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Numero do processo: 18050.007750/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SALÁRIO INDIRETO - FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO EM DINHEIRO - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Para o caso concreto, entendo que o alimentação fornecido pelo empregador, só não será considerado salário de contribuição, quando fornecidos nos exatos termos do art. 28, “c” da lei, ou seja c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a empresa forneceu alimentação em dinheiro, portanto em desconformidade com a lei Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Não existe na Lei 6321/91, previsão para o fornecimento de alimentação em dinheiro. Os efeitos dos acordos e convenções coletivas restringem-se a regular a relação trabalhista, salvo quando por expressa previsão legal seus efeitos atinjam o conceito de salário de contribuição.
GLOSA DE SALÁRIO FAMÍLIA - NÃO COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO - AUSÊNCIA DAS CÓPIAS DE CARTEIRAS DE VACINAÇÃO E FREQUENCIA ESCOLAR - ALEGAÇÃO DE INFORTÚNIO - NÃO DEMONSTRAÇÃO DO OCORRIDO.
A alegação de que não apresentou os documentos pertinentes a concessão de salário família em função de infortúnio não pode nem mesmo ser considerada, quando não faz o recorrente comprovação de suas alegações, por meio de documentos hábeis. Alegou que apresentaria Boletim de ocorrência, mas em momento algum o apresentou.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.302
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Não existe na Lei 6321/91, previsão para o fornecimento de alimentação em dinheiro. Os efeitos dos acordos e convenções coletivas restringemse a regular a relação trabalhista, salvo quando por expressa previsão legal seus efeitos atinjam o conceito de salário de contribuição. GLOSA DE SALÁRIO FAMÍLIA NÃO COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO AUSÊNCIA DAS CÓPIAS DE CARTEIRAS DE VACINAÇÃO E FREQUENCIA ESCOLAR ALEGAÇÃO DE INFORTÚNIO NÃO DEMONSTRAÇÃO DO OCORRIDO. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 A alegação de que não apresentou os documentos pertinentes a concessão de salário família em função de infortúnio não pode nem mesmo ser considerada, quando não faz o recorrente comprovação de suas alegações, por meio de documentos hábeis. Alegou que apresentaria Boletim de ocorrência, mas em momento algum o apresentou. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 18050.007750/200848 Acórdão n.º 240102.302 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n. 37.158.7476, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de ajuda alimentação paga em desacordo com a legislação, glosa de salário família em virtude de não apresentação de documentos exigidos pela legislação. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 16/10/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 20/10/2008. Não conformada com a notificação, foi apresentada impugnação, fls. 287 a 290. O recorrente aditou a defesa fls. 300 a 305. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência do lançamento, fls. 307 a 310. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 315 e seguintes. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Aduz que, quanto aos valores glosados de salário família, a autuada não poderia apresentar os documentos solicitados, pois foi detectado que os livros diários e a documentação armazenada em um depósito haviam sido danificadas. Cita que o fato foi registrado formalmente em Boletim de Ocorrência — BO que será oportunamente colacionado aos autos. 2. Postula que, no decorrer do julgamento, serão comprovadas as alegações com ajuntada de todos os documentos. 3. Afirma que, para efeito de incidência previdenciária, os valores pagos pela empresa a titulo de ajuda alimentação não constituem remuneração, pelos argumentos declinados a seguir. 3.1. a) consta da convenção coletiva de trabalho previsão expressa de não incidência de contribuição previdenciária sobre tal parcela. 3.2. b) colaciona jurisprudência do TRT 3a Região, que decide pela não incidência do INSS sobre ajuda alimentação definida em convenção coletiva. 4. Requer seja dado provimento ao recurso para que seja reformada a decisão proferida, julgando improcedente o lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 É o relatório. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 18050.007750/200848 Acórdão n.º 240102.302 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 166. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO DA GLOSA DE SALÁRIO FAMÍLIA Quanto ao mérito observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AIOP. O recorrente resumiuse a alegar que não houve a apresentação de documento em função de desastre, que provocou a perda dos documentos, alegando que oportunamente apresentaria o boletim de ocorrência, tanto na impugnação, como no recurso. Porém não houve dita comprovação. Sendo assim, quanto a este ponto, entendo correto o procedimento adotado pelo auditor autuante, uma vez que a empresa não conseguiu comprovar o correto cumprimento da legislação previdenciária, quanto ao pagamento de salário família. Nesse mesmo sentido, manifestouse a autoridade julgadora de 1 instância, ao apreciar a matéria. Vejamos trecho da decisão: Com efeito, a verificação da regularidade do beneficio está condicionada ao cotejamento dos documentos necessários à sua concessão, como a ficha de Salário Família, o Termo de Responsabilidade, o atestado de vacinação obrigatória e a comprovação de frequência escolar. Sem os documentos, a autoridade fiscal fica sem elementos para atestar, por exemplo, que os filhos dos trabalhadores com idade superior a 7 anos estão frequentando a escola, ou mesmo se estão com a vacinação em dia, para os menores de até 6 anos. Nesse sentido, a simples afirmação da existência de tais . documentos não é suficiente para comprovar a regularidade do pagamento do beneficio. Assim, com relação ao ônus probatório, colacionamos a lição dos doutrinadores Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez Lápez, na obra Processo administrativo fiscal federal comentado, Ed. Dialética: No processo administrativo fiscal federal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então o ômus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o interessado aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 igualmente, terá que provar a alta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes. Portanto, a obrigação de provar será tank) do agente fiscal, conforme disposto na parte final da caput do art. 9' do PAP, como do contribuinte que contesta o auto de infração, conforme se verifica pela redação dada ao artigo 16 do PAP. DA ALIMENTAÇÃO PAGA EM DESACORDO COM O PAT De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, acima transcrita. A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 18050.007750/200848 Acórdão n.º 240102.302 S2C4T1 Fl. 4 7 Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, bem como quais as modalidades de pagamento, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Portanto, não existe dentre as possibilidades de fornecimento de alimentação de acordo com o PAT, o pagamento em dinheiro. Sendo assim, o pagamento realizado encontrase em dissonância com os preceitos legais, razão porque constitui salário de contribuição. O fato de existir previsão em acordo ou convenção coletiva não interfere na natureza da verba para efeitos previdenciários, posto que a exclusão da base de cálculo encontrase descrita no art. 28, § 9º da lei 8212/91, sendo que o descumprimento dos preceitos ali descritos faz nascer o dever de incluir ditos valores na base de cálculo de contribuição previdenciária. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, no que concerne a parte remanescente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720170/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2007
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de
determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 1201-000.722
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento de ofício e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Participou desse julgamento o Conselheiro José Sergio Gomes no lugar do Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento de ofício e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Participou desse julgamento o Conselheiro José Sergio Gomes no lugar do Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado). (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, André Almeida Blanco (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior e Régis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 739DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720170/200915 Acórdão n.º 120100.722 S1C2T1 Fl. 2 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme relatado em seu termo de verificação fiscal (fl. 576 e ss.), a autoridade tributária acusa o sujeito passivo de não haver adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2007, as provisões constituídas pela empresa para fins do pagamento da contribuição para o PIS e da Cofins devidas em 2007, e cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de medidas judiciais concedidas à contribuinte em ações por ela propostas. Afirma o auditor que a ausência da referida adição viola o disposto no art. 2º, § 1º, “c” da Lei nº 7.689/88, na redação dada pela Lei nº 8.034/90, combinado com o art. 13, I, da Lei nº 9.249/95, os quais proíbem a dedução dessa provisão tanto na base de cálculo do IRPJ quanto na da CSLL. Inconformada com a exigência a contribuinte propôs impugnação ao lançamento (fl. 591 e ss.), sob os seguintes argumentos, em síntese: a) que nos autos do mandado de segurança nº 99.00140400, impetrado junto à 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, obteve medida judicial que teve como efeito a suspensão da exigibilidade da contribuição para o PIS e da Cofins. Discutese ali a constitucionalidade da Emenda Constitucional nº 20/98, que alargou as bases de cálculo das citadas contribuições por meio da introdução de um novo conceito de faturamento; b) que também obteve medida judicial suspensiva da exigibilidade da contribuição para o PIS nos autos do mandado de segurança nº 2005.51.01.0118416, impetrado junto à 12ª Vara Federal do Rio de Janeiro. O processo versa sobre a mesma questão que o anterior, mas considera o advento da Lei nº 10.637/2002; c) que equivocase a autoridade fiscal quando afirma ter havido dedução de provisão, pois o que houve foi a dedução de despesas com passivos efetivos, decorrentes de obrigação legal com prazo certo e valor determinado; d) o conceito de provisão foi estabelecido pelo Pronunciamento Ibracon NPC nº 22, aprovado pela Deliberação nº 489/2005, expedida pela CVM, órgão sob cuja regulação a contribuinte encontrase vinculada e) segundo a norma acima referida, provisão é um passivo de prazos ou valores incertos, conceito esse que não se subsume à efetiva obrigação legal de pagamento da contribuição para o PIS e da Cofins a partir da ocorrência dos respectivos fatos geradores; f) ademais, também não se enquadra no conceito de contingência passiva, já que não se trata de uma possível obrigação, mas de uma obrigação efetiva surgida com a ocorrência da hipótese de incidência prevista nas Leis nos 9.718/98 e 10.637/2002; g) o fato de a exigibilidade do crédito tributário encontrarse suspensa em nada interfere na natureza da obrigação. Esse é também o entendimento expresso no anexo I à já citada Deliberação nº 489/2005, ao tratar especificamente de tributos com exigibilidade suspensa; h) a obrigação legal e efetiva, que se caracteriza como um passivo certo, somente deixará de existir em caso de decisão judicial transitada em julgado favorável à contribuinte. Foi a Fl. 740DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720170/200915 Acórdão n.º 120100.722 S1C2T1 Fl. 3 3 despesa com a constituição dessa obrigação legal que foi deduzida da base de cálculo da CSLL, não a despesa com a constituição de uma provisão; i) o próprio Conselho de Contribuintes já acolheu o entendimento aqui expendido, conforme Acórdãos 10809.660 e 10709.488; j) é nulo o auto de infração, tendo em vista a incongruência entre o fato efetivamente ocorrido e o enquadramento da infração. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem decidiu pela improcedência da impugnação (fl. 664 e ss.). Entre outras coisas, argumenta o órgão de primeiro grau que: a) para além das normas legais apontadas pela autoridade fiscal, o lançamento também encontra amparo no art. 50 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, que expressamente veda a dedução, na determinação da base de cálculo da CSLL, de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa; b) tributos com exigibilidade suspensa por força de medida judicial constituemse em obrigações incertas e sem data definida para pagamento, devendo seu registro contábil ser feito por meio de provisão, provisão essa que, como dito acima, é indedutível quando da apuração da base de cálculo da CSLL; c) o próprio Conselho de Contribuintes também acolhe esse entendimento, conforme Acórdão nº 10196.253. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fl. 674 e ss.) pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob os mesmos argumentos expostos na impugnação, acrescido da alegação segundo à qual, quanto à contribuição para o PIS, em 13/12/2006 o TRF da 2ª Região revogou a sentença favorável concedida à contribuinte nos autos do mandado de segurança nº 2005.51.01.0118416, significando que em 31/12/2007 o respectivo crédito tributário não se encontrava com sua exigibilidade suspensa. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Preliminar de Nulidade do Lançamento Afirma a recorrente ser nulo o lançamento, sob a alegação de que o fato concreto apurado pelo auditor fiscal não se subsume ao enquadramento legal da infração por ele apontada. Não assiste razão à recorrente. Eventual falta de subsunção do fato à norma não dá causa à nulidade do lançamento, conforme disposto nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Fl. 741DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720170/200915 Acórdão n.º 120100.722 S1C2T1 Fl. 4 4 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (...) Isso posto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento, devendo a questão suscitada ser apreciada quando do exame do mérito. 3) Das Adições à Base de Cálculo da CSLL – Provisões Indedutíveis A controvérsia de que cuida o presente processo cingese em determinar se os valores apurados pela ora recorrente no ano de 2007 a título de contribuição para o PIS e de Cofins, e cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de medidas judiciais, devem ou não ser conceituados como provisões. Segundo a fiscalização referidos valores caracterizamse como provisões, daí porque a contribuinte deveria têlos adicionado lucro líquido, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2007, conforme expressamente prescrito pelo art. 13, I, da Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (...) Por sua vez a recorrente afirma não se tratar de provisão, e sim de obrigação legal, uma vez que o pagamento da contribuição para o PIS e da Cofins é determinado por lei, possuindo prazo e valor certos, sendo irrelevante que tal obrigação legal esteja com sua exigibilidade suspensa por força de medidas judiciais. Sustenta seu entendimento no Pronunciamento Ibracon NPC nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, que sobre o assunto assim estabelece: Fl. 742DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720170/200915 Acórdão n.º 120100.722 S1C2T1 Fl. 5 5 DEFINIÇÕES 6. Os termos a seguir são utilizados nesta NPC com os seguintes significados: (...) ii. Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos. O termo provisão também tem sido usado no contexto de contas retificadoras, como depreciações acumuladas, desvalorização de ativos e ajustes de valores a receber. Esses ajustes aos valores contábeis de ativos não são abordados nesta NPC. iii. Provisões derivadas de apropriações por competência são passivos por mercadorias ou serviços que foram recebidos ou fornecidos, mas que não foram faturados ou acordados formalmente com o fornecedor, incluindo montantes devidos a empregados (por exemplo, os montantes relativos à provisão para férias), os devidos pela atualização de obrigações na data do balanço, entre outros. Embora às vezes seja necessário estimar o valor ou o tempo das provisões derivadas de apropriações por competência, o que poderia assemelharse conceitualmente a uma provisão, a diferença básica está no fato de que as provisões derivadas de apropriações por competência são obrigações já existentes, registradas no período de competência, sendo muito menor o grau de incerteza que as envolve. (...) vi. Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. Pois bem, a recorrente ocupase em distinguir os conceitos de provisão e obrigação legal, mas não percebe que, sob certas condições, uma obrigação legal deve ser provisionada. Em outras palavras, esses conceitos não são necessariamente excludentes. O próprio Pronunciamento Ibracon NPC nº 22 expressamente admite a constituição de provisão sobre uma obrigação legal quando, em seu item 10, assim estabelece: Provisões 10. Uma provisão deve ser reconhecida quando: a. uma entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como conseqüência de um evento passado; b. é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e c. o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança. Se qualquer uma dessas condições não for atendida, a provisão não deve ser reconhecida. É importante notar, por outro lado, a Fl. 743DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720170/200915 Acórdão n.º 120100.722 S1C2T1 Fl. 6 6 diferença existente entre provisões e outros passivos e contingências passivas, conforme os itens 7, 8 e os exemplos no Anexo II a esta NPC, notadamente aqueles incluídos no item 4. E esse é exatamente o caso se apresenta nos autos. De fato: a) ao suspenderem o direito de o Fisco exigir o pagamento daquelas contribuições, as medidas judiciais igualmente suspenderam a obrigação legal da contribuinte em realizar aquele mesmo pagamento. São os dois lados de uma mesma relação jurídica tributária; b) a concessão das medidas judiciais, por si só, ao menos durante o período em que vigorarem, torna incerto tanto o direito de o Fisco exigir o pagamento das contribuições quanto a obrigação da contribuinte em pagálas. Tal incerteza quanto à obrigação é justamente o que caracteriza uma provisão, tal como conceituado no acima transcrito Pronunciamento Ibracon NPC nº 22. Necessário ainda examinar a alegação da recorrente segundo à qual o referido Pronunciamento, por meio de exemplo contido em seu anexo, afirmaria explicitamente que tributos cuja exigência esteja sob discussão judicial são qualificados como obrigação legal e não como provisão. A seguir a transcrição do trecho em comento: ANEXO II EXEMPLOS DE TRATAMENTO A SER DADO ENVOLVENDO CONTINGÊNCIAS ATIVAS E CONTINGÊNCIAS PASSIVAS O objetivo deste anexo é auxiliar no entendimento da NPC sobre Provisões, contingências ativas e contingências passivas e deve ser lido no contexto completo da NPC, não devendo ser considerado isoladamente. (...) 4. Tributos A administração de uma entidade entende que uma determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu um novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, entrou com uma ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe uma obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de uma provisão derivada de apropriações por competência. Tratase de uma obrigação legal e não de uma provisão ou de uma contingência passiva, considerando os conceitos da NPC. Pela simples leitura do exemplo é possível verificar que a hipótese ali descrita difere da situação tratada nos presentes autos em um aspecto fundamental. É que no exemplo há a propositura de ação judicial, mas nada se fala acerca de concessão de medida suspensiva da exigibilidade do tributo. Assim, inexistindo medida judicial suspensiva, não há incerteza sobre a obrigação legal da contribuinte, até porque, após a data de vencimento do tributo, o Fisco Fl. 744DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720170/200915 Acórdão n.º 120100.722 S1C2T1 Fl. 7 7 poderia exigir judicialmente o seu pagamento, independentemente do trâmite da ação proposta pelo sujeito passivo. Ocorre que, como visto, o caso dos autos é diferente da hipótese tratada no exemplo acima. Aqui há medidas judiciais suspensivas da exigibilidade da contribuição para o PIS e da Confins. Assim, como dito antes, ao menos durante a vigência dessas medidas, haverá incerteza acerca da existência da obrigação legal da contribuinte em pagar aquelas contribuições, daí porque seus valores de vem ser provisionados e adicionados à base de cálculo da CSLL. Por derradeiro é importante ressaltar que Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 910100.592, exarado na sessão de 18 de maio de 2010, pacificou a questão, por unanimidade de votos, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. 4) Da Alegada Inexistência de Suspensão da Exigibilidade do PIS Aduz a recorrente que, por força da revogação, em 13/12/2006, da sentença a ela favorável exarada no âmbito do MS 2005.51.01.0118416, em 31/12/2007 a contribuição para o PIS não mais estava com sua exigibilidade suspensa, daí porque ao menos em relação à dedução desta contribuição o lançamento da CSLL deve ser afastado. Pois bem, de pronto devese ressaltar que a presente alegação não foi suscitada no âmbito da impugnação, daí porque estaria precluído o direito de a interessada fazêlo no recurso voluntário. Seja como for, como afirmado pela própria recorrente, a exigibilidade da contribuição para o PIS encontravase suspensa em 31/12/2007 também por força da medida judicial exarada no âmbito do MS 99.00140400. Assim, como o Fisco estava judicialmente impedido exigir o pagamento contribuição para o PIS, também estava legalmente impedida a contribuinte de deduzila da base de cálculo da CSLL do ano de 2007. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fl. 745DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720170/200915 Acórdão n.º 120100.722 S1C2T1 Fl. 8 8 Marcelo Cuba Netto Fl. 746DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001342/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. RECOMPOSIÇÃO.
Havendo autuações fiscais contra a pessoa jurídica em mais de um processo administrativo, os efeitos da recomposição dos montantes das bases de cálculo negativas em um devem-se refletir no outro.
Numero da decisão: 1102-000.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para aclarar a questão relativa ao aproveitamento de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL acumulados em face do decidido em outro processo administrativo, e corrigir erro de escrita decorrente de lapso manifesto na parte dispositiva do Acórdão 1102-00.152, de 29 de janeiro de 2010, nos termos do voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. RECOMPOSIÇÃO. Havendo autuações fiscais contra a pessoa jurídica em mais de um processo administrativo, os efeitos da recomposição dos montantes das bases de cálculo negativas em um devem-se refletir no outro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para aclarar a questão relativa ao aproveitamento de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL acumulados em face do decidido em outro processo administrativo, e corrigir erro de escrita decorrente de lapso manifesto na parte dispositiva do Acórdão 1102-00.152, de 29 de janeiro de 2010, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Acolhemse os embargos para sanar obscuridade evidenciada pela incompreensão do teor da decisão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PREJUÍZOS FISCAIS. RECOMPOSIÇÃO. Havendo autuações fiscais contra a pessoa jurídica em mais de um processo administrativo, os efeitos da recomposição dos montantes dos prejuízos fiscais em um devemse refletir no outro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. RECOMPOSIÇÃO. Havendo autuações fiscais contra a pessoa jurídica em mais de um processo administrativo, os efeitos da recomposição dos montantes das bases de cálculo negativas em um devemse refletir no outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para aclarar a questão relativa ao aproveitamento de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL acumulados em face do decidido em outro processo administrativo, e corrigir erro de escrita decorrente de lapso manifesto na parte dispositiva do Acórdão 1102 00.152, de 29 de janeiro de 2010, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 42 /2 00 5- 17 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16327.001342/200517 Acórdão n.º 1102000.855 S1C1T2 Fl. 3 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de embargos interpostos pela contribuinte contra a decisão proferida no Acórdão nº 110200.152, de 29 de janeiro de 2010, que restou assim ementado e decidido: “ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO AUTUADO. Não configura erro na identificação do sujeito passivo quando, embora o lançamento tenha sido formalizado em nome da empresa incorporada, não se evidencie qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da recorrente, representada pelo mesmo funcionário em todas as fases do processo, desde a fiscalização até o julgamento de segunda instância. A irregularidade no preenchimento dos requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do lançamento quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida. DUPLA TRIBUTAÇÃO. Provada a ocorrência de dupla tributação do mesmo fato gerador, qual seja, a apuração de lucros pelas controladas no exterior no mesmo período em dois processos administrativos diferentes, sendo um específico para apurar os lucros auferidos pelas controladas no exterior e não oferecidos a tributação e outro para apurar o montante do tributo devido em razão do resultado positivo dos investimentos da controladora em suas controladas no exterior, devese dar preferência para apuração desses valores nos autos específicos, exonerando o valor correspondente dos presentes autos. ERROS NA APURAÇÃO DA CSLL. Verificado o erro na transferência de valor do saldo de base negativa da contribuição social, deve ser corrigido o valor a tributar apurado nos presentes autos. (...) ACORDAM os membros da 1a Câmara / 2a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e, quanto ao voluntário, rejeitar a argüição de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e DAR provimento PARCIAL ao recurso para determinar a adequação da parcela correspondente à compensação indevida de prejuízos ao decidido no Acórdão n° 110200150, de 29/01/2010, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” A autuação fiscal decorre de não ter a Recorrente oferecido à tributação o resultado positivo da equivalência patrimonial de suas controladas no Exterior no ano Fl. 317DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16327.001342/200517 Acórdão n.º 1102000.855 S1C1T2 Fl. 4 3 calendário de 2002, a saber: Suzanopar Consultoria e Investimentos Ltd., e Nemo International. Importa observar que a autoridade fiscal também constatou ausência de oferecimento à tributação dos lucros apurados no exterior pelas suas controladas, os quais foram considerados disponibilizados para a controladora no Brasil nos anos de 2000, 2001 e 2002, e são objeto do processo administrativo n° 16327.001341/200572, já julgados em sede de embargos por este Colegiado na sessão de 6 de novembro de 2012. No presente processo, após a prolação do acórdão ora embargado, temse que a autuação fiscal restou sensivelmente reduzida em razão dos seguintes fatos: a) a variação cambial ocorrida em 2002 sobre os lucros acumulados de 2000 e 2001 de suas controladas fora tributada pela fiscalização em duplicidade, tendo sido esta parcela cancelada no presente processo pela DRJ, e confirmada pelo CARF, ao negar provimento ao recurso de ofício; b) por equívoco, a fiscalização considerara como positiva a base de cálculo da CSLL do período, antes das infrações lançadas no presente processo, no valor de R$ 88.720.153,77, quando esta seria negativa no mesmo montante, mesmo após o cômputo das infrações lançadas no processo n° 16327.001341/200572, equívoco que foi corrigido pela DRJ e também ratificado pelo CARF. Com a redução relativa ao item ‘a’ acima, o valor da infração a ser considerada nos presentes autos restou reduzida a R$ 172.052.763,89. O acórdão ora embargado, conforme visto, também determinou a adequação das parcelas relativas à compensação de prejuízos e bases negativas de CSLL ao que fora decidido no Acórdão n° 110200151, de 29/01/2010 (a parte dispositiva menciona o Acórdão n° 110200150, de 29/01/2010, tratandose, neste aspecto, de lapso manifesto a ser aqui corrigido). Neste ponto é que a embargante aponta que a autoridade administrativa responsável pela execução, aparentemente não logrando compreender com exatidão a determinação do CARF, emitiu Demonstrativo de Débito contra a embargante considerando definitivamente constituído o mesmo crédito tributário que já havia sido apurado em 1a instância pela DRJ. Ante a incompreensão da autoridade administrativa do quanto foi decidido pelo CARF, evidenciase a obscuridade no acórdão proferido, o que justifica a oposição dos presentes embargos para que esta seja sanada. Tendo em vista que o relator originário do acórdão embargado não mais integra este Colegiado, foram os presentes embargos a mim redistribuídos para relato, nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF), e, por despacho, foram eles admitidos, a fim de serem apreciados pela Turma. É o relatório. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16327.001342/200517 Acórdão n.º 1102000.855 S1C1T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os embargos foram apresentados tempestivamente e preenchem os pressupostos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Ao julgar os embargos interpostos no processo administrativo n° 16327.001341/200572, este Colegiado os acolheu, para o fim de esclarecer pormenorizadamente todos os valores tributáveis mantidos pelo acórdão originalmente lá proferido, e também expressamente observou que as diversas reduções nos valores tributáveis lá procedidas traziam reflexo direto aos montantes dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas acumuladas ano a ano, e, por conseguinte, também poderiam implicar reflexos em outros procedimentos fiscais. Esta ressalva, conquanto pudesse parecer óbvia, foi expressamente feita em vista dos diversos desacertos verificados quando da interpretação, pela autoridade responsável pela execução do acórdão, da decisão proferida pelo CARF, bem como em vista de manifestação da embargante de que a recomposição dos seus prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas não estavam sendo consideradas pela DRF. No presente processo, não há dúvidas de que a autoridade fiscal que lavrou os autos de infração partiu dos valores dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas que ela mesma havia apurado no processo n° 16327.001341/200572, ou seja, de valores já por ela ajustados (para menor) em razão das infrações lá constatadas. Ocorre que naquele referido processo também houve significativa redução nos valores das infrações lançadas, conforme acima destaquei. Contudo, na Minuta de Cálculo n° 0010/2011, fls 271272 do presente processo, a autoridade administrativa assim se pronunciou: Considerando que quando da execução e implementação do acórdão n° 1102 00.151, exarado no processo administrativo n° 10580.001341/200572, não houve qualquer reflexo nos estoques de prejuízo ou base de cálculo negativa da CSLL, concluise que aquele não altera a exigência tributária relativa a este processo.” Demonstrado o equívoco da autoridade administrativa executora do acórdão, cumpre esclarecer também no presente processo que, após ser efetuada a recomposição dos montantes dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da embargante, nos termos do que já restou consignado no acórdão no 1102000.812, proferido por este Colegiado, em sede de embargos, no PAF n° 16327.001341/200572, devem os saldos assim recompostos ser considerados como ponto de partida para confrontar com o valor de R$ 172.052.763,89, relativo às infrações que neste processo foram mantidas pelo CARF. Aliás, para que não remanesçam dúvidas a respeito, com relação ao ano calendário de 2002, de que trata os presentes autos, tendo em vista o prejuízo fiscal considerado pela fiscalização, no âmbito do PAF n° 16327.001341/200572, antes de qualquer infração, no montante de R$ 203.759.036,92, e o valor das infrações lá mantidas para este ano Fl. 319DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16327.001342/200517 Acórdão n.º 1102000.855 S1C1T2 Fl. 6 5 (R$ 3.987.215,31), o valor “de partida”, ou seja, o valor dos prejuízos fiscais a ser considerado no presente processo, antes do cômputo das infrações, é de R$ 199.771.821,61. E, por sua vez, com relação à CSLL, tendo em vista a base de cálculo negativa considerada pela fiscalização, no âmbito do PAF n° 16327.001341/200572, antes de qualquer infração, no montante de R$ 234.972.776,01, e o valor das infrações lá mantidas para este ano (R$ 3.987.215,31), o valor “de partida”, ou seja, o valor da base de cálculo negativa a ser considerado no presente processo, antes do cômputo das infrações, é de R$ 230.985.560,70. Assim, do confronto desses saldos com o valor de R$ 172.052.763,89, relativo às infrações que neste processo foram mantidas pelo CARF, resta evidente a inexistência de tributo devido, devendo apenas serem feitos os ajustes para a redução do montante de prejuízo e de base de cálculo negativa de 2002 da embargante, os quais, por sua vez, poderão vir a influenciar outros eventuais procedimentos fiscais e/ou períodos futuros de apuração. Pelo exposto, voto pelo acolhimento dos presentes embargos para o fim de integrar o acórdão com as considerações acima feitas, de modo a esclarecer a questão a respeito do aproveitamento dos prejuízos e bases de cálculo negativas acumulados em face do processo n° 16327.001341/200572, e, de ofício, corrigir o erro de escrita decorrente de lapso manifesto na parte dispositiva do Acórdão 110200.152, de 29 de janeiro de 2010, a qual passa a ter a seguinte redação: “ACORDAM os membros da 1a Câmara / 2a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e, quanto ao voluntário, rejeitar a argüição de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e DAR provimento PARCIAL ao recurso para determinar a adequação da parcela correspondente à compensação indevida de prejuízos ao decidido no Acórdão n° 110200151, de 29/01/2010, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 320DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002621/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 SOBRESTAMENTO. ART. 62-A DO RICARF E PORTARIA CARF 001/2012. O sobrestamento previsto no §1º do art. 62-A do RICARF somente é de ser aplicado quando o Supremo Tribunal Federal (STF) tiver determinado o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral, conforme prevê a Portaria CARF 001/2012.
SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária. Ausentes provas que infirmem os fatos apontados pela fiscalização, o lançamento deve prevalecer. LANÇAMENTOS REFERENTES
FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a
GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco.
Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la.
Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da
infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade
pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto
no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.680
Decisão: Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Recorrente ASSOCIAÇÃO COMERCIAL INDUSTRIAL E SERVIÇOS DE ANTONIO PRADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 SOBRESTAMENTO. ART. 62A DO RICARF E PORTARIA CARF 001/2012. O sobrestamento previsto no §1º do art. 62A do RICARF somente é de ser aplicado quando o Supremo Tribunal Federal (STF) tiver determinado o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral, conforme prevê a Portaria CARF 001/2012. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária. Ausentes provas que infirmem os fatos apontados pela fiscalização, o lançamento deve prevalecer. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o Fl. 101DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.002621/200952 Acórdão n.º 230102.680 S2C3T1 Fl. 103 3 Relatório Tratase de Lançamento por meio de Auto de Infração, lavrado em 31/07/2009, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 15/24, apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias incidentes sobre a contratação de cooperativas de trabalho, nas competências 12/2003 a 12/2007, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 32.564,91, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 03/08/2009, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 37/50, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, no Acórdão de fls. 61/70, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 16/02/2011, fls. 83. O recurso voluntário, apresentado em 16/03/2011, fls. 84/98, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Aponta existir o reconhecimento de repercussão geral no RE 595.838/SP no Supremo Tribunal Federal (STF) tratando de idêntica matéria. Entende ser indevida a contribuição social sobre a prestação de serviços contratados com cooperativas de trabalho. Aponta ilegalidades e inconstitucionalidades na incidência. A fiscalização não teria considerado os custos administrativos dos serviços das cooperativas. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.002621/200952 Acórdão n.º 230102.680 S2C3T1 Fl. 104 5 Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente fundados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Sobrestamento de Recurso Voluntário. Art. 62A, § 1º do RICARF. Portaria CARF 1/2012. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), a partir da modificação feita pela Portaria MF 586 de 21 de dezembro de 2010, passou a prever o sobrestamento de Recursos em seu art. 62A conforme veremos a seguir: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Com relação à contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, temos o RE 595.838 com repercussão geral reconhecida em 15/05/2009, o que enseja a discussão sobre a aplicação do referido art. 62A. No entanto, o caso não se enquadra no caput do dispositivo, pois o RE 595.838 ainda não alcançou a definitividade. Quanto ao §1º, o art. 1º da Portaria CARF 001/2012 prevê que o sobrestamento deve ser aplicado somente nos casos nos quais o Supremo Tribunal Federal (STF) tiver comprovadamente determinado tal providência, independentemente da existência de repercussão geral. Como no caso do RE 595.838 não houve a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para o sobrestamento, então não é possível a aplicação do §1º do art. 62A do RICARF. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos por prestação de serviços por meio de cooperativas de trabalho A incidência da contribuição previdenciária na parte da empresa sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho está prevista no art. 22. inciso IV da Lei 8.212/91. A incidência vem sendo repetidamente confirmada por este colegiado, conforme podemos extrair do exemplo seguinte: Acórdão 20500630 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO. ISENÇÃO. COOPERATIVAS. SALÁRIOEDUCAÇÃO. Para que as empresas usufruam de isenção da cota patronal e da contribuição ao SalárioEducação há a necessidade de comprovação de requisitos listados em Lei. Há fato gerador de contribuição à Seguridade Social nos serviços que são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Acórdão 20600823 PRESTADOS POR COOPERADOSCOOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Portanto, a inclusão dos valores pagos a cooperativas de trabalho na base de cálculo da contribuição previdenciária encontra respaldo na legislação tributária. Negativa genérica. Ônus da prova. A recorrente faz negativa genérica em relação à base de cálculo do ato cooperado principal e existência de custos administrativos das cooperativas, sem apresentar prova de suas alegações. Porém, o ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária, afastando desse modo, a infração e sua conseqüente penalidade conforme art. 16, II, do Decreto n. 70.235/72, c/c o art. 333, II do CPC. Nesse sentido, é apropriada a conclusão de Fabiana Del Padre Tomé(A prova no Direito Tributário, 2008, p. 234): Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.002621/200952 Acórdão n.º 230102.680 S2C3T1 Fl. 105 7 “Em processo tributário,(...) se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas”. E não basta apenas juntar um documento ou um conjunto de documento, ainda que volumoso. è preciso estabelecer uma relação entre os documentos e o fato que se pretende provar. Mais uma vez nos valemos das lições de Fabiana Del Padre Tomé(A prova no Direito Tributário, 2008, p. 179): “Isso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. È preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.” Assim, provar por meio de documentos não se encerra na apresentação destes, mas exige que estes sejam apresentados juntamente com uma argumentação que estabeleça uma relação de implicação entre os documentos e o fato que se pretende provar. A simples juntada de documentos não produz prova, ou seja, não resulta no reconhecimento do fato que se pretende provar. Sem que a recorrente tenha se desincumbido do ônus de provar os fatos modificativos ou extintivos que alega em relação à base de cálculo do ato cooperado principal, não há como acatar seus argumentos. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.002621/200952 Acórdão n.º 230102.680 S2C3T1 Fl. 106 9 casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.002621/200952 Acórdão n.º 230102.680 S2C3T1 Fl. 107 11 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 Multa de ofício confisco O impugnante suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a, para as penalidades aplicadas com motivação em infrações relacionadas a GFIP, determinar a aplicação da multa mais benéfica quando comparadas as penalidades do art. 32A com as penalidades dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13005.907334/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. COMPETÊNCIA
Não se conhece de recurso voluntário que verse exclusivamente sobre
matérias que refogem à competência deste colegiado julgador.
Numero da decisão: 1401-000.748
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de o mesmo não versar sobre matéria de competência deste colegiado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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COMPETÊNCIA Não se conhece de recurso voluntário que verse exclusivamente sobre matérias que refogem à competência deste colegiado julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de o mesmo não versar sobre matéria de competência deste colegiado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Lima (presidente da turma), Marcia Silveira (vicepresidente), Luis de Souza, João da Silva e Manoel Pereira. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto parcialmente o relatório constante da decisão recorrida, proferida nos autos do processo 13005.906666/200922 (anexado ao presente), fls. 141142: No dia 18/08/2009, a interessada transmitiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) o PER/DCOMP 32707.64353.180809.1.3.043235 (fls. 128/132), no qual informou possuir crédito oriundo de pagamento indevido de IRPJ (código de receita: 5993 – pagamento de IRPJ optantes pela apuração com base no lucro real – estimativa mensal), relativo ao mês de fevereiro de 2007, no montante de R$ 10.512,92, que foi utilizado na compensação do débito fiscal de estimativa de IRPJ de maio de 2007. A compensação declarada não foi homologada porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente pela DRF Santa Cruz do Sul (fl. 23), “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais (...) pagamentos (...) mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (enquadramento legal: arts. 165 e 179 dio CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96). Cientificada do despacho deisório em 26/10/2009 (fls. 133/134), a interessada manifestou sua inconformidade em 17/11/2009 (fls. 01/07). Alegou, em síntese: a) que apresentou PER/DCOMP no dia 18/08/2009 visando a compensar o débito devido por estimativa com base em balancete de suspensão/redução do período de dezembro de 2007 com o crédito relativo ao pagamento indevido realizado no mês de agosto de 2007; b) que a apresentação do PER/DCOMP em análise foi inadequada em face às disposições da IN SRF nº 600/2005, que dispõe em seu artigo 10 “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houver a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período”, e c) que é incorreto o procedimento de cobrança decorrente da nãohomologação do PER/DCOMP em questão, haja vista inexistir de fato estimativa de IRPJ não liquidada relativamente a dezembro de 2007. A 9ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I julgou a manifestação de inconformidade procedente e reconheceu o direito creditório da contribuinte, no valor de Fl. 213DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 13005.907334/200954 Acórdão n.º 140100.748 S1C4T1 Fl. 195 3 R$ 10.512,92, homologando a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido, conforme Acórdão de fls. 139 e seguintes. O contribuinte foi notificado da decisão da DRJ em 06/06/2011, conforme AR de fls. 150. Inconformado, em 28/06/2011 apresentou a petição de fls. 151153, denominada de “recurso voluntário”, argumentando, basicamente, o seguinte (fls. 153): O pedido de compensação constante do PER/DCOMP de fls. 128/132 monta em R$ 10.512,92. O valor da compensação homologado é de idêntica importância, assim, não há qualquer diferença a ser recolhida pela recorrente. Asssim, a DARF anexada a intimação constante da r. decisão recorrida, que indica o processo 13005.907334/200954, deverá ser tornada sem efeito, assim como a importância de R$ 2.113,08. O despacho de fls. 188 apresenta esclarecimentos relevantes para o julgamento do presente processo, verbis: O Contribuinte teve o direito creditório pleiteado reconhecido integralmente, nos termos do Acórdão nº 1237.221, da 9ª Turma da DRJ/RJ1, de fls. 128 a 136. Foi então procedida a compensação objeto da PER/DCOMP 32707.64353.180809.1.3.043235 (fls. 128/132), resultando em saldo devedor do crédito compensado, por insuficiência de crédito, tendo sido dada ciência ao contribuinte e efetuada a cobrança do referido saldo devedor (fls. 147 a 150). Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls. 151 a 183). Sobre o tema em tela, a SCI Cosit nº 14, de 03 de maio de 2010, fls. 164 a 187, orienta sobre o direito que assiste ao contribuinte quanto ao encaminhamento de recurso ou manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação; também orienta sobre o efeito suspensivo destes sobre a exigibilidade do crédito tributário. Tendo em vista o reconhecimento integral do pleito do contribuinte pela 9ª Turma da DRJ/RJ1, o presente processo encontrase em situação “AGUARDANDO ENCERRAMENTO” no sistema SIEF, não sendo possível seu encaminhamento ao CARF. Pelo acima exposto, propõse: i) a transferência do litígio para o processo 13005.907334/200954, vinculado ao presente processo, que controla o débito em questão, com a consequente suspensão da exigibilidade do mesmo; ii) o encerramento do presente processo e sua digitalização; iii) o encaminhamento do processo 13005.907334/200954 ao CARF, com o presente processo anexado. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso é tempestivo e, em tese, pode ser conhecido. Conforme relatado, o direito creditório pleiteado pela contribuinte na PER/DCOMP 32707.64353.180809.1.3.043235, no montante de R$ 10.512,92, foi integralmente reconhecido pela 9ª Turma da DRJ/RJ1. A unidade de origem procedeu à compensação objeto da aludida PER/DCOMP 32707.64353.180809.1.3.043235, até o limite do crédito reconhecido, apurando um saldo devedor do crédito compensado, por insuficiência de crédito, no montante de R$ 2.113,08. O DARF de fls. 170 informa que o aludido saldo devedor remanescente é composto por R$ 1.316,40 a título de principal, R$ 263,28 a título de multa e R$ 533,40 a título de juros (valores calculados até 31/05/2011). A contribuinte, provavelmente por não entender os procedimentos de cálculo que resultaram na apuração daquele saldo devedor, manifestou sua inconformidade por meio da petição de fls. 151153, indevidamente denominada de “recurso voluntário”. Analisandose o inteiro teor da petição de fls. 151153, facilmente se constata que a contribuinte não se insurge contra a decisão proferida pela DRJ Rio de Janeiro I. Afinal, a referida decisão reconheceu integralmente o crédito pleiteado pela recorrente, homologando a compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido (R$ 10.512,92). A contribuinte, em verdade, questionou apenas os procedimentos de cálculo utilizados pela autoridade competente da unidade de origem, por ocasião da execução do referido acórdão (ou seja, por ocasião da utilização do crédito reconhecido pela DRJ para fins de amortização parcial do débito confessado na PER/DCOMP 32707.64353.180809.1.3.04 3235). Essa espécie de controvérsia, contudo, refoge à esfera de competência deste colegiado julgador de 2ª instância. Conforme a legislação de regência, as DRJs, o CARF e a CSRF somente são competentes para analisar e decidir sobre o reconhecimento de créditos compensáveis. A execução das decisões proferidas pelas diversas instâncias julgadores compete exclusivamente às diversas unidades descentralizadas da Receita Federal do Brasil. Eventuais controvérsias surgidas durante os procedimentos de execução das aludidas decisões devem ser solucionadas no âmbito da própra RFB, conforme as regras de competência (e instâncias recursais) previstas no Regimento Interno daquele órgão. Revelase totalmente absurda a hipótese de interferência do CARF (ou das DRJs) em questões estritamente operacionais da RFB, tais como a simples execução de decisões administrativas, proferidas pelas DRJs ou pelo CARF. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 13005.907334/200954 Acórdão n.º 140100.748 S1C4T1 Fl. 196 5 No caso em apreço, portanto, a unidade da RFB de origem é quem deve analisar a petição de fls. 151153, explicando ao contribuinte os procedimentos de cálculo utilizados por ocasião da efetivação da compensação pleiteada pela contribuinte e homologada pela DRJ, até o limite do crédito compensável reconhecido (R$ 10.512,92). Após esta análise, e na eventualidade de o contribuinte continuar inconformado com os cálculos, eventuais recursos devem ser apreciados e decididos pelas instâncias recursais da própria RFB, de acordo coma s regras de competência estabelecidas em seu Regimento Interno. Para maior clareza, reitero que no presente caso acontribuinte não manifestou nenhuma espécie de inconformidade contra a decisão da DRJ Rio de Janeiro. Em outras palavras, não remanescem quaisquer dúvidas acerca do montante dos créditos passíveis de compensação. A contribuinte requereu o reconhecimento de créditos no valor de R$ R$ 10.512,92, valores estes que foram integralmente reconhecidos pela DRJ Rio de Janeiro I. Apenas remanescem algumas dúvidas acerca dos procedimentos de cálculo utilizados na efetivação daquela compensação. Tais dúvidas, contudo, devem ser solucionadas exclusivamente pela RFB, segundo as regras de competência (e instâncias recursais) previstas em seu Regimento Interno. Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer da petição apresentada pelo contribuinte, uma vez que a mesma não versa sobre matéria de competência deste colegiado julgador. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 216DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720078/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator), Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente equivalente a 371,2 ha, com base no laudo apresentado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Recurso negado.
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EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator), Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente equivalente a 371,2 ha, com base no laudo apresentado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Redator Designado (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720078/200779 Acórdão n.º 220201.859 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Campo Grande/MS, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento mantendo a autuação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2004, tendo por objeto o imóvel denominado “Ponta Alegre” cadastrado na RFB sob o nº 0.517.2314, com área total declarada de 948,2ha, sendo 380,2ha de área de preservação permanente, localizado no Município de Arroio Grande/RS, proveniente dos trabalhos de revisão da DITR do exercício de 2004. Os fatos estão assim relatados na autuação: Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. O contribuinte foi intimado a comprovar, através de Laudo Técnico e/ou Certidão de órgão Público competente e apresentação do Ato Declaratório Ambiental IBAMA, a área informada na declaração de ITR como sendo área de preservação permanente. Em resposta ao termo de intimação, o contribuinte apresentou memorial Descritivo e Laudo Técnico, onde informa, que a localização da Área de preservação permanente é uma área de banhado (344, 1485 ha) e, na margem da Lagoa Mirim, obedecendo à faixa com metragem de 100 (cem) metros ao redor de lagoas naturais, conforme determina o artigo 3°, resolução CONAMA n° 303, de 20 de março de 2002, uma área de preservação permanente de 27,0852 ha. Em relação à área de preservação permanente, estas deverão ser as previstas no art. 2° da Lei n 2 4.771/65, ou no art. 3° da mesma lei, sendo que neste caso deverá ser declarada por ato do Poder Público. No caso do art. 2° da Lei n 2 4.771/65, a área rural em questão na sua confrontação com a Lagoa Mirim (2.714,52 metros), perfazendo uma área de preservação permanente de 27,0852 ha, conforme Laudo Técnico. O contribuinte não apresentou ato expedido pelo Poder Público, conforme art. 3° da Lei n° 4.771/65, declarando os 344,1485 ha de área de banhado como área como de preservação permanente. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 4 O Ato Declaratório Ambiental ADA deve ser protocolizado no IBAMA ou em órgãos ambientais estatuais delegados por meio de convênio no prazo até 6 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, sendo que o contribuinte apenas em 05/10/2007 apresentou o ADA Ato Declaratório Ambiental, junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Caso o Ato Declaratório Ambiental (ADA) não tenha sido protocolizado pelo contribuinte no prazo fixado, o contribuinte não pode excluir da tributação pelo ITR as áreas de informação obrigatória em ADA. Em resumo, a autuação ocorreu porque o contribuinte, intimado, não comprovou a área de preservação permanente declarada na DITR – exercício 2004. Assim, houve glosa integral da área de utilização limitada/preservação permanente, declarada de 380,2 ha, com consequentes aumentos da área tributável/área aproveitável, e da alíquota aplicada, resultando imposto suplementar de R$ 17.163,85, conforme demonstrado às fls. 04. A decisão recorrida (fls. 61/66), com ciência em 09/06/2009 (fls. 71), não admitiu a exclusão da área ambiental declarada do ITR de 380,2 ha, pela falta do Ato Declaratório Ambiental ADA. Recurso Voluntário a fls. 72/85 sustentado que a decisão recorrida está equivocada, a área isenta não está condicionada a tempestividade da apresentação do ADA. Defende que a APP é de interesse ambiental de acordo com o Código Florestal, e uma vez existente, não há possibilidade de sua reversão sem autorização ou aprovação do órgão ambiental. Pugna pela verdade real ou material. A área de preservação permanente foi comprovada por laudo técnico emitido por profissional habilitado, com o ADA protocolado em 05/10/2007 e mapa com memorial descritivo do imóvel rural. É o breve relatório. Voto. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720078/200779 Acórdão n.º 220201.859 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Não há preliminares a vencer. No mérito, tratase de autuação do ITR do exercício de 2004, realtivo a glosa da área de preservação permanente declarada pelo contribuinte Recorrente. A decisão recorrida manteve e autuação pela falta da apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental. A recorrente apresentou laudo técnico emitido por profissional habilitado com registro no CREARS e ART (fls. 15/19), dando conta de que a área de preservação permanente – APP corresponde a 371,2337 ha, enquanto o Recorrente informou na sua declaração que a APP era de 380,2 ha. Há assim pequena divergência em relação à área declarada e a apurada pela fiscalização e prova pericial. Verificada a divergência, o recorrente sustenta que recolheu o imposto complementar, com isso reconheceu parte da autuação, com renuncia parcial do recurso. Temos posição fixada em relação às áreas de exclusão da base de cálculo do ITR. Em nosso sentir, não é necessário o ADA para permitir exclusão das áreas de reserva legal, preservação permanente, interesse ecológico da tributação o ITR; e nem a averbação na matrícula do imóvel, se o contribuinte consegue comprovar, por outros meios de prova firmes e extreme de dúvidas, notadamente laudo pericial subscrito por profissional habilitado, a existência efetiva dessas áreas de exclusão do imposto. A exigência do ADA se fez pelo acréscimo do art. 17O, pela Lei n° 10.165, de 2000, alterando a Lei no 6.938, de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, cujo artigo possui a seguinte redação: “Art. 17O”. ... § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR). Contudo, a Lei do ITR n° 9.393, de 1996, no art. 10 § 7o, com a redação dada pela Medida Provisória 216667 de 2001, posterior à lei 10.165, de 2000, estabelece: § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem Fl. 101DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 6 prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). Ora, a Lei no 6.938, de 1981, com a alteração da Lei n° Lei n° 10.165, de 2000, exige a prévia comprovação pelo ADA, mas a Lei n° 9.393, de 1996, com a redação da MP 216667, de 2001, não faz a prévia exigência. Deixa a critério do contribuinte a comprovação, da reserva legal, preservação permanente e servidão florestal ou ambiental, se questionado pela fiscalização. Há assim aparente conflito ou antinomia de normas no tempo, supletiva, especial e geral, que devem ser resolvidas e compatibilizadas pelo interprete e aplicador da lei. A Lei no 6.938, de 1981 é norma supletiva ou geral em relação ao ITR e a sua alteração pela Lei n° 10.165, de 2000. Por ser lei supletiva e geral não pode derrogar ou revogar a disposição normativa especifica da lei especial do ITR, sob pena de afronta à regra de aplicação e interpretação prevista na Lei de Introdução ao Código Civil. Vejamos. O Decretolei n° 4.657, de 1942 (com força de lei), com a redação dada pela Lei n° 12.376 de 2010, estabelece: “Art. 2o.”... § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Ofende ainda a cronológica das leis. A exigência veio com a Lei n° 10.165, editada no ano de 2000, enquanto a regra especifica do ITR que não faz a exigência é do ano de 2001 (MP 216667). Dessa forma, prevalece a regra da Lei do ITR, estabelecendo: “A declaração para fim de isenção do ITR, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. De outro lado, a tributação busca o aspecto material, os fatos reais praticados ou realizados pelo contribuinte, ou presuntivos, se previstos em lei. A obrigação principal – pagamento do tributo não pode se condicionar à formalidade “do ADA tempestivo”, apenas a existência do fato real comprovado por prova seguras da restrição ambiental, notadamente laudo firmado por profissional habilitado, sem contrariedade, no sentido de o imóvel possuir área de preservação permanente, sem possibilidade de utilização econômica. O ADA é mero ato declaratório ambiental, não se constitui sequer em obrigação acessória do ITR ou condição para dispensa do tributo. Contudo, feita a comprovação pelo ADA temos a dispensa da produção de outras provas. Preservação permanente é restrição do direito de propriedade, limitação do domínio útil e da posse. O proprietário detém domínio direto ou a nuapropriedade, foi destituído de parte do domínio pleno dessas áreas, perdeu os poderes de usar e gozar a propriedade, mas com obrigação de conservar. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720078/200779 Acórdão n.º 220201.859 S2C2T2 Fl. 5 7 O conflito do ITR entre fisco e contribuinte com a exclusão da base de cálculo ou isenção das áreas de preservação permanente, utilização limitada, reserva legal, interesse ecológico e outras, desperta situação curiosa. De um lado a fiscalização exigindo o ADA, tempestivo, ou o registro na matricula imobiliária para excluir o imóvel da tributação; de outro o contribuinte comprovando por provas firmes que o imóvel é de preservação permanente, possui interesse ecológico, restrição de uso, reserva legal e mesmo assim, sem ADA tempestivo ou matrícula contemporânea ao fato gerador, exigese a tributação da nua propriedade. O ITR tem como fato gerador, na expressão constitucional, a propriedade em seu sentido amplo na clássica definição do Código Civil de usar, gozar, dispor e reivindicar, do direito real, mas o CTN estendeu a tributação ao titular do domínio útil e a posse, ao seu possuidor. Domínio exige o registro dominial de dono no registro imobiliário. Posse ou possuidor no alcance da tributação do ITR corresponde à posse aquisitiva com animus domini, ou posse ad usucapionen; posse com os poderes e atributos da propriedade. No momento em que o poder público restringe o direito à propriedade, não permitido seu uso integral esta expropriando parte do domínio do seu titular, cuja utilização – com a restrição de uso se tornou limitada. É certo que o titular do domínio continua detendo a posse, mas esta posse, limitada, com a restrição, não é aquela do possuidor com os poderes e atributos da propriedade para sujeição ao ITR. Esta posse com restrição é posse precária, é detenção, possuidor do domínio direito, mas destituído dos poderes plenos da propriedade. Ao se admitir a exclusão das áreas com restrição, o ITR reconhece a ausência da propriedade, do domínio útil e da posse ao titular, não podendo se falar em tributação, pela ausência do aspecto material e sujeição passiva do imposto. Nestes autos o Recorrente apresentou ADA, embora protocolado em 2007, posterior ao fato gerador (fls. 20). O Laudo Pericial de fls. 15 a 19, sem contrariedade, elaborado em 04/10/2007, comprova a existência da área de preservação permanente de 371,2337 ha. , com pequena diferença, a menor, da área declarada de 380,2 há. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente de 371,2337 ha., conforme consta do laudo técnico constante dos autos. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 8 Voto Vencedor Conselheiro Nelson Mallmann, Redator Designado Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Odmir Fernandes, permitome divergir quanto à exclusão da tributação da área de preservação permanente. Entende o nobre relator, que no caso em concreto, no que diz respeito à área de preservação permanente, a recorrente preencheu os requisitos previstos na legislação de regência, em razão da apresentação de laudo técnico. Contudo, não posso acompanhar o raciocínio do nobre relator, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência mútua para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), além da exigência concomitante da averbação da área de reserva legal nos Cartórios de Registro, pelos motivos abaixo expostos. Não restam duvidas de que se confirmou o não cumprimento de uma exigência aplicada às áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR, qual seja, que a área de preservação permanente seja devidamente reconhecida como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Para fins de um melhor entendimento da presente matéria (isenção das áreas de interesse ambiental), se faz necessário a transcrição da Instrução Normativa nº 5, de 25 de março de 2009, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, verbis: Art. 1o O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. Art. 2o São áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR: I Área de Preservação Permanente APP: a) aquelas ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2o e 3o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, e não incluídas nas áreas de reserva legal, com as exceções previstas na legislação em vigor, bem como não incluídas nas áreas cobertas por floresta nativa; II Área de Reserva Legal: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720078/200779 Acórdão n.º 220201.859 S2C2T2 Fl. 6 9 a) deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, ou mediante Termo de Compromisso de Averbação de Reserva Legal, com firma reconhecida do detentor da posse, para propriedade com documento de posse reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA; III Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural, prevista na Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000; IV Área Declarada de Interesse Ecológico: a) para proteção dos ecossistemas, declarada mediante ato do Poder Público competente, que contemple as Unidades de Conservação Federal, Estadual ou Municipal, de proteção integral ou de uso sustentável, comprovadamente contidas nos limites da unidade de conservação, caracterizadas sua limitação ao exercício do direito de propriedade; b) localizada em propriedade particular e que foi nominada e delimitada em ato do Poder Público Federal e Estadual, que contenha restrição de uso no mínimo igual à área de reserva legal; e c) comprovadamente imprestável para a atividade rural, declarada mediante ato do órgão competente federal ou estadual; V Área de Servidão Florestal ou Ambiental, prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente; VI Área Coberta por Florestas Nativas, aquela onde o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, conforme Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006; VII Área Alagada para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público, conforme Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008. Parágrafo único. As áreas enumeradas nos incisos I, II, V e VI deste artigo devem estar com vegetação natural não degradada ou as frações em estágio médio ou avançado de regeneração. Art. 3o O IBAMA, a qualquer tempo, poderá solicitar que sejam informadas as áreas tributáveis constantes do Relatório de Atividades do Cadastro Técnico Federal, quais sejam: I construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III pastagens cultivadas e melhoradas; e Fl. 105DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 10 IV florestas plantadas, área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas. Parágrafo único. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, o ADA substituirá o Relatório de Atividades e poderá conter informações sobre as atividades desenvolvidas nas áreas descritas nos incisos I à IV deste artigo. Art. 4o Os imóveis rurais que possuem áreas de reserva legal, de servidão florestal ou ambiental e área coberta por florestas nativas como compensação de outros imóveis rurais, de acordo com as normas estabelecidas na legislação, farão jus à isenção do ITR sobre essas áreas. Parágrafo único. É vedada a utilização de isenção pelos adquirentes de áreas de compensação. Art. 5o O proprietário rural que se beneficiar da isenção prevista no art. 2o desta Instrução Normativa deverá recolher junto ao IBAMA, anualmente, a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 28 de janeiro de 2000, a título de vistoria. Parágrafo único. A taxa de vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a 10% (dez por cento) do valor da redução do imposto, proporcionada pelo ADA, e terá como base de cálculo a área total da propriedade. Art. 6o O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). § 1o Para a apresentação do ADA não existem limites de tamanho de área do imóvel rural. § 2o O declarante da pequena propriedade rural ou posse rural familiar definidas na Lei no 4771, de 1965, poderá dirigirse a um dos órgãos descentralizados do IBAMA, onde poderá solicitar seja efetuada a transmissão das informações prestadas no ADAWeb. § 3o O ADA deverá ser entregue de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Art. 7o. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Art. 8o. O ADA será devidamente preenchido conforme informações constantes do Documento de Informação e Atualização CadastralDIAC do ITR, Documento de Informação e ApuraçãoDIAT do ITR e da Declaração para Cadastramento de Imóvel RuralDP do INCRA. Parágrafo único. Será necessário um ADA para cada número do imóvel na Receita Federal N I R F. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720078/200779 Acórdão n.º 220201.859 S2C2T2 Fl. 7 11 Art. 9o. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber. Art. 10. Deverão constar no ADA os imóveis rurais daqueles declarantes que pleiteiam autorizações ou licenças junto ao IBAMA. Não há dúvidas que, a princípio, por se tratarem de áreas não tributáveis pelo Imposto Territorial Rural, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 Reserva Legal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°). Definição: São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos, devendo estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 1º; RITR/2002, art. 12; IN SRF nº 256, de 2002, art. 11). 2 Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art. . 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único). Definição: São áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA. (Lei nº 9.985, de 2000, art. 21; RITR/2002, art. 13; IN SRF nº 256, de 2002, art. 12). 3 Interesse Ecológico – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"). Definição: São áreas de interesse ecológico, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal Fl. 107DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 12 ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não será aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14) 4 Servidão Florestal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°). Definição: São áreas de servidão florestal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizadas fora das áreas de reserva legal e de preservação permanente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001, art. 2º; RITR/2002, art. 14; IN SRF nº 256, de 2002, art. 13). 5 Para as áreas de Preservação Permanente – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Definição: São áreas de preservação permanente, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente: I As florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: de trinta metros para os cursos d’água de menos de dez metros de largura; de cinquenta metros para os cursos d’água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; de cem metros para os cursos d’água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; de duzentos metros para os cursos d’água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; de quinhentos metros para os cursos d’água que tenham largura superior a seiscentos metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720078/200779 Acórdão n.º 220201.859 S2C2T2 Fl. 8 13 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação. II As florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do poder público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. 6 As Áreas Cobertas por Florestas Nativas (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393, de 1996). Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, no prazo lega e a cada exercício, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º). Definição: São áreas cobertas por florestas nativas aquelas nas quais o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, onde o proprietário conserva a vegetação primária – de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, e mínimos efeitos de ações humanas, bem como a vegetação secundária – resultante dos processos naturais de sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações humanas ou causas naturais. Assim, verificase que uma das exigências prevista para justificar a exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR/2005, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foi Fl. 109DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 14 providenciada de forma tempestiva, qual seja, não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada às áreas de interesse ambiental, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de interesse ambiental. Como é de notório conhecimento, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de interesse ambiental cobertas por florestas nativas e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, é necessário que seja atendida uma condição essencial que a informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das áreas cobertas por florestas nativas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema, áreas cobertas por florestas nativas, bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) apresentado para o exercício e de forma tempestiva. Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720078/200779 Acórdão n.º 220201.859 S2C2T2 Fl. 9 15 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA. § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei. § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2004, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado para as áreas de utilização limitada. Não é do desconhecimento deste Relator, que as áreas cobertas por florestas nativas, foram introduzidas especificamente nas áreas de interesse ambiental pelo art. 48 da Lei Federal nº 11.428, de 2006, verbis: Art. 48. O art. 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 10. (...). § 1o (...). II –(...). d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 16 Assim se manifesta o art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1993: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental, conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720078/200779 Acórdão n.º 220201.859 S2C2T2 Fl. 10 17 Não obstante a pretensão da requerente de comprovar nos autos a efetiva existência da área de preservação permanente no imóvel (materialidade) por meio do documento “Laudo de Avaliação do Imóvel”, cabe ressaltar que essa comprovação, no meu entendimento, não é suficiente para que a lide seja decidida a seu favor, pois o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento das referidas áreas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada à área de preservação permanente glosada pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do Valor da Terra Nua tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter a glosa efetuada pela fiscalização em relação à área de preservação permanente. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 113DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 19515.001801/2005-33
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. TERCEIROS. DESCABIMENTO. O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos aos quadros societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 282 do RIR/1999, que autoriza a presunção legal de omissão de receitas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-001.355
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. TERCEIROS. DESCABIMENTO. O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos aos quadros societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 282 do RIR/1999, que autoriza a presunção legal de omissão de receitas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 202 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 203 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 153 e 154): A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de autos de infração de fls. 92/107 para exigir os recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, além dos acréscimos legais devidos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 87/91), a empresa contabilizou diversos suprimentos de numerário que teriam sido efetuados em moeda corrente nacional pela Sonol S/A., empresa sediada no Uruguai, a título de adiantamentos para futuro aumento de capital. Assinala a autoridade lançadora que, de acordo com a legislação aplicável, os recursos oriundos do exterior devem ser convertidos em moeda nacional, por meio de contratos de câmbio registrados no Banco Central do Brasil, prova essa não apresentada pela fiscalizada. Assim, os valores correspondentes foram tributados como omissão de receita, pela não comprovação de sua origem. As disposições legais citadas nos autos de infração são as seguintes: TRIBUTO FUNDAMENTAÇÃO LEGAL IRPJ artigos 249, II, 251 caput e parágrafo único, 279, 282 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) e artigo 24 da Lei 9.249/1995. PIS artigos 1º e 3º da LC 07/1970, artigos 2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º da Lei 9.715/1998, artigos 2º e 3º da Lei 9.718/1998 e artigo 24, § 2º, da Lei 9.249/1995. COFINS artigo 1º da LC 70/1991, artigo 24, § 2º, da Lei 9.249/1995 e artigos 2º, 3º e 8º da Lei 9.718/1998, com alterações da MP 1.807/1999 e suas reedições, com alterações da MP 1.858/1999, e reedições. CSLL artigo 2º, caput e §§, da Lei 7.689/1988, artigos 19 e 24 da Lei 9.249/1995, artigo 1º da Lei 9.316/1996, artigo 28 da Lei 9.430/1996 e artigo 6º da MP 1.858/1999. Em 14/06/2005, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fl. 94) e, em 14/07/2005, apresentou defesa (fls. 110/121), resumidamente, nos seguintes termos: ∙ A legislação tributária autoriza a autoridade lançadora a autuar com base na presunção de omissão de receitas, desde que reste comprovado, no mínimo, um ato relevante que possa ser indício de que a sociedade mantinha recursos à margem da tributação. ∙ Em nenhum momento, a fiscalização fez prova do fato imputado. ∙ Na presunção legal, a lei autoriza que, a partir de um fato conhecido e efetivamente ocorrido, possa ser deduzida a existência de outro fato, este, até então, desconhecido ou controvertido. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 204 4 ∙ O tipo legal previsto no artigo 282 do RIR/1999 impõe a presunção de omissão de receita, desde que o numerário seja entregue por administradores, sócios de sociedades não anônimas, titulares de empresa ou acionista controlador. ∙ Caso o suprimento seja feito por pessoa não expressamente citada na norma, o fato conhecido não se ajusta ao tipo consagrado pelo legislador. ∙ Pois a fiscalização sequer empenhou esforços para carrear aos autos os competentes atos societários, necessários para evidenciar que os valores escriturados como suprimentos efetivamente foram incorporados ao capital social, ônus que lhe incumbia, já que esse fato não pode ser inferido pela via indireta da presunção. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 152): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITA. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Tributase como omissão de receita o valor dos recursos pretensamente fornecidos para futuro aumento de capital, dos quais a origem não se comprova cabalmente. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 29/09/2008 (fls. 158verso), a tempo, em 28/10/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 159 a 171, instruído com o documento de fls. 172, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, por discordar das acusações impostas pela Autoridade Lançadora, a ora Recorrente apresentou a competente Impugnação, em que fora alegado, em síntese, ser o auto de infração, então impugnado, improcedente, por se basear numa presunção sem indícios bastantes para justificála e pela situação descrita na autuação não se enquadrar no dispositivo legal invocado; b) que, malgrado a robustez dos argumentos aduzidos na Impugnação, a Autoridade Julgadora entendeu pela procedência do lançamento de ofício; c) que o acórdão em questão encontrase equivocado, restando imperiosa a reforma da decisão recorrida por essa Colenda Câmara; d) que entendeu a autoridade julgadora de primeira instância administrativa pela legalidade da presunção adotada na autuação, mesmo quando a hipótese tipificada no artigo 282 do RIR/99 prevê expressamente que a receita a ser arbitrada deve ser oriunda de recursos de caixa fornecidos Fl. 658DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 205 5 por administradores, sócios de sociedade não anônima, titular de empresa individual ou pelo acionista controlador; e) que, mesmo sem o amparo legal necessário, a decisão ora recorrida insiste que a simples falta de comprovação da origem de recursos de caixa, independentemente de terem sido efetuados por terceiros, autoriza essa presunção descabida; f) que é farta a jurisprudência no sentido de que a presunção que seria autorizada pelo art. 282 do RIR/99, deve restringirse ao disposto na legislação, em homenagem ao princípio da tipicidade cerrada; g) que, na hipótese de os recursos de caixa não serem fornecidos por administradores, sócios de sociedade não anônima, titular de empresa individual ou pelo acionista controlador, a autoridade lançadora deverá aprofundar os trabalhos fiscais, para relacionar tais recursos a uma receita que realmente tenha ingressado no patrimônio da Empresa, não podendo, lançar mão da supracitada presunção; e h) que, dessa forma, como no presente caso a autuação que instrui os autos e a decisão ora recorrida estão lastreadas em uma presunção sem o mínimo amparo legal, tornase evidente a fragilidade do lançamento de ofício, devendo este ser julgado improcedente. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 206 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Suprimentos de caixa 5. É a seguinte a redação do art. 282 do RIR/1999, base legal da exigência fiscal (grifouse): Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, II). 6. Referido dispositivo admite a presunção legal de omissão de receitas quando constatada a existência de suprimentos de numerário fornecidos à empresa “por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia”, sem comprovação de sua origem e efetiva entrega. 7. Tratandose, porém, de terceiras pessoas, estranhas aos quadros societário e administrativo da empresa, essa inversão do ônus da prova não as alcança, cabendo, nesse caso, à fiscalização, a adoção de outros procedimentos a esse respeito (investigação de um possível saldo credor de caixa, por exemplo, ou a busca de prova direta da omissão de receita), por absoluta ausência de subsunção do fato concreto à norma. É que a tipicidade da presunção legal representada por suprimentos de caixa é do tipo cerrado e compreende, unicamente, o fornecimento de numerário pelas pessoas relacionadas na lei. 8. Observo, no presente caso, que, em nenhum momento, nem a fiscalização, no respectivo Termo de Verificação Fiscal (fls. 87 a 91), nem a decisão recorrida, em seu sucinto Voto (fls. 154 a 156), fazem referência ao fato de se tratar, no caso, de “administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual ou acionista controlador da companhia”. 9. Conforme se verifica de cópia da Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), a empresa estrangeira Sonol não consta da relação de sócios da Recorrente no anocalendário de 2002 (fls. 60). Também no Contrato Social (fls. 6) e alterações (fls. 16), não é mencionado o nome da referida empresa. 10. Assim, na hipótese de os aportes de numerário não terem sido realizados pelas pessoas discriminadas no art. 282 do RIR/1999, não se configura a presunção legal de Fl. 660DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 207 7 omissão de receita por suprimentos de caixa, devendo, pois, ser cancelado o presente lançamento. 11. Menciono, a respeito, os seguintes precedentes administrativos: Acórdão nº 10322.468 Sessão de 25 de maio de 2006 IRPJ/CSLL OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE CAIXA Os suprimentos de caixa efetuados por terceiros, estranhos ao quadro societário e administrativo da empresa, não se enquadram na hipótese prevista no art. 229 do RIR/94, que autoriza a presunção legal de omissão de receitas. Recurso provido. [...]. Acórdão nº 10322.056 Sessão de 10 de agosto de 2005 OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE CAIXA EMPRÉSTIMO DE TERCEIROS Não é cabível o lançamento de ofício a título de suprimento de caixa não comprovado, formalizado com fulcro no art. 282 do RIR/99, quando o supridor não se enquadra na condição de administrador, sócio de sociedade não anônima, titular de empresa individual ou acionista controlador. [...]. Acórdão nº 10808.360 Sessão de 15 de junho de 2005 IRPJ OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE CAIXA – O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos ao quadro societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 229 do RIR/94, que autoriza a presunção de omissão de receitas. [...]. Acórdão nº 10808.060 Sessão de 10 de novembro de 2004 IRPJPISCOFINSCSLL OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE CAIXA O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos ao quadro societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 229 do RIR/94, que autoriza a presunção de omissão de receitas. [...]. Acórdão nº 10194.647 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 208 8 Sessão de 11 de agosto de 2004 PRESUNÇÃO LEGAL – OMISSÃO DE RECEITA – SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS – MÚTUOS – Para que se configure omissão de receita por suprimento de caixa, o numerário deverá ser proveniente de administradores, sócios de sociedade não anônima, titular de empresa individual e pelo acionista controlar da companhia. O suprimento por terceiros ao quadro social da pessoa jurídica não autoriza a utilização da presunção legal estatuída no artigo 282 do RIR/1999. [...]. Acórdão nº 10514.331 Sessão de 18 de março de 2004 OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR SUPRIMENTOS DE CAIXA DE ORIGEM OU EFETIVA ENTREGA NÃO COMPROVADA SUPRIMENTO DE CAIXA POR TERCEIROS Não se subsume à presunção de omissão de receita estabelecida no art. 181 do RIR/80 o fato de não se comprovar origem e efetiva entrega de recursos entregues à sociedade por pessoa diversa das mencionadas no aludido dispositivo. [...]. Acórdão nº 101.94.467 Sessão de 5 de dezembro de 2003 IRPJPISCOFINSCSLL OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE CAIXA O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos ao quadro societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 294 do RIR/94, que autoriza a presunção de omissão de receitas. [...]. Acórdão nº 10320.293 Sessão de 11 de maio de 2000 IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE CAIXA O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos aos quadros societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 181 do RIR/80, que autoriza a presunção de omissão de receitas. Demais exigências 12. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 209 9 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 663DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13629.001281/2005-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. MULTA QUALIFICADA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização.
No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A pretensa simulação de negócio jurídico suscitada pela fiscalização, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo, sendo que tal ato não ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, considerando que a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos rendimentos por ele percebidos através das DIMOB apresentadas pelas fontes FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS PAGOS PELA PESSOA pagadoras. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do art. 112, incisos II e IV, do CTN.
RENDIMENTOS ORIGINARIAMENTE TRIBUTADOS NA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE.
A compensação dos tributos já pagos sobre os rendimentos lançados, ainda que pela pessoa jurídica, constitui consequência direta do próprio lançamento, e pode ser determinada de ofício pela autoridade julgadora, se não tiver sido implementada pela Fiscalização.
Agir de modo diverso, acarretaria ou a) na movimentação desnecessária da máquina administrativa, que deveria restituir o imposto pago pela pessoa jurídica, sendo mais racional realizar o procedimento no curso deste processo; ou b) enriquecimento ilícito da Administração Pública, que terá
recebido duas vezes pelo mesmo fato gerador (bis in idem), caso se considere impossível o pedido de restituição, por já ter se passado cinco anos do fato gerador.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A pretensa simulação de negócio jurídico suscitada pela fiscalização, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo, sendo que tal ato não ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, considerando que a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos rendimentos por ele percebidos através das DIMOB apresentadas pelas fontes pagadoras. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do art. 112, incisos II e IV, do CTN. RENDIMENTOS ORIGINARIAMENTE TRIBUTADOS NA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS PAGOS PELA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. A compensação dos tributos já pagos sobre os rendimentos lançados, ainda que pela pessoa jurídica, constitui consequência direta do próprio lançamento, e pode ser determinada de ofício pela autoridade julgadora, se não tiver sido implementada pela Fiscalização. Agir de modo diverso, acarretaria ou a) na movimentação desnecessária da máquina administrativa, que deveria restituir o imposto pago pela pessoa Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 827 2 jurídica, sendo mais racional realizar o procedimento no curso deste processo; ou b) enriquecimento ilícito da Administração Pública, que terá recebido duas vezes pelo mesmo fato gerador (bis in idem), caso se considere impossível o pedido de restituição, por já ter se passado cinco anos do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator FORMALIZADO EM: 22/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 10423.045, da 4a Câmara do 1o Conselho de contribuintes (fls. 776 a 790), julgado na sessão plenária de 05 de março de 2008, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%, e admitir a compensação dos tributos pagos na Pessoa Jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de Pessoa Física. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA Correta a reclassificação dos rendimentos auferidos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 828 3 pela pessoa física, quando resta comprovada nos autos a sua real natureza. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n°. 14). Recurso parcialmente provido. Cientificada dessa decisão em 25/08/2008 (fl. 791), a Fazenda Nacional manejou, no dia seguinte, recurso especial (fls. 794 a 803): a) por contrariedade às provas dos autos e aos arts. 44 da Lei 9.430/96 e 72 da Lei 4.502/64, pois o acórdão recorrido teria indevidamente desqualificado a multa de ofício, já que o contribuinte praticou atos simulados, ainda que supostamente precários, visando a rechaçar a tributação do IRPF; b) de divergência com relação à compensação de ofício dos tributos pagos na pessoa jurídica, pois essa matéria não foi diretamente impugnada, estando alcançada pelo instituto da preclusão. Para a matéria tratada no item “b”, a recorrente apresentou o seguinte paradigma: Acórdão no 10708.760: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA — PRECLUSÃO. O não questionamento de matéria na impugnação implica em preclusão, nos termos do art. 17 do PAF aprovado pelo Decreto n° 70.235/72. Os recursos especiais por contrariedade e de divergência foram admitidos por meio do despacho de fls. 804 a 805. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 07/02/2011 (fl. 807v), o contribuinte apresentou, em 21/02/2011, contrarrazões (fls. 808 a 823), onde defende a manutenção da decisão recorrida, pois sua conduta não foi dolosa, e pela compensação dos tributos pagos na pessoa jurídica ser amplamente utilizada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 829 4 Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Os recursos especiais por contrariedade e de divergência são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles conheço. Inicio com a análise do recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas. A discussão cingese à necessidade de qualificação da multa de ofício. Em análise do Termo de Verificação Fiscal de fls. 11 a 28, verificase que a fiscalização na contribuinte decorreu da ação fiscal desenvolvida no seu cônjuge, o Sr. Lindberg Coelho, CPF 067.876.73604, onde foi constatada a omissão de rendimentos de aluguéis de imóveis comuns do casal, tendo sido tributado 50% dos aluguéis omitidos. Verificouse que o casal constituiu, em 06/07/1996, uma pessoa jurídica cujo capital social seria integralizado com seus bens, e que tinha como domicílio eleito o mesmo de seus sócios. Entretanto, a inscrição no CNPJ se deu somente em janeiro de 2002 e o contrato social somente foi levado a registro em alguns cartórios imobiliários em março de 2004, após o início da fiscalização. Além disso, os imóveis continuaram registrados em nome dos sócios, e a empresa constituída jamais exerceu atividade empresarial, nem mesmo a administração dos imóveis, que era feita por uma imobiliária. Até dezembro de 2001, os aluguéis dos imóveis arrolados no contrato de constituição da empresa foram tributados nas pessoas físicas dos sócios, mas, a partir de 2002, foram considerados como receitas da pessoa jurídica na sistemática do lucro presumido. Por considerar que a contribuinte constituiu, junto com seu cônjuge, uma pessoa jurídica com o intuito único e deliberado de fugir aos tributos devidos, configurouse a ocorrência de simulação e a multa de ofício foi qualificada para o percentual de 150%. O julgador de 1a instância manteve a qualificação da multa, considerando que a simulação estava comprovada pelos seguintes fatos (fls. 722 a 723): a) ação de despejo de imóvel integralizado a capital de empresa, na qual o autor não é a empresa, mas o autuado; b) retiradas diárias a título de distribuição de lucros, correspondentes a cheques compensados e a saques efetuados na conta da empresa; c) distribuição de lucros com imóveis integralizados retornando para os sócios (ora, se a empresa foi constituída, segundo o autuado, para os imóveis serem melhor administrados, incoerente e estranho, no mínimo, a distribuição de lucros mediante imóvel anteriormente integralizado); d) conta corrente em nome da empresa, mas de fato utilizada como conta pessoal dos sócios; e) registros de saídas, subsumindose, na grande maioria, à distribuição de lucros, não havendo registros de saídas relacionados à atividade empresarial; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 830 5 f) não haver, desde a constituição, desenvolvimento de atividades empresarias relacionadas com o objeto ou qualquer outra atividade empresarial aliado ao fato de a própria administração dos imóveis caber à administradora diversa; g) parte dos bens integralizados utilizados como residência do autuado e um de seus filhos, não havendo assim nenhum beneficio econômico da integralização para a empresa; h) utilização da casa de praia por familiares. De modo contrário, o acórdão recorrido considerou não estar comprovada a intenção dolosa, uma vez que os fatos foram devidamente declarados pelas pessoas físicas e jurídica e os tributos foram recolhidos, como demonstra o trecho abaixo transcrito (fls. 789 a 790): A decisão recorrida manteve a multa de 150%, alegando estar nos autos presentes circunstância que caracterizaria a fraude. Neste ponto, entretanto, discordo uma vez que os documentos dos autos comprovam, por exemplo, que a empresa Sociedade Muriaense Empreendimentos e Participações Ltda, tempestiva e regularmente, apresentou declarações e pagou os tributos que julgava devidos. Não caracterizo os fatos aqui narrados como sonegação ou fraude. Se assim fosse, não teria a pessoa jurídica mantido contabilidade regular, apresentado suas declarações e pago os tributos que entendida devidos. Da mesma forma, o Contribuinte/Recorrente não teria declarado em sua declaração de rendimentos os valores recebidos a título de distribuição de lucros. Assim, se a intenção fosse a de efetiva sonegação, nada disso teria sido declarado. Ao contrário, ocorreu uma forma equivocada de se estruturar administrativa, contábil e fiscalmente. Nada impede (não há lei que proíba isso) que o sujeito passivo, diante de várias alternativas de procedimento, opte por uma que lhe pareça mais econômica tributariamente, mesmo que tal escolha se mostre, ao longo do tempo, a menos adequada, ou até mesmo errada. Mas, o que é importante destacar, no caso concreto, é que os tributos que, tanto a pessoa jurídica, quanto o Contribuinte/Recorrente, entendiam devidos, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, foram recolhidos. O trabalho e revisão é ínsito à atividade administrativa. Consoante art. 44 da Lei 9.430/996, à aplicação da multa qualificada de 150% fazse necessário a plena configuração de uma das hipóteses estabelecidas nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. In casu, as omissões e propósitos do contribuinte chegaram ao conhecimento do fisco por meio de DIRF, o que descaracteriza a intenção dolosa. Refutando essa decisão, a Fazenda Nacional argumenta estar comprovada a ocorrência de fraude, por considerar que a transferência dos bens para uma empresa com a finalidade exclusiva de reduzir a tributação não revela mero planejamento tributário, mas evidente cadeia de atos fraudulentos. Discordo da recorrente. Apesar de me parecer correta a conclusão de que o planejamento tributário perpetrado pela contribuinte era indevido, não é possível se concluir Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 831 6 que foi realizado de forma dolosa. Isso porque não há impedimento legal para tributação de aluguéis na pessoa jurídica e, no caso, se o contribuinte tivesse cumprido todas as exigências formais para isso, não haveria sequer razão para qualquer lançamento de ofício. Afinal, como bem argumentado pelo acórdão recorrido, os fatos foram devidamente declarados ao Fisco, e os tributos foram recolhidos de acordo com a declaração, não havendo qualquer intenção de se ocultar o ocorrido. Além disso, há que se considerar que os mesmos fatos já foram analisados por esta 2a Turma, no Acórdão nº 920201.558, julgado na sessão de 10 de maio de 2011, quando da apreciação do lançamento do cônjuge da recorrente, a quem foram atribuídos 50% dos rendimentos omitidos. Naquela ocasião, por maioria de votos, concluiuse estar correta a desqualificação da multa de ofício. Transcrevo a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A pretensa simulação de negócio jurídico suscitada pela fiscalização, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo, sendo que tal ato não ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, considerando que a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos rendimentos por ele percebidos através das DIMOB apresentadas pelas fontes pagadoras. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado. Tomo a liberdade de citar alguns dos argumentos do voto vencedor, elaborado pelo Ilustre Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, que adoto como razões de decidir: (...) Segundo penso, o fato descrito como simulado, isoladamente, é insuficiente para a qualificação da multa de ofício, pois não configura o evidente intuito de fraude e, ademais, não ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, considerando que a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos rendimentos por ele percebidos através das DIMOB apresentadas pelas fontes pagadoras. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 832 7 Salvo melhor juízo, a autoridade lançadora sequer enquadrou a conduta do sujeito passivo nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, suscitando apenas a ocorrência de simulação de negócio jurídico. O dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, ou seja, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. Entendo que para a correta aplicação da multa qualificada, a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio, ilustrativamente, da utilização de documentos falsos, notas frias, etc. Sob minha ótica, nenhum elemento que pudesse justificar a exasperação da penalidade foi coligido aos autos pela autoridade lançadora. No caso, a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas foi detectada pela fiscalização pelas DIMOB apresentadas pela fontes pagadoras. É impossível para o contribuinte esconder estas informações da Secretaria da Receita Federal do Brasil. As circunstâncias dos autos podem evidenciar a omissão de rendimentos de aluguéis, mas não caracterizam o evidente intuito de fraude do contribuinte Lindberg Coelho, previsto ao tempo do lançamento, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, por não se enquadrarem em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (...) Sob minha ótica, a situação descrita pela fiscalização, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza sonegação, fraude ou conluio, da forma prevista nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Entendo, pois, que tais fatos se amoldam à regra do artigo 112, incisos II e IV, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Tenho como plenamente aplicável ao caso o Enunciado de Súmula CARF n° 14, segundo o qual “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Com esses fundamentos, penso que merece ser mantida a decisão recorrida, na medida em que não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício aplicada. (...) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 833 8 Dessa forma, nego provimento ao recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas. Passo à análise do recurso especial de divergência. A recorrente alega não ser possível se permitir que se compense de ofício, do tributo cobrado da pessoa física, os tributos pagos na pessoa jurídica sobre os mesmos rendimentos, pois essa matéria não foi diretamente impugnada, estando alcançada pelo instituto da preclusão. Ressaltese que esse assunto não foi apreciado no recurso especial relativo ao auto de infração lavrado contra o cônjuge da fiscalizada, citado anteriormente neste voto. De imediato, discordo dos argumentos do recurso. A compensação dos tributos já pagos sobre os rendimentos lançados, ainda que pela pessoa jurídica, constitui consequência direta do próprio lançamento, e pode ser determinada de ofício pela autoridade julgadora, se não tive sido implementada pela Fiscalização. Agir de modo diverso, acarretaria em uma das duas alternativas: a) movimentação desnecessária da máquina administrativa, que deveria restituir o imposto pago pela pessoa jurídica, sendo mais racional realizar o procedimento no curso deste processo; b) enriquecimento ilícito da Administração Pública, que terá recebido duas vezes pelo mesmo fato gerador (bis in idem), sem lei específica para tal, caso se considere impossível o pedido de restituição, por já ter se passado cinco anos do fato gerador. Dessa forma, nego também provimento ao recurso especial de divergência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento aos recursos especiais por contrariedade e de divergência do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10552.000244/2007-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/09/2006
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos
543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à
ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.087
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 02/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O presente processo decorre de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, relativo às competências de 04/2001 a 09/2006. A contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 130 a 149) por meio da qual sustentou (i) a decadência das contribuições lançadas no período de 04/2001 a 11/2001, bem como (ii) a inconstitucionalidade da contribuição social instituída pela Lei n° 9.876/1999. A Quarta Câmara da Segunda Turma Ordinária da Segunda Sessão de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao apreciar o recurso voluntário apresentado pela contribuinte, exarou o acórdão n° 240200.799, que se encontra às fls. 253/ e cuja ementa é a seguinte: “CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. RECONHECIMENTO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10552.000244/200784 Acórdão n.º 920202.087 CSRFT2 Fl. 2 3 Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. DECADÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE n° 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange a decadência, o que dispõe o art. 150, § 40, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara por maioria de votos, deu parcial provimento para excluir da exigência os fatos apurados até a competência 11/2001. Intimada pessoalmente do acórdão em 29/11/2010 (fls. 272) a Contribuinte interpôs o recurso especial de fls. 273/287, em que sustenta, em apertada síntese, que a decadência dos tributos em questão deve observar ao disposto no artigo 150, §4º do CTN e não ao artigo 173, inciso I do referido diploma, conforme divergência jurisprudencial apresentada, razão pela qual pleiteia a exclusão do lançamento da competência 12/2001. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 233/2011, de 03 de maio de 2011 (fls. 309/311). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Contribuinte a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões de fls. 314/319. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Examino primeiramente o paradigma invocado pela Recorrente para demonstrar a divergência necessária ao conhecimento do recurso especial quanto ao dispositivo legal aplicável para contagem da decadência (Acórdão n. CSRF/0400.761): "DECADÊNCIA — Sujeitandose o rendimento das pessoas fisicas a incidência na declaração de ajuste anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4° do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 (...) a incumbência de apurar e pagar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, diz respeito a espécie de lançamento por homologação, na forma do artigo 150 do CTN (...). Os fundamentos do voto vencedor do acórdão vergastado bem esclarecem a matéria: A natureza do lançamento é determinada pela legislação do tributo, que impõe ao sujeito passivo a obrigação de ocorrido o fato gerador, identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade. Se não houver imposto a pagar, por ter havido prejuízo ou pela operação não estar sujeita a incidência tributária, a natureza do lançamento não se altera. Com efeito, a existência ou não do pagamento é irrelevante para fins de aplicação do prazo decadencial previsto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, consoante entendimento consagrado neste Conselho: "IRPF — DECADÊNCL4 — GANHO DE CAPITAL A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. (..) (Acórdão CSRF/0104.493 de 14/04/2003 — DOU de 12/08/2003). (...) ousamos afirmar que o pagamento antecipado não é da essência do lançamento por homologação. (...) O fato de eventualmente inocorrer a antecipação do pagamento não desnatura o lançamento por homologação (...)" Com efeito, no caso do acórdão apontado como paradigma a referida decisão expressamente reconheceu que a existência ou não de pagamento é irrelevante, sendo aplicável a regra do artigo 150, §4º do CTN para contagem do prazo de decadência, conclusão essa que diverge frontalmente do v. acórdão recorrido. Entendo, assim, que estão presentes os requisitos para o conhecimento do recurso especial. No mérito, a questão a ser enfrentada é a aplicação do §4º do art. 150 do CTN para verificação da ocorrência da decadência ou a aplicação do disposto no art. 173, inciso I, do CTN, o que em termos práticos postergaria o início do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existëncia de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10552.000244/200784 Acórdão n.º 920202.087 CSRFT2 Fl. 3 5 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, como se verifica do voto condutor do acórdão proferido pelo CARF, a contribuinte deixou de recolher as contribuições previdenciárias incidentes na contratação de serviços prestados por cooperativas. Entendo, no entanto, diversamente do quanto sustentado pelo I. Relator do v. acórdão recorrido, assim como pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que o deslocamento da regra de contagem do prazo decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, ambos do CTN, requer a ausência total de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte, devidamente comprovada nos autos. De fato, no caso em questão, a ausência de recolhimento só foi demonstrada em relação ao prestador de serviços, como se verifica das cópias do relatório de lançamento de fls. 26/32 e do DAD de fls. 06/17. Ou seja, a fiscalização não demonstrou que não houve recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes, por exemplo, sobre a folha de salários da Contribuinte, razão pela qual entendo que não cabe a aplicação do artigo 173, inciso I do CTN. Logo, aplicase no presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Considerando que a ciência do lançamento se deu em 05/01/2007, devese declarar a decadência para a competência de 12/2001, como pleiteia a Recorrente. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para reconhecer a decadência relativa à competência 12/2001. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 10940.002841/2005-16
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: INADMISSIBILIDADE DO RECURSO DA PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE NÃO COMPROVADA. O recurso voluntário deve ser apresentado pelo próprio Contribuinte ou por pessoa que esteja devidamente autorizada por ele a fazê-lo, do contrário não preenche o requisito da legitimidade, necessário à sua apreciação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindo-se o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de contraditar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE DE FATO. PESSOAS ESTRANHAS AO VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vinculo de fato entre pessoas físicas estranhas ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. BINGO. Na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da 2 Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurar-se a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Não havendo documentos e escrituração das receitas a serem apresentadas pela pessoa jurídica, tem-se como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. LANÇAMENTO REFLEXO –CSLL, Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: INADMISSIBILIDADE DO RECURSO DA PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE NÃO COMPROVADA. O recurso voluntário deve ser apresentado pelo próprio Contribuinte ou por pessoa que esteja devidamente autorizada por ele a fazê-lo, do contrário não preenche o requisito da legitimidade, necessário à sua apreciação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindo-se o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de contraditar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE DE FATO. PESSOAS ESTRANHAS AO VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vinculo de fato entre pessoas físicas estranhas ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. BINGO. Na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da 2 Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurar-se a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Não havendo documentos e escrituração das receitas a serem apresentadas pela pessoa jurídica, tem-se como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. LANÇAMENTO REFLEXO –CSLL, Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
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LEGITIMIDADE NÃO COMPROVADA. O recurso voluntário deve ser apresentado pelo próprio Contribuinte ou por pessoa que esteja devidamente autorizada por ele a fazêlo, do contrário não preenche o requisito da legitimidade, necessário à sua apreciação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de contraditar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE DE FATO. PESSOAS ESTRANHAS AO VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vinculo de fato entre pessoas físicas estranhas ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. BINGO. Na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurarse a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Não havendo documentos e escrituração das receitas a serem apresentadas pela pessoa jurídica, temse como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. LANÇAMENTO REFLEXO –CSLL, Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Costa. Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório Por pertinente e economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.1889/1894) que a seguir transcrevo: Este processo trata de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 884895), Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 896904). Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 905 913), e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 914926) por meio do qual se lançou o crédito tributário no importe total de R$ 1.108.116,84, atualizado até 30/11/2005, conforme cálculos espelhados às fls. 02. O lançamento tem por sujeito passivo a pessoa jurídica identificada no frontispício desta peça e, como responsáveis solidários, as pessoas físicas discriminadas nos seguintes termos de sujeição passiva solidária: a) N° 01/2005 (fls. 870871) Marcos Antonio da Silva. CPF n° 470.Í09.40991; b) N° 02/2005 (fls. 872873) Airton José Dias Coradassi, CPF n° 313.166.03920: c) Nº 03/2005 (fls. 874875) Elilton Dias Coradassi. CPF n° 339.695.90949; d) Nº 04/2005 (fls. 876877) Onaireves Nilo Rolim de Moura, CPF n° 034.630.60949; e) N° 05/2005 (fls. 878879) Bento de Oliveira Bueno, CPF n° 183.781.45972; f) N° 06/2005 (fls. 880881) Renato Assis Rolim de Moura, CPF n° 318.016.68949; e g) N° 07/2005 (fls. 882883)Jair Leite, CPF n° 317.805.55920 As ocorrências e circunstâncias que determinaram a feitura do lançamento se encontram minuciosamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 836868. Os aspectos mais relevantes, que serão analisados com mais vagar no Voto, encontramse sintetizados na seqüência, de forma bastante apertada: a ação fiscal iniciouse por requisição do Ministério Público Federal (fls. 32), cuja autuação fora provocada por auditoria da Caixa Econômica Federal (Fls. 3743), que constatou irregularidades nas prestações de contas dos recursos arrecadados com a exploração de jogos de bingo pela sociedade Bingo Campos Gerais Ltda (Golden Bingo); intimada a apresentar documentação para auditoria, por meio de procurador, a contribuinte relatou, sem apresentar qualquer comprovante do fato, que a documentação fora apreendida por autoridade policial quando se encontrava no interior do ""Las Vegas Bingo Show", em Curitiba (PR), Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 razão pela qual não apresentou qualquer documento. Todavia, o nome da autuada não consta da relação de empresas que, conforme informação prestada pelo MM. Juiz de Direito, Pedro Luis Sason Corat (fls. 1819), tiveram documentos apreendidos na aludida ação policial; inviabilizado o exame da documentação, o Fisco contatou e colheu depoimentos das seguintes pessoas: A) Idema dos Anjos Brizola (fls. 191217) e Ernesto Francisco Silvaltis (fls. 179190), os quais ainda figuram como sócios de Bingo Campos Gerais Ltda; B) Adriana Ferreira, que passou a assinar Adriana de Camargo, em virtude de casamento (fls. 222223 e 224225), que figurou inicialmente como sócia majoritária de Bingo Campos Gerais Ltda; C) Eliane Cristina Pontarolo (fls. 238246), Gislaine Schneider (fls. 259266) e Ailine Moraes, todas funcionárias da empresa autuada; D) Adilson Cardoso (fls. 247258). funcionário que se tornou sócio de fato da sociedade autuada; e E) Nelson Kosinski (fls. 277289), presidente da Liga Esportiva de Ponta Grossa e Campos Gerais (Liga Taekwondo); além das informações prestadas cm seu depoimento, a Sra. Adriana de Camargo (exAdriana Ferreira) apresentou os diversos documentos que se encontram listados no item "2.2.3" do Termo de Verificação Fiscal (fls. 848854); a fiscalização relata que, em 22/01/1999, a empresa Sport House Franquias Lida, sediada em Curitiba (PR) e dedicada ao ramo de importação, exportação comércio de materiais esportivos, abriu filial em Ponta Grossa, sob a denominação de Golden Bingo, oportunidade em que acresceu às suas atividades a exploração de jogos de bingos. Embora o contrato social acusasse como membros dessa sociedade apenas os Srs. Guilherme Augusto Rolim de Moura e Alessandro Henrique Poersch Rolim de Moura, a fiscalização concluiu que seus verdadeiros proprietários seriam os senhores Airton Coradassi, Elilton Coradassi, Jair Leite, Bento Bueno de Oliveira, Renato Assis Rolim Moura, Marcos Antonio da Silva e Onaireves Nilo Rolim de Moura, este último na condição de principal sócio. Concluiu, também, que a filial da empresa Sport House Franquias Ltda. em Ponta Grossa (PR), em realidade, servia apenas como fachada, para que os donos de fato do Golden Bingo pudessem atuar livremente, sem impedimentos de qualquer natureza; após dois anos de funcionamento do Golden Bingo como filial da Sport House, surgiram dificuldades na obtenção de certidões em nome desta empresa. Por essa razão, constituíram outra sociedade, a empresa autuada, Bingo Campos Gerais Ltda. ESTA NOVA SOCIEDADE TAMBÉM NÃO FOI CONSTITUÍDA EM NOME DOS VERDADEIROS PROPRIETÁRIOS , e sim em nome de interpostas pessoas desprovidas de capacidade econômica ou financeira, a saber, Adriana Ferreira e Ernesto Francisco Silvaltis; a manutenção do controle das atividades pelos verdadeiros Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 3 5 proprietários foi garantida pela assinatura de contrato de sociedade em conta de participação (fls. 108109) no qual figuravam, como sócio ostensivo, a empresa Bingo Campos Gerais Ltda, representada pelos seus sócios formais, e como sócios ocultos os sócios verdadeiros proprietários; a quantificação da receita omitida se fez com base nas cartelas de bingo adquiridas no período de 31/05/2001 a 30/12/2003, em conformidade com a metodologia descrita nos itens: "4.1 Da metodologia de Cálculo Adotada'': "4.2 Dos "Impressos Promocionais Personalizados""; c ""4.3 Das Considerações Finais", constante às fls. 861864; devido à não apresentação dos livros contábeis/fiscais obrigatórios, e em face das notícias de sua inexistência, arbitrouse o lucro da autuada. A forma de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL se encontra discriminada às fls. 865866. As bases de cálculo do PIS e da COFINS são os valores mensais da receita omitida, discriminados no demonstrativo consolidado de fls. 869; a fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada, que foi por ela fundamentada nos seguintes termos: "No presente caso. ficou claro que com a utilização de interpostas pessoas no quadro societário da autuada, houve o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária dos seus verdadeiros donos. E como se isso não bastasse,restou comprovado que acintosamente inexistia escrituração regular das operações de venda de cartelas e pagamento de prêmios de jogo de bingo, desenvolvidas pela autuada, nem mesmo a correta confissão de débitos ao Fisco Federal nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais apresentadas. Em vista do exposto, fica caracterizada a prática de sonegação passível de qualificação da multa, conforme preceitua o art. 44. II. da Lei nº 9.430/1996." também foi imposto o agravamento da multa de ofício, dado o desinteresse da autuada de apresentar os esclarecimentos e documentos a que foi intimada, conforme esclarecimento estampado às fls.866867; tendo em vista a solidariedade passiva instituída pelo art. 124 do Código Tributário Nacional entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a fiscalização lavrou os sete Termos de Sujeição Passiva Solidária já aludidos (fls. 870883) entre aquelas pessoas físicas e a pessoa jurídica autuada. Os enquadramentos legais respectivos encontramse discriminados no campo próprio de cada auto de infração. A ciência dos lançamentos e dos Termos de Sujeição Passiva Solidária ocorreu nas seguintes datas: a)Jair Leite,em 14/12/2005 (fls.931); b) Marcos Antonio da Silva, Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 em 14/12/2005 (fls.932); c) Onaireves Nilo Rolim de Moura, em 14/12/2005 (fls.933): d) Elilton Dias Coradassi, cm 14/12/2005 (fls. 934); e) Airton José Dias Coradassi, cm 14/12/2005 (fls.935); f) Bento de Oliveira Bueno, em 14/12/2005 (fls. 936): g) Renato Assis Rolim de Moura, conforme edital afixado na DRF/Ponta Grossa, em 14/12/2005 (fls.939); e h) Bingo Campos Gerais Ltda, conforme edital afixado na DRF/Ponta Grossa, em 14/12/2005 (fls. 941942). Em 13/01/2006, foram apresentadas as seguintes impugnações subscritas pelo advogado Edson Aparecido Stadler: a) em nome de Bento de Oliveira Bueno (fls. 943 958); e b) em nome de Airton José Dias Coradassi e Elilton Dias Coradassi (fls.961977). Em 16/01/2006, foram apresentadas as seguintes impugnações, elaboradas pelo escritório Saliba Oliveira e Advogados Associados e subscrita pela advogada Cíntia Alferes Chueire:a) em nome de Jair Lei (fls. 9841.016); b) em nome de Marcos Antonio da Silva (fls. 1.0181.047); e c) em nome de Renato Assis Rolim de Moura (fls. 1.0491.082). Em 20/01/2006, foi apresentada impugnação em nome de Onaireves Nilo Rolim dc Moura(fls.1.0971.106), subscrita pelo advogado Fernando Zenato Negrele, e em 30/01/2006, foi apresentada impugnação em nome da autuada, Bingo Campos Gerais Ltda (fls. 1.1131.140), subscrita pelo advogado Luiz Antonio Pereira Rodrigues, com poderes substabelecidos por Cíntia Alteres Chueire. As alegações vertidas nas peças impugnatórias, em síntese apertada, são as seguintes: 1 Bento de Oliveira Bueno reconhece que. durante pouco tempo, foi sócio de fato do empreendimento denominado Bingo Campos Gerais Ltda., quando ainda se chamava Sport House, e somente auferiu prejuízos dessa participação societária. Argumenta que, na dicção do Código Tributário Nacional, o contribuinte deve ter relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, o que não acontece consigo. Aduz que a responsabilidade do sócio, com relação às dívidas fiscais contraídas pela sociedade, ocorre apenas quando aquele, no exercício da gerência ou de outro cargo na empresa, exorbitou do poder ou infringiu a lei, o contrato social ou estatuto. Por isso, na remota hipótese de ser considerado sócio, a responsabilidade da pessoa jurídica não o alcança. Sustenta que a responsabilidade tributária da empresa é exclusivamente sua, não se transferindo aos sócios, a não ser em situações excepcionais; e que, se débitos fiscais existem, estes devem ser cobrados da pessoa jurídica que lhes deu causa. Em sustentação a tal raciocínio, transcreve julgados do Superior Tribunal de Justiça. Argumenta que a empresa tem personalidade jurídica distinta da de seus membros, possibilitando assim que possua capital próprio, que passa Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 4 7 a responder pelas dívidas por ela contraídas, e que o simples inadimplemento da obrigação tributária, apesar de configurar infração à lei, não implica, pelo art. 135, inciso III, do CTN, responsabilidade tributária do gerente, diretor ou representante de pessoa jurídica de direito privado. Acresce que, para que se verifique a responsabilidade tributária prevista no art. 135, inciso III, do CTN, o gerente, diretor ou representante da sociedade, há que praticar ato doloso ou não, que configure ocultação da obrigação tributária ou da intensidade desta, infração de cláusula do contrato, ou ainda, cometimento de ilícito cuja conseqüência seja hipótese de incidência de norma tributária material; diz, também, que devese investigar quem auferiu benefício com o ilícito praticado, e que a pessoa que auferiu o ilícito é responsável pessoalmente pelo pagamento do tributo, enquanto quem praticou o ato é responsável pessoalmente pelas penalidades decorrentes, previstas em lei; impugna o lançamento, argumentando que sempre cumpriu, enquanto compôs a sociedade, os rigores fiscais e demais controles do Poder Público. Impugna os documentos acostados e relacionados no Termo de Verificação Fiscal, assim como a base de cálculo utilizada, porque as qualifica de inverídicas; referindose às notas fiscais de compra de cartelas, apresentadas pelas gráficas, alega que, mesmo tendo sido impressas, não teriam sido utilizadas, pois o movimento dos bingos não comportava tamanha demanda. Acrescenta que eram inúmeras as devoluções de cartelas, bem como as rodadas gratuitas realizadas, sem falar nas inutilizadas. Por tais razões, a simples impressão de cartelas não pode ser quantificada para a receita presumidamente obtida; 2 Airton José Dias Coradassi e Elilton Dias Coradassi também reconhecem que durante lapsos temporais distintos e variados, mas igualmente pequenos, figuraram como sócios de fato do Bingo Campos Gerais Ltda, quando esta ainda se chamava Sport House, sem, entretanto, jamais integrar seu contrato social. Esclarecem que o Sr. Airton possuiu 13% (treze por cento) e foi sócio até o mês de maio de 2000, período distinto das supostas infrações, que teriam ocorrido a partir de maio de 2001;e o Sr. Elilton, cm outubro de 2000, havia vendido 3% de sua participação, tendo vendido os restantes 10% em junho de 2001, para Onaireves Rolim de Moura e Renato Moura, oportunidade em que “praticamente” saiu da sociedade no período em que começaram as alegadas infrações, razão pela qual deveria ser retirado do processo, pois não seria parte legítima para nele figurar. Alegam, também, que tais participações foram revendidas por preço inferior ao de aquisição, sendo que a sociedade jamais lhes teria propiciado lucros, e que receberam, a título de prolabore, Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 valores irrisórios, que foram reinvestidos na empresa, resultando em prejuízos; reportandose às notas fiscais de compra de cartelas, apresentadas pelas gráficas, argumentam que se referem ao período de 31/05/2001 a 30/12/2003, período distinto àquele em que teriam composto a sociedade, pegando no máximo um mês do período de transição do Sr. Elilton, e que, mesmo tendo sido impressas, não teriam sido utilizadas. No mais, reiteram os mesmos argumentos vertidos na impugnação do Sr. Bento de Oliveira Bueno; 3 Jair Leite relata que o Sr. Onaireves Rolim de Moura era possuidor da empresa Sporl House Franquias Lida, constituída em Io de setembro de 1998 em nome de seus filhos, Guilherme e Alessandro Rolim de Moura, e, em 15/01/1999 abriu uma filial que funcionava como casa de bingo, tendo convidado o impugnante, em fevereiro de 1999, a participar desse empreendimento. Acrescenta que, por ser credor do Sr. Onaireves, devido à prestação de serviços para sua empresa e trabalhos políticos pessoais, concordou em ingressar no negócio, tendo investido a quantia de R$ 80.000,00, integralizados parte com o crédito, e parte com recursos em espécie, além de um parcelamento, cujos valores sairiam do sucesso do empreendimento, através do desconto na participação sobre os lucros, que seria de 16% (dezesseis por cento) sobre o rendimento líquido auferido. Argumenta que, apesar de o negócio lhe parecer promissor na ocasião, jamais propiciou o retorno esperado, tendo acarretado apenas prejuízos, devido à grande concorrência. Aduz que ingressou em um negócio com estrutura montada e dívidas contraídas, de cuja administração jamais participou, tendo recebido apenas alguns relatórios de movimentação; informa que, na condição de investidores, outras pessoas foram trazidas ao empreendimento pelo Sr. Onaireves Moura, e que esses investidores, com exceção do impugnante, elegeram um representante que comparecia ao bingo, aleatoriamente, para verificar o faturamento e a contabilidade, com os registros das despesas gerais c a receita, objetivando uma contabilidade real, da qual resultaria a operação do lucro, do qual seria extraído o rendimento de cada investidor. Entretanto, o resultado quase sempre era negativo, exigindo dos investidores o aporte de mais recursos para a continuidade do empreendimento, de sorte a assegurar o retorno do capital investido. Informa que essa contabilidade com o registro da real movimentação do bingo acabou por se perder, devido às ações da polícia, nada tendo dela restado; assegura que a análise dos autos revela sua total alienação nos negócios da empresa, e que todas as transações para o translado de "Sport Mouse" para "Bingo Campos Gerais" ocorreram à sua revelia, o que se confirma pela ausência de sua assinatura nos contratos de Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 5 9 fls. 108109 e 110113. Diz, também, que todas as testemunhas ratificam a falta de participação direta ou indireta na administração do bingo, sendo que algumas sequer o mencionam como sócio, enquanto outras o consideram um fornecedor, e que os valores depositados em sua conta pessoal, que qualifica de quantias ínfimas, podem se referir a pagamentos por prestação de serviços, sendo que os recibos sequer contêm sua assinatura, tendo sido esporádicos e escassos, confundindose com o montante investido no empreendimento; reitera que jamais figurou como sócio da empresa, posto que jamais constou do contrato social e jamais participou de sua administração. Por isso, não deve ser tratado como sócio, c sim como um investidor; assegura que, mesmo na condição de sócio, estaria alcançado pela desobrigação tributária, porque o fechamento do bingo se deu contra a vontade dos sócios c não de forma irregular, o que poderia caracterizar a responsabilidade tributária do sócio que o deu causa; mesmo a defesa tendo sido elaborada por advogado distinto, reitera literalmente a argumentação já vertida pelos impugnantes anteriormente relatados a respeito de o sócio somente responder por dívidas da sociedade quando, no exercício da gerência ou outro cargo, exorbitou do poder ou infringiu a lei, inclusive as mesmas citações jurisprudenciais. Acrescenta, todavia, entendimento doutrinário cm sustentação à sua tese; reclama que o cálculo da receita foi aleatório, partindo de meras suposições de rendas; informa que as cartelas de bingo eram impressas de forma seriada, por cores, sendo que cada caixa constitui uma série (cor), com valor unitário de cada cartela e contém 12.000 (doze mil) cartelas. Exemplifica com a série de cartelas vermelhas, com valor unitário de R$ 1,50. Diz que, encerrado o dia, constatase a venda de 8.000 (oito mil) cartelas da série, e uma sobra de 4.000 (quatro mil) cartelas. Argumenta que estas não mais poderiam ser vendidas juntamente com as cartelas da mesma série, retirada de outra caixa, porque haveria o risco de se ter dois acertadores, dada a coincidência de numeração das cartelas. Diz que o mesmo raciocínio se aplica às cartelas de R$ 2,00, de R$ 2,50 e de outros valores. Também acrescenta que a cada cinco rodadas, era promovida uma gratuita, como forma de promoção, e que esse procedimento ocorria em todas as casas de bingo. Conclui, com base nesse raciocínio, que a apropriação das receitas pela metodologia adotada pela fiscalização e totalmente aleatória e viola direito líquido e certo seu; diz que, quando ingressou no empreendimento, constatou que havia o recolhimento regular dos tributos, e que tais recolhimentos não se encontram nos autos e tampouco Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 foram considerados. Alega que, no interesse dos investidores, o bingo sempre se obrigou a manter em dia sua contabilidade, e que essa contabilidade se extraviou quando foram apreendidos lodos os documentos contábeis; e que se tais documentos existiam e nenhuma cópia tiveram a empresa e seus investidores, a responsabilidade é da polícia; argumenta que a empresa possuía conta bancária em três bancos distintos, e que o lançamento deveria estar baseado na movimentação dessas contas e nos relatórios fornecidos pela Caixa Econômica Federal, às fls. 3743. Reclama que as despesas da empresa foram desconsideradas, e que não se levou em conta os períodos em que o funcionamento do bingo foi interrompido por ordem policial, com os investidores suportando todas as despesas sem auferir qualquer renda; na seqüência, argúi a nulidade da prova testemunhal dizendo que as informações dadas pelas testemunhas, comparadas à ilusória quantidade de cartelas, levaram a um hipotético faturamento da empresa. Reclama que as pessoas ouvidas são parte no processo, têm interesse no seu deslinde e foram ouvidas sem qualquer critério de credibilidade. Argumenta, ainda, que não se admite prova testemunhal em processo administrativo fiscal; 4 Marcos Antonio da Silva relata que, em meados do ano 2000. foi convidado por Onairevcs Nilo Rolim de Moura a participar de um empreendimento que funcionava como casa de bingo, tendo investido aproximadamente R$ 100.000,00, pagos à vista, além de um parcelamento, cujos valores sairiam do sucesso do empreendimento, através do desconto na participação sobre os lucros, que seriam de 20% sobre o rendimento. Todavia, esse investimento foi uma total frustração; no mais. reitera as mesmas alegações vertidas pelo impugnante Jair Leite; 5 Renato Assis Rolim de Moura Sua impugnação apresenta duas partes distintas. A primeira delas, intitulada "Breve Resumo Fático Pelo Próprio Autuado", e subscrita pelo próprio impugnante. Seu conteúdo, em resumo, é o seguinte: relata que, em janeiro de 1999, residia em Curitiba e explorava uma loja de vídeolocadora. quando foi convidado a participar da montagem do Golden Bingo, na cidade de Ponta Grossa (PR). Em razão de seus conhecimentos técnicos em informática, som e vídeo, montou uma equipe de eletricistas, pedreiros e carpinteiros, contratou serviços de terceiros e montou as instalações do Golden Bingo, tendo servido de fiador da Sport House junto à imobiliária. Pelos serviços, receberia a importância de R$ 15.000,00, que lhe foram pagos na Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 6 11 forma da participação de 20% nos lucros mensais do negócio, sendo que ficou incumbido de acompanhar o gerenciamento dos supervisores e gerentes da sala de jogos; adiciona que, após o primeiro ano dc serviços, em razão dos poucos resultados obtidos na participação societária, passou a receber salário mensal no valor de R$ 1.800,00. Em razão do tempo dedicado às suas atividades em Curitiba, passou a administrar apenas parcialmente o Golden Bingo. Uma vez por semana, ou mediante alguns telefonemas diários, obtinha informações c passava as instruções à equipe de funcionários c gerentes em Ponta Grossa. Recebia constantes visitas de todos os investidores, que verificavam os livros e movimentos diários; afirma que o Golden Bingo foi fundado por pessoas de boafé que tinham uma relação de amizade e família. Diz ter conhecimento de que, durante o período em que a Caixa Econômica Federal teve competência para fiscalizar a atividade, ocorreram mais de três auditagens dentro do salão do Golden Bingo, sendo praxe o procedimento de aferição dos relatórios apresentados, confrontando com a planilha do fiscal in loco. Diz que, entre os anos de 2001 e 2002, foram preenchidos c depositados os impostos decorrentes das partidas, e pagamento de prêmios de bingo, segundo relatório apresentado pela empresa Tecplan Consultoria e Auditoria, por eles contratada, a qual teria prestado conta de todo o período em que o bingo esteve subjugado à Caixa Econômica Federal; alega que a concorrência de duas outras casas de bingo, que fecharam antes do Golden Bingo, inviabilizaram a atividade em Ponta Grossa. Também culpa outros fatores pelo insucesso do empreendimento, tais como a constante ingerência do Estado e da União, com imposição de critérios e encargos volumosos e diferenciados. Diz ser verdade que o Golden Bingo mantinha relatórios de movimento mensal e caixa diário. Entretanto, cm duas oportunidades, todos os documentos teriam sido retirados bruscamente de seus arquivos; diz que, em 13/03/2002, apesar de não mais lhe competir sobre aspectos gerenciais do empreendimento, foi chamado às pressas para recompor as instalações do bingo,por liminar do STJ. Informa que encontrou o salão de bingo completamente desmontado, com mesas e cadeiras amontoadas e lixo espalhado pelas diversas dependências, e que ficou atônito com a falta de todos os equipamentos eletrônicos, computadores e aparelhos de som e vídeo, além de fios e cabos de conexão, que pareciam ter sido arrancados às pressas; e que no escritório faltavam arquivos e móveis. Diz que ficou sabendo que a atitude da supervisora havia sido tomada quase trinta dias antes e Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 que, por essa razão, foram coagidos a firmar um contrato de transação e outras avenças com a mesma e seu marido, para a devolução do que fora furtado nas dependências do Bingo, e que foi necessária uma carreta de 25 toneladas para o transporte de apenas parte desses bens,e que foram necessários mais dois dias para recompor as instalações; acrescenta que permaneceu na gerência até o dia 13/03/2002, quando assumiu o Sr. Marcos Antonio da Silva, e que após esse período não mais recebeu salário, limitandose a pequenos recebimentos de prolabore. Exterioriza sua decepção com a atividade de bingo, e diz que sua conta bancária revela que em, momento algum do período de 2001 a 2005, teve situação financeira compatível com grandes ganhos; historia que participou do empreendimento desde a fundação, em janeiro de 1999, até a definitiva cassação, pelo Superior Tribunal de Justiça, da liminar que autorizava seu funcionamento, e diz que, como resultado do seu trabalho no período de 28/01/2000 até 13/03/2002, recebeu o valor bruto de R$ 24.300,00 pelo gerenciamento, e que, a título de prolabore, no período de janeiro de 1999 até a cassação da liminar pelo STJ, recebeu a importância de R$ 30.000,00, e que tais importâncias foram movimentadas em sua conta no Banco Santander; diz que, no período de 2001 ate 2005, não teve qualquer acréscimo patrimonial advindo dos resultados do Golden Bingo; pelo contrário, teve que se desfazer de automóvel e de poupança, em razão de prejuízos; e que nesse período teve que pagar diversos títulos em cartório, já protestados, e que incorreu em atrasos na taxa de condomínio, no financiamento de sua residência e nas mensalidades escolares de seus filhos; declara, também, que todos os seus atos gerenciais foram de pleno conhecimento de seus sócios ocultos, os quais, por nenhuma razão, podem eximirse de suas responsabilidades. Exterioriza seu entendimento de ser falho o arbitramento fiscal, e que este poderia ter se baseado cm documentos de auditagem da CEF, que esteve dentro do bingo e pôde comprovar seu movimento real. Diz, ainda, que não reconhece como seus os recibos de pagamentos de pro labore preenchidos com a letra de Adriana Ferreira e sem sua assinatura; c que tampouco pode afirmar que os recibos de depósitos em sua conta corrente apresentados nos autos se referiam a prolabore, pois diversas vezes se confundiram com remessas para pagamentos de despesas e compra de equipamentos de manutenção ou reembolso de despesas de viagens; diz, também, desconhecer os motivos pessoais que levaram Adriana Ferreira a acusálo pela apresentação de sua DIPJ, e que, na condição de amigo particular e padrinho de seu casamento, não reconhece que suas ações e declarações tenham sido apenas por vontade própria; Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 7 13 6 Onaireves Nilo Rolim de Moura eximese de qualquer responsabilidade quanto aos atos e fatos, argumentando que jamais teve qualquer parte ou participação na sociedade ou nas atividades da empresa Bingo Campos Gerais Ltda. Por tais razões, diz estar integrando indevidamente o procedimento fiscal; afirma que os próprios auditoresfiscais demonstraram que foi criada a empresa Sport House Franquias Ltda, que recolheu regularmente todos os seus tributos e contribuições, e que nenhum documento comprova qualquer débito dessa para com o Fisco Federal. Acrescenta que sua irresponsabilidade pode ser verificada no Instrumento Particular de Transação apreendido pela fiscalização, do qual constam os nomes de várias pessoas, mas não o seu; alega que os depósitos mencionados no Termo de Verificação Fiscal nada provam em relação à sua pessoa, porque teriam sido efetivados em época anterior a qualquer irregularidade fiscal. Diz que tais depósitos são decorrentes de devoluções de empréstimos aos sócios da empresa Sport House, que eram integrantes de sua família, e que não existe qualquer ilegalidade ou irregularidade no ato de um pai conceder empréstimos aos filhos; diz que a irregularidade fiscal ocorreu somente nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, quando não foram apresentadas as respectivas DIPJ, e que a própria fiscalização reconhece que extraiu suas conclusões com base em prova testemunhal, de pessoas que trabalharam na empresa Bingo Campos Gerais Ltda, que foi constituída em 15/02/2001. Entretanto, em análise dos depoimentos, não se encontra qualquer prova de que sua pessoa participasse de tais empresas, apenas meras insinuações; analisando trechos dos depoimentos das diversas testemunhas, procura demonstrar que não teve qualquer participação direta ou oculta na empresa Sport House Franquias Ltda. ou Bingo Campos Gerais Ltda. Diz ser justo c necessário se concluir com base em provas concretas e depoimentos firmes, e não em meras insinuações. Diz que o que ocorreu foram apenas conclusões equivocadas, tomadas por falsas informações de terceiros não identificados, e que tais pessoas, sabendo que seus filhos eram os proprietários da Sport House Franquias Ltda., concluíram equivocadamente que alguma parte poderia lhe pertencer; a segunda parte da impugnação é subscrita pela advogada Cíntia Alferes Chucirc c reproduz as mesmas alegações vertidas nas impugnações de Jair Leite e Marcos Antonio da Silva; 7 Bingo Campos Gerais Ltda Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 a impugnante historia que foi constituída como sucessora da empresa Sport House Franquias Ltda., instaurada por iniciativa de Onaireves Nilo Rolim de Moura, para funcionar como casa de bingo, de cujo contrato social constava o nome de seus filhos, Guilherme Augusto Rolim de Moura e Alessandro Henrique Poersch Rolim de Moura. Acrescenta que, para fomentar o empreendimento, foram atraídos vários investidores que vislumbravam grandes lucros, mas que não obtiveram o êxito esperado e atribui as causas do insucesso à concorrência e a entraves impostos pela administração pública. Diz que existia uma contabilidade com a real movimentação do bingo, mas que esta se perdeu devido a ações policiais; reportandose à metodologia adotada pelo Fisco para quantificar a receita omitida, reproduz literalmente a argumentação constante da impugnação de Jair Leite, já relatada. Diz que sempre houve o recolhimento regular dos tributos, mas os mesmos não se encontram nos autos, e tampouco foram considerados. Acresce que o bingo sempre manteve em dia sua contabilidade para remunerar o capital investido, mas que a mesma foi apreendida pela polícia. Diz que não se pode elaborar o cálculo da receita através de documentos contábeis desaparecidos depois de ação da polícia, e que o cálculo tem que estar baseado na movimentação bancária e nos relatórios fornecidos pela Caixa Econômica Federal. Reclama do cálculo da receita, que qualifica de aleatório, e diz que a realidade é outra, e que sobre essa realidade, a responsabilidade, se houver, deve ser atribuída somente a ela, impugnante; também argúi a nulidade da prova testemunhal em procedimento administrativofiscal; reportandose à base de cálculo do PIS c da COFINS, afirma que, do valor da venda de cartelas de jogos de bingo, devem ser abatidos os valores repassados para as premiações. Acrescenta que, alem do absurdo de se considerar que todas as cartelas de jogos eram vendidas, a norma em que os agentes fiscais se respaldaram (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98), recentemente, foi julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conforme matérias publicadas, que reproduz. Argumenta que jamais se pode imaginar que todas as cartelas dos jogos eram vendidas, rendendo lucro para a empresa. A primeira razão é que o número de cartelas vendidas não conferiria com o entendimento equivocado dos agentes. A segunda razão é que os valores das premiações deveriam ser considerados. Pleiteia, portanto, que o cálculo do PIS e COFINS seja refeito, utilizando como base os valores fornecidos pela movimentação bancária da empresa e pelos relatórios da Caixa Econômica Federal, bem como partindo do novo conceito de faturamento, não considerando o total da receita auferido pela empresa, mas sim o lucro sobre a venda; reportandose a suposto lançamento do IRRF, diz que os prêmios distribuídos aos apostadores não podem estar Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 8 15 baseados no montante das carteias consideradas vendidas. Há que se saber o número de cartelas vendidas e, conseqüente premiação, pelos dados bancários e pelos relatórios fornecidos pela Caixa Econômica Federal, já que os dados contábeis se extraviaram pela ação da polícia; reportandose à multa agravada e qualificada, diz que todas as intimações dirigidas à empresa foram atendidas, dentro dos limites ocasionados pela ausência de documentação, ao passo que as informações bancárias da empresa constam dos autos, da mesma forma que os relatórios da Caixa Econômica Federa], o que tornaria descabida a multa agravada. Diz ser absurdo o entendimento do Fisco de que a empresa teria o intuito dc fraude, c que, pelo contrário, atendeu as intimações fiscais dentro do possível; diz ser absurdo o entendimento fiscal ao considerar a interposição fraudulenta de pessoas na sociedade. Assegura que o fato de alguns sócios não terem patrimônio considerável não indica que foram colocados de modo fraudulento na sociedade, e que o mais absurdo é que se chegou através de tal conclusão por meio dos depoimentos dessas mesmas pessoas, que tentam se eximir de qualquer responsabilidade sobre os débitos da empresa. Diz que esses depoimentos não podem ser considerados, e que é muito cômodo jogar a responsabilidade da empresa para as pessoas que tenham melhor situação financeira: reitera que o bingo jamais rendeu lucro aos sócios e investidores e que não trouxe aumento de patrimônio para ninguém. Questiona como se pode deduzir a interposição fraudulenta de sócios devido à diferença de rendimento entre eles. Ao finalizar sua impugnação, a contribuinte, além de requerer o reconhecimento da improcedência do lançamento, pede o parcelamento do débito com desconto de 40%, e que se intime a Central de Inquéritos de Curitiba para que informe o paradeiro dos objetos e documentos apreendidos pela polícia, em diligência no estabelecimento do Las Vegas Bingo Show, onde se encontrariam os seus documentos contábeis. Foram anexadas as declarações de lis. 1.141 e 1.142 1.143,e demais documentos constantes às fls. 1.1441.176. Pelo despacho de fls. 1.1831.184, determinouse a realização de diligência para que a DRF de origem juntasse documentos, o que foi atendido, como se vê às fls. 1.1861.433, conforme Relatório de Diligencia Fiscal de fls. 1.4481.449. A ciência dessa diligência ocorreu nas seguintes datas: a) Onaireves Nilo Rolim de Moura, em 14/06/2006 e Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 26/06/2006 (fls. 1.450 e 1.5841.585); b) Airton José Dias Coradassi, em 13/06/2006 e 26/06/2006 (fls. 1.452, 1.593 1.594); c) Elillon Dias Coradassi, cm 13/06/2006 e 26/06/2006 (fls. 1.453 e 1.5961.597); d) Bento de Oliveira Bueno, em 14/06/2006 c 26/06/2006 (fls. 1.454 e 1.599 1.600); c) Marcos Antônio da Silva, em 14/06/2006 e 26/06/2006 (fls. 1.455 e 1.5901.591); f) Renato Assis Rolim de Moura, conforme edital afixado na DRF/Ponta Grossa, em 09/06/2006 (fls. 1.587 c 1.588); e Bingo Campos Gerais, em 26/06/2006 (fls. 1.6011.602). Consta às fls. 1.458 1.462, Relação de Bens e Direitos para Arrolamento. Em 03/07/2006, Aírton José Dias Coradassi requereu a juntada de diversos depoimentos judiciais (fls. 1.463 e 1.464), o que é feito às fls. 1.4651.472. Em 11/07/2006, foram apresentadas manifestações de Aírton José Dias Coradassi (fls. 1.4741.491),e Jair Leite (fls. 1.4921.511). Em 17/07/2006, foram apresentadas manifestações da empresa autuada (fls. 1.5421.561) e de Onaireves Nilo Rolim de Moura (fls. 1.5631.571). Em 28/06/2006, foram postadas no correio (fls. 1.646) impugnação a Relação de Bens e Direitos para Arrolamento (fls. 1.6051.608) e manifestação de Renato Assis Rolim de Moura (fls. 1.6091.612, e 1.6131.618) As alegações vertidas nas mencionadas peças, comuns a todas, embora subscritas por diferentes advogados, em síntese apertada, são as seguintes: a) que o Mandado de Procedimento Fiscal Diligência é desprovido de qualquer fundamento legal, contendo vícios que o tornam nulo, por conter lacunas cm suas prorrogações; b) que há falta de delegação de competência para a emissão do MPF pela autoridade; c) que há falta de descrição sumária dos procedimentos de Fiscalização no mencionado MPF; d) que a base de cálculo utilizada como arbitramento está totalmente incorreta, sendo o procedimento empregado não baseado na lei; e) que a Fiscalização efetuou diligência fora do seu horário de trabalho cem completo arrepio às normas internas da Receita Federal, sendo. pois. ilegais as provas colhidas desta forma. f) que a receita bruta não era conhecida com exatidão pela Fiscalização, pelo que deveria ter sido aplicada a regra do art. 535 do RIR/1999 (Base de Cálculo quando não conhecida a Receita Bruta); Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 9 17 g) que devem ser revistos os valores do arbitramento, na forma dos tópicos 1 a 9 constantes de fls. 1.559 e 1.560; h) que deve ser oficiado à Caixa Econômica Federal para que apresente as prestações de contas efetuadas pela impugnante, no período cm que aquela instituição financeira tinha a competência para exigida; e i) que devem ser juntadas cópias de diversos depoimentos prestados na área penal. Em 13/12/2006, foi proferido por esta DRJ o Acórdão n° 0613.045 (fls. 1.6471.680), pelo qual se manteve o lançamento, com exceção do agravamento da multa, e se entendeu que não cabia à DRJ apreciar os aspectos relativos à responsabilidade solidária pelos créditos tributários. Contra o julgado foram apresentados os seguintes recursos voluntários: a) por Bingo Campos Gerais Ltda (fls. 1.7021.720); b) por Jair Leite (fls. 1.7211.759); c) por Onaireves Nilo Rolim de Moura (fls. 1.761 1.787); d) por Marcos Antonio da Silva (fls. 1.7911.809); c) por Renato Moura (fls. 1.81 ll .855); Em 20/05/2010, a Primeira Turma Ordinária da 2a Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) proferiu o Acórdão n° 120100.267 (fls. 1.8611.870verso), anulando o Acórdão da DRJ e determinando o retorno dos autos para que novo acórdão seja proferido, conhecendose a matéria relativa à coobrigação solidária e legitimidade dos lançamentos. A 1ª Turma da DRJ de Curitiba, mediante o novo Acórdão nº 0630.056 de 27/01/2011, fls.1.889/1910, decidiu: a) não acolher as preliminares de nulidade; b) indeferir a solicitação de intimação da Central de Inquéritos de Curitiba para que informe sobre o paradeiro de objetos e documentos apreendidos, alegadamente pertencentes à autuada; c) não conhecer da impugnação contra o arrolamento de bens; E, no mérito: a) JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a ação fiscal, MANTENDO INTEGRALMENTE as exigências de IRPJ, CSLL, PIS c COFINS lançadas, bem como a multa qualificada, e, REDUZINDO a multa de ofício aplicada Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 no percentual agravado de 225% para o percentual de 150%, por não entender materializadas circunstâncias agravantes; b) EXCLUIR a responsabilidade solidária atribuída aos senhores Airton José Dias Coradassi e Elilton Dias Coradassi, por reconhecer que não compuseram a sociedade à época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados, e RECONHECER a responsabilidade das demais pessoas a quem foi atribuída a responsabilidade solidária, nos termos do voto do Relator. A responsabilidade discutida nestes autos se restringe a débitos tributários relativos a fatos geradores ocorridos a partir do terceiro trimestre do ano de 2001. Assim, foi reconhecida pela DRJ a ausência de responsabilidade dos senhores Airton José Dias Coradassi e Elilton Dias Coradassi que transferiram suas participações antes desse período (fl. 963). O mencionado Acórdão possui a seguinte ementa, fl.1.888: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for este lavrado por pessoa incompetente. PROVA TESTEMUNHAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código de Processo Civil, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa. DESCUMPRIMENTO DE HORÁRIO DE FISCALIZAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. A atividade de Fiscalização externa pode se realizar a qualquer hora do dia ou da noite, se à noite estiverem funcionando os estabelecimentos, depósitos, dependências e móveis objeto de ação Fiscal. BINGO. RECEITA OMITIDA. BASE DE CÁLCULO. PIS. COF1NS. Sendo a receita total advinda das apostas a base de cálculo para as contribuições incidentes sobre o faturamento (Pis e Cofins). não são dedutíveis quaisquer parcelas relativas a repasses de valores, mesmo comprovados, ou a premiações. CSLL.PIS e Cofins Dada a identidade existente entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos às da CSLL.PIS e Cofins e rejeitada a argumentação específica estendemse Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 10 19 a estas, no que couber, a decisão adotada naquela IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 BINGO. QUANTIFICAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA.PROCEDIMENTO VÁLIDO. Válido o procedimento Fiscal de quantificação da receita omitida na atividade de "bingo"', mediante o levantamento do número de cartelas adquiridas, deduzidas as devolvidas e inutilizadas, e as utilizadas em rodadas gratuitas realizadas por dia de trabalho, e a sua multiplicação pelo valor médio pago pelos apostadores por essas cartelas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFICIO AGRAVADA. DESCABIMENTO. Tratandose de falta de apresentação de documentos, declarações c livros comerciais e fiscais, e não de desatendimento à intimação para prestar esclarecimentos, descabe a aplicação da multa de oficio agravada. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a utilização de interpostas pessoas (laranjas) no quadro societário da autuada, é cabível a aplicação da multa de ofício qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MEMBROS DE SOCIEDADE DE FATO QUE MONTA E EXPLORA BINGO, EM NOME DE SOCIEDADE CONSTITUÍDA POR "LARANJAS". Devem responder pelos débitos tributários as pessoas que, tendo concertado suas vontades e capitais, montaram e exploraram o empreendimento, arcaram com a área do negócio e auferiram os lucros respectivos, durante o período de ocorrência dos fatos geradores. O fato de a exploração ter ocorrido sob a titularidade formal de sociedade constituída em nome de interpostas pessoas (laranjas) não exclui suas responsabilidades pessoais. ARROLAMENTO DE BENS. Os aspectos relativos ao arrolamento de bens constituem matéria estranha ao processo administrativo Fiscal, devendo ser discutidos no âmbito de eventual execução judicial do crédito Tributário. O coobrigado Ailton José Dias Coradassi foi cientificado da r. decisão em 14/02/2011 (fl.1.936).(Afastada a responsabilidade pela DRJ) Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 20 O coobrigado Elilton Dias Coradassi foi cientificado da r. decisão por edital afixado em 04/03/2011 a 21/03/2011 (fl.1.943). (Afastada a responsabilidade pela DRJ) O coobrigado Bento de Oliveira Bueno foi cientificado da r. decisão em 22/02/2011 (fl.1.938). Sem recurso voluntário. O coobrigado Onaireves Nilo Rolim de Moura foi cientificado da r. decisão por edital afixado em 04/03/2011 a 21/03/2011 (fl.1.943). Sem recurso voluntário. O coobrigado Jair Leite foi cientificado da r. decisão em 16.02.2011 (fl. 1.937) e às fls.1944/1990 está o seu recurso voluntário, protocolizado em 16/03/2011. (Advogado: Gláucio Antonio Pereira). O coobrigado Renato Assis Rolim de Moura foi cientificado da r. decisão em 14.02.2011 (fl. 1.935) e às fls.2.005/2041, está o seu recurso voluntário, com assinatura de próprio punho, protocolizado em 16.03.2011. O coobrigado Marcos Antonio da Silva foi cientificado da r. decisão em 16/02/2011 (fl.1.939) e às fls.2.042/2078 está o seu recurso voluntário, protocolizado em 16/03/2011. (Advogada Luciana Regina dos Reis) A autuada foi intimada por edital (fl.2108), afixado de 11/03/2011 a 29/03/2011, e, às fls. 2.080/2107 e está o seu recurso voluntário, protocolizado em 29/03/2011. apresentado pelo Advogado: Gilberto Luiz do Amaral. A defesa da autuada apresentada pelo Advogado: Gilberto Luiz do Amaral, no essencial, é a seguinte: PRELIMINARES Do Mandado de Procedimento Fiscal e Conseqüente Nulidade do Auto de Infração que o MPF n° 09.1.04.00200400060, é desprovido de qualquer fundamento legal, contendo vícios que o tornam nulo, quais sejam: extinção por decurso de prazo, falta de delegação de competência para emissão do MPF e falta de descrição sumária dos procedimentos de fiscalização; Ferimento ao princípio da ampla defesa Falta de apreciação do pedido de diligências que, pugnou pela realização de diligências, no sentido de ser oficiada a Caixa Econômica Federal para apresentar as prestações de contas efetuadas no período em que aquela instituição financeira tinha competência para exigila. No entanto, a autoridade julgadora deixou de apreciar o pedido do Recorrente, importando em nulidade do julgamento. DO MÉRITO No mérito, alega inocorrência do fato gerador do Imposto de Renda e Vícios Materiais dos Lançamentos Do Arbitramento da Receita e do Lucro, para tanto afirma que: Da não ocorrência do fato gerador para cobrança do Imposto de Renda: que, o fato gerador, ocorre no momento da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, e não há nos autos indicação e prova de acréscimo patrimonial decorrente da atividade do BINGO. Vícios Materiais dos Lançamentos Do Arbitramento da Receita e do Lucro: que, não merece qualquer guarida a afirmação posta na decisão recorrida (fl. 1896verso) de que observada a natureza jurídica do negócio, poderá a fiscalização adotar a alternativa que lhe parecer mais precisa na busca da verdade material; Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 11 21 que, o artigo 286 do RIR/99, como fundamento na decisão recorrida, não foi utilizado como parâmetro para apuração da suposta omissão de receita. que o enquadramento legal posto no Auto de Infração, é : "Arts. 249, inciso II, 251, 278, 279, 280, 283, 288, 528, 532, e 537, todos do RIR/99" (fls. 895). Deste modo, aduz que a instância julgadora mudou os contornos postos no AI, tentando de modo temerário justificar o incorreto proceder do AFRF. que, é nulo o lançamento, pois a receita bruta não era conhecida com exatidão pelo Sr. Auditor Fiscal. Deveria ele aplicar a regra do art. 535 do RIR/99 (receita não conhecida), no entanto, foram utilizados critérios subjetivos para a determinação da receita bruta, pois, arbitrou um número de aquisições de cartelas e também arbitrou o valor médio de venda das cartelas, para identificar o valor da receita bruta. A recorrente aduz que mesmo que se considere válido o arbitramento da receita bruta, nos moldes estabelecidos no auto de infração, os valores devem ser revistos, pelos seguintes motivos: o valor médio de venda das cartelas é muito abaixo de R$ 0,25, Deve ser considerada a informação prestada pelas gráficas de que a esmagadora maioria era de R$ 0,17; devem ser excluídas as aquisições da Gráfica São Francisco Ltda., pois não houve a coleta de provas materiais a embasar a afirmativa de que elas se referiam a aquisição de cartelas de bingo; devem ser excluídas as aquisições representadas por notas fiscais da SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, e DLL INFORMÁTICA LTDA., em que os pagamentos não estejam devidamente comprovados no processo; devem ser excluídas as notas fiscais da SOUVIC e da DLL que digam respeito a impressos promocionais ou a serviços de impressão a laser; deve ser excluído o percentual de devoluções e sorteios gratuitos constante dos movimentos diários constantes do processo; deve ser excluído da base de cálculo o montante referente à premiação prevista na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00 e do Decreto n° 3.659/00, no percentual de 53,5%, já que a redução do percentual para 51.5% estabelecido pela Lei n° 10.264/2001 determinou que houvesse o repasse de 2% ao Comitê Olímpico Brasileiro, no período de 2001 a agosto de 2002, quando entrou em vigor a Resolução 27 do Governo do Estado do Paraná, a qual determina em seu art. 16, parágrafo 1o que no mínimo 65% (sessenta e cinco por cento) do total arrecadado será destinado ao pagamento de prêmios, taxas e impostos sobre eles incidentes; considerar como receita bruta da empresa autuada o percentual de 28% do montante auferido com a venda de cartelas de bingo, em cumprimento às disposições contidas na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00, no Decreto n° 3.659/00 e na Lei n° 10.264/2001; em seu depoimento de fls. 283/verso a exsóciagerente do empresa ADRIANA CAMARGO afirma que houve a utilização das cartelas em outros empreendimentos de bingo... Dessa forma, as cartelas remetidas para outros Bingos devem ser subtraídas do cômputo geral. em face dos argumentos acima, a base de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte deve ser recomposto, bem como os valores recolhidos a este título (e que encontramse relacionados no processo) devem ser deduzidos da exigência fiscal. Conclui que, caso sejam superadas as alegações expostas em preliminar, bem como na parte inicial de mérito, o que efetivamente não espera, requer seja anulada parcialmente a Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 22 medida fiscal na forma como lavrada, determinandose que os critérios acima seja respeitados para cálculo da suposta dívida da pessoa jurídica autuada, eis que a realidade fática neste autos não aponta para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Finalmente requer, sejam acolhidos os fundamentos apresentados pela recorrente, julgandose, por conseguinte, nulo ou improcedente o lançamento constante do presente processo, ou sucessivamente, reduzindose o montante do débito e acréscimos. E ainda, o acolhimento das diligências pleiteadas em momento processual oportuno e a produção de provas admitidas no processo administrativo fiscal. A defesa dos coobrigados, Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura, que apresentaram recurso, é, no essencial a seguinte: 1) JAIR LEITE (fls.1944/1990). que apenas a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional é competente para fazer incluir a pessoa física como solidária pela dívida supostamente devida pela pessoa jurídica, sob pena de restar diretamente violada a norma contida no artigo 124 e incisos seguintes do CTN. que o ato de responsabilizar solidariamente em si, quando lavrado pela Fiscalização, é ato abusivo, ilegal e violador do direito de privacidade e da honra subjetiva do recorrente; e, que nesse sentido dispõe a Lei n° 4.898, de 9 de dezembro de 1965: Art. 4° Constitui também abuso de autoridade: ... h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal. que, se envolveu com o Sr. Onaireves Moura por conta de sua atividade profissional como gráfico; que, era credor do Sr. Onaireves, motivo pelo qual procurou recuperar ao tempo em que pretendeu investir na empresa que imaginava ser Sport House; que, por se tratar de atividade lícita à época (exploração de bingo), teve o interesse em investir no projeto do Sr. Onaireves, até porque o mesmo assegurou a possibilidade de retorno financeiro; que, a empresa citada (Sport House) era constituída por familiares de Onaireves e gerida exclusivamente por este, e, que o recorrente, no entanto, nunca participou na condição de sócio nem tampouco sócio oculto, nem “A NOTA FISCAL ora juntada de n° 2243 comprova que a empresa AJIR ARTES GRÁFICAS, de titularidade do ora recorrente, era fornecedora da empresa autuada BINGO CAMPOS GERAIS”; que, a conclusão da autoridade julgadora é contraditória: inicia a exposição narrando que não há provas contratuais firmadas pelo mesmo que prove seu ingresso na sociedade, mas finaliza sua exposição condenando o recorrente; que, a prova existente nos autos caracteriza o recorrente como fornecedor de serviços gráficos à empresa autuada, sendo ainda credor por negócios pretéritos do Sr. Onaireves; que, a testemunha Adriana de Camargo (ou Ferreira), confirmou no processo penal que o recorrente prestava serviços para o Bingo Campos Gerais, como gráfico (fls. 287 verso), como já havia prestado serviços para Onaireves Moura, enquanto titular das empresas mencionadas; Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 12 23 que, não assinou recibo algum (vide documentos de fls. 984/987) e, portanto, não pode ser punido por indícios e presunções de que tenha participado em quadrilha ou bando da produção de documentos falsos, apontamentos estes levados a efeito no juízo de conhecimento desta autoridade fazendária e sem qualquer fundamento válido; que, o procedimento fiscal em questão revela que os contratos sociais eram elaborados e alterados pelos contadores contratados por Onaireves e não pelo recorrente; que, os documentos de fls. 253/266 e 967 comprovam a dívida que possuía Onaireves Moura para com o recorrente, ao passo que o Laudo de Exame Grafotécnico e Documentoscópico (fls. 968/996), comprovam que o recorrente não assinou nenhum documento objeto das supostas falsidades ideológicas (contratos de constituição de sociedade e de alterações contratuais) e recibos exibidos e juntados nos autos; que, mesmo se fosse considerado sócio, também não teria responsabilidade quanto aos débitos da empresa autuada; e, para o Fisco poder direcionar a responsabilidade tributária ao recorrente, deveria provar que tal situação se encaixava em um dos casos previstos nos artigos 134 e/ou 135 do CTN, sendo ainda imperioso que o fisco deixasse tal situação claramente comprovada dentro dos autos, “o que efetivamente não ocorreu no presente caso”. que, o recorrente não é parte legítima para figurar como solidário da suposta dívida tributária da empresa autuada por dois motivos: 1o) jamais integrou o quadro societário e agiu apenas como investidor de terceira empresa; e, 2o) ainda que seja considerado sócio, não estão demonstradas nos autos deste processo administrativo as situações descritas pelos art. 134 e 135 do CTN que justifiquem tal responsabilização. que, não foi intimado para acompanhamento da fiscalização que estava em andamento para apurar supostos débitos da pessoa jurídica BINGO CAMPOS GERAIS LTDA; que, seria imperioso constar nos autos deste PAF o desmembramento do feito com a finalidade de apurar tal responsabilidade mediante a desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada; que, deveria ter sido direcionado mandado de procedimento fiscal para cada pessoa física fiscalizada após a necessária abertura de procedimento de desconsideração da personalidade jurídica, evitandose o malferimento ao princípio constitucional da ampla defesa e contraditório; que, o crédito tributário foi imposto genericamente à inúmeras pessoas físicas. Não houve a adequada delimitação das condutas e, principalmente, do ônus tributário respectivo em função da necessária prova não produzida pelo agente fiscal sobre o eventual acréscimo valorativo do patrimônio do ora recorrente, no que inviabiliza a defesa e impõe gravame excessivo ao recorrente, nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72; a documentação de folhas 651 até 677, com a indicação dos valores pagos pelo recorrente a título de CPMF, dos valores recebidos de PJ e de valores informados em DIRF, não demonstram qualquer acréscimo patrimonial oriundo da alegada atividade do recorrente como sócio da empresa BINGO CAMPOS GERAIS LTDA, inexistindo provas e/ou indícios de que tenha ocorrido o fato gerador do imposto de responsabilidade do recorrente; que, falta delegação de competência para a emissão do MPF pela autoridade; Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 24 que, falta descrição sumária dos procedimentos de fiscalização: Nos termos do art. 7o da Portaria n° 3.007/2001, deverá constar do MPF a descrição sumária dos procedimentos de fiscalização. Verificase tal omissão, tanto no MPF de fls. 001, quanto no MPF de fls. 003, devendo o Auto de Infração ser julgado nulo. que, há lacunas nas prorrogações do MPF Diligência N° 09.1.04.00200400060, não havendo, portanto, validade destas, e invalidando a obtenção das provas, e, que, o auto de infração é nulo em todos os seus termos; que, importa em nulidade do julgamento, a omissão no acórdão recorrido quanto ao pedido de diligência, no sentido de ser oficiada a Caixa Econômica Federal para apresentar as prestações de contas efetuadas no período em que aquela instituição financeira tinha competência para exigilas; No mérito, alega inocorrência do fato gerador do Imposto de Renda e Vícios Materiais dos Lançamentos Do Arbitramento da Receita e do Lucro, para tanto afirma que: o artigo 286 do RIR/99, como fundamento na decisão recorrida, não foi utilizado como parâmetro para apuração da suposta omissão de receita. o enquadramento legal posto no Auto de Infração: "Arts. 249, inciso II, 251, 278, 279, 280, 283, 288, 528, 532, e 537, todos do RIR/99" (fls. 895). Deste modo, aduz que a instância julgadora mudou os contornos postos no AI, tentando de modo temerário justificar o incorreto proceder do AFRF. é nulo o lançamento, pois a receita bruta não era conhecida com exatidão pelo Sr. Auditor Fiscal. Deveria ele aplicar a regra do art. 535 do RIR/99 (receita não conhecida), no entanto, foram utilizados critérios subjetivos para a determinação da receita bruta, pois, arbitrou um número de aquisições de cartelas e também arbitrou o valor médio de venda das cartelas, para identificar o valor da receita bruta. O recorrente aduz que mesmo que se considere válido o arbitramento da receita bruta, nos moldes estabelecidos no auto de infração, os valores devem ser revistos, pelos seguintes motivos: o valor médio de venda das cartelas é muito abaixo de R$ 0,25, Deve ser considerada a informação prestada pelas gráficas de que a esmagadora maioria era de R$ 0,17; devem ser excluídas as aquisições da Gráfica São Francisco Ltda., pois não houve a coleta de provas materiais a embasar a afirmativa de que elas se referiam a aquisição de cartelas de bingo; devem ser excluídas as aquisições representadas por notas fiscais da SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, e DLL INFORMÁTICA LTDA., em que os pagamentos não estejam devidamente comprovados no processo; devem ser excluídas as notas fiscais da SOUVIC e da DLL que digam respeito a impressos promocionais ou a serviços de impressão a laser; deve ser excluído o percentual de devoluções e sorteios gratuitos constante dos movimentos diários constantes do processo; deve ser excluído da base de cálculo o montante referente à premiação prevista na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00 e do Decreto n° 3.659/00, no percentual de 53,5%, já que a redução do percentual para 51.5% estabelecido pela Lei n° 10.264/2001 determinou que houvesse o repasse de 2% ao Comitê Olímpico Brasileiro, no período de 2001 a agosto de 2002, quando entrou em vigor a Resolução 27 do Governo do Estado do Paraná, a qual determina em seu art. 16, parágrafo 1o que no mínimo 65% (sessenta e cinco por cento) do total arrecadado será destinado ao pagamento de prêmios, taxas e impostos sobre eles incidentes; Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 13 25 considerar como receita bruta da empresa autuada o percentual de 28% do montante auferido com a venda de cartelas de bingo, em cumprimento às disposições contidas na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00, no Decreto n° 3.659/00 e na Lei n° 10.264/2001; em seu depoimento de fls. 283/verso a exsóciagerente do empresa ADRIANA CAMARGO afirma que houve a utilização das cartelas em outros empreendimentos de bingo... Dessa forma, as cartelas remetidas para outros Bingos devem ser subtraídas do cômputo geral. em face dos argumentos acima, a base de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte deve ser recomposto, bem como os valores recolhidos a este título (e que encontramse relacionados no processo) devem ser deduzidos da exigência fiscal. Conclui que, caso sejam superadas as alegações expostas em preliminar, bem como na parte inicial de mérito, o que efetivamente não espera, requer seja anulada parcialmente a medida fiscal na forma como lavrada, determinandose que os critérios acima seja respeitados para cálculo da suposta dívida da pessoa jurídica autuada, eis que a realidade fática neste autos não aponta para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Reitera o pedido de exclusão do seu nome do pólo passivo do presente processo administrativo fiscal e requer o acolhimento das diligências pleiteadas em momento processual oportuno e a produção de provas admitidas no processo administrativo fiscal. 2) RENATO ASSIS ROLIM DE MOURA (fls.2005/2041) e MARCOS ANTONIO DA SILVA (fls.2042/2078). Sustentam a impossibilidade de figurarem como responsável solidário da dívida da autuada, porque jamais figuraram como sócio da empresa BINGO CAMPOS GERAIS LTDA, tendo apenas atuado como investidor. Que seus nomes nunca constaram do Contrato Social da empresa autuada. E que, na remota hipótese de serem considerados sócios, a responsabilidade tributária da pessoa jurídica não os alcança, pois, a responsabilidade tributária da empresa é exclusivamente sua, não se transferindo aos sócios, a não ser em situações excepcionais. Se débitos fiscais existem, estes devem ser cobrados da pessoa jurídica que os deu causa. Os recorrentes alegam, em síntese, os mesmos fundamentos aduzidos pelo coobrigado JAIR LEITE, portanto desnecessário repetilos. É o relatório. Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 26 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado, o lançamento tem por sujeito passivo a pessoa jurídica, BINGO CAMPOS GERAIS LTDA, e, como responsáveis solidários, as sete pessoas físicas discriminadas nos seguintes termos de sujeição passiva solidária: a) N° 01/2005 (fls. 870871) Marcos Antonio da Silva. CPF n° 470.109.40991; b) N° 02/2005 (fls. 872873) Airton José Dias Coradassi, CPF n° 313.166.03920: c) Nº 03/2005 (fls. 874875) Elilton Dias Coradassi. CPF n° 339.695.90949; d) Nº 04/2005 (fls. 876 877) Onaireves Nilo Rolim de Moura, CPF n° 034.630.60949; e) N° 05/2005 (fls. 878879) Bento de Oliveira Bueno, CPF n° 183.781.45972; f) N° 06/2005 (fls. 880 881) Renato Assis Rolim de Moura, CPF n° 318.016.68949; e g) N° 07/2005 (fls. 882883)Jair Leite, CPF n° 317.805.55920. A 1ª Turma da DRJ de Curitiba, mediante o novo Acórdão nº 0630.056 de 27/01/2011, decidiu, EXCLUIR a responsabilidade solidária atribuída aos senhores Airton José Dias Coradassi e Elilton Dias Coradassi, por reconhecer que não compuseram a sociedade à época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados, e RECONHECER a responsabilidade das demais pessoas a quem foi atribuída a responsabilidade solidária, nos termos do voto do Relator. O recurso em nome da autuada, dele não há condição para se conhecer tendo em vista que o mesmo foi apresentado pelo advogado: Gilberto Luiz do Amaral, sem a devida procuração. Sabese que, o recurso voluntário deve ser apresentado pelo próprio Contribuinte ou por pessoa que esteja devidamente autorizada a fazêlo, do contrário não preenche o requisito da legitimidade, necessário à sua apreciação Assim, não conheço do recurso apresentado em nome da autuada. Já os coobrigados: Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura apresentaram Recursos Voluntários tempestivos e, preenchem os requisitos de admissibilidade. Deles tomo conhecimento. No essencial os argumentos desses recorrentes/coobrigados, são iguais. Assim, passo a analisálos conjuntamente em face dos argumentos comuns. Inicialmente argumentam que apenas a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional é competente para fazer incluir a pessoa física como solidária pela dívida supostamente devida pela pessoa jurídica, sob pena de restar diretamente violada a norma contida no artigo 124 e incisos seguintes do CTN. Sobre a atuação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no tocante à responsabilização de codevedor, a Portaria PGFN nº 180, de 25/02/2010 e alterações posteriores assim dispõe: ... Art. 2º A inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 14 27 Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: (Redação dada pela Portaria PGFN nº 904, de 3 de agosto de 2010) I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Parágrafo único. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. ... Art. 4º Após a inscrição em dívida ativa e antes do ajuizamento da execução fiscal, caso o Procurador da Fazenda Nacional responsável constate a ocorrência de alguma das situações previstas no art. 2º, deverá juntar aos autos documentos comprobatórios e, após, de forma fundamentada, declarálas e inscrever o nome do responsável solidário no anexo II da Certidão de Dívida Ativa da União. Como se vê, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão que executa a dívida, mas somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Assim, é dever da autoridade fiscal apurar os fatos tributáveis e suas circunstâncias e descrever a ocorrência de situações previstas no art. 2º, acima, para que o Procurador da Fazenda Nacional responsável faça juntar aos autos documentos comprobatórios para a inscrição do nome do responsável solidário no anexo II da Certidão de Dívida Ativa da União, se for o caso. Portanto, a descrição dos fatos efetivada pela Fiscalização, na lavratura de autos de infração que apontam à responsabilidade solidária de sócios de fato, não é ato abusivo e ilegal, nem tampouco, violador do direito de privacidade e da honra subjetiva a que alude o recorrente. Argumentação improcedente. O Recorrente JAIR LEITE afirma que se envolveu com o Sr. Onaireves Moura por conta de sua atividade profissional como gráfico; que, era credor do Sr. Onaireves, motivo pelo qual procurou recuperar ao tempo em que pretendeu investir na empresa que imaginava ser Sport House; que, por se tratar de atividade lícita à época (exploração de bingo), teve o interesse em investir no projeto do Sr. Onaireves, até porque o mesmo assegurou a possibilidade de retorno financeiro; que, a empresa citada (Sport House) era constituída por familiares de Onaireves e gerida exclusivamente por este, e, que o recorrente, no entanto, nunca participou na condição de sócio nem tampouco sócio oculto. Os recorrentes afirmam que, não são parte legítima para figurarem como solidários da suposta dívida tributária da empresa autuada por dois motivos: 1o) jamais integrou o quadro societário e agiu apenas como investidor de terceira empresa; e, 2o) ainda que seja considerado Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 28 sócio, não estão demonstradas nos autos deste processo administrativo as situações descritas pelos art. 134 e 135 do CTN que justifiquem tal responsabilização. As defesas são contraditórias, pois, ao mesmo tempo em que narram o seu envolvimento de fato no “investimento” (exploração de bingo) refutam sua participação na condição de sócio de direito a qual resta indubitavelmente confessadas pelo recorrentes ao “integralizar cotas” chamadas de “investimento”. Quanto a não figurarem no quadro societário, é obvio que em uma sociedade constituída por sócios “laranjas” como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e também declarado pelos sócios “de fachada”, a finalidade é exatamente os sócios apresentados no contrato “de direito”, registrado na Junta Comercial, assinarem todos os documentos e assumirem documentalmente riscos negociais sob o comando dos sócios de fato/ordenadores que se esquivam da exibição de provas materiais das responsabilidades porque assumidas por terceiros (sócios de fachada) sem o affectio societatis, ou seja, sem a materialização da vontade de se constituir uma sociedade. Com efeito, não é a inadimplência tributária, pura e simples, causa que justifique a ampliação da responsabilidade pessoal do cotista de fato, de forma a atingir o seu patrimônio particular, mas, o art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, frisa que "são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatuto. Sem dúvida restou caracterizada a fraude ao contrato social da pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas. Conforme relatado a empresa autuada, Bingo Campos Gerais Ltda, NÃO FOI CONSTITUÍDA EM NOME DOS VERDADEIROS PROPRIETÁRIOS , e sim em nome de interpostas pessoas desprovidas de capacidade econômica ou financeira, a saber, Adriana Ferreira e Ernesto Francisco Silvaltis e que, a manutenção do controle das atividades pelos verdadeiros proprietários foi garantida pelo “Contrato Particular de Sociedade de Fato em Conta de Participação” (fls. 108109) no qual figurava, como sócio ostensivo, a empresa Bingo Campos Gerais Ltda, representada pelos seus sócios formais, e como sócios ocultos os verdadeiros proprietários dentre os quais, os recorrentes, Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura, embora sem a assinatura de Jair Leite . Consta da cláusula 9ª do mencionado contrato (fl.109) que os sócios de comum acordo definirão os aspectos administrativos, acordando em ata de regimento interno, na qual elegerão o sócio ou sócios administradores cabendo a estes a obrigação de apresentação mensal de balancete aos demais sócios. É certo que tal documento não é por si só, suficiente para qualificar ou afastar as pessoas ali relacionadas, de modo que, se configura em mais um indício que associado às declarações dos sócios de fachada, bem como a própria defesa, de mérito, contra os fatos descritos no auto de infração contra a pessoa jurídica autuada, Bingo Campos Gerais Ltda, conduzem à convicção de que os recorrentes (Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura) exerciam o poder e atividade de gerência na mencionada empresa, sendo dessa forma impossível afastálos da condição de sócios de capital/investidores e de administrador/responsável tributário nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN. Assim, evidenciado o vinculo de fato entre as pessoas físicas estranhas ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 15 29 No tocante às alegadas nulidades relacionadas ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), vale ressaltar que inexiste ato administrativo normativo que determine sua emissão em relação ao sócio indicado como responsável tributário e sim, em relação à pessoa jurídica sob ação fiscal ou diligência. O Código Tributário Nacional, define “contribuinte”, como o sujeito passivo que tem relação direta com o fato da norma hipotética tributária, e, denomina de “responsável” todo sujeito passivo que responde pela obrigação tributária sem ser “contribuinte”, compondo essas espécies o gênero de “sujeito passivo” – arts. 121 e 128 do CTN. Desse modo, o conceito, de “responsabilidade tributária” não se confunde com o de “sujeição passiva tributária”, haja vista que esta surge com a ocorrência do fato jurídico tributário, enquanto que a responsabilidade somente vem ao mundo jurídico quando a pretensão tributária tornase exigível, salvo no caso da responsabilidade por substituição que se equipara à sujeição passiva tributária, por previsão legal. Assim, razão não há para expedição de MPF em nome do sócio ao qual tenha sido atribuída a responsabilidade tributária em decorrência da ação fiscal exercida na pessoa jurídica autuada. Ainda que se admitisse qualquer irregularidade na expedição do MPF em relação à empresa autuada, em nada invalidaria o auto de infração, pois, é entendimento assentado, nos diversos julgados administrativos que tratam dessa matéria, que todas as autoridades fiscais estão sujeitas às regras aplicáveis ao Mandado Fiscal, e no caso de não ser obedecidas, cabe ao funcionário, autor do feito, punição administrativa, se conveniente. Contudo, a falta de obediência às regras fixadas pela citada portaria não provocam a nulidade do lançamento. Enfim, constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. Os recorrentes alegam que não houve a adequada delimitação das condutas e, principalmente, do ônus tributário respectivo em função da necessária prova não produzida pelo agente fiscal sobre o eventual acréscimo valorativo do patrimônio do ora recorrente, no que inviabiliza a defesa e impõe gravame excessivo ao recorrente, nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72. Conforme explicitado acima, há distinção entre o conceito, de “responsabilidade tributária” que não se confunde com o de “sujeição passiva tributária”. A responsabilidade do administrador infrator inserese em relação jurídica de garantia, portanto, independe de acréscimo do patrimônio do responsável tributário que, acaso verificado, restaria configurada outra relação jurídica com a ocorrência do fato jurídico tributário. Portanto, a alegação não comporta conduta do agente em inviabilizar a defesa dos recorrentes. Havendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. Os recorrentes também alegam que, importa em nulidade do julgamento, a omissão no acórdão recorrido quanto ao pedido de diligência, no sentido de ser oficiada a Caixa Econômica Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 30 Federal para apresentar as prestações de contas efetuadas no período em que aquela instituição financeira tinha competência para exigilas. Sobre o assunto, consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido (fls.1897/1898) o seguinte fundamento: Com relação à alegação de que o lançamento deveria estar baseado nos relatórios fornecidos pela Caixa Econômica Federal, e nas prestações de contas efetuadas pelaempresa no período em que aquela instituição financeira tinha a competência para exigila, não é de ser aceita. Conforme se observa de fls. 37 a 42, a própria CEF oficiou ao Ministério Público Federal contra a autuada, tendo em vista a existência de indícios de irregularidades nas prestações de contas dos recursos por ela (autuada) arrecadados com a exploração dos jogos de bingo. Abrese um parêntese para uma ligeira reflexão: ora, se havia, na empresa, contabilidade e controles diários, como se quer fazer crer nestes autos, como é que a auditoria da CEF não aceitou a prestação de contas deles decorrente? Por outro lato, lodos os impugnantes afirmam que existia rigorosa contabilidade que permitia apurar o verdadeiro resultado do empreendimento, mas que estão impossibilitados de apresentar essa escrita porque teria sido apreendida pela autoridade policial. Nesse propósito, trazem à colação declarações de Luiz Carlos Lopes (fls. 1.141) e de Celso Valério de Andrade (fls. 1.1421.143), ambos afirmando peremptoriamente que tal apreensão ocorreu no dia 06 de maio de 2003. Ora, e porque não apresentaram, então, os registros contábeis dos períodos posteriores? Cabendo mencionar que o primeiro trimestre de 2004 foi aquele em que o Fisco apurou o maior montante de receitas. Com relação aos dois últimos trimestres de 2003 e primeiro trimestre de 2004, com absoluta certeza a escrituração não foi apreendida pela autoridade policial. Fechado o parêntese, é de se reconhecer que a Fiscalização carreou aos autos consistente conjunto de documentos, evidências e indícios veementes (subitem 2.2.3 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 848 e seguintes), todos convergindo na direção de que a autuada ocultou do Fisco o verdadeiro montante das receitas auferidas na venda de cartelas do jogo de bingo, deixando de escriturar e oferecer à tributação parcela se não a integralidade das referidas receitas. Portanto, a alegada omissão é improcedente. Sobre o mérito do auto de infração os recorrentes alegam que, é nulo o lançamento, pois a receita bruta não era conhecida com exatidão pelo Sr. Auditor Fiscal. Deveria ele aplicar a regra do art. 535 do RIR/99 (receita não conhecida), no entanto, foram utilizados critérios subjetivos para a determinação da receita bruta, pois, arbitrou um número de aquisições de cartelas e também arbitrou o valor médio de venda das cartelas, para identificar o valor da receita bruta. Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 16 31 Para que se possa compreender o contexto em que se deu a apuração da receita bruta vale transcrever partes essenciais do Termo de Verificação Fiscal (fls.137...): (...) Foi então que, em vista da grande dificuldade em se obter os documentos e livros que pudessem servir de base para o cálculo dos tributos e contribuições devidos pela autuada, procurouse localizar os sócios, exsócios e exempregados para se tentar obter algum indício que fosse relevante para a fiscalização tributária. E assim, com a localização das senhoras Idema dos Anjos Brizola e Adriana de Camargo (Adriana Ferreira), e do Sr. Ernesto Francisco Silvaltis, a fiscalização pôde avançar um pouco mais, lançando mão de instrumento de auditoria denominado "circularização", isto é, a confirmação de dados junto a empresas clientes e/ou fornecedoras da fiscalizada. Com base nas informações repassadas pelos "sócios" e "ex sócios" formais da fiscalizada, intimouse as três empresas gráficas fornecedoras das cartelas de bingo, quais sejam: SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, de Barueri/SP; GRAFICA SAO FRANCISCO LTDA, de Campo Grande/MS; e DLL INFORMÁTICA LTDA, de Curitiba/PR. Nas intimações fiscais foi solicitada a apresentação de informações e/ou documentos sobre as vendas de produtos, bem como a prestação de serviços gráficos efetuados para a autuada, durante os anos de 2001 a 2004. Apenas as gráficas SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA e DLL INFORMÁTICA LTDA responderam às intimações, e como resultado das circularizações elaborouse demonstrativos de compras de cartelas de bingo série 12.000, que se encontram dispostos no item 2.2.2 deste relatório. No dia 16/06/2005, foi lavrada contra a autuada a intimação fiscal n° 422/05 (fls.25), onde se exigia uma série de documentos, entre os quais os Extratos bancários de contas correntes e os livros Contábeis/Fiscais, e por fim, alertavase a fiscalizada para o fato de que a falta de apresentação dos livros ou documentos da escrituração comercial/fiscal implicaria o arbitramento dos lucros, em conformidade com os art. 529, 530 e 845 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto 3000/99). Após as infrutíferas tentativas de ciência via postal e pessoal,ultimouse a ciência da intimação fiscal n° 422/05 e do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n°0910400.2005.001329 por edital, no dia; 07/07/2005 (fls. 26/28). Pelo fato de a fiscalizada encontrarse omissa de entrega das DIPJ e/ou das Declarações Simplificadas de Pessoa Jurídica Inativa referentes aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004; e de também não ter comunicado à Receita Federal o início do processo de baixa de sua inscrição ou a interrupção temporária de suas atividades, formalizouse Representação Fiscal para que Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 32 a inscrição cadastral da empresa fosse declarada inapta por inexistência de fato (fls.44 e 45). 2.1 DA PROVA TESTEMUNHAL. ... 2.2 DA PROVA DOCUMENTAL Como já exposto anteriormente, no início da ação fiscal houve enormes dificuldades para a obtenção dos documentos comerciais do bingo, sejam eles livros contábeis/fiscais, ou mesmo simples comprovantes bancários, registros de apostas, recibos, notas fiscais de compras, séries de carteias, entre outros documentos que permitissem a reescrituração contábil da autuada. 2.2.2 DAS CARTELAS ADQUIRIDAS Na seqüência, procedeuse à circularização nas três empresas gráficas fornecedoras das cartelas de bingo, quais sejam: SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, de Barueri/SP; GRAFICA SAO FRANCISCO LTDA, de Campo Grande/MS; e DLL INFORMÁTICA LTDA, de Curitiba/PR. A empresa DLL INFORMÁTICA LTDA, CNPJ n° 00.464.862/000175, apresentou esclarecimento por escrito em resposta à intimação fiscal n° 544/05, juntamente com cópia das notas fiscais de venda de cartelas de jogo de bingo emitidas contra a fiscalizada nos anoscalendário de 2001 e 2002, que se encontram relacionadas no demonstrativo abaixo (fls.450 a 470): ... Indagada pela fiscalização a respeito da quantidade de cartelas vendidas em cada série 12.000 e sobre o detalhamento da descrição do produto "Serviço de Impressão a Laser" constante em quatro notas fiscais, a DLL INFORMÁTICA LTDA, representada pelo Sr. Antonio Carlos Santoro Martins, complementou por duas vezes sua resposta, através mensagem de correio eletrônico, conforme transcrição abaixo (fls.471/477): ... "Senhor Leonardo, Informamos que as cartelas de bingo sempre foram vendidas em "coleções" composta de 12.000 cartões numerados de 1 a 12.000, portanto, esclarecemos que no exemplo da NF 4828 foram confeccionadas 2 coleções com 12.000 cartões cada de R$ 0,17 centavos por cartão, ou seja 24.000 cartões. A subdivisão de uma coleção de 12.000 cartões é conhecida por "série" ou seja, uma tira contendo 6 cartões, portanto em uma coleção existem 2.000 "séries" ou subdivisões. Normalmente as casas de bingo vendiam "séries" e não cartões, pois neste caso em que o cartão custa R$ 0,17 a série era vendida por R$ 1,00, ou seja R$ 0,17 X 6 = R$ 1,02 que era arredondado para 1 Real. Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 17 33 Desta forma esclarecemos as quantidades de cartões ou coleções vendidas a referida empresa." "Sr. Leonardo, Complementando as informações solicitadas, informamos que ainda não foi possível fazer o levantamento dos valores individuais das coleções vendidas, pois, como anteriormente explicamos, após a saída dos bingos do controle da Serlopar, não era mais exigido o destaque na NF dos valores das cartelas, desta forma estamos localizando possíveis ordem de produção/pedido do cliente para melhor informalos. Destacamos que foram vendidas as seguintes coleções : NF 4375 11 coleções com 12.000 cartões conforme NF 4381 31 coleções com 12.000 cartões NF 5542 70 coleções com 12.000 cartões NF 4508 31 coleções com 12.000 cartões NF 4957 18 coleções com 12.000 cartões NF 4828 09 coleções com 12.000 cartões conforme NF. " A empresa SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, CNPJ n° 01.671.471/000194, em resposta à intimação fiscal n° 542/05, apresentou: esclarecimento por escrito; cópias das 5as vias (controle) das notas fiscais de venda de cartelas de jogo de bingo emitidas contra a fiscalizada nos anoscalendário de 2002 e 2003; e cópia dos comprovantes financeiros dos recebimentos relativos às citadas vendas. A relação das notas fiscais apresentadas encontrase no demonstrativo abaixo (fls.482/610): ... Já a GRÁFICA SÃO FRANCISCO LTDA, CNPJ 01.423.153/000104, sequer recebeu a intimação fiscal n° 543/05, postada nos Correios (fls.478 a 481). Esta empresa encontrase com situação cadastral "INAPTA" nos sistemas informatizados da Receita Federal, com a indicação "OMISSA NÃO LOCALIZADA". Os sócios também não foram localizados. (...) IV DA APURAÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS O crédito tributário constituído no presente auto de infração tem por base omissão de receitas inferidas a partir das compras de cartelas de bingo série 12.000 realizadas pela autuada, e verificadas através de apreensão de documentos e circularizações nas empresas gráficas fornecedoras. (...) Os recorrentes não refutam o arbitramento, apenas o critério adotado, porque nos seus entendimentos a receita é não conhecida. Ora, não havendo documentos e escrituração das receitas apresentadas pela pessoa jurídica, temse como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 34 empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. Ressaltese que os elementos de prova documental da receita tributável foram corroborados por prova testemunhal dos “sócios de fachada” e/ou empregados, conhecedores das informações reduzidas a termo conforme declarações (fls.222/276). É cediço que, na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurarse a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Assim, não merece reparo ao enquadramento legal disposto no Auto de Infração: "Arts. 249, inciso II, 251, 278, 279, 280, 283, 288, 528, 532, e 537, todos do RIR/99, citados pelos recorrentes, de modo que qualquer alusão feita a outro dispositivo legal mencionado na decisão recorrida não tem o condão de afastar aqueles discriminados no auto de infração nem tampouco mudar os seus contornos. No presente caso,a referencia feita pela DRJ ao artigo 286 do RIR/99, teve como fundamento apenas para esclarecer que embora pudesse a Fiscalização lançar mão de meio indireto para apuração da omissão de receita constatada, qual seja, o da presunção legal (depósitos bancários de origem não comprovada), optou por um método direto de aferir essa omissão, qual seja, o levantamento quantitativo por espécie (aquisição de cartelas de bingo). A quantificação da receita omitida se fez com base nas cartelas de bingo adquiridas no período de 31/05/2001 a 30/12/2003, em conformidade com a metodologia descrita nos itens: "4.1 Da metodologia de Cálculo Adotada"; "4.2 Dos Impressos Promocionais Personalizados”; e "4.3 Das Considerações Finais", constantes de fls. 861 a 864; devido à nãoapresentação dos livros contábeis/fiscais obrigatórios, e em face da notícia de sua inexistência, arbitrouse o lucro da autuada. A forma de apuração das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do Pis e da Cofins se encontra discriminada às fls. 865 e 866. Sobre a metodologia adotada no cálculo para a apuração da receita omitida consta do Termo de Verificação Fiscal (fls.861 e 862) a seguinte explicação: 4.1 DA METODOLOGIA DE CÁLCULO ADOTADA Diante do exposto, e com base nos documentos, informações disponíveis e depoimentos prestados, foi quantificada a receita omitida da seguinte maneira: 1° passo: De posse das notas fiscais de compra de cartelas apreendidas e daquelas apresentadas pelas gráficas, obtevese o número de cartelas de bingo adquiridas no período de 31/05/2001 a 30/12/2003. 2° passo: A partir dos depoimentos tomados a termo com Sra. Gislayne Schneider, Sra. Ailine Moraes, Sra. Adriana de Camargo e Sr. Adilson Cardoso, corroborados pela informação analítica de Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 18 35 fornecimento dos vários tipos de cartela de bingo série 12.000 constante nas Notas Fiscais n° 4375 e 4828, emitidas pela DLL Informática Ltda, chegouse ao valor médio de R$ 0,25, para o preço de comercialização de cada cartão individual no salão do bingo. 3° passo: Ainda com base nos depoimentos colhidos, apurouse o percentual médio de devoluções de cartelas e de rodadas gratuitas realizadas por dia de trabalho, que juntos somam 10% do total diário do movimento de apostas; 4° passo: Considerando o período de validade de 3 (três) meses das séries de carteias impressas (vide série de carteias apreendida a fls.420), presumiuse que, após 3 (três) meses da emissão pelas empresas gráficas da respectiva nota fiscal de venda, todas as cartelas adquiridas pela autuada teriam sido comercializadas no salão de bingo. Neste caso, adotouse o último mês de validade dos cartões como mês de referência para apuração dos tributos devidos. 5° passo: Adotandose os parâmetros supracitados, efetuouse a seguinte expressão algébrica para se obter o valor mensal da receita omitida pela autuada: Receita Omitida = nº de quantidades de "coleções" de cartões de bingo x 12.000 (doze mil) cartões x valor médio de comercialização dos cartões (R$ 0,25) 10% do total, relativos às devoluções/sorteios gratuitos. O recorrente argumenta que considerando a informação prestada pelas gráficas de que a maioria era de R$ 0,17, o valor médio de venda das cartelas deveria ser R$ 0,17. Consta da Tabela 4 (fl.869) – Demonstrativo consolidado das receitas omitidas com a venda de cartelas no salão de bingo, no qual se verifica cartelas de bingo série 12.000 nos valores de R$ 0,17, R$ 0,25, R$ 0,34, R$ 0,50, R$ 1,00 e R$ 2,00, do que se depreende que o valor médio seria superior ao aplicado pelo Fisco. Portanto, não se encontra qualquer razoabilidade na aplicação do valor de R$ 0,17. Ademais, conforme o depoimento de Adriana de Camargo, exfuncionária e supervisora geral, fl. 225, item 12 – “Fazia semanalmente os pedidos das cartelas para as gráficas DLL Informática e Souvic Serviços Gráficos. As séries de cartelas mais pedidas eram de R$ 1,00, R$ 1,50 e R$ 2,00, justamente por serem as mais vendidas no salão do bingo”. E de, Adilson Cardoso, exfuncionário e gerente de salão, fl. 250 – depoimento item 7 – “Os valores das séries, conjunto de seis cartõezinhos (cartelas) mais vendidos eram de R$ 1,00, R$ 1,50 e R$ 2,00, e em igual proporção”. O recorrente reclama que das receitas consideradas omitidas devem ser excluídas as aquisições da Gráfica São Francisco Ltda., pois não houve a coleta de provas materiais a embasar a afirmativa de que elas se referiam a aquisição de cartelas de bingo. Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 36 Consta do Termo de Verificação Fiscal que, apenas “as gráficas SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA e DLL INFORMÁTICA LTDA responderam às intimações, e como resultado das circularizações elaborouse demonstrativos de compras de cartelas de bingo série 12.000, que se encontram dispostos no item 2.2.2 deste relatório”. Da descrição dos produtos constantes no mencionado item 2.2.2, fls.846/848 não foi relacionado qualquer aquisição vinculada à Gráfica São Francisco Ltda, ao contrário da afirmação do recorrente, consta a observação transcrita acima e aqui reprisada: Já a GRÁFICA SÃO FRANCISCO LTDA, CNPJ 01.423.153/000104, sequer recebeu a intimação fiscal n° 543/05, postada nos Correios (fls.478 a 481). Esta empresa encontrase com situação cadastral "INAPTA" nos sistemas informatizados da Receita Federal, com a indicação "OMISSA NÃO LOCALIZADA". Os sócios também não foram localizados. Assim, afastase de plano as alegações da defesa. Os recorrentes também pleiteiam as seguintes exclusões: devem ser excluídas as aquisições representadas por notas fiscais da SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, e DLL INFORMÁTICA LTDA., em que os pagamentos não estejam devidamente comprovados no processo; devem ser excluídas as notas fiscais da SOUVIC e da DLL que digam respeito a impressos promocionais ou a serviços de impressão a laser; deve ser excluído o percentual de devoluções e sorteios gratuitos constante dos movimentos diários constantes do processo; em seu depoimento de fls. 283/verso a exsóciagerente do empresa ADRIANA CAMARGO afirma que houve a utilização das cartelas em outros empreendimentos de bingo... Dessa forma, as cartelas remetidas para outros Bingos devem ser subtraídas do cômputo geral. Da metodologia adotada pela fiscalização, acima transcrita, consta que foram deduzidos 10% do total da receita omitida, relativos às devoluções/sorteios gratuitos. Cabe ao contribuinte comprovar outro percentual diverso do aplicado pelo autuante, bem como comprovar que os “impressos promocionais e serviços de impressão a laser” (cartelas de bingo série 12.000) não devem compor a receita bruta e quais cartelas foram remetidas para outros Bingos. Registrese ainda que, o fato de não se identificar os pagamentos relativos às aquisições de cartelas em nada comprova que as mesmas não foram vendidas como pretende a defesa. Enfim, não se justificam as exclusões da receita omitida pretendidas pelos interessados. Assim, havendo o autuante apurado a omissão de receita por um critério baseado em provas e, não havendo a autuada infirmado por outro com documento hábil, prevalece o critério adotado pelo Fisco. Continuando o assunto “exclusão”, os recorrente aduzem que: deve ser excluído da base de cálculo o montante referente à premiação prevista na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00 e do Decreto n° 3.659/00, no percentual de 53,5%, já que a redução do percentual para 51.5% estabelecido pela Lei n° 10.264/2001 determinou que houvesse o repasse de 2% ao Comitê Olímpico Brasileiro, no período de 2001 a agosto de 2002, quando entrou em vigor a Resolução 27 do Governo do Estado do Paraná, a qual determina em seu art. 16, parágrafo 1o que no Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 19 37 mínimo 65% (sessenta e cinco por cento) do total arrecadado será destinado ao pagamento de prêmios, taxas e impostos sobre eles incidentes; considerar como receita bruta da empresa autuada o percentual de 28% do montante auferido com a venda de cartelas de bingo, em cumprimento às disposições contidas na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00, no Decreto n° 3.659/00 e na Lei n° 10.264/2001; É certo que, conforme determinado pela Lei nº 9.615/98, alterada pelas Leis nº 9.981/00 e 10.264/2001 deve ser realizado o rateio da arrecadação bruta, repassando os percentuais devidos na forma estipulada no Decreto nº 3.659/2000. Porém a autuada ao sonegar valores arrecadados com os jogos de bingo, está se apropriando de todos os recursos, inclusive os públicos, portanto, razão não há para serem deduzidos valores sem a comprovação efetiva de que os mesmos foram repassados a quem de direito por previsão legal. É importante lembrar que a ação fiscal se desenvolveu exatamente diante da representação feita pela Caixa Econômica ao Ministério Público (Ofício, fls.37/42) em virtude de indícios de irregularidades na declaração de sua movimentação financeira e falta de comprovação de rateio dos recursos. Para a exclusão pretendida é condição essencial que os valores devidos a terceiros (Comitês Olímpico e Paraolímpico Brasileiros, entidade desportiva, União, Caixa Econômica Federal) tenham sido repassados, fato esse que impede sejam efetuadas quaisquer deduções das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL que não a do percentual referente à premiação, de 51,5 % (cinqüenta e um e meio por cento). Pelos fundamentos acima deve ser mantida a base de cálculo do imposto de renda na fonte incidente sobre prêmios de sorteios corresponde a 51,5 % da receita total omitida. A partir dos dados do demonstrativo consolidado das receitas omitidas com a venda de cartelas no salão de bingo (Tabela 4) foram obtidos os valores dos prêmios considerados distribuídos aos apostadores (prêmio mais IRRF) sujeitos ao IR Fonte à alíquota de 30%. Os recorrentes requerem finalmente o acolhimento das diligências pleiteadas em momento processual oportuno e a produção de provas admitidas no processo administrativo fiscal. Sobre este pleito genérico, indeferese de plano, pois de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores que regulam o Processo Administrativo Fiscal, as provas e as diligências com os motivos que as justificam devem ser apresentados com a impugnação, precluindo o direito de fazêlos em outro momento processual, mormente após apresentação do recurso voluntário e sem que sejam expostos os motivos que as justifiquem. No tocante aos coobrigados, tendo em vista a solidariedade passiva instituída pelo art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), a fiscalização lavrou os Termos de Sujeição Passiva Solidária já aludidos (fls. 870 a 883) entre aquelas pessoas físicas (Srs. Onaireves Nilo Rolim de Moura, Airton Coradassi, Elilton Coradassi, Renato Assis Rolim Moura, Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Bento Bueno de Oliveira) e a pessoa jurídica autuada, e demonstrou que as mesmas tinham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, ou seja, tinham interesse econômico na situação: omissão de receitas, sem o conseqüente rateio de arrecadação e, por se constituírem em sócios de fato com interposição de terceiras pessoas, são Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 38 solidariamente obrigados ao pagamento dos tributos devidos como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. Todas as considerações relativas à responsabilidade dos coobrigados foram efetuadas no início do presente voto, desnecessário reiterálas, desse modo não há como afastar a responsabilidade solidária atribuída aos recorrentes. LANÇAMENTO REFLEXO –CSLL, PIS e Cofins Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso apresentado pela autuada e, CONHECENDO dos recursos voluntários regularmente apresentados pelos coobrigados, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito, NEGARLHES provimento. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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