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Numero do processo: 10805.000442/2004-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTO. TITULARIDADE.
"A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2202-003.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTO. TITULARIDADE. "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 04 42 /2 00 4- 86 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 2 (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte supra identificado em razão de depósitos bancários de origem não comprovada. Insatisfeito com a exação, o Recorrente apresentou impugnação, que foi rejeitada. Apresentou, ato contínuo, Recurso Voluntário, no qual se reconheceu a Decadência. Tendo a Fazenda Nacional apresentado Recurso Especial, a CSRF afastou a referida decadência, determinando o retorno dos autos a esse e.CARF para julgamento das demais questões. Feito o breve resumo, passamos ao relato pormenorizado. Conforme relata o Termo de Verificação Fiscal (fls. 71/72), essa fiscalização decorreu de envio de dados bancários proveniente de quebra de sigilo bancário pela Justiça Federal (fls. 17/41). Tendo recebido extensa documentação enviada pela Justiça Federal e pela Policia Federal, a autoridade fiscal identificou infrações tributárias decorrentes da movimentação de US$ 140.000,00 (cento e quarenta mil dólares americanos) na agência de Nova Iorque do Banco Banestado S.A. A autoridade fiscalizadora intimou o Contribuinte a comprovar a origem de tais recursos. Porém, entendendo que os pedidos de extensão do prazo eram meramente protelatórios, lavrou Auto de Infração no qual identificou o seguinte: 001 Depósitos bancários de origem não comprovada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituições financeiras internacional, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos movimentados. Entre Fevereiro e Março de 1998 o valor de US$ 140.000,00 foi creditado em conta em nome do contribuinte no Banco Nanyang Commercial Bank Ltd, localizado em Hong Kong, via transferência internacional de fundos feita através da Agência de Nova York USA do Banco Banestado S/A, conforme documento reproduzindo as informações eletrônicas do sistema de controle de transferências internacionais daquela agência, documento este que faz parte integrante do presente auto, bem como a tabela de conversão dos valores para reais. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 2202003.456 S2C2T2 Fl. 206 3 No auto de infração (fls. 72/78), datado de 02/03/2004, foram constituídos IRPF no valor de R$ 42.039,50, referente ao anocalendário de 1998, além de multa e de juros. Cientificado do Auto de Infração, o Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 83/98), a qual foi rejeitada no acórdão nº 1726.417 (fls. 102/110), proferido pela DRJ/SPOII em 17/07/2008. Este restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NO EXTERIOR DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, no país ou no exterior. DECADÊNCIA. SIMPLES AFIRMAÇÃO NÃO ACOMPANHADA DE PROVAS. A simples afirmação de que os fatos geradores do Imposto de Renda da Pessoa Física ocorreram em anos anteriores a 1998 não pode ser aceita, sem provas a demonstrarem a veracidade de tal afirmação. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CONFISCO. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária. No que tange à invocação da figura do confisco, refoge à competência da Autoridade Administrativa a apreciação e a decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. Lançamento Procedente. Os principais pontos dessa decisão da DRJ foram: “... o teor do documento ora apresentado [declaração de MOK POA PANG] é insuficiente para a comprovação das alegações do Impugnante, as quais carecem da análise dos extratos com todas as operações de débito e crédito realizadas na conta em questão, o que já se tornou inviável pelo decurso do prazo, como informa a declaração acima referida. Portanto, não tendo restado plenamente comprovado que os depósitos pertencem a terceiros, prevalece a presunção de que se trata de omissão de Fl. 207DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 4 depósitos em conta corrente mantida pelo contribuinte no exterior.” – fl. 106; e “Verificase do exame das peças constituintes dos autos que o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados na contacorrente em exame.” – fl. 108; Intimado da decisão de 1º Grau em 09/09/2008 (fl. 115), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 24/09/2008 (fls. 116/124 e docs. anexos fls. 125/130), no qual aduziu, em síntese: · Que houve decadência; · Que a conta, que deveria ter sido encerrada, foi utilizada indevidamente por terceiros; · Que o auditor fiscal deteria ter intimado o sr. Mok Poa Pang, que apresentou declaração assumindo a titularidade dos recursos, para comprovar essas alegações; e · Que a presunção de omissão de rendimentos lastreada tão somente nos depósitos bancários é indevida. Chegando a lide ao CARF, foi proferido o acórdão nº 220200.470, de 10/03/2010, no qual se reconheceu a decadência do crédito tributário, abstendose de analisar as demais questões relevantes (fls. 132/135). A Fazenda Pública apresentou então Embargos de Declaração (fls. 139/141) e, uma vez que a decisão foi mantida, Recurso Especial (fls. 149/155 e docs. anexos fls. 156/159). Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 170/173). Enfim, foi proferido o acórdão CSRF nº 9202003.489 (fls. 178/186), de 11/12/2014, no qual foi dado provimento ao REsp fazendário, reformando a decisão do e.CARF para afirmar que não houve decadência. Determinouse, então, a análise dos demais pontos do Recurso Voluntário. Não sendo possível encontrar e intimar o Contribuinte desta decisão por via postal, foi feita intimação por edital, com data de 11/03/2015 (fl. 198). É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Uma vez que a CSRF já superou a questão da decadência, observamos que os demais questionamentos levantados pelo Contribuinte foram: (i) que a presunção de omissão de rendimentos insculpidas no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é inadequada; e (ii) que os recursos não eram seus. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 2202003.456 S2C2T2 Fl. 207 5 Passamos, pois, à análise desses pontos controvertidos. DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS – ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996: O Recorrente argumentou que cabe à autoridade fiscalizadora apresentar indícios externos de riqueza, não sendo suficiente indicar a ocorrência de depósitos bancários. Tratase de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas tratando sobre a matéria, e nenhuma delas questiona a sua legalidade. São os casos das Súmulas CARF nº 30 e 38, sobretudo da Súmula nº 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Em suma, não é possível afastar o lançamento com base nesse argumento, porquanto não pode esse e.CARF afastar a aplicabilidade de Lei fora dos casos expressos no RICARF. DA ORIGEM DOS RECURSOS Como já relatado, essa fiscalização decorreu de quebra de sigilo bancário realizado pela Justiça Federal. Recebidos os extratos e movimentações de diversas contas mantidas na agência de Nova Iorque do Banestado, a autoridade fiscalizadora identificou movimentações no valor de US$ 140.000,00 (cento e quarenta mil dólares americanos) em nome do Contribuinte. Na época, a autoridade fiscalizadora fez a conversão para a moeda brasileira, calculando o valor de R$ 158.324,00 (cento e cinquenta e oito mil, trezentos e vinte e quatro reais) (fl. 69). Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 6 Intimado a comprovar a origem de tais depósitos, o Recorrente apresentou as seguintes respostas durante a fiscalização (as mesmas alegações trazidas durante o processo administrativo): · Que mantinha essa conta antes mesmo de se mudar para o Brasil; · Que, tendo se mudado para este país, deixou procuração para que outro parente (de nome Mo Yung Lin) movimentasse a conta, com o intuito de quitar com débitos tributários em Hong Kong; · Que, mesmo depois de finalizar tais pagamentos, o parente continuou usando a conta em benefício próprio; A autoridade fiscalizadora, insatisfeita com essas alegações abstratas, pediu provas de que havia dita procuração e de que tais recursos foram movimentados pelo referido parente e não pelo próprio contribuinte. Tendo o Contribuinte pedido dilação de prazo, a autoridade fiscalizadora entendeu suficiente para a lavratura do auto de infração. Em sede de impugnação, o Recorrente apresentou os seguintes documentos tão somente declaração prestada por um terceiro (de nome Mok Poa Pang) perante o notário público de Hong Kong. Nesta, afirmouse o seguinte: “Eu, Mok Poa Pang, portador da cédula de identificação n.° E678584(4), domiciliado no endereço Room 911, Shin King House, Fu Shin Estate, Tai Po, New Territories, Hong Kong, cidadão de HONG KONG, declaro que no dia 13 de abril de 1998 recebi o montante de US$ 140.000,00 (cento e quarenta mil dólares norteamericanos) do Sr. MO YUNG LIN (PATRICK), o qual foi procurador de uma conta corrente em nome do Sr. WONG MAN WAH junto ao NANYANG COMMERCIAL BANK LTD, em HONG KONG. Este montante de valor se refere a terceiros que se encontravam em débito com a minha pessoa, não tendo o Sr. WONG MAN WAH e o Sr. MO YUNG LIN (PATRICK) quaisquer vínculos com o valor supramencionado. A conta supra já se encontra encerrada e os documentos relativos ao mesmo, pela legislação local, somente ficam disponíveis no prazo máximo de 03 (três) anos.” – fl. 99 Nenhuma prova foi anexada ao Recurso Voluntário. Não há como reformar a decisão de primeiro grau, que bem sintetizou os fatos e as provas trazidas e necessárias: “Contudo, o teor do documento ora apresentado é insuficiente para a comprovação das alegações do Impugnante, as quais carecem da análise dos extratos com todas as operações de débito e crédito realizadas na conta em questão, o que já se tornou inviável pelo decurso do prazo, como informa a declaração acima referida. Portanto, não tendo restado plenamente comprovado que os depósitos pertencem a terceiros, prevalece a presunção de que se trata de omissão de depósitos em conta corrente mantida pelo contribuinte no exterior.” – fl. 106. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 2202003.456 S2C2T2 Fl. 208 7 Mais, o CARF já tem a Súmula nº 32, que determina que: “A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.” Ora, não tendo o Contribuinte apresentado documentação hábil e idônea, não há como afastar a presunção de que os depósitos feitos em conta bancária em seu nome são de sua titularidade, e não de terceiros. Portanto, frente à ausência de provas, não há como afastar a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 de que os depósitos realizados em conta corrente, cuja origem o Contribuinte não logre comprovar, configuramse rendimentos omitidos da fiscalização. DISPOSITIVO Por tudo quanto exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima. (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10880.913973/2011-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 13 97 3/ 20 11 -6 7 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.913973/201167 Resolução nº 1301000.340 S1C3T1 Fl. 165 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende compensar SALDO NEGATIVO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, relativo ao ano calendário de 2004, com débitos de sua titularidade. Sirvome de fragmentos do Relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever os fatos e as razões trazidas pela requerente em sede de Manifestação de Inconformidade. [...] Por intermédio do despacho decisório de fl. 12, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada as compensações declaradas na PER/DCOMP sob exame, em razão dos seguintes fundamentos: a) retenções de fonte não confirmadas ou apenas parcialmente confirmadas, conforme demonstrativo de fls. 15/16; e b) as estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, com processo administrativo, não foram confirmadas (fl. 16). Em razão da não confirmação dos citados valores, constatouse a insuficiência das parcelas de composição de crédito confirmadas para satisfazer a CSLL informada como devida. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 18, na qual alega, em síntese: a) o enunciado do art. 722 do RIR/99 não deixa dúvida de que, no que concerne ao efetivo direito ao crédito a que faz jus aquele que recebeu seu "acréscimo patrimonial" submetido à sistemática de retenção na fonte, já teve este descontado os tributos então incidentes, retido e recolhido pela fonte pagadora. Em sendo assim, e com vistas a confirmar o quanto se alega, requer a Manifestante, desde já, seja deferido prazo adicional para a juntada de todos os informes de rendimento relacionados aos créditos de CSLL Retida na Fonte não confirmadas por esta Recita a fim de confirmar seu efetivo direito sobre estes créditos bem como corroborar a ausência de qualquer responsabilidade sobre a obrigação de retenção e pagamentos deste tributo. b) a glosa de estimativas compensadas referemse a parcelas liquidadas por compensação declarada em 29/03/2004, retificada em 21/09/2006, que não foi objeto de análise pela Receita; inexistindo a decisão que desconstitui os pagamentos realizados pela manifestante, cumpre cumprir a disposição veiculada pelo art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Por fim, cumpre ainda registrar que, com relação ao pagamento da estimativa de CSLL no montante de R$ 1.260.004,72, apontado por esta Receita como liquidada em compensação relacionada a PER/DCOMP por ora discutida, vem esclarecer a Manifestante que, neste caso, realizou o pagamento por meio de DARF (documento 06) motivo resta ainda evidente a impossibilidade de desconsideração deste crédito! Diante deste fatos, imperiosa a conclusão de que, com relação aos créditos de CSLLestimativas apurados no ano de 2004 devem estes ser considerados integralmente liquidados (por disposição expressa do art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96) em decorrência das compensações realizadas pela Manifestante. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.913973/201167 Resolução nº 1301000.340 S1C3T1 Fl. 166 3 Ao final pede o reconhecimento da compensação, com o consequente cancelamento da suposta dívida... A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 14 48.077, de 19 de dezembro de 2013, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: CSLL. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no ano calendário. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. Às fls. 98/104, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 1º de junho de 2015, em que a contribuinte sustenta ter direito ao crédito decorrente do imposto retido na fonte e ao reconhecimento do "pagamento da CSLL apurado por estimativas". É o Relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.913973/201167 Resolução nº 1301000.340 S1C3T1 Fl. 167 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende compensar SALDO NEGATIVO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO, relativo ao ano calendário de 2004, com débito de sua titularidade. Extraio do Despacho Decisório de fls. 12 as seguintes informações: i) o montante do SALDO NEGATIVO DE IRPJ indicado para compensação foi de R$ 2.705.126,41; ii) as parcelas que compuseram o crédito somaram R$ 19.282.251,32, enquanto o imposto devido foi de R$ 16.577.124,91, resultando daí o saldo negativo acima apontado; iii) o crédito de R$ 19.282.251,32 decorreu das seguintes rubricas: RETENÇÕES NA FONTE........................................................................R$ 369.732,77 PAGAMENTOS........................................................................................R$ 7.572.264,56 ESTIMATIVAS ........................................................................................R$ 11.340.253,99 (COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES) iv) das parcelas acima indicadas, foram confirmados os seguintes montantes: R$ 288.059,65 relativo à contribuição social retida na fonte; e R$ 7.572.264,56 correspondente a pagamentos. A Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, como já visto, foi considerada IMPROCEDENTE. Relativamente às antecipações obrigatórias (estimativas), supostamente extintas por compensação e que não foram confirmadas, no valor de R$ 11.340.253,99, a Recorrente apresenta o quadro abaixo reproduzido, e informa que a Declaração de Compensação relacionada à extinção dos valores devidos sequer foi apreciada. Período de Apuração da estimativa compensada Nº da DCOMP Valor da estimativa compensada no PER/DCOMP Valor não confirmado FEV/2004 02550.87876.210906.1.7.039680 R$ 174.330,45 R$ 174.330,45 MAR/2004 02550.87876.210906.1.7.039680 R$ 2.778.006,02 R$ 2.778.006,02 ABR/2004 02550.87876.210906.1.7.039680 R$ 4.537.111,13 R$ 4.537.111,13 MAI/2004 02550.87876.210906.1.7.039680 R$ 673.049,83 R$ 673.049,83 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.913973/201167 Resolução nº 1301000.340 S1C3T1 Fl. 168 5 JUN/2004 02550.87876.210906.1.7.039680 R$ 1.917.751,84 R$ 1.917.751,84 JUL/2004 02550.87876.210906.1.7.039680 R$ 1.260.004,72 R$ 1.260.004,72 TOTAL R$ 11.340.253,99 R$ 11.340.253,99 Considerando o fato de que o ato decisório recorrido não aborda a questão, embora ela tenha sido suscitada por meio Manifestação de Inconformidade anteriormente apresentada, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade administrativa de origem apresente esclarecimentos acerca das compensações pleiteadas na DCOMP nº 02550.87876.210906.1.7.039680, referenciadas no quadro acima. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 12897.000383/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, entendeu-se por converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, entendeu-se por converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora).
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(assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 97 .0 00 38 3/ 20 09 -0 2 Fl. 3147DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.147 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão de fls. 2921 e seguintes dos autos: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 46 a 55 contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, referente aos períodos de apuração de 02/2004 a 12/2005, no valor de R$ 33.123.866,72 incluído principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 29/05/2009. Foi também lavrado Auto de Infração de fls. 154 a 163, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, referente aos períodos de apuração de 01/2004 a 12/2005, no valor de R$ 10.323.506,31 incluído principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 29/05/2009. Nos Termos de Verificação Fiscal (fls. 38 a 45 e 146 a 153), a autoridade lançadora registra, em síntese, o seguinte: a) Partiuse da premissa de que a empresa não tinha crédito a compensar em janeiro de 2004, por estar ainda sujeita ao regime cumulativo da Cofins e tendo em vista que o suposto saldo credor era composto das mesmas contas glosadas nos anos calendários de 2003 e 2004; b) A possibilidade de calcular crédito sobre as despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos deixou de existir com o advento da Lei 10.865/04, art. 21. De acordo com a planilha apresentada pelo contribuinte, o mesmo se utilizou dos citados créditos entre abril e julho de 2004. Os créditos utilizados a partir de 01/05/2004 devem ser glosados por falta de amparo legal; c) As despesas com comissões de vendas não se caracterizam como insumo aplicado ou consumido de forma direta na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; d) No tocante ao creditamento efetuado com base nas despesas relacionadas a gastos com promoção e publicidade, cabem as mesmas ponderações traçadas para as despesas com comissões de vendas; e) Também no tocante ao creditamento efetuado com base nas despesas relacionadas a gastos de instalação, decoração e paisagismo, cabem as mesmas ponderações feitas nos itens anteriores; f) Quanto aos itens Gerenciamento, Serviços prestados por Pessoas Jurídicas e Fundo de Promoção, nosso entendimento é o mesmo já exposto anteriormente, ou seja, não há amparo legal para o correspondente creditamento; g) 0 contribuinte foi intimado a justificar os créditos e, em atendimento, apresentou pronunciamento e juntou parecer jurídico emitido pelo escritório Xavier, Bernardes, Bragança, datado de 30/04/2004. 0 enquadramento legal citado nos Autos de Infração foi: artigos 1º, 2º e 5º da Lei 10.833/03 e artigos 1°, 3° e 4º da Lei 10.637/2002. A base legal da multa de oficio e dos juros de mora exigidos consta em fls. 55 e 163. Fl. 3148DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.148 3 Após tomar ciência das autuações em 26/06/2009 (fl. 47 e 155), a empresa autuada, inconformada, apresentou as impugnações de fls. 202 a 234 e 1382 a 1419 em 27/07/2009 alegando, em síntese que: 1) A partir da análise dos demonstrativos anexos ao auto, constatase que a Cofins e o PIS lançados decorrem não só da glosa dos créditos apropriados sobre as despesas descritas no Termo, mas também da glosa de outros créditos, bem como da não exclusão de receitas sujeitas à alíquota zero, sendo que em relação a tais valores, a fisca1ização aponta as razões que teriam motivado a autuação nem informa seu enquadramento legal. São eles: crédito sobre o custo das atividades imobiliárias nos meses de 04/04 e 06/04 a 12/04; crédito presumido sobre estoque de abertura de atividades imobiliárias; e Cofins e PIS sobre as receitas financeiras de 01/05 a 12/05; 2) A correta descrição da matéria da autuação é elemento essencial do lançamento, sendo que sua inobservância configura vicio material por cerceamento ao direito de defesa acarretando a nulidade do auto; 3) 0 presente auto exige diferença de Cofins relativa a 01/2004 a 12/2005, abrangendo período já objeto de auto de infração anterior, cuja ciência se deu em 12/11/2008, onde se exige diferença da Cofins relativa a fevereiro, outubro e dezembro de 2005. Segundo o art. 50, VI, § 10 da Lei 9.784/99, só é possível o reexame de ato administrativo mediante motivação explicita; 4) No mesmo sentido o art. 242 do Regimento Interno da RFB, com redação da Portaria 323/2007, vigente à época dos MPF's previa expressa autorização do Delegado da RFB; 5) Nesse sentido há vasta jurisprudência do CARF; 6) Resta demonstrada a nulidade do auto relativo à Cofins, na parte referente aos meses de janeiro a dezembro de 2005, em razão da falta de autorização expressa de autoridade competente para reexame de período anteriormente fiscalizado; 7) No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decadência se dá no prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 0 do CTN). Na data da lavratura dos autos (26/06/2009), já havia decaído o direito de a Fazenda Nacional lançar o PIS e a Cofins relativos aos fatos geradores de janeiro/2004 a maio/2004; 8) Neste sentido é o entendimento consolidado da jurisprudência administrativa; 9) Em 20/06/2008 foi publicada a Súmula Vinculante n° 8 do STF. Tal súmula teve origem no RE 559.882RS, o qual deixa claro que o prazo para a constituição de contribuições sociais para a Seguridade Social é aquele previsto no CTN; 10) Em relação à Cofins e ao PIS, os autos devem ser retificados em função de equivoco cometido pela fiscalização. Conforme Demonstrativo da Cofins e do PIS anexos aos Termos, a fiscalização repetiu as receitas auferidas em janeiro, fevereiro e março de 2005 em abril, maio e junho de 2005, provocando significativo aumento na base de cálculo da Cofins e do PIS; 11) Anexa planilha demonstrando a diferença que entende deve ser excluída do auto; 12) 0s autos devem ser retificados em função de parte das contribuições exigidas já ter sido lançada em DCTF (Cofins — jun/05 e set/05 e PIS — set/04); Fl. 3149DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.149 4 13) A Cofins e o PIS já declarados em DCTF não poderiam ser exigidos por meio de auto de infração, sob pena de duplicidade do lançamento, conforme jurisprudência do CARF e das SRRF; 14) 0s valores das receitas, custos e despesas informados nas DACONS não chegaram a ser confrontados pela fiscalização com os valores registrados na contabilidade. Após conferência, a impugnante verificou que as DACONS foram preenchidas de forma equivocada e, como forma de adequarse A legislação, procedeu a uma nova apuração da Cofins e do PIS, a qual é demonstrada nas planilhas anexas e respectivos documentos suporte; 15) A diferença entre os valores apurados nos DACONS e aqueles demonstrados nas planilhas em anexo decorre, basicamente, da alteração dos valores da receita bruta, despesas financeiras e custos da atividade imobiliária, conforme planilhas em fls. 225 e 1399; 16) A autoridade fiscal glosou a exclusão das receitas sujeitas A aliquota zero, nos meses de janeiro a dezembro de 2005, informadas no item 13 da DACON. Tal exclusão corresponde às receitas financeiras e foram devidamente informadas no item 07 da demonstração da base de cálculo na DACON; 17) 0 Decreto 5.164/2004, substituído pelo Decreto 5.442/2005, reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins nãocumulativos incidentes sobre as receitas financeiras, a partir de agosto de 2004. Nesse sentido há Soluções de Consulta da RFB, restando comprovada a improcedência da glosa; 18) E improcedente a glosa dos créditos referentes As despesas financeiras nos meses de maio a junho de 2004. A Lei 10.865/04 revogou a possibilidade de a pessoa jurídica descontar tais créditos. Todavia, os efeitos da referida revogação somente se iniciam após decorridos 90 dias da publicação da norma que a instituiu, por força da anterioridade nonagesimal imposta pelo art. 195, § 6 ° da Constituição; 19) 0 art. 6°, III, da IN SRF 458/04 confirma que os citados créditos podem ser descontados até julho de 2004. No mesmo sentido é o entendimento da COSIT na Solução de Divergência n° 6/2008; 20) A fiscalização glosou créditos apropriados sobre custos da atividade imobiliária nos meses de abril e de junho a dezembro de 2004. 0 creditamento dos referidos custos tem amparo no art. 3 ° da Lei 10.833/03 e 3 0 da Lei 10.637/02, com alterações da Lei 10.865/04 e art. 5° da IN/SRF 458/04; 21) No mesmo sentido é o entendimento da RFB, conforme Solução de Consulta 65/06. A improcedência do procedimento adotado pela fiscalização ainda mais se evidencia pela constatação de que a apropriação de créditos da mesma natureza foi por ela aceita em outros meses incluídos no período autuado; 22) Em relação ao PIS, a fiscalização não aceitou o transporte dos créditos de 2003 para 2004 e 2005. A impugnante entende que os créditos anteriores a 2004 não poderiam ser analisados, pois quando da lavratura do auto já havia transcorrido prazo superior a cinco anos dos supostos fatos geradores ocorridos em 2003, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, razão pela qual deve ser integralmente aceito o crédito presumido relativo ao estoque em janeiro de 2004 informado nos DACONs; 23) A planilha anexa, elaborada com base nos DACONs de 2003 e documentação contábil demonstra que mesmo que se considere a glosa dos créditos Fl. 3150DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.150 5 realizada pela fiscalização, ainda assim a impugnante teria crédito presumido em dezembro de 2003, no montante de R$ 1.902.819,39; 24) 0 crédito presumido relativo ao estoque de abertura informado nas DACONS, diferentemente do que afirmou a fiscalização, era composto somente pelos custos de aquisição de terrenos e realização de projetos, conforme comprova a anexa documentação contábil; 25) As despesas com instalação, decoração e paisagismo fazem parte do custo dos imóveis destinados à venda, sendo estas despesas essenciais para atender aos padrões de qualidade previstos nos contratos de compra e venda de imóveis firmados com seus clientes; 26) Os serviços de gerenciamento fazem parte do custo da obra, sendo uma atividade necessária à existência do produto final destinado A venda; 27) As despesas com comissão de vendas, promoção e publicidade e fundo de promoção fazem parte do custo dos imóveis destinados A venda, pois sem eles não seria possível dar publicidade aos empreendimentos nem vendêlos. Protesta pela posterior juntada de documentos que comprovem ainda mais o que foi defendido; 28) Por fim, demonstrada a improcedência das glosas, devem ser restabelecidos os créditos de meses anteriores também excluídos pela fiscalização quando da lavratura do auto; 29) Requer seja reconhecida a nulidade do auto ou, se não isso, seja julgado improcedente, com a conseqüente extinção do crédito tributário dele decorrente. Em 24/02/2010, a empresa protocolou as petições anexadas às fls. 2563/2565 e 2596/2598 nas quais requer, para efeito do que dispõe a Lei 11.941/09, a desistência parcial das impugnações apresentadas contra os Autos de Infração relativos ao PIS e à COFINS, especificamente no que se refere aos itens relacionados A glosa de créditos decorrentes de serviços de comissão de vendas, promoção e publicidade e fundo de promoção. Esclarece que no que se refere aos demais itens das impugnações, não ha qualquer renúncia das suas alegações de direito e apresenta demonstrativos dos valores dos débitos alcançados pela desistência. Ao analisar o caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II DRJRJ2, entendeu por julgar procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário conforme valores indicados nos demonstrativos constantes de fls. 2.949/2.953. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Fl. 3151DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.151 6 Após a publicação da Súmula Vinculante STF n° 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, pacificouse o entendimento de ser quinquenal o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. Para fins de cômputo do prazo decadencial, não tendo havido pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. VALORES DECLARADOS EM DCTF LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Apenas os débitos declarados pelo contribuinte em DCTF apresentada antes do início da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de oficio. ERRO NA COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Constatado equivoco na apuração da base de cálculo efetuada pela autoridade autuante, retificamse os valores exigidos nos autos. VALORES DECLARADOS. CONTESTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A alteração dos valores declarados pelo contribuinte na DIPJ e no DACON somente é possível mediante comprovação através,dos registros em livros fiscais e contábeis, acompanhados da documentação a eles correspondentes. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. O lançamento de oficio de crédito tributário apurado em decorrência da glosa de créditos legalmente autorizados pela legislação aplicável ao PIS e à COFINS nãocumulativos deve ser motivada, devendo constar no auto de infração a descrição dos fatos e as razões do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. A partir de 02/08/2004, ficam reduzidas a zero as alíquotas do PIS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições. DESPESAS FINANCEIRAS. PIS As despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos podem gerar crédito de PIS nãocumulativo até 31 de julho de 2004. CRÉDITOS DA ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. A pessoa jurídica que adquirir imóvel para venda ou promover empreendimento de desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 3152DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.152 7 incorporação imobiliária ou construção de prédio destinado A venda poderá utilizar, na apuração do PIS nãocumulativo, créditos referentes aos custos vinculados A unidade imobiliária, construída ou em construção, a serem descontados a partir da data da efetivação da venda. SERVIÇOS DE GERENCIAMENTO. CRÉDITO PIS NÃO CUMULATIVO. As despesas incorridas com serviço de gerenciamento não integram o custo da unidade imobiliária destinada à venda e, consequentemente, não geram crédito a ser deduzido do PIS e da COFINS devidos no regime de incidência nãocumulativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005 RECEITAS FINANCEIRAS. AL1QUOTA ZERO. A partir de 02/08/2004, ficam reduzidas a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições. DESPESAS FINANCEIRAS. COFINS As despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos podem gerar crédito de PIS nãocumulativo até 29 de julho de 2004. CRÉDITOS DA ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. A pessoa jurídica que adquirir imóvel para venda ou promover empreendimento de desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária ou construção de prédio destinado A venda poderá utilizar, na apuração da COFINS nãocumulativa, créditos referentes aos custos vinculados A unidade imobiliária, construída ou em construção, a serem descontados a partir da data da efetivação da venda. SERVIÇOS DE GERENCIAMENTO. CRÉDITO COFINS NÃO CUMULATIVA. As despesas incorridas com serviço de gerenciamento não integram o custo da unidade imobiliária destinada A venda e, consequentemente, não geram crédito a ser deduzido do PIS e da COFINS devidos no regime de incidência nãocumulativo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista o montante exonerado, a referida decisão encontrase sujeita à reanálise por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através de Recurso de Ofício. O contribuinte, por seu turno, interpôs recurso voluntário, por meio do qual alegou, resumidamente: Fl. 3153DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.153 8 (i) nulidade dos autos por cerceamento do direito de defesa da Recorrente os termos não teriam apontado os dispositivo legais infringidos nem teriam descrito os fatos e motivos que levaram à glosa de determinados créditos referentes ao custo das atividades imobiliárias (abril e junho de 2004) e receitas financeiras (janeiro a dezembro de 2005); (ii) nulidade da parte do auto de COFINS relativa a período anteriormente fiscalizado (janeiro a dezembro de 2005) o presente auto de infração exigiria valores relativos a períodos que já teriam sido objeto de auto de infração anterior, decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002008 04281; (iii) decadência de parte do auto de COFINS alega que o prazo decadencial deveria ser contado com fulcro no parágrafo 4º do art. 150 e não no inciso I do art. 173, ambos do CTN, uma vez que teria realizado declaração dos débitos de COFINS em DCTF, o que configuraria confissão irretratável da dívida; (iv) retificação do valor das receitas e despesas que serviram de base de cálculo do PIS e da COFINS informa que parte do PIS e da COFINS lançados corresponde à diferença entre aquela apurada pela Recorrente em suas DACONS e as informações da DCTF; ocorre que teria a Recorrente verificado que as DACONS haviam sido preenchidas com equívocos, tendo procedido a uma nova apuração do PIS e da COFINS, conforme planilhas e respectivos documentos de suporte, anexados à impugnação; a decisão recorrida não acolheu os argumentos da Impugnante sob o fundamento de que "As planilhas e relatórios apresentados, contudo, não comprovam o alegado nem esclarecem a origem dos supostos erros, não sendo possível confirmar, através dos elementos trazidos aos autos, os valores pretendidos pela empresa"; o contribuinte aponta, contudo, que a origem dos equívocos encontrase devidamente comprovada conforme documentos anexados aos autos; (v) retificação do valor dos autos pela exclusão do PIS e da COFINS já lançados pela Recorrente em DCTF a Recorrente argumentou em sua impugnação que determinados valores deveriam ser excluídos da autuação em função de já terem sido declarados em DCTF; a decisão recorrida manteve este item dos lançamentos por entender que já haveria procedimento de fiscalização instaurado quando da entrega das DCTF retificadoras, o que excluiria a espontaneidade das mesmas; o contribuinte, então, alega que a falta de espontaneidade poderia até acarretar a cobrança de multa, mas não o valor do PIS e da COFINS, o que faria com que a Recorrente sofresse dupla exigência dos mesmos tributos; (vi) improcedência da glosa de créditos referentes a despesas utilizadas como insumos a empresa contesta, ainda, a glosa relativa a créditos referentes às despesas com instalação, decoração e paisagismo, não admitidas pela fiscalização por entender que não seriam aplicados ou consumidos de forma direta na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda da Recorrente; alega que a decisão recorrida teria inovado ao concluir que aquelas despesas já teriam sido incluídas no custo da Fl. 3154DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.154 9 atividade imobiliária informadas nas DACONS (fundamento este que não teria constado da autuação). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de julgamento do Recurso de Ofício e do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Após a inclusão deste Recurso Voluntário em pauta de julgamento, o contribuinte apresentou em 21/06/2016 petição por meio da qual: (i) informou ter feito uma revisão da documentação e da planilha anexada ao seu Recurso Voluntário, oportunidade em que teria identificado que, por lapso, havia considerado o valor da receita bruta por ela auferida, e não aquele correspondente às receitas tributáveis pelo PIS e pela COFINS; (ii) apontou que teriam sido identificados equívocos na quantificação das despesas financeiras, refletivos na tabela reproduzida no item 6.7. do seu recurso voluntário, os quais resultaram na apuração de PIS e de COFINS maiores que os efetivos; (iii) identificou que a quantificação dos custos das efetivas imobiliárias refletivos na tabela reproduzida no item 6.7. do seu recurso foi efetuada de forma equivocada, e que, portanto, os valores informados a esse título em suas DACONs refletem corretamente os custos da atividade imobiliária efetivamente apurados pela Recorrente, de forma que tais valores (informados em suas DACONs e já chancelados pela decisão de 1ª instância devem ser considerados para fins de quantificação do PIS e da COFINS devidos pela Recorrente. (iv) diante do exposto, apresentou nova tabela, na qual demonstra a diferença entre a base de cálculo do PIS e da COFINS apurados em suas DACONs e a base de cálculo que decorre das receitas tributáveis e despesas efetivamente lançadas em sua contabilidade (vide páginas 2 e 3 da petição protocolizada em 21/06/2016). (v) anexou ao requerimento apresentado: planilhas com a composição da base de cálculo do PIS e da COFINS, por trimestre, contendo as receitas, despesas, custos e exclusões apuradas pela Recorrente, e indicando as respectivas contas contábeis em que efetuado o registro de tais valores, e com a reapuração do PIS e da COFINS devidos pela Recorrente; e os balancetes correspondentes a tais planilhas, nos quais é possível identificar com exatidão os valores efetivamente auferidos e, portanto, contabilizados pela Recorrente, que compuseram a base de cálculo do PIS e da COFINS no período autuado. (vi) por fim, ressaltou que o pagamento de parte dos débitos efetuado no êmbito da anistia prevista na Lei n. 11.941/2009 não foi computado no cálculo do PIS e da COFINS remanescentes, mantidos pela decisão de 1ª instância, razão pela qual a Recorrente incluiu os referidos valores na planilha anexada nesta petição. Em 23/06/2016, o contribuinte apresentou nova petição, em complemento à petição acima indicada, através da qual: Fl. 3155DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.155 10 (a) com relação à parte do auto de COFINS (fevereiro a maior de 2004), a DRJ não teria acolhido a decadência sob o argumento de que não teria havido pagamento antecipado do tributo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente esclareceu que tais débitos foram declarados em DCTF, o que configuraria confissão irretratável da dívida, fazendo as vezes de pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Não obstante, após o protocolo do seu recurso, teria verificado que tais débitos também haviam sido quitados por meio de DCOMPs (Doc. 01 anexado à petição), o que, de acordo com a jurisprudência administrativa, equivale a pagamento antecipado; (b) A DRJ teria entendido que não seria possível excluir dos autos de infração os valores de PIS de setembro de 2005 e de COFINS dos meses de junho de 2005 e setembro de 2005, informados em DCTF retificadoras, na medida em que elas foram entregues em 03/11/2008, e, portanto, após o início do procedimento de fiscalização (12/05/2008). Não obstante, a Recorrente teria constatado posteriormente que os débitos incluídos nas DCTFs retificadoras também já haviam sido quitados em 2005, por meio de DARFs e DCOMPs (Doc. 02 anexado à petição), ou seja, muito antes do início do procedimento de fiscalização, razão pela qual tais valores não deveriam ter sido lançados nos autos, visto que correspondiam a débitos já extintos por pagamento ou compensação; (c) por fim, também após o protocolo do Recurso Voluntário, a Recorrente teria verificado que a COFINS relativa ao mês de abril de 2005, no valor de R$ 448.755,06, apurada na DACON, apesar de não ter sido informada em DCTF, também foi objeto de DCOMP formalizada em 27/07/2005, e, portanto, antes do início da fiscalização. Tendo em vista que esta DCOMP tem o efeito de constituir o crédito tributário, o débito de COFINS deveria ser excluído do lançamento, sob pena de constituição do mesmo débito em duplicidade. É o relatório. Fl. 3156DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.156 11 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Consoante relatado acima, tendo em vista o montante exonerado, a decisão da DRJ está sujeita a reanálise por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através de Recurso de Ofício, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 2º da Portaria MF nº 03/2008. O Recurso Voluntário, por sua vez, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Diante dos fatos acima narrados, entendo que a presente demanda não está devidamente instruída para fins de julgamento, fazendose necessária a realização de diligência. Isso porque, para fins de solução da controvérsia posta nestes autos, sem prejuízo dos demais tópicos constantes do recurso voluntário interposto, apresentase imperativa a análise dos seguintes pontos, relativos a aspectos fáticos não analisados pela decisão recorrida: (iv) retificação do valor das receitas e despesas que serviram de base de cálculo do PIS e da COFINS informa que parte do PIS e da COFINS lançados corresponde à diferença entre aquela apurada pela Recorrente em suas DACONS e as informações da DCTF; ocorre que teria a Recorrente verificado que as DACONS haviam sido preenchidas com equívocos, tendo procedido a uma nova apuração do PIS e da COFINS, conforme planilhas e respectivos documentos de suporte, anexados à impugnação; a decisão recorrida não acolheu os argumentos da Impugnante sob o fundamento de que "As planilhas e relatórios apresentados, contudo, não comprovam o alegado nem esclarecem a origem dos supostos erros, não sendo possível confirmar, através dos elementos trazidos aos autos, os valores pretendidos pela empresa"; o contribuinte aponta, contudo, que a origem dos equívocos encontrase devidamente comprovada conforme documentos anexados aos autos; (v) retificação do valor dos autos pela exclusão do PIS e da COFINS já lançados pela Recorrente em DCTF a Recorrente argumentou em sua impugnação que determinados valores deveriam ser excluídos da autuação em função de já terem sido declarados em DCTF; a decisão recorrida manteve este item dos lançamentos por entender que já haveria procedimento de fiscalização instaurado quando da entrega das DCTF retificadoras, o que excluiria a espontaneidade das mesmas; o contribuinte, então, alega que a falta de espontaneidade poderia até acarretar a cobrança de multa, mas não o valor do PIS e da COFINS, o que faria com que a Recorrente sofresse dupla exigência dos mesmos tributos; Estes pontos foram tratados pela decisão recorrida da seguinte forma (vide fls. 2933/2934 dos autos): Da Exclusão de valores declarados em DCTF: Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.157 12 Em seguida a autuada requer mais uma vez a retificação dos Autos de Infração alegando que a fiscalização não excluiu integralmente os valores dos débitos declarados em DCTF no que se refere à Cofins apurada para o período de junho e setembro de 2005 e ao PIS do período de setembro de 2005. Neste ponto não há reparo a ser efetuado no procedimento adotado pela autoridade autuante. De acordo com os Demonstrativos da Cofins e do PIS que acompanham os autos de Infração, em confronto com as DCTF apresentadas pela empresa, verificase que a fiscalização considerou, para efeitos de apuração dos débitos a serem exigidos de oficio, os valores declarados pelo contribuinte nas DCTF espontaneamente entregues à RFB, ou seja, somente os débitos constantes das declarações apresentadas antes do inicio do procedimento fiscal, que se deu com a ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal, em 12/05/2008. De fato, nos termos do artigo 5 ° do Decretolei 2.124, de 1984, os valores declarados em DCTF constituem confissão de divida, dispensando o lançamento de oficio. E importante esclarecer, contudo, que apenas os valores declarados em DCTF pelo sujeito passivo em data anterior ao inicio do procedimento de fiscalização revestemse do atributo da espontaneidade e caracterizamse como confissão de divida, elidindo o lançamento de oficio. Sobre a questão cabe citar o artigo 138 do CTN, que dispõe: Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Também o artigo 7° do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, dispõe sobre a matéria: Art. 70 o procedimento fiscal tem inicio com: 1 — o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Isso porque a análise da presente demanda requer necessariamente a análise dos seguintes pontos, relativos a aspectos fáticos, além de outros constantes do auto de infração, que demandam análise meramente de direito: § I°. 0 inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente, de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.158 13 Como se vê, os dispositivos legais são claros no sentido de não se considerar espontânea a declaração apresentada pelo contribuinte após o inicio do procedimento fiscal. No caso em análise, a impugnante requer a exclusão dos valores informados nas DCTF retificadoras apresentadas em 03/11/2008 para os períodos de junho e setembro de 2005 (fls. 501/502 e 508/509). Ocorre que na data da entrega das declarações retificadoras já se encontrava em curso o procedimento de fiscalização que culminou com a lavratura dos Autos de Infração contestados, razão pela qual não deve ser acatada a pretensão da autuada. Do Equivoco no preenchimento dos DACONs: A impugnante prossegue em sua defesa alegando que ao proceder à conferência dos valores informados, constatou equívocos no preenchimento dos DACONs, já que em vários meses houve divergências nas receitas, custos e despesas lá informados e os valores registrados na contabilidade da empresa. Sendo assim, procedeu a nova apuração das contribuições em tela, demonstrada em planilhas anexas às impugnações. As planilhas e relatórios apresentados, contudo, não comprovam o alegado nem esclarecem a origem dos supostos erros, não sendo possível confirmar, através dos elementos trazidos aos autos, os valores pretendidos pela empresa. A impugnante afirma ainda, que as divergências encontradas se referem aos valores da receita bruta, despesas financeiras e custos da atividade imobiliária. Verificase que durante o procedimento de auditoria fiscal, a contribuinte foi diversas vezes intimada a apresentar cópia do Livro Razão, demonstrativos, assim como prestar esclarecimentos relacionados aos itens contestados e, de posse dos elementos disponibilizados pela empresa, a autoridade fiscal promoveu o levantamento das contribuições devidas, efetuando glosas ou acatando os dados constantes das declarações entregues A RFB (DACON e DIPJ). Portanto, se a empresa pretende, já na fase litigiosa, alterar os dados informados em suas declarações, dados estes averiguados e confirmados em procedimento de auditoria fiscal, cabe a ela apontar claramente os equívocos constatados, justificando a origem e as razões das divergências e comprovar o alegado através da apresentação de registros contábeis, acompanhados dos documentos que lhes dêem suporte, a fim de possibilitar a confirmação dos valores que entende como corretos, o que não foi providenciado no presente caso, razão pela qual deve ser mantido o lançamento neste aspecto. Ou seja, entendeu a DRJ que a análise destes argumentos estaria prejudicada, seja porque a DCTF retificadora teria sido apresentada após o início do procedimento fiscal, quando não poderia mais ser considerada espontânea, seja porque o contribuinte não teria apontado claramente os equívocos constatados no preenchimento das suas DACONs. Quanto ao argumento relativo à DCTF retificadora, discordo do entendimento proferido na decisão recorrida. Isso porque, apesar de o auto de infração ter sido lavrado com base em informações prestadas em DCTFs originalmente transmitidas pelo próprio contribuinte, isso não faz com que tais informações sejam consideradas como corretas em toda Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.159 14 e qualquer circunstância. Há inúmeros casos em que a própria fiscalização, ao analisar o conjunto de documentos contábeis e fiscais da empresa, verifica que certas informações foram inseridas em determinado documento com equívocos, podendo, portanto, desconsiderálas. Tal medida, inclusive, encontrase acobertada pelo princípio constitucional da verdade material, que deve reger o contencioso administrativo tributário. Até porque, concordo com o argumento trazido pelo contribuinte em seu recurso no sentido de que a retificação de DCTF posteriormente ao início do procedimento fiscal possui o condão de afastar a espontaneidade, mas não de acobertar a exigência de tributo que não é devido, sob pena de clara afronta ao princípio da verdade material. Verificase, pois, que a DRJ, com base em premissa equivocada (impossibilidade de análise de DCTF retificadora apenas sob o fundamento de que fora apresentada após o início do procedimento fiscal), não analisou, nem se manifestou sobre os documentos anexados pelo contribuinte quanto ao referido tópico, para fins de se identificar se as diferenças indicadas pelo mesmo são procedentes ou não. Tampouco há nos autos qualquer diligência em que tais documentos tenham sido analisados. No que tange às informações equivocadas constantes das DACONs, a DRJ entendeu que as planilhas e relatórios apresentados pelo contribuinte não comprovariam o alegado nem esclareceriam a origem dos supostos erros, e que cabia ao mesmo comprovar o alegado através da apresentação de registros contábeis, acompanhados dos documentos que lhe dêem suporte, a fim de possibilitar a confirmação dos valores que entendem como corretos, o que não teria sido providenciado no presente caso. Da análise dos autos, contudo, extraise que o contribuinte anexou em sua impugnação planilhas e os Relatórios Razão Analíticos que, segundo afirma, demonstrariam as diferenças apontadas (vide Doc. 05 constante de fls. 639 e seguintes). Ocorre que não há nos autos qualquer passagem que denote que tais documentos tenham sido efetivamente analisados. Ademais, verificase que a petição do contribuinte protocolizada em 21/07/2016, em que apresenta novo relatório e novos documentos, bem como aponta os equívocos identificados no preenchimento das suas DACONS, pretendem tornar mais clara a diferença apontada em sua impugnação e superar a incompletude de sua instrução de defesa apontada pela DRJ, aperfeiçoando o argumento apresentado desde a sua impugnação, por meio da apresentação de um novo relatório e documentação que lhe sirva como suporte. Nesse contexto, também quanto às DACONS, entendo que se deve privilegiar a busca da verdade material por meio da efetiva análise de ditos documentos. Ou seja, o simples fato de o auto de infração ter se embasado em informações transmitidas pelo contribuinte, por si só, não conduz necessariamente à procedência da autuação. Há que se perquirir no caso concreto se os fatos narrados no auto de infração efetivamente ocorreram, e se as incorreções apontadas pelo contribuinte em determinadas declarações encontram respaldo na documentação contábil e fiscal apresentada pelo mesmo. Consoante detalhadamente exposto no relatório supra, o contribuinte apontou a existência de falhas em determinadas informações transmitidas pelo mesmo, as quais não podem deixar de ser analisadas por este órgão julgador. Por fim, considerando os argumentos trazidos pelo contribuinte em sua petição protocolizada em 23/06/2016, é importante ainda que seja verificado: (a) se os débitos relativos Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.160 15 aos meses de fevereiro a maio de 2004 foram quitados por meio de DCOMP´s (Doc. 01 anexado à referida petição); (b) se os débitos incluídos nas DCTFs retificadoras quanto aos meses de setembro de 2005 (PIS), junho de 2005 (COFINS) e setembro de 2005 (COFINS) foram quitados por meio de DARFs e DCOMPs (Doc. 02 da mencionada petição); (c) se o valor da COFINS relativa ao mês de abril de 2005, no valor de R$ 448.755,06, também foi objeto de DCOMP formalizada em 27/07/2005 (Doc. 03 da mesma petição). Nesse contexto, entendo ser imprescindível à solução da presente demanda, inclusive em atenção ao princípio da verdade material, que tais divergências apontadas pelo contribuinte seja devidamente analisadas, com base na documentação colacionada pelo mesmo nestes autos, inclusive com base no Doc. 05 anexado à impugnação, bem como nas petições protocolizadas em 21/06/2016 e em 23/06/2016 e nas planilhas e documentos a elas anexados. Somente assim este Conselho terá condições de se pronunciar pela procedência ou não do auto de infração lavrado, em especial no que tange aos pontos (iv) e (v) acima indicados, oportunidade em que analisará também os demais pontos constantes do Recurso Voluntário interposto. Diante do exposto, voto no sentido de que a presente demanda seja convertida em diligência, para que estes autos sejam remetidos à autoridade fiscal competente, no intuito de que esta se manifeste sobre os seguintes pontos, sem prejuízo de outros que entender importantes à solução da presente demanda: (1) Quanto ao item (iv), relativo a equívocos no preenchimento das DACONs, informe se, com base na documentação apresentada pelo contribuinte nestes autos, é possível concluir que os valores indicados na planilha apresentada pelo contribuinte em sua petição protocolizada em 21/06/2016 estão corretos. Caso se faça necessário, deverá ser solicitada ao contribuinte a apresentação de novos documentos, ou mesmo providenciada diligência na empresa para fins de análise da sua contabilidade, no intuito de confirmar se as divergências apontadas pelo mesmo estão corretas; (2) Quanto ao item (v), confirme se os valores indicados pelo contribuinte na tabela de fl. 3022 do seu Recurso Voluntário já foram, de fato, declarados em DCTF, e se a cobrança realizada nestes autos quanto a tais valores está sendo realizada em duplicidade; (3) Ainda, com fulcro primordialmente na documentação apresentada pelo contribuinte em sua petição protocolizada em 23/06/2016, que se manifeste sobre os seguintes pontos: (a) se os débitos relativos aos meses de fevereiro a maio de 2004 foram quitados por meio de DCOMP´s; (b) se os débitos incluídos nas DCTFs retificadoras quanto aos meses de setembro de 2005 (PIS), junho de 2005 (COFINS) e setembro de 2005 (COFINS) foram quitados por meio de DARFs e DCOMPs; (c) se o valor da COFINS relativa ao mês de abril de 2005, no valor de R$ 448.755,06, também foi objeto de DCOMP formalizada em 27/07/2005; (4) que apresente relatório com as suas conclusões e planilha com a indicação dos valores que deverão ser excluídos do auto de infração, com base na análise dos itens acima indicados. Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12897.000383/200902 Resolução nº 3301000.260 S3C3T1 Fl. 3.161 16 Em seguida, o contribuinte deverá ser intimado para que se manifeste quanto às informações prestadas pela fiscalização. Após, voltemse os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10580.007919/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, AIOA, PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS, ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 08, em julgamento proferido na data de 12/06/2008, reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Encontra-se integralmente fulminada pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 35. ART. 32, INC.III, DA LEI Nº 8.212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso III, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91 deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, em razão da decadência.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, AIOA, PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS, ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 08, em julgamento proferido na data de 12/06/2008, reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Encontra-se integralmente fulminada pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 35. ART. 32, INC.III, DA LEI Nº 8.212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso III, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91 deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, em razão da decadência. André Luis Marsico Lombardi - Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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CINCO ANOS, ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 08, em julgamento proferido na data de 12/06/2008, reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Encontrase integralmente fulminada pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 35. ART. 32, INC.III, DA LEI Nº 8.212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso III, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91 deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 79 19 /2 00 7- 89 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento, em razão da decadência. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10580.007919/200789 Acórdão n.º 2401004.091 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1998. Data de lavratura (AI): 27/12/2006. Data de ciência (AI): 05/02/2007. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração AI DEBECAD n° 37.057.0391 – Obrigação Acessória – deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo – Valor Total: R$ 11.569,42. O referido AIOA em epígrafe tem por objeto a cobrança de multa por descumprimento de obrigação decorrente da não apresentação à fiscalização, mediante intimação, dos seguintes documentos: · Alvará de licença para construção e Habitese da CEI 04.275.19595/77; · Anotação de Responsabilidade Técnica – ART da mesma CEI; · Comprovante de Matricula CEI da mesma obra; · Cópia do comprovante de residência, CPF e RG dos representantes legais e contador; · Contratos de empreitada o subempreitada. Ao se escusar a apresentar a referida documentação, a empresa infringiu ao disposto no artigo 32, inciso III, da Lei 8.212 de 24 de julho de 1991 e artigo 225, inciso III do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048 de 6 de maio de 1999. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a SARTI MENDONÇA ENGENHARIA LTDA apresentou Impugnação a fls. 88/106, acompanhada dos documentos juntados às Fls. 108/116. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1515.341 6º Turma da DRJ/SDR, às fls. 121/126, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 23/08/2008, conforme Aviso de Recebimento às fls. 129. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 131/143, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Que discorda da multa aplicada por possuir explícita natureza confiscatória, já que o eventual descumprimento da obrigação não gerou qualquer óbice ao trabalho da fiscalização, até mesmo porque conseguiu identificar os fatos geradores, lançando respectivo tributo em documento próprio; Que o AI englobou período integralmente alcançado pela decadência, razão pela qual o débito não poderia ter sido lançado no presente procedimento, ou seja, houve decadência do direito do Fisco de cobrar multa em relação a fatos ocorridos entre 05/97 a 12/98, pois em 05/02/2007, já havia ocorrido a perda do direito de rever o lançamento por homologação, relativamente aos fatos geradores anteriores a 04/02/2002, em razão do disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, citando jurisprudência dos Tribunais Federais pátrios; Que a decadência tributária foi afastada pela literal aplicação do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, sem que houvesse qualquer indagação sobre a constitucionalidade do dispositivo, indispensável para análise do tema. E afirma que o controle de constitucionalidade não é tarefa exclusiva do judiciário; Que, com o advento da Constituição Federal de 1988, restou pacificado que as contribuições previdenciárias possuem natureza jurídicotributária, sendolhes aplicados todos os princípios tributários previstos na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional, inclusive no que se refere ao prazo decadencial. Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requer o acatamento do recurso de modo que seja anulada ou reformada a decisão recorrida, objeto do Acórdão1515.341, para fins de que seja reconhecida a decadência do direito de lançar o crédito cobrado. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10580.007919/200789 Acórdão n.º 2401004.091 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 13/05/2008, conforme AR juntado às fls. 129, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 09/06/2008, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em entendimento exarado por intermédio da Súmula Vinculante nº 8, no julgamento realizado na data de 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nesse diapasão, em obediência ao estatuído no artigo 103A da CF/88 (incluído pela Emenda Constitucional nº 45 de 2004), a observância da Súmula Vinculante nº 8 é obrigatória, tanto pelos órgãos do Poder Judiciário, quanto pela Administração Pública, devendo este colegiado aplicála de imediato, a saber: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo, inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O Instituto da decadência no Direito Tributário, em que pese posições em sentido contrário, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que determina: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. No caso sub examine, operase a incidência das disposições constantes do inciso I do mencionado artigo 173 do CTN, haja vista tratarse de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Reiterese que o presente lançamento comporta, tão somente, Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso III, do art. 32, da Lei nº 8.212/91. Diante desse cenário, devese ater à questão referente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário, ou seja, nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN, relativo ao período de apuração (01/05/1997 a 31/12/1998) em comento; no presente caso, em especial o período da última competência levantada (31/12//1998), nesse caso, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1999; sendo assim o prazo decadencial só teve início em 1º/01/2000, expirandose em 01º/01/2005. Nesse descortino, temse consumada a decadência total dos lançamentos efetuados pela Autoridade Fiscal, tendo em vista que o presente AIOA foi lavrado em 26/12/2006 . 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR PROVIMENTO, exonerando todo o crédito previdenciário em relação ao AI nº 37.057.0391, lavrado em face da empresa SARTI MENDONÇA ENGENHARIA LTDA. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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Numero do processo: 11080.732860/2011-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - OMISSÃO EM GFIP - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA.
A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE/ISENÇÃO - ART. 195, §7º DA CF/88 - NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA - DESCUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS PREVISTAS NO ART. 55 DA LEI 8212/91.
Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição da República Federativa do Brasil, faz-se necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991.
A entidade também deverá ser portadora do Certificado e do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), renovado a cada três anos.
SESC - SENAC - ISENÇÃO DE CONTIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - ART. 12 DA LEI Nº 2613/55 - INAPLICABILIDADE
A isenção atribuída pelo art. 12 da Lei nº 2.613/55 ao SESI, SENAI, SESC e SENAC alcança apenas os serviços e bens dessas entidades. Referida isenção é inaplicável as contribuições previdenciárias cujo fato gerador é contratação de segurados.
REP Provido e REC Negado
Numero da decisão: 9202-003.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE/ISENÇÃO ART. 195, §7º DA CF/88 NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA DESCUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS PREVISTAS NO ART. 55 DA LEI 8212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 28 60 /2 01 1- 41 Fl. 930DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 509 2 Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição da República Federativa do Brasil, fazse necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991. A entidade também deverá ser portadora do Certificado e do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), renovado a cada três anos. SESC SENAC ISENÇÃO DE CONTIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ART. 12 DA LEI Nº 2613/55 INAPLICABILIDADE A isenção atribuída pelo art. 12 da Lei nº 2.613/55 ao SESI, SENAI, SESC e SENAC alcança apenas os serviços e bens dessas entidades. Referida isenção é inaplicável as contribuições previdenciárias cujo fato gerador é contratação de segurados. REP Provido e REC Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 510 3 Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração, DEBCAD 37.332.2143, para cobrança da Contribuição Previdenciária devida pela empresa relativamente a serviço prestados por cooperativas de trabalho e para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa; e DEBCAD 37.332.2151 para cobrança da contribuição devida a terceiros. Segundo o relatório fiscal, o crédito previdenciário constituído referese à: 1) Contribuição patronal 1% SAT e 2,7% para outras entidades ou fundos pela descaracterização de segurado da categoria de contribuinte individual autônomos para categoria de segurado empregado, as pessoas físicas contratadas para prestar serviços como instrutores, ministrando diversos cursos disponibilizados pelo SENAC; 2) Contribuição de 15% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços realizados por intermédio de cooperativa de trabalho médico; e 3) Multa por prestar informações incorretas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIPs. No que tange a descaracterização dos segurados contribuintes individuais autônomos para categoria de segurados empregados, argumentou o fiscal que os profissionais envolvidos I) prestavam serviços na atividade fim do SENAC, II) ministravam cursos criados pelo SENAC, III) cumpriam carga horária, IV) eram remunerados para tanto, V) eram pessoalmente contratados tendo em vista sua capacidade intelectual/técnica e VI) tinham subordinação jurídica, já que os conteúdos dos cursos eram criados pelo SENAC. Foi apresentada Impugnação por meio da qual argumenta o Contribuinte ser pessoa jurídica de caráter assistencial e educacional, criada por lei, e como tal é entidade imune à incidência das Contribuições Sociais, conforme art. 195, §7º da CF/88, e isenta das Contribuições destinadas à terceiros por força da Lei nº 2.613/55. Defende que a descaracterização dos segurados autônomos é descabida e ilegal, baseada apenas em presunções, sem que tenha havido prova cabal das argumentações da autoridade fiscal. Argumenta, por fim, ser indevido o valor relativo ao tributo cobrado pelos serviços prestados por cooperativa de trabalhos médicos, primeiro porque houve erro material na apuração da base de cálculo e segundo por haver expressa ilegalidade e inconstitucionalidade na cobrança. A Delegacia de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo os créditos tributários exigidos. Ao julgar o Recurso Voluntário apresentado pelo SENAC, que contrapondo a fundamentação do acórdão reitera seus argumentos de defesa, a 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção, por meio do acórdão 2402003.444, por unanimidade de votos, deu provimento parcial apenas para determinar o recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. A decisão possui a seguinte ementa: Fl. 932DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 511 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. A associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade equiparase à empresa para fins de aplicação da legislação previdenciária. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE/ISENÇÃO. FALTA DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Constituição da República Federativa do Brasil, fazse necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991. A entidade também deverá ser portadora do Certificado e do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), renovado a cada três anos. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. FNDE/SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVISTA EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: FNDE/Salário Educação. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 512 5 É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO. SEGURADO EMPREGADO. Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/1991. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Ambas as partes a apresentaram Recurso Especial de Divergência. O Recurso da Fazenda Nacional pede a revisão do acórdão no que tange a regra aplicada pelo Relator para o cálculo da multa mais benéfica, haja vista parte dos fatos geradores ter ocorrido antes da vigência da MP 449/2008. Pleiteia que, para aferição da multa mais benéfica, deve ser comparada a soma das multas anteriores relativas às obrigações principal e acessória (art. 35 e art. 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga) e comparálas com a multa do novo art. 35A da Lei nº 8.212/91. No que tange ao Recurso do Contribuinte, após juízo de admissibilidade, a matéria objeto de discussão limitase a analisar os requisitos formais necessários para que as entidades de serviços sociais autônomos gozem da imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal. O Recurso não foi admitido, por ausência de paradigma, no que tange a discussão acerca da cobrança da contribuição sobre os serviços prestados por cooperativa médica. Em contrarrazões a Fazenda Nacional afirma que o SENAC também deveria cumprir os requisitos do então vigente art. 55 da Lei nº 8.212/91. É o relatório. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 513 6 Voto Vencido Conselheiro Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora Ambos recursos preenchem os requisitos de admissibilidade razão pela qual devem ser conhecidos. Do Recurso do Contribuinte: Conforme citado, após o Juízo de Admissibilidade, o Recurso Especial interposto pelo contribuinte somente foi acolhido no que tange a discussão acerca da imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal. Apesar de o recurso não ter sido admitido no que tange os argumentos relacionados a cobrança da Contribuição Previdenciária sobre os serviços prestados por meio de cooperativa de serviço médico, aqui devemos destacar que o Supremo Tribunal Federal, no de julgamento do RE 595.838, com repercussão geral reconhecida (Acórdão publicado em 08.10.2014), declarou a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. No que tange a parte recorrida, tendo ocorrido a descaracterização da contratação dos segurados autônomos, classificandoos como segurados empregados, o acórdão entendeu que o SENAC para usufruir da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF/88 deveria ter cumprido os requisitos do então vigente art. 55 da Lei nº 8.212/91 e ainda ser portador de certificado emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS. Não compartilho desse entendimento. Conforme conhecido as entidades denominadas "Serviço Social Autônomo" e que compõe o chamado "Sistema S" são entidades de notável interesse público, sendo todas criadas por lei. O Jurista Marçal Justen Filho (in Curso de Direito Administrativo) nos explica que as entidades do serviço social autônomo são pessoas jurídicas de direito privado criada por lei, atuando sem submissão à Administração Pública, para promover o atendimento de necessidades assistenciais e educacionais de certas atividades ou categorias profissionais; classificandoas como entidades paraestatais esclarece que elas se encontram ao lado da Administração Pública para exercer atividades de interesse do próprio estado. No caso da Recorrente os instrumentos legislativos são: Decretolei nº 8.621/46 e Decreto nº 61.843/67. De acordo com essas normas, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), organizado e administrado pela Confederação Nacional do Comércio, tem por objetivo: a) realizar, em escolas ou centros instalados e mantidos pela Instituição, ou sob forma de cooperação, a aprendizagem comercial a que estão obrigadas as empresas de categorias econômicas sob a sua jurisdição, nos termos do dispositivo constitucional e da legislação ordinária. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 514 7 b) orientar, na execução da aprendizagem metódica, as empresas às quais a lei concede essa prerrogativa; c) organizar e manter cursos práticos ou de qualificação para o comerciário adulto; d) promover a divulgação de novos métodos e técnicas de comercialização, assistindo, por esse meio, aos empregadores na elaboração e execução de programas de treinamento de pessoal dos diversos níveis de qualificação; e) assistir, na medida de suas disponibilidades, técnicas e financeiras, às empresas comerciais, no recrutamento, seleção e enquadramento de seu pessoal; f) colaborar na obra de difusão e aperfeiçoamento do ensino comercial de formação e do ensino superior imediata que com ele se relacionar diretamente. Assim, o caráter assistencialista desta entidade está na sua essência, é na verdade o fundamento da sua existência, tanto que suas atividades e objetivos estão todos expressos nas respectiva lei criadora, dispensando para caracterização dessa condição qualquer declaração adicional do Poder Público. Ou seja, não é cabida a exigência de que o SENAC fosse portador do certificado e do registro fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (instrumento meramente declaratório), pois sua utilidade pública é declarada pela própria lei! Afirmamos então, que sendo a Recorrente legalmente uma entidade de assistência social, a ela se aplica a da imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Já não se questiona mais que o citado parágrafo, apesar de usar o termo "isentas", por ser tratar de normas constitucional nos traz na verdade uma limitação ao poder de tributar da União (uma imunidade), também não se questiona que para usufruir deste direito deve a entidade cumprir as "exigências estabelecidas em lei", ou seja, estamos diante de uma norma de eficácia limitada e como tal para sua aplicação deve ser observada a lei regulamentar no caso o Código Tributário Nacional. A afirmação de ser o CTN a norma regulamentar mais precisamente seu art. 14 decorre do fato de o art. 146, II da Carta Magna determinar ser matéria de lei complementar a regulamentação das limitações constitucionais ao poder de tributar. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 515 8 Nossa Jurista mineira, Misabel Abreu Machado Derzi, em nota à obra de Aliomar Baleeiro (Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar), ressalta: Não se deve sustentar mais a tese de que lei ordinária possa cumprir o papel de regular as imunidades, porque: a Constituição em vigor é expressa ao exigir a edição de lei complementar, no seu art. 146, supra citado; a imunidade não pode ser regulada por lei ordinária da pessoa estatal competente para tributar, uma vez que os interesses arrecadatórios de tais entes levariam à frustração da própria imunidade. Hoje, o art. 14 do Código Tributário Nacional, unanimemente reconhecido pela doutrina e jurisprudência como lei complementar no sentido "material", supre tal função, dispondo sobre os "requisitos" exigidos pela Constituição: (...) Não cabe ao intérprete e essa tem sido a posição jurisprudencial uniforme ou ao legislador ordinário criar outros requisitos nãoprevistos em lei complementar, tais como a declaração legal de utilidade pública, a exigência de fundação como único veículo formal ao desenvolvimento das atividades educacionais e assistenciais etc. Desse modo não se pode condicionar a aplicação da imunidade ao cumprimento dos requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. Para o Recorrente usufruir desse benefício é necessário o cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN, quais sejam: I) não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II) aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; e III) manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. E aqui me valho do entendimento externado no voto vencedor do acórdão paradigma, para o qual: a aplicação da imunidade das entidades de assistência social deve ser analisada casuisticamente. E nesse sentido a ação fiscal é fundamental, pois somente ela pode proporcionar ao julgador administrativo os meios e provas para que o instituto, que tem os fins públicos mais relevantes, não seja utilizado indevidamente ou de forma fraudulenta. Para tanto, deve o Fisco provar que os fins sociais do estatuto da entidade estão em desacordo com a realidade, e que se contrapõem a algumas das condições para fruição da imunidade apostas no artigo 14, do CTN. Até lá, há uma presunção em favor da entidade com base no que dispõe seus objetivos institucionais, e não o contrário, numa generalização sem qualquer conteúdo jurídico. Assim, considerando não haver nos autos qualquer comprovação de que os serviços prestados não estariam entre as funções prevista na norma que criou a entidade e ainda não havendo comprovação do descumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN, deve ser reconhecido ao Recorrente o direito de usufruir da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF/88. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 516 9 No que tange as contribuições sociais devidas a terceiros (INCRA e Salário Educação), como bem colocado pela Recorrente e já reconhecido pela jurisprudência dos tribunais, a Lei nº 2.613/55, não modificada pela Lei nº 8.212/91, prevê que o SENAC, assim como as demais entidades do Sistema S, goza de ampla isenção fiscal como se fosse a própria União, e ao analisar o teor do art. 13 da referida Lei 2.613/55 é possível perceber a fruição desta isenção não está condiciona ao cumprimento de quaisquer requisitos. Do Recurso do Procurador: Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com base nos artigos 67 e 68 do então vigente Regimento Interno deste órgão, haja vista comprovada divergência jurisprudencial no que tange a aplicação de multa por lançamento de ofício e pelo descumprimento de obrigação acessória vinculado ao recolhimento de contribuições previdenciárias devidas até a competência 11/2008. A Fazenda Nacional ao demonstrar a divergência ente os acórdãos, acabou por resumir seu entendimento no sentido de que para aferição da penalidade mais benéfica ao contribuinte devese somar as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada), referentes à sistemática antiga, e comparar o resultado com a multa atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008), em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/10/2010. Sobre esse tema, tenho o seguinte entendimento: Entre as inúmeras alterações promovidas pela citada Medida Provisória nº 449/2008, com a qual buscouse equiparar o tratamento dado aos tributos em razão da unificação da Receita Federal com a Previdência Social, nos interessa aqui as que dizem respeito às penalidade aplicadas em razão do descumprimento das obrigações principais e dos deveres instrumentais referentes às contribuições sociais. Para correta interpretação do mérito, no que tange a multa pelo descumprimento da obrigação principal, é essencial analisar a extensão da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, até então aplicada apenas aos tributos administrados pela Receita Federal, às contribuições cuja administração era da competência do INSS. Neste último caso a norma vigente à época somente previa a aplicação de multa de mora, conforme expressamente descrito no revogado art. 34 e no alterado art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 517 10 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá Fl. 939DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 518 11 ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. Salvo os artigo acima transcritos, não havia, na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora cuja percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou à citada Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75% podendo ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Multas decorrentes de fatos geradores anteriores à medida provisória, devem ser consideradas "multa de mora". Adotandose essa premissa e juntando a ela a discussão quanto a multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória, devemos lembrar que com base no art. 106 do CTN, para se constatar se uma nova penalidade é mais ou menos benéfica, ela deve ser confrontada apenas com aquela que era anteriormente prevista para a mesma infração. Assim, para definição da retroatividade ou não de norma punitiva devemos comparar se a multa de mora e a multa pela omissão ou prestação de informações incorretas previstas antes da edição da MP nº 449/08 são mais ou menos benéficas que as penalidades atuais. Em relação a multa de mora aplicada às hipóteses previstas pelos incisos do art. 35 (com redação anterior à MP nº 449/08, da Lei 8.212/91) deve ser comparada à multa de mora prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, atualmente aplicável aos casos de débitos de contribuições sociais não pagos no prazo por força do 'novo' art. 35: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 940DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 519 12 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Comparando as normas citadas temos que: 1) antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% à 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); 2) Após a Medida Provisória, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Ora, é patente que a norma construída a partir da edição da Medida Provisória nº 449/08 é mais benéfica ao contribuinte, pois está limitada ao percentual de 20%. No que tange ao descumprimento da obrigação acessória, o raciocínio é o mesmo: a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN estará sendo respeitada apenas se uma penalidade for confrontada com outra prevista para a mesma infração. Assim, a comparação deverá ser feita entre a multa isolada vigente à época (art. 32 com redação anterior à MP nº 449/08) e a multa isolada do art. 32A, e neste caso a aplicação de uma outra dependerá da análise do caso concreto, face as variáveis de cada um dos dispositivos legais. Em que pese o entendimento acima, considerando a limitação imposta pelo princípio processual da adstrição do julgador, vou me filar a corrente defendida pela Relatora em seu voto haja vista semelhança de entendimento no que tange a natureza das multas aplicadas. Diante do exposto, conheço dos recursos para no mérito dar provimento ao recurso interposto pelo Contribuinte e negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 941DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 520 13 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL APLICAÇÃO DA MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal, entendo que razão assiste ao recorrente. No que toca à multa, a autoridade fiscal registrou em seu relatório, fls. 243, que foram efetuados cálculos (item 8), por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparandose a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35 A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicouse, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. Ainda, no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos: Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 942DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 521 14 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada Fl. 943DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 522 15 passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório item 8, foi feito o comparativo entre a sistemática anterior 24% e o AIOA, e a multa atual do art. 35A, justamente por que no comparativo das multas, chegouse a conclusão que a sistemática atual foi mais favorável ao contribuinte. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ou seja, 24% e No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Assim, entendo que a multa aplicada pelo auditor encontrase em perfeita consonância com os normativos vigentes, bem como refletem de forma mais adequada a natureza da multa aplicada. Notese que a decisão proferida pela turma a quo, não encontrase adequada a tese aqui exposta, tendo em vista que admite a aplicação não apenas da multa do Fl. 944DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 523 16 art. 35, bem como a concomitância da multa pelo descumprimento da obrigação acessória art. 32 ambas da lei 8212/91, o que na tese aqui descrita implica bis in idem. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa originalmente aplicada no presente lançamento. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Quanto ao alcance da imunidade NO que tange ao alcance da imunidade a entidade autuada, peço vênia para também divergir da ilustre conselheira relatora. Aliás, quanto à questão da discussão acerca da imunidade prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, entendo que o relator do acórdão recorrido enfrentou de forma contundente a questão, deixando claro que no caso das contribuições previdenciárias a lei específica descrita no próprio dispositivo constitucional (art. 195, §7º) vem a ser a lei 8212/91, art. 55, razão pela qual, adoto o texto do relator do acórdão recorrido como razões de decidir. Quanto à questão da discussão acerca da imunidade, prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal esclarecemos que essa questão suscitada pela Recorrente tem por finalidade embasar a tese de inaplicabilidade do art. 55 da Lei 8.212/1991, com o argumento de que a “imunidade” só poderia ser regulamentada via legislação complementar, nos termos do art. 146, inciso II, da Constituição Federal. Segundo a Recorrente, isso levaria a nulidade do lançamento fiscal, já que os dispositivos da Lei 8.212/1991 que tratam de isenção são inconstitucionais. Observase que o texto constitucional remeteu à lei o estabelecimento das condições necessárias para a obtenção da imunidade/isenção de contribuições sociais pelas entidades consideradas de assistência social. O destaque do voto do ilustre relator Ronaldo Macedo, encontrase expresso na CF/88, senão vejamos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Ou seja, ao contrário do que entendeu a ilustre relatora do presente acórdão, entendo que não poderíamos aplicar o texto do art. 14 do CTN, considerando que a própria Constituição, em relação à contribuições previdenciárias, fez expressa referência a lei Fl. 945DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 524 17 específica. Em termos de Contribuições Previdenciárias é fato que a lei que regulamenta as contribuições, e por conseqüência, a sua isenção é a lei 8212/91. Para realçar dita afirmação, contínua a transcrever o voto do acórdão recorrido, na parte que entendo melhor aplicável a questão: O art. 55 da Lei 8.212/1991 veio regulamentar a matéria, estabelecendo os diversos requisitos a serem cumpridos pelas entidades consideradas de assistência social, a fim de obterem isenção da cota patronal, dispondo, em seus incisos I e II, a obrigatoriedade que seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, assim como seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. É importante frisar que, no ordenamento jurídico, há a imposição de certos requisitos para que uma entidade venha gozar de isenção das contribuições previdenciárias, o que não logrou a empresa Recorrente comprovar. De sorte que, no caso dos autos, ao contrário do que entendeu a Recorrente, a imunidade não depende apenas a empresa ser titulada no Estatuto Social como entidade beneficente, conforme posto na peça recursal, mas do atendimento de todos os requisitos estabelecidos na Lei 8.212/1991, para usufruir a isenção aqui tratada. Assim, para fazer jus ao aludido benefício é imposta à entidade a obrigação de atender, cumulativamente, ao disposto no art. 55 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (g.n.) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 525 18 § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. (...) § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. Do dispositivo transcrito, verificamos que o Certificado e o Registro fornecido pelo CNAS são apenas um dos requisitos para que se possa gozar da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias. Conforme demonstrado nos autos (Relatório Fiscal, peças de impugnação e recursal, bem como registrado na decisão de primeira instância, dentre outros elementos examinados), a Recorrente não comprovou possuir Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período objeto do lançamento fiscal, nem preencheu os demais requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei 8.212/1991. Isso constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da imunidade pretendida. Assim, para fins de imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal/1988, ficou demonstrado que a Recorrente não se enquadra como entidade beneficente de assistencial social. Com isso, como não há nos autos a comprovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, ou até mesmo de têlo efetuado solicitação pela Recorrente, nem os demais requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991, é de se considerar inexistente o direito aludido para as competências dos valores lançados no presente processo. No que diz respeito à alegação de que a Lei 8.212/1991 é inconstitucional para regulamentar dispositivos constitucionais, vale esclarecer que a própria Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, conforme disposto no seu artigo 102, in verbis: Art. 102. compete ao supremo tribunal federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; (...) Portanto, as exigências estabelecidas pelo art. 55 da Lei 8.212/1991, que trata especificamente da isenção de contribuições previdenciárias, não permitem a aplicação do art. 14 do CTN e devem ser atendidas de forma cumulativa para fins de concessão deste beneficio. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 526 19 Como a Recorrente não comprovou o cumprimento dos requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991 – não é portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, dentre outros –,não pode estar amparado pela “isenção/imunidade”, devendo pois recolher as contribuições inadimplidas e lançadas no presente processo. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da Recorrente, para reconhecer sua imunidade relativamente às contribuições à Seguridade Social, pois estando o artigo 55 da Lei 8.212/1991 em perfeita consonância com as disposições constitucionais, e considerando que as exigências ali contidas não foram observadas, fica a empresa obrigada ao recolhimento das contribuições a seu cargo, previstas no artigo 22 da mesma lei, e, de igual modo, efetuar o recolhimento das contribuições devidas às Entidades e Fundos (chamados de Terceiros: FNDE/Salário Educação e INCRA). Assim, conforme destacado nos trechos transcritos acima, entendo que a entidade não logrou êxito em demonstrar o cumprimento da lei previdenciária (art. 55), para usufruir da isenção pretendida. Vale lembrar que a entidade em questão equiparase à empresa, em relação as obrigações previdenciárias dos segurados à sua disposição, nos termos do art. 15 da Lei 8212/91, senão vejamos: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou 10 entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei 9.876, de 26/11/99) (g.n.) Por fim, entendo também inaplicável a alegação do alcance da lei nº 2613/55 que atribuiu isenção aos serviços e bens do SESI, SENAI, SESC e SENAC às contribuições previdenciárias. Vejamos o disposto na referida lei: Art 12. Os serviços e bens do S. S. R. gozam de ampla isenção fiscal como se fôssem da própria União. Art 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio Fl. 948DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 11080.732860/201141 Acórdão n.º 9202003.883 CSRFT2 Fl. 527 20 (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Conforme a literalidade do dispositivo legal acima transcrito, o alcance da isenção dáse em relação aos serviços e bens das entidades que compõem o sistema "S". Ressaltese, que a obrigação de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelas entidades em questão nasce pela contratação de segurados empregados e contribuintes individuais, ou seja, fato gerador totalmente diverso, razão pela qual nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa originalmente aplicada no presente lançamento. Já em relação ao Recurso Especial do Sujeito Passivo, voto por NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 949DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI
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Numero do processo: 10280.901792/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS.
O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3201-008.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que restou vencido, e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas sobre as embalagens de acondicionamento (fitas metálicas para amarração, películas plásticas), utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte. Vencidos os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Laércio Cruz Uliana Junior que revertiam, também, as glosas em relação aos serviços de classificação e coordenação nas compras de madeira, desde que desassociados do serviço de agenciamento. Vencidos, ainda, os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles que negavam provimento ao Recurso.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente)
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que restou vencido, e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas sobre as embalagens de acondicionamento (fitas metálicas para amarração, películas plásticas), utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte. Vencidos os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Laércio Cruz Uliana Junior que revertiam, também, as glosas em relação aos serviços de classificação e coordenação nas compras de madeira, desde que desassociados do serviço de agenciamento. Vencidos, ainda, os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles que negavam provimento ao Recurso. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 17 92 /2 01 3- 19 Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 Relatório Replico o relatório produzido pela Delegacia Regional de Julgamento para relatar os fatos: Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório nº 057810120, que não reconheceu a existência de crédito de ressarcimento da Cofins Não-Cumulativa, oriundo da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, referente ao 3º trimestre de 2008, no valor pleiteado de R$ 776.277,67 (art. 5º, caput, I, e §§1º e 2º da Lei nº 10.637/2002; art. 6º, caput, I, e §§1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003), indeferindo o pedido de ressarcimento. 2. Conforme Parecer Seort/DRF/BEL, no qual se baseou o Despacho Decisório, o reconhecimento parcial do crédito se deu em virtude de glosas de créditos relativos aos seguintes custos, despesas ou encargos: a) REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO: Madeira adquirida com o fim específico de exportação, conforme notas fiscais de entrada relacionadas pelo interessado em seu "Demonstrativo Analítico de Apuração de Créditos por Insumo Adquirido" (art. 6°, §4°, c/c art. 15, III, da Lei. 10.833, de 2003); como consequência, foi glosado o "frete sobre madeira"; b) “PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS” E “OUTROS INSUMOS”: Excepcionados os registros especificados em tabela, os demais itens relacionados como bens e serviços nesse grupo não se enquadram no conceito de insumo na acepção da legislação, pois conforme interpretação do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, do art. 66, §5º, da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, e do art. 8º, §4º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, não são comprovadamente aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do produto. c) GLOSA NA FATURA DE ENERGIA ELÉTRICA: A Contribuição de Iluminação Pública (CIP) cobrada na fatura de energia elétrica – Despesas de Energia Elétrica. 3. Cientificado do decisório em 13.08.2013 (fl 68), o contribuinte manifestou inconformidade em 09.09.2013 (fls 69/174), na qual alega acerca de cada um dos itens de glosa: 3.1. Glosa de custos relativos às aquisições com o fim específico de exportação Preliminarmente: (i) A nulidade do despacho decisório, por estar amparado em mera presunção (com base apenas nos dados das notas fiscais, a fiscalização atribuiu ao contribuinte a condição de comercial exportadora, quando, em verdade, ela é uma industrial exportadora) e por não lhe ter sido apresentado "os demonstrativos e elementos que amparam o entendimento fiscal" (em nenhum momento, descreveu com precisão os fatos fundamentos do entendimento fiscal quanto à condição que é imputada ao impugnante, a fazer dilações e presunções genéricas e infundadas, mas sem demonstrar os fatos concretos, que autorizariam essas acusações), ofendendo, assim, o princípio da ampla defesa; (ii) Violação aos princípios da tipicidade e da legalidade, já que o enquadramento no §2° do art. 3º das Leis nº 10.367/2002 e 10.833/2003 depende de procedimentos específicos; a isenção ou não-incidência das contribuições em decorrência da sua suspensão na aquisição dos insumos não se trata de uma obrigação do contribuinte, mas Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 sim de uma prerrogativa sua; efetivamente foi a IN SRF n° 595/2005 que disciplinou os procedimentos a serem observados para suspensão das contribuições, prevendo expressamente que somente a pessoa jurídica previamente habilitada ao regime pela Secretaria da Receita Federal (SRF) poderá efetuar aquisições de MP, PI e ME com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; ainda na violação da tipicidade, não basta para o tipo que as vendas ocorram com o fim específico de exportação, é necessário que a empresa adquirente seja uma comercial exportadora inscrita na Secex (art. 45 do Decreto nº 4.524/2002); na espécie, nenhum dos requisitos estão presentes, porque, comparando as notas fiscais de entrada (aquisição de insumos) com as notas fiscais de saída (venda de produtos), constata-se que não houve revenda de mercadoria adquirida com o fim específico de exportação, mas industrialização de produto para exportação; além isso não possui registro na Secex como comercial exportadora; (iii) A condição de comercial exportadora também é rechaçada pelo contexto da aquisição de mercadorias com o suposto fim específico de exportação, porquanto não se enquadrar nos requisitos para a fruição do benefício de isenção previstos no art. 1º, parágrafo único, do Decreto-Lei nº 1.248/72, conforme notas fiscais e conhecimentos de transporte, a saber: embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; ou b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento; (iv) Vício na motivação do ato, decorrente de contradição insanável, na medida em que identifica, de um lado, o contribuinte como indústria que fabrica artefatos de madeira e, de outro, como comercial exportadora; veja-se, neste sentido, que a totalidade de aquisições registradas no Livro Registro de Apuração de ICMS (anexo) - CFOPs de entrada - referem-se à aquisição de insumos para industrialização; da mesma maneira a totalidade de vendas registradas naquele mesmo Livro Registro de Apuração de ICMS (anexo) - CFOPs de saída - referem-se à venda de industrialização própria; No mérito: (v) No período de geração do crédito pleiteado exerceu, como exerceu antes e ainda exerce, as atividades exclusivas de industrial exportadora, especificamente a de beneficiamento da madeira (RIPI), gozando, portanto, do direito de descontar crédito na apuração das contribuições; conforme exemplos dados por amostragem, comprovados mediante notas fiscais e conhecimento de transporte, o insumo que ingressou para industrialização deu origem a produto completamente diferente (pelo seu beneficiamento), sendo sua natureza física na entrada passível de confronto com sua natureza física na saída, já que o rastreamento do insumo até o produto final é feito pelo controle estatal relativo à administração ambiental; para comprovar o seu parque industrial, descreve o processo produtivo, suas etapas, insumos e produtos intermediários que integram ou concorrem para o produto final; a industrialização está não só materialmente comprovada, mas também formalmente, já que o ingresso no pátio do impugnante de bem com um NCM (44.07) e a saída com outro diverso (44.09) implica em industrialização formalmente demonstrada e comprovada; enfim, não há como sustentar que a matéria prima adquirida pelo impugnante foi exportada (transformando-a em comercial exportadora) uma vez que aquelas matérias primas lhe são entregues como tal (madeira em bruto simplesmente serrada) e não como o produto industrializado (acabados ou não, mas sempre resultado de processo de industrialização), fora, portanto, das especificações do adquirente e que somente são alcançadas através de processo de industrialização (juntou Laudo Técnico acerca do processo de industrialização); (vi) Portanto, o embasamento fiscal para a atribuição ao impugnante da condição de comercial exportadora exsurge de duas vertentes averbadas no parágrafo acima, a saber: a) CFOP da notas fiscais de entrada, indicada pelo fornecedor e fora da ingerência do Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 impugnante; b) indicação do tipo do produto (exportação), tomado equivocadamente como seu destino pelo agente fazendário; o impugnante, ao escriturar as aquisições de insumos (indevidamente glosadas pela autoridade fazendária) em seu Livro Registro de Entradas, que, por sua vez, deu origem ao Livro de Apuração do ICMS (anexo), procedeu de forma a corretamente identificar a natureza daquelas entradas pelo seu registro sob o CFOP correto (5.101 ou 6.101) ainda que a nota fiscal emitida por seu fornecedor trouxesse CFOP equivocado ou nenhum (5.501 ou 6.501); (vii) O impugnante não se enquadra minimamente nos requisitos legais para ser considerada uma comercial exportadora, nos termos estabelecidos pelo Decreto- Lei 1.248/75 (registro especial na Secex e RFB, constituída sob a forma de sociedade por ações e possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional); (viii) A única compra possível por contribuinte que não seja comercial exportadora sem incidência do PIS/Pasep e da Cofins (como pretendeu fazer crer o agente fiscalizador que tivesse ocorrido) seria sua habilitação como preponderantemente exportadora, nos termos do art. 40 da Lei n° 10.865 de 30.04.2004, com nova redação dada pela Lei n° 11.727/2008, o que não se verifica, de modo que o crédito das contribuições nas aquisições lhe é assegurado; (ix) O agente fiscalizador, objetivando tão somente glosar os créditos do impugnante, utilizou-se de expressão constante da nota fiscal em atendimento à legislação do ICMS que determina que a venda de matérias primas para fins de industrialização deverá se dar sob o amparo de documento fiscal que informe a saída "com fim específico de exportação" - indicando ainda o número do Regime Especial concedido pela Fazenda Estadual para fruição do beneficio, ainda que aquela expressão abarque inclusive matérias primas a serem industrializadas; a expressão visa atender às normas relativas ao ICMS e não guarda relação como a obrigação determinada pela legislação federal, que determina que nas notas fiscais relativas às vendas de MP, PI e ME, deverá constar a expressão "Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS"; por fim, o impugnante não pode ser responsabilizado pelas ações ou omissões de seus fornecedores, tampouco está habilitado ou autorizado a exigir o cumprimento de obrigações tributárias principais ou acessórias de outros contribuintes, obrigação esta que cabe única e exclusivamente ao Fisco. 4. Juntou algumas notas fiscais e Livro de Apuração do ICMS. 5. Atacando o mérito das demais glosas, o manifestante deduz os seguintes argumentos: 5.2. Glosa do crédito sobre “PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS” E “OUTROS INSUMOS” (x) Tanto os produtos intermediários quanto o material de embalagem (imunizantes, fitas metálicas para amarração, películas plásticas para embalagem etc.) fazem parte do processo produtivo ou integram o produto final, na forma do Laudo Técnico, de modo que a glosa dos créditos sobre tais itens ofende ao princípio constitucional da não- cumulatividade; (xi) Os serviços contratados pelo contribuinte e comprovados mediante nota fiscal, especialmente "agenciamento e compras de madeira para exportação e de classificação e coordenação na compra de madeira", por agregarem-se aos custos da matéria prima adquirida e configurarem-se em parcela de seu processo produtivo (como no caso presente), geram direito ao aproveitamento do crédito; 5.3. Glosa de crédito sobre manutenção de máquinas e equipamentos (x) Deixando de considerar como base de cálculo as parcelas relativas aos itens de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo de industrialização na condição de parte integrante e imprescindível da cadeia de produção, mais Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 especificamente, como parte do próprio custo do produto industrializado, obrou o agente fiscalizador em total desacordo com os princípios que regem a não- cumulatividade; 5.4. Glosa do crédito sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, encargos de amortização de edificações e benfeitorias (xi) A esse respeito, a autoridade fiscal jamais lhe requereu qualquer documento e/ou informação relativamente à depreciação e amortização e leasing, como se verifica no Ofício Seort/DRF/BEL nº 7.160/2011, que tem por objeto a apresentação de notas fiscais de entrada que originaram os direitos creditórios; e isto fica evidente se considerarmos que é da natureza jurídica das operações de aluguéis e leasing, assim como as despesas de depreciação, não gerar para seu registro civil e comercial Notas Fiscais de Entrada, aparando-se sua existência jurídica em outros elementos tais como contratos, controles contábeis etc; dessa forma, como o agente fiscal nada solicitou, há de se considerarem os créditos declarados pelo contribuinte no Dacon; nada obstante, junta com a manifestação cópia do Livro Razão, pertinente às contas de depreciação/amortização e leasing; 6. O requerente pede a atualização monetária do crédito da contribuição com base nos juros moratórios (art. 39 da Lei nº 9.250/95), utilizando-se os mesmos índices de atualização dos débitos fiscais do contribuinte (princípio da igualdade), já que ele não pode ser prejudicado pela inércia da Administração Tributária. 7. O manifestante requer a realização de perícia contábil, formulando quesitos a serem respondidos e indicando um perito assistente. 8. É o relatório. A Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente os pedidos da Manifestação de Inconformidade. Inconformado o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, e-fls 353/478, requerendo a reforma do julgado nos seguintes termos: Diante de tudo o que foi dito e apontado na presente peça de Recurso Voluntário e confiando na imparcialidade e busca pela justiça tributária deste Egrégio Colegiado, a Recorrente entende que são robustos seus fundamentos, motivo pelo qual formula seu REQUERIMENTO FINAL, para o especial fim de: recebimento e processamento do presente Recurso Voluntário com os documentos que o instruem; em decorrência seja considerado Recorrido o Acórdão na parte que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade originária; seja a Recorrente intimada quando da designação da sessão de julgamento do presente Recurso Voluntário, ficando desde já requerida a sustentação oral naquela oportunidade ao final seja o presente Recurso Voluntário julgado totalmente procedente, reformando-se o Acordão recorrido e, por via de consequência o Despacho Decisório originário, para o fim de reconhecer a totalidade crédito tributário requerido e que se constitui em direito líquido e certo do contribuinte e ignorado pelo agente fiscalizador, especialmente reconhecendo que: 4.1) Preliminarmente: Fl. 494DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 a) a pretensão fiscal, na forma em que posta, deixou de observar o princípio da tipicidade tributária; b) a pretensão fiscal, na forma em que posta, ferre o princípio da legalidade; c) o procedimento foi carente de profundidade resultando em interpretação equivocada da realidade legal e fática da Recorrente; d) o despacho decisório, na forma em que exarado feriu o princípio da motivação do ato administrativo. 4.2) No Mérito: a) deixou de observar a efetiva condição de industrial exportadora da Recorrente atribuindo-lhe a condição de comercial exportadora, condição esta que não se coaduna com a realidade legal ou fática do contribuinte; b) deixou de observar a efetiva condição de aquisição de insumos aplicados em seu processo produtivo as operações que considerou como aquisições com fins especificos de exportação, condição esta que não se coaduna com a realidade legal ou fática do contribuinte; c) deixou, ao atribuir à Recorrente a condição de Comercial Exportador, de observar o Princípio da Primazia da Realidade a indicar a condição de Industrial Exportadora da Recorrente e pelo qual a realidade fática deve sobrepor-se ao que eventualmente possa ser abstraído da simples análise documental; d) procedeu de forma indevida a glosa do crédito não cumulativo de Pis e Cofins sobre insumos especialmente porque: d.1.) os insumos em questão estão previstos expressamente pela legislação de regência como geradores do direito creditório pleiteado, pela não cumulatividade plena pretendida pela Lei, do Pis e da Cofins; d.2.) a créditos ignorados pelo agente fazendário não foram em momento algum objeto de pedido de comprovação durante o procedimento de verificação. Não o sendo presumem-se devidos, e não o contrário como pretendido; e) Ao proceder daquela forma incorreu em afronta ao Princípio da Razoabilidade. em decorrência seja reconhecida a totalidade do crédito pleiteado pela Recorrente já que calculado corretamente e nos estritos termos da legislação que regulamenta a matéria, determinada a homologação das compensações que lhe foram vinculadas e o imediato ressarcimento em espécie de eventual o saldo restante; e ainda seja aquele crédito devidamente atualizado monetariamente nos termos da legislação de regência; É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Fl. 495DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 Trata-se pedido de ressarcimento relativo a créditos de COFINS não-cumulativa, abarcando o 3° trimestre de 2008, que não foi homologado devido as conclusões do procedimento de fiscalização (e-fls 63/67) nos seguintes termos: ANÁLISE CONCLUSIVA DO CRÉDITO: Após a Recomposição do Valor do Crédito, a contribuição apurada no trimestre restou maior que o crédito apurado no período. Nesse sentido, não há crédito passível de ressarcimento, pois o crédito relativo às aquisições no mercado interno e às importações deve ser utilizado na dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das operações tributadas no mercado interno. É o parecer, smj. O requerente opera com "a finalidade precípua de industrialização da madeira atuando, especificamente, na etapa final da cadeia produtiva, qual seja, o beneficiamento da madeira e sua subsequente exportação". No desempenho de suas atividades, sujeita-se à tributação das contribuições para o PIS/Pasep e da COFINS sob a sistemática da não cumulatividade, regulada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 14) ELEMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE: a) Notas Fiscais de Entrada (meio magnético); b) Planilha de Cálculo. 15) ELEMENTOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO: a) Ofício/SEORT/DRF/BEL/N.º 7.160/2011; b) Parecer SEORT/DRF/BEL Nº477/2013. Após apreciação da Manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte a Delegacia Regional de Julgamento manteve as glosas, sendo por essa razão apresentado o Recurso Voluntário que ora se julga. PRELIMINARES O recorrente alega preliminarmente a prescrição intercorrente: O contribuinte, por sua vez, protocolizou sua manifestação de inconformidade em 09/09/2013. Somente em 05/07/2019 e, portanto, quase 5,5 (cinco anos e meio) depois do protocolo daquela manifestação de inconformidade é que o contribuinte foi intimado da decisão de impugnação tomada em sessão de 14/06/2019. Sobre esse ponto há súmula no CARF no seguinte sentido: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 496DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 Sendo assim, por obediência a jurisprudência administrativa, rejeito a preliminar suscitada. Outrossim, o recorrente alega nulidades em razão de, no seu entender, a fiscalização ter se amparado em presunção, bem como ter tido o seu direito de defesa cerceado, alega ainda que a decisão carece de motivação e fere o princípio da tipicidade. Como bem ficou consignado no julgado de piso não há nulidades por essa razão: A esse respeito, cumpre observar que a motivação para a glosa está suficientemente expendida no despacho decisório (cf. Parecer Seort/DRF/BEL), mediante descrição dos fatos, referência a livros fiscais e a documentos probatórios, a explicitação, especificadamente, dos custos e despesas objeto da glosa, a elaboração de planilhas de quantificação do crédito reconhecido etc. E sobre a alegada violação ao princípio da tipicidade e legalidade complementa: 25. A nulidade também é sustentada, por violação aos princípios da tipicidade e da legalidade, ao ser-lhe aplicado o inciso II do §2° do art. 3º das Leis nº 10.367/2002 e 10.833/2003, o qual dependeria de procedimentos específicos, não adotados pela autoridade fiscal. Segundo o reclamante, a isenção ou não-incidência das contribuições em decorrência da sua suspensão na aquisição dos insumos não constituem uma obrigação do contribuinte, mas sim de uma prerrogativa sua. Para ser usufruída carece necessariamente da iniciativa do contribuinte e da observância da IN SRF n° 595/2005, que disciplina os procedimentos a serem observados para a suspensão das contribuições, prevendo expressamente que somente a pessoa jurídica previamente habilitada ao regime pela Secretaria da Receita Federal (SRF) poderá efetuar aquisições de MP, PI e ME com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 26. Sucede, todavia, que o regime de suspensão da contribuição na aquisição da madeira não lhe está sendo atribuído pela autoridade recorrida. O despacho impugnado limita-se a consignar que a aquisição não ensejaria crédito na apuração não cumulativa das contribuições, porque a operação de compra não se sujeitou, pela razão expendida, ao pagamento da contribuição. Essa razão é a isenção na venda da madeira adquirida, conforme leitura feita com base na nota fiscal de compra e art. 5º, III, da Lei nº 10.637/2002 e art 6º, III, da Lei nº 10.833/2003. Não vislumbro no presente PAF qualquer causa de nulidade, estão presentas todos os requisito exigidos pelo art. 59 do Decreto 70.235/72 1 , bem como não houve cerceamento de defesa, visto que o recorrente exerceu plenamente todas as possibilidade de atuação nos autos, sendo-lhe oportunizado prazo e meios de provar e alegar toda a matéria de fato e de direito. Dessa forma rejeito as preliminares. MÉRITO Acerca do mérito, faço breves considerações acerca do conceito e do meu posicionamento sobre a matéria de insumos. I - Do conceito de insumos 1 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 497DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 Inicialmente, importa destacar que, a jurisprudência recente do CARF tem afastado a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e rejeitado a aplicação do conceito mais amplo de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda, posto que o judiciário também tem entendido que cabe a relativização do conceito de insumos analisando caso a caso, conforme veremos. Nesse sentido o conceito de insumos, no âmbito do PIS/PASEP e COFINS, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a crédito de PIS/PASEP e da COFINS por inequívoca previsão normativa: das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003. Sobre o tema é importante destacar os ensinamentos de Marco Aurélio Greco com o seguinte posicionamento: "Por outro lado, nas contribuições, o §11 do artigo 195 da CF não fixa parâmetros para o desenho da não cumulatividade o que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o crédito sobre o valor dos dispêndios feitos com a aquisição de bens e também de serviços tributados, mas não restringe o crédito ao montante cobrado anteriormente. Vale dizer, a não cumulatividade regulada pelas Leis não tem o mesmo perfil da pertinente ao IPI, pois a integração exigida é mais funcional do que apenas física. Assim, por exemplo, no âmbito do IPI o referencial constitucional é um produto (objeto físico) e a ele deve ser reportada a relação funcional determinante do que poderá, ou não, ser considerado "insumo". Por outro lado, no âmbito de PIS/COFINS a referência explícita é a "produção ou fabricação", vale dizer às ATIVIDADES e PROCESSOS de produzir ou fabricar, de modo que a partir deste referencial deverá ser identificado o universo de bens e serviços reputados seus respectivos insumos. (grifei) Por isso, é indispensável ter em mente que, no âmbito tributário, o termo "insumo" não tem um sentido único; a sua amplitude e seu significado são definidos pelo contexto em que o termo é utilizado, pelas balizas jurídico normativas a aplicar no âmbito de determinado imposto ou contribuição, e as conclusões pertinentes a um, não são automaticamente transplantáveis para outro. (...) No caso, estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a receita ou o faturamento, portanto, sua não cumulatividade deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função deles (receita/faturamento). Enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos a ele relativos, o processo formativo da receita ou do faturamento aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, por mais de urna razão, o universo de elementos captáveis pela não-cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo que o do IPI." 2 2 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de Insumo à luz da legislação de PIS/COI1NS. Revista I Fórum de Direito Tributário, v. 34, jul./ago. 2008. Fl. 498DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 A jurisprudência majoritária do CARF se orienta, portanto, no sentido de vincular o conceito de insumos à relação de pertinência ou inerência da despesa incorrida com o limite espaço-temporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Tal matéria foi levada ao poder judiciário e, em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), vejamos a decisão: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Conforme se verifica, o STJ relativizou o conceito, atribuindo a análise do caso concreto a responsabilidade por decidir a essencialidade e a relevância, afastando, desse modo, aquele conceito restritivo de insumos enunciado pelas IN´s nº 247/2002 e 404/2004. Assim, o STJ assimilou uma concepção de insumos que é intermediária, distinta daquelas albergadas pela legislação do IPI e do Imposto de Renda. O conceito formulado pelo STJ, baseado na essencialidade e relevância é de grande abrangência e não esta vinculado a conceitos contábeis (custos, despesas, imobilizado, intangíveis e etc), de forma que a modalidade de creditamento sobre a aquisição de insumos deve Fl. 499DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 ser vista como regra geral de apuração de créditos para as atividades de produção de bens e de prestação de serviços, sem prejuízo das demais hipóteses previstas em lei. Em suma, o REsp 1.221.170 consignou dois importantes posicionamentos acerca do conceito de insumo contrário ao que constava nas instruções normativas 247/02 e 404/04: (i) a possibilidade de creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados, assim como (ii) o afastamento expresso de qualquer necessidade de contato físico, desgaste ou alteração química do bem para que se permita o creditamento. Por oportuno e não menos relevante, é importante trazer o que foi proposto pelo ilustre Ministro Mauro Campbell em relação ao “Teste de Subtração” 3 no julgamento do REsp 1.221.170, pois muito embora não conste na tese firmada pelo STJ, a Receita Federal entendeu que corresponde a uma importante ferramenta para identificar a essencialidade ou relevância de determinado item para o processo produtivo, quando publicou o Parecer Normativo COSIT 5/18 uniformizando o seu entendimento sobre o conceito de insumos para fins da apuração de créditos da não cumulatividade da contribuição para o PIS e COFINS. Entendo que andou bem o STJ, em especial da leitura de seu voto condutor, que de forma clara determina a necessidade de aferição casuística da aplicação do conceito de insumos a determinado gasto, tendo sempre em vista a atividade desempenhada pelo contribuinte. Sendo de relevante importância a fase instrutória do processo administrativo. Feitas tais ponderações e esclarecido o posicionamento desta relatoria, passamos a analisar o caso concreto posto em julgamento com a análise das alegações da recorrente e as razões para manutenção das glosas nos termos do que ficou consignado pela Delegacia Regional de Julgamento: De acordo com o despacho impugnado, foram glosados os seguintes créditos, à luz das correspondentes motivações: REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO: Madeira adquirida com o fim específico de exportação, conforme notas fiscais de entrada relacionadas pelo interessado em seu "Demonstrativo Analítico de Apuração de Créditos por Insumo Adquirido" (art. 6°, §4°, c/c art. 15, III, da Lei. 10.833, de 2003); como consequência, foi glosado o "frete sobre madeira"; “PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS” E “OUTROS INSUMOS”: Excepcionados os registros especificado em tabela, os demais itens relacionados como bens e serviços nesse grupo não se enquadram no conceito de insumo na acepção da legislação, pois conforme interpretação do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, do art. 66, §5º, da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, e do art. 8º, §4º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, não são comprovadamente aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do produto. (...) 3 Segundo o voto do ministro Mauro Campbell, seriam considerados insumos os bens e serviços "cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes". Fl. 500DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 GLOSA NA FATURA DE ENERGIA ELÉTRICA: A Contribuição de Iluminação Pública (CIP) cobrada na fatura de energia elétrica - Despesas de Energia Elétrica. 30. Cumpre observar que a glosa do crédito sobre a despesa de energia elétrica, especificamente em relação ao gasto com a Contribuição de Iluminação Pública (CIP), não foi contestada pelo manifestante, constituindo-se tal glosa "matéria não impugnada", nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO: De todo, a construção lógica que se aproveita do julgado de primeira instância (e- fls 340/344), em suma, as razões pela manutenção da glosa foram assim fundamentadas: 82. Mais decisivamente, outro fundamento erigido no decisório obsta o aproveitamento do crédito sobre as compras. É que a aquisição da madeira serrada se dera de tal forma que a operação acabou por não se sujeitar ao pagamento da contribuição, haja vista o clima que a permeou de não incidência de qualquer tributo, seja estadual ou federal. Com efeito, os elementos expressamente consignados na nota fiscal de compra dão-lhe esse revestimento, a exemplo do código CFOP 5.501 e a destinação da mercadoria para exportação. Tanto assim que não se verifica registro de declaração ou recolhimento das contribuições por parte de seus principais fornecedores, a exemplo de Baida & Bueno Ltda, Export Company etc. 83. De acordo com inciso II do §2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, "não dará direito a crédito a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". O preceito foi inserido posteriormente pela Lei nº 10.865/2004, para amainar o princípio norteador da não cumulatividade das contribuições (apuração "base contra base" ou subtração indireta, estabelecido no §1º do art. 3º das leis) com a forma constitucional de implementação da não cumulatividade para alguns impostos (apuração "tributo contra tributo" ou subtração direta, como previsto na Constituição Federal, art. 153, §3º, II, e 155, § 2º, I), de modo que o direito de se creditar também passasse a depender da incidência da contribuição na operação de entrada, sobretudo quando o creditamento não se justificar ante a desoneração na operação de saída (a exportação é imune à contribuição). 84. Esse escolho poderia ter sido evitado pelo manifestante, mas, contraditoriamente, de alguma forma dele se beneficiou, pois a desoneração dos tributos na entrada interfere no custo das aquisições. Pois bem, os alegados equívocos do fornecedor cometidos no preenchimento da nota fiscal poderiam ter sido remediados pelo comprador, mediante solicitação de correção dirigida ao emitente do documento fiscal. 85. A propósito, não se deve estranhar a íntima implicação entre obrigação acessória de um sujeito passivo e obrigação principal de outro. Por exemplo, se a fonte pagadora não declara o IRRF ou deixa de informá-lo ao beneficiário do rendimento, este poderá exigir daquela a declaração e o Informe de Rendimentos, sob pena não poder descontar o imposto retido do imposto apurado. 86. Dessa forma, conclui-se que o manifestante não pode descontar o crédito sobre a madeira adquirida em operação motivada pelo fim específico de exportação. 87. Como o frete na compra incorpora-se ao custo de aquisição da madeira, o gasto com frete também não gera creditamento. Em sua defesa o recorrente assegura que: Fl. 501DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 a.1) Escrituração Fiscal das Entradas: A Impugnante, ao escriturar as aquisições de insumos (indevidamente glosadas pela autoridade fazendária) em seu Livro Registro de Entradas que, por sua vez, deu origem ao Livro de Apuração do ICMS (anexo) procedeu de forma a corretamente identificar a natureza daquelas entradas pelo seu registro sob o CFOP correto (5.101 ou 6.101) ainda que a nota fiscal emitida por seu fornecedor trouxesse CFOP equivocado ou nenhum. Portanto, a partir do momento em que o registro passou ao campo de ingerência da Impugnante esta procedeu de forma e bem identificar a natureza da operação. É o que se observa do anexo Livro Registro de Apuração de ICMS onde a totalidade das aquisições está escriturada sob o código de insumo para industrialização. Aquele Livro, por sua vez está devidamente registrado. (...) a.2) CFOP de Saída: No mesmo sentido, ao emitir suas notas fiscais de saída a Impugnante as emitiu com o CFOP que registra corretamente sua operação que praticou, qual seja, exportação de produto industrializado. Neste sentido, veja-se as notas fiscais de saída exemplificativamente anexadas que servem de prova por amostragem, de onde se abstrai que a saída se fez sob o CFOP 7.101(referente à saída ou prestação de serviço para o exterior) a indicar a venda de produção própria do estabelecimento. Como se vê, as razões pela glosa da madeira se deram pelo fato da fiscalização ter apurado, através das notas fiscais fornecidas pelo recorrente, que o produto era identificado no CFOP 5.101. Essa identificação pressupõe que a aquisição do insumo é sem tributação e assim sendo não caberia a tomada do crédito por parte do comprador dos produtos, conforme bem explicado no julgado a quo. A alegação da recorrente de que fez o registro contábil das notas fiscais de entrada com o código correto em seu livro de apuração não descaracteriza as informações originárias da nota fiscal, visto que caberia nesse caso o pedido de retificação do documento, até porque, conforme se verifica na presente controvérsia, a manutenção de código supostamente indevido acarreta em inúmeros inconvenientes e a recorrente sabedora dessas consequências, já que empresa de grande porte do ramo que atua, deveria adotar as devidas cautelas como medida preventiva. Nessa toada, cabe destacar que em sendo do contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado perante ao Fisco, conforme já mencionado na decisão de piso, é de sua inteira responsabilidade as informações contidas nos documentos fiscais das operações incluídas na base de cálculo deste. Sobre a Nota Fiscal é importante notar que por estar a sua emissão e utilização imbuída de formalismos e rigores estabelecidos legalmente, portanto de observação obrigatória pelos contribuintes, consiste, por excelência, do meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos no âmbito de cada tributo. As notas fiscais, portanto, fazem prova perante o fisco, para todos e quaisquer fins, das operações que representam, na medida em que gozam de presunção (relativa) de veracidade, presunção esta somente afastada, por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. Assim é que, diante de expressa vedação legal ao crédito a partir da aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição - inciso II do §2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, "não dará direito a crédito a aquisição de bens ou serviços não Fl. 502DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição” - não há como restabelecer a glosa com base na mera alegação de erro no CFOP das notas fiscais de aquisição. É de se dizer que a nota fiscal é o documento que comprova a operação realizada e, no caso presente, a glosa se deu justamente pelo fato de as aquisições terem se dado sem o pagamento da contribuição e é sabido que não dá direito a crédito aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, nos termos da legislação que rege a matéria. A adequação e correção das notas fiscais são essenciais para o reconhecimento do crédito postulado. Nesse sentido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 (...) PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DIREITO DE USO E PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. DIREITO A CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Somente podem ser considerados no cálculo dos créditos na apuração das contribuições para o PIS e COFINS não cumulativos as aquisições de insumos comprovadas por documentos fiscais adequados. A nota fiscal é o documento hábil e idôneo para se comprovar tais aquisições. (...)” (Processo nº 13004.000019/2005-81; Acórdão nº 3201-007.256; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; sessão de 24/09/2020) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/08/2013 a 31/12/2015 (...) CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS. ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. As leis que regem a não cumulatividade das contribuições estipulam que não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, dentre os quais se incluem os insumos adquiridos com alíquota zero ou com suspensão. (...)” (Processo nº 10980.722973/2017-17; Acórdão nº 3201-006.152; Relator Conselheiro Hélcio Lafetá Reis; sessão de 20/11/2019) Por fim, quanto as reiteradas alegações da recorrente, quanto a equiparação como Empresa Comercial Exportadora – ECE, acreditando existir tal distinção conceitual, quando invoca ser uma Industrial Exportadora, não se sustenta e consequentemente em nada compromete o decisum prolatado: a uma que não há dúvidas que exporta os produtos que industrializa, fato comprovado pelo modus operandi que registra as saídas destes produtos, a duas que como bem sinalizado pelo Auditor/Relator do Acórdão a quo, é que as ECEs constituídas sob qualquer formato societário, e que tenham dentre as suas atividades, a comercialização de mercadorias/produtos, à luz do que dispõe os arts. 966 a 1.195 do Código Civil, Lei nº 10.406/2002, não se diferencia em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tão-somente em função do seu objeto social. Frisa no item 72 do seu voto que “Não se objeta, pois, o contribuinte poder enquadrar-se como comercial exportadora comum”. Fl. 503DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 Importante frisar os argumentos da fiscalização que suportou a glosa, essencialmente motivado pela não incidência de tributos nas notas fiscais de entrada, fato que pela lógica legal veda aquisição de créditos no regime não-cumulativo. Para a situação em tela, a legislação estabelece, no Art. 5º, Inciso III da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no Art. 6º, Inciso III da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que “a contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação". Além disso, o o Art. 3º § 2º, inciso II da lei dispõe que: "Não dará direito a crédito o valor: da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Logo, como a venda a comercial exportadora é isenta, e a saída da mercadoria também é isenta, esses produtos não geram direito a créditos. Diante dessas conclusões entendo pela manutenção da glosa. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS” E “OUTROS INSUMOS: Nos termos do que consta no Recurso Voluntário as glosas realizadas nesse tópico estão relacionadas a: “o material de embalagem, quando utilizado, serve, como pode ser abstraído do próprio nome, para dotar o produto final de condições de transporte e venda". Por sua vez, "os produtos intermediários são os que "compõem a menor parte do processo produtivo, passando a fazer parte do mesmo na movimentação da matéria prima pelas etapas da industrialização, servindo, basicamente para a movimentação da matéria prima, produtos em processo e produtos acabados de uma etapa para outra do processo produtivo". Sobre esse item a fiscalização defendeu a glosa pelos seguintes motivos: b) Glosa sobre “Produtos Intermediários” e “Outros Insumos”: Excepcionados os registros da tabela abaixo, os demais itens relacionados como bens e serviços nesse grupo não se enquadram no conceito de insumo na acepção da legislação, pois conforme interpretação do art. 3º, II da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, do Art. 66, §5º da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, e do Art. 8º, §4º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, não são comprovadamente aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do produto. A DRJ por sua vez fez as seguintes argumentações para manter as glosas: 46. A primeira glosa alcançou o crédito sobre “PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS” E “OUTROS INSUMOS”, por não estarem relacionados à atividade produtiva, nos termos do art. 3º, caput, das Leis nº 10.367/2002 e 10.833/2003. 47. De outra parte, o manifestante contrapõe-se à glosa pressupondo que nesse grupo estariam os gastos com produtos intermediários, serviços agregados ao custo da matéria prima e material de embalagem. Fl. 504DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 48. Entretanto, essa correlação não foi explicitada pelo manifestante e não é possível inferi-la a partir da relação dos itens glosados pela autoridade decisória. (...) 49. De todo modo, à exceção do item relativo à manutenção de máquina e equipamentos, os demais não se revelam em tese legalmente passíveis de gerar creditamento. Nesse passo, o manifestante alega que "o material de embalagem, quando utilizado, serve, como pode ser abstraído do próprio nome, para dotar o produto final de condições de transporte e venda". Por sua vez, "os produtos intermediários são os que "compõem a menor parte do processo produtivo, passando a fazer parte do mesmo na movimentação da matéria prima pelas etapas da industrialização, servindo, basicamente para a movimentação da matéria prima, produtos em processo e produtos acabados de uma etapa para outra do processo produtivo". Enfim, argumenta que tanto os produtos intermediários quanto o material de embalagem (imunizantes, fitas metálicas para amarração, películas plásticas para embalagem etc.) fazem parte do processo produtivo ou integram o produto final, na forma do Laudo Técnico, de modo que a glosa dos créditos sobre tais itens ofende ao princípio constitucional da não cumulatividade. 50. O Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 trata da questão relacionada ao material de embalagem: (...) 51. Dessa forma, os materiais de embalagens utilizados para acondicionamento e transporte, por se constituírem em gastos efetuados após a finalização do processo produtivo, não são considerados insumos nem geram crédito na apuração das contribuições. 52. Assim não fosse, resvalar-se-ia num conceito mais amplo de insumo, fundado no critério econômico, que é o aplicável na legislação do imposto de renda. No entanto, a jurisprudência do STJ rechaçou-o em definitivo. 53. Ainda com respeito a embalagens, as que foram adquiridas com o fim específico de exportação também terá sua análise contemplada no exame do último tipo de glosa. 54. A seu turno, os alegados gastos com produtos intermediários não foram especificados pelo requerente. 55. Em vista disso, a questão centra-se na distribuição do ônus probatório, isto é, a quem competiria demonstrar a procedência do direito: aquele que alega ou aquele que contesta. No caso vertente, a prova necessária ao deslinde da controvérsia é eminentemente documental. (...) 58. Ante a fundamentação do ato de glosa da autoridade fiscal, o manifestante poderia ter explicitado os serviços, os produtos intermediários, a manutenção das máquinas e equipamentos, e, sobretudo, relacioná-los aos itens glosados no despacho decisório. 59. Não o fez com a sua inconformidade, não se comprova o fato constitutivo do alegado crédito. 60. No que concerne aos serviços integrantes do custo da matéria prima, o manifestante frisou especialmente os de "agenciamento e compras de madeira para exportação e de classificação e coordenação na compra de madeira", por agregarem-se Fl. 505DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 aos custos da matéria prima adquirida e configurarem-se em parcela de seu processo produtivo (como no caso presente). 61. Tais elementos não se agregam ao custo sob o ponto de vista do conceito funcional de insumo, mas apenas sob o rechaçado conceito econômico. 62. Com efeito, eles sequer integram o processo produtivo, pois que o precede. 63. Portanto, está correta a glosa desse primeiro grupo. Em sua defesa a recorrente sustenta que: A Recorrente é Industrial Exportadora e adquire insumos para submeter ao processo de industrialização que desenvolve, processo este do qual os produtos intermediários que adquire são parte integrante e indissociável. De fato, aquela verdade está bem posta o Laudo Técnico Anexo aos Autos que avalia e identifica o processo produtivo da Recorrente e informa a necessidade e consequente utilização de tais insumos (produtos intermediários) no processo produtivo os quais, por sua vez, são agregados ao produto final dando origem, com isso, ao direito ao aproveitamento do crédito não cumulativo. (...) E a natureza jurídica dos itens glosados (produtos intermediários e materiais de embalagem) está explicita nas notas fiscais de aquisição que foram apresentadas à fiscalização e que foram indevidamente glosadas. De fato, tanto os produtos intermediários quanto o material de embalagem são adquiridos pela Recorrente mediante emissão de nota fiscal de venda pelo fornecedor e agregados ao produto final exportado. Dentro desse tópico há os seguintes itens a serem avaliados: embalagens, produtos intermediários e serviços denominados de agenciamento e compras de madeira para exportação e de classificação e coordenação na compra de madeira. Sobre as embalagens o recorrente destaca a sua utilização da seguinte forma: EMPACOTAMENTO Dando sequência as atividades já descritas, o produto final é agregado em forma de pacote e amarrado com fitas metálicas. Além desses cuidados, os pacotes de pisos são envoltos com películas plásticas a fim de conferir condições adequadas de transporte e venda. Por fim, os pacotes são devidamente acondicionados em containers para envio ao porto. Com relação aos materiais de embalagens utilizados para acondicionamento e transporte, com base no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 4 , objeto do presente julgamento, em valorização ao princípio da colegialidade, esta Turma, de forma majoritária em outras composições, teceu considerações com as quais concordo: O termo “armazenagem” previsto no referido dispositivo legal não pode ser interpretado como abrangendo apenas os gastos com aluguel de depósitos, ou outros procedimentos similares; primeiramente, porque a lei assim não delimitou ou restringiu e, em segundo 4 IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 506DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 lugar, por não se conceber uma operação de armazenagem desprovida de itens relacionados a embalagem de transporte, como caixas, pallets, fitas adesivas etc. (...) a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu nesse sentido, quando do julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.125.253, ocorrido em 15 de abril de 2010, cujo acórdão restou ementado da seguinte forma: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Também esta Turma Ordinária já decidiu nesse sentido, conforme se depreende da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/08/2013 a 31/12/2015 (...) CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM. MOVIMENTAÇÃO DE MERCADORIAS. POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito das contribuições não cumulativas a aquisição de material de embalagem utilizado na movimentação de insumos e bens produzidos pelo contribuinte, ainda que exclusivamente no ambiente interno da indústria, dado tratar-se de produção de bens perecíveis, destinados ao consumo humano, mas desde que observados os demais requisitos da lei. (Acórdão nº 3201-006.152, de 20/11/2019) Portanto, devem ser revertidas as glosas relativas a material de embalagem para transporte, mas desde que atendidos os demais requisitos da lei, dentre os quais, terem sido os bens ou serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição na aquisição. (Acórdão nº 3201-007.896 – conselheiro Hélcio Lafetá Reis) Dentro desse contexto, entendo por afastar as glosas sobre embalagens de acondicionamento (fitas metálicas para amarração, películas plásticas), utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte. Acerca das glosas sobre os produtos intermediários, entendo que de fato, conforme mencionado pelo julgador de piso, caberia a recorrente, especificar que os gastos são necessários e diretamente relacionados ao processo produtivo, visto que dentro do tópico mencionado pela fiscalização foi informado os números das notas fiscais com créditos glosados (fls 64/65), documento fiscal notadamente apto, quando em relação a estes exista alguma Fl. 507DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 previsão legal de benefício fiscal, como é o caso de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, assim capazes de serem perfeitamente identificados. Essa afirmação se dá pelo fato de que cabe a este colegiado a análise sobre a essencialidade e relevância do “produto intermediário” posto que, diferentemente da embalagem” é um termo genérico e desprovido de determinação acerca do seu uso dentro das atividades da empresa. Então, entendo que de conhecimento da relação do que foi glosado, não basta ao recorrente discorrer acerca do seu direito, cabe a comprovação e detalhamento sobre quais produtos intermediários se pretende creditar e em quais etapas do seu negócio esses produtos são utilizados. Por essa razão mantenho a glosa sobre os produtos intermediários. Quanto aos serviços denominados de agenciamento e compras de madeira para exportação e de classificação e coordenação na compra de madeira, o contribuinte atribui o seu direito a crédito nos seguintes fundamentos: Os serviços em questão na forma como contratados pela Recorrente e realizados mediante emissão de nota fiscal de prestação de serviços são agregados ao custo da matéria e por fim ao produto final exportado. Não há como negar que os serviços em questão (cujas notas fiscais foram ao devido tempo disponibilizadas ao agente fazendário) são parte integrante do custo da matéria prima aplicada no processo de industrialização agregado pela então Requerente em seu processo produtivo. Se o preço dos serviços é parte integrante do custo final da matéria prima, como efetivamente é, e esteve sujeito à incidência do Pis e da Cofins como receita da prestação do serviço (e esteve em todos os casos da Recorrente) deve ele fazer parte da base de cálculo do Crédito de Pis e Cofins. Ocorre que a tomada de crédito no regime da não-cumulatividade sobre insumos não se limita ao fato do insumo ser parte integrante do custo final da matéria prima. Conforme já mencionado acima, faz-se necessário que o serviço seja indispensável para atividade fim da empresa, o que neste caso entendo por não ser. Fato que caberia a Recorrente ter demonstrado a sua imprescindibilidade! Assim, entendo que “serviço de agenciamento”, não obstante seu importante papel desempenhado no contexto sob análise, não se vislumbra sua subsunção ao conceito de insumos, ao que devendo-se, portanto, ser mantidas as glosas respectivas. A recorrente alega ainda seu direito ao crédito sobre Itens de Manutenção de Máquinas e Equipamentos, encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado e encargos de amortização de edificações e benfeitorias, contudo cabe destacar que o julgado de piso esclareceu não ter ocorrido glosa e sim a utilização do crédito, vejamos: Inicialmente, é preciso observar que não se justifica a inconformidade deduzida contra glosas que efetivamente não ocorreram, a saber: manutenção de máquinas e equipamentos, encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado e encargos de amortização de edificações e benfeitorias. Os créditos sobre tais itens, nos valores declarados no Dacon, foram integralmente mantidos pela Fiscalização. Entretanto, Fl. 508DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-008.372 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.901792/2013-19 eles foram totalmente utilizados na dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das operações tributadas no mercado interno, não restando crédito apurado no período. Quanto ao pedido de atualização monetária dos créditos, ratifico, conforme feito pela DRJ o entendimento sumulado no CARF: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Por fim, a recorrente pede que seja realizada a prova pericial contábil e apresenta seus quesitos, tal como feito na Manifestação de Inconformidade. Sobre o requerimento entendo que não há necessidade visto que o caso não possui complexidade que justifique uma perícia, os elementos que constam nos autos são suficientes para que este colegiado enfrente a matéria posta em debate e por essa razão indefiro o pleito. Diante do exposto dou parcial provimento ao recurso Voluntário apenas para reverter a glosa sobre as embalagens de acondicionamento (fitas metálicas para amarração, películas plásticas), utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte. É o meu entendimento. (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Fl. 509DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11128.722211/2016-52
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2012
LEGITIMIDADE PASSIVA NA IMPUTAÇÃO DE MULTA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE DE CARGAS. POSSIBILIDADE. ART. 95, I DO DL 37/1966.
Para fins de responsabilização por infração aduaneira é parte legítima o agente de cargas, mandatário ou qualquer que concorra pelo cometimento da infração regulamentar. Inteligência do art. 95, I do Decreto-Lei 37/1966.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE À INFRAÇÃO ADUANEIRA. SÚMULA CARF N. 126
A denúncia espontânea não se aplica às penalidades decorrentes do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal para prestação de informações à Administração Tributária/Aduaneira. Súmula CARF nº 126.
MULTA REGULAMENTAR ADUANEIRA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO INTEMPESTIVA. CARACTERIZAÇÃO. ART. 107, IV E DO DL 37/1966.
É devida a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-Lei 37/1966 na hipótese registro no Siscomex Carga de informações sobre conhecimento agregado sem a antecedência mínima de 48h da atracação da embarcação.
Numero da decisão: 3003-001.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Lara Moura Franco Eduardo, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Ariene D'Arc Diniz e Amaral.
Nome do relator: Müller Nonato Cavalcanti Silva
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RESPONSABILIDADE DO AGENTE DE CARGAS. POSSIBILIDADE. ART. 95, I DO DL 37/1966. Para fins de responsabilização por infração aduaneira é parte legítima o agente de cargas, mandatário ou qualquer que concorra pelo cometimento da infração regulamentar. Inteligência do art. 95, I do Decreto-Lei 37/1966. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE À INFRAÇÃO ADUANEIRA. SÚMULA CARF N. 126 A denúncia espontânea não se aplica às penalidades decorrentes do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal para prestação de informações à Administração Tributária/Aduaneira. Súmula CARF nº 126. MULTA REGULAMENTAR ADUANEIRA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO INTEMPESTIVA. CARACTERIZAÇÃO. ART. 107, IV “E” DO DL 37/1966. É devida a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-Lei 37/1966 na hipótese registro no Siscomex Carga de informações sobre conhecimento agregado sem a antecedência mínima de 48h da atracação da embarcação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 22 11 /2 01 6- 52 Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-001.896 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722211/2016-52 (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Lara Moura Franco Eduardo, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Ariene D'Arc Diniz e Amaral. Relatório Trata o presente processo do auto de infração por meio do qual foi formalizada a exigência da multa prevista no art. 107, IV “e” do Decreto-Lei 37/1966, no total de R$ 5.000,00 por prestação de informação intempestiva em desrespeito ao art. 22 da IN 800/2007. Conforme relatório do Auto de Infração, a Recorrente prestou informações sobre a desconsolidação do Conhecimento Eletrônico Master de forma intempestiva com o registo de Conhecimento Eletrônico Agregado HBL em desatendimento à antecedência em relação ao registro da atracação da embarcação que transportava a carga. O auto de infração em referência identificou descumprimento de prazo exigido pela fiscalização aduaneira com a consequente imputação da multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decreto-Lei 37/1966. A Recorrente foi cientificada do lançamento e, no prazo legal, apresentou impugnação alegando ter cumprido as normas aduaneiras e prestado as informações exigidas pela fiscalização alfandegária; ser parte ilegítima para autuação; possibilidade de aplicação da denúncia espontânea e atipicidade da sua conduta. Sustenta que não deixou de prestar informações e que as alterações que geraram o bloqueio automático do SISCOMEX Carga foram retificações de informações anteriormente prestadas. A 13ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro julgou totalmente improcedente a Impugnação, destacando que o cumprimento a destempo de obrigação exigida pela RFB configura hipótese de incidência do art. 107, IV “e” do Decreto-Lei 37/1966 para exigência de multa, com fulcro no prazo estipulado pelo art. 22 da IN 800/2007. Inconformada, a Recorrente apresenta o presente Recurso voluntário no qual alega as mesmas razões apostas na Impugnação e, ao fim, pede pelo provimento do Recurso. Em síntese, são os fatos. Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-001.896 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722211/2016-52 Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 1 Da ilegitimidade passiva Quanto à alegação de ilegitimidade passiva, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, os arts. 3º, 4º e 5º da IN 800/2007 tratam sobre os responsáveis pela prestação de informações à Autoridade Aduaneira: Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. Parágrafo único. O consolidador estrangeiro é também chamado de Non- Vessel Operating Common Carrier (NVOCC). Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. (...) Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. (IN SRF 800/2007) – gn. Pela leitura dos dispositivos que regulam o transporte de cargas por via marítima em território nacional, mostra-se evidente que o consolidador estrangeiro (NVOCC) deve ser, obrigatoriamente, representado no Brasil por agente de cargas. Ainda, pelo que se infere do art. 5º da IN SRF n. 800/2007, as referências feitas ao transportador incluem os agentes de carga que o represente. Portanto, o agente de cargas é responsável pelo cumprimento das obrigações exigidas pelo controle aduaneiro. Sobre a responsabilidade por infrações aduaneiras, em acordo ao que prescreve o art. 95, I do Decreto-Lei 37/1966, podem figurar o polo passivo qualquer que a ela tenha dado causa, a saber: Art. 95 - Respondem pela infração: I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-001.896 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722211/2016-52 O enunciado acima transcrito não deixa dúvidas sobre a responsabilidade quando da ocorrência de infrações previstas no Decreto-Lei 37/1966, de modo que a penalidade pode ser imputada ao agente de cargas quando concorrer para sua ocorrência. A jurisprudência deste Conselho se revela sólida quanto à aplicação do dispositivo acima citado, a se destacar o entendimento adotado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que faço representar pelo acórdão de n. 9303-010.295, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/12/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. (Acórdão 9303-010.295. 3ª Turma CSRF. Sessão de 16/06/2020). Em razão do exposto, das prescrições do Decreto-Lei 37/1966, da IN 800/2007 e da jurisprudência deste Conselho, não merece acolhida argumento de ilegitimidade da Recorrente. 2 Da denúncia espontânea Quanto à alegação de que a multa imputada pode ser excluída pelo instituto da denúncia espontânea, cabem algumas breves consideração em observância ao princípio da motivação das decisões administrativas. A multa prevista no art. 107, IV “e” do Decreto-Lei 37/1966 não comporta denúncia espontânea em razão da própria materialidade da norma. Somente houve incidência da multa em referência quando a Recorrente prestou informações intempestivas à RFB. Não há, em outros termos, como a multa ser suprida, haja vista ser impraticável resgatar a situação anterior ao fato que gerou a incidência da penalidade. Basta o registro de informações fora do prazo para autorizar a lavratura de auto de infração com exigência de multa. Portanto, não há que se falar em procedimento de fiscalização e espontaneidade na especificidade do caso em comento. O instituto da denúncia espontânea em matéria aduaneira encontra arrimo no art. 102 do Decreto-Lei 37/1966: Art.102 - A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. – gn. Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-001.896 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722211/2016-52 Destaca-se que a exclusão da penalidade somente é possível com relação a atos que constituam obrigações de natureza tributária, hipótese que não se adequa ao caso em comento. Tendo em vista que a penalidade aplicada tem fundamento em descumprimento de prazo para prestação de informações sobre carga transportada, evidencia-se a natureza aduaneira da penalidade e, portanto, inaplicável instituto exclusivo à matéria tributária. Em reforço, a jurisprudência deste Conselho firmou entendimento pela inaplicabilidade da denúncia espontânea em súmula com eficácia vinculante: Súmula CARF n. 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010 Ainda sobre a denúncia espontânea, a Recorrente faz menção à decisão proferida nos autos do processo de n. 0005238-86.2015.4.03.6100, em trâmite na 14ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo. Trata-se de ação coletiva que tem como parte a Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC), que propôs a medida judicial no objetivo de reconhecer o instituto da denúncia espontânea para as multas previstas no art. 107, IV, “e” do Decreto-Lei 37/1966. Vale lembrar que o STF no RE 573.232/SC, com repercussão geral reconhecida, firma o entendimento de que as decisões proferidas em ações coletivas somente aproveitam aos filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador, que o fossem em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento. RE 573232/SC. Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI. Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO. DJe 18/09/2014 Ementa: REPRESENTAÇÃO – ASSOCIADOS – ARTIGO 5º, INCISO XXI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALCANCE. O disposto no artigo 5º, inciso XXI, da Carta da República encerra representação específica, não alcançando previsão genérica do estatuto da associação a revelar a defesa dos interesses dos associados. TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL – ASSOCIAÇÃO – BENEFICIÁRIOS. As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, é definida pela representação no processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos associados e a lista destes juntada à inicial. Tema 82 - Possibilidade de execução de título judicial, decorrente de ação ordinária coletiva ajuizada por entidade associativa, por aqueles que não conferiram autorização individual à associação, não obstante haja previsão genérica de representação dos associados em cláusula do estatuto. Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-001.896 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722211/2016-52 Tese I – A previsão estatutária genérica não é suficiente para legitimar a atuação, em Juízo, de associações na defesa de direitos dos filiados, sendo indispensável autorização expressa, ainda que deliberada em assembleia, nos termos do artigo 5º, inciso XXI, da Constituição Federal; (grifei) II – As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, são definidas pela representação no processo de conhecimento, limitada a execução aos associados apontados na inicial. – gn. Pela análise do conjunto probatório, verifica-se que a Recorrente não comprova sua condição de associada e também não comprova que conferiu autorização expressa à Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais para litigar como sua substituta processual. Portanto, à Recorrente não se aplicam os efeitos da decisão judicial invocada nas razões recursais. Por tudo alegado, não merece acolhida o pleito pela extinção da multa por denúncia espontânea. 3 Da multa regulamentar Pelo que se infere do auto de infração e telas do Siscomex anexas, a Recorrente fora autuada com imputação da multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decreto-Lei 37/1966, na monta de R$ 5.000,00 por prestar informação fora do prazo estabelecido pela RFB. Pela análise da descrição fática que se extrai do próprio auto de infração, a imputação de multa advém do fato de ter a Recorrente feito a vinculação do CE Agregado HBL 151205234608297 em 03/12/2012 às 11h35. O registro da atracação da embarcação que transportou a carga ocorreu 05/12/2012 as 4h20, de modo que a vinculação do CE Agregado HBL 151205234608297 em 03/12/2012 às 11h35 configura desconsolidação em prazo inferior à antecedência de 48h exigidas pelo art. 22 da IN SRF 800/2007. Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-001.896 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722211/2016-52 Para fins de aplicação da multa do art. 107, IV, “e” do Decreto-Lei 37/1966 é necessária a identificação da conduta deixar de prestar informações: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta- a-porta, ou ao agente de carga; - gn. Pela análise do extrato do conhecimento eletrônico carreado aos autos verifica-se a conduta deixar de prestar informações na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. No que diz respeito à desconsolidação, a IN 800/2007 estabelece o prazo de 48h de antecedência à atracação da embarcação: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. No caso dos autos, a informação sobre carga a qual refere-se o art. 107, IV, “e” do Decreto-Lei 37/1966 consiste no registro da desconsolidação, nos termos dos arts. 10 e 17 na IN 800/2007: Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: IV - a informação da desconsolidação; (...) Art. 17. A informação da desconsolidação da carga manifestada compreende: I - a identificação do CE como genérico, pela informação da quantidade de seus conhecimentos agregados; e II - a inclusão de todos os seus conhecimentos eletrônicos agregados. – gn. Pela leitura dos dispositivos insertos nos arts. 22, III e 17, II a inclusão de todos os conhecimentos eletrônicos agregados deve ser registrada no SISCOMEX Carga no prazo de 48h de antecedência da atracação da embarcação. Sendo assim, não prospera o argumento da Recorrente prestou informações sobre a carga temptestivamente e que a inclusão do Conhecimento Agregado (HBL) seria mera retificação do Conhecimento Eletrônito Master (MHBL), vez que a informação de desconsolidação compreende a inclusão de todos os conhecimentos agregados (HBL). Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-001.896 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722211/2016-52 Em conclusão à exposição de razões que fundamentam o voto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12963.000024/2006-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.128
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. RELATÓRIO O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração lavrado em 28/11/2006 e com ciência em 29/11/2006 (efolhas 448/ss), para a cobrança do IPI, multa de ofício e juros moratórios, em decorrência de dois motivos: (i) glosa de créditos presumidos de IPI (Lei 10.276/2001), para o período de apuração de janeiro de 2002 a dezembro de 2005; e (ii) não reconhecimento da compensação de parte dos débitos objeto do litígio (item i) com crédito de saldo negativo do IRPJ, anobase 2004. Em relação ao primeiro item, afirma a fiscalização (Termo de Verificação Fiscal – efolhas 437/ss) que o contribuinte utilizou créditos presumidos do IPI (Lei 10.276/2001) da Fl. 1327DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12963.000024/200663 Resolução n.º 3202000.128 S3C3T2 Fl. 1.326 2 filial com CNPJ nº 23.637.697/000705, localizada em São Luiz/MA, entretanto, “a produção da referida filial não se dava em parque industrial próprio, mas sim, no âmbito do Consórcio de Alumínio do Maranhão – ALUMAR”. Aduz, ainda que o Consórcio ALUMAR “não satisfazia os requisitos necessários para ser reconhecidos como consórcio, à luz da legislação vigente, e que, portanto, funcionava como uma sociedade de fato”. Quanto ao segundo item, a fiscalização entendeu que não havia previsão na legislação do IPI para a compensação de saldos negativos do IRPJ/2004 com o IPI a pagar, diretamente no Livro de Apuração do IPI e, por isso, glosou os referidos créditos (Termo de Verificação Fiscal – efolha 442). Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevese o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Relatório A empresa supracitada foi notificada do lançamento de fls. 442/457, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, para cobrança do crédito tributário a seguir discriminado: CRÉDITO EM REAIS IMPOSTO 16.396.115,26 JUROS DE MORA (calculados até 31/10/2006) 7.481.884,96 MULTA PROPORCIONAL (Passível de Redução) 12.297.086,31 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO 36.175.086,53 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 431/437, o estabelecimento industrial recolheu a menos o IPI, no período de 01/01/2002 a 31/12/2005, em razão de se aproveitar indevidamente de crédito de IPI proveniente de: a) crédito presumido de IPI, apurado segundo o regime alternativo previsto na Lei n° 10.276, de 2001; b) saldo negativo do IRPJ lançado diretamente na escrita fiscal; Sobre os créditos presumidos, assim se pronunciou o auditor fiscal: Os valores utilizados pela empresa originaramse não só de sua operação, mas também de diversas filiais (fls. 49/65), entre elas a que detinha o CNPJ n° 23.637.697/000705, localizada em São Luiz, MA. A produção dessa filial não se dava em parque industrial próprio, mas no âmbito do Consórcio de Alumínio do Maranhão — Consórcio Alumar. Em ação fiscal realizada em outra empresa do grupo Alcoa, constatou se que tal empresa utilizava créditos oriundos de filial no Maranhão, com produção também no Consórcio Alumar. Naquela fiscalização chegouse à conclusão que, à luz da legislação vigente, o Consórcio Alumar não satisfazia os requisitos para ser considerado como tal e, assim sendo, funcionava como uma sociedade de fato. Fl. 1328DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12963.000024/200663 Resolução n.º 3202000.128 S3C3T2 Fl. 1.327 3 Sobre os créditos lançados como "IPI compensado com saldo negativo de IRPJ/2004", asseverou o auditor fiscal que o contribuinte lhe informou que realizara tais compensações diretamente no RAIPI, tendo em vista que não teria DARF para comprovar o efetivo pagamento (fls. 44/46). Notificado do Auto de Infração, em 29/11/2006, o autuado apresentou a peça impugnatória de fls. 459/482, que fez acompanhar dos documentos de fls. 483/695; 698/919 e 922/1.052, em 27/12/2006, de onde se pode destacar para a decisão da presente os seguinte aspectos: I — AUTO DE INFRAÇÃO II — OS FATOS ANTECEDENTES A Requerente é pessoa jurídica que realiza a atividade de refino de alumina, transformandoa em alumínio mediante processo de redução em parque próprio situado em Poços de Caldas/MG e também por intermédio de sua filial em São Luís/MA. Em sua filial, a Requerente produz em atividade consorciada em razão de sua participação no Consórcio Alumar (fls. 300/430 dos autos). Em razão desta atividade de produção, a Requerente adquire matérias primas estratégicas, assim entendidas como matériasprimas essenciais para a sua produção, produtos intermediários e material de embalagem (como, por exemplo, bauxita, soda cáustica, carvão, silício metálico, piche) para utilização no processo produtivo visando ao refino da alumina, a ser transformada em lingotes e ligas de alumínio mediante processo de redução. No que interessa à presente, a Requerente anexa cópia das notas fiscais de entrada dos insumos e saída dos produtos relativas às atividades realizadas em sua filial em São Luís/MA no âmbito do Consórcio Alumar (doc. no 4). A produção se dá em parque próprio, por intermédio de regime consorciado no âmbito do Consórcio Alumar. Tal consórcio, de cunho operacional, foi constituído pelas consorciadas com a intenção de angariar recursos para a aquisição de ativos, indispensáveis para a atividade de produção das consorciadas. Tais ativos possuem um custo muito elevado, o que justificou a constituição do consórcio. Sem a constituição do Consórcio Alumar, a aquisição de tais ativos seria inviável. Dentro desse cenário, a Requerente efetuou a escrituração dos créditos presumidos de IPI obtidos por sua filial situada em São Luís/MA mediante atividade consorciada no âmbito do Consórcio Alumar, relativos ao período de dezembro de 2001 a abril de 2004 (indicados no Anexo ao Termo de Verificação Fiscal), nos termos da Lei n° 10.276/2001. Além disso, a Requerente apresentou Declaração de Compensação ("PERDCOMP") visando à compensação dos créditos de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 com os débitos de IPI de agosto a dezembro de 2005, objeto da presente autuação (docs. nºs 5 e 6). III — O TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Fl. 1329DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12963.000024/200663 Resolução n.º 3202000.128 S3C3T2 Fl. 1.328 4 A presente autuação ora impugnada baseouse na fiscalização realizada em outra empresa do grupo da Requerente, para concluir que as atividades realizadas pela Requerente no âmbito do Consórcio Alumar não dão direito ao crédito presumido de IPI, uma vez que o Consórcio Alumar não satisfaz os requisitos necessários para ser reconhecido como consórcio, de acordo com a legislação vigente, e, portanto, seria uma sociedade de fato. Em relação ao parque industrial de sua filial em São Luís/MA, parece evidente que se a Requerente é uma das consorciadas do Consórcio Alumar, ao produzir em regime consorciado está produzindo em parque próprio, já que possui fração ideal e participação no Consórcio Alumar. No que pertine à compensação do saldo negativo de IRPJ/2004, com parte dos débitos de IPI, a presente autuação não reconheceu que os débitos de IPI foram compensados, sob o fundamento de que o procedimento adotado pela Requerente (compensação diretamente no Livro de Apuração do IPI) não se encontra previsto em lei. Nesse sentido, as DD. Autoridades Administrativas afirmaram que "(...) o contribuinte respondeu que realizou a compensação de saldos negativos do IRPJ/2004 com o IPI a pagar, diretamente no Livro de Apuração do IPL tendo em vista que não teria DARF para comprovar o efetivo pagamento (...). IV. OS MOTIVOS DETERMINANTES PARA O CANCELAMENTO DA PRESENTE AUTUAÇÃO IV.1. SALDO NEGATIVO DO IRPJ/2004 O procedimento adotado para a compensação dos créditos de saldo negativo de IRPJ/2004 com o débito de IPI relativo ao período de agosto a dezembro de 2005 [...] está correto e foi efetuado pela Requerente nos termos da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A compensação em questão foi efetuada mediante transmissão pela Requerente de Declaração de Compensação ("PERDCOMP") para a Receita Federal de Poços de Caldas/MG (documento n° 5 anexado acima). Além disso, tais compensações foram devidamente declaradas pela Requerente na Declaração de Contribuições e Tributos Federais ("DCTF") (doc. no 6). As compensações em questão não foram efetuadas pela Requerente diretamente no Livro de Apuração do IPI, mas sim adotando o procedimento previsto na legislação (apresentação de PERDCOMP e declaração em DCTF), conforme informado pela Requerente na petição apresentada em 11.9.2006. IV.2. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI IV.2. A. Ilegitimidade do Fisco Federal É evidente a ilegalidade da presente autuação. A um, porque o Fisco Federal não tem legitimidade para se manifestar sobre aspectos de direito privado relacionado ao Consórcio Alumar; e, segundo, porque Fl. 1330DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12963.000024/200663 Resolução n.º 3202000.128 S3C3T2 Fl. 1.329 5 o Fisco Federal não tem competência para modificar ou restringir os conceitos de direito privado previsto na legislação que disciplina a constituição do consórcio. Não obstante tal ilegalidade e abusividade, nos próximos itens, a Requerente demonstrará que o Consórcio Alumar preenche todos os requisitos exigidos em lei para ser considerado um consórcio. IV.2.B Consórcio Alumar IP O consórcio de empresas, denominado Consórcio de Alumínio Maranhão ("Consórcio Alumar"), foi constituído de acordo com o disposto nos artigos 278 e 279 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 ("Lei das Sociedades Anônimas") 3, com o seguinte objetivo: a aquisição, montagem e construção de instalações para o Refino de Alumina e de instalações para a Redução de Alumínio e sua subsequente operação, por intermédio da atividade de refino de alumina e sua redução eletrolítica em alumínio metálico (dois empreendimentos). Nesse sentido, confirase trecho do contrato, devidamente registrado na Junta Comercial: As consorciadas contribuíram com diversos ativos de forma a possibilitar as atividades em regime consorciado no âmbito do Consórcio Alumar. Os ativos comuns são representados por um complexo integrado, formado por um terminal portuário e instalações destinadas ao refino de alumina e a redução de alumínio primário. Conforme se pode notar do contrato, a Requerente contribuiu com 47,16% nas áreas comuns do Consórcio Alumar. É preciso salientar que a viabilidade da atividade de refino de alumina e a redução de alumínio primário em localidades como o Estado do Maranhão somente pode se tornar factível mediante a colaboração, o consórcio de diversas empresas, que desempenham atividades diferentes e representam fontes de capital diversas. As consorciadas utilizam os ativos, produzindo em regime consorciado a alumina e o alumínio, sendo que as próprias consorciadas adquirem a matériaprima e, após o término do processo produtivo, retiram a parcela do produto acabado que lhes cabe de acordo com o contrato. Tal procedimento caracteriza o consórcio operacional. A atividade consorciada acaba quando termina o processo produtivo, pois as consorciadas são concorrentes na comercialização do produto acabado. IV.2.C Os consórcios na legislação brasileira A Lei n° 6.404, de 15.12.1976 ("Lei das S.A."), nos artigos 278 e 279, regulamenta a matéria relativa à constituição de consórcios entre sociedades. O consórcio de empresas representa a comunhão de interesses e de atividades diversos para atender a específicos projetos empresariais, servindo para agregar diferentes meios para a consecução de um fim. Referindose às características dos consórcios, a exposição de motivos da Lei das SA menciona que "completando o quadro das varias formas associadas de sociedades, o Projeto, (...), regula o consórcio como Fl. 1331DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12963.000024/200663 Resolução n.º 3202000.128 S3C3T2 Fl. 1.330 6 modalidade de sociedade não personificada que tem por objeto a execução de determinado empreendimento". Como consequência da falta de personalidade jurídica dos consórcios, os efeitos dos atos jurídicos praticados por seus representantes incidem imediatamente sobre o patrimônio de seus integrantes (consorciados). Os consórcios diferem das Sociedades de Propósito Específico e demais formas de associações de sociedades (por exemplo, fusões, incorporações etc.) em razão do caráter temporário da união; ou seja, nas demais formas de associação de empresas criamse situações jurídicas válidas por prazo indeterminado, ao passo que o consórcio implica união temporária de seus integrantes, sendo que a lei determina que os consórcios tenham "duração". No presente caso, a duração está prevista no contrato. O prazo é até 31.3.2050, absolutamente compatível com os vultosos investimentos realizados pelas consorciadas e os empreendimentos que constituem seu objeto. A constituição do Consórcio Alumar preencheu todos os requisitos da legislação para o consórcio, uma vez que o seu contrato expressamente prevê: (i) a designação do consórcio; (ii) o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; (iii) duração, endereço e foro; (iv) definição das obrigações e responsabilidades de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; (v) normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; (vi) normas sobre administração do consórcio, contabilização e representação das sociedades consorciadas; (vii) forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; (viii) contribuição de cada consorciado para as despesas comuns. IV.2.D Finalidade do Consórcio Alumar — Empreendimento que constitui o objeto do Contrato O empreendimento é determinado e a duração encontrase prevista, não existindo qualquer dúvida a esse respeito. A duração é até 31.3.2050 e os empreendimentos são refino de Alumina e redução de alumínio primário. Seria possível questionar a concessão de exploração de terminal portuário por 20 anos a um consórcio de empresas? Certamente não, pois é plenamente concebível realizar essa atividade por meio de um consórcio dentro de tal prazo. É possível verificar que as Autoridades Administrativas sempre reconheceram a existência e a regularidade do Consórcio Alumar. Tanto é verdade que, no Diário Oficial do dia 30.3.2006, foi publicado o Ato Declaratório n° 5/2006, por meio do qual a Superintendente Substituta da Receita Federal na 3a Região Fiscal declarou alfandegado o "Terminal Portuário Alumar" (doc. n° 8). Nessa ocasião, reconheceuse que a instalação portuária será "administrada pelas empresas integrantes do Consórcio Alumínio do Maranhão (Consórcio Alumar)". O prazo concedido foi até 2019. Ora, tratase de um ato normativo expedido pela D. Autoridade Administrativa, nos termos do artigo 100 do CTN, na medida em que Fl. 1332DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12963.000024/200663 Resolução n.º 3202000.128 S3C3T2 Fl. 1.331 7 expressamente reconheceu a — existência e regularidade do Consórcio Alumar para exercer suas atividades. Entendimento contrário poderia pressupor que a Receita Federal aprovou as atividades do Consórcio Alumar sem observar sua regularidade, conforme pretende crer as DD. Autoridades Administrativas, ao desconsiderarem o referido ato declaratório. IV.2.E Direito da requerente aos créditos presumidos de IPI A Instrução Normativa n° 568, de 12.9.2005 dispõe que os consórcios, ainda que não tenham personalidade jurídica, estão obrigados a se inscreverem no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ("CNPJ"). Entretanto, o fato de os consórcios possuírem CNPJ não os obriga a apresentar a DIPJ, nem tampouco DCTFs. Os rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem ser computados nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. Com relação ao IPI, vale a mesma regra descrita acima: o imposto deve ser recolhido por cada uma das consorciadas, levando em consideração as operações decorrentes de sua parcela de atividades. Considerando que a Requerente: (i) adquire, no mercado nacional, matériasprimas estratégicas, produtos intermediários e materiais de embalagem para utilização no processo produtivo; (ii) pratica atividade de produção consistente no refino da alumina e transformação em alumínio mediante processo de redução (empresa produtora); e (iii) exporta grande parte dos produtos finais (empresa exportadora), é evidente que faz jus ao crédito presumido de IPI. IV.2.F Inexistência de prejuízo ao erário A existência do Consórcio Alumar apenas contribui para aumentar a arrecadação da União, uma vez que a consecução do empreendimento no Maranhão implica na geração de receitas e na sua consequente tributação nas consorciadas. Diante da inexistência de qualquer comprovação de prejuízo ao erário causado pelas atividades do Consórcio Alumar, é inviável desconsiderálo para efeitos de apuração do crédito presumido de IPI. Nesse sentido, confirase decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (2a Turma Decisão n° 10.002, de 12.07.2005) IV.2.G Diligências As diligências serão necessárias para que o Fisco Federal possa averiguar os aspectos delineados pela Requerente que, embora tenham sido devidamente demonstrados e comprovados pela Requerente, poderão ser objeto de diligência pelo Fisco Federal para que não restem dúvidas e o Fisco Federal não se baseie apenas em presunções. O princípio do contraditório e a presunção de inocência até prova em contrário seriam desprezados se fosse admitida como legítima a Fl. 1333DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12963.000024/200663 Resolução n.º 3202000.128 S3C3T2 Fl. 1.332 8 presunção como meio de prova de acusação. O Fisco, para poder penalizar o contribuinte, deve se basear na realidade concreta dos fatos ocorridos para verificar a regularidade ou não da conduta. V. CONCLUSÕES: O PEDIDO Diante de tudo o que foi exposto, a Requerente requer seja a presente autuação federal de IPI cancelada, tendo em vista (i) o direito da Requerente à escrituração do crédito presumido de IPI apurado por sua filial em São Luís/MA em razão da atividade no âmbito do Consórcio Alumar em relação ao período de dezembro de 2001 a abril de 2004; e (ii) a extinção do débito de IPI relativo ao período agosto a dezembro de 2005 mediante a compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ/2004, nos termos do artigo 74, caput e parágrafos, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Na análise preliminar da petição do contribuinte, houve por bem o Presidente da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MG, DRJJFA/MG, por proposta desta relatora, encaminhar à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Poços de Caldas, MG, DRF/PÇS/MG, o expediente de fls. 1.055/1.059, contendo as seguintes solicitações: 1°) à SAORT da DRF/PCS para confirmação da apresentação e verificação da situação atual das Dcomp de fls. 922/1020, apresentadas, segundo a contribuinte, no intuito de compensar os débitos de IPI lançados de oficio, às fls. 445/446, nos períodos de apuração de 31/08/2005 (R$583.900,50, fl. ); 30/09/2005 (R$1.200.424,38); 31/10/2005 (R$1.136.004,66); 30/11/2005 (R$1.376.250,24) e 31/12/2005 (R$1.338.383,12); 2°) à SAFIS da DRF/PCS para: A) a verificação do crédito presumido a que faz jus a impugnante, relativamente aos valores que deram suporte à autuação, levandose em conta as compras efetuadas pela impugnante no mercado interno; as exportações decorrentes dessas compras, observadas as normas que orientam a apuração do beneficio fiscal; B) se acaso resultar em favor da contribuinte crédito presumido, este deverá ser confrontado com os valores lançados no RAIPI e havendo necessidade deverá ser reconstituída a escrita fiscal para a determinação dos reais valores devidos pela impugnante. Em face desses trabalhos deverá ser elaborada planilha demonstrativa dos créditos tributários remanescentes da apuração do crédito presumido. Se depois de reconstituída a escrita resultarem períodos ainda não lançados de oficio, constituir os respectivos créditos tributários de IPI em auto de infração à parte. C) acerca dos trabalhos fiscais realizados conforme proposta acima, deverá ser oportunizado à contribuinte o aditamento de razões de defesa. Em resposta ao solicitado, a fiscalização empreendeu diligência que resultou no Relatório de Diligência de fls. 1.096/1.099, cujos Fl. 1334DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12963.000024/200663 Resolução n.º 3202000.128 S3C3T2 Fl. 1.333 9 conclusões principais podem ser resumidas na reprodução dos seguintes parágrafos: [...] visando o cumprimento do despacho proferido pelo órgão julgador, efetuamos a intimação da fiscalizada para que apresentasse todas informações necessárias à verificação dos referidos créditos. A ALCOA apresentou resposta, juntamente com diversas planilhas demonstrativas da apuração do referido crédito glosado pela fiscalização, A análise, feita por amostragem, dos demonstrativos e documentos apresentados pelo contribuinte, levaram a conclusão de que a empresa autuada efetuou o cálculo dos referidos valores de crédito presumido corretamente, de acordo com a legislação em vigor. No entanto, reiteramos o entendimento adotado, pela fiscalização, para glosa dos créditos, seguindo exatamente os mesmos fundamentos plasmados no relatório do Termo de Verificação Fiscal. Cumprindo a determinação da DRJ/JFA/MG, a DRF/PÇS/MG deu ciência ao contribuinte do Termo de Diligência Fiscal, a que ele respondeu, às fls.1.101/1.107, trazendo como principal enfoque a abrangência do Termo de Diligência Fiscal. Alegou o contribuinte que a fiscalização extrapolou a petição feita pela DRJ/JFA/MG, tendo em vista que, com a emissão do expediente de fls. 1.055/1.059, pretendia o julgador a quantificação do crédito presumido e não mais a posição da DRF/PÇS sobre a denegação ou não do ressarcimento. Dessa maneira, o contribuinte solicitou que todas as alegações do Relatório de Diligência sobre a possibilidade dos ressarcimento fossem desconsideradas. Por fim, o contribuinte reproduziu o acórdão ao recurso voluntário n° 137.204 e reiterou o pedido de cancelamento da autuação, tanto no tocante ao crédito presumido quanto à compensação de IPI com o saldo negativo do IRPJ. É o relatório. A 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – MG, por maioria de votos, julgou a impugnação parcialmente procedente, proferindo o Acórdão nº 0927.680 (efls. 1.173/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REQUISITOS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. A elaboração do parque industrial, a exploração das atividades de Refino de Bauxita e também de Redução de Alumina, para a obtenção do Alumínio, não pode ser caracterizada como um empreendimento determinado, para fins de respaldar a constituição de um consórcio de empresas nos termos da legislação comercial. É necessário que o empreendimento seja determinado quanto ao contrato ou negócio Fl. 1335DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12963.000024/200663 Resolução n.º 3202000.128 S3C3T2 Fl. 1.334 10 jurídico especificamente envolvido. Ademais, da perpetuação do empreendimento, no tempo, e do constante incremento de produção não planejado no empreendimento original, depreendese o ânimo definitivo, inerente às pessoas jurídicas constituídas com o propósito de continuidade e obtenção crescente de lucro. APROVEITAMENTO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INADMISSIBILIDADE. AUTUAÇÃO. Inadmissível o aproveitamento de Crédito Presumido de IPI por empresa que não se enquadra nos pressupostos legais para fruição do beneficio fiscal. Se o faz a empresa, o faz indevidamente, portanto, há de se lançar o IPI equivocadamente quitado com a utilização do benefício fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 DEDUÇÃO INDEVIDA NA ESCRITA FISCAL, CONCOMITANTE COM A CONFISSÃO DÉBITO DEVIDO. Se devidamente confessado o tributo, no PER/DCOMP ou na DCTF, desnecessária a constituição do crédito tributário por meio de auto de infração, uma vez que já é o débito plenamente exigível. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 DILIGÊNCIAS. Dispensase a realização de diligências quando, a juízo do julgador, forem prescindíveis ao exame da lide, conforme dispõe o art. 18 do PAF. Impugnação Procedente em 'Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Turma da DRJ – Juiz de Fora, portanto, manteve a autuação no que no que se refere às glosas relativas ao crédito presumido de IPI, que resulta no montante de IPI de R$10.761.152,36, mais multa proporcional de 75% e respectivos juros moratórios; extinguiu a autuação no que concerne à compensação de saldo negativo do IRPJ, atingindo a extinção o montante de IPI de R$5.634.962,90, mais respectivos acréscimos de multa proporcional e juros de mora. Em consequência da exoneração desta parte do crédito tributário, foi apresentado Recurso de Ofício. A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 8/02/2010 (efls. 1198/1202). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa interpôs Recurso Voluntário em 10/03/2010 (efls. 1203/ss) onde alega repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, além de tecer comentários sobre a decisão recorrida e destacar trechos da declaração de voto proferida pelas julgadoras vencidas no julgamento. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou “Contrarrazões” (e folhas 1283/ss). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. Fl. 1336DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12963.000024/200663 Resolução n.º 3202000.128 S3C3T2 Fl. 1.335 11 É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. A questão central para o deslinde deste litígio fiscal reside em determinar se a Recorrente tem direito ao crédito presumido de IPI (Lei 10.276/2001), em relação ao processo produtivo realizado no âmbito do denominado “Consórcio de Alumínio do Maranhão – ALUMAR”, para o período de apuração de janeiro de 2002 a dezembro de 2005. Entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade às partes (Fisco e Recorrente) para que esclareçam os fatos e demonstrem o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à DRF – Poços de Caldas MG para a realização de diligência, para que a fiscalização intime a Recorrente para responder aos seguintes quesitos: 1º Explicar e demonstrar o processo produtivo realizado pela Recorrente no âmbito do denominado “Consórcio de Alumínio do Maranhão – ALUMAR”; 2º Informar as quantidades e os valores dos insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem), mês a mês, aplicados em seu processo produtivo realizado no âmbito do denominado “Consórcio de Alumínio do Maranhão – ALUMAR”, para o período de janeiro/2002 a dezembro/2005. Elaborar planilhas discriminando tais operações; 3º Informar as quantidades e valores dos produtos elaborados pela Recorrente, mês a mês, no “Consórcio de Alumínio do Maranhão – ALUMAR”, para o período de janeiro/2002 a dezembro/2005. Elaborar planilhas discriminando tais operações; 4º Informar/comprovar as exportações de produtos elaborados com os insumos adquiridos e produzidos pela Recorrente no âmbito do “Consórcio de Alumínio do Maranhão – ALUMAR”, para o período de janeiro/2002 a dezembro/2005. Elaborar planilhas discriminando tais operações; 5º Demonstrar qual a participação percentual da Recorrente no “Consórcio ALUMAR”, em relação aos insumos aplicados no processo produtivo, aos produtos elaborados e aos produtos exportados. 6º Informar e explicar quais são as regras estipuladas no âmbito do denominado “Consórcio de Alumínio do Maranhão – ALUMAR” sobre o recebimento de receitas e sobre a partilha das receitas e dos resultados. A fiscalização deverá elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados e documentos apresentados, ao término da diligência. Fl. 1337DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12963.000024/200663 Resolução n.º 3202000.128 S3C3T2 Fl. 1.336 12 Encerrada a instrução processual a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1338DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1220.11137.XV5K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI em 21/10/2013 10:04:54. Documento autenticado digitalmente por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI em 21/10/2013. Documento assinado digitalmente por: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 21/10/2013 e LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI em 21/10/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/12/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.1220.11137.XV5K Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 5FA1DFE1958FE2C0D28F592C496F2773FF587491 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 12963.000024/2006-63. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10283.000515/92-16
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 11 00:00:00 UTC 1992
Numero da decisão: 302-00.629
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o
julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES
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COMtRCIO, INDÚSTRIA E AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO. IRF - PORTO DE MANAUS - AM R ES O L U C Ã O ~Q 302-0.629 VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, .' RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Con s~lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartiçao de Origem, na forma do relató- rio e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília - DF/em II de novembro de 1992. d$tRGIO DE CASTRO - Presidente ~~~~~OE~E: /t 8 FEV 1993 Participaram,ainda,do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Jos~ SDtero Telles de Menezes, Luis Carlos Viana de Vasconcelos, EIl zabeth E~ílio Móraes Chieregatto, Wlademir Clóvis Moreira e Ubaldo Campello Neto. Ausente, o Cons. Ricardo Luz de Barros Barreto . • RECORRIDA RELATOR • 02. SERVICO PÚBLICO FEDERAL MF .:-- TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SEGUNDA cÂlVI.ARA. RECURSO NQ. 114.923 - RESOLUÇÃO: 302- 0.629. RECORRENTE: WILSON SONS S/A. COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AG~NCIA DE NA VEGAÇÃü. IRF - PORTO DE MANAUS/AM. CONS. PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES. RELATÓRIO Em conferência final de manifesto levada a efeito pela IRF-Manaus/AM, foi apurada a falta de um volume contendo bateri- as marca Panasonic, transportado pelo navio PACIFIC MARU, aporta do em 20.11.91, sob cobertura do Conhecimento de Embarque nQ. .. 7350-15167, embarcado em Cristobal -Panamá. O volume faltante estava acondicionado no CONTAINER nQ TEXU-2803926,lacrado na origem com Selos nQs. 000123/MOL-01982, conforme indicado no Conhecimento ôriginal (fls. 42), do qual consta também as expressões "DICE CONTENER" j; "CONTAINER( S) LOAD AND COUNT BY SHIPPERS" e "PARTE DE CONTENEDOR". Como responsável pela falta em questão foi apontada a ora Recorrente que intimada a prestar esclarecimentos a respeitq ainda na fase preparatória, respondeu que tal falta não consta' do Mapa de Fechamento de Descarga da Portobras e que a falta foi relativa a desova de containers, descarregados devidamente lacra dos e sem indícios de violação de seus dispositivos de seguranç~ não havendo, assim, responsabilidade para o Transportador ou seu Agente. Às fls. 06 encontra-se cópia do MAPA DE FECHM~~~O DE' DESCAH.GA - SUPLEMENTAR - da Portobras, indicando a falta do volu me mencionado. Contra a Recorrente foi lavrado o Auto de Infração de fls. 07, indicando crédito tributário lançado pelo valortota:L'~ de Cr$132.984,00, abrangendo imposto de importação e multa do art. 106, 11, "d" do D.L. Íl~ 37/66 c/c o art. 521, 11, "d" do Re gulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nQ. 91.030/85. • SERViÇO PÚBLICO FEDERAL RECURSO: RESOLUÇÃO: 302 03. 114.923" - 0.629 . • • '. • Procedida a regular Intimação, a Autuada apresentou Im- pugnaçao tempestiva, alegando tão somente que: "A falta menciona da acima foi referente a descarga do container TEXU 280392-6 (de- vidamente lacrado e sem indicios de violação de seus dispositivos de segurança) e, conforme cláusula no conhecimento de embarque SHIPPER'S LOAD AND COUNT - ovado e conferido pelo embarcador na origem, concluímos que a responsabilidade não é do Transportador' e/ou seu Agente". A funcionária (AFTN) autuante ofereceu Contestação dis- cordando dos argumentos da Impugnante e propondo a manutenção do Auto de Infração. A Autoridade liaquo" proferiu Decisão (fls.51/53) jul - gando o LANÇAMENTO FISCAL PROCEDENTE, com a seguinte "FUNDAMEN"TAÇÃO - Partiildo-se da premissa que o dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na for- ma e condições que prescrever o regulamento, cabe ao ' responsável, assim reconhecido pela autoridade aduanei- ra, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos' que, consequentemente, deixarem de ser recolhidos (DL nQ.37/66, art. 60, parágrafo Único). , Deve-se ter em mente que, para efeitos fiscais, sera considerada como entrada no território nacional a merca doria constante de manifesto ou documento equivalente , cuja falta for apurada pela autoridade aduaneira (art . 86, parágrafo Único do Regulamento Aduaneiro, aprovado' pelo Decreto nQ. 91.030/85). Tendo em vista que o Conhecimento de Transporte acusa ' o recebimento de 231 volumes para entrega em Manaus e que, efetivamente, chegaram 230, conforme a disposição' do Anexo I da Declaração de Importação nQ 019552, de 03/12/91, infere-se a caracterização da responsabilida- de da transportadora na forma da legislação discrimina- da no Auto de Infração. , ,Ressalte-se, pois, que e o transportador responsavel pe las perdas e danos causados às mercadorias desde o seuT recebimento até a entrega, baseando-se no art. 19 da' Lei 6288/75. Além disso, a responsabilidade pelos tri.- _ ... ~ butos apurados em relação à falta na descarga de volume' de mercadoria a granel é, também, do transportador, pelo fato que se pode concluir da análise do art. 478, ~ lQ , VI do Regulamento Aduaneiro. Notório lembrar Que, em decorrência da obrigação do trans portador em receber e entregar a carga tal como se encon tra discriminada no conhecimento de carga, cabe a precau ção Quanto à existência de falta, pDr ocasião do seu re= cebimento no exterior, sob pena de vir a se responsabili zar pelas eventuais divergências no desembarQue. - Acrescente-se a isso Que a existência do lacre se justi- fica, exclusivamente, pela necessidade de salvaguardar o interesse das pessoas implicadas no contexto "recebimen- to/transporte/entrega/guarda" da carga contra eventuais' violações ou fraudes e conseQuente"'imputáção de responsa bilidade; fazendo-se mister, por Questão de bom senso - Que seja verificado se o lacre está intacto ou não em ca da fase pela Qual passa a unidade de carga." • • SERViÇO PUBLICO FEDERAL RECURSO: .rRESOLUÇÃO: 04-. 114.923. 302- 0.629 • • • Em tempo hábil recorre a Interessada a este Colegiado com base na mesma argumentação utilizada na Impugnação, porém mais detalhada, fazendo, inclusive, citação a Acórdãos deste Conselho ' envolvendo Containers sob condições "Rouse to Rouse" e "Rouse to Pier" como reforço para sua tese . ,Alega, em slntese, Que os containers transportados sob o regime house to house são "estufados" ou "enchidos" no estabele- cimento do próprio exportador/embarcador, sob sua inteira respons~ bilidade, sendo entregues aos transportadores marítimos devidamen- te lacrados; Que assim sendo, verificado que seja um container, na Quelas condições descarregou no porto de destino sem indícios de haverem sido violados seus dispositivos de segurança, ao mesmo têm po em que se apura diferença entre a quantidade de seu interior e a regularmente manifestada, a conclusão inequívoca somente pode ser a de que a falta não teria ocorrido durante a travessia maríti ma; que foi isso, certamente, o Que ocorreu no caso de que se tra- ta neste processo, não respondendo por tal falta o transportador ' marítimo representaoo, pela Recorrente, na forma prevista no artigo SERViÇO PÚBLICO FEDERAL 05. RECURSO: 114. '923. RESOLUÇÃO: 302 - 0.629. •• artigo 20 da Lei nº. 6.288 de 11.12.1975; Que as indicações cons tantes dos Conhecimentos de Transporte, no Que se refere a Quan- tidade de volumes postos a bordo, bem como ao seu estado e conte údo, gozam efetivamente de presunção da veracidade; Que tal pre- sunção, porém, não é de jure, mas sim, sem dúvida, de juris tan- tum, ou seja, pode ceder diante da prova ou evidência em contrá- rio; Que a inviolabilidade dos lacres ou dispositivos de segura~ ça do container em Questão, verificada na ocasião em Que este foi descarregado, comprova, sem margens à dúvidas, Que a Quanti- dade embarcada não foi aQuela Que constou do conhecimento, dai porQue cai por terra a presunção de veracidade decorrente deste' documento; Que no Conhecimento, expressamente se declara "shipp- er's load & count-said to contain", o Que significa Que a merca- doria foi carregada e contada pelo embarcador informando este tão somente o conteúdo do container; pede, finalmente, provimen- to para o Recurso, para fin de ser reconhecido Que o transporta- dor maritimo não pode ser responsabilizado pela falta apontada. É o Relatório. - • SERViÇO PÚBLICO FEOERAL v O T O R:EX;URSO: RESOLUÇÃO: 06. ll4..923-. 302 - 0.629 • • Inicialmente acho por bem destacar Que a Recorrente faz afirmações a respeito de declarações constantes do Conhecimento' de Transporte Que não são verdadeiras. , ,.Em seu Recurso Voluntario, as fls. 57 dos autos, consta o seguinte: "Acrescente-se, outrossim, o fato de Que, no conhecimen to, expressamente se declara "shipper's load & count said to contain", o Que significa Que a mercadoria foi' carregada " (grifei) '. • Examinando o Conhecimento Mar:Ltimo acostado às fls. 42' dos autos fácil é de se verificar Que as declarações expressamen- te constantes do' B/L., são: "DICE CON1'ENER"e não "SAID TO CON - TAIN" e "CONTAINER(S) LOAD AND COUNT BY SHIPPERS" e não "SHIPP ER'S LOAD & COUNT", como afirma a Suplicante. (grifei). Embora, na realidade,as expressões constantes do Conhe- cimento e as indicadas pela Suplicante tenham o mesmo significadq não pode Ela afirmar Que do Conhecimento constem, expressamente , aQuelas Que indicou, por nao expressar a verdade. Recentemente fui relator de,um outro processo, bastante semelhante, da mesma Int:eressada, no Qual identifiQuei afirmações incorretas da mesma natureza, ou seja, apontando expressões no Conhecimento de Transporte Que não existiam. Digo isto a fim de Que a Suplicante, em casos futuros, seja mais cuidadosa na elaboração de suas Petições. Quanto ao mérito, torna-se necessário o retorno do pro- cesso à Repartição Aduaneira de origem, em busca de maiores infoE mações e subs:Ldios Que possam levar-me ao conveniimento sobre a responsabilidade pelo crédito tributário em Questão. Em Que p~ sem as alegações da Autuada contidas na Impugnação de Lançamento de fls., de que o Container envolvido descarregou no porto de Ma naus devidamente lacrado e sem indícios de violação de seus dis- positivos de segurança, a Autoridade "a quo" nada informou ares peito em sua Decisão atacada, talvez por considerar irrelevante' tal requisito para seu julgamento. Não obstante, a meu juízo a situação de inviolabilidade do Container no momento da descarga e da desova é' questão impre~ cindível para a definição da responsabilidade por falta de merca doria estufada no mesmo e, consequentemente, para solução do pr~ sente litígio. Diante disso, voto no sentido de que seja o julgamento' convertido em diligência à IRF-Manaus/AM, para as seguintes pro- vidências: • • SERViÇO PUBLICO FEOERAL RECURSO: RESOLUÇÃO: 07. 114.923. 302- 0.629 . • IQ) Informar se a fiscalização aduaneira esteve presen- te por ocasião da desconsolidação do Cofre de Carga e, em caso positivo, se pode dizer em que condições estava o Lacre de origem indicado no Conhecimento ' de Transporte; 2Q) Informar se a Depositária (Entidade Portuária "lo - cal) lavrou Termo de Avaria relacionando o mesmo Container, quando da descarga e/ou da sua desova em cumprimento ao disposto no art. 470 do Regulamen to Aduaneiro e, em assim sendo, se cumpriu a mesma' De'positária o disposto no ~ ~Q deste artigo. Em ca so positivo, juntar cópia(s) does) Termo(s) lavradQ 3Q) Anexar aos autos cópias legÍveis de outros documen- tos por ventura emitidos e relacionados ao assunto' (Boletins de esvaziamento/desova, etc.), inclusive' do MAPA DE FECHAMENTO DE DESCARGA DA PORTOBRAS, ci- tado nos autos; SERViÇO PÚBLICO FEOERAL RECURSO: RESOLUÇÃO: 08. 114.923. 302-.- 0.629. Após tais providências, se ja aberta vista dos autos ..a Recorrente e concedido-Lhe prazo para se manifestar a respeito, se assim o desejar. • Sala das Sessões, 11 1992 . 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
score : 1.0
Numero do processo: 12689.721003/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Data do fato gerador: 30/10/2009
PIS/Cofins Importação. Restituição. Artigo 166 do Código Tributário Nacional. Inaplicabilidade.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro à terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Numero da decisão: 3401-009.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.170, de 22 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 12689.721030/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Substituto Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Ronaldo Souza Dias
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Restituição. Artigo 166 do Código Tributário Nacional. Inaplicabilidade. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro à terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.170, de 22 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 12689.721030/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias –Presidente Substituto Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Restituição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 72 10 03 /2 01 2- 10 Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.179 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12689.721003/2012-10 apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente à crédito de COFINS-Importação, no valor de R$ 181.403,44, recolhido indevidamente. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. O Acórdão de 1º grau julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, argumentando, em resumo, que: (...) Razão, contudo, não lhe assiste e seu pedido não merece acolhimento. Isso porque não há reparo a ser feito no Parecer ALF/SDR/Safia e no Despacho Decisório, que indeferiu a restituição pleiteada pela contribuinte, pois os fundamentos neles lançados estão de acordo com a legislação que regula a restituição de valores recolhidos a título de tributo administrado pela RFB. O direito de restituição de tributo está regulado pelos artigos 165 e seguintes do CTN (negritos meus): (...) A Coordenação-Geral de Tributação - COSIT da RFB examinou o referido artigo em face do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado, exarando o Parecer COSIT n.º 47, de 17/11/2003, do qual merece ser citado, por ser pertinente à questão versada nestes autos, o parágrafo 18 (negritos meus): (...) O COFINS-Importação, diferentemente do que pensa o contribuinte, é um tributo que, em razão de sua natureza, comporta a transferência do respectivo encargo financeiro, pois, de acordo com o caput do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, é regida pela não cumulatividade (tal como o IPI), estando sua restituição, portanto, condicionada ao atendimentos das disposições contidas no art. 166 do CTN: (...) Analisando as provas contidas nestes autos, vejo que o contribuinte não comprovou ter assumido integralmente o encargo financeiro relativo ao COFINS-Importação e seus acréscimos, objeto do pedido de restituição, pois como muito bem observado pela autoridade fiscal no Parecer ALF/SDR/Safia, a empresa não apresentou “documentos capazes de comprovar que os recolhimentos não foram agregados ao preço da mercadoria, tampouco utilizado como crédito fiscal”. Mas não é só isso! Conforme destacado pela fiscalização: o valor do recolhimento “Tendo sido lançado como custo, deveria ter sido Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.179 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12689.721003/2012-10 estornado contabilmente dessa conta em contrapartida com uma conta de tributos a restituir”; pois, se a intenção do contribuinte era solicitar a restituição do tributo pago indevidamente, este valor deveria ser contabilizado (escriturado) no ativo e nele permanecer até o recebimento (ou não) da restituição. Não é por demais lembrar que a apropriação como custo interfere diretamente no resultado de exercícios posteriores, diminuindo o lucro (lucro tributável), que serviu de base para o cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). (...) Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, recuperando parte substancial de sua argumentação contida na Manifestação de Inconformidade. Em síntese, os principais pontos suscitados são os seguintes: DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ARTIGO 166 DO CTN AO PIS E À COFINS DA NÃO TRANSFERÊNCIA DO ENCARGO FINANCEIRO DOS RECOLHIMENTOS COMPLEMENTARES O PEDIDO: “Diante de todo o exposto acima, requer-se que o presente Recurso Voluntário seja recebido e acolhido, para que seja determinada a reforma da decisão recorrida e o consequente deferimento do pedido de restituição que deu origem ao presente processo”. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; assim, dele conheço. O contencioso gira em torno da aplicação do art. 166 do CTN em relação ao PIS/COFINS - importação recolhido indevidamente, inexistindo controvérsia sobre as fatos que geraram o pagamento indevido. A Autoridade Fiscal exige comprovação de que o encargo financeiro, relativo ao recolhimento indevido, não fora transferido a terceiro, sendo este igualmente o entendimento da decisão recorrida. Mas, a contribuinte, em seus recursos, mantém que o caso não se subsume ao art. 166 do CTN. Razão assiste à Recorrente. O artigo 166 do CTN, Lei nº 5.172/66, aplica-se a casos onde a própria natureza do tributo impõe a presença de um “contribuinte de fato”, que suporta o ônus financeiro fiscal, restando ao “contribuinte de direito” o dever de recolher o montante devido, sendo os paradigmas clássicos deste gênero de tributos o ICMS (Imposto sobre Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.179 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12689.721003/2012-10 operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação) e o IPI (Imposto sobe produtos industrializados). Na doutrina, tais tributos são chamados indiretos. O contribuinte de direito está legitimado para pedir a restituição, mas, nesses casos, precisa da autorização do “contribuinte” de fato, na forma do citado artigo do Código, já este último não tem legitimidade ativa para a repetição do indébito (tema 173 repetitivo STJ): CTN Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. STJ Ilegitimidade ativa ad causam do contribuinte de fato para pleitear repetição de indébito decorrente da incidência de IPI sobre descontos incondicionais, recolhido pelo contribuinte de direito (tema repetitivo:173) Porém, o art. 166 não se aplica ao PIS/Cofins Importação. O CARF já se pronunciou especificamente em caso de “PIS/Pasep-importação e Cofins-importação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada”, conforme se verifica no Acórdão n.º 3302-006.205, que, por unanimidade, decidiu na forma abaixo ementada: RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. De 27/11/18, votação unânime. Destaque-se não subsistir controvérsia quanto à ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido, mas tão somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, na forma registrada pela Autoridade Fiscal (fl. 165): Dessa forma, o contribuinte, segundo a norma em tela, não provando ter assumido o encargo financeiro relativo à contribuição PIS/PASEP e seus acréscimos, recolhidos antecipadamente à retificação da DI nº 08/1281238-1, que foi indeferida, carece da condição para ter o direito à restituição desses valores, não podendo, portanto, ser objeto de pedido de restituição, nos termos do art. 6º da IN SRF nº 900, de 2008 e art. 166 do CTN. Porém, o PIS/Cofins-importação não comporta transferência do respectivo encargo financeiro, da mesma forma que o imposto de importação não o realiza. Observe-se que a própria Receita Federal do Brasil, no caso deste último, já há muito decidira que “o sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido” (Parecer Cosit 47/2003). O Parecer Normativo nº 01/2017 estende a análise para Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.179 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12689.721003/2012-10 PIS/Cofins – Importação, distinguindo os casos de importação direta dos casos de importação por conta e ordem: 15. Na importação direta, quem suporta o ônus financeiro pelo pagamento do tributo é o importador. Nesse sentido, o art. 15 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, prevê que: “os valores recolhidos a título de tributo administrado pela RFB, por ocasião do registro da declaração de importação (DI), poderão ser restituídos ao importador caso se tornem indevidos”. Isso porque é o importador quem arca com o ônus financeiro pelo pagamento dos tributos incidentes por ocasião do registro da DI. 16. A importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por um terceiro (o importador), o qual promove, em seu nome, o Despacho Aduaneiro de Importação de mercadorias para um adquirente em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços, conforme previsto no art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002, e art. 12, § 1º, I, da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002. Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação do importador possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o “importador” de fato é o adquirente, o mandante da importação, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa - o importador por conta e ordem. 17. Na importação por conta e ordem, quem suporta o ônus financeiro do tributo, desde o início, é o adquirente, sendo o importador apenas um representante que atua perante o Fisco por conta e ordem daquele, com recursos pertencentes ao adquirente. O Acórdão n.º 3001-001.525 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária do relator Luis Felipe de Barros Reche, conselheiro que ora ilustra esta Turma, também votado por unanimidade, de 14/10/20, alinha-se com o mesmo entendimento: PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE ASSUNÇÃO DOS ENCARGOS FINANCEIROS. DESNECESSIDADE. Desnecessária a comprovação da assunção do ônus financeiro, prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional (CTN), na restituição das Contribuições para o PIS/PASEP/Importação e COFINS/Importação, para o deferimento de pedido de restituição, quando seu recolhimento indevido decorre de retificação de Declaração de Importação (DI) que reduz a quantidade do produto importado, por não comportar a transferência do encargo financeiro a terceiro. Entende-se que, de modo geral, a exigência constante do art. 166 do CTN não se aplica ao PIS/Cofins-Importação, quando se trata de importação por conta própria, porque, neste caso, não há na operação a presença de um contribuinte de fato, que suporte o ônus financeiro do tributo, o que ocorre quando se trata de importação por conta e ordem de terceiros. Do exposto, VOTO por dar provimento ao recurso. Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.179 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12689.721003/2012-10 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias –Presidente Substituto Redator Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital
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