Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11030.000182/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006. 2007
Ementa: INTIMAÇÃO PRÉVIA AO ATO DECLARATÓRIO
NORMATIVO. INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os procedimentos que geram a exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES têm
natureza inquisitorial e não estão sujeitos ao contraditório, que se inicia com a contestação ao teor do Ato Declaratório Executivo que formalizou a exclusão
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa: SERVIÇOS DE MONITORAMENTO ELETRÔNICO (ALARME). OPÇÃO PELO SIMPLES. VEDAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
O mero monitoramento eletrônico de sistemas de segurança (alarme) não
constitui serviço de vigilância, mas de segurança. Como tal, não há vedação à opção pelo SIMPLES.
Numero da decisão: 1102-000.558
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Plinio Rodrigues Lima.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006. 2007 Ementa: INTIMAÇÃO PRÉVIA AO ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO. INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos que geram a exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES têm natureza inquisitorial e não estão sujeitos ao contraditório, que se inicia com a contestação ao teor do Ato Declaratório Executivo que formalizou a exclusão Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: SERVIÇOS DE MONITORAMENTO ELETRÔNICO (ALARME). OPÇÃO PELO SIMPLES. VEDAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O mero monitoramento eletrônico de sistemas de segurança (alarme) não constitui serviço de vigilância, mas de segurança. Como tal, não há vedação à opção pelo SIMPLES.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 11030.000182/2008-43
conteudo_id_s : 5489144
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1102-000.558
nome_arquivo_s : Decisao_11030000182200843.pdf
nome_relator_s : Leonardo de Andrade Couto
nome_arquivo_pdf_s : 11030000182200843_5489144.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Plinio Rodrigues Lima.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
id : 6054454
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887424782336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.000182/200843 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110200558 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente MARLIANA FÁTIMA GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006. 2007 Ementa: INTIMAÇÃO PRÉVIA AO ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO. INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos que geram a exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES têm natureza inquisitorial e não estão sujeitos ao contraditório, que se inicia com a contestação ao teor do Ato Declaratório Executivo que formalizou a exclusão Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: SERVIÇOS DE MONITORAMENTO ELETRÔNICO (ALARME). OPÇÃO PELO SIMPLES. VEDAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O mero monitoramento eletrônico de sistemas de segurança (alarme) não constitui serviço de vigilância, mas de segurança. Como tal, não há vedação à opção pelo SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Plinio Rodrigues Lima JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ – Presidente em exercício. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 11030.000182/200843 Acórdão n.º 110200558 S1C1T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de representação para fins de exclusão de pessoa jurídica do SIMPLES, pelo exercício de atividade vedada pelo sistema. De acordo com a Fiscalização, a interessada executa serviços de monitoramento eletrônico de segurança, o que carateriza a atividade de vigilância, expressamente vedada pelo SIMPLES. Em manifestação de inconformidade suscita, inicialmente, preliminar de tempestividade, e, em seguida, apresenta razões de mérito. Os argumentos da manifestante são, em síntese, os seguintes: como preliminar sustenta a nulidade do procedimento por ausência de citação válida; diz que a correspondência para ciência da sua exclusão do Simples foi encaminhada para o seu endereço antigo; acrescenta que teria comunicado a alteração de endereço, previamente, conforme Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica — FCPJ encaminhada em 19/07/2007; argumenta que o envio da correspondência para o endereço antigo atenta contra o principio do contraditório e da ampla defesa; Requer a nulidade do procedimento por falta de ciência. No mérito os argumentos são, também em síntese, os seguintes: aponta sua exclusão do Simples, sob o fundamento de exercer atividade econômica que veda a opção, no caso, prestação de serviços de vigilância, destacando novamente a falta de ciência da sua exclusão do Simples; dita o artigo 112 do CTN no sentido de que no caso de dúvida a interpretação deve ser a mais favorável ao contribuinte; no caso entende que há dúvida quanto as disposições da alínea "f", do inciso XII da Lei n° 9.317/96, mais precisamente sobre o alcance de "serviços de vigilância"; diz que presta serviços de monitoramento eletrônico de alarmes e serviços de vigilância; aponta o que entende seja a definição de serviços de vigilância e conclui que essa não é a sua atividade; insiste que ao desenvolver suas atividades "monitorava à distancia os equipamentos colocados nos estabelecimentos dos contratantes"; busca auxilio junto ao Código Nacional de Atividade Econômica — CNAE para diferenciar as "atividades de vigilância e segurança privada" dos serviços de vigilância; destaca que no CNAE o código de atividade 80111/01 é para a "atividades de vigilância e segurança privada" enquanto o código 80200/00 é especifico para "atividades de monitoramento de sistemas de segurança"; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 4 cita jurisprudência administrativa no sentido de que empresa que atua no ramo de comercio varejista de material elétrico e eletrônico e venda e monitoramento de alarmes pode optar pelo Simples (Ac. 30239.149. Sessão de 8/11/2007); lembra que a Lei Complementar n° 123/2006 não veda a opção às empresas que prestam serviços de vigilância; faz uma análise da Lei n° 7.102/1983 que trata dos serviços de vigilância e sustenta que não cabe interpretação extensiva ao texto legal (artigo 9°, inciso XII, letra "f' da Lei n° 9.317/1996); e: estabelece distinções entre seviço de vigilância e de segurança e sustenta que a atividade que exerce enquadrarseia nesse último caso. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1812.267 considerando improcedentes as alegações suscitadas e mantendo o entendimento da Fiscalização. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este Colegiado ratificando em essência as razões da peça impugnatória. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 11030.000182/200843 Acórdão n.º 110200558 S1C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO A argüição de nulidade do Ato Declaratório envolve a suposta preterição do dieito ao contraditório e ampla defesa, por não ter sido disponibilizada a oportunidade de esclarecer a natureza de suas atividades antes da edição do referido Ato. Penso que tal questão foi bem enfrentada pela decisão recorrida. O contraditório foi devidamente instaurado com a ciência do ADE e a concessão do prazo para contestálo em duas oportunidades, ou seja, perante a Delegacia de Julgamento e posteriormente junto a este Colegiado. No mérito, o âmago do tema sob exame consiste em classificar a atividade da pessoa jurídica como de vigilância, como entende a decisão recorrida, ou como serviço de segurança, nos termos sustentados pela defesa. No prineiro caso, a atividade estaria incluída entre aquelas vedadas pelo SIMPLES o que daria embasamento ao procedimento fiscal. Caso contrário, a inscrição da recorrente no sistema deveria ser normalizada. Não há dúvidas de que a atividade da empresa consiste no monitoramento eletrônico de alarmes. Já o serviço de vigilância tem como uma das caracteristicas principais o uso intensivo de mão de obra – vigilantes no caso equiparando essa atividade àquelas de locação ou cessão de mão de obra pois , ao contratar uma empresa dessa natureza, o contratante espera justamente receber os profissionais que atuarão ostensivamente na preservação do patrimônio ou da integridade física. Ao tratar das vedações à opção pelo SIMPLES, a Lei nº 9.317/96 em sua redação original corrobora esse entendimento, ao elencar no mesmo rol as empresas de vigilância e as de locação de mão de obra, como se verifica na alínea “f”, do inciso XI, do art. 9º: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (......) XII que realize operações relativas a: (......) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; (......) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO 6 Penso ser esse o principal fator que diferencia o serviço de vigilância daquele exercido pela recorrente. Por ser uma atividade que não exige a presença física de profissional no local contratado, o monitoramento dáse com o uso mais restrito de funcionários. A legislação traz vários exemplos de como a presença da mão de obra estabelece a fronteira entre as atividades. Vejase a Instrução Normativa RFB nº 971/2009 que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária. O art. 117 desse normativo menciona os serviços que envolvem cessão de mão de obra e que estariam sujeitos à retenção da contribuição previdenciária (grifos acrescidos): Art. 117. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, observado o disposto no art. 149, os serviços de: (.....) II vigilância ou segurança, que tenham por finalidade a garantia da integridade física de pessoas ou a preservação de bens patrimoniais; (.....) Parágrafo único. Os serviços de vigilância ou segurança prestados por meio de monitoramento eletrônico não estão sujeitos à retenção. Constatase que a legislação tributária estabelece um diferencial com base na cessão de mão de obra, inerente ao contrato de vigilância, que induz à percepção de que a atividade de monitoramento eletrônico nos moldes exercidos pela recorrente não pode ser equiparada ao serviço de vigilância. Sob esse prisma, a linha de defesa pareceme razoável, ao estabelecer os motivos pelos quais as atividades são distintas. No âmbito da Receita Federal do Brasil , constatase que o entendimento caminha nessa mesma linha: O serviço de monitoramento de sistemas de segurança permite a opção pelo Simples Nacional. (Solução de Consulta SRRF08 nº 127/2009) O mero monitoramento eletrônico de sistemas de segurança (alarme) não constitui serviço de vigilância, mas de segurança. Nessa condição, é tributado pelo Anexo III da Lei Complementar Nº 123, de 2006.(Solução de Consulta SRRF09 nº 31/2011) Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso e reconhecer o direito da interessada à opção pelo SIMPLES no período sob exame. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 11030.000182/200843 Acórdão n.º 110200558 S1C1T2 Fl. 4 7 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10814.007059/2005-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 08/02/2001
ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS.
Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta- se o beneficio.
MOMENTO DO RECONHECIMENTO
Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.019
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 08/02/2001 ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta- se o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10814.007059/2005-21
conteudo_id_s : 5513116
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3102-001.019
nome_arquivo_s : Decisao_10814007059200521.pdf
nome_relator_s : Luis Marcelo Guerra de Castro
nome_arquivo_pdf_s : 10814007059200521_5513116.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
dt_sessao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
id : 6104616
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887434219520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.007059/200521 Recurso nº 870.063 Voluntário Acórdão nº 3102001.019 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de maio de 2011 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RESTITUIÇÃO Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/02/2001 ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afastase o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 01/01364657, em 08/02/2001 (fls. 6/9), no valor de R$ 869,41 (Oitocentos e sessenta e nove reais e quarenta e um centavos). O pleito de reconhecimento de direito creditório está cumulado com o de compensação de tributos, conforme PER / DCOMP de nº 01587.16482.060905.1.3.04 6718, cujo extrato está anexado às fls. 154/155 dos autos, transmitida em 06/09/2005. Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Por entender que não se beneficiou de isenção a que fazia jus, tendo, portanto, recolhido tributos a maior que o devido, vinculou ao pleito de restituição o de compensação do mesmo com tributos diversos. Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 08/02/2000 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº 01/01364657, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 02/09/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 869,41 (Oitocentos e sessenta e nove reais e quarenta e um centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007059/200521 Acórdão n.º 3102001.019 S3C1T2 Fl. 2 3 Anexou às fls. 24 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo – (IRFSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In nº 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 60/61). Em 04/10/2007 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 60/61). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º . art; nº 45 da IN/SRF nº 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei inº 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex nº 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que, conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 111/115– Despacho Decisório IRF/SPO nº 012/2009, de 12 de fevereiro de 2009. Tendo o interessado colocado diversos questionamentos quanto ao esgotamento administrativo de seu pedido de retificação de Declaração de Importação, após recurso ao Chefe da Unidade que o indeferiu inicialmente, foi solicitado o Parecer/DIANA/SRRF08 nº 040/09 (fls. 116/117), cujo texto segue parcialmente transcrito: “O rito processual para o caso específico de recurso contra decisão que denega pedido de retificação de declaração de importação encontrase na IN SRF nº 680/06, em seu artigo 45: Art. 45. A retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I – de ofício, na unidade da SRF onde for apurada (...) II – mediante solicitação do importador, formalizada em processo (...) § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9;;784, de 29 de janeiro de 1999.” PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, a providência seguinte foi ,nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, a apreciação relativa ao reconhecimento (ou não) do direito creditório pleiteado pelo interessado. Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007059/200521 Acórdão n.º 3102001.019 S3C1T2 Fl. 3 5 devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 119/121). O Despacho Decisório que indeferiu o pleito de reconhecimento de direito ao crédito alegado foi o IRS/SPO nº 692009, de 29 de junho de 2009. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO – NÃO HOMOLOGADA. O pleito de compensação de tributos consubstanciado na PER / DCOMP nº 01587.16482.060905.1.3.046718, cujo extrato encontrase anexado às às 154/155 dos autos, também foi indeferido, já que estava vinculado ao reconhecimento do direito creditório aqui discutido, o que não ocorreu. A nãohomologação da compensação foi objeto do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 50/2010,de 18 de janeiro de 2010 (fls. 159/161). Inconformado com o indeferimento de seus pleitos (reconhecimento de direito creditório e compensação de débitos), o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 123/137 – 163/177, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 – A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 – Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 – Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 06 – Entende que, sendo legítimo seu pleito quanto ao reconhecimento do direito creditório referido, isso dá legitimidade a seu pleito a ele vinculado, de compensação de débitos diversos. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 123/137 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, tira a legitimidade de seu pleito de compensação de débitos.. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/02/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Conforme art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. Também não cabe compensar débitos oriundos de tributos diversos com direito creditório nãoreconhecido, o que implica na nãohomologação do pleito de compensação. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007059/200521 Acórdão n.º 3102001.019 S3C1T2 Fl. 4 7 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/951 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. 1 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66)2 e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69)3: Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 19994 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original) Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Icomprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. 2 Art. 17 A isenção do impôsto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Art. 18 O Conselho de Política Aduaneira formulará critérios, gerais ou específicos, para julgamento da similaridade, à vista das condições de oferta do produto nacional, e observadas as seguintes normas básicas: 3 Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. 4 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007059/200521 Acórdão n.º 3102001.019 S3C1T2 Fl. 5 9 Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e, não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve ser manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as 5 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13893.000376/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR DE NATUREZA NÃO COMPENSÁVEL.
Apenas são passíveis de aproveitamento via compensação ou ressarcimento os saldos credores vinculados às operações relacionadas no art. 17 da Lei n° 11.03/043, de 2004. Nos demais casos, como ocorre no saldo credor de PIS/COFINS vinculado às operações de venda com redução de base de cálculo, somente é possível a utilização mediante desconto da respectiva contribuição apurada nos meses subsequentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Dra. Anete Mair Maciel Medeiros OAB 15787.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Nanci Gama.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR DE NATUREZA NÃO COMPENSÁVEL. Apenas são passíveis de aproveitamento via compensação ou ressarcimento os saldos credores vinculados às operações relacionadas no art. 17 da Lei n° 11.03/043, de 2004. Nos demais casos, como ocorre no saldo credor de PIS/COFINS vinculado às operações de venda com redução de base de cálculo, somente é possível a utilização mediante desconto da respectiva contribuição apurada nos meses subsequentes. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13893.000376/2005-71
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5477108
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-002.385
nome_arquivo_s : Decisao_13893000376200571.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANDREA MEDRADO DARZE
nome_arquivo_pdf_s : 13893000376200571_5477108.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Dra. Anete Mair Maciel Medeiros OAB 15787. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé - Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
id : 5973100
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887445753856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 10 1 9 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13893.000376/200571 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.384 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2015 Matéria COFINS. DECOMP Recorrente VALTRA DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR DE NATUREZA NÃO COMPENSÁVEL. Apenas são passíveis de aproveitamento via compensação ou ressarcimento os saldos credores vinculados às operações relacionadas no art. 17 da Lei n° 11.03/043, de 2004. Nos demais casos, como ocorre no saldo credor de PIS/COFINS vinculado às operações de venda com redução de base de cálculo, somente é possível a utilização mediante desconto da respectiva contribuição apurada nos meses subsequentes. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Dra. Anete Mair Maciel Medeiros – OAB 15787. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 03 76 /2 00 5- 71 Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, por entender que não são passíveis de aproveitamento, via compensação ou ressarcimento, os saldos credores vinculados às operações não tratadas no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, sendo sua utilização possível somente mediante desconto da respectiva contribuição apurada nos meses subsequentes. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Tratase de Despacho Decisório, fls. 671/673 que não reconheceu o direito creditório e considerou não declaradas as compensações intentadas pela interessada. Para fundamentar sua decisão, a autoridade jurisdicionante diz: Trata, o presente processo, de declaração de compensação de débitos tributários com pretensos crédito oriundos de saldo credor apurado na sistemática do PIS não cumulativo. O saldo credor pleiteado soma R$ 985.302,64, tendo sido utilizado conforme. tabela abaixo: No presente processo R$ 719.165, 02 Processo nº 13893.0003391200563 R$ 13.842, 84 Processo nº 13893.0003501200523 R$ 219.355,50 Processo nº 13893.0003751200527 R$ 32.939,28 Como resultado do trabalho de fiscalização efetuado para verificação da existência do crédito, o Sefis/DRF/São José dos Campos emitiu o correspondente Termo de Verificação Fiscal, no qual conclui pelo seu reconhecimento parcial de R$ 946.365,13 (glosa de R$ 38.937,49); no entanto averiguou, também, que esse saldo credor não é decorrente do disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, portanto não pode ser objeto de ressarcimento, em espécie, nem de compensação, podendo apenas abater o PIS não cumulativo apurado nos períodos subseqüentes (fls. 642 a 670). De fato, a Lei n 10.637, de 2002, art. 3, § 4 a Lei n 10.833, de 2003, art. 3, § 4° e a Lei n° 10.865, de 2004, art. 15, § 2, ao tratarem do saldo credor do PIS não cumulativo, trazem o mesmo mandamento: `o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes'. Com a edição da Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005, uma nova forma de aproveitamento dessa espécie de crédito passou a ser possível quando oriundo das operações ali previstas; é o que se depreende do seu art. 16: (...) Para a compreensão do exato significado da permissão acima é necessária, então, a verificação do conteúdo do art. 17 da Lei n'11.033, de 2004: (...) Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13893.000376/200571 Acórdão n.º 3102002.384 S3C1T2 Fl. 11 3 Do estudo dos textos legais acima, concluise que somente o saldo credor correspondente às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência do PIS e da Cofins são passíveis de ressarcimento em dinheiro ou compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Salvo nos casos expressamente previstos em lei, o saldo credor da conta PIS não cumulativo não é, portanto, um direito creditório contra a Fazenda Nacional. Por fim, a IN SRF n° 460, de 1811012004, vigente à época da entrega da declaração de compensação ora analisada, tratando dos efeitos relativos à utilização de crédito não passível de ressarcimento, assim dispunha (...) Por todo o exposto, e com esteio no art. 280, inc. VI do Regimento Interno da RFB (..) NÃO RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO pleiteado contra a Fazenda Nacional, e CONSIDERO NÃO DECLARADAS AS COMPENSAÇÕES apresentadas com base no crédito ora pleiteado. Juntese a este, por apensação, os processos n° 13893.0003391200563; n° 13893.0003501200523 e n'13893.0003751200527. Em consenquência dessa decisão, foi emitida Carta Cobrança, fl. 674, da qual a contribuinte teve ciência em 30/06/2009. Em 29/07/2009, a interessada apresentou documento intitulado Manifestação de Inconformidade, fls. 681/695, alegando, em síntese, que: a) impetrará Mandado de Segurança visando a garantia de seu direito à interposição da Manifestação de Inconformidade nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; b) por estar sujeita ao regime nãocumulativo do PIS e da COFINS (...), apropria e acumula, mensalmente, dentre outros, créditos decorrentes da aquisição de insumos, os quais não podem ser aproveitados integralmente em razão da redução da base de cálculo prevista na Lei n° 10845102 (..). Inferese, portanto, que, diante da concessão da redução da base de cálculo quando da apuração das contribuições, a Requerente não consegue utilizar todo o crédito apropriado em razão da sistemática da nãocumulatividade, motivo pelo qual pretendeu a compensação — destes créditos — com outros tributos administrados pela RFB. Ocorre que, ao compensar os créditos acumulados da nãocumulatividade com outros tributos, o I. Fiscal, embora os reconhecendo, tratou de considerar não declaradas as compensações, porque, sob seu entendimento, tais créditos só poderiam ser compensados com outros tributos nos casos de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0%, ou não incidência, a teor do que dispõe o artigo 16, da Lei n° 11.1161/2005 (...). c) é certo que todas as figuras previstas no caput, do artigo 17, da Lei n° 11.033/04 são desonerativas que buscam, única e Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 exclusivamente, • reduzir a carga tributária e, consequentemente, o preço dos produtos industrializados e comercializados. Não muito diferente, ao conceder a redução da base de cálculo, o legislador também pretendeu, assim como nas demais hipóteses, reduzir a carga tributária da Requerente (in casu, tratores). Assim, para os fins colimador no artigo 16, da Lei n° 11.116105, devese ter em conta a intenção pretendida pelo legislador, qual seja, autorizar o contribuinte que acumula créditos do PIS e da COFINS — porque suas vendas são beneficiadas — a compensálos com outros tributos e contribuições administrados pela RFB. d) O artigo 108, do CTN, nesse particular, dispõe acerca da integração da lei tributária em casos idênticos ao presente, no qual a lei deixou de prever expressamente a hipótese (..). Ora, se o legislador pretendeu privilegiar todos aqueles cujas vendas sejam realizadas com benefícios, tais como, isenção, alíquota 0%, suspensão e não incidência, e deixou de prever expressamente o beneficio concedido à Requerente, qual seja, a redução da base de cálculo que, aliás, consoante se verá adiante, não passa de uma isenção parcial, devese plicar o dispositivo legal ao seu caso, visto tratarse da mesma hipótese cujo sistema positivo não mencionou expressamente; e) o E. STF, através do RE 174.4782 (doc. 05), julgado pelo Tribunal Pleno, pacificou entendimento com relação à matéria, decidindo que a redução da base de cálculo se equivale ao instituto da isenção parcial, tendo em vista que a norma tributária com base de cálculo reduzida incide com seu aspecto quantitativo reduzido. Assim, restaria configurada a isenção, pois, na parte reduzida, não se perfaz nenhuma obrigação tributária. No entendimento do E. STF, a base de cálculo reduzida impede, pois, a incidência da regra matriz de incidência tributária na sua totalidade, ou seja, resta claramente configurado o instituto da isenção; f) a vedação à utilização dos créditos acumulados na forma do disposto nas Lei n° 10.637100, 10.833103 e 10.865104, ofende, ainda o Princípio da Isonomia. Como aduzido e comprovado nos itens anteriores, a situação da Requerente, beneficiada pela redução da base de cálculo, nos termos do artigo 1 ° da Lei n° 10.485102, é idêntica à situação de outros contribuintes cujas receitas de vendas gozem, sobretudo, de isenção; g) em última análise, a vedação ao aproveitamento do crédito do PIS e da COFINS na compensação com outros tributos e contribuições administrados pela RFB implica, também, em ofensa ao Princípio da NãoCumulatividade. A interessada impetrou Mandado de Segurança, n° 200961030064082, visando o recebimento, processamento e julgamento da Manifestação de Inconformidade. A segurança foi concedida nos seguintes termos: Diante do exposto, decreto a extinção do processo com resolução de mérito, nos termos do artigo 269, Ido Código de Processo Civil, e concedo a segurança para que sejam recebidas, processadas e encaminhadas para julgamento as Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13893.000376/200571 Acórdão n.º 3102002.384 S3C1T2 Fl. 12 5 manifestações de inconformidade relativas aos processos administrativos n° 13893.0003061200513 e 13893.0030612005 71, suspendendose a exigibilidade dos débitos discutidos nos termos do artigo 74, § 11, da Lei 9.430196. Por força do provimento judicial, foram os presentes autos encaminhados para julgamento nesta instancia administrativa. A DRJ em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL. As compensações apresentadas à Administração Tributária com base em créditos não passíveis de restituição ou ressarcimento serão “consideradas não declaradas por força da legislação tributária”. Sobrevindo decisão judicial determinando o recebimento, processamento e julgamento da Manifestação de Inconformidade, instalase o rito regido pelo Processo Administrativo Tributário. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. NÃO EQUIPARAÇÃO. Poderão ser compensados, ao final de cada trimestre, os créditos acumulados que não puderem ser utilizados no desconto das contribuições devidas mensalmente e decorrentes de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições. Não se confundem a redução da base de cálculo e a isenção parcial por impossibilidade lógica e formal atinente à incidência da norma geral e abstrata. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário repetindo basicamente as mesmas alegações de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume a verificação da possibilidade de o contribuinte aproveitar, via compensação ou ressarcimento, o saldo credor de PIS vinculado às operações de venda com redução de base de cálculo. Alega o Fisco, no que foi acompanhado pela decisão recorrida, que a possibilidade de compensação ou ressarcimento do saldo credor de PIS apenas alcança as operações de que trata o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, o que não seria o caso daquelas que Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 6 deram origem ao saldo credor da contribuinte, qual seja, venda com redução da base de cálculo do tributo. Já a Recorrente sustenta que (i) a suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da Cofins as quais, segundo o art. 17 da Lei n° 11.033/04, não impediriam a manutenção dos créditos, são figuras desonerativas que buscam reduzir a carga tributária e o preço dos produtos comercializados; da mesma forma ocorre com a mencionada redução da base de cálculo prevista na Lei n° 10.485, de 2002; (ii) para os fins colimados no artigo 16 da Lei n° 11.116/05, devese ter em conta a intenção pretendida pelo legislador, qual seja, autorizar o contribuinte que acumula créditos do PIS e da COFINS – porque suas vendas são beneficiadas – a compensálos com outros tributos e contribuições administrados pela RFB; (iii) o STF no RE 174.4782 decidiu, com relação ao ICMS, que a redução da base de cálculo se equivale ao instituto da isenção parcial; e (iv) seja em virtude da melhor doutrina que equipara os dois institutos, seja em razão do entendimento firmado pelo Pleno do STF no sentido de que tais institutos – a redução da base de cálculo e a isenção parcial – impedem parcialmente a incidência tributária, inferese que o procedimento adotado pela Requerente está correto e de acordo com a legislação correlata; sendo a redução da base de cálculo uma espécie de isenção parcial, o crédito é perfeitamente passível de restituição ou ressarcimento atendendo, dessa forma, as condições impostas pela Lei n° 11. 1161/05, bem como pela IN nº 4601/04, vigente à época da entrega das declarações de compensação; Pois bem. A Recorrente está sujeita à sistemática não cumulativa de apuração do PIS e da COFINS. Além disso está sujeita à redução da base de cálculo incidente sobre as suas operações de venda, nos termos do art. 10, da Lei n° 10.4851/02. Por conta disso, a Recorrente vem acumulando saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS, apurados na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, o qual pretende ressarcir no presente pedido. Conforme bem pontuado pelo despacho decisório, a presente matéria é regulada pelo art. 16 da Lei 11.116/05, que assim dispõe: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Da simples leitura do referido texto legal, inferese que apenas o saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS apurado nos termos do princípio da não cumulatividade, Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13893.000376/200571 Acórdão n.º 3102002.384 S3C1T2 Fl. 13 7 acumulado em virtude do disposto no art. 17 da Lei 11.033/04, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Já o referido art. 17, estabelece o seguinte: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em estreita síntese, o que referidos dispositivos legais, em conjunto, determinam é que o saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS apurado nos termos do princípio da não cumulatividade, acumulado em virtude da manutenção dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Ou seja, acumulando saldo credor de Contribuição ao PIS ou da COFINS em face da venda de mercadorias com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições – seja qual for a razão da “exoneração” tributária – autorizase o contribuinte a requerer o seu ressarcimento ou compensação. A presente matéria foi regulamentada pela IN SRF nº 900/08, a qual confirma a amplitude e o alcance da autorização legal relativa à compensação/ressarcimento do crédito acumulado dessas contribuições: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestre calendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. § 1º À empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação é vedado apurar créditos vinculados a essas aquisições. § 2º O disposto neste artigo não se aplica a custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação de produtos ou de prestação de serviços, nas hipóteses previstas no art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. § 3º O disposto no inciso II do caput aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à Cofins Importação apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 8 § 4º O disposto no inciso II do caput não se aplica às aquisições, para revenda, dos seguintes produtos: I gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; II óleo diesel e suas correntes; III gás liquefeito de petróleo (GLP), derivado de petróleo ou de gás natural; IV querosene de aviação; V biodiesel; VI álcool hidratado para fins carburantes; VII produtos farmacêuticos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006: a) 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56; b) 30.04, exceto no código 3004.90.46; c) 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.30.1, 3006.30.2 e 3006.60.00; VIII produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00 da TIPI; IX máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da TIPI; X pneus novos de borracha da posição 40.11 e câmarasdear de borracha da posição 40.13 da TIPI; e XI autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores. § 5º A vedação referida no § 4º não se aplica à pessoa jurídica fabricante das máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da Tipi que apure a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins no regime de nãocumulatividade, a qual poderá descontar créditos relativos à aquisição, para revenda, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, e alterações posteriores, podendo ainda darlhes a mesma utilização prevista no caput deste artigo, se incorrer nas hipóteses previstas nos seus incisos I e II. Tecidas essas considerações, concluise que apenas o saldo credor acumulado em decorrência das hipóteses prescritas no art. 17 da Lei 11.033/04, ou seja, em virtude da manutenção dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. São essas e somente essas as situações em que o legislador autorizou que o contribuinte aproveite o saldo acumulado para ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13893.000376/200571 Acórdão n.º 3102002.384 S3C1T2 Fl. 14 9 tributos administrados pela RFB. Para as demais situações, resta apenas cumprir a vocação natural (e constitucional) dos créditos da não cumulatividade, qual seja, ser consumidos pelos débitos do próprio tributo. Com efeito, a manutenção e o aproveitamento do saldo credor de tributos não cumulativos deve observância a regime próprio, previsto na lei, não se confundindo com a restituição e compensação de tributos relacionados repetição de indébito. E, para o caso concreto, a regra geral é servir apenas para abater os débitos do próprio tributo devido, podendo, todavia, ser transferidos para o período seguinte. No caso concreto, todavia, a Recorrente pretende ver reconhecido seu direito de aproveitar, via compensação ou ressarcimento, o saldo credor de PIS vinculado às operações de venda com redução de base de cálculo. Ora, a despeito de se tratar de hipótese desonerativa do tributo que, como tal, pode gerar o acúmulo de saldo credor, sem possibilidade de utilização na própria conta gráfica, certo é que a presente situação não foi contemplada pelo legislador como hipótese autorizadora de pedido de restituição/compensação. Afinal, reafirmese não se trata de isenção, alíquota zero ou não incidência. A despeito disso, sustenta a Recorrente que o seu direito decorreria do fato de a correta qualificação jurídica da redução da base de cálculo ser a de isenção parcial, razão pela qual deveriam ser equiparados estes dois institutos e, consequentemente, lhes ser outorgado o mesmo regime jurídico. Ora, como é possível perceber a afirmação da Recorrente é contraditória em seus próprios termos. Se redução de base de cálculo tivesse efetivamente natureza jurídica de isenção não haveria porque equiparar estes institutos. Afinal, equiparação é procedimento para tratar igualmente figuras/institutos jurídicos diferentes, não iguais. Assim, o que se vê é que a própria Recorrente, ao pleitear a sua equiparação, reconhece que se tratar de institutos diferentes. Como nos explica Paulo de Barros Carvalho, a isenção é regra que mutila parcialmente a regramatriz de incidência tributária, ou seja, que inutiliza parte da norma fazendo com que ela não alcance determinadas situações ou pessoas. O efeito jurídico da regra de isenção é, pois, retirar alguns sujeitos ou mesmo situações do campo de incidência de determinada regra tributária, impossibilitando, assim, o surgimento da obrigação tributária nesses casos bem definidos. É o que nos ensina Paulo de Barros Carvalho: As normas de isenção pertencem à classe das regras de estrutura, que intrometem modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária. Guardando sua autonomia normativa, a norma de isenção atua sobre a regramatriz de incidência tributária, investindo contra um ou mais critérios de sua estrutura, mutilandoos, parcialmente. Com efeito, tratase de encontro de duas normas jurídicas que tem por resultado a inibição da incidência da hipótese tributária sobre os eventos abstratamente qualificados pelo preceito isentivo, ou que tolhe sua consequência, comprometendolhe os efeitos prescritivos da conduta. Se o fato é isento, sobre ele não se opera a incidência e, portanto, não há que falar em fato jurídico tributário, tampouco em obrigação tributária. E se a isenção se der pelo consequente, a ocorrência fáctica encontrarseá inibida juridicamente, já que sua eficácia não poderá irradiarse. O que o preceito de isenção Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 10 faz é subtrair parcela do campo de abrangência do critério do antecedente ou do consequente, podendo a regra de isenção suprimir a funcionalidade da regramatriz tributária de oito maneiras distintas: (i) pela hipótese: i.1) atingindolhe o critério material, pela desqualificação do verbo; i.2) mutilando o critério material, pela subtração do complemento; i.3) indo contra o critério espacial; i.4) voltandose para o critério temporal; (ii) pelo consequente, atingindo: ii.1) o critério pessoal, pelo sujeito ativo; ii.2) o critério pessoal, pelo sujeito passivo; ii.3) o critério quantitativo, pela base de cálculo; e ii.4) o critério quantitativo, pela alíquota. De qualquer maneira, a regra de isenção ataca a própria esquematização formal da normapadrão de incidência, para destruíla em casos particulares, sem aniquilar a regra matriz, que continua atuando regularmente para outras situações. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2008, p. 521522). Já na redução da base de cálculo o efeito é outro. Não se vislumbra a supressão da funcionalidade da regramatriz tributária. Pelo contrário, nessas situações permanece existindo a obrigação de pagar tributo, só que com valor reduzido. Assim, tratandose de institutos jurídicos conceitual e funcionalmente diferentes (um elimina a carga ou outro apenas a reduz), sujeitos a regimes jurídicos igualmente diversos, não há como proceder à equiparação pleiteada pelo Recorrente. Por fim, um ponto merece reflexão. Não se pode admitir a presente equiparação apenas para um efeito jurídico. Aceitar que redução da base de cálculo é espécie de isenção para fins de autorizar o ressarcimento/compensação do saldo credor significa também admitir que a aquisição de insumos com redução de base de cálculo pode não gerar qualquer crédito do presente tributo. Afinal, a lei foi clara ao prescrever que não dará direito ao crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Será que é realmente esta a melhor interpretação deste dispositivo legal? É bem verdade que os precedentes jurisprudenciais citados pelo Recorrente acenam para a possibilidade de ser este o tratamento jurídico a vir ser conferido pelo Poder Judiciário à matéria. De fato, em diversas oportunidades, relativamente ao ICMS, o STF e o STJ entenderam que estes institutos devem ser equiparados e, por conta disso, estaria o contribuinte obrigado a proceder ao estorno proporcional dos créditos em casos de aquisição de mercadorias com redução de base de cálculo. Em que pese se tratar de decisões proferidas pelos Tribunais Superiores, não me parece ser este o melhor juízo a respeito do tema. E como nenhuma dessas decisões foi proferida em sede de recurso representativo de controvérsia ou repercussão geral não vinculam este órgão administrativo. Não se nega que no caso concreto vislumbrase uma situação de potencial violação ao princípio da isonomia, como alegado pelo Recorrente. Afinal, se verifica a outorga de tratamento jurídico diferente a pessoas que se encontram em situações muito similares (acúmulo de crédito em razão da outorga de algum tipo de benefício fiscal lato sensu). Parece me seja este o ponto central da presente discussão: poderia o legislador autorizar o ressarcimento/compensação de saldo acumulado nos casos de não incidência, isenção e alíquota zero e não fazêlo relativamente às demais situações em que o contribuinte, por anos Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13893.000376/200571 Acórdão n.º 3102002.384 S3C1T2 Fl. 15 11 não consegue consumir seus créditos na própria escrita fiscal, como ocorreria nos casos de vendas com redução de base de cálculo e tantas outras situações? Entretanto, não temos como apreciar a pretensão da Recorrente sob esta perspectiva, por se tratar de matéria que escapa à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, e em face do principio da estrita legalidade tributária, não há como reconhecer possibilidade de o Recorrente aproveitar, via compensação ou ressarcimento, o saldo credor de COFINS vinculado às operações de venda com redução de base de cálculo. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11050.000043/99-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
EMENTA:
PRODUTO INTERMEDIÁRIO - TAXA SELIC. O avental de napa torna-se material imprescindível na fase de beneficiamento do produto final. A resistência do Fisco ao creditamento está comprovada nos autos. Recurso da Fazenda provido. Recurso do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-003.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 EMENTA: PRODUTO INTERMEDIÁRIO - TAXA SELIC. O avental de napa torna-se material imprescindível na fase de beneficiamento do produto final. A resistência do Fisco ao creditamento está comprovada nos autos. Recurso da Fazenda provido. Recurso do contribuinte negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11050.000043/99-66
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5518096
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-003.233
nome_arquivo_s : Decisao_110500000439966.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 110500000439966_5518096.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
id : 6118391
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887463579648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 348 1 347 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11050.000043/9966 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303003.233 – 3ª Turma Sessão de 27 de novembro de 2014 Matéria IPI Ressarcimento Recorrentes FAZENDA NACIONAL INDUSTRIAS ALIMENTÍCIAS LEAL SANTOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 EMENTA: PRODUTO INTERMEDIÁRIO TAXA SELIC. O avental de napa tornase material imprescindível na fase de beneficiamento do produto final. A resistência do Fisco ao creditamento está comprovada nos autos. Recurso da Fazenda provido. Recurso do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 00 43 /9 9- 66 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Em Recurso Especial de Divergência, fls. 207/214, admitido pelo Despacho nº 20200.319 – 2ª Câmara / 2º Conselho de Contribuintes (fl. 215/217), datado de 30.11.2005, insurge Fazenda Nacional contra o Acórdão 20216.443 (fls. 197/205), que por maioria de votos: I) deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de incluir os valores relativos aos aventais de napa utilizados pelos funcionários do contribuinte no processo produtivo; II) negou provimento ao recurso quanto à Taxa Selic. O Acórdão traz a seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS. RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO. PRELIMINAR DE NULIDADE. A realização de perícia somente é necessária para firmar o convencimento do julgador. PROCESSO DE CONSULTA. A decisão proferida em processo de consulta somente se aplica, pelas suas conclusões, à matéria consultada, não se estendendo, pelos seus fundamentos, a outras matérias. IPI. CONCEITO DE MP, ME e PI. A Lei nº 9.363/1996, que instituiu o crédito presumido de IPI, determina a utilização de forma subsidiária da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento do conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE, Imprescindível a expressa previsão legal para aplicação da Taxa Selic sobre direitos de crédito instituídos por lei, cuja origem seja diversa da de indébito. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. AVENTAIS UTILIZADOS PELOS FUNCIONÁRIOS NA AREA DE PRODUÇÃO. O uso de aventais no espaço destinado à produção constitui exigência legal e se consomem no processo produtivo embora não integrem o produto final. Recurso provido em parte. Em seu recurso de divergência a Fazenda Nacional ataca, especialmente, o direito à inclusão da aquisição do avental de napa no cômputo do ressarcimento do IPI. Defende que nos termos do art. 82, I, do RIPI/82 e à luz do Parecer Normativo CST nº 181/74, os aventais de napa não podem ser considerados insumos (produtos intermediários) haja vista não incidirem diretamente, nem serem consumidos ou desgastados pelo produto final durante as etapas de industrialização. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11050.000043/9966 Acórdão n.º 9303003.233 CSRFT3 Fl. 349 3 Ao final, pugna pela reforma do Acórdão recorrido para excluir do cálculo do crédito presumido de IPI os valores gastos com aventais de napa utilizados pelos funcionários da contribuinte nas operações pertinentes ao processo produtivo. Cientificado da decisão proferida através do Acórdão 20216.443, bem como, do teor do Despacho que admitiu o recurso da Fazenda Nacional, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência (fls. 222/236), objetivando: a) A manutenção da decisão da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, relativamente ao direito de crédito para as aquisições de aventais de napa; b) O provimento do recurso para reconhecer o direito ao ressarcimento na sua totalidade, considerando em seu cômputo a aquisição de acetileno, amônia, combustível, gás, gelo, oxigênio, pallets para armazenagem, soda cáustica, sabão líquido neutro, cloreto de cal, pallets de madeira e peças e materiais utilizados nos barcos; c) O provimento do recurso para conceder a correção monetária do direito creditório pela Taxa Selic, com fulcro no Decreto nº 2.138/97 e INSRF nº 21/97. Através do Despacho nº 202445 2ª Câmara / 2º Conselho de Contribuintes (fl. 336), datado de 05 de setembro de 2006, a autoridade julgadora, reportandose à Informação de fls. 319/320, recebeu parcialmente o recurso especial do sujeito passivo para dar seguimento ao apelo no que se refere apenas à questão da aplicabilidade da Taxa Selic. Quanto às demais matérias, entendeuse que o dissídio jurisprudencial não restou suficientemente demonstrado. ContraRazões fls. 338/347. Em suma, defende a Fazenda Nacional (e o faz com fulcro no §4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95) que a incidência de juros sobre créditos de IPI referese exclusivamente aos créditos tributários oriundos de pagamento a maior ou recolhido de forma indevida, não se enquadrando em tais hipóteses os créditos decorrentes de escrituração fiscal. Por entender que inexiste previsão legal em sentido contrário, a Fazenda Nacional pleiteia o não conhecimento do recurso do contribuinte, bem assim, que lhe seja negado provimento no mérito. Irresignado contra o decisum que negou seguimento, em parte, do seu recurso especial de divergência, mormente no tocante às aquisições de amônia, gelo, pallets de madeira, sabão líquido, material para manutenção para barcos, materiais essenciais para pesca, gás e transporte para fins de ressarcimento, o sujeito passivo protocolou recurso de agravo Fl. 365DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 (fls.350/352) insistindo na representatividade de dissídio jurisprudencial dos acórdãos indicados como paradigma, quais sejam, RV nº 115,731 e 116.198 e Ac. 20174.618. Em Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial (fls. 358/359), entendeuse que os acórdãos indicados como paradigma não abordavam a questão do direito ao crédito presumido de IPI na aquisição dos materiais supramencionados. Razão pela qual, rejeitouse o pedido de reexame, com manutenção na íntegra do despacho que deu seguimento parcial ao recurso especial do contribuinte. Em assim sendo, encontramse sob a apreciação deste Colegiado os seguintes questionamentos: I) Se os aventais de napa, utilizados pelos funcionários do sujeito passivo no processo de produção, podem ser considerados insumos e gerar direito ao crédito presumido de IPI quando da sua aquisição, matéria esta prequestionada através do Recurso Especial da Fazenda Nacional; II) Se os créditos presumidos de IPI submetemse à atualização monetária pela Taxa Selic, insurgência oriunda do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Ambos os Recursos preenchem condições para admissibilidade, deles tomo conhecimento. Tratase de empresa que tem por objetivo empreendedor a captura e industrialização integral de peixes, com predominância na exportação. Iniciando pelo Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, quanto à inclusão no acórdão ora recorrido no cálculo do ressarcimento do IPI, avental de napa utilizado no processo produtivo sob o argumento de que sua finalidade estaria enquadrada no conceito de produto intermediário de que trata a legislação do IPI, mesmo que não integrando o produto final seria indispensável na fase de beneficiamento do pescado. A norma que para mim preenche os requisitos para o pronto entendimento do conceito sobre produto intermediário situase no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 – RIPI/2010, quando determina aos estabelecimentos industriais e equiparados a possibilidade de crédito mesmo que dito produto intermediário não se integre ao novo produto, porém consumido no processo de industrialização. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11050.000043/9966 Acórdão n.º 9303003.233 CSRFT3 Fl. 350 5 Enfrento agora as razões da Contribuinte sobre a incidência ou não da taxa Selic. Já pacificada a matéria na direção de que deve incidir correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco, tudo na conformidade da Súmula 411 do E. STJ. A resistência do Fisco está comprovada na fl.149 onde consta o Acórdão DRJ/POÁ nº 3.091/2003. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional para reconhecer os créditos referentes as aquisições de avental de napa e de dar provimento ao Recurso da Contribuinte no sentido de fazer incidir a taxa Selic com o fim de atualizar o crédito ao qual fez jus. Sala das Sessões, 27 de novembro de 2014. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Fl. 367DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.723588/2008-68
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Carmen Ferreira Saraiva que não conheciam do recurso voluntário. Designado o Conselheiro Arthur José André Neto para redigir o voto vencedor. Designado ad hoc o Conselheiro Ricardo Diefenthaeler em substituição ao Conselheiro Arthur José André Neto.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
(assinado digitalmente)
Ricardo Diefenthaeler Redator Designado Ad Hoc
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15374.723588/2008-68
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5484317
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1803-000.094
nome_arquivo_s : Decisao_15374723588200868.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 15374723588200868_5484317.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Carmen Ferreira Saraiva que não conheciam do recurso voluntário. Designado o Conselheiro Arthur José André Neto para redigir o voto vencedor. Designado ad hoc o Conselheiro Ricardo Diefenthaeler em substituição ao Conselheiro Arthur José André Neto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Diefenthaeler Redator Designado Ad Hoc Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
id : 6034058
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887485599744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 202 1 201 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.723588/200868 Recurso nº Resolução nº 1803000.094 – Turma Especial / 3ª Turma Especial Data 03 de junho de 2014 Assunto PER/DCOMP DILIGÊNCIA Recorrente JRM INVESTIGAÇÕES IMUNOLÓGICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Carmen Ferreira Saraiva que não conheciam do recurso voluntário. Designado o Conselheiro Arthur José André Neto para redigir o voto vencedor. Designado ad hoc o Conselheiro Ricardo Diefenthaeler em substituição ao Conselheiro Arthur José André Neto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Diefenthaeler – Redator Designado Ad Hoc Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 11753.40122.210603.1.3.045573 em 21.06.2003, fls. 0509, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, apurado pelo lucro presumido, no valor original de R$37,82, contido no pagamento nº 1281727301 no valor total de R$1.101,95 efetuado em 31.07.2002. O débito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 23 58 8/ 20 08 -6 8 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 15374.723588/200868 Resolução nº 1803000.094 S1TE03 Fl. 203 2 indicado para compensação referese ao IRPJ, código 2089, do período de apuração do 4º trimestre de 2002 com vencimento em 31.01.2003 no valor de R$10.877,96. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 5153, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 37,82 Valor do crédito original reconhecido: 12,81 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, Insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. [...] CARACTERÍSTICAS DO DARF PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DARA DA ARRECADAÇÃO 30/06/2002 2089 1.101,96 31/07/2002 [...] Diante da inexistência do crédito, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados para pagamento até 29/08/2008 PRINCIPAL MULTA JUROS 10.866,37 2.173,27 9.198,38 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e art. 170 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 1416, com os argumentos a seguir discriminados. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: O contribuinte não pretende nem pretendeu compensar o pagamento do mencionado DARF no valor de R$1.101,96, do código 2089, com o próprio no valor de R$1.089,35. [...] O referido valor foi compensado, conforme indicado no PER/DCOMP SOB ANÁLISE DE 11753.40122, no IRPJ apurado no 4 trim/02, no valor de R$10.877,96, conforme consta do DCTF do 4 trim/02. [...]. Tendo em vista, os fatos relatados e comprovados vem respeitosamente requerer a V.Exa que cancele o referido DESPACHO DECISÓRIO E DEBITO APONTADO NO MESMO por não prosperar sua cobrança. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 15374.723588/200868 Resolução nº 1803000.094 S1TE03 Fl. 204 3 Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 24.941, de 08.07.2009, fls. 4142: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Homologase tacitamente o pedido de compensação se transcorridos mais de 5 anos da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 25.11.2011, fl. 54, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 23.12.2011, fls. 5659, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que o recurso voluntário é apresentado de forma regular e suscita que: 4. Durante o ano de 2002, a Requerente efetuou o pagamento de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) através de cotas mensais. 5. Dessa forma, no 2º Trimestre daquele ano, a Requerente pagou três cotas de R$1.101,96 (hum mil cento e um reais e noventa e seis centavos) (Doc. 03 Comprovantes de Arrecadação do 2º Trimestre), totalizando R$3.305,88 (três mil trezentos e cinco reais e oitenta e oito centavos). 6. Ocorre que, em posterior análise, percebeuse que o débito, em verdade, era na verdade de R$3.268,06 (três mil duzentos e sessenta e oito reais e seis centavos). Por tal razão, a contribuinte elaborou DCTF Retificadora (Doc 04 DCTF do 2º Trimestre) e informou o valor correto na DIPJ (Doc. 05 DIPJ Pág. 01, item 22). Por consequência, passou a ter crédito de R$37,82 (trinta e sete reais e oitenta e dois centavos) em seu favor. 7. Situação análoga ocorreu quanto ao 3º Trimestre daquele ano. A Requerente recolheu três DARF’s de R$8.067,75 (oito mil e sessenta e sete reais e setenta e cinco centavos), totalizando R$24.203,25 (vinte e quatro" mil duzentos e três reais e vinte e cinco centavos) (Doc. 6 — Comprovantes de Arrecadação do 3º Trimestre). 8. Todavia, posteriormente, verificou que o valor correto era de R$22.572,28 (vinte e dois mil quinhentos e setenta e dois reais e vinte e oito centavos). Dessa maneira, elaborou a DCTF Retificadora (Doc. 07 DCTF do 3 Trimestre) e informou o valor correto na DIPJ (Doc. 08 Pág. 02, item 29, da DIPJ). Assim, mais uma vez, a Requerente passou a ter crédito em seu favor, agora de R$1.630,97 (hum mil seiscentos e trinta reais e noventa e sete centavos). 9. Já no 4º Trimestre daquele ano, a Requerente apurou valor a pagar de R$10.877,96 (dez mil oitocentos e setenta e sete reais e noventa e seis centavos), e optou por quitálo da seguinte forma: (i) parte foi quitada através do pagamento de três DARF’s, devidamente declarados na DCTF (Doe. 09 Comprovantes de Arrecadação do 4º Trimestre e Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 15374.723588/200868 Resolução nº 1803000.094 S1TE03 Fl. 205 4 DCTF), que, somados, alcançavam a importância de R$7.550,14 (sete mil quinhentos e cinquenta reais e quatorze centavos) e; (ii) o restante do débito foi quitado através das seguintes compensações, realizadas em 21.06.2003 (Doc. 10 PER/DCOMP’s): (ii.1) PER/DCOMP 11753.40122.210603.1.3.045573, relacionada ao presente processo de cobrança, indicando crédito de R$37,82, derivado do pagamento a maior realizado no 2º Trim./2002, já esclarecido acima; (ii.2) PER/DCOMP 23808.40478.210603.1.3.040067, informando crédito de R$1.630,97, resultado do pagamento a maior realizado no 3º Trim./2002, conforme também já mencionado anteriormente, aguardando julgamento e; (ii.3) PER/DCOMP 23131.27804.210603.1.3.02.0151, indicando o crédito de R$1.659,03, relativo a retenções de imposto sobre notas fiscais (Doc. 08 DIPJ item 28), aguardando julgamento. 10. Pois bem. Ocorre que no momento da elaboração dos referidos PER/DCOMP’s, houve um equívoco da contribuinte: em vez de indicar o valor dos créditos acima descritos no campo "Dados dos Débitos Compensados (Valores Originais)", a contribuinte indicou o valor total do débito que pretendia parcialmente extinguir por compensação, ou seja, R$10.877,96. 11. A consequência de tal erro de preenchimento é que se gerou uma aparente confissão do débito R$10.877,96 em cada uma das PER/DCOMP’s acima mencionadas. Assim, quando do julgamento da manifestação de inconformidade do processo 10768.905.251/200668, a d. Delegacia de Julgamento entendeu, erroneamente, que haveria um saldo de imposto a pagar, no valor de R$10.843,17, após a compensação. Todavia, é certo que a simples aparência não deve se sobrepor a realidade dos fatos e à força probatória dos documentos, especialmente quando se trata da seara administrativa tributária. O Fisco, vinculado que é ao Princípio da Legalidade, somente pode exigir do contribuinte aquilo que é efetivamente devido, nos estritos limites da lei tributária. Sendo assim, por óbvio, somente é exigível o tributo quando efetivamente ocorrido o fato gerador, e não quando o contribuinte declara erradamente um débito que sequer existe. 13. Nesse diapasão, pelo confronto entre as PER/DCOMPs, a DIPJ e as DCTFs, se percebe que não existiram "vários débitos" de R$10.877,96, a serem exigidos após o abatimento dos respectivos créditos cuja compensação foi homologada, mas apenas um, extinto por pagamento e compensação. 14. Dessa forma, resta demonstrado que o crédito aqui objeto de cobrança está extinto. Conclui: Pelo exposto, ante a comprovação de que não há qualquer saldo de IRPJ a ser quitado pela Requerente, e que houve apenas erro de preenchimento de PER/DCOMP, requerse o cancelamento da cobrança aqui realizada. De ordem, por designação como redator ad hoc, cabe formalizar o Voto Vencedor, dado que o redator original do Voto Vencedor não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 221 publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de junho de 2009. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 15374.723588/200868 Resolução nº 1803000.094 S1TE03 Fl. 206 5 Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento desta 3ª Turma Especial / 4ª Câmara / 1ª Seção de Julgamento do CARF do dia 3 de junho de 2014: Relator(a): CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo: 15374.723588/200868 Recorrente: JRM INVESTIGACOES IMUNOLOGICAS LTDA Resolução 1803000.094 Decisão: Por maioria converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Carmen Ferreira Saraiva que não conheciam do recurso voluntário. Designado o Conselheiro Arthur José André Neto para redigir o voto vencedor. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de legitimidade e tempestividade, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Passase ao exame da admissibilidade. O litígio no presente procedimento está instaurado restritivamente em relação ao débito confessado no Per/DComp nº 11753.40122.210603.1.3.045573, fls. 0509, objeto de análise no Despacho Decisório Eletrônico, fls. 5153. A Recorrente suscita que a compensação do débito deve ser deferida, porque foi reconhecida a homologação tácita. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. A RFB no exercício regular do direito de disciplinar a matéria, firmou que “o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador”. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 15374.723588/200868 Resolução nº 1803000.094 S1TE03 Fl. 207 6 Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Temse como premissa que a homologação tácita da compensação do débito está limitado à utilização do direito creditório informado no Per/DComp. Verificase no Despacho Decisório, fl. 12, que tem por base o Per/DComp, fls. 0509, que a Recorrente indicou: o pagamento a maior de IRPJ, código 2089, no valor original de R$37,82, contido no pagamento nº 1281727301 no valor total de R$1.101,95 efetuado em 31.07.2002; e 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51, art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e Instrução Normativa nº 1300, de 20 de novembro de 2012. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 15374.723588/200868 Resolução nº 1803000.094 S1TE03 Fl. 208 7 o débito de IRPJ, código 2089, no valor de R$10.877,96, cujo fato gerador é o quarto trimestre de 2002, com data de vencimento em 31.01.2003. Consta no Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 24.941, de 08.07.2009, fls. 4142: 5 A impugnação é tempestiva e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. 6 O §5°, do art. 74, da Lei 9.430/1996 assim dispõe: "§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da declaração de compensação. " (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003) 7 Visto que o interessado apresentou a declaração de compensação em 21/6/2003 (fl. 2), tendo tomado ciência do parecer da Derat (RJ) em 2/9/2008 (fl. 8), há que e declarar a homologação tácita, visto o transcurso do prazo ser superior a 5 anos. É o meu VOTO. Houve a homologação tácita da compensação de parcela do débito de IRPJ, código 2089, no valor de R$10.877,96, do quarto trimestre de 2002, com utilização do direito creditório até o limite de R$37,82 a título de pagamento a maior de IRPJ, código 2089, efetuado em 31.07.2002, conforme consta no Per/DComp, fls. 0509. Assim, diferentemente do entendimento da Recorrente, remanesce o saldo de débito a pagar, de acordo com o valor indicado no Demonstrativo de Compensação, fls. 4446, que deve ser exigido de acordo com a legislação de regência da matéria. Em relação aos supostos erros no preenchimento, temse que Per/DComp, somente poderia ser retificado pela Recorrente, caso se encontrasse pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. No presente caso, esse limite temporal já foi ultrapassado e assim o Per/DComp não mais pode ser retificado. Ademais, em conformidade com o inciso IX art. 224 do Anexo do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, cabe à DRF que jurisdiciona a Recorrente “desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação” e ainda proceder à revisão de ofício quando “a fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento” (inciso VIII do art. 149 do Código Tributário Nacional). Logo, cabe à DRF que jurisdiciona a Recorrente analisar as circunstâncias do débito tributário confessado no Per/DComp nos presentes autos. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 15374.723588/200868 Resolução nº 1803000.094 S1TE03 Fl. 209 8 observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso3. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade4. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva VOTO VENCEDOR Conselheiro Ricardo Diefenthaeler, Redator Designado Ad Hoc Conforme relatado, fui designado, de ordem, Redator do presente acórdão, dado que o Conselheiro Arthur José André Neto, designado originalmente por ter inaugurado a divergência, não mais compõe este colegiado. Do relatado, verificase que a compensação sob apreciação no presente processo tem, conforme alegações da Recorrente, estreita ligação com outras duas compensações que quitam o mesmo débito (IRPJ 4º trimestre/2002) e que apresentariam o mesmo erro de indicação do débito. Necessário, portanto, colher informações acerca dessas outras duas Dcomps, a fim de que se possa ter elementos para confirmar ou não as alegações da Recorrente. Em assim sucedendo, e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, votase por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente: (a) informe sobre a situação das compensações declaradas nas Dcomp de nºs 23808.40478.210603.1.3.040067 e 23131.27804.210603.1.3.020151; 3 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 15374.723588/200868 Resolução nº 1803000.094 S1TE03 Fl. 210 9 (b) anexe ao presente processo as Dcomps em questão, os despachos decisórios correspondentes, as eventuais decisões em face de manifestações de inconformidade e recursos decorrentes. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes5 . (assinado digitalmente) Ricardo Diefenthaeler 5 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 01/06/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001945/00-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.159
Decisão: Resolução
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15374.001945/00-88
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5474322
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1201-000.159
nome_arquivo_s : Decisao_153740019450088.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RAFAEL CORREIA FUSO
nome_arquivo_pdf_s : 153740019450088_5474322.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolução Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5960356
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887524397056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1378; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.001945/0088 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.159 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de outubro de 2014 Assunto Pedido de Compensação Recorrente Laboratórios Pierre Fabre do Brasil Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Resolução Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .0 01 94 5/ 00 -8 8 Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.001945/0088 Resolução nº 1201000.159 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de restituição/compensação do IRPJ e da CSLL apurados na declaração de rendimentos do anocalendário de 1999, oriundo de imposto de renda retido na fonte e de compensação de 1/3 da Cofins com a CSLL devida. A DRF homologou parcialmente a compensação, nos termos do Despacho Decisório de fls. 626/631. A contribuinte apresentou em 12 de setembro de 2005 manifestação de inconformidade dirigida à Receita Federal do Rio de Janeiro e contesta a decisão da DRF na parte em que não homologou a compensação. A DRJ do Rio de Janeiro, por meio de acórdão, manteve a decisão da DRF, nos seguintes termos: Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.001945/0088 Resolução nº 1201000.159 S1C2T1 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte foi notificada da decisão em 05/03/2007 e apresentou Recurso Voluntário em 04/04/2007, alegando o seguinte: Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.001945/0088 Resolução nº 1201000.159 S1C2T1 Fl. 5 4 Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.001945/0088 Resolução nº 1201000.159 S1C2T1 Fl. 6 5 A Colenda 2ª Turma da 2ª Câmara dessa Seção entendeu por bem baixar os autos em diligência, conforme voto da lavra do Conselheiro Nelson Losso: Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.001945/0088 Resolução nº 1201000.159 S1C2T1 Fl. 7 6 Vejamos o que constou do relatório de diligência, após análise dos documentos pela fiscalização: Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.001945/0088 Resolução nº 1201000.159 S1C2T1 Fl. 8 7 Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.001945/0088 Resolução nº 1201000.159 S1C2T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Cumprenos, inicialmente, analisar a questão posta pela DRF quanto à existência de um outro pedido de compensação, relativo a crédito do IRPJ tratado neste processo, porém sendo discutido em outro processo administrativo nº 10735.903471/201100, que já possui decisão reconhecendo parcialmente o crédito. A sugestão da fiscalização seria compensar primeiramente os débitos em aberto neste processo, com o valor do crédito já reconhecido no outro processo. Diante das considerações apontadas pela DRF, considerando que os processos encontramse em fases diferentes, contudo, tratando do mesmo crédito, sendo decidido de forma favorável à contribuinte o direito creditório em outro processo, o que não foi feito no presente caso, entendo pela baixa dos autos em diligência, para que seja providenciada cópia integral dos autos do Processo Administrativo nº 10735.903471/201100, a ser juntada nos presentes autos, para fins de decisão sobre o Recurso Voluntário. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.902796/2013-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
Numero da decisão: 3801-005.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13888.902796/2013-73
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473404
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-005.189
nome_arquivo_s : Decisao_13888902796201373.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 13888902796201373_5473404.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
id : 5959438
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887531737088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.902796/201373 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801005.189 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de fevereiro de 2015 Matéria Pedido de Restituição Recorrente GERALDO J. COAN & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 27 96 /2 01 3- 73 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 08 /05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório O presente processo trata de PerDcomp transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, decorrente de recolhimento indevido a maior. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi indeferida. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, ocasião em que demonstrou no PER/DCOMP que realizou o recolhimento a maior da contribuição em tela, tendo inclusive apresentado o Comprovante de Arrecadação. Acostou aos autos a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON que atestam o valor correto da contribuição, de forma a comprovar o recolhimento indevido e a maior e, por conseguinte, a existência do crédito e a legitimidade do seu pedido de restituição formulado através do PER/DCOMP, nos termos da legislação de regência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) não acolheu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, ao argumento de que: As razões de defesa ficam prejudicadas, porque o despacho contestado já reconhece o valor alegado para o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é outra: consta do despacho em litígio que a restituição foi indeferida, porque o crédito já foi todo utilizado em compensações. Inconformado, o contribuinte apresentou o seu Recurso Voluntário, reforçando as razões já apresentadas em sede de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso foi apresentado tempestivamente e preenche os demais requisitos para sua admissão. Portanto, dele conheço. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 08 /05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.902796/201373 Acórdão n.º 3801005.189 S3TE01 Fl. 12 3 Verificase que o Pedido de Restituição foi negado pelo fato de a Recorrente ter utilizado o crédito em compensação. Ocorre que, consoante demonstrado pela Recorrente, o crédito oriundo do recolhimento indevido e a maior informado no PER e nas respectivas DCTF e DACON, entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi, realmente, utilizado na compensação com débito da Recorrente informado em PER/DCOMP. Vejase, pois, que tratamse de dois pedidos: o primeiro deles relativo ao crédito oriundo do pagamento indevido ou a maior (Pedido de Restituição, apenas) e o segundo, atrelado ao primeiro, atinente à compensação do referido crédito com débito da Recorrente (Declaração de Compensação). E o que se está a se analisar aqui é o Pedido de Restituição. A princípio, caso se indeferisse o presente Pedido de Restituição, onde a Recorrente informou o crédito oriundo do recolhimento indevido ou a maior, conseqüentemente a declaração de compensação a ele atrelada seria não homologada. E, se assim procedêssemos, estaríamos também negando o direito do contribuinte à compensação. E o contribuinte, por sua vez, muito embora pudesse fazer jus ao direito creditório, teria esse direito tolhido sem sequer vêlo apreciado. É claro, contudo, que essa lógica só se mantém para o caso de a compensação não ter sido ainda homologada. De se salientar, porém, que a decisão da DRJ destaca expressamente que a compensação listada foi totalmente homologada. A homologação da compensação ensejou, via de consequência, o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição ora analisado. Tendo a autoridade fiscal homologado a compensação declarada na DCOMP, de fato, não há mais que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Isto posto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 08 /05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728772/2011-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO.
Implica bis in idem a exigência concomitante de multa isolada nos termos do art. 44, II, "b" da Lei 9.430/96 e de multa de ofício sobre o saldo de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual quando tanto a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais como a insuficiência de recolhimento dos tributos devidos no ajuste decorreram da glosa de uma mesma despesa. Jurisprudência remansosa da CSRF no sentido de repelir a aplicação concomitante de tais penalidades quando decorrem da mesma conduta e incidem sobre a mesma base de cálculo (no caso dos autos, o valor da despesa considerada indedutível). Os recolhimentos por estimativa têm natureza de antecipação do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorre no final do exercício. Dessa forma, e considerando-se que o dever de antecipar apenas existe enquanto houver uma obrigação a ser antecipada (isto é, enquanto ainda não tiver ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL), é forçoso concluir que a base imponível da multa isolada desaparece após o final do exercício (momento da ocorrência do fato gerador), deixando de ser possível, portanto, a aplicação dessa penalidade.
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL
Sendo a exigência reflexa decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
Numero da decisão: 1103-001.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial para determinar (i) o cômputo dos pagamentos de IRRF e de estimativas mensais na apuração anual do IRPJ e da CSLL, por unanimidade, e (ii) excluir a multa isolada, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Luiz Tadeu Matosinho Machado. A manutenção da glosa da despesa se deu por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos (Relator) e Marcos Shigueo Takata. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. Declarou-se impedido o Conselheiro André Mendes de Moura. O Cons. Eduardo Martins Neiva Monteiro foi designado para redigir os votos vencedor e vencido, como Relator/Redator Ad hoc, pois os Cons. Breno Ferreira Martins Vasconcelos (relator originário) e Fábio Nieves Barreira (redator designado) renunciaram aos respectivos mandatos. O Presidente da Primeira Seção de Julgamento assina o acórdão em substituição ao Presidente do colegiado à época, Cons. Aloysio José Percínio da Silva, que deixou de ser membro do CARF.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão
Presidente da Primeira Seção de Julgamento
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro
Relator Ad Hoc e Redator Ad Hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Implica bis in idem a exigência concomitante de multa isolada nos termos do art. 44, II, "b" da Lei 9.430/96 e de multa de ofício sobre o saldo de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual quando tanto a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais como a insuficiência de recolhimento dos tributos devidos no ajuste decorreram da glosa de uma mesma despesa. Jurisprudência remansosa da CSRF no sentido de repelir a aplicação concomitante de tais penalidades quando decorrem da mesma conduta e incidem sobre a mesma base de cálculo (no caso dos autos, o valor da despesa considerada indedutível). Os recolhimentos por estimativa têm natureza de antecipação do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorre no final do exercício. Dessa forma, e considerando-se que o dever de antecipar apenas existe enquanto houver uma obrigação a ser antecipada (isto é, enquanto ainda não tiver ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL), é forçoso concluir que a base imponível da multa isolada desaparece após o final do exercício (momento da ocorrência do fato gerador), deixando de ser possível, portanto, a aplicação dessa penalidade. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Sendo a exigência reflexa decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10166.728772/2011-31
anomes_publicacao_s : 201508
conteudo_id_s : 5501912
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1103-001.121
nome_arquivo_s : Decisao_10166728772201131.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
nome_arquivo_pdf_s : 10166728772201131_5501912.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial para determinar (i) o cômputo dos pagamentos de IRRF e de estimativas mensais na apuração anual do IRPJ e da CSLL, por unanimidade, e (ii) excluir a multa isolada, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Luiz Tadeu Matosinho Machado. A manutenção da glosa da despesa se deu por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos (Relator) e Marcos Shigueo Takata. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. Declarou-se impedido o Conselheiro André Mendes de Moura. O Cons. Eduardo Martins Neiva Monteiro foi designado para redigir os votos vencedor e vencido, como Relator/Redator Ad hoc, pois os Cons. Breno Ferreira Martins Vasconcelos (relator originário) e Fábio Nieves Barreira (redator designado) renunciaram aos respectivos mandatos. O Presidente da Primeira Seção de Julgamento assina o acórdão em substituição ao Presidente do colegiado à época, Cons. Aloysio José Percínio da Silva, que deixou de ser membro do CARF. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente da Primeira Seção de Julgamento (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Ad Hoc e Redator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
id : 6091219
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887556902912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1.734 1 1.733 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.728772/201131 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.121 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria IRPJ e CSLL. Glosa de Despesas. Recorrente BANCO COOPERATIVO DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 GLOSA DE DESPESAS. ATOS EM DESACORDO COM REGULAÇÃO DA COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). INDEDUTIBILIDADE. Despesas decorrentes de atos ilícitos não se revestem dos pressupostos da normalidade, usualidade e necessidade à atividade operacional, sendo indedutíveis na apuração das bases de cálculo. Na hipótese, constatouse, a partir de farto acervo probatório, que o procedimento adotado pelo sujeito passivo foi reiterada e deliberadamente contrário às normas editadas pela Comissão de Valores Mobiliários quanto à administração de fundos de investimento. IRRF E ESTIMATIVAS MENSAIS. BASE DE CÁLCULO. Ao lavrar autuação fiscal em decorrência da glosa de despesa considerada dedutível pelo contribuinte, a fiscalização deve recompor a base de cálculo, deduzindo, do valor apurado a título de IRPJ devido, o IRRF retido pelas fontes pagadoras e as estimativas mensais recolhidas ao longo do ano calendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CSLL RETIDA NA FONTE E ESTIMATIVAS MENSAIS. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Ao lavrar autuação fiscal em decorrência da glosa de despesa considerada dedutível pelo contribuinte, a fiscalização deve recompor a base de cálculo, deduzindo, do valor apurado a título de CSLL devida, a CSLL retida pelas fontes pagadoras e as estimativas mensais recolhidas ao longo do ano calendário. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 87 72 /2 01 1- 31 Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.735 2 Sendo a exigência reflexa decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Implica bis in idem a exigência concomitante de multa isolada nos termos do art. 44, II, "b" da Lei 9.430/96 e de multa de ofício sobre o saldo de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual quando tanto a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais como a insuficiência de recolhimento dos tributos devidos no ajuste decorreram da glosa de uma mesma despesa. Jurisprudência remansosa da CSRF no sentido de repelir a aplicação concomitante de tais penalidades quando decorrem da mesma conduta e incidem sobre a mesma base de cálculo (no caso dos autos, o valor da despesa considerada indedutível). Os recolhimentos por estimativa têm natureza de antecipação do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorre no final do exercício. Dessa forma, e considerandose que o dever de antecipar apenas existe enquanto houver uma obrigação a ser antecipada (isto é, enquanto ainda não tiver ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL), é forçoso concluir que a base imponível da multa isolada desaparece após o final do exercício (momento da ocorrência do fato gerador), deixando de ser possível, portanto, a aplicação dessa penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial para determinar (i) o cômputo dos pagamentos de IRRF e de estimativas mensais na apuração anual do IRPJ e da CSLL, por unanimidade, e (ii) excluir a multa isolada, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Luiz Tadeu Matosinho Machado. A manutenção da glosa da despesa se deu por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos (Relator) e Marcos Shigueo Takata. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. Declarouse impedido o Conselheiro André Mendes de Moura. O Cons. Eduardo Martins Neiva Monteiro foi designado para redigir os votos vencedor e vencido, como Relator/Redator Ad hoc, pois os Cons. Breno Ferreira Martins Vasconcelos (relator originário) e Fábio Nieves Barreira (redator designado) renunciaram aos respectivos mandatos. O Presidente da Primeira Seção de Julgamento assina o acórdão em substituição ao Presidente do colegiado à época, Cons. Aloysio José Percínio da Silva, que deixou de ser membro do CARF. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente da Primeira Seção de Julgamento (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Ad Hoc e Redator Ad Hoc Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.736 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata. Relatório A questão sob análise diz respeito a autos de infração, lavrados em 15/12/2011, para a exigência de débitos de IRPJ e CSLL, acrescidos de juros de mora, multa de ofício e multa isolada pelo não recolhimento de estimativas mensais (fls. 955983). Conforme relatado no termo de verificação fiscal “TVF” – (fls. 934952), o cerne da autuação reside na glosa de despesas deduzidas pela recorrente, no valor de R$105.157.119,36, na apuração do lucro real e da base de cálculo de CSLL, do ano calendário de 2008. As despesas foram incorridas pela recorrente com o pagamento de indenizações a nove de seus acionistas (fls. 581591). Ocorre que os referidos acionistas eram cotistas de fundos de investimentos administrados por uma sociedade controlada pela recorrente, a BANCOOB Administração e Gestão de Recursos Ltda. (“BANCOOB AGR”). Segundo a fiscalização, os investidores de tais fundos teriam sofrido prejuízos causados pela “mágestão e administração destes mesmos fundos”. Isso porque a gestora dos fundos, controlada da recorrente, teria desrespeitado normativos da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) sobre a precificação, contabilização e registro dos fundos, especificamente em relação aos instrumentos derivativos de opções de dólar futuro e opções de depósitos interbancários futuros. De acordo com as informações da própria recorrente, os referidos derivativos deveriam ter sido avaliados conforme cotações publicadas pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (“BM&F”), nos termos da Instrução Normativa CVM nº 409/04. No entanto, foram utilizados modelos matemáticos próprios que “tendiam a sobrevalorizar” os ativos sob a gestão da BANCOOB AGR. As “falhas e ilícitos” na precificação dos ativos dos fundos de investimentos foram constatadas, inicialmente, pela Gerência de Acompanhamento de Investidores Institucionais da CVM, que, após auditar os fundos, determinou a reavaliação dos seus ativos, conforme legislação pertinente (fls. 181185). O referido ajuste, realizado no dia 30 de junho de 2008, teria gerado um impacto negativo no patrimônio líquido dos fundos e, consequentemente, no valor das cotas dos seus investidores. O valor do ajuste foi de R$105.157.119,36, equivalente ao valor das indenizações pagas aos sócios da recorrente. Aduz a fiscalização que, “apesar de a desvalorização das cotas dos referidos fundos terem atingido os investimentos de todos os cotistas – centenas , os quais compraram ou venderam cotas no período de setembro de 2005 a agosto de 2008 (fls. 186383); o fiscalizado, em Assembleia Geral Extraordinária, datada de 28 de agosto de 2008 (fls. 68) optou, por liberalidade, em assumir as perdas relativas à desvalorização das cotas de apenas seus acionistas, que em 30/06/2008, permaneciam coincidentemente como únicos cotistas dos fundos”. Nesse aspecto, afirma a fiscalização que a recorrente não cumpriu a determinação da Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.737 4 CVM de tomar providências para evitar prejuízos aos investidores, limitandose a, por mera liberalidade, indenizar os cotistas que eram ao mesmo tempo seus acionistas. Diante do cenário fático supracitado, concluiu a fiscalização, ao discorrer sobre o teor do artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda (“RIR/99”), que as indenizações pagas pela recorrente não seriam necessárias, comuns e usuais às atividades de uma administradora de recursos, que, reiteradamente, desrespeitou as normas reguladoras de sua atividade, “de maneira a sempre melhorar os índices de performance de seus produtos – durante 3 (três) anos , em detrimento e prejuízo ao regular funcionamento do mercado financeiro nacional”. Nesse sentido, transcreve trechos dos Pareceres COSIT nºs 61/1979 e 82/1991, da Receita Federal do Brasil, que concluíram pela indedutibilidade de despesas decorrentes de transgressões a normas de ordem pública. E, ainda na mesma linha de raciocínio, cita decisões administrativas e judiciais sobre a indedutibilidade de despesas decorrentes de prática de atos ilícitos, exemplificadas pelo Acordão 0101.072, proferido em 27/11/1990 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do extinto Conselho de Contribuintes. A fiscalização reiterou que, para a conclusão de que as despesas em questão deveriam ter sido consideradas indedutíveis, foi de “suma importância” o fato de que as indenizações teriam sido pagas apenas aos acionistas da recorrente, enquanto centenas de cotistas teriam sofrido prejuízos pelo “desrespeito à lei na gestão dos fundos de investimentos pela BANCOOB AGR”. Destacou que, ao contrário da determinação da CVM, nem todos os prejuízos causados pela superavaliação dos ativos dos fundos teriam sido ressarcidos. Subsidiariamente, aduz a autoridade fiscal que o patrimônio da recorrente não se confunde com o de sua controlada, e destaca que o fato de a recorrente ter assumido as obrigações de sua controlada determina, por si só, que a despesa seja considerada indedutível. A fiscalização rechaçou os argumentos apresentados pela recorrente de que haveria responsabilidade solidária entre controladora e controlada por força de contratos de prestação de serviços firmados entre as partes, tais como o de custódia e contabilidade dos ativos dos fundos (fls.481), pois entendeu que foram apresentados instrumentos particulares sem qualquer reconhecimento público ou das assinaturas. Entendeu a fiscalização que, ainda que tais contratos fossem considerados, a responsabilidade da recorrente seria pela prestação dos serviços de custódia de valores mobiliários e contabilidade dos fundos de investimento (fls. 446470), e não pela precificação dos ativos financeiros, que, por sua vez, seria de responsabilidade da BANCOOB AGR. Para fundamentar tal assertiva, a autoridade fiscal transcreve os itens 1.2.1.3 e 1.2.1.5 da Instrução Normativa CVM nº 438/06, que determinariam a responsabilidade do administrator dos fundos de investimentos pela precificação de ativos com baixa liquidez. Sobre o assunto, o TVF enfatiza que, de acordo com a Deliberação nº 14 da ANBID1, todo administrador de fundos deverá publicar sua política de precificação de ativos e 1 “Atualmente denominada ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais. É a maior representante das instituições que atuam nos mercados financeiros e de capitais, com mais de 340 instituições, dentre bancos comerciais, múltiplos e de investimento, administradora de fundos de investimentos, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento. Entre seus objetivos estão a atuação conjunta com instituições públicas brasileiras para regular as atividades das entidades que atuam nos mercados financeiros e de capitais.” (fl. 947) Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.738 5 marcação a mercado, observando os parâmetros legais permitidos. A BANCOOB AGR cumpriu tal determinação por meio da elaboração do seu Manual de Marcação a Mercado (fls. 592662), que divulga as políticas adotadas na administração dos fundos, inclusive quanto aos critérios utilizados na precificação de ativos não líquidos. Observase, contudo, que a incumbência de precificar os ativos, na perspectiva da fiscalização, “é atribuída até por sua complexidade matemática em ramo específico de conhecimento – à administradora de um fundo de investimento e, em específico, a seu departamento de Gestão de Ativos (Front Office)”. A referida conclusão estaria patente pela documentação levantada no curso da fiscalização, especificamente nos relatórios de auditoria interna (fls. 480, 501, 503, 507, 511e 505). De acordo com o TVF, estaria claro em tais relatórios que a empresa responsável pela precificação dos derivativos era a BANCOOB AGR, não a recorrente. Com a glosa das despesas, no calendário de 2008, a autoridade fiscal observou, ao recompor o lucro real e a base de cálculo de CSLL do período, que a recorrente passou a apresentar lucro real e base de cálculo positiva de CSLL, no valor de R$80.927.546,06, em vez de um prejuízo antes contabilizado de R$24.229.573,32. O referido prejuízo fiscal foi utilizado para compensar o IRPJ e a CSLL apurados nos anos calendários de 2009 e 2010, razão pela qual a fiscalização também glosou tais compensações, nos montantes de (i) R$1.444.356,38, relativas ao 1º trimestre2 de 2009; (ii) R$2.946.482,20, relativas ao 2º trimestre de 2009; (iii) R$3.790.230,78, relativas ao 3º trimestre de 2009; (iv) R$2.697.982,76, relativas ao 4º trimestre de 2009; e (v) R$13.350.521,19, referentes ao ano calendário de 2010. Ainda em decorrência da glosa de despesa, a autoridade fiscal concluiu que a recorrente passou a ser devedora de estimativas de IRPJ e CSLL, apuradas durante os anos calendários de 2008 e 2010, impondo, assim, multas isoladas de 50% sobre os referidos valores não recolhidos a título de estimativas, com fundamento nos artigos 222 e 843 do RIR/99. Por fim, esclareceu o TVF que os saldos negativos de IRPJ e CSLL de 2008, provenientes de pagamentos a maior de estimativas e IRRF, não foram considerados na recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSSL, tendo em vista que a recorrente teria aproveitado tais créditos por meio de declaração de compensação. Impugnação Em relação à impugnação apresentada pela ora recorrente (fls. 9911045), destacase a alegação de que as perdas sofridas pelos seus acionistas, em fundos administrados pela BANCOOB AGR, foram causadas por erros operacionais cometidos por empregados da própria recorrente, que, “à época, era contratualmente responsável pela prestação de serviços de gestão de carteira dos fundos, com a validação diária da metodologia de marcação a mercado das quotas e do patrimônio líquido dos fundos de investimento”. Nessa linha, a recorrente assevera que “as perdas sofridas pelos cotistas dos 3 (três) fundos de investimento (FCC, Coopmútuo e Diamante), cuja administração e gestão 2 Segundo o TVF (fl. 935), a recorrente optou pela apuração anual durante os anos calendários de 2008 e 2010, enquanto no ano calendário de 2009 a apuração foi trimestral. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.739 6 foram terceirizadas ao Impugnante, decorrem do ajuste feito no valor das quotas que se encontravam supervalorizadas em relação aos preços de referência divulgados pela BM&F. O referido ajuste implicou a diminuição dos valores das quotas e do patrimônio líquido dos referidos fundos e, consequentemente, prejuízos aos cotistas dos fundos de investimento”. De tal modo, alega a recorrente ter suportado a despesa de indenização dos cotistas em razão de cláusula de responsabilidade por falhas na prestação de serviços prevista no “Contrato de Prestação de Serviços de Controle de Ativo e Passivo e Outras Avenças” (fls. 1.146 1.151), firmado entre a recorrente e a BANCOOB AGR, responsabilidade esta que também teria sido imposta pelos artigos 56 e 57, parágrafo 2º, da IN CVM nº 409/04. De acordo com a impugnação, a referida Instrução Normativa “ainda autoriza que a administração dos fundos seja exercida pelo próprio administrador, no caso a BANCOOB AGR, ou por terceiros por ele contratados, desde que figure, no contrato de prestação de serviços, como interveniente anuente”. Sobre a fundamentação do TVF de que tais contratos não seriam oponíveis ao fisco, esclarece a recorrente que, antes mesmo da constituição da BANCOOB AGR, realizou consulta ao BACEN (fls. 12141218) “a respeito da intenção (da recorrente) de segregar suas atividades e passar a prestar serviços para a empresa a ser construída para a administração de fundos de investimentos (BANCOOB AGR)”. A referida consulta foi respondida pelo Departamento de Normas do Sistema Financeiro do BACEN, em 8 de março de 2005 (fls. 1.2201.221), tendo sido expressamente consignado na resposta que a recorrente poderia “prestar serviços relacionados à administração de recursos de terceiros à BANCOOB AGR, desde que atendidas as disposições das Resoluções nºs 2.451/97 e 2.486/88, cuja(s) íntegra(s) encontra(m)se anexada(s) à presente defesa”. Aduz a recorrente que, tendo sido realizada prévia comunicação aos órgãos reguladores sobre os contratos firmados entre ela e a BANCOOB AGR, seria descabida a desconsideração dos instrumentos particulares, tendo em vista que, se o registro em cartório fosse requisito de validade de tais contratos, a CVM e o BACEN seriam os primeiros a determinar que tais contratos fossem submetidos ao registro público, o que, segundo a recorrente, comprovadamente não ocorreu. Dentre os contratos firmados entre a recorrente e a BANCOOB AGR, a impugnação destaca o “Contrato de Prestação de Serviços de Controle de Ativo e Passivo e Outras Avenças”, de fls. 1.146 1.151, firmado em 1º de Setembro de 2005, que estabelece as seguintes obrigações da recorrente: 2. O CONTRATADO prestará ao CONTRATANTE os serviços de controle de ativos das carteiras do FUNDOS, conforme discriminado a seguir: (...) 2.2 Cálculo e remessa diária (ou em periodicidade expressamente acordada entre as partes) das informações ao CONTRATANTE do valor das quotas dos FUNDOS e de seu patrimônio líquido, detalhando o valor atualizado e composição; Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.740 7 2.3 Obrigase o CONTRATADO AINDA: 2.3.1 manter em perfeita ordem: (a) a documentação relativa às operações das Carteiras dos FUNDOS; e (b) o registro de todos os fatos contábeis referentes aos fundos; 2.3.2 divulgar diariamente o valor do patrimônio líquido das carteiras dos FUNDOS, incluindose as rentabilidades acumuladas no mês e no ano civil. 2.3.3 registrar os ativos integrantes das carteiras de FUNDOS nos respectivos depositários, tais como CETIP, SELIC, BOVESPA, BM&F (se for o caso); 2.3.4 envio ao CONTRATANTE das posições das carteiras dos FUNDOS referentes ao último dia de cada mês (posição de fechamento); 2.3.5 envio das informações diárias e semanais à Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”), ao Banco Central do Brasil (“BACEN”) e demais autoridades competentes, do valor do patrimônio líquido dos FUNDOS, de suas respectivas quotas, da rentabilidade auferida naquele período e de todas as demais informações necessárias, bem como de todas as informações que venham a ser requeridas por qualquer autoridade competente; (...) (grifos no original) Com base no trecho transcrito, conclui a impugnação que a recorrente seria responsável pela “prestação de todos os serviços de retaguarda (“BackOffice”), relacionados à gestão da carteira dos fundos, com a validação diária da metodologia de marcação a mercado das quotas e do patrimônio líquido dos fundos de investimento”. Aduz a recorrente que a contratação dos referidos serviços estaria ainda assim refletida no “Manual de Marcação a Mercado” da BANCOOB AGR (fls.1.2281.254): 4. Os procedimentos internos de coleta de preços, tratamento dos dados e validação prévia são de responsabilidade da Área de Retaguarda (Backoffice). 4.1 A validação prévia dos dados é realizada via checagem das variações diárias dos dados de preços e taxas importados, contra limites préestabelecidos. Quando verificada uma variação acima do limite, procedese a análise do ocorrido, de forma a apurar se houve erro ou não no processo de importação de dados. 5. Tais procedimentos são monitorados diariamente pela Área de Gestão de Risco do Bancoob. 6. Não havendo divergências, seguese a rotina normal de cálculo. 7. Havendo divergências, providenciamse os acertos necessários. (grifos no original) Especificamente em relação às obrigações advindas do referido contrato de prestação de serviços, a recorrente alega que a Instrução Normativa CVM nº 409/204, ao permitir a contratação de terceiros para a realização dos serviços relacionados à administração Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.741 8 de fundos de investimentos, em seu artigo 57, dispõe, expressamente, que o contratado, no caso a recorrente, responde solidariamente por eventuais prejuízos causados aos cotistas. Igualmente, em consonância com as disposições da norma regulamentadora, o referido “Contrato de Prestação de Serviços de Controle de Ativo e Passivo e Outras Avenças”, de fls.1.146/1.151, firmado entre a recorrente e a BANCOOB AGR, teria reiterado a responsabilidade da recorrente por falhas nos seus serviços, conforme cláusula 6.4: 6.4. O CONTRATADO responde diretamente perante o CONTRATANTE, quotistas e terceiros interessados, por erro ou irregularidade na prestação de serviços. (grifos no original) Assim, argumenta a recorrente que, ainda que a regulamentação determine a sua responsabilização solidária, em conjunto com a BANCOOB AGR, pelas perdas causadas aos cotistas dos fundos de investimentos, o contrato firmado entre as partes estabelece que seja somente sua a responsabilidade pelas falhas na prestação dos serviços. Sobre a natureza de despesa operacional dos dispêndios, a recorrente busca demonstrar o erro cometido pela fiscalização ao apresentar, como um dos argumentos para concluir que as despesas com as indenizações não atenderiam aos requisitos de “usualidade, normalidade e necessidade”, a suposta deliberação da recorrente de indenizar, por mera liberalidade, apenas os cotistas dos fundos de investimentos que também eram seus sócios, enquanto muitos outros investidores teriam sido prejudicados. Segundo a fiscalização, a recorrente não teria cumprido a determinação da CVM de ressarcir a totalidade dos “prejuízos causados aos investidores decorrentes de aplicações ou resgates efetuados nos fundos durante o período em que as cotas estiveram superavaliadas”, uma vez que apenas nove dentre “centenas” de investidores prejudicados teriam sido indenizados. Contudo, esclarece a impugnação que, do ponto de vista econômico, a interpretação da autoridade fiscal estaria completamente equivocada. Isso porque, na data em que foi feito o ajuste para remediar os erros na precificação dos ativos, somente as nove centrais cooperativas permaneciam como investidoras dos fundos e, portanto, apenas o patrimônio delas teria sido atingido pelo erro na precificação dos ativos. Isto é, como os demais investidores efetuaram os seus resgates com base no patrimonial líquido do fundo superavaliado, não seria logicamente possível concluir pela ocorrência de prejuízos aos seus respectivos patrimônios. A recorrente rebate a fundamentação do TVF de que as indenizações teriam sido decorrentes de “prática reiterada de ilícitos”, com o objetivo de beneficiar os seus acionistas, pretendendo demostrar que, na verdade, os erros cometidos na precificação dos ativos advêm de riscos inerentes ao mercado financeiro. Nesse tocante, aduz que a ocorrência de tais falhas seria tida como hipótese previsível no âmbito das instituições financeiras, enquadrandose, de acordo com a Resolução nº 3.380/06, como componente do risco operacional, a seguir definido: Art. 2 Para os efeitos desta resolução, definese como risco operacional a possibilidade de ocorrência de perdas resultantes de falha, deficiência ou inadequação de processos internos, pessoas e sistemas, ou de eventos externos. Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.742 9 §1º A definição de que trata o caput inclui o risco legal associado à inadequação ou deficiência em contratos firmados pela instituição, bem como sanções em razão de descumprimento de dispositivos legais e as indenizações por danos a terceiros decorrentes das atividades desenvolvidas pela instituição. (grifos no original) Assim, estando tais despesas diretamente relacionadas aos riscos operacionais de seu negócio, “cuja previsibilidade é inerente à atividade da instituição financeira, os valores das indenizações pagas a terceiros como medida de reparação de prejuízos previsíveis perpetrados contra terceiros devem ser enquadrados como despesas necessárias, normais e usuais às suas atividades”. A necessidade da despesa, na perspectiva da recorrente, estaria evidente diante do fato de que houve intimação da CVM (fls. 1.2931.294) para que fossem tomadas providências a fim de ressarcir os prejuízos causados pela superavaliação das quotas dos fundos de investimento. Destacou, nesse aspecto, que o conceito de despesa necessária deve ser analisado dentro do contexto das atividades desenvolvidas pelo contribuinte, “não cabendo interpretação restritiva do direito a dedutibilidade”. Em relação aos requisitos da usualidade e da normalidade, a recorrente contrapõe o argumento da autoridade fiscal de que a frequência do pagamento da despesa teria relevância na análise em questão, com a doutrina de José Luiz Bulhões Pedreira para concluir que “a despesa pode ser excepcional ou esporádica, e ainda assim será dedutível por ser inerente ao desenvolvimento da atividade do contribuinte”. Nesse ponto, a recorrente argumenta que “muito embora tal despesa não seja recorrente na atividade do Impugnante, o encargo por ele assumido se justifica em decorrência da natureza e risco das operações desenvolvidas”. Ainda sobre o enquadramento de despesas como operacionais, foi citado o Parecer Normativo CST nº 32/1981, que, em linhas gerais, sedimentara o entendimento que a análise dos requisitos para a dedutibilidade das despesas “deve partir do exame detalhado das operações realizadas e estar atrelada à manutenção dos negócios desenvolvidos pela empresa”. Na aplicação do referido conceito à espécie, aduz a recorrente que o erro na aplicação da metodologia de precificação de ativos atrelase intrinsecamente ao risco operacional assumido ao prestar os serviços de gestão de fundos de investimentos. Sobre o assunto, destaca que, como a reparação dos danos causados foi uma exigência da CVM, órgão regulador das atividades de administração de recursos de terceiros, a manutenção dos seus negócios estaria ameaçada caso deliberasse não realizar o pagamento das indenizações. Ainda sobre os reflexos regulatórios dos prejuízos causados, a recorrente afirma que os ajustes nos fundos de investimentos impactaram diretamente no Patrimônio Referencial de cada um dos seus acionistas, que é requisito indispensável imposto pela BACEN para que seja mantido o seu enquadramento na qualidade de cooperativa de crédito, razão pela qual o pagamento da indenização teria sido medida eficaz para evitar um ônus muito maior para a recorrente e seus acionistas. Quanto às alegações da autoridade fiscal de que as indenizações teriam decorrido de ato ilícito, afirma a recorrente que o descumprimento de uma norma jurídica ou dispositivo contratual não define, por si só, a indedutibilidade da despesa. Contudo, admite que Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.743 10 “a atividade que gerou o dever de indenizar não pode ser intrinsicamente ilegal ou desvinculada do seu objeto social”. Conclui que, demonstrado que a despesa glosada está diretamente relacionada às atividades da recorrente, seria ilegítima a glosa por parte da fiscalização, que, ao vedar a dedução das despesas, estaria fazendo incidir o IRPJ e a CSLL sobre lucro fictício. Ainda, com fundamento na legislação pertinente e em diversas decisões, a recorrente almeja demonstrar a ilegalidade do lançamento tributário das multas isoladas sobre as antecipações mensais do IPRJ e da CSLL após o encerramento do ano calendário. Por fim, alega ter ocorrido erro de direito nos cálculos que embasaram o lançamento em razão da consideração de saldos negativos de IRPJ e CSLL na recomposição do lucro real e da base de cálculo de CSLL. Acórdão da DRJ O acórdão da DRJ (fls. 1.4271.450) entendeu ser irrelevante analisar se haveria responsabilidade da recorrente pelas perdas causadas aos cotistas dos fundos de investimentos administrados pela BANCOOB AGR, “tendo em vista que, em qualquer hipótese, as despesas incorridas no caso concreto mostramse indedutíveis”. Segundo a decisão recorrida, a prática reiterada de ilícitos na gestão dos fundos de investimento, violando a legislação pertinente, importa na impossibilidade de classificação das despesas advindas de tais atos como operacionais, pois não cumpririam com os requisitos de usualidade, normalidade e necessidade. A DRJ fundamentou o seu posicionamento na realização de condutas ilícitas pela recorrente com base nas informações constantes do relatório de auditorias de fls. 547567. Os julgadores de primeiro grau ressaltaram que a manutenção de referidos procedimentos inadequados pela recorrente, em período de mais de dois anos, demonstrou “conduta reiterada visando inflar artificiosamente o valor dos ativos dos fundos de investimento”, em desrespeito às normas reguladoras da CVM. Concluiuse pela indedutibilidade das despesas com as indenizações aos cotistas dos fundos administrados pela BANCOOB AGR, nos seguintes termos: Não há como considerar despesas inerentes à atividade do negócio aquelas derivadas de atos eivados de ilicitude. O caso em análise demonstra, com documentação probatória robusta e contundente, produzida em relatório de auditoria interna elaborado pelo impugnante, que o procedimento adotado na precificação dos seus ativos, primeiro, foi realizado em desacordo com regra estipulada pelo órgão regulador, com flagrante inobservância da IN CVM nº 438, de 2004, segundo, não seguiu o cumprimento do Manual de Marcação a Mercado, terceiro, não efetuou a devida guarda de documentos comprobatórios o que tornou impossível a validação do cálculo da volatilidade atribuída ao prêmio pago, ocorrências que caracterizaram negligência na administração dos fundos de investimento, em descumprimento deliberado das normas estipuladas para regulação do Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.744 11 mercado financeiro e de obrigações impostas no contrato celebrado entre o impugnante e sua empresa controlada. Portanto, ao contrário da argumentação exposta na peça de defesa, os erros cometidos na precificação dos ativos não podem ser justificados como um “risco operacional”, e muito menos podem ser atribuídos como um fato previsível. A decisão recorrida manteve, ainda, a multa isolada de IRPJ e CSLL sobre o valor das estimativas recolhidas a menor em razão da glosa das despesas, consignando pela possibilidade de concomitância da multa isolada com a multa de ofício. Por fim, a DRJ entendeu ter sido correto o procedimento adotado pela fiscalização de não considerar os saldos negativos de IRPJ e CSLL na recomposição do lucro real e da base de cálculo negativa de CSLL, na realização do lançamento de ofício, tendo em vista que a recorrente já teria realizado pedido de compensação sobre os referidos saldos. Recurso Voluntário O recurso voluntário interposto pela recorrente (fls. 1.4561.521) destaca que a DRJ não apreciou os argumentos expostos na impugnação sobre a responsabilidade da recorrente pelos prejuízos causados aos investidores dos fundos administrados pela BANCOOB AGR. Reitera, pois, os termos apresentados na impugnação, que, em suma, fundamentamse em disposições contratuais e regulatórias para demonstrar que a recorrente seria responsável pelos prejuízos causados pelos erros cometidos por seus empregados na precificação dos ativos dos fundos. Sobre a natureza de despesa operacional das indenizações, somamse aos argumentos apresentados na impugnação o enfrentamento da fundamentação da decisão recorrida de que as despesas em questão seriam “derivadas de atos eivados de ilicitude” e, portanto, não poderiam ser consideradas inerentes à atividade do negócio. Nesse ponto, a recorrente argumenta que a ocorrência de erros operacionais, “sem qualquer conteúdo doloso, não lhe conferem a natureza de “ato ilícito” que extrapola o objeto social da recorrente. A sua boafé, e o intuito de regularizar todo o procedimento, teve o claro objetivo de assumir a responsabilidade contratual decorrente da sua atuação”. Destaca a recorrente, inclusive, que o “comportamento irregular” na gestão dos fundos de investimentos mereceu atenção do órgão regulador, no caso a CVM, que em momento algum tratou os erros operacionais cometidos pela recorrente e por sua controlada como se fossem “atos ilícitos”, realizados com o intuito de fraudar os cotistas dos fundos de investimento ou de levar qualquer tipo de vantagem com esse procedimento. A recorrente afirma que, uma vez cientificada do problema, a CVM expediu o ofício fls. 181185, o qual não prevê a aplicação de qualquer penalidade em razão das condutas realizadas pela recorrente e sua controlada, tendo tal postura do órgão regulador demonstrado que os erros na precificação dos ativos se enquadram como erros operacionais, “decorrentes do risco no exercício de atividade de elevado grau de especialização”. Nesse aspecto, a recorrente cita a existência de dispositivos normativos, emitidos pela CVM, que tratam sobre a aplicação de penas sobre as condutas que, na perspectiva do fisco, teriam sido realizadas na administração dos fundos de investimento Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.745 12 geridos pela BANCOOB AGR. Argumenta se tratar de hipótese de descumprimento dos preceitos do artigo 16 da Instrução Normativa CVM nº 306/99, abaixo transcrito: Art. 16 – É vedado ao administrador de carteira: (...) VIII. promover operações cujo objetivo consista em burlar a legislação fiscal e/ou outras normas legais e regulamentares, ainda que tais negócios aumentem a valorização da carteira administrada. A referida conduta é classificada como infração grave, pelo artigo 18 da própria Instrução Normativa CVM nº 306/99, sujeita à cominação das penalidades previstas no §3º, do artigo 113, da Lei nº 6.385/76. Vejase: Art. 18 – Considerase infração grave, para efeito do disposto no art. 11, §3º, da Lei nº 6.385/76, o exercício da atividade de administração de carteira de valores mobiliários por pessoa natural ou jurídica não autorizada, nos termos desta Instrução, ou autorizada com base em declaração ou documentos falsos, bem como a infração às normas contidas nos arts. 14, incisos I, II, V, VII e VIII, e 16, incisos VI a VIII desta Instrução. De tal modo, conclui a recorrente que “caso fosse plausível a alegação da Fiscalização no sentido de que a errônea precificação (dos) ativos tivesse sido fraudulenta e dolosa, pressuporseia, no mínimo, que a CVM houvesse instaurado procedimento administrativo para apuração dos fatos, tendo em vista que fere todo o arcabouço normativo, o que não ocorreu no caso”. Por fim, pela mesma fundamentação apresentada na impugnação, a recorrente alega (i) a ilegalidade do lançamento tributário das multas isoladas sobre as antecipações mensais do IPRJ e da CSLL após o encerramento do ano calendário; e (ii) a ocorrência de erro de direito nos cálculos que embasaram o lançamento, uma vez que os saldos negativos de IRPJ e CSLL não foram considerados na recomposição do lucro real e da base de cálculo de CSLL. É o relatório. 3 Art. 11. A Comissão de Valores Mobiliários poderá impor aos infratores das normas desta Lei, da lei de sociedades por ações, das suas resoluções, bem como de outras normas legais cujo cumprimento lhe incumba fiscalizar, as seguintes penalidades: (...) § 3º Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as penalidades previstas nos incisos III a VIII do caput deste artigo somente serão aplicadas nos casos de infração grave, assim definidas em normas da Comissão de Valores Mobiliários. Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.746 13 Voto Vencido Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator Ad Hoc. O Relator originário, Cons. Breno Ferreira Martins Vasconcelos, deixou de assinar este voto vencido pelo fato de ter renunciado ao mandato antes da formalização do acórdão. Porém, vale frisar que se baseia exclusivamente em minuta por ele disponibilizada quando da sessão de julgamento, de forma que retrata fielmente o voto proferido. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 1.4561.521), razão pela qual dele conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Da responsabilidade da recorrente Da análise das provas colacionadas aos autos, concluise que a fundamentação do TVF de que a recorrente teria assumido indevidamente uma despesa de sua controlada não procede diante das relações contratuais estabelecidas entre as duas sociedades. Segundo o entendimento da autoridade fiscal, os contratos apresentados pela recorrente não seriam oponíveis ao fisco por não terem “qualquer reconhecimento público ou mesmo de suas assinaturas”. Conforme se verifica do Relatório, a recorrente alega que era de sua responsabilidade a validação do cálculo do valor diário das quotas dos fundos de investimentos administrados pela BANCOOB AGR, nos termos da cláusula 2.2 do “Contrato de Prestação de Serviços de Controle de Ativo e Passivo e Outras Avenças”, de fls. 1.146 1.151, a seguir transcrita: 2. O CONTRATADO prestará ao CONTRATANTE os serviços de controle de ativos das carteiras do FUNDOS, conforme discriminado a seguir: (...) 2.2 Cálculo e remessa diária (ou em periodicidade expressamente acordada entre as partes) das informações ao CONTRATANTE do valor das quotas dos FUNDOS e de seu patrimônio líquido, detalhando o valor atualizado e composição; (no original sem grifo) Desse modo, as falhas na prestação dos referidos serviços justificam a responsabilização da recorrente pelos danos causados aos investidores dos fundos geridos pela BANCOOB AGR, nos termos das disposições do artigo 574, §2º, da Instrução Normativa 4 Art. 57. A contratação de terceiros devidamente habilitados ou autorizados para a prestação dos serviços de administração, conforme mencionado no art. 56, é faculdade do fundo, sendo obrigatória a contratação dos Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.747 14 CVM, que, por sua vez, estão refletidas na cláusula 6.4 do referido contrato de prestação de serviços: 6.4. O CONTRATADO responde diretamente perante o CONTRATANTE, quotistas e terceiros interessados, por erro ou irregularidade na prestação de serviços. Ao meu ver, a ausência de registro cartorial não tem o condão de afastar a oponibilidade ao fisco das obrigações decorrentes dos contratos firmados entre a recorrente e a BANCOOB AGR, pois existem outros elementos nos autos que demonstram a existência dessa relação jurídica. Nesse aspecto, imperioso destacar que a recorrente levou ao conhecimento do BACEN, por meio da petição de fls. 1.2141.218, datada de 19 de janeiro de 2005, a sua intenção de “constituir uma empresa especializada na Administração de recursos de terceiros, (...) passando a ser um prestador de serviço para essa empresa especializada”. A resposta do BACEN à consulta formulada, constante nas fls. 1.2201.221, reconheceu a possibilidade da prestação de tais serviços pela recorrente à BANCOOB AGR, sem que tenha sido imposta qualquer condição formal para a celebração dos contratos. Tudo isso, lembrese, muito antes do início da fiscalização. Da mesma forma, os próprios regulamentos dos fundos administrados pela BANCOOB AGR, de fls. 1.2991.347, registrados em Cartório de Títulos e Documentos do Distrito Federal, deram publicidade aos serviços prestados pela recorrente na administração dos fundos, nos seguintes termos: Art. 13 O BANCO COOPERATIVO DO BRASIL S.A. – BANCOOB, com sede no SCS Qd. 06 Bl A – Ed. Sofia – 4º andar – Brasília (DF), inscrito no CNPJ sob o nº 02.038.232/000164, no presente designado BANCOOB, prestará ao FUNDO os serviços de (i) custódia; (ii) controladoria de ativos (controle e processamentos dos títulos e valores mobiliários) e de passivos (escrituração de cotas) e (iii) distribuição, agenciamento e colocação de quotas do FUNDO, observado que estes últimos também poderão ser prestados por instituições e/ou agentes devidamente habilitados para tanto, cuja relação, com a qualificação completa desses prestadores de serviços, encontrarseá disponível na sede e/ou dependências da Administradora. (sem grifos no original) Além disso, confirmando as provas de participação da recorrente no processo de precificação dos ativos dos fundos geridos pela BANCOOB AGR, o próprio “Manual de Marcação a Mercado” da BANCOOB AGR, de fls. 1.2281.254, estabelece ser da recorrente a responsabilidade pelos procedimentos internos de “coleta de preços, tratamento dos dados e serviços previstos nos incisos III, IV, V e VI, apenas quando não estiver o administrador devidamente autorizado ou credenciado para a sua prestação. (...) §2º Os contratos firmados na forma do § 1º, referentes aos serviços previstos nos incisos I, III, V e VI, do § 1º, do art. 56, deverão conter cláusula que estipule a responsabilidade solidária entre o administrador do fundo e os terceiros contratados pelo fundo, por eventuais prejuízos causados aos cotistas em virtude das condutas contrárias à lei, ao regulamento e aos atos normativos expedidos pela CVM. Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.748 15 validação prévia” de cotações utilizadas na precificação dos ativos dos fundos de investimentos. Cabe destacar que a jurisprudência deste Conselho, firme na aplicação do princípio da verdade material, consolidouse no sentido de relativizar a necessidade de registro público do contrato para que este seja oponível ao fisco, desde que o instrumento particular seja corroborado pelo conjunto probatório apresentado pelo contribuinte. Vejase: IRRF – CONTRATO DE MÚTUO – REGISTRO: O “Contrato de Mútuo”, para sua validade, independe de registro em Cartório de Títulos e Documentos, isto porque esse ato meramente “formal” não é de sua substância, mormente quando o conjunto de provas atesta sua efetividade”. (Acórdão 10420.354, Rel. Cons. Remis Almeida Estol, 4º Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, julgado em 1º de Dezembro de 2004); e VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS: Existente os contratos de mútuo firmados com empresas controladas ou coligadas, a falta do registro no Cartório de Títulos e Documentos, bem como irregularidade em sua contabilização, não são suficientes para determinar a indedutibilidade dos encargos contabilizados”. (Acórdão 10319.917, Rel. Cons. Cândido Rodrigues Neuber, 3º Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, julgado em 16 de Março de 1999) Imperioso concluir, portanto, que a recorrente, como prestadora de serviços responsável pelo cálculo e remessa diária dos valores das quotas dos fundos de investimentos administrados pela BANCOOB AGR, responde aos cotistas dos fundos, independentemente de culpa, pelos prejuízos causados por falhas na precificação dos ativos. Isso porque, nos termos do parágrafo único do artigo 927 do Código Civil, ainda que se argumente sobre a ocorrência de conduta negligente na precificação das quotas, “haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem”. De acordo com a doutrina de Orlando Gomes5, a obrigação de indenizar sem culpa nasce por duas razões: (i) a consideração de que certas atividades do homem criam um risco especial para os outros e (ii) a consideração de que o exercício de determinados direitos deve implicar a obrigação de ressarcir os danos que origina. Entendo ser na primeira categoria, justificada pela teoria do risco, que se enquadra a despesa sob julgamento. Sobre a teoria do risco, Miguel Reale6 esclarece que: Quando a estrutura ou natureza de um negócio jurídico – como de transporte, ou de trabalho, só para lembrar os exemplos mais conhecidos – implica a existência de riscos inerentes à atividade desenvolvida, impõese a responsabilidade objetiva de que dela tira proveitos, haja ou não culpa. Ao reconhecêlo, todavia, levase em 5 Gomes, Orlando. Obrigações. 13ª Edição. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p.307. 6 Apud Gonçalves, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 8ª edição revisada de acordo com o novo Código Civil. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 25. Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.749 16 conta a participação no evento, bem como o fato de terem sido tomadas as necessárias cautelas, fundadas em critérios de ordem técnica. Eis aí como o problema é posto, com a devida cautela, o que quer dizer, com a preocupação de considerar a totalidade dos fatores operantes, numa visão integral e orgânica, num balanceamento prudente de motivos e valores. Na visão de Silvio de Salvo Venosa7, tratase do denominado riscoproveito, ubi emolumentum, ibi et onus esse debet (onde há o emolumento, aí deve também haver o ônus), definido como forma de responsabilidade objetiva baseada na premissa que o agente responsável por criar um risco de produzir danos, por meio do exercício de sua atividade econômica, deve suportar o prejuízo que sua conduta acarreta, tendo em vista que essa atividade de risco lhe proporciona um benefício. Neste caso, para o surgimento do dever de indenizar bastaria o fato danoso e o nexo causal, não sendo necessária a constatação do ato culposo. Como a própria fiscalização asseverou, a precificação dos ativos consiste em atividade de “alta complexidade matemática em ramo específico de conhecimento”, que, por sua própria essência, consiste em um dos componentes do risco advindo da atividade de gestão e administração de ativos financeiros de terceiros. Observase que, por meio do “Contrato de Prestação de Serviços de Controle de Ativo e Passivo e Outras Avenças”, de fls. 1.146 1.151, o componente de risco inerente ao cálculo do valor diário das quotas dos fundos de investimentos foi transferido da BANCOOB AGR à recorrente, que foi remunerada para assumir tal encargo, no percentual de 0,06% ao ano sobre o valor do patrimônio líquido dos fundos. Não é demais lembrar, apenas pela retórica do raciocínio, que essa remuneração, percebida pela recorrente, foi por ela oferecida à tributação da renda, o que reforça a coerência de reconhecer como sua a despesa decorrente da atividade por ela exercida. Assim sendo, ao contrário do que alegado pela autoridade fiscal, entendo estar demonstrado que a despesa incorrida com as indenizações pagas aos sócios da recorrente, como reparação aos prejuízos causados pelos erros na precificação das quotas dos fundos de investimentos geridos pela BANCOOB AGR, foi devidamente incorrida pela controladora em nome de sua controlada. Da natureza de despesa operacional A despeito da qualidade do trabalho fiscal e do acórdão da DRJ que o manteve, a autoridade autuante partiu de uma premissa completamente equivocada para concluir que a despesa com a indenização dos cotistas dos fundos administrados pela BANCOOB AGR teria sido incorrida por mera liberalidade da recorrente. Nos termos do TVF, a fiscalização entendeu que diversos investidores teriam sido prejudicados pelos erros cometidos na avaliação dos ativos dos fundos de investimento, enquanto apenas os cotistas dos fundos de investimentos, que eram também acionistas da recorrente, teriam sido ressarcidos pelas perdas sofridas. 7 Venosa, Sílvia de Salvo. Direito Civil: responsabilidade civil. 3ª edição. São Paulo: Atlas, 2003, p.17. Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.750 17 A referida assertiva, com o devido respeito ao trabalho empreendido pelo fiscal, demonstra que a fiscalização não compreendeu a natureza das perdas causadas pela superavaliação dos ativos dos fundos de investimentos. É que, tendo como premissa o fato apurado nos autos de que o modelo de precificação adotado pela recorrente reconhecidamente um dos mais difundidos no mundo tendia a sobrevalorizar o valor dos ativos geridos pela BANCOOB AGR, está evidente que os investidores que resgataram as suas cotas antes da data do ajuste no valor dos derivativos financeiros, no dia 30 de junho de 2008, foram beneficiados pelos erros cometidos pela recorrente. Isto é, o ajuste no patrimônio líquido do fundo, com o objetivo de refletir as diferenças entre o modelo de precificação baseado em fórmulas matemáticas e a precificação com base nas cotações dos derivativos financeiros na BM&F, impactou somente o patrimônio dos cotistas que permaneciam como investidores dos fundos de investimentos no momento em que o ajuste foi realizado. Assim, considerando o fato incontroverso de que apenas os cotistas indenizados pela recorrente figuravam como investidores dos fundos na data em que o ajuste de reavaliação dos ativos foi realizado (fl. 937), concluise pelo descabimento da afirmação constante no auto de infração de que a recorrente não cumpriu a determinação da CVM de ressarcir os “eventuais prejuízos causados aos investidores decorrentes de aplicações ou resgates efetuados nos fundos durante o período em que as cotas estiveram superavaliadas”. Ao meu ver, a interpretação errônea dos fatos que ensejaram no pagamento das indenizações acabou por determinar que a respectiva despesa fosse entendida pelo fisco como mera liberalidade, quando, na verdade, está evidente nos autos que os pagamentos derivam de obrigações contratuais, as quais ampararam expressa determinação da autoridade regulatória competente, a CVM, no sentido de que os prejuízos causados pela superavaliação dos ativos fossem ressarcidos. Nesse aspecto, oportuna a lição de Ricardo Mariz de Oliveira8, ao abordar a antítese da despesa necessária: Ao contrário de entendimentos pessoais e subjetivos, mutáveis de pessoa para pessoa, o conceito de “necessidade” é objetivamente determinado pela lei, e, por este mesmo critério, a despesa não é necessária quando envolva liberalidade, mas liberalidade também no sentido objetivo legal, isto é, de favor, estranho aos objetivos sociais, contrário aos estatutos sociais, além dos poderes conferidos à administração da empresa. A despesa em questão não se amolda à definição de liberalidade no sentido objetivo legal consagrado pela doutrina. Ou seja, tendo sido comprovada a responsabilidade da recorrente pelos danos causados aos cotistas dos fundos de investimentos, não há que se falar em pagamento por mera liberalidade. Vale ressaltar, ainda, que, havendo determinação expressa do Bacen (Resoluções 2.451/97 e 2.486/98) e da CVM (art. 57, §2º da Instrução Normativa nº 409/04) condicionando a contratação de terceiros para a prestação de serviços de administração à existência de cláusula estipulando a responsabilidade solidária entre o administrador do fundo e 8 Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 702. Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.751 18 os terceiros contratados por eventuais prejuízos causados aos cotistas, concluise que a assunção da responsabilidade pelo pagamento da indenização discutida nesses autos pela recorrente configura verdadeiro pressuposto de existência da relação jurídica existente com a BANCOOB AGR, o que afasta por completo a alegação de que o pagamento consiste em mera liberalidade. Superada a falácia sobre a ocorrência de outros danos que não foram indenizados pela recorrente, relativos aos seus erros cometidos na precificação dos ativos dos fundos, imperioso analisar o arcabouço jurídico sobre o critério da necessidade, a ser observado como requisito essencial para a dedutibilidade de despesas no âmbito do cômputo do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Ricardo Mariz de Oliveira9 considera existirem quatro critérios básicos para classificar determinada despesa como operacional, quais sejam (i) a sua não integração ao custo de produção ou prestação de serviços; (ii) a comprovação e escrituração das despesas; (iii) a contabilização das despesas no mesmo período em que sejam assumidas; e (iv) a necessidade das despesas. Para o deslinde do caso analisado, contudo, a definição sobre a classificação das indenizações das perdas causadas pelos erros na precificação dos ativos dos fundos de investimentos como despesa operacional vinculase, por força da motivação do lançamento, tão somente à verificação se a despesa incorrida pela recorrente com as indenizações aos seus acionistas atende ao critério da necessidade. De acordo com a ementa da decisão recorrida (fl. 1.427), concluiuse que “as despesas derivadas de atos eivados de ilicitude não podem ser consideradas inerentes à atividade operacional e muito menos dedutíveis por não se revestirem de normalidade usualidade ou necessidade”, decisão em consonância com a motivação do lançamento realizado pela fiscalização (fls. 934952). Delimitada a questão, cumpre analisar o conceito de “necessidade” estabelecido pelo artigo 47 da Lei nº 4.506/6410, in verbis: Art.47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. Em resumo, considerando as diretrizes de hermenêutica jurídica de que os parágrafos se subordinam ao caput do dispositivo legal, como normas jurídicas dependentes ou complementares a este, podemos concluir pela existência de um conceito de necessidade abrangente, em que as despesas operacionais podem ser definidas como aquelas necessárias às atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (caput), entendidas como tais, as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas 9 Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 684. 10 Conceito incorporado ao RIR/99, no artigo 299. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.752 19 pela atividade da empresa (parágrafo 1º), desde que sejam usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (parágrafo 2º). Ainda segundo a doutrina de Mariz de Oliveira11, “podese dizer, sem medo de errar, que uma despesa é necessária quando ela for inerente à atividade da empresa ou à sua fonte produtora, ou for dela decorrente, ou com ela for relacionada, ou surgir em virtude de simples existência da empresa e do papel social que ela desempenha”. Em sentido semelhante, Bulhões Pedreira12 esclarece que “a lei define como necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (L 4.506, art. 47, §1º; RIR, art. 162, §1º). Não estabelece, pois, critérios gerais em função da atividade da empresa mas, por assim dizer, atomiza essa atividade nas transações ou operações por ela exigidas. As despesas são ditas necessárias em cada uma das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa”. O ilustre doutrinador13 esclarece que para “ser dedutível, além de necessária a despesa deve ser usual, ou normal, no tipo de transações, operações e atividade da empresa. Notese que o critério legal de normalidade não se baseia na experiência da própria empresa, mas do tipo de atividades que ela exerce: a despesa é dedutível para determinada empresa ainda que ocorra excepcional ou esporadicamente no curso dos seus negócios, mas desde que possa ser tida como usual ou normal no tipo de atividade que explora”. A norma do artigo 47 da Lei nº 4.506/64 (ou artigo 299 do RIR/99) deve ser interpretada à luz da competência constitucional atribuída a União para tributar a renda, nos limites estabelecidos pelo artigo 43 do CTN, cujas disposições impõem que o IRPJ e a CSLL somente incidam quando ocorrer acréscimo patrimonial. Assim, via de regra, ao confrontar as receitas e despesas das atividades do contribuinte, deverão ser considerados dedutíveis os custos e despesas necessários para a produção do acréscimo patrimonial, sob pena de se tributar outra grandeza que não esta. Diante dos conceitos acima delimitados, importante, ainda, o registro de algumas ponderações sobre a natureza da despesa incorrida pela recorrente. Conforme analisado, a recorrente era responsável pela prestação de serviços à BANCOOB AGR (fls. 1.2281.254), empresa gestora de fundos de investimento, auferindo receitas em conexão com a sua atribuição de calcular os valores diários das quotas dos fundos de investimento geridos por sua controlada. De acordo com as informações apuradas pela auditoria interna (fl. 476), a precificação dos ativos ilíquidos dos fundos de investimentos poderia ser realizada por meio de modelos matemáticos próprios, como os utilizados pela recorrente. Contudo, a partir do dia 23/09/2005, momento em que os ativos passaram a ter mercado ativo na BM&F, a recorrente deveria ter adotado as cotações da BM&F no cálculo do patrimônio líquido dos fundos. Foi justamente essa falha em identificar que um ativo ilíquido passou a ter cotação na BM&F que motivou o entendimento do fisco de que a despesa seria indedutível por 11 Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 696. 12 Impôsto de Renda. Rio de Janeiro: APEC Editora, 1969, tópico 622. 13 Impôsto de Renda. Rio de Janeiro: APEC Editora, 1969, tópico 626. Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.753 20 ser, supostamente, advinda de atos ilícitos praticados pela recorrente, em ofensa à regulamentação da CVM. Ao contrário da fundamentação do TVF e da decisão recorrida, entendo não ser automática a conclusão de que uma despesa é desnecessária pelo simples fato de decorrer da prática de algum ato ilícito, pois se trataria de aplicação de critério subjetivo para presumir que uma determinada despesa não cumpre os requisitos que foram objetivamente contemplados pelo nosso ordenamento jurídico. De fato, a presunção adotada pela fiscalização, de que despesas derivadas de atos ilícitos são desnecessárias, poderá, por coincidência, atingir a mesma conclusão que seria alcançada pela aplicação dos critérios objetivos estabelecidos pelo artigo 47 da Lei nº 4.506/64, tendo em vista que o descumprimento de leis e normas tende a não ser inerente às transações ou operações exigidas pelas atividades do contribuinte, ou com elas relacionadas. Contudo, tomar como premissa que as despesas advindas de atos ilícitos são invariavelmente desnecessárias é privilegiar hipótese de presunção sem fundamento na legislação infraconstitucional, o que não se permite em matéria de direito tributário. Vejamos a doutrina de Mariz de Oliveira14 sobre o assunto: Por critério objetivo, podese constatar que até despesas ou perdas derivadas de alguma ineficiência da empresa, ou de algum ato de imperícia ou negligência, ou até mesmo dolo, são dedutíveis quando relacionadas com a atividade empresarial. Assim também ocorre com multas contratuais por atraso na entrega de obras ou em virtude de outros inadimplementos contratuais. O ideal é a empresa ser eficiente e não incorrer nesses gastos. Necessários, literal e diretamente, talvez eles não sejam, pois, pelo contrário, prejudicam a empresa. Mas são dedutíveis porque decorrem de atividade da empresa, relacionase a ela. Ainda que todo o exposto sobre a dedutibilidade de despesas derivadas de atos ilícitos fosse desconsiderado, entendo que sequer existem elementos nos autos que caracterizem, indubitavelmente, que as indenizações em questão foram pagas em razão de ato culposo da recorrente contrario à lei (ato ilícito)15, uma vez que, como delimitado, a recorrente exerce atividade de risco e, portanto, sujeitase à imputação de responsabilidade objetiva (sem culpa) pelos danos gerados em decorrência do exercício de seu objeto social. A crise financeira mundial deflagrada em 2008 demonstrou que o mercado financeiro brasileiro está entre os mais rigidamente regulamentados do mundo, característica evidenciada, no caso analisado, pelo fato de a própria CVM ter identificado as falhas na precificação dos ativos geridos pela controlada da recorrente. Não seria plausível, portanto, que a prática reiterada de ilícitos a que se refere a fiscalização passasse incólume pelo crivo da CVM. 14 Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 697) 15 Nos termos do art. 186 do Código Civil, “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.754 21 Ao fundamentar a indedutibilidade das despesas incorridas pela recorrente, a autoridade tributária afirmou que tais gastos derivaram de “atos ilícitos nocivos ao sistema financeiro nacional”. Ocorre que essa conduta, imputada pela fiscalização à recorrente, encontra previsão nas normas sancionatórias vigentes (Lei nº 6.385/76 e IN CVM nº 306/99), as quais não foram utilizadas pelo órgão fiscalizador (CVM) quando se deparou com a situação fática sob análise. Isto me permite concluir que, aos olhos da autoridade competente para regulação dos fundos de investimento, o ato da recorrente não era passível de penalização. Não cabe agora, à autoridade fiscal ou a este Conselho, dizer o contrário. Nesse sentido, como exposto, entendo que a indenização em questão advém da responsabilidade objetiva da recorrente pela reparação do dano gerado em razão da sua atividade de risco. O ato ilícito não constitui elemento intrínseco ao instituto da responsabilidade objetiva, conforme a lição de Orlando Gomes16: Antijuridicidade objetiva distinguese nitidamente da antijuridicidade subjetiva. Para que esta se configure, é necessário que o ato seja imputável ao agente, isto é, a quem tenha procedido culposamente. Na antijuridicidade objetiva, a reação da ordem jurídica não leva em conta o comportamento do agente. Rechaço, portanto, a adoção do critério subjetivo utilizado pela fiscalização, baseado nas premissas de que (a) as despesas incorridas pela recorrente derivaram de atos ilícitos; e (b) as despesas derivadas de atos ilícitos são invariavelmente desnecessárias. De tal modo, passo a analisar, objetivamente, se a despesa com as indenizações em apreço cumpre os requisitos previstos na Lei nº 4.506/64, isto é, se teria sido (i) paga ou incorrida para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa; e (ii) usual, ou normal, no tipo de transações realizadas pela recorrente. Em relação ao item (i), importante retomar a linha de raciocínio desenvolvida no tópico anterior sobre a responsabilidade da recorrente pelos danos causados aos cotistas dos fundos, em que discorri que a prestação de serviços de precificação de ativos consiste em atividade de risco, diante da possibilidade de geração de danos a terceiros. De tal modo, entendo que a despesa em questão foi justamente incorrida pela materialização de um risco. Devendo, portanto, tal despesa ser confrontada com a receita auferida pela recorrente na prestação dos serviços de precificação das quotas dos fundos de investimentos, garantindose, assim, que o IRPJ e a CSLL incidam sobre o real acréscimo patrimonial da referida atividade. No que diz respeito aos critérios de usualidade e normalidade, conforme delineado por Bulhões Pedreira e Mariz de Oliveira, não se exige que a despesa ocorra com frequência, e sim que tenha pertinência17 com o tipo de atividade da recorrente. Nesse aspecto, o ressarcimento de danos causados pelas suas atividades econômicas consiste em encargo essencial para a manutenção das atividades relacionadas à gestão dos fundos de investimentos, de pertinência evidente ao negócio da recorrente. Tal condição é reiterada pela determinação da CVM de que os prejuízos causados pelas falhas na precificação dos ativos dos fundos de investimentos fossem ressarcidos. 16 Gomes, Orlando. Obrigações. 13ª Edição. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p.254. 17 Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 713. Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.755 22 Nesse sentido, com as ressalvas de que a matéria é controversa na jurisprudência deste Conselho e, além de tudo, desnecessária para alcançar as conclusões aqui lançadas, entendo oportuno o registro de que, mesmo na análise da dedutibilidade de despesas advindas de atos ilícitos, existem precedentes reconhecendo o caráter operacional das despesas. Vejase: IRPJ CHEQUES ENDOSSADOS FALSAMENTE POR TERCEIROS. LIQUIDAÇÃO INDEVIDA. INDENIZAÇÃO A CLIENTE. LIBERALIDADE. DESPESA INDEDUTÍVEL. IMPROCEDÊNCIA ACUSATÓRIA A lei do cheque sob o n.º 7.357 de 02.09.1985 em seu art. 39 determina que o sacado que paga cheque "à ordem" é obrigado a verificar a regularidade da série de endossos, mas não a autenticidade das assinaturas dos endossantes. Dessa forma, tangida a Instituição Financeira por responsabilidades objetivas, a indenização ao cliente pela prática espúria de exfuncionário da recorrente não exime o banco sacado de responder pelo dano, se nãoprovada a culpa do correntista. É improcedente qualquer caráter de mera liberalidade atribuído à despesa a esse teor. (Acordão 10320.394, relatoria do Conselheiro Cândido Rodriguez Neuber, da Terceira Câmara, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, julgado em 17 de outubro de 2000); DESPESAS COM PROMOÇÃO MEDIANTE DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS A falta de autorização do Ministério da Fazenda pode dar lugar à aplicação das penalidades previstas na Lei 5.768/71, mas não lhes tira o caráter de despesas dedutíveis, visto tratarse de despesas com promoção de vendas e, como tal, usuais e normais. (Acordão 101 91.979, relatoria da Conselheira Sandra Maria Faroni, da Primeira Câmara, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, julgado em 14 de abril de 1998). Da apuração incorreta dos tributos Às fls. 1505 e ss., a recorrente informa que, para apurar o IRPJ e a CSLL no anocalendário de 2008, a fiscalização desconsiderou os pagamentos efetuados a título de estimativas mensais de tais tributos e também os valores retidos na fonte no período, sob a alegação de que tais valores compuseram saldo negativo apurado no ajuste anual e que já teria sido utilizado para a compensação de débitos próprios. Entendo correta a irresignação da recorrente, pois, para a apuração dos valores exigidos nos autos de infração, a Fiscalização limitouse a aplicar as alíquotas do IRPJ e da CSLL sobre o valor da despesa glosada, quando, em atendimento à legislação tributária, deveria ter recomposto as bases de cálculo de tais tributos e deduzido, dos valores devidos, as antecipações (dentre elas, pagamentos de estimativas e retenções na fonte) recolhidas ao longo do anocalendário. Diante do equívoco cometido pela autoridade fiscal na apuração da base de cálculo dos tributos, merece ser acolhido o recurso voluntário da contribuinte nesse ponto para que sejam consideradas, pela unidade de origem, na execução deste acórdão, as estimativas mensais recolhidas e as retenções realizadas pelas fontes pagadoras no anocalendário de 2008. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.756 23 Da multa isolada Insurgese também a recorrente contra a exigência da multa isolada, pois foi aplicada após o encerramento do anocalendário e concomitantemente à multa de ofício. Também assiste razão à recorrente nesse ponto. Conforme relatado, a Fiscalização aplicou contra a recorrente a multa isolada prevista pelo art. 44, II, b, da Lei nº 9.430/96 em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL calculados sobre as bases de cálculo estimadas apuradas mensalmente no ano calendário de 2008. Também foi exigida a multa de ofício calculada sobre os saldos de IRPJ e CSLL a pagar devidos no ajuste anual. É fácil notar que, em razão de uma mesma conduta (recolhimento a menor do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2008 em razão de dedução indevida), foram aplicadas duas penalidades distintas contra a recorrente (multa isolada e multa de ofício). Este Conselho tem repelido a aplicação da multa isolada após o encerramento do exercício e concomitantemente à multa de ofício calculada sobre os saldos de IRPJ e CSLL a pagar apurados na declaração de ajuste. Esse entendimento decorre do fato de que “o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias” (CARF, voto do Conselheiro Relator Paulo Roberto Cortez no acórdão 1402001.505, sessão de 06/11/2013). Isto é, o contribuinte não pode ser penalizado duas ou mais vezes pelo cometimento de uma única infração tributária. Vale ressaltar que os recolhimentos por estimativa têm natureza de antecipação do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorre no final do exercício. Dessa forma, e considerandose que o dever de antecipar apenas existe enquanto houver uma obrigação a ser antecipada (isto é, enquanto ainda não tiver ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL), é forçoso concluir que a base imponível da multa isolada desaparece após o final do exercício (momento da ocorrência do fato gerador), deixando de ser possível, portanto, a aplicação dessa penalidade. Com base nesse raciocínio, e na situação da recorrente, isto é, quando a Fiscalização conclui pela falta (i) de recolhimento por estimativa e (ii) de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados na declaração de ajuste, este Conselho tem entendido que apenas pode ser aplicada a multa de ofício prevista pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Destaquese que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (“CSRF”) também possui entendimento consolidado no sentido de que, após o encerramento do anocalendário, desaparece a materialidade da multa isolada, podendo ser aplicada, apenas, a multa de ofício prevista pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. A título exemplificativo: MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei n 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.757 24 estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido. (Acórdão nº 1301001.225, 1ª Turma Ordinária da 3ª CSRF, sessão de 12 de junho de 2013); e APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº 9101001.574, 1ª Turma da CSRF, Sessão de 24 de janeiro de 2013). Sendo assim, acolho o recurso voluntário nesse ponto para afastar a exigência da multa isolada. Conclusão Pelo exposto, dáse integral provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Conselheiro – Relator Ad Hoc Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.758 25 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Redator Ad Hoc. Em razão de o Cons. Fábio Nieves Barreira ter renunciado ao mandato antes da formalização do acórdão, fui designado pelo Sr. Presidente da Primeira Seção de Julgamento para redigir o voto vencedor. Pois bem. Passase à exposição das razões fáticas e jurídicas consideradas no julgamento, que levaram a maioria do colegiado a manter a glosa efetivada pela fiscalização e a confirmar a não dedução, na apuração do IRPJ/CSLL, de R$ 105.157.119,36. Considerouse que tal despesa não era normal, usual e necessária, pois decorrente da prática reiterada de ilícitos na gestão de fundos de investimento, com evidente e comprovada violação de normas reguladoras da atividade. Quanto ao aproveitamento dos pagamentos de IRRF e estimativas mensais, bem como acerca do cancelamento das multas isoladas, são adotadas, na íntegra, as respectivas razões de decidir constantes do voto vencido, sendo desnecessário novamente reproduzilas. Inicialmente, cabe fixar que a respeito do descumprimento, pela gestora dos fundos de investimento, de dispositivos normativos expedidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), relativos à precificação, contabilização e registro dos ativos dos fundos, devidamente atestado em auditoria interna, não há qualquer controvérsia. O ressarcimento de R$ 105.157.119,36 a apenas nove cotistas, também acionistas do sujeito passivo, quanto às perdas decorrentes da gestão dos recursos investidos nos fundos, configurou mera liberalidade, não estando configurados os pressupostos de dedutibilidade da despesa – necessidade, usualidade e normalidade – conforme bem fundamentou a fiscalização da Receita Federal nos seguintes termos, aqui prestigiados: “dispõem os arts. 299 e 300 do RIR (Decreto nº 3.000/99, que as despesas operacionais, para sua regular dedução na apuração do lucro real e base de cálculo de CSLL, devem ser necessárias à atividade da empresa e manutenção da respectiva fonte pagadora, além de incorridas de maneira usual e normal na realização das transações exigidas por sua atividade. Citese: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). § 1o São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 1o). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2°). Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.759 26 § 3o O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Art. 300. Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros (Lei n° 4.506, de 1964, art. 45, § 2o). Desta feita, na aplicação da legislação aos fatos deste caso, a primeira pergunta que naturalmente exsurge é a de que se configurarseia necessário, comum e usual por parte da controlada do fiscalizado, no exercício de suas atividades bancárias o contínuo e reiterado desrespeito a normas de ordem pública. Ou seja, se é necessário, comum e usual, a uma administradora de recursos, que sejam violadas normas reguladoras de sua atividade, de maneira a sempre melhorar os índices de performance de seus produtos – durante 3 (três) anos , em detrimento e prejuízo regular funcionamento do mercado nacional. Como resposta, em análise sistemática de nosso ordenamento jurídico, já se posicionou o Parecer Cosit n° 61/79, da Receita Federal do Brasil, o qual concluiu pela índedutibílidade de despesas decorrentes de transgressões a normas de ordem pública. Vale a transcrição de seu último parágrafo: [...] o qual condiciona a dedutibilidade das despesas a que elas sejam necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Ora, é inadmissível entender que se revistam desses atributos despesas relativas a atos e omissões, proibidos e punidos por norma de ordem pública [...] No exato mesmo sentido, também já se colocou o Parecer Cosit n° 82/91, da RFB, o qual aduz: [...] 4. Segundo o conceito legal transcrito, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. [...] [...] 5. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. 0 requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitua! na espécie de negócio. [...] Ora, conforme o desdobramento pacífico dos conceitos transcritos acima, fica patente que a prática dos ilícitos do presente caso, com resultados positivos constantes aos fundos da controlada do banco, não podem ser considerados essenciais a qualquer transação ou operação exigida pela exploração de suas atividades. E também que o comportamento da controlada do fiscalizado não pode ser apontado como usual, costumeira e, Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.760 27 principalmente, ordinário na manutenção de sua fonte produtora. ..... Ante todo o exposto é claro conceber que a prática reiterada de ilícitos, por aproximadamente 3 (três) anos, como o presente caso, na administração de fundos de investimentos por uma das controladas do fiscalizado não pode caracterizarse como atividade usual, normal e necessária a sua própria gerência empresarial. Em contradição invencível esbarraria o ordenamento jurídico se consagrasse como usual, normal e necessária a despesa decorrente da violação de lei de maneira reiterada e contínua, e com resultados tão constantes e favoráveis a sua controlada e nocivos ao funcionamento do mercado financeiro. Ademais, de suma importância destacar que apesar de os prejuízos gerados pelo desrespeito à lei terem atingido as centenas de cotistas dos fundos de investimento administrados por sua controlada, a indenização ao contrário do imposto pela CVM deuse apenas aos acionistas do fiscalizado. Todos aqueles que não eram seus acionistas não foram contemplados com a decisão de indenização, caracterizando ainda mais a natureza de mera liberalidade do ato. Conforme ofício expedido pela própria CVM, fls. 181 a 185 era premente que o fiscalizado ‘tomasse providências de forma a evitar eventuais prejuízos causados aos investidores decorrentes de aplicações ou resgates efetuados nos fundos durante o período em que as cotas estiveram superavaliadas’, o que não foi feito.” Sobre a responsabilidade do sujeito passivo, interessa ao caso concreto saber que foi ele quem deduziu das bases de cálculo do IRPJ/CSLL o valor glosado, sendo natural o ajuste de sua apuração à legislação tributária. Acrescentese, conforme anotou a autoridade fazendária, que “...As despesas ocasionadas por uma das controladas do contribuinte, mas em ato de condescendência assumida por este, não tem o condão de transformálas em dedutíveis na apuração de seu próprio IRPJ e CSLL”. Não há se falar em risco normal da atividade, o que autorizaria a dedutibilidade da despesa, quando os valores pagos decorreram de reiterada mágestão. A “socialização” das perdas mostrarseia aceitável, mas se ocorrida no exercício normal da atividade empresarial, o que não foi o caso. Na espécie, a prevalecer a tese da defesa, a sociedade é quem “pagaria a conta” pelo escancarado descumprimento de normas de regulação do setor. Por óbvio que a reiterada conduta ilícita não representa um agir normal, necessário e usual das pessoas jurídicas. Os valores pagos, que inadvertidamente o contribuinte tentou considerálos como dedutíveis da apuração do IRPJ/CSLL, decorreram de uma atividade anormal, não usual. Concluir diferentemente seria chancelar a absurda idéia de a ilicitude permear o desenrolar do objeto social empresarial, sem qualquer risco de perdas econômicas para o autor que orienta o seu agir em desacordo com o ordenamento jurídico, pois estaria crente de que obteria o ressarcimento, pela via indireta do benefício tributário, do pagamento pelos danos causados. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.761 28 Dada a clareza da exposição e profundidade dos fundamentos expostos, acrescentese, como motivação deste voto, as razões apresentadas pela Segunda Turma da DRJ – Brasília (DF), verbis: “[...] considerou a Fiscalização que a prática reiterada de ilícitos na gestão do fundo de investimento, violando normas reguladoras de sua atividade visando melhorar artificialmente os índices de performance de seus produtos, por aproximadamente três anos, por uma empresa controlada do impugnante, não poderia caracterizarse como atividade usual, normal e necessária, motivo pelo qual glosou as despesas lançadas a título de indenização. Não poderia ter agido de outra maneira a autoridade tributária. A princípio, mostrase relevante esclarecer que, no caso concreto, independentemente de a despesa ter sido incorrida pela empresa controlada, ou pelo impugnante, não seria dedutível em nenhuma hipótese. Tratase de despesa que não pode ser caracterizada como operacional e muito menos usual, normal ou necessária. Para ilustrar a situação, mostrase relevante apreciar parecer jurídico produzido como resultado de auditoria interna promovida pelo próprio impugnante, às fls. 547/567 dos autos, no qual foram detectadas, utilizandose o termo adotado no relatório produzido, uma série de deficiências. A primeira deficiência consistiu na constatação da ocorrência de Operações com Opções registradas por valor superior ao de mercado: Realizamos o cálculo marcação a mercado – MtM de todos os ativos que estavam presentes na carteira dos fundos multimercado Capital (FCC), Coopmutuo e Diamante na data base 31.05.2008. Constatamos que os valores registrados nas operações com Opções estavam superavaliadas. Confrontamos a posição da carteira com os preços de referência divulgados pela BM&F e identificamos diferença de R$103.859 mil a maior na referida data base, valor este que impacta diretamente a rentabilidade e valor das cotas dos fundos de investimento, descumprindo o item 1.2.1.1 da IN 438 CVM, que cita: ‘Os ativos integrantes das carteiras dos fundos de investimento devem ser registrados pelo valor efetivamente contratado ou pago, e ajustados, diariamente, ao valor de mercado, reconhecendo se contabilmente a valorização ou a desvalorização em contrapartida à adequada conta de receita ou despesa, no resultado do período. (...) 63. Conforme descrito no relatório, a ‘marcação a mercado’ não foi realizada de acordo com a regra determinada pela CVM. A marcação a mercado é um sistema por meio do qual os administradores ou os terceirizados devem registrar, diariamente, o valor dos Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.762 29 ativos das carteiras do fundo de investimento pela cotação real do papel no mercado. 64. A exigência para que os fundos de investimento marquem seus ativos a mercado está em conformidade com os padrões contábeis internacionais, e, desde 21 de junho de 1995 essa exigência é feita, pelo Banco Central, por meio da Resolução 2.183/95. Diversas outras normas se seguiram e reforçaram a exigência da marcação a mercado pelos fundos: Circular 2.601/95, Circular 2.654/96, Carta Circular 2.929/00, Circular 3.068/01 e IN CMV 438. Essa exigência é uma forma de o Poder Público proteger o cotista quanto a possível sub ou superavaliação dos ativos que compõem a carteira do fundo. (...) 66. Fica provado pela Auditoria Interna que houve flagrante inobservância da IN CVM 438, tanto é assim que a própria CVM, por meio do OFÍCIO/CVM/SIN/GII 3/N° 3448/2008, obrigou a Bancoob AGR ajustar, em 30/06/2008, o montante de R$ 105.157 mil, no PL dos fundos, impactando significativamente o valor dos ativos na contabilidade dos fundos, gerando perdas para as cotistas. (grifei) A segunda deficiência trata do Descumprimento do Manual de Marcação a Mercado instituído pela Bancoob AGR: Não foi observado o cumprimento do Manual de marcação a mercado instituído pelo Bancoob AGR, que determina que as opções líquidas são valorizadas a mercado, utilizandose as cotações referentes ao preço médio, quando negociadas na BM&F. Ressaltamos que a partir de 23/09/2005 a BM&F passou a publicar diariamente preço de referencia sobre as operações em opções negociadas no mercado. (...) 70. Nesse tópico, a Autoria Interna aponta claramente a inobservância do Manual de Marcação a Mercado, que é uma exigência da CVM. (...) 71. A negligência da área de retaguarda do Bancoob, em descumprir normativo da Administradora dos Fundos, o qual exige a coleta de dados e a validação prévia da marcação a mercado, conforme relatado pela Auditoria Interna, revelase descumprimento do dever de conduta, imposto tanto por norma da CVM, como por contrato assinado entre o Bancoob e a Bancoob AGR. Fica, portanto, configurada a inexecução de obrigação contratual por parte do contratado. (grifei) Consiste a terceira deficiência da Ausência de documentação comprobatória que valide a volatilidade atribuída ao prêmio pago às Opções, conforme 1.2.1.5.IN 438 CVM: Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.763 30 A metodologia utilizada para precificação de todas as opções era o modelo Black&Scholles 76. Porém não foi possível validar o cálculo da volatilidade atribuída ao prêmio pago pela inexistência de documentação comprobatória da origem das informações. Conforme previsto no item 1.2.1.5 IN 438 CVM, ‘O administrador do fundo deve manter de forma clara e objetiva, pelo prazo mínimo de 5 (cinco) anos, ou por prazo superior por determinação expressa da CVM em caso de processo administrativo, todos os relatórios, documentos e informações que suportam os procedimentos previstos neste Plano de Contas.’. (...) 72. Aqui, também fica provado, pela Auditoria Indireta, que a Bancoob AGR não cumpriu o item 1.2.1.6 da IN CVM 438, que contém regras quanto à guarda de documentos comprobatórios do cálculo da volatilidade. A falha apontada consiste no descumprimento, por parte da Bancoob AGR, de conduta exigida pela CVM. A ausência do documento que deveria obrigatoriamente ser guardado pela Bancoob AGR revela falta de transparência para com o cotista, no que tange à metodologia utilizada no modelo Black&Scholles76. (grifei) Na condição de quarta deficiência foi detectada a Evolução crescente da superavaliação da carteira de opções: 74. Resta claro, conforme apontado no relatório, que o Bancoob utilizou, durante mais de 02 (dois) anos, critérios de precificação, pertinentes aos ativos denominados ‘opções’, não condizentes com as determinações da IN CVM 438, o que implicou em informações inadequadas ou irreais aos cotistas, contrariando o Artigo 72, da IN CVM 409. (grifos originais) 75. Esse fato impossibilitou que os cotistas tivessem acesso à informações de precificação real dos ativos, o que os impedir de, se fosse do interesse de cada um, migrar o investimento para outro ativo. Mais uma vez, o Bancoob e a Bancoob AGR não cumpriram com normas da CMV e também violaram o princípio da transparência, o que importou em quebra da fidúcia. Enfim, foi identificada a quinta deficiência, qual seja, a Ausência de Aderência entre a evolução das cotas dos fundos multimercado com a evolução da carteira de investimentos: 77. Nesse tópico também resta comprovado pela Auditoria Interna que houve descumprimento da IN CVM, 409, notadamente o Artigo 72, o que repercutiu decisivamente no processo decisório do investidor, que continuou com sua posição, por ausência de informações reais. Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.764 31 Verificase que a controlada do impugnante adotou uma série de procedimentos irregulares, em clara desobediência às normas reguladoras do mercado financeiro. De acordo com as constatações da auditoria interna realizada pelo próprio impugnante, restou demonstrando que a avaliação dos ativos administrados pelos fundos de investimento não foram realizadas de acordo com as regras determinadas pela CVM e pelo Banco Central do Brasil. Nem mesmo o Manual de Marcação a Mercado instituído no contrato celebrado entre o impugnante e a sua controlada não foi observado. Ou seja, restou caracterizada situação de desrespeito tanto às normas reguladoras quanto às obrigações estipuladas em contrato celebrado entre o impugnante e sua controlada, conforme retrata o parecer jurídico ao analisar os resultados da auditoria interna: A negligência da área de retaguarda do Bancoob, em descumprir normativo da Administradora dos Fundos, o qual exige a coleta de dados e a validação prévia da marcação a mercado, conforme relatado pela Auditoria Interna, revelase descumprimento do dever de conduta, imposto tanto por norma da CVM, como por contrato assinado entre o Bancoob e a Bancoob AGR. Fica, portanto, configurada a inexecução de obrigação contratual por parte do contratado. (grifei). Observase que mesmo a metodologia utilizada pelo impugnante para a precificação das opções, o modelo Black & Scholles 76, foi alvo de ressalvas, na medida que o parecer informa que não foi possível validar o cálculo da volatilidade atribuída ao prêmio pago pela inexistência de documentação comprobatória da origem das informações. Acrescenta ainda que a ausência do documento que deveria obrigatoriamente ser guardado pela Bancoob AGR revela falta de transparência para com o cotista, no que tange à metodologia utilizada no modelo Black&Scholles76. Vale registrar que tal procedimento foi adotado pelo impugnante durante mais de dois anos, em conduta reiterada sempre visando inflar artificiosamente o valor dos ativos dos fundos de investimento. Não por acaso o comportamento irregular do impugnante mereceu atenção do órgão regulador, no caso, a Comissão de Valores Mobiliários – CVM, cujas atribuições encontramse dispostas no art.1º da Lei nº 6.385, de 1976: Art.1º Serão disciplinadas e fiscalizadas de acordo com esta Lei as seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) I a emissão e distribuição de valores mobiliários no mercado; (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.765 32 II a negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários; (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) III a negociação e intermediação no mercado de derivativos; (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) IV a organização, o funcionamento e as operações das Bolsas de Valores; (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) V a organização, o funcionamento e as operações das Bolsas de Mercadorias e Futuros; (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) VI a administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários; (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) VII a auditoria das companhias abertas; (Inciso incluído pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) VIII os serviços de consultor e analista de valores mobiliários. (Inciso incluído pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) No sítio http://www.cvm.gov.br, o documento ‘Plano Estratégico 2005–2007’, produzido pela CVM, discorre sobre a importância da regulação do mercado: Nos últimos anos, um dos temas mais importantes para reguladores de mercado, após a onda internacional de escândalos corporativos, tem sido a confiança dos investidores. A maior promotora dessa confiança é a defesa da lei e das regras de mercado. O aumento da confiança dos investidores amplia a base de recursos disponíveis para os emissores, diminuindo seu custo de capital. Uma fiscalização mais eficiente do mercado tende a refletirse em melhor formação de preço dos valores mobiliários, primários ou derivativos, fundamental para a alocação do capital da sociedade nos melhores investimentos produtivos disponíveis. (grifei) Não há como o impugnante desconsiderar, solenemente, os atos normativos a qual deve se submeter. De maneira deliberada, o impugnante e sua empresa controlada, no decorrer de mais de dois anos, adotaram um procedimento de precificação em completo desacordo com as normas de regulação vigentes. Quando o Parecer Normativo CST nº 32, de 1981, orienta que o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos, e que a despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.766 33 ou ordinária, trata, indiscutivelmente, de operações efetuadas regularmente, dentro dos parâmetros legais. Não há como considerar despesas inerentes à atividade do negócio aquelas derivadas de atos eivados de ilicitude. O caso em análise demonstra, com documentação probatória robusta e contundente, produzida em relatório de auditoria interna elaborado pelo impugnante, que o procedimento adotado na precificação dos seus ativos, primeiro, foi realizado em desacordo com regra estipulada pelo órgão regulador, com flagrante inobservância da IN CVM nº 438, de 2004, segundo, não seguiu o cumprimento do Manual de Marcação a Mercado, terceiro, não efetuou a devida guarda de documentos comprobatórios o que tornou impossível a validação do cálculo da volatilidade atribuída ao prêmio pago, ocorrências que caracterizaram negligência na administração dos fundos de investimento, em descumprimento deliberado das normas estipuladas para regulação do mercado financeiro e de obrigações impostas no contrato celebrado entre o impugnante e sua empresa controlada. Portanto, ao contrário da argumentação exposta na peça de defesa, os erros cometidos na precificação dos ativos não podem ser justificados como um ‘risco operacional’, e muito menos podem ser atribuídos como um fato ‘previsível’. Admitir o contrário seria uma completa inversão de valores, no qual despesas incorridas decorrentes de atos irregulares poderiam ser consideradas dedutíveis. Seria considerar aceitável condutas irregulares, em desacordo com normas regulamentares, na gestão de negócios, sob título falacioso de “risco”. No caso em tela restou demonstrado de maneira contundente que a reavaliação dos ativos que resultaram em sua desvalorização no montante de R$ 105.157.119,36 decorreu em razão de atuação negligente, em conduta que não pode ser enquadrada como usual, necessária ou normal à atividade da empresa. Nesse sentido, eventual discussão sobre quem teria incorrido com a despesa, se o impugnante, ou se a sua empresa controlada, mostrase irrelevante para o deslinde da matéria, porque as despesas em análise não são dedutíveis em nenhuma hipótese. Na realidade, a situação colocada nos autos, no qual o impugnante seria o responsável pela operacionalização dos fundos e que, contratualmente, haveria uma responsabilização solidária com a empresa controlada, é considerada como um plus, uma qualificação em uma conduta que, por si só, já se mostra irregular e não autoriza dedutibilidade de despesas, independente de quem poderia ser responsabilizado, ou o impugnante ou a sua controlada. Apesar de não ser a situação tratada nos autos, merece consideração o fato de que a atividade de gestão de ativos no mercado financeiro envolve, por sua natureza, um risco, que pode proporcionar ganhos significativos ou perdas expressivas para os agentes envolvidos. Nesse sentido, ainda que as Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 1103001.121 S1C1T3 Fl. 1.767 34 operações efetuadas na administração do fundo de investimento sejam lícitas, dentro dos parâmetros normativos estabelecidos pelos órgãos reguladores, eventuais perdas podem ocorrer e devem ser suportadas pelos investidores, que tem plena consciência da volatilidade do mercado. Caracterizarseia situação bastante cômoda aquela no qual, caso sobreviessem perdas, que elas pudessem ser suavizadas pelo Estado, por meio, por exemplo, de desoneração de tributação. Assim, a apreciação dos argumentos expostos na defesa no sentido de demonstrar que havia responsabilidade contratual do impugnante em, solidariamente, arcar com os prejuízos incorridos pela empresa controlada, mostrase desnecessária. Cabe ser mantida, portanto, a glosa efetuada pela Fiscalização, no sentido de considerar como indedutível a despesa de R$105.157.119,36.” Em razão de consistir reflexo da autuação do IRPJ, as considerações acima aplicamse ao lançamento da CSLL. Por todo o exposto, o recurso é PARCIALMENTE PROVIDO apenas para (i) determinar o cômputo dos pagamentos de IRRF e de estimativas mensais na apuração do IRPJ e da CSLL; e (ii) cancelar as multas isoladas. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Conselheiro – Redator Designado Ad Hoc Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 14/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907578/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2006
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1402-001.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição/compensação de estimativa recolhida a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para elaboração de Despacho Decisório complementar, sem declaração de nulidade do anteriormente proferido, com apreciação do mérito do pedido e retomando-se o rito processual a partir daí. Ausente justificadamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10283.907578/2009-60
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5484259
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1402-001.952
nome_arquivo_s : Decisao_10283907578200960.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
nome_arquivo_pdf_s : 10283907578200960_5484259.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição/compensação de estimativa recolhida a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para elaboração de Despacho Decisório complementar, sem declaração de nulidade do anteriormente proferido, com apreciação do mérito do pedido e retomando-se o rito processual a partir daí. Ausente justificadamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
id : 6033197
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887571582976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2008; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 88 1 87 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.907578/200960 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.952 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2015 Matéria IRPJ Recorrente PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição/compensação de estimativa recolhida a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para elaboração de Despacho Decisório complementar, sem declaração de nulidade do anteriormente proferido, com apreciação do mérito do pedido e retomandose o rito processual a partir daí. Ausente justificadamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 75 78 /2 00 9- 60 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.907578/200960 Acórdão n.º 1402001.952 S1C4T2 Fl. 89 2 Relatório Procter & Gamble do Brasil S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Versa o presente processo sobre declaração de compensação nº 40767.39478.281207.1.3.047393 (fls.1/5), em que o contribuinte aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa IRPJ, 2362, no valor de R$ 4.863.659,43 para compensar débito próprio. Ainda segundo consta da DCOMP, o crédito teria sido originado pelo recolhimento via DARF (fl.3), arrecadação 31/01/2007, R$ 8.235.156,02. Por intermédio do Despacho Decisório de 07/10/2009, nº 848503499 e anexos (fls.6/8), o direito creditório não foi reconhecido e a compensação, não homologada. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que “foi constada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. O enquadramento legal aplicado é: artigos 165 e 170 do CTN; artigo 10 da INSRF 600/2005; artigo 74 da Lei 9.430/96. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 20/10/2009 (fl.9), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 18/11/2009 (fls.10/18), via procuradora (fls.21/22 e 39/48), alegando em síntese que: 1. Ao contrário do que entendeu a decisão proferida, não se trata no caso de compensação com crédito inexistentes ou impossíveis de serem identificados, mas sim de mero erro material no preenchimento da PER/DCOMP; 2. Os créditos utilizados existem e são suficientes para a compensação pleiteada; 3. A compensação se deu com o pagamento indevido ou a maior referente ao período de dezembro/2006; 4. Por erro material, a requerente preencheu o campo origem do crédito com pagamento indevido ou a maior, quando deveria ter preenchido com saldo negativo IRPJ; 5. Igualmente equivocouse a requerente nesta PER/DCOMP quando não informou na DIPJ do mesmo ano tal saldo negativo; 6. O erro incorrido pela requerente decorreu da falta de conhecimento técnico de sua equipe fiscal, na medida em que confundiuse conceitos ímpares de dois institutos do Direito Tributário: saldo negativo IRPJ e recolhimentos a maior isolados; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.907578/200960 Acórdão n.º 1402001.952 S1C4T2 Fl. 90 3 7. A forma errônea veiculada pela manifestante para formalizar as compensações não invalida o direito subjetivo líquido e certo da manifestante; 8. Independentemente do equívoco ocorrido, os valores do crédito existem, são passíveis de compensação e mais do que suficientes para extinguir o crédito tributário, nos termos do art.156, II do CTN; 9. No caso concreto, muito embora tenha de fato havido erro por parte da requerente no preenchimento do PER/DCOMP, não pode a mesma ser penalizada quando o crédito da mesma existe; 10. Assim, em homenagem aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade deve ser homologada a compensação; (transcreve opiniões da doutrina sobre os princípios citados) 11. Requer seja homologada a compensação. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 20.895 (fls. 5256) de 28/02/2011, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. À época de transmissão da declaração de compensação era vedada a utilização, em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal IRPJ.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 05/04/2011 (A.R. de fl. 57) a interessada interpôs recurso voluntário em 05/05/2011 (fls. 5864) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.907578/200960 Acórdão n.º 1402001.952 S1C4T2 Fl. 91 4 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Alega a contribuinte que houve erro no preenchimento da PER/DCOMP e que na verdade deveria ter informado crédito de saldo negativo IRPJ em vez de pagamento indevido ou a maior. Referida alegação não procede haja vista que a própria contribuinte juntou cópia da Ficha 12A da DIPJ/2007, anocalendário 2006 (fl.29), demonstrando que apurou saldo de IRPJ a Pagar. Ora, se não houve apuração de saldo negativo IRPJ na DIPJ, não faz sentido alegar que a intenção era pleitear crédito de saldo negativo na PER/DCOMP. Tivesse a contribuinte apurado saldo negativo IRPJ na DIPJ/2007 no mesmo valor pleiteado na PER/DCOMP, certamente, em função do princípio da verdade material, essa alegação seria considerada. Assim, considerase que, efetivamente, a Contribuinte pleiteou crédito de pagamento a maior de estimativa mensal IRPJ. Vêse, nesse sentido, que no próprio Despacho Decisório de 07/10/2009, nº 848503499 e anexos (fls.6/8) o direito creditório não foi reconhecido sob o fundamento de se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, conforme sustenta a Unidade de Origem: “foi constada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. De toda sorte, há que se reconhecer a razão da Recorrente. A matéria está pacificada neste Conselho por meio da Súmula CARF nº 84, in verbis. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição/compensação da estimativa recolhida a maior. Determinase, por conseqüência, o retorno dos autos à Unidade de Origem para elaboração de despacho decisório complementar, sem declaração de nulidade do anteriormente proferido, com apreciação do mérito do pedido, retomandose o rito processual a partir daí. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.907578/200960 Acórdão n.º 1402001.952 S1C4T2 Fl. 92 5 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10530.725798/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Rejeitam-se as preliminares de nulidade dos lançamentos quando lavrados por servidor competente e em obediência aos princípios legais que regem o Processo Administrativo Fiscal, e os argumentos de cerceamento do direito de defesa se referem à fase do procedimento fiscal em que inexistia acusação ou litígio e, conseqüentemente, inexistia defesa ou cerceamento desta.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Anocalendário: 2006, 2007
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Estando patente a utilização de interposta pessoa pela impugnante, com o intuito de ocultar do Fisco operações comerciais que constituem fato gerador de tributos, não existe, erro na imputação feita pela fiscalização, pois a impugnante está respondendo, como contribuinte, por suas próprias operações comerciais.
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA.
Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional.
LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
Estando comprovado o dolo, a fraude ou a simulação, a figura da homologação prevista no art. 150, §4º, do CTN é afastada e o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ só se extingue após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Anocalendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITA. LIMITE LEGAL DE RECEITA EXCEDIDO.
Devem ser mantidos os lançamentos relativos à tributação das receitas omitidas, no anocalendário de 2006, efetuados de acordo com a legislação fiscal de regência.
EXCLUSÃO DO SIMPLES
Mantém-se a exclusão do Simples, efetuada mediante ato declaratório executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona a contribuinte, com efeitos a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite de receita estabelecido em lei.
ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Anocalendário: 2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL.
Mantém-se a exclusão, efetuada mediante ato declaratório executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona a contribuinte, em razão de a impugnante não ter efetuado a comunicação de exclusão obrigatória por ter auferido receitas no anocalendário de 2006 excedentes aos limites para ingresso no Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de julho de 2007.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS.
Caracteriza-se omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência da falta de escrituração de pagamentos efetuados.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Configuram omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O fato de a pessoa jurídica, excluída do Simples e do Simples Nacional, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Contribuição para o PIS/Pasep
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL
Em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anocalendário: 2007
ALEGAÇÃO DE RECEITAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO.
Considerando que a fiscalização tomou para a apuração da Receita as notas fiscais de entrada dos fornecedores, sendo estas relativas apenas a aquisição de batatas, por critério de razoabilidade e das provas colacionadas nos autos deve ser aplicada a alíquota zero em relação ao PIS.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Anocalendário: 2007
ALEGAÇÃO DE RECEITAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO.
Considerando que a fiscalização tomou para a apuração da Receita as notas fiscais de entrada dos fornecedores, sendo estas relativas apenas a aquisição de batatas, por critério de razoabilidade e das provas colacionadas nos autos deve ser aplicada a alíquota zero em relação ao COFINS.
MULTA DE OFÍCIO.
Presentes os atos previstos na legislação de regência, torna-se aplicável multa de ofício qualificada.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Diante das provas demonstrando a participação e o interesse do titular da empresa fiscalizada por ser o mentor e único beneficiário do resultado da prática de sonegação verificada nos autos, está correta a sua qualificação como um dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em discussão.
Numero da decisão: 1201-001.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIRAM as preliminares de nulidade e de decadência, e DERAM provimento PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para excluir as autuações de PIS/COFINS do anocalendário 2007, e MANTIVERAM a solidariedade do Sr. José Lino de Lima e do Sr. Nilberto Santos de Souza.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10530.725798/2011-22
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473773
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1201-001.163
nome_arquivo_s : Decisao_10530725798201122.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RAFAEL CORREIA FUSO
nome_arquivo_pdf_s : 10530725798201122_5473773.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIRAM as preliminares de nulidade e de decadência, e DERAM provimento PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para excluir as autuações de PIS/COFINS do anocalendário 2007, e MANTIVERAM a solidariedade do Sr. José Lino de Lima e do Sr. Nilberto Santos de Souza. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
id : 5959807
ano_sessao_s : 2015
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitam-se as preliminares de nulidade dos lançamentos quando lavrados por servidor competente e em obediência aos princípios legais que regem o Processo Administrativo Fiscal, e os argumentos de cerceamento do direito de defesa se referem à fase do procedimento fiscal em que inexistia acusação ou litígio e, conseqüentemente, inexistia defesa ou cerceamento desta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Estando patente a utilização de interposta pessoa pela impugnante, com o intuito de ocultar do Fisco operações comerciais que constituem fato gerador de tributos, não existe, erro na imputação feita pela fiscalização, pois a impugnante está respondendo, como contribuinte, por suas próprias operações comerciais. INCONSTITUCIONALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Estando comprovado o dolo, a fraude ou a simulação, a figura da homologação prevista no art. 150, §4º, do CTN é afastada e o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ só se extingue após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. LIMITE LEGAL DE RECEITA EXCEDIDO. Devem ser mantidos os lançamentos relativos à tributação das receitas omitidas, no anocalendário de 2006, efetuados de acordo com a legislação fiscal de regência. EXCLUSÃO DO SIMPLES Mantém-se a exclusão do Simples, efetuada mediante ato declaratório executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona a contribuinte, com efeitos a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite de receita estabelecido em lei. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. Mantém-se a exclusão, efetuada mediante ato declaratório executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona a contribuinte, em razão de a impugnante não ter efetuado a comunicação de exclusão obrigatória por ter auferido receitas no anocalendário de 2006 excedentes aos limites para ingresso no Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de julho de 2007. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. Caracteriza-se omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência da falta de escrituração de pagamentos efetuados. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configuram omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica, excluída do Simples e do Simples Nacional, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 ALEGAÇÃO DE RECEITAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Considerando que a fiscalização tomou para a apuração da Receita as notas fiscais de entrada dos fornecedores, sendo estas relativas apenas a aquisição de batatas, por critério de razoabilidade e das provas colacionadas nos autos deve ser aplicada a alíquota zero em relação ao PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 ALEGAÇÃO DE RECEITAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Considerando que a fiscalização tomou para a apuração da Receita as notas fiscais de entrada dos fornecedores, sendo estas relativas apenas a aquisição de batatas, por critério de razoabilidade e das provas colacionadas nos autos deve ser aplicada a alíquota zero em relação ao COFINS. MULTA DE OFÍCIO. Presentes os atos previstos na legislação de regência, torna-se aplicável multa de ofício qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Diante das provas demonstrando a participação e o interesse do titular da empresa fiscalizada por ser o mentor e único beneficiário do resultado da prática de sonegação verificada nos autos, está correta a sua qualificação como um dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em discussão.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887574728704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 42; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2071; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.725798/201122 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.163 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de março de 2015 Matéria Exclusão do Simples AI de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins Recorrente JL de Lima Cereais Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitamse as preliminares de nulidade dos lançamentos quando lavrados por servidor competente e em obediência aos princípios legais que regem o Processo Administrativo Fiscal, e os argumentos de cerceamento do direito de defesa se referem à fase do procedimento fiscal em que inexistia acusação ou litígio e, conseqüentemente, inexistia defesa ou cerceamento desta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Estando patente a utilização de interposta pessoa pela impugnante, com o intuito de ocultar do Fisco operações comerciais que constituem fato gerador de tributos, não existe, erro na imputação feita pela fiscalização, pois a impugnante está respondendo, como contribuinte, por suas próprias operações comerciais. INCONSTITUCIONALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 57 98 /2 01 1- 22 Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 2 Estando comprovado o dolo, a fraude ou a simulação, a figura da homologação prevista no art. 150, §4º, do CTN é afastada e o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ só se extingue após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. LIMITE LEGAL DE RECEITA EXCEDIDO. Devem ser mantidos os lançamentos relativos à tributação das receitas omitidas, no anocalendário de 2006, efetuados de acordo com a legislação fiscal de regência. EXCLUSÃO DO SIMPLES Mantémse a exclusão do Simples, efetuada mediante ato declaratório executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona a contribuinte, com efeitos a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite de receita estabelecido em lei. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. Mantémse a exclusão, efetuada mediante ato declaratório executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona a contribuinte, em razão de a impugnante não ter efetuado a comunicação de exclusão obrigatória por ter auferido receitas no anocalendário de 2006 excedentes aos limites para ingresso no Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de julho de 2007. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. Caracterizase omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência da falta de escrituração de pagamentos efetuados. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configuram omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica, excluída do Simples e do Simples Nacional, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 3 3 escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 ALEGAÇÃO DE RECEITAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Considerando que a fiscalização tomou para a apuração da Receita as notas fiscais de entrada dos fornecedores, sendo estas relativas apenas a aquisição de batatas, por critério de razoabilidade e das provas colacionadas nos autos deve ser aplicada a alíquota zero em relação ao PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 ALEGAÇÃO DE RECEITAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Considerando que a fiscalização tomou para a apuração da Receita as notas fiscais de entrada dos fornecedores, sendo estas relativas apenas a aquisição de batatas, por critério de razoabilidade e das provas colacionadas nos autos deve ser aplicada a alíquota zero em relação ao COFINS. MULTA DE OFÍCIO. Presentes os atos previstos na legislação de regência, tornase aplicável multa de ofício qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Diante das provas demonstrando a participação e o interesse do titular da empresa fiscalizada por ser o mentor e único beneficiário do resultado da prática de sonegação verificada nos autos, está correta a sua qualificação como um dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em discussão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIRAM as preliminares de nulidade e de decadência, e DERAM provimento PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para excluir as autuações de PIS/COFINS do anocalendário 2007, e MANTIVERAM a solidariedade do Sr. José Lino de Lima e do Sr. Nilberto Santos de Souza. Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 4 (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Por critério de economia processual tomo como parte integrante desse relatório as descrições trazidas no acórdão da DRJ quanto aos fatos iniciais ocorridos nos autos: Trata o presente processo de: 1) Autos de Infração lavrados pela sistemática do Simples, que formalizam a exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$77.273,00 (setenta e sete mil, duzentos e setenta e três reais), de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$56.585,30 (cinquenta e seis mil, quinhentos e oitenta e cinco reais e trinta centavos), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$78.538,33 (setenta e oito mil, quinhentos e trinta e oit reais e trinta e três centavos), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$231.071,51 (duzentos e trinta e um mil, setenta e um reais e cinqüenta e um centavos), e de Contribuição para a Seguridade Social – INSS, no valor de R$665.202,24 (seiscentos e sessenta e cinco mil, duzentos e dois reais e vinte e quatro centavos), em virtude da apuração de omissão de receitas, caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração, com multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), e insuficiência de valor recolhido apurada, com multa de 75% (setenta e cinco por cento) conforme Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante dos referidos Autos de Infração, constando de cada Auto de Infração o respectivo enquadramento legal.; 2) Atos Declaratórios Executivos nº 41 e 42, objetos do processo nº 10530.725799/201177, apensado ao presente processo, ambos emitidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, em 3 de novembro de 2011, que declaram a pessoa Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 4 5 jurídica J L de Lima Cereais, CNPJ nº 73.962.953/000104, excluída, respectivamente: – do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), em virtude de ter sido constatado que no anocalendário de 2006, a pessoa jurídica, na condição de microempresa auferiu receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais), configurando a situação excludente prevista no inciso I do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, combinado com o inciso I do art. 20 da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006, tendo o ato declaratório efeitos a partir de 1º de janeiro de 2007, nos termos do previsto no inciso IV do art. 15 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, combinado com o inciso VI do art. 24 da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006; – do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), em razão de não ter efetuado a comunicação de exclusão obrigatória por ter auferido receitas no anocalendário de 2006 excedentes aos limites para ingresso no Simples Nacional, conforme o disposto no inciso I do art. 12 da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, e alterações posteriores, além do previsto no inciso I do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e alterações posteriores, combinado com o inciso I do art. 5º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, e alterações posteriores, com efeitos a partir de 1º de julho de 2007, conforme disposto no § 4º do art. 16 da Lei Complementar nº 123, de 2006, e alterações posteriores, e nos termos do previsto no inciso VII do art. 6º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, e alterações posteriores. 3) Autos de Infração lavrados após a exclusão da empresa J L de Lima Cereais do Simples e do Simples Nacional (fls. 3.029 a 3.037), que formalizam exigências relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$256.702,41 (duzentos e cinqüenta e seis mil, setecentos e dois reais e quarenta e um centavos), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$76.023,49 (setenta e seis mil, vinte e três reais e quarenta e nove centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$126.316,07 (cento e vinte e seis mil, trezentos e dezesseis reais e sete centavos), e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$350.878,00 (trezentos e cinqüenta mil, oitocentos e setenta e oito reais), acrescidos da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), sobre a parte dos tributos referente à infração descrita no item 1, e no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a parcela dos tributos referente à infração apontada no item 2, e dos juros de mora. Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 6 Conforme a descrição dos fatos constante do Auto de Infração do IRPJ, lavrado após a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal e do Simples Nacional, foi efetuado o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, relativo aos períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2007, com base no art. 530, inciso III, do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Intimação em anexo, deixou de apresentálos. Ainda de acordo com a descrição dos fatos, o lucro arbitrado foi determinado com base nas receitas de revenda de mercadorias omitidas, com fundamentação legal nos artigos 281, inciso II, 532 e 537 do RIR/1999 e na receita omitida caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com fulcro nos artigos 27, inciso I, e 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e nos artigos 532 e 537 do RIR/1999, apuradas conforme Termo de Verificações Fiscais anexo. Registra, também, o autuante, que em decorrência da omissão de receita apurada, foram efetuados os lançamentos relativos à Contribuição para o PIS, à CSLL e à Cofins, tendo por enquadramento legal os dispositivos legais citados nos respectivos Autos de Infração. Os Termos de Verificações Fiscais, às fls. 65 a 83 e 3.065 a 3070, que fazem parte integrante dos Autos de Infração, e a Representação Fiscal – Exclusão do Simples (fls. 3442 a 3447), subscritos pelo AuditorFiscal autuante, e que têm, basicamente, o mesmo teor, apresentando apenas alguns tópicos específicos – que serão relatados em destaque – registram os seguintes fatos: CONTEXTO – a empresa Nilberto Santos de Souza, firma individual com titularidade de Nilberto Santos de Souza, CPF 893.990.30563, nome fantasia SÓ BATATINHA, foi optante pelo SIMPLES FEDERAL desde 09/12/2004 até 30/06/2007. A partir daí entregou unicamente DIPJ “zerada” informando adesão ao lucro presumido, sem, contudo, nenhum recolhimento confirmatório da opção; – declarou à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na DSPJ do anocalendário 2006, receita bruta de R$103.586,60, enquanto que ao fisco estadual, na DMA, declarou vendas da ordem de 3,5 milhões e compras de 5,8 milhões. Não recolheu qualquer tributo federal; – diligências comprovaram que fez compras de mercadorias (batatas) no valor de R$ 8.252.129,04 no ano 2006 e de R$9.186.365,88 em 2007, ano em que declarou receita bruta de R$47.145,66, em DSPJ, de janeiro a junho, e receita bruta zero, em DIPJ, de julho a dezembro. Não entregou DCTF; – não realizou nenhuma movimentação financeira em qualquer período de sua existência. Sequer possui contas bancárias; Fl. 3869DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 5 7 – idem seu titular. A pessoa física Nilberto Santos Souza entregou Declaração Anual de Isento (DAI) no anocalendário 2003 e desde então vem entregando Declarações do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) “zeradas”. Nenhum rendimento. Nenhum patrimônio; – a empresa foi constituída para ocultar do fisco – e de fato ocultou – operações realizadas por José Lino de Lima, CPF 105.394.41520, comerciante do ramo hortifrutigranjeiro, estabelecido formalmente através da empresa J L de Lima Cereais, CNPJ 73.962.953/000104, no Mercado do Produtor na cidade de Juazeiro/Ba; – Nilberto participou conscientemente da fraude; INTERMEDIAÇÃO FRAUDULENTA A pessoa física Nilberto – a absoluta incapacidade econômico financeira do titular Nilberto Souza para constituir e operar uma empresa que adquire anualmente milhões de reais em mercadorias evidencia, por si só, a sua condição de “laranja”, interposta pessoa; – no curso do procedimento fiscal, os AuditoresFiscais Leonardo Moreira e Nivá Alves Mendes compareceram, em 16/06/2010, ao endereço cadastral da empresa e constataram a inexistência do número 71 na Rua 05, bairro Alto da Maravilha, Juazeiro/Ba. Inquirida a vizinhança, ninguém a conhecia, nem ao senhor Nilberto. Constataram também que a rua é essencialmente residencial, com casas de pequeno porte; – na mesma diligência, os Auditores constataram a inexistência do número 427, Rua Cícero Feitosa, bairro Alagadiço, Juazeiro/Ba, endereço do titular Nilberto Souza no cadastro CPF. Compareceram ao Mercado do Produtor, onde a administração informou desconhecer a empresa; – foi constatado que o endereço da mãe de Nilberto no cadastro CPF é o mesmo dele; – foi verificado que a contadora responsável pela DMA é do escritório LL Contábil, Rua Cícero Feitosa, 397, Centro (Rua do Fórum), Juazeiro/Ba, mesma rua de Nilberto e da mãe dele. Lá compareceu o AuditorFiscal, no dia 19/08/2010, quando interrogou a contadora, senhora Leila Almeida de Souza Ferreira, CPF 433.967.63572. Esta informou: desconhecer a empresa e a pessoa física Nilberto Santos de Souza; que o seu nome, CRC e telefone estão na DMA por possivelmente alguém têlo usado sem o seu consentimento e conhecimento. Perguntada porque os endereços de Nilberto e da mãe dele coincidem com a rua e a numeração próxima do seu escritório e do seu endereço no CPF, alegou que seu endereço no CPF está errado, pois reside na Quadra S, Lote 13, Condomínio Country, e que o endereço da pessoa física Fl. 3870DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 8 provavelmente é o de uma casa vizinha que foi demolida há alguns anos; – foi constatado, na saída, que não há nenhum terreno vazio ou imóvel recém construído na rua que corrobore a informação de demolição de imóvel e que os endereços dos envolvidos são na Rua Cícero Feitosa: Nilberto e sua mãe no número 427, o escritório de contabilidade no número 397 e o CPF da contadora no número 438. Os fatos contradizem as informações prestadas pela contadora; – foi constatado no CNIS que Nilberto foi empregado da empresa Lovel Locação de Veículos Leves e Pesados Ltda, no período de 03/03/2009 a 01/07/2010. Intimada, a empregadora apresentou ficha Registro de Empregado, em que se vê que ele exerceu a função de motorista e informou telefone de contato; – no dia 23/05/2011, o Auditor Fiscal ligou para o telefone celular de Nilberto (74)88039946, fornecido pela Lovel. Perguntado se tratava de Nilberto, ele respondeu: “Pode ser. Quem está falando?” Informado quem era, ele respondeu: “pode falar”. Informado que era sobre a empresa que ele constituiu e comercializou batatas e que não se conseguia localizálo e que havia indícios de utilização por José Lino, ele informou que não mora mais em Juazeiro. Perguntado onde morava agora, ele informou que não iria fornecer o novo endereço e desligou o telefone; – vêse que Nilberto é ciente dos fatos e deles participou conscientemente; Clientes, Fornecedores – intimados diversos clientes da empresa Nilberto Santos de Souza, verificase que as mercadorias eram vendidas no Mercado do Produtor. Nenhum deles consegue identificar os responsáveis pela empresa. As negociações eram sumárias, do tipo menor preço, à vista, e as mercadorias transferidas imediatamente do caminhão do vendedor para os veículos dos compradores. É citado “Box da empresa” sem maiores identificadores. É citado também coleta de preços na “pedra”, sugerindo local de encontro para negociação de vendedores e compradores do Mercado Produtor; – intimados a apresentar notas fiscais de venda à fiscalizada e esclarecer questões voltadas à identificação das pessoas envolvidas, os principais fornecedores responderam o que segue: • Lavoura e Pecuária Igarashi Ltda, CNPJ 83.144.733/000712 e 83.144.733/001280, informa que os negócios eram firmados apenas por telefone, com Nilberto e com Zé Luiz; que o telefone era (74)36117042 e que as mercadorias eram apanhadas na sede da fazenda. Anexa cópia das notas fiscais de venda das duas filiais à fiscalizada; • Nelson Yoshio Igarashi apresenta as mesmas informações que Lavoura Igarashi: os negócios eram firmados apenas por Fl. 3871DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 6 9 telefone, com Nilberto e com Zé Luiz; o telefone era (74)36117042 e as mercadorias eram apanhadas na sede da fazenda. Anexa cópia das notas; • Shuichi Hayashi informa que os contatos eram sempre por telefone com o próprio Nilberto, eventualmente com José Luiz e com Nego; que as mercadorias eram apanhadas na sede da fazenda ao transportador e que quando fazia ligação era para o telefone do transportador (74)91485796. Anexa planilha e cópia das notas fiscais de venda à fiscalizada; • Geni Takemasa Yabuki informa que os pedidos eram feitos por telefone ou pelo próprio motorista do comprador; que a pessoa que mantinha contato era conhecida como Zé Lima; que o contato se dava pelo telefone (74)36114796 e que as mercadorias eram retiradas pelos caminhões do próprio ou fretados pelo mesmo. Anexa cópia das notas fiscais; • Fabiano Borré informa que os contatos eram verbais pelo telefone (74)36117042; que no ano 2006 quem se apresentava era o próprio Nilberto e no ano 2007 o Sr. José Luiz e que as mercadorias eram retiradas na própria lavoura. Anexa cópia das notas fiscais; • Pedro Hugo Borré informa que a comercialização se dava verbalmente pelo telefone (74)36117042; que quem representava a empresa era o próprio Nilberto, e uma pessoa chamada Nego e outra pessoa chamada José Luis e que as mercadorias eram retiradas na fazenda. Anexa cópia das notas fiscais; – intimados a apresentar cópia dos documentos comprobatórios do recebimento dos valores referentes às vendas de mercadorias à fiscalizada, os mesmos fornecedores responderam o seguinte: • Pedro Hugo Borré informou não possuir os elementos solicitados. Enviou por email planilha relacionando nº da nota fiscal, data, valor das vendas à fiscalizada; • Lavoura e Pecuária Igarashi Ltda informou que os pagamentos foram efetuados mediante cobrança bancária ou depósito bancário. Anexou cópias dos boletos bancários, telas do seu sistema de controle e planilha demonstrativa de datas e valores efetivamente recebidos; • Nelson Yoshio Igarashi apresenta as mesmas informações que Lavoura Igarashi: os pagamentos foram efetuados mediante cobrança ou depósito bancário. Anexou cópias dos boletos bancários, telas do seu sistema de controle e planilha demonstrativa de datas e valores efetivamente recebidos; Fl. 3872DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 10 • Shuichi Hayashi informa que os valores eram recebidos por depósitos em sua conta bancária e que tais depósitos não eram identificados; Motoristas Autônomos – intimados diversos motoristas autônomos constantes nas notas fiscais de compra, contratados de última hora em beira de estrada. Revelamse pouco conhecedores das partes que transacionam. Natural que seus conhecimentos se limitem a quem manteve contato pessoal no momento da contratação, e natural também que se ponham em reserva quanto à prestação de informações que envolvam o senhor José Lino, um dos mais fortes no meio, pois laboram pela sobrevivência; – mas as informações por eles trazidas têm o condão de confirmar o modo de operação da empresa relatado pelos clientes e o envolvimento do senhor Nilberto; O verdadeiro titular – configurada a inexistência de fato da empresa e a não localização da pessoa física responsável, formase convicção de fraudulenta interposição de pessoa. A milionária compra e venda de mercadoria por uma empresa inexistente de fato, sem nenhum bem e nenhuma movimentação financeira, constituída por uma pessoa física não localizada e também sem nenhuma movimentação financeira, nenhum bem ou qualquer manifestação de riqueza, evidencia que o real agente das operações é alguém com capacidade financeira que busca ocultarse; – pesquisas no banco de dados do fisco da Bahia (Sintegra) permitiram identificar alguns compradores e fornecedores, que, circularizados, resultaram nas informações acima; – as notas fiscais de compras, coletadas junto aos fornecedores evidenciaram que o senhor José Lino de Lima, CPF 105.394.41520, é o verdadeiro e oculto comerciante das mercadorias, senão vejamos: 1) dentre os envolvidos, ele é o único com patrimônio e movimentação financeira substancial e compatível com os valores transacionados. Sua declaração do imposto de renda das pessoas físicas do anocalendário de 2006 apresenta bens e direitos que somam R$2.693.302,83. Movimentou em banco R$11.407.763,05 em 2006 e R$6.290.885,94 em 2007, enquanto declarou rendimentos em torno de R$600.000,00 e de R$500.000,00, respectivamente. Preponderantemente como atividade rural; 2) José Lino é titular da empresa J L DE LIMA CEREAIS, do comércio hortifrutigranjeiro, com receita declarada anual de R327.496,00 em 2006 e de R$815.735,00 em 2007, sem movimentação financeira de janeiro/2006 a junho/2007, mas com movimentação financeira de R$2.464.337,39 de julho a dezembro de 2007; Fl. 3873DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 7 11 3) grande parte das notas fiscais de compra relaciona José Lino, um de seus veículos e/ou um dos empregados da empresa J L DE LIMA CEREAIS (segundo cadastro CNIS – INSS) como transportador e recebedor das mercadorias; – os caminhões de placa JOM 0587, JQF 7483, JQN 2288, KED 7515, KIC 0663, KLM 4144, KLM 4174, KLV 7153, constantes da declaração do imposto de renda do anocalendário 2006 de José Lino foram utilizados no transporte das mercadorias; – o anexo “Demonstrativo de Envolvidos”, parte integrante deste termo, relaciona amostra das notas fiscais coletadas. que envolvem José Lino, seus veículos e os seguintes empregados na aquisição das mercadorias: • André da Silva Nogueira, empregado da J L de Lima desde 04/1999 até hoje; • Andris Andrade de Nogueira, CPF 706.924.67572, empregado de J L de Lima de 10/2006 a 06/2010; • Antonio Nunes da Cunha, CPF 719.702.23553, empregado de J L de Lima de 08/2006 a 11/2007; • Cláudio Marcelo Leite de Brito, CPF 883.872.67449, empregado de J L Lima desde 02/2002 até hoje; • Eliomar Rodrigues Conceição, CPF 681.799.36449, empregado de J L de Lima de 08/2000 a 10/2003 e de 08/2007 até hoje; • Jason Rodrigues Conceição, CPF 681.799.36449, empregado da JL de Lima de 03/1999 a 08/2002 e de 06/2004 até hoje; • Paulo José Lopes, CPF 137.343.85415, empregado de J L de Lima de 07/2000 a 12/2008; • Raimundo Alves Reis, CPF 186.252.66568, empregado de J L de Lima de 07/2000 a 12/2008; • Tibirijara Santos Nogueira, CPF 993.948.47553, empregado de JL de Lima de 06/1999 a 08/2010; 4) o maior fornecedor de batatas, Pedro Hugo Borré, do qual fora comprado R$ 9.477.936,00, informa que as vendas eram feitas por telefone, e que o telefone de contato era (74)36117042. Este é o telefone da empresa J L de Lima no cadastro da Receita Federal e da Receita Estadual; 5) o mesmo telefone da J L de Lima (74)36117042 consta em todas as notas fiscais de Lavoura Pecuária Igarashi, segundo maior fornecedor das batatas; 6) o fornecedor Geni Takemasa Yabuki informa que a pessoa física que mantinha contato telefônico era conhecida como ZÉ LIMA; Fl. 3874DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 12 7) instaurado procedimento de fiscalização sobre a pessoa física José Lino de Lima, este apresentou extratos das suas contas bancárias: nº 61263, Banco do Brasil; nº 52.1922 Bradesco e; nº 53.9309, Bradesco. Cotejando os extratos das contas bancárias com os boletos e as notas fiscais coletados, verificase que delas saíram os pagamentos de compras realizadas pela fiscalizada, detalhados no anexo “Demonstrativo de Pagamentos por José Lino”, também parte integrante deste termo; 8) a confusão de pessoas é tamanha que no curso do procedimento de fiscalização sobre a empresa J L de Lima Cereais, da qual José Lino de Lima é titular, foi apresentado Livro Caixa em que, entre outros, consta o seguinte registro: Data Histórico Crédito 22/11 Pago NF 13225 – Lavoura e Pecuária Igarashi Ltda. 10.800,00 esta nota fiscal nº 13225 foi emitida por Lavoura Igarashi no dia 20/10/2007, no valor de R$10.800,00, pela venda de 40 sacos de batatas à fiscalizada Nilberto Santos de Souza; RECEITAS APURADAS (título deste tópico na Representação para Exclusão do Simples e do Simples Nacional) INFRAÇÕES (título deste tópico no TVF dos Autos de Infração Simples) INFRAÇÕES JÁ AUTUADAS – 2006 (título deste tópico no TVF dos Autos de Infração após as exclusões do Simples e do Simples Nacional) – os fatos constatados comprovam que o senhor José Lino é o real comerciante a operar a empresa Nilberto Santos de Souza, utilizandoa para acobertar atividades de sua empresa individual J L de Lima Cereais e que os pagamentos efetuados na aquisição das mercadorias não foram escriturados por esta, implicando omissão de receitas em fulcro no art. 281, inciso II, do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR); – os valores apurados no anocalendário 2006 foram os constantes na tabela abaixo, pormenorizados no anexo “Demonstrativo das Notas Fiscais Coletadas – 2006”, parte integrante do presente termo. A apuração do anocalendário 2007 darseá após a exclusão do Simples e do Simples Nacional. (...) Tópicos específicos do Termo de Verificações Fiscais que acompanha os Autos de Infração MULTA QUALIFICADA – o comportamento adotado, tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e com reflexo na sua obrigação do pagamento, classificado como de sonegação fiscal pelo art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, implica lançamento tributário com multa de ofício duplicada, conforme determinado Fl. 3875DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 8 13 pelo §1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e o oferecimento de Representação Fiscal para Fins Penais; SUJEIÇÃO PASSIVA – anotase a sujeição passiva solidária das pessoas físicas José Lino de Lima, CPF 105.394.41520 e Nilberto Santos de Souza, CPF 893.990.30563, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado e a eles cientificados. Tópicos específicos da Representação Fiscal – Exclusão do Simples ELEMENTOS ACOSTADOS – todos os elementos probatórios do relatado serão juntados ao processo administrativo fiscal concernente aos lançamentos tributários (relacionados); EXCLUSÃO DO SIMPLES – os fatos relatados comprovam que J L DE LIMA CEREAIS, optante pelo Simples até junho/2007 e pelo Simples Nacional a partir de julho/2007, auferiu receitas que totalizam R$8.252.129,04 no anocalendário 2006, excedente aos limites para ingressar no Simples e no Simples Nacional (R$2.400.000,00) estabelecidos pelo artigo 9º, I, da Lei nº 9.317, de 1996 e pelo art. 12, I, da Resolução CGSN nº 4, de 2007, respectivamente; – tais infrações sujeitamse à exclusão do Simples a partir de janeiro de 2007 e do Simples Nacional a partir de julho de 2007, conforme disposto no artigo 14, I, da Lei nº 9.317, de 1996, e art. 5º, I, da Resolução GGSN nº 15, de 2007, respectivamente; – em face do exposto é proposto o encaminhamento desta Representação ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, para que determinação da exclusão da pessoa jurídica J L de Lima Cereais do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2007, e do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007. Tópicos específicos do Termo de Verificações Fiscais parte integrante dos Autos de Infração lavrados após a exclusão da pessoa jurídica do Simples EXCLUSÃO DO SIMPLES – o excesso de receitas apurado resultou exclusão de JL Cereais do Simples a partir de 01/01/2007, por meio do Ato Declaratório nº 41, da Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana, e do Simples Nacional a partir de 01/01/2007, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 42. A JL Cereais foi notificada dessas exclusões por meio postal em 09/11/2011. INFRAÇÕES DO ANO CALENDÁRIO Fl. 3876DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 14 2007 NA UTILIZAÇÃO DO CNPJ 07.130.894/000183 (Nilberto Santos de Souza) – no que se refere aos fatos geradores em que o senhor José Lino de Lima utilizou a empresa Nilberto Santos de Souza para atividades de JL DE LIMA CEREAIS, implicou omissão de receitas com fulcro no artigo 281, inciso II, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR). Os valores apurados são os da tabela abaixo, pormenorizados no anexo “Demonstrativo das Notas Fiscais Coletadas – 2007”, parte integrante do presente termo: Mês Omissão Mês Omissão jan/07 1.275.959,80 jul/07 589.478,97 fev/07 914.740,05 ago/07 806.191,00 mar/07 1.031.794,00 set/07 469.537,40 abr/07 975.969,00 out/07 153.750,20 mai/07 336.718,40 nov/07 216.219,08 jun/07 813.567,64 dez/07 934.266,74 DEPÓSITOS BANCÁRIOS – instaurado procedimento de fiscalização próprio sobre J L de Lima Cereais Ltda., esta apresentou livro Caixa e extrato de sua contacorrente bancária nº 543004, agência 3045, Banco Bradesco. A partir deles, foi lhe solicitada comprovação da origem dos depósitos (que relaciona), integrantes de Anexo ao Termo de Intimação lavrado em 13/09/2011 e entregue à fiscalizada em 14/10/2011; – a fiscalizada silenciou quanto à origem dos créditos, caracterizando omissão de rendimentos nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; – foi feito cotejo entre os extratos bancários e o livro Caixa apresentados e os depósitos bancários em comento não estão escriturados. Em 01/11/2011, o Sr. Jose Lino de Lima e a empresa JL de Lima Cereais Ltda tomaram ciência dos Autos de Infração lavrados pela sistemática do Simples e do Termo de Sujeição Passiva Solidária e, em 28/11/2011, apresentaram as impugnações de fls. 2.692 a 2.733 e 2.775 a 2.822, contra o Termo de Sujeição Passiva Solidária e contra os Autos, Atos Declaratórios Executivos nº 41 e 42 e Termo de Sujeição Passiva Solidária, respectivamente. Seguindo as denominações utilizadas nas impugnações, o Sr. Jose Lino de Lima será identificado como “o Defendente” e a empresa JL de Lima Cereais Ltda, como “a Defendente”: 1. DA TEMPESTIVIDADE DA PRESENTE MEDIDA. – está demonstrado nos autos que a apresentação das impugnações oferecidas pelo senhor José Lino de Lima, contra o Termo de Sujeição Passiva Solidária, e pela empresa JL de Lima Fl. 3877DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 9 15 Cereais, contra o Auto de Infração, os Atos Declaratórios de exclusão do Simples e do Simples Nacional e Termo de Sujeição Passiva Solidária se deu dentro do prazo legal de 30 dias contados na forma do art. 5º, parágrafo único do Decreto nº 70.235, de 1972, corroborado pelo art. 66, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, portanto, tempestivamente; 2. IMPUTAÇÃO TRAZIDA NO AUTO DE INFRAÇÃO E DOS FATOS EFETIVAMENTE OCORRIDOS. – o Defendente fora intimado pela RFB por meio do Termo de Verificação Fiscal, datado de 31/05/2011, emitido no âmbito do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 05.10200.2011.00356, referente à sua movimentação financeira no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, solicitando a apresentação de extratos bancários de todas as contas correntes, aplicação financeira e caderneta de poupança mantidas no Brasil e exterior. Com relação à Defendente, na intimação a ela dirigida, além dos citados elementos, foram solicitados, também, o Livro Caixa e cópia da documentação de constituição da empresa e alterações; – em atendimento à fiscalização, o Defendente apresentou sucessivos extratos bancários de suas contas correntes no Banco do Brasil e Bradesco, relativos aos anos de 2006 e 2007. Já a Defendente apresentou cópias dos atos constitutivos, livro Caixa e extratos bancários de sua conta corrente no Bradesco, relativos ao período de junho a dezembro de 2007; – após a apresentação da documentação solicitada, os Defendentes foram intimados, por termos, para que comprovassem, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados na conta corrente nº 61263, agência 0069, do Banco do Brasil, e contas 521922 e 539309, ambas da agência 3045 do Bradesco (senhor José Lino), e na conta corrente nº 543004, agência 3045, do Bradesco (a pessoa jurídica JL de Lima Cereais); – sem qualquer motivação ou prova válida, o Auditor Fiscal, em pouco mais de um mês da última intimação acima referida, lavrou, contra a empresa J L de Lima Cereais, Auto de Infração, e contra o senhor José Lino de Lima, Termo de Sujeição Passiva Solidária, em relação a supostos débitos tributários da empresa Nilberto Santos de Souza, firma individual inscrita no CNPJ nº 07.130894/000104, com nome fantasia SÓ BATATINHA, e, em pouco mais de três meses da referida intimação, lavrou o Auto de Infração, em relação à omissão de receitas e supostos débitos tributários da citada empresa Nilberto Santos de Souza; – alega o Fiscal que a empresa Nilberto Santos de Souza apresentou DSPJ do anocalendário 2006 com receita bruta de R$103.586,60, porém apresentou ao fisco estadual vendas na ordem de 3,5 milhões. Já no ano de 2007 declarou a referida empresa receita de R$47.145,66 de janeiro a junho e receita zerada em relação aos meses de julho a dezembro de 2007. Fl. 3878DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 16 Entretanto, neste ano teria adquirido mercadorias no valor de R$8.252.129,04, sem possuir qualquer conta bancária; – aduz o Auditor Fiscal que o titular da referida empresa SÓ BATATINHA – Nilberto Santos de Souza – não apresentou declaração de imposto de renda DIRPF e não tem patrimônio nem rendimento. A partir daí, surge verdadeira “história” oriunda da “mente brilhante” do Auditor Fiscal, que acusa inadvertidamente os Defendentes de serem os verdadeiros responsáveis por todas as operações tidas como fraudulentas pela fiscalização; – a fiscalização não apresentou qualquer prova de que o Defendente é o responsável legal e fiscal da empresa Nilberto Santos de Souza e desconsidera o fato de o Defendente ser titular – firma individual – da empresa J L de Lima Cereais, inscrita no CNPJ 73.962.953/000104, fato que por si só enterra as alegações de que o Sr. José Lino é o verdadeiro titular daquela empresa, também firma individual, pertencente ao Sr. Nilberto Santos de Souza, e quanto a isso não pode haver dúvidas; – o Defendente exerce, como pessoa física, atividade rural, mediante o plantio de produtos "in natura”, em uma área de terras denominada Sítio Terra Branca, Juazeiro/BA, proveniente do Processo de Alienação de Terras Públicas n° 22/0030.7291, registrado no Cartório de Registro de Imóveis, Hipotecas e Anexos, Prenotado em 24 de novembro de 1983, protocolo IN° 13993, Registro Geral Livro 2, R18.553, Ficha 1, conforme se denota do Título Definitivo n° 63.062, além de comercializar produtos hortifrutigranjeiros, por meio da empresa J L de Lima Cereais (cebolas, tomates e batatas), há vários anos; – há solicitação para o Defendente apresentar, POR ESCRITO, petição comprovando todos os valores creditados e suas contas correntes. Todavia, o Defendente sequer está obrigado a possuir escrituração fiscal, pelo simples fato de possuir empresa que incorre na atividade econômica de venda de produtos hortifrutigranjeiros; – de maneira incongruente, a Defendente recebeu novo termo de intimação, datado de 04/11/2011, para apresentar Livros Diário e Razão, Livro de Apuração LALUR, Demonstrativo de Resultado do Exercício e Balanço Patrimonial, tudo em razão dos Atos Declaratórios Executivos de n° 41 e 42, de 3 de novembro de 2011, os quais excluíram a Defendente do SIMPLES a partir de 1º de janeiro de 2007 e SIMPLES NACIONAL a partir de 1º de julho de 2007, respectivamente; – a fiscalização não apresentou qualquer prova de que a Defendente é a responsável tributária pelas operações comerciais da Empresa Nilberto Santos de Souza. E pior, a empresa fora autuada em relação aos anos de 2006 e 2007 sem ter sido intimada para apresentar qualquer documento, pelo simples fato de a empresa incorrer na mesma atividade econômica; – venda de produtos hortifrutigranjeiros – da empresa Nilberto de Souza, fato que torna flagrantemente nula a autuação fiscal; Fl. 3879DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 10 17 – de fato, a Defendente comercializa produtos hortifrutigranjeiros (cebolas, tomates e batatas) há vários anos no Mercado do Produtor de Juazeiro/Ba, local onde funciona. Ocorre que a solicitação para a Defendente apresentar, por escrito, petição comprovando a origem de todos os valores creditados em suas contas correntes se deu em relação ao ano de 2007. Todavia, a Defendente fora autuada em relação ao ano de 2006, ano em que sequer fora fiscalizada, pelo simples fato de a empresa incorrer na mesma atividade econômica da empresa Nilberto Santos de Souza, o que é um absurdo; – inobstante o ocorrido, os Defendentes foram surpreendidos, além dos Auto de Infração, com a intimação do termo de sujeição passiva solidária, haja vista não terem encontrado a empresa Nilberto Santos Souza no seu endereço cadastral, tampouco o Sr. Nilberto; – intimada a contadora da empresa “desaparecida”, esta informou que não conhece a empresa e que não prestou a declaração, mas atribui a terceiros o uso indevido de seu nome e CRC. Afirmou o autuante que a informação da contadora é contraditória. Em seguida, aduz que o Sr. Nilberto exerceu a função de motorista e que, ao falar com este, ele não informou seu atual endereço e desligou o telefone; – diz que as mercadorias adquiridas pela empresa Nillberto eram comercializadas no Mercado do Produtor e “nenhum fornecedor consegue identificar os responsáveis pela empresa”. Falase em negociações sumárias e preços na “pedra”; – intimados os fornecedores, nenhum deles fala em nome da J L de Lima Cereais e em José Lino de Lima, ora Defendentes, porém, afirmam “categoricamente” que os negócios eram feitos pelo próprio Nilberto, titular da empresa Nilberto Santos de Souza, ou com terceiros. Apenas um informa que mantinha contato com Zé Lima, através de outro número que não aqueles citados pelos demais; – as empresas fornecedoras sequer foram fiscalizadas em relação a tais atividades, mas apenas intimadas para fornecer cópias de notas fiscais emitidas em favor da empresa Nilberto Santos de Souza; – como num passe de mágica, o Auditor Fiscal concluiu que não existe empresa de Nilberto Santos de Souza e, pelo fato de não ter sido localizado, formou “convicção” de fraudulenta interposição de pessoa, atribuindo absurdamente aos ora Defendentes a titularidade e a responsabilidade tributária pelo comércio das mercadorias descritas nas notas fiscais; – tal conclusão se deu pelo simples fato de o Defendente ser possuidor de patrimônio e auferir rendimentos. Nem na ditadura se viu tamanha invasão ao patrimônio de particulares, com base em meras suposições descabidas e surreais; Fl. 3880DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 18 – como dito pelo próprio Auditor, o Defendente, titular da empresa J L de Lima Cereais, exerce atividade rural e é titular da empresa J L de Lima Cereais, portanto, possui patrimônio e renda, mas nem por isso pode ser imputado a ele operações tidas como fraudulentas pelo Fiscal, desprovidas de qualquer prova material, fruto da imaginação e perseguição da fiscalização policialesca; – o fato de caminhões transportarem mercadorias – fretes – não faz deles – transportadores/motoristas – os proprietários das mercadorias, assim como não foi atribuída pela fiscalização a responsabilidade tributária a outros proprietários de caminhões que transportaram mercadorias supostamente vendidas à empresa Nilberto Santos de Souza, e não foram poucos os fretes realizados por terceiros; – a Fiscalização não pode atribuir a propriedade de mercadorias em razão de telefone de contato, já que os próprios fornecedores afirmaram que tratavam com o próprio Nilberto Santos de Souza. A única evidencia é uma nota fiscal de R$10.800,00, preenchida erroneamente, mas que representa valor ínfimo comparado à “mega operação tributária de responsabilidade solidária” atribuída ao senhor José Lino ora Defendente; – concluiu o fiscal que José Lino é o real comerciante, e que houve, portanto, omissão de receitas da empresa individual J L de Lima Cereais e aplicou multa qualificada de 150%, classificada como sonegação fiscal. Quanto à sujeição passiva tributária, o auditor fiscal não constatou sujeição passiva solidária em relação à José Lino, posto que este não realizou em nome próprio quaisquer das operações apontadas no termo de sujeição, e ainda, em face da conclusão da ausência de sujeição passiva entre José Lino e Nilberto Santos de Souza; – na verdade, não se questiona qualquer valor depositado em sua conta corrente nos anos de 2006 e 2007, mas a responsabilidade se resume ao fato de que houve alguns depósitos na conta corrente de um único fornecedor, em valores ínfimos comparados aos valores lançados pela fiscalização, e que não representam as operações neles reportadas, uma vez que o próprio José Lino é titular desta empresa, do mesmo ramo, e também compra mercadorias de diversos fornecedores; – a mera transferência de valores em nome da pessoa física do contribuinte, em que ocorrem movimentações financeiras, seja como pessoa física, assim como decorrente da atividade de comercialização dos produtos rurais, e outras referentes à sua atividade rural, além de empréstimo de valores a terceiros, fato costumeiro dentro do universo comercial, não pode servir como fundamentação para a lavratura de auto de infração e responsabilização dos Defendentes; – comprovado que os valores transacionados em suas contas correntes são provenientes de diversas relações, pessoais e comerciais, dentre as quais atividade rural relativa ao plantio e comercialização de hortifrutigranjeiros no Mercado do Produtor, não se pode acolher a tese exposta pelo Fiscal Fl. 3881DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 11 19 autuante na conclusão do procedimento, no sentido de que “Os fatos constatados comprovam que o senhor José Lino é o real comerciante a operar a empresa Nilberto Santos de Souza, utilizandoa para acobertar atividades de sua empresa J L de Lima Cereais e que os pagamentos efetuados na aquisição das mercadorias não foram escriturados por esta, implicando omissão de receitas com fulcro no art. 281, inciso II, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR)”; – além de cobrar vultosa quantia por mera presunção, o Fiscal ainda aplicou uma multa exorbitante, atribuindo a uma simples microempresa, comerciante de produtos hortifrutigranjeiros, um rendimento incompatível com a realidade de qualquer cidadão de bem, que sobreviva de seu trabalho honesto; – deixando de atentar pra realidade fática, não se pode considerar exclusivamente uma movimentação bancária de pequenos valores, supostamente relacionados a um dos fornecedores da empresa Nilberto Santos de Souza, como receita tributável e sujeição passiva solidária da pessoa física de José Lino, até porque tais saídas sequer configuram ganhos pessoais; – nestes casos, deve o fisco tributar apenas a atividade exercida pelo Contribuinte, empresa Nilberto Santos de Souza, e não aleatoriamente presumir que os valores transitados na conta corrente do Sr. José Lino representam rendimentos omitidos, sem ao menos apontar qualquer prova compatível com ganho tão elevado; – esta é a razão pela qual os Defendentes insurgemse contra o Auto de Infração lavrado, que deverá ser anulado in totun, conforme provas irrefutáveis em anexo e fundamentos jurídicos expostos a seguir; 3. PRELIMINARMENTE. 3.1. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR DESOBEDIÊNCIA À DISPOSIÇÃO EXPRESSA DO DECRETO Nº 70.235/72 – os Defendentes ficaram vários meses submetidos à fiscalização em relação a depósitos bancários em suas contas correntes, com flagrante subtração do direito de defesa e de utilização de espontaneidade, fato este, por si só, configurador da nulidade da peça acusatória, por desrespeito ao principio consagrado no Decreto n° 70.235/72 (transcreve o art. 7º, grifando o seu §2º), e, no final, a empresa foi autuada em relação a operações referentes a empresa que sequer tinha conhecimento das operações realizadas por ela, já que não fora informado de tais acontecimentos, e arrolado o Defendente como sujeito passivo solidário; – por respeito à lei e compromisso com a justiça, é que os Tribunais Administrativos têm rechaçado, em diversas decisões, os abusos cometidos pelo seleto corpo de Auditoria Fazendária Fl. 3882DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 20 Federal, seleto sim, mas não imune ao cometimento de erros e abusos; – o Auditor infringiu frontalmente o disposto no art. 196 do Código Tributário Nacional (transcrito); – em momento algum, o Auditor informou no Termo do Início de Fiscalização que na verdade se tratava de investigação em relação as operações da empresa Nivaldo Santos de Souza, ou mesmo apresentou solicitação para que o mesmo apresentasse qualquer prova em sentido contrário; – por força do Decreto n° 3724, de 2001, sem a ordem contida no MPF, o procedimento será destituído de requisito regulamentar e, por decorrência, nulo, podendo contaminar todos os atos subsequentes (transcreve jurisprudência administrativa); – requerem os Defendentes que se acate a preliminar ora suscitada, declarando NULA a atuação realizada pelo descumprimento do disposto no art. 7º, I, e §2° do Decreto nº 70.235/72 e art. 196 do CTN, injustificada a ausência de menção ao real objeto da fiscalização nem mencionado o prazo imposto na Lei de Procedimentos Administrativos Fiscais e nada mencionado em relação ao ano de 2006, ou ainda, considere ao menos a espontaneidade de eventual Dívida pelo Defendente, excluindo a multa de ofício aplicada; 3.2. DA NULIDADE DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA PELA INEXISTÊNCIA DE INTIMAÇÕES SOBRE AS OPERAÇÕES REALIZADAS PELO SUJEITO QUE REALIZOU O FATO GERADOR DO TRIBUTO. – afirmase, clara e taxativamente no referido Termo de Sujeição Passiva Solidária, que o Sr. José Lino seria o real comerciante a operar a empresa Nilberto Santos de Souza. Todavia, o fato relevante e inafastável é que, se o agente do Fisco encontrou qualquer irregularidade em relação a tal empresa, deveria ter intimado o contribuinte, por escrito, a prestar todos os esclarecimentos necessários, sobre a origem ou as causas da suposta violação da norma; – tal intimação é necessária em face da existência do princípio do contraditório assegurado pela Constituição Federal, mesmo na fase que precede ao lançamento fiscal, porque depois de imputada penalidade qualquer tentativa de elidir a exigência fiscal será inútil. – a intimação regular oportunizaria a manifestação do Recorrente, sendo, inclusive, a finalidade imposta pela norma inserida no art. 47 da Lei 9.430/96, que prevê até mesmo o pagamento de tributo não recolhido, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, apenas com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo (cita ementa de acórdão do então Conselho de Contribuintes sobre nulidade de processo fiscal sem amparo de MPF); Fl. 3883DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 12 21 – desta forma, em virtude da ausência dos requisitos legais para lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária vinculado ao Auto de Infração combatido, é que se requer sua anulação; 3.3. DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. – em face dos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, e baseado nos trechos doutrinários acerca dos referidos princípios (reproduzidos), concluise que a imputação ao Sr José Lino, como real comerciante, e à empresa J L de Lima Cereais, como sujeito passivo da relação tributária, em operações que sequer foram intimados a se manifestar sobre elas, implica a inexigibilidade imediata da totalidade do crédito tributário lançado; – o exercício do direito ao contraditório e a ampla defesa foram negados aos Defendentes quando de sua sujeição imediata ao passivo tributário de terceiro, especialmente quando o próprio fiscal aduz que não há sujeição passiva entre o titular da empresa imputada, Sr. Nivaldo Santos de Souza, e o titular da empresa J L de Lima Cereais; – o procedimento de sujeição passiva solidária só darseia após a manifestação do contribuinte para responder sobre os fatos questionados pela fiscalização. A contrario sensu a sujeição imediata com absoluta contrariedade às disposições da Constituição Federal e do Decreto 70.235/72, caracterizase ato ilegal passível de correção, inclusive pela via do Poder Judiciário (incisos XXXV e LXIX do art. 5º da Carta Magna); – as relações tributárias encontramse submetidas à legalidade (art. 37 da CF/88), estando o atuar de ambos os sujeitos desta relação – Estado e contribuinte – jungidos à observância, fiel e escorreita, das disposições normativas pertinentes. Não há espaço para arbitrariedade, nem se admite o manejo de métodos injustos com finalidade meramente arrecadatória; – se a lavratura do Termo de Sujeição não observou os ditames legais e constitucionais mencionados, padece de vício insanável, sendo imperioso o reconhecimento da nulidade do ato que culmina em danos inaceitáveis aos Defendentes; – e nem se alegue que o contribuinte sabia da intenção do fiscal, posto que sujeito às regras impostas pela legislação, para tentar justificar a responsabilização sumária, sem oportunidade de defesa. É que não se pode olvidar que o direito é um sistema, e neste, nenhuma norma jurídica pode ser interpretada e aplicada com parcimônia, desvirtuada da realidade; Fl. 3884DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 22 – para que haja justiça, é necessário que o ordenamento jurídico seja considerado como um todo, de modo a afastar qualquer antinomia que leve a contrariar o próprio interesse normativo de preservação da paz social; – não se pode pretender aplicar norma regulamentadora do imposto de renda em afronta aos princípios constitucionais da ampla defesa e contraditório, da motivação e publicidade, inclusive previstos em lei específica que regulamenta os processos administrativos. – revelase cristalino o direito de os Defendentes não serem prejudicados por ato arbitrário da Administração Pública, bem como para afastar os prejuízos advindos de sua indevida sujeição passiva, sobretudo a exigibilidade imediata de valores retroativos, acrescidos dos respectivos encargos moratórios e multa punitiva; – não há previsão legal de exceção, para que o comando normativo de observação, respeito e aplicação da ampla defesa nos procedimentos administrativos e judiciais não sejam aplicados a certos atos da Administração Pública, como o de sujeição passiva solidária ou de lançamento fiscal decorrente, com efeitos retroativos (reproduz trecho doutrinário); – a única conclusão plausível é no sentido de ser totalmente nula a sujeição passiva solidária dos Defendentes, nos moldes ocorridos. 3.4. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL POR AUSÊNCIA DOS REQUISITOS ESSENCIAIS PARA SUA VALIDADE E CONSTITUIÇÃO. – constatase que a presente Autuação é nula de pleno direito, em razão de não apontar especificadamente qual a fundamentação legal violada que impõe tributo devido pelos Defendentes, e conseqüente punição dele decorrente; – é imprescindível que o suposto ilícito cometido esteja delineado na legislação vigente, e ainda, que tal infração seja devidamente informada na autuação fiscal. Se o Defendente não identifica exatamente o erro cometido e a legislação que autoriza a penalidade atribuída, fica impossibilitada de conferir seu acerto, violando ao direito constitucionalmente previsto de ampla defesa (art. 5º, inc. LV da CF/88); – não pode haver dúvidas no Auto de Infração quanto à descrição dos fatos e sua fundamentação legal, sob pena de cercear o direito de ampla defesa. E não se pode olvidar que a atividade administrativa está delimitada pela legislação vigente, não sendo passível de manifestações políticas casuais ou de interesses meramente arrecadatórios de seus agentes, que por vezes entenebrecem sua condição de servidores públicos; – a infração fora cometida pela empresa Nilberto Santos de Souza, mas o auto de infração fora lavrado em nome de J L de Lima Cereais. Portanto, o mero erro de identificação do sujeito passivo, enseja a nulidade do auto de infração (cita Fl. 3885DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 13 23 jurisprudência administrativa sobre erro de identificação do sujeito passivo): – toda a atividade do Estado está adstrita à previsão legal (art. 5o, II e art. 37, da CF/88). Contudo, no caso, é notório que houve desrespeito às normas legais, posto que da lavratura do Auto de Infração apenas aponta alguns artigos da legislação federal que em nenhum momento esclarecem nem sequer determinam os procedimentos realizados; – a referida Autuação deixa de preencher os requisitos legais que conferem validade ao ato praticado, resultando em sua nulidade, haja vista que não informou seu suporte jurídico, face ao conteúdo da norma disciplinadora à espécie. Esta é a razão pela deve ser declarada a nulidade do presente Termo de Sujeição Passiva Solidária e dos autos de infração em comento, em razão da ausência de requisitos essenciais à sua validade; 3.5 DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO INDIVIDUALIZAÇÃO DOS FATOS CONCRETOS. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DO FATO NO CORPO DO LANÇAMENTO. CONTRADIÇÃO QUANTO ÀS BASES DE CÁLCULO APLICADAS NO AUTO DE INFRAÇÃO – a Autoridade Fiscal limitase a dizer que o contribuinte não recolheu o montante do imposto do SIMPLES citando a obrigação principal do tributo, como se o Contribuinte desconhecesse que de fato deve recolher imposto, embora neste caso a autuação seja absolutamente descabida; – a ausência de narração dos motivos e da motivação no corpo do Auto de infração, além de nulificar o mesmo, porque o contribuinte não concorda efetivamente pela total adoção da presunção que foi adotada pela fiscalização; – há uma grave contradição na redação transcrita na autuação, conduzindo por si só a nulidade da mesma, quando efetivamente não compõe analiticamente as bases de cálculo aplicáveis ao caso, de maneira analítica e descritiva, que foram objeto da peça de infração, considerando que os valores destacados no Demonstrativo são irreais, inverídicos e desprovidos de comprovação material; – essa imperfeição tornou impossível a própria defesa, já que além de não explicitar claramente o fato imponível, também omitiu o regramento específico quando elege "normas gerais", considerando os conceitos da incidência, fato gerador e responsabilidade direta. Em suma, a Autoridade Fiscal concluiu simplesmente pelo mérito da Infração, sem antes ter comprovado materialmente os quesitos que estão sendo objeto da fiscalização, já que sequer intimou a Defendente em relação aos anos de 2006 e 2007; – o Auto não comprova os valores transacionados pelo Defendente, mas apenas relaciona notas fiscais. Questionase ainda, sobre como, de fato, se formaram as bases de cálculo, Fl. 3886DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 24 diante da ausência de rigores formais para nomeação de presunção tributária. No caso houve evidente equivoco da legislação tributária, já que utilizou como base de cálculo a soma de crédito tributário decorrente de fatos e distintos sujeitos passivos (transcreve jurisprudência administrativa); – o ato administrativo é ineficaz por não obedecer ao princípio da legalidade, as formalidades obrigatórias e as garantias da Constituição Federal. Deve ser anulado pelo próprio fisco, nos termos das súmulas 346 e 473 do STF (transcritas); – pelo exposto, fica claro que foi vulnerado gravemente o princípio da legalidade, que regula os Atos Administrativos Fiscais (CF/88, Art. 5º, II e 37, caput), quebrando, por conseqüência, o princípio do contraditório pleno, que ficou cerceado e inibido em sua essência integral; 3.6. DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO POR AMOSTRAGEM OU PRESUNÇÃO. – o que se observa, tanto nas supostas omissões de receita, quanto no termo de sujeição passiva solidária vinculado à autuação desafiada, é que aquele se concebeu de forma totalmente equivocada, posto que o lançamento tributário deuse por amostragem e presunção. O Processo Administrativo Fiscal é o que se forma da atividade vinculada e regrada do Fisco (no que tange ao direito tributário), nunca discricionária, nem arbitrária ou abusiva; – qualquer ficção fática, qualquer presunção ou suposição do fisco para autuar não terá validade administrativa, muito menos eficácia jurídica. No caso vertente, a autuação foi efetuada unicamente com base na movimentação financeira de única conta corrente do Sr. José Lino de Lima, e nenhuma movimentação bancária da empresa J L de Lima; – sequer foi questionado por parte do Agente Autuante a origem e destinação da suposta quantia considerada como omissão de receita, condição sine qua non para se constatar alguma irregularidade; – a constatação da suposta entrada e saída de dinheiro sem escrituração é apenas um indício de irregularidade, não podendo fazer conclusões equivocadas acerca de irregularidades porventura cometidas pelos Defendentes; – sem provar qualquer vinculação entre as operações da empresa Nilberto Santos de Souza e aquelas da Defendente, os autos de infração perfizeram lançamentos de tributos relativos a supostas diferenças de receitas omitidas; – o próprio auditor fiscal no termo de sujeição passiva solidária afirmou que "esclarecese que a coluna VR PAGO" decorre de diferenças apontadas pelos fornecedores Lavoura Igarashi e Nelson Igarashi entre os valores das notas fiscais e os correspondentes boletos bancários, por razões comerciais que não interessam ao que ora tratamos', o que é um absurdo´; Fl. 3887DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 14 25 – visto isso, não é preciso grande esforço para se concluir que foi feito tão somente um levantamento por amostragem, sem, contudo, analisar a real origem e destinação das operações comerciais. Houve, pois, imposição tributária por presunção da interposição fraudulenta; (cita doutrina e jurisprudência sobre presunção); – quanto ao ônus da prova, no termo de sujeição passiva em comento, compete unicamente à Receita Federal, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, transcrito (cita doutrina e jurisprudência); – a ausência desta comprovação, por parte do fisco, leva à descaracterização da sujeição passiva solidária, face à ausência de prova inequívoca, levando, por conseqüência, a não liquidez e incerteza do crédito tributário, fato que torna nulos os Autos de Infração baseados em meras convicções em relação aos ora Defendentes; 3.7. DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE PROCEDER AO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (tópico específico da impugnação de JL de Lima Cereais) – a modalidade do lançamento do tributo é por homologação e o recolhimento pelo sujeito passivo abre o prazo decadencial para o lançamento tributário pelo fisco, nos termos do art. 150, §4°, do CTN; – o auto de infração do SIMPLES relativo ao período de janeiro a dezembro de 2006 foi lavrado em 26 de outubro de 2011; – assim, para os meses de janeiro a setembro de 2006, o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário decaiu, pois o lançamento se deu após o transcurso do prazo decadencial – 5 anos, de modo que o crédito tributário está extinto, nos moldes do que dispõe o art. 156, inciso V, do Código Tributário Nacional (cita jurisprudência judicial sobre decadência de lançamento por homologação); 4. RAZÕES FÁTICAS E JURÍDICAS QUE DESCONSTITUEM A EXIGÊNCIA FISCAL 4.1. Efetivo exercício de atividades da Defendente Produtor e Comerciante. – o Contribuinte fiscalizado é produtor rural nos termos do parágrafo primeiro do art. 15 da Lei Complementar n° 11/71 (transcrito) e, o art. 61 do RIR (IN SRF nº 83, de 2001, art. 5º; PN CST nº 130, de 1970) prevê expressamente que, quando o produtor rural vender em seu nome produtos de sua atividade rural, diretamente a centros de abastecimento, os rendimentos derivados dessa atividade devem ser computados no resultado da atividade rural; – os depósitos bancários que ingressaram na conta corrente do titular da Fiscalizada, durante todo o ano de 2006, possuem Fl. 3888DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 26 origem nas diversas atividades desenvolvidas pelo Sr. José Lima, dentre as quais atividades rurais (plantio e venda de hortifrutigranjeiros); – grande parte dos valores que transitaram pela conta bancária do contribuinte corresponde ao que ele recebeu pelas vendas de hortifrutigranjeiros que realizou (transcreve trecho de reportagem extraída do site oficial do Município de Juazeiro/BA (sobre o Mercado Produtor da Cidade); – a Defendente vive de seus clientes, isto é, sua atividade depende desses comerciantes advindos de várias cidades da Região Nordestina. Nesse ínterim, cabe ressaltar que a movimentação financeira do Sr. José Lino de Lima em nada reflete a suposta renda tributável lançada em relação à firma Nivaldo Santos de Souza, posto que fora lavrado termo de sujeição passiva totalmente descabido, que constituiu crédito tributário exorbitante, capaz de leválo à bancarrota; – sua movimentação bancária é decorrente de despesas do desenvolvimento da atividade rural, na compra de sementes, adubos, insumos necessários ao plantio, combustível para o transporte da mercadoria, além de peças de reposição e serviços de reparo nos caminhões de sua propriedade, bem como noutras despesas igualmente imprescindíveis para o plantio e comercialização do referido produto, que é feita da forma contínua; – o art. 60, parágrafo primeiro do Decreto n° 3.000/1999, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda – RIR, assim dispõe: Art. 60. 0 resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). §19... § 29 A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 29). – não se pode afastar da realidade fática e jurídica, quanto à realidade do Contribuinte, sendo produtor rural e comerciante, apesar de toda a informalidade. Mesmo sem escrita fiscal, o fato iniludível é que o Contribuinte também exerce atos de comércio, comumente chamado pelo novo Código Civil de atos de empresa. Esta é a dicção do Novo Código Civil, em seu art. 966: "Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços;" – o inciso II do §1° do artigo 150 do RIR/99 dispõe que as empresas individuais, para os efeitos do Imposto de Renda, são equiparadas às pessoas jurídicas. Fl. 3889DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 15 27 Vejamos: “Art. 150 (...) §1° (...) II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços”; 4.2. DA AUSÊNCIA DE PROVAS PARA A LAVRATURA DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – nos termos em que foi formulado, considerase nulo de pleno direito o Termo de Sujeição Passiva Solidária em debate, tendo em vista a arbitrariedade promovida pelo r. Auditor Fiscal, já que a fundamentação fática utilizada no referido termo baseiase tão somente em mera presunção; – sem provas não pode o Fisco acusar o sujeito passivo de haver cometido qualquer infração. E foi unicamente o que foi feito. Por conjeturas inócuas como meio de prova, considerando alguns valores de depósitos existentes em conta corrente, supondo a existência de infração, lançouse no caminho da presunção. Acrescentese que, no caso, a Legislação Tributária não contempla presunção desconectada da realidade, principalmente sem estar apoiada em qualquer indício de aumento patrimonial; – ainda que haja permissão legal para a cobrança de imposto por arbitramento, mesmo assim tal exigência estaria obliterada ante os preceitos da legislação pertinente, conforme disciplinam, entre outros, os artigos 97, 100, 107, 108, 109, 110,112,114,146 do CTN, que expressam as limitações ao poder de tributar; – mesmo que a presente situação fática considerada (alguns valores creditados na conta corrente de fornecedores), indique alguns sinais da possibilidade de existência de valores a serem alcançados pela tributação, sua observância não pode desvencilharse da realidade fática, e muito menos do ordenamento legal. Tanto que o Conselho de Contribuintes afasta a tributação, mesmo em face de ausência de documentos; – é flagrante a ausência de prova para a configuração da sujeição passiva, já que nenhum fornecedor ou motorista informou, testemunhou ou confirmou a suspeita do fiscal de que era o Sr. José Lino quem era o real comerciante das mercadorias adquiridas pela empresa Nílberto Santos de Souza. Portanto, não se pode presumir desprovido de qualquer prova, sequer indiciária (traz jurisprudência administrativa); – a autuação foi efetuada unicamente com base em presunção, sem identificar qualquer outra prova que Fl. 3890DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 28 evidencie aumento patrimonial, real fato gerador do imposto cobrado; – a jurisprudência administrativa já vem, há muito, reconhecendo o dever do fisco de comprovar os fatos que alega (cita ementas de acórdãos sobre o assunto); – avulta dos precedentes transcritos que ausência de comprovação, por parte do fisco, leva a descaracterização da autuação, face à inexistência de prova inequívoca, da constituição do crédito tributário exigido, levando, por conseqüência, à nulidade do lançamento fiscal; 4.3. DA IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%, POR AUSÊNCIA DE FRAUDE NA DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO – NÃO OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DA TIPICIDADE, PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE PELO FISCO – a própria lei que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, Lei n° 9.784/99, em seu art. 2º, inciso VI, prevê "a adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público"; – o Enunciado n° 15, do CARF, aprovado em 26.06.06 prevê que: "A simples apuração da omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo"; – consubstanciado o erro do fiscal autuante, que aplicou multa de 150% relativa ao ano de 2006, apenas por considerar ZERADAS as declarações da empresa Nilberto Santos de Souza, desconsiderando as demais informações prestadas pela pelos próprios fornecedores, fundamento que não condiz com a natureza da penalidade fraudulenta, se requer a reforma da autuação para o fim de que seja anulada a multa ou ao menos reduzida ao mínimo legal; – as normas substantivas no Direito Brasileiro são objetivas. O delito, a infração, exige o exato enquadramento do ato à disposição tipológica contida na lei. E, nesse caso, por se tratar de infração tributária agravada, a intenção de delinqüir/fraudar, de não cumprir com o compromisso legal, deve extravasar do ato praticado pela pessoa contra quem a denúncia foi feita; – no caso, o que se deflui é que a autoridade fiscal presumiu que houve dolo, para, com base em PRESUNÇÃO, concluir pela existência de fraude e impor, ao final, as penas de 150% sobre o valor do tributo devido, em completa dissonância com os objetivos da norma de regência, e com a legalidade motivadora dos atos da administração pública; – o Recorrente agiu de forma cristalina, inclusive com a apresentação de suas declarações de rendimentos DIRPF. Fl. 3891DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 16 29 Assim, se o Recorrente cumpriu com sua obrigação perante a Receita Federal, não há que se falar em ação lesiva ou fraudulenta, nem, muito menos, em aplicar as penas máximas previstas na legislação. – O STJ, por seu turno, afirma que a atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, censurando o ato da administração que não zele com uma equilibrada proporção entre os meios e os fins. Se todas as atitudes do Recorrente demonstram a intenção de evitar ação danosa, não é legal se presumir que houve prática lesiva e fraudulenta à sua conduta (transcreve ementa do acórdão do STJ); – Segundo o acórdão transcrito, a autoridade fiscal não tem poder absoluto para rejeitar o que é usual e sensato, pois, se a prática do ato administrativo de punir pela prática lesiva "está vinculada à aferição de existência de "conduta antijurídica", deve o agente administrativo observar os princípios da "razoabilidade e da proporcionalidade". – não se pode apenar a quem, de boafé, cometeu mero erro sanável, com ação fraudulenta objetiva. Assim, não há qualquer proporcionalidade entre o ato suplantado e a sanção aplicada. Não há, outrossim, qualquer razoabilidade para a sanção, porquanto deixa de ser funcional, negando o princípio da função do ato administrativo, prestandose a gerir interesse diverso do que é estreitamente veiculado pela Receita Federal, a teor do permissivo constante do artigo 237 da Constituição Federal (cita jurisprudência). – não há motivo suficiente a dar ensejo a aplicação da multa de 150% em comento, uma vez que se faz necessária a comprovação da apresentação de declaração falsa ou evidente intuito de fraude, o que não ocorreu no presente caso. Como dito, o Contribuinte/Recorrente em nenhum momento agiu utilizandose de documentos ou declarações falsas, tendo, inclusive, cumprido as diligências exigidas no curso da fiscalização; 4.4. DA IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SISTEMA SIMPLES E SIMPLES NACIONAL (tópico constante da impugnação de JL DE Lima Cereais Ltda) – o Ato Declaratório Executivo nº 41, de 3 de novembro de 2011, jamais poderia excluir a Defendente e gerar exigência fiscal retroativa, sob pena de se violar o princípio da irretroatividade (transcreve jurisprudência judicial e administrativa, bem como doutrina sobre o assunto); – ademais, a exclusão se dará a partir da verificação da infração, consoante previsão instada no art. 15, incisos II e VI, da Lei nº 9.137 de 1996. Por conseguinte, como a constatação da suposta infração se deu apenas em novembro de 2011, através de constatação de suposta omissão de receita, hipótese Fl. 3892DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 30 expressamente prevista na legislação de regência, não se aplica o art. 15, V, e sim o inciso VI do art. 15 da Lei nº 9.137, de 1996 (cita jurisprudência do STJ); – não se pode atribuir efeitos retroativos à exclusão imposta em Ato Declaratório de novembro de 2011, restando totalmente indevido qualquer lançamento fiscal que cobre valores referentes aos exercícios anteriores, e, portanto, ilegal a retroatividade da exclusão do Simples, a partir de janeiro de 2007, tampouco em janeiro de 2008 para o Simples Nacional, devendo recair tão somente, acaso confirmada a autuação, a partir de anocalendário subseqüente ao ano de 2011, ou seja, a partir de janeiro de 2012, ou pelo menos com início em 4 de novembro de 2011; 5. DOS REQUERIMENTOS – por todo o exposto, ressaltando que toda a exigência fiscal decorre do questionamento de compras de mercadorias pela empresa Nilberto Santos de Souza e de supostas omissões de receita, e, ficando devidamente comprovado que tais operações não dizem respeito à J L de Lima Cereais, ou mesmo ao Sr. José Lino, ora Defendentes, requerse: 1. Inicialmente, a anulação dos autos de infração desafiados pelo descumprimento do disposto no art. 7º, I e §2° do Decreto 70.235/72 e art. 196 do CTN, injustificada a ausência de menção ao real objeto da fiscalização nem mencionado o prazo imposto na Lei de Procedimentos Administrativos Fiscais, tendo superado o prazo para sua lavratura, consoante preliminar arguida, podendo ainda, caso não seja anulado, ser restabelecida a espontaneidade do débito confessado; 2. Outrossim, de forma preliminar, requerse o acolhimento das demais preliminares, em razão da ausência de requisitos para a lavratura dos autos de infração, ausência de ligação com o fato gerador do tributo, do malferimento ao direito de defesa e ao contraditório e da impossibilidade de lançamento com base em mera presunção; 3. Acaso superadas as preliminares, pedese a esta Nobre Delegacia Regional de Julgamento, que considere todas as provas juntadas aos autos, para fim de anular a autuação vergastada, ante a ausência de provas para a lavratura do termo de sujeição passiva solidária, expurgando a responsabilidade dos valores lançados pelos Autos de Infração que foram arbitrados sobre rendimentos de pessoa jurídica JL de Lima Cereais. Do contrário, afaste qualquer valor que não esteja efetivamente comprovada sua origem nos negócios citados na autuação, possibilitando a identificação dos valores verdadeiramente devidos pelo Suplicante, afastando os valores que configuram rendimentos, mas mero depósito transitório e, por conseguinte, afaste a multa confiscatória imputada; 4. Protesta a Defendente, pelo recebimento deste Recurso, em obediência ao que dispõe o Decreto 70.235/72, suspendendo os efeitos dos Atos Declaratórios Executivos nº41 e 42 e do Auto de infração desafiado, em razão da impossibilidade dos efeitos da exclusão do SIMPLES retroagir para prejudicála a partir de Fl. 3893DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 17 31 janeiro de 2007, por desobediência aos princípios constitucionais da irretroatividade, tipicidade, restando totalmente afastados os efeitos retroativos da exclusão (item constante apenas da impugnação de JL de Lima Cereais Ltda). Consoante fl. 97 do processo apensado de nº 10530.725799/201177, em 5 de dezembro de 2011, a empresa JL de Lima Cereais, protocolou Manifestação de Inconformidade, assinada por seu titular, contra os Atos Declaratórios Executivos nº 41 e 42, que tratam da exclusão da referida empresa do Simples e do Simples Nacional, respectivamente, cujos tópicos trazem as seguintes argüições: 1. DA TEMPESTIVIDADE DA PRESENTE MEDIDA – mesmo teor das impugnações já relatadas; 2. OS ATOS DECLARATÓRIOS EXECUTIVOS VERGASTADOS – os efeitos da exclusão retroagem no tempo e trazem consigo situações inovadoras no mundo jurídico, em flagrante desrespeito ao devido processo legal e ao contraditório; – o ato declaratório tem fundamento numa situação jurídica “não válida”, ou seja, a pretensa exclusão se dá por meio do que fora constatado nos autos do Processo Administrativo nº 10530.725.435/201197, e gera efeitos a partir de dezembro de 2004 e 2007, respectivamente; – o ato de exclusão não pode subsistir por duas razões simples: 1 – para ter validade o ato de exclusão deve aguardar o desfecho, leiase trânsito em julgado, do processo administrativo, pois somente neste momento é que os fundamentos nele utilizados pela fiscalização terão validade; 2 – o ato de exclusão não pode retroagir para criar situação jurídico tributária nova, tampouco desconsiderar as informações fiscais declaradas ao fisco e válidas, por representarem os fatos geradores da época; – em face da protocolização da Manifestação de Inconformidade pela Recorrente, em desafio aos termos postos no auto de infração resultante do processo administrativo nº 10.530.725.435/201197, encontramse suspensas, por conseguinte, as razões que ensejaram a exclusão da Recorrente do Simples e Simples Nacional, consoante especificados nos atos declaratórios ora impugnados; 3. A IMPUTAÇÃO TRAZIDA NO AUTO DE INFRAÇÃO E DOS FATOS EFETIVAMENTE OCORRIDOS. – mesmos argumentos expostos no tópico com o mesmo título, da impugnação de JL de Lima Cereais Ltda, já relatada; 4. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO SUPOSTO DÉBITO EM FACE DA INTERPOSIÇÃO DE DEFESA ADMINISTRATIVA – ART. 151, INC. III DO CTN. Fl. 3894DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 32 – avulta do art. 151, inciso III, do CTN, transcrito, a impossibilidade de o fisco cobrar supostos débitos tributários enquanto pendente de resposta o Recurso Administrativo interposto, em desafio à exigência fiscal, tampouco editar ato administrativo com efeitos retroativos (exclusão do Simples e do Simples Nacional); – assim, requer a Recorrente, a suspensão da exigibilidade da decisão que a excluiu do Simples e Simples Nacional enquanto não sobrevier decisão administrativa definitiva no âmbito do processo administrativo; 5. DA IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SISTEMA SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. – mesmos argumentos expostos no tópico com o mesmo título, da impugnação de JL de Lima Cereais Ltda, já relatada; 6. REQUERIMENTOS. – por todo o exposto, ressaltando que toda a exigência fiscal decorre do questionamento de compras de mercadorias pela empresa Nilberto Santos de Souza, e ficando devidamente comprovado que tais operações não dizem respeito à JL de Lima Cereais Ltda, e que a referida imputação está sob defesa administrativa, porquanto suspensa a exigibilidade de qualquer lançamento tributário, requer a anulação dos atos declaratórios executivos, porquanto injustificadas as razões para sua declaração, e ainda, diante da suspensão da exigibilidade das imputações trazidas no auto de infração lavrado no âmbito do Processo Administrativo nº 10530.725435/201197, bem como pelo fato de ser nula a retroatividade dos efeitos de tal exclusão, com supedâneo no princípio da retroatividade, do devido processo legal e do ato jurídico perfeito, devem ser anulados os atos declaratórios vergastados, restando totalmente afastados os efeitos retroativos da exclusão. Em 17 de janeiro de 2012, a empresa JL de Lima Cereais Ltda apresentou a impugnação de fls. 3.188 a 3.255, contra os Autos de Infração lavrados após a sua exclusão do Simples e do Simples Nacional, impugnação esta, subscrita pelo titular e pelo procurador, devidamente constituído, na qual repete os argumentos trazidos nas impugnações anteriores, acrescidos das alegações a seguir: 2. IMPUTAÇÃO TRAZIDA NO AUTO DE INFRAÇÃO E DOS FATOS EFETIVAMENTE OCORRIDOS. Neste tópico adiciona as seguintes arguições: – não pode o fiscal atribuir como receita não declarada a mera movimentação financeira do contribuinte fiscalizado, inclusive porque o fiscal sequer excluiu os valores de cheques devolvidos ou operações entre contas correntes da empresa e da pessoa física ou mesmo valores pertencentes a terceiros, corroborada pelos próprios extratos bancários já apresentados perante a fiscalização; Fl. 3895DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 18 33 – a ausência de escrituração de todas as operações decorre da previsão legal, além de conseqüência da produção e venda informal de produtos hortifrutigranjeiros, realizada de diversas formas, sendo à vista, a prazo, verbalmente, baseada na confiança e no conhecimento das pessoas, o que é muito comum nas cidades do interior dos Estados do Nordeste do Brasil; – comprovado que os valores depositados são provenientes de diversas relações, pessoais e comerciais, dentre as quais atividade rural relativa ao plantio e comercialização de hortifrutigranjeiros, não se pode acolher a tese exposta pela Fiscal Autuante na conclusão do Procedimento; 3. PRELIMINARMENTE 3.1. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INEXISTÊNCIA DE INTIMAÇÕES PARA ESCLARECIMENTO ACERCA DAS OPERAÇÕES DA EMPRESA NILBERTO SANTOS DE SOUZA (tópico específico) – em face da existência do princípio do contraditório assegurado pela Constituição Federal, mesmo na fase que precede à lavratura do auto de infração e da imposição da multa, se o agente fiscal não encontra qualquer pagamento ou recolhimento de tributo, antes de autuar, deve intimar o contribuinte, por escrito, na pessoa de seu representante legal, a prestar no prazo razoável, todos os esclarecimentos necessários, da origem ou das causas dessa suposta inexistência de pagamento; – no presente caso, não existiu qualquer intimação prévia do Defendente acerca de operações de aquisição ou mesmo transporte de mercadorias pela empresa de Nilberto Santos de Sousa, antes de ser lavrado o Auto em comento, não se entendendo qual o motivo que orientou o Auditor Federal a não se utilizar da aludida intimação necessária; – em virtude da ausência dos requisitos legais, exigidos por lei, para lavratura do presente Ato, como exaustivamente demonstrado, vem, a empresa, preliminarmente requerer a nulidade do Auto de Infração ora atacado; 4.2. DA INEXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO ENSEJADORA DE FATO GERADOR (ART. 124 CTN) SUPOSTAMENTE REALIZADO PELA EMPRESA NILBERTO SANTOS DE SOUSA. (tópico específico) – o fiscal não fundamentou qual a legislação que serviu para a responsabilização do Defendente pelas supostas dívidas tributárias de terceiros; – a previsão legal do art. 124, I, do CTN, não pode servir para a imputação ao Defendente da responsabilidade pelo pagamento do tributo supostamente devido por terceiro; – só existem dois tipos de solidariedade: a primeira delas diz respeito à imposição legal, ou seja, as pessoas expressamente Fl. 3896DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 34 designadas na lei (art. 124,1, do CTN); a segunda decorre do interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Esta solidariedade não se presume, mas resulta de expressa previsão de lei, como é o caso do art. 124, I, do CTN. Todavia, no caso concreto, somente lei específica poderia disciplinar a incidência do tributo em questão; – se diz isso porque "O inciso I noticia a solidariedade natural. É o caso dos dois irmãos que são coproprietários "proindiviso" de um trato de terra. Todos são, naturalmente, codevedores solidários do imposto territorial rural". Já o nobre Prof. De Plácido e Silva registra, como sempre com inteira propriedade: "No sentido jurídico, a solidariedade, igualmente, configura a consolidação em unidade de um vínculo jurídico diante da pluralidade de sujeitos ativos e passivos de uma obrigação, a fim de que somente se possa cumprir por inteiro, ou in solidum". – o art. 124, I, do CTN estabelece que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (inciso I) e também as pessoas expressamente designadas por lei (inciso II). Acontece "que a disposição genérica do inciso I do art. 124 do CTN não é suficientemente adequada para revelar com precisão e segurança a exata mediada da condição dos partícipes da concretização do fato gerador"; – destaquese o ensinamento do Ilustre Jurista Hugo de Brito Machado: "A nosso ver, duas ou mais pessoas podem ter interesse em uma situação e esse interesse não ser comum". E continua: "o fato de serem partes em um contrato apenas significa que o legislador pode, por disposição expressa, instituir a solidariedade entre elas". E conclui adiante: "Uma coisa é terem duas ou mais pessoas interesse na situação. Outra é terem duas ou mais pessoas interesse comum na situação. O interesse comum, cuja presença cria a solidariedade, não é interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico." Nesta razão, ainda segundo o Prof. De Plácido e Silva: "o interesse jurídico é o interesse juridicamente ou legalmente protegido, porque se exibe legítimo, positivo, certo, atual e inequívoco". – in casu, o fiscal autuante atribui a responsabilidade à empresa J L Lima Cereais pelo Simples fato de parte das mercadorias vendidas à empresa Nilberto serem transportadas em caminhões registrados em nome do Sr. José Lino de Lima. Ora, fica evidenciado que não há interesse comum na compra de "produtos agrícolas", mas simplesmente no eventual transporte de tais mercadorias, sendo este o único interesse na relação; – o Sr. José Lino também compra produtos agrícolas e os motoristas podem trazer mercadorias de terceiros, sem seu livre consentimento inclusive; – não há interesse jurídico no fato gerador da compra de mercadorias pelo Sr. Nivaldo, que comprou produtos agrícolas em nome próprio, conforme notas fiscais, depoimentos dos próprios vendedores de mercadorias e dos transportadores/motoristas; Fl. 3897DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 19 35 – não basta que se alegue o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, somente porque alguns caminhões pertencentes ao Sr. José Lino transportaram mercadorias do Sr. Nilberto. Tal interesse, no máximo, diria respeito ao auferimento de renda decorrente do transporte de mercadorias, entretanto, jamais significaria que a empresa J L Lima Cereais seria responsável pela receita advinda da venda de tais mercadorias; (...) A DRJ manteve parcialmente o lançamento, conforme dispositivo abaixo transcrito: Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar Procedentes em Parte as Impugnações contra os Autos de Infração e Improcedentes a Manifestação de Inconformidade contra os Atos Declaratório Executivo nº 41 e 42 e a Impugnação contra a sujeição passiva atribuída ao Sr. José Lino de Lima, rejeitando as preliminares de nulidade, de inconstitucionalidade e de decadência, e no mérito, mantendo, parcialmente, os lançamentos relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$75.227,37 (setenta e cinco mil, duzentos e vinte e sete reais e trinta e sete centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$76.492,70 (setenta e seis mil, quatrocentos e noventa e dois reais e setenta centavos), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$55.090,90 (cinquenta e cinco mil, noventa reais e noventa centavos), à de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$225.070,85 (duzentos e vinte e cinco mil, setenta reais e oitenta e cinco centavos), e de Contribuição para a Seguridade Social – INSS, no valor de R$647.822,80 (seiscentos e quarenta e sete mil, oitocentos e vinte e dois reais e oitenta centavos), acrescidos da multa de ofício qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) e dos juros de mora, apurados pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), mantendo a exclusão da Contribuinte do Simples e do Simples Nacional, mantendo parcialmente os lançamentos relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$254.513,29 (duzentos e cinquenta e quatro mil, quinhentos e treze reais e vinte e nove centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$123.077,87 (cento e vinte três mil, setenta e sete reais e oitenta e sete centavos), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$74.444,68 (setenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e sessenta oito centavos), à de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$341.150,54 (trezentos e quarenta e um mil, cento e cinquenta reais e cinquenta e quatro centavos), acrescidos da multa de ofício no qualificada no percentual de 150% sobre a parcela dos tributos decorrentes da infração descrita no item 1, e da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada sobre a parte dos tributos Fl. 3898DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 36 provenientes da infração descrita no item 2, além dos juros de mora, lavrados após a exclusão da pessoa jurídica do Simples e do Simples Nacional, e ratificando a responsabilidade solidária pelo crédito tributário imputada ao Sr. José Lino de Lima, CPF 105.394.41520, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devidamente intimado em 27 de julho de 2013, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 27 de agosto de 2013, alegando os mesmos argumentos trazidos nas impugnações, com outra roupagem lingüística. Este é o Relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Entendo que não há razões para a reforma da decisão recorrida. Quanto às preliminares, passemos a enfrentálas de forma objetiva. A primeira questão a ser colocada é quanto à nulidade da autuação por falta de cumprimento do artigo 7º, inciso I, e §2° do Decreto nº 70.235/72 e art. 196 do CTN, que segundo a contribuinte teria ausência de menção ao real objeto da fiscalização nem mencionado o prazo imposto na Lei de Procedimentos Administrativos Fiscais e nada mencionado em relação ao ano de 2006 Com o devido respeito à Recorrente, a fiscalização iniciou com os procedimentos de praxe solicitando uma série de documentos da empresa Nilberto Santos de Souza, como livros fiscais, cópia do contrato social, livros de entrada e saída de ICMS, etc. A investigação foi aprofundada na empresa Nilberto, sendo constatado por meio de evidências e indícios que o proprietário dessa empresa era na verdade um laranja, redirecionando toda a fiscalização à J L de Lima Cereais. Portanto, nessa fase inicial de investigação, a fiscalização não está obrigada a atender ao princípio do contraditório ou da ampla defesa, sendo apenas respeitado esse procedimento após a expedição de Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples e da Autuação Fiscal, sendo dado perfeitamente ao Sr. José Lino de Lima e à JL de Lima Cereais o direito à ampla defesa e ao contraditório, tanto é que apresentou Manifestação de Inconformidade, Impugnações e Recursos. Com isso, é válido o redirecionamento da fiscalização e investigação de terceiros na fase inquisitória, como ocorreu no presente caso, sendo inclusive obtidos provas por meio de intimação de clientes etc. Fl. 3899DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 20 37 Quanto ao Termo de Sujeição Passiva, em razão da constatação do interesse comum do Sr. José Lino nas operações de sonegação fiscal praticada pela autuada, há que se manter a solidariedade nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. Já quanto ao Sr. Nilberto, o mesmo deve ser responsabilizado pelo débito nos termos do artigo 124, inciso II, do CTN e artigo 135, pois tinha total conhecimento da fraude, emprestando seu nome como laranja nas operações. Ademais, como se pode constatar, as movimentações financeiras praticadas na empresa laranja utilizada pela empresa autuada, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, inverte o ônus da prova. Portanto, caberia à autuada demonstrar a origem dos valores. Contudo, optou pela negativa geral sobre a questão. Nesse sentido, não vejo nenhuma nulidade por falta de identificação dos fatos geradores tributados, pois os mesmos foram descritos em planilha e a autuada foi intimada para justificar as operações. Quanto aos fatos, vejamos o que levou à DRJ manter parcialmente o lançamento fiscal: Neste caso concreto, está demonstrado nos autos que: – a empresa Nilberto Santos de Souza fez compras de mercadorias (batatas) no valor de R$8.252.129,04, em 2006, e R$9.186.365,88, em 2007, ao passo que não realizou nenhuma movimentação financeira em qualquer período de sua existência e, sequer, possui contas bancárias; – o titular Nilberto Santos de Souza entregou Declaração Anual de Isento em 2003 e desde então vem entregando Declarações do Imposto de Renda das Pessoas Físicas zeradas. Nenhum rendimento, nenhum patrimônio. Também não realizou nenhuma movimentação financeira, nem possui contas bancárias. No período de 03/03/2009 a 01/07/2010, foi empregado como motorista da empresa Lovel Locação de Veículos Leves e Pesados Ltda; – os endereços cadastrais, na Receita Federal, tanto da empresa Nilberto Santos de Souza, quanto do seu titular, não existem, e ambos são desconhecidos pela vizinhança da rua indicada como sendo a do endereço da empresa, rua esta, essencialmente residencial, com casas de pequeno porte; – quando interrogada, a contadora responsável pela DMA entregue pela empresa Nilberto Santos de Souza informou desconhecer a empresa e seu titular e que possivelmente alguém teria usado seus dados (nome, CRC e telefone) indevidamente. Sobre o fato de os endereços do Sr. Nilberto e da mãe dele coincidirem com a rua e a numeração próxima do seu escritório de contabilidade e do seu endereço no CPF, a contadora alegou que provavelmente o endereço do Sr. Nilberto era o de uma casa vizinha que havia sido demolida há alguns anos, ao passo que a fiscalização constatou não haver nenhum terreno vazio, tampouco, imóvel recém construído na rua que corrobore a Fl. 3900DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 38 informação da contadora. Ou seja, os fatos contradizem as informações da contadora; – no contato telefônico com a fiscalização, o Sr. Nilberto, ao ser informado de que era sobre a empresa que ele constituiu e que havia indícios de utilização por José Lino, informou que não morava mais em Juazeiro e recusouse a fornecer o novo endereço, desligando o telefone, demonstrando estar ciente dos fatos e deles participar conscientemente. – conforme informações dos clientes da empresa Nilberto Santos de Souza, as negociações eram sumárias, as mercadorias eram vendidas no Mercado do Produtor, eles não identificavam os responsáveis pela empresa, o pagamento era à vista e é citado “Box da empresa”, sem maiores identificações; – a administração do Mercado Produtor informou desconhecer a empresa Nilberto Santos de Souza; – das informações dos 6 (seis) principais fornecedores, extraise que os negócios eram firmados por telefone. Todos mantiveram contato com o Sr. Nilberto e um deles informou contato com uma pessoa conhecida como Zé Lima, pelo telefone 36114796. Outros quatro, inclusive o maior fornecedor, informaram como telefone de contato o número de telefone da empresa JL de Lima Cereais Ltda nos cadastros da Receita Federal e da Receita Estadual; – dentre os envolvidos, o Sr. José Lino, titular da empresa JL de Lima Cereais Ltda, constituída formalmente no Mercado do Produtor de Juazeiro e dedicada ao comércio hortifrutigranjeiro, é o único com patrimônio e movimentação financeira substancial e compatível com os valores transacionados; – grande parte das notas fiscais de compra relaciona o Sr. José Lino, um dos seus veículos e/ou dos empregados da empresa JL de Lima Cereais Ltda como transportador e recebedor das mercadorias e o telefone da empresa JL de Lima Cereais Ltda. consta em todas as notas fiscais do segundo maior fornecedor; – o cotejo dos extratos bancários do Sr. José Lino com os boletos e notas fiscais coletados com os fornecedores evidencia que vários pagamentos de compras feitas em nome da empresa Nilberto Santos de Souza saíram das contas bancárias do Sr. José Lino; – a nota fiscal nº 13225, emitida pelo fornecedor Lavoura Igarashi, em 20/10/2007, no valor de R$10.800,00, pela venda de 40 sacas de batatas, à empresa Nilberto Santos de Souza, está contabilizada no Livro Caixa da empresa JL de Lima Cereais Ltda, fato este, que a própria impugnante reconhece como uma evidência de que ela é a proprietária daquela mercadoria; Definitivamente, nenhuma evidência existe de que a empresa Nilberto Santos de Souza tenha praticado quaisquer das operações em comento por sua conta e risco. O que se tem de concreto é que os negócios eram firmados com os fornecedores Fl. 3901DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 21 39 apenas por telefone, quase sempre utilizando o telefone da empresa JL de Lima Cereais, as mercadorias transportadas em caminhões de propriedade do Sr. José Lino, dirigidos por motoristas empregados da empresa JL de Lima Cereais Ltda, pagamentos efetuados por meio das contas bancárias do Sr. José Lino, assim como a existência de nota fiscal referente a compra feita supostamente em nome da empresa Nilberto, contabilizada pela empresa JL de Lima Cereais Ltda. As vendas eram realizadas, à vista, no Mercado do Produtor, local onde a empresa Norberto Santos de Souza é desconhecida e onde está estabelecida a empresa JL de Lima Cereais Ltda. No meu modo de ver não há presunção, há provas diretas enunciadas acima que levam a considerar as receitas omitidas à empresa autuada, com a participação e interesse comum do Sr. José Lino. Basta observar as descrições trazidas na fl. 4 do Termo de Verificação Fiscal que se observará essas provas diretas contra a empresa autuada, sendo que os fornecedores indicaram o Sr. José Lima como o operador das compras. Diante dessa fraude toda, resta evidente que não há decadência, pois a autuação fiscal se deu em outubro de 2011, sendo que os fatos geradores autuados são de 2006 a 2007. No caso em questão, existindo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial é o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, como bem assentado no RESP nº 973.733/SC do STJ. Quanto à multa de 150%, a fiscalização investigou profundamente e identificou a fraude, o que justifica nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 a multa qualificada. Se a multa é confiscatória Quanto aos valores pagos no Simples, a DRJ já os considerou para fins de abatimento. Quanto à exclusão do Simples, agiu de forma correta e nos termos da Lei, que autoriza retroagir a exclusão do sistema simplificado a partir do ano subseqüente à constatação da irregularidade. Tais informações estão devidamente fundamentadas no Relatório Fiscal que resultou na expedição dos Atos Declaratórios Executivos nº 41 e 42/2011: Os fatos relatados comprovam que JL DE LIMA CEREIAS, optante pelo Simples até junho/2006 e pelo Simples Nacional a partir de julho/2007, auferiu receitas que totalizam R$ 8.252.129,04 no anocalendário 2006, excedente aos limites para ingressar no Simples e no Simples Nacional (R$ 2.400.000,00), estabelecidos pelo artigo 9º, I, da Lei nº 9.317, de 1996 e pelo artigo 12, I, da Resolução CGSN nº 4, de 2007, respectivamente. Tais infrações sujeitamna à exclusão do Simples a partir de janeiro de 2007 e do Simples Nacional a partir de julho de 2007, conforme disposto no artigo 14, I, da Lei 9.317/96 e artigo 5º, I, da Resolução CGSN nº 15, de 2007, respectivamente. Fl. 3902DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 40 Em face do exposto proponho o encaminhamento desta Representação ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, para que seja determinada sua exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2007, e do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007. Quanto ao Pis e a Cofins de 2007, em que se pleiteia a aplicação da alíquota zero, nos termos do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, vigente inclusive quando dos lançamentos fiscais, contempla a alíquota zero para produtos como a batata. Vejamos os argumentos trazidos pelo contribuinte no qual acolho integralmente: Fl. 3903DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10530.725798/201122 Acórdão n.º 1201001.163 S1C2T1 Fl. 22 41 Como se pode observar das notas fiscais apresentadas pelos fornecedores à fiscalização, os produtos considerados inclusive para efeitos de apuração do valor devido tem como referência às aquisições, e nessas aquisições não há dúvidas de que o produto é batata , sendo portanto desonerada do Pis e da Cofins. Como jurisprudência sobre a matéria cumpre trazer o entendimento dessa Corte: Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, rejeito todas as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito, DOULHE parcial provimento, para excluir do lançamento o Pis e a Cofins do ano de 2007. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 3904DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 42 Fl. 3905DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO
score : 1.0
