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Numero do processo: 10980.722671/2012-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
MULTA DE OFÍCIO - JUROS - INCIDÊNCIA
Conforme súmula 108 deste CARF incide juros SELIC sobre a multa de ofício.
Numero da decisão: 2002-000.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento parcial para afastar as glosas com Jeane Massarolo Neto, no importe de R$3.500,00 e Carolina Germano Sicuro Bussman, no valor de R$ 3.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Votou pelas conclusões o conselheiro Virgílio Cansino Gil.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. MULTA DE OFÍCIO - JUROS - INCIDÊNCIA Conforme súmula 108 deste CARF incide juros SELIC sobre a multa de ofício.
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. MULTA DE OFÍCIO JUROS INCIDÊNCIA Conforme súmula 108 deste CARF incide juros SELIC sobre a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento parcial para afastar as glosas com Jeane Massarolo Neto, no importe de R$3.500,00 e Carolina Germano Sicuro Bussman, no valor de R$ 3.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Votou pelas conclusões o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 26 71 /2 01 2- 34 Fl. 118DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 29 a 34), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$93,92 acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 12 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: que relata os fatos ocorridos e afirma que atendeu a legislação quanto à comprovação das despesas médicas, ou seja, apresentou os recibos com as informações do nome, CPF e assinatura do prestador de serviço; que apresentou os comprovantes dos saques efetuados mensalmente durante o ano para demonstrar que a totalidade do valor sacado (R$ 16.144,00) é superior ao valor total das despesas médicas (R$ 9.660,00) e que isso comprova o efetivo pagamento; que analisando a legislação, conclui que possui o direito à dedução das despesas médicas indicadas, pois o único requisito para a dedução foi atendido; que apresentou toda a documentação prevista na lei e no RIR/99 e qualquer exigência adicional implica violação ao princípio da legalidade; que atendeu também a exigência adicional do fisco, quanto a apresentação do efetivo pagamento das despesas; que exigir que os saques devam coincidir com as mesmas datas e valores dos pagamentos dos recibos médicos é um tanto desproporcional, ilegal e abusiva; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.722671/201234 Acórdão n.º 2002000.786 S2C0T2 Fl. 110 3 que os contribuintes não são obrigados a utilizar cheques bancários para quitar as suas obrigações, há opções como cartão de crédito e moeda corrente para o pagamento das despesas; que já produziu todas as provas necessárias para o julgamento; Traz à colação jurisprudência administrativa a seu favor. Requer acolhida a presente impugnação para reconhecer a dedução das despesas médicas e a extinção da multa de ofício e juros de mora. A fim de melhor instruir os autos, foi o presente processo remetido à Delegacia da Receita Federal de origem para juntar dossiê da malha fiscal. Em atendimento ao pedido, foi juntada aos autos a documentação de fls. 5787. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 14/04/2015, no acórdão 0367.434, às efls. 112 a 118, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 102 a 113 alegando, em síntese, que as despesas médicas estão embasadas nos recibos emitidos pelos profissionais, podendo ser abatidas na base de cálculo do IRPF. Alega que os pagamentos foram feitos em espécie. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 19/05/2015, efls. 98, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 16/06/2015, efls. 102, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A contribuinte foi autuada pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · HOTSHAPE CENTRO DE TREINAMENTO (R$ 299,00); · JEANE MASSAROLO NETO (R$ 4.000,00); · CAROLINA GERMANO SICURO BUSSMAN (R$ 3.000,00); Fl. 120DF CARF MF 4 · ROBERTA OLIVEIRA ROSA (R$ 2.000,00). Primeiramente, cumpre destacar que a DRJ afastou a seguinte glosa: Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 500,00, o que resulta em imposto a restituir de R$ 43,58, a ser corrigido conforme legislação em vigor. As demais glosas das despesas médicas foram mantidas pela falta de efetivo pagamento, conforme decisão de piso: Acrescentase que é equivocado entenderse que o inciso II do art. 8º da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação referese aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Porém, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10980.722671/201234 Acórdão n.º 2002000.786 S2C0T2 Fl. 111 5 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se Fl. 122DF CARF MF 6 evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10980.722671/201234 Acórdão n.º 2002000.786 S2C0T2 Fl. 112 7 O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Fl. 124DF CARF MF 8 Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 68 a 70 há recibos emitidos por Jeane Massarolo Neto no importe de R$4.000,00. Às efls. 75 e 76 há recibos emitidos por Roberta Oliveira Rosa. Contudo, os documentos não possuem carimbo nem identificam a instituição fiscalizadora da atividade em que a profissional está inscrita, motivo pelo qual mantémse a glosa. Às efls. 77 a 79 há recibos emitidos por Carolina Germano Sicuro Bussman, no valor de R$ 3.000,00. Destacamos que as despesas com academia (Hotshape Centro De Treinamento R$ 299,00) não são dedutíveis da base de cálculo do IRPF, pois não tem previsão legal. Quanto a incidência de juros sobre a multa de ofício, a matéria é sumulada por este CARF: Súmula 108: Incidem juros de mora calculados a taxa Selic sobre valor correspondente à multa de ofício. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, afastando as glosas com Jeane Massarolo Neto no importe de R$3.500,00,e Carolina Germano Sicuro Bussman, no valor de R$ 3.000,00. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10980.722671/201234 Acórdão n.º 2002000.786 S2C0T2 Fl. 113 9 Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação das despesas com Jeane Massarolo Neto e Carolina Germano Sicuro Bussman. Extraise dos autos que a autoridade fiscal procedeu à glosa dos valores declarados para essas profissionais por não ter a contribuinte, devidamente intimada, comprovado o seu efetivo pagamento (efls. 31/32, 80). De acordo com o auditor, a interessada informou que os pagamentos foram efetuados em espécie, mas não foi verificada a coincidência de datas e valores entre os comprovantes de saques e os recibos apresentados. A decisão de primeira instância considerou comprovada apenas parte da despesa declarada para Jeane Massarolo Neto, corroborando as razões expostas pela fiscalização (efls. 89/96). Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal Fl. 126DF CARF MF 10 solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) A contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que a recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. No entanto, para comproválos esta deveria ter trazido aos autos documentos bancários que atestassem a coincidência de datas e valores entre os saques efetuados e as despesas supostamente incorridas, o que não aconteceu no presente caso. Como consta da decisão de piso, a interessada comprovou apenas parte da despesa glosada, não havendo reparos a serem feitos nesse ponto. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas a contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10980.722671/201234 Acórdão n.º 2002000.786 S2C0T2 Fl. 114 11 Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 15578.000806/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
No caso julgado, há omissão a reclamar a correção do acórdão embargado.
Numero da decisão: 3201-004.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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OMISSÃO. Embargante TRISTÃO COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso julgado, há omissão a reclamar a correção do acórdão embargado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3201003.428, de 26/02/2018, assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 08 06 /2 00 9- 87 Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 15578.000806/200987 Acórdão n.º 3201004.908 S3C2T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁFÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA. Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontravase ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a má fé e tornando legítima a glosa dos créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido. Recurso Voluntário Negado No exame de admissibilidade dos embargos admitiuse omitidas as seguintes matérias: a) apropriação indevida de crédito sobre nota fiscal emitida sem incidência de PIS/Cofins – fim específico de exportação; e b) possibilidade de aproveitamento de crédito presumido apurado pela fiscalização nos presentes autos, em conformidade com o que dispõe a Lei nº 12.995, de 20 de julho de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.895, de 25/02/2019, proferido no julgamento do processo 15578.000790/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.895): "Com efeito, o acórdão embargado incorreu na segunda omissão – a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido apurado pela fiscalização, em conformidade com o que dispõe a Lei nº 12.995, de 20 de julho de 2014 –, mas não quanto à primeira –a apropriação indevida de crédito sobre nota fiscal emitida sem incidência de PIS/Cofins, com o fim específico de exportação –, o que autoriza o manejo dos aclaratórios, em conformidade com o que dispõe o art. 65 do Anexo II do atual RICARF/2015. Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 15578.000806/200987 Acórdão n.º 3201004.908 S3C2T1 Fl. 4 3 E isso porque a primeira não foi enfrentada na manifestação de inconformidade (portanto, não caberia apreciála no julgamento do recurso voluntário), como devidamente registrado no voto condutor do acórdão proferido pela 1ª instância e ressaltado no acórdão embargado: Decisão da DRJ: "Itens não contestados: A interessada não contesta, em sua Manifestação de Inconformidade, a glosa de crédito promovida pela autoridade fiscal em relação a aquisições efetuadas com o fim específico de exportação (item II.7.3 do Parecer Fiscal). Também não contesta o ajuste efetuado no saldo de crédito de meses anteriores sobre aquisições no mercado interno vinculado à receita de exportação (item II.7.4 (H) do Parecer Fiscal)." Acórdão embargado: "DA INOCORRÊNCIA DA PRECLUSÃO APONTADA PELA DECISÃO RECORRIDA. DO RESTABELECIMENTO INTEGRAL DOS CRÉDITOS INFORMADOS PELA RECORRENTE" Nesse tópico aduz a Recorrente que a decisão recorrida teria declarado uma preclusão inexistente. Contudo, nesse mesmo tópico, reconhece que deixou de impugnar determinadas glosas visando dar celeridade ao procedimento. Desse modo, não vejo como prover qualquer alteração no acórdão recorrido nesse sentido. A segunda omissão, porém, reclama melhor apreciação. Realmente, a Embargante apresentou petição, em 20/03/2014, não em 23/02/2015 (fls. 1793 e ss.), por meio da qual informa ter tomado conhecimento da Solução de Consulta CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) n° 65, de 10/03/2014 (não se falou da Lei nº 12.995, de 2014), que consolidara o seguinte entendimento: 3. Para aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições junto a cooperativas devese observar as mesmas normas vigentes para a apuração de créditos em relação a aquisições junto a pessoas jurídicas em geral; somente existindo, portanto, vedação à apuração de créditos nas aquisições não sujeitas ao pagamento das referidas contribuições; e 4. Até dezembro de 2011, as pessoas jurídicas exportadoras de café submetidas ao regime de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS tinham direito a apropriação de créditos integrais nas aquisições de café de cooperativas, quando submetido ao processo previsto nos §§ 6° e 7° do art. 8° da Lei n° 10.925 de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a este processo de produção não se aplicaria a suspensão das referidas contribuições prevista no art. 9°, § 1°, II, da Lei n° 10.295 de 2004. Daí requereu a sua juntada aos autos e a sua observância por ocasião do julgamento do recurso voluntário que interpôs. O acórdão embargado, contudo, não se pronunciou a respeito. A mesma matéria já foi enfrentada nos autos do processo administrativo nº 15578.000142/201090 (Acórdão nº 3301003.099, de 28/09/2016, da relatoria do il. conselheiro Valcir Gassen; citado nos Embargos), em que a Embargante figura como Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 15578.000806/200987 Acórdão n.º 3201004.908 S3C2T1 Fl. 5 4 interessada. Por concordarmos com o entendimento nele exposto, passamos a reproduzilo, apenas na parte que se refere ao tema, e adotálo como razão de decidir: 1) Da aquisição de café cru em grão de sociedades cooperativas A respeito das aquisições de café cru em grão de sociedades cooperativas, o Contribuinte alega que “a glosa referese à atividade de comercialização e exportação do produto café e de rebeneficiamento do mesmo” (fl. 17.657), ou seja, o Contribuinte adquire os grãos crus do café de sociedades cooperativas de produção agroindustrial e beneficia os grãos por meio de diversas técnicas de aperfeiçoamento. Porém, destaca que este beneficiamento dos grãos não é a atividade preponderante do Contribuinte, mas sim a atividade de comércio. E aduz que (fl. 17.658): Em se tratando de compras de insumos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil para posterior revenda, a Recorrente apurou créditos fiscais integrais da contribuição para a COFINS, na forma do artigo 3º, inciso I e II, da Lei nº 10.833, de 2003. Alega o Contribuinte em seu Recurso Voluntário que (fls. 17.651) Ademais, para a manutenção das glosas dos créditos integrais apurados pelo contribuinte oriundos da aquisição de sociedades cooperativas, a fiscalização alegou, em síntese, que: (a) o produto adquirido pela Recorrente está descrito nas notas fiscais de venda como “café cru em grão” ou “café beneficiado”, o que não evidencia a venda de produto já submetido a processo industrial; (b) afirmou ainda que o “café cru” é a semente beneficiada, e somente o exercício cumulativo das atividades citadas no § 6º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 caracterizam a atividade agroindustrial; (c) entendeu que o processo de beneficiamento do café, executado de forma isolada pela cooperativa, não a descaracteriza como cooperativa de produção agropecuária; (d) destacou a Recorrente atende aos três requisitos da IN nº 660/2006 para que a venda se dê com a suspensão da incidência; e (e) afirmou por se tratar de aquisições de cooperativa de produção agropecuária, a Recorrente não provou que o café adquirido foi destinado a revenda, e não utilizado como insumo. O Acórdão ora recorrido se posicionou de forma que se deve respeitar os requisitos necessários para que se aplique os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, conforme se verifica neste trecho (fl. 17.629): A interpretação sistemática dos dispositivos legais que disciplinam a aplicação do regime de incidência não cumulativa para o setor agroindustrial permite concluir que, para fins de determinação de crédito presumido relativo à aquisição de insumo, devem ser observadas as condições estabelecidas nos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, conjuntamente. Em outras palavras, somente a aquisição de insumos, efetuada de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária, com suspensão de exigibilidade das contribuições, assegura o direito à dedução do crédito presumido previsto no artigo 8º. E para a aplicação da suspensão, devem ser observados três requisitos quanto à pessoa jurídica adquirente, conforme previsto no artigo 4º da IN/SRF 660/2006. São eles: a) que o adquirente declare o imposto de renda pelo Lucro Real; b) que exerça atividade agroindustrial, conforme definição dada pelo artigo 6º da mesma Instrução Normativa e; c) que utilize o produto adquirido como insumo. Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 15578.000806/200987 Acórdão n.º 3201004.908 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, tratandose de venda efetuada por cooperativa de produção agropecuária, a pessoa jurídica que atenda os requisitos legais citados, aplicase obrigatoriamente a suspensão do PIS e da Cofins, independentemente de se tratar de venda de produto recebido pela cooperativa de seus associados ou de produto adquirido de produtores rurais não cooperados. Por outro lado, na hipótese de a cooperativa exercer atividade agroindustrial, na forma do § 6º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, ou seja, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, esta terá direito ao crédito presumido de PIS e Cofins calculado sobre os insumos utilizados em seu processo industrial e em relação a suas vendas não se aplicará a suspensão. Neste sentido o Contribuinte alega que houve, por parte da Fiscalização, a aplicação equivocada dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, nos seguintes termos: Segundo o Acórdão recorrido, uma interpretação sistemática dos referidos dispositivos legais em conjunto com os arts. 2º, IV, 3º, III e § 1º, III, e 4º a 8º da IN SRF 660/2006, leva à conclusão de que a tributação da contribuição para a COFINS, na saída do “café cru em grão”, das sociedades cooperativas fornecedoras, deveria ser obrigatoriamente suspensa. Assim, as aquisições pela Recorrente, de insumos “café cru em grão” das sociedades cooperativas fornecedoras, estariam sujeitas ao aproveitamento do crédito presumido (conforme artigos 5º, 7º e 8º IN SRF 660/2006) e não crédito fiscal integral (fls. 17.624 e SS. dos autos). O Contribuinte traz a conclusão deste tópico de forma detalhada o que pretende comprovar por meio do Recurso Voluntário, faço a citação visando a elucidação dos argumentos trazidos aos autos (fls. 17.680 e 17.681) ∙ As vendas de produto in natura pelas cerealistas e sociedades cooperativas de produção agropecuária (fornecedoras da 1ª etapa) saem com suspensão da incidência da contribuição para a COFINS/PIS, pois as sociedades cooperativas fornecedoras da Recorrente (adquirentes da 1ª etapa) apuram o Imposto de Renda com base no lucro real, exercem atividade agroindustrial na forma do §6º do artigo 8º, caput, da lei nº 10.925, de 2004, bem como utilizam os mesmos como insumos na produção de mercadoria classificada no Capitulo 9 da NCM (ou seja, o café deixa de ser in natura); ∙ As Sociedades Cooperativas que exercem atividade agroindustrial na forma do § 6º do artigo 8º, caput, da lei nº 10.925/2004, na 1ª ETAPA, adquirentes, na 2ª, fornecedoras – aproveitam o crédito presumido da contribuição para a COFINS/PIS, visto que exercem cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. Nesta fase. O café in natura, adquiridos de pessoas físicas e jurídicas, é transformado em “café cru em grão”; ∙ Na 2ª ETAPA, não havendo suspensão, a receita bruta proveniente da venda de “café cru em grão” pelas sociedades cooperativas que exercem atividade agroindustrial na forma do § 6º do artigo 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004 (fornecedoras na 2ª etapa), quando decorrente de ato não cooperativo, é tributada nessa saída a alíquota global de 9,25% da contribuição para o PIS e da COFINS. Nesse caso, a Recorrente (adquirente na 2ª ETAPA) tem direito ao aproveitamento do crédito integral da contribuição para a COFINS, a alíquota de 7,6% e de 1,65 Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 15578.000806/200987 Acórdão n.º 3201004.908 S3C2T1 Fl. 7 6 de PIS; ∙ Na 2ª ETAPA, não havendo suspensão, a receita bruta proveniente da venda de “café cru em grão” pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária e agroindustrial (fornecedoras na 2ª etapa), quando decorrente de ato cooperativo, também há o direito ao aproveitamento do crédito fiscal integral da contribuição para a COFINS/pis, à alíquota de 7,6% e 1,65, respectivamente. Isso porque, já a incidência dessas contribuições, ainda que a base de cálculo seja ajustada diante das hipóteses do artigo 11 da IN SRF nº. 635/2006. Hipóteses de exclusão de base de cálculo é instituto distinto de isenção, nãoincidência e alíquota zero. Tanto é verdade que as sociedades cooperativas não têm direito à manutenção e, consequentemente, à compensação e/ou ressarcimento em espécie dos créditos ordinários da contribuição à COFINS/PIS, previsto no artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005; ∙ Portanto, a sociedade cooperativa que exerce atividade agroindustrial na forma do §6º do artigo 8º caput, da Lei nº 10.925/2004, quando comercializar o produto “café cru em grão” no mercado interno para a Adquirente, ora Recorrente, transfere, na nota fiscal, o total do crédito fiscal da contribuição para a COFINS/PIS que não foi possível compensar e ressarcir em espécie nesta etapa da cadeia produtiva, em atendimento ao princípio constitucional da não cumulatividade previsto no art. 195, §12 da CF/88; ∙ O Acórdão recorrido desconsiderou completamente as etapas do processo produtivo do café, mais especificamente a 2ª ETAPA; ∙ Com fundamento na própria legislação tributária, não se pode admitir a hipótese de aproveitamento do crédito presumido da contribuição para a COFINS/PIS em duas etapas da cadeia produtiva do café. Em resposta ao pedido do Contribuinte a questão foi analisada pela CoordenaçãoGeral de tributação da Receita Federal que apresentou a Solução de Consulta nº 65 – Cosit (fls. 17.770 a 17.773), em 10 de março de 2014, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei n. 10.637/2002, art. 32 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições 'previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei n. 10.833/2003, art. 3°. Assim ficou ementado e cabe apresentar a conclusão expressa na Solução de Consulta nº 65 para melhor compreensão do objeto da lide: 13. Pelo exposto, concluise que: Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 15578.000806/200987 Acórdão n.º 3201004.908 S3C2T1 Fl. 8 7 14. A aquisição de produtos junto a cooperativas não impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, observados os limites e condições previstos na legislação. 15. Até dezembro de 2011, a pessoa jurídica exportadora de café submetida ao regime de apuração não cumulativa tinha direito ao cálculo de créditos em relação às aquisições de café de cooperativas, observados os limites e condições legais. Não havia direito à apuração de créditos nas aquisições com suspensão previstas no art. 92, I e III, da Lei nº 10.925, de 2004, nem nas aquisições feitas por empresa comercial exportadora que tenha adquirido o produto com o fim especifico de exportação. 16. A partir de 2012, não é possível a apuração de créditos em relação às aquisições de café, tendo em vista a suspensão prevista no art. 42 da Lei nº 12.599, de 2012, e, posteriormente, a redução da alíquota a 0 (zero) prevista no art. 12, inciso XXI, da Lei n2 10.925, de 2004. Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 52 e 62 da Lei n2 12.599, de 2012. Cito aqui o voto vencedor do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, proferido no Acórdão nº 3102002.344, da 2ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção, de 27 de janeiro de 2015, como fundamento para as razões de decidir: O ponto fundamental para a solução da lide é a configuração da aquisição de café de cooperativa, já submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Nesses casos, sobre a receita de venda do café submetido a esta operação, não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, importanos avaliar se a operação anterior, realizada pela cooperativa, estava submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Caso positivo, seria reconhecido o direito ao creditamento nas aquisições de café. Caso negativo, não seria possível o direito ao crédito, sendo aplicável a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art.9º da Lei nº10.925/2004. O i.Relator entendeu que, embora exista nos autos fartos argumentos no sentido de justificar que as cooperativas fornecedoras do “café cru em grão” exerciam a atividade agroindustrial definida no preceito legal em destaque, a recorrente não teria trazido aos autos elementos de prova adequados e suficientes que confirmassem que as cooperativas vendedoras exerciam a atividade agroindustrial definida no citado preceito legal. Não é o nosso entendimento. Foram colacionadas aos autos, pela recorrente, ainda que por amostragem, notas fiscais de aquisição do produto “café em grão cru” ou “café beneficiado”, com a indicação da incidência da contribuição para o PIS e a COFINS. Segundo o entendimento da recorrente, a incidência das contribuições teria sido obrigatória, devido a submissão dos cafés adquiridos pelas cooperativas ao processo produtivo previsto no §6º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, fato esse impeditivo para a saída posterior suspensa na forma do art. 9º do inciso II da mesma lei. Entendo que o registro das referidas expressões nas notas fiscais, informando que operação estava sujeita a tributação normal das citadas contribuições, traz uma presunção de licitude das operações de Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 15578.000806/200987 Acórdão n.º 3201004.908 S3C2T1 Fl. 9 8 aquisição de café de cooperativa, sujeitas ao recolhimento regular das contribuições. Afirmar que a operação devidamente escriturada teria, na verdade, forma diversa daquela exposta nos registros fiscais, conferindo efeito diverso daquele indicado, demandaria uma prova oposta por parte do fisco, inexistente no presente processo. A comprovação do fato jurídico tributário depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter sob guarda, ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. Uma vez que essa particularidade seja compreendida, há que se sublinhar que nada dispensa a Administração de laborar em busca das provas de que o fato ocorreu e de instruir o processo administrativo com elas. Como consta, a desconsideração das provas se deu porque, no entendimento do Fisco, a interessada limitouse a apresentar as notas fiscais de aquisição das mercadorias. Peço vênia para discordar dessas conclusões. Não me parece que a acusação de que a operação praticada pela recorrente não foi aquela por ela declarada e escriturada. Ainda que passível de dúvidas acerca da veracidade das operações, tais dúvidas deveriam ter sido esclarecidas durante o procedimento fiscal, de forma a contraproduzir elementos probantes para desconsiderar aquelas notas fiscais apresentada. Nada disso ocorreu. A comprovação de que as operações foram tributadas, ensejando o crédito à adquirente, foi feita pela recorrente. Caberia ao fisco comprovar que tais cooperativas não exerciam a atividade agroindustrial, o que não foi feito. Em suma, mediante as provas que constam nos autos, concluise que o “café cru em grão” ou “café beneficiado” foram adquiridos de cooperativa agropecuária de produção, e que a sociedade cooperativa vendedora realizou as operações descritas no do art. 8o, § 6o, da Lei 10.925/2004. Tendo em vista as informações trazidas aos autos entendo que neste ponto assiste razão ao Contribuinte, voto, portanto, em dar provimento ao Recuso Voluntário cancelando as glosas referente à aquisição de café cru em grão de sociedade cooperativas exceto os casos de notas fiscais com suspensão. No longo PARECER FISCAL GAB903/DRF/VIT/ES nº 001/2013, especificamente à fls. 1334/1336, concluise pela glosa dos "créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004", ao fundamento de que: "..., a TRISTÃO preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas, a saber: a) apura IRPJ com base no lucro real; b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o inciso I do art. 5°. Notese que, aqui, nada mais dispôs o Parecer supra. Vale dizer, não se desqualificaram as vendas das cooperativas, porque de algum modo fraudadas ou coisa Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 15578.000806/200987 Acórdão n.º 3201004.908 S3C2T1 Fl. 10 9 parecida, mas apenas se disse que, em suas saídas com suspensão, não caberia o crédito glosado, mas tão só o presumido. Contudo, não sendo aplicável a suspensão, entendemos que, em consonância com a Solução de Consulta Cosit nº 65, de 2014, referida, como se viu, no voto condutor do Acórdão nº 3301003.099, de 28/09/2016, a Embargante faz jus ao crédito integral (aquisições das cooperativas), não ao crédito presumido. Todavia, sobre tais aquisições, a unidade preparadora deverá glosar o crédito presumido que já lhes atribuiu. Por fim, a Embargante trouxe nova petição aos autos, desta feita requerendo a aplicação da retroatividade benigna quanto ao disposto na Lei nº 12.995, de 2014: Art. 23. A Lei no12.599, de 23 de março de 2012, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7oA: “Art. 7oA.O saldo do crédito presumido de que trata oart. 8oda Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1ode janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos.” A questão disciplinada pela norma trazida diz respeito à forma de ressarcimento do crédito, se por compensação com as próprias contribuições, ou se em espécie ou compensação com outros tributos. Embora tal questão não tenha sido tratada nos autos, em havendo compensações de crédito presumido com tributos de natureza distintas, deverão seguir o regramento da Lei nº 12.995/2014. Tais créditos presumidos, na hipótese dos autos, são aqueles decorrentes das aquisições realizadas de Pessoas Jurídicas tidas como fictícias e, por essa razão, foram convertidos em aquisições de Pessoas Físicas, da forma presumida (sobre tais operações, a fiscalização já conferiu o crédito presumido). Ante o exposto, acolho os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante apenas o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamenmte ao crédito presumido, o dispósoto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. As ementas do acórdão embargado ficam acrescidas da seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. As aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, são passíveis de crédito integral quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial." Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 15578.000806/200987 Acórdão n.º 3201004.908 S3C2T1 Fl. 11 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado acolheu os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante apenas o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. As ementas do acórdão embargado ficam acrescidas da seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. As aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, são passíveis de crédito integral quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1752DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001407/2005-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRELIMINAR ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA.
0 contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza, A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos a tributação.
IRPF - AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS Tributa-se na declaração de ajuste anual do IRPF os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas incluídos no campo de incidência desse imposto, que
foram recebidos acumuladamente, não submetidos à respectiva retenção pela fonte pagadora e nem oferecidos à tributação mensal pelo contribuinte.
TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA POR SERVIÇOS PRESTADOS COM A INTERMEDIAÇÃO PESSOA JURÍDICA PARA TRANSMUDAR 0 FATO GERADOR
A prestadora dos serviços se fez compor pelos sócios e diretores da pessoa jurídica contratante, que, apesar de permanecerem como tal, deixaram de receber prolabore, ou a contraprestação pela gestão daquela primeira empresa, e passaram a figurar como sócios de uma segunda empresa, cujo único objetivo seria a gestão empresarial da primeira. A pessoa que tem relação pessoal e di reta com a situação que constitui o fato gerador é a pessoa
fisica. O rendimento pago és, produto do trabalho pessoal e não de uma atividade empresarial. O sujeito passivo, portanto, é a pessoa física cujo trabalho é remunerado.
MULTA DE OFICIO CONFIGURAÇÃO DF Situação QUALIFICADORA
As condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4502, de 1964, exigem do sujeito passivo a prática de dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da coerência do Eno gerador, ou a exclusão OU modificação das suas características essenciais, de
modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento
IMPOSTO DEVIDO MULTA DE OFICIO - BASE DE CÁLCULO
Na apuração do imposto devido, em procedimento de oficio, devem sei considerados os impostos efetivamente pagos, ajuda que poR pessoa diversa e sob outra denominação, devendo incidir a multa de oficio sobre o crédito tributário assim apurado.
Recurso 'Parcialmente Provido
Numero da decisão: 2101-000.419
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para subtrai do imposto lançado Os valores correspondentes aos tributos recolhidos pela pessoa jurídica. Pompéia Participações e Serviços lima. incidentes sobre as receitas consideradas na autuação como rendimentos da pessoa física lançada, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRELIMINAR ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. 0 contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza, A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos a tributação. IRPF - AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS Tributa-se na declaração de ajuste anual do IRPF os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas incluídos no campo de incidência desse imposto, que foram recebidos acumuladamente, não submetidos à respectiva retenção pela fonte pagadora e nem oferecidos à tributação mensal pelo contribuinte. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA POR SERVIÇOS PRESTADOS COM A INTERMEDIAÇÃO PESSOA JURÍDICA PARA TRANSMUDAR 0 FATO GERADOR A prestadora dos serviços se fez compor pelos sócios e diretores da pessoa jurídica contratante, que, apesar de permanecerem como tal, deixaram de receber prolabore, ou a contraprestação pela gestão daquela primeira empresa, e passaram a figurar como sócios de uma segunda empresa, cujo único objetivo seria a gestão empresarial da primeira. A pessoa que tem relação pessoal e di reta com a situação que constitui o fato gerador é a pessoa fisica. O rendimento pago és, produto do trabalho pessoal e não de uma atividade empresarial. O sujeito passivo, portanto, é a pessoa física cujo trabalho é remunerado. MULTA DE OFICIO CONFIGURAÇÃO DF Situação QUALIFICADORA As condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4502, de 1964, exigem do sujeito passivo a prática de dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da coerência do Eno gerador, ou a exclusão OU modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento IMPOSTO DEVIDO MULTA DE OFICIO - BASE DE CÁLCULO Na apuração do imposto devido, em procedimento de oficio, devem sei considerados os impostos efetivamente pagos, ajuda que poR pessoa diversa e sob outra denominação, devendo incidir a multa de oficio sobre o crédito tributário assim apurado. Recurso 'Parcialmente Provido
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F Camara / 1" Turma Ordinária Sessão de 02 de level eiro do 2010 Matet ia IRPf RecorTente EDUARDO .IARBAS LOBO DA CUNIIA Recorrida PAZEND..(\. NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPE Exercício: 2001, 2002, 200.3, 2004, 2005 PROCESSO ARMINISTRATIVO 14SCAL - PRELIMINAR ERRO DE IDENTH 1( A( DO SUJEITO PASSIVO - RESPONSABILIDADE DA 1.0N - 11 7 PAGADORA 0 contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade económiea ou jwidica da renda ou de proventos de qualquer natureza, A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos i hutação. - AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DO IMPOST() DE RENDA PELA FONTE PAGADORA - OMISSÃO) DE RENDIMENTOS Tributa-se na declaração de ajuste antral do IRPL os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas incluidos no campo de incidência desse imposto, que foram recebidos acumuladamente, 11 -10 submetidos à respeetilia retenção pela fonte pagadora e nem oferecidos à tributação mensal pelo contribuinte. ER [BUI-AÇÃO NA PESSOA FÍSICA POR SERVIÇOS PRESTADOS COM A INTER.MEDIAÇ "AO PESSOA .1URIDICA PARA TRANSMUDAR 0 FAT() GERADOR A prestadora dos serviços se fez compor pelos sócios e diretores da pessoa jurídica contratante, que, apesar de permanecerem como tal, deixaram de reeeber prolabore, ou a contraprestação pela gestão daquela primeira empresa, e passaram a figurar cam() sécios de uma segunda empresa, cujo único objetivo seria a gestão empresarial da primeira.. A pessoa que tern relação pessoal e di reta com a situação que constitui o fat° gerador é a pessoa fisiea.. O rendimento pago és, produto do trabalho pessoal e não de ulna atividade empresarial. O sujeito passivo, portanto, é a pessoa física cujo trabalho é remunerado, Mtn DE OFICIO CON FIGURACAO DF SiTU AÇ ÃO QUALIPICADORA As condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n' 4 502, de 1964, exigem do sujeito passivo a prática de dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da °con ência do Eno gerador, ou a exclusão OU modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou di fern: o seu pagamento IMP(I)SIO DLVIDO MULTA IDE MICK) - BASE DE CÁLCLI LO Na apuração do imposto devido, em procedimento de olicio, devem sei considerados os impostos efetivamente pagos, aiuda que poi pessoa diversa e sob outra denominação, devendo incidir a multa de oficio sobre o crédito tributúrio assim apurado. Recurso 'Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACO.RDAM os Membros do Colegiado, poi unanimidade de volos, ern R.E.1.1dIAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para subtrai do imposto lancado Os valores correspondentes aos tributos recollndos pela pessoa juridica .Pompéia Participações e Serviços lima. incidentes sobre as receitas consideradas na autuação como rendimentos da pessoa física lançada, nos termos do voto da Relatora .arcos Cândido-- -esidente A 0 . T(._)1] m i WW1(' LIN6 ri o Earl ADO EM: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neylc Olimpio Holanda, Alexandre .Nao.ki. Nishioka, Robinson Passos de Castro e Silva e Gonçalo Bonet Allage. Arisen:tie, momentaneamente, o Conselheiro José Raimun.do Tosta Santos. Relatório rata o presente processo de auto de intiação referente a impost') sobre renda das pessoas físicas (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 159 279,44, a tit ido de imposto, acrescido de multa de olicio equivalente a 150% do valor do tributo apurado, além de juros de mom 2 n I 11)10 00141) //2006-1 SI-CI II AC:61(B) II c' 2110.11.-00,40 1l 1 013 2. C) per iodo objeto da analise fiscal foram os arms-calendar:it) 2000 a 2004, exercícios 2001 a 2005 3 Derain suporte exae5o os artigos 1" a 3", e §§, da 1,ei n" 7 713, de 22/12/1988, artigos 1" a 3" da Lei n" 8.134, de 27/12/1990, artigo 1" da Lei n" 9 887, de 07/12/1990, e artigo 1" da Medida Provisória IV 22, de 2002, convertida na lei n" 10 451, de [0/05/2002 4. Os latos que motivaram o procedimento fiscal encontra-se Relatório de Açao l iscal (is. 18 a 46), nos seguintes termos: Conforme dotalhado athann, o pi esente lançamento de oficio ma da constatação de que O Sr Eduardo .Inibas Lobo da receben rendimemos pela prestação pessoal de sei viços, no el CI cicio cai,go de Dã do; det Divisão do Centro de Proeessamento e sócio da einpresa Uns Ferrão Cia Lida , nos anos-calendái io de 2000 at.c 2004, mas que tins rendimentos não foi am tuba/ciclos pelo impost() de ienda da pessoa fislea, mas soa huludok, p01 minas' empresas 4 p(I tu de 01/1211998 outras empresas . fiaam contratadas para prestar Tviços de"gest5o emprC8(11101" e "arsessoramento administrativo" à I,tn.s. Ferião Lida , que, ao mesmo tempo, suspcncleu o "pro labore" dar seus sósios-dit stores, por deltheração dos Me 81110 w, Ames, os rendimentas pagos ao Si Aduat do den has Lobo da (.."unha, doravarne denominado _simplesinente "contribuinte", eram considerados como sendo tendimentos do trabalho do socio, OU Oa, "pro labore" A partir de (11/12/1998 0 connibuinte e tochis os denials .sócias-direlores da .1„ins For Cia Lida constintiram e C011ttatarOM 1,11110 HOlia empresa para "¡weskit . .rervi(os de ,geskio empresarial". A 110I'll empresa eon tratada (que possui os mesmos •Ocios da contratante Lins Ferrao Cia .Lida.) nap recebeu os pazamentos dos serviços, pois os Ndores torah palms diretameme ao contribuime e demais sós/os. Topite 0 cOMT ibili17 lpiant0 OS (011018' ..860.08-din!torcs da 1MLS Ferrão continuaram atuando e eyercendo _seus cargos no &rawly da empresa, e recebendo os pagamentos diretamente (la mesnia. Todavia, a partir de 01/12/1998, o "pro labore" que 1 eeehiam, correspondente aos setts cargos, pas .sou a ser tratado, para fins fiscais e conteibeis, como .sendo receita de serviços da nova empresa, a qual não registra nenhuma moviment000 financeira contabilizada nas contas connibeis "caixa" Oil "bancos'', pois não recebeu os 1(1/0/ CS A nova empresa contabilizou distribuição dos valores diretamente 008 SÓCIUS , anavés de ci(i121to5 na coma "Adiantamento de lucras" ['or conseguinte, a ess(?ncia do auto de infiação lavrado reside 11(1 natureza individual e pessoal do na/alho e da prestação de set viços realizados pelo connibuinte, e pelos demais sócios diretores, (10 e sei cOr eargo/fimeão de direção e gestão da sua empt.esa Linr het 1"(70 Lida , e, por/n ato, quo os enunciado 110 rendimentos pagos 011 1:/editados diretamente ao mesmo earactcrizam-se como rendimcnto do trabalho do pe.1,100 • LS loa (ou soja, "pi o labore"), o não como rec!eilas do pies fação de serviços de pessoa jut i(iica (destaques do origina]) 5. 1 .:111 contraposiçao ao lançamento, o sujeito passivo apresentou a imprignayao dc Hs.. 807 a 852. 6, Levado o litígio a análise, os membros da 4" Turma da Delegacia da .Receita Federal de ul,gamento em Porto Alegre (RS) acordaram por dar o lançamento wino procedente, corn base cm fundamentos que podem set resumidos na ementa a seguir transcrita: Astinto Impost() sohïc a Renda do Possoa 14.s.ica .TRPE LI-err-ion) 200.1, 2002. 2003, 2004, 2005 Linerna RENDIMENJOS REC.L.131DOS DE; PLSSOA JUR11)1CA TITULO DL "IRABALHO PRESTADO — Constituem rendimento brut° todo produto do capital., do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e por/soes perechidos cm dinheiro, os proventos de qualquer nature!za„ assim lambenr entendidos os acres.c!imos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. A tributação independe da denominação dos rendimentos, 1111110 Olf direi/os, da localizaeão, condição juridica Otf nocionalidade da leinte, da °rigor] dos bens produtores da ronda 011 provemos, bastando, para a inciaVncia do imposto, o boi/oficio do contribuinte por qua/qua forma ea qualquer tihrlo Salvo disposições de lei ern contrail°, as convenções, rchilivas ci re.sponsabilidade pelo pagamorno de tributos, neio podem so- opostos ii .Fazenda Pública, para modificar a definição leg-al do sujeito passivo das obrigações ti ibutáí h.1.5 correspondentes Si5/lULA( 'AO — Á simulação so caracteriza pela diver!géncia crate o ato apareine realização formal - e 0 ato que se quo. materializar' — oculto As s im. ria simulação, os atos ovicriorizados são 5empro desejados pelas partos, mas apenas fOrmalmentc, pois materialmente o ato /runic:ado i ouiro j'ortanto, para fins de auricle, Lai, ou não, .simulação, irrelevanto torvin as partes verdadeirermente manifestado publicamerno vontade dc finmalizar determinados (nos poi natureza lícitos, pois 101 lirto em nada influi sobro o cerne dclinição de simulação, quo é a divergrFncia critic exteiiorizacão vontade Para que não se configure simulação, é nocessdrio mais que isso, á nocessdrio gift! as pules (moham pi ahem- 05.505 atos não openas fOrmalmente, mas tarnibém maioria/mente SIMUL4C40 L .READIMENTOS DE "PRO-LABORE" ealização dc operações sinudadas„ coin O objetivo de elidir o surgimento da obrigação tribute» io principal OU de germ initioros vantagen.s fiscais, não inibe a aplicação de pi oceitos específicos da legislação de legalcia, bastando que, parr finalidade do ato on 11eg6010, 1C4aTil obtidos rendimentos subinctidos à incidencia rio impost() I/O render (la pessoa física, qualquer que .soja a denominação quo the ..sela druhl HocesA) n' 11040 00 1407/2005- I 7 52-CH 1 Acordio ii 2101-00.419 H. 1.014 RESPON,S4211.11).-11)»: E-ONTL .PAGADORA Orlando a incideMcia na fonte tivct a natureza de an/eu iptt(ao do inrposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade form , pagadora pela retetkao c recolhimento do impoqo extinguc-se, caso de pcssoa ffsica, no prazo fixado pa1a. entr(a da der/ai açiio de ajusta 113714(11 e, no caso de pessoaquridica, no data prevista pa/a o encerrantento do periodo de (ipuravao cm qtfe (Tidi ini-V110 1 .01 ii ibutado, seja triinestpal, 717.07S(11 es/ui ado 01/ mural AR.11,14 T..)E TrlAVAMENTO DE 01-1(710 072:ILI» ICA DA Cat aelerizada a OC.07711.Ciril de simula(õo, (abiv(21 a eillithfiCa00 da audio. de ()Tien) lan(ader CAILifT CONT ISCATÓRIO 4 vedaçao ao con/isco pcla Constitukao Federal é dirigida ao legislador, cabendo autoridade adminisuativa apenas riplicar a multa, nos moldes da que a institant DECIMALS JI.IDICIA LS EFETT()S decisões judiciais, eyoceao das pro.kridas pelo STE solve a inconstitucionalidade das notirms legais, não c caitSiti.wein ern norma geniis, razao pela qual setts firl(,,, adoç ntio se aproveitam ern relação a qualquei ouna ocorricia, wild() àquela °Net° da decisdo Lançamento Pu ()cedente 7 1116 nado aos 31/()7/2006, o sujeito passivo, irresignado, interpôs, rempestivamente, recurso voluntário, para o que impetrou Mandado de Segurança, no sentido de deixar de apresentar o arrolamento de bens exigido pelo artigo 33, § do Decreto 70 235, de 06/03/1972, corn as alterações da Lei n" 10.572, de 19/07/2002, cuja sentença de primeito gratis concedeu a segurança 8. Na petição recursal o sujeito passivo apresenta, em sintese, os argumentos dc defesa a seguir enumerados: I. em preliminar a ilegitimidade passiva do autuado, vez que a responsabilidade pelo recolhimento do TRPF seria da fonte pagadora, mediante retenção, e não do beneticiario da ronda: 11 - a sociedade Lins Ferrdo & Cia Ltda., tomadora dos serviços de gestão, que tem como nome de fantasia Lojas Pompéia, é uma empresa familiar, que atua no comercio varejista; entretanto, nem todos os participantes da sociedade interessaram-se on estão aptos a exercer atividades de gestão e optaram pela manutenção de sua participação na expectativa da distribuição dos lucros, sem atuar de forma direta na administração da. organização; IV — mostrou-se, então, necessária a constituição de sociedades detentoras de participações as chatnadas holdings, para reorganizar o quadro societário da Lojas PompCia; V a ação fiscal buscou desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade Pon -11)6ra Participações e Serviços Ltda integrada pelos antigos sócios-gestores das Lojas Pompéia e pelas holdings Li fepart e Dema Feria°, assim como da prestadora de serviços que a sucedeu, cm base na suposta incompatibilidade existente entre seus quadros societarios c a contratação, pela Lojas Pompéia, para prestação de serviços de gestão e asses:4)11111min° adm n strati vo; — o intermédio de UMZ:1 pessoa jurídiea facilitaria a fixação da rernuneração pelos serviços prestados, sem a necessidade da deliberação de pro labore, vez que existia legitimo interesse na constituição de uma -_personalidade jurídica integrada por aqueles que originariamente desempenharam papeis de administradores na Lojas Ponipéia, não havendo que se confundir a coustituição de sociedade entre prestadores de sei viços com a prestação de serviços pessoais; VII —O grupo cm questão difcrenciava-se da totalidade dos integrantes da Lojas Pompéia e nada Lies impedia de explorarem juntos, sob forma societaria, o conhecimento que detinham das operações de administração em uma grande rede de con -1616.o vai ej ista; VIII — por mar° lado, o sujeito passivo tem direito assegmado pelo sisf ema constitucionat tributatio de organizar seus -negócios da maneira que lhe for mais conveniente, respeitados os limites legais, e, na espécie, a estrutura mais vantajosa previa a organização de pessoas lisicas, por meio de um ente _juridic° personalizado, que habilitasse a prestação do serviço; IX — de forma alguma, a constituição de sociedade destinadas a gestão da Lojas Pompéia pode ser tida conto fictícia , simulada ou fraudulenta, visto que seus objetivos reais são estritamente correspondentes aos declarados, os serviços contratados são efeti vamente prestados e, para tanto, nunca ftmi empregado qualquer tipo de recurso irregular ou que pudesse con figurar fraude a lei: X - também, não houve simulação, nem poderia considerar-se COMO tal as operações de gestão contratadas entre a Lojas Pompéia e a Pompéia Participações on as controladoras quen sueedetam, pois não se constata divergência entre a intenção declarada e a intenção real dos agentes e 6 inconteste a prestação dos serviços e o suposto negócio aparente nunca escondeu qualquer espécie de negócio subjacente, caso de simulação relativa; --- a caracterização de hairdo requer, necessariamente., a iheitude dos meios, o que não se verifica no caso presente, por isso, indevida a aplicação da multa qualificada, que 6, também, conliscatória e abusiva. -È o Relatório.. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora 0 recurso obedece aos requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimerno. 0 Objeto do presente process() é o lançamento para cobrança de valores referentes ao imposto sobre a renda das pessoas fisicas (MVP), acrescido dc muita de oficio equivalente a 150% cio valor do tributo apurado, além de juros de mom, HOS anos-calendário 2000 a 2004, exercícios 2001 a 2005. oce-sso n I [010 001107/2005-I 7 S2 -01.11 AcOrd5o r." 2101-00..419 171 1015 0 sujeito passivo é socio da empresa J ins .Eerrao & Cia I tdil e, a partir de OM 2/1998, _juntamente com todos os de.mais sócios-diretores daquela empresa, constituiu uma nova empresa — Pompéia Parlicipações e Serviços .Ltda., que prestou "serviços de gestão empresarial" a primeira. 0 autuado exercia o cargo de Diretor da Diviso do Centro de Processamento da Pompéia Participações e Serviços [Ada., prestando serviços à empresa Lins 1;er -fa° & Cia I Ida, de "gestão empresarial" e "assessoramento administrativo", nos anos-calendário de 2000 ate 2004, pelo que, os valores pagos foram tributados como receitas da empresa. A inda, os pagamentos dos serviços foram contabilizados ( .:omo distribuição dos valores diretamente aos socios, através de débitos na conta "Adiantamento de lucros", não registr ando movitnentaeao financ,eirr contabilizada nas col -1(as ai a' a" Oil "banC,OS" Nestas circunstancias, a fiscalização entendeu que o autuado exerceu a prestação pessoal de serviços, tributando os recebimentos como de pessoa fisica, por conseguinte, a essência do auto de inhação lavrado reside na natureza individual e pessoal do trabalho e da prestação de serviços realizados pelo sujeito passivo, caracterizando-os como rendimentos do habalho da pessoa física. Cabe aqui que se analisem tais condições Laticas. Cumpre examinar, portanto, se estamos aqui diante de rendimentos sujeitos a tributação própria das pessoas fisicas ou que devam ser submetidos ao regime tributario das pessoas .juiídieas Pelo que foi acima exposto, os serviços prestados dizern respeito a assessoria e gestão empresarial. Ate aqui, nada que se possa duvidar de que a prestação poderia se dar por uma pessoa juridica, entretanto, na espécie, a prestadora dos serviços se fez compor pelos sécios e diretores da pessoa jurídica contratante, que, apesar de permanecerem como tal, deixaram de receber pi-01(11)0re, ou a contraprestação pela gestão daquela primeir a empresa, e passaram a figurar como sócios de uma segunda empresa, cujo único objetivo seria a gestão empresarial da pt imeira No caso presente, resta claro que a pessoa que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador é a pessoa fisiea. 0 rendimento pago é. produto do trabalho pessoal e não de uma atividade empresarial. 0 sujeito passivo, portanto, é a pessoa física cujo habalho é remunerado, o que flea plasmado pela forma corn() os valores foram entregues diretamente aos socios da empresa contratada, como "adiantamento de lucros". Evidente que o pagamento a terceiros, por meio de pessoa .juridica, pelas atividades que cumpre aos sócios desenvolver, pessoalmente, na gestão empresarial, constitui- se uni artilicio para se furtar da tributação . Sob este portico, defeso, em termos nibutários, aos sécios reestruturarem seus negócios, com o .fito de COOSiittlit empresa com o escopo de transinudar, do ponto de vista formal, os beneficiários dos rendimentos.. Observe-se que este entendimento não pode ser tido corno intervenção na liberdade que tern os particulares de organizar seus negócios da forma como melhor lhes aprouver, que diz respeito a atividade negocial, o que cm:4M o direito t'r constituição de atos apenas com o propósito de modificar, artificialmente, o sujeito passivo das obrigações tributarias. Note-se que não se trata aqui de desconsiderar a personalidade juridica da empresa .Porripeia Participações e Serviços Lida., mas tão-somente de requalificar os kilos, para demarcar a sua correta situação. 'também não cabe Pain de aplicação dc norma anficlisiva, vez que o procedimento avistado, de constituição de empresa para, ern nome dela, realizar contrato de prestação de serviços, efetivamente realizados pelos sócios, com o único fito de se furtar da tributação, reloge à. licitu.de , corn a utilização dc meios ilegítimos pant se furtar do tributo, o que afasta o requisito fundamental da elisão, Por tal, coneta a imposição tributaria na pessoa fisiea do sócio da empresa eonstituida para evitar a subsunção do negócio praticado ao conceito normativo do lab o gerador da obrigação tributaria e a respectiva imputação dos seus efeitos jurklicos, quando resta demarcada apenas a intenção de que o pagamento do pro/abore, pela administração da empres a. de que continua sócio, seja dislarçado corno prestação de serviços por uma terceira empresa, cujo único objetivo é realizar atividades típicas de administradores. Neste contexto, alega o recorrente que, cm sendo devido o imposto a responsabilidade pelo seu recolhimento seria da fonte pagadora, por isso, houvera erro ri a. identificação do sujeito passivo, o que tornaria nulo o lançamento. Partindo-se do entendimento de que se tratam os valores de rendimentos pagos a pessoa fisica, há que ser aveliguada a responsabilidade pelo pagamento do tributo. Acerca da responsabilidade tributaria, dispõe o artigo 128 do Código Tributário Nacional (G.1 -N): Art 128. Sem i (Jura) do disposto neste Capitulo, a let pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo credito ti ibutario a terceira peysoa, vinculada ao Tat° gerador da respectiva obrigacao tributaria, excluindo a responyabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a yte em cunhei .supletivo do cumprimento total ou parcial da referida igacao Por fOrça do disposto no paragratb único do artigo 45 do CFN, a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos rendimentos tributáveis a condição de responsavel pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A retenção do imposto sobre a renda na .fonte foi tratada nas prescrições legais contidas nos artigos 99, 100, 101 e 103 do Decreto-Lei if 5.844, de 23/09/ .1943, quando estes dispositivos eram especilicos para disciplinar os casos dos artigos 95, 96 e 97 do niesmo diploma legal, da seguinte ibrma: Art 99 A relen0o do impost° de quo tartam os artigos 95 e 96, compete a ;knife e sera feita 170 ato do ctCdito ou pagamento do end i menu). OCCSSO 1l n 1 10 10 001.10712005- I 7 S2-0111 AcciRkio ii 2.101-01)..419 1 1 1 016 Art 100 .4 ielen(do do imposto, de que tratam o.s arligos 97 e 98, compete d. finite, quando pagar, creditor, emprogar, i (under ou (.-!niregar o re.ndlinento. l'arci.gratO Inca Vvccurcon-se os seguintes (41SOS, em que competif a ao proem adOI a reten(do quando s-e a afar de ai puas de iniCrvels„ 1,) (wand() o proewador nao der conhecimento à fonte de que pi opricia; io do rendimento reside ou e domiciliado no esirangen „4)- 1. 101 As pessoas obf (1 roc; o impost() compete o ecolhimento ac uuIiçõe.c nicais ) Art 103 — Se ít forge ou o procuridor ode tirei ejetuado a etervio, respondcra pelo recolhimento deste, como ic honvesse rend° Os dispositivos acima mencionados foram anteriores a T ci n" 5 172, de 25/10/1966 (CTN), entretanto, nos mesmos termos, o Deer eto-Lei n" 1 814, de 28/11/1980, em seu artigo I', dispõe: /ii t 1" Os I endimenlos do Ira/ia/ho assahn ludo, inclusive a renumeraçdo mensal correspondente à presta“-Tio de Serviços papa a titularei, adminisn (Om es ou dirigentes dc pessoas jut es/ao sujeitos, (I partir de 1" de ianeiro de 1981, d rcreiNdo do imposto de renda na /Owe, como antecipado, mediante aplieaedo de aliquotas progressiva de acordo coin a seguinte tabela ) A. Lei n" 7.713, de 22/12/1988, em seu artigo 7 0, determinou clue: Air 7" .Ficam _.sujeito incidencia do imposto de renda na fonte, eaten/ado dc acordo coin o di.sposto no art 25 dc:...qa j.ei 1 - as iendiinenios do trabalho assalariado, pagos ou crelhados por pes.soas fisca.s OH Pill diCa S, .11 - os denials rendimentos. pereebidos por pessoas fiskyti, que não estejam sujeitos à tributacdo evclusiva na lOnte, pagos ou creditados por pes.soas jurídicas. • 1"0) impo sto a que se T//re este artigo sera retido por ocasião de cada pagamento ou crédito e, _se houver mais de um pagamento ou creWito, pela MeSilla . fonte pagadora, aplicar-se-á a aliquot() corre,spondente à soma das- rendimentos pagos 011 creditadosa pessoafisica no nu/s, a qualquer tiltdo Entretanto, embota seja o imposto retido na fonte tributo devido mensalmente pelo beneficiário da renda, os valores dos rendimentos percebidos e da retencao, deverao ser intbrmados na deelaravdo de Ajuste antral para a determinavao de diferenças a serem pagas ou restituidas, como determina a Lei. n" 8.134, de 27/12/1990, dos artigos 1", 2 0, 9" e 11.: Art A pat or do exereicio financeiro de 199/ , o roulimentoy gaohos de capital percebidos pot pessoas .fisicas tesidentesoo domicilladas 00 Brasil seta.° ltibutados pelo Impost° de Renda 11(1 forma da legisla(ao Vigente, 00117 1110difiCaçÕe`, introduzidas pot esta Art 2' 0 Impost() de Renda dás pes.soas fisicas .sera devido medida (Ile os re.'ndimernas e ganho..s de capital lbrem percebidos, .sem ptcjuizo do apisie estabelecido no art Ii ) Art 9". As pesVMS fiV .CUS deveiüo apresentar anualmente deelara(fio de olditnento, na qual se detettninara o saldo do iropostc.) a pagar Olt a restimit Art II 0 said° do imposto a pagat OU II 1 declaraçJo aortal (art 9`) seta determinado com obsetváncia das seguintes 1101 /77(15 I - .seta apurado O impost() progressivo mediante aplica(/to labela (art /2) sobre a base de caleulo (art 10), 11 - sera dcdtEido o valor original, excluida a corre( do monetária do imposto pago ou relido na Ibrue durante o ano- base, correspondente a f'endimerdor incluidos na base de calettlo (oil. 10), ill - o re.sullado .será corrigido monetariamente (paragralit attic()) e o montante as S1171 ci:onstituira, se positivo, saldo do imposto a pagar e, se negativo, o imposto a restiluir. Com efeito, no tocante aos rendirrientos auferidos mensalmente, embora a sua tributaciio se de A medida que fbram percebidos, devení ser submetidos ao ajuste anual. 151:() porque, somente ao final de cada exercício fiscal, estabelecido pela legisla.v5o tributaria como o Período de doze meses do ano, (:) possível definir a renda a ser submetida dc forma "definitiva" A •1 ii após efetuadas as deduções autorizadas pot . lei Assim, embora a aquisiv5o da disponibilidade econômica au juridic-a dos rendimentos se de mensalmente, sendo tais rendimentos submetidos A tributayao a medida que 1 -Oral-II sendo percebidos, tais recolhimentos silo apenas antecipações do que for devido na deelaraydo anual de rendimentos, pois que o Rito gerador do imposto sobre a renda das pessoas físicas, salvo nos casos de .tributavdo definitiva, somente se perfitz ao final de cada ano- ealendario, submetendo-se, o conjunto dos rendiinentos tributaçdo pela tabela progressiva anual. Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso 'Especial n" 584,195/PE, de lavra do Relator Ministro Franciulli Netto, cujo excerto se transcreve: Fetelkdo do impo sio de renda na cuida de ateia antecipa(ào do impost() devido na deelataeáo anual de rendimentos, uma vez true o conceito de rendo envolve necessariamente um period°, que, contr.:trine determinado na Constimicao Federal,c":'. annul. Mais a mais, complexa a hipótcse de incielJneict do aludido imposto, (:nja ocotrC,.'ncia da-se 10 Proc..co n'' I 1040.001407/2005 .1 7 S2-C I AcoT .ctio n 2101-00.419 H 1 01 . 7 apenas ao final do ano-base, quando poderZi se verifiear o n1iiino do5 lidos pela hipótese de inci(k3ficia do tribal.° Desta. forma, depreende-se que, o melhor entendimento para as normas que regem a ill butação do IR PIT 6 a de que it legislação determinou a obrigatoriedade, durante o ano- calenclinio, de o sujeito passivo submeter i tributação os determinados rendimentos de forma antecipada„ caril apuração delinitiva somente se dará quando do acetic) por melt) da declaração de ajuste anual Sob este portico, tem-sc que a responsabilidade da foate pagadora nap node ser entendida como infinita e indeterminadamente no tempo e no espaço. I FA que se ter UM 1.erillo final a esta responsabilidade e, este te11110 final, materializa-se quando da entrega da (tech] ação de ajuste anual, oportunidade em que o sujeito passivo direto da obrigação tributária, está obrigado a informal todos os rendimentos percebidos no ano-calendário, aputando se hã saldo de imposto a pap m ou valor a ser iesiituido Portanto, após a data. da entrega da declaração de ajuste anual, incabível a constituicao de crédi to tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagador a dos rendimentos. 0 lançamento, a titulo de imposto de renda pessoa Física, se for o caso, ha que ser efetuado cal nome do sujeito passivo direto da obrigação tributária, ou seja, o beneticiário e titular da (fisponibilidade juridica e econômica. do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. A Falk" de retenção do imposto de renda na Conte pela finite pagadora não exonera. o beneficiário dos rendimentos da. obrigação dc inclui-los, para fins de tributação, na declaração de ajuste anual, do contrario a inclusão devera ser efetuada de oficio pela au toridade ii seal. Este tem sido o entendimento da Camara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Pazenda, órgão uniformizador da jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, o que fica dental cada no Acórdão CSRF/01-05.026, de 09/08/2004, cm Recurso special no Acórdão n" 106-128 643, cujo entendimento se resume na ementa a seguir transcrita: IMPOST° DE REM_ )A 1Ví FONTE - A NTE (IPA Ci0 LTA OL: RLTEN(1,40 — L,1NC.4MEATTO ,4PÓS >I DI DEZE, AIBRO DO /.1N0-(': A LENDA'R,10 EXCE(1S:r0 ESPONSA l'1),,-1DE DA FON'I'E PAG/IDORA PTIO RECOLHIMLNIO 1)0 IMPOST() DEVIDO) - Se a previsão (la ii iblda<110 fonte 5e dó jioi antecipay'io do impost() devido na declara (ao de ajuste anua/ de rendimento5, e sc.> a ação /is ccci ocoplei após 31 de dezembro do ano do lino ,gerador, incohivel a Lonstilui<:ao (.16. elédito tributário através. do tanomento clii impo5to de Wilda na Tonle, pe5. 5.oa Paidic.a pagoda' a dos f cud mm/cu/os. Recurs() especial- negado Destarte, não há a. nulidade alegada no lançamento, pois efetuado em nome do sujeito passivo, que deveria ler oferecido os rendimentos a tributação, quando da declaração de ajuste antral. Ultrapassada a preliminar, passamos it análise do mérito No merit°, a principal questão diz respeito á imposição ao lançamento da multa qualificada, equivalente a 150% do valor do tributo apoiado Para q tie se averigúe a pertinência da penalidade, crucial que seja demarcada a existência ou. não de dolo na pratica dos atos que deram azo ao auto de infração. COMO antes reportado, a constituição de uma empresa para prestar serviços de adininistiação a empresa original de que 6 sócio e administrador, deu-se com o Lilo Calico de fugir a tributação das pessoas físicas, sendo que o pagamento se deu por via de ti ibutação dc lucros da contratada. Ent tal situação Linea esta presente urna declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito d.i.verso do ostensivamente indicado, ou seja, oconeu L negócio .juridico ei . que se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, Will O tim de Fugir ao fisco, para uma tributação mais favorecida, p01 meio da distribuição de lucros.. Aqui se conligura a simulação, como a tentativa de exprimir um ato juridic° que não conesponde a realidade, por mcio de urna declaração falsa de vontade, situação prevista no artigo 167, § 1' do Código Civil Brasileiro de 2002, tithYis: Ati 167 ( ) " _HMV illit11(10 0 110.S aius juridieos quando. I apatentatem CO* f U On transmitir direilos a pessoos divetsas daquelas às quais lealmente se conkrem, 071 7lii íClfl, Ii C01111 1" t/c/aiaçào. CO a() C077 d Ç:(710 on CI áli-Slf não vet dadeirtt, 111 os. insbumentos particulares fOrent antedatados, Oil (1(11(1(10.S Na espécie, vislumbuo que a situaçiio real enquadra-se na hipótese dos atos que CODTOJI ham declaração, conlissao, condição ou cláusula não verdadena, coin o pi °posit° de produzir Ll Hi engano, pois os fatos verdadeiros não ocorreram de aeordo corn os atos formais, cm que a in/en/lu era iludir o fisco, e diveigia da intentio flirt Os serviços referentes aos connatos fumados entre as empresas Lins I.errão & Cia Ltda. e a empresa Pompeia ParticipaOcs e Serviços Ltda. foram efetivamente prestados pelos súcios da segunda empresa, também Os valorcs não foram efetivamente recebidos pela empresa, e sim pelos socos prestadores dos serviços, Neste sentido, cabível a imposição da multa qualificada, pata o que se exige a demarcação de evidente intuito de fraude corno definido nos artig,os 71, 72 e 73 da lei n" 4.502, de ".30/11/1964, Art 7.1. ,SOnegaç.o á todu ação ou omissão dolosa tendente impedir ou retardor, total ou parcialmente, O conhecimento pot . parte da autoridade fir:cmhiria . 1 - do ocorr&ncia do fato gerador da obrigação tributaria principal, sua fill1tire2(i ou eireunstd ncia.s matei ials; 12 '1 . 4)C:CSO 11 11040 00140712010-17 52-C 1 I I Aar] 11 i 2191-00.419 ii 1 018 II - das condicães pessoais de contribninte, .suseetiveis de aktat obrigação tributaria principal ou O eicWito tributário corresponderne.. Art 72 1; remde e toda ct(do ou omissão doloset tendente impedir ou retcuclat, total on parcialmente, a ocorrencja do tale gatador da obi ig,a(iio tributaria principal, ou o excluir OU modilicar as AIMS' CaraCIC,Fi_sticas es.senciaIs, da modo a leduzir montante do impost° devido a etitar OU dikt ir o sett paga monto Art 7$ C:onluio 7 0 aluste doloso entre clue. s ou mais pessoas na0mmai oil uriclicas, visando qualquer dos ( , /Atos re &lidos nos ts 71 e 72. Da leitura dos dispositivos da Lei n" 4,502, de 1964, supra rel infere-se que as condutas descritas pela norma exigem do sujeito passivo a ação com dolo, ou seja, a delibeiada intenção de obter o resultado que seria o impediment° ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou a exclusão ou modiflea.ção das suas caracteristicas essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.. Nesse sentido, o cerne do comportamento delituoso consiste na modificação das características da situação de fato on situação . jurídica que, ocorrendo, determina incidência da norma tributaria, coin o escopo da redução do valor do tributo devido. Com efeito, a. Ira:ride se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação OU ocultação, e pressupae sempre a intenção de causar dano ir Hazenda Publica, num propósito del iberado de subtrair, no todo ou ern pate, a obrigação tributária.. cab ivel a situação qualifieadora quando restar caracterizada a presença de dolo, como um comportamento intencional, espect fico, de causar dano, utilizando-se de subterfúgios que escamoteiam a. ocorrência do Cato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade tazendaria.. Ou seja, O intuito doloso deve estar plenamente demonstrado na autuação, sob pena de não restarem evidenciadas as earacleristicas da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa agravada. Assim por ter praticado ato com a deliberada intenção de dar características diversas a situação que consfitui o fato gerador do tributo devido, InCOIT -Ctl o sujei to passivo em conduta delituosa, cuja apuração do oficio deve vir acompanhada da multa qual illcada. Entretanto, no caso presente, há se trazer ã baila o tratamento a ser dado aos tributo or iginalmente recolhidos, pela empresa "prestadora" dos serviços em questão, por meio da imposição sobre as I eceitas da pessoa . jurídica.. Neste ponto, o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio dos Acórdãos n" 104-18641 e n" 106-14.244, houvera se inani festado no sentido de admitir a compensação dos tributos pagos pela pessoa .jurídica, cm razão das "receitas" pela prestação dos serviços, cam aqueles efetivamente devidos pela pessoa física dos sócios. Embora reconhecendo que a empresa e os seus soeios constituern entidades distintas, não se pode olvidar que, se o lisco entende que os valores apresentados como receitas da pessoa itnichea são, na realidade, rendimentos da pessoa fisica., reconhece que os triKilos rec,olhidos pela pessoa juridica sobre aquelas receitas foram indevidos.. O que resulta no reconhecimento dc que parte do tri buto devido lora efetivamente pago, ainda que pot outra entidade ou corn outra denominaçno Que nib seja argumento contrario a tal procedimento a possibilidade de que a empresa possa pleitear a restituiçao do indébito, vez que tal procedimento incorrelia em vários ônus, tanto pata a pessoa jurídica como para a pessoa tisica. Para a primeira, ter-se-iam as dificuldades de um processo, administrativo ou rid ici ai, dc pedido de restituiçao ou compensaçdo de tributos, além da necessidade de obscrvancia do prazo decadencial pata o pleito. Para o segundo, porque a compensaçao deverd se °petal antes da imposi0o da multa de oficio, o que representa significativa diferença de montante a recolher. Por todas essas razões, deve set Lelia a eompensaeao, antes da aplicaçao da multa de oficio, dos tributos pagos pela empresa Porn dia Participações e Serviços Ltda, incidentes sobre as receitas consideradas na autuayao como rendimentos dapessoa do autuado. Porte no exposto, e de tudo que dos autos consta, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para: I) subtrair do imposto devido os valores correspondentes aos tributos pagos pela empresa .Poinpeia Participações e Empreendimentos Lida. incidentes sobre as receitas consideradas na autuaçao como renditnentos da pessoa tisica do autuado; 2) subtrair da base de 61.culo da multa de oficio os valores constantes do item anterior. Sala das Sessões, em 2 de fevereiro de 2010 I IA C improq ioianc a 14
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000349/2010-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira.
SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa.
SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida.
PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-005.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 03 49 /2 01 0- 36 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 224 2 VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e Fl. 224DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 225 3 de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O interessado transmitiu a Dcomp nº 31916.43034.310107.1.1.081254, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de PIS/Pasep não cumulativo, referente ao 4º trimestre de 2006; A DRFPonta Grossa/PR emitiu Despacho Decisório nº 026 2011, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) A ORIGEM DO CRÉDITO: a.1) Previsão legal sobre o conceito de "insumo". Possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; a.2) Locação de mãodeobra e a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS; a.3) Crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado; a.4) Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Pedágio; Fl. 225DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 226 4 a.5) Locação de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica; b) DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO; c) DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA; d) PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL; É o breve relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0956.991, sessão de 04/03/2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PIS/PASEP E COFINS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITO. VALEPEDÁGIO. O valor do valepedágio não integra o valor do frete, portanto, não pode compor a base de cálculo dos créditos das contribuições. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento, em menor extensão em relação à manifestação de conformidade, versando quanto: (i) à possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; (ii) aos créditos nas despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda e valepedágio; e (iii) ao crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 227 5 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, reflorestamento e industrialização da madeira colhida beneficiandoa com fins à obtenção de produto final (laminados, compensados, aglomerados e plastificados) destinado principalmente à exportação. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Passemos às matérias em litígio. Glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 228 6 Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos Fl. 228DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 229 7 elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 230 8 Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; Fl. 230DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 231 9 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no reflorestamento e cultivo de madeira guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo em suas variadas formas (aglomerados, compensados e laminados, e outros) e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com peças e serviços empregados em caminhões, máquinas e implementos utilizados exclusivamente na etapa agrícola, do plantio à colheita da madeira, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Análise das glosas O processo produtivo, inclusive com a indicação de bens e serviços que a contribuinte entende trataremse de insumos, foi descrito às folhas 13/14. A fiscalização, por amostragem de apenas alguns exemplares de notas fiscais, glosou créditos apropriados em relação a determinados bens e serviços por entender que são despesas gerais e não se tratam de itens que sofrem alterações, ou são aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos da pessoa jurídica. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 232 10 A DRJ corroborou integralmente o procedimento de glosa, validando os argumentos da fiscalização no tocante aos bens e serviços que não os consideram insumos. A seguir o resumo que se encontra no despacho decisório (fls. 21/22) dos itens não considerados insumos: Constatase que, além da análise restringirse a amostras, os bens e serviços agrupados em contas contábeis contêm rubricas de dispêndios associados à máquinas ou equipamentos de etapa do processo produtivo (fase agrícola ou de fabricação), mormente Fl. 232DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 233 11 quando se depara com descrições de materiais ou serviços de "manutenção de veículo", "combustíveis e lubrificantes", "material de consumo", "material de embalagem". A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados na processo produtivo e fabril e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a demonstração pela interessada. Por um lado, a contribuinte descreveu as etapas de plantio à fabricação de seus produtos, indicando os dispêndios com bens e serviços; de outro, a fiscalização não suscitou qualquer insuficiência probatória, vez que fundamentou seu despacho decisório de glosas na impossibilidade de conceder crédito quando bem ou serviço não integrar o processo de fabricação. Da análise conjunta da relação dos itens glosados e da síntese das contas contábeis que relacionam os dispêndios, apresentadas pela recorrente em atendimento à intimação fiscal, evidenciamse os itens que segundo as balizas assentadas neste voto são considerados insumos do processo produtivo e de fabricação do produto destinado a venda, ou empregados em veículos, máquinas e equipamentos do processo produtivo e/ou industrial. Dessa forma revertemse as glosas de créditos com despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor do encargo de depreciação (e não de despesas na aquisição), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: 1. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 4. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 5. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); Fl. 233DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 234 12 6. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 7. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). De outra banda, itens de manutenção não relacionados a veículos, máquinas e equipamentos das etapas de produção e fabricação, por ausência de previsão legal e/ou não essenciais ou relevantes à produção/fabricação, não admitem o crédito de seus dispêndios. As despesas efetuadas com serviços relacionados à manutenção e construções de estradas, edificações e instalações prediais são custos necessários e inerentes ao exercício da atividade do Contribuinte, mas que de acordo com a legislação não permitem o aproveitamento do crédito decorrente destas despesas, mas sim relativas aos encargos com a depreciação do ativo imobilizado, quando comprovados e na forma prevista na legislação. Dessa forma, não há como a empresa creditarse diretamente da contribuição incidente sobre tais gastos, devendo ser observada a legislação vigente quanto às regras atinentes à depreciação. Assim, não se permite crédito com dispêndios de (i) material de uso geral, manutenção de instalações prediais, conservação e limpeza; e (ii) bens e serviços da etapa de reflorestamento/colheita (abertura de estradas com tratores e maquinários específicos, construção de bueiros, pontilhões para acesso dos veículos). Os créditos provenientes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado foram glosados no tocante àqueles da etapa de plantio, reflorestamento e colheita. Revertemse tais glosas, pois que tal etapa inseremse na atividade industrial, assim considerada em seu todo, com assentado alhures. Exceção aos bens não efetivamente utilizados no plantio, reflorestamento e corte (como é o caso, por exemplo, de veículos que não se destinam ao corte e transporte de madeira) e os que não atendam aos demais requisitos da legislação, concernentes às Contribuições e às regras de depreciação. Por fim, em relação ao valepedágio, com razão a decisão recorrida. As despesas com o pagamento de pedágios não são insumos, serviços e nem se configura frete na operação de venda. Tratase de mera retribuição, pelo direito de passagem, mediante taxa ou tarifa (preço público), a uma autarquia ou uma concessionária de bem público. São ainda desprovidas de autorização em dispositivos legais para o creditamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; Fl. 234DF CARF MF Processo nº 12571.000349/201036 Acórdão n.º 3201005.015 S3C2T1 Fl. 235 13 a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000339/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.358
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
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LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 39 /2 01 0- 95 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16349.000339/201095 Acórdão n.º 3402006.358 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 03062.639, proferido pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a Decisão que indeferiu o Pedido de Restituição (PER) por inexistência do crédito solicitado. Regularmente cientificada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde pede a reforma da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito à plena restituição de PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) A despeito das sólidas alegações de direito que embasaram a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, e não obstante tais alegações terem sido suportadas por documentos hábeis à comprovação do crédito pleiteado, o v. acórdão manteve o entendimento do despacho decisório eletrônico; iii) Na base de cálculo da contribuição somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, ou sejam os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9718, já declarada pelo STF em decisão plenária definitiva, bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 16349.000339/201095 Acórdão n.º 3402006.358 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.345, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000329/201050, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.345): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito O Pedido de Restituição nº 30231.53932.100506.1.2.04 5076 tem por origem crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo no valor de R$ 9.207,56, referente ao Darf do período de apuração de abril de 2001, arrecadado em 15/05/2001, no valor de R$ 610.330,36, mantendo a glosa de créditos referentes à Contribuição do Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A decisão recorrida não considerou a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, por concluir que o artigo 26A Decreto 70.235/1972 veda ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo que até aquele momento não havia autorização do Secretário da Receita por meio de ato específico determinando os procedimentos, nos termos do artigo 77 da Lei 9.430/1996 e o Decreto 2.346/1977. A matéria suscitada é questão decidida em repercussão geral (Tema 110) pelo Supremo Tribunal Federal através do RE nº 585235, transitado em julgado em 12/12/2008, conforme Ementa abaixo: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de Fl. 306DF CARF MF Processo nº 16349.000339/201095 Acórdão n.º 3402006.358 S3C4T2 Fl. 0 4 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) Neste caso, considerando que a decisão recorrida foi proferida em 31/07/2014, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Deve ser aplicado neste caso o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/20151. Neste sentido, colaciono precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16349.000339/201095 Acórdão n.º 3402006.358 S3C4T2 Fl. 0 5 Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Com relação ao ônus da prova da Contribuinte, restou reconhecido em despacho decisório que o pedido foi instruído com a relação de PERDCOMP de fls. 42/45, DARF de fl. 60, planilha demonstrativa do crédito de fls. 62/66 e lançamentos destacados no Livro Razão, às fls. 67/199. Portanto, deve a Unidade de Origem apurar o valor do crédito invocado e demonstrado pela Recorrente, afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.903910/2008-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇAO.
Não comprovada a existência do crédito originário do pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, não há que se falar em homologação da compensação.
Numero da decisão: 3001-000.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a proposta de conversão em diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇAO. Não comprovada a existência do crédito originário do pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, não há que se falar em homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a proposta de conversão em diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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PAGAMENTO INDEVIDO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇAO. Não comprovada a existência do crédito originário do pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, não há que se falar em homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a proposta de conversão em diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação com saldo credor de PIS/COFINS no 1º Trimestre de 2003, tendo por base pagamentos indevidos ou a maior, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 39 10 /2 00 8- 73 Fl. 125DF CARF MF 2 valor original total de R$62.069,33 por meio das Declaração de Compensação 24422.69150.050404.1.3.040004. A DRF Ribeirão Preto/SP, em apreciação ao pleito da contribuinte, proferiu Despacho Decisório (efl. 7) não homologando a compensação declarada tendo em vista que a inexistência do crédito utilizado. Afirma que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando que “apurou um crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS no valor de R$ 62.069,33... referente ao mês de março de 2003... Contudo, ao apresentar a Declaração de Compensação da parcela remanescente do crédito, o contribuinte não assinalou o campo Informado em Outro PER/DCOMP, conforme consta nas instruções de preenchimento do programa”. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão no 1429.850 a seguir transcrito: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo demanda a comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância apresentado uma combinação de valores que resultaria no direito creditório pleiteado. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10840.903910/200873 Acórdão n.º 3001000.751 S3C0T1 Fl. 326 3 aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre declaração de compensação com saldo credor de PIS/COFINS no 1º Trimestre de 2003, tendo por base pagamentos indevidos ou a maior, no valor total de R$62.069,33 por meio das Declaração de Compensação 24422.69150.050404.1.3.040004, e que a recorrente afirma haver de fato o recolhimento a maior quando confrontados os valores devidos declarados em DCTF e os pagos por meio do DARF. A decisão de piso afirmou que o pagamento informado como origem do crédito, relativo ao PIS faturamento (8109), do período de apuração 03/2003, ocorrido em 15/04/2003, no montante de R$112.482,63 foi integralmente utilizado para amortizar o débito declarado da própria exação apurada naquele PA (no montante original de R$111.091,44), assim como na DCOMP n. 2458.66404.050404.1.7.047709 (no montante original de R$1.391,19). Relata ainda que a recorrente, apesar de afirmar que errou no preenchimento da DCOMP, não apresenta qualquer documentação comprobatória a respeito de crédito efetivo, que levou à improcedência da manifestação. Inconformada, a Recorrente alega em sua peça processual que a DCTF do 1° Trimestre de 2003 consta como CRÉDITO o DARF recolhido em 15/04/2003, relativo ao PIS Faturamento do período de apuração 03/2003 no montante de R$112.482,63. Entretanto, deste valor a recorrente utilizou para quitação do débito somente o importe de R$50.413,30 e não R$111.091,44, como equivocadamente apontado pelo acórdão. Afirma ainda que o restante do débito informado (R$60.678,14 = R$111.091,44 R$50.413,30) teria sido pago através de outras compensações e deduções demonstradas e declaradas na DCTF. Com isso, a Recorrente teria a sua disposição um crédito no valor de R$62.069,33 que teria sido empregado para quitar as DCOMPs 42458.66404.050404.1.7.04 7709 (R$50.698 23) e 24422.69l50.050404.1.3.040004 (R$11.371,10). Segundo a Recorrente, estas DCOMPs foram “regularmente VALIDADAS pela Receita Federal”. Por derradeiro requer a anulação do acórdão por cerceamento de defesa e a conversão do presente julgamento em diligência para que a documentação relativa ao crédito apurado possa ser novamente examinada e ratificada pela autoridade fiscal. Incialmente insta destacar que o presente Colegiado tem acompanhado a tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para acolher as provas apresentadas nesta instância recursal. Contudo, para sua aplicação é necessária a apresentação pormenorizada por parte da recorrente dos elementos necessários e Fl. 127DF CARF MF 4 indispensáveis para comprovação das suas alegações, em especial dos créditos efetivamente pretendidos. A Recorrente alega uma combinação de valores para compor um suposto direito creditório sem que tenha apresentado qualquer documentação que comprovasse suas afirmações e pudesse demonstrar a certeza e liquidez do crédito. Frisese que o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o que, no presente caso, não ocorreu. Com isso, há de se rejeitar o pedido de diligência pleiteado pela recorrente. Portanto, não havendo o crédito favorável ao contribuinte, tal qual informado em sua PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação do débito declarado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.726476/2016-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9202-000.217
Decisão: REPRESENTAÇÃO DE NULIDADE. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA.
Não confirmada a ocorrência de hipótese de impedimento prevista no RICARF vigente à época do julgamento objeto da representação, não há que se falar em nulidade do acórdão.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Administrativo de Representação de Nulidade apresentado pelo ex-Conselheiro, rejeitar a preliminar de ilegalidade e, no mérito, rejeitar a arguição de impedimento e, consequentemente, a de nulidade do Acórdão nº 2301-004.222, de 06/11/2014. Quanto ao Recurso Administrativo de Representação de Nulidade apresentado por Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A, dele não se conhece, por perda de objeto.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : REPRESENTAÇÃO DE NULIDADE. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Não confirmada a ocorrência de hipótese de impedimento prevista no RICARF vigente à época do julgamento objeto da representação, não há que se falar em nulidade do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Administrativo de Representação de Nulidade apresentado pelo ex-Conselheiro, rejeitar a preliminar de ilegalidade e, no mérito, rejeitar a arguição de impedimento e, consequentemente, a de nulidade do Acórdão nº 2301-004.222, de 06/11/2014. Quanto ao Recurso Administrativo de Representação de Nulidade apresentado por Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A, dele não se conhece, por perda de objeto. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Não confirmada a ocorrência de hipótese de impedimento prevista no RICARF vigente à época do julgamento objeto da representação, não há que se falar em nulidade do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Administrativo de Representação de Nulidade apresentado pelo exConselheiro, rejeitar a preliminar de ilegalidade e, no mérito, rejeitar a arguição de impedimento e, consequentemente, a de nulidade do Acórdão nº 2301004.222, de 06/11/2014. Quanto ao Recurso Administrativo de Representação de Nulidade apresentado por Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A, dele não se conhece, por perda de objeto. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 26 47 6/ 20 16 -1 9 Fl. 728DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 729 ___________ Relatório Tratase da Representação de Nulidade nº 03/2016 (fls. 50), apresentada pelo Sr. Presidente do CARF, em face de arguição pelo Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil (fls. 47), por meio da qual foi suscitada a nulidade do Acórdão de Recurso Voluntário nº 2301 004.222, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 2ª Seção de Julgamento em 06/11/2014, no Processo Administrativo Fiscal nº 10166.721569/201134 (apensado), em nome de Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A (Politec Tecnologia da Informação S/A). A arguição é de impedimento do exConselheiro do CARF Manoel Coelho Arruda Júnior, que teria participado indevidamente do julgamento do Recurso Voluntário em tela. Foram apresentados os seguintes fundamentos (destaques no original): "O art. 42 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) assim versa sobre impedimento de conselheiros: Regimento aprovado pela Portaria MF Nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; (...) Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes: I preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; e (...) Regimento aprovado pela Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e (...) § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 730 3 ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) 2) Nesse contexto, cumpre informar que: a) o conselheiro em comento foi sócio da empresa SANTOS JACINTO ADVOGADOS ASSOCIADOS ME (CNPJ 02.665.120/000133) até 05/2013 (vide ANEXO AIS 01); b) a empresa retromencionada prestou serviços em 2012 para a INDRA BRASIL, empresa que adquiriu a POLITEC em 2011 (vide ANEXO AIS 02. Ressaltase que partes desse documento, extraído dos sistemas da RFB, foram ocultadas em função do sigilo fiscal); c) as autuações do processo administrativo fiscal 10166.721569/2011 34 foram lavradas em 2011. 3) É importante observar que tais fatos se enquadrariam, salvo melhor juízo, no Art. 42 do Regimento Interno do CARF, porquanto o conselheiro em questão teria, por intermédio da empresa da qual era sócio, recebido remunerações da INDRA/POLITEC em 2012, período compreendido entre a instauração do processo administrativo (2011) e o julgamento do processo (2014). 4) Verificase, portanto, que, apesar de ter atuado no julgamento de recurso do processo 10166.721569/201134, o conselheiro estaria, em tese, impedido, já que estaria configurado o interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, previsto no normativo supracitado. 5) Ressaltase ainda que o art. 80 do Regimento Interno do CARF prevê a nulidade de decisões caso o conselheiro participe de julgamento de recurso, em cujo processo deveria saber estar impedido. Art. 80. Sem prejuízo de outras situações previstas na legislação e neste Regimento, as decisões proferidas em desacordo com o disposto nos arts. 42 e 62 enquadramse na hipótese de nulidade a que se refere o inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. 6) Levando em consideração que os fatos anteriormente mencionados poderiam ensejar a nulidade de julgamento do processo 10166.721569/201134, arguise o impedimento do conselheiro em tela com o intuito de se dirimir quaisquer dúvidas em relação à regularidade do julgamento do processo administrativo da POLITEC/INDRA." Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 731 4 Foram apresentados também fundamentos no sentido de que teria havido suspeição relativamente ao exConselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Intimadas as partes do Processo Administrativo Fiscal, bem como o ex Conselheiro, as respectivas manifestações foram juntadas aos autos e serão a seguir especificadas. Manifestação da Fazenda Nacional (fls. 55) A Fazenda Nacional requereu a declaração de nulidade do Acórdão nº 2301 004.222, ao fundamento de que o exConselheiro encontravase impedido de participar do julgamento, nos termos do art. 42, inciso II, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época. Manifestação da Contribuinte interessada no Processo Administrativo Fiscal, Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A (Politec Tecnologia da Informação S/A) Cientificada da Representação de Nulidade em 13/10/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 61), a Contribuinte apresentou, em 24/10/2016 (protocolo de fls. 63), as Alegações de fls. 63 a 95, contendo os seguintes argumentos: a Arguição de Impedimento, Suspeição e Nulidade faz acusação ao ex Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior baseada nas situações apontadas, nos seguintes termos: "2) Nesse contexto, cumpre informar que: a) o conselheiro em comento foi sócio da empresa SANTOS JACINTO ADVOGADOS ASSOCIADOS ME (CNPJ 02.665.120/000133) até 05/2013; b) a empresa retromencionada prestou serviços em 2012 para a INDRA BRASIL, empresa que adquiriu a POLlTEC em 2011 (vide ANEXO AIS02. Ressaltase que partes desse documento extraído dos sistemas da RFB, foram ocultados em função do sigilo fiscal); c) as autuações do processo administrativo fiscal 10166.721569/2011 34 foram lavradas em 2011." é relevante notar que a acusação acima e a suposta prova anexada diz que foi a empresa que prestou os serviços e não o Conselheiro; cumpre ressaltar que apenas com as alterações promovidas pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, inclusive com inclusão do parágrafo 2º pela Portaria MF nº 152, de 2016, é que houve a possibilidade de se aplicar as vedações de que trata o § 1º também aos casos de Conselheiro que faça parte, como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia; a prova trazida aos autos pelo Auditor não comprova que o Conselheiro prestou algum serviço ou percebeu alguma remuneração em relação à Contribuinte autuada; Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 732 5 a Arguição de Impedimento, Suspeição e Nulidade faz acusação de suspeição ao exConselheiro referido, da mesma forma anterior do impedimento, baseada nas situações apontadas, nos seguintes termos (fls. 3 e 4): "8) Por sua vez, no que tange ao conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, cabe mencionar que: a) Foi empregado formal da ALCOFORADO ADVOGADOS (CNPJ 26.444.935/000150), empresa que prestou serviços para a POLlTEC por diversos anos, dentre eles o ano de 2011 (Vide ANEXOS AIS 03 e 04. Ressaltase que partes desse documento, extraído dos sistemas da RFB, foram ocultadas em função do sigilo fiscal); b) Conforme ANEXO AIS 05, o conselheiro em questão teria trabalhado juntamente com o sócioadministrador do escritório de advocacia supracitado, o Sr. LUIS CARLOS ALCOFORADO (CPF: 671.090.55787) no ano de 2006; c) Os fatos geradores objeto da fiscalização abrangem o período de 01/2006 a 10/2008; d) O conselheiro teria estudado e se formado na mesma Turma de Direito (UNICEUB/2002) de FERNANDO FUGAGNOLl MADUREIRA (CPF: 698.256.70100), advogado da POLlTEC/INDRA nos autos do processo 10166.721569/201134 (vide ANEXO AIS 06)." a acusação deveria ter trazido provas de amizades íntimas, o que não se verifica nos documentos juntados; é descabida a acusação de que pessoas que participam de mesma placa de formatura são suspeitas entre si de atuarem em processos de interesse de um ou do outro, sem comprovar a existência da exigência regimental da amizade íntima; a Arguição ora impugnada fundamenta o seu pedido de enquadramento nas regras do RICARF atual, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que é posterior ao julgamento; não resta a menor dúvida de que o art. 42, do RICARF atual, é muito mais abrangente e não alterou apenas o Regimento, mas também decorre de uma verdadeira reformulação no próprio CARF, e desse modo não pode ser aplicado ao presente processo, pois posterior ao julgamento, e umas das regras mais claras no Direito é que a norma não retroage; cabe observar que por ocasião do julgamento não houve arguição de impedimento ou suspeição por nenhum dos interessados ou julgadores (Contribuinte, PGFN ou Conselheiros) e, por óbvio, o Conselheiro Manoel Arruda Junior sequer fora instado a se manifestar a respeito, como previa o RICARF, aplicável à época; por outro lado, destacase que não existe prova nos autos de que o Conselheiro tenha atuado pessoalmente no interesse da Contribuinte; os dados fiscais a que os Auditores Tributários tiverem acesso não podem ser utilizados ou divulgados sem ordem judicial; Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 733 6 cumpre ressaltar que a quebra do sigilo fiscal ocorreu sobre terceiros, que sequer são partes no presente processo, ou seja, a obtenção dos referidos dados se deu ao arrepio da lei, de forma completamente discricionária pelo Auditor Fiscal; no caso, o Auditor se utilizou de dados sigilosos obtidos em função do seu ofício, todavia não para o exercício de suas atribuições em processos regulares de fiscalização, mas para deles se utilizar na Arguição que ora se contesta; dessa forma, se aquilo que se chama de prova para fundamentar a Arguição de Nulidade de Suspeição e Impedimento foi obtido por meios não amparado no Direito Pátrio, ou seja, de forma ilícita, sem autorização judicial, como é o caso presente, elas são nulas de pleno direito; ocorre atitude arbitrária e idiossincrática do Auditor de se insurgir contra o colegiado do CARF, que decidiu a matéria soberanamente em razão de sua função institucional, primeiro por uns estranhos Embargos de Declaração oriundos da DRF com suas digitais, que foram rechaçados por essa Turma, e depois por uma Manifestação de Inconformidade sobre a mesma matéria, e agora por uma Arguição de Nulidade, funcionando estranhamente como um verdadeiro advogado/interessado na causa; observese que, não satisfeito em suas atitudes, passou a investigar a vida de todos os Conselheiros componentes da Turma Julgadora do mérito da matéria, com procedimentos como a quebra de sigilo fiscal até entender e se utilizar de uma suposta situação que pudesse, em tese, enquadrar uma suspeição ou impedimento; e não foi só, pois se dirigiu por conta própria a Faculdades de Direito do Distrito Federal até encontrar uma placa de formatura para verificar uma eventual situação que pudesse dar azo à sua suposta acusação; esse posicionamento demonstra claramente o caso de suspeição e impedimento do Auditor autuante, que já ficara demonstrado quando da fiscalização e agora reforçado pela sua interferência no processo; assim, a Representação do Sr. Secretário está contaminada pelos vícios que acompanham a Arguição de Nulidade, inclusive da própria suspeição do Auditor que subscreve a peça inicial, da ilicitude da ilegal quebra do sigilo fiscal, das supostas provas que pretendem ancorar o pleito sem se referir a atuação pessoal do exConselheiro, e os demais vícios referidos na presente defesa da Contribuinte; verificase o trânsito em julgado do Acórdão nº 2301004.222, visto que a Fazenda Nacional não apresentou recurso à CSRF; a matéria objeto da presente Representação já foi julgada por essa Turma por ocasião da apreciação dos Embargos de Declaração e consignada no Acórdão de Embargos nº 2300004.443, proferido em 28/01/2016, no Processo Administrativo Fiscal nº 10166.721.569/201134. Ao final, a Contribuinte requer o não conhecimento da Representação de Nulidade, mantendose os Acórdãos nºs 2301004.222 e 2300004.443. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 734 7 Manifestação do exConselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Cientificado da Representação de Nulidade em 13/10/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 60), o exConselheiro Manoel Coelho Arruda Filho apresentou, em 26/10/2016 (protocolo de fls. 98), as Alegações de fls. 98 a 265, contendo os seguintes argumentos: Preliminar da coisa julgada em sessão de 28/01/2016, por unanimidade de votos, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Sejul decidiu não conhecer dos Embargos de Declaração, por ausência de preenchimento dos requisitos legais, mas não sem antes apreciar, preliminarmente, a arguição de impedimento e suspeição suscitada pela Representante em desfavor do Representado, e naquela oportunidade se decidiu, à unanimidade, que não cabia a análise da referida manifestação, por perda de objeto, "uma vez que o conselheiro não mais pertente a este CARF" (fl. 2074 a 2071 Acórdão de Embargos 2300004.443); tendo o competente colegiado do órgão administrativo se pronunciado sobre o cabimento ou não de representação com vistas à nulidade de acórdão com base em suposta ocorrência de impedimento e/ou suspeição de julgador, a revisão dessa decisão demandaria a interposição de recurso para a instância administrativa revisora ou a desconstituição do acórdão em razão da existência de algum vício; porém o que se constata é que a Representante apenas reiterou a questão jurídica já decidida, por intermédio de um novo processo administrativo, desconsiderando a decisão proferida anteriormente. Preliminar tempus regit actum ao se cotejar as diferentes redações do artigo 42, do RICARF, que foram sucedidas por alterações legislativas em um intervalo de tempo de quase sete anos, a conclusão que se extrai é que a Portaria MF nº 152, de 2016, ampliou o rol das condutas previstas no dispositivo, com o nítido escopo de abranger um espectro maior de situações passíveis de caracterização de interesse econômico apto a macular a isenção e imparcialidade do julgador administrativo; como a representação em apreço busca anular o Acórdão nº 2301004.222, proferido em 06/11/2014, deduzse, com facilidade, que se aplicava, ao referido julgamento, o artigo 42, do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 256, de 2009. Mérito inexistência de suspeição não há como sustentar a afirmação da existência de relacionamento profissional entre o Representado e Alcoforado Advogados (Luis Carlos Alcoforado), após 22/05/2001 (data de sua saída do referido escritório); diferentemente do afirmado na Representação, o Representado não trabalhou juntamente com o sócioadministrador do escritório de advocacia supracitado, o Sr. Luis Carlos Alcoforado, mas sim em pólo oposto ao referido advogado; Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 735 8 ausente, portanto, relação de amizade íntima ou mesmo interesse econômico envolvido, passível de macular a atuação do Representado como julgador; é no mínimo frágil (para não dizer leviana) a afirmação de que o Representante teria entabulado relação de amizade íntima com Fernando Fugagnoli Madureira, advogado da Politec, pelo simples fato de ambos terem frequentado o mesmo curso de direito e se formado no ano de 2002. Mérito inexistência de impedimento a pedido da Boxlife Importação e Exportação Ltda, cliente do escritório Santos Jacinto Advogados, o Professor Raphael Anunciação ministrou um curso na modalidade in company de dezembro de 2011 a março de 2012, na sede da empresa em São Paulo, em que, além de representantes da Boxlife, participaram representantes de outras empresas, entre eles um representante da empresa Indra; realizado o curso, a Boxlife informou ao escritório Santos Jacinto Advogados, na pessoa do referido professor, que a empresa Indra seria a responsável pelo pagamento dos honorários contratados, por conta de tratativas administrativas internas das referidas empresas; em vista dos fatos narrados, se constata que os requisitos necessários e cumulativos previstos pela Portaria MF nº 256, de 2009, para o reconhecimento da existência de interesse econômico, direto ou indireto, por parte do Conselheiro, não foram preenchidos; não houve prova de prestação de serviços por parte do Representado à empresa autuada, mas sim de um colaborador do escritório de advocacia do qual o Representado era sócio; neste caso, estarseia estendendo uma limitação ao livre exercício profissional circunscrita ao julgador, para todos os integrantes do escritório, o que não se sustenta à luz do texto constitucional; ademais, fato é que a atividade exercida (curso) ocorreu de dezembro de 2011 a março de 2012, ou seja, em período anterior à data da sessão em que foi concluído o julgamento do recurso (2014). Ao, final, o exConselheiro requereu o não acolhimento da Representação, em face da coisa julgada ou, caso assim não se entenda, o seu não provimento. Resolução da Turma prolatora do acórdão objeto da arguição Em sessão plenária de 04/07/2017, foi julgada a Representação de Nulidade, prolatandose a Resolução nº 2301000.668 (fls. 203 a 209), cuja decisão foi assim registrada: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado: a) por unanimidade de votos CONHECER da representação de nulidade; (b) em relação às preliminares: (b.1) pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de estar a arguição de nulidade fundamentada em prova ilícita; divergiram e votaram por acolher a preliminar por não reconhecerem a possibilidade da utilização de meios próprios do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil nos trabalhos de investigação relacionados à representação de Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 736 9 nulidade os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha; (b.2) ACOLHER a preliminar respeitante à aplicação da norma tempus regit actum; (b.3) por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares; (c) no mérito, (c.1) por unanimidade de votos, NÃO RECONHECER A SUSPEIÇÃO do Sr. Manoel Coelho Arruda Júnior; (c.2) pelo voto de qualidade, RECONHECER O IMPEDIMENTO do Sr. Manoel Coelho Arruda Júnior, exconselheiro deste CARF para DECLARAR a NULIDADE do Acórdão nº 2301004.222, de 06/11/2014, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado; vencidos nesta questão os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que não reconheceram referido impedimento." Recurso Administrativo da Contribuinte interessada no Processo Administrativo Fiscal Cientificada da Resolução em 15/08/2017 (AR Aviso de Recebimento de fls. 458), a Contribuinte interessada no Processo Administrativo Fiscal nº 10166.721569/201134 interpôs, em 25/08/2017 (protocolo de fls. 515), o Recurso Administrativo de fls. 515 a 561, com fundamento no artigo 80, § 11, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, contendo os seguintes argumentos: a decisão a quo, muito embora afirme que baseouse apenas na Portaria nº 256/2009, data venia, revelase equivocada e contraditória, pois não está condizente com o Regimento Interno desse Conselho, e tampouco com as provas nos autos e os princípios do Direito Pátrio; por uma simples análise comparativa entre ambos os Regimentos Internos, se observa que houve uma substancial alteração nas regras de impedimento como se verifica do confronto entre os parágrafos 1o e 2o do art. 42 do RICARF atual, com o parágrafo único do anterior, vigente à época da prolação do acórdão que se pretende anular; observese que o acréscimo, em 2015, do parágrafo 2o teve a finalidade de ampliar as situações de impedimento e incluir o escritório de advocacia dentre as vedações, o que não constava da norma anterior, que por sua vez vedava tão somente o próprio Conselheiro de atuar, sem estabelecer qualquer relação com o escritório; no caso vertente, contudo, a acusação foi taxativa, no sentido de que quem prestou o serviço foi o escritório de advocacia e não o exConselheiro; no art. 42, da Portaria MF nº 256, de 2009, está dito com todas as letras, que considerase existir interesse econômico direto ou indireto quando o Conselheiro preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração; a decisão recorrida, portanto, extrapolou e contrariou a norma legal ao pretender dar uma interpretação sobre o interesse indireto diferente do estipulado no Regimento; com efeito, se a Portaria MF nº 256, de 2009, não autoriza considerar o escritório de advocacia na regra do impedimento, a decisão recorrida revelase absolutamente equivocada e contraditória ao fazêlo; Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 737 10 a decisão a quo alega que estaria fazendo uma interpretação do inciso II, do art. 42, da Portaria MF n° 256, de 2009, e que este preceito permitiria entender que, apenas pelo fato de ser sócio do escritório de advocacia, ele teria interesse econômico ou financeiro indireto, quando o escritório recebesse algum valor; conforme demonstrado, a decisão recorrida cria, por conta própria, um conceito para o interesse indireto, diferente do conceito expressamente definido na norma legal da Portaria MF n° 256, de 2009, quando na realidade somente a norma jurídica pode fazêlo, aliás, como ocorreu posteriormente, pela Portaria MF n° 343, de 2015; por sua vez, quando foi acrescentado o § 2o ao art. 42, pela Portaria MF n° 343, de 2015, para incluir o escritório de advocacia e quem fosse o seu sócio ou empregado, determinouse que ela somente vigoraria a partir de 10/06/2015; no caso presente, o serviço foi prestado por outro advogado, conforme reconhece a própria Resolução expressamente; ora, se quem prestou os serviços foi outro advogado, não se poderia cogitar o impedimento do Conselheiro, que não prestou qualquer serviço e tampouco recebeu qualquer remuneração; uma vez que se trata de impedimento, a interpretação tem de ser restritiva; o escritório de advocacia foi quem prestou os serviços, e não o Conselheiro acusado, e os serviços foram prestados para outra empresa, qual seja, a Indra Brasil Ltda, que não é a Contribuinte interessada no PAF; o fato de ser sócio não implica que tenha havido ou que possa haver o recebimento de qualquer valor, daí a razão pela qual não se pode presumir tais questões, pois dependem de prova, estando equivocada e contraditória a decisão a quo; no caso dos autos, além de a suposta relação do Conselheiro ser com outra empresa e não haver qualquer liame com a presente causa, a acusação afirma que teria havido um único serviço, prestado em 2012 (fl. 8), quando o processo sequer havia sido julgado na DRJ; portanto, se o processo sequer tramitava no CARF, não há como se estabelecer uma relação de interesse com o exConselheiro; assim, fica inverossímil colocar sob suspeita qualquer interesse ou ligação do exConselheiro diante da abundância de provas e de fatos que o distanciam desta causa, de forma que pudesse induzir que naquela ocasião haveria uma remota possibilidade de um curso em licitações no Direito Administrativo, prestado por outro profissional, sem qualquer trabalho do Conselheiro, pudesse impedir a participação do mesmo no julgamento no CARF em novembro de 2014, até mesmo porque já estava desligado daquele escritório desde 2013; a recorrente nunca se utilizou de serviços do escritório de advocacia mencionado e nunca teve qualquer relação com o mesmo; Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 738 11 não se pode dizer que ministrar curso ou palestra esteja incluído na relação de serviços de consultoria, assessoria ou assistência jurídica, conforme relacionados no art. 42 do RICARF, para os quais existe a restrição do impedimento; não há qualquer prova nos autos que o acusado tenha recebido algum valor, mesmo como sócio de escritório de advocacia, assim como não existe qualquer prova nos autos que o exConselheiro tenha prestado qualquer serviço e/ou percebido qualquer valor da Contriubinte, na forma prevista no art. 42, da Portaria MF nº 256, de 2009, conforme exige o art 80, § 4º, da Portaria MF n° 343, de 2015, não podendo prevalecer a anulação decidida pela Resolução recorrida; a Arguição e a Representação não trouxeram para os autos uma só petição, parecer, ou qualquer espécie de trabalho, com o nome ou assinatura do exConselheiro e destinado à Contribuinte; tudo que se está julgando neste processo é fruto da acusação do Auditor Tributário que realizou o lançamento fiscal, e a Representação no caso passou a ser uma mera formalidade regimental, pois está prevalecendo a sua vontade pessoal; o julgamento da Representação da Nulidade, conforme justificado na própria Resolução recorrida, foi realizado apenas com a apresentação do Voto do Presidente da sessão, sem a possibilidade de pedidos de vista, sem permissão de sustentação oral, ou de apresentação de questões de fato ou de ordem, procedimentos estes que não se apresentam condizentes com os princípios da ampla defesa e do contraditório, previstos na Constituição Federal; o voto do exConselheiro sequer teve influência no resultado do julgamento, pois ainda que fosse contrário ou a favor, a decisão seria a mesma; não se pode esquecer que o Auditor está fazendo uma releitura do processo e acusando fatos do passado que remontam a 2012, que deveriam ter sido questionados em 2014, na época do julgamento, na forma do art. 44, da Portaria MF n° 256, de 2009; assim, por não existiram fatos novos para gerar essa acusação, o efeito teria que ser exnunc, conforme disciplina o art. 2o, inciso XIII, da Lei nº 9.784, de 1999, ou seja, sem força de anular aquele julgamento do passado; a matéria objeto da presente Representação já foi apreciada pela Turma recorrida, por ocasião do julgamento dos Embargos de Declaração e consignada no Acórdão n° 2300004.443, proferido em 28/01/2016, no Processo Administrativo Fiscal n° 10166.721.569/201134, concluindose pela preclusão; no caso, não se pode negar que a Turma se manifestou sobre o mesmo pedido do Auditor Tributário, que foi repetido nesta Representação da Nulidade, porém aquele foi peticionado dentro do processo principal do mérito da causa; conforme o art. 44 da Portaria MF nº 256, de 2009, o impedimento deve ser suscitado e manifestado até o término do julgamento; portanto, extraise do julgamento proferido no Acórdão n° 2300004.443, que foi aplicada a própria regra regimental que determina que a arguição de suspeição e impedimento deve ser provocada até o final do julgamento e no caso, no momento que foi Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 739 12 arguida a referida matéria, houve a perda do objeto pelo exConselheiro, por não mais fazer parte do colegiado; já houve o julgamento para a mesma causa de pedir que era o impedimento, com objeto idêntico que visava à autotutela na nulidade do acórdão de mérito; o interesse desmedido e pessoal no resultado da causa, como ocorre no presente processo, não deixa a menor dúvida da suspeição do Auditor Tributário, o que seria causa de nulidade de todo trabalho fiscal, desde o seu início, quando da fiscalização e do lançamento; o RICARF não permite ao Conselheiro que realizou o lançamento participar do julgamento no órgão, todavia, a decisão a quo não só está permitindo, mas também incentivando, como se fosse um ato normal da atividade fiscal, inserida na lei que regula a função; esta questão merece uma análise cuidadosa em relação ao comportamento do Auditor e dos seus procedimentos, principalmente da forma em que apresentou os fatos acusatórios, pois sem requisição ou autorização de superiores, por interesse exclusivamente pessoal, utilizouse de um tempo enorme na pesquisa de dados fiscais sigilosos, e também de dados particulares de todos os julgadores da Turma, e de empresas estranhas a esse processo, inclusive se deslocando até uma Faculdade de Direito para fotografar uma placa de formatura, em verdadeiro desvio de função, uma vez que sequer comprovou a existência de qualquer amizade íntima, conforme exige o § 4o, do art. 80, do RICARF; uma coisa é o Auditor, dentro de suas funções, como Autoridade Fiscalizadora, em procedimentos de autuações fiscais, procurar e pesquisar informações nos dados da Receita Federal para auxiliar o seu trabalho, outra coisa é a pesquisa investigatória, por sua exclusiva iniciativa e sem autorização do judiciário, de forma completamente pessoal e sem requisição ou autorização de seus superiores, após encerrado o lançamento, intervindo dentro dos autos por meios processuais, com o intuito único e exclusivo de fazer prevalecer sua vontade, demonstrando claramente seu interesse pessoal no resultado da causa; o Auditor está atuando no caso, pelos diversos peticionamentos e por tentar obstruir a DRJ, como um advogado na defesa da causa, função que data venia não se enquadra nas suas atribuições pela Lei n° 10.593, de 2002, até porque existem órgãos institucionais para essa função e, se esse trabalho é atribuição de outrem, está atuando com desvio de função; deve ser observado ainda que, no primeiro momento, o Auditor peticionou no processo principal de forma pessoal e isolada, sem qualquer apoio dos superiores; cabe observar ainda que a quebra do sigilo fiscal ocorreu sobre terceiros, que sequer são partes no presente processo, ou seja, a obtenção dos referidos dados se deu ao arrepio da lei, de forma completamente arbitrária pelo Auditor Fiscal; dessa forma, se aquilo que se chama de prova para fundamentar a Arguição de Nulidade de Suspeição e Impedimento foi obtido por meios não amparados no Direito Pátrio, ou seja, de forma ilícita, sem autorização judicial, como é o caso presente, elas são nulas de pleno direito; Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 740 13 a jurisprudência e a doutrina são no sentido de que em órgão colegiado, como é o CARF, o voto de eventual julgador impedido somente seria passível de anulação do julgado se ele houver influenciado o resultado julgamento; no caso presente, o exConselheiro funcionou apenas como vogal, seguindo o voto do Relator e, dessa forma, pelo resultado do julgamento que gerou o acórdão que se pretende anular, o seu voto não alteraria a demanda, pois havia votos suficientes para o resultado que foi proclamado; com a notificação e o procedimento de cobrança, o processo para a RFB estava em fase de execução do julgado, que na processualística é a fase que ocorre em qualquer processo judicial ou administrativo somente após o trânsito em julgado; assim, o trânsito em julgado administrativo deve ser visto sob os dois aspectos: o primeiro, em relação ao mérito da causa que chegou ao seu final, não havendo mais a possibilidade de recursos, na forma da lei, como acima demonstrado; o segundo, se dá em relação à matéria objeto da presente Arguição de Nulidade que já foi julgada pela Turma recorrida em grau de recurso, e que também não cabe a sua revisão por não mais haver possibilidade de recursos a respeito. Ao final, a Contribuinte requer seja admitido e provido o presente Recurso Administrativo, rejeitandose integralmente a Representação de Nulidade. Recurso Administrativo do exConselheiro Manoel Coelho Arruda Filho Cientificado da Resolução em 20/02/2018 (AR Aviso de Recebimento de fls. 565), o exConselheiro opôs, em 26/02/2018 (protocolo de fls. 568), os Embargos de Declaração de fls. 568 a 581, não conhecidos conforme despacho de 24/04/2018 (fls. 607 a 611), e interpôs, em 28/02/2018 (protocolo de fls. 585), o Recurso Administrativo de fls. 585 a 600, com fundamento no artigo 80, §§ 11 e 12, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, contendo os seguintes argumentos: consta do voto condutor do Conselheiro Presidente, João Bellini Júnior, que o rito a ser "seguido" para o julgamento da Arguição de Nulidade seria o estabelecido no § 9o, do art. 80, do RICARF e nesse sentido não seria cabível a realização de sustentações orais, diligências ou perícias e mesmo de pedidos de vista dos autos; do cotejo do RICARF (mormente, art. 80), Lei nº 9.784, de 1999 (arts. 53 e 54), Decreto nº 70.235, de 1972, e a vedação introduzida pelo voto condutor do Presidente da Turma, extraise que, data venia, tratase de inovação jurídica desautorizada pelo legislador e sem substrato jurídico; demonstrada a erronia e inconveniência do rito aplicado ao julgamento, deve se decretar a nulidade da Resolução recorrida, por preterição do direito de defesa, com arrimo no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972; é de rigor ressaltar que os advogados representantes das partes nos presentes autos foram proibidos de se manifestar oralmente, oportunidade fundamental para as defesas de suas teses e esclarecimentos de fatos decisivos ao deslinde da questão posta a julgamento; Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 741 14 conforme reiterada e pacífica jurisprudência dos Tribunais Superiores, "A frustração da sustentação oral viola as garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, posto que esta constitui ato essencial à defesa"; o processo principal trata de autuação fiscal em face da empresa "Politec Tecnologia da Informação Ltda", que teve sua razão social modificada posteriormente para "Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A", inscrita no CNPJ sob o nº 01.645.738/000179; já o processo em comento, "Arguição de Nulidade", tem como "prova" cabal do suposto impedimento do ora Recorrente, um documento obtido por meio de quebra de sigilo fiscal do escritório de advocacia "Santos Jacinto Advogados Associados ME", CNPJ nº 02.665.120/000133 ilegalmente, digase de passagem para a empresa "Indra Brasil Ltda", CNPJ nº 05.276.991/000153; a Contribuinte objeto do processo principal jamais pagou um real sequer ao escritório Santos Jacinto Advogados; e não se cogite o argumento de que as empresas são, hoje, de um mesmo "grupo econômico", conforme o ditame do §1º, do art. 42, do RICARF, pois, conforme decidido na Resolução ora recorrida, a legislação aplicável ao caso é o antigo RICARF, Portaria MF n° 256, de 2009, que prevê claramente o impedimento do Conselheiro quando este "preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título"; uma leitura atenta da peça inicial da "Arguição de Impedimento, Suspeição e Nulidade" que deu origem a estes autos, revela que o seu signatário, além de quebrar ilegalmente sigilos fiscais de diversos Contribuintes, aí incluídos dois escritórios de advocacia, cuidadosamente "suprimiu" os CNPJ's quando mencionou o nome das diferentes empresas, fazendo crer serem uma só e induzindo a erro esse órgão julgador; há um erro in judicando brutal na Resolução recorrida, pois, se considerarmos a empresa "Indra/Politec" da primeira citação do acórdão, o Recorrente não poderia ser considerado impedido, pois esta empresa jamais pagou um real ao escritório de advocacia do qual o Recorrente era sócio; se considerarmos a empresa "Indra Brasil", da segunda citação do acórdão, o Recorrente não poderia ser considerado impedido, pois esta empresa não é parte interessada, tampouco Contribuinte no processo; o Recorrente jamais recebeu dinheiro de Contribuinte em todos os seus anos como Conselheiro do CARF; o que temos nos autos, e é fato absolutamente aferível com a mera leitura, é que o escritório Santos Jacinto Advogados recebeu honorários da empresa Indra Brasil Ltda. inscrita no CNPJ sob o nº 05.276.991/000153, empresa essa absolutamente estranha aos autos principais, que versam sobre um Processo Administrativo Fiscal em face da empresa Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A, inscrita no CNPJ sob o nº 01.645.738/000179; apenas para fins de argumentação, é preciso salientar que o exConselheiro era o quinto a proferir seu voto, uma vez que era VicePresidente da Turma, e o julgamento já estava decidido quando chegou a sua vez de votar. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 742 15 Ao final, o exConselheiro requer o conhecimento e provimento do presente recurso administrativo. Cientificada da Resolução e dos Recursos Administrativos da Contribuinte e do exConselheiro, a Fazenda Nacional não apresentou recurso (fls. 612). Intimada do Recurso Administrativo interposto pelo exConselheiro em 27/07/2018 (AR Aviso de Recebimento de fls. 620), a Contribuinte apresentou, em 03/08/2018 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 629), as Alegações em Recurso Administrativo de Representação de Nulidade de fls. 721 a 723, aderindo aos fundamentos esposados no apelo do exConselheiro. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase da Representação de Nulidade nº 03/2016 (fls. 50), apresentada pelo Sr. Presidente do CARF, em face de arguição pelo Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil (fls. 47), por meio da qual foi suscitada a nulidade do Acórdão de Recurso Voluntário nº 2301 004.222, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 2ª Seção de Julgamento em 06/11/2014, no Processo Administrativo Fiscal nº 10166.721569/201134 (apensado), em nome de Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A (Politec Tecnologia da Informação S/A). Já foi proferida a Resolução de Representação de Nulidade pela Turma que proferiu o acórdão objeto da arguição, oportunidade em que se decidiu, em síntese: conhecer da Representação de Nulidade; acolher a preliminar relativa à norma aplicável, concluindose ser o RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009; e rejeitar as demais preliminares, inclusive a de prova ilícita; no mérito, não conhecer da arguição de suspeição do exConselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, reconhecer o seu impedimento e declarar a nulidade do Acórdão nº 2301004.222, de 06/11/2014. Contra esta decisão foram apresentados Recursos Administrativos de Representação de Nulidade pela Contribuinte interessada no Processo Administrativo Fiscal objeto da arguição e pelo exConselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, cujo impedimento foi arguido. Intimada, a Fazenda Nacional não interpôs recurso. Assim, o escopo do presente julgamento restringese à arguição de impedimento do exConselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, à luz do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, com as consequências pertinentes, relativas à nulidade do Acórdão nº 2301004.222, de 06/11/2014. Passase à apreciação do recurso do exConselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 743 16 Preliminarmente, o exConselheiro arguiu a nulidade do feito, alegando que o rito da Representação de Nulidade constituiria "inovação jurídica desautorizada pelo legislador". Entretanto, o rito da Representação de Nulidade, previsto no art. 80, do Anexo II, do RICARF, é fundamentado na Lei nº 9.784, de 1999, que regulamenta o processo administrativo como gênero, portanto não se confunde com o rito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), específico para constituição e exigência de crédito tributário, o que obviamente não é o caso. Nesse passo, não há obrigatoriedade de inclusão, em processo genérico, de figuras típicas do PAF, que é específico. Assim, tendo em vista que o rito da Representação de Nulidade tem seu fundamento em lei, aplicada inclusive aos processos administrativos genéricos, não há que se falar em nulidade, de sorte que rejeitase esta preliminar. Adentrando ao mérito, primeiramente há que ser especificada a acusação, conforme a seguir: 1) O art. 42 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) assim versa sobre impedimento de conselheiros: Regimento aprovado pela Portaria MF Nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; (...) Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes: I preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; e (...) Regimento aprovado pela Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 744 17 (...) § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) 2) Nesse contexto, cumpre informar que: a) o conselheiro em comento foi sócio da empresa SANTOS JACINTO ADVOGADOS ASSOCIADOS ME (CNPJ 02.665.120/000133) até 05/2013 (vide ANEXO AIS 01); b) a empresa retromencionada prestou serviços em 2012 para a INDRA BRASIL, empresa que adquiriu a POLITEC em 2011 (vide ANEXO AIS 02. Ressaltase que partes desse documento, extraído dos sistemas da RFB, foram ocultadas em função do sigilo fiscal); c) as autuações do processo administrativo fiscal 10166.721569/2011 34 foram lavradas em 2011. 3) É importante observar que tais fatos se enquadrariam, salvo melhor juízo, no Art. 42 do Regimento Interno do CARF, porquanto o conselheiro em questão teria, por intermédio da empresa da qual era sócio, recebido remunerações da INDRA/POLITEC em 2012, período compreendido entre a instauração do processo administrativo (2011) e o julgamento do processo (2014). 4) Verificase, portanto, que, apesar de ter atuado no julgamento de recurso do processo 10166.721569/201134, o conselheiro estaria, em tese, impedido, já que estaria configurado o interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, previsto no normativo supracitado. A julgar pelas citações dos dispositivos regimentais e seus destaques, bem como pela análise das conclusões deles extraídas, constatase que a arguição de impedimento foi fundamentada nos RICARFs de 2009 e 2015. Entretanto, a decisão recorrida rechaçou a aplicação do RICARF de 2015 à situação de impedimento aventada, sem a interposição de recurso por parte da Fazenda Nacional, de sorte que é com base na redação do RICARF de 2009 que a arguição de impedimento deve ser analisada por esta CSRF. Nesse passo, reiterase a redação do art. 42, do Anexo II, no RICARF de 2009, da forma como foi trazido aos autos pela acusação, inclusive com os seus destaques, em cotejo com suas conclusões, a ver se estas poderiam ser mantidas. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 745 18 Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; (...) Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes: I preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; e (...)" (destaques da acusação) Conforme os destaques levados a cabo pela própria acusação, concluise que, do RICARF de 2009, foi extraída a conduta in abstrato "conselheiro representante dos contribuintes prestar consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado". E no que tange à conduta in concreto do exConselheiro, que teria de subsumir se ao dispositivo acima, a acusação assim a descreve: a) o conselheiro em comento foi sócio da empresa SANTOS JACINTO ADVOGADOS ASSOCIADOS ME (CNPJ 02.665.120/000133) até 05/2013 (vide ANEXO AIS 01); b) a empresa retromencionada prestou serviços em 2012 para a INDRA BRASIL, empresa que adquiriu a POLITEC em 2011 (vide ANEXO AIS 02. Ressaltase que partes desse documento, extraído dos sistemas da RFB, foram ocultadas em função do sigilo fiscal); c) as autuações do processo administrativo fiscal 10166.721569/2011 34 foram lavradas em 2011. " A conduta descrita é no sentido de que o escritório do qual o exConselheiro era sócio até 2013, prestou serviços em 2012 à empresa Indra Brasil, que aquiriu a Politec e foi autuada pela Receita Federal em 2011, sendo que o julgamento sobre o qual se arguiu o impedimento ocorreu em 2014. De plano, constatase que a conduta descrita não se subsume ao art. 42, do Anexo II, do RICARF de 2009, já que não foi o exConselheiro que prestou serviços mas sim o escritório do qual ele era sócio. Tanto é assim que a própria acusação complementa a conduta, agregando à prestação de serviços o fato de o exConselheiro haver recebido remuneração da empresa Indra/Politec, ainda que de forma indireta, ou seja, por meio do escritório de advocacia do qual era sócio. Confirase o complemento da acusação: "3) É importante observar que tais fatos se enquadrariam, salvo melhor juízo, no Art. 42 do Regimento Interno do CARF, porquanto o conselheiro em questão teria, por intermédio da empresa da qual era Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 746 19 sócio, recebido remunerações da INDRA/POLITEC em 2012, período compreendido entre a instauração do processo administrativo (2011) e o julgamento do processo (2014). 4) Verificase, portanto, que, apesar de ter atuado no julgamento de recurso do processo 10166.721569/201134, o conselheiro estaria, em tese, impedido, já que estaria configurado o interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, previsto no normativo supracitado." Como se vê, agregouse à prestação de serviços a conduta "conselheiro representante dos contribuintes perceber remuneração do interessado, sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso". Entretanto, mais uma vez não há subsunção da conduta à norma, já que o dispositivo regimental restringe a conduta ao recebimento, pelo Conselheiro, de remuneração paga pelo interessado no processo em julgamento, sem mencionar recebimento indireto por meio do escritório do qual o Conselheiro é sócio. Por isso mesmo, ao agregar essa conduta, a acusação cita como embasamento o art. 42, do Anexo II, do RICARF, com a redação da Portaria MF nº 343, de 2015. Confirase a citação constante da acusação, inclusive com os seus destaques: "Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e (...) § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" Com efeito, a conduta descrita na acusação subsumese ao dispositivo regimental acima, eis que este menciona expressamente a situação de Conselheiro que faça parte de escritório de advocacia que preste serviço ao interessado no PAF, como teria ocorrido no presente caso. Mas repitase que a decisão recorrida já descartou a aplicação do RICARF de 2015, de sorte que cabe aqui perquirir como, mediante a aplicação do RICARF de 2009, concluiuse pelo impedimento do exConselheiro. Compulsandose o inteiro teor da Resolução nº 2301000.668, de 04/07/2017 (fls. 425 a 448), constatase que, embora o dispositivo regimental aplicado tenha sido efetivamente o do RICARF de 2009, houve uma alteração de foco, que transparece inclusive Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 747 20 nos trechos destacados, diversos dos destaques da acusação, relativamente a este RICARF. Confirase: "Na vigência da Portaria MF 256, de 2009, a configuração do impedimento era a seguinte: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; (...) Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes: I preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; e (...) (Grifouse.)" Salta aos olhos que o foco desse dispositivo regimental passou, da prestação de serviços, destacada pela acusação, para o recebimento de remuneração. E continua o voto: "Entendo restar caracterizado o apontado impedimento. Isso porque, conforme admitido pelo exconselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, o escritório de advocacia Santos Jacinto Advogados Associados – do qual o exconselheiro era sócio até maio de 2013 – prestou serviços jurídicos, por meio do sócio Raphael Anunciação, para Indra/Politec entre 2011 e 2012 (efl.171 e 172), período em que já existente o processo administrativo fiscal contra a contribuinte interessada, o qual data de 12/05/2011 (efl. 01 do Processo 110166.721569/201134), e antes do julgamento do Acórdão nº 2301004.222, 06/11/2014. Ressalto que o termo inicial para a configuração do interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes 'preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título', de acordo com a dicção da Portaria MF 256, de 2009 é o 'período da instauração do processo administrativo fiscal', ou seja, 12/05/2011, sendo o termo final a 'data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso', ou seja, 06/11/2014. Em 02/05/2012, o escritório de advocacia Santos Jacinto Advogados Associados, do qual eram sócios o Sr. Manoel Coelho Arruda Júnior e o Sr. Rapahel Anunciação, recebeu o pagamento de honorários da Indra Brasil no valor de R$15.000,00, conforme comprova correspondência eletrônica do Sr. Sérgio Martins, diretor da Indra Brasil (efl. 171). Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 748 21 Tal fato é suficiente para caracterizar o interesse econômico, ao menos indireto, do exconselheiro, uma vez que efetivamente, como sócio, auferirá ganho econômico na referida prestação de serviços: a remuneração pelos honorários prestados por sócio do referido escritório de advocacia comporá o lucro a ser distribuído pela sociedade. (...) Ora, objetivamente temos um exconselheiro sócio de escritório de advocacia que recebeu dinheiro de contribuinte (Indra Brasil) no curso do Processo Administrativo Fiscal nº 10166.721569/201134. É o suficiente para o reconhecimento do impedimento do exconselheiro." (destaques no original) Constatase, assim, que a conclusão acerca do impedimento do exConselheiro não foi ancorada em pagamento do interessado no PAF ao Conselheiro e sim no pagamento que a empresa interessada no PAF teria efetuado ao escritório do qual o Conselheiro era sócio, ao argumento de que este receberia pagamento de forma indireta, por meio de distribuição de lucros pelo escritório. Com todas as vênias, esta não era, em absoluto, a interpretação a ser extraída do art. 42, na redação do RICARF de 2009. O enfoque no pagamento efetuado pela empresa Indra ao escritório de advocacia do qual o exConselheiro era sócio, com ênfase nos documentos colacionados pela própria defesa, que visava esclarecer que os serviços objeto do pagamento haviam sido prestados por um outro sócio do escritório, suscitou importante esclarecimento em sede de Recurso Administrativo: a empresa beneficiária do pagamento não era a empresa interessada no PAF. Destarte, em suas alegações o exConselheiro esclarece que, quanto à empresa beneficiária dos serviços, que teria efetuado o pagamento ao escritório do qual ele era sócio, tratavase da Indra Brasil Ltda., CNPJ 05.276.991/000153, conforme o extrato da DIRF anexado pela acusação às fls. 02. Esses dados inclusive conferem com aqueles que figuraram em email trazido aos autos pelo exConselheiro às fls. 121, anexo às alegações apresentadas inicialmente, em face da representação. Entretanto, a empresa que é parte no processo nº 10166.721569/201134, objeto da arguição, é a Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A, nova denominação de Politec, CNPJ 01.645.738/000179. Assim, ainda que se pudesse alargar a interpretação do art. 42 na redação do RICARF de 2009, incluindo pagamento recebido por meio do escritório e não diretamente pelo Conselheiro o que se admite apenas para argumentar não há prova de que a empresa interessada no PAF objeto da arguição era a mesma empresa que recebeu o pagamento. E ainda que se pudesse aventar que as duas empresas constituiriam Grupo Econômico, esta hipótese somente foi incluída no RICARF de 2015: "Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e (...) § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10166.726476/201619 Resolução nº 9202000.217 CSRFT2 Fl. 749 22 prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. (...)" De tudo o que foi analisado, concluise pela inexistência de impedimento do ex Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, relativamente ao julgamento do Processo Administrativo Fiscal nº 10166.721569/201134, à luz do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Consequentemente, não há que se falar em nulidade do Acórdão nº 2301 004.222, de 06/11/2014, razão pela qual não conheço do Recurso Administrativo da Contribuinte Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A, por perda de objeto. Finalmente, apenas a título de informação, registrese que a suposta quebra de sigilo, mencionada nas peças de defesa, na verdade diz respeito a extratos da DIRF Declaração de Imposto Retido na Fonte, contendo informações relativas aos pagamentos efetuados pelas empresas citadas na acusação. Tratase, assim, de documentos fiscais acessíveis aos Auditores Fiscais da Receita Federal, sendo que o Auditor que formulou a acusação teve o cuidado de suprimir as informações relativas a Contribuintes estranhos ao presente processo. Diante do exposto, conheço do Recurso Administrativo de Representação de Nulidade, rejeito a preliminar de ilegalidade e, no mérito, rejeito a arguição de impedimento e, consequentemente, a de nulidade do Acórdão nº 2301004.222, de 06/11/2014. Quanto ao Recurso Administrativo da Contribuinte Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A, dele não conheço. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 749DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000726/2003-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO.
O produtor e exportador de produtos não-tributados no mercado interno tem direito ao crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-000.201
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SÁ FILHO
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .07,dr SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10665.000726/2003-33 Recurso n° 153.873 Voluntário Acórdão n° 2101-00.201 — i a Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2009 Matéria IPI Recorrente NACIONAL GRAFITE LTDA. Recorrida DRJ-SANTA MARIA/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. O produtor e exportador de produtos não-tributados no mercado interno tem direito ao crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P câmara / P turma ordinária da segunda SEÇÃO DE JULGA NTO, por unanimidade de otos em dar provimento ao recurso. 11) CA O MARCOS •C • NDIDO DOMINGOS DE S•-FILHO Relator Participaram, ainda, do presente julga i ento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da • sta, Ivan Allegretti (Suplente), Antônio Li soa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martínez López e Antonio Zomer. Processo n° 10665.000726/2003-33 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.201 Fl. 203 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em razão da decisão proferida pela DRJ em Santa Maria/RS, que manteve o indeferimento em relação ao pedido de ressarcimento/compensação de créditos presumido do IPI apurado no 4° trimestre de 1998, apresentado em 14/05/2003, em que a Recorrente visava o aproveitamento com base na Portaria MF número 38/97. Consta dos autos auditagem fiscal realizada com o objetivo de averiguar a procedência das solicitações de Ressarcimento de IPI relativas aos créditos presumidos e b[asicos, com base no artigo 11 da Lei 9.779/99, artigos 165, 178 e 179 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados — RIPI, relativos aos processos administrativos relacionados no quadro abaixo: No Processo ' Período/Ti o de Crédito Valor Período i Fls. 10665.000726/2003-33 I" TRIM/1998 - Presumido 87.976.19 1 10665.000727/2013-N 2° TRIM/199b- rrouniido 79573,63 1 1066100072912003-77 TRIM/I993- Presumido 9112956 1 10665.0007281203-22 1° TRIM11908- Presumido 58.643.31 1 10665.001234/2002-64 I' TRIN1/1999 e I' /2000 a 2" 1.192.403,26 TRI M/2002 — Presumido 10665.001231/2002-41 I° TRIN1/1999 A 2° 189.844,85 f RI M/2002 — BÁSICO TOTAL 1.703.570.80 Auditoria concluiu que: "os valores do IPI escriturados nos livros de Registro de Apuração de IPI se referem aos insumos utilizados no processo • produtivo de produtos tributáveis, em obediência aos dispositivos legais que excluem a possibilidade do aproveitamento dos créditos de insumos aplicados a '- produtos/mercadorias comercializados fora do campo de incidência do Imposto de Produtos Industrializados — IPI (não tributados — NT)". A decisão recorrido manteve "in totum" o despacho negatório, sob a fundamentação de que a fabricação e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da COFINS. Sustenta a Recorrente, em suas razões recursais, que o artigo 1 0 da Lei 9.363/96 consagra ao produto-exportador o direito ao ressarcimento das Contribuições ao PIS e da COFINS incidentes sobre as aquisições de insumos, através do crédito presumido do IPI. 2 Processo n° 10665.000726/2003-33 S2-CIT1 Acórdão n." 2101-00.201 Fl. 204 Entendem a Recorrente que a legislação aplicável não faz ressalva em relação ao tipo de produto final produzido, portanto, a fruição do beneficio ao encontra condicionada aos produtos tributados pelo IPI, pois a lei refere-se tão-só "a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais". Traz à colação em socorro de sua tese alguns Acórdãos da CSRF, que assegura as empresas exportadoras o direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, ainda que adquiridos de fornecedores não contribuintes do PIS/COFINS. Por derradeiro requer seja conhecido e provido o recurso. É o relatório. Voto Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, por essa razão tomo conhecimento. Inconformada, a Contribuinte reclama a necessidade de se conhecer o direito ao crédito presumido de IPI, uma vez que a decisão contida no Acórdão manteve o indeferimento do ressarcimento. O beneficio pleiteado é do crédito presumido do IPI como ressarcimento das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Servidor Público — PIS/PASEP e para a Seguridade Social — COFINS. A Administração Tributária vem entendo que o Contribuinte produtor — exportador de produtos com aliquota zero e isento tem direito ao crédito, ainda que não tenha débito de IPI. Ao contrário desse entendimento é em relação aos produtos não tributados pelo IPI e os produtos que não são industrializados. Em relação aos produtos não industrializado, logicamente assentada ausência do direito ao crédito básico e também ao ressarcimento de crédito presumido. No entanto, em relação ao direito da inclusão na base de cálculo das f' aquisições de insumos não tributados merece exame cuidadoso. O IPI crédito presumido como ressarcimento de PIS e COFINS nas exportações, é beneficio de que trata a Lei n. 9.363/96 e regula exclusivamente o incentivo aos exportadores de produtos manufaturados. A lei em comento foi editada para que permitisse ao Governo promover política de incentivos as exportações, usando como instrumento esse tipo de incentivo para alavancar as exportações, amenizando os gravames tributários dos exportadores. A política de incentivo se revela benéfica ao incremento de divisa e ao mesmo tempo busca afastar a imagem de que o Brasil é um grande exportador de tributo, fator em que muitas das vezes deixam os preços dos produtos brasileiros longe de serem competitivos no mercado mundial. Assim sendo, ao mesmo tempo em que o incentivo serve de atenuante ou redução da carga fiscal, também confirma ser instrumento hábil e necessário ao aumento das divisas do pais. 3 Processo n° 10665.000726/2003-33 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.201 Fl. 205 Neste contexto impõe-se o exame do disposto no art. 40 da Lei 9.363, que instituiu o referido incentivo. "Art. 4° Para os efeitos desta medida provisória, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1°, tendo em vista, quanto ao valor dos insumos, o constante da respectiva nota fiscal de venda ao exportador." Parágrafo único. Utilizar-se-á subsidiariamente a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento dos conceitos de produção, matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem." Como se extraí da simples leitura, o legislador ordinário ao tratar da composição da base cálculo deixou de mencionar quais os itens que iriam compor, remetendo à aplicação das normas contidas no art. 10 da mencionada Lei. Para melhor análise, pede-se licença para transcrever o art. 1 0 da Lei n. 9.363/1996: "Art. 1° Fica instituído, a favor do produtor exportador de mercadorias nacionais, crédito fiscal, mediante ressarcimento em moeda corrente, destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais de que tratam as Leis Complementares n's 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, que incidirem sobre o valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno pelo exportador para utilização no processo produtivo." A exigência contida no art. 1 0 em relação as variáveis que devem compor a base de cálculo é de que tenha incidido as contribuições sociais quando da aquisição dos insumos (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem), adquiridos no mercado interno e utilizado no processo produtivo. O art. 2° da Lei n. 9.363/96 refere-se "valor totare também deixou de prever qualquer exclusão. Portanto, em momento algum o legislador ordinário editou norma em relação aqueles queque não faz jus ao gozo do incentivo ou beneficio. A lei apenas menciona os requisitos que devem ser atendidos para a fruição e gozo do beneficio. Se o legislador quisesse excluir do beneficio o produtor-exportador de bens não tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, teria feito de modo expresso. Também é certo que essa mesma legislação outorgou poderes ao Ministro de Estado da Fazenda, que por meio de ato normativo pode estabelecer condições ao direito do Crédito Presumido de IPI. Em conformidade com que essa atribuição, editou-se a Portaria MF n. 38, de 27 de fevereiro de 1997, que da simples leitura, conclui-se, que ela também deixou de tratar de exclusão de qualquer valor da base de cálculo do crédito presumido ou permitir deduções da G 4 Processo n° 10665.000726/2003-33 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.201 Fl. 206 receita operacional em relação ao produtos produzidos deixar estar sujeitos à incidência de IPI no mercado interno. Ao meu ver, improcede a tese de que só pode usufruir do beneficio o Contribuinte produtor — exportador de produtos tributados no mercado interno. O que resta condicionado por meio do disposto no art. 1 0 é de que tenha incidido as contribuições para o PIS e a COFINS sobre os insumos adquiridos no mercado interno utilizados no processo produtivo do bem a ser exportado. Por essa razão não vislumbro na legislação pertinente qualquer obstáculo o produtor-exportador de produtos não tributados, bem como, os não sujeitos a alíquota zero, o direito do incentivo fiscal do Crédito Presumido de IPI, desde que atendidos os requisitos contidos na Lei n. 9.363/99. Sobreleva anotar que a Lei deve ser de caráter genérico, assim sendo, a Lei n. 9.363/96 não poderia ser diferente, quando estendeu o crédito incentivado a todos os exportadores de mercadoria industrializadas e definiu com precisão a natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo a ser utilizada e a base de cálculo, o que demonstra ter sido o legislador criterioso, sensato e de uma certeza impar. Ao contrário do que restou ponderado na legislação pertinente, se a mencionada lei tivesse segregado contribuinte-exportador de produtos manufaturados, por tratar-se de produto não tributado no mercado interno, aí, sim, estaríamos diante de uma lei maculada por vício insanável, padecendo de inconstitucionalidade. O jurista e eminente professor Miguel Reale, fundamentado em sua própria teoria científica, pergunta: "Por que a lei obriga? Como obriga? Quais são os limites lógicos da obrigatoriedade da Lei? "Sua primeira concepção de "valor"que confere eficácia e validade à norma jurídica está na sua harmonia e adequação com o Sistema Jurídico que integra. No Estado Democrático de Direito o valor da norma está em sua submissão à Constituição Federal e às leis que lhe são hierarquicamente superiores, logo a norma só obriga, com a força cogente das sanções respectivas, quando está posta dentro dos limites lógicos de sua validade constitucional."(Reale Miguel. Teoria Tridimensional do Direito. 5" ed. Saraiva. São Paulo, 1994, p.I 17). )giYç É de nosso conhecimento que a violação de um princípio constitucional importa em violação à própria Constituição. No caso do Sistema Tributário Nacional, em que são identificados princípios constitucionais tributários, são fundamentais, pois orientam a atuação de outras normas em matéria tributária. Nesse diapasão não se pode esquecer o princípio da igualdade, pois, em matéria tributária é de que "todos são iguais perante a lei", revela que não se pode dispensar tratamento fiscal desigual a indivíduos que se achem nas mesmas condições. Impõe-se, aplicação deste princípio para inibir o arbítrio do poder e os privilégios odiosos dentro da sociedade. Portanto, quando o legislador estendeu o beneficio do direito ao Crédito Presumido de IPI ao produtor-exportador, deixando de fazer ressalva, aplicou à risca o princípio da igualdade. CD ,, Processo n° 10665.000726/2003-33 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.201 Fl. 207 Se os insumos consumidos se caracterizam como matéria-prima, produtos intermediário e embalagens, e estes integram ao produto final, ou que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos em decorrência de ação direta sobre o mesmo no processo de fabricação, não se pode olvidar de que nesse caso assiste o direito de ser contemplado com o incentivo dirigido ao produtor-exportador. Por essa simples razão e obediente no que contém o comando da norma que deu origem ao incentivo, Crédito Presumido do IPI, sou inclinado a sustentar que o produtor- exportador ou equiparado industrial, desde de que atendido os requisitos contidos na Lei 9.363/96, de redação simples e inteligível a olho nu, e restando comprovado a efetiva , exportação do produto, faz jus ao gozo do incentivo fiscal. No caso deste caderno processual, constata-se, pela síntese do relatório fiscal, resultado do procedimento de averiguação dos créditos que o pleito foi obstacularizado em decorrência de tratar-se de produtos não sujeitos à incidência do IPI no mercado interno. , Também verifico do mesmo relatório fiscal que apenas 1% ( um por cento) da produção é comercializado no mercado interno, o que implica reconhecer que quase a i totalidade do produto produzido pela Recorrente são destinados ao mercado exterior, motivo pelo qual faz jus ao incentivo. Extrais-se, também, do referido relatório: "Item 7— As vendas de produtos industrializados com tributação de IPI são destinadas ao mercado interno e representam menos , de 1% do total das vendas da empresa, cuja quase totalidade se refere a produtos não tributados — NT Todos os créditos de insumos aplicados nesses produtos tributáveis foram aproveitados no livro Registro de Apuração de IPI, com apuração de pequenos saldos devedores na maior parte dos períodos abrangidos por esta verificação (janeiro/1998 a dezembro de 2002) os quais foram recolhidos corretamente, sem apresentar saldo credor disponível a ressarcir." Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para assegurar ao contribuinte o direito de inserir na base de cálculo os valores das aquisições de todos os insumos utilizados no procedimento industrial que incorporam ao produto final para os fins de determinar o valor do incentivo fiscal, Crédito Presumido de IPI, conseqüentemente, o 97 ressarcimento. C --- , se O VOtO ( . Sala das Se' , n es, em 04 de junh de 2009, f ...- gb) "... DOMINGOS DE SÁ FILHO .-----, ------_ 6
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002808/2006-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas.
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SÚMULA CARF Nº 122.
"A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA)".
Numero da decisão: 9202-007.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Helena Cotta Cardozo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para admitir 1.180,40 hectares como Área de Reserva Legal (ARL).
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL JOSÉ MENDONÇA DE MORAIS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SÚMULA CARF Nº 122. "A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA)". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Helena Cotta Cardozo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para admitir 1.180,40 hectares como Área de Reserva Legal (ARL). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 28 08 /2 00 6- 46 Fl. 348DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2002. Conforme auto de infração (fls. 108 e seguintes) a autuação pode assim ser resumida: 1) Área de Preservação Permanente e de Reserva Legal ( art. 10 a 15 do Decreto n°4.382, de 19 de setembro de 2002): Foi declarada em a área de 133,3 ha e 1.180,4 ha, APP e ARL, respectivamente. Para comprovação destas áreas, estabelece a legislação de regência (§ 3° do art. 10 do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002) que o documento hábil é o Ato Declaratório Ambiental — ADA —, expedido pelo IBAMA, ou seu protocolo até 6 (seis) meses após a data prevista para a entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR —, que foi em 30092002. O ADA foi protocolado apenas em 22/01/2004, fora do prazo legal, portanto, devendo ser glosada as áreas. 2) Valor da terra nua: foi desconsiderado laudo técnico que trazia informações referentes aos anos de 1995 e 1997, impondose aplicação dos valores constantes do SIPT haja vista ausência de provas válidas a fundamentarem o VTN declarado. Intimado o contribuinte apresentou impugnação de fls. 115/122. A Delegacia de Julgamento (fls. 127/135), rejeitando as preliminares arguidas, julgou improcedente a impugnação e manteve na íntegra o lançamento. Em Recurso Voluntário (fls. 140/153) o Contribuinte retificando os termos da impugnação apresentada arguiu preliminar de nulidade do lançamento e se insurgiu contra a obrigatoriedade de apresentação do ADA (Ato Declaratório Ambiental) e a reformulação do valor atribuído ao VTN com a desconsideração do laudo técnico apresentado. Por meio do acórdão nº 280100.715 a 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, deu provimento em parte ao Recurso Voluntário apenas para reconhecer a Área de Reserva Legal no total de 1.225,4ha. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10675.002808/200646 Acórdão n.º 9202007.655 CSRFT2 Fl. 313 3 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA A ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove que informou a órgão de fiscalização ambiental, tempestivamente, mediante documento hábil, a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal que pretende excluir da base de cálculo do ITR. AREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de Areas de utilização limitada/reserva legal reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta firmados entre o proprietário do imóvel e órgão de fiscalização ambiental estadual, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ONUS DA PROVA. Quando o VTN declarado está subavaliado, se faz necessário que o interessado apresente elemento hábil de prova, mormente, laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, que faça expressa referência ao preço de mercado em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, o qual corrobore sua declaração. Não sendo hábil o laudo apresentado, cabível a autuação que' considerou o VTN, constante do SIPT, considerandose o município de localização do imóvel, a aptidão de uso do solo e as extensões de Areas declaradas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Inconformada a União interpôs recurso especial de divergência (fls. 166) para questionar a interpretação dada pelo Colegiado a quo no sentido de ser o ADA instrumento dispensável para fins de exclusão das áreas de reserva legal da área tributável do ITR. O Contribuinte apresentou contrarrazões e interpôs o seu Recurso de Divergência, com indicação de três matérias: obrigatoriedade de comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental da áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal; averbação das áreas de utilização limitada/reserva legal; e subavaliação do valor da terra nua. Conforme despacho que fls. 253, o recurso do contribuinte foi recebido apenas no que tange a necessidade de ADA tempestivo para fins de caracterização da APP. Fl. 350DF CARF MF 4 Há nos autos duas contrarrazões da Fazenda Nacional juntadas às fls. 259/269 e 303/309. Originalmente pautado para a sessão de 31 de agosto de 2017, o processo foi convertido em diligência. Por meio da Resolução nº 9202000.135, os autos foram remetidos à Presidência deste Conselho para se manifestar sobre pedido de reconsideração apresentado pelo Contribuinte contra despacho que admitiu apenas em parte o recurso interposto. O despacho de fls. 339/340, entendendo pela ausência de previsão regimental, não conheceu da petição, ficando mantido assim a admissibilidade de fls. 253. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Os recursos preenchem os pressupostos de admissibilidade e, portanto, devem ser conhecidos. Ambos recursos devolvem a este Colegiado matéria que, na prática, possui o mesmo conteúdo, qual seja, definição sobre a necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, até a data fixada pela norma infralegal, para fins de ver reconhecido o direito a não incidência do ITR sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente. A discussão não envolve os fatos do processo e sim busca definir qual a correta interpretação deve ser dada ao art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96. Assim, superado o conhecimento, passo ao mérito dos recursos que serão, por manterem intrínseca relação, analisados conjuntamente. Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente e reserva legal do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10675.002808/200646 Acórdão n.º 9202007.655 CSRFT2 Fl. 314 5 Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' àqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; Fl. 352DF CARF MF 6 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10675.002808/200646 Acórdão n.º 9202007.655 CSRFT2 Fl. 315 7 separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os Fl. 354DF CARF MF 8 corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10675.002808/200646 Acórdão n.º 9202007.655 CSRFT2 Fl. 316 9 Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Para tanto basta ao Contribuinte apresentar provas robustas sobre a condição do seu imóvel. Em contrapartida, por força dos §§4º e 8º do art. 16 para caracterização de Área de Reserva Legal, além dos requisitos ecológicos, exigiase i) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda ii) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Faziase necessária a realização desses esclarecimentos, pois as diferenças formais apontadas traz impactos diretos no estudo dos requisitos para aplicação da não incidência do ITR especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA. No presente caso, nos interessa discutir acerca dos requisitos que devem ser cumpridos pelo Contribuinte para que reste caracterizada a não incidência do ITR sobre áreas classificadas como de Reserva Legal e Preservação Permanente: Do requisito da averbação: Considerando a redação da Lei nº 4.771/65 afirmase que o ato de averbação em nada afeta a constituição de uma área de preservação permanente a qual existe é pode ser comprovada por qualquer meio capaz de demonstrar que aquele imóvel ou parte dele está localizado em áreas com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. A própria Receita Federal do Brasil nos documentos "Perguntas e Respostas do ITR" manifestava expressamente no sentido de a legislação do ITR não exigir a averbação da área de preservação permanente no Cartório de Registro de Imóveis. Por outro lado a necessidade de averbação das áreas de Reserva Legal era exigência prevista na própria Lei nº 4.771/65, razão pela qual filiome a corrente cujo entendimento é no sentido de ser a averbação requisito constitutivo da referida área. A averbação é condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR tal averbação deve ser anterior ao fato gerador. Fl. 356DF CARF MF 10 O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632PR: Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que para fins de não incidência do ITR a averbação no registro do imóvel em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito aplicável apenas à Área de Reserva Legal. Do Ato Declaratório Ambiental ADA: A discussão quanto a necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente e também Reserva Legal, é um pouco mais polêmica, isso porque tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97. Nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins de constituição das respectivas áreas ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10675.002808/200646 Acórdão n.º 9202007.655 CSRFT2 Fl. 317 11 I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentouse na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comandos impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição dependia de manifestação de órgão cuja atuação não se vinculava com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 358DF CARF MF 12 § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, embora essa Relatora tenha o entendimento isolado de que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR em qualquer circunstância APP e ARL, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito de isenção da: 1) Área de Preservação Permanente devidamente comprovada nos autos e cujo ADA foi requerido antes do início da ação fiscal, e 2) Área de Reserva Legal devidamente averbada à margem do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, aplicandose neste caso o enunciado da Súmula CARF nº 122: "A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA)". Com dito, para a maioria o cumprimento destes requisitos formais suprem a necessidade de apresentação do ADA. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10675.002808/200646 Acórdão n.º 9202007.655 CSRFT2 Fl. 318 13 Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente (NOVO) * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) Fl. 360DF CARF MF 14 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166 67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10675.002808/200646 Acórdão n.º 9202007.655 CSRFT2 Fl. 319 15 Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Conclusão: Analisando as provas juntadas aos autos, concluo que: Fl. 362DF CARF MF 16 1) Área de Reserva Legal: não haverá incidência do ITR sobre a ARL declarada pelo Contribuinte no total de 1.180,4 ha, haja vista existência de averbação em data (11/12/200) anterior ao fato gerador nos termos dos registros dos imóveis juntados às fls. 10/12. Destacase que neste ponto a decisão deve ser revista apenas para ajustar a área reconhecida àquela declarada pelo Contribuinte 1.180,4 ha. 2) Área de Preservação Permanente: não haverá incidência do ITR sobre a APP declarada e comprovada por meio do laudo técnico produzido pelo Contribuinte no total de 133,32 ha (fls. 76), destacando que o ADA foi apresentado ao IBAMA em 22/01/2004 (fls. 13), antes do antes do início da ação fiscal (23/05/2006 fls. 03). Assim, diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL para reconhecer como ARL a área total de 1.180,4ha averbada e declarada na respectiva DITR; e DOU PROVIMENTO AO RECURSO DO CONTRIBUINTE, reformando o acórdão para reconhecer como APP a área de 133,32ha, devidamente comprovada nos autos. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.004800/2002-04
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO E DISPOSIÇÕES LEGAIS INFRINGIDAS. O auto de infração deverá conter obrigatoriamente todos os
elementos relacionados no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, mormente a indicação da motivação que lhe deu origem, arrimada em fatos verídicos e comprovados, sob pena de padecer de nulidade insanável.
Processo anulado ah initio.
Numero da decisão: 2101-000.140
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, declarar nulo o auto de infração ah initio. Ausente momentaneamente o conselheiro Caio Marcos Cândido, pelo quê o julgamento foi presidido pela conselheira Maria Teresa Martinez López.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZADA COSTA
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10380.004800/2002-04 Recurso n° 136.672 Voluntário Acórdão n° 2101-00.140 — 1" Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria PIS Recorrente GERARDO BASTOS PNEUS E PEÇAS LTDA. Recorrida DRJ em Fortaleza - CE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO E DISPOSIÇÕES LEGAIS INFRINGIDAS. O auto de infração deverá conter obrigatoriamente todos os elementos relacionados no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, mormente a indicação da motivação que lhe deu origem, arrimada em fatos verídicos e comprovados, sob pena de padecer de nulidade insanável. Processo anulado ah initio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da i a câmara / i a turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, declarar nulo o auto de infração ah initio. Ausente momentaneamente o conselheiro Caio Marcos Cândido, pelo quê o julgamento foi presidido pela conselheira Maria Teresa Martinez López. MARIA T ESA MARTÍNEZ LÓPEZ Presidente Substituta ifvei‘A ?RIS TINAIN" A R(‘ DA COSTA Relatora o Processo n" 10380.004800/2002-04 S2-CITI Acórdão n°2101-00.140 Fl. 175 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim e Domingos de Sá Filho. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4' Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza, CE. Os autos tratam de auto de infração de PIS, lavrado contra o estabelecimento matriz da empresa acima identificada e, por bem descrever os fatos reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração da Contribuição para o PIS/Pasep, fls. 52/56, referente ao terceiro e quarto trimestre do ano-calendário de 1997, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ [1 incluído multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 28/02/2002. 2. O lançamento teve origem em Auditoria Interna das Declarações de Contribuições e Tributos Federais - DCTF, relativas aos terceiro e quarto trimestres de 1997, onde foi constatada falta de recolhimento do PIS, no valor de R$ conforme "Anexo I — Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados" (fls. 54/55) e "Anexo III — Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (fl. 56). [*valores excluídos] 3. Inconformado com a exigência da qual tomou ciência em 21/03/2002, por meio de Aviso de Recebimento — AR (fl. 51 17), o contribuinte apresentou impugnação em 10/04/2002 (fls. 01/03), alegando que: 3.1. ajuizou Ação Cautelar Inonzinada com pedido de liminar n" 97.0011875-4 perante a 5" vara da Justiça Federal do Ceará postulando a compensação dos valores recolhidos a título de ILL com os valores vencidos ou vincendos dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo concedida a liminar, promoveu as compensações autorizadas informando em suas DCTF, os valores compensados e o número do processo; 3.2. ingressou com Ação Ordinária de Repetição de Indébito c/c Compensação (processo n" 97.0018060-3), cuja sentença confirmou o direito à compensação dos valores recolhidos a título de ILL com os valores vencidos ou vincendos dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, tais como PIS, COFINS, Contribuição Social sobre o Lucro, IRPJ. Referida sentença foi confirmada pelo Tribunal Federal Regional da 5" Região; 3.3. assim, as compensações promovidas com as parcelas devidas a título de PIS nos meses referentes aos terceiro e quarto 2 • Processo n° 10380.004800/2002-04 S2-C IT I Acórdão n.° 2101-00.140 Fl. 176 • trimestres de 1997 estão albergadas pelas referidas decisões judiciais (anexas)." Apreciando as razões de impugnação a Turma Julgadora proferiu decisão no sentido de considerar o lançamento procedente em parte para excluir a multa de oficio, nos seguintes termos: "5. O presente lançamento decorreu do confronto entre os valores informados nas DCTFs dos terceiro e quarto trimestres de 1997 e a vinca/ação de créditos declarados pelo contribuinte, considerando como não comprovado o processo judicial n° 97.11875-4, indicado pelo sujeito passivo nas referidas DCTFs. 6. Constata-se nos autos que quando o interessado deu entrada na ação judicial, em 1997, a razão social da empresa era Gerardo Bastos S/A Pneus e Peças, CNPJ n" 07.270.366/0001- 20. De acordo com o contrato social de fls. 4/8, observa-se que a citada empresa foi alterada para a razão social de Gerardo Bastos S/A Pneus e Peças, com o mesmo CNPJ. Não havendo dúvida que se trata da mesma empresa que pleiteou judicialmente créditos tributários, através do processo n" 97.0011875-4, para compensar com os débitos ora exigidos 7. Como se vê o interessado optou pela via judicial por meio da Medida Cautelar Inominada com Pedido de Liminar (Processo n" 97.0011875-4) e a Ação Ordinária de Repetição de Indébito c/c Compensação (Processo n" 97.0018060-3) visando assegurar à compensação dos valores recolhidos a título de ILL, com os valores vencidos ou vincendos dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em especial o PIS, renunciando portanto a via administrativa. 18. Nesse sentido, nos autos de infração oriundos de revisão de DCTF, cujo tributo devido foi regularmente declarado, embora não tenha sido pago, e não estando presentes as circunstâncias versadas no dispositivo ora transcrito, como no presente caso, descabe a exigência da multa de oficio, conforme entendimento experulido na Solução de Consulta Interna n 2 3, de 8 de janeiro de 2004, acatando o disposto no art. 106, II, "c", do CTN, no julgamento de processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n2 2.158-35, de 2001. 19. Em face do exposto, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento objeto da presente lide, para considerar devida a Contribuição para o PIS no valor de R$ 49.601,97, exonerar a multa de oficio, sem prejuízo da cobrança do crédito tributário mantido com os respectivos encargos moratórios, de acordo com a legislação de regência. Ficando referida cobrança atrelada à observância do resultado da ação judicial." 3 Processo n° 10380.004800/2002-04 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00.140 Fl. 177 Cientificado da decisão em 09/06/2006 o interessado apresentou em 07/07/2006 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na impugnação, reforçando seus argumentos ao alegar que a compensação foi realizada com base na liminar concedida na ação cautelar, sendo que a sentença proferida na ação ordinária competente transitou em julgado. Cita precedentes dos Tribunais Superiores. Alfim requer seja julgado improcedente o auto de infração e reconhecimento da validade das compensações, ultimadas nas respectivas DCTF. Alternativamente requer se aplique o art. 171 do CTN. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições para sua admissibilidade e conhecimento. A ocorrência (fl. 55/56) que motivou a autuação por "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata" (fl. 54), está descrita como "proc jud não comprov". Ou seja, a motivação foi a não comprovação da existência do processo judicial n° 97.11875-4, citado nas DCTF apresentadas, nas quais a recorrente declarou: "comp c/ DARF c/ Proc Jud" (fl.55/56). A recorrente demonstra a improcedência do motivo que ensejou a lavratura do auto de infração eletrônico pela apresentação de peças do processo judicial comprovando a efetividade da impetração da ação cautelar e respectiva ação ordinária, cuja matéria refere-se ao reconhecimento do recolhimento indevido do Imposto sobre o Lucro Liquido e reconhecimento do direito de compensar com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. A certidão de Objeto e Pé de fl. 161/163 informa que a sentença foi proferida no sentido de se determinar a "União Federal, através da Procuradoria da Fazenda Nacional, que suspenda a exigibilidade das parcelas vencidas e vincendas relativas ao PIS e COFINS até o limite dos créditos pagos indevidamente a título de imposto de Renda sobre o Lucro Líquido". As ações Cautelar a Ordinária foram julgadas procedentes nos mesmos moldes. O TRF da 5' Região negou provimento à remessa oficial. Havendo DCTF, regularmente apresentada, contendo os créditos tributários confessados, inclusive com a expressa citação de processo judicial que suspendeu a exigibilidade dos mesmos, não há falar em lavratura de auto de infração para prevenir a decadência, urna vez que a mesma se encontra extinta, pela ruptura de seu curso em razão da confissão do débito e a prescrição não se iniciou em face de sua interrupção por força da ordem judicial. Assim, o auto de infração desprestigia o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, especificamente no inciso IV que determina que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Ora, arrimado que foi o auto de infração no fato de a compensação, apontada na DCTF, haver se realizado com base em processo (ÁL- 4 Processo n° 10380.004800/2002-04 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.140 Fl. 178 judicial não comprovado, o que não é verdadeiro, de vez que do processo foi indicado pela recorrente e sua existência foi confirmada, tratando da matéria objeto dos autos, resta inveridica a motivação ou não infringida qualquer disposição legal citada nos autos. O crédito tributário encontra-se declarado em DCTF, a qual constitui confissão irretratável de débito. A compensação nela apontada, que dá suporte à pretensa extinção do crédito tributário, encontrava-se sub judice. Portanto, ao término da ação judicial sendo a sentença desfavorável à recorrente caberá ao fisco unicamente exigir, de imediato, o crédito tributário confessado na DCTF ou inscrevê-las na Divida Ativa da união, em caso de resistência do devedor. Caso contrário, como consta da sentença anexada aos autos, sendo a sentença favorável, restará homologada a compensação e extinto o crédito tributário confessado. No âmbito dos presentes autos, restou provado que a ocorrência que fundamentou o auto de infração está dissociada da verdade dos fatos em razão da existência do processo judicial informado na DCTF. Em razão do exposto, voto por anular o presente processo ab inicio. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2009. /f el C "IST-INA flit DA CVA
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