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Numero do processo: 19515.002716/2005-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APURAÇÃO MENSAL.
A partir do ano-calendário 1989, a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto passou a ser determinada confrontando-se, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos, sendo inadmissível o cômputo anual.
Numero da decisão: 2202-001.340
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Rafael Pinheiro Lucas Ristow, OAB/SP nº. 248.605
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
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APURAÇÃO MENSAL. A partir do ano-calendário 1989, a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto passou a ser determinada confrontando-se, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos, sendo inadmissível o cômputo anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Rafael Pinheiro Lucas Ristow, OAB/SP nº. 248.605. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por NELSON MA LLMANN 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 62 a 64, integrado pelos demonstrativos de fls. 60 e 61, pelo qual se exige a importância de R$584.853,18, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente ao ano-calendário 2003, em virtude da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 55 a 58, no qual o autuante esclarece que: • verificou-se que as declarações de rendimentos do contribuinte denotam a existência de variação patrimonial de R$167.424,02 e R$2.282.635,20, nos anos-calendário 2002 e 2003, respectivamente; • foram informados nas referidas declarações o recebimento de “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, nos montantes de R$639.747,11 e R$ 2.222.528,17, para anos-calendário de 2002 e 2003; • o contribuinte foi intimado a apresentar relação discriminando, por fonte e natureza, mês a mês os rendimentos isentos e não tributáveis, acompanhada da respectiva documentação comprobatória, para os anos fiscalizados; • concedidas duas prorrogações de prazo para atendimento à intimação fiscal, o contribuinte apresentou, em 15/09/2005, cópia dos comprovantes e rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, bem como os informes de rendimento anual fornecidos pela instituição bancária em que mantinha saldo bancário à época; • examinando as declarações de rendimentos das pessoas jurídicas, responsáveis pelo pagamento dos rendimentos isentos ao contribuinte, concluiu a fiscalização que: o no ano-calendário 2002, os rendimentos isentos e não tributáveis informados na Declaração de Ajuste Anual Simplificada do contribuinte foram comprovados através das informações constantes das Fichas 42 A — Identificação e Rendimentos de Dirigentes, Sócios ou Titular -, das DIPJ/2003 das empresas Calinda Adm Part. Com . Ltda, Mundo Oriental Patrimonial Ltda e Mundo oriental Incorporadora Ltda, e que justificam a variação patrimonial apresentada; o no ano-calendário 2003, os rendimentos isentos e não tributáveis informados na Declaração de Ajuste Anual Simplificada do contribuinte, não foram comprovados através das informações constantes das Fichas 50 A — Rendimentos de Dirigentes, Sócios ou Titular -, das DIPJ/2004 das empresas Calinda Adm.Part. Com. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por NELSON MA LLMANN Processo nº 19515.002716/2005-92 Acórdão n.º 2202-01.340 S2-C2T2 Fl. 2 3 Ltda, Mundo Oriental Patrimonial Ltda e Mundo Oriental Incorporadora Ltda, com isso a variação patrimonial apontada na declaração do contribuinte não foi justificada, apurando-se um acréscimo patrimonial a descoberto, no valor de R$2.145.200,32, conforme demonstrado à fl. 58. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 67 a 73, instruída com os documentos de fls. 74 a 230, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 239 e 240): Da impugnação. O Contribuinte apresentou defesa ás fls. 67 e seguintes. Sem prejuízo da leitura integral da mesma; alega, em síntese, que: 1- é totalmente improcedente a autuação; 2-a fiscalização não considerou as receitas isentas ou não-tributáveis no valor total de R$2.222.528,17; que foram suficientemente comprovadas com os "comprovantes de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte — ano calendário . 2003" (fls.35/39); que são documentos hábeis e idôneos que qualquer pessoa física pode apresentar como prova da origem dos rendimentos pagos por Pessoa Jurídica nos termos do artigo 941 do regulamento do 1R, conforme jurisprudência administrativa que junta; 3- procura corrigir qualquer inexatidão com a reapresentação, pela fonte pagadora, das D1PJ-EX2004 das empresas: a)Mundo Oriental Patrimonial-CNPJ 01.105.236/0001-55 (fls. 100 e seguintes), que indica Lucros/Dividendos em favor do Contribuinte no valor de R$ 1.532.178,28 — ficha 50 A – fl.134 e b) Mundo Oriental Incorporadora Ltda.-CNPJ 01.094.885/0001-06 (fls.137 e seguintes), que indica Lucros/Dividendos em favor do contribuinte no valor de R$ 74.215,35 — ficha 50 A — fl.169; 4- com relação à empresa Calinda Adm.Part e Com. Ltda-CNPJ 39.032.453/0001-35, argumenta que, uma vez que está sendo dela o valor de R$ 945.561,23 a título de IR, é plenamente plausível, como indício da veracidade e idoneidade da declaração que tenha distribuído dividendos de R$ 616.012,85; 5- é público e notório que o escritório de contabilidade que cuidava da contabilidade da empresa Calinda Adm.Part e Com. Ltda foi alvo de ação de busca e apreensão. Que não teria como constituir prova nos autos em razão desta ação oriunda do poder de príncipe, totalmente alheia a sua vontade e realizada ao arrepio da lei. Que a exigência da fiscalização para que sejam apresentados outros documentos que não o "comprovante de rendimento" já apresentado violaria o principio da razoabilidade (art.2o da Lei n° 9.784/99), igualdade e moralidade; 6- pelo exposto, solicita que os documentos que foram objetos de apreensão judicial sejam trazidos aos autos para que sejam periciados a fim de que se verifique se havia, para a empresa Calinda Adm. Part e Com, recursos para o pagamento dos dividendos, bem como o valor que foi pago; e 7- pede pela nulidade. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por NELSON MA LLMANN 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 17-28.793 (fls. 237 a 247), de 19/11/2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e. tributados exclusivamente na fonte, caracterizando omissão de rendimentos, evidenciado por análise em que se cotejaram as aplicações realizadas com os recursos disponíveis no mesmo período, só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. PRESUNÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Invocando uma presunção legal a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito; sendo, outrossim a livre convicção do julgador. Na análise do conjunto da prova, cada prova merece ser analisada conforme o momento processual em que foi constituída. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 29/01/2009 (vide AR de fl. 260), o contribuinte interpôs, em 02/03/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 261 a 294, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 298 e 299), no qual, após breve relato dos fatos, requer o cancelamento do lançamento, alegando, em síntese, que (fls. 266 e 267): (i) não se trata de presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto, nos termos do § 1o do artigo 3o da Lei 7.713/88, já que o próprio lançamento fundamentou-se em dispositivos legais que dispõem sobre a presunção simples de omissão de receitas; (ii) mesmo a presunção simples deve ser afastada, pois a fiscalização não cumpriu os requisitos mínimos para a validade do lançamento; (iii) trata-se na realidade, de se verificar a real qualificação dos rendimentos declarados pelo Recorrente, se são rendimentos isentos oriundos da distribuição de dividendos por empresas das quais é sócio — como declarou o Recorrente — ou se são rendimentos tributáveis — como considerou imotivadamente a fiscalização; Fl. 622DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por NELSON MA LLMANN Processo nº 19515.002716/2005-92 Acórdão n.º 2202-01.340 S2-C2T2 Fl. 3 5 (iv) o Recorrente demonstrou efetivamente, por meio dos "Informes de Rendimentos", tratar-se de dividendos distribuídos pelas empresas das quais detém participação societária. Tais documentos são suficientes para a prova de que se trata de rendimentos isentos do IRPF, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes; (v) a simples divergência entre as informações declaradas dos "Informes de Rendimentos" e as informações declaradas nas DIPJs das empresas não é suficiente para desqualificar tais rendimentos como isentos, já que se trata de mero erro formal de terceiros (empresas) no preenchimento da declaração. Ainda que assim não fosse, as DIPJs foram posteriormente corrigidas. Assim, poderia a fiscalização ter intimado as empresas no curso do procedimento para que esclarecessem a divergência nas informações; (vi) trata-se de empresas ativas, regularmente registradas perante a Receita Federal e eventuais equívocos por elas cometidos na apuração do IRPJ ou no cumprimento de suas obrigações acessórias devem ser imputados a ela e não ao Recorrente; (vii) ad argumentandum, ainda que a apresentação dos "Informes de Rendimento" não fosse suficiente, o Recorrente vale-se do principio da verdade material que rege o processo administrativo e faz prova do efetivo auferimento de lucros pelas empresas e de sua efetiva distribuição ao Recorrente, comprovando tratar-se de rendimentos isentos; (viii) comprova, também, que as DIPJs das empresas foram preenchidas de forma incompleta já que a documentação necessária para a sua confecção estava e continua apreendida pela Policia Federal, bem como que, não obstante inúmeras tentativas, o Recorrente não teve acesso a parte da documentação apreendida; (ix) por fim, demonstra que uma das empresas, Calinda, sofreu lançamento de ofício do IRPJ referente ao ano calendário de 2003, o que corrobora a afirmação do Recorrente de que a empresa efetivamente auferiu lucro no período. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 25/07/2011, veio numerado até à fl. 604 (última folha digitalizada – numeração do e-processo)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Disponibilizado o arquivo digital no e-processo. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por NELSON MA LLMANN 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Em obediência ao princípio da legalidade, há que se declarar, de ofício, a improcedência do lançamento, visto que o método de apuração da omissão adotado pela fiscalização está em descompasso com a legislação vigente, uma vez que o acréscimo patrimonial foi apurado anualmente e não mês a mês. Com o advento da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, a omissão de rendimentos embasada na presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto, passou a ser apurada mensalmente, conforme disposto em seus arts. 2o e 3o (grifos nossos): Art. 2o O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3o O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Mesmo com a edição da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que revogou expressamente os arts. 23 e 24 da Lei nº 7.713, de 1988, retornando a tributação a bases anuais de todos os rendimentos recebidos ao longo do ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte, conforme disposto em seus arts. 2o, 9o, 10 e 11, a determinação da matéria tributável com base em acréscimo patrimonial continuou sendo apurada mensalmente, embora sujeita ao ajuste anual. Essas disposições legais foram consolidadas no Regulamento do Imposto de Renda de 1994 (aprovado pelo Decreto no 1.041, de 11 de janeiro de 1994), que assim dispôs (grifos nossos): Art. 58. São também tributáveis (Lei no 7.713/88, art. 3o, § 4o): [...] XIII - as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; [...] Fl. 624DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por NELSON MA LLMANN Processo nº 19515.002716/2005-92 Acórdão n.º 2202-01.340 S2-C2T2 Fl. 4 7 Art. 115. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País (Lei no 7.713/88, art. 8o). § 1o O disposto neste artigo também se aplica: [...] e) ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; [...] Art. 92. A base de cálculo do imposto, na declaração de rendimentos, será a diferença entre as somas, em quantidade de Ufir (Lei n° 8.383/81, art. 13, parágrafo único): I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano- calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções de que tratam os arts. 85 a 90. § 1° O resultado da atividade rural apurado na forma dos arts. 68 a 74 ou 76, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto definida no caput deste artigo (Lei n° 8.383/91, art. 14). § 2° No caso de rendimentos do trabalho assalariado recebidos do governo brasileiro, em moeda estrangeira, considera-se tributável apenas a quarta parte dos valores recebidos, no ano, convertidos, mês a mês, em cruzeiros reais, pela taxa média do dólar norte-americano fixada para compra e transformados em quantidade de Ufir pelo valor desta no mês do recebimento (Decreto-Lei n° 1.380/74, art. 8°, §§ 2° e 3°, e Lei n° 7.713/88, art. 27). Da mesma forma, o atual Regulamento do Imposto de Renda deixa claro que a apuração do acréscimo patrimonial deve ser feita mensalmente e tributada no ajuste anual, como se depreende do art. 55, a seguir reproduzido (grifos nossos): Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): [...] XIII - as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; [...] Fl. 625DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por NELSON MA LLMANN 8 Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86. Como se vê, a partir do ano-base 1989, devem-se confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos a fim de se determinar se houve ou não acréscimo patrimonial a descoberto a ser tributado. No caso em questão, conforme quadro elaborado pela fiscalização à fl. 58, verifica-se que a variação patrimonial a descoberto foi apurada em bases anuais, a partir das informações extraídas da declaração de ajuste anual, não havendo qualquer demonstrativo da evolução patrimonial mensal. Como se percebe, o critério adotado pelo fiscal para determinar o acréscimo patrimonial, não se coaduna com aquele que está previsto na legislação vigente (art. 2o e 3o da Lei no 7.713/1988). Repita-se, a partir do ano-base 1989, não são mais admitidos cálculos anuais, devendo o acréscimo patrimonial ser determinado mensalmente, pelo confronto entre os recursos e as aplicações correspondentes a cada um dos meses do ano em análise. Com isso, maculada fica, de forma insanável, a regularidade do feito fiscal. É que não se está aqui diante de uma mera incorreção material, mas da adoção de todo um critério jurídico não condizente com a legislação que rege a matéria, tratando-se, portanto, de erro de direito, circunstância esta que vicia de forma absoluta o lançamento efetuado. Neste sentido, também já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRPF – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – APURAÇÃO ANUAL – A legislação do imposto de renda das pessoas físicas determina que o tributo é devido mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, portanto a apuração do acréscimo patrimonial deve ser feita mês a mês, já que não existe permissivo legal autorizando o seu levantamento anual. (Acórdão CSRF/04- 00.112, de 22/09/2005) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – FORMA DE APURAÇÃO – A partir do ano-calendário de 1989, o acréscimo patrimonial não justificado deve ser apurado mensalmente, confrontando-se os rendimentos do respectivo mês, com transporte para os períodos seguintes dos saldos positivos de recurso, conforme determina o artigo 2º da Lei nº 7.713/88. (Acórdão CSRF/01-05.080, de 18/10/2004) Quanto aos demais argumentos trazidos pelo recorrente, deixa-se de apreciá- los em face da constatação da utilização de critério jurídico não previsto na legislação na apuração da matéria tributável que acarretou a improcedência do lançamento. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 626DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 06/08/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por NELSON MA LLMANN
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Numero do processo: 10768.009271/2001-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Processuais
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2001
RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA.
No direito brasileiro, é cabível a relativização da coisa julgada inconstitucional, exercida, entretanto, na forma própria e no momento processual oportuno, previstos no Código de processo Civil.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3202-000.526
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Vencido o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente PECÚLIO UNIÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Processuais Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2001 RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA. No direito brasileiro, é cabível a relativização da coisa julgada inconstitucional, exercida, entretanto, na forma própria e no momento processual oportuno, previstos no Código de Processo Civil. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls. 398/401), o qual passo a transcrever: “Tratase de lide administrativa instaurada com a impugnação de PECÚLIO UNIÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA (fls. 180189) à notificação de lançamento lavrada pela Divisão de Arrecadação da DEINF/RIO (fls. 162169). Fl. 460DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 A notificação de lançamento constitui crédito de COFINS no valor de R$ 66.205,26, acrescido de juros de mora calculados até 29/06/2001 no valor de R$ 13.722,26 e de multa proporcional, passível de redução, no valor de R$ 49.653,84, totalizando um valor de R$ 129.581,36(11. 162). A notificação de lançamento em pauta tem origem no processo administrativo n° 10768.019485/9973, protocolizado para acompanhar o mandado de segurança n° 99.00166264, instaurado na 29ª Vara Federal do Rio de Janeiro, no qual o contribuinte busca eximirse de pagar a COFINS, tal como prevista na Lei n° 9.718/98 (fls. 5961). Em 03 de agosto de 1999, foi concedida liminar para que a impetrante tenha assegurado o direito de não recolher a COFINS sobre suas receitas, na forma prevista pela Lei n° 9.718/98, mantendose a isenção assegurada pela Lei Complementar n° 70/91, devendo a autoridade coatora absterse da prática de qualquer imposição sancionatória em decorrência do não recolhimento da exação (fls. 6263). Petição inicial anexada (fls. 6578). Informação judicial fornecida pela DISIT/DEINF/RJ anexada (fls. 95 114). Em 27 de outubro de 1999, foi prolatada sentença, concedendo a segurança pleiteada, confirmando a liminar que havia sido deferida (fls. 117124). A União Federal apelou ao Tribunal Regional da 2ª Região, que, em acórdão prolatado em 23 de outubro de 2000, proveu o recurso, reformando a sentença (fls. 139153). Aos 27 de julho de 2001, a Divisão de Arrecadação da DEINF/RIO lavrou termo de auditoria interna sobre a COFINS, no qual consta que o contribuinte não vinha apresentando as correspondentes DCTFs nem recolhendo as contribuições devidas, o que resultou no lançamento de ofício a partir de fevereiro de 1999 (fl. 158). O contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo detalhando as bases de cálculo da COFINS, na forma do anexo II da IN/SRF n° 047/99. O crédito tributário foi lançado sem suspensão da exigibilidade, mediante a aplicação de alíquota de 3% sobre a base de cálculo informada pelo contribuinte, acrescido de multa de ofício de 75%, em relação ao período de apuração de fevereiro de 1999 a março de 2001 (fl. 161). Em 15 de agosto de 2001, o sujeito passivo apresentou impugnação à notificação de lançamento, na qual alega, em síntese (fls. 180 a 189): 1) conforme a legislação aplicável, a base de cálculo da Cofins deveria ser igual à do PIS, no entanto a Fiscalização indicou como base de cálculo do PIS, constante do processo 10.768.009340/200177 valores diferentes dos adotados para a base de cálculo da presente exigência da Cofins; 2) essa divergência, por si só, traduz verdadeiro cerceamento do direito de defesa, vez que os dados adotados como base de cálculo não estão conformes os dados do demonstrativo da base de cálculo do PIS (embora não se afirme serem eles corretos), e a Fiscalização não disse o que acrescentou ou excluiu, ficando o contribuinte sem condições de defesa; 3) esse fato, por si só, acarreta a nulidade do procedimento, como expressamente estabelece o Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto n° 70.235, de 06.03.72, no art. 59, inciso II, parte final; Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.009271/200100 Acórdão n.º 3202000.526 S3C2T2 Fl. 2 3 4) tornase imprestável a base de cálculo adotada para o lançamento sem o exame da contabilidade da empresa, isto é, sem uma fiscalização no local, considerando que a lei determina que se exclua da base de cálculo a receita decorrente da venda de bens do ativo, arrolados entre os valores constantes do item OUTRAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS, o que não foi feito; 5) do mesmo modo, entre as exclusões que o Demonstrativo arrola estão os Rendimentos Financeiros dos Bens Garantidores de Provisões Técnicas, que obrigatoriamente todas as empresas do ramo da impugnante não pode deixar de ter e que deveriam ser arroladas no Anexo IV; 6) como se verifica dos demonstrativos parece que a Fiscalização confundiu "rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates" com simples RECEITAS FINANCEIRAS, dado terem sido estas as excluídas e não aquelas, como a lei determina; 7) por todas essas razões, impõese que se converta o julgamento em diligência, a fim de que a Fiscalização apure a matéria tributável e que nos termos legais constitua as verdadeiras bases de cálculo, isto, caso não se determine de imediato a anulação do procedimento em face de não se demonstrar ele consentâneo com as disposições legais que regem o Processo Administrativo Fiscal, nem guardar ele conformidade com a base de cálculo, como previsto no Código Tributário Nacional combinado com os dispositivos que disciplinam a exigência da contribuição que ora se contesta; 8) Por fim, requer sejam acatadas suas razões de defesa para cancelar inteiramente a exigência em questão. Em 26 de abril de 2006, a 4ª Turma da DRJ II, converteu o julgamento em diligência, para que fossem trazidos aos autos (fls. 196/197): 1) planilha em que constem discriminadas mensalmente as receitas que integram as bases de cálculo da Cofins, as exclusões/deduções permitidas pela legislação e a base de cálculo tributável, em relação ao período considerado para o lançamento, de acordo com a IN SRF n° 047, de 28 de abril de 1999 Anexo II; 2) cópia dos registros contábeis e fiscais do contribuinte que demonstrem os valores informados na planilha do item anterior. No Termo de Encerramento de Diligência Fiscal elaborado pela auditora fiscal, às fls. 306/307, consta que: 1) o contribuinte já apresentou as planilhas solicitadas pelo menos em duas ocasiões, conforme documento à fl.22. As planilhas, portanto, já se encontram no processo às fls. 33/58; 2) em sua impugnação (fls. 180/189), o contribuinte insinua que as referidas planilhas não foram por ele preenchidas (fl. 187) "... que se alega terem sido preenchidos pelo contribuinte...", bem com que não houve orientação por parte da fiscalização para o preenchimento (fl. 186). Tendo em vista estes fatos, a empresa foi intimada (fl. 208) na pessoa de seu presidente para reconhecer as assinaturas firmadas em todos os demonstrativos da base de cálculo do PIS/Cofins, o que efetivamente ocorreu conforme termo lavrado à fl. 210; 3) assim, não restando dúvida de que os valores informados no processo (fls. 33/58), utilizados como base de cálculo para a autuação, foram fornecidos dentro Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 dos ditames da IN SRF n° 047, de 28 de abril de 1999 Anexo 1, o contribuinte foi intimado novamente (fl. 211), para apresentar a escrituração dos valores constantes das referidas planilhas; 4) conforme solicitado, o contribuinte apresentou novamente as planilhas devidamente preenchidas conforme IN SRF n° 047, de 28 de abril de 1999 Anexo 1, com os mesmos valores já apresentados, que serviram de base de cálculo para a autuação de Cofins, anexando também os balancetes de cada período (fls. 214/305); 5) por amostragem, verificouse que as inconsistências entre os balancetes e os valores informados nas planilhas, não foram relevantes, bem como não trouxeram prejuízo ao Fisco, concluindose, portanto, que os valores apresentados como base de cálculo para a Cofins estão corretos. Em 22/06/2007, o contribuinte foi cientificado do termo de encerramento de diligência fiscal (fl. 307). Em 11 de outubro de 2007, a 4ª Turma da DRJ/RJII proferiu acórdão assim ementado (fl. 336): "CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFASTAMENTO. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando a apuração do tributo pela fiscalização teve amparo em demonstrativos produzidos por ele. VALORES LANÇADOS A MAIOR. EXONERAÇÃO Devem ser retificadas as planilhas elaboradas pelo contribuinte para apuração da base de cálculo de tributo, quando verificadas divergências com os documentos contábeis, e exonerados os valores lançados a maior pela fiscalização com base naquelas " Em 26 de fevereiro de 2008, o contribuinte impugnou a decisão citada, alegando cerceamento do direito de defesa e a isenção do tributo em pauta. Frisa que, embora tenha sido notificada do resultado da diligência, não foi a ora recorrente expressamente notificada da reabertura do prazo para impugnação. Quanto à isenção, repetiu os argumentos apresentados em sua primeira impugnação dirigida à DRJ/RJII, para, por fim, requerer a reforma ou a anulação do acórdão da 4 a Turma da DRJ/RJII (fls. 356363). Em 5 de junho de 2009, a 2ª Câmara do CARF anulou da decisão da 4ª Turma da DRJ/RJII, em acórdão assim ementado (fls. 380382): "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA ORDENADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. JULGAMENTO SEM ABERTURA DE PRAZO PARA PRONUNCIAMENTO DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CARACTERIZADO. NULIDADE DA DECISÃO. Por restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa, é nula a decisão de primeira instância prolatada sem que, após realização de diligência, não oferece ao contribuinte oportunidade para manifestação sobre o feito. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.009271/200100 Acórdão n.º 3202000.526 S3C2T2 Fl. 3 5 Recurso provido para anular a decisão de primeira instância." Em 06 de outubro de 2009, foi encaminhado ao contribuinte intimação com os seguintes dizeres (fls. 385386): "Sr. contribuinte. Favor desconsiderar a correspondência recebida por Vossa Senhoria, em 06/10/2009, intitulada Comunicação 6542009, encaminhada por esta DEINF/RJ/DICAT. Em atenção ao teor do acórdão 220100.339, exarado pelo CARF, estamos encaminhando cópia dos seguintes documentos: acórdão 220100.339, exarado pelo CARF; termo de resultado da diligência fiscal (resultado da conversão do julgamento em diligência pela DRJ/RJII/4a TURMA n° 112/2006). Assim, fica Vossa Senhoria cientificado do teor dos documentos discriminados acima, especialmente do termo de resultado da diligência fiscal, sendolhe reaberto o prazo de 30 (trinta) dias para impugnação para, se for de seu interesse, complementar suas razões iniciais. Após a expiração do prazo, retornarão os autos à autoridade julgadora de primeira instância para que seja prolatada nova decisão, em cumprimento à determinação constante no acórdão 220100.339, exarado pelo CARF." Foram anexados, em seguida, o acórdão 220100.339, exarado pelo CARF e o termo de resultado da diligência fiscal (resultado da conversão do julgamento em diligência pela DRJ/RJII/4ª TURMA n° 112/2006), cujas cópias foram enviadas ao contribuinte (fls. 387391). Termo de juntada de aviso de recebimento da notificação a que se acabou de referir juntado à fl. 392.” Esgotado o novo prazo para pronunciamento acerca do resultado da diligência efetuada, sem que tivesse havido manifestação por parte da contribuinte, foram os autos encaminhados para julgamento pela DRJ –Rio de Janeiro II/RJ, que proferiu nova decisão (fls. 398/401), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2001 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFASTAMENTO. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando lhe é concedido prazo para manifestarse sobre resultado de diligência e o sujeito passivo o deixa, apesar de regularmente cientificado, transcorrer in albis. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Da mesma forma, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando a apuração do tributo pela fiscalização teve amparo em demonstrativos produzidos por ele. VALORES LANÇADOS A MAIOR. EXONERAÇÃO. Devem ser desconsiderados valores constantes das planilhas elaboradas pelo contribuinte para apuração da base de cálculo de tributo, quando verificadas divergências com os documentos contábeis, e exonerados os valores lançados a maior pela fiscalização com base naquelas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 406/413), alegando, em síntese: que o TRF2ª Região decidiu que a contribuinte deveria recolher a COFINS sobre suas receitas com base na Lei nº. 9.718/98, sendo que tal decisão transitou em julgado; que em 2005, todavia, o Supremo Tribunal Federal – STF declarou a inconstitucionalidade da base de cálculo veiculada na referida Lei (incidência sobre a receita bruta), passando a considerar como correta a incidência sobre o faturamento; que, mesmo assim, com base no trânsito em julgado do acórdão do TRF/2ª Região, a Fazenda Nacional permanece exigindo o recolhimento da COFINS sobre as receitas da Recorrente; que, recentemente, foi publicado parecer da PGFN/CRJ nº. 492/2011, o qual determina que a superveniência de precedentes definitivos e objetivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias; que, ainda segundo o referido parecer, a cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado operase automaticamente, podendo o contribuinte deixar de recolher o tributo em relação aos fatos geradores praticados dali para frente; que o lançamento atacado alberga competências posteriores ao trânsito em julgado desfavorável à Recorrente, enquadrandose perfeitamente ao Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011; e que, na decisão recorrida, extraise claramente que foram tributados valores que não integram o faturamento da Recorrente, como, por exemplo, a referência a incidência sobre venda de bens do ativo, constante da fl. 401, verso. Ao final, requer a reforma da decisão prolatada, para que seja desconstituído em parte o crédito tributário lançado, pela exclusão das receitas que não conformam o faturamento da Recorrente, aplicandose ao caso o parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional n. 492/2011, que determina a inexigibilidade de créditos tributários constituídos a partir de legislação inconstitucional, com entende ser o caso deste processo. É o Relatório. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.009271/200100 Acórdão n.º 3202000.526 S3C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Cuidam os autos de Notificação de Lançamento (fls. 162/170) lavrado contra a contribuinte anteriormente identificada, em razão da falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor total de R$129.581,36, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 02/1999 a 03/2001, incluídos principal, multa de ofício de 75% e juros de mora. Conforme consta do Termo de Auditoria Interna (fls. 158/161), foi utilizado, como base de cálculo para apuração da COFINS, o valor da receita bruta mensal, nos termos do §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, que assim dispõe: Art. 3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1ºo Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O TRF/2ª Região decidiu que a contribuinte deveria recolher a COFINS sobre suas receitas com base no §1º do art 3º da referida Lei nº. 9.718/98, sendo que tal decisão transitou em julgado. Em sede de recurso, porém, alega a contribuinte que, após o STF ter declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/1998, reconhecendo a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, a base de cálculo da Cofins corresponderia ao faturamento, este assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Para amparar sua pretensão, cita o Parecer PGFN nº. 492/2011. O que pretende a contribuinte, no caso, é a relativização da coisa julgada, em face da inconstitucionalidade declarada pelo STF. Tal posição encontra julgados no STJ que se manifestam favoravelmente a tal corrente doutrinária, ao entendimento de que a coisa julgada não poderia se sobrepor à supremacia da Constituição. Ao meu sentir, tal entendimento não procede, vez que é a própria Constituição quem assegura a inviolabilidade da coisa julgada, ao estabelecer, em seu art. 5º, inciso XXXVI, que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e nem a coisa julgada. Demais disso, a relativização buscada pela doutrina encontrase presente no sistema jurídico brasileiro, existindo, entretanto, momentos e instrumentos processuais oportunos para tanto, conforme se pode ver do inciso V do art. 485 do CPC, o qual prevê a Fl. 466DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 interposição de ação rescisória nos casos em que a sentença de mérito transitada em julgado viole disposição de lei. Entendo que relativizar a coisa julgada inconstitucional, conforme se está a pretender, é retirar a sua força e instalar o caos, em face da insegurança jurídica que se instalaria com a perpetuação dos conflitos, vez que a qualquer tempo seria possível terse declarada a inconstitucionalidade de dispositivo legal aplicado pela sentença transitada em julgado. A segurança jurídica estabelecida pela coisa julgada é absolutamente necessária ao Estado Democrático de Direito, que deve obedecer ao devido processo legal. Vejase que não se está a pregar a coisa julgada absoluta pura e simplesmente, mas apenas a pretender adequar a relativização da coisa julgada ao instrumento processual próprio e ao momento processual oportuno, obedecendo, com isso, ao princípio do devido processo legal. Tal entendimento é expressamente manifesto por Nelson Nery Júnior, que assim afirma: Tem sido corrente a afirmação de que se deve relativizar (rectius:desconsiderar) a coisa julgada inconstitucional. Não haveria prazo previamente estabelecido nem outros critérios, de sorte que a qualquer momento se poderia deixar de aplicar decisão de mérito transitada em julgado que fosse apontada de inconstitucional. Falase, também em “controle de constitucionalidade” das decisões judiciais, porque o Poder Judiciário não é imune ao referido controle de constitucionalidade. Não existe fundamento no ordenamento jurídico brasileiro para o acolhimento dessa tese temerária. São três os momentos em que pode impugnar atos jurisdicionais proferidos contras a CF: a) a sentença pode ser impugnada por apelação (CPC 513); b) o acórdão pode ser impugnado por recurso extraordinário (CF 102 III a); c) a sentença ou acórdão de mérito, transitados em julgado, que tiverem sido proferidos contra a CF, são impugnáveis por ação rescisória, com fundamento no CPC 485 V. Essas são as três formas de controle “jurisdicional” da constitucionalidade dos pronunciamentos judiciais, pelo próprio Poder Judiciário. Não é verdade a afirmação de que não existe controle de constitucionalidade de atos judiciais. Existe, mas deve ser exercido dentro do devido processo legal. Criarse impugnabilidade perpétua de sentença ou acórdão apontados de inconstitucionais, como se isto fosse uma espécie de querela nullitatis insanabilis, figura vetusta e banida dos ordenamentos jurídicos dos povos cultos, é arbitrário e ofensivo ao estado democrático de direito (CF 1º caput) e à garantia do devido processo legal (CF caput e LIV). 1 (grifos não constantes do original) Levada a efeito a relativização pretendida, terseia, de outro lado, a insegurança absoluta do contribuinte, nos casos em que, ao ver transitada em julgado sentença que lhe reconhece a inaplicabilidade de lei por inconstitucional, o Supremo, tempos depois, manifestese pela constitucionalidade do mesmo dispositivo. Em casos tais, vejase o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recurso Fiscais deste CARF: 1 In Código de Processo Civil Comentado, art. 485, nota 19 Ed. Revista dos Tribunais, 9ª edição. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.009271/200100 Acórdão n.º 3202000.526 S3C2T2 Fl. 5 9 Número do Processo: 13609.000300/200939 Acórdão: 1102100.666 LIMITES DA COISA JULGADA. Contribuintes que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado (sem possibilidade de recurso) declarando a inconstitucionalidade formal e material, não podem ser cobrados em razão de o Supremo Tribunal Federal ter, posteriormente, se manifestado em sentido oposto à decisão. Decisão unânime da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (AgReg no Resp 1176454/MG, Rel. Min, Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 14/04/2011, Dje 28/04/2011. Não há que se ter dois pesos e duas medidas. Por fim, cabe salientar que, diferentemente do que afirma a recorrente, o Parecer PGFN/CRJ nº. 492/2011 não traz qualquer determinação, vez que não possui força cogente, não sendo cabível a atos dessa espécie determinar procedimentos, traduzindose, tão somente, em orientação, o que não vincula a autoridade julgadora administrativa. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 468DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13656.900888/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPETÊNCIA.
Compõe o saldo negativo do ano-calendário o IRRF incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real deste ano-calendário.
Numero da decisão: 1302-000.890
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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COMPETÊNCIA. Compõe o saldo negativo do anocalendário o IRRF incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real deste anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13656.900888/200966 Acórdão n.º 130200.890 S1C3T2 Fl. 143 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/JFA, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 Declaração de Compensação. Insuficiência do Crédito Reconhecido. Sendo o crédito reconhecido insuficiente à compensação total dos débitos declarados, a declaração transmitida deve ser homologada até o limite do direito creditório reconhecido. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase de Dcomps transmitidas, visando compensar débitos da contribuinte com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ – anocalendário 2004 (fls. 01/09). A DRF/PCS/MG emitiu o Despacho Decisório de fl. 11, no qual homologa parcialmente a compensação declarada no PER/Dcomp nº ...0001, uma vez que o crédito reconhecido fora insuficiente para compensar integralmente os débitos nele informados. A requerente apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 12 e ss), na qual afirma o seguinte: “A soma das parcelas de composição do crédito declaradas no PER/DCOMP 08409.75954.180106.1.7.020511, estão discriminadas de forma correta conforme declaração e comprovantes anexos, sendo o montante de R$ 87.205,81 atualizados pela selic mensal da época, retirandose as devidas compensações utilizadas, suficiente para compensação integral do PER/DCOMP 14913.95299.240206.1.3.020001”. Pede deferimento. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que embora o rendimento de juros sob capital próprio bem como a retenção na fonte a ele relativa tivessem sido feitos no anocalendário de 2003 a contabilização destes somente se deu em 2004, o que autoriza que o valor de IRRF componha o saldo negativo do anocalendário de 2004. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13656.900888/200966 Acórdão n.º 130200.890 S1C3T2 Fl. 144 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Contabilização de retenção na fonte em anocalendário posterior A questão controversa gira em torno do pagamento de juros sob capital próprio no valor de R$10.500,00, bem como a respectiva retenção de IRRF, no valor de R$1.575,00, que ocorreram no anocalendário de 2003. A recorrente deseja ver o valor de IRRF compondo o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 porque alega que embora o pagamento e a retenção se deram em 2003 a contabilização deles somente ocorreu em 2004. Ocorre, todavia, que o inciso III do §4º do art. 2º da Lei nº 9.430/96 estabelece que o saldo negativo de imposto é composto tão somente pelo IRRF computado nas receitas computadas na determinação do lucro real do exercício, in verbis: § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real;(grifos meus) Assim, a retenção efetuada no anocalendário de 2003, relativa a pagamento de juros sob capital próprio pago neste mesmo exercício (fl.16), deverá compor o saldo negativo do anocalendário de 2003. Eventual ajuste posterior de erro de contabilização não tem o condão de alterar o disposto na legislação tributária. Neste sentido, pouco importa quando foi feita a contabilização, sendo relevante a data em que o pagamento dos juros e o recolhimento foram efetuados. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 08 de maio de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13656.900888/200966 Acórdão n.º 130200.890 S1C3T2 Fl. 145 4 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003759/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Período de apuração: 16/07/2003 a 23/12/2004
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. LEI Nº 8.981, DE 1995, ART. 61. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado e/ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. MEIOS DE PROVA. CARACTERIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. CARACTERIZAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder dever
da Administração de lançar com multa de
oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO.
INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento
de ofício, para exigilo
com acréscimos e penalidades legais. A multa de
lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo
Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista
em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150
da Constituição Federal.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.919
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Período de apuração: 16/07/2003 a 23/12/2004 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. LEI Nº 8.981, DE 1995, ART. 61. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado e/ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. MEIOS DE PROVA. CARACTERIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. CARACTERIZAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 16/07/2003 a 23/12/2004 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. LEI Nº 8.981, DE 1995, ART. 61. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado e/ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. MEIOS DE PROVA. CARACTERIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. CARACTERIZAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte Fl. 501DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 2 não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 129 3 Relatório COMERCIAL E EMPREITEIRA FAGUNDES LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF 94.021.466/000117, com domicílio fiscal na cidade de Novo Hamburgo, Estado do Rio Grande do Sul, à Rua Estocolmo, nº 220 – Sala 103, Bairro Canudos, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo RS, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 457/479), prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 466/472. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 21/12/2006, Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 395/405), com ciência pessoal, em 21/12/2006 (fls. 395), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 250.296,05 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo aos períodos de apuração 16/07/2003 a 23/12/2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Infração capitulada no art. 674, § 1º do RIR/1999. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Relatório da Ação Fiscal, datado de 21/12/2006 (fls. 374/392), entre outros, os seguintes aspectos: que os cheques emitidos pela Fagundes, bem como seus extratos bancários (embora apresentados pela empresa), foram obtidos mediante a Quebra do Sigilo Bancário, em 30 de agosto de 2005, determinado pelo Exmo. Dr. Rodrigo Machado Coutinho, Juiz Federal Substituto, no exercício da Jurisdição Plena da Vara Federal Criminal de Novo Hamburgo, através do processo n° 2005.71.08.0083227 (fls. 121 a 126); que ao analisarmos os Livros contábeis e fiscais, relativamente ao período fiscalizado, verificamos que parte dos cheques emitidos de suas contas bancárias, mantidas no Banrisul e Caixa Econômica Federal, foram contabilizados a crédito da conta destes bancos e a débito da conta "caixa". Tal lançamento, sem identificação dos beneficiários, pressupõe que estes cheques tiveram como destino o próprio caixa da empresa; que através da Quebra do Sigilo Bancário, solicitamos, por amostragem, às referidas Instituições Bancárias, cópia microfilmada de alguns cheques emitidos pela fiscalizada. A análise dos cheques disponibilizados permitiunos concluir que os mesmos foram depositados em conta de terceiros, indicando tratarse de contabilização inadequada e/ou pagamentos sem causa a terceiros não identificados em sua contabilidade; que em razão do descrito passamos a examinar os livros, extratos bancários e demais documentos da fiscalizada, apresentados em atendimento aos diversos Termos de Fl. 503DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 4 Solicitação, de Documentos e Informações expedidos, onde constatamos, conforme descrição a seguir, que a fiscalizada efetuou pagamentos a terceiros, adiante identificados, sem que fosse indicada a causa para os respectivos pagamentos; que verificamos que alguns cheques emitidos pela fiscalizada foram contabilizados a crédito das seguintes contas: banco banrisul (1.1.1.02.00010), banco banrisul (1.1.1.02.00012), caixa federal (1.1.1.02.00013); e a débito da conta caixa (1.1.1.01.00005), indicando tratarse de saques bancários para suprimento de numerário; que tendo em vista a Quebra do Sigilo Bancário determinado pela Justiça Federal (já descrito no capítulo III), obtivemos cópia microfilmada de diversos cheques emitidos. Constatamos que os mesmos foram depositados em conta de terceiros, o que impossibilita afirmar que tiveram como destino a conta "caixa", conforme registrado em sua contabilidade; que, assim, para que a fiscalizada pudesse esclarecer como seus cheques emitidos e contabilizados a débito da conta caixa foram depositados em conta de terceiros, intimamos a empresa, a apresentar documentação hábil e idônea para comprovar a operação ou causa para os cheques emitidos de suas contas bancárias. Junto ao Termo de Solicitação, elaboramos demonstrativo contendo: data de compensação; n° do cheque emitido; Nome do Favorecido e Valor do cheque; que em atendimento ao solicitado, a fiscalizada apresentou diversas notas fiscais, escrituras e recibos na tentativa de justificar a emissão dos cheques; que após exaustiva análise dos documentos apresentados, concluímos que a fiscalizada conseguiu comprovar, a despeito da não contabilização no momento adequado, a quase totalidade dos cheques emitidos. No entanto, não logrou êxito na comprovação da operação ou causa para emissão de alguns cheques, tendo em vista que: (a) Não apresentou notas fiscais, recibos ou qualquer outro documento que supostamente teriam sido emitidos pelo beneficiário do cheque; (b) Não comprovou que os cheques emitidos, em poder de terceiros, teriam sido repassados por empresa que prestou serviços à fiscalizada; (c) Não restou comprovada a alegação de que um determinado cheque foi destinado às Eleições de 2004; (d) Não comprovou que os cheques emitidos, em poder de terceiros, seriam decorrentes de distribuição de lucros ao sócio da fiscalizada; que apresentou planilha, em 14/08/2006 (fls. 160 a 162), contendo a justificativa para emissão dos cheques. No entanto, não apresentou qualquer nota fiscal, recibo ou documento supostamente emitido pelos beneficiários dos cheques, abaixo identificados, que pudesse demonstrar a operação ou causa para sua emissão; que no curso da ação fiscal, a fiscalizada foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a operação ou causa para diversos cheques que emitiu e que foram contabilizados a débito da sua conta "caixa". No entanto, esta fiscalização constatou que os cheques, abaixo listados, foram depositados em conta de terceiros; dentre os quais a Comercial Empreiteira Construltemo Ltda. (fls. 172 a 181), Nelci Oliveira de Moura (fls. 182 a 184), Gilmar Albino de Oliveira (fls. 185 a 187), Frigorífico de Carnes Boa Vista (fl. 188) e Carlos Bechener (fl. 189); que conforme já relatado, a fiscalizada, para justificar a emissão dos cheques, alega que os mesmos teriam sido efetuados à Comercial e Empreiteira Construlest Ltda., que os teria repassado a terceiros já plenamente identificados. No entanto, as afirmações Fl. 504DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 130 5 da fiscalizada não se baseiam em qualquer elemento de prova, uma vez que não apresenta qualquer documento ou comprovante que possa ratificar estas informações; que como as transferências de recursos entre a fiscalizada e a Construlest estão refletidos na contabilidade de ambas, não é de se aceitar a justificativa apresentada para a emissão de outros cheques que, como vimos, acabaram por ser depositados em contas de terceiros; que por tudo o que foi relatado, consideramos que a fiscalizada não conseguiu comprovar, com documentação hábil e idônea, a operação ou causa para os cheques emitidos a favor de Comercial Empreiteira Construtelmo Ltda., Nelci Oliveira de Moura, Gilmar Albino de Oliveira, Frigorífico de Carnes Boa Vista e Carlos Bechener. Pelo exposto, a vinculação destes cheques a contratos efetuados com a Construlest não foram devidamente comprovados; que constatamos que a fiscalizada contabilizou, em 05/10/2004, a débito da conta caixa, o cheque emitido de sua conta bancária no Banrisul n° 871294, no valor de R$ 5.000,00. Verificamos que o referido cheque era nominal a GRV Papéis (fl. 232). Submetido à apreciação da fiscalizada, em 14/06/2006 (fls. 154 a 157), para justificar a operação ou causa para sua emissão, informou, em 14/08/2006 (fls. 160 a 162), que o cheque era destinado às Eleições de 2004. Apresenta Recibo Eleitoral n° 0079644, de 03/09/2004, também de R$ 5.000,00, assinado pelo Sr. Luiz Percy Denardin Filho, destinado ao Comitê do PDT Eleições 2004, Prefeito Novo Hamburgo (fl. 233); que, no entanto, verificamos que o cheque objeto da doação não foi o cheque de 871294, questionado no Termo de intimação, mas sim o cheque n° 574170, no valor de R$ 5.000,00 (fl. 234) e emitido na mesma data do recibo eleitoral, ou seja, 03/09/2004. O recibo eleitoral foi registrado em sua contabilidade em 03/09/2004 (fls. 235 a 237); que a fiscalizada informou, em 14/08/2006 (fls. 160 a 162), em atendimento ao Termo de Solicitação de 14/06/2006 (fls. 154 a 157), que diversos cheques constantes da planilha anexa, e a seguir identificados, foram emitidos a terceiros em decorrência da distribuição de lucros ao sócio Paulo Ricardo Fagundes da Silva. Sempre lembrando que os cheques emitidos foram contabilizados à débito da conta "caixa"; que segundo a contabilidade da Fagundes, a empresa disponibilizou e efetuou pagamento de lucros ao sócio Paulo Ricardo Fagundes da Silva, conforme conta n° 2.1.2.02.00368 (fls. 238 a 246), nas datas e valores abaixo descritos. Por oportuno, registrese que em 22/04/2004, ainda segundo sua contabilidade, parcela.do lucro distribuído, no valor de R$ 180.000,00 foi destinada para integralização do capital da empresa (fl. 243); que para tentar justificar a emissão dos cheques nominais a Diana Raquel Fontana (fls. 247 e 248) e Comércio de Combustíveis Vila Rosa Ltda. (fls. 249 a 252), a fiscalizada apresentou cópias de escrituras públicas de aquisição de 2 (dois) imóveis (fls. 253 a 266) em nome da irmã dos sócios, Rosane Fagundes da Silva, CPF 36948454020 (267 a 269); que para os cheques nominais a Aríete T. K. C. Santos (fls. 270 e 271), a fiscalizada tentou justificar a emissão dos mesmos com a apresentação de Notas Fiscais de Serviços n° 030 e 031, emitidas por uma terceira pessoa, a firma individual Joel Leandro Erhart (nome de fantasia Digitaltec Sistemas de Áudio e Vídeo), CNPJ 03569817/000173 (fls. 272 e 273); Fl. 505DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 6 que não foram apresentados quaisquer documentos para tentar justificar a emissão do cheque a Francisco A. F. Coelho (fl. 274), Paulo A. C. Santos (fl. 275), Thiago Gonçalves da Silva (fl. 276), A. D. Cedro (fl. 277), tendo a fiscalizada limitadose a informar, em planilha apresentada em 14/08/2006, "Distribuição de Lucros Paulo"; que cabe informar, que todos os cheques, já identificados, foram contabilizados a débito da conta caixa. Por oportuno, esclareçase que os valores contabilizados como pagamentos a título de lucros distribuídos ao sócio Paulo, não guardam qualquer semelhança em datas e valores como os cheques emitidos em favor de terceiros; que tendo em vista que a fiscalizada, regularmente intimada, não conseguiu comprovar a operação ou causa dos cheques emitidos da sua conta corrente no Banco do Estado do Rio Grande do Sul Banrisul e Caixa Econômica Federal, nos anos de 2003 e 2004, conforme capítulo IV deste Relatório, constituímos o crédito tributário, com base no dispositivo legal citado no auto de infração, relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRFON). Irresignada com o lançamento a autuada apresenta, tempestivamente, em 19/01/2009, a sua peça impugnatória de fls. 410/423, instruída pelos documentos de fls. 424/442, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que somente uma situação que reflita alguma capacidade contributiva pode ser objeto de tributação, não é menos correto que a pessoa que nela se encontre não pode, em razão disto, ser tributada num tal nível que a impeça de continuar a exercer atividade lícita, ou que lhe retire o indispensável ou que reduza o padrão de contribuinte capacidade contributiva como limite de tributação; que a sanção tributária, como qualquer outra sanção, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito e, assim, tão somente estimular o pagamento correto e pontual dos tributos, sob risco de sua oneração, não podendo nunca ser utilizado como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado; que a vista dessa realidade, não é qualquer atraso no pagamento dos tributos, ou suposta alegação de débito deste, que deve legitimar a previsão de multa exacerbada, no patamar de 75% quando a inflação anual gira em torno de menos de 12%; que além da multa confiscatória já referida, temos, compondo o crédito tributário em lide, a aplicação da Taxa SELIC Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia, para cálculo dos juros moratórios devidos, quando não pagos, tempestivamente, os tributos administrados pela Receita Federal, segundo o estabelecido no artigo 13, da Lei n° 9.065, de 20/06/1995; que mostrase nduvidosa a necessitada de excluir da verba juros de mora a incidência da Taxa SELIC, por afronta à Constituição Federal e ao princípio da hierarquia das normas legais, tudo por uma questão de economia processual; que o Contribuinte, leigo na especialidade Direito Tributário, cipoal de filigranas jurídicas no âmbito do ordenamento pátrio, desconhecendo as conseqüências jurídicas e o âmbito da imputação, que ora se conhece, deixou de apresentar documentos, que ora são juntados ao presente recurso, que certamente dão credibilidade as alegações de Fl. 506DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 131 7 impugnação e levarão a procedência da impugnação com conseqüente desconstituição do auto de infração; que na sua peça por demais fiscalista, em que a arrecadação é posta acima dos princípios vetores do Estado de Direito, o Fiscal Autuante imputa à Litigante, conforme fl. 390, o seguinte: “Portanto, de acordo com o dispositivo legal acima referenciado, sempre que a pessoa jurídica não comprovar, com documentação hábil e idônea, a operação que motivou o pagamento, haverá incidência do imposto de renda na fonte"; que analisemos, pari passu, o lançamento tributário, á luz da legislação dos documentos existentes mais os que ora se juntam, pois se verifica a existência de um erro crasso no libelo acusatório quando o Fiscal Autuante acusa a Peticionaria de não comprovar a operação; que, quanto ao item 4.2.1 Não apresentação de notas fiscais, recibos ou qualquer outro documento que supostamente teriam sido emitidos pelos beneficiários dos cheques, é de se dizer que o destaque dado como título do item 4.2.1 é exatamente a fundamentação lançada como movei da tributação, conforme fl. 378 o fiscal elenca os motivos que entendeu para oferecer tributação, quais sejam: (a) Não apresentou notas fiscais, recibos ou qualquer outro documento que supostamente teriam sido emitidos pelo beneficiário do cheque; que se trata de pagamento em cheque cujo favorecido é BASEG, no valor de R$ 14.000,00 (quatorze mil reais). Por ocasião da instrução não foi localizada nota dos serviços em destaque, contudo, agora em sede recursal temse para prova hábil idônea, conforme documentação em anexo; que, assim, se o fundamento do lançamento era a inexistência de notas fiscais, recibos ou quaisquer outros documentos que supostamente teriam sido emitidos pelo beneficiário do cheque, agora, em razão do documento juntado fica elidido lançamento, pois se trata de prova da prestação dos serviços; que, quanto item 4.2.2 Não comprovação de que os cheques emitidos teriam sido repassados a terceiros, pela Comercial Empreiteira Construlest Ltda. que emitiu notas fiscais de serviços à fiscalizada, é de se dizer que neste quesito cumpre esclarecer a operação; que a impugnante contratou a empresa Comercial Empreiteira Construlest Ltda. para execução, por subempreitada, das obras do Jardim Alcântara no município de Novo Hamburgo e capela Mortuária no município de Sapiranga/RS; que os contratos somaram a cifra de R$ 175.000,00 e foram emitidas notas fiscais neste mesmo valor em cumprimento aos contratos, tudo consoante documentos acostados ás fls. 190/194, 200/217, 220/230 do processo; que por serviços extras nas obras referidas a impugnante efetuou, além dos valores constantes nos contratos, o pagamento em favor da Comercial Empreiteira Construlest Ltda. de R$ 33.680,00, tudo consoante documento novo acostado a presente impugnação; que conforme reconhecimento do fiscal autuador houve pagamento por cheque nominal à Comercial Empreiteira Construlest Ltda. o valor de R$ 86.155,00, já os demais valores foram compensados em conta de terceiros; Fl. 507DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 8 que, logo, se não aceitos os valores que foram pagos a Comercial Empreiteira Construlest Ltda., porém, compensados em conta de terceiros, em tese, estaria a impugnante em débito com a Comercial Empreiteira Construlest Ltda., o que não é o caso, pois os contratos foram pagos na integralidade, ou seja, R$ 175.000,00 e aditivados informalmente no valor de R$ R$ 33.680,00; que o centro da discussão e irresignação é a não aceitação por parte do fiscal dos valores de R$ 89.225,00 que foram compensados a Comercial Empreiteira Construtelmo e R$ 34.000,00 que foram compensados nas contas de Nelci Oliveira de Moura, Gilmar Albino de Oliveira, Frigorífico de Carnes Boa Vista e Carlos Bechener; que entendeu o fiscal autuador que não houve comprovação de que os cheques emitidos teriam sido repassados a terceiros pela Comercial Empreiteira Construlest Ltda., a qual emitiu as notas fiscais em favor da impugante; que para combater a fundamentação lançada no relatório de ação fiscal, além da análise dos documentos que instruem o processo, juntase em grau de impugnação, o documentos firmado pela Comercial Empreiteira Construlest Ltda., que comprova cabalmente, por documentos hábil e idôneo, que foi a Comercial Empreiteira Construlest Ltda., a beneficiária dos pagamentos decorrentes dos contratos e notas, todavia, repassou os títulos nominandoos a terceiros, conforme a seguir transcrito; que pelo conteúdo da declaração de recebimento de valores e destinação de cheques verificase que, conforme já noticiado ao fiscal autuador, o representante legal da Comercial Empreiteira Construlest Ltda. possuí vínculo parental e negocial com os destinatários dos valores, motivo pelo qual repassouos à revelia do conhecimento do impugnante; que, ademais, analisandose as cópias de cheques que instruem o processo verificase que todos, na parte do título destinado a nominação do beneficiário, foi preenchida em grafia diferente do preenchimento dos valores, o que se percebe cabalmente que foi nominado por outro, no caso, o representante legal da Comercial Empreiteira Construlest Ltda., inclusive admitido por este na declaração supra transcrita; que, quanto ao item 4.2.3 Não comprovou que um cheque emitido foi para eleições 2004, é de se dizer que no tocante a este apontamento houve equívoco ao informar o cheque destinado a eleições 2004, sendo correta a indicação pelo fiscal autuador de que o cheque para eleições foi outro. Contudo, em se tratando da impossibilidade de juntada no presente momento, em razão de força maior, nos termos da lei, requer juntada do recibo/nota do valor questionado, em favor da GRV Papéis Ltda.; que, quanto ao item 4.2.4 Não comprovou que cheques emitidos, em poder de terceiros, seriam decorrentes de distribuição de lucros, é de se dizer que reconhece o fiscal autuador, conforme planilha constante da fl. 387/388 que o sócio Paulo obteve distribuição de lucros em 2003 no valor de R$ 60.000,00 e em 2004 no valor de R$ 328.975,80; que os pagamentos a terceiros somam importâncias inferiores ao lançamento por distribuição de lucros, portanto, dentro do permitido na receita por distribuição de lucros; que, contudo, em razão do princípio da entidade aponta à tributação cheques emitidos pela empresa e contabilizados a conta "débito caixa" e informados como distribuição de lucros; Fl. 508DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 132 9 que cabe ressalva que o Sócio Paulo, como todo o empreendedor, tem remuneração do capital empreendido na empresa que se dá normalmente com repasse de recursos por distribuição de lucros e em nenhum momento deixando de atender o princípio da entidade; que se contabilizados como distribuição de lucros, já houve incidência do imposto de renda na pessoa jurídica, considerando que a forma de tributação é pelo lucro presumido (tributação pelo faturamento), por certo, nova tributação, na pessoa física, sobre os mesmos valores decorrerá bi tributação, instituto com vedação legal, motivo pelo qual, impera o afastamento das importâncias à titulo de tributação do imposto de renda retido na fonte, por ter já ocorrido a tributação. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, inicialmente, cabe esclarecer que diante de tributos não declarados e não pagos cabe à autoridade administrativa efetuar a cobrança dos débitos devidos e da multa de ofício, fixada em 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007; que o mesmo ocorre quando o contribuinte apresenta confissão de dívida no curso de uma ação fiscal já iniciada, porquanto o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do art. 7o , § Io , do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Presente, portanto, disposição legal que impõe à autoridade administrativa a aplicação da penalidade, uma vez que o lançamento é atividade administrativa vinculada à lei, nos termos do art. 142 do CTN; que não bastasse tudo isso, a matéria referente à constitucionalidade das leis não pode ser conhecida pela Administração Pública, pois é princípio assente na doutrina pátria que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta só elidida pelo Poder Judiciário. Caso se manifestasse a Administração Pública a respeito da constitucionalidade de leis ou atos normativos por ela próprio emanados, estaria configurada uma invasão na esfera de competência exclusiva do Poder Judiciário, ferindo assim a independência dos Poderes da República, preconizada no artigo 2 o da Carta Magna; que o impugnante sustenta a inviabilidade da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também se manifestou de forma definitiva a respeito desse tema. Refirome à Súmula Carf n° 4, cuja publicação foi reprisada, recentemente, à folha 47 do Diário Oficial da União (Seção 1) do dia 9 de dezembro de 2010; que no curso da fase inquisitória do procedimento, o contribuinte não apresentou qualquer documento relativamente ao cheque descontado por Baseg. Com relação ao cheque descontado por Leandro Köche, em que pese terem sido apresentadas cópias de documentos (contratos e ART), os elementos neles lançados (ART) infirmavam a pertinência do pagamento. Agora, em sede de impugnação, o contribuinte apresenta cópias de declarações firmadas pelos pretensos beneficiários, dando conta do motivo dos pagamentos. Diante da precariedade dos documentos, o contribuinte foi instado a complementar a prova, consoante Fl. 509DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 10 documentos das folhas 444 a 446. Passo à análise dos dois casos em função das novas provas juntadas; que quanto ao pagamento que teria sido efetuado em favor de Leandro Köche, houve a apresentação de cópias autenticadas (1) de declaração emitida pelo beneficiário, dando conta do recebimento de dois cheques (um de R$ 3.000,00, emitido em 2 de agosto de 2004 fl. 171 e outro de R$ 3.200,00, emitido em 16 de outubro de 2004), e (2) de ART que aponta o valor de honorários no montante de R$ 3.897,90. Em que pese à envergadura dessas provas, que ensejariam a redução do pagamento imotivado de R$ 3.200,00 (fl. 378) para R$ 2.302,10 (R$ 6.200,00 — R$ 3.897,90), verifiquei, posteriormente à intimação, que o pagamento sem causa ou incomprovado em questão não constou do Auto de Infração (fls. 396 e 397). Por tal motivo, essa questão deixou de ser litigiosa, posto que não houve a cobrança tributária respectiva. Tratase, a meu ver, de lapso aceitável de repercussão diminuta; que quanto ao pagamento que teria sido efetuado em favor de Baseg, houve a juntada de cópia autenticada de declaração do beneficiário, afirmando que havia recebido o valor de R$ 14.000,00 por conta de serviços prestados ao interessado. Na intimação (fls. 444 e 446) houve clara referência à necessidade da apresentação de cópia autenticada da nota fiscal emitida em função dos referidos serviços. No meu entender o elemento juntado é precário, de tal sorte que voto por manter a exigência quanto a esse aspecto; que, quanto a não comprovação de repasse a terceiros de cheques em favor de Construlest, é de se dizer que o contribuinte inicia afirmando que a diferença entre o valor dos cheques que teriam sido por ele emitidos em favor da Construlest (R$ 209.380,00) e o valor das notas fiscais efetivamente emitidas pela Construlest em função dos serviços prestados ao interessado (R$ 175.700,00), no montante de R$ 33.680,00, seria uma decorrência da realização de obras extras. Junta cópia simples de declaração da Construlest no sentido de que todos os cheques tomados pela Fiscalização relativamente a esse tópico teriam por objetivo remunerar os serviços prestados pela Construlest ao interessado (fls. 427 e 428). Esse documento, além de ser uma cópia simples, está completamente dissociado das notas fiscais efetivamente emitidas e da escrita comercial do fornecedor e do contribuinte; que a Fiscalização louvouse em prova robusta, que somente poderá ser infirmada diante de elementos negociais que demonstrem a existência de realidade diversa. Uma declaração unilateral, mesmo que original e assinada por pessoa com poderes (o que não se verifica no caso dos autos), desacompanhada de qualquer outro subsídio que a conforte, não tem o condão de afastar a força probante de duas escritas coerentes. Tratase de uma argumentação vazia tanto pela falta de alicerce probatório (escritas não infirmadas), quanto pela lógica, porquanto obras extras também ensejam a emissão de notas fiscais; que, não bastasse isso, a defesa da pretensa prática habitual do repasse de cheques a terceiros defendida pelo impugnante não encontra sustentação no mundo jurídico. A esse respeito é fundamental trazer à lume o art. 69 da Lei n° 9.069 de 29 de junho de 1995; que consoante se verifica do texto legal, a emissão de qualquer cheque deve e dar com a identificação do beneficiário. Assim, incumbe ao emissor, no caso o interessado, a indicação no título do nome do beneficiário. A eventual prática é, portanto, ilegal, avessa ao sistema jurídico, motivo pelo qual refuto a alegação. Dessa forma, a questão da grafia aposta nos títulos é irrelevante para o deslinde do presente caso, motivo pelo qual indefiro o pedido de perícia por entendêla prescindível, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. I o da lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993. Não bastasse esse questão de mérito quanto à perícia, o impugnante deixou de formular Fl. 510DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 133 11 quesitos e indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. I o da Lei n° 8.748, de 1993. Formalmente também não seria possível a determinação da realização da diligência, caso se mostrasse cabível; que, quanto a não comprovação de doação para fins eleitorais, é de se dizer, que o impugnante concordou com a existência de erro na indicação do cheque destinado a fins eleitorais e protestou pela juntada de recibo ou nota em momento futuro. Nada foi apresentado, nada mudou. Cabível a manutenção da exigência por completa falta provas que esclareçam a operação ou sua causa; que, quanto a não comprovação da distribuição de lucros aos sócios, é de se dizer, que consoante já referido em item precedente, a contabilidade faz prova contra as pessoas a que pertence. No caso dos autos, restou identificado, por via da contabilidade, que os cheques descontados por terceiros não eram coincidentes nem em datas, muito menos em valores, com os pagamentos efetuados ao sócio Paulo por conta de distribuição de lucros. Isso é uma prova robusta da desconexão dos pagamentos; que não bastasse isso, cabível repetir a existência da obrigação daquele que emite um cheque com valor superior a R$ 100,00 de identificar a pessoa do beneficiário. O contribuinte, caso tivesse deixado de identificar o beneficiário, fato que não foi provado, teria deixado de observar a lei. Assim, além da dissonância contábil entre os pagamentos, não há como aceitar alegação de fato incomprovado e ilegal; que quanto à referência ao princípio da entidade pela Fiscalização, entendo que é plenamente adequada, uma vez que a eventualidade da existência de cheques emitidos em favor de terceiros para a quitação de dívidas com um sócio, que já é um terceiro em relação à pessoa jurídica, demonstra completa confusão patrimonial entre a sociedade e seu sócio. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: Comprovação de pagamentos. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, ainda mais quando esses dados são confirmados por livros e fichas de terceiros. A alegada e não provada emissão ilegal de cheques sem a identificação do beneficiário não tem qualquer efeito processual. Impugnação Improcedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 15/02/2011, conforme Termo constante às fls. 466/472, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (15/03/2011), o recurso voluntário de fls. 466/472, instruído pelo documento de fls. 473, no qual demonstra irresignação parcial contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 12 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Da análise da matéria contida nos autos, verificase que a autoridade lançadora entendeu haver falta de recolhimento de Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Ou seja, em razão da recorrente, regularmente intimada, não conseguir comprovar a operação ou causa dos cheques emitidos da sua conta corrente no Banco do Estado do Rio Grande do Sul Banrisul e Caixa Econômica Federal, nos anos de 2003 e 2004, foi constituído o crédito tributário, com base no dispositivo no art. 61 e seus parágrafos, da Lei nº 8.981, de 1995. Como visto no relatório, a autoridade fiscal lançadora identificou inúmeros cheques emitidos pela recorrente, contabilizados a débito da conta caixa, que foram depositados em contas de terceiros, dos quais, regularmente intimada, não conseguiu comprovar a operação ou causa para os referidos cheques. Observase, ainda, que a autoridade fiscal lançadora , na planilha denominada "Imposto de Renda Retido na Fonte Pagamentos sem Causa", relacionou e identificou os beneficiários de todos os cheques emitidos. Assim sendo, a autoridade fiscal lançadora, em conformidade com o disposto no art. 61 e §§, da Lei nº 8.981, de 1995, entendeu que em todos os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas em que não for comprovada a causa ou a operação que deu origem ao pagamento, haverá a incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 35%. Agora em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi a improcedência da autuação com base, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. Cabe, inicialmente, esclarecer, que a matéria será analisada como sendo, somente, de mérito. Em primeiro lugar, cabe equacionar as questões de fato constatadas durante a análise dos autos do processo em discussão, para tanto, se nota que a infração lançada foi falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou operação não comprovada, ou seja, sendo intimada a contribuinte não comprovou através da apresentação de documentação hábil e idônea a operação e/ou a causa dos pagamentos efetuados, cujo demonstrativos se encontram às fls. 374/392. Não tenho dúvidas, que o raciocínio utilizado pela autoridade fiscal lançadora pode ser contestada, desde que seja feita de forma clara, demonstrando o equívoco cometido pela fiscalização. Ou seja, qualquer fato e/ou qualquer presunção utilizada pela fiscalização Fl. 512DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 134 13 pode ser contestada, quando um juízo razoável de determinado fato não leva à existência do fato que se pretende provar. A presunção é justamente essa ilação mental entre o fato indiciário e o fato que se pretende provar. O indício e a presunção são partes de um mesmo expediente probatório, são como duas faces de uma mesma moeda. Não faz sentido separálos: primeiro provar por indícios, sem uso de qualquer presunção, a entrega de numerários aos sócios ou a terceiros para, em seguida, aplicarse à presunção. Não pode ser este o sentido da norma em exame. Da analise dos autos, verificase que a suplicante não logrou comprovar por meio do necessário lastro contábil/documental que a saída recursos se destinaram a outros eventos a não ser aqueles constantes da peça acusatória, qual seja: pagamentos realizados a terceiros sem a devida comprovação da causa ou da operação. Em suma, restou comprovado, pela autoridade fiscal, da utilização por parte da suplicante de um artifício na movimentação de seus recursos via estabelecimentos bancários. Emitia recursos para terceiros sem a devida comprovação da causa ou da operação. Ou seja, efetuava pagamentos, através de cheques, para pagamentos a terceiros, a mando da recorrente, real proprietária dos recursos movimentados, cujo destino final dos recursos omitiu na contabilidade e quando intimada não declinou o destino dado aos recursos retirados (pagamentos sem causa e/ou operação não comprovada). Assim, a conjugação dos pagamentos sem causa efetuados está em acordo com o preceito legal contido no art. 61 e parágrafos, da Lei n.º 8.981/95, atributivo de efeito àquele acontecimento, compõe o fato jurídico gerador do imposto de renda na fonte ali vislumbrado. Nestes termos, e por ser da essência daquele dispositivo, tornase necessário à discussão sobre a necessidade ou não da identificação do beneficiário e da origem da operação, bem como do nexo causal com o emitente (comprovação da operação ou a sua causa). Existe o princípio genérico da legalidade segundo o qual somente a lei é fonte de direito. Há, ainda, um princípio específico de legalidade que supõe a existência de lei específica para qualquer tributo possa ser cobrado do contribuinte. Não basta, portanto, existência de lei anterior, mas fazse necessário que esta especifique em que circunstâncias se há de cobrar o tributo. É o que certos tributaristas denominam de princípio da reserva da lei. O poder Público está impedido, de instituir ou aumentar tributo sem lei específica a respeito. Se ninguém é obrigado a fazer ou não fazer alguma coisa senão em virtude de lei, é obvio que o Estado não poderá impelir alguém a pagar tributo, a não ser que exista lei anterior prevendo a hipótese. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Diz o diploma legal Lei n° 8.981, de 1995: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 14 Art. 61 Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74, da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. De acordo com a norma acima reproduzida, a lei estabelece 3 (três) hipóteses distintas de incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, a saber: a) – Pagamentos efetuados a beneficiários não identificados – quando a Pessoa Jurídica, devidamente intimada, não logra êxito em identificar para quem efetuou o pagamento, ou se o Fisco fizer prova de que o beneficiário que a Pessoa Jurídica registrou e aponta como recebedor do pagamento, de fato, nada tenha recebido; b) – Pagamentos sem causa – a Pessoa Jurídica não logra êxito em comprovar a efetividade da operação relacionada ao pagamento, ou se o Fisco fizer prova de sua inidoneidade, ou seja, de que a operação não se realizou. No caso de pagamentos efetivos de operações inexistentes, lastreados em documentação inidônea, além do lançamento do IRF, é cabível a glosa dos custos/despesas, tratandose de Pessoa Jurídica optante pelo lucro real; c) – Concessão de benefícios indiretos de que tratam o artigo 74 da Lei nº 8.383, de 1991 – se o valor correspondente ao benefício for tratado como remuneração dos beneficiários para fins de incidência do imposto de renda. Em relação às hipóteses “a” e “b” cabe ao fisco, antes de qualquer coisa, assegurarse de que os pagamentos foram realizados, pois o fato gerador ocorre justamente pela percepção desses valores pelos beneficiários. A ocorrência do pagamento deve estar provada. Todavia, essa prova pode ser feita com a própria contabilidade da empresa. Nesse caso, se houver erro nos registros contábeis, o ônus da prova é do interessado. No que tange ao item “c”, cabe ao fisco fazer prova da ocorrência dos benefícios indiretos. É de se frisar, que o que está sendo tributado, exclusivamente na fonte, são os rendimentos recebidos pelos terceiros, sócios ou pessoas não identificadas. O interessado é o sujeito passivo da obrigação tributária por ter realizado o pagamento irregular. Não se trata de tributação dos recursos utilizados nos pagamentos, até porque, em princípio, o ingresso de tais recursos se deu de forma regular. Todavia, em que pese tudo isso, data máxima vênia, entendo que ficou perfeitamente definido o fato gerador do IRF com base no artigo 61 da Lei n.º 8.981, de 1995. Já que o seu aparente nó górdio situase na fronteira entre a ocorrência ou não da efetuação do pagamento dos valores lançados, pressupostos materiais para o necessário enquadramento Fl. 514DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 135 15 naquele tipo legal. Nos autos, restou devidamente comprovado que os pagamentos existiram e a autuada não justificou, de forma convincente, a operação e/ou a causa destes valores pagos. Ora, está claro nos autos do processo que as contas bancárias movimentadas pertenciam a recorrente. Assim, o fato de utilizar os recursos depositados na conta bancária pertencentes a suplicante para efetuar pagamentos a terceiros sem a devida comprovação da operação ou causa, tem a mesma repercussão de se fosse a própria empresa que tivesse emitido os cheques para si mesmo. Neste caso, o ônus da prova é da empresa é ela que deve esclarecer para onde foram parar os recursos retirados (foram para fazer Caixa na empresa, para efetuar pagamentos diversos?), se a empresa não justificar de forma razoável é de se presumir que tais recursos foram utilizados para efetuar pagamentos sem causa. Restou claro nos autos, que a suplicante não explicou e nem comprovou através de documentação hábil e idônea, de forma convincente, as razões que a levaram efetuar ao pagamentos questionados pela autoridade fiscal lançadora. Apresenta somente alegações não lastreadas por documentos hábeis que demonstrassem de forma clara o acontecido. Os documentos alegados como prova, por si só, não são suficientes para justificar qualquer dúvida quanto à efetividade da infração que lhe é imputada, uma vez se tratarem de alegações com a juntada de documentos, que não demonstram de forma cabal o ocorrido. Da mesma forma, é improcedente e sem qualquer fundamento o entendimento da recorrente de que o fisco se apegou somente a aspectos formais do lançamento. Ao contrário de suas alegações, exatamente no que competia à empresa é que o fisco encontrou irregularidades, pois os dados que lhe foram apresentados são inidôneos e não hábeis para lastrear os argumentos apresentados, e isso é fruto das irregularidades praticadas (movimentar recursos financeiros para terceiros e omitir estes dados na contabilidade da empresa). É fato que o direito processual consagrou o princípio de que a prova incumbe a quem afirma. Porém, é igualmente sabido que não se pode apresentar prova inconteste de fato negativo, como por exemplo, no caso da lide, que os pagamentos não existiram. Nesses casos admitese que a prova se faça por meios dos lançamentos bancários existentes, cabendo à parte demandada a contraprova de que os pagamentos efetuados se destinaram a beneficiário identificado, comprovando a respectiva operação e causa. É remansoso nos autos, que houve a realização dos pagamentos. Entretanto, se a suplicante não trouxe aos autos documentação comprobatória que os pagamentos se destinaram a beneficiário identificado, indicando a causa e comprovando a operação, está evidente, que os recursos foram repassados para alguém não identificado ou quando identificado não ficou comprovada a operação ou a sua causa. Ora, só no fato de não restar comprovada a sua causa, já estaria caracterizada com perfeição uma das hipóteses previstas no artigo 61, da Lei n° 8.981/95. No presente caso, não existem comprovantes indicando as razões de ter como beneficiários de pagamentos as pessoas físicas e jurídicas arroladas. Ou seja, não ficou comprovada a causa dos pagamentos realizados, razão pela qual a autoridade fiscal lançadora considerou ilícitos os procedimentos, porque, entendia que estes revelavam a intenção clara da recorrente em omitir a verdadeira intenção do repasse dos recursos. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 16 É de se esclarecer, que é cristalino que os pressupostos de incidência são diversos, ou seja, “quando não for indicada a operação”, “quando não for indicada a causa”, e “quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário”. Como também é evidente que os pressupostos de incidência previstas neste artigo não são cumulativos, ou seja, basta ocorrer um deles para que flore o fato gerador do imposto de renda na fonte. Não nos parece relevante o argumento fundado exclusivamente no fato de que os discutidos valores estavam devidamente registrados e escriturados no Livro Diário, já que não há discussão sobre este fato, e sim que não houve comprovação que aqueles pagamentos realizados, estivessem realmente vinculados a pagamentos que correspondessem a compromissos reais assumidos pela empresa, com a devida documentação hábil e idônea. Indiscutivelmente, a escrituração só é válida quando lastreada em documentos hábeis e idôneos. Entendo, que é inútil examinar se a escrituração era regular ou não, ou se o valor encontravase ou não escriturado, pois o artigo 61, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995, é claro ao dispor que “a incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.”. No caso sob exame a contribuinte, com ou sem escrituração regular, não logrou provar a causa dos pagamentos objeto da autuação. Entendo que está perfeitamente caracterizada a hipótese descrita na lei – a falta de comprovação da causa dos pagamentos realizados , por outro lado, é, totalmente, descabidas as alegações de que o pagamento está escriturado regularmente com a emissão do documentário fiscal relativo às operações, já que não foi comprovada a operação ou a sua causa. Ora, o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo se o quisesse apresentar provas da efetiva operação ou causa. Oportunidade que lhe foi proporcionada tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, na fase ora recursal. Nada foi acostado aos autos, que afastasse a presunção legal autorizada de que os pagamentos foram realizados a beneficiários sem causa. Insurgese a suplicante, com ênfase, em oposição a essa conclusão do fisco. Na sua veemência argumentativa, a suplicante chega afirmar, em algumas passagens de sua defesa, que não pode acordar com a prática adotada pela auditoria fiscal, indevidamente endossada pela decisão de Primeira Instância, que, abstendose de aprofundar o procedimento investigatório de fiscalização, colheram, por amostragem, informações estanques, desconexas e nada conclusivas, para, embasados nestas, impor à empresa tão despropositado ônus tributário. Ora, se bem compreendi o sentido das afirmações da suplicante nessa linha de exposição de seu pensamento, constituem elas, “data vênia”, flagrante despropósito, haja vista que a função precípua do fisco é a de examinar a essência e a natureza dos fatos e dos negócios jurídicos, sendo irrelevante o nome que os contribuintes lhes tenham emprestado na escrituração ou na operacionalização. Nesta linha de raciocínio, que está em conformidade com a jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, também improcedente assertiva da suplicante no sentido que o fisco efetuou o lançamento por presunção, nada provando. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 136 17 Não se pode questionar a validade do emprego de indícios para mediante ilações deles extraídas provaremse situações que, em face de particularidades próprias, não se poderiam provar de outra forma. Situações, que as partes envolvidas procuram manter em sigilo por prejudicarem interesses de terceiros os quais, mais tarde, iriam tentar demonstrar o oposto. Por isso, não se documentam estes atos e mantémse cuidadosamente guardados os apontamentos ou registros paralelos a eles correspondentes. E, por questão de segurança, tais papéis não são, em regra autografados por ninguém. A prova da existência desses atos tornase assim dificultados e só mesmo através de indícios se pode chegar ao fato final. E este indício serve de base à presunção comum capaz de convencer o julgador da verdade de um fato. Como no direito processual brasileiro, para provarse um fato, são admissíveis todos os meios legais, inclusive os moralmente legítimos ainda que não especificados na lei adjetiva e, sendo livre a convicção do julgador, não há porque se afastar a presunção como meio de prova no caso dos autos. A presunção comum que convence a autoridade administrativa da existência de um fato que o contribuinte procura ocultar ao fisco é a mesma. A propósito de presunção, valemonos do magistério de Gilberto de Ulhôa Canto (Presunções no Direito Tributário – Resenha Tributária – SP 1991 – pág. 3 e 4), que assim leciona: 2.2 – Na presunção tomase como sendo a verdade de todos os casos, aquilo que é verdade da generalidade dos casos iguais, em virtude de uma lei de freqüência ou de resultados conhecidos, ou em decorrência da previsão lógica do desfecho. Porque na grande maioria das hipóteses análogas determinada situação se retrata ou define de um certo modo, passase a entender que desse mesmo modo serão retratadas e definidas todas as situações de igual natureza. Assim, o pressuposto lógico da formulação preventiva consiste na redução, a partir de um fato conhecido, da conseqüência já conhecida em situações verificadas no passado; dada à existência de elementos comuns, concluise que o resultado conhecido se repetirá. Ou, ainda, inferese o acontecimento a partir do nexo casual lógico que liga aos dados antecedentes. 2.3 – As presunções podem ser, segundo a sua origem: a) simples ou comuns, quando inferidas pelo raciocínio do homem a partir daquilo que ordinariamente acontece, ou b) legais ou de direito, quando estabelecidas na lei. Em ambos os casos terá de haver nexo causal entre duas situações (a atual e a sua conseqüente); a diferença entre elas consiste apenas em que no segundo é a lei que recorre à presunção, enquanto que no primeiro é o seu aplicador ou intérprete que a formula. Daí, a conseqüente distinção entre as duas figuras possíveis da presunção, a que incide na própria elaboração da norma (direito substantivo) e a que constitui modalidade probatória (direito adjetivo). Fl. 517DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 18 2.4 – Segundo a sua força, as presunções podem ser a) relativas (júris tantum) ou absolutas (júris et de jure). Nas do primeiro tipo a norma é formulada de tal maneira que a verdade legal enunciada pode ser elidida pela prova de sua irrealidade. Nas do segundo tipo, pelo contrário, temse como certo aquilo que a norma previu, até mesmo em face da eventual prova de que na realidade a previsão deixou de materializarse. Ora, o artifício é tão manifesto que salta aos olhos de quem está analisando os fatos descritos nos autos, pois se os fatos levantados e descritos pela fiscalização não fossem verdadeiros a suplicante já teria apresentado provas cabais de que os pagamentos realizados para os terceiros, se destinaram a saldar compromissos reais assumidos pela empresa apresentado a respectiva documentação hábil e idônea para esclarecer o assunto, e não ficaria em meras alegações, com lastro probante muito frágil. Por outro lado, as evidências, colhidas pela fiscalização, vão muito além da simples presunção, pois demonstrou, ao rastrear a movimentação financeira das quantias despendidas, que estas não tiveram por efetivas destinatárias os supostos emitentes dos cheques, já que, como aceito pela suplicante, os recursos movimentados nas contas bancárias em questão pertenciam à empresa. Assim, é cristalino que os recursos não ficaram com as pessoas que constam da contabilidade, mas terceiros não conhecidos (pagamentos sem causa e/ou operação não comprovada). Os elementos apresentados pela fiscalização são contundentes ao evidenciar o reiterado emprego de subterfúgios. Ademais, a matéria foi devidamente detalhada no julgamento de primeira instância, razão pelo qual peço vênia a nobre Relator para adotar o seu voto, como se fosse aqui transcrito, como reforço ao meu entendimento sobre a matéria Concluo, pois, que permanece sem comprovação a causa dos pagamentos efetuados, motivo pelo qual é de se manter o imposto de renda na fonte sobre os pagamentos relacionados no auto de infração, face ao disposto na Lei nº 8.891, de 1995, art. 61 (artigo 674, do RIR/1994). Da mesma forma, não cabe razão a recorrente no que tange às alegações de ilegalidade / ofensas a princípios constitucionais (razoabilidade, capacidade contributiva, inconstitucionalidade, não confisco e juros abusivos), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 137 19 Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do Fl. 519DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 20 processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada Fl. 520DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 138 21 dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 22 A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 522DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 139 23 Declaração de Voto Fl. 523DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 11444.000925/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Ementa: INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a opção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido
Numero da decisão: 1402-001.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Ementa: INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a opção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido
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OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a opção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Marcelo da Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Como resultado de ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fls. 0205, lançando, para o fato gerador ocorrido em 31/12/2003, crédito tributário de IRPJ correspondente a parcelas de aplicações no FINAM classificadas como recursos próprios. Sobre o crédito tributário apurado foi lançada multa de oficio (75%). Conforme descrito no referido auto de infração, apurouse, em procedimento de auditoria de revisão da declaração — imposto de renda pessoa jurídica, ano calendário de 2003, exercício de 2004, que o contribuinte recolheu DARF com código especifico para o FINAM (9360), no montante de R$ 4.314.642,74. No processamento da opção pelo investimento no FINAM, constatouse que o contribuinte tinha pendência fiscal, de modo que, com base na regra inscrita no art. 60 da Lei n° 9.069/1995, o incentivo pleiteado não foi reconhecido. Em conseqüência, foi emitido extrato, no qual constava a situação do contribuinte e a orientação para que fosse protocolizado Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), a fim de que o valor pleiteado classificado como recurso próprio não fosse exigido como imposto pago a menor. A ciência do referido extrato ocorreu em 12/06/2006, conforme AR de fl. 03 do processo administrativo n° 11443.001053/200811, apensado ao presente processo administrativo. Porém, não houve apresentação de PERC até 29/09/2006, data limite para tanto, conforme § 5° do art. 15 do DecretoLei n° 1.376/1974, com a redação dada pelo art. 1° do DecretoLei n° 1.752/1979. Diante disso, concluiu a autoridade autuante que o direito ao incentivo fiscal pleiteado não foi reconhecido, razão pela qual os valores recolhidos com código de receita especifico para o FINAM foram reputados recursos próprios, de modo que foi necessário o lançamento do IRPJ pago a menor, no mesmo montante. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 6675, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Não foi identificada com precisão e clareza, no processo administrativo n° 11443.001053/20811, a pendência fiscal que teria inviabilizado o reconhecimento da opção pelo destinação de parte do IRPJ do anocalendário de 2003 ao FINAM. Isso traz prejuízo ao exercício do direito de defesa, além de ofender os princípios da legalidade, da eficiência e da moralidade, de modo que o auto de infração é nulo. Quanto aos apontamentos de fls. 5166 do processo administrativo 11443.001053/200811 relativos a lançamentos de tributos, os créditos tributários estavam todos com a exigibilidade suspensa, em virtude de impugnações ou recursos administrativos, razão pela qual não poderiam ser considerados pendências fiscais a ensejar óbice para o reconhecimento do incentivo fiscal. 0 único apontamento existente perante a PGFN é a CDA n° 8070501559447, que tampouco poderia ser considerado como pendência fiscal, pois estava garantido Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 4 4 desde o ano de 2005, j á que, em 31/05/2005, foram oferecidos bens em garantia do débito, com anuência da PGFN, nos autos da execução fiscal n° 1085/2005, em trâmite perante a Vara Única da Comarca de Pompéia/SP. Além disso, o débito de que trata a CDA n° 8070501559447 sequer existia no ano de 2003, quando do pedido do incentivo fiscal, pois a inscrição ocorreu somente em 14/02/2005. Ademais, esta inscrição em divida ativa foi efetuada em sentido contrário a decisão judicial proferida nos autos da ação ordinária n° 97.10078593, que reconheceu o direito 6. compensação dos valores indevidamente recolhidos a titulo de PIS, com base nos inconstitucionais DecretosLei 2.445/88 e 2.449/88. Com base na decisão judicial os débitos foram compensados e a regularidade da compensação foi reconhecida pelo Despacho Decisório SACAT/DRF/MRA n° 299/2008, levando a PGFN a cancelar a referida inscrição. Ainda que se considere que não foram atendidos os requisitos previstos no art. 60 da Lei n° 9.069/1995 para a opção por destinação de parte do IRPJ ao FINAM, o lançamento é descabido, pois os valores recolhidos devem ser alocados ao débito de IRPJ, conforme reconhece a jurisprudência do Conselho dd Contribuintes. A multa, no percentual aplicado, é confiscatória, devendo ser anulado ou ao menos reduzida. Também deve ser afastada a aplicação da taxa Selic para fins de cálculo dos juros morat6rios, por ser ilegal e inconstitucional. Por fim, pede o impugnante que seja julgado improcedente o lançamento. Requer, ademais, que seja apontada com precisão qual a pendência fiscal que ensejou o não reconhecimento do incentivo fiscal, solicitando novo prazo para manifestação. Por meio da Resolução n° 1.116/2009, os autos foram encaminhados DRF/MARÍLIA, a fim de que fosse informado o débito que impediu a aplicação em incentivos fiscais, bem como para que se esclarecesse se o débito, à época da aplicação no FINAM, estava com a exigibilidade suspensa em razão de recursos administrativos e/ou judiciais. Os autos retornaram com o despacho de fl. 185, no qual a autoridade competente da DRF/MARÍLIA consignou que a pendência fiscal que obstou o reconhecimento da destinação de parte do IRPJ do anocalendário de 2003 ao FINAM são os débitos perante a PGFN constantes do processo administrativo n° 13830.001006/200413, consubstanciados na Certidão de Divida Ativa n° 80.7.05.01559447. Tais débitos, correspondem ao PIS dos fatos geradores dos meses de fevereiro de 2000 a julho de 2002. A respectiva inscrição ocorreu em 14/02/2005 e foi extinta em 20/08/2008, em virtude de informação prestada pelo GRUMJ/DRF/MRA, por meio do Despacho Decisório n° 299/2008. Além disso, esclarece a autoridade que, conforme MEMO/PSFN/MRA n° 93/2009, os débitos referentes à mencionada inscrição não tiveram em qualquer momento reconhecida a condição de suspensão da exigibilidade, nos termos do art. 151 do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, prolatou o Acórdão 1435.724 considerando improcedente a impugnação em decisão consubstanciada na seguinte ementa: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 5 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 AÇÃO FISCAL PROCEDIMENTO INQUISITÓRIO DIREITO DE DEFESA PERC PRECLUSÃO A ciência das pendências fiscais que obstaram o reconhecimento da destinação de parte do IRPJ ao FINAM ocorreu com a ciência o extrato, ocorrida em 12/06/2006, conforme comprova o AR. A ação fiscal é, até a lavratura do auto de infração, procedimento inquisitório, razão pela qual não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa antes da ciência do lançamento. 0 prazo para apresentação de PERC, relativamente às opções de destinação do IRPJ do anocalendário de 2003 ao FINAM,esgotouse em 29/09/2006. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado, ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo ser conhecido. Na análise da peça recursal, questão preliminar e essencial a ser dirimida é a ocorrência ou não da preclusão em relação à possibilidade de comprovar a inexistência das pendências fiscais que implicaram na desconsideração da opção pela aplicação em incentivos fiscais exercida pela recorrente. Fazendose um histórico dos principais eventos que envolvem a questão tem se, de acordo com as informações constantes dos autos: • 12/06/2006 (AR) – Sujeito Passivo recebe extrato com situação fiscal e orientação para apresentação de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), tendo em vista rejeição da opção. Informouse que, se não apresentado o PERC, os valores destinados ao fundo seriam considerados recursos próprios o que implicaria na cobrança do imposto pago a menor • 29/09/2006 – Data limite para apresentação do PERC, nos termos do PERC § 5° do art. 15 do DecretoLei n° 1.376/1974, com a redação dada pelo art. 1°do DecretoLei n° 1.752/1979. • 22/11/2007 – Formalização do processo 11443.001053/200811 com síntese do ocorrido, encaminhado ao setor competente para lançamento do crédito tributário, tendo em vista a não apresentação do 03/12/2007 – Sujeito passivo peticiona requerendo a emissão da 2ª via do extrato das aplicações em incentivos fiscais. • 06/03/2008 – Autoridade administrativa cientifica sujeito passivo da impossibilidade de emissão de novo extrato de aplicação em incentivos fiscais, informa ocorrências que deram causa ao indeferimento da opção e ratifica informação quanto ao recebimento da 1ª via do extrato em 12/06/2006. • 31/07/2008 (AR) – Termo de Ciência e Solicitação de Documentos, cientificando que o valor pleiteado foi classificado como recursos próprios e seria exigido como imposto pago a menor, sendolhe concedido vinte (20) dias de prazo para manifestação e apresentação de documentos; • 20/08/2008 – Sujeito passivo manifestase no sentido de que não teria recebido o extrato e não teria conhecimento de seu conteúdo e requer Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 7 7 emissão de novo extrato e a indicação dos débitos impeditivos do incentivo fiscal, para que pudesse exercer o direito de defesa.; • 18/09/2008 – Auto de Infração. Além da correspondência entregue em 12/06/2006, onde a interessada recebeu o extrato de aplicação em incentivos fiscais acompanhado da informação quanto ao indeferimento da opção pelo incentivo, foi emitido termo em 31/07/2008 informandolhe das ocorrências que geraram o indeferimento e a possibilidade de autuação. Assim, a princípio não vislumbro nenhuma irregularidade formal no procedimento da autoridade administrativa, até a lavratura do auto de infração. Inexistindo vício formal nos atos administrativos que antecederam o lançamento de ofício, penso que a data de ciência da autuação representou o termo final para que a interessada demonstrasse a inexistência das pendências que motivaram o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal. Esse posicionamento não se justifica apenas pela não apresentação do PERC. Com base no princípio do formalismo moderado, qualquer manifestação da interessada voltada à demonstração da inexistência dos débitos apontados deveria ser analisada pela autoridade administrativa. Entretanto, as regras processuais estabelecem prazos a serem cumpridos pelos dois lados da relação jurídicotributária. Sob esse aspecto, apesar de alertada sobre as conseqüências da não regularização, a interessada limitouse a questionar o recebimento da intimação sem trazer elementos que demonstrassem a inexistência de pendências , até que fosse lavrado o auto de infração. A meu ver, a questão da irregularidade fiscal foi encerrada com a autuação e tronouse preclusa a partir daquele momento. Não há como discutila no bojo destes autos. Em relação ao entendimento de que os valores recolhidos a título de aplicação em incentivos fiscais devem ser considerados como investimento com recursos próprios quando desconsiderada a opção, decorre da irretratabilidade da opção efetuada, conforme disposição expressa no § 5º, do art. 4º, da Lei nº 9.532/97: Art. 4º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. (.........) § 5º A opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. Ao decidir pela aplicação em Fundos de investimentos regionais de parcela do imposto devido o optante submetese às condições inerentes a esse exercício. Feita a aplicação, ela é imutável. Se, por qualquer circunstância, ocorrer a perda do direito ao incentivo fiscal, o direcionamento do valor investido não é alterado. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 8 8 Dessa forma, levandose ainda em conta as disposições do § 6º do mesmo art. 4º da Lei nº 9.532/97, indeferida a opção pelo incentivo fiscal os valores recolhidos ao respectivo fundo são considerados como recursos próprios aplicados no projeto e cabe a exigência do imposto que deixou de ser recolhido. Com relação à exigência de multa e juros, argumenta a recorrente que não pleiteia a declaração de inconstitucionalidade, pelo Órgão administrativo, das normas que estabelecem tais exigências, mas sim que se afaste essas normas por inconstitucionais. Ora, se não houve a declaração de inconstitucionalidade da norma pelo Poder Judiciário, deixar de aplicála por vício de constitucionalidade é o mesmo que declarála inconstitucional, atributo esse fora do alcance deste Colegiado. A Súmula CARF nº 2, é clara: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, a multa de ofício de 75%, tem previsão expressa no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96 e os juros de mora tem como norma embasadora o art. 13, da Lei nº 9.065/95. A legislação mencionada está plenamente inserida no ordenamento jurídico, não cabendo questionamentos na esfera administrativa. Especificamente quanto aos juros de mora, a utilização da taxa SELIC como indexador é matéria sumulada (Súmula CARF nº 4): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10540.000056/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RECURSO INTEMPESTIVO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 00 56 /2 01 0- 91 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com informações incorretas ou omissas, o que levou à aplicação da multa prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32 A, "caput", inciso I e parágrafos 2 e 3, também incluídos pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II , alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.1966 – Código Tributário Nacional. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 02/05), o sujeito passivo acima identificado apresentou as documentações exigidas, dentre elas, os Resumos das Folhas de Pagamentos mensais, pertinentes aos anos calendário sob fiscalização. De posse destes documentos, procedeuse ao confronto entre os valores declarados em GFIP apresentadas pelo fiscalizado e os registrados nos Resumos acima citados, pertinentes aos anos calendário sob fiscalização. Isto posto, ficou caracterizado que o autuado deixou de prestar na GFIP informações relativas a fatos geradores da contribuição previdenciária devida em decorrência da existência da relação trabalhista com os segurados empregados pertencentes ao seu quadro funcional, conforme planilhas I, II, III e IV. Cumprindo a determinação legal, para fins de mensuração do valor da multa a ser exigida pelo descumprimento da obrigação acessória, foi observado o princípio da retroatividade benigna. A autuada teve ciência do lançamento em 25/01/2010 e apresentou defesa (fls. 11/13), onde alega que a fiscalização utilizou valores das remunerações dos servidores, incluídas as parcelas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Considera, portanto, que o lançamento seria nulo em razão de não ter ocorrido a “fiel descrição do fato infringente.” Alega que o fisco não poderia, num mesmo exercício, exigir a multa por falta de recolhimento concomitantemente com a multa de ofício por redução indevida, total ou parcial, do imposto a pagar na declaração, ainda que essas infrações e penalidades estejam expressamente tipificadas e cominadas na legislação tributária, mais especificamente no § 12, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. Isto porque a segunda infração anistiaria a primeira ou dispensaria a aplicação da respectiva penalidade. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Informa que nas competências 12 e 13/2007 foi efetuado pagamento a maior que o valor devido, levantado pela fiscalização. Não obstante, tal valor deixou de ser abatido/compensado com os valores alegadamente pagos a menor nos meses precedentes, deixando de considerar tais compensações no cômputo do montante supostamente devido pelo município. Pelo Acórdão nº 1526.330 (fls. 19/23), a 6ª Turma da DRJ/Salvador considerou o lançamento procedente em parte para excluir a multa nas competências de Fl. 50DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10540.000056/201091 Acórdão n.º 2402003.367 S2C4T2 Fl. 3 3 05/2007 a 12/2007 e de 01/2008 a 07/2008, pois isto implicaria em dar eficácia retroativa à revogação do art. 41 da Lei n° 8.212, de 1991, operada pela MP n° 449,de 2008. A autuada teve ciência da decisão em 03/05/2001, conforme AR – Aviso de Recebimento (fl. 27) e inconformada apresentou recurso (fls. 29/31) protocolado junto a este CARF em 06/06/2011. Informada de que os autos do processo não se encontravam no CARF, a autuada encaminhou o recurso à DRF Vitória da Conquista (BA) em 21/06/2011, conforme comprovado pela cópia do envelope à folha nº 34. A autuada se manifesta (fl. 34) argumentando que os recursos teriam sido protocolados tempestivamente, ainda que dirigidos diretamente ao CARF. Assim, requer que seja reconhecida a tempestividade e que os recursos sejam recebidos, processados e remetidos ao órgão julgador. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Quanto à admissibilidade do recurso proposto, verificase que a recorrente, encaminhouo diretamente ao CARF, conforme se verifica no protocolo de recebimento à folha 47. A recorrente teve ciência do acórdão de primeira instância em 03/05/2011 e teria até o dia 02/06/2011, quinta feira, para apresentação do recurso. O fato da recorrente ter apresentado o recurso diretamente ao CARF, desde que tempestivamente, não seria motivo para o seu não conhecimento. Ocorre que, embora o prazo para a apresentação do recurso fosse até 02/06/2011, quinta feira, o protocolo do CARF impresso na primeira folha do recurso indica que o recurso foi apresentado em 06/06/2011, segunda feira. Não há nos autos informação de que o recurso tenha sido encaminhado por via postal, bem como qualquer comprovante de que a postagem tenha ocorrido dentro do prazo recursal, ainda que dirigido ao CARF. A única informação existente nos autos é a de que o recurso teria sido apresentado em 06/06/2011, intempestivamente, portanto. Assim, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o conhecimento do recurso. Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, por ser intempestivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 52DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000694/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2003, 2004
DIFPAPEL
IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A não apresentação da DIFPapel Imune nos prazos estabelecidos para entrega sujeitava o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP no 2.15835/2001, por mêscalendário.
Com a vigência do art. 1o da Lei no 11.945/2009, com efeitos a partir de 16/12/2008, a pena deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo.
Para os processos pendentes de julgamento, há que se aplicar o dispositivo benéfico previsto no art. 106, II, “c”, do CTN, de forma que a exigência fiscal limite-se ao valor da multa aplicada, porém em uma única vez por cada declaração não apresentada no prazo.
RECURSO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3202-000.298
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda votaram pelas conclusões.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003, 2004 DIFPAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não apresentação da DIFPapel Imune nos prazos estabelecidos para entrega sujeitava o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP no 2.15835/2001, por mêscalendário. Com a vigência do art. 1o da Lei no 11.945/2009, com efeitos a partir de 16/12/2008, a pena deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo. Para os processos pendentes de julgamento, há que se aplicar o dispositivo benéfico previsto no art. 106, II, “c”, do CTN, de forma que a exigência fiscal limitese ao valor da multa aplicada, porém em uma única vez por cada declaração não apresentada no prazo. RECURSO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda votaram pelas conclusões. José Luiz Novo Rossari – Presidente e Relator Editado em 08 de junho de 2011 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Mara Cristina Sifuentes e Antonio Spolador Junior. Relatório Cuidase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento de multas por falta de entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune) de que trata o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 71, de 2001, alterada pelas IN SRF nos 101, de 2001, e 134, de 2002, no 4o trimestre de 2002, 1o a 4o trimestres de 2003 e 1o e 2o trimestres de 2004. Por ser optante do Simples, a empresa foi penalizada com a multa reduzida a R$ 1.500,00 por mês calendário, conforme estabelece o art. 505, parágrafo único do Decreto no 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI/2002). A descrição dos fatos iniciais encontrase no relatório componente do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que transcrevo e adoto, verbis: “Tratase de auto de infração para exigência da multa regulamentar no valor de R$168.000,00, lavrado em decorrência da constatação de atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune). O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, merecendo destaque a Instrução Normativa (IN) SRF no 71, de 2001, e o art. 505, caput e parágrafo único do Decreto no 4.544, de 2002 (RIPI/02), cuja matriz legal é o art. 57, inciso I e parágrafo único, da Medida Provisória (MP) no 2.15835, de 2001. Por sua vez, a autuada, por meio de procurador constituído pelo instrumento de fl. 41, apresentou sua impugnação de fls. 25/40, solicitando a improcedência da autuação sob os argumentos, em síntese, de que: houve descumprimento do disposto no art. 11 do Decreto no 70.235, de 1972, porquanto a capitulação legal da disposição legal infringida estava incompleta ao se referir apenas ao caput dos artigos citados no auto de infração, sem ter mencionado os parágrafos, incisos e alíneas daqueles artigos, o que não permitia à autuada conhecer com nitidez a pretensa infração lhe imputada, implicando flagrante cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, a nulidade de todo o procedimento fiscal. Citou ementas de julgados do Conselho de Contribuintes que entendeu corroborar a sua assertiva; o auto de infração citava como base legal o Decretolei no 1.680, de 1979, dispositivo que fora revogado por normas posteriores, configurando, mais uma vez, descumprimento dos requisitos do art. 11 do Decreto no 70.235, de 1972; a multa aplicada feria os limites constitucionais ao poder de tributar, que devem aplicados também às penalidades, pois esta é elemento acessório da tributação; a autuação ofendia princípios da vedação do confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade, da razoabilidade, da legalidade, aviltando a segurança jurídica; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13603.000694/200551 Acórdão n.º 320200.298 S3C2T2 Fl. 101 3 embora a destempo, a autuada entregara as declarações exigidas pelo Fisco, não tendo havido máfé nessa entrega; a única operação realizada pela autuada após o registro especial para operar com papel imune fora uma importação no valor de R$793,38 para atender a uma licitação vitoriosa de execução de serviço para a Petrobrás, no valor de R$1.500,00; a manutenção do valor excessivo da multa aplicada acarretaria o encerramento das atividades da autuada.” O julgamento de primeira instância foi objeto de decisão unânime da 3ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, pela procedência do lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/JFA no 0920.420, de 22/8/2008 (fls. 70/77), cuja ementa assim dispôs: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003, 2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP no 2.15834, de 2001, e reedição. Lançamento Procedente” O órgão julgador rejeitou a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, quanto ao mérito, entendeu que com base no art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, que deu competência à Secretaria da Receita Federal para dispor sobre obrigações acessórias, e por meio da IN SRF no 71, de 2001, que instituiu a obrigação acessória de entrega de DIFPapel Imune para as empresas incluídas no registro especial para estabelecimentos que realizem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a fiscalização da SRF agiu corretamente ao exigir a multa instituída pelo art. 57 da Medida Provisória no 2.158 34, de 2001 (reeditada na MP no 2.15835, de 2001 e reproduzida no art. 505 do Decreto no 4.544, de 2002 Regulamento do IPI/2002), por atraso na entrega desse documento, mesmo no caso de não ter havido operações no período, conforme estabelece o art. 2o, parágrafo único, da IN SRF no 159, de 2002, razão por que considerou procedente o lançamento. A interessada apresentou recurso às fls. 81/96, no qual ratifica as alegações contidas em sua impugnação e requer seja acolhida a preliminar invocada ou, caso não haja tal acolhimento, seja dado integral provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele tomo conhecimento. Entendo que a preliminar suscitada, de nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa, baseada na alegação de ter sido utilizada capitulação legal incompleta ou incorreta, foi bem enfrentada e afastada pelo órgão julgador de primeira instância, pelos motivos que foram suficientemente explicitados no acórdão. Demais disso, a legislação referida na peça básica tem extrema pertinência com os fatos objeto de autuação, o que possibilitou à autuada apresentar alegações de defesa razoáveis e compatíveis com a matéria litigada, não implicando qualquer cerceamento do direito de defesa. Por isso, rejeito a preliminar apresentada. No mérito, em face da competência para dispor sobre obrigações acessórias, que foi atribuída à SRF pelo art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, resta clara a legislação no que respeita à obrigatoriedade de apresentação da DIFPapel Imune no prazo definido no art. 11 da IN SRF no 71, de 2001, sob pena de aplicação da multa instituída pelo art. 57 da Medida Provisória no 2.15834, de 2001, conforme estabelece o art. 12 da referida IN. A multa exigida tem plena aplicação às infrações da espécie, por se tratar de norma tributáriapenal destinada ao controle fiscal e com previsão expressa em lei, sendo descabida a sua inaplicação em foro administrativo em face de meras alegações de violação aos princípios da vedação do confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade, da razoabilidade, da legalidade e da segurança jurídica, como pretende a recorrente. À vista da clareza dessa legislação não procedem as alegações da recorrente pertinentes aos aspectos constitucionais da penalidade, por se tratar de matéria cuja apreciação não compete à via administrativa. Cumpre observar que esse entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, conforme se verifica da Súmula Carf no 2, aprovada pela Portaria Carf no 52/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispõe, verbis: “ O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No entanto, com a superveniência da Lei no 11.945, de 4/6/2009, houve substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil e à apresentação de informações referentes ao controle de papel beneficiado com imunidade, como se verifica do seu art. 1o, verbis: “Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13603.000694/200551 Acórdão n.º 320200.298 S3C2T2 Fl. 102 5 § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (destaquei) § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade.” Esse dispositivo legal foi disciplinado pela IN RFB no 976, de 2009, que revogou a IN SRF no 71 e as INs que lhe alteraram a redação, e dispôs especificamente sobre a apresentação da DIFPapel Imune em seu art. 12, verbis: “Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (destaquei) Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade.” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 Verificase que a nova legislação é clara ao substituir a sistemática até então vigente, de imposição de penalidade por mêscalendário estabelecida pela Medida Provisória no 2.15834, de 2001, pela imposição de multa única no caso de falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido (art. 1o, § 4o, II, da Lei no 11.945, de 2009 e art. 12, II, da IN RFB no 976, de 2009). De acordo com o que estabelece o art. 33, IV, da Lei no 11.945, de 2009, o art. 1o dessa Lei produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No caso em exame, em se tratando de processo pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Diante do exposto, e com base no que dispõem a nova legislação e o dispositivo benigno de aplicação retroativa acima transcrito, voto por que se dê provimento parcial ao recurso voluntário, de forma que a exigência da multa vigente à época fique limitada a uma única vez por cada declaração trimestral não apresentada no prazo, apuração que resulta na quantidade de sete (7) multas de R$ 1.500,00 cada. José Luiz Novo Rossari Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10882.001987/2004-97
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E MANUTENÇÕES DE APARELHOS ELETRÔNICOS. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. PROVA. Restado provado nos autos que os serviços prestados pelo Contribuinte são tipicamente de eletricista, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro elétrico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES.
Numero da decisão: 1803-001.321
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E MANUTENÇÕES DE APARELHOS ELETRÔNICOS. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. PROVA. Restado provado nos autos que os serviços prestados pelo Contribuinte são tipicamente de eletricista, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro elétrico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “O Contribuinte foi excluído do Simples e disto teve ciência em 26/08/2004 (fl.26). Apresentou sua insurgência em 16/09/2004 (fls. 01/02), a qual, atuada, seguiu para esta DRJ em Campinas/SP, sem apreciação de mérito por parte da DRF origem (fl. 28). Argüia o Contribuinte: A SRF já teria aquiescido com o seu ingresso no Simples, isso desde o pleito de adesão original. • A atividade por ele desenvolvida não se enquadraria entre aquelas vedadas pelo art. 9°, inciso XIII, da Lei no 9.317/96.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, em decisão assim ementada: “CIRCUNSTANCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientifico próprio de profissional da engenharia é circunstancia que impede o ingresso ou a permanência no Simples.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) A tabela de classificação fiscal é imposta aos contribuintes de forma genérica não permitindo em alguns casos a especificação detalhada da atividade a ser realizada, cabendo, da mesma forma, apreciação e requisição de demonstrações ao contribuinte, em casos de dúvida. b) É juntado o contrato de serviços prestados desde 2004 até o momento e última Nota Fiscal emitida para fins de comprovação dos serviços desempenhados (doc.01 a 05). Confirma o contribuinte não exercer atividade impeditiva com c auxilio de mão de obra qualificada, sendo os serviços executados relativos h manutenção de instalações elétricas (eletricista), trocas de lâmpadas e reparação dos fios elétricos. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10882.001987/200497 Acórdão n.º 180301.321 S1TE03 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 30/04/2007 (AR de fls. 37). O recurso foi protocolado em 21/05/2007, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. No comprovante de inscrição e de situação cadastral verificamos que a recorrente é uma sociedade simples limitada (fls. 5). No mesmo comprovante consta a seguinte descrição da atividade econômica: 45.41100 Instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas. O objeto da sociedade é a prestação de serviços de instalação e montagens elétricas, eletrônicas e hidráulicas; e a assistência técnica e manutenção de equipamentos. (fls. 10). A decisão recorrida analisou os elementos constantes do processo e concluiu que: (i) a partir do contrato social não é possível concluir que a contribuinte prescinde de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional de engenharia; (ii) insuficiência das provas para demonstrar que sua atividade não é assemelhada a de engenheiro; (iii) como o Simples é um benefício fiscal, o ônus da prova é do contribuinte. De acordo com o § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, as provas devem ser trazidas na impugnação, não ocorrendo a preclusão do direito do litigante trazêla em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. A recorrente anexou novos documentos para contrapor os fundamentos da decisão recorrida, que entendeu que os elementos apresentados na ocasião eram insuficientes para assegurar que sua atividade não pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia. Por conseguinte, as provas trazidas na fase recursal devem ser apreciadas, em face do disposto na alínea “c”, do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. A recorrente anexou aos autos contrato de prestação de serviços de manutenção predial, nota fiscal relativa à execução contratual. As provas anexadas demonstram que a recorrente executa serviços de manutenção predial. Ora, o exercício de tal atividade não é privativo de engenheiro, nem requer habilitação profissional legalmente exigida. Neste sentido, reproduzimos diversos precedentes deste Conselho: “SIMPLES EXCLUSÃO INDEVIDA. CONSERTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E MANUTENÇÕES DE APARELHOS ELETRÔNICOS. DESNECESSIDADE DE Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. PROVA. Restado provado nos autos que os serviços prestados pelo Contribuinte são tipicamente de eletricista, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro elétrico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES. (Acórdão nº 30133.488, sessão em 06/12/2006). SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. CONSERTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS. CONDICIONADORES DE AR, TELEFONES E INTERFONES. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. POSSIBILIDADE DE PERMANECER NO REGIME DO SIMPLES. Não demonstrado nos autos que há nas dependências da empresa atividade que requer habilitação profissional legalmente exigida, inaplicável se torna à vedação legal ao regime Simplificado.(Acórdão nº 30133829, sessão em 26/04/2007).” Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10245.000858/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2007 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.537
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Helder Kanamaru e Nanci Gama votaram pelas conclusões.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Helder Kanamaru e Nanci Gama votaram pelas conclusões. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 23/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Helder Kanamaru e Nanci Gama. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Versa o presente processo sobre auto de infração de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, no valor total de R$ 404.551,29, incluídos os acréscimos legais, referente ao anocalendário de 2007. A autuação fiscal fundamentouse na falta de recolhimento do IOF incidentes sobre operações de crédito na forma de contratos de mútuo, concedidos a outras pessoas jurídicas. Cientificado do lançamento em 22/09/2009 apresenta impugnação em 22/10/2009 onde alega em síntese que: 1. o agente responsável pela fiscalização apresentou em 20/04/2009 à impugnante Termo de Início de Procedimento Fiscal e em 20/05/2009, dentro de suas possibilidades, houve a entrega de documentos, anexados aos autos, fls. 13 a 142; 2. a imprecisão da data de início da fiscalização no relatório de fiscalização trouxe confusão ao procedimento fiscal instaurado; 3. houve abuso de direito e quebra de sigilo quando foi efetuado requerimento à Junta Comercial, solicitando documentos que já tinham sido acostados ao processo através de apresentação pelo próprio contribuinte; 4. se o ato é praticado com excesso ou abuso de poder, é constituído em cima de ato que infringe a lei; 5. o MPF estabelece limites máximos de duração do procedimento fiscal, que é de 60 (sessenta) dias, podendo ser prorrogados por igual período de tempo, a Portaria RFB n° 11.371/2007 não poderia alterar este lapso temporal para 120 (cento e vinte) dias, ferindo o princípio constitucional da legalidade; 6. não foi observado o inciso IV do artigo 7o da Portaria RFB, sendo que o agente público tem seus atos vinculados e adstritos a determinações legais; Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2007 ABUSO DE PODER. ARBITRARIEDADE. O procedimento fiscal obedeceu a forma prevista na legislação em vigor e o auto de infração lavrado preencheu todos os requisitos legais imprescindíveis para garantia do pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10245.000858/200900 Acórdão n.º 310201.537 S3C1T2 Fl. 3 3 de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, portanto, com efeitos preponderantemente "intra corporis", não há porque se acatar os argumentos de nulidade. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa em parte os argumentos contidos na Impugnação ao Lançamento. Restringe sua defesa à alegação de nulidade do PAF, por ter sido lavrado por “servidor desprovido de competência para fiscalizar a recorrente”. Assim entende, por não ter sido definido o “prazo de duração do MPFF com o objetivo e fiscalizar o IOF (...)”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Arguise preliminar de nulidade do Auto de Infração pela falta de definição do prazo para conclusão da fiscalização no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Penso que a decisão a respeito deva ser tomada à luz do que preceitua o Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Tal como dispõe o artigo 59 do Decreto, devem ser declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou praticados com preterição do direito de defesa. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Incontroverso, portanto, que a delimitação contida na norma impõe considerável restrição ao universo dos acontecimentos atingidos pela nulidade, ainda mais porque o mesmo diploma legal, logo a seguir, afasta a possibilidade de que as demais irregularidades, incorreções e omissões tragam esse tipo de consequência aos atos praticados no curso do processo. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Decreto 70.235/72 “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Isto posto, é de se avaliar se a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal caracteriza alguma das situações especificadas como suficientes para a declaração de nulidade do procedimento fiscal levado a efeito, sendo elas (i) a ocorrência do cerceamento ao direito de defesa do contribuinte ou (ii) a prática de atos e termos por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente. Passo ao exame da primeira hipótese, o cerceamento do direito de defesa. Preambularmente, merecem destaque algumas questões de cunho geral, não adstritas à figura do Mandado de Procedimento Fiscal. Quanto a elas, inicio por destacar que a fase litigiosa do procedimento, como ninguém desconhece, iniciase com a impugnação ao auto de infração, nos termos do Decreto 70.235/72. “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. A legislação pátria garante ao contribuinte, a partir deste momento, o direito de contraditar a exigência especificada no auto de infração no qual figura no pólo passivo, asseguradolhe o acesso aos autos, a obtenção de cópias, o direito a requerer perícias e o duplo grau de jurisdição, em decisões proferidas por colegiados compostos por servidores que não participaram do procedimento fiscal que deu origem à autuação e, em segunda instância, em composição paritária, na qual integram o Colegiado, em igualdade numérica, representantes da Fazenda Nacional e representantes dos contribuintes. Assim sendo, antes de adentrar à questão específica do Mandado de Procedimento Fiscal, é de se questionar, liminarmente, se, uma vez que é esse o sistema definido em lei e reconhecido pela sociedade para o processamento do contencioso tributário, haveria como, a priori, considerar que supostas falhas acontecidas ainda na fase de formalização da exigência pudessem acarretar a preterição do direito de defesa do contribuinte, se, uma vez impugnado o auto de infração, instaurase a fase litigiosa do procedimento, com a contestação das acusações contidas no processo, o que, de fato, no presente feito, efetivamente ocorreu e do que ainda agora estamos nos ocupando. Feita esta necessária ressalva quanto a possível impertinência da discussão em sentido mais amplo, passamos, inobstante, ao exame das possíveis consequências advindas da falta de emissão do MPF ao direito de defesa do administrado. A origem do Mandado remonta à Portaria 1.265, de 22 de novembro de 1999. Como se depreende do texto normativo, o Mandado estava inserido em um conjunto de outras regras que tinham o propósito de consolidar critérios de planejamento e normas para execução do procedimento fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal, com o seguinte enunciado. “Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10245.000858/200900 Acórdão n.º 310201.537 S3C1T2 Fl. 4 5 Neste desiderato, a Portaria estabeleceu, em seu artigo segundo, que os procedimentos fiscais seriam instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) (...) O artigo 11 especificava situações em que o MPF não seria exigido, incluindo a dispensa para os casos de procedimentos realizados dentro da repartição: de revisão aduaneira e de lançamento suplementar de revisão das declarações prestadas pelo contribuinte. Nessas duas hipóteses para as quais a dispensa foi prevista há em comum o fato de que o contribuinte é autuado em decorrência de um procedimento interno, praticado pela autoridade competente, sem a necessidade de intimação prévia para obtenção de documentos. Iniciase aqui, ao meu ver, a incongruência entre o pensamento que sugere a nulidade do procedimento instaurado sem a emissão do MPF e o arcabouço lógico identificado na norma de origem. Com efeito, se admitirmos que a ausência do Mandado é caso de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, como aceitar que a própria norma que o instituiu tenha previsto situações para as quais sua emissão estivesse dispensada? Fosse o Mandado, de per si, um instrumento essencialmente destinado à proteção do direito que o contribuinte tem de defenderse da imposição que lhe é exigida, e não se admitiria sua dispensa em nenhuma hipótese, como não se admite a subtração de qualquer outro procedimento que represente a proteção a esse inarredável direito do administrado. De fato, considerando apenas dos dois aspectos até aqui relatados, fica muito claro que o Mandado de Procedimento Fiscal está inserido dentro de programa de implementação de uma nova metodologia para o planejamento e controle da atividade fiscal, jamais pensado como instrumento garantidor do direito de defesa. Se aceita sua efetividade na implementação das condições para os quais foi criado, é de ser reconhecer que ele atribui moralidade ao exercício da atividade fiscal e maior segurança nas relações fiscocontribuinte, mas daí até afirmarse que a sua ausência representa preterição do direito de defesa há uma distância abissal. Antes pelo contrário, a partir do momento em que o Mandado passou a ser exigido, é possível que administrado, a qualquer tempo, soliciteo à fiscalização, buscando assegurarse de que o procedimento está sendo praticado por pessoa que detém competência para tanto. Sua ausência não afasta esse direito, já que resguardada a possibilidade de o contribuinte certificarse, junto à repartição de jurisdição, que a fiscalização está sendo realizada por servidor competente, medida que até então não estava à disposição do contribuinte, já que a ação fiscal não dependia de ordem expressa da administração. De fato, há que se admitir que o Mandado de Procedimento Fiscal estabeleceu um canal de comunicação entre administrado e administração como um todo, reduzindo ou mesmo anulando a possibilidade de que ações autônomas possam ser praticadas, mas não há sentido, data máxima vênia, em cogitarse que a falta de sua emissão traga qualquer tipo de prejuízo ao direito de defesa do administrado. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Superada a primeira questão, ocupome da segunda hipótese, qual seja, a ausência do Mandado de Procedimento Fiscal produz algum tipo de consequência sob a competência do servidor para a prática do ato? Quanto a isso, temse que a competência para constituir o crédito tributário decorre de determinação expressa na Lei 5.172/66, o Código Tributário Nacional, que, como se sabe, tem status de Lei Complementar. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Lei nº 10.593/2002, com alterações posteriores, disciplina atualmente a investidura no cargo e especifica as competências dentro da Carreira. "Art. 3o O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindose curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. "Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil Art. 5o Fica criada a Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, composta pelos cargos de nível superior de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. "Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (grifos meus) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10245.000858/200900 Acórdão n.º 310201.537 S3C1T2 Fl. 5 7 Como se vê, existem, portanto, condições definidas em lei para a investidura no cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, sendolhe reservada a competência, em caráter privativo, de constituir o crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, conforme prescreve o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Admitido isso, necessária indagação se faz em relação às situações em que, no exercício de sua atividade profissional, o Auditor exerce a atribuição à qual está vinculado por força de lei, sem que tenha sido emitido o documento que, nos termos da Portaria Ministerial, instaura o procedimento em si. Estaria o procedimento compulsoriamente praticado fadado à declaração de nulidade pela ausência do correspondente do Mandado de Procedimento Fiscal? Ou, por outro lado, a ausência do mesmo importaria em considerarse o procedimento não instaurado, já que, nos termos da Portaria 1.265/99, a instauração se dá com a emissão do Mandado? Para a primeira questão, encontrase resposta no artigo 5º da Portaria 1.265/99, que garante ao Auditor o exercício da sua competência mesmo que a empresa não tenha sido selecionada para fiscalização e que não haja Mandado de Procedimento Fiscal emitido. Art. 5º Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardo do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o AFRF deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal, e, no prazo de cinco dias, contado da data do início do mesmo, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Especial (MPFE), do qual será dada ciência ao sujeito passivo. (Redação dada pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) § 1º Para fins do disposto neste artigo, o AFRF deverá lavrar termo circunstanciado, mencionando tratarse de procedimento fiscal amparado por este artigo e contendo, no mínimo, as seguintes informações: (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) I dados identificadores do sujeito passivo; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) II natureza do procedimento fiscal e descrição dos fatos, bem assim o rol dos livros,documentos ou mercadorias objeto de retenção ou apreensão, se houver; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) III nome e matrícula do AFRF responsável pelo procedimento fiscal; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) IV nome, número do telefone e endereço funcional do chefe do AFRF a que se refere o inciso anterior. (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) § 2º Do termo referido no parágrafo anterior será dada ciência ao sujeito passivo, sendolhe fornecida cópia. (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) Quanto à segunda, no que diz respeito à instauração do procedimento fiscal em si, parece haver na norma infralegal uma aparente incompatibilidade com o comando expresso no Decreto 70.235/72. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 Portaria SRF 1.265/72 Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Decreto 70.235/72 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (grifei) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada Tratase, contudo, de um falso dilema, e a compreensão do significado e alcance de cada norma permite resolvêlo, assim como à controvérsia de que aqui nos ocupamos. Como já foi referido antes, a Portaria 1.265/99, propunhase, como ainda se propõe hoje a Portaria 4.066/07, à organização das atividades de fiscalização do contribuinte, desde a fase de planejamento até a de execução, conferindo às mesmas novos instrumentos de controle interno e externo. Elas têm propósito de cunho administrativo, ainda que com repercussão de longo alcance, na medida em que, como ocorre com outras normas infralegais, interferem decisivamente na vida o administrado. Tal como se extrai do texto antes transcrito, não há no enunciado normativo qualquer menção ao exercício das competências inerentes ao cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e nem às consequências que a ação do fisco acarreta ao contribuinte, mas exclusivamente disposições “sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. É por isso que, na Portaria, considerase instaurado o procedimento somente a partir da emissão do MPF, enquanto que, na Lei, o procedimento instaurase com o primeiro ato de ofício praticado por servidor competente. É que as Portarias estão destinadas à organização administrativa do Órgão, enquanto à lei compete regulamentar as relações fiscocontribuinte e as próprias competências da autoridade administrativa. Na data de emissão do MPF, considera instaurado o procedimento fiscal para todos os fins de controle interno da unidade local da Secretaria, mas o procedimento somente trará consequências para o contribuinte (a perda da espontaneidade, por exemplo) a partir do primeiro ato de ofício praticado por servidor competente e cientificado ao mesmo. Até então, o instituto da espontaneidade continua a disposição do administrado. Uma vez cientificado o contribuinte, independentemente de haver ou não MPF emitido (e isso fica mais claro na Fl. 268DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10245.000858/200900 Acórdão n.º 310201.537 S3C1T2 Fl. 6 9 medida em que há hipóteses em que o Mandado pode ser emitido depois de iniciado o procedimento ou mesmo não emitido), o contribuinte perde sua espontaneidade. Não há testemunho mais claro de que o exercício da competência legal do Auditor da Receita Federal do Brasil não se vincula a emissão do MPF, sendo esta uma providência de cunho exclusivamente administrativo. Por fim, cumpre ainda ressaltar que o exercício de toda atividade pública é regulamentado por legislação infralegal, na qual especificamse procedimentos que deverão ser observadas pelo agente público e pela administração como um todo. Contudo, a inobservância de tais requisitos não importará sempre a nulidade dos atos praticados. Tal conseqüência está adstrita às situações previstas em lei como suficientes para tal, que, no caso, são a preterição do direito de defesa do administrado e a prática de atos ou tomada de decisão por servidor ou pessoa incompetente. VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 27 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720554/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 EMENTA: ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manter-se passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. DECADÊNCIA. Nas hipóteses de incidência sujeitas à decadência na forma do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN), ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial passa a ser contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN,, com termo inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Passo ao voto.
Numero da decisão: 1301-000.889
Decisão: Os membros da turma acordam, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Redator designado. Vencidos o Conselheiro Relator, Paulo Jakson e o Conselheiro Wilson Guimarães. Designado Redator o
Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 EMENTA: ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manter-se passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. DECADÊNCIA. Nas hipóteses de incidência sujeitas à decadência na forma do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN), ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial passa a ser contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN,, com termo inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Passo ao voto.
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APOLONIO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. Ano calendário: 2003 Ementa: SIMPLES — EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES, devendo a tributação se sujeitar às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do próprio anocalendário da reiterada infração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA SIMPLES – PIS/COFINS/CSLL/INSS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que s vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da turma acordam, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Redator designado. Vencidos o Conselheiro Relator, Paulo Jakson e o Conselheiro Wilson Guimarães. Designado Redator o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 2 (assinado digitalmente) Valmir Sandri – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Versa o presente processo sobre auto de infração de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS/INSS e multa pela não comunicação de exclusão do Simples, valor total da exação R$.1.752.274,06 (incluídos juros de mora e multa de 75%), ano de calendário de 2003. Ciência dos autos deuse em 05/07/2008. A fiscalização descreveu as seguintes infrações (síntese do TVF): a) Omissão de Receitas (Receitas não escrituradas) obtidas através da comparação entre as receitas declaradas na Declaração Anual Simplificada do ano calendário de 2005 e os valores constantes no somatório das Notas Fiscais (fls. 24 a 41); b) Insuficiência de recolhimentos para os meses de janeiro a dezembro de 2003 (fls.92/93); c) Falta de comunicação pela empresa da exclusão do Simples Federal (multa de R$ 10.062,97), fl. 96. Na impugnação de fls. 132 a 136, em síntese, alega: a) que é registrada no Simples Nacional e que apresentou DASN referente ao período de 01 de julho a 31 de dezembro de 2007; b) com relação aos autos de infração do PIS e COFINS por se tratar, no seu caso, de substituição tributária (Decreto Estadual 20.686) não cabe a cobrança ao revendedor; c) e, no caso de fornecimento de gás liquefeito não é diferente para o PIS e COFINS, pois o art. 43 da MP 199115 de 2000 e reedições pela MP 2.15825, com base na EC 32/01 sua alíquota é zero; d) com relação ao IRPJ e CSLL seria necessário, no seu entender, ao levantamento do lucro efetivo da empresa, considerando os custos e não com base no faturamento; e) por fim, com relação a multa de R$ 10.062,97 pela falta de comunicação da exclusão do sistema Simples Federal, no caso, alega que jamais excedeu o faturamento. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/BEL) decidiu a matéria por meio do Acórdão 0120.330 de 11/01/2011, reconhecendo a decadência para os lançamentos anteriores ao mês de julho de 2008, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 4 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EMENTA: ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. DECADÊNCIA. Nas hipóteses de incidência sujeitas à decadência na forma do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN), ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial passa a ser contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN,, com termo inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração que exigem da recorrente os tributos integrantes do SIMPLES, nos meses do anocalendário de 2003, pelas infrações de omissão de receitas e insuficiência de recolhimento, com multa de 75%, alem da multa no valor de R$ 10.062,97 por falta de comunicação da exclusão do Simples. Lançamento tributário relativo ao SIMPLES FEDERAL, decorrente de omissão de receitas oriundas do montante das vendas efetuadas pelo contribuinte, não escrituradas, de conformidade com as notas fiscais de saída de mercadorias. Registrese que encontrase apensado a estes autos, o Processo Administrativo Fiscal n° 10283.720556/200814, que trata de Representação Fiscal de Exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2004. As argumentações trazidas no recurso são as mesmas da impugnação. Esclarece, preliminarmente, que exerce a atividade de revendedora de bebidas e gás liquefeito de petróleo e que sua exclusão do SIMPLES e a legislação pertinente, consubstanciada na IN/SRF 389, de 29/01/2004, determinou a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre as receitas auferidas na venda de bebidas e refrigerantes.As notas fiscais utilizadas para supedanear a fiscalização diz respeito à aquisição para revenda de bebidas, refrigerantes principalmente, e gás liquefeito de petróleo. Ressalta a proteção legal do Decreto Estadual 20.686 (arts. 110 e 112) e Decreto 2.637, de 25/06/1998, onde consta que haverá retenção na fonte de qualquer tributo por substituição tributária, inclusive PIS/COFINS, dessa maneira, entende, que ao revendedor nada há a ser cobrado. Aduz, mais, que com relação ao auto de infração da contribuição para o INSS esta foi totalmente recolhida no ano em referencia. Neste ponto, como bem assentado no voto ora combatido, incabíveis são as argumentações sobre substituição tributária das contribuições em favor do PIS e da COFINS, uma vez que estas não são contempladas para as empresas optantes do SIMPLES. Do mesmo modo, com referência à contribuição em favor do INSS, uma vez que as empresas optantes pelo SIMPLES FEDERAL, recolhiam à Previdência Social, somente os valores descontados dos seus empregados, tendo em vista que a contribuição patronal estava abrangida no recolhimento único do SIMPLES, com base no faturamento da empresa, daí a cobrança da diferença a que se refere o auto de infração lavrado. Já com relação à argumentação de que o IRPJ e a CSLL estariam sujeitos à apuração do resultado, também cabe esclarecer ao litigante, que os recolhimentos desse imposto e dessa contribuição na forma que expressou nas suas argumentações de defesa são aplicáveis somente para as empresas optantes pela forma de tributação denominada Lucro Real, o que não vem ao caso, de acordo com a opção livremente exercida. Pelo que se vê do Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 6 presente processo a exclusão não se deu de forma retroativa, portanto, inatacável, assim, a decisão a quo, que entendeu correta a constituição dos créditos tributários dentro da sistemática do SIMPLES. Com relação às Notas Fiscais que o sujeito passivo alegou que foram canceladas, (fls. 135 e 136) a autoridade julgadora a quo procedeu ao exame de todas as notas fiscais que foram relacionadas na impugnação, e que se encontram anexadas ao processo nos volumes denominados Anexos I a V, e constatou que somente a NF n° 1385, no valor de R$ 14.700,00 emitida no mês de julho de 2003, fl 259, se encontra CANCELADA. Registrese no que toca à quantificação das omissões, que o Fisco fez englobar, na infração intitulada "OMISSÃO DE RECEITAS — RECEITAS NÃO ESCRITURADAS", as diferenças de valores obtidas através da comparação nota por nota, mês a mês, entre as receitas declaradas na Declaração Anual Simplificada do anocalendário de 2003 e os valores constantes no somatório das Notas Fiscais, cujas cópias foram anexadas ao processo às fls. 27 a 41. Em fim, a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES é medida que se impõe quando o contribuinte perde qualquer dos requisitos estabelecidos na Lei 9.317/96. Uma vez constatado que o contribuinte ultrapassou seu limite de renda bruta, deveria o mesmo ter comunicado à Administração Tributária seu novo enquadramento, sob pena de ser excluído do programa, de ofício, o que de fato acabou por acontecer. O Ato Declaratório Executivo exarado pela SRE somente veio confirmar a ocorrência da situação e a exclusão do contribuinte de tal sistemática. Logo, com referência à multa aplicada sobre a falta de comunicação da exclusão da empresa do Sistema Simples, no valor de R$ 10.062,97, não há reparação a fazer, tendo em vista que restou comprovado que o faturamento da empresa naquele anocalendário superou o limite estabelecido na Lei n° 9.317/96, que era de R$ 1.200.000,00, e desse modo, estava obrigada a comunicar sua exclusão, conforme previsto nos arts. 13, inciso II e art. 21, da Lei n° 9.317/96. Compulsando os autos, verificase que a autoridade fiscal constatou, com base em respostas documentada pela própria autuada, que: “o contribuinte sob ação fiscal, não ofereceu à tributação as receitas das vendas efetivadas no ano de 2003, que deveria estar registrada no Livro Caixa, cuja escrituração, como aqui já afirmamos, é de natureza obrigatória para as empresas que optam pelo regime do SIMPLES. A referida apuração, com base nas notas fiscais de microempresa (cópias autenticadas), está demonstrada na planilha "Receita de Vendas no AnoCalendário de 2003". Frisase, ainda, que a referida empresa apresentou declaração simplificada (PJSI/2004), declarando somente como receita bruta mensal aquela decorrente de "Prestação de Serviços", num total anual de R$ 55.425,20 (Cinqüenta e Cinco Mil, Quatrocentos e Vinte e Cinco Reais e Vinte Centavos). Portanto, para o ano calendário de 2003, a empresa omitiu o valor das vendas apurado pela fiscalização, no total de R$ 7.188.035,10 ( Sete Milhões, Cento e Oitenta e Oito Mil, Trinta e Cinco Reais e Dez Centavos), o que ensejou o lançamento, na sistemática do Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 4 7 SIMPLES, do IRPJ e demais contribuições, calculados, mensalmente, sobre a receita omitida. Salientamos, também, que as únicas exclusões da receita bruta permitidas, para as pessoas jurídicas optantes pelo Simples, são as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos ( Lei n° 9.317, de 05/12/1996, art. 2o , § 2o ; Instrução Normativa n° 250, de 2002.” Constatase dos Demonstrativos de Apuração que acompanha os autos de infração (fls. 44 e ss.) que a fiscalização considerou nos cálculos dos valores apurados os recolhimentos efetuados durante o ano calendário. Lançamentos Reflexos. Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa. Assim, considerando toda a análise realizada, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, para manter os lançamentos nos termos do decidido em primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 8 Voto Vencedor Por ser questão de ordem pública, levanto de ofício e peço vênia ao Relator do presente processo para discordar do entendimento esposado em seu voto bem elaborado voto para dele discordar, eis que ao proceder ao lançamento, a D. Autoridade Lançadora, entendo, deixou de cumprir com os requisitos previstos na Lei n. 9.317/96, para excluir o contribuinte do SIMPLES, qual seja, de infração reiterada, da exclusão do SIMPLES e da forma de tributação, prevista nos arts. 14, “V” e 15 “V” do referido diploma legal, que prevê: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...); V prática reiterada de infração à legislação tributária; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Inicialmente, é de fundamental importância tecer algumas observações a respeito do conceito de reiterada infração a legislação tributária para fins de exclusão do SIMPLES e sua distinção com o conceito de reincidência. A reincidência é instituto de Direito Penal, incorporado no ordenamento jurídico brasileiro desde o Império, haja vista previsão expressa do art. 16, § 3º, do Código Criminal do Império. Atualmente, a reincidência é tratada no art. 63 do Código Penal, verbis: Art. 63 Verificase a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. Na doutrina, o tema é estudado no elenco da Teoria das Circunstâncias, sendo modalidade de agravamento da penalidade. Dessa maneira, a reincidência é assim conceituada: “(...) a reincidência perfazse pela prática de novo crime pelo agente, depois de transitada em julgado a sentença que, no país ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. (...) A reincidência, enquanto circunstância agravante, influi na medida da culpabilidade, em razão da maior reprovabilidade pessoal da ação ou omissão típica e ilícita (...)” 1 No âmbito Direito Tributário, aludido instituto foi incorporado no antecedente de normas atinentes às sanções tributárias administrativas, as quais possuem como antecedentes tanto o descumprimento de deveres instrumentais, como o não recolhimento das obrigações tributárias principais. 1 PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito penal brasileiro. Vol. I. 6 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2006. p.505. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 5 9 Isso se dá porque o Direito Tributário é um direito de sobreposição e pode internalizar no seu subsistema conceitos de Direito Penal, os quais podem servir de hipóteses para normas tributárias sancionadoras. No art. 13 do Decreto nº 70.235/72, a norma tributária processual estabelece a necessidade de se identificar o contribuinte reincidente no processo administrativo fiscal: Art. 13. A autoridade preparadora determinará que seja informado, no processo, se o infrator é reincidente, conforme definição da lei específica, se essa circunstância não tiver sido declarada na formalização da exigência. Notese que, no aludido dispositivo, o termo reincidência é utilizado no sentido de reincidência genérica, haja vista que não há a exigência de que o infrator infrinja a mesma regra jurídica. Na legislação do IPI, o Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), introduz a reincidência específica como hipótese de agravamento de penalidade: Art. 560. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração de um mesmo dispositivo, ou de disposição idêntica, da legislação do imposto, ou de normas contidas num mesmo Capítulo deste Regulamento, por uma mesma pessoa ou pelo sucessor referido no art. 132 da Lei nº 5.172, de 1966, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior (Lei nº 4.502, de 1964, art. 70). Porém, aqui, a reincidência é tratada na modalidade específica, isto é, para caracterização o infrator deve violar um mesmo dispositivo. Independentemente de a legislação tributária prever o instituto tanto na modalidade geral, quanto na específica, verificase que a legislação tributária incorporou o instituto da reincidência nos moldes estabelecidos pelo Direito Penal. Por sua vez, o termo “reiterada infração a legislação tributária” disciplinado no inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96, não se traduz em uma nova hipótese de reincidência tributária. Primeiramente, o art. 14 da Lei nº 9.317/96, ao dispor sobre as hipóteses de exclusão do regime, estabelece condutas negativas ou positivas que devem ser observada pelo contribuinte para o gozo do regime simplificado. Dentre tais condutas, está o dever de não infringir a legislação tributária sucessivas vezes. Logo, a exclusão do regime não constitui uma penalidade ou um agravamento, mas sim a impossibilidade de o contribuinte se beneficiar do regime quando não preencher os requisitos estabelecidos na lei. Surge então a primeira distinção entre a reincidência e prática reiterada à legislação tributária. Enquanto a primeira consiste em hipótese de agravamento de Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 10 penalidade, a segunda se apresenta como requisito para o aproveitamento do regime simplificado do pagamento de tributos. Talvez, a origem da confusão entre os dois institutos esteja na aproximação terminológica entre reincidir e reiterar. O termo reiterar, conforme pode ser verificado em diversos dicionários, traduz a idéia de se fazer mais de uma vez determinada ação ou voltar executar ação realizada anteriormente. Sendo assim, a conduta de infringir reiteradamente a legislação consiste em uma conduta que viola mais de uma vez legislação tributária cogente, seja pelo descumprimento de deveres instrumentais, seja por inobservância da legislação para apuração e pagamento do tributo. Ora, um contribuinte reincidente pratica, inequivocamente, reiterada infração à legislação tributária, vez que executa mais de uma vez conduta contrária a legislação tributária. No entanto, a recíproca não é verdadeira para aquele que comete reiterada infração à legislação tributária, pois, conforme o conceito anteriormente exposto, para que haja a reincidência o contribuinte tem que ter sido penalizado em processo anterior já definitivamente julgado. Assim, enquanto que a existência de processo anterior definitivamente julgado é requisito indispensável para caracterização da reincidência, a reiteração a legislação tributária, para os fins do inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96, pode ser reconhecida no mesmo processo. A segunda observação, diz respeito ao tratamento dado ao inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96 na jurisprudência do CARF. Pois bem, examinando a jurisprudência administrativa, verificase que o conceito de “prática reiterada”, vem recebendo tratamento uniforme. Vejamos alguns julgados: PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Configura prática reiterada de infração à legislação tributária a prática habitual e repetida de uma mesma infração, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente. Configurada a prática reiterada de inflação à legislação tributária, impõese a exclusão da empresa deste sistema de tributação incentivada, com efeitos a partir, inclusive, do mês de sua ocorrência. (Primeira Seção, 1ª Câmara, acórdão nº 110200262, sessão de 05/07/2010). SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A exclusão do Simples por causa de prática reiterada de infração tributária produz efeito ex tunc em vista do contribuinte ter optado por regime de tributação diferenciado e favorecido. Tratase de regime de apuração de tributos e opção regidas pelas normas tributárias que devem ser observadas Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 6 11 rigidamente, não se admitindo a omissão de receitas. .(Primeira Seção, acórdão nº 180100.361, sessão de 08/11/2010). SIMPLES. EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES. Procede a exclusão da empresa da sistemática do Simples comprovado que reiteradamente omitiu, na DIPJ e na contabilidade, receitas recebidas, não oferecendoas à tributação. .(Primeira Seção, acórdão nº 180100.360, sessão de 08/11/2010). SIMPLES — EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA a omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão nº 101 96.630, sessão de 07/03/2008). EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 8ª câmara, acórdão nº 10809.801, sessão de 18/12/2008). No entendimento deste Conselho, o inciso V do art. 9º da Lei nº 9.317/96, deve ser interpretado quando o contribuinte pratica sucessivas infrações que podem, inclusive, ocorrer no mesmo anocalendário. Ressaltese que a ocorrência de sucessivas infrações pode ocorrer de dois modos: a) quando ocorre mais de um tipo de infração, exemplo: omissão de receitas e falta de escrituração de livro caixa; b) ocorrência de uma única infração em vários períodos consecutivos, exemplo: omissão de receita em meses seguidos. Ademais, no julgamento do recurso voluntário nº 339.032, a Primeira Câmara da Primeira Seção, por meio do acórdão nº 110200262, julgado em 05/07/2010, perfilhou entendimento análogo ao aqui defendido: Quanto ao segundo motivo constante do Ato Declaratório de Exclusão prática reiterada de infração à legislação tributária, é fato que a Lei n° 9.317/96 não define expressamente o seu conceito. Contudo, não procede a analogia proposta pela recorrente com o instituto da reincidência, conforme definido na legislação de regência do IP1 (art. 70 da Lei n° 4.502/64). Para a configuração da reincidência, nos termos daquele artigo, é necessário que exista decisão condenatória definitiva referente à infração anterior. Confirase o teor do citado artigo: "Art . 70_ Considerase reincidência a nova infração da legislação do Imposto do Consumo, cometida pela mesma pessoa natural ou jurídica Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 12 ou pelos sucessores referidos nos incisos III e IV do artigo 36, dentro de cinco anos da data em que passar em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior” A exigência de decisão condenatória definitiva, no âmbito do Simples, para fins de determinar a exclusão da pessoa jurídica deste sistema, está expressamente prevista apenas no caso de prática de crimes contra a ordem tributária, conforme inciso VII do art. 14 da Lei IV 9.317/96. Contudo, no caso do inciso V do mesmo artigo (prática reiterada de infração), não foi prevista a mesma exigência. Confirase os dispositivos em questão: "Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: ... V prática reiterada de infração à legislação tributária; ... VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva” Assim, afastase a pretensa analogia da reincidência com a "prática reiterada". Tratamse de institutos distintos, estando um expressamente definido em lei, e o outro não. Os dicionários definem o termo reiterar como "repetir", "renovar", "refazer". Contudo, seria uma leviandade entender que, para a configuração da prática reiterada de infração, bastariam duas ocorrências de uma mesma infração. Pareceme que um bom caminho para interpretar o que se deva entender por "prática reiterada" encontrase no CTN, que utiliza esta expressão no seu art. 100, verbis: "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos. (...) III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas.” Ora, as práticas reiteradas das autoridades administrativas nada mais são do que os usos e costumes da Administração. E vejase que aqui também não há uma definição de quantas vezes ela precisa ser repetidamente observada para que se constitua em uma "prática reiterada. Assim, entendo que, para fins de exclusão de uma empresa do Simples, deve se verificar se a prática da inflação em questão é habitual e repetida, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente, consubstanciandose em um costume, E esta análise somente poderá ser feita caso a caso. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 7 13 Por fim, convém observar que os períodos a serem considerados para analisar a ocorrência ou não de reiteração, no caso do Simples, devem ser mensais, seja porque o período de apuração do Simples é mensal, seja porque é a própria Lei que, neste caso, menciona que a retroação da exclusão deve ser feita ao mês de ocorrência do fato em questão. No caso concreto, verificouse que a recorrente movimentou, de forma contumaz e contínua, durante todos os meses do ano calendário, vultosos recursos, os quais foram mantidos à margem da contabilidade por meio do uso de conta corrente de interposta pessoa, Desta forma, configurada a prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme imputada pela autoridade administrativa que expediu o ADE de fls.. 81. Assim, nos termos do que dispõe o art. 15 da Lei n° 9.317/96, este fato enseja a exclusão da recorrente do Simples a partir do próprio mês de sua ocorrência, ou seja, a partir do mês de janeiro de 1998, exatamente como consta no Ato Declaratório ora contestado. No presente caso, a fiscalização constatou a Omissão de Receitas (Receitas não escrituradas) obtidas através da comparação entre as receitas declaradas na Declaração Anual Simplificada do ano calendário de 2003 e os valores constantes no somatório das Notas Fiscais (fls. 24 a 41); insuficiência de recolhimentos para os meses de janeiro a dezembro de 2003 (fls.92/93), bem como, falta de comunicação pela empresa da exclusão do Simples Federal (fl. 96). Ou seja, o recorrente praticou sucessivas omissões de receitas entre os meses de janeiro a dezembro de 2003, configurando inequívoca prática reiterada de infração a legislação tributária. Desse modo, ao omitir sucessivas receitas em todo anocalendário de 2003, a recorrente deixou de cumprir um dos requisitos para permanência no regime especial de pagamento simplificado de tributos, qual seja: absterse de praticar sucessivas violações a legislação tributária. Realmente, estamos diante da hipótese de aplicação do art.14, inciso V, cumulado com art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317/96, que determina a exclusão do SIMPLES com efeitos retroativos a data da ocorrência da primeira infração. Assim, por tudo que foi dito acima, entendo que houve a ocorrência da hipótese de exclusão do SIMPLES, pela prática reiterada de infração a legislação tributária, subsumindose a hipótese prevista no art. 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96. Logo, a fiscalização deveria ter excluído a recorrente do SIMPLES e procedido à lavratura do auto de infração com base nas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos moldes do art. 16, verbis: Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 14 Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Desse modo, verificase que o lançamento em apreço incorreu em erro material insanável na apuração do tributo devido, motivo pelo qual o considero totalmente improcedente. Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 1212 de abril de 20122. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI
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