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Numero do processo: 12259.001021/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/03/2002
SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar.
MPF. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA
A ciência ao sujeito passivo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento, conforme Enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social, de 23/02/2006.
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE
A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, excluir do lançamento a parcela referente à multa de mora, exclusivamente no caso de o depósito judicial ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo, assim como os juros de mora desde a data da efetivação do depósito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Ausência Momentânea: Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2000 a 31/03/2002 SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. MPF. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA A ciência ao sujeito passivo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento, conforme Enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social, de 23/02/2006. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. Recurso Voluntário Provido em Parte
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LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. MPF. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA A ciência ao sujeito passivo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento, conforme Enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social, de 23/02/2006. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 10 21 /2 00 8- 65 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, excluir do lançamento a parcela referente à multa de mora, exclusivamente no caso de o depósito judicial ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo, assim como os juros de mora desde a data da efetivação do depósito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Ausência Momentânea: Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Período de apuração: 01/07/2000 a 31/03/2002 Data da lavratura da NFLD: 31/08/2006. Data da ciência da NFLD: 12/09/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa acima identificada, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 218/221. Informa a fiscalização que os fatos geradores decorrem do pagamento de remuneração a segurados empregados e houveramse por apurados a partir das informações declaradas pela própria empresa recorrente nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Consta do relatório fiscal que o lançamento visa à prevenção da decadência, uma vez que a matéria é objeto de ação ordinária nº 98.00126910, com depósito judicial, perante a 26ª VF/RJ. Os valores depositados encontramse escriturados na conta 207400107 (Depósitos Judiciais Salário Educação). Inconformado com o lançamento, o sujeito passivo ofereceu impugnação a fls. 256/276. A Delegacia da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro Centro lavrou DecisãoNotificação a fls. 328/335, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001021/200865 Acórdão n.º 2302002.343 S2C3T2 Fl. 619 3 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 19/12/2006, conforme Recibo de Entrega a fl. 336. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 368/388, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que adiante se vos seguem: · Que as obrigações tributárias ocorridas no período anterior a setembro de 2001 encontramse extintas pela decadência; · Que a NFLD é nula uma vez que a ciência do contribuinte somente se deu após o encerramento do prazo do MPF; · Falta de motivação da NFLD para evitar a decadência, uma vez que existe depósito judicial das contribuições devidas; · Impossibilidade de se cobrar juros e multa moratórios; · Que a fiscalização, quando da capitulação dos dispositivos legais e regulamentares que supostamente dariam supedâneo para o presente lançamento, utilizouse de dispositivos genéricos e muitos deles que sequer tratam da hipótese objeto destes autos; Ao fim, requer a desconstituição do Auto de Infração lavrado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro lavrou Despacho Decisório DRF/RJO l/DICAT/EQCDP nº 01.305.573/064/2011 a fls. 562/564, promovendo a revisão ex officio do lançamento em debate, para fazer aplicar os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF. Como resultado, houvese por reconhecida a decadência das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência agosto/2001 e nas competências anteriores a essa, retificandose o crédito tributário na forma encartada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 565/616. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 19/12/2006. Havendo sido o recurso voluntário postado na agência dos correios em 18/01/2007, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega que as obrigações tributárias ocorridas no período anterior a setembro de 2001 encontramse extintas pela decadência; Com efeito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro lavrou Despacho Decisório DRF/RJO l/DICAT/EQCDP nº 01.305.573/064/2011 a fls. 562/564, promovendo a revisão ex officio do lançamento em debate, para fazer aplicar os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF. Como resultado, houvese por reconhecida a decadência das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência agosto/2001 e nas competências anteriores a essa, retificandose o crédito tributário na forma encartada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 565/616. Por tal motivo, já havendo sido contemplado o pleito do Recorrente nesse específico particular, nos esquivamos de apreciar a alegação de decadência em razão da perda de seu objeto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO LANÇAMENTO VISANDO À PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. Alega o Recorrente falta de motivação da NFLD para evitar a decadência, uma vez que existe depósito judicial das contribuições devidas. A razão não lhe sorri, todavia. Com efeito, o inciso II do art. 151 do CTN determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. Código Tributário Nacional CTN Fl. 621DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001021/200865 Acórdão n.º 2302002.343 S2C3T2 Fl. 620 5 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. Por força de tal dispositivo legal, fica o Fisco impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança judicial, tais como a inscrição do crédito tributário em dívida ativa ou o ajuizamento de execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. A polêmica em torno do tema já exigiu o pronunciamento formal do Superior Tribunal de Justiça, cuja Primeira Seção, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento do EREsp 572.603/PR, entendeu aquele órgão julgador que "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar ", conforme dessai da eloquência de sua ementa: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato Fl. 622DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 05/09/2005) Nesse mesmo sentido, colacionamos, ainda, os seguintes precedentes: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MEDIDA LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. 1. A ordem judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não atinge a sua regular constituição, não estando, por conseguinte, a Fazenda Pública impedida de efetuar o respectivo lançamento. 2. Recurso especial conhecido e provido." (REsp 216.298/SP, 2ª Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 1º/8/2005) "TRIBUTÁRIO PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA OBSTÁCULO JUDICIAL. 1. A constituição do crédito tributário, nos termos do CTN, não sofre interrupção ou suspensão, iniciandose o prazo na data da ocorrência do fato gerador. 2. A partir do fato gerador, dispõe a Fazenda do prazo de cinco anos para constituir o seu crédito, não estando inibida de fazêlo se houver suspensão da exigibilidade, nos termos do art. 150, §4º do CTN. 3. A liminar concedida em mandado de segurança (art. 151, IV, CTN), bem assim as demais hipóteses do mesmo art. 151, não impedem que a Fazenda constitua o seu crédito e aguarde para efetuar a cobrança. 4. Ocorrência da decadência, porque constituído o crédito após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 173, I, CTN). 5. Recurso especial conhecido em parte e provido." (REsp 575.991/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 22/8/2005) Conforme demonstrado, o entendimento prevalecente no Superior Tribunal de Justiça aponta unicamente no sentido de que o lançamento deve ser efetuado, visando a prevenir decadência, mesmo diante de uma causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001021/200865 Acórdão n.º 2302002.343 S2C3T2 Fl. 621 7 Isso porque o lançamento não se configura como ato de exigibilidade do crédito tributário, mas, sim, procedimento administrativo da sua formal constituição. Conforme cediço, o lançamento ostenta natureza jurídica dúplice: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito dela decorrente. Assim, antes de realizado o lançamento inexiste crédito tributário, mas, tão somente, obrigação tributária, a qual é inexigível, eis que se encontra à calva dos atributos indispensáveis da liquidez e certeza. Assim, para que haja suspensão do crédito tributário é necessário que haja crédito tributário constituído, e não pendente de constituição (obrigação tributária), circunstância que somente sói ocorrer com a efetivação do lançamento. Por outro viés, as hipóteses de suspensão do art. 151 do CTN não suspendem o prazo decadencial para efetivação do lançamento, mas tão somente o prazo prescricional para a cobrança judicial do crédito tributário. Em outras palavras, o Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN. Nesse particular, mostrase valiosa a referência ao precedente do STJ adiante transcrito: “RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER O SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O Art. 151, IV, do CTN determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos ERESP 572.603/PR, entendeuse que a “suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar” (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5/09/2005). Fl. 624DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 3. Recurso especial desprovido (grifos nossos). (RESP 736.040/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 11/06/2007) A jurisprudência em torno do tema encontrase pacificada nas ordens do STJ, consoante dessai do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 572.603/PR, DJ 05/09/05, de cujo voto condutor extraímos o seguinte excerto, ad perpetuam rei memoriam : “(...) No que se refere à segunda questão, o entendimento segundo o qual a Fazenda está impedida de efetivar o lançamento do tributo, cuja exigibilidade encontrase suspensa em decorrência de ordem judicial, implica admitirse a interrupção do prazo decadencial, o que não se coaduna com a natureza do instituto. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar.” Diante de tal exposição, mesmo ocorrendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de depósito do montante integral, seja por decisão judicial, seja mediante medida liminar concedida em Mandado de Segurança ou Cautelar, seja por antecipação de tutela em outras espécies de demandas judiciais, inexiste óbice legal para a efetivação da constituição do crédito tributário visando à prevenção da decadência, mediante lançamento de ofício, nos termos do art. 149 do CTN. 2.2. DA COBERTURA DO MPF. Alega o Recorrente que a NFLD em tela somente foi postada em 08/09/2006, após o prazo de execução do Mandado de Procedimento Fiscal com termo final estabelecido para 31/08/2006 e, em decorrência da intempestividade, o lançamento seria nulo. Não procedem as alegações ora clamadas. Publicado com o escopo de estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal, o Decreto n° 3.969, de 15 de outubro de 2001, determinou que os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários deverão ser instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), o qual extinguirseá pela conclusão do procedimento fiscal correspondente, registrado em termo próprio, ou, alternativamente, pelo decurso do seu prazo de validade, consideradas as prorrogações ocorridas. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001021/200865 Acórdão n.º 2302002.343 S2C3T2 Fl. 622 9 Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita ser conduzida sob a cobertura de MPF válido, aqui incluídas suas prorrogações, desde a sua deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os documentos fiscais atávicos ao seu ofício que importem numa conduta a ser praticada pelo Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração. O texto do art. 142 do CTN informa que o Lançamento Tributário constituise atividade privativa da autoridade administrativa fiscal, e circunscrevese à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, à identificação do sujeito passivo e, sendo caso, à propositura de aplicação da penalidade cabível. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Deflui das tintas do citado art. 142 que o ato jurídico consubstanciado na ciência do contribuinte encontrase fora da atividade do lançamento, deste não fazendo parte constitutiva. Configurase tal ato de ciência, todavia, requisito de eficácia do lançamento, para que este possa produzir todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos, máxime em relação ao notificado, de molde a se lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa. A data de constituição do crédito tributário, seja por NFLD, seja mediante Auto de Infração, não pode ser interpretada portanto como o dia de ciência ao contribuinte, mas, sim, o da lavratura do lançamento estampado ostensivamente na folha de rosto do documento respectivo. Nesse quadro, a lavratura formal da Notificação Fiscal ou do Auto de Infração, executada pela autoridade administrativa competente, constituise o verdadeiro requisito de existência do ato jurídico em realce, figurando a ciência do contribuinte mero requisito de eficácia, não podendo esta ser interpretada como ato integrante do procedimento administrativo do lançamento. Assim, não estando inserida no iter procedimental do lançamento, a ciência da Notificação Fiscal pelo sujeito passivo ocorrida após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal não figura, de modo algum, como causa de nulidade do lançamento tributário em questão, eis que este houve por Fl. 626DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 formalizado, e assim constituído o crédito tributário, sob o manto de cobertura do MPF. De molde a espancar qualquer dúvida, a Câmara Superior do Conselho de Recursos da Previdência Social publicou a Resolução MPS/CRPS nº 1/2006, a qual fez editar o Enunciado nº 25 dispondo que a notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do MPF não implica nulidade do lançamento. RESOLUÇÃO MPS/CRPS N. 1, de 23 de fevereiro de 2006. Edita o enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social. A CÂMARA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social especializada em matéria de custeio, no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 303, parágrafo 1 , inciso IV, do Decreto n. 3048/99, na redação do Decreto n. 4.729, de 09 de junho de 2003, publicado no Diário Oficial da União de 10 de junho de 2003, tendo em vista o disposto no artigo 61, Parágrafos 1 e 2 e artigo 63, Parágrafo 5 , Inciso I da Portaria MPS n. 88/2004 Regimento Interno do CRPS – e cumprindo deliberação do Conselho Pleno em reunião realizada no dia 23 de Fevereiro de 2006, resolve: Editar o seguinte enunciado: Enunciado nº 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – não acarreta nulidade do lançamento. No presente caso, a NFLD em tela houvese por lavrada aos 31 dias do mês de agosto de 2006, portanto, dentro do prazo de validade do MPF em realce, conforme Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF, a fl. 191, sendo levada à ciência do Recorrente no próprio dia 31/08/2006. Em razão da ausência do representante legal do contribuinte, a NFLD em pauta lhe foi enviada via postal, com Aviso de Recebimento RB 36108937 5 BR. Inexiste, portanto, qualquer irregularidade na constituição do crédito tributário em debate. 2.3. DAS ALEGAÇÕES DE NULIDADE Alega o Recorrente que a fiscalização, quando da capitulação dos dispositivos legais e regulamentares que supostamente dariam supedâneo para o presente lançamento, utilizouse de dispositivos genéricos e muitos deles que sequer tratam da hipótese objeto destes autos. Carente de razão. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001021/200865 Acórdão n.º 2302002.343 S2C3T2 Fl. 623 11 De fato, o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, a fls. 186/187, Há que ser elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há dúvidas de que o relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito revelouse, de fato, bastante amplo e vasto, característica decorrente da complexidade da matéria em apreço e da circunstância de o período de apuração do presente lançamento abranger várias competências, sendo certo que a legislação pertinente experimentou diversas alterações nesse interregno. Não procede, portanto, a alegação de que “a fiscalização quando da capitulação dos dispositivos legais e regulamentares que supostamente dariam supedâneo para o presente lançamentos, utilizouse de dispositivos genéricos e muitos deles que sequer tratam da hipótese objeto destes autos”. (sic) Com efeito, um estudo mais acurado dos termos do FLD, por parte do Recorrente, irá revelar que todos os dispositivos encartados no aludido relatório guardam estreita relação com o lançamento ora em apreciação, sendo que a grande maioria não se consubstancia em norma geral de direito tributário, como assim alega o contribuinte, mas, sim, de normas tributárias específicas de direito previdenciário de custeio, abraçando, não somente a Lei nº 8.212/91, como também o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 e demais diplomas infralegais. Não se mostra prolixidade destacar que o lançamento fiscal é constituído por uma diversidade de Termos, Relatórios e Discriminativos, sendo certo que a captação e compreensão das condições de contorno que individualizam e modelam a exação exigida decorrem não de um único relatório, mas, sim, da interpretação conjunta, sistemática e teleológica de todos os documentos que integram o lançamento de ofício, apreciados à luz da legislação de regência, atividade essa que exige profissionais capacitados e com conhecimento específico sobre o tema, como assim sói ocorrer em toda e qualquer área da atividade governamental, econômica e intelectual da era pósmoderna. A complexidade e o sinergismo dos diversos ramos do conhecimento assim exigem. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Como visto, verificase que a Notificação Fiscal em relevo foi lavrada em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária principal não adimplida, a natureza jurídica dos fatos jurígenos tributários apurados, o período de apuração de crédito tributário, a composição pecuniária da obrigação principal e seus respectivos acessórios, das bases de cálculo e respectivas fontes de apuração, tudo de forma bem detalhada e discriminada em seus elementos de constituição. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAD e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao notificado. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de nulidade, tão veementemente sustentada pelo sujeito passivo, razão pela qual impende repelir peremptoriamente tal preliminar de mérito. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano consignar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DOS ENCARGOS MORATÓRIOS Argumenta a empresa serem indevidos os encargos moratórios – juros e multa. Com efeito, no lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do art. 151 do CTN, as causas suspensivas de exigibilidade do crédito tributário realizadas ou advindas antes do decurso do prazo regular para o recolhimento do tributo possuem o condão de impedir a aplicação de multa de mora assim como a fluência de juros moratórios, por não restar configurada a demora do sujeito passivo no recolhimento da exação, circunstância que se configura como pressuposto essencial dos encargos acessórios ora em debate. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001021/200865 Acórdão n.º 2302002.343 S2C3T2 Fl. 624 13 Relembrese que a multa moratória visa a punir o obrigado pelo descumprimento da obrigação principal no vencimento, enquanto que os juros de mora constituem verdadeira compensação pela falta de disponibilidade dos recursos pelo sujeito ativo pelo período correspondente ao atraso. O depósito do montante integral realizado em dinheiro suspende a exigibilidade do crédito tributário e, a fortiori , extingueo com o levantamento pela Fazenda Pública, caso logrese vencedora na demanda. Mais do que isso. Além de se constituir causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, o depósito do montante integral orgulhase do mérito de obstar o fluxo da correção monetária, representando garantia da satisfação da pretensão executiva do Estado, em obséquio de quem os valores depositados serão convertidos em renda, com a obtenção de decisão favorável definitiva legitimadora do crédito tributário discutido, a teor do art. 156, VI do CTN. Nesse sentido, diga o art. 9º, I da Lei nº 6.830/80, que dispõe sobre a cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública. Lei no 6.830, de 22 de setembro de 1980. Art. 9º Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: I efetuar depósito em dinheiro, à ordem do Juízo em estabelecimento oficial de crédito, que assegure atualização monetária; II oferecer fiança bancária; III nomear bens à penhora, observada a ordem do artigo 11; ou IV indicar à penhora bens oferecidos por terceiros e aceitos pela Fazenda Pública. §1º O executado só poderá indicar e o terceiro oferecer bem imóvel à penhora com o consentimento expresso do respectivo cônjuge. §2º Juntarseá aos autos a prova do depósito, da fiança bancária ou da penhora dos bens do executado ou de terceiros. §3º A garantia da execução, por meio de depósito em dinheiro ou fiança bancária, produz os mesmos efeitos da penhora. §4º Somente o depósito em dinheiro, na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora. Art. 32 Os depósitos judiciais em dinheiro serão obrigatoriamente feitos: I na Caixa Econômica Federal, de acordo com o Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, quando relacionados com a execução fiscal proposta pela União ou suas autarquias; II na Caixa Econômica ou no banco oficial da unidade federativa ou, à sua falta, na Caixa Econômica Federal, quando relacionados com Fl. 630DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 execução fiscal proposta pelo Estado, Distrito Federal, Municípios e suas autarquias. §1º Os depósitos de que trata este artigo estão sujeitos à atualização monetária, segundo os índices estabelecidos para os débitos tributários federais. §2º Após o trânsito em julgado da decisão, o depósito, monetariamente atualizado, será devolvido ao depositante ou entregue à Fazenda Pública, mediante ordem do Juízo competente. A polêmica objeto deste tópico já suscitou o pronunciamento formal da Suprema Corte de Justiça, cuja jurisprudência não aponta para norte diverso, como se depreende dos julgados adiante ementados: REsp 774739 / RJ Relator Ministro Luiz Fux Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte DJe 14/05/2008 Ementa: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ARTIGOS 151 E 156, DO CTN. 1. As causas suspensivas de exigibilidade do crédito tributário, enumeradas no artigo 151, do Código Tributário Nacional, advindas antes do decurso do prazo para pagamento do tributo (sujeito a lançamento por homologação ou a lançamento de ofício direto), têm o condão de impedir a aplicação de multa ou juros moratórios, por não restar configurada a demora no recolhimento da exação pelo contribuinte, pressuposto dos aludidos encargos (a multa moratória pune o descumprimento da obrigação principal no vencimento; e os juros de mora constituem compensação pela falta de disponibilidade dos recursos pelo sujeito ativo pelo período correspondente ao atraso). 2. O depósito do montante integral (inciso II, do artigo 151, do CTN) é causa suspensiva da exigibilidade que ostenta um plus: obsta o fluxo da correção monetária, constituindo garantia da satisfação da pretensão executiva do sujeito ativo, em favor de quem os valores depositados serão convertidos em renda com a obtenção de decisão favorável definitiva legitimadora do crédito tributário discutido (artigo 156, VI, do CTN). Em caso de vitória do contribuinte, os valores depositados serão por ele levantados após o trânsito em julgado da demanda. 3. In casu, a violação do artigo 151, do CTN, inocorre, porquanto assentado nas instâncias ordinárias a insuficiência do depósito, à luz do contexto fático probatório (Súmula 7/STJ) e da carga satisfativa da Fl. 631DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001021/200865 Acórdão n.º 2302002.343 S2C3T2 Fl. 625 15 sentença lavrada nos autos em que a garantia foi prestada. 4. É cediço na jurisprudência da Corte que somente o depósito integral e em dinheiro suspende a exigibilidade do crédito tributário e, a fortiori, extingueo com o levantamento pela Fazenda Pública. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. REsp 64974 / SP Relator Ministro Demócrito Reinaldo Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte DJ 09/10/1995 p. 33528 Ementa: TRIBUTARIO. CREDITO TRIBUTARIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPOSITO. MONTANTE INTEGRAL. ARTIGO 151, INCISO II. SUMULA 112/STJ. ALCANCE. A suspensão da exigibilidade do credito tributário apenas tem lugar mediante o depósito do montante integral a ele correspondente. Na hipótese de lançamento por homologação (auto lançamento), enquanto não impugnado, pelo fisco, o valor atribuído pelo contribuinte, o montante integral do credito tributário corresponde ao valor simples do tributo, inexigível o deposito de juros e multa moratória. Recurso provido, por unanimidade. Não se olvide que os valores depositados pelo contribuinte não ficam retidos na instituição bancária que os recebe, como soia ocorrer em tempos pretéritos. Hodiernamente, o depósito judicial voltado à suspensão da exigibilidade do crédito tributário ingressa de imediato nos cofres públicos, produzindo, em caráter precário, os efeitos do pagamento antecipado pelo contribuinte, sujeito à condição resolutiva do ulterior julgamento da demanda, a qual o tornará definitivamente renda da Fazenda Pública, ou, alternativamente, determinará a sua reversão ao patrimônio do sujeito passivo. Nas Ordens Administrativas, o entendimento a respeito do tema em foco não se mostra diverso, conforme revela o voto condutor do Acórdão n° 10190 108, de 23 de agosto de 1996, seguido à unanimidade pelo Sodalício da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, da Relatoria de seu Presidente Edison Pereira Rodrigues, nos seguintes termos: "Porém, não prospera a exigência referente à aplicação de multa de oficio e juros de mora, uma vez que o depósito do tributo fezse pelo montante integral (e nos vencimentos corretos). Fl. 632DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Transcorrendo em julgado a ação [...], será o depósito convertido em renda no mesmo montante que teria sido pago o tributo caso não houvesse sido questionado judicialmente. Assim sendo, não há, pois, qualquer prejuízo ao Erário". Mostrase valioso ressaltar que tal orientação encontra assento, inclusive, no Parecer COSIT n° 2, de 5 de janeiro de 1999, mediante o qual a própria Secretaria da Receita Federal reconheceu ser incabível o lançamento de multa de ofício, que tem natureza jurídica de penalidade moratória, na hipótese de depósito do montante integral do crédito tributário. Nesse contexto, encontrandose a exigibilidade do crédito tributário suspensa em razão da efetivação do depósito do montante integral, incabível a aplicação de penalidade moratória se o depósito em apreço houvese por realizado antes do vencimento do prazo para o recolhimento, tampouco a incidência de juros de mora a partir da data da efetivação do depósito judicial. No caso em debate, informa a Autoridade Lançadora em seu Relatório Fiscal a fls. 218/221 que: “1.2. No decorrer da ação fiscal, foi constatado que a empresa efetuou depósitos judiciais, no período de 07/2000 a 03/2002, correspondentes às contribuições para o salário educação incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos seus segurados empregados. Estes depósitos foram autorizados nos autos do processo judicial n° 1998.51.01.0126911 da 26ª VFRJ. (...) 1.4. Os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem do pagamento de remuneração aos segurados empregados da empresa, cujos valores encontramse corretamente declarados em GFIP. (...) 1.6. A fiscalização lançou, através do levantamento CSE, o valor da contribuição devida, conforme discriminado no Relatório de Lançamentos, bem como no campo 15 Terceiros do relatório Discriminativo Analítico do Débito DAD. As bases de cálculo mensais utilizadas para o cálculo da referida contribuição foram os valores de remuneração declarados na GFIP do período, os quais estão demonstrados em planilha (Anexo 1). (...) 3.1. Os valores da contribuição depositada foram corretamente declarados em GFIP em época própria; razão pela qual a empresa fará jus a redução de multa prevista no parágrafo 4º do Art. 35 da Lei 8.212/91, conforme trecho transcrito: [...]” Fl. 633DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.001021/200865 Acórdão n.º 2302002.343 S2C3T2 Fl. 626 17 Colhemos da resenha suso transcrita que os valores depositados coincidem em montante com os valores das bases de cálculo apuradas pela fiscalização. Nada informa o Relatório Fiscal, todavia, se o aludido depósito houvese por realizado antes ou depois do exaurimento do prazo legal para pagamento espontâneo do tributo em foco. Assim, se realizado o depósito antes do decurso do prazo acima citado, indevidos os juros e mora correspondentes, mas, tão somente, o principal. Caso contrário, efetuado o depósito do montante integral após o integral escoamento do prazo assinalado para o recolhimento, devida será a multa moratória, nos termos da legislação vigente à data da ocorrência dos fatos geradores, assim como os juros de mora desde a data do vencimento até a do efetivo depósito. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento a parcela referente à multa de mora, exclusivamente no caso de o depósito judicial ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o recolhimento do tributo, assim como os juros de mora, estes desde a data da efetivação do depósito judicial. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10830.010220/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o qual reverteu prejuízo fiscal e base de cálculo negativa declarados para a figura de lucros tributáveis, igual sorte colhe os lançamentos subseqüentes que tenham sido formalizados para desconstituir as compensações dessas bases de cálculo com resultados positivos apurados em períodos-base posteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o qual reverteu prejuízo fiscal e base de cálculo negativa declarados para a figura de lucros tributáveis, igual sorte colhe os lançamentos subseqüentes que tenham sido formalizados para desconstituir as compensações dessas bases de cálculo com resultados positivos apurados em períodos-base posteriores. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 TRÂNSITO EM JULGADO. As decisões administrativas definitivadas, na forma do artigo 42 do Decreto nº 70.235, de 1972, impedem a reapreciação de matéria já discutida. MULTA DE OFÍCIO. A multa regulamentar imposta em razão de procedimento de ofício somente pode ser afastada quando presentes as hipóteses previstas no artigo 63 da Lei 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 1103-000.748
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva acompanharam o relator pelas conclusões.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o qual reverteu prejuízo fiscal e base de cálculo negativa declarados para a figura de lucros tributáveis, igual sorte colhe os lançamentos subseqüentes que tenham sido formalizados para desconstituir as compensações dessas bases de cálculo com resultados positivos apurados em períodosbase posteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o qual reverteu prejuízo fiscal e base de cálculo negativa declarados para a figura de lucros tributáveis, igual sorte colhe os lançamentos subseqüentes que tenham sido formalizados para desconstituir as compensações dessas bases de cálculo com resultados positivos apurados em períodosbase posteriores. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 TRÂNSITO EM JULGADO. As decisões administrativas definitivadas, na forma do artigo 42 do Decreto nº 70.235, de 1972, impedem a reapreciação de matéria já discutida. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 376 2 A multa regulamentar imposta em razão de procedimento de ofício somente pode ser afastada quando presentes as hipóteses previstas no artigo 63 da Lei 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva acompanharam o relator pelas conclusões. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Hugo Correia Sotero. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata fará declaração de voto. Relatório Em foco recurso voluntário visando à reforma da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em CampinasSP que julgou procedentes os lançamentos efetuados em 02/08/2010 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em CampinasSP com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). Entendeu a fiscalização que no anocalendário de 2007 houve compensações indevidas de prejuízo fiscal na apuração do lucro real (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSLL) ao pressuposto de inexistência desses resultados em períodos anteriores. Em conseqüência, glosou os valores compensados, respectivamente, nas importâncias de R$ 14.946.621,86 e R$ 32.569.536,46. O Fisco também esclareceu que o nascedouro da exigência reportase ao ano calendário de 1997, quando o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa declarados, nos montantes de R$ 193.854.301,18 e R$ 148.460.032,14, foram revertidos para lucros por ato fiscal ao entendimento de que despesas com contribuições patronais e outros encargos da empresa com benefícios complementares ou assemelhados aos da previdência oficial somente são passíveis de dedução como despesas operacionais quando efetivamente pagos. Informou, ainda, que a autuação originária encontrase abrigada no processo administrativo fiscal nº 10830.002286/0095, cuja discussão na esfera administrativa já Fl. 464DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 377 3 transitou em julgado e em desfavor da contribuinte, noticiando, mais, que houve sucessivas autuações em todos os anos posteriores em razão do sujeito passivo ter levado a cabo compensações daquelas cifras à razão de 30% (trinta por cento) ao ano, salvo nos anos calendário de 2001 e 2002 em vista da apuração de resultados negativos nestes períodos, bem assim, que os valores agora glosados, concernentes ao anocalendário de 2007, dizem respeito ao saldo final dessa cadeia sucessiva. Impugnando os lançamentos a contribuinte salientou que passou ao controle da iniciativa privada e antes desse evento mantinha plano de complementação de aposentadoria e pensões a seus empregados cuja administração se dava pela Fundação CESP, o qual apresentava em 30/09/1997 um déficit acumulado de R$ 426 milhões quando então, impossibilitada de saldar seu débito e diante do óbice de obter em leilão preço capaz de justificar o esforço governamental para a pretendida privatização, compôsse com a credora para a quitação da dívida previdenciária por meio de um financiamento concedido pela própria Fundação CESP para pagamento em 20 (vinte) anos e em condições mais vantajosas do que aquelas que a empresa poderia obter junto a instituições financeiras. Assim, às vésperas da privatização saiu da posição devedora de uma obrigação vencida, decorrente das contribuições em atraso, para tornarse devedora de uma obrigação vincenda. Registrou que esse negócio jurídico configurou verdadeira novação, de vez que operou a quitação do débito anterior, instituto de direito privado que a lei tributária não pode alterar, e com isso foilhe conferido o direito de deduzir o respectivo montante como despesa operacional no exercício em que celebrado, nos termos do artigo 301 do RIR/94, o qual prevê dedutibilidade das contribuições segundo o regime de caixa, sendo que o limite introduzido pelo artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.532/97 passou a valer apenas a partir de 1998. Noticiou que a par do endosso desse procedimento pela Comissão de Valores Mobiliários, conselho fiscal da empresa, auditores independentes e respeito aos conceitos e interpretações do Parecer Normativo 96/78, também levou a questão diretamente ao Secretário da Receita Federal mediante entrega de todos os documentos pertinentes e parecer jurídico do Dr. Ives Gandra da Silva Martins, obtendo resposta favorável a dedutibilidade dos valores objeto do negócio jurídico como despesas operacionais, consoante NOTA/MF/SRF/COSIT/GAB nº 157, de 09/04/1998, alterada, contudo, pela NOTA/SRF/COSIT/DIRPJ nº 21, de 17/01/2000, que deu pela inaplicabilidade daquela por não se tratar de operação de novação, tudo em decorrência de questionamento da fiscalização da DRF Campinas e parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional. Pugnou pela regularidade do entendimento esposado na Nota nº 157, abordando as características do negócio jurídico no qual houve alteração do objeto, que deixou de ter natureza previdenciária para assumir natureza financeira. Discorreu sobre os efeitos da resposta dada pela Nota nº 157, colacionando textos doutrinários, para afirmar a existência de vínculo da Administração a ela, já que procedida por autoridade administrativa de hierarquia superior legitimada para responder e com isso afastando as disposições do artigo 48 da Lei nº 9.430/96, que trata do processo administrativo de consulta. Invocou, também, o princípio da informalidade para justificar o oferecimento desta ao Secretário da Receita Federal. Pleiteou, subsidiariamente, a exclusão dos encargos e de juros pela taxa Selic. Aqueles em vista do artigo 100, inciso I e seu parágrafo único, bem assim, do artigo 146, ambos do Código Tributário Nacional, citando precedente de exclusão da multa havido no Fl. 465DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 378 4 processo administrativo fiscal nº 10830.009444/200342 e prolatado pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, enquanto a fórmula de cálculo desses apresenta natureza remuneratória, representando majoração indevida da carga tributária e enriquecimento ilícito da União, em ofensa a princípios constitucionais. Ao final, requereu a improcedência da exigência fiscal e protestou pela expedição de ofício determinando a juntada do procedimento que culminou com a NOTA/MF/SRF/COSIT/GAB nº 157. A douta 5ª Turma de Julgamento admitiu a impugnação e entendeu procedentes os lançamentos, assim ementando o Acórdão nº 0531.236, tomado por unanimidade de votos: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 DESPESAS INDEDUTÍVEIS. ADIÇÃO AO LUCRO REAL E À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. REVERSÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DE CSLL DECLARADOS. Não se inclui na lide a matéria já apreciada e definitivamente julgada na esfera administrativa. PREJUÍZOS FISCAIS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. COMPENSAÇÃO. Mantémse a exigência se demonstrada a inexistência de saldo de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL a compensar. MULTA DE OFÍCIO. Identificado débito tributário em procedimento de ofício e não estando presentes as hipóteses do art. 63 da Lei 9.430, de 1996, é devida a multa de ofício no percentual lançado de 75%. JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei n.º 9.430, de 1996, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário.” Consignou o acórdão recorrido que a desconstituição do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL ocorrida em 1997 foi analisada pelo então Delegado da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP1 por meio da Decisão nº 639, de 10 de maio de 2001, a qual sentenciou a procedência daqueles primeiros lançamentos, bem assim, do concomitante lançamento correlato à glosa fiscal da compensação de 30% (trinta por cento) levada a efeito pela contribuinte no anocalendário imediatamente seguinte (1998), sendo que o recurso voluntário interposto contra aquele decisório não foi conhecido pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, à força de intempestividade, de sorte tal que teria ocorrido a definitividade do julgado na esfera administrativa. Passo seguinte transcreveu as razões expendidas na decisão referenciada e aquelas integrantes do Acórdão nº 6.049, de 20 de fevereiro de 2004, prolatado pela 1ª Turma da DRJ em CampinasSP que, por sua vez, se refere ao lançamento referente à glosa fiscal das compensações de 30% (trinta por cento) do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL efetuadas pela contribuinte no anocalendário de 1999. Transcrevo da decisão recorrida o seguinte excerto: Por tal razão, nos mesmos termos adotados nos processos formalizados em 2005 e 1 época em que as Delegacias de Julgamento ainda não eram compostas por Turmas Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 379 5 2007, tomamse, aqui, os fundamentos que nortearam tanto a postura da Decisão sob nº 639, quanto a do Acórdão sob nº 6.049, bem como no voto exarado pela Conselheira Sandra Maria Faroni no âmbito do Conselho de Contribuinte, antes referido, com proveito, inclusive, dos respectivos relatórios e conclusões para, sob dúvida alguma, evidenciar a repropositura da temática. Também consignou a existência de discussão judicial abrigada no Mandado de Segurança 2003.61.05.0056568 que, embora pendente de apreciação de recurso de apelação no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, recebida no efeito devolutivo, não mais obstaria a cobrança do débito objeto da primeira autuação, aquele em que o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa declarados foram revertidos para lucro, tudo porque em 02/08/2004 o pedido da impetrante foi sentenciado improcedente e cassada a liminar concedida em 16/05/2003. Por fim, registrou o teor das Súmulas CARF nºs. 2 e 4 que dizem respeito à incompetência deste Tribunal Administrativo para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e ao cabimento de juros de mora calculados à taxa Selic, para expressar entendimento que também as autoridades julgadoras de primeira instância devem seguirlhes os ditames. Cientificada em 07/12/2010, fl. 330, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 06 do mês seguinte pelo qual reprisa suas razões e pedidos originários. Posteriormente, aviou petição carreando julgado da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, favorável à contribuinte Eletropaulo Metropolitana de São Paulo S.A., o qual apresentaria situação fática e jurídica idêntica, seja, de forma a poder deduzir integralmente o valor dessa despesa das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, e, assim, regularizar seus compromissos “entre outras razões, por ter sido incluída em 1996 no Programa Estadual de Desestatização”, residindo a única diferença no fato da Recorrente ter buscado orientação oficial, a propósito favorável ao entendimento de dedutibilidade. Ao final, requereu o provimento do recurso voluntário apresentado a fim de que possa restaurarse a legalidade, até em homenagem ao princípio da isonomia. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Inexiste controvérsia e remanesce suficientemente concluso dos autos quanto ao fato de que no anocalendário de 1997 os estoques de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL resulta da dedução de despesas a título de contribuições patronais com benefícios complementares ou assemelhados aos da previdência oficial, levada a cabo pela contribuinte em sua escrituração. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 380 6 Nada obstante a existência de ato administrativo fiscal declaratório de ineficácia dessas deduções, consubstanciado no lançamento instrumentalizado por auto de infração lavrado no ano de 2000 e que se encontra abrigado no processo administrativo nº 10830.002286/0095, pelo qual veiculouse a reversão desses resultados negativos para a figura de lucros, verificouse que a contribuinte enveredou pela continuidade de compensações dos respectivos estoques nos anos subseqüentes, seguindo o teto legal de 30% (trinta por cento) a que alude o artigo 510 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Depreendese que assim agiu em razão da oposição aviada contra aquele lançamento, na seara administrativa (e até judicial) aonde pediu, especificamente, a vinculação da Administração à resposta inserta na NOTA/MF/SRF/COSIT/GAB nº 157. Assim, ante a possibilidade de desconstituição do ato fiscal originário, salvaguardou os direitos compensatórios a cada ano subsequente. Ocorre que o sujeito ativo da relação tributária também atentou para a defesa de seus interesses e interferiu em cada um desses procedimentos compensatórios, declarando os igualmente ineficazes, tudo em razão da ligação umbilical àquele primeiro. Contra a exigência em debate, afeta ao último procedimento compensatório, já que trata do saldo final daqueles estoques, trouxe a Recorrente suas razões quanto ao direito de deduzir as despesas com contribuições para fundo de previdência complementar e também a validade da resposta à consulta formulada diretamente ao Secretário da Receita Federal. Tenho que há óbice na apreciação dessa específica matéria. Com efeito, a presente exigência não declarou a reversão do alegado estoque de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL em lucros, mas sim, tão somente, diz que o procedimento compensatório agora efetuado pela contribuinte é de todo ineficaz em razão do ato administrativo anterior, este sim quem exteriorizou, a tempo e modo, a invalidade da ação da contribuinte em deduzir despesas por conta de novação de dívida e que resultou na figura de prejuízos fiscais. Noutras palavras: o presente lançamento decreta a figura da estreita decorrência. Portanto, no particular, o presente decisório deve lhe seguir a sorte. Analisando, então, o desaguar da discussão travada contra o ato administrativo originário, também trazida aos presentes autos, apurase que aquele lançamento originário foi declarado procedente pela autoridade de primeira instância e não conhecido pelo órgão julgador de segunda instância. Aplicase, pois, os ditames do artigo 42 do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que assim se expressa: “ Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 381 7 III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” Assim, houve o trânsito em julgado na seara administrativa no sentido de que a contribuinte não possui, no anocalendário de 1997, estoque de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, do que decorre ser impraticável as compensações de parte dessas cifras no anocalendário de 2007, e daí a procedência da exigência do IRPJ e da CSLL que deixaram de ser recolhidos em função desse encontro de contas. Ressalvo, ainda, a inexistência de nulidades no lançamento originário, bem assim, a ausência de outras questões de ordem pública. No que diz respeito ao pedido de exclusão da multa transcrevo, inicialmente, o voto vencedor havido no Acórdão nº 10195.186, da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, relator o Conselheiro Manoel Antonio Gadelha Dias, que diz respeito ao lançamento afeto as compensações dessas bases de cálculo negativas no ano calendário de 1999, e registro que o entendimento majoritário vingou por voto de qualidade: Ousei divergir a e. Conselheira Relatora Sandra Maria Faroni, apenas no que tange ao cabimento da imposição da multa de ofício no caso dos autos, acompanhandoa em tudo mais. A jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes se firmou no sentido que o lançamento de ofício, por si só, não justifica a aplicação de multa ex officio. A norma inserta no art. 63 da Lei nr. 9.430/96, positivando o que a jurisprudência assentara, é exemplo: Eis a sua atual dicção: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nr. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício”. É certo que o referido dispositivo legal não tem aplicação direta ao caso sob exame, pois a exigibilidade do crédito tributário não se encontrava suspensa à data do lançamento. Não obstante, é inegável que a decisão do presente processo está umbilicalmente vinculada à decisão final no aludido mandado de segurança, que questiona a exigência tributária apurada no processo administrativo nr. 10830.002286/0095. Assim, os efeitos da liminar obtida pela contribuinte, no sentido de obstar a União “de adotar qualquer medida destinada à cobrança do débito objeto do Processo Administrativo nr. 10830.002286/0095”, deve se estender ao presente processo, pois, como bem observou a i. Conselheira Relatora, “a matéria objeto desse auto de infração é Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 382 8 conseqüência direta do auto de infração que deu origem ao processo administrativo nr. 10830.002286/0095”. Tenho que a corrente vencida aplicou melhor o direito, data venia, e aqui, igualmente, sobressai a circunstância de que não mais existia qualquer provimento liminar quando ultimado o lançamento, em 02/08/2010, já que a liminar fora cassada desde os idos do ano de 2004, não cabendo o instituto da constituição de crédito tributário para prevenção da decadência a que alude o artigo 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Adoto, ainda, como razões subsidiárias de decidir, o fundamento trazido pela Conselheira Sandra Faroni no julgado em comento: No tocante à exclusão das penalidades, o parágrafo único do art. 100 do CTN determina que a observância das normas complementares de legislação tributária exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Ocorre que a NOTA 157 não se caracteriza como norma complementar de leis, tratados e convenções internacionais, como previsto no caput do artigo, mas ato concreto dirigido ao requerente. É bem verdade que, tendo em vista o princípio da razoabilidade e da moralidade, que devem informar a administração pública, se uma prática reiterada da administração a vincula para tornar inexigíveis sanções aos que, mesmo sem ser seus destinatários diretos, a observaram, com muito mais razão um ato concreto da autoridade administrativa dirigido ao sujeito passivo também deveria fazêlo. Nesse caso, e desde que a Nota 157 tivesse sido expedida com inteiro conhecimento dos aspectos fáticos da operação, poderseia questionar quanto à penalização do sujeito passivo. Porém também esse aspecto foi submetido ao Poder Judiciário, e não pode ser conhecido. Acresço que essa ordem de juízo abarca, ou igualmente prejudica, a apreciação do pedido de expedição de ofício determinando a juntada do procedimento que culminou com a NOTA/MF/SRF/COSIT/GAB nº 157. Em relação à expressão dos juros de mora se darem pela taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) a que alude o § 3º do artigo 61, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, regularmente vigente no ordenamento jurídico, observo que a matéria já se encontra sumulada por esta Corte, de sorte que não mais comporta discussões. Vejase: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 383 9 Por fim, quanto ao precedente jurisprudencial trazido com a petição suplementar, o qual teria decidido pela pertinência da dedução integral do valor de despesas pretéritas com contribuições para a previdência privada, observo que, independentemente da aferição dessa identidade, tenho que o mesmo não interfere na presente questão na medida em que, como já deduzido, aqui não se discute este mérito, pois já exaurido no julgamento dos autos do lançamento originário. Com tais razões VOTO pelo não provimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Relator Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 384 10 Declaração de Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata Presto minhas homenagens ao eminente relator, cujo d. voto foi por mim acompanhado pelas conclusões. O presente feito é decorrencial dos autos de infração de IRPJ e de CSL incorporados no processo administrativo nº 10830.002286/0095. Naqueles autos de infração, houve a glosa do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa apurados no anocalendário de 1997, nos valores de R$ 193.854.301,18 e R$ 148.460.032,14, respectivamente, revertendose a base tributável para lucro (real e base de cálculo positiva de CSL). A glosa se deu quanto às exclusões das despesas anteriormente adicionadas ao lucro líquido, relativas a contribuições de previdência complementar da ora recorrente, e que, segundo à legislação da época da constituição desse passivo, tais despesas só poderiam ser deduzidas quando pagas, conforme o art. 301 do RIR/94. O autuante entendera que na “composição” do Plano de Benefícios Previdenciários da recorrente não se dera novação, a justificar a dedução (a bem ver, exclusão do lucro líquido das despesas anteriormente a ele adicionadas) das despesas com contribuições de previdência complementar. O Delegado da DRJ/Campinas manteve aqueles autos de infração. O recurso voluntário contra a decisão da DRJ/Campinas não fora conhecido pelo antigo 1º Conselho de Contribuintes, por intempestividade. Com isso, o processo administrativo nº 10830.002286/00 95 transitara em julgado administrativamente. Os lançamentos ora em dissídio correspondem à glosa da compensação, no anocalendário de 2007, do estoque de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSL composto pelo prejuízo fiscal e base de cálculo negativa apurados no anocalendário de 1997, e que haviam sido revertidos em função da glosa acima descrita. Não há dúvida de que os lançamentos em discussão devem secundar o desate da lide instaurada com os autos de infração relativos ao anocalendário de 1997. Afinal, se em tal lide se reconhecer que devem prevalecer os referidos autos de infração, como se poderia “ressuscitar” o estoque de prejuízos fiscais e bases negativas de CSL que só tem a quantificação utilizada (compensada, respeitada a “trava” de 30% do lucro real e da base de cálculo da CSL) em 2007 por ter sido “herdada” do anocalendário de 1997? Ou, o contrário, se na referida lide resultarem derruídos aqueles autos de infração, restabelecendose o prejuízo fiscal e a base negativa de CSL com a quantificação apurada pela recorrente, como se poderia chancelar a presente glosa do estoque de prejuízos fiscais e bases negativas de CSL utilizado (compensado) em 2007? Na primeira hipótese exposta, é dizer, em palavras finais, “não existem o prejuízo fiscal e a base negativa de CSL” e depois dizer “existem os mesmos prejuízo fiscal e Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 385 11 base negativa de CSL”. Na segunda hipótese, é dizer, em palavras finais, “existem o prejuízo fiscal e a base negativa de CSL” e depois dizer “não existem os mesmos prejuízo fiscal e base negativa de CSL”. É afirmar que algo é “ser” e “não ser”. Pois bem. Com a devida vênia ao nobre relator, não vejo como prejudicada a questão do presente feito em função do trânsito em julgado administrativo da lide em que se discutiu a origem do prejuízo fiscal e da base negativa de CSL ora utilizados (compensados). Sucede que esse trânsito em julgado administrativo se deu por não conhecimento do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade. Não se tendo sido enfrentado pelo CARF o mérito da questão litigiosa (naquele feito), tampouco questão prejudicial ínsita naquela lide, não vejo a “prejudicialidade” da questão no presente litígio. Na temática que de se versa, em sede de processo administrativo fiscal, não atino com o rigorismo que sucede com o processo judicial. Entretanto, como se vê do relatório, há ação judicial, no caso, Mandado de Segurança 2003.61.05.0056568, no qual se discute a questão litigiosa daquele feito administrativo (processo administrativo nº 10830.002286/0095, em que foram incorporados os autos de infração referentes a 1997, ano em que nasceu o prejuízo fiscal e a base negativa de CSL objeto de compensação em 2007). Do exame da inicial, noto que a discussão recai exatamente sobre o mérito dos autos de infração consequentes à glosa do prejuízo fiscal e da base negativa de CSL de 1997. Ou seja, a questão posta é a glosa da “dedução” (exclusão do lucro líquido) das despesas com contribuições à previdência complementar. Aqui, sim, o óbice é intransponível, para apreciação do mérito da presente lide. O juris dicere final com o perdão da redundância – será dado pelo Poder Judiciário. Aqui cabe o apontamento que fiz sobre “ser” e “não ser” ao mesmo tempo lógico. Daí ter acompanhado o ilustre relator pelas conclusões. Apenas obter dictum, considero o seguinte, que foi o que fundamentalmente ponderei durante os debates na sessão de julgamento deste feito. A recorrente tinha uma dívida previdenciária com a Fundação CESP da ordem de R$ 426 milhões, o que, se não impedia, colocava em risco a privatização da recorrente pretendida pelo Estado de São Paulo. Para solucionar tal problema, conseguiuse “compor” com a Fundação CESP a quitação da dívida previdenciária mediante financiamento concedido pela Fundação CESP, pagável em vinte anos. Com isso, o passivo da recorrente deixou de apresentar aquela dívida vencida, passando a ostentar dívida de financiamento de longo prazo vincenda, viabilizando a privatização da recorrente. Não tenho dúvida de que aí se dera uma novação objetiva ou negócio com efeito novatório objetivo, em função da mudança de causa – além obviamente do ânimo de novar. Para haver a novação objetiva, não basta haver o ânimo de novar, como é a lição da doutrina autorizada. É necessário ainda que haja mudança no objeto da obrigação, na Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 386 12 causa jurídica, ou na natureza da obrigação2. Logo, para a novação objetiva, impõese além do animus novandi um aliquid novi – um elemento novo. Por ex., havendo animus novandi da obrigação, se alguém deve ex empto vendite e passa a dever a título de mutuário, há mudança na causa; assim, também, se alguém deve por comodato e passa a dever por locação3. Aí há novação objetiva. Exatamente o que ocorreu no caso vertente. Houve, além do animus novandi, mudança de causa jurídica. A dívida que era previdenciária passou a ser de financiamento de longo prazo, com taxa de juros menor que o praticado pelos bancos. E, é claro, como o financiamento se deu com recursos próprios (Fundação CESP), não há de se cogitar de exercício ilegal de atividade (de instituição financeira). Juridicamente, não houve mútuo, mas financiamento (da dívida previdenciária). Contabilmente, baixouse (debitouse) o passivo de dívidas previdenciárias vencidas e se criou (creditouse) em contrapartida o passivo de mesmo valor de dívida de financiamento vincendo. Ora, nesse momento, as despesas das dívidas previdenciárias (que haviam sido adicionadas ao lucro líquido quando incorridas, i.e., por regime de competência) tornaram se “dedutíveis” (a bem ver, excluíveis do lucro líquido – exclusão dos valores anteriormente adicionados ao lucro líquido e controlados na Parte B do Lalur), conforme a legislação da época em que as despesas foram incorridas (reconhecidas contabilmente). O art. 301 do RIR/94 previa a “dedução” das despesas em comentário por regime de caixa (quando pagas, e não quando incorridas – regime de competência). Com a novação objetiva, realizaramse as despesas por regime de caixa. Evidentemente, quando a legislação do IRPJ fala em dedução das despesas quando pagas, ela referencia o pagamento em seu sentido lato, de adimplemento. Toda a legislação do IRPJ quando fala em “pagamento” como requisito para dedução, ela quer dizer pagamento no sentido lato de adimplemento. Isso pode ser constatado desde o Decretolei 5.844/43 (último diploma legal que tratou integralmente do IRPJ e do IRPF, e com dispositivos ainda vigentes, por ex., o art. 43, § 2º, “c”, o art. 100) até hoje. Outra conotação não faria sentido, inclusive teleologicamente. Suponhamos um certo passivo de 100, cuja contrapartida seja uma despesa de 100. Que esse passivo de 100 seja solvido por dação em pagamento de determinado bem. E que a legislação tributária previsse a dedutibilidade da despesa correspondente a tal passivo somente com o pagamento (regime de caixa). Imaginese que o bem dado em pagamento esteja contabilizado no ativo da dadora em pagamento por 80. Com a extinção do passivo (obrigação), tornase “dedutível” (excluível do lucro líquido) a despesa de 100, anteriormente contabilizada por regime de competência. Em compensação, a dadora do bem em pagamento irá apurar uma receita de 20 (pois ela baixou um ativo de 80 contra um passivo de 100, cuja contrapartida de 20 transitou por conta de resultado receita). Essa receita de 20 será 2 Cf. Pontes de Miranda, "Tratado de Direito Privado Tomo XXV". 1ª ed. Rio: Borsoi, 1959, pp. 69 a 80; Orlando Gomes, “Obrigações”. 9ª ed. Rio: Forense, 1992, p. 166. 3 Cf. Orlando Gomes, "op. cit.", p. 167; Pontes de Miranda, "op. cit.", p. 80. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.010220/201011 Acórdão n.º 1103000.748 S1C1T3 Fl. 387 13 tributável. É óbvio que aquela despesa de 100 se tornou “dedutível” com o adimplemento da obrigação. Mas houve mesmo mudança de causa jurídica? Noutras palavras, não houve simulação? O melhor ensinamento, a meu ver, é de Emílio Betti. No negócio jurídico indireto há discrepância de causa ou função, mas essa discrepância não leva a uma incompatibilidade de causa. Na simulação, há insinceridade de causa no negócio jurídico, de modo que a discrepância de causa ou função, comparativamente ao negócio jurídico indireto, informa incompatibilidade de causa, e não simples incongruência de causa (como se dá no negócio jurídico indireto)4. A difundida diferença entre simulação e negócio jurídico indireto, por neste a vontade declarada ser efetivamente querida ao passo que não a seria na simulação, é criticada por Emílio Betti por ser sustentável somente sob o dogma da vontade5 (criada a partir dos pandectistas), e modernamente superada. Não consigo atinar com a insinceridade de causa do negócio novatório, em que pese isso nem ter sido motivo dos autos de infração. O contexto no qual a recorrente se colocava, de viabilizar sua privatização, indica uma razão negocial clara para a consecução da novação. Não havia causa simulandi6. Ainda, tenho para mim que, desde a vigência do art. 13, V, da Lei 9.249/95 (art. 361, caput, do RIR/99), as despesas com previdência complementar se tornaram dedutíveis por regime de competência, e não mais por regime de caixa. Mesmo se se pretendesse aplicar a legislação vigente à época da “dedução” das despesas em questão, i.e., o art. 361, caput, do RIR/99, por óbvio tais despesas seriam “dedutíveis” na novação, pois eram indedutíveis (foram adicionadas ao lucro líquido) na época em que registradas por regime de competência. Enfim, não me resta dúvida de que assistiria razão à recorrente, no mérito, se não estivesse prejudicada a questão, inclusive por ter ocorrido a novação antes da vigência do art. 11, § 2º, da Lei 9.532/97 (art. 361, § 1º, do RIR/99), como havia ponderado durante os debates no julgamento. De todo modo, reitero que, porquanto a questão resulta prejudicada neste feito, essas observações as faço somente obter dictum. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. documento assinado digitalmente Marcos Takata 4 Emílio Betti, "Teoria Geral do Negócio Jurídico Tomo II". Trad. Ricardo Rodrigues Gama. Campinas: LZN, 2003, pp; 278 e 279. 5 Cf. Emílio Betti, "Teoria...Tomo II", p. 169. 6 Sobre "causa simulandi", José Beleza dos Santos, "A Simulação em Direito Civil". São Paulo: Lejus. Ed. brasileira de 1999, pp. 441 a 445. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digital mente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10183.003660/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO.
Nos casos de lançamento por homologação, existindo pagamento antecipado e não tendo havido dolo, fraude ou simulação, operase,
tal como na hipótese, a decadência do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento, uma vez transcorridos cinco anos da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2101-001.849
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo a preliminar suscitada e reconhecendo a decadência.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1872; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.003660/200607 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.849 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2012 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Alexandre Elias Filho Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. Nos casos de lançamento por homologação, existindo pagamento antecipado e não tendo havido dolo, fraude ou simulação, operase, tal como na hipótese, a decadência do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento, uma vez transcorridos cinco anos da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo a preliminar suscitada e reconhecendo a decadência. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, magistrado, por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho com vínculo empregatício (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso) e dedução indevida de imposto sobre a renda na fonte. Em 2.10.06, o contribuinte impugnou o lançamento, expondo, em preliminar, que, em 30.8.2006, o Tribunal de Justiça retificou sua DIRF exercício 2001, ano base 2000, separando o auxílio moradia dos rendimentos tributáveis. No mérito, alega, em síntese, que o auxílio moradia recebido não se caracteriza como rendimento tributável, mas revestese de natureza indenizatória. A fim de melhor embasar seus argumentos, anexa Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, em nome de outro contribuinte. A 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou o lançamento procedente, por meio do Acórdão n.º 0414.309, de 25 de junho de 2008, que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTO. AUXÍLIO MORADIA. Os valores recebidos a título de auxíliomoradia, desprovidos de comprovação da sua destinação ou de prestação de contas, configuram acréscimo patrimonial da pessoa física e sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual alega, em preliminar, ter ocorrido a decadência. No mérito, sustenta que o auxílio moradia recebido do Tribunal de Justiça de Mato Grosso tem natureza indenizatória, haja vista que o Tribunal não disponibiliza moradias oficiais a seus magistrados. Além disso, ao exigir do contribuinte comprovação de pagamento de alugueis ou contrato de locação para que ele possa usufruir o direito que lhe é garantido, a SRFB está afrontando o princípio da reserva legal. Ademais, o próprio Tribunal de Justiça reconhece não haver tributação sobre os montantes recebidos a título de auxílio moradia. Pede, ao final, o acolhimento da preliminar suscitada e, na hipótese de sua superação, pede seja desconstituído o Auto de Infração e acolhidos os cálculos apresentados em sua primeira defesa, a fim de que lhe seja restituído o montante de R$ 4.243,24, corrigidos monetariamente, nos mesmos índices adotados pela RFB para a correção de seus créditos. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10183.003660/200607 Acórdão n.º 2101001.849 S2C1T1 Fl. 2 3 Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário, tempestivo, atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O recorrente pede, em preliminar, seja reconhecida a decadência do lançamento perpetrado. Examinando os autos, verifiquei que o Auto de Infração constante às fls. 4 a 11, correspondente ao anocalendário de 2000, foi lavrado em 1.º de agosto de 2006. A notificação do ato ao contribuinte data de 4 de setembro de 2006, conforme se observa das informações constantes do Aviso de Recebimento dos Correios às fls. 25. Sobre o tema da decadência, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, em 12.8.2009, no julgamento do Recurso Especial REsp n.º 973.733/SC, firmou o entendimento de que, nos casos em que o sujeito passivo antecipa o pagamento do imposto, desde que não tenha havido dolo, fraude ou simulação, deve ser adotada a regra do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN. A norma do artigo 173 do mesmo diploma é aplicável aos demais casos. A decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do mencionado Recurso Especial n.º 973.733/SC ficou assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009). (grifouse). O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos administrativos: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10183.003660/200607 Acórdão n.º 2101001.849 S2C1T1 Fl. 3 5 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Depreendese, do entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n.º 973.733/SC, que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual: (i) não há constituição do crédito pelo contribuinte; (ii) não foi constatado dolo, fraude ou simulação e (iii) a legislação não previu o pagamento antecipado ou, tendoo previsto, o pagamento não foi comprovado, deve ser aplicado o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial quinquenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em análise, verificase que houve o pagamento antecipado do imposto sobre a renda correspondente ao anocalendário de 2000, por meio de retenções de imposto sobre a renda feitas pelas fontes pagadoras dos rendimentos, titulares dos CNPJ 03.535.606/000110 e 00.509.018/001004, conforme se comprova por meio dos extratos “Guia – Vic – Visão Integrada do Contribuinte”, anexos às fls. 47 e 50. Não se preencheu, portanto, um dos requisitos necessários à aplicação da regra do artigo 173, I, do CTN, para as hipóteses de tributo sujeito a lançamento por homologação. Devese, por conseqüência, contar o prazo decadencial de 5 (cinco) anos na forma prevista no artigo 150, § 4º, do CTN, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Cumpre ainda ressaltar que o “fato gerador” do imposto sobre a renda ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Sendo assim, tratandose de lançamento correspondente ao anocalendário de 2000, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 31.12.2005, cinco anos, a contar da ocorrência do fato. Tendo em vista que o lançamento se aperfeiçoou somente em 4 de setembro de 2006, com a notificação ao contribuinte, configurou se a decadência do “direito” da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário objeto deste processo. Diante do que se explicitou, tendo em vista não ter sido superada a preliminar de decadência, não foi analisado o mérito. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de decadência. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13706.005365/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que, dentro dos limites do recurso, a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comprová-las.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.826
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que, dentro dos limites do recurso, a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comproválas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.005365/200891 Acórdão n.º 210101.826 S2C1T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 46) interposto em 20 de outubro de 2009 contra o acórdão de fls. 36/39, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 04/06, lavrado em 09 de junho de 2008, em decorrência de deduções indevidas de despesas médicas, verificadas no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas médicas declaradas e devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea, que preencha todos os requisitos estabelecidos em lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 36). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso de fl. 46, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratandose o cerne do recurso voluntário de discussão acerca da efetividade das despesas médicas efetuadas, verificase, destarte, que a questão debatida gira em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como do respectivo pagamento, no caso, efetuado em dinheiro, conforme afirma a Recorrente. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.005365/200891 Acórdão n.º 210101.826 S2C1T1 Fl. 3 3 I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Em relação aos citados aspectos, cumpre mencionar que, uma vez apresentados recibos pelos contribuintes dotados dos requisitos preconizados pela legislação, deve a autoridade fiscalizadora demonstrar a inexistência do referido pagamento, bem como da inexistência de prestação dos serviços apontados. Não se pode, assim, simplesmente glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Desta sorte, pois, salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.005365/200891 Acórdão n.º 210101.826 S2C1T1 Fl. 4 4 confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Feitos os esclarecimentos prévios, cumpre mover à análise específica dos documentos apresentados pela contribuinte, de maneira a aferir se, de fato, a glosa das despesas, tal como realizada, afigurase válida, ou, em sentido contrário, se os documentos apresentados seriam suficientes para o fim de demonstrar a legitimidade dos gastos apontados in casu. No presente caso, o auto de infração foi lavrado em virtude de dedução indevida de despesas médicas e odontológicas, constantes de recibos emitidos no ano calendário de 2005 (fls. 07/15), abrangendo o recurso, apenas e tãosomente, despesas realizadas com as profissionais Tania Cristina Castro Xavier (R$ 6.500,00) e Jackeline Giselle Ioannou (R$ 3.540,00). Relativamente às citadas profissionais, a Recorrida manteve o auto de infração sob o argumento de que, nos recibos originariamente apresentados, não foi indicado o endereço dos respectivos consultórios. Assim, em seu recurso, a Recorrente apresentou declarações das mencionadas profissionais, suprindo a exigência da DRJ, ou seja, informando, além dos valores e beneficiária do tratamento, os respectivos endereços. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720166/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
ITR. DECADÊNCIA.
Não caracterizada a ocorrência de dolo fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do ITR, extingue-se com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional.
ITR. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. TRANSFERÊNCIA DE
PROPRIEDADE.
Nos termos da legislação brasileira, a transmissão da propriedade de bens imóveis somente é oponível a terceiros (como o Fisco) com o regular registro do fato perante o Cartório do Registro de Imóveis. Além disso, se o suposto vendedor promove atos incompatíveis com a transferência da propriedade, deve ele ser considerado como parte legítima para figurar no pólo passivo de
lançamento para exigência de ITR.
ITR. LANÇAMENTO. GLOSA DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ARBITRAMENTO DO VTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Deve ser considerada como não impugnada a parcela do lançamento sobre a qual a parte interessada não se insurge, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2102-002.239
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DECADÊNCIA. Não caracterizada a ocorrência de dolo fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do ITR, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. ITR. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE. Nos termos da legislação brasileira, a transmissão da propriedade de bens imóveis somente é oponível a terceiros (como o Fisco) com o regular registro do fato perante o Cartório do Registro de Imóveis. Além disso, se o suposto vendedor promove atos incompatíveis com a transferência da propriedade, deve ele ser considerado como parte legítima para figurar no pólo passivo de lançamento para exigência de ITR. ITR. LANÇAMENTO. GLOSA DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ARBITRAMENTO DO VTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Deve ser considerada como não impugnada a parcela do lançamento sobre a qual a parte interessada não se insurge, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 05/10 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR 2004, relativamente à propriedade denominada “Fazenda Porquinho”, localizada no Município de Itaituba/PA. O crédito tributário exigido totalizou R$ 205.544,19 (já incluídos aí a multa de 75% e os juros). O lançamento decorreu da glosa das áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de reserva legal, de 1.615,6 ha e 7.001,1 ha, respectivamente, além da alteração do VTN de R$ 301.380,00 para R$ 451.735,74 (arbitramento com base no SIPT). Em resumo, foram alteradas as áreas declaradas pelo contribuinte da seguinte forma: 2004 Declarado Considerado no lançamento Área de Preservação Permanente 1.615,6 0,0 Área de Reserva Legal 7.001,1 0,0 Valor da Terra Nua R$ 301.380,0 R$ 451.735,74 Cientificado do lançamento, o Interessado apresentou a impugnação de fls. 13/22, por meio da qual alegou que: seria nulo o lançamento em razão de sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura contra a impugnante, por inocorrência de qualquer ilicitude, suscitando o disposto no art. 5º da Constituição Federal; nos termos do art. 1.245 do CCB a propriedade rural “Fazenda Porquinho” fora vendida a Francisco Dagoberto Rocha da Cunha, sendo que em 10 de janeiro de 1998, o promitente comprador se imitiu na posse, data em que passou a responder de forma definitiva pelos direitos definitivos de propriedade e de domínio adquirido na forma da lei (arts. 524 e Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10215.720166/200840 Acórdão n.º 210202.239 S2C1T2 Fl. 95 3 481 do CCB). Afirma que o sujeito passivo do ITR deveria ser o adquirente do imóvel e não ele; e estaria decadente o crédito tributário, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, bem como o art. 173 do mesmo diploma legal, alegando que o período de apuração do imposto seria 01/01/98, pelo que o prazo decadencial expiraria em 10/01/2003. Por este motivo, todos os lançamento efetuados a partir de 2003 estariam preclusos. Pugnou pela intimação do sujeito passivo de direito para que assumisse a responsabilidade para suportar o ônus das suas responsabilidades tributárias, conforme disposição do art. 31 do CTN, e a realização de diligências necessárias à plena elucidação das questões suscitadas. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Brasília decidiram pela integral manutenção do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DA DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário referente ao ITR/2004 decaiu em 1º de janeiro de 2009, nos termos da legislação pertinente. Considerando se que o Contribuinte foi regularmente cientificado do lançamento, em data anterior a essa, fica afastada a hipótese de decadência. DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, tendo em vista os dados cadastrais constantes da DITR/2004 e observada a legislação pertinente. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE UTILIZAÇÃO LIMITADA E VTN TRIBUTADO. Considerase não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, conforme legislação processual. Inconformado com tal decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 79/89, por meio do qual reitera os argumentos expostos em sede de impugnação, pugnando pelo reconhecimento da ilegalidade do lançamento que deixou de reconhecer o seu direito à isenção do ITR sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente existentes em sua propriedade. Requer ainda o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 2º do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 20.06.2011, como atesta o AR de fls. 78. O Recurso Voluntário foi interposto em 18.07.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. No Recurso Voluntário, é suscitada uma preliminar para que se reconheça a inconstitucionalidade do § 2º do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, por meio do qual era exigido o arrolamento de bens no valor de 30% do crédito tributário em discussão como condição para a admissibilidade do Recurso Voluntário interposto. Tal pedido, porém, não merece sequer ser conhecido, seja porque tal inconstitucionalidade já foi reconhecida e declarada pelo Eg. STF (como reconheceu o próprio Recorrente), seja porque tal depósito não lhe foi exigido – como se depreende da intimação de fls. 76. Superada esta preliminar, o Recorrente pugna pelo reconhecimento da decadência do direito do Fisco de exigir o crédito tributário em questão, pelo reconhecimento de sua ilegitimidade passiva, bem como pela declaração de ilegalidade do lançamento, que deixou de considerar as áreas isentas da propriedade em questão. No que diz respeito à alegada decadência, razão não assiste ao Recorrente. É que, segundo ele, o prazo decadencial deveria ser computado a partir da data em que transferiu a posse do referido imóvel (vendido ao Sr. Francisco Dagoberto Rocha da Cunha, como se analisará de forma mais detida posteriormente). No entanto, a premissa da qual parte o Recorrente não tem validade. Isto porque a decadência prevista nos arts. 150, § 4º e 173, ambos do CTN, diz respeito ao prazo para o Fisco constituir um determinado crédito tributário em face do seu sujeito passivo. No caso que aqui se examina, o fato gerador do crédito tributário exigido ocorreu em janeiro de 2004, razão pela qual teria o Fisco o prazo até janeiro de 2009 para efetuar a constituição do respectivo crédito tributário por meio do lançamento. O lançamento, porém, foi cientificado ao sujeito passivo (o Recorrente) em 28.08.2008, não havendo, por isso, que se falar em decadência do direito do Fisco quanto à exigência do referido crédito. Assim, não merece acolhida a alegação de decadência do direito do Fisco. A segunda alegação do Recorrente diz respeito à sua ilegitimidade passiva para responder pelo ITR incidente sobre a propriedade em questão, tendo em vista que a mesma fora vendida ao Sr. Francisco Dagoberto Rocha da Cunha em 10.01.1998. Afirma ele que com a escritura de compra e venda do referido imóvel, o comprador se imitiu na posse do mesmo, passando a partir de então a responder por todos os direitos e obrigações da propriedade, o que seria corroborado pela certidão de fls. 50 dos autos. De fato, o imóvel em questão foi objeto de escritura pública de compra e venda, conforme documentos de fls. 30/31 e 50 dos autos digitalizados. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10215.720166/200840 Acórdão n.º 210202.239 S2C1T2 Fl. 96 5 No entanto, não há notícia de que tal transação tenha sido levada a registro perante o Cartório do Registro de Imóveis. A certidão de fls. 46/47, expedida em fevereiro de 2002 atesta ser – ainda àquela data o Recorrente o proprietário do imóvel, assim como a certidão de fls. 45 atesta que em 15.02.2001, o próprio Recorrente (na qualidade de proprietário) solicitou a averbação da área de reserva legal na referida propriedade. Releva notar que a transmissão da propriedade de bens imóveis somente é oponível a terceiros (como o Fisco) com o regular registro do fato perante o Cartório do Registro de Imóveis, nos termos do disposto no art. 1245 do Código Civil Brasileiro, verbis: Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. § 2o Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. Por isso que, no caso em exame, sem a prova do registro da mencionada transação no Registro de Imóveis, não pode ser acolhida a preliminar suscitada pelo Recorrente. Acresçase à falta do registro competente o fato de que foi o próprio Recorrente quem requereu a averbação da área de reserva legal da propriedade perante o Registro de Imóveis no ano de 2001 (isto é, em momento posterior à mencionada “venda”), assim como foi ele quem requereu perante a FUNAI, em janeiro de 2002 (também posteriormente à venda), “ATESTADO ADMINISTRATIVO, para fins específicos de habilitação junto ao IBAMA, objetivando Autorização de Projeto de Manejo Florestal Sustentado, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Porquinho”. Além disso, foi ele mesmo quem apresentou a DITR relativa ao Exercício 2004 (ora em debate). Tais atos, analisados em conjunto, parecem ser incompatíveis com sua alegação de que não detinha mais a posse do referido imóvel desde 1998. Por isso, tal preliminar também não merece acolhida. Por fim, no que diz respeito ao mérito propriamente dito do lançamento, releva destacar que o Recorrente não o questionou em sede de Impugnação, de forma que a decisão recorrida considerou a matéria preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. É o que se depreende do seguinte trecho da referida decisão: Considerandose que a lide se restringe à tese da decadência e de ilegitimidade passiva do interessado, tratadas anteriormente, não há necessidade de qualquer manifestação sobre as alterações efetuadas pela autoridade fiscal, cabendo ser mantida a glosa integral das áreas declaradas de preservação permanente e de reserva legal, de 1.615,6 ha e 7.001,1 ha, respectivamente; bem como, a alteração do VTN de R$ 301.380,00 para R$ 451.735,74, com base no valor de R$ 41,94/ha indicado no SIPT, por sinal, não questionados pelo requerente. Assim, considerase não impugnadas essas matérias, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 vez que não foram expressamente contestadas, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67, da Lei nº 9.532/1997. Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose o crédito tributário consubstanciado na 02102/00052/2008 (às fls. 05/10). Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas, e no mérito, por NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 05/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001561/2004-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
COOPERATIVA DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO TRIBUTAÇÃO.
A efetivação de aplicações financeiras por cooperativas de crédito no mercado constitui ato cooperativo não sujeito à tributação.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9101-001.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto)
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Plínio Rodrigues de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausentes justificadamente, os Conselheiros Suzy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto) (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Plínio Rodrigues de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausentes justificadamente, os Conselheiros Suzy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO TRIBUTAÇÃO. A efetivação de aplicações financeiras por cooperativas de crédito no mercado constitui ato cooperativo não sujeito à tributação. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto) (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Plínio Rodrigues de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausentes justificadamente, os Conselheiros Suzy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 15 61 /2 00 4- 15 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 Relatório COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL COOPERCITRUS, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob o nº 54.037.916/000145, com domicílio fiscal na cidade de Bebedouro Estado de São Paulo, na Praça Monsenhor Aristides, nº 207, Bairro Centro, jurisdicionada a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Segunda Instância prolatada pela 1ª TO – 1ª Câmara – 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 1101 00.206, de 29/09/2009 (fls. 374/376) cuja decisão, por unanimidade de votos, negou provimento ao seu Recurso Voluntário (fls. 271/294), recorre, em 17/02/2010, a esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do seu Recurso Especial (381/395). O pleito do contribuinte busca amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos que contra o contribuinte foi lavrado, em 12/11/2004, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 179/185), com ciência, em 19/11/2004 (fls. 195) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 5.941.246,52, a título de imposto de renda, relativo aos exercícios de 2000 a 2003, correspondentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu que o contribuinte, desde o ano de 1999 até 2002, vem excluindo, sistematicamente, na apuração do Lucro Real todo o resultado positivo obtido no exercício. Tal exclusão é indevida, pois não está prevista na legislação do IRPJ Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 188/193, lavrado em 08/11/2004, entre outros, os seguintes aspectos: que as sociedades cooperativas de crédito têm por objeto fomentar recursos financeiros e prestar serviços a seus associados. Regemse pelas disposições da Lei 5.764/71 e da Lei nº. 4.595/64, uma vez que são consideradas instituições financeiras; que o contribuinte auferiu, além de outras receitas, rendimentos com aplicações financeiras em títulos e valores mobiliários de Renda Fixa e Renda Variável. Tais operações foram efetuadas em várias instituições financeiras fora do âmbito do cooperativismo, conforme pode ser constatado nas DIRF's, cujas cópias podem ser encontradas de fls. de 89 até 118 deste processo de auto de infração; que essas aplicações financeiras acima não podem ser consideradas atos cooperativos visto que foram praticados entre lima cooperativa e uma instituição financeira, e tal situação não se enquadra na definição contida no art. 79 da Lei n° 5.764/71. Impugnado o lançamento, de forma tempestiva, em 13/12/2004 (fls. 198/212), instruído pelo documentos de fls. 213/251 e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante a 4ª Turma da Delegacia da Fl. 510DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 3 3 Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ I decide, em 31/10/2006, julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 254/266), amparado, em síntese, no argumento básico de que as aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, não se caracterizam como atos cooperados e o seu resultado se sujeita a incidência do imposto de renda. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 15/12/2006, conforme Termo constante às fls. 268/270, e com ela não se conformando, a recorrente interpôs, tempestivamente, em 15/01/2007, o seu Recurso Voluntário (fls. 271/294), instruído pelos documentos de fls. 295/347, o qual, ao ser apreciado pela 1ª TO – 1ª Câmara – 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 1101 00.206, de 29/09/2009, teve seu provimento negado, por unanimidade de votos, conforme se verifica de sua ementa e decisão: IRPJ — COOPERATIVA — RECEITAS FINANCEIRAS — TRIBUTAÇÃO. A legislação tributária isenta apenas os atos cooperados, sendo as receitas oriundas dos atos não cooperados tributadas pelo IRPJ. As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, não são atos cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado obtido pela cooperativa nessas aplicações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificado da decisão de Segunda Instância, em 01/02/2010, conforme Termo constante às fls. 379/380, a contribuinte interpôs, tempestivamente, em 17/02/2010, o seu Recurso Especial de fls. 381/395, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que entende a Recorrente, com o respeito devido, que o caso ora trazido à apreciação dessa E. Câmara subsumese, perfeitamente, hipótese do dispositivo citado, viabilizando o processamento do presente recurso, pois conforme se verificará das razões que seguem adiante, não só comprova a Recorrente documentalmente o dissídio jurisprudencial havido entre o acórdão recorrido e os indicados como paradigmas como também demonstra, no corpo do recurso, o respectivo cotejo analítico das circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados; que como prova das divergências apontadas no recurso, junta a Recorrente, cópia integral dos acórdãos proferidos pela 3ª Câmara do 1° Conselho no julgamento do Recurso n° 157.972 e pela 1ª Turma dessa Câmara Superior, no julgamento do Recurso n° RD n° 1030.989, obtidas via internet, diretamente do site do site do CARF, tudo conforme o exige o § 7° do artigo 67 do Regimento desse E. Conselho; que ao ser apresentado o recurso, fundamentou a Recorrente que tal exigência se apresentava claramente indevida, pois que se tratando a Recorrente de cooperativa de crédito, toda a sua movimentação financeira constituise no denominado ato cooperativo, Fl. 511DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 que, por tipificação legal (artigo 79 da Lei n° 5.764/71) não se constitui em base de cálculo para a incidência de quaisquer tributos; que a decisão recorrida, no entanto, sob o argumento de que o que a legislação tributária isenta do IR apenas, são os atos cooperativos, não se incluindo nesse conceito a realização de aplicações financeiras por cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, houve por bem improver o recurso, mantendo, pois integralmente a exigência fiscal; que entende a Recorrente, contudo, que ao ser desconsiderado do conceito de ato cooperativo a realização de aplicações financeiras, por cooperativas de crédito, junto ao mercado a decisão recorrida não se houve com o necessário acerto, divergindo que está, inclusive, de outras decisões proferidas por esse E. Conselho, sobre o mesmo assunto; que como já esclarecido nos autos, constituise a Recorrente em uma cooperativa de crédito, formada por produtores rurais, tendo por objetivo, como reza o artigo 3° de seu Estatuto Social, prestar, sem fins especulativos, assistência financeira aos seus associados, visando fomentar e estimular as suas atividades próprias produção rural , bem como proporcionar melhores condições para a circulação e industrialização dos bens por eles produzidos; que como exaustivamente demonstrado nos autos, é que o artigo 79 da Lei n° 5.764/71 estabelece, em seu parágrafo único, que "o ato cooperativo não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria". E é também, exatamente por isso, que é entendimento de há muito pacificado tanto junto ao Poder Judiciário quanto junto a esse próprio Conselho, o de que, em se tratando de sociedades cooperativas, as (micas operações com aptidão para gerar "lucro", em seu sentido técnico, isto 6, maisvalia, ganho, acréscimo patrimonial, são aquelas de seu objeto social praticadas com não associados. Os resultados das operações praticadas com associados denominamse, por disposição da própria lei de regência, de "sobras", não havendo mínima possibilidade de se estabelecer qualquer confusão entre elas e o lucro suscetível de tributação tanto pelo Imposto de Renda quanto pela Contribuição Social sobre o Lucro Liquido; que a vista de tais considerações, especialmente de que as únicas operações capazes de gerar lucro para uma sociedade cooperativa são aquelas de seu objeto social praticadas com terceiros não associados, afirma a decisão recorrida, que a realização de aplicações financeiras no mercado não constitui ato cooperativo, porque praticadas junto a terceiros, não associados; que o argumento defendido pela decisão recorrida, repitase, somente estaria correto se tratasse de qualquer outra cooperativa que não a de crédito, porque nesta, a finalidade da cooperativa é, justamente, a prestação de serviços aos seus associados na área financeira, onde a aplicação dos recursos destes associados no mercado respectivo é da essência da própria atividade. Em uma cooperativa de crédito, como é o caso, somente seria possível falarse em resultados passíveis de tributação pelo imposto de renda ou pela contribuição social caso a cooperativa operasse com terceiros, não associados. Isso, no entanto, não é permitido pela legislação pertinente, como acima se viu. O contribuinte indicou como paradigmas os acórdãos abaixo relacionados, cuja ementa se transcreve na parte que interessa (fls. 398/422): Acórdão nº 10323.202 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL Fl. 512DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 4 5 Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: COOPERATIVA. RESULTADO DO ATO COOPERADO. As sobras, entendendose como tal o resultado positivo do ato cooperado, não sofrem a incidência da CSLL por não se enquadrarem no conceito de lucro, base de cálculo dessa contribuição. COOPERATIVA DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERADO. A realização de aplicações financeiras no mercado pela cooperativa de crédito, com vistas À obtenção de recursos para o cumprimento de seus objetivos estatutários constituise em ato cooperado, não cabendo a incidência da CSLL sobre os rendimentos dai decorrentes. Acórdão CSRF/0103.278 COOPERATIVA — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO— As sobras apuradas pelas Sociedades Cooperativas, resultado obtido através de atos cooperados não é considerado lucro. Ante a inexistência de lucros, não devera ser cobrada a contribuição Social sobre o Lucro, pela inexistência da sua base de cálculo. COOPERATIVAS — APLICAÇÕES FINANCEIRAS Inocorrendo a proporcionalização do resultado positivo de aplicações financeiras em relação às atividades não cooperadas, a tributação somente pode alcançar o rendimento real, expurgados os índices oficiais de inflação. Ao proceder ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pela recorrente (fls. 381/395), o Presidente da 1ª Câmara – 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por intermédio do Despacho nº 110100.031, de 11/07/2011 (fls. 494/496), o admitiu, considerando que a recorrente lograra comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade fática e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas. Encaminhado, em 23/08/2011, os autos para ciência da Fazenda Nacional, nos termos do art. 70, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 497), foram apresentadas, em 30/08/2011, as contrarrazões (fls. 499/505), argumentando, em síntese: que a e. Câmara a quo manteve corretamente a autuação ao argumento de que os resultados obtidos pela cooperativa de crédito em aplicações financeiras junto a terceiros estão submetidos à incidência do Imposto de Renda por não se caracterizarem como ato cooperado; que a especialidade das cooperativas de crédito face às demais sociedades cooperativas originase da natureza das operações mantidas junto aos associados. Os serviços prestados pela cooperativa de crédito aos associados equiparamse à intermediação financeira; Fl. 513DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 que, entretanto, os clientes da cooperativa são os seus sócios, os quais arcam, como qualquer cliente de instituição financeira, com os custos da intermediação de recursos promovida pela cooperativa. Sobre as quantias repassadas pela cooperativa ao associado, logicamente, são cobrados juros e demais encargos; que as aplicações de recursos realizadas pelas cooperativas de crédito dentro do sistema cooperativo associado são as que devem ser tratadas como efetivos atos cooperativos. Na hipótese dos autos, contudo, tais aplicações financeiras foram efetuadas junto a terceiros não cooperados, não havendo, portanto, como considerálos isentos e não geradores de lucros tributáveis pelo imposto de renda; que ressaltese que, eventuais mudanças de interpretação jurisprudencial proferidas pelo e. Superior Tribunal de Justiça, não podem ser fundamento bastante para justificar o acolhimento dos argumentos suscitados pelo recorrente, sobretudo quando se trata de tribunal que não possui posicionamento assente sobre a matéria, haja vista constantes mudanças de entendimento sobre os mais variados temas; que concluise, dessa forma, que o entendimento firmado no acórdão a quo está em total consonância com a legislação aplicável ao tema, na medida em que mantém a tributação incidente sobre resultado positivo decorrente das aplicações financeiras realizadas pela cooperativa em tela no mercado externo, ato este que deve ser considerado como não cooperativo e, portanto, não isento. É o relatório Fl. 514DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator Tendo o Contribuinte tomado ciência do decisório recorrido em 01/02/2010 (fls. 379/380) e tendo protocolizado o presente apelo em 17/02/2010 (fls. 381/395), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos do processo verificase, que ao proceder ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo recorrente (fls. 381/395), o Presidente da 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por intermédio do Despacho nº 110100.031, de 23/08/2011 (fls. 494/496), o admitiu, considerando que o recorrente lograra comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade fática e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas. É de se observar, que o Contribuinte cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Divergência, já que demonstrou que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se tratam das mesmas matérias fáticas e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a discussão sobre a tributação das receitas financeiras auferidas pelas cooperativas de crédito rural. Enquanto, os acórdãos paradigmas defendem a tese no sentido de que os resultados positivos das cooperativas de crédito, decorrentes de aplicações financeiras no mercado, inseremse no conceito de resultado de atos cooperados, imunes à tributação. Por sua vez, o acórdão recorrido ao contrário expressou o entendimento de que os resultados de aplicações financeiras no mercado, por cooperativas de crédito, não se traduzem em resultados de atos cooperados devendo sofrer a incidência tributária, ao passo que em situações fáticas semelhantes, também se referindo, especificamente, a resultado de aplicações financeiras no mercado, por cooperativas de créditos. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Depreendese do relatado que o Contribuinte ingressou com Recurso Especial de Divergência, com amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, insurgindose contra decisão da 1ª TO – 1ª Câmara 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, exarado pelo Acórdão 110100.206, de 29/09/2009, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Fl. 515DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 recurso voluntário interposto pelo contribuinte, baseado no entendimento de que a legislação tributária isenta apenas os atos cooperados, sendo as receitas oriundas dos atos não cooperados tributadas pelo IRPJ. As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, não são atos cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado obtido pela cooperativa nessas aplicações. Como visto do relatório, o cerne da questão cingese à discussão da tributação das receitas financeiras auferidas pelas cooperativas de crédito rural. O acórdão proferido pela Primeira Câmara a quo negou provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte por considerar que objetivo social das cooperativas de credito não é captar recursos para aplicações financeiras, essas somente deverão ocorrer quando existir sobras ou recursos ociosos existentes no seu caixa devendo constituirse em transações eventuais e excepcionais, sob pena de desvirtuamento da finalidade precípua desse tipo de cooperativa, portanto, não haveria qualquer fato que justificasse a solicitada não tributação das receitas financeiras. O dispositivo legal que fundamenta o lançamento efetuado são o art. 79 da Lei n° 5.764, de 1971 e os arts. 182 e 183 do RIR/1999: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto no legislação especifica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3°, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 69). § 1º É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício as quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n° 5.764, de 1971, art. 24, § 3º). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das opera cães e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei n° 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 1º e 2°): I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; Fl. 516DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 6 9 II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares Com efeito, dispõem os artigos 85, 86, 87 e 111 da Lei n.° 5.764, de 1971, litteris: Art. 85. As cooperativas agropecuários e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados 6 conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. [...] Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Como visto, as cooperativas de crédito são formadas para baratear o custo financeiro dos cooperados, atuando da mesma forma que as instituições financeiras, captando e emprestando recursos dos próprios associados. Ao negociar diretamente no mercado financeiro, conseguem financiar melhor a sua atividade produtiva, por obterem recursos mais facilmente do que se atuassem de forma isolada. As cooperativas de crédito assumem uma das formas permitidas pelo art. 5º da Lei nº 5.764, de 1971, subordinandose supletivamente às diretrizes fixadas pelo Conselho Monetário Nacional, consoante o disposto no art. 103 da mesma lei. Apesar disso, sua forma de tributação é especial e não pode ser simplesmente equiparada à das instituições financeiras, pois não descaracteriza a sua natureza de cooperativa o objetivo de ofertar crédito aos seus cooperados. A tributação deve atingir apenas atos não cooperativos e, neste ponto, é assente a posição deste Colegiado. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 A questão específica do presente recurso referese ao correto enquadramento do resultado das aplicações financeiras realizadas pela cooperativa com os recursos disponíveis. Do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.057.481 – CE (2008/1048520), de relatoria do Ministro Francisco Falcão, que trata da incidência do PIS e da COFINS, se extrai a seguinte fundamentação, verbis: (...) Também remanesce pacificado o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não auferem lucro, porquanto as despesas e os resultados são divididos entre seus cooperados. Esse entendimento está consagrado em inúmeros precedentes desta Corte, a exemplo dos que se seguem: REsp nº 573.393/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004, p. 282; AgRg no REsp nº 650.656/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 17/12/2004; AgRg nos EDcl no Ag 980095/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe de 29/09/2008, este último assim ementado, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS. 1. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 2. Os atos normativos e exegese jurisprudencial descaracterizam as cooperativas de crédito como entidades bancárias assemelhadas, a saber: (Resolução 3.106/2003 BACEN, restringiu as atividades das cooperativas de crédito somente com cooperados, limitando as à prática de atos cooperados; Circular BACEN 3.238/2004, que, ao estabelecer o Plano Contábil do Sistema Financeiro Nacional COSIF, e aduzir à centralização financeira como sendo autêntico ato cooperativo, atesta, jurídicocontabilmente, a efetiva prática destes atos pelas cooperativas de crédito; Resolução 2.788/2000 CMN, que, ao permitir que somente as cooperativas centrais de crédito participem acionariamente de bancos, e como forma de viabilizar sua atividade, o que por si os diferencia; Parecer PGFN/CPA 1.088/99, que concluiu pelas diferenças estruturais e funcionais existentes entre as sociedades cooperativas de crédito e os bancos, obstando, assim, que aquelas atuassem como órgãos arrecadadores federais, posto não ostentarem natureza de agência ou posto bancário; RR 5.919/1988.2SP, Rel. Min. Ermes Pedro Pedrassani, DJU 25.08.1989; RR 214.732/1995.3MG, Rel. Min. Armando de Brito, DJU 16.05.1997). 3. Deveras, a Lei 5.764/71, mercê de posterior à Lei do Mercado de Capitais, é especial em relação à Fl. 518DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 7 11 mesma. Art. 2º, § 2º, da LICC. Lex generalis convive com a lex specialis. 4. No campo da exação tributária com relação às cooperativas, a aferição da incidência do tributo impõe distinguir os atos cooperativos através dos quais a entidade atinge os seus fins e os atos não cooperativos; estes extrapolantes das finalidades institucionais e geradores de tributação; diferentemente do que ocorre com os primeiros. Precedentes jurisprudenciais. 5. A cooperativa prestando serviços a seus associados, sem interesse negocial, ou fim lucrativo, goza de completa isenção, porquanto o fim da mesma não é obter lucro, mas, sim, servir aos associados. 6. Os atos cooperativos não estão sujeitos à incidência do PIS e da COFINS, porquanto o art. 79 da Lei 5.764/71 (Lei das Sociedades Cooperativas) dispõe que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 7. Não implicando o ato cooperativo em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, a revogação do inciso I, do art. 6°, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único, do art. 79, da Lei 5.764/71, não está revogado por ausência de qualquer antinomia legal. 8. A Lei 5.764/71, ao regular a Política Nacional do Cooperativismo, e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, prescreve, em seu art. 79, que constituem 'atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais', ressalva, todavia, em seu art. 111, as operações descritas nos arts. 85, 86 e 88, do mesmo diploma, como aquelas atividades denominadas 'não cooperativas' que visam ao lucro. Dispõe a lei das cooperativas, ainda, que os resultados dessas operações com terceiros 'serão contabilizados em separado, de molde a permitir o cálculo para incidência de tributos (art. 87). 9. É princípio assente na jurisprudência que: "Cuidandose de discussão acerca dos atos cooperados, firmouse orientação no sentido de que são isentos do pagamento de tributos, inclusive da Contribuição Social sobre o Lucro". (Min. Milton Luiz Pereira, Resp 152.546, DJU 03/09/2001, unânime) 10. A doutrina, por seu turno, é uníssona ao assentar que pelas suas características peculiares, principalmente seu papel de representante dos associados, os valores que ingressam, como os decorrentes da conversão do produto (bens ou serviços) do associado em dinheiro ou crédito nas de alienação em comum, ou os recursos dos associados a serem convertidos em bens e serviços nas de consumo (ou, neste último caso, a reconversão em moeda após o fornecimento feito ao associado), não devem ser havidos como receitas da cooperativa. 11. Incidindo o PIS e a COFINS sobre o faturamento/receita bruta, impõese aferir essa definição à luz do art. 110 do CTN, que veda a alteração dos conceitos do Direito Privado. Consectariamente, faturamento é o conjunto de faturas emitidas em um dado período ou, sob outro aspecto vernacular, é a soma dos contratos de venda realizados no período. Conseqüentemente, a cooperativa, posto não realizar contrato de venda, não se sujeita à incidência do PIS ou da Fl. 519DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 12 COFINS. 12. Outrossim, a Primeira Seção, no julgamento do REsp 591298/MG, Relator para o acórdão o Ministro Castro Meira, sessão de 27 de outubro de 2004, firmou o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não são passíveis de incidência tributária, uma vez que a captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados, constituem atos cooperativos. 13. A intributabilidade pelo PIS do ato cooperativo alcança todas as aplicações financeiras, conducentes à consecução dos objetivos sociais das cooperativas. 14. Agravo regimental desprovido. (grifei). No mesmo sentido: EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 611217 / MGEMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2003/02138920 Relator(a) Ministra ELIANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 20/10/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 04/11/2009 Ementa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO. 1. Conforme jurisprudência sedimentada pelas Turmas da Primeira Seção, as aplicações financeiras das sociedades cooperativas de crédito não sofrem a incidência do PIS. 2. Embargos de declaração acolhidos para explicitação. Essa orientação ainda pode ser confirmada em julgado recente da Segunda Turma daquele Egrégio tribunal no AgRg no AgRg no REsp 717126 / SC, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, julgado em 09/02/2010, abaixo transcrito: Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado – constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não Fl. 520DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 8 13 analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. 5. Provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido quanto ao mérito, fazse necessária a apreciação pelo STJ dos honorários advocatícios devidos pelo sucumbente. Tratase de aplicação do direito à espécie. 6. No caso concreto, inverto os honorários advocatícios, restabelecendo os valores fixados na sentença, a qual condenou a União ao pagamento da verba honorária em 5% (cinco por cento) do valor atribuído à causa (R$ 805.433,30 – oitocentos e cinco mil, quatrocentos e trinta e três reais e trinta centavos), corrigido monetariamente, dado o elevado valor conferido à demanda. 7. Essa inversão é possível, pois, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal Superior, "1. O STJ, ao aplicar o direito à espécie, após conhecer do recurso especial, rejulga a causa (...). 2. Possibilidade de fixação de honorários advocatícios em percentual inferior ao mínimo de 10% (dez por cento), quando vencida a Fazenda Pública, mediante a aplicação do art. 20, § 4º do CPC" (AgRg no Resp 418.640/DF, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 2.6.2003). Na mesma linha de entendimento: "conhecido o recurso, é possível ao STJ, desde logo, aplicar o direito à espécie, nos termos do art. 257 do seu Regimento Interno, não havendo que se falar em supressão de instância. 3. O valor dos honorários foi fixado com razoabilidade, no mínimo legal, devendo ser ressaltado o fato de que a tese defendida pela parte só veio a ser acolhida na instância Superior, demandando acompanhamento profissional contínuo, que merece ser prestigiado" (EDcl REsp 1.130.634/RS. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, Dje 15.12.2009). 8. Agravo Regimental do Ministério Público não provido e Agravo da Fazenda Nacional parcialmente provido tãosomente para inverter os honorários advocatícios, restabelecendo a condenação da União, fixada na sentença, ao pagamento dos ônus sucumbenciais em 5% sobre o valor da causa, atualizado monetariamente. (grifouse) Diante da firme orientação jurisprudencial emanada da Corte judicial competente, em que pese não vinculante, e em homenagem ao princípio da economia processual e à segurança jurídica, a instância administrativa deve trilhar o mesmo caminho, considerando não tributáveis os resultados das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito, porque enquadrados como atos cooperados. Nestas condições, conheço do recurso especial interposto pelo Contribuinte, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 521DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 14 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA
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Numero do processo: 11030.905014/2009-27
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente resolução.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente resolução. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 30 .9 05 01 4/ 20 09 -2 7 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 28/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11030.905014/200927 Resolução nº 3801000.444 S3TE01 Fl. 43 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 10 a 12, contra despacho decisório eletrônico da DRF/Passo Fundo, nº. 842601056, fl. 06, que não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 31891.76612.300606.1.3.040149, em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 28/07/2009, manifestação de inconformidade, fls. 10 a 12, alegando, em síntese, que: · efetuou a opção pelo regime não cumulativo e refez a apuração do PIS faturamento, referente ao mês de jun/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo do PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei; · após a retificação da apuração do referido mês, o débito que havia sido apurado deixou de existir. A DCTF do período foi retificada; · requer o recebimento da manifestação de inconformidade e homologação Per/Dcomp n° 31891.76612.300606.1.3.040149. A DRJ em Salvador (BA), às fls. 25/28, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 31 a 34, no qual, apesar de fazer referência ao período de apuração de maio/2004, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 28/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11030.905014/200927 Resolução nº 3801000.444 S3TE01 Fl. 44 3 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS faturamento, referente ao mês de jun/2004, em função da Lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei para que fosse feita a opção pelo regime não cumulativo. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Registrese, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ademais, não há óbice legal para a apresentação de DCTF retificadora antes da emissão do despacho decisório. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. No mérito, analisemos os arts. 4º e 5º da lei nº 10.892/2004: Art. 4o As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Parágrafo único. A opção será exercida até o 10o (décimo) dia do mês subseqüente ao da data de publicação desta Lei, de acordo com as normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de maio de 2004. Art. 5o Esta Lei entra em vigor em 1o de outubro de 2004, exceto em relação ao seu art. 4o, que entra em vigor na data da sua publicação. A recorrente, por se tratar de sociedade cooperativa de produção agropecuária, tendo efetuado a opção de antecipação do regime de nãocumulatividade de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, deveria apurar as contribuições nesse regime a partir de 1º de maio Fl. 44DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 28/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11030.905014/200927 Resolução nº 3801000.444 S3TE01 Fl. 45 4 de 2004. A adesão antecipada pelo regime de nãocumulatividade foi regulamentada pela IN SRF 433/2004. Como a publicação da Lei nº 10.892 ocorreu em 14.7.2004, essa opção deuse de forma retroativa em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2004, o que poderia ocasionar divergências em relação às contribuições apuradas pelo regime de incidência cumulativo, como alegado pela recorrente. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora apontados no acórdão recorrido e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição para o PIS referente ao período de apuração em discussão. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Anexe cópia da DCTF retificadora/ativa referente ao 2º trimestre de 2004; b) Informe se o contribuinte efetuou a opção do art. 4º da Lei nº 10.892/2004 regulamentada pela IN SRF 433/2004, intimandoo, se necessário, a apresentar a cópia do documento comprobatório da adesão antecipada; c) apure o valor devido a título de contribuição para o PIS/PASEP com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de jun/2004, segundo o regime de incidência não cumulativo, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004; d) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 28/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 13302.000053/2007-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 2. 00 00 53 /2 00 7- 52 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Compescal Comércio de Pescado Aracatiense Ltda., foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01/238, referente às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como da empresa incidente sobre a remuneração para àqueles, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa, além da contribuição da empresa destinada a Terceiros. A Terceira Câmara da Primeira Turma da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 230101.824, que se encontra às fls. 843/855 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Sumula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de descumprimento de obrigação principal, aplicase o artigo 150, §4°. ARROLAMENTO DE BENS. LIBERAÇÃO. REVOGAÇÃO DO ART. 37, §2° DA LEI N° 8.212/1991 PELA LEI N° 11.941/2009. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13302.000053/200752 Acórdão n.º 9202002.539 CSRFT2 Fl. 8 3 O arrolamento de bens estava previsto no art. 37, §2° da Lei n° 8.212/91, sendo legitimamente aplicado quando do lançamento de crédito tributário como garantia do pagamento do débito. Ocorre que, após o advento da Lei n° 11,941/2009, o dispositivo que previa o arrolamento foi revogado, inexistindo qualquer outra norma no ordenamento jurídico com tal previsão, não mais subsistindo o fundamento legal para a manutenção daquela restrição, de modo que o arrolamento realizado antes do seu advento deve ser revogado. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO E PRÓLABORE INDIRETO. PAGAMENTO DE UTILIDADES EM BENEFÍCIO DOS EMPREGADOS E DO SÓCIO GERENTE. O pagamento de seguro, aluguel e quaisquer outras despesas revertidas em beneficio direto dos empregados e do sócio gerente configuram remuneração e prólabore indireto, sendo, por isso, base de cálculo para a contribuição previdenciária. DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO FORMULADO PERANTE A RECEITA FEDERAL E O INSS. SUSPENSÃO DA EXIBILIDADE. NECESSIDADE DE PRÉVIA ANÁLISE NOS AUTOS DO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ CONSTITUÍDO. Não cabe a desconsideração pelo Fisco da compensação realizada pelo contribuinte se existe requerimento administrativo em que se apresenta o encontro de contras formulado anteriormente à própria fiscalização. Somente nos autos dos requerimento poderá ser afastada a compensação realizada e, em consequência, efetuar a cobrança do crédito tributário que, por sua vez, já estará constituído, nos termos do art. 74, §§ 6º e 8º da Lei 10.637/2002. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento e atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91. Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 05/2002, devido a aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, e por maioria (i) dar provimento parcial ao recurso para que seja aplicada a multa do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte e (ii) dar parcial provimento ao recurso para excluir os valores lançados no P.A. 10830.010396/200542. Intimada do acórdão em 14/10/2011 (fls. 850), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 1153/1173, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão n° 202126.930 no tocante à decadência das contribuições sociais. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 129/2012, de 23/02/2012 (fls. 882/883). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte deixou de apresentar suas contrarrazões (fls. 886). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica nos autos, o recurso foi interposto objetivando a reforma do v. acórdão no que diz respeito à declaração da decadência de parte do período em questão pela regra do artigo 150, § 4º, do CTN, para fosse aplicada a decadência com base no artigo 173, I, do CTN, em vista a divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 910100460 e CSRF/0203.331. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados, in verbis: “EMENTA: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do artigo 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido no regime do art. 543 – C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” EMENTA: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).” Pois bem. No âmbito do Código Tributário Nacional, cabe examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 ou art. 173, inciso I, do CTN, ambos para se determinar o termo inicial para contagem do prazo de decadência de 5 anos. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13302.000053/200752 Acórdão n.º 9202002.539 CSRFT2 Fl. 9 5 Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, o próprio lançamento reconhece a existência de pagamentos em GPS (fls. 148/152). Nestas situações e diversamente da posição defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tenho me manifestado que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte relativamente aos períodos envolvidos nos fatos geradores questionados, o que não ocorreu no presente caso. Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Assim, no caso em questão, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 21/06/2007 (fls. 01) deve ser mantida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/2002, nos termos consignados no v. acórdão recorrido. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13302.000053/200752 Acórdão n.º 9202002.539 CSRFT2 Fl. 10 7 Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003132/2001-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998
IRPF. DIVIDENDOS. FALTA DE REGISTRO DE LIVROS COMERCIAIS - A falta de registro dos livros comerciais constitui descumprimento de dever legal, mas é defeito de forma, não sendo per se suficiente para afastar a verificação do lucro contábil da sociedade, devendo se verificar se ele foi apurado com base em escrituração correta e lastreada em documentação adequadamente mantida em boa e regular forma.
Recurso especial conhecido e provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.336
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Valmar Fonseca de Menezes e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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DIVIDENDOS. FALTA DE REGISTRO DE LIVROS COMERCIAIS A falta de registro dos livros comerciais constitui descumprimento de dever legal, mas é defeito de forma, não sendo per se suficiente para afastar a verificação do lucro contábil da sociedade, devendo se verificar se ele foi apurado com base em escrituração correta e lastreada em documentação adequadamente mantida em boa e regular forma. Recurso especial conhecido e provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Valmar Fonseca de Menezes e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Gilberto Tadeu Ribeiro foi lavrado o auto de infração de fls. 06/07, objetivando a exigência do Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos oriundos da distribuição de lucros em valor superior ao permitido na legislação. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10616.081, que se encontra às fls. 307/315 e cuja ementa é a seguinte: “IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. TRIBUTAÇÃO DE EXCESSO Os rendimentos pagos a sócios de empresas que ultrapassarem o valor do lucro presumido deduzido o imposto sobre a renda correspondente serão tributados na fonte a titulo de antecipação na declaração de ajuste anual dos beneficiários.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Intimado do acórdão em 16/11/2007 (fls. 336) o contribuinte interpôs o recurso especial de fls. 338/669, em que pleiteia, em apertada síntese, a reforma do v. Acórdão recorrido no tocante a comprovação da veracidade da escrituração contábil que contenha vícios formais, saneados extemporaneamente (acórdãos nºs 10321.369 e 10192.828). O recurso especial não foi admitido (despacho nº DDC106150047_247 de fls. 671/673), tendo o contribuinte apresentado o agravo de fls. 683/686. Por meio do Despacho nº 21010100/2009, em reexame de admissibilidade, o referido Recurso Especial foi admitido. Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10680.003132/200124 Acórdão n.º 920202.336 CSRFT2 Fl. 2 3 Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pelo contribuinte a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões (fls. 689/697). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pelo Contribuinte preenche os requisitos de admissibilidade. A matéria em discussão é a possibilidade de utilização como prova para fins de apuração do resultado passível de distribuição a titulo de dividendos. O acórdão recorrido (Acórdão nº 10616.081), exarado pela C. 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, houve por bem manter o lançamento por entender que nao ha provas nos autos de que os valores recebidos pelo contribuinte decorrem de lucros de empresa da qual o recorrente é socio, em vista dos livros contábeis apresentados terem sido registrados após o início da ação fiscal. Visando à rediscussão da matéria o Contribuinte indicou como paradigmas para demonstrar a divergência de interpretação os acórdãos nºs 10321.369 e 10192.828. 10321.369 “IRPJ — ARBITRAMENTO DO LUCRO — RECEITA CONHECIDA. A desclassificagilo da escrita somente se legitima ante a ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real. O registro do livro diário, ainda que no curso da ação fiscal, não o invalida.” 10192.828 “LUCRO ARBITRADO PERÍODOBASE DE 1991 A desclassificação da escrita e conseqüente arbitramento do lucro constitui medida extrema, que só se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real. A falta de registro do Livro de Inventário e o descumprimento de outros requisitos formais (assinatura do contabilista e do gerente ou diretor da empresa) não são suficientes para desclassificar a escrita, eis que informações nele constantes podem ser confrontadas com as do Livro Diário.” A meu ver, o primeiro paradigma comprova a divergência. Embora matéria relacionada ao IRPJ, está comprovada divergência quanto à valoração jurídica de prova – no caso a valoração da escrituração contábil – na hipótese em que tal escrituração foi registrada tardiamente nos órgãos oficiais. No caso do acórdão recorrido o registro da escrituração contábil a destempo serviu para desconsiderar o lucro ali apurado para fins de isenção de dividendos pagos com base nele. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 No caso do acórdão paradigma o registro tardio dos livros foi considerado irrelevante para desconsideração do lucro contábil, com o conseqüente arbitramento do lucro tributável. Ainda que as normas aplicáveis sejam distintas, em ambas as situações tratouse da legitimidade da apuração do lucro contábil, para fins fiscais, em livros cujo registro foi tardio, tendo os dois acórdãos chegado a resultados opostos, num caso pela conclusão de qual a falta de tal registro torna imprestável a apuração do lucro e no outro pela conclusão de que tal circunstância não é suficiente para desprestigiar lucro efetivamente apurado. Assim, conheço do recurso especial do contribuinte. No mérito a questão posta é a possibilidade de comprovação da existência de lucro efetivo em valor maior do que o lucro distribuído pelas empresas das quais o recorrente é sócio com base em livros diários que registrados na Junta Comercial a destempo, após a entrega das declarações e início do procedimento fiscal. De fato, o art. 10 da Lei n.°9.249, de 26 de dezembro de 1995, dispõe que os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos incidência do imposto de renda na fonte nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica. Nos termos do inciso II do § 2° do art. 48 da IN SRF n.° 93, de 1997, poderá ser distribuída, sem incidência de imposto, a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no inciso I do mesmo § 2°, desde que a empresa demonstre, mediante escrituração contábil, feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior do que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo pelo regime do lucro presumido. No presente caso, foram apresentados à fiscalização os livros Diário registrados na Junta Comercial após a ocorrência das operações neles lançadas. Verifico que o Livro Diário da empresa Dinâmica Consultoria Fiscal Financeira S/C Ltda., referente ao ano calendário de 1998, foi registrado em 18/12/2000 (fl. 64) e o da empresa Dinâmica Consultoria Empresarial S/C Ltda., referente ao anocalendário de 1997, em 13/02/2001 (fl. 66). Por tal razão os referidos documentos contábeis não foram considerados pela fiscalização e pelo acórdão recorrido. De fato, em que pese a necessidade e obrigatoriedade de registro dos livros contábeis da empresa, entendo que deve prevalecer, em matéria tributária, a substância material da existência ou não de lucro, comprovada na escrituração comercial. A falta de registro dos livros não impacta, em substância, a existência ou não dos lucros, substrato para a geração dos correspondentes efeitos fiscais. No presente caso, como se verifica do termo de fiscalização de fls. 12/14, durante o processo de fiscalização a autoridade fiscal deixou de considerar como prova do efetivo lucro contábil das empresas os livros diário. Embora tenha invocado (assim como fez a decisão recorrida) outros fundamentos para não considerar os livros o registro a destempo na junta comercial foi fundamento relevante, in verbis: Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10680.003132/200124 Acórdão n.º 920202.336 CSRFT2 Fl. 3 5 “CONCLUSÃO: 1 Tendo em vista que a época da distribuição dos lucros, as empresas citadas não cumpriram o que determina a legislação comercial, isto e, não possuíam escrituração comprovando a apuração efetiva de lucro contábil; 2 Tendo em vista que somente após o contribuinte e sócio estar sob intimação fiscal as empresas retificaram suas declarações e apresentaram livros com registro em 18/12/2000 e 13/02/2001 e, ainda assim, sem base em documentação hábil e idônea (Notas Fiscais, contrato de prestação de serviços),comprobatória das receitas das prestações de serviços; 3 Esta fiscalização concluiu que somente são cabíveis de serem distribuídos como rendimentos isentos os resultados apurados até o limite do lucro presumido menos os tributos, conforme discriminado abaixo:” Tenho para mim, no entanto, que a falta de registro dos livros fiscais na Junta Comercial é um erro formal, não sendo suficiente para afastar a legitimidade e/ou veracidade das informações contábeis da empresa. Por tal razão, mesmo não tendo sido registrado na Junta Comercial, a autoridade fiscal deveria ter levado em conta as informações efetivamente escrituradas, examinandoas para determinar se cabe aceitar ou não os dados apresentados na escrituração. Como há outros elementos relevantes na análise da prova e para evitar supressão de instância, entendo que deve ser reformado o v. acórdão recorrido para seja proferido novo julgamento acerca da matéria pela turma a quo, considerando os demais elementos constantes dos autos. Ante o exposto, conheco do recurso especial interposto pelo contribuinte para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar o registro do livro diário a destempo como desqualificador do lucro líquido passível de distribuição isenta e determinar o retorno dos autos à turma a quo para que seja proferido novo julgamento, considerando os demais elementos constantes dos autos. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002135/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO.
Acolhe-se a alegação do contribuinte de que a totalidade dos depósitos efetivados em suas contas bancárias é proveniente da atividade rural, nos casos em que o contribuinte comprova tal alegação em relação a significativo percentual dos depósitos efetivados em todas as suas contas bancárias e quando a atividade rural e a única atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros do colegiado suscitam três posições diferentes para a solução do litígio: 1. os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (relatora) e Francisco Marconi de Oliveira entendem que deveria ser excluído da base de cálculo da infração o montante de R$ 816.641,70; 2. as Conselheiras Núbia Matos Moura e Acácia Sayuri Wakasugi entendem que os depósitos bancários de origem não comprovada estariam relacionados à atividade rural e, como tal, não poderia o lançamento se fincar no art. 42 da Lei nº 9.430/96; 3. o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos entende que os depósitos bancários de origem não comprovada deveriam ser considerados como receitas da atividade rural, com recálculo dos rendimentos tributáveis oriundos desta atividade (considerando os prejuízos da atividade rural). Não havendo maioria para quaisquer das posições, na forma do art. 60, do Anexo II, do RICARF, o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos aderiu a posição esposada pelas Conselheiras Núbia Matos Moura e Acácia Sayuri Wakasugi. Sendo assim, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferrreira Pagetti (relatora) e Francisco Marconi de Oliveira. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora
Assinado Digitalmente
Núbia Matos Moura Redatora Designada
EDITADO EM: 17/05/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO. Acolhe-se a alegação do contribuinte de que a totalidade dos depósitos efetivados em suas contas bancárias é proveniente da atividade rural, nos casos em que o contribuinte comprova tal alegação em relação a significativo percentual dos depósitos efetivados em todas as suas contas bancárias e quando a atividade rural e a única atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros do colegiado suscitam três posições diferentes para a solução do litígio: 1. os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (relatora) e Francisco Marconi de Oliveira entendem que deveria ser excluído da base de cálculo da infração o montante de R$ 816.641,70; 2. as Conselheiras Núbia Matos Moura e Acácia Sayuri Wakasugi entendem que os depósitos bancários de origem não comprovada estariam relacionados à atividade rural e, como tal, não poderia o lançamento se fincar no art. 42 da Lei nº 9.430/96; 3. o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos entende que os depósitos bancários de origem não comprovada deveriam ser considerados como receitas da atividade rural, com recálculo dos rendimentos tributáveis oriundos desta atividade (considerando os prejuízos da atividade rural). Não havendo maioria para quaisquer das posições, na forma do art. 60, do Anexo II, do RICARF, o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos aderiu a posição esposada pelas Conselheiras Núbia Matos Moura e Acácia Sayuri Wakasugi. Sendo assim, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferrreira Pagetti (relatora) e Francisco Marconi de Oliveira. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora Assinado Digitalmente Núbia Matos Moura Redatora Designada EDITADO EM: 17/05/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Acácia Sayuri Wakasugi.
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APLICAÇÃO. Acolhese a alegação do contribuinte de que a totalidade dos depósitos efetivados em suas contas bancárias é proveniente da atividade rural, nos casos em que o contribuinte comprova tal alegação em relação a significativo percentual dos depósitos efetivados em todas as suas contas bancárias e quando a atividade rural e a única atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros do colegiado suscitam três posições diferentes para a solução do litígio: 1. os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (relatora) e Francisco Marconi de Oliveira entendem que deveria ser excluído da base de cálculo da infração o montante de R$ 816.641,70; 2. as Conselheiras Núbia Matos Moura e Acácia Sayuri Wakasugi entendem que os depósitos bancários de origem não comprovada estariam relacionados à atividade rural e, como tal, não poderia o lançamento se fincar no art. 42 da Lei nº 9.430/96; 3. o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos entende que os depósitos bancários de origem não comprovada deveriam ser considerados como receitas da atividade rural, com recálculo dos rendimentos tributáveis oriundos desta atividade (considerando os prejuízos da atividade rural). Não havendo maioria para quaisquer das posições, na forma do art. 60, do Anexo II, do RICARF, o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos aderiu a posição esposada pelas Conselheiras Núbia Matos Moura e Acácia Sayuri Wakasugi. Sendo assim, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferrreira Pagetti (relatora) e Francisco Marconi de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 21 35 /2 00 8- 31 Fl. 975DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA 2 Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Relatora Assinado Digitalmente Núbia Matos Moura – Redatora Designada EDITADO EM: 17/05/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/06 para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos, fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, em contas de sua titularidade. A fiscalização apurou também omissão de receitas da atividade rural, as quais, porém, não foram objeto de lançamento, tendo em vista que os prejuízos declarados pelo contribuinte para aquele ano eram suficientes para acobertar a referida omissão. O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos no ano de 2003, e o contribuinte dele foi cientificado em 03.07.2008. Nesta ocasião, apresentou a impugnação à qual os integrantes da DRJ em Salvador negaram provimento, ao entendimento de que não se poderia presumir que os valores depositados na conta bancária do contribuinte cuja origem não foi comprovada fossem decorrentes da atividade rural. Não tendo se conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 474/, no qual reiterou os argumentos expostos em sede de impugnação, suscitando: a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento, sendo que o prazo decadencial deveria levar em consideração fatos geradores mensais do IRPF; a necessidade de que o lançamento fosse revisto para que fosse considerada a apuração do IRPF conforme sistemática dos rendimentos provenientes da atividade rural, compensandose o imposto devido com o prejuízo amargado naquele exercício; e a necessidade de revisão da multa aplicada, que teria efeito confiscatório e deveria ser reduzida para, no máximo 30%. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10530.002135/200831 Acórdão n.º 2102002.066 S2C1T2 Fl. 492 3 É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 11.03.2011, como atesta o AR de fls. 473. O Recurso Voluntário foi interposto em 11.04.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento decorrente da presunção de omissão de rendimentos, fundada na existência de depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada. No Recurso Voluntário, o Recorrente suscita a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento e afirma que a totalidade de seus rendimentos decorre do exercício da atividade rural, razão pela qual deveriam ser assim tributados. Passase à análise de seus argumentos. Decadência Antes de entrar no mérito propriamente dito da discussão destes autos, é preciso que se analise uma questão prejudicial ao mérito, que foi suscitada pelo Recorrente. Tratase da suposta decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento em questão, considerando que os fatos geradores do IRPF seriam mensais e por isso estaria decadente o direito do Fisco de exigir o imposto sobre os meses de janeiro a julho de 2003, já que a ciência do lançamento se deu em julho de 2008. Tal pedido, porém, não merece acolhida. De acordo com o Recorrente, o fato gerador do IRPF no caso em tela seria mensal, e o prazo decadencial deveria ser computado com base no art. 150, § 4º do CTN. Por isso, segundo ele, não poderiam mais ser exigidos os valores cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de julho de 2003, já que a ciência do lançamento se deu em 03.07.2008. A jurisprudência hoje pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é no sentido de que o fato gerador do IRPF, mesmo nos casos de lançamento fundado em depósitos bancários de origem não comprovada, é complexivo e ocorre em 31 de dezembro de cada ano. Este entendimento pode ser bem demonstrado através da leitura da seguinte ementa: IRPF – DECADÊNCIA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de Fl. 977DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA 4 dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso especial negado. (Ac. nº CSRF/0400.553, julgado em 21.03.2007, Rel. Cons. Gonçalo Bonet Allage) Este entendimento, aliás, já foi objeto de súmula: Súmula CARF Nº: 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Por isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, o pleito do Recorrente não merece ser acolhido, pois de acordo com o entendimento acima esposado, o Fisco teria até 31.12.2008 para efetuar o lançamento. Como a ciência se deu antes deste prazo, não há que se falar em decadência. Depósitos Bancários e Atividade Rural Com relação ao mérito propriamente dito do lançamento, o Recorrente defende que por ser a atividade rural a sua única fonte de rendimentos, deveria o lançamento ter levado em consideração a sistemática da tributação aplicável às receitas da atividade rural, e não ter sido efetuado nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. No caso, como naquele ano de 2003 ele amargara prejuízos, tais prejuízos deveriam ser utilizados para acobertar o valor do imposto ora exigido (exatamente como fez a autoridade lançadora em relação à omissão de rendimentos da atividade rural que apurou no curso do procedimento fiscal). Neste ponto, entendo que não lhe assiste razão. Com efeito, a tributação dos rendimentos auferidos com a atividade rural pode se dar de duas formas: i) tendo como base de cálculo o valor total das receitas assim auferidas, deduzido do valor das despesas com a mesma atividade; ou ii) tendo como base de cálculo o valor correspondente a 20% do total das receitas auferidas. Decorre daí que a tributação dos rendimentos auferidos com a atividade rural é bastante benéfica, razão pela qual a sua utilização deve ser feita com muita cautela pelas autoridades fiscais. Isto significa que os rendimentos da atividade rural não se presumem, mas devem ser cabalmente comprovados, sob pena de o contribuinte não poder se beneficiar das regras específicas desta modalidade de tributação. Esta é a determinação legal contida no art. 71, § 1º do RIR/99, verbis: Art.71. À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá a vinte por cento da receita bruta do ano calendário, observado o disposto no art. 66 (Lei nº 8.023, de 1990, art. 5º). §1º Essa opção não dispensa o contribuinte da comprovação das receitas e despesas, qualquer que seja a forma de apuração do resultado. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10530.002135/200831 Acórdão n.º 2102002.066 S2C1T2 Fl. 493 5 §2º O disposto neste artigo não se aplica à atividade rural exercida no Brasil por residente ou domiciliado no exterior (Lei nº 9.250, de 1995, art. 20, e §1º). Nos termos do parágrafo 1º acima transcrito, fica claro que caberia ao Recorrente demonstrar, de forma inconteste, que os valores depositados em sua conta eram decorrentes da atividade rural, sob pena de não poder tributálos conforme pretendido. Ainda que o Recorrente não exerça nenhuma outra atividade e se dedique exclusivamente à atividade rural – como alega – este fato não implicaria na necessária presunção de que a totalidade de seus rendimentos decorre da atividade rural. A omissão pode ser decorrente de qualquer outra fonte. Neste caso, é de se destacar ainda que a autoridade lançadora também apurou omissão de receitas da atividade rural, as quais foram assim consideradas mas não geraram a exigência de qualquer imposto, em face de sua compensação com os prejuízos amargados pelo Recorrente. Neste caso, a fiscalização somente considerou os rendimentos da atividade rural (e assim os tributou) porque obteve prova inconteste de que esta era a natureza de tais rendimentos. Por outro lado, se alguma presunção existe no caso em tela – e decorre de lei, esta é a de que os depósitos bancários de origem não comprovada devem ser considerados rendimentos omitidos; esta é a presunção legal aplicável à espécie, e que foi utilizada pela autoridade fiscal. Diante de tais esclarecimentos, entendo que não merece acolhida a pretensão recursal. Todavia, a despeito de não se poder presumir que os depósitos bancários se referiam a uma omissão de receitas da atividade rural, entendo que uma outra questão deva ser analisada aqui. Tratase do fato de que a autoridade fiscal apurou efetivas omissões de rendimentos da atividade rural auferidos pelo Recorrente, os quais foram obtidos através de notas fiscais por ele emitidas, mas que não haviam sido escrituradas. Nos casos em que o valor da nota correspondia exatamente a um depósito bancário, o respectivo depósito foi considerado como de origem comprovada e foi lançada somente uma omissão de receita da atividade rural. No entanto, para os casos em que a fiscalização apurou uma omissão (isto é, nota não escriturada) sem o correspondente depósito bancário, o valor desta omissão não foi considerado como origem para os depósitos. É o que se depreende do seguinte trecho extraído do TVF (fls. 08 dos autos): Este procedimento, porém, merece ser revisto. É que apesar de não haver uma exata coincidência entre datas e valores (entre a nota emitida e o depósito efetuado), certo é que aquelas receitas – que haviam sido omitidas, Fl. 979DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA 6 mas foram objeto de lançamento (sem crédito exigível) são aptas a comprovar a origem de parte dos depósitos sim. Este Conselho vem decidindo de forma reiterada que os rendimentos declarados pela pessoa física podem e devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. O raciocínio, mutatis mutandis, se aplica ao caso vertente. Ora, se uma receita foi reconhecidamente omitida e oferecida à tributação (ainda que nenhum imposto fosse devido em razão da compensação com os prejuízos), não pode a autoridade fiscal presumir que esta receita foi para qualquer outro lugar, que não o banco. Deve, por isso, ser acolhida como origem para os depósitos bancários a omissão apurada pela fiscalização para a qual não houve a comprovação do respectivo depósito. Esta omissão se refere aos valores recebidos da empresa Icofort, no valor de R$ 816.641,70, valor que deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. Multa de Ofício Por fim, a última questão suscitada pelo Recorrente diz respeito ao alegado caráter confiscatório da multa aplicada ao lançamento. Tal alegação, porém, esbarra em um enunciado da Súmula deste Conselho, este o de nº 2, segundo o qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Apesar do enunciado não tratar diretamente da questão da multa, deve ele ser aplicado ao caso vertente, pois, sendo a multa de ofício uma determinação legal – devidamente prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. Ademais, as súmulas têm aplicação obrigatória nos termos do art. 72 do Regimento Interno deste Conselho. O Recorrente pugna pela redução da multa para um patamar de, no máximo, 30% no entanto, não há previsão legal para que se opere tal redução na multa de ofício, não podendo sua pretensão ser acolhida. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 816.641,70. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, redatora designada Divirjo parcialmente da ilustre Relatora quanto ao seu entendimento acerca da comprovação da origem dos depósitos bancários objeto do lançamento. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10530.002135/200831 Acórdão n.º 2102002.066 S2C1T2 Fl. 494 7 Observese que o contribuinte, durante o procedimento fiscal, teve todas as suas contas bancárias investigadas (quatro), de modo que foi intimado a comprovar a origem de depósitos bancários efetivados no anocalendário 2003, cujo somatório perfaz a quantia de R$ 29.873.050,28, conforme relatórios de depósitos bancários, fls. 31/36, partes integrantes do Termo de Intimação Fiscal nº 02, fls. 30. Encerrado o procedimento fiscal, restou sem comprovação da origem depósitos, que somados perfazem a quantia de R$ 2.412.115,26, que equivale a 8% do universo total dos depósitos investigados (R$ 29.873.050,28). Ou seja, de um universo bastante significativo (contribuinte teve vultosa movimentação financeira), temse que o contribuinte comprovou a origem de 92% dos depósitos havidos em suas contas bancárias, sendo certo que a origem dos depósitos comprovados estava sempre ligada à atividade rural, que, até onde se tem notícia, é a única atividade econômica desenvolvida pelo recorrente. Ora, considerando que todas as contas bancárias que o recorrente mantinha no anocalendário 2003 foram investigadas e que durante o procedimento fiscal restou demonstrada a origem de 92% dos depósitos efetivados no referido período e também que a origem, quando comprovada, advinha da atividade rural, que é a única atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte, devese reconhecer que os demais depósitos, para os quais o contribuinte não conseguiu demonstrar a origem, com a apresentação de documentos com datas e valores coincidentes, sejam também considerados como advindos da atividade rural e, via de conseqüência, considerados com origem comprovada. Veja que entendimento semelhante foi registrado no voto vencido. Restou comprovado nos autos que o contribuinte obteve receita da atividade rural proveniente da venda de produtos agrícolas para a empresa Icofort, no importe de R$ 816.641,70, entretanto, não foi possível fazer a correlação, com datas e valores coincidentes, entre as notas fiscais e os depósitos efetivados no período fiscalizado. Ao apreciar tal situação, a relatora vencida, entendeu que tal quantia deveria ser excluída da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, sob a fundamentação de que, se restou comprovado que o contribuinte obteve a referida receita da atividade rural temse, por óbvio, que tal quantia esteja contemplada dentre os depósitos, cuja origem restou não comprovada, sempre na consideração de que todas as contas bancárias do contribuinte foram investigadas e também levandose em conta que não seria razoável admitir se que tais recursos não tenham transitado nas contas bancárias do recorrente. Não se pode esquecer que a comprovação da origem de depósitos bancários com a apresentação de documentos com datas e valores coincidentes não é tarefa das mais fáceis, sendo certo que no presente caso, o contribuinte conseguiu juntar elementos que comprovaram que 92% dos depósitos efetivados em suas contas bancárias eram provenientes da atividade rural. Nenhuma outra atividade foi identificada durante o procedimento fiscal, de modo que o lançamento mais acertado, aplicável ao caso, seria o de considerar que os demais depósitos, para os quais o contribuinte não comprovou a origem, fossem também tributados como omissão de receitas da atividade rural. Neste contexto, considerando que o contribuinte comprovou a origem de 92% dos depósitos efetivados em suas contas bancárias, que todas as contas bancárias em nome do recorrente foram examinadas e que quando a origem foi identificada verificouse tratarse sempre de rendimentos provenientes da atividade rural, devese acolher a alegação do Fl. 981DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA 8 recorrente de que a totalidade dos depósitos efetivados em suas contas bancárias tenha como origem a atividade rural desenvolvida pelo contribuinte. Logo, não há que se falar em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não comprovada. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Redatora designada Fl. 982DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA
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