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Numero do processo: 16327.001763/2004-67
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
PIS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ATIVIDADE EXERCIDA PELO CONTRIBUINTE.
Nas hipóteses de tributos submetidos à modalidade de lançamento por homologação, em que é exercida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação, o Fisco dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologá-lo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex vi do disposto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN). A ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento.
COMPENSAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º, CTN.
Por outro lado, ainda que se exija pagamento para incidência do artigo 150, § 4º, do CTN, e partindo-se do pressuposto de que houve compensação, com os mesmos efeitos extintivos do pagamento do tributo - ainda que não comprovada a sua suficiência e que não formalmente homologada - é imperioso admitir que a contagem do prazo decadencial deve se pautar pelo preceituado no artigo 150, §4º, do CTN, é dizer, tem o seu termo a quo na data da ocorrência do fato gerador.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-000.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando (Relatora), Henrique Pinheiro Torres e Rodrigo da Costa Pôssas, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Declararam-se impedidas de votar as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto de Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI - Relator
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ATIVIDADE EXERCIDA PELO CONTRIBUINTE. Nas hipóteses de tributos submetidos à modalidade de lançamento por homologação, em que é exercida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação, o Fisco dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologálo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex vi do disposto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN). A ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento. COMPENSAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º, CTN. Por outro lado, ainda que se exija pagamento para incidência do artigo 150, § 4º, do CTN, e partindose do pressuposto de que houve compensação, com os mesmos efeitos extintivos do pagamento do tributo ainda que não comprovada a sua suficiência e que não formalmente homologada é imperioso admitir que a contagem do prazo decadencial deve se pautar pelo preceituado no artigo 150, §4º, do CTN, é dizer, tem o seu termo a quo na data da ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 63 /2 00 4- 67 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303000.893 CSRFT3 Fl. 839 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando (Relatora), Henrique Pinheiro Torres e Rodrigo da Costa Pôssas, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Declararamse impedidas de votar as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Antonio Carlos Atulim Redator “ad hoc” Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto de Freitas Barreto (Presidente). Relatório A recorrente foi fiscalizada e, em 13 de dezembro de 2004, teve lançado contra si auto de infração relativo à falta de pagamento de PIS dos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 2000, para prevenir a decadência. Tal fato deveuse à existência de medida liminar concedida para compensar o PIS dos anos calendários 1999 e 2000. (mandato de segurança preventivo nº 97.00621359, distribuído originalmente à 20ª Vara Cível, liminar concedida em 27 de dezembro de 1997). O julgamento realizado na antiga Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes expressamente reconheceu que o lançamento não poderia ser realizado com base no art.. 45 da lei nº 8.212, de 1991, mas entendeu cabível a aplicação do prazo previsto no art. 173, I do CTN, vez que não houve pagamento (por força da liminar em vigor) e o prazo, assim, deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que teria ocorrido o fato gerador. Irresignado o contribuinte interpôs recurso especial de divergência apresentando acórdãos que deram a mesmo fato interpretação diferente. Os acórdãos foram analisados e reconhecidos como aptos a abrigar o pedido do contribuinte. É o relatório. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303000.893 CSRFT3 Fl. 840 3 Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Atulim, redator "ad hoc". Por intermédio do Despacho de fl. 836, nos termos da disposição do art. 17, III, do RICARF1, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado a formalizar o voto vencido no Acórdão 9303000.893, cuja minuta foi entregue pela relatora originária, Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. A designação se deve ao fato da aposentadoria da relatora originária ter sido publicada antes da formalização e assinatura deste acórdão. A minuta do voto vencido foi entregue à Secretaria da Câmara pela relatora original, Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, a qual foi adotada no relatório e será reproduzida neste voto vencido, in verbis: "Aprecio o recurso especial de divergência do contribuinte, em boa forma. Conforme relatado, estamos diante de entendimentos divergentes quanto ao prazo para lançar PIS, e secundando essa matéria, a questão da validade da compensação para efeito de deslocar o prazo de decadência do art. 150, § 4º, do CTN, para o 173 do mesmo Código. Por um lado, conforme demonstrado na divergência, há jurisprudência que admite ser de cinco anos contados do fato gerador o prazo para lançar qualquer tributo, independentemente de ter ou não ter havido pagamento. De outro, a posição de que, se não houver pagamento, o prazo para lançar é de cinco anos contados a partir do exercício seguinte ao do fato gerador. Não foi apresentada divergência quanto à segunda questão, isto é a validade ou não de ter a compensação como pagamento. Entretanto, julgome impelida a apreciála como suporte das construções intelectuais que devo fazer para sustentar minha posição. Filiome à corrente dos que entendem que não havendo pagamento o prazo é o do art. 173, inciso I do CTN. E mais, entendo, com absoluta convicção que o pagamento feito a menor – quaisquer dez reais, como costumamos dizer entre nós, a guisa de caricaturar o fato, implica também a aplicação do art. 173, por dolo. Voltarei ao final a essa convicção. Para não me estender sobre matéria recorrente e bastante discutida neste colegiado, adoto o voto proferido neste mesmo processo, fazendo a ressalva de que a matéria admitida foi apenas relativa ao prazo para contar a decadência. Aqui transcrevo e lerei em plenário o mencionado voto, que consta às fls. 623 a 629 deste processo. Os grifos são meus. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 840DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303000.893 CSRFT3 Fl. 841 4 VOTO DO CONSELHEIRORELATOR JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Estando revestido de todas as formalidades legais, tomo conhecimento do recurso interposto. De se registrar, inicialmente, que não está em discussão a apuração do crédito tributário lançado. Com efeito, tais valores foram extraídos diretamente da contabilidade da autuada e foram por ela mesma reconhecidos em suas DCTF entregues. Igualmente incontroverso, administrativamente, é o direito de crédito que lastreia a compensação promovida. Submetida a questão ao Poder Judiciário, ali será definida, cabendo tão somente à administração dar cumprimento àquela decisão. Por isso mesmo, o crédito foi constituído com exigibilidade suspensa em respeito à decisão judicial não definitiva que assegurou o direito à compensação praticada pela empresa. Por fim, também não remanescem dúvidas de que a autuada não realizou qualquer recolhimento em DARF da exação combalida nos meses objeto da autuação, isto é, de janeiro de 1999 a dezembro de 2000. Assim demarcada, a lide se restringe a dois pontos: 1. ocorrência de decadência quanto aos períodos de apuração de janeiro de 1999 a novembro do mesmo ano, uma vez que a autuação foi notificada ao sujeito passivo em 13 de dezembro de 2004; e 2. aplicabilidade da cobrança de juros, e se aplicáveis, sua vinculação à taxa Selic, considerada inconstitucional e ilegítima pela autuada. Inicialmente, tratemos da alegada decadência. A matéria não carece de muitas delongas, uma vez estar suficientemente pacificada no âmbito do Conselho de Contribuintes a inaplicabilidade do art. 45 da Lei nº 8.2121/91 à exação em lide, o PIS. Tem entendido reiteradamente a Câmara Superior de Recursos Fiscais desta Casa que aquele dispositivo legal apenas alcança as contribuições previstas no art. 195 da Constituição e expressamente mencionadas na própria Lei nº 8.212, entre as quais não figuraria o PIS. Tratase, portanto, de matéria superada e à qual não cabe retornar, embora seja conveniente mais uma vez deixar registrada a minha posição pessoal contrária àquele entendimento, com maior força em virtude do Decreto nº 4.524/2002, que expressamente inclui a contribuição em tela entre as disciplinadas pelo art. 45 da Lei nº 8.212/91. Tal ato administrativo é, como sabido de todos, vinculante, tanto da administração como dos administrados, e não poderia, em meu entender, ser ignorado na apreciação da matéria, tanto mais quando se cuida inegavelmente de interpretar o texto legal, não Fl. 841DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303000.893 CSRFT3 Fl. 842 5 tendo o decreto extrapolado a função que lhe é atribuída pelo próprio CTN. Assim, em respeito ao princípio da economia processual, e tendo a matéria posição definida na CSRF, a qual não foi modificada nem mesmo com a mudança recentemente operada na composição daquele órgão, tenho votado, e aqui o faço mais uma vez, em conformidade com aquele entendimento, evitando que seja ela submetida, novamente de forma infrutífera, àquele colegiado. Afastada assim a aplicação da Lei nº 8.212, resta, no entanto, averiguar a norma aplicável. É que entendo que o artigo 150 do CTN, que cuida do lançamento por homologação e define o prazo de cinco anos contados do fato gerador da obrigação, somente tem aplicação quando o contribuinte cumpre os procedimentos previstos no caput, isto é, determina a matéria tributável, apura o montante a recolher e o recolhe. É este conjunto de procedimentos que confere à União, sujeito ativo da exação, a obrigação de se pronunciar sobre ele. Não havendo tais procedimentos, ou os havendo de forma incompleta pela ausência de recolhimento, não é de homologação que se cuida, mas sim de mero lançamento de ofício por descumprimento legal por parte do obrigado. E neste caso, o prazo a ser obedecido pela administração tributária é o que estabelece o art. 173, I do CTN, isto é, ainda de cinco anos, mas já agora contados estes do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. No caso em concreto, já se disse, ausentes quaisquer recolhimentos face ao apelo à instância judicial. Optou a empresa, portanto, em deixar de recolher a contribuição, amparada por decisão, ainda não definitiva, oriunda daquele Poder. Assim procedendo, descumpriu o comando do art. 150 do CTN, sujeitandose às conseqüências daí advindas. Por este motivo, entendo que o prazo decadencial aplicável aos fatos geradores controversos, isto é, janeiro de 1999 a novembro do mesmo ano, começa a contar em 1º de janeiro de 2000, encerrandose, destarte, em 31 de dezembro de 2005. Desse modo, nenhum dos períodos incluídos no auto de infração encontrase fulminado pela decadência como pretendido pela empresa. Logo, nesse ponto, nego provimento ao recurso para considerar não decaídos os créditos objeto do lançamento perpretado. Quanto à pretensão da empresa de que não sejam exigidos juros de mora no lançamento, entendoa incabível. Como bem anotado na decisão recorrida, o próprio CTN, em seu art. 161, determina a exigência dos mesmos sempre que ausente o recolhimento do tributo no prazo de vencimento. Dúvida não me cabe ser esta a situação da autuada. Infrutífero, em meu entender, o argumento de que não teria aplicação o prazo de recolhimento à situação concreta por força da expedição da medida liminar que amparou a compensação. Isto porque tal compensação, embora também opere a extinção Fl. 842DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303000.893 CSRFT3 Fl. 843 6 do crédito tributário sob condição resolutiva de sua posterior homologação, não equivale a recolhimento. Essa não equivalência decorre exatamente da natureza da compensação, em cujo caso não se encontram disponíveis para o sujeito ativo os recursos alcançados pela exação. Ainda mais, sendo tal compensação ainda não definitiva, se for negado ao sujeito passivo, em decisão definitiva, aquele direito, terá transcorrido um período, normalmente grande, em que nenhum centavo ingressou nos cofres do sujeito ativo. Nesse contexto, como partilhar a tese da autuada de que não se encontra em mora? Devidos os juros de mora, são eles calculados pela taxa Selic por expressa disposição legal, claramente indicada no auto de infração. Sendo vinculada e obrigatória a atividade de lançamento, nenhuma crítica merece a autoridade fiscal ao fazê los incidir no lançamento efetuado. Do mesmo modo, correta a decisão de primeira instância que não adentrou a discussão da constitucionalidade ou não da lei que determina a aplicação da Selic. Pacífico no âmbito administrativo que o enfrentamento desse tipo de questionamento apenas cabe ao Poder Judiciário, responsável constitucional pela garantia de constitucionalidade dos atos legais aprovados pelo Poder Legislativo, os quais presumemse legítimos e válidos até que aquele Poder diferentemente os declare. Assim, inteiramente descabida a tese da recorrente de que caberia o exame da matéria no âmbito do Conselho de Contribuintes. Não há porque alongarse, na medida em que se trata hoje de norma regimental (art. 22A) do regimento interno dos Conselhos de Contribuintes, valendo apenas o registro de que a decisão juntada nos autos pela recorrente, reconhecendo a competência da Casa para aquela apreciação, data de 2001, anterior, portanto, à Portaria Ministerial (nº 103, de 23 de abril de 2002), que introduziu o citado art. 22A no regimento dos Conselhos. Por todo o exposto, voto por não reconhecer a decadência dos créditos tributários lançados, inclusive no período pleiteado pelo recorrente – janeiro a novembro de 1999 – e pela aplicação dos juros de mora, calculados estes segundo a variação da taxa Selic por expressa disposição legal; conseqüentemente, por negar provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2005. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Por todo exposto, relembrando aos destinatários deste voto que a questão versa sobre decadência, afastado o art. 45 da Lei nº 8.212, e restando apenas determinar o Fl. 843DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303000.893 CSRFT3 Fl. 844 7 início do prazo para contagem do prazo decadencial, no caso de não ter havido pagamento, tomo a norma contida no art. 173 do CTN como a aplicável no presente caso. Apenas para complementar o arrazoado, não basta dizer – não houve pagamento entendo que compensação é forma de extinção do crédito tributário, como o pagamento o é, diferenciandose deste por razões que passo a discorrer, mas compensação não é pagamento. É indiscutível que pagamento não houve – houve compensação, acobertada por medida judicial não definitiva. É sabido que o lançamento é ato privativo da autoridade tributária. Disso decorre que o artigo que fala de homologação só pode estar referido à homologação do pagamento posto que o que o contribuinte faz, a luz de sua interpretação da legislação tributária, e das regras contábeis, são contas que se assemelham ao lançamento em tudo, salvo na competência para lançar, que é a essência do lançamento tributário. Por outro lado, a autorização legal para permitir a homologação, como espécie de pagamento tributário, é vinculada, vale dizer, não depende da vontade das partes. Depende da lei. Vemos que no próprio CTN, o art. 170 e 170 A, que o legislador preveniu a compensação quando não houver direito líquido e certo e ainda, a forma legal prescrita para compensar. A medida judicial é sempre norma interpartes. Melhor dizendo, é uma norma específica para o caso que está sub julgamento. Ora, quando a lei fala em possibilidade de compensação é natural e devido que o faça pensando em aplicação geral e não particular – todos sabemos que os princípios constitucionais não permitem tratamento diferenciado para os que estão em situações iguais. Por mais um lado, o pagamento há de ser feito de forma definitiva. Sabemos que medida liminar é autorização precária, podendo ser modificada quando da apreciação do mérito. Assim, não há a liquidez e certeza necessária à compensação – aquela prescrita na lei de regência. Por todo exposto, é meu entendimento que o pagamento referido no art 156 do CTN é pagamento em dinheiro, a compensação é aquela prevista em lei e materializada na forma legal prevista pela autoridade competente, diferentemente do que está neste processo. Acrescento que as compensações outras, autorizadas por leis mais recentes, claramente prevêem a responsabilidade do contribuinte por seus atos , deixando claro que não extinguem o crédito tributário, até que homologadas pela autoridade tributária. Pelo exposto, nego provimento ao recurso do contribuinte para acolher a norma contida no art. 173, I. do CTN como o dia a partir do qual devese contar o prazo quinquenal para exercer o direito de lançar o tributo não pago por ocasião do fato gerador." Antonio Carlos Atulim Redator "ad hoc" Fl. 844DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303000.893 CSRFT3 Fl. 845 8 Voto Vencedor Preliminarmente ressalto que o conselheiro designado para redigir o voto vencedor renunciou ao cargo, fato que inviabiliza sua assinatura no eprocesso. Assim sendo, fui designado para redigir o voto vencedor. Contudo, o exconselheiro foi diligente e deixou a minuta pronta, apenas não poderá assinar eletronicamente, pois lhe falta o certificado digital. Após esse breve intróito, reproduzo o voto deixado pelo exconselheiro, verbis: Em que pesem os fundamentos expendidos no voto proferido pela Ilustre Conselheira relatora, entendo, data máxima vênia, que eles não devem prevalecer. Com efeito, é de se destacar, inicialmente, que a circunstância de ter ou não ocorrido o pagamento é irrelevante para incidência do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN. Tratando se de tributo cujo lançamento é por homologação, referido dispositivo assevera que o prazo de cinco anos contase da ocorrência do fato gerador. Esse entendimento, a propósito, encontra ampla guarida na jurisprudência administrativa, sendo de se destacar, dentre outros, os seguintes precedentes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 1994 DECADÊNCIA Descabe argüir decadência quanto a débitos consignados em documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória informando o crédito (DCTF ou DIPJ). DECADÊNCIAO direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, inclusive para as contribuições sociais (CTN, art. 173, caput, e Súmula Vinculante STF n° 8). Nos tributos .sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial do prazo de decadência é a data de ocorrência do gato gerador. O que define se o lançamento é por declaração ou homologação é a legislação específica do tributo, e não a circunstância de ter ou não havido pagamento. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não é nulo o auto de infração formalizado em obediência à legislação vigente à época da atuação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO. A legislação de regência vigente à época da autuação (art. 90 da MP 2.15835), que impunha o lançamento de oficio do crédito tributário quando não homologada a compensação pretendida pelo sujeito passivo, sofreu alterações a partir da MP 135. Em função dessas alterações, para as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, deve ser formalizado Fl. 845DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303000.893 CSRFT3 Fl. 846 9 lançamento exclusivamente para aplicação da multa de oficio, restrita aos casos de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n 9 4.502, de 30 de novembro de 1964. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Se a compensação, cuja não homologação deu azo à exigência litigada, foi feita ao abrigo de provimento judicial que permitiu ao contribuinte realizála, o débito somente poderá ser exigido, acrescido de multa de mora e dos juros de mora, se a decisão na ação ordinária for revertida em favor da União, e após o trânsito em julgado. JUROS À TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). (Processo nº 16327.003334/200262, Recurso nº 157.406, Acórdão nº 10100.140, 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Relatora Conselheira Sandra Faroni) (grifos e destaques nossos) Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2000 Ementa: DECADÊNCIA PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DECADÊNCIA — IRPJ — O imposto de renda pessoa jurídica se submete à modalidade de lançamento por homologação, eis que é exercida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quentura devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação. Assim, o fisco dispõe de prazo de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador para homologálo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex vi do disposto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN). A ausência De recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento. (Processo nº 10730.005928/200511, Recurso nº 168.077, Acórdão nº 110200.121, 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, Relator Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso) (grifos e destaques nossos) Por outro lado, ainda que se considerasse que há necessidade da ocorrência de pagamento para incidência do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN, fato é que a compensação tributária consiste Fl. 846DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303000.893 CSRFT3 Fl. 847 10 em instituto jurídico que, à luz do artigo 156 do CTN, também extingue o crédito tributário, equiparandose ao pagamento efetivo do tributo. Partindose do pressuposto de que houve extinção do crédito tributário através da compensação – ainda que não comprovada a sua suficiência e que não formalmente homologada – tendo a autoridade fiscal possibilidade de conhecimento da referida extinção, é imperioso se admitir que a contagem do prazo decadencial, in casu, deve se pautar pelo preceituado no artigo 150, § 4º, do CTN, é dizer, tem o seu termo a quo na data da ocorrência do fato gerador. Deveras, segundo consta do Auto de Infração, o fato gerador da contribuição ao PIS compreendeu o período de 31/01/1999 a 31/12/2000, sendo que o contribuinte foi intimado do Auto de Infração no dia 13/12/2004 (fl. 13). Mister se faz, portanto, o reconhecimento da decadência para o período cujos fatos geradores ocorreram entre 31/01/1999 a 31/11/1999, nos termos do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN. Assim, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte para reconhecer a decadência do direito da Fazenda de lançar o crédito tributário quanto ao período de janeiro a novembro de 1999, nos exatos termos do pedido formulado no referido recurso especial. Forte nos argumentos apresentados pelo exconselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, dou provimento ao recurso para fins de declarar a decadência de a Fazenda Publica efetuar o lançamento tributário referente aos períodos compreendidos entre janeiro e novembro de 1999. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 847DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10840.907182/2012-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO.
A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, consoante disposições das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003.
ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Quando a defesa demonstra o entendimento do motivo da não homologação da compensação declarada, já expresso no Despacho Decisório, e a decisão recorrida esclarece que este fundamento fático consiste na verificação dos valores objeto de declaração anteriormente feita pelo próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 3803-006.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. PRELIMINAR. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Válida a decisão que expressa a inexistência do credito utilizado na compensação, fundada na vinculação total do pagamento a débito anteriormente declarado pelo próprio interessado e na distinção entre o regime de incidência tributária previsto pela Lei nº 10.833/2003 e a regra geradora do suposto crédito contida na Lei nº 9.718/98. ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Quando a defesa demonstra o entendimento do motivo da não homologação da compensação declarada, já expresso no Despacho Decisório, e a decisão recorrida esclarece que este fundamento fático consiste na verificação dos valores objeto de declaração anteriormente feita pelo próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, consoante disposições das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 71 82 /2 01 2- 55 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Despacho decisório da DRF/Ribeirão Preto não homologou a compensação declarada pela Contribuinte, por inexistência do crédito da Cofins perante a Fazenda Nacional, tendo consignado o ato administrativo que o DARF localizado estava integralmente utilizado em débito já informado pela Contribuinte. Em manifestação de inconformidade, a Interessada alegou, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de motivação e por cerceamento de seu direito de defesa, pois não houve análise do mérito de seu direito creditório pela autoridade fiscal, e tampouco foramlhe explicitados os fundamentos da não homologação da compensação, sem esclarecimentos quanto à declarada indisponibilidade do DARF. Arguiu a inobservância aos princípios da legalidade, da motivação e da eficiência. No mérito, argumentou que ao calcular o débito da Cofins, incluiu na base de cálculo não só a receita decorrente de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla, tendo, ainda, deixado de excluir da base de cálculo determinadas despesas. Referiu que tais razões, independentemente do entendimento da autoridade administrativa quanto à tese apresentada que pode ser contrário ou não , não foram objeto de análise. Em julgamento da lide, a DRJ/Ribeirão Preto esclareceu como se dá a operacionalidade de uma compensação, feita sob os auspícios exclusivos do contribuinte. Aduziu que o encontro de contas débito e crédito, ambos indicados na DComp é procedido eletronicamente pela verificação da disponibilidade do pagamento que o deve originar, em face de sua anterior e eventual alocação a débito a cuja quitação se destinara. Fixado o esclarecimento como premissa de que o encontro de contas é feito sobre dados informados pelo próprio contribuinte , sustentou não caber o argumento de defesa que alega desconhecimento quanto ao que está exarado no despacho decisório. Assim, afirmou a clareza do ato administrativo, ao referir que o DARF indicado fora localizado, porém integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Referiu que a manifestação de inconformidade embute solicitação de desconstituição de confissão de dívida anterior, sustentando que, nesse contexto, devia ela Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10840.907182/201255 Acórdão n.º 3803006.846 S3TE03 Fl. 86 3 atestar que o direito de crédito aproveitado na compensação tem apoio não só legal como documental. A despeito de a contribuinte mencionar genericamente que seu direito creditório decorreria de “utilização de teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”, e sem se referir a ponto específico da legislação, ela afirmou a seguir que “é legítima a pretensão da Impugnante em verse restituída do que fora pago sobre a base de cálculo indevidamente ampliada”. Constatou que o fundamento real do suposto direito creditório pleiteado referiase ao alargamento da base de cálculo das contribuições promovida pelo parágrafo 1º do art. 3ºda Lei nº 9.718, de 1998, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso e com repercussão geral reconhecida por aquele Tribunal. Afirmou, contudo, que a decisão do STF não é aplicável ao direito creditório em tela, por tratarse, aqui, de pagamento de Cofins não cumulativa (código de receita 5856 – conforme indicado no Despacho Decisório), contribuição esta instituída pela Lei nº 10.833, de 2003. Registrou, ao fim, que o DARF informado na DComp em tela foi também objeto de outras compensações (processos nºs 10840.907181/201219, 10840.907183/201208, 10840.907184/201244, 10840.907185/201299 e 10840.907186/201233), todos apreciados naquela sessão de julgamento). A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 sua denominação ou classificação contábil, consoante disposições das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 30 de agosto de 2013, irresignada, a Interessada apresentou o recurso voluntário em 25 de setembro de 2013, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminar de nulidade A Recorrente argui novamente a falta de motivação e de esclarecimentos, agora da decisão recorrida, quanto ao porquê da indisponibilidade do valor utilizado como crédito na DComp. Não há cabimento para a irresignação da Recorrente. Arrazoa a Recorrente que o Despacho Decisório não apreciou o mérito do seu direito ao crédito, e que não foi esclarecido o motivo da indisponibilidade. Bem assim, deixou de fazêlo a decisão recorrida. Ora, sem o querer, a própria Recorrente aponta para a razão pela qual o mérito não chegou a ser analisado: a indisponibilidade do valor indicado como crédito, que tem origem no DARF apresentado na DComp. A legitimidade (disponibilidade) do crédito utilizado na compensação, uma vez constatada quando do encontro de contas eletrônico, pelo sistema PERDCOMP, é fato bastante para a permanência da extinção do débito procedida unilateralmente por contribuinte. Isso, porque não compõe a prática da Administração Tributária da RFB a homologação expressa da compensação declarada. O mérito da disponibilidade do pagamento referenciado pelo DARF, mesmo se resultante de retificação de DCTF, ocorrida anteriormente à transmissão da DComp, não é questionado pela RFB no mencionado encontro de contas. Simetricamente, na via reversa, a indisponibilidade do valor utilizado na DComp não deve conduzir a Autoridade Administrativa a perquirir, via intimação ao contribuinte, onde e porque o crédito no DARF indicado quando ele se encontra integralmente alocado a débito anteriormente declarado pelo contribuinte. Justificase: a) a DComp é ato exclusivo do contribuinte, pelo qual extingue débito, fundado em crédito perante a RFB, por si próprio apurado, e que, portanto, deve se mostrar disponível tratandose de pagamento indevido ou a maior; Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10840.907182/201255 Acórdão n.º 3803006.846 S3TE03 Fl. 87 5 b) a verificação eletrônica da procedência da compensação, pela RFB, se dá sobre os dados informados pelo próprio contribuinte; c) dadas as premissas acima, nada obsta que a decisão por meio de Despacho Decisório Eletrônico adote motivação tópica, focada tão só na circunstância como se apresenta, no sistema da RFB, o DARF de que se origina o crédito. Em virtude do padrão célere que este ato administrativo pode assumir, a não localização de um DARF, ou a sua insuficiência, total ou parcial, para compensar o débito declarado constituise legitimamente em prejudicial do mérito fundante (remoto ou mediato) do crédito. Um Despacho Decisório eletrônico sempre afirma (esclarece) se o DARF não for localizado, e, se localizado, quanto dele está disponível para a efetivação da compensação. Aí reside a motivação de eventual não homologação do débito constante da DComp. Fazer afirmação sobre uma dessas circunstâncias motivadoras da não homologação cabe dizer , também é mérito, em preliminar. Reitero, noutro dizer, que não deve ser imputado à Fazenda o ônus de buscar esclarecimento acerca de crédito informado pelo contribuinte e não localizado, em processo cujo interesse preponderante é do contribuinte. Este caráter do Despacho Decisório resulta em que o cerceamento do direito à ampla defesa somente pode se configurar a partir da instalação da lide, pela Manifestação de Inconformidade do contribuinte. Quanto à decisão recorrida, ela foi hábil em esclarecer que a Manifestante bem entendera o motivo da não homologação da compensação, já informado no Despacho Decisório, quando expôs: Digase ainda que o Despacho Decisório é muito claro a respeito das razões que levaram à não homologação. Tanto é que em sua defesa a contribuinte afirma que os valores anteriormente declarados em DCTF podem ser eventualmente afetados por situações que lhe gerarão indébito tributário passível de restituição. Olvidouse, contudo, que tratandose a DCTF declaração constitutiva de dívida, indispensável que o eventual indébito esteja demonstrado nessa mesma declaração quando de sua compensação. A partir desta anotação caberia a Recorrente comprovar a legitimidade do crédito que utilizada na DComp, sendo de todo incabível sua mera alegação de nulidade do acórdão combatido. Logo, contendo a decisão todos os elementos que dão validade a um ato administrativo: competência, objeto, finalidade, motivo e forma, não se há de declarar a sua nulidade. Rejeito a preliminar. Mérito Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Aqui, temse em análise um crédito originado de um DARF referente à Cofins não cumulativa, de agosto de 2007, recolhido no código de receita 5856, sob a égide da Lei nº 10.833/2003. Segundo a norma de incidência introduzida pela Lei nº 10.833/2003, a base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. O argumento trazido à baila diz respeito à Cofins cumulativa, na vertente da ampliação da sua base de cálculo veiculada pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como se vê, o fato jurídico da real e ocorrida apuração da Cofins (não cumulativa) não se subsume à regra (art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98) sob a qual a Recorrente pretende ver amparado o direito pelo qual luta. Assim, não há qualquer pertinência jurídica no mérito suscitado para respaldar o crédito utilizado nas compensações. Noutro giro, registrese a grave conduta da Recorrente de utilizar valores parciais de um único DARF, de R$ 38.324,14, pago em 19/11/2007, em três DComps, (nºs 10123.05478.190912.1.3.042585, 13490.32476.190912.1.3.041027, 32271.25307.231012.1.3.04 5961, 41251.48606.231012.1.3.045472, 30551.38999.231012.1.3.040617 e nº 32549.38146.231012.1.3.040343), cuja soma chega a R$ 177.015,07 (R$ 24.357,68 + R$ 36.778,90 + R$ 21.894,81 + R$ 29.994,00 + R$ 33.810,16 + R$ 30.179,52). Estes valores quitam débitos que na data da transmissão somam R$ 265.245,58 (R$ 36.412,30 + R$ 54.980,78 + R$ 32.848,78 R$ 45.000,00+ R$ 50.725,38 + R$ 45.278,34). Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19647.007138/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins do ano de 2003, tendo em vista que a Fiscalização constatou a falta de recolhimento das exações sobre a receita de revenda de mercadorias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 07 13 8/ 20 09 -1 7 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: 3.1 no que concerne à Cofins, não merece prosperar a autuação, tendo em vista que não foram consideradas deduções a que faz jus a Impugnante; 3.2 é sabido que o art. 2° e 3º da Lei n° 9.718/98, ao alterar a base de cálculo da Cofins violou o art. 110 do Código Tributário Nacional, por pretender modificar o conceito jurídico de faturamento, equiparando a receita bruta; 3.3 a referida lei ordinária impôs uma concepção plástica da base de cálculo da Cofins prejudicial aos contribuintes, comportando tamanho elastério a ponto de, praticamente, criar uma nova contribuição; 3.4 não poderia o art. 3° da Lei n° 9.718/98 alterar o conceito do faturamento, implicando numa equiparação da espécie (faturamento) com o gênero (receita). Nessa medida, a mencionada lei não apenas alterou a base de cálculo da Cofins, como criou uma camuflada e ilegal nova fonte de custeio para a seguridade social; 3.5 não se diga que a EC n° 20 teve o condão de validar a Lei n° 9.718/98, posto que é regra primária que a Constituição Federal (também suas emendas) não pode recepcionar Lei Infraconstitucional que, à época de sua promulgação, era inconstitucional. Mesmo após a EC 20, seria indispensável a edição de nova lei versando sobre a matéria o que inexiste com relação a Cofins; 3.6 impende também registrar que o ICMS incidente sobre as operações da Impugnante deve ser, totalmente e não apenas quando recolhido na condição de substituto tributário deduzido da base de cálculo da Cofins, para esse fim. O auditor não destacou da base de cálculo tais valores que não compõem o faturamento da Impugnante; 3.7 a própria Lei n° 9.718/98, embora de constitucionalidade duvidosa, reconhece o direito do contribuinte de ser deduzido da base de cálculo os valores correspondentes aos recolhimentos de ICMS antecipados, conforme § 2° do art. 3° da mencionada lei; 3.8 ocorre que para o fim de obter a base de cálculo da Cofins, a exclusão do ICMS substituição, valendo observar os dados disponibilizados pela própria Secretaria da Fazenda acerca dos recolhimentos efetuados pela Impugnante; 3.9 impõese a exclusão da base de cálculo da Cofins do montante recolhido pela Impugnante a titulo de ICMS substituição no período da autuação, conforme valores informados pela própria Secretaria da Fazenda (doc. 04) lembrando que os códigos de receita 0094 e 0426 dizem respeito exatamente ao ICMS substituto (art. 247 do R1CMSPE e Portaria SF 12/03 doc 05), totalizando, no período autuado, respectivamente o montante de R$ 653.228,00 (seiscentos e cinqüenta e três mil, duzentos e vinte e oito reais) e R$ 6.906,30 (seis mil, novecentos e seis reais e trinta centavos) a ser excluído da base de cálculo da Cofins conforme expressa disposição do § 2°, do art. 3° da Lei n° 9.718/98, bem assim, consectariamente, os juros e a multa aplicados sobre esta equivocada base de cálculo; 3.10 tanto no que concerne à exação do PIS como quanto à Cofins, diz respeito ao fato do auditor fiscal não haver suprimido da autuação o montante retido na fonte, no período autuado, concernente ao PIS e à Cofins. Estes valores estão representados na Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 4 3 planilha anexa (doc. 08) em valores extraídos das aquisições operadas através das notas fiscais também inclusas (doc. 07); 3.11 não bastassem as inconstitucionalidades e ilegalidades noticiadas, uma outra inconstitucionalidade aflora, consistindo na adoção da taxa selic como critério de atualização monetária, fls. 181/188; 3.12 às fls. 188/191, trata da multa como confiscatória; 3.13 requer: 3.13.1 seja julgado improcedente o lançamento quanto a Cofins, por ofensa ao § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 e pelos demais fundamentos apontados nesta peça, ou, caso assim não entenda, que determine a exclusão da sua base de cálculo dos valores comprovadamente pagos pela Impugnante a título de ICMS substituição, conforme documentos em anexo, bem assim, consectariamente, a exclusão dos juros e multa incidentes sobre os valores excluídos da base de cálculo; 3.13.2 seja julgado improcedente a lançamento do PIS e da Cofias pela ausência de exclusão dos valores recolhidos a este título na fonte, ou, assim não entendendo, que seja determinada a exclusão de tais valores e seus consectários naturais (multa e juros) representados na planilha e documentos anexos; 3.13.3 caso concluase pela procedência da autuação, que seja determinada a exclusão dos valores agregados ao suposto crédito tributário a título de taxa selic, tendo em vista sua demonstrada inconstitucionalidade e ilegalidade, bem assim a redução da multa, adequandoa aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Recife PE julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1127.340, de 20/08/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CALCULO. A base de cálculo para o PIS/PASEP é o faturamento do mês, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, com as exclusões previstas em lei. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. A exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, por falta de previsão legal, não é permitida, quando cobrado na condição de contribuinte. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição em tela. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar lhe execução. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 5 4 TRIBUTOS E MULTA. CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora incidem, sempre, seja nos pagamentos espontâneos após o prazo de vencimento da exação fiscal, seja nos lançamentos de oficio. A justificativa legal, para tanto, decorre do fato dos juros de mora não terem natureza de penalidade, mas sim natureza compensatória; são remuneração do capital da Fazenda Pública em posse do contribuinte moroso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CALCULO. A base de cálculo para a Cofins é o faturamento do mês, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, com as exclusões previstas em lei. PIS. EXCLUSÃO DO 1CMS. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL A exclusão do 1CMS da base de cálculo do PIS, por falta de previsão legal, não é permitida, quando cobrado na condição de contribuinte. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição em tela. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. A exclusão do ICMS da base de cálculo da COF1NS, por falta de previsão legal, não é permitida, quando cobrado na condição de contribuinte. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição em tela. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar lhe execução. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 6 5 TRIBUTOS E MULTA. CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora incidem, sempre, seja nos pagamentos espontâneos após o prazo de vencimento da exação fiscal, seja nos lançamentos de ofício. A justificativa legal, para tanto, decorre do fato dos juros de mora não terem natureza de penalidade, mas sim natureza compensatória; são remuneração do capital da Fazenda Pública em posse do contribuinte moroso. Ciente desta decisão em 14/12/2009 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 07/01/2010, com Recurso Voluntário, no qual renova os argumentos da impugnação e levanta a preliminar de que o Acórdão recorrido deixou de analisar a tesa de inconstitucionalidade de base de cálculo do PIS e da Cofins e de aplicar as disposições do disposto no inciso I, do parágrafo único, do art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, posto que o Pleno do STF declarou inconstitucional o § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Relatório Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente de autos de infração de PIS e de Cofins lavrados em razão da falta de recolhimento das exações. Na impugnação, a empresa Recorrente alegou: (i) a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98; (ii) a falta de exclusão do ICMS (substituição e normal) da base de cálculo das exações; (iii) a falta de dedução do valor pago na fonte a título de PIS e Cofins (monofásicos); (iv) a multa de ofício; e (v) os juros de mora pela selic. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 7 6 Ainda na impugnação, a empresa fez um demonstrativo das compras com tributação monofásica de PIS e de Cofins, destacando o valor da compra e o valor do correspondente PIS e Cofins incidentes nessas operações, cuja dedução está pleiteando. Juntou, também, demonstrativo dos recolhimento do ICMS nos códigos 0094 e 0426 (Portaria SF nº 12/2003), que se destinam aos seguintes recolhimentos: 0094 – ICMS – Substituição pelas entradas sem deferimento. 0426 – ICMS – Substituição tributária – contribuinte de outro Estado. Com relação às operações de compra e venda de produtos farmacêuticos e de higiene pessoal sujeitas à incidência na forma do inciso I do art. 54 do Regulamento do PIS e da Cofins (Decreto nº 4.524/2002), não há previsão legal para a dedução do valor do PIS e da Cofins recolhidos pelos fornecedores da Recorrente. No entanto, a receita da venda desses produtos está sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o inciso IV, do art. 58 do citado Regulamento do PIS e da Cofins. Portanto, as notas fiscais de compra dos referidos produtos, juntadas aos autos pela Recorrente, provam que ela adquiriu tais produtos para revenda e, conseqüentemente, a receita da revenda dos mesmos está sujeitas à alíquota zero do PIS e da Cofins, cabendo à Recorrente demonstrar e provar o valor da referida receita. Como a Recorrente não trouxe aos autos a prova da receita auferida com a venda dos produtos adquiridos, e que foram tributados na forma prevista no art. 58, I, do Regulamento do PIS e Cofins, aprovado pelo Decreto nº 4.524/2002, entendo necessário que os autos retornem à DRF para que a Recorrente seja intimada a demonstrar e provar o valor da receita sujeita à alíquota zero. Com relação à exclusão do ICMS substituição tributária, a que se refere o § 2º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, abaixo reproduzido, a Recorrente está pleiteando a dedução da base de cálculo das exações (receita de revenda de mercadorias) o valor do ICMS substituição pelas entradas de mercadorias (código 0094), ou seja, compras de mercadorias e não pela venda de mercadorias, quando o valor do ICMS substituição está incluído no preço de venda e, portanto, no valor da receita de revenda de mercadorias, base de cálculo das exações. Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. [...]§ 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto. (grifei). Por outro lado, para os recolhimentos de ICMS eventualmente feitos no código “0426 ICMS Substituição tributária contribuinte de outro Estado” não foi possível Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 8 7 identificar se se refere à operações de venda (saída) ou operações de compra (entrada) de mercadorias. É necessário esclarecer essa dúvida antes do julgamento da lide. Por fim, em relação à alegação de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98, deve a Recorrente ser intimada a demonstrar quais as receitas, além da receita de revenda de mercadorias, foram incluídas na base de cálculo dos autos de infração objeto da contestação e que ela Recorrente está pleiteando a exclusão. Isto porque este Conselheiro Relator não identificou nenhuma outra receita, além da receita de revenda de mercadorias, incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins dos lançamentos contestados. Isto posto, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem da RFB para as seguintes providências: 1 intimar a Recorrente a demonstrar e comprovar, para cada período de apuração, o valor da receita de revenda de mercadoria tributada com alíquota zero (inciso IV, do art. 58 do Regulamento dos PIS e da Cofins); 2 apurar e informar se os recolhimentos de ICMS no código “0426 ICMS Substituição tributária contribuinte de outro Estado” referemse a operações de entrada ou operações de saída de mercadorias. Caso se refira a operações de saídas de mercadorias (vendas), intimar a Recorrente a provar a efetividade das operações e, também, que o valor do ICMS recolhido integra o preço da mercadoria vendida, em cada período de apuração. 3 intimar a Recorrente a identificar quais receitas, dentre aquelas acrescidas à base de cálculo do PIS e da Cofins pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 (declarado inconstitucional pelo Pleno do STF), foram incluídas pela Autoridade Lançadora na base de cálculo dos autos de infração contestados; 4 apurar a veracidade das informações prestadas pela Recorrente, em resposta aos itens acima, e manifestarse de forma conclusiva sobre eventual alteração da base de cálculo e do crédito tributário lançado de ofício. 5 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindo lhe o prazo previsto no Parágrafo Único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11, para manifestação. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 477DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000797/2007-86
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/12/2006
MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-004.228
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
assinado digitalmente
Ricardo Magaldi Messetti Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 07 97 /2 00 7- 86 Fl. 3828DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 3 2 Oséas Coimbra Relator. assinado digitalmente Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 3829DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, por ter o Hospital Imaculada Conceição apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, do período de 01/2000 a 13/2006, com omissão de valores pagos aos empregados e contribuintes individuais. O r. acórdão – fls 3761 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando o auto de infração lavrado em razão da decadência parcial reconhecida e da retificação de fls 2674/2675. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Decadência do direito de lançar · Não pode também prosperar o desacolhimento, pelo acórdão, da natureza nãosalarial de abono assim expressamente qualificado, legitimamente concedido no âmbito de processo trabalhista de dissídio coletivo. · Desde a autuação tem sido demonstrado pelo recorrente que o auto de infração resultou do fato de o sr. auditor fiscal, à época do procedimento fiscal, não ter atentado para as informações que lhe eram passadas pessoalmente quanto às inconsistências do sistema informatizado, devendo ser levada em conta a documentação física que suportava as informações eletrônicas. · Traz alegações de inconsistências do que informado em GFIP e o que consta da autuação, conforme informação fiscal de fls 2656 e ss. · Requer seja reformada a decisão da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, MG, para: a) acolher a decadência na amplitude em que demonstrada neste recurso; b) acatar a natureza indenizatória do abono concedido em processo de dissídio coletivo, para excluílo da composição do salário de contribuição; e c) acatar os dados e informações constantes da documentação anexa, a exemplo dos destacados neste recurso, visando desconstituir o crédito tributário indevidamente lançado.. É o relatório. Fl. 3830DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 26/09/2007. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos _________________ Fl. 3831DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 6 5 Também os EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Consoante as regras retrocitadas, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive. A DN considerou decadentes as competências anteriores à 12/2001, não havendo assim reparo a ser efetivado na via de recurso voluntário. DO ABONO Segundo o dissídio coletivo firmado, o abono em questão é rendimento destinado a todos os empregados da empresa, sem distinção. Após sólida construção jurisprudencial, a Procuradoria da Fazenda Nacional edita o Ato declaratório 16/2011, adequando a interpretação fazendária em consonância com o entendimento de nossos Tribunais em relação aos abonos, especialmente o Superior Tribunal de Justiça. O parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011, que fundamentou o Ato 16/2011, trouxe balizas a serem observadas quando da interpretação dos variados abonos concedidos aos trabalhadores de diversos setores, para enquadrálos ou não como base de cálculo de contribuição previdenciária. Assim sendo, para que o abono concedido não seja considerado como salário de contribuição, conforme art. 28, §9º, “e”, 7 da lei 8212/91, deve seguir as seguintes premissas: Fl. 3832DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 7 6 Previsão em Acordo ou Convenção Coletiva Desvinculação do salário do empregado Pago em parcela única Sem exigência de contraprestação O acordo firmado se enquadra na regra isentiva, devendo assim ser afastada sua consideração como salário de contribuição. Acerca das possíveis inconsistências trazidas na informação fiscal de fls 2656 e ss, temos que o momento para a impugnação para o que ali consta encontrase precluso. A recorrente não apontou objetivamente nenhuma inconsistência na informação citada, quando de sua manifestação de fls 2680 a 2684, antes da decisão da DRJ e, na linha do que disposto nos arts 16 c/c art. 17 do decreto 70235/72, temos matéria incontroversa, não passível de revisão em sede recursal. Vejamos jurisprudência desse Colegiado. MATÉRIA PRECLUSA – Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Recurso negado. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Processo nº. : 13808.000955/200293 Recurso nº.: 156.154. Sessão de: 12 de setembro de 2007. NORMAS PROCESSUAIS MATÉRIA NÃO ABORDADA NA FASE IMPUGNATÓRIA PRECLUSÃO – À inteligência do art. 14 do Decreto 70.235, de 1972, considerase preclusa, na fase recursal, matéria não questionada na fase impugnatória e não tratada na decisão recorrida.(...) Acórdão n° 10248.152. Processo 11080.001460/200541. Sessão de 25 de janeiro de 2007 MATÉRIA PRECLUSA O julgamento administrativo iniciase com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase lítígíosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição ímpugnatíva inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com o tributação do valor omitido, sendo "extra petíta" a decisão que afasta a exigência. Recurso de ofício provido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais Primeira Turma/ ACÓRDÃO n.° CSRF/01 03.351 de 17/04/2001, publicado no D.O.U de 28/09/2001) Fl. 3833DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 8 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao Conselho de Contribuintes apreciála (Decreto no 70.235/72, art. 17, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532/97). Processo nº. : 10280.004214/200280 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. Processo nº. 35464.002340/200604 MATÉRIA PRECLUSA – Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Processo nº. : 15374.004371/200189 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – PRECLUSÃO – Nos termos do art. 17 do Decreto 70235/72, a matéria não contestada pelo sujeito passivo está fora do litígio e o crédito tributário a ela relativo tornase consolidado. Processo nº. : 11516.001652/200591 RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – PRECLUSÃO – é preclusa a discussão em sede recursal de matéria para a qual não houve impugnação, tendo como efeito a constituição definitiva do crédito tributário no âmbito administrativo. Processo nº. : 10980.008007/200398 MATÉRIA INCONTROVERSA. Considerase incontroversa a matéria objeto de recurso, quando não impugnada em primeiro grau. Processo nº. : 10540.000616/200388 Nessa linha, citamos precedente do Supremo Tribunal: RMS N. 28.456DF RELATORA: MIN. CÁRMEN LÚCIA EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE Fl. 3834DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 9 8 SEGURANÇA CONTRA ACÓRDÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RENOVAÇÃO DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CEBAS. APLICAÇÃO DE VINTE POR CENTO DA RECEITA BRUTA EM GRATUIDADE. EXIGÊNCIA DOS DECRETOS N. 752/1993 E 2.536/1998 E DA RESOLUÇÃO MPAS/CNAS N. 46/1994. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA NÃO PROVIDO. 1. Argumentos novos, suscitados apenas no recurso ordinário e que, portanto, não foram objeto do acórdão recorrido, não podem ser analisados, sob pena de ofensa ao princípio do duplo grau de jurisdição. 2. O Decreto n. 2.536/1998 e a Resolução MPAS/CNAS n. 46/1994 são regulamentos autorizados pelas Leis n. 8.742/1993 e 8.909/1994. (...) APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 10 9 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja afastada a rubrica referente ao ABONO SALARIAL, seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Pedi vista do presente processo tão somente para averiguar a aplicabilidade da Lei nº 13.097/2015 ao caso concreto, e não por duvidar das razões de decidir do Nobre Conselheiro Relator, a quem rendo aqui as mais sinceras homenagens. Da Anistia Instituída pela Lei n. 13.097/2015 A Lei n. 13.097, publicada em 19 de janeiro de 2015, inovou o ordemanento jurídico, sendo que a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/1991, pela falta de entrega da GFIP, deixou de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27/05/2009 a 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária – GFIP sem Movimento. Ficaram, ainda, anistiadas as multas pela entrega da GFIP fora do prazo ou apresentada com incorreções ou omissões, desde que a declaração (GFIP) tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega, in verbis: (...) Seção XIV Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP Art. 48. O disposto no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. Todavia, antes de adentrar na anistia específica trazida pela Lei 12.093/2015, faço um apertado escorço sobre o instituto da anistia em matéria tributária. Ora, a anistia é classificada como o perdão legal da infração, o que obsta a constituição do crédito tributário referente às correspondentes penalidades. É causa de exclusão do crédito tributário, o que significa dizer que impede a constituição do crédito através do Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 12 11 lançamento, consoante a norma do art. 175 do CTN, e, como todo benefício fiscal, somente pode ser concedida por Lei tributária específica. Insta salientar, outrossim, que a a anistia não se confunde com a remissão. Esta é causa de extinção do crédito tributário, ou seja, operase após o lançamento e consequente constituição do crédito. Além disso, consoante o art. 172 do CTN, a remissão exige justificativa para sua concessão (casos de admissibilidade), ao passo que a anistia pode ser absoluta e concedida incondicionalmente, desde que referente às penalidades ocorridas até a vigência da lei concessiva. Além disso, a anistia abrange apenas as infrações. A remissão, por sua vez, pode ser apenas referente às infrações ou ao crédito tributário como um todo. O catedrático da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Professor Paulo de Barros Carvalho, discorrendo sobre a conceituação da Anistia e da Remissão, em sua renomada obra Curso de Direito Tributário, ensina: "Anistia fiscal é o perdão de falta cometida pelo infrator de deveres tributários e também quer dizer o perdão da penalidade a ele imposta por ter infringido mandamento legal. Tem, como se vê, duas acepções: a de perdão pelo ilícito e a de perdão da multa. As duas proporções semânticas do vocabulário anistia oferecem matéria de relevo para o Direito Penal, razão porque os penalistas designam anistia o perdão do delito e o indulto o perdão da pena cominada para o crime. Voltandose para apagar o ilícito tributário ou a penalidade infligida ao autor da ilicitude, o instituto da anistia traz em si indiscutível caráter retroativo, pois alcança fatos que se compuseram antes do termo inicial da lei que a introduz no ordenamento. Apresenta grande similitude com a remissão, mas com ela não se confunde. Ao remir, o legislador tributário perdoa o débito tributário, abrindo mão do seu direito subjetivo de percebêlo; ao anistiar, todavia, a desculpa recai sobre o ato da infração ou sobre a penalidade que lhe foi aplicada. Ambas retroagem, operando em relação jurídica já constituídas, porém de índole diversa: a remissão, em vínculo obrigacional de natureza estritamente tributária; a anistia, igualmente em liames de obrigação, mas de cunho sancionatório." Diferente não é o entendimento do saudoso mestre Aliomar Baleeiro, no seu consagrado Direito Tributário Brasileiro: "A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao passo que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infracões cometidas anteriormente à vigência da lei. que a decreta." Assim, utilizandose das lapidares lições do mestre Aliomar Baleeiro, temse que o CTN, para a anistia, tomou de empréstimo o milenar instituto político de clemência, esquecimento e concórdia, com este, porém, não se confundindo, apesar da mesma natureza perdão, esquecimento , de um lado, por restringilo, posto que a anistia fiscal exclui os atos qualificados como crime ou contravenção ou atos que, sem este qualificativo, envolvem dolo, fraude, simulação ou conluio, de outro, por ampliálo, posto que se estende, para além do legislador federal, aos legisladores estaduais e municipais. Quanto à remissão esclarece que o CTN se refere ao mesmo instituto de Direito Privado de que trata o Código Civil, arts. 1.053 a 1.055. que tem, como a anistia política, o mesmo cerne significativo na ideia de perdão (remitir ou perdoar a dívida). Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 13 12 Embeberando os sempre maestrais ensinamentos de Tarcio Sampaio Ferraz Jr, em artigo reproduzido na Revista Dialética de Direito Tributário n. 92, a distinção entre os dois institutos, no âmbito tributário (sistematicidade orgânica da matéria), é importante porque produzem efeitos diferentes a remissão é modalidade de extinção do crédito (CTN. art. 156), a anistia exclui o crédito (CTN. art. 175). Mas reduzir a distinção entre ambos a perdão de infração e penalidades correspondentes (a anistia) e a perdão do crédito (a remissão) é, data venia, uma fórmula muito pobre, já pela origem diferente que manifestam. O exame da sistematicidade orgânica exige, para além da estrutura do contexto normativo, a consideração da gênese dos conceitos. O transporte para o Direito Tributário não apaga as origens e ignorálas pode conduzir a perigosas simplificações. Afinal o direito é um fenômeno da vida humana e não um texto sem contexto. Assim, a remissão, dentre as modalidades de extinção, é um dos casos em que o CTN se serve "de institutos e conceitos de Direito Privado, no mesmo sentido em que este os criou e estruturou (CTN, arts. 109 e 110)", lembrando, por sua vez. que a anistia fiscal, "como a anistia política", pode ser absoluta ou condicional, geral ou restrita. O fato de a anistia fiscal, como a anistia política, poder ser absoluta é já um primeiro dado a ser considerado. Ao contrário da remissão, que o CTN vincula à racionalidade de uma relação meio/fim casos de admissibilidade, conforme o art. 172 do CTN , a anistia, que pode ser absoluta, poderá ser então concedida incondicionalmente ("irrestritamente pela lei sem quaisquer condições", nas palavras de Aliomar Baleeiro, op. cit., p. 533), alheia ao cálculo limitador da racionalidade. Isto a aproxima de suas origens mais remotas, quando era concedida em alusão a eventos que não guardavam nenhuma relação com os efeitos do ato soberano. Por isso, no direito moderno, a anistia não é vista, basicamente, como um favorecimento individual, posto que seu destinatário imediato é a pessoa humana e a sociedade. Nesse sentido, não pede nenhuma justificação condicional ao ato da autoridade que a concede, ainda que, secundariamente, possa atingir certas finalidades (como por exemplo, a paz social ou um benefício econômico). Ou seja, ela não é concedida por que nem para que um conjunto de beneficiários por meio dela ela se beneficie, mas no interesse soberano da própria sociedade. Além disso, sendo oblívio, esquecimento, juridicamente ela "provoca a criação de uma ficção legal", ela não "apaga" propriamente a infração, mas "o direito de punir", razão pela qual aparece depois de ter surgido o fato violador, não se confundindo com uma novação legislativa. Entendese, assim, porque a anistia fiscal é capitulada como exclusão do crédito (gerado pela infração) e não como extinção (caso da remissão), pois se trata de créditos que aparecem depois do fato violador, abrangendo a fortiori apenas infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede. E, como na anistia política, da qual segue o cancelamento das penalidades ou a revisão das penas correspondentemente à infração anistiada, também a anistia fiscal será seguida de cancelamento de multas, eventualmente sob condição de pagamento do tributo, cujo crédito então não se extingue. Ou seja, o crédito gerado pela infração se exclui porque a infração se anistia. isto é, desaparece o direito de punir. Desaparecido esse, desaparecem as penalidades, embora, obviamente, a recíproca não seja verdadeira, isto é, as penalidades podem ser extintas (por exemplo, pelo pagamento) sem que desapareça infração e, em consequência, sem que o crédito tenha sido excluído. Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 14 13 O CTN, no art. 180, fala, assim, em anistia de infrações e não de anistia de penalidade. Afinal, como esclarece o inúmeras vezes clamado Aliomar Baleeiro, "o Fisco, se há infração legal por parte do sujeito passivo, pode cumular o crédito fiscal e a penalidade. exigindo esta e aquele". Esta autonomia da exigência da penalidade que, como crédito, nasce da infração. explica que a anistia desta exclua a exigência daquela que, em consequência, se cancela. Mas a mesma autonomia tem de admitir a hipótese de mera redução de multas e penalidades, isto é, do crédito correspondente, sem que haja. obviamente, perdão da infração ou de que o crédito gerado pela infração possa ser extinto (e não excluído) por qualquer das modalidades de extinção de crédito. Afinal, não se pode anistiar um "pedaço" de uma infração, embora se possa perdoar parte de um crédito. Já a remissão é. justamente, uma dessas modalidades, cuja estrutura, como diz Aliomar Baleeiro, vem do Direito Privado. A remissão de dívida é negócio jurídico unilateral, que pode ser abstrato ou causal. Se causal, faz depender de solução de outra obrigação a sua eficácia. A eventual bilateralidade da remissão depende do que o credor quer. Ou seja, a bilateralidade não lhe é essencial. Entendese, desse modo. que a remissão tributária seja ato fundamentado e que a lei concedente preencha os requisitos estabelecidos pela lei complementar. Na verdade, a remissão privada pode ser da dívida ou da pena. Ou seja, se a anistia só se refere à infração, isto não exclui a possibilidade de a remissão referirse também e mesmo apenas ao crédito resultante da pena pecuniária imposta, e até somente a uma parte deste crédito. Ora, a possibilidade da remissão da pena tem uma consequência que não pode ser menosprezada. Afinal, no campo tributário, há de se reconhecer que haverá casos em que a lei anistia a infração, donde se segue a extinção da pena. mas outros há em que ela cancela a penalidade sem ter anistiado a infração. Neste último caso, qual o instituto que estará sendo aplicado; o de origem política (penal) ou o de origem privada? Ora. tenhase em conta que. quando se trata de perdão de pena criminal, não se fala em anistia, mas em indulto. "Ao contrário da anistia, o indulto não extingue o crime, impede tãosó a execução da pena a que tenham sido condenados os que dele se beneficiam" (Aníbal Bruno. Direito Penal, tomo 3°. Rio de Janeiro/São Paulo. 1966. p. 204). Mas de indulto não fala a lei tributária. E quando fala em concessão de anistia, limitadamente (CTN. art. 182 11), não prevê nenhuma hipótese de limitação referente a uma (parcial!) redução de penalidades pecuniárias. Mesmo porque, nesse caso, não haveria anistia, mas indulto. Não obstante, a doutrina tributária fala em anistia de penalidades, argumentando que. em tal caso. sendo a sanção a negação da negação do direito provocada pela infração, ela é a afirmação daquele direito (a dupla negação é uma afirmação). Donde se segue que a supressão da pena equivaleria à supressão do direito que ela confirma, isto é, a anistia da pena equivaleria à anistia da infração correspondente. Daí, apesar de o CTN falar apenas em anistia de infração, poderse admitir também a anistia (imprópria?) de penalidade (cf. Zelmo Denari; Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. 4, São Paulo, 1978, pp. 181 e ss.). Esse argumento, que admite a anistia da infração por força da anistia da pena, valeria quando ocorresse o cancelamento total da pena, mas é impróprio quando o caso é de mera redução, pois seria então de se perguntar se estaria ocorrendo a anistia (em parte?!) da Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 15 14 infração, em relação à qual, como se sabe, a pena pecuniária não tem função compensatória de crédito. Podese anistiar uma infração e não outra, a infração referente a um tributo e não a outro, as infrações punidas com multa até certo montante, mas não um "pedaço" de infração nem penas até certo montante de tal modo que a infração ou o direito de punir ficassem "meio" anistiados. A possibilidade legal de perdão de parte de penalidades, com a utilização da fórmula "cancelamento ou redução de multas e penalidades", merece, pois, uma outra explicação. Segue, pois, que é irrecusável a hipótese de mero perdão de penalidade, isto é, de perdão do crédito correspondente, independente do oblívio da infração. Ou seja, quando o legislador tributário disciplina o perdão de penalidades ou vê na sua anistia uma correlação com a anistia da infração (por inteiro) ou, querendo referirse apenas à penalidade (ao crédito correspondente) mantendose a infração e não recorrendo impropriamente ao instituto da anistia, só pode estar a falar em remissão. Assim, a remissão tributária sendo modalidade de extinção do crédito tributário tal como ele é constituído pelo lançamento e, no caso de penalidades, o crédito se constituindo por lançamento de ofício, quando a lei prevê o cancelamento ou redução de penalidades nada impede que estejamos diante de remissão e não de anistia. Desta feita, observase que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as infrações de não entrega de GFIP no prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devento ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado. Conclusão Por todo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito darlhe provimento, aplicando ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723540/2008-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.365
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah no tocante à exigência do ADA para a área de preservação permanente.
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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MBR Recorrida DRJBRASÍLIA/DF Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah no tocante à exigência do ADA para a área de preservação permanente. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 03/12/2011 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 2 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S.A. MBR interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBRASÍLIA/DF (fls. 121) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificaçao de lançamento de fls.01/08, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 27.334,46, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 58.856,55. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2005 da qual foram glosados valores declarados como área de preservação permanente (8,9ha), de reserva legal (225,2ha) e foi alterado o VTN de R$ 80.903,09 para R$ 909.220,00, conforme descrição dos fatos a seguir reproduzida: Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Complemento da Descriçao dos Fatos: A Lei 9.393/96 estabelece, em seu art. 14, que no caso de subavaliagao do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal procederá A determinação e ao lançamento de oficio Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10680.723540/200872 Acórdão n.º 220101.365 S2C2T1 Fl. 2 3 do imposto, considerando informações sobre pregos de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de Área total, Area tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Determina ainda que as informações sobre pregos de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1°., inciso II da Lei n.. 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Para o município de Nova Lima/MG, os valores constantes do SIPT Sistema de Pregos de Terra, instituido através da Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, informados pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais para o exercício de 2004, estão evidenciados no extrato anexo. Com base nesses dados, foi então arbitrado o valor da terra nua VTN para 2005 em R$2.600,0/ha, perfazendo um total de R$909.220,00, conforme demonstrado abaixo: Area Total do Imóvel declarada 349,7ha VTN/ha = R$2.600,00 VTN do Imóvel = VTN/ha X área do Imóvel OVTN do Imóvel = 2.600,00 * 349,7 = R$909.220,00 A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que, pela sistemática do lançamento do ITR, o ônus de comprovar a inexistência das áreas ambientais declaradas é do Fisco e, no caso, o Fisco não logrou demonstrar a inexistência das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Afirma que a área de reserva legal foi averbada muito tempo antes da autuação e se insurge contra a exigência do ADA como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Sobre o arbitramento do VTN a Contribuinte se insurge contra a utilização do SIPT. Diz que os parâmetros que alimentam esse sistema não são explicitados e que o sistema é alimentado indiscriminadamente pela própria Receita Federal e argumenta que a atividade de lançamento deve ser plenamente vinculada. Ainda sobre o VTN, o Contribuinte diz que apresenta laudo de avaliação elaborado por empresa com capacidade técnica e assinado por profissionais qualificados e, inda, elaborado dentro das normas da ABNT e diz esperar que o mesmo seja acatado como prova objetiva do VTN. A DRJBRASÍLIA/DF julgou procedente em parte o lançamento, acatando o Laudo de Avaliação apresentado e reduzindo o VTN tributado para R$ 271.449,08. A DRJ manteve as glosas das áreas de preservação permanente e de reserva legal com base, em síntese, na consideração de que não foi apresentado o Ato Declaratório Ambienta – ADA e que esta seria uma condição imprescindível para a exclusão das áreas ambientais em questão. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 16/09/2009 (fls. 144) e, em 13/10/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 145/153, que ora Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 4 se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumento da impugnação a respeito do ADA como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal. É relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o litígio persiste apenas quanto à glosa da área de reserva legal e o fundamento da autuação e da decisão de primeira instância neste ponto é a falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA. Vale registrar que, como relação à área de preservação permanente, a mesma foi devidamente averbada, conforme reconheceu a DRJ. Cumpre examinar, portanto, a questão da necessidade ou não do ADA como condição para a exclusão das áreas ambientais. O dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10680.723540/200872 Acórdão n.º 220101.365 S2C2T1 Fl. 3 5 O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimento de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo”beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 6 determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10680.723540/200872 Acórdão n.º 220101.365 S2C2T1 Fl. 4 7 Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. A não apresentação do ADA, portanto, não seria um obstáculo para a admissibilidade das exclusões das áreas ambientais pretendida pelo Contribuinte. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 8 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10680.723540/200872 Acórdão n.º 220101.365 S2C2T1 Fl. 5 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10680.723540/200872 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.366. Brasília/DF, 03 de dezembro de 2011. ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000398/2005-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 24/05/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS.
A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-00.691
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. A conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. A conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar, Itlis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 26/07/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Femandes Eufiásio (Suplente). Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais, no valor total de RS 671.196,69 objeto do Auto de Infração fls,07 /11. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação de n" 00/0463220-0, registrada em 24/05/2000, pkiteou redução tarifária da aliquota "ad valorem" de 6%, para os produtos classificados no código NCM 2710 00.41, que à época era a aliquota normal vigente, para a aliqueta reduzida de 1,20% para o imposto de importação, prevista no Acordo de Complementação Econômica n'39 (ACE 39), conforme Decreto de execução n°3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, (Países- Membros da Comunidade Andina) Esclarece a Fiscalização, quanto à operação, o seguinte: a) o certificado de origem n° ALD 1000526252, fl .22 emitido na Venezuela, em 23/05/2000, indicou como país de origem da mercadoria, a Venezuela e declarou como empresa exportadora a PDVSA PETROLEO Y GÁS, S.A; b) o certificado de origem registra em seu corpo como país exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à fatura comercial n° 98438-0, emitida pela empresa PDVSA PETRÓLEO Y GÁS S/A e não apresentada no despacho; c) a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação foi a de n° PIFSB 471/2000, fl. 21, emitida em 03.072000 pela Pefrobras International Finance (2'ompany (Pifco) empresa com sede nas Ilhas Cqyman, pais não membro da ALADI; d) no conhecimento de embarque, fl 20, documento que assegura a propriedade da mercadoria, esta foi consignada a Petrobras International Finance Company, logo essa empresa situada nas Ilhas (ayman era a proprietária da mercadoria; c) diante dos fatos e documentos apresentados, a operação comercial foi analisada à luz da Resolução n°252, do Comitê de Representantes da ALADI, recepcionada na legislação brasileira através do Decreto n° 3.325/99 Oferece ainda a Fiscalização os seguintes esclarecimentos, lis. 07: Embora o artigo nono da Resolução n° 252, do Comitê de Representantes da ALADI, recepcionaria na legislação brasileira através do Decreto n°3.325/99 admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro país, não se aplica ao caso, uma vez que não há interveniente de uni operador, nos termos da citada Resolução, 2 Processo tf 10209 000398/2005-14 S3-C1T2 Acórdão n ." 3102-00491 EL 119 mas a participação de um terceiro país na qualidade de exportador, na medida e que uma empresa situada nas Ilhas Cayman, fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferencias tarifárias no âmbito da ALADI O importador, através da correspondência UM-REMArVI/CMB 019/02, de 19/08/02, lis 30/32, confirma que adquire a mercadoria da Venezuela, revende para sua subsidiária, a empresa Petrobras International Finance Company e posteriormente a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro país na qualidade de exportador, isto é, uma operação comercial entre unia empresa brasileira e outra nas Ilhas Cayman sem respaldo em certificado de origem: Conclui a fiscalização que a importação não contempla o acordo tarifário, em razão da divergência entre a fatura Comercial, .11.21 e o Certificado de Origem n" ALD 10005262.52,0.22, seja também porque o produto ..foi comercializado por terceiro país sem que tenham sido atendidos os requisitos estabelecidos na legislação vigente. Cientificado do lançamento em 18/05/200.5, conforme .11s. 01, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando em 17/06/2005 a impugnação de fls. 36/46, nos seguintes termos a seguir resumidos em apertada síntese:- - inicia/mente se reporta aos fatos que ensejaram a ação fiscal esclarecendo que a operação comercial em .foco, ou seja, Petróleo Brasileiro S.A — PETROBRAS, através de empresa integrante de seu grupo econômico, a Petrobras International Finance Company (Pifco), sediada nas Ilhas Cayman, adquiriu butano em bruto liquefeito, produzido na Venezuela, .junto à PDVSA — Petróleo e Gás S/A, empresa sediada no mesmo país, com redução de 80% da aliquota do Imposto de Importação, com base no Acordo de Complementação Económica n" 39 (ACE-39), conforme Decreto de execução n°3.138/99; - destaca ainda que o envolvimento das três empresas na operação comercial gerou a expedição de duas faturas comerciais, sendo a primeira, emitida pela PDVSA e destinada à PFICO e, a segunda, PIFSF1, expedida pela PFICO para a Petróleo Brasileiro SA PETROBRAS Esclarece que a última fatura que instruiu a declaração de importação, .fez referência expressa à fatura comercial originária (PDVSA),- - a operação comercial acima explicitar-ia é conhecida por triangulação comercial que consiste numa prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; - o Certificado de Origem foi expedido na Venezuela contendo a declaração da produtora e exportadora do produto. a PDVSA, e a certificação propriamente dita, do Ministério da Indústria e Comércio daquele país, assim o Certificado de Origem trouxe a indicação da faiura comercial expedida pela PDVSA n° 98438-0, conforme previsto no artigo 10 da Resolução; . 3 - razão alguma assiste ao Órgão autuante quanto à suposta falta de correspondência entre o Certificado de Origem e a ,fatura expedida pela PFICO, vez que essa fatura traz informações condiriz,entes com aquelas contidas no Certificado, inclusive faz referência a ele em seu corpo Tudo em consonância com o disposto no artigo oitavo da Resolução 252, aprovada pelo Decreto n°3.325, de 30/12/1999; - o órgão autuante ainda impôs multa regulamentar à impugnante alegando que mencionada fatura, emitida pela PFICO, apresentada no despacho aduaneiro, não cumpriu as exigências estabelecidas no ar!, 425, alíneas "a", "h", "i" e do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030/85; - defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifiála prevista em acordo firmado no âmbito da ALAM; - ressalta que a impugnante procedeu em sua atividade realizando comércio com a Venezuela, país integrante da ALADI, utilizando-se de suas subsidiárias, no caso a PIFCO, sediada nas Ilhas Cnyman e não em Trinidad Tobago (como por equivoco ..foi preenchido na Declaração de Importação), na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, ao contrário do que qfirmou a fiscalização; -a PFICO, sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com sua revenda, inclusive o transporte da mercadoria ocorreu diretamente da Venezuela para o Brasil, corno demonstram o Certificado de Origem e o Conhecimento de Embarque; - ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, enfatizando que este é um i1131111111ent0 regulador do comércio exterior, possuindo assim, .função extrafis cal e não arrecadató ria, como a maioria dos impostos; - nesse sentido traz á colação os dispositivos da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional que regem o citado imposto bem como respeitável doutrina, - o alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro está vinculado á questão da falta de previsão de procedimento especifico para os casos de triangulação comercial, pois na ausência de norma especifica, o importador apresentou somente urna fatura, mas dihgeliciou para que no corpo desse documento fossem anotados os números do certificado de origem e da fatura originária, - o art 425 impõe regras voltadas paia o exportador e, no caso, a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora; - invoca o Ato Declarató rio Interpretativo SRF n" 13 de 10/09/2002, destacando os artigos 100, I e 106, I, ambos do Código Tributará; Nacional — CTN, a fim de seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n"9.430/96, - tendo sido o C. TN recepcionado pela Constituição Federal, argúi que a instituição de ta.xa de juros diferente daquela prevista no § 1", do artigo 161 do CTN, somente pode ocorrer 4 /1 Processo rl° 10209.000398/2005-14 S3-C1T2 Acórdão n 4' 3102-00.691 F1 120 através de Lei Complementar; o que não aconteceu no caso da aplicação da SELIC, que decorre da Lei Ordinária n" 9.065/95; - ademais a ilegalidade não está apenas na forma da instituição da SELIC, corno taxa de juros, mas também na sua essência, uma vez que não foi instituída para remunerar a mora, assim requer que seja excluída a aplicação da taxa SEL1C em face da impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros nionatórios; - tendo a taxa SEL1 C a característica de taxa de remuneração de capital investido, quando o Fisco aplica a laxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo corno avente .financeiro, equiparando a relação tributária a urna operação de financiamento, o que carece de sustentação legal; - Ao .final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente protestando o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documental ora apresentada, Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação - Data do fato gerador. 24/0.5/2000 Ementa: PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e .fatura comercial bem corno quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenham sido atendidos as requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador. • 24/05/2000 Ementa: MULTA DE OFICIO. INEXIGIBILIDADE. incabível a exigência da multa de oficio capitulada no artigo 44, inciso I da lei n° 9.430/96, quando a mercadoria se encontra corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, em consonância com Ato Declaratario Interpretativo SRF n°13/2002. JUROS DE MORA. TAXA SELIC ALEGAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA FORMAL DAS LEIS. FORO ADMINISTRATIVO INCOMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DO MÉRITO. CG"5 O processo administrativo está adstrito à observação do cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável à análise de questões atinentes a supostas incongruências formais existentes no texto legal ou no processo legislativo, Lançamento Procedente em Parte. Após tomar ciência da decisão recorrida em 31/07/2009 (sexta-feira), comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 31/08/2009, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Torno conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afta a esta Terceira Seção, Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e a resolução 252 da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto n° 3325, de 30 de dezembro de 1999. Segundo aduz a autoridade fiscal: a) há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; b) a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria; c) a Petrobras Finance Corp (Pifco), pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da Aladi, atuara na operação na qualidade de exportador, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de "operador"; d) ainda que a Pife° atuasse como operador, restariam deseumpridas as exigências fixadas pela Resolução Aladi, eis que o certificado de origem apresentado não consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador. Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não fora apresentada declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental. Apesar do zelo demonstrado pela autoridade Fiscal, penso, com o máximo respeito, que tais fundamentos não dão suporte à manutenção da exigência, Explico. Em primeiro lugar, considero que a falha documental na instrução do despacho de importação fui devidamente saneada pela apresentação da fatura comercial n" 6 '11/7 Processo n" 10209. 000398/2005-14 S3-C1T2 Acórdão n " 3102-00.691 11 121 984.38-0 1 , o que permitiu o cotejamento entre a mercadoria submetida ao crivo do Fisco e a constante do certificado de origem objeto do presente litígio. Em segundo, diferentemente do que se verificou em outras operações análogas envolvendo a recorrente, no caso do presente recurso, a mercadoria que tem sua origem questionada pelo Fisco embarcou no porto de Arnuay Bay, Venezuela, a bordo do Navio BRALI, com destino ao Brasil, tendo sido descarregada no Porto de Belém, conforme se constata na leitura da averbação consignada no extrato da Declaração de Importação e no conhecimento de transporte2. Cabe aqui destacar o que diz o artigo QUARTO da Resolução .252 (os destaques não constam do original): MIRTO- Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos prefèrenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador Para tais efeitos, considera-se como expedição direta.. a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. Sendo certo que a mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, encontra-se satisfeita a exigência de expedição direta. Também discordo que a intervenção da pessoa jurídica Pifco tenha ocorrido em desacordo com o que preceitua o regime de origem da Aladi. Cabe relembrar, nessa esteira, a distinção entre país de origem, procedência e aquisição gizada nas alíneas "h", "i" e "j" do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n" 91.0.30, de 1985: h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria fbi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do pais de origem da mercadoria ou de seus instemos,- j) país de procedéneia, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea "i", vê-se que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. I Cópia à 11 61 2 Documentos juntados por cópia às fis. 13 e 20. 7 Nessa linha, não há como afirmar validamente que o acordo proíba que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da Aladi. Ora, o artigo NONO da Resolução Aladi n° 252 nesse ponto é explícito: NONO.- Quando a inercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino (os destaques não constam do original) Ora, a mercadoria, diversamente do afirmado no auto de infração, é unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman, na medida em que, conforme já mencionado anteriormente, é embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Não se discute, ademais, sua extração em país diverso. Restaria, finalmente, avaliar se há vício formal no certificado de origem n" 207673 capaz de invalidá-lo. Chamo atenção para algumas informações consignadas no certificado que se entende imprestável para comprovar a origem da mercadoria: no campo 1 consigna-se expressamente a intervenção da Venezuela como país exportador; no campo 2, o Brasil, como país importador, já no campo 9, identifica-se a pessoa jurídica PDVSA Petroleo Y GAS S.A. como produtor. Finalmente, no campo observações, indica-se a participação da pessoa jurídica Petrobras Internacional Finance Company, o navio que transportará a mercadoria e a data de emissão do conhecimento de transporte. Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido ceritificado, identificam-se claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao domicílio da Pifbo estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. C <..1Lurá- ar e o Guerra de Castro 3 Juntado por cópia à ff 22 8
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Numero do processo: 10380.011297/2003-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Não dão direito a crédito: i) Gastos com embalagens utilizadas no transporte de produtos acabados e acondicionados em embalagens de apresentação; ii) Gastos com caixas de isopor utilizadas repetidas vezes no transporte de matéria-prima que não são consumidas no processo produtivo.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. PROVA.
Gastos com fretes vinculados a aquisições de insumos somente dão direito a crédito se comprovada pela contribuinte esta vinculação.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES SOBRE VENDAS. DIREITO A CRÉDITO. VIGÊNCIA.
Os gastos com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo a partir de 1º/02/2004.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-005.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados; II) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa referente à aquisição acobertada pela Nota Fiscal nº 022, da empresa CELPEX Indústria do Pescado Ltda, no valor de R$ 62.954,14. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento nas demais matérias. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, Ident. 2.198.236 IFP/RJ.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Não dão direito a crédito: i) Gastos com embalagens utilizadas no transporte de produtos acabados e acondicionados em embalagens de apresentação; ii) Gastos com caixas de isopor utilizadas repetidas vezes no transporte de matéria-prima que não são consumidas no processo produtivo. PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. PROVA. Gastos com fretes vinculados a aquisições de insumos somente dão direito a crédito se comprovada pela contribuinte esta vinculação. PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES SOBRE VENDAS. DIREITO A CRÉDITO. VIGÊNCIA. Os gastos com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo a partir de 1º/02/2004. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados; II) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa referente à aquisição acobertada pela Nota Fiscal nº 022, da empresa CELPEX Indústria do Pescado Ltda, no valor de R$ 62.954,14. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento nas demais matérias. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, Ident. 2.198.236 IFP/RJ. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
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NÃOCUMULATIVIDADE. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Não dão direito a crédito: i) Gastos com embalagens utilizadas no transporte de produtos acabados e acondicionados em embalagens de apresentação; ii) Gastos com caixas de isopor utilizadas repetidas vezes no transporte de matériaprima que não são consumidas no processo produtivo. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. PROVA. Gastos com fretes vinculados a aquisições de insumos somente dão direito a crédito se comprovada pela contribuinte esta vinculação. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES SOBRE VENDAS. DIREITO A CRÉDITO. VIGÊNCIA. Os gastos com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo a partir de 1º/02/2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 12 97 /2 00 3- 16 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 3 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados; II) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa referente à aquisição acobertada pela Nota Fiscal nº 022, da empresa CELPEX Indústria do Pescado Ltda, no valor de R$ 62.954,14. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento nas demais matérias. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, Ident. 2.198.236 IFP/RJ. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido, na parte que interessa a este julgamento, por descrever suficientemente a lide: “Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Não Cumulativa – Exportação (art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002), relativo ao 1º. trimestre de 2003, no valor de R$ 105.529,06 (cento e cinco mil, quinhentos e vinte e nove reais e seis centavos). Constatou o fisco que a apuração do crédito demonstrada no Dacon e na DIPJ – anocalendário 2003 – divergia dos valores informados no pedido de ressarcimento, perfazendo o valor de R$ 104.493,82. Da análise do processo produtivo e seus insumos Conforme a informação fiscal, a contribuinte tem por objetivo a importação e exportação em geral, especialmente de produtos alimentícios, secos e molhados, bem como a indústria e comércio de produtos pesqueiros em geral. Adota a industrialização por encomenda (beneficiamento), não possuindo parque industrial próprio, apenas salas comerciais. A atividade industrial consiste na aquisição de camarão in natura diretamente dos fornecedores, mediante processo de despesca manual. Nesta fase, são adquiridos e fornecidos pela interessada caixas de isopor, gelo e metabissulfito de sódio (conservante), para acondicionamento e conservação do camarão in natura. As caixas de isopor (contendo o camarão, o gelo e o conservante) são transportadas até a empresa terceirizada (frigorífico) responsável pela industrialização (beneficiamento), a qual produz o camarão inteiro congelado (camarão com cabeça) e camarão em partes congeladas (camarão sem cabeça), classificação NCM/TIPI 0306.1391 e 0306.13.99, respectivamente. O produto é acondicionado em embalagem primária e, posteriormente, agrupado em embalagem secundária. Todos os bens utilizados na produção são fornecidos pela interessada. O produto acabado é transportado diretamente da empresa terceirizada para o porto de exportação através de transportadora (pessoa jurídica domiciliada no país), contratada pela interessada. Com base no conceito de insumo contido no inciso I do § 5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF nº. 247/2002, a atividade industrial da contribuinte permite enquadrar no conceito de insumo os seguintes bens utilizados e consumidos diretamente na elaboração dos produtos exportados (camarão com cabeça e sem cabeça congelados): gelo, metabissulfito de sódio (conservante), camarão in natura, saco plástico, película, embalagem primária, bem como o serviço de beneficiamento pago aos frigoríficos especializados. Quanto aos serviços de frete (exceto os fretes nas vendas), as cópias das notas fiscais não possibilitaram a vinculação desses serviços à condição de insumos no processo produtivo, ainda que o ônus tenha sido suportado pela interessada. Em relação às caixas de isopor, considerou o fisco que estas não se enquadravam no conceito de insumo (nãocumulatividade) por não serem consumidas no processo produtivo, mas tãosomente utilizadas (e reutilizadas) para fins de acondicionamento provisório da matériaprima para o transporte até o frigorífico no qual era Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 5 4 beneficiada. Remete ao art. 6º. do Decreto nº. 7.212 de 15 de junho de 2010 (Regulamento do IPIRIPI/2010). Nos itens 21/25, o Termo Fiscal detalha as rotinas aplicadas no processo de beneficiamento do camarão, onde conclui que o saco plástico, a película e a embalagem primária (“caixinha”) compõe a embalagem de apresentação do produto; que a embalagem secundária (“Master Box”), a fita adesiva, a fita de arquear, a fivela e a etiqueta compõem a embalagem para transporte do produto; e que esta última, por ser embalagem para transporte, bem como os seus acessórios, afastamse do conceito de insumos, nos termos da legislação afeita à nãocumulatividade. Das aquisições de insumos realizadas com o fim específico de exportação Da análise das cópias das notas fiscais referentes às aquisições de camarão, verificouse que algumas delas possuíam a notação “mercadoria destinada à exportação” ou, ainda. “mercadoria destinada com fins específicos de exportação”. Foram desconsideradas pela auditoria as notas fiscais referentes às aquisições de bens com o fim específico de exportação, em face do comando do inciso I do art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002, bem como do §4º. do art. 6º. da Lei nº. 10.833/2003, pelo qual a contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das vendas de mercadoria para o exterior, ou sobre as receitas das vendas efetuadas à empresa exportadora com o fim específico de exportação, conforme previsto no inciso III do artigo em comento. Das aquisições de insumos junto à pessoa física – crédito presumido Foram consideradas pela auditoria as notas fiscais de aquisição de camarão in natura (mercadorias de origem animal classificadas no capítulo 3 da NCM) obtido diretamente de pessoas físicas domiciliadas no país, emitidas de 01/02/2003 a 31/07/2004. Das despesas de frete na operação de venda Foram desconsideradas na apuração da base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas de fretes referentes às operações de venda realizadas até 31/01/2004, em razão de que esta possibilidade somente passou a vigorar a partir de 01/02/2004, por força do inciso I do art. 93 da Lei nº. 10.833/2003. Das glosas No item 46 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 248/ss), encontramse demonstradas todas as glosas efetuadas na base de cálculo dos créditos: a data da aquisição, a compra, o número da nota fiscal, o valor, o crédito e o motivo para a glosa. Da Decisão O pedido de ressarcimento foi deferido parcialmente no valor de R$ 15.182,43 (quinze mil, cento e oitenta e dois reais e quarenta e três centavos), sem o acréscimo de juros compensatórios, a título do crédito da contribuição para o PIS/Pasep – Exportação apurado no 1º. trimestre de 2003. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 470DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 6 5 Em síntese, a contribuinte inicialmente remete aos fatos que remontam ao seu pedido de ressarcimento, à data de 12/11/2003, quando instruiu o pedido de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep do regime não cumulativo, à extrema demora na análise da demanda, ao Mandado de Segurança onde teria obtido a liminar para que fossem apreciados os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins no período e ao despacho decisório objeto da manifestação de inconformidade pelo qual se insurge, com as alegações que se traz abaixo, em resumo. 1. Das aquisições de Insumos com fim específico de exportação: Aduz, sob este item, que o simples fato de algumas notas fiscais possuírem a notação “mercadorias destinadas à exportação” ou “mercadoria exclusiva para exportação”, não implica dizer que todas as mercadorias listadas pela fiscalização tratavamse de produtos acabados destinados à exportação, em outras palavras, mercadorias adquiridas no mercado interno para revenda no mercado externo. Alega que a fiscalização deveria ter identificado quais mercadorias eram realmente produtos acabados destinados à exportação, as quais se denominam “Camarão congelado com ou sem cabeça (NCM 0306.13.91 camarão congelado inteiro e NCM 0306.13.99 – camarão congelado em partes) e quais eram insumos utilizados na elaboração das mercadorias que produz (Camarão fresco – NCM 0306.13.91 ou 0306.13.99). Das notas listadas pelo fisco, admite como glosas para o cálculo do crédito de PIS/Pasep nãocumulativo aquelas listadas no Quadro 02 – NF de aquisição de camarão congelado destinado à exportação – Glosas Procedentes (fl. 267/ss da manifestação). Já as notas fiscais constantes do Quadro 03 (da manifestação) se referem às aquisições de matériaprima (camarão in natura – NCM 0306.23.00), utilizadas nos produtos fabricados pela manifestante (cópias das notas fiscais no Anexo I). Reitera que os produtos exportados são o camarão inteiro congelado (com cabeça) e camarão em partes congelado (sem cabeça), com classificação TIPI sob os NCM 0306.13.91 e 0306.13.99, respectivamente; que a matériaprima básica destes produtos é o camarão fresco (“in natura”), classificado na TIPI sob o NCM 0306.23.00, o qual representa aproximadamente 90% dos custos aplicados na produção – o restante seriam produtos químicos e material de embalagem; que, no caso específico, o camarão “in natura” utilizado é o camarão de cultivo, adquirido junto a pessoas jurídicas exploradoras dessa atividade (carcinicultura); que, tal mercadoria “in natura” é imprópria para exportação, já que uma vez retirado do seu habitat natural, deve ser consumido em curto espaço de tempo ou sofrer o processo de beneficiamento para que seja mantido o seu valor protéico e não haja deterioração do animal, bem como o seu valor econômico; e mais, que as exportações de camarão “in natura” realizadas pelo país, na verdade são matrizes do animal, acondicionadas de forma tal que cheguem vivas ao seu destino, o que não é o caso das exportações da manifestante. Quanto às notas fiscais listadas pelo fisco, sustenta que não é porque o fornecedor informa na sua nota fiscal que o seu produto é destinado à exportação que este produto tenha sido importado; que a exportação é um processo subordinado a leis e regras emanadas da Receita Federal e do MDIC; que, para a manifestante é irrelevante se os fornecedores pagaram ou não os tributos devidos, cuja tarefa é da competência da Receita Federal. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 7 6 Aduz que o vendedor/fornecedor, para usufruir deste benefício, tem que comprovar que os produtos por ele vendidos foram realmente exportados, na forma prevista do ConvênioConfaz nº. 113/96 e atualizações posteriores, cuja comprovação se dá através do “MemorandoExportação”. Não basta constar na nota fiscal qualquer tipo de expressão, informando que a mercadoria vendida tem “fim específico de exportação” para que o fornecedor do produto a ser exportado se beneficie dos incentivos de exportação, como é o caso da isenção de tributos. Mesmo que o camarão “in natura” em questão pudesse ser exportado sem que houvesse qualquer tipo de processamento industrial, tal fato não ocorreu e não há nos autos uma única prova que as mercadorias adquiridas pelas notas fiscais relacionadas no Quadro 03 (da manifestação) foram exportadas na condição em que foram adquiridas (“in natura”). Traz ementa de Acórdão nº. 380301.798 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processo cuja contribuinte é de ramo semelhante de atividades 2. Aquisições de outros insumos: embalagem secundária;caixa de isopor; fretes no transporte de matériasprimas (camarão); fretes de venda. A contribuinte alega, em síntese, que o conceito de insumo para fins de crédito de PIS/Pasep nãocumulativo é mais amplo do que aquele previsto para o IPI e está mais próximo do conceito de custos/despesas necessárias previsto para fins de cálculo do IRPJ. Desta forma, os materiais mencionado no título, como gastos necessários à atividade operacional da manifestante, seriam passíveis de créditos. Neste sentido, colaciona excertos de doutrinas, ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como jurisprudência dos tribunais. 3. Da atualização monetária do ressarcimento: Em síntese, a contribuinte entende ser uma afronta ao seu direito o ressarcimento sem o acréscimo de juros compensatórios, considerando a demora com que foi tratada a análise do seu pedido de ressarcimento pela Delegacia da Receita Federal de sua região, obrigandoo a buscar a força judicial. Alega que fica evidenciado um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Cita decisão judicial que autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (Resp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2004.2010, Dje 03.05.2010). Ressalta que o REsp em comento é representativo da controvérsia, e nesses casos, tanto a PGFN, como o próprio CARF entendem que as decisões do STJ não devem ser contestadas, como se vê no artigo 62A do Anexo I, da Portaria do MF nº. 256/09 (transcreve no texto). Ainda, que mesmo antes da inclusão do art. 62A, o próprio CARF em seus julgados, tem tido a mesma linha do judiciário, pelo qual cita os Acórdãos CSRF/02.770 e CSRF/02.02.705. Alega ser incontestável a atualização monetária do valor do crédito, seja para fins de ressarcimento, seja para fins de compensações permitidas em lei. 4. Do pedido: Requer, por fim: Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 8 7 que seja reconhecido o direito ao crédito do PIS/Pasep nãocumulativo relativamente à aquisição de camarão “in natura”, constantes do Quadro 03 da manifestação; que seja reconhecido o direito aos créditos relativamente às aquisições de “material de embalagem secundária”, “caixa de isopor para acondicionamento provisório de matériaprima”, “fretes na aquisição de matériaprima”, “frete na venda de produto”; que o ressarcimento do crédito seja efetivado com a devida atualização monetária, com base na variação da Taxa Selic entre a data do protocolo do pedido e a sua efetiva utilização, seja em moeda corrente, seja através de compensações deste crédito na liquidação de débitos tributários da Manifestante administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; que o valor de R$ 15.182,43 (quinze mil, cento e oitenta e dois reais e quarenta e três centavos) reconhecido e aprovado no Despacho Decisório seja atualizado monetariamente pelas mesmas razões acima indicadas.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis DRJ/FNS julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade. A ementa do acórdão é a seguinte: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 9 8 produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETE NA VENDA. O aproveitamento de créditos das contribuições para o PIS/Pasep sobre as despesas de fretes de mercadorias só foi possível a partir da vigência do inciso IX do art. 3º. da Lei nº. 10.833/2003, referentes às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. Os dispositivos legais em vigor relativos aos créditos de não cumulatividade afastam expressamente a aplicação de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.” Contra a decisão da DRJ/FNS a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando que: A) Preliminarmente: i) No acórdão recorrido há contradição entre a ementa e o voto, pois ficou consignado no “Assunto” da ementa “Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins”, quando o processo trata de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep; e, no fechamento do acórdão consta intimação para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, quando o correto seria constar determinação à DRF em Fortaleza para tomar providência para o ressarcimento do valor reconhecido no julgamento realizado. ii) A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB não poderia efetuar glosas em seu pedido, pois este foi apreciado muito tempo após o prazo de 360 dias, previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, após o prazo decadencial para o lançamento de tributos e após o prazo previsto para homologação tácita de declarações de compensação. B) No mérito: Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 10 9 i) Que a DRJ/FNS errou ao não aceitar uma única aquisição de camarão como passível de ser computada no crédito da contribuição, sob o entendimento de que a nota fiscal que acobertou esta aquisição não continha elementos suficientes para concluir que se tratava de venda para industrialização/beneficiamento, sendo que outras notas fiscais foram entendidas como passíveis de gerar direito a crédito, apesar de conterem a notação “mercadoria destinada à exportação” ou outra semelhante. Afirma que a aquisição glosada referese a matériaprima que foi destinada para seu endereço e passou por processo de industrialização, devendo ser integrar a base do ressarcimento. ii) Ratificou e reforçou seu posicionamento na manifestação de inconformidade em relação às aquisições dos insumos: embalagem secundária, caixa de isopor, fretes no transporte de matériasprimas, fretes de venda. iii) As embalagens de transporte são essenciais a suas atividades, sendo as vendas efetuadas em caixas (máster box) de 20 kg de camarão, logo, estas caixas não podem ser consideradas apenas embalagens de transporte. iv) As caixas de isopor são utilizadas na fase operacional de despesca e de transporte de matériaprima (camarão in natura) entre a fazenda de criação e a indústria (frigorífico), sendo contabilizada como custo de produção e não como imobilizado. v) Os fretes são contratados para levar gelo, utilizado para conservar o camarão in natura a ser despescado e, uma vez realizada a despesca, para levar o camarão para o frigorífico, que providenciará a industrialização do pescado. Estes serviços são repetidos várias vezes até a conclusão da despesca de um tanque de criação, de modo que o serviço de frete transporta os bens adquiridos com mais de uma nota fiscal de gelo e mais de uma nota fiscal de camarão. Apenas ao final da despesca, o fornecedor do frete emite sua nota fiscal de serviço, baseandose na quantidade de camarão transportado, sem identificar as notas fiscais, de modo que é muito difícil vincular as notas fiscais de insumos com as notas fiscais de fretes realizados. vi) Quanto às despesas com fretes nas operações de vendas, não é verdade que a possibilidade de estes gastos darem direito ao crédito da contribuição apenas surgiu com a entrada em vigor do art. 93, I, da Lei nº 10.833, de 2003. Esta norma corrobora os argumentos de que todas as despesas necessárias à sua atividade são passíveis de geração de crédito. vii) O ressarcimento deve ser efetivado com atualização monetária em decorrência da demora injustificável do Fisco em analisar o pedido, não se aplicando ao caso a vedação contida no art. 13, da Lei nº 10.833, de 2003. Ao final, requer que: o pedido de ressarcimento seja deferido tacitamente; ou seja reconhecido o pleito para ressarcimento em sua integralidade e seja atualizado pela taxa Selic entre a data do protocolo do PER/DCOMP e a data do efetivo ressarcimento ou utilização. É o relatório Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Paulo Sérgio Celani Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento por esta Turma Especial. Preliminares. Erros de escrita no acórdão recorrido. O fato de constar no acórdão da DRJ incorretamente intimação para pagamento e, como assunto, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, quanto o correto seria Contribuição para o PIS/Pasep, não é causa de nulidade. Não há previsão legal ou regimental de embargo da decisão de primeira instância administrativa, nem de retificação do acórdão recorrido pelo CARF. A recorrente não alegou nem demonstrou ter sofrido prejuízo com os erros de escrita e não houve cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, o acórdão decorrente do presente julgamento sobreporseá ao acórdão da DRJ/FNS, de modo que não há necessidade de retificar o acórdão recorrido. Sobre a demora na apreciação do pedido. É desejável que os pedidos administrativos demorem pouco para serem analisados e decididos, porém não é razoável que todo pedido administrativo relativo a tributo, direito indisponível do Estado, seja automaticamente deferido se o prazo não for atendido. O art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, ao estabelecer que “é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta dias) a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte” não diz que a conseqüência do descumprimento deste prazo acarreta o deferimento tácito do pedido. O prazo de cinco anos para homologação de declaração de compensação, sob pena de ser considerada homologada tacitamente, não se aplica a pedidos de ressarcimentos. Assim, por falta de previsão legal, não se pode considerar homologado o pedido de ressarcimento pleiteado neste processo. Acrescentese que, conforme a própria recorrente afirma, ela obteve provimento judicial determinando a atualização monetária dos valores ressarcidos ou que vierem a ser ressarcidos neste processo, o que diminui os efeitos da demora na apreciação do pedido. Mérito. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 12 11 Atualização monetária. Está em julgamento nesta sessão outros dois processos das mesma empresa versando sobre as mesmas matérias aqui discutidas. No processo nº 10380.011296/200371, verifico que, em 3/2/2015, a recorrente protocolou requerimento, por meio do qual informou ter interposto ação ordinária contra a União, processada sob o número 080038359.2013.4.05.8100, com o objetivo de ter reconhecido seu direito à atualização monetária em vários processos administrativos, entre os quais este se inclui. A ação ordinária transitou em julgado em 11/12/2014 em favor da recorrente, motivo pelo qual solicita seja observado o princípio da coisa julgada e reconhecido o direito à atualização monetária pela taxa Selic. Foram juntadas cópias das decisões judiciais e Certidão de Trânsito (2º Grau) àquele processo. Pelo princípio da unicidade da jurisdição, a decisão judicial prevalece sobre a decisão administrativa, logo, não cabe a este Colegiado pronunciarse sobre esta matéria. Com base neste princípio, foi editada a Súmula CARF nº 1, cujo enunciado é o seguinte: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O que fundamenta esta súmula é o fato de a interessada submeter ao Poder Judicial a mesma matéria discutida em processo administrativo e o fato de as decisões judiciais se sobreporem às administrativas. Logo, seja no caso de concomitância seja no caso de coisa julgada, o CARF só pode apreciar matéria distinta da constate de processo judicial, por força da Súmula CARF nº 1 e do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARFRICARF. Por estas razões, voto por não conhecer o recurso voluntário quanto à matéria atualização monetária dos valores ressarcidos ou a ressarcir, assentando que a decisão judicial deverá ser observada pela Unidade da RFB. Aquisições de insumos com fim específico de exportação. Depreendese da decisão da DRF de origem e do acórdão recorrido que o fundamento para a glosa em relação a esta matéria foi que a legislação estabelece isenção da Contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas de vendas com fim específico de exportação para o exterior a empresas exportadoras, considerandose adquiridos com este fim os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 13 12 Sendo tais vendas isentas, o adquirente não pode aproveitar créditos nelas baseados. A isenção está regulamentada no art. 45, IX, §1º, do Decreto nº 4.524, de 2002, e fundamentada no art. 14, da MP nº 2.15835, art. 39, §2º, da Lei nº 9.532, de 1997, art. 3º, da Lei nº 10.560, de 2002, e art. 7º, da Medida Provisória nº 75, de 2002. Assim, aquisições acobertadas por notas fiscais que continham a expressão “mercadoria destinada à exportação” ou outra semelhante foram glosadas pela fiscalização. A DRJ/FNS entendeu que a simples menção nas notas fiscais de que as mercadorias se destinavam à exportação não era suficiente para a glosa e, baseandose em outras informações, tais como o CFOP constantes das notas, o processo produtivo e o fato de constar nas notas que o produto foi remetido para beneficiamento/industrialização, entendeu que havia evidências de que os produtos não foram de fato adquiridos com o fim específico de exportação. Após análise da DRJ, apenas uma nota fiscal, da empresa “Celpex”, manteve se glosada, sob o argumento de que não trazia indicações de que a mercadoria se tratava de camarões in natura ou que foram enviados para o beneficiamento em outra empresa. Ao contrário do que alega a recorrente, não há aqui uma contradição, pois, as demais notas fiscais contêm mais elementos em favor da contribuinte do que esta. Entretanto, entendo que a glosa deva ser cancelada. É que a impossibilidade de ensejar direito ao crédito decorre da isenção da operação de venda efetuada nos moldes da legislação acima referida, de modo que, para fazerem jus à isenção, os produtos devem ser exportados diretamente ou remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Cito o Decreto nº 4.524, de 2002: “Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º , e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º , e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º ): (...) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.” Fl. 478DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 14 13 A nota fiscal glosada não preenche requisitos que permitam considerar a operação por ela acobertada isenta da contribuição: não se refere a exportação direta e não contém no seu corpo expressão de que os produtos estão sendo remetidos para recinto alfandegado, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. Ora, se a operação não é isenta, a glosa fundada na isenção não se sustenta. Por estas razões, voto por cancelar a glosa da aquisição amparada pela Nota Fiscal nº 022, emitida pela empresa Celpex Indústria do Pescado, no valor de R$ 62.954,14. Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. Com fundamento em doutrina e jurisprudência do CARF, a recorrente argumenta que o conceito de insumo utilizado na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep é mais amplo que o utilizado na legislação do IPI. É verdade que várias turmas de julgamento do CARF adotam um entendimento do conceito de “insumo” mais amplo para a aferição de quais gastos ensejam direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep do que o adotado em relação aos créditos de IPI. Entretanto, esta Turma, por voto de qualidade, tem decidido em sentido contrário, entendendo que o conceito de “insumo” é bem mais restritivo, senão vejamos. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 479DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 15 14 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da Cofins, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 16 15 Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, Cofins e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como Cofins e contribuição para o PIS/Pasep, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. (...) Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 17 16 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. (...) 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. (...) 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... (...)” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/Pasep seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 247, de 2/11/2002, com alterações da IN SRF nº 358, de 9/9/2003, que dispôs sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 18 17 Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (grifei) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (gn) Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 19 18 §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 20 19 (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa. Assentada abrangência do conceito de insumo, passamos aos gastos glosados pela fiscalização. Gastos com embalagens, caixas de isopor, fretes de camarão in natura e gelo, fretes de vendas. No recurso voluntário, os gastos especificamente abordados pela recorrente são os seguintes, já tratados na manifestação de inconformidade: embalagem secundária, em especial caixas (máster Box) com capacidade para 20 kg de camarão, caixa de isopor utilizadas na despesca e de transporte de camarão in natura entre a fazenda de criação e o frigorífico, que faz a industrialização do pescado, fretes pagos no transporte de gelo e camarão e fretes de vendas. Para gerarem direito a crédito, as embalagens devem ser utilizadas na produção do bem, caracterizandose como tal aquelas que, ao envolverem o produto, alteram a Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 21 20 sua apresentação, conforme se verifica no art. 4º, inc. IV, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). Se forem incorporadas após o produto estar pronto, como é o caso das embalagens de transporte, não se caracterizam insumo, não sendo passíveis de gerarem crédito da contribuição não cumulativa. No presente caso, agiu com acerto a fiscalização ao considerar apenas as embalagens de apresentação do produto, aqui chamadas embalagens primárias, como capazes de gerar o direito ao crédito e glosar as aquisições das chamadas embalagens secundárias, embalagens que contêm um conjunto de produtos acondicionadas nas embalagens primárias, pois são embalagens de transporte do produto já acabado e embalado. As caixas de isopor usadas para transportar gelo e camarão in natura não são consumidas no processo produtivo, logo, não se enquadram no conceito de insumo adotado Quanto aos gastos com fretes, tendo em vista que a lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de bens adquiridos para revenda e de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda; e que incluem o custo dos bens adquiridos e dos insumos, os gastos com o transporte destes bens e insumos, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, inc. II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; então, em princípio, poderiam ser admitidos os créditos com estes gastos. Porém, para tal aproveitamento, tendo em vista que o crédito deve ser líquido e certo, conforme artigos 165 e 170 do CTN, e que incumbe àquele que alega um direito o ônus de provar os fatos em que se funda, art. 333 do Código de Processo Civil, a contribuinte deveria comprovar que os gastos com fretes decorreram do transporte de insumos, o que não ocorreu no presente caso. Destaquese que a própria recorrente, após explicar como é feito o transporte do camarão in natura e do gelo utilizado na despesca e como são emitidas as notas fiscais, conclui que é muito difícil vincular as notas fiscais de insumos com as notas fiscais de fretes realizados. Quanto ao frete das vendas, tratase de gasto com transporte efetuado após o bem ter sido produzido, logo, não pode ser considerado insumo. Por outro lado, conforme assentado na decisão recorrida, os gastos com fretes sobre vendas passaram a dar direito ao crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas a partir de 1º/02/2004, quando entrou em vigor o inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, por força do disposto no art. 93, inciso I, da mesma lei, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. Uma vez que foram glosados os gastos com fretes de vendas suportados pelo vendedor anteriores a 1º/2/2004, não há reparos a serem feitos. Por estas razões, devem ser mantidas as glosas referentes aos gastos com caixas (máster box), caixas de isopor, fretes de vendas referentes a transportes realizados antes de 1º/02/2004 e fretes que não tenham sido comprovados como vinculados a aquisições de insumos segundo o conceito adotado neste voto. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 22 21 Conclusão. Pelas razões expostas, voto por não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados, assentando que a Unidade da RFB deverá cumprir a decisão judicial transitada em julgado. Na parte conhecida, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa referente à aquisição acobertada pela Nota Fiscal nº 022, da empresa CELPEX Indústria do Pescado Ltda, no valor de R$ 62.954,14; nas demais matérias, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10925.000486/2005-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2006
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE ECONÔMICA.
Não se tratando de atividade vedada pela sistemática do simples, não cabe a exclusão da empresa. A caracterização da cessão de mão de obra depende do conjunto probatório e do contrato firmado e não se tratando dessa subespécie de locação de mão de obra efetivamente, a empresa permance sob a égide da sistemática simplificada.
Numero da decisão: 1803-002.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ATIVIDADE ECONÔMICA. Não se tratando de atividade vedada pela sistemática do simples, não cabe a exclusão da empresa. A caracterização da cessão de mão de obra depende do conjunto probatório e do contrato firmado e não se tratando dessa subespécie de locação de mão de obra efetivamente, a empresa permance sob a égide da sistemática simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 86 /2 00 5- 21 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.000486/200521 Acórdão n.º 1803002.603 S1TE03 Fl. 159 2 Tratase, o presente feito, de exclusão da sistemática do simples, por motivo de exercício de atividade vedada, qual seja: locação de mão de obra, conforme ADE nº 28/2005. O fundamento se encontra nos art. 9º a 16 da Lei 9.317/96. Devidamente cientificada, a ampresa recorrente apresenta suas razões em seara de manifestação, de forma tempestiva, alegando, em apertada síntese, que não sua atividade: sexagem de aves, não se trata de locação de mão de obra e sim prestação de serviços de identificação do sexo de aves. Junta ao feito os contratos firmados com a SADIA. Prossegue aduzindo que o fato de prestar serviços exclusivamente, por meio de seus sócios, sem a utilização de empregados, comprova a não ocorrência de locação de mão deobra. Afere, de igual modo, que a sua atividade não pode ser enquadrada no conceito de locação de mão de obra, conforme determina o Parecer COSIT nº 69/99. Salienta que não contrata funcionários e os cede às constratantes, mas sim exercem os próprios sócios a atividade de sexagem de aves. Afirma que os serviços não são prestados para suprir necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou acréscimo extraordinário de tarefas. Ademais, aduz que as prestações de serviços ocorrem com completa autonomia e que a remuneração é paga com base na quantidade de aves sexadas. Junta ao feito ações pertinentes a sua atividade já julgadas pelo Poder Judiciário. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter a exclusão do sistema simples, sob o fundamento de se tratar de locação de mão de obra. Argumenta a autoridade, em apertada síntese, que o Parecer COSIT n. 69/99 deixa claro que a locação de mão de obra referenciada na alínea "f" do inciso XII, do art. 9º, da Lei 9317/96 deve ser interpretada de forma ampla, englobando institutos semelhantes ao da locação de mãodeobra em sentido estrito, como a cessão de mãodeobra e a empreitada exclusiva de mãodeobra. Afere que estão impedidas de optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestam serviços mediante cessão de mãodeobra, empreitada exclusiva de mãodeobra e locação de mãodeobra em sentido estrito. Atenta que no presente caso, restou claro que a atividade prestada pela recorrente empresa o uso da cessão de mão de obra. Discorre sobre as podenrações da cessão de mão de obra e as leis que envolve esse instituto. De igual modo, atenta o julgador de primeira instância que os contratos realizdos entre a empresa recorrente e suas contratantes deixa claro tratarse de prestação de serviço com cessão de mão de obra. Cita cláusulas contratuais. E, entende que o simples fato dos serviços serem prestados pelos sócios da recorrente, sem o concurso de empregados, ao contrário do que é aduzido na manifestação de inconformidade, não desnatura a configuração da cessão de mãodeobra, já que o §3°, do artigo 31 da Lei n° 8.212/1991, ao definir tal instituto, não exige a colocação à disposição do contratante de empregados da contratada, e sim de segurados (da Previdência Social) desta (contratada). Prossegue aduzindo que a afirmação feita na manifestação de Inconformidade de que os serviços prestados pela recorrente não visam suprir necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente da contratante ou acréscimo extraordinário de tarefas desta (contratante), apenas reforça a configuração da cessão de mãodeobra, já que nesta, ao contrário do que ocorre na locação de mãodeobra em sentido estrito, os serviços Fl. 159DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.000486/200521 Acórdão n.º 1803002.603 S1TE03 Fl. 160 3 prestados, por se repetirem periódica ou sistematicamente, constituem necessidade permanente da contratante (serviços contínuos). Acrescenta dizendo que o mero fato do pagamento dos serviços ser feito com base na quantidade de aves sexadas não tem o condão de desnaturar a configuração da cessão de mãodeobra, porquanto, conforme demonstrado acima, encontram se presentes todos os requisitos previstos no §3°, do artigo 31, da Lei n° 8.212/ 1991. Foi apresentada declaração de voto, na qual o julgador entende que não há locação de mão de obra e que sequer há como configurar e enquadrar nas atividades exercídas pela empresa, através exclusivamente dos seus sócio, como cessão de mão de obra. Entende que não há como subsumir, na norma que disciplina a matéria correspondente a atividade vedada pela sistemática do Simples, a atividade praticada pela empresa recorrente. De igual modo, entende que a elaboração de contratos sem o apuro necessário não tem o condão de retirar da atividade a possibilidade de se enquadrar no sistema Simples. Cita doutrina e norma nesse sentido. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância em 30.11.2009, a empresa recorrente apresenta em 30.12.2009 de forma tempestiva suas razões em seara de recurso voluntário. Aduz sinteticamente o já disposto na impugnação. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que a relatora original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 217 publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de junho de 2009. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos vinte e quatro dias do mês de março do ano de dois mil e quinze, às nove horas, Pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 3º Andar, Sala 306, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, MEIGAN SACK RODRIGUES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA, RICARDO DIEFENTHAELER, FERNANDO FERREIRA CASTELLANI e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): MEIGAN SACK RODRIGUES Processo: 10925.000486/200521 Recorrente: DIOGO N YAMAKAWA & CIA LTDA ME e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.603 Decisão: Por unanimidade de votos deram provimento ao recurso voluntário. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.000486/200521 Acórdão n.º 1803002.603 S1TE03 Fl. 161 4 Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Provido Sem Crédito em Litígio É o relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Tratase, o presente feito, de exclusão da sistemática do simples, por motivo de exercício de atividade vedada, qual seja: locação de mão de obra, conforme ADE nº 28/2005. O fundamento se encontra nos art. 9º a 16 da Lei 9.317/96. A autoridade de primeia instância entende tratarse de atividade exercida através da cessão de mão de obra e que sendo a cessão de mão de obra uma subespécie da locação de mão de obra, estaria vedada sob a égide da Lei 9.317/96, em seu art. 9º, inciso XII, alínea "f". Sustenta todo o seu entendimento nos contratos firmados entre a empresa recorrente e a contratante Sadia. Entendo que não merece apreço a decisão proferida pela instância a quo. Isso porque a decisão fundamentouse apenas e tão somente em cláusulas, não bem apuradas e redigidas, da empresa recorrente com uma contratantes (SADIA SA), deixando de cotejar as demais provas carreadas aos autos que vão de encontro ao posicionamento do julgador. Embora tenha apreciado todas as provas, achouas irrelevantes para a desconfiguração da cessão de mão de obra. Contudo, entendo que as provas carreadas aos autos são imprescindíveis e na realidade descaracterizam a cessão ou locação de mão de obra. No caso, há que se levar em conta que a atividade exercida pela recorrente nãos e constitui em locação de mão de obra, muito menos em uma subespécie ou derivativo dessa. Tratase, ao meu ver, de uma prestação de serviços, cujo objetivo é a separação por sexo de aves de um dia (sexagem), em que o pagamento será realizado na conformidade com o número de aves examinadas. Do exposto, aferese que há autonomina entre a empresa recorrente e a contratante e isso por si só já torna incompatível com o contrato de locação de mão de obra ou mesmo com o de cessão de mão de obra. Outro ponto relevante é o fato da empresa recorrente não possuir empregados. Atentamos para o fato de que foi juntado ao feito o RAIS Relação Anula de Informações Socias. Tal documento é imprescindível para a verificação de que não se está diante de locação de mão de obra, vez que esta pressupõe a utilização de trabalho alheio, sendo Fl. 161DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.000486/200521 Acórdão n.º 1803002.603 S1TE03 Fl. 162 5 que o documento demonstra que o serviço de sexagem é realizado pelos sócios da empresa recorrente. Assim, ainda que adentrássemos no conceito do que seja locação de mão de obra, sua diferenciação para cessão de mão de obra, as normas e pareceres na qual estão dispostas, em nada influenciaria tomando em conta o fato de que para restar configurada a cessão de mão de obra, como intenta a decisão a quo, importa que haja colocação de funcionários à disposição da contratante (SADIA), em suas dependências, para a realização de serviço contínuo. Claro e evidente está que a empresa não preenche os três requisitos acima dispostos e tão pouco é da natureza da prestação do seu serviço (sexagem de aves) a cessão de mão de obra. Convém verificar que o contrato de prestação de serviço de sexagem estabelece que a recorrente tem a obrigação de entregar à empresa contratante um produto final, qual seja: a ave comercial de um dia sexado. Ademais, o contrato também revela que o valor será estipulado em razão do número de perus sexados, sendo que a recorrente indenizará a contratante (SADIA) no caso do erro de sexagem ultrapassar a 2%. Ademais, devemos atentar para o fato de que os prestadores de serviços não ficam à disposição da contratante (SADIA), antes são eles que tem a obrigação de estabelecer os horários de incubação e eclosão, com a finalidade de adequar os métodos de sexagem dentro dos padrões de qualidade internacional. Assim, entendo mercer procedência ao recurso voluntário interposto pela empresa recorrente, tomando em conta a sua atividade exercida não se encontrar elencadas entre as atividades vedadas pela sistemática do Simples. Ainda, tratandose de uma contratação de um produto acabado, jamais poderia subsumir no conceito de cessão de mão de obra. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 162DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10611.720210/2014-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados na Importação
Período de Apuração: 01/10/2012 - 31/10/2012
NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA EM LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA QUANDO HAJA DEPÓSITO TEMPESTIVO DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO.
A teor da Súmula 5 do CARF, descabe incidência de juros de mora em lançamento levado a efeito para prevenir a decadência quando inconteste que o montante integral do tributo foi depositado tempestivamente, uma vez que não há se falar em mora na espécie.
Numero da decisão: 3403-003.635
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, unanimidades de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Matéria AI - IPI Recorrente LÍDER TÁXI AÉREO S/A BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados na Importação Período de Apuração: 01/10/2012 - 31/10/2012 NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA EM LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA QUANDO HAJA DEPÓSITO TEMPESTIVO DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO. A teor da Súmula 5 do CARF, descabe incidência de juros de mora em lançamento levado a efeito para prevenir a decadência quando inconteste que o montante integral do tributo foi depositado tempestivamente, uma vez que não há se falar em mora na espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, unanimidades de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente. (assinado digitalmente) JORGE FREIRE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Ivan Alegretti, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaia Batista e Jorge Freire. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Versam os autos recurso voluntário que tem como objeto o pedido de reforma da decisão a quo para que sejam excluídos os juros de mora aplicado em lançamento que teve por fulcro prevenir a decadência, uma vez que o mérito da matéria em litígio está sob apreciação do Poder Judiciário em instância recursal e o montante integral do valor litigado foi depositado tempestivamente. O Auto de Infração foi motivado para constituir crédito tributário de IPI, uma vez que a recorrente importou sob regime de admissão temporária para utilização econômica o helicóptero (NCM 8802.12.10) de número de série 920170, nos termos da Declaração de Importação (DI) 12/1962021-3. Ao valor do principal foram acrescidos juros de mora. O lançamento foi lavrado com exigibilidade suspensa com fulcro no art. 151, II, do CTN. É o relatório. Voto Dessume-se do relatado que a empresa importou mercadoria para uso em seus fins estatutários sob regime de admissão temporária nos termos da IN SRF 285, de 14/01/2013. Contudo, previamente ao registro da DI ajuizou mandado de segurança para ver afastada a incidência do IPI nessa importação. Foi concedida a liminar nos termo postulados e, no mérito, o juízo monocrático denegou a segurança, tendo dessa decisão a empresa recorrido, restando o mesmo ainda sem julgamento. Sendo inconteste nos autos que houve depósito do montante integral do IPI incidente sobre a importação e que o mesmo foi tempestivo, descabe a incidência dos juros de mora uma vez que mora não houve. Nesse sentido, a Súmula nº 5 do CARF, cujo enunciado foi vazado nos seguintes termos: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência dos juros de mora. Jorge Freire Fl. 822DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.720210/2014-97 Acórdão n.º 3403-003.635 S3-C4T3 Fl. 2 3 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901021/2008-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS.
As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas ao PIS, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
A Cofins apurada e paga sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca, a partir de 22/12/2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-002.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentará declaração de voto com as conclusões da maioria.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas ao PIS, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A Cofins apurada e paga sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca, a partir de 22/12/2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Recurso Especial do Procurador Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentará declaração de voto com as conclusões da maioria. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas ao PIS, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A Cofins apurada e paga sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca, a partir de 22/12/2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentará declaração de voto com as conclusões da maioria. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 21 /2 00 8- 85 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.901021/200885 Acórdão n.º 9303002.650 CSRFT3 Fl. 149 2 Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão proferido pela Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDAS A EMPRESA LOCALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida "com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição". Entre as "características" que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decretolei 288/67, segundo o qual "a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Portanto, urante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Provido É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.901021/200885 Acórdão n.º 9303002.650 CSRFT3 Fl. 150 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas as formalidades previstas no RICARF. O presente recurso trata do aspecto temporal da isenção concedida em relação às contribuições sociais – PIS e Cofins – apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca. A exigência dessa contribuição, naquele período, estava regulada pela Lei nº 9.718, de 1998, que assim dispunha: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1º (revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.901021/200885 Acórdão n.º 9303002.650 CSRFT3 Fl. 151 4 (...).” Posteriormente, o assunto foi tratado na edição da Medida Provisória (MP) nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, e reedições até a MP nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000. O art. 14, caput e parágrafos, adiante transcritos, que redefiniram as regras de desoneração das referidas contribuições, assim dispõem: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...); II da exportação de mercadorias para o exterior; (...). § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...)” (destaques não originais) Portanto, de conformidade com estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, até a data de 21 de dezembro de 2000, não gozavam da isenção da Cofins. Assim, para as receitas auferidas até aquela data, a contribuição apurada e recolhida mensalmente pela recorrente era devida, não se constituindo em indébito tributário passível de restituição/compensação, conforme seu entendimento. No entanto, para os períodos de competência subsequentes, as receitas decorrentes de vendas de mercadorias destinadas a empresas localizadas naquela zona França e que efetivamente foram nela internadas passaram a gozar da isenção dessa contribuição, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADIN nº 2.348, impetrada pelo Governo do Estado do Amazonas. Naquela ADIN, em sessão plenária de 7 de dezembro de 2000, o STF deferiu Medida Cautelar suspendendo, “ex nunc”, a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, até então contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000. Em face desta decisão, o Poder Executivo editou a MP nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000 (atualmente MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), na qual foi suprimida a expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do art. 14, assim dispondo: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...); II da exportação de mercadorias para o exterior; § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.901021/200885 Acórdão n.º 9303002.650 CSRFT3 Fl. 152 5 § 2º As isenções previstas no caput e no § 1º não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...).” Dessa forma, concluise que a isenção da Cofins até então vedada pelo § 2º, inciso I do art. 14 da MP nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições até a MP nº 2.03724, de 23/11/2000, sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, com a reedição daquela MP sob o nº 2.03725, em 21/12/2000, dando nova redação àquele dispositivo, dessa vez, excluindo a vedação de isenção sobre receitas de vendas para aquela zona franca, essas passaram a gozar da isenção, nos termos dessa MP, art. 14, c/c o DecretoLei nº 288, de 26/02/1967, art. 4º, que assim dispõe: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” A título de informação, este é também o entendimento da própria Secretaria da Receita Federal manifestado nas Soluções de Consulta nºs 102; 113 e 135, por meio da Superintendência da Receita Federal em São Paulo, publicadas no Diário Oficial da União (DOU) de 08 e 28 de junho de 2001. Assim, a contribuição apurada e recolhida pela recorrente sobre as receitas de vendas mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN. Rodrigo da Costa Possas Declaração de Voto Conselheira Nanci Gama A presente declaração de voto se faz necessária para consignar que não obstante a concordância com a conclusão a que o Conselheiro relator chegou em seu voto, quanto os fundamentos, ao menos em parte, o mesmo não ocorre. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.901021/200885 Acórdão n.º 9303002.650 CSRFT3 Fl. 153 6 Isto porque, com fundamento no artigo 4º do DecretoLei n° 288/1967, combinado com a previsão contida no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as receitas provenientes de vendas a Zona Franca de Manaus jamais poderiam ser tributadas pela Cofins ou pelo PIS. E o posicionamento aqui defendido pode ser sintetizado pelo entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki, quando do julgamento do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, segundo o qual: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. Essas razões é que justificam o posicionamento daqueles que votaram com pelas conclusões. Nanci Gama Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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