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Numero do processo: 35415.000430/2006-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição do recurso especial é de 15 dias da data da ciência da decisão de segunda instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.297
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ser intempestivo.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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score : 1.0
Numero do processo: 13855.001636/99-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 30/06/1993, 31/07/1993, 31/08/1993, 30/09/1993, 31/10/1993, 30/11/1993, 31/12/1993, 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 31/05/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994, 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995,
31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995, 31/01/1996, 28/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997, 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998,
30/04/1998
NORMAS FISCAL CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não se deve conhecer do recurso da Fazenda Nacional quando fundamentado em contrariedade à lei, se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e à decisão do STF foi sumulada com efeitos vinculantes.
Também não se deve conhecer do apelo apresentado pelo Sujeito Passivo quando este, formalmente, desiste do recurso por ele apresentado.
Recursos da Fazenda e do Sujeito Passivo não conhecidos.
Numero da decisão: 9303-001.483
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer dos recursos da Fazenda Nacional e do Sujeito Passivo.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/1993, 31/07/1993, 31/08/1993, 30/09/1993, 31/10/1993, 30/11/1993, 31/12/1993, 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 31/05/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994, 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995, 31/01/1996, 28/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997, 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998 NORMAS FISCAL CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se deve conhecer do recurso da Fazenda Nacional quando fundamentado em contrariedade à lei, se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e à decisão do STF foi sumulada com efeitos vinculantes. Também não se deve conhecer do apelo apresentado pelo Sujeito Passivo quando este, formalmente, desiste do recurso por ele apresentado. Recursos da Fazenda e do Sujeito Passivo não conhecidos.
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ACEF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/1993, 31/07/1993, 31/08/1993, 30/09/1993, 31/10/1993, 30/11/1993, 31/12/1993, 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 31/05/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994, 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995, 31/01/1996, 28/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997, 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998 NORMAS FISCAL CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se deve conhecer do recurso da Fazenda Nacional quando fundamentado em contrariedade à lei, se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e à decisão do STF foi sumulada com efeitos vinculantes. Também não se deve conhecer do apelo apresentado pelo Sujeito Passivo quando este, formalmente, desiste do recurso por ele apresentado. Recursos da Fazenda e do Sujeito Passivo não conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos da Fazenda Nacional e do Sujeito Passivo. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator. EDITADO EM: 15/07/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A decisão de primeira instância assim descreveu os fatos: A empresa em epígrafe foi autuada em relação à Cofins, por falta de recolhimento da contribuição. Foram dados como infringidos os arts. 1º a 5º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Foram lançados os valores de contribuição de R$ 152.244,23, de juros de mora de R$ 61.690,35, e de multa de R$ 114.183,25, totalizando o crédito tributário de R$ 328.117,83. A presente autuação decorreu daquela constante do processo nº 13855.000334/9861, relativo à matriz. Inicialmente, havia sido autuada somente a matriz, pelo valor total dos créditos relativos à matriz e à filial. Posteriormente, solicitouse diligência para se verificar a forma de recolhimento da entidade, que não havia optado pelo recolhimento centralizado. Assim, apartouse a matéria inicialmente constante daquele processo, tendo sido lavrado o presente auto de infração, em que se tributou apenas o faturamento da filial. A entidade entendia estar imune da incidência da Cofins, pelo fato de não possuir fins lucrativos. Apresentou, assim, a impugnação de fls. 34 a 45, acompanhada dos documentos de fls. 46 a 73. Preliminarmente, alegou que teria ocorrido a decadência do direito da Fazenda, em relação aos valores devidos até dezembro de 1994. Citou jurisprudência. Ainda preliminarmente, alegou que a fiscalização teria afirmado que a verificação das irregularidades deuse por amostragem, o que implicaria a nulidade do procedimento. No mérito, alegou que, por ser entidade sem fins lucrativos, seria imune da exigência da Cofins. Segundo a interessada, a imunidade ocorreria nos termos CF/1988, arts. 195, VI, c, e 195, § 7º. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13855.001636/9946 Acórdão n.º 930301.483 CSRFT3 Fl. 460 3 Citou jurisprudência de Tribunais Regionais Federais, acerca da imunidade de impostos do art. 150. Acrescentou que o Sr. Prefeito Municipal de Franca concluiu que a empresa cumpriria os requisitos do CTN, art. 14, o que bastaria para ser considerada imune. Julgando o feito, a turma julgadora de primeira instância manteve o lançamento fiscal, em acórdão assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/1993, 31/07/1993, 31/08/1993, 30/09/1993, 31/10/1993, 30/11/1993, 31/12/1993, 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 31/05/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994 Ementa: RECOLHIMENTO DESCENTRALIZADO DE TRIBUTOS. SEPARAÇÃO DOS DÉBITOS EM NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Inexiste decadência em relação ao lançamento de débitos de contribuição relativos a filial, quando os referidos valores já tenham constado de lançamento primitivo em nome de matriz. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/06/1993, 31/07/1993, 31/08/1993, 30/09/1993, 31/10/1993, 30/11/1993, 31/12/1993, 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 31/05/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994, 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995, 31/01/1996, 28/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997, 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998 Ementa: IMUNIDADE. ENTIDADES DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. Somente são imunes das contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.. Lançamento procedente Irresignada, a interessada apresentou recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes, onde, em apertada síntese, reedita as mesmas razões apresentas na impugnação. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Julgando o feito, a câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir parte da exigência fiscal que havia sido alcançada pela decadência, contada nos termos doa RT. 150 § 4º do art. 150 do CTN. Regularmente intimada do acórdão, a Douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, por contrariedade à lei, onde postula pelo restabelecimento da autuação fiscal, alegando, para tanto, que as contribuições para o financiamento da seguridade social estavam sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei 8.212/1991. Cientificada do acórdão e, também, do recurso especial da Fazenda Nacional, o sujeito passivo apresenta recurso especial, na parte em que foi sucumbente, e, contrarrazoa o especial da Fazenda Nacional. decisão de primeira instância que havia indeferido o pleito da requerente. Ambos os recursos foram admitidos pelo Presidente da Câmara recorrida. O Processo foi sorteado e pautado para julgamento, na então Segunda turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na sessão de julgamento ocorrida no dia 17 de outubro de 2005, aquele Colegiado baixou os autos em diligência ao órgão de origem para que fosse verificado se a autuada atendia as condições previstas no art. 14 do CTN e, também, no art. 55 da Lei 8.212/1991. A diligência deixou de ser efetuada, pois, a teor do disposto no documento de fl. 451, a DRF Franca entendeua desnecessária em razão de o sujeito passivo haver desistido do recurso, no tocante aos créditos não alcançados pela decadência reconhecida pelo Segundo Conselho de Contribuintes. Os autos foram devolvidos à Câmara Superior de Recursos Fiscais e, posteriormente, a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres Os recurso são tempestivos, mas não merecem ser conhecidos pelas razões a seguir aduzidas. A teor do relatado, o recurso apresentado pela Fazenda Nacional estava arrima na suposta contrariedade do acórdão recorrido à lei, mais precisamente, ao art. 45 da Lei 8.212/1991. Acontece, porém, que esse dispositivo legal foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em controle, difuso, é verdade, mas ma teria foi sumulada, com efeito vinculante – STF Súmula Vinculante nº 8. Com isso, a decisão proferida interpartes, passou a ter efeitos erga omnis, vinculando a todos. De outro lado, a declaração de inconstitucionalidade tem efeitos ex tunc, retroagindo à data da edição do dispositivo legal eivado de vício, anulando em sua origem, como se a lei nunca tivesse existido. Essa retroatividade persiste mesmo no caso de haver sido modulados os efeitos da decisão, pois, uma vez declarada a inconstitucionalidade, a nódoa macula o dispositivo permanentemente desde a origem, o que a modulação faz é estender no Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13855.001636/9946 Acórdão n.º 930301.483 CSRFT3 Fl. 461 5 tempo certos efeitos decorrentes da vigência da lei inconstitucional. A norma inconstitucional, salvo nas hipóteses de inconstitucionalidade superveniente, é natimorto, apenas sua certidão de óbito é que foi emitida posteriormente. Voltando aos autos, a contrariedade à lei apontada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, como supedâneo para o recebimento do seu recurso especial, não se verificou, pois o dispositivo apontado como violado, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e como tal, era nulo desde a origem. Assim, não há como conhecer do especial fazendário. No tocante ao especial apresentado pelo sujeito passivo, os documentos acostados aos autos, fls. 445 a 451, comprovam, indubitavelmente, que o recorrente desistiu do recurso, e renunciou a quaisquer alegações de direito sobre as quais este se fundamenta. Diante disso, não há lide a ser dirimida por este Colegiado. Razão pela qual o especial não deve ser conhecido. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer dos recursos da Fazenda Nacional e do Sujeito Passivo. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000365/2003-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2000
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL.
Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considera-se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
FUNDO DE INVESTIMENTO DO NORDESTE (FINOR).
REMUNERAÇÃO DOS SALDOS E DOS EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS.
Os saldos diários dos recursos do FINOR, enquanto não desembolsados pelos bancos administradores e operadores, são remunerados com base na taxa extramercado divulgada pelo Banco Central do Brasil, havendo aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP sobre empréstimos concedidos os referidos recursos.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e
jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-000.756
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. FUNDO DE INVESTIMENTO DO NORDESTE (FINOR). REMUNERAÇÃO DOS SALDOS E DOS EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS. Os saldos diários dos recursos do FINOR, enquanto não desembolsados pelos bancos administradores e operadores, são remunerados com base na taxa extramercado divulgada pelo Banco Central do Brasil, havendo aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP sobre empréstimos concedidos os referidos recursos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo nº 10070.000365/200315 Acórdão n.º 180100.756 S1TE01 Fl. 450 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Substituta Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente acima identificada, CNPJ 33.000.118/000179, formalizou em 28.02.2003, fl. 01, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) no valor de R$36.878,11 destinado ao Fundo de Investimento do Nordeste (FINOR) correspondentes à aplicação do percentual global de 18% (dezoito por cento) do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado com base no lucro real constante na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 1999, fl. 02, apresentada pela pessoa jurídica Telecomunicações do Amapá S/A, CNPJ 05.965.421/000170 que foi incorporada em 02.08.2001, fl. 72. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 304306 as informações em referência foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido ao argumento de que a Recorrente não apresentou a comprovação de tributos federais, de acordo com o art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Cientificada em 21.05.2009, fl. 307verso, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20.06.2009, fl. 308315, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita comprovar a regularidade fiscal, em conformidade com as certidões, inclusive positivas com efeitos de negativas, apresentadas na época da emissão do Despacho Decisório. Defende que a União Federal, instituindo restrições ao reconhecimento do beneficio fiscal, incorre no ilícito do enriquecimento ilícito. Apresenta argumentos em favor da incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic sobre a parcela o IRPJ destinada ao FINOR. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais. Conclui Processo nº 10070.000365/200315 Acórdão n.º 180100.756 S1TE01 Fl. 451 3 Por todo o exposto, pede a Requerente a procedência da presente Manifestação de Inconformidade, de modo a se reformar o despacho decisório, deferindose assim o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. Termos em que, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 7ª TURMA/DRJ/RJO I/REJ nº 1225.822, de 26.08.2009, fls. 362370: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”, com fundamento na existência em 30.06.2000, data da formalização da opção pelo incentivo fiscal com a apresentação da DIPJ: débito correspondente ao débito de Cofins, código 4493, do fato gerador de junho de 2000, inscrito como Dívida Ativa da União nº 72.666.00.00145658 em 14.04.2008 formalizado no processo nº 16707. 002113/200201 decorrente da pessoa jurídica Telecomunicação do Rio Grande do Norte S/A, CNPJ 08.408.254/000155, que foi incorporada em 02.08.2001, fls. 236237 e 356359; débito correspondente ao débito de CSLL, código 1804, do fato gerador de dezembro de 1995, inscrito como Dívida Ativa da União nº 41.6.08.00083077 em 14.11.2000 formalizado no processo nº 10783.200003/0072 decorrente da pessoa jurídica Telecomunicação do Espírito Santo S/A, CNPJ 28.140.226/000107, que foi incorporada em 02.08.2001, fls. 242244 e 360361. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 INCENTIVOS FISCAIS A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Notificada em 29.01.2010 (sextafeira), fl. 372, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02.03.2010, fls. 380391, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta resumidamente (i) tanto à época em que foi proferido o primeiro despacho decisório — 10.02.2005, quanto à época em que proferido o segundo despacho decisório — 02.07.2008 a Recorrente. possuía certidão positiva com efeitos de negativa, o que, conforme o CTN, é instrumento hábil para a comprovação de regularidade fiscal do contribuinte; ii) é vedado à DRJ inovar a lide, trazendo aos autos questão não suscitada pela autoridade fazendária no despacho decisório (momento de verificação da regularidade fiscal); iii) ainda que o momento de comprovação da regularidade fiscal seja a data da entrega da DIPJ (30.06.2000), os débitos apontados pela DRJ como óbices se Processo nº 10070.000365/200315 Acórdão n.º 180100.756 S1TE01 Fl. 452 4 referem a outras empresas, com CNPJs obviamente distintos e que só vieram a fazer parte de uma mesma pessoa jurídica em 16.10.2001; iv) como a empresa é titular de projeto próprio na área do • incentivo (FINOR), a exigência de regularidade fiscal é desarrazoada e deflagra enriquecimento ilícito da União Federal. v) é necessária a correção do incentivo fiscal pela taxa Selic. Conclui Por todo o exposto, pede a Recorrente a procedência do presente Recurso Voluntário, de modo a se reformar o Acórdão, deferindose assim o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC. Nesses termos, pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que se encontra em situação fiscal regular. O litígio versa sobre o PERC formalizado pela Recorrente com o escopo de usufruir do benefício fiscal relativo ao FINOR. Seu pleito foi indeferido sob o fundamento primordial de que a Recorrente estava em situação irregular. O pressuposto é de que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo1. A falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível à Recorrente fazêlo em qualquer fase do processo. Assim, com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeitos de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. 1 Fundamentação Legal: art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995 e Súmula CARF nº 37. Processo nº 10070.000365/200315 Acórdão n.º 180100.756 S1TE01 Fl. 453 5 Tem cabimento a análise da situação fática. Verificase que constam nos autos as seguintes cópias em nome: Telemar Norte Leste S/A, CNPJ: 33.000.118/000179, incorporadora as pessoas jurídicas mencionadas nos autos a partir de 02.08.2001: Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais a Dívida Ativa Da União emitida em 16.01.2009, fl. 351; Certificado de Regularidade do FGTS – CRF emitido pela Caixa Econômica Federal 15.06.2009, fl. 352; Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros emitida em 14.05.2009, fl. 353. Por conseguinte, cabe razão à Recorrente, uma vez que comprovou sua a regularidade fiscal no curso do processo, apresentado um conjunto probatório robusto. A Recorrente diz que deve incidir os juros de mora equivalentes à taxa Selic sobre a parcela o IRPJ destinada ao FINOR. O FINOR foi instituído pelo DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, cujos recursos são provenientes, dentre outras fontes, por parcelas dedutíveis de IRPJ das pessoas jurídicas optantes, que manifestam sua opção irretratável na DIPJ por meio de documento de arrecadação com código de receita específico. A sua administração é distinta e autônoma e exercida pelo Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, pelo Ministério da Integração Nacional, pelo Banco do Nordeste do Brasil S/A. e pelo Banco do Brasil S/A. Os recursos são aplicados em programas e projetos de empresas instaladas no Nordeste considerados prioritários sob a forma de subscrição de ações e de participação societária. A legislação determina que os saldos diários destes recursos, enquanto não desembolsados pelos bancos administradores e operadores, são remunerados com base na taxa extramercado divulgada pelo Banco Central do Brasil, havendo aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP sobre empréstimos concedidos os referidos recursos2. Verificase que o FINOR regese por legislação própria que prevê a remuneração específica. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso3. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de 2 Fundamentação legal: DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 4º da Lei nº 9.126, de 10 de novembro de 1995, art. 13 da Lei nº 7.827, de 27 de setembro de 1989, Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991 e art. 4º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. 3 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Processo nº 10070.000365/200315 Acórdão n.º 180100.756 S1TE01 Fl. 454 6 inconstitucionalidade4. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.
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Numero do processo: 19515.001861/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1º CC nº 14).
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. RESULTADO.
Tratando-se de Auto de Infração lavrado como decorrência dos mesmos fatos que implicaram na exigência do IRPJ, aplica-se àquele o resultado do julgamento deste.
Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
Ementa: PIS. COFINS. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
Tratando-se de contribuições com período de apuração mensal, não há como prosperar a exigência referente aos meses de janeiro a novembro se formalizada considerando a data do fato gerador no encerramento do ano-calendário.
Numero da decisão: 1102-000.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício aplicada e excluir do valor tributável o montante de R$ 1.593.448,25; remanescendo como montante a ser tributado o valor de R$ 1.018.752,74, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1º CC nº 14). Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. RESULTADO. Tratando-se de Auto de Infração lavrado como decorrência dos mesmos fatos que implicaram na exigência do IRPJ, aplica-se àquele o resultado do julgamento deste. Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 Ementa: PIS. COFINS. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Tratando-se de contribuições com período de apuração mensal, não há como prosperar a exigência referente aos meses de janeiro a novembro se formalizada considerando a data do fato gerador no encerramento do ano-calendário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1º CC nº 14). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2004 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. RESULTADO. Tratandose de Auto de Infração lavrado como decorrência dos mesmos fatos que implicaram na exigência do IRPJ, aplicase àquele o resultado do julgamento deste. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2004 Ementa: PIS. COFINS. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Tratandose de contribuições com período de apuração mensal, não há como prosperar a exigência referente aos meses de janeiro a novembro se Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 2 formalizada considerando a data do fato gerador no encerramento do ano calendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício aplicada e excluir do valor tributável o montante de R$ 1.593.448,25; remanescendo como montante a ser tributado o valor de R$ 1.018.752,74, nos termos do voto do relator IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Leonardo de Andrade Couto e João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 19515.001861/201013 Acórdão n.º 110200616 S1C1T2 Fl. 2 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Tratase de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura dos autos de infração, relativamente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, crédito tributário de R$ 1.478.338,48 (fls. 903 a 905); à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, crédito tributário de R$ 102.314,25 (fls. 908 a 909); à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social C O F L N S , crédito tributário de R$ 471.265,68 (fls. 913 a 915) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido C S L L , crédito tributário de R$ 344.213,29 (fls. 918 a 920), referentes aos fatos geradores ocorridos no ano de 2005. Os demonstrativos de apuração do tributo e multa e juros de mora (calculados até 30/06/2010) e enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse junto aos respectivos autos de infração. O Termo de Constatação de Irregularidades T C I (fls. 890 a 900) que faz parte integrante dos autos de infração detalha o procedimento fiscal levado à efeito, cujos principais trechos são a seguir reproduzidos: Esclarecemos que o procedimento de fiscalização relativo ao ano calendário de 2004 foi encerrado em 29/12/2009, com lavratura de A u t o de Infração objeto do Processo Administrativo no. 19515.005036/200954; Esclarecemos também, que o contribuinte procedeu à entrega de D I PJ retificadora relativa ao ano calendário de 2005 em 03/06/2009, após o início da ação fiscal que ocorreu em 12/12/2008. Essa D I P J retificadora será desconsiderada tendo em vista o disposto no art. 7 o , § Io e inciso I do Decreto 70.235/72; O sujeito passivo apresentou, sob intimação lavrada em 09/12/08 (fls. 04 e 05), cópia dos extratos bancários dos anos sob fiscalização e juntadas às fls. 69 a 308 as cópias referentes ao ano de 2005; E m 04/06/2009, foi intimado a comprovar a origem dos valores depositados em suas contas correntes; Verificouse que o sujeito passivo participava, em 2004 e 2005, de vários empreendimentos imobiliários, a maioria deles, constituídos através de Sociedades em Conta de Participação (SCP), das quais participava, tanto como sócio ostensivo, como sócio oculto, possuindo também, empreendimento próprio, ou seja, sem ser através de S C P ; Verificouse diversos registros na contabilidade da Ostensiva ( F G F ) , dos créditos nas contas correntes bancárias, com o histórico de devolução de aportes das SCPs para a ostensiva, de acordo com cópia do Livro Razão n° 14 às fls 827 a 889; Verificouse diversos registros na contabilidade da Ostensiva ( F G F ) , dos créditos nas contas correntes, com histórico de distribuição de receitas. Foi esclarecido que os lançamentos com o titulo de "Distribuição de Receita", referiam se, na realidade, a devolução de aporte, distribuição de lucros e receita da ostensiva; Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 4 Procedemos então a novo levantamento dos créditos em contas correntes referentes às devoluções de aportes, acrescentando as devoluções registradas à título de distribuição de receita, conforme planilha apresentada às fls. 593, e intimamos o sujeito passivo em 15/10/09 (fls. 594 a 595), a apresentar documentação que comprovasse os aportes feitos pelo mesmo nas SCPs que participava como sócio ostensivo, que deram origem às devoluções de aportes apresentadas na planilha anexa àquele Termo de Intimação (fls. 596 a 598); O contribuinte apresentou a documentação para comprovação dos aportes que originaram as devoluções de aportes em duas partes, a saber: A ) resposta ao item 3 da intimação de 20/08/2009 (fls.386 a 440), B ) resposta à intimação de 15/10/2009 (fls. 602 a 826); Após análise da documentação apresentada, concluímos que os créditos nas contas correntes bancárias da Fiscalizada, contabilizados como devoluções de aporte, não tiverem sua origem comprovada, ou seja, o contribuinte não logrou comprovar que as devoluções de aportes contabilizadas em 2005 tiveram como origem um aporte financeiro no passado, caracterizando tratarse de O M I S S Ã O D E R E C E I T A . O contribuinte foi cientificado da autuação em 02/07/2010 e apresentou em 02/08/2010, a impugnação de fls. 923 a 941, alegando em síntese, o que se segue: 1. A impugnante é empresa que atua no setor imobiliário cuja atividade é a Incorporação Imobiliária. Para a consecução de seu objeto social constitui para cada empreendimento sociedade em conta de participação (SCP) com o objetivo de controle, planejamento e tributação dos empreendimentos imobiliários onde participa como sócia ostensiva, nos termos da lei; 2. Em virtude destes empreendimentos imobiliários, se faz necessário recursos financeiros, o que se procedeu pela impugnante através de aportes de capital em conta corrente bancária específica para cada uma das SCPs para fazer face ao custo da obra. Tais aportes foram feitos de acordo com a necessidade de caixa de cada empreendimento. A impetrante optou por livros próprios para cada uma das SCPs em que é a sócia ostensiva; 3. Os recursos investidos nas S C P pela impugnante tiveram origem no recebimento das vendas de cada unidade imobiliária e foram tributados em cada SCP pelo lucro presumido de acordo com a I N R F B n° 31 de 2001 com as receitas reconhecidas pelo regime de caixa, enquanto que a Sócia Ostensiva, ora impugnante, é optante pelo lucro real em consonância com o parágrafo I o da referida Instrução Normativa; 4. Os tributos foram recolhidos em nome da sócia ostensiva sendo que foi oferecido à tributação das 8 S C P em operação em 2005 e 6 em 2004, a receita bruta de R$ 12.323.577,78. Esta receita após tributação é devolvida aos sócios a título de devolução de aporte e distribuição de lucros; 5. Durante a fiscalização foram apresentados todos os Instrumentos Particulares de Compra e Venda das unidades imobiliárias e a comprovação da tributação de todas as receitas de cada um dos empreendimentos constituídos na forma de SCP. A s receitas de empreendimentos imobiliários são oriundas da venda de unidades imobiliárias e tributadas pelo regime de caixa em cada uma das S C P isoladamente, e o lucro distribuído a seus sócios é isento como as demais sociedades; 6. Há de se afirmar que a apresentação dos extratos bancários, também confirmado pela Sra. fiscal autuante, ocorreu sem imprevistos, corroborando toda a movimentação que ocorreu, de maneira que não poderá ser descartado; Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 19515.001861/201013 Acórdão n.º 110200616 S1C1T2 Fl. 3 5 7. Há que se verificar que as provas apresentadas demonstram de forma coincidente data, valor e operação dos créditos ocorridos a título de aporte; 8. Verificamos que os extratos bancários foram todos apresentados da forma como solicitados, nos termos em que o próprio auto demonstra. E ainda, em que pese este ponto, o auto de infração menciona na análise da documentação apresentada "que entendemos que a comprovação dos aportes que deram origem às devoluções de aportes mencionadas, deveria ser feita através da apresentação dos extratos bancários da FGF 9. Ao mencionar acerca do lançamento de ofício, o auto de infração apresenta séria contradição, ao afirmar que o impugnante quando solicitado fez as devidas apresentações sobre os registros contábeis e sobre os extratos, onde verificamos a existência da indicação dos registros de cada S C P , citando, inclusive os números das contas correntes, agências bancárias e dos bancos pertinentes a estas movimentações; 10. Indício para se tornar uma presunção válida necessita de prova robusta, o que não ocorreu; 1 1 . Não há que se falar em omissão de receita como qualifica o auto nos artigos 278 a 280 do Regulamento do Imposto de Renda. Não apenas não qualifica, como se demonstra equivocado, pois não há caracterização das disposições aplicadas ao art.281. Nas disposições contidas neste artigo não se verifica a qualificação de nenhuma de suas hipótese de incidência, desqualificando o conceito de omissão de receita; 12. Não há que se falar em incidência sobre o art. 249, II do R I R que menciona acerca dos ajustes do lucro líquido e que deve ser analisado, inclusive com o art. 251, § único, onde menciona o dever de escriturar; 13. Meros depósitos não devem ser caracterizados como omissão de receitas, que caracteriza a restituição de valores já investidos, como demonstra toda a contabilidade apresentada como meio eficaz de prova. Não deveria ter sido afastada a entrega destes documentos fiscais e concluir de maneira presuntiva pela omissão de receitas, quando os fatos demonstram ser aportes financeiros e suas respectivas devoluções; 14. A Súmula Vinculante n° 25 do C A R F deixa de forma expressa a necessidade probatória em fatos devidamente estabelecidos de maneira que a fiscalização e sua eventual autuação demonstrem a existência de ilícito fiscal não podendo ocorrer a atuação com mera liberalidade presumitória; 15. Requer o cancelamento do lançamento , tornandose sem efeito os imposto exigidos, bem assim a multa pretendida de 150%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOI) prolatou o acórdão 1629.226 dando provimento parcial à impugnação para reconhecer como demonstrados a parcela dos aportes de capital feitos pela autuada nas SCPs das quais participava, e que, portanto, justificariam os depósitos feitos em contas corrente de titularidade da interessada nos seguintes moldes: Empreendimento Valor Tributado Valor acolhido Valor Tributável remanescente Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 6 HIGHLANDS R$ 914.452,77 R$ 914.452,77 GREEN PARK R$ 268.675,34 R$ 268.675,34 SWEET LAKE R$ 122.924,31 R$ 119.220,00 R$ 3.704,31 CENTRAL PARK R$ 756.914,82 R$ 756.914,82 SWEET GARDEN R$ 5.807,34 R$ 2.903,67 R$ 2.903,67 DUMAS TOWER R$ 1.700,08 R$ 1.700,08 TOTAL R$ 2.070.474,66 R$ 122.123,67 R$ 1.948.350,99 Além disso, a primeira instância julgadora cancelou parte das autuações do PIS e da Cofins que foram equivocadamente formalizadas com período de apuração anual e não com fatos geradores mensais como seria o correto. Devidamente cientificada do Acórdão, a interessada recorre a este Colegiado ratificando as razões de defesa expedidas na peça impugnatória e trazendo aos autos novos documentos que, segundo afirma, demonstrariam as alegações. É o Relatório. Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 19515.001861/201013 Acórdão n.º 110200616 S1C1T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO A exigência sob exame referese a não comprovação da origem de valores creditados em conta corrente de titularidade da interessada historiados sob a rubrica de “devolução de aporte”. De acordo com a interessada, tais valores seriam concernentes a aportes de capital feitos anteriormente pela recorrente junto a diversas Sociedades em Conta de Participação (SCP) nas quais participaria como sócia ostensiva ou oculta, aportes esses que agora estariam sendo devolvidos. Em vista dessa justificativa, a autoridade fiscal intimou o sujeito passivo a demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a realização dos aportes nas SCPs. Portanto, o cerne da querela consiste em verificar se as justificativas e a documentação apresentada são suficientes para a aceitação de que os depósitos questionados referemse efetivamente à devolução dos aportes efetuados. Tratase, fundamentalmente, de um juízo de valoração probante. Nessa linha, não se pode deixar de ressaltar o trabalho da primeira instância julgadora que efetuou meticuloso exame da documentação trazida aos autos com a impugnação e, sob a ótica dos elementos de prova até então disponíveis nos autos, prolatou decisão irretocável com aceitação dos argumentos que restaram efetivamente comprovados. Correta também a decisão no que se refere às autuações do PIS e da Cofins pois, de fato, o período de apuração dessas contribuições é mensal e não anual, como procedeu a autoridade lançadora. Assim, apenas a exigência concernente ao mês de dezembro deve ser mantida. Do até aqui exposto, na parte em que acolheu os argumentos da impugnação a decisão recorrida não merece reparos, motivo pelo qual voto por negar provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. Em questão preliminar, a interessada questiona a possibilidade de aplicação da presunção para apurar omissão de receita com base na movimentação bancária. Entendo que não se pode acatar qualquer argumento nessa linha, pois tal situação tem previsão legal expressa no art. 42, da Lei nº 9.430/96 e, cumpridas as formalidadades estabelecidas nesse dispositivo, o lançamento é perfeitamente válido em termos formais. Ainda quanto a esse ponto, registrese que o DecretoLei nº 2.471/88, mencionado na peça de defesa, não tem mais aplicabilidade com o advento da norma mencionada. Quanto ao mérito da autuação, ou seja, a demonstração de que os depósitos representam o retorno de valores aportados, seguindo a mesma ordem da decisão recorrida e do recurso voluntário, a análise será feita para cada SCP, individualmente: Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 8 1) Highlands: As devoluções de aporte teriam origem no aumento de participação societária da autuada na SCP com a retirada dos sócios ocultos Luiz Bisachi e Roberto Bisachi. Apesar de terem sido apresentados provas do acordo e da quitação entre as parte , a comprovação da realização do aporte não foi acatada pela decisão recorrida pela inexistência de registro contábil deste aumento de participação. Na peça recursal foi trazida aos autos cópia do Livro Diário da SCP com o registro contábil em 01/01/2005 a débito nas contas 2.2.1.01.0002 e 2.2.1.01.0003 no valor de R$ 419.266,72 e R$ 419.266,71, respectivamente, e a contrapartida a crédito na conta 2.4.2.04.0001 no valor de R$ 836.533,43. Pelo plano de contas da SCP verificase que as contas 2.2.01.0002 e 2.2.01.0003 correspondem a uma dívida com os sócios Luiz Bisachi e Roberto Bisachi e a conta 2.4.2.04.001 representa o passivo da SCP junto à recorrente em função do aporte de capital. Assim, o lançamento em questão indica a transferência da dívida que a SCP tinha com os sócios ocultos para a sócia ostensiva, ou seja, a recorrente. Assim, entendo demonstrada a origem do aportes de R$ 836.533,43. Por outro lado, conforme admitido pela recorrente, o registro contábil foi realizado extemporaneamente e a operação ocorreu em agosto de 2004. Sendo assim, a análise deve ser feita em conjunto para os dois períodos. Para essa SCP, foi registrada a devolução de aporte no montante de R$ 1.266.700,00 em 2004, tendo sido demonstrada a origem de R$ 602.850,00 e remanescendo como não demonstrado o aporte de R$ 663.850,00; conforme decidido no processo 19515.005036/200954 após as duas instâncias de julgamento. Esse valor, somado à devolução de aportes registrada em 2005 (R$ 914.452,77) perfaz o montante de R$ 1.578.302,77; a ser demonstrado pelos aportes realizados. Comprovado o valor de R$ 836.533,43; resta como não justificado o montante de R$ 741.769,34. 2) Central Park: O valor dos aportes que restaram incomprovados monta a R$ 756.914,82. Apesar da interessada ter suscitado na impugnação a realização de aportes no total de R$ 2.144.824,51; entendo que a necessidade de comprovação deve se ater ao montante objeto da exigência. Com relação ao terreno que teria sido incorporado à SCP, a decisão recorrida suscita a inexistência do registro contábil correspondente, o que teria gerado a não aceitação do imóvel como aporte. A recorrente traz aos autos o registro contábil feito na formalização da SCP com o lançamento a débito na conta 1.2.5.02.0001 e a crédito na conta 2.4.2.04.0001 no valor de R$ 1.562.756,80. De acordo com o plano de contas da SCP, a conta de Ativo 1.2.5.02.0001 representa “Terreno Guimarães Passos 2” e a conta 2.4.2.04.0001 corresponde ao passivo da SCP junto à recorrente em função do aporte de capital. Assim, entendo demonstrado o aporte representado pelo terreno, motivo pelo qual voto Poe cancelar a exigência quanto a esse item. 3) Green Park: Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 19515.001861/201013 Acórdão n.º 110200616 S1C1T2 Fl. 5 9 Nesse item, diferentemente do ocorrido em relação à SCP Central Park, a recorrente não trouxe aos autos o registro contábil da incorporação à SCP do imóvel que teria sido usado como aporte. Conforme manifestação da decisão recorrida, seguindo a linha já adotada pela autoridade lançadora, o registro contábil na SCP é condição fundamental para aceitação das operações suscitadas como justificativa aos aportes questionados. Não cabe a justificativa de que o longo tempo decorrido dificultaria a obtenção dos registros na escrituração. A operação sob análise não é a aquisição dos imóveis pela recorrente, operação de fato ocorrida há bastante tempo, mas sim a incorporação do imóvel à SCP como aporte, fato esse ocorrido em período mais recente. Portanto, voto por negar provimento ao recurso nesse item. 4) Sweet Garden: Nesse item, o recurso voluntário não trouxe qualquer argumento ou prova que pudesse contestar a decisão recorrida a qual deixou clara que a prova de pagamento de imposto pela SCP não teria o condão de justificar qualquer aporte feito pela sócia ostensiva. Por esse motivo , também neste item voto por negar provimento ao recurso. 5) Dumas Tower: Com relação ao valor considerado não demonstrado pela autoridade lançadora, a recorrente sustenta que já teria sido computado como receita, mas não apresenta qualquer comprovante da apropriação nos termos suscitados. Por esse motivo, não há como aceitar as razões de defesa. Não foram apresentadas razões de defesa contra a exigência referente à SCP Sweet Lake Em resumo do até aqui exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso e aceitar como demonstrados os valores abaixo indicados: Empreendimento Valor Tributado na autuação Valor acolhido na 1ª instância Valor Tributável após 1ª instância Valor acolhido neste julgamento Valor tributável remanescente HIGHLANDS 1.578.302,77 (*) 1.578.302,77 836.533,43 741.769,34 GREEN PARK 268.675,34 268.675,34 268.675,34 SWEET LAKE 122.924,31 119.220,00 3.704,31 3.704,31 Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 10 SWEET GARDEN 5.807,34 2.903,67 R$ 2.903,67 R$ 2.903,67 CENTRAL PARK 756.914,82 756.914,82 756.914,82 DUMAS TOWER 1.700,08 1.700,08 1.700,08 TOTAL 2.734.324,66 122.123,67 2.612.200,99 1.593.448,25 1.018.752,74 (*)incluindo 2004 e 2005, nos termos expostos no voto No que se refere à imputação da multa qualificada, pareceme que assiste razão à recorrente. Tratandose de uma presunção legal, o ilícito tributário tem origem na assunção de que se obterá o mesmo resultado que se obteve numa generalidade de casos iguais, em virtude de uma lei de freqüência de resultados conhecidos. A norma concede à autoridade o poder de presumir ocorrido esse resultado. Entretanto, a fraude não se presume. Há que se aprofundar a análise dos indícios apurados. Saliento que, a meu ver, não é o fato de se tratar de apenas um indício que descaracteriza o dolo. Ao contrário, indício é prova e a prova indiciária pode perfeitamente firmar convicção quanto à conduta fraudulenta. Só que, em casos como o presente, é necessária a constatação de fatos agravantes complementares que diferenciem perfeitamente esta situação de outras hipóteses de omissão de receita nas quais é aplicada multa de 75%. Sob esse aspecto, a Fiscalização não descreveu nenhuma outra prática adotada pela recorrente que pudesse robustecer a convicção quanto à caracterização da fraude. Entendo que a omissão de receita nos moldes praticados constituise em indício necessário, mas não suficiente, da conduta tipificada nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, motivo pelo qual voto por reduzir a multa de ofício ao percentual de setenta e cinco por cento (75%). De todo o exposto, em síntese , voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do valor tributável o montante demonstrado de R$ 1.593.448,25; remanescendo a como montante a ser tributado o valor de R$ 1.018.752.74, sujeito à multa de 75%. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 19515.001861/201013 Acórdão n.º 110200616 S1C1T2 Fl. 6 11 Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR
score : 1.0
Numero do processo: 13054.000010/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médicas, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.730
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no importe de R$ 4.976,44 referente ao Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul - IPERGS.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médicas, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no importe de R$ 4.976,44 referente ao Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul IPERGS. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 04/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 41DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13054.000010/201041 Acórdão n.º 210201.730 S2C1T2 Fl. 35 2 Trata o presente julgamento exclusivamente do reconhecimento das despesas médicas com o Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul – IPERGS no valor de R$ 4.976,44. Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 21 a 23 da instância a quo, in verbis: A contribuinte supra identificada foi notificada a recolher Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar decorrente das glosas das deduções especificadas nas folhas 03 e 04. A notificada apresentou impugnação tempestiva alegando o que consta na folha 1. Anexa a declaração da folha 07 e Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte da folha 8. Concorda ser indevida a dedução de despesas com instrução e requer a revisão do lançamento. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, restabelecendo as despesas médicas indicadas no comprovante de fl. 07, da Associação Dos Funcionários Públicos Do Estado Do Rio Grande Do Sul, mantendo parcialmente o crédito consignado no auto de infração, considerando que despesas com o Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul – IPERGS, não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos remanescentes postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008 GLOSA DE DEDUÇÕES. As deduções de despesas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física estão condicionadas à previsão legal e comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Devem ser restabelecidas as deduções pleiteadas pelo contribuinte e glosadas pela autoridade fiscal quando devidamente comprovadas na fase impugnatória. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 28/29, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, por ser seu direito o reconhecimento das despesas com o Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul – IPERGS no valor de R$ 4.976,44, conforme os documentos de fls. 30 a 33. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13054.000010/201041 Acórdão n.º 210201.730 S2C1T2 Fl. 36 3 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO Como esclarecido desde o início do relatório, ressalto que remanesce em litígio somente a glosa das despesas declaradas com o Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul – IPERGS no valor de R$ 4.976,44. O julgador recorrido manteve a glosa com base nas seguintes razões: Quanto à dedução das despesas com o Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul IPERGS, cabe ressaltar que tratase de organização que presta diversos serviços como assistência a saúde, previdência e auxílios financeiros aos associados, logo, necessário que os valores descontados dos associados pela fonte pagadora permitam identificar àqueles relativos a saúde e os beneficiários dos serviços prestados, posto que extensivo aos dependentes. Nos documentos anexados não foi possível individualizar os valores e beneficiários da despesa com saúde efetuada junto ao IPERGS. Contudo, juntamente com o Recurso Voluntário, foram apresentados os documentos de fls. 30 a 33, onde está claro que o valor glosado referese às despesas médicas com a própria contribuinte junto ao Plano de Saúde do IPERGS. Destaco o que diz a Declaração de fl. 33: Declaramos para os devidos fins que Lourdes Rodrigues Vieira CPF n° 084.904.73072, descontou no ano de 2008 a importância de R$ 4.976,44 (quatro mil novecentos e setenta e seis reais e quarenta e quatro centavos) a favor do PLANO DE SAÚDE do IPERGS. Destarte, não resta dúvida que esse valor é dedutível do IRPF e deve ser, portanto, restabelecida essa glosa no valor de R$ 4.976,44. CONCLUSÃO Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13054.000010/201041 Acórdão n.º 210201.730 S2C1T2 Fl. 37 4 Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja restabelecida a despesa médica no valor de R$ 4.976,44 referente ao Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul – IPERGS. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002726/2005-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DCTF.
Período de apuração: 4° trimestre de 2004.
EMENTA: ATRASO NA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO 4° TRIMESTRE DE 2004. PROBLEMAS NO SISTEMA ELETRÔNICO DA RECEITA FEDERAL. NÃO EXCLUSÃO DA MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA, SE NÃO OBSERVADO O ADE N° 24/2005.
Os problemas ocorridos no sistema eletrônico da Receita Federal no dia do termo final do prazo para a entrega da DCTF não exclui a imposição da multa pelo atraso na entrega, se esta não ocorreu até o dia 18 de fevereiro, prazo final prorrogado pelo o ADE n° 24/2005.
Numero da decisão: 9101-000.850
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Período de apuração: 4° trimestre de 2004. EMENTA: ATRASO NA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO 4° TRIMESTRE DE 2004. PROBLEMAS NO SISTEMA ELETRÔNICO DA RECEITA FEDERAL. NÃO EXCLUSÃO DA MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA, SE NÃO OBSERVADO O ADE N° 24/2005. Os problemas ocorridos no sistema eletrônico da Receita Federal no dia do termo final do prazo para a entrega da DCTF não exclui a imposição da multa pelo atraso na entrega, se esta não ocorreu até o dia 18 de fevereiro, prazo final prorrogado pelo o ADE n° 24/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. (assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 106DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10950.002726/200514 Acórdão n.º 9101000.850 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Candido, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Claudemir Rodrigues Malaquias, Leonardo de Andrade Couto, Antonio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse auto de infração para a exigência de crédito tributário relativo a multa por atraso na entrega da DCTF referente ao quarto trimestre de 2004, no valor de R$ 500,00. O contribuinte apresentou sua impugnação às fls. 02/07 dos autos. A Delegacia da Receita Federal julgou procedente o lançamento (fls. 13/16). O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 20/23). A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. ATRASO NA ENTREGA PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Tendo em vista o Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° Trimestre de 2004, declarando válidas as declarações entregues até 18/02/2005, e considerando que a publicidade do ato somente ocorreu no dia 12/04/2005, deve ser considerada tempestiva a entrega da DCTF no dia 24/02/2005. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO”. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial, com base em divergência jurisprudencial (fls. 35/44). Baseandose no artigo 113, §3°, do CTN; na IN n° 73/96, na IN n° 126/98 e no ADE SRF n° 24/2005, sustentou a aplicação da multa tendo em vista que a DCTF somente foi entregue 28/02/2005, dez dias após o termo final de entrega da DCTF estabelecido naquele Fl. 107DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10950.002726/200514 Acórdão n.º 9101000.850 CSRFT1 Fl. 3 3 ADE, em virtude dos problemas ocorridos no sistema eletrônico da Receita Federal (18/02/2005). O contribuinte apresentou suas contrarazões às fls. 57/71 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Tratase de se definir se é legítima a imposição da multa por atraso na entrega da DCTF referente ao quarto trimestre do ano de 2004, em face das circunstâncias peculiares que cercam o caso. Temse o seguinte panorama: o termo final do prazo para a entrega da DCTF era o dia 15/02/2005. Sucede que houve problemas no sistema eletrônico da Receita Federal, o que acarretou a impossibilidade de entrega da declaração. O contribuinte efetuou a entrega no dia 24/02/2005. No dia 12/04/2005, foi publicado o Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, estabelecendo como tempestivas as entregas ocorridos até o dia 18/02/2005. Já enfrentei essa celeuma anteriormente, quando integrante da antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Entendo que se a Administração, diante dos problemas ocorridos em seu sistema, regulou a situação, ampliando o prazo para o dia 18 de fevereiro de 2005, essa a data que se deve ter como termo final correto para a entrega da DCTF. De modo que a entrega ocorrida posteriormente deve ser considerada em atraso, ensejadora, desta forma, da imposição da multa prevista na Lei n° nº. 10.426, de 24 de abril de 2002, em seu artigo 7º, que dispõe no seguinte sentido: Art. 7º. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal – SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no Fl. 108DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10950.002726/200514 Acórdão n.º 9101000.850 CSRFT1 Fl. 4 4 caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º; II – de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIR, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º”. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº. 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (grifado) Não há que se abrir concessão, aqui, em cada caso concreto, às hipóteses de entrega ocorrente entre o dia 18 de fevereiro e o dia da publicação do Ato Declaratório, o que se deu em 12/04/2005, sob pena de se ir de encontro ao ato normativo em questão. Isto não se pode admitir neste Tribunal Administrativo, que deve se pautar pelo princípio da legalidade em suas decisões. Convém trazer à tona o texto do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24/2005: Dispõe sobre o prazo de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao 4º trimestre de 2004. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara: Fl. 109DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10950.002726/200514 Acórdão n.º 9101000.850 CSRFT1 Fl. 5 5 Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4º trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. Conforme se observa, o Ato Declaratório é expresso na sua motivação: “considerando os problemas técnicos ocorridos em 15 de fevereiro de 2005”. Ato administrativo que é, é dotado de presunção de legitimidade e de veracidade. E esta presunção abrange os motivos acima exteriorizados. Diante disso, caberia ao contribuinte comprovar que os problemas técnicos ocorridos no sistema eletrônico não se restringiram ao dia quinze, restando impossível a entrega também nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro, ou que lhe foi negada a entrega pessoal nesses dias. Não se tendo comprovado esses fatores, é de se manter a multa que se discute nos autos, em vista do atraso na entrega da DCTF. Ademais, em termos de prazos, se o Ato Normativo estabelece um determinado, não se pode discutir sobre a sua incidência ou não em sede de processo administrativo. Isso implicaria ingerência indevida na competência exercida pela Receita Federal do Brasil. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de se restabelecer a multa por atraso na entrega da DCTF concernente ao quarto trimestre do ano de 2004. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 110DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 10480.003929/2002-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL DECADÊNCIA – CSLL Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não deve ser dado seguimento a recurso fundado no descumprimento
daquela norma, bem como deve ser provido o recurso que se insurge contra a sua aplicação.
Numero da decisão: 9101-001.054
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO conhecer do recurso do Procurador da Fazenda Nacional. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso do Contribuinte para acolher a decadência da CSLL e COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos em 1996. Declarou-se impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL DECADÊNCIA – CSLL Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não deve ser dado seguimento a recurso fundado no descumprimento daquela norma, bem como deve ser provido o recurso que se insurge contra a sua aplicação.
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S/C NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL DECADÊNCIA – CSLL Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não deve ser dado seguimento a recurso fundado no descumprimento daquela norma, bem como deve ser provido o recurso que se insurge contra a sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO conhecer do recurso do Procurador da Fazenda Nacional. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso do Contribuinte para acolher a decadência da CSLL e COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos em 1996. Declarouse impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 308DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10480.003929/200269 Acórdão n.º 9101001.054 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Em processo de interesse de Nova Olinda Corretores de Seguros Ltda. S/C, a antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acolheu a decadência do lançamento de PIS e rejeitoua para os lançamentos de COFINS e CSLL, com fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1996, em decorrência de o lançamento ter sido efetuado em 08.04.2002. Dentro do prazo regimental, a Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso especial com fulcro no art. 7º, inciso I, do RICSRF, alegando que, ao não reconhecer o prazo de dez anos para a decadência do PIS, a Câmara contrariou o art. 45 da Lei nº 8.212/91. A decisão não foi unânime, e assim, restou cumprido requisito nesse sentido para admissibilidade do recurso Por seu turno, o contribuinte também no prazo regimental, interpôs recurso com fulcro no art. 7º, inciso II, do RICSRF, alegando divergência jurisprudencial, e trazendo à colação os acórdãos paradigma n° 10809649, 10517085, CSRF 203 127136, requerendo seja aplicada a Súmula Vinculante n. 8. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10480.003929/200269 Acórdão n.º 9101001.054 CSRFT1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Os recursos tiveram seguimento por atendidos os requisitos legais. Deles conheço. Manejando recurso especial de divergência, a contribuinte pretende seja aplicado o prazo de cinco anos para contagem da decadência da CSLL e da COFINS. De inicio, há que se esclarecer que não se exige no presente processo a COFINS, eis que os lançamentos nos presentes autos se referem ao IRPJ, CSLL e PIS. O Código Tributário Nacional definiu em cinco anos o prazo para contagem de decadência para os tributos, de um modo geral (art. 173). Esse prazo se aplica, inclusive, às contribuições sociais, matéria que não mais comporta discussão, uma vez que o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, com o seguinte enunciado: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". A questão levantada pela PFN reside no fato de não ter sido considerada, no caso, a aplicabilidade do art. 45 da Lei 8.212/91, que estabelece o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições para a seguridade social. Todavia, tendo sido aquele dispositivo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o qual editou súmula vinculante a respeito, não pode ter seguimento o recurso especial fundado em contrariedade ao referido artigo. Isto posto, não conheço do recurso da Fazenda Nacional e dou provimento ao recurso da contribuinte, para acolher a decadência da CSLL, com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1996, eis que o lançamento se deu na data de 08.04.2002 e, aplicandose aqui o disposto no # 4o., do art. 150, do CTN, pelo fato de ter ocorrido pagamento (antecipação), cf. se depreende da DIPJ da contribuinte (fl. 66). É como voto. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 310DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10480.003929/200269 Acórdão n.º 9101001.054 CSRFT1 Fl. 4 4 Fl. 311DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001905/2003-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal).
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.410
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 27/04/2011 Fl. 473DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Em face de Maria Aparecida Heil Costa foi lavrado o auto de infração de fls. 04/06, objetivando a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1999, tendo sido apurada a infração de falta de recolhimento do referido imposto em decorrência de glosa dos valores declarados como área de preservação permanente, de reserva legal e ocupada por benfeitorias do imóvel Fazenda Jacuba pela contribuinte. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 30334.242, que se encontra às fls. 124/133 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 Ementa: ITR/1999. SUJEIÇÃO PASSIVA. O ITR poderá ser exigido de qualquer das pessoas que se prenda ao imóvel rural, em uma de suas modalidades, estando a Fazenda Pública autorizada a exigir o tributo de qualquer uma delas que se ache vinculada ao imóvel, não havendo determinado a referida legislação ordem de preferência quanto à responsabilidade pelo pagamento do imposto. PERÍCIA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, VTN. COMPROVAÇÃO. Desnecessária a realização de perícia quando por " provas documentais é possível a comprovação do fato constitutivo do direito do contribuinte, em especial a delimitação das áreas isentas de tributação e do valor da terra nua. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. A área de Reserva Legal averbada no registro de imóveis antes da ocorrência do fato gerador está excluída da área tributável, independentemente do requerimento/apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a ocorrência do fato gerador, não é, por si só fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. NORMAS PROCESSUAIS MATÉRIA NÃO ALEGADA. Área Ocupada com benfeitorias. Não contestada matéria pelo Recorrente ocorre a limitação da atuação da Delegacia de Julgamento e, por conseqüência, deste Conselho. Nos termos da Fl. 474DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001905/200301 Acórdão n.º 920201.410 CSRFT2 Fl. 2 3 legislação do Processo Administrativo Fiscal, Decreto 70.235/72, art. 17 e art. 42, parágrafo único, considerase não impugnada a matéria de mérito não expressamente contestada pelo Impugnante/Recorrente, sendo, portanto, definitiva a decisão de primeira instância.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência relativa a 117,4ha de área de reserva legal. Intimada pessoalmente do acórdão em 17/07/2007 (fls. 131) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 139/149, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando a violação de dispositivo legal que determina a necessidade de averbação da área de utilização limitada no órgão de registro competente anteriormente ao fato gerador. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 435/2007, de 07/11/2007 (fls. 151/152). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 19/03/2008, a contribuinte apresentou, em 07/04/2008, seu recurso especial de fls. 169/178 e as contrarazões de fls. 183/188. Por meio da informação de fls. 194 foi consignada nos autos a intempestividade do recurso especial da contribuinte. Dessa forma, ao Recurso Especial da Contribuinte foi negado seguimento, conforme Despacho nº 274, de 13/08/2008 (fls. 203/204), tendo em vista a intempestividade da peça recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A matéria em discussão no presente recurso especial limitase à necessidade da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, em momento anterior à ocorrência do fato gerador, para que o contribuinte possa excluir da base de cálculo do do ITR a referida área. No mérito, entendo que é necessária a averbação da área de reverva legal à margem da matrícula do registro de imóveis para que o contribuinte possa usufruir da isenção de ITR sobre ela aplicável. Transcrevo, a seguir, voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage no processo 13984.000688/200485, cujas razões adoto como fundamento do presente voto, in verbis: Fl. 475DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 “Inicio a análise do recurso pela questão da área de utilização limitada, cuja glosa decorre da falta de averbação à margem da matrícula do imóvel. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e Fl. 476DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001905/200301 Acórdão n.º 920201.410 CSRFT2 Fl. 3 5 IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. Fl. 477DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Fl. 478DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001905/200301 Acórdão n.º 920201.410 CSRFT2 Fl. 4 7 Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para, no caso, dar razão à Fazenda Nacional, entendendo que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental, o que não ocorre no caso em apreço, pois inexiste averbação da área de reserva legal informada na DITR, nem tampouco há compromisso firmado pelo sujeito passivo com órgão do poder público no sentido de preservar respectiva área, adequadamente delimitada (esclareço que, sob minha ótica, esta providência pode suprir, em determinadas situações, não verificadas neste feito, a necessidade de averbação).” Não obstante, entendo que tal averbação não precisa estar constituída em momento anterior à época do fato gerador. No presente caso, entretanto, a contribuinte não comprovou tal averbação e não foi possível identificar, pela documentação trazida aos autos (fls. 22/23), sua existência.. Não havendo a averbação da reserva legal na matrícula não há como se beneficiar da exclusão dessa área para fins de apuração da base de cálculo do ITR. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Gustavo Lian Haddad Fl. 479DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fl. 480DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001380/2002-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUDITORIA EM DCTF. FORMALIDADES LEGAIS ATENDIDAS. DECLARAÇÃO DE NULIDADE IMPROCEDENTE.
Demonstrado que o lançamento fiscal atendeu a todas as formalidades exigidas na legislação específica deve-se reformar a decisão que declarou a nulidade da exigência fiscal e determinar o retorno dos autos ao Colegiado Recorrido para que enfrente as demais razões trazidas no recurso voluntário.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 9303-001.484
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, por maioria de votos, em lhe dar provimento, para afastar a nulidade do auto de infração e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López, que negava provimento.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUDITORIA EM DCTF. FORMALIDADES LEGAIS ATENDIDAS. DECLARAÇÃO DE NULIDADE IMPROCEDENTE. Demonstrado que o lançamento fiscal atendeu a todas as formalidades exigidas na legislação específica deve-se reformar a decisão que declarou a nulidade da exigência fiscal e determinar o retorno dos autos ao Colegiado Recorrido para que enfrente as demais razões trazidas no recurso voluntário. Recurso Provido.
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Recorrente Fazenda Nacional Interessado Modena Automóveis Ltda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUDITORIA EM DCTF. FORMALIDADES LEGAIS ATENDIDAS. DECLARAÇÃO DE NULIDADE IMPROCEDENTE. Demonstrado que o lançamento fiscal atendeu a todas as formalidades exigidas na legislação específica devese reformar a decisão que declarou a nulidade da exigência fiscal e determinar o retorno dos autos ao Colegiado Recorrido para que enfrente as demais razões trazidas no recurso voluntário. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, por maioria de votos, em lhe dar provimento, para afastar a nulidade do auto de infração e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López, que negava provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator. EDITADO EM: 15/07/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Fl. 160DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A decisão a quo assim descreveu os fatos: Contra a empresa nos autos qualificada foi lavrado auto de infração eletrônico exigindolhe a Cofins, no período de apuração de novembro e dezembro de 1997. Em prosseguimento, adoto e transcrevo, a seguir, parcialmente o relatório que compõe a decisão recorrida: “1. Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, lavrado em 15/02/2002 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 26/02/2002, formalizando crédito tributário no valor total de R$ ..., com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da falta de regular especificação da origem dos créditos utilizados em compensação com os débitos declarados de novembro e dezembro/97. 2. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte protocolizou a impugnação de fl. 01, em 15/03/2002, juntando os documentos de fls. 02/21 e alegando o que segue: Vimos através desta comunicar que os tributos constante na referida intimação foi informada incorretamente na DCTF do 4o Trimestre de 1997, Compensação Sem Darf e a origem do Crédito como COFINS E PIS Retenção por Órgão Público, sendo o correto Compensação com o Processo nº 9804040190 Antecipação de Tutela 2.Vara São José dos Campos, segue cópias em anexo: 3. Em análise prévia das alegações do impugnante, a autoridade preparadora o intimou a apresentar cópia da petição inicial, relativa a ação judicial 98.04040190, bem como certidão de inteiro teor. Cientificado desta intimação em 02/09/2003, e de posterior reintimação em 12/01/2004, o contribuinte não se manifestou, sendo os autos encaminhados para julgamento em 03/02/2004 (fls. 23/25).” Por meio do Acórdão DRJ/CPS nº 10.095, de 22 de julho de 2005, os Membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP, por unanimidade de votos, julgaram parcialmente procedente o lançamento. A multa de ofício foi excluída com fundamento na Lei nº 10.637/2002. Inconformada com a decisão prolatada pela primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Eg. Conselho, requerendo a nulidade do auto de infração ou a total improcedência do lançamento. Em apertada síntese e fundamentalmente: Fl. 161DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10860.001380/200201 Acórdão n.º 930301.484 CSRFT3 Fl. 151 3 (i) em preliminar, alega a nulidade do auto de infração por entender que houve desrespeito ao provimento judicial que lhe garantia o direito de compensar valores recolhidos a título de PIS, nos termos dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, com débitos de Cofins e PIS. Ainda, que a fiscalização não teria “o poder de retirar a espontaneidade” do tributo exigido da contribuinte. Ou seja, “somente após o esgotamento do prazo de 30 dias que ocorre após a perda da ação, ou de sua suspensão, é que se poderia impor multa e juros”; (ii) também em preliminar, alega a nulidade do auto de infração pela ausência de tipificação de conduta ilícita, uma vez que a fiscalização aponta o ilícito fiscal e deixa de provar a sua concreta tipificação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional. Cita, a seu favor, julgado do Conselho de Contribuintes. Assim, pela ausência de tipificação e ampla defesa, requer a anulação do auto de infração; (iii) no mérito, alega ser improcedente o lançamento, uma vez que a compensação foi feita com créditos de PIS recolhidos nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. Que a lavratura representou o lançamento de ofício de todos os valores de Cofins compensados com os créditos de PIS e que nesta compensação a origem dos créditos sequer foi analisada pela DRJ. Na formação de seu crédito, invoca a semestralidade da base de cálculo do PIS. Cita acórdão da CSRF. Diz que, ainda que não existisse provimento judicial, a compensação teria que ser autorizada em face da declaração de inconstitucionalidade dos referidos decretosleis, com efeito “erga omnes”, e a previsão contida na Lei nº 10.637/2002 que permite a compensação de tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal. Informa que a citada lei alcança fatos pretéritos, por ser mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, cita julgado do STJ. Consta dos autos arrolamento de bens e direitos, para seguimento do recurso ao Conselho de Contribuintes, conforme preceituavam o art. 33, § 2º, da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e a Instrução Normativa SRF nº 264, de 20/12/2002. Julgando o feito, a câmara recorrida anulou o lançamento fiscal, em acórdão assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUDITORIA DCTF. Nulo o processo quando não atendidas as formalidades prescritas em lei. Processo anulado ab initio. Cientificada do acórdão, a Douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, de divergência, no qual se insurge contra a anulação do lançamento fiscal Fl. 162DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O Então Presidente da Câmara recorrida, por meio do despacho de fl. 113, negou seguimento ao apelo fazendário, por entender que a regra prevista no § 3º do art. 7º do Regimento Interno do CARF vedaria a abertura da via especial, posto que, nas palavras do Nobre Presidente, conquanto o dispositivo regimental se refira apenas à anulação de decisão de primeira instância, por interpretação lógica também não é cabível o recurso quando a nulidade for declarada ab initio, como se deu no presente caso. Irresignada, a Fazenda Nacional apresentou agravo de reexame de admissibilidade, o qual foi acolhido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do Despacho de fl. 128. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 131 a 136. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pela recorrida em suas contrarrazões, atendeu aos demais requisitos de admissibilidade, senão vejamos: O dispositivo regimental citado, tanto pelo então Presidente da Câmara Recorrida quanto pelo sujeito passivo, em suas contrarrazões, como norma impeditiva do conhecimento do recurso especial, não trata da hipótese dos autos, pois veda a interposição de recursos no caso de anulação, por vício de forma, da decisão de primeira instância. Essa vedação tem como fundamento o fato de a decisão anulada ser, necessariamente refeito, e, posteriormente, retornada a julgamento pelo Colegiado que a anulou, sendo que a nova decisão de segunda instância pode ser recorrida pela parte sucumbente. Situação bem distinta é a dos autos ora em análise, em que anulou, não a decisão recorrida, mas o próprio lançamento, e, por via de conseqüência, a extinção do processo, ocasionando para a Fazenda uma sucumbência não passível de recurso. Ora, se prevalecesse a tese ora combatida, terseia, sem previsão legal, a supressão do direito de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional manifestarse nos autos, mesmo que tenha a decisão tenhalhe sido desfavorável, como no presente caso. Desta feita, entendo totalmente descabida a utilização da analogia para estender a vedação de apresentação de recurso nos casos de anulação da decisão de primeira instância para ao de anulação do lançamento fiscal. De outro lado, a PGFN demonstrou em seu recurso, analiticamente, o dissídio jurisprudencial, o que satisfaz o outro requisito de admissibilidade. Diante disso, conheço do recurso especial apresentado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ultrapassada a preliminar de nulidade do lançamento, passase, de imediato à questão da pretensa nulidade do lançamento fiscal. A teor do relatado, o Colegiado a quo anulou o lançamento fiscal por entender que este não atendeu as formalidades prescritas em lei. Segundo o voto condutor do acórdão: Fl. 163DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10860.001380/200201 Acórdão n.º 930301.484 CSRFT3 Fl. 152 5 por meio da descrição dos fatos, revelamse os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. A descrição dos fatos de fls. 04 (fotocópia trazida pela contribuinte) é genérica, totalmente deficiente por não dizer qual é a natureza da inexatidão e por remeter o leitor para um demonstrativo (fl. 05) que também nada diz a respeito, com a descrição dos fatos; apenas “comp.s/DARF – Reten. Org. publ. s/ proc”. Antes da autuação, deveria a fiscalização ter procedido à intimação da contribuinte para prestação de informações e detalhamento da descrição dos fatos. Formalidade é, pois, todo o ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança da formação ou da expressão da vontade de um órgão. Ouso discordar do entendimento esposado no acórdão recorrido, pois as formalidades exigidas para o lançamento, elencadas no art1. 10 do decreto 70.235/1972, foram todas, absolutamente, observados pelo autuante, como se pode ver a seguir: O Lançamento traz a qualificação do autuado (item 1, fl. 03); o local e a data da lavratura (item 2, fl. 03); a descrição dos fatos itens 5 (fl. 3), 9 e 10 (fl. 04), e Anexo I (fl. 5); disposição legal infringida (fl. 04); a penalidade aplicável (fl. 4 e 6); a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias (página 3); e a assinatura do autuante, a indicação de seu cargo e a matrícula (fl. 3).Todos esses elementos compõe o rol de formalidades exigidas pelo Decreto 70.235/1972 para o auto de infração. De outro lado, as exigências previstas no art. 142 do CTN estão abrangidas pelo rol acima mencionado. Desta feita, ao contrário do afirmado no voto condutor do acórdão, nenhuma das formalidades exigidas para o lançamento deixou de ser observada na feitura do auto de infração. Quanto à descrição dos fatos, se por um lado não se pode alçála à categoria de obraprima, de outro não se pode negarlhe eficácia em imputar ao sujeito passivo o ilícito fiscal que motivou a autuação fiscal, senão vejamos: O presente Auto de infração originouse da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminada(s) no quadro 3 (tês), conforme INSRF nº 045 e 077/98. 1 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não confirmados (Anexo I), (...) Mais adiante, foi consignado que esse procedimento do sujeito passivo acarretou FALTA DE RECOLHIMENTO OU DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, CONFORME ANEXO iii, DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR. Finalmente, no anexo I, consta o tributo que deixou de ser recolhido, o período de apuração, a data de vencimento, o valor do débito declarado, o valor do crédito vinculado e não confirmado e a origem declarada desse crédito que não foi confirmada, in casu, compensação sem DARF – Retenção de Órgão Público s/ processo. Cabe ainda notar que consta do auto de infração, o informativo detalhado de cada quadro demonstrativo, fl. 2, onde se explica significado de cada um dos anexos ao auto de infração, e como deve ser lido cada um deles. Assim, não há como deixar de reconhecer que o auto de infração continha todas as informações necessária ao entendimento das imputações feitas ao sujeito passivo, tanto isso é verdade que, na impugnação de folha 01, a autuada defendese da acusação fiscal alegando que: Vimos através desta comunicar que os tributos constante (sic) na referida intimação foi informada (sic) incorretamente da (sic) DCTF do 4º Trimestre de 1997, Compensação Sem DARF e a origem do crédito como COFINS E PIS Retenção por Órgão Público, sendo o correto Compensação com o Processo nº 9804040190 Antecipação de Tutela 2. Vara São José dos Campos, segue cópias em anexo: COFINS Novembro/97 Vr. 29.157,45. COFINS Dezembro/97 Vr. 21.467,19. Como evidenciado da impugnação apresentada pelo sujeito passivo, a acusação fiscal foi muito bem entendida por ele, prova disso é que ele se defende do que lhe foi imputado, e confirma, expressamente, a acusação fiscal, isto é, de que havia informado compensação sem DARF com créditos originários de retenção por órgão público, e que tais créditos foram informados equivocadamente, pois ao invés de créditos originário de retenção por órgão público o correto teria sido ele informar compensação com processo nº 9804004019 0, antecipação de tutela, 2ª Vara de são José dos Campos. Deste ângulo, portanto, não se pode alegar que a descrição dos fatos não atingiu os seus fins, quais sejam, informar ao sujeito passivo a acusação que lhe estava sendo imputada, a compensação irregular, a conseqüente glosa. Em outro giro, devese esclarecer que o sujeito passivo, quando autuado, recebeu o auto de infração com todos os seus anexos e as instruções para proceder: Pagar, Parcelar ou impugnar. Nos lançamentos eletrônicos, a formalização dos autos do processo dá se, somente, após a resposta do sujeito passivo, seja, por meio do pagamento, do pedido de parcelamento ou ainda pela impugnação. Se a resposta for a contestação do lançamento, a peça impugnatória e os documentos trazidos para arrimála são autuados em primeiro lugar, em sequência, vem a documentação acostadas pela autoridade preparadora. Completada a instrução, os autos são remetidos ao órgão julgador de primeira instância para analisar o litígio. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10860.001380/200201 Acórdão n.º 930301.484 CSRFT3 Fl. 153 7 Assim procedeu a repartição fiscal, juntando todos os documentos necessários à cognição da autoridade julgadora. O fato de a cópia do auto de infração constante dos autos ser a entregue pelo sujeito passivo junto com sua impugnação, em nada, absolutamente, nada vicia o processo, pois não foi suscitado incidente algum falsidade dos documentos acostados. Assim, é totalmente irrelevante para o deslinde do litígio em análise, a afirmação constante no acórdão vergastado de que A priori, analisando as peças que constituem o presente processo administrativo, verificase que a juntada de fotocópia do auto de infração somente foi trazida ao processo pela contribuinte. Em outras palavras, a unidade preparadora nem se deu ao trabalho de juntar o original do auto de infração. A autoridade julgadora só conheceu dos fatos e a natureza da “declaração inexata” porque a impugnante dignouse a juntar a cópia do auto de infração em sua defesa. De outro lado, com o devido respeito, é totalmente equivocada a afirmação constante no voto condutor do acórdão de que a respeitável decisão “a quo”, numa tentativa de salvar o lançamento, enveredou para uma motivação diferente da que se originou o auto de infração. Explico, a decisão de primeira instância não inovou em nada o lançamento fiscal, se debateu outro tema que não o trazido no auto infração, foi contraargumentar a tese de defesa trazida na impugnação, tese esta que tentava desconstituir a exigência fiscal sob o argumento de que o crédito que informara em DCTF ser originário de retenção de órgão público, na realidade tratavase de crédito oriundo de decisão judicial que lhe fora favorável. Aliás, a defesa resumiuse a um único parágrafo onde, categoricamente, afirmase que: os tributos constante (sic) na referida intimação foi informada (sic) incorretamente da (sic) DCTF do 4º Trimestre de 1997, Compensação Sem DARF e a origem do crédito como COFINS E PIS Retenção por Órgão Público, sendo o correto Compensação com o Processo nº 9804040190 Antecipação de Tutela 2. Vara São José dos Campos, segue cópias em anexo: COFINS Novembro/97 Vr. 29.157,45. COFINS Dezembro/97 Vr. 21.467,19. Ora, se a defesa restringiuse à alegação de que o crédito, ao contrário do informado por ela na DCTF, não era originário de retenção de órgão público, mas sim de um provimento judicial, não poderia o julgador de primeira instância, deixar de analisar esse único argumento de defesa, e ao fazêlo, demonstrou, indubitavelmente, que também não existia o crédito apontado pelo sujeito passivo em sua impugnação. Aliás, devese esclarecer que essa ação judicial apontada pela defesa, como fonte do crédito por ela compensado, foi julgada em seu desfavor, e assim transitou em julgado2. 2 ORIG. : 9804040190 /SP APTE : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADV : HUMBERTO GOUVEIA e VALDIR SERAFIM APDO : MODENA AUTOMOVEIS LTDA ADV : ALMERIO ANTUNES DE ANDRADE JUNIOR REMTE : JUIZO FEDERAL DA 2 VARA DE S J CAMPOS SP RELATOR : DES.FED. CECILIA MARCONDES / TERCEIRA TURMA EMENTA Fl. 166DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 De todo exposto, é de reconhecer que o lançamento fiscal sob exame observou as formalidades legais exigidas e a decisão de primeira instância, ao contrário do alegado no acórdão recorrido, não lhe alterou os fundamentos. Assim, há razão anular o auto de infração. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional para afastar a nulidade do auto de infração, declarada pelo acórdão recorrido, e determina o retorno dos autos ao Colegiado de Segunda instância para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Relator PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – PIS – COMPENSAÇÃO –ART.66, DA LEI Nº 8.383/91– INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 67/92 E Nº 21/97 – PRESCRIÇÃO AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR . I. A IN 21/97 eliminou qualquer óbice para que o contribuinte realize a compensação de tributos de diferentes espécies mediante requerimento perante a SRF. II. Ausência de interesse de agir, tendo em vista que não há nos autos qualquer prova de resistência ou violação por parte da Receita Federal ao direito da autora de efetuar a compensação pela via administrativa. Prejudicada a apelação III. Remessa oficial provida. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Decide a Terceira Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar provimento à remessa oficial e julgar prejudicada a apelação, nos termos do voto da Sra. Relatora. São Paulo, 27 de novembro de 2002 (data do julgamento). CECÍLIA MARCONDES DESEMBARGADORA FEDERAL RELATORA Fl. 167DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13886.000370/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da
Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
Numero da decisão: 2302-001.295
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa divergiu, pois entendeu que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, não houve divergência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 135 1 134 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13886.000370/200755 Recurso nº 258.057 Voluntário Acórdão nº 230201.295 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria Remuneração de Segurados. Recorrente GUARDA MUNICIPAL DE AMERICANA Recorrida DRJ BRASÍLIA DF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa divergiu, pois entendeu que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, não houve divergência. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13886.000370/200755 Acórdão n.º 230201.295 S2C3T2 Fl. 136 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados bem com a cargo da empresa, incluindo a relativa aos Terceiros, cujos valores constaram em folhas de pagamento ou em fichas financeiras e não foram declarados em GFIP, referente ao período compreendido entre as competências março de 1999 a outubro de 2006, conforme relatório fiscal às fls. 64 a 65. Inconformada, a entidade apresentou impugnação conforme fls. 68 a 81. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília proferiu a decisão de fls. 99 a 105, mantendo o lançamento em sua integralidade. Não concordando com a decisão a quo, a sociedade empresária interpôs recurso voluntário, fls. 116 a 131. Em síntese alega a seguinte: a) O relatório fiscal deixou de identificar os fatos geradores; b) Deve ser reconhecida a nulidade da presente NFLD; c) Houve ofensa ao princípio da legalidade; d) Parte do crédito já foi atingida pela decadência; e) Não pode ser aplicada a taxa Selic; f) Requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 134. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto ao argumento recursal de que a NFLD deve ser declarada nula; pois não haveria discriminação clara dos fatos geradores; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 64 a 65; a forma para se apurar o quantum devido, por competência encontrase às fls. 04 a 19. Os valores foram apurados em folha de pagamento e fichas financeiras, que são registros elaborados pela própria recorrente. No relatório de lançamentos, às fls. 28 a 40, estão discriminados todos os fatos geradores, com indicação nominal dos segurados. Assim, não procede o argumento da recorrente de que não há clareza quanto aos fatos geradores. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como dos demais registros, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Quanto à questão preliminar suscitada pela recorrente, na peça recursal, de que o lançamento já fora atingido pela decadência, razão lhe confiro em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13886.000370/200755 Acórdão n.º 230201.295 S2C3T2 Fl. 137 5 Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi realizado, sendo necessário o lançamento de ofício. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. Mesmo porquê para aplicação do art. 150, parágrafo 4º ou 173, inciso I do CTN, há que se analisar o recolhimento rubrica por rubrica, pois na hipótese de o contribuinte não reconhecer determinada parcela como incidente, a mesma somente conseguiria ser apurada em uma ação fiscal. A obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1999 a outubro de 2006. O lançamento foi realizado em 27 de abril de 2007. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Seguindo a interpretação da 1a Seção do STJ (Recurso Especial n 973.733, cuja ementa foi publicada no DJe de 18/09/2009) contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2001, inclusive esta, bem como o décimo terceiro desse ano. A competência dezembro de 2001 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2002; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1o de janeiro de 2003, a qual findaria em 1o de janeiro de 2008. Nesse sentido da contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13886.000370/200755 Acórdão n.º 230201.295 S2C3T2 Fl. 138 7 outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo que parte do lançamento já foi atingida pela fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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