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Numero do processo: 19515.004131/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. DEDUTIBILIDADE.
A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes de apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração.(arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97).
A premissa utilizada pela fiscalização quanto à glosa do ágio como despesa não se sustenta quando aponta o artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.430/96, visto a existência de regra específica que tratou a dedutibilidade do ágio.
Os laudos não contestados pela Fazenda e a ausência de apontamento de dolo na operação não permite que o ágio apurado sobre rentabilidade futura e deduzido pelo contribuinte para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL seja glosado pela Receita Federal. Deve-se ter em mente que as operações
tributárias e societárias (planejamentos tributários) fundadas em negócios jurídicos indiretos não configura simulação, dissimulação ou evasão fiscal, ainda mais quando se tem uma operação aberta, transparente, mesmo com a utilização
de empresa veículo.
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplicação reflexa dos fundamentos tratados no IRPJ. Cancelamento da cobrança em razão da legalidade quanto à dedução do ágio.
MULTA ISOLADA. INSUSTENTABILIDADE E CONCOMITÂCIA.
Insustentabilidade em razão da inexistência de falta de pagamento de IRPJ pelo regime de estimativa, visto que a dedutibilidade da despesa do ágio foi acolhida.
Aplicação da teoria da consunção em razão da concomitância com a multa de ofício
Numero da decisão: 1201-000.659
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
provimento ao recurso, os termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Marcelo Cuba Netto, que dava provimento parcial para afastar a multa concomitante e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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DEDUTIBILIDADE. A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes de apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração.(arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97). A premissa utilizada pela fiscalização quanto à glosa do ágio como despesa não se sustenta quando aponta o artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.430/96, visto a existência de regra específica que tratou a dedutibilidade do ágio. Os laudos não contestados pela Fazenda e a ausência de apontamento de dolo na operação não permite que o ágio apurado sobre rentabilidade futura e deduzido pelo contribuinte para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL seja glosado pela Receita Federal. Devese ter em mente que as operações tributárias e societárias (planejamentos tributários) fundadas em negócios jurídicos indiretos não configura simulação, dissimulação ou evasão fiscal, ainda mais quando se tem uma operação aberta, transparente, mesmo com a utilização de empresa veículo. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicação reflexa dos fundamentos tratados no IRPJ. Cancelamento da cobrança em razão da legalidade quanto à dedução do ágio. MULTA ISOLADA. INSUSTENTABILIDADE E CONCOMITÂCIA. Insustentabilidade em razão da inexistência de falta de pagamento de IRPJ pelo regime de estimativa, visto que a dedutibilidade da despesa do ágio foi acolhida. Aplicação da teoria da consunção em razão da concomitância com a multa de ofício. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 3 2 Recurso conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, os termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Marcelo Cuba Netto, que dava provimento parcial para afastar a multa concomitante e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que negava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, André Almeida Blanco, João Carlos de Lima Junior e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 20/05/2008, que cobra IRPJ e CSLL sob o fundamento de que o contribuinte não demonstrou ser necessária a despesa utilizada na dedução da apuração dos tributos mencionados, nos termos do artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95 e artigos 249, inciso I, 251, 299, 300 e 324 do RIR/99 (IRPJ), artigo 2° e §§, da Lei n° 7.689/88, artigo 10 da Lei n° 9.316/96 e artigo 28 da Lei n° 9.430/96 e artigo 37 da Lei n°. 10.637/2002 (CSLL) e multa isolada (50%) em razão de falta de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre o recolhimento em estimativa. Vejamos as descrições do lançamento através do Relatório Fiscal: A presente ação fiscal na CAMIL ALIMENTOS S/A., CNPJ N° 64.904.295/000103, decorre da ação programada no RPF/MPF 08190002003037710, que resultou na 1avratura de autos de infração de IRPJ e CSLL, referentes a fatos geradores ocorridos nos anos de 1999 a 2003, em virtude glosa de despesas não necessárias a sua atividade, formalizados no processo administrativofiscal n° 19515.003259/200472. Nesse período, reduziram indevidamente o lucro real da empresa despesas de amortização de ágio referente a investimento na RICE S/A. ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES, CNPJ 02.894.695/000128, incorporada pela fiscalizada em 1999. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 4 3 Com o intuito de glosar o mesmo tipo de despesas que porventura tivessem reduzido o lucro real do ano calendário 2004, foi expedido o RPF/MPF n° 0819000 2006023427, que foi ratificado e complementado pelo RPF/MPF n ° 08190002008019630. Assim, a contribuinte foi intimada a informar qual o tratamento contábil e fiscal que deu ao saldo remanescente do referido ágio, ao longo do anocalendário 2004 (fls. 4 e 5). Em resposta, informou que "na empresa Camil Alimentos S/A. o tratamento contábil e fiscal que foi adotado é o descrito na Lei n° 9.532/97, artigo 7 °, inciso III". Ou seja, o valor restante do ágio foi amortizado ao longo do citado ano, reduzindo o lucro real do período e as recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL com fundamento em bases de calculo estimadas (fls. 6 a 8). A apuração do ágio decorreu de alterações societárias abaixo transcritas: A composição societária da CAMIL ALIMENTOS em 11 de fevereiro de 1998 era a descrita na figura seguinte (fls. 710 a 714): Cooperativa Mista Itaquiense Arfei Comércio 50% 50% Camil Alimentos Capital Social: R$ 16 milhões Na Assembléia Geral Extraordinária da COOPERATIVA realizada em 17 de outubro de 1998 (fls. 701 a 703), foi aprovada na integra a proposta de compra da participação societária apresentada pela ARFEI, em representação ao Fundo TCW. No dia 25 de novembro de 1998 foi constituída a RICE S/A. — ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES, CNPJ n° 02.894.695/000128, com sede na Rua Dr. Afonso Escobar, 1193, sala C, Itaqui, RS, e tendo por objeto a participação no capital social de outras sociedades como cotista ou acionista. O capital social integralizado foi de R$ 200,00, divido em partes iguais entre JAIRO SANTOS QUARTIERO e EDUARDO AGUINAGA DE MORAES, ambos diretores da CAMIL ALIMENTOS (Ata da Assembléia Geral de Constituição de fls. 389 a 395). Na Ata Sumária de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 8 de dezembro de 1998 (fls. 704 a 707), a COOPERATIVA confirmou estar realizando todos os atos necessários para implementação da venda da participação na CAMIL ALIMENTOS, acordada na assembléia de 17 de outubro. Nesse documento, a Comissão de Liquidação da COOPERATIVA e os representantes da ARFEI manifestaramse no sentido de que o Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 5 4 pagamento do preço ajustado para a alienação da mencionada participação societária deveria ser efetuado no dia 28 de dezembro daquele ano. Em 18 de dezembro de 1998, foi celebrado o "Contrato de Subscrictio" entre CAMIL HOLDINGS LLC, GARIAL, ARFEI, JAIRO SANTOS QUARTIERO, IVAN JOÃO PALUDO e TCW/CAMIL HOLDINGS LLC (fls. 159 a 280). Nesse instrumento, a GARIAL, controlada da ARFEI, e a TCW/CAMIL HOLDINGS LLC (subsidiária do Grupo TCW), qualificada como "Investidor", comprometeramse, mediante uma série de transações ali descritas, a se tornarem os únicos detentores de todas as ações da CAMIL ALIMENTOS. Como condição prévia para o "Fechamento", os "Investidores ARFEI" (a GARIAL, a ARFEI, JAIRO SANTOS QUARTIERO e IVAN PALUDO) concordaram em tomar as medidas societárias seguintes: a) a ARFEI deveria aumentar o capital social da GARIAL, transferindo para esta todas as ações da CAMIL ALIMENTOS detidas por ela, bem como seus direitos de preferência na aquisição de outras ações da empresa, em troca da emissão e entrega de ações representando a totalidade do capital social da GARIAL; b) a GARIAL, por sua vez, iria aumentar o capital social da CAMIL HOLDINGS, transferindo para ela os referidos ações e direitos de preferência, em troca de ações representando todo seu capital social; c) a CAMIL HOLDINGS deveria então ceder à RICE os citados direitos de preferência. Conforme previsto no acordo, a ARFEI transferiu seus cinqüenta por cento de participação na CAMIL ALIMENTOS, juntamente com seu direito de preferência na aquisição de ações da coligada, para a empresa panamenha GARIAL, em troca da emissão e entrega de ações representando a totalidade do capital social dela. A GARIAL, a seguir, capitalizou a CAMIL HOLDINGS LLC, através da transferência da participação e dos direitos de preferência que recebeu (fl. 212). Após essas transações, a ARFEI ainda, indiretamente, continuou detendo, portanto, metade do capital social da CAMIL ALIMENTOS. O item 3.1, letra (b), do citado "Contrato de Subscrição" deixa claro que a CAMIL HOLDINGS, a GARIAL e a RICE são empresas recémconstituídas para participar da operação, as quais não iriam assumir passivos ou obrigações nem conduzir atividades, exceto as relacionadas direta ou indiretamente com as "Ações dos Investidores ARFEI" ou as "Ações da CAMIL". Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 6 5 O Livro de Transferência de Ações Nominativas da CAMIL ALIMENTOS demonstra que tais operações se concretizaram (fls. 669 a 681). Reza o "Contrato de Subscrição" (fl. 213) que, por ocasião do "Fechamento", a CAMIL HOLDINGS se dispôs a vender A TCW cinqüenta por cento de seu capital social, após a emissão de novas ações, pelo preço total de subscrição de US$ 31 milhões. A CAMIL HOLDINGS deveria então aplicar os ganhos decorrentes desse preço de subscrição para efetuar um aumento de capital na RICE. Esta, em contrapartida, iria aplicar os ganhos de capitalização para subscrever novas ações do capital social da CAMIL ALIMENTOS por um preço total de compra de US$ 31 milhões, em valor equivalente em moeda brasileira na data do "Fechamento". Diz ainda o contrato que, simultaneamente A capitalização da CAMIL ALIMENTOS, a RICE, "dependendo da obtenção dos financiamentos necessários no Brasil", iria exercer os direitos de preferência a ARFEI, comprando as ações da CAMIL ALIMENTOS em poder da COOPERATIVA (fl. 213). Colocando em prática o que foi celebrado, a RICE realizou em 21 de dezembro de 1998 Assembléia Geral Extraordinária (fls. 396 a 402), aprovando o aumento de seu capital social de R$ 200,00 para R$ 37.442.000,00, mediante a emissão de 37.441.800 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, ao preço de emissão de R$ 1,00 cada, das quais 3.615.000 ações foram integralizadas naquela data e as demais 33.826.800 ações a serem integralizadas, em 22 de dezembro do mesmo ano, em moeda corrente nacional pela nova acionista CAMIL HOLDINGS. Seu capital social passou a ser, assim, de R$ 37.442.000,00, dividido em 37.442.000 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal. A nova acionista declarou haver também transferido para a RICE os direitos de preferência para a aquisição das ações da CAMIL ALIMENTOS em poder da COOPERATIVA. Assinaram a ata da assembléia JAIRO SANTOS QUARTIERO, EDUARDO AGUINAGA DE MORAES e PEDRO LUÍS GALVÃO SERAPHIM, procurador da CAMIL HOLDINGS. No dia 22 de dezembro de 1998, em Assembléia Geral Extraordinária (fls. 104 a 106), foi aprovado a aumento do capital social da CAMIL ALIMENTOS de R$ 16 milhões para R$ 23.744.322,00, mediante a emissão de 3.424.100 ações, das quais 1.369.640 ações ordinárias nominativas e 2.054.460 preferenciais nominativas, pelo valor total de R$ 37.355.000,00, naquela data totalmente integralizadas em moeda nacional pela RICE. Foram destinados R$ 7.744.322,00 à conta de capital e R$ 29.610.668,00 à conta de reserva de ágio. Assinaram a ata JAIRO SANTOS QUARTIERO (como presidente da assembléia e sócio da RICE), EDUARDO AGUINAGA DE MORAES (como Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 7 6 sócio da RICE), PEDRO LUÍS GALVA SERAPHIM (como secretário da assembléia e procurador da CAMIL HOLDINGS) e PEDRO D'ALCANTARA MONTEIRO NETO e ELÓI SALING (como representantes da COOPERATIVA). Os livros e documentos obtidos no curso da fiscalização atestam a efetiva transferência de R$ 37.355.000,00, da RICE para a CAMIL ALIMENTOS, em 22 de dezembro de 1998 (fls. 408 e 581). A RICE pagou, assim, o preço de R$ 10,91 para cada nova ação que adquiriu da coligada. O capital social da CAMIL ALIMENTOS, naquela data, ficou assim dividido: a RICE (controlada pela CAMIL HOLDINGS) com 22,95%; a CAMIL HOLDINGS (controlada igualitariamente pelo Grupo TCW e pela GARIAL, controlada da ARFEI) com 38,525%; e a COOPERATIVA também com 38,525%. Em 28 de dezembro de 1998, a RICE exerceu os direitos de preferência transferidos pela CAMIL HOLDINGS em 21 de dezembro, adquirindo, pelo valor de R$ 25.305.000,00, a participação societária da COOPERATIVA na CAMIL ALIMENTOS (fl. 409). Ressaltese que após a capitalização da CAMIL ALIMENTOS, a RICE não mais dispunha de liquidez para a compra da participação em poder da COOPERATIVA. Para possibilitar a concretização da compra, a CAMIL ALIMENTOS fez, em 24 de dezembro de 1998, empréstimo de R$ 25.305.000,00 à PALMEIRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A., CNPJ n° 02.865.788/000124 (empresa constituída em 8 de outubro de 1998 por MOACIR ZILBOVICIUS e CELINA PANNUNZIO, com capital social integralizado de apenas R$ 10,00 — fls. 227 a 238), para pagamento em 365 dias, sem nenhum encargo a titulo de juros ou correção monetária (fls. 540 a 544). Em seguida, a PALMEIRA emprestou os mesmos R$ 25.305.000,00 para a RICE, também para serem pagos dali um ano, sem juros ou atualização monetária (fls. 545 a 587). Para materializar tais operações, a CAMIL ALIMENTOS comprou dois cheques administrativos emitidos em nome da PALMEIRA e depositados diretamente na conta da COOPERATIVA (fl. 542), cumprindo o item 2 do "Contrato de Subscrições de Ações e Outras Avenças" (fls. 525 a 530), que estipulava: "0 preço total de aquisição das AÇÕES (o Preço de Aquisição) é de R$ 25.305.000,00 (vinte e cinco milhões, trezentos e cinco mil reais), pagáveis da seguinte forma: • por uma Nota Promissória Pro Soluto do PREÇO DE AQUISIÇÃO, sacada pela RICE e avalizada pela CAMIL, com vencimento em 24 de dezembro de 1998, que deverá ser resgatada contra a entrega de um cheque de emissão da CAMIL em favor de PALMEIRA, com 'endosso em preto' desta para a COOPERATIVA." Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 8 7 Ou seja, os recursos utilizados pela RICE para a compra das ações em poder da COOPERATIVA foram os mesmos recursos utilizados na integralização de ações do capital da CAMIL ALIMENTOS, efetuada pela própria RICE poucos dias antes. Em 30 de setembro de 1999 foram incorporadas A CAMIL ALIMENTOS a RICE e a PALMEIRA, conforme descrito nas atas de assembléias realizadas pela incorporadora e pelas incorporadas (fls. 120 a 129, 296 a 300 e 403 a 405). No protocolo ajustado entre a Camil, Rice a Palmeira destacou se o seguinte: a) Em virtude da operação, foi incorporado um Patrimônio Liquido no valor de R$ 23.760.361,88, o qual serviu para reduzir a participação que a incorporada detinha na CAMIL ALIMENTOS no valor equivalente a R$ 24.870.596,49. A diferença, no valor de R$ 1.110.231,61, foi compensada com a utilização de parcela da Reserva de Capital, após o quê a incorporadora aumentou o capital social de R$ 34.083.899,00 para R$ 62.690.084,00, utilizando uma Reserva de Capital remanescente de R$ 28.606.185,00. A incorporação da PALMEIRA não gerou nenhum efeito no capital social da incorporadora, uma vez que o patrimônio líquido dela fazia parte do investimento da incorporada RICE, sua única acionista. b) A participação que a incorporada RICE detinha na CAMIL ALIMENTOS foi extinta. c) Após a operação, o capital social da CAMIL ALIMENTOS passou a ser de R$ 62.690.084,00, dividido em 17.217.946 ações ordinária nominativas, sem valor nominal. Assinaram a ata JAIRO SANTOS QUARTIERO e EDUARDO AGUINAGA DE MORAES, na qualidade de diretores da CAMIL ALIMENTOS, como diretores da RICE e pela PALMEIRA, na qualidade de administradores da RICE, sua única acionista. Anexos à Ata da Assembléia da CAMIL ALIMENTOS estão os laudos de avaliação da PALMEIRA e da RICE, elaborados pela empresa ERNST & YOUNG com base nos valores contábeis de 31 de agosto de 1999 (fls. 124 a 129). Naquela data a PALMEIRA possuía elementos ativos no valor de R$ 25.305.010,00 e elementos passivos no montante de R$ 25.305.000,00, resultando em acervo liquido de R$ 10,00, equivalente ao capital social subscrito. Os valores contabilizados no ativo e no passivo circulante referemse aos mútuos celebrados com a CAMIL e a RICE para concretização da operação de transferência da participação acionária em poder da COOPERATIVA (fls. 301 a 311). Já a RICE possuía elementos ativos no montante de R$ 49.065.361,88 e elementos passivos no valor de R$ 25.305.000,00, resultando em acervo liquido de R$ 23.760.361,88. Tal acervo era composto do capital social, de R$ Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 9 8 34.442.000,00, e pelos prejuízos acumulados, de R$ 13.681.638,12 (fls. 406 a 434). Consta no laudo a discriminação dos investimentos da empresa, que totalizavam R$ 49.064.481,71, conforme segue: a) 10.584.729 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, representando 61,475% do capital social da CAMIL ALIMENTOS (R$ 24.870.596,49); b) Ágio apurado quando da aquisição da participação societária na CAMIL ALIMENTOS (R$ 24.193.875,22); c) 10 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, representando 100% do capital social da PALMEIRA (R$ 10,00). O ágio indedutível contabilizado no ativo permanente da RICE, na rubrica "Ágio s/ Panic. Societárias", após as incorporações, foi contabilizado no ativo diferido da CAMIL ALIMENTOS, na rubrica "Valores a Amortizar", passando a ser gradativamente deduzido na apuração de seu lucro real (fls. 586 a 592). Notese que o Capital Social da CAMIL saltou de R$ 16.000.000,00, em 11 de fevereiro de 1998, para R$ 62.690.084,00, em 30 de setembro de 1999, após as incorporações — um incremento de R$ 46.690.084,00. Nesse período, a "injeção liquida" de recursos promovida pela RICE, ou seja, a capitalização por ela efetuada (R$ 37.355.000,00), descontada dos valores que lhe foram imediatamente repassados para compra das ações em poder da COOPERATIVA (R$ 25.305.000,00) , foi de apenas R$ 12.050.000,00. A contribuinte apresentou impugnação em 18/06/2008, alegando que a autuação não mereceria prosperar pelas seguintes razões, em síntese: a) A autuação restaria calcada em flagrante equivoco, pois o tratamento tributário do ágio pago na aquisição de investimento nos processos de incorporação está previsto nos arts. 7° e 8° da Lei n°. 9.532/97, que estabelece a dedutibilidade do ágio que teve por fundamento a rentabilidade futura. Logo, por se tratar de dispositivo legal especifico, seria evidente o descabimento das regras genéricas relembradas pela fiscalização para a indedutibilidade de despesas que não se revestem dos requisitos de necessidade e normalidade. b) A fiscalização teria se esquecido que na situação ora em discussão existe dispositivo legal especifico que expressamente admite a dedutibilidade da amortização do ágio, o que acabaria por ferir o principio da legalidade. c) As supostas "irregularidades" indicadas pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (ausência de pagamento de mútuos; ausência de realização de operações pelas empresas Rice e Palmeira; diversidade do preço pago na subscrição de ações da Camil Alimentos S/A pela Rice — R$ 10,91 por ação e na aquisição das ações da Camil Alimentos S/A tituladas pela Cooperativa pela Rice — R$ 4,40) seriam atos revestidos da mais absoluta legalidade, sendo que o próprio autuante não menciona qualquer vicio nestas operações. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 10 9 d) Ainda em relação as aventadas "irregularidades" relembradas no parágrafo anterior, ressalta o Defendente que, no momento da incorporação da Palmeira e da Rice pela Camil Alimentos S/A, o prazo para pagamento do mutuo efetuado pela Impugnante não havia vencido, como reconheceria a própria fiscalização. Ademais, a ausência de estipulação de juros não ofenderia qualquer norma jurídica, vez que a própria legislação do IRPJ não caracteriza como distribuição disfarçada de lucros a realização de mútuo entre pessoas jurídicas ligadas sem remuneração (art. 464 e seguintes do RIR199). e) Ademais, a ausência de atividades operativas materiais pelas empresas Rice e Palmeira não pode ter o efeito pretendido pela fiscalização, vez que empresas criadas com o propósito especifico de participar no capital de outras pessoas jurídicas não precisaria realizar nenhuma das operações citadas pela fiscalização. A utilização de empresas de participação seria um dos aspectos mais corriqueiros e comuns na vida empresarial brasileira e não deveria ser considerada como indicio de alguma coisa errada ou suspeita. f) A alegação de que não haveria ágio se a operação de investimento da Camil Holdings do Brasil se desse diretamente, sem a intermediação da Rice, também não mereceria acolhimento, pois a fiscalização teria se esquecido que o contribuinte tem o direito de organizar seus negócios e investimentos da forma que julgar mais adequada e eficiente, do ponto de vista empresarial, conforme previsto no art. 5°, inciso II, da Constituição Federal. g) Ademais, a utilização da Rice teria se tornado mais importante em decorrência do vendedor das ações ser uma cooperativa de produtores rurais e existia a perspectiva de captação de recursos no mercado financeiro nacional para a aquisição. Assim, preferiuse constituir uma pessoa jurídica de participações, com a finalidade de evitar a natural desconfiança do homem do campo e facilitar a referida captação de recursos nacionais. Ademais, se a utilização de uma pessoa jurídica de participações propiciaria a vantagem fiscal colimada nos arts. 7° e 8° da Lei n°. 9.532/2007, enquanto a aquisição direta do exterior precluiria tal possibilidade, porque deveriam as partes envolvidas escolher a estrutura mais gravosa? h) A alegação de que os recursos utilizados pela Rice para a compra das ações da Cooperativa teriam sido os mesmos utilizados na integralização de ações do capital da Impugnante, efetuado pela própria Rice poucos dias antes, também não indicaria qualquer irregularidade. De fato, uma injeção de capital, ainda que tendo como aplicação uma conta corrente entre companhias, teria produzido uma melhoria substancial na apresentação das demonstrações financeiras, facilitando negociações com credores e a obtenção de novas linhas de crédito. Ademais, caberia observar que caso a Rice não houvesse subscrito e integralizado novas ações emitidas pela Impugnante, a conseqüência seria que o patrimônio liquido da mesma seria menor e, assim, quando da aquisição das ações alienadas pela cooperativa seria apurado um ágio maior. i) A diversidade do preço de subscrição das ações da Camil Alimentos S/A pela Rice e da aquisição das ações da Camil tituladas pela Cooperativa também pela Rice não poderia levar a qualquer conclusão, pois seriam negócios jurídicos distintos. Ressaltase que a compra das ações da Cooperativa pela Rice tratouse de uma operação comutativa, entre duas partes independentes e não vinculadas, cujo preço foi livremente pactuado. j) Cabe lembrar, ademais, que as operações ora em discussão já teriam sido objeto de um auto de infração contra a Cooperativa Mista Itaquiense Ltda, que foi julgado improcedente tanto em primeira quanto em segunda instancia (Acórdão n°. 10193.704). Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 11 10 k) Em suma, o que o Autuante teria pretendido foi, sob a desculpa da desnecessidade da despesa, desconsiderar operações realizadas pelas partes, como se houvesse o intuito de fraude ou simulação. Nesta sentido, caberia lembrar que não teria havido simulação, mas sim um negócio jurídico indireto, plenamente aceitável à época, haja vista que as transações ocorreram anteriormente ao parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional, conforme redação dada pela Lei Complementar n°. 104/2001. Ademais, os negócios visariam a um objeto licito, teria havido o ingresso de novos recursos aportados por um novo investidor e não teria havido simulação, dissimulação ou fraude. l) Portanto, seria improcedente a glosa das despesas de amortização de ágio. m) Por fim, as multas isoladas insertas na autuação seriam descabidas, vez que aplicadas após o encerramento do período de apuração, conforme reconheceria o 1° Conselho de Contribuintes (Acórdãos n°. 10321.253 e 10321.192) e a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão n°. CSRF/0105.552). n) O pedido é pela improcedência das autuações. Na decisão da DRJ, de forma diferente do lançamento, julgou o caso sob o ponto de vista do disposto nos artigos 7° e 8° da Lei n°. 9.532/97, mantendo o lançamento fiscal da seguinte forma: 8. No tocante à ausência da comprovação do fundamento econômico do ágio registrado pela Rice, que fez com que a fiscalização considerasse desnecessárias as despesas com sua amortização registradas pelo Impugnante no anocalendário de 2004, verificouse que despesas com amortização de ágio registradas nos anoscalendário de 1999 a 2003 e fundadas nas mesmas operações societárias mencionadas no presente Termo de Verificação Fiscal (fls. 827/846) já foram objeto de glosa no lançamento formalizado no processo administrativo n°. 19515.0 03259/200472. 9. A autuação mencionada no parágrafo anterior (processo administrativo n°. 19515.003259/200472) foi julgada procedente em primeira instância por intermédio do Acórdão n°. 0321.606. Nesta decisão, foram devidamente apreciadas e refutadas todas as razões de defesa tecidas na impugnação sob análise em relação à glosa das despesas de ágio, sendo pertinente transcrevermos o seguinte excerto: “No meu entender, restou claramente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte não conseguiu justificar o motivo da aquisição com elevado ágio de suas ações pela Rice (empresa que foi posteriormente por ele incorporada). Consoante o disposto no art. 329 do RIR/99, especificamente em seu parágrafo 2°, cuja base legal é o Decretolei no. 1.598/77, o lançamento do ágio na aquisição de investimento deve indicar o fundamento econômico do mesmo, podendo ser o valor de mercado dos bens do ativo da investida, o valor da rentabilidade com base em previsão de resultados Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 12 11 futuros, o fundo de comércio e outros. Inclusive, para os dois primeiros fundamentos econômicos mencionados há a exigência legal de que estejam amparados em demonstração devidamente arquivada e mantida junto a escrituração. Na espécie, tanto no procedimento fiscal quanto na impugnação o contribuinte não apresentou o fundamento econômico que teria justificado o pagamento do ágio pela Rice (de aproximadamente R$ 8.64). E mais, apenas dois dias após, consta dos autos que esta adquiriu ações do contribuinte em poder da Cooperativa Agrícola por valor muito inferior (R$ 4,40 por age1o). Qual o fator econômico que justificaria uma diferença tal grande no valor das ações em dois dias? Com certeza não foi o valor de mercado que variou, não foi o valor da rentabilidade futura que caiu em dois dias e não foi o fundo de comércio. Não vislumbro fundamento econômico que justifique tal operação. Tratouse, evidentemente, de um ágio criado. Tal conclusão é reforçada pelo fato de que o montante utilizado pela Rice para adquirir ágio decorreu de empréstimo concedido pelo contribuinte à empresa Palmeira, que emprestou o mesmo valor a Rice. Frise se que a Palmeira foi criada apenas para realizar tal operação e que nesta transação de empréstimos e compra de ações não houve movimentação de numerário, havendo apenas movimento escritura!, vez que tanto a Rice como a Palmeira foram incorporadas pelo contribuinte. Saliento, ainda, que na velocidade em que as transações ocorrerem não haveria como se obter um terceiro financiador, não sendo possível aceitar a alegação do contribuinte de que a idéia inicial não era que ocorresse este empréstimo. É óbvio que ao iniciar as operações, volto a dizer, realizadas "a toque de caixa", todas as etapas já estavam tragadas e planejadas. Não consigo crer em coincidências como as que ocorreram no presente caso: "por sorte, o contribuinte havia recebido um capital decorrente de ágio suficiente para imediatamente realizar um empréstimo, que nem chegou a ser pago, pois os beneficiários dos mesmos também foram imediatamente incorporados..." Então, não tendo fundamento econômico, tal ágio decorreu de mera liberalidade da Rice, não sendo sua amortização dedutível por esta empresa haja vista a falta de necessidade. Por conseqüência, não sendo necessária para a Rice, também não pode ser considerada necessária para o contribuinte após a incorporação. A autorização legal contida nos art. 70 Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 13 12 e 8° da Lei no. 9.532/97 permite a amortização do ágio absorvido na incorporação, por óbvio, apenas quando este tiver sido realizado com fundamento econômico. Em vista disso, entendo ser devida a glosa da despesa referente a amortização de ágio. Tal conclusão, conforme visto, pôde ser alcançada independentemente da análise do fato de que, segundo o contribuinte, o lançamento teria decorrido de desqualificação de negócio jurídico. Ou seja, a motivação da glosa da amortização do ágio não foi as situações "estranhas" apontadas pela autoridade administrativa no Termo de Verificação Fiscal, mas única e exclusivamente a falta de justificação para o pagamento do ágio pela Rice. Em momento algum a autoridade fiscal afirmou ter ocorrido simulação, fraude, abuso de direito ou outra patologia nos negócios efetuados, mas sim procurou reforçar a desnecessidade da despesa, já comprovada pela falta de justificação da mesma, com a apresentação de uma análise pormenorizada da sucessão de operações realizadas pelo contribuinte em um intervalo de dois meses, as quais, se analisadas como um tudo, indicam um caminho tortuoso, desnecessário e, a meu ver, não plausivelmente explicado, para a assunção dos objetivos informados, quais sejam, buscar novo investidor para ajudar na expansão dos negócios e melhorar a apresentação das demonstrações financeiras do contribuinte, o qual enfrentava desconfiança dos estabelecimentos bancários. Se não fosse assim, a autoridade fiscal teria qualificado a multa de oficio; o que não ocorreu. Embora desnecessário para a solução da lide, consoante já afirmado, entendo necessário tecer alguns comentários sobre a decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes em processo cujo interessado foi a Cooperativa Agricola Mista Itaquiense, que vendeu a Rice as ações que possuía do sujeito passivo. Consta do trecho do voto transcrito na impugnação, que o entendimento do Conselheiro teria sido que a autoridade fiscal pretendeu desconsiderar indevidamente atos ou negócios jurídicos, pois a previsão da Lei Complementar n°. 104/22001 não existia a época (além de não ser autoaplicável, conforme parágrafo único introduzido no art. 116 do CTIV) e porque os negócios foram perfeitos, não havendo simulação, enquadrandose perfeitamente como negócio indireto, ou seja, as partes queriam e realizaram negócios jurídicos para atingir Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 14 13 indiretamente a economia de tributos. Para o Conselheiro, o fim do aumento de capital foi querido, só que se limitou a funcionar como condição ulterior de economia de tributos. Permitome discordar do nobre Conselheiro, sob a premissa de que os fatos por ele analisados tenham sido amparados em documentos e informações semelhantes a que tive acesso no presente processo. Para a caracterização de negócio indireto, conforme entendimento de Marco Aurélio Greco ("Planejamento Tributário", Dialética, 2004, p. 253), é necessário que ele tenha sido celebrado para obter um efeito prático equivalente ao outro negócio que as partes não pretendiam realizar pois a carga tributária seria mais elevada. Ora, na espécie, a operação pretendida era o aumento de capital com a participação de novo investidor, ou seja, o negócio seria o de compra e venda de ações, mediante aumento de capital e a subscrição e integralização do mesmo. E assim foi feito. Não houve outro negócio típico, mas apenas a inclusão de cláusulas (condições para o "Fechamento " — referente ao contrato de subscrição fl. 105/223) que permitiram realizar o negócio com a geração de despesas dedutíveis para fins de apuração do Imposto de Renda e da CSLL. E de se concluir que não houve negócio indireto no caso. Ademais, ainda que se pudesse entender ter havido negócio indireto, como pretendeu no nobre Conselheiro, lembro que a ocorrência de um negócio indireto não exclui obrigatoriamente a ocorrência de simulação, fraude a lei, abuso de direito ou qualquer outra patologia. Para o negócio indireto ser licito e ser considerado elisão fiscal e não evasão, não pode apresentar patologias; não basta, pois, ser caracterizado como negócio indireto. Nesse sentido, Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 255): "Em suma, o negócio indireto em si mesmo considerado tanto pode desembocar numa fraude à lei ou num abuso de direito e ai estará desprotegido pelo ordenamento, como poderá se dar sem que isto ocorra. Não é o simples fato de ser negócio indireto que protege ou não o contribuinte, é o caso concreto que vai determinar sua oponibilidade ou não ao Fisco." Por fim, relativamente ao fato de que o disposto na LC n°. 104/2001 não se aplica à época dos fatos aqui discutidos, além do que ainda não foi regulamentado por lei ordinária, lembro que a decisão foi baseada em entendimento doutrinário que, apesar de dominante, não é unânime. Para Marco Aurélio Greco, Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 15 14 independentemente de tal dispositivo, o Fisco poderia efetuar lançamento de oficio relativamente a redução indevida de tributo decorrente não somente de simulação, mas de outras patologias, tais como o abuso de direito e a fraude a lei. 24. Saliento que não pretendo aqui afirmar que esteve presente ou não no caso alguma das patologias mencionadas, até porque, conforme dito, a autoridade fiscal não se posicionou a respeito. O que restou evidente com base nos autos é que o contribuinte não conseguiu esclarecer de forma satisfatória o porquê da etapa final da operação de aumento de capital e entrada de novo sócio (..)" 10. Deste modo, limitandose o contribuinte a repisar as mesmas razões de defesa de mérito já apreciadas e indeferidas com brilhantismo no julgamento em primeira instância do auto de infração formalizado no processo administrativo n°. 19515.003259/2004 72, entendo que deve ser mantida a glosa de despesas empreendida pela fiscalização nos presentes autos, vez que permanece incomprovada a necessidade do ágio suportado pela RICE na subscrição e aquisição de ações do capital social da Camil Alimentos S/A e, por conseqüência, a necessidade da amortização deste ágio pela Defendente que a incorporou. 11. Assim sendo, entendo não haver reparos a serem feitos à glosa das despesas com ágio realizada pela fiscalização na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. No mais a decisão manteve a cobrança da multa de 75% do tributo em conjunto com a multa isolada quanto à estimativa. Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte protocolou Recurso Voluntário, em 17 de dezembro de 2010, sendo cientificada da decisão em 26/11/2010, alegando em síntese que: a) A decisão ora recorrida deve ser considerada nula e destituída de qualquer efeito, visto que a mesma alterou o enquadramento legal do auto de infração. Com efeito, a fiscalização sustentou que a amortização do ágio seria uma despesa desnecessária, nos termos do art. 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95, que dispõe o seguinte: "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n°4.506, de 30 de novembro de 1964: III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 16 15 imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços;" Igualmente citou como enquadramento legal do auto de infração os arts. 249 inciso I, 251, 299, 300 e 324 do RIR199, que tratam de uma forma genérica acerca dos requisitos de dedutibilidade dos custos e despesas operacionais. Ante o enquadramento legal acima descrito, a ora Recorrente impugnou o Auto de Infração esclarecendo o que segue: 25. Aliás, por se tratar de dispositivo legal especifico sobre a matéria objeto de análise deve prevalecer em detrimento das regras invocadas pelo auditor fiscal sac) genéricas. 26. Ocorre que. a autoridade fiscal ao invés de aplicar a Lei e reconhecer a dedutibilidade das despesas referentes a amortização do ágio, se esmera em citar jurisprudência de caráter genérico acerca da indedutibilidade da despesa operacional que não se revista dos requisitos de necessidade e normalidade. Ou seja, o agente fiscal esquece que na situação ora em discussão existe dispositivo legal especifico que expressamente admite a dedutibilidade da amortização do ágio. Com efeito, o art. 7° da Lei n° 9.532/97 especificamente autoriza a dedutibilidade do ágio, cujo fundamento seja a expectativa de rentabilidade futura, nos casos de incorporação, como a efetuada pela ora Recorrente. Conseqüentemente, nos termos do art. 2° da Lei de Introdução ao Código Civil, deveria prevalecer o disposto na lei especial, qual seja, aquela que expressa e especificamente autoriza a dedutibilidade da despesa decorrente da amortização do ágio para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. Como que reconhecendo a procedência do argumento acima exposto, o julgador de 1ª Instância transcreve o voto formalizado no processo administrativo n° 19515.003259/200472, que igualmente glosa a despesa de amortização do mesmo ágio, mas em relação a períodos base anteriores, de forma tal que a referida transcrição passa a ser parte integrante da decisão ora recorrida (cabe observar que a transcrição ocupa mais que 90% da parte do voto que visa justificar a glosa da amortização do ágio): 6. Relativamente ao argumento apresentado pelo contribuinte, no sentido de que a autoridade fiscal teria baseado o lançamento em enquadramento genérico, entendo que o mesmo não procede. 7. Efetivamente foi utilizado como capitulação legal o dispositivo que trata de forma ampla da dedutibilidade apenas de despesas que sejam necessárias à atividade da empresa, o qual estabelece que estas devem estar revestidas do caráter da normalidade e da usualidade. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 17 16 Em suma, após admitir o vício no lançamento, pretende o julgador de primeira instância sanar o mesmo, ao afirmar o que segue: Mas apenas estaria defeituoso o lançamento caso a falta da necessidade da despesa não tivesse sido comprovada. Tal fato será analisado neste voto. Em suma, o julgador de primeira instância reconhece o vício, mas declara que o seu voto tem por objetivo demonstrar que o enquadramento errado deve prosperar. Assim, prossegue o eminente julgador de primeira instância transcrevendo a decisão objeto de igual processo anterior e adotando como razão de julgar o que segue: 8. No meu entender, restou claramente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte não conseguiu justificar o motivo da aquisição com elevado ágio de suas ações pela Rice (empresa que foi posteriormente por ele incorporada). 9. Consoante o disposto no art. 329 do RIR/99, especificamente em seu parágrafo 2°, cuja base legal é o Decretolei n°. 1.598/77, o lançamento do ágio na aquisição de investimento deve indicar o fundamento econômico do mesmo, podendo ser o valor de mercado dos bens do ativo da investida, o valor da rentabilidade com base em previsão de resultados futuros, o fundo de comércio e outros. Inclusive, para os dois primeiros fundamentos econômicos mencionados há a exigência legal de que estejam amparados em demonstração devidamente arquivada e mantida junto à escrituração. 10. Na espécie, tanto no procedimento fiscal quanto na impugnação o contribuinte não apresentou o fundamento econômico que teria justificado o pagamento do ágio pela Rice (de aproximadamente R$ 8.64)." Como se pode verificar do Termo de Verificação Fiscal, em momento algum foi solicitado à Recorrente que a mesma apresentasse qual a justificativa econômica do ágio pago. Tampouco questionou a fiscalização acerca de qual seria a justificativa econômica do referido ágio. Pelo contrário, a fiscalização todo o tempo insiste em invocar o art. 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95, o qual claramente não é aplicável à hipótese. Vejam que o item 9 da decisão transcrita pelo Relator do voto (portanto, incorporada e parte integrante da decisão ora Recorrida) ora recorrida invoca o art. 329 do RIR/99 para tentar justificar o auto de infração, sob a alegação de que a ora Recorrente em momento algum logrou êxito em comprovar o fundamento econômico do ágio. Em suma, a decisão ora recorrida invoca um dispositivo legal totalmente estranho ao auto de infração, como suporte para a decisão. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 18 17 Tornase evidente que o julgador de primeira instância, ao adotar as mesmas razões de decidir constantes da decisão de primeira instância do processo administrativo anterior que tem por objeto igualmente glosar a dedutibilidade da amortização do ágio, tentou salvar o lançamento, sob a alegação de que a Recorrente, ao deixar de apresentar uma justificativa do fundamento econômico do ágio, teria pago um ágio desnecessário, justificandose a glosa efetuada pela fiscalização, conforme o item 13 da decisão ora recorrida: 13. Então, não tendo fundamento econômico, tal ágio decorreu de mera liberalidade da Rice, não sendo sua amortização dedutível por esta empresa haja vista a falta de necessidade. Por consequência, não sendo necessária para a Rice, também não pode ser considerada necessária para o contribuinte após a incorporação. A autorização legal contida nos arts. 7° e 8° da Lei n°. 9.532/97 permite a amortização do ágio absorvido na incorporação, por óbvio, apenas quando este tiver sido realizado com fundamento econômico. (g.n.) Ocorre que, como já acima exposto, em momento algum a fiscalização solicitou que a Recorrente explicitasse qual a natureza do ágio, bem como qual a sua fundamentação econômica. Com efeito, a fiscalização efetuou diversas solicitações. Entretanto, em momento algum solicitou que a ora Recorrente apresentasse o demonstrativo que justificasse o fundamento econômico do ágio pago. Não obstante, esse sentido, tivesse a fiscalização solicitado a ora Recorrente demonstrativo que justificasse o fundamento econômico do ágio pago, e a Recorrente teria entregue a fiscalização o demonstrativo dos lançamentos contábeis da apuração do ágio no investimento da RICE na ora Recorrente, bem como o Laudo de Avaliação da Camil Alimentos S/A, a valor de mercado, emitido pela Ernst & Young Consultores S/C Ltda., laudo este que comprova que o ágio pago decorria da expectativa de rentabilidade futura. A ora Recorrente junta agora o referido Laudo, bem como cópia dos lançamentos contábeis da Camil que registraram o ágio pago pela RICE como ativo diferido (art. 7° da Lei n° 9.532/97), que claramente explicita que o ágio pago decorreu da expectativa de rentabilidade futura (Docs. 1 e 2). Mais uma vez fica claro que a decisão inovou no que tange ao enquadramento legal da alegada infração da legislação tributária, ao invocar os arts. 7 e 8 da Lei n° 9.532/97, para justificar o auto de infração sob a alegação de que este foi realizado sem qualquer fundamento econômico, questionamento este que não feito no auto de infração. Neste sentido, a defesa da ora Recorrente restou totalmente prejudicada, visto que a Recorrente procurou demonstrar todo o Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 19 18 tempo que o art. 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95 seria inaplicável a hipótese, por genérico, enquanto que agora a decisão ora recorrida pretende a glosa por não atender aos requisitos dos arts. 7 e 8 da Lei n° 9.532/97. Nestes termos, deveria a fiscalização ter questionado especificamente a justificativa econômica do ágio (art. 20, § 2° do Decretolei n° 1.598/77) e não simplesmente ignorar o mesmo, pretendendo a desnecessidade da despesa. Tal fato importa em cerceamento do direito de defesa do contribuinte e infração ao principio da segurança jurídica, visto que o mesmo dirigiu os termos de sua defesa para uma linha de argumentação, enquanto que se houvesse a fiscalização justificado e enquadrado legalmente o auto de infração, conforme o fez a decisão ora Recorrida, teria a Recorrente apresentado defesa diversa, inclusive apresentando o demonstrativo exigido pelo art. 20 do Decretolei n° 1.598/77. Na verdade a ora Recorrente teria apresentado um laudo de avaliação elaborado por empresa independente, isto é, mais do que o demonstrativo que a lei exige, que comprova que o ágio objeto da discussão se justifica em razão da expectativa de rentabilidade futura. Quanto ao mérito, alegou: A mesma operação ora contestada foi objeto de julgamento pelo Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 10193.704), em razão de a fiscalização haver questionado a mesma operação sob o prisma do vendedor (Cooperativa Itaquiense), tendo o Conselho afirmado o que segue: Não pode o Fisco ignorar o aumento de capital na Camil Alimentos com ágio na subscrição Pela Rice, os mútuos contratados pela Palmeira e a aquisição das ações da COOPERATIVA pela RICE, tratando tudo como se fosse um só negócio. Ao contrário, diante das provas juntadas aos autos, as operações estão perfeitamente documentadas, independentes e possíveis de serem realizadas. Do acima exposto, fica claro que as operações realizadas pela ora Recorrente e seus acionistas controladores tinham dois objetivos distintos: (i) adquirir a participação da Cooperativa 'na Camil Alimentos, ora Recorrente; (ii) admitir um novo sócio capitalista com recursos suficientes para prover as necessidades de capital de giro da ora Recorrente, que à época sofria de uma penúria de recursos financeiros para realizar seus negócios. Ainda, confirma a licitude e regularidade de todas as operações realizadas, face à inexistência de vícios que pudessem invalidar tais negócios. Essa a razão pela qual a fiscalização insiste no argumento de que a glosa se justifica, em razão da desnecessidade da despesa, quando existe lei expressamente admitindo a dedutibilidade da despesa decorrente da amortização do ágio, nos termos do art. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 20 19 7, inciso III, da Lei n° 9.532/97, ou seja, o ágio pago e economicamente justificado como decorrente da expectativa de rentabilidade futura. (...) Apenas para recapitular, a alínea "a" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77 referese à hipótese em que existe uma diferença entre o valor de livros e o de mercado de bens tangíveis registrados no ativo da investida. Quanto à alínea "h" do mesmo dispositivo legal, referese ao ágio cuja justificação econômica é a expectativa de rentabilidade futura. Finalmente, o ágio em razão da alínea "c" do mesmo dispositivo legal será aquele que justificado por outras razões econômicas, inclusive fundo de comércio. O erro da fiscalização está em pretender que a regra da necessidade da despesa prevista no art. 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95 seria aplicável à dedutibilidade da amortização do ágio, quando, em verdade, a Lei n° 9.532/97 é uma lei especial que contém regras especificas no que tange à dedutibilidade da amortização do ágio pago. Com efeito, o art. 7° é claro no sentido de que os ágios economicamente justificados como alíneas "a" e "h" acarretarão em uma amortização ou depreciação plenamente dedutível, enquanto que o ágio justificado pela alínea "c" jamais gerará uma amortização dedutível, para fins de apuração do lucro real, quando da ocorrência do evento incorporação, fusão ou cisão. Portanto, se a fiscalização realmente quisesse questionar a dedutibilidade do ágio, deveria fazêlo não sustentando a desnecessidade da despesa, com fulcro no art. 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95, visto ser o mesmo ABSOLUTAMENTE INAPLICÁVEL HIPOTESE ORA EM DISCUSSÃO, mas sim sustentar que o referido ágio teria "outros fundamentos", ou seja, alínea "c" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77, visto que, nos termos do art. 7, § 3°, da Lei n° 9.532/97, a sua amortização não acarretará em uma despesa dedutível, para fins de apuração do lucro real e da base de calculo da CSLL. Efetivamente, a decisão de primeira instância repete de forma exaustiva que a ora Recorrente não conseguiu justificar o fundamento econômico do ágio. Evidentemente, se isso fosse verdade, o que somente se admite ad argumentandum, o procedimento correto teria sido a fiscalização pretender que o referido ágio foi justificado como sendo "fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas", nos termos a alínea "c' o § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77, e não a regra genérica contida no art. 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95. Efetivamente, a ora Recorrente DEMONSTRA de forma cabal e inequívoca que o ágio registrado possuía a justificativa econômica de expectativa de rentabilidade futura, ao entregar à fiscalização Laudo de Avaliação (Doc. 3) e cópia dos lançamentos contábeis da incorporação na ora Recorrente, que Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 21 20 explicitam a justificativa econômica do ágio, ao registrar o mesmo como ativo diferido. Provavelmente a fiscalização preferiu glosar a amortização do ágio, sob o genérico argumento da sua desnecessidade, ao invés de pretender que o mesmo teria como justificação "outras razões econômicas", caso em que a sua dedutibilidade seria vedada, visto que em tal hipótese o contribuinte iria corretamente se defender, apresentando todas as razões e justificativas econômicas que levaram os acionistas da ora Recorrente a pagar o preço que pagaram quando da aquisição das ações da ora Recorrente. Assim, não obstante a decisão de primeira instancia venha a reconhecer que inexistiu qualquer vicio nas operações realizadas, nem mesmo negócio jurídico indireto, arrogase a fiscalização no direito de, subjetivamente, questionar a dedutibilidade do ágio regularmente pago, simplesmente porque, na opinião da fiscalização, o ágio "teria sido criado". Permitir que a fiscalização glose os efeitos fiscais expressamente previstos na legislação, simplesmente porque a fiscalização SUBJETIVAMENTE E DA OPINIÃO DE QUE A OPERAÇÃO E ESTRANHA OU INCOMUM, significa jogar por terra todo o estado de direito. Se a fiscalização tivesse alegado e provado que o ágio pago não se justifica como sendo a "expectativa de rentabilidade futura", mas sim que o mesmo teria qualquer outra justificativa, devendo assim ser classificado na rubrica "outras justificativas econômicas", e o auto de infração seria plausível. Preferiu a fiscalização o ilegal procedimento de dizer que na sua opinião, no sentimento, no seu juízo de valor, o ágio não é necessário. Face à reconhecida inexistência de qualquer vicio nas operações realizadas, seja pelo próprio julgador de primeira instancia, seja pelo Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 10193.704), que analisou as operações objeto deste auto de infração, não pode a autoridade fiscal simplesmente desconhecer do ágio pago, mas sim emprestar as conseqüências jurídicas cabíveis, ou seja, aplicar o que disposto no art. 7° da Lei n° 9.532/97. Mais, a ora Recorrente PROVOU qual a justificativa econômica do ágio, e a fiscalização e o julgador de primeira instancia simplesmente se omitiram quanto ao Laudo de Avaliação e documentos contábeis acostados ao auto de infração (pag. 10, item 4, do TVF). Vejamos os fatos. A RICE adquiriu ações com ágio, em razão da expectativa de rentabilidade futura, em operação reconhecida pela própria fiscalização como isenta de vícios ou defeitos que possam adversamente afetar a sua eficácia. Em seguida, o acervo liquido da RICE foi regularmente absorvido pela ora Recorrente, em operação de incorporação, operação essa igualmente lícita, válida e livre de qualquer questionamento jurídico. O ágio foi regularmente escriturado como ativo diferido, em razão da sua justificativa econômica (expectativa de rentabilidade' futura), nos termos da Lei n° 9.532/97 e Instrução Normativa SRF n° 11/99, como alias o próprio fiscal reconhece Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 22 21 no seu Termo de Verificação Fiscal. Igualmente nos termos da lei, o referido ativo diferido foi regularmente amortizado em um prazo de cinco anos. Em suma, todos os requisitos legais foram observados e cumpridos. Não obstante, a fiscalização pretende glosar a dedutibilidade do ativo diferido, sob o tacanho argumento de que a despesa decorrente da amortização do ágio, plenamente registrada em conformidade com as normas legais, seria desnecessária. Por fim, quanto ao mérito, alegou a tese da impossibilidade da cobrança da multa isolada de forma concomitante com a multa relativa ao tributo, requerendo ao final a nulidade do lançamento, e de forma subsidiária o provimento ao Recurso. O laudo juntado pelo contribuinte não foi contestado pela fiscalização, apresenta metodologia para justificar a rentabilidade futura, sendo apresentado ainda memoriais com cópia de decisões do CARF sobre ágio em operações equivalentes, cópia da decisão da Primeira Câmara que manteve o lançamento do IRPJ sobre ganho de capital da operação da empresa Cooperativa Mista Itaquiense, parecer sobre a licitude e regularidade do laudo sobre rentabilidade futura da empresa Apsis, que traz como conclusão que a metodologia utilizada pelo Laudo da Ernst foi adequada. Por fim, juntou ainda cópia do acórdão da decisão proferida por essa Corte no caso da Camil do período de 1999 a 2003, aonde aguarda julgamento de Embargos de Declaração. Não há nos autos contrarrazões da Procuradoria sustentando a manutenção da decisão da DRJ, muito menos questionando o laudo ou a operação desenhada quanto ao ágio. Registrese! Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, cumpre analisar a questão da nulidade apontada pelo contribuinte quanto à inovação da decisão da DRJ, que buscou trazer para os autos a discussão da suposta ausência da justificativa (fundamento) econômica na apuração do ágio. Entendo que o contribuinte tem total razão quando alega que a DRJ confirmou o lançamento fiscal sobre outro fundamento, não sendo aquele trazido pelo Auditor Fiscal, inovando nos autos, na medida em que o laudo trazido pela empresa (que se trata do fundamento econômico do ágio) sob rentabilidade futura, em nenhum momento foi questionado pela autoridade lançadora, que teve oportunidade para tanto, conforme se constata às fls. 548 e seguintes dos autos (documento juntado antes do relatório fiscal). Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 23 22 Vejamos abaixo de forma discriminada as regras emitidas pelo agente fiscal (norma individual e concreta do lançamento) e pelas autoridades julgadoras (norma individual e concreta de primeira instância administrativa): a) Norma expedida pela fiscalização: Dado o fato de o contribuinte ter se aproveitado de despesas relativas ao ágio que não necessárias para fins de apuração do lucro sob a sistemática da estimativa, então deve se pagar os tributos com multa juros e multa isolada, em razão do aproveitamento indevido dessas despesas. Fundamento de validade: artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95 e artigos 249, inciso I, 251, 299, 300 e 324 do RIR/99 (IRPJ), artigo 2° e §§, da Lei n° 7.689/88, artigo 10 da Lei n° 9.316/96 e artigo 28 da Lei n° 9.430/96 e artigo 37 da Lei n°. 10.637/2002 (CSLL) b) Norma expedida pela DRJ: Dado o fato de o contribuinte não ter demonstrado o fundamento econômico para fins de aproveitamento do ágio a título de dedução da apuração do lucro real, sob o regime de estimativa, então, não pode ser considerada necessária para o contribuinte a despesa do ágio após a incorporação, devendo ser glosado o valor aproveitado, sujeitando o contribuinte ao pagamento de IRPJ e CSLL. Fundamento: não atendimento ao disposto nos artigos 7° e 8° da Lei n°. 9.532/97. Vejo que a decisão da DRJ, a despeito de tentar consertar o lançamento incluindo em seus enunciados como conseqüência que a despesa não deve ser considerada, aplicou como base para esse conseqüente o fundamento principal que antecede a essa conclusão: a ausência de fundamentação econômica do ágio, que não foi questionado pela autoridade lançadora, inovando por completo o fundamento da autuação sob o ponto de vista da norma individual e concreta expedida. O certo é que errou também a autoridade autuante, na medida em que deixou de trazer como fundamento do lançamento a questão dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.430/96. Como o objeto do lançamento fiscal foi a indedutibilidade da despesa do ágio; provando que tal despesa seria dedutível, é certo dar provimento ao apelo do contribuinte quanto ao mérito. Não podemos nos esquecer que a função atribuída a nós julgadores nesse Tribunal é de revisora do lançamento. Se o lançamento se funda em determinado contexto e toma como norma geral determinado dispositivo para a incidência normativa sobre o fato, não pode a DRJ alterar essa norma individual e buscar consertar o lançamento. Como o cerne da questão não se trata de indedutibilidade de despesa, mas de fundamento econômico do ágio aproveitado, vislumbro que faltou na conclusão do Sr. Auditor fundamentar sua investigação na suposta ausência do fundamento econômico do ágio, mencionando o artigo 7° da Lei n° 9.532/97, como fez a DRJ. Contudo, mesmo que a decisão da DRJ tenha extrapolado seus limites, conforme visto acima, vale reconhecer a sua improcedência inicial na parte que extrapolou os limites do lançamento. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 24 23 Em meu entender, a despeito da decisão da DRJ ter extrapolado os limites do lançamento, já corrigido nesse acórdão, podemos constatar que não houve em nenhum momento prejuízo à defesa, pelo contrário, reforça a sua tese, pois a empresa apresentou ao Sr. Auditor Fiscal o laudo que demonstra o fundamento econômico do ágio, qual seja o valor da rentabilidade futura da empresa, que não foi questionado e muito menos comentado. Quanto à alegação de que teria havia cerceamento do direito de defesa em razão da falta de questionamento econômico do ágio, adotando a fiscalização a opção em ignorar o laudo e o fundamento econômico apresentado, não vejo como um cerceamento do direito de defesa, mas uma opção do agente fiscal, reforçando essa conduta à tese da improcedência do lançamento. Portanto, o que remanesce nesse processo a ser julgado, após superada a questão da DRJ ter inovado nos autos, são: a) a dedutibilidade do ágio para fins de apuração do IRPJ e da CSLL pela empresa incorporadora, sem questionar a natureza do ágio, visto que se trata de rentabilidade futura em razão da ausência de questionamentos do laudo pela fiscalização, e se esse ágio é ou não considerado uma despesa dedutível; e b) a concomitância da multa isolada com a multa de ofício. Assim, investigaremos a questão da dedutibilidade do ágio, como despesa e as operações societárias adotadas pela Recorrente para fins de apuração do ágio. O ponto a ser investigado está ligado à restruturação societária da empresa e seus reflexos e questionamentos. Pelos argumentos do contribuinte a reestruturação societária foi feita porque a Cooperativa, sócia detentora de 50% da Camil, se encontrava em meio a problemas financeiros que inviabilizava o poder de reestruturação e decisão da empresa. Assim, num primeiro momento podemos afirmar que as alterações societárias ocorridas visava excluir a Cooperativa do negócio, profissionalizar a empresa e centralizar a administração apenas num grupo econômico é plausível, em razão dos resultados atuais da empresa no mercado, sendo inclusive apurado e cobrado pela fiscalização ganho de capital na transação da venda de ações da cooperativa, o que reforçaria ainda mais a justificativa do ágio apurado na ponta final na empresa Recorrente, pois as operações foram consideradas independentes e possíveis de serem realizadas (vide acórdão 10193.704, julgado em 06 de dezembro de 2001, nos autos do Processo n° 11075.000547/0002): IRPJ PERDA DE CAPITAL TRANSFERÊNCIA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE Se os bens transferidos para integralizar capital de coligada tiverem sido avaliados a preço de mercado, com base em laudo que atende aos requisitos do art. 8° da Lei 6.404/75, a perda de capital apurada é dedutível. GANHO DE CAPITAL ACRÉSCIMO DO CUSTO, ANTES DA ALIENAÇÃO DO INVESTIMENTO, POR SUBSCRIÇÃO DE NOVAS AÇÕES COM ÁGIO NA INVESTIDA. Se todas as operações que precederam a alienação do investimento estão efetivamente comprovadas, foram operações independentes e Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 25 24 possíveis de serem realizadas, não pode o Fisco ignorálas para considerar que tivesse ocorrido um único negócio. CSLL LANÇAMENTO DECORRENTE Cancelado o lançamento do Imposto de Renda, tendo em vista o princípio da decorrência, cancelase, também, o da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Recurso de ofício a que se nega provimento. Como destaque do voto proferido nos autos acima, transcrevese os enunciados editados pela exConselheira Sandra Faroni, que confirmou a decisão da DRJ quanto insustentabilidade do lançamento fiscal, trazendo de forma contundente a distinção entre simulação e negócio indireto, aplicável este último ao presente caso: Quanto à segunda infração imputada à empresa, referente à perda de capital apurada na alienação da participação societária na empresa CAMIL Alimentos S/A, oportuno atentar para algumas das judiciosas considerações feitas pela autoridade julgadora, a saber: • Antes da alienação participação societária a contribuinte efetuou a equivalência patrimonial, apurando resultado positivo de R$ 12.460.070,64, que a fiscalização diz ser apenas de R$ 962.705,39, provocando a diferença tributável de R$11.497.365,25. • Antes da alienação, ocorreu um aumento de capital de R$ 7.744.322,00 na investida CAMIL Alimentos, integralizado em moeda corrente pela RICE, mediante emissão de 3.424.100 ações pelo valor de R$ 37.355.000,00, destinando a diferença a reserva de ágio. • Esses recursos, originados de investimentos estrangeiros na CAMIL HOLDINGS, foram repassados pela RICE à CAMIL Alimentos. • A conta que registrou o ágio (reserva de Ágio) na CAMIL Alimentos faz parte do seu patrimônio líquido, conforme art. 182, § 1°, letra "a" da Lei 6.404/76. (ágio na subscrição de ações). A formação do ágio também está prevista no art. 390 do RIR/94. • Portanto, o registro do ágio na investida CAMIL Alimentos está de acordo com os preceitos legais, não podendo ser atribuída falta de comutatividade e de independência nas transações realizadas dentro do grupo de empresas. • A reserva de ágio registrada no patrimônio da investida CAMIL Alimentos não foi contestada pelo Fisco, tornandose válida a operação da forma como registrada (amparada na Ata da AGE de 22/12/98 e devidamente aceita e registrada na Junta Comercial). • A COOPERATIVA procedeu corretamente o cálculo da equivalência patrimonial antes e após a emissão das novas Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 26 25 ações, contabilizando a diferença como acréscimo na conta investimento, registrando a contrapartida como resultado positivo, ou seja, ganho não operacional. Essa diferença, procedida na forma do art. 378 do RIR, tem tratamento não tributável. • Também de acordo com a legislação (arts. 328 a 332, 376 e 377 do RR/94) a baixa de investimento relevante e influente em sociedade coligada ou controlada deve ser precedida da avaliação pela equivalência patrimonial, o que foi cumprido pela COOPERATIVA, apurando um ganho de capital de R$ 1.199.144,58. • Não nega o Fisco que tenha havido entre CAMIL Alimentos e a Palmeira e entre Palmeira e RICE contratos de mútuo, que mutuante e mutuária eram pessoas não ligadas, que ambas tinham existência de fato e de direito. • Não pode o Fisco ignorar o aumento de capital na empresa RICE pela CAMIL HOLDINGS, o aumento de capital na CAMIL Alimentos com ágio na subscrição pela RICE, os mútuos contratados pela Palmeira e a aquisição das ações da COOPERATIVA pela RICE, tratando tudo como se fosse um só negócio. Ao contrário, diante das provas juntadas nos autos, as operações estão perfeitamente documentadas, independentes e possíveis de serem realizadas. • A prevalecer a acusação, como posta nos autos, haveria violação do disposto no art. 110 do CTN, pois estaria o intérprete alterando a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas do direito privado. • Apesar de ficar provado que a circulação dos S$25.305.000,00 na CAMIL Alimentos possibilitou a criação de parte da reserva de ágio e, da mesma forma, a aquisição do investimento da COOPERATIVA, não há nada na legislação tributária que proíba a realização das operações ou que determine que os ganhos obtidos sejam tributáveis. • Ainda que a intenção tenha sido aumentar o custo do investimento antes da alienação pela COOPERATIVA das ações para a RICE, procedeu ela a um planejamento tributário. • A acusação feita pela fiscalização, de' majoração artificial do custo do investimento alienado, originado em uma operação de aumento de capital na investida", não se sustenta, pois está faltando a indispensável subsunção do fato às normas. Ao considerar que o custo do investimento foi "artificialmente majorado" está a fiscalização desconsiderando os aumentos de capital feitos pela CAMIL HOLDINGS na RICE e pela RICE na CAMIL Alimentos. Todas as operações que antecederam a alienação do investimento da COOPERATIVA na CAMIL Alimentos estão documentalmente provadas, bem como os efetivos trânsitos dos Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 27 26 recursos nelas empregados. No caso, a fiscalização, num ato de premunição, aplicou o parágrafo único do art. 116 do CTN, inserido pela Lei Complementar 104, de 10/01/2001, com a seguinte redação: "A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos estabelecidos em lei". Ora, além de a norma não existir à época e de não ser autoaplicável, conforme expressamente prevê, in fine, o parágrafo introduzido ("observados os procedimentos estabelecidos em lei"), abundantemente, a doutrina tem se posicionado no sentido de que essa norma não trouxe, na prática, alteração à situação antes existente, permanecendo inquestionável o direito do contribuinte de optar pelo comportamento que gere um gravame menos onerosos, do ponto de vista tributário. No caso, não havendo dúvidas quanto à efetividade dos atos jurídicos praticados (aumentos de capital na RICE pela CAMIL Holdinhs e na CAMIL Alimentos pela RICE, com formação de reserva de ágio), só podem ser eles impugnados pela fiscalização se restar provado terem eles sido simulados. Não há dúvida de que as operações tal como praticadas, tiveram por objetivo diminuir o ônus tributário. Aliás, isto está declarado na Ata da AGE que aprovou a proposta de compra das ações pela ARFEI (que afinal foi concretizada com a RICE), que registra : "competirá à proponente e à Comissão de Liquidação da COOPERATIVA buscar a forma jurídica e legal mais adequada e econômica do ponto de vista tributário à implementação dos objetivos manifestados neste instrumento" . Resta definir se o que ocorreu foi um recurso a meio legítimo para pagar menos tributo (planejamento tributário), ou uma simulação, meio fraudulento em prejuízo da Fazenda Nacional. Conforme define Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa de vontade, visando produzir efeito distinto do ostensivamente indicado. Constitui uma deformação do ato ou negócio jurídico para fugir à disciplina legal prevista. Na lição de Rubens Gomes de Sousa, "se o contribuinte agiu antes de ocorrer o fato gerador, a obrigação tributária ainda não tinha surgido e o direito do fisco ainda se encontrava em sua fase abstrata, não concretizada nem individualizada em relação a um fato e a um contribuinte determinado: por conseguinte, o fisco nada poderá objetar se determinado contribuinte consegue, por meios lícitos, evitar a ocorrência do fato gerador, ou fazer com que essa ocorrência se dê na forma, na medida ou no tempo que lhe sejam mais favoráveis". A simulação há que ser feita com a intenção de prejudicar terceiros ou violar preceito legal, sendo indispensável, para Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 28 27 caracterizála, que o ato praticado não pudesse ser realizado, quer por vedação legal, quer por qualquer outra razão. Alberto Xavier faz uma distinção entre negócio indireto e simulação, a saber: Denominase negócio indireto o negócio jurídico que as partes celebram para através dele atingir fins diversos dos que representam a estrutura típica daquele esquema negocial. GALVÃO TELLES — que os prefere designar por 'contratos cumulativos' observa que eles cumulam as funções características de dois contratos, através da estrutura própria exclusivamente de um deles. 'O contrato que se celebra compreende só os elementos típicos de determinada espécie contratual, mas na intenção das partes, pela forma como esses elementos estão dosados ou pelo jogo das circunstâncias, ela seria também adequada para atingir a finalidade inerente a outra espécie contratual'. A característica essencial do negócio indireto está na utilização de um negócio típico para realizar um fim distinto do que corresponde à sua causafunção objetiva: daí a referência dos autores ao seu caráter 'indireto' ou oblíquo, anômalo ou inusual. ASCARELLI — a quem se deve uma das mais sólidas investigações no campo do negócio indireto — observa que ele podia assumir relevância no Direito Fiscal quando a realização indireta dos fins das partes é determinada pela intenção de evitar a aplicação do regime tributário mais oneroso, correspondente à direta realização daqueles mesmos fins. O resultado econômico ou empírico alcançado pelas partes é análogo ou praticamente equivalente ao que resultaria da adoção da forma negocial normalmente escolhida para o obter. Só que a eleição pelas partes da estrutura do negócio indireto permite obter esse resultado análogo ou equivalente sem se submeter ao regime tributário aplicável ou negócio direto que economicamente lhe corresponde. A distinção entre o negócio simulado, por um lado, e os negócios indiretos (...), por outro, corresponde à fronteira que separa a mentira da verdade. Os negócios indiretos (...) são verdadeiros; os negócios simulados são falsos e mentirosos. Na simulação há uma divergência entre a vontade real e a vontade declarada — e dai o seu caráter mentirosos ou enganatório. No negócio indireto não há divergência entre a vontade real e a declarada — e dai o seu caráter verdadeiro; há, isso sim, uma divergência entre a causafunção típica e os motivos ou fins perseguidos pelas partes, divergência essa querida realmente e revelada às claras. Por outras palavras: há a utilização de uma estrutura ou de uma forma para atingir indiretamente um resultado que não é o típico daquela estrutura e daquela forma. O fim típico, porém, é realmente querido pelas partes; só que se limita a funcionar Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 29 28 como condição para a realização de um fim ulterior que é essencial na determinação volitiva das partes. Se os negócios em fraude à lei são realizados por via de atos simulados, aplicaselhes o regime de simulação. Mas não assim se são realizados por via de negócios verdadeiros, sejam estes ou não negócios indiretos..." O presente caso enquadrase perfeitamente na caracterização de negócio indireto descrita pelo Professor Alberto Xavier. Efetivamente, as partes queriam e realizaram negócios jurídicos (aumento de capital na Camil Alimentos pela Rice com registro de ágio na investida e subseqüente alienação do investimento da Cooperativa na Camil Alimentos à RICE) para atingir indiretamente economia de tributos. O fim típico do aumento de capital na CAMIL Alimentos pela RICE foi efetivamente querido, só que se limitou a funcionar como condição ulterior de economia de tributos, essencial na determinação volitiva das partes. Não restou caracterizada a declaração enganosa de vontade. Irreparável, pois, a decisão singular, razão pela qual nego provimento ao recurso. Outro ponto está na criação uma empresa utilizada na apuração do ágio para fins de aproveitamento pela empresa autuada e fundada na economia fiscal, que em meu ver, não se trata de ilegalidade dada a inexistência da Lei Complementar n° 104/2001, que necessita ainda de regulamentação. Verdade é que a Rice foi constituída com a finalidade específica de gerar ágio, pautada em rentabilidade futura, possibilitando inclusive operações financeiras com o exterior. Assim, originaramse recursos financeiros, além de empréstimos com a empresa Palmeira, valores esses vindos do exterior para fins de investimentos, sendo que ambas as empresas (Rice e Palmeira) foram incorporadas pela Camil. Nesse aspecto, se pagou o ágio com dinheiro vindo do exterior. Contudo, não vislumbro que tais atos sejam ilícitos e simulados. Vejo que estamos diante de planejamento tributário lícito e fundado em operações indiretas que buscou através do planejamento fiscal economia tributária respaldada em autorização legal em relação a dedutibilidade do ágio. É notório nos autos que o contribuinte não esconde se tratar de uma empresa com fins específicos. Tal operação societária desde o início teve seus objetivos e impactos fiscais reconhecidos, como o ocorrido no caso da atuação da Cooperativa, permitindo afirmar que estamos diante de uma operação transparente de aproveitamento de ágio, pautada em laudo não contestado com metodologia apropriada e não questionada, atestado por parecer, constituído sob o fundamento do artigo 7°, inciso III, da Lei n° 9.532/97. Há inúmeros casos sendo julgados nesse E. Tribunal, destacandose dentre eles o caso da Repsol que julgamos nessa Turma, de minha relatoria, que por maioria de votos cancelou o lançamento fiscal em razão da não impugnação do laudo pela fiscalização. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 30 29 No caso em apreço em nenhum momento o laudo sequer foi questionado e a natureza jurídica do ágio, muito menos, e também não há simulação, visto que o próprio relatório fiscal atesta essa inexistência. Por fim, quanto ao valor pago pelo ágio contestado pela fiscalização, que num primeiro momento se deu 22/12/1998, pelo valor de R$ 10,91 por ação e dois dias depois a aquisição se deu pelo valor de R$ 4,40, tal fato ocorreu, segundo relatos da contribuinte, porque houve um negócio celebrado entre partes distintas, fundado numa premissa inicial para a apuração sobre o cálculo do ágio. Não vejo nesse aspecto algum ato que viesse a desabonar o contribuinte e a operação, pois estamos tratando de estimativas de fluxo de caixa descontado fundado em rentabilidade futura, o que pode perfeitamente variar segundo as premissas e metodologias das empresas que realizam os laudos. Portanto, não vejo aqui ausência de fundamento econômico que sirva de premissa para desconsiderar o ágio para fins de amortização, sendo totalmente incoerente a fiscalização glosar tudo, não reconhecendo pelo menos parte do valor. Basta agora analisar se estamos diante de uma despesa dedutível ou não, pois em nenhum momento, seja pela fiscalização seja na decisão da DRJ se falou em simulação, fraude ou dolo do contribuinte, com o intuito de dar ao negócio conotação de ato ilícito. Vejamos as descrições da decisão recorrida: Em momento algum a autoridade fiscal afirmou ter ocorrido simulação, fraude, abuso de direito ou outra patologia nos negócios efetuados, mas sim procurou reforçar a desnecessidade da despesa, já comprovada pela falta de justificação da mesma, com a apresentação de uma análise pormenorizada da sucessão de operações realizadas pelo contribuinte em um intervalo de dois meses, as quais, se analisadas como um tudo, indicam um caminho tortuoso, desnecessário e, a meu ver, não plausivelmente explicado, para a assunção dos objetivos informados, quais sejam, buscar novo investidor para ajudar na expansão dos negócios e melhorar a apresentação das demonstrações financeiras do contribuinte, o qual enfrentava desconfiança dos estabelecimentos bancários. Se não fosse assim, a autoridade fiscal teria qualificado a multa de oficio; o que não ocorreu. Sob esse prisma, se o ágio tem fundamento econômico (antecedente): sendo algo inquestionável tratarse de rentabilidade futura; e sua dedutibilidade está estampada no inciso III do artigo 7° da Lei n° 9.532/97, então a dedução do ágio como despesa deve ser reconhecida (consequente), pelo disposto na legislação abaixo, visto tratarse de regra específica sobre o tema, atendendo o disposto no DecretoLei n° 4.657/1942. Vejamos a redação do texto legal aplicável: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 31 30 segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 32 31 § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. A fiscalização agiu de forma equivocada no momento em que adotou as regras genéricas de dedutibilidade para avaliar o ágio como despesa, pois o ágio possui tratamento de dedutibilidade específica, não sendo inserido no artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95 e artigos 249, inciso I, 251, 299, 300 e 324 do RIR/99. Portanto, é incontestável, sob o ponto de vista do direito, que a despesa do ágio fundada em valor da rentabilidade com base em previsão de resultados futuros é dedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do artigo 7°, inciso III, da Lei n° 9.532/97. Nesse sentido, colaciono julgados recentes dessa Corte sobre a questão do ágio como despesa dedutível fundada em regra específica para fins de apuração do IRPJ e CSLL: RECURSO "EX OFFICIO" — Devidamente fundamentada nas provas dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes de parte da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou parcela do crédito tributário da Fazenda Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ — APURAÇÃO DO LUCRO REAL — AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO CONTÁBIL — 0 lucro contábil não se confunde com o lucro real, base de cálculo do IRPJ, portanto, a necessidade de atendimento às normas impostas pela Comissão de Valores Mobiliários — CVM, para atendimento das normas contábeis não tem o condão de modificar os ajustes necessários para apurar o lucro real. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO — DEDUTIBILIDADE — A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 33 32 cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes h. apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada Ines do período de apuração.(arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97). (Processo n° 11080.011379/200651, Recurso n° 166.621 De Oficio e Voluntário, Acórdão no 110100.354 — 1ª Camara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 02 de setembro de 2010, Matéria IRPJ E OUTRO, Recorrentes 5a TURMA DRJ PORTO ALEGRE e VIVO S/A) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa. ÁGIO NA INCORPORAÇÃO. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, por incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado no valor de rentabilidade de coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, poderá amortiza lo nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente ao evento societário, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. (Processo n° 16175.000476/200500, Recurso n" 158.478 Voluntário, Acórdão n° 110100.064 — 10 Câmara / 1° Turma Ordinária, Sessão de 13 de maio de 2009) Portanto, se não há simulação e a natureza jurídica do ágio não foi contestada, sendo apenas tomada como despesa indedutível por suposta ausência de fundamento econômico e esse fundamento está no laudo, não vejo como manter no sistema jurídico o lançamento fiscal sob essas premissas. Por fim, outra questão que merece análise é a lavratura de multa isolada em razão da concomitância à multa de ofício, diante da glosa das despesas do ágio. Sendo o ágio considerado dedutível, como visto acima, logo não há que se falar em multa isolada em função do não pagamento de estimativa. Considerando o ágio como despesa dedutível não houve ausência de recolhimento de IRPJ e CSLL na sistemática da estimativa. Considerese ainda, o fato de a multa de ofício ter absorvido a multa isolada nos termos da teoria da concussão. Também não há que se falar em multa de ofício, pois nesse último caso o acessório segue o principal. Diante do exposto, conheço do Recurso e, no mérito, DOULHE provimento ao Recurso, para considerar como despesa dedutível o ágio utilizado pela Recorrente no exercício de 2004, pautado no inquestionável fundamento econômico de valor da rentabilidade com base em previsão de resultados futuros. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 34 33 É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto. Por meio dos autos de infração de fls. 893/909 a autoridade tributária exige da contribuinte o pagamento de IRPJ e CSLL relativos aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2004, sob a acusação de falta de adição ao lucro liquido, para fins de determinação do lucro real, de despesas com amortização de ágio consideradas desnecessárias pela fiscalização. Foi também imposta multa isolada pela falta de pagamento das respectivas estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Registrese que auto de infração semelhante, relativamente aos anos calendários de 1999 a 2003, já havia sido lavrado no âmbito do processo nº 19515.003259/200472, tendo sido a exigência mantida em segunda instancia administrativa pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste Conselho, em sessão realizada em 29/06/2011. Pois bem, em que pesem as razões expostas pelo Relator do presente processo, peço licença para dele divergir. Conforme se observa no item 4 da Ata Sumaria da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 17/10/2008 pela Cooperativa Agrícola Mista Itaquiense Ltda. (fls. 701/703), o propósito final do conjunto de negócios jurídicos ora sob exame sempre foi a aquisição, pelo Fundo de Investimento TCW, da participação de 50% que a mencionada Cooperativa mantinha junto ao capital de Camil Alimentos S/A. Tal propósito final, que nunca foi omitido ou negado pelas partes, pode ser vislumbrado pelo simples cotejo entre o gráfico de composição societária existente antes (fl. 917) e depois (fl. 923) da consecução dos negócios jurídicos que levaram à aquisição daquela participação acionária. Como se vê ali, Arfei Comércio e Representações Ltda., que antes possuía 50% do capital de Camil, permaneceu com a mesma participação (agora indiretamente). Já a Cooperativa, antes possuidora dos outros 50%, foi substituída pelo Fundo TCW, que assim passou a deter 50% de Camil (também indiretamente). Esse propósito final de aquisição de 50% do capital de Camil poderia ter sido levado a efeito pelo Fundo TCW mediante a celebração de um único negócio jurídico, de compra e venda de ações entre as partes, pelo valor de R$ 4,40 por ação, como será visto adiante. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 35 34 Todavia, ao invés de uma operação única, as partes optaram pela realização de uma série de negócios jurídicos que culminaram com a aquisição, pelo Fundo TCW, dos mesmos 50% do capital de Camil, pelo valor de R$ 10,91 por ação. Não será necessário repetir aqui a minuciosa análise que a autoridade fiscal realizou acerca do citado conjunto de negócios jurídicos (vide TVF à fl. 827 e seguintes, bem como Contrato de Subscrição traduzido às fls. 209/280). Para compreendermos a desnecessidade das citadas despesas com amortização de ágio basta anotar que Rice S/A (empresa criada apenas para realização dos negócios jurídicos sob exame, e extinta por incorporação ao seu final) adquiriu ações de Camil em duas ocasiões: a) primeiro, em 22/12/1998, pelo valor de R$ 10,91 por ação, mediante aumento de capital de Camil, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária de fls. 104/106; b) segundo, em 24/12/1998, apenas dois dias depois da aquisição acima mencionada, pelo valor de R$ 4,40 por ação, quando adquiriu a participação societária que a Cooperativa detinha junto à Camil (fl. 409). Digno de nota ainda é o fato, também não contestado pela defesa, de que do total do aumento no capital de Camil, no valor de R$ 46.690.084,00, verificado entre o início e o término dos negócios jurídicos sob exame, apenas R$ 12.050.000,00 referemse a dinheiro que efetivamente serviu a esse propósito. Na forma e na sequência em que foram realizadas as transações, parte daquele aumento de capital, no valor de R$ 25.305.000,00, serviu para que a Camil pagasse a Cooperativa pela compra, por Rice, das ações da própria Camil. Só isso já reduziria o ágio de R$ 29.610.678,00 para R$ 4.305.678,00. Mas como dito no início, ao término do complexo conjunto de negócios jurídicos o Fundo TCW tornouse detentor de 50% das ações de Camil. Quanto a isso é de se ressaltar que a fiscalização, em momento algum, promoveu a “desconsideração” de qualquer dos negócios jurídicos intermediários, e nem sequer afirmou (ou infirmou) ter havido simulação na formação do ágio. O que a fiscalização afirma é que a aquisição, pelo Fundo TCW, dos 50% do capital de Camil pelo valor de R$ 10,91 por ação traduzse em mera liberalidade, já que a aquisição poderia ter sido realizada diretamente junto à Cooperativa, pelo valor de pelo valor de R$ 4,40 por ação. Assim, sendo o preço pago a maior fruto de mera liberalidade, considerou a fiscalização, corretamente, que a despesa com a amortização do ágio daí resultante é desnecessária. Dito de outro modo, ainda que o valor unitário das ações da Camil, segundo a rentabilidade futura afirmada no laudo, fosse R$ 10,91, o fato é que cada ação poderia ter sido adquirida pelo valor de R$ 4,40. Daí também a razão pela qual a fiscalização não precisou se atentar sobre as premissas segundo as quais o laudo foi elaborado (algo que a 4ª Câmara o fez, considerandoo ineficaz). Em sua defesa, ao invés de contestar a desnecessidade da despesa com a amortização do ágio afirmada e reafirmada pela fiscalização, a recorrente alega que o auditor glosou a referida despesa em razão do disposto no art. 13, III, da Lei nº 9.249/95, que estabelece serem indedutíveis as despesas com amortização de bens móveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços. Diz que tal norma é inaplicável ao caso sob exame tendo em vista que dispositivo específico, qual seja, Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 36 35 o art. 7º, III, da Lei nº 9.532/97, autoriza a dedução do ágio, independentemente de relação do bem amortizado com a produção ou comercialização dos bens e serviços. Quanto a isso há que se dizer que embora o enquadramento legal da infração contido tanto no auto (fl. 894) como no TVF (fls. 926/927) faça menção ao citado art. 13, III, da Lei nº 9.249/95, o fato é que em nenhum momento, tanto no auto como no TVF, o fiscal afirma que a glosa tenha se dado em razão de uma suposta falta de relação intrínseca entre a despesa com amortização do ágio e as operações de produção ou comercialização de bens e serviços. Ao contrário, a autoridade insiste ao longo de todo o TVF que a razão da glosa na amortização do ágio advém do fato, incontestável, de que a participação de 50% no capital de Camil poderia ter sido adquirida por um valor inferior àquele decorrente do conjunto de negócios jurídicos levados a efeito pelas partes. Ainda em relação a esse assunto há que se destacar que o auditor, tanto no auto (fl. 894) como no TVF (fl. 927) também indicou como enquadramento legal da infração o art. 299 do RIR/99, que assim estabelece: Art.299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). Conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, o erro no enquadramento legal da infração não é causa de nulidade do lançamento quando, pela correta descrição dos fatos, seja possível compreender a acusação fiscal. E essa é justamente, a hipótese que se vislumbra nos presentes autos. Também não deve prosperar a alegação de nulidade da decisão de primeiro grau, uma vez que, ao contrário do alegado pela recorrente, não houve inovação. De fato, a razão de decidir da DRJ foi idêntica à que levou à lavratura do auto de infração, qual seja a desnecessidade da despesa, e não o suposto art. 7º, III, da Lei nº 9.532. Veja, a propósito, os parágrafos 10 e11 do voto (fl. 952): 10. Deste modo, limitandose o contribuinte a repisar as mesmas razões de defesa de mérito já apreciadas e indeferidas com brilhantismo no julgamento em primeira instância do auto de infração formalizado no processo administrativo n°. 19515.003259/2004 72, entendo que deve ser mantida a glosa de despesas empreendida pela fiscalização nos presentes autos, vez que permanece incomprovada a necessidade do ágio suportado pela RICE na subscrição e aquisição de ações do capital social da Camil Alimentos S/A e, por conseqüência, a necessidade da amortização deste ágio pela Defendente que a incorporou. 11. Assim sendo, entendo não haver reparos a serem feitos à glosa das despesas com ágio realizada pela fiscalização na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 120100.659 S1C2T1 Fl. 37 36 Por fim, no que toca às multas isoladas relativas à falta de pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL, também decorrentes da glosa das despesas com amortização do ágio, entendo que a exigência deve ser afastada. Isso porque essa Turma vem entendendo ser cabível a aplicação do princípio da consunção quando há tanto exigência de multa isolada quando de multa de ofício proporcional. Diante do exposto, e novamente pedindo licença ao ilustre Relator, voto por indeferir a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, no mérito, pela procedência parcial do lançamento para afastar, apenas, a exigência das multas isoladas. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assi nado digitalmente em 25/03/2012 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15374.000398/2004-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS TRIBUTÁRIAS. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO QUE RECONHECE A EXISTÊNCIA DE INDÉBITO PROFERIDA EM RELAÇÃO A AÇÕES AJUIZADAS ANTES DA LEI COMPLEMENTAR 104. ENTENDIMENTO REITERADO DO STJ. Na forma do art.62-A
do Regimento Interno, reproduzo a seguir ementa da decisão do STJ, aplicável na forma do art. 543 do CPC: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.452 MG (2009/02107136)
RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI EMENTA
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI
APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A
DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001.
1.A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte.
Precedentes.
2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial,
é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170-A
do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes.
3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/08.
Numero da decisão: 9303-001.893
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15374.000398/200445 Recurso nº 123.457 Especial do Procurador Acórdão nº 9303001.893 – 3ª Turma Sessão de 08 de março de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A NORMAS TRIBUTÁRIAS. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO QUE RECONHECE A EXISTÊNCIA DE INDÉBITO PROFERIDA EM RELAÇÃO A AÇÕES AJUIZADAS ANTES DA LEI COMPLEMENTAR 104. ENTENDIMENTO REITERADO DO STJ. Na forma do art.62A do Regimento Interno, reproduzo a seguir ementa da decisão do STJ, aplicável na forma do art. 543 do CPC: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.452 MG (2009/02107136) RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1.A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 27/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto. Relatório Questiona a Fazenda Nacional o deferimento, pela Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, de compensação com direito creditório obtido por meio de ação judicial antes do trânsito em julgado da decisão que o reconheceu. Ao fazêlo, registrou a decisão que a ação judicial fora impetrada anteriormente à publicação da Lei Complementar 104/2001, que introduziu o art. 170A no Código Tributário Nacional. O recurso fazendário, amparado em dissídio jurisprudencial devidamente comprovado, aduz ser aquele dispositivo meramente interpretativo e, pois, aplicável mesmo às ações impetradas antes de sua publicação, desde que, por óbvio, ainda não definitivamente julgadas. Em contrarazões, a recorrida defende a correção do decisum, com base, inclusive, em reiterada jurisprudência oriunda do Superior Tribunal de Justiça que entende somente ser aplicável a exigência quando a ação judicial tiver sido proposta após a publicação daquele ato legal. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Com respeito à admissibilidade, contestada em contrarazões, registro que a Câmara recorrida foi a Primeira da Segunda Seção do CARF enquanto a que proferiu o acórdão aceito como paradigma foi a Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes. Ainda que o CARF seja o legítimo sucessor dos antigos Conselhos de Contribuintes, não há a correlação entre suas Câmaras e aquelas do extinto órgão, de modo Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.000398/200445 Acórdão n.º 9303001.893 CSRFT3 Fl. 2 3 que não se sustenta a alegação de que a Câmara recorrida e a autora do paradigma seriam a mesma e uma só, o que contrariaria o art. 67 do Regimento Interno. Tomo conhecimento, pois, do recurso fazendário e passo ao exame do mérito. Como vem apontado nas contrarazões, já é pacífico no e. STJ o entendimento de que o art. 170A só se aplica às ações propostas posteriormente a sua publicação. Há, por isso mesmo, julgamento já realizado na sistemática do art.; 543C do CPC que o reitera. Tratase do REsp 1.164.452, relator o Ministro Teori Albino Zavaski. Em seu voto, pontificou o i. Ministro: ... (...) 4. Esse esclarecimento é importante para que se tenha a devida compreensão da questão agora em exame, que, pela sua peculiaridade, não pode ser resolvida, simplesmente, à luz da tese de que a lei aplicável é a da data do encontro de contas. Aqui, com efeito, o que se examina é a aplicação intertemporal de uma norma que veio dar tratamento especial a uma peculiar espécie de compensação: aquela em que o crédito do contribuinte, a ser compensado, é objeto de controvérsia judicial. É a essa modalidade de compensação que se aplica o art. 170A do CTN. O que está aqui em questão é o domínio de aplicação, no tempo, de um preceito normativo que acrescentou um elemento qualificador ao crédito que tem o contribuinte contra a Fazenda: esse crédito, quando contestado em juízo, somente pode ser apresentado à compensação após ter sua existência confirmada em sentença transitada em julgado. O novo qualificador, bem se vê, tem por pressuposto e está diretamente relacionado à existência de uma ação judicial em relação ao crédito. Ora, essa circunstância, inafastável do cenário de incidência da norma, deve ser considerada para efeito de direito intertemporal. Justificase, destarte, relativamente a ela, o entendimento firmemente assentado na jurisprudência do STJ no sentido de que, relativamente à compensabilidade de créditos objeto de controvérsia judicial, o requisito da certificação da sua existência por sentença transitada em julgado, previsto no art. 170A do CTN, somente se aplica a créditos objeto de ação judicial proposta após a sua entrada em vigor, não das anteriores. Nesse sentido, entre outros: EREsp 880.970/SP, 1ª Seção, Min. Benedito Gonçalves, DJe de 04/09/2009; PET 5546/SP, 1ª Seção, Min. Luiz Fux, DJe de 20/04/2009; EREsp 359.014/PR, 1ª Seção, Min. Herman Benjamin, DJ de 01/10/2007. 5. Não custa enfatizar que a compensação que venha a ser realizada antes do trânsito em julgado traz implícita a condição resolutória da sentença final favorável ao contribuinte, condição essa que, se não ocorrer, acarretará a ineficácia da operação, com as conseqüências daí decorrentes. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 6. No caso dos autos, a ação foi ajuizada em 1998, razão pela qual não se aplica, em relação ao crédito nela controvertido, a exigência do art. 170A do CTN, cuja vigência se deu posteriormente. Não tendo adotado esse entendimento, merece reforma, no particular, o acórdão recorrido. 7. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial. Considerando tratarse de recurso submetido ao regime do art. 543C, determinase o envio do inteiro teor do presente acórdão, devidamente publicado: (a) aos Tribunais Regionais Federais (art. 6º da Resolução STJ 08/08), para cumprimento do § 7º do art. 543C do CPC; (b) à Presidência do STJ, para os fins previstos no art. 5º, II da Resolução STJ 08/08; (c) à Comissão de Jurisprudência, com proposta de aprovação de súmula nos seguintes termos: "A vedação prevista no art. 170A do CTN não se aplica a ações judiciais propostas antes da sua vigência". É o voto. Este voto, a meu ver, esgota todos os argumentos da representação fazendária, com os quais, aliás, concordo. Em primeiro lugar, não se trata de mera interpretação: segundo o Ministro, a lei introduz exigência não presente no ordenamento anterior. Ademais, ela se aplica apenas às compensações que tenham por base direito creditório somente obtido por meio de ação judicial. Para aquelas que se postulem administrativamente, tem aplicação o entendimento de que é essa data do encontro de contas que serve de marco para a verificação da legislação cogente. Por fim, deixa registrada a conseqüência da adoção desse procedimento, pelo interessado: revogada a decisão, ficará ele sujeito às conseqüências do inadimplemento da obrigação tributária. É evidente que a Administração terá de agir preventivamente para evitar a decadência. Destarte, em face da obrigatoriedade atribuída aos Conselheiros pelo art. 62 A do Regimento Interno do CARF de adotar o entendimento esposado pelos tribunais superiores no julgamento de recursos na sistemática dos arts. 543B e 543C, dobrome ao quanto expressado pelo i. Ministro Teori e mantenho, na íntegra, a decisão de que a PFN recorre. É como voto. Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.000398/200445 Acórdão n.º 9303001.893 CSRFT3 Fl. 3 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 18471.003992/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS.
Compete ao contribuinte informar eventual compensação de prejuízos oriundos de exercícios anteriores para redução do IRPJ a pagar declarado na DIPJ, cuja falta de recolhimento e declaração em DCTF enseja lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Cabe multa de 75% sobre os tributos não recolhidos e não declarados em DCTF, apurados no curso do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1202-000.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Compete ao contribuinte informar eventual compensação de prejuízos oriundos de exercícios anteriores para redução do IRPJ a pagar declarado na DIPJ, cuja falta de recolhimento e declaração em DCTF enseja lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabe multa de 75% sobre os tributos não recolhidos e não declarados em DCTF, apurados no curso do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Fl. 207DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.003992/200810 Acórdão n.º 1202000.765 S1C2T2 Fl. 91 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.003992/200810 Acórdão n.º 1202000.765 S1C2T2 Fl. 92 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que negou provimento à impugnação, mantendo a exigência do imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ, ano calendário 2005, no valor de R$287.200,93, acrescido de multa de 75% e juros de mora. De acordo com o relatório fiscal, o Auto de Infração de IRPJ (fls.11/15) foi lavrado em razão de ter sido apurada insuficiência de recolhimento e declaração do IRPJ, visto que na DIPJ/2006, ano calendário 2005, consta declarado o valor de R$933.336,42, na ficha 12 A, linha 19, “sem qualquer registro na DCTF do mesmo período, sem o correspondente recolhimento alocado nos sistemas da RFB, bem como sem a existência de PER/DCOMP, cujo objetivo fosse a compensação do FINSOCIAL com o IRPJ a pagar”. Ainda segundo o relatório, durante o procedimento fiscal, o interessado apresentou decisão judicial em Mandado de Segurança (processo nº 95.81849) reconhecendo o direito à compensação dos valores pagos a maior a título de FINSOCIAL com valores vencidos ou vincendos da COFINS, mas, embora intimado, não apresentou qualquer processo administrativo e/ou PER/DCOMP que comprovasse o pedido de compensação. Inconformado, o interessado apresentou impugnação contra o lançamento do IRPJ e respectivos acréscimos legais (fls.46/56), e posteriormente, requereu a desistência da impugnação de parte lançamento, no valor de R$646.135,40, incluído no programa de parcelamento de débito da Lei nº 11.941/09 (fls.121/122). A 2ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I delimitou a lide, analisando apenas as razões da impugnação referentes ao ajuste da base de cálculo tributável pelos prejuízos fiscais e incidência de multa de 75%. O acórdão de primeira instância teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Descabe a retificação da DIPJ na fase impugnatória, visando a compensação de prejuízos oriundos de exercícios anteriores. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. Impõese a aplicação da multa de 75%, incidente sobre os tributos não recolhidos e não declarados em DCTF, apurados no curso do procedimento fiscal. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.003992/200810 Acórdão n.º 1202000.765 S1C2T2 Fl. 93 4 Dessa decisão foi o contribuinte cientificado em 10/05/2011 (fl.155). Inconformado, interpôs recurso voluntário ao Carf, em 06/06/2011 (fl.156), sustentando ser indevida a glosa de compensação de prejuízos anteriores, por não ter sido detraído no cálculo do tributo apurado em 31/12/2005 o saldo de prejuízos fiscais regularmente escriturado no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, no montante de R$ 2.493.943,72 (dois milhões, quatrocentos e noventa e três mil, novecentos e quarenta e três reais e setenta e dois centavos). Cita o art. 189 da Lei nº 6.404/76, os arts. 6º, §3º, alínea “c”, e 64, ambos do Decretolei nº 1.598/77 e o art. 42 da Lei nº 8.981/95 como fundamentos para defender que no lançamento impugnado deveria ter sido observada a compensação do equivalente a 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, vez que possuía saldo de prejuízos compensáveis registrados no LALUR do ano calendário de 2004. Acrescenta que a desconsideração da compensação procedida com amparo em medida judicial, juntamente com a desconsideração da legítima dedução na base de cálculo implica em autuação majorada, devendo ser desconstituído o lançamento. Aponta a manutenção da multa de ofício como equivocada, alegando ser pacífico o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes quanto à inaplicabilidade da multa de ofício nos casos em que o débito está informado pelo contribuinte à RFB. Refuta a informação da fiscalização de que o débito lançado não teria registro na DCTF do mesmo período porque o débito em questão, segundo a recorrente, jamais seria declarado na DCTF porque se trata de pessoa jurídica tributada com base no lucro anual, que efetuava o recolhimento das antecipações com base no disposto no art.2º da Lei nº 9.430/96. Em razão disso, o saldo de imposto apurado em 31/12/2005 não constaria de DCTF, mas da DIPJ respectiva, em decorrência do próprio regime de tributação. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.003992/200810 Acórdão n.º 1202000.765 S1C2T2 Fl. 94 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso merece ser conhecido. Importa esclarecer, de início, que, em que pese a recorrente se refira à desconsideração da compensação procedida com amparo em medida judicial no recurso voluntário, esse tema não faz parte da lide desde que o montante de R$ 646.135,49, correspondente ao saldo de IRPJ a pagar após compensação de prejuízos fiscais de exercícios anteriores, limitada a 30%, consoante demonstrativo de fl.16, foi objeto de desistência de fls.121/122, nos termos da Lei nº 11.941/2009. O lançamento pretendeu a constituição do crédito tributário de IRPJ, referente ao montante apurado pelo próprio interessado, conforme ficha 12 A, item 19 da DIPJ/2006 (fl.04). A recorrente questiona a falta de redução do tributo apurado pela fiscalização, alegando que possuía saldo de prejuízos compensáveis registrados no LALUR do ano calendário de 2004 e informado na DIPJ/2006. Sobre o tema, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, assim dispôs: Art. 509. O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, e parágrafo único). § 1º A compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodos de apuração, à opção do contribuinte, observado o limite previsto no art. 510 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 2º). § 2º A absorção, mediante débito à conta de lucros acumulados, de reservas de lucros ou capital, ao capital social, ou à conta de sócios, matriz ou titular de empresa individual, de prejuízos apurados na escrituração comercial do contribuinte não prejudica seu direito à compensação nos termos deste artigo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 3º). Prejuízos Fiscais Acumulados até 31 de dezembro de 1994 e Posteriores Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.003992/200810 Acórdão n.º 1202000.765 S1C2T2 Fl. 95 6 Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. (destaquei) Decorre da legislação referida que a utilização de saldos negativos de períodos anteriores corresponde a uma mera faculdade do contribuinte. No caso concreto, compulsandose os autos, verificase que na DIPJ/2006, ficha 09 A, itens 45, 47 e 48 (fl. 70), a Recorrente não declarou qualquer valor referente à compensação de prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores. Como a autuação corresponde a simples lançamento do montante declarado como saldo a pagar na DIPJ e não recolhido, não cabe imputar à autoridade fiscal a obrigação de reduzir a base de cálculo, se não o fez a própria Recorrente. Quanto à multa de ofício, lançada com fulcro no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, em razão da falta de pagamento ou recolhimento e de declaração, não procede a alegação da recorrente de que não seria necessário declarar em DCTF a compensação pretendida, em razão da forma de tributação pelo lucro real anual. Quanto à aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, foi observado o disposto no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (grifei) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.003992/200810 Acórdão n.º 1202000.765 S1C2T2 Fl. 96 7 A DIPJ consolida informações econômicofiscais e não se traduz em instrumento de confissão de dívida. A obrigatoriedade de apresentação de DCTF para fins de constituição do crédito tributário independe da apuração pelo lucro real trimestral ou anual. A explicação é simples: o recolhimento das estimativas mensais, na forma da opção criada pelo art. 2º da Lei º 9.430/96, se dá sobre a receita bruta mensal ou balancetes de suspensão ou redução referentes a cada mês do próprio ano calendário. Em nenhum momento, nessa forma de apuração, seria possível a compensação de prejuízos gerados em períodos anteriores. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 213DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10886.001388/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO NOS TERMOS DA LEI 8.852/1994 NÃO CONFIGURA HIPÓTESE DE ISENÇÃO OU NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 68.
A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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score : 1.0
Numero do processo: 10950.002592/2005-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2005
DCTF. Multa por atraso.
Deve ser cancelada a multa aplicada à recorrida, em respeito ao princípio da isonomia, já que a Administração Tributária não expôs qualquer motivo ou critério razoável que diferenciasse a conduta da recorrida da dos contribuintes que tiveram sua multa cancelada pelo ADE SRF nº 24/05.
Numero da decisão: 9101-001.257
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 DCTF. Multa por atraso. Deve ser cancelada a multa aplicada à recorrida, em respeito ao princípio da isonomia, já que a Administração Tributária não expôs qualquer motivo ou critério razoável que diferenciasse a conduta da recorrida da dos contribuintes que tiveram sua multa cancelada pelo ADE SRF no 24/05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. ﴾documento assinado digitalmente﴿ OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias e Karem Jureidini Dias. Relatório Fl. 0DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 6/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 36/54), em face do Acórdão n° 30335.189 (doc. a fls. 28/32), que deu provimento, por unanimidade, ao recurso voluntário para afastar a multa aplicada por atraso na entrega da DCTF. Insurgese a recorrente contra a decisão exarada no acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: I – que, não obstante a identidade fática, a decisão recorrida diverge da decisão da Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, exarada no Acórdão no 30238.631, razão pela qual o recurso de divergência deve ser conhecido; II que, por ocasião da apresentação da DCTF relativa ao 4º Trimestre de 2004, foram detectadas, no ultimo dia do prazo de entrega — 15/02/2005, problemas técnicos no sistema eletrônico de envio da referida declaração; III que o Secretário da Receita Federal, em 08/04/2005, editou o Ato Declaratorio Executivo no 24, com o que considerou, como apresentadas em 15/02/2005, as declarações transmitidas nos dias 16 a 18/02/2005, não se imputando aos contribuintes respectivos qualquer penalidade por atraso na referida entrega; IV – que, no presente caso, a contribuinte apresentou a sua DCTF do 4o Trimestre no ano de 2004 em 24/02/2005, ou seja, 06 (seis) dias após o termo do prazo final considerado pelo próprio ADE SRF n°24, de 08/04/2005, caracterizando a mora no cumprimento da citada obrigação acessória; V – que a justificativas apresentadas pela recorrida no sentido de que teria tentado protocolar a referida declaração perante a repartição pública competente por diversas vezes, o que teria sido negado pelo agente público competente, não lhe socorre de nenhuma maneira; VI que a "convalidação pela Receita Federal das declarações enviadas nos três dias subseqüentes, provase que outros contribuintes que sofreram o mesmo imprevisto conseguiram enviar suas declarações sem problemas, e que o mesmo poderia ter sido feito pela Interessada", o que, todavia, não foi feito; VII que não se pode admitir que o contribuinte em mora na entrega da declaração, aproveitandose dos problemas técnicos observados nos sistema de envio da DCTF em 15/02/2005, estes que foram suficientemente sanados com a edição do ADE SRF n 9 24/2005, venha a levantar tese desprovida de qualquer substrato jurídico e probatório e cujo modelo vem se repetindo em defesas de outros contribuintes (o que é, ao menos, curioso), tudo com o intuito de se ver livre da imposição tributária, demonstrada legitima no presente caso; e VIII – que "a ocorrência ou mesmo autoria da infração, sobre a sua imputabilidade e principalmente sobre a punibilidade do ora recorrente", se acham devidamente evidenciadas no caso, já que ficou demonstrado e admitido nos autos que a contribuinte se retardou no cumprimento da obrigação tributária acessória, conduta esta que não se acha respaldada em qualquer causa justificada, o que induz à imputação devida da penalidade tributária, conforme previsão do art. 7o da Lei no 10.426, de 24/04/2002; IX – alfim, a recorrente requer que seja dado provimento ao recurso especial, para reformar o acórdão recorrido. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 6/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10950.002592/200531 Acórdão n.º 910101.257 CSRFT1 Fl. 2 3 A Presidente da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselheiro, por meio do despacho a fls. 55/57, deu seguimento ao recurso especial do Procurador, por entender que era tempestivo e que restava demonstrada a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma apresentado pela recorrente. Cientificada do recurso especial da Fazenda Nacional (doc. a fls. 60), a recorrrida apresentou contrarrazões (doc. a fls. 61/74), na qual alega: I – que acórdão de no 30335.189, proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes para a Empresa Recorrida e que deu provimento por unanimidade de votos ao Recurso Voluntário no presente processo, considera razões fáticas diversas das razões apresentadas no acórdão paradigma; II que o Secretário da Receita Federal não editou o ADE no 24 assim que foram detectados os problemas técnicos no sistema eletrônico de envio da declaracão como ansiavam os contribuintes e os agentes públicos da Delegacia da Receita Federal, mas apenas quase 60 dias após o ocorrido; III – que, no próprio dia 15/02/2005, em horário de expediente, já entrou em contato com a Delegacia da Receita Federal local, que orientou que "continuasse tentando até o prazo final de entrega, que seria às 20:00 horas"; IV – que tal contato com a Delegacia local da Receita Federal perdurou diariamente até o dia 24/02/2005, visto que, zelosamente, o Contribuinte não tomou nenhuma medida sem o posicionamento do órgão oficial; V que, neste período, houve total omissão por parte da administração fiscal em esclarecer o problema e direcionar a solução, fixando um novo prazo para o cumprimento da obrigação, tanto que os agentes públicos da Delegacia Regional não tinham nenhuma orientação superior para ser repassada aos contribuintes, até que, por ocasião da realização de uma reunião no auditório da Delegacia local, o próprio delegado, juntamente com outros agentes, orientou para que fosse efetuada a entrega via internet, o que a Empresa zelosamente obedeceu; VI que in casu, a melhor interpretação a ser dada à lei tributária não pode ser desfavorável ao contribuinte, visto ferir frontalmente o art. 108 e 112 do Código Tributário Nacional; VII – ao final, após trazer à baila julgado do CARF em favor de sua tese de defesa, a recorrida requer a manutenção integral da decisão proferida pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao seu recurso voluntário. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. Ao contrário do que alega a recorrida, observase que há identidade fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, pois ambos os acórdãos se referem aos problemas ocorridos para entrega da DCTF do 4o Trimestre de 2004, em razão de congestionamento no sítio da Receita Federal na internet. O que a recorrida chama de situações fáticas diversas, em verdade, são argumentos de defesa diversos. Com efeito, a decisão recorrida, ao tratar da prorrogação do prazo para entrega da DCTF, estipulada pelo ADE SRF no 24/2005, chega a conclusão diferente do acórdão paradigma sobre a possibilidade de o contribuinte poder extrapolar tal prazo sem se sujeitar a multa por atraso na entrega da DCTF. Assim, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 6/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 demonstrada a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, conheço do recurso, tempestivamente interposto, e passo à análise do mérito. Inicialmente, há que se esclarecer que o ADE SRF no 24/05 não alterou o prazo para entrega da DCTF, pois apenas determinou que as DCTF relativas ao 4º trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, fossem consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. De plano, verificase que o ADE ofendeu a reserva legal prevista no art. 150, § 6o, da CF/88 e no art. 97, VI, do CTN , já que, ao assim dispor, em verdade, concedeu uma anistia aos contribuintes que entregaram suas DCTF nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005. É verdade que a instituição de obrigação acessória não é matéria submetida à reserva legal, tanto que o art. 16 da Lei no 9.779/99 deu competência ao Secretário da Receita Federal para dispor sobre tais obrigações no âmbito dos tributos administrados por aquela Secretaria, inclusive com poderes para dispor sobre forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Todavia, a cominação de penalidade é matéria submetida à reserva legal ex vi art. 97, V, do CTN, sendo a multa por atraso na entrega da DCTF devidamente disciplinada pelo art. 7o da Lei no 10.426/02. Essa multa, como qualquer outra, só poderia ser afastada – uma vez já ocorrida a conduta infracional – por força de outra lei em sentido formal que anistiasse a conduta, o que, consequentemente, afastaria a aplicação da multa. Não obstante, o Secretário da Receita Federal justifica o ADE SRF no 24/05 na ocorrência de “problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações” e afasta a aplicação da multa para quem tenha entregue a DCTF do 4o trimestre de 2004 nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, ou seja, nos 3 dias seguintes ao vencimento do prazo. Repito que o ADE não alterou o prazo que já tinha ocorrido quando da sua edição, mas simplesmente afastou ilegalmente a aplicação da multa, determinando que se considerassem enviadas no último dia do prazo fixado, as DCTF que foram enviadas até 3 dias depois. Vale notar que, encerrado o 4o trimestre de 2004 em 31/12/2004, os contribuintes tiveram até o dia 15 de fevereiro de 2005 para enviar a respectiva DCTF, ou seja, prazo de 46 dias. Assim, aquele contribuinte que deixou para enviar a DCTF no último dia de um prazo tão longo não agiu com a devida cautela e digo até que assumiu um risco ordinário, pois não é extraordinário que ocorra congestionamento na rede da Receita Federal no último dia de entrega de qualquer declaração a que estejam obrigados tantos contribuintes. Com efeito, os fatos ocorridos não justificavam a edição do referido ADE SRF no 24/05, todavia, o Secretário da Receita Federal o editou e, fazendo discricionariamente nos termos em que o fez, criou distinção entre contribuintes que estavam em situação semelhante, qual seja, contribuintes que não entregaram a DCTF no prazo fixado. Digo que o fez discricionariamente, pois não expôs o motivo pelo qual o ADE estava anistiando apenas aqueles que entregaram a DCTF até 3 dias depois do prazo. Por que 3 dias se no dia seguinte o problema já estava resolvido? Por que somente 3 dias? Por que não 4 dias? Ou mesmo, por que não uma semana ou um mês? Ou ainda, por que não até o dia da publicação do ADE no 24/05 (12/04/2005)? Assim, quase dois meses depois de ocorrido o fato gerador da multa, o Secretário da Receita Federal declara que houve problema técnico na recepção das DCTF no Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 6/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10950.002592/200531 Acórdão n.º 910101.257 CSRFT1 Fl. 3 5 dia 15/02/2005, mas decide, discricionariamente, que apenas os contribuintes que entregaram a DCTF até 3 dias após o prazo fixado estavam dispensados de pagar a multa pelo atraso. Ora, o ADE SRF no 24/05 não só era ilegal, por disciplinar matéria sob reserva legal (anistia), como ofendeu o princípio da isonomia, ao criar, injustificadamente, diferenças entre contribuintes que se encontravam em situações equivalentes. Concluo, então, que deve ser mantida a decisão da Turma a quo que cancelou a multa aplicada à recorrida, em respeito ao princípio da isonomia, já que a Administração Tributária não expôs qualquer motivo ou critério razoável que diferenciasse a conduta da recorrida da dos contribuintes que tiveram sua multa cancelada pelo ADE SRF no 24/05. Tratase, também, de aplicação da equidade, prevista no art. 108, IV, do CTN, para adequar a norma contida no ADE SRF no 24/05 ao caso concreto e chegar à conclusão de que o atraso de 9 dias na entrega da DCTF também deve ter sido ocasionado pelo problema técnico na recepção da declaração pelo Serpro, afastandose assim a responsabilidade da recorrida e, consequentemente, concluindo pela manutenção da decisão que cancelou a multa. Por último, registro que em processo que não era da minha relatoria, julgado, s.m.j., na reunião do mês de setembro, votei por manter a multa por atraso na entrega da DCTF em situação fática semelhante a ora sub examine. À época, não me apercebi dos vícios que maculavam o ADE SRF no 24/05, os, quais me fizeram, após análise percuciente da questão, modificar o meu entendimento. Isso posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 6/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 10665.720333/2007-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
É de se manter o lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, quando o contribuinte não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que a referida omissão decorre de empréstimo.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
MESMA BASE DE CÁLCULO.
Pacífica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão.
SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2201-001.614
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo Recorrente e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. É de se manter o lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, quando o contribuinte não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que a referida omissão decorre de empréstimo. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. Pacífica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo Recorrente e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para Fl. 594DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/10, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 140.087,96. A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sem vínculo empregatício e multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 37/58), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Dos Fatos o autuado é advogado, tendo firmado contrato de serviços advocatícios com o Sr. Antônio Costa de Oliveira para patrocinar judicialmente causa deste contra a empresa Sinduminas Ltda; consoante contrato firmado, em caso de êxito, o contribuinte receberia: a) 20% do que se apurar na liquidação patrimonial da empresa; b) 30% do que se apurar a título de perdas e danos, materiais e morais, bem como do que se apurar em lucros cessantes; c) em caso de acordo, judicial ou extrajudical, 20% sobre o valor acordado, no que tange à apuração de haveres e 30% no que se refere às perdas e danos, materiais e morais; d) em caso de sucumbência (derrota judicial) de Sinduminas e seus litisconsortes, os proventos serão aferidos ao advogado, ora contratado; em 18/10/2004, Antônio Costa de Oliveira, à revelia do impugnante, transacionou todos os feitos judiciais por R$ 1.900.000,00, usurpando os honorários devidos ao autuado, quebrando a cláusula contratual de nº 2, alínea “c”, uma vez que, até então, era o impugnante patrono da causa no âmbito judicial e foi excluído da transação; Fl. 595DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10665.720333/200773 Acórdão n.º 2201001.614 S2C2T1 Fl. 2 3 em novembro de 2004, sem saber do acordo entre as partes, o impugnante recebeu do Sr. Antônio Costa de Oliveira, a título de empréstimo, o valor de R$200.000,00, representada por um cheque sacado contra o Banco Itaú, tendo dado em garantia uma nota promissória com vencimento no dia 09/12/2004; em 08/12/2004, chegou ao conhecimento do impugnante a transação efetuada por Antônio Costa de Oliveira e, para por fim às demandas judiciais, já que houve a composição amigável entre as partes, em 09/12/2004 peticionou nos autos para requerer a extinção dos feitos e apensos, tendo consignado que cada parte arcaria com os honorários de seus respectivos procuradores, conforme acordado entre o advogado e o cliente; após a extinção dos processos judiciais, a cobrança dos honorários a que tinha direito o impugnante de Antônio Costa Oliveira virou motivo de discórdia, tendo o seu cliente proposto que empréstimo feito em novembro de 2004 ficasse por conta dos honorários e que o valor emprestado seria suficiente para quitá los; o impugnante não concordou, porque a nota promissória se encontrava de posse de seu cliente e porque os valores devidos superavam em muito o valor de empréstimo, já que, conforme contratado em acordo judicial ou extrajudicial, os honorários seriam de 20% do valor pactuado (R$ 1.900.000,00), o que corresponderia ao valor de R$ 380.000,00; ao final de 2004, chegou ao conhecimento do impugnante que o Sr. Antônio Costa de Oliveira estaria articulando uma maneira de obter um recibo de quitação para comprovar o pagamento de honorários ao impugnante, mas este não deu tanta importância ao fato, pois jamais pensou que seu cliente chegaria a tanto; após infrutíferas cobranças de honorários por parte do impugnante, com o intuito de evitar uma possível ação de execução de honorários contra o Sr. Antônio Costa de Oliveira, este veio lhe informar verbalmente em agosto de 2006 que “nada lhe devia, pois tinha recebido até o recibo de quitação de honorários na época no feito no valor de R$ 200.000,00”; o impugnante não emitiu qualquer recibo e, assim, ajuizou em 11/08/2006 ação de exibição de documentos, tendo como réu o Sr. Antônio Costa de Oliveira para que pudesse ter conhecimento no conteúdo do citado documento; em 04/09/2006, o Sr. Antônio Costa de Oliveira compareceu aos autos e apresentou cópia autenticada do suposto recibo, com reconhecimento de firma em cartório que o contribuinte não possui cadastrado sua ficha de registro para reconhecimento de firma; o contribuinte vem demandado judicialmente o Sr. Antônio Costa de Oliveira com o intuito que este apresente o recibo original para ser submetido a exame grafodocumentoscópico, pois só tem apresentado cópia heliográfica; Fl. 596DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 a demora ensejou outras ações de exibição de documentos contra o Sr. Antônio Costa de Oliveira, bem como contra a tabeliã do Cartório de Carmo da Mata, Sra. Miriam Gabriela Adami Assis, que estão em tramitação, sendo que provavelmente a prova a que se busca para o cancelamento do presente auto não seja alcançada antes do término do prazo para impugnação; o recibo no valor de R$ 200.000,00, o qual o impugnante não reconhece como de sua emissão, foi o ensejador do Auto de Infração ora impugnado; Da Preliminar 1. Da cópia do recibo não autenticada. o Auto de Infração teve como prova fundamental para sua lavratura o recibo de fl.28, o qual é uma simples cópia heliográfica, não detentor de autenticação por cartório ou pelo servidor competente da Receita; cópia heliográfica sem autenticação ou sem carimbo de “confere com o original”, seguido da assinatura do servidor, não é documento bastante para instruir Auto de Infração, logo o processo está maculado desde o seu nascimento, devendo ser cancelado; 2. Pedido de Diligência e Perícia. caso não seja acolhida a preliminar, requer diligência no sentido de se obter junto ao Sr. Antônio Costa de Oliveira o recibo original cuja firma foi falsamente reconhecida em Cartório e posterior perícia no recibo de suposta emissão do impugnante; requer diligência junto à tabeliã do Cartório de 2º Ofício de Notas de Carmo da Mata para que a mesma apresente o cartão original de assinatura que se diz do Sr. Geraldo Eustáquio Rodrigues; no caso de apresentação ou não do documento original, requer perícia grafo documentoscópia, designando um perito, para responder os quesitos formulados em anexo, referentes ao recibo original, cuja cópia heliográfica foi anexada às fl. 28 do processo; a necessidade da exibição da quitação original decorre de o impugnante não reconhecer a autenticidade do recibo e muito menos a assinatura nele aposta; requer ainda a junta de provas posteriores, diante das ações pendentes de decisão. Do Mérito 1. Da falsidade documental. o Sr. Antônio Costa de Oliveira, para se ver livre do pagamento de honorários que giravam em torno de R$ 380.000,00, montou um esquema fraudulento para obter uma redução dos seus rendimentos tributáveis, tendo abatido o valor constante no Fl. 597DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10665.720333/200773 Acórdão n.º 2201001.614 S2C2T1 Fl. 3 5 recibo com assinatura do impugnante falsa, e ainda usurpou o restante dos honorários que eram devidos ao empolgante, obtendo um lucro de R$ 580.000,00; o recibo apresentado é datado de 20/11/2004, mas somente em 09/12/2004 o impugnante e o Sr. Antônio Costa de Oliveira pediram a extinção dos feitos judiciais, o que seria uma incongruência; o recibo é datado de 20/11/2004, porém somente em 01/09/2006 teve a pretensa firma reconhecida, data esta que coincide com o momento que o Sr. Antônio Costa de Oliveira compareceu aos autos do processo 0223.06.2025430 (ação de exibição de documentos); o Sr. Antônio Costa de Oliveira, quando interpelado a apresentar o documento, somente o fez por meio da fotocópia autenticada; o Sr. Antônio Costa de Oliveira se eximiu de cobrar a dívida representada pela nota promissória vencida em 09/12/2004 e somente em 2007 a devolveu ao impugnante “via sedex”, sendo que este não a solveu; se o impugnante tivesse firmado o recibo objeto do litígio, teria o feito em papel timbrado do seu escritório, como o fez com o contrato de serviços advocatícios anexo; o impugnante nega ter recebido o valor de R$ 200.000,00 a título de honorário, pois o recebeu a título de empréstimo; por descuido de seu contador, não lançou na Declaração de Ajuste Anual do exercício autuado, mas corrigiu nos exercícios de 2006 e 2007; o empréstimo não tem natureza de rendimento que esteja sujeito à incidência de imposto de renda; conforme julgados transcritos, o Auto de Infração não pode prosperar quando instruído com documento falsificado; 2. Da Multa de Ofício, dos Juros e da Multa Isolada. o contribuinte não recebeu qualquer valor a título de honorários, mas se admitindo devida a exação em comento, o crédito tributário deve ser reduzido, descontandose o excedente de juros e multa, bem como as parcelas indevidamente acrescidas; em relação aos juros, a taxa SELIC, conforme entendimento jurisprudencial dominante, não é instrumento para o cômputo de juros moratórios em caso de créditos tributários, conforme sedimentado em julgados; no que tange à multa de ofício e à multa isolada, ambas cobradas em patamares absurdos, é patente o caráter confiscatório; Fl. 598DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 a ilegalidade e o caráter confiscatório das multas impostas aos contribuintes decorrem da violação frontal aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como ao disposto no art. 150, inc. IV, da Constituição Federal, que determina ser vedado utilizar tributo com efeito de confisco; 3. Produção de Provas Posteriores. requer a juntada posterior de provas, tendo em vista seu pleito estar amparado na alínea “a” do § 4º do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972; 4. Valores Impugnados. requer que sejam acolhidas as preliminares argüidas, protesta pela produção de provas admitidas em direito, requer o cancelamento do lançamento tendo em vista que o mesmo foi calculado com base em recibo materialmente falso, protesta pela aplicação de multa de mora de 20% e dos juros de mora à taxa de 1% ao mês e, atendendo ao princípio da eventualidade, que as multas aplicadas sejam reduzidas a patamares realmente compatíveis com a suposta infração. A 5ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: NULIDADE. Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. PROVAS. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto nos casos legalmente previstos. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de diligência/perícia sempre que se mostrar desnecessário. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. OMISSÃO. Será efetuado lançamento de ofício, no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988, é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ LEÃO. É cabível a exigência da multa isolada, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10665.720333/200773 Acórdão n.º 2201001.614 S2C2T1 Fl. 4 7 JUROS DE MORA. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, a teor do disposto no art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 13/09/2011 (fl. 177), Geraldo Eustáquio Rodrigues apresenta Recurso Voluntário em 13/10/2011 (fls. 178 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como se observa, sinteticamente, a discussão travada nos presentes autos diz respeito à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício e a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, relativo ao anocalendário de 2004. Antes de adentrarmos no mérito da questão cumpre examinar, de antemão, as preliminares argüidas pela defesa. A primeira diz respeito à imprestabilidade do recibo que embasou o lançamento fiscal e a segunda referese ao indeferimento do pedido de diligência e/ou perícia. De início, cabe o registro que a autoridade fiscal quando da constituição da exigência deve levar em consideração todas as informações e/ou documentos presentes nos autos. Com efeito, as autoridades administrativas devem promover de ofício as averiguações necessárias à elucidação da verdade material, desconsiderando procedimentos que procurem atender apenas à verdade formal, muitas vezes atentando contra a verdade objetiva. Assim, deve a autoridade lançadora colher as provas que entender indispensáveis para verificar a ocorrência do fato gerador efetivo, pois no processo administrativo tributário deve sempre prevalecer à verdade material. Neste sentido, entendeu a autoridade fiscal que além do recibo de fl. 28 os outros elementos constantes dos autos bastaram para a constituição da exigência. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como Fl. 600DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Quanto ao indeferimento do pedido de diligência/perícia cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Em verdade, os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do Fisco ao lançar o crédito ou da Impugnação apresentada pelo autuado. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. No caso dos autos, entendeu a autoridade recorrida que a diligência proposta pelo contribuinte, visando atestar a veracidade do recibo de fl. 28, era despicienda, pois, repise se, o conjunto probatório constante dos autos era suficiente para manter o lançamento. Assim, pelo exposto, não merece ser acolhida a suscitada preliminar. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame das questões de mérito. Alega o contribuinte que recebeu do Sr. Antônio Costa de Oliveira, a título de empréstimo, o valor de R$ 200.000,00, representado por um cheque sacado contra o Banco Itaú, tendo dado como garantia uma nota promissória com vencimento no dia 09/12/2004. Afirma, ainda, que prestou serviços advocatícios para o Sr. Antônio Costa de Oliveira e que seus honorários giravam em torno de R$ 380.000,00. Contudo, o Sr. Antônio Costa de Oliveira veio lhe informar verbalmente que nada lhe devia, pois tinha em seu poder recibo de quitação de honorários no valor de R$ 200.000,00. Ato continuo, ajuizou ação de exibição de documentos, tendo como réu o Sr. Antônio Costa de Oliveira, para que o mesmo apresente o recibo, objeto do lançamento de ofício. Em outra via, a autoridade recorrida entendeu que mesmo considerando que o contribuinte não foi o emitente do citado recibo, tinha em mente que receberia honorários advocatícios no valor de R$ 380.000,00. Neste sentido, conclui a autoridade recorrida que “... em 09/12/2004, o contribuinte, em relação a Antônio Costa de Oliveira, seria credor do valor de R$ 380.000,00, bem como devedor do valor de 200.000,00. Desta forma, na hipótese em comento, ocorreu, no anocalendário de 2004, a extinção de sua dívida no valor de R$200.000,00, bem como ocorreu o recebimento de rendimentos tributáveis a título de honorários advocatícios no valor de R$ 200.000,00. Portanto, considerando ou não a licitude do recibo de fl. 24, constatase que o contribuinte recebeu no anocalendário de 2004 rendimentos tributáveis no valor de R$200.000,00 a título de honorários advocatícios. Logo, o lançamento não merece nenhum reparo.” Pois bem, analisando detidamente os autos entendo que o pleito do contribuinte não merece acolhimento, impondo, desta feita, a manutenção do Acórdão recorrido. Em verdade, o lançamento se deu de fato em virtude de a fiscalização ter constatado o recebimento pelo recorrente da quantia de R$ 200.000,00 em 22/11/2004. Assim, em que pese alegue o contribuinte que se trata de empréstimo, não se encontra nos autos Fl. 601DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10665.720333/200773 Acórdão n.º 2201001.614 S2C2T1 Fl. 5 9 qualquer documento respaldando a suposta operação de crédito. Além do mais, não está assentada na Declaração de Ajuste do recorrente, recepcionada tempestivamente pela SRF, o registro do mútuo efetuado. Com efeito, embora alegue o recorrente que o documento apresentado à fl. 28 referese a uma cópia heliográfica sem autenticação, a bem da verdade é que o autuado confirmou que recebeu, em 22/11/2004, do Sr. Antônio Costa de Oliveira, o valor de R$ 200.000,00. Além do mais, não consta nos autos prova de que o contribuinte tenha efetuado a devolução do inditoso empréstimo para o Sr. Antônio Costa de Oliveira. Ressaltese que o livre convencimento é prerrogativa do julgador na apreciação dos fatos e de sua prova (art. 131 do Código de Processo Civil e do art. 29, do Decreto 70.235, de 1972). Destarte, entendo que o órgão lançador agiu de forma correta, como também o fez a autoridade julgadora de primeira instância, cuja decisão não está a merecer qualquer reparo. No que tange à exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada, decorrente do mesmo fato – omissão de rendimentos recebidos de pessoa física sem vínculo empregatício e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão – entendo não ser possível cumularse as referidas penalidades. Em verdade, houve a dupla incidência da penalidade sobre a mesma base de cálculo. Nesse sentido é a interpretação dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/2002 19, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). Na exigência de tributo por auto de infração ou notificação de lançamento não há espaço para se incluir concomitantemente a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada, sobre a mesma omissão que gerou o lançamento do tributo, acrescido da multa de ofício. Finalmente, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Esse entendimento é pacifico no Primeiro Conselho de Contribuinte, conforme Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 603DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10665.720333/200773 Acórdão n.º 2201001.614 S2C2T1 Fl. 6 11 Processo nº: 10665.720333/200773 Recurso nº: 921.506 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.614. Brasília/DF, 16 de maio de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 604DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10820.000196/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos
Numero da decisão: 2202-001.880
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10820.000196/200989 Acórdão n.º 220201.879 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento contra o Recorrente, que versa a cobrança de imposto de renda pessoa física, dos exercícios de 2005 a 2008, fls. 34/46, por glosa dos valores deduzidos do livrocaixa. O Recorrente foi intimado 5 vezes, para efetuar a apresentação dos comprovantes das deduções do livrocaixa, e após a última prorrogação de prazo,não apresentou nenhuma documentação. Devidamente intimado, do auto de infração, o Recorrente apresentou a impugnação, de fls. 51/63. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, através da sua 8ª Turma de Julgamento, ao apreciar a impugnação apresentada, por unanimidade de votos, julgoua improcedente, conforme acórdão DRJ/SPII, 1746.744, de 08 de dezembro de 2010, fls. 91/100. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde alega em síntese: Nulidade do auto de infração, e; Natureza confiscatória da multa. É o relatório Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Quanto as preliminares de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, argüidas pelo Recorrente, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora e administrativa feriram diversos princípios fundamentais, quais sejam: eleição de base de cálculo irreal, período de apuração incorreto, necessidade de produção de prova para embasamento do auto de infração. Estas preliminares devem ser rejeitadas pelos motivos que se seguem. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pela agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10820.000196/200989 Acórdão n.º 220201.879 S2C2T2 Fl. 3 5 O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Com a devida vênia, o Recorrente, foi intimado 5 vezes para apresentar os documentos que comprovassem a dedução das despesas lançadas no livrocaixa e não apresentou nenhum documento. Entendo que o mesmo sofreu um grave acidente, mas ele poderia ter apresentado tais documentos na impugnação, ou até no recurso voluntário, mas não o fez. Os valores estão corretamente descritos nos Demonstrativos e Relatórios de Fiscalização, que são partes integrantes do Auto de Infração e que o mesmo, identifica os valores glosados, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo SP, cuja ciência foi pessoal e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pela AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. No caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Desta forma, verificase totalmente incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa, haja vista que o lançamento foi perfeitamente assimilado pelo litigante, não se constatando em seu recurso qualquer dificuldade para o exercício do seu direito de defesa, pois demonstrou pleno conhecimento da infração apontada, até porque a movimentação bancária foi por ele realizada, além de já ter sido intimado e reintimado a prestar esclarecimentos e documentos durante a fase preparatória do lançamento. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO – CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Incabível se falar em confisco no âmbito das multas pecuniárias. O princípio constitucional do nãoconfisco se aplica, apenas, aos tributos. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10820.000196/200989 Acórdão n.º 220201.879 S2C2T2 Fl. 4 7 Diante do exposto conheço do recurso e no mérito nego provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 19515.003783/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2002.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
No tocante aos impostos e contribuições federais submetidos a lançamento por homologação, nas ocasiões em que fique caracterizada a existência de pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial rege-se pela norma contida no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN.
INEXISTÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA COMPULSÓRIA DO SIGILO BANCÁRIO DO CONTRIBUINTE PARA O FISCO.
No momento em que o contribuinte atendeu a intimação da fiscalização para acostar aos autos os extratos bancários, fica prejudicada toda a irresignação recursal no tocante à transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, sob o pálio da Lei Complementar n° 105/2001.
OMISSÃO DE RECEITA S FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
LUCRO PRESUMIDO. DEDUÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do lucro presumido não cabe a invocação das normas atinentes ao lucro real onde a renda disponível é obtida pela diferença entre as receitas
e as despesas efetivas do sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO DE 75% É DEVIDA Conforme reiterada
jurisprudência firmada neste Conselho, a multa de ofício fixada no patamar de 75% não possui efeito confiscatório.
APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1401-000.703
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrentes RESTAURANTE FASANO LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. No tocante aos impostos e contribuições federais submetidos a lançamento por homologação, nas ocasiões em que fique caracterizada a existência de pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN. INEXISTÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA COMPULSÓRIA DO SIGILO BANCÁRIO DO CONTRIBUINTE PARA O FISCO. No momento em que o contribuinte atendeu a intimação da fiscalização para acostar aos autos os extratos bancários, fica prejudicada toda a irresignação recursal no tocante à transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, sob o pálio da Lei Complementar n° 105/2001. OMISSÃO DE RECEITA S FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. LUCRO PRESUMIDO. DEDUÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do lucro presumido não cabe a invocação das normas atinentes ao lucro real onde a renda disponível é obtida pela diferença entre as receitas e as despesas efetivas do sujeito passivo. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 2 MULTA DE OFÍCIO DE 75% É DEVIDA Conforme reiterada jurisprudência firmada neste Conselho, a multa de ofício fixada no patamar de 75% não possui efeito confiscatório. APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003783/200796 Acórdão n.º 1401000.703 S1C4T1 Fl. 832 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1624.653, proferido pela Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que decidiu manter parcialmente o lançamento consubstanciado no auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e tributação reflexa da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativo a fatos geradores do anocalendário de 2002, com o crédito tributário total de R$ 3.565.819,43. Por descrever os fatos com riqueza de detalhes, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: O presente processo versa acerca de autos de infração (fls. 329/355), lavrado em 28/11/2007, atinentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e tributação reflexa da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativo a fatos geradores do anocalendário de 2002, com o crédito tributário total de R$ 3.565.819,43, composto de principal, multa de oficio de 75% e juros de mora vinculados, calculados até 31/10/2007. Os referidos autos de infração decorreram de ilicitude caracterizada em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo em epígrafe, segundo o qual restou configurada a ocorrência de omissão de receita proveniente de depósitos e valores creditados em contas correntes junto As instituições financeiras, quais sejam, Bradesco S/A, Banco Mercantil S/A e Banco Safra S/A, cujos importes não foram objeto de apresentação de justificativas ou comprovação, mediante documentação hábil e idônea, acerca da origem de recursos pertinentes As operações, consoante certificado na descrição dos fatos e enquadramentos legais detalhados no corpo dos mencionados autos de infração, conjugado com as informações noticiadas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 327/328), ora integrante e indissociável do lançamento. Vale ressaltar que o encerramento dos trabalhos dá ênfase que a fiscalização permitiu tempo suficiente ao contribuinte para que promovesse a apresentação e comprovação da origem dos depósitos bancários por intermédio de documentação especifica, mormente em razão dos importes superarem em expressivo montante a receita bruta declarada no períodobase. Entretanto, vencido os prazos de atendimento das intimações, a entidade não impulsionou a comprovação da origem dos recursos correlatos As transações bancárias configuradas no Fl. 833DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 4 curso do procedimento de fiscalização em contas de titularidade da sociedade, assim, incitando a lavratura do auto de infração de IRPJ e seus reflexos, concernentes omissão de receita vinculada aos créditos ausentes de comprovação no ano calendário de 2002. Cientificado pessoalmente dos autos de infração e do Termo de Verificação e Constatação Fiscal em 28/11/2007 (fls. 328 e 355), os procuradores constituídos pela entidade apresentaram de impugnação em 27/12/2007 (fls. 357/385), acompanhado da documentação de fls. 386/399, 402/599 e 602/642, segundo a qual requer a declaração de improcedência dos autos de infração, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fato e de direito: 1) Em caráter preliminar, inicialmente, sustenta que os autos de infração lavrados pelo Auditor fiscal estão maculados por nulidade insanável, uma vez que os lançamentos deveriam ser precedidos de avaliação acurada, circunstância que permitiria à autoridade fiscal efetuar a tributação com base em direito liquido e certo baseado em infrações regulamentares que caracterizam o legitimo crédito tributário, sob pena de anulação do procedimento fiscal por ilegítimo, infundado e até mesmo caracterizador de verdadeiro confisco; 2) Assevera que o lançamento fora efetuado com base em amostragem, tal como confessadamente consta dos termo de encerramento, contrariando os mais comezinhos princípios de direito, assim, descaracterizando a liquidez e certeza do crédito tributário que deve obrigatoriamente nortear o lançamento, conseqüentemente, indicando que o ato não dispõe de todos os elementos insertos no art. 142 do CTN; 3) Reclama que o auto de infração lavrado pela autoridade fiscal não levou em consideração os vários documentos apresentados e que comprovariam a origem da movimentação, limitandose a falar que "a empresa não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea coincidente, em data e valor, a origem dos depósitos e créditos feitos em suas contas bancárias". Nesse sentido, atesta que o impugnante comprovou, saciedade, a identidade das operações, inclusive, demonstrando a origem das importâncias ingressas em suas contas bancárias, provenientes de transferências, empréstimo "Gero", patrocínio "Redecard", entre outros; 4) Assim, assegura que a autoridade restringiuse a ignorálos, sem qualquer razão para tal, configurando que o lançamento encontrase eivado de erros praticados pela autoridade fiscal e denotando claro desvio de finalidade, haja vista ser inaceitável a instauração das autuações sem que tenha sido atendido a integralidade dos elementos exigidos pelo diploma legal supracitado; 5) Destacando o conceito relacionado ao principio da verdade material, acrescenta que o Auditor Fiscal não buscou confrontar as alegações e os documentos apresentados pela impugnante, assim, exemplificando que, a partir do momento em que noticia que determinado valor é oriundo de um empréstimo obtido em Fl. 834DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003783/200796 Acórdão n.º 1401000.703 S1C4T1 Fl. 833 5 um banco (Banco BBA), questiona porque a autoridade não solicitou algum outro documento que entendesse necessário para seu convencimento; 6) Sob este aspecto, relata que, ao contrário do alegado pelo AuditorFiscal, há tanto coincidência de data e valor entre as importâncias, conforme se pode observar no tocante aos eventos abaixo especificados, cujos extratos bancários comprovam a origem das operações bancárias; 6.1) No tocante ao lançamento de Ordem n° 0134 (descrito no anexo do Termo de Intimação Fiscal — pág. 3/34) verificase que o DOC no valor de R$ 1.478.927,62, registrado como Documento n° 0671647, correspondente ao empréstimo bancário realizado junto ao banco BBA, cuja importância foi transferida em 22/01/2002, via DOC, para a conta n° 011.8490 junto ao Banco Safra S/A, ou seja, contas de mesma titularidade; 6.2) Em relação ao lançamento de Ordem n° 0236 (descrito no Anexo do Termo de Intimação Fiscal pág. 4/34) observase que o importe de R$ 809.079,21, registrado sob o Documento n° 0695776, corresponde ao resgate de aplicação financeira junto ao Banco Safra S/A transferido para o Banco Mercantil, em 25/02/2002, ou seja, também em contas de mesma titularidade; 7) Avocando decisão proferida pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, salienta a insubsistência e arbitrariedade do procedimento, assim como destaca que competia à autoridade fiscal provar suas alegações, para, ai sim, identificar os fatos geradores que dessem ensejo aos lançamentos por ela realizada; 8) Dessa forma, complementa que, em razão desta motivação adicional, os autos de infração são nulos de pleno direito, ante a autoridade coatora agir com base no preceito da presunção e não com base nos princípios da finalidade e da verdade material, devendo, assim, serem desconsiderados os respectivos lançamentos; 9) No campo do mérito, inicialmente, renova seus protestos no sentido de certificar que a análise pautouse em levantamento por amostragem dos depósitos bancários realizados em nome da sociedade; 10) Destacando doutrinas tributárias e jurisprudências proferidas pelo Conselho de Contribuintes, Câmara Superior de Recursos Fiscais e o antigo Tribunal Federal de Recursos, manifesta que o mero recebimento de depósitos bancários no decurso do anocalendário nada diz quanto a ocorrência de rendimentos tributáveis em favor da entidade; 11) Completa, ainda, que a presunção legal norteada pelos arts. 25 e 42 da Lei n° 9.430, de 1996, não se sustenta, por premissa equivocada, absolutamente divorciada da Fl. 835DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 6 realidade, ao eleger como indicio da auferição de rendimentos a mera existência de depósitos bancários. Salienta que a inserção da presunção no campo da prova, entendida a prova como ato demonstrar que ocorreu ou deixou de acontecer determinado evento, indica que esta representa uma comprovação de caráter indireto, partindo se de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, necessariamente desconhecido, mas diretamente relacionado ao fato sabido; 12) Enfatizando interpretação emanada pela doutrina tributária, conclui que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n° .9.430, de 1996, colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, tendo em vista que as experiências observadas em eventos anteriores indicam que não há evidências acerca da existência de nexo causal entre o depósito bancários e o rendimento omitido; 13) Adicionalmente, dando ênfase a voto proferido pelo insigne Ministro do STF, Carlos Mário da Silva Velloso, acentua que os depósitos bancários representam o marco inicial da investigação, razão porque não devem ser erigidos em fato indiciário na construção da presunção legal, ou seja, não podem se sustentar por si só, posto que, além da ausência de correlação natural exigida na instituição desse artifício legal, tal providencia implicaria transferência integral do encargo probatório para o contribuinte; 14) Renova sua indignação no tocante ao fato da autoridade fiscal não ter considerado, quanto ao conjunto das informações que pautaram seu levantamento, a existência de transferências bancárias entre contas de mesma titularidade, motivo pelo qual fica nítido o risco de restar se computando a titulo de renda determinadas quantias que já faziam parte do patrimônio da empresa, tendo sido, apenas, transferido para outra conta bancária, com objetivo de fazer "saldo médio" suficiente para manter o limite de crédito junto às instituições financeiras; 15) Salienta que tal risco deve ser afastado, pois, uma vez implementada a tributação estará incidindo sobre o patrimônio da sociedade e não sobre o rendimento auferido no período, circunstância que é vedada no ordenamento jurídico; 16) Assim, comprova a existência de valores transferidos entre contas de mesma titularidade mediante Demonstrativo de Conciliação Interbancária atinente ao anocalendário de 2002, elaborada pela empresa, denotando mister o cancelamento dos referidos importes, ou seja, deixando de computálos da base tributável do imposto e das contribuições lançadas; Fl. 836DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003783/200796 Acórdão n.º 1401000.703 S1C4T1 Fl. 834 7 17) No que concerne A multa de oficio, avocando interpretações aduzidas pela doutrina tributária e decisões prolatadas pelo TRF — la Região e pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e Minas Gerais, reclama o afastamento imediato da aplicação arbitrária da sanção correspondente a 75% sobre a totalidade dos impostos e contribuições autuados, inferindo que representa penalidade de caráter inconstitucional, em especial, um efeito confiscatório sobre o patrimônio da sociedade, por conseqüência, afrontando os termos do art. 150, inciso IV da CF/88; 18) No tocante aos juros moratórios incidentes sobre os valores integrantes dos lançamentos, invocando a redação dos arts. 192, caput e §3° da CF/88, art. 161, caput e §1° do CTN, interpretações emanadas da doutrina tributária e ementa de julgado prolatado no âmbito do Supremo Tribunal de Justiça, aduz arguições de direito visando questionar a legalidade e a inconstitucionalidade da a aplicação da taxa SELIC para fins de apuração e cálculo dos juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários devidos à Fazenda Nacional, reivindicando o afastamento da sua aplicação sobre os débitos autuados ou a limitação da incidência de taxa de juros ao percentual de 1% (um por cento) ao mês; 19) Atesta, ainda, que a gerência da sociedade, à época dos fatos, era exercida exclusivamente pela sócia COMPONENTE COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA., a quem competia, inclusive, o controle de livros e documentos fiscais e das operações financeiras da sociedade, consoante destaca através da citação das cláusulas 9° e 10° do Contrato Social da entidade; 20) Diante de tal circunstância e em face da administração financeira da sociedade ter sido gerida por sócio que não mais pertence ao quadro societário da empresa, bem como em razão da premência de tempo e da quantidade de documentos necessários comprovação dos fatos alegados, com base nos termos do art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235, de 1972, protesta e requer o direito de produção de todas as provas admitidas em direito, nomeadamente e não excludente, a juntada de documentos complementares, extratos bancários, contratos, distratos e tudo o mais que se possa assemelhar, inclusive, diligências fiscais e perícias; 21) Finalmente, após breves considerações finais acerca da lide, ante o exposto, requer: (I) a declaração da nulidade de pleno direito dos autos de infração, bem como das sanções nele argüidas, uma vez que o mesmo não foi Fl. 837DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 8 lavrado com base nos princípios norteadores do Procedimento Administrativo Fiscal e legislação aplicável; ou (II) o julgamento que declare improcedente a exigência fiscal, tendo em conta que o impugnante efetuou todos os recolhimentos inerentes a atividade comercial, de forma plena, geral e satisfativa, anulandose, em ambos os casos, os lançamentos guerreados. Ulteriormente, a peça impugnatória foi objeto pedido de aditamento recepcionado pela DERAT/SP em 29/07/2008 (fls. 648), através da qual aduz petição anexada às fls. 650/683, acompanhada da documentação de fls. 684/693, segundo a qual inclui argüições suplementares As contra razões outrora submetidas A exame perante a autoridade julgadora, quais sejam: 1) Em caráter preliminar, primeiramente, invocando essencialmente a redação do art. 150, caput e §4° do CTN, agregado a interpretações oriundas da doutrina tributária, ementas/excetos de decisões administrativas proferidas no âmbito da DRJ/RJ1 e pelo Conselho de Contribuintes e julgados prolatados pelos Tribunais Superiores, assevera que o lançamento pertinente às exigências fiscais concernentes ao IRPJ e CSLL do 1º, 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2002, bem como do PIS e COFINS de janeiro a outubro do respectivo períodobase, foram atingidas pela decadência, em face do lapso temporal de 5 (cinco) anos da data fixada para que a Fazenda Pública proceda a constituição dos aludidos créditos tributários; 2) Retomando a questão inerente aos juros moratórios incidentes sobre os valores integrantes dos lançamentos, reclama, adicionalmente, a suspensão da incidência e da exigibilidade do período compreendido entre a data de protocolização da impugnação e a data de proferição das decisões finais nas esferas administrativas de lª e 2ª instâncias; 3) Destacando as redações do art. 151, inciso III do CTN e do art. 27 do Decreto n° 70.235, de 1972, enaltece que é de elementar raciocínio e se apresenta de forma cristalina e insofismável que o legislador pátrio, ao inserir no texto legal a determinação para que os procedimentos fiscais sejam julgados em prazos estabelecidos pela Administração tributária, procura amparar o contribuinte ante a possibilidade da inércia e incapacidade dos órgãos de julgamento a apreciação do feito fiscal de forma célere, transformando os encargos sociais e, principalmente, os juros moratórios, em verdadeiro usurpação da propriedade do sujeito passivo; 4) Enfatizando os termos do art. 2°, inciso IV da Portaria SRF n° 454, de 29/04/2004, que trata da forma de distribuição dos processos fiscais para as turmas de Fl. 838DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003783/200796 Acórdão n.º 1401000.703 S1C4T1 Fl. 835 9 julgamento, assegura que é incontestável que a Administração Tributária admite taxativamente a existência de processos fiscais que tramitam há mais de quatro anos da data do protocolo; 5) Defende que a redação original do art. 27 Decreto n° 70.235, de 1972, antes da alteração introduzida pela Lei n° 9.532, de 10/12/1997, leva o intérprete a concluir que o legislador pátrio pugnou por proteger o cidadão da inércia da Administração Fiscal, evitando com isso o agravamento de sua situação fiscal pela imputação de pesados encargos financeiros; 6) Nesse sentido, depreende que o contribuinte está sendo responsabilizado por uma mora da qual não deu causa, ante a aplicação de juros calculados com base na Taxa SELIC que se apresenta com índices escorchantes e insustentáveis, os quais, dependendo da data do fato gerador da obrigação tributária, redunda em montante superior ao próprio imposto ou contribuição reclamados, motivo pelo qual sustenta ser necessário que a Administração Tributária seja diligente e eficaz na defesa de seus interesses, não constituindo em agravamento da situação do contribuinte; 7) Tomando como referencia os termos do art. 63, §2° da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, faz uma correlação com as circunstâncias reportadas naquele dispositivo legal, cuja redação trata da imputação da multa de mora em débitos com a exigibilidade suspensa por medida judicial, depreendendo restar evidente que os fatos, por sua natureza, são similares, pois tanto a ação judicial favorecida com medida liminar, quanto à interposição de impugnações e recursos na esfera administrativa, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, por força do comando legal contido no art. 151 do CTN. Conclui, portanto, que se a exigibilidade do crédito tributário está suspensa, também trará repercussões no tocante imputação dos encargos financeiros a ele inerentes (multa e juros moratórios) enquanto a lide não for definitivamente julgada, seja na esfera judicial ou administrativa; 8) Reforçando suas inferências por meio de sentença prolatada no âmbito da 1ª Vara da Justiça Federal em Uberaba/MG, atesta que constitui manifesta violação aos mais comezinhos princípios constitucionais, a pretensão do Estado de fazer incidir os juros moratórios no período compreendido entre a data da protocolização da impugnação e a decisão final do litígio, quando se constata que a demora no julgamento dos procedimentos Fl. 839DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 10 administrativos advém exclusivamente da inércia do órgão julgador; 9) Acentua, ainda, que se é certo e correto o dispositivo tratado na redação original do art. 27 Decreto n° 70.235, de 1972, antes da alteração introduzida pela Lei n° 9.532, de 10/12/1997, não menos adequado é o fato do diploma ter incluído o parágrafo único do art. 27, onde se destaca a obrigatoriedade do Secretaria da Receita Federal fixar, além da ordem, o prazo de julgamento dos processos administrativos fiscais, os quais encontramse pendentes de regulamentação. Enfatiza, inclusive, que a lei não prescreve que poderão, mas, sim, que serão fixados prazos para o julgamentos dos litígios fiscais; 10) Encerra suas asserções inferindo que não se pode carrear para o contribuinte os encargos financeiros decorrentes da demora no julgamento dos procedimentos administrativos fiscais, assim, descabida a imputação de juros moratórios no período compreendido entre a data de interposição da impugnação até a decisão final da lide instalada; 11) Finalmente, reitera de forma sucinta todos os aspectos reportados no curso da petição, requer o acolhimento do aditamento à impugnação interposta em 27/12/2007, por força do disposto nos arts. 3°, inciso III, 9°, inciso II, 48 e 69 da Lei n° 9.784, de 29/01/1999, bem como protesta a produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito e diligências e perícias que se fizerem necessárias. Ato continuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SP1 para julgamento da impugnação. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, esta houve por bem julgála procedente em parte, acolhendo a decadência suscitada pelo Recorrente, reconhecendo o decurso de prazo do direito do Fisco de proceder ao lançando do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) inerentes ao 1°, 2° e 3° trimestres do ano calendário de 2002, bem como da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) relativo a períodos de apuração de janeiro a outubro do aludido períodobase. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURiDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. No tocante aos impostos e contribuições federais submetidos a lançamento por homologação, nas ocasiões em que fique caracterizada a existência de pagamento antecipado do tributo, Fl. 840DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003783/200796 Acórdão n.º 1401000.703 S1C4T1 Fl. 836 11 o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN. PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRETENSA INCONSISTÊNCIA NO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. É incabível a argüição de nulidade dos autos de infração cujos atos administrativos formalizados no curso do procedimento de fiscalização encontramse revestidos de 'suas formalidades essenciais, assim como plenamente inseridos no contexto dos lançamentos constituídos em estrita observância aos preceitos legais. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA BRUTA NÃO DECLARADA. PRESUNÇÃO LEGAL APURADA COM FULCRO EM EXTRATOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DE PROVA. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. É legítima a lavratura de lançamento mediante aplicação da presunção legal de omissão de receita fixada pelo dispositivo legal previsto no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, nas hipóteses em que o sujeito passivo titular de conta bancária, regularmente intimado, não apresenta prova em contrário, por intermédio de documentação hábil e idônea, visando esclarecer a origem dos recursos financeiros creditados em conta de depósito ou de investimento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO DA SUA ADMISSIBILIDADE E INDISPENSABILIDADE. INDEFERIMENTO. Considerase não formulado o pedido de diligência e perícia que não atenda aos requisitos e formalidades preconizados na legislação especifica e impõese indeferir a solicitação com o desígnio de promover a produção extemporânea de provas em relação as quais compete ao próprio impugnante trazer aos autos para fins de sustentar as alegações interpostas na fase litigiosa do procedimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/COFINS/CSLL. A decisão pertinente ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) deve nortear as inferências correlatas aos autos de infração decorrentes, tendo em vista que provêm elementos de prova idênticos. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Regularmente intimado do acórdão acima, o Recorrente, irresignado com o resultado do julgamento, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 784/820, alegando, em síntese, (i) a ocorrência de quebra de sigilo bancário por inexistência de autorização judicial autorizando o acesso aos dados pelo Fisco; (ii) a ilegalidade do lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários; (iii) a imposição da multa de ofício, fixada em 75%, Fl. 841DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 12 apresenta caráter de confisco; (iv) a inaplicabilidade da taxa selic como índice de correção dos débitos; e (v) a suspensão da incidência dos juros moratórios no curso do contencioso administrativo. Depois de interposto o recurso voluntário supramencionado, foi certificado à fl. 828 que “tendo em vista a interposição de Recurso de Oficio, Acórdão DRJ/SPO 116 24.653 e Recurso Voluntário tempestivo juntado às fls. 771/807. Proponho o encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos termos dos Arts. 33 e 34 do Decreto 70.235/72.” Assim, recebido o feito para análise, essa Turma Julgadora passa a proferir o seu voto. É o relatório. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003783/200796 Acórdão n.º 1401000.703 S1C4T1 Fl. 837 13 Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os recursos voluntário e de ofício preenchem as condições de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Recurso de Ofício Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão nº 1624.653, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, por meio do qual se reconheceu a decadência dos créditos tributários relativos ao IRPJ e CSLL dos 1º, 2º e 3º trimestres do anocalendário de 2002, bem como do PIS e da COFINS de janeiro a outubro do respectivo período base. De imediato, impende ressaltar que os tributos em debate sujeitamse ao lançamento por homologação, pelo que deve ser respeitado o prazo disposto no art. 150, §4º do CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Em vista do exposto na própria legislação citada, o mero decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador tem o efeito de homologar o lançamento realizado pelo contribuinte. Tendo sido o contribuinte cientificado do auto de infração em novembro de 2007, os débitos cujos fatos geradores ocorreram até outubro de 2002 encontramse homologados tacitamente, porquanto não houve manifestação do Fisco no prazo de cinco anos contados do fato gerador. Assim, acolho os fundamentos da decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I e nego provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 14 Recurso Voluntário A infração referese a omissão de receitas caracterizadas por depósitos cuja origem não foi comprovada. As informações bancárias foram obtidas pelos extratos fornecidos pela própria Recorrente, quando devidamente intimada. Apesar de ter fornecido os extratos bancários, afirma a Recorrente que “o presente lançamento foi instruído com base em dados obtidos em extrato de conta corrente do recorrente, após confronto feito entre os valores declarados à Receita e os valores da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – CPMF”. Com base nesse argumento, sustenta que as provas foram obtidas por meios ilícitos, invocando a inviolabilidade do sigilo bancário. Fazse necessário salientar que, tendo a fiscalização comparado a movimentação financeira obtida por meio das declarações da CPMF (apresentadas pelas instituições financeiras) com os valores relativos às receitas auferidas declarados pela Recorrente e tendo encontrado diferenças significativas, a Autoridade Fiscal intimou a Recorrente a apresentar informações sobre as movimentações financeiras. A Recorrente, diante da intimação, forneceu todos os extratos bancários, afastando a necessidade de a Autoridade Fiscal utilizarse dos poderes oferecidos pela Lei Complementar nº 105/2001. Ora, se o contribuinte entendia que o sigilo bancário era inviolável, sendo necessária a autorização judicial para sua vulneração, deveria ter resistido à pretensão fiscal. Caso a Recorrente não tivesse atendido a intimação fiscal, esta seria compelida a utilizarse das faculdades disciplinadas na Lei Complementar nº 105/2001 e, somente então, cabível a presente discussão que permeia a inviolabilidade do sigilo bancário. Em virtude de ter a Recorrente atendido, espontaneamente, às demandas da fiscalização e enviado todos os seus extratos bancários, a Autoridade Fiscal não se utilizou da transferência compulsória do sigilo bancário prevista na Lei Complementar nº 105/2001. Neste sentido se posiciona a jurisprudência deste Conselho: CONTRIBUINTE QUE ATENDEU A INTIMAÇÃO DA AUTORIDADE AUTUANTE PARA ACOSTAR AOS AUTOS OS EXTRATOS BANCÁRIOS – DESNECESSIDADE DA UTILIZAÇÃO PELO FISCO DAS FACULDADES DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001 – INEXISTÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA COMPULSÓRIA DO SIGILO BANCÁRIO DO CONTRIBUINTE PARA O FISCO – No momento em que o contribuinte atendeu a intimação da fiscalização para acostar aos autos os extratos bancários, fica prejudicada toda a irresignação recursal no tocante à transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, sob o pálio da Lei Complementar n° 105/2001. (Acórdão nº 10617.165 de 06 de novembro de 2008) NULIDADE. PROVAS ILÍCITAS. Não se sustenta a argüição de obtenção de provas por meio ilícito, se os documentos que amparam a autuação foram encaminhados à Receita Federal pelo Ministério Público ou foram fornecidos pela própria Fl. 844DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003783/200796 Acórdão n.º 1401000.703 S1C4T1 Fl. 838 15 interessada. (Acórdão nº 10195.866 de 09 de novembro de 2006) Em vista do exposto, não merece prosperar a alegação da Recorrente. Alega, ainda, a Recorrente que os depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos, vez que não configuram renda nem comprovam a existência de acréscimo patrimonial. Argumenta a Recorrente ser (...) inconteste que no campo tributário, não cabe presunção de omissão de rendimentos, sem legislação que expressamente o estabeleça. E compulsandose a legislação tributária que rege a matéria, não se vislumbra qualquer ato legal que autorize o fisco a presumir que os valores depositados ou retirados junta à instituição financeira constituem, por si só, rendimentos passíveis de tributação. E, neste sentido, conclui que a Lei nº 9.430/96 permitiu o lançamento por meio de depósitos bancários sem a respectiva origem comprovada. Mas tal lei não retira o preceito do arbitramento com base em depósitos bancários, ou seja, a necessidade de comprovação de sinais exteriores de riqueza. No tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovadas, encontrase em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, a lei instituiu uma presunção relativa, na qual presume ser rendimento omitido os depósitos bancários cuja origem não for comprovada. O que o legislador instituiu foi a inversão do ônus da prova, restando ao contribuinte, regularmente intimado, afastar a presunção instituída, demonstrando não se tratar o depósito de receita auferida. Não sendo afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantenho o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho: OMISSÃO DE RECEITA S INDICIADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS A partir de 1º/01/97, por força do disposto nos artigos 42 e 87, da Lei nº 9.430/96, a falta de escrituração de depósitos bancários configuram caso de omissão de receita s, se o titular da contacorrente, devidamente intimado, não com prova r a origem dos recursos utilizados nessas operações, com documentos hábeis e idôneos. Por se tratar de regra que inverte o ônus da prova , cabe ao contribuinte infirmar a presunção legal. Por essa mesma razão, compete lhe demonstrar que a receita assim detectada estava contida na soma das figurantes do livro de Saídas e que também compôs a base de cálculo do arbitramento. (Acórdão nº 10708.573 de 2 de maio de 2006) OMISSÃO DE RECEITA S FALTA DE COM PROVA ÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não com prova da pelo sujeito passivo . (Acórdão nº 10808895 de 21 de junho de 2006) Fl. 845DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 16 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a com provar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de prova r que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº 10422.808 de 07 de novembro de 2007) Ademais, alega a Recorrente ser necessário que a autoridade fiscal comprovasse, efetivamente, os gastos realizados pelo contribuinte, caracterizando, assim, a renda consumida, mesmo sob a vigência da Lei 9.430/96, sob pena de se desvirtuar o conceito de renda e a hipótese de incidência do imposto de renda conforme previsto no art. 43, do CTN. (fl. 796) Salientase que, em conformidade com o art. 44 do CTN, a base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Em relação ao alegado, insta ressaltar que a Recorrente era optante pelo Lucro Presumido. Esta forma de tributação é uma opção do contribuinte por apurar o imposto sobre certos percentuais da receita bruta, que são estimados pelo legislador de acordo com a atividade exercida. O auto de infração, corretamente, aplica o percentual de presunção do lucro (8% para a atividade desenvolvida pela Recorrente) e sobre o “lucro presumido” faz incidir o imposto de renda, em consonância com o disposto no art. 44 do CTN. Não pode prosperar a pretensão da Recorrente em aplicar normas relativas ao lucro real com o intuito de deduzir custos e despesas da receita auferida, sendo que a Recorrente era optante pelo Lucro Presumido. Este é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: BASE DE CÁLCULO DE TRIBUTAÇÃO – LUCRO PRESUMIDO FACULDADE DE OPÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO REVENDA DE COMBUSTÍVEIS A tributação pelo chamado lucro presumido é uma opção facultada ao contribuinte, quando então se apura o imposto sob certos percentuais da receita bruta que assim são estimados pelo legislador como o suposto " lucro presumido " do sujeito passivo. Na apuração do lucro presumido não cabe a invocação assim das normas atinentes ao chamado lucro real onde a renda disponível é obtida pela diferença entre as receitas e as despesas efetivas do sujeito passivo. Recurso especial negado (Acórdão CSRF/0105.328 de 05 de dezembro de 2005) Quanto a queixa da aplicação da multa de ofício de 75%, tenho que esta não atenta contra o princípio da proporcionalidade e da nãoconfiscatoriedade, porquanto é apurada de forma relativa ao incidir apenas sobre o tributo não recolhido pelo contribuinte. Além do fundamento citado, a referida penalidade está prescrita na Lei nº 9.430/96 que, em seu art. 44, dispõe o seguinte: Fl. 846DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003783/200796 Acórdão n.º 1401000.703 S1C4T1 Fl. 839 17 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (...) Em virtude de não ser este Conselho competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) e, havendo previsão legal para a multa de ofício no patamar de 75% do montante do tributo devido, deve ser a exigência mantida. Em relação à aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito deste Conselho, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento tanto ao Recurso de Ofício quanto ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 847DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR
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Numero do processo: 16045.000372/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/03/2007
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para
fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO.
Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.380
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 06/2002; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/03/2007 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 06/2002; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000372/200734 Acórdão n.º 240102.380 S2C4T1 Fl. 502 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.037.2743, lavrada contra o contribuinte acima identificado para exigência das contribuições dos segurados e das seguintes contribuições patronais: a) para o Fundo de Previdência e Assistência Social; b) para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT; c) para outras entidades e fundos. A apuração foi procedida no estabelecimento matriz e na filial identificada pelo CNPJ 04.529.884/000208. De acordo com o relatório fiscal, fls. 101 e segs., a principal atividade da empresa era a prestação de serviços de recuperação de locomotivas e vagões. São citados, por amostragem, contratos firmados pela notificada no período da apuração. Salientase que o estabelecimento matriz da empresa prestou serviços conforme se comprova através dos Livros Diários, Livros Razão e Notas Fiscais emitidas, no período de 10/2001 a 03/2005 sem nenhum empregado registrado ou fazendo uso de mão de obra contratada, e a partir de 04/2005 com um numero reduzido de trabalhadores, incompatível com o volume de serviços prestados. Informase que foram apresentados recibos de pagamento a contribuintes individuais no período de 03 a 06/2004. Quanto à filial, afirma o fisco que a mesma prestou serviços sem empregados registrados de 01/2002 a 04/2003 e a partir de 05/2003 o fez com um numero de trabalhadores reduzido e com funções incompatíveis com os serviços prestados. Segundo o relato do fisco, a empresa foi instada a se pronunciar sobre essas supostas anomalias e justificou que utilizava mãodeobra de empresas associadas, quando as mesmas estavam com capacidade ociosa, todavia, a forma de ressarcimento entre as empresas ainda estava em fase de definição. Ressaltase que também foi requerido pelo fisco explicações sobre a conta contábil 1.2.2.01.00001191 Mutuo CCC Comercio e Construções, ao que foi apresentado o Instrumento Particular de Empréstimo, o qual se encontra colacionado. Registra o fisco que não se esclareceu quais empresas forneciam mão de obra para a prestação dos serviços, nem as faturas correspondentes às mesmas. A Auditoria Fiscal não se deu por satisfeita com os esclarecimentos prestados quanto à origem da mão de obra utilizada para prestação dos serviços e concluiu que empresa não registrava e não contabilizava o movimento real da remuneração da mão de obra utilizada para a prestação dos serviços executados. Por esse motivo, o salário de contribuição foi obtido por aferição indireta. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A apuração da remuneração foi efetuada com base no faturamento, adotando se o percentual de 40% sobre o valor constante nas notas fiscais. Sobre o valor encontrado foi abatida a remuneração constante nas folhas de pagamento e declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Na apuração foram deduzidas as retenções para a Seguridade Social destacadas nas notas fiscais e as guias de recolhimento, com código correspondente à retenção sobre prestação de serviço, afirma o fisco. Foram acostadas planilhas demonstrativas das notas fiscais utilizadas na apuração e da composição da base de cálculo. Cientificada do lançamento em 11/07/2007, a empresa apresentou impugnação, fls. 218 e segs., na qual alegou, em apertada síntese, que: a) deve ser declarada a decadência parcial do crédito; b) a origem da mãodeobra utilizada pela recorrente foi a cessão dos trabalhadores da empresa Companhia Comércio e Construções, cujos pagamentos foram efetuados mediante transferências financeiras, que se encontram contabilizadas na conta “CONTACORRENTE MÚTUO CCC”; c) à empresa cedente coube o recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a mãodeobra cedida; d) comprovada a origem da mãodeobra, descabe a apuração por arbitramento, posto que esse é procedimento excepcional, que somente pode ser utilizado quando não reste outra alternativa ao fisco; e) é incoerente a Autoridade Fiscal desconsiderar a sua contabilidade quanto à mãodeobra cedida e ao mesmo tempo validar os lançamentos relativos à mãodeobra própria, essa constatação conduz à nulidade da lavratura; f) não há dúvida que as contribuições previdenciárias têm natureza jurídica de tributo; g) a contribuição destinada ao SEBRAE não é um adicional, mas se trata na verdade de uma nova contribuição social, a qual não se compatibiliza com a Carta Magna, pois, como criada com fundamento no art. 149 desta e assim carece de ter sido instituída através de Lei Complementar, dentre outras inconstitucionalidades; h) sendo empresa urbana, é inconstitucional a exigência de contribuição para o INCRA; i) enquanto não for aprovada lei tratando dos conceitos de atividade preponderante e graus de risco leve, médio e grave, é inconstitucional a exigência da contribuição destinada ao custeio dos acidentes de trabalho; j) a fixação das alíquotas da contribuição citada no item anterior por ato do Poder Executivo fere a Constituição; k) essa mesma contribuição não poderia ter sido veiculada por lei ordinária; Fl. 504DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000372/200734 Acórdão n.º 240102.380 S2C4T1 Fl. 503 5 l) os pagamentos efetuados pelas empresas aos empresários e trabalhadores autônomos tem o mesmo fato gerador do Imposto de Renda das Pessoas Físicas e do Imposto Sobre Serviços, por esse motivo a exigência de contribuições sobre tais valores ofende ao art. 154, I, da Constituição Federal; m) é inconstitucional a utilização da taxa SELIC para fins tributários; n) a multa moratória aplicada é inconstitucional, haja vista o seu caráter confiscatório. Foram acostadas à defesa cópias do Livro Razão dos lançamentos na referida conta contábil, além de balancetes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campinas (SP) declarou, fls. 407 e segs., o lançamento procedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 01/03/2007. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA CABIMENTO CONSTATAÇÃO DE FATURAMENTO SEM REGISTRO DE EMPREGADOS DECADÊNCIA PRAZO ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE JUROS E MULTA – É admitido o emprego da presunção para reconhecer a existência de fato gerador de contribuição previdenciária, em face de conduta irregular do contribuinte, cabendo a este o ônus da prova em contrário, conforme art. 33, §§ 30 e 6°, da Lei 8.212/91. As instancias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento A legislação vigente. 0 prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser lançado, conforme artigo 45 da Lei 8.212/91. As contribuições sociais arrecadadas em atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes A taxa referencial SELIC, a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado e, multa de mora, todos de caráter não relevável. Lançamento Procedente Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 420 e segs., no qual, além das alegações apresentadas na defesa, suscita a ilegalidade na presunção assumida pelo fisco, que preferiu arbitrar o tributo a ir em busca da verdade material nos elementos apresentados durante à fiscalização. Afirma que a declaração juntada ao recurso, em que a empresa CCC destaca o número de funcionários que dispunha no período da NFLD, ratifica as suas alegações. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Requer a juntada de declaração que está sendo preparada pela empresa cedente da mãodeobra, que discriminaria quais os trabalhadores prestaram serviço à notificada. Ao final, requer a reforma do acórdão da DRJ, de modo que se declare improcedente a NFLD. É o relatório. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000372/200734 Acórdão n.º 240102.380 S2C4T1 Fl. 504 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que o sujeito passivo teve ciência do lançamento em 11/07/2007 (fl. 209) e o crédito envolve as competências de 10/2001 a 03/2007. Do Relatório de Documentos Apresentados, fls. 60 e segs., é possível visualizar a ocorrência de recolhimentos para todo o período, sendo cabível, assim, a aplicação do § 4.º do art. 150 do CTN para a contagem do lapso decadencial. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências de 10/2001 a 06/2002, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 11/07/2007. Da comprovação da utilização de cessão de mãodeobra Sem dúvida, a questão mais relevante para esse julgamento diz respeito à aceitação dos argumentos da recorrente quanto à utilização de mãodeobra de outra empresa para desenvolvimento de suas atividades. A bem da verdade, a existência dos fatos geradores não é contestada pela notificada, esta apenas alega que prestou serviços a seus clientes com mãodeobra própria e com trabalhadores cedidos pela empresa Companhia Comércio e Construções – CCC. Sobre essa questão, o fisco já havia se debruçado durante a ação fiscal. Na ocasião, ao se deparar com a realização de serviços sem que a empresa tivesse trabalhadores registrados ou com número de empregados incompatível com o volume de atividades realizadas, a Autoridade Fiscal solicitou esclarecimentos, tendo a recorrente (declaração do Contador) apresentado a justificativa de fl. 152, na qual informa que utilizava mãodeobra própria e, eventualmente, de empresas coligadas, quando estas estavam com capacidade ociosa, sendo que a forma de ressarcimento por essa utilização ainda estaria sendo acordada pelas partes. Foi juntado o instrumento de contrato de mútuo firmado ente as empresas ECIL (mutuante) e CCC (mutuaria), cujo objeto foi o empréstimo em dinheiro da quantia de R$ 51.117,05. No recurso a empresa em reforço a sua tese de utilização de mãodeobra cedida pela empresa CCC, afirma haver juntado declaração desta informando o número de funcionários que possuía no período da fiscalização e que, posteriormente, juntaria documentos comprobatórios dos empregados da CCC que lhe foram cedidos. Compulsando os autos não localizamos os mencionados documentos. Entendo que a empresa não logrou comprovar o alegado. As cópias dos Livros Razões em nada auxiliam no sentido de dar embasamento as alegações da recorrente. São elementos que já haviam sido analisados pelo fisco, que por sinal foi quem se deu conta e lançou no relatório fiscal informações sobre a conta “CONTA – CORRENTE MÚTUO CCC” e requereu esclarecimentos sobre os lançamentos ali constantes, levando a empresa, na ocasião, a afirmar que se tratava de operação eminentemente financeira, tendo inclusive apresentado contrato de mútuo de valor em dinheiro. Para comprovação da ocorrência da alegada cessão de mãodeobra, a recorrente teria que ter exibido o contrato de prestação de serviço, as notas fiscais, a GFIP da prestadora e outros elementos relacionados à atuação de trabalhadores da suposta contratada Fl. 508DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000372/200734 Acórdão n.º 240102.380 S2C4T1 Fl. 505 9 em atividades da notificada. Sem esses elementos de prova não há de se aceitar a alegação apresentada. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) No caso em tela, o direito de Fisco de exigir as contribuições restaria extinto se o sujeito passivo conseguisse demonstrar que efetivamente ocorreu a cessão de mãode obra. Considerandose que esse fato não restou demonstrado, deixo de acolher esse argumento, por absoluta falta de provas. Da aplicação do arbitramento Diante da conclusão a que cheguei no item precedente, não tenho dúvida de que, ao aferir indiretamente o saláriodecontribuição, o fisco não se desviou das balizas legais. Na situação sob enfoque não vislumbrei que houve presunção dos fatos geradores, posto que a empresa admite que utilizou de trabalhadores para cumprir os seus contratos, todavia, alega que a mãodeobra era cedida por outra empresa. Assim, não se discute a ocorrência dos fatos geradores e, nesse sentido, inexistiu presunção quanto a esse aspecto, mas apenas no que diz respeito à quantificação da remuneração paga aos segurados, a qual constitui a base de incidência das contribuições, sendo que esta foi obtida por aferição indireta. De fato, tendo ocorrido os fatos geradores, sem que esses fossem registrados nas folhas de pagamento, GFIP ou contabilidade, há de se convir que a documentação da empresa não reflete a realidade da remuneração utilizada por essa para desenvolvimento de suas atividades. Não encontro incoerência do fisco por ter abatido da apuração por aferição indireta os valores de remuneração que haviam sido declarados pela empresa em sua documentação, posto que o arbitramento recaiu apenas sobre os valores que a empresa impossibilitou ao fisco de obter pela analise dos elementos normalmente utilizados, quais sejam folhas de pagamento, GFIP e escrita contábil. Sobre os valores regularmente registrados, informados e escriturados não tem o fisco a autorização legal para desconsiderálos, cabendo excluílos da apuração efetuada por aferição indireta. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Sobre o arbitramento do tributo nunca é demais fazer algumas considerações. Esse em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º, 4.º e 6.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo, ou mesmo comprovação de sua documentação não representa a realidade da remuneração paga aos segurados da Previdência Social. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que fisco, ao se deparar com a prestação de serviço sem empregados ou com número incompatível com o volume de atividades, solicitou à empresa esclarecimentos, os quais foram prestados, mas como vimos, sem qualquer embasamento probatório. De fato, vejo que a alegação do sujeito passivo de que utilizavase de trabalhadores de empresa associada não foi acompanhada das provas que pudessem lhe trazer credibilidade. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000372/200734 Acórdão n.º 240102.380 S2C4T1 Fl. 506 11 Ora, o mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços pela empresa recorrente, tendo, por decorrência lógica, havido o pagamento de remunerações aos trabalhadores envolvidos, todavia, o fisco não teve como verificar diretamente o montante desses pagamentos, estando diante da impossibilidade de concluir o seu trabalho apenas com esteio nos elementos apresentados. Em resumo, poderseia dizer que foram pagas remunerações para execução dos contratos da empresa, sem que a empresa tenha registradas as remuerações. Tal fato passa a ser um obstáculo intransponível para que se possa aferir diretamente a partir dos documentos apresentados a remuneração paga para execução da obra em questão. Assim, entendo que na espécie estão presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da remuneração paga aos segurados que atuaram no desenvolvimento das atividades empresariais, posto que, só e somente só, quando a empresa deixou comprovar a mãodeobra utilizada para consecução de seus de seu objetos societários, é que o fisco lançou mão da aferição indireta para chegar as bases de cálculo. Vejo, então, que a auditoria fiscal não se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, as quais foram oportunamente mencionadas tanto no relatório da NFLD, quanto no anexo Fundamentos Legais do Débito. Da impossibilidade de reconhecimento pelas instâncias de julgamento administrativo de inconstitucionalidade de lei Para enfrentar as outras alegações recursais é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. O Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito da União, prescreve: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa linha de entendimento, a própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 511DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF3. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Diante do exposto, deixo de apreciar as alegações de inconstitucionalidades da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, da contribuição incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais, das contribuições destinadas a outras entidades e fundos e, também, da inconstitucionalidade dos juros e da multa aplicada sobre as contribuições lançadas. Conclusão Assim, voto por reconhecer a decadência para o período de 10/2001 a 06/2002 e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo 3 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 512DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000372/200734 Acórdão n.º 240102.380 S2C4T1 Fl. 507 13 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10945.007208/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DOS 11% CARACTERIZADA A CESSÃO DE MÃO DE OBRA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.
FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA OU AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO ERRO NA BASE DE CÁLCULO. RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE.
O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998.
O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11% e para os casos de diferença de retenção não indica o erro cometido quanto a redução da base de materiais.
A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art.
10 do Decreto nº 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a
verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DOS 11% DIFERENÇA DE RETENÇÃO SOBRE SERVIÇO DE COLETA DE LIXO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES DF
As empresas prestadoras de serviços de coleta de lixo doméstico, são sujeitas ao adicional de 2% (11% +2% = 13%) na retenção em decorrência dos riscos ambientais do trabalho (aposentadoria especial aos 25 anos).
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2006
RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o
pleno direito à ampla defesa e ao contraditório.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.820
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, excluir do
lançamento, por vício material todos os levantamentos, exceto em relação as diferenças de retenção sobre coleta de lixo. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por excluir os mesmos levantamentos por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11% e para os casos de diferença de retenção não indica o erro cometido quanto a redução da base de materiais. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DOS 11% DIFERENÇA DE RETENÇÃO SOBRE SERVIÇO DE COLETA DE LIXO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 As empresas prestadoras de serviços de coleta de lixo doméstico, são sujeitas ao adicional de 2% (11% +2% = 13%) na retenção em decorrência dos riscos ambientais do trabalho (aposentadoria especial aos 25 anos). A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2006 RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, excluir do lançamento, por vício material todos os levantamentos, exceto em relação as diferenças de retenção sobre coleta de lixo. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por excluir os mesmos levantamentos por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Jhonatas Ribeiro Da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007208/200728 Acórdão n.º 240101.820 S2C4T1 Fl. 215 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.101.7726, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela de 11% sobre as notas fiscais, a cargo da empresa sobre a contratação de pessoas jurídicas mediante cessão de mão de obra ou empreitada, inclusive na construção civil. O lançamento compreende competências entre o período de 02/1999 a 12/2006. Segundo o relatório fiscal, fls. 606 a 608, no decorrer do procedimento fiscal foram apuradas situações em que as retenções de 11% foram feitas a menor, incidindo sobre uma base de cálculo reduzida, em desacordo com as normas do INSS. Em síntese, descreve a autoridade fiscal que as Notas Fiscais de Prestação de Serviços contendo exclusivamente valores de serviços, cuja retenção de 11% foi destacada e recolhida sobre uma base de cálculo inferior, bem como observou Notas Fiscais de Prestação de Serviços sem o destaque e/ou retenção de 11%. Ao quitar as notas fiscais/faturas apresentadas, o Município deixou de efetuar a retenção de 11% ou efetuoua sobre uma base de cálculo indevidamente reduzida, razão pela qual estão sendo lançadas as diferenças apuradas. As empresas contratadas deduziram valores referentes a materiais e equipamentos em desacordo com o disposto na legislação (art. 150 e 151 da IN MPS/SRP no. 03, de 14/07/2005, e alterações). As empresas prestadoras de serviços de coleta de lixo doméstico, são sujeitas ao adicional de 2% (11% +2% = 13%) na retenção em decorrência dos riscos ambientais do trabalho (aposentadoria especial aos 25 anos). Nas retenções efetuadas pelo Município, esses acréscimos não foram aplicados. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 19/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/12/2007. Não conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, fls. 100 a 112. Foi emitida DecisãoNotificação confirmando a procedência parcial do lançamento, fls.126 a 137, excluindo as competências anteriores até 11/2001, face a aplicação da decadência qüinqüenal a luz do art. 173, I do CTN. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 159 a , alegando em síntese: 1. Preliminarmente, que as contribuições anteriores a 12/2002, encontramse fulminadas pela decadência. 2. No mérito, argumenta.que não há dúvidas de que a contribuição previdenciária que prevê a retenção de 11 % sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços é constitucional, vez que já restou pacificada pelo Supremo Tribunal Federal. Por sua vez, o rol constante do §4", do art. 31 da Lei 8.212/91, não é taxativo, tratandose de relação Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 exemplificativa, o que vale dizer que outras atividades poderão ser abrangidas pela retenção, constituindose o contratante em substituto tributário da exação determinada pela lei, contanto que inserida dentro de uma mesma moldura préordenada e limitadora constante do parágrafo 3", do art.31, da mesma Lei. 3. Por outro lado, argumenta que, quando o art. 31, § 4", da Lei 8.212/91, com conteúdo exemplificativo, diz que "além de outros estabelecidos em Regulamento" resulta na interpretação de que a enumeração de casos constantes dos incisos I a IV estão sujeitos a inclusões de outros, por meio de regulamento. No entanto, tais inclusões devem se encaixar, ou se enquadrar, perfeitamente às características encontradas no texto da própria lei, sob pena de confrontar. o princípio da legalidade tributária, não sendo cabível que veículos normativos infralegais determinem os sujeitos passivos, nem n as hipóteses . das obrigações tributárias, conforme determina o 'art. 99 do CTN. 4. Oportuno esclarecer que cessão de mão de obra, por empresa contratada, implica em disponibilização de recursos humanos para a Contratante executar sob sua orientação, os serviços pactuados. Na cessão de mão de obra, para efeitos do § 3° da Lei n° 8.212/91 terá que haver subordinação dos empregados da Contratada às determinações da Contratante e os serviços se realizarem de forma continua. 5. Também há que se ponderar que Decreto Regulamentador e/ou Instrução Normativa não podem desbordar da lei. não é cabível que veículos normativos infralegais determinem os sujeitos passivos, nem as hipóteses das obrigações tributárias, conforme determina o Art. 99, do CTN. 6. Com efeito, não há a menor possibilidade de o detentor da chefia do Poder Executivo emitir decreto inovando, criando obrigações ou extinguindo direitos, menos ainda a Secretaria da Receita Previdenciária, signatária da Instrução Normativa MPS/SRP n" 03/2005, criando précondição para i) exercício regular do direito; 7. Os serviços profissionais regulamentados pela legislação federal, exercidos pelos próprios profissionais, com ou sem concursos de empregados colocados à disposição da Contratante, não se aplica o instituto da retenção, Pois decorrem de conhecimentos 'técnicos cuja responsabilidade pela execução não pode ser transferida para terceiros, contratantes; empregados ou não; 8. Que o rol de empresas que não estão sujeitas ao regime de substituição tributária de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, por não conter seu objeto, nem as notas fiscais/faturas emitidas, relação com a execução de serviços mediante cessão dc mãodeobra, é significativo: 9. No presente caso, existindo inequívocos conflitos entre a pretensão fiscal e os interesses do Município Recorrente, consubstanciado na aplicação INDEVIDA de exação fiscal relativa a retenção de 11% sobre o SERVIÇOS PRESTADOS PESSOALMENTE POR PROFISSIONAIS DE ATIVIDADES REGULADAS POR LEI, entre outros, a produção de prova pericial se torna imprescindível para que haja decisão justa compatível com a lei regente da material. 10. Indevida retenção na contratação de empresas optantes pelo SIMPLES. 11. Por sua vez a execução de obras ou serviços de engenharia implica na identificação do quantitativo de material empregado na execução. Existem casos de execução através de maquinários, variando o percentual de mão de obra, caso a caso, que quando o percentual Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007208/200728 Acórdão n.º 240101.820 S2C4T1 Fl. 216 5 relativo a mãodeobra, identificado no contrato, constituem cláusula pétrea, não ficando ao livre arbítrio do agente público quantificar subjetivamente. O entendimento de que uma retenção sobre determinada Nota Fiscal/Fatura, foi efetuada a menor, sem parâmetro técnico plausível e consistente, nada mais é do que arbitramento inconseqüente, inaceitável. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 187. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar de decadência suscitada, não há o que ser apreciado. A Decisão de 1. Instância, já acolheu a preliminar de decadência pretendida, excluindo do lançamento todas as contribuições até a competência 11/2002. Destacase os termos da DN: Desse modo, considerando o prazo decadencial de cinco anos para a constituição do crédito tributário, contados do fato gerador, consoante estabelecido no §40 do art. 150 do CTN, impõese a retificação do presente lançamento para excluir as competências de 02/1999 a 11/2002. DO MÉRITO QUANTO AO LANÇAMENTO DE DIFERENÇAS SOBRE COLETA DE LIXO No recurso em questão, contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal, descrevendo a impossibilidade da exigência de diferenças, posto que a prestação de serviços envolvia fornecimento em sua maioria de mão de obra e materiais, mas não fez qualquer menção a diferença na coleta de lixo. Dessa forma, em relação aos fatos geradores do levantamento de diferença sobre coleta de lixo, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a Decisão Notificação DN. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a DecisãoNotificação em relação aos levantamentos pertinentes a diferença de coleta de lixo. QUANTO AO LANÇAMENTO DE DIFERENÇA DE RETENÇÃO E RETENÇÕES NÃO REALIZADAS SOBRE OS SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE EMPREITADA E CESSÃO DE MÃO DE OBRA No mérito alega o recorrente, que os serviços incluídos na NFLD em tela não encontramse abrangidos dentre aqueles sujeitos a retenção de 11%,, ou mesmo que as bases de cálculo reduzidas referemse a serviços que envolveram fornecimento de materiais. Alega ainda o recorrente, que é absolutamente contrário ao princípio da razoabilidade e da proporcionalidade a Receita Federal, pretender que o Recorrente em exíguo espaço de tempo, promova a juntada de documentos que seus auditores manusearam durante o Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007208/200728 Acórdão n.º 240101.820 S2C4T1 Fl. 217 7 período de ação fiscal de quase um ano e que se encontram cronologicamente e por tema desorganizados junto a Recorrente. País que vive o Estado de Direito, não restringe a defesa dos litigantes em qualquer processo, pois este direito é corolário da segurança jurídica, inerente ao Estado de Direito, regulador das relações jurídicas. Quanto a este ponto, entendo que razão em parte assiste ao recorrente no sentido que não é possível identificar se os serviços encontramse sujeitos a retenção, nem tampouco o porque foram incorretas as deduções de materiais, uma vez que o relatório fiscal, não demonstrou a devidamente para os casos em que não ocorreu retenção tratarse de cessão ou empreitada, e em relação a base de cálculo menor, resumiuse a indicar o descumprimento dos art. 150 e 151 da IN 03. São dezenas de levantamentos, fls. 04 a 259, mas, não é possível identificálos, nem mesmo por tipo de serviço, o que acaba cerceando o direito de defesa. A autoridade fiscal em seu relatório assim, descreveu o fato gerador. Ao quitar as notas fiscais/faturas apresentadas, o Município deixou de efetuar a retenção de 11% ou efetuoua sobre uma base de cálculo indevidamente reduzida, razão pela qual estão sendo lançadas as diferenças apuradas. As empresas contratadas deduziram valores referentes a materiais e equipamentos em desacordo com o disposto na legislação (art. 150 e 151 da IN MPS/SRP no. 03, de 14/07/2005, e alterações). (...) Transcreve o texto da lei. Ou seja, entendo que não caberia ao auditor apenas dizer, “analisando os documentos apresentados, tais como os processos de licitação, os contratos firmados e os documentos anexos às Notas de Empenho das despesas realizadas foram identificados diversos contratos de prestação de serviços sujeitos à retenção de 11%, e foram deduzidos da base de cálculo em desconformidade”, mas demonstrar contrato a contrato a efetiva prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, ou empreitada na construção civil e quais foram as bases deduzidas indevidamente, ou seja, qual foi o erro: as deduções não constavam dos contratos, não foram especificadas nas notas etc. A juntada da planilha, com o nome das empresas prestadora e do contrato e os serviços prestados, serve como elemento auxiliar na demonstração dos fatos geradores, mas na forma como disposta, não caracteriza os serviços prestados, posto que descritos de forma genérica em sua maioria (exemplos: serviços prestados, pavimentação etc) A apresentação de planilhas anexas ao relatório fiscal, podem sim, substanciar ou mesmo complementar as informações contidas no relatório, possibilitando ao recorrente saber os fatos geradores lançados individualmente, o que lhe permitiria o exercício da ampla defesa e do contraditório. Contudo, não vislumbro no caso ora em análise essa situação. Quanto à ausência de caracterização da cessão de mãodeobra, assiste razão à recorrente. O relatório fiscal não indica da maneira devida quais foram os serviços prestados e as características que elevaram a considerálos sujeitos a retenção, nem tampouco, porque as bases foram deduzidas indevidamente. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal, as características dos contratos. Nem Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 haveria aqui de se falar em arbitramento, como ocorre nos casos em que o recorrente ao não apresentar a documentação (contratos e notas fiscais) durante o procedimento fiscal. Nestes, casos, até poderseia inverter o ônus para que o recorrente comprovasse a inexistência da cessão. Contudo, aqui a autoridade fiscal teve acesso aos documentos o que lhe permitiria detalhar os serviços prestados A fiscalização não fez prova de indícios de ocorrência de fatos geradores, posto que nulo todo os levantamentos sem a devida caracterização. A simples emissão de nota fiscal não indica o tipo de serviço, local em que foram prestados. É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado da maneira devida o lançamento em relação aos levantamentos que envolveram cessão de mão de obra. Nesse sentido, podese identificar que a nulidade é aplicável por não ter o auditor fiscal discriminado de forma clara e precisa, os fatos geradores que ensejariam a retenção de 11% sobre a nota fiscal de serviços, visto não ter demonstrado que os serviços foram executados mediante cessão de mão de obra. Dessa forma, entendo que a falta da descrição pormenorizada levaria a anulação da NFLD por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007208/200728 Acórdão n.º 240101.820 S2C4T1 Fl. 218 9 pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir por vício formal todos os levantamentos, exceto em relação as diferenças de retenção sobre coleta de lixo, nos termos acima expostos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Malgrado a excelente fundamentação apresentada pela Conselheira Relatora, ouso discordar do tipo de vício que inquina de nulidade os levantamento apontados no seu voto. Do qual transcrevo excerto que trata das máculas do lançamento que provocam a nulificação do mesmo: Quanto a este ponto, entendo que razão em parte assiste ao recorrente no sentido que não é possível identificar se os serviços encontramse sujeitos a retenção, nem tampouco o porque foram incorretas as deduções de materiais, uma vez que o relatório fiscal, não demonstrou a devidamente para os casos em que não ocorreu retenção tratarse de cessão ou empreitada, e em relação a base de cálculo menor, resumiuse a indicar o descumprimento dos art. 150 e 151 da IN 03. São dezenas de levantamentos, fls. 04 a 259, mas, não é possível identificálos, nem mesmo por tipo de serviço, o que acaba cerceando o direito de defesa. Da transcrição acima possível se inferir que no lançamento, que diz respeito a exigência da retenção da contribuição correspondente a 11% da nota fiscal/fatura de prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, a Autoridade Lançadora deixou de demonstrar precisamente qual a modalidade de serviço foi prestada na espécie, bem como, a metodologia para aferição da base tributável. Em razão desses defeitos, conforme se extrai do bojo do seu voto, a conselheira relatora, ao declarar a nulidade do lançamento, inferiu tratarse de vício formal. Em outra via, o entendimento deste conselheiro, acompanhado por maioria pelos demais integrantes desta egrégia Turma, é no sentido de declarar a nulidade da notificação, por vício material, em virtude da imprecisa descrição do fato gerador do tributo e da falta de clareza na apuração da base de cálculo. O vício formal, no entendimento deste julgador, relacionase aos requisitos de validade do ato administrativo, ou seja, os pressupostos sem os quais referido ato não produziria efeitos. Em outras palavras, guarda relação com as formalidades legais extrínsecas do lançamento. Os artigos 10 e 11, do Decreto nº 70.235/72, são os exemplos mais nítidos que podemos encontrar a respeito do tema, in verbis: “Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007208/200728 Acórdão n.º 240101.820 S2C4T1 Fl. 219 11 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art.11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número” Ao tratar da matéria, a Lei nº 4.717/65, que regulamenta a Ação Popular, em seu artigo 2º, parágrafo único, alínea “b”, estabelece que o vício formal é: “ [...] a omissão ou observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato.” Como se observa, o ato administrativo somente terá validade se observados os pressupostos formais, extrínsecos, insculpidos nos dispositivos legais supra, entre outros, sob pena de ser anulado por vício formal. Repitase, o requisito formal do lançamento representa a observância dos ditames estabelecidos por lei no momento de sua exteriorização. A jurisprudência administrativa, que se ocupou do tema, é mansa e pacífica nesse sentido, senão vejamos: “PROCESSUAL – LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL – NULIDADE – É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, do Decreto nº 70.235/72. Precedentes da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais.Recurso Especial improvido.” (3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 201108717 – Acórdão nº CSRF/0303.305, Sessão de 09/07/2002) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. [...]” (8ª Câmara do 1º Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Conselho, Recurso nº 143.020 – Acórdão nº 10808.174, Sessão de 23/02/2005) (grifamos) O Acórdão nº 10706695, da lavra do então Conselheiro representante da Fazenda, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, nos traz com muita propriedade a diferenciação entre vício formal e material, nos seguintes termos: “[...] RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elemenots básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Guarda relação com o conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o auditor responsável pela lavratura descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente o sujeito passivo, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Aliás, o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, com mais especificidade, impõe ao fiscal autuante a discriminação clara e precisa dos fatos geradores do débito constituído, in verbis: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007208/200728 Acórdão n.º 240101.820 S2C4T1 Fl. 220 13 No mesmo sentido, o artigo 50 da Lei nº 9.784/99 estabelece que os atos administrativos devem conter motivação clara, explícita e congruente, sob pena de nulidade. “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá o Fisco descrever com precisão as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores e a metodologia utilizada para apuração da matéria tributável. A ausência desses itens no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal por vício material. Diante de tais considerações, voltemos à hipótese dos autos, onde a Auditoria promoveu o lançamento sem conquanto demonstrar a efetiva ocorrência da prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, bem como os critérios utilizados para concluir pela existência de erro na base de cálculo adotada pelo sujeito passivo. Nesses termos, não se cogita em vício formal, mas, sim, anular o lançamento por vício material, tendo em vista que a Fiscalização não se livrou do ônus de comprovar elementos essenciais do lançamento: fato gerador e base de cálculo. Assim, deve ser declarada a nulidade do feito, por vício material, em observância à legislação de regência, mais precisamente do artigo 142 do CTN e demais dispositivos das Leis 8.212/91 e 9.784 encimados, uma vez que referida incorreção contamina a exigência fiscal, tornandoa precária, não lhe oferecendo certeza ou liquidez, principalmente pelo fato de se mostrar insanável e por cercear o direito de defesa da recorrente. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE ANULAR, POR ERRO/VÍCIO MATERIAL, todos os levantamentos, exceto em relação as diferenças de retenção sobre coleta de lixo, nos termos acima expostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 13DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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