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Numero do processo: 13502.721309/2014-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do Fato Gerador: 28/02/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO.
A divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF caracteriza-se quando, em situações semelhantes, são adotadas soluções divergentes por colegiados diferentes, em face do mesmo arcabouço normativo.
Numero da decisão: 9303-012.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-012.274, de 17 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13502.721308/2014-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: Rodrigo Mineiro Fernandes
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RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. A divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF caracteriza-se quando, em situações semelhantes, são adotadas soluções divergentes por colegiados diferentes, em face do mesmo arcabouço normativo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-012.274, de 17 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13502.721308/2014-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 13 09 /2 01 4- 31 Fl. 479DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e alterações posteriores. A Fazenda Nacional suscita divergência quanto à: Necessidade de Lançamento de ofício de débitos declarados em DCTF com compensação”. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido conforme despacho. O Contribuinte apresentou suas contrarrazões, requerendo o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e caso conhecido o improvimento do recurso. É o relatório em síntese. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo, devendo ser verificado se atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. A divergência suscitada diz respeito à: “Necessidade de Lançamento de ofício de débitos declarados em DCTF com compensação.” Fl. 480DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 Foi apresentado os seguintes Acórdãos Paradigmas n.sº 1401-004.106 e 2101-00.104 No presente caso a Contribuinte teve a não homologação da compensação, sendo que o débito foi inscrito em dívida ativa e teve execução fiscal proposta, de modo que a Contribuinte, parcelou essa dívida no âmbito do Parcelamento da MP nº 470/2009, junto à PFN. No entanto, entendeu a Contribuinte que o aludido crédito tributário estava extinto pela decadência quando da sua inclusão no programa de parcelamento. Por esse motivo, apresentou o pedido de restituição, referente a pagamento efetuado indevidamente em 31/03/2010, requerido através de formulário impresso, apresentado em 14/11/2014. A Unidade de Origem emitiu Despacho Decisório no qual não reconheceu o direito creditório e indeferiu o Pedido de Restituição. Fundamentou o despacho decisório explicitando que o débito foi regular e espontaneamente declarado em DCTF e, diante da não homologação da compensação anteriormente pleiteada, o saldo a pagar informado na DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil para inscrição em Dívida Ativa, não necessitando ser objeto de lançamento de ofício; ademais, tal débito fora incluído no programa de parcelamento instituído pela MP nº 470/2009. Concluiu a autoridade fiscal que além de não se tratar de débito decaído incluído em parcelamento, é pacífico o entendimento de que o parcelamento se constitui, também, em confissão irretratável da dívida. No Acórdão Recorrido, a turma entendeu que : O Superior Tribunal de Justiça perfilha o entendimento de que quando a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF apresentada, busca liquidar os débitos mediante compensação, sustentando o declarante não haver saldo a pagar, não há reconhecimento e constituição de dívida, devendo o fisco, Fl. 481DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 necessariamente, dentro do prazo quinquenal, efetuar o lançamento do débito mediante procedimento administrativo e notificação da devedora se não admitida a referida compensação. Entende, ainda, a Corte Superior, que os débitos objeto de compensação indevida declarada em DCTF necessitam de lançamento de ofício para serem exigidos. Em especial, no que toca às DCTFs anteriores a 31 de outubro de 2003, data em que passou a vigorar o art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003. No voto, o relator aplicou os fundamentos do REsp 1.205.004/SC. Aplicou também, a decisão do Acórdão n.º 9303003.506; Relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. E por fim aplicou o REsp nº 1.355.947/SP, do STJ, em sede recurso repetitivo, que teve o seguinte entendimento em relação ao direito de o contribuinte requerer a restituição de tributo que decaiu antes da adesão a parcelamento: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. CONFISSÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARA EFEITO DE PARCELAMENTO APRESENTADA APÓS O PRAZO PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.” Já no Acórdão paradigma de nº 1401-004.106, o contribuinte teve as compensações informadas em DCTF como não declaradas. Veja: “Entre 2001 a 2003, a recorrente utilizou créditos de terceiros (crédito prêmio de IPI e créditos de insumos de IPI) para compensar com créditos tributários de sua responsabilidade, por força de decisões judiciais. As ditas compensações foram declaradas em DCTF. As compensações foram consideradas não Fl. 482DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 declaradas pela unidade da RFB e a contribuinte recorreu administrativamente de tal decisão. Em 2009, a contribuinte desistiu dos processos administrativos de compensação e aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 11.941/2009. O parcelamento foi integralmente quitado.” (...) “Não é o caso dos autos. O que ocorreu foi que a contribuinte declarou nas DCTF os débitos e os vinculou a créditos decorrentes de compensações com créditos de terceiros, por força de decisões judiciais. Os créditos advindos dos processos de compensação não foram objeto de revisão interna, conforme prevê o parágrafo 1º do artigo 2º da IN SRF nº 45/98. O que houve foi a desistência, por parte da recorrente, dos créditos oriundos de compensações. Ao desistir dos processos nos quais pedia o direito aos créditos que foram usados nas DCTF, os créditos tributários declarados em DCTF passaram a ficar inteiramente em aberto, ou seja, “a pagar”. Os autos de infração somente seriam necessários caso a administração houvesse efetuado uma revisão interna e glosado os créditos nas DCTF.” (...) “Em resumo, no caso sob exame, não incide a hipótese de exigência do lançamento de ofício, pois (i) os créditos tributários foram devidamente constituídos pelo sujeito passivo e (ii) não se trata de revisão interna (ato administrativo), mas de desistência das compensações, que fez com que os débitos passassem a ficar em aberto (a pagar).” Verifica-se, portanto, a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma de nº 1401-004.106. Enquanto no presente caso houve a glosa de crédito declarado em DCTF, com a consequente não homologação da compensação, no caso analisado pelo Fl. 483DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 acórdão paradigma não é identificada qualquer glosa, tendo sido a compensação considerada como não declarada, de modo que o contribuinte desistiu de seu suposto crédito. Ademais, sequer o Acórdão paradigma adentrou sobre a aplicação das decisões do STJ. Quanto ao segundo acórdão paradigma n.º 2101-00.104, trata-se de uma Declaração de Compensação apresentada, para quitação de débito de IPI, relativo ao período de apuração de 11/03/2003 a 20/03/2003, com crédito presumido de IPI calculado sobre insumos desonerados do imposto, adquiridos no período de 11/03/2003 a 20/03/2003, cujo direito estaria amparado em decisão judicial proferida em Mandado de Segurança. Não foi homologada a compensação, com fundamento no art. 170-A da Lei n2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN), porque a decisão judicial que daria amparo à utilização dos referidos créditos ainda não havia transitado em julgado. Assim, as questões em litígio deste processo são as seguintes: (1) existência de decisão transitada em julgado materialmente, favorável à recorrente; (2) erro da Receita Federal ao afirmar que o pedido teria sido negado para o futuro; (3) inaplicabilidade do art. 170-A do CTN ao presente caso; (4) impossibilidade de exigência de multa de mora e dos juros de mora, uma vez que a conduta da recorrente teria sido pautada em expressa determinação judicial e inconstitucionalidade da cobrança de juros com base na taxa Sebe; e (5) necessidade de lançamento dos débitos indevidamente compensados para viabilizar a sua cobrança administrativa ou judicial. De acordo que esse paradigma: “No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de dívida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela Fl. 484DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte.” Ou seja, o acórdão paradigma, entendeu que a DCTF possui efeito constitutivo, enquanto esse é justamente o objeto de análise do acórdão recorrido . Alias , tomando por base as explicações do próprio voto condutor do paradigma indicado, ao tratar sobre a DCTF: “Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de dívida.”, igualmente se confirma a ausência de similitude fática. Inobstante a falta de similitude entre a controvérsia analisada no acórdão paradigma e recorrido, as legislações examinadas pelas decisões também são diversas. Senão veja-se. O acórdão paradigma analisa a aplicação do Decreto-Lei nº 2.124/1984, em conjunto com as Instruções Normativas da RFB nº 77/1998 e nº 14/2000, para definir a abrangência da confissão de dívida da DCTF (se atinge apenas o saldo a pagar ou a integralidade do que foi informado): Em sentido completamente diverso, o acórdão recorrido analisou os efeitos, e a interpretação, do artigo 90 da MP nº 2.158-35/2001, o qual determinava o lançamento de ofício sobre as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação indevidas ou não comprovadas, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, o qual foi alterado tão somente com a edição da Medida Provisória nº 135/2003. Enquanto o acórdão paradigma resolve a lide com base na análise e interpretação do Decreto-Lei nº 2.124/1984, o acórdão recorrido se debruça sobre os efeitos do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001 para concluir Fl. 485DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 pela necessidade de lançamento dos débitos compensados e declarados em DCTF durante a vigência de referido dispositivo. Diante da ausência de demonstração de interpretação de legislação divergente entre os acórdãos paradigmas e acórdão recorrido, bem como da falta de similitude fática na análise das matérias entre as decisões, não restaram preenchidos os pressupostos fundamentais para admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional É como voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Fl. 486DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10950.004833/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de
pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lourenço Ferreira
do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado.
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 48 33 /2 00 9- 19 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10950.004833/200919 Acórdão n.º 2402003.587 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. art. 32, inciso I, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Lei 8.212/1991, para as competências 01/2004 a 12/2008. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 08/10), a empresa apresentou folhas de pagamento, por meio de arquivos digitais (janeiro de 2004 a dezembro de 2008) e de folhas de pagamento impressas (junho de 2006 a dezembro de 2008), sem constarem as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais (autônomos) que lhe prestaram serviços. A autoridade fiscal listou (folhas 09 e 10) por competência os segurados que deixaram de ser incluídas nos aludidos documentos e os respectivos valores auferidos. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 11/12) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso I e alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$1.329,18 (um mil trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), cujos valores estão atualizados de acordo com a Portaria Interministerial MPS/MF n° 048, publicada em 12/02/2009. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 06/10/2009 (fl. 01). A Autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 16/26) – acompanhada de anexos de fls. 27/33 –, alegando, em síntese, que: 1. os valores pagos aos prestadores dos serviços autônomos foram todos registrados e indicados à previdência social, conforme solicitada à legislação vigente. Tanto é verdade que os RPA’s foram todos emitidos, inclusive fazendo o devido registro contábil destes pagamentos. Afirma que as informações foram apresentadas em arquivos digitais (SVA); 2. não há correlação entre o fato que motivou a autuação e a capitulação legal; 3. requer seja julgado insubsistente o Processo Administrativo Fiscal, pois não teria ocorrido o descumprimento de obrigação acessória por parte da impugnante. Na seqüência, discorreu sobre princípios e pediu Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 a insubsistência do lançamento por ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Curitiba PR – por meio do Acórdão 0626.192 da 5a Turma da DRJ/CTA (fls. 38/40) – considerou o lançamento fiscal integralmente procedente, com a manutenção total do crédito tributário exigido, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 45/51), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em MaringáPR informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 52). É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10950.004833/200919 Acórdão n.º 2402003.587 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Inicialmente, a Recorrente alega que a multa aplicada, ante a sua desproporcionalidade e não razoabilidade, é confiscatória e inconstitucional. Informamos que tal alegação não compete a este foro a discussão sobre a matéria, dado que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado, não se configurando, assim, o alegado excesso de exação, porque o Fisco agiu no estrito cumprimento do dever legal. Ademais, frisese que a análise da alegação retromencionada seria incabível na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade, ou ilegalidade, vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à alegação de que inexiste a infração imputada pela auditoria fiscal, uma vez que a Recorrente teria cumprido a legislação de regência. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de incluir em folhas de pagamentos os valores pagos ou creditados aos segurados empregados e contribuintes individuais – nas competências 01/2004 a 12/2008. Tais valores foram devidamente registrados nas fls. 09 e 10, por competência os segurados que deixaram de ser incluídos nos aludidos documentos e os respectivos valores auferidos. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 No Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) e no Termo de Intimação Fiscal (TIF) – folhas 91/96 do processo 10950.004829/200942, ao qual o presente processo encontrase apensado –, constatase a intimação para a apresentação das folhas e recibos de pagamentos do período de 01/2004 a 12/2008. Posteriormente, houve também a emissão do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), atestando o encerramento do procedimento fiscal. A sua apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o destaque, em folha de pagamento, de discriminar o nome dos segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, §9o e incisos I a V: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) §9o. A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir em folhas de pagamento os valores pagos aos segurados contribuintes individuais e empregados –, incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, §9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10950.004833/200919 Acórdão n.º 2402003.587 S2C4T2 Fl. 5 7 Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados – a Portaria Interministerial MPS/MF n° Portaria Interministerial MPS/MF n° 048, de 12/02/2009, reajustou os valores da multa para R$1.329,18 (um mil trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Esclarecemos ainda que há o entendimento legal de que a empresa deverá conservar e guardar os livros obrigatórios e a documentação, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN e do art. 1.194 do Código Civil CC (Lei 10.406/2002), transcritos abaixo: Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referirem. Código Civil (CC) – Lei 10.406/2002 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10950.004833/200919 Acórdão n.º 2402003.587 S2C4T2 Fl. 6 9 As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Por fim, é importante salientar que a infração ora analisada não depende da ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é exibir as folhas de pagamentos, no prazo estabelecido por meio do TIPF e do TIF, em conformidade com os padrões e normas estabelecidos pela Lei 8.212/1991, não cabendo ao fisco analisar os motivos da não apresentação dos mesmos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Logo, não procede a alegação da Recorrente, eis que ela deixou de incluir em folhas de pagamentos os valores pagos ou creditados aos segurados contribuintes individuais e empregados. Pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10935.723006/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/10/2010 a 30/11/2010
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA
Na época dos fatos, determinava a lei que nas hipóteses de compensação indevida, quando o crédito não fosse passível de compensação por expressa disposição legal, aplicável a multa do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, quando não for o caso de aplicação da penalidade agravada. Impossibilidade de aplicação da regra da retroatividade benigna no caso em tela.
Numero da decisão: 3401-009.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Vieira Kotzias - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Não informado
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2010 a 30/11/2010 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA Na época dos fatos, determinava a lei que nas hipóteses de compensação indevida, quando o crédito não fosse passível de compensação por expressa disposição legal, aplicável a multa do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, quando não for o caso de aplicação da penalidade agravada. Impossibilidade de aplicação da regra da retroatividade benigna no caso em tela.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
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Impossibilidade de aplicação da regra da retroatividade benigna no caso em tela. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos dos autos, adoto parcialmente o relatório elaborado pela DRJ/CTA, que segue transcrito abaixo (fl.108): “Trata-se de impugnação interposta contra Auto de Infração (AI) lavrado para a aplicação de Multa Isolada no percentual de 50% prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 (§ 17 incluído pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010), incidente sobre os valores de compensações não homologadas por insuficiência de crédito, efetuadas entre 31/10/2010 a 30/11/2010. Compensações essas que foram glosadas por meio do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 30 06 /2 01 3- 94 Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.844 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723006/2013-94 Despacho Decisório nº 284/2012-SAORT/DRF-CASCAVEL/PR, cópia juntada às f. 74- 93. O valor desse AI, lavrado em 09/08/2013, é de R$ 99.134,76, conforme “Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada Por Compensação Não Homologada” anexo à f. 7. Inconformado com essa autuação, da qual foi cientificado em 05/09/2013 (f. 94), o contribuinte apresentou, em 25/09/2013, a impugnação de f. 96-103, com as alegações sintetizadas a seguir. - Alega que as compensações glosadas tiveram como origem de crédito Pedidos de Ressarcimentos feitos em 26/01/2009 a 27/02/2009, ou seja, anteriores ao surgimento da Lei nº 12.249/2010 que incluiu o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Não podendo, desse modo, atingir fatos já ocorridos quando do surgimento da Lei. - O Despacho Decisório foi exarado em 15/06/2012 por pura inércia da Receita Federal do Brasil em Cascavel, quando decorridos 3 anos e 3 meses contando-se do protocolo do Pedido de Ressarcimento. - A Lei n° 11.457/2007, que entrou em vigor na data de 02/05/2007, trouxe o prazo máximo de até 360 dias a contar da data do protocolo para que seja obrigatoriamente proferida decisão administrativa. Assim, do último Pedido de Ressarcimento datado de 27/02/2009 a Autoridade Administrativa deveria ter analisado o processo, dentro do período de 360 dias, portanto seu prazo frente a Lei se extinguia em 27/02/2010, portanto, se houvesse cumprido a Lei, este processo teria seu Despacho Decisório exarado 3 meses e 16 dias antes do surgimento da Lei n° 12.249, que ocorreu em 11/06/2010. - Informa que: i) que esse dispositivo legal está sendo discutido no STF em sede da ADI nº 4.905 apresentada pela Confederação Nacional da Indústria; ii) os TRF da 3ª e 4ª Região já se posicionaram contra a aplicação dessa multa de 50%, para este último, ante a inconstitucionalidade dos parágrafos 15 e 17 do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, com redação conferida pela Lei n° 12.249/2010; e iii) recorreu através de Manifestação de Inconformidade contra as glosas efetuadas pela Autoridade Administrativa no Despacho Decisório n° 284/2012. - Por fim, requer a anulação do Auto de Infração, pois a penalidade da multa isolada dos §§ 15 e 17 do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996 é considerada inconstitucional perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme as jurisprudências colecionadas na defesa. É o relatório.” Da análise da impugnação fiscal, a DRJ/CTA concluiu pela improcedência, conforme se verifica pela ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2010 a 30/11/2010 NORMA PROGRAMÁTICA. O artigo 24 da Lei nº 11.457, de 2007, é norma programática que fixa objetivos para a Administração Tributária e seu descumprimento não acarreta qualquer efeito. INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal que prevê a infração determina sua caracterização com a consequente aplicação da penalidade prevista. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a empresa apresentou recurso voluntário repisando os termos da impugnação fiscal, enfatizando a impossibilidade de aplicação da multa isolada em razão do fato de que a modificação introduzida na Lei n. 9.430/96 que previa a aplicação de multa por pedido de ressarcimento não homologado ou indevido é posterior à apresentação dos pedidos, de modo que não poderia ser aplicado de forma retroativa. Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.844 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723006/2013-94 O processo foi então encaminhado ao CARF, sendo a mim distribuído para análise e voto. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Vieira Kotzias, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e reúne todos os demais requisitos legais necessários, motivo pelo qual deve ser conhecido. Conforme indicado no relatório, trata o presente de recurso voluntário sobre multa isolada aplicada em razão da não homologação do pedido de ressarcimento realizado nos autos do PAF n. 10935.004800/2010-92. Ainda que esta turma tenha, de fato, confirmado a correição da decisão de piso que manteve a homologação parcial dos créditos pleiteados e, portanto, negando o crédito nos moldes requeridos pela recorrente, o que, via de regra, implicaria na aplicação da multa isolada de forma proporcional. Não obstante, a recorrente traz à atenção desta Turma questão específica e que deve ser avaliada, qual seja: o fato de que os pedidos de ressarcimento foram formulados e apresentados ao Fisco entre 26/01/2009 a 27/02/2009, ao passo que a previsão da multa isolada foi inicialmente inserida na Lei n. 9.430/96 apenas em 11/06/2010. Diante disso, a recorrente defende que a impossibilidade de retroatividade da penalidade para situação ocorrida anteriormente à sua previsão legal e destaca, como agravante, o fato de que, caso a fiscalização tivesse, de fato, cumprido o prazo de 360 dias para análise do pedido – o que não ocorreu – a previsão da multa sequer estaria em vigor. Ainda que os argumentos trazidos pela recorrente sejam, de fato, relevantes, existem situações fáticas que demonstram que o caso concreto é diverso do defendido. Explico: à época do PER, de fato, não existia previsão para aplicação de multa, em momento posterior – já na vigência da norma que prescreve a multa isolada para casos de não homologação – a recorrente apresentou DCOMPs vinculadas ao mesmo crédito, de forma que, por esta razão e neste contexto, a multa é devida e adequada ao caso vertente. Nestes termos, voto por conhecer o recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento para afastar o lançamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.844 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723006/2013-94 Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16408.001063/2006-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.175
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 06-13.891, exarado pela 1ª Turma da DRJ em Curitiba - PR. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 749 e ss.): Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 484-494), Contribuição para o Programa de Integração Social (fls. 495-498 e 506-511), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 499-505), e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 512-515 e 516-522), por meio dos quais foi lançado contra a pessoa jurídica Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro — CANORP, e as pessoas físicas de Reno Ferrari (CPF n° 008.556.008-10), Renato Martin Ferrari (CPF no 099.628.938-01) e Reno Ferrari Filho (CPF n° 012.545.188-19) o crédito tributário total de R$ 18.693.185,51, incluindo juros morat6rios calculados até Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16408.001063/2006-34 Resolução n.º 1201-000.175 S1-C2T1 Fl. 2 2 31/08/2006, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo constante as fls. 02. Os fatos e circunstâncias determinantes do lançamento se encontram minudenciados no Termo de Verificação Fiscal e de Ciência de Sujeição Passiva Solidária n° 592/2006, estampado às fls. 433-444; os valores a que se referem se encontram discriminados nas planilhas que compõem seus anexos, sendo: "Anexo 01 — Demonstrativo Mensal de Apuração de Variações Cambiais — AC 2002 a 2005" (fls. 445-448); "Anexo 02 —Demonstrativo Mensal de Apuração de Variações Cambiais — AC 2002 a 2005" (fls. 449-465); "Anexo 03 — Apuração de IRPJ e CSLL ajustada com as Variações Cambiais Ativas — AC 2002 a 2004" (fls. 466); "Anexo 04 — Apuração de PIS e COFINS ajustada com as Variações Cambiais Ativas — AC 2002 a 2004"; "Anexo 05 — Extrato Resumo das Transações Registradas no SISCOMEX" (fls. 468-474); e "Anexo 06", que se propõe a descrever o esquema 'soja-papel, alem de apresentar croqui exemplificativo de operação real de 'performance de exportação' (fls. 475-483). O Termo de Verificação Fiscal e de Ciência de Sujeição Passiva Solidária esclarece que este lançamento tem por base de cálculo apenas as receitas financeiras advindas de variações cambiais ativas não oferecidas à tributação, demonstradas nos Anexos n° 01 e 02, e que a apuração respeita a opção formalmente manifestada pela empresa. Em avultado relato, o aludido Termo, no item "II — INEXISTÊNCIA DE FATO E DE DIREITO DE `COOPERATIVA' E DE 'ATOS COOPERATIVOS" (fls. 434-438), esmiúda as razões pelas quais o Fisco entende que a pessoa jurídica autuada não materializa, de fato e de direito, uma cooperativa, e que os atos por ela praticados não consubstanciam atos cooperativos. No item "III — SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA" (fls. 438-443), enumera as razões pelas quais as pessoas físicas nele qualificadas como sujeitos passivos solidários devem, nesta condição, também responder pelo débito. No item "IV — OBSERVAÇÕES FINAIS", esclarece que, em decorrência do entendimento fiscal de que a autuada não é de fato e de direito uma cooperativa, não se aplicam, nos autos de infração de COFINS e de PIS, as exceções previstas nos art. 32 e 59 do Decreto n° 4.524/2002. Os enquadramentos legais do lançamento se encontram discriminados no campo próprio de cada auto de infração. Tentada a intimação da autuada pela via postal, a correspondência foi devolvida com a informação de "MUDOU-SE" (fls. 527). A intimação dos sujeitos passivos solidários ocorreu pela via postal no dia 20/10/2006, conforme Avisos de Recepção de fls. 528 (Renato Martin Ferrari); fls. 529 (Reno Ferrari Filho); e 530 (Reno Ferrari). A pessoa jurídica autuada foi cientificada do lançamento por meio do Edital de fls. 539, afixado na repartição em 03/11/2006. Em 20/11/2006, foi apresentada a impugnação de fls. 544-561, subscrita apenas pela pessoa jurídica e instruída com os documentos de fls. 562-662. Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16408.001063/2006-34 Resolução n.º 1201-000.175 S1-C2T1 Fl. 3 3 Por meio do documento de fls. 663, foi encaminhada a impugnação de fls. 665- 681, subscrita por todos os sujeitos passivos, especifica para os autos de infração de PIS e COFINS, enviada à repartição fiscal em envelope postado em 21/11/2006 (fls. 664). Por meio da Petição de fls. 684-685, subscrita por todos os sujeitos passivos e encaminhada em envelope postado também em 21/11/2006, foi apresentada "complementação ilustrativa na impugnação e defesa". Por meio da Petição de fls. 689-714, subscrita por todos os sujeitos passivos e encaminhada em envelope postado também em 21/11/2006, relativa ao auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, foi apresentada outra "complementação ilustrativa na impugnação e defesa". Em síntese apertada, as alegações vertidas nas múltiplas peças impugnatórias são as seguintes: 1 — Impugnação de fls. 544-561, apresentada com referência a "Termo de Verificação Fiscal 563/2006 — Auto Infração; Termos de Verificação 592/2006 e encerramento 649.": - aduz que os estatutos e as atas registradas demonstram que a autuada continuou a funcionar na qualidade de empresa cooperativa, e que seus associados, independentemente de quem os sejam, são pessoas ligadas ao setor agrícola, proprietários ou arrendatários, mas todos voltados à produção agrária. Acrescenta que o Fisco não pode se ater a deduções ou elucubrações para colocá-la na condição de ilegal, e que em nenhum momento agiu em desacordo com as normas do cooperativismo. Garante que as operações realizadas com terceiros não-cooperados se referem a operações no interesse da cooperativa e em proveito de seus cooperados, e que os cooperados fornecem, adquirem e se beneficiam das operações da cooperativa como um todo. Apresenta argumentação variada em contraposição às alegações vertidas no Termo de Verificação Fiscal; - argumenta que a desconsideração de cooperativa para outra qualquer, somente pode acontecer por medida judicial; - alega que não se pode olvidar seu direito, principalmente quando o direito aplicado ao caso concreto fica sempre na dependência dos legisladores, e que estes, muitas vezes por inexatidão técnica, acabam criando situações na vida prática de um operador do direito que desconheça os alicerces em que este se assenta. Na seqüência, tece considerações sobre o que seja o Direito e sua relação com o ordenamento jurídico, a pluralidade de norma, os problemas que o ordenamento apresenta, a unidade do ordenamento e suas diversas fontes, a estrutura do ordenamento e sua norma fundamental, e o problema das antinomias jurídicas; - salienta a existência de erro na capitulação das infrações fiscais e perora que os artigos utilizados detêm inequívoco caráter declaratório, razão pela qual seria impossível sua transgressão. Complementa que a suspeita lançada de que a operação mercantil realizada não correspondeu a uma efetiva circulação de mercadoria no Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16408.001063/2006-34 Resolução n.º 1201-000.175 S1-C2T1 Fl. 4 4 estabelecimento ou a uma transferência de propriedade de mercadoria ofende o principio constitucional da legalidade; - afirma que o Fisco considerou, acima de tudo, os efeitos econômicos dos fatos na relação jurídica, mas que não é possível afastar o negócio jurídico realizado para buscar o sentido diverso dos fatos envolvidos na relação. Argumenta que o Fisco presumiu a infração, mas que a presunção do Fisco é de pouca validade no âmbito da aplicação do direito tributário. Conclui, outrossim, que a declaração de invalidade constitucional do auto de infração é um imperativo; - perora que a tentativa do Fisco em transferir solidariamente a responsabilidade fiscal a sócios, dirigentes e ex-dirigente, caracteriza a teoria da despersonalização da pessoa jurídica, complementando que tal teoria se desenvolveu em face da necessidade de se coibir o abuso da finalidade de uma associação, com vistas a fins inconfessáveis, o que não seria o seu caso. Sustenta que o Código Civil confere autonomia patrimonial à pessoa jurídica, enquanto o Código de Processo Civil assegura que os bens particulares dos sócios não respondem pelas dividas contraídas pela sociedade, sendo nos casos previstos em lei; - arremata sua argumentação acerca da personalidade das pessoas jurídicas dizendo que parece correto responder que a operação praticada pela contribuinte, do ponto de vista tributário, é perfeitamente realizável ao amparo da legislação aplicável, e que o direito tributário elege como fatos geradores determinados atos ou fatos econômicos e jurídicos que se deseja que sejam praticados, mas não obriga que seja adotada aquela forma jurídica, dentre as várias possibilidades admitidas no ordenamento jurídico; - finaliza ponderando que, na hipótese de ser considerado procedente o lançamento, requer a aplicação por eqüidade, relevando-se a aplicação de qualquer penalidade. 2 — Impugnação de fls. 665-681, apresentada com referência a "AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS — Termo de Verificação 592/2006": - aduz que a fiscalização lastreou suas argumentações e interpretações em elementos emprestados de relatório alienígena, imprestável para fundamentar as infrações, e que, como dito na impugnação complementada, o relatório emitido pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo se apresenta eivado de vícios de origem, produzido sobre coisa podre, e que foram declaradas judicialmente nulas as atitudes e procedimentos fiscais que deram origem àquele relatório; - argumenta que o Termo de Verificação Fiscal se apresenta de formas contrapostas por atribuir a contribuinte omissão de receita, ao mesmo tempo que qualifica de inidôneos e questiona a efetividade dos negócios de exportação da contribuinte. Diz que, no mesmo ato em que o Fisco suscita a inexistência de operação de exportação, lavra o auto de infração por pretensa omissão de receita. Garante que omissão de receita não houve, porque as operações foram lastreadas em Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16408.001063/2006-34 Resolução n.º 1201-000.175 S1-C2T1 Fl. 5 5 fornecimentos para o exterior, caracterizando-se, ai, a não-incidência das contribuições pretendidas; - argúi que, na dicção do art. 14 da Medida Provisória n° 1.858, de 30/06/1999, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º/02/1999, são isentas da COFINS e do PIS as receitas de exportação de mercadorias para o exterior. Prossegue, em detalhado escorço histórico, digressionando sobre a evolução da legislação alusiva à. isenção dessas contribuições sobre receitas de exportação. Argumenta que o Superior Tribunal de Justiça já livrou duas cooperativas da incidência do PIS e da COFINS sobre as operações decorrentes de atos cooperativos, e que o Ministro Relator, Luiz Fux declarou em seu voto que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria; - diz estar patente no Termo de Verificação Fiscal e no auto de infração que o resultado operacional levantado refere-se exclusivamente a operações para o mercado exterior; - argumenta que, para subsistir a responsabilidade de diretores e ex- diretores da cooperativa haverá necessidade, primeiramente, de se desconstituir a personalidade jurídica da sociedade, o que não se admite de oficio, pela via administrativa. Argumenta que, A luz do art. 135 do CTN, para que se configure a responsabilidade fiscal dos administradores, pelo não-pagamento do tributo originariamente devido pela sociedade, é necessária a comprovação de que os atos por eles praticados o foram com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; Adiciona que a questão da responsabilidade não é simplesmente objetiva, exigindo a comprovação do ato doloso ou culposo para induzir a responsabilidade pessoal dos que exercem a administração da sociedade. Enfatiza que o simples não-pagamento de tributo ou a ausência de bens da empresa passíveis de penhora, de per si, não caracterizam infração lei, suficiente a ensejar a responsabilidade pessoal do sócio-gerente, e que a hipótese do art. 135 se funda na conduta dolosa ou culposa especificamente apontada pelo legislador. 3 — Impugnação de fls.684-685, apresentada com referencia a "AUTO DE INFRAÇÃO BASE DE CÁLCULO — Termo de Verificação 592/2006": - reitera a alegação de vicio pela utilização de relatório emitido pela SEFAZ do Estado de São Paulo; - argúi que os autuantes não levaram em conta tratar-se de operações voltadas para a exportação, o que modifica violentamente o conceito tributário. Adiciona que, por força da Emenda Constitucional n° 33, de 2001, que dá enfoque especial aos procedimentos de exportação, os encargos inerentes às operações financeiras e comerciais, necessariamente, têm que se adaptar ao texto constitucional vigente, sob pena de ver-se implantado o reverso da legalidade; 4 — Impugnação de fls.689-714, apresentada com referência a "AUTO DE INFRAÇÃO - CSLL — Termo de Verificação 592/2006": Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16408.001063/2006-34 Resolução n.º 1201-000.175 S1-C2T1 Fl. 6 6 - reitera a alegação de vicio pela utilização de relatório emitido pela SEFAZ do Estado de São Paulo; - reportando-se à legislação de regência, reforça a argumentação de que as operações relativas a exportação, são merecedoras do beneplácito da isenção tributária. Aduz que a Emenda Constitucional n" 33, de 11/12/2001, criou verdadeira regra de imunidade, para eliminar qualquer possibilidade de criação ou manutenção de ônus tributário sobre as receitas decorrentes de exportação, relativamente às contribuições sociais, estendendo assim, para o universo das contribuições sociais, a regra que já havia para a Cofins, o PIS e a Contribuição Social devida pela Agroindústria, criada pela Lei ri° 10.256, de 09/07/2001; - aduz que as contribuições para a COFINS, para o PIS e para a contribuição previdenciária já possuem regras especificas na legislação ordinária definindo sua exoneração fiscal sobre as receitas de exportação e que, entretanto, para a CSLL, não há ainda qualquer norma na legislação ordinária, mesmo recente, que permita a exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL. Adiciona que, com freqüência, a Secretaria da Receita Federal vem se pronunciando contrariamente à aplicação da imunidade neste caso. Acrescenta que se defende nos meios tributários a retirada das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL, e que essa pretensão já está sendo objeto de demandas judiciais. Na seqüência, tece vasta argumentação sustentando essa tese. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou procedente o lançamento. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 788 e ss.) e, ademais, requer sejam recebidos os documentos apresentados (fl. 813 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Examinando os autos do processo verifico que, apesar de haverem impugnado o lançamento, e de haverem sido mantidos como responsáveis tributários pela DRJ de origem, os Srs. Reno Ferrari, CPF n° 008.556.008-10, Renato Martin Ferrari, CPF nº 099.628.938-01, e Reno Ferrari Filho, CPF n° 012.545.188-19, não foram cientificados da decisão de primeiro grau. Isso posto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que as pessoas acima indicadas sejam intimadas a pagar o crédito tributário ou a interpor recurso voluntário no prazo de 30 dias da ciência da intimação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16327.000744/2003-32
Data da sessão: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1201-000.018
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligência para que a unidade de origem preste informações sobre a situação do crédito discutido no processo de N° 16327.000885/2001-93, vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos santos Mendes (Relator) e Marcelo Cuba Neto, que prosseguiam no
julgamento e negavam provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Ad hoc.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
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Arrendamento Mercantil Recorrida 8a Turma/DRJ-São Paulo/SP-I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem preste informações sobre a situação do crédito discutido no processo de N° 16327.000885/2001-93, vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos santos Mendes (Relator) e Marcelo Cuba Neto, que prosseguiam no julgamento e negavam provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Ad hoc.. GwAlflr4/i -f.vatel"--ies ego - idente Antonio Carlos Guidoni Filho - Redator designado EDITADO EM: 0//04320/1/ Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: os Conselheiros Adriana Gomes Rego), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Cheryl Berno (Suplente Convocada), Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente de Turma). 1 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resolucào n.° 1201-00.018 Fl. 2 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em decorrência de compensação considerada não declarada no processo apenso 16327.003826/2002-58, foi lavrado auto de infração de CSLL, bem como a multa de 75% e juros. 0 sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 12 a 17. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Trata-se de impugnação (fis. 12 a 17) apresentada por LEASING BMC S. A. ARRENDAMENTO MERCANTIL, supra qualificado, contra Auto de Infração Ns. 02 a 06) relativo a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, referente ao ano calendário de 2002. 2. Na seção "Descrição dos fatos e enquadramento legal" (11. 03), o Auditor Fiscal autuante informa que o contribuinte não efetuou o recolhimento da CSLL, e o lançamento é decorrente de pedido de compensação indeferido no processo 16327.003953/2002-57, conforme preconizado pela IN SRF n° 210/2002. 2.1. 0 valor do crédito tributário constituído foi de R$ 45.517,94, já incluídos a multa de ofício e os juros de mora, calculados até 28/02/2003. 2.2. Como enquadramento legal, a autoridade fiscal cita o artigo 2° e parágrafos, da Lei n° 7.689/88; art. 1°, da Lei n° 9.316/96 e art. 28, da Lei n° 9.430/96; art. 6°, da Medida Provisória n° 1.807/99 e reedições; art. 6°, da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. 3. Tendo tomado ciência do lançamento em 20/03/2003 (A. R. fl. 11), o contribuinte, representado por seu Diretor Superintendente (fls. 18 a 21 e 56) apresentou injj,iugnação, em 03/04/2003, relatando e alegando o que segue. 2 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 S I-C2TO Resolução n.° 1201-00.018 Fl. 3 3.1. Após fazer um breve relato sobre o Auto de Infração, discorre sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado. 3.2. Alega que o tributo já estaria devidamente pago com o procedimento (legitimo, no seu entender) de compensação, realizado no âmbito de pedido de restituição, não podendo ser exigido até decisão final do correspondente processo de restituição. 3.3. Em seguida, passa a descrever e comentar as bases de seu pedido de restituição, concluindo: "Não obstante o escorreito procedimento do Impugnante, entendeu o Sr. Chefe do DIORT/DEINF/SPO que o Impugnante havia decaído de seu direito de repetição, já que, segundo seu entendimento, o prazo decadencial para a repetição de tributo declarado inconstitucional conta-se da data de seu respectivo pagamento. Traz como fundamento para sua decisão, o conteúdo do artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, combinado com os termos do Ato Declaratório 96/99, do Secretário da Receita Federal, suportado pelo Parecer da PGFN/CAT n° 1.538/99." 3.4. Prossegue, informando que não conformado com o entendimento da Autoridade Administrativa apresentou eni 06 de novembro de 2002 sua manifestação de inconformidade com relação ao Despacho Decisório que denegou seu pedido de restituição. 3.5. Acredita que em virtude dessa sua manifestação a exigibilidade do crédito tributário objeto do Auto de Infração está suspensa. 3.6. Passa a investir contra a aplicação da taw SELIC como indexador no cálculo dos juros de mora, discorrendo sobre a natureza jurídica dessa taxa em contraposição à natureza da mora. 3.7. Encerra, requerendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado até que seu dir çto a restituição pleiteada seja definitivamente reconhecido. 3 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resolução n.° 1201-00.018 Fl. 4 DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 63 a 70) negou provimento A. defesa, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 2002 Ementa: SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. 0 indeferimento de pedido de restituição de crédito tributário invalida qualquer pretensão do contribuinte utilizar desse pretenso direito creditório para compensar seus débitos tributários. Em o fazendo, a suspensão da exigibilidade não protegerá o crédito tributário que se pretendeu compensar. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 0 sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 74 a 84. Segundo seu entendimento: 0 mérito deste auto de infração está diretamente vinculado ao reconhecimento do pedido de restituição formulado pela LEASING, nos autos do PAF no. 16327.000885/2001-93. Por ter adotado essa premissa, teceu uma serie de razão para defender o seu suposto direito de crédito. Aduz ainda que apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que indeferiu seu pedido de restituição formulado no referido processo 16327.000885/2001-93. Questiona ainda a aplicação da taxa SELIC em razão de sua suposta inconstitucionalidade. É o relatório. 4 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resolução n.° 1201-00.018 Fl. 5 Voto Vencido Conselheiro Relator, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Apensado ao presente feito, está o processo 16327.003826/2002-58. Nele, A. fl. 01, podemos constatar que o formulário de compensação foi apresentado em 04/11/2002. As fl. 04 a 12, consta copia do despacho denegatório da restituição, cuja ciência foi realizada em 13/09/2002. Dessarte, a declaração foi formulada após a denegação da restituição. Aparenta- me evidente que o objeto deste processo não é o pedido de restituição formulado nos autos do processo 16327.000885/2001-93, o que nos impede de enfrentar as questões aduzidas pela defesa acerca da repetição do indébito. 0 ponto é saber se, após o indeferimento administrativo, mesmo passível de recurso, o administrado ainda fazia jus a formular declaração de compensação com o alegado indébito tributário. Se não possuía tal direito, ainda que ao final obtenha êxito quanto à restituição, a compensação não poderá prosperar. Do contrário, se possuía tal direito, a constituição, ao menos da sanção pecuniária será indevida. Quanto à regularidade da constituição do tributo, sera ainda necessário verificar os efeitos da apresentação do formulário de compensação, ou seja, se ele possui o caráter constitutivo do crédito ou não. Para tal análise, reproduzimos abaixo o artigo 74 da Lei 9.430/96, que disciplina a compensação de tributos administrados pela Receita Federal, bem como as suas posteriores modificações. Mantivemos ainda os dispositivos revogados com sua dicção original, mas marcados por um traço. Art. 71. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito ern julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n°10.637, de 2002) ,¢ 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluido pela Lei n° 10.637, de 2002) 5S 20 A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua z14terior homologação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) 5 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA §-4° Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de • , o S. ; ! Processo n° 16327.000744/2003-32 S I-C2TO Resolu(do n.° 1201-00.018 Fl. 6 ,sç 30 Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1°: [Redação dada pela Lei n°10.833, de 2003) I - o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física, (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002) II - os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) III - os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da Unido; (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; c (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) IV - o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal - SRF; [Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto dc compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) V - o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) VI - o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal - SHE, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) ,sS' 40 Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002) §-5 -̀' A Secretaria da Receita Federal disciplinará o 6 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA II - em que o crédito: (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004) 7 Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resoluçdo n.° 1201-00.018 Fl. 7 § 5' 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n°10.833, de 2003) § 6' A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 7Q Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9'. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) § facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7', apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o . „ : : • declarações de compensação e dos pedidos dc restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de • • .1 I § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) I - previstas no § 3' deste artigo; (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resoluçao n.° 1201-00.018 Fl. 8 b) refira-se a "crédito-prémio" instituído pelo art. 1° do Decreto-Lei n° 491, de 5 de março de 1969; [Incluída pela Lei n°11.051, de 20041 c) refira-se a titulo público; (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF, (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) § 13. 0 disposto nos §§ 2' e 5° a 11 deste artigo não se aplica as hipóteses previstas no § 12 deste artigo. [Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) ,sç' 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto afixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) relevante destacar que a previsão relativa A. compensação não declarada de formulários apresentados após o indeferimento administrativo só foi introduzida em 2004 pela lei 10.051/04, no inciso VI do § 3 0, ou seja, após a data da apresentação do formulário relativo ao presente feito. Pela leitura deste dispositivo, poderíamos, a contrário senso, afirmar que, antes da veiculação desta disposição, não havia tal vedação, ou seja, a compensação poderia ser realizada mesmo após o indeferimento administrativo. Nada obstante, nem sempre a lei tem a finalidade de modificar a ordem jurídica posta. Amiúde o legislador edita diplomas normativos apenas com a finalidade de fixar de forma mais clara e explicita regras que já podiam ser aferidas com base nos diplomas anteriores, regras estas inclusive já aplicadas pelos órgãos de julgamento. No caso, não podemos perder de vista que o CTN assim dispõe, desde 1966: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (nosso destaque). Ora, só são passíveis de compensação "créditos líquidos e certos". Foi essa a razão de o legislador ordinário federal ter incluído no rol expresso de hipóteses de declarações não formuladas os formulários apresentados após o interessado ter tido ciência do indeferimento do pleito administrativo de sua restituição. Nesse caso, ainda que tenha direito ao recurso administrativo, seu pretendido crédito não mais goza de certeza e liquidez, ou melhor, não goza sequer de presunção de certezaA liquidez, qualidade essencial que deve possuir o indébito para ser objeto de compensação. 8 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resolução n.° 1201-00.018 Fl. 9 Entendemos que o regime jurídico da compensação, bem como a natureza dos créditos de ambos os sujeitos da relação jurídica, devem ser verificados na data do encontro de contas. Desse modo, como na data da apresentação do formulário, o crédito não mais gozava de presunção de certeza e liquidez, a compensação foi indevida, o que legitimaria a autoridade a realizar o lançamento. Não há também relação de prejudicialidade entre o presente feito e o pedido de restituição, pois, mesmo que lhe seja posteriormente reconhecido o direito ao indébito, tal fato não implicaria o reconhecimento da certeza e liquidez na data da apresentação do formulário de compensação. Já, em relação aos efeitos da apresentação do formulário em relação ao crédito do Fisco, foi só a partir da introdução do § 6° pela MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que tal documento adquiriu o caráter constitutivo. Desse modo, a apresentação em 04/11/2002 não produziu o efeito de constituir o crédito tributário, o que impõe ao Fisco promover o presente lançamento. Em relação às alegações atinentes A. taxa Se lic de juros, delas deixo de tomar conhecimento e aplico a Súmula abaixo transcrita em razão de sua força vinculante: "Stimuli' 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Guilh&ffie Adolfo dos Santos Mendes e 9 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resolução n.° 1201-00.018 Fl. 10 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho - Redator designado Trata-se de procedimento administrativo instaurado para exigência de crédito tributário constituído pela "falta de recolhimento da contribuição social sobre o lucro (financeiras)", nos anos-calendários de 2001 e 2002, em decorrência do "indeferimento do pedido de restituição e compensação" (fls. 02). A relação de dependência entre o lançamento impugnado e o citado pedido de restituição encontra-se mencionada pela própria Fiscalização no auto de infração (fls. 06). Em análise desses autos, constata-se que não há condições de conhecer com segurança do pleito do contribuinte, visto que não solucionado definitivamente (na esfera administrativa) o procedimento administrativo do qual este é decorrente. Referido procedimento encontra-se em trâmite perante o Primeiro Conselho de Contribuintes, para exame de recurso voluntário interposto pela Interessada, em fase "retorno de resolução". E conveniente que o julgamento deste recurso se dê após o exame do Processo Administrativo n. 16327.000885/2001-93, pelo intuitivo risco de decisões contraditórias de mesmo grau de jurisdição administrativa. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento em diligencia para que a unidade de origem pre 'te informações sobre a situação do crédito discutido nos processos de n° 163 00I85/ q01-93, retornando-se os autos ao Con elho Administrativo de Recursos Fisces .. . j lga e -0--após o cumprimento da diligência. Antoni 10 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA
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Numero do processo: 10380.005171/2005-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1201-000.057
Decisão: Resolvem os membros desta Turma Julgadora, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização federal, que cobra do contribuinte IRPJ e CSLL do ano calendário de 2003, em razão de suposta ausência de declaração de receitas auferidas, escrituradas nos livros de apuração do ICMS e nas Guias GIEFs, contudo não declaradas para fins de IRPJ e CSLL na DIPJ/2004. Além da exigência fiscal, fora cobrada também do contribuinte multa de ofício de 75% do valor do tributo, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, além dos juros Selic. Não foram lavrados os Autos de Infração das contribuições a título de PIS e Cofins, tendo em vista que tais contribuições são de responsabilidade do substituto tributário, conforme assinalado na folha de continuação ao Auto de Infração — IRPJ. A contribuinte tem como atividade a comercialização de combustíveis, recolhendo ICMS sob o regime de substituição tributária. Devidamente intimada dos lançamentos em 28.06.2005, a contribuinte apresentou impugnação em 27.07.2005, alegando em síntese: a) o Auto de Infração foi lavrado por suposta omissão de receitas em face da Fiscalização ter entendido que a contribuinte escriturou e declarou receitas da venda de combustíveis a menor. Discorda, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10380.005171/200574 Resolução n.º 1201000.057 S1C2T1 Fl. 2 2 entretanto, da autuação, uma vez que não cometera as ilicitudes que lhe forma imputadas no aludido Auto de Infração; b) depreendese do Auto de Infração que a autoridade fiscal atribuiu à defendente o recolhimento a menor do IR e da CSLL, após fazer comparativo com as declarações por ela prestadas para o Estado do Ceará, por meio das GIEFs, tendo constatado por meio dos referidos documentos que a base de cálculo do ICMS é em valor a maior e que apuradas as diferenças, mês a mês, resulta na importância de R$ 408.631,69, sobre a qual foram calculados os tributos federais; c) aduz que não houve supressão de tributos (IR e CSLL), uma vez que estes foram pagos em sua totalidade. Esclarece, nesse sentido, que efetivamente o que ocorreu é que para o recolhimento do ICMS computouse todas as devoluções de compra efetuadas ao longo do ano pois à luz da legislação do ICMS as Notas Fiscais de devoluções compõem a base de cálculo deste imposto, apurandose, assim, sem dúvida, uma base de cálculo a maior; d) assevera, porém, que é notório que a base de cálculo dos tributos federais é o lucro, expresso pelo resultado das vendas (faturamento) subtraído das compras e despesas; e) assim, pelo citado motivo, houve erro na lavratura do Auto de Infração, conforme pode ser verificado por meio das Notas Fiscais de devolução, em anexo; f) da mesma forma que não houve a supressão do pagamento de tributos, não incide sobre o principal a obrigação acessória (75% de multa), calculada na forma da legislação supramencionada. Isto porque não houve inexatidão da declaração, pois o contribuinte calculou os tributos na forma da legislação pertinente, de modo que é absolutamente injurídica a cobrança de multa no patamar pretendido pelo Fisco; g) entretanto, resulta demonstrado que o Agente Fiscal, no procedimento fiscal em apreço, não arrimouse no Princípio da Verdade Material, segundo o qual a Administração Tributária deve ter uma postura proativa no sentido de não se satisfazer somente com as provas trazidas aos autos, devendo empenharse na busca da verdade substancial ou à verdade material tributária,à exatidão legal do tributo; conforme lição nesse sentido prestada pelo mestre Adelmo da Silva Emerenciano, em sua obra Procedimentos Fiscalizatórios (Editora Copola, p. 177, 202/203), que traz à colação (fls. 37); h) aduz que foi justamente o que ocorreu no presente caso, pois o fiscal não perquiriu acerca da real base de cálculo do ICMS, que é diferente do IR e da CSLL, satisfazendose pela análise superficial dos documentos, acoimandoos de inexatos, para em conseqüência lavrar o Auto de Infração ora impugnado; i) além de inconsistente, conforme demonstrado, inferese que o lançamento em questão é improcedente, não devendo, portanto, prosperar, porquanto decorrente de pressuposto errado, já que não houve cometimento de qualquer infração; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10380.005171/200574 Resolução n.º 1201000.057 S1C2T1 Fl. 3 3 j) requereu que julgado improcedente o Auto de Infração, por ser medida que se impõe em homenagem a mais pura e louvável justiça, por ter plena convicção de que este órgão julgador, em suas decisões sempre se espelha no binômio "esmero" e "isenção"; k) permitido à impugnante a prova dos fatos alegados por todos os meios admitidos em Direito, notadamente se for necessária a juntada posterior de documentos, perícias, e tudo o mais que se faça necessário, ficando desde já requerido; l) dada a interpretação mais favorável ao sujeito passivo, em caso de dúvidas ou de ausência de disposição expressa, conforme dispõem os arts. 108, 109, 110 e 112 do Código Tributário Nacional. Na decisão da DRJ houve a manutenção do lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Lucro Real Omissão de Receitas (Receita Escriturada e Não Declarada). Caracteriza omissão de receitas, não elidida pela defesa, a existência de valores apurados do cotejo entre as vendas registradas no Livro Registro de Apuração do ICMS e os valores declarados ao Fisco federal na DIPJ12004. A alegação da defesa, de que, parte dos valores tributados diria respeito a valores que não representariam vendas efetivas, não surte nenhum efeito jurídico no sentido de infirmar o Auto de Infração, quando a legislação tributária pertinente, não contemplar a operação de devolução de compra realizada pela impugnante como exclusão da base de cálculo do IRPJ. Tributação Reflexa: CSLL Aplicase à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida plenamente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado ao Auto de Infração reflexo. Lançamento Procedente Devidamente intimada da decisão da DRJ em 19.05.2009, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando em apertada síntese que: a) A base de cálculo considerada para recolhimentos do ICMS é maior que a base de cálculo para o recolhimento do IRPJ e da CSLL, e que apuradas as diferenças, mês a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10380.005171/200574 Resolução n.º 1201000.057 S1C2T1 Fl. 4 4 mês e somadas, constatase um valor de R$ 408.631,69 sobre a qual calculouse os tributos federais. b) O que ocorreu efetivamente é que para o recolhimento do ICMS, computou se todas as devoluções de compra efetuada ao longo do ano, pois na legislação do ICMS as notas fiscais de devolução compõem a base de cálculo deste imposto; c) Não havendo supressão do pagamento do IRPJ e da CSLL, pois a base de cálculo desses tributos é o Lucro, não incide sobre o principal a multa de 75%; d) Nesse sentido, requereu o cancelamento do Auto de Infração, através do provimento ao Recurso. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Não havendo matéria preliminar a ser enfrentada, passamos ao mérito. Quanto ao mérito, entendo que a decisão da DRJ merece reparos. Primeiramente é fato incontroverso que as bases de cálculo incidentes no IRPJ/CSLL e ICMS são distintas, tendo como preceitos iniciais em ambos os casos a receita bruta. Logicamente que o ICMS estará pautado no faturamento, incluindo sobre sua base de cálculo as devoluções, visto que a saída é tributada, ou seja, as mercadorias devolvidas integraram a base de cálculo do tributo estadual, ao passo que no IRPJ/CSLL a receita bruta, segundo o entendimento da decisão recorrida não teria legislação apta reconhecendo tal exclusão expressamente quando da apuração da base de cálculo dos tributos federais. Contudo, a despeito das referidas peculiaridades receita bruta é receita bruta, logicamente diferente do faturamento, como bem reconhecido inclusive pelo STF. O que temos que investigar aqui é se para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, as devoluções teria algum impacto de valores excludentes quando da apuração da base de cálculo desses tributos federais. Para o PIS e Cofins, a Lei n° 9.718/98, em seu artigo 3°, prevê expressamente essa exclusão das vendas canceladas, que possui identidade ou similaridade com as devoluções, visto que o efeito econômico é o mesmo: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10380.005171/200574 Resolução n.º 1201000.057 S1C2T1 Fl. 5 5 I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; A distinção entre vendas canceladas e devoluções foram tratadas pela Receita Federal no passado: A distinção principal é que o cancelamento significa a não saída do estoque, enquanto a devolução representa a saída e o conseqüente retorno para o estoque de um fornecimento efetuado. Na devolução o bem saiu do estabelecimento vendedor, chegou ao estabelecimento adquirente que o recusou. Para o vendedor as devoluções de vendas significam o retorno por inconformidade de produtos ou mercadorias. Podem caracterizar desfazimento de negócio ou não. O bem devolvido poderá ser reposto em igual quantidade e espécie. As vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços. Eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de vendas ou de rescisão contratual não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas devem ser computados nos resultados operacionais. (Instrução Normativa SRF nº 51/1978). Nestes termos, a zona cinzenta entre as vendas canceladas e as devoluções está no fato de que no segundo caso poderá haver reposição do bem devolvido em igual espécie e quantidade. Contudo, para efeitos de ICMS, tal procedimento é tratado com rigor, procedimentos e escrituração. Assim, na hipótese da fiscalização investigar documentos do contribuinte e certificar que as devoluções não foram repostas, ou se repostas resultaram na tributação do IRPJ e da CSLL quando da reposição, entendo que seria passível de exclusão da receita bruta os valores das devoluções para fins de Pis e Cofins. Da mesma forma, precisamos investigar se o referido tratamento acima seria aplicável no caso do IRPJ e da CSLL, visto são esses os tributos envolvidos. Em termos contábeis, as devoluções das vendas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta no próprio período de apuração. O Regulamento do IR tratou de forma expressa apenas das vendas canceladas: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10380.005171/200574 Resolução n.º 1201000.057 S1C2T1 Fl. 6 6 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 1º). Já a Instrução Normativa n° 93/97, em vigor, dispõe sobre as devoluções de forma expressa, como excludente da receita bruta: Art. 5º A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, observandose que: (...) § 1º Da receita bruta serão excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas e os descontos incondicionais concedidos. Portanto, entendo que a DRJ deixou de investigar os conceitos e efeitos da venda cancelada e das devoluções de vendas, sendo omissa inclusive na menção o disposto no artigo 5°, § 1°, da IN n° 93/97. Nesse sentido, entendo pela necessidade da baixa dos autos em diligência, para que a fiscalização: a) analise e aponte todas as devoluções mencionadas pelo contribuinte no ano calendário de 2003, investigando inclusive se tais devoluções foram devidamente registradas nos livros fiscais e contábeis do contribuinte; b) analise e aponte se houve ou não reposição dos bens e se sobre essas reposições houve tributação sobre a receita bruta para fins de IRPJ e CSLL. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO – Relator (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS – Presidente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 10660.900131/2011-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Conjunto de molas de colchão unidas por molas espirais, de fios de aço, para colchões, comercialmente denominado de Molejo, classifica-se no código 7326.20.00, com suporte nas Regras Gerais para Interpretação RGI 1, 3 e 6 e Nota 2 do Capítulo 73 da TIPI.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. SISTEMÁTICA DE NÃO CUMULATIVIDADE.
Na sistemática da não cumulatividade, o procedimento fiscal que visa apurar eventual saldo credor compensável deve descontar dos créditos os débitos decorrentes da reclassificação efetuada pela fiscalização, não havendo necessidade de lançamento de ofício para esse tipo de ajuste.
Numero da decisão: 3301-011.335
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.331, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.725113/2011-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausentes o conselheiro Ari Vendramini e o conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes.
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. SISTEMÁTICA DE NÃO CUMULATIVIDADE. Na sistemática da não cumulatividade, o procedimento fiscal que visa apurar eventual saldo credor compensável deve descontar dos créditos os débitos decorrentes da reclassificação efetuada pela fiscalização, não havendo necessidade de lançamento de ofício para esse tipo de ajuste. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.331, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.725113/2011-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausentes o conselheiro Ari Vendramini e o conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 01 31 /2 01 1- 30 Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de pedido de ressarcimento de IPI, Per/Dcomp, o qual foi indeferido/deferido parcial, e não homologada/homologada em parte a compensação declarada, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em razão da reclassificação dos produtos para nova alíquota de IPI. O contribuinte adotou classificação fiscal incorreta em toda uma série de produtos produzidos a partir de fios de arame de aço. Os produtos descritos genericamente como “MOLEJO”, “ALMOFADA” e “BORDAS” para confecção de colchões e almofadas para sofás e poltronas classificados, pelo contribuinte, no código 9404.29.00 descrito como “COLCHÕES DE OUTRAS MATÉRIAS” (que não borracha alveolar ou de plásticos alveolares, mesmo recobertos – descrito no subitem anterior 21.00) e cuja alíquota de IPI é zero; A simples observação dos produtos mostra claramente que não se tratam de colchões ou almofadas e sim de artefatos de arames (fios) de aço (vendidos à empresas de fabricação de colchões, como se observa nas notas de saída), que ainda precisam de tratamento industrial para se tornarem colchões e que são compostos exclusivamente de fios de aço, exceção dos molejos cujas molas são encapsuladas umas às outras através dessas cápsulas de “não tecidos”, formando um “molejo” que possui características próprias e pouco distintas dos demais molejos, mas que são essencialmente iguais e não se enquadram na classificação pretendida, pois não se tratam de colchões; Cientificada da decisão a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Não deve prosperar o despacho decisório, pois o meio próprio para a fiscalização lançar estes créditos seria através de auto de infração. Ao indeferir parcialmente a compensação, o que a autoridade pretende é exigir indiretamente o IPI supostamente devido referente às saídas ocorridas no período; [ A empresa discorda da classificação adotada pelo auditor fiscal, pois o produto em tela, “molejo” é a parte essencial do colchão; todas as características de um colchão dependem do tipo de conjunto de molejos que é utilizado. É a parte fundamental do colchão; O auditor fiscal não soube utilizar corretamente a RGI “2a” que determinaria a classificação do produto como colchão inacabado ou incompleto, pois o molejo contém ‘no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado”; O auditor fiscal também desconsiderou as notas explicativas da posição 9404 (B) que afirma que deverão ser incluídos nessa posição os colchões “cuja característica essencial seja estarem providos de molas”; O auditor fiscal desconsiderou e não aplicou a IN SRF nº 807, de 11 de janeiro de 2008, a qual expressamente determina que a posição 94.04 abrange os suportes elásticos para camas; Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 Sendo assim, o "molejo" contém um sistema de molas bastante complexo que é, como afirma a nota da posição 9404, característica essencial do colchão, sendo suficiente para classificar o "molejo" como colchão inacabado ou incompleto; Voltando a RGI 2a, o produto inacabado deve ser classificado na posição do produto acabado se contém suas características essenciais, assim a correta classificação do molejo é no código 9404.29.00, sendo inconsistente as alegações do auditor fiscal; A Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Cientificada, a contribuinte apresentou recurso, no qual são apresentas questões que serão analisadas no voto que segue. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. A Recorrente contesta a classificação adotada pela fiscalização para o produto “molejo”. Argumenta que este produto tem a característica essencial do colchão e como tal deve ser classificado, obedecendo à Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 2A, apropriada para classificação dos produtos incompletos ou inacabados. Também afirma que as consultas fiscais mencionadas na decisão de piso não são aplicáveis ao caso. A Recorrente traz laudo pericial (fl. 152 e seguintes), laudo judicial (fl. 286 e seguintes) e decisões judiciais sobre a classificação fiscal em pauta aplicada a tributo estadual. Será apreciada neste voto a lide levada à DRJ e por esta analisada, a saber: a matéria relativa à classificação fiscal do produto designado genericamente de “molejo”, classificado no código NCM 9404.29.00, com alíquota 0%, e reclassificados pela fiscalização para o código NCM 7326.20.00, com alíquota de 5%. Mesmo considerando os laudos apresentados pela Recorrente e também as decisões judiciais, concordo com a decisão recorrida. Destaco que a função dos laudos, diversamente do que se verifica às fls. 186, não é classificar a mercadorias, para apresentar subsídios para que a autoridade fiscal ou julgadora tenha elementos para classificar. Anoto também que a decisão judicial, relativo ao mesmo contribuinte mas pertinente a tributo estadual não se aplica ao presente caso. Assim, em vista do disposto no § 3º do artigo 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, reproduzo os fundamentos da decisão de primeira instância e os faço minha razão de decidir: Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 Nessa matéria, é fundamental atentar que, no âmbito do Sistema Harmonizado, a correta classificação fiscal de qualquer mercadoria no nível da subposição apropriada só pode ser alcançada depois de ter sido previamente, e devidamente, identificada a respectiva posição de enquadramento. Na posição 9404, adotada pela contribuinte, estão incluídos: “Suportes elásticos para camas; colchões, edredões, almofadas, pufes, travesseiros e artigos semelhantes, equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias, compreendendo esses artigos de borracha ou de plásticos alveolares, mesmo recobertos.” Note-se que a classificação pretendida pela contribuinte não coloca como parte essencial do colchão a sua confecção mediante utilização de molas, mas apenas diz que se classificam como colchões aqueles elementos ainda que equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias. Logo, o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Neste caso, vale observar que o produto será “colchão” independente de ser guarnecido com molas ou quaisquer outros elementos (espumas ou penas). Na verdade, esta é apenas uma qualidade do colchão. Assim, possuir molas não é característica essencial que importe classificar o colchão no código 9404.29.00. Os colchões de mola são classificados na posição 9404, mas o texto dessa posição não autoriza que as partes do colchão devam ser também classificadas nessa posição. Verifica-se, portanto, que a RG 2A não se aplica ao caso concreto, pois o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Assim, no sentido de conferir a correta classificação fiscal, reproduzo a descrição realizada pelo autuante no relatório fiscal por considerálas adequadas para a classificação fiscal do produto “molejo” no código 7326.20.00: “As regras de classificação fiscal são determinadas por acordo realizado no âmbito da ONU através do GATT (General Agreement on Tariffs and Trade –Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) e regemse pelas REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO – RGISH, transcritas abaixo, aprovadas pelo Decreto 97.409/88: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3.Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classifica-se na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificam-se na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5. Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificam-se com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificam-se com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRAS GERAIS COMPLEMENTARES (RGC) 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. 2. (RGC2) As embalagens contendo mercadorias e que sejam claramente suscetíveis de utilização repetida, mencionadas na Regra 5 b), seguirão seu próprio regime de classificação sempre que estejam submetidas aos regimes aduaneiros especiais de admissão temporária ou de exportação temporária. Caso contrário, seguirão o regime de classificação das mercadorias. REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1. (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendo-se que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Em acordo com a primeira regra aprovada e levando em consideração que a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, em sua norma NBR 15413, regula o assunto, definindo Colchão de Mola nos seguintes termos: “bem de consumo durável, para o repouso humano, constituído por quatro principais componentes: molejo, isolante, estofamento e revestimento.” Grifei. O molejo é apenas uma das quatro partes do colchão de mola, e, como tal não pode ser entendido e não apresenta característica essencial do colchão, sendo impossível dormir sobre o mesmo. Descartada a possibilidade dos produtos se enquadrarem na posição formalizada pelo contribuinte de acordo com a regra 2a (2 A Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Grifo nosso.) e visto que os molejos não possuem as características essenciais do produto acabado, passouse à 2b, que afirma que “qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria”, como os produtos são compostos essencialmente por fios e molas de aço, nos remetemos à seção XV (Metais comuns e suas obras), capítulo 73 (Obras de ferro Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 fundido, ferro ou aço, grifos nossos) determinando então a posição. Vencida essa etapa partimos para a determinação da subposição e encontramos as seguintes possibilidades: Ressalto que concordo plenamente com as observações constantes da decisão de piso no sentido de que a classificação pretendida pela Recorrente não coloca como parte essencial do colchão a sua confecção mediante utilização de molas, mas apenas diz que se classificam como colchões aqueles elementos ainda que equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias. Logo, o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Ou seja, conforme a descrição da classificação almejada não inclui molas para colchão, mas inclui colchões ainda que com molas. Ou seja, conforme se concluiu na decisão de piso, ter molas “é apenas uma qualidade do colchão”, “possuir molas não é característica essencial que importe classificar o colchão no código 9404.29.00. Assim, parece-me absolutamente correta a conclusão de que o s colchões de mola são classificados na posição 9404, mas o texto dessa posição não autoriza que as partes do colchão devam ser também classificadas nessa posição Da mesma forma, sigo na linha de observação de que a RG 2ª, mencionada pela Recorrente, não se aplica ao caso concreto, pois o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Dessarte, concluo com a decisão de piso pela correição da classificação proposta pela fiscalização. Assim, afastada a classificação fiscal proposta pela Recorrente, continuo transcrevendo a decisão recorrida, com o propósito de verificar a correta classificação. Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 A regra 3 determina que quando houver possibilidade de classificação em duas ou mais posições da tabela devemos considerar as três formas nela estabelecidas que determinam – resumidamente que (a) a prevalência da mais específica sobre as genéricas; (b) pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial; (c) pela posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração e, por fim, de acordo com as notas explicativas do Sistema Harmonizado – NESH que é determinante da classificação fiscal, e que trazem as seguintes determinações quanto aos produtos incluídos: 73.20 Molas e folhas de molas, de ferro ou aço. Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 7320.10 Molas de folhas e suas folhas 7320.20 Molas helicoidais 7320.90 Outras Incluemse na presente posição as molas de ferro ou aço de qualquer espécie, dimensão ou aplicação, exceto as molas para relógio da posição 91.14. Designam-se por “molas” as peças metálicas que se apresentam em folhas, fios ou barras, dispostas de modo a poderem sofrer deformações consideráveis, graças a sua confecção apropriada e à elasticidade da matéria que as constitui, e suscetíveis de retomar a forma primitiva sem prejuízo da sua resistência. Esta posição compreende os seguintes tipos de molas: A) As molas de folhas, simples ou sobrepostas, principalmente empregadas para constituir suspensões elásticas de várias espécies de veículos (locomotivas, vagões, automóveis e outros veículos). B) As molas helicoidais, das quais as mais comuns são: 1) As molas de espirais (helicoidais) (de compressão, tração e torção, entre outras), constituídas por fios ou barras de seção circular ou retangular, utilizadas principalmente em material de transporte, máquinas, etc. 2) As molas em voluta, formadas por fios, barras ou chapas de seção retangular ou oval, enroladas em espirais cônicas ou troncônicas, utilizadas principalmente como amortecedores ou parachoques nos engates de vagões, em tesouras de podar, máquinas de tosquiar e em artefatos semelhantes. C) As molas espirais planas e as molas planas, utilizadas em dispositivos de corda, em fechaduras, etc. D) As molas em forma de disco ou anel (do tipo das utilizadas em parachoques de ferrovias, etc.). As molas podem encontrar-se providas de braçadeiras (sobretudo as molas de folhas), de pinos ou pernos e de outros dispositivos de ligação. Incluem-se também aqui as folhas separadas para molas de folhas. Excluem-se desta posição: a) As molas para hastes ou cabos de guardachuvas ou de guardasóis (posição 66.03). b) As arruelas (anilhas*) abertas e outras com função de mola (posição 73.18). c) As molas transformadas em fechos automáticos de portas (posição 83.02), em órgãos de máquinas (Seção XVI) ou de aparelhos e instrumentos dos Capítulos 90 e 91, por exemplo. d) Os amortecedores e barras de torção da Seção XVII. 73.25 Outras obras moldadas, de ferro fundido, ferro ou aço. 7325.10 De ferro fundido, não maleável 7325.9 Outras: 7325.91 Esferas e artefatos semelhantes, para moinhos 7325.99 Outras Classificam-se nesta posição todas as obras moldadas de ferro fundido, ferro ou aço não especificadas nem compreendidas em outras posições. Entre as obras incluídas nesta posição, citam-se: os artefatos para canalizações (alçapões para caixas de visita, grades e chapas de esgotos, etc.), marcos, tampas ou chapas para hidrantes (bocas de incêndios*), chafarizes (marcos fontanários*), marcos de correio (marcos postais*), marcos de chamada de socorro e semelhantes, cabeços de amarração, carrancas e goteiras de telhado, vigas de mina, esferas para moinho, cadinhos sem dispositivos mecânicos ou térmicos, contrapesos para suspensões, imitações de flores e folhagem (com exclusão dos artefatos da posição 83.06) e botijões de ferro fundido para transporte de mercúrio. Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 A presente posição não inclui as obras moldadas que constituam artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (por exemplo, partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos), nem as obras moldadas não acabadas que necessitem de um trabalho suplementar, mas que já apresentem as características essenciais destes artefatos acabados. Excluem-se, também, da presente posição: a) As obras deste gênero obtidas por outros processos, tais como a sinterização (posição 73.26). b) As estátuas, vasos, urnas e cruzes de ornamentação (posição 83.06). 73.26 Outras obras de ferro ou aço (+). 7326.1 Simplesmente forjadas ou estampadas: 7326.11 Esferas e artefatos semelhantes, para moinhos 7326.19 Outras 7326.20 Obras de fios de ferro ou aço 7326.90 Outras Classificam-se nesta posição as obras de ferro ou aço, obtidas por trabalho de forja ou estampagem, corte ou embutidura ou por outros trabalhos tais como dobragem, reunião, soldadura, trabalho de torno, brocagem ou perfuração, não especificadas quer nas posições precedentes do presente Capítulo, quer na Nota 1 da Seção XV, quer nos Capítulos 82 ou 83, quer ainda em qualquer outra parte da Nomenclatura. Incluem-se na presente posição, entre outros: 1) As ferraduras, ferragens para saltos (tacões*) e protetores para calçados (mesmo com pontas), ganchos e grampos para subir às árvores, portinholas de ventilação não mecânicas, estores (venezianas) formados por lâminas metálicas, arcos para pipas, ferragens para linhas elétricas (braçadeiras, suportes, consoles, etc.), dispositivos de suspensão ou de fixação para cadeias de isoladores (balanceiros, manilhas, alongas, olhais ou anéis com haste, ballsockets, terminais de suspensão, terminais de amarração, etc.), esferas para rolamentos não calibradas (ver a Nota 6 do Capítulo 84), estacas para vedações, cercas e tendas, estacas para prender animais, arcos para canteiros e ruas de jardim, etc., tutores para plantações, esticadores e tensores para fios de vedações, telhas (com exceção das utilizadas na construção, posição 73.08) e goteiras, braçadeiras para prender tubos flexíveis a elementos rígidos, tais como tubos, torneiras, etc., braçadeiras e flanges para suporte de tubulações (com exclusão das braçadeiras e outros dispositivos semelhantes especialmente destinados a reunir os elementos tubulares ou outros da construções metálicas, posição 73.08), medidas de capacidade (decalitros, litros, etc., que não sejam os simples recipientes graduados de uso doméstico da posição 73.23), dedais, cravos denominados “pregos” para demarcação de estradas (faixa para pedestres (peões*)) ganchos forjados, porta mosquetões para qualquer uso, escadas moldador da posição 73.17) e imitações de flores e folhagem de ferro ou aço forjado (com exclusão dos artefatos da posição 83.06 e da bijuteria da posição 71.17). 2) Os artefatos de fio, tais como armadilhas, alçapões, ratoeiras, gaiolas, atilhos para forragens, feixes e semelhantes, aros para pneus, fios para liços de tecelagem formados por dois fios justapostos e soldados um ao outro, anéis para focinhos de animais, ganchos metálicos para suportes elásticos de camas, ganchos para açougue, ganchos para ardósias e semelhantes, bem como os cestos para papéis. 3) Certas caixas e estojos, tais como caixas ou escrínios de ferramentas, que não tenham sido especialmente concebidos ou preparados no interior para receber ferramentas específicas, com ou sem os seus acessórios (ver a Nota Explicativa da posição 42.02), caixas para botânicos e semelhantes, cofres para joias, caixas para pó-de-arroz ou cosméticos, cigarreiras, charuteiras, tabaqueiras, bomboneiras, etc. (com exclusão dos recipientes da posição 73.10, das caixas de uso doméstico da posição 73.23 e dos artefatos de ornamentação da posição 83.06). Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 Também se incluem aqui os dispositivos para fixação de ventosa constituídos por armação, um cabo, uma alavanca destinada a criar uma depressão e discos de borracha destinados a serem adaptados momentaneamente a um objeto (especialmente vidro) para o deslocar. A presente posição não inclui as obras forjadas que consistam em artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos, por exemplo), nem as obras forjadas não acabadas que exijam um trabalho suplementar mas que apresentem as características essenciais de artefatos acabados. Também excluem-se da presente posição: a) Os artefatos da posição 42.02. b) Os reservatórios, tonéis, cubas e recipientes semelhantes das posições 73.09 ou 73.10. c) As obras moldadas de ferro fundido, ferro ou aço (posição 73.25). d) Os objetos de escritório, tais como bibliocantos (aparalivros*), tinteiros, descansos para canetas, mataborrões, pesapapéis (pisapapéis*), porta carimbos (posição 83.04). e) As estátuas, vasos, urnas e cruzes ornamentais (posição 83.06). f) As prateleiras de grandes dimensões, destinadas, depois de montadas, a fixaremse em estabelecimentos comerciais, oficinas e em outros locais onde se armazenem mercadorias (posição 73.08), bem como outras prateleiras e etageres da posição 94.03. g) As armações para abajures (quebraluzes) (posição 94.05). (Grifos nossos) A NESH dos itens pesquisados demonstra que a posição 73.20 englobaria as molas em geral inclusive as utilizadas para se fazer os molejos, mas como não cita os conjuntos de molas e os molejos incluem partes que não são molas (os grampos e os arcos que os envolvem e fazem o perímetro das peças, por exemplo), continuei a pesquisa e me deparei com a posição 7325, que poderia incluir tais artefatos (outras obras moldadas de ferro ou aço), mas são excluídos por determinação de “não especificadas ou compreendidas em outras posições” e como já podia enquadrar em molas (que seria a mais específica) da posição 7320, continuei a pesquisa e cheguei a posição seguinte 7326, que generaliza as obras de aço, mas especifica as obras de fios de ferro ou aço e então pude realmente chegar a uma conclusão, visto que a posição, 7326.20.00, engloba uma vasta gama de artefatos construídos com fios de aço e satisfaz todos os itens da regra 3ª. Na pesquisa realizada para a classificação fiscal das mercadorias foi observado que houve consultas a respeito do mesmo material – por contribuinte diverso do fiscalizado – tanto na 6ª região fiscal (em anexo), quanto na Organização Mundial de Aduanas – OMA (Pareceres de Classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da OMA internalizados pela IN RFB nº 873/2008 – que pode ser acessado pelo link: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Ins/2008/AnexoUnicoINR FB873.pdf, na página 67 ) e que chegaram a mesma conclusão: as mercadorias descritas foram classificadas no código 7326.20.00 da TIPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, publicada no DOU de 29 de dezembro de2006 e retificada no DOU de 8 de janeiro de 2007 e cuja alíquota de tributação pelo IPI é de 5% (cinco por cento), estabelecida pelo DECRETO No. 4.542 DE 26 de dezembro de 2002, permanecendo até a data de hoje.” Assim, diante da análise detalhada do enquadramento do produto “molejo”, realizada pelo fiscal diligente, com fundamento nas regras interpretativa do Sistema Harmonizado, resta comprovada a Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 correta classificação adotada pela fiscalização na posição TIPI 7326.20.00. Desta forma, a fiscalização, após constatar o cometimento de irregularidades, reconstituiu a escrita fiscal da contribuinte e apurou saldo devedor ao final do período de apuração do 3º trimestre de 2009, no valor de R$ 57.780,35, fl. 103. Assim, inexistindo saldo credor ao final do trimestre calendário objeto do Per/Dcomp em tela,não há que se falar em ressarcimento ou compensação de crédito. Ressalto que o entendimento da Receita Federal sobre a matéria, expresso em diversas soluções de consulta, inclusive colacionadas pela fiscalização nos presentes autos, evidência a correta classificação adotada pela fiscalização para o produto “molejo”, código 7326.20.00, com alíquota de 5%. Sobre os diversos atos, trazidos como sustentação de tese da classificação fiscal utilizada pelo autuado, deve-se esclarecer que a RFB, por intermédio de seus auditores fiscais, tem autonomia para estabelecer a classificação fiscal de produtos, inclusive emitir soluções de consulta sobre a matéria. Aliás, a classificação fiscal de produtos mereceu destaque no Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, que no seu art. 64 prescreveu: “Art. 64. Os laudos e os pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres (Decreto no 70.235, de 1972, art. 30, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos”. Nessa matéria, os argumentos científicos que municiam laudos ou perecer técnico não prevalecem sobre as regras lógicoracionais intrínseca do Sistema Harmonizada, servem apenas subsidiariamente para instruir o processo a ser examinado e decidido pela autoridade competente, nomeada na Lei. Na posição 9404, adotada pela contribuinte, estão incluídos: “Suportes elásticos para camas; colchões, edredões, almofadas, pufes, travesseiros e artigos semelhantes, equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias, compreendendo esses artigos de borracha ou de plásticos alveolares, mesmo recobertos.” Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 Dessa forma, entendo, na mesma linha da decisão recorrida e tendo-a como fundamento, que a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal para o produto em pauta está correta. Ou seja, o produto deve ser classificado no código 7326.20.00, com suporte nas Regras Gerais para Interpretação RGI 1, 3 e 6 e Nota 2 do Capítulo 73 da TIPI. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10380.001968/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1201-000.080
Decisão: Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente), Rafael Correia Fuso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Darci Mendes de Carvalho Filho, João Carlos de Figueiredo Neto e André Almeida Blanco. Relatório A empresa, mediante Ato Declaratório Executivo n° 22 de 11 de março de 2005, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES em razão de excesso de receita bruta no anocalendário de 1999, em relação ao limite estabelecido no inciso do art. 9° da Lei n° 9.317/1996 (microempresa). O efeito da exclusão foi a partir de 01/01/2000. Inconformada com a exclusão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 12 a 20, protocolizada em 06/05/2005, na qual alega, em síntese, o seguinte: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10380.001968/200501 Resolução n.º 1201000080 S1C2T1 Fl. 63 2 Nas alegações ressalta que o solicitante não havia declarado todas as receitas oriundas da revenda de mercadorias (produtos hortifrutigranjeiros), partindo de suas constatações descritas no Termo de constatação e dos Demonstrativos dos Depósitos Bancários na conta corrente 7369x, agência 2879 do Banco do Brasil e conta corrente 1119.02203213 agência 1119Maracanaú do HSBC Bank Brasil S.A., relativos ao ano calendário de 1.999 ocorrendo desta feita os efeitos da exclusão considerados à partir da data de 01/01/2000, em obediência ao disposto no art.15, inc.IV da Lei 9.317/96. Ocorre ilustre Julgador singular, que a impugnante jamais ou tempo algum deixou de ser optante do simples, e que os termo de constatação é um grande equívoco, haja vista que efetivamente a empresa não ultrapassou os valores de R$1.200.000,00 (Um milhão e duzentos mil reais) à época do ano base de 1999 até 2000, e sim ocorrera um grave equivoco, sendo portanto à época realmente optante do simples, e como tal, neste deve ser tratada fiscalmente. Pelo que se assevera a Lei 9.317/96, não poderia a Impugnante ser excluída do simples na forma que se deu, tão pouco ser autuada da mesma forma, haja vista que o princípio da ampla defesa ainda está em vigor na nossa legislação (Carta Magna) e não poderá arcar com o anus de elevada autuação pela exclusão de certa forma arbitrária. Em momento algum ocorreu omissão de receitas, e a dedução do ilustre fiscal que culminou no ato ora guerreado está eivado de equívocos quanto a este fato inicial. Ademais, a empresa jamais teve livros contábeis, até pela sua condição de optante do simples, portanto sempre foi optante e pelo regime do SIMPLES. Senão vejamos a seguir. O Ato declaratório e conseqüentemente a lavratura do Auto de Impugnação deramse pelos motivos supra informados. No entanto referidos atos ocorreram por conclusões precipitadas e deduções ilógicas, haja vista que o agente do fisco caracterizou como agente passivo da obrigação tributária a Impugnante N R DA SILVA. Ou seja, esta difere totalmente daquela constante nos extratos bancários, pois o titular da contas correntes é a pessoa física Nascimento Raimundo Silva portador do CPF 250.001.79072 e não a pessoa jurídica N R DA SILVA, inscrita no CNPJ sob número 02.243.401/000106. É FATO. Em momento algum, a pessoa jurídica pode ser confundida com a pessoa física, pois ambas tem natureza jurídica e objetivos diferentes, seus patrimônios não se confundem, nem tampouco suas obrigações. Não se pode imputar uma obrigação tributária a uma entidade, em que não se configura a materialização do possível fato gerador do tributo ou do possível ato de infração a legislação tributária. É uma afronta aos princípios constitucionais, fiscais, tributários, previdenciários, enfim, evidentemente violadores a qualquer ramo do direito a que se apresente. Os motivos que o levaram esta douta delegada a decretar o Ato declaratório e concomitantemente acatar o Auto de Infração ora discutido, está eivado de vícios. Vícios estes que por si só, anulam o auto ali lavrado e por via de conseqüência, o ato declaratório. Ou seja, agente do fisco conseguiu o feito de criar uma situação no mínimo duvidosa quanto ao real agente passivo da obrigação tributária, pois, os extratos de contas correntes, únicos elementos, que formam a base de sustentação do agente fiscal para o encaminhamento da formação de juízo para a decretação do Ato Declaratório de exclusão, e o auto de Infração ora guerreado não pertencem ao contribuinte AUTUADO. Ou seja, se ocorreu a "pretensa" omissão de receita, deveria o agente fiscal observar os livros de caixa e inventário, Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10380.001968/200501 Resolução n.º 1201000080 S1C2T1 Fl. 64 3 vez que se tratava de empresa inscrita no SIMPLES, ocasionando assim absoluto equívoco passível da mais ampla nulidade. Ora, ilustre julgador, se o lançamento de oficio há de ser celebrado de maneira precisa e induvidosa, de modo a assegurar que os fatos que o ensejaram constituem, efetivamente, infração à legislação tributária. Se houver dúvida quanto à correta identificação das circunstanciais e da qualificação dos fatos, impõese a solução mais favorável ao sujeito passivo, consoante estabelece o inciso II do artigo 112 do CTN. Desta forma, face as conseqüências que poderão advir em face aos atos praticados (Auto de infração e Ato Declaratório), e os efeitos deste, merece absoluta revisão e justiça a serem aplicadas. Portanto, se afigura no caso em tela, pelas preliminares apresentadas de absoluta nulidade. A movimentação bancária pode representar indício de capacidade/contributiva, mais indícios não é a realidade. Uma pessoa física que em suas declarações afirma receber rendimentos anuais equivalentes a "X" mais movimenta no mesmo período "Y" possivelmente possui capacidade contributiva superior aquela pela qual esta sendo tributada, pode ter omitido rendimentos em sua declaração. O que não é o caso. Não se pode dizer porém, que o "Y" movimentados sejam todos, rendimentos tributáveis, a serem onerados pela Receita Federal. É comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente na mesma conta, transferirem valores de uma conta para outra; sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com retorno integral dos valores para a conta correspondente, etc. (Hugo de Brito). Esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como "rendimentos", para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado realmente equivale a um rendimento omitido na respectiva declaração. É de se ressaltar, porém, que uma Lei não pode mudar a necessidade de fundamentação concreta e comprovada da ocorrência do fato gerador, pois essa exigência decorre da própria natureza da fundamentação do ato administrativo, e ainda dos elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte. E mais, como será adiante desenvolvido essa exigência decorre da natureza do lançamento tributário que é atividade privativa da administração. Isso reforça a contestação de que, ainda que a Lei n° 9.430/96 afirmasse que a mera existência de um depósito bancário sem outro dado exterior que comprove omissão de rendimentos, autoriza a tributação pelo Imposto de renda e transfere o ônus de prova em contrário para o contribuinte, essa norma seria inválida. Isso porque o fato meramente alegado ou cuja ocorrência não é demonstrada, simplesmente não tem o condão de obrigar o contribuinte aqui autuado. Desta forma, demonstrando absoluta e incompreensível inconformação, com o Auto de Infração aplicado, vem a Impugnante requerer justiça haja vista acreditar que não deva subsistir a autuação defendida, tão pouco a exclusão aqui guerreada face a flagrante nulidades ali apontadas, as próprias alegações do agente fiscal e justificação da Impugnante. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10380.001968/200501 Resolução n.º 1201000080 S1C2T1 Fl. 65 4 Não merece prosperar o Auto de Infração por completamente insubsistente, pois jamais poderia o auditor fiscal equiparar o solicitante ( Pessoa Jurídica à Pessoa Física, e ainda basear toda a autuação em depósitos bancários de outra personalidade jurídica e por fim com isto efetivar tamanhos equívocos e iminentes prejuízos incalculáveis. Em face de todo o exposto requer que se digne de tornar insubsistente o presente auto de infração, como prática da mais lídima justiça, é o que requer. A DRJ manteve a exclusão do Simples , conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 1999 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovado que a receita auferida supera o limite legal estabelecido para usufruir do Simples, impõese a exclusão do referido sistema a partir do anocalendário subseqüente. Solicitação Indeferida. Algumas questões de fato e de direito foram importantes para a DRJ manter a exclusão, segundo consta do voto proferido em sede de primeira instância administrativa: A primeira delas decorre do fato do próprio contribuinte ter apresentado os extratos bancários; A segunda delas é o fato da informação trazida nos autos de que o Sr. Nascimento Raimundo da Silva ter declarado textualmente nos autos que a movimentação financeira das contas bancárias ser oriunda de movimentação financeira da empresa excluída do Simples; Por fim, em razão do contribuinte não ter conseguido justificar as origens das movimentações financeiras realizadas nas contas bancárias da pessoa física, considerou que a receita pertence à pessoa jurídica, e aplicou a inversão do ônus da prova nos termos do artigo 42 da Lei n°. 9430/96. Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, de forma tempestiva, alegando em síntese os mesmos fundamentos trazidos na impugnação quanto à nulidade, acrescido da questão da interposição de pessoa, que à época dos fatos geradores não havia ocorrido a alteração na legislação tributária aplicada ao caso concreto, não podendo haver retroatividade. Vejamos: O agente do fisco conseguiu o feito de criar uma situação no mínimo duvidosa quanto ao real agente passivo da obrigação tributária, pois, os extratos de contas correntes, ÚNICOS ELEMENTOS, que formam a base de sustentação do agente fiscal para o encaminhamento da formação do juízo para a lavratura do Auto de infração, não pertencem ao contribuinte AUTUADO., vez que há época do fato gerador NÃO Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10380.001968/200501 Resolução n.º 1201000080 S1C2T1 Fl. 66 5 EXISTIA DETERMINAÇÃO LEGAL QUE EVIDENCIASSE INTERPOSIÇÃO DE PESSOA, na forma do parágrafo 5. do art. 42 da Lei 9.430/96 incluído pela Lei 10.637/2002. Ora, ilustres Julgadores, se o lançamento de oficio há de ser celebrado de maneira precisa e induvidosa, de modo a assegurar que os fatos que o ensejaram constituem, efetivamente, infração à legislação tributária. Se houver dúvida quanto à correta identificação das circunstâncias e da qualificação dos fatos, impõese a solução mais favorável ao sujeito passivo, consoante estabelece o inciso II do artigo 112 do CTN. Portanto, se afigura no caso em tela, pelas PRELIMINARES supra apresentadas de absoluta NULIDADE. Destacase que o processo conexo com este, qual seja Processo n° 10380.012387/200413, mencionado inclusive no relatório fiscal e no recurso da contribuinte, fora julgado pelo Conselho de Contribuintes, em 15 de março de 2009, tendo como desfecho a manutenção da cobrança do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, em razão da mesma receita omitida na Pessoa Jurídica. Nestes outro processo é que aparentemente há a suposta declaração do Sr. Nascimento Raimundo da Silva quanto à imputação da movimentação bancária à pessoa jurídica, conforme narrado na decisão da DRJ. No relatório e voto do ilustre Conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz, que julgou o Recurso Voluntário nos autos do Processo n° 10380.012387/200413, considerandoo intempestivo, não há menção dessa confissão. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Antes de se proceder a análise das preliminares de nulidade e adentrar à questão de mérito, cumpre destacar que uma questão de fato precisa ser esclarecida nos autos, especificamente se há ou não no Processo n° 10380.012387/200413, às fls. 64, declaração do contribuinte afirmando que os valores decorrentes de movimentações bancárias realizadas em suas contas de pessoa física são receitas da pessoa jurídica, visto que tanto na impugnação quanto no recurso apresentado nos autos em julgamento o contribuinte afirma que os valores constantes das contas bancárias pertencem à pessoa física. No acórdão da DRJ há menção desse documento, contudo, não se encontra nos autos ora julgado. Com isso, é possível que tal página informada pelo órgão julgador de primeira instância esteja se referindo à fls.64 dos autos do Processo n° 10380.012387/200413. Vejamos as transcrições da DRJ: Como dos autos se infere, a autoridade lançadora fez aquilo que o artigo 42 da Lei n° 9.43011996 lhe atribuía como responsabilidade: constatada a manutenção de conta bancária com expressiva Fl. 66DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10380.001968/200501 Resolução n.º 1201000080 S1C2T1 Fl. 67 6 movimentação não declarada pela impugnante, intimoua a comprovar a origem de créditos/depósitos efetuados em conta bancária. No presente caso, a conta bancária com movimentação incompatível não era de titularidade da pessoa jurídica e sim de seu titular, Sr. Nascimento Raimundo da Silva, que declara textualmente às fls. 64 que a movimentação financeira das c/c nas Ag. Banco do Brasil e HSBC em seu nome é de fato oriunda da movimentação financeira da Empresa autuada, N. R. da Silva. Nestes termos, considerando a informação acima mencionada, que se trata de prova imprescindível para o julgamento do Recurso Voluntário interposto, requerse a baixa dos autos em diligência, para que seja disponibilizado a essa Colenda Turma Julgadora o documento de fl. 64 dos autos do n° 10380.012387/200413, considerando o fato de que o referido processo encontrase no arquivo da PGFN do Estado do Ceará, desde 04/08/2010, segundo informações extraídas no comprot. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO
score : 1.0
Numero do processo: 11613.000217/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2012
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Súmula CARF 126)
AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE.
O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 inciso IV alínea e do Decreto-Lei 37/66. (Súmula CARF 185)
RETROATIVIDADE BENIGNA. INEXISTÊNCIA.
Não tem lugar o instituto da retroatividade benigna quando instrução normativa que repete o quanto descrito em lei é revogada, quando esta última (a lei) não o é.
RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA. INEXISTÊNCIA.
A retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no artigo 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei nº 37/66. (Súmula CARF 186)
Numero da decisão: 3401-010.264
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa por retificação de carga após a atracação. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.261, de 25 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10907.722411/2013-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Súmula CARF 126) AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE. O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 inciso IV alínea “e” do Decreto-Lei 37/66. (Súmula CARF 185) RETROATIVIDADE BENIGNA. INEXISTÊNCIA. Não tem lugar o instituto da retroatividade benigna quando instrução normativa que repete o quanto descrito em lei é revogada, quando esta última (a lei) não o é. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA. INEXISTÊNCIA. A retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei nº 37/66. (Súmula CARF 186) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa por retificação de carga após a atracação. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.261, de 25 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10907.722411/2013-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 02 17 /2 01 0- 16 Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.264 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11613.000217/2010-16 (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de auto de infração para aplicação de sanção por informação extemporânea sobre carga transportada. Para tanto narra a planilha que acompanha o auto de infração que a Recorrente 1) incluiu carga após o prazo legal (atracação 12/07/2010, informação 18/06/2010) e 2) retificou mercante após o prazo legal (atracação 22/01/2011, informação 27/12/2010). Intimada, a Recorrente apresentou Impugnação em que alega, em síntese: . Denúncia espontânea; . Atipicidade do fato por ilegitimidade do Agente Marítimo; . Simples retificação de informações. A DRJ negou provimento à Impugnação da Recorrente, porquanto: “É entendimento reiterado das autoridades fiscais, confirmado no auto de infração em pauta, que a prestação de informação incompleta ou incorreta configura a conduta de “deixar de prestar informação”, prevista no tipo infracional em tela”; “A autuada é parte legítima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que, na qualidade de Agente Marítimo, é a agência responsável pela prestação de informações prevista no art. 107, IV, alínea “e”, do Decreto-lei nº 37/66”; Inaplicável a denúncia espontânea para o descumprimento de obrigações acessórios aduaneiras. Ainda inconsolada, a Recorrente busca guarida nesta Casa reiterando o quanto descrito em Impugnação somado à tese de exclusão de sanção por retroatividade benigna por revogação dos artigos 45 a 48 da IN SRF 800/2007 e, em parte, por aplicação a SCI COSIT 02/2016. Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.264 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11613.000217/2010-16 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: De saída, esta Casa sumulou entendimento no sentido de ser inaplicável a DENÚNCIA ESPONTÂNEA (Súmula 126) ao caso em voga (a qual, acolho por obrigação regimental) e da LEGITIMIDADE DA AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO (Súmula 185) (a qual, acolho por concordar com seu conteúdo, em especial ante o disposto no artigo 95 do Decreto-Lei 37/66). Inaplicável ao presente caso o instituto da RETROATIVIDADE BENIGNA uma vez que a sanção é (era, e continua a ser) imposta por Lei (art. 107, inciso III, alínea e do Decreto-Lei 37/66), sendo indiferente alterações em instruções normativas. Por fim, por força de outra Súmula CARF (186) – com a qual concordo em absoluto – afasto a aplicação da sanção por retificação de informação; retificação esta constatada pela própria fiscalização, diga-se: Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele dou parcial provimento para afastar a multa por retificação de carga após a atracação. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa por retificação de carga após a atracação. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13433.720117/2017-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
NULIDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA.
As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram vícios formais. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM.
O material de embalagem segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem.
Numero da decisão: 3401-010.038
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.017, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13433.720092/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram vícios formais. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. O material de embalagem segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem.
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G. PRODUCAO E DISTRIBUICAO DE FRUTAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram vícios formais. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. O material de embalagem segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.017, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13433.720092/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 01 17 /2 01 7- 11 Fl. 679DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.038 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720117/2017-11 Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS/COFINS. O pedido de crédito foi parcialmente deferido pela DRF, porquanto: “Somente podem gerar créditos das Contribuições as despesas com matéria- prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais quais o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado”; “O contribuinte elencou como insumos diversos materiais, tais como: caixas de papelão, pallets, cantoneiras, colas, fitas, sacos, dentre diversos outros produtos que, são utilizados em fase posterior ao processo de produção, no transporte, ou confecção dos equipamentos do transporte das frutas que este produz, sendo, assim, indeferidos, diante da transgressão aos conceitos de insumo dos artigos 66 da IN SRF 247 e 8o da IN SRF nº 404”; Uma nota fiscal de material de embalagem foi cancelada pelo fornecedor; Algumas notas fiscais das aquisições não foram encontradas em arquivos magnéticos ou SPED e outras apresentavam divergências com o escriturado; Parte dos créditos apurados são de mercadorias não sujeitas a incidência das contribuições; Ante o reenquadramento de parte dos créditos foi feita a reapuração do rateio proporcional entre mercado interno e exportação. Intimada a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que destaca que as aquisições que pleiteia créditos são “bens e serviços contribuírem com a viabilização do processo produtivo adotado pelo contribuinte, nele sendo direta ou indiretamente empregados e cuia subtração importa na impossibilidade mesma da produção, isto é, cuia subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes”. Para demonstrar o alegado a Recorrente traz aos autos fotos de alguns dos materiais empregados na embalagem das frutas que produz e comercializa e planilha elaborada pela fiscalização com o conjunto das glosas. Fl. 680DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.038 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720117/2017-11 A DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade uma vez que os bens que pleiteia crédito “fazem parte do processo de armazenamento e transporte do produto. Ou seja, fazem parte de um processo posterior à produção do bem destinado à venda” logo expressamente vedado o creditamento pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 2018. Não contente, a Recorrente busca guarida nesta Casa, reiterando (com grifos) o quanto descrito em Manifestação de Inconformidade somado a pedido de nulidade por vício formal do Acórdão recorrido (ausência de assinatura do Presidente da Turma da DRJ) e por cerceamento do direito de defesa por não apreciação de pedido veiculado em peça de defesa. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Em Voluntário a Recorrente apresenta dois pedidos de NULIDADE do Acórdão recorrido: um por vício formal (ausência de assinatura do presidente de Turma) outro por cerceamento do direito de defesa. As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram VÍCIOS FORMAIS. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios. É claro que a falta de assinatura ou ainda, a assinatura por pessoa incompetente pode gerar nulidade (art. 59, I do Dec. 70235/72), no entanto, o que ocorre no presente caso é que a relatora do processo na DRJ acumula o cargo de presidente de Turma. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA culmina em nulidade do julgado - claro, desde que existente – e, sem prejuízo de ser algo prolixo e um outro tanto genérico, o Acórdão da DRJ analisa em suas três últimas páginas os argumentos da Recorrente – tanto que esta última sequer aponta qual(is) tese(s) não foi(ram) enfrentada(s). Antes de adentrar o mérito, um pequeno alerta, a fiscalização, além dos créditos decorrentes da aquisição de MATERIAL DE EMBALAGEM, glosa outros, dentre estes o de aquisição de produtos não sujeitos aos pagamentos das contribuições. Em seu arrazoado a Recorrente deixa claro que apenas se insurge contra a glosa de material de embalagem descrita no item 3.1 do Despacho Decisório. Portanto, para as aquisições de materiais de embalagens não sujeitas ao pagamento das contribuições a glosa deve ser mantida – não apenas por PRECLUSÃO, mas também por expressa proibição legal (art. 3° § 2° II das Lei 10.637/02 e 10.833/03). Fixado o antedito, o MATERIAL DE EMBALAGEM segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. Fl. 681DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.038 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720117/2017-11 A Recorrente tem como atividade empresarial a produção e comercialização de frutas como manga, melancia, mamão e melão; frutas que demandam cuidados extraordinários em seu transporte para evitar perdas. Destarte, não obstante o uso do material de embalagem seja pós processo produtivo (e com isto não essencial ao mesmo), este material é relevante ao processo, sendo possível o creditamento. Portanto, deve ser revertida a glosa vinculadas com as aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (neste último caso, desde que tributado). Todavia, dentre os bens objeto de glosa listados no Anexo I do despacho decisório, outros há que não se qualificam como material de embalagem, nomeadamente Fio torcido, agr óleo, termógrafo, scfrutas, novotex, viva bd25, temperatura MOD, manutenção de equipamentos, fitilho, TNT, Agrop MPP, óleo yamalube, filhito chicote, orthene, bomba alimentadora, faca roçadeira, assento universal, reparo da bomba de direção, haste para estufa de mudas, aditivo para radiador, elemento combustível, elemento filtro sucção, elemento primário, elemento secundário, filtro de óleo lubrificante, filtro de pressão e Arte final. É claro que em alguns casos (especialmente os relacionados com manutenção de tratores) é possível conjecturar o vínculo de pertença ou de pertinência com o processo produtivo. Contudo, a Recorrente desiste expressamente de qualquer pedido que não àqueles descritos na Manifestação de Inconformidade, o que leva a reversão da glosa somente das aquisições de materiais de embalagem. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele dou parcial provimento para reverter as glosas das aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, Fl. 682DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.038 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720117/2017-11 cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 683DF CARF MF Documento nato-digital
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