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Numero do processo: 11610.016650/2008-71
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, quando o contribuinte estava obrigado a apresentar DIRPF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, quando o contribuinte estava obrigado a apresentar DIRPF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, quando o contribuinte estava obrigado a apresentar DIRPF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 66 50 /2 00 8- 71 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 11610.016650/200871 Acórdão n.º 2801002.929 S2TE01 Fl. 40 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 11ª Turma da DRJ/SP2 (Fls. 16), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a notificação de lançamento, referente ao exercício de 2008 ano calendário de 2007, por meio do qual foi exigida multa por atraso na entrega da declaração, que teria ocorrido em 17/10/2008, no valor de R$ 165,74 (cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos). O contribuinte apresentou, em 17/12/2008, a impugnação de fl. 01, solicitando a isenção da multa alegando que esteve em troca de terapia retroviral, e ter provado doenças, internação e dificuldade de locomoção no tratamento de HIV/AIDS. Passo adiante, a 11ª Turma da DRJ/SP2 entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL E devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, estando o contribuinte enquadrado na condição de obrigatoriedade. Cientificada em 30/09/2010 (Fls. 20), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 27/10/2010 (fls. 27), onde argumenta: (...) Eu, Denise Cordeiro da Silveira, solicito ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação dos documentos apresentados w solicito novamente a isenção da multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual. No 1º documento entregue à Receita Federal informei que estive internada para troca de Terapia AntiRetroviral, com risco de vida, por causa das infecções oportunistas que estão citadas no laudo médico apresentado, estive nesta ocasião, impossibilitada de locomoção e de quaisquer atividades, inclusive o cumprimento das obrigações fiscais. Segue em anexo, o laudo médico, com as infecções oportunistas tratadas e a justificativa do atraso na entrega da Declaração; a qual foi regularizada em 2009. Justifico novamente, que diante da extrema gravidade e risco, foi priorizado por mim e meu médico, a preservação da vida, ficando em 2º plano as obrigações fiscais. Por isso solicito novo Recurso, com verificação dos documentos. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 11610.016650/200871 Acórdão n.º 2801002.929 S2TE01 Fl. 41 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Não merece reforma o Acórdão recorrido. A Lei 9.250/95 estabeleceu o prazo para a apresentação da Declaração de Ajuste Anual; in verbis: Art. 7o A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano calendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Por sua vez, a própria Declaração de Ajuste Anual, entregue a destempo, da contribuinte, a inclui entre o rol daquelas que estavam obrigadas a apresentar a Declaração, em razão dos valores recebidos no decorrer do ano calendário 2007. Temos ainda que a legislação estabelece a aplicação de multa em caso de apresentação de Declaração de Rendimentos fora do prazo legal; in verbis: Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999) Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2º e 5º deste artigo (Lei nº. 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº. 9.532, de 1997, art. 27); Quanto a alegação de impossibilidade de transmissão da DIRPF em tempo hábil em razão de problemas de saúde, é mister ressaltar que a legislação não dispõe isenção, perdão, ou remissão, da multa por atraso por este motivo. Como a contribuinte só apresentou a Declaração de Ajuste Anual em 20/07/2009, quando a deveria ter apresentado até o último dia útil do mês de abril de 2008, correta está a aplicação da multa em seus valores mínimos. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 11610.016650/200871 Acórdão n.º 2801002.929 S2TE01 Fl. 42 4 Ante tudo acima exposto e o que mais contam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 42DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.911200/2009-45
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentou-se na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1801-001.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 Restituição. Compensação. Admissibilidade. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentou-se na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentouse na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 12 00 /2 00 9- 45 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1232.824/10 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, fls. 98 a 102, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 90 a 94. Aproveito trechos do relatório do aresto vergastado para historiar os fatos: “Em 12/01/2007, a Interessada apresentou ao Fisco o PER/DCOMP de n° 01520.90757.120107.1.3.047078 (fls. 90/94), por meio do qual pretende compensar débitos de CSLLESTIMAT1VA referentes aos ANOSCALENDÁRIO 2004 e 2005, mediante aproveitamento de um crédito no valor de R$ 946.791,51, decorrente do PAGAMENTO A MAIOR da ESTIMATIVA de CSLL do mês de NOVEMBRO/2006. O pleito do contribuinte foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói RJ, com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, tendo em vista "tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período" — cfr. DESPACHO DECISÓRIO (ELETRÔNICO) n° 848593684, de 07/10/2009 (fl. 85) Insatisfeita com o referido despacho decisório, do qual tomou ciência, por via postal, em 20/10/2009 (AR fl. 96), a Interessada apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade dirigida a esta Delegacia de Julgamento (fls. 01/09), alegando, em síntese: QUE à época do recolhimento da estimativa mensal de novembro de 2006, estava amparada por sentença judicial que lhe assegurava compensar prejuízos mensais acumulados nos anoscalendário de 1993, 1995 e 1996 contra lucros apurados nos anoscalendário de 1998 em diante, sem as limitações previstas nos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, e nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/1995; QUE, sob os efeitos de tal decisão, apurou e recolheu a estimativa de CSLL do mês de novembro de 2006, no valor de R$ 3.139.572,80; QUE em virtude da reforma da referida sentença, resolveu recalcular as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, levando em conta as limitações previstas nos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, e nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/1995; QUE, após o recalculo efetuado, o valor da estimativa de CSLL do mês de novembro de 2006 foi reduzido para R$ 2.192.781,29; QUE como já havia recolhido a importância de R$ 3.139.572,80, passou a ter um crédito frente à Fazenda, no valor de R$ 946.791,51; QUE o art. 74, § 3o, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, ao enumerar as hipóteses de compensações vedadas, não fez qualquer restrição ao aproveitamento de créditos decorrentes de pagamentos a maior de estimativas mensais; QUE a vedação referida no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, não tem nenhum amparo legal; QUE a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, que regulamenta atualmente os procedimentos de restituição e compensação no âmbito da Receita Federal, eliminou a restrição que havia quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de recolhimentos a maior de estimativas mensais.” (grifos não pertencem ao original) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911200/200945 Acórdão n.º 1801001.294 S1TE01 Fl. 3 3 A Quarta Turma de Julgamento não acolheu as razões da manifestante, não reconheceu o direito creditório, nem homologou a compensação pleiteada. Assim restou ementado o acórdão recorrido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2007 PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS DA RECEITA FEDERAL. O julgador administrativo de primeira instância está obrigado a observar o entendimento da Receita Federal expresso em seus atos normativos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devidos ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. O fato de a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, haver removido a restrição que existia anteriormente, quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior, não legitima a pretensão do contribuinte de fazer retroagir a nova norma, com o intuito de convalidar compensações que, em sua origem, eram indevidas. O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo incabível a apreciação da Declaração de Compensação com fundamento em legislação superveniente. A empresa interpôs tempestivamente (AR – 22/09/10, fls 104; Recurso – 22/10/10, fls. 105) o Recurso de fls. 105 a 121, reiterando os termos da defesa exordial, argumentando o descabimento da vedação de compensarse estimativas por absoluta falta de previsão legal impeditiva, em síntese. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo paga a maior ou indevidamente. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Esta turma julgadora já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: “A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada ano calendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911200/200945 Acórdão n.º 1801001.294 S1TE01 Fl. 4 5 subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911200/200945 Acórdão n.º 1801001.294 S1TE01 Fl. 5 7 Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911200/200945 Acórdão n.º 1801001.294 S1TE01 Fl. 6 9 crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, conclui se que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". Fl. 156DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911200/200945 Acórdão n.º 1801001.294 S1TE01 Fl. 7 11 § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com Fl. 157DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: “Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação.” Fl. 158DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911200/200945 Acórdão n.º 1801001.294 S1TE01 Fl. 8 13 Superado o ponto da admissibilidade das Per/Dcomp cujo crédito são as estimativas mensais pagas durante o anocalendário, ressaltese que o procedimento da Administração Tributária em emitir os Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomp que o sistema rejeita tem causado vários transtornos. Não há que se falar em nulidade do Despacho Eletrônico, pois, na forma que foi emitido em nada cerceia o direito de defesa dos contribuintes. Há no texto expresso a motivação da Per/Dcomp não ter sido admitida. E o litígio instaurouse regularmente. Mas, de um lado, indeferese o pedido de restituição e aproveitamento de estimativas porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar (ou até mesmo cancelar) a Per/Dcomp para adequála de forma devida. E por fim, ainda que a unidade de jurisdição do contribuinte, ou a turma julgadora de primeira instância, verifiquem a sequência de Per/Dcomp emitidas pelos contribuintes solicitando a restituição das estimativas mensais pagas do mesmo anocalendário e tributos, não adaptam os pedidos, ex officio, para devolução do saldo negativo de IRPJ/CSLL apurado, retirando do administrado a repetição de possível indébito tributário, pela eventual ocorrência da prescrição. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, o contribuinte é intimado para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias após o recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Tomou medidas também para reunir todas as Per/Dcomp que veiculam o mesmo crédito em um só processo pela edição da Portaria RFB nº 666/08, sem, no entanto, atentar para as Per/Dcomp que tem como objeto as estimativas [ainda mais porque à época a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou, equivocadamente, normas infra legais vedando a restituição/compensação de estimativas, erro reconhecido e corrigido com a edição da Portaria RFB nº 900/08]. Divirjo do entendimento da turma julgadora a quo ao atribuir à Instrução Normativa o condão de poder instituir nova norma tributária. É da natureza destes atos normativos a competência de interpretar a legislação tributária e/ou regulamentar alguns procedimentos, mas não inovar em matéria reservada à edição de leis. Daí, por seu caráter interpretativo, não há qualquer restrição para a retroação de suas orientações, pois apenas elucidou a norma tributária respectiva, dentro dos limites da mesma, no ponto em que expressamente admitiu o erro legislativo cometido anteriormente com edição de normas infra legais que limitaram o direito dos contribuintes em compensar as estimativas. Se a própria Administração Tributária, autoridade competente para revisar seus próprios atos, reconheceu que a norma não veda a compensação de estimativas, com muito mais propriedade podem as autoridades julgadoras seguir a orientação e aplicála nos processos em andamento, evitando futura demanda judicial contra o fisco. Concluindo, os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor Fl. 159DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que esta seja devidamente intimada a exibir a sua contabilidade, viabilizando a análise do mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc. Com relação à matéria de mérito trazida pela recorrente e apreciada, secundariamente, pela primeira instância, a turma julgadora excedeu aos limites da lide, uma vez que o Despacho Decisório limitouse a indeferir a Per/Dcomp pelo fato de o pedido ter como objeto a compensação de estimativas simplesmente. A autoridade a quo não se manifestou a respeito das razões meritórias aventadas pela recorrente na manifestação de inconformidade, pelo que não devolver os autos a esta configura flagrante supressão de instância de julgamento. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 160DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11543.001655/2003-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL. PARTICULARIDADES DO CASO CONCRETO.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação, sem hipótese legal interruptiva (art.74, §5º, da Lei nº 9.430/96). Considerando as particularidades do caso concreto, em que o contribuinte, em menos de seis meses da entrega de tal Declaração, informou que o valor de um dos débitos compensados seria menor, não prevalece o dispositivo infralegal que desloca o termo a quo para a data do pedido de retificação.
Numero da decisão: 1103-000.762
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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RETIFICAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL. PARTICULARIDADES DO CASO CONCRETO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação, sem hipótese legal interruptiva (art.74, §5º, da Lei nº 9.430/96). Considerando as particularidades do caso concreto, em que o contribuinte, em menos de seis meses da entrega de tal Declaração, informou que o valor de um dos débitos compensados seria menor, não prevalece o dispositivo infralegal que desloca o termo a quo para a data do pedido de retificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 411 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de análise de Declaração de Compensação (fls.01/02), protocolizada em 15/05/03, em que se informou como direito creditório saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário 2002, no valor total de R$1.337.940,58. De acordo com Despacho Decisório (fls.179/187), cientificado ao contribuinte em 19/05/08, conforme Aviso de Recebimento à fl.196, as compensações não foram homologadas, em razão dos seguintes fundamentos, in verbis: “Da análise da resposta do contribuinte, elaborei o Termo de Intimação Fiscal 2 (fls.21 a 24), relatando o que segue: 1 – Quando intimada a apresentar um Demonstrativo do Cálculo da Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis, constante da linha 25, Ficha 09 A (fl.93) e linha 19, Ficha 17 (fl.95) da DIPJ relativa ao anocalendário 2002, esclarecendo a divergência com o valor lançado na linha 29, Ficha 06 A, da referida DIPJ (fl.92), a empresa afirmou que esta divergência não refletiu o cálculo final dos tributos. Abaixo, reproduzi o quadro 2, onde se verifica que o contribuinte excluiu um valor de reversão de provisões não dedutíveis muito superior ao valor da reversão dos saldos das provisões operacionais. Ficha/Linha da DIPJ Valor (R$) Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais 06A/29 505.410,42 Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis, passíveis de exclusão 09A/25 e 17/19 36.622.938,83 Redução da Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL 36.117.528,41 Quadro 2 Verifiquei que o contribuinte não contabilizou na Demonstração de Resultado, a título de reversão dos saldos das provisões operacionais, o valor de R$ 36.117.528,41, nos anoscalendário anteriores a 2002, conforme se verifica no quadro 3, reproduzido abaixo. AnoCalendário Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais (R$) IRPJ – Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis, passíveis de exclusão (R$) CSLL – Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis, passíveis de exclusão (R$) DIPJ às fls. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 412 3 2001 44.656.467,91 44.656.467,91 44.656.467,91 80, 85 e 88 2000 – jan a mai 0,00 1.049.664,87 33.748.284,56 52, 56 e 60 2000 – jun a dez 6.082.859,07 40.656.006,03 40.656.006,03 64, 68 e 72 1999 – jan a ago 0,00 9.381.751,86 29, 33, 34 e 37 1999 – set a dez 0,00 8.121.166,87 8.121.166,87 40, 44 e 48 Total 50.739.326,98 94.483.305,68 136.563.677,23 Quadro 3 Através do mencionado Termo de Intimação Fiscal 2, o contribuinte ficou intimado a manifestarse acerca do Termo de Constatação, apresentando todos os documentos que pudessem modificar o entendimento da auditoria. Também foi reintimado a prestar esclarecimentos e a apresentar documentos que elucidassem diversos pontos tratados no Termo de Intimação Fiscal 1. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 2 (fls.25 a 27), o contribuinte apresentou o que segue: 1 – Relativamente ao anocalendário 2002, o valor da reversão dos saldos das provisões não dedutíveis constante da linha 25, Ficha 09 A (fl.93) e linha 19, Ficha 17, da DIPJ (fl.95) referese ao saldo das contas de ativo e passivo de provisões diversas e tem como partida inicial o saldo final de 31/12/2001, adicionado na DIPJ de 2001. Dessa forma, o valor excluído na apuração fiscal das provisões já teria sido tributado em exercícios anteriores, conforme planilha à fl.26 e os balancetes de 2001 e 2002 (fls.139 a 178). 5 – As receitas que compõem a base de cálculo do imposto retido na fonte, referente ao anobase 2002, totalizam R$1.320.529,00 e são derivadas das contras partidas que se encontram no Demonstrativo do Resultado. Da análise das argumentações do contribuinte e da documentação discriminada no quadro 1, constatei o que se segue. Conforme documento à fl.26, o contribuinte afirma ter adicionado e excluído os seguintes valores de provisões não dedutíveis: AnoCalendário Valor Adicionado Valor Excluído 2001 36.622.938,83 2002 33.479.850,11 36.622.938,83 Quadro 4 Da análise da Ficha 05A Despesas Operacionais (fls.75 a 77) e da linha 31, Ficha 06A Demonstração de Resultado (fl. 80) da DIPJ 2002, extraise que o valor adicionado de R$36.622.938,83 contém as provisões não dedutíveis referentes ao anocalendario de 2001. Estes valores estão declarados como adição, na Demonstração do Lucro Real (fl.83, linha 3) e no Cálculo da CSLL (fl.88, linha 2), registrados no Livro Razão (fls.115 a 138) e no Balancete referente ao anocalendário 2001 (fls.139 a 158). Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 413 4 Relativamente ao valor adicionado em 31/12/2002, verificase na Ficha 05A Despesas Operacionais (fls.89 a 91), na linha 31, Ficha 06A Demonstração de Resultado (fl.92) e na linha 3, Ficha 09A Demonstração do Lucro Real (fl.93), da DIPJ 2003, que o valor adicionado totaliza somente R$2.471.513,87 e que contém as provisões não dedutíveis referentes ao anocalendário de 2002. Portanto, embora as provisões não dedutíveis, no valor de R$33.479.850,11, constem no Balancete referente ao ano calendário 2002, não foram adicionadas no cálculo do imposto de renda constante da DIPJ 2003, anocalendário 2002. Esta constatação, entretanto, não modifica a base de cálculo do imposto de renda, nem interfere na inconsistência discriminada no quadro 2, pois na DIPJ 2003, as despesas não dedutíveis lançadas no Demonstrativo de Resultado, foram adicionadas no Demonstrativo do Lucro Real. Já na elaboração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, o contribuinte adicionou o valor de R$33.479.850,11 e isto será tratado adiante, no recálculo da CSLL. Cabe ressaltar, que foi anexado ao presente processo o Demonstrativo da Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais referentes ao anobase 2002 (fl.110), que está de acordo com a Demonstração de Resultado (fl.92), com os registros no Livro Razão (fls.111 a 114) e com o Balancete de 2002 (fls.176 e 177). Diante do exposto, extraise que a inconsistência, discriminada no quadro 2 deste Parecer, referese a erro no preenchimento da DIPJ. O valor a ser preenchido na linha 25, Ficha 09A (fl.93), da DIPJ 2003, anocalendário 2002, deveria ser o mesmo constante da linha 29 da Demonstração de Resultado (fl.92). Confrontei os valores de imposto de renda mensal pago por estimativa, constantes da Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ da empresa (fl.94, verso) com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fls.96 e 97) e constatei a seguinte divergência: DIPJ DCTF 3.066.341,90 2.962.766,75 A DIPJ é meramente informativa. Já os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida e são os débitos controlados pelos sistemas informatizados da Receita Federal. Portanto, o valor apurado de imposto mensal pago por estimativa é o valor confessado em DCTF, que deveria ser o mesmo valor informado na DIPJ. Tudo conforme o artigo 5º do DecretoLei 2124/84. Confrontei os rendimentos declarados pelo contribuinte no item 6 da resposta ao Termo de Intimação Fiscal 2 (fl.27) como referentes ao imposto de renda retido na fonte, com os registros Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 414 5 no Balancete de 2002 e constatei que estes valores estão compatíveis com a Demonstração do Resultado (fl.92) e com as Declarações de Imposto de Renda na Fonte DIRF de terceiros extraídas do sistema informatizado da Receita Federal (fls.100 a 109). O valor de imposto retido também está em conformidade com a DIPJ. Abaixo, elaborei o quadro 6, para recalcular o imposto de renda, com base na glosa das exclusões, no valor de 36.117.528,41 e no valor de estimativa confessado em DCTF. Conta IRPJ Apurado LL antes do IRPJ 46.704.150,73 Adições 36.888.527,88 Exclusões 34.340.110,57 LR antes Comp. Prej. Per. Apur. Anteriores 49.252.568,04 Comp. Prej. Fiscais Per. Apur. Anteriores 3.940.511,89 Lucro Real 45.312.056,15 Imposto sobre o Lucro Real 6.796.808,42 Adicional 4.507.205,62 IRRF 1.320.529,00 Imposto mensal pago por Estimativa 2.962.766,75 Imposto a Pagar 7.020.718,29 Se há saldo de imposto a pagar, não existe crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ. A inconsistência discriminada no quadro 2 deste Parecer também gera reflexos na apuração da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL. Abaixo, elaborei o quadro 7, para recalcular a CSLL. Ressaltese que neste cálculo, o lucro líquido antes da CSLL foi corrigido pela diferença entre o valor das provisões não dedutíveis lançadas como adições na linha 2 da Ficha 17 da DIPJ 2003 (fl.95) e o valor constante da terceira coluna da linha 31 da Ficha 05A Despesas Operacionais (fl.91) da referida DIPJ. A correção devese ao fato de que a provisão só pode ser adicionada se constar no Demonstrativo de Resultado a título de despesa não dedutível. O recálculo da contribuição social sobre o lucro líquido também considera a glosa das exclusões, no valor de 36.117.528,41 e o valor de estimativa confessado em DCTF (fls.98 e 99). Conta IRPJ Apurado LL antes da CSLL 17.205.557,18 Adições 33.908.392,46 Exclusões 34.340.110,57 BC Neg. da CSLL Per. Anteriores 3.499.394,07 BC da CSLL 13.274.445,00 CSLL 1.194.700,05 CSLL paga por Estimativa 1.012.184,83 CSLL a Pagar 182.515,22 Se há saldo de CSLL a pagar, não existe crédito oriundo de saldo negativo de CSLL.” (sublinhei) Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 415 6 A Primeira Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) indeferiu a manifestação de inconformidade, conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.293/300): HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação será a data da apresentação da retificação. VERIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir. Devidamente cientificado da decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls.308 e ss.), por meio do qual sustenta, em síntese: Da Homologação Tácita as compensações teriam sido apresentadas entre abril e agosto de 2002, sendo que apenas teve ciência do despacho decisório em 19/05/08; com a alteração do art.74 da Lei nº 9.430/96, promovida pelo art.17 da MP nº 135/03, convertida na Lei nº 10.833/03, fixouse o prazo de cinco anos, contado da entrega da declaração, para a homologação da compensação declarada; considerando que as declarações retificadoras prestamse apenas para corrigir aspectos formais, não sendo admitidas para a inclusão de novos débitos ou para aumentar valores outros, em tal hipótese a Lei nº 9.430/96 não disporia sobre a possibilidade de nova contagem de prazo para homologação, carecendo de base legal o art.60 da IN SRF nº 600/2005; Da Decadência não poderia a autoridade fazendária ter realizado, para fins de valoração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL, a recomposição do lucro tributário em razão de o contribuinte “...supostamente, ter excluído valor de reversão de provisões não dedutíveis em valor muito superior ao valor da reversão dos saldos das provisões operacionais”; o despacho decisório “...pretendeu rever, em abril de 2008, a apuração do Imposto de Renda e da Contribuição Social cujos fatos geradores ocorreram em 31/12/2002, sendo certo que, em 31/12/2007 já se extinguiu o prazo (decadencial, digase) determinado ao ente tributante para realizar a revisão do lançamento relativamente aos períodosbase indicados, considerandose, portanto, desde então, homologada tacitamente a atividade praticada pelo contribuinte, nos termos do retro transcrito parágrafo quarto do artigo 150 do CTN”; se até mesmo inexiste a obrigação de conservação dos livros comerciais e fiscais após o prazo decadencial, não faria sentido o Fisco realizar revisões com base nos valores ali consignados; Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 416 7 o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 10809.621, 10613.405, 106 13.471 e 10246.305) já decidira não ser possível a revisão de prejuízo fiscal em período já atingido pela decadência; Do mérito o valor a ser informado na linha 29 da Ficha 6A (“Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais”) não seria, necessariamente, o mesmo a ser informado na linha 25 da Ficha 09A (“Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis”) e na linha 19 da Ficha 17; as instruções no Manual de Preenchimento da DIPJ, relativas às determinações do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, não fariam referência à ficha correspondente à demonstração do resultado; o segundo equívoco do despacho decisório seria: “...o valor das adições correspondentes aos saldos das contas de ativo (redutoras) e passivo relacionadas às provisões (R$ 33.475.612,82) é admitido e o valor excluído (R$ 36.622.938,83), correspondente aos saldos anteriores das mesmas contas de ativo e passivo, é glosado, sob a alegação de que o mesmo não foi contabilizado no resultado da Recorrente, distorcendo completamente o efeito das provisões no resultado da Recorrente, anulado na determinação do lucro real via adição e exclusão dos correspondentes valores”; a análise da Receita Federal também estaria incorreta, vez que “...segundo o cálculo da r. Equipe, os valores das bases de cálculo aumentam significativamente, porém as compensações de prejuízos e bases negativas de CSLL permanecem com valores correspondentes a 30% dos resultados antes dos ajustes ora debatidos”; a DRJ não teria apreciado as provas apresentadas com a manifestação de inconformidade, porque “...não foi juntado apenas o balancete mas sim um demonstrativo devidamente referenciado com o referido balancete que demonstra a composição do valor de R$36.622.938,83, devidamente excluído da apuração do lucro real”, que demonstrariam a total adequação dos procedimentos adotados, razão pela qual deveria ser declarado nulo o acórdão, devendo outro ser proferido em boa e devida forma. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Quanto à tempestividade, mesmo sem constar dos autos a prova quanto à ciência do acórdão recorrido, é possível atestála, tendo em vista que a correspondência de encaminhamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil foi assinada em 21/06/2011 (fl.307) e o recurso voluntário, protocolizado em 21/07/2011 (fl.308). Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. DAS PRELIMINARES Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 417 8 Além das alegações sobre a homologação tácita e impossibilidade de recomposição do lucro tributável após o prazo decadencial, o Recorrente também suscitou cerceamento do direito de defesa, baseado no fato de a Primeira Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) supostamente não ter apreciado todas as provas por ele carreadas na impugnação. Não obstante a relevância desta última questão, mormente para a lisura do devido processo administrativo tributário, aquelas primeiras preliminares devem ser analisadas prioritariamente, pois, caso alguma seja acolhida, desnecessário será o exame de mérito por este colegiado ou, se for o caso, pela DRJ. 1. Da Homologação Tácita O Recorrente aduz que as compensações declaradas já estariam tacitamente homologadas, tendo em vista que as formalizou entre abril e agosto de 2002, tendo ciência do despacho decisório apenas em 19/05/08. Adiantese, como posto do relatório, que a Declaração de Compensação objeto dos autos foi protocolizada em 15/05/03, não em meados de 2002. O art.17 da Medida Provisória nº 135, de 30/10/03, incluiu no art.74 da Lei nº 9.430/96, por exemplo, os parágrafos 5º e 12, que dispunham: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) ..... §4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) ..... Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 418 9 §12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição.” Posteriormente, o art.4º da Lei nº 11.051, de 29/12/04, incluiu outros dispositivos também ao art.74 da Lei nº 9.430/96, tendo alterado, por exemplo, o parágrafo 12, que restou assim redigido: §12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no §3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio” instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. §13. O disposto nos §§2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no §12 deste artigo. §14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação.” (destaquei) Uma primeira constatação é a de que não há dúvida sobre o prazo de que dispõe o Fisco para homologar compensações declaradas: 5 (cinco) anos, contado da data da entrega, protocolização, da declaração. A aplicação deste prazo às declarações de compensação entregues anteriormente à vigência da MP nº 135/03 decorre da própria redação do parágrafo quinto do art.74 da Lei nº 9.430/96, redação esta que fixa como marco inicial a data da entrega da declaração de compensação. A própria Administração tributária, por meio da IN SRF nº 600/05, em vigor quando da ciência do despacho decisório, reconheceu tal interpretação. Vejamos: Art. 29. A autoridade da SRF que não homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de não homologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 419 10 ..... § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. No caso concreto, a discussão é sobre a possibilidade de a Secretaria da Receita Federal do Brasil, no exercício de sua competência, definir, para fins de homologação tácita de compensações, marco inicial de contagem na hipótese de retificação de Declaração de Compensação, e, em caso afirmativo, se tal marco seria aplicável a Declarações anteriores à vigência da norma infralegal que o tenha estabelecido. De acordo com os autos, o contribuinte inicialmente protocolizou Declaração de Compensação em 15/05/03 (fl.01), quando informou os seguintes débitos: IRPJ (2362 – PA 31/01/03), no valor de R$986.494,76, e CSLL (2484 – PA 31/01/03), no valor de R$351.445,82. Em 07/11/03, requereu à Secretaria da Receita Federal do Brasil a retificação de várias declarações de compensação (fls.07/08). Relativamente à declaração objeto dos autos, deveria ser alterado apenas o valor do débito da CSLL (2484 – PA 31/01/03), de R$351.445,82 para R$267.890,53, informado em DCTF (fl.12). Tal modalidade de alteração foi chancelada na espécie pela unidade de origem. O Despacho Decisório, por sua vez, foi cientificado ao contribuinte em 19/05/08, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl.196). Nos termos da Lei nº 8.383, de 30/12/91, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil expedir as instruções necessárias ao procedimento de compensação: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Em igual sentido, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 420 11 Art.890. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. ..... §8º A Secretaria da Receita Federal expedirá instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (destaquei) Também a respeito da retificação de declarações, vejamos, por exemplo, o que dispõe a Medida Provisória nº 2.18949/2001: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Basicamente, os dispositivos acima referemse à competência da atual Secretaria da Receita Federal do Brasil para operacionalizar a compensação. Nos dizeres do art.66, §4º, da Lei nº 8.383/91 e do art.890 do RIR/99, relacionase à edição de instruções necessárias ao cumprimento da compensação por parte do contribuinte; nos ditames do art.18 da MP nº 2.18949/2001, a procedimentos de admissibilidade de retificação de declaração. Por fim, o art.74, §14, da Lei nº 9.430/96, delega àquele órgão apenas a tarefa de disciplinar o conteúdo do artigo, inclusive a respeito da fixação de critérios de prioridade para a apreciação dos processos de restituição, ressarcimento e de compensação. Nada mais. Especificamente quanto ao prazo de homologação das compensações e efeitos decorrentes da entrega de declaração retificadora, os procedimentos foram inicialmente regulados pela Instrução Normativa SRF nº 460, de 18/10/04, que dispunha: Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. ..... § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. ..... Art. 55. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 421 12 apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. ..... Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. ..... Art. 59. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no §2º do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. (destaquei) Em igual sentido, a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/05: Art. 29. A autoridade da SRF que não homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de não homologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. ..... § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. ..... Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 422 13 admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. ..... Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Art. 60. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. (destaquei) De tais Instruções Normativas, verificase que foi vedada a retificação da Declaração de Compensação, quando visasse inclusão ou aumento de débito, cabendo ao contribuinte apresentar nova declaração. A contrario sensu, não havia empecilho quando a retificação buscasse apenas reduzir o débito declarado, como na hipótese dos autos. Ao tratar do assunto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil estava em conformidade, por exemplo, com a delegação conferida pelo art.18 da MP nº 2.18949/2001 (procedimentos de admissibilidade de retificação de declaração), como visto anteriormente. De acordo com o art.59 da IN SRF nº 460/04 e art.60 da IN SRF nº 600/05, sendo admitida a retificação, o dies a quo do prazo de contagem para fins de homologação tácita deslocarseia para a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. No caso concreto, para a data da protocolização do requerimento de retificação. Esta foi exatamente a interpretação contemplada na decisão recorrida, conforme o respectivo voto condutor, in verbis: “Na manifestação de inconformidade, o interessado alega ter ocorrido homologação tácita. O art.60 da IN SRF nº 600/2005, pertinente à questão, assim dispõe: Art.60. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 423 14 previsto no §2º do art.29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. O §2º do art.29 dispõe que “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação”. Conforme apontado no Despacho Decisório, a Declaração de Compensação de fls.1/2 foi retificada pelo pedido às fls.7/8 e pela DCTF à fl.12. Aplicandose o contido no art.60 da IN nº 600/2005, verificase, que em 19/05/2008 (fl.196), quando da ciência do Despacho Decisório, não havia transcorrido o prazo de 5 anos da apresentação do pedido de retificação (protocolado em 07/11/2003), não tendo ocorrido, portanto, a homologação tácita.” Cabe lembrar que a IN SRF nº 210, de 30/09/02, que precedeu à IN SRF nº 460/04, não contemplava norma semelhante, até mesmo porque, como visto acima, apenas ao final de outubro de 2003, com a MP nº 135, estabeleceuse expressamente o prazo de homologação das compensações declaradas ao Fisco federal. O art.59 da IN SRF nº 460/04 e o art.60 da IN SRF nº 600/05, na realidade, estabeleceram uma causa de interrupção do prazo decadencial, previsto na Lei nº 9.430/96, para o Fisco exercer, em cinco anos, contado da entrega da declaração, o direito de verificar a regularidade das compensações declaradas. Nos termos do art.156, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN), cabe à lei dispor a respeito dos “efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição”. Além disso, conforme art.170, do mesmo Código, também cabe à lei estipular as condições e garantias relacionadas à autorização de compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Leciona Luciano Amaro (in Direito Tributário Brasileiro, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1999, p.366), que, embora o CTN estabeleça que a lei pode atribuir à autoridade administrativa competência para autorizar a compensação, não pode outorgarlhe poderes discricionários. Por sua vez, Hugo de Brito Machado (in Curso de Direito Tributário. 13ªed. São Paulo: Malheiros, 1998, p.142), entende, à vista do CTN e do supracitado art.66 da Lei nº 8.383/91, que “...o contribuinte tem direito à compensação, e esse direito não pode ser cerceado pela autoridade administrativa a pretexto de estabelecer condições para a compensação”. Assim, cabe, por exemplo, à Administração tributária estabelecer condições para a compensação, v.g., definição das maneiras de formalizála, se em formulário papel ou por meio eletrônico; das hipóteses de retificação e cancelamento; da distribuição da competência interna para apreciála; dos procedimentos de fiscalização relacionados à confirmação do crédito; das formas de comunicação da decisão; dos casos que demandem análise prioritária etc. Entretanto, deslocar o início do prazo de homologação das compensações, elastecendoo, ainda que motivado por um ato do contribuinte, que, na espécie, como se verá Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 424 15 a seguir, não teve o condão de limitar o prazo para o Fisco apreciálas, transborda os limites traçados pelo legislador, quando expressamente definiu como único parâmetro a data de entrega da declaração ou pedido de compensação, sem qualquer hipótese de interrupção. Poderseia alegar que a razão de ser de tal norma infralegal repousaria nos princípios da lealdade, da boafé, da não surpresa, da supremacia do interesse público sobre o privado, apenas para citar alguns, que estariam maculados na hipótese de o contribuinte, por exemplo, em uma situação extrema, declarar novos débitos ou aumentar o valor de algum que já tenha sido objeto da declaração de compensação original. Como visto anteriormente, em tais hipóteses a retificação, além de não ser admitida, demandaria a entrega de nova Declaração de Compensação, quando se iniciaria o prazo de 5 (cinco) anos para a homologação do novo débito ou da diferença. O interesse público estaria, portanto, resguardado. A simples redução de um débito declarado, antes da apreciação pela autoridade fazendária, no caso concreto não implicou em qualquer surpresa ou prejuízo à atividade da fiscalização, que desde a entrega da Declaração original já tinha conhecimento sobre os períodos de apuração dos débitos que o contribuinte, sob condição resolutória, havia compensado a partir de um determinado direito creditório. A conclusão, portanto, é que deve prevalecer o prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação de fls.01/02, para fins de homologação, não produzindo a protocolização do pedido de retificação o efeito previsto no art.59 da IN SRF nº 460/04 e no art.60 da IN SRF nº 600/05. A propósito, tal pedido, como visto antes, restringiuse ao débito de CSLL, de maneira que não se constata retificação com relação à compensação do débito de IRPJ. Considerando que a protocolização da Declaração de Compensação (formulário papel) deuse em 15/05/03 e o Despacho Decisório, apesar de elaborado em 28/04/08, apenas foi cientificado ao contribuinte em 19/05/08 (fl.196), as compensações ali declaradas já haviam sido homologadas, haja vista o transcurso de 5(cinco) anos estabelecido no art.74, §5º, da Lei nº 9.430/96. Reconhecese, na espécie, a homologação tácita dos débitos de IRPJ (2362 – PA 31/01/03 R$986.494,76), e CSLL (2484 – PA 31/01/03 R$267.890,53). Cumpre destacar que tal conclusão derivou das particularidades do caso concreto, particularmente no fato de o contribuinte, em menos de seis meses da entrega da Declaração de Compensação, ter informado que o valor de um dos débitos compensados seria menor, o que proporcionou à fiscalização tempo para verificar a veracidade de tal informação à luz de seus registros contábeis e fiscais, para, se fosse o caso, ter exigido a diferença. Quanto às demais alegações do Recorrente, preliminares e meritórias, deixo de apreciálas com base no art.28 do Decreto nº 70.235/72: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11543.001655/200335 Acórdão n.º 110300.762 S1C1T3 Fl. 425 16 Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer a homologação tácita das compensações declaradas. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 12259.000610/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/01/2006
DECADÊNCIA. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. No caso deve ser aplicado o artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional em razão do pagamento antecipado do tributo ora lançado.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento.
O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS. Na ausência de provas que demonstram que a prestação de serviços não se amolda aos requisitos da cessão de mão obra previstos no §3º do art. 31 da Lei 8.212/91, a presunção relativa fica mantida.
EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. CESSÃO DE MÃO-DE- OBRA OU EMPREITADA. RETENÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO DO CARF. REPRODUÇÃO DO QUE FOI DECIDIDO NO RESP 1112467.
Por conta da aplicação do art. 62-A do Regimento do CARF, as empresas contratantes de serviços prestados por optantes pelo SIMPLES estão dispensadas da retenção de 11%, conforme já decidido no Resp 1112467, o qual foi submetido à sistemática do art. 543-C do CPC.
PRODUÇÃO DE PROVAS POR MEIO DA JUNTADA DE DOCUMENTOS. REQUISITOS. Provar por meio de documentos não se encerra na apresentação destes, mas exige que estes sejam apresentados juntamente com uma argumentação que estabeleça uma relação de implicação entre os documentos e o fato que se pretende provar. A simples juntada de documentos não resulta no reconhecimento do fato que se pretende provar.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. MULTA MORA.
Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 2301-002.794
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 08/2001, anteriores a 09/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relador(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em excluir do lançamento as contribuições referentes a empresas que integram o sistema SIMPLES de tributação, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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PREV RETENÇÃO SIMPLES Recorrente SOBREMETAL RECUPERAÇÃO DE METAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/01/2006 DECADÊNCIA. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. No caso deve ser aplicado o artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional em razão do pagamento antecipado do tributo ora lançado. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento. O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS. Na ausência de provas que demonstram que a prestação de serviços não se amolda aos requisitos da cessão de mão obra previstos no §3º do art. 31 da Lei 8.212/91, a presunção relativa fica mantida. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. CESSÃO DE MÃODE OBRA OU EMPREITADA. RETENÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO DO CARF. REPRODUÇÃO DO QUE FOI DECIDIDO NO RESP 1112467. Por conta da aplicação do art. 62A do Regimento do CARF, as empresas contratantes de serviços prestados por optantes pelo SIMPLES estão dispensadas da retenção de 11%, conforme já decidido no Resp 1112467, o qual foi submetido à sistemática do art. 543C do CPC. PRODUÇÃO DE PROVAS POR MEIO DA JUNTADA DE DOCUMENTOS. REQUISITOS. Provar por meio de documentos não se encerra na apresentação destes, mas exige que estes sejam apresentados juntamente com uma argumentação que estabeleça uma relação de implicação entre os documentos e o fato que se pretende provar. A simples juntada de documentos não resulta no reconhecimento do fato que se pretende provar. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. MULTA MORA. Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 08/2001, anteriores a 09/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relador(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em excluir do lançamento as contribuições referentes a empresas que integram o sistema SIMPLES de tributação, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 806 3 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Redator designado Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de lançamento, lavrado em 28/08/2006, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 94/106, deixado de reter e recolher a contribuição de 11% sobre as notas fiscais de prestadores de serviço com cessão de mão de obra , nas competências 07/2000 a 01/2006 , tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 20.778,52. A fiscalização apurou que foram contratadas empresas que cederam mão de obra para administração de pessoal, vigilância, recursos humanos em relação às quais não houve a retenção e o recolhimento dos 11% devidos sobre o valor das notas fiscais. Após tomar ciência postal da autuação em 11/09/2006, fls. 183, a recorrente apresentou impugnação, fls. 186/213, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Na DecisãoNotificação de fls. 767/780, a DRP/Rio de JaneiroCentro concluiu pela procedência em parte do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 08/05/2007, fls. 781. Foram excluídos do lançamento os levantamentos M01. O recurso voluntário, apresentado em 01/06/2007, fls. 783/792, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Não pode ser cobrada a retenção sobre notas fiscais de prestadoras optantes pelo SIMPLES, conforme vem decidindo o STJ. Havia contratos com segregação entre material e mão de obra. Tais valores devem ser excluídos da base de cálculo, conforme previsto na IN 03/2005. É o relatório. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 807 5 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 808 7 no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 809 9 outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 810 11 que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Observamos a inexistência de pagamentos relativos aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 11/09/2006, o fisco tinha poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 811 13 11/2000. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Como esclarecido acima, a regra do dies a quo depende da existência de pagamentos naqueles períodos nos quais a aplicação da regra geral do art. 173, inciso I não aponta a caducidade, mas esta estaria caracterizada pela aplicação da regra do art. 150. §4º. Interessanos, portanto, a existência de pagamentos em 2001. Observamos em fls. 58/60 que o RADA atesta a existência de pagamentos para o(s) levantamento(s) dos períodos de 12/2000 a 06/2001. Para tais competências deve ser aplicada a regra do art. 150, §4º do CTN até o momento no qual o fisco se pronuncia no sentido de fazer verificações e realizar a homologação expressa ou o lançamento de ofício com o início da fiscalização. Logo, tendo a fiscalização sido iniciada em 02/2006, estariam atingidos pela decadência os fatos geradores até 01/2001 para os levantamentos já apontados. Tendo a fiscalização sido encerrada em 11/09/2006, os fatos geradores que não foram homologados tacitamente até o início da fiscalização, também não foram atingidos pela caducidade do art. 173, inciso I. Para os demais períodos, não tendo havido pagamento, aplicamos a regra do art. 173, inciso I, o que resulta em afastar os fatos geradores até 11/2000. Retenção de 11% sobre notas fiscais de prestação de serviços com cessão de mão de obra. Fatos geradores após fevereiro de 1999. Considerando o aspecto temporal dos fatos geradores objetos do lançamento, devemos observar que a Lei n° 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mão de obra. Assim, a partir de 1° de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei n°8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre fisco e a empresa tomadora de serviços com cessão de mão de obra, deixando de existir a solidariedade e criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. Dessa forma, por oportuno, esclarecemos que, no presente caso, não se aplicam as conclusões do Parecer 2.376/2000, pois aquele documento administrativo foi elaborado, conforme consta do seu item 04, para ser aplicado para a “sistemática de responsabilização tributária constante do artigo 31 da Lei 8.212/91, com redação anterior ao advento da citada medida provisória[MP 1.663/98, convertida na Lei 9.718/99]”. Feita tal ressalva, retomamos a análise jurídica do assunto. Com relação à obrigação de reter e recolher a contribuição previdenciária, o §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 criou uma presunção de que a retenção, nos casos legalmente previstos, foi realizada, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 ... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Sabendo tratarse de presunção legal de retenção, restanos esclarecer se tratamos de presunção legal relativa ou absoluta. Como se sabe, uma presunção é o processo, que utiliza a lógica, no caso das presunções simples, ou a determinação legal, no caso das presunções legais, partindo do fato base, ou do indício, e resultando no fato presumido. Acrescentese que as presunções legais podem ser absolutas ou juris et de jure e relativas ou juris tantum, sendo que as absolutas são insuscetíveis de serem ilididas por prova em contrário, ao passo que as relativas podem ser ilididas por provas de que o fato ocorrido diverge do fato presumido.(TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 136). O art. 33, §5º da Lei 8.212/91 dispôs que, para a empresa obrigada à retenção, é vedado “alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto” na mesma Lei. Tendo o §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 criado uma presunção com relação a qual é vedado fazer prova em contrário, concluímos tratarse de presunção absoluta. Resulta dizer que, constatando a ocorrência de uma situação na qual a empresa estava obrigada a fazer a retenção, o fisco irá presumir que esta foi feita pelo responsável e dele irá exigir o correspondente crédito tributário, pois a lei prescreveu que o responsável por substituição fica “diretamente responsável”. No caso da retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, o §3º do art. 31 da Lei 8.212/91 criou uma regra geral para determinarmos se a prestação de serviços se deu por meio de cessão de mão de obra. Assim, “entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Tratase de, como dissemos, uma regra geral, mas, em adição, quis a mesma lei criar outra presunção, agora relativa, em relação aos serviços que se enquadram com as características de cessão de mão de obra. No §4º do art. 31 da Lei 8.212/91, portanto, temos uma lista de serviços que, por presunção legal relativa, são considerados como executados por cessão de mão de obra. Além de listar alguns serviços, a lei permitiu ao regulamento aumentar a lista de serviços que, por presunção relativa, seriam considerados executados por meio de cessão de mão de obra. Digo que há uma presunção relativa, pois a lista dos serviços submetese à regra geral do § 3º do art. 31. Significa dizer que a empresa contratante poderá demonstrar que, mesmo tendo contratado alguns dos serviços listados pela Lei ou pelo regulamento, a execução dos serviços não se deu de uma forma que caracterize a cessão de mão de obra, nos moldes do §3º do art. 31. Em suma, diante da existência de tal presunção relativa, cabe ao fisco demonstrar que houve a contratação de serviços relacionados na lei ou no regulamento para concluir que foi realizado por meio de cessão de obra, ao passo que, ao contratante, caberá o ônus de demonstrar que a prestação de serviços não se deu com características de cessão de mão de obra. Para compreendermos o que seria uma cessão de mão de obra, devemos lembrar que uma das principais características que distinguem a cessão de mão de obra da empreitada é a existência de um resultado pretendido para a empreitada, ao passo que na cessão de mão de obra a contratada não se compromete com Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 812 15 um resultado, apenas coloca trabalhadores à disposição da contratante. Concordamos com o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior quando este interpretou, no voto do Acórdão 2301 00.444, o significado de “estar à disposição” como equivalente estar submetido ao poder de comando do contratante, sem, no entanto, ressalvamos, caracterizar uma subordinação jurídica. Logo, a realização de um serviço determinado, especificado em contrato ou na nota fiscal apresentado pela recorrente, não caracteriza a cessão de mão de obra, uma vez que o trabalhador não ficou sob o poder de comando do contratante. A continuidade do serviço é outra característica exigida pela lei para caracterizar a cessão de mão de obra. Mas é a continuidade do serviço, não do prestador ou do trabalhador. Se mensalmente é trocado o prestador, mas o serviço mostrase contínuo no tempo do ponto de vista da contratante, então, temos a continuidade exigida pela lei. Dessa maneira, nos casos que se enquadram no art. 31 da Lei 8.212/91, temos um encadeamento de duas presunções. A primeira, relativa, que trata da caracterização dos serviços que se consideram realizados com cessão de mão de obra. O fato base de tal presunção é a constatação de contratação de serviço relacionado pela lei ou pelo regulamento, sendo o fato presumido a realização do referido serviço com cessão de mão de obra. Cabe ao contratante, nesse caso, demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 8.212/91 para afastar o fato presumido. A segunda presunção, esta absoluta, é a presunção de que, caracterizada a contratação de serviço por meio de cessão de mão obra, considerase efetivada a retenção de 11% e, portanto, deve ser feito o recolhimento. O fato base de tal presunção absoluta é a contratação de serviços por meio de cessão de mão de obra, sendo o fato presumido a retenção de 11%. A par disso, cabe à autoridade fiscal demonstrar que o fiscalizado contratou serviços entre aqueles constantes do art. 219 do Decreto 3.048/99, para que fique caracterizado a existência de contratação de serviços com cessão de mão de obra e, conseqüentemente, surja a obrigação de recolher ao fisco o valor presumidamente retido do contratado. Ao fiscalizado cabe demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 8.212/91 para afastar o fato presumido. Passemos às considerações sobre o caso dos autos. A autoridade fiscal demonstrou que houve a contratação de empresas com cessão de mão de obra, notadamente para os serviços de vigilância, recursos humanos e administração de pessoal, ao passo que a recorrente não conseguiu demonstrar que a prestação de serviços não preencheu os requisitos legais para ser considerada uma cessão de m,ao de obra. Assim, conforme anteriormente explanado, a recorrente não conseguiu afastar a presunção legal simples de que os serviços foram contratados com cessão de mão de obra, o que resulta na conclusão de que o procedimento da fiscalização obedeceu os ditames da legislação. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 Prestadoras optantes pelo SIMPLES. Com relação aos argumentos atinentes à retenção nas faturas das prestadoras de serviço optantes pelo SIMPLES, temos uma situação que enseja a aplicação do art. 62A do Regimento do CARF, vigente a partir de 22/12/2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. A par disso, temos que reproduzir no presente julgamento o que o STJ já decidiu no Resp 1112467/DF que estava Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Reproduzimos a seguir a ementa do julgado: REsp 1112467 / DF – publicado em 21/08/2009 e transitado em julgado em 28/09/2009. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (ERESP 511.001/MG). 1. A Lei 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Por este regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa optante dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União (art. 3º, § 4º). 2. O sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, que constitui "nova sistemática de recolhimento" daquela mesma contribuição destinada à Seguridade Social. A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo art. 31 da Lei 8.212/91 e no percentual de 11%, implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 813 17 3. Aplicase, na espécie, o princípio da especialidade, visto que há incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que elegeu as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas (Lei 9.317/96). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Assim, devem ser excluídos do lançamento todos os levantamentos que se referirem às empresas optantes pelo SIMPLES á época dos fatos geradores. Negativa genérica. Ônus da prova. A recorrente alega ter existido o fornecimento de materiais e equipamentos especificados em contratos e notas fiscais, sem apresentar prova de suas alegações. Porém, o ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária, afastando desse modo, a infração e sua conseqüente penalidade conforme art. 16, II, do Decreto n. 70.235/72, c/c o art. 333, II do CPC. Nesse sentido, é apropriada a conclusão de Fabiana Del Padre Tomé(A prova no Direito Tributário, 2008, p. 234): “Em processo tributário,(...) se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas”. E não basta apenas juntar um documento ou um conjunto de documento, ainda que volumoso. È preciso estabelecer uma relação entre os documentos e o fato que se pretende provar. Mais uma vez nos valemos das lições de Fabiana Del Padre Tomé(A prova no Direito Tributário, 2008, p. 179): “Isso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. È preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.” Assim, provar por meio de documentos não se encerra na apresentação destes, mas exige que estes sejam apresentados juntamente com uma argumentação que estabeleça uma relação de implicação entre os documentos e o fato que se pretende provar. A Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 simples juntada de documentos não produz prova, ou seja, não resulta no reconhecimento do fato que se pretende provar. Sem que a recorrente tenha se desincumbido do ônus de provar os fatos modificativos ou extintivos que alega, não há como acatar seus argumentos. A recorrente não aponta quais empresas foram contratadas com fornecimento de material ou mesmo em quais notas fiscais tais materiais foram discriminados, limitandose a alegações genéricas. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 814 19 Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 815 21 Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 22 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a: (i) excluir os fatos geradores até 01/2001 por conta da decadência; (ii) excluir do lançamento os levantamentos referentes a prestadoras optantes pelo SIMPLES; (iii) excluir a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 816 23 Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério Redator designado: Conforme decidido pela 1ª Turma, a divergência a ser aqui versada diz respeito à decadência e aplicação da multa. Cabe salientar que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 24 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 817 25 Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 26 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos, como demonstrado pelo Conselheiro Relator há prova de pagamento antecipado do tributo. Assim, a meu ver, não há dúvidas, pois, de que houve pagamento antecipado e, portanto, deve incidir o prazo quinquenal do artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre 07/2000 a 01/2006 e que a ora recorrente foi intimada da NFLD em 11/09/2006, verificase que está decaído o período de julho de 2000 a agosto de 2001. Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.000610/200826 Acórdão n.º 2301002.794 S2C3T1 Fl. 818 27 Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, CONHEÇO o recurso voluntário para, NO MÉRITO, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO a fim de aplicar a decadência nos termos do artigo 150, § 4º do CTN e, se mais benéfica ao contribuinte, aplicar a multa prevista no artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10675.907380/2009-72
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 0936843/11 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 60 a 63, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 07 38 0/ 20 09 -7 2 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907380/200972 Resolução nº 1801000.185 S1TE01 Fl. 3 2 “O interessado transmitiu a Dcomp no 25737.85454.241008.1.3.040840, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior ao IRPJ, efetuado em 26/09/2008; A DRFVarginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 01/02), na qual alega, em síntese, que conforme DCTF retificadora o pagamento foi indevido [...]Pela redação acima, temos que a compensação é ação unilateral do sujeito passivo, isto é, cabe a ele apurar o crédito que ha de ser liquido e certo para dar suporte à extinção do débito. A apuração de tributos é realizada na contabilidade do contribuinte, sendo seu valor informado à Administração Tributária por meio de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), declaração que constitui confissão de divida nos termos do artigo 5°, § 1º, do Decretolei n° 2.124/84, que dispõe que "o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito". O sistema não impede que o sujeito passivo retifique sua apuração e declaração via DCTF, no entanto, é pressuposto da mecânica da compensação que haja uma relação lógica e cronológica entre a DCTF (original ou retificadora) e a Declaração de Compensação (Dcomp). Se após a declaração em DCTF e a extinção do débito, normalmente efetuada por meio de pagamento via DARF, o contribuinte efetuar uma nova apuração contábil e por ela constatar que o pagamento efetuado foi indevido ou a maior, ele deve apresentar uma DCTF retificadora com os novos valores do débito apurado. Só assim seu crédito poderá ser considerado liquido e certo. [...]A empresa transmitiu a Dcomp n° 25737.85454.241008.1.3.040840, declarando como crédito pagamento que teria sido efetuado a maior em 26/09/2008, relativo ao IRPJ do período de apuração 08/2008. Porém, na DCTF referente ao 3o trimestre de 2008 (também na DIPJ respectiva) que deu suporte fático à Dcomp em questão, não existe o crédito pleiteado, tendo em vista que o débito declarado é igual ao valor pago, e por isso, o pagamento efetuado foi corretamente alocado a esse débito, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação na data da transmissão da Dcomp ora analisada. Além disso, a manifestação de inconformidade não traz demonstração, comprovada por documentação hábil, da apuração do crédito declarado na Dcomp, para que se possa certificar a sua correção. Nela também não consta elementos que comprovem que esse novo valor fora apurado e declarado à RFB em data anterior à transmissão da Dcomp sob julgamento, contrariando assim, o inciso III do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, que estabelece que "a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir " O crédito objeto da Per/Dcomp é o recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa de IRPJ, relativa ao mês de agosto/08. A empresa interpôs tempestivamente (AR – 19/01/12; Recurso – 08/02/12) o Recurso de fls., reiterando os termos da defesa exordial, e: a) o acórdão recorrido fundamentouse na ausência de documentação hábil da apuração do crédito declarado na Per/Dcomp; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907380/200972 Resolução nº 1801000.185 S1TE01 Fl. 4 3 b) a recorrente, no entanto, juntou à manifestação de inconformidade cópia da DIPJ/09, onde resta comprovado que não há tributo a recolher no mês de agosto/08, tratandose de um indébito tributário; este documento foi ignorado; c) apesar de entender que basta anexar aos autos a cópia da DIPJ/09, instrui o presente recurso com o balancete de suspensão registrado no Diário relativo ao mês de agosto e cópias de folhas do Lalur; d) argumenta que o acórdão incorreu em erro ao afirmar que a DCTF retificadora foi entregue pela recorrente após a emissão do Despacho Decisório; a retificadora foi entregue em 23/07/09 enquanto o Despacho data de 07/10/09; e) discorda do entendimento esposado no acórdão recorrido que a retificação da DCTF tem que ser simultânea ou anterior à entrega da Per/Dcomp. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia restituição da estimativa de IRPJ relativa ao mês de agosto/2008, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que a DCTF foi preenchida com erro e apresenta cópias do balancete de suspensão do mês e do Lalur. A turma julgadora de primeira instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de que a declaração retificadora DCTF foi entregue após transmissão da Per/Dcomp, não surtindo qualquer efeito portanto. E, ainda, que a recorrente deveria apresentar a escrituração contábil e documentos respectivos juntamente á manifestação de inconformidade para comprovar o alegado erro. Divirjo do acórdão recorrido. Se houver efetivamente erro no cálculo da estimativa de IRPJ, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, ou retificado a confissão após a entrega da Per/Dcomp, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. No presente caso, os documentos trazidos pela recorrente junto à manifestação de inconformidade espelham a entrega da DCTF retificadora e da DIPJ/09 antes da ciência pela recorrente do Despacho Decisório. A DCTFret foi entregue em 23/07/09 (fls. 33), a DIPJ/09 em 12/10/09 e a ciência do Despacho Denegatório ocorreu em 20/10/09 (fls. 09). Daí que parte do raciocínio tecido no acórdão combatido está equivocado. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Fl. 189DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907380/200972 Resolução nº 1801000.185 S1TE01 Fl. 5 4 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos. Observo que em nenhum momento a autoridade revisora da Per/Dcomp intimou a recorrente à retificar as declarações para que correspondessem à Per/Dcomp (DIPJ e DCTF), ou a apresentar a contabilidade para análise do direito creditório. Tampouco o fez a turma de julgamento de primeira instância. O procedimento acertado da Administração Tributária é, antes de emitir o Despacho Eletrônico intimar o contribuinte a apresentar a contabilidade completa e, após a emissão do Despacho, conceder prazo para o contribuinte proceder a eventuais retificações de declarações, consoante escriturado. Entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, o balancete de suspensão, memória de cálculo demonstrando a apuração do tributo e o Lalur, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época (fichas do Razão analítico, balancetes de suspensão dos meses anteriores registrados no Diário e verificação de possíveis alterações no Lalur no período em comento). Fl. 190DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907380/200972 Resolução nº 1801000.185 S1TE01 Fl. 6 5 Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que a autoridade fiscal verifique: a) o valor da base de cálculo da estimativa de IRPJ referente a agosto/2008 junto à contabilidade completa da recorrente escriturada à época dos fatos, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando, em cópia, os registros contábeis pertinentes, a fim de re ratificar os cálculos da recorrente; b) os valores efetivamente recolhidos de estimativas no ano de 2001, destacando se a estimativa objeto deste litígio compôs eventual saldo negativo e/ou se foi objeto de outra Per/Dcomp já processada. A recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência proposta para, desejando, manifestarse em prazo regulamentar. Após, retornem os autos a esta Conselheira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 191DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16327.001566/2004-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08
Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante nº 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.
IMPOSSIBILIDADE.
1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o
crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro
dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia
ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento
antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o
mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito
Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o
Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e,
consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco
regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,
"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max
Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).
3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo
sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege
de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não
restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos
imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro
de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001.
6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial
qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício
substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
CPMF. ALÍQUOTA ZERO. APLICAÇÃO. SOCIEDADES CORRETORAS. ASSUNÇÃO DE DÍVIDAS. A aplicação da alíquota zero prevista no artigo 8 °, inciso III, da Lei n° 9.311/1996 restringe-se às atividades e operações relacionadas em ato do Ministro da Fazenda, dentre as
que constituam objeto social da instituição contribuinte.
Numero da decisão: 9303-002.002
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial quanto à decadência e, no mérito, por maioria de votos, em lhe dar provimento. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Antônio Lisboa Cardoso, que que davam provimento parcial apenas para afastar a decadência.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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ementa_s : PIS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante nº 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. CPMF. ALÍQUOTA ZERO. APLICAÇÃO. SOCIEDADES CORRETORAS. ASSUNÇÃO DE DÍVIDAS. A aplicação da alíquota zero prevista no artigo 8 °, inciso III, da Lei n° 9.311/1996 restringe-se às atividades e operações relacionadas em ato do Ministro da Fazenda, dentre as que constituam objeto social da instituição contribuinte.
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DÉBITO EM CONTA CORRENTE DECORRENTE DE OPERAÇÃO DE ASSUNÇÃO DE DÍVIDA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ING CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS S/A PIS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante nº 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 845DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 16327.001566/200448 Acórdão n.º 9303002.002 CSRFT3 Fl. 2 3 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. CPMF. ALÍQUOTA ZERO. APLICAÇÃO. SOCIEDADES CORRETORAS. ASSUNÇÃO DE DÍVIDAS. A aplicação da alíquota zero prevista no artigo 8 °, inciso III, da Lei n° 9.311/1996 restringese às atividades e operações relacionadas em ato do Ministro da Fazenda, dentre as que constituam objeto social da instituição contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial quanto à decadência e, no mérito, por maioria de votos, em lhe dar provimento. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Antônio Lisboa Cardoso, que que davam provimento parcial apenas para afastar a decadência. LUÍS EDUARDO OLIVEIRA DOS SANTOS Presidente da Segunda Seção em substituição ao Presidente do CARF, ausente justificadamente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 24/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto) Relatório Insurgese a Procuradoria da Fazenda Nacional contra o acórdão nº 201 81.323, da Primeira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que deu integral provimento ao recurso voluntário para: 1) reconhecer a decadência do direito do fisco à constituição do crédito tributário relativo aos períodos de apuração ocorridos anteriormente a 11 de novembro de 1999, com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, visto ter sido ele cientificado à autuada apenas em 10 de novembro de 2004; Fl. 847DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 2) afastar a exigência no tocante aos demais períodos por entender que a alíquota aplicável às operações praticadas pela corretora era zero. Para explicar ditas operações, reproduzo excerto do detalhado relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas por ocasião do julgamento ali realizado: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira — CPMF, formalizada no auto de infração de fls. 05/42. O feito, relativo a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1999 e dezembro de 2000, constituiu crédito tributário no montante de R$ 4.796.335,06, incluídos principal, multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora. 2. No Termo de Verificação de fls. 43/45 a autoridade autuante assim contextualiza os motivos do lançamento: 1) Descrição da Operação: Em operação de financiamento a importação, importadores brasileiros, por "Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Internacionais com Anuência do Credor e Outras Avenças", transferiam a responsabilidade pelo pagamento das quantias correspondentes ao principal, juros e demais encargos devidos ao banco no exterior à ING Corretora de Câmbio e Títulos SA mediante o pagamento da dívida com deságio, sobre o qual incidia o IRRF. Conforme estipulação contratual, a corretora assumia o ônus dos impostos, taxas, contribuições, e quaisquer outras espécies tributárias, ainda que de caráter transitório que viessem a incidir direta ou indiretamente sobre a operação, assim como suportava a eventual majoração dos encargos tributários, decorrentes de majoração de alíquotas, alteração da base de cálculo ou do prazo de recolhimento. No momento da liquidação da operação, a corretora transferia ao ING BANK BRASIL, via conta corrente de alíquota zero, recursos equivalentes ao principal, juros, imposto de renda na remessa de juros ao exterior, imposto de renda sobre comissões locais e CPMF. (...) 3) Da Infração: Intimado no Termo de Intimação n° 06, de 26 de fevereiro de 2004 a informar se as operações de assunção de dívidas estariam previstas em seu Estatuto Social, o contribuinte alegou que tais operações se enquadrariam no item (q) do artigo 2° do referido estatuto. Conforme item (q) do artigo 2° de seu Estatuto Social temos a possibilidade de "exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários e/ou pelo Banco Central do Brasil". Fl. 848DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 16327.001566/200448 Acórdão n.º 9303002.002 CSRFT3 Fl. 3 5 Em 02 de junho de 2004 foi lavrado o Termo de Intimação n° 11, solicitando a apresentação do documento do BACEN, que "expressamente autoriza" a realização da operação de assunção de dívidas, o qual não foi apresentado até a presente data. Assim, como a realização da operação de assunção de dívidas não consta do objeto social da corretora, conforme exige o disposto no parágrafo 3° do artigo 8° da Lei n°9.311/96; e as isenções, nos termos do inciso II do artigo 111 do CTN, devem ser interpretadas literalmente, procedi ao lançamento da CPMF relativa às movimentações financeiras vinculadas a tais operações A decisão recorrida afastou a tributação, que fora integralmente mantida pela DRJ, com os seguintes argumentos de mérito: No mérito, discutese a respeito da possibilidade de a recorrente realizar operações referentes a Contrato de Assunção de Obrigações Internacionais, seja por ausência de autorização do Bacen para que sociedades corretoras o façam, seja por ausência de autorização nos atos constitutivos da empresa. No que tange à autorização do Bacen, é fato que a autoridade estabelece um plano de contas para as entidades financeiras e equiparadas, fiscalizadas e reguladas pelo órgão. Referido plano de contas Cosif é de observância obrigatória pelas seguintes instituições: (...) Da análise do Manual das Normas do Sistema Financeiro, e mais especificamente do art. 1 da Circular n 2.498/94 e da Carta Circular nº 3169/2005, ambas do Bacen, é possível constatar que as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários e câmbio caso da recorrente estavam, à época da realização das operações sob análise, obrigadas a manter em sua contabilidade contas específicas para contabilização de valores relativos a contratos de assunção de dívidas, ainda que internacionais: "CIRCULAR 2.498 Cria títulos e subtítulos no COSIF para registro de contratos de assunção de obrigações e os inclui na base de cálculo do recolhimento compulsório/encaixe obrigatório. Art. 1" Criar, no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COS1F, os seguintes títulos e subtítulos contábeis com os atributos UBD1FACTSELMNZ: 4.9.9.12.001 CONTRATOS DE ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÕES 4.9.9.12.104 Vinculados a Operações Realizadas no Pais Fl. 849DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 6 4.9.9.12.207 Vinculados. a Operações Realizadas com o Exterior 8.1.1.55,008 DESPESAS DE CONTRATOS DE ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÕES Parágrafo 1º No título CONTRATOS DE ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÕES deve ser registrado o valor dos contratos de assunção de obrigações, de dívidas ou de operações de financiamento, sejam os mesmos decorrentes de operações efetuadas no mercado interno ou no mercado externo, devendo o saldo desta conta ser aglutinado em 15.20.2 do documento nº 8 (código ESTBAN 500 e código de publicação 503). CARTACIRCULAR 3.169 Exclui atributos de título e subtítulos do Cosif Com base no item 4 da Circular 1.540, de 6 de outubro de 1989, ficam excluídos os atributos C e T do titulo contábil CONTRATOS DE ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÕES, código 4.9.9.12.001, bem como dos subtítulos Vinculados a Operações Realizadas no País, código 4.9.9.12.104, e Vinculados a Operações Realizadas com o Exterior, código 4.9.9.12.207, do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional Cosif 2. Esta cartacircular entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 23 de fevereiro de 2005." Em suma, a partir da constatação de que havia previsão no plano contábil, elaborado pelo Banco Central e de observância obrigatória pelas instituições financeiras, para o registro pelas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários de operações de assunção de dívida, ainda que com o exterior, afastou a Câmara recorrida um dos motivos pelos quais a DRJ havia mantido o lançamento, ou seja, a exigência de autorização expressa por aquele órgão de controle. O outro requisito, que fora a necessidade de que a operação também constasse do contrato social da autuada, afastouo a Câmara recorrida sob o argumento de que: No tocante à existência de previsão em seu contrato social para que a recorrente pudesse firmar os contratos sob análise, entendo despropositada a tese da DRJ de que seria necessária uma previsão específica e expressa para este tipo de contrato. Ora, se cada sociedade tivesse de enumerar em seu objeto social exaustivamente todas as operações que pretendesse realizar no decorrer de suas atividades, das duas uma: ou teríamos objetos sociais vastíssimos, ou as empresas estariam de tal forma limitadas na realização de suas atividades que as probabilidades de manutenção de suas atividades seriam remotas. Neste sentido, há de se reconhecer que é prática corrente a inclusão de dispositivo nos atos societários das empresas que autorize a prática de "outras" atividades correlatas e necessárias ao desenvolvimento de seu objeto social. Foi isso que fez a recorrente na alínea "q" do artigo 2º de seu estatuto. Incluiu então a possibilidade de exercer outras atividades Fl. 850DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 16327.001566/200448 Acórdão n.º 9303002.002 CSRFT3 Fl. 4 7 autorizadas pela CVM e/ou pelo Bacen, que são as entidades que fiscalizam e regulamentam suas atividades. A amplitude da disposição de toda forma encontrase limitada às atividades que Bacen e CVM a autorizem a realizar, o que, por sua vez, coadunase com a idéia de que sociedades corretoras, por sua natureza, possuem forte regulamentação e fiscalização por parte dos referidos órgãos. E, no presente caso, considerando o anteriormente exposto, no sentido de que a assunção de dívidas (mesmo internacionais) por sociedades corretoras era atividade devidamente regulamentada e autorizada pelo Bacen, é de se reconhecer o direito da recorrente à isenção em análise. O recurso da Fazenda foi interposto por dois fundamentos diversos. No tocante à decadência, está ele lastreado em divergência jurisprudencial, devidamente comprovada, que entendeu aplicável a norma do § 4º do art. 150 apenas nos casos em que há o recolhimento do tributo, o que não teria ocorrido no caso. Já no que concerne à aplicação da alíquota zero, ele se embasa na contrariedade aos arts. 2º e 8º da Lei 9.311, visto que a decisão quanto a isso não foi unânime. Como razões para sua reforma, reapresenta o acórdão da DRJ. Em longas contrarazões, a autuada pugna, inicialmente, pela sua não aceitação quanto à decadência, pois defende que a decisão recorrida teria afirmado existirem recolhimentos, pelo que não teria sido comprovada a divergência. Não demonstra a recorrida em que parte do acórdão está tal afirmação. Afirma, ainda, ser posição pacificada nesta CSRF a aplicabilidade exclusiva do § 4º do art. 150, transcrevendo jurisprudência que o aplicou sem questionar a existência ou não de recolhimentos. No tocante ao outro aspecto, sem contestar a admissibilidade do recurso, requer sua manutenção basicamente pelas razões que o embasaram, isto é, a desnecessidade de que no contrato social estejam previstas exaustivamente todas as atividades a exercer, bem como a existência de autorização por parte do Banco Central. É o Relatório. Voto Como de praxe, retomo a análise da admissibilidade contestada pela recorrida. Afirma ela, sem fazer prova, que a decisão atacada teria atestado a existência de recolhimentos. Não há, porém, tal assertiva no voto que a conduziu. Com efeito, após estenderse na análise da natureza jurídica da CPMF, para concluir tratarse de espécie tributária à qual se aplicam as normas do CTN, passa a n. relatora a refutar, com base em Fl. 851DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 8 decisões do STF, a aplicabilidade do art. 45 da Lei 8.212. Conclui, assim, ser aplicável o § 4º do art. 150 por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Entendo, portanto, que a posição prevalecente foi de fato a de que a todo tributo sujeito às disposições do art. 150 somente se aplica a contagem de prazo decadencial prevista em seu § 4º, independentemente de haver, ou não, recolhimentos. E que não eles não ocorreram mesmo, diznos o Termo de Verificação Fiscal de fls. 43 a 45: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal e nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 0816600200300596 1, verifiquei a falta de recolhimento da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de natureza Financeira (CPMF), relativa ao anocalendário de 1999 e 2000, por utilização indevida da conta corrente de alíquota zero, em movimentações financeiras quando da liquidação de operações de assunção de dividas. Essa afirmação da autoridade fiscal não foi contraditada pela autuada nem em sua impugnação ao lançamento, na qual já postulara a decadência, nem no recurso voluntário, que a acolheu. Embora se possa admitir que, até então, a necessidade de recolhimento não fora argüida, o que a dispensaria de contestação, esse é o único argumento do recurso especial quanto à decadência, e nem mesmo aí trouxe a autuada a prova de que tenha praticado qualquer recolhimento. Quanto ao outro tópico, cuja admissibilidade sequer foi contestada em contra razões, também entendo cumpridos os requisitos dado que o recurso apontou com clareza as disposições legais que considerou contrariados e motivou sua interpretação. Conheço, por isso, do recurso e passo ao seu exame. No tocante à prejudicial, e adotandose a premissa de que não houve mesmo recolhimentos, entendo ser hoje matéria resolvida. Isso porque, o e. Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, decidiu que o prazo em discussão depende, como bem apontado no acórdão paradigma, da existência de recolhimento. E isso torna a sua reprodução neste julgado obrigatória por força do que dispõe o art. 62A recentemente introduzido no Regimento Interno desta Casa. Com efeito, o acórdão prolatado no julgamento do Recurso Especial nº 973.733, em que se discutia a possibilidade de aplicação cumulativa dos artigos 150 e 173 do CTN, restou assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 852DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 16327.001566/200448 Acórdão n.º 9303002.002 CSRFT3 Fl. 5 9 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 853DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 10 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O voto condutor do acórdão, da lavra do exmo. Ministro Luiz Fux, assim se pronuncia (os destaques são meus): “A insurgência especial cingese à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994. Deveras, a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis : "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados : I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Esta passagem do voto elucida também, a meu sentir, o alcance da expressão “inexistindo declaração prévia do débito” constante da ementa e que tem gerado alguma controvérsia em julgados recentes desta Câmara Superior. Com efeito, pretendese que a existência de DCTF ou DIPJ bastaria a afastar a aplicação do art. 173. Não me parece que seja assim. De fato, a expressão apenas é usada para efeito de definição do dies a quo do prazo definido pelo art. 173, depois, portanto, que já se tenha afastado o 150 pela ausência de pagamento. Concluise, por isso, que o exmo. Ministro estava a se referir à hipótese versada no Fl. 854DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 16327.001566/200448 Acórdão n.º 9303002.002 CSRFT3 Fl. 6 11 parágrafo único do art. 173, que antecipa o início da contagem do prazo, ainda que seja forçoso reconhecer a impropriedade do vocábulo “declaração” nesse sentido. Ainda assim, não vejo como se possa ler a passagem acima de forma diferente. Por outro lado, para a definição que se busca, isto é, se é aplicável o art. 150 ou o 173, tudo o que é requerido é a verificação quanto à existência de pagamento. Não tendo havido recolhimento é de aplicarse a regra do art. 173, o que faz com que nenhum dos períodos lançados esteja alcançado pela decadência. Passando então ao mérito, constato não haver argumentos novos a examinar. Isso porque o apelo fazendário está inteiramente calcado na decisão de primeiro grau, enquanto as contrarazões repetem as conclusões da decisão recorrida. Assim, limitome a confrontar as análises empreendidas e inclinome pela que foi encetada pela DRJ cujas muito bem lançadas considerações peço vênia para transcrever parcialmente. (...) Como sobressai da leitura do Termo de Verificação de fls. 43/46, o lançamento repousa sobre fato diverso e posterior à assunção de obrigações pela fiscalizada. Mais precisamente, a obrigação tributária relativa à CPMF surgiu dos lançamentos a débito efetuados por instituição financeira na conta corrente da contribuinte. Ainda conforme o relato fiscal tais débitos em conta corrente tinham por fim a transferência de recursos ao ING BANK BRASIL para pagamento dos credores internacionais das dívidas assumidas pela ING Corretora de Câmbio e Títulos SA. (...) 27. Observase aqui que o legislador da Lei no 9.311, de 1996, na redação do §3° do art 8°, condicionou a aplicação da alíquota zero no cálculo da CPMF às operações que cumpram simultaneamente duas condições: estejam arroladas no objeto social das entidades referidas nos inciso III e IV e também estejam incluídas na lista de operações e atividades relacionadas em ato específico editado pelo Ministro da Fazenda. 28. Cabe, desse modo, investigar se as operações para as quais a interessada reivindica a aplicação da alíquota zero atendiam essa dupla condição. Analisese, em primeiro lugar, se a operação de assunção de dívida praticada pela impugnante integrava a relação definida no ato do Ministro da Fazenda mencionado no §3°, art. 8° da Lei n° 9.311, de 1996. 29. O ato do Ministro de Estado da Fazenda a que alude o §3° é a Portaria MF no 134, de 1999. O seu art. 3° contém a lista das operações e atividades que, praticadas pelas instituições financeiras referidas nos incisos III e IV do art. 8° da Lei n° 9.311, de 1996, fazem jus à aplicação da alíquota zero. Confira se: Fl. 855DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 12 Portaria n° 134, de 1999: Art. 3º O disposto nos incisos III e IV do art. 8° da Lei n° 9.311, de 1996, se aplica, exclusivamente, aos lançamentos referentes às seguintes operações e atividades: I captação de recursos, inclusive no mercado interfinanceiro e do exterior, com ou sem emissão de títulos; II empréstimo e financiamento, inclusive desconto, e adiantamentos sobre contratos de câmbio de exportação; III transferência de recursos interbancários; IV cessão e aquisição de direitos creditórios; V repasse de recursos de instituições oficiais e repasses interfinanceiros VI repasse de empréstimos obtidos no exterior; VII prestação de serviços de arrecadação de tributos, serviços de pagamentos e recebimentos diversos e outros serviços típicos de instituições financeiras; VIII atividades relacionadas com o Serviço de Compensação de Cheques e outros Papéis; IX subscrição, compra e venda de títulos e valores mobiliários para revenda ou investimento de caráter não permanente, observado que, no caso de operações tendo por objeto ações ou contratos a elas referenciados, o disposto neste artigo restringe se ao mercado primário e ao mercado secundário de bolsa de valores ou de entidade a ela assemelhada; X intermediação e distribuição de títulos e valores mobiliários; XI compra e venda de certificados, títulos e valores mobiliários por conta de terceiros; XII custódia de títulos e valores mobiliários; XIII recebimentos e pagamentos de resgates, juros e outros proventos de títulos de crédito e aplicações financeiras; XIV recebimentos e pagamentos de resgates, juros e outros proventos de valores mobiliários de emissão de terceiros; XV operações de câmbio; XVI operações de conta margem e de empréstimo de ações; XVII realização de operações compromissadas; XVIII compra, venda e mútuo de ouro ativo financeiro; XIX aplicações em depósitos interfinanceiros; XX operações, por conta de terceiros e por conta própria, realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros, em entidades a elas assemelhadas, e no mercado de balcão; Fl. 856DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 16327.001566/200448 Acórdão n.º 9303002.002 CSRFT3 Fl. 7 13 XXI operações das sociedades e fundos de investimento mantidos por investidores residentes ou não no País; XXII operações das carteiras de títulos e valores mobiliários mantidas por investidores não residentes no País; XXIII prestação de serviços de loteria federal, estadual, esportiva e de números, pelas caixas econômicas; XXIV prestação de serviços com correspondentes no exterior e no País; XXV prestação de fiança, aval e outras garantias; XXVI operações de arrendamento mercantil, na qualidade de arrendador; XXVII cobrança de títulos; XXVIII prestação de serviços de liquidação, compensação e custódia vinculados às bolsas de valores, de mercadorias e de futuros; XXIX contribuições ao Fundo Garantidor de Crédito e operações de sua carteira; XXX — operações dos fundos instituídos pela Lei n° 9.477, de 24 de julho de 1997. § 1º A hipótese prevista no inciso VII não abrange os lançamentos efetuados pela instituição para pagamento ou recolhimento de tributos ou contribuições na qualidade de contribuinte ou responsável. § 2° O disposto no inciso XXI compreende também as operações dos clubes de investimento que atendam normas baixadas pela Comissão de Valores Mobiliários CVM para esta finalidade § 3° A alíquota zero não se aplica à movimentação dos recursos de investidores não residentes no Brasil, quando do ingresso no País ou da remessa para o exterior, os quais transitarão, obrigatoriamente, na conta corrente de depósito do titular da aplicação em instituição financeira. § 4° O disposto neste artigo somente se aplica às operações realizadas de acordo com as normas previstas na legislação pertinente Como aí demonstrado, diversamente do que se decidiu na Câmara recorrida, a exigência de autorização expressa pelo Bacen sempre que exercida alguma atividade não listada decorre de determinação específica daquele órgão, que, como sabido, é o regulador do sistema financeiro. (...) Fl. 857DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 14 32. Prevista a operação de captação de recursos, à qual se vincula a assunção de dívidas, na Portaria do Ministro da Fazenda, passase à investigação da segunda condição para que a atividade em tela esteja submetida à aplicação da alíquota zero para o cálculo da CPMF. Relembrando, o parágrafo 3° do artigo 8° da Lei n° 9.311, de 1996, além de condicionar a aplicação da alíquota zero àquelas previstas no ato do Ministro da Fazenda, estabelece que a operação também dever integrar o objeto social das entidades referidas nos seus incisos III e IV. 33. Assim, mister se faz esclarecer se a operação de "assunção de dívidas" está incluída entre as atividades e operações próprias das sociedades corretoras de títulos ou valores mobiliários, mais precisamente, se a prática de tal operação guarda correlação com o objeto social da impugnante 34. Para tanto, é oportuno recorrer, inicialmente, ao regulamento anexo à Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) no 1.770, de 28 de novembro de 1990, que disciplina a constituição, a organização e o funcionamento das sociedades corretoras de cambio. 35. O artigo 1º do citado anexo define o objeto social das referidas sociedades: Regulamento anexo à Resolução CMN n°1.770, de 1990: art. 1°. A sociedade corretora de câmbio, constituída na forma deste regulamento, tem por objeto social exclusivo a intermediação em operações de câmbio e a prática de operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes. 36. Como se vê, na condição de corretora de cambio, a impugnante não poderia praticar operação de assunção de dívida. 37. Verifiquese agora a relação das atividades concernentes às sociedades corretoras de títulos mobiliários, declinadas no art. 2° do Regulamento anexo à Resolução CMN no 1.655, de 26 de outubro de 1989, que disciplina a constituição, organização e o funcionamento das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários: Regulamento anexo à Resolução CMN n° 1.655, de 1989: Art. 2°. A sociedade corretora tem por objeto social: I operar em recinto ou em sistema mantido por bolsa de valores; II subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda; III intermediar oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; Fl. 858DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 16327.001566/200448 Acórdão n.º 9303002.002 CSRFT3 Fl. 8 15 IV comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; V encarregarse da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários; VI incumbirse da subscrição, da transferência e da autenticação de endossos, de desdobramento de cautelas, de recebimento e pagamento de resgates, juros e outros proventos de títulos e valores mobiliários; VII exercer funções de agente fiduciário; VIII instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento; IX constituir sociedade de investimento capital estrangeiro e administrar a respectiva carteira de títulos e valores mobiliários X exercer as funções de agente emissor de certificados e manter serviços de ações escriturais; XI emitir certificados de depósito de ações e cédulas pignoratícias de debêntures; XII intermediar operações de câmbio; XIII praticar operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes; XIV praticar operações de conta margem, conforme regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários; XV realizar operações compromissadas; XVI praticar operações de compra e venda de metais preciosos, no mercado fisico, por conta própria e de terceiros, nos termos da regulamentação baixada pelo Banco Central do Brasil; XVII operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; XVIII prestar serviços de intermediação e de assessoria ou assistência técnica, em operações e atividades nos mercados financeiro e de capitais; XIX exercer outras atividades expressamente autorizadas, em conjunto, pelo Banco Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários. 38. Não há, dentre as atividades relacionadas pela norma, nenhuma que se vincule explicitamente à operação de assunção de dívidas praticada pela sociedade impugnante. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 16 39. Dirijase, agora, o foco de atenção para o estatuto social da impugnante vigente à época dos fatos geradores, reproduzido às fls. 496/504. O artigo 2° do citado diploma particular trata especificamente do objeto social da empresa. O artigo reproduz, em boa medida, a redação da norma do Conselho Monetário Nacional acima transcrita, inclusive no que se refere a seu item 'q', inspirado no inciso XIX daquela Resolução n° 1.655, de 1989, apontado pela impugnante como o comando que legitimaria a tributação à alíquota zero de CPMF dos lançamento relacionados às operações de assunção de dívidas. Ing Corretora de Câmbio e Títulos S/A Estatuto Social artigo 2°. A Sociedade tem por objeto: (...) (q) exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários e/ou pelo Banco Central do Brasil. 40. Da análise comparativa entre a regulamentação das sociedades corretoras de títulos mobiliários tragada pelo Banco Central e o estatuto social da impugnante uma conclusão se impõe: a necessidade de autorização expressa expedida pelo Banco Central para atuar em outras atividades diversas daquelas originalmente previstas no seu diploma societário não foi uma restrição que os sócios impuseram, de moto próprio, à própria empresa de que participavam. A autorização expressa para o exercício de atividades que exorbitam o universo delimitado pelo art. 2° do Regulamento anexo à Resolução CMN n° 1.655, de 1989, é exigência dos próprios órgãos reguladores das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários. 41. Vejase o que dizem os artigos 1° e 2° da Lei no 4.728, de 1975: Lei n°4.728, de 1975: Art. 1º Os mercados financeiro e de capitais serão disciplinados pelo Conselho Monetário Nacional e fiscalizados pelo Banco Central da República do Brasil. Art. 2° O Conselho Monetário Nacional e o Banco Central exercerão as suas atribuições legais relativas aos mercados financeiro e de capitais com a finalidade de: (...) VI regular o exercício da atividade corretora de títulos mobiliários e de câmbio; 42. Pelo até aqui exposto, impõese reconhecer que tanto o contrato social da impugnante, quanto as normas emitidas pelo Conselho Monetário Nacional condicionavam à autorização expressa do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários a prática de operações não originalmente previstas no estatuto social e no artigo 2° do Regulamento anexo à Fl. 860DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 16327.001566/200448 Acórdão n.º 9303002.002 CSRFT3 Fl. 9 17 Resolução CMN no 1.655, de 1989. Mesmo intimado, conforme fl. 418, o contribuinte não apresentou nenhuma documentação que expressamente o autorizasse a desenvolver operações de assunção de dividas. Ainda que se considerasse assunção de dívidas como mero instrumento de captação de recursos, também o exercício desta atividade de captação de recursos não faz parte das atribuições precípuas das sociedades corretoras de títulos e estaria condicionada à expressa autorização dos órgãos reguladores. 43. Vejase que, admitirse a possibilidade da autuada captar recursos por meio de assunção de dívidas, sem a necessária chancela do Banco Central e da CVM, seria, ao fim, reconhecer a desnaturação da essência da sociedade, passando de corretora de câmbio e de títulos para verdadeira instituição bancária. 44. Ausente a necessária autorização expressa, não se pode admitir como integrantes do objeto social da sociedade corretora autuada as operações de assunção de dívidas e, por conseqüência, não há como se aplicar a alíquota zero no cálculo da CPMF incidente sobre os lançamentos em conta corrente vinculados a essas operações. Importa ressaltar que o fato de o Plano de Contas das Instituições Financeiras prever uma rubrica específica para registrar as operações de assunção de dívidas com o exterior pelas sociedades corretoras de títulos mobiliários não permite pressupor que a interessada tenha autorização expressa para efetuálas. Esses argumentos embasaram a decisão proferida pela DRJ. E como disse eu, o último aspecto ali abordado foi determinante, na Câmara recorrida, para a reforma daquela decisão. De fato, ali se entendeu que a existência de previsão, no plano de contas a ser adotado pelas corretoras, de rubrica específica para assunção de dívidas seria bastante para considerálas autorizadas pelo órgão regulador. Não posso, porém, partilhar tal entendimento. É que isso equivaleria a tornar redundante toda a normatização extensamente mencionada no muito bem elaborado voto reproduzido acima. Deveras, qualquer plano de contas é elaborado de modo a prever todas as possibilidades de lançamento contábil decorrente das operações que a entidade desenvolva ou possa vir a desenvolver. Ele não garante, portanto, que em determinado período aquela operação está sendo praticada. Tratandose de entidades estritamente reguladas como são as instituições financeiras, isso quer dizer que a previsão no plano de contas padrão apenas cumpre uma primeira necessidade, qual seja, a de que os lançamentos decorrentes tenham adequada contabilização. No entanto, permanece a necessidade de expressa autorização para que a sociedade possa, efetivamente, praticar a operação de que redundará o lançamento contábil previsto no plano de contas. Em outras palavras, entendo que a existência de previsão no plano de contas apenas permite que corretoras de títulos e valores mobiliários devidamente autorizadas a praticar operações de assunção de dívidas lancem contabilmente, de forma padronizada, tais operações. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 18 Com essas considerações, voto por dar provimento ao apelo fazendário para afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, considerar procedente o lançamento praticado. É como voto. Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 862DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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Numero do processo: 10735.720293/2008-70
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. INEXISTÊNCIA.
Não comprovada, nos autos, a existência de saldo negativo de IRPJ/CSLL utilizado como crédito na Per/Dcomp, não se reconhece o direito creditório, nem se homologa as compensações pretendidas.
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp - Pedido de Restituição e Declaração de Compensação - é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1801-001.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. INEXISTÊNCIA. Não comprovada, nos autos, a existência de saldo negativo de IRPJ/CSLL utilizado como crédito na Per/Dcomp, não se reconhece o direito creditório, nem se homologa as compensações pretendidas. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição e Declaração de Compensação é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 02 93 /2 00 8- 70 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1234.085/10 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, fls. 95 a 106, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 07. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório proferido pelo Sr. Delegado da DRF/Nova IguaçuRJ, que não homologou compensação de débito de CSLL (cód. 6773) e IRPJ (cód. 2430), correspondente ao período de apuração 2002, totalizando R$ 413.866,41, com o crédito de R$ 295.999,44, oriundo do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001, no montante de R$ 297.005,95, apurado pela pessoa jurídica sucedida (CNPJ n° 30.509.582/000105), efetivada por meio do PER/DCOMP n° 12749.17292.300104.1.3.022864, transmitido em 30/01/2004. [...] O Parecer SEORT n° 016/2009 (fls. 21/23), que ampara o referido Despacho Decisório (fls. 23) emitido em 27/01/2009, apresenta, em síntese, a seguinte fundamentação: · a interessada, indicada como sucessora, apresentou PER/DCOMP, oferecendo o saldo negativo do IRPJ/2002, ano calendário 2001, pertencente à pessoa jurídica sucedida (CNPJ n° 30.509.582/0001 05), com vistas a extinguir débito perante a Receita Federal; · no entanto, incumbe à interessada explicar com clareza os fatos tributários que deram origem ao pretenso crédito apurado com base no lucro real, do qual se considera possuidora perante a Fazenda Pública; · desse modo, não basta a simples observância da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, que disciplina a restituição e a compensação na data de transmissão do PER/DCOMP, nem tampouco da Instrução Normativa SRF n° 320/2003, e alterações posteriores, que aprovou o programa PER/DCOMP, de vez que as informações prestadas devem estar em plena sintonia com outras declarações anteriormente apresentadas, como a DIPJ e a DCTF; [...] · no caso, a interessada indica como pretenso crédito o valor de R$ 295.999,44, referente ao saldo negativo de IRPJ, exercício 2002, ano calendário 2001, da sucedida, no valor de R$ 297.005,95, que entende Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.720293/200870 Acórdão n.º 1801001.288 S1TE01 Fl. 3 3 possuir, decorrente de pagamentos em valor maior do que o devido feito a título de tributo; · a ficha 28A (fls.16) da DIPJ/2000 da sucedida indica, que os saldos negativos de IRPJ de anos calendário anteriores, 1995 a 1998, estão zerados, porém, estas informações divergem daquelas constantes do PER/DCOMP nº 36742.51589.300104.1.3.029633 (processo nº 10735.720292/200825), as quais acusam a existência de valores diferentes de zero para os exercícios de 1996, 1997 e 1999, anos calendário de 1995, 1996 e 1998, gerando incerteza no que respeita ao reconhecimento da existência do crédito pleiteado e até mesmo do seu montante; · ocorre, ainda, que a interessada transmitiu as DCTF/1999 originais em 11/05/1999, 12/08/1999, 10/11/1999 (complementar em 04/02/2000) e 03/02/2000, e nelas não declarou débitos de IRPJ, as quais foram retificadas pela sucessora (interessada) em 24/10/2006, para inclusão de débitos de IRPJ com as respectivas vinculações de créditos; · consta do art. 832 do RIR/1999, que a retificação da declaração pode se dar a qualquer tempo, tendo como limitação o início de uma ação fiscal; · essa ação fiscal pode ocorrer no período de 5 (cinco) anos contados da entrega da Declaração de Ajuste, o qual corresponde a prazo fatal impeditivo para reverse de ofício o lançamento ou constituirse crédito tributário; · esgotado esse prazo, fica extinto o crédito tributário, não havendo mais motivo para a retificação da Declaração de Ajuste ou da DCTF, sendo essa a razão pela qual a retificação da declaração segue o mesmo prazo que a Fazenda Pública possui para exercer seu direito de lançamento; · todavia, a interessada retificou as DCTF/1999 da sucedida em prazo superior a 5 (cinco) anos contados da entrega das declarações originais, logo essas declarações retificadoras foram desconsideradas para efeito de análise do pretenso crédito; [...] · no presente processo, a sucessora declara estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores da sucedida ( fls. 04/05), mais precisamente para os exercícios 2000 e 2001, anos calendário 1999 e 2000; · o crédito pleiteado para o exercício de 2000 não foi reconhecido no processo 10735.720292/200825, através do Parecer SEORT nº 011/2009; [...] Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 29/01/2009, por meio do Termo de Intimação de fls. 24, interpôs a interessada, em 26/02/2009, a Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 manifestação de inconformidade de fls. 26/30, instruída com os documentos de fls. 31/80, alegando, em síntese: · preliminarmente, que o processo administrativo e o lançamento fiscal estão eivados de grave vício de nulidade, em face da ausência do competente Mandado de Procedimento Fiscal, além da inobservância das regras do processo administrativo fiscal federal e das exigências do art. 142 do CTN no que concerne ao processo de cobrança, razão pela qual dita exigência deve ser declarada nula; · que, quanto ao mérito, recebeu Termo de Intimação expedido pelo SEORT/DRF/Nova IguaçuRJ, dandolhe ciência do inteiro teor dos Pareceres SEORT nos 11, 16, 21 e 22, todos de 2009, o qual lhe atribui compensação indevida de débitos e a exigência do pagamento do IRPJ; · que, no Parecer SEORT n° 16/2009 consta que, não teria direito à compensação do débito do IRPJ, no valor de R$ 275.660,78, e da CSLL, no valor de R$ 19.557,45, ambos do ano calendário 2002, no valor de R$ 27.133,49, na medida em que não logrou provar que, efetivamente, fosse credora do saldo negativo do IRPJ, no valor de R$ 297.005,95, relativo ao ano calendário 2001; · que, os termos do referido Parecer carecem do mínimo de razoabilidade e do devido respaldo legal, estando, além disso, eivado de insanáveis vícios de nulidade, o que compromete sua veracidade; · que, ao lavrar o Parecer, o AFRFB analista não levou em consideração que a DIPJ/2000 da pessoa jurídica sucedida fora objeto de Declaração Retificadora em 30/01/2004, conforme se comprova às fls. 46/53, onde se encontra textualmente informado o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 275.401,67; · que, ainda que por um lapso não tenha tal fato sido demonstrado na Ficha 28A da DIPJ/2000, a realidade é que os créditos utilizados para quitação das estimativas de 1999 referiamse aos anos calendário de 1995 a 1998, conforme declarado no PER/DCOMP; · que, os dados da DIPJ/2000 da pessoa jurídica sucedida foram validados e processados pela Receita Federal sem qualquer tipo de questionamento posterior quanto às estimativas apuradas e suas respectivas quitações, ficando claro que os créditos ali lançados foram perfeitamente validados pela Receita Federal e tornaramse legítimos e inquestionáveis, não comportando agora qualquer tipo de questionamento quanto à sua origem, em respeito ao instituto da prescrição/decadência, inteiramente aplicável ao caso; · que, assim, demonstrase a origem do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1999, apresentado na DIPJ/2000, e esclarecese a dúvida do AFRFB analista quanto aos saldos negativos do IRPJ dos anos calendário de 1995 a 1998, que afirma estarem "zerados"; · que, as retificações das DCTF do ano calendário 1999 foram efetuadas a pedido do próprio Fisco, que ao analisar as compensações declaradas no PER/DCOMP intimoua a assim fazêlo, para efeito de "... tornar coerente as informações prestadas nestas declarações. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP. da DIPJ Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.720293/200870 Acórdão n.º 1801001.288 S1TE01 Fl. 4 5 e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação." · que, assim, as retificações feitas naquela data a pedido do Fisco objetivavam tãosomente a convergência das informações anteriormente prestadas, destacandose do referido Termo de Intimação o seguinte alerta: "... Fica o sujeito passivo acima identificado INTIMADO a sanar as irregularidades apontadas no quadro 4, no prazo de 20 dias contados da ciência desta intimação. Não sanada (s) a (s) irregularidade (s) apontada (s) no prazo estipulado, o PER/DCOMP em análise poderá ser indeferido/não homologado"; · que, desse modo, não se pode conceber os motivos que determinaram a rejeição pelo AFRFB analista das retificações efetuadas nas DCTF, se tal procedimento fora determinado pelo próprio Fisco, sendo certo que, no caso, não há que se falar em prescrição e/ou decadência do direito de se apresentar tais declarações retificadoras; [...] VOTO [...] No caso, a interessada (sucessora) promoveu a compensação de débitos próprios de IRPJ (cód.2430 Ajuste Anual) e CSLL (cód.6773 – Ajuste Anual), relativos ao ano calendário 2002, com o crédito de R$ 295.999,44 oriundo do saldo negativo de IRPJ, apurado no calendário 2001 pela pessoa jurídica sucedida HISPANO SUIZA DO BRASIL EQUIPAMENTOS LTDA, CNPJ n° 30.509.582/000105, incorporada em 01/07/2002, no montante de R$ 297.005,95. Em 30/01/2004, apresentou a interessada DIPJ/2002 retificadora (n° 12277764), em nome da sucedida, na mesma data da transmissão do PER/DCOMP sob exame. Nesta retificadora, a interessada nada informou na Ficha 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, fls. 83/90) as estimativas mensais apuradas. A Ficha 12A (Cálculo do IR sobre o Lucro Real, fls. 91/92), por seu turno, apresenta a seguinte composição: DIPJ/2002'(retificadora) da sucedida Ficha 12 A Cálculo do IR Sobre o Lucro Real Apuração Anual Discriminação Valor (R$) Imposto sobre o Lucro Real 01. Á alíquota de 15% 69.612,14 03. Adicional 22.408,09 13. ( ) Imposto de Renda Retido na Fonte 89.940,23 16. () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 299.085,95 18. Imposto de Renda a Pagar ()297.005,95 Consta no PER/DCOMP, a composição do referido saldo negativo da sucedida, nas páginas "Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores" e "IRPJ Retido na Fonte", constatandose, então, que a sucessora compensou as estimativas Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 da sucedida do ano calendário de 2001 com os saldos negativos de IRPJ da sucedida verificados no ano calendário de 2000 e no próprio ano calendário de 2001. Pesquisando, então, a DIPJ/2001, ano calendário 2000, entregue pela sucedida, para se verificar a exatidão dos dados informados pela sucessora, constatase, através da Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda PJ em Geral), que no ano calendário de 2000 nada foi apurado saldo negativo de R$ 270.637,40, conforme consta de nosso sistema interno IRPJ Consulta (fls.93). Acrescentese que, em se tratando de tributação sob o regime do lucro real anual, verificase a total impossibilidade de se efetuar a compensação de estimativas mensais apuradas no ano calendário de 2001 com eventual saldo negativo de IRPJ verificado ao término do próprio ano calendário de 2001, conforme equivocadamente declarado pela interessada no PER/DCOMP, nos meses de janeiro a agosto de 2001 Na manifestação de inconformidade, a interessada não instrui sua defesa com documentos de sua contabilidade para o fim de comprovar a compensação das estimativas devidas pela sucedida no ano calendário 2001 vez que nesta ocasião a compensação se dava sem processo, independentemente de requerimento, razão pela qual se sujeitava à comprovação com elementos de sua escrituração contábil e fiscal, nos termos dos artigos 7o, parágrafo único, e 14, da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10/03/1997: [...] Desse modo, não acolho as compensações das estimativas da sucedida referentes ao ano calendário 2001 declaradas pela interessada no PER/DCOMP, devido à sua não comprovação com documentos contábeis e fiscais. Assim também, não constam em nossos sistemas internos quaiquer pagamentos a título de estimativas que porventura tenham sido efetuados pela sucedida no decorrer do anocalendário 2001. Refazendose, então, a Ficha 12A da DIPJ/2002 da sucedida, temse: DIPJ/2002 (retificadora) da sucedida Ficha 12 A Cálculo do IR Sobre o Lucro Real Apuração Anual Discriminação Valor (R$) Imposto sobre o Lucro Real 01. A alíquota de 15% 69.612,14 03. Adicional 22.408,09 13. () Imposto de Renda Retido na Fonte 89.940,23 16. ( ) Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 0,00 18. Imposto de Renda a Pagar 2.080,00 Apurado, portanto, imposto a pagar no ano calendário 2001, como demonstrado acima, concluise pela inexistência de saldo negativo da sucedida em 2001 e, consequentemente, do crédito dele decorrente, utilizado pela sucessora no PER/DCOMP para compensação de débito próprio de IRPJ e CSLL. Vale ressaltar, que o Imposto de Renda a Pagar ora apurado (R$ 2.080,00) não é passível de ser exigido, em razão do decurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do direito do Fisco de constituir o crédito tributário. Quanto à entrega das DCTF retificadoras (fls. 55/80), em 24/10/2006, após 5 (cinco) anos da data de entrega das DCTF originais, verificase que tal iniciativa foi Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.720293/200870 Acórdão n.º 1801001.288 S1TE01 Fl. 5 7 provocada pelo próprio Fisco, conforme alegado pela interessada, visto que por meio do Termo de Intimação trazido aos autos (fls. 54), foilhe solicitado que providenciasse a retificação da DIPJ e/ou DCTF para o fim de tornar coerentes as informações prestadas nestas declarações. Porém, tal questionamento levantado no Parecer SEORT pelo AFRFB analista tornase irrelevante, diante da inexistência do crédito compensado no PER/DCOMP, conforme descrito.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 28/02/12; Recurso – 28/03/12) o Recurso de fls. , reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) a recorrente retificou as declarações – DIPJ e DCTF – consoante orientação da autoridade fiscal, a fim de ter reconhecido o saldo negativo de IRPJ de empresa incorporada, relativo ao anocalendário de 2001, no valor de R$ 297.005,95; b) o fundamento do Despacho Decisório foi o desencontro entre as informações prestadas na Per/Dcomp e nas declarações – DIPJ e DCTF; c) no entanto, a fundamentação para indeferir a Per/Dcomp no acórdão combatido foi a ausência de apresentação da contabilidade; em agindo assim, a turma julgadora prolatou decisão fora dos limites da lide, inovando fatos e fundamentos; d) no caso da referida decisão não ser declarada nula, a documentação acostada às fls. 31 a 80 é suficiente para justificar a origem do crédito fiscal; o fato de não ter informado nas fichas 28A a que anos se referiam o saldo negativo demonstrado na DIPJ/00 da sucedida, foi mero erro em virtude desta informação não constar nas DIPJ anteriores ou posteriores; e) a cobrança de débitos tributários ocorreu em 2009, referentes a anos anteriores a 2004, o que está fulminado pela decadência; f) a recorrente junta ao presente recurso folhas dos Livros Diário e Razão da empresa incorporada que comprovam a existência do saldo negativo lançado na Per/Dcomp, não obstante a farta documentação já acostada aos autos; g) a DIPJ/00 da empresa incorporada foi retificada em 30/01/2004, na qual constou o saldo negativo de IRPJ pleiteado na Per/Dcomp; na Per/Dcomp foi corretamente informado que os créditos utilizados para a quitação das estimativas de 1999 referemse aos anoscalendários de 1995 a 1998; esta retificadora deve prevalecer sobre a original, não podendo se argüir decadência; h) a retificação da DCTF deuse justamente pela intimação da Administração tributária; i) em face às retificadoras entregues e processadas pelo fisco, bem como dos registros contábeis que comprovam a lisura dos procedimentos e a certeza e liquidez do crédito pleiteado, impõese o reconhecimento do saldo negativo de IRPJ e a homologação da compensação requerida. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Em preliminar, cumpre analisar a alegação de cerceamento de defesa por haver a decisão de primeira instância salientado que a recorrente não apresentou a contabilidade para respaldar os valores que foram retificados nas declarações entregues juntamente e em momento posterior à entrega da Per/Dcomp objeto deste litígio, o que causaria a nulidade do acórdão recorrido, segundo argumentado. Verificandose o acórdão, constatase que ao admitir as retificadoras da incorporada entregues pela recorrente, tanto DIPJ quanto DCTF, a turma julgadora a quo checou os valores declarados com os demais dados e documentos do processo e não conseguiu apurar o saldo negativo de IRPJ defendido pela recorrente. Explicitou que somente os registros contábeis, se exibidos pela recorrente, poderiam provar os erros cometidos na prestação das informações ao fisco. Este procedimento nada tem de inovação quanto ao fundamento do indeferimento inicial da Per/Dcomp em questão. A decisão de primeiro grau superou a desconsideração das retificadoras, reformando o despacho decisório neste tocante, mas ao admitilas é cogente a verificação dos valores declarados junto às informações dos sistemas do fisco e/ou aos registros contábeis efetuados à época da origem do crédito pleiteado. A DIPJ tem caráter meramente informativo e deve espelhar a contabilidade da pessoa jurídica. Ao acatarse uma retificadora, há que se verificar a veracidade das informações prestadas. O fato de apresentarse uma retificadora, por si só, não valida as informações ali inseridas. O cotejo entre os valores declarados e os registros contábeis (ou informações já registradas nos sistemas informatizados da RFB) é decorrência da retificação dos valores originalmente informados pela recorrente após/ou junto à entrega da Per/Dcomp. Se assim não fosse, os contribuintes poderiam entregar DIPJ veiculando quaisquer valores e as autoridades fiscal a quo, ou de julgamento, teriam que aceitálas com presunção de veracidade, o que é uma falácia. Afasto a argumentação de inovação na fundamentação do acórdão recorrido ao manter o indeferimento da Per/Dcomp. No que respeita ao mérito, esclareçase que a turma julgadora de primeira instância, sem acesso aos registros contábeis da recorrente, verificou do que consta dos autos e constatou como dedução do IRPJ devido e adicional, IRRF no valor de R$ 89.940,23 (mesmo valor que constou na DIPJ retificadora) e não constatou estimativas pagas no ano de 2001, em divergência ao que está informado na DIPJ/02, retificada, da incorporada. Considerando estes valores, o resultado apurado em 2001 foi de IRPJ a pagar e não a restituir. Deixou expresso e claro que este débito, relativo ao anocalendário de 2001, não pode mais ser exigido em razão da decadência, ao contrário do que afirmou a recorrente. No presente processo não se está a exigir qualquer valor anterior a 2004. Esmiuçando os valores que poderiam compor o saldo negativo de IRPJ relativo a 2001, exercício de 2002, da incorporada, no acórdão recorrido está explicitado que na Per/Dcomp a recorrente compôs o referido crédito com saldo negativo de 1999 e saldo negativo do próprio ano, apurado ao final de 2001. O referido saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999 foi composto de estimativas do ano de 1999 compensadas com saldos negativos de IRPJ de anosanteriores, a saber, 1996 (ex. 1997), 1997 (ex. 1998) e do próprio ano de 1999. Todavia, estes valores não se confirmaram. No anocalendário de 1996 (DIPJ/97) a incorporada não apurou imposto de renda a pagar ou a restituir. No anocalendário Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.720293/200870 Acórdão n.º 1801001.288 S1TE01 Fl. 6 9 de 1997 (DIPJ/98) o saldo negativo informado foi de R$ 20,00. Esta matéria foi objeto de litígio no processo nº 10735.720292/200825 julgado nesta mesma sessão. A decisão prolatada por este colegiado foi de não reconhecimento do crédito argüido, por não comprovado o saldo negativo de IRPJ, mas sim imposto a pagar. A compensação de estimativa dentro do próprio anocalendário não pode ser feita com o saldo negativo apurado a posteriori no final do período. Desta forma, o valor de estimativas que a recorrente alega que compôs o saldo negativo de IRPJ em 2001 (exercício 2002), informado na ficha 12 A da DIPJ/02 retificadora, R$ 299.085,95, não se valida, mesmo argumentando a recorrente que vem de saldos negativos de anos anteriores, mas que não foram comprovados. No demonstrativo de fls. , a recorrente restringese a relacionar as estimativas devidas de janeiro a julho de 2001 e citar as folhas do Diário e Razão e as contas em que foram registradas contabilmente. A exibição das folhas do Razão com estes registros contábeis, uma vez não ter se constatado a existência de saldos negativos de anosanteriores e a impossibilidade de usar pretenso saldo negativo do mesmo período para quitar as estimativas em pauta em nada socorrem a recorrente. Concluo que pelo que consta dos autos, as estimativas dos meses de 2001 não foram devidamente quitadas, seja por pagamento, seja por compensação devida, o que legitima o raciocínio esposado no acórdão recorrido. Desconsiderandose o valor de R$ 299.085,95, a título de estimativas supostamente compensadas, a empresa incorporada apurou IRPJ a pagar e não a devolver. O ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso II, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Não se pode repetir o que não se recolheu aos cofres públicos, por não se ter formado o indébito tributário. A qualquer tempo os pagamentos/quitações de tributos podem ser verificados pela Administração Tributária para que repita efetivamente indébitos tributários e não valores que nunca foram recolhidos à Fazenda Nacional. A tese de homologação tácita da recorrente nestes casos é absurda, pois está pedindo, na verdade, indiretamente, restituição de valores de IRRF de 1993, transfigurado em saldo negativo apurado em 1999 – cujo pedido foi feito em 30/01/2004 (vide processo nº 10735.70292/200825). A recorrente aguardou o último ano dentro do prazo prescricional para solicitar restituição de um suposto crédito formado por outros créditos já prescritos e, com outra medida, pretende que a existência deste crédito não possa ser averiguada. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 A Administração Tributária tem cinco anos para verificar a existência ou não do crédito tributário requerido. A composição deste crédito é que dita quantos anos a checagem fiscal deverá retroagir. Se a recorrente requer IRRF de 1993 não pode alegar que está decaído o direito da Fazenda de checar estes valores ou de comprovar a sua efetiva liquidez. O que não pode, e não foi feito no presente caso, é exigirse tributo vencido fora do prazo qüinqüenal. A homologação tácita é instituto tributário previsto para pedidos de restituição/compensação formalizados à Administração Tributária e não apreciados no prazo de 05 anos pelas autoridades competentes. No presente caso, a Per/Dcomp emitida pela recorrente (30/01/2004) foi apreciada em 27 de janeiro de 2009 e cientificada à recorrente em 29 de janeiro de 2009, portanto, dentro do qüinqüídio – fls. 21 a 24. Esta é a redação do parágrafo 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifos não pertencem ao original) Descabe a argumentação da recorrente de que está a se exigir nestes autos tributos constituídos antes de 2004 e que, por esta razão, estaria decaído o direito da Fazenda Nacional. Os únicos valores a serem exigidos da recorrente em decorrência da Per/Dcomp apresentada são aqueles débitos confessados nesta declaração de compensação (IRPJ – 2430 – período de apuração 2002), cujo crédito para saldar não se confirmou, nos termos deste julgado. A verdade material proposta pela recorrente não está provada nos autos e as razões do indeferimento não foram cabalmente ilididas. Pelo exposto, nada a reparar na decisão de primeira instância que se confirma. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.720293/200870 Acórdão n.º 1801001.288 S1TE01 Fl. 7 11 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10240.001379/2006-08
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2002
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PERDA DE OBJETO.
Não se conhece do recurso, por desnecessário, quando o crédito tributário exigido no Auto de Infração já se encontra extinto por remissão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2102-002.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso, por falta de objeto, uma vez que o crédito tributário exigido no lançamento se encontra extinto por remissão.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 18/03/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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PERDA DE OBJETO. Não se conhece do recurso, por desnecessário, quando o crédito tributário exigido no Auto de Infração já se encontra extinto por remissão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso, por falta de objeto, uma vez que o crédito tributário exigido no lançamento se encontra extinto por remissão. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 18/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 13 79 /2 00 6- 08 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10240.001379/200608 Acórdão n.º 2102002.487 S2C1T2 Fl. 654 2 Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Contra L B NEVES foi lavrado Auto de Infração, fls. 25/30, para formalização de exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), relativa aos fatos geradores ocorridos em 02/07/2001, 02/09/2001 e 24/12/2001, no valor total de R$ 6.699,56, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/09/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Constatação e Verificação Fiscal, fls. 23/28, foi a falta de recolhimento do IRRF sobre distribuição de prêmios em bens e serviços. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 41/51, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/BEL nº 017.423, de 21/12/2006, fls. 59/62. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 18/01/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 64, a contribuinte apresentou, em 12/02/2007 (envelope, fls. 79), recurso voluntário, fls. 67/77, onde alega, em síntese, decadência e isenção do IRRF aplicável à distribuição de prêmios realizada mediante valebrindes. Em sessão plenária realizada em 08/09/2008, a Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes acolheu a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos em julho e setembro de 2001 e, no mérito, negou provimento ao recurso. Cientificada do Acórdão da Segunda Turma Ordinária a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 91/97, que teve seu seguimento negado, nos termos do despacho , fls. 130/132. Seguiuse agravo, fls. 134/140, que foi acolhido, conforme despacho, fls. 142/144. Admitido o recurso especial, a contribuinte não apresentou contrarazões e a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu Acórdão nº 920202.076, de 22/03/2012, fls. 156/159, no sentido de afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para análise das questões de mérito. É o Relatório. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10240.001379/200608 Acórdão n.º 2102002.487 S2C1T2 Fl. 655 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Do relatório acima, inferese que se trata de Auto de Infração que imputou à contribuinte a infração de falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte, sendo certo que a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais afastou a decadência dos fatos geradores ocorridos em julho e setembro de 2001 e determinou o retorno dos autos a esta Câmara para apreciação das demais questões de mérito suscitadas pela contribuinte no recurso. Ocorre que, conforme despacho da autoridade administrativa, que jurisdiciona o contribuinte, fls. 652, de 03/08/2012, temse que o processo encontrase encerrado por remissão. De fato, dos extratos fls. 154 e 154verso, assim como do despacho, fls. 155, verificase que o crédito tributário exigido no Auto de Infração encontrase extinto por remissão, nos termos do disposto no art. 156, IV, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Logo, extinto o crédito tributário exigido no Auto de Infração, temse por conseqüência a perda de objeto do presente processo administrativo tributário, não havendo que se falar em apreciação do recurso voluntário por desnecessário. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, por falta de objeto, uma vez que o crédito tributário se encontra extinto por remissão. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 655DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10280.905560/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA
BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1202-000.848
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da certeza e liquidez do crédito apontado na PerDcomp.
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da certeza e liquidez do crédito apontado na PerDcomp. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.905560/200953 Acórdão n.º 1202000.848 S1C2T2 Fl. 122 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra a não homologação de PER/DCOMP, cujo relatório reproduzo abaixo, por bem descrever os elementos constantes dos autos. Tratase de declaração de compensação transmitida em 11/01/2007 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 174.735,46 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2319, do período de apuração de 30/11/2004, no valor originário de R$ 174.735,46. A Delegacia de origem, em análise datada de 07/10/2009 (fl. 16), asseverou que "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período'. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 21/10/2009, a interessada apresentou, em 10/11/2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 27/33): "0 Banco procedeu a compensação via PER/DCOMP, utilizandose do crédito de estimativa de IRPJ base de novembro de 2004, no valor de R$231.472,92 (..) decorrente do valor pago indevidamente em 30.12.2004, considerando que a base estimada foi com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, para quitar os seguintes débitos: IRPJ base estimada novembro de 2006, no valor de R$118.168,76 (..); IRPJ base estimada de agosto de 2006, no valor de R$3.521,06 mais juros/multas, totalizando RS4.369,63 (..); IRPJ base de janeiro de 2006, no valor de R566.255,60 () mais juros/multas totalizando RS87.821,79 (..) e IRPJ base de fevereiro de 2006 no valor de R$15.862,88 (..) mais juros/multas totalizando RS 20.800,00 ... O art. 74 da Lei 9.430196, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, estabelece que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.905560/200953 Acórdão n.º 1202000.848 S1C2T2 Fl. 123 3 poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Portanto, desde que configurado o crédito tributário, o direito à compensação decorre do mandamento legal contido no art. 74 da Lei 9.430/96. ... O artigo 35 da Lei 8981/95, então, prevê que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, no período em curso. Entretanto, quando da análise da matéria o órgão Julgador levou em consideração apenas a lateralidade do disposto no art. 10 da IN 600/2005... Ocorre que o contribuinte, conforme permitido pelo art. 35 da Lei 8.981/95, emitiu balancete acumulado na apuração do lucro real por estimativa mensal e, assim, poderia realizar a compensação naquele período, na medida em que procedeu regularmente ao determinado pelo artigo 10 da IN 600/05, uma vez que a compensação ocorreu "ao final do período de apuração " ... Aliás, a matéria foi devidamente elucidada pelo IN 900/08, conforme disposto no inciso IX, do § 3°, do art. 34, ao não proibir a compensação em comento... ...em conformidade com o disposto no art. 14 da Lei 11.488 de 15/06/2007 e a Medida Provisória n° 303/2006, alterando o art. 44, 1 da Lei 9.430/96,coni base no Parecer PGFN/CDA n° 77712008, de 30/04/2008, referente às penalidades aplicáveis, impõese o necessário afastamento da multa de mora respectiva. ... Diante do exposto requerse: 1 . A declaração de homologação da compensação realizada pelo recorrente, tendo em conta a inexistência de vedação legal apta a afastar a legalidade do procedimento utilizado pelo contribuinte, e, o conseqüente afastamento da cobrança ilegítima dos valores cobrados no despacho decisório ora impugnado; 2. Ou, ainda, na remota possibilidade de manutenção da decisão administrativa de não homologação da compensação, requerse, subsidiariamente, o afastamento da imposição da multa de mora no caso em questão, tendo em conta o disposto no art. 14 da Lei 11.488 de 15/06/2007 e a Medida Provisória n° 303/2006, alterando o art. 44, 1 da Lei 9.430/96,com base no Parecer PGFN/CDA n° 777/2008, de 30/04/2008. " Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.905560/200953 Acórdão n.º 1202000.848 S1C2T2 Fl. 124 4 É o relatório. A 3ª Turma da DRJ/Pará julgou improcedente a manifestação de inconformidade, editando a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. COMPENSAÇÃO. DCOMP. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da Dcomp em data em que o débito já estava vencido. Cientificado dessa decisão em 18/01/2011 (conforme AR, fl.88, verso), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 02/02/2011 (fl.8997), nos mesmos moldes da manifestação de inconformidade, acrescentando a que a 1ª Turma da 1 ª Câmara da 1ª Seção do CARF, decidiu através do acórdão 10100303, de 20.05. 2010 que os valores recolhidos indevidamente ou a maior a título de imposto de renda mensal para as empresas optantes pelo lucro real anual podem compensar desde o momento do recolhimento, não seguindo a regra de compensação com o devido na apuração anual. Cita decisão judicial no mesmo sentido. Encaminhado ao CARF para julgamento, o presente processo foi distribuído por conexão, tendo em vista sua relação intrínseca com o processo nº 10280.722849/200939, anteriormente distribuído a esta relatora, tornandose principal em relação àquele, por ostentar a discussão sobre o crédito. Solicitouse a inclusão em pauta na mesma sessão de julgamento a fim de evitar decisões conflitantes. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.905560/200953 Acórdão n.º 1202000.848 S1C2T2 Fl. 125 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. A questão posta em análise resumese à possibilidade ou não de apuração de pagamento indevido ou a maior de tributo recolhido de forma antecipada, consoante a modalidade de tributação pelo lucro real anual, para fins de compensação com outros débitos. A matéria de direito a ser analisada neste caso foi objeto de julgamento por este mesmo colegiado na sessão de 16 de janeiro de 2012, ao tratar de recursos semelhantes, apresentados pelo mesmo contribuinte. Passo a expor os fundamentos adotados naquela oportunidade. Sabese que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige que o tributo a ser compensado seja passível de restituição. Resta definir se esse valor pago a maior, como alega a recorrente, pode ser incluído no conceito de indébito passível de restituição. Inicialmente, deve ser bem compreendida a modalidade de tributação pela sistemática das bases estimadas. A pessoa jurídica sujeita à apuração pelo lucro real tem, como alternativa à regra geral de apuração trimestral, a opção pela apuração de IRPJ e CSLL em período anual, ficando obrigada a fazer os recolhimentos de IRPJ e CSLL por antecipação mensal sobre base de cálculo estimada (art. 222, RIR/99). Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único). A base de cálculo estimada resulta de percentual aplicado sobre a receita bruta mensal, acrescido das demais receitas (art.223, RIR/99), porém, o contribuinte, a cada mês, pode suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido sobre aquela base, desde que demonstre, através de balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado sobre o lucro real do período (art. 230, RIR/99). Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.905560/200953 Acórdão n.º 1202000.848 S1C2T2 Fl. 126 6 .............. Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). O contribuinte pode permanecer recolhendo sobre as bases estimadas em função da receita mensal, durante todo o anocalendário e, ao final, apurar o lucro real, ou, visualizando um cenário real de prejuízo ou lucro reduzido, pode elaborar balancete acumulado (o qual deverá refletir a situação contábilfiscal desde o início do ano até o último dia do mês a que se refere), e apurar a base de cálculo real do tributo devido no período. Após comparar os valores recolhidos por estimativa com o que seria efetivamente devido à vista do balancete, o contribuinte tem o direito de suspender o recolhimento do mês, se houver diferença a maior já recolhida, ou reduzir o valor calculado com base na receita bruta até o limite da diferença a menor apurada. No mês seguinte, assim como nos posteriores, caso queira proceder a uma nova suspensão ou redução do tributo devido, a cada mês, com base na receita mensal, o contribuinte deverá efetuar o mesmo procedimento. Nesse sentido dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, ainda em vigor, em seu art. 10: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. Esta é, em suma, a sistemática da tributação pelo lucro real mensal, prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96, cuja opção tem caráter irretratável durante todo o anocalendário, conforme o art. 3º da mesma lei: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.905560/200953 Acórdão n.º 1202000.848 S1C2T2 Fl. 127 7 determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ...................................... Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Por sua vez, a Lei nº 8.981, de 20/01/95, é mais específica quanto ao papel dos balancetes como auxiliares para a determinação, não da base de cálculo para fins de recolhimento no mês, mas do limite do recolhimento com fulcro na base de cálculo estimada: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. [...] § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) (destaquei) Notase que, dentro da sistemática da tributação do lucro real anual, o levantamento de balancete de suspensão/redução acumulado de 1º de janeiro até o último dia de determinado mês serve unicamente para determinar qual o limite do recolhimento do tributo a ser realizado no mês, quando comparado com o tributo devido com base na receita bruta daquele mês. Caso, por exemplo, tenham sido efetuados recolhimentos durante os três primeiros meses do ano e se apure prejuízo fiscal, demonstrado através de levantamento mensal de balancetes acumulados, em todos os meses subsequentes, esses balancetes não servirão de comprovação de indébito em relação aos recolhimentos efetuados anteriormente, já que indébito não há. Por se tratar de fato gerador de natureza complexa, na tributação de IRPJ e CSLL pelo lucro real anual apenas a geração de saldo credor em função de prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário dará ensejo à caracterização do indébito, na forma determinada pela legislação acima referida. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.905560/200953 Acórdão n.º 1202000.848 S1C2T2 Fl. 128 8 Quanto ao reconhecimento da possibilidade de restituição/compensação de indébito gerado a partir de recolhimentos indevidos a título de estimativas, cabe citar a evolução da legislação infralegal editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que, inicialmente, buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, como se vê: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005) Assim, a Administração apenas admitia a caracterização de indébito, em qualquer hipótese, após a verificação de saldo negativo na apuração anual do tributo, o qual seria atualizado, com juros à taxa SELIC, a partir do mês subsequente ao do encerramento do anocalendário, consoante o disposto no Ato Declatatório Normativo SRF nº 03/2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Desde 30/12/2008, contudo, com a edição da IN RFB nº 900, a restrição à restituição dos recolhimentos a título de estimativa deixou de existir na esfera administrativa: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.905560/200953 Acórdão n.º 1202000.848 S1C2T2 Fl. 129 9 Mas, mesmo no período anterior à vigência dessa norma, podese entender pela inexistência de restrição no tocante ao aproveitamento de recolhimentos por estimativa efetuados a maior, caracterizados como indébito, tendo em vista que não caberia ao legislador infralegal criar distinção onde a lei não criou. A interpretação a contrario sensu a norma legal que determina que o valor do imposto pago antecipadamente – na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96 – deve ser considerado na apuração anual, permite concluir que os excessos de recolhimento, considerando uma receita bruta indevidamente majorada ou um balancete retificado, por exemplo, caracterizamse como indébitos desde o seu nascedouro. Nesse sentido, cabe citar jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. (Acórdão nº 910100406, de 02/10/2009) A situação ora analisada, teoricamente, enquadrase na hipótese de caracterização de indébito gerado por recolhimento a maior a título de estimativa. Diante disso, deve ser afastado o entendimento restritivo quanto à possibilidade de aproveitamento das estimativas recolhidas a maior, dado pela DRF e confirmado pela DRJ, o que não implica na automática homologação da compensação pretendida. O reconhecimento de direito creditório exige prova de sua liquidez e certeza, cumprindo ao contribuinte fazer prova inequívoca da base de cálculo correta do tributo que teria gerado o crédito. Todavia, no presente caso, em razão da negativa de homologação da compensação por motivo de direito, deixou de ser analisado o aspecto fático do crédito, como a sua existência, suficiência e disponibilidade para fins de homologação da compensação pretendida. A unidade de origem, responsável pela análise da compensação e, a priori, pela sua homologação, após verificar que se tratava de crédito decorrente de recolhimento efetuado a título de estimativa, estancou a análise nesse ponto. Concluindo não haver fundamentação jurídica para o pleito, consequentemente, deixouse de verificar a fundamentação fática no caso. Assim, resta verificar, no caso concreto, a existência de elementos de prova do crédito alegado para fins de homologação da compensação pretendida. Considerando a inexistência de prévia manifestação da autoridade competente sobre a liquidez e certeza do crédito, é de rigor que seja observada a competência original para a análise do crédito, não competindo a este órgão de julgamento em segunda instância manifestarse pela primeira vez sobre os elementos fáticos do processo. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.905560/200953 Acórdão n.º 1202000.848 S1C2T2 Fl. 130 10 Assim, é possível concluir que, embora o direito seja bom, a homologação da compensação pretendida depende da comprovação da liquidez e certeza do crédito. Com tais fundamentos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da liquidez e certeza do crédito apontado na PER/DCOMP, bem assim a sua suficiência para quitar os débitos compensados, homologando ou não a compensação pretendida. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10314.720333/2011-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 14/12/2006 a 14/04/2011
MEDICAMENTO. SUPLEMENTO ALIMENTAR. PHARMATON. DADOS TÉCNICOS. ANVISA. ENQUADRAMENTO. AUTUAÇÃO. ELEMENTOS DE CONVICÇÃO. INSUFICIÊNCIA.
Uma vez que diversos elementos de convicção carreados aos autos, inclusive laudo pericial, informam que o produto importado não pode ser classificado como um complemento ou suplemento alimentar, e as razões expostas pelo Fisco para assim classificá-lo demonstram-se insuficientes, deve ser julgado improcedente o Auto de Infração baseado na reclassificação fiscal do produto.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3102-001.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 19/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 14/12/2006 a 14/04/2011 MEDICAMENTO. SUPLEMENTO ALIMENTAR. PHARMATON. DADOS TÉCNICOS. ANVISA. ENQUADRAMENTO. AUTUAÇÃO. ELEMENTOS DE CONVICÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Uma vez que diversos elementos de convicção carreados aos autos, inclusive laudo pericial, informam que o produto importado não pode ser classificado como um complemento ou suplemento alimentar, e as razões expostas pelo Fisco para assim classificálo demonstramse insuficientes, deve ser julgado improcedente o Auto de Infração baseado na reclassificação fiscal do produto. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 03 33 /2 01 1- 30 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O importador, por meio das DI de nºs 11/06802715; 11/0368104 6;11/02856659; 11/02856594; 11/02856578; 11/01575249; 10/22259808; 10/21795480;10/21779581; 10/21779549;10/20681243; 10/19192811; 10/19008433; 10/17649717; 10/16089246; 10/14997471; 10/14626724; 10/14626538; 10/14146510; 10/14141739; 10/12581774; 10/12581715 ;10/10486405 ;10/09741740 ;10/09377550; 10/09026099; 10/08677584; 10/07182085; 10/07134773; 10/06554124; 10/05550362; 10/05004163; 10/04559706; 10/02859478; 10/01963700; 10/01467738; 09/17167524; 09/14718678; 09/13325010; 09/13086040; 09/11057000; 09/10824821; 09/10696092; 09/06321721; 09/06321683; 09/05933782; 09/05682984; 09/05682933; 09/03130712; 09/02928842; 09/01528115; 09/00842282; 08/19902939; 08/18935663;08/18863395; 08/16723340; 08/16552554; 08/13960538; 08/10696830; 08/07625684; 08/06954870; 08/06531406; 08/04431927; 08/04426702; 08/01540989; 07/15765196; 07/14001117; 07/12835070; 07/12373483; 07/11825240; 07/11825194; 07/10034614; 07/08250976; 07/07903046; 07/06765030; 07/06765006; 07/04231730; 07/03816262; 07/03119944; 07/00905418; 07/00879930; 06/15344512; 06/15344482; 06/15344385; 06/15222514, submeteu a despacho de importação o produto Pharmaton, com classificação na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 3004.50.90 relativa a medicamentos contendo vitaminas, com alíquota de Imposto de Importação de 8%, alíquota de IPI de 0%, alíquota de PIS de 0% e alíquota de Cofins de 0%. Segundo entendimento da fiscalização, a classificação correta é a 2106.90.30, relativa a complementos alimentares, com alíquotas mais gravosas, de 16% de Imposto de Importação, 0% de IPI, 1,65% de PIS e 7,6% de Cofins. Isso porque, a bula do produto PHARMATON o classifica como “suplemento vitamínico”, e não cita que se trata de um medicamento para tratar uma doença. E mais, destacou, ainda, a fiscalização que “o Pharmaton está registrado na Anvisa como medicamento. No entanto, tal classificação leva em consideração um conceito amplo de medicamento, o que não se coaduna com as expressas disposições da NESH, em que deve prevalecer o conceito mais específico do produto em relação a um conceito mais amplo”. Tal conclusão deu origem ao Auto de Infração de fls. 01/208, com um crédito tributário no valor total de R$ 19.449.795,20 (dezenove milhões quatrocentos e quarenta e nove mil setecentos e noventa e cinco reais e vinte centavos), conforme demonstrativo de fls. 02. Ciente do Auto de Infração em 18/06/2011, a interessada apresentou a impugnação de fls. 702 a 724 e documentos, em 18/07/2011, onde alegou: a própria Sra Fiscal Autuante traz à colação as explicações contidas nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, relativas à Posição 21.06, cujo item 16, parte final, dispões o seguinte: Excluemse as preparações análogas, próprias para tratar doenças ou afecções (posições 30.03 ou 30.04). Os produtos constantes destas classificações são denominados genericamente de medicamentos”; há pois, um elemento que separa as duas classificações: se o produto é um medicamento ou se ele é apenas um complemento alimentar. Este traço Fl. 801DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720333/201130 Acórdão n.º 3102001.710 S3C1T2 Fl. 3 3 diferenciador, no entanto, está expressamente enunciado naquelas Notas Interpretativas, assim: “... próprias para evitar ou tratar doenças ou afecções”; em outras palavras: as preparações próprias para fins terapêuticos (tratar doenças ou afecções), EXCLUEMSE DA POSIÇÃO 21.06, desde que apresentadas em doses (quando não se apresentam em doses, enquadramse na posição 30.03). E de acordo com as normas técnicas e legais do Ministério da Saúde, o produto sob análise é um medicamento, vez que existe uma série de fatores que norteiam a qualificação de medicamento por parte desse Ministério (a importante questão da posologia, como se observará mais adiante, é um exemplo); a dicção da Posição 30.04, é a seguinte: “3004 – MEDICAMENTOS (....), CONSTITUÍDOS POR PRODUTOS MISTURADOS OU NÃO MISTURADOS, PREPARADOS PARA FINS TERAPÊUTICOS OU PROFILÁTICOS, APRESENTADOS EM FORMA DE DOSES (...........) OU ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO.” (Os destaques são da Defendente); o produto PHARMATON é apresentado em forma de DOSES (cápsulas), e foi preparado para fins TERAPÊUTICOS ou PROFILÁTICOS, conforme se demonstrará no decorrer destas Razões de Impugnação; vejase o que explicitam aquelas Notas a respeito da posição 30.04, em seu item “a”: a) sob a forma de doses, isto é, repartidas uniformemente em quantidades usadas para fins terapêuticos ou profiláticos. Apresentamse geralmente em ampola (...........). cápsulas, comprimidos, pastilhas ou tabletes,.....”; o produto PHARMATON é apresentado em forma de DOSES, mais exatamente em cápsulas, conforme consta de sua bula (cópia anexa), ou seja, repartido uniformemente em quantidades usadas para fins terapêuticos ou profiláticos; o PHARMATON é utilizado nos estados de esgotamento (causado, por exemplo, pelo stress), fadiga, sensação de fraqueza, diminuição da concentração, diminuição da agilidade mental, nos casos de nutrição mal balanceada ou deficiência causada, por exemplo, pelo avanço da idade ou devido a hábitos alimentares, perda de apetite, anorexia, debilidade na convalescença prolongada, etc.; e ele foi formulado também para fins PROFILÁTICOS, já que seus componentes são recomendados como prevenção dos sinais e sintomas da deficiência de vitaminas e sais minerais; a Portaria nº 32/98, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, que se encontra em vigor (cópia anexa), define como MEDICAMENTOS os produtos cujos esquemas POSOLÓGICOS DIÁRIOS SITUAMSE ACIMA DE 100% DA IDR (INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA) E COMO SUPLEMENTOS OS PRODUTOS QUE CONTENHAM UM MÍNIMO DE 25% E NO MÁXIMO 100% DA IDR DE VITAMINAS E MINERAIS. E O PHARMATON CONTÉM COMPONENTES ACIMA DOS 100% DA IDR , conforme consta de Lados Técnicos já emitidos por Perito Oficial a pedido da própria fiscalização da Receita Federal PARA FINS DE VERIFICAÇÃO FÍSICA E DESEMBARAÇO ADUANEIRO DE ALGUMAS IMPORTAÇÕES RECENTES (cópias anexas).. Se forem comparadas as quantidades da vitamina B1 e vitamina B2, constantes da formulação de cápsulas PHARMATON, com os índices de IDR estabelecidos pela Resolução RCD nº 269/05, da ANVISA (cópia anexa), verificar seá que as quantidades presentes em uma (01) dessas cápsulas do produto em Fl. 802DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 questão, É SUPERIOR a 100% da IDR (vide tabela apresentada por Perito Oficial, a teor de Laudos Técnicos antes referidos); as regras, portanto, são estabelecidas pela supramencionada Portaria nº 032/98, combinada com a Resolução RDC nº 269/05, ambas da ANVISA; existem regras oficiais para que um produto venha a ser enquadrado por aquele Ministério como Medicamento ou como Alimento. Vejase que o registro de Medicamento por este órgão governamental é sempre antecedido pelo algarismo 1, ao passo que o registro de Alimento iniciase com os algarismos 4, 5 e 6. Esta é uma exigência que emana daquele Ministério (vide, a propósito, site da ANVISA na Internet – sob o título “Aprenda a Reconhecer Falsificações no Número de Registro de Produtos” – cópia anexa); o PHARMATON é tecnicamente um MEDICAMENTO e não uma Preparação Alimentícia ou Suplemento Vitamínico, até porque, digase, aquela mesma Agência, a se ver dos subitens 2.1 (Definição) e 4.1.1 (Composição) da referida Portaria nº 032, de 13.01.98 (cópia anexa), conceitua como Suplementos Vitamínicos ou Minerais, os produtos que contenham um mínimo de 25% e um máximo de 100% da IDR (Ingestão Diária Recomendada) de vitaminas ou minerais, na porção diária indicada pelo fabricante;_ o item 16 das Notas Explicativas antes citadas faz referência ao fato de que os complementos alimentares, à base de extrato de plantas, adicionados de vitaminas e, por vezes, de pequenas quantidades de compostos de ferro, destinamse à MANUTENÇÃO DA SAÚDE e do BEM ESTAR e as preparações análogas – continuam aquelas Notas, são classificadas na posição 30.04, quando PRÓPRIAS PARA EVITAR OU TRATAR DOENÇAS; notese que as dosagens presentes na formulação do produto sub examine são adaptadas às necessidades fisiológicas diárias do organismo humano e por isso é ele indicado ara os estados pós convalescença prolongada, anorexia, etc.; a Sra. Servidora Fazendária, no entanto, e sem a realização de uma analise mais profunda, de natureza técnica, científica, resolveu reclassificar o produto em questão de forma absolutamente gramatical, fazendoa mediante simples transcrição de parte da posição 21.06 constante das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, que contrariamente ao que entendeu, labora exatamente em favor da tese da Autuada, visto que não levou em conta o fato de essa regra explicitar que os produtos análogos àqueles que indica em sua transcrição, quando destinados para evitar ou tratar doenças ou afecção, são deslocados para a posição 30.04; vale dizer: não se preocupou em discutir as normas da ANVISA e os traços técnicos e legais dirimentes das classificações de um Medicamento e de uma Alimento; a Sra Fiscal Autuante trouxe à lume, além da transcrição de item das NESH, o fato de que a bula indicaria o produto como um suplemento vitamínico. Ora, a designação vulgar do produto não modifica sua natureza e as definições técnicas e legais que lhe atribuem a quantidade de um medicamento; a Sra Agente Fazendária – é quase certo, quando escreveu isto na peça fiscal, não tinha conhecimento dos Laudos Oficiais que foram emitidos para 3 (três) Declarações de Importação mais recentes e que foram emitidos em ato de verificação física e aduaneira desse produto, cujas DIs foram relacionadas no auto de infração, vez que a revisão se fez para todas as DIs.; esses Laudos, por coincidência, ocupamse – entre outros, desse aspecto. Observese o que disse o Perito Oficial designado pela própria fiscalização da RFB Fl. 803DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720333/201130 Acórdão n.º 3102001.710 S3C1T2 Fl. 4 5 por ocasião da conferência física do produto em questão, ao ser chamado a intervir e emitir Laudos acerca do produto de que se trata, e que foi claríssimo quando afirmou que “c) embora este medicamento (Pharmaton) SEJA VULGARMENTE denominado como “suplemento polivitamínimo e polimineral”, OS COMPONENTES DE SUA COMPOSIÇÃO SE APRESENTAM COM VALORES DE IDR (INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA), NA MAIORIA DOS CASOS, MUITAS VEZES SUPERIORES AOS LIMITES ESTABELECIDOS PELA RESOLUÇÃO RDC nº 269/05 da ANVISA...”. (Destacouse); frágeis, portanto, aqueles dois fundamentos invocados pela Sra. Fiscal Autuante, que cita finalmente como argumento restante, a INSRF nº 873, de 26.08.08, que aprova a tradução para a língua portuguesa dos pareceres de classificação da OMA, editados até 2008. A este respeito é fundamental destacar dois pontos importantes: o primeiro, de que são de pareceres relativos às mercadorias que constam do Anexo Único de tal Ato e que podem servir de subsídio face sua descrição genérica (semelhança) não revogam e nem modificam as NESH’s, nem a TEC e nem as regras classificatórias mais específicas, muito menos, as normas emanadas do Ministério da Saúde, que se encontram em pleno vigor no território nacional; o outro ponto, é que por mais que se esforce para enquadrar o produto PHARMATON nesse Anexo Único e, consequentemente em algumas descrições da posição 2106 – mesmo numa interpretação forçada, nada, absolutamente nada se encontra a respeito, a não ser uma citação de cunho genérico a produtos que tenham como base o ginseng, com formulação diferente, que nada tem a ver com o produto discutido nestes autos; a fundamentação da Autuação, como se constata, é tênue, pálida e sem a mínima consistência, o que é intolerável em casos de revisão, já que envolve modificação drástica de lançamento tributário anteriormente efetuado pela própria RFB com base em normas técnicas e em alguns casos após a efetuação de Exame Oficial na amostra do produto (referente, por exemplo, às Declarações de Importação que constam da peça fiscal), pois cabia a Sra. Autora deste feito efetuar labor mais profundo do parâmetro que diz ter encontrado e cotejálo plenamente à luz das regras da ANVISA e de todos os aspectos que envolvem as definições legais e científicas de um Medicamento e de um Alimento; a ilustre Agente Fazendária, incluiu no Auto de Infração as Declarações de Importação de nºs 11/02856594, 1102856578 e 11/02856659, todas de 25.02.2011, bem recentes, portanto, e talvez não tenha tido conhecimento de que as mesmas foram objeto de Assistência Técnica Oficial, requisitada em ato aduaneiro de verificação física do produto PHARMATON por AFRF a um Técnico Certificante Especializado (Perito) Credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com os artigos 813 e 814 do Regulamento Aduaneiro, regulamentados pela INSRFB nº 1.020, de 31/03/2010. A Impugnante, como se disse antes, anexa à Presente os Pedidos Oficiais de Assistência Técnica antes referida, com seus Quesitos e as Respostas (Laudos) correspondentes, emitidos pelo Perito Oficial, alusivos àquelas Declarações de Importação, que são bem expressivos em razão de seu alto teor técnico; é de ressaltar, por altamente oportuno, que o Sr. Fiscal indagou ao Sr. Perito se os componentes do produto apresentam valor de IDR/Ingestão Diária recomendada superior a 100%; O Sr. Perito, embasado em norma legal daquele Ministério, invocou a Portaria nº 023/98, da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que, Fl. 804DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 como já se disse, encontrase em pleno vigor (cópia anexa). Esta Portaria governamental contém, em um anexo, o “Regulamento Técnico para Fixação de identidade e qualidade de Suplementos Vitamínicos e ou de Minerais” (destacouse) e até estabelece sanções para quem não a cumprir (artigo 3º); A AFRF inclui na peça fiscal algumas Declarações de Importação que até já foram objeto de exame OFICIAL, por ocasião do desembaraço aduaneiro do PHARMATON, e nem a este expediente fez referência no auto de infração, apesar de o mesmo constituirse uma peça técnica densa e completa a respeito do assunto e que dissipou inteiramente as dúvidas do AFRF designado para conferir física e documentalmente o produto de que se trata, o que é um absurdo, porquanto o produto foi desembaraçado após a realização de exaustiva análise altamente técnica, requerida por um Fiscal que se interessou, antes de desembaraçar o produto, em se cercar de todas as precauções; a todo ato administrativo dever ser devidamente fundamentado, a ver do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999; a Defendente já foi autuada uma vez, em 2002, pelo mesmíssimo motivo, sendo que a ilustre 2ª Turma dessa prestigiosa DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, em sessão do dia 28/05/2007, julgou a ação fiscal improcedente, Processo nº 11128.005390/200264 (cópia anexa); requer a improcedência do Auto de Infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 14/12/2006 a 14/04/2011 Ementa O produto Pharmaton, registrado no Ministério da Saúde como um medicamento, não se encaixa na definição de suplemento alimentar existente na Portaria ANVISA 32/98, devendo ser considerado como um medicamento do Capítulo 30. Tendo exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício de sua decisão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. A Fiscalização Federal explica no Auto de Infração julgado improcedente as razões por que considerou incorreta a classificação fiscal escolhida pela empresa. O Pharmaton é um suplemento alimentar a base de Ginseng, que se destina à manutenção do bemestar do organismo (http://www.pharmaton.com, em Fl. 805DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720333/201130 Acórdão n.º 3102001.710 S3C1T2 Fl. 5 7 07/06/2011). O produto não pode ser considerado um medicamento, porque não contém substância ativa de efeito curativo ou profilático contra doença ou afecção específica. Sendo assim, não pode ser classificado na posição 30.04, como fez a BOEHRINGER, já que essa posição é específica para medicamentos, e segundo as NESH, não compreende os complementos alimentares contendo vitaminas. 30.04 MEDICAMENTOS (EXCETO OS PRODUTOS DAS POSIÇÕES 30.02, 30.05 OU 30.06) CONSTITUÍDOS POR PRODUTOS MISTURADOS OU NÃO MISTURADOS, PREPARADOS PARA FINS TERAPÊUTICOS OU PROFILÁTICOS, APRESENTADOS EM DOSES (INCLUÍDOS OS DESTINADOS A SEREM ADMINISTRADOS POR VIA PERCUTÂNEA) OU ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO. NESH DO CAPÍTULO 30.04 A presente posição compreende os medicamentos constituídos por produtos misturados ou não misturados, ... ... Além disso, a presente posição não compreende os complementos alimentares contendo vitaminas ou sais minerais e que se destinem a manter o organismo sadio, mas que não tenham indicações relativas à prevenção ou ao tratamento de doenças. Esses produtos, geralmente líquidos, ou eventualmente em pó ou em comprimidos, classificamse, em geral, na posição 21.06 ou no Capítulo 22. Em manifestação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA), cujos Pareceres foram internalizados pela IN RFB n°873/08, concluiuse pela classificação de preparação em comprimido à base de Ginseng, que é o caso do Pharmaton, na NCM 2106.90.30. 21.06 PREPARAÇÕES ALIMENTÍCIAS NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES. 2106.90.30 Complementos alimentares A própria bula do produto Pharmaton o classifica como “suplemento vitamínico”, e não cita em nenhum momento que se trate de um medicamento para tratar uma doença (fls. 211 a 216). Cabe mencionar que o Pharmaton está registrado na Anvisa como medicamento. No entanto, tal classificação leva em consideração um conceito amplo de medicamento, o que não se coaduna com as expressas disposições da Nesh, em que deve prevalecer o conceito mais específico do produto em relação a um conceito mais amplo. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou equivocada a classificação escolhida pela Fiscalização, basicamente porque (i) na análise de um produto semelhante, a COANA emitiu a Solução de Divergência, ressaltando que a ANVISA tem a competência para normatizar os temas alimentos e medicamentos; (ii) o produto contém algumas vitaminas acima do limite informado em Portaria da Anvisa que define percentuais mínimos de Ingestão Diária Recomendada de vitaminas e minerais; (iii) as NESH da posição 2106 retiram dali os produtos profiláticos ou terapêuticos; (iv) o Laudo Técnico correspondente a uma das declarações de importação incluídas na autuação refere textualmente tratarse de um medicamento, por apresentar “valores de IDR (Ingestão Diária Recomendada), na maioria dos casos, muitas vezes superiores aos limites estabelecidos pela RDC n° 269/05 da ANVISA”, (v) Fl. 806DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 a Instrução Normativa RFB nº 873, de 26/08/2008, citada pela fiscalização, em nenhum lugar faz referência de que um produto elaborado à base de ginseng deva ser classificado no capítulo 2106. Inicio por analisar as razões porque a Fiscalização Federal considerou que o produto deveria ser classificado na posição 2106.90.30. Quanto a isso, pareceme não estar correta a afirmação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de que a Instrução Normativa RFB nº 873/08 em nenhum lugar faça referência de que um produto elaborado à base de ginseng deva ser classificado no capítulo 2106. Reproduzo a seguir uma das referências encontradas em seu Anexo I. 2106.90 (...) 7. Cápsulas de ginseng, pesando cada uma cerca de 650 mg, contendo 100 mg de extrato de ginseng fortemente concentrado em concentraçãotipo, óleo vegetal, um antioxidante (lecitina), um agente emulsificante (glicerol), cera de abelha, um agente corante (óxidos de ferro) e tintura de baunilha. V. também os pareceres 1704.90/1 e 2205.10/2. (...) Analisando a questão de outro vértice, embora haja menção na Instrução Normativa à classificação de produtos contendo ginseng, de se reconhecer que, afora a presença desse elemento, o produto importado em pouco se assemelha às cápsulas acima descritas. Não me parece que as cápsulas descritas no item 7 acima contenham vitaminas, minerais e oligoelementos, como é o caos do produto sub examine. Nestas condições, o item 7 do Anexo I da IN RFB nº 873 tem apenas valor indicativo, não se constituindo em um elemento definitivo na escolha da classificação adequada. Também as NESH do Capítulo 30.04 contém indicação apenas parcialmente útil à solução do litígio. Consta que a Posição não compreende os complementos alimentares contendo vitaminas ou sais minerais e que se destinem a manter o organismo sadio, mas que não tenham indicações relativas à prevenção ou ao tratamento de doenças. A exclusão, assim, depende, pelo menos em parte, de que o produto seja reconhecido como um complemento alimentar. Sobre isso, a perícia, ao examinar o produto importado por meio da Declaração de Importação nº. 11/02856594, incluída no Auto de Infração, foi categórica em afirmar que o mesmo não se trata de nem de um suplemento nem de um complemento alimentar. 3 – Tratase de um suplemento alimentar? Não. O produto Pharmaton® não se trata de um suplemento alimentar (ver as respostas aos quesitos n° 1 e 2, anteriores). 4 –Tratase de um complemento alimentar? Não. O produto Pharmaton® não se trata de um complemento alimentar (ver também as respostas aos quesitos n° 1 e 2, anteriores). Fl. 807DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720333/201130 Acórdão n.º 3102001.710 S3C1T2 Fl. 6 9 A meu sentir, restou uma lacuna situada na segunda parte do texto das NESH acima transcrito. A Nota afirma que a posição não compreende (i) os complementos alimentares contendo vitaminas ou sais minerais e que se destinem a manter o organismo sadio, (ii) mas que não tenham indicações relativas à prevenção ou ao tratamento de doenças. Se a classificação do produto como medicamento depende de que ele esteja destinado à prevenção ou ao tratamento de doenças, pareceme que há uma condição que não foi comprovada nos autos. Inclusive, a esse respeito, o Laudo Pericial contém afirmação cuja fundamentação não logrei êxito em identificar no processo. Observese como o Perito manifestase sobre o assunto. 2. Tratase de um medicamento? Sim. Em termos legais, ficou definido através da Portaria n° 032/98 da ANVISA o que deve ser considerado suplemento, assim como o que deve considerado medicamento à base de vitaminas, minerais e suas associações. Em resumo, consideramse "suplementos" os produtos que contenham um mínimo de 25% e no máximo 100% da IDR (Ingestão Diária Recomendada) de vitaminas e minerais. Em contrapartida, consideramse "medicamentos" os produtos cujos esquemas posoióglcos diários situamse acima dos 100% da IDR. Dessa forma e considerando os valores citados na resposta ao quesito de n° 1 acima, podemos concluir que o produto denominado comercialmente como Pharmaton® tratase de um medicamento e não de um suplemento. Embora tenha encontrado clara referência na Portaria nº 032/98 de que os suplementos devem conter um mínimo de 25% e um máximo de 100% de IDR, em nenhum momento foi pronunciado que o produto que transpusesse o limite superior deveria ser considerado um medicamento. O último dos elementos de convicção da Fiscalização referese à menção encontrada na bula do Pharmaton, de que o produto caracterizase como um suplemento vitamínico. Não encontrei tal referência na bula do produto, apenas a menção ao fato de que “Pharmaton, portanto, melhora o rendimento físico e mental e suplementa o organismo com substâncias indispensáveis ao seu bom desempenho”. Não me parece que isso se constitua em uma classificação do produto como um suplemento alimentar. Ainda mais, de se destacar as referências a seguir transcritas encontradas na bula do produto. Todo medicamento deve ser mantido fora do alcance das crianças. Pacientes com condição hereditária rara de intolerância à galactose (ex. galactosemia) não devem tomar este medicamentos. Assim como ocorre com outros medicamentos, devese avaliar a relação entre os riscos e os benefícios antes da administração de PHARMATON durante esse período. (...) (grifos meus) Fl. 808DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 De se acrescentar que ao tratar sobre as indicações do Pharmaton, a bula do produto evidencia que o mesmo não está destinado ás pessoas em condições normais de saúde, mas àquelas de se encontram de alguma forma debilitadas. A exclusão das NESH transcrita no Auto de Infração referese aos complementos alimentares que se destinem a manter o organismo sadio. Transcrevo especificações da bula a esse respeito. Indicações . Nos estados de esgotamento (causados por exemplo por estresse), fadiga, sensação de fraqueza, diminuição da concentração e do desempenho físico e mental. . Nos casos de nutrição malbalanceada ou deficiente causados, por exemplo, pelo avanço da idade ou devidos a hábitos alimentares, perda de apetite, anorexia e debilidade decorrente de doença crônica ou aguda, incluindo cirurgia e convalescença. Creio que, se repassados cada um dos itens que motivaram a autuação, restará demonstrada, data máxima vênia, flagrante fragilidade nos elementos de convicção da Fiscalização Federal, se não vejamos. 1 – o produto especificado no Anexo I da Instrução Normativa RFB nº. 873 como passível de ser classificado na Posição escolhida pelo Fisco guarda pouca identidade com o produto importado; 2 – as NESH da posição 30.04 excluem apenas os produtos classificados como complementos alimentares. Há no processo parecer técnico afirmando textualmente que o Pharmaton não é nem complemento nem suplemento alimentar; 3 – não parece que o Pharmaton esteja registrado na Anvisa como medicamento por que a Agência adota um conceito amplo de medicamento, como afirma a Fiscalização, mas por que o produto está fora dos padrões de Ingestão Diária Recomendada para os suplementos; 4 – a bula do Pharmaton contém diversas indicações de que o produto é um medicamento e nenhuma de que ele seja um complemento alimentar, apenas de que ele suplementa o organismo com substâncias indispensáveis ao seu bom desempenho. A verdadeira questão que remanesceu em aberto diz respeito à possibilidade de que o produto seja enquadrado como um medicamento. Como disse, os esclarecimentos prestados pela Perícia não encontram respaldo na documentação técnica carreada aos autos e a necessidade de que os medicamentos sejam produtos destinados à prevenção ou ao tratamento de doenças, como pode ser interpretado das disposições contidas nas NESH, não foi esclarecida pela Fiscalização autuante. Independentemente disso, uma vez que se entenda haver insuficiência de provas de que a classificação escolhida pelo Fisco esteja correta, desnecessário decidir que a classificação do contribuintes esteja incorreta. Se com os elementos presentes nos autos não é possível atestar o acerto da Fiscalização, o Auto de Infração não pode ser mantido, ainda que a classificação do contribuinte estivesse equivocada. Quanto a isso, embora o Laudo Pericial seja aparentemente impreciso, não há como admitir que o lançamento seja realizado em desacordo com os esclarecimentos técnicos nele contidos. Seria indispensável a realização de novo laudo ou que o mesmo fosse complementado, de tal sorte que respaldasse a escolha da Fiscalização. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720333/201130 Acórdão n.º 3102001.710 S3C1T2 Fl. 7 11 VOTO POR NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Sala de Sessões, 29 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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