a imposição da multa realizada. Esta Câmara inclusive já julgou caso análogo na sessão de novembro de 2008, recurso 141.452, no qual, por unanimidade, entendeu por bem acatar a tese levantada pelo contribuinte. Diante do ex isto, voto por dar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumento.. Luciano Lop meida Mir 4 s
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