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Numero do processo: 19679.005722/2005-29
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 08/06/1994 a 09/12/1994
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO.
O prazo prescricional do direito de solicitar indébito em conformidade com novel jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, que então eram norteadas pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário dar-se-ia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então fluía o prazo, e, assim sendo, a prescrição somente após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 08/06/1994 a 09/12/1994 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO. O prazo prescricional do direito de solicitar indébito em conformidade com novel jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, que então eram norteadas pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário dar-se-ia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então fluía o prazo, e, assim sendo, a prescrição somente após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 08/06/1994 a 09/12/1994 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO. O prazo prescricional do direito de solicitar indébito em conformidade com novel jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, que então eram norteadas pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário darseia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então fluía o prazo, e, assim sendo, a prescrição somente após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 57 22 /2 00 5- 29 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão que manteve o indeferimento de Pedido de Restituição da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, protocolado em 08/06/2005, em relação aos valores recolhidos entre o período de 08/06/1994 a 09/12/1994, conforme planilha junto ao pedido, sob o argumento de que o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do Decreto Lei n.º 2.445/88 e Decreto Lei n.º 2.449/88, bem como a Resolução n.º 49/98 do Senado Federal. O fundamento contido no Despacho Decisório para negar o pleito é de que o direito do contribuinte sucumbiu pela decadência, haja vista a data do protocolo, 08 de junho de 2005. A decisão recorrida manteve intacto o indeferimento. Ciente da decisão em 02 de maio de 2011 interpôs recurso em 01 de junho de 2011, argumentando improcedência dos fundamentos em relação à decadência e pede provimento ao recurso em toda a sua extensão. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A matéria essa recentemente decidida pelo Supremo Tribunal Federal que caminhou e fincou jurisprudência no sentido de que os processos e pedidos ingressados até o advento da Lei nº 118/2005, deve se norteado pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário darseia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então deverá fluir. E, assim sendo, a prescrição só após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, a contenda gira em torno da perda do direito de requerer a repetição do indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação depois de decorrido cinco anos contados da data do pagamento do tributo. Deixado de lado a discussão se é o caso de decadência ou prescrição, o fato que o pagamento pode ser atingido por ambos os institutos de direito, pois tanto um quanto o outro em matéria tributária implica em extinção do crédito tributário. Essa matéria encontra atualmente pacificada por força do advento do art. 62 A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e a evolução jurisprudencial que culminou na declaração de inconstitucionalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, sob o regime do art. 543A do CPC. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19679.005722/200529 Acórdão n.º 3302003.012 S3C3T2 Fl. 5 3 A questão da eficácia retroativa da Lei Complementar nº 118/2005 foi decidia pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática do art. 543A do CPC no Recurso Extraordinário nº 566.621. Desse modo, à luz do que determina o art. 62A do RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543A do CPC, Recurso Extraordinário nº 566.621, verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO (SIC) LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado desta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 “Recurso extraordinário desprovido.” Diante desta decisão do STF, extraída da página de jurisprudência do Tribunal e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. Esse assunto encontra pacificado nesse E. Conselho por meio da Súmula CARF 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador” No caso em exame o indébito pleiteado se refere aos fatos mencionados no preâmbulo do relatório, cujo pedido foi protocolado em 08 junho de 2005. De modo que, solicitado a restituição antes de 09 de junho de 2005, implica em afastar à decadência e assegurar o exame da matéria de fundo pela Instância a quo. Em face do exposto, voto no sentido de afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à origem para o exame da matéria de fundo. É como voto. Domingos de Sá Filho. Domingos de Sá Filhio Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.003667/90-56
Data da sessão: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 1992
Ementa: PIS/DEDUÇÃO - DECORRÊNCIA - ARBITRA
MENTO DO LUCRO - NAO APRESENTAÇÃO
DO LIVRO DIÁRIO - Dado provimento ao recurso principal, em princípio,
essa orientação reflete-se para o processo decorrente.
Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 103-12.223
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Dícler de Assunção
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ementa_s : PIS/DEDUÇÃO - DECORRÊNCIA - ARBITRA MENTO DO LUCRO - NAO APRESENTAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO - Dado provimento ao recurso principal, em princípio, essa orientação reflete-se para o processo decorrente. Recurso a que se dá provimento.
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.025509/88-84
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 1991
Ementa: IRPJ - DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU.
Havendo dúvidas na conclusão da decisão de primeiro
grau, esta deverá ser re-ratificada ,pela
autoridade que a proferiu, nos termos do art.32
do Decreto n9-70.235/72.
Numero da decisão: 103-11.110
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em restituir os autos ã DRF em São Paulo-SP, a fim de que a decisão de primeira instância seja re-ratificada, nos termo S e limites do voto do relator.
Nome do relator: Márcio Machado Caldeira
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MINISTÉRIO DA FAZENDA nlfr. Sessão de.13...de-rna.rço....de 1991. 11 :22.0ACÓRDÃO N2193- Recurso n' 98.586 - IRPJ EX: DE 1987 Recorrente HB CORRETORA DE SEGUROS S/C LTDA Retmrrid DRF EM SÃO PAULO - SP iRPJ - DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. Havendo dúvidas na conclusão da decisão de pri- meiro grau, esta deverá ser re-ratificada ,pela autoridade que a proferiu, nos termos do art.32 do Decreto n9-70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por, HB CORRETORA DE SEGUROS S/C LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conse - lho de contribuintes, por unanimidade de votos, em restituir os autos ã DRF em São Paulo-SP, a fim de que a decisão de primeira instância seja re-ratificada, nos termo S e limites do voto do relator. Sala dumas (DF)., 13 de marco de 1991 • Nr Ni • '100 . LDEIRA PRESIDENTE E RELATOR VISTO EM ZAINq 'OLANb' BRAGA PROCURADOR DA FAZENDA NACHIML SESSÃO DE 18 ABR 1991 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: DICLER DE ASSUNÇÃO, ANTONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA, CARLOS EMANUEL DOS SANTOS PAIVA(SUPLENTE), MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE. Ausente por motivo justificado o Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. : . 51 ilVrÇO Pua ICO /I Dl Iltl Processo A9 10880/025,509/88-84 ., Recurso n9: 98.586 Acórdão n9: 103-11.110 Recorrente: HE CORRETORA DE SEGUROS S/C LTDA , RELATÓRIO HB CORRETORA DE SEGUROS S/C LTDA., estabelecida em São Paulo-SP, à Av. São Luiz n9 50, 239 andar, conj. 231-A, inscri_ ta no CGC sob n9 46.374.989/0001-02, inconformada com a decisão de primeiro grau, de fls. 124/127, recorre a este Conselho de Contri- buintes mediante a petição de fls. 131/148. O litígio do presente processo foi instaurado com a impugnação ao auto de infração de fls. 80, no qual foi _imputado ao contribuinte infrações capituladas no artigo 191 e seus parágra fos 19 e 29, combinados com o inciso I do artigo 193, do RIR/80, por ter contabilizado como custos ou despesas, valores não efetiva_ mente dispendidos, com evasão dolosa do imposto de renda e, portan_ to, sedo-lhe aplicada a multa agravada de 150%, prevista no artigo 728, inc. III. Como consequência, foi exigido imposto de renda no montante de 4.585,67 OTN, multa de 6.878,50 OTN e juros de mora. Dentro do prazo regulamentar a autuada apresentou suas razões de defesa, alinhadas na impugnação de fls. 84/101, so- licitando, ao final, que fosse julgada improcedente a ação fiscal. Dentre estas razões, alega que a fiscalização, na apuração da base de cálculo do imposto, transformou o montante glosado pela OTN 'Ïro rata" de Cz$ 121,16, obtendo um lucro rela maior que o devido, com base no artigo 18 do Decreto-lei n9 2.323/87 e Instrução Normativa SRF n9 29/87, quando este citado artigo 18 é inconstitucional. Após a apreciação da impugnação, por parte do audi_ tor fiscal auutante, foi julgada a lide, com a seguinte decisão: "Conheço da impugnação tempestiva, julgando- -a improcedente no mérito e determino a co- brança do crédito tributário, atualizado se- a-----. gundo o Decreto-lei n9 2.4'71/88, lavrado SIMWIÇO PÕULICOII tUIILL Processo n9 10880/025.509/88-84 2. • Acórdão n9 103-11.110 infrigência ao art. 728, inc. III do RIR/80, com fulcro também no art. 72 da Lei n9 4.502/ /64." No demonstrativo do credito tributário exigido e mantido, integr -ante da decisão, discrimina imposto de renda no mon- tande de 4.585,67 OTN e multa de 6.878,50 OTN. Intimada desta decisão em 05.09.90, interpôs a au- tuada recurso, mantendo sua discodãncia do feito fiscal, em sua to- talidade e, especificamente quanto ao montante do crédito tributã-- rio, alega a contradição entre o teor da decisão e sua conclusão, ao demonstrar o crédito tributário calculado na forma do Decreto-lein9 2.323/87 e não como no Decreto-lei n9 2.471/88 como decidira. Juntamente com o recurso foi apresentada petiçãoac Delegado da Receita Federal, na qual se requer as oroviências neces sárias para alteração dos valores exigidos a título de crédito tri- butário, conforme manifestamente expresso na decisão, reabrindo -se prazo para pagamento do crédito tributário exigido, com redução de 50% da multa, conforme facultado pelo artigo 728, § 29, do RIR/80. É o relatório. Si DvIÇO PUUl iC0 II Di rut Processo n9 10880/025.509/88-84 3. . Acórdão n9 103-11.110 VOTO_ _ Conselheiro Márcio Machado Caldeira - Relator; O recurso foi interposto dentro do prazo legal e, atendendo os demais requisitos legais, deve ser conhecido. Como se depreende do relatório, foi exigido do con tribuinte, no Auto de Infração, imposto de renda, expresso em OTN no montante de 4.585,67 e multa de 6.878,50, também expresso em OTN, além dos juros mortórios. A decisão de primeiro grau determinou a cobrança do crédito tributário atualizado na forma do Decreto-lei n9 2.471/88 mas exigiu, no demonstrativo deste crédito, imposto e multa, tal qual no auto de infração. Parece haver discrepância nesta decisão, vez que, num passo, manda considerar, na atualização do crédito tributário as disposições do Decreto-lei n9 2.471/88 e, depois, ao final, in - clui demonstrativo do crédito onde não se teria levado em conta o critério antes enunciado, Em relação a esse ponto da decisão reclama o con- tribuinte na petição de fls. 150, dirigida ao julgador "a quo". Entendo que a controvérsia deve ser dirimida antes de o recurso voluntário receber julgamento neste Colegiado. Obviamente, os demais tópicos da decisão recorrida não necessitam revisão na instância singular. A divergência apontada deverá ser esclarecida na primeira instância, ao abrigo do art. 32, do Decreto n9 70.235/72. Assim, após o esclarecimento que se impõe, deveiá ser objeto de reabertura do prazo para pagamento ou interposição de recurso voluntário, o qual, se interposto, terá de restringir-se ã umworwoultanu Processo n9 10880/025.509/88-84 4. Acórdão n9 103-11.110 matéria controvertida. Em relação aos demais itens em debate, já e- xiste recurso nos autos (f is. 131/148), a ser julgado, nesta instân cia, oportunamente. Voto, pois, pelo retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal em São Paulo-SP, a fim de que a decisão de primeira instância seja re-ratificada, nos termos e limites deste voto. Brasilia-DF., em 13 de março de 1991. e CIO MACHADO CALDEIRA - RELATOR. Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.011458/2004-04
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto de renda Retido na Fonte
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — PAGAMENTO SEM CAUSA — EXISTÊNCIA DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E PROVA DOS PAGAMENTOS — RECURSO PROVIDO
Comprovado nos autos a existência do contrato de prestação de serviços, a nota fiscal correspondente, os recibos de pagamento e a microfilmagem dos cheques, resta descaracterizada a alegação de pagamento sem causa.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.138
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Imposto de renda Retido na Fonte IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — PAGAMENTO SEM CAUSA — EXISTÊNCIA DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E PROVA DOS PAGAMENTOS — RECURSO PROVIDO Comprovado nos autos a existência do contrato de prestação de serviços, a nota fiscal correspondente, os recibos de pagamento e a microfilmagem dos cheques, resta descaracterizada a alegação de pagamento sem causa. Recurso especial provido.
numero_processo_s : 10580.011458/2004-04
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Numero do processo: 12466.002745/2006-19
Data da sessão: Wed Jun 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2005
CONDENSADORES E EVAPORADORES. UNIDADES DE APARELHO
DE AR CONDICIONADO DO TIPO "SPLIT-SYSTEM" - UNIDADE FUNCIONAL - DI'S DISTINTAS.
Classificam-se no código tarifário de
aparelho de ar condicionado do tipo split-system as unidades evaporadoras e condensadoras, mesmo importadas em DI's distintas, quando fique configurada a importação de unidade funcional. Aplicação das RGI/SH n.°s 1 e 2 A, combinado com a Nota 4 da Seção XVI da TEC.
RECOMENDAÇÕES DA OMA. As recomendações da OMA, por si só, não
têm força cogente, não havendo respaldo legal para suspensão dos efeitos da autuação para aguardar manifestação daquela Organização Mundial acerca de Classificação de mercadorias.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2005
DECADÉNCIA.Quando não constatada a ocorrência de dolo, fraude ou
simulação, o marco inicial para contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador.
Recurso de Oficio negado.
Recurso Voluntário apresentado pela empresa Target Negado.
Recurso Voluntário apresentado pela empresa United Electric Provido em Parte.
Numero da decisão: 3202-000.128
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, negar provimento pelo voto de
qualidade, ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros(as) Angela Sartori, Rodrigo Cardozo Miranda e Heroldes Bahr Neto.
O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda fará declaração de voto.
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2005 CONDENSADORES E EVAPORADORES. UNIDADES DE APARELHO DE AR CONDICIONADO DO TIPO "SPLIT-SYSTEM" - UNIDADE FUNCIONAL - DI'S DISTINTAS. Classificam-se no código tarifário de aparelho de ar condicionado do tipo split-system as unidades evaporadoras e condensadoras, mesmo importadas em DI's distintas, quando fique configurada a importação de unidade funcional. Aplicação das RGI/SH n.°s 1 e 2 A, combinado com a Nota 4 da Seção XVI da TEC. RECOMENDAÇÕES DA OMA. As recomendações da OMA, por si só, não têm força cogente, não havendo respaldo legal para suspensão dos efeitos da autuação para aguardar manifestação daquela Organização Mundial acerca de Classificação de mercadorias. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2005 DECADÉNCIA.Quando não constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o marco inicial para contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador. Recurso de Oficio negado. Recurso Voluntário apresentado pela empresa Target Negado. Recurso Voluntário apresentado pela empresa United Electric Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-02-02T12:36:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-02-02T12:36:31Z; Last-Modified: 2012-02-02T12:36:32Z; dcterms:modified: 2012-02-02T12:36:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a234c6ee-efda-402e-b3d8-2b932a5e800f; Last-Save-Date: 2012-02-02T12:36:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-02-02T12:36:32Z; meta:save-date: 2012-02-02T12:36:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-02-02T12:36:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-02-02T12:36:31Z; created: 2012-02-02T12:36:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; Creation-Date: 2012-02-02T12:36:31Z; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-02-02T12:36:31Z | Conteúdo => DF CARP' VAr Fir:7 9441--7 S3-C2T2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Process° n° 12466.002745/2006-19 Recurso n 340.831 Voluntário Acórdão n° 3202-00.128 — 2* Camara /2* Turma Ordinária SessAo de 30 de junho de 2010 Matéria II/CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente TARGET IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÕES LTDA e UNITED ELECTRIC APPLIANCES INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida DRJ-FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2005 CONDENSADORES E EVAPORADORES. UNIDADES DE APARELHO DE AR CONDICIONADO DO TIPO "SPLIT-SYSTEM" - UNIDADE FUNCIONAL - DI'S DISTINTAS. Classificam-se no código tarifário de aparelho de ar condicionado do tipo split-system as unidades evaporadoras e condensadoras, mesmo importadas em DI's distintas, quando fique configurada a importação de unidade funcional. Aplicação das RGI/SH n.'s 1 e 2 A, combinado com a Nota 4 da Seção XVI da TEC. RECOMENDAÇÕES DA OMA. As recomendações da OMA, por si só, não têm força cogente, não havendo respaldo legal para suspensão dos efeitos da autuação para aguardar manifestação daquela Organização Mundial acerca de Classificação de mercadorias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2005 DECADÉNCIA.Quando não constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o marco inicial para contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador. Recurso de Oficio negado. Recurso Voluntário apresentado pela empresa Target Negado. Recurso Voluntário apresentado pela empresa United Electric Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • . Acordam os membros do Colegiado, negar provimento pelo voto de qualidade. ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros(as) Angela Sartori, Rodrigo cTheitO JSSnaUO d e '2 Autenticarlo chgitaimepre em 25;101201', rr;, :\%: , !,.1 DA. 111,wetso et:120/01;2012 or vANA CLA*,;D:A S"A'A CAS: • • • DF CAN' MI, Processo n° 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 :41 2 , S3-C2T2 • ..F41-2" • mz Novo Rossari - Presidente Cardozo Miranda e Heroldes Bahr Neto. 0 Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda fará declaração de voto. .e uzyttM4,3Arle., Irene Souza da Trindade Torres - Relatora Editado em: 10 de setembro de 2010. Participaram do presente julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade . Torres, Heroldes Bahr Neto e Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral a Advogada' Angela Mota Pacheco-21910 OAB/SP e o Advogado Jair Viégas Gavalddo-182450 OAB/SP. Presente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes(Suplente) e Angela 41 Sartori (Suplente). Ausente o Conselheiro João Luiz Fregonazzi. ; ,••• • • - Em 20105/2003, nos autos do processo n°12466.002617/2003-64, a empresa Target apresentou Pedido de reclassificaçã'o fiscal das mercadoriascOnstantes da adição 002 da DI n0. 03/03445084-8, desembaraçadas em 02/05/2003, de 8425:90.00 para 8418.69.90 - Ex 02, formulado com fundamento no Parecer COANA n° 17, de 08/11/2000(Anexo I - volume • - Anico). • .xj . Referido pedido deu origem aos procedimentos de revisão aduaneira, relativa as mercadorias constantes em 282 Declarações de Importação de Nacionalização de Entreposto Aduaneiro e Consumo, registradas no SISCOMEX no período de 01/01/2001 a 30/06/2005 e arroladas no Auto de Infração as fls.21/30. Como decorrência de tais procedimentos, em 11/08/2006 foram lavrados Autos de Infração contra 'as empresas TARGET IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÕES LTDA (doravante tão somente denominada "Target"), na qualidade de importadora de direito, e UNITED : ELECTRIC APPLIANCES INDUSTRIA E • COMÉRCIO LTDA (doravante denominada "United Eletric"); na qualidade de responsável solidária, no valor total de R$ 49.252..156,33, para constituição dos Créditos , tributários relativos a Imposto de Importação-II (fls.8/10), Imposto sobre .ProdutoS.Industrializados-IP I (fls. 11/13), Contribuição para Seguridade Social-COFINS• (fls. 14/16) e - Programas de Integração Social-PIS e de Formação do Patrimônio do Servidor Público-PASEP (fls. 17/19). . . ' A autoridade fiscal entendeu que a eMpreSa,Target; . :por,Conta e ordem da empresa United Electric, teria importado, separadamente, Unidades - cOndensadoras e evaporadoras, da marca "Gree", as quais formariam um conjunto funcional de condicionamento de ar, do tipo "split system", utilizando-se de clagsifica:00 . ES'callinprópria, a fim de beneficiar-se de aliquotas menores relativas aos tributos devidos, restando, inclusive, configurado o dolo por parte da autuada. Além disso, acessórios - tais coMo'controle remoto, baterias, manuais e outras partes dos aparelhos - também foram classificados como se fossem importações isoladas. Dor.t tunenio is!F,r1,•".dc.; r,‘ 2 22 - 2 Autent,cry,lo cfl Cn 2,lç, /20 ,, 1 pc :( ; u0 ;1 írc; Impres:m em 20/01/2012 p3,• AU125'‘ • Relatório ' DF (.7110' NV7 . • Processo no 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 S3-C2T2 Neste ponto, passo a transcrever, em parte, o relatório da decisão recorrida: A fiscalização relata que, em 03/08/1999, a importadora requereu a retificação das DI's n. °s 99/0548953-3, 99/0548955- 0, 99/0609135-5, 99/0609165-7, 99/0560515-0 e 99/0594479-6 (sendo que as quatro primeiras são de admissão em entreposto aduaneiro), através do processo n.° 12466.001919/99-27. Neste processo foi determinado pela fiscalização que os aparelhos deveriam ser classificados nos códigos 8415.82.10 ou 8415.81.10, conforme tivessem ou não capacidade de aquecimento, considerando que os aparelhos formavam uma unidade funcional de condicionador de ar. Desta decisão a importadora tomou ciência em 12/09/1999, recolhendo as • diferenças devidas referente a DI n.° 99/0560515-0 em 07/01/2000. • Em 26/10/1999 a importadora ingressou com uma solicitação de consulta protocolada sob n.° 12466.002683/99-28 para as mercadorias em questão, enumerando diversos modelos. A DIANA/SRRF/7." RF proferiu a Decisão de n.° 359, em 28/12/1999, concluindo que deveriam ser adotados os seguintes códigos da TEC: 8415.81.10 ou 8415.82.10 para a classificacão de aparelhos de condicionador de ar, constituídos pela unidade evaporadora e pela unidade condensadora apresentadas simultaneamente, conforme tenham ou não, respectivamente, a capacidade de aquecimento do ambiente pela inversão do ciclo térmico. Para quaisquer das unidades (condensadora ou evaporadora) apresentadas separadamente o código a ser adotado deve ser o 8415.90.00. Desta Decisão a contribuinte tomou ciência em 05/01/2000. Ern 18/05/2000, a COANA revisou a Decisão DIANA/SRRF/7." RF n.° 359/99 e emitiu o PARECER COANA n.° 009, alterando a classificação dos equipamentos • apresentados isoladamente, mantendo a classificação do aparelho condicionador de ar composto das duas unidades. Os códigos atribuidos foram 8418.99.00 ("Ex" 01 da TIPI) para a unidade evaporadora e 8418.69.90 ("Ex" 02 da TIPI) para a unidade condensadora. A importadora tomou ciência deste parecer em 18/05/2000. Em 08/1112000, a COANA reformou o Parecer n.° 09, emitindo o PARECER n.° 017 alterando novamente a classificaccio tarifária da unidade evaporadora para o códiro 8415.82.10 considerando que os modelos apresentados na consulta eram todos com capacidade inferior a 30.000 frigorias/hora (=119.047,6 Btu) e nenhum possuía válvula de inversão de ciclo térmico. Para a unidade condensadora foi mantido o mesmo códizo 8418.69.90, alterando, porém, a sua fundamentação. Deste parecer a importadora teve ciência em 11/12/2000. Em 20/05/2003 a interessada requereu a retificação da DI 03/0345084-8, adição 002 alterando a NCM de uma unidade condensadora do código 8415.90.00 para o código 8418.69.90. assinado dc OdnaSile cuno47r" AilientiugJo 1 gd 1000 em 20P:-0lf 01 I pcir 3 Impresso ern 20101/2(112 par DF CAR]: ; 4 Processo n° 12466.002745/2006-19. • S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.128 Apesar da Seção Aduaneira ter declarado que` claSSificação - - adotada pela importadora estava de acordo com as decisões exaradas pela COANA, o processo foi encaminhado para Grupo de Revisão. A partir dai, com base no art. 570 do Regulamento Aduaneiro, a fiscalização procedeu a revisão aduaneira das DI's de importação destas mercadorias originando O presente processo. Para identificação das mercadorias foram feitos levantamentos de todas as importações feitas de aparelhos de ar • condicionado do tipo "split-system" e de suas unidades. • evaporadoras e condensadoras importadas separadamente. De acordo com o relatado as fls. 54/79, a fiscalização concluiu que, embora as importações das unidades tivessem sido - feitas de forma separada, na verdade elas se caracterizaram pr . . importação de aparelhos de ar condicionados do..,tiPo system". Que de forma dolosa a importadora aSSinz procedeu • para escapar da tributação maior de imposto;' já que 'as" • aliquotas de aparelhos completos são maiores que as aliqui;stas* de equipamentos separadoi, • •-• -.• A fiscalização sustenta , que estes equip ('u condensadoras e evaporadoras) não podem funcionar sozinhos, só se admitindo seu funcionamento em conjunto para fort:liar um aparelho de ar condicionado do tipo "split-system",. que tem • como principal vantagem separar a parte ruidosa do aparelho. (unidade condensadora externa) da unidade evaporadora (inferna).. Estes aparelliàs podem ser formados por tan condensador e um ou mais evaporadores. Ainda apresentam também partes acessórias que os acompanham como controles remotos, manuais, baterias, cabos de conexão, gas refilkerdnte e' tubulações. , A fiscalização fez um levantamento de todos os modelos importados por códigos, identificando as informações expressas . • nas referências (fls 61/74). A partir dai, elaborou relatórios analíticos Com a totalidade das unidades condensadorase evaporadoras importadas no período de 09/07/1999. a 30/06/2005' (fls. 507/665). , A partir desses relatórios e com base nas car. acteristicqs descritas no Relatório de Identificação de EcJuiptmnentos n . 74/99 do ITUFES (lis. 60) e na Decisão. daDIANA/SRPF/7. app' n.° 359/99, que não foi reformada no tocante ii"ClaksifiCação. • do's aparelhos de ar condicionado formado por ambas unidades, a fiscalização concluiu que, através das 480..Declarações.--' de Importação, foram introduzidas no pais 112.923 'unidades " funcionais de condicionamento de ar, na acepção da Nota 4 da , Seção XVI da NC111; consistindo em aparelhos de ar condicionado do tipo "split-system" (sistema coin elementos separados), com capacidade inferior a 30.000 frigorias/hora, da marca GREE, de 89 códigos de referenda de modelos padronizados diferentes, :mais 10 unidades conderisdclor cfs' • ::': Doch'nento assiracio rTh t5rrfte'tc, P Awenticado c!igitalmec.te em 26/1 i;r2i111 p';:r NA, Impresso em 20/0V2012 por VANA C±AliD ' 4 • • Di: GAR]: N41: Processo no 124 6.0027:45/200-19 AcOrdio n.° 3202-00.128 FL S3-C2T2 -F175- isoladas e 374 unidades evaporadoras isoladas, provavelmente destinadas a reposição/garantia. De acordo com as fls. 80/97, com base na Regra Geral Interpretativa 1•" e 6.", Regra Geral Complementar n.° I„ conjugada corn os textos das posições, subposigões e itens, bem como as Notas 4 e 5 da Seção XVI, com subsídios das NEHS's, a fiscalização procedeu à reclassificação fiscal dos aparelhos de ar condicionado, atribuindo o código 8415.81.10 para aqueles que possuam válvula de inversão do ciclo Térmico (quente/frio) e 8415.82.10 para aqueles que não possuam esta válvula (frio). Esta classificagdo é adotada para as • DI's registradas até 31/12/2001. A partir de 01/01/2002, por força da Resolução CAMEX n.° 42/01, o código passou a ser 8415.10.10, e a partir de 01/08/2002, com a vigência da Resolução CAMEX n.° 18/02, .o código a ser utilizado é 8415.10.11. Para as unidades isoladas de condensadores e evaporadores, a fiscalização acatou a reclassificação adotada pela irnportadora, tendo em vista que, apesar de somente um modelo de condensador estar amparado pelo Parecer Coana n.° 17/2000, para os demais modelos não foi possível apurar características técnicas que pudessem alterar a classificação constante nas Para a caracterização da fraude , a fiscalização argumenta que a importadora sempre importou estas unidades separadamente (corn exceção de 3 DI's) desde 1999 e, embora tivesse sofrido intervenções isoladas em alguns despachos aduaneiros de importação no sentido de retificar a DI para adequar o código tarifário de acordo com a nota 4 da Seção XVI da TEC, a interessada continuava a importar as mercadorias com os códigos para unidades separadas. Assim, mesmo sabendo da convicção das autoridades aduaneiras, a importadora continuava a importar e classificar os equipamentos como nidades distintas, e, quando interpeladas pela fiscalização, procedia er retificação, pagando a diferença de tributos e multas devidas, evitando a realização de perícia técnica e de autuação, que poderiam provocar um resultado contrário a seus interesses. Também alega a fiscalização que o processo de retificação rt.° 12466.001919/99-27 (cópia no Anexo II - vol. 2/6) foi requerido pela interessada, haja vista a existencia. de uma autuação 10 dias antes fella contra outro contribuinte com relação as mesmas mercadorias. Segundo a fiscalização, corrobora a tese da fraude o fato de que a empresa ingressou corn um processo de consulta sobre estas mercadorias, postergando, de forma indefinida, a cobrança desses créditos tributários, sujeitando-os, inclusive, decadência. O processo n.° 12466.002683/99-28 (cópia no Anexo II — vol. 4/6) foi formulado sem os requisitos mínimos, gerando demora na sua solução, dando continuidade, com isso, evasão fiscal. Corn a solução da consulta, a importadora passou a alegar que estava amparada pela mesma, haja visto a classificação determinada pela Coana para os aparelhos Document° assinado diÇ; Ireoe GOY • t s 4 Autenticado di;WairrIentt . ern 2t1f 101201'1 impresiao em 20/C/2012 por VANA 71_Ai 5 , • • Processo n° 12466.00274/2006-19 '83=e2T2 Acórdão n.° 3202-00.128 separadamente, desafiando o posicionainento das autoridades fazendcirias,' que defendiam o cumprimento do que preceitua a Nota 4 da Segel() XVI mais a RGI 1.° da TEC/T11 31. Com base numa alegada "brecha" na legislação, a importadora submetia a despacho aduaneiro as unidades scparadarnénte, registrandp duas DI's distintas, às vèes' com diferença de. minutos. Ainda pleiteou a interessada, restituição das diferenças de tributos pagos a maior em função da decisão da Coana, através - do processo n.° 13771.000094/20001-27. Com isto, manifestouoa firme intenção dolosa de fazer uso indevido do processo de r consulta. • • Por estas razões, expostas aqui de forma, sucinta, a fiscalização entendeu que estava caracterizada. ..a „.fraude, • liincio131 perpetrada com o intuito de pagamento..de, tributas á''Men641,-; " . • , L • _ L. ficando configurado crime contra a ordemiribiitet;ia pre vista niz • Lei n.° 8.137/1990. Com a'ocorrencia da fraude, houve aplicação do art.'1504., " 4, conjugado com art. 173, 1, do Código Tributário Nacional ampliando o período autuado para 01/01/2001 a 30/06/2005, além do agravamento da multa de oficio. Os diversos documentos e cópias de processos que fazem parte do presente Auto de Infra go estão relacionados com suas respectivas localizações em anexos, volumes e páginas'eriz súmulas elaboradas pela fiscalização ás fls. 730/756 (volume V - principal), A DRJ-Florianópolis/SC, desconsiderando a caracterização da fraude pretendida pela autoridade fiscal, julgou o lançamento procedente em parte, mantendo o crédito tributário somente quanta aos fatos geradores ocorridos após 02/0/2001:• em razão da decadência relativa aos períodos anteriores, e reduzindo a multa"de ofició para .o percentual de 75%, mantendo os juros de mora correspondentes (fls.1434/1443v- principal). Quanto h. classificação fiscal, a autoridade julgadora manteve o entendimento da fiscalização de que os produtos importados, . mesmo que separadamente, . forrnávariakinia , •:unidade funcional, constituida . pof *elementos distintos (evaporador e cOncleriS'adOr), ligados • por tubulações, concebidos para executar uma função determinada. Referida decisão restou assim ementada: • - ' Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2005 CONDENSADORES E EVAPORADORES. UNIDADES DE APARELHO DE AR CONDICIONADO DO TIPO SPLIT- SYSTEM"- UNIDADE FUNCIONAL - DI'S DISTINTAS Classificc.in .lse no código tarifário de aparelho de ar condicionado do tipo "split-system" as unidades evaporadoras e condensadoras, mesmo importadas em DI's distintas, quando Op Aimerfio assiriark rj:gitalm. -2me conlorme. 6 An tentierido d!gilalmenle em 26110/2011 por f;CtSTA , -;• lo,3t ,(3 Impresso cm 20101í2012 por NANA fT,LA:il!A • S3-C2T2 DF C,ARF r . . H.? / Processo n° 12466.002745/2006-19 Acentric) n.° 3202-00.125 • e fique configurada a importação de unidade funcional. Aplicação das RGI/SH n. os 1 e 2 A, combinado com a Nota 4 da Seção XVI da TEC. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2005 DECADÊNCIA Quando não constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o marco inicial para contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador. SOLIDARIEDADE - INFRAÇÕES Responde pela infração quem, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie e ainda o adquirente de mercadoria estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica :0 • 'iinportadora. Lançamento procedente em parte • Dessa decisão, recorreu de oficio a DRJ-Florianópolis/SC. Apresentaram recurso voluntário as empresas autuadas, com as seguintes alegações, em síntese: I- RECURSO APRESENTADO PELA TARGET (fls. 1543/1586 — vol. IX, principal) 4 que importava os produtos de forma separada, mesmo que na mesma quantidade, por questão absolutamente operacional, técnica e logística; que formulou consulta em razão de divergência existente entre as diversas regiões fiscais do pais acerca da correta classificação fiscal; 4 que, quando da elaboração da consulta, deixou claro, para a autoridade administrativa, o modus operandi que utilizaria para a sua internação aduaneira; -* que as operações abrangidas neste processo administrativo foram realizadas após a publicação do Parecer COANA no 17, de 08/11/2000 e que a empresa, a partir de então, passou a adotar as classificações fiscais ali determinadas, quais sejam, NCMJSH 8415.82.10 (para as unidades evaporadoras) e NCM/SH 8418.69.90 — Ex 02 (para as unidades condensadoras); que a resposta à consulta vincula tanto o contribuinte quanto a Administração Pública; DrIctimp;m1'..; ass6iado d; -,;1:,-11mc.r.:(7. CClC N.31en6T.a6o diTtairnt-yile em 26101201' ; Imp e:z.so cm 20/111/2012 pr /ANA 7 DF CARF NIF • Processo n° 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 1\ 4 que não se poder requerer da empresa a adoção de outra classificação fiscal senão aquela determinada pela própria Receita Federal, por meio do Parecer COANA n° 17/2000, em razão da consulta inte eiiorm. ent . formulada; 4 que a importação separada se da devido ao fato de, no moment() dessa importação, não saber se os aparelhos serão vendidos conjunta ou separadamente, nem a quantidade de evaporadores que será conectada a cada condensador, e mais: que cada aparelho tem seus niurieroS -de-kérieepróprios, podendo ser conectado umas a quaisquefoutras podendo ium condensadora ser conectado a quatro evapores ou mesmo tratar-se de Pea -de'rep- dição; - 4 que, caso houvesse reforma do Parecer,COANA n°47/00, o efeito , seria - . i -6.7ç nunc, não retroagindo a fatos passados; -: - ' .i . 'Li.w , df ) 2..,/' " i .1:,.:‘1,A, • ; 4 que a. presunção das AFRF que lavraram os Autos- de Infração é inveridica , e equivocada, pois, em maio dc • 2006, novamente.. a Receita , Federal, por meio da juntada ao processo de representação . '"fisCal da W Intimação : COSIT n° 9912006 (fls. 241/245), manteve expressamente a vigência dlr.) Parecer COANA n° 17/2000; que, tecnicamente, as unidades evaporadoras e condensadoras não formam unidades funcionais, pois dependem de outros itens para que possam funcionar, .sendo montadas apenas no local de instalação, uando for o caso. Tanto isso té verdade que se tratam de produtos distintos que, desde de 2005, a United Electric passou a fabricar, no Brasil, as unidades condensadoras da marca Gree, importando somente as evaporadoras; 4 que a autoridade julgadora de primeira instãneia pressupõe que somente parte da Decisão DIANAISRRF/ 7 N° 359/1999 foi , reformada, que não esta expresso, nem mesmo subentendido; noi'ailecer‘ .60;kNA n° 17/2660, o qual, no seu entender, reformou totalmente a referida decisão 'anterior; além disso, a decisão da representação fiscal não „menciona.urna reforma parcial, . , -mas sim, esclarece a vigência plena do retroineneionado.Parecer COANA; 4 que, por meio do processo administrativo n° 10768.004796/2007-36, a empresa formulou consulta à DIANA, solicitando esclarecimentos sobre a vigência da classificação fiscal dos produtos constantes do Pareeer COANA no 17/2000 e que, por meio da informação DIANA no 06/2007 , ficou determinado que: (a) as unidades condensadoras classificam-se no código 8419.69.90 — Ex 02, até 31/1212006, por força do Parecer COANA n° 17/2000; (b) que, no períodos de 1/01/2007 a 05/10/2007, em função da TIPI12006, o código de tais produtos passou a ser 8418.69.40 e (c) partir de 06/10/2007, referidas mercadorias passaram para o código 8418.69.90, por força do Decreto n°. 6.225/2007. . . . Desta forma, até 31/12/2006 vigia o Pareeer. -COANA if 17/2000, abrangendo, portanto, todo o período objeto da autuação. Ahmtc3do digittrnenle. 25/10 12'0' imp ;-:sso in 2P)112012 1.);:r NANA Cl AUJ; 8 H. 9/S0 c,;04-) •4 que, por força da existência de reserva contra a classificação fiscal na importação de unidades de ar condicionado,, split system, no Comitê do ,Sistema Harmonizado (CSH) da Organização Mundial das Alfândegas • (OMA), qualquer ato administrativo por parte da Receita Federal sobre o assunto deveria ficar suspenso até a conclusão de tal impasse, de cunho técnico e de âmbito mundial, de forma que ando era possível a autuação fiscal; que ha a suspensão do credito tributário, nos termos do art. 151, II do CTN, até que todos os questionamentos sejam solucionados; 4 que o auto de infração seria nulo, por não considerar o prazo decadencial do art. 150, §4° do C'TN, visto que o valor do crédito tributário é requisito indispensável ao auto; DI' CA 1 ,1 Processo n° 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 • . ■ , Docurnenti) assipado 0 :!;t2.3;m(Alte.. Ailienticado dss1aIsssei1e em 20/10/20i Irnnresso err 20/011201 2 por hit,,IsiA, 4 que, ao formular a consulta perante a Administração visando esclarecer a correta classificação fiscal, fica patente a boa-fé da empresa; 4 que, nos autos do processo administrativo n° 10707.000434/2005-29, formulou nova consulta acerca da aplicabilidade, amplitude e vigência do Parecer COANA no 17/2000. Nesse processo, a COANA informou que referido , Parecer encontrava-se em vigor, nunca tendi sido revogado ou alterdo, mencionando, ainda, seu caráter terminativo quanto a questão; que a fiscalização baseia-se em meras presunções para fazer graves afirmações de fraude, simulação, recolhimento a menor de tributos, erro de classificação fiscal e aplicação de multa punitiva por falta de recolhimento de tributos federais, além de promover , no seu entender, infundada representação fiscal para fins penal, alegando suposto crime contra a ordem tributária; 4 que deveria ter sido observado o disposto no art. 112 do CTN, interpretando-se as normas divergentes de maneira mais favorável ao contribuinte; que, por força doa art. 101 do Decreto-lei n° 37/66 e do art. 610 do Decreto n"4.543/2002, não poderia ter sido aplicada qualquer penalidade recorrente, em razão de ter procedido de acordo com o entendimento externado pelas autoridades administrativas; que, uma vez que a mercadoria estava corretamente descrita nos docs!mlentos de importação, inexistente qualquer dolo ou má-fé por parte da empresa, não caberia multa por CITO de classificação, tampouco da multa Punidva prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96; que a recorrente, no processo de consulta formulado, jamais deixou de afirmar que trazia unidades condensadoras e unidades evaporadoras que, logicamente, seriam reunidas a posteriori, após a venda ao consumidor final, pois so funcionam conjuntarneme (fl. 1577) 9 DF CARF NIF 1k) Processo n° 12466.002745/2006-19 53-C2T Acórdão n.° 3202-00.128 que a ,ÇOANA sempre soube que a unidade condensadora e a unidade evaporadora seriam reunidas, após o desembaraço, para compOr uma' unidade funcional e, ainda assim, reformou a solução de Consulta DIANA 7 5 12.F/R.1 na 359, a qual se baseou'exatamente neste argumento para rejeitar s a posição da então consulente, de classificar os elementos condeniadbi reéVapOrador cm separado, e considera-los como uma unidadefunbieifial, vei,:qUe o.jjai'écer fiandamentbu-se na Nota 4 da Seção XVI da TEC;/SH (fl:157`1); • 4 que, usando a Nota 4 da Seção XV_I;•InFPIANA/7:' -, RF'cier'39/1999 tendeu que, se a unidade condensadàfa.'&aunidddeevaporadora ; f6Ssem apresentado simultaneamente, deveriam set . 66nSideradas-Como unidades funcionais e, se apresentadas separadamente, deveriam ser consideradas como partes de ar condicionado: O Parecer COANA n° 9/2060 reformou a segunda parte da Solução de Consulta DIANA n° 359, tendo sido reformada primeira parte da referida Solução de Consulta pelo Parecer COA-NA 17/2000, o. qual também reformou o Parecer COANA no 09/2000; razão pela qual entende que o Parecer COANA no 17 reformou totalmente as decisões • anteriores;: 4. que é incorreto o entendimento da autoridade julgadora dquo, de que a Solução de' Consulta no 359/99 ainda estaria vigendo; que o! Parecer COANA n° 17/2000 realmente inovou, , mas não tanto assim, pois chegou as Mesmas conclusões do parecer reformado,, alterando somente a classificação de um dos itens, mas os mantenclo -sept'OU seja, entendendo que se apresentados separadathente; c1assifiCar4etiam separadamente; ,•: 4 que a Decisão DIANA só poderia ser r4orrnadap2eld'Paiê'etli CO:ANA'n° 1172000 na parte em que não fora fefOrrnadd''Pelb Pi.reCer . COÁNA no 09/2000, pois somente estaria vigendo Ao final, requereu: IS S • (a) seja reconhecida a impossibilidade da autuação fiscal ou a suspensão do presente processo administrativo, em razão da classificação estar sob reserva do ' Comitê do Sistema Harmonizado (CSH) da Organização Mundial (OMA), sendo declarados nulo os Autos de Infração; (b) Subsidiariamente, seja reformado, in totum, a decisão administrativa de primeiro grau, sendo julgados improcedentes os Autos de Infração, vez que inexistente o erro de classificação fiscal e o conseqüente recolhimento a menor de tributos federais. 0 recurso apresentado pela UNITED ELECTRIC repete, emIinliai gerais, os mesmos argumentos expendidos pela Target (fls. 1594/1695 7 vol, IX, principal). Ao final, a empresa requereu a anulação dos Autos de Infração e a reforma integral dddecisão de primeira instancia. Caso estes prevalecessem, fosse mantida a decisão recorrida quanto à decadência dos créditos anteriores a setembro de 2001, bem como quanto a exclusão da multa qualificada. • o Relatório. " Dom tmeoto assinai dqt men0 cc 'e 011' : ' • • 10 Autenticorlo cligit:• -flente em 2-/1312011 Impresso em 20/01/20 12 por 1V,a.NA CLAtJÍJA 212 • DF CAR!. MI Processo n° 12466.002745/2006-19 Aar( n.° 3202-00.128 FL i 1/ ró S3-C2T : 74) Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Tanto o recurso de oficio quanto os recursos voluntários atendem aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. • Cabe esclarecer que, mesmo se tratando de recursos voluntários distintos, apresentados pela contribuinte (a empresa Target) e pela responsável solidária (a empresa United Electric), bem como de recurso de oficio, oferecido pela DRJ-Florianópolis/SC, este voto tratará em abordagem única as questões comuns a tais recursos, relativas à classificação fiscal das mercadorias objeto de autuação e ao alcance das decisões e pareceres exarados em processo de consulta. Conforme explicitado no Relatório, a autuação de que trata esta lide decorreu do entendimento da autoridade fiscal de que a empresa Target utilizou-se de classificação fiscal imprópria, a fim de beneficiar-se de ali quotas menores relativas aos tributos devidos, ao adotar classificação fiscal distinta para as mercadorias importadas, consistentes em unidades evaporadora e condensadora de ar, pois teria desconsiderado que tais mercadorias formariam urna unidade funcional de condicionamento de ar do tipo split system, não se tratando de mercadorias isoladas. 's• - , • 1 . • . .Por .tal razão, ao aplicar as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado n.'s 1 e 2a, combinadas com a Nota 4 da Seção XVI, pretende o fisco sejam as unidades evaporadoras e condensadoras reclassificadas• como ar condicionado nos seguintes códigos: . • 8415.82.10 - para o período de importação de 01/01/2001 a 31/12/2001: 8415.81.10 ou - para o período de 01/01/2002 a 31/07/2002: 8415.10.10 - para o período de 01108/2002 a 30/06/2005: 8415.10.11 A adoção de códigos diferentes pela fiscalização deu-se em razão das . alterações da TEC/TIPI ao longo dos anos. Já as autuadas, alegando fundamentação no Parecer COANA no. 17/2000, • pretendem sejam as mercadorias classificadas nos códigos 8418.99.00, para as unidades ev"aPóradoras, e 8418.61.10, para as unidades condensadoras, por entenderem tratar-se de mercadorias isoladas que não formam unidades funcionais. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS MERCADORIAS E DO PROCESSO DE CONSULTA Para chegar ao deslinde da controvérsia ora posta, passo a percorrer o trajeto .do irocesso de consulta formulado pela contribuinte, relativo às mercadorias objeto deste litígio; prae‘dend6' à análise das decisões e pareceres que envolvem a questão, com o intuito de , Dnet,p)fli10) z.0‘,Sinadá digaa AtilitnIticado dic;it.alrektmte em 26110/2011 por A :-.-t(tfit,:t?tGt_it-.. - ' 11 mp esso em 2W01/2012 por 111,ON 2 t.'2't :,4/1 ;3'2Ort I - ' Di7 CARL' Nil: H. 17 , Processo n° 12466.002745/2006-19 S3-C2T2 Acórdão n.°3202-00.128 .'Fg2-64yik definir qual posicionamento está a vincular tanto a Administração- 'quatitoernpresa consulente. • • . . Em 20/05/2003, nos autOs do processo n ° 12466.002017/2003-64 (Anexo I- volume único), a empresa Target apresentou pedido de rptificação - .,..da Declaração de Importação . 03/0345084-8, em 25/04/2003, solicitairdOiJ4Seifi' .‹`i'aláSiifietklag •■•as mercadorias imPortadas, e já desembaraçadas, constante's'cla".ladição n°.. : 002 - daquela-DI, do código NCM 3415.90.00 para 8418.69.90 - "Ex" 002. Referidas inercadorias' . encOritraVam-se assim descritas: (a) Unidade condensadora para sistema de ar condicionado, do tipo split, apresentada com compressor, motor de ventilação e ventilador, COANA nr. 12466.002683/99-28- modelo GSK41-22RA0 - Condenser Unif"K7, 41.000 BTU - 220V- H/C, Números de série 4661330000201-400; (b) Unidade condensadora para sistema de ar condicionado . do tipo split, apresentada com compressor, motor de ventilação e ventilador, COANA nr. • 12466.002683/99-28- modelo GSW(9X2)-22RA0 - Condenser Unit Wall, 18.000 BTU - 220V- H/C, Números de série 4118730000001-100; . ) (c) Unidade condensadora para sistema de ar condicionado . Ida4ipo split, apresentada com compressor, motor de ventilação e ventiladdr: COANA nr. 12466.002683/99-28- modelo GSW24-22RAO''--,'`CdrideriseKtinii*-Wall, 24.000 BTU - 220V- H/C, Números de série 4653 030000644.443 ' Referido pedido de retificação teve .comii:StifidairientO o Parecer' COANA n°.17, de 08/1172000, exarado em solução c'onSUliai;;¡,constante dos auto. S.: ,-41°. 12466.002683/99-28 (Anexo I, fls. 94/110). Neste ponto, cabe traiiPorfar::Se r aO inicio'cle'toda a celeuma que culminou corn a elaboração do referido Parecer COANA n° 17. • -.•' Em 26/10/1999, a empresa Target formulou consulta (Anexo fls.99/111), nos autos do processo n° 12488.002683/99-28, referente à classificação fiscal de mercadorias por ela importadas separadamente, quais sejam, unidades condensadoras para ar condicionado, constantes da DI n°. 99/0548955-0 (Anexo I -fls. 112/116), e unidades evaporadoras de ar condicionado, constantes da DI n°. 99/0548953-3 (Anexo I- fls. 117/123), ambas registradas em 06/07/1999. • Naquela oportunidade, a então consulente infomiou que adotava classificação tarifária individualizada para as unidades evanoradoras e as unidades condensadoras, respectivamente nos códigos NCM 8418.69.90 e 8418.61.10, mas que; por orientação da Alfândega do Porto de Vitória, havia retificado as DI e passado a utilizar,o código ,NCM 8415.82.10, tanto para as unidades condensadoras quanto para as unidades evapdradoris; pois a autoridade alfandegária tinha considerado as mercadorias importadas - corno .. aparelhoS :de ar condicionado, levando 3. aplicação de Uma aliquota maior Para os "tribiifôs devidos na importação. VS Pelas razeies que ali expôs, a contribuirite - COnCh4 que, no seu entendimento; as unidades condensadoras deveriam ser classificadas no e .6cligo: NCM 8418.61.10, e a unidades evaporadoras, • no código 8418.99.00 - "Ex" 01. Asseverou, ainda, que as unidades evaporadoras, bem corno as condensadoras, sempre eram vendidas separadaménte; e não como ar condicionado, afirmando, à fl. 105 (Anexo I), que: Documento ass nm;! o tlnit:, n1e ttooft) , ,, I . K 12 Autenticado dicitto'n -tettte eto po in vu,sso ooi 2D/0112012 or VANA • FL 04,75 s3-c231.2-- • DF CA1:1; MF Processo n° 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 As mercadorias importadas pela Consulente são importadas por distintos, porque são mercadorias distintas. A Consulente efetua a venda de uma unidade evaporadora como unidade evaporadora, e não como ar condicionado. A propósito, há que considerar que sempre as unidades evaporadoras e condensadoras são vendidas separadamente. 0 fato desta unidade poder ser utilizada como parte de um ar condicionado tipo split não influi na sua tipologia como unidade própria. •Por fim, ressaltou que a unidade condensadora era importada para formar um aparelho de ar condicionado e, assim sendo, não poderia tratar-se do próprio aparelho de ar condicionado, vez que parte de um aparelho não pode ser um aparelho inteiro, razão pela qual descaberia a das. sificacio tarifária pretendida pela Alfandega (fl. 107- Anexo único): (..) podemos bem verificar a inadequação da classificação pretendida pela Alfândega, vez que, ante o disposto no item (c), a unidade condensadora importada é destinada para formar um aparelho de ar condicionado. Ora, se uma mercadoria destinada para formar outra mercadoria, isso significa necessariamente que a primeira mercadoria não é a segunda. Em 12/11/1999, por meio da Intimação it' 130/99, a Target foi intimada, pela Alfandega do Porto de Vitória, para prestar informaceies 'sobre o produto objeto da consulta, no intuito de bem instruir os autos (fls. 124/127 - Anexo I). Em 26/11/1999, em atendimento A. referida intimação, a consulente informou quais eram as mercadorias objeto da consulta, a saber: (a),.Unidades evaporadoras, da marca GREE, cuja função principal é a climatização de ambientes através da conexão de uma condensadora, nos modelos: GSW9- 22LI, GSW12-22U, GSW18-22LI, GSW24-22L1, GSV24-22L1, GSV50-22L1, GST24-2211, GST36-22LI, GST48-22L1, 0SK24-22LI, GSK48-2211, GSWD9-22L1, GSR12-22LI, GSJ12- 22L1e (b) Unidades condensadoras, da marca GREE, cuja função principal é a condensação e resfriamento de gas refrigerante para resfriamento de ambientes, através de uma unidade evaporadora, nos modelos: GSW9-22L0, GSW12-22L0, GSW18-22L0, GSW24- 22LO, GSV24-22L0, GSV50 -22LO, GST24-22L0, GST36-22L0, GST48-22L0, GSIC24- 22LO, GSK48-22L0, GSWD9-22L0, GSR12-22LO, GSJ12-22LO. No mesmo instrumento, a empresa assiM identificou os produtos: I -- CARACILRLSTICAS DOS APARELHOS SUBMETIDOS A CONSULTA 1.1— UNIDADE EKAPOÁVIDORA a -- NOME COMERCIAL: Unidade Evaporadora • . . b .-- NOME CIENT/FICO: Unidade Evaporadora J , J. . ,111ZCi:) (110101ME,,, n 1:€, NilenticiAo digitairy; , N. V)i2f)1 p = . 13 :rapt esso ern 20101 ilqr I • Dnc;.irr CARP NIP Processo n° 12466.002745/2006-19 83-C2T Acórdão n.° 3202-00.128 F c — MARCA REGISTRADA: Gree (;) e - TIPO: Evaporadora com trocador de calor, motor de ventilação e ventilador (.) • g- FUNÇÃO PRINCIPAL: Climatização de ambiente através de conecalo de uma condensadora.(sic) li — PRINCIPIO E DESCRIÇÃO''' 130 - . FUNCIONAMENTO; Quando conectada a uma unidade condensadora, este recebe o gás refrigerante no estado liquido, à baixa temperatura, que circula pelo trocador de calor (evaporadora), que promove a • refrigeração do ar eu circula através deste, abaixandó a temperatura ambiente. i — APLICAÇÃO, USO OU EMPREGO: atização de ambientes através do acoplamento " de ,unia condensadora. 1.2 — UNIDADE CONDENSADORA - a —NOME COMERCIAL: Unidade Conden -sciarc's' b — NOME CIENTÍFICO: Unidade Condensadora • c — MARCA REGISTRADA: Gree (.) e - TIPO: Condensadora com trocador de calor, compressor, motor de ventilação e ventilador g — FUNÇÃO PRINCIPAL: Condensação,,,,, resfriamento de gas refrigerante. h — PRINCIPIO E DESCRIÇÃO, DO • • FUNCIONAMENTO: Através da- compressao:dolgas% -.• refrigerante no interior do tro&adi'ir' 6alor. (condensador) e da ventilação forçada, promovida pelo ventilador, o gás condensa, passando para estado liquido com baixa temperatura, permitindo seu •''• uso para resfriamento de ambientes através da uniAdefivesp_o_ivu_lora. • ,• Doconent2 assinadc d'git, - nformo 14 Autenficadodcqt nr r.m 25/1;2C1 I p'.4 ' S Impre.sso 20/0-1/20" 2 or VANf. C ALiat, 2 • F , • - • • DI' CAR!' VF FL Processo n° 1466.002745/2006-19 S3-C2 • . Acórdão n.° 3202-00.128 I -- APLICAÇZO, USO OU EMPREGO: Climatizaglio de ambientes através do aeo latnento de uma evaporadora. (grifos não constantes do original) Em resposta A consulta, a Secretaria da Receita Federal manifestou-se em três mornenos, por meio de documentos diferentes, demonstrando entendimentos diversos e aparentemente contraditórios, o que gerou o conflito que ora se pretende harmonizar. As manifestações da autoridade administrativa, em suas datas correspondentes, bem como as classificações tarifárias indicadas em cada uma delas, foram as seguintes: 28/12/1999 - : . Decisão DIANA n° 359 8415.81.10 - para unidades evaporadoras e condensadoras se tivessem a capacidade de aquecer o ar ambiente mediante inversão do ciclo termico • . 8415.82.10 - para unidades evaporadoras e condensadoras se não apresentassem tal capacidade 8415.90.00 - para unidades evaporadoras e condensadoras apresentadas isoladamente 18/05/2000 Parecer COANA n° 009 8418.99.00 - Ex 01,- para unidades evaporadoras 8418.69.90 - Ex 02 - para unidades condensadoras 08/11/2000 Parecer COANA n° 17 8415.82.10 - para unidades evaporadoras 8418.69.90 - Ex 02 - para unidades condensadoras Inicialmente, a resposta à consulta formulada concretizou-se na Decisão DIANA n° 359, de 28/12/1999 (Anexo único - fls. 35/39), onde aquele órgao afirmou taxativamente: As mercadorias objeto da consulta consistem em unidades condensadora e evaporadora separadas, concebidas para funcionar em conjunto, conectadas por dutos e cabos, constituindo assim um aparelho condicionador de ar ambiente. O projeto de tal aparetho prevê a colocação da unidade evaporadora no interior do ambiente a ter a atmosfera 'sniodificada, situando-se a unidade condensadora no exterior. Trate-se, assim, de uma única raáquina, compostq_por dois elementos seoarados e interconectados. do tipo de que trata a Nota 4 da Seeão XVI do Sistema Harmonizado, desempenhando funsão perfeitamente definida e classificada no código TEC/TIPI 84.15.81.10, se for capaz de aquecer o ar ambiente mediante inversão do ciclo térmico, ou no código TEC/17PI 84.15.82.10, se não apresentar essa capacidade, (fl. 37) Tais serão as classificações cabíveis para os aparelhos de ar condicionado compostos pela unidade condensadora e pela unidade evaporadora apresentadas simultaneamente, ainda que desmontadas, e ainda que incompletas (sem, por exemplo, o motor elétrico, o compressor ou o ventilador), por aplicação da Regra Geral de interpretação 2A do Sistema Harmonizado. Outro, entretanto, será o caso da classificação quer da unidade condensadora, quer da unidade evaporadora, quando se apresentem isoladamente. Nenhuma das duas, apresentada Docurn(,-ntu assInado C,tion/; .4 2 :1 AWE:Mica:Jo d trente em 2eiltj 4r11)re,F,o em . : 1 • I 2- ;i t; -19 .• t • ' 15 • separadamente, conserva a característica essencial da máquina completa, como exige a aplicação da Regra Geral já citada. POr,v.;;. : 1 1 essa razão, qualquer das duas unidades, quando apresentada isoladamente, deverá classificar-se com parte de aparelho. condicionador de ar, no código TECI TIPI 8415.90.00. Ressalte-se; ainda, para melhor esclarecimento, que a maior parte dos elementos constituintes de qualquer das duas unidades ' (isto é, serpentinas, motores, compressores, órgãos de comando,---.•`.."k"- ; ventiladores) quando também apresentados isoladamente, tém classificagjes próprias, que não são objeto da presente consulta: CONCLUSÃO Considerando as características dos produtos, proponho qua seja a corisulente orientada a adotar os códigos TEC/TIPI 8215.81.10 ,ou 84.15.82.10, para a classificação dos aparelhos de condicionamento de ar, constituídos pela unidade::**.. % evaporadora e pela unidade condensadora aPresentadas simultanearne.nte, conforme tenham ou não respeclivamenie'v :atvi- , • :-1 !)::;.": 3 0'.1 capacidade de aquecimento do ambiente pela inversão dc ciclo • 1 ' térmico, adotando ainda o código TECTIPI -8415.190.0 12P ara'a . classificação de qualquer das duas unidades apresentada separadame nte (..) (sublinhados não constantes do original) i • ' Desta forma, portanto, no entendimento da DIANA, por aplicação da Nota 4 da Seção XVI do Sistema Harmonizado, bera como da Regra Geral de Interpretaç.ão/SH n°. 2a, as unidades evaporadora e condensadora, objeto da consulta, mesmo importadas 7 por meio de DI distintas, constituíam-se -indubitavelmente em aparelho de ar condicionado, pois como tal referidas mercadorias haviain sido concebidas, devendo ser conectadas para funcionar em conjunto e, assim, promover o resfriamento do ar ambiente, conforme descrito pela própria consulente. Por tais razões, a DIANA orientou a contribuinte a proceder a classificação das mercadorias no código TECTUPI 8415.81,10, caso tivessem a capacidade "de aquecer o ar ambiente mediante inversão do ciclo térmico, ou no código -TEC/TIPI 8415.82.10, caso não apresentassem tal capacidade. Interpretando-se aquela . decisão em seu tr). do,, eando, enitermos :aPartados, conforme procedem as recorrentes, verific,a-se que a' DIANA, ao quanto A possibilidade de classificação tarifária das mercadorias em sépazado no código 8415.90.00, assim se expressou' para abranger tão somente aquelas unidades importadas a titulo de reposição ou substituição, ou, ainda, conforme exemplificou a autoridade julgadord -a quo, para compor uma unidade funcional com outras pegas nacionais. Outro entendimento diferente deste tornaria incongruente a decisão proferida, que fugiria de qualquer minima manifestação lógica de raciocínio. A Decisa.o DIANA em momento algum mostrou aquiescência A importação das unidades evaporadoras e condensadoras em separado no rumo da interpretação dada pelas recorrentes. Já no inicio da;referida decisão, a DIANA assevera dispor a consulta acerca de mercadorias concebidas para funcionar em conjunto, constituindo um aparelho condicionador de ar ambiente. Afirma tratar-se de urna única máquina, composta por dois elementos Doulmr:nto anado cligitirrvimconfy , n!, ulenficado 6911o1rnk)rte em 20110.'20 11 pe- Ai impress° em 2010112012 wo 1VANA Cl AU: 16 • " . • 1 • ';',".; 1.1. 16 S3-C2T2 DF CAW' MF Processo n° 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 ' ' * • HI, CA . Processo n° 12466.002745/2006-19 ... ... Acórdão .n.e. 3202,00.128 . sepal*. ados . e interconectados (unidade evaporadora e unidade condensadora), do tipo de qr • trata a Nota 4 da Seção XVI do Sistema Harmonizado, desempenhando função perfeitamente definida. Repise-se, pois, que, ao abordar a importação em separado de tais mercadorias, prceita decisão assim o faz para configurar aquelas situações em que, realmente, a importaçad se refere ao produto isolado, como, por exemplo, nos casos de garantia. Se assim 'ilk o foSS, WI decisão mostrar-se-ia totalmente incoerente, vez que, ao afirmar tratar de irnpertação de mercadorias em conjunto, formando um sistema único de ar condicionado, não poderia jamais sequer conceber qualquer classificação fiscal que configurasse a importação das mesmas mercadorias ern separado. Definido isso, cabe analisar o alcance das manifestações seguintes, quais sejam, os Pareceres COANA 11°S. 009 e 017. Inconformada corn a Decisão DIANA, a consulente solicitou Superintendência ,Regional da Receita Federal da T Região Fiscal a reconsideração da solução ultj cujopedid6 foi encaminhado à COANA. Assim, a Coordenação-Geral do Sistema Aduaneiro - COANA, em 0/05,h00Q, por meio do Parecer n °. 009 (Anexo I - fls. 17/24), efetuou a revisão de oficio dos temos da Decisão DIANA n°. 359, vez que os processos de consulta, por força de lei, são solucionados em única instância, não cabendo pedido de reconsideração. Logo de pronto, o Parecer COANA n°. 009/2000 assim expressa: 2. Em solução à consulta, toi emitida a DECISÃO DIANA/SRRF/r RF 359/9 quadrou ambas mercadorias no códizo 8415.90.00 da TEC/TIPI(. t.) 8. Ora, no caso das mercadorias em questão, mesmo que elas tenham sido concebidas especialmente para serem utilizadas , • . como parte de um aparelho de ar condicionado, devemos analisar primeiramente se estamos diante de artefatos que estejam compreendidos, especificamente, em alguma posição do Capitulo 84 ou 85. ;.1 - Lsse entendimento é esclarecido pelas Notas Explicativas do Sistewa Hvrmonizado de Oesignação e de Codcação de • Mercadorias — NESH, aprovadas pela Instrução Normativa tat ;.\:" .1423, de 22/10/98, as quais constituem elemento subsidiário de • 4.'3 caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições do Sistema Harmonizado. Ao tratar dos produtos compreendidos na posição 8415, com relação às partes, as NESH exaram: "Os elementos das máquinas e aparelhos de ar -i • condicionado, apresentados separadamente, quer sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo. classificam-se segundo as disposições da Nota 2 a) Doct,i ne ass ado Awenticaao cigaalmente em 26 11 ,i2011 x...< 1 , 4 17 Impre.?.so em 20.'01/20 !.2.. per VFANA _ VA (_: ,V • • DF CARET N1F Processo no 12466.002745/20061 9 Acórdão n.° 3202-00.128 da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, s etc)" (grifos não constantes do original) •• O que se percebe aqui, portanto, é que, o Parecer COANA " n° .009 reforma, sim, o entendimento da decisão DIANA no 359, mas tão somente em relação aos casos em que aquela decisao indicou a classificação tarifária no código NCM 8415.90.00, ou seja; nos casos em que as unidades evaporadora e condensadora se mostrariam passíveis de se classificarem . . isoladamente. Não tratou referido Parecer da reforma total do entendimento da classificação fiscal das mercadorias, on seja, não abrangeu os casos em qi.t..as ..-tinidades condensadoras e evaporadoras se constituiain em partes de uma unidade funcional de aparelho de ar condicionado do tipo split system. Para esses casos, pennaneceu yigendo a Pecisão .DIANA n°. 359, que indicou as classificações tarifárias nos códigos 01'68415 !8210; tanto spara as unidades evaporadOras quanto para as condensadores, delienclendotima ou: outra classificação, da capacidade ou não de inversão térmica. Na mesma esteira está o Parecer COANA: n° 017, *de 081 11 12000 (Anexo I- fis. 25134), que veio reformar o Parecer COANA n°. 009, conforme explicita; 2. Em solução a consulta, foi emitida a DECISÃO • DIA1'JAISRRF17" RF 7\1' 359, de 1999, qe enqUadrou ambas as mercadoria s no código 8415.90.00 da TEC/1111, cujas ementas são transcritas abaixo: • ; t. Tal Decisão foi revista de oficio e retificada pelo PARECER COANA N° 09, de 2000, cujas ementas são abaixo reproduzidas: Considerando que foi detectado um equivoco, no cijado.. Parecer, esta DINall solicitou, em 07 de agosto de 2000, o retorno do Processo para que se pudess? efett.p:noyo.,exarne do assunto. O Processo foi enviado a csta : -COO'rdeliaçãO"Par.2 r.eancilise, ern 14 de agosto de 2000. (grifo não constante do original) O Parecer que se destina à reforma de outro só diz respeito Aquilo de que trata o parecer reformado, não lhe podendo ser dado alcance maior que este último. Assim, da mesma forma que o Parecer COANA n°. 009, o Parecer COANA ri ° 17 define, : sim, nova classificação fiscal, porem abrange apenas os cases em 'que as unidades evdporadora e condensadora se mostrem passíveis de serem classificadas isoladamente, valendo relembrar como exemplos já citados, os casos de garantia, substituição ou reposição,das mercadorias. Assim, mesmo após proferido o Parecer COANA no 17, permaneceu vigente a Decisão DIANA n° 359 quanto aos casos em que as mercadorias, apesar de importadas fracionadamente, em DI distintas, constituem-se em unidades condensadora e evaporadora separadas, mas concebidas Para funcionar em conjunto, conectadas umas às outras, formando uma unidade funcional de condicionador de ar do tipo split system.Por tal raidd.d que o Parecer Dockirnento F,sinacio d:gi ,ei Autentic,do dig.talminte em 26/10/2011 kc- , , esso 1-,rn 20/01/20121)(J 6/ANA 18 , Processo no 12466.002745/2006-19 AcórdEo n.° 3202-00.128 FL 19/32 S3-C2T2 21,.tA coANA,p°.. 17, no item 2 acima transcrito, menciona tão somente a classificação indicada na Decisão DIANÀ'nci código 8415.90.00, não havendo qualquer indicação das outras duas classificações fiscais que predita decisão indica, quais Sejam, os códigos TEC/TIPI 8415.81.10 e 8415.8210. - Saliente-se que o posicionamento da Administração Pública, consubstanciado na decisZio DIANA no. 359, guarda consonância com as infonnações prestadas pela própria contribuinte, quando da formulação da consulta, visto que a consulente textualmente afirmou. que a unidade condensadora importada era destinada a formar um aparelho de ar condicionado e que a função principal da unidade evaporadora era a climatização de ambiente através de conexão a uma condensadora. Ultrapassada, portanto, a questão relativa ao alcance das sucessivas decisões exaradas no processo de consulta, que supostamente estariam a fundamentar a pretensão das recorrentes, passo, agora, à análise da classificação fiscal de acordo com as Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado da NBM/SH e com a Decisão DIANA n°. 359/1999, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Pela perfeita identidade de matéria, neste ponto, transcrevo voto por mim proferido nos, autos do processo n°.11128.005200/00-01, Acórdão n°. , 301-33364, que tratou de_matéria.idéntica: . Ex vi da Regra Geral n° 1, a classificação fiscal de um produto é determinada, primeiramente, pelos textos das posições e das L. 4.: a ,Notas de Seção e de Capítulo. Cs títulos das seções, dos capítulos e dos subcapítulos têm valor apenas indicativo. As posições são agrupamentos de mercadorias representadas por quatro dígitos numéricos; já o termo "texto da posição" refere- se à redação pertinente a cada uma das posições. Em suma, a classificação, em princípid, é determinada pelo enquadramento da mercadoria no texto de uma determinada posição, atendendo ao disposto nas Notas de Seção e de capítulo. A segunda regra de classificação amplia o alcance das posições, veiamos: 2. a) Qualquer referencia a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado ern que se encontra, as características essenciais do artigo cornpleto ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos • . .termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente z 1,deSmontado ou por montar. A primeira parte dessa regra, como dito anteriormente, amplia o alcance das posições, de maneira a enQlobar não apenas o . artigo completo, mas, também, o incompleto e o inacabado, desde que apresentem, no estado em que se encontrem, as características essenciais do artigo compkto ou acabado. A segunda pane da regra 2a classifica, na mesma posição do artigo montado, o artigo completo ou acabado que se apresente desmontado ou por montar. De igual sorte, cicissificam-se por DocomQnio assoado Aucnticatio dutahnolitc cm 2-31101201". 19 imp resso em 20:01/2012 porVANA CLAUF:' -..- 1 • , • _;. 20 , S3-C2T • • - • esta regra os artigos incompletos ou inacabados apresentados • -".- -ad por montar ou desmontados. A classifiCaç' cio em exame I? exemplo perfeito da aplicação dessa regra 2a, Pois os produtos importados pelas autuadas, ao contrário do declarado pelas recorrentes, não são produtos ados mas unidades completas de aparelhos condicionadores- . de ar, só que desmontadas. Na verdade, a contribuinte fracionou as unidades de ar condicionado em partes ta-S` Yaddade's evaporadoras e unidades condensadoras) e estas fo;--ani incluídas - em diferentes Declarações de Importação, com o intuito.: de dissimular importação de um todo e simula»ca,in;P'bria-çãode , , . componentes do todo. A Fiscalização procedeu minucioso levantamento de todas as importações registradas no período de 01/01/2001 a 30/06/2005, la • .• . identificando precisamente todos os modelos das mercadorias importadas • e descrevendo as suas características, obtidas .a partir dos manuais de usuário e catálogos de comercialização ((ls. 427/506), no intuito de permitir a correta classificaçãO fiscal de cada produto. Demais dis'so, o levantamenio fiscal Vs. 507/665) apontou a- • •-- perfeita co:respondência 'antra as quantidades de unidades condensadoras e de unidades evaporadoras de mesmos modelos que foram importadas, demonstrando, insofismavelmente, que a contribuint importou aparelhos condicionadores de ar completos, e não pecaS isoladas como declarado pela • importadora. Demonstrada que a Importaaões e .-am de apa s condicionadores de ar, completos, do tipo split system, não há qualquer dificuldade em se proceder à codific ação fiscal, . .aplicando-se ao caso fis regras de interpretaçãOilie2!0',i.elie`ga-::-* 'se; facilmente, a posição 8415, que listai'te xtualnienie- Os , •• aparelhos em exame. 8415 - máctuinas e aparelhos de ar-condicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a• temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regaNvel separadamente. De outro lado, não poderia a mercadoria ser classificada na posição 8418 pretendida pelas recorrentes, pois essa posiçao exclui textualmente as máquinas e aparelhos de ar-condicionado • da posição 8415: 8418. Refrigeradores, congeladores (freezers9 e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, corn equipamento elétrico ou outro, bombas de calor, excluídas as máquhlas a api-trelhas deaT-CO4diCiOlTatio da posiçlio 8415. ' Emeriti- (Ida a posição, o próximo passo e: determiniti das subposições que compõem essa posição tais produtos 'Solo class fficadOs. Doco;nelito S ind o digitaIrlenta cot O e le Autenticado 01 ,-,itaimeille ern 2 ,3/10/2011 pc i impre ,;s0 em 20/0112012 pot IVANA C! 20 • • Processo n° 12466.002745/200619 Acórdão n.° 3202-00.128 DF (;ARF MV Processo no 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 0 caminho para se chegar à subposição correta é dodo pela Regra Geral n°06 do Sistema Harmonizado, que assim dispõe: 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma subposição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposigdo respectivas, assim, como, =tads mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposigões do mesmo nível (..) . • Então, para se determinar a subposição correta, primeiro compara-se, dentro da posição (8415) todas as subposições de primeiro nível (urn travessão); em seguida, fixada a de primeiro nível, passa-se para o segundo nível (dois travessões). 8415.10 -Dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando urn corpo único ou do tipo "split-system" (sistema com elementos separados) 8415.20 -Do tipo dos utilizados para o conforto dos passageiros nos veículos automóveis 8415.8 -Outros 8415.90.00 -Fortes • Comparando os aparelhos condicionadores de *ar objeto da reclassificapão levada a efeito pelo Fisco, com os textos das subposições acima transcritas, verifica-se que a classificação legal é na subposigdo 8415.8. Já que não são dos tipos utilizados emparedes ou janelas, formando corpo único, tampouco são dos tipos utilizados em veículos. De outra banda, como essas subposições de primeiro nível são abertas, isto 6, são subdivididas, há que se fazer comparação a nível de segundo nível (dois travessões). 8415.81 --Com dispositivo de refrigeração e válvula de inversão do ciclo térmico (bombas de color reversíveis) 8415.82 --Outros, corn dispositivos de refrigeraçcio 8415.83 --Sem dispositivo de refrigeração Cot:tondo-se as subposições de segundo nível (- -) vê-se que pelas características dos aparelhos em exame - com dispositivo de refrigeração e válvula de inversão do ciclo térmico (ciclo reverso, tipo S'p!it System) - a codificação é na subposição • 8415.81. • modo, mencionados aparelhos classificara-se, em nível de Sistema Harmonizado, na subposiçdo 8415.81. Encontrada a subposição correta, falta apenas encontrar, dentre essa, o item e o Sbibitem; para tanto, basta seguir o que dispõe a Dorurnel ¡to as:,.>inarir Auttroic,aclo djclIaltrante err, 26/10/201 1 1 or , Irnprr,2 ,;c, em 20/01/2612 ror VANA AU 21 • H. 22 S3-C2T2 DF CAR[ MF Processo n° 12466.002745/2006-19 ' Acórdão n.° 3202-00.128 • Regra Gerál Complementar n° 1 (RGC-1) sobre a elasscação em nível de item e subitem. • Segundo a RGC-1, todas as Regras Gerais para Interpretação ,do Sistema Harmonizado são aplicáveis, feitas as ; devidas adaptações,j para se determinar, dentro de cadaPosiçãO.OU subposição,: o item aplicável e, dentro deste, o subitem , correspondente, sendo que só são con2paravep4.um:ites::cp,M r ' 4 y, • '•4(.7. 6átro item ou um subitem com outro subitem — Determinada a subposigão correta • (8415.81), chegar codificação completa é muito simples: basta fazer-se:. a. • f` . comparação dos textos dos itens pertencentes a essa subposigão e, logo em seguida, se houver, dos subitens do respectivo item. . 8415.81.10: Com capacidade inferior ou igual a 30.000 fi-igorias/hdra 8415.81.90 Putros Cotejando-.se os aparelhos condicionadores de ar com o textos dos itens dá subposigão 8415.81, vê-se que ,a classificagão fiscal dá-se no item I, já que a capacidade é inferior a 30.000 frigorias/horas. Como o iten é fechado, a codificação fiscal completa _flea 8415.81.10. • . . Diante do exposto, conclui -se que a reclassificação,ftsccil feiicide , • -•• ' 4, • ( oficio para os aparelhos condicionadores de ar, completos,' ein • ciclo reverso, tipo "Split System", • modelo ASB12RCBCW/A0BI2RSBC e ASB9RSAC0,0139M4Ci ; 'importados pela impugnante, é procedente, pois- de-aeordo-cdin ,--,;.--. • • normas legais de classificação fiscal, tais prodttiasplassilicain7 se no código 8415.81.10, e em nem um outro lugar mais da Tabela. . . 1) • Discutidas as questões comuns aos três recursos apresentados, passo agora abordagem de algumas poucas questões peculiares que devem ser tratadas. DA ATUAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DAS ALFÂNDEGAS COMA) • A empresa Target alega que, por força da existência de reserva contra a classificação fiscal na importação de unidades de ar condicionado, split -system, no. Comitê do Sistema Harmonizado (CS.H) da Organização Mundial das Alrandegas (OMA)., iqUalquer ato administrativo por parte da Receita Federal sobre o assunto deveria :ajar suspenso até a conclusão de tal impasse,. d.e cunho técnico e de âmbito mundial, de forma que não seria possível a autuação fiscal; Em que pensem tais alegações, traduzem-se estas ern mera opinião da recorrente, visto que não há amparo legal na sua pretensão de ver susPenSa la atUação de toda a máquina administrativa alfandegária brasileira na espera de manifestação Isso porque a Organização Mundial . de. -Aduanis..0MA) . cuja origem . . rernonta do antigo Corieelho de Cooperação Aduaneira : iiitd ribii uide das regras e procedimentos aduaneiros de ambit() mundial e tenha como 'i'Unt';tOr. prineiPal orientar o funcionamento das estruturas aduaneiras do mundo todo, não profere recomendações com Dot:urnento assit -trtdo digitalmente co rt'O' tne AuterititAtio nigitaitionte em 2I,J10/20 -1 I prJt Impresso em 20/01/2012 por 22 1-• • I • • • • • ' DE CARE :1417 H. 2/ Processo n° 12466.002745/2006-19 S3-C; Acórdão n.° 3202-00.128 /76j força cogente, devendo estas, para tanto, serem aprovadas pelas partes . contratantes e expressamente aceitas. Essa Organização tern a atribuição de fazer recomendações, visto ser organismo dc conciliação na solução de divergências que possam surgir no que se refira a interpretação : á aplicação das convenções firmadas entre os Estados Nacionais, de acordo com as divcsições de cada convenção. As recomendações, entretanto, não são legalmente Conedtaclas, mis as panes , em comum acordo, podem conformar-se a elas. , t ;: • • "Outid ponto a se destacar é que uma parte contratante pode ou não adotar uma ou mais recomendações da UMA, concordando 'em colocá-la em pratica somente se 'manifestar, expressamente sua aquiescência. De modo contrario, a não aceitação da recomend4ão - deMonstra o interesse da parte na reserva de implementar, ela mesma, os Objetivos da recomendação. • recorrente. Deste modo, verifica-se que não ha respaldo legal para atender o pleito da DA DESCARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE E DA DECADÊNCIA • Por último, resta a apreciação do recurso de oficio quanto a desqualificação da multa de oficio aplicada, que teve seu percentual reduzido, de 150 para 75%, em razão de a autoridade julgadora a quo haver descaracterizado a ocorrência de fraude. Decorrente disso, aquela autoridade julgadora declarou a decadência parcial dos créditos tributários lançados, rtiptendo o lançamento somente em relação aos créditos referentes a fatos geradores ocorridos após de 02/09/2001. Do ,exame dos elementos constantes dos autos, entendo não haver fundamentos • suficientes • para aplicação da multa agravada pretendida pela Fiscalização, ' - previstadio.indilLdo art. 80 da Lei n'. 4.502/1964, corn a redação dada pelo art. 45 da Lei 9.430/1996, c/c o art. 72 da mesma Lei n °. 4.502/64. ne, Ê fato que o processo dc consulta teve andamento tumultuoso, em face do *ido de reconsideração apresentado pela contribuinte, que culminou em uma sucessão de intiainca—dos. Pareceres da COANA. Entretanto, mesmO não havendo previsão legal para o pedido da interessada, tem-se que a formulação de pedido incabível não se constitui, por si so, em infração. • , Demais disso, ha que se ressaltar que os pareceres que se seguiram a Decisão DIANA e que levaram à alegada postergação do recolhimento dos créditos tributários decorreram do fato de a Administração entender necessária a revisão de seus próprios atos, e não do pedido formulado pela contnbuinte. Não veio o processo de consulta como prova da materialização da alegada . . fraude. Não se pode firmar, com certo grau de certeza, a caracterização de dolo na simples aP...fesqntacao da petição inicial do processo de consulta sem os requisitos mínimos necessários para a apreciação do pedido. Ê verdade que tal fato gerou intimação fiscal para esclarecimentos por parte.da,contribuinte, com o fim de melhor instruir o processo, mas tal situação não teve o condão de gerar:c.OritroVersia naqueles autos. Qualquer entendimento nesse sentido não passará dearremespeculação, visto nada restar comprovado. Document() 26; ,-;„;(t,11- ;),..„.-„. - • Impress() em - ' 23 • DF CARF MT I.;!. 24 Processo n° 12466.002745/2006-19 S3-C2T Acórdão n.° 3202-00.128 .• A decisão recorrida, ao decidir pela improcedência dot lançamento no tocante rir; • . aplicação da multa qualificada e, como conseqüência, declarar a deeadéticia em relação aos créditos tributdrios . lançados . referentes a fatos geradores oporricy). -s"....a*".S.A;-92/0§/2001, assim o fez .corn base em muito bem fundamentadas, com as quais '&811a:do integralmente, não merecendo quaisquer reparos. Ao contrário, por comungar dO' seu entendimento, e tendo em vista o prindp:2 da economia processual, adoto referida decisão como fundamento deste voto, motivo pelo qual transcrevo excertos: 0 fato de a importadora ter sido instada a retificar algumas DI's no curso dos despachos e continuar ciassificando as mercadorias de forma diferente, por si só, não implicaria em fraude. Até porque decisões tomadas pela fiscalização são passíveis de discussão e em se tratando de classificação de mercadorias admite-se a finanztlaçãc de consulta, onde esta terá um caráter obrigafóyio de cumprimento por parte da consulente.E foi exatamente o que fez a importadora. Apesar da fiscalização creditar ao processo de consulta a intenção dolosa, entendo de; forma diversa. Alega a autoridade fiscal que o processo foi formulado de forma tumultuosa para promover evasão fiscal e protelar a ação fiscal. Não procedem estes - argurnentos. Primeiro.pw-que se fosse decidido contra" rianien te • aos interes,ses da . importadora ela teria que ,,reco. lher '.cts. • " diferenças devidas, muito embora sem aplicação de p. enalidades desde e formulação da cor culta até trinta..dias:da;'ciêneld,.da • * -solução: Mas isto não poderia caracteriiar..fraude„Ou dolo até • porque a lei concede este beneficio ao onsU lentea E a . . protelação de ação fiscal para a defesa dos interesses da Fazenda Nacional também não se configurou pois des:de; a. . primeira decisão que se deu em 28/12/1999 a fisc'alização. estaria apta a exigir os tributos na forma da solução de consulta. Mesmo corn a última reforma através do Parecer COANA n.° 17/2000 datado de 08/11/2000, a autoridade aduaneira iniciou uma fiscalização ampla somente em 22/12/2005 (MPF de fls. 01), abrangendo importações feitas desde 1999, Por mais que não se possa negar quo a importadora vinha sistematicamente utilizando indevidamente a solução de consulta para ampará-la nas classificações tarifárias daquelas unidades, não posso entender isto como fraude. Isto porque a sucessão de reforma das soluções de consulta poderia levar à dúvida quanto ao alcance •das mesmas. E em havendo dúvida, ou no mínimo • uma remota possibilidade, é óbvio que a importadora, assim como qualquer contribuinte, optaria pela interir ei:aeão. benéfica. Ainda mais que no último Parecer, que Se encontra vigente, não houve referencia expressa cuanto à classificação, do aparelho de .ar condicionado nem tarnpoucb:;;h:/- regra de . . „ . • interpretação aplicável. Por isso entendo sit)el:qtt" e possa ter ocorrido dúvida ou erro de interpretação do alcance'ido parecer; • optando por aquela que lhe fosse mais favorável. De qualquer forma a divergência de enterdimeMos foi levada a efeito com a a autuação e o estabelecimento do contraditório. Desta forma, por descaracterizar a fraude, outro efeito surge: a não aplicação do art. 173 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário • • Document() ,lsso 'ado d;rpta;merle-, cx,;;f0.::cr.. ;VP Autenticado (ligitalros.nte ein NA1 ' irnmt,o on 2(/0 I ?70,12 piu \JANA CLAti:)0. 24 Fl. 25/330ti 83-C2T2 • Nacional C7N) e sim do art. 159, § 4.°, quanto a decadência da constituição do crédito tributário. Assim o inicio da contagem do prazo decadencial se dá aPartir da data do fato gerador, assim entendido a data do registro da declaração de importação. De acordo com as fls. 720 e 726, as ciências dos autos de infração se deram ern 02 e 04/09/2006 para a empresa Target (sujeito passivo) e United Electric Appliances (responsável solidária), respectivamente, impondo a decadência dos créditos tributários constituídos referentes aos fatos geradores anteriores ci 02 de setembro de 2001. 'Assim, por entender não restar caracterizada a fraude pretendida pela autoridade • autuante, .mantenho a desqualificação da multa de of-1'6o aplicada, declarando a coriseqüente decadência dos créditos lançados referentes a fatos geradores ocorridos em data anterior a 02/09/2001. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de oficio e ao recur's. ° voluntário apresentado pela empresa Target Importação, Exportação e Representações Ltda. Quanto ao recurso voluntário apresentado pela empresa United Electric Appliances Indústria e Comércio Ltda, DOU PROVIMENTO PARCIAL, para manter a desqualificação da multa de oficio, reduzindo o seu percentual de 150 para 75%, e declarar decadentes os créditos tributários lançados relativos a fatos geradores ocorridos antes de 02/09/2001. E como voto. 4-tviAdAwuv Irene Souza da Trindade Torres - ,; .0. • 1 •Declaração‘ de Voto v ' Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda Em que pesem os doutos fundamentos expendidos pela Ilustre Conselheira relatora, e, com todas as vênias, entendo que eles no merecem prosperar. Com efeito, no meu entendimento, a fim de se dirimir corretamente a presente controvérsia, faz-se mister discorrer inicialmente, com detail -1es, sobre as consultas e respectivas respostas emanadas da Administração Pública, na medida em que tais manifestações foram determinantes na formulação da exigência fiscal. De acordo corn a ordem cronológica dos fatos, verifica-se que em 26/10/1999 a contribuinte formulou consu-ita perante a Superintendência Regional da Receita Federal da 7' Região (12466.002683/99-28), indagando, especificamente, o seguinte, verbis: DF (1AI:1' MF Processo n° 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 Don irentj sloado itaImeñte Aolenticaslo Impress') ern 20/01/261 7 pory,ltz. , Ni,l, 25 •••• • • . *: S3-C2T2 - '1 • r • • 9.1 - É correta a classificação técnica do rn terial. detiontinado 'unidade condensadora' no código NCM 8418.61.10? , 9.2 — E correta a classificação técnica do material denoMinadO'!' ' • • 'unidade evaporadora' no código NCM 8418.99.00 EX01? 9.3 — Caso sejam negativas as respostas aos quesitos 9.1 e 9.2, qual a classfficação tarjfdria correta para tais mercadorias? Importante. destacar, portanto, ah initio, que a consulta formulada teve como objeto as unidades condensadora e evapordora, separadamente. Em resposta a consulta formulada foi proferida a Decisão DIANA/SRRF/7 R13 no 359, de 28/12/1999, cuja ementa é a seguinte: Assunto: classificação de Mercadorias Ementa: 1) Código TEC/TIP1 84.15.8í.10 • Mercadoria: _41.parelho condicionador de or con;:s;titniAr.unia;•..„.' ' • unidade condensadora e tzt,,,a unidade evapbradora"separadas.é ... • conectadas por meio de dutos e cabos, com capacidade inferior ' a 30.000 frigorias/hora, contendo função de inversão do cicio . , . térmico (calefação do ambiente). 2) Código TE,C/TIPI 84.15.82.10 Mercadoria: Aparelho condicionador de ar constituído por uma. unidade condensadora e uma unidade evaporadora separadas e conectadas'por meio de dutos e cabos, com capacidade inferior a 30.000 frigorias/hora, too contendo fitnção de inversaa'do ‘" , ciclo tértnico (calefiição ambiente). z 3) Códig,6 TEC/TTPI 8415.90.00 Mercadoria: Unidade evaporadora de aparelho condicionador de ar, apresentada isoladamente. 6cJ___figaíTC/77P18415.90.00 4C • ":" '";,- • ". • Mercadoria.. Unidade condensadora de aparelho condicionador de ar anyeselltadct ise,"rdamente. Dispositivos RGI Pt, RG1 2 A, .RGI-6a, Nota 4 da Seção XVI da TEC — Decreto n°2376/97 e da TIPI Decreto n°2.092/96. (grifos tio destaques nossos) Referida decisão apresentou os seguintes "Fundamentos Legais" e "Conclusão", verbis: FUND_IMENTOSLEGATS Dontimonto assinado io nLiri ■ e confor ' • 26 Ai itentiorAo cligitLimmire c 2 012C11 r linpreoso em 20161/2:n2 por IVANti, DV CAM' 11,11 7 Processo no 12466.002745/2006-19 ; Acórdão n.° 3202-00.128 DF CAR MI= Processo n° 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 • 2. As mercadorias objeto da consulta consistem em unidades condensadora e evaporadora separadas, concebidas para funcionar em conjunto, conectadas por dutos e cabos, constituindo assim um aparelho condicionador de ar ambiente. O projeto de tal aparelho prevê a colocação da unidade evaporadora no interior do ambiente a ter a atmosfera modificada, situando-se a unidade condensadora no exterior. Trata-se, assim de uma única máquina, composta por dois elementos separados e interconectados, do tipo de que trata a Nola 4 da Seção XVI da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, desempenhando . função perfeitamente definida e clagsificada no código TECTIPI 8415.81.10, se for capaz de aquecer o ambiente mediante inversão do ciclo térmico, ou no código TEC/TIPI 84.15.82.10, se não apresentar essa capacidade. 3. Tais serão as classificações cabíveis para os aparelhos de • aa.00•' ar condicionados compostos pela unidade condensadora e a ` .74 a , peal unidade evaporadora apresentadas simultaneamente, ainda que desmontadas, e ainda que incompletas (sem, por • exemplo, o motor elétrico, o compressor ou o ventilador), por aplicação da Regra Geral de Interpretação 2 A do Sistema Harmonizado. 4. Outro. entretanto, sera o caso da ciassfiççoerda unidade condensadora, quer da unidade evaporadora quando se apresente isoladarnente. Nenhuma das duas apresentada senaradamente, conserva a característica essencial da máquina completaa como exige a aplicacdo da ReQra Geral de Interpretação já citada. Por essa razão qualer das dues unidades quando qpresentada isoladanzentea_deverá classificar-se como parte de aparelho condicionador de ar, no cot:Ago_ ITC/TIP! 8415 90.00. 5. Ressalte-se ainda, para melhor esclarecimento, que a maior parte dos elementos constituintes de qualquer das duas unidades (isto é, serpentinas, motores, compressores, órgdos de comando, ventiladores), quando também apresentados isoladamente, têm classificações próprias que nao são objeto da presente consulta. CONCLUSZO 6. Considerando as características dos produtos, proponho Tie sela a coamien!e orientada a adotar os códigos TECTIPI 8415.81.10 ou 84.15.82.10, para a classificação dos aparelhos de condicionamento de ar, constituídos pela unidade evaporadora e pela unidade condensadora apresentadas sfmultan eamente, conforme tenham ou não, respectivamente, a capacidade de aqueaimento do ambiente peia inversão do cicio térmico, adotando ainda o código 1E,077P1 8415.90a9a classificarjao de qualquer das tuas unidadis •lregentada sfpar_adamente tudo na confOrmidade dos Decretos números 2376/97 e 2.092/96. (,?1,-;fos e destaques rossos) [..mctitnet tt) dtijititityR:tite curtit -Ernc• t'. 1 1:•• • Aittenticedo dtuttalmerae. em 26P10 ) 20 1 1 ,\ wpsso etrt 20i01/2012 IVANA CLAti'VA 83-C2T2 57-) 7A2 27 4- • DF CARF Mr: • ' ‘ H. 28. Processo n'' 12466.002745/2006-19 . r.,,r -1 .,,r)t- . ,•.? • S3-C2T2 Ac6rdao n.° 3202-00.128 A COANA, em seguida, procedeu à revisão de oficio da Decisao DIANAJSRRF/7 RF, reformando a referida decisão através do Parecer COANA n° 009, de 18/05/2000. A ementa do Parecer COANA n° 009 é a seguinte: Assunto: Classificação de Mercadorias (Reforma a Decisão DIANNSRRF/7" N.° 359, DE 28.12.99) Código /TEC Mercadoria 8418.99.00 . 8418.69.99 t. • Un -:clack Evaporadora para Sistema, de Ar- • condicionadO, apresentada corn niotor.;de ventilação e ventilador. • - . Unidade Condensadora Para Sistema,de:Ar,:. • condicionado, apres. entada •.: '"corn compressor, motor .de • Ventilação". e• ventilador e Dispositivos legais: Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI, la e 6" (textos da Nota 2 "a" da Seção XVI, da posição 8418, das subposiçães 8418.6, 8418.69, 8418.9 e 8418.99) conjugadas com a RGC-1, Was da TIPI, aprovada pelo Decreto n°2.092, de 1996 e da :1EC, aprovada pelo Decreto n°2.376; de 1997 Da ementa' acima transcrita já se é possível inferir, nitidamente, que a decisão proferida pela COANA na revisão de oficio tratou apenas de duas mercadorias, quais sejam, das unidades condensadora é evaporadora.' Tal entendimento é corroborado pelos próprios .termos da decisãO, contidos nos seus "Fundamentos Legais", verbis: • • FUNDAMENTOS LEGAIS • - • , • , • • • 7; • • 5..' Primeiramente cabe esclarecer que pm: força do disposto no art. 48 da Lei n° 9.430, de 1996, os Processos•de Consulta são solucionados em instancia única, não cabendo qualquer recurso, seja por parte do contribuinte ou da autoridade julgadora. Porém, conforme o parágrafo primeiro do art. 50 da • Lei n°9.430, de 1996, conjugado com o art. 8° da IN SRI,' n°02, de 9 de janeiro de 1997, com a redação dada pela IN SRF n°83, de 31 de outubro de 1997, a COANA pode alterar ou reformar, • de oficio, as decis5es projeridas nos processos de - consulta relativas a classificação de mercadorias. E nessa óptica que o presente será reanalisado. • • 6. A referida Decisão também tratou . de mais duas mercadorias que não serão consideradas por esta Divisão por não terem sido objeto de consulta, quais selam: 1 . •.! • 1 21.. • •••••:•- 31 Document() LIssinado r33;9 1 orme.33, 1 1 7, r3 ; • . Atilenticarlo dvii- , 101,..fit.-v! em 26110/201; Imp? esso em 20/0 112012 por IVAN1, ( -1,1A1r0.A S O - • 28 DF (.:ARF MF Fl. 29 / Processo no 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 twr. ...;• • aparelho condicionador de ar constituído por uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora separadas e conectadas por meio de dutos e cabos, com capacidade inferior a 30.000 frigoriailhora, contendo função de inversão do ciclo térmico (calefação do ambiente) e - aparelho condicionador de ar constituído por uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora separadas e conectadas por meio de dutos e cabos, com capacidade inferior a 30.000 frigorias/hora, não contendo função de inversão do ciclo térmico (calefação do ambiente). 15. Dessa jimita, a unie,lei e eva arador em tela classca-se no códiqo 8413.99.00 de acordo com as 1G1 1" e 6 (Textos da Nota 2 "a" ea Seçdo X1 da posição 8418 e das subposições 8418.9 e 8418.99), combinadas com a RGC-1 da TEC/7111. Na ' i % ' 4 TIPI em vigor, essa unidade se enquadra no "Ex" 01 do mesmo código. (-) 20:'''13ortanto, a unidade condensadora em tela classifica-se no cdtfig2_8418.69.90 de acordo com as RGI la e e (Textos da Nota 2 "a" da Seção XVI, da posição 8418 e das subposi cães 8418.6 e L418.69), combinadas on a RG:7-1 da 1120121I. Na TIFI ligenre, essa :a;lidade enquadg-a-se ¡To "Ex" 02 do mesmo código. 21. Closs:fleadas t-:e mercadorias quando se apresentam separadamente, um outro problema que.: se depara é que tais partes irão constituir um sistema de ar-cOndicionado. Podemos classificá-las corno aparelhos de ar-condicionado? Os argumentos anteriores esclarecem que não. A titulo de subsidio, as Notes Explicativas da Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira — NENCCA que vigorou anteriormente ao Sistema Harmon rzcd,9 esclarecia: "Partes e peças separaaas,. os elementos dos grupos para condicionamento de ar que se apresentem a DESPACHO SEPARADAMENTE, mesmo que se DEST1NEM A SEA R.EITNIDOS NUM CINiC0 CORPO, devem classificar-se consoante as disposições da Nota 2 a) da Seção 22. Observa-se que, para efeitos de n'essificacdo fiscal de merrodoeias, eetamos elaine de partes de aparelhos ou de sistemas de a.f ,-cendic:oisacio da posição 8418 e não de apaeelhos de ar-condicionado. Neste ponto verifica-se a primeira incongruência no v. acórdão recorrido, que, por sua vez, foi acolhida na findamentação do v. voto proferido pela Ilustre Conselheira relatora: a classificação cristalizada no bojo da decisao iroferida lotqa COANA foi apenas das unidades condensadora e evaporadora separadamente. Dor.prnelto confurwo ■\=.: i„u;ilit!cado digitalnlente ern 20110.'2011 r:oi t 29 Impresso crn 20101/2(112 por IVAN:\ C!AULs.i:, • ' 30 , S3-C2T2 ' DE CARE' MIT Processo n° 12466.002745/2006-19 Ac6rdao n.° 3202-00.128 Com efeito, partiu-se da premissa, no v. acórdão recorrido, que a decisão contida no Parecer COANA n° 009 alterou a classificação dos eqUiP -iinentos apresentados isoladamente, mantendo a classificaoilo do aparelho condicionador de ar composto das duas unidades, nos termos da Decisão DIANA n° 359/99. Todavia, conforme se verifica da transcrição acima, ern nenhum momento se apontou que a classificação para o aparelho condicionador de ar composto,por.4445,unidades estava mantida. Ao rev;.'s, o que resta patente, inclusive do .seguinte, excerto ; ;I:etirado da mencionada transcrição e ora repetido, é : que o aparelho condiciOnadói..; .de ar. coMPO'Sió- por duas unidades não foi objeto de consulta: ,; t;:' • .6. A .. referida Decis"do também tratou de nns_. dzas , .1- ;,` / ' • J mercado iias que no serlio consideradas pOr !n„ or não terem sido objeto de consr&a, quais SdarILZ - aparelho condicionador de ar constituído por uma unidade dso:-; :tp:!4:4,- condensadora e :ma wridade craporadora separadas e conectadas por meio de dwas e cabos, com capacidade inferior a 30.000 frigoriaslhora, contendo função de inversão do ciclo térmico (calefação do ambiente) e - aparelho:condicionr,ulor de ar constituído por uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora separadas' e conectadas por meio de dutos e cabos, com capacidade inferior a 30.06'5 frigories/Lora, co!.tetaL func.ie de inversão do ciclo ctO Ou seja, em nenhum Momento, consoante a decisdo contida no Parecer COANA n° 009, pode se inferir que houve classificação do aparelho de •dr's cdriiliCionado composto por duas unidades. Respondeu•se à consulta, apenas ;. : quanto -aos - ) elementos 77C separados. Por corn', gulr.te..., a pr6pri?. fiscalização, tal r ;qual . aColenda.,DRJ,..incorreu em erro, porquanto não se pode aduzir quo a "Decisão da DLI.‘:NA/SRIZF/T.R17 h° 359/99 não foi reformada no tocante à :.,-lassificação dcs aparehos de ai cen—dic-ionado, formado por ambas unidades", visto que a COANA, no. terrnoi da decisLo supra mencionada, reformou a Decisão DIANA n° 359/99 e explicitou que deixa‘va de tratar da classificação dos • aparelhos condicionadores de ar constitddos por ulna unidade condensadora e urna unidade evaporadora simplesmente porque tais aparelhos ph). fprytap pidelfs. Fato, portanto, que a COANA reformou a Decisão DIANA .n° 359/99 e deixou claro que os apa'relhos condicionadores de ar constituídos por uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora não foram objeto de consulta. Assim, não se afigara legitima qualquer inferência ou conclusão baseada na premissa de que houve 'c -lassificação do ar condiciouado composto pelas unidades condensadora e evaporabora. Da mesina' forma, data maxima venha, rilio me parece correto se afirmar que interpretando-se aquela derino enz et tada nu cuyi, o Dc.c:aAil DIANA n?. 359199); e niio em termos apartados, conforme procedem as recorrentes, verifica-se que 'a DIANA; 'ad manifestar- se quanto à possibilidade de classif:caçáo tarifaria das mercadorias em,separado, no código •• • DotAimeilto assinado ('.10 Oar Alilenticadodivaimente em 20/101201", pc, 1110 11s0 im 20/0 120t2 p•;? - CLti.ULL 30 • ' (;ARF Processo n° 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 83-C2T2 8415.90.00, assim se expressou para abranger tão somente aquelas unidades importadas a titulo de re. posi0o ou substituição, ou, ainda, conforme exemplificou a autoridade julgadora a quo, para compor uma unidade funcional com outras peças nacionais. Outro entendimento diferente deste tornaria incongruente a decisão proferida, que fugiria de qualquer minima manifestação lógica de raciocínio. Deveras, em nenhum memento tratou-se, nas decisões proferidas em razão da corisul:,a fi4nu1ada, em importação de unidades funcionais, em peças importadas a titulo de reposição ou substituição, ou mesmo em peças para compor unidades funcionais com outras peças nacionais. • Não se afigura possível afirmar, portanto, que o entendimento da Decisão DIANA n° 359 foi mantido quanto Ls importações em que as unidades condensadoras e evaporadorgi se constituíam em unidades funcionais, visto que o Parecer COANA n° 009 foi explicito no sentido de reformar a referida Decisão DIANA e que, além disso, as consideradas "unidades funcionais" ndo foram consideradas por esta Divisão por não terem sido objeto de consulta. Em outras palavras, a Decisão DIANA n" 359 foi completamente reformada e em nada se manteve vigente. . 0 Parecer COAN.N n° 017, de 08/11/2600, ao seu turno, nada alterou quanto a reforma da Decisão DIANA n° 359, conforme se pode depreender Oa sua Conclusão, verbis: 24. Portanto, a Unidade Evaporadoea para Sisiema de Ar- conc,;icionado, apresentada com motor de ventilação e ventilador classiflea-:43 na código S415,82.10 de acordo com c: _7; Cil C 6" (textos da posição 8415 e da subposigclo 8415.82) combinadas com a .11.)GC-1 (texto do item 8415.82.10) da TEC/TIPI. ".. . 25. Já a Unidade Condensadora para Sistema de Ar- condicionado, apresentada com compressor, motor de ventilação • e:Ventilador classqica-se no código 8418,69.90 de acordo com a RGI ia e 6" (textos da posição 8418 e da subposição 8418.69) combinadas C9117 a .RGC-1 da TEUTIP.', sendo que na TIPI vigente, essa unid.7(le se enquadra no "Ex" 02 do mesmo código. 26. Tendo em vista as infOrmações constanies no relatório e com base nos jUndamentos legais acima, ki-oponho que scion: Leform. ados o Parecer COANA n° 09 de 2000 a Decisfio DIANA/SW77' 1 4U' n° 359 de 1999 orientando a interessada a adotar para os produtos ern consulta os códigos descritos nos parágrafos anteriores, da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 1996, e da TEC, aprovada pelo Decreto n° 2.736, de 1997. (grifo s e destaques nossos) . Portanto, indub;tável que a decisão que prevaleceu no processo de consulta foi no sentido de que as unidades evaporadora e condensadora podem ser classificadas separadamente .(respectiVdini.-lit; nos termos do Parecer COANA 17/2000; nos códigos NCM 8415.82.10 e 8418.69,90), e que, airn disso, as unidades funcionais de aparelhos de ar- condicionado, que tenham ou uIc calacidacle de inversão de ciclo térmico, não foram tratadas no bojo do respediveu2L2gAisa io foram obleto da consulta formulada. Der:Lin:emu asinado digitalr Aurenticado diValwente ern 2Y -.C!2011 pr;; 31 impre.sso em 21)101)2012 per • ; S3-C2T2 • • • Por Onto lado, e até memo em razao de ter sido ventilado no curso do processo, é de se destacar que a OMA reconheceu a possibilidade de cla'ssificação das unidades condensadora e evaporadora de forma separada, conforme se verifica pelo contido no anexo da Instrução Normativa RFB n° 873, de 26/08/2008, que aprovou o texto dos% pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da OMA. Não se afigura legitimo, destarte, exigir do contribuinte classificação diversa daquela apontada no processo de consulta. Assim, em' face de todo o exposto, e com todas as vênias aos que comungam de po,:;icionamento contrário, voto no sentido de DAR PROVIMENTO aó recnrso voluntário para considerar insubsistente o auto de infração. 17)sr.;u-nr,n0 assado drgita:o -rer:Ie Aritenkurdo drgilrafrre.nle ern 26/ 1 0/2011 pm NA1 trnírrsso r?Tri 20/01/2012 por IVANC, CLAUD:A ' .!;-1 32 DI: CARF N41' Processo n° 12466.002745/2006-19 Acórdão n.° 3202-00.128 ,
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004217/2002-13
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000, 01/10/2001 a 31/12/2001
PRODUTO REMETIDO DO ESTABELECIMENTO DO PRODUTOR PARA DEPÓSITO DA COMERCIAL EXPORTADORA
Descaracteriza a aquisição com o fim específico de exportação a entrega do produto no depósito da comercial exportadora, para fins de reconhecimento do direito ao crédito presumido de IPI, ainda quando atestado o seu embarque.
Numero da decisão: 2801-000.005
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Belchior Melo de Sousa (Relator) que dava provimento parcial para considerar a venda à empresa comercial exportadora como para fim específico de exportação. Designada a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato e Carlos Henrique de Lima.
Nome do relator: Relator
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Recorrida DRJBELÉM/PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000, 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO. Os produtos utilizados para a melhoria do funcionamento e rendimento das máquinas de produção estão fora do conceito de insumos de que trata o Regulamento do IPI, conceito este que se aplica ao crédito presumido, por força do disposto no Parágrafo Único do art. 3º da Lei n° 9.363, de 1996. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000, 01/10/2001 a 31/12/2001 PRODUTO REMETIDO DO ESTABELECIMENTO DO PRODUTOR PARA DEPÓSITO DA COMERCIAL EXPORTADORA Descaracteriza a aquisição com o fim específico de exportação a entrega do produto no depósito da comercial exportadora, para fins de reconhecimento do direito ao crédito presumido de IPI, ainda quando atestado o seu embarque. ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Belchior Melo de Sousa (Relator) que dava provimento parcial para considerar a venda à empresa comercial exportadora como para fim específico de exportação. Designada a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Ad Hoc (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 42 17 /2 00 2- 13 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato e Carlos Henrique de Lima. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 019.942, de 04 de dezembro de 2007, da DRJ/Belém/PA, fls. 569 a 578, que deferiu em parte a solicitação da impugnante, cujo pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI foi deferido parcialmente pela DRF/BelémPA, fls. 510 a 520, sendo a compensação declarada homologada até o limite do crédito aprovado, em face da manifestação de inconformidade apresentada, fls. 522 a 532. A DRF reconheceu o direito ao crédito presumido relativo à exportações diretas, e não o reconheceu nas vendas para a comercial exportadora pelo fato de a empresa adquirente do pescado não dispor de Certificado de Registro Especial concedido pelo DECEX em conjunto com a Secretaria da Receita Federal, conforme art. 217, da Portaria SECEX nº 35/2006. A DRJ, divergindo da decisão da delegacia de origem, fez a distinção entre as empresas que se estabelecem como comerciais exportadoras comuns e assim atuando genericamente e as conhecidas como Tranding Companies, reguladas pelo DecretoLei nº 1.248/72, cabendo tãosó a estas o atendimento do requisito exigido pela DRF/Belém. Assim, subsiste a condição de comercial exportadora para esta pessoa jurídica, conforme visão tida por aquela delegacia de julgamento. Apesar de atribuir equívoco à DRF/Belém, quanto à classificação da contribuinte no tocante ao objeto social que a qualifica como empresa exportadora, mesmo assim a DRJ indefere a solicitação por outro fundamento, como veremos. A DRJ evoca o § 2º, art. 39, da Lei nº 9.532/97, e nela busca a definição de “fim específico de exportação”, consistindo na remessa dos produtos “diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.” [grifo acrescido] Como o produto objeto da exportação tem a nota fiscal que o acoberta emitida para a empresa comercial exportadora, em seu próprio endereço, e não emitida diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, entende esse órgão julgador que ficou descaracterizado o fim específico de exportação. Cientificada da decisão em 03 de dezembro de 2007, interpõe recurso voluntário, fls. 589 a 602, em 01 de fevereiro de 2008, no qual a recorrente reapresenta em nova moldura os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade É o relatório. Voto Vencido O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, e dele conheço. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.004217/200213 Acórdão n.º 2801000.005 S2TE01 Fl. 812 3 Compulsando os autos, verifico a existência de um Termo de Conclusão de Diligência às fls. 775 do processo 10280.004432/200214, em que o D. Auditor consignou as seguintes "evidências": A pessoa jurídica pleiteante operou, no decorrer do a.c. de 2003, exclusivamente na captura e comercialização de camarão; Toda a produção comercializada foi obtida pela própria requerente, sem aquisições de terceiros; Devidamente corroborada pelas respectivas notas fiscais, a produção destinada ao exterior, que representa 97,06% do total do faturamento da pleiteante (planilha anexa), foi entregue integralmente à empresa exportadora Amazonas Indústrias Alimentícias S.A – AMASA, CNPJ 05.574.041/00105, sediada nesta cidade, para comercialização no mercado internacional. As notas ficais relativas às saídas para a empresa exportadora supra citada, coincidem com os documentos de recebimento do produto emitidas por esse estabelecimento destinatário. Contudo, dado que os documentos dos embarques para o exterior subseqüentes à entrega do produto, são emitidos em nome da exportadora final pelo total embarcado, sem individualização das empresas que contribuíram para formar o montante entregue ao transportador pela exportadora acima referida – o que é legal – não é possível atestarse especificamente esse item, embora não haja exsurgido no decorrer das verificações, qualquer evidencia de irregularidade nesse campo; A título de ilustração, para melhor compreensão do item anterior, juntase ao presente os documentos referentes ao processo exportador acima mencionado; Finalmente, os valores relativos às receitas de qualquer natureza, se acham devidamente contabilizados e a escrita comercial e fiscal da requerente encontrase em boa ordem. [grifos acrescido] Como relatado atrás, a primeira decisão considerou, essencialmete, o aspecto formal como prejudicial de mérito, ao imputar ilegitimidade da pessoa jurídica para pedir, por não atender a recorrente ao requisito de estar cadastrada no DECEX, este pertinente às comerciais exportadoras reguladas pelo DecretoLei nº 1.248/72. A segunda decisão, ficou decidida em preliminar de mérito, por considerar que as vendas não foram efetuadas com o fim específico de exportação. Ainda que a decisão recorrida tenha respaldadose no teor da definição legal de produtos adquiridos com o fim específico de exportação constante do art. 39, § 2º da Lei nº 9.532/97, e reproduzida no art. 42, § 1º, do Decreto nº 4.544/2002RIPI, à luz dos elementos que instruem os presentes autos, não me inclino a compartilhar do mesmo entendimento ali esposado. Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: Fl. 813DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 §1º No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º). [grifo acrescido] Vejase a razão. É mister reparar que tal definição, bem como as ementas de soluções de consulta de duas SRRF, fls. 779 a 781, tratam especificamente de saída com suspensão do Imposto de Produtos Industrializados, sendo uma das soluções de consulta referente a isenção de Cofins. Podese notar que o RIPI, no parágrafo acima citado, traz um conceito de aplicação específica para a suspensão do IPI; a uma, porque, segundo a técnica legislativa, o parágrafo está vinculado ao teor do caput; a duas, porque indica sua matriz legal, o § 2º, do art. 39, da Lei nº 9.532/97, que também cuida da mesma matéria. Para que fosse um conceito genérico, além de dever estar fora de ambas as regras acima, haveria de ter como preâmbulo a expressão “para os fins deste decreto” e a seguir a definição “considerase venda com o fim específico de exportação (...)”. Aí, o conceito seria utilizado na matéria IPI sob quaisquer de seus ângulos regulamentados no decreto. Neste processo estamos a tratar de outra matéria, o crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor da Cofins e do PIS/PASEP, cuja tênue correlação com a natureza própria do IPI, é apreendida apenas pelo fato desse benefício fiscal se dar na forma de IPI, e, obviamente, destinados às pessoas jurídicas sujeitas que produzam bens sujeitos a este imposto. Decerto, o alvo da concessão é estimular as exportações de produtos industrializados, substanciados de valor agregado, tornandoos competitivos no mercado internacional pela exclusão, da estrutura de preços, dessas contribuições incidentes em mais de uma fase antecedente. Desoneração tributária que se conjuga à ideia de não se exportar tributo. Ao regular a matéria aqui presente, sua lei instituidora, nº 9.363/96, não define o que vem a ser “venda com o fim específico de exportação”. No parágrafo único do art. 3º a lei nº 9.363/96 determina que, “Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” [destaque acrescido]. Como se vê, o uso subsidiário da legislação do IPI é para os conceitos ali categorizados. Entrementes, o art. 6º da mesma lei estatui que: “Art. 6º. “O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador.” Tais instruções estiveram regradas ao tempo do protocolo do pedido no § 15, III, do art. 3º, da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997 revogada pela Portaria MF nº 64, de 24 de março de 2003, logo após também revogada pela Portaria MF nº 93, de 27 de abril Fl. 814DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.004217/200213 Acórdão n.º 2801000.005 S2TE01 Fl. 813 5 de 2004 que conceituou “com o fim específico de exportação” como segue, guardando a mesma dicção nas portarias revogadoras, literalmente: “Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. ... “§ 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: ... III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente.” [destaque acrescido] Diversamente, é forçoso reparar que o parágrafo seguinte, regulamentando o art. 3º, parágrafo único, da lei instituidora, aponta para a legislação do IPI como definidora das citadas categorias de insumos aplicados na industrialização, verbis: “§ 16. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI.” Ao colocar neste prisma a questão, destaco que para uma matéria (a suspensão do IPI) a exigência de destino do produto é uma, e diferente a exigência para a outra matéria (crédito presumido de IPI). Assim se deflui, porque o termo depósito não tem o mesmo significado de recinto alfandegado, sendo este, nos termos do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, a fiscalização e o controle e a tributação das operações de comércio exterior, conceituado como: “Art. 9º Os recintos alfandegados serão assim declarados pela autoridade aduaneira competente, na zona primária ou na zona secundária, a fim de que neles possa ocorrer, sob controle aduaneiro, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de:...” [grifo acrescido] Se a regulamentação do crédito presumido pretendesse que a mercadoria vendida a comercial exportadora fosse destinada a um ambiente sob controle aduaneiro, não haveria necessidade de assentar um termo distinto do já utilizado nos dispositivos legal e regulamentar que tratam da suspensão do IPI; ou, então, teria delimitado a natureza jurídica do “depósito”, acrescendolhe a palavra “alfandegado”. Por um lado, não vejo como se afirmar que ambos os vocábulos (depósito e recinto alfandegado) externalizam o mesmo conceito. Segundo, como presumir que o termo depósito seja alfandegado sem este complemento qualificativo? E terceiro, seria um descuido reiterado da autoridade regulamentadora pretender que o fosse, ainda que despido de qualificação, uma vez que a palavra depósito é repetida nas portarias subseqüentes que revogaram a de nº 38/97. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Como visto, estamos diante de uma legislação específica, a Portaria nº 38/97, que traz um conceito distinto para uma classe de operação mercantil venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação” , da qual exsurge mais de um efeito jurídico, vale dizer: i] quando se tratar de crédito presumido de IPI; ou ii] quando se tratar de suspensão de IPI; A meu ver, a distinção dos signos utilizados (depósito ou recinto alfandegado) não está apenas no suporte físico de que se serve uma e outra norma. A cada um dos efeitos jurídicos da venda para comercia exportadora com o fim especifico de exportação vinculase uma semântica, que é graduada pela importância do bem jurídico que o legislador quis resguardar: [i] o ressarcimento de IPI como direito do produtor exportador, a ser por ele solicitado e deferido pela autoridade fazendária [registrese, a perder de vista para quem não tem com que compensálo] versus [ii] antecipação de renúncia fiscal pela suspensão do pagamento do imposto. Para o primeiro efeito, o movimento da mercadoria destinada à exportação pode ir a depósito, por conta e ordem da comercial exportadora. Para o segundo, deve ir para recinto alfandegado. Com estes argumentos colido com a preliminar de mérito que embasou a decisão recorrida, para entender que as operações de venda da Tropical Pesca Ltda. para a Amazon Indústrias Alimentícias S/A.AMASA não estão descaracterizadas como venda com o fim específico de exportação, pelo só fato de terem sido os pescados entregues, obviamente, em depósito e, logicamente, depósito frigorífico, da AMASA. A par da fundamentação jurídica vista sob este prisma, ressalta com preponderante importância a situação fática da empresa, conforme o Termo de Conclusão de Diligência referido, e, neste aspecto [o fático], de maior relevo ainda a saída efetiva do país do produto entregue à comercial exportadora, conforme documentos anexados ao processo. Anota o D. Auditor que todas as mercadorias saídas para a AMASA estão escrituradas como entradas de modo escorreito; que 97,06% das vendas da produtora são destinadas à exportação, e expressa que não se deparou com nenhum indício de irregularidade. Embora nenhum louvor haveria de ter pela correção da empresa no exercício do seu desiderato, porquanto esta deve ser a conduta habitual de todos perante a lei, não se há de penalizar quem lidimamente cumpre suas obrigações tributárias, função social, com uma aplicação da legislação sem o preciso foco e sem o espírito que lhe é pertinente. No presente caso, no entanto, não foi percebido pelo Auditor diligenciante que as notas fiscais de exportação, emitidas pela AMASA e constantes dos autos, todas indicam, SIM, a individualização dos fornecedores que compuseram a carga, indicando, inclusive, os números de suas notas fiscais de fornecimento. Junto a essas notas de exportação encontramse as cópias das notas fiscais da Tropical Pesca Ltda. ali indicadas. Também anexados estão os Bill of Landing [BL], emitidos pelos transportadores, que certificam que as mercadorias efetivamente saíram do país. Nestes Conhecimentos de Embarque as quantidades embarcadas conferem com as constantes das notas fiscais de exportação. Não é demais mencionar, ainda, que se encontram anexados os documentos emitidos pela AMASA para a Secretaria de Fazenda do Estado do Pará, em que registra os números dos três documentos pertinentes à exportação: o Despacho de Exportação, o Registro de Exportação no Fl. 816DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.004217/200213 Acórdão n.º 2801000.005 S2TE01 Fl. 814 7 SISCOMEX, e o Conhecimento de Embarque. Por tudo, as operações de venda devem ser configuradas como para o fim específico de exportação. No tocante a inclusão do óleo diesel na base de cálculo do crédito presumido, este insumo não é produto intermediário aplicado no processo produtivo, nos termos definidos pela legislação do IPI, para o que aplico a Súmula 19 deste Conselho, litteris: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Diante do exposto, dou parcial provimento para reconhecer as operações de venda para a comercial exportadora como para o fim específico de exportação, devendo a DRF/Belém apurar o crédito presumido a que faz jus a solicitante. Sala das sessões, 10 de março de 2009 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Voto Vencedor O presente voto pela divergência é para consignar o entendimento segundo o qual o termo depósito constante do art. 3º, § 15, inciso III, da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, e supervenientes, implica, necessariamente, ser ele alfandegado quando se tratar de venda para comercial exportadora para o fim específico de exportação, deixando de configurar esta operação mercantil quando outro destino for dado aos produtos, se não remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação, verbis: “Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. ... “§ 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: ... III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente.” [destaque acrescido] Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 10 de março de 2009 (assinado digitalmente) Fl. 817DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Walber José da Silva Fl. 818DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002610/2005-72
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3201-000.126
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ªCâmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM
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I 880 2 '4':at '''. MINISTÉRIO DA FAZENDA 4...1:7:. :1)P,,i• Tly-tlp :,.. CONSELHO ADMINIS IRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nu 12466002610200572 Recurso n'' 142.468 Resolução n° 3201-00.126 — 2' Câmara / 1° Turma Ordinária Data 29 de abril de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente DAR COMÉRCIO EXTERIOR LTDA Recorrida DAI/FLORIANÓPOLIS/SC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2' Câmara/1 a. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. 14 JUDITH O (1)V_OLA._. • ARAL MARCONDES ARMA 60 PresidenteS.. klict ?z---<4,,. cirreinI 'In RCIA ELEVA AN D'AMORIM oraRe at € Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Méreia Helena Trajaria D'Amorim, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. 1 Processo n°12466002610200572 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.126 Fl. I.88t RELATÓRIO A empresa acima identificada recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, até então, às fls. 1696-verso/1697, que transcrevo, a seguir: "A empresa acima qualificada importou, dentre tantos outros, amparados nas Declarações de Importação relacionadas às fls. 53 a 60, produtos da marca GUCCI, AZZARO, GIORGIO, HUGO BOSS, FORUM TUFI DUEK, CAL VIN KLEIN, ROCHAS MONTANA PARIS, DISSEY, denominados Gueci Nobile, Gucci Accenti, Gucci Envy e Gucci Rush; Crhome Azzaro, Azzura Azzaro e Azzaro Pour Homme; Giorgio Bervely Hills e Red — Giorgio Beverly Hills — Extraordinaiy; Boss — Hugo Boss — Woman; Fórum Tufi Duck; Contradiction For Men; Byzance, Lumiere e Ghost; Montana Blu; Lê Feu D 'Issey Miyake, que se encontram registrados no Ministério da Saúde sob as seguintes referências/protocolos: 2.1282.0333.001-0, 2.1282.0494.001-7, 2.1282.0398.001-5, 2.5000-030649/99-07, 2.1282.0486001-3, 2.5000-044105/99-79, 2.5351-008315/01-28, 2.5000- 031331/99-35, 2.5000-031352/9913, 2.5351-015500/00-89, 2.5351- 019135/00-27, 2.1282.0666.001-1, 2.5351-010611/00-62, 2.5351-010870/00- I I, 2.5351/018153/00-73, 2.5351-000143/00-08 e 2.1282.0702.001-6, respectivamente, classificando-os no código NCM 3303.00.20, que é especifica para água de colónia, cuja alíquota do IPI, por conseguinte, era, à época dos fatos geradores, de 10%. Retiradas amostras dos produtos em questão, importados por meio das Declarações de Importação 00/0790182-2, 01/0865320-4, 01(0868368-5, 01/0962171-3, 01/1139047-2, 01/1169974-0, 01/1063235-9 e 01/1065995-8, estas foram enviadas para o Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, que resultou na expedição dos Laudos Técnicos 1481.01, 1481.02, 1481.03, 1481.04; 313801, 3138.02, 3138.03; 1761.10, 1761.11; 1761.09; 2891.01; 0407.05; 0427.02, 0427.03, 0427.08; 3187.01; 1907.10 (fls. 99 a 151), que concluíram que os produtos acima mencionados tratam-se de "perfume, constituído de solução Hidro-Alcoólica e Substâncias Odoríferas, na forma líquida acondicionada em embalagem própria para venda a retalho". Com base nessas informações e no comando expresso no § 3' do art. 30 do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/97 (produtos com o mesmo número de protocolo junto ao Ministério da Saúde), a autoridade autuante concluiu que as mercadorias importadas deveriam ser classificadas no código NCM 3303.00.10, sujeitando-se, por conseguinte, à alíquota de 40% (quarenta por cento) de IPL Diante dessas constatações, as autoridades lançadoras procederam à lavratura dos Autos de Infração de fls. 01 a 92, formalizando a exigência do crédito tributário relativo à multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente no valor de R$ 281.82809, à multa _ 2 Processo n0 12466002610200572 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.126 Fl. 1.882 por mercadoria classificada incorretamente na nomenclatura comum do Mercosul no valor de R$ 15.923,33, à diferença de Imposto sobre Produtos Industrializados, na importação (IPI) no valor de R$ 337.820,40, acrescido da multa de oficio (75%) no valor de R$ 253.365,30 e juros de mora no valor de R$ 232.225,23. Ciente da autuação, a interessada protocolou a impugnação de fls. 1442 a 1453, acompanhada dos documentos de fls. 1454 a 1488, aduzindo, em apertada síntese, que os produtos importados foram corretamente descritos com todos os requisitos indicados no Anexo Ida IN/SRF 206, de 2002, sendo efetivamente de águas de colônia e não perfumes, não podendo prevalecer às exigências decorrentes da diferença de aliquota do IPI e das multas acessórias, por erro de classificação fiscal e por falta de licença de importação. Entende a impugnante que o teor de substâncias odoríferas não é requisito essencial a ser informado na declaração de importação, uma vez que a citada norma complementar não faz qualquer referência a tal obrigatoriedade. Ademais, sustenta que somente o fabricante tem conhecimento e competência para classificar os produtos como água de colônia ou perfume. Adverte que com a vigência da Lei 9.782/99, a ANVISA passou a concentrar todas as atividades de regulamentação, controle e fiscalização de cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes, não podendo mais a Receita Federal, por perda de competência, definir, regulamentar e fiscalizar os produtos em questão. Quanto aos laudos técnicos que fundamentam a desclassificação fiscal, salienta que não Si o condão de afastar a competência e respectivo entendimento emanado da ANVISA, a despeito do disposto no ,55' 3 0 do art. 3° do Decreto 70.235/72. Esclarece que a acusação fundamentada no Decreto 79.094/77 é incabível, primeiro porque a Lei 9.782/99, além ter sido editada posteriormente ao referido decreto, é norma hierarquicamente superior, depois porque fere o Tratado de Assunção, ao considerar que águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares são produtos constituidos pela dissolução de até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, sendo que nos demais países do Mercosul não há essa distinção, e, portanto, a carga fiscal é menor para a importação de perfumes, impondo, por conseguinte, política comercial distinta em relação aos demais Estados- Parte. Quanto à exigência da multa do oficio do IPI salienta sua natureza confiscatória, por conta do percântual de 75%; portanto, em desarmonia com o texto constitucional. 3 Processo r0 12466002610200572 S3-C2T1 Resolução n.°3201-0f1.126 Fl. 1.883 Ao final, considerando as razões apresentadas, a impugnante requer que seja anulado o Auto de Infração em comento, cancelando-se, em conseqüência, a exigência fiscal nele formalizada. Conforme o ehpediente de fls. 1490, o processo foi encaminhando para julgamento. Em atendimento ao disposto no Memorando 41/2006/SECAT/ALF/VIT, de 26.10.2006, foi autorizada a juntada das cópias do processo 12466.001798/2006-12, que tem como assunto "Procedimento Especiais Aduaneiros — Aduana" (fls. 1491 a 1694). Este é o Relatório." O pleito foi julgado procedente em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRPENS n' 07-12.358, de 14/03/2008, às fls. 1696/1703, proferida pelos membros da 2. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa foi dispensada, de acordo com a Portaria SRF 1.364, de 10 de novembro de 2004. A decisão foi no sentido de julgar procedente em parte o lançamento do crédito tributário, mantendo o IPI de R$ 337.820,40, e respectivos juros de mora, a multa proporcional ao valor aduaneiro de R$ 15.923,33, reduzindo a multa de 75% do IPI para R$ 24.657,10 e a multa por falta de LI para R$ 27.240,37; convertendo a outra parcela da multa de 75% do LPI, reduzindo-a, para multa de mora (20%), de R$ 228.708,20 para RS 60.988,85. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário,às fls. 568/701, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira. É o relatório. 4 Processo n° 124660026 /0200572 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.126 Fl. 1.884 VOTO Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORLM, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. O litígio refere-se à classificação fiscal dos produtos importados, cuja perfeita identificação quanto à sua própria natureza, se faz necessária; não se podendo decidir por esta ou aquela classificação e que nos termos do Decreto n° 70235/72 e para minha livre convicção, sugiro que baixe em diligência junto ao Instituto Nacional de Tecnologia-INT, •para emissão de novo laudo, com os devidos esclarecimentos, pelos motivos abaixo: 1°)-para identificar o % de concentração do elemento odorífero dos produtos em litígio que compõem estes autos. 2°) —se os produtos contêm água na formulação? Se sim, qual o %? 3°)-qual o titulo e graduação do % de álcool empregado? -Emitir o laudo observando os excludentes da NOTA COANA/COTAC/DINOM N°253/2002. -Acrescentar algum comentário, se achar necessário, pelo entender do técnico responsável,. Por outro lado, tendo em vista que o litígio refere-se à desclassificação fiscal dos produtos importados, e consequente exigência, dentre elas, da Multa ao Controle Administrativo das Importações; sugiro que baixe em diligência, para que a Delegacia de origem responda: -se, à época, com a nova reclassificação fiscal, de fato as importações, acobertadas através das Declarações de Importações de n ° 00/0790182-2, 01/0865320-4, 01/0868368-5, 01/0962171-3, 01/1139047-2, 01/1169974-0, 01/1063235-9 e 01/1065995-8, estavam sujeitam a licenciamento não-automático, sob a égide da Portaria Secex n° 21/96 de forma automática ou não-automática. (as outras Dl, que se utilizaram de prova emprestada, já foram afastadas algumas penalidades, de acordo com a decisão de primeira instância). Entendo, pois, que constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, de cada uma das importações licenciadas, buscando identificar se o erro de classificação tarifária descaracterizou a operação original, na medida em que para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou Processo rt° 12466002610200572 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.126 Fl. 1.885 não correta e suficientemente descrita, e só então decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Por todo o exposto, a sugestão da diligência contém duas solicitações, uma ao Instituto Nacional de Tecnologia-INT e a outra a DRF de origem. Após diligência solicitada, intime-se o contribuinte para, querendo, pronuncie a respeito, em homenagem ao principio do contraditório, retomando os autos para apreciação deste Conselho. Sala das Sessões, em 29 de abril de 2010. *A ' ELEN ItANO D'AMC;RIM-Relatora 6
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Numero do processo: 10580.009928/2004-61
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2004
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. ABRANGÊNCIA. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS.
Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3401-002.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que negava provimento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou pelas conclusões.
Júlio Cesar Alves Ramos Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Recorrente REAL SOCIEDADE PORTUGUESA DE BENEFICÊNCIA 16 DE SETEMBRO Recorrida DRJ SALVADORBA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2004 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. ABRANGÊNCIA. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que negava provimento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou pelas conclusões. Júlio Cesar Alves Ramos – Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 99 28 /2 00 4- 61 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 O processo retorna de diligência determinada por este Colegiado, visando saber se a entidade autuada preenche os requisitos do arts. 14 do CTN e 55 da Lei nº 8.212/1991. O Auto de Infração de fls. 04/20, com ciência em 30/09/2004, é relativo à Cofins nos períodos de apuração de 04/1999 a 02/2004, cujos valores principais foram acompanhados de juros de mora e multa no percentual de 75%. Por bem resumir o que consta dos autos até o julgamento na primeira instância, reproduzo o relatório da DRJ: A autuante informa às folhas 5 e 6 que durante o procedimento de verificações obrigatórias constatou diferenças entre os valores escriturados e os declarados/pagos pelo contribuinte. Os valores apurados pela Fiscalização constituem a totalidade das receitas auferidas pela Quinta Portuguesa, propriedade na região metropolitana de Salvador pertencente à Real Sociedade Portuguesa. A fiscal entendeu caber tributação sobre essas receitas, visto que não poderiam ser consideradas como decorrentes de atividades próprias da entidade beneficente e, portanto, não abrangidos pela isenção da Cofins, conforme inciso II do artigo 46 do Decreto nº 4.524, de 2002. A fiscal enumera as atividades desenvolvidas na propriedade em tela, aqui apresentadas sinteticamente: Atividade típica de hotel; Organização e aluguel de espaço para realização de eventos; Produção de hortifrutigranjeiros; Confecção de cerâmica faiança. Ressalta a autuante que nenhuma destas atividades realizadas na Quinta Portuguesa guarda relação com as atividades desenvolvidas pelo Hospital Português (face mais conhecida da Real Sociedade Portuguesa), e que não constam do rol dos objetivos sociais previstos no artigo 3º do Estatuto Social da entidade. Os valores apurados pela Fiscalização estão sintetizados nos Demonstrativos às folhas 32 a 34. Ao presente processo foram ainda anexados os seguintes documentos: Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 1/2); Termo de Início (fls. 23/24); Termo de Encerramento (fls. 21/22). Cientificado da exigência fiscal em 30/9/2004, o contribuinte apresenta em 28/10/2004 a impugnação de folhas 156 a 162, defendendo que, ao contrário do que se afirma no Auto de Infração, as atividades realizadas na Quinta Portuguesa estão devida e expressamente previstas pelo estatuto da entidade, e que estas atividades lhe seriam próprias. Afirma também que nem todas as atividades desenvolvidas na propriedade seriam a título oneroso, visto que, conforme seu estatuto, de 25 a 30% das vagas da Casa de Repouso da Quinta Portuguesa seriam destinadas, gratuitamente, a pessoas carentes. Sustenta que o fato de serem prestados alguns serviços a título oneroso não desnatura o caráter beneficenteassistencial da instituição, desde que os recursos obtidos sejam aplicados integralmente na Fl. 586DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.009928/200461 Acórdão n.º 3401002.233 S3C4T1 Fl. 291 3 consecução das finalidades essenciais da entidade, citando trechos de artigos de juristas que suportariam seu ponto de vista. A 4ª Turma da DRJ julgou o lançamento procedente, observando que não se está a discutir se a entidade preenche ou não os requisitos para ser classificada como entidade beneficente, e interpretando que as receitas de caráter contraprestacional direto são tributadas, ainda que auferidas por entidades estatutariamente consideradas instituições de assistência social. No Recurso Voluntário, tempestivo, a entidade insiste na improcedência do lançamento, considerandose imune. Diz atender aos requisitos do art. 14 do CTN e do art. 55 da Lei nº 8.212/91 e defende que as todas atividades desenvolvidas não precisam ser gratuitas. O Termo de Encerramento de Diligência informa que a entidade “não atende integralmente aos requisitos constantes do artigo 14 do CTN, mas especificamente ao que dispõe o § 2° do art. 14 do CTN, já que embora tenha previsão em seu estatuto social (art. 83) não destinou vagas, no período fiscalizado, ao atendimento gratuito de pessoas carentes, associadas ou não, na casa de repouso da Quinta Portuguesa” (fl. 280), e “que em relação aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/1991 a diligenciada, demonstra através da documentação apresentada, ter cumprido aos requisitos legais.” (fl. 281). Tratando especificamente do art. 14 do CTN e das atividades da entidade, o referido Termo também informa (fls. 280 e 281): Conforme relatórios contábeis e pareceres dos auditores independentes emitidos para o período de abril de 1999 a fevereiro de 2004 e apresentados pela diligenciada, constatase que: a) não há registro de distribuição de qualquer parcela do patrimônio ou de rendas da diligenciada, a qualquer titulo (art. 14, inciso I do CTN); b) a diligenciada aplica seus recursos integralmente no Pais e na manutenção dos seus objetivos institucionais (art. 14, inciso II do CTN); c) os livros contábeis e fiscais apresentados são revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão (art. 14, inciso III do CTN); d) quanto ao que preceitua o § 2° do artigo 14 do CTN, o estatuto social da diligenciada, em seu artigo 4° define o patrimônio da associação e em seu artigo 83 determina que de 25% a 30% da capacidade de vagas na casa de repouso da Quinta Portuguesa serão destinadas, inteiramente grátis a pessoas carentes, associadas ou não. Ocorre que a documentação apresentada, inclusive os balancetes acostados ao processo, evidenciam que não há registro de nenhum custo com beneficência nas dependências da Quinta Portuguesa. Ademais se houvesse custo com beneficência nas dependências da casa de repouso da Quinta Portuguesa, este custo estaria contabilizado como foi feito com os demais custos com beneficência incorridos nas demais dependências da diligenciada e contabilizados de forma individualizada e incontestável. (...) Por fim e concluindo, verificase através da publicação do Relatório de Gestão — 2001/2003, constante à página 145 deste processo que a Quinta Portuguesa, de propriedade da Fl. 587DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 diligenciada, exerce atividades não contempladas nos seus estatutos sociais, afigurandose, portanto, como receitas alheias as suas atividades próprias e sujeitas à incidência da COFINS. A falta de qualquer registro contábil de custos com beneficência relativa à Quinta Portuguesa corrobora com o entendimento que não são exercidas atividades próprias da diligenciada, nas dependências da Quinta Portuguesa. Pronunciandose sobre o resultado da diligência, a Recorrente afirma o seguinte (fls. 286 e 288): Ora, conforme asseverado na peça recursal, o fato de serem prestados alguns serviços a titulo oneroso não desnatura o caráter beneficenteassistencial (e, portanto, imune) da instituição, desde que, obviamente, os recursos obtidos sejam aplicados integralmente na consecução das finalidades essenciais da entidade, o que ocorre na situação analisada, como reconhecido expressamente no Termo de Encerramento de Diligencia. Irrelevante que eventualmente não sejam prestados serviços beneficentes na ‘Quinta Portuguesa’, desde que toda e qualquer receita decorrente das atividades onerosas lá exercidas seja aplicada integralmente na consecução da atividade assistencial da entidade. (...) Reiterase, por conseguinte, que as atividades onerosas desenvolvidas na Quinta Portuguesa destinamse exclusivamente a financiar os serviços beneficentes e assistenciais prestados pela entidade recorrente, não incidindo a COFINS sobre as receitas derivadas daquelas atividades, em virtude do beneficio da imunidade garantido pelo art. 195, §7°, do Estatuto Supremo. É o relatório. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator. Apesar de os serviços prestados na Quinta Portuguesa serem remunerados (ou contraprestacionais), diante do resultado da diligência, segundo o qual a Recorrente atende aos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/9, o Auto de Infração deve ser cancelado. Admitindo a controvérsia em torno do tema, mantenho a interpretação adotada em julgamentos anteriores sob a minha relatoria, nesta Primeira Turma Ordinária e na antiga Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Conforme exposto adiante, julgo isentas (e não imunes, como defende a Recorrente) as receitas auferidas na prestação de serviços realizados na Quinta Portuguesa, levando em conta o seguinte: Fl. 588DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.009928/200461 Acórdão n.º 3401002.233 S3C4T1 Fl. 292 5 os serviços se relacionam, sim, com as atividades próprias da Recorrente, como detectado na diligência e previsto expressamente no Estatuto Social, onde o art. 4º, II, elencando o patrimônio da Associação discrimina “A Quinta Portuguesa, na Região Metropolitana de Salvador, com uma área aproximada de quatrocentos mil metros quadrados, com a Casa de Repouso para atendimento e amparo a pessoas da terceira idade” (fl. 97); uma entidade isenta pode ser remunerada pelos serviços prestados, desde que aplique os recursos recebidos nas atividades próprias o que também foi constatado na diligência – e atenda aos demais requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Antes de expor a interpretação que conclui pelo cancelamento da autuação observo que a circunstância de o art. 55 da Lei nº 8.212/91 estar sob análise do STF, em sede repercussão geral, não acarreta o sobrestamento do presente julgamento, como já decidiu este Colegiado noutros processos levando em conta o art. 62A do Regimento Interno do CARF, porque aqui a diligência verificou que os requisitos do citado artigo são atendidos, de todo modo. Quanto à sua revogação pelo art. 44, I, da Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 (antes a MP nº 446, de 07 de novembro de 2008, trouxera igual revogação, mas foi rejeitada pela Câmara dos Deputados), é irrelevante neste litígio porque a autuação se deu período anterior. DELIMITAÇÃO DA LIDE E LEGISLAÇÃO CORRELATA Para a solução do litígio convém atentar para os seguintes textos legais, especialmente: art. 195, § 7º, da Constituição Federal, que estatuiu imunidade relativa às contribuições para a seguridade social, às “entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”; art. 55 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, segundo o qual fica isenta das contribuições para a seguridade social a entidade beneficente de assistência social que atenda aos requisitos discriminados no artigo; arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 10/12/97, o primeiro tratando da imunidade específica de impostos, inserta no art. 150, V, “c”, Constituição, que abrange o patrimônio, renda ou serviços “das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei”, e o segundo estabelecendo isenção para “as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, isenção esta que atinge, além dos impostos, também a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, como expresso no § 1º do referido art. 15; arts. 13, 14, X, e 15 da MP nº 1.8586, de 29/06/99, atualmente MP nº 2.15835, de 24/08/2001 (nesta o art. 15 da MP nº 1.8586/99 corresponde ao art. 17), que estabelecem, a partir de fevereiro de 1999, a isenção da COFINS para diversas entidades, dentre elas as “instituições de educação e de assistência social” a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, as “instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as Fl. 589DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 associações” e as “fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público” (incisos III, IV e VIII do art. 13 MP nº 2.15835/2001). IMUNIDADES DOS IMPOSTOS (ART. 150 DA C.F.), DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL (ART. 195, § 7º DA C.F.) E ISENÇÕES ESPECÍFICAS: DISTINÇÕES Entendo devam ser afastados da lide em questão os arts. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, e 9º, IV, “c” e 14, do CTN, bem como o art. 12 Lei nº 9.532/97, todos eles tratando da imunidade específica dos impostos, que não se confunde com a imunidade para as contribuições para a seguridade social (subespécie da espécie contribuições sociais, que ao lado dos impostos, taxas, contribuições de melhoria e empréstimos compulsórios integra o gênero tributo). Também cabe afastar o art. 15 de Lei nº 9.532/97, por estabelecer isenção que só se estende, além dos impostos, à Contribuição Social para o Lucro Líquido (CSLL), mas não às demais contribuições para a seguridade social, dentre estas a COFINS. Observemse os referidos artigos da Lei nº 9.532/97: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos (...) Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. (negritos ausentes no original). Descartada a imunidade restrita aos impostos do art. 150, VI, “c”, da Constituição, bem como a isenção específica para o IRPJ e a CSLL do art. 15 da Lei nº 9.532/97, cabe averiguar se a recorrente enquadrase na imunidade ou na isenção própria das contribuições para a seguridade social. Como se sabe, a imunidade própria das contribuições para a seguridade social está estatuída no § 7º do art. 195 da Constituição, tendo sido concedida às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Tais exigências são também aplicáveis à isenção, estatuída inicialmente no art. 6º, III, da LC nº 70, de 30/12/91 – cujo texto condiciona o gozo da isenção ao atendimento das exigências estabelecidas em lei, de forma semelhante à dicção do § 7º do art. 195 da Constituição , e depois no art. 14, X, da MP nº 2.15835, de 24/08/2001. Observese a MP nº 2.15835/2001: Fl. 590DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.009928/200461 Acórdão n.º 3401002.233 S3C4T1 Fl. 293 7 Art.13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: Itemplos de qualquer culto; IIpartidos políticos; IIIinstituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IVinstituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; Vsindicatos, federações e confederações; VIserviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VIIconselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIIIfundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IXcondomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Xa Organização das Cooperativas BrasileirasOCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) Xrelativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...) Art.17.Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. No caso das entidades (ou instituições ou associações) de assistência social e de filantropia (respectivamente, incisos III e IV do art. 13 da MP nº 2.15835/2001), o art. 17 da referida da MP reportase expressamente ao art. 55 da Lei nº 8.212/91, embora não houvesse necessidade. É que o art. 55 da Lei nº 8.212/91, antes de revogado pelo art. 44, I, da Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 (antes a MP nº 446, de 07 de novembro de 2008, trouxera igual revogação, mas foi rejeitada pela Câmara dos Deputados), continuava em vigor, sem as alterações constantes da Lei nº 9.732, de 11/12/98, cujos efeitos foram suspensos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da liminar da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 2.028 (julgamento em 11/11/99, publicação em 16/06/2000, conforme informações obtidas na internet em 25/09/2012, no site do STF). Fl. 591DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 A redação do art. 17 da MP nº 2.15835/2001, embora diga ”entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social”, referese essencialmente a entidade de assistência social, incluindo as recreativas e culturais. Qualquer entidade, desde que de assistência social. Independentemente de ser associação, sociedade civil ou fundação de direito privado nem instituída nem instituída pelo Poder Público, e da atividade exercida (educativa, recreativa, cultural, científica, desportiva, etc), só fazia jus à isenção se antes for de assistência social, isto é, se atendesse aos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Quanto à expressão filantrópica, diz respeito à necessidade de a entidade prestar serviços gratuitos a quem deles necessitar. Não impede, todavia, a cobrança daqueles que podem efetuar o pagamento. Daí não ser razoável limitar as receitas próprias das entidades de assistência social somente aos recebimentos não contraprestacionais (mensalidades, contribuições e doações), na forma do Parecer Normativo CST nº 5/92. Tal limitação é aplicável às outras entidades discriminadas nos incisos I, II e V em diante do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, mas não aos incisos III e IV. É que as outras entidades que não as de assistência social, enumeradas no referido art. 13, possuem objetos específicos, a limitar as suas receitas próprias. Assim, as receitas próprias dos templos (inc. I) são somente os dízimos e doações diversos; dos partidos políticos (inc. II), as contribuições permitidas por lei; dos sindicatos, federações e confederações (inc. V), a contribuição sindical fixada em assembléia e a prevista em lei (esta última uma contribuição social interventiva), tudo conforme o art. 8º, IV, da Constituição Federal, além de outros recebimentos previstos em estatutos; dos serviços sociais autônomos, conhecidos por Sistema “S”, bem como os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas (incs. VI e VII), as mensalidades e contribuições previstas em lei; das fundações de direito privado instituídas ou mantidas pelo Poder Público (inc. VIII), bem como as fundações de direito público, os valores dos repasses orçamentários, além de contribuições e doações autorizadas em estatuto; dos condomínios (inc. IX), as mensalidades dos condôminos; e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e Organizações Estaduais de Cooperativas (inc. X), as contribuições dos seus associados, além de outras receitas próprias. Quanto às entidades de assistência social (incs. III e IV do art. 13 da MP nº 21.5835/2001), suas receitas próprias são todas as condizentes com o seu objeto social, incluindo as contraprestacionais. Ao final deste tópico, e a referendar que os mencionados incs. III e IV tratam ambos de entidades de assistência social, cabe destacar as diversas redações empregadas pelo legislador para se referir a essas instituições, ora tratando de imunidade, ora de isenção, algumas específicas. Observese: CTN, art. 9º, IV, “c”: “instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo” (trata da imunidade restrita aos impostos, sendo que o caput do art. 14 do CTN, ao estipular os requisitos, diz simplesmente “entidades”); C.F., art. 150, VI, “c”: “instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei” (trata da imunidade restrita aos impostos); C.F. art. 195, § 7°: “entidades beneficentes de assistência social” (imunidade própria das contribuições para a seguridade social); Lei nº 8.212/91, art. 55: “entidade beneficente de assistência social” (a meu ver trata de isenção para as contribuições da seguridade social, embora para muitos o Fl. 592DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.009928/200461 Acórdão n.º 3401002.233 S3C4T1 Fl. 294 9 dispositivo esteja regulamentando a imunidade do § 7º do art. 195 da Constituição, apesar do art. 146, II, que exige lei complementar em matéria regulando limitações ao poder de tributar); Lei nº 9.532/97, art. 12: “instituição de educação ou de assistência social” (pretende regular a imunidade dos impostos, de que trata o art. art. 150, VI, "c", da Constituição); Lei nº 9.532/97, art. 15: “instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis” (trata de isenção restrita ao IRPJ e à CSLL); Lei nº 9.732/98, art. 4º: “entidades sem fins lucrativos educacionais e as que atendam ao Sistema Único de Saúde” (trata de isenção específica); MP nº 2.15835/2001, art. 13: “instituições de educação e de assistência social” a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532/97 (inc. III) e “instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações”, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532/97 (inc. IV); MP nº 2.15835/2001, art. 17: “entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social”. Nas duas Leis acima que tratam da isenção relativa às entidades de assistência social (Lei nº 9.732/98, art. 4º, e MP nº 2.15835, arts. 13, III e IV, e 17), há referência expressa ao art. 55 da Lei nº 8.212/91. Assim acontece porque, desde a edição da Lei nº 8.212/91, somente são isentas (ou imunes, para quem entende possa a imunidade ser regulada por lei ordinária) das contribuições para a seguridade social as entidades que, auferindo faturamento (antes da Lei nº 9.718/98) ou receita bruta (após a Lei nº 9.718/98), atendam aos requisitos do art. 55 em comento. Neste sentido é que o art. 46, parágrafo único do Decreto nº 4.524/2002 (Regulamento do PIS e da COFINS) também exige tais requisitos, para as “entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico”. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91: REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO DA COFINS O art. 55 da Lei nº 8.212/91 já estabelecia, na sua redação original, o seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; Fl. 593DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 10 IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. O dispositivo, antes de revogado pelo art. 44, I, da Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, passou à seguinte redação: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996) II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.2001) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98, mas com eficácia suspensa pela liminar concedida na ADI nº 2.028) IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 594DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.009928/200461 Acórdão n.º 3401002.233 S3C4T1 Fl. 295 11 §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. ((Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98, mas com eficácia suspensa pela liminar concedida na ADI nº 2.028). § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98, mas com eficácia suspensa pela liminar concedida na ADI nº 2.028) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. ((Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98, mas com eficácia suspensa pela liminar concedida na ADI nº 2.028) §6º A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3º do art. 195 da Constituição." (Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.2001) No período autuado, a norma do art. 55 da Lei nº 8.212/91 tinha eficácia à luz do texto acima, sem as alterações constantes da Lei nº 9.732, de 11/12/98, cujos efeitos foram suspensos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento, em sede de liminar, da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 2.028 (julgamento em 11/11/99, publicação em 16/06/2000, conforme informações obtidas na internet em 06/05/2005, no sítio do STF). O Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos foi substituído pelo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social e renovável a cada três anos, na forma da Medida Provisória nº 2.18713, de 24/08/01. Com a sua extinção, o relatório de que trata o inciso V da Lei nº 8.212/91 deve ser apresentado anualmente ao órgão do INSS competente – é o que determina a Lei nº 9.528, de 10/12/97. Ressalto que a cobrança pelos serviços prestados, por si só, não descaracteriza a imunidade ou isenção. Desde que atendidos os outros requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, a circunstância de uma entidade cobrar pelos serviços prestados não descaracteriza a isenção (ou imunidade). Um hospital beneficente de assistência social pode cobrar das pessoas não carentes, assim como uma faculdade pode cobrar mensalidades dos alunos que têm condições de pagálas. O que não pode, sob pena de descaracterizar a assistência social, é a cobrança recair sobre as pessoas hipossuficientes. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 12 É que, na forma dos arts. 6º e 203 da Constituição Federal, a assistência social deve ser prestada a quem dela necessitar, aos desamparados, e não a todos indistintamente. Assim, a filantropia ou beneficência, no sentido de amparo ou auxílio sem contrapartida, implica em prestação de serviços gratuitos àqueles que não têm condições de pagar. Neste sentido é que a Lei nº 8.742/93 informa: Art. 1º A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas. Tratando do tema, o Min. Moreira Alves, no despacho liminar na ADI nº 2.0285, depois corroborado pelo Plenário do STF e que manteve a redação original do art. 55 da Lei nº 8.212/91, sem as alterações da Lei nº 9.732/98, assim interpreta o § 7º do art. 195 da Constituição: No preceito, cuidase de entidades beneficentes de assistência social, não estando restrito, portanto, às instituições filantrópicas. Indispensável , é certo , que se tenha o desenvolvimento da atividade voltada aos hipossuficientes , àqueles que , sem prejuízo do próprio sustento e o da família , não possam dirigirse aos particulares que atuam no ramo buscando lucro, dificultada que está, pela insuficiência de estrutura , a prestação do serviço pelo Estado . Ora , no caso , chegouse à mitigação do preceito, olvidandose que nele não se contém a impossibilidade de reconhecimento do benefício quando a prestadora de serviços atua de forma gratuita em relação aos necessitados , procedendo à cobrança junto àqueles que possuam recursos suficientes . A cláusula que remete à disciplina legal e, aí , temse a conjugação com o disposto no inciso 0II do artigo 146 da Carta da República , pouco importando que nela própria não se haja consignado a especificidade do ato normativo não é idônea a solapar o comando constitucional, sob pena de caminharse no sentido de reconhecer a possibilidade de o legislador comum vir a mitigálo, a temperálo . As exigências estabelecidas em lei não podem implicar verdadeiro conflito com o sentido , revelado pelos costumes , da expressão " entidades beneficentes de assistência social ". Em síntese, a circunstância de a entidade , diante , até mesmo , do princípio isonômico , mesclar a prestação de serviços, fazendoo gratuitamente aos menos favorecidos e de forma onerosa aos afortunados pela sorte, não a descaracteriza, não lhe retira a condição de beneficente. Antes , em face à escassez de doações nos dias de hoje , viabiliza a continuidade dos serviços , devendo ser levado em conta o somatório de despesas resultantes do funcionamento e que é decorrência do caráter impiedoso da vida econômica. Portanto, também sob o prisma do vício de fundo , temse a relevância do pedido inicial , notandose , mesmo , a preocupação do Excelentíssimo Ministro de Estado da Saúde com os ônus indiretos advindos da normatividade da Lei nº 8732 /98 , no que veio a restringir , sobremaneira , a imunidade constitucional, praticamente inviabilizando repitase uma vez que não são comuns , nos dias de hoje, as grandes doações, a filantropia pelos mais aquinhoados – a assistência social , a par da precária Fl. 596DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.009928/200461 Acórdão n.º 3401002.233 S3C4T1 Fl. 296 13 prestada pelo Estado , que o § 007 º do artigo 195 da Constituição Federal visa a estimular. Tudo recomenda, assim, sejam mantidos , até a decisão final desta ação direta de inconstitucionalidade , os parâmetros da Lei nº 8.212/91, na redação primitiva . (...) Defiro a liminar , submetendoa desde logo ao Plenário , para suspender a eficácia do art. 001 º , na parte em que alterou a redação do art. 055 , inciso III , da Lei n º 8212/91 e acrescentoulhe os §§ 003 º , 004 º e 005 º , bem como dos artigos 004 º , 005 º e 007 º da Lei nº 9.732 , de 11 de dezembro de 1998 . No caso específico das entidades de saúde, o § 5º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, também introduzido pela Lei nº 9.732/98, determinou que serão consideradas entidades beneficentes de assistência social aquelas que prestam pelo menos sessenta por cento dos seus serviços através do Sistema Único de Saúde (SUS). Referido parágrafo, cuja eficácia encontrase suspensa pela ADI nº 2.028, de todo modo não dispensava a exigência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, como, aliás, está assentado no art. 206 do Decreto nº 3.048, de 06/05/99 (Regulamento da Previdência Social), art. 207. Além da isenção acima, há uma outra, esta específica para as Contribuições Previdenciárias. Tratase da estabelecida pelo art. 4º da Lei nº 9.732/98 (cujos efeitos estão suspensos pelo STF, conforme ADI 2.028, cautelar julgada em 11/11/99) e que, no Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048, de 06/05/99), consta do seu art. 207. Tal isenção é concedida à pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos que exerce atividade educacional conforme a Lei nº 9.394/96 ou que atenda ao Sistema Único de Saúde, na proporção do valor das vagas cedidas, integral e gratuitamente, a carentes, ou do valor do atendimento à saúde de caráter assistencial. Para ser concedida, se for o caso (a despeito do julgamento do STF), de todo modo não se dispensa a exigência do mencionado Certificado e de outros requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, tal como já informa o próprio art. 4º da Lei nº 9.732/98. Também não dispensa a exigência do mencionado Certificado e de outros requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, a isenção específica para as Contribuições Previdenciárias, estabelecida pelo art. 4º da Lei nº 9.732/98 (cujos efeitos estão suspensos pelo STF, conforme ADI 2.028, cautelar julgada em 11/11/99) e que, no Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048, de 06/05/99), consta do seu art. 207. Tal isenção é concedida à pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos que exerce atividade educacional conforme a Lei nº 9.394/96 ou que atenda ao Sistema Único de Saúde, na proporção do valor das vagas cedidas, integral e gratuitamente, a carentes, ou do valor do atendimento à saúde de caráter assistencial. Para ser concedida, se fosse o caso (ou seja, a despeito do julgamento do STF), de todo modo não se dispensaria a exigência dos constantes do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Outrossim, os requisitos do art. 55 em comento se aplicam às entidades mantenedoras de instituições privadas de ensino superior comunitárias, confessionais e filantrópicas ou constituídas como fundações (art. 7ºC da Lei nº 9.131, de 24/11/1995, incluído pela Lei nº 9.870, de 23/11/1999). Fl. 597DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 14 Como será demonstrado adiante, o art. 55 da Lei nº 8.212/91 pode ser interpretado como se referindo a isenção (LC nº 70/91, art. 6º, III, e MP nº 2.15835/2001) ou a imunidade (Constituição, art. 195, § 7º). De todo modo, a legislação infraconstitucional igualou as condições para gozo dos dois benefícios, embora imunidade e isenção sejam juridicamente inconfundíveis. A justificativa mais plausível para tanto pode ser encontrada na circunstância de que em ambos os efeitos econômicos são idênticos – tanto imunidade como isenção evitam a tributação. ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO: NORMA IMUNITÓRIA DE EFICÁCIA COMPLEMENTÁVEL, NÃO REGULADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91 PORQUE ESTE TRATA DE ISENÇÃO, VEZ DE IMUNIDADE. Para muitos o art. 55 da Lei nº 8.212, em vez de instituir isenção, pode ser considerado norma que regulamenta o art. 195, § 7º, da Constituição Federal. Por isto dá no mesmo investigar se a recorrente faz jus a tal imunidade, ou à isenção: os requisitos são idênticos, como já dito. A expressão “isentas”, no § 7º do art. 195 da Constituição, deve ser lida como “imunes”. No caso, impõese a chamada interpretação corretiva. A insuficiência da interpretação literal ou gramatical, mais uma vez, decorre da circunstância de ser o Direito um sistema. Assim, o significado de determinada expressão constante de texto de lei não é necessariamente aquele dado pelo dicionário, mas o extraído do conjunto das normas jurídicas. O hermeneuta, sabendo que a linguagem empregada pelo legislador é um misto de linguagem comum e técnica, sujeita a imperfeições, interpreta a referência a isenção como significando imunidade. Se o leigo e o legislador podem fazer confusão com os dois conceitos, o hermeneuta jurídico assim não deve proceder, pois os institutos da imunidade e da isenção possuem uma diferença básica: enquanto a primeira é sempre estatuída na Constituição, a segunda é matéria da legislação infraconstitucional. A despeito de posições contrárias, entendo que o referido art. 195, § 7º, veicula norma de eficácia complementável, que necessariamente há de ser regulamentada por meio de lei complementar, face ao disposto 146, II, do texto constitucional. Este inc. II, assim como o inc. I que lhe antecede, não trata de “normas gerais”, previstas tãosomente no inc. III. A diferença é crucial porque somente o inc. III é que comporta regulamentação via lei ordinária. No que os textos legais tratarem, de modo específico, sobre os temas relacionados nas suas alíneas, pode o legislador se utilizar de lei ordinária. Assim acontece com a decadência e a prescrição, por exemplo. Por isto a Lei nº 8.212/91, ao regulamentar a decadência e a prescrição da espécie contribuições para a seguridade social, não deve ser acoimada de inconstitucional por suposta ofensa ao art. 146, III, em comento. A lei complementar requerida pelo inc. III fica reservada às “normas gerais”: um prazo decadencial geral, para todos os tributos, como estabelecido pelo CTN, só pode ser alterado mediante lei complementar. Longe de se referir a “normas gerais”, o inc. II diz simplesmente o seguinte: “regular limitações constitucionais ao poder de tributar.” Ou seja, toda e qualquer limitação constitucional ao poder de tributar, dentre elas a imunidade, deve ser regulamentada por lei complementar. Pelas razões acima é entendo não ter sido regulamentado, até hoje, o § 7º do art. 195 da Constituição. Isto a despeito de o STF já ter interpretado que o art. 55 da Lei nº 8.212/91, em vez de simplesmente instituir isenção, pode ser considerado norma que Fl. 598DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.009928/200461 Acórdão n.º 3401002.233 S3C4T1 Fl. 297 15 regulamenta a imunidade em foco. Digo pode, em vez de deve, porque o STF ainda não decidiu se a lei requerida pelo mencionado § 7º do art. 195 deve ser lei complementar ou lei ordinária. O referido art. 195, § 7º, é norma de eficácia limitada ou complementável, dependente de lei infraconstitucional para lhe dar eficácia plena. A doutrina norteamericana classificou as normas constitucionais, quanto à eficácia jurídica, em dois grupos: autoexecutáveis ou autoaplicáveis e não autoexecutáveis ou não autoaplicáveis. As primeiras com eficácia jurídica plena e aplicação imediata porque regulando diretamente as matérias, e as segundas com eficácia jurídica limitada porque dependentes de outras normas infraconstitucionais, pelo que de aplicação mediata.1 José Afonso da Silva, considerando que “não há norma constitucional alguma destituída de eficácia”,2 julgou insuficiente a divisão bipartite acima e propôs a sua divisão tricotômica. Esta identifica, ao lado das normas de eficácia plena, aptas a produzir todos os seus efeitos por si sós, já que o constituinte editou desde logo uma normatividade completa, mais dois grupos, agora empregandose a nomenclatura proposta por Maria Helena Diniz:3 o das normas constitucionais de eficácia restringível, que podem ter a eficácia jurídica contida (e não necessariamente a tem, como dá a entender o termo contida, empregado por J. Afonso), a depender da legislação infraconstitucional superveniente ou ainda de determinadas circunstâncias postas na própria norma (estado de sítio, por exemplo); e o grupo das normas constitucionais de eficácia jurídica complementável ou dependente de complementação (ou limitada, no dizer de José Afonso da Silva), cuja eficácia jurídica é a menor de todas, dado que o legislador constituinte estabeleceu uma normatização cuja eficácia plena depende da legislação infraconstitucional. Como até mesmo as normas de eficácia jurídica complementável possuem uma eficácia mínima a partir da vigência, o art. 195, § 7º, mesmo antes da Lei nº 8.212/91 (para quem entende que o art. 55 desta regulamenta aquele), já impedia que as entidades beneficentes de assistência social pudessem ser tributadas de forma mais onerosa que as outras pessoas jurídicas. Se a Constituição pretende a imunidade, a reduzir a tributação, não se pode admitir um tratamento no sentido oposto, a agravála. Por fim, e para corroborar que o STF ainda não se pronunciou de modo definitivo sobre o tema, reportome a julgamentos da Colenda Corte, cujos trechos transcrevo abaixo. No julgamento da Medida Cautelar da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 1.802,4 em 27/08/98 (até hoje sem julgamento do mérito), o STF, por unanimidade, sinalizou que lei ordinária pode dispor sobre a constituição e o funcionamento de entidade imune, mas não sobre os limites da imunidade. Observese a parte da ementa que trata do tema: 1 SILVA, José Afonso da. Aplicabilidade das Normas Constitucionais. São Paulo, Malheiros Editores, 1999, pp.7381 e 88. 2 SILVA, José Afonso da. Aplicabilidade das Normas Constitucionais. São Paulo, Malheiros Editores, 1999, p. 81. 3 DINIZ, Maria Helena. Norma constitucional e seus efeitos. São Paulo: Saraiva, 1998, p.113. 4 Na ADI nº 1.802, a decisão cautelar foi a seguinte: “deferida, em parte, a medida cautelar, para suspender, até a decisão final da ação, a vigência do § 1º e da alínea f do § 2º, ambos do art. 12, do art. 13, "caput" e do art. 14, todos da Lei9532, de 10/12/1997. Indeferida com relação aos demais.” Fl. 599DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 16 1. Conforme precedente no STF (RE 93.770, Muñoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar. Cabe observar, no entanto, que a distinção acima não é precisa. Afinal, ao tratar dos requisitos de entidade imune, ao menos indiretamente a lei está tratando dos limites da imunidade. No julgamento da Medida Cautelar da ADI nº 2.028, em 11/11/99 (igualmente sem julgamento do mérito até hoje), o Colendo Tribunal suspendeu os efeitos da alteração procedida pela Lei nº 9.732/98 no referido art. 55, mas o fez sob o pressuposto de inconstitucionalidade material. Os dispositivos da Lei nº 9.732/98 teriam estabelecido “requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade”, nos dizeres da ementa que reproduzo abaixo: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a "lei" para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei" sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, "c", da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II ("Cabe à lei complementar: .... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar"), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se Fl. 600DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.009928/200461 Acórdão n.º 3401002.233 S3C4T1 Fl. 298 17 exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em conseqüência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao não conhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarseia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 18 (STF, Medida Cautelar na ADI nº 2.028, Relator Min. Moreira Alves, julgamento em 11/11/1999, grifos ausente no original). Posteriormente, no Mandado de Injunção nº 605/RJ, julgado em 30/08/2001, o Pleno do STF voltou a admitir a aplicabilidade do art. 55 da Lei no 8.212/91 como norma regulamentadora do § 7o do art. 195 da Constituição. Observese: MANDADO DE INJUNÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ART. 195, § 7o, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI No 9.732/98. Não cabe mandado de injunção para tornar efetivo o exercício da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Carta Magna, com alegação de falta de norma regulamentadora do dispositivo, decorrente de suposta inconstitucionalidade formal da legislação ordinária que disciplinou a matéria. Impetrante carecedora da ação. O relator desse Mandado de Injunção nº 605, Ministro Ilmar Galvão, assim se manifestou em seu voto: Dispõe o § 7o do artigo 195 da Constituição Federal: “§ 7o São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Por sua vez, o art. 55 da Lei no 8.212/91, alterado pela Lei no 9.732/98, tem a seguinte redação: (...) Entende a impetrante que a referida lei, por ser ordinária, não poderia “regular o gozo de IMUNIDADES, que, devido ao direito subjetivo constituído, são limitações constitucionais ao poder de tributar”, a serem disciplinadas, no caso, por lei complementar, cuja inexistência justificaria, no seu entender, o exercício do benefício constitucional. O Supremo Tribunal Federal já teve oportunidade de apreciar a questão no julgamento do Mandado de Injunção no 609, relatado pelo Ministro Octavio Gallotti, e objeto de agravo regimental, assim ementado: “Isenção de contribuição das entidades beneficentes de assistência social para a seguridade social (art. 195, § 7o, da Constituição). Inadmissibilidade do mandado de injunção para tornar viável o exercício desse direito, por não se tratar da falta de norma regulamentadora, mas da argüição de inconstitucionalidade de normas já existentes, causa de pedir incompatível com o uso do instrumento processual previsto no art. 5o, LXXI, da Constituição.” Destacase do voto do eminente Relator a seguinte passagem, que se aplica integralmente à hipótese dos autos: “(...) Fl. 602DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.009928/200461 Acórdão n.º 3401002.233 S3C4T1 Fl. 299 19 Na suposta inconstitucionalidade de norma regulamentadora e não na sua falta – como exige a Constituição (art. 5o, LXXI) – reside a causa de pedir da presente ação, de todo incompatível com o pressuposto processual de admissibilidade do mandado de injunção.” Esse entendimento foi mantido no julgamento do Mandado de Injunção no 608, Relator Ministro Sepúlveda Pertence, mesmo depois de a Corte deferir medida cautelar, na ADI no 2.028, para suspender provisoriamente a eficácia de parte das disposições legais questionadas pela requerente. Ante o exposto, meu voto julga a impetrante carecedora da ação. Antes, em 02/08/91 poucos dias depois de editada a Lei nº 8.212 (publicada em 25/07/91) , o STF julgou o Mandado de Injunção nº 232, assim se pronunciando (negrito acrescentado): Mandado de Injunção. – Legitimidade ativa da requerente para impetrar mandado de injunção por falta de regulamentação do disposto no § 7º do artigo 195 da Constituição Federal. – Ocorrência, no caso, em face do disposto no artigo 59 do ADCT, de mora, por parte do Congresso, na regulamentação daquele preceito constitucional. Mandado de injunção conhecido, em parte, e, nessa parte, deferido para declararse o estado de mora em que se encontra o Congresso Nacional, a fim de que, no prazo de seis meses, adote ele as providências legislativas que se impõem para o cumprimento da obrigação de legislar decorrente do artigo 195, § 7º, da Constituição, sob pena de, vencido esse prazo sem que essa obrigação se cumpra, passar o requerente a gozar da imunidade requerida. (STF, Mandado de Injunção no 232/RJ, julgado em 02/08/91, DJ de 27/03/92, no qual se pleiteava a declaração de mora do Congresso Nacional em face da não regulamentação do § 7o do art. 195 da Constituição). Segundo o Acórdão prolatado pelo STF no referido Mandado de Injunção nº 232/RJ, por maioria (vencidos os Min. Marco Aurélio, Carlos Velloso e Célio Borja, que também deferiam o Mandado, mas em termos diversos) o Colendo Tribunal declarou que Congresso estava em mora quanto à regulamentação do da imunidade estatuída no § 7º do art. 195 da Constituição. Mora que perdura até hoje porque ainda não editada lei complementar para tanto. Por oportuno, cabe observar que o STF, por um lado, não exigiu lei complementar para regulamentar a imunidade em questão. Por outro, rejeitou a utilização do art. 14 do Código Tributário Nacional para tanto. Observese o voto do relator, Ministro Moreira Alves: (...) Fl. 603DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 20 2. Sucede, porém, que, no caso, o parágrafo 7o do artigo 195 não concedeu o direito de imunidade às entidades beneficentes de assistência social, direito esse que apenas não pudesse se exercido por falta de regulamentação, mas somente lhes outorgou as expectativas de, se virem a atender as exigências a ser estabelecidas em lei, verão nascer para si, o direito em causa. O que implica dizer que esse direito não nasce apenas do preenchimento da hipótese de incidência contida na norma constitucional, mas depende ainda, das exigências fixadas pela lei ordinária, como resulta claramente do disposto no referido parágrafo 7o. Por ocasião da confirmação do seu voto, o Min. Moreira Alves assim se pronunciou (com negrito acrescentado): (...) No caso, em face dos votos divergentes, ou se aplica a norma do Código Tributário Nacional por estar ela em vigor e, conseqüentemente, não há a omissão que dá margem ao mandado de injunção, ou se está legislando, sem que a constituição tenha dado ao Poder Judiciário competência essa que, no Estado democrático, é dos Poderes Políticos – o Legislativo e o Executivo , que recebem seus mandatos pelo voto popular. A esse respeito, já me manifestei longamente no voto que proferi em questão de ordem no Mandado de Injunção no 107, voto esse que foi acompanhado pela unanimidade da Corte, naquela ocasião. A solução que dou, neste caso concreto – o de marcar prazo para que o Congresso supra sua omissão inconstitucional, sob pena de, não o fazendo, o requerente tenha reconhecido a imunidade a que alude o § 7o do artigo 195 da Constituição sem as restrições que a lei futura poderá estabelecer , está dentro da linha de orientação tomada na referida questão de ordem, pois se trata de reconhecimento que não envolve a atuação legislativa por parte desta Corte. No mesmo Mandado de Injunção nº 232 assim se manifestou o Ministro Sepúlveda Pertence: Senhor Presidente, acompanhei, com a maior atenção, o voto hoje proferido pelo eminente Ministro Célio Borja, de acentuada perspectiva kelseniana, que muito me agradou. Mas não consegui, a partir das premissas estabelecidas na jurisprudência do Tribunal, fugir ao dilema que, a certa altura do debate, S. Exa. mesmo, o Ministro Célio Borja, confessou se lhe ter colocado. O primeiro termo desse dilema, que me pareceu muito adequado ao voto de S. Exa., era, simplesmente, o de que, a partir da existência de uma lei, claramente recebida pela ordem constitucional vigente, para disciplinar a imunidade tributária de impostos (também está sujeita, pelo art. 150, § 4o, “c”, ao atendimento aos requisitos da lei para a caracterização das instituições de assistência social sem fins lucrativos), S. Exa. aplicou os mesmos critérios nela estabelecidos ao caso do art. 195, § 7o, que não é, em substância, mais do que uma extensão ao caso específico da imunidade aos impostos “stricto sensu” à Fl. 604DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.009928/200461 Acórdão n.º 3401002.233 S3C4T1 Fl. 300 21 figura tributária da contribuição previdenciária do empregador. Ora, isso é integração por analogia. Por isso, como antecipei, se o voto de S. Exa. tivesse sido posto quando examinávamos o cabimento deste mandado de injunção, ele me tivesse levado a acompanhar, por este fundamento, aqueles que dele não conheciam por entender que, mediante processo de integração analógica, se poderia transplantar aqueles requisitos de identificação da instituição de assistência social sem fins lucrativos beneficiada no art. 150 à instituição de beneficência referida no art. 195, § 7o da Constituição. Mas a matéria foi superada; o Tribunal discutiu expressamente o problema e conheceu do mandado de injunção. Com isso, afirmou a exigência, para viabilizar aquele direito incompleto, aquele direito obstado, aquele direito paralisado, do art. 195, § 7o, de uma complementação legislativa. A partir daí, já não podendo entender o caso como de integração analógica, não posso fugir à outra conclusão: estabeleceuse norma, embora individual, para o caso concreto. E esta é a corrente sustentada pelos eminentes Ministros Marco Aurélio e Carlos Veloso, mas à qual tem sido infenso o Tribunal. Fico, pois, com a convicção que formara quando do início do julgamento, que leva à solução do eminente Ministro Moreira Alves, e que revela, mais uma vez, as potencialidades da formulação ortodoxa, que se fixou no Mandado de Injunção 107, ou seja: sempre que o caso permitir, inserir, no mandado de injunção, uma cominação, com o sentido cautelar ou compulsivo e levar à agilização do processo legislativo de complementação da norma constitucional, sem, no entanto, se substituir definitivamente o Tribunal ao legislador. Com essa breves explicações de homenagem aos três votos em sentido contrário, peço vênia para acompanhar, no caso, a solução do eminente relator. Após essa manifestação, votou o Ministro Octavio Gallotti (negrito acrescentado): Sr. Presidente, dispõe a Constituição Federal no inciso LXXI do art. 5o: “Concederseá mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania”. Cumpre distinguir entre aquilo que consiste em falta de norma regulamentadora que torne inviável o exercício dos direitos e liberdade, de um lado, e, de outro lado, a simples lacuna do ordenamento jurídico, que pode ser suprida, objetivamente, pelo Juiz, de acordo com o art. 126 do Código de Processo Civil, nestes termos: Fl. 605DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 22 “O juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. No julgamento da lide caberlheá aplicar as normas legais; não as havendo, recorrerá à analogia, aos costumes e aos princípios gerais de direito.” No caso em apreciação, Sr. Presidente, penso que o que ocorre é, verdadeiramente, a falta de norma regulamentadora e não a simples lacuna que torne possível o emprego da analogia. Por isso, estou acompanhando o voto do eminente Ministro MOREIRA ALVES, que abre, ao Poder Legislativo, o ensejo de suprir a falta de norma regulamentadora, em determinado prazo, editando a lei necessária. Se estivesse convencido de que houvesse simplesmente uma lacuna, suprível por meio da analogia, segundo o critério objetivo do magistrado, sem depender do critério subjetivo do legislador, penso que seria, então, forçado a admitir que o caso não seria de mandado de injunção e sim de mandado de segurança ou outro instrumento processual, que não o mandado de injunção. Peço vênia, por isso, aos eminentes Ministros que dele divergiram, para deferir o Mandado de Injunção nos termos, em que o faz o eminente MinistroRelator. Estas as razões pelas quais entendo que o art. 55 da Lei nº 8.212/91 trata de isenção, vez de imunidade. CONCLUSÃO Do exposto cabe concluir que as entidades de assistência social e as filantrópicas somente são isentas (ou imunes, para quem entende que o art. 55 da Lei nº 8.212/91 está regulamentando o § 7º do art. 195 da Constituição) da Cofins se atenderem aos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Como a recorrente os atende – é o que concluiu a diligência determinada por esta Terceira Câmara , faz jus à isenção e o lançamento é improcedente. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso para cancelar o Auto de Infração. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 606DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 10831.009116/2004-17
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 13/09/1999 a 07/01/2004
MULTA DO ART. 84, I, DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.158-35/2001
Os produtos importados são, na verdade, vacinas para animais já prontas para uso, classificadas na posição NCM 3002.30.90 " Outras vacinas para medicina veterinária". Portanto, incide na hipótese o art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que determina a aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro quando a mercadoria for “classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria”.
MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO
A multa administrativa prevista no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, não se aplica nos casos de descrição inexata de mercadoria na declaração de importação, mas sim quando constatada a ausência da respectiva licença de importação ou de documentação equivalente.
Recursos de ofício e voluntário negados.
Lançamento mantido.
Numero da decisão: 3102-00.822
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Portanto, incide na hipótese o art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que determina a aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro quando a mercadoria for “classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria”. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO A multa administrativa prevista no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, não se aplica nos casos de descrição inexata de mercadoria na declaração de importação, mas sim quando constatada a ausência da respectiva licença de importação ou de documentação equivalente. Recursos de ofício e voluntário negados. Lançamento mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do voto da relatora. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3102000.822 S3‐C1T2 Fl. 2 2 LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de crédito referente à multa devida por falta de apresentação de licença de importação (LI), nos termos do art. 169 do DecretoLei nº 37/66, regulamentado pelo art. 633, inciso II, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002), com a interpretação do Ato Declaratório Normativo nº 12, de 21 de janeiro de 1997, com como a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, em razão do erro de classificação fiscal, nos termos do art. 84, I,da MP 2.158 35/2001 (art. 636, I, do Decreto n° 4.543/2002 – fl. 6 dos autos). Por bem resumir o direito aplicável à lide, adoto parte do relatório do acórdão proferido pela DRJ (fls. 10401041): A empresa acima qualificada importou mediante as DI's listadas à folha 32, que declarou ser "Antígeno tetânico contendo anatoxina de clostridium tetani, hidróxido de alumínio, formaldeido e solução de cloreto de sódio. Matériaprima destinada à produção da vacina SINTOXAN POLIVALENTET, fabricada pela MerialUruguai" e "Antígeno imunizante contendo anacultura de clostridium chauvoel e anatoxinas de clostridium perfringens (beta e epsilon) do clostridium novyl e do clostridium sordelli. Matériaprima destinada à produção da vacina S1NTOXAN POLIVALENTEC, fabricada pela Menai Uruguai". Tais mercadorias foram classificadas pela interessada na posição 300290.91 relativa às "Outras vacinas, toxinas, culturas de microrganismos e produtos semelhantes". A fiscalização solicitou a realização de perícia técnica nos produtos importados e o Laboratório Nacional de Análises entendeu que: "A composição da mercadoria declarada no campo 'Discriminação do Produto' do pedido de exame LAB1316/ALF Fl. 470DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3102000.822 S3‐C1T2 Fl. 3 3 Viracopos, está de acordo com a composição descrita nas Referências Bibliográficas para vacina AntiTetânica, constituída de anotoxina tetânica obtida da toxina de elostridium tetani, submetida à destoxificação pelo formaldeido, purificada e adsorvida pelo hidróxido de alumínio em solução salina, e indicada para imunização ativa contra o tétano. Portanto, as informações acima indicam que a mercadoria é uma vacina acabada". E também que: "A composição da mercadoria declarada no campo 'Discriminação do Produto' do pedido de exame LAB1316/ALF Viracopos, está de acordo com a composição descrita nas Referências Bibliográficas para vacina de nome comercial POLIVALENTE e em literatura técnica para vacina SINTOXAN POLIVALENTE, licenciada no Ministério da Agricultura sob número 3.868/91. Portanto, as informações acima indicam que a composição da mercadoria é a mesma da vacina SINTOXAN POLIVALENTE, acabada". De posse destas informações a fiscalização intimou a interessada a apresentar maiores informações acerca do processo produtivo das mercadorias, tanto no Uruguai quanto no Brasil. Por fim, a fiscalização entendeu que as mercadorias importadas são, efetivamente, vacinas acabadas, alegando as seguintes razões para sua conclusão: 1 o laudo assim dispõe; 2 o processo industrial empregado no Brasil referese única e exclusivamente ao envasamento e acondicionamento das mercadorias; 3 em algumas DI's, o próprio importador declarou a importação do mesmo produto por doses, especificando a quantidade de doses de vacinas contidas; 4 o importador deixou de informar o destaque 003, obrigatório para todo o capitulo 30 da NCM. Desta forma, a fiscalização considerou ter ocorrido importação sem guia ou documento equivalente e com classificação fiscal diferente da correta que, em seu entendimento, deveria ser na posição 3002.30.90, relativa às "Outras vacinas para medicina veterinária". Foi lavrado o auto de infração às folhas 01 a 31 e cobradas as multas previstas no artigo 526, II, do decreto 91.030/85, com nova redação dada pelo artigo 633, II, "a" do decreto 4.543/2002 e 636, I, do mesmo decreto 4.543/2002. Em sua impugnação, às folhas 935 a 955, a interessada apresenta suas razões de defesa, alegando, em suma, que: Fl. 471DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3102000.822 S3‐C1T2 Fl. 4 4 1 não haveria razão para a interessada mudar a classificação fiscal vez que as mercadorias importadas vêm do Mercosul e são tributadas com a alíquota zero, independente da posição fiscal informada; 2 Antígeno é o nome técnico de vacina (substância capaz de provocar a formação de anticorpos). Assim, sua descrição não estava incorreta; 3 os produtos importados, no estado em que se encontram, não estão aptos a serem aplicados nos animais. Isto porque, é impossível retirar pequenas doses das bombonas de 50 litros para aplicálas diretamente; 4 o procedimento industrial realizado pela interessada é imprescindível para evitar a contaminação do produto importado. Tal procedimento implica em esterilizar as bombonas e os equipamentos por onde circula o antígeno, envasar assepticamente e acondicionar o produto em embalagens comerciais, de transporte, além de controlar a qualidade a ser certificada por órgão competente; 5 nos termos do RIPI, tal procedimento caracteriza uma operação de industrialização; 6 nos termos do ADN 12/97, não pode ser aplicada a multa por falta de licenciamento à medida que a interessada descreveu a mercadoria corretamente, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. A DRJ julgou parcialmente procedente o pedido para manter, apenas, a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 13/09/1999 a 07/01/2004 Ementa: FALTA DE LICENCIAMENTO. Nos termos do ADN COSIT 12/97 não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a DI de mercadoria objeto de licenciamento no SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "EX" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. A mercadoria informada com a classificação errônea é penalizada com a multa prevista no artigo 84, I, da MP 2.15835/2001. Fl. 472DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3102000.822 S3‐C1T2 Fl. 5 5 O processo subiu a exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em sede de recurso voluntário e de ofício. No recurso voluntário, o Contribuinte argumenta pela correção da classificação fiscal, na medida em que “os produtos importados "antígenos" NO ESTADO EM QUE SE ENCONTRAM NO MOMENTO DA IMPORTAÇÃO absolutamente "NÃO ESTÃO APTOS A SEREM APLICADOS NOS ANIMAIS”. Por isso, não poderiam ser classificados na posição NCM É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos extrínsecos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. Multa do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001 Por haver divergência de classificação entre a adotada pela empresa e o fisco, mas com identidade de alíquotas, a fiscalização lançou, apenas, as multas por falta de apresentação de licença de importação (LI), nos termos do art. 169 do DecretoLei nº 37/66, regulamentado pelo art. 633, inciso II, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002), e a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, em razão do erro de classificação fiscal, nos termos do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001. Assim, não há diferenças de tributos a serem recolhidas na presente hipótese. Todavia, uma vez que a multa do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, está condicionada a erro de classificação, cumpre examinar se a classificação empregada no caso concreto está correta. A empresa acima qualificada importou mediante as Declarações de Importação à fl. 32 o que declarou ser: "Antígeno tetânico contendo anatoxina de clostridium tetani, hidróxido de alumínio, fomuldeido e solução de cloreto de sódio. Matériaprima destinada à produção da vacina SINTOXAN POLIVALENTE T, fabricada pela MerialUruguai" e "Antígeno imunizante contendo anacultura de clostridium chauvoel e anatoxinas de clostridium perfringens (beta e epsilon) do Fl. 473DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3102000.822 S3‐C1T2 Fl. 6 6 clostridium novyl e do clostridium sordelli. Matériaprima destinada à produção da vacina S1NTOXAN POLIVALENTE C, fabricada pela Menai Uruguai". Uma vez que o Contribuinte entende que tais mercadorias seriam matéria prima para fabricação de vacinas, elas foram classificadas na posição 3002.90.91, relativa às "Outras vacinas, toxinas, culturas de microrganismos e produtos semelhantes". A fiscalização determinou a realização de perícia técnica pelo Laboratório Nacional de Análises acerca da natureza dos produtos desembaraçados. O perito entendeu que, ao contrário do que afirma o contribuinte, os produtos desembaraçados não são matéria prima para fabricação de vacinas, mas sim vacinas já prontas e acabadas. Consta do laudo pericial: “A composição da mercadoria declarada no campo 'Discriminação do Produto' do pedido de exame LAB1316/ALF Viracopos, está de acordo com a composição descrita nas Referências Bibliográficas para vacina AntiTetânica, constituída de anotoxina tetânica obtida da toxina de elostridium tetani, submetida à destoxificação pelo formaldeído, purificada e adsorvida pelo hidróxido de alumínio em solução salina, e indicada para imunização ativa contra o tétano. Portanto, as informações acima indicam que a mercadoria é uma vacina acabada". E também que: "A composição da mercadoria declarada no campo 'Discriminação do Produto' do pedido de exame LAB1316/ALF Viracopos, está de acordo com a composição descrita nas Referências Bibliográficas para vacina de nome comercial POLIVALENTE e em literatura técnica para vacina SINTOXAN POLIVALENTE, licenciada no Ministério da Agricultura sob número 3.868/91. Portanto, as informações acima indicam que a composição da mercadoria é a mesma da vacina SINTOXAN POLIVALENTE, acabada". A mercadoria foi, então, classificada na posição NCM 3002.30.90, relativa às "Outras vacinas para medicina veterinária". Fl. 474DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3102000.822 S3‐C1T2 Fl. 7 7 De fato, as informações fornecidas pelo perito oficial elidem de quaisquer dúvidas o fato de que os produtos importados são, na verdade, vacinas para animais já prontas para uso. Portanto, a posição 3002.90.91, dada pelo Contribuinte, não se afigura adequada. Por outro lado, a classificação na posição NCM 3002.30.90 "Outras vacinas para medicina veterinária", é perfeitamente adequada à hipótese, por espelhar literalmente a composição e a natureza do produto desembaraçado. Isto posto, é pertinente a aplicação da multa do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que determina a aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro quando a mercadoria for “classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria”. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento da multa do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001. Multa por falta de licenciamento – artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro Passo ao exame do recurso de ofício. Quanto à aplicação da multa prevista no artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro, entendo que o lançamento é, de fato, improcedente. Além da descrição correta da mercadoria, apontada pela DRJ, cumpre considerar que a multa administrativa prevista no artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro, não é aplicada nos casos em que se verifica, tão somente, descrição inexata de mercadoria em declaração de importação, porém, especificamente, incide tal multa nos episódios de ausência de licença de importação ou guia de importação. No novo regime de licenciamento, em vigor desde a incorporação da Rodada do Uruguai, em 1994, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Assim caso se demonstre erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (por exemplo, o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Ocorre, por outro lado, que se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Esse é, precisamente, o caso em exame. Depreendese do r. acórdão a quo que, tanto na posição na qual a empresa classificou os produtos, quanto na posição indicada pelo Fisco, as mercadorias estavam sujeitas a licenciamento automático. Fl. 475DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3102000.822 S3‐C1T2 Fl. 8 8 Nesse sentido, vejase a redação do ato que tipifica a infração, qual seja, a atual redação do art. 169 do Decretolei nº 37/66 (destaque nosso): Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Dispõe o art. 526, inciso II, do RA, com a redação vigente a época dos fatos geradores: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei nº 37/66,art. 169, alterado pela Lei No 6.562/78, art. 2o): (...) II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Ora, se o controle administrativo das importações não foi prejudicado, evidentemente não se pode falar na aplicação da multa em questão. Compulsando os extratos de declaração de importação, verificase que, efetivamente, a mercadoria passou por processo de licenciamento. Indevida a multa, portanto. Transcrevese ementa de precedente administrativo nesse sentido: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 21/09/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. APRESENTAÇÃO DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO EXIGIDA, SOB NCM INECORRETO. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. A multa administrativa prevista no artigo 526, II, do RA e aplicada no presente caso pelo Fisco, Fl. 476DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3102000.822 S3‐C1T2 Fl. 9 9 não se sobrepõe nos casos de declarações inexatas, mas nos episódios de ausência das respectivas declarações ou de documentação equivalente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE AFASTADA. Não cabe às autoridades administrativas analisar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação infraconstitucional, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme disposto no art. 102, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal. Também incabível às mesmas autoridades afastar a aplicação de atos legais regularmente editados, pois é seu dever observálos e aplicálos, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 337.531, Processo n° 11128.000357/200248, Contribuinte: Cognis Brasil Ltda., Data da Sessão: 13/08/2008, Rel. Cons. Heroldes Bahr Neto, Acórdão n° 30335551, destaque atual) Conclusão Pelo exposto, nego provimento aos recursos voluntário e de ofício. Sala das Sessões, em 8 de dezembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 477DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA
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Numero do processo: 12457.002336/2011-99
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 25/09//2008 , 07/04/2009, 16/04/2009, 28/07/2009
03/08/2009, 20/11/2009, 08/12/2009
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE.
A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação.
PROVAS. COLHIMENTO.
Para instruir procedimento fiscal, o Auditor-Fiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB e no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica. O depoimento pessoal é uma dessas provas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. PROVAS. COLHIMENTO. Para instruir procedimento fiscal, o AuditorFiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB e no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica. O depoimento pessoal é uma dessas provas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 00 23 36 /2 01 1- 99 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo a íntegra do Relatório do acórdão recorrido. O Auto de Infração Tratase de processo de crédito tributário lançado através de auto de infração, lavrado contra a empresa EMUNA BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., CNPJ 08.918.424/000141, doravante denominada impugnante, no valor de R$ 159.985,02 (cento e cinqüenta e nove mil, novecentos e oitenta e cinco reais e dois centavos), ), referentes a multa proporcional ao valor aduaneiro prevista no Art. 23, § 3° do DecretoLei n° 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/02 combinado com art. 81, inciso III da Lei n° 10.833/03. Consta do auto de infração que a multa mencionada, referese às declarações de importação nos 08/15152129, 09/04279388, 09/04724144, 09/09690949, 09/09981382, 09/16328320 e 09/17345767 que teriam sido importadas em nome da impugnante, por conta e ordem da Importadora Sonistar Ltda., fato omitido da Receita Federal, à margem do controle aduaneiro, que configurou a infração de interposição fraudulenta. O procedimento fiscal que culminou com a lavratura do auto de infração, amparouse no MPF no 09106002010002464, e iniciouse com a seleção da impugnante para procedimento especial de fiscalização, pela SAPEL da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu, fundadas nos seguintes elementos: · a impugnante não declarou receitas brutas de vendas decorrentes da comercialização de mercadorias importadas, referentes ao ano de 2008; · no período compreendido entre 2007 e 2008, recolheu valores ínfimos a título de tributos internos (R$ 5.996,51), quando comparados aos recolhimentos referentes aos tributos relativos ao comércio exterior (R$ 246.755,06); · incompatibilidade entre a movimentação bancária da impugnante e a ausência de patrimônio líquido declarado pelas suas sócias. A movimentação bancária da impugnante saltou de R$ 233.957,84 em 2007 para R$ 1.412.143,55 em 2009, sendo que no período o patrimônio líquido das sócias mantevese estagnado, não evoluiu; Instaurado o procedimento fiscal, procedeuse às diligências no domicílio da impugnante, e das sócias onde constatouse · incompatibilidade entre a capacidade logístico operacional e o objeto social da impugnante; Fl. 517DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 4 3 · declarações da sócia Iracema Kedzierski, que se qualificou funcionária pública, informando que a abertura da empresa (impugnante) se deu por orientação do seu filho Sr. Sandro Luiz Kedzierski, e afirmou que não possuía qualquer conhecimento do ramo de comércio exterior, e que não atuava na empresa, não recebendo lucros ou dividendos referentes a operação da empresa; · sobre a integralização do capital social da impugnante, a Sra. Iracema informou que emprestou ao seu filho mais de vinte mil reais, que havia recebido de um seguro de vida destinado a compor o capital social. A Sra. Iracema mostrou desconhecer qual a parte do capital social referente à sua pessoa; · sobre o Sr. Sandro Luiz Kedzierski, consta do auto de infração que o mesmo é despachante aduaneiro e representante da impugnante, conforme consta de documento de representação apresentado à fiscalização, quando da diligência ao escritório da impugnante. Foi o Sr. Sandro quem respondeu pela empresa nas respostas às intimações 248, 250 e 266/2010, feitas pela RFB. Encontrase registrado no Siscomex como despachante aduaneiro autorizado pela impugnante; Continuando o procedimento fiscal, foram feitas intimações para que a impugnante prestasse informações sobre suas operações de comércio exterior e apresentasse documentação comprobatória da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados na integralização do capital social, documentos estes listados às fls. 81 e 82 deste processo, e colhido depoimento do Sr. Sandro Luiz Kedzierski (fls. 95 a 97). As intimações foram respondidas parcialmente. No depoimento do Sr. Sandro foi mencionado que: · à época da constituição da empresa as sócias dispunham parcialmente dos valores necessários à integralização do capital social, mas que de fato não houve transferência bancária das mesmas ao patrimônio da fiscalizada; · que a iniciativa de constituir a importadora foi dele, que era o seu administrador; · que cerca de metade das transações comerciais referentes às mercadorias importadas, eram concluídas antes de efetivada a importação, e que por vezes havia a antecipação de recursos de "clientes" pré determinados; · que as mercadorias importadas eram enviadas aos destinatários nacionais imediatamente após sua liberação alfandegária; Com base nos depoimentos do Sr. Sandro e de sua mãe, a fiscalização observou que diversos fatos inerentes a constituição e operações da impugnante revelaram um quadro clássico de interposição fraudulenta. Entre estes fatos estão: (1) não comprovação da transferência dos recursos dos sócios ao capital social da empresa; (2) a antecipação de valores de clientes em pelo menos metade das operações de importações (3) existência de um quadro societário fictício, com sócias de direito desprovidas de poder de mando e desconhecedoras dos procedimentos da empresa (4) falta de estrutura logístico operacional. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 5 4 Ficou claro também para a fiscalização, que em datas próximas a constituição da impugnante, houve o aporte de recursos na mesma, notadamente remetidos por terceiros e não pelas sócias. Os valores apresentados na planilha que discrimina os valores recebidos na época da constituição da empresa, discrimina os respectivos valores como antecipação de clientes (fl. 195). Com relação às declarações de importação no s 08/15152129, 09/04279388, 09/04724144, 09/09690949, 09/09981382, 09/16328320 e 09/17345767 consta do auto de infração que durante o procedimento especial de fiscalização a impugnante foi intimada, através dos termos de intimação 248/2010, 250/2010, 266/2010, 306/2010, 036/2010 e 051/2010, a apresentar todos os documentos instrutórios dos despachos das referidas importações, bem como comprovar a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados na quitação das importações, bem como dos tributos incidentes. Também intimou a empresa Importadora Sonistar Ltda., segundo a fiscalização, destinatária final da mercadoria no mercado interno, a prestar esclarecimentos sobre forma de negociação e pagamento das mercadorias por elas compradas da impugnante. Da análise das informações da impugnante e da Importadora Sonistar Ltda. observouse que: · ao contrário do que declarou a Sonistar, destinatária das mercadorias importadas através das D.Is. mencionadas, os depósitos feitos por ela referentes à aquisição das mercadorias se deram na data ou em datas próximas ao pagamento dos impostos e do fechamento de câmbio, e não nas datas da entrega das mercadorias conforme declarado, fato observado a partir dos extratos bancários da impugnante; · que além de prestar informação falsa ao fisco, a Sonistar não apresentou os documentos exigidos através das intimações 291 , 038/2010 e 060/2010; · houve envio imediato das mercadorias após o desembaraço, para o estabelecimento da Sonistar em São Paulo, conforme mostram as datas escrituradas nas notas fiscais, não tendo as mercadorias desembaraçadas, dado entrada no estabelecimento da impugnante. Como provas da interposição fraudulenta consta no auto de infração que: Declaração de importação PROVA 08/15152129 Débito na conta corrente da impugnante de R$ 28.142,30 relativo a pagamento de II, IPI, PIS PASEP, CONFINS 5 créditos realizados na conta da impugnante, efetuados pela Sonistar, no valor total de R$ 25.372,30 e um de R$ 2770,00, cinco semanas antes do desembaraço relacionados como antecipação de pagamento nota fiscal 040, 041,042, 043 e 044. 09/04279388 Depósito na conta da impugnante de R$ 20.000,00, feito pela Sonistar, nas véspera do registro da D.I. e pagamento do II, IPI,PIS. 09/04724144 Contrato de Câmbio no 09/010194, quitado com débito na conta corrente da impugnante no valor de R$ 35.181,99. Na véspera do fechamento de câmbio o saldo da conta corrente era R$ 695,82, foi então depositado pela SONISTAR o valor de R$ 38.000,00 09/09690949 Contrato de câmbio no 09/013954, quitado na conta corrente da impugnante no valor Fl. 519DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 6 5 de R$ 10.285,70. No dia do fechamento de câmbio a Sonistar depositou na conta da impugnante o valor de R$ 24.529,62 09/09981382 Contrato de Câmbio no 09/01300, quitado com débito na conta corrente da impugnante no valor de R$ 10.797,54. No dia do fechamento de câmbio, foi depositado pela Sonistar, na conta da impugnante, o valor de R$ 30.000,00 09/16328320 Contrato de câmbio no 09/017486 no valor de R$ 10.402,56. Na véspera do contrato de câmbio, a Sonistar depositou R$ 30.000,00 na conta da impugnante 09/17345767 Três créditos totalizando R$ 73.000,00 que encontramse identificados pela impugnante como referentes às notas fiscais de saída 094 e 100. A nota 100 refere se a mercadoria da D.I. Depósitos realizados 28/10/2009 D.I. registrada em 8/12/2009. Das provas encontradas na tabela, concluiu a fiscalização que os recursos empregados para bancar os tributos aduaneiros inerentes às DI's nºs 09/04279388, 09/17345767 e 08/15152129, bem como os contratos de câmbio vinculados às DI's nºs 09/04724144, 09/09981382, 09/09690949 e 09/16328320 provieram da efetiva destinatária e real adquirente das mercadorias estrangeiras, a Importadora Sonistar Ltda., e portanto houve interposição fraudulenta de terceiros nas importações mencionadas.. Foi então lavrado o auto de infração contra a impugnante, sendo atribuída responsabilidade solidária ao Sr. Sandro Luiz Kedzierski e a Importadora Sonistar Ltda., doravante denominados responsáveis solidários. Do auto de infração, a impugnante e o Sr. Sandro Luiz Kedzierski tomaram ciência em. 10/03/2011. A ciência da Importadora Sonistar Ltda., Responsável Solidária foi dada através do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 28/02/2001 (FL. 349). Apresentaram impugnação, a EMUNÁ COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. impugnante, e os responsáveis solidários Importadora Sonistar Ltda. e Sandro Luiz Kedzierski. Impugnações As três impugnações foram elaboradas pelo mesmo escritório de advocacia e tem contestações ao auto de infração que são comuns, e por isso suas alegações serão aqui expostas em conjunto, assim como será feita a análise conjunta das mesmas, quando do voto. Falta de Materialidade A falta de materialidade é uma questão bastante discutida pela impugnante e pelos responsáveis solidários. Alegam com freqüência ao longo da impugnação, que a interposição fraudulenta, motivo da autuação, decorreu de suposições genéricas, desprovidas de provas da materialidade, maculando o auto de infração pela ausência do princípio da materialidade. A impugnante e os responsáveis solidários questionam os seguintes fatos, que segundo eles não definiram um quadro probatório: · não realização de procedimentos de fiscalização nos estabelecimentos dos destinatários das mercadorias; Fl. 520DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 7 6 · não existência dos fatos, que constituíram a infração a eles imputados, e não comprovação dos mesmos pela autoridade fiscal; · existência de jurisprudência pátria, que vem decidindo, que meros indícios a partir de suspeitas não confirmadas, não podem ser adotados para justificar a interferência no negócio de particulares; Notase na impugnação, alguns argumentos referentes à falta de materialidade, que parecem não estar em sintonia com o auto de infração lavrado como: · que a autoridade fazendária , não apontou em sua informação fiscal, haver constatado que aqueles destinatários deixaram de faturar as suas vendas ou as tivesse subfaturado; · que os estabelecimentos destinatários das mercadorias tenham praticados infrações como: " f l ) subtrair receitas decorrentes das operações de revenda ao consumidor final, as quais seriam base de cálculo para demais impostos e contribuições incidentes sobre o faturamento e lucro (Pis/Pasep, COFIS, IRPJ e CSLL); ( 2 ) não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação' para atuar no comércio exterior; e ( 3 ) se esquivar de eventuais sanções penais." Da Presunção A impugnante e os responsáveis solidários, afirmam que a falta de materialidade remeteu a fiscalização à presunção, que no caso deveria ser aplicada com cautela. Afirmam também, que a presunção decorre da generalização, que a administração com base em teses desenvolvidas em estudos e procedimentos internos, dissemina entre os administrados indiscriminadamente, sem que se considere cada caso específico. Recursos de Terceiros A impugnante ataca a afirmação que consta no auto de infração, de que há sérios indícios de que ela estaria atuando no comércio exterior com recursos de terceiros, ocultando o real adquirente. Quanto ao fato da empresa não ter integralizado seu capital social, alega a impugnante que passou pelo RADAR e foi devidamente credenciada para operar no comércio exterior. Afirma ainda, que caem por terra as alegações que não foram provadas as origens dos recursos utilizados para realizar as operações de importação, tendose em vista o recebimento de uma das sócias de um seguro de vida. Menciona que é ilógico comparar o valor do capital social com o montante das suas operações. Que no caso a autoridade fazendária deixou de considerar quantas vezes a impugnante gira seu capital, neste incluso o seu próprio capital social, e desta forma o que seria prova de sua eficiência, no olhar da fiscalização tratase de um ilícito. Cita que é comum nos balanços de grandes empresas o capital de terceiros, pois se não fosse assim, as entidades estariam estagnadas e fadadas ao fracasso total. Cita como podem ser dados os adiantamentos. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 8 7 Observase que embora inicie sua defesa argumentando que não opere com capital de terceiros, em outro ponto de sua impugnação, questiona o fato da fiscalização não admitir que empresas atuem com capital de terceiros. Análise Contábil Sobre os aspectos contábeis apresentados no auto de infração, a escrituração de livros e a declaração de lucros, a impugnante alega que: · os lançamentos contábeis podem não estar tecnicamente precisos, seguiram a seqüência dos fatos; · o fato de não apresentar receita bruta de vendas em 2008, assim como não declarar lucros, decorrentes de vendas, devese ao fato de fazer declaração de imposto de renda com base no lucro presumido; · a fiscalização insiste em caracterizar a empresa como uma trading e extrapola a penalidade legal a ela aplicada; · de maneira inadequada, a fiscalização faz exigências à impugnante que seriam pertinentes somente às grandes empresas como as tradings, que tem ao seu dispor recursos humanos, materiais e tecnológicos compatíveis, que não podem ser exigidos de uma microempresa. Inaplicabilidade da Conversão da Pena de Perdimento em Multa Sobre a inaplicabilidade da conversão da pena de perdimento alega que: · a Lei 11281 de 20 de fevereiro de 2006, menciona no seu artigo 11, que a importação promovida por pessoa jurídica importadora para revenda a encomendante pré determinado, não configura importação por conta e ordem de terceiro; · a multa sobre o valor aduaneiro é excessiva, vai contra o princípio da proporcionalidade, da razoabilidade, princípio do não confisco; · o Supremo Tribunal Federal tem entendido que as multas aplicadas em decorrência de infrações tributárias não podem exceder a 30% (trinta por cento) do valor do tributo devido, e assim tem julgado: · a ação fiscal como um todo viola o princípio da lealdade e da boa fé, que o funcionário público deve tanto com a sua repartição, como sobretudo com o administrado. Provas Ilegais Limite do Poder de Polícia Questiona a forma como foram obtidas as declarações da sócia Sra. Iracema, sem direito ao contraditório e com constrangimento, e que no caso houve procedimento ilegal, com abuso do poder de polícia. Menciona que pelas ações demonstradas pela autoridade fiscal, essa exorbitou do Poder de Policia, não respeitando os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, da ponderação e da adequação, pois iniciou sua fiscalização em uma empresa e depois envolveu várias empresas, alegou fatos inexistentes, tentou imputar ilegalidades em atos jurídicos perfeitos e acabados sem qualquer respaldo Fl. 522DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 9 8 fático, enfim exorbitou de suas funções, não podendo receber o beneplácito dos julgadores no sentido de manter incólume o presente PAF. Da Responsabilidade por Infrações Solidariedade As alegações que seguem, são comuns, tanto na defesa da impugnante, como na dos responsáveis solidários. Consta nas impugnações, que: · no caso em questão a autoridade fiscal ao determinar os sujeitos passivos solidários, se posicionou na contramão de todo o arcabouço jurídico pátrio, da doutrina e jurisprudência, pois a eleição da solidariedade somente ocorre nas hipóteses previstas em lei, e o Decreto 37/1966, artigo 95, inciso I vem encontro ao artigo 124 do CTN que dispõe " são solidariamente obrigadas" no caso de pagamentos de tributos, "as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua fator gerador da obrigação principal" e as pessoas expressamente designadas em lei; · por uma questão de direito, o tributo deve ser cobrado de quem tem vantagem econômica com a situação, que não é o caso das pessoas que foram responsabilizadas. Para ser responsabilizada a pessoa tem que aferir vantagem com o fato gerador; · não há como serem responsabilizados pelo pagamento dos tributos/multas, pois a lei não impõe que sejam solidários ao pagamento e . o sujeito passivo a quem foi imposta a penalidade, tratase de pessoa jurídica que está ativa, devendo dela portanto ser feita a cobrança; · no caso da Importadora Sonistar, esta não pode ser responsabilizada pois a mesma não faz parte da sociedade, não são é sócia ou cotista da mesma, e adquiriu as mercadorias licitamente; · no caso do Sr. Sandro, o despachante aduaneiro como prestador de serviço não pode ser punido, devendo sempre ser responsabilizado o importador nos termos do AC301.31.572/1999 1a C do Conselho de Contribuintes; A DRJ em São Paulo I SP manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 1652.827, de 21/11/2013, cuja ementa apresenta o seguinte teor: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 25/09//2008 , 07/04/2009, 16/04/2009, 28/07/2009, 03/08/2009, 20/11/2009, 08/12/2009 IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. A interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, é considerada dano ao erário, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao Fl. 523DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 10 9 valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. PROVAS ILÍCITAS Por força do disposto nos artigos 95 e 94 da Lei 4502/11994, 18 e 19 do Decreto 6759/2009, 34 da Lei 9430/1996 e 195 da Lei 5172/1996, não são ilícitas as provas obtidas em estabelecimento comercial ou industrial, obtidas em procedimento regular de fiscalização aduaneira; RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Nos termos do Artigo 135 do CTN, para a responsabilização solidária de sócios de empresa inadimplente, ou que infringiu a lei tributária, tem que haver a comprovação de que os sócios são responsáveis pela inadimplência e que a dívida tributária decorreu de fraude. Da decisão acima foi dado ciência aos contribuintes e ao responsável pessoal nas seguintes datas: 27/12/2013 EMUNÁ BRASIL COM. EXTERIOR LTDA. ME (AR à fl. 486); 28/01/2014 IMPORTADORA SONISTAR LTDA. (AR à fl. 490); 19/12/2013 SANDRO LUIZ KEDZIERSKI (AR à fl. 487) No dia 16/01/2014 a empresa EMUNÁ BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. ME interpôs recurso voluntário no qual repisa seus argumentos da impugnação e contesta os fundamentos da decisão recorrida. A empresa IMPORTADORA SONISTAR LTDA. e o responsável pessoal, SANDRO LUIZ KEDZIERSKI, não apresentaram recurso voluntário. Dessa forma, contra esses contribuintes, o lançamento é definitivo. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, contra as empresas EMUNÁ BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. e IMPORTADORA SONISTAR LTDA. foi lavrado Auto de Infração para a aplicação de Fl. 524DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 11 10 multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/75 c/c o art. 105, VI e VII do DecretoLei nº 37/66 (arts. 689, VI, VII, XXII e § 1º, c/c art. 673 e 675, IV, todos do RA/2009). Registrese que a empresa IMPORTADORA SONISTAR LTDA. e o Sr. SANDRO LUIZ KEDZIERSKI não apresentaram recurso voluntário e, portanto, a responsabilidade de ambos está definitivamente constituída e sobre essa matéria não mais existe litígio. Dessa forma, contra esses contribuintes responsáveis, o lançamento é definitivo. Antes de adentrar na lide, é necessário delinear alguns fatos que são absolutamente incontroversos, conforme provas irrefutáveis acostadas aos autos, e sobre os mesmos, por evidente, não há necessidade de considerações complementares às constantes do voto do acórdão recorrido, que aqui se adota integralmente. Primeiro: quando da constituição da EMUNÁ BRASIL e integralização do capital social em dinheiro (R$ 60.000,00), em 30/05/2007, as sócias THAIRES ADRIANA FERNANDES DA ROSA (R$ 15.000,00) e IRACEMA KEDZIERSKI (R$ 45.000,00) não lograram provar a disponibilidade de recursos e a sua efetiva entrega à EMUNÁ BRASIL. A EMUNÁ BRASIL, por sua vez, não logrou provar o efetivo recebimento da quota de capital de cada sócia. Houve a escrituração contábil na conta Caixa, mas não há a comprovação dos lançamentos contábeis da saída dos recursos para depósito em conta corrente bancária. Segundo. O Senhor SANDRO LUIZ KEDZIERSKI, não é sócio ou empregado da EMUNÁ BRASIL, mas é o único administrador de fato da empresa, possuindo amplos poderes de gerência, concedidos pela sócia gerente de direito da empresa, Srta. THAIRES ADRIANA FERNANDES DA ROSA. Terceiro. A EMUNÁ BRASIL não possui empregados e nem estrutura administrativa para realizar importações diretas de mercadorias, receber, armazenar, vender e entregar mercadorias. Quarto: o estabelecimento da EMUNÁ BRASIL, situado na Av. Brasil, nº 665, loja 18, Centro Foz de Iguaçu PR, é uma sala de aproximadamente 50m2, localizado em uma galeria comercial, sem qualquer identificação e sem capacidade de receber as mercadorias importadas, tanto pelo tamanho da sala como pela impossibilidade de acesso à mesma por caminhões. Quinto: as mercadorias objeto da aplicação da pena de perdimento, convertida em multa pelo valor aduaneiro, foram desembaraçadas por meio das DI's nºs 09/04279388, 09/17345767, 08/15152129, 09/04724144, 09/09981382, 09/09690949 e 09/16328320, na modalidade de importação direta e não como importação por conta e ordem da SONISTAR. Nas DI's não constam a empresa SONISTAR como adquirente e destinatária das mercadorias. Sexto: as mercadorias em tela foram desembaraçadas pela DRF em Maringá PR e remetidas diretamente da zona primária para o estabelecimento da empresa SONISTAR em São Paulo SP, sem ter passado pelo estabelecimento da EMUNÁ BRASIL em Foz do Iguaçu PR. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 12 11 Sétimo: a SONISTAR, para atender às despesas com as operações de importação das mercadorias que a ela foram remetidas, efetuou diversos depósitos na conta corrente da EMUNÁ BRASIL, normalmente em datas próximas a pagamento de despesas com a importação e sem nenhuma relação (de data ou de valor) com as notas fiscais de saída (venda?) das mercadorias para a SONISTAR. Oitavo: a empresa EMUNÁ BRASIL não realizou importação direta das mercadorias em tela e depois as revendeu para a SONISTAR, como formalmente se apresentam as operações (Notas Fiscais nº 040, 041, 042, 043, 044, 063, 065, 066, 072, 074, 094 e 100). Na realidade, as mercadorias foram importadas pela EMUNÁ BRASIL por conta e ordem da SONISTAR, conforme vasta prova constantes dos autos. Dito isso, passemos à apreciação das razões do recurso. Adiantase que os fundamentos da decisão recorrido são irretocáveis e, por isso mesmo, serão adotados integralmente neste voto (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/1999) e, supletivamente, acrescentase as abaixo razões de decidir. 1. Falta de prova que embasem a autuação e aplicação de presunção por dificuldade de obtenção de provas por parte da Fiscalização. Alega a Recorrente que não existem provas que embasem o auto de infração, sendo os seus fundamentos meras suposições e que os fatos que levaram à autuação foram presumidos. Ao contrário do que alega a Recorrente, e como acima se disse, todas as acusações contra ela estão devidamente provadas (e bem provadas), não havendo nenhuma suposição, apenas conclusões lógicas e irrefutáveis, a partir de provas materiais que ela Recorrente não logrou desconstituir. É inegável, por exemplo, que: a) a Recorrente não recebeu as quotas de integralização do seu capital social. Não tinha recursos para efetuar importações; b) a Recorrente não possui estabelecimento, estrutura administrativa e empregados para importar, receber, armazenar, vender e entregar mercadorias. Portanto, nunca, em seu nome, importou, recebeu, armazenou, revendeu e entregou mercadorias; c) a Recorrente recebeu depósitos em conta corrente efetuados pela empresa SONISTAR para atender despesas com a importação das mercadorias posteriormente remetidas à mesma empresa SONISTAR; d) não existe, para as notas fiscais de venda à SONISTAR, comprovação de pagamento do valor das mercadorias "vendidas", como é comum em operação de compra e venda de mercadorias no país. O que existe são prestações de contas dos recursos recebidos da SONISTAR para efetuar o desembaraço das mercadorias e para liquidar o respectivo contrato de câmbio, relativo às operações de importação por conta e ordem da SONISTAR, objeto da autuação; e) as mercadorias desembaraçadas saíram da zona primária em Maringá PR e foram direto para o estabelecimento SONISTAR em São Paulo SP; Fl. 526DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 13 12 Comprovado está que o real importador é a SONISTAR, sendo a EMUNÁ BRASIL mera prestadora de serviços. A deliberada ocultação do verdadeiro importador acarretou dano ao Erário (art. 23, inciso V, do DecretoLei 1.455/76), independentemente de se identificar qual a vantagem (financeira ou não) efetivamente obtida com as operações. E não poderia ser diferente: como dito na decisão recorrida, o bem tutelado deixa de ter caráter meramente arrecadatório e passa a dar foco à Administração Aduaneira. Tanto é assim que a penalidade prevista no dispositivo acima incide inclusive sobre mercadorias imunes, isentas, nãotributáveis ou com tributação zero. Em outras palavras, pouco importa se houve falta ou insuficiência no recolhimento de tributos; pouco importa saber qual o real objetivo pretendido pelo infrator com o artifício da ocultação; pouco importa saber se esse objetivo foi, de fato, alcançado em todo ou em parte. O que importa é que o bem tutelado é o controle aduaneiro, que esse controle foi violado mediante fraude ou simulação, e que o dano ao Erário decorreu dessa conduta ilícita tendente a burlar a Administração Aduaneira. O dano ao Erário aqui tratado não se relaciona apenas a questão de “quanto de tributo deixou de ser recolhido”. Até mesmo porque, pela própria natureza da fraude e simulação (que é não produzir, ou produzir enganosamente, documentos e registros com vistas a ocultar a realidade dos fatos), muitas vezes o Fisco não terá condições de identificar qual foi a verdadeira operação acobertada, muito menos quanto de tributo deixou de ser recolhido com tal manobra. Para esclarecer o assunto, listase algumas das vantagens que podem ser auferidas indevidamente pela prática da ocultação do sujeito passivo, mediante fraude ou simulação: a) Burlar aos controles de habilitação para operar no comércio exterior: Para que uma pessoa, física ou jurídica, possa operar no comércio exterior, é necessário que a Receita Federal lhe conceda uma habilitação para acesso ao Siscomex – Sistema Integrado de Comércio Exterior. A pessoa deve possuir Radar. Procedimentos relacionados a essa habilitação estão previstos na IN Receita Federal do Brasil 650/06, que estabelece uma série de verificações fiscais atinentes à avaliação da capacidade operacionaleconômicofinanceira da empresa e ao confronto entre as informações prestadas no requerimento e aquelas constantes na base de dados da Receita Federal (auditoria preventiva). b) Blindar o patrimônio do real adquirente: No caso de eventual lançamento tributário decorrente das operações, o real adquirente (ocultado) se beneficia de certa “imunidade” no âmbito patrimonial (cobrança de tributos e multa) e penal (conduta criminosa), uma vez que, aos olhos do Fisco, somente é conhecida a identidade da pessoa interposta. c) Quebra da cadeia de incidência do IPI: Por ordenamento constitucional, o IPI é um tributo de incidência nãocumulativa, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (art. 153, § 3º, inciso II, da CF/88). 2. Recurso de terceiros empregados nas importações. Contabilidade. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 14 13 As alegações da Recorrente de que não utilizou recursos de terceiros nas operações de importação são apenas palavras, na medida em que desacompanhadas de prova da disponibilidade de recursos próprios para realizar as importações, a exemplo de prova de que os recursos que abasteceram sua conta corrente, indicados no Relatório Fiscal, correspondem a regulares operações de revenda de mercadorias. Para isto, bastaria apresentar a sua escrita contábil e fiscal, acompanhada da documentação hábil, na qual se demonstra a correlação das notas fiscais de venda com os créditos, na conta corrente, relativo ao pagamento do valor das mercadorias, através de boletos bancários, por parte de seus clientes, incluindo a SONISTAR, no prazo assinalado nas notas fiscais, como sós acontecer regularmente nas operações de venda de mercadorias a pessoas jurídicas, especialmente as domiciliadas em outro Estado da federação. Vêse, portanto, que a prova de que a Recorrente possuía recursos para realizar as importações é singela, posto que é prática elementar no comércio atacadista formal, ou seja, na revenda de mercadorias para empresas comerciais ou industriais. Ocorre que a movimentação bancária da Recorrente, e sua contabilidade, indicam exatamente o oposto: ela Recorrente não possuía recursos próprios para realizar as importações por conta própria, objeto da autuação. 3. Inaplicabilidade da conversão da pena de perdimento em multa. Não procede a alegação da Recorrente de que as importações em litígio foram realizadas para encomendante pré determinado (art. 11 da Lei nº 11.281/06). E não o são exatamente porque a Recorrente utilizou recursos da empresa SONISTAR para realizar as importações, fato não permitido pelo § único, do art. 1º, da IN SRF nº 634/2006, editada na forma do § 1º, do mesmo art. 11, da Lei nº 11.281/06. Ademais, não existe nas DI objeto da autuação nenhuma indicação de que se trata de importação para encomendante pré determinado. A SONISTAR não está vinculada às operações de importação objeto destes autos. Portanto, correto a aplicação da penalidade em tela, não cabendo ao CARF analisar argumentos de inconstitucionalidade da lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4. Ilegalidade das provas Limite do Poder de Polícia. Sobre a forma de obtenção de provas, especialmente o depoimento prestado por contribuinte, não há nenhuma ilegalidade por parte do Fisco na coleta de depoimentos. Os mesmos podem ser coletados no curso da ação fiscal, sem nenhuma formalidade legal pré determinada, inclusive a presença de advogado, sendo bastante a presença de testemunhas (artigos 94 e 95 da Lei nº 4.502/94, 18 e 19 do Decreto nº 6.759/09, 34 da Lei nº 9.430/96 e 195 do CTN). No caso em tela, em particular, todos os depoimentos mostraramse coerentes com os fatos apurados pela Fiscalização no curso da ação fiscal, nada havendo nos mesmos que revele eventual ilegalidade praticada pelos agentes do Fisco. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002336/201199 Acórdão n.º 3302002.845 S3C3T2 Fl. 15 14 Mais ainda, o valor da prova oral depende muito da existência de provas materiais outras que corrobore os depoimentos. O que foi dito pela Sra. Iracema, que não conste prova material nos autos que ratifique sua palavra, tem pouca valia. Ademais, antes do lançamento, não há litígio, não há contraditório, o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo Fisco. Após a lavratura do auto de infração, o contribuinte tem o direito de apresentar impugnação, alegando tudo o que entender cabível e apresentando as provas que considerar relevantes. Quanto às alegações relativas à nomeação dos responsáveis solidários, trazidas pela Recorrente, tratase de matéria de interesse de terceiros e não da Recorrente. Ademais, não subsiste litígio sobre essa matéria, conforme se disse no início deste voto. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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