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Numero do processo: 13679.000215/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/1999
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212, DE 1995, E POSTERIORES.
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VIGÊNCIA DA LC
Nº 7, DE 1970.
A prevalência da legislação anterior, em face da declaração de
inconstitucionalidade da legislação que a teria revogado, não fosse a
inconstitucionalidade, não se confunde com repristinação. Em face do
princípio da anterioridade nonagesimal, os efeitos das MP nº 1.212, de 1995,
e posteriores atingiram apenas os fatos geradores ocorridos a partir de março
de 1996.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.101
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VIGÊNCIA DA LC Nº 7, DE 1970. A prevalência da legislação anterior, em face da declaração de inconstitucionalidade da legislação que a teria revogado, não fosse a inconstitucionalidade, não se confunde com repristinação. Em face do princípio da anterioridade nonagesimal, os efeitos das MP nº 1.212, de 1995, e posteriores atingiram apenas os fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13679.000215/200784 Acórdão n.º 330201.101 S3C3T2 Fl. 117 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 103 a 114) apresentado em 25 de março de 2009 contra o Acórdão no 0922.512, de 11 de fevereiro de 2009, da 2ª Turma da DRJ / JFA (fls. 98 a 100), cientificado em 05 de março de 2009, que, relativamente a pedido de restituição e declaração de compensação de Pasep dos períodos de julho de 1997 a março de 1999, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 RESTITUIÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. A ADIN 14170 declarou inconstitucional somente a parte final do art. 18 da Lei n.º 9.715/98. Solicitação Indferida O auto de infração foi lavrado em 31 de julho de 2002. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: O interessado apresentou Pedido de Restituição de PASEP relativo aos períodos de 15/08/1997 a 15/04/1999, referentes a pagamentos que teriam sido efetuados a maior (fls 01 e seguintes); Posteriormente transmitiu as DCOMP’s relacionadas à fl. 73/74, visando compensar os débitos nelas declarados, com crédito acima citado . Essas declarações foram selecionadas para tratamento manual por meio do presente processo; A DRFPoços de Caldas/MG emitiu Despacho Decisório, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa a compensação pleiteada (fls. 73 e seguintes); A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 79 e seguintes), na qual alega que: a. em função da ADIN 14170, possui crédito relativo ao período de 06/1997 a 03/1999; b. não pode ser cobrado a multa de mora, pois esta tem caráter sancionatório, o que pressupões a prática de um ilícito; [...] No recurso, a Interessada reafirmou as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13679.000215/200784 Acórdão n.º 330201.101 S3C3T2 Fl. 118 3 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase que o fundamento da manifestação de inconformidade e do recurso da Interessada é bastante confuso, tendo alegado que “da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 18 da Lei no 9.715/98 com a declaração de constitucionalidade do art. 17 da mesma lei, verificase que o alcance da decisão restringese ao período de 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996.” Entretanto, no pedido original, a Interessada argumentou que inexistiria embasamento legal para exigência da contribuição no período objeto do pedido, supostamente por que a MP no 1.212, de 1995, somente produziria efeitos a partir de sua conversão em lei. Entretanto, a ADI nº 1.471, julgada pelo Supremo Tribunal Federal, como se verá adiante, referiuse apenas à irretroatividade da MP nº 1.212, de 1995, que foi publicada em novembro de 1995 e pretendeu vigorar a partir de outubro. É necessário esclarecer o que ocorreu com a MP 1.212, de 1995, e suas reedições e com a Lei n. 9.715, de 1998. A referida Medida Provisória, de 28 de novembro de 1995, foi publicada no dia 29 de novembro no Diário Oficial da União. Apesar de publicada em novembro, trouxe, em seu art. 15, a seguinte disposição: Art. 15. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995. A parte final do dispositivo feria o princípio da irretroatividade, previsto no art. 150, III, “b”, da Constituição, pois pretendia alcançar fatos ocorridos anteriormente à data de sua publicação. Essa medida provisória foi reeditada, com alterações, sob os números 1.249, 1.286, 1.325, 1.365, 1.407, 1.447, 1.495, 1.4958, 1.4959, 1.49510, 1.49511, 1.49512, 1.49513, 1.546, 1.54615, 1.54616, 1.54617, 1.54618, 1.54619, 1.54620, 1.54621, 1.546 22, 1.54623, 1.54624, 1.54625, 1.54626, 1.62327, 1.62328, 1.62329, 1.62330, 1.62331, 1.62332, 1.62333, 1.67634, 1.67635, 1.67636, 1.67637 e 1.67638, até ser convertida na Lei n. 9.715, de 25 de novembro de 1995. O dispositivo que tratou da eficácia retroativa da norma foi reproduzido no art. 18 da Lei. Contra a reedição de número 1.325, de 09 de fevereiro de 1996, foi apresentada a ADI n. 1.417, distribuída em 5 de março de 1996. Nessa reedição, o artigo que imprimia o efeito retroativo era o 17. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13679.000215/200784 Acórdão n.º 330201.101 S3C3T2 Fl. 119 4 Na apreciação da medida cautelar, o STF decidiu suspender, até o exame do mérito da ação, o dispositivo do art. 17, unicamente por ferir o princípio da irretroatividade, conforme trecho do voto do MinistroRelator, Octávio Gallotti abaixo reproduzido: É, contudo, inegável o relevo da arguição de retroatividade da cobrança, expressamente estipulada na cláusula final do art. 17 do ato impugnado, em confronto com o princípio consagrado no art. 150, III, “a”, da Constituição. Satisfeitos os pressupostos legais à sua concessão, defiro, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender os efeitos da expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995", contida no art. 17 da Medida Provisória n° 1.325, de 9 de fevereiro de 1996 A decisão foi publicada no DOU no dia 24 de maio de 1996. Na apreciação do mérito, o STF manteve a decisão da cautelar, em acórdão publicado em 23 de março de 2001. Recordo que data de 29 de novembro de 1995 a publicação da Medida Provisória n° 1.212, ponto de partida da estirpe legiferante ininterrupta de que ora nos ocupamos, e onde já se fazia presente (art. 15) a cláusula de vigência a partir de 1° de outubro de 1995. No intuito de justificar esse efeito retroativo, aduz, às f Is. 4819, o parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, anexado às informações: “No caso ‘sub examine’, como demonstrado, a Medida Provisória n° 1.325/96 não instituiu e nem modificou a base de calculo das contribuições para o PIS/PASEP. Apenas dispôs acerca de aspectos pertinentes à incidência das referidas exações, tendo em vista a suspensão da eficácia dos Decretos leis n°s 2.445 e 2.449/88, pelo Senado Federal. Manteve as mesmas alíquotas e as mesmas bases de cálculo previstas pelas Leis Complementares 7 e 8/70. “22. A edição da MP teve por finalidade evitar que houvesse uma eventual ‘vacatio’ decorrente de uma equivocada interpretação da suspensão efetivada pelo Senado, a qual poderia ensejar a paralisação do recolhimento das contribuições, em virtude de dúvidas dos contribuintes e administradores a respeito de como recolher e calcular as multicitadas contribuições. Em não havendo instituição e nem modificação das contribuições, pela criticada Medida Provisória, não há que se cogitar em observância do prazo de 90 dias para a referida norma poder ser aplicada. “23. Por esse mesmo motivo, também carece de razão o argumento da Requerente de que haveria retroatividade da Medida impugnada e das suas antecessoras. Ora, a norma em tela imbuiuse de natureza explicativa e regulamentadora de Lei Complementar e exações já existentes, sem em nada alterálas. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13679.000215/200784 Acórdão n.º 330201.101 S3C3T2 Fl. 120 5 Assim, qual a ofensa ao Texto Constitucional praticada? Qual o prejuízo financeiro ou moral causado? ‘Permissa venia’, as alegações da Requerente são completamente vazias e despidas de fundamentação." (fls. 4819) Notese, contudo, que, em face da suspensão determinada pelo Senado Federal (Res. 4995) e decorrente da declaração de inconstitucionalidade formal pelo Supremo Tribunal dos decretosleis citados (RE 148.754), prevalece, obviamente, “ex tunc”, a invalidade da obrigação tributária questionada. Não pode, pois, a ulterior criação da contribuição, já agora pelo emprego do processo legislativo idôneo, pretender tirar partido do passado inconstitucional, de modo a dele extrair a validade do pretendido efeito retrooperante. Acolhendo o parecer e confirmando o decidido quando da apreciação da medida cautelar, julgo, em parte, procedente a ação, para declarar a inconstitucionalidade, no art. 18 da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, da expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995". A aludida alegação da Procuradoria da Fazenda Nacional baseouse no fato de a Resolução do Senado Federal n. 49, de 1995, ter sido publicada em 10 de outubro de 1995. Além dessa ADI, a matéria foi ainda apreciada pelo plenário do STF no julgamento do RE n. 232.896, distribuído em 4 de agosto de 1998. Em decisão publicada em 1º de outubro de 1999, que resultou na edição, pelo Secretário da Receita Federal, da Instrução Normativa SRF n. 6, de 2000, o STF decidiu o seguinte: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PISPASEP. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL: MEDIDA PROVISÓRIA: REEDIÇÃO. I. Princípio da anterioridade nonagesimal: C.F., art. 195, § 6º: contagem do prazo de noventa dias, medida provisória convertida em lei: contase o prazo de noventa dias a partir da veiculação da primeira medida provisória. II. Inconstitucionalidade da disposição inscrita no art. 15 da Med. Prov. 1.212, de 28.11.95 “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de lº de outubro de l995" e de igual disposição inscrita nas medidas provisórias reeditadas e na Lei 9.715, de 25.11.98, artigo 18. III. Não perde eficácia a medida provisória, com força de lei, não apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditada, por meio de nova medida provisória, dentro de seu prazo de validade de trinta dias. IV. Precedentes do STF: ADIn 1.617MS, Ministro Octavio Gallotti, "DJ" de 15.8.97; ADIn 1.610DF, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13679.000215/200784 Acórdão n.º 330201.101 S3C3T2 Fl. 121 6 Ministro Sydney Sanches; RE nº 221.856PE, Ministro Carlos Velloso, 2ª T., 25.5.98. V. R.E. conhecido e provido, em parte. Conforme trecho do MinistroRelator, Carlos Velloso, abaixo reproduzido, podese verificar que a questão da anterioridade foi apreciada no RE: O RE é de ser conhecido e provido, no ponto, em parte, simplesmente para que seja observado o princípio da anterioridade nonagesimal, contados os noventa dias a partir da veiculação da Med. Prov. n° 1.212, de 28.11.95, pelo que declaro a inconstitucionalidade da disposição inscrita no seu artigo 15 “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995.” Portanto, o RE apreciou apenas a aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal, matéria que não foi objeto de pronunciamento do Supremo Tribunal Federal na ADI n. 1.417, conforme já esclarecido. Como se vê, nas próprias decisões mencionadas, o STF reconheceu claramente a aplicação da MP nº 1.212, de 1995, a partir de março de 1996. Até aqui parece não haver divergência com o entendimento da Interessada. Entretanto, o que deve ser entendido é que a MP reeditada não apenas entra em vigor na data de sua publicação como revalida os efeitos da MP anterior. No Agravo Regimental no RE nº 332.640/RS, o STF decidiu, por unanimidade de votos, o seguinte: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDORES PÚBLICOS. VENCIMENTOS. REAJUSTE DE 47,94% PREVISTO NA LEI Nº 8.676/93. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 434/94. ALEGADA OFENSA AOS ARTS. 5º, XXXVI; E 62 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Questão já apreciada pelo STF (ADIMC 1.602, Rel. Min. Carlos Velloso), quando se reconheceu a constitucionalidade da reedição de medidas provisórias e, consequentemente, a eficácia da medida reeditada dentro do prazo de trinta dias. Reeditada a MP 434/94, conquanto por mais de uma vez, mas sempre dentro do trintídio, e, afinal, convertida em lei (Lei nº 8.880/94), não sobrou espaço para falarse em repristinação da Lei nº 8.676/93 por ela revogada e nem, obviamente, em aquisição, após a revogação, de direito nela fundado. Agravo regimental desprovido”. (DJ de 07 mar 2003, p. 40, Vol. 210103, p. 609) Tal entendimento foi confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça, que afastou a procedência de argumentação semelhante à trazida pela Interessada no recurso: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS. REPRISTINAÇÃO. NÃOOCORRÊNCIA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS NS. 2.445/88 E 2.449/88. DISTINÇÃO DE REVOGAÇÃO. LEI N. 7/70. EXIGIBILIDADE ATÉ A MP N. 1.212/95 E SUAS REEDIÇÕES. Os Decretosleis ns. 2.445/88 e 2.449/88 foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e tiveram sua eficácia suspensa pela Resolução n. 49/95 do Senado Federal. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13679.000215/200784 Acórdão n.º 330201.101 S3C3T2 Fl. 122 7 Tal entendimento somente poderá ser aplicado até o início da vigência da Medida Provisória n. 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições. Impõese considerar que, nãoobstante as resoluções impugnadas não sejam válidas em face da Lei Complementar n. 7/70, esta, por outro lado, tem plena aplicação. Os Decretosleis ns. 2.445 e 2.449/88 não revogaram a Lei Complementar n. 7/70, portanto não ocorre repristinação. Houve declaração de inconstitucionalidade, o que acarreta a nulidade da norma e gera efeitos ex tunc. Precedentes. Recurso especial improvido. (REsp 512271 / PR, Relator: Ministro FRANCIULLI NETTO, 2ª Turma, Data do Julgamento: 15 fev 2005, DJ 02 mai 2005, p. 276.) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI, EM CONTROLE CONCENTRADO. SUSPENSÃO DOS DISPOSITIVOS PELO SENADO. EFICÁCIA EX TUNC. INAPTIDÃO DA LEI INCONSTITUCIONAL PARA PRODUZIR QUAISQUER EFEITOS. INOCORRÊNCIA DE REVOGAÇÃO. DISTINÇÃO ENTRE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E REVOGAÇÃO DE LEI. PIS. EXIGIBILIDADE NOS MOLDES DA LC 7/70 ATÉ MARÇO/1996, A PARTIR DE QUANDO COMEÇA A VIGORAR A SISTEMÁTICA PREVISTA NA MP 1.212/95. 1. O vício da inconstitucionalidade acarreta a nulidade da norma, conforme orientação assentada há muito tempo no STF e abonada pela doutrina dominante. Assim, a afirmação da constitucionalidade ou da inconstitucionalidade da norma, tem efeitos puramente declaratórios. Nada constitui nem desconstitui. Sendo declaratória a sentença, a sua eficácia temporal, no que se refere à validade ou à nulidade do preceito normativo, é ex tunc. 2. A revogação, contrariamente, tendo por objeto norma válida, produz seus efeitos para o futuro (ex nunc), evitando, a partir de sua ocorrência, que a norma continue incidindo, mas não afetando de forma alguma as situações decorrentes de sua (regular) incidência, no intervalo situado entre o momento da edição e o da revogação. 3. A nãorepristinação é regra aplicável aos casos de revogação de lei, e não aos casos de inconstitucionalidade. É que a norma inconstitucional, porque nula ex tunc, não teve aptidão para revogar a legislação anterior, que, por isso, permaneceu vigente. 4. No caso dos autos, a suspensão da execução dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88, em razão do reconhecimento de sua inconstitucionalidade pelo STF, faz com que não tenham essas leis jamais sido aptas a realizar o comando que continham, permanecendo a sistemática de recolhimento do PIS, estabelecida na Lei Complementar 7/70, inalterada até março de 1996, quando passou a produzir efeito a MP 1.212/95 (ADIn 1.4170/DF, Pleno, Min. Octávio Gallotti, DJ de 23.03.2001). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13679.000215/200784 Acórdão n.º 330201.101 S3C3T2 Fl. 123 8 5. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 587518 / PR, Relator: Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, 1ª Turma, Data do Julgamento: 04 mar 2004, DJ 22 mar 2004, p. 254, RSTJ vol. 183, p. 141.) Portanto, em não existe direito de crédito. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10845.002138/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
INADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO DE EFETUAR A RETENÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE FATURAS DE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIDAS EM NOME DO TOMADOR DE SERVIÇOS. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NA
EMPRESA PRESTADORA.
Ao deixar de reter as contribuições incidentes sobre as faturas de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, a empresa contratante passa a responder pelo tributo não retido, independentemente de fiscalização prévia no prestador.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. COLOCAÇÃO DE TRABALHADORES À DISPOSIÇÃO DO CONTRATANTE. NECESSIDADE PERMANENTE, CARACTERIZAÇÃO.
A colocação de trabalhadores à disposição do contratante, em suas
dependências ou na de terceiros por ele designados, para execução de atividades que se constituam em necessidade permanente do tomador, é suficiente para caracterizar a ocorrência de cessão de mão de obra, independentemente da comprovação de que os obreiros estivessem subordinados ao contratante.
COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIDAS PELA TOMADORA. APRESENTAÇÃO DE GUIAS GENÉRICAS RECOLHIDAS PELA PRESTADORA. NÃO ACATAMENTO.
Não se prestam a comprovar o recolhimento das contribuições não retidas pelo tomador de serviços realizados mediante cessão de mão de obra as guias genéricas recolhidas em nome da prestadora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.837
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIDAS EM NOME DO TOMADOR DE SERVIÇOS. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NA EMPRESA PRESTADORA. Ao deixar de reter as contribuições incidentes sobre as faturas de prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, a empresa contratante passa a responder pelo tributo não retido, independentemente de fiscalização prévia no prestador. CESSÃO DE MÃODEOBRA. COLOCAÇÃO DE TRABALHADORES À DISPOSIÇÃO DO CONTRATANTE. NECESSIDADE PERMANENTE, CARACTERIZAÇÃO. A colocação de trabalhadores à disposição do contratante, em suas dependências ou na de terceiros por ele designados, para execução de atividades que se constituam em necessidade permanente do tomador, é suficiente para caracterizar a ocorrência de cessão de mãodeobra, independentemente da comprovação de que os obreiros estivessem subordinados ao contratante. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIDAS PELA TOMADORA. APRESENTAÇÃO DE GUIAS GENÉRICAS RECOLHIDAS PELA PRESTADORA. NÃO ACATAMENTO. Não se prestam a comprovar o recolhimento das contribuições não retidas pelo tomador de serviços realizados mediante cessão de mãodeobra as guias genéricas recolhidas em nome da prestadora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10845.002138/200821 Acórdão n.º 240101.837 S2C4T1 Fl. 951 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 883/924, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Previdenciária em Santos (SP), fls. 870/879, que declarou procedente o crédito previdenciário consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n. 35.558.6266. O lançamento foi motivado pela suposta falta de cumprimento da obrigação legal pela empresa tomadora de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada de reter 11% (onze por cento) do valor dos serviços contidos em faturas, notas fiscais ou recibos de mãodeobra, recolhendo a citada contribuição em nome da empresa prestadora. Nos termos do Relatório Fiscal, fls. 57/61, débito foi apurado através da contabilidade do sujeito passivo em confronto com os contratos de prestação de serviços realizados entre a empresa tomadora (a notificada) e as empresas prestadoras Clawin Empreendimentos Comerciais e Esportivos Ltda e C.A.P. — Consultoria, Assessoria e Planejamento Sociedade Civil Ltda, sendo que nos itens 8 a 17 do relato do Fisco foram descritos pela Autoridade Fiscal Notificante os traços caracterizadores da cessão de mãode obra. A empresa apresentou impugnação, fls. 76/107, na qual inicialmente argüiu a sua condição de entidade beneficente de assistência social. Depois passa a questionar o lançamento afirmando que o Fisco deveria ter chamado ao polo passivo todos os demais responsáveis pelo crédito. Alega ainda a inexistência de cessão de mãodeobra na espécie e o fato de ter efetuado contrato com as prestadoras estabelecendo que estas assumiriam os encargos previdenciários, como de fato o fizeram, conforme comprova através dos documentos acostados. A DecisãoNotificação emitida pela Delegacia da Receita Previdenciária foi assim ementada: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra deve reter e recolher em nome da empresa cedente da mãodeobra. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados ou não com a atividade—fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, consoante art. 31, § 30 da Lei 8.212/91, com a alteração da Lei 9.711/98, sendo que, tais traços caracterizados da cessão de mãodeobra restaram perfeitamente caracterizados nos contratos de prestação de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 serviços estabelecidos entre a empresa contratante, ora empresa notificada, e as empresas contratadas. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Inconformada, a instituição interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a pessoa física arrolada na relação de corresponsáveis pelo débito detém legitimidade para interpor recurso voluntário; b) o recorrente está dispensado de efetuar o depósito para garantida de instância; c) tendose em conta a existência de responsabilidade solidária, deveriam os demais responsáveis serem chamados para integrar a lide; d) no lançamento não estão suficientemente demonstrados os traços característicos da existência de prestação de serviço na modalidade cessão de mãodeobra. Ao final pede o conhecimento do recurso e o seu total provimento. É relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10845.002138/200821 Acórdão n.º 240101.837 S2C4T1 Fl. 952 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e a legitimidade, embora a peça tenha sido impetrado pela Presidente da entidade, deve ser acatada em face do princípio do formalismo moderado, aplicável ao processo administrativo fiscal. Quanto à exigência do depósito recursal, esta não mais é aplicável em razão de mudança legislativa. Da necessidade de chamamento ao processo das empresas prestadoras de serviço Não é cabível a empresa notificada alegar que o fisco deveria, antes de lhe exigir a contribuição não retida, examinar a regularidade fiscal das prestadoras. A obrigação de efetuar o desconto das faturas de cessão de mãodeobra independe de qualquer comportamento da empresa contratada. Ainda que essa não efetue o destaque da retenção na nota fiscal, não está a contratante desobrigada de cumprir com esse dever, quando diante de concretização da hipótese legal da retenção. Sobre essa questão merece ser citada a norma inserta no art. 33, § 5°, da Lei n. 8.212/19911, segundo a qual o desconto legalmente previsto sempre se presume feito oportuna e regularmente, ficando responsável pelo recolhimento das contribuições quem tinha o dever de realizálo. Assim, não se pode aceitar o argumento da notificada de que a empresa prestadora efetuou os recolhimentos devidos à Previdência Social para fugir da responsabilidade de efetuar e recolher o percentual de 11%, incidente sobre as faturas de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. É cediço que o instituto da retenção surgiu para facilitar a arrecadação e fiscalização tributária, desse modo, se o fisco tivesse que diligenciar antes na empresa contratada, para somente depois acionar a contratante, a nova técnica de arrecadação nada teria acrescentado em relação à sistemática da responsabilidade solidária, o que é seria um contra senso. Não é demais lembrar que já está pacificado o entendimento nessa corte administrativa de que não é necessário que se faça prévia auditoria ou mesmo que se cientifique a empresa prestadora do procedimento fiscal para apuração de créditos decorrentes da falta de retenção de contribuições incidentes sobre notas fiscais/faturas de prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra. Da inexistência da prestação de serviços por cessão de mãodeobra 1 Art. 33 (...) §5. O desconto de Contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se pres unie: feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para Se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Não devo concordar com a tese da nulidade do lançamento em razão da falta de caracterização pelo fisco da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Nos termos do relato do Fisco a empresa Clawin Empreendimentos Comerciais e Esportivos Ltda atuava na Academia Unimonte, de propriedade da notificada, prestando serviço nas atividades de secretaria, expediente, manutenção, treinamento e ensino os quais são de necessidade contínua da contratante. Tais constatações foram obtidas do contrato de prestação de serviço firmado pelas empresas, fls. 68/71. Do instrumento de contrato com a empresa C.A.P. — Consultoria, Assessoria e Planejamento Sociedade Civil LTDA, exsurgem nitidamente os traços característicos da prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra. Eis as atividades ali presentes: a) concepção e lançamento dos cursos; b) divulgação destes lançamentos: c) contração tempestiva, em nome do Centro Universitário Monte Serrat, de professores, mestres e doutores, que atuarão no desenvolvimento dos cursos; d) contratação e manutenção, em seu próprio nome, dos funcionários auxiliares da administração contratada; e) organização e implantação dos controles internos, de secretaria, de tesouraria, administrativos etc, dos .cursos em andamento; f) atendimento, em nome da Unimonte, das solicitações e exigências feitas por órgãos públicos ou autoridades fiscais; g) controle e cobrança das mensalidades dos alunos matriculados, diretamente ou através banco e demais atividades ou ações para o bom desempenho das obrigações assumidas. Nos termos do § 3. do art. 31 da Lei n. 8.212/1991, que abaixo transcreverei não tenho dúvidas que nos dois contratos estavam presentes os requisitos caracterizadores da cessão de mãodeobra, senão vejamos: Art. 31. (..) §3°Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) A realização de serviços contínuos é inquestionável, uma vez que a manutenção da academia de ginástica, bem como dos cursos de pósgraduação, são inegavelmente necessidades contínuas da contratante. Os autos também demonstram a ocorrência de colocação de trabalhadores à disposição da contratante nas suas dependências Assim, verifico que houve sim a execução de serviços mediante cessão de mãodeobra e que tal fato foi amplamente demonstrado pelo Fisco. Da comprovação do recolhimento das contribuições Sobre esse tema, reservome ao direito de citar excerto da decisão da SRP que enfatiza que as guias colacionadas aos autos não se prestam a comprovar o recolhimento das contribuições ora exigidas: 12. Ademais, há que se ressaltar que foram juntadas na peça de defesa as Guias da Previdência SocialGPS das empresas contratadas, ou seja, prestadoras de serviços, com o código 2100, que se refere às contribuições normais da empresa, sendo que na retenção a importância retida deve ser recolhida pela empresa contratante, em Guia da Previdência socialGPS identificada com o CNPJ da empresa contratada e com sua Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10845.002138/200821 Acórdão n.º 240101.837 S2C4T1 Fl. 953 7 razão social seguida da razão social da empresa contratante, nos termos do art. 108 da IN INSS/DC n.° 70/2002, sendo tal Guia identificada com o código 2631 — "contribuição retida sobre a NF/Fatura da empresa prestadora de serviço CNPJ/MF" (OS/INSS/DAF 205/99).Assim, é com tais Guias que se comprova o recolhimento do valor retido, as quais não restaram juntadas nos autos. Diante dessa constatação e da não apresentação de elementos que pudessem se contrapor às conclusões do órgão a quo, tenho que concordar com esse quanto à impossibilidade de se acatar a alegação recursal da comprovação de quitação da contribuição lançada. Conclusão Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso, negandolhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000065/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 28/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.120
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade concedido provimento parcial nos termos do voto do Relator. Foi reconhecida a decadência parcial, bem como a retirada de valores relativos à UNIMED. Além do mais, a multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente TILIBRA PRODUTOS DE PAPELARIA LTDA Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade concedido provimento parcial nos termos do voto do Relator. Foi reconhecida a decadência parcial, bem como a retirada de valores relativos à UNIMED. Além do mais, a multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 190DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15889.000065/200840 Acórdão n.º 230201.120 S2C3T2 Fl. 170 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a autuada não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 1999 a agosto de 2007. Não foram informados contribuintes individuais, remuneração de diretores não empregados, valores pagos a cooperativas de trabalho UNIMED, conforme relatório às fls. 15 a 21. Inconformada a autuada apresentou impugnação na forma das fls. 28 a 59. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto exarou decisão, fls. 87 a 92, mantendo a autuação em sua integralidade. Não concordando com a decisão emitida pelo órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, fls. 100 a 124. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • É possível a análise de inconstitucionalidade na esfera administrativa; • Não é possível a autuação sobre os valores pagos a UNIMED em vista de decisão liminar; • Parte do lançamento já foi atingida pela decadência; • As contribuições lançadas por solidariedade partiram de presunção de que os recolhimentos não ocorreram por parte dos respectivos prestadores; • O julgamento deve ser convertido em diligência de modo a apurar a existência ou não do pagamento pelos prestadores de serviços. • A multa cobrada possui efeito confiscatório; • É inconstitucional a aplicação da taxa Selic. • Requerendo a improcedência do auto de infração. Às fls. 127 a 131, a requerente solicita a aplicação da Súmula Vinculante de n º 8 do STF. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. Decisão proferida pela 1ª Turma da 3ª Câmara converteu o julgamento em diligência, fls. 139 a 145. A Procuradoria da Fazenda em Bauru deveria informar qual a repercussão da decisão judicial nos presentes autos: se a demanda judicial proposta pela Fl. 191DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 UNIMED gerou efeitos em relação a requerente; se ainda persistem os efeitos, em que momento foi concedida a antecipação de tutela; se houve trânsito em julgado favorável a UNIMED. A Procuradoria da Fazenda prestou informações às fls. 153 a 155. Cientificada do resultado da diligência, a autuada manifestouse às fls. 160 a 165. É o relato suficiente. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15889.000065/200840 Acórdão n.º 230201.120 S2C3T2 Fl. 171 5 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso é tempestivo, conforme fl. 126; pressuposto de admissibilidade superado passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Contudo, em se tratando de lançamento de ofício para aplicar penalidade pecuniária, previsto no art. 149, inciso V do CTN, há que se observar sempre a regra prevista no art. 173 do CTN, incluindo o parágrafo único desse artigo. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte. No presente caso o lançamento foi efetuado em 28 de dezembro de 2007, fl. 01, pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2001, inclusive esta. A competência dezembro de 2001 não decaiu, pois a GFIP somente poderia ser exigida após o vencimento, ou seja em 7 de janeiro de 2002; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2003, a qual findaria em 1o de janeiro de 2008. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Quanto ao argumento de que não seria possível a autuação sobre os valores pagos a UNIMED em vista de decisão liminar; assiste razão à recorrente. Após conversão do julgamento em diligência, a Procuradoria manifestouse às fls. 153 a 156 informando que: o juiz de primeira instância retratandose de decisão anterior, proferiu uma nova para deferir a antecipação da tutela, "declarando a inexistência de relação jurídica e de decorrente dever jurídicotributário que possa fluir da contribuição social instituída pelo artigo 22, inciso IV da Lei n. 8.212/91. A autora ingressou com ação pedindo ao Judiciário que "declare a inexistência de relação jurídica e de decorrente dever jurídicotributário que pudesse decorrer da contribuição social instituída pelo artigo 22, inciso IV, da Lei n. 8.212/91 e no referente os seus contratos mantidos enquanto operadora de planos de privados de seguro saúde. Assim, de acordo com as informações prestadas a UNIMED possuía decisão judicial que lhe ampara o direito de em seus contratos não sofrer a incidência da contribuição. Logo, não sendo possível a tributação, não poderia ser exigida a apresentação de GFIP pela autuada contendo os respectivos valores, em virtude da decisão judicial. Até o presente momento a decisão judicial permanece com os efeitos. No presente auto de infração não estão sendo cobradas contribuições lançadas por solidariedade. Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. Não estão sendo cobrados valores referentes a taxa Selic na presente autuação. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração Fl. 194DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15889.000065/200840 Acórdão n.º 230201.120 S2C3T2 Fl. 172 7 ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15889.000065/200840 Acórdão n.º 230201.120 S2C3T2 Fl. 173 9 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. Reconheço a decadência parcial, bem como a retirada de valores relativos à UNIMED. Além do mais, a multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 197DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Fl. 198DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 35564.005334/2006-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da
Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
BOLSA DE ESTUDO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO PARCELA
REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.907
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Quanto à preliminar de decadência foi concedido provimento parcial nos termos do voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicar-se o art. 150, paragrafo 4 do CTN. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento referente aos cursos de capacitação profissional por maioria anulou-se o levantamento nos termos do voto da Conselheira Liege Lacroix Thomasi, vencidos os Conselheiros Marco André Ramos Vieira e Arlindo da Costa e Silva que votaram por negar provimento ao recurso nesse ponto. Quanto aos cursos de ensino superior foi negado provimento por unanimidade.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente SANTA CONSTANCIA TECELAGEM LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Fl. 493DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 BOLSA DE ESTUDO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO PARCELA REMUNERATÓRIA. INCIDËNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Quanto à preliminar de decadência foi concedido provimento parcial nos termos do voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4 do CTN. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento referente aos cursos de capacitação profissional por maioria anulouse o levantamento nos termos do voto da Conselheira Liege Lacroix Thomasi, vencidos os Conselheiros Marco André Ramos Vieira e Arlindo da Costa e Silva que votaram por negar provimento ao recurso nesse ponto. Quanto aos cursos de ensino superior foi negado provimento por unanimidade. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Liege Lacroix Thomasi – Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 494DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35564.005334/200672 Acórdão n.º 230200.907 S2C3T2 Fl. 418 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros, sobre a remuneração paga a título de bolsa de estudos em desacordo com a legislação previdenciária, conforme relatório fiscal às fls. 92 a 93. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 100 a 138. Foi exarada a DecisãoNotificação, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 273 a 290. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 295 a 338. Em síntese, a recorrente alega o seguinte: a) É inexigível o depósito recursal; b) Parte do lançamento já foi extinta pela decadência; c) As verbas pagas não possuem natureza jurídica de salário; d) Não pode a legislação previdenciária alterar o conceito jurídico de salário; e) as atividades desenvolvidas pelos beneficiários de bolsas de estudo pagas pela Recorrente guardam estreita relação com as atividades por eles desenvolvidas na empresa; f) É indevida a contribuição para o Salárioeducação; g) É indevida a contribuição para o SAT; h) Não pode ser cobrado o INCRA de empresa urbana; i) Não cabe a cobrança de Sebrae; j) É indevida a aplicação da taxa Selic; k) A multa aplicada é confiscatória; l) Requerendo provimento ao recurso interposto. A unidade da Receita Previdenciária apresenta contrarazões às fls. 415 e 416 pugnando pela manutenção do lançamento fiscal. É o relato suficiente. Fl. 495DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Vencido Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 414. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar suscitada pela recorrente, na peça recursal, de que o lançamento já fora atingido pela decadência, razão lhe confiro em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi realizado, sendo necessário o lançamento de ofício. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. A obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de novembro de 2000 a junho de 2006. O lançamento foi realizado em 22 de setembro de 2006, fl. 01. Seguindo a interpretação da 1a Seção do STJ (Recurso Especial n 973.733, cuja ementa foi divulgada no DJe de 18/09/2009) contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Fl. 496DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35564.005334/200672 Acórdão n.º 230200.907 S2C3T2 Fl. 419 5 Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2000, inclusive esta. A competência dezembro de 2000 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2001; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1o de janeiro de 2002, a qual findaria em 1o de janeiro de 2007. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 497DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 498DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35564.005334/200672 Acórdão n.º 230200.907 S2C3T2 Fl. 420 7 n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 499DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Os documentos acostados às fls. 151 a 182 demonstram que a maior parte das bolsas referiamse a curso de ensino superior. A verba relativa ao ensino superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei n ° 8.212/1991, senão veja: O que não integra o salário de contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Assim dispõe a referida lei, nestas palavras: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Como se depreende da simples análise do art. 21 acima transcrito, a educação superior não se confunde com a básica. Dessa forma, curso de capacitação profissional também não se confunde com curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária. Concluise portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Desse modo, caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente ao plano de ensino superior teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não foi realizado. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme demonstrado. Apenas a título de argumento, mesmo que se entendesse de forma diferente, e fosse concluído que a Lei n ° 10.243 poderia excluir parcela do campo de incidência de contribuição previdenciária, esta lei não poderia retroagir. Caso prevaleça a tese de se conferir efeitos retroativos à Lei n ° 10.243/2001, iriam se ferir os princípios da isonomia e da legalidade, senão veja: o contribuinte que seguiu a norma então vigente, está em desvantagem Fl. 500DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35564.005334/200672 Acórdão n.º 230200.907 S2C3T2 Fl. 421 9 em relação ao que nada pagou. E mais, a prevalecer o entendimento de retroação da interpretação, aquele que pagou contribuições previdenciárias possuiria direito à restituição. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de educação superior possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Como visto, é despicienda a análise de extensão a todos os segurados da empresa, pois a verba relativa a ensino superior integrará em qualquer hipótese o saláriode contribuição. Agora, mesmo que essa Câmara entendesse o contrário, no presente caso, a verba não foi estendida a todos os empregados e dirigentes da recorrente, violando o dispositivo legal. Desse modo, em relação aos cursos fornecidos pelo Senai, bem como os demais cursos, fls. 384 a 386, haverá a incidência pelo fato de não ter sido estendido a todos os empregados. Não cabe o argumento de que o art. 458 da CLT não exige que a parcela seja estendida a todos os segurados da empresa. Nesse mesmo artigo, há previsão para não integração ao salário da verba previdência privada, também sem qualquer ressalva. Este Colegiado nunca aceitou a não incidência de contribuição previdenciária se a verba previdência privada não fosse estendida a todos os segurados da empresa, em virtude de o art. 28, § 9º alínea “p” da Lei n ° 8.212/1991, exigir a extensão do benefício. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento para o período não decadente. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, chegando ao ponto de o STF ter publicado o verbete de Súmula de n ° 732, nestas palavras: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. A legislação que lastreia a cobrança da contribuição social do Salário educação encontrase discriminada às fls. 122. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em ralação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Fl. 501DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 502DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35564.005334/200672 Acórdão n.º 230200.907 S2C3T2 Fl. 422 11 § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da Fl. 503DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal, fls. 49 a 52, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Fl. 504DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35564.005334/200672 Acórdão n.º 230200.907 S2C3T2 Fl. 423 13 União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Em relação às contribuições destinadas ao Sebrae as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Fl. 505DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 506DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35564.005334/200672 Acórdão n.º 230200.907 S2C3T2 Fl. 424 15 Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Fl. 507DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Não possui natureza de confisco a exigência da multa pelo atraso, tendo previsão expressa no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. É bem verdade que o art. 35 da Lei n º 8.212 foi alterado por meio da Medida Provisória n º 449, tendo, inclusive, sido acrescentado o art. 35A à Lei n º 8.212. Assim, a partir da MP n º 449, convertida na Lei n º 11.941, há que se diferenciar se os valores constaram ou não em lançamento de ofício. Se não houver lançamento de ofício e o contribuinte recolher espontaneamente os valores devidos aplicase a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212, caso os valores tenham sido apurados por meio de lançamento de ofício, aplicase o disposto no art. 35A da Lei 8.212. In casu, os valores constam em lançamento de ofício, e para os contribuintes que não declararam em GFIP, o regime jurídico novo ficou mais gravoso. Atualmente, para esses casos, deve ser observada a multa prevista no art. 44 da Lei n º 9.430 de 1996, que prevê aplicação de multa de no mínimo 75%. Desse modo, foi correta a aplicação da multa pelo órgão fazendário, não cabendo alteração do lançamento. Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo que parte do lançamento já foi atingida pela decadência. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 508DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35564.005334/200672 Acórdão n.º 230200.907 S2C3T2 Fl. 425 17 Voto Vencedor Conselheira Liege Lacroix Thomasi – Redatora Designada Acolho, integralmente o voto do relator quanto à preliminar e no mérito, apenas divirjo quanto ao levantamento relativo aos cursos de capacitação e qualificação profissional. Pelo exposto no relatório fiscal, item 4, fl.92, entendo que não ficou demonstrado que o valor pago a título de abono para o custeio de cursos de capacitação e qualificação profissional se configure efetivamente em salário de contribuição, pois o fisco não trouxe elementos que evidenciassem que não se tratava de capacitação profissional, que não estivessem vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa e de não ter sido oferecido a todos os segurados, na forma como disposto na legislação. O relatório se limita a dizer que a legislação não foi obedecida. Ocorre que a defesa acostou documentos (fls. 156/158, 164, 165, 174/176, comprovando, ainda que por amostragem, que alguns pagamentos efetuados, na verdade, se referiam a cursos de capacitação ou qualificação profissional relativos a área onde os beneficiários desenvolviam suas atividades. Assim, entendo que o relatório fiscal foi deficiente, não trazendo elementos de convicção quanto ao levantamento citado, para que os valores recebidos a este título pudessem de fato compor o salário de contribuição. Quanto ao mérito, para a constituição de crédito tributário, determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25/10/66, que deve ser verificada a ocorrência do fato gerador e determinada a matéria tributada. O fato gerador da obrigação principal é definido pelo artigo 114 da mesma lei como “a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência”. E, para que se considere o fato gerador ocorrido devem estar presentes as circunstâncias materiais necessárias para surgimento da obrigação tributária. É a redação do artigo 116 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Fl. 509DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 A verificação das circunstâncias materiais do fato gerador do tributo é parte essencial do procedimento administrativo de lançamento. Nesse sentido têm sido os pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social: PARECER/CJ Nº 1.747/99 REFERÊNCIA: NFLD nº 32.145.697 1. INTERESSADO: Editora O Dia LTDA. ASSUNTO: Notificação Fiscal. EMENTADIREITO PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO RELATÓRIO FISCAL CLAREZA E PRECISÃO DOS FATOS GERADORES. A omissão da discriminação clara e precisa dos fatos geradores que ensejaram na Notificação Fiscal quando da elaboração do relatório gera vício insanável, acarretando a nulidade do ato. Avocatória conhecida por infringência de dispositivo legal. AVOCATÓRIA MINISTERIAL REFERÊNCIA: NFLD nº 32.145.6971. INTERESSADO: EDITORA O DIA LTDA. EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO RELATÓRIO FISCAL CLAREZA E PRECISÃO DOS FATOS GERADORES. A omissão da discriminação clara e precisa dos fatos geradores que ensejaram na Notificação Fiscal quando da elaboração do relatório gera vício insanável, acarretando a nulidade do ato. Avocatória conhecida por infringência de dispositivo legal. Decisão Visto o processo em que é interessada a parte acima indicada. Com fundamento no Parecer/CJ/Nº 1747/99 da Consultoria Jurídica deste Ministério, que aprovo, avoco o presente processo para anular a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 32.145.6971 emitida contra a Editora O Dia Ltda., e determinar a realização de nova fiscalização. Publiquese. Brasília, 19 de maio de 1999. WALDECK ORNÉLAS Ministro da Previdência e Assistência Social A simples descrição da existência do benefício não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção do fato à regra de incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal a fim de possibilitar as garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Violálas contamina o ato administrativo de lançamento com vício insuscetível de convalidação. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. Fl. 510DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35564.005334/200672 Acórdão n.º 230200.907 S2C3T2 Fl. 426 19 A autarquia tem o dever de expor os motivos pelos quais está praticando o ato de lançamento fiscal. Nesse sentido , assevera o artigo 50, caput e inciso II da Lei n. 9.784/99: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: ... II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;” A legislação em apreço insculpiu princípio paulatinamente defendido pela doutrina pátria, de que o ato administrativo, além de legalmente fundamentado, deve ser motivado. Leciona o professor Hely Lopes Meirelles em Direito Administrativo Brasileiro, Melhores Editores São Paulo, 2003, p.149: “O motivo ou causa é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato administrativo.” Ainda continua nas páginas 193/194: “A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato e por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. (...)” “Por aí se concluiu que, quer quando obrigatória, quer quando facultativa, se for feita, a motivação atua como elemento vinculante da Administração aos motivos declarados como determinantes do ato.Se tais motivos são falsos ou inexistentes, nulo é o ato praticado.” Ademais, em se tratando de lançamento fiscal, o artigo 142 do Código Tributário Nacional não deixa dúvidas de que a motivação se refere à verificação pelo agente fiscal da ocorrência do fato gerador. O contencioso administrativo no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelo Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972 e mais especificamente, no caso das contribuições sociais de que tratam os artigos 2° e 3° da Lei n.° 11.457, de 16 de março de 2007, pela Portaria RFB n.° 10.875, de 16 de agosto de 2007. Em ambos diplomas legais, nos artigos 59, inciso II e 27, inciso II, respectivamente, está disposto que são nulos “os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direto de defesa” (grifei) Pelo exposto, não é possível, com base nas informações trazidas no relatório fiscal, concluir se os valores pagos para o custeio dos cursos profissionalizantes de capacitação ou qualificação, se revestem das características de salário de contribuição, fato este determinante para o lançamento de débito na presente NFLD. Fl. 511DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Um dos princípios que sustenta o processo administrativo fiscal é o da verdade material e, por este princípio, o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração do crédito. Portanto, a conduta da autoridade fiscal, em prol da verdade material, deve proceder no sentido de verificar se a hipótese abstratamente prevista na norma de direito material, efetivamente ocorreu. Assim, entendo que no procedimento da fiscalização e na formalização do lançamento não foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, pois não houve a descrição do fato, de forma a se evidenciar que os valores foram pagos em desacordo com a norma legal, caracterizando o salário de contribuição. A falta de clareza quanto à existência do fato gerador, impõe a anulação do lançamento por vício formal, já que descumprido o artigo 10, inciso III, do Decreto n.º 70.235/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Por todo o exposto, Voto pela anulação do levantamento relativo aos cursos de capacitação e qualificação profissional, pela existência de vício formal por descumprimento do artigo 10 do Decreto n.º 70235/72. Liege Lacroix Thomasi Fl. 512DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/03/201 1 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15582.000339/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2000 a 30/11/2005
AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR
DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE
SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO
Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações
pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço.
SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO
O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo
pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
REMUNERAÇÃO CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo
empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades,
provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de
trabalho.
HABITUALIDADE
O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando
implementada a condição para seu recebimento retiralhe
o caráter da
eventualidade, tornandoo
habitual.
GRADAÇÃO DA MULTA POR DOLO, FRAUDE OU MÁFÉ
INOCORRÊNCIA.
Não cabe a gradação da multa com fundamento no art. 290, II, do RPS
quando não restar comprovado, nos autos, que o contribuinte tenha agido
com dolo, fraude ou máfé.
O entendimento da empresa de que a verba paga não possui natureza salarial
não configura dolo ou fraude.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, [ I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para retificar a penalidade aplicada, retirando-se a gradação prevista no inciso II, do art. 292, do Decreto 3.048/1999, nos termos do voto da
Relatora; e b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões argüidas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora.Tabela de Resultados.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/11/2005 AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. GRADAÇÃO DA MULTA POR DOLO, FRAUDE OU MÁFÉ INOCORRÊNCIA. Não cabe a gradação da multa com fundamento no art. 290, II, do RPS quando não restar comprovado, nos autos, que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou máfé. O entendimento da empresa de que a verba paga não possui natureza salarial não configura dolo ou fraude. Recurso Provido em Parte.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/11/2005 AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. GRADAÇÃO DA MULTA POR DOLO, FRAUDE OU MÁFÉ INOCORRÊNCIA. Não cabe a gradação da multa com fundamento no art. 290, II, do RPS quando não restar comprovado, nos autos, que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou máfé. O entendimento da empresa de que a verba paga não possui natureza salarial não configura dolo ou fraude. Recurso Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [ I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para retificar a penalidade aplicada, retirandose a gradação prevista no inciso II, do art. 292, do Decreto 3.048/1999, nos termos do voto da Relatora; e b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões argüidas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora.Tabela de Resultados] Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Edgar Silva Vidal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15582.000339/200764 Acórdão n.º 230101.943 S2C3T1 Fl. 261 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 25/10/2006, por ter deixado a empresa acima identificada de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso I e § 9o, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 13 a 16), a empresa deixou de incluir, em folhas de pagamento, parte das remunerações de segurados que lhe prestaram serviços. Conforme Relatório Fiscal da Multa Aplicada (fls. 17/18), foi aplicada a penalidade prevista no art. 283, I, “a” , agravada na forma do art. 292, II e III, tendo em vista a ocorrência das circunstâncias agravantes previstas no art. 290, II e V, todos do Decreto 3.048/99. A autoridade autuante informa que a empresa remunera os segurados a seu serviço por meio da entrega de cartões de premiação, intermediada pela empresa administradora do programa, Incentive House S/A, e não registrou essa remuneração nas folhas de pagamento. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN 07.401./ 0539 /2006 (fls. 179 a 187), julgou a autuação procedente. Inconformada com a decisão, a autuada, apresentou recurso tempestivo (fls. 191), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. Inicialmente, reitera o entendimento de que não incide contribuição social sobre o creditamento de remuneração não habitual aos segurados empregados. Assevera que o quanto creditado a título de incentivo as vendas não compõe a grandeza dimensível da hipótese de incidência da contribuição social, uma vez que tal parcela, muito embora remuneratória, não é creditada habitualmente aos segurados empregados da recorrente. Traz o conceito de habitualidade para concluir que o creditamento de valores por produção em comento não se trata de remuneração habitual, justamente pelo fato de não integrarem as cláusulas do contrato individual de trabalho, já que constituise fruto de situação eventual (campanha de venda), e desde que diante da ocorrência do cumprimento de situação sujeita a evento incerto (alcance de metas). Esclarece que os prêmios por produções somente são instituídos por liberalidade da recorrente e de seus fornecedores, não atendendo qualquer habitualidade anual ou observada qualquer outra periodicidade específica. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 Detalha a regra matriz de incidência tributária das contribuições sobre o creditamento de remuneração aos contribuintes individuais que prestam serviços a empresa, para afirmar que a recorrente não pode figurar como tomadora dos serviços dos contribuintes individuais justamente pelo fato de que a recorrente toma serviços da sociedades empresariais que atuam no ramo de representação comercial. Informa que a sociedade INCENTIVE HOUSE, ao invés de creditar os prêmios às sociedades representantes comerciais, regulamente constituídas, fazia o creditamento dos valores em nome dos gerentes dessas sociedades, em que pese o fato de tal parcela remuneratória ser devida à empresa representante comercial, e não aos seus gerentes, motivo pelo qual, muito embora se afigure contabilmente como creditamento de valores a contribuintes individuais, deveras significa creditamento de valores às sociedades empresariais representantes comerciais da ora recorrente. Afirma que tanto o texto constitucional como a lei são categóricos em afirmar que a empresa, sujeito passivo da contribuição previdenciária, só pode figurar como contribuinte quando toma os serviços de pessoas físicas, o que não ocorreu no presente caso, já que a recorrente não contrata a prestação dos serviços de representação com qualquer gerente de sociedade empresarial, mas, em verdade, tal acordo é celebrado com a própria sociedade de representação comercial. Entende que não é devida qualquer contribuição pela recorrente, seja na qualidade de contribuinte por tomar serviços de contribuinte individual, seja na qualidade de responsável tributário pela retenção da contribuição devida na contratação de serviços com cessão de mão de obra. Alega ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição ao SAT, ao Salário Educação, ao INCRA, e da utilização da taxa SELIC para fins tributários. Insurgese contra a multa aplicada, argumentando que a recorrente não infringiu a legislação previdenciária, ressaltando que não agiu com qual quer dolo ou no intuito de fraudar a arrecadação da. Previdência Social. Requer, por fim, que o recurso seja admitido e que seja declarado, ao final, a improcedência da autuação, cancelandose o AI em debate. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15582.000339/200764 Acórdão n.º 230101.943 S2C3T1 Fl. 262 5 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise dos autos, verificase que a recorrente não nega que deixou de incluir, em sua folha de pagamento, os valores referentes à concessão dos referidos prêmios. Ela apenas tenta demonstrar que os valores relativos à premiação concedida por meio de empresa contratada, administradora do programa, não integram o salário de contribuição. No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28, incisos I e III da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades...” e “a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Restou claro, nos autos, que a concessão de prêmio aos empregados em função de desempenho como incentivo para as vendas não é eventual e esporádica, e sim habitual. Tais verbas possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falarse, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. Portanto, as gratificações e comissões, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou, o que não foi negado pela recorrente em sua peça recursal, que tais valores são pagos por meio de empresa interposta para premiar alguns de seus empregados. Dessa forma, os valores referentes aos prêmios concedidos pela recorrente aos segurados que lhe prestam serviços integram o salário de contribuição, conforme incisos I e III, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio da empresa prestadora citada no Relatório Fiscal, não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de programa de incentivo em favor dos segurados que lhe prestam serviços não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do segurado ao receber as quantias correspondentes aos prêmios de incentivo. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e o julgador de primeira instância. Cumpre esclarecer que a condição de se tratar ou não de remuneração não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, remunerar ou não o trabalhador. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação a que trata da matéria. Cumpre observar que tais prêmios, oferecidos por mera liberalidade, ainda que de forma condicionada, pela empregadora aos segurados que lhe prestam serviços, não nega sua característica remuneratória, já que é decorrência única e exclusiva do contrato existente entre ambos, e mais, representa ganho obtido da empresa, o que nos mostra uma Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15582.000339/200764 Acórdão n.º 230101.943 S2C3T1 Fl. 263 7 vinculação entre seu fornecimento e o labor do seu beneficiário, indicadora da sua natureza contraprestativa, numa forma indireta. Da mesma forma, constatase que não estamos diante de um pagamento eventual, como veementemente sustenta a recorrente, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Ademais, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornando o habitual. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de não ser seqüencial a continuidade a liberalidade; a continuidade existe por todo o tempo que perdurar o contrato, o recebimento é que depende acontecer a condição estabelecida pelo empregador, que concede o prêmio. A expectativa criada, o costume e a certeza do benefício em se caracterizando a situação prédefinida pela empresa empregadora gera a habitualidade, afasta por completo a eventualidade que poderia enquadrar o pagamento no item 7 da letra “e” do § 9º da Lei 8.213/91. Dessa forma, tendo a verba paga a título de premiação natureza salarial, a sua não inclusão em folha de pagamento constitui infração à legislação previdenciária, consoante determinação expressa no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, transcrito a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Assim, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária, uma vez que a fiscalização constatou que a empresa concedeu prêmios a segurados empregados e contribuintes individuais e deixou de registrar esses pagamentos em folha. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 8 A autuada afirma que não pode figurar como tomadora dos serviços dos contribuintes individuais justamente pelo fato de que a recorrente toma serviços da sociedades empresariais que atuam no ramo de representação comercial, informando que a empresa administradora do programa, a INCENTIVE HOUSE, ao invés de creditar os prêmios às sociedades representantes comerciais, o fazia em nome dos gerentes dessas sociedades, e que por esse motivo a recorrente registrava em sua contabilidade como sendo pagamento de valores a contribuintes individuais, mas que na verdade tratase de pagamento de valores às sociedades empresariais representantes comerciais da ora recorrente. Porém, a fiscalização deixou claro, no item 07 do Relatório Fiscal (fl. 14), que os representantes comerciais considerados para efeito da autuação atuavam como vendedores autônomos, pessoas físicas, recebendo os valores relativos aos cartões de premiação sem a emissão formal de nota fiscal de prestação de serviços. Ademais, o auto foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória de informar, em folha de pagamento, todas as remunerações pagas aos segurados a serviço da empresa, e a penalidade aplicada para esse tipo de infração independe do número de segurados ou da quantidade de remuneração que não foram registrados em folha. Portanto, basta que a empresa deixe de informar toda a remuneração de apenas um segurado a seu serviço, para que fique configurada a infração à legislação previdenciária. Cumpre ressaltar que a própria empresa reconhece que a premiação concedida aos segurados empregados é remuneração, pois afirma, no item 21 de sua peça recursal, que “tal parcela, muito embora remuneratória, não é creditada habitualmente aos segurados empregados da defendente” (grifei)Ou seja, ela apenas defende que, por não ser habitual a remuneração, não incide contribuições previdenciárias. Todavia, a Lei determina que a empresa é obrigada a preparar folhasde pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Órgão Previdenciário. Portanto, mesmo que ela entenda que a remuneração paga não é habitual, ela está obrigada a informar essa remuneração em folha de pagamento e, ao deixar de proceder dessa forma, a empresa infringiu a norma previdenciária. A recorrente alega, ainda, ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição ao SAT, ao Salário Educação, ao INCRA, e da utilização da taxa SELIC para fins tributários. Contudo, não é objeto do presente processo administrativo fiscal lançamento de contribuições ao SAT ou aos Terceiros, e nem foi utilizada, no presente AI, a taxa SELIC. Portanto, tais matérias são estranhas ao processo sob análise e totalmente impertinentes ao objeto do AI em discussão, motivo pelo qual não conheço de tais argumentos. A autuada alega que não infringiu a legislação previdenciária, ressaltando que não agiu com qual quer dolo ou no intuito de fraudar a arrecadação da. Previdência Social. Contudo, a infração foi cometida e o auto não pode ser cancelado, como quer a recorrente, pois conforme estabelecido pelo CTN em seu art. 136, “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15582.000339/200764 Acórdão n.º 230101.943 S2C3T1 Fl. 264 9 Mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário. E é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. E, conforme demonstrado acima, a recorrente infringiu a norma previdenciária ao deixar de informar, em folhas de pagamento, toda a remuneração paga a todos os segurados a seu serviço. Com relação à multa aplicada, entendo que não restou comprovado, nos autos, a ocorrência da circunstância agravante prevista no inciso II, do art. 290, do RPS. Verificase que a empresa não informou os pagamentos relativos à premiação por entender que os valores correspondentes não integravam a base de cálculo da contribuição previdenciária, não restando demonstrado que tal conduta configura dolo, fraude ou máfé. Assim, entendo que não cabe o agravamento da penalidade aplicada promovido pela autoridade autuante. A autuada requer, por fim, que seja recolhido o pedido de encaminhamento de representação por inexistência de crime contra a ordem tributária ou que seja sobrestado o encaminhamento da representação ao Ministério Público Federal, por crime fiscal, até o trânsito em julgado administrativo. Entretanto, não cabe manifestação a respeito da oportunidade em que a auditoria fiscal deveria efetuar a citada representação, pois o lançamento não guarda qualquer relação de dependência com o possível ilícito praticado. Ademais, a auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional, uma vez que tomou ciência da ocorrência, em tese, de crime de apropriação indébita previdenciária tipificado no art. 168A, § 1º, I do Código Penal. Também não cabe nesta instância administrativa discutir a ocorrência ou não de crime, devendo a recorrente apresentar suas alegações perante o órgão competente para a apuração do ilícito. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, no sentido de retificar a penalidade aplicada, retirandose a gradação prevista no inciso II, do art. 292, do Decreto 3.048. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001360/2004-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF
Data do fato gerador: 21/07/1999, 28/07/1999, 04/08/1999,
11/08/1999,18/08/1999, 25/08/1999
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.
A multa de ofício aplicada obedeceu ao disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 e, ainda, a este órgão é vedada a análise de inconstitucionalidade de lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na
taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC está de acordo com posicionamento sumulado por esta Corte.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.762
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 21/07/1999, 28/07/1999, 04/08/1999, 11/08/1999, 18/08/1999, 25/08/1999 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A multa de ofício aplicada obedeceu ao disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 e, ainda, a este órgão é vedada a análise de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC está de acordo com posicionamento sumulado por esta Corte. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 2 EDITADO EM: 11/08/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Auto de Infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira — CPMF, fls. 01/07, pelo qual foi constituído o crédito Tributário no valor de R$27.041,58, sendo R$10.578,54 de principal. Segundo a "DESCRIÇÃO DOS FATOS ..." que integra o auto de infração, em referência ao demonstrativo de fls. 04, em síntese, o fisco constatou que houve falta de recolhimento da CPMF, sob a alegação de que a essa não foi retida e nem recolhida por força de medida judicial posteriormente revogada. Às fls. 09/15, impugnação intermediada por procuradora constituída à fl. 16, que pode ser assim traduzida, resumidamente, por artigos: (...) III Do direito. Sobre a multa e os juros aplicados. Da prática do confisco No artigo IV — Dos pedidos — é requerida a anulação do auto de infràção, ao argumento de que "(.) as multas e os juros aplicados estão em completa afronta a dispositivos constitucionais.". Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG deferiu parcialmente o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/JFA nº 15.891, de 26/03/2007, fls. 25/33: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/07/1999, 28/07/1999, 04/08/1999, 11/08/1999, 18/08/1999, 25/08/1999 1NCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa unicamente ao Poder Judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10675.001360/200481 Acórdão n.º 3201000.762 S3C2T1 Fl. 61 3 Data do fato gerador: 21/07/1999, 28/07/1999, 04/08/1999, 11/08/1999, 18/08/1999, 25/08/1999 NULIDADE NORMAS PROCESSUAIS Não se cogita de nulidade processual, tampouco de nulidade do lançamento, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 21/07/1999, 28/07/1999, 04/08/1999, 11/08/1999, 18/08/1999, 25/08/1999 LANÇAMENTO DE OFÍCIO INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA Sendo objetiva a responsabilidade por infrações, a falta de recolhimento do tributo sujeita a contribuinte à incidência dos juros decorrentes da mora e à multa de oficio. Lançamento Procedente Em face da decisão, o contribuinte é intimado às fls. 37 e interpõe recurso voluntário de fls. 38/45. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O processo discute o lançamento de CPMF e o recurso, apenas a multa e juros. A multa aplicada está correta, pois aplicada nos estritos termos em que prevista, como bem decidiu a DRJ: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 4 Frente à falta de recolhimento da CPMF devida e à ausência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, impõese o lançamento de oficio com a imposição da multa correspondente por força do artigo 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) Cumpre esclarecer que a responsabilidade por infrações da legislação tributária possui caráter objetivo, independendo da intenção do sujeito passivo. Em outras palavras, basta para caracterizála a prática do ato que infringe a norma tributária, sendo irrelevantes os motivos que eventualmente possam ter contribuído para tal conduta. Tratase de princípio consagrado no próprio CTN, cujo art. 136 dispõe: "Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." A multa de oficio foi lançada como penalidade porque o contribuinte, na qualidade de responsável suplente pelo adimplemento da CPMF, deixou de efetuar o pagamento da obrigação. Em que pese o discurso passivo sobre o seu caráter confiscatório, importa dizer que descabe tal pecha. Não fosse o embasamento legal que a pautou, cuja discussão de sua legalidade, renovo, extrapola a competência ratione materiae desse órgão, em função das limitações do poder de tributar de que trata a seção II, do Título VI, da Carta, especificamente no inciso IV, do seu artigo 150 somente é vedado utilizar tributo com efeito de confisco, não estando ali contempladas as penalidades, vez que a multa não está inserta no gênero tributo — artigo 5° do CTN. Enquanto a penalidade pecuniária como objeto da obrigação principal constitui sanção de ato ilícito (artigo 113, § 1° c/c o art. 30 do CTN), o tributo, como prestação pecuniária, tem por hipótese de incidência algo lícito. Por fim, este órgão não pode se manifestar sobre inconstitucionalidades de normas, como bem prevê sua súmula n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, correta a multa aplicada. Da mesma forma ocorre quanto à SELIC, já que sumulada nesta Corte: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10675.001360/200481 Acórdão n.º 3201000.762 S3C2T1 Fl. 62 5 SÚMULA Nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 11 de agosto de 2011. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE
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Numero do processo: 19679.014247/2004-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/2003
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE
Não provada violação das disposições contidas nas normas reguladoras do
processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade do despacho
decisório.
RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA
O prazo para se pleitear ressarcimento de créditos de IPI é de cinco anos
contados do fato gerador.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/2003
IMPOSTO PAGO. RESSARCIMENTO
Apenas e tão somente o contribuinte do IPI tem direito ao ressarcimento do
saldo credor trimestral do imposto apurado sobre as aquisições de matériasprima,
produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na
fabricação de produtos cujas saídas sejam tributadas, isentas ou com alíquota
zero. Produtos imunes não geram créditos.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio
sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração
de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos
créditos financeiros declarados.
Numero da decisão: 3301-000.830
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Ausentes momentaneamente
os Conselheiros Maurício Taveira e Silva e Rodrigo Pereira de Mello.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/2003 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE Não provada violação das disposições contidas nas normas reguladoras do processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade do despacho decisório. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA O prazo para se pleitear ressarcimento de créditos de IPI é de cinco anos contados do fato gerador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/2003 IMPOSTO PAGO. RESSARCIMENTO Apenas e tão somente o contribuinte do IPI tem direito ao ressarcimento do saldo credor trimestral do imposto apurado sobre as aquisições de matérias prima, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos cujas saídas sejam tributadas, isentas ou com alíquota zero. Produtos imunes não geram créditos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 284DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Maurício Taveira e Silva e Rodrigo Pereira de Mello. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Salvador, BA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito de a recorrente se ressarcir/compensar de créditos de IPI pagos nas aquisições de insumos utilizados na industria da construção civil no período de março de 1998 a setembro de 2003. A DRF em Aracaju não reconheceu o direito da recorrente ao ressarcimento pleiteado nem homologou as compensações dos débitos fiscais declarados sob o argumento de que não é contribuinte do IPI, não faz apuração desse imposto e sua atividade não é considerada industrialização pela legislação do IPI. Cientificada do despacho decisório, inconformada, apresentou manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado e homologadas as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “• argúi, em preliminar, a incompetência da DRF/Aracaju/SE para julgar os créditos de IPI de sua filial, alegando que o processo administrativo fiscal (PAF) em tela é mero espelho do pedido de ressarcimento que tramita na DRF/São Paulo/SP, local de fixação de sua matriz; que o PAF ora recorrido serve apenas para noticiar e informar a RFB do domicílio da filial que se encontra em outra delegacia, procedimentos fiscais em andamento, tendentes à apuração e compensação de créditos com os débitos ali apresentados; • que é humanamente impossível a DRF/Aracaju/SE, sem conhecimento dos documentos e das informações prestadas no PAF da DRF/São Paulo/SP, ter embasamento para indeferir o seu pleito, transcrevendo, no que tange à competência para julgar tais créditos, o art. 43, da IN SRF n° 600, de 2005; sustenta, com relação ao Despacho Decisório da DRF/Aracaju/SE, que está diante de um caso de nulidade por ausência de competência, conforme determina o art. 59, I, do Decreto n° 70.235, de 1972; requer, com isso, a reconsideração do referido despacho decisório, convertendoo em diligência para que o PAF, ora recorrido, seja encaminhado a DRF/São Paulo, para que lá preste esclarecimento completo e atualizado acerca dos créditos apurados e das compensações aqui noticiadas; • na seqüência discorre, em extenso arrazoado, sobre a natureza jurídica industrial da empresa que atua no ramo da construção civil, ressaltando que o Fl. 285DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 19679.014247/200409 Acórdão n.º 330100.830 S3C3T1 Fl. 276 3 ordenamento jurídico brasileiro, sobretudo no campo do direito tributário, consagra a construção civil como atividade industrial, transcrevendo, nesse sentido, os arts. 46 parágrafo único, do CTN e o art. 40, I e III, e parágrafo único, do RIPI/02 (Decreto n° 4.544, de 26/12/2002); • que o exercício da construção civil é, em sua essência, uma atividade industrial, porque: a) adquire insumos (argamassa, cimento, concreto, ferro, tintas, verniz, etc.) e transforma em um novo bem, qual seja, um imóvel; b) que o setor da construção civil está discriminado no Código FPAS n° 507 como Industria da Construção Civil; c) está obrigada ao pagamento de uma contribuição mensal ao serviço social da indústria (SESI e SENAI); que, por força do art. 577 da CLT (Decretolei n° 5.452, de 1943), são obrigadas a se filiarem ao Sindicato das Indústrias da Construção Civil (SIDUSCON), que por sua vez, é filiado à Confederação Nacional das Indústrias (CNI); que, em assim sendo a Construção Civil enquadrase perfeitamente no conceito legal contido no art. 46, do CTN, bem como no art. 3º da Lei n° 4.502, de 1964; • diz que o Decreto n° 4.544, de 2002, que veio para regulamentar a Lei n° 4.502, de 1964, e tenta afastar a construção civil da atividade industrial, é ilegal e inconstitucional, em virtude de não observarem os dispostos nos art. 46, do CTN, art. 153, § 3º, II, da CF, de 1988 e a Lei n° 9.779, de 1999; que o referido Decreto, no seu art. 5º, VIII, ‘a’, criou direito novo, transbordando do seu poder meramente regulamentar, tendo em vista que a Lei n° 4.502, de 1964, não excluía a construção civil do conceito de industrialização; • que, caso, não seja reconhecida a ilegalidade e inconstitucionalidade do Decreto n° 4.544, de 2002 – que diz admitir apenas por amor ao debate –, ainda assim, não, se poderia desconsiderar a sua qualidade de industrial antes da vigência do mencionado decreto, uma vez que, à época, não havia nenhuma outra norma que lhe impedisse de se creditar dos insumos tributados a título de IPI, nem que a excluísse do conceito de atividade industrial trazido pelo CTN (art., 46) e pela Lei n° 4.502, de 1964; • ao mencionar o princípio da; nãocumulatividade do IPI, previsto no art. 153, § 3°, II, da CF, de 1988, diz que este é amplo e irrestrito devendo o contribuinte se creditar do IPI incidente sobre os insumos adquiridos, mesmo quando empregados na fabricação de produtos não onerados; que, portanto, por se dedicar à atividade industrial da construção civil – cujo produto final (imóvel) é nãotributado, tem o direito de se creditar do IPI incidente nas aquisições dos insumos empregados no processo de produção, transcrevendo, nesse sentido, o art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, bem corno o art. 40 da IN SRF n° 33, de 1999; • em seguida, passa a discorrer sobre o prazo prescricional aplicável à hipótese e, diz, que, contrariando o posicionamento adotado na decisão recorrida, o prazo, conforme já pacificado no Poder Judiciário, é dez anos transcrevendo, nesse sentido, jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ); que, em se tratando de IPI, à vista de uma interpretação combinada dos arts. 150, §4°, e 168, I, do CTN, ela dispõe do prazo de dez anos para requerer, o seu direito ao credito, sendo cinco referente à homologação tácita, e cinco relativo ao prazo prescricional; • discorre, também, em extenso arrazoado, sobre o seu direito à correção monetária integral de seus créditos, conforme consta de vasta jurisprudência apresentada; que, ademais, a atualização monetária é expressa determinação legal prevista no art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250, de 1995; Fl. 286DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 • requer, ante o exposto, a reconsideração do Despacho Decisório da DRF/SDR (sic), convertendoo em diligência para que o PAF, ora recorrido, seja encaminhado a DRF/São/Paulo, a fim de que lá sejam prestados esclarecimentos completos e atualizados acerca dos créditos apurados e das compensações aqui noticiadas ou, acaso assim não entenda, e uma vez ultrapassada a liminar suscitada, que lhe seja reconhecido o direito aos créditos pleiteados homologando, assim, as compensações realizadas.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1516.951, datado de 17/09/2008, às fls. 219/223, sob as seguintes ementas: “NULIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. COMPETÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O reconhecimento do direito ao ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF que, à data do reconhecimento, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade, legalidade ou constitucionalidade. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. EDIFICAÇÃO. A operação que tenha como resultado a construção de edificações está, de acordo a legislação do IPI, fora do conceito regulamentar de industrialização, e, por conseguinte, do campo de incidência do IPI.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 228/247, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito ao ressarcimento pleiteado e sejam homologadas as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, ou seja, em preliminar, a nulidade do despacho decisório por incompetência do Delegado da DRF em Aracaju em analisar o pedido de ressarcimento e, no mérito, que tem direito aos créditos por exercer atividade industrial. Contestou também a prescrição de parte dos valores reclamados, defendendo a tese dos “cinco mais cinco”, ou seja, cinco anos para homologação e mais cinco para a prescrição. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 287DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 19679.014247/200409 Acórdão n.º 330100.830 S3C3T1 Fl. 277 5 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A suscitada preliminar de nulidade do despacho decisório sob o argumento de que o Delegado da DRF em Aracaju não seria competente para analisar o ressarcimento pleiteado não tem amparo legal. Ao contrário do entendimento da recorrente, a autoridade administrativa competente para analisar pedidos de ressarcimento de tributos é o Delegado da Receita Federal do Brasil da circunscrição fiscal do contribuinte, nos termos da Portaria MF nº 259, de 24/08/2004, c/c o Decreto nº 4.643, de 24/03/2003, que assim dispõem: Decreto n°4. 643, de 24 de março de 2003: “Art. 31. Os regimentos internos definirão o detalhamento dos órgãos integrantes da Estrutura Regimental, as competências das respectivas unidades, as atribuições de seus dirigentes, a descentralização dos serviços e as áreas de jurisdição dos órgãos descentralizados.” Já Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, estabelece: “Art. 126. À Diort, ao Seort e à Saort das DRF compete: (...); III manifestarse em processos administrativos referentes à restituição, à compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF, executar os procedimentos e controlar os valores a eles relativos; (...). Art. 227. Aos Delegados da Receita Federal e, no que couber, aos Inspetores e aos Chefes de Inspetoria, incumbe: (...); XXI apreciar os processos administrativos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e redução de tributos e contribuições administrados pela SRF; (...).” Também, a IN SRF nº 460, de 18/10/2004, vigente na data de protocolo do presente pedido de ressarcimento, assim dispunha in verbis: “Art. 43. O reconhecimento do direito ao ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF ou da Derat que, à data do reconhecimento, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 6 Parágrafo único. O ressarcimento dos créditos a que se refere o caput, bem como sua compensação de ofício com os débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, caberá ao titular da DRF ou da Derat que, à data do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do estabelecimento que apurou referidos créditos.” No presente caso, conforme se verifica dos autos, o estabelecimento filial (CNPJ n° 00.725.347/000878), detentor dos supostos créditos de IPI, informados no Pedido de Ressarcimento (fl. 01), está situado no município de Aracaju/SE (fl. 139), tendo como jurisdição a Delegacia da Receita Federal em Aracaju (DRF/AJU/SE). Assim, não há que se falar em nulidade do despacho decisório. No mérito, as questões suscitadas se resumem à decadência do direito de a recorrente se ressarcir de parte dos valores reclamados e ao direito ao ressarcimento dos créditos do IPI. a) decadência Independentemente de a recorrente fazer jus ou não aos créditos do IPI, ora reclamados, na data de protocolo do pedido em discussão, 14/10/2004, possíveis valores decorrentes de saldo apurado para os trimestres de 1998 ao 3º trimestre de 1999, não poderiam mais ser repetidos/compensados, porque, naquela data, o seu direito já havia prescrito. Ao contrário do seu entendimento, em relação à prescrição do direito ao ressarcimento de créditos de IPI, o diploma legal a ser observado é o Decreto nº 20.910, de 06/01/1932, que trata de dívidas da União Federal e não o CTN, art. 168, c/c o art. 150, § 4º. Estes tratam exclusivamente de tributos, mais especificamente de prazo de restituição de indébitos tributários e de lançamento, respectivamente, matérias estranhas ao pedido de ressarcimento em discussão. O Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932, art. 1º, assim dispõe, in verbis: “Art. 1° As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram.” Assim, aplicandose este diploma legal, o direito de a recorrente se ressarcir dos saldos credores apurados para os trimestres de 1998 ao 3º trimestre de 1999, na data de protocolo deste pedido, já havia prescrito. Restariam os créditos reclamados para os demais trimestres, ou seja, do 4º trimestre de 1999 ao 4º de 2003. No entanto, como a recorrente não exerce atividade de industrial, para efeito de sujeição ao IPI, não faz jus a ressarcimento algum dos créditos pleiteados. Apenas e tão somente os contribuintes do IPI têm direito de se creditar do valor do imposto pago nas aquisições de insumos aplicados na produção de produtos sujeitos a esse mesmo imposto. De acordo com o Contrato Social, cópia às fls.05/13, a recorrente tem como objeto econômico, in verbis: Fl. 289DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 19679.014247/200409 Acórdão n.º 330100.830 S3C3T1 Fl. 278 7 “Art. 2º A sociedade terá por objeto a execução de serviços de engenharia civil, elétrica e mecânica em geral, a exploração de concessões e permissões de serviços públicos e obras públicas e a incorporação de imóveis, podendo ainda participar no capital de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras.” Ora, de acordo com o seu objeto social, a única atividade industrial exercida por ela é a construção civil em geral. A hipótese de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados está prevista no Código Tributário Nacional (CTN), art. 46, e o contribuinte do imposto no art. 51 desse mesmo diploma legal que assim dispõe, in verbis: “Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I – o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II – a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do art. 51; III – a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo.” “Art. 51. Contribuinte do imposto é: (...). II – o industrial ou quem a lei a ele equiparar; (...).” Já a Lei nº 4.502, de 19664, art. 3º, estabelece: “Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária.” Por outro lado, o Regulamento do IPI (RIPI), art. 5º, estabelece que: “Art. 5º Não se considera industrialização: (...). VIII – a operação efetuada fora do estabelecimento industrial, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte: a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e semelhantes, e suas coberturas); Fl. 290DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 8 (...).” De acordo com este dispositivo legal, embora a recorrente esteja classificada como empresa industrial, para efeitos da legislação do IPI, os produtos produzidos por ela não são considerados industrializados, estando, portanto, no campo da nãoincidência desse imposto. Não basta que a atividade exercida seja considerada industrialização. Para efeito de incidência do IPI e, conseqüentemente, do aproveitamento do crédito decorrente do seu pagamento nas aquisições de insumos, é necessário que ocorra a situação definida na lei. Caso contrário, não é possível a sua cobrança nem tampouco o seu aproveitamento pelo simples fato de a empresa estar classificada como industrial. Neste caso, tratase de nãoincidência juridicamente qualificada. O fato de existir uma regra jurídica expressa dizendo que “a edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e semelhantes, e suas coberturas”, não se configura como hipótese de incidência do imposto e, assim, não há que se falar em aproveitamento de crédito de IPI decorrente de compras de matériasprimas, insumos, materiais intermediários embalagens empregados na construção dessas obras. Quanto à Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, suscitada pela recorrente, esta permite a compensação do saldo credor do IPI com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal quando o contribuinte não puder compensar o saldo credor apurado com o IPI devido na saída de outros produtos. Contudo, a legislação, em comento é endereçada aos contribuintes de IPI e, conforme já demonstrado anteriormente, não é o seu caso, razão porque referida legislação não se lhe aplica. Ressaltese, ainda, que CF de 1998, art. 153, § 3º, II, estabelece: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...). § 3º. O imposto previsto no inciso IV: (...). II – será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...).” A regramatriz do IPI abriga o direito de o contribuinte do imposto abater, em cada operação do processo industrial, o IPI já pago na etapa imediatamente anterior. É o princípio da nãocumulatividade previsto no texto constitucional. Tal princípio tem como objetivo evitar que o ônus do imposto vá se acumulando em cada operação, eliminandose, dessa forma, a dupla incidência ou tributação “em cascata”. No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente não é contribuinte do IPI, assim não há que se falar cumulatividade. Além disto, a Lei nº 9.779, de 1999, estabelece, in verbis: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto Fl. 291DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 19679.014247/200409 Acórdão n.º 330100.830 S3C3T1 Fl. 279 9 intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda.” Contudo, como a atividade da recorrente não se configura como hipótese de incidência do IPI, não há que se falar em aproveitamento desse imposto por parte dela. Também é esse o entendimento esposado pela Corte Superior, conforme se verifica da decisão, cuja Ementa peço vênia para transcrever: “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IPI. ARTIGO 11 DA LEI Nº 9.779/99. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. EMPRESA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. I – O aresto recorrido não cuidou, em nenhum momento, da aplicação do art. 11, da Lei nº 9.779/99 à hipótese dos autos, até mesmo porque o aludido dispositivo permite o direito aos créditos decorrentes da aquisição de matériasprimas tributadas apenas quando destinados à produção de bens isentos ou tributados à alíquotazero, não sendo aplicável às operações da ora Agravante porquanto, consoante se depreende do aresto recorrido, ‘a atividade da empresa é no ramo da construção civil, excluída do campo de incidência do IPI, de acordo com o art. 5º do Decreto nº 4.544/2002’ (...)” AgRg no REsp 868434/SE; Ministro Francisco Falcão – DJ de 08/03/2007 – negrito acrescido.” Quanto à compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a transmissão de pedido de ressarcimento/declaração de compensação (Per/Dcomp), bem como a extinção dos débitos fiscais declarados, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, assim dispõe, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua Fl. 292DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 10 ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). (...). § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...). §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no §7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...).” Segundo este dispositivo legal, a compensação, mediante a transmissão de Per/Dcomps, pelo contribuinte, assim como a sua homologação, depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. No presente caso, conforme demonstrado, inexistem créditos financeiros a serem ressarcidos/compensados, ou seja, a recorrente não faz jus ao ressarcimento pleiteado. Assim, não há que se falar em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados neste processo. Em face de todo o exposto e de tudo o mais que conta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 293DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 19679.014247/200409 Acórdão n.º 330100.830 S3C3T1 Fl. 280 11 Fl. 294DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 35011.003084/2006-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO.
IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO.
O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se
como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe
sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei.
RETENÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS.
Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços contratados, tais valores poderão ser deduzidos da base de cálculo desde que sejam, cumulativamente, discriminados na nota fiscal, na fatura ou
no recibo de prestação de serviços, e comprovados mediante a apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 2302-001.202
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram
o presente julgado. Por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. RETENÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços contratados, tais valores poderão ser deduzidos da base de cálculo desde que sejam, cumulativamente, discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, e comprovados mediante a apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de Ofício negado.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. RETENÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços contratados, tais valores poderão ser deduzidos da base de cálculo desde que sejam, cumulativamente, discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, e comprovados mediante a apresentação Fl. 336DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Wilson Antonio de Souza Correa. Relatório Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005. Data da lavratura da NFLD: 11/09/2006. Data da Ciência do NFLD : 13/09/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, decorrentes de substituição tributária, incidentes à alíquota de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas referentes aos serviços prestados mediante cessão de mão de obra, cujos valores foram objeto de destaques de retenções, não havido sido recolhidos, porém, à seguridade social, conforme minudente narrativa no Relatório Fiscal a fls. 90/95. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003084/200692 Acórdão n.º 2302001.202 S2C3T2 Fl. 333 3 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 102/104. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa a fls. 206/209, julgando procedente em parte a Notificação Fiscal, mantendo o crédito tributário na forma descrita no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 210/222, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 30/03/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 228. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 231/238, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que houve cerceamento ao direito da ampla defesa e do contraditório em razão de ausência de fundamentação na lavratura da NFLD atacada. Aduz que as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito e seus anexos, especialmente o relatório fiscal, devem ser claras, objetivas e em linguagem coloquial, permitindo ao contribuinte — pois este não tem a obrigação legal de ser jurista especializado em legislação tributária a plena compreensão dos seus termos para que possa se defender de forma eficaz da imposição fiscal a ele imputada; • Que os julgadores de primeira instância administrativa simplesmente acataram o que foi trazido aos autos pela Fiscalização para adotar um procedimento de arbitramento para o levantamento das contribuições devidas em comento, pois, ao constatar que nos livros e documentos contábeis da recorrida havia registros da prestação de serviços sob os quais incidem a retenção estabelecida pela Lei 9.711/98, a mesma deveria levantar os valores efetivamente destacados e retidos e, não, arbitrar em 11% (onze) per centos sobre o valor bruto das notas, como assim o fez; • Que a 5ª Turma da DRJ/BEL ignorou os pagamentos realizados referentes às retenções das notas fiscais relacionadas no item 12 do acórdão ora recorrido. Aduz que no Discriminativo Analítico de Débito Retificado, a fl. 218, levantamento S76, competência 05/2005, existe um lançamento no valor de R$ 14.500,00 (catorze mil e quinhentos reais) e rubrica no valor de R$ 1.595,00 (hum mil, quinhentos e noventa e cinco reais), sobre os quais não existem referências sobre ele no plano de fls. 209; • Que existe ainda uma série de erros identificados no plano do item 12, que envolvem erros de competência e valores, além de notas fiscais de serviços que não existem na escrita contábil da empresa. As competências e valores corretos estão no Anexo I Comparativo entre Arbitramento 11% e Valores Efetivamente Retidos com Dados Corrigidos. Ao fim, requer a declaração de improcedência do lançamento ora guerreado. Fl. 338DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 30/03/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27/04/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Alega o Recorrente ter havido cerceamento ao direito da ampla defesa e do contraditório em razão de ausência de fundamentação na lavratura da NFLD atacada. Aduz que as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito e seus anexos, especialmente o relatório fiscal, devem ser claras, objetivas e em linguagem coloquial, permitindo ao contribuinte pois este não tem a obrigação legal de ser jurista especializado em legislação tributária a plena compreensão dos seus termos para que possa se defender de forma eficaz da imposição fiscal a ele imputada. Compulsando a impugnação à NFLD em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 339DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003084/200692 Acórdão n.º 2302001.202 S2C3T2 Fl. 334 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir dos plenário do Poder Judiciário. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, não poderá ser conhecida por este Colegiado. Além disso, compulsando os autos, verificamos que a Notificação Fiscal em relevo foi lavrada em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária principal violada, os fatos jurígenos não adimplidos, a composição pecuniária das bases de cálculo, obrigação principal e respectivos acessórios, tudo de forma bem detalhada e discriminada em seus elementos de constituição. Não há, de maneira alguma, qualquer amontoado genérico de diplomas normativos na capitulação legal da exação em constituição. O relatório Fundamentos Legais do Débito é elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há dúvidas de que o relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito revelouse, de fato, bastante amplo e vasto, característica decorrente da complexidade da matéria em apreço e da circunstância de o período de apuração do presente lançamento abranger várias competências, sendo certo que a legislação pertinente experimentou diversas alterações nesse interregno. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo Fl. 341DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003084/200692 Acórdão n.º 2302001.202 S2C3T2 Fl. 335 7 sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao notificado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares a serem enfrentadas, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA BASE DE CÁLCULO E DO ARBITRAMENTO Sustenta o Recorrente que os julgadores de primeira instância administrativa simplesmente acataram o que foi trazido aos autos pela Fiscalização para adotar um procedimento de arbitramento para o levantamento das contribuições devidas em comento, pois, ao constatar que nos livros e documentos contábeis da recorrida havia registros da prestação de serviços sob os quais incidem a retenção estabelecida pela Lei 9.711/98, a mesma deveria levantar os valores efetivamente destacados e retidos e, não, arbitrar em 11% (onze) per centos sobre o valor bruto das notas, como assim o fez; A razão não sorri ao Recorrente. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste Fl. 342DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, o art. 22 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como encargo da empresa as contribuições sociais incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. De um outro canto, a mesma Constituição Federal de 1988, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, a teor do art. 146, III da CF/88, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 343DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003084/200692 Acórdão n.º 2302001.202 S2C3T2 Fl. 336 9 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A coreografia assim pontilhada, quando executada no papel passivo pelo responsável tributário, é conhecida nos palcos jurídicos como substituição tributária e, nessas apresentações, todos os movimentos que nas formas originárias seriam praticados pelo contribuinte, passam então a ser desempenhados pelo novo personagem, que assume toda a responsabilidade pelo recolhimento do tributo associado. É o que ocorre na hipótese vertida no art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação conferida pela Lei nº 9.711/98, que atribui ao contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra a responsabilidade pela retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas referentes aos serviços prestados naquela condição, e ao subsequente recolhimento do valor assim retido em nome do prestador correspondente. Anotese que o papel do contribuinte continua a ser representado pelo personagem que ostenta relação pessoal e direta com o fato gerador, digase, a pessoa jurídica prestadora dos serviços. Ao responsável tributário, in casu, o contratante, são designadas apenas as atuações pautadas na retenção e no respectivo recolhimento, nada mais. Dessarte, concluída a contento a execução do seu papel, o responsável tributário sai de cena, restando lhe, todavia, a incumbência de manter resguardados, em seu camarim, os documentos comprobatórios da higidez dos passos a seu encargo, enquanto não se operar a decadência das obrigações correspondentes. Nessa perspectiva, equivocase o Recorrente ao acreditar que o presente lançamento foi lavrado mediante arbitramento da base de cálculo. Não o foi. Explico: O art. 31 da Lei nº 8.212/91 estabelece, de forma expressa, como base de incidência da retenção em debate o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no §5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). Tais valores podem ser apurados diretamente das notas fiscais/ faturas ou pelo exame dos registros assentados na escrita fiscal da empresa, os quais possuem presunção iuris tantum de veracidade, salvo prova em contrário. Fl. 344DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Dessarte, o valor a ser retido e recolhido corresponde, nos termos da lei, a 11% do valor bruto da nota fiscal/fatura dos serviços prestados mediante cessão de mão de obra, e não qualquer valor lançado nesses documentos, ao arbítrio das partes, como representativo da retenção. É certo que a legislação previdenciária prevê que, na contratação de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, em que a empresa contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, é facultado ao prestador dos citados serviços a exclusão do valor referente aos materiais fornecidos e/ou aos equipamentos utilizados em sua execução, desde que tal fornecimento de materiais e/ou equipamentos esteja expressamente previsto no contrato firmado entre as partes e, cumulativamente, os valores do aludido fornecimento encontremse devidamente discriminados nas notas fiscais, faturas ou recibos, e sejam devidamente comprovados. Regulamento da Previdência Social Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. A implementação simultânea dos requisitos supracitados constituise condição sine qua non para a exclusão dos respectivos valores da base de cálculo da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas nos artigos 42 da IN INSS/DC N° 69/2002 e 158 da IN INSS/DC nº 100/2003, sob cuja égide ocorreram os fatos geradores sobre os quais nos debruçamos. Instrução Normativa INSS/DC N° 069, de 10 de maio de 2002 Art. 42. Os valores de material ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, fornecidos pela contratada, indispensáveis à execução do serviço, discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, e constantes em contrato, não estão sujeitos à retenção. §1º Se houver previsão, no contrato, de fornecimento de material ou equipamento, mas sem discriminação de valores, a base de cálculo da retenção não poderá ser inferior a 50% (cinquenta Fl. 345DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003084/200692 Acórdão n.º 2302001.202 S2C3T2 Fl. 337 11 por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, desde que devidamente discriminada nestes documentos. §2º Na falta de discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação se serviços, a base de cálculo será o valor bruto, ainda que a discriminação conste em contrato. §3º Havendo discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, mas inexistindo a previsão no contrato para fornecimento de material ou equipamento, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo. (...) Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no §7º do art. 219 do RPS. (grifos nossos) §1º O valor do material fornecido ao contratante ou o de locação de equipamento de terceiros, utilizado na execução do serviço, não poderá ser superior ao valor de aquisição ou de locação para fins de apuração da base de cálculo da retenção. §2º Revogado. §3º Compete à contratada a comprovação dos valores de que trata o §1º deste artigo, mediante apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento. (grifos nossos) Art. 160. Não existindo previsão contratual de fornecimento de material ou utilização de equipamento, e o uso deste equipamento não for inerente ao serviço, mesmo havendo discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, exceto no caso do serviço de transporte de passageiros, onde a base de cálculo da retenção corresponderá à prevista no inciso II do art. 159. No caso sub examine, o Recorrente não apresentou qualquer contrato em que restasse configurada a obrigação das empresas prestadoras de fornecer materiais ou equipamentos indispensáveis à execução dos serviços contratados, razão pela qual se apurou como base de cálculo da retenção o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, por força das disposições cogentes realçadas nos dispositivos legislativos acima transcritos. Fl. 346DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 3.2. DOS RECOLHIMENTOS EFETUADOS Alega o Recorrente que a 5ª Turma da DRJ/BEL ignorou os pagamentos realizados referentes às retenções das notas fiscais relacionadas no item 12 do acórdão ora recorrido. Aduz que no Discriminativo Analítico de Débito Retificado, a fl. 218, levantamento S76, competência 05/2005, existe um lançamento no valor de R$ 14.500,00 (catorze mil e quinhentos reais) e rubrica no valor de R$ 1.595,00 (hum mil, quinhentos e noventa e cinco reais), sobre os quais não existem referências sobre ele no plano de fls. 209; Tal rogativa é totalmente improcedente. Compulsando os documentos acostados pelo Recorrente a fls. 114/203, cotejandoos com o Relatório de Lançamento a fls. 29/41 e com o Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR, a fls. 210/22, verificamos que todos os recolhimentos comprovados pelo sujeito passivo foram devidamente considerados pelo Julgador de 1ª Instância, sendo, por essa razão, emitido o Discriminativo Analítico do Débito Retificado acima referido, mediante o qual procedeuse a redução substancial do valor originário de R$ 357.468,39 para R$ 42.730,73. No que pertine a incongruência apontada pelo contribuinte referente ao levantamento S76, verificamos não ter logrado o Recorrente comprovar o efetivo recolhimento dos valores relativos à retenção sobre as Notas Fiscais/faturas emitidas pela empresa Setrav – Serviços de Segurança ltda, referentes à competência maio/2005. Assim, constatamos que houve mera omissão material de referência ao lançamento remanescente no plano apresentado no item 12 da Decisão Administrativa ora recorrida, fato que não afeta o lançamento tributário que ora se edifica, nem representa prejuízo à defesa do contribuinte. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De outro eito, mas trigo de outra safra, apuramos que em relação levantamento S80, a fl. 40, competência 07/2004, referente à retenção de contribuições previdenciárias incidentes sobre as notas fiscais 077 e 079 emitidas pela prestadora A. R. da C. Dantas, o Recorrente honrou comprovar o recolhimento de R$ 147,50, conforme demonstrado a fl. 146. Com efeito, a decisão recorrida reconheceu e existência de tal recolhimento e o considerou devidamente, conforme se observa no plano a fl. 209, no qual consta consignado como devido o valor de R$ 550, 07 na competência 07/2004, relativo ao prestador em realce. Ocorre que, por descuido, acreditamos, tal recolhimento deixou de ser excluído no Discriminativo Analítico do Débito Retificado, conforme se observa nos registros assentados no DADR a fl. 221. Urge, portanto, ser excluído o valor do recolhimento acima apontado do crédito tributário ainda remanescente. Fl. 347DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003084/200692 Acórdão n.º 2302001.202 S2C3T2 Fl. 338 13 3.3. DAS DEMAIS ALEGAÇÕES Pondera o sujeito passivo existirem ainda uma série de erros identificados no plano do item 12, que envolvem erros de competência e valores, além de notas fiscais de serviços que não existem na escrita contábil da empresa. Aduz que as competências e valores corretos estão no Anexo I Comparativo entre Arbitramento 11% e Valores Efetivamente Retidos com Dados Corrigidos. Razão não lhe assiste. Conforme salientado no item 3.1 supra, a base de incidência da retenção, nas condições de contorno em que se submete o presente lançamento, corresponde ao valor bruto das notas fiscais/faturas dos serviços prestados mediante cessão de mão de obra, e não nos valores destacados nos referidos documentos, ali lançados sem a devida observância dos parâmetros ora realçados. 3.4. DO RECURSO DE OFICIO Não merece reparos a decisão de primeira instância, eis que a exclusão parcial do crédito tributário louvouse na comprovação de efetivo recolhimento da parte das obrigações tributárias objeto do presente lançamento. Os documentos comprobatórios foram acostados aos autos em sede de impugnação, em seu momento próprio, os quais foram apreciados e considerados pela Instância a quo, motivando a emissão de Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 210/222, representativo da redução do quantum debeatur. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluído do crédito tributário remanescente, levantamento S80, na competência 07/2004, o valor do recolhimento de R$ 147,50 comprovado à fl. 146. Outrossim, conheço do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 348DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Fl. 349DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720145/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
ITR. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR.
A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário, condição especial para
proteção da área de reserva legal.
ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA
Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga °nines.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.047
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento no recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA AREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário, condição especial para proteção da área de reserva legal. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga °nines. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Giovanni Christian N - Presidente Rub s Maurici Ca - EDITADO EM: 28/0 1 Relator Acordam os memb rab\Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termo do vo o 4o Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de oficio. Os valores declarados, retificados de oficio e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2004 Declarado, fl. 257 Retificação de oficio Acórdão DRJ 04 - Area de RPPN 16.287,7 ha 6.812,3 ha 6.812,3 ha 20 - Valor da Terra Nua R$ 800.000,00 R$ 1.844.996,01 R$ 1.844.996,01 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fis. 285 a 295da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 255/258, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 2004, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Araçá", localizado no município de Machadinho D'Oeste - RO, com área total de 20.359,7 ha, cadastrado na RFB sob o n° 2.952.663-9, no valor de R$ 244.812,06 (duzentos e quarenta e quatro mil oitocentos e doze reais e seis centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 28/09/2007, perfazendo um crédito tributário total de R$ 537.289,02 (quinhentos e trinta e sete mil duzentos e oitenta e nove reais e dois centavos). 2. 0 Contribuinte foi intimado a apresentar comprovação de que as áreas declaradas como de reserva particular do patrimônio natural atendiam aos requisitos legais para serem consideradas areas não tributáveis pelo ITR e o valor da terra nua, Termo de Intimação Fiscal n° 02501/00009/2007 — TIF fls. 22/23. 3. Atendendo ao T1F retro o contribuinte apresentou documentos, fls. 25/204 do volume I e 213/254 do volume II. 4. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2004 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido ITR, fl. 257, a fiscalização apurou as seguintes infrações: a) exclusão, indevida, da tributação de 9.475,4 ha de area de reserva particular do patrimônio natural; 2 Processo n° 10240.720145/2007-36 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.047 Fl. 13 b) subavaliação do valor da terra nua. 5. Conforme a Descrição dos Fatos, fl. 256, a glosa da área de reserva particular do patrimônio natural declarada como área dedutivel da área tributável pelo ITR e sua conseqüente reclassificação como área tributável pelo ITR decorreu da falta de averbação à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis dentro do prazo legal. 0 VTN não foi comprovado. 6. 0 Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 19/10/2007, conforme fl. 260. 7. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 19/11/2007, fls. 261/283, alegando, em síntese: I — que não apresentou o Laudo de Avaliação solicitado na intimação porque o valor da terra nua é o mesmo que vem declarando nos últimos anos; — que por erro na DITR/2004 foi declarada a area de 16.287,7 ha como sendo de Reserva Particular do Patrimônio Natural quando na verdade se trata de area de reserva legal, conforme consta de todas as DITR dos anos anteriores; III — que consoante se depreende dos ADA dos exercícios de 2001 a 2004 o contribuinte sempre declarou as areas de reserva legal como sendo de 16.031,00 ha. IV — que o impugnante está sendo penalizado porque não foi averbada a integralidade da area de reserva legal. Ou seja, não é porque a reserva legal não existe, mas sim porque descumpriu uma simples formalidade administrativa; V— transcreve ementas de decisões administrativas; VI — que a area tributada ex oficio pelo autuante encontra-se situada na Zona 5 do Zoneamento Sócio-Econômico-Ecológico do Estado de Rondônia — 2° aproximação, instituído pela Lei Complementar n° 233/00; VII — que o parecer SEDAM é expresso ao declarar "que os lotes não possuem áreas desinatadas e que as áreas de preservação permanente estão mantidas" (sic), ou seja, a reserva legal esta preservada, embora parte não esteja averbada. VIII que o Código Florestal — Lei 4.771/65, alterado pela MP 1666, exigia a preservação de, no mínimo 80% da area a titulo de reserva legal. Assim, pelo menos esse percentual da propriedade estaria isenta da tributação do ITR por presunção legal; IX — que fez a declaração de acordo com as instruções da própria SRF, sendo o valor da terra nua declarado o mesmo das declarações anteriores que não sofreu alteração, além de que perfeitamente compatível com o valor da terra naquela regido. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litigio,Zan votação 3 unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que não foram apresentados ADA tempestivo e averbação na matricula do imóvel para que se considerasse a Area de Utilização Limitada além do que já constou no lançamento e falta de apresentação de Laudo Técnico para desconstituir o valor atribuído pelo Sipt, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A alegação de que informou na DITR valores errados, somente pode ser aceita se comprovada, mediante documentação hábil e idônea, o erro de fato cometido. REA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de utilização limitada da area tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental - ADA no lbama ou ern órgão estadual competente, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação a margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA. 0 Valor da Terra Nua - VTN é o preço de mercado da terra nua apurado em 12-de janeiro do ano a que se referir a DITR. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 300 a 309, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida A. DRJ, alegando em síntese: a) Erro material na DITR2004 pois, a área de 16.287,7 ha, declarada como RPPN, trata-se na verdade de Reserva Legal, conforme D1TR de anos anteriores e ADA de 2001 a 2004; b) Entende que não há necessidade de Averbação na Matricula do Imóvel da Area de Reserva Legal por se tratar de uma isenção prevista em lei; c) Acrescenta, ainda, que a área tributada encontra-se situada na Zona 5 do Zoneamento Sócio-Econômico- Ecológico do Estado de Rondônia — 2a . aproximação, instituído pela Lei Complementar n°233/00 e que por essa razão suplementar garante que a reserva legal está preservada, embora parte não averbada; d) Sobre o VTN insiste em dizer que o Recorrente fez a declaração de acordo com as instruções da própria SRF, sendo o valor da terra nua declarado o mesmo das declarações anteriores que não sofreu alt do, Processo n° 10240.720145/2007-36 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.047 Fl. 14 além de que é perfeitamente compatível coin o valor da terra naquela regido. Tanto é verdade que nas declarações anteriores, que diga-se de passagem todas foram fiscalizadas em malha fina, desde 1997, o Fisco jamais questionou o valor da terra. Portanto, sendo o valor declarado o real valor da terra nua da propriedade, o auto não pode prevalecer e e) Apresenta jurisprudência desse Conselho, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instancia administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBILIDADE 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. AREA DE RESERVA LEGAL. AVERBACAO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL Alega o contribuinte que o valor de RPPN, seria na verdade de Reserva legal. Dessa forma, passa-se a verificar a existência do requisito formal da averbação na matricula do imóvel para fruição do beneficio no âmbito do ITR para a area de reserva legal. Em relação à area de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1°, II, "a", da Lei no 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. 1" Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I - 0111iSSiS; - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a area de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), pode ser excluída da area tributável. Já no art. 16 da Lei IV 4.771/65 definem-se os percentuais de cobertura florestal a titulo de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do pais e determina que a area de reserva leg4.4Te ser 5 averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da area. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do beneficio no âmbito do ITR, já que a Lei n° 9.393/96 assevera a exclusão da area de reserva legal, porém remetendo-a ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da area de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, corn supedâneo na Lei n° 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme art. 55 do Decreto n° 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 — MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unanime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI N" 4.771/65. MATRICULA DO IMÓVEL. AVERBACÁO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTALNECESSIDADE. I - A questão controvertida refere-se a interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei 11. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matricula do imóvel. II - "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva fiorestal resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam conscientizaçã o de que os recursos naturais devem ser utilizados corn equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (Pit/IS n0 18.30I/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁ VIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005), III - Inviável o afastamento da averba cão preconizada pelos artieos 16 e 44 da Lei le 4.771/65 (Códieo Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averba cão da reserva mareem da inscrição da matricula da propriedade, conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Códieo Florestal como na Legisla cão extravaeante. IV- Recurso Especial provido. (grifou-se) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis n" 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, con orme insculpido no art. 225 da Constituição Federal. 6 Processo n° 10240.720145/2007-36 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.047 Fl. 15 Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa especifica, parece desarrazoado deferir o beneficio tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei n° 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou sei a, é obrigatória a averbação na matricula do imóvel e sem essa condição não há como o contribuinte se beneficiar da isenção pleiteada. Ou seja, a averbação na matricula do imóvel para as Areas de reserva legal constitui juridicamente o direito para que o contribuinte possa exercê-lo , sem ela, não há direito a ser exercido. Da mesma forma, exige-se a averbação para o valor de RPPN e não há como considerar valor de área isenta além do que consta na matricula do imóvel e já considerada como isenta nolançamento. VALOR DA TERRA NUA (VTN) Protesta o recorrente que há uma supervalorização do VTN Tributado corn base no SIPT. Requer que seja subavaliado essa base de cálculo, conforme valor declarado, contudo sem apresentar Laudo Técnico. Corn a MP 2.166-67/01, consolidada na IN SRF 256, de 2002, foi instituído o Sistema de Preços de Terras — SIPT baseado nos levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Ainda, a Portaria SRF n2 447, de 2002, estabeleceu: Portaria SRF nE 447, de 28 de março de 2002 DOU de 3.4.2002 Aprova o Sistema de Preços de Terras O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n°259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 14 da Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e na Portaria SRF n" 782, de 20 de junho de 1997, resolve: Art. 1° Fica aprovado o Sistema de Preps de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei n" 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Art. 2° 0 acesso ao SIPT dar-se-á por intermédio da Rede Serpro, somente a usuário devidalllente habilitado, que será feito mediante identificação, fornecimento de senha e especificação do nível de acesso autorizado, segundo as rotinas e modelos constantes na Portaria SRF n" 782, de 20 de junho de 1997. Parágrafo único. A definição e a classificação dos polls de usuários, os critérios para a sua habilitação e as transações autorizadas para cada perfil, relativos ao controle de acesso lógico do SIPT, serão estabelecidos em ato da Coordenação- Geral de Fiscalização (Cofis). Art. 3° A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. 7 Art. 40 A Coordenação-Geral de Tecnologia e Segurança da Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril de 2002. Art. 5° Esta Portaria entra em vigor nesta data. EVERARDO MACIEL Extrai-se da legislação acima, que o banco de dados do SIPT é formado pelas próprias informações dos contribuintes e dados recebidos das Secretarias de Agricultura, inclusive, dos próprios municipios,conforme os convênios estaduais. Ou seja, o Sistema de Preços de Terra de Terra da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SIPT) traz sim valores médios reais dos valores das terras nuas das propriedade rurais, o que não quer dizer que não possam ser revistos por documento devidamente habilitado, nas situações onde a propriedade, por situações individualizadas possam fugir dessa média. Diante de urna questão nacional, obrigatoriamente para que haja uniformidade e justiça na aplicação da regra tributária, é imprescindível que se tenha uma normalização I , sob pena de se ter critérios totalmente distintos na aplicação da mesma regra tributária, sob pena de afronta aos Princípios da Igualdade ou Isonomia. Se é necessário essa normalização, no Brasil, devemos nos submeter a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A ABNT trata-se de um órgão de notória importância nacional e internacional que nos fornece a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. Já as normas NBR/ABNT 2 são fundamentadas no consenso da sociedade e são urna garantia dela, no caso especifico, do direito coletivo da avaliação uniforme e justa de todos os imóveis rurais para avaliação das bases de cálculo do ITR. Da base supra, extraio dois aspectos fundamentais para a subavaliação do VTN: 1- Deve ser comprovado por laudo técnico seguindo norma NBR e 2-Que demonstre cabalmente a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Bem, da análise, dos autos verificamos que não há laudo apresentado pelo interessado. imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Isso posto, sem o laudo não há condições para suportar a pretensão da subavaliação pretendida, devendo ser mantido o valor da terra nua considerado no lançamento. Registro que julgados administrativos ou judiciais somente tem efeito vinculantes às partes e não vinculam o presente processo, especialmente, pelo fato que estamos diante de análise de provas que são distintas em cada caso. I Atividade que estabelece, em relação a problemas existentes ou potenciais, prescrições destinadas à utilização comum e repetitiva, com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem, em um dado contexto. [http://www.abnt.org.br/m2.asp?cod_pagina=963#1] 2 ABNT/NBR é a sigla de Norma Brasileira aprovada pela ABNT, de caráter voluntário, e funda entada no consenso da sociedade. Torna-se obrigatória quando essa condição é estabelecida pelo poder público [littp://www.abnt.org.br/m2.asp?cod_pagina=963/1] 8 Processo n° 10240.720145/2007-36 S2-C IT2 Acórdão n.° 2102-01.047 Fl. 16 Pelo exposto, no merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Rubens auricio Carvalho - Relator 9
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Numero do processo: 11474.000083/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2005
APRESENTAÇÃO DE CONTABILIDADE QUE NÃO RETRATA A REALIDADE ECONÔMICO FINANCEIRA DA EMPRESA.
POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE
ARBITRAMENTO.
Comprovando-se que a contabilidade da empresa não demonstra a sua
realidade econômica financeira, abre-se ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do sujeito passivo o ônus de provar o contrário.
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP.
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
FIXAÇÃO DA MULTA. VALORES VIGENTES NA DATA DA AUTUAÇÃO.
A penalidade por descumprimento de obrigação acessória deve ser fixada de acordo com o valor vigente na data da lavratura fiscal e não na data da ocorrência do ilícito administrativo.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A ausência do requisito de saneamento da infração impede a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade.
AUSÊNCIA DE DOLO OU PREJUÍZO AO ERÁRIO. IRRELEVÂNCIA PARA FINS DE APLICAÇÃO DA MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
A responsabilidade por infração à legislação tributária independe da intenção do agente ou do resultado da conduta.
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-001.760
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos não
conhecer do recurso de ofício. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar as preliminares suscitadas; e b) dar provimento parcial ao recuso voluntário, para recalcular o valor da multa pela aplicação do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na NLFD correlata.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Comprovandose que a contabilidade da empresa não demonstra a sua realidade econômica financeira, abrese ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do sujeito passivo o ônus de provar o contrário. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. FIXAÇÃO DA MULTA. VALORES VIGENTES NA DATA DA AUTUAÇÃO. A penalidade por descumprimento de obrigação acessória deve ser fixada de acordo com o valor vigente na data da lavratura fiscal e não na data da ocorrência do ilícito administrativo. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A ausência do requisito de saneamento da infração impede a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade. AUSÊNCIA DE DOLO OU PREJUÍZO AO ERÁRIO. IRRELEVÂNCIA PARA FINS DE APLICAÇÃO DA MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Fl. 996DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 A responsabilidade por infração à legislação tributária independe da intenção do agente ou do resultado da conduta. PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendose em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos não conhecer do recurso de ofício. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar as preliminares suscitadas; e b) dar provimento parcial ao recuso voluntário, para recalcular o valor da multa pela aplicação do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na NLFD correlata Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 997DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11474.000083/200761 Acórdão n.º 240101.760 S2C4T1 Fl. 997 3 Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração – AI n. 37.001.6190, lavrado em 08/12/2005, contra o contribuinte acima epigrafado, cuja penalidade importou na quantia de R$ 832.317,85 (oitocentos e trinta e dois mil, trezentos e dezessete reais e oitenta e cinco centavos. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 06/09, a empresa deixou de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP remunerações pagas a segurados empregados. Asseverou a Auditoria que constatou mediante a verificação de sentenças exaradas pela Justiça do Trabalho que a empresa, no seu estabelecimento filial 0006, pagava verbas a título de “Comissões” e “Participação nos lucros” sem que tais valores transitassem pela folha de pagamento e pela contabilidade, além de não terem sido declaradas em GFIP. Afirmou o Fisco que a notificada não contestou nos processos trabalhistas, todos acostados, o pagamento dessas verbas. Ressaltase que os valores das remunerações não declaradas foram apurados por aferição indireta, tomandose como base a média aritmética das quantias constantes nos processos trabalhistas já referidos. As contribuições decorrentes foram lançadas na NFLD n. 37.001.6181. Cientificada da autuação em 12/12/2005, a empresa apresentou defesa, fls. 81/119, onde alega em síntese a nulidade da autuação por deficiência de fundamentação legal, ausência de justificativa para o arbitramento e falta de razoabilidade na fixação da base de cálculo utilizada. Alega ainda que a documentação acostada demonstra que parte do débito é improcedente, posto que havia recolhido as contribuições correspondentes. Argumenta ainda que corrigiu a falta mediante a apresentação de GFIP retificadoras, por isso merece a relevação da multa. O processo foi baixado em diligência, fl. 785, para que a Auditoria se manifestasse sobre as alegações da defesa e sobre a documentação acostada com a mesma. O Fisco concordou apenas com a exclusão do lançamento das competências 09/2002 a 10/2005, por entender que a documentação juntada comprovaria a declaração das remunerações, ver fls. 879/881. A empresa aviou petição, fls. 883/885, na qual pede que a multa aplicada seja calculada nos termos do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Mais uma vez os autos foram encaminhados à Auditoria, fl. 889 para que fosse elaborada nova planilha discriminando o valor da multa, conforme retificações efetuadas na NFLD correlata. Fl. 998DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Após a ciência da nova Informação Fiscal, a empresa manifestouse, fls. 943/947, no sentido de reiterar os termos da defesa e suscitar a decadência do direito do fisco de lançar a s contribuições relativas ao período de 01/1999 a 12/2000. A DRJ em Florianópolis decidiu declarar o lançamento parcialmente procedente, excluindo as competências 09/2002 a 10/2005, acatando sugestão da autoridade lançadora, além de declarar decadentes as competências 01/1999 a 11/2000, por aplicação do art. 173, I, do CTN. O órgão a quo embora reconhecendo a necessidade de aplicação da multa mais benéfica prevista na Lei 11.941/2009, não determinou a retificação imediata da penalidade, em razão do disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009, a qual prevê que a correção do valor da multa se dará no momento do pagamento ou parcelamento do crédito ou quando do ajuizamento da ação de execução fiscal. Mesmo com redução da penalidade na quantia de R$ 665.558,60 (seiscentos e sessenta e cinco mil quinhentos e cinqüenta e oito reais e sessenta centavos), tendo sido mantido o valor de R$ 166.759,25 (cento e sessenta e seis mil setecentos e cinqüenta e nove reais e vinte e cinco centavos), foi interposto recurso de ofício. Inconformado o sujeito passivo aviou recurso voluntário, fls. 964/991, no qual alega, em apertada síntese, que: a) o AI padece de vício formal, uma vez que a narração da conduta infracional não se amolda ao dispositivo legal citado pela Auditoria; b) a autuação é nula, posto que lhe falta fundamento legal que permita presumir a ocorrência do fato jurídico tributário, posto que o Fisco se valeu de mera presunção para concluir pela concretização da hipótese de incidência para o período lançado; c) descabe o procedimento de aferição indireta da base de cálculo, uma vez que a recorrente disponibilizou todos os elementos solicitados pelo Fisco; d) houve equívoco no cálculo da penalidade; e) não tendo havido prejuízo para a Fazenda Pública descabe a aplicação de penalidade; f) a multa deve ser dispensada, tendose em conta a correção da falta. É o relatório. Fl. 999DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11474.000083/200761 Acórdão n.º 240101.760 S2C4T1 Fl. 998 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Recurso de Ofício O recurso de ofício não merece conhecimento, porquanto o valor consolidado do crédito é inferior ao limite de alçada fixada pela Administração Tributária. É que o RPS na alteração promovida pelo Decreto n.º 6.224, de 04/10/2007, passou a dispor da seguinte forma: Art.366.O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). Ideclarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). IIrelevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). (...) §2oO recurso de que trata o caput será interposto ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda.. §3oO Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. Regulamentando a matéria foi editada a Portaria MF n.º 03, de 03/01/2008, fixando o limite para dispensa do recurso de ofício, nos seguintes termos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. A regra acima, por se tratar de norma processual, tem aplicação imediata, mesmo para recursos interpostos antes da vigência da mesma, de modo que o recurso de ofício em destaque não deve ser conhecido. Fl. 1000DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Recurso Voluntário O recurso voluntário merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Passemos, então, a ponderar sobre as razões recursais. Decadência O contribuinte postula o reconhecimento da decadência até a competência 12/2000, a DRJ, todavia, excluiu em razão desse fato até a competência 11/2000. Consoante o entendimento dessa Turma de Julgamento e da jurisprudência dominante, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial, nos casos de lançamento por descumprimento de obrigação acessória, deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Veja como tem se posicionado o Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ sobre a questão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 1001DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11474.000083/200761 Acórdão n.º 240101.760 S2C4T1 Fl. 999 7 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, Dje 18/09/2009). Mesmo que se efetuasse a contagem do prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4. do CTN, não estariam alcançadas pela decadência as competências 12/2000 e 13/2000, posto que a ciência da lavratura deuse em 12/12/2005. Pelo que foi visto, após o expurgo das competências decadentes, remanesce no crédito o período de 12/2000 até 08/2002, não merecendo reforma a decisão original, quanto a esse aspecto. Inexistência de fundamento legal para presunção da ocorrência do fato gerador e para o arbitramento Vamos aos fatos. O Fisco, ao se deparar com seis reclamatórias trabalhistas em que restou comprovado que a empresa pagava as rubricas “Comissões” e “Participação nos Lucros” costumeiramente aos empregados da sua filial 0006, sem que os respectivos valores fossem registrados em folha de pagamento e na escrita contábil, concluiu que todos os empregados que atuavam no setor de vendas do estabelecimento estariam recebendo essas remunerações “por fora”. Diante dessa conclusão, a Auditoria justificou o arbitramento das contribuições decorrentes desses pagamentos no fato da contabilidade da empresa não espelhar a realidade das remunerações pagas aos segurados a seu serviço, conforme previsão do § 6.º do art. 33 da Lei n. 8.212/1991. A empresa alega a falta de fundamento legal que permitisse ao Fisco presumir a ocorrência do fato jurídico tributário do qual decorreu o lançamento. Não haveria Fl. 1002DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 base legal que justificasse a presunção de que a empresa pagou esses valores a todos os empregados e em todo o período lançado. Em socorro às suas ponderações, a recorrente acostou declarações de exfuncionários, atestando que recebiam o salário normativo da categoria e que tais valores constavam das folhas de pagamento. De fato, a legislação previdenciária não tem dispositivo que permita a presunção da ocorrência do fato gerador, mas quando resta comprovada a ocorrência deste, e a empresa deixa de apresentar a documentação solicitada ou a apresenta de maneira deficiente há a possibilidade de se arbitrar o tributo devido. É essa a dicção do § 3.º do art. 33 da Lei n. 8.212/1991: Art. 33.(...) §3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social — INSS e o Departamento da Receita Federal — DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.(grifos nossos) Também quando a contabilidade não reflita a realidade da remuneração paga aos segurados a serviço da empresa, existe o permissivo legal de se aferirem indiretamente as contribuições. Vejamos: § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.(grifos nossos) Assim, o passo inicial a ser seguido pelo fisco é perquirir sobre a concretização da hipótese de incidência tributária, no caso em questão, o pagamento das parcelas não incluídas em folha. Por certo não haveria de se cogitar que a empresa fosse apresentar os documentos relativos aos pagamentos “por fora”, os quais dariam a certeza ao fisco da ocorrência do fato gerador. Todavia, as seis reclamatórias trabalhistas acostadas não deixam dúvida de que havia a prática de pagamentos de parcelas remuneratórias sem registros dos mesmos em folhas de pagamento ou na contabilidade. Peço licença para transcrever, conforme já o fez o órgão recorrido, trecho de duas das sentenças exaradas pela Justiça do Trabalho, na qual o magistrado categoricamente reconhece essa prática contumaz pela recorrente: "Quanto às comissões, a testemunha TATIANE. (fls. 138) esclareceu que todos os empregados da loja recebiam, o que faz com que o Juízo conclua que, efetivamente havia o pagamento de comissões, e estas eram por fora". ".., porque evidenciado no depoimento das partes que havia pagamento de comissões, temse por verdadeira a alegação da autora de que auferia R$ 200,00 mensais a título de participação nos lucros e R$ 400,00 de comissões". Fl. 1003DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11474.000083/200761 Acórdão n.º 240101.760 S2C4T1 Fl. 1000 9 Nesse sentido, não devo dar razão à empresa quanto a sua alegação relativa à impossibilidade de se presumir a ocorrência do fato gerador pelo fisco, posto que no meu entender, o teor das reclamatórias trabalhistas evidencia que havia sim o expediente escuso de disponibilizar remuneração “por fora” aos seus empregados, em prejuízo dos trabalhadores e de toda a sociedade, na medida em que a Seguridade Social estava sendo subtraída dos recursos em razão dessa prática temerária. Justificase também a aferição indireta das contribuições, uma vez que o fato da empresa não registrar em sua contabilidade o pagamento de tais parcelas é indicativo que a mesma não espelhava a realidade das remunerações pagas aos segurados a seu serviço, além de que as folhas de pagamento, por omitirem as referidas parcelas, sem sombra de dúvida, são documentos deficientes. A alegada desproporção entre as quantias recebidas pelos segurados e a base de cálculo adotada não merece ser acatada. É que os valores utilizados pelo fisco para fixar por aferição indireta a remuneração dos segurados corresponderam a média das seis reclamatórias trabalhistas já citadas, as quais foram julgadas nos anos de 2001 e 2002. Nesse sentido, como o período remanescente do crédito é de 12/2000 a 08/2002, o parâmetro adotado, a meu sentir, não se mostra dazarrazoado ou desproporcional como reclama a empresa. Do erro na aplicação da multa Afirma a recorrente que o fisco aplicou a multa com fundamento em dispositivo legal inadequado para a espécie. Não posso concordar com a tese. A conduta tida como contrária ao ordenamento foi deixar de declarar em GFIP a totalidade dos fatos geradores de contribuição. Acertadamente o Fisco fundamentou a aplicação da multa na Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV, § 5 ; Decreto 3.048/99, artigo 284, inciso II e Portaria MPS n.° 822, de 11 de maio de 2005. A apresa argumentou que a conduta narrada pela Auditoria foi a de não contabilização em títulos próprios da contabilidade os fatos geradores de contribuição, todavia não é isso que se extrai dos autos. Na verdade, quando o Fisco referiuse à escrita contábil da empresa foi no sentido de demonstrar que a mesma não refletiria o movimento real da remuneração paga aos segurados, justificando, assim, o procedimento de arbitrar a base de cálculo do tributo, nos termos do § 6. do art. 33 da Lei n. 8.212/1991. Quanto ao aspecto quantitativo, também observo que o inconformismo da empresa autuada não se justifica. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa indica com precisão os passos seguidos para a fixação da penalidade, inclusive mencionando o ato normativo que atualizou o valor da multa. Sobre essa questão, não custa registrar que a multa, na época da lavratura, era aplicada por competência, no valor de cem por cento da contribuição devida, respeitandose o limite legal fixado pela aplicação de um multiplicador pelo valor mínimo previsto no art. 92 da Lei n. 8.212/1991. Esse multiplicador é fixado conforme a tabela apresentada no § 4. do inciso IV do art. 32 da mesma Lei, observandose o teto legal. Observese que o valor da penalidade é fixado conforme os valores vigentes na data da autuação, nos termos da revogada Instrução Normativa SRP n. 03/2005: Fl. 1004DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 Art. 652. O valorbase da multa aplicada por infração a dispositivo da legislação previdenciária deverá ser o vigente na data da lavratura do AI, observados os critérios de sua gradação nos termos do art. 292 do RPS, se for o caso. Assim, o cálculo apresentado no recurso não deve prevalecer, posto que levou em conta os valores previstos na Portaria MPAS N° 4.479, de 04/06/98, quando os valores deveriam aqueles constantes na Portaria MPS n.° 822, de 11/05/2005, essa vigente na data da autuação. Relevação da multa A relevação da multa é pedido que também não pode ser acatado. A legislação previdenciária prescrevia requisitos objetivos para que esse favor fosse concedido. Eis o que dispunha o revogado art. 291, § 1.º do RPS: §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Vêse que as exigências regulamentares para a dispensa da multa são cumulativas, ou seja, o favor somente é concedido se estiverem presentes todas as condições normativas. Na espécie, a empresa, embora alegue a correção da falta, juntou as GFIP relativas às competências 01/2003,05/2003, 06/2005 e 07/2005, portanto, em período já excluído do AI pela decisão recorrida. Verificase, então, que não ocorreu a correção da falta, sendo essa constatação impeditiva de deferimento de pedido de relevação. Ausência de prejuízo ao Fisco Ao tentar justificar a impossibilidade de aplicação da multa em razão de não ter havido prejuízo à Fazenda, a recorrente também não merece sucesso. O art. 136 do CTN veda a apreciação dos efeitos da conduta infracional para fins de responsabilidade por infrações à legislação tributária. Nesse sentido, ocorrendo a conduta tipificada na Lei, é imperiosa a imposição da penalidade correlata, independentemente de valoração quanto à ocorrência de dolo, máfé ou prejuízo ao erário. Multa mais benéfica No entanto, há um reparo a ser feito quanto à aplicação da penalidade. É que ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Nessa toada, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual é mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) Fl. 1005DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11474.000083/200761 Acórdão n.º 240101.760 S2C4T1 Fl. 1001 11 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Devese, então, limitar a multa do presente AI ao valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na NLFD correlata. Diante de todo o exposto, voto pelo não conhecimento do recurso de ofício, pelo conhecimento do recurso voluntário, por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso, de modo que se recalcule o valor da multa pela aplicação do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas na NLFD correlata. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1006DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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