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Numero do processo: 10830.008341/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jun 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de Apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI N° 9.363/96. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS, ADQUIRIDOS PARA A SIMPLES REVENDA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA, EXCLUSÃO EM AMBAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não industrializados pela beneficiária deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-001.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, a unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de Apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI N° 9.363/96. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS, ADQUIRIDOS PARA A SIMPLES REVENDA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA, EXCLUSÃO EM AMBAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não industrializados pela beneficiária deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que manteve integralmente o Auto de Infração e Imposição de Multa, por entender que não se incluem no cálculo do crédito presumido, a título de receita de exportação, os valores relativos aos produtos exportados adquiridos para revenda, devendo estes integrarem a receita bruta operacional.. A ora Recorrente foi intimada da lavratura de Auto de Infração para exigir a importância de R$ 4.008.670,39. De acordo com a fiscalização, a contribuinte teria escriturado em junho de 2005, no campo "OUTROS CRÉDITOS", o montante de R$ 5.581.249,50 a título de diferença de recalculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363/96, relativo ao período de junho/2000 a dezembro/2003. Entretanto, pelos cálculos da fiscalização, o valor correto a se creditar seria de R$ 2.064.389,91, resultando em glosa de crédito no valor de R$ 3.516.859,59. A diferença entre o cálculo da fiscalização e o do contribuinte referese ao método de apuração da "Receita Bruta Operacional". Segundo a fiscalização, a Recorrente teria utilizado no período de junho/2000 a dezembro/2003 o conceito de receita operacional bruta definido pelo art. 3º, § 12, I, da Portaria MF n° 64/2003. Entretanto, entendeu o fiscal que a referida Portaria somente vigorou a partir de 25/03/2003 e que, para o período de junho 2000 até essa data, a apuração deveria ser feita com base no conceito de receita bruta disposto no art. 3º, § 15, I, da Portaria MF n° 38/97, vigente à época. Em decorrência desta divergência de interpretação, foi identificado suposto pagamento a menor. Como consequência, foi realizada a reconstituição da escrita fiscal, tendo em vista que no referido período havia um saldo credor de R$ 1.734.198,32, o qual fora abatido do valor ora exigido. Quanto ao saldo credor utilizado para absorver parte da glosa, esclareceu a fiscalização que ele foi objeto de pedido de ressarcimento no processo administrativo n° 10830.721030/200981. Como foi integralmente absorvido neste processo, o pedido de ressarcimento foi totalmente indeferido. Inconformada com a exigência fiscal, a ora Recorrente apresentou impugnação, alegando que (i) efetuou a apuração do crédito extemporâneo em junho/2005, baseandose na Portaria MF 64/2003, então vigente; (ii) o valor das exportações decorrentes de produtos adquiridos para a revenda não é incluído na receita de exportação, mas também não pode ser incluído na receita operacional bruta, como pretende a fiscalização; (iii) a alegação subsidiária da fiscalização quanto ao cálculo da receita bruta de janeiro a maio de 2000 não procede, porque esse período não foi objeto de recalculo pela impugnante; (iv) a alegação subsidiária da fiscalização quanto às diferenças no valor das receitas brutas nos DCPs não pode prosperar porque a fiscalização não demonstrou a divergência apontada. Por fim, requereu o cancelamento do auto de infração, o cancelamento da exigência de estorno dos créditos de IPI no valor de R$ 1.734.198,32, e o cancelamento da determinação de que os valores relativos ao pedido de ressarcimento não retornem ao livro fiscal, alertando que o indeferimento do pedido de ressarcimento será impugnado através de instrumento próprio. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10830.008341/200951 Acórdão n.º 3301001.560 S3C3T1 Fl. 93 3 A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente impugnação apresentada, nos seguintes termos: CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. No período de junho de 2000 a 25/03/2003 não se incluem no cálculo do crédito presumido, a título de receita de exportação, os valores relativos aos produtos exportados adquiridos para revenda, devendo estes integrarem a receita bruta operacional. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na impugnação, dando ênfase ao argumento de que, para fins de apuração do crédito presumido do IPI, o conceito de receita operacional bruta abrange somente as receitas atinentes a operações com produtos industrializados pelo contribuinte e acrescentando que esta é a única interpretação capaz de compatibilizálo com a funcionalidade do crédito presumido do IPI. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, o deslinde da presente controvérsia gira em torno da definição da possibilidade de incluir os valores relativos à exportação de produtos adquiridos exclusivamente para revenda, ou seja, que não sofreram processo de industrialização, no cômputo (i) da receita operacional bruta; (ii) da receita de exportação; (iii) de ambas; ou de nenhuma delas, para fins de apuração do crédito presumido de IPI prescrito na Lei nº 9.363/96. Pois bem. Com o objetivo de desonerar as exportações dos valores relativos à exigência do PIS e da COFINS, tornando a mercadoria brasileira mais competitiva no mercado externo, o legislador instituiu o crédito presumido do IPI para ressarcimento dessas contribuições por meio da MP n° 948, de 23.05.95, convertida na Lei n° 9.363, de 16.12.96, nos seguintes termos: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (destacouse). Logo em seguida estabeleceu este mesmo diploma legal que, para fins de apuração do benefício, devese utilizar a definição de receita operacional bruta, de receita de exportação oferecida pelas leis de regência da Contribuição ao PIS e da COFINS e, subsidiariamente, do Imposto sobre a Renda. No que se refere aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, prescreveu o legislador a necessidade de observância da definição apresentada pela legislação do IPI. Eis o texto legal: Art. 3º. Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Fazendo súmula dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que a base de cálculo do crédito presumido equivale ao valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, definidos de acordo com a legislação do IPI, multiplicado pelo percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor (industrial) exportador, definidos, por sua vez, nos termos das leis de regência do PIS/COFINS e do IR. Referidas disposições foram, inicialmente, regulamentadas pela Portaria MF nº 38/97, a qual, relativamente à definição dos conceitos de receita operacional bruta e receita de exportação, assim estabeleceu: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10830.008341/200951 Acórdão n.º 3301001.560 S3C3T1 Fl. 94 5 II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Posteriormente, esta Portaria foi revogada pela Portaria MF nº 64/2003, a qual, relativamente a este tema, dispôs o seguinte: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Por conta de apenas a Portaria MF nº 64/03 ter associado o termo “industrializados” à expressão “produto da venda” ao definir o conceito de receita operacional bruta, a fiscalização e a DRJ entenderam que apenas após a sua edição é que os valores relativos à simples revenda de mercadorias para o exterior (i) deveriam ser incluídos na receita operacional bruta e (ii) não incluídos na receita bruta de exportação. Ocorre que os valores relativos às exportações de mercadorias adquiridas de terceiros unicamente para a revenda, ou seja, exportadas sem que tenham sofrido qualquer processo de industrialização pelo exportador, independentemente da fórmula literal da Portaria, jamais poderiam ser incluídos quer na receita operacional bruta, quer na receita de exportação do Recorrente, por força da própria prescrição dos arts. 1° a 3º da Lei n° 9.363/96, que é o fundamento de validade do presente incentivo fiscal. Com efeito, referidos dispositivos legais, ao se referirem à empresa produtora exportadora, deixam claro que estão regulando apenas os produtos exportados que sofreram industrialização. Da mesma forma, a parte final do caput do art. 1º da Lei 9.363/96, ao usar a expressão “para utilização no processo produtivo” esclarece que apenas as matérias Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo de industrialização compõem a base de cálculo do incentivo. Não bastasse isso e o parágrafo único do art. 3° confirma a ideia de que esta é a única interpretação que se pode atribuir a estes enunciados normativos, ao prescrever que se deve aplicar, subsidiariamente, a legislação do IPI na definição do conceito de produção. O Acórdão nº 340100.915, da 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária desta Seção, ao enfrentar este mesmo tema, deixou assentado que este termo "produção" , empregado tãosomente no referido parágrafo e não repetido em qualquer outro trecho da Lei n° 9363/96, é sinônimo de "processo produtivo." De quem? Da empresa produtora e exportadora. Daí o crédito presumido do IN não beneficiar a empresa que apenas exporta, sem que antes submeta, ela própria, as mercadorias a algum processo de industrialização. Como somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados no processo de industrialização integram a base de cálculo do crédito presumido, concluise que os produtos não industrializados, bem assim os não tributados conforme a legislação do IPI, não fazem jus ao incentivo, não podendo, por esta mesma razão, compor a receita operacional bruta e a receita de exportação para este específico fim. Foi também neste sentido que foi emitido o Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 139, de 22/04/96, que em seu subitem 4.11 esclarecia o seguinte: 4.1 1. O contribuinte produtorexportador de produtos com alíquota zero ou isentos tem direito ao crédito, ainda que não tenha débito de IPI. Não tem direito ao crédito presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI (produtos NT), isto é, produtos que não são industrializados, pois neste caso ele não é contribuinte do IPI. Neste ponto, bem esclareceu o Conselheiro Maurício Taveira e Silva, ao julgar o Processo nº 11543.002755/200117, que admitir interpretação em sentido contrário, ou seja, entender que as receitas de revenda pudessem compor a receita operacional bruta, implicaria distorções no resultado do benefício, nos termos demonstrados em tabela analítica: Para se calcular o beneficio, aplicase o percentual de 5,37% sobre o valor das aquisições de insumos relacionados às exportações. Visando se determinar, por sua vez, qual seria o valor de tais insumos relacionados à exportações, a lei determina que seja feita a proporção entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor. Assim, em não havendo exportações, não há que se falar em crédito, eis que a relação entre a receita de exportação e a receita bruta resultaria em valor igual a zero, conforme hipótese do exemplo 1. Se a receita do produtor adviesse exclusivamente de exportação, em tese, todo o valor despendido com o PIS e a Cofins na aquisição dos insumos no mercado interno seria ressarcido ao contribuinte, consoante exemplo 2, na tabela abaixo. Caso metade da produção fosse comercializada no mercado interno, o percentual a ser aplicado sobre os insumos corresponderia a 2,685% (50% de 5,37), conforme exemplo 3. Por outro lado, se receitas de revenda compusessem a receita operacional bruta o resultado seria distorcido, conforme se depreende do exemplo 4, abaixo. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10830.008341/200951 Acórdão n.º 3301001.560 S3C3T1 Fl. 95 7 Exemplo 1 Exemplo 2 Exemplo 3 Exemplo 4 Rec. Exp. 0 Rec. Exp. 100 Rec. Exp. 100 Rec. Exp. 100 Rec. Merc. Inter 100 Rec Revenda 900 Rec Oper. Bruta 100 Rec Oper. Bruta 100 Rec Oper. Bruta 200 Rec Oper. Bruta 100 % sobre insumos 0 % sobre insumos 5,37 % sobre insumos 2,685 % sobre insumos 0,537 De fato, a relação dada por esses dois valores (receita bruta de exportação e receita operacional bruta) visa a identificar o percentual dos produtos industrializados que foi exportado. No fator que expressa tal relação, a parte corresponde à parcela de produtos industrializados exportada; o todo, representa o total dos produtos industrializados, na forma da legislação do IPI. Se os produtos decorrentes de simples revenda não se enquadram no conceito de produtos industrializados para fins do IPI, não devem integrar o cálculo do incentivo inclusive no denominador da fração, sob pena de distorcer a relação. Daí a necessidade de ajuste da receita operacional bruta e da receita bruta de exportação, na qual não devem constar os valores relativos aos produtos não industrializados pelo exportador. Tratase, como visto pelo exemplo acima transcrito, de condição inafastável para se alcançar a finalidade da lei. Neste contexto, verificase que a Portaria MF nº 64/03 apenas explicitou o que já estava apenas implícito na Portaria MF n° 38/97. Não houve qualquer inovação jurídica, tendo em vista que, reafirmese, esta é a única interpretação que se ajusta às determinações da Lei nº 9.363/96. Entendimento em sentido contrário implica, necessariamente, concluir que a Portaria nº 38/97 transborda as prescrições da lei que lhe dá fundamento de validade, o que não se pode admitir. Este entendimento foi prestigiado pelo Acórdão nº 340100.915, que deixou evidente que sendo esta a mens legis da Lei 9.363/96, seria desnecessária a existência de dispositivo determinando expressamente a exclusão das mercadorias não industrializadas da receita bruta operacional, para fins de apuração do beneficio: A meu ver os atos acima não inovaram na regulamentação do beneficio em tela, tendo apenas procedido à melhor interpretação da Lei n° 9.363/96. Inclusive, é despiciendo dispositivo legal determinando expressamente a exclusão dos valores das mercadorias não industrializadas ou não tributadas no cálculo do beneficio. Mesmo antes do ADN COSIT n° 13, de 02/09/98, da Portaria MF n° 64/2003 e da IN SRF n° 313/2003, e independentemente do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 139, de 22/04/96, o crédito presumido, tal como estabelecido pela Lei n° 9.363/93, não comportava a inclusão das mercadorias não industrializadas ou NT em sua base de cálculo. Estendo seja esta a mens legis. Sendo assim a conclusão é única: as quantias relativas à exportação de produtos não industrializados pela Recorrente não devem ser incluídas no valor da receita de exportação, tampouco na receita operacional bruta. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar integralmente o Auto de Infração e Imposição de Multa, por reconhecer o direito de a contribuinte, na apuração do crédito presumido de IPI prescrito pela Lei nº 9.363/96, incluir apenas os valores decorrentes da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora no cômputo da receita operacional bruta. Como consequência, deve se, ainda, cancelar a determinação do estorno dos créditos de IPI no valor de R$ 1.734.198,32 (saldo credor). [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 283DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721396/2009-30
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
BOLSAS DE ESTUDO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO.
O pagamento de bolsas de estudo em desacordo com a legislação previdenciária - alínea tdo § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, se constitui em salário de contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato. Ausente momentaneamente o conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 BOLSAS DE ESTUDO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. O pagamento de bolsas de estudo em desacordo com a legislação previdenciária - alínea tdo § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, se constitui em salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado
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BASE DE CÁLCULO. O pagamento de bolsas de estudo em desacordo com a legislação previdenciária alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, se constitui em salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 13 96 /2 00 9- 30 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721396/200930 Acórdão n.º 2803002.064 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato. Ausente momentaneamente o conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721396/200930 Acórdão n.º 2803002.064 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de bolsas de estudos aos dependentes dos segurados empregados, as quais foram consideradas como salário de contribuição – parte terceiros. A DecisãoNotificação – fls 181 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando a Notificação lavrada devido a decadência reconhecida. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : · Já havia sido fiscalizada em junho de 2005, quando não foram apurados débitos, sendo que tal situação só poderia ser revista nas hipóteses do art. 145,146 e 149 do CTN · Os valores referentes às bolsas de estudo não são tributáveis. Isto porque são de educação básica, encontrandose na exceção da alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91 · A natureza jurídica da bolsa de estudos não é salário. · Pugna pelo provimento do recurso, com a declaração de improcedência do lançamento e, alternativamente, o afastamento do lançamento pelo fato de bolsas de estudo não serem base de cálculo de contribuição patronal previdenciária. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721396/200930 Acórdão n.º 2803002.064 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra Acerca de preclusão alegada, temos que não assiste razão a recorrente. O fato de já ter sido fiscalizada em 29.06.2005 em nada altera a ocorrência do fato gerador sub examine. A fiscalização tributária, a qualquer momento, constatando a ocorrência do fato gerador, pode efetuar o lançamento, sendo irrelevante a ocorrência de outros procedimentos fiscais com o mesmo desiderato, inclusive os Termos de Encerramento entregues aos contribuintes sob ação fiscal, sempre ressalvam que, a qualquer tempo, importâncias consideradas devidas podem ser apuradas. Acrescentese que, como pontuado pela recorrente, na ação anterior não houve lançamento algum, o que indica que não estamos a falar de revisão de lançamento, ou lançamento em duplicidade, quando se poderiam discutir as razões das supostas imperfeições do lançamento anterior. Quanto ao mérito, tenho que a interpretação do Auditor autuante está de acordo com o previsto na lei 8.212/91. O pagamento de bolsas aos dependentes dos empregados não se enquadra na exceção prevista na alínea “t” do Art. 28 § 9° da prefalada norma legal, senão vejamos. Art. 28 .... § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ( ... ) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica. nos termos do Art. 21 da Lei n° 9.394. de 20 de dezembro de 1996. e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Alínea acrescentada pela MP n° 1.59614, de 10/11/97 e convertida na Lei n° 9.528, de 10/12/97 Redação dada pela Lei n° 9.711, de 20.11.98 Do exposto, não vislumbro como enquadrar as verbas pagas na exceção legal, que diz respeito a bolsas oferecidas aos próprios empregados e não a seus dependentes. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721396/200930 Acórdão n.º 2803002.064 S2TE03 Fl. 6 5 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000266/2006-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário: 2001
Ementa: TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009).
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2001
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. ARBITRAMENTO.
A apuração de omissão de receitas, como decorrência da não escrituração de notas fiscais em volume muito superior à receita declarada, torna inábil a escrituração da empresa e implica na necessidade de arbitramento do lucro. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano calendário: 2001
Ementa: CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica se ao lançamento tido como reflexo o resultado do julgamento proferido em relação à exigência que lhe deu origem.
PIS .COFINS. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. RECEITA
BRUTA.
Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins.
(STJ AgRg no REsp 1267811 / PR, 2ª Turma, Ministro Castro Meira, Sessão de 03/05/2012, Dje 10/05/2012)
Numero da decisão: 1402-001.123
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: 1) Dar provimento parcial ao recurso de ofício para determinar a apuração do IRPJ e da CSLL mediante aplicaçao do percentual de 38,4% sobre a receita bruta apurada pela autoridade lançadora e: 2) Dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a decadência relação aos fatos geradores ocorridos até 31/08/2001, inclusive, para o PIS e a Cofins.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2001 Ementa: TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. ARBITRAMENTO. A apuração de omissão de receitas, como decorrência da não escrituração de notas fiscais em volume muito superior à receita declarada, torna inábil a escrituração da empresa e implica na necessidade de arbitramento do lucro. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano calendário: 2001 Ementa: CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica se ao lançamento tido como reflexo o resultado do julgamento proferido em relação à exigência que lhe deu origem. PIS .COFINS. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. RECEITA BRUTA. Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. (STJ AgRg no REsp 1267811 / PR, 2ª Turma, Ministro Castro Meira, Sessão de 03/05/2012, Dje 10/05/2012)
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: 1) Dar provimento parcial ao recurso de ofício para determinar a apuração do IRPJ e da CSLL mediante aplicaçao do percentual de 38,4% sobre a receita bruta apurada pela autoridade lançadora e: 2) Dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a decadência relação aos fatos geradores ocorridos até 31/08/2001, inclusive, para o PIS e a Cofins.
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Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 Ementa: TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. ARBITRAMENTO. A apuração de omissão de receitas, como decorrência da não escrituração de notas fiscais em volume muito superior à receita declarada, torna inábil a escrituração da empresa e implica na necessidade de arbitramento do lucro. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2001 Ementa: CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento tido como reflexo o resultado do julgamento proferido em relação à exigência que lhe deu origem. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 2 2 PIS .COFINS. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. RECEITA BRUTA. Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. (STJ AgRg no REsp 1267811 / PR, 2ª Turma, Ministro Castro Meira, Sessão de 03/05/2012, Dje 10/05/2012) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: 1) Dar provimento parcial ao recurso de ofício para determinar a apuração do IRPJ e da CSLL mediante aplicaçao do percentual de 38,4% sobre a receita bruta apurada pela autoridade lançadora e: 2) Dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a decadência relação aos fatos geradores ocorridos até 31/08/2001, inclusive, para o PIS e a Cofins. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Trata o presente processo de Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 11.471.628,02, com os acréscimos legais cabíveis até 31/08/2006, em virtude de receitas não declaradas no anocalendário 2001, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal às fls. 150/152. A autoridade lançadora aplicou multa no percentual de 112,5%, e formalizou representação fiscal para fins penais, autuada sob n° 16095.000268/200673, a qual segue em processo apenso ao presente, mas sem qualquer referencia das circunstâncias ali relatadas no Termo de Verificação Fiscal ou nos Autos de Infração. Cientificada da exigência em 28/09/2006, a empresa autuada, por seus advogados e procuradores, apresentou em 27/10/2006 a impugnação de fls. 224/252, na qual alega, em síntese, o que segue: Argúi a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, mormente porque o contribuinte optou pela forma de tributação do lucro real e, como é sabido e ressabido que no ano de 2001 — que corresponde ao período do presente auto de infração — a forma de apuração era trimestral. Reportase à insegurança jurídica que penalizará ainda mais contribuinte com exações estapafúrdias com reflexos irradiados para as atividades desenvolvidas por ele, e menciona que a Decadência ocorre mês a mês, vale dizer, dos meses mais antigos para os mais recentes. Aduz que mantevese à disposição, na medida do possível, para fornecer informações e documentos necessários ao cumprimento do dever legal do agente fiscal em exercício, somente deixando de apresentar o livro diário que fora extraviado. Ainda, o arquivo magnético que servia de backup do livro sofreu rompimento de informações gravadas. Diante destas circunstâncias, relata que: Examinando o trabalho do fisco na confecção do lançamento, observamos uma série de incongruências normativas e funcionais no ponto de vista técnico contábil, o que invariavelmente desnuda a realidade de que o lançamento não presta aos fins a que se destina. Dentre os pontos de divergência técnicos contábeis destacamos: Aplicação das aliquotas do IRPJ e adicionais e, também, a CSLL utilizandose sobre base de cálculo o valor chamado de difèrença tributária de 11.450.000,00 Lançamento ter sido constituído sob o fundamento de receita bruta sem a consideração/diminuição dos custos e despesas utilizandose, para tanto, o critério de apuração e determinação tributária de lucro real. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 4 4 Aferição de valores sobre total da nota fiscal para o cálculo de recolhimento de PIS e COFINS. Desconsideração de crédito do contribuinte perante a receita no caso de coadunar se com a possibilidade de tributar pelo valor total da nota, desconsiderandose a subdivisão dos salários + encargos Aborda o principio da verdade material, menciona que o julgador é livre na investigação das provas, como forma de atender ao interesse público primário e à preservação da ordem jurídica. Por esta razão, sua defesa tem por objetivo uma reinterpretação da escritura contábil da impugnante com o objetivo único de provar que esta não sonegou informações, muito menos esquivouse do pagamento de tributos. • Defende a regularidade de sua escrituração contábil, asseverando que todas notas fiscais e demais livros estiveram e ainda estão a disposição do fisco, com exceção do Livro Diário que não pôde reescriturar no prazo determinado porque as notas fiscais correspondentes estavam em poder da Fiscalização. Desta feita, comprometese a concluir os lançamentos contábeis em 90 dias e opõese à tributação sem a consideração das despesas do período. • No que tange às exigências da Contribuição ao PIS e da COFINS, houve utilização inadequada da base de cálculo, na medida em que se incluiu folha de salário e outros encargos discriminados nas notas fiscais, o que indubitavelmente majorou de forma descomunal o presente auto de infração. • Restringe a dúvida ao critério quantitativo da regra matriz, na medida em que sua atividade é o gerenciamento de pessoal, é o gerenciamento e administração do obreiro e somente dispõe de know how em administração — gerenciamento de pessoas, em diversos ramos de atividade. Em conseqüência, o critério quantitativo no caso da impugnante é a taxa administrativa. E, a respeito do tema, cita o processo 2002.61.19.0048795 que tramita na justiça Federal da Cidade de Guarulhos/SP. • No âmbito do IRPJ, aduz que o auditor fiscal julgou imprestáveis os lançamentos contábeis e, por via de extensão, desclassificou a escrita, no entanto sem descrever minuciosamente os critérios utilizados. Entende que se o fisco, no exercício de seu poder dever de investigação, tiver meios de comprovar as parcelas de lucro erroneamente escrituradas pelo contribuinte, deve ele suprir oficiosamente tal vicio, erro ou deficiência, restaurando a verdade material e efetuando as necessárias retificações. • Afirma que sua escrituração não é imprestável, aduz que a verdade material s6 é alcançada quando o Fisco dispõe de meios técnicos suficientemente precisos, admitindo a prova indiciária apenas em casos extremos. Defende que a base de cálculo do IRPJ é o lucro, o que impõe a obrigatória aceitação dos registros contábeis como prova a favor do contribuinte, pois se o fato gerador da obrigação tributária passa a ser qualquer número que esteja diante do fisco, há total insegurança jurídicotributária. . Reportase à determinação de seu lucro refletida em sua contabilidade e na DIPJ, e conclui que definir como base de cálculo para IRPJ todo o numerário do movimento do exercício é noutras palavras; desfazer de todas as informações prestadas ao fisco via GuiasEspecificas dirigidas ao fisco. . Assevera que o agente fiscal tem uma infinidade de caminhos para perseguir afim de encontrar os elementos de ordem numérica que constituem a contabilidade dos contribuintes e mencionando o fato de que apenas os recolhimentos de contribuições previdenciárias já alcançam a quase totalidade do lucro apurado pelo Fisco, questiona quem efetuou o pagamento dos salários dos funcionários e os encargos inerentes a atividade do obreiro gerido pela impugnante junto a empresa contratante de mãodeobra. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 5 5 . Questiona o alargamento da base de cálculo, na medida em que se deve considerar as normas atinentes à realidade que o contribuinte está inserido, descrevendo a natureza dos valores que compõem as notas fiscais emitidas, a titulo de reembolso de salários, encargos e taxa administrativa. . Cita que o relaxamento da definição de fatura e faturamento já gerou inúmeras discussões judiciais, e argumenta que a falibilidade do alargamento da base de cálculo está sendo repelida pelo Supremo Tribunal Federal e na presciência disto apontamos este vicio com as mãos limpas de um contribuinte sincero e honesto perante o fisco. Neste sentido, reportase a doutrina que estabelece faturamento como sendo a receita bruta definida pela legislação do imposto de renda, distinto, assim, do numerário que porventura tenha passado pelas mãos do contribuinte. . Na seqüência, acrescenta: No presente caso, tratamos da tributação de uma empresa jurídica de direito privado que exerce atividades no ramo da prestação de serviços com administração de mãodeobra, em regra não especializada, onde através de contrato formulado com outra empresa de diverso ramo de atividade ou ente público, concretizam uma relação comercial na qual a ora impugnante comprometese a fornecer a mãodeobra e administrar a mesma, responsabilizandose inclusive com o pagamento de salários, recolhimento de contribuições previdenciárias entre outras obrigações trabalhistas inerentes a qualquer empregado. Para tal administração de pessoal de mãodeobra a impugnante cobra da empresa contratada um determinado valor. Assim, a nota fiscal emitida a esta empresa contratada é constituída pelo salário do obreiro que estará à disposição da empresa contratada, mais os encargos diretos e indiretos do salário deste obreiro, e, por fim, separadamente descrito em nota o valor cobrado pela impugnante pela administração e gerenciamento deste obreiro. 0 fato tributário revelase, aqui, no valor percebido pela impugnante quando da disponibilização e gerenciamento de obreiro para empresa e ente público contratante. Este valor cobrado para o gerenciamento desmembrarseá na contabilidade da impugnante em pagamento de funcionários, custos de funcionamento, impostos e havendo sobejo este será o lucro da impugnante que obviamente será tributado. . No proceder da fiscalização, a incidência se dá sobre o salário dos obreiros, agredindo a natureza de cada um dos tributos (IRPJ, PIS, COFINS e CSSL). Opõesse a tais circunstâncias, mencionando que a definição da base de cálculo deve ser construída sob sólidas bases de entendimento do fato tributário, o anseio arrecadatório do fisco não pode fazer com que os conceitos de direito tributário e natureza das atividades comerciais sejam modificadas ou elasticamente interpretadas para que sejam e estejam ao alcance da tributação. Dai a importância do fisco compreender o exercício da atividade do contribuinte. Esperase isto do fisco, uma atitude legitima e legal, sem o inchaço de pretensões vorazes da arrecadação imoderada, que busca metas a todo custo, certamente esta não é a visão deste zeloso fisco a que é dirigida esta impugnação, antes seu trabalho tem sido reconhecido pela legitima aplicação da norma fiscal. • Prossegue na argumentação contra a incidência sobre o valor total das notas fiscais, firmando que tal é um descalabro dos mais absurdos, e reportandose ao dever do Fisco de buscar a verdade material. • Cita o art. 153, III da Constituição Federal e o art. 219 do RIR199, que definem a incidência do imposto de renda sobre o lucro, e questiona o fato de o IRPJ, PIS, COFINS e CSLL tributarem o salário do funcionário, ou mesmo valores de contribuição social, de SAT, tragando um paralelo entre sua atividade, remunerada Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 6 6 com taxa de administração, e a atividade de uma instituição financeira, remunerada com juros. • Relata a constatação de extravio do Livro Diário e da imprestabilidade do arquivo magnético correspondente, mencionando que não fez boletim de ocorrência para a confecção de outro livro, pois achou mais prudente aguardar a devolução dos documentos que estavam em poder do fisco para iniciar o trabalho de reconstrução do livro perdido. Mas ressalva que o Fisco poderia ter buscado as informações necessárias em outras fontes, tais quais os clientes da impugnante, o fisco previdenciário, além dos demais documentos entregues ao agente fiscal. • Novamente comprometese em apresentar o Livro Diário de 2001, mas agora requer a abertura de prazo de 180 (cento e oitenta) dias para tanto. • Argúi a nulidade do demonstrativo do faturamento, na medida em que os nomes dos clientes não coincidem com aqueles constantes da nota fiscal, até mesmo os valores estão em descompasso com as notas fiscais verdadeiras, razão pela qual os demonstrativos de faturamento, por uma questão de justiça, devem ser ignorados. • Requer, assim, que as preliminares sejam aceitas e julgadas procedentes, ou que se aceite os elementos contábeis que a impugnante deseja apresentar, em especial porque os relatórios informativos numéricos confeccionados pelo agente fiscal são imprestáveis ao fim que se destinam, fato que fica evidente com a quantidade de notas fiscais em valores e informações erradas usadas pelo agente em seu relatório. Obviamente, que tais informações não podem seguir adiante sequer por força de resposta cardíaca do mais misericordioso homem. Além disso, devese asseverar a necessidade do contribuinte alicerçar ainda mais suas posições através de sólidos elementos de sua escrituração. • Requer, ainda, que seja reconhecida a taxa administrativa como base de cálculo para tributação de PIS e COFINS, e por via de continuidade que a tributação de IRPJ seja conferida nos termos que o contribuinte já apresentou em sua escrituração e reafirmará através de toda sua escrituração contábil. Caso o fisco não entenda desta maneira, e considere como tributável o valor total da nota, requerse que considere que tal aplicabilidade gera inegavelmente créditos em favor da impugnante, os quais assemelhamse e ou ultrapassam o valor do pretenso débito, o que resulta na operação créditodébito que liquidamse "de per si". • Por fim, reitera o pedido de prazo de 180 (cento e oitenta) dias para confecção de novo livro diário. Em 17/01/2007 os autos retornaram em diligência A. DRF/Guarulhos, nos seguintes termos: Dentre as informações constantes do Termo de verificação e constatação fiscal o auditor fiscal aponta que, à vista das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, foi elaborado o Demonstrativo do Faturamento Mensal em 2.001 (fis. 150/187), apurandose a diferença tributável de R$ 10.407.340,59. Na impugnação o contribuinte alega, entre outras razões de defesa, que os nomes dos clientes, valores da taxa de administração, de reembolso e da seguridade social constantes dos demonstrativos de faturamento não coincidem com aqueles constantes das notas fiscais emitidas, razão pela qual afirma que o demonstrativo é imprestáivel para servir como base de cálculo de lançamento de um tributo e requer sua nulidade. Anexa notas fiscais as fls. 274/285 e relatório comparativo as fls. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 7 7 286/306, cuja totalização difere daquela constante do Demonstrativo de fls. 154/174 apresentado pela fiscalização. Do cotejo entre as notas fiscais apresentadas com o "Demonstrativo do Faturamento Mensal em 2.001" verificase que há, de fato, descompasso entre os documentos e as planilhas elaboradas pela fiscalização. Por outro lado, observase que os valores constantes das notas fiscais juntadas pelo interessado constam do Demonstrativo e esteio vinculados a outras notas fiscais, conforme quadro abaixo. [fl. 358] Nesse contexto, SOLICITO o retorno dos autos à DRF/Guarulhos para que se resolva sobre a adequação entre as notas fiscais emitidas e os dados consolidados nos Demonstrativos de Faturamento elaborados pela fiscalização. O contribuinte deverá ser cientificado do resultado da presente diligência, inclusive quanto a sua repercussão nos valores exigidos, sendolhe reaberto o prazo de impugnação para, se for de seu interesse, complementar suas razões iniciais. Em atendimento, a autoridade lançadora solicitou ao contribuinte a apresentação dos talonários de notas fiscais de serviços prestados, bem como do Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados (fl. 363), elaborou os demonstrativos de fls. 365/395 e juntou cópia das notas fiscais nos Anexos I a X destes autos. As fls. 396/397 relatou que elaborou demonstrativo das diferenças apuradas nas bases de cálculo da Contribuição ao PIS e do COFINS, bem como que identificou receita operacional de R$ 12.965.151,88, a qual, considerando o lucro real declarado de R$ 3.528.407,53, resulta em diferença tributável de R$ 9.436.744,35. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas prolatou o Acórdão 0522.476 por meio do qual deu provimento parcial à impugnação para cancelar a exigência do IRPJ e da CSLL, por entender que não apresentação da escrituração comercial e fiscal implicaria na necessidade de apuração do resultado pela sistemática do lucro arbitrado. Quanto à exigência do PIS e da Cofins, foram mantidas na integralidade, apenas com a adequação ao resultado da diligência efetuada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando a argüição de decadência e os fundamentos pelos quais entende que a tributação do PIS e da Cofins deveria incidir apenas sobre a taxa de administração. É o Relatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 8 8 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida cancelou os lançamentos do IRPJ e da CSLL por entender que as circunstâncias dos autos implicariam na necessidade da apuração do resultado por arbitramento e não pelo lucro real, como efetuado pela autoridade lançadora. De fato, a Fiscalização informou que até a lavratura do auto de infração os livros Diário, Razão e Registro de Prestação de Serviços não teriam sido apresentados. Assim, faltariam os elementos necessários para a apuração do resultado pelo lucro real. Conforme bem acentuado pelo Acórdão hostilizado, na ausência dos livros contendo a escrituração não há como afirmar que os custos e despesas estão presumidamente contabilizados, ou que a incidência se fez sobre o lucro liquido ajustado pela receita omitida. Ainda, não há como imputarlhe as conseqüências da ausência de prova documental dos custos e despesas pretendidos, pois isto decorre da reconhecida inexistência de escrituração já à época do procedimento fiscal, o que caracteriza o contexto fático que impõe o arbitramento dos lucros. Na lavratura da intimação, onde requeria no prazo estabelecido a escrituração do livro Diário até então não apresentado, a Fiscalização ressaltou que o não atendimento implicaria no arbitramento do lucro. Tal previsão não se concretizou pois a autoridade lançadora, em sentido diverso ao estabelecido no mencionado termo, efetuou a apuração do resultado pelo lucro real. Além disso, a omissão representada pela diferença entre a receita declarada e aquela efetiva, representada pelo valor integral da nota fiscal, é muito significativa. O arbitramento do lucro nesse caso é um instrumento de adequação da exigência fiscal à proporcionalidade dos fatos pois, na impossibilidade de verificar a contabilização do custo correspondente, a aplicação do percentual evita a tributação da receita como se lucro fosse. Por outro lado, o entendimento desta turma julgadora está consolidado no sentido de que o cancelamento total da autuação não é a melhor solução para o caso, pois implicaria em aceitar a infração cometida sem o estabelecimento de qualquer tipo de sanção. Nessa linha, e considerando o tipo de atividade exercida pela interessada, meu voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício para aplicar o percentual de arbitramento de 38,4% sobre a base de cálculo apurada pela Fiscalização, e restabelecer a exigência do IRPJ e da CSLL obtido a partir daí. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 9 9 RECURSO VOLUNTÁRIO Em relação à decadência, pauto minha linha de raciocínio no sentido de o prazo decadencial foi definido como regra geral no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.....) Por outro lado, dentre as modalidades de lançamento definidas pelo CTN, o art. 150 trata do lançamento por homologação. Nesse caso, o § 4º do dispositivo estabeleceu regra específica para a decadência: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (......) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Hodiernamente, a grande maioria dos tributos submetese ao lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ. Assim, circunstancialmente, aquilo que representava uma regra específica tornouse norma geral para efeitos de contagem do prazo decadencial. No que se refere às contribuições sociais sua natureza tributária colocaas, no gênero, como espécies sujeitas ao lançamento por homologação. Aplicamse a elas, portanto, as disposições do art. 150 do Código Tributário Nacional. O já mencionado § 4º do mencionado artigo autoriza que a lei estabeleça prazo diverso dos cinco anos ali determinados. Foi assim que a Lei nº 8.212, de 26 de julho de 1991, regulamentando a Seguridade Social, tratou do prazo decadencial das contribuições sociais da seguinte forma: “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada.” (grifo nosso) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 10 10 A mencionada lei determina expressamente quais as contribuições sociais, a cargo da empresa, que tenham base no lucro e no faturamento: Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22 são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: (......) II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. (........). O DecretoLei nº 1.940/82 regulamenta o Finsocial. Posteriormente, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991 criou a Cofins e determinou que essa contribuição seria cobrada em substituição àquela. Assim dispõe o art. 9º da LC: Art. 9° A contribuição social sobre o faturamento de que trata esta lei complementar não extingue as atuais fontes de custeio da Seguridade Social, salvo a prevista no art. 23, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual deixará de ser cobrada a partir da data em que for exigível a contribuição ora instituída. (grifo nosso). Vêse, portanto, que sob a ótica da Lei 8.212/91 a contribuição para a Seguridade Social calculada sobre o faturamento é o Finsocial, posteriormente substituído pela Cofins e a contribuição calculada sobre o lucro é a CSLL. Não há menção ao PIS. É certo que o CTN concedeu à lei ordinária a possibilidade de estabelecer prazo decadencial diferente daquele originariamente previsto no § 4º do art. 150 daquele diploma legal. No entanto, não se pode perder de vista que se trata de uma excepcionalidade. Sob essa ótica, constatandose que a Lei nº 8.212/91 em nenhum de seus dispositivos trata do PIS, considerarse que o prazo decadencial previsto no art. 45 daquela norma aplicarseia a essa contribuição seria um abuso interpretativo à concessão feita pelo CTN. O tema do prazo decadencial tem grande importância na relação fisco contribuinte, inclusive pelo impacto no princípio da segurança jurídica. Sendo assim, o tratamento da matéria é prerrogativa da norma positivada. Não havendo disposição expressa no texto legal, não se pode definir o prazo decadencial com base em interpretação do alcance da lei. Entendo, destarte, que ao prazo decadencial do PIS deve ser aplicada a regra geral qüinqüenal estabelecida no § 4º do art. 150 do CTN. Por outtro lado, a CSLL e a Cofins estão elencadas entre as contribuições submetidas às regras da Lei nº 8.212/91, incluindo aí o prazo decadencial definido no art. 45 desse diploma legal. Entretanto, com a edição da Súmula Vinculante nº 8 o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o mencionado dispositivo legal. Assim, a Cofins submetese Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 11 11 ao prazo decadencial nas mesmas regras que os demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Do exposto, na inexistência de dolo fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para os impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação deveria ocorrer sob as regras do parágrafo 4º, do art. 150, do CTN. Registrese que, no presente caso, o sujeito passivo informou valores devidos de todos os tributos que integraram o lançamento, valores esses que não foram questionados pelo Fisco. Isso significa que devese considerar a existência de pagamentos , ainda que parciais, o que implica na inaplicabilidade do entendimento do STJ relativamente à regra do inciso I, do art. 173, do CTN. Pelo exposto, com ciência da autuação em 28/09/2006, no caso do IRPJ e da CSLL, com fato gerador em 31/12/2001, a caducidade só teria ocorrido em 31/12/2006. Em relação ao PIS e à Cofins, com fato gerador mensal foram atingidos pela caducidade os fatos geradores ocorridos até 31/08/2001, inclusive. Quanto ao mérito, a interessada traz uma linha argumentativa onde mistura os conceitos de faturamento e lucro, sem atentar que a base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins não é o lucro, mas o faturamento definido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da denominação ou classificação contábil. A atividade que a empresa de trabalho temporário executa não tem qualquer relação com o trabalho executado propriamente dito. Presta ela um serviço específico consistente em colocar o trabalhador à disposição da empresa que dele necessita. Nessas condições, a contratante deseja absterse de selecionar, capacitar e contratar diretamente o trabalhador e aceita pagar à outra o usufruto dessa comodidade. Pode –se dizer então que na questão sob discussão existem duas “prestações de serviço” absolutamente distintas efetuados à contratante: Aquele exercido pelo trabalhador e aquele prestado pela empresa de trabalho temporário consistindo em tornar o trabalhador apto técnica e formalmente ao exercício da tarefa buscada pela contratante O cerne da querela envolve a abrangência do serviço prestado pela empresa de trabalho temporário. Ilustrando o caso inicialmente sob a ótica da contratante, podese imaginar a atividade de um funcionário voltada para a venda de determinado produto. A receita daí obtida integrará a base de cálculo do PIS e da Cofins e, obviamente, do lucro presumido se for essa a sistemática de apuração do resultado. Isso, independentemente do custo da mão de obra aplicada, que não seria dedutível. Caso opte pela contratação da empresa de trabalho temporário, essa arcará com aquele custo e à contratante caberão os custos pela seleção, treinamento e colocação prestados por aquela. Sem dúvida que esses custos serão maiores tendo em vista que neles está embutida uma parcela do ganho da empresa de trabalho temporário. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 12 12 Em outras palavras, a contratação da empresa de trabalho temporário transfere para essa última os custos da mão de obra. Para usufruir dessa comodidade a contratante terá o ônus do custo decorrente da contratação da empresa de trabalho temporário, ou seja, custo para aquela e receita para esta. A assunção do custo pela empresa de trabalho temporário não se descaracteriza pelo fato do trabalhador prestar serviços em outra empresa pois a natureza da atividade está perfeitamente definida pela cessão do empregado, origem da receita que a remunera. Perfeitamente delineado está o custo pela obrigatoriedade de registro dos empregados em seu nome, implicando na responsabilidade pelas obrigações trabalhistas correspondentes. A empresa de trabalho temporário tem a responsabilidade pelo pagamento dos trabalhadores e, pela assunção dessa obrigação, tem o direito de cedêlos mediante contrato e cobrar por isso um valor correspondente a esses custos e a outros encargos mencionados no documento fiscal mais uma comissão, montante que corresponde à receita bruta. Do até aqui exposto penso que, no caso das contribuições ao PIS e à Cofins, as argumentações da interessada implicam em desvirtuamento da base de cálculo pela intenção de se tributar o lucro, ou seja, receita menos custos. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes é remansosa quanto ao tema: PIS. BASE DE CÁLCULO. EMPRESA DE TRABALHADOR TEMPORÁRIO. CUSTO COM MÃODEOBRA. INCLUSÃO. Incluemse na base de cálculo do PIS os valores recebidos por empresa de trabalho temporário, fornecedora de mãodeobra, para pagamento de salários, custos sociais e demais despesas com pessoal. NOTA FISCAL. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. O valor total consignado na nota fiscal ou fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente, independentemente da destinação dos recursos recebidos. (2ºCC, 3ª Câmara, Acórdão 20311.486, Sessão de 07/11/2006). COFINS. BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EMPRESA TRABALHO TEMPORÁRIO. A base de cálculo da COFINS é o valor decorrente da receita própria. A receita bruta da pessoa jurídica que fornece mãodeobra contratada temporariamente é o total contratado e faturado com os tomadores de serviços. Valores pagos a título de reembolso integram a base de cálculo da COFINS. Recurso negado. (2º CC, 4ª Câmara, Acórdão 20400105, Sessão de 17/05/2005) Em decisão recente o STJ confirmou esse entendimento que, na verdade, já havia sido objeto de manifestações anteriores desse Tribunal na mesma linha (AgRg no REsp 1267811 / PR, 2ª Turma, Ministro Castro Meira, Sessão de 03/05/2012, Dje 10/05/2012) RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. SALÁRIOS E ENCARGOS PAGOS AOS TRABALHADORES CEDIDOS. INCIDÊNCIA. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000266/200684 Acórdão n.º 1402001.123 S1C4T2 Fl. 13 13 IRPJ E CSLL COBRADOS PELA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. INCIDÊNCIA. 1. Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. Questão já decidida sob a sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008 (REsp 1.141.065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º.02.10). (.........) Como mencionado no Acórdão supra transcrito, o tema foi decidido sob a sistemática do recurso repetitivo (art. 543C) o que torna a decisão de aplicação obrigatória no CARF, nos termos do art. 62A, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. De todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso exclusivamente para acolher a decadência do PIS e da Cofins em relação aos fatos geradores ocorridos até 31/08/2001, inclusive. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 13DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900703/2009-28
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 07 03 /2 00 9- 28 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900703/200928 Acórdão n.º 1801001.269 S1TE01 Fl. 88 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 15.02.2005, fls. 0610, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$44.162,25 de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 2362, efetuado em 31.03.2004. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 11, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 04.03.2009, fl. 27, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 03.04.2009, fls. 0105, com os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que o valor pleiteado em verdade referese ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, em conformidade com a Ficha 12 da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Diz que equivocadamente indicou na Per/DComp que possuía direito creditório de pagamento indevido. Esclarece que pelo princípio da razoabilidade (art. 37 da Constituição Federal) esta informação deve ser retificada. Defende que apresentou a Per/DComp retificadora tãosomente para correção desse erro e não para a inclusão de novo débito, tampouco alterar o valor do débito confessado. Alega esta formalidade não deve afastar seu direito ao reconhecimento do direito creditório assegurado pelo art. 165 do Código Tributário Nacional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Pelo exposto, uma vez caracterizada a existência do saldo negativo no valor de R$43.725,00 [...] requer: (i) A reforma do despacho decisório ora combatido, para que se reconheça e homologue a compensação declarada [...]; (ii) A retificação da aludida PER/DCOMP, para que se altere o tipo de crédito de "pagamento indevido", fazendo constar como "saldo negativo"; (iü) A imediata suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto da compensação não homologada, nos termos § 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/2008 e inciso III do art. 151 do CTN. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900703/200928 Acórdão n.º 1801001.269 S1TE01 Fl. 89 3 Seja o presente processo administrativo distribuído a uma das Turmas da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte MG, para ulterior análise. Nesses termos, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0233.470, de 12.07.2011, fls. 3034:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Notificada em 14.11.2011, fl. 38, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 4155, em 15.12.2011, fl. 85, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que mero erro formal não pode resultar em perda do direito creditório, em observância ao princípio da verdade material. Expõe a possibilidade de retificação de ofício da Per/DComp, nos termos no art. 142, art. 147 e art. 149 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos legais de sua admissibilidade, merece ser apreciado, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida e que deve ser declarada a suspensão da exigibilidade dos débitos confessados. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900703/200928 Acórdão n.º 1801001.269 S1TE01 Fl. 90 4 débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional1. Verificase no presente caso que os débitos confessados na Per/DComp estão com a exigibilidade suspensa pela apresentação regular do recurso voluntário. O regime de tributação com base no lucro real, trimestral ou anual, prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor pago sobre a base de cálculo estimada. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que faz prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar sua alegação. O reconhecimento do direito à homologação da compensação não prescinde de restar comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. Por esta razão, para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal2. A RFB, no exercício de sua competência de regulamentar da matéria, determina que a Per/DComp não pode ser retificada caso a sua análise não mais se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Excepcionalmente, todavia, o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor da IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, que pode ser analisado como uma parcela a compor a formação do saldo negativo de IRPJ no encerramento do anocalendário. E isto porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual da IRPJ. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período3. No presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar4. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Embora lhe 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. 4 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900703/200928 Acórdão n.º 1801001.269 S1TE01 Fl. 91 5 fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de que tem direito ao reconhecimento do valor de R$43.725,00 a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, uma vez que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante somente pode ser admissível mediante comprovação do erro em que se funde (art. 147 do Código Tributário Nacional). A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000478/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2005
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para
determinação do lucro presumido em relação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço de locação de containers, serviço de queima de madeira, contratação de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tratou de construção civil com emprego de materiais.
OMISSÃO DE RECEITA DECLARAÇÃO COM VALORES ZERADOS RECEITAS
CONTABILIZADAS NO LIVRO CAIXA Trata-se de omissão de
receitas a falta de oferecimento à tributação das receitas decorrentes de prestação de serviços, comprovadas pelas Notas Fiscais de Serviço emitidas pela autuada, e devidamente contabilizadas no Livro Caixa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.027
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pela.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em relação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço de locação de containers, serviço de queima de madeira, contratação de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tratou de construção civil com emprego de materiais. OMISSÃO DE RECEITA DECLARAÇÃO COM VALORES ZERADOS RECEITAS CONTABILIZADAS NO LIVRO CAIXA Tratase de omissão de receitas a falta de oferecimento à tributação das receitas decorrentes de prestação de serviços, comprovadas pelas Notas Fiscais de Serviço emitidas pela autuada, e devidamente contabilizadas no Livro Caixa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pela. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório META CENTRAL DE SERVICOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração, com ciência em 29/06/2009 (AR – fls. 1.412), fls. 1390/1408, para cobrança dos seguintes tributos relativos ao ano calendário de 2005: Principal Juros de Mora * Multa Total IRPJ 266.235,59 125.422,32 199.676,67 591.334,58 CSLL 100.565,10 46.994,88 75.423,81 222.983,79 TOTAL 814.318,37 * Juros de Mora até 29/05/2009 DO AUTO DE INFRAÇÃO De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 1354/1389, foram feitas as seguintes constatações: • A autuada apresentou DIPJ/2006, anocalendário 2005, com base no Lucro Presumido, sem informação de valores (em branco), assim como não apresentou as DCTF deste período. • Durante a ação fiscal, a autuada não comprovou a afirmação de que seria prestadora de serviços na área de construção civil com emprego de material. • Dos contratos apresentados, apenas o de n° CFSSMWG00103 continha a assinatura das partes interessadas. • Foi emitido o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, com ciência em 12/02/2009, pelo qual a autuada foi cientificada que não havia atendido satisfatoriamente os Termos de Intimação Fiscal anteriores, vista não ter apresentado qualquer documento que comprovasse suas alegações de ter prestado serviços de construção civil com emprego de materiais, e que somente o contrato de nº CFSSMWG00103 continha a assinatura das partes interessadas. • Em resposta, a autuada alegou que: “Conforme protocolos anteriores (em anexo) a empresa apresentou à Fiscalização todas as notas fiscais de serviços originais, Livro de ISS, Demonstrativo Analítico dos Tomadores de serviços com as respectivas retenções, Medições dos Serviços demonstrando o material empregado na execução dos serviços e o Livro Caixa, evidenciando, com essa documentação, ainda de posse da Fiscalização, a natureza dos serviços prestados. “Prestador de serviços na área de construção civil com emprego de material”. Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 4 3 “Para evidenciar ainda mais e comprova a natureza dos Serviços prestados pela empresa, segue em anexo todas as notas fiscais originais de compra de material utilizados no serviço no período de 2005.” • Informou ainda que: “Quanto aos contratos, a empresa foi contratada no período de 2005 pela VERACEL CELULOSE S.A., conforme contrato nº CFSSMWG00103, já apresentado. No decorrer de alguns trabalhos, a empresa era sub contratada de outros empreiteiros através de Ordem de Serviços expedida pela VERACEL, (em anexo às Notas Fiscais), ficando, as partes, dispensadas da assinatura, por se tratar de tarefas de curto prazo.” • A fiscalização contestou as alegações da autuada, aduzindo o que segue: o documento intitulado “Relatório Analítico” não incluiu as “Medições de Serviços”, tampouco demonstrou o material empregado na execução dos mesmos. Não foi demonstrada a ligação entre os materiais adquiridos e os serviços prestados. Há notas fiscais de compra que não tem relação com a área de construção civil. em suma, não comprovou a alegação de ter prestado serviços na área de construção civil com emprego de materiais. dentre as despesas escrituradas no Livro Caixa, poucas mencionam aquisição de materiais que podem ser utilizados em construção civil e, mesmo nesses casos, muitas vezes referem a despesas particulares. O contrato apresentado nº CFSSMWG00103 se refere ao período de 01/08/2003 a 31/12/2003, anterior ao período fiscalizado, anocalendário de 2005. Mesmo na hipótese de prorrogação, não comprovada pela autuada, o contrato trata de locação de mãodeobra e consultoria. A fiscalização esclareceu que, com relação ao percentual aplicado para determinar o Lucro Presumido, com base nos artigos 518 e 519 do RIR/99, do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 6, de 13 de janeiro de 1997, IN SRF nº 480/2004, alterada pela IN SRF nº 539/2005, somente as receitas decorrentes da construção por empreitada com fornecimento, pelo empresário, dos materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, estariam sujeitas à alíquota de 8%. As receitas oriundas de construção por empreitada unicamente de mão de obra estariam sujeitas à aplicação do percentual de 32%, como é o caso da autuada, já que, com base nas Notas Fiscais apresentadas, ficou evidenciado que as receitas auferidas decorrem de prestação de serviço em geral. Logo, cabível a aplicação do percentual de 32%, conforme artigo 15, §1º, III da Lei nº 9.249/1995. Assim, constatouse que a autuada deixou de informar em sua DIPJ/2006, e de oferecer à tributação, receitas decorrentes de serviços prestados, visto não ter apresentado as DCTF do anocalendário de 2005. Também verificouse que a autuada não incluiu na base de cálculo do Imposto de Renda e demais tributos, a totalidade dos rendimentos de aplicação financeira de renda fixa auferidos no anocalendário de 2005. Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 5 4 Em conseqüência, foram lavrados os lançamentos para constituição dos créditos tributários de IRPJ e CSLL, sendo compensado o imposto de renda na fonte referente a Receita de Prestação de Serviços Prestados e sobre os Rendimentos de Renda Fixa auferidos. Enquadramento Legal: artigos 224, 518, 519, §1º, III, “a”, e §§ 4º a 7º e 521, todos do RIR/99. Inconformada, a autuada apresentou impugnação em 28/07/2009, fls. 1413/1419, alegando: cabia à auditoria verificar se os materiais empregados constavam das notas fiscais de serviços, porque em nenhum lugar da lei estabelece que o Contribuinte que emprega material na execução de serviços de construção tenha que “amarrar” a compra com o serviço. Os serviços não são executados dentro do mesmo mês, podendo um material comprado ser usado e faturado em vários meses dependendo do andamento das obras. Com a entrega das Notas Fiscais de Compra de Mercadorias e a entrega das Notas Fiscais de Serviços com destaque do emprego das mercadorias, restaram provadas as alegações da autuada. As Notas Fiscais que não se referem à aquisição de materiais de construção foram apresentadas à fiscalização porque foram lançadas no Livro Caixa. Toda documentação ficou à disposição da auditoria. Não houve capacidade da auditoria de analisar a documentação. Não está obrigada a manter contratos com seus clientes, podendo os serviços ser contratados por telefone. A auditoria não intimou os clientes para corroborar suas declarações de serviços de construção com emprego de material. Foram relacionadas as Notas Fiscais, mencionando o tipo de trabalho, ignorando a forma adequada da apuração do lucro presumido, considerando todo e qualquer serviço prestado como de qualquer natureza, deixando de considerar a realidade da Nota Fiscal. Se a fiscalização omite o principal ponto de discussão no presente processo, está cerceando o direito de defesa e induzindo o julgador a erro na avaliação dos fatos contidos na ação fiscal. Não foi levada em consideração sua atividade, que seria aplicação de 8% sobre a receita bruta, considerando como empresa prestadora unicamente de serviços de qualquer natureza, com aplicação de 32%. Anexa relação dos empregados cujas funções correspondem a profissionais da área da construção civil. Traz ementa de Solução de Consulta no sentido que, para atividades de prestação de serviço de construção civil, na determinação do lucro presumido, o percentual é Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 6 5 de 32%, quando houver unicamente emprego de mãodeobra, mas 8% com houver emprego de materiais. Se o entendimento da auditoria fiscal foi de que havia atividades diferenciadas, o procedimento também teria que ser diferenciado, conforme ADN COSIT nº 6/97. Requer o cancelamento dos auto de infração; caso entendam pela tributação diferenciada, que seja determinado um novo levantamento para apuração de possíveis débitos tributários. A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO DE RECEITA DECLARAÇÃO COM VALORES ZERADOS RECEITAS CONTABILIZADAS NO LIVRO CAIXA Tratase de omissão de receitas a falta de oferecimento à tributação das receitas decorrentes de prestação de serviços, comprovadas pelas Notas Fiscais de Serviço emitidas pela autuada, e devidamente contabilizadas no Livro Caixa. OMISSÃO DE RECEITAS RENDIMENTOS FINANCEIROS Tratase de omissão de receitas a falta de oferecimento à tributação das receitas decorrentes de aplicações financeiras, comprovadas pelas DIRF apresentadas pelas instituições financeiras. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em relação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço de locação de containers, serviço de queima de madeira, contratação de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tratou de construção civil com emprego de materiais. DECORRÊNCIA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos: Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 7 6 Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 8 7 (...) É o relatório. Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Consoante relatado, o presente lançamento decorre da constatação de receita de prestação de serviços escrituradas e não declaradas. Durante a ação fiscal, a autuada apresentou as Notas Fiscais por ela emitidas, totalizando no anocalendário de 2005 o montante de R$ 4.108.352,86, referente à receita decorrente de prestação de serviços. Também foi verificado que a autuada auferiu rendimentos das aplicações financeiras no montante de R$ 220.945,59. Todavia, a despeito de estes valores estarem escriturados, a autuada apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica com os valores todos iguais a zero, além de não ter apresentado as Declarações de Crédito e Tributos Federais, todas concernentes ao anocalendário de 2005. Vejamos os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido: Durante a ação fiscal, a autuada informou que atuaria na área de construção civil e serviços auxiliares da construção civil com emprego de materiais, cabendo a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta. Entretanto, a fiscalização concluiu que se tratava de prestação de serviços em geral, já que as Notas Fiscais apresentadas continham as seguintes descrições: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço de locação de containers, serviço de queima de madeira, contratação de funcionários, dentre outros. Ademais, não houve correlação entre o material adquirido e os serviços prestados, sendo que várias Notas Fiscais de compra não se refere a material de construção. Com relação aos contratos apresentados, apenas um estava devidamente assinado pelas partes, mas era de um período anterior ao fiscalizado, e o objeto de contratação era a locação de mãode obra e consultoria. Logo, apurou o lucro presumido com a aplicação do percentual de 32%. No recurso, a contribuinte reitera a alegação de que não possuía a obrigação de vincular os materiais empregados na prestação de serviços, e que constavam nas Notas Fiscais. Afirma que caberia à fiscalização intimar os clientes para confirmarem as afirmações de serviços de construção com emprego de material, cabendo a aplicação de 8% sobre a receita bruta. Requer o cancelamento do lançamento, uma vez que os documentos apresentados comprovam suas alegações. Passo à análise. Primeiramente, verifico que a omissão das receitas decorrentes das Notas Fiscais apresentadas não foi contestada. Tanto é assim que a autuada traz, ao final de sua impugnação, fls. 1964/1965 e 1979/1980, planilhas com os valores de IRPJ e CSLL que entende serem devidos, tendo como base de cálculo as receitas apuradas pela fiscalização, e com aplicação do percentual de 8%. Apenas com relação aos rendimentos financeiros que constato haver divergências. Com relação ao pedido de cancelamento do lançamento, afasto de pronto, pois a possível redução do percentual aplicado implica a procedência em parte, e não na total improcedência. Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 10 9 O argumento de que caberia à fiscalização intimar os clientes para comprovação de suas afirmativas não tem cabimento. A autuada que deve possuir todos os documentos hábeis e idôneos de modo a comprovar suas alegações e os valores escriturados em sua contabilidade. A recorrente alega que os serviços podem ser requisitados por telefone, não tendo obrigação de ter contratos com todos os clientes. De fato, pelo Código Civil, um negócio jurídico pode ser acordado verbalmente, mas não terá efeitos perante terceiros, que necessita da formalidade do contrato, de modo a externalizar todas as condições em que a prestação de serviço foi realizada. Além disso, diz o art. 610 do Código Civil que “o empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais” e o seu §1ª completa dizendo que “a obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes”. Portanto, se no contrato de empreitada de construção civil não houver cláusula expressa quanto ao fornecimento (ou não) de materiais, além da mãodeobra, e esse fornecimento não puder ser deduzido da lei, devese presumir que a empreitada é apenas a de lavor. Acerca dos percentuais aplicados na determinação do Lucro Presumido, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, dispõe o seguinte: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos qualquer natureza. (...) Portanto, quando a atividade econômica consistir na prestação de serviços em geral, o percentual a ser adotado na apuração da base de cálculo do IRPJ, segundo o regime do lucro presumido, é de 32% (trinta e dois por cento) como regra geral. Todavia, há exceções, como no caso de atividade de construção por empreitada, conforme esclarece o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, que define os percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta na determinação da base de cálculo presumida ou estimada do imposto de renda: “O COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições (...), e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 11 10 normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãode obra, ou seja, sem o emprego de materiais. (...)” (grifos acrescidos) Assim, quando a prestação de serviços envolver a atividade de construção por empreitada e nela houver o emprego de materiais, o percentual a ser aplicado na apuração da base de cálculo do IRPJ deixa de ser 32% e passa a ser 8%. Já o artigo inciso II, do § 7º, do art. 1º, da IN SRF nº 480, de 2004), dispõe que: § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: (...) II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.” [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. Portanto, a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta, para determinar o Lucro Presumido, depende da comprovação de que a atividade da autuada seria de construção por empreitada com fornecimento dos materiais indispensáveis à sua execução, sendo estes materiais incorporados à obra. Em sua defesa, a autuada anexa todas as Notas Fiscais, e elabora planilhas relacionandoas, descrevendo os serviços prestados, com o objetivo de comprovar sua atividade. Primeiramente, repito que a utilização de material não se presume. É necessário que o contrato de empreitada de construção civil contenha cláusula expressa quanto ao fornecimento (ou não) de materiais. O acordo verbal entre as partes não é prova perante terceiros. Logo, a apresentação de Notas Fiscais de compra de materiais, sem qualquer demonstração de sua utilização nos serviços de construção civil contratados, não é suficiente para comprovação de suas alegações. Da análise dos documentos, constam nas Notas Fiscais da prestação de serviços, apenas a menção de gastos com material e equipamentos, sem qualquer discriminação. Registro que, conforme II, do § 9º, do art. 1º, da IN SRF nº 480, de 2004, a utilização de equipamentos não são considerados como materiais incorporados à obra. Como exemplo, a Nota Fiscal nº 317, fls. 1786, consta pagamento a título de material do valor de R$ 29.040,00. Para justificar este valor, o Relatório de Obras emitido em 04/07/2005, fls. 1787, discrimina os equipamentos usados e o número de Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000478/200910 Acórdão n.º 140201.027 S1C4T2 Fl. 12 11 horas. Na verdade, o gasto foi com aluguel de veículos tais como Trator e Retro Escavadeira, que não é considerado material a ser incorporado na obra. Além disso, na maior parte dos relatórios com a discriminação dos serviços, não consta a relação dos materiais utilizados. Não há como verificar se os mesmos foram ou não incorporados na execução da obra. Como exemplo, os Relatórios VERACEL – Dezembro/2004 fls. 1557, Janeiro/2005 – fls. 1563/1570, consta apenas “Material comprado”, sem qualquer discriminação. Ainda, da análise das planilhas apresentadas na defesa, intituladas “Planilha de Apuração com material 8%”, fls. 1949/1978, verifico que a maior parte trata de prestação de serviços administrativos, de consultoria, assim como bem descreveu a autoridade fiscal. A título de exemplo, no mês de janeiro, das 61 Notas Fiscais emitidas, 26 contém a descrição de “Ser Auxiliar com Equipamento e Material”, 14 tratam de “Serviço em Geral”, e uma relativa ao Evento (Nota Fiscal nº 61) que trata da recepção de autoridade do governo. Dos contratos apresentados, consta o contrato nº 4500030166, de fls. 1987/1996, assinado em 20 de dezembro de 2005, que tem por objeto “a implantação do Sistema de Central de Serviços do Projeto terceira Pelotização na unidade de Germano, Mineroduto e Ubu”. Ainda consta que os serviços prestados compreendem: registro funcional, emissão de crachás, acompanhamento de mãodeobra, fiscalização, serviço de limpeza, alojamento e pousadas, transportes, comunicação com obra, administração do centro social dos canteiros, relações sindicais, controle de acesso e serviço social. Ora, nenhum destas atividades está relacionado com construção civil. Já os demais contratos não estão assinados, ou referese ao anocalendário de 2003. Portanto, correto o procedimento da fiscalização quanto à aplicação do percentual de 32% para determinação do lucro presumido. (Grifei) Os fundamentos acima transcritos, não merecerem reparos, pelo que peço vênia para adotar como razões de decidir. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721651/2011-00
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfizer fora dos prazos determinados em lei.
Numero da decisão: 1803-001.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplicase a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfizer fora dos prazos determinados em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721651/201100 Acórdão n.º 180301.416 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de notificação de lançamento exigindo multa pelo atraso na entrega da DCTF, com base no art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. O presente auto de infração diz respeito ao período referente ao mês julho de 2010, com data final de entrega em 22/09/2010 e que foi entregue em 10/03/2011, com sete meses de atraso. Inconformada com a exigência, a recorrente apresenta suas razões de inconformidade, alegando, de forma sintética, que a multa imposta era inconstitucional por ferir vários dispositivos constitucionais, tais como o da capacidade contributiva, o princípio da legalidade entre outros. Requer, a recorrente, o cancelamento da multa exigida, em face da ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência de apresentação da DCTF. Isso porque, segundo o seu entendimento, a mesma foi instituída através de Instrução Normativa, quando tal obrigação somente poderia ter sido instituída através de lei, em sentido formal e material. Prossegue, a recorrente, referindo que, de acordo com o ordenamento jurídico vigente, é ilegal a previsão de multa pela não apresentação ou apresentação da declaração com informações inexatas, incompletas ou omissas. Neste sentido, transcreve doutrina e jurisprudência judicial que entende corroborarem com seus argumentos. A autoridade julgadora a quo, ao decidir, entendeu por bem manter o lançamento, posto que refere encontrarse equivocada a empresa recorrente ao asseverar a inexistência de lei que possibilite a cobrança da multa pelo atraso na entrega da DCTF, já que o artigo 7º da Lei 10.426/2002, mencionado no auto de infração, dispõe a determinação legal de o fazer. Completa aduzindo que a entrega da declaração é uma obrigação de fazer, em prazo certo, e o seu descumprimento, demonstrado nos autos, resulta em inadimplementos às normas jurídicas obrigacionais, sujeitando o responsável às sanções previstas no art. 7º supracitado, base legal do lançamento. Salienta o julgador de primeira instância que a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado. Assim, ter entregue a declaração tão só, não exime a recorrente da penalidade, uma vez que esta está claramente definida em lei, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Complete referindo que qualquer entendimento em contrário implicaria em tornar letra morta o dispositivo legal em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721651/201100 Acórdão n.º 180301.416 S1TE03 Fl. 113 3 Aduz que as Instruções Normativas editadas pela RFB estabelecendo a obrigatoriedade da entrega da DCTF têm respaldo legal tanto na Lei nº 9.779/99, quanto no Decreto lei nº 2.065/83. Cita jurisprudência nesse sentido. Finaliza seu posicionamento, referindo que a autoridade administrativa está obrigada ao cumprimento das normas, limitando a aplicálas, sem emitir juízo de valor quanto à constitucionalidade. A empresa devidamente cientificada da decisão de primeiro grau apresenta suas razões de inconformidade, através do Recurso Voluntário, de forma tempestiva, argumentando, em apertada síntese o já disposto em seara de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração para cobrança de multa decorrente da apresentação em atraso da DCTF. A empresa recorrente insurgese alegando ser a multa descabida por ferir preceitos constitucionais, tais como da capacidade contributiva, da legalidade, da justiça tributária, entre outros. Primeiramente, há que se atentar para o fato de que discussão referente à constitucionalidade de lei ou mesmo de artigo de lei não é da competência dessa esfera administrativa, posto cumprir ao Poder Judiciário analisar e determinar a constitucionalidade de norma a ser aplicada no sistema jurídico pátrio. Nesse contexto, deixo de abordar as argumentações da empresa recorrente no tocante à constitucionalidade da aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF, haja vista esta estar preceituada no dispositivo legal elencado no auto de infração: art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Já tocante ao mérito da demanda, qual seja: multa pelo atraso na entrega da DCTF, temos que a autuação está correta, haja vista que a empresa entregou a DCTF com Fl. 48DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721651/201100 Acórdão n.º 180301.416 S1TE03 Fl. 114 4 atraso, de forma intempestiva, sete meses após o prazo regulamentar, definido pela legislação e determinado a todos os contribuintes. A norma determinada no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, é clara ao disciplinar: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Em outras palavras, o sujeito passivo que deixar de apresentar DCTF nos prazos fixados sujeitarseá às multas dispostas na legislação de regência, no caso em tela, a disciplinada no artigo supracitado. Neste caminho, não podemos olvidar de destacar que a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea, sendo essa a é a posição da Súmula Carf nº 49, tal como segue: Fl. 49DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721651/201100 Acórdão n.º 180301.416 S1TE03 Fl. 115 5 “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. De igual modo, importa em citar a jurisprudência pacífica, em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculada diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo Fl. 50DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721651/201100 Acórdão n.º 180301.416 S1TE03 Fl. 116 6 determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJE 19/02/2009)” Desse modo, voto por NEGAR provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 51DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 11065.100321/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO.
Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de Contribuição para o PIS/Pasep, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003, por força do disposto no art. 15, VI da mesma Lei.
Numero da decisão: 3403-001.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de Contribuição para o PIS/Pasep, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003, por força do disposto no art. 15, VI da mesma Lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2285; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 196 1 195 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.100321/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.896 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente INDUSTRIA DE CALÇADOS WIRTH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de Contribuição para o PIS/Pasep, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003, por força do disposto no art. 15, VI da mesma Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 03 21 /2 00 9- 11 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento (fls. 11 a 5) relativo a saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa apurado no período de 1/1 a 31/3/2009, no valor de R$ 237.781,09. Ao analisar a solicitação (fls. 117 e 118), a unidade local efetua glosa parcial (reconhecendo crédito de R$ 217.035,49), referente a “outras operações com direito a crédito” (detalhadas pelo contribuinte como assistência médica e farmacêutica a empregados, benefícios a empregados, transporte próprio de funcionários, assistência odontológica, programa de alimentação ao trabalhador, materiais de limpeza higiene e proteção, gastos com veículos, tratamento de resíduos industriais, serviços de terceiros com exportação, comissões sobre venda no mercado externo, comissões sobre venda no mercado interno, despesas com feiras e eventos, propaganda e publicidade, serviços de terceiros análise de situação cadastral, e honorários profissionais de PJ). Cientificada da decisão da unidade local (em 17/11/2009 fl. 130), a empresa apresenta manifestação de inconformidade (em 14/12/2009 fls. 131 a 145). Na peça apresentada, discorda da glosa efetuada, alegando que o conceito de insumo “engloba todo o arcabouço de mercadorias e atividades intrínsecas ao ramo de atividade”, tais como as comissões (por representação comercial), depesas de marketing, serviços de consultoria, serviços de limpeza, vigilância, assistência médica e odontológica, transporte de pessoal, pagamentos a empresas de refeição coletiva, tratamento de resíduos industriais, despesas de exportação e manutenção de software, equipamento de limpeza e de proteção, uniformes, formação profissional dos funcionários, etc. Em suma, entende por insumo “todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa”, desde que tenha havido incidência das contribuições na etapa anterior, opondose ao conceito de insumo indicado na IN SRF no 247/2002 (com as alterações da IN SRF no 358/2003), que entende violar o princípio constitucional (art. 195, § 12) da nãocumulatividade. Solicita, por fim, que seja computada a atualização pela Taxa SELIC do mês de apuração do pedido até o efetivo ressarcimento. Em 17/3/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 171 a 176), acorda se que “existe vedação legal ao creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e COFINS”. Em relação à Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento restringese aos casos previstos no art. 3o da Lei no 10.637/2002, e se encontra regulada pela IN SRF no 247/2002. Entre as despesas glosadas não se encontrou nenhuma que pudesse ser enquadrada como insumo nesse contexto. No que se refere à correção, informouse que é 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.100321/200911 Acórdão n.º 3403001.896 S3C4T3 Fl. 197 3 expressamente vedada por dispositivo legal para a COFINS (art. 13 da Lei no 10.833/2003), tendo a vedação sido estendida à Contribuição para o PIS/Pasep pelo art. 15 da mesma Lei. Cientificada da decisão em 4/5/2011 (fl. 178), a empresa apresenta recurso voluntário em 13/5/2011 (fls. 179 a 193), basicamente reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. As matérias controversas em sede de Recurso Voluntário resumemse à inclusão ou não das despesas glosadas no conceito de insumos, e à (im)possibilidade de correção do montante a ser ressarcido pela Taxa SELIC. Do conceito de insumo O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com alicerce no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR. Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois o conceito expresso na legislação do IPI é demasiadamente restrito, e o encontrado na legislação do IR é demasiadamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegase à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, explicita em seu art. 3o que podem ser descontados créditos em relação a: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) A mera leitura do dispositivo legal já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Não poderia cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. A recorrente é empresa dedicada à fabricação de calçados. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada na confecção dos calçados (v.g. o couro) constitui um insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. A glosa (mantida pelo julgador a quo) é efetuada em relação às seguintes despesas, detalhadas pela própria contribuinte no curso da fiscalização (fls. 133/134): “Assistência médica e farmacêutica a empregados, benefícios a empregados, transporte próprio de funcionários, assistência odontológica, programa de alimentação ao trabalhador, materiais de limpeza higiene e proteção, gastos com veículos, tratamento de resíduos industriais, serviços de terceiros com exportação, comissões sobre venda no mercado externo, comissões sobre venda no mercado interno, despesas com feiras e eventos, propaganda e publicidade, serviços de terceiros (análise de situação cadastral Equifax), honorários profissionais PJ”. No recurso voluntário, argumentase que os seguintes custos são intrinsecamente necessários à atividade da empresa (alertandose que a lista é exemplificativa): “assistência médica e odontológica” (para promover a saúde física dos funcionários), “comissões s/ vendas” (para pessoas jurídicas que praticam a intermediação nas vendas), “tratamento de resíduos industriais” (por obrigação legal), “transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas” (pagos a empresas credenciadas perante o programa de alimentação ao trabalhador, para fornecer refeições coletivas aos funcionários), “despesas de exportação e manutenção de software” (a empresas intermediárias na exportação e empresas que prestam manutenção a software). A recorrente ainda relaciona outras despesas que enquadra como insumos (o material empregado na limpeza, os uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, os valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários, etc.), poupandose elaborar relação exaustiva por entender como insumos “todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa”. 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.100321/200911 Acórdão n.º 3403001.896 S3C4T3 Fl. 198 5 Não é preciso muito esforço para perceber que tal conceito não se coaduna com a disposição legal que trata da matéria. Nas relações não exaustivas apresentadas pela recorrente encontramse somente zonas de certeza negativa em relação à lei que rege a matéria. Sequer se visualiza “zona de penumbra”. Todas as atividades relacionadas podem até ter alguma relação com o objeto social da empresa (fabricação de calçados), mas não com o processo produtivo/fabril. Não há, assim, como acatar a argumentação da recorrente, no sentido de um alargamento do conceito de insumos que transbordaria o dispositivo legal que rege a matéria. Do montante a ser ressarcido Pleiteia ainda a recorrente a correção pela Taxa SELIC do montante a ser eventualmente ressarcido. Agrega em seu favor precedentes administrativos dos anos de 2002 e 2003. Há que se destacar, entretanto, que há expressa vedação legal à correção, introduzida pelo art. 13 da Lei no 10.833/2003, combinado com o art. 15, VI da mesma Lei: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores” “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (grifo nosso) É exatamente por existir tal vedação legal que não foi encontrada jurisprudência posterior a 2003. Inadmissível, assim, a argumentação da recorrente nesse tópico. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10280.906745/2009-85
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DO PEDIDO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA: Admitida a retificação da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita será a data de apresentação da declaração de compensação retificadora. SALDO NEGATIVO DE CSLL DO ANO-CALENDÁRIO DE 1996. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. O cerne da homologação ou não-homologação se refere à existência e suficiência do direito creditório, sendo a DIPJ apenas um dos meios pelo qual tais fatos podem ser verificados. O erro constante dela não pode ser a única razão para negativa do direito creditório, se há comprovação por outros documentos fiscais e contábeis. SALDO NEGATIVO DO ANO-CALENDÁRIO DE 2000. SUFICIÊNCIA PARA COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS INFORMADOS EM DCOMP. O saldo negativo da CSLL do ano-calendário de 2000 é suficiente para compensar os débitos indicados na DCOMP, se considerados os valores dos saldos negativos da CSLL dos anos-calendários de 1996 (integral) e 1997 (remanescente) para compensação dos débitos de CSLL de out/2000 a dez/2000, desde que o contribuinte não tenha utilizado esses valores em outras compensações.
Numero da decisão: 1802-001.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em DAR provimento recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DO PEDIDO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA: Admitida a retificação da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita será a data de apresentação da declaração de compensação retificadora. SALDO NEGATIVO DE CSLL DO ANO-CALENDÁRIO DE 1996. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. O cerne da homologação ou não-homologação se refere à existência e suficiência do direito creditório, sendo a DIPJ apenas um dos meios pelo qual tais fatos podem ser verificados. O erro constante dela não pode ser a única razão para negativa do direito creditório, se há comprovação por outros documentos fiscais e contábeis. SALDO NEGATIVO DO ANO-CALENDÁRIO DE 2000. SUFICIÊNCIA PARA COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS INFORMADOS EM DCOMP. O saldo negativo da CSLL do ano-calendário de 2000 é suficiente para compensar os débitos indicados na DCOMP, se considerados os valores dos saldos negativos da CSLL dos anos-calendários de 1996 (integral) e 1997 (remanescente) para compensação dos débitos de CSLL de out/2000 a dez/2000, desde que o contribuinte não tenha utilizado esses valores em outras compensações.
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RETIFICAÇÃO DO PEDIDO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA: Admitida a retificação da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita será a data de apresentação da declaração de compensação retificadora. SALDO NEGATIVO DE CSLL DO ANOCALENDÁRIO DE 1996. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. O cerne da homologação ou nãohomologação se refere à existência e suficiência do direito creditório, sendo a DIPJ apenas um dos meios pelo qual tais fatos podem ser verificados. O erro constante dela não pode ser a única razão para negativa do direito creditório, se há comprovação por outros documentos fiscais e contábeis. SALDO NEGATIVO DO ANOCALENDÁRIO DE 2000. SUFICIÊNCIA PARA COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS INFORMADOS EM DCOMP. O saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2000 é suficiente para compensar os débitos indicados na DCOMP, se considerados os valores dos saldos negativos da CSLL dos anoscalendários de 1996 (integral) e 1997 (remanescente) para compensação dos débitos de CSLL de out/2000 a dez/2000, desde que o contribuinte não tenha utilizado esses valores em outras compensações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em DAR provimento recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 325 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 326 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA (“DRJBEL”), que julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão recorrido, verbis: “Versa o presente processo sobre declaração de compensação DCOMP n° 36765.85921.031106.1.7.039543 (fls.29/54), a qual retificou a DCOMP 21607.78767.231204.1.3.037027 (fls.1/26) em que o contribuinte indica crédito de saldo negativo CSLL ano calendário 2000 no valor de R$ 183.201,31 para compensar débitos próprios. Ainda segundo consta da DCOMP, o direito creditório seria originado por pagamento de estimativa mensal CSLL, 2484, arrecadação 31/01/2001, R$ 183.201,31. Por intermédio do Despacho decisório de 10/12/2009, n° 854489059 e anexos (fls.73/75), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações, nãohomologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que "... a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo". Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 24/12/2009 (fl.101), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade dia 21/01/2010 (fls.102/103), via procuradora (fls.105/113), alegando em síntese que: 1. A Titular da Unidade do sujeito passivo não homologou a compensação declarada por não ter confirmado o valor original do saldo negativo de CSLL; 2. Esse montante de R$ 183.201,31 corresponde ao saldo credor de CSLL do sujeito passivo, decorrente de pagamentos efetuados a maior que o efetivamente devido de conformidade com as declarações de ajuste anual, nos anoscalendário de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000 conforme demonstrativo e comprovantes que compõem os Anexos II, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX, a saber: antecipações mensais CSLL, CSLL retida na fonte por Órgãos Públicos, créditos de Finsocial compensados com débitos de CSLL conforme processo n° 10280.004236/9796, crédito de CSLL referente a 1/3 da Cofins paga, crédito de pagamentos a maior proveniente de saldo credor de CSLL de anos anteriores e CSLL efetivamente Fl. 326DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 327 4 devido de conformidade com as Declarações de Ajuste Anual — DIPJ. Isso corresponde ao saldo credor de CSLL do ano calendário; 3. Considerando ainda o saldo credor de CSLL acumulado até o final do ano calendário anterior, o crédito de pagamentos a maior proveniente de saldo credor de CSLL de anos anteriores compensados com débitos das antecipações mensais de CSLL do próprio anocalendário e o saldo credor de CSLL do próprio anocalendário chegamos ao saldo credor de CSLL acumulado ao final de cada anocalendário; 4. O saldo credor de CSLL do anocalendário 2000, referente a pagamentos a maior que o efetivamente devido, no montante de R$ 183.201,31, é suficiente para fazer face ao débito compensado; 5. Houve transcurso do prazo de cinco anos de homologação das compensações efetuadas, quer considerando a data dos respectivos fatos geradores, período de janeiro/2002 a outubro/2004, quer considerando a data de vencimento dos débitos compensados ou quer considerando a data de entrega da PER/DCOMP original; 6. Requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: cópia de documentos do processo administrativo 10280.720439/200953 (fls.76/96), Despacho SEORT/DRF/BEL n° 0929 de 19/11/2009 (fls.94/96), Informação SEORT/DRF/BEL n° 05 3 5 de 05/10/2009 (fls.88/90), telas das DIPJ's anoscalendário 1996 a 2000 (fls.116/153), telas do SINAL — pagamentos CSLL (fls.154/159), telas das DCTF's 1997 e 1998 (fls.160/173), telas do COMPROT e SIEF/PERDCOMP (fls.174/176), telas de DIRF (fls.177/195), telas da DIPJ/2000 anocalendário 1999 — apuração Cofins (fls.196/207), telas do SINAL pagamentos Cofins (fls.208/209), telas de DCTF — Cofins — janeiro a dezembro 1999 (fls.210/221) e Termo de Juntada (fl.222). Este processo administrativo ainda possui os Anexos I e II, conforme descrito a seguir: Anexo I (fls. l a 221) — documentos relevantes: Demonstrativos de Apuração/Utilização Saldo Negativo CSLL anoscalendário 1996 a 2000 (fls.2/6), cópias DIRPJ's 1997 (fls.62/85) e 1998 (fls.86/117), cópias DIPJ's 1999 (118/179) e 2000 (fls.180/220). Fl. 327DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 328 5 Anexo II (fls.l a 127) — documentos relevantes: cópias DIPJ 2001 (fls.2/35), telas DCTF's anoscalendário 1999 e 2000 (fls.36/77), cópias de DARF's (fls.78/113), Informação SESAR n° 21/98 — processo administrativo 10280.004236/9776 (fls.114/115) e Demonstrativo de Compensação processo administrativo 10280.004236/9776 (fls.118/126).” Em sua decisão, a DRJBEL, através do Acórdão n° 0120.990, reconheceu o direito creditório referente a saldo negativo CSLL anocalendário 2000 no valor de R$ 141.306,03 e declarou parcialmente homologadas as compensações, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2000 SALDO NEGATIVO CSLL. RECONHECIMENTO PARCIAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Tendo sido o crédito pleiteado constituído por pagamentos de estimativa CSLL, CSLL retida na fonte e estimativas compensadas com saldo negativo de período anterior e sendo o saldo negativo do ano calendário 1999 insuficiente para homologar todas as compensações, o direito creditório foi reduzido na parte correspondente às compensações não homologadas. O direito creditório reconhecido foi insuficiente para homologar todos os débitos compensados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte.” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em breve síntese, o que segue: Homologação tácita das compensações em análise, pois houve transcurso do prazo de cinco anos até o Despacho Decisório; Necessidade de se reconhecer o direito creditório apurado no anocalendário de 1996, no valor de R$ 36.659,04, uma vez que erro formal no preenchimento da DIPJ não pode ferir o princípio da verdade material; Confirmação do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000 no montante de R$ 183.201,31 bem como homologação das compensações efetuadas por meio das PER/DCOMP. É o relatório, passo a decidir Fl. 328DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 329 6 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Da Inexistência de Homologação Tácita Aduz a Recorrente que as compensações em análise foram homologadas tacitamente, em virtude do transcurso do prazo de cinco anos conferido pela legislação para que as compensações sejam homologadas. Analisando os autos observo que foram apresentadas duas Declarações de Compensação, a primeira de n° 21607.78767.231204.1.3.037026 (fls. 01/26) foi apresentada em 23/12/2004 e, posteriormente, foi apresentada DCOMP Retificadora de n° 36765.85921.031106.1.7.039543 em 03/11/2006 (fls. 29/54). De acordo com a legislação vigente à época da apresentação da DCOMP original, artigos 29 e 59 da Instrução Normativa SRF nº 460 de 2004, o prazo para homologação da compensação declarada iniciase na data da entrega da respectiva declaração. No entanto, em caso de apresentação de retificação de DCOMP, a contagem do prazo é reiniciada, e o termo se inicia no momento em que a DCOMP retificadora foi apresentada. Eis o teor desse dispositivo: “Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação.” (...) “Art. 59. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora.(...)” (grifouse). Fl. 329DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 330 7 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre o tema, nos seguintes termos: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O prazo de cinco anos para o Fisco verificar a legitimidade de crédito objeto de pedido de restituição e compensação iniciase na data da formulação do pedido e não na época do fato gerador do crédito pleiteado. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DO PEDIDO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Admitida a retificação da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita será a data de apresentação da declaração de compensação retificadora. (...)” (Acórdão nº 140100.342, 1ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, julgado em 10/11/2010.) (grifouse). Dessa forma, considerando que a DCOMP retificadora foi apresentada em 03/11/2006 e que o despacho Decisório foi proferido em 10/12/2009, ou seja, dentro do prazo de cinco anos, entendo que o Fisco pronunciouse tempestivamente sobre a nãohomologação da DCOMP discutida nestes autos. Da apuração de Saldo Negativo de CSLL nos anoscalendários de 1996 a 2000 A Recorrente pleiteia em seu Recurso a confirmação do crédito de R$ 183.201,31 (cento e oitenta e três mil, duzentos e um reais e trinta e um centavos), proveniente do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, bem como requer sejam homologadas as compensações efetuadas por meio da DCOMP retificadora. A homologação das compensações necessariamente passa pela análise dos créditos declarados. Assim, constatandose que o saldo negativo de CSLL informado pela Recorrente abrange um período de 1996 a 2000, iniciase a análise de cada um dos créditos no referido período. Do Saldo Negativo de CSLL no anocalendário de 1996 A Douta DRJ de Belém não reconheceu o direito creditório de saldo negativo da CSLL do anocalendário de 1996, no valor de R$ 36.659,04 (trinta e seis mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e quatro centavos), em função da falta de sua indicação na DIPJ. Contudo, a Recorrente afirma que: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 331 8 os valores informados na DIPJ/1997 foram erroneamente inseridos, tratandose de erro formal, já que o recolhimento por estimativa realizado naquele ano foi de R$ 95.928,32 (noventa e cinco mil novecentos e vinte oito reais e trinta e dois centavos); a própria DRJ confirmou o recolhimento por estimativa da quantia de R$ 95.928,32, comprovado pelas telas SINAL (fls. 154/155); a diferença entre o total das estimativas de CSLL recolhidas de R$ 95.928,32 e a CSLL devida de R$ 59.268,60 corresponde exatamente ao saldo negativo pleiteado no anocalendário de 1996, qual seja, R$ 36.659,04; o não reconhecimento do crédito pela sua indicação equivocada na DIPJ 2007 fere o princípio da verdade material. Percebese, então, que o cerne da homologação ou nãohomologação se refere à existência e suficiência do direito creditório, sendo a DIPJ apenas um dos meios pelo qual tais fatos podem ser verificados. O erro constante dela não pode ser razão da negativa do direito creditório, se há nos autos a sua comprovação por outros documentos fiscais e contábeis. Vale ressaltar, inclusive, que, com base no princípio da verdade material que rege a atividade estatal, qualquer espécie de prova, desde que lícita, pode ser utilizada para demonstrar a verdade dos fatos alegados. Nesse sentido, estabelece o art. 24 do Decreto n. 7.574/2011, in verbis: “Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito. Parágrafo único. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos.” Logo, na esteira do quanto dispõe o art. 26 do mesmo diploma legal, conclui se que as telas do SINAL (fls. 154/155) fazem prova em favor do sujeito passivo, juntamente com o débito indicado em DIPJ, os quais, inclusive, foram ratificados pela decisão de primeira instância. No caso em tela, verificase que a autoridade julgadora, muito embora tenha analisado a documentação apresentada pela Recorrente, atevese somente às informações que constam na DIPJ. O posicionamento adotado no acórdão recorrido está equivocado, na medida em que neste Conselho tem prevalecido a verdade material dos fatos sobre as meras formalidades. O julgado descrito abaixo demonstra esse entendimento: “ASSUNTO: Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido. AnoCalendário: 1999 SALDO NEGATIVO DE CSLL. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO EXCLUI O DIREITO DE APROVEITAR O SALDO NEGATIVO EFETIVAMENTE APURADO EM EXERCÍCIO ANTERIOR. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 332 9 Nos anos de 1996, 1997 e 1998, a empresa apurou saldo negativo de CSLL. No ano de 1999, a recorrente continuou com prejuízo e, por consequência, não apurou CSLL a pagar. Assim, o saldo negativo existente no final de 1998, mesmo sem considerar qualquer recolhimento a título de estimativas no ano seguinte, continuou a existir no final de 1999, podendo ser utilizado, para fins de compensação, com débitos fiscais da competência de novembro de 2003 e seguintes. Não será pelo fato da recorrente ter cometido erro na entrega da DCTF, relativa ao ano de 1999, que perderá o direito de utilizar o saldo negativo existente no final do anocalendário de 1998, para compensar débitos da competência relativa aos meses que compõem o ano de 2003.” (Acórdão nº 1402 00.430, 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, julgado em 23/02/2011.) (grifouse). Assim, resta claro que o descumprimento de obrigação acessória não tem o condão de retirar ou anular o direito de crédito do contribuinte. Sob hipótese alguma, é justificável o não ressarcimento de valores recolhidos a maior ou indevidamente junto aos cofres públicos, vez que a devolução dos mesmos corresponde ao interesse público, que deve sempre ser buscado pela Administração. Por conseguinte, reconheço o direito creditório no importe de R$ 36.659,04 (trinta e seis mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e quatro centavos), relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1996, para utilização na compensação de períodos posteriores, excluindose desse valor, o montante de R$ 2.398,50, compensado em 1997. Do Saldo Negativo de CSLL nos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999 Para os anoscalendários de 1997, 1998 e 1999, a DRJ de Belém reconheceu direito creditório referente a saldo negativo de CSLL diferente do apurado pela Recorrente. As diferenças de valores, entre o apurado pela Recorrente e reconhecido pela DRJ no período, são decorrentes da documentação insubsistente apresentada, sendo que os valores das divergências são diminutos. A Recorrente não conseguiu comprovar nos autos parcela das retenções de CSLL por órgãos públicos, e ainda deixou de explicitar a diferença existente entre o montante declarado na tabela que discrimina o saldo negativo de CSLL e o declarado nas DIPJs juntadas aos autos. Insta ainda salientar que o Recurso Voluntário apresentado (fls. 258 a 264) atevese a repisar aos mesmos argumentos anteriores, especialmente no sentido de que possuía direito creditório no anocalendário de 1996, sem, contudo, juntar aos autos novas provas que pudessem rebater o direito creditório concedido pela DRJ nos demais anos. Nesse sentido, mantenho o entendimento da DRJ de Belém para os anos calendários de 1997, 1998 e 1999, reconhecendo o direito creditório de saldo negativo de CSLL nos seguintes montantes: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 333 10 anocalendário de 1997: R$ 64.087,78 anocalendário de 1998: R$ 61.705,03 anocalendário de 1999: R$ 123.760,67 Acrescento apenas que o saldo negativo da CSLL, do anocalendário de 1997, não foi integralmente utilizado no anocalendário de 1998. Na verdade, dos R$ 64.087,78, somente foram utilizados R$ 5.000,00, para compensação com a CSLL estimada de dezembro de 1998, restando, portanto, R$ 59.087,78 (cinquenta e nove mil, oitenta e sete reais, setenta e oito centavos) para compensação em períodos posteriores. Vide, a propósito, a planilha de fl. 04 e o trecho da DIPJ 1999 de fls. 142/153, constantes do Anexo I, bem como os demonstrativos de compensação de fls. 223/224 e 226/227 e o próprio acórdão recorrido (Tabela 04, os quais comprovam que o saldo negativo de 1997, remanescente não foi utilizado para compensação com as estimativas mensais de CSLL de 1999 e 2000). Do Saldo Negativo de CSLL no anocalendário de 2000 Finalmente, passo a analisar o saldo negativo de CSLL anocalendário de 2000. Nesse período a Recorrente apurou crédito de saldo negativo CSLL no montante de R$ 183.201,31 (cento e oitenta e três mil, duzentos e um reais e trinta e um centavos), originado por recolhimentos de estimativa CSLL, CSLL retida na fonte e compensações com saldo negativo de períodos anteriores. No entanto, a DRJ de Belém reconheceu o direito crédito de R$ 141.306,03 (cento e quarenta e um mil, trezentos e seis reais e três centavos). A diferença entre o apurado pela Recorrente e o reconhecido pela DRJ é explicada principalmente pelo fato do acórdão recorrido ter homologado as compensações das estimativas da CSLL do anocalendário de 2000, apenas com o limite do saldo negativo existente para o anocalendário de 1999. Vide, a propósito, o trecho do acórdão que trata do assunto (fls. 306/307): “Os pagamentos de estimativa CSLL estão ratificados pelas telas do SINAL (fls. 158/159). No anocalendário de 2000 foram localizados (fls. 177/188) diversas retenções sob os códigos 6147 e 6150 (retenção de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS por órgãos públicos). Com relação a esses códigos, a retenção era disciplinada pela IN SRF/STN/SFC nº 003/1998. O Anexo I estabelece a retenção de 1% como CSLL sobre o valor pago. Portanto, aplicando esse percentual temos CSLL retida na fonte por órgãos públicos no total de R$ 1.823,23. Considerando que conforme Fl. 333DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 334 11 Tabela 11 o contribuinte se utilizou de CSLL retida órgãos públicos estão ratificadas. No que se refere às compensações das estimativas CSLL referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2000 com saldo negativo de períodos anteriores, tais compensações constam das DCTF`s (fls. 59/77 – Anexo II). Notese que em todas as compensações realizadas o crédito é de saldo negativo CSLL anocalendário 1999. Considerando que foi reconhecido direito creditório de saldo negativo CSLL ano calendário de 1999 de R$ 123.760,67, este crédito será utilizado nas compensações. O demonstrativo de compensação (fls. 226/228) revela que o crédito reconhecido é insuficiente para compensar todas as estimativas de CSLL compensadas sem processo. As seguintes estimativas compensadas sem processo não foram homologadas: CSLL, out/2000, R$ 8.205,98; CSLL, Nov/2000, R$ 16.690,89; CSLL, dez/2000, R$ 16.998,41.” (grifouse) Verificase, então, que o motivo do não reconhecimento integral do direito creditório foi ausência de compensação das estimativas mensais da CSLL, de 2000, em razão da utilização exclusiva do limite do saldo negativo do anocalendário de 1999, de R$ 123.760,67, que a DRJ entendeu ser o existente em tal período. Entretanto, entendo que aludidas estimativas mensais podem ser homologadas com os créditos do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1996 (R$ 34.260,54), ora reconhecido e, também, com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997, reconhecido pela decisão recorrida mas não integralmente utilizado (R$ 59.087,78), resultando em um total de crédito de R$ 93.348,92. O fato das DCTFs de fls. 59/77 (Anexo II) mencionarem que a data da apuração do saldo negativo da CSLL utilizado para compensação das estimativas mensais da CSLL do período (janeiro a dezembro de 2000), foi 31/12/1999, não veda a possibilidade de utilização dos saldos negativos de anos anteriores (1996 e 1997), mesmo porque na parte de discriminação do tipo do crédito está clara a seguinte informação: “Saldo Negativo per. Anteriores – Próprio”. Na verdade, a discriminação contida em referidas DCTFs deixa muito evidente que a intenção do contribuinte foi a compensação das estimativas mensais da CSLL com o crédito de saldo negativo da CSLL de anos anteriores existentes até 31/12/1999. Importante esclarecer que a presente decisão não está avalizando o procedimento da Recorrente mencionado na decisão recorrida, qual seja, “ao saldo credor de determinado período é adicionado o saldo acumulado até o final do anocalendário anterior” (fl. 288). Fl. 334DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.906745/200985 Acórdão n.º 180201.176 S1TE02 Fl. 335 12 Muito pelo contrário, o que este acórdão reconhece é a existência de saldo negativo de anos anteriores e a possibilidade de sua utilização para compensação de débitos de períodos posteriores, observado o prazo legal do exercício desse direito (5 anos). Os saldos negativos de CSLL dos anoscalendários de 1996 e 1997, foram utilizados para compensação com débitos de CSLL de 2000. Assim, tendo em vista que os débitos não homologados da CSLL do ano calendário de 2000, no valor total de R$ 41.895,28, é inferior ao saldo negativo dos anos calendários de 1996 (R$ 34.260,54) e 1997 (R$ 59.087,78), no montante total de R$ 93.348,32, inclusive sem contar os acréscimos legais incidentes (taxa SELIC), reconheço integralmente o direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, no valor de 183.201,31 (cento e oitenta e três mil, duzentos e um reais e trinta e um centavos), homologandose as compensações realizadas pela Recorrente, ressalvando apenas o direito da autoridade administrativa competente de certificar se os saldos negativos da CSLL mencionados no início deste parágrafo não foram utilizados em outras compensações. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de homologação tácita das compensações efetuadas e, no mérito, DAR provimento ao Recurso Voluntário, reformandose a r. decisão combatida. Marco Antonio N. Castilho (documento assinado digitalmente) Fl. 335DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000733/2003-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de Apuração: 01/02/1998 a 31/12/2002 Ementa: CREDITO PRÊMIO DE IPI-VIGÊNCIA. Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal no RE 576626, sob o regime da repercussão geral, o incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do Decreto-Lei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990.
Numero da decisão: 3403-001.688
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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SUZANO DE PAPEL E CELULOSE) Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de Apuração: 01/02/1998 a 31/12/2002 Ementa: CREDITO PRÊMIO DE IPIVIGÊNCIA. Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal no RE 576626, sob o regime da repercussão geral, o incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim, Raquel Motta Brandao Minatel, Adriana Oliveira e Ribeiro, Domingos De Sá Filho, Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 2 Relatório Tratase de pedido de Ressarcimento de Créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fls. 1/11, apresentado em 31 de janeiro de 2003, formulado por SUZANO PAPEL E CELULOSE – Incorporadora da CIA SUZANO de PAPEL E CELULOSE, relativos à créditoprêmio, oriundos das exportações realizadas no interregno entre os anos de 1998 e 2002, no valor de R$ 4.965.219,61, conforme planilhas de fls. 83/85. O pedido de ressarcimento foi analisado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (BA), que expediu em 30 de junho de 2010 o Despacho Decisório n.º 0673/2010 – DRF/SDR (fls. 347/354), que indeferiu o requerimento, elucidando, em suma, que não há respaldo legislativo para provimento do pleito. Notificada do conteúdo do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 356/364), em que buscou a reconsideração da decisão. Em que pese a argumentação da contribuinte, a Manifestação de Inconformidade, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente, conforme se constata no Acórdão n.º 1525.370, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), de fls. 375/377. A referida turma adotou como fundamentação a mesma argumentação trazida pelo Despacho Decisório, com exatidão, acrescendo apenas que “os atos normativos da Receita Federal devem ser observados por esta primeira instância administrativa de julgamento”, como disciplinado pelo artigo 7º, da Portaria MF n.º 58 de 17 de março de 2006. Cientificada do referido Acórdão em 16/02/2011, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 10/03/2011 (fls. 379/387), no qual manifestou sua irresignação com o teor da decisão proferida em primeira instância. Em suas razões de recurso voluntário a Recorrente repisou com exatidão as argumentações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 356/364). Em seus pleitos finais requereu a reforma integral do acórdão de primeira instância, para que assim, fosse reconhecido o direito ao aproveitamento do CréditoPrêmio de IPI, e reconhecida, ainda, a correção monetária pela taxa SELIC. Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora. Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Mérito Fl. 434DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 11831.000733/200339 Acórdão n.º 340301.688 S3C4T3 Fl. 2 3 A matéria em questão não comporta mais discussão na esfera administrativa, posto que já foi julgada definitivamente pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, RE 576626, em 27/09/2011, sob o regime da repercussão geral, previsto no artigo 543B do Código de Processo Civil, sendo que ementa do julgado se transcreve: EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II – Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III – O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV Recurso conhecido e desprovido. Assim, como o período pleiteado se refere ao período de 1998 a 2002, nego provimento ao Recurso Voluntário. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 435DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720051/2009-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE.
A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta.
ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS
Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF.
PRODUTOS IMPORTADOS
Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido.
Numero da decisão: 3803-003.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF. PRODUTOS IMPORTADOS Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
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ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF. PRODUTOS IMPORTADOS Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 51 /2 00 9- 09 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de compensação de crédito presumido de IPI relativo ao 2º trimestre/2003 para ressarcimento do PIS e da COFINS, nos termos da Lei n° 9.363/1996 e Lei n° 10.637/2002, por meio de DCOMP transmitida em 18.11.2004, conforme se evidencia das fls. 01/24, com a finalidade de quitar débito de IRPJ referente ao período de outubro/2004, pertencente a filial de CNPJ n.º 17.177.999/000222. A empresa possui como objeto social a exploração, beneficiamento, comercialização de minério de ferro, zinco e outros minerais. À fl. 158 foi exarado Despacho Decisório pela Delegacia de Sete Lagoas, por meio do qual o pedido de compensação foi deferido parcialmente no valor de R$ 87.751,91, com fundamento no Demonstrativo do Crédito Presumido do IPI à fl. 141 e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 142/151, no qual a repartição de origem se manifestou pela glosa parcial do crédito do IPI correspondente ao 2° trimestre de 2003. Depois às fls. 161/189 a Recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade contra a glosa dos créditos e apresentou defesa em relação aos seguintes pontos: a) discorreu a respeito do equívoco da Fazenda no que se refere a negativa do direito aos créditos presumidos em razão dos produtos estarem fora do campo de incidência do IPI, por se tratar simplesmente de NT; b) reclamou que os custos com energia elétrica e combustíveis geram créditos presumidos de IPI; e por fim contestou as conclusões de que os produtos importados não se enquadram no conceito de insumo e ainda requereu perícia. Todavia, importante mencionar, que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte nada reclamou a respeito das glosas que recaíram sobre os valores a aquisição de cimento. A DRF compreendeu que as aquisições de cimento efetuadas no mercado interno, não se enquadram no conceito de insumo, mas configuram material de reposição ou de partes do ativo imobilizado, com fundamento no Parecer Normativo CTS n.º 65/1979 e no art. 164, inciso I do Regulamento do IPI. Sobreveio a Decisão da DRJ às fls. 336/353, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI . PRODUTO NT As saídas de produtos classificados na TIPI com a notação NT não estão abrangidas no campo de incidência do imposto, não podendo ser consideradas no cálculo do crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996. 2. CUSTO DE PRODUÇÃO As aquisições de energia elétrica, combustíveis, cimento não integram a base de cálculo do crédito presumido, uma vez que Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 13609.720051/200909 Acórdão n.º 3803003.706 S3TE03 Fl. 254 3 não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário, a teor do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º, parágrafo único, da Lei 9.363/96, em consonância com o art. 164, inciso I, do RIPI/2002 e o Parecer Normativo CST 65/79. As aquisições de insumos importados também não integram a base de cálculo do crédito presumido por determinação expressa do art. 1º da Lei 9.363/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Tornase definitiva a exclusão de produto da base de cálculo do IPI efetuada pelo Fisco que não tenha sido expressamente contestada pela interessada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Não cabe à esfera administrativa questionar ou negar aplicação às normas e determinações da legislação tributária que se encontram revestidas validade e eficácia. Sendo assim, as argüições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária válida e eficaz não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão acima indeferiu integralmente o pleito, indeferiu a preliminar de nulidade e depois compreendeu que as saídas de produtos NT não geram direito a crédito, com fulcro no art. 17 da Instrução Normativa da SRF n.º 419/2004. Manifestou ainda entendimento de que não são insumos os custos incorridos com o consumo de energia elétrica e combustível, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/1979 e do art. 164, inciso I, do RIPI/2002, além do fato de a empresa ter adotado a sistemática de apuração do crédito presumido a partir do que reza a Lei nº 9.363/96 e não o regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001. E por fim, negou ainda o direito aos créditos em relação aos produtos importados, sob o argumento de que o art. 1º da Lei n.º 9.363/96, apregoa que somente dará direito a crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e COFINS, quando incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a partir do seguintes argumentos: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 a) pleiteia nulidade da decisão de primeiro grau em razão do cerceamento de defesa, por não ter acolhido o pedido de diligência, pois segundo seu entendimento a realização de perícia seria necessária para comprovar que os produtos fabricados se submetem ao processo produtivo, bem como que são tributáveis pelo IPI; b) discorda que não teria atacado a glosa do crédito presumido referente as aquisições de cimento, na medida em que na Manifestação de Inconformidade requereu a nulidade do Despacho Decisório e neste sentido se insurgiu contra “todas” as conclusões do Fisco, inclusive em relação ao equívoco de excluir as aquisições de cimento da base de cálculo do crédito presumido; c) nulidade da decisão da DRJ em virtude da sua fundamentação legal equivocada, pois se baseou na IN n.º 419/2004, quando a apuração dos créditos ocorreu em período anterior. Assim, não pode o fisco indeferir o crédito presumido utilizando legislação posterior ao período de apuração; d) a glosa do crédito presumido foi indevida, pois a empresa realizada a industrialização dos produtos e estes são tributáveis, mas não estão sendo tributados “NT”, por liberalidade da Fazenda Nacional, logo não se tratam de produtos fora do campo da incidência do IPI; e) que não foi apresentado o fundamento legal para indeferir a inclusão da base de cálculo do crédito presumido do IPI das aquisições de produtos importados; f) a empresa possui o direito aos créditos presumidos por força da imunidade do art. 149, § 2º, inciso I da Constituição Federal, o qual determina que não incidirão as contribuições sobre as receitas decorrentes de exportação. g) Além do que, a Lei n.º 9.363/96 não fez qualquer menção de que as receias de exportação se refiram unicamente a produtos tributados pelo IPI, razão pela qual é ilegal o § 1º do art. 17 da IN n.º 419/2004, por ter restringido à Lei. h) o inciso III do art. 1º da Lei n.º 10.833/2003 considera que a energia é insumo de produção e por isso gera crédito em relação à sua aquisição. Além do que o inciso I do art. 1º da Lei n.º 10.276/2001 confere o direito aos créditos tanto para as aquisições de energia como também combustíveis utilizados no processo produtivo; Assim, uma vez apontados todos os argumentos de defesa o Recorrente pleiteia a nulidade da decisão de primeiro grau para que seja realizada perícia com o propósito Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 13609.720051/200909 Acórdão n.º 3803003.706 S3TE03 Fl. 255 5 de que seja comprovado que os produtos fabricados se submetem ao processo produtivo e que se sujeitam à tributação do IPI; Este é o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani Inicialmente é preciso dizer que se trata de Recurso Voluntário tempestivo e por isso merece ser analisado. 1) DAS PRELIMINARES O contribuinte apresenta preliminar de nulidade da decisão prolatada pela DRJ em razão do “suposto” cerceamento de defesa. Alegou que não foi acolhido seu pedido de realização de perícia com a finalidade de demonstrar que os produtos sofrem industrialização e alegou ainda preliminar em relação ao reconhecimento do equívoco da decisão quanto a conclusão de não ter sido impugnada a glosa referente as aquisições de cimento. “Data vênia”, entendimento contrário, a preliminar suscitada em relação ao indeferimento do pedido de perícia não merece prosperar, tendo em vista que a DRJ sustentou adequadamente o motivo pelo qual deixou de acolher tal pleito, pois demonstrou que tal providência é realmente desnecessária para a solução do caso, principalmente por se tratar de produtos não tributados. Assim, pouco importa se ocorre processo de industrialização, quando na realidade a legislação do IPI determina que inexiste a obrigação de recolher o imposto em favor do Erário. Sendo assim, cabe tão somente rejeitar esta preliminar. Quanto a segunda preliminar, ou seja, aquela pertinente ao equívoco da decisão quanto a ausência de reclamação em relação a glosa dos valores de aquisição de cimento, observo que assiste razão do contribuinte, na medida em que compreendo que esta matéria foi controvertida pelo contribuinte, ainda que de maneira genérica, quando solicitou a reforma da decisão da DRJ. Deste modo, acolho esta preliminar para reconhecer a controversa quanto o creditamento das aquisições de cimento, restando a análise no mérito em relação a possibilidade do crédito presumido. 2) DO MÉRITO Em relação ao mérito, analisando as razões de recurso, percebese que o Recorrente formulou três pedidos: a) afastar o art. 17 da IN da SRF n.º 419/2004, que veda a obtenção de crédito presumido do IPI em face das aquisições de produtos não tributados por esse tributo; b) buscar a não aplicação do Parecer Normativo CST n.º 65/1979 e do art. 164, inciso I do RIPI/2002 que impede o creditamento dos valores despendidos com energia elétrica e combustíveis; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI 6 c) ver reconhecido seu direito aos créditos em relação a aquisição de cimento. 2.1) DA IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO Em relação a esta matéria pertinente ao creditamento do IPI relacionado a produtos com alíquota zero, não tributados e isentos, cumpre mencionar que o STF no RE 590.809 – RG/RS, julgado em 13.11.2008, conferiu repercussão geral ao tema. Assim, até dezembro/2012 havia determinação no art. 62A do RICARF para sobrestar o julgamento desta matéria neste colegiado. Entretanto, por força da Portaria n.º 001/2012 do CARF, agora o sobrestamento é aplicável tão somente em relação a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais (RE 574706), razão pela qual cabe o enfrentamento da questão neste tribunal administrativo. Assim, quanto a discussão pertinente as saídas dos produtos fabricados pela reclamante sob a notação “não tributados”, salvo melhor juízo, estes não devem integrar as receitas de exportação e a receita operacional bruta utilizadas no cálculo do crédito presumido do IPI, justamente em razão da inexistência de obrigação tributária em relação a este imposto nas saídas dos produtos beneficiados. O STF por meio do Recurso Extraordinário n.º 592.917 AgR/RJ, julgado em 31.05.2011, manifestou posicionamento no sentido de que inexiste direito a crédito presumido do IPI em relação as aquisições de insumos isentos, sujeito à alíquota zero ou não tributados. A premissa básica que fundamenta a impossibilidade do creditamento decorre do princípio da nãocumulatividade, pois a essência dela sistemática é a de que o direito à compensação nasce quando o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, já que neste caso se pressupõe a ocorrência da dupla incidência tributária, Entretanto, se não foi pago nada na entrada do produto, nada deverá ser compensado. EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. PRODUTO FINAL TRIBUTADO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O artigo 153, § 3º, II, da Constituição dispõe que o IPI “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. 2. O princípio da não cumulatividade é alicerçado especialmente sobre o direito à compensação, o que significa que o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, pressupondo, portanto, dupla incidência tributária. Assim, se nada foi pago na entrada do produto, nada há a ser compensado. 3. O aproveitamento dos créditos do IPI não se caracteriza quando a matériaprima utilizada na fabricação de produtos tributados reste desonerada, sejam os insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Isso porque a compensação com o montante devido na operação subsequente pressupõe, necessariamente, a existência de crédito gerado na operação anterior, o que não ocorre nas hipóteses exoneratórias. 4. A jurisprudência do egrégio STF, à luz de entendimento hodierno retratado por recentes julgados, inclui os Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 13609.720051/200909 Acórdão n.º 3803003.706 S3TE03 Fl. 256 7 insumos isentos no rol de hipóteses exoneratórias que não geram créditos a serem compensados, verbis: “Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. ... Frisese que, como bem esclareceu o voto condutor, 'a nãoexigência do IPI se dá sempre que essa é adquirida sob os regimes, indistintamente, de isenção (exclusão do imposto incidente), alíquota zero (redução da alíquota ao fator zero) ou de não incidência (produto não compreendido na esfera material de incidência do tributo)” ( RE 370.682 – ED, relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 17.11.10). “TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 – AgR, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 30.04.10). 5. Agravo regimental a que se nega provimento. 2.2) DA INEXISTÊNCIA DOS CRÉDITO EM RELAÇÃO AS AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS Quanto ao pedido de credito relacionado as aquisições de energia elétrica, o contribuinte afirma que o inciso III do art. 1º da Lei n.º 10.833/2003 considera que a energia é insumo de produção e por isso gera crédito em relação à sua aquisição. Já o inciso I do art. 1º da Lei n.º 10.276/2001 confere o direito aos créditos tanto para as aquisições de energia como também combustíveis utilizados no processo produtivo. Estes dispositivos apresentam a seguinte redação. Lei n.º 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (grifo) A Lei n.º 10.276/2001 em seu art. 1º confere direito a crédito em relação as aquisições de insumos, bem como energia elétrica e combustíveis utilizados no processo produtivo. Lei n.º 10.276/2001: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI 8 valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (grifo) Refletindo a respeito do processo produtivo da empresa, ainda que seja considerando que a mesma possui como objeto social a extração, beneficiamento, comercialização de minério de ferro, zinco e outros minerais, por certo que o combustível e a energia elétrica realmente não são indispensáveis para a obtenção do produto final, qual seja, o minério beneficiado, ainda que ajudem a integrar o custo do produto final. Além do que, é preciso observa que a jurisprudência aponta no sentido de que a energia elétrica e o combustível não se enquadram no conceito de insumo à Luz da Lei n.º 9363/96, ainda que reste demonstrado tratarse de despesas relacionada ao processo produtivo, razão pela qual não que se falar em reconhecimento de crédito no caso de energia elétrica e combustíveis. Além do que, cumpre cita a vedação da Súmula n.º 19 do CARF. Citase no STJ o AgRg no REsp 913.433 / ES, julgado em 04/06/2009, cujo Relator foi o Ministro: Humberto Martins: AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL – TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS – ART 1º DA LEI N.9.363/96 – RESTRIÇÃO PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 23/97 –ILEGALIDADE. É pacífico no STJ que a IN/SRF 23/1997, por se tratar de norma hierarquicamente inferior, extrapolou os limites do art. 1º, da Lei n. 9.363/1996 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS.Agravo regimental da FAZENDA NACIONAL improvido.AGRAVO REGIMENTAL DO CONTRIBUINTE – PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA – TRIBUTÁRIO – ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS – INSUMOS PARA EFEITO DE CREDITAMENTO – IMPOSSIBILIDADE.1. A aquisição e utilização de energia elétrica e combustíveis no processo produtivo não se caracteriza como insumo para fins de creditamento do IPI, porquanto não se incorporam no processo de transformação do qual resulta a mercadoria industrializada. 2. Precedentes: REsp 797.926/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 8.10.2007; AgRg no REsp 971.147/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19.12.2008; AgRg no REsp 675.613/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 13609.720051/200909 Acórdão n.º 3803003.706 S3TE03 Fl. 257 9 Turma, DJe 5.11.2008; AgRg no REsp 1025758/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 23.10.2008.Agravo regimental do CONTRIBUINTE improvido. (grifo) Assim, ainda que a Lei n.º 10.276/2001 apregoe que geram direito de crédito presumido do IPI as aquisições de energia elétrica e combustíveis, prevalece a orientação de que não estas despensas não compõe o conceito de insumo. Além do que, é importante lembrar que a partir do Demonstrativo de Crédito Presumido anexo às fls. 123/128 o contribuinte de fato optou pelo ressarcimento a partir da regra disposta na Lei n.º 9.363/96 e não da Lei nº 10.276/2001. 2.3) DAS AQUISIÇÕES DE CIMENTO E PRODUTOS IMPORTADOS Uma vez superada a preliminar que visava demonstrar que o contribuinte havia controvertido a discussão relacionada as aquisições de cimento e que este insumo deve integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI, agora resta analisar se este produto integra o conceito de insumo. No Termo de Verificação Fiscal, mais precisamente à fls. 201 dos autos, a repartição de origem conclui que as notas fiscais acostadas às fls. 173/175 referentes a aquisição de cimento, não geram direito a crédito presumido por se referir a material de reposição ou partes do ativo imobilizado. Com o objetivo de demonstrar o seu processo produtivo, a Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, mais precisamente às fls. 225/232, discorre detalhadamente a respeito das reações químicas e produtos resultantes. Entretanto, em momento algum faz referencia a respeito da utilização do cimento no processo produtivo, seja em sua Manifestação de Inconformidade, seja no Recurso Voluntário, razão pela qual deixo de reconhecer o direito de crédito presumido às aquisições referente a este produto, conforme dispõe a Lei n.º 9.363/96. Por fim, em relação aos produtos importados também não há que se falar em direito a crédito premido do IPI, por força da vedação do art. 1º da Lei n.º 9.363/96, já que este dispositivo prevê que são passíveis de creditamento somente as aquisições de insumos adquiridos no mercado interno e desde que utilizados no processo produtivo. Ante o exposto, conheço do recurso, mas nego provimento. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI 10 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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