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Numero do processo: 13748.000154/2009-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE RECIBOS E DECLARAÇÕES.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações comprobatórias da efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-002.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a dedutibilidade das despesas, no valor de R$ 8.400,00, com a profissional Edilene de Assumpção Santos (fls. 10/15), e no valor de R$ 8.000,00 com a profissional Sandra Regina Costa Farias (fl. 23/24), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 28/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE RECIBOS E DECLARAÇÕES. Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações comprobatórias da efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido em Parte
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COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE RECIBOS E DECLARAÇÕES. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações comprobatórias da efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a dedutibilidade das despesas, no valor de R$ 8.400,00, com a profissional Edilene de Assumpção Santos (fls. 10/15), e no valor de R$ 8.000,00 com a profissional Sandra Regina Costa Farias (fl. 23/24), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 28/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 01 54 /2 00 9- 56 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2005, exercício 2006, de fls. 4/7, decorrente da glosa de dedução indevida com a dependente Pilar de Brito Gomes, no valor de R$ 1.404,00, pela não comprovação de sua condição de universitária; despesas com instrução, no valor de R$ 2.198,00, por falta de previsão legal para dedução; despesas médicas no valor de R$ 24.050,00, e; omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 4.834,41. Apreciada a Impugnação (fl. 1/3), a ação fiscal foi julgada procedente, mantidas as glosas relacionadas às deduções indevidas com dependente, instrução e omissão de rendimentos, por falta de impugnação específica; mantidas também as glosas das despesas médicas face à falta de comprovação do efetivo pagamento. Nas razões de Voluntário (fls. 52/54), o Recorrente sustenta a legitimidade dos recibos médicos acompanhados das declarações dos profissionais. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. É de se reformar parcialmente a decisão recorrida. Com a devida vênia do decidido em 1ª instância, o Recorrente trouxe com a Impugnação declaração acompanhada dos respectivos recibos da profissional Edilene de Assumpção Santos (fls. 10/15), comprobatórias de despesas médicas no valor de R$ 8.400,00. Ademais, se dúvidas persistem sobre o beneficiário do tratamento fisioterápico, estas são dirimidas pelos atestados de fls. 58 e 59, no qual se atesta a necessidade das sessões de fisioterapia realizadas pelo Recorrente. De igual modo, o Recorrente trouxe com a Impugnação declaração acompanhada dos respectivos recibos emitidos pela profissional Sandra Regina Costa Farias (fl. 23/24), no valor de R$ 8.000,00, em meu entendimento, suficientes para comprovar a respectiva dedutibilidade. Isso porque lá constam os dados do profissional (CPF e n. de inscrição do respectivo órgão profissional), endereço do estabelecimento e beneficiário do tratamento (o Fl. 65DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13748.000154/200956 Acórdão n.º 2802002.157 S2TE02 Fl. 65 3 próprio Recorrente); ou seja, preenchidos se encontram os requisitos previstos em lei para fins de reconhecimento do seu valor probante. Nesse sentido já decidiu esta C. 2ª Turma Especial, no Acórdão n. 2802 00.402, em 27/07/2010, relatoria do i. Conselheiro Sidney Ferro Barros: COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Não reconheço a dedutibilidade das despesas médicas da profissional Sueli Santos Pombo (16/22), no valor de R$ 7.200,00, por se tratar, o beneficiário, de não dependente. Intimado a comprovar a relação de dependência da filha (condição de universitária), o Recorrente nada disse em Impugnação. Em sede recursal, limitase a afirmar que a filha é dependente por não receber rendimentos assalariados e se encontrar sob tratamento médico. O documento de fl. 16, no qual a psicóloga Sueli Pombo atesta que a filha do Recorrente Pilar de Brito Comes se encontra sob tratamento psicoterápico, não é suficiente para provar a incapacidade desta para o trabalho, requisito essencial para fins de reconhecimento da condição de dependente. Ante o exposto, conheço e no mérito, dou provimento parcial ao Recurso, apenas para reconhecer a dedutibilidade das despesas, no valor de R$ 8.400,00, com a profissional Edilene de Assumpção Santos (fls. 10/15), e no valor de R$ 8.000,00 com a profissional Sandra Regina Costa Farias (fl. 23/24). É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000719/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2007
RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO.
Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVAR A EFETIVIDADE DO PAGAMENTO INDEVIDO.
O reconhecimento do direito creditório exige que seja demonstrada a efetividade do pagamento e que este era indevido. Na ausência de provas dos pagamentos não como ser reconhecido tal direito.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei
8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.605
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 08/2002, anteriores a 09/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos listados no CORESP, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que votou em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional; c) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2007 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO. Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVAR A EFETIVIDADE DO PAGAMENTO INDEVIDO. O reconhecimento do direito creditório exige que seja demonstrada a efetividade do pagamento e que este era indevido. Na ausência de provas dos pagamentos não como ser reconhecido tal direito. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 08/2002, anteriores a 09/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos listados no CORESP, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que votou em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional; c) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2261; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 339 1 338 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000719/200769 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.605 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NFLD PAT CONT. INDIVIDUAL Recorrente ARGALIT INDÚSTRIA DE REVESTIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2007 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO. Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVAR A EFETIVIDADE DO PAGAMENTO INDEVIDO. O reconhecimento do direito creditório exige que seja demonstrada a efetividade do pagamento e que este era indevido. Na ausência de provas dos pagamentos não como ser reconhecido tal direito. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 08/2002, anteriores a 09/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos listados no CORESP, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que votou em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional; c) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 340 3 (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes Redator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de lançamento, lavrado em 17/08/2007, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 145/154, omitido da incidência da contribuição previdenciária, parte da empresa e dos empregados, da contribuição ao SAT/RAT e das contribuições de terceiros, o valor equivalente à alimentação fornecida sem inscrição no PAT e ao pagamento de autônomos, no período de 01/1997 a 03/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 100.607,95, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 04/09/2007, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 286/300, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 12ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro, no Acórdão de fls. 310/318, julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 01/04/2008, fls. 321. O recurso voluntário, apresentado em 22/04/2008, fls. 322/337, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Teria ocorrido nulidade formal do auto de infração ao relacionar os sócios da recorrente como coresponsáveis, uma vez que não houve apuração das infrações previstas no art. 135 do CTN. Defende a compensação levada a efeito em sua contabilidade, tendo em vista que era decorrente de recolhimentos indevidos sobre pagamentos a autônomos que foram objeto da Resolução 14/95. Explica que tem direito à compensação, conforme art. 66 da Lei 8.212/91. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. É o relatório. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 341 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Exclusão dos diretores do anexo “CORESP” Em suas razões recursais o contribuinte tece considerações defendendo a exclusão dos sóciosgerentes da empresa da lista de ‘coresponsáveis’. E, no meu sentir, tem razão a empresa recorrente. É que, uma vez arrolados os sóciosgerentes da empresa na anexa lista, o documento terá como escopo a garantia de inclusão das pessoas nele indicadas no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal. Portanto não se trata de uma simples lista de todas as “pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo”, como defendido pela Fazenda. Além do aspecto formal, a questão também deve ser analisada sob a perspectiva dos efeitos práticos e imediatos na vida dos contribuintes. E o prejuízo é patente, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será de pronto inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os coresponsáveis listados na relação anexa a NFLD, sem que haja uma única oportunidade concreta de defesa. Não é demais falar que no caso da pessoa jurídica, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, como exceção à regra geral, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. Nesse sentido, dispõe o inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional que: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Desta forma, diante do referido comando, a responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sóciogerente responsável ou para o representante legal capaz. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Além disso, somente poderá acontecer quando houver prova que praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sóciosgerentes ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais somente aceitam a citação dos coresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e apenas nessa hipótese poderá constar o nome do coresponsável. Isso porque partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sóciogerente ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos coresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do coresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao coresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo, inclusive com a inversão do ônus da prova para pessoa do sócio ou do diretor arrolado na Certidão. Nesse sentido colhese a seguinte decisão ementada: “PROCESSUAL CIVIL – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – SÚMULA 211/STJ – NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO CUJO NOME CONSTA NA CDA – POSSIBILIDADE. 1. Descumprido o necessário e indispensável exame dos artigos pelo acórdão recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, a despeito da oposição dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 211/STJ. 2. A Primeira Seção, no julgamento dos EREsp 702.232/RS, de relatoria do Min. Castro Meira, assentou que, se a execução fiscal foi promovida contra a pessoa jurídica e o sóciogerente ou se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, compete ao sócio o ônus da prova de demonstrar que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no mencionado art. 135 do CTN, em face da presunção juris tantum de liquidez e certeza da referida certidão. 3. Na hipótese dos autos, a Certidão de Dívida Ativa, conforme verificado pelo Tribunal de origem, incluiu o sócio como corresponsável tributário, cabendo à executada o ônus de provar os requisitos do art. 135 do CTN. Agravo regimental improvido.” Fl. 348DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 342 7 (AgRg nos EDcl no Ag 1162734/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 17/11/2009) Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do coresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no pólo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Resta claro o prejuízo para as pessoas arroladas como responsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente lançamento, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, pois a relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Feitas essas considerações, acato esta preliminar a fim de afastar a co responsabilidade dos sóciosgerentes listados no CORESP, tendo em conta que não houve nos autos a adequada apuração do cometimento das condutas exigidas pelo caput do art. 135 do CTN. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social Fl. 349DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 343 9 Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 344 11 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 345 13 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 346 15 Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. No Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA) de fls. 94/98 encontramos pagamentos referentes aos períodos que interessam para a discussão de decadência. Portanto, em consonância com nossa posição acima apresentada, adotamos o dies a quo da decadência aquele do art. 150, §4º do CTN até o momento no qual o fisco se pronuncia no sentido de fazer verificações e realizar a homologação expressa ou o lançamento de ofício com o início da fiscalização. Logo, tendo a fiscalização sido iniciada em 04/2007, estariam atingidos pela decadência os fatos geradores até 03/2002. A recorrente não discute o mérito dos levantamentos, preferindo alegar que efetuou compensação que não foi acolhida. Esse aspecto foi muito bem tratado na decisão a quo: 15. Em que pese a inconteste suspensão da eficácia erga omnes do artigo 3°, inciso I, da Lei n° 7.787/89, nos termos da Resolução Senatorial n° 14/95, publicada em 28/04/1995, e decisão do STF na ADIN 11022/DF, que declarou inconstitucionais as expressões "autônomos" e "empresários", contidas no artigo 22, inciso I, da Lei n° 8.212/91, republicada em 01/12/95, entendo que as alegações da defendente não são capazes de desconstituir o presente lançamento, conforme veremos nas considerações constantes nos itens seguintes. 16. Consoante se aduz nos dispositivos transcritos, a compensação é medida que se efetiva por iniciativa do contribuinte, e por sua conta e risco, sem que haja a necessidade de qualquer manifestação prévia da autoridade fazendária no sentido de autorizar a medida, sendo que no tributo sujeito ao lançamento por homologação, como é o caso, a Fazenda Pública tem o poderdever de homologar o procedimento levado a efeito pelo sujeito passivo, desde que este tenha observado os preceitos legais aplicáveis à matéria, bem como o comando porventura estatuído em decisão judicial passada em julgado. 17. Ocorre que o crédito tributário relativo à glosa de compensações efetuadas indevidamente porquanto já atingidas pela prescrição(sic) — em face dos citados dispositivos legais declarados inconstitucionais, já foi devidamente lançado em NFLD (DEBCAD n° 37.021.9457), lavrada na mesma ação fiscal, e se refere ao período de 03/2001 a 08/2001, e não a todo o período objeto do presente lançamento (01/01/1997 a 31/03/2007), o que demonstra, salvo melhor juizo, a pretensão da defendente em alegar que efetuou outras compensações nas demais competências, sem, contudo, mencionar quais seriam as mesmas. 18. Em sua peça impugnatória a defendente se limitou apenas a alegar genericamente que o presente crédito tributário já se encontra extinto pela compensação, em razão da inconstitucionalidade dos dispositivos já citados, sem, contudo, juntar quaisquer documentos probatórios, tais como folhas de Fl. 357DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 pagamentos, guias de recolhimento, recibos de pagamento, planilhas de cálculo, entre outros, que fossem capazes de demonstrar a sua titularidade do direito subjetivo creditório, uma vez que o pressuposto elementar para se efetuar o referido encontro de contas é a condição de credor, sem a qual não há que se falar em compensação. Na peça recursal, a recorrente nada acrescentou, o que nos induz a acompanhar a decisão de primeira instância pelos mesmos fundamentos. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, seja aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: 1 lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; 2 lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Fl. 358DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 347 17 Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo do benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável às outras duas situações. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Fl. 360DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 348 19 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de Fl. 361DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (a) afastar a responsabilidade dos sócios listados no Anexo Coresp; (b) afastar os fatos geradores ocorridos até 03/2002, por conta da decadência e (c) afastar a multa de mora. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 349 21 (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Lopes, redator designado Da Decadência No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seriam de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 363DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 22 Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 350 23 Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das Fl. 365DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 24 contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação. Depreendese dos autos que a Recorrente efetuou o pagamento de algumas das contribuições devidas à Seguridade Social, conforme se infere do Relatório de Documentos Apresentados (fls. 62/79) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (fls. 80/118), o que afasta, de início, um dos pressupostos para aplicação do art. 173 do CTN. Outrossim, não tendo sido comprovando que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. De Qualquer modo, para afastar definitivamente qualquer alegação de validade do presente lançamento, ainda que se aplicasse o art. 173, I do CTN estaria o crédito tributário totalmente decaído. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 17/08/2007 e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos no período de 01/1997 a 03/2007, tenho como certo que foram atingidas pela decadência as competências até 08/2002, isto é, anteriores a 09/2002. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade Fl. 366DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 351 25 correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 26 Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000719/200769 Acórdão n.º 230102.605 S2C3T1 Fl. 352 27 Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 28 A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, aplicandose a que seja mais benéfica ao contribuinte. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10384.720648/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO AUDITOR FISCAL RESPONSÁVEL. A Administração Pública pode designar outro auditor para realização do procedimento fiscal sem justificar seu ato ao sujeito passivo, cumprindo-lhe apenas registrar esta alteração no Mandado de Procedimento Fiscal. INTIMAÇÃO. A ciência por via postal deve ser feita no endereço cadastral do sujeito passivo. PRAZO DE RESPOSTA A INTIMAÇÕES. Regular o procedimento fiscal que concede prazos razoáveis para apresentação de documentos, e não se submete a prazo alargado pretendido pelo fiscalizado, sob o risco de configurar-se a decadência. PROVA TESTEMUNHAL. Não há previsão legal para prova testemunhal no contencioso administrativo.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SIGILO BANCÁRIO. Não se cogita a violação do sigilo bancário ou afronta à moralidade administrativa quando o fiscalizado entrega à autoridade fiscal seus extratos bancários que embasaram o lançamento. CONHECIMENTO PRÉVIO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA PELA FISCALIZAÇÃO. A lei autoriza as instituições financeiras a fornecerem informações globais da movimentação bancária de seus clientes, inexistindo qualquer irregularidade no conhecimento prévio destas informações pelo Fisco, por conseqüência, no direcionamento da auditoria com base em indícios ali revelados de omissão de receitas. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos da lei, caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS CONTABILIZADOS SEM IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM. O registro contábil de depósitos bancários a débito da conta Bancos e a crédito da conta Caixa é insuficiente para demonstrar a origem dos valores depositados.
JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1101-000.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Manoel Mota Fonseca e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ALTERAÇÃO DO AUDITOR FISCAL RESPONSÁVEL. A Administração Pública pode designar outro auditor para realização do procedimento fiscal sem justificar seu ato ao sujeito passivo, cumprindolhe apenas registrar esta alteração no Mandado de Procedimento Fiscal. INTIMAÇÃO. A ciência por via postal deve ser feita no endereço cadastral do sujeito passivo. PRAZO DE RESPOSTA A INTIMAÇÕES. Regular o procedimento fiscal que concede prazos razoáveis para apresentação de documentos, e não se submete a prazo alargado pretendido pelo fiscalizado, sob o risco de configurarse a decadência. PROVA TESTEMUNHAL. Não há previsão legal para prova testemunhal no contencioso administrativo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SIGILO BANCÁRIO. Não se cogita a violação do sigilo bancário ou afronta à moralidade administrativa quando o fiscalizado entrega à autoridade fiscal seus extratos bancários que embasaram o lançamento. CONHECIMENTO PRÉVIO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA PELA FISCALIZAÇÃO. A lei autoriza as instituições financeiras a fornecerem informações globais da movimentação bancária de seus clientes, inexistindo qualquer irregularidade no conhecimento prévio destas informações pelo Fisco, por conseqüência, no direcionamento da auditoria com base em indícios ali revelados de omissão de receitas. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos da lei, caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS CONTABILIZADOS SEM IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM. O registro contábil de depósitos bancários a débito da conta Bancos e a crédito da conta Caixa é insuficiente para demonstrar a origem dos valores depositados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 06 48 /2 01 1- 53 Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 3 2 JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Manoel Mota Fonseca e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório POMPEU TINTAS AUTOMOTIVAS & RAÇÕES BALANCEADAS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE que, por maioria de votos, julgou PROCEDENTE EM PARTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 30/06/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.631.816,58. A partir dos livros contábeis e extratos bancários fornecidos pela contribuinte fiscalizada, a autoridade lançadora concluir ser impossível identificar, na contabilidade, a origem dos ingressos verificados no período fiscalizado, pois todos os lançamentos foram realizados com utilização, apenas, das contas Caixa e Bancos, sem repercutir nas demais contas de modo a modificar a situação patrimonial da empresa. Constatou que: [...] Os lançamentos são efetuados a débito da sub conta “banco” e a crédito da conta “caixa geral” de modo que os ingressos bancários, em todas as suas modalidades (on line, via doc, via TED), são considerados oriundos do próprio caixa da empresa. E, de igual forma, os lançamentos de saídas das contas bancárias, em sua quase totalidade, são também contabilizados apenas entre as contas conta “CAIXA GERAL” e as subcontas”BANCOS”. Neste caso, a débito da conta “CAIXA GERAL” e a crédito de “BANCOS”. 10. Em adição a prática acima, o fiscalizado utiliza, para identificar os lançamentos contábeis, históricos que ou reproduzem os históricos usados no extrato bancário ou são uma simplificação destes, tornando a identificação da origem dos recursos ingressados no caixa praticamente impossível. [...] Intimado em 12/04/2011, e reintimado em 12/05/2011 a comprovar a origem dos depósitos bancários, a fiscalizada, em 20/05/2011, alegou violação de seu sigilo bancário, coação moral para entrega dos extratos, exigüidade dos prazos para atendimento às intimações e ausência de autorização para análise de seu movimento bancário que além de guardar questões pessoais e lícitas, não corresponde ao movimento efetivo do requerente. A autoridade lançadora refutou estas alegações, ressaltando que TODA a sua movimentação bancária está escriturada nos seus livros DIÁRIO e RAZÃO, e que da análise minudente destas informações resultou a intimação para esclarecimento dos lançamentos contábeis obscuros, a qual ensejou a dita alegação de violação de privacidade. Supondo que a fiscalizada não compreendera a intimação anterior, outra foi formulada para demonstração da origem dos recursos ingressados em CAIXA via depósitos, identificados na forma em que estavam escriturados no livro Diário, exigindose também esclarecimentos acerca da adoção da forma de contabilização antes descrita. A contribuinte reiterou os termos da resposta anterior e, quanto à forma de contabilização, disse ser uma espécie de simplificação tosca da técnica contábil, pelo que se percebe que o referido registro contábil depois correspondeu às apropriações respectivas. Entendeu a Fiscalização que a forma adotada fez com que fatos modificativos da situação patrimonial da empresa fossem registrados como fatos meramente permutativos, Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 5 4 de modo que mais de R$ 13 milhões de ingressos em caixa não refletisse movimentação compatível nas contas de receitas, estoques, fornecedores, clientes, etc. Destacou que o somatório de cheques depositados e devolvidos era superior à receita declarada no período fiscalizado, e registrou que, intimada a apresentar todas as notas fiscais emitidas no período, a fiscalizada respondeu que já prestara minuciosos esclarecimentos e que a Fiscalização insistia em pedir explicações a destempo. Diante deste contexto, a autoridade lançadora promoveu o lançamento de ofício a partir das receitas presumidas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada, deduzindo os cheques devolvidos e outros estornos verificados. Os valores devidos a título de IRPJ e CSLL foram apurados na sistemática do lucro presumido, e a Contribuição ao PIS e a COFINS na sistemática cumulativa, deduzindose os valores constantes em DIPJ e DCTF. Foi aplicada multa no percentual de 150% porque a Fiscalização entendeu caracterizada sonegação fiscal, na medida em que a forma de escrituração adotada pela contribuinte decorreria a intenção de reduzir tributos a recolher. Os argumentos deduzidos em impugnação foram assim sintetizados na decisão recorrida: PRELIMINARMENTE: i) Ocorreu a substituição do auditor fiscal, sem que fosse explicado o motivo ao administrado; ii) As intimações e comunicações não foram endereçadas aos procuradores do impugnante; iii) A ilegalidade e a inconstitucionalidade das informações bancárias obtidas pela fiscalização; iv) Requereu, antes do prosseguimento deste processo, respostas por escrito a diversos questionamentos, como condição de procedibilidade do presente feito, para que o contribuinte possa sobre elas manifestarse nos autos. Caso contrário, mencionou que solicitaria intervenção judicial para sanar as irregularidades; v) No RE 389.808, o STF manifestouse pela inconstitucionalidade de norma legal que autoriza o Fisco a pleitear os dados bancários diretamente às instituições financeiras; vi) A inexistência de inércia do contribuinte, pois entregou à fiscalização todos os documentos solicitados; vii) Prazos exíguos para atender às intimações do fisco; NO MÉRITO: viii) A utilização do lucro arbitrado deve se dar somente em casos excepcionais; ix) Os valores utilizados para dedução foram tomados a menor que aqueles devidos, como é exemplo a apuração do mês de janeiro de 2007; outros meses necessitam igualmente de revisão, no que tange às deduções efetuadas; x) Foram tomadas todas as entradas como renda; xi) A utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora com finalidade remuneratória e violação ao disposto no artigo 161, § 1º, do CTN; xii) A multa não pode ser confiscatória, devendo ser aplicado o percentual de 50%, ou pelo menos, o de 75%; Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 6 5 xiii) A inapropriada representação fiscal para fins penais. A Turma julgadora acolheu parcialmente a alegação da impugnante relativamente à reduções da base de cálculo de janeiro/2007, bem como afastou a qualificação da penalidade, por entender que a escrituração contábil, mesmo com deficiências, permitiu à Fiscalização apurar a omissão de receitas, e esta, na forma presumida, não autoriza a qualificação da multa de ofício, a teor da Súmula CARF nº 25, vinculante da Administração Tributária por força da Portaria MF nº 383/2010. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/11/2011 (fl. 1391), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 09/12/2011 (fls. 1392/1436), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação, por entender que eles não foram adequadamente respondidos pelo órgão julgador de 1a instância. Esclarece que não se opõe à competência de uma fiscalização administrativa, mas sim defende seu direito de saber o que está sendo fiscalizado e o por quê da fiscalização, respeitandose todos os princípios estabelecidos constitucional e processualmente. Exige esclarecimentos acerca da substituição do auditor fiscal que iniciou o procedimento, invocando o princípio administrativo da impessoalidade e transcrevendo doutrina. Ressalta que requisitou a resposta em forma escrita e antes do julgamento da defesa, para manifestação de seus defensores. Destaca que as comunicações não foram endereçadas a seus procuradores, conforme requerido, entendendo notória a intenção de prejudicar a defesa do Recorrente, desde o procedimento fiscal, quando já notificada a Fiscalização a respeito. Invoca o art. 127 do CTN, no sentido de que o domicílio tributário é de livre escolha do contribuinte, opção esta feita tempestivamente na procuração devidamente reconhecida e com poderes para tais. De toda sorte, observa que todas as intimações foram respondidas, e discorda da legitimidade atribuída aos prazos de 5 (cinco) dias concedidos pela Fiscalização, mormente tendo em conta que a empresa possui uma contabilidade externa, que atende a muitos clientes e não está a disposição para um requerimento no mesmo dia e horário que a fiscalização almeja. Reportase à resposta à intimação nº 4, na qual se pediu insistentemente (já que havia solicitado anteriormente – respostas às intimações de nº 1, 2 e 3) que fosse concedido prazo até o final deste ano calendário em virtude do requerimento e do que isso iria demandar de trabalhos contábeis. Recorda a pessoalidade já apontada neste procedimento fiscal, cogita de perseguição, até mesmo política, e ressalta a rapidez no julgamento administrativo, prejudicando a produção de tabelas demonstrando que as deduções utilizadas estavam em desconformidade com os extratos que estavam em poder da fiscalização. Assim aduz: O que parece acontecer é que o fiscal originário deseja cumprir metas, e não simplesmente fazer o que lhe é devido, e o órgão julgador aplicar uma celeridade sem uma profunda análise do caso, o que acaba por desmerecer qualquer julgamento. Cita o art. 16, §5o do Decreto nº 70.235/72 para frisar que fez o requerimento para apresentação de provas e não teve resposta, e defende novamente a necessidade de sustentação oral, mas no sentido de oitiva de pessoas que estejam relacionadas aos fatos, requerendo diligência deste Conselho, no sentido de intimar os representantes da recorrente Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 7 6 para que possam exercer o direito de apuração da verdade material e suprir a falha no levantamento de informações, que se iniciou com o agente fiscal e se consumou com o órgão julgador. Acrescenta que, sob a ameaça da Fiscalização de realizar lançamento arbitrariamente, apresentou seus extratos bancários, o que resultou em inegável invasão da privacidade do Recorrente, muito embora reconheça o fiscal autuante que todas as informações já constavam de seus livros contábeis. Questiona, então, o porquê da solicitação de seus extratos bancários. Considera absurda a alegação da autoridade julgadora de que seriam irrelevantes os questionamentos e fundamentações apresentados na impugnação acerca da técnica contábil adotada, na medida em que a dificuldade que isto causou ao procedimento fiscalizatório fundamenta o auto de infração e foi tomada como evidência da “vontade” de não pagar tributos. Não compreende como discrepâncias em seus procedimentos contábeis podem afetar a Fiscalização, conhecedora das técnicas contábeis existentes, e assevera que, se tais discrepâncias são irrelevantes, como disse a autoridade julgadora, o lançamento deve ser anulado, porque baseado na “opção contábil” da Recorrente. Refuta as conclusões precipitadas da fiscalização, menciona a exorbitação das funções administrativas e a ilegalidade e abuso de poder delas decorrentes, especialmente porque desacompanhada de provas a alegação de que a prática da contribuinte teria como fim sonegar tributos. Em suas palavras: A função de uma fiscalização é apurar a verdade real dos fatos, e não simplesmente “aguardar” documentações. Para tanto, vejase que sequer houve uma visita da fiscalização ao estabelecimento da fiscalizada, esta nunca conheceu de perto a atividade da Recorrente, por isso mesmo que errou até na forma de arbitrar os tributos (tópico apartado em virtude de sua especificidade). Defende seu direito a uma escrituração simplificada, como optante pelo lucro presumido, e acrescenta que a autoridade julgadora tacitamente concordou com este entendimento. Passa, então, a abordar a ilegalidade e inconstitucionalidade da obtenção das informações bancárias pela Fiscalização, menciona que o procedimento fiscal só se iniciou em virtude de uma presunção da fiscalização em posse dos extratos financeiros da Contribuinte Recorrente, indício de que teria sido vítima de quebra de sigilo bancário sem as devidas cautelas, aspecto acerca do qual a autoridade julgadora de 1a instância não se manifestou. Aduz que não foi acionado o Poder Judiciário, e que o Termo de Verificação Fiscal nada menciona acerca deste procedimento prévio, muito embora evidente a preocupação da fiscalização centrada em sua movimentação financeira, na medida em que nada foi feito ante a entrega de documentos em 09/12/2010, somente iniciadose a fiscalização, de fato, em 22/02/2011, após a entrega dos extratos. Entende que inexistia razão jurídica para ser intimada a esclarecer sua movimentação financeira, questiona qual obrigação tributária permitiu o acesso a sua movimentação e qual obrigação acessória deixou de cumprir para ter permitido este acesso. Na seqüência, transcrevendo o art. 113 do CTN, questiona que obrigação acessória a contribuinte teria apresentado ou deixado de apresentar, para que dela fosse extraída a exigência do Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 8 7 imposto de renda, e demais tributos federais (PIS, COFINS e CSLL) conforme o lançamento tributário pretende. E acrescenta: 13. Requerse, antes do prosseguimento deste processo a formal resposta a tais questionamentos, sob pena de intervenção judicial para sanar a irregularidade que sujeitará a Administração a prejuízo futuro, decorrente de indenização, assim como decorrente de movimentação da máquina administrativa sem a devida diligência e cautela, e sem a possibilidade de exercer a autotutela administrativa. Reportase ao julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808, em seu entender contrário à possibilidade de a Receita Federal ter acesso a dados bancários de qualquer pessoa, e aborda as garantias constitucionais ali asseguradas. Opõese ao argumento simplório, adotado na decisão recorrida, no sentido de que os extratos foram entregues pela contribuinte, para deixar de apreciar questões que reputa extremamente relevantes. Invocando o princípio da moralidade administrativa, discorda do entendimento de que a apresentação pela Recorrente dos extratos bancários teria tornado despicienda a providência, por parte da autoridade fiscal, em obter autorização judicial para o levantamento da movimentação financeira da impugnante. E por esperar dos órgãos públicos condutas sempre afinadas com o ordenamento jurídico posto, em obediência estrita aos bons costumes das relações sociais, assevera: 28. Não seria atendida essa premissa, caso se pudesse admitir que, após inequívoco exame da movimentação financeira do contribuinte – afirmação da impugnante amparada no eloqüente silencia da d. fiscalização sobre de onde advieram as informações acerca de sua movimentação bancária, fosse a impugnante levada, por pressão efetuada pelas intimações realizadas e sob pena de punição, por multas majoradas, caso não prestasse as informações, a “abrir mão de seu sigilo bancário”, como se tal liberalidade adviesse de sua livre decisão de assim proceder! Passa a abordar, então, a presunção de omissão de receitas com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96, inicialmente reportandose ao conceito de presunção, ressaltando que ela deve resultar sempre da experiência, da observação do acontecer dos fatos na ordem natural das coisas, consoante doutrina que transcreve, para concluir que: Em suma, entre o fato conhecido e o fato desconhecido deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena desse artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concreção. No que concerne ao presente caso, essa inadequação está presente na presunção legal de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/96, vez que não há uma correlação lógica, direta e segura dos extratos bancários com a omissão de rendimentos, visto que nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato. Exemplos desta inadequação seriam os cheques devolvidos, que não foram integralmente excluídos pela Fiscalização, bem como a devolução de materiais de compra e venda, de outras movimentações financeiras, como empréstimos e até mesmo distribuição de rendimentos dos cotistas e a própria movimentação financeira dos representantes. Observa que o conjunto probatório completo, acerca da referida movimentação será carreado a este Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 9 8 Conselho, ressaltando que não foi intimada a tanto pela autoridade julgadora de 1a instância e que fará o encaminhamento diretamente e “em mãos”. Acrescenta que a Fiscalização desconhece sua atividade, pois uma das contribuições incidentes sobre seu faturamento tem alíquota zero, e procura demonstrar que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, pois é estoque e não fluxo, não tipificando renda, consoante ementas de julgados administrativos que transcreve e Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Cita, ainda, outros excertos doutrinários acerca da caracterização do sinal de riqueza, não evidenciado pelos depósitos bancários, a depender de perfeita identificação do sinal; fixação da renda tributável relacionada com o sinal; demonstração da natureza tributável do rendimento; demonstração de que tal renda já não foi tributada. Assim, os depósitos bancários seriam apenas marco inicial de investigação, e não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da aludida presunção legal, transferindo totalmente ao contribuinte o encargo probatório, que caberia ao Fisco, em sua função investigativa. Entende que sem a indicação de outros indícios, o emprego da presunção da Lei 9.430/96 atinge, por certo, o que não é renda nem receita, ampliando a competência tributária da União Federal e violando o princípio da legalidade. Menciona, também, a possibilidade de se provar que os créditos bancários representariam renda consumida pelo contribuinte, ou verificaremse outros sinais exteriores de riqueza. Aponta, ainda, que não houve intimação regular, posto que a Fiscalização estava ciente de que a perquirição de informações demandaria extensa, longa, pormenorizada e trabalhosa busca e que deveria ter sido feita à Procuradora da empresa, e NUNCA O FOI. Diz que esperava colaboração da Administração para a apuração da verdade real, mas que houve verdadeiro impedimento para tal procura, com parcos prazos concedidos, sem qualquer coerência com as reais necessidades do caso. Acrescenta que a Fiscalização não observou as exigências dos §§ 1o e 3o do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois o valor das receitas e rendimentos tem que serem feitos mês a mês, bem como analisados individualmente os créditos. Ademais, não foi observado o regime de tributação adotado pela contribuinte, a atividade do Recorrente em na maioria de seus produtos, alíquota zero. Tudo porque o lançamento não pode se fundamentar apenas na impossibilidade de apresentaremse justificativas para um conjunto de operações bancárias realizadas. Abordando, então, a base de cálculo adotada, entendendo que o lançamento é nulo porque o cálculo feito pelo fiscal não utilizou as deduções corretas, citando exemplos pertinentes a janeiro/2007, que totalizariam R$ 371.744,16, ao passo que a Fiscalização deduziu apenas R$ 363.594,66 a título de devoluções de cheque depositados e estornos. Daí a necessidade de revisão da apuração de outros meses, providência não adotada pela autoridade julgadora de 1a instância que, mesmo constatando o erro material, impôs que o trabalho da fiscalização seja realizado pelo próprio contribuinte. Aduz que não se nega a realizar tal trabalho, mas não no tempo curtíssimo que teve. Ressalta que devem ser observados os limites constitucionais na apuração do imposto de renda, ainda que em caso de arbitramento, devendo a autoridade administrativa promover detalhadamente sua apuração, a teor do art. 142 do CTN, o que não ocorreu, ante a exigüidade do prazo que lhe foi concedido para a enorme tarefa de apresentar inúmeros documentos Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 10 9 comprobatórios de sua movimentação financeira, encerrandose precocemente os trabalhos, com a conseqüente imputação à impugnante de conduta não correspondente à realidade, além dos erros cometidos na apuração da base de cálculo a evidenciar a sua nulidade. Diz que a fiscalização arbitrou tributos que não condizem com a atividade comercial da contribuinte, exigindo todos os tributos federais e valendose de uma base de cálculo maior que a verdadeira. Defende a revisão do lançamento, ante o conceito de renda tributável expresso no CTN, e abordando a incompatibilidade entre o art. 42 da Lei nº 9.430/96 e o art. 43 do CTN, transcrevendo jurisprudência e doutrina e mencionando: Não se consideraram as diversas saídas, estornos, etc..., efetuadas naquelas mesmas contas bancárias, nem ainda, se permitiu, como já exaustivamente se alegou, que fossem identificados os lançamentos em conta corrente, mormente para a identificação, mais precisa de valores, inclusive, de outras contas, para os fins do artigo 42 da Lei n. 9430/96. Ao final deste tópico da defesa, entende evidenciada a necessidade de converter o julgamento em diligência, importante para a defesa do contribuinte ora Recorrente, e mais, caso queira que o trabalho da fiscalização seja feito pelo contribuinte, requer prazo expressamente oficializado, com devida e regular intimação, para que tais diligências sejam realizadas e provadas pelo contribuinte. Reportandose ao maior absurdo perpetrado pela fiscalização, reitera que a Fiscalização não considerou a atividade realizada pela empresa, consistente no comércio de produtos animais, agropecuárias e seus conseqüentes, sujeitos a alíquota zero pela Lei nº 10.925/2004. Menciona que 99% dos produtos por ela comercializados correspondem a fertilizantes, adubos, defensivos agropecuários, pintos de um dia, uma variada gama de vacinas para medicina veterinária, grãos esmagados, flocos de milho, soja, e subsidiariamente reportase à suspensão da exigibilidade da Contribuição ao PIS e da COFINS, na forma da Instrução Normativa SRF nº 660/2006. Quanto à afirmação fiscal de que sua escrituração contábil estaria errada, questiona: Quais as formas de escrituração? A contribuinte como empresa optante pelo lucro presumido tinha opção por algum dos tipos existentes? Caso positivo, e com todos os documentos solicitados em mãos, por que a fiscalização desconsiderou a escrituração? Assevera que sua escrituração não impediu a quantificação de seus resultados no exercício fiscalizado, e irregularidades formais, sem prejuízo ao Fisco, não sustentariam sua desqualificação e o conseqüente arbitramento dos lucros, quanto menos sem uma demonstração detalhada das inconsistências, em oposição à atuação dos técnicos que a elaboraram. Opõese à utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, dada sua natureza remuneratória e por configurar penalização pela mora no recolhimento dos tributos. Por fim, reitera a suposição de que existiria alguma perseguição com o contribuinte, ante a aplicação de penalidade exorbitante que foi, sem maiores investigações, reduzida na decisão recorrida, mencionando que a Fiscalização também exorbitou de suas funções ao requisitar que fosse instaurada representação criminal contra os representantes da contribuinte. De toda sorte, afirma correto o entendimento da autoridade julgadora de que não poderia se manifestar sobre o processo de representação fiscal para fins penais, mas pede uma análise mais acurada do presente caso em virtude de tantas ilegalidades, pessoalidades, Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 11 10 deturpações de funções e exorbitação de competência com abusos de poderes que se fizeram claramente presente em todo o processo administrativo fiscal. Apresenta, assim os seguintes pedidos: DOS PEDIDOS PRELIMINARES I . Como decorrência de tudo quanto se expôs, a Recorrente requer a reforma parcial da decisão ora recorrida para determinar a anulação do lançamento objeto deste Recurso V o l u n t á r i o , com a eliminação completa das penalidades, bem como requerendo: a) a juntada, posterior, de documentos e novos documentos que demonstrem tudo o quanto aqui sustentado, com fulcro no que estatui a Lei n. 9784/99, em seus artigos 2°, caput, parágrafo único, incisos X e XII, 3°, incisos III, 6o, parágrafo único e 38, todos corolários lógicos do que dispõe o artigo 5o, LV, da CRFB; b) que a Administração Fazendária expressamente se manifeste aos procuradores infraconsignados, em seu endereço aposto no rodapé da presente, acerca de todas as indagações apresentadas e fundamentadas neste recurso voluntário; c) que sejam juntadas aos autos, pela Administração Fazendária, as obrigações acessórias ou dos elementos a partir das quais teria a d. fiscalização concluído pela necessidade de a Recorrente justificar sua movimentação financeira, conforme exigem o artigo 113 , §§ 1o e 2o do CTN c/c artigo 37 da Lei n. 9784/99 ; o mesmo se requer em relação às obrigações principais; d) a intimação da Recorrente, por intermédio de seus patronos, de todos os atos e termos do andamento do presente processo administrativo, nos termos do que lhe autoriza o artigo 3°, incisos II e I V , também da Lei n. 9784/99 , para que deles tome conhecimento e possa, se for o caso, se manifestar, em nome da paridade de tratamento das partes, da ampla defesa e da publicidade; e) Ainda, que seja concedido aos procuradores infraconsignados, por meio de intimação escrita no endereço já informado, o direito de audiência, para sustentação de argumentos e para outros fins, inclusive para pormenorizar a ação fiscal, em seus ricos e fundamentais detalhes, com a devida antecedência de, no mínimo , 30 (trinta) dias, para que promova a devida sustentação oral de suas razões junto ao d. Conselho de forma a atender o princípio da ampla defesa e contraditório. DOS PEDIDOS DE MÉRITO Como decorrência de tudo quanto se expôs, a impugnante também requer: f) a nulidade do lançamento, ante a clara e insofismável quebra do sigilo bancário da Recorrente, em confronto com as garantias constitucionais de sigilo de dados, nos termos do que lhe assegura o artigo 5o , XII, da CRFB, corroborado pelo pacífico e atual entendimento de nossa Corte Suprema ou g) a nulidade do lançamento, face a não configuração do pressuposto fático jurídico da incidência do que dispõe o artigo 42, da Lei n.9.430/96, qual seja, a impossibilidade de que se presuma como renda tributável os depósitos lançados em conta corrente da Recorrente, haja vista não ter ela deixado de esclarecer a origem dos referidos depósitos, vez que não lhe foram asseguradas, de forma plena, as condições para tal demonstração ou h) a nulidade do lançamento, em vista de que os valores presentes no lançamento não correspondem à renda tributável, nos termos preconizados pelo artigo 43, incisos I e II e 44 , ambos do CTN, para o que se reitera o pedido de revisão dos cálculos que embasaram o ato administrativo, ora combatido; Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 12 11 i) a nulidade do lançamento tendo em vista a aplicação da alíquota zero quanto a contribuição COFINS — tendo em vista os produtos comercializados pela Recorrente; j) a nulidade do lançamento, também no que tange à incidência da taxa SELIC, como taxa de juros, por ofensa ao quanto disposto pelo artigo 161, caput, do CTN; Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 13 12 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA As acusações feitas pela recorrente exigem, inicialmente, uma análise detalhada do procedimento fiscal desenvolvido para exigência do crédito tributário aqui em debate. Como se vê às fls. 642/643, o procedimento de fiscalização foi iniciado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Paulo de Tarso Sousa Marques da Fonseca, sob as ordens do Chefe de Equipe José Leomar da Costa Feitosa, mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal, no qual exigiuse, da contribuinte, a apresentação, em 5 (cinco) dias úteis, de Livro Caixa, ou de Livros Diário e Razão, bem como de Livros Fiscais, DCTF, DACON e extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras. Os livros e documentos deveriam ser entregues no setor de fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Teresina/PI. O Termo lavrado aponta, como identificação da ordem, o número do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e o Código de Acesso. Na seqüência, sob o mesmo Mandado de Procedimento Fiscal nº 03.3.01.00 2010003689, o Auditor Fiscal da Receita Federal Marcello Saraiva Arcoverde lavra nova intimação exigindo, agora, a apresentação, apenas, de Livro Caixa ou Diário/Razão, além dos extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras pertinentes ao mesmo período de apuração (anocalendário 2007). Referido Termo de Intimação foi lavrado em 10/02/2011 e, consoante indica o Mandado de Procedimento Fiscal disponível no sítio da Receita Federal na Internet, naquela data o referido Auditor Fiscal já havia sido incluído na execução do procedimento fiscal, concomitantemente com a exclusão do Auditor Fiscal antes citado, verificada em 23/11/2010. O procedimento adotado observa o que disposto na Portaria SRF nº 11.371/2007: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. [...] Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 14 13 Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. [...] Art. 17. No curso do procedimento fiscal, outros servidores, AFRFB ou não, poderão participar de seu desenvolvimento desde que devidamente identificados e acompanhados de AFRFB designado, sob a responsabilidade deste. Parágrafo único. Somente os AFRFB acompanhantes poderão firmar termos, intimações ou atos assemelhados, desde que em conjunto com o AFRFB designado. Art. 18. Os MPF emitidos e suas alterações permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso de que trata o art. 4º, parágrafo único, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. Nestes termos, a autoridade outorgante do MPF tem o dever, tão só, de promover o registro eletrônico da alteração do auditor responsável pelo procedimento fiscal para que o sujeito passivo fiscalizado, tendo conhecimento da alteração, possa confirmar sua veracidade acessando o documento eletrônico disponível na Internet. Inadmissível cogitar que a autoridade administrativa tenha o dever de justificar a alteração promovida. Diversas causas podem justificála, e a impessoalidade defendida pela recorrente é assegurada, precisamente, pela ausência desta subjetividade, permitindo que a auditoria iniciada por um agente fiscal possa ter continuidade sob os cuidados de outro Auditor Fiscal, sem depender da condição específica de quem primeiro teve contato com o trabalho fiscal. Consoante doutrina que a recorrente cita, esta alternância evidencia que não há favoritismos, quanto menos simpatias ou animosidades pessoais, ou interesses sectários, de facções ou grupos de qualquer espécie. O objetivo do procedimento fiscal, qual seja, a verificação da apuração do IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS no período de janeiro a dezembro/2007 estava, desde o início, fixado no Mandado de Procedimento Fiscal, e a semelhança dos documentos exigidos do contribuinte pelos dois Auditores Fiscais corrobora a impessoalidade invocada pela recorrente. De toda sorte, se a contribuinte tinha a curiosidade de saber o motivo da substituição, e inclusive de forma escrita e antes do julgamento de sua impugnação, deveria ter dirigido o pedido à autoridade competente, qual seja, aquela que emitiu o Mandado de Procedimento Fiscal, e não à autoridade julgadora de 1a instância, que no âmbito de sua competência respondeu adequadamente ao questionamento veiculado na impugnação: O instrumento pelo qual a Administração Tributária determina a realização de uma ação fiscal é o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A Fazenda possui discricionariedade para substituir o agente fiscal nos termos do artigo 9°, caput, da Portaria RFB nº 11.371, de 2007. A ciência pelo sujeito passivo do MPF e suas alterações, nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com redação dada pelo artigo 67 da Lei nº 9.532, de 1997), darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo fiscal (artigos 4°, parágrafo único, e 18 da Portaria RFB nº 11.371, de 2007). Nesse passo, o instituto do MPF veio conferir, entre outros, moralidade, transparência e impessoalidade à atuação administrativa. Deveria, pois, o contribuinte apontar e provar o prejuízo concreto sofrido em razão da substituição do auditor fiscal, o que não foi o caso. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 15 14 Prosseguindo na descrição do desenvolvimento do procedimento fiscal, tem se que a contribuinte respondeu à primeira intimação, requisitando prorrogação do prazo em 10 (dez) dias, o que lhe foi concedido (fls. 683/684). Além disso, consignou na referida petição que: 1. Esclarece inicialmente que o contribuinte nomeou a procuradora, que a esta subscreve, para que nesta fiscalização recebesse auxílio técnico imprescindível. 2. Assim, pelo que lhe assegura o direito, ressalta que, para todos os atos desta fiscalização, elegeu a referida profissional para que a representasse integralmente. Assim, reitera que todos os requerimentos e notificações deverão ser exclusivamente encaminhados a esta procuradora, para que sejam dotados dos efeitos jurídicos desejáveis, inclusive os que eventualmente decorram do quanto dispõe o artigo 145, “caput”, do CTN, especificamente quanto à regularidade da notificação. [...] Vejase que, embora domiciliada em Teresina/PI, onde também localizada a Unidade Administrativa responsável pela auditoria fiscal aqui questionada, a contribuinte outorgou poderes de representação a advogada com escritório situado em São Paulo/SP, e pretendeu que a Fiscalização se dirigisse exclusivamente à referida profissional para obtenção dos esclarecimentos necessários ao procedimento fiscal. Em tais condições, a autoridade fiscal poderia se sujeitar à disponibilidade da referida procuradora, para formalizar a ciência de suas intimações pessoalmente a ela, ou valerse da ciência postal de seus atos, mas neste caso necessariamente submetendose ao que dispõe o Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] (negrejouse) Pretende a recorrente que a comunicação antes transcrita, apresentada no curso do procedimento fiscal, prestese a definir a forma regular de notificação, inclusive para fins de lançamento, como exigido pelo art. 145 do CTN, bem como represente eleição de domicílio na forma do art. 127 do CTN. Ignora, porém, que a possibilidade de eleição do Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 16 15 domicílio tributário não significa a sua livre escolha pelo sujeito passivo, permitindo a lei, inclusive, que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito, na forma do §2o do art. 17 do CTN. Contudo, a questão aqui não é a forma de recusa desta eleição, mas sim a forma adotada pela contribuinte para tal eleição, pois sua comunicação à autoridade fiscal é evidentemente imprópria, na medida em que domicílio tributário é um conceito amplo, com diversas repercussões, para além da mera comunicação de atos vinculados a um procedimento fiscal específico. Admitir que tal comunicação teria efeitos exclusivamente em relação ao procedimento fiscal em curso, significaria dizer que a pessoa jurídica pode eleger diferentes domicílios conforme o ato a ser praticado pela Administração Tributária, faculdade que não está prevista na legislação tributária. Ou, então, que tal comunicação tem efeitos gerais, permitindo a ciência de outros atos administrativos no endereço da procuradora antes indicada. Diante de tal contexto, não há reparos aos argumentos expressos na decisão recorrida, contrários à pretensão da contribuinte veiculada em impugnação: O contribuinte aduziu inúmeras dúvidas em que solicitou que fossem endereçadas a seus advogados. Também questionou por que as comunicações não foram dirigidas ao endereço da procuradora do impugnante, conforme pleiteou em todas as suas manifestações durante a ação fiscal. O artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência. O inciso II considera que a intimação via postal deve acontecer no domicílio tributário do sujeito passivo fiscalizado ou autuado. Já o § 4° dispõe que, para fins de intimação, o domicílio tributário do contribuinte pode ser somente em dois locais: no endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; ou no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. De tais regras, concluise pela inexistência de intimação postal na figura do procurador do sujeito passivo. Assim, se se resolvesse intimálo, via postal, no endereço de seu advogado, tal ato não acarretaria qualquer efeito jurídico de intimação, pois estaria em desconformidade com o artigo 23, inciso II e §§ 3° e 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972. Outrossim, a faculdade de fazerse assistir por advogado que lhe concede o artigo 3°, inciso IV, da Lei n° 9.784, de 1999, não lhe garante o direito de ciência dos atos processuais na pessoa de seu patrono, tendo em vista que o artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, é norma especial e regula completamente a matéria, ao passo que a Lei n° 9.784 (vide artigo 69) só é aplicável subsidiariamente aos processos administrativos tributários. Como a Administração agiu na forma determinada pela legislação de regência, concluise pela inexistência de prejuízo ao contribuinte na formulação de sua defesa. Sendo assim, é de se indeferir o pleito do contribuinte. Na medida em que a Fiscalização agiu em conformidade com a lei, é totalmente imprópria a afirmação de que seria notória a intenção de prejudicar a defesa do Recorrente. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 17 16 Retomando a análise do procedimento fiscal, como dito, o Termo de Início da Ação Fiscal concedeu 5 (cinco) dias para apresentação de livros e documentos da escrituração da contribuinte, prazo razoável na medida em que se trata de elementos que deveriam estar disponíveis desde o encerramento do período de apuração fiscalizado. De toda sorte, a contribuinte requereu prorrogação de prazo em 10 (dez) dias, que lhe foi concedida em 19/11/2010. Em 09/12/2010 apresentou, apenas, livros fiscais, DCTF e DACON, requerendo mais 20 (vinte) dias para apresentação dos elementos restantes, prazo que foi concedido pelo Auditor Fiscal que passou a conduzir a auditoria (fls. 690/692). Em 10/02/2011, novo prazo de 5 (cinco) dias foi concedido para apresentação dos livros e extratos bancários (fl. 645). Em 22/02/2011 a contribuinte apresentou extratos bancários de contas mantidas junto ao Banco do Brasil e Sudameris, e requereu mais 20 (vinte) dias para apresentação dos documentos faltantes, prazo que também lhe foi concedido (fls. 693/694. Vêse, ainda, que em 04/04/2011 outro Termo de Intimação foi lavrado concedendo mais 5 (cinco) dias para apresentação do Livro Razão, que já havia sido exigido nos atos anteriores (fl. 646). Depois de transcorridos quase 6 (seis) meses do início do procedimento fiscal, a Fiscalização, de posse dos livros e documentos solicitados, inicialmente intimou a contribuinte, em 12/04/2011, a demonstrar, em 5 (cinco) dias, a origem dos depósitos bancários (fl. 667). Após a reintimação de fl. 644, lavrada quase 30 (trinta) dias depois da anterior (em 10/05/2011), concedendo mais 5 (cinco) dias para a apresentação das justificativas requeridas, a contribuinte além de invocar a proteção do sigilo bancário, aduziu que (fls. 685/689): É certo, ainda, que, mesmo após esforços hercúleos, sempre foram feitas perante esta r. fiscalização todas as justificativas cabíveis sobre os documentos que foram apresentados, apesar da pressão a que fora submetida a contribuinte e dos exíguos prazos que lhe forma imputados, em face da real situação do movimento bancário e da contabilidade da requerente, os quais, frisese, foram minudente e reiteramente debuxados a esta d. fiscalização. [...] Portanto, é fundamental que a d. fiscalização observe as exigências formais do procedimento fiscal aqui em deslinde, até porque já está em suas mãos toda a documentação e esclarecimentos possíveis, até o momento, mas mesmo assim insiste em pedir explicações em tempo impossível de cumprir, tudo indicando que o faz propositalmente, data máxima vênia. Digase que a d. fiscalização não pode se escusar de examinar detidamente toda a documentação apresentada, bem como considerar as explicações pormenorizadamente apresentadas pela contribuinte, abdicando, portanto, de seu dever de investigar. Como se vê, a Fiscalização concedeu prazos mais do que razoáveis para que a contribuinte apresentasse livros e documentos que deveria manter sob sua guarda enquanto não prescritas as ações cabíveis, e ainda assim foi acusada de conceder prazos exíguos e de desconsiderar esclarecimentos já prestados pela contribuinte. Ademais, além de invocar seu direito ao sigilo bancário, a contribuinte, em sua petição datada de 17/05/2011, comunicou à Fiscalização que as aludidas comprovações, em todo o contexto que foi informado sobejamente à fiscalização, serão sem dúvida com requintes de detalhes explanadas até 31 de dezembro de 2011. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 18 17 Considerando que os depósitos bancários estavam, de fato, escriturados, concluiu a autoridade fiscal que a contribuinte não compreendera suas intimações anteriores, lavrando nova requisição em 24/05/2011, concedendo prazo de 20 (vinte) dias para que a contribuinte justificasse os ingressos na conta Caixa, verificados em seu Livro Diário, e esclarecesse a forma de escrituração adotada para o registro de tais ingressos (fl. 647/663). Nesta ocasião, a Fiscalização relacionou os lançamentos contábeis questionados, indicando histórico, conta devedora e credora e o valor contabilizado. A resposta da contribuinte às fls. 695/696, em 14/06/2011, depois de transcorridos 2 (dois) meses da primeira exigência, deixa claro que para ela nada mudou com nova intimação, reafirmando que o prazo necessário para a pormenorização exigida é 31/12/2011. Acrescentou, apenas, que: Por ora, somente se pode consignar que os fatos aludidos como modificativos da situação patrimonial da empresa, em verdade não o são, assim como, o ingresso da conta caixa, graças aos equívocos contábeis já explanados, correspondem a uma espécie de simplificação tosca de técnica contábil, pelo que se percebe que o referido registro contábil depois correspondeu às apropriações respectivas. Mais um motivo, portanto, a saltar dos olhos a necessidade de um árduo trabalho de apuração como requerido. Em 15/06/2011, a autoridade fiscal exigiu a apresentação, em 5 (cinco) dias, de todas as notas fiscais de compras e vendas do período fiscalizado (fl. 664/666). Mas, em 21/06/2011, outra petição é apresentada à Fiscalização, reiterando que o prazo necessário para atendimento à intimação anterior é em 31/12/2011 (fl. 697), nada dizendo acerca da nova exigência feita. Em 28/06/2011 a autoridade lançadora formaliza o lançamento com os elementos de que dispunha. Como se vê, a contribuinte se negou a apresentar os documentos representativos de suas compras e vendas, que permitiriam à Fiscalização investigar os ingressos e saídas de recursos contabilizados irregularmente. De outro lado, exigiu que a Fiscalização aguardasse até 31/12/2011 para a apresentação dos esclarecimentos. Em seu recurso, reafirma que os prazos concedidos fora exíguos, e a necessidade do prazo estendido até o final do ano de 2011 para a conclusão dos trabalhos contábeis necessários. Acrescenta, ainda, que a rapidez no julgamento administrativo prejudicou a produção de tabelas demonstrando que as deduções utilizadas estavam incorretas. Contudo, evidenciase que a contribuinte somente apresentou os livros e extratos bancários à Fiscalização depois de já transcorridos 6 (seis) meses do início do procedimento fiscal, e, quando examinada, a escrituração se mostrou insatisfatória para identificação da origem dos depósitos bancários, transcorrendose outros 3 (três) meses sem que a contribuinte demonstrasse qualquer esforço em atender à Fiscalização, ainda que parcialmente. Caso aguardasse, sem maiores justificativas, o prazo fixado pela contribuinte para atendimento à intimação fiscal, o agente fiscal deveria empenharse ao máximo para não ver fulminadas pela decadência, mês a mês, a partir de 2012, as irregularidades eventualmente subsistentes, providência absolutamente temerária frente à constatação de que os depósitos bancários, no período fiscalizado, eram equivalentes a quase 3 (três) vezes o volume de receitas reconhecidas nas declarações entregues ao Fisco. Assim, não merecem acolhida as críticas feitas pela contribuinte à condução do trabalho fiscal, bem como sua alegação de que não houve intimação regular para Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 19 18 comprovação da origem dos depósitos bancários. A Fiscalização exigiu regularmente as informações necessárias para esclarecimento dos registros contábeis da contribuinte, buscou esclarecimentos sob diferentes vertentes (comprovação da origem dos depósitos, da origem dos registros contábeis, das vendas realizadas no período), e ainda assim a recorrente aduz que esperava maior colaboração da Administração para a apuração da verdade real, olvidandose que o verdadeiro impedimento para tal procura foi criado por ela, com o retardo na apresentação de livros de sua escrituração, e com a escrituração obscura de suas operações. Quanto ao julgamento administrativo, transcorreram menos de 3 (três) meses entre a impugnação e a prolação da decisão recorrida, prazo compatível com a prioridade de julgamento determinada, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, quando há indício de crime contra a ordem tributária, como era o presente caso. A celeridade, em tais condições, visa evitar a prescrição penal e, de forma alguma, prejudica a análise do caso, que à semelhança dos argumentos anteriores, alcançou todos os aspectos da lide, consoante se pode ver em mais esta transcrição acerca deste ponto específico da defesa: Antes de 2001, a fiscalização dos tributos federais operava com um prazo geral de vinte dias, na forma da redação original do artigo 19 da Lei 3.470, de 1958. Contudo a Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, alterou o citado artigo do seguinte modo: Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) A partir da citada MP, o legislador adotou assim os seguintes prazos: Regra geral: vinte dias; Fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal ou em declarações apresentadas: cinco dias úteis. Comentando o §1° do artigo 19 da Lei n° 3.470, de 1958, consta o seguinte texto no livro “Regulamento do imposto de renda 1999 anotado e comentado”1: O §1º do artigo 19 em destaque estabelece que “nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias.” Vale dizer, o prazo para apresentação dos documentos vinculados diretamente à escrituração é de cinco e não de vinte dias, o que é bem razoável porque tais documentos devem integrar o arquivo da empresa. Assim, o prazo de cinco dias úteis é aplicável para o questionamento sobre depósitos bancários, pois as explicações, tais como receitas, doações, empréstimos e outras, deveriam estar regularmente escrituradas. Apesar disso, o auditor fiscal concedeu também o prazo de vinte dias, como é exemplo o termo de intimação de fls. 647/663. Os prazos acima foram estabelecidos para que o contribuinte explicasse os fatos tributários questionados pela fiscalização, especialmente por se tratar de pessoa jurídica, que deveria registrar contabilmente tais fatos, facilitando então a 1 “Regulamento do imposto de renda 1999 anotado e comentado: atualizado até 30 de abril de 2010”. Antonio Airton Ferreira, Luiz Martins Valero, Juliana Mayumi Oshiro Ono, Fabio Rodrigues de Oliveira e Victor Hugo Isoldi de Melo Castanho. 13ª ed. – São Paulo: FISCOSoft, 2010, p. 22842285. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 20 19 justificativa em relação à natureza dos depósitos bancários. Na espécie, desde 12/04/2011, data da primeira intimação para que o sujeito passivo explicasse a origem de seus depósitos, até hoje, decorreram mais de seis meses, sem que nenhuma justificativa ou documento fosse produzido pelo impugnante em seu favor. Demais disso, a solicitação de prazo até 30/12/2011 ocorrida em resposta do contribuinte (fl. 689) em 17/05/2011, ou seja, mais de sete meses para explicar os depósitos bancários, causa espécie, demonstra que o sujeito passivo não desejava colaborar para o esclarecimento dos fatos (artigo 4°, inciso IV, da Lei n° 9.784, de 1999) e obstaculiza a eficiência administrativa. Salientese que responder com solicitação de prazo esdrúxulo de mais de sete meses (fl. 689) é o mesmo que não responder, quando a legislação oferta os prazos legais bem inferiores (artigo 19, caput e § 1°, da Lei nº 3.470, de 1958). Ademais, deixou de entregar as notas fiscais emitidas durante o período sob fiscalização (intimação de 15/06/2011). Desqualificase, pois, o argumento do sujeito passivo de que lhe foram concedidos prazos exíguos para explicar os depósitos bancários. A inércia atribuída pela autoridade fiscal permanece até a data do presente julgamento e consiste na falta de justificação de depósitos bancários, de modo a demonstrar sua natureza. Assim, procede a imputação de imobilismo ao sujeito passivo, que deve assim suportar as consequências desfavoráveis no presente processo. Ainda criticando a qualidade do julgamento administrativo de 1a instância, a recorrente aduz que fez requerimento para apresentação de provas e não teve resposta. Contudo, a decisão recorrida aborda o tema em todos os seus aspectos para indeferir o requerimento da contribuinte: Quando à solicitação de sustentação oral na sessão de julgamento, é preciso a princípio notar que a legislação processual não previu tal possibilidade. Com efeito, a estrutura do processo administrativo fiscal está fundamentalmente delineada no Decreto nº 70.235, de 1972, sendo o contraditório no primeiro grau exercido com a apresentação da impugnação no prazo de trinta dias contados da intimação da exigência fiscal. É nessa oportunidade que a impugnação deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamenta (artigo 15). Assim, não há previsão nem regulação em lei para o exercício do contraditório mediante sustentação oral em sessão de julgamento. Em contrapartida, poderseia alegar que o pedido está respaldado diretamente no princípio do contraditório ou no princípio da ampla defesa. Ocorre que a eficácia direta do princípio do contraditório não é capaz de dar conta da disciplina exigida para que o procedimento tenha plena aplicação nesta instância judicante (em que oportunidade poderia ser feita, só por advogado ou também pelo interessado, por quantos minutos, e se houver mais de um interessado, a forma de notificação do interessado da realização da sessão?). Isso ocorre porque o princípio não carreia densidade semântica suficiente a ponto de ter eficácia direta e plena aplicabilidade no processo administrativo fiscal em primeira instância. Estáse, portanto, diante de um silêncio eloquente da lei, não de uma lacuna passível de integração por disciplinas jurídicas aplicáveis a outros processos, como o processo judicial no âmbito dos tribunais, ou mesmo ao processo administrativo na segunda instância de julgamento (CARF), nos quais a sustentação oral é regulada de forma minudente pelos seus respectivos regimentos internos. Em Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 21 20 razão da certeza e previsibilidade que se exigem, sobretudo, das regras procedimentais, é prudente que o contraditório no primeiro grau seja exercido primordialmente com a apresentação da impugnação, de modo que se indefere o pedido de sustentação oral nesta instância de julgamento. Por tais motivos, indeferese o requerimento do sujeito passivo para que seja concedido aos procuradores, por meio de intimação escrita em seu endereço, o direito de audiência, perante a Junta de Julgamento, para sustentação de argumentos e para outros fins, inclusive para pormenorizar a ação fiscal. E vejase que a autoridade julgadora analisou o pedido inclusive no sentido aqui alegado para a expressão sustentação oral, qual seja, oitiva de pessoas que estejam relacionadas aos fatos. O processo administrativo fiscal, como dito, apenas cogita da prova documental dos fatos, e admite, excepcionalmente, diligências ou perícias quando atendidos os requisitos fixados na lei, qual seja, a formulação de quesitos e a indicação de perito, o que não se verificou no presente caso. A pretensão de depoimento pessoal dos representantes da recorrente, ou alguma outra prova testemunhal para que estes possam exercer o direito de apuração da verdade material e suprir a falha no levantamento de informações, está fora dos contornos do processo administrativo fiscal. A autoridade julgadora teve o cuidado, ainda, de elaborar quadro respondendo, ainda que de forma redundante, todos os pontos que foram objeto de questionamento pela interessada na impugnação. A reprodução da introdução e do fecho apresentados neste quadro basta para demonstrar a regularidade do entendimento que orientou a decisão recorrida: O impugnante requereu resposta a inúmeras indagações, de forma escrita e antes do julgamento da impugnação, para que sobre elas seus defensores também pudessem se manifestar. A legislação que rege o processo administrativo tributário optou pela concentração da prova juntamente com a impugnação (ou até o julgamento de primeira instância) conforme disposto nos artigos 15 e 16 (inciso III e § 4°) do Decreto n° 70.235, de 1972. Por isso, durante o período impugnatório, deve o contribuinte apresentar todas as alegações e documentos que militem em seu favor, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior. Depois da impugnação, portanto, inexiste fase de instrução probatória para o esclarecimento de dúvidas do contribuinte, a partir do qual ele pudesse ingressar com nova manifestação. É que, em caso de vícios no procedimento administrativo, deveria o contribuinte ter requerido a nulidade do lançamento tributário, e não formular dúvidas, que serão respondidas, a seguir, apenas com o intuito de demonstrar que seu conteúdo já se encontrava nos próprios autos ou em comandos da legislação vigente: [...] O artigo 3°, inciso III, da Lei n° 9.784, de 1999, que estipula o direito do administrado em “formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente”, não socorre o contribuinte, pois: (i) a Lei n° 9.784, de 1999, é aplicada ao processo administrativo tributário federal apenas subsidiariamente (artigo 69) e o Decreto n ° 70.235, de 1972, instituiu a preclusão administrativa com a entrega da impugnatória (artigo 16, § 4°); (ii) mesmo que assim não o fosse, o artigo 3°, inciso III, da Lei n° 9.784, de 1999, preceitua o direito do administrado em formular alegações (e não dúvidas) que deverão ser consideradas, ou seja, acolhidas ou rejeitadas pelo julgador administrativo. Nesse passo, a resposta às dúvidas do contribuinte antes do Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 22 21 julgamento da impugnação não caracteriza uma condição de procedibilidade do processo administrativo tributário. Relativamente às alegações de coação moral, invasão de privacidade, garantias constitucionais, acesso indevido aos extratos bancários, ofensa ao princípio da moralidade em sua requisição à contribuinte, mais uma vez, a decisão recorrida é precisa no seu enfrentamento: O procedimento de fiscalização é pacificamente reconhecido no Estado Democrático de Direito e apoiado nos artigo 150, inciso II, da Constituição da República de 1988 (CR/1988), que estabelece de forma inexorável o princípio da igualdade perante o Fisco. Dessa norma, depreendese a sujeição de todas as pessoas físicas e jurídicas às medidas fiscalizatórias. Outrossim, o artigo 145, § 1°, da CR/1988 previu lei para regulamentar os poderes conferidos à Administração Fazendária. Tais regras podem ser conferidas nos artigos 904 e 927 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (com base legal entre parênteses), verbis: Art.904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e DecretoLei nº 2.225, de 10 de janeiro de 1985). [...] Art.927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). grifei Por fim, vejase o comando do artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. De outro lado, não se pode alegar a quebra de sigilo bancário, a violação da moralidade administrativa ou a desobediência ao RE 389.808PR (STF, j. em 15/12/2010), quando o próprio contribuinte entregou seus extratos bancários para a fiscalização, em atendimento a termo de intimação. Na espécie, portanto, o sujeito passivo abdicou de seu direito à privacidade. Outrossim, não se acolhe o argumento do contribuinte de que houve coação moral perpetrada pelo agente fazendário, pois a referida autoridade estava no pleno exercício de seu dever de fiscalização e apuração de omissão de receitas, conforme disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e artigo 142 do CTN. Demais disso, se houve uma das situações arguidas pelo impugnante (quebra de sigilo bancário ou coação moral do agente fiscal), não consta dos autos qualquer notícia sobre medida judicial (na forma do artigo 5º, incisos XXV e LXIX, da CR/1988) ou denúncia aos órgãos correicionais da Administração, por meio da qual o contribuinte confrontasse o procedimento fiscalizatório, pelo que se enfraquecem tais alegações. Em suma, revelase legal e constitucional o requerimento de quaisquer documentos, inclusive extratos bancários, que prestem à apuração de tributos devidamente Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 23 22 respaldada em lei (artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996), devendo o contribuinte não atender a intimações por ele consideradas inconstitucionais, desde que respaldado em medida administrativa ou judicial, consoante parágrafo anterior. O procedimento para fiscalizar determinado contribuinte, envolve a escolha do agente fazendário, os tributos federais a serem fiscalizados com seus respectivos períodos e o prazo de ocorrência da auditoria fiscal. Conforme fl. 1359, constatase que o procedimento foi regularmente autorizado nos termos da Portaria RFB nº 11.371, de 2007. Também se conclui que a execução do procedimento ocorreu na forma da legislação de regência, de acordo com as intimações de fls. 642/666. Finalmente, verificase a observância dos prazos de que trata o artigo 19, caput e § 1°, da Lei nº 3.470, de 1958, e, em algumas situações (fls. 644, 645, 684, 691 e 694) a incidência de reintimações ou prorrogações de prazo, ao talante da autoridade fiscal. Do exposto, concluise que o contribuinte sofreu regular intimação, conforme previsão contida no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. O impugnante insinuou a obtenção prévia, pela autoridade fiscal, de seus dados bancários, porém não comprovou tal alegação nem há notícia nos autos de qualquer informação obtida diretamente dos bancos. Logo, indeferese o pleito do sujeito passivo de que sejam juntadas aos autos, pela Administração Fazendária, as obrigações principais e acessórias a partir das quais teria a fiscalização concluído pela necessidade de o fiscalizado justificar sua movimentação financeira. Especificamente no que tange ao direcionamento adotado pela autoridade fiscal em suas análises e à cogitação de que a Fiscalização já disporia de informações acerca da movimentação financeira da contribuinte, é de conhecimento notório que a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF foi exigida até 31/12/2007, na forma da redação dada pela Emenda Constitucional nº 42 ao art. 90 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Por sua vez, a Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001 assim autorizava: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § lº No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2º As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001) § 4º Na falta de informações ou insuficiência de dados necessários à apuração da contribuição, esta será determinada com base em elementos de que dispuser a fiscalização. (negrejouse) Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 24 23 Portanto, a partir das informações prestadas pelas instituições financeiras acerca dos valores globais movimentados pelos contribuintes, a Secretaria da Receita Federal já dispunha, legalmente, dos elementos indicativos de eventuais movimentações superiores às receitas declaradas pelos contribuintes. Tais informações globais, porém, por serem apenas indícios, exigiam investigação individualizada dos depósitos indicados nos extratos bancários, e da correspondente escrituração contábil e fiscal da contribuinte, como fez a Fiscalização, no presente caso, buscando identificar materialmente a existência de receitas suprimidas da tributação. Imprópria, assim, a inferência feita pela recorrente de que teria sido vítima de quebra de sigilo bancário sem as devidas cautelas. A lei autoriza a Secretaria da Receita Federal a fazer uso dos dados globais de movimentação financeira, e se alguma inconstitucionalidade existe nesta prática, ela não é passível de discussão nesta instância administrativa de julgamento, a teor da Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Em consequência, é desnecessária qualquer investigação acerca das supostas obrigações acessórias ou elementos a partir das quais teria a d. fiscalização concluído pela necessidade de a Recorrente justificar sua movimentação financeira. É razoável supor que o administrador da Receita Federal em Teresina/PI dispunha das informações antes mencionadas, e na medida em que isto lhe era legalmente autorizado, descaberia qualquer esclarecimento prévio ao sujeito passivo fiscalizado. Oportuno esclarecer, ainda, que há discussão acerca da constitucionalidade do acesso, pela Receita Federal, aos registros individualizados de movimentação bancária dos contribuintes mantidos pelas instituições financeiras, mas isto no âmbito do que foi autorizado pelo art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (negrejouse) A ementa da decisão acerca da repercussão geral do tema, proferida no Recurso Extraordinário nº 601.314, não deixa dúvidas a este respeito: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Vejase que o Recurso Extraordinário nº 601.314 também aborda as alterações inseridas na Lei nº 9.311/96 pela Lei nº 10.174/2001, mas isto apenas em relação à sua aplicação a fatos anteriores ao de sua vigência, o que não é o caso, além de se tratar de Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 25 24 discussão já pacificada neste Conselho, a teor da Súmula CARF nº 35 (O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente). Logo, subsistindo válida o art. 11, §3o da Lei nº 9.311/96, na redação dada pela Lei nº 10.174/2001, relativamente ao período fiscalizado, não há qualquer irregularidade em o Fisco conhecer, antecipadamente, a movimentação financeira global da contribuinte, e fazer uso destas informações para direcionar os trabalhos de auditoria fiscal. E, não se tratando de matéria debatida no Recurso Extraordinário nº 601.314, sob o rito da repercussão geral, não há porque se cogitar do sobrestamento do presente julgamento, na forma do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. No mais, a pretensão da recorrente de que suas dúvidas acerca destes aspectos sejam respondidas formalmente antes do prosseguimento deste processo apenas revela seu desconhecimento da legislação tributária, e de forma alguma obriga as autoridades administrativas a atenderem seu pedido. Aliás, causam espécie as afirmações da recorrente acerca de constrangimentos sofridos durante o procedimento fiscal, quando já se encontrava, desde a primeira resposta à Fiscalização, assistida por advogados, que ainda assim permitiram que a contribuinte fosse, como dito, “obrigada” a abrir mão de seu sigilo bancário, sem tomar as devidas providências para fazer, naquele momento, buscar a prevalência das proclamadas garantias constitucionais da contribuinte. Aparentemente tais procuradores também desconheciam esta vertente interpretativa e somente passaram a aventála depois de entregues os extratos bancários ao agente fiscal. De toda sorte, porque desprovidas de amparo na legislação tributária, devem ser rejeitadas as alegações aqui deduzidas, da mesma forma que o foram na decisão de 1a instância. Na seqüência, a recorrente pretende desqualificar a presunção de omissão de receitas instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, reportandose à inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concreção. Esta alegação foi, à semelhança das demais, rebatida com sólidos argumentos na decisão recorrida: Depreendese, pois, que o dispositivo acima estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Desse modo, a presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na contacorrente do contribuinte. Em outras palavras, com o artigo 42 da Lei n.° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não conseguir comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo, pois, a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador – as chamadas presunções legais –, a produção de provas é limitada ao fato indiciário, e não ao fato gerador. Apenas para argumentar, assim também reza o Código de Processo Civil, em seu artigo 334, inciso IV, ao preceituar que não dependem de prova os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 26 25 No texto abaixo reproduzido, José Luiz Bulhões Pedreira2 sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. Provado o fato indiciário relativo à existência de depósitos bancários, poderá o sujeito passivo concentrar seus esforços no sentido de demonstrar que os depósitos, em verdade, configuraram fatos isentos ou já tributados previamente. De outro lado, em caso de inércia do impugnante, resta caracterizada a linguagem probatória alusiva à existência de omissão presumida de receitas, do que decorre a disponibilidade econômica de que trata o artigo 43 do CTN. Ao contrário do que alegou o contribuinte, ele auferiu renda (acréscimo patrimonial) alusivo à disponibilidade econômica ocorrida no momento do depósito bancário não justificado. Nesse momento se verificaram as circunstâncias materiais necessárias a produzir o efeito do acréscimo patrimonial obtido, nos termos do artigo 116, inciso I, do CTN. Já o doutrinador Hugo de Brito Machado3 leciona a respeito sobre qual acréscimo patrimonial deverá ser tributado: Quando afirmamos que o conceito de renda envolve acréscimo patrimonial, como o conceito de proventos também envolve acréscimo patrimonial, não queremos dizer que escape à tributação a renda consumida. O que não se admite é a tributação de algo que na verdade em momento algum ingressou no patrimônio, implicando incremento do valor liquido deste. Como acréscimo se há de entender o que foi auferido, menos parcelas que a lei, expressa ou implicitamente, e sem violência à natureza das coisas, admite sejam diminuidas na deterninação desse acréscimo. Referindose o CTN à aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, quer dizer que a renda, ou os proventos, podem ser os que foram pagos ou simplesmente creditados. A disponibilidade econômica decorre do recebimento do valor que se vem a acrescentar ao patrimônio do contribuinte. Já a disponibilidade jurídica decorre do simples crédito desse valor, do qual o contribuinte passa a juridicamente dispor, embora este não lhe esteja ainda nas mãos. (grifei) Na espécie, houve disponibilidade econômica (riqueza nova) do impugnante decorrente do recebimento de valores (depósitos bancários), presumidos como receita pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, e não eficazmente contestada pelo contribuinte. São improfícuos os julgados administrativo (Acórdão nº 10444.977 do 1º Conselho de Contribuintes) e judicial (RESP 748868/RS) trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa ou vinculante, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. A recorrente reportase a julgados administrativos e à Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos, mas olvidase que, como bem observado na decisão recorrida, o 2 PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto sobre a renda pessoas jurídicas. Rio de Janeiro: Justec, 1979, p. 806. 3 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. Malheiros, São Paulo, 2003, p.278. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 27 26 art. 42 da Lei n° 9.430/96 está vigente há mais de quatorze anos e não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Irrelevantes, portanto, as referências a entendimentos doutrinários contrários à escolha dos depósitos bancários de origem de comprovada como indício para presunção de omissão de receitas. Os questionamentos assim postos, e que conduzem à conclusão de ofensa ao princípio da legalidade e de ampliação indevida da competência tributária da União, somente teria lugar se o CARF fosse competente para apreciar a constitucionalidade das normas, o que não é o caso, frente à já citada Súmula CARF nº 2. Tem razão a contribuinte quando afirma que nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato. Mas ao construir uma presunção relativa, o legislador imputou ao sujeito passivo esta demonstração, por não ter ele se desincumbido de seu ônus inicial de manter escrituração regular de suas operações, devidamente suportada pelos documentos que as comprovem. É dever da contribuinte demonstrar que os cheques devolvidos não foram integralmente excluídos pela Fiscalização, que houve devolução de materiais de compra e venda, ou empréstimos, consignados com outra denominação nos extratos bancários. Quanto à distribuição de rendimentos dos cotistas e a própria movimentação financeira dos representantes, não é possível vislumbrar de que forma estas operações gerariam ingressos em conta bancária da autuada, e teriam se prestado como indício para omissão de receitas. De toda sorte, ainda que exista esta possibilidade, o ônus de descaracterizar o indício é da autuada. Registrese, ainda, que: · A Súmula CARF nº 26 estabelece que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, devendo ser rejeitadas as alegações da recorrente neste sentido; · A Fiscalização analisou individualmente os créditos bancários, lavrando duas intimações diferentes para sua comprovação, a partir dos registros dos extratos bancários e dos registros na conta Caixa, bem como individualizou estes valores ao construir a presunção de omissão de receitas no Termo de Verificação Fiscal, permitindo, inclusive, que a contribuinte identificasse erros na exclusão de alguns depósitos, os quais foram acolhidos no julgamento de 1a instância. · Os registros contábeis de depósitos bancários que se prestaram como indício de omissão de receitas estão vinculados, todos, a históricos de DEPOSITO, DESBL DEP e TED, lançados a débito da conta Bancos e a crédito da conta Caixa, e se alguma operação de transferência bancária entre contas de mesma titularidade ocorreu, era ônus da contribuinte demonstrálo, mediante a apresente da prova exigida pela Fiscalização, acerca da origem dos valores questionados. · A Fiscalização observou o regime de tributação adotado pela contribuinte, formalizando as exigências de IRPJ e CSLL na Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 28 27 sistemática do lucro presumido, e da Contribuição ao PIS e COFINS na sistemática cumulativa. Quanto às exclusões de depósitos correspondentes a cheques devolvidos/estornados, como reconhece a recorrente, a autoridade julgadora acolheu as alegações comprovadas na impugnação. De outro lado, rejeitou validamente a pretendida revisão da apuração de outros meses, valendose dos seguintes argumentos, aqui também adotados: O administrado argumentou ainda que outros meses necessitariam de revisão, no que tange às deduções efetivadas. Ocorre que o contribuinte possuía o ônus de impugnar cada mês indicando qual depósito computado pelo agente fiscal como receita presumida deveria ter sido deduzido para apuração da omissão líquida ou, alternativamente, apresentar planilha semelhante à elaborada para o mês de janeiro/2007. Isso porque o sujeito passivo tem o encargo de impugnar com argumentos, cálculos e documentos que combatam especificadamente a infração apontada, nos termos dos artigos 15 e 16 (inciso III e § 4°) do Decreto n° 70.235, de 1972 (retrotranscritos em nota de rodapé). De mais a mais, simples erro na apuração em determinado mês não contamina os demais, salvo falha na metodologia, o que não foi o caso. Como o administrado não contraditou com provas os meses de fevereiro a dezembro/2007, preferindo apenas solicitar uma revisão do lançamento, tal protesto genérico não deve ser conhecido. Vejase que os erros apontados pela recorrente resultaram na exclusão de menos de R$ 200,00 do crédito tributário principal lançado nestes autos, e isto porque a Fiscalização já havia individualizado, no Termo de Verificação Fiscal, os valores referentes a estornos e cheques devolvidos (fls. 50/123). Evidentemente não há qualquer relevância na descoberta, pela contribuinte, de 3 (três) estornos não considerados pela Fiscalização, frente ao trabalho fiscal que identificou operações de mesma natureza listadas em demonstrativo de 74 (setenta e quatro) páginas. O trabalho foi cuidadosamente realizado pela Fiscalização, e nada justifica a revisão pretendida pela recorrente. E, quanto ao que a recorrente classifica como o maior absurdo perpetrado pela fiscalização, não haveria qualquer razão para a Fiscalização cogitar da aplicação de alíquota zero no âmbito da COFINS, na medida em que inexiste qualquer prova de que as omissões de receita presumidas decorreriam de comércio de fertilizantes, adubos, defensivos agropecuários, pintos de um dia, uma variada gama de vacinas para medicina veterinária, grãos esmagados, flocos de milho, soja. O mesmo se diga relativamente à alegada suspensão da Contribuição ao PIS e da COFINS, que estaria prevista na Instrução Normativa SRF nº 660/2006. Oportuno observar que a atividade econômica da contribuinte informada na DIPJ do anocalendário 2007 é comércio atacadista de tintas, vernizes e similares, a qual também está expressa em sua razão social, juntamente com a atividade vinculada a rações balanceadas. Por sua vez, a consolidação de seu contrato social às fls. 701/703, datada de 20/03/2008, aponta como objeto social comércio atacadista de produtos alimentícios para animais, comércio atacadista de mercadorias em geral, representação comercial de produtos em geral. Por fim, a consulta ao cadastro atualizada da empresa junto ao Estado do Piauí evidencia a atividade primária vinculada a materiais para pintura tintas esmaltes e vernizes e a atividade secundária vinculada a produtos veterinários produtos químicos de uso na agropecuária (fl. 705). Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 29 28 Impossível, assim, vincular as receitas presumidas à atividade alegada pela recorrente. Para excluir a exigência de COFINS, ou de Contribuição ao PIS, caberia à recorrente demonstrar que as receitas omitidas decorreriam da venda de produtos beneficiados com alíquota zero ou suspensão. No mais, não se identifica na decisão recorrida a alegada afirmação da autoridade julgadora de que seriam irrelevantes os questionamentos e fundamentações apresentados na impugnação acerca da técnica contábil adotada. A autoridade julgadora entendeu que estes erros não se prestariam como justificativa para qualificação da penalidade, mas reconheceu que a Fiscalização deveria proceder, como fez, exigindo a comprovação da origem dos depósitos bancários se não era possível extraíla da contabilidade. Aliás, diante do contexto apontado pela Fiscalização, merece repúdio a provocação da recorrente no sentido de que a Fiscalização, como conhecedora das técnicas contábeis existentes, não poderia ser afetada pelas discrepâncias em seus procedimentos contábeis. Como bem exposto na decisão recorrida, é dever da contribuinte manter sua escrituração em conformidade com a legislação comercial e fiscal, não estando a Fiscalização obrigada a adivinhar o conteúdo dos lançamentos contábeis, mormente sem a apresentação da documentação de suporte pela fiscalizada. Vejase que mesmo sendo optante pelo lucro presumido, a pessoa jurídica deve manter Livro Caixa integrado com toda a movimentação bancária, expressando em seus lançamentos a natureza dos ingressos verificados. O Livro Caixa, nestas condições, nada mais é do que a reprodução dos registros do Livro Razão das contas Caixa e Banco, razão pela qual, mesmo reduzida a obrigação acessória da contribuinte a este universo, restaria ela desatendida, porque demonstrado pela Fiscalização que aquelas contas não foram adequadamente utilizadas para a evidenciação da origem dos ingressos de recursos. Impróprios, assim, os questionamentos da contribuinte acerca das razões que levaram a Fiscalização a desconsiderar sua escrituração. A autoridade fiscal, ao contrário do que afirma a recorrente, não dispunha de todos os documentos solicitados em mãos, mormente no que tange à origem dos depósitos contabilizados e à comprovação das vendas do período fiscalizado, de modo que a escrituração somente não impediu a quantificação de seus resultados no exercício fiscalizado em razão da presunção legal estabelecida, justamente, para uso diante da conduta omissiva do sujeito passivo beneficiado com créditos bancários. Esclareçase, apenas, que não houve desqualificação da escrita e arbitramento dos lucros, mas sim a declarada impossibilidade de se vincular os depósitos bancários contabilizados à sua origem, vez que todos tiveram por contrapartida a conta Caixa, e a conseqüente caracterização da presunção de receitas, tributadas na sistemática do Lucro Presumido (IRPJ/CSLL) e da cumulatividade (Contribuição ao PIS e COFINS), com a dedução dos valores originalmente declarados pela contribuinte. No que tange às conclusões precipitadas da fiscalização acerca da acusação de sonegação, e à alegação de inexistência de provas desta prática, associada à insuficiência do procedimento fiscal, no qual sequer houve uma visita da fiscalização ao estabelecimento da fiscalizada, cabe declarálos prejudicados, na medida em que a autoridade julgadora de 1a instância excluiu a qualificação da penalidade, e esta decisão não se submete a reexame necessário porque abaixo do limite de alçada. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 30 29 Por todo o exposto, resta patente que a auditoria fiscal desenvolveuse regularmente, em consonância com o disposto no art. 142 do CTN, inexistindo qualquer irregularidade, mormente no que tange ao alegado encerramento precoce dos trabalhos, ou deficiências na quantificação da base de cálculo autuada, e conseqüente “arbitramento” dos tributos. Infirmase, assim, a ocorrência de ilegalidades, pessoalidades, deturpações de funções e exorbitação de competência com abusos de poderes que se fizeram claramente presente em todo o processo administrativo fiscal. Caberia à recorrente carrear prova aos autos para desconstituir os indícios validamente demonstrados pela Fiscalização, não havendo justificativa para a conversão do julgamento em diligência, ou para a concessão de prazo à recorrente para apresentação das provas necessárias para desconstituição da exigência. Recordese ter a recorrente mencionado que o conjunto probatório completo, acerca da referida movimentação será carreado a este Conselho, ressaltando que não foi intimada a tanto pela autoridade julgadora de 1a instância e que fará o encaminhamento diretamente e “em mãos”. Todavia, nenhuma prova foi juntada ao recurso voluntário, bem como não chegou ao conhecimento desta Relatora a apresentação de qualquer outro documento durante os 10 (dez) meses que o presente processo permaneceu aguardando julgamento neste Conselho. Por fim, no que tange à utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, tratase de matéria já sumulada neste Conselho: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de rejeitar todos os pedidos preliminares apresentados pela recorrente, e, por conseqüência, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10384.720648/201153 Acórdão n.º 1101000.815 S1C1T1 Fl. 31 30 Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000009/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/12/1997
Ementa: DECADÊNCIA –
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-002.974
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 824DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16045.000009/200808 Acórdão n.º 2301002.974 S2C3T1 Fl. 705 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 33), o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento efetuado a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a legislação específica que trata da matéria. A notificada impugnou o débito e a Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1618.831, da 12a Turma da DRJ/SPOI (fls. 697 e seguintes), julgou o lançamento improcedente, reconhecendo a decadência total do débito, e recorrendo de ofício a este Conselho dessa decisão. É o relatório. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. A 12a Turma da DRJ/SP0I recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou improcedente a NFLD lançada contra a empresa PILKINGTON BRASIL LTDA, excluindo do débito os valores lançados nas competências alcançadas pela decadência nos termos do art. 150, § 4o, do CTN. De fato, verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Dessa forma, assiste razão à primeira instância administrativa em julgar o lançamento improcedente, tendo em vista que os valores foram lançados em competências atingidas pela decadência, nos termos do art. 150, § 4o, e 173, ambos do CTN, motivo pelo qual conheço do recurso de ofício e negolhe provimento. Nesse sentido e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 826DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16045.000009/200808 Acórdão n.º 2301002.974 S2C3T1 Fl. 706 5 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13882.000304/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2005,2006
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena
de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
SUJEITO PASSIVO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações
que constituam o seu objeto.
MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF E DA DIPJ.
Os atrasos nas entregas da DIPJ e da DCTF pela pessoa jurídica obrigada
ensejam a aplicação das penalidades previstas na legislação tributária.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA
Não se aplica o instituto da denúncia espontânea quando se tratar de multa
isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
DF CARF MF Fl. 404
Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
CÓPIA Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.167
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005,2006 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. SUJEITO PASSIVO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF E DA DIPJ. Os atrasos nas entregas da DIPJ e da DCTF pela pessoa jurídica obrigada ensejam a aplicação das penalidades previstas na legislação tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não se aplica o instituto da denúncia espontânea quando se tratar de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. DF CARF MF Fl. 404 Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓPIA Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 209 1 208 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13882.000304/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180101.167 – 1ª Turma Especial Sessão de 13 de setembro de 2012 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA (DIPJ) E MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIO FEDERAIS (DCTF) Recorrente COOPERLOR COOPERATIVA DOS TRANSPORTADORES DE CARGAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005,2006 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. SUJEITO PASSIVO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF E DA DIPJ. Os atrasos nas entregas da DIPJ e da DCTF pela pessoa jurídica obrigada ensejam a aplicação das penalidades previstas na legislação tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não se aplica o instituto da denúncia espontânea quando se tratar de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13882.000304/201011 Acórdão n.º 180101.167 S1TE01 Fl. 210 2 Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado os Autos de Infração às fls. 08, 55, 91, 119 e 147, com as exigências dos créditos tributários nos valores de: (a) R$1.195,16, a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 23.11.2009 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 30.06.2005, fl. 08, formalizado originalmente no processo nº 13882.000304/201011, fls. 0147; (b) R$1.702.92, a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 23.11.2009 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 30.06.2006, fl. 55, formalizado originalmente no processo nº 13882.000305/201065, fls. 4883; (c) R$4.200,48, a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 07.07.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do quarto trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 18.02.2005, fl. 91, formalizado originalmente no processo nº13882.000306/201018, fls. 84111; (d) R$14.863,47, a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 07.07.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do segundo Fl. 405DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13882.000304/201011 Acórdão n.º 180101.167 S1TE01 Fl. 211 3 semestre do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 07.04.2006, fl. 119, formalizado originalmente no processo nº 13882.000307/201054, fls. 112139; (e) R$10.432,04, a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 07.07.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do primeiro semestre do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 07.10.2005, fl. 119, formalizado originalmente no processo nº 13882.000308/201007, fls. 140167. Todos estes lançamentos foram formalizados nos processos nºs 13882.000304/201011, fls. 0147, 13882.000305/201065, fls. 4883, 13882.000306/201018, fls. 84111, 13882.000307/201054, fls. 112139 e 13882.000308/201007, fls. 140167, juntados por anexação, conforme a Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008 e o Termo de Anexação nº 10.169, de 23.06.2010, fl. 172. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Cientificada em 30.03.2010, fls. 42, 78, 106, 134 e 162, a Recorrente apresentou a impugnação em 23.04.2010, fls. 0104, 4851, 8492, 112115 e 140143, com as alegações a seguir sintetizadas. Argui que os lançamentos são nulos. Suscita que as pessoas físicas que administravam a Cooperativa à época não cumpriram as obrigações acessórias, de modo que são elas que devem ser identificadas como responsáveis pelos créditos tributários em litígio. Tendo em vista o princípio da eventualidade, defende a tese de que nos Autos de Infração não poderiam ter fixado os prazos para pagamento das multas isoladas com redução de cinquenta por cento no caso de denúncia espontânea, haja vista que a Lei nº 10.426, de 2002é silente a respeito desta questão. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 14. — Diante do exposto, com fundamento nos Dispositivos Legais precitados, o Contribuinte Requerente vem, perante Vossa Senhoria, requerer o processamento da presente impugnação, e o julgamento Totalmente Procedente, para, alternativamente: a.1) anular o Auto de Infração e Imposição de Multa —AIIM, ora combatido, tornadoo insubsistente pois lavrado de forma incorreta, ausente requisito formal imprescindível (valor correto), previsto nos arts. 142 e 160, Parágrafo Único, do Código Tributário Nacional, bem como art. 7°, §2°, inciso I, da Lei n°.: 10.426/02, por ser medida de Direito e de Justiça; OU, não sendo este o entendimento: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13882.000304/201011 Acórdão n.º 180101.167 S1TE01 Fl. 212 4 a.2) atribuir a responsabilidade pelo pagamento do Auto de Infração e Imposição de Multa — AIIM, ora combatido, aos Senhores Sávio Vicente e José Carlos Pinto, acima qualificados, vez que os verdadeiros causadores da alegada infração, isentando a Cooperativa e seu atual Presidente e Diretores de qualquer responsabilidade, por ser de inteira aplicação do Direito e de Justiça; OU, não sendo este o entendimento: a.3) que reduza pela metade o valor do Auto de Infração e Imposição de Multa — AIIM, ora combatido, nos termos do art. 160, Parágrafo Único, do Código Tributário Nacional, bem como art. 7°, §2°, inciso I, da Lei n°.: 10.426/02, por ser medida de Direito e de Justiça; b) Ao derradeiro, requer a produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive ajuntada dos documentos ora carreados; Termos em que, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0537.046, de 27.02.2012, fls. 178179: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004, 2005 DECLARAÇÃO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. IMPUTAÇÃO A TERCEIROS. A modificação da definição do sujeito passivo da obrigação tributária somente pode decorrer de disposição em lei. NULIDADE DO AUTO. Incabível a nulidade do auto quando presentes os requisitos essenciais ã sua constituição. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Sendo inaplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no CTN quanto as obrigações acessórias, mantémse a multa por atraso na entrega das declarações. Notificada em 24.04.2012, fl. 186, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.04.2012, fls. 187199, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Em face de todo supraexposto, a empresa Recorrente requer que se dignem a receber e dar provimento ao presente recurso, pois que restam demonstradas a insubsistência e improcedência total [dos lançamentos], cancelandose os créditos tributários [...] nos termos da impugnação apresentada , por ser Direito e Justiça; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13882.000304/201011 Acórdão n.º 180101.167 S1TE01 Fl. 213 5 Ao derradeiro, requer a produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive a juntada de documentos novos; [...] Termos em que, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo deve ser motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13882.000304/201011 Acórdão n.º 180101.167 S1TE01 Fl. 214 6 Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 2. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente explica que não é o sujeito passivo da obrigação tributária, uma vez que as pessoas físicas que a administravam à época não cumpriram as obrigações acessórias, de modo que são elas que devem ser identificadas como responsáveis pelos créditos tributários em litígio. O sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, na qualidade de contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador ou responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Por outro lado, o sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Ademais as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. O contribuinte do IRPJ é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos ou ainda de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais3. Analisando as provas produzidas nos autos, não restam dúvidas de que a Recorrente é o sujeito passivo da obrigação tributária acessória, por ser expressamente designada por lei pelos tributos informados nas DIPJ e nas DCTF entregues fora do prazo legal. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. A obrigação tributária acessória decorre da legislação e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro de Estado da Fazenda pode instituir obrigações acessórias, cuja atribuição delegou ao RFB, relativamente a tributos federais por ele administrados, que pode estabelecer, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O sujeito passivo que deixar de apresentar, dentre outras, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 43, art. 44, art. 45, art. 121, art. 122 e art. 123 do Código Tributário Nacional. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13882.000304/201011 Acórdão n.º 180101.167 S1TE01 Fl. 215 7 (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (c) de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. A referida multa será reduzida à metade, caso a declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de ofício4. Especificamente sobre o lançamento, temse que até o vencimento das notificações constantes nos Autos de Infração serão concedidas reduções de 50% para pagamento à vista ou 40% para os pedidos de parcelamento formalizados no mencionado prazo5. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo Simples; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. Atinente à DIPJ, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentála, via internet, anualmente, centralizada pela matriz: (a) para os anoscalendário de 1999 a 2008 até o último dia útil do mês de setembro do anocalendário subsequente; (b) para o anocalendário de 2009 até 30 de julho de 2010; (c) para o anocalendário de 2010 até 30 de junho de 2011; (d) para o anocalendário de 2011 até 29 de junho de 20127. 4 Fundamentação legal: art. 7º e art. 8º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. 5 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 8.218. de 29 de agosto de 1991, com redação dada pelo art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011 e Instrução Normativa RFB nº 1.264, de 30 de março de 2012. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13882.000304/201011 Acórdão n.º 180101.167 S1TE01 Fl. 216 8 Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores8. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em: (a) 23.11.2009 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 30.06.2005; (b) 23.11.2009 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 30.06.2006; (c) 07.07.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do quarto trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 18.02.2005; (d) 07.07.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do segundo semestre do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 07.04.2006; (e) 07.07.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do primeiro semestre do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 07.10.2005. Ademais, não constam nos presentes autos que os créditos tributários tenham sido pagos até o vencimento das notificações que os formalizam. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A 8 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13882.000304/201011 Acórdão n.º 180101.167 S1TE01 Fl. 217 9 exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal9. Este instituto, todavia, não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, ou seja, não se aplica à multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória10. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 9 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 10 Fundamentação legal: Súmulas CARF nºs 33 e 49. 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10882.001072/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 01 07 2/ 20 10 -2 0 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.001072/201020 Resolução nº 1402000.173 S1C4T2 Fl. 427 2 RELATÓRIO GRAN SAPORE BR BRASIL S / A recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de procedimento fiscal realizado pelo SEFIS DRF/Osasco SP, amparado pelo Registro de Procedimento Fiscal (RPF) nº 08.1.13.002010000429, concluído com a lavratura de Autos de Infração no total de R$ 8.733.886,59, abrangendo o anocalendário de 2007 e contemplando os tributos e valores a seguir descritos, incluindose o principal, multa de ofício à razão de 75,00%, multa exigida isoladamente à razão de 50% sobre os valores de estimativas mensais de IRPJ e CSSL não declarados nem recolhidos e juros de mora calculados até 31/03/2010: (...) DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL A ação fiscal iniciouse com o Termo de Intimação DRF/OSA/SEFIS – Malha PJ lavrado em 03/02/2010 (fls. 03/04), ciência por via postal “AR” em 08/02/2010 (fls. 05), no qual a contribuinte foi cientificada de que, mediante procedimento de revisão de sua DIPJ do ano calendário/2007 – exercício/2008, constatouse que os valores por ela informados na referida Declaração e referentes ao IRPJ e CSLL estavam superiores ao que foi declarado em DCTF ou superiores aos efetivos recolhimentos realizados e que deveria a fiscalizada, no prazo de cinco dias, prestar os esclarecimentos pertinentes, inclusive com disponibilização de livros e documentos necessários à análise por parte do Fisco, tendo este, para melhor definição das divergências, elaborado planilhas demonstrativas. Em 25/02/2010, a contribuinte foi reintimada, conforme Termo de Reintimação de fls. 06/07, ciência por via postal “AR”, em 02/03/2010 (fls. 08), tendo silenciado em relação ao exigido pelo Fisco, não se pronunciando em nenhum instante do procedimento fiscal, pelo que a ação fiscal foi concluída com a lavratura dos autos de infração ora apreciados. O Fisco juntou os documentos de fls. 09 a 31 (dentre outros, pesquisas internas no banco de dados da Receita Federal e cópia da DIPJ/2008). DA ACUSAÇÃO FISCAL Em Termo de Verificação Fiscal IRPJ de fls. 33/37 e Termo de Verificação Fiscal CSLL de fls. 48/52, datados de 12/04/2010, a Autoridade Fiscal relatou o resumo de todo o procedimento havido, discorrendo sobre as irregularidades apuradas e fez outras observações relativas à ação fiscal realizada, concluindo, naquilo que se insere nos presentes autos: IRPJ Em seu Termo de fls. 33/37, expõe o Fisco, em relação a este tópico: que “a GRAN SAPORE foi intimada em 03/02/2010 (fls. 03/04), tomou ciência em 08/02/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR, à fl. 05, mas não atendeu no prazo concedido. Foi então reintimada em 25/02/2010, às fls. 06/07, tomou ciência em 02/03/2010,`à fl. 08, mas também, não se pronunciou”; que “a intimação e reintimação feitas à GRAN SAPORE, referemse à divergência de informações lançadas em sua DIPJ/2008, relativas ao anocalendário de 2007, em comparação com os valores informados em DCTF e recolhimentos”, e que “não atendeu no prazo dado”; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.001072/201020 Resolução nº 1402000.173 S1C4T2 Fl. 428 3 que, “desta forma, tendo em vista a falta de interesse por parte da GRAN SAPORE, o trabalho será efetuado com base nos dados disponíveis, constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil”; que “a presente Revisão de Declaração se originou das divergências constatadas entre os valores de IRPJ a Pagar, do anocalendário de 2007, informados em sua DIPJ/2008, versus os valores informados em DCTF e recolhimentos efetuados”; que, “de pronto, verificouse que não houve recolhimento algum, seja por meio de DARF ou por meio de PERDCOMP, a título de IRPJ, para o anocalendário de 2007”, e que, “por outro lado, houve retenção de IRRF, cujo montante deverá ser utilizado para abatimento dos valores a pagar de IRPJ, os quais serão totalmente recalculados, uma vez que foram apurados de forma incorreta”. Discorre o Fisco, a seguir, sobre o preenchimento da DIPJ/2008, linhas 11/06 – Imposto de Renda Devido em Meses Anteriores e 11/07 – Imposto de Renda Retido na Fonte, pontuando: linha 11/16 – Imposto de Renda Devido em Meses Anteriores: que “o preenchimento original foi equivocado em vários meses do ano calendário de 2007, sendo que o correto é “Informar o somatório do imposto de renda devido nos meses anteriores do mesmo anocalendário, abrangidos pelo período em curso compreendido na demonstração. O imposto devido em cada mês corresponde ao somatório, se positivo, dos valores informados nas Linhas 11/02 + 11/03 + 11/04 – Linha 11/05 – Linha 11/06”, e que “a GRAN SAPORE apresentou valores inconsistentes nesta Linha, os quais foram desprezados e devidamente recalculados”. linha 11/07 – Imposto de Renda Retido na Fonte que “os Informes de Rendimentos não foram apresentados pela GRAN SAPORE, mas foi utilizada a base DIRF, cujo montante de R$ 540.965,07, deverá ser a base para a apuração correta do IRPJ Estimativa a Pagar”; que, “como a GRAN SAPORE informou valores de IRRF muito superiores aos efetivamente retidos, conforme informação do sistema DIRF, e como não foi apresentado Informe de Rendimento algum, a base deverá ser aquela disponível nos sistemas da Receita Federal do Brasil, a qual está consubstanciada na Planilha, à fl. 13”. Com suporte nas constatações feitas, a Fiscalização refez o valor do IRPJ mensal devido por estimativa (cf. planilha de fls. 36), elaborando o quadro de divergências inserido no Termo de Verificação Fiscal – fls. 36 e concluindo, a partir daí, caber “o lançamento de Multa Isolada, no montante de R$ 1.726.389,29, pela falta/insuficiência de recolhimento do IRPJ Estimativa, conforme abaixo descrito”: (...) Depois de reproduzir a Ficha 12A – Cálculo do IRPJ, constante na DIPJ/2008, entregue pela contribuinte, prossegue o Fisco: “Linha 12/13 – Imposto de Renda Retido na Fonte” Diz a Fiscalização a respeito desta linha da DIPJ/2008 que “foi apurado o montante de R$ 540.965,07, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, para o anocalendário de 2007, o qual foi totalmente utilizado no cálculo do IRPJ Estimativa, devendo ser glosada a totalidade do valor de R$ 1.185.114,62, informado nesta linha”. “Linha 12/17 – Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa” Relata o Agente Fiscal que nesse item deveriam ser informados os valores efetivamente pagos a título de IRPJ Estimativa, englobandose o IRRF, PERDCOMP e recolhimentos feitos pela Fl. 429DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.001072/201020 Resolução nº 1402000.173 S1C4T2 Fl. 429 4 autuada, e que, “como não foi localizado recolhimento algum, nem PERDCOMP, restou a ser lançado nesta Linha o montante de R$ 540.965,07, de IRRF utilizado no cálculo do IRPJ Estimativa a Pagar, conforme planilha, à fl. 19”. Para concluir que, “desta forma, refazse a Ficha 12A – Cálculo do IRPJ com as glosas efetuadas, cabendo o lançamento de R$ 2.320.570,26, pela insuficiência de recolhimento do IRPJ Quota de ajuste a Pagar, conforme abaixo descrito”: FICHA 12 CÁLCULO DO IRPJ VALOR R$ 12/01. À Alíquota de 15% 1.773.894,67 12/03. Adicional 1.158.596,45 12/04. () Programa de Alimentação do Trabalhador 70.955,79 12/13. () Imposto de Renda Retido na Fonte 12/17. () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 540.965,07 12/19. IRPJ A PAGAR 2.320.570,26 CSLL Em seu Termo de fls. 48/52, expõe o Fisco, em relação a este tópico: que “a GRAN SAPORE foi intimada em 03/02/2010 (fls. 03/04), tomou ciência em 08/02/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR, à fl. 05, mas não atendeu no prazo concedido. Foi então reintimada em 25/02/2010, às fls. 06/07, tomou ciência em 02/03/2010,`à fl. 08, mas também, não se pronunciou”; que “a intimação e reintimação feitas à GRAN SAPORE, referemse à divergência de informações lançadas em sua DIPJ/2008, relativas ao anocalendário de 2007, em comparação com os valores informados em DCTF e recolhimentos”, e que “não atendeu no prazo dado”; que, “desta forma, tendo em vista a falta de interesse por parte da GRAN SAPORE, o trabalho será efetuado com base nos dados disponíveis, constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil”; que “a presente Revisão de Declaração se originou das divergências constatadas entre os valores de CSLL a Pagar, do anocalendário de 2007, informados em sua DIPJ/2008, versus os valores informados em DCTF e recolhimentos efetuados”; que, “de pronto, verificouse que não houve recolhimento algum, seja por meio de DARF ou por meio de PERDCOMP, a título de CSLL, para o anocalendário de 2007”, e que, “por outro lado, houve retenção de CSLL, cujo montante deverá ser utilizado para abatimento dos valores a pagar de CSLL, os quais serão totalmente recalculados, uma vez que foram apurados de forma incorreta”; Discorre o Fisco, a seguir, sobre o preenchimento da DIPJ/2008, linhas 16/05 – CSLL Devida em Meses Anteriores e 16/09 – CSLL Retida de PJ de direito Privado, pontuando: linha 16/05 – CSLL Devida em Meses Anteriores: que “o preenchimento original foi equivocado em vários meses do ano calendário de 2007, sendo que o correto é “Informar o somatório dos valores positivos correspondentes à CSLL devida (Linha 16/02 – Linha 16/03 – Linha 16/04 – Linha 16/05) nos meses anteriores do mesmo anocalendário, abrangidos pelo período em Fl. 430DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.001072/201020 Resolução nº 1402000.173 S1C4T2 Fl. 430 5 curso compreendido na demonstração”, e que “a GRAN SAPORE apresentou valores inconsistentes nesta Linha, os quais foram desprezados e devidamente recalculados”. linha 16/09 – CSLL Retida de PJ de direito Privado que “os Informes de Rendimentos não foram apresentados pela GRAN SAPORE, mas foi utilizada a base DIRF, cujo montante de R$ 140.004,64, deverá ser a base para a apuração correta da CSLL Estimativa a Pagar”; que, “como a GRAN SAPORE informou valores de CSLL muito superiores aos efetivamente retidos, conforme informação do sistema DIRF, e como não foi apresentado Informe de Rendimento algum, a base deverá ser aquela disponível nos sistemas da Receita Federal do Brasil, a qual está consubstanciada na Planilha, à fl. 14”. Com suporte nas constatações feitas, a Fiscalização refez o valor da CSLL mensal devida por estimativa (cf. planilha de fls. 51), elaborando o quadro de divergências inserido no Termo de Verificação Fiscal – fls. 51 e concluindo, a partir daí, caber “o lançamento de Multa Isolada, no montante de R$ 602.059,94, pela falta/insuficiência de recolhimento da CSLL Estimativa, conforme abaixo descrito”: (...) Depois de reproduzir a Ficha 17 – Cálculo da CSLL, constante na DIPJ/2008, entregue pela contribuinte, prossegue o Fisco: “Linha 17/57 – CSLL Retida de PJ de Direito Privado” Diz a Fiscalização a respeito desta linha da DIPJ/2008 que “foi apurado o montante de R$ 140.004,64, a título de CSLL Retida de PJ de Direito Privado, para o anocalendário de 2007, o qual foi totalmente utilizado no cálculo da CSLL Estimativa, devendo ser glosada a totalidade do valor de R$ 523.142,32, informado nesta linha”. “Linha 17/59 – CSLL Mensal Paga por Estimativa” Relata o Agente Fiscal que nesse item deveriam ser informados os valores efetivamente pagos a título de CSLL Estimativa, englobandose as retenções havidas, PERDCOMP e recolhimentos feitos pela autuada, e que, “como não foi localizado recolhimento algum, nem PERDCOMP, restou a ser lançado nesta Linha o montante de R$ 140.004,64, (...) utilizado no cálculo da CSLL Estimativa a Pagar, conforme planilha, à fl. 14”. Para concluir que, “desta forma, refazse a Ficha 17 – Cálculo da CSLL com as glosas efetuadas, cabendo o lançamento de R$ 924.332,16, pela insuficiência de recolhimento da CSLL Quota de ajuste a Pagar, conforme abaixo descrito”: FICHA 17 CÁLCULO DA CSLL R$ 17/49. TOTAL DA CSLL 1.064.336,80 17/57. () CSLL Retida de PJ de Direito Privado 17/59. () CSLL Mensal por Estimativa 140.004,64 17/61. CSLL A PAGAR 924.332,16 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS Os autos de infração relativos às diferenças de IRPJ e de CSLL, bem como os de MULTA ISOLADA DO IRPJ e MULTA ISOLADA DA CSLL, foram lavrados em Fl. 431DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.001072/201020 Resolução nº 1402000.173 S1C4T2 Fl. 431 6 12/04/2010, formalizado e protocolizado o processo administrativo pertinente e estão juntados às fls. 01 e 02, 38 a 47 e 53 a 62. A ciência da contribuinte fezse em 16/04/2010, por via postal, conforme “AR” de fls. 63. DA IMPUGNAÇÃO Ciente da conclusão do procedimento fiscal e da lavratura dos autos de infração, a contribuinte, em 18/05/2010, apresentou a Impugnação de fls. 67/96, juntando, ainda, documentos de fls. 97/148. Na peça contestatória, depois de fazer um resumo dos fatos, alegou, em apertada síntese, a impugnante: terem sido os lançamentos efetuados por arbitramento, o que só é admitido pelo ordenamento jurídico em casos extremos, “cabível somente em restritas hipóteses, dada a discricionariedade e comumente arbitrariedade que concentra por definição, contrapondose ao lançamento dito “comum” (por homologação) que é ato estritamente vinculado, e não possibilita grandes margens de discricionariedade ao agente público”; que “a Autoridade Fiscal optou por desconsiderar toda a escrituração e lançamentos efetuados mês a mês pela empresa, através das respectivas DCTFs DIRFs, e ao final do exercício consolidou os valores na DIPJ”. No direito, suscitou, preliminarmente, pela nulidade do lançamento por falta de liquidez e certeza, afirmando que todas as informações por ela prestadas foram desconsideradas pelo Fisco, gerando uma série de equívocos que acabaram por invalidar o Auto lavrado. Disse ainda terem sido ignorados os cálculos dos meses de maio, agosto e outubro de 2007, cujos valores foram negativos, totalizando R$ 764.535,49, criando uma substancial diferença a favor do Fisco e alterando “o resultado final do arbitramento, e por si só já possui o condão de macular o resultado final do cálculo”. Transcreveu o artigo 142 do CTN e os conceitos jurídicos sobre liquidez e certeza de De Plácido e Silva para concluir que o auto de infração impugnado encontra se “permeado por diversos erros que, isoladamente, já maculariam os requisitos inerentes à validade do Auto de Infração, mas que em conjunto, ao ver da Impugnante, maculam por completo o lançamento efetuado” (sublinhado no original). A seguir, sustentou que o Fisco tomou erradamente valores constantes na DIRF, relatando que “ao proceder ao ato do lançamento por estimativa, ante a falta de elementos para verificação dos corretos valores a serem considerados, a Autoridade baseouse na DIRF apresentada, mas efetuou todos os cálculos necessários baseando se em valores diferentes daqueles efetivamente apresentados”. Disse mais: que “imperioso salientar, ainda, que a DIRF apresentada pela empresa foi retificada posteriormente, não ficaram claros quais os critérios utilizados, e se os mesmos foram extraídos da declaração original ou da declaração retificadora”; que “no tópico IRPJ estimativa a pagar, linha07 imposto de Renda Retido na Fonte, o fisco relata que os informes de rendimentos não foram apresentados pela Impugnante, tomando a quantia de R$ 540.956,07 (...) como base para a correta apuração do IRPJ estimativa a pagar”; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.001072/201020 Resolução nº 1402000.173 S1C4T2 Fl. 432 7 que, “mais adiante relata às mesmas fls. 03 que a impugnante informou valores muito superiores aos efetivamente retidos, conforme informação do sistema DIRF, sustentando ainda que ante a ausência de informação acerca de rendimentos tributáveis, deverá como forma de apuração ser a base disponível no sistema da receita federal”; que, “ao analisar as declarações mencionadas, constatase sem margem de erro que os valores informados totalizam algo em torno de R$ 216.111,20”; que, “como se denota no documento anexo, o fisco, diversamente do entendimento exarado no auto de infração, houve apresentação de rendimentos pela impugnante”. Após transcrever decisões do CARF sobre nulidade, continuou sua defesa sustentando que o Fisco se enganou em não observar que a autuada apresentou DIRF e que o valor retido na fonte perfaz R$ 216.111,20, ignorado pela Fiscalização e que, assim, “não há que se dizer que a impugnante informou valores de IRRF muito superiores aos efetivamente retidos, e sim observar que o próprio fisco erroneamente toma o valor de R$ 540.965,07 como base para apuração CE (sic) IRPJ Estimativa a Pagar”, e que “é de se notar, deste modo, que todo o procedimento de apuração do IRPJ estimativa tomado pelo fisco encontrase irregular desde sua essência, qual seja, do valor pelo qual o mesmo tomou como base para tanto”. Reafirmou que “no presente caso, temos que o valor de R$ 540.965,07, levantado pelo fisco, não pode ser tomado como base para apurar a IRPJ estimativa a pagar posto que, como já mencionado, a impugnante apresentou a DIRF 2008, ano calendário 2007, com os rendimentos tributáveis e o IRRF no importe total de R$ 216.111,20”, para concluir que “neste passo o lançamento realizado pela autoridade administrativa competente, feito com base em gritante erro no que tange ao critério quantitativo “constitui” crédito que não decorre da obrigação”. Depois de reproduzir doutrina, ratificou: “um erro material incidente sobre o critério quantitativo vicia irremediavelmente o conteúdo do Auto de infração razão pela qual se torna obrigatório o seu cancelamento pela Autoridade Fiscal”. Na continuidade, defendeu ser impossível cumularse tributos de natureza distinta no mesmo auto de infração. Citando o artigo 9º, do Decreto 70.235/1972 (PAF), afirmou que “na presente ação fiscal o Fisco, no seu entender constatou diversas infrações à legislação de regência do IRPJ e da CSLL”, e que, “deste modo, por se tratar de espécie de tributos diferentes, os impostos e contribuições apresentam cada um com características e peculiaridades diversas, distintas no tratamento dado pela Constituição Federal, e necessário portanto, que fossem lavrados autos separados para cada obrigação tributária”. Também sustentou ser impossível aplicarse multa punitiva isolada decorrente de arbitramento juntamente com multa de ofício e outras exigências tributárias, afirmando que “a exigência de crédito tributário relativo a multa isolada deve ser formalizada através de auto de infração distinto, conforme determinação do art. 9º do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93” (transcreveu jurisprudência). Finalizando sua defesa, desenvolveu extenso arrazoado sobre o que chama de “impossibilidade da cobrança cumulativa da multa isolada e de ofício”. Depois de expor que “o princípio jurídico representado pela vedação legal à chamada bitributação, nada mais é do que uma garantia constitucional que impede a Fl. 433DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.001072/201020 Resolução nº 1402000.173 S1C4T2 Fl. 433 8 Autoridade fiscal de aplicar duas ou mais sanções acerca do mesmo fato imponível”, e que, “a jurisprudência até admite a concomitância de multa punitiva com a chamada multa moratória, mas nos casos de lançamento por arbitramento, fica claro que as duas penalidades cominadas possuem caráter punitivo, vedando assim sua aplicação simultânea”, citou e transcreveu decisões administrativas e judiciais que entendeu pertinentes à sua tese. Finalmente, alertou que a aplicação simultânea das multas fere o princípio constitucional do não–confisco, citando a decisão do STF que decretou a inconstitucionalidade da Lei nº 8.846/1994 (multa de 300%). Encerrou sua impugnação reafirmando e ratificando o que expôs e requerendo a nulidade do lançamento impugnando e/ou o cancelamento do Auto de Infração, com remessa ao arquivo. Alternativamente peticionou fosse refeito o lançamento tributário por arbitramento, tomandose por base os valores corretos apurados em DIRF, fossem descontados os montantes relativos aos meses de maio, agosto e outubro e a exclusão dos valores lançados equivocadamente a título de multa isolada por arbitramento e que foram indevidamente cumulados com a multa de ofício. A decisão recorrida está assim ementada: Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Nulidade. Improcedência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Multa Isolada. Falta de Recolhimento de Estimativas Mensais. O não recolhimento de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. Ajuste Anual. Insuficiência de Recolhimento. Lançamento de Ofício. Cabimento. Constatado que a contribuinte utilizouse, a maior, de créditos de tributos retidos na fonte para compensar com o IRPJ apurado na DIPJ do período, cabível o lançamento de ofício pelo Fisco para exigir a diferença encontrada. Arbitramento. Não Ocorrência Não tendo a Autoridade Fiscal procedido ao arbitramento do lucro, mas adotado, para fins dos lançamentos realizados e na forma do disposto no artigo 24, da Lei nº 9.249/1995, o regime de opção do sujeito passivo para o período, no caso, o Lucro Real anual, não se conhece dos argumentos da defesa neste aspecto, posto que não aplicáveis ao caso concreto. Ajuste Anual. Insuficiência de Recolhimento. Lançamento de Ofício. Cabimento. Constatado que a contribuinte utilizouse, a maior, de créditos de tributos retidos na fonte para compensar com a CSLL apurada na DIPJ do período, cabível o lançamento de ofício pelo Fisco para exigir a diferença encontrada. Impugnação Improcedente. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.001072/201020 Resolução nº 1402000.173 S1C4T2 Fl. 434 9 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): “(...) (...)” É o relatório. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.001072/201020 Resolução nº 1402000.173 S1C4T2 Fl. 435 10 VOTO Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de exigência de IRPJ e CSLL em face da fiscalização glosar valores deduzidos a titulo de retenções em fonte. O contribuinte juntou no recurso voluntário os documentos de fls. 263 a 425 no intuito de comprovar que, embora as fontes pagadoras tenham deixado de informar as retenções à RFB, os valores foram devidamente contabilizados pela recorrente, as receitas tributadas, sendo que as fontes pagadores efetivamente realizaram tais retenções. Aduz a recorrente (fls. 419 e seguintes): “(...) Com o intuito de demonstrar a verdade material, a recorrente solicitou um trabalho pericial a uma empresa de auditoria especializada e idônea a fim de esclarecer os fatos sob análise desse E. CARF, tendo sido emitido o Laudo anexo. O Laudo concluiu que os cálculos apresentados no auto de infração padecem de alguns erros que distorceram a realidade dos fatos, resultando em prejuízo à recorrente. O valor de IRPJ lançado pelo AFRFB no montante de R$ 2.320.570,26 (pág. 02 do Laudo), após os recálculos feitos pela Sra. Perita, foi reduzido para R$ 2.010.712,68 (pág. 8 do Laudo). Igualmente, os cálculos da CSLL, que foram lançados pelo AFRFB no montante de R$ 924.332,16 (pág. 9 do Laudo), foram refeitos tendo a perícia chegado ao montante de R$ 647.545,68 (pág. 12 do Laudo). Valores estes sem os acréscimos impostos nas autuações. As diferenças decorreram das premissas adotadas pelo AFRFB que destoam da lei e da jurisprudência deste E. CARF. O AFRFB considerou apenas os valores declarados nas DIRF’s pelas fontes pagadoras, e não valores declarados pela recorrente a título de retenção na fonte. O AFRFB considerou o valor de R$ 540.965,07 relativo à IRRF declarado nas DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras, desconsiderando in totum o valor declarado pela recorrente. Ocorre que, revendo os cálculos relativos ao IRPJ feitos pelo AFRFB, à luz da escrituração contábil da recorrente, a perícia conseguiu levantar o montante de R$ 850.822,65 sendo este dividido em retenção na fonte sobre receitas de prestação de serviços (R$ 463.593,56) e retenção na fonte sobre receitas de aplicação financeira (R$ 387.229,09). Esses números estão consubstanciados na escrituração contábil da recorrente conforme demonstra o DOC.2 (livro razão) do Laudo pericial. O AFRFB considerou unilateralmente as informações constantes das DIRF’s, ao arrepio das informações prestadas pelo contribuinte. A retenção de IR na fonte é mecanismo de arrecadação determinado pelo Fisco (art. 649 do RIR/99) aos contratantes de serviços. O Fisco não pode dar às informações prestadas pelos terceiros, nesse mecanismo, importância superior à documentação contábil do contribuinte que Fl. 436DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.001072/201020 Resolução nº 1402000.173 S1C4T2 Fl. 436 11 sofre a retenção, mesmo porque o responsável pela retenção e recolhimento pode, por exemplo, prestar informações equivocadas ou omitilas. As inverdades favorecem os tomadores e não os contribuintes que sofrem a retenção, pois recebem o valor da contraprestação dos serviços líquido de impostos. Já para o Fisco é prático e cômodo cobrar o contribuinte, que sofreu a retenção, o que facilmente pode acarretar cobrança em duplicidade. Assim, a partir do momento que o contribuinte faz prova com a sua escrituração contábil, o sistema de retenção na fonte não pode ser utilizado para desconsiderála. A recorrente em todas as suas notas fiscais efetivou o destaque dos tributos como determina a Lei. Consequentemente, os tomadores de seus serviços pagavam por estes descontandose o valor dos tributos, ou seja, a recorrente recebeu por seus serviços o valor líquido de tributos. Logo, a responsabilidade pelo recolhimento e por informar o Fisco é dos terceiros, não podendo a recorrente ser responsabilizada por dados incorretos ou omissos de responsabilidade destes. As fontes pagadoras é que devem justificar o porquê suas declarações não conferem com as declarações e escrituração da recorrente. O raciocínio ora exposto, ou seja, de que a redução feita pelo AFRFB não pode levar em conta apenas as DIRF’s, mas também a escrituração da recorrente, não importando se as fontes pagadoras cumpriram ou não com seus encargos, vai ao encontro de decisões administrativas, v.g., Acórdão n° 1083.450/96CARF, e decisão n° 140/98 da 9ª Região Fiscal. O mesmo raciocínio foi aplicado quanto ao cálculo da CSLL. Na revisão do cálculo do AFRFB, à luz da escrituração contábil da recorrente, a perícia conseguiu levantar, a título de CSLL, o montante de R$ 416.791,12 relativo a retenção na fonte, contrariando, portanto, a quantia de R$ 140.004,64 considerada pelo AFRFB. Não é bastante reafirmar que esta quantia levantada pelo AFRFB está baseada apenas nas DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras, ignorando in totum as informações prestadas pela recorrente na sua DIPJ, amparadas pela sua escrituração contábil. Esses números estão consubstanciados na escrituração contábil da recorrente conforme demonstra o DOC.3 (livro razão) do Laudo pericial. Diante do exposto, estão equivocados os cálculos do AFRFB quanto aos montantes de IRPJ e CSLL retidos na fonte. Os montantes de R$ 850.822,65 (IRPJ) e R$ 416.791,12 (CSLL) foram retidos pelas fontes pagadoras da recorrente, e como tal devem ser considerados para fins dos cálculos dos respectivos tributos. Assim, imperioso que esse E. CARF considere as conclusões consignadas no Laudo pericial anexo, para fim de ilidir os cálculos apresentados pela AFRFB. (...)” De fato, as glosas fiscais foram orientadas pelas informações obtidas nas consultas internas da RFB, isso porque, o contribuinte deixou de atender as intimações durante a auditoria (fls. 33 a 38). Todavia, o tributo não pode configurar penalidade (art. 3o. do CTN), a multa de 75%, que pode ser agravada em 50% pelo não atendimento às intimações fiscais já tem essa função. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.001072/201020 Resolução nº 1402000.173 S1C4T2 Fl. 437 12 Uma vez que as alegações revelamse pertinentes, cumpre a este colegiado converter o julgamento em diligência para que a fiscalização da DRF de origem efetue as verificações necessárias e, ao final, lavre termo consubstanciado manifestandose sobre as alegações e documentação apresentada pela contribuinte (fls. 263 e seguintes). Após, cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 438DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 16366.000600/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/12/2005
PERÍCIA
Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da perícia solicitada, rejeita-se o pedido. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/12/2005
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de recuperação de despesas integram a base de cálculo da Cofins com incidência não cumulativa, inexistindo amparo legal para suas exclusões. PROCESSO PRODUTIVO. AQUISIÇÕES. COMBUSTÍVEIS
E LUBRIFICANTES.
As aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo dos bens vendidos pela pessoa jurídica geram créditos de Cofins não cumulativa, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. FRETES. MATÉRIAS-PRIMA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
As aquisições de óleo diesel e lubrificantes utilizados no transporte de matérias primas e dos produtos vendidos, bem como na prestação de serviços de fretes para terceiros geram créditos de Cofins não cumulativa, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3301-001.428
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Paulo Sérgio Celani que negava provimento, sendo que os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López davam provimento integral.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005 PERÍCIA Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da perícia solicitada, rejeita-se o pedido. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de recuperação de despesas integram a base de cálculo da Cofins com incidência não cumulativa, inexistindo amparo legal para suas exclusões. PROCESSO PRODUTIVO. AQUISIÇÕES. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. As aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo dos bens vendidos pela pessoa jurídica geram créditos de Cofins não cumulativa, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. FRETES. MATÉRIAS-PRIMA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. As aquisições de óleo diesel e lubrificantes utilizados no transporte de matérias primas e dos produtos vendidos, bem como na prestação de serviços de fretes para terceiros geram créditos de Cofins não cumulativa, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de recuperação de despesas integram a base de cálculo da Cofins com incidência não cumulativa, inexistindo amparo legal para suas exclusões. PROCESSO PRODUTIVO. AQUISIÇÕES. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. As aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo dos bens vendidos pela pessoa jurídica geram créditos de Cofins não cumulativa, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. FRETES. MATÉRIASPRIMA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. As aquisições de óleo diesel e lubrificantes utilizados no transporte de matérias primas e dos produtos vendidos, bem como na prestação de serviços de fretes para terceiros geram créditos de Cofins não cumulativa, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Paulo Sérgio Celani que negava provimento, sendo que os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López davam provimento integral. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento (PER) de saldo credor de Cofins não cumulativa, apurado para o 4º trimestre de 2005, transmitido em 31/01/2006, cumulado com compensação de débitos fiscais declarados no processo administrativo nº 13906.000047/200615. Por meio do Despacho Decisório às fls. 425/428, a DRF em Londrina deferiu parcialmente o ressarcimento pleiteado, homologou a compensação dos débitos declarados, glosou o valor de R$19.338,77 e o saldo credor a favor da recorrente, no valor de R$11.839,10, lhe foi ressarcido mediante ordem bancária. Inconformada com deferimento parcial do ressarcimento pleiteado, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 447/453), insistindo no deferimento integral do valor pleiteado, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) Os créditos referentes a combustíveis e lubrificantes foram excluídos sob alegação de que não houve comprovação de sua utilização na fabricação dos produtos ou na prestação de serviços. Comprovase mediante notas de amostragem, a aquisição de óleo diesel e lubrificantes, os quais são consumidos nos veículos da empresa no transporte de matéria prima dos frigoríficos para a indústria e desta, após a industrialização, para seus compradores e portos onde serão exportados; b) Os veículos da empresa também efetuam fretes e carretos, e notas de conhecimento de transporte (amostragem) que são receitas de serviços sujeitas à contribuição. Se os valores de fretes e carretos sofrem incidência da contribuição, logo se apresenta justo e correto que o óleo diesel necessário ao transporte também seja tributado pela COFINS. Dessa forma, a glosa relativa aos combustíveis não se sustenta; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 330101.428 S3C3T1 Fl. 122 3 c) Os valores de recuperação de despesas, se referem a faltas de empregados ao serviço, participação correspondente aos empregados no vale transporte e vale refeição, bem como ao convênio Senai, Sesi, reembolso Bradesco Seguros, reembolso DHL, reembolso Desp. Pinho, conforme listagem do Razão em anexo; d) As receitas eventuais se referem a resgate de previdência privada paga pela contribuinte; e) Tais valores não se referem a faturamento da venda de mercadorias ou prestação de serviços, mas recuperação de despesas. O STF já decidiu sobre a não incidência da COFINS sobre o alargamento da base de cálculo da Lei 9.718/98, art. 3º, § 1º; f) Portanto, a tributação efetuada pela fiscalização sobre os valores relativos a recuperação de despesas não deve prevalecer por contrariar jurisprudência do e. STF já decidida no ano de 2005; g) Requer a reconsideração do Despacho Decisório, para conceder o direito ao creditamento da COFINS referente às aquisições de combustíveis e lubrificantes, bem como a exclusão da base de cálculo da COFINS dos valores referentes à recuperação de despesas registradas no Razão.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1326.717, datado de 08/10/2009, às fls. 499/502, sob as seguintes ementas: “CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. Os gastos com combustíveis e lubrificantes, usados no transporte de matéria prima ou de produtos vendidos, não se caracterizam como insumo para fins de apuração de créditos a descontar na sistemática não cumulativa. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPROVAÇÃO. Para fins de apuração dos créditos a descontar na sistemática não cumulativa sobre gastos com combustíveis e lubrificantes a empresa deve manter registros contábeis e documentos capazes de comprovar e quantificar os valores vinculados à prestação de serviço de transporte rodoviário de carga. BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITAS EVENTUAIS. A COFINS incide sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, não havendo previsão legal para a exclusão de valores relativos a recuperação de despesas e receitas eventuais.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (505/511), requerendo, em preliminar, a realização de perícia para quantificar os gastos com combustíveis; e, no mérito, a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito ao ressarcimento integral do valor pleiteado, alegando, em síntese, que os gastos com Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 combustíveis e lubrificantes utilizados em seu processo produtivo e com óleo diesel utilizado no transporte de matériasprima e produtos vendidos, bem como na prestação de serviços de fretes geram créditos de Cofins e que as receitas decorrentes de recuperações de despesas não integram a base de cálculo dessa contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Preliminarmente, rejeito a realização de perícia visando comprovar e quantificar os custos com combustíveis utilizados no transporte de matéria prima porque tais custos devem ser comprovados mediante a apresentação de notas fiscais e conhecimentos de fretes nos quais constem dentre outras informações, os bens transportados, o destinatário, os locais de origem e destino, bem como os lançamentos contábeis. As questões de mérito se restringem ao direito de a recorrente se creditar da Cofins não cumulativa sobre: i) aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no seu processo produtivo; ii) aquisições de óleo diesel utilizado no transporte de matériasprima e produtos vendidos, bem como na prestação de serviços de fretes para terceiros; e, iii) de excluir da base de cálculo da Cofins não cumulativa as receitas decorrentes de recuperação de despesas. I) créditos sobre combustíveis e lubrificantes A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que instituiu a Cofins com incidência não cumulativa assim dispõe quanto ao direito de se creditar do valor dessa contribuição: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...). IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 330101.428 S3C3T1 Fl. 123 5 § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...).” Ora, segundo o disposto no inciso II do art. 3º, citados e transcritos acima, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo dos bens produzidos pela recorrente geram créditos de Cofins nãocumulativa. Assim, os custos com combustíveis e lubrificantes que comprovadamente foram utilizados em seu processo produtivo geram créditos de Cofins não cumulativa, nos termos do referido dispositivo legal, cabendo a ela provar, mediante documentos hábeis, notas fiscais e escrituração contábil, sua utilização naquele processo. II) óleo diesel utilizado no transporte de matériasprima e produtos vendidos, bem como na prestação de serviços de fretes para terceiros Também, nos termos dos incisos II e X do art. 3º, citados e transcritos anteriormente, os custos incorridos nas aquisições de óleo diesel utilizado nos fretes de transporte de matériasprima, por integrarem o custo destas, e, no transporte de produtos vendidos, por constituírem despesas na operação de venda, dão direito ao crédito de Cofins não cumulativa. Portanto, os custos incorridos a estes títulos devidamente comprovados pela recorrente geram créditos de Cofins não cumulativa. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Já o combustível utilizado na prestação de serviços de fretes para terceiros compõem o custo dos serviços prestados. Segundo, o disposto no inciso II do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, citado e transcrito anteriormente, os bens, no presente caso, os combustíveis utilizados nos veículos que prestaram serviços de fretes, constituem insumos utilizados na prestação dos serviços e, portanto, geram créditos de Cofins. Assim, a recorrente tem direito ao crédito da Cofins sobre as aquisições de combustíveis utilizados na prestação der serviços para terceiros cujas receitas foram oferecidas à tributação da Cofins nãocumulativa. III) exclusão das receitas decorrentes de recuperação de despesas da base de cálculo da Cofins Ao contrário do entendimento da recorrente, a Lei nº 8.833, de 29/12/2003, não prevê a exclusão das receitas decorrentes de recuperação das despesas da base de cálculo da Cofins. Segundo este diploma legal, a base de cálculo desta contribuição é a receita total auferida pela pessoa jurídica com as exclusões expressamente elencadas, assim dispondo: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nºs 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 330101.428 S3C3T1 Fl. 124 7 b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1º do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito).” Conforme se verifica deste dispositivo legal, as receitas decorrentes de recuperação de despesas não estão elencadas dentro daquelas passíveis de exclusão da base de cálculo da Cofins. Em face de todo o exposto e de tudo o mais que conta dos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos de Cofins não cumulativa sobre os custos incorridos nas aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no seu processo produtivo, no transporte de matérias primas, na operação de venda de seus produtos, bem como na prestação de serviços de fretes para terceiros, todos deverão ser comprovados, mediante documentos hábeis (notas fiscais de entradas, notas fiscais de saídas, conhecimento de transporte) e contábeis (escrituração das receitas de fretes, etc.), mantendo a exigência da contribuição sobre receitas decorrentes de recuperação de despesas. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 14041.000209/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.323
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedida a conselheira Ana Maria Bandeira.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarouse impedida a conselheira Ana Maria Bandeira. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ronaldo de Lima Macedo– Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 20 9/ 20 09 -4 8 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000209/200948 Resolução nº 2402000.323 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida em época própria, referente ao período de 08/1996 a 09/1996. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 20/28), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 34/58) requerendo a total improcedência do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0334.983 da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 67/78) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, entendendo que: (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; e (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 81/90) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 91/92). É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000209/200948 Resolução nº 2402000.323 S2C4T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isto porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à possível decadência do crédito tributário, levando em consideração o prazo previsto no art. 173, II, do CTN. Para que a contagem do prazo decadencial possa ser devidamente realizada, é mister que se tenha devidamente definido no processo qual a data em que o contribuinte foi notificado da decisão que anulou o lançamento anterior. No entanto, até o presente momento, tal data não foi devidamente comprovada. De acordo com o item 2 do Relatório Fiscal, a data da ciência da decisão que anulou o lançamento anterior teria ocorrido a partir de 18/02/2004, posto que esta data se refere à data da carta encaminhada pelo INSS à empresa, e não à efetiva data que esta obteve a ciência. “2. Cumpre observar que a ciência à Via Engenharia S.A da anulação das NFLDs mencionadas ocorreu a partir de 18/02/2004 (data da carta encaminhada pelo INSS/Serviço de Or. Gerenciamento de Recuperação de Créditos).” – destacouse Assim, é mister que o processo baixe em diligência para que a autoridade competente junte no processo cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Requerse também que a carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 do Relatório Fiscal, seja anexada ao processo. Caso a preliminar de decadência seja superada após a análise dos documentos apresentados pela fiscalização, poderá ser necessário analisar também o teor das notificações anuladas, bem como as decisões que as anularam. Assim, fazse oportuno requerer a juntada de cópia integral das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em síntese, requerse: (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Por fim, após as providências solicitadas, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e da sua manifestação, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10860.905015/2009-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2008
INTEMPESTIVIDADE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
Recurso Voluntário de acórdão da DRJ embasado em Manifestação de Inconformidade Intempestiva não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-004.107
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Recurso Voluntário de acórdão da DRJ embasado em Manifestação de Inconformidade Intempestiva não deve ser conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente de PIS/PASEP de período de apuração agosto/2005 com débitos de COFINS do período de apuração dezembro/2007 no valor de R$ 44.630,35. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 50 15 /2 00 9- 36 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Através de Despacho Decisório Eletrônico recebido em 19/10/2009, a DRF em Taubaté/SP não homologou o PER/DCOMP pois “Foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos créditos informados no Per/DCOMP” Irresignada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/12/2009, onde resumidamente alega que: a. o crédito é oriundo da exclusão do ICMS da base de calculo da COFINS b. a base de cálculo da COFINS é o faturamento, ou seja, o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. c. o ICMS não se amolda ao conceito de faturamento, sendo inconstitucional a incidência de contribuição sobre esse tributo. d. a matéria em questão que se refere a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, se encontra em repercussão geral, no STF. Ao final pede que seu PER/DCOMP seja homologado. A contribuinte protocolou pedido de desistência da ação administrativa, porem o fez com numeração estranha ao processo. A receita federal a intimou para corrigir a numeração indicada para assim proceder. Não obteve resposta da contribuinte, razão pela qual o processo teve sua continuidade. A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Em seu acórdão atenta para a correção da inclusão do ICMS na base de calculo das contribuições sociais. Destaca que a lei 9.718/98, norma que regulava a COFINS na época, não previa a exclusão do ICMS da base de cálculo. Anexa a sumula 94 do STJ, e lembra que o recurso extraordinário nº 240.7852/MG não foi julgado, portanto, afasta sua aplicação. Atesta a falta de provas anexadas para a comprovação do valor pago a maior. Inconformado o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde afirma que o conceito de faturamento e receita possui natureza constitucional e não pode ser modificado por legislação infraconstitucional. Fundamenta seu argumento anexando parte de voto proferido pelo Exmo. Min. do STF, Marco Aurélio Melo, e afirma que o valor correspondente ao ICMS não tem natureza de faturamento ou receita. Ao final pede que seja reconhecido seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, porem dele não tomo conhecimento. Discorrendo sobre a contagem de prazo no âmbito do processo administrativo fiscal, o artigo 5º do Decreto 70.235/72 (PAF) estabelece: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.905015/200936 Acórdão n.º 3803004.107 S3TE03 Fl. 11 3 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Quanto ao prazo para apresentação da Manifestação de Inconformidade o § 9o do artigo 74 da Lei 9.430/96, combinado com o § 7o do mesmo dispositivo legal estabelece o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do ato que não homologou a compensação. Em analise dos autos verificamos que o contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 19/10/2009 (Fls. 50), considerando que o dia 19/10/2009 foi uma segundafeira, a contagem do prazo iniciouse na terçafeira dia 20/10/2009 e findouse na quartafeira dia 18/11/2009, somente em 02/12/2009 (Fls. 08) a manifestação de inconformidade foi protocolizada. Não identificamos a existência de feriados ou falta de expediente na repartição, tão pouco a recorrente defende a tempestividade em seu recurso, o que seria natural em ocorrendo situações excepcionais como motivos de força maior, greve e outros eventos. Entendemos que errou a DRJ em Campinas/SP ao atestar a tempestividade da Manifestação de Inconformidade e manifestarse sobre as questões de mérito sem ao menos justificar a sua certificação de tempestividade. Verificamos, ainda, que o contribuinte em sua manifestação de inconformidade assim escreve: “Em 20.10.2009, a ora Peticionaria foi notificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre o teor da decisão exarada pela autoridade fiscal que indeferiu o pedido de restituição formulado pela empresa, não homologando também o pedidos de compensações realizados no mesmo procedimento fiscal, conforme dados descrito a seguir:” Ora, o próprio sujeito passivo reconhece a data da notificação do despacho decisório, apesar de um dia depois do efetivo recebimento, o que em nada altera o entendimento a respeito da intempestividade da sua manifestação de inconformidade. Pelo exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10814.020796/2006-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 08/05/2006 MULTA REGULAMENTAR ADMINISTRATIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Confirmado que a retificação da Declaração de Importação, foi realizado com o pagamento dos tributos com acréscimos legais e multa moratória, em momento anterior a qualquer procedimento de fiscalização. Aplica-se o benefício da denúncia espontânea previsto no art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66 à multa administrativa, prevista no art. 69, §1° da Lei n° 10.833/2003.
Numero da decisão: 3102-001.462
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 08/05/2006 MULTA REGULAMENTAR ADMINISTRATIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Confirmado que a retificação da Declaração de Importação, foi realizado com o pagamento dos tributos com acréscimos legais e multa moratória, em momento anterior a qualquer procedimento de fiscalização. Aplicase o benefício da denúncia espontânea previsto no art. 102 do DecretoLei nº 37/66 à multa administrativa, prevista no art. 69, §1° da Lei n° 10.833/2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II , alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “Trata o presente de Auto de Infração, fls.01/06, contra a contribuinte acima qualificado, com a exigência da Multa Regulamentar no valor de R$2.200,62, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte requereu pelo processo n° 10814.010265/200607, fls.07 deste processo, a retificação da Declaração de Importação n° 06/05257765, de 08/05/2006, fls.09/13, desembaraçada no canal verde, para alterar o valor do seguro de US$132,11 para US$179,55, juntando cópia da Apólice de Seguros, fls.28/34, e demais documentos relacionados com aquela operação de importação. A retificação da DI foi deferida, entretanto, o requerente foi intimado fls.60, a comprovar o recolhimento da multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria, conforme estabelecido no art. 69, §1° da Lei n° 10.833/2003, pelo descumprimento da obrigação acessória de informar de forma exata e completa os dados de natureza administrativatributária, cambial ou comercial, na declaração de importação, relativamente aquela operação, necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro devido por disposição legal. O contribuinte, fls.54/58, manifestou sua inconformidade com a exigência fiscal, deixando de atendêla, o que motivou a lavratura do presente auto de infração. O autuado intimado e cientificado, apresentou sua Impugnação, fls.70/74, em 12/12/2006, alegando: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10814.020796/200608 Acórdão n.º 310201.462 S3C1T2 Fl. 2 3 ter ocorrido a denúncia espontânea, eximindoo de qualquer responsabilidade, conforme ditame do art. 612 do Regulamento Aduaneiro, inclusive por ter recolhido a diferença de imposto apurada e os acréscimos legais, com a multa moratória; trouxe fato desconhecido pela fiscalização, espontaneamente; traz jurisprudência do 3° Conselho de Contribuintes e do STJ sobre a denúncia espontânea. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração pelo descabimento da exigência da referida multa..” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela improcedência da impugnação, por entender que tratandose de penalidade administrativa não seria alcançada pela denúncia espontânea. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/05/2006 Multa Regulamentar. Denúncia Espontânea. O benefício da denúncia espontânea é aplicável somente às infrações de natureza tributária, de acordo com o disposto no Decretolei 37/66, e a multa do artigo 84 da MP 2158 35/2001 possui caráter administrativo, cabível portanto sua aplicação no caso sob exame. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente vem aos autos questionando a decisão da autoridade de primeira instância que não aceitou o benefício da denúncia espontânea, em razão da penalidade aplicada tratarse de multa administrativa. Os fatos que ensejaram o lançamento, bem como a retificação da Declaração de Importação com o recolhimento dos acréscimos legais devidos é fato incontroverso no processo e portanto, a análise do recurso encontrase unicamente na possibilidade da utilização da denúncia espontânea para as penalidades administrativas. Neste ponto é relevante, destacar que não há reparo a fazer na decisão da autoridade a quo, considerando a legislação vigente à época daquele julgamento. Entretanto, legislação superveniente alterou o § 2º, do art. 102 do Decreto Lei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea. A alteração foi promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010. A nova redação do art. 102 esta transcrita abaixo. "Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." A legislação tributária de forma precípua, trata da vigência das leis sempre com visão de aplicação futura, ou seja, a eficácia da lei se faz sentir a partir da sua existência no mundo jurídico. Entretanto, em algumas situações quis o legislador criar exceções a regra geral, atribuindo a legislação tributária, o que se convencionou chamar de retroatividade benigna. As exceções estão previstas no artigo 106 do CTN. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10814.020796/200608 Acórdão n.º 310201.462 S3C1T2 Fl. 3 5 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática” No caso em tela, apesar do fato gerador da multa ora em discussão, ter ocorrido em data anterior à edição da Lei nº 12.350/10, obedecendo à alínea “c”, do inciso II, do art. 106 do CTN, entendo que a nova sistemática que ampliou a aplicação da denúncia espontânea também para as penalidades administrativas, sem dúvida criou uma situação mais benéfica ao Recorrente, permitindo que à penalidade administrativa seja alcançada pelo instituto da denúncia espontânea. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso voluntário, aplicando a retroatividade benigna para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. Winderley Morais Pereira Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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